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161
UNIDADE 3
MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO 
PÚBLICA E CRISES/REFORMAS DO 
ESTADO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você:
• aprenderá o que são formas e sistemas de governo;
• saberá distinguir as formas puras de governo das impuras;
• entenderá as principais características do Parlamentarismo e do Presiden-
cialismo;
• conhecerá os modelos de administração pública utilizados;
•	 compreenderá	a	importância	da	adoção	de	modelos	eficientes	na	adminis-
tração pública;
• aprenderá sobre as principais crises e reformas que aconteceram no Esta-
do Brasileiro;
• verá a importância da Constituição de 1988;
• compreenderá os benefícios trazidos pela aprovação da Lei de Responsa-
bilidade Fiscal.
Esta	unidade	está	dividida	em	três	tópicos.	No	final	de	cada	um	deles	você	
encontrará atividades que reforçarão o seu aprendizado.
TÓPICO 1 – FORMAS E SISTEMAS DE GOVERNO
TÓPICO 2 – MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
TÓPICO 3 – CRISES E REFORMAS DO ESTADO
162
163
TÓPICO 1
FORMAS E SISTEMAS DE GOVERNO
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Caro(a) acadêmico(a), você já aprendeu que a convivência em grupo faz 
parte da vida do homem desde seu início. Aprendeu, também, que foi necessário 
criar uma entidade que primasse pelo bem da coletividade, surgindo assim, o 
Estado. E que o funcionamento do Estado só acontece através do governo. Agora 
você aprenderá sobre as formas e sistemas de governo.
Forma de governo é a maneira como se estabelece o poder e a relação entre 
governantes e governados. As formas de governo são: monarquia, aristocracia e 
democracia. Para Dallari (2011, p. 222): “A organização das instituições que atuam 
no poder soberano do Estado e nas relações entre essas instituições fornecem a 
caracterização das formas de governo.” As formas de governo podem ser puras 
ou impuras.
As formas de governo puras e impuras serão estudadas de forma detalhada nas 
próximas páginas.
Além das formas de governo temos também os sistemas de governo. O 
sistema de governo representa a forma como os poderes Legislativo e Executivo 
se relacionam na prática das funções governamentais. Os sistemas de governo são: 
presidencialismo e parlamentarismo.
ESTUDOS FU
TUROS
UNIDADE 3 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E CRISES/REFORMAS DO ESTADO
164
2 FORMAS PURAS DE GOVERNO
Chamamos de formas puras de governo as formas boas de governo, ou 
seja,	aquelas	que	buscam	o	bem	comum.	A	classificação	das	formas	de	governo	
recebeu	influência	dos	filósofos	Aristóteles,	Maquiavel	e	Montesquieu.	Conforme	
Bächtold (2008, p. 20-21): “A administração pública exige que seja adotada uma 
forma de governo que é o modo pelo qual o poder se organiza e se exerce. São três 
as tipologias clássicas das formas de governo: a de Aristóteles, a de Maquiavel e a 
de Montesquieu.”
Para	que	se	possa	chegar	a	uma	definição	sobre	as	formas	puras	de	governo,	
precisamos	primeiramente	compreender	a	ideia	de	cada	um	desses	filósofos.	
É	 importante	entender	que	a	classificação	das	 formas	de	governo	é	 feita	
levando-se em consideração três critérios: o do número de titulares do poder 
soberano,	 o	 da	 separação	 de	 poderes	 com	 rigorosa	 fixação	 de	 suas	 respectivas	
relações e o dos princípios essenciais que animam as práticas governativas e 
consequente exercício limitado ou absoluto do poder estatal. (BONAVIDES, 2010).
Vamos	começar	pela	classificação	de	Aristóteles,	considerada	a	mais	antiga	
dos três, foi baseada no número de governantes.
Segundo Dallari (2011, p. 223, grifo do autor): 
Distingue ele [Aristóteles] três espécies de governo: a realeza, quando é 
um só indivíduo que governa; a aristocracia, que é o governo exercido 
por um grupo, relativamente reduzido em relação ao todo; e a democracia 
(ou república, segundo alguns tradutores), que é o governo exercido pela 
própria multidão no interesse geral.
Aristóteles,	também,	foi	quem	classificou	as	formas	de	governo	em	puras	
e impuras. Para ele “Governos puros são [...] aqueles em que os titulares da 
soberania, quer se trate de um, de alguns ou de todos, exercem o poder soberano 
tendo invariavelmente em vista o interesse comum [...].” (BONAVIDES, 2010, p. 
209). As formas de governo realeza ou monarquia, aristocracia e democracia são as 
formas puras	de	governo	na	classificação	de	Aristóteles.
A	 classificação	 das	 formas	 de	 governo	 para	 Maquiavel	 pode	 ser	
compreendida	 já	no	início	de	sua	famosa	obra	O	Príncipe,	onde	ele	classifica	as	
formas de governo em duas: monarquia, onde o poder é singular, e república, 
onde o poder é de todos. A república abrange ainda a aristocracia e a democracia. 
(BONAVIDES, 2010).
Observe	que	a	classificação	de	Maquiavel	não	contraria	a	de	Aristóteles,	
apenas	a	apresenta	de	duas	formas:	monarquia	e	república,	ficando	a	aristocracia	
dentro da república.
TÓPICO 1 | FORMAS E SISTEMAS DE GOVERNO
165
Montesquieu, por sua vez, considera que:
Em toda forma de governo distingue [...] a natureza e o princípio desse 
governo. A natureza do governo se exprime naquilo que faz com que ele 
seja o que é. O princípio do governo, por sua vez, vem a ser aquilo que o 
faz atuar, que anima e excita o exercício do poder: as paixões humanas, 
por exemplo. São formas de governo: a república, a monarquia e o 
despotismo [...]. (BONAVIDES, 2010, p. 210, grifo do autor).
Veja no quadro a seguir as formas de governo apontadas por Montesquieu 
de acordo com sua natureza e princípio:
QUADRO 7 – FORMAS DE GOVERNO APONTADAS POR MONTESQUIEU DE ACORDO COM SUA 
NATUREZA E PRINCÍPIO
Forma de governo Natureza Princípio
República (compreende 
democracia e aristocracia)
Democracia	–	a	soberania	fica	
nas mãos do povo.
Virtude, traduzida no amor à 
pátria e na igualdade.
Aristocracia – a soberania 
pertence a alguns. A moderação dos governantes.
Monarquia
G o v e r n o d e u m s ó ( a 
organização acontece através 
de grupos intermediários como 
o clero, a justiça e a nobreza).
Está no sentimento da honra, no 
amor das distinções, esse amor é 
com relação à posição, ao título. 
A honra desperta nos servidores 
da	coroa	a	fidelidade	pessoal	e	a	
dedicação.
Despotismo Ignorância ou transgressão da lei.
Reside no medo. Exist indo 
desconfiança, insegurança, as 
relações entre governantes e 
governados se fazem à base do 
temor recíproco. O governo nega 
a liberdade ao povo e também o 
teme.
FONTE: Baseado em Bonavides (2010).
Importante	 observar	 que	 na	 classificação	 de	 Montesquieu	 aparece	 uma	
terceira forma de governo, que até então não havia sido apontada nem por 
Aristóteles, nem por Maquiavel, o despotismo.
UNIDADE 3 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E CRISES/REFORMAS DO ESTADO
166
“des.po.tis.mo sm 1 Poder absoluto e arbitrário. 2 Opressão.” (MELHORAMENTOS 
MINIDICIONÁRIO DA LÍNGUA PORTUGUESA, 1997, p. 161).
Após	conhecer	as	ideias	de	cada	um	desses	filósofos	acerca	das	formas	puras	
de governo, vamos estudar com maior ênfase as duas formas que são apontadas 
pelos três: a monarquia e a república (considerando que dentro da república temos 
a democracia e a aristocracia). A seguir, você conhecerá as principais características 
dessas formas de governo.
2.1 MONARQUIA
Dentre as formas de governo monarquia e república, a monarquia é a mais 
antiga e a que foi adotada em praticamente todos os estados do mundo, uma vez 
que, os reis predominaram por muitos e muitos anos, até mesmo no Brasil, onde 
essa forma de governo perdurou por 70 anos.
O Brasil é o único país das Américas que teve um regime monárquico estável e 
reconhecido mundialmente. Haiti e México também tiveram suas experiências monárquicas, 
mas estas duraram pouco, tendo nenhuma relevância na história de ambos. O período 
monárquico brasileiro, que durou de 1822, ano da independência do país,até 1889, quando 
foi proclamada a República dos Estados Unidos do Brasil, marcou de forma indelével a 
história nacional. (SANTIAGO, 2014).
Conforme Dallari (2011), a monarquia foi aos poucos sendo enfraquecida 
e abandonada, entretanto, com o surgimento do Estado Moderno houve a 
necessidade de governos fortes e isso favoreceu seu ressurgimento, na época como 
monarquia	absoluta.	Porém,	a	resistência	ao	absolutismo	foi	crescendo	e	no	final	
do século XVIII surgiram as monarquias constitucionais, onde o rei governa, mas 
deve obedecer limites estabelecidos na constituição. Outra situação que limitou o 
poder do rei foi a adoção do sistema parlamentar de governo, em que o monarca 
passa	a	figurar	como	chefe	de	estado,	apenas	representando,	não	mais	governando,	
pois o poder de governar é passado para um gabinete de ministros.
NOTA
IMPORTANT
E
TÓPICO 1 | FORMAS E SISTEMAS DE GOVERNO
167
Atente	que	na	monarquia,	sempre	existirá	a	figura	do	rei,	entretanto,	com	
a criação do gabinete de ministros, o poder não está mais nas mãos de apenas 
uma pessoa. Para entender melhor como funciona a monarquia atualmente, vamos 
utilizar como exemplo a Inglaterra, onde a Rainha Elizabeth II exerce a função de 
Chefe de Estado, e David Cameron que exerce a função de Primeiro-Ministro.
São características fundamentais da monarquia: vitaliciedade, 
hereditariedade e irresponsabilidade. Conforme Dallari (2011, p. 225, grifo do 
autor): 
Vitaliciedade. O monarca não governa por um tempo certo e limitado, 
podendo governar enquanto viver ou enquanto tiver condições para 
continuar governando.
Hereditariedade.	A	escolha	do	monarca	se	faz	pela	simples	verificação	da	
linha de sucessão. Quando morre o monarca ou deixa o governo por 
qualquer outra razão, é imediatamente substituído pelo herdeiro da 
coroa. Houve alguns casos de monarquias eletivas, em que o monarca 
era escolhido por meio de eleições, podendo votar apenas os príncipes 
eleitores. Mas a regra sempre foi a hereditariedade.
Irresponsabilidade. O monarca não tem responsabilidade política, isto é, 
não deve explicações ao povo ou a qualquer órgão sobre os motivos 
pelos quais adotou certa orientação política.
Vamos usar como exemplo a coroa britânica, a Rainha Elizabeth II está 
no poder há 61 anos, e não existe previsão alguma para deixá-lo e quando isso 
acontecer	herdará	o	trono	seu	filho,	Charles.	Evidentemente,	existem	grupos	que	
são a favor da monarquia e outros que são contra, em função de suas características. 
O quadro a seguir aponta os argumentos de quem é a favor e contra essa forma de 
governo.
QUADRO 8 – ARGUMENTOS DE QUEM É A FAVOR E CONTRA ESSA FORMA DE GOVERNO
Argumentos a favor Argumentos contra
Sendo vitalício e hereditário, o monarca 
está acima das disputas políticas, podendo 
assim intervir com grande autoridade nos 
momentos de crise política.
Se o monarca não governa é uma inutilidade, 
geralmente	muito	dispendiosa,	que	sacrifica	o	povo	
sem qualquer proveito.
O monarca é um fator de unidade do Estado, 
pois todas as correntes políticas têm nele um 
elemento superior, comum.
A unidade do Estado e a estabilidade das instituições 
não podem depender de um fator pessoal, mas 
devem repousar na ordem jurídica, que é um 
elemento	objetivo	e	muito	mais	eficaz.
UNIDADE 3 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E CRISES/REFORMAS DO ESTADO
168
FONTE: Adaptado de: Dallari (2011, p. 225-226)
Não se pode negar que toda forma de governo possui vantagens e 
desvantagens, e em se tratando de pessoas, nunca será possível agradar a todos. 
O fato é que a monarquia realmente tem alto custo, frequentemente ouvimos nos 
noticiários sobre os custos altíssimos de se manter um governo monárquico, apesar 
disso, a Revista Veja apontou em uma de suas reportagens sobre a família real 
britânica que: “Uma pesquisa recente mostrou que hoje míseros 13% defendem o 
fim	das	cabeças	coroadas.”	(Edição	de	27	de	abril	de	2011,	p.	98).
Afinal,	 qual	 o	 segredo	para	 fazer	 tanto	 sucesso?	Na	mesma	 reportagem	
acima citada, encontramos uma possível resposta para isso:
A capacidade de resistência e de adaptação da monarquia, além da 
relação primal que os britânicos têm com ela, explicada mais pela 
narrativa mitológica do que pela lógica política, é objeto de constantes e 
nunca inteiramente satisfatórias explicações. A mais simples delas opera 
no campo dos arquétipos imemorialmente moldados no inconsciente 
coletivo. [...] Imperadores, reis, rainhas e princesas continuam a fascinar 
a humanidade muitíssimo tempo depois que o sistema de um único 
governo hereditário, mais ou menos contemporâneo da emergência dos 
estados	nacionais,	deixou	de	ter	utilidade	como	fator	unificador.	(VEJA,	
2011, p. 98-99).
É importante lembrar que o sistema de governo adotado na monarquia é o 
Parlamentarismo, que será estudado mais adiante.
Sendo o ponto de encontro das correntes 
políticas, e estando à margem das disputas, 
o monarca assegura a estabilidade das 
instituições.
Se o monarca efetivamente governa, será 
extremamente perigoso ligar o destino do povo 
e do Estado à sorte de um indivíduo e de sua 
família. Mesmo com a educação especial que se 
ministra ao herdeiro da coroa, não têm sido raros os 
exemplos de monarcas desprovidos das qualidades 
de	liderança	e	de	eficiência	que	se	exigem	de	um	
governante.
Além disso tudo, o monarca é alguém que, 
desde o nascimento, recebe uma educação 
especial, preparando-se para governar. 
Na monarquia não há, portanto, o risco de 
governantes despreparados.
A monarquia é essencialmente antidemocrática, 
uma vez que não assegura ao povo o direito de 
escolher seu governante. E como o monarca é 
hereditário, vitalício e irresponsável dispõe de 
todos os elementos para sobrepor sua vontade a 
todas as demais, desaparecendo, pois, a supremacia 
da vontade popular, que deve ser mantida 
permanentemente nos governos democráticos.
TÓPICO 1 | FORMAS E SISTEMAS DE GOVERNO
169
Confira a lista de países que adotam a monarquia como forma de governo: 
Andorra, Arábia Saudita, Austrália, Bahrain, Bélgica, Brunei, Butão, Camboja, Canadá, 
Dinamarca, Emirados Árabes Unidos, Espanha, Jamaica, Japão, Jordânia, Lesoto, Liechtenstein, 
Luxemburgo, Malásia, Marrocos, Mônaco, Nepal, Noruega, Nova Zelândia, Omã, Países Baixos, 
Qatar, Reino Unido, Suazilândia, Suécia, Tailândia, Tonga e Vaticano. 
FONTE: Disponível em: <http://www.causaimperial.org.br/index.php/arquivos/1159>. Acesso 
em: 14 jan. 2014.
2.2 REPÚBLICA
Na forma de governo república está contida a democracia. É importante 
compreender que nessa forma de governo o poder está nas mãos do povo, que o 
exerce sempre na busca pelo bem comum. É bem verdade que esse poder está nas 
mãos do povo de forma indireta, uma vez que este escolhe seus representantes em 
eleições e esperam que os eleitos os representem de forma satisfatória.
Conforme Dallari (2011, p. 226, grifo do autor): “A república, que é a 
forma de governo que se opõe à monarquia, tem um sentido muito próximo do 
significado	de	democracia,	uma	vez	que	indica	a	possibilidade	de	participação	
do povo no governo.”
A	república	resultou	das	lutas	contra	a	monarquia	absoluta	e	pela	afirmação	
da soberania popular. Essas lutas iniciaram no século XVIII, onde vários teóricos 
buscavam a extinção da monarquia. Paralelo às críticas à monarquia aumentava a 
reivindicação do povo por maior participação no governo, surgindo a república, 
cujos benefícios eram: a limitação do poder dos governantes e a atribuição 
de responsabilidade política. Dentre as vantagens da república estavam: a 
possibilidade de substituir os governantes periodicamente e a aproximação do 
povo com o governo. (DALLARI, 2011).
São características fundamentais da república: temporariedade, eletividade 
e responsabilidade. Se você lembrar as características fundamentaisda monarquia 
verá que são exatamente opostas.
De acordo com Dallari (2011, p. 227, grifo do autor): 
Temporariedade. O Chefe do Governo recebe um mandato, com o prazo 
de duração predeterminado. E, para evitar que as eleições reiteradas do 
mesmo indivíduo criasse um paralelo com a monarquia, estabeleceu-se 
a proibição de reeleições sucessivas.
IMPORTANT
E
UNIDADE 3 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E CRISES/REFORMAS DO ESTADO
170
Eletividade. Na república o Chefe do Governo é eleito pelo povo, não se 
admitindo a sucessão hereditária ou por qualquer forma que impeça o 
povo de participar da escolha.
Responsabilidade. O Chefe do Governo é politicamente responsável, o 
que quer dizer que ele deve prestar contas de sua orientação política, ou 
ao povo diretamente ou a um órgão de representação popular.
Observe que a forma de governo utilizada no nosso país é a república, 
proclamada em 15 de novembro de 1889. Nossos governantes são eleitos para um 
mandato com prazo determinado e possuem responsabilidade sobre seus atos, 
devendo prestar contas de tudo que fazem. Na república a maior autoridade do 
país é o presidente, eleito pelo povo, no caso do Brasil, para um mandato de 4 anos, 
podendo ser reeleito apenas uma vez, isso quer dizer que um presidente poderá 
ocupar o cargo por no máximo 8 anos consecutivos.
São muitos os países que utilizam a república como forma de governo, entre 
eles: Brasil, Estados Unidos, Alemanha, Argentina, África do Sul, Chile, Uruguai, Equador, 
Itália, Israel, Líbano, Peru e Polônia. 
Estando a democracia contida na república, faz-se necessário, aqui, 
conhecermos um pouco mais sobre ela. 
Conforme Gomes (2014, grifo da autora) democracia: 
“É o governo do povo, para o povo, pelo povo”. “Governo do povo” 
quer	dizer	governo	com	um	sentido	popular;	“para	o	povo”	significa	
que o objetivo é o bem do povo; “pelo povo” quer dizer realizado pelo 
próprio povo. Na democracia é o povo quem toma as decisões políticas 
importantes (direta ou indiretamente por meio de representantes 
eleitos). 
A ideia da democracia surgiu na Grécia. Lá, o governo era realmente 
exercido pelo povo, que se reunia nas ruas para tratar dos assuntos relativos à 
comunidade, esse tipo de democracia é denominado democracia direta. Com o 
tempo a população foi aumentando, não sendo mais possível reunir todos e tomar 
as decisões, por isso, a democracia evoluiu de direta para representativa, onde o 
povo se reunia e escolhia através do voto seus representantes. 
IMPORTANT
E
TÓPICO 1 | FORMAS E SISTEMAS DE GOVERNO
171
As características da democracia podem variar de país para país. Segundo 
Gomes (2014): “Não é possível contabilizar quantas democracias existem no 
mundo, mas estima-se que existam mais de 120.” A autora cita também algumas 
características de uma democracia: “[...] liberdade individual, igualdade perante a 
lei sem distinção de sexo, raça ou credo, direito ao voto, educação e direito ao livre 
exercício	de	qualquer	trabalho	ou	profissão.”
Vivemos numa democracia representativa, onde escolhemos nossos 
representantes de tempos em tempos através do voto, além disso, das 
características da democracia apontadas por Gomes, podemos dizer que todas 
estão presentes na nossa.
3 FORMAS IMPURAS DE GOVERNO
QUADRO 9 – FORMAS PURAS E IMPURAS DE GOVERNO
Forma Pura Passa a ser impura
A monarquia
Tirania, governo de um só que vota o desprezo da 
ordem jurídica.
A aristocracia
Oligarquia, plutocracia ou despotismo, como 
governo do dinheiro, da riqueza desonesta, dos 
interesses econômicos antissociais. 
A democracia
Demagogia, governo das multidões rudes, ignaras 
e despóticas.
FONTE: Adaptado de: Bonavides (2010, p. 209)
“Chama-se tirania o governo conduzido por um tirano, onde determinada 
população é oprimida e tem seu livre arbítrio retirado, transformando-se em peças 
em um jogo de poder.” (SANTIAGO, 2014).
Um governo tirânico não se importa em oprimir a população, além disso, 
utilizará de violência para atingir seus objetivos e manter-se no poder.
UNIDADE 3 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E CRISES/REFORMAS DO ESTADO
172
De acordo com Santiago (2014):
Uma forma comum de implantação do modelo tirânico de 
governo começa com o controle e distribuição de falsas informações, 
por exemplo, com a instituição de ministérios da propaganda chamados 
de “informação pública” ou “marketing”. Outra manobra comum é a da 
fraude eleitoral, usada para impedir a eleição de reformadores. O tirano 
irá se utilizar ainda da usurpação de poderes, controle das forças armadas, 
militarização da aplicação da lei, com medidas aparentemente fortes, 
como a declaração de uma “guerra contra o crime”, por exemplo, que 
acaba por gerar uma guerra contra as liberdades civis. Outras formas 
básicas da tirania é a instituição da prática de espionagem e vigilância 
interna, supressão de pesquisadores e denunciantes, além da criação de 
uma classe de funcionários acima da lei.
Não faltam exemplos de tiranos pelo mundo, dentre eles, podemos citar 
Hugo Chavez, ex-presidente da Venezuela, falecido no ano de 2013.
Agora vamos estudar um pouco sobre a oligarquia. Oligarquia é um 
governo de poucas pessoas que exercem o poder em benefício próprio.
De acordo com Pacievitch (2014):
A	palavra	oligarquia	tem	origem	grega,	e	significa	literalmente,	governo	
de poucos. [...] O próprio Platão cita em uma de suas obras, os governos 
oligárquicos da Grécia Antiga, como o dos Trinta Tiranos. Com o 
aumento do comércio internacional e o crescimento e concentração 
de riquezas nas mãos de poucos, surgem mais oligarquias, como por 
exemplo, a oligarquia da família Médice, em Florença, que atingiu seu 
apogeu entre os séculos XV e XVII.
A oligarquia faz parte da história de vários países, inclusive do Brasil. Você 
já	ouviu	falar	na	época	chamada	política	café-com-leite?	Pois	foi	nessa	época	que	a	
oligarquia prevaleceu no Brasil, entre os anos de 1889 e 1930.
Segundo Pacievitch (2014):
Nesse período, os “coronéis” de São Paulo e Minas Gerais faziam um 
revezamento no comando do Brasil, estabelecendo, dessa forma, uma 
oligarquia. Esses “coronéis” eram os grandes cafeicultores de São Paulo 
e os grandes pecuaristas, produtores de leite, em Minas Gerais. O PRP 
(Partido Republicano Paulista) e o PRM (Partido Republicano Mineiro) 
controlavam as eleições, e alternadamente elegiam o presidente da 
República, civis ligados ao setor agrário. As políticas nesse período 
favoreciam o setor agrícola, sobretudo o café (os fazendeiros paulistas) 
e o leite (os produtores mineiros), daí o nome “política café-com-leite”.
TÓPICO 1 | FORMAS E SISTEMAS DE GOVERNO
173
Infelizmente, enquanto esses dois estados foram privilegiados com esse 
sistema, outras regiões do país acabaram sendo prejudicadas, agravando ainda 
mais seus problemas sociais.
A plutocracia, por sua vez, pode ser considerada uma forma de oligarquia. 
Plutocracia,	 palavra	 de	 origem	 grega,	 significa	 governo	 da	 riqueza,	 sendo	 um	
sistema político onde o poder está concentrado nas mãos daqueles que detém as 
fontes de riqueza da sociedade. A plutocracia acontece quando os representantes 
políticos	 atendem	 interesses	 apenas	 daqueles	 que	 os	 apoiaram	financeiramente	
no processo eleitoral, deixando de representar os interesses de toda a população. 
(GASPARETTO	JUNIOR,	2014).
Esse	 financiamento	 em	 troca	 de	 favores	 após	 a	 eleição	 é	 irregular,	 é	
crime, mas infelizmente, ainda estamos longe de conseguir fazer com que essa 
prática	seja	extinta,	muitos	candidatos	são	eleitos	devido	a	esses	financiamentos	
e quando assumem o cargo trabalham de acordo com as vontades de quem 
financiou	sua	campanha.
No Brasil, um caso de financiamento irregular de partidos políticos aconteceu 
durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ficou conhecidocomo Caixa 
Dois. Esta foi uma das práticas inseridas no processo de maior amplitude conhecido 
como Mensalão, que ficou conhecido como um dos casos de corrupção mais graves e 
emblemáticos da história do país.
FONTE: GASPARETTO JUNIOR, Antonio. Disponível em: <http://www.infoescola.com/
formas-de-governo/plutocracia/>. Acesso em: 25 fev. 2014.
Vimos anteriormente o conceito de despotismo, agora vamos ver como 
essa forma funciona na prática. No despotismo o governo é concentrado nas mãos 
de apenas uma pessoa, onde essa pessoa faz o que quer e como quer.
	 Segundo	Gasparetto	Junior	(2014):	
O Despotismo constitui uma das formas mais autoritárias de se governar 
um Estado ou uma nação. É uma categoria de governo que se assemelha 
à ditadura ou à tirania, mas o governante não precisa se esforçar para 
sobrepor-se ao povo, pois o povo é vetado para se expressar, não sabe 
o que fazer e, principalmente, é tratado como escravo. Assim, há o 
governo sem leis e regras de um único indivíduo no despotismo, no 
qual tudo depende de suas vontades. 
NOTA
UNIDADE 3 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E CRISES/REFORMAS DO ESTADO
174
Essa forma de governo é muito antiga. Você consegue lembrar nomes de 
governantes déspotas? De acordo com Gasparetto Junior (2014), o despotismo na sua forma 
tradicional foi praticado por: Napoleão, Mussolini, Hitler, Stalin, Perón, Fidel Castro, Pinochet 
e Sadam Hussein. O Brasil teve dois governos despóticos: o do Marechal Floriano Peixoto e 
do ditador Getúlio Vargas. 
Observe	como	essa	forma	de	governo	é	injusta	para	com	o	povo,	afinal,	
quem governa está administrando o dinheiro do povo, logo, este tem o direito 
de dar sua opinião e de ter suas necessidades básicas supridas (leia-se aqui: 
saúde,	educação	e	segurança)	não	podendo	ficar	refém	das	vontades	de	apenas	
uma pessoa.
E para terminar a etapa de estudos sobre as formas impuras de governo, 
vamos	 ao	 estudo	 da	 demagogia.	 Conforme	Gasparetto	 Junior	 (2014),	 a	 palavra	
demagogia,	de	origem	grega,	significa	a	arte	de	conduzir	o	povo.	E,	inicialmente,	
representava o indivíduo que tinha a capacidade de conduzir o povo. Aos poucos 
a palavra demagogia passou a ser usada para descrever políticos que prometem, 
mas não cumprem com sua palavra.
Ora, se demagogia é prometer e não cumprir, no Brasil, muitos de nossos 
políticos são demagogos! O demagogo utiliza-se das emoções da população para 
atingir	fins	políticos	que	não	beneficiam	a	população,	mas	ainda	assim,	eles	fazem	
com que o povo acredite que tudo está perfeito.
Nesse	sentido,	Gasparetto	Junior	(2014)	afirma:
Atualmente, no Brasil, a imagem cultural construída em torno do 
homem político na sociedade gira muito em torno da Demagogia. A 
descrença do brasileiro com a política é muito grande e é comum de se 
encontrar declarações que condenem todos os políticos, sem exceção. 
Quando se ouve dizer que os políticos buscam por apoio do eleitorado e 
prometem grandes medidas ou fazem grandes propostas para aumentar 
a popularidade, mas, na prática, agem apenas em benefício próprio, isso 
é uma acusação típica de Demagogia.
Na	sua	cidade	existe	algum	demagogo?	Acreditamos	que	você	já	pensou	
em	 alguns	 que	 conhece	 logo	 que	 começou	 a	 estudar	 sobre	 o	 que	 significa	 a	
demagogia. O fato é que a grande maioria das pessoas gosta de ter poder, e para 
conseguir	isso,	não	mede	consequências.	É	preciso	que	nós,	eleitores,	fiquemos	
bem atentos para evitar que esse tipo de político chegue ao poder, precisamos 
lutar contra as formas impuras de governo, só assim, as boas formas prevalecerão 
e	beneficiarão	a	coletividade.
NOTA
TÓPICO 1 | FORMAS E SISTEMAS DE GOVERNO
175
4 SISTEMA DE GOVERNO: PARLAMENTARISMO
No início deste tópico você viu que o sistema de governo é a maneira 
como se relacionam os poderes Legislativo e Executivo no exercício das 
funções governamentais, e que existem dois sistemas: o parlamentarismo e 
o presidencialismo. Vale acrescentar que no parlamentarismo existe maior 
colaboração entre os poderes, enquanto no presidencialismo existe maior 
independência. Antes de explicar como funciona o parlamentarismo na prática é 
preciso que se faça um resumo de como surgiu esse sistema de governo.
De acordo com Dallari (2011, p. 229, grifo do autor):
O parlamentarismo foi produto de uma longa evolução histórica, não 
tendo sido previsto por qualquer teórico, nem se tendo constituído em 
objeto de um movimento político determinado. Suas características 
foram	se	definindo	paulatinamente,	durante	muitos	séculos,	até	que	se	
chegasse,	no	final	do	século	XIX,	à	forma	precisa	e	bem	sistematizada	
que a doutrina batizou de parlamentarismo [...].
O berço desse sistema de governo é a Inglaterra, talvez se deva isso ao 
fato desse país ainda utilizar o sistema. Para sua melhor compreensão vamos 
elaborar aqui um quadro com os anos e principais acontecimentos que resultaram 
no parlamentarismo.
QUADRO 10 - ANOS E PRINCIPAIS ACONTECIMENTOS QUE RESULTARAM NO 
PARLAMENTARISMO
Ano Acontecimentos
1265
Simon de Montfort, nobre francês, neto de inglesa e grande amigo de barões e 
eclesiásticos	ingleses,	chefiou	uma	revolta	contra	o	rei	da	Inglaterra,	Henrique	III,	
realizando uma reunião que muitos apontam como a criação do parlamento. Simon 
deu à reunião caráter de assembleia política, reunindo pessoas de igual condição 
política, econômica e social. Nesse mesmo ano Simon morreu em combate, mas os 
cavaleiros (nobres que não eram pares do reino), cidadãos e burgueses continuaram 
se reunindo.
1295 O	Rei	Eduardo	I	oficializou	essas	reuniões,	consolidando	a	criação	do	Parlamento.
1332
Começa	a	se	definir	a	criação	de	duas	Casas	do	Parlamento.	Os	barões,	que	eram	
pares do reino, continuavam a realizar suas assembleias, às quais o clero não mais 
comparecia. E os cavaleiros, cidadãos e burgueses, designados commoners, formaram 
sua própria assembleia, que seria a Câmara dos Comuns.
UNIDADE 3 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E CRISES/REFORMAS DO ESTADO
176
1 6 8 8 -
1689
A	Revolução	 Inglesa	 resultou	 na	 expulsão	do	 rei	Católico	 Jaime	 II,	 este	 foi	
substituído por Guilherme de Orange e Maria, ambos protestantes. A partir de 1688 
o Parlamento se impõe como a maior força política, chegando ao ponto de alterar 
a linha de sucessão com a exclusão do ramo católico dos Stuarts, isso teria sérias 
consequências futuramente. Durante o reinado de Guilherme e Maria e também de 
sua sucessora Ana, tornou-se hábito a convocação pelo soberano de um Conselho de 
Gabinete, o conselho era formado por um corpo restrito de conselheiros privados, 
consultados regularmente sobre assuntos de relações exteriores.
1714
Rainha	Ana	falece	no	mês	de	agosto,	subindo	ao	trono	o	príncipe	alemão	Jorge,	com	
o	título	de	Jorge	I.	Nem	ele	e	tampouco	seu	sucessor	Jorge	II	conheciam	os	problemas	
políticos ingleses e também não revelavam interesse em tê-lo. Nenhum dos dois 
falava inglês e ao se dirigirem ao Parlamento falavam em latim. A consequência 
disso foi que o Gabinete continuou a se reunir e a tomar decisões sem a presença 
do rei. Dentre os ministros do Gabinete, um deles foi se destacando, liderando o 
Gabinete e expondo e defendendo suas decisões perante o Parlamento, esse ministro 
era Roberto Walpole, que ironicamente foi chamado de Primeiro-Ministro, pois se 
destacava dos demais e controlava o rei. A atuação de Walpole foi decisiva para 
a redução da participação e da autoridade do monarca nas decisões políticas, 
delineando um dos pontos básicos desse sistema de governo: a distinção entre o 
Chefe de Governo (Primeiro-Ministro) e o Chefe de Estado (monarca).
1757
John	Wilkes,	agitador	político	influente	junto	às	classes	mais	pobres,	foi	eleito	para	a	
Câmara	dos	Comuns.	Logo	que	assumiu,	Wilkes	adotou	atitude	de	hostilidade	em	
relação ao monarca. Isso fez comque fosse acusado de sedição na Câmara dos Lordes 
resultando na sua expulsão da Câmara dos comuns após a condenação na Câmara 
dos Lordes.
1770
Na	tentativa	de	reagir	contra	a	submissão	da	coroa	ao	Parlamento,	o	Rei	Jorge	III	
escolheu para Primeiro-Ministro Lord North, chamando para si a responsabilidade 
pela	fixação	da	política	do	Estado.
1774
John	Wilkes	foi	reeleito	para	a	Câmara	dos	Comuns,	essa	reeleição	gerou	polêmicas	
sobre	a	validade	da	eleição,	mas	para	afirmar	sua	independência	e	autoridade,	a	
Câmara dos Comuns o acolheu e ainda o designou Lord Mayor de Londres, ou 
seja, prefeito. Dois anos depois, as colônias norte-americanas conquistaram sua 
independência	(apoiada	por	Wilkes)	fornecendo	pretextos	para	ataques	ao	rei	e	seus	
conselheiros	políticos,	acusados	de	incapacidade	para	fixar	a	política	do	Estado.
1782
O	monarca	se	viu	obrigado	a	demitir	Lord	North,	ficando	estabelecido	que	a	escolha	
do Primeiro-Ministro deveria ser aprovada pela Câmara dos Comuns. Estabelecia-
se a supremacia da representação popular.
FONTE: Adaptado de: Dallari (2011, p. 229-231)
TÓPICO 1 | FORMAS E SISTEMAS DE GOVERNO
177
Além de aprovar a escolha do Primeiro-Ministro, o Parlamento vendo sua força 
começou a pressionar os ministros a se demitirem quando discordavam de sua política. 
Inicialmente usaram o impeachment, instituto de direito penal, para afastar os indesejáveis. 
Os ministros eram acusados de um delito, reconhecida a culpa era declarado o impeachment, 
perdendo o ministro o ministério e recebendo uma pena. Com o tempo, os ministros 
foram percebendo que era melhor deixar o cargo quando o Parlamento manifestasse 
descontentamento com a política por eles adotada. Nascendo, dessa forma, a responsabilidade 
política, com a obrigatoriedade de demissão sempre que receber um voto de desconfiança. 
(DALLARI, 2011). 
Ora, se a escolha do Primeiro-Ministro depende da aprovação do 
Parlamento, isso quer dizer que o Primeiro-Ministro sempre representará a maioria 
do	Parlamento	e	ficará	no	cargo	enquanto	essa	situação	permanecer.
Quando o Parlamento for composto por apenas dois partidos o Primeiro-
Ministro será o representante do partido com maior número de cadeiras, é o que 
acontece no sistema britânico, entretanto, num sistema pluripartidário, é preciso 
que os partidos façam coligações para compor a maioria parlamentar e daí escolher 
um Primeiro-Ministro. (DALLARI, 2011).
Agora que você viu como surgiu o parlamentarismo, vamos ver suas 
principais características e trazer exemplos práticos para facilitar seu entendimento. 
São características do parlamentarismo:
a) Pode ser utilizado em monarquias e repúblicas.
b) Existe o Chefe de Estado (rei ou presidente), este não participa das decisões 
políticas, apenas representa o Estado.
c)	E	o	Chefe	de	Governo	(primeiro-ministro)	que	é	a	figura	central	do	parlamento,	
é ele que exerce o poder executivo e tem responsabilidade política, o tempo de 
permanência do primeiro-ministro não tem limite, pode durar 2 dias, meses ou 
anos, enquanto este tiver a maioria parlamentar a favor e não receber o voto de 
desconfiança,	permanece	no	poder.	(DALLARI,	2011).
IMPORTANT
E
UNIDADE 3 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E CRISES/REFORMAS DO ESTADO
178
Veja um exemplo prático onde aparecerão essas características, para isso, 
vamos usar o governo britânico. A forma de governo da Inglaterra é a monarquia, logo, 
o sistema de governo só pode ser o parlamentarismo. A Rainha Elizabeth II é a Chefe 
de Estado, não participando das decisões políticas, apenas representando o Estado. 
Enquanto a função de Chefe de Governo é exercida pelo Primeiro-Ministro David 
Cameron, este sim toma decisões políticas, exerce o poder executivo. O parlamento é 
composto por duas casas: a Câmara dos Lordes e a Câmara dos Comuns.
O Primeiro-Ministro está à frente do gabinete, que serve de intermediário entre o 
Chefe de Estado (rei) e o Parlamento. (BONAVIDES, 2010). São funções do Primeiro-Ministro 
segundo Bonavides (2010, p. 350): “[...] organizar o gabinete, dirigi-lo, presidir-lhe às sessões, 
chefiar o partido majoritário, exercer a liderança parlamentar, tratar diretamente com o rei, 
ou Chefe de Estado, servir de intermediário entre o ministério e a Coroa ou a Presidência 
da República, enfim, assumir a direção de todos os negócios de governo e obter sempre o 
apoio da maioria, demonstrando para tanto a necessária habilidade e competência como 
líder parlamentar.” Ainda sobre o Chefe de Governo, saiba que ele “[...] é convidado pelo 
chefe de Estado [rei] para compor o governo e aprovado parlamento, recebendo o título de 
primeiro-ministro (Inglaterra), chanceler (Alemanha) ou presidente do conselho (Espanha).” 
(BÄCHTOLD, 2008, p. 22).
5 SISTEMA DE GOVERNO: PRESIDENCIALISMO
O presidencialismo é o sistema de governo adotado pelo Brasil desde 
a proclamação da república, em 15 de novembro de 1889. Vale acrescentar que 
esse sistema só pode ser usado em estados que tenham como forma de governo a 
república. 
O presidencialismo assim como o parlamentarismo não foi produto de 
uma criação teórica, não existe autor ou livro estipulando sua criação ou suas 
características, mas ao contrário do que ocorreu no parlamentarismo, esse sistema 
não demorou muito para ser elaborado. O presidencialismo foi criado pelos norte-
americanos durante o século XVIII, resultando da aplicação das ideias democráticas, 
concentradas na liberdade e na igualdade dos indivíduos e na soberania do povo. 
Os americanos buscaram criar um sistema que impedisse a concentração de poder, 
uma vez que não tinham boas lembranças da época em que eram subordinados ao 
rei da Inglaterra, por isso, aplicaram com o máximo de rigor a teoria da separação 
dos poderes. (DALLARI, 2011).
ATENCAO
TÓPICO 1 | FORMAS E SISTEMAS DE GOVERNO
179
Ora, se os americanos estavam descontentes com a subordinação ao 
monarca, nada mais natural que criassem um sistema oposto ao que foram 
obrigados a conviver durante muito tempo. Nesse novo sistema, a teoria 
da separação dos poderes foi colocada em prática, daí podemos dizer que o 
presidencialismo é um sistema onde o executivo não depende do legislativo. 
Cada	um	dos	poderes	tem	sua	função	bem	definida.	Para	relembrar	os	poderes	
são: executivo (governa, executa as leis), legislativo (elabora as leis) e judiciário 
(garante a aplicação das leis).
 Para que você entenda a independência do poder executivo em relação ao 
legislativo veja o que afirma	Bonavides	(2010,	p.	319):	
O Presidente [...] recebe da Nação soberana os seus poderes, quase 
sempre por sufrágio universal direto, o que de uma parte aumenta-lhe 
o prestígio da investidura pela origem imediatamente democrática do 
poder	público	que	desfruta	e	doutra	parte	lhe	afiança	posição	de	inteira	
independência política perante a esfera do poder legislativo.
Para entender esse sistema é preciso conhecer suas principais características. 
Observe no quadro a seguir:
QUADRO 11 – SISTEMA PRESIDENCIALISTA
Característica Breve explicação
O Presidente é Chefe do Estado e 
Chefe do governo.
Além	de	representar	o	Estado,	o	Presidente	exerce	a	chefia	do	
poder executivo, tomando decisões políticas.
A	chefia	do	executivo	é	
unipessoal.
Quem estabelece as diretrizes do poder executivo é o próprio 
Presidente, podendo utilizar o apoio de auxiliares diretos 
para isso.
O Presidente da República é 
escolhido pelo povo.
É a população que vota e escolhe o Presidente, portanto, é um 
cargo eletivo e não de livre nomeação.
O Presidente da República 
é escolhido para um prazo 
determinado.
Para garantir o caráter democrático foi estabelecido prazo 
determinado para o mandato, e decorrido esse prazo, o povo 
elege um novo representante.
O Presidente da República tem 
poder de veto.
O Congresso (composto por Câmara e Senado)é o poder 
legislativo, como no presidencialismo a separação dos poderes 
foi um ponto determinante, coube ao Congresso a atividade 
de legislar, entretanto, para que o Presidente não fosse mero 
executor de leis lhe foi concedido o poder de veto, então, 
quando este considerar que o projeto é inconstitucional 
ou inconveniente poderá vetá-lo, ou seja, pode negar sua 
aprovação.
FONTE: Adaptado de: Dallari (2011, p. 239-241)
UNIDADE 3 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E CRISES/REFORMAS DO ESTADO
180
Sobre	a	figura	do	Presidente	podemos	dizer	que	ele	tem	inúmeros	poderes	
e atribuições, no caso do nosso país, as atribuições do Presidente da República 
estão elencadas no artigo 84 da Constituição de 1988.
Conforme Bonavides (2010, p. 322-323), as atribuições do Presidente do 
Brasil: “[...] se dilatam da matéria legislativa à ordem administrativa, da esfera do 
poder militar ao campo da polícia exterior, dos negócios da ordem federativa aos 
da função judiciária.”
Para conhecer todas as atribuições do Presidente da República, leia o artigo 84 
da Constituição de 1988.
Para entender o presidencialismo é preciso que você conheça a estrutura 
desse sistema. Podemos considerar que o poder executivo é exercido pelo 
Presidente com o auxílio dos Ministros de Estado (escolhidos pelo próprio 
Presidente) e o poder legislativo é o Congresso composto pela Câmara dos 
Deputados e pelo Senado.
A Câmara dos Deputados, ou casa baixa, segundo Bonavides (2010, p. 333): 
[...] representa a totalidade dos cidadãos, dos contribuintes, do povo como 
fonte primária do poder político, composta de representantes populares 
em	número	proporcional	 aos	 habitantes	 (critério	 demográfico)	 ou	de	
eleitores (critério político). É a assembleia democrática por excelência. 
Já	 o	 Senado	 [ou	 câmara	 alta]	 tem	 no	 sistema	 presidencial	 feição	
menos popular, sendo nas organizações federativas e presidenciais, a 
assembleia dos Estados, que se fazem nela representar em termos de 
paridade política, cabendo a cada Estado igual número de senadores.
Em termos simples, a Câmara dos Deputados representa o povo, enquanto 
o Senado representa os estados. A competência de cada casa também está 
estabelecida na Constituição.
O presidencialismo surgiu com o objetivo de fazer valer a opinião do 
povo, de se ter um sistema mais democrático possível, entretanto, existem muitos 
argumentos contrários e a favor desse sistema. Veja o quadro a seguir:
DICAS
TÓPICO 1 | FORMAS E SISTEMAS DE GOVERNO
181
QUADRO 12 - ARGUMENTOS A FAVOR E CONTRA O PRESIDENCIALISMO
A favor Contra
Rapidez no decidir e no concretizar 
as decisões.
Dizem	que	é	uma	ditadura	a	prazo	fixo	(eleito	para	tempo	
determinado o Presidente pode agir contra a vontade do 
povo ou do Congresso sem que seja possível afastá-lo da 
presidência).
Unidade de comando (o Presidente 
pode decidir sozinho, isso faz com 
que as possibilidades do Estado 
sejam mais bem aproveitadas).
O Presidente precisa de base legal para praticar seus atos 
e por isso acaba mantendo relações com o legislativo (a 
prática comprova que se o executivo for mais forte que o 
legislativo, obtém deste o que quiser, agindo como ditador; 
agora,	se	o	legislativo	se	sobrepor	ao	executivo,	este	ficará	
de	mãos	atadas,	não	podendo	agir	com	eficácia,	tornando	
o	Estado	ineficiente).
Energia na utilização dos recursos 
do Estado (como o Presidente é 
responsável pela política e tem meios 
de aplicá-la fará de tudo para que o 
Estado atue com o máximo de suas 
possibilidades).
FONTE: Adaptado de: Dallari (2011, p. 242)
O afastamento de um presidente é chamado de impeachment.
 “O impeachment, geralmente previsto nos sistemas presidenciais, 
é	uma	figura	penal,	que	só	permite	o	afastamento	do	presidente	
se ele cometer um crime. E é perfeitamente possível que o 
presidente, adotando uma política inadequada, mas sem praticar 
qualquer ato delituoso, cause graves prejuízos ao Estado, 
não havendo, nessa hipótese, como retirá-lo da presidência e 
impedir a manutenção da política errônea.” (DALLARI, 2011, p. 
242, grifo do autor).
O Brasil tem em sua história o impeachment do Presidente Fernando Collor de Melo no ano 
de 1992, quando o Congresso, após o movimento “Diretas já” feito pela população, aprovou 
o impeachment. 
IMPORTANT
E
UNIDADE 3 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E CRISES/REFORMAS DO ESTADO
182
Com relação às vantagens e desvantagens do sistema presidencialista, 
façamos	 aqui	 uma	 breve	 reflexão.	 Os	 argumentos	 contrários	 ao	 sistema	 são	
comprovados ao analisarmos o Congresso Nacional com as coligações entre 
partidos, o que parece é que não existe mais oposição, todos se apoiam para poder 
tirar pelo menos uma lasquinha da “pizza”.
Por falar em Congresso Nacional, você sabe quanto custa para mantê-lo? “No 
ano de 2013, somente os gastos das duas Casas Legislativas, excluindo o TCU, deverão 
alcançar 8,5 bilhões. Assim sendo, chova ou faça sol, trabalhem ou não suas Excelências, 
cada dia do parlamento brasileiro custará R$ 23 milhões, ou seja, quase um milhão por hora!” 
FONTE: Branco, disponível em: <http://oglobo.globo.com/opiniao/quanto-custa-congresso-
nacional-7668883>. Acesso em: 19 jan. 2014.
Vejamos o presidencialismo na prática. A forma de governo utilizada 
no Brasil é a república e o sistema de governo o presidencialismo. Temos um 
Presidente exercendo as funções de Chefe de Estado e Chefe de Governo. É ele 
que juntamente com os ministros administram o poder executivo. Os ministros 
são escolhidos pelo Presidente. No poder legislativo temos o Congresso Nacional, 
dividido em duas casas: a Câmara dos Deputados e o Senado.
UNI
TÓPICO 1 | FORMAS E SISTEMAS DE GOVERNO
183
LEITURA COMPLEMENTAR
Certamente de todas as monarquias ainda existentes no mundo, a mais 
famosa e falada é a britânica. A seguir, você confere reportagem publicada no dia 
02/06/2012.
MANTER UMA RAINHA CUSTA CARO - MAS O RETORNO É AINDA 
MAIOR
Se colocada ao lado das grandes empresas britânicas, a ‘marca’ da família 
real valeria, entre propriedades, turismo e valor agregado, cerca de R$ 138,7 
bilhões.
De tempos em tempos, a família real é acusada de onerar demasiadamente 
os cofres públicos da Grã-Bretanha. De fato, manter as imensas propriedades reais 
demanda uma quantia em dinheiro considerável a cada ano. Somente o Palácio 
de	Buckingham	-	residência	oficial	da	rainha	e	onde	está	localizado	seu	escritório,	
em Londres - abriga nada menos que 775 cômodos em uma colossal estrutura de 
77.000 metros quadrados (o equivalente a 8,5 campos de futebol). Mais de 800 
funcionários circulam pelo local em funções que variam das mais comuns, como 
limpeza e manutenção, até algumas impensáveis, a exemplo dos responsáveis pela 
limpeza de lareiras e pelo hasteamento de bandeiras. Em um ano normal, a rainha 
abre suas portas para mais de 50.000 pessoas, em banquetes, almoços, jantares e 
recepções. Calcule-se, por baixo então, que mais de 3 milhões de convidados já 
tenham sido recebidos por Elizabeth II em seus 60 anos de reinado - completados 
este ano.
Para arcar com todos esses custos, há quatro fontes públicas de renda 
para	financiar	a	 rainha,	 seus	 familiares	e	 funcionários:	a	Lista	Civil,	que	atende	
às necessidades da monarca como chefe de Estado e da Comunidade Britânica 
(Commonwealth); um fundo destinado exclusivamente aos gastos públicos e pessoas 
da realeza; um fundo especial do governo para a manutenção dos palácios reais; 
e,	por	fim,	um	fundo	especial	do	governo	para	viagens,	 incluindo	custos	aéreos	
e	 ferroviários	para	deslocamentos	 associados	a	 compromissos	oficiais.	 Segundo	
a rede britânica BBC, nestas últimas seis décadas, Elizabeth II fez 261 viagens 
internacionais, entre as quais 96 foram visitas de Estado a 116 países, que incluíam 
destinos pouco conhecidos,como as minúsculas Ilhas Cocos - um território 
australiano habitado por apenas 596 pessoas. Isso sem considerar as viagens feitas 
pelos herdeiros da coroa em nome dela - os príncipes Charles, William e Harry.
UNIDADE 3 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E CRISES/REFORMAS DO ESTADO
184
Mas esse é apenas o ônus de se manter a família real mais tradicional e 
conhecida do mundo. Porque é também esse status de celebridade conferido 
a ela que abre caminho para um bônus ainda maior a todo o país. Segundo um 
estudo divulgado no início desta semana pela consultoria britânica Brand Finance 
- especializada em avaliação e gestão de marcas -, o valor comercial da realeza 
britânica já supera 44,5 bilhões de libras (mais de 139 bilhões de reais). A pesquisa 
sugere que, se fosse colocada à venda como qualquer outro negócio, a monarquia 
valeria mais do que as redes de supermercado locais Tesco (33 bilhões de libras) e 
Marks	&	Spencer	(7,4	bilhões	de	libras)	juntas,	por	exemplo.	Assim,	a	coroa	não	só	
devolve todos os seus gastos aos cofres públicos como também leva uma série de 
benefícios ao país, principalmente em forma de turismo.
‘Firma’ - Não	é	de	se	estranhar,	portanto,	que	o	apelido	de	“firma”	lhe	caia	
tão bem. Somente Festa de Jubileu da rainha - que teve início nesse sábado e segue 
até terça-feira - deve representar um lucro em turismo de 924 milhões de libras 
(quase 2,9 bilhões de reais). Do valor total da “marca” família real, 18 bilhões de 
libras (56 bilhões de reais) cobririam o valor das joias da coroa e das propriedades 
reais,	considerados	bens	materiais	por	ora	intocáveis.	Já	os	outros	26,5	bilhões	de	
libras (82,9 bilhões de reais) referem-se aos benefícios econômicos imediatos, ao 
impulsionar o turismo e a indústria local. “A monarquia é um poderoso apoio 
para marcas de indivíduos, de empresas e do próprio país. Ela contribui de forma 
significativa	para	impulsionar	o	crescimento	econômico	da	Grã-Bretanha	em	sua	
tentativa de tirar o país da recessão”, destacam os especialistas responsáveis pelo 
relatório.
Segundo David Haigh, presidente-executivo da Brand Finance, a realeza 
-	 ao	 ser	 colocada	 dentro	 dos	 círculos	 das	 finanças	 corporativas	 com	 valor	 de	
capitalização de mercado - é visto como uma das marcas mais valiosas do país. 
O documento analisa desde ativos físicos - como a coleção de obras de arte que 
sozinha vale 10 bilhões de libras - e intangíveis - como resultado da publicidade 
gratuita feita no exterior (cerca de 500 milhões de libras por ano). Somado, esse 
montante supera em muito os valores gastos em segurança (3,3 bilhões de libras), na 
Lista Civil (461 milhões de libras), em viagens (195 milhões de libras), entre outros. 
“Tudo isso é compensado pela sua contribuição à economia da Grã-Bretanha, 
especialmente durante grandes eventos reais, como o casamento de William e 
Kate	no	ano	passado	e	o	Jubileu	neste	ano”,	acrescenta	o	estudo.	É	compreensível,	
portanto, que a rainha Elizabeth II viva um momento de popularidade recorde em 
um país onde 70% da população acredita que estaria pior sem a monarquia.
FONTE: Disponível em: <http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/manter-uma-rainha-custa-
caro-mas-o-retorno-e-ainda-maior>. Acesso em: 15 jan. 2014.
185
Neste tópico vimos que:
• Forma de governo é a maneira como se estabelece o poder e a relação entre 
governantes e governados.
• As formas de governo são: monarquia, aristocracia e república, estas são formas 
puras, ou seja, formas boas que buscam o bem da coletividade.
• À degeneração das formas puras chamamos de formas impuras, cujo objetivo 
é	 beneficiar	 quem	está	 no	poder,	 sem	 se	preocupar	 com	o	povo.	 São	 formas	
impuras de governo: tirania, oligarquia, plutocracia, despotismo e demagogia.
•		Aristóteles,	Maquiavel	e	Montesquieu	abordaram	a	classificação	das	formas	de	
governo.
• A monarquia é a forma de governo mais antiga, tendo sido usada em praticamente 
todos os estados do mundo, inclusive no Brasil, onde durou 70 anos.
• A monarquia foi evoluindo de absolutista para constitucionalista. A partir 
da	monarquia	constitucional,	além	da	figura	do	Rei	 (Chefe	de	Estado)	 temos	
também o Primeiro-Ministro (Chefe de Governo).
• As características fundamentais da monarquia são: vitaliciedade, hereditariedade 
e irresponsabilidade.
• A forma de governo república tem por objetivo um governo democrático, ou 
seja, um governo do povo, para o povo e pelo povo.
• São características fundamentais da república: temporariedade, eletividade e 
responsabilidade.
• Sistema de governo é a maneira como se relacionam os poderes legislativo e 
executivo. Existem dois sistemas de governo: parlamentarismo (com maior 
colaboração entre os poderes) e presidencialismo (o poder executivo depende 
do legislativo).
• O berço do parlamentarismo é a Inglaterra, enquanto do presidencialismo, os 
Estados Unidos da América.
• O parlamentarismo pode ser utilizado em monarquias e repúblicas; existe o 
Chefe de Estado (Rei ou Presidente) e o Chefe de Governo (Primeiro-Ministro).
RESUMO DO TÓPICO 1
186
• O Primeiro-Ministro é indicado pelo Chefe de Estado e se aprovado pelo 
Parlamento,	fica	no	poder	enquanto	tiver	apoio	deste.
• O Parlamento é composto por duas casas: a Câmara dos Lordes e a Câmara dos 
Comuns.
• São características do presidencialismo: o Presidente é o Chefe de Estado e de 
Governo, é ele quem estabelece as diretrizes do poder executivo, é escolhido 
através do voto para um prazo determinado.
• No presidencialismo o poder executivo é exercido pelo Presidente com o auxílio 
dos ministros de estado, enquanto o poder legislativo é o Congresso Nacional, 
composto por duas casas: a Câmara dos Deputados e o Senado.
• A forma de governo adotada no Brasil é a república, e o sistema, o 
presidencialismo.
187
1 Sobre as formas de governo, analise as proposições a seguir e assinale a 
alternativa CORRETA:
I. Forma de governo representa a maneira como os poderes legislativo e 
executivo se relacionam na prática das funções governamentais.
II. As formas de governo podem ser puras ou impuras. As puras são formas 
boas que buscam o bem da coletividade, enquanto as impuras são más formas, 
onde prevalece o interesse daquele que está no poder.
III. São formas puras de governo: monarquia, aristocracia e república.
IV. São formas impuras de governo: parlamentarismo e presidencialismo.
a) ( ) As proposições I, II e IV estão corretas.
b) ( ) Apenas as proposições II e III estão corretas.
c) ( ) Apenas as proposições I e II estão corretas.
d) ( ) Todas as proposições estão corretas.
2	Sobre	a	monarquia	é	CORRETO	afirmar:
a) ( ) É uma forma de governo criada recentemente e nunca existiu no Brasil.
b) ( ) A grande maioria dos países utiliza essa forma de governo.
c) ( ) É uma forma de governo, sendo a mais antiga delas. O Brasil já usou 
essa forma de governo por 70 anos. Na monarquia temos o Rei e o 
Primeiro-Ministro.
d) ( ) O Rei, que é o Chefe de Estado, é eleito pelo povo, para um prazo 
 determinado.
3	Sobre	a	república	é	CORRETO	afirmar:
a) ( ) Nessa forma de governo o poder está nas mãos do povo que o exerce na 
 busca pelo bem comum. O Presidente é o Chefe de Estado e de Governo, 
é eleito pelo povo para um prazo determinado.
b) ( ) A república surgiu para apoiar a monarquia.
c) ( ) São características da república: vitaliciedade, hereditariedade e 
 irresponsabilidade.
d) ( ) O Primeiro-Ministro é eleito pelo povo em eleições que acontecem de 
 tempos em tempos.
AUTOATIVIDADE
188
4 Sobre os sistemas de governo é CORRETO dizer:
a) ( ) É a maneira como se estabelece o poder e a relação entre governantes e 
governados.
b) ( ) Os sistemas de governo são: monarquia e república.
c) ( ) Os sistemas podem ser puros e impuros.
d) ( ) Representama forma como os poderes legislativo e executivo 
se relacionam na prática das funções governamentais. São dois: 
parlamentarismo e presidencialismo.
5 Acerca do parlamentarismo considere as assertivas a seguir:
I. No parlamentarismo existe colaboração entre o poder executivo e o poder 
legislativo.
II. O berço do parlamentarismo foi a Inglaterra.
III. Esse sistema pode ser utilizado em monarquia e república.
IV. A estrutura do parlamentarismo é composta pelo Rei, que é o Chefe de Estado, 
e pelo Primeiro-Ministro, que é o Chefe de Governo, representando o poder 
executivo, enquanto o poder legislativo é representado pelo Parlamento, 
composto pelas duas casas: a Câmara dos Lordes e a Câmara dos Comuns.
Agora, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As assertivas I, II e III estão corretas.
b) ( ) As assertivas I, II, III e IV estão corretas.
c) ( ) As assertivas I, III e IV estão corretas.
d) ( ) As assertivas I e II estão corretas.
6 Sobre o presidencialismo analise as proposições a seguir:
I. Nesse sistema o poder executivo é independente do poder legislativo.
II. O presidencialismo surgiu para fazer valer a opinião do povo. É o governo do 
povo, para o povo e pelo povo.
III. Esse sistema complementa o parlamentarismo.
IV. A estrutura do presidencialismo está assim estabelecida: o poder executivo 
é exercido pelo Presidente com o auxílio dos Ministros de Estado, e o poder 
legislativo é exercido pelo Congresso Nacional, composto pela Câmara dos 
Deputados (representa o povo) e pelo Senado (representa os estados).
Agora, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As proposições I, II e III estão corretas.
b) ( ) As proposições I e III estão corretas.
c) ( ) As proposições I, II e IV estão corretas.
d) ( ) As proposições I, II, III e IV estão corretas.
189
TÓPICO 2
MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Sabemos	que	existem	diversos	modelos	de	administração.	Já	vimos	neste	
Caderno de Estudos as teorias da administração e sua evolução. Na administração 
pública os modelos de administração se dividem em três momentos: o 
patrimonialista, o burocrático e o atual modelo gerencial.
Vamos observar que cada um destes modelos teve sua importância e 
que, com o passar do tempo, a administração foi se aprimorando e continua em 
constante evolução. A leitura complementar deste tópico relata de forma breve a 
história de como ocorreram as passagens destes modelos de administração pública 
e explica porque esta evolução foi acontecendo.
Estudaremos	também	os	3	Es:	eficácia,	eficiência	e	efetividade.	Saberemos	
também diferenciar estes três conceitos que são comumente confundidos. 
Relacionaremos os 3 Es com as características dos modelos da administração 
pública: patrimonialista, burocrático e gerencial.
2 MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
A administração pública passou por três momentos na sua forma de 
gerenciar: modelo patrimonialista, burocrático e gerencial. Esta evolução 
ocorreu conforme a necessidade de gerir a coisa pública. A seguir, um quadro 
ilustrativo das principais características de cada um dos três modelos de 
administração pública:
190
UNIDADE 3 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E CRISES/REFORMAS DO ESTADO
QUADRO 13 – PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DOS MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
PATRIMONIAL “Monarquia”, nepotismo, corrupção, desleixo com a coisa pública, bens públicos e bens soberanos eram confundidos.
BUROCRÁTICO
Combater o patrimonialismo, foco excessivo nos processos deixando 
a qualidade dos serviços públicos a desejar, legalização dos atos 
da administração pública, controles rígidos já que este modelo de 
administração	pública	parte	da	desconfiança	do	 servidor	público,	
elaboração de admissão de pessoal baseado em critérios técnico, 
meritocracia,	profissionalização,	hierarquia,	máxima	eficiência	nos	
processos.
GERENCIAL
Foco no resultado sem obsessão nos processos, cidadão passa a 
ser visto como cliente que deverá ficar satisfeito com o serviço 
prestado,	flexibilidade	e	autonomia	aos	servidores	que	também	se	
responsabilizarão por seus atos, treinamento, meritocracia, controle 
rígido, busca pela qualidade dos serviços públicos prestados.
FONTE: Os autores
De certa forma, os três modelos ainda estão presentes no modelo de 
administração pública atual. Vamos nos aprofundar no assunto mais adiante.
Caro(a) acadêmico(a), não deixe de se atentar à leitura complementar que trará 
uma breve história de como ocorreu a transação dos modelos de administração pública, 
além de comentar como as características de cada modelo evoluiu e se adaptou conforme 
a necessidade do momento histórico.
3 MODELO PATRIMONIALISTA
O modelo de administração patrimonialista é caracterizado pela 
informalidade, corrupção e nepotismo, onde o rei designava seus servidores por 
parentesco ou amizade.
ATENCAO
TÓPICO 2 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
191
“Nepotismo é um termo utilizado para designar o favorecimento de parentes ou 
amigos próximos em detrimento de pessoas mais qualificadas, geralmente no que diz 
respeito à nomeação ou elevação de cargos, e é uma palavra que deriva do latim, onde 
nepos significa neto ou descendente”. 
FONTE: Disponível em: <http://www.significados.com.br/nepotismo/>. Acesso em: 18 jan. 
2014.
Conforme Bitencourt (2008, p. 110):
Administração Pública Patrimonialista, também denominada Patriarcal, 
é característica dos Estados absolutos, nos quais o patrimônio público 
e o patrimônio do soberano confundiam-se. Todas as decisões político-
administrativas	concentravam-se	no	monarca	e	beneficiavam	apenas	o	
clero e a nobreza; consequentemente, a corrupção, o empreguismo e o 
nepotismo eram marcantes.
Com este modelo de administração, onde apenas o rei e seus favorecidos 
eram	beneficiados,	fica	claro	que	o	Estado	não	se	preocupava	com	a	coisa	pública,	
com o bem comum. Este modelo de administração pública tinha muito a ver com 
a Monarquia.
Segundo Palomba apud Bitencourt (2008, p. 111):
No Patrimonialismo o aparelho de Estado funcionava como uma 
extensão do poder soberano, pois os servidores possuíam status de 
nobreza real. Os cargos funcionavam como prendas e, em consequência 
disso, predominavam o nepotismo, a corrupção e o controle do órgão 
público por parte dos soberanos. Entretanto a coisa pública deveria 
ser de todos e para todos. Nessa fase administrativa de caráter 
patrimonialista, confundiam-se cargos públicos, grau de parentesco e 
outros participantes do governo, não havendo um comprometimento 
básico do Estado de defender a coisa pública. Na realidade, era uma 
continuidade do modelo de administração utilizado pelos monarcas até 
o surgimento da burocracia.
Aos poucos o patrimonialismo foi enfraquecendo, fazendo surgir o modelo 
de administração burocrática.
Principais características do modelo de administração pública 
patrimonialista: “Monarquia”, nepotismo, corrupção, desleixo com a coisa pública, 
bens públicos e bens do rei eram confundidos.
NOTA
192
UNIDADE 3 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E CRISES/REFORMAS DO ESTADO
4 MODELO BUROCRÁTICO
O modelo de administração burocrático combate o patrimonialismo, 
visa à	eficiência	na	administração	pública	deixando	de	lado	a	informalidade	e	o	
nepotismo. Busca pela meritocracia, hierarquia, treinamento dos funcionários, 
legalidade,	 impessoalidade	 e	 critérios	 específicos	 para	 o	 funcionamento	 da	
administração pública.
A administração pública burocrática, conforme Chiavenato (2008, p. 106):
Surge na segunda metade do século XIX, na época do Estado liberal, 
como forma de combater a corrupção e o nepotismo patrimonialista. 
Constituem princípios orientadores do seu desenvolvimento a 
profissionalização,	 a	 ideia	 de	 carreira,	 a	 hierarquia	 funcional,	 a	
impessoalidade, o formalismo, em síntese, o poder racional-legal. Oscontroles administrativos a evitar a corrupção e o nepotismo são sempre 
a priori.	 Parte-se	 de	 uma	 desconfiança	 prévia	 nos	 administradores	
públicos e nos cidadãos que a eles dirigem demandas. Por isso, são 
sempre necessários controles rígidos dos processos, como, por exemplo, 
na admissão de pessoal, nas compras e no atendimento a demandas.
Como podemos observar diferente do modelo patrimonialista onde o 
patrimônio do rei se confundia com o patrimônio público, a contratação de 
servidores era baseada em amizade e parentesco, onde o Estado não se importava 
com a coisa pública e o bem comum; agora, no modelo de administração burocrático, 
tudo deve ser devidamente comprovado por controles rígidos, já que este tipo de 
administração	parte	da	desconfiança	das	pessoas	na	eficiência	da	administração	
pública.	A	 admissão	do	pessoal	 é	 baseada	 em	 critérios	 técnicos	 e	 profissionais,	
prevalece a impessoalidade, a meritocracia e o treinamento dos funcionários, é 
enfatizada	a	eficiência	nos	trabalhos	da	administração	pública,	se	faz	necessário	
haver hierarquia dentro dos setores da administração, contratos, compras e todo 
tipo de execução do serviço público é rigorosamente controlado.
Este	modelo	de	administração	passou	a	enfatizar	muito	a	eficiência	interna,	
deixando a desejar no que diz respeito a servir à sociedade, “[...] o Estado volta-se 
para si mesmo, perdendo a noção de sua missão básica, que é servir à sociedade 
[...]	Seu	defeito,	a	ineficiência,	a	autorreferência,	a	incapacidade	de	voltar-se	para	
os serviços aos cidadãos vistos como clientes.” (CHIAVENATO, 2008, p. 106).
O	 modelo	 de	 administração	 burocrático	 limitava-se	 à	 eficiência	 dos	
processos	(meios)	e	deixava	a	desejar	nos	resultados	(fim).	A	administração	pública,	
os servidores, devem prestar serviços de qualidade aos cidadãos, no modelo de 
administração	burocrático,	o	cidadão	dificilmente	ficaria	satisfeito	com	o	serviço	
público, pois o foco estava somente nos processos, tornando uma simples tarefa, 
algo demorado e difícil de concluir, desta forma, a qualidade do serviço público foi 
deixando cada vez mais a desejar.
TÓPICO 2 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
193
O modelo de administração burocrático contribuiu muito para a evolução 
da qualidade da Administração Pública, onde a principal mudança foi formalizar 
as	relações	de	trabalho,	separando	os	aspectos	pessoais	dos	aspectos	profissionais,	
porém, ainda há a necessidade de ter uma visão além das melhorias internas da 
administração, como por exemplo: “[...] a necessidade de reduzir custos e aumentar 
a	qualidade	dos	serviços,	tendo	o	cidadão	como	beneficiário	[...].”.	(CHIAVENATO,	
2008, p. 106). É neste momento que surge o novo modelo de administração, o 
modelo de administração pública gerencial.
As principais características do modelo de administração pública 
burocrático são: combater o patrimonialismo, foco excessivo nos processos 
deixando a qualidade dos serviços públicos a desejar, legalização dos atos da 
administração pública, controles rígidos já que este modelo de administração 
pública	 parte	 da	 desconfiança	 do	 servidor	 público,	 elaboração	 de	 admissão	 de	
pessoal	baseado	em	critérios	técnico,	meritocracia,	profissionalização,	hierarquia,	
máxima	eficiência	nos	processos.
5 MODELO GERENCIAL
O modelo de administração pública gerencial tem de certa forma como 
base o modelo de administração burocrático, mas com algumas adaptações. O 
cidadão passa a ser visto como cliente, os processos demorados deverão se adaptar 
a isto, fazendo melhorar a qualidade dos serviços públicos, reduzindo custos 
racionalizando os recursos disponíveis.
Chiavenato (2008, p. 107) explica:
A administração pública gerencial constitui um avanço e, até um certo 
ponto, um rompimento com a administração pública burocrática. Isto 
não	 significa,	 entretanto,	 que	 negue	 todos	 os	 seus	 princípios.	 Pelo	
contrário, a administração pública gerencial está apoiada na anterior, 
da	 qual	 conserva,	 embora	 flexibilizando,	 alguns	 dos	 seus	 princípios	
fundamentais, como a admissão segundo rígidos critérios de mérito, 
a existência de um sistema estruturado e universal de remuneração, 
as carreiras, a avaliação constante de desempenho, o treinamento 
sistemático. A diferença fundamental está na forma de controle, que 
deixa de basear-se nos processos para concentrar-se nos resultados, 
e	 não	 na	 rigorosa	 profissionalização	 da	 administração	 pública,	 que	
continua um princípio fundamental.
Na administração pública burocrática o foco está nos processos e no 
profissionalismo,	 o	 resultado	 da	 administração	 em	 si,	 que	 é	 o	 que	 realmente	
importa,	não	era	observado	ou	controlado.	Já	na	administração	pública	gerencial,	
o	foco	está	no	resultado,	o	que	não	significa	que	os	processos	e	profissionalismo	
não fossem tão importantes quanto. Acontece que, a administração pública 
gerencial busca um equilíbrio entre os processos e o resultado, um objetivo para 
ser	realizado	precisa	ter	um	início,	um	meio	e	um	fim.	Portanto,	a	administração	
194
UNIDADE 3 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E CRISES/REFORMAS DO ESTADO
pública gerencial surge a partir da administração burocrática, mas com outra 
necessidade de controle: garantir os resultados sem focar tanto nos processos, que 
também não deixam de ser importantes.
 
Para Chiavenato (2008, p. 107), na administração pública gerencial, a estratégia 
volta-se:
1	–	Para	a	definição	precisa	dos	objetivos	que	o	administrador	público	
deverá atingir em sua unidade;
2 – Para a garantia de autonomia do administrador na gestão dos 
recursos	humanos,	materiais	 e	financeiros	que	 lhe	 forem	colocados	 à	
disposição para que possa atingir os objetivos contratados;
3 – Para o controle ou cobrança a posteriori dos resultados. Adicionalmente, 
pratica-se a competição administrada no interior do próprio Estado, 
quando há a possibilidade de estabelecer concorrência entre unidades 
internas. No plano da estrutura organizacional, a descentralização e a 
redução	dos	níveis	hierárquicos	tornam-se	essenciais.	Em	suma,	afirma-
se que a administração pública deve ser permeável à maior participação 
dos agentes privados e/ou das organizações da sociedade civil e deslocar 
a	ênfase	dos	procedimentos	(meios)	para	os	resultados	(fins).	
Podemos	observar	que	na	administração	pública	gerencial	 são	definidos	
os objetivos ao administrador público, que tem autonomia para gerir os recursos 
disponíveis	 (humanos,	 materiais	 e	 financeiros)	 de	 forma	 a	 atingir	 os	 objetivos	
propostos. 
Chiavenato	(2008)	afirma	que	a	administração	pública	gerencial	inspira-se	
na administração de empresas. Vamos observar o quadro, a seguir, para que esta 
ideia	fique	mais	clara:	
QUADRO 14 – COMPARAÇÃO: ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS X ADMINISTRAÇÃO GERENCIAL
ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA GERENCIAL
A receita das empresas depende dos 
pagamentos que os clientes fazem livremente 
na compra de seus produtos e serviços.
A receita do Estado deriva de impostos, 
ou seja, de contribuições obrigatórias, sem 
contrapartida direta.
O mercado controla a administração das 
empresas.
A sociedade – por meio de políticos eleitos – 
controla a administração pública.
A administração de empresas está voltada 
para o lucro privado, para a maximização 
dos interesses dos acionistas, esperando-
se que, através do mercado, o interesse 
coletivo seja atendido.
A administração pública gerencial está 
explícita e diretamente voltada para o interesse 
público.
FONTE: Adaptado de: Chiavenato (2008, p. 107)
TÓPICO 2 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
195
Como	 podemos	 verificar	 acima,	 o	 cidadão	 é	 visto	 como	 um	 cliente	 da	
administração pública, de certa forma, assim é.
Chiavenato (2008, p. 108) complementa:
A administração pública gerencial vê o cidadãocomo contribuinte de 
impostos e como clientes dos seus serviços. Os resultados da ação do 
Estado são considerados bons não porque os processos administrativos 
estão sob controle e são seguros, como quer a administração pública 
burocrática, mas porque as necessidades do cidadão-cliente estão sendo 
atendidas.
Conforme citado acima, o cidadão sendo cliente da administração pública 
ficará	satisfeito	se	for	realizado	o	que	deseja,	se	o	resultado	gerar	uma	ação	positiva	
diante de suas necessidades, independente de como foram os processos até chegar 
ao	resultado	final.	Aqui	podemos	comparar	a	administração	burocrática	que	foca	
nos processos e não no resultado, com a administração gerencial que foca no 
resultado, porém, também se atentando aos processos.
Portanto, podemos concluir que o modelo de administração pública 
gerencial, surge a partir do modelo burocrático, porém, visa ao resultado positivo 
com a racionalização dos recursos, ao contrário do modelo de administração pública 
burocrático, que foca excessivamente nos processos sem se ater aos resultados. 
Busca	ser	mais	flexível	e	dar	mais	autonomia	aos	servidores	para	que	executem	
suas atividades e respondam por elas, dessa forma, a agilidade dos serviços causa 
impacto positivo na qualidade dos serviços públicos, e o cidadão que é visto como 
cliente	na	administração	gerencial	fica	satisfeito.	
Principais características do modelo de administração pública gerencial: 
foco no resultado sem obsessão nos processos, cidadão passa a ser visto 
como	 cliente	 que	 deverá	 ficar	 satisfeito	 com	 o	 serviço	 prestado,	 flexibilidade	
e autonomia aos servidores que também se responsabilizarão por seus atos, 
treinamento, meritocracia, controles rígidos, busca pela qualidade dos serviços 
públicos prestados.
6 OS 3 ES: EFICÁCIA, EFICIÊNCIA E EFETIVIDADE
Ao estudar sobre os modelos de administração pública patrimonialista, 
burocrático e gerencial, é de suma importância ter o entendimento dos conceitos: 
eficácia,	 eficiência	 e	 efetividade,	 que	 se	 diferem,	 apesar	 de	 comumente	 serem	
confundidos.
A seguir, vamos estudá-los individualmente e posteriormente relacionar 
estes conceitos com os modelos de administração pública.
Para facilitar o entendimento, segue o quadro ilustrativo que relaciona os 
conceitos dos 3 Es com os modelos da administração pública:
196
UNIDADE 3 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E CRISES/REFORMAS DO ESTADO
QUADRO 15 – 3 ES
EFICÁCIA EFICIÊNCIA EFETIVIDADE
Foco no resultado Foco nos processos Foco no resultado e nos processos
Fim Meio Fim + Meio 
O	que	alcançar? Como	alcançar? Alcançou	o	objetivo	de	forma	correta?
Podemos comparar 
com o modelo de 
administração pública 
gerencial, que foca 
no resultado da 
administração, que 
vê o cidadão como 
cliente	que	deve	ficar	
satisfeito com o serviço 
prestado.
Podemos comparar 
com o modelo de 
administração 
pública burocrático, 
que foca muito nos 
processos, quando 
também deveria dar 
mais importância e se 
preocupar em atingir 
os resultados.
Também podemos comparar com o modelo 
de administração pública gerencial, que ao 
mesmo tempo em que foca no resultado, 
não deixa de dar importância aos 
processos, porém, de forma mais objetiva.
FONTE: Os autores
Não citamos no quadro acima o modelo de administração pública 
patrimonialista, pois como sabemos, este modelo é muito parecido com a 
Monarquia,	onde	apenas	o	rei	e	seus	“seguidores”	são	privilegiados	e	beneficiados,	
em	um	tempo	onde	não	podemos	classificar	a	eficácia,	eficiência	e	efetividade,	já	
que o bem comum e a coisa pública não eram respeitados e administrados como 
deveriam,	onde	não	era	feito	a	coisa	certa	(eficácia)	da	maneira	certa	(eficiência).
A	 seguir	 iremos	 nos	 aprofundar	 nos	 conceitos:	 eficácia,	 eficiência	 e	
efetividade.
6.1 EFICÁCIA
Eficácia	podemos	dizer	que	é	 sinônimo	do	 resultado	de	um	objetivo	ser	
positivo, alcançado, independente dos processos ou forma (meio) que se chegou 
ao	resultado	(fim).
Chiavenato	(2008,	p.	152)	conceitua:	“A	eficácia	consiste	em	fazer	a	coisa	
certa (não necessariamente da maneira certa). Assim, está relacionada ao grau de 
atingimento do objetivo”.
Para	ficar	mais	claro,	vamos	usar	como	exemplo	uma	partida	de	futebol.	O	
objetivo	é	vencer	o	jogo,	não	importa	como,	o	time	só	alcançará	a	eficácia	se	vencer	
TÓPICO 2 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
197
o jogo. Não adianta jogar bem na partida e não fazer gols, não ganhar. “Cavando” 
pênalti, fazendo falta, jogando corretamente, tudo isso não importa, desde que no 
fim	da	partida	o	time	saia	vitorioso.	Conclusão:	só	haverá	eficácia	se	o	time	atingir	
o objetivo, que é vencer a partida de futebol, independente de como fará para 
vencer, o objetivo precisa ser alcançado.
Comparando com os modelos de administração pública, podemos 
identificar	a	eficácia	no	modelo	gerencial,	que	foca	no	resultado,	no	atingimento	
do objetivo, sem se importar tanto com os processos, porém, buscando também 
utilizar os recursos de maneira correta para atingir os objetivos.
6.2 EFICIÊNCIA
A	eficiência	é	quando	os	processos	 (meio)	 são	 feitos	de	maneira	correta,	
porém	muitas	vezes,	sem	atingir	o	objetivo	principal,	o	resultado	(fim).
Conforme	Chiavenato	(2008,	p.	152):	“O	conceito	de	eficiência	relaciona-se	
com a maneira pela qual fazemos a coisa. É o como fazemos, o caminho, o método”.
Com o mesmo exemplo da partida de futebol citado no tópico acima, lá, na 
eficácia,	o	importante	é	o	resultado	(fim)	alcançado,	o	time	vencer,	independente	
de	como	conseguiu	a	vitória.	Aqui,	na	eficiência,	o	importante	é	de	que	forma,	com	
que	técnica	(meio)	o	time	jogou,	foi	eficiente?	Independente	do	resultado,	vitorioso	
ou não, aqui o que importa é a excelência nos processos, na técnica deste esporte.
Comparando com os modelos de administração pública, podemos 
identificar	a	eficiência	no	modelo	burocrático,	onde	o	foco	era	nos	processos	(meio),	
sem	se	preocupar	como	deveria	com	o	resultado	(fim).
6.3 EFETIVIDADE
A	efetividade	podemos	dizer	que	 é	 a	 soma	da	 eficácia	 com	a	 eficiência.	
Fazer	 a	 coisa	 certa	de	maneira	 certa,	 atingir	o	 resultado	 (fim)	 certo	da	maneira	
(meio)	certa.	É	alcançar	a	eficácia	e	a	eficiência.
Chiavenato (2008, p. 152) relata: “[...] há autores que defendem que a 
efetividade	decorre	do	alcance	da	eficácia	e	da	eficiência	[...]	Na	“ponta	da	linha”,	
a efetividade ocorre quando um produto ou serviço foi percebido pelo usuário 
como	satisfatório”.	Para	ele,	a	eficiência	está	na	“[...]	economia	dos	meios,	o	menor	
consumo	de	recursos	dado	um	determinado	grau	de	eficácia.”.
Continuando	com	o	exemplo	da	partida	de	futebol,	o	time	se	torna	eficiente	
caso além de vencer o jogo que é o resultado desejado, jogar de maneira correta, com 
as devidas técnicas do futebol, dentro das regras do jogo, de forma ética. Atingir o 
198
UNIDADE 3 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E CRISES/REFORMAS DO ESTADO
resultado	(fim)	desejado	de	forma	(meio)	correta,	isso	significa	ser	eficiente,	pois	
aliou	a	eficiência	e	a	eficácia.
Comparando com os modelos de administração pública, podemos 
identificar	a	efetividade	no	modelo	gerencial	também,	que	foca	no	resultado	(fim),	
mas não deixa de atingi-lo de forma (meio) correta.
LEITURA COMPLEMENTAR
UMA BREVE REFLEXÃO SOBRE A EVOLUÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO 
PÚBLICA
A seguir, serão reproduzidos os principais conceitos trabalhados no Plano 
Diretor da Reforma do Aparelho do Estado, elaborado em 1995 durante o governo 
Fernando Henrique Cardoso. Lá, constam os alicerces do modelo que começou a 
ser implementado com vistas à modernização da burocracia brasileira, implantada 
por Vargas na primeira metade do século. Uma vez que as questões que tratam 
do assunto normalmente fazem referência a este documento, houvemos por bem 
elaborarmos um breve resumo,no sentido de orientar sua leitura para os aspectos 
mais	significativos.
Tendo em vista as práticas patrimonialistas (rente-seeking ou privatização 
do	Estado	 –	 leia-se:	 usar	 a	máquina	 administrativa	 com	fins	privados,	 escusos)	
correntes em nossa cultura, Vargas optou pela adoção de um modelo que pautasse 
pelo controle minucioso nas atividades-meio. Ou seja, para “colocar ordem na casa”, 
buscou referências no modelo idealizado por Weber, acreditando que a burocracia, 
dado seu caráter rígido e hierarquizado, poderia ordenar a máquina administrativa 
em nosso País. Está, aí, o primeiro modelo estruturado de administração do Brasil. 
Para facilitar sua implementação, contou com o apoio do DASP, Departamento 
Administrativo do Setor Público, extinto há pouco tempo sem, infelizmente, 
ter logrado êxito em sua missão (se a burocracia tivesse funcionado, em tese, as 
práticas patrimonialistas teriam sido suprimidas, o que parece não ter ocorrido). 
Nessa	época,	em	virtude	da	desconfiança	total	que	havia	no	servidor	público,	o	
modelo burocrático revelava-se ser o mais adaptado. Com isso, Vargas almejava 
basicamente três coisas: criar uma estrutura administrativa organizada, uniforme, 
estabelecer	uma	política	de	pessoal	com	base	no	mérito	(motivo	pelo	qual	Joaquim	
Nabuco foi “convidado”); e acabar com o nepotismo e corrupção existentes.
Com o passar do tempo, percebeu-se que a burocracia, se exacerbada 
em	 suas	 características,	 revela-se	 um	 modelo	 pouco	 flexível,	 inadequada	 em	
cenários	 dinâmicos,	 que	 exigem	 agilidade.	 A	 partir	 daí,	 é	 possível	 identificar	
diversas tentativas de desburocratizar a máquina: a criação do COSB (Comitê de 
Simplificação	da	Burocracia),	da	SEMR	(Secretaria	de	Modernização	da	Reforma	
Administrativa), o Decreto-Lei nº 200, de 1967, o PND (Programa Nacional de 
TÓPICO 2 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
199
Desburocratização) e ainda outros de menor vulto que, infelizmente, não tiveram 
o sucesso desejado. Até que em 1995, com a edição do plano diretor, começa a 
implantação, no Brasil, do chamado modelo gerencial.
O modelo gerencial, em sua fase inicial, implica administrar a res publica 
de	 forma	 semelhante	 ao	 setor	 privado,	 de	 forma	 eficiente,	 com	 a	 utilização	 de	
ferramentas que consigam maximizar a riqueza do acionista, ou a satisfação do 
usuário (considerando-se a realidade do serviço público). Nesse sentido, busca-
se a adoção de uma postura mais empresarial, empreendedora, aberta a novas 
ideias e voltada para o incremento na geração de receitas e no maior controle 
dos gastos públicos. Esse modelo é melhor entendido considerando o cenário em 
que foi concebido: no plano econômico, dada a crise do petróleo na década de 
1970, esgotaram-se as condições que viabilizavam a manutenção do Welfare State 
(Estado de Bem-Estar Social), onde prevalecia o entendimento de que cabia ao 
Estado proporcionar uma gama enorme de serviço à população, respondendo esse 
por saúde, educação, habitação etc. A partir daí, começa a ser difundida a ideia 
de devolução ao setor privado daqueles serviços que o Poder Público não tem 
condições	de	prestar	com	eficiência	(privatizações),	devendo	o	Estado	desenvolver	
aquilo que cabe intrinsecamente a ele fazer (Diplomacia, Segurança, Fiscalização 
etc.). O Estado Mínimo volta a ganhar força...
Ou seja, o que propôs, na verdade, foi a quebra de um paradigma, a 
redefinição	do	que	caberia	efetivamente	ao	Estado	fazer	e	o	que	deveria	ser	delegado	
ao	setor	privado.	Como	referência,	é	possível	citar	a	obra	de	Osborne	&	Gaebler,	
Reinventando o Governo, onde são destacados princípios a serem observados na 
construção deste modelo, tais como:
1. Visão estratégica;
2. Estado catalisador, em vez de remador;
3. Visão compartilhada; e
4. Busca de excelência.
5. Formação de parcerias;
6. Foco em resultados;
Assim, o modelo gerencial (puro, inicial), buscou responder com maior 
agilidade	e	eficiência	aos	anseios	da	sociedade,	insatisfeita	com	os	serviços	recebidos	
do setor público. Tal modelo, contudo, representou o inicio do Managerialism, 
que, atualmente, congrega ainda, duas correntes: o Consumerism e o Public Service 
Orientation (PSO).
Se tivermos em mente um continuum, é possível interferir que a administração 
gerencial evoluiu do Managerialism	para	o	PSO,	sem,	contudo,	ser	possível	afirmar	
que	o	PSO	representa	a	versão	final	da	administração	gerencial.
200
UNIDADE 3 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E CRISES/REFORMAS DO ESTADO
As principais diferenças podem ser percebidas no quadro a seguir, proposto 
por Fernando Luiz Abrúcio, no Caderno nº 10 da Enap:
Modelo gerencial puro Consumerism Public Service Orientation
Economia/Eficiência Efetividade/Qualidade Accountability/Equidade
Taxpayers (contribuintes) Clientes/Consumidores Cidadãos
A preocupação primeira do modelo gerencial, conforme o quadro nos 
informa,	foi	o	incremento	da	eficiência,	tendo	em	vista	as	disfunções	do	modelo	
burocrático. Nessa fase, o usuário do serviço público é visto tão somente como o 
financiador	do	sistema.
No Consumerism, há o incremento na busca pela qualidade, decorrente 
da mudança de serviços públicos. Nesse momento, há uma alteração no foco da 
organização: a burocracia, que normalmente é autorreferenciada, ou seja, voltada 
para si mesma, passa a observar com maior cuidado a razão de sua existência: 
a satisfação de seu consumidor. Com isso, buscar-se-á conhecê-lo por meio, 
dentre outras coisas, de pesquisas de opinião e preocupar-se-á proporcionar 
um atendimento diferenciado com vistas ao atendimento de necessidades 
individualizadas.
Na fase mais recente, o entendimento de que o usuário do serviço deve 
ser visto como cliente-consumidor perdeu força, principalmente porque a ideia 
de consumidor poderia levar a um atendimento melhor para alguns e pior para 
outros, num universo em que todos têm os mesmos direitos. É possível perceber 
isso quando levamos em consideração que clientes mais bem organizados 
e estruturados teriam mais poder para pleitear mais ou melhores serviços, 
culminando em prejuízo para os menos estruturados. Por isso, nesta abordagem é 
preferível o uso do conceito de cidadão, que, em vez de buscar sua satisfação, estaria 
voltado para a consecução do bem-comum. Com isso, o que se busca é a equidade, 
ou seja, o tratamento igual a todos os que se encontram em situações equivalentes.
FONTE: Chiavenato (2008, p. 97-99) 
201
Neste tópico vimos que:
• O modelo de administração patrimonialista é caracterizado pela informalidade, 
corrupção e nepotismo, onde o rei designava seus servidores por parentesco ou 
amizade.
• No modelo de administração patrimonialista, onde apenas o rei e seus 
favorecidos	eram	beneficiados,	fica	claro	que	o	Estado	não	se	preocupava	com	a	
coisa pública, com o bem comum. Este modelo de administração pública tinha 
muito a ver com a Monarquia.
• As principais características do modelo de administração pública patrimonialista 
são: “Monarquia”, nepotismo, corrupção, desleixo com a coisa pública, bens 
públicos e bens soberanos eram confundidos.
• Aos poucos o patrimonialismo foi enfraquecendo, fazendo surgir o modelo de 
administração burocrático.
• O modelo de administração burocrático combate o patrimonialismo, visa à 
eficiência	 na	 administração	 pública	 deixando	 de	 lado	 a	 informalidade	 e	 o	
nepotismo. Busca pela meritocracia, hierarquia, treinamento dos funcionários, 
legalidade,	 impessoalidade	 e	 critérios	 específicos	 para	 o	 funcionamento	 da	
administração pública.
• Diferente do modelo patrimonialista, onde o patrimônio do rei se confundia com 
o patrimônio público, a contratação de servidores era baseada em amizade e 
parentesco, onde o Estado não se importava com a coisa pública e o bem comum; 
agora, no modelo de administração burocrático, tudo deve ser devidamente 
comprovadopor controles rígidos, já que este tipo de administração parte da 
desconfiança	das	pessoas	na	eficiência	da	administração	pública.
• No modelo de administração burocrático, a admissão do pessoal é baseada 
em	critérios	técnicos	e	profissionais,	prevalece	a	 impessoalidade,	meritocracia	
e	 treinamento	 dos	 funcionários,	 é	 enfatizada	 a	 eficiência	 nos	 trabalhos	 da	
administração pública, se faz necessário haver hierarquia dentro dos setores da 
administração, contratos, compras e todo tipo de execução do serviço público é 
rigorosamente controlado.
•	 O	modelo	de	administração	burocrático	limitava-se	à	eficiência	dos	processos	
(meios)	e	deixava	a	desejar	nos	 resultados	 (fim).	A	administração	pública,	os	
servidores, devem prestar serviços de qualidade aos cidadãos, no modelo de 
administração	burocrático,	o	cidadão	dificilmente	ficaria	satisfeito	com	o	serviço	
RESUMO DO TÓPICO 2
202
público, pois o foco estava somente nos processos, tornando uma simples tarefa, 
algo demorado e difícil de concluir, desta forma a qualidade do serviço público 
foi deixando cada vez mais a desejar.
•	 O	modelo	de	administração	burocrático	passou	a	enfatizar	muito	a	eficiência	
interna, deixando a desejar no que diz respeito a servir à sociedade, no resultado/
eficácia.
• As principais características do modelo de administração pública burocrático 
são: combater o patrimonialismo, foco excessivo nos processos deixando a 
qualidade dos serviços públicos a desejar, legalização dos atos da administração 
pública, controles rígidos já que este modelo de administração pública parte da 
desconfiança	do	servidor	público,	elaboração	de	admissão	de	pessoal	baseado	
em	 critérios	 técnico,	 meritocracia,	 profissionalização,	 hierarquia,	 máxima	
eficiência	nos	processos.
• O modelo de administração pública gerencial tem de certa forma como base o 
modelo de administração burocrático, mas com algumas adaptações. O cidadão 
passa a ser visto como cliente, os processos demorados deverão se adaptar a 
isto, fazendo melhorar a qualidade dos serviços públicos, reduzindo custos 
racionalizando os recursos disponíveis.
• Na administração pública burocrática o foco está nos processos e no 
profissionalismo,	 o	 resultado	 da	 administração	 em	 si	 que	 é	 o	 que	 realmente	
importa	não	era	observado	ou	controlado.	Já	na	administração	pública	gerencial,	
o	foco	está	no	resultado,	o	que	não	significa	que	os	processos	e	profissionalismo	
não fossem tão importantes quanto. Acontece que, a administração pública 
gerencial busca um equilíbrio entre os processos e o resultado, um objetivo para 
ser	realizado	precisa	ter	um	início,	um	meio	e	um	fim.
•	 Na	administração	pública	gerencial,	são	definidos	os	objetivos	ao	administrador	
público, que tem autonomia para gerir os recursos disponíveis (humanos, 
materiais	e	financeiros)	de	forma	a	atingir	os	objetivos	propostos.
• Na administração pública gerencial, o cidadão é visto como um cliente da 
administração	pública.	O	cidadão	sendo	cliente	da	administração	pública	ficará	
satisfeito se for realizado o que deseja, se o resultado gerar uma ação positiva 
diante de suas necessidades, independente de como foram os processos até 
chegar	ao	resultado	final.
• As principais características do modelo de administração pública gerencial 
são: foco no resultado sem obsessão nos processos, cidadão passa a ser visto 
como	 cliente	 que	deverá	ficar	 satisfeito	 com	o	 serviço	prestado,	 flexibilidade	
e autonomia aos servidores que também se responsabilizarão por seus atos, 
treinamento, meritocracia, controle rígidos, busca pela qualidade dos serviços 
públicos prestados.
203
• Ao estudar sobre os modelos de administração pública patrimonialista, 
burocrático e gerencial, é de suma importância ter o entendimento dos conceitos 
dos	3	Es:	eficácia,	eficiência	e	efetividade,	que	se	diferem,	apesar	de	comumente	
serem confundidos.
•	 Eficácia	podemos	dizer	que	é	sinônimo	do	resultado	de	um	objetivo	ser	positivo,	
alcançado, independente dos processos ou forma (meio) que se chegou ao 
resultado	(fim).
•	 Comparando	com	os	modelos	de	administração	pública,	podemos	identificar	a	
eficácia	no	modelo	gerencial,	que	foca	no	resultado,	no	atingimento	do	objetivo,	
sem se importar tanto com os processos, porém, buscando também utilizar os 
recursos de maneira correta para atingir os objetivos.
•	 A	eficiência	é	quando	os	processos	(meio)	são	feitos	de	maneira	correta,	porém	
muitas	vezes	sem	atingir	o	objetivo	principal,	o	resultado	(fim).
•	 Comparando	com	os	modelos	de	administração	pública,	podemos	 identificar	
a	eficiência	no	modelo	burocrático,	onde	os	processos	(meio)	eram	o	principal	
foco,	sem	se	preocupar	como	deveria	ser	com	o	resultado	(fim).
•	 A	efetividade	podemos	dizer	que	é	a	soma	da	eficácia	com	a	eficiência.	Fazer	a	
coisa	certa	de	maneira	certa,	atingir	o	resultado	(fim)	certo	da	maneira	(meio)	
certa.	É	alcançar	a	eficácia	e	a	eficiência.
•	 Comparando	com	os	modelos	de	administração	pública,	podemos	identificar	a	
efetividade	no	modelo	gerencial	também,	que	foca	no	resultado	(fim),	mas	não	
deixa de atingi-lo de forma (meio) correta.
204
AUTOATIVIDADE
1	Quais	são	os	modelos	da	administração	pública?
a)	(			)	Ética,	eficiência,	efetividade.
b) ( ) Patrimonialista, burocrático, gerencial.
c) ( ) Patrimonialista, burocrático, gerencial, pós-gerencial.
d) ( ) Patrimonialista, pós-burocrático, gerencial. 
2 Complete as lacunas:
( 1 ) Administração pública patrimonialista.
( 2 ) Administração pública burocrática.
( 3 ) Administração pública gerencial.
(	4	)	Eficácia.
(	5	)	Eficiência.
( 6 ) Efetividade.
( ) Foco excessivo nos processos.
( ) Foco no resultado, porém, atenta aos processos.
(			)	Significa	alcançar	algo,	fazer	a	coisa	certa.
( ) O Estado não se importa com a coisa pública, parecido com a Monarquia,
 apenas o rei e a nobreza são favorecidos, nepotismo, corrupção.
(			)	Significa	executar	algo	da	forma	correta,	utilizar	os	recursos	de	forma
 adequada para atingir determinado objetivo.
(			)	Significa	ser	eficiente	e	eficaz.
A sequência CORRETA é:
a) ( ) 5, 3, 2, 1, 4, 6.
b) ( ) 4, 3, 2, 5, 6,1.
c) ( ) 2, 3, 4, 1, 5, 6.
d) ( ) 6, 4, 3, 1, 2, 5.
3 Ao estudar sobre os modelos de administração pública patrimonialista, 
burocrático e gerencial, é de suma importância ter o entendimento dos 
conceitos	dos	3	Es:	eficácia,	eficiência	e	efetividade,	que	se	diferem,	apesar	de	
comumente serem confundidos. Assinale V para verdadeiro e F para falso:
a)	(			)	Eficácia	podemos	dizer	que	é	sinônimo	do	resultado	de	um	objetivo
 ser positivo, alcançado, independente dos processos ou forma (meio) 
que	se	chegou	ao	resultado	(fim).
b)	(			)	Eficiência	podemos	dizer	que	é	sinônimo	do	resultado	de	um	objetivo
 ser positivo, alcançado, independente dos processos ou forma (meio) 
que	se	chegou	ao	resultado	(fim).
c)	(			)	A	efetividade	é	o	mesmo	que	eficiência.
205
d)	(			)	A	efetividade	podemos	dizer	que	é	a	soma	da	eficácia	com	a	eficiência.	
Fazer	a	coisa	certa	de	maneira	certa,	atingir	o	resultado	(fim)	certo	da	
maneira	(meio)	certa.	É	alcançar	a	eficácia	e	a	eficiência.
Assinale a alternativa que contém a sequência CORRETA:
a) ( ) V, F, F, F.
b) ( ) V, V, V, F.
c) ( ) V, F, F, V.
d) ( ) F, V, V, F.
4 Sobre os modelos de administração pública, assinale a alternativa CORRETA:
I. O modelo de administração patrimonialista é caracterizado pela 
informalidade, corrupção e nepotismo, onde o rei designava seus servidores 
por parentesco ou amizade.
II. O modelo de administração burocrático combate o patrimonialismo, visa 
à	 eficiência	na	 administração	pública	deixando	de	 lado	 a	 informalidade	 e	 o	
nepotismo. Busca pela meritocracia, hierarquia, treinamento dos funcionários, 
legalidade,	 impessoalidade	 e	 critérios	 específicos	 para	 o	 funcionamentoda	
administração pública.
III. O modelo de administração pública gerencial foca excessivamente nos 
processos.
IV. O modelo de administração pública gerencial tem de certa forma como 
base o modelo de administração burocrático, mas com algumas adaptações, 
ao invés de focar apenas nos processos, prioriza o alcance dos resultados. Vê o 
cidadão como um cliente que busca resultados satisfatórios.
V. O modelo de administração pública burocrático visa ao resultado, sem se 
importar muito com os processos.
a) ( ) I e IV estão corretas.
b) ( ) Apenas a III está correta.
c) ( ) I, II e IV estão corretas.
d) ( ) Todas estão corretas.
206
207
TÓPICO 3
CRISES E REFORMAS DO ESTADO
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Vimos na leitura complementar do tópico dois deste Caderno de Estudos 
sobre a evolução da administração pública, onde de forma breve relata que:
 Em 1995, no governo de Fernando Henrique Cardoso, foi elaborado o Plano 
Diretor da Reforma do aparelho do Estado, com base no modelo que visava à 
modernização da burocracia, que originou no governo de Vargas, na metade do 
século. Vargas visava a controles mais rígidos para uma melhor administração 
e	adotou	os	princípios	de	Weber,	que	valorizava	o	mérito	profissional.	Para	isso	
contou com o DASP – Departamento Administrativo do Setor Público. Sobre 
o DASP nos aprofundaremos no decorrer deste tópico. Na época, devido à 
desconfiança	das	pessoas,	o	modelo	burocrático	foi	adotado	por	ser	mais	rígido.	
Dessa forma, Vargas conseguiu alcançar alguns objetivos como: a prática do 
mérito	profissional,	ter	uma	estrutura	administrativa	mais	organizada	e	acabar	
com a corrupção e o nepotismo existente no patrimonialismo.
	Apesar dos pontos positivos, com o passar do tempo percebeu-se que o excesso 
da burocracia rígida começa a prejudicar a qualidade dos serviços públicos. 
Logo, houve a tentativa da desburocratização. Foi criado o COSB – Comitê 
de	 Simplificação	 da	 Burocracia),	 a	 SEMOR	 –	 Secretaria	 de	Modernização	 da	
Reforma	Administrativa,	entre	outros	menos	significantes.	Então	em	1995,	foi	
implantado o modelo gerencial no Brasil.
 No modelo gerencial os cidadãos passam a ser vistos como clientes que deverão 
estar satisfeitos com seus anseios. O cidadão é contribuinte e em contraprestação 
o Estado deverá cumprir seu papel de saciar as necessidades do cidadão com 
qualidade	e	 eficiência,	visando	 sempre	ao	bem	comum.	O	 serviço	público	 se	
espelhou no serviço privado, buscando a excelência na execução dos serviços e 
responsabilizando os agentes públicos por seus atos.
Vamos estudar a partir de agora sobre as crises e reformas do Estado: o DASP 
na era Vargas, o Decreto-Lei no 200 em 1967, o Ministério da Desburocratização 
em 1979, sobre a Constituição Federal em 1988, a Emenda Constitucional no 19 de 
1988,	e	por	fim	sobre	a	Lei	de	Responsabilidade	Fiscal.
UNIDADE 3 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E CRISES/REFORMAS DO ESTADO
208
2 CRISES E REFORMAS DO ESTADO
Sabemos que o Estado é composto pelo povo que manifesta sua vontade ao 
Governo. Este deverá administrar os recursos para atingir essas vontades do povo, 
tornando o Estado cada vez mais desenvolvido e melhor para todos. O Governo 
por sua vez, é eleito pela sociedade. Aqui, quando falarmos em Estado estamos nos 
referindo a determinado território que também faz parte do Estado e neste caso 
estamos falando do nosso país, o Brasil.
Conforme Chiavenato (2008, p. 99): “Estado e sociedade formam, numa 
democracia, um todo indivisível [...] É pelo diálogo democrático entre o Estado 
e	a	sociedade	que	se	definem	as	prioridades	a	que	o	Governo	deve	ater-se	para	a	
construção de um país mais próspero e justo.”.
Sabendo disso, qual papel o Estado deve desempenhar diante da sua 
forte	influência	no	mercado	que	está	em	constante	e	acelerado	desenvolvimento,	
sabendo	do	impacto	que	suas	ações	podem	causar	e	influenciar	na	economia?	Esta	
resposta por longas datas é motivo de muito debate e discussão. 
Segundo Chiavenato (2008, p. 99-100):
Nos últimos anos, assistimos em todo o mundo a um debate acalorado – 
ainda longe de concluído – sobre o papel que o Estado deve desempenhar 
na vida contemporânea e o grau de intervenção que deve ter na 
economia. No Brasil, o tema adquire relevância particular, tendo em 
vista que o Estado, em razão do modelo de desenvolvimento adotado, 
desviou-se de suas funções precípuas para atuar com grande ênfase 
na esfera produtiva. Essa maciça interferência do Estado no mercado 
acarretou distorções crescentes neste último, que passou a conviver com 
artificialismos	que	se	tornaram	insustentáveis	na	década	de	1990.
 Com o crescimento acelerado do país, o Estado preocupou-se muito com 
a esfera produtiva, deixando de lado seu principal papel de saber equilibrar e 
administrar os recursos para estabilizar a economia junto com este crescimento, 
porém foi inevitável a existência de problemas que originam da relação que o 
Estado tem com o mercado.
O mercado e o Estado precisam encontrar um equilíbrio para o bem-estar 
da	sociedade	e	crescimento	do	país,	pois	ambos	têm	forte	influência	sobre	o	sucesso	
ou	o	fracasso	da	economia	que	reflete	resultados	positivos	ou	negativos	tanto	para	
a sociedade, quanto para o mercado e o Estado. Trata-se de uma “aliança”, onde 
todos	devem	desempenhar	seu	papel	para	que	todos	sejam	beneficiados.	O	fato	é	
que, infelizmente, irregularidades são detectadas e as consequências são inevitáveis 
a todo o país, neste caso nos referimos à crise. Chiavenato (2008, p. 100) explica:
TÓPICO 3 | CRISES E REFORMAS DO ESTADO
209
Sem dúvida, num sistema capitalista, Estado e mercado, direta 
ou indiretamente, são as duas instituições centrais que operam na 
coordenação dos sistemas econômicos. Dessa forma, se uma delas 
apresenta funcionamento irregular, é inevitável que nos deparemos 
com uma crise. Foi assim nos anos 1920 e 1930, em que claramente foi 
o mau funcionamento do mercado que trouxe em seu bojo uma crise 
econômica	de	grandes	proporções.	Já	nos	anos	1980,	é	a	crise	do	Estado	
que põe em cheque o modelo econômico em vigência.
Foi neste período de acelerado desenvolvimento do mercado, em 1990, 
que	o	papel	do	Estado	procura	ser	redefinido,	visto	que	este	tem	forte	influência	
na	 economia	 nacional,	 já	 que	 o	 Estado	 já	 não	 conseguia	mais	 ser	 eficiente	 em	
relação às suas atribuições, principalmente na área social, pois a sociedade estava 
frustrada com os resultados apresentados pelo Governo na administração do 
Estado. Segundo Chiavenato (2008, p.100):
É	importante	ressaltar	que	a	redefinição	do	papel	do	Estado	é	um	tema	
de alcance universal nos anos de 1990. No Brasil, esta questão adquiriu 
importância decisiva, tendo em vista o peso da presença do Estado na 
economia nacional. Tornou-se, consequentemente inadiável equacionar 
a questão da reforma ou da reconstrução do Estado, que já não consegue 
mais	atender	com	eficiência	à	sobrecarga	de	demandas	a	ele	dirigidas,	
sobretudo na área social. A reforma do Estado não é, assim, um tema 
abstrato: ao contrário, é algo cobrado pela cidadania, que vê frustradas 
suas demandas e expectativas.
Por	 exemplo,	 a	 crise	 do	 Estado	 que	 se	 confirmou	 nos	 anos	 de	 1980,	 foi	
motivada	pela	 ineficiência	 do	Estado	 na	 administração	de	 suas	 atribuições,	 em	
função da sobrecarga das obrigações a ele destinadas naquele cenário. O que 
ocasionou	esta	 situação	 foi	basicamente:	 “[...]	descontrole	fiscal,	diversos	países	
passaram a apresentar redução nas taxas de crescimento econômico, aumento 
do	desemprego	 e	 elevados	 índices	de	 inflação.”.	 (CHIAVENATO,	 2008,	p.	 100).	
O	Estado	estava	com	dificuldade	de	gerir	e	alcançar	as	expectativas	da	sociedade	
que visava à estabilidade diante da crise. Para Chiavenato (2008, p.100):
A crise do Estado teve início nos anos 1970, mas só nos anos1980 se 
tornou evidente. [...] a causa da desaceleração econômica nos países 
desenvolvidos e dos graves desequilíbrios na América Latina e no 
Leste Europeu era a crise do Estado, que não soubera processar de 
forma adequada a sobrecarga de demandas a ele dirigidas. A desordem 
econômica	expressava	agora	a	dificuldade	do	Estado	em	continuar	a	
administrar as crescentes expectativas em relação à política de bem-
estar aplicada com relativo sucesso no pós-guerra. A Primeira Grande 
Guerra Mundial e a Grande Depressão foram o marco da crise no 
mercado e do Estado liberal.
UNIDADE 3 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E CRISES/REFORMAS DO ESTADO
210
Conforme citado acima, A Primeira Grande Guerra Mundial e a Grande 
Depressão foram o marco da crise no mercado e do Estado liberal. A partir disso o 
Estado assume um novo papel, onde deverá promover além do desenvolvimento 
social, o desenvolvimento econômico.
Para relembrar, a Primeira Guerra Mundial foi motivada pela luta entre as grandes 
potências para ter o domínio econômico e político sobre o mundo. A Grande Depressão, 
em 1929, ocorreu após a Primeira Guerra Mundial, pois os EUA após a Guerra passaram por 
uma crise, influenciando várias nações, inclusive o Brasil, pois além de serem financiadores 
de vários países, os EUA tiveram queda na sua produção industrial, também passaram a 
importar menos.
Logo, “[...] o Estado passa a desempenhar um papel estratégico na 
coordenação da economia capitalista, promovendo poupança forçada alavancando 
o desenvolvimento econômico, corrigindo as distorções do mercado e garantindo 
uma distribuição de renda mais igualitária”. (CHIAVENATO, 2008, p. 100).
O Estado passa a desempenhar seu novo papel conforme citado acima, 
porém, não demora muito, suas ações são prejudicadas pelas atitudes de certos 
funcionários e empresários que utilizam o Estado em seu benefício próprio, 
quando deveria ser para o bem comum. Conforme Chiavenato (2008, p. 100):
Não obstante, nos últimos 20 anos esse modelo mostrou-se superado, 
vítima de distorções da tendência observada em grupos de empresários 
e de funcionários, que buscam utilizar o Estado em seu próprio benefício, 
vítima também da aceleração do desenvolvimento tecnológico e da 
globalização da economia mundial, que tornaram a competição entre as 
nações muito mais aguda.
Como podemos observar na citação acima, além de funcionários e 
empresários	que	utilizaram	o	Estado	em	beneficio	próprio,	o	Estado	se	deparou	
com uma nova situação que é a aceleração do desenvolvimento tecnológico e da 
globalização da economia mundial, onde a competição entre os países tornou-se 
mais acirrada.
Define-se	a	crise	do	Estado,	conforme	Chiavenato	(2008,	p.	100):
1	–	Como	uma	crise	fiscal,	caracterizada	pela	crescente	perda	do	crédito	
por parte do Estado e pela poupança pública que se torna negativa;
2 – como o esgotamento da estratégia estatizante de intervenção do 
NOTA
TÓPICO 3 | CRISES E REFORMAS DO ESTADO
211
Estado, a qual se reveste de várias formas: o Estado do bem-estar social 
nos países desenvolvidos, a estratégia de substituição de importações 
no terceiro mundo e o estatismo nos países comunistas;
3 – como a superação da forma de administrar o Estado, isto é, a 
superação da administração pública burocrática.
Com todos esses acontecimentos providos pela crise, em 1990, se fez 
necessário	 uma	 reforma	 do	 Estado,	 para	 recuperar	 a	 autonomia	 financeira	 e	
também em relação às políticas públicas.
Conforme Chiavenato (2008, p. 101): “Só em meados dos anos 1990 surge 
uma	resposta	consistente	com	o	desafio	da	superação	da	crise:	a	ideia	da	reforma	
ou	reconstrução	do	Estado,	de	 forma	a	resgatar	sua	autonomia	financeira	e	sua	
capacidade de implementar políticas públicas”. 
O Estado precisava reagir diante da crise e para isso foi necessário, conforme 
citado	acima,	uma	reconstrução,	uma	reforma	para	redefinir	o	papel	do	Estado.
Chiavenato (2008, p. 101) cita alguns ajustes que ocorreram neste sentido:
1	–	o	ajustamento	fiscal	duradouro;
2 – as reformas econômicas orientadas para o mercado, que acompanhadas 
de uma política industrial e tecnológica, garantam a concorrência interna 
e criem as condições para o enfrentamento da competição internacional;
3 – a reforma da previdência social;
4 – a inovação dos instrumentos de política social, proporcionando maior 
abrangência e promovendo melhor qualidade para os serviços sociais;
5 – a reforma do aparelho do Estado, com vistas a aumentar sua 
“governança”,	ou	seja,	sua	capacidade	de	implementar	de	forma	eficiente	
políticas públicas.
Segundo o Banco Mundial, “governança é a maneira pela qual o poder é exercido na 
administração dos recursos sociais e econômicos de um país visando ao desenvolvimento, e a 
capacidade dos governos de planejar, formular e programar políticas e cumprir funções”. 
FONTE: Disponível em: <http://www.significados.com.br/governanca/>. Acesso em: 18 jan. 2014.
NOTA
UNIDADE 3 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E CRISES/REFORMAS DO ESTADO
212
Segue um quadro com a função dos órgãos para efetivar as mudanças 
citadas acima:
ÓRGÃO FUNÇÃO
Ministérios da área econômica, 
principalmente da Fazenda e 
do Planejamento.
Propor	alternativas	com	vistas	à	solução	da	crise	fiscal.
Ministérios Setoriais
Rever as políticas públicas, em consonância com os novos 
princípios do desenvolvimento econômico e social.
Ministério da Administração 
Federal e Reforma do Estado 
Estabelecer as condições para que o governo possa aumentar 
sua governança.
FONTE: Adaptado de: Chiavenato (2008, p. 101)
Vale ressaltar que não podemos confundir reforma do Estado com reforma 
do aparelho do Estado. 
Conforme Chiavenato (2008, p. 102): 
A reforma do Estado é um projeto amplo que diz respeito às várias áreas 
do governo e, ainda, ao conjunto da sociedade brasileira, enquanto 
que a reforma do aparelho do Estado tem um escopo mais estrito: está 
orientada	 para	 tornar	 a	 administração	 pública	 mais	 eficiente	 e	 mais	
voltada para a cidadania.
Podemos distinguir a reforma do Estado da reforma do aparelho do Estado, 
se considerarmos o conceito do Estado que é composto por três elementos: o povo, 
o território e o Governo, logo a reforma do Estado abrange todos os elementos. É 
possível comparar o aparelho do Estado com o motor de um veículo, onde este 
aparelho terá suas características para fazer funcionar o veículo de acordo com o 
perfil	do	comprador.	O	aparelho	do	Estado	é	a	forma	como	o	Estado	é	administrado	
e executado para funcionar de acordo com as características que o povo visa. A 
reforma	do	Estado	nada	mais	é	do	que	o	papel	definido	que	o	Estado	deve	assumir	
através do aparelho do Estado, o Estado assume um papel e o aparelho do Estado 
é a forma de execução desse papel.
Segue	um	quadro	ilustrativo	para	que	de	forma	simplificada	possam	ser	
visualizados os principais objetivos das reformas:
QUADRO 16 – FUNÇÃO DOS ÓRGÃOS PARA EXECUÇÃO DOS OBJETIVOS DO ESTADO
TÓPICO 3 | CRISES E REFORMAS DO ESTADO
213
QUADRO 17 – REFORMAS DO ESTADO E DO APARELHO DO ESTADO
REFORMA OBJETIVO
DASP (1936)
Mudar a forma como a administração pública estava sendo administrada, 
visando à burocracia rígida.
Decreto Lei Nº 
200/1967
Flexibilizar e superar a rigidez da administração burocrática da época, 
em consequência das inadequações do modelo vigente até então. O 
Decreto-Lei nº 200 é considerado um marco, pois a partir deste que a 
administração gerencial nascia no Brasil.
Ministério da 
Desburocratização 
(1980)
Inicialmente as ações do PRND - Programa Nacional da Desburocratização 
era para combater a burocracia Excessiva nos procedimentos e 
posteriormente conter a expansão da administração descentralizada 
devido ao excesso de autonomia concedida pelo Decreto-Lei nº 200.
Constituição 
Federal (1988)Organizar o Estado através dos princípios fundamentais, garantindo 
direitos e deveres aos cidadãos, além de legislar sobre tributação e 
orçamento,	ordem	econômica	e	financeira	e	ordem	social.	Para	elaborar	
esta	Constituição	o	povo	foi	chamado	a	participar,	reafirmando	a	sua	
ideia de democracia.
Emenda 
Constitucional no 
19 de 1988
Reforma administrativa do Estado, tratando de questões como a 
estabilidade dos servidores públicos, o regime de remuneração e a gestão 
gerencial.
Lei de 
Responsabilidade 
Fiscal
Estabelecer	normas	de	finanças	públicas	voltadas	para	a	responsabilidade	
na	gestão	fiscal,	obrigando	os	gestores	a	planejarem	suas	despesas	com	
base na receita efetivamente arrecadada. Estabelece limites na geração 
de despesas com pessoal.
FONTE: Os autores
Como podemos observar, a evolução e melhoria da administração pública, 
das reformas do Estado e do Aparelho do Estado foi motivo de muito debate e 
discussão. Vamos conhecer e entender melhor o assunto a partir de agora.
UNIDADE 3 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E CRISES/REFORMAS DO ESTADO
214
3 DASP – DEPARTAMENTO DE ADMINISTRAÇÃO DO SERVIÇO 
PÚBLICO (ERA VARGAS – 1936)
O DASP foi criado no governo de Vargas, em 1936, com o objetivo de 
mudar a forma como a administração pública estava sendo administrada, visando 
à burocracia. Conforme Chiavenato (2008, p. 109): “Com o objetivo de realizar 
a modernização administrativa, foi criado o Departamento Administrativo do 
Serviço Público – DASP, em 1936.”. 
O modelo de administração burocrática se destaca a partir de 1930, 
com a aceleração da indústria brasileira, onde o Estado poderia ser o principal 
influenciador	no	setor	produtivo	de	bens	e	serviços.
 
 Conforme Chiavenato (2008, p. 109): “No Brasil, o modelo de administração 
burocrática emerge a partir dos anos 1930. Surge no quadro da aceleração da 
industrialização brasileira, em que o Estado assume papel decisivo, intervindo 
pesadamente no setor produtivo de bens e serviços.”.
Como estudamos anteriormente, o modelo de administração burocrático 
se caracteriza pela racionalização de recursos, na excessiva ênfase nos processos, 
por controles rígidos. Foi a partir do modelo de administração burocrática, na era 
Vargas, que o ingresso ao serviço público passou a ser através de concurso público.
Chiavenato	(2008,	p.109)	afirma:
A partir da reforma empreendida no governo Vargas por Maurício 
Nabuco e Luiz Simões Lopes, a administração pública sofre um 
processo de racionalização que se traduziu no surgimento das primeiras 
carreiras burocráticas e na tentativa de adoção do concurso como 
forma de acesso ao serviço público. A implantação da administração 
pública burocrática é uma consequência clara de emergência de um 
capitalismo moderno no país.
Com o crescimento da indústria e desenvolvimento do país se faz necessária 
uma	administração	mais	eficiente	e	transparente.	Podemos	concluir	que	o	modelo	
patrimonialista não cabe mais a um país onde o capitalismo se torna cada vez 
mais emergente, onde o cidadão luta com garra por seus interesses. Sendo assim, 
é evidente que o modelo de administração burocrático nasce deste capitalismo 
que pede maior controle e transparência no serviço público, nasce dos cidadãos 
que	cada	vez	mais	desconfiam	da	administração	pública	 temendo	o	modelo	de	
administração	patrimonialista	onde	apenas	a	minoria	privilegiada	sai	beneficiada.	
No	 início	 a	 administração	 pública	 burocrática	 teve	 influência	 da	 teoria	
científica	 de	 Taylor	 que	 já	 estudamos	 na	 primeira	 unidade	 deste	 Caderno	 de	
Estudos.
TÓPICO 3 | CRISES E REFORMAS DO ESTADO
215
Conforme	 Chiavenato	 (2008,	 p.109),	 as	 influências	 que	 a	 administração	
pública	sofreu	baseada	na	teoria	científica	de	Taylor	foram	respectivamente:
-	Racionalização	mediante	a	simplificação.
- Padronização e aquisição racional de materiais.
-	Revisão	de	estruturas	e	aplicação	de	métodos	na	definição	de	procedimentos.
- A função orçamentária vinculada ao planejamento.
Quanto à administração de recursos humanos, a burocracia da administração 
pública	sofreu	influência	da	teoria	científica	de	Weber,	onde	o	mérito	profissional	
passou a vigorar. 
Conforme Chiavenato (2008, p.109):
No que diz respeito à administração dos recursos humanos, o DASP 
representou a tentativa de formação da burocracia nos moldes 
weberianos,	 baseada	 no	 princípio	 do	mérito	 profissional.	 Entretanto,	
embora tenham sido valorizados os instrumentos importantes à época, 
tais como o instituto do concurso público e do treinamento – não se 
chegou a adotar consistentemente uma política de recursos humanos 
que respondesse às necessidades do Estado.
Podemos	 afirmar	 que	 apesar	da	 evolução	da	 área	de	 recursos	humanos	
no modelo burocrático da administração pública, como por exemplo, o concurso 
público,	 treinamento	 e	 mérito	 profissional,	 ainda	 não	 existia	 uma	 política	 de	
recursos humanos que suprisse todas as necessidades da época, porém, a busca 
pela evolução era constante.
Apesar de a burocracia vigorar, o patrimonialismo ainda estava presente. 
“O patrimonialismo (contra o qual a administração pública burocrática se 
instalara), embora em processo de transformação, mantinha ainda sua própria 
força no quadro político brasileiro. O coronelismo dava lugar ao clientelismo e ao 
fisiologismo.”	(CHIAVENATO,	2008,	p.	109).
Antes, no modelo patrimonialista existia o coronelismo, agora, na 
administração burocrática a presença do modelo patrimonialista “mudou de 
nome”	 para	 clientelismo,	 que	 significa	 a	 mesma	 coisa:	 troca	 de	 favores,	 apoio	
político em troca de algum interesse pessoal, quando deveria a coisa pública 
beneficiar	a	todos,	e	não	apenas	ao	indivíduo	que	é	visto	como	cliente	pelo	político	
que em troca disso quer o apoio nas eleições.
Estas inadequações do modelo burocrático na era Vargas, deram brecha 
para diversas tentativas de novas reformas.
UNIDADE 3 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E CRISES/REFORMAS DO ESTADO
216
4 DECRETO-LEI No 200 (1967)
O Decreto-Lei nº 200 surgiu a partir de uma nova reforma, no governo 
de	JK	(Juscelino	Kubitschek),	em	1967,	com	o	objetivo	de	flexibilizar	e	superar	a	
rigidez da administração burocrática da época, em consequência das inadequações 
do modelo vigente até então. O Decreto-Lei nº 200 é considerado um marco, pois a 
partir dele nascia a administração gerencial no Brasil.
Conforme Chiavenato (2008, p. 109-110):
 
Não obstante, as experiências se caracterizaram, em alguns casos, pela 
ênfase na extinção e criação de órgãos, e, em outros, pela constituição 
de estruturas paralelas visando a alterar a rigidez burocrática. Na 
própria área da reforma administrativa, esta última prática foi adotada, 
por	 exemplo,	 no	 Governo	 JK,	 com	 a	 criação	 de	 comissões	 especiais,	
como a Comissão de Estudos e Projetos Administrativos, objetivando a 
realização	de	estudos	para	simplificação	dos	processos	administrativos	
e	reformas	ministeriais,	e	a	Comissão	de	Simplificação	Burocrática,	que	
visava à elaboração de projetos direcionados para reformas globais e 
descentralização de serviços. A reforma operada pelo Decreto-Lei nº 
200, entretanto, constitui um marco na tentativa de superação da rigidez 
burocrática, podendo ser considerada como um primeiro momento da 
administração gerencial no Brasil.
Como podemos observar na citação acima, foram criadas comissões com o 
objetivo	de	superar	a	rigidez	burocrática,	estudavam	para	chegar	à	simplificação	
dos processos administrativos e também à descentralização dos serviços.
Através do Decreto-Lei nº 200, segundo Chiavenato (2008, p. 110): 
 
- Realizou-se a transferência de atividades para autarquias, fundações, 
empresas	públicas	e	sociedades	de	economia	mista,	a	fim	de	obter-se	
maior dinamismo operacional por meio da descentralização funcional.- Instituíram-se como princípios de racionalidade administrativa 
o	 planejamento	 e	 o	 orçamento,	 o	 descongestionamento	 das	 chefias	
executivas superiores (desconcentração/descentralização), a tentativa 
de reunir competência e informação no processo decisório, a 
sistematização, a coordenação e o controle.
Apesar	de	o	Decreto-Lei	nº	200	visar	à	descentralização	e	maior	flexibilidade	
da administração pública burocrática como um ponto positivo à administração 
pública, pecou em alguns quesitos. Neste caso, o Decreto-Lei nº 200, nada 
estabeleceu quanto à administração burocrática central (administração direta) 
em relação às empresas estatais (administração indireta), desta forma deu brecha 
para	a	 ineficiência	da	administração	pública	direta,	pois	não	havia	especificado	
como seria a administração das empresas estatais. Sendo assim, coexistiram na 
administração indireta diferentes núcleos para administrar, ou seja, houve um 
excesso de autonomia à administração indireta/empresas estatais. Conforme 
Chiavenato (2008, p. 110):
TÓPICO 3 | CRISES E REFORMAS DO ESTADO
217
[...] as reformas operadas pelo Decreto-Lei nº 200/1967 não 
desencadearam mudanças no âmbito da administração burocrática 
central,	permitindo	a	coexistência	de	núcleos	de	eficiência	e	competência	
na	administração	indireta	e	formas	arcaicas	e	ineficientes	no	plano	da	
administração direta ou central.
O regime militar propositalmente não se preocupou em estabelecer um plano 
de carreira aos administradores públicos de alto nível, preferiu contratar o pessoal 
de alto escalão através das empresas estatais. Conforme Chiavenato (2008, p. 110):
 
O núcleo burocrático foi, na verdade, enfraquecido indevidamente 
através de uma estratégia oportunista do regime militar, que não 
desenvolveu carreiras de administradores públicos de alto nível, 
preferindo, em vez disso, contratar os escalões superiores da 
administração através das empresas estatais.
O Decreto-Lei nº 200 contribui para a evolução da administração pública, 
pois,	 como	 vimos,	 tinha	 como	 objetivo	 flexibilizar	 a	 rigidez	 da	 administração	
pública burocrática e a descentralização para melhorias nos processos, porém 
houve um excesso de autonomia às empresas estatais, que como vimos, usufruiu 
de forma incorreta do patrimônio público, além disso, não tinha processo seletivo 
ou concurso público para ter acesso aos cargos das empresas estatais (autarquias, 
fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista). Estas falhas que 
precisavam ser corrigidas provocaram uma nova iniciativa para modernizar a 
administração pública. Conforme Chiavenato (2008, p. 110):
 
Em meados dos anos 1970, uma nova iniciativa modernizadora da 
administração pública teve início, com a criação da SEMOR – Secretaria 
da Modernização. Reuniu-se em torno dela um grupo de jovens 
administradores públicos, muitos deles com formação em nível de 
pós-graduação no exterior, que buscou implantar novas técnicas de 
gestão, e particularmente de administração de recursos humanos, na 
administração pública federal.
Essa tentativa de novamente modernizar a administração pública resultou 
na criação da SEMOR – Secretaria da Modernização, onde um grupo de jovens 
administradores públicos estudava para buscar novas alternativas para a melhoria 
na gestão pública. 
Ainda assim, no início de 1980, houve uma nova tentativa de reforma 
à administração pública burocrática rumo à administração pública gerencial, 
estamos falando agora do Ministério da Desburocratização.
UNIDADE 3 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E CRISES/REFORMAS DO ESTADO
218
5 MINISTÉRIO DA DESBUROCRATIZAÇÃO (1980)
No início de 1980 houve uma nova tentativa de reforma da administração 
pública burocrática rumo à administração gerencial. Foi criado o Ministério da 
Desburocratização e o Programa Nacional da Desburocratização – PRND.
Conforme Chiavenato (2008, p. 110): “No início dos anos 1980, registrou-se 
uma nova tentativa de reforma à burocracia e orientá-la na direção da administração 
pública gerencial, com a criação do Ministério da Desburocratização e do Programa 
Nacional de Desburocratização – PRND [...]”. 
Tinham basicamente quatro objetivos, que, segundo Chiavenato (2008, p. 
110-111), eram: 
- Revitalização e agilização das organizações do Estado.
- Descentralização da autoridade.
-	Melhoria	e	simplificação	dos	processos	administrativos.
-	Promoção	da	eficiência.
Inicialmente as ações do PRND eram para combater a burocracia excessiva 
nos procedimentos e posteriormente conter a expansão da administração 
descentralizada devido ao excesso de autonomia concedida pelo Decreto-Lei nº 200.
Segundo Chiavenato (2008, p.111), as ações do PRND voltaram-se “[...] 
inicialmente para o combate à burocratização dos procedimentos. Posteriormente, 
foram dirigidas para o desenvolvimento do Programa Nacional de Desestatização, 
[...] para conter os excessos da expansão da administração descentralizada, 
estimulada pelo Decreto-Lei nº 200/1967”.
Como já estudamos sobre as constituições, devemos recordar que em 1985 
houve a transição da ditadura militar à democracia no país, rumo a Constituição 
de 1988. Foi neste momento que as ações para alcançar a administração gerencial 
foram paralisadas, pois o Estado estava com altos custos com os cargos públicos 
da administração indireta e das delegacias dos ministérios dos Estados para os 
políticos	vitoriosos.	O	que	aparentemente	demonstra	que	a	flexibilidade	e	medidas	
contra a rigidez democrática e a descentralização, são sinônimas de fracasso, onde 
rigidez burocrática é a solução. Por outro lado, entendia-se que a rigidez burocrática 
era culpada pela crise do Estado, já que incentivou o crescimento acelerado deste. 
Conforme Chiavenato (2008, p. 111):
 
As ações rumo a uma administração pública gerencial, são, entretanto, 
paralisadas na transição democrática de 1985 que, embora representasse 
uma grande vitória democrática, teve como um de seus custos mais 
surpreendentes o loteamento dos cargos públicos da administração 
indireta e das delegacias dos ministérios nos Estados para os políticos 
dos partidos vitoriosos. Um novo populismo patrimonialista surgia 
no país. De outra parte, a alta burocracia passava a ser acusada, 
principalmente pelas forças conservadoras, de ser a culpada da crise do 
Estado, na medida em que favorecia seu crescimento excessivo.
TÓPICO 3 | CRISES E REFORMAS DO ESTADO
219
Esses fatores levaram a administração pública a um retrocesso burocrático. 
Sobre este assunto nos aprofundaremos a seguir.
6 CONSTITUIÇÃO FEDERAL (1988)
Como vimos, foram basicamente dois fatores que motivaram o retrocesso 
burocrático na administração pública: o novo populismo patrimonialista que 
surgia no país, ou seja, os políticos favoreciam os que lhe davam apoio político, 
geralmente contratando-os com altos salários, e a alta burocracia que foi acusada 
pela crise do Estado, já que incentivou o seu desenvolvimento de forma acelerada.
 
Segundo Chiavenato (2008, p. 111):
 
A conjunção desses dois fatores leva, na Constituição de 1988, a um 
retrocesso burocrático sem precedentes. Sem que houvesse maior 
debate público, o Congresso Constituinte promoveu um surpreendente 
engessamento do aparelho estatal, ao estender para os serviços do 
Estado e para as próprias empresas estatais praticamente as mesmas 
regras burocráticas rígidas adotadas no núcleo estratégico do Estado.
Sendo assim, o que resultou deste retrocesso burocrático foi a decisão do 
Congresso Constituinte de empregar a rígida burocracia adotada pelo núcleo 
estratégico do Estado aos serviços do Estado e para as empresas estatais.
A nova Constituição determinou, segundo Chiavenato (2008, p.111): 
- Perda de autonomia do Poder Executivo para tratar da estruturação 
dos órgãos públicos.
- Instituiu a obrigatoriedade de regimejurídico único para os servidores 
civis da União, dos Estados-membros e dos Municípios.
-	Retirou	da	administração	indireta	a	sua	flexibilidade	operacional,	ao	
atribuir às fundações e autarquias públicas normas de funcionamento 
idênticas às que regem a administração direta.
Podemos perceber que todo o avanço que a administração pública 
havia conquistado rumo à administração gerencial foi boicotado, retornando/
retrocedendo a rígida administração burocrática. 
Não podemos associar o retrocesso burocrático como um aparente 
fracasso	das	medidas	(flexibilização	burocrática	e	descentralização)	tomadas	pelo	
Decreto-Lei nº 200/1967, mesmo que este tenha dado excessiva autonomia para 
a administração indireta/empresas estatais que abusaram disto. Na transição 
democrática	 do	 Brasil,	 as	 forças	 democráticas	 identificavam	 o	 Decreto-Lei	 nº	
200/1967 como resultado da descentralização que o regime militar queria implantar. 
Assim relata Chiavenato (2008, p. 111):
 
UNIDADE 3 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E CRISES/REFORMAS DO ESTADO
220
O retrocesso burocrático não pode ser atribuído a um suposto fracasso 
da	descentralização	e	da	flexibilização	da	administração	pública	que	o	
Decreto-Lei nº 200/1967 teria promovido. Embora alguns abusos tenham 
sido cometidos em seu nome, seja em termos de excessiva autonomia 
para as empresas estatais, seja em termos do uso patrimonialista das 
autarquias e fundações (onde não havia a exigência do processo seletivo 
para	a	admissão	de	pessoal),	não	é	correto	afirmar	que	tais	distorções	
possam ser imputadas como causa do mesmo. Na medida em que a 
transição democrática ocorreu no Brasil em meio à crise do Estado, 
essa	última	foi	equivocadamente	identificada	pelas	forças	democráticas	
como resultado, entre outros, do processo de descentralização que o 
regime militar procurara implantar.
Na transição democrática existiu uma campanha contra a estatização 
(centralização), isto levou ao aumento de rígidos controles burocráticos às 
empresas estatais. “Por outro lado, a transição democrática foi acompanhada 
por uma ampla campanha contra a estatização, que levou os constituintes a 
aumentar os controles burocráticos sobre as empresas estatais e a estabelecer 
normas rígidas para a criação de novas empresas públicas e de subsidiárias já 
existentes”. (CHIAVENATO, 2008, p. 111-112).
Todos esses acontecimentos citados acima sobre o retrocesso da 
administração burocrática trouxeram dois resultados, um deles é a volta da rigidez 
da	burocracia	ficando	novamente	 longe	do	modelo	de	 administração	gerencial,	
outro resultado foi de certa forma a presença do modelo patrimonialista que é 
totalmente o oposto da administração burocrática.
Segundo Chiavenato (2008, p.112): 
[...] geraram-se dois resultados: [...] o abandono do caminho rumo 
a	uma	administração	pública	gerencial	 e	 a	 reafirmação	dos	 ideais	da	
administração pública burocrática clássica; [...] [e] dada a ingerência 
patrimonialista no processo, a instituição de uma série de privilégios, 
que não se coadunam com a própria administração pública burocrática.
Podemos citar como exemplo destes privilégios da administração 
patrimonialista presente na administração burocrática: “[...] estabilidade rígida 
para todos os servidores civis, diretamente relacionada à generalização do regime 
estatutário na administração direta e nas fundações e autarquias, a aposentadoria 
com proventos integrais sem correlação com o tempo de serviço ou com a 
contribuição do servidor.” (CHIAVENATO; 2008, p.112).
Estes privilégios de certa forma acabaram denegrindo a imagem dos 
administradores públicos e da própria administração pública de forma injusta, 
pois todos os acontecimentos negativos ou positivos tiveram como objetivo a 
melhoria da administração pública. 
Conforme Chiavenato (2008, p. 112):
 
Todos estes fatos contribuíram para o desprestígio da administração 
pública brasileira, não obstante o fato de que os administradores públicos 
TÓPICO 3 | CRISES E REFORMAS DO ESTADO
221
brasileiros são majoritariamente competentes, honestos e dotados do 
espírito público. Essa qualidade, que eles demonstram desde os anos 1930, 
quando	 a	 administração	 pública	 profissional	 foi	 implantada	 no	 Brasil,	
foram um fator decisivo para o papel estratégico que o Estado jogou no 
desenvolvimento econômico brasileiro. A implantação da indústria de 
base nos anos 1940 e 1950, o ajuste nos anos 1960, o desenvolvimento 
da infraestrutura e a instalação da indústria de bens de capital, nos 
anos	de	1970,	de	novo	o	ajuste	e	a	reforma	financeira	nos	anos	1980,	e	a	
liberação comercial nos anos 1990, não teriam sido possíveis não fosse a 
competência e o espírito público da burocracia brasileira.
Através da citação acima percebemos os avanços que o Estado e a 
administração pública tiveram graças aos esforços dos administradores públicos.
Chiavenato (2008, p. 112) faz uma breve análise do comportamento dos 
governos posteriores em relação às distorções provocadas pela nova Constituição, 
após todos estes acontecimentos: 
- No governo de Collor, entretanto, as respostas a elas foi equivocada 
e apenas agravou os problemas existentes, na medida em que se 
preocupava em destruir ao invés de construir.
- O governo de Itamar Franco buscou essencialmente recompor os 
salários dos servidores, que haviam sido violentamente reduzidos no 
governo anterior.
Em 1994, estava prevista uma nova reforma administrativa rumo à 
administração gerencial.
Conforme Chiavenato (2008, p. 112): “O discurso de reforma administrativa 
assume uma nova dimensão a partir de 1994, quando a campanha presidencial 
introduz a perspectiva da mudança organizacional e cultural da administração 
pública no sentido de uma administração gerencial.”
No entanto, se por um lado, a Constituição de 1988 provocou retrocesso no 
modelo de administração gerencial, fazendo o país voltar ao modelo burocrático, 
não podemos deixar de frisar os benefícios trazidos por ela, chamada de 
Constituição cidadã desde sua promulgação.
Segundo	Alkmim	(2009,	p.	192,	grifo	do	autor):	
Trata-se nas palavras de Ulisses Guimarães, de uma Constituição cidadã, 
porquanto contou com ampla participação popular em sua elaboração 
e, em especial, porque se volta decididamente para a plena realização da 
cidadania, muito embora os sucessivos governos que vieram após a sua 
promulgação pouco tenham feito para o seu pleno atingimento. Vale 
dizer que, nada obstante a Constituição, sob aspecto formal, seja de fato 
cidadã, falta concretizar esta cidadania também no aspecto material.
A atual constituição foi elaborada pela Assembleia Constituinte que iniciou 
seus trabalhos no início do ano de 1987, ou seja, foram mais de 18 meses de trabalho 
até que ela fosse elaborada e promulgada em 05 de outubro de 1988. 
UNIDADE 3 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E CRISES/REFORMAS DO ESTADO
222
É considerada uma constituição democrática, pois:
[...] foi ampla a participação popular nos trabalhos constituintes, 
sendo que, durante os trabalhos, cerca de 5,4 milhões de pessoas 
transitaram pelo edifício do Congresso Nacional, com a apresentação 
de 122 emendas populares, algumas com mais de um milhão de 
assinaturas, fato que revela a ampla participação democrática. 
(ALKMIM,	2009,	p.	192).
É provável que o sucesso e a duração dessa Constituição, já são mais de 
25 anos, deva-se à grande participação popular na sua elaboração. Afora isso, 
precisamos citar as inúmeras conquistas sociais e econômicas trazidas para o país 
por esta Carta Magna.
Conforme consta no site Direito Net (2013):
A Constituição de 1988, além de representar o marco entre o regime 
militar	e	a	democracia,	também	significou	a	conquista	de	vários	direitos	
trabalhistas e sociais. Na área econômica, os constituintes fortaleceram 
a estrutura do Estado, estabelecendoos monopólios da exploração 
do subsolo, do minério, do petróleo, dos recursos hídricos, do gás 
canalizado, das comunicações e do transporte marítimo.
Vejamos as principais mudanças trazidas pela Carta Magna de 1988:
 reestruturou os Poderes da República, fortaleceu o Ministério Público 
(transformou-o num órgão independente, autônomo e detentor da prerrogativa 
da ação civil pública;
 reduziu a jornada de trabalho de 48 para 44 horas semanais, instituiu o abono de 
férias, o 13º salário aos aposentados e o seguro-desemprego;
 os direitos dos trabalhadores urbanos foram concedidos também aos 
trabalhadores rurais e domésticos, a licença maternidade passou de 90 para 120 
dias, os homens passaram a ter licença paternidade de 5 dias, foi criado o direito 
de greve e liberdade sindical aos trabalhadores;
	 foi	 aprovado	 renda	 mensal	 vitalícia	 para	 idosos	 e	 deficientes,	 o	 racismo	 foi	
definido	 como	 crime	 inafiançável	 e	 imprescritível,	 também	 foi	 estabelecido	
a proteção ao consumidor (resultou na elaboração do Código de Defesa do 
Consumidor);
 foi instituída a possibilidade de eleição em dois turnos, em cidades com mais de 
200 mil eleitores, quando nenhum dos candidatos atingirem mais de 50% dos 
votos válidos;
 com a Constituição Cidadã os brasileiros passaram a ter direito ao habeas data, 
ação que garante a todo cidadão saber os dados a seu respeito em posse dos 
arquivos governamentais;
	 a	Constituição	também	pôs	fim	à	censura	e	instituiu	a	liberdade	de	expressão.	
(DIREITO NET, 2013).
TÓPICO 3 | CRISES E REFORMAS DO ESTADO
223
Sabemos	que	muitas	normas	da	Constituição	que	ficaram	na	dependência	
de legislação regulamentar continuam sem regulamentação, é o caso da licença 
paternidade, entretanto, as conquistas alcançadas pela Constituição cidadã não 
podem ser ignoradas, foi o momento de o povo deixar a ditadura de lado e entrar 
na era democrática. 
7 EMENDA CONSTITUCIONAL 19 (1998)
A Emenda Constitucional nº 19, de 04 de junho de 1998, é conhecida como a 
emenda da reforma administrativa do Estado Brasileiro. Foi através dessa emenda 
que	 aconteceram	 mudanças	 significativas	 responsáveis	 pela	 modernização	 da	
máquina administrativa do país.
De	 acordo	 com	 Silva	 (1999):	 “Dentre	 as	 modificações	 introduzidas	
pela Emenda Constitucional nº 19/98, destacam-se aquelas relacionadas com a 
estabilidade dos servidores públicos, com o regime de remuneração dos agentes 
públicos e com a gestão gerencial da administração pública.”
Observe que essa emenda fez alterações nas disposições que tratam dos 
servidores	 públicos,	 incluindo	 também,	 o	 princípio	 da	 eficiência	 com	 a	 gestão	
gerencial. Iremos nos ater à análise das mudanças sobre os servidores públicos, 
uma vez que a gestão gerencial já foi estudada anteriormente.
Conforme Alexandrino e Paulo (2011, p. 317, grifo dos autores): 
O caput do art. 39 da Constituição, originariamente, estabelecia a 
obrigatoriedade de adoção, por parte de cada ente da Federação, de 
um só regime jurídico aplicável a todos os servidores integrantes 
de suas administrações direta, autárquica e fundacional (e também 
tornava obrigatória a instituição de planos de carreira para esses 
servidores).
Não deixe de ler o artigo completo publicado no Direito Net sobre a Constituição 
de 1988. Disponível em: <http://www.direitonet.com.br/noticias/exibir/14961/Constituicao-
de-1988-completa-25-anos>. 
DICAS
UNIDADE 3 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E CRISES/REFORMAS DO ESTADO
224
Cada ente poderia escolher o regime que adotaria entre: estatutário, regime 
contratual trabalhista (CLT) ou ainda, um regime misto. Não podendo utilizar mais de um 
regime. Na esfera federal a União editou a Lei no 8.112/90 adotando o regime estatutário 
para seus servidores. (ALEXANDRINO; PAULO; 2011).
No que tange ao regime jurídico e aos planos de carreira, a Emenda 19 
alterou o caput do art. 39, eliminando a obrigatoriedade da adoção de regime 
único, bem como, a obrigatoriedade do plano de carreira. Essa alteração não 
prejudicou o disposto na Lei no 8.112/90, apenas permitiu a existência de 
mais de um regime jurídico na administração direta, autarquias e fundações 
públicas de cada um dos entes da Federação. Com isso, a União editou a Lei 
no 9.962/2000 prevendo a contratação de empregados públicos. Entretanto, o 
STF	deferiu	medida	 cautelar	 suspendendo	 a	 eficácia	 do	 art.	 39	 com	 redação	
da Emenda no 19/98 a partir de agosto de 2007, voltando à redação original 
do referido artigo, inclusive no que se refere aos planos de carreira, mas vale 
lembrar que, toda a legislação editada durante a vigência da Emenda no 19 
continua válida. (ALEXANDRINO; PAULO; 2011).
Com relação às mudanças quanto à estabilidade, observe o quadro a seguir:
QUADRO 18 – REGRAS PARA ESTABILIDADE ANTES E DEPOIS DA EC NO 19
Como era Como ficou após a Emenda no 19
Para adquirir a estabilidade era necessário:
l aprovação em concurso público;
l dois anos de efetivo exercício do cargo.
Para adquirir a estabilidade é necessário:
l ser aprovado em concurso público;
l cargo público de provimento efetivo;
l três anos de efetivo exercício;
l aprovação em avaliação especial de desempenho 
por	comissão	instituída	para	essa	finalidade.
Hipóteses de perda de cargo:
l	 infração	disciplinar	 grave,	 tipificada	 em	
lei e apurada em processo administrativo 
disciplinar, assegurada a ampla defesa;
l trânsito em julgado de sentença judicial.
Hipóteses de perda de cargo:
l sentença judicial transitada em julgado;
l processo administrativo com ampla defesa;
l	insuficiência	de	desempenho	verificada	mediante	
avaliação periódica, assegurada a ampla defesa;
l excesso de despesa com pessoal (conforme art. 
169 da CF).
FONTE: Adaptado de: Alexandrino e Paulo (2011, p. 328-330)
IMPORTANT
E
TÓPICO 3 | CRISES E REFORMAS DO ESTADO
225
Observe	que	os	critérios	para	atingir	a	estabilidade	ficaram	mais	rigorosos	
após a aprovação da Emenda Constitucional nº 19/1998. Além disso, foram 
acrescentadas duas hipóteses que podem causar a perda do cargo mesmo após 
decorrido o período de 03 anos e aprovação em estágio probatório, sendo que o 
último deles, excesso de despesa com pessoal, independe do bom desempenho do 
servidor.
A partir de agora abordaremos as alterações quanto ao regime de 
remuneração dos servidores. Segundo Silva (1999): 
Dentre as alterações introduzidas pela Emenda Constitucional nº 
19/98, no bojo da reforma administrativa, algumas delas ganharam 
importância	diferenciada	na	reflexão	jurídica.	Entre	estas	questões	está	a	
previsão de subsídios em substituição aos vencimentos ou remuneração 
de alguns agentes públicos. 
O	subsídio	é	fixado	em	parcela	única,	sendo	vedado	qualquer	acréscimo	de	
gratificação,	adicional,	abono	entre	outras	espécies	remuneratórias.
De acordo com Alexandrino e Paulo (2011) a remuneração por subsídio 
é obrigatória para os agentes políticos (chefes dos Executivos, deputados, 
senadores, vereadores, ministros de Estado, secretários estaduais e municipais, 
membros da magistratura, membros do Ministério Público, entre outros), alguns 
servidores públicos (servidores das carreiras da Advocacia Geral da União, à 
Defensoria Pública, servidores da Polícia Federal, policiais civis, militares e corpo 
de bombeiros) e facultativa para os servidores públicos organizados em carreira, 
desde que disposto em lei.
Essa	emenda	constitucional	contribui	para	o	início	da	profissionalização	do	
serviço público.
8 LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL (2000)
A Lei de Responsabilidade Fiscal é nada mais que a regulamentação 
dos artigos 163, 165 §9º inciso II e 169 da Constituição de 1988, ou seja, a Lei 
Complementar nº 101, de 04 de maio de 2000, é fruto da Constituição de 1988. A 
LRF	trata	da	responsabilidade	na	gestão	fiscal	(financeira)	dos	órgãospúblicos.
Conforme Nascimento (2010), a Lei de Responsabilidade Fiscal revogou 
a Lei Complementar nº 96/1999, conhecida como Lei Camata. Os modelos que 
serviram de referência para a elaboração da LRF são os seguintes:
 Fundo Monetário Internacional (FMI) no que se refere ao princípio da 
transparência nas contas públicas através da abertura das contas governamentais 
ao	povo	de	forma	simplificada.
UNIDADE 3 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E CRISES/REFORMAS DO ESTADO
226
 O programa Fiscal Responsability Act da Nova Zelândia, onde foi enfatizada a 
ideia	de	impor	limites	e	restrições	aos	gastos	públicos	em	busca	do	ajuste	fiscal	
e a transparência das contas públicas, assim como sugere o FMI.
 O Tratado de Maastricht da Comunidade Europeia que estabeleceu condições 
e regras aos seus países membros, tais como: metas de relação estável entre 
dívida	e	Produto	Interno	Bruto	e	manutenção	do	equilíbrio	fiscal	em	busca	da	
autossustentabilidade.
	 Influência	 dos	 Estados	 Unidos	 através	 das	 experiências	 decorrentes	 de	 dois	
mecanismos: o sequestration e o pay as you go, deram fundamento ao artigo 9º da 
LRF na forma de limites para empenhos e despesas e medidas de compensação. 
Significa	gastar	apenas	o	que	se	arrecada.
A Lei Camata regulamentava o artigo 169 da Constituição de 1988, quanto 
ao total das despesas com pessoal, onde determinava que essas despesas não poderiam 
ultrapassar 60% da Receita Corrente Líquida. Além dessa lei, outro instrumento legal que 
estabelecia normas para gestão fiscal responsável e equilíbrio nas contas públicas foi a Lei nº 
9.496/97 que autorizou a União a assumir a dívida pública mobiliária dos estados e do Distrito 
Federal, cujo objetivo era garantir que o endividamento dos estados não cresceria nos anos 
seguintes. Com a edição da LRF a prática do refinanciamento e da postergação de dívidas 
públicas foi proibida. (NASCIMENTO, 2011).
A LRF só vem regular tudo que já falamos desde o início deste caderno, 
quando se trata de dinheiro público, os gestores não podem agir de acordo com sua 
vontade, é preciso que se estabeleçam regras para o bom uso do dinheiro público, 
e foi para isso que essa lei foi aprovada. Os gestores não podem simplesmente 
realizar despesas sem ter receita para isso, pois, isso só faz com que a dívida 
pública aumente.
 
 Segundo Nascimento (2010, p. 212, grifo do autor): 
O principal objetivo da Lei de Responsabilidade Fiscal [...] consiste em 
estabelecer “normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na 
gestão fiscal”.	 [...]	o	§	1º	desse	mesmo	artigo	 [art.	1º]	procura	definir	o	
que se entende como “responsabilidade na gestão fiscal”, estabelecendo os 
seguintes postulados:
 ação planejada e transparente (pressupostos da LRF);
 prevenção de riscos e correção de desvios que afetem o equilíbrio das 
contas públicas;
 garantia de equilíbrio nas contas, via cumprimento de metas de 
resultados entre receitas e despesas;
IMPORTANT
E
TÓPICO 3 | CRISES E REFORMAS DO ESTADO
227
 obediência a limites e condições para a renúncia de receita e a geração 
de despesas com pessoal, seguridade, dívida, operações de crédito, 
concessão de garantia e inscrição em restos a pagar.
 Para atingir os objetivos da LRF é preciso que os gestores públicos façam 
planejamento, e as ferramentas para planejamento na administração pública são a 
LOA (Lei Orçamentária Anual), a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) e o PPA 
(Plano Plurianual). Através do planejamento é possível prever e minimizar riscos 
que	poderiam	afetar	as	finanças	públicas.	A	participação	da	população	também	é	
importante para que a gestão seja transparente.
Com relação ao equilíbrio das contas públicas, Nascimento (2010, p. 213) 
afirma:	“Significa,	em	outras	palavras,	que	o	equilíbrio	a	ser	buscado	é	o	equilíbrio	
autossustentável, ou seja, aquele que prescinde de operações de crédito, e portanto, 
sem aumento da dívida pública. [...] é a verdadeira tradução do slogan ‘gastar 
apenas o que se arrecada’.”
Para realizar despesas os órgãos públicos dependem das receitas, e o 
equilíbrio consiste em não efetuar despesas maiores do que as receitas. Além disso, 
para garantir a realização de despesa é preciso que o gestor otimize a arrecadação 
de receitas, e mais, utilize essa receita de forma consciente. 
Dentre os limites trazidos pela LRF temos o que se refere ao controle nos 
casos de renúncia de receita. Segundo Nascimento (2010, p. 226), o art. 14, §1º da 
Lei	de	Responsabilidade	Fiscal	traz	a	definição	de	renúncia	de	receita:	
A renúncia compreende anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, 
concessão de isenção em caráter não geral, alteração de alíquota ou 
modificação	 de	 base	 de	 cálculo	 que	 implique	 redução	 discriminada	
de tributos ou contribuições, e outros benefícios que correspondam a 
tratamento diferenciado.
A renúncia de receita nada mais é do que abrir mão de determinados 
valores	em	função	de	situações	específicas,	e	a	LRF	coloca	limites	nesse	sentido	
para que o gestor o faça de forma planejada. Essas iniciativas de acordo com 
Nascimento (2010, p. 225) devem atender alguns requisitos, além de estarem 
previstas na LDO deve-se:
	estimar	o	impacto	orçamentário	financeiro	no	exercício	inicial	de	sua	
vigência e nos dois seguintes;
 demonstrar que a renúncia da receita foi considerada ao se estimar 
a	receita	do	orçamento	e	que	não	afetará	as	metas	de	resultados	fiscais	
previstas na LDO;
 prever medidas de compensação nos três exercícios já referidos. As 
medidas de compensação podem ser efetivadas por: elevação de alíquota, 
ampliação da base de cálculo ou novos tributos ou contribuições, sendo 
que o benefício da renúncia só entrará em vigor após o implemento das 
medidas de compensação, com a respectiva obtenção de aumento da 
receita. [...].
UNIDADE 3 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E CRISES/REFORMAS DO ESTADO
228
Você sabe o que significa anistia, remissão e isenção? Anistia é o perdão de 
multas; remissão é o perdão de dívidas tributárias e isenção é a dispensa do pagamento de 
tributo devido. (NASCIMENTO, 2010).
Outro ponto relevante a ser analisado quando falamos da LRF é no que diz 
respeito à realização de despesas públicas. Os critérios para realizar despesas com 
dinheiro	público	ficaram	ainda	mais	rigorosos.
Segundo Nascimento (2010, p. 227): 
[...] será considerada não autorizada, irregular e lesiva ao patrimônio 
público toda e qualquer despesa que não esteja acompanhada de:
1.	 estimativa	 do	 impacto	 orçamentário-financeiro	 nos	 três	 primeiros	
exercícios de sua vigência;
2. sua adequação orçamentária e financeira com a LOA, o PPA e 
a LDO e, no caso de Despesa Obrigatória de Caráter Continuado 
(DOCC), deverá vir acompanhada também de suas medidas 
compensatórias.
Em outras palavras, todo aumento de despesa só será legal se o gestor 
comprovar o aumento da receita também. É preciso que seja dito de onde sairão 
os recursos para cobrir essas novas despesas. A LRF também deu atenção 
especial para as despesas com pessoal, estabelecendo limites de gastos nas 
esferas Federal, Estadual e Municipal. Esses limites se fazem necessários, uma 
vez que se o ente comprometer toda a sua receita com a folha de pagamento 
não lhe sobrará receita para aplicar na saúde, na educação e na melhoria da 
infraestrutura para a população.
Conforme Nascimento (2010, p. 231): “A LRF determina dois limites 
distintos para os gastos com pessoal no setor público: 50% da RCL para a União; e 
60% da RCL para Estados e municípios.” Observe o quadro a seguir para entender 
como esses limites são repartidos dentro de cada esfera:
ATENCAO
TÓPICO 3 | CRISES E REFORMAS DO ESTADO
229
QUADRO 19 – LIMITES GASTOS COM PESSOAL NAS ESFERAS FEDERAL, ESTADUAL E MUNICIPAL
União – 50% da RCL Estados – 60% da RCL Municípios – 60% da RCL
40,9% parao Executivo 49% para o Executivo 54% para o Executivo
6%	para	o	Judiciário 6%	para	o	Judiciário -
2,5% para o Legislativo 3% para o Legislativo, incluindo o Tribunal de Contas do Estado
6% para o Legislativo, 
i n c l u i n d o o T r i b u n a l 
de Contas do município, 
quando houver
0,6% para o Ministério Público 2% para o Ministério Público -
FONTE: Adaptado de: Nascimento (2010, p. 231-232)
Para	que	os	entes	públicos	fiquem	dentro	das	normas	estabelecidas	pela	
LRF possuem duas alternativas: aumento da receita, ou diminuição das despesas. 
Entenda o que é Receita Corrente Líquida, conforme consta no inciso IV do 
artigo 2º da LRF:
IV – receita corrente líquida: somatório das receitas tributárias, de contribuições, 
patrimoniais, industriais, agropecuárias, de serviços, transferências correntes e 
outras receitas também correntes, deduzidos:
a) na União, os valores transferidos aos estados e municípios por determinação constitucional 
ou legal, e as contribuições mencionadas na alínea a do inciso I e no inciso II do art. 195, e 
no art. 239 da Constituição;
b) nos estados as parcelas entregues aos municípios por determinação constitucional;
c) na União, nos estados e nos municípios, a contribuição dos servidores para custeio do 
seu sistema de previdência e assistência social e as receitas provenientes da compensação 
financeira citada no § 9º do art. 201 da Constituição. (NASCIMENTO, 2010, p. 214).
A LRF também estabelece limites para contração de dívidas pelos entes 
públicos. Além disso, estabelece regras para pagamento de despesas de exercícios 
anteriores, os restos a pagar. Na administração pública brasileira a regra é que as 
despesas sejam pagas dentro do exercício de sua competência, ou seja, no ano em 
que realmente aconteceram, entretanto, alguns casos acabam não seguindo essa 
regra,	ficando	para	serem	pagos	no	ano	seguinte.	
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UNIDADE 3 | MODELOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E CRISES/REFORMAS DO ESTADO
230
Conforme Nascimento (2010), nem todas as despesas coincidiam com o 
término	 do	 exercício	 financeiro	 sendo	 natural	 que	 fossem	 pagas	 no	 exercício	
seguinte, entretanto, os restos a pagar acabavam sendo utilizados como instrumento 
de rolagem de dívidas, devido à falta de planejamento dos gestores, por isso, a 
LRF também estabeleceu critérios para restos a pagar.
A Lei de Responsabilidade Fiscal compreende inúmeros pontos da 
administração pública, no entanto, não é possível abordar aqui 100% de seu 
conteúdo, o importante é que você entenda seus principais pontos aqui apresentados, 
e observe que o objetivo da LRF é fazer com que os gestores planejem as despesas 
com base nas receitas que terão, evitando assim, aumento da dívida pública. A 
base da LRF é gastar somente o que arrecada. Além disso, a lei estabeleceu limites 
com os gastos de pessoal, pois, se os entes gastam toda sua receita com folha de 
pagamento	como	irão	arcar	com	as	demais	obrigações?	E	finalmente,	a	LRF	serve	
para cobrar responsabilidade na aplicação dos recursos públicos.
Embora não possamos ignorar todos os avanços na administração pública 
no sentido de melhor aplicar os recursos do povo, não podemos deixar de lembrar 
que ainda estamos longe do ideal, ainda é preciso avançar mais. Dizemos isso 
com base nas informações que vemos diariamente, pois infelizmente, nosso país, 
mesmo com tantas leis para garantir o bom uso dos recursos públicos ainda sofre 
as consequências da corrupção, e não podemos descartar nossa responsabilidade 
nisso,	quem	escolhe	os	governantes?	Nós.	Assim,	como	temos	o	poder	de	fiscalizar	
e acompanhar as ações dos nossos representantes. O Brasil só vai mudar essa 
cultura, só vai passar a aplicar os recursos com responsabilidade se a população 
demonstrar	que	está	fiscalizando	e	cobrando	isso.	
231
Neste tópico vimos que:
• O Estado é composto pelo povo que manifesta sua vontade ao Governo. Este 
deverá administrar os recursos para atingir essas vontades do povo, tornando o 
Estado cada vez mais desenvolvido e melhor a todos. O Governo, por sua vez, é 
eleito pela sociedade.
•	 O	papel	do	Estado	é	motivo	de	muito	debate	e	discussão,	pois	tem	forte	influência	
no	mercado	e	o	 impacto	que	suas	ações	podem	influenciar	na	economia	com	
muita facilidade.
• Com o crescimento acelerado do país, o Estado preocupou-se muito com a 
esfera produtiva, deixando de lado seu principal papel de saber equilibrar e 
administrar os recursos para estabilizar a economia junto com este crescimento, 
porém foi inevitável a existência de problemas que originam da relação que o 
Estado tem com o mercado.
• O mercado e o Estado precisam encontrar um equilíbrio para o bem-estar 
da	 sociedade	 e	 crescimento	do	país,	 pois	 ambos	 têm	 forte	 influência	 sobre	 o	
sucesso ou o fracasso da economia. Trata-se de uma “aliança”, onde todos 
devem	desempenhar	seu	papel	para	que	todos	sejam	beneficiados.	O	fato	é	que,	
infelizmente, irregularidades são detectadas e as consequências são inevitáveis 
a todo o país, neste caso nos referimos à crise.
• Com o acelerado desenvolvimento do mercado, em 1990, o papel do Estado 
deve	ser	redefinido,	visto	que	tem	forte	influência	na	economia	nacional,	pois	
o	 Estado	 já	 não	 conseguia	mais	 ser	 eficiente	 em	 relação	 às	 suas	 atribuições,	
principalmente na área social. A sociedade estava frustrada com os resultados 
apresentados pelo Governo na administração do Estado. 
•	 Define-se	a	crise	do	Estado	como:	uma	crise	fiscal,	caracterizada	pela	crescente	
perda do crédito por parte do Estado e pela poupança pública que se torna 
negativa; o esgotamento da estratégia estatizante de intervenção do Estado, 
a qual se reveste de várias formas: o Estado do bem-estar social nos países 
desenvolvidos; a estratégia de substituição de importações no terceiro mundo 
e o estatismo nos países comunistas; a superação da forma de administrar o 
Estado, isto é, a superação da administração pública burocrática.
• A Primeira Grande Guerra Mundial e a Grande Depressão foram o marco da crise 
no mercado e do Estado liberal. A partir disso o Estado assume um novo papel, 
onde deverá promover além do desenvolvimento social, o desenvolvimento 
econômico.
RESUMO DO TÓPICO 3
232
• O Estado passa a desempenhar seu novo papel, porém, não demora muito, suas 
ações são prejudicadas pelas atitudes de certos funcionários e empresários que 
utilizam o Estado em seu benefício próprio, quando deveria ser para o bem 
comum.
• O Estado se deparou com uma nova situação que é a aceleração do 
desenvolvimento tecnológico e da globalização da economia mundial, onde a 
competição entre os países tornou-se mais acirrada.
• O Estado precisava reagir diante da crise e para isso foi necessária uma 
reconstrução,	uma	reforma	para	redefinir	seu	papel.
• O DASP foi criado no governo de Vargas, em 1936, com o objetivo de mudar 
a forma como a administração pública estava sendo administrada. O modelo 
de administração burocrática se destaca a partir de 1930, com a aceleração da 
indústria	brasileira,	onde	o	Estado	poderia	ser	o	principal	influenciador	no	setor	
produtivo de bens e serviços.
• É evidente que o modelo de administração burocrático nasce do capitalismo que 
pede maior controle e transparência no serviço público.
•	 As	influências	que	a	administração	pública	sofreu	baseada	na	teoria	científica	
de	 Taylor	 foram	 respectivamente:	 racionalização	 mediante	 a	 simplificação,	
padronização e aquisição racional de materiais, revisão de estruturas e aplicação 
de	métodos	na	definição	de	procedimentos,	a	função	orçamentária	vinculada	ao	
planejamento.
• Quanto à administração de recursos humanos, a burocracia da administração 
pública	sofreu	influência	da	teoria	científica	de	Weber,	onde	o	mérito	profissional	
passou a vigorar.
• Apesar de a burocracia vigorar, o patrimonialismo ainda estava presente.Estas 
inadequações do modelo burocrático na era Vargas deram brecha para diversas 
tentativas de novas reformas.
•	 O	Decreto-Lei	nº	200	surgiu	a	partir	de	uma	nova	reforma,	no	governo	de	JK	
(Juscelino	Kubitschek),	em	1967,	com	o	objetivo	de	flexibilizar	e	superar	a	rigidez	
da administração burocrática da época, em consequência das inadequações do 
modelo vigente até então. O Decreto-Lei nº 200 é considerado um marco, pois 
foi a partir deste que a administração gerencial nascia no Brasil.
• Foram criadas comissões com o objetivo de superar a rigidez burocrática, 
estudavam	para	chegar	à	simplificação	dos	processos	administrativos	e	também	
à descentralização dos serviços.
• O Decreto-Lei nº 200 contribui para evolução da administração pública, pois 
tinha	como	objetivo	flexibilizar	a	rigidez	da	administração	pública	burocrática	
e a descentralização para melhorias nos processos, porém houve um excesso de 
233
autonomia às empresas estatais, que como vimos, usufruiu de forma incorreta 
do patrimônio público, além disso, não tinha processo seletivo ou concurso 
público para ter acesso aos cargos das empresas estatais (autarquias, fundações, 
empresas públicas e sociedades de economia mista). Estas falhas que precisavam 
ser corrigidas provocaram uma nova iniciativa para modernizar a administração 
pública.
• Essa tentativa de novamente modernizar a administração pública resultou na 
criação da SEMOR – Secretaria da Modernização, onde um grupo de jovens 
administradores públicos estudava para buscar novas alternativas para a 
melhoria na gestão pública. 
• No início de 1980 houve uma nova tentativa de reforma da administração 
pública burocrática rumo à administração gerencial. Foi criado o Ministério da 
Desburocratização e o Programa Nacional da Desburocratização – PRND. Tinham 
basicamente quatro objetivos: revitalização e agilização das organizações do 
Estado,	descentralização	da	autoridade,	melhoria	e	simplificação	dos	processos	
administrativos,	promoção	da	eficiência.
• Inicialmente as ações do PRND eram para combater a burocracia excessiva 
nos procedimentos e posteriormente conter a expansão da administração 
descentralizada devido ao excesso de autonomia concedida pelo Decreto-Lei nº 
200.
• Em 1985 houve a transição da ditadura militar à democracia no país, rumo 
a Constituição de 1988. Foi neste momento que as ações para alcançar a 
administração gerencial foram paralisadas, pois o Estado estava com altos custos 
com os cargos públicos da administração indireta e das delegacias dos ministérios 
dos Estados para os políticos vitoriosos. O que aparentemente demonstra que 
a	flexibilidade	e	medidas	contra	a	rigidez	democrática	e	a	descentralização,	são	
sinônimas de fracasso, onde rigidez burocrática é a solução. Por outro lado, 
entendia-se que a rigidez burocrática era culpada pela crise do Estado, já que 
incentivou o crescimento acelerado deste. Esses fatores levaram a administração 
pública a um retrocesso burocrático.
• Foram basicamente dois fatores que motivaram o retrocesso burocrático na 
administração pública: o novo populismo patrimonialista que surgia no país, 
ou seja, os políticos favoreciam os que lhe davam apoio político geralmente 
contratando-os com altos salários, e a alta burocracia que foi acusada pela crise 
do Estado, já que incentivou o seu desenvolvimento de forma acelerada.
• O que resultou deste retrocesso burocrático foi a decisão do Congresso 
Constituinte de empregar a rígida burocracia adotada pelo núcleo estratégico 
do Estado aos serviços do Estado e para as empresas estatais, boicotando o 
espaço que a administração gerencial havia conquistado.
234
• A nova Constituição determinou: perda de autonomia do Poder Executivo para 
tratar da estruturação dos órgãos públicos, institui a obrigatoriedade de regime 
jurídico único para os servidores civis da União, dos estados-membros e dos 
municípios,	retirou	da	administração	indireta	a	sua	flexibilidade	operacional,	ao	
atribuir às fundações e autarquias públicas normas de funcionamento idênticas 
às que regem a administração direta.
•	 Na	 transição	 democrática	 do	 Brasil,	 as	 forças	 democráticas	 identificavam	 o	
Decreto-Lei nº 200/1967 como resultado da descentralização que o regime militar 
queria implantar.
• Na transição democrática existiu uma campanha contra a estatização 
(centralização), isto levou ao aumento de rígidos controles burocráticos às 
empresas estatais.
• Os acontecimentos que contribuíram para o retrocesso da administração 
burocrática trouxeram dois resultados, um deles é a volta da rigidez da 
burocracia	ficando	novamente	longe	do	modelo	de	administração	gerencial,	o	
outro, foi de certa forma, a presença do modelo patrimonialista que é totalmente 
o oposto da administração burocrática.
• Podemos citar como exemplo destes privilégios da administração patrimonialista 
presente na administração burocrática: estabilidade rígida para todos os 
servidores civis diretamente relacionada à generalização do regime estatutário 
na administração direta e nas fundações e autarquias, a aposentadoria com 
proventos integrais sem correlação com o tempo de serviço ou com a contribuição 
do servidor.
• Estes privilégios de certa forma acabaram denegrindo a imagem dos 
administradores públicos e da própria administração pública de forma injusta, 
pois todos os acontecimentos negativos ou positivos tiveram como objetivo a 
melhoria da administração pública.
• Após todos estes acontecimentos, é importante conhecer o comportamento 
dos governos posteriores em relação às distorções provocadas pela nova 
Constituição.
• O governo de Collor, entretanto, as respostas a elas foi equivocada e apenas 
agravou os problemas existentes, na medida em que se preocupava em destruir 
ao invés de construir. 
• O governo de Itamar Franco buscou essencialmente recompor os salários dos 
servidores, que haviam sido violentamente reduzidos no governo anterior.
• Em 1994, estava prevista uma nova reforma administrativa rumo à administração 
gerencial.
235
• A Constituição de 1988 foi chamada de “Constituição Cidadã” por Ulisses 
Guimarães, sendo a mais democrática de todas, pois, contou com ampla 
participação da população para sua elaboração.
• Dentre as mudanças trazidas pela CF de 1988 temos: redução da jornada de 
trabalho de 48 para 44 horas semanais; licença maternidade ampliada de 90 para 
120 dias; licença paternidade de 05 dias; e direito ao habeas data.
• A Emenda Constitucional nº 19/1998 é a emenda da reforma administrativa 
do Estado, tratando da estabilidade dos servidores públicos, do regime de 
remuneração e da gestão gerencial.
• A Lei de Responsabilidade Fiscal, nº 101, de 04/05/2000, estabelece normas de 
finanças	públicas	voltadas	para	a	responsabilidade	na	gestão	fiscal,	em	outras	
palavras, ela prega que se gaste apenas o que se arrecada.
• A LRF procura cobrar que os gestores ajam de forma planejada e transparente, 
busquem o equilíbrio das contas públicas e obedeçam limites na geração de 
despesas, entre elas, as despesas com pessoal.
• Embora a administração pública no Brasil já tenha passado por várias mudanças, 
ainda	estamos	longe	de	um	modelo	ideal	de	gestão,	afinal,	com	todas	as	leis	que	
temos para garantir o bom uso dos recursos públicos, nosso país ainda sofre as 
graves consequências de administradores corruptos, que utilizam o cargo ao 
qual foram eleitos pelo povo, apenas em benefício próprio.
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1	Sobre	as	crises	e	reformas	do	Estado,	é	CORRETO	afirmar:
a) ( ) O Decreto-Lei nº 200/1967 surgiu a partir de uma nova reforma, no 
governo	 de	 JK	 (Juscelino	 Kubitschek),	 em	 1967,	 com	 o	 objetivo	 de	
flexibilizar	e	superar	a	rigidez	da	administração	burocrática	da	época,	
em consequência das inadequações do modelo vigente até então. 
b) ( ) O Decreto-Lei nº 200/1967 é consideradoum marco, pois foi a partir 
deste que a administração gerencial nascia no Brasil.
c) ( ) Foi a partir do modelo de administração burocrática, na era Vargas, o 
ingresso ao serviço público passou a ser através de concurso público.
d) ( ) No início de 1980 houve uma nova tentativa de reforma da 
administração pública burocrática rumo à administração gerencial. Foi 
criado o Ministério da Desburocratização e o Programa Nacional da 
Desburocratização – PRND.
Assinale a alternativa que contém a sequência CORRETA:
a) ( ) V, F, F, F.
b) ( ) V, V, V, F.
c) ( ) V, V, V, V.
d) ( ) F, V, V, F.
2 Assinale a alternativa CORRETA:
I. A Primeira Grande Guerra Mundial e a Grande Depressão foram o marco 
da crise no mercado e do Estado liberal. A partir disso o Estado assume 
um novo papel, onde deverá promover além do desenvolvimento social, o 
desenvolvimento econômico.
II. Foram basicamente dois fatores que motivaram o retrocesso burocrático na 
administração pública: o novo populismo patrimonialista que surgia no país, e 
a alta burocracia que foi acusada pela crise do Estado, já que incentivou o seu 
desenvolvimento de forma acelerada.
III. O Decreto-Lei nº 200/1967 era a favor da rigidez burocrática.
IV.	O	Estado	não	tem	influência	no	desenvolvimento	econômico	de	um	país.
a) ( ) I e II estão corretas.
b) ( ) Apenas a III está correta.
c) ( ) I, II e IV estão corretas.
d) ( ) Todas estão corretas.
AUTOATIVIDADE
237
3 Complete as lacunas:
( 1 ) DASP
( 2 ) Decreto Lei Nº 200/1967
( 3 ) Ministério da Desburocratização
( 4 ) Constituição de 1988
( ) Retrocesso burocrático.
( ) Superar a rigidez burocrática e combater a descentralização cedida pelo 
Decreto-Lei Nº 200/1967.
( ) Flexibilizar e superar a rigidez da administração burocrática da época. É 
considerado um marco, pois a partir deste que a administração gerencial 
nascia no Brasil.
( ) Burocracia rígida.
A sequência CORRETA é:
a) ( ) 3, 2, 1, 4.
b) ( ) 4, 3, 1. 2.
c) ( ) 4, 3, 2, 1. 
d) ( ) 3, 4, 1, 2.
4 Com a redação dada pela EC no 19/1998 para adquirir a estabilidade no 
serviço público é preciso:
a) ( ) Aprovação em concurso público e 3 anos de efetivo exercício do cargo.
b) ( ) Aprovação em concurso público e 2 anos de efetivo exercício do cargo.
c) ( ) Aprovação em concurso público para ocupar cargo de provimento 
efetivo, 3 anos de efetivo exercício do cargo e aprovação em avaliação 
especial	de	desempenho	por	comissão	instituída	para	essa	finalidade.
d) ( ) Apenas aprovação em concurso público.
5 Sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal analise as proposições a seguir:
I. Estabelece regras na realização de despesas públicas.
II. Foi aprovada em 04/05/2000, revogando a Lei nº 96/1999, conhecida como Lei Camata.
III. Libera a execução de despesas sem previsão de receita.
IV. Exige que o gestor planeje o uso do dinheiro público, realizando apenas despesas 
no mesmo valor das receitas, garantindo o equilíbrio das contas públicas.
Estão corretas:
a) ( ) Apenas I e IV.
b) ( ) Apenas I, II e III.
c) ( ) Apenas I, II e IV.
d) ( ) I, II, III e IV.
238
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ANOTAÇÕES
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