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Fetichismo e Alienação
Prof.ª Ms. Mª Suzete M. Lopes
Disciplina de Processo de Trabalho do Serviço Social – ULBRA/ Canoas
Para refletirmos sobre Fetichismo e Alienação, é preciso compreender que estas são categoria teóricas que compõem os fundamentos do materialismo, que afirma que qualquer coisa que exista é essencialmente matéria, ou pelo menos depende dela.
Karl Marx não criou o materialismo, mas adicionou a esse o fator histórico e a dialética, rompendo com o determinismo.
Marx enfatizou a primazia da base material (estrutura econômica) na manutenção e produção da existência coletiva – sociedade. Com isso fundou a concepção materialista histórica, que tem como pressuposto: - o modo de produção da vida material condiciona e processo da vida social, política e cultural; - o modo de produção engloba dois elementos básicos: as forças produtivas e as relações sociais. 
Cabe destacar que o objeto de analise de Marx, é a sociedade capitalista e seu modo específico de produção e reprodução social.
Modo de produção entende-se a forma pela qual os seres humanos obtêm seus meios de existência material;
Força produtiva corresponde aos tipos de instrumentos de trabalho, a experiência e as habilidades acumuladas que possibilitam o controle das condições de produção;
Relações sociais compreende-se as diferentes formas de organização da produção e de distribuição dos meios e dos resultados da produção. 
Para o pensamento marxiano a história das sociedades cuja estrutura produtiva se baseia na apropriação privada dos meios de produção, pode ser descrita como a história das lutas de classes.
 
Essas lutas expressam a existência de contradições de uma estrutura classista e o antagonismo entre os interesses dessas classes.
Então temos até agora as categorias: Forças produtivas, modo de produção, relações sociais, lutas de classes e contradição.
Mas eis que surge a categoria alienação:
 [...] processo histórico por meio do qual o ser humano veio, sucessivamente, a se afastar da natureza e dos produtos, que a partir de então se impõem às gerações posteriores como uma força independente, coisificada, ou seja, como uma realidade alienada (Outhwaite, Bottomore, 1996, p. 07).
A naturalização é a maneira pela qual as idéias produzem alienação, isto é, a sociedade surge como uma força natural estranha e poderosa, que faz com que tudo seja necessariamente como é. 
Os que produzem idéias separam-se dos que produzem coisas.
Trabalho alienado: o homem passa a desdobrar relações sociais de exploração, a vida social é cada vez mais baseada na violência que possibilita que uma classe viva do trabalho da outra. Os homens passam a produzir sua própria desumanidade. O trabalho assalariado não deixa de ser um trabalho alienado, pois implica em submissão forçada do trabalhador às necessidade de reprodução ampliada do capital.
Alienação: processo pelo qual a humanidade em seu processo de reprodução, produz sua própria desumanidade, sua própria negação enquanto ser humano. Humano acrítico.
Porém, corresponde também aos sentimentos e experiências de despersonalização ou desumanização dos sujeitos sociais frente à burocracia, a sensação de impotência diante dos processos sociais de produção e de falta de coesão e proteção social.
Karl Marx (1991) denunciou a exploração sofrida pelo trabalhador, transformado em mercadoria no processo de produção capitalista (mortes por acidentes de trabalho e por doenças decorrentes do trabalho; exploração da mão-de-obra infantil e do trabalho das mulheres); as condições insalubres e desumanas a que eram submetidos os trabalhadores; os baixos salários; os métodos de extração da mais-valia. 
Diante dessa realidade, é que eclodem as manifestações da classe trabalhadora. Manifestações que se desenvolvem paralelamente à expansão da Revolução Industrial 
Os pobres passaram a não aceitar mais a situação de forma resignada e conformada, mas passaram a protestar, das mais diversas formas, constituindo-se numa ameaça real às instituições sociais existentes. 
A politização dos “problemas sociais” é que os transforma em “questão social”
A expressão “questão social” surge na Europa Ocidental, na terceira década do séc. XIX, para designar o fenômeno do pauperismo, decorrente da instauração do capitalismo em seu estágio industrial-concorrencial (NETTO, 2001). Era um fenômeno novo, pois “pela primeira vez na história registrada, a pobreza crescia na razão direta em que aumentava a capacidade social de produzir riquezas” (NETTO, 2001, p. 42). E esses pobres não se resignavam, não se conformavam, mas passavam a protestar, das mais diversas formas, constituindo-se numa ameaça real às instituições sociais existentes.
 “Somente com o conhecimento rigoroso do processo de produção do capital”, Marx pôde esclarecer com precisão a dinâmica da questão social, “consistente em um complexo problemático muito amplo, irredutível à sua manifestação imediata como pauperismo” (NETTO, 2001, p. 45). 
O desenvolvimento capitalista produz, compulsoriamente, a “questão social”. Diferentes estágios capitalistas produzem diferentes manifestações da “questão social” . 
A “naturalização”, a “desfuncionalidade”, “os desvios morais”, “a anomia” “o não-trabalho”, a “criminalização” foram explicações usadas pela burguesia para desqualificar as reivindicações feitas pelos que acabavam ficando fora do usufruto das benesses da nova sociedade burguesa. 
O Estado, enquanto um instrumento nas mãos da classe dominante (burguesia), passou a ser utilizado para tratar essa questão social no sentido de amenizar ou reduzir seus efeitos através de políticas sociais (NETTO, 1996). 
Na esteira desse pensamento liberal, um conjunto de reformadores franceses propõe uma política social que não fosse de responsabilidade do governo, mas dos “cidadãos esclarecidos” que deveriam assumir voluntariamente o exercício da proteção das classes populares. 
Nesta sociedade capitalista o trabalhador desenvolve suas atividades para atendimento das necessidades de outras pessoas, vendendo sua força de trabalho – trabalho assalariado e alienado pelo capital, sendo demarcadas nesta relação de exploração as contradições entre a classe dos trabalhadores e a dos capitalistas/ burguesia.
Na relação do homem com a natureza, este a transforma em produtos/mercadorias para atender as necessidades humanas. 
Estes produtos/mercadorias trazem em si o valor de uso, isto é, a capacidade para satisfazer uma necessidade humana. Porém, é sabido que todo produto/mercadoria tem seu valor de troca, ou seja, a capacidade de um produto/mercadoria ser trocado por outro produto/mercadoria, o que indica ser pensado: como se define o valor/a grandeza desta troca?
Para Marx o que determina o valor desta troca, é a quantidade de trabalho e o tempo despendido pelo homem/trabalhador, para a produção de um produto/ mercadoria – valor de uso. 
Indica Marx que o valor de um produto/ mercadoria vem do trabalho realizado pelo homem (Sell, 2001, p. 169-170). 
Portanto, é neste processo que a moeda/ dinheiro aparece como outra mercadoria para possibilitar estas trocas, no cotidiano da vida social.
Nesta lógica visualiza-se o objetivo do capitalismo – a acumulação capitalista –, expressa pelo lucro retirado em cada produto/ mercadoria produzida pelo trabalhador, no processo de produção. 
Então, é possível assim compreender: o capitalista investe R$ 500.00 para a aquisição de 100 kg de uvas (matéria-prima). Contrata um trabalhador (força de trabalho) por R$ 350,00 por uma determinada jornada de trabalho. O valor total investido pelo capitalista para obter um produto/mercadoria é de R$ 850,00 valor pelo trabalho de transformação da matéria – prima em produto ( ex.: geléia de uva), e este trabalhador realiza seu trabalho em 8 horas de jornada de trabalho, que se divide em 2 partes, em 4 horas ele fabrica o equivalente ao seu salário e as 4 horas restantes ele produz a mais valia. 
Trabalho excedente = realizado para além do necessário