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PESQUISA	DE	ENDOPARASITAS	EM	FEZES	DE
GAMBÁS	DO	GÊNERO	DIDELPHIS	NA	MATA
ATLÂNTICA	NO	ESTADO	....
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Filipe	Aléssio
Universidade	de	Pernambuco
11	PUBLICATIONS			62	CITATIONS			
SEE	PROFILE
Maria	Fernanda
Corporación	Universidad	de	la	Costa
16	PUBLICATIONS			33	CITATIONS			
SEE	PROFILE
Jean-François	Mauffrey
Aix-Marseille	Université
27	PUBLICATIONS			461	CITATIONS			
SEE	PROFILE
Michelle	Klein	Sercundes
University	of	São	Paulo
17	PUBLICATIONS			63	CITATIONS			
SEE	PROFILE
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PESQUISA DE ENDOPARASITAS EM FEZES DE 
GAMBÁS DO GÊNERO DIDELPHIS NA MATA 
ATLÂNTICA NO ESTADO DE PERNAMBUCO
Vanessa de Oliveira Ribeiro1, Daniel Barreto Siqueira2, Filipe Martins Aléssio3, Maria Fernanda Vianna Marvulo4, 
Jean-François Mauffrey5, Leucio Câmara Alves6, Mariana Karolina Freitas Galindo7, Michelle Klein Sercundes8,
Rodrigo Martins Soares9 e Jean Carlos Ramos Silva10

________________
1. Primeiro Autor é Estudante de graduação do Curso de Medicina Veterinária, Universidade Federal Rural de Pernambuco. R. Dom Manoel de 
Medeiros, s/n, Recife, PE, CEP 52171-900. E-mail: vanaribe@yahoo.com.br
2. Segundo Autor é Pós-graduando em Ciência Veterinária (nível mestrado), Universidade Federal Rural de Pernambuco. R. Dom Manoel de 
Medeiros, s/n, Recife, PE, CEP 52171-900.
3. Terceiro Autor é Pós-Graduando do Laboratoire Population Environnement Developpement, UMR-151, Université de Provence - IRD, Case 10, 3, 
Place Victor Hugo, Marseille cedex 3, 13331, France. 
4. Quarto Autor é Médica veterinária do Instituto Brasileiro para Medicina da Conservação – Tríade. Estrada do Encanamento, n° 1752, apto. 1201, 
Casa Forte, Recife, PE. CEP. 52070-000.
5. Quinto Autor é Professor do Laboratoire Population Environnement Developpement, UMR-151, Université de Provence - IRD, Case 10, 3, Place 
Victor Hugo, Marseille cedex 3, 13331, France.
6. Sexto Autor é Professor Adjunto do Departamento de Medicina Veterinária, Universidade Federal Rural de Pernambuco. R. Dom Manoel de 
Medeiros, s/n, Recife, PE, CEP 52171-900.
7. Sétimo Autor é Residente do Programa de Pós-Graduação em Ciência Veterinária, Universidade Federal Rural de Pernambuco. R. Dom Manoel de 
Medeiros, s/n, Recife, PE, CEP 52171-900.
8. Oitavo Autor é Pós-Graduanda (nível mestrado) em Epidemiologia Experimental e Aplicada às Zoonoses, Faculdade de Medicina Veterinária e 
Zootecnia, Universidade de São Paulo. Av. Prof. Dr. Orlando Marques de Paiva, 87, Cidade Universitária, São Paulo, SP. CEP. 05508 270.
9. Nono Autor é Professor Doutor do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal, Faculdade de Medicina Veterinária e 
Zootecnia, Universidade de São Paulo. Av. Prof. Dr. Orlando Marques de Paiva, 87, Cidade Universitária, São Paulo, SP. CEP. 05508 270.
10. Décimo Autor é Professor Adjunto do Departamento de Medicina Veterinária, Universidade Federal Rural de Pernambuco. R. Dom Manoel de 
Medeiros, s/n, Recife, PE, CEP 52171-900.
Apoio financeiro: CNPq.
Introdução
Os marsupiais do Novo Mundo habitam as Américas 
desde o Sudeste do Canadá até o Sul da Patagônia [1]. 
Os gambás do gênero Didelphis destacam-se como 
mamíferos sinantrópicos nativos da Mata Atlântica 
facilmente encontrados próximos de áreas 
peridomiciliares [2,3]. No estado de Pernambuco 
ocorrem duas espécies destes marsupiais: gambá-de-
orelha-branca (Didelphis albiventris Lund, 1840) e o 
gambá-de-orelha-preta (D. aurita Wied-Newied, 1826) 
que pertencem à Ordem Didelphimorphia e à Família 
Didelphidae.
As espécies de gambás brasileiras possuem hábito 
noturno e deslocam-se basicamente pelo solo, porém o 
habitat arbóreo também pode ser utilizado, 
principalmente à procura de alimento [4]. Sua dieta 
onívora consiste em frutos, moluscos, insetos, ovos, 
anfíbios e pequenos répteis, filhotes de pássaros e 
outras aves e de pequenos mamíferos [5,6,7]. O hábito 
alimentar generalista dos gambás predispõe à infecção 
por endoparasitas, podendo estes marsupiais tornarem-
se hospedeiros e disseminadores de protozoários e 
helmintos [5,7,8]. Contudo, os estudos sobre estes 
agentes e suas parasitoses em Didelphis são escassos e 
restringem-se na sua maioria à pesquisa com gambá da 
Virgínia (D. virginiana) [9] nativo da América do 
Norte, e em espécies nativas em algumas regiões do 
Brasil [5,10]. 
De acordo com a literatura consultada não existem 
estudos sobre ocorrência de endoparasitas em 
marsupiais de vida livre no Estado de Pernambuco, 
justificando assim a importância da realização desta 
pesquisa que teve por objetivo realizar um levantamento 
coproparasitológico de endoparasitas (helmintos e 
protozoários) em gambás do gênero Didelphis na Mata 
Atlântica de Pernambuco.
Material e métodos
No período de dezembro de 2007 até abril de 2009 
foram capturados 77 gambás, sendo 57 D. albiventris (29 
machos e 28 fêmeas) e 20 D. aurita (nove machos e 11 
fêmeas), dos quais seis eram filhotes, 30 jovens e 41 
adultos.
 Os gambás foram provenientes de seis áreas de Mata 
Atlântica do Estado de Pernambuco, da Região 
Metropolitana do Recife e do Centro de Triagem de 
Animais Silvestres - CETAS do Instituto Brasileiro do 
Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis -
IBAMA. As áreas de Mata Atlântica foram: Estação 
Ecológica de Tapacurá – ESEC, São Lourenço da Mata 
(latitude: 8° 3'23.12"S, longitude: 35°10'48.53"O); Parque 
Estadual de Dois Irmãos - PEDI (latitude: 8° 0'20.79"S, 
longitude: 34°56'51.85"O), Recife; Centro de Instrução 
Marechal Newton Cavalcanti - CIMNC, Paudalho (latitude: 
7°50'23.53"S, longitude: 35° 6'3.97"O); Parque Ecológico 
São José, Igarassu (latitude: 7°50'19.83"S, longitude: 
34°59'52.86"O); Aldeia, Camaragibe (latitude: 
7°57'31.86"S, longitude: 34°59'6.99"O) e Estação 
Ecológica de Caetés, Abreu e Lima (latitude: 7°55'17.23"S, 
longitude: 34° 55'44.39"O). Cada período de captura teve 
duração de cinco a seis noites consecutivas e foram 
realizadas a cada 15 dias, em média, totalizando um 
esforço de captura de 25.231 armadilhas/noite. Para a 
captura dos animais utilizou-se armadilhas do tipo 
Tomahawk (Live trap), confeccionadas com arame nas 
dimensões 45 x 21 x 21 cm e do tipo Sherman (Live 
trap). Elas foram dispostas na forma de grid –
armadilhas a cada 25m em um retângulo de 200m x 
250m totalizando 80 pontos com duas armadilhas em 
cada e estes pontos foram georreferenciados por um 
aparelho Global Positioning System (GPS). As 
armadilhas também foram colocadas a cada 10m em 
trilhas pré-existentes nas áreas de mata. Para atração 
dos gambás foram utilizadas iscas como abacaxi, 
banana e paçoca de amendoim, sendo as armadilhas 
reiscadas no terceiro dia de captura. As armadilhas 
foram verificadas diariamente a partir das 5:30h para
averiguar a presença de animais. Cada animal do 
estudo foi identificado por marcação individual com 
brincos de alumínio (Zootech®) ou com uso da 
tatuagem na face medial do membro pélvico direito, 
utilizando-se um tatuador (Meicha 2000 Fuji). As fezes 
foram colhidas da armadilha ou diretamente da cloaca 
do animal e colocadas em potes plásticos - coletores 
universais. Foi adicionado bicromato de potássio 2,5% 
(K2Cr6O7) às amostras e estas foram deixadas abertas 
em temperatura ambiente (20-24ºC) em contato com o 
ar durante cinco dias para esporulaçãodos oocistos dos 
coccídios. Após este período as fezes foram 
refrigeradas e, posteriormente, examinadas ao 
microscópio óptico. As amostras de fezes foram 
analisadas e processadas individualmente por três 
métodos coproparasitológicos: método direto, método 
de Willis e método de centrífugo-flutuação em solução 
de sacarose (d = 1,203 g/cm3) [11,12]. Os métodos 
diretos e Willis (flutuação) foram realizados no 
Laboratório de Doenças Parasitárias do Departamento 
de Medicina Veterinária – DMV da Universidade 
Federal Rural de Pernambuco - UFRPE, enquanto o 
método de centrífugo-flutuação em solução de sacarose 
(d = 1,203g/cm3) foi realizado no Laboratório de 
Doenças Parasitárias do Departamento de Medicina 
Veterinária Preventiva e Saúde Animal - VPS da 
Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia -
FMVZ da Universidade de São Paulo - USP. Os potes 
de plásticos (coletores universais) foram enviados 
refrigerados em caixa isotérmica por correio (Sedex) de 
Recife para São Paulo, atendendo às normas de 
biossegurança. Todas as amostras examinadas foram 
observadas ao microscópio óptico com objetivas de 
10x, com confirmação na objetiva de 40x. Por se 
tratarem de métodos qualitativos, os resultados foram
expressos quanto à presença ou ausência das estruturas 
dos agentes. Este estudo possuiu autorização do órgão 
competente - Instituto Chico Mendes de Conservação 
da Biodiversidade - ICMBio - por meio das licenças 
Números: 10769-1 e 11854-1.
Resultados e discussão
Das 77 amostras de fezes analisadas pelos três 
métodos coproparasitológicos, 59 (76,6%) 
apresentaram ovos de helmintos e oocistos de protozoários 
sendo consideradas positivas para endoparasitas fecais. Em 
relação à espécie, 75,4% (43/57) dos indivíduos de D. 
albiventris e 80% (16/20) dos indivíduos de D. aurita 
estavam parasitados. Ao todos, 33 dos 39 indivíduos 
fêmeas (84,6%) estavam parasitados, enquanto nos 
indivíduos machos, 26 dos 38 animais (68,4%) estavam 
parasitados. Os indivíduos adultos apresentaram maior 
frequência de parasitismo, apresentando 80,5% (33/41) de 
resultados positivos, enquanto os indivíduos jovens e 
filhotes apresentaram 73,3% (22/30) e 66,7% (4/6) de 
resultados positivos, respectivamente. Ao todo, foram 
encontrados Nemathelminthes em 42 amostras (71,2%), 
Platyhelminthes em uma amostra (1,7%) e Acanthocephala 
também em uma amostra (1,7%). Com relação aos 
protozoários foram encontrados animais positivos em 38 
amostras (64,4%), entre eles Eimeria sp, Cryptosporidium
sp e Cystoisospora sp. A identificação dos 
Nemathelminthes foi feita em nível de Superfamília e 
família, encontrando-se Strongyloidea, Trichuroidea, 
Ascaridae, Oxyuridae e Spiruridae, com exceção do gênero 
Trichuris sp, cuja identificação foi feita pela 
particularidade do ovo bioperculado. Os Platyhelminthes 
foram classificados em nível de Classe, sendo a Cestoda a 
única encontrada. A classificação do Acanthocephala não 
pôde ser feita permanecendo a denominação do filo. De 
acordo com o levantamento de literatura realizado, esta 
representa a primeira pesquisa de endoparasitas (helmintos 
e protozoários) da Mata Atlântica da Região Nordeste do 
Brasil. Da mesma forma, relatamos a primeira descrição de 
Cystoisospora spp em um D. albiventris no Brasil em um 
indivíduo macho, jovem procedente da área de Mata 
Atlântica do Parque Ecológico São José. Novos 
levantamentos serão realizados para confirmar tal achado. 
Em nosso estudo, por se tratar de exames 
coproparasitológicos, não foi possível chegar ao gênero 
(em helmintos) e à espécie em protozoários. A ocorrência 
de endoparasitas helmintos e protozoários em gambás do 
gênero Didelphis procedentes da Região Metropolitana do 
Recife e da Mata Atlântica de Pernambuco foi mais baixa 
do que a relatada por outros autores que pesquisaram a 
presença de helmintos em D. virginiana [8,13] e em D. 
albiventris [5,7,14], que relataram ocorrência superior a 
90,0% de infecção. Este fato pode ser explicado devido à 
realização, em todos esses trabalhos citados, de eutanásia 
dos animais e, portanto, pesquisa dos próprios helmintos, e 
não de seus ovos nas fezes. Quanto à presença de 
protozoários, o índice de infecção também foi mais baixo 
se comparado a outros trabalhos, nos quais há relatos de 
66,7% (4/6) de ocorrência [15]. No entanto, quando 
comparamos os resultados deste trabalho com os de outros 
autores que utilizaram o método de análise fecal, notamos 
que a freqüência de infecção dos animais deste estudo foi 
maior do que o observado por Araújo et al. [16] que relatou 
46,7% (7/15) de ocorrência de endoparasitas.
Conclusões
A ocorrência de endoparasitas helmintos e protozoários 
em gambás do gênero Didelphis procedentes da Região 
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Realce
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Realce
Metropolitana do Recife e da Mata Atlântica de 
Pernambuco foi alta (59 animais, 76,7%). 
Possivelmente estes marsupiais são reservatórios e 
disseminadores destes enteroparasitas. Além disso, eles 
podem carrear os parasitos do ambiente urbano para a 
mata, ou vice-versa e também se infectarem com 
parasitas provenientes de outros animais sejam 
domésticos ou silvestres. Considerando que esses 
gambás podem estar em contato direto com animais 
domésticos e o homem devido ao seu hábito 
peridomiciliar e sinantrópico, é importante direcionar 
mais estudos a esses marsupiais, já que atualmente tais 
pesquisas são escassas.
Agradecimentos
À Universidade Federal Rural de Pernambuco -
UFRPE, ao Laboratoire Population Environnement 
Developpement, UMR-151 IRD, à Université de 
Provence – ao Conselho Nacional de Desenvolvimento 
Científico e Tecnológico – CNPq (Universal 
478.229/2007-0), ao AlBan Program e ao Instituto 
Brasileiro para Medicina da Conservação – Tríade.
Referências
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