Prévia do material em texto
Tópicos em Engenharia I PATOLOGIA NA CONSTRUÇÃO CIVIL Origem dos Problemas; Durabilidade Defeito de Projeto e Vida útil. PATOLOGIA - HISTÓRICO Tema Recente – Anos 60 e 70; Maiores Acidentes na Construção Civil Brasil: Parque da Gameleira / Belo Horizonte 1971 Elevado Paulo de Frontin / Rio de Janeiro 1971 Introdução nos currículos das Escolas de Engenharia. Tragédia GAMELEIRA 1971 Tragédia GAMELEIRA 1971 Obra: Parque de Exposição Bolivar de Andrade (Parque da Gameleira) Construção de um pavilhão Local: Belo Horizonte/MG – Bairro Gameleira (Oeste) Data: 04/02/1971 às 11:45 (Horário de Almoço) Projeto Arquitetônico - Oscar Niemeyer Engenheiro Estrutural – Calculista: Joaquim Cardoso Execução do Projeto – SERGEN Quantidade de Funcionários da obra: 512 Quantidade de Mortes: 69 Quantidade de Desaparecidos: 50 Período Ditadura Militar – Governo Médici Reportagem disponibilidade pela JORNAL BANCO MINAS, Fevereiro 1971. Tragédia GAMELEIRA 1971 Niemeyer estava sobre exílio em Roma. Havia pressa para finalizar a obra, antes do término do governo de Israel Pinheiro (15 março). Operários já vinham alertando o governo sobre fissuras e estalos nos alicerces. Sem ouvir os operários o governo mandou retira as vigas de sustentação. Toda estrutura desabou. Cerca de 10 mil toneladas vieram abaixo. O bloco de concreto armado de 85 metros de comprimento, apoiado em 4 pilares em forma de pirâmide desabou. “Foi uma loucura aquela correria. De longe a gente ouvia os estalos na fundação. Foi a conta certa de correr e ver meus amigos esmagados debaixo da laje...” — conta para AND o senhor Milton Alves Pereira, agora com 79 anos, que trabalhou como pedreiro nas obras do pavilhão. Atualmente é a EXPOMINAS Elevado Paulo Frontin 1971 Elevado Paulo de Frontin 1971 Obra: Viaduto Paulo de Frontin. Local: Rua Haddock Lobo com Av. Paulo de Frontin, Bairro Tijuca – Rio de Janeiro Data: 20/11/1971 Desabamento aconteceu quando um caminhão betoneira de 2,5 toneladas carregando 8 toneladas de cimento, tentou atravessar o vão da Haddock Lobo. O peso fez a construção quebrar, com as vigas e o concreto desabando sobre os carros que aguardavam no sinal. Depois do desastre, num trecho de 122 metros do elevado, sobraram apenas as colunas. A queda do viaduto provocou uma nuvem de poeira que durou 15 minutos e abalou os prédios das proximidades. Quantidade de mortes: 27 Quantidade de feridos: 22 Reportagem Disponibilidade pela REDE GLOBO no dia do episódio! Houve uma falha na protensão, que é evitar que o concreto se rompa por uma pressão vertical localizada, utilizando-se para isso vigas metálicas e cabos de aço que fazem uma pré tensão a fim de anular a força que essa pressão possa causar. Viaduto Desabou sobre: 1 Ônibus 1 Caminhão 20 Carros Como de praxe não se indicou os culpados, se o problema se originou na fase de projeto, planejamento ou execução da obra. Imagens do Acervo da Globo RETORNANDO A CONCEITOS DE PATOLOGIA PATOLOGIA Segundo RIPPER et al. (1998), a patologia na construção civil pode ser entendida como o baixo, ou fim, do desempenho da estrutura em si, no que diz respeito à estabilidade, estética, servicibilidade e, principalmente, durabilidade da mesma com relação às condições a que está submetida. Patologia das construções é o ramo da engenharia que estuda os sintomas, os mecanismos, as causas, as origens e as consequências das deficiências das construções; Patologia significa não atendimento ao desempenho desejado; Terapia das construções é o ramo da engenharia que trata da correção dos problemas patológicos apresentados pelas construções. Diagnóstico do Problema Para que se tenha êxito nas medidas terapêuticas, é necessário que o estudo precedente, o diagnóstico do problema tenha sido bem conduzido. O diagnóstico completo envolve vários aspectos: Sintomas: também chamados de lesões ou defeitos. Origem: definição da fase do processo construtivo em que teve origem o fenômeno. Causa: deve ser identificado o agente causador do problema. Consequências: O problema compromete a segurança da estrutura ou suas condições de higiene e funcionamento? SINTOMAS • As fissuras; • As eflorescências; • As manchas; • Corrosão das armaduras; • Ninhos de concretagem. Os problemas patológicos, salvo raras exceções, apresentam manifestações externas características que permitem um início do estudo do problema. Os sintomas mais comuns nas estruturas de concreto são: Origem ORIGEM DA FALHA RESPONSÁVEL PELA FALHA FASE DO PROJETO QUALIDADE DO MATERIAL ETAPA DA EXECUÇÃO ETAPA DE USO Definição da etapa do Processo Construtivo. A identificação da origem do problema permite definir, para fins judiciais, quem cometeu a falha. PROJETISTA FABRICANTE MÃO DE OBRA OU FISCALIZAÇÃO. (CONSTRUTORA) OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO DEFICIÊNCIAS DE PROJETO MÁ QUALIDADE DOS MATERIAIS, EMPREGO INADEQUADO DEFICIÊNCIAS NA EXECUÇÃO SINISTROS USO INADEQUADO DA ESTRUTURA MANUTENÇÃO IMPRÓPRIA Fonte: Adaptado de HELENE & FIGUEIREDO, (2003). Causa Os agentes causadores dos problemas patológicos podem ser vários: Cargas; Variação de Umidade; Variações Térmicas intrínsecas e extrínsecas no concreto; Agentes biológicos, físicos e químicos; Incompatibilidade de materiais; Agentes atmosféricos; Causa Ranking dos defeitos de acordo com HELENE e FIGUEREIDO 2003. Consequência Os problemas patológicos são evolutivos e tendem a se agravar com o passar do tempo, além de acarretarem outros problemas associados ao inicial. Exemplo: uma fissura de momento fletor pode dar origem à corrosão de armadura. Flechas excessivas em vigas e lajes podem ocasionar fissuras em paredes. As correções serão mais duráveis, mais fáceis e muito mais baratas quanto mais cedo forem executadas. Como projetar edificações duráveis, com no mínimo 50 anos de vida útil? NORMAS NBR 15.575/2013 da ABNT – Edificações habitacionais– Desempenho – Parte 1 a 6. NBR 14037/2014 - Diretrizes para elaboração de manuais de uso, operação e manutenção das edificações – Requisitos para elaboração e apresentação dos conteúdos. NBR 5674/2012 - Manutenção de edificações – Requisitos para o sistema de gestão de manutenção. NBR 15575 NORMA DE DESEMPENHO DAS EDIFICAÇÕES HABITACIONAIS: Estabelecerá uma nova dinâmica no processo construtivo, consolidando-se como um marco fundamental para a construção civil brasileira, ao determinar as atribuições impostas, de forma individualizada, no que concerne à ação efetiva de cada interveniente, dentro do ciclo do processo construtivo das edificações, ao longo da sua vida útil. NBR 15575 NBR 14037 Diretrizes para elaboração de manuais de uso, operação e manutenção das edificações (Requisitos para elaboração e apresentação dos conteúdos) . Direciona construtores ou incorporadores na elaboração das instruções e informações fundamentais das condições seguras, previstas no projeto, para o uso, operação e manutenção da edificação. Deficiência de especificação de porta não indicada para ambiente externo sujeito às intempéries: Deveria ser em madeira maciça e não folheada VIDA ÚTIL Período de tempo em que o edifício e seus sistemas se prestam às atividades para as quais foram projetados e construídos, com atendimento aos níveis de desempenho previstos nesta norma, considerando-se a periodicidadee a correta execução dos processos de manutenção especificados no respectivo manual de uso, operação e manutenção (a vida útil não pode ser confundida com o prazo de garantia legal ou contratual). VIDA ÚTIL DE PROJETO é uma estimativa teórica do tempo que compõe o tempo de vida útil. O tempo de VU pode ser ou não atingido em função da eficiência e registro das manutenções, de alterações no entorno da obra, fatores climáticos, etc. DURABILIDADE Pela norma de desempenho como sendo a capacidade da edificação ou de seus sistemas de desempenhar suas funções, ao longo do tempo e sob condições de uso e manutenção especificadas no manual de uso, operação e manutenção. A durabilidade deve ser quantificada, e expressa em “anos”. DURABILIDADE Conforme citado anteriormente a durabilidade das edificações está ligada à qualidade e durabilidade apresentada nas mesmas, mas mesmo com todo avanço tecnológico dos últimos anos não tem havido uma redução dos Problemas patológicos. FIGUEIREDO & O’REILLY (2003) citam que ”o ambiente hoje em dia é mais agressivo que o de décadas atrás, além disso o aperfeiçoamento de técnicas de dimensionamento mais avançadas e portanto mais econômicas, também interferem negativamente na durabilidade das edificações”. ’Asim, FIGUEIREDO E O’REILLY (2003) concluem ainda que as estruturas de concreto armado contemporâneas estão cada vez mais vulneráveis ao aparecimento precoce de manifestações patológicas. DIAGNÓSTICO E TERAPIA DIAGNÓSTICO E TERAPIA Para dar início a uma terapia adequada, segundo CÁNOVAS (1988), é preciso seguir os seguintes procedimentos: Inspeção para mapeamento dos sintomas: O procedimento começa com a inspeção, onde se busca identificar os sintomas das patologias existentes na estrutura; através de um mapeamento dos sintomas realizado por um exame visual da estrutura. Recolhimento de dados e informações: Este procedimento em geral vem complementar os dados obtidos na inspeção e auxiliam na quantificação dos danos (medidas geométricas, evolução no tempo, bem como no conhecimento das condições prévias aos danos da edificação, avaliação da resistência do concreto). DIAGNÓSTICO E TERAPIA Conhecer o histórico da estrutura: Este histórico é parte fundamental na escolha da terapia e sua análise levar em consideração a data da construção, o responsável pela construção, o projeto executivo para revisão e análise, o conhecimento dos materiais utilizados (cimento, areia, aço, aditivo, relação água/cimento) e detalhes sobre o uso da estrutura (sobrecargas, ações acidentais). Realização de análises e ensaios: Em muitos casos o levantamento histórico e a inspeção não são suficientes Em muitos casos o levantamento histórico e a inspeção não são suficientes, sendo necessário realizar análises e ensaios que permitam clarificar os sintomas, mecanismos e causas das patologias da estrutura. Fonte: Adaptado de CÂNOVAS 1988. CUSTOS EVOLUÇÃO DOS CUSTOS EVOLUÇÃO DOS CUSTOS Projeto: Toda medida tomada em nível de projeto com o objetivo de aumentar a proteção e a durabilidade da estrutura, como por exemplo, aumentar o cobrimento da armadura, reduzir a relação água/cimento, etc., corresponde ao número 1 do eixo Custo Relativo da Figura; Execução: Toda medida extra projeto, tomada durante a execução da obra, implica num custo cinco vezes maior ao custo que teria sido acarretado se esta medida tivesse sido tomada em nível de projeto, para obter o mesmo grau de proteção e durabilidade; Manutenção preventiva: Toda medida tomada com antecedência e previsão, durante o período de uso Toda medida tomada com antecedência e previsão, durante o período de uso e manutenção da estrutura, pode ser associado a um custo vinte e cinco vezes maior que aquele necessário se a decisão de obter certo grau de proteção e durabilidade tivesse sido tomada no projeto. Manutenção corretiva: Correspondem aos trabalhos de diagnóstico, prognóstico, reparo e proteção das estruturas que já apresentam manifestações patológicas. A esta atividade pode associar um custo de cento e vinte e cinco vezes superior ao custo das medidas que poderiam ter sido tomadas em nível de projeto. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Reportagem sobre uma exposição relembrando o desabamento. Site UOL: http://mais.uol.com.br/view/xiddtuwnvlqs/exposicao-relembra-desabamento-com-dezenas-de-mortos-em- projeto-de-niemeyer-04024D193272DC815326?types=A& Reportagem sobre o Livro, A sombra da Gameleira: https://www.youtube.com/watch?v=3u77_jtAqzM Tragédia na Gameleira. Jornalismo 2013. Disponível em: http://jornalismo04.blogspot.com.br/2013/04/tragedia-na-gameleira.html. Acesso 02/2016 Acervo Globo. Disponível em: http://acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/em-novembro-de-1971- elevado-paulo-de-frontin-desabou-matando-27-pessoas-10808571#ixzz40ipo1NlW Acesso: 02/2016 Conexão Jornalismo. A queda do elevado Paulo de Frontin. http://www.conexaojornalismo.com.br/colunas/cultura/videos/a-queda-do-elevado-paulo-de-frontin- completa--anos-31-4319. Acesso: 02/2016 NBR 15.575/2013 da ABNT – Edificações habitacionais– Desempenho – Parte 1 a 6. NBR 14037/2014 - Diretrizes para elaboração de manuais de uso, operação e manutenção das edificações – Requisitos para elaboração e apresentação dos conteúdos. NBR 5674/2012 - Manutenção de edificações – Requisitos para o sistema de gestão de manutenção.