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Prática Simulada III – Professora Gisela Esposel – Caso concreto 04 
Campus Recreio – Período Noturno – Aluno: George Claudio Moraes Viana - 201503379035 
Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ___Vara Criminal da Comarca de CURITIBA\PR 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ref. Processo nrº... 
 
 
 
 
 
 
 
 Jorge, já qualificado nos autos do processo em epígrafe vem, através de seu 
advogado devidamente constituído mediante procuração em anexo, apresentar 
tempestivamente, oportunamente 
 
ALEGAÇÕES FINAIS POR MEMORIAIS 
 
Com fulcro no artigo 403, parágrafo 3° do Código de Processo Penal. 
 
DOS FATOS 
 
 Jorge, com 21 anos, na companhia de diversos amigos, nem bar da cidade de 
Curitiba\PR, conheceu a senhorita Analise, uma linda jovem pela qual se encantou. Após um 
bate papo informal e trocarem beijos, decidiram ir para um local mais reservado. Nesse local 
trocaram carícias e Analisa, de forma voluntária, praticou sexo oral e vaginal com Jorge. Após 
essa noite juntos, Jorge e Analisa trocaram números de telefones e contatos nas redes sociais. 
Jorge, no dia seguinte, ao acessar a página de Analisa na rede social descobre que na realidade, 
apesar da aparência adulta, esta possui apenas 13 (treze) anos de idade. Jorge ficou em choque 
com esta constatação, pois Analisa não tinha aparências de ser menor de idade. O seu medo foi 
corroborado com a chegada da notícia, em sua residência, da denúncia movida por parte do 
Ministério Público Estadual, pois o pai de Analisa, ao descobrir o ocorrido, procurou a autoridade 
policial, narrando o fato. 
 Considerando Analisa ser inimputável e por contar com 13 (treze) anos de idade, 
à época dos fatos, o Ministério Público Estadual denunciou Jorge pela prática de dois crimes de 
estupro de vulnerável, previsto no artigo 217-A, na forma do artigo 69, ambos do Código Penal. 
 O Parquet requereu não somente o início de cumprimento de pena no regime 
fechado, com base no artigo 2º, parágrafo 1º da lei 8072/90, mas também o reconhecimento da 
agravante da embriaguez preordenada, prevista no artigo 61, II, alínea “I” do Código Penal. 
 O processo teve início e prosseguimento na ...Vara Criminal da Comarca da 
cidade de CURITIBA, no estado do Paraná, local de residência do réu. Jorge, por ser réu primário, 
ter bons antecedentes e residência fixa, respondeu ao processo em liberdade. 
 Na audiência de instrução e julgamento, a vítima afirmou que aquela foi a sua 
primeira noite, mas que tinha o hábito de fugir de casa com as amigas para frequentar bares de 
adultos. As testemunhas de acusação afirmaram que não presenciaram os fatos e que não 
sabiam das fugas de Analisa para sair com as amigas. Já as testemunhas de defesa , amigos de 
Jorge, disseram que o comportamento e a vestimenta de Analisa eram incompatíveis com uma 
menina de 13 anos de idade e que qualquer pessoa acreditaria ser uma moça maior de 14 
(quatorze) anos; afirmaram ainda, que Jorge não estava embriagado quando conheceu Analisa. 
 O réu, em seu interrogatório, disse que se interessou pela jovem Analisa, já que 
ela era muito bonita e que estava bem vestida. Disse que não perguntou a sua idade pois 
acreditou que no local somente pudessem frequentar pessoas maiores de 18 (dezoito) anos. 
Corroborou que praticaram sexo oral e vaginal na mesma oportunidade, de forma espontânea 
e voluntária para ambos. A prova pericial atestou que a menor não era virgem mas não pode 
afirmar que o aquele ato sexual foi o primeiro da vítima, pois a perícia foi realizada meses após 
o referido ato. 
 O Ministério Público insistiu pela condenação de Jorge nos termos da denúncia. 
A defesa de Jorge foi intimada no dia 24 de abril de 2014 (quinta feira) e, dessa forma, apresenta 
as alegações finais por memoriais, tempestivamente. 
 
DO DIREITO 
 
DA ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA POR ERRO DE TIPO, DE ACORDO COM O ARTIGO 20 DO CÓDIGO 
PENAL E ARTIGO 386, III DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL 
 De imediato há de se enfatizar que Jorge conheceu Analisa numa balada da 
cidade de Curitiba, frequentada por maiores de 18 anos; ademais , como se pôde observar na 
instrução processual, Analisa tem formas e jeito de mulher e não de uma menina de 13 anos de 
idade, de modo que não havia qualquer condição de Jorge presumir que a moça fosse tão 
jovem. A realidade é que o réu, pelas circunstâncias, deduziu que a moça era maior de idade, 
não somente pelo seu comportamento, mas também pelo ambiente onde se encontrava e pela 
sua vantajosa estrutura física. 
 A bem da verdade é que o réu praticou sexo oral e vaginal com uma menina de 
13 (treze) anos, que pelas condições físicas e sociais aparentava ser maior de 14 (quatorze) anos 
de idade e que tudo ocorreu de forma voluntária, por ambos, sem que ocorresse qualquer 
constrangimento, violência ou grave ameaça. O tipo penal descrito no artigo 217-A do Código 
Penal, estupro de vulnerável, exige que o réu possua a consciência de que se trata de menor de 
14 (Quatorze) anos. É certo que o consentimento da vítima não é considerado no estupro de 
vulnerável, que visa tutelar a dignidade sexual de pessoas vulneráveis. No entanto, tal reforma 
penal não exclui a alegação de erro de tipo essencial, quando verificado , no caso concreto, a 
absoluta impossibilidade de conhecimento da idade da vítima. 
 Na leitura da realidade, o réu acreditou estar praticando ato sexual com pessoa 
maior de 14 (quatorze) anos, incidindo, portanto, a figura do erro de tipo essencial, descrita no 
artigo 20, Caput, do Código Penal, cuja inteligência diz que “o erro sobre elemento constitutivo 
do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em 
lei”. 
 Dessa forma, como qualquer pessoa naquela circunstância incidiria em erro de 
tipo essencial e como não há previsão de estupro de vulnerável na forma culposa, não há outra 
solução senão a absolvição do réu, com base no artigo 386, III do Código de Processo Penal. 
 
DO RECONHECIMENTO DE CRIME ÚNICO, ARTIGO 217-A, CÓDIGO PENAL E CONSEQUENTE 
AFASTAMENTODO ARTIGO 69, DO CÓDIGO PENAL 
 Subsidiariamente, não sendo aceita a tese de atipicidade da conduta do réu, 
deve-se considerar a existência de crime único e não concurso material de crimes, uma vez que 
o artigo 217-A do Código Penal tem como tipo ter conjunção carnal ou praticar ato libidinoso 
com menor de 14 (Quatorze) anos. É certo o entendimento de que a reforma penal oriunda da 
lei nº12.015/2009 uniu as figuras típicas do atentado violento ao pudor e o estupro numa única 
figura, sendo, portanto, um crime misto alternativo. Ainda, para o Superior Tribunal de Justiça 
prevalece a tese de crime único, por ser um tipo penal misto alternativo (e não acumulativo), 
assim sendo, deverá ser afastado o concurso material de crimes para o caso em tela. 
 
DO AFASTAMENTO DA AGRAVANTE DE EMBRIAGUEZ PREORDENADA, NOS TERMOS DO 
ARTIGO 61, II ALÍNEA “L” DO CÓDIGO PENAL 
 A defesa pugna que não há de se falar em embriaguez preordenada, uma vez 
que Jorge não estava embriagado ao conhecer Analisa. Refuta-se, então, o pedido de 
reconhecimento de agravante da embriaguez preordenada, pois não foram produzidas provas 
no sentido de que Jorge se embriagou com intuito de tomar coragem para a prática do crime. 
 
 
DA FIXAÇÃO DA PENA NO MÍNIMO LEGAL EM RAZÃO DA PRIMARIEDADE DO RÉU E DA 
FIXAÇÃO DO REGIME SEMIABERTO, DE ACORDO COM O ARTIGO 33 PARÁGRAFO 2º ALÍNEA 
“B”, DO CÓDIGO PENAL E O RECONHECIMENTO DA INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 
2º, PARÁGRAFO 1º DA LEI 8072/1990 
 
 Ainda que o tipo penal estupro de vulnerável, artigo 217-A do Código Penal, 
esteja relacionado no rol de crimes hediondos da lei 8072/1990 (Artigo1º, IV) o Superior 
Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do artigo 2º, parágrafo 1º desta lei, de modo 
que é certo que o juiz ao fixar o regime inicial para o cumprimento de pena deve analisar a 
situação em concreto e não o preceito em abstrato. Sendo assim, diante da ocorrência de crime 
único, cuja pena no mínimo legal deverá ser fixada em 8 (oito) anos de reclusão, sendo o réu 
primário e de bons antecedentes, o regime semiaberto é a melhor solução para o réu, pois o 
artigo 33, parágrafo 2º alínea “A” do Código Penal, impõe o regime fechado para crimes com 
penas superiores a 8 (oito) anos, o que não é o caso. 
 
 
DO PEDIDO 
 
 Considerando todo o exposto, a defesa requer à Vossa Excelência: 
 
a) A absolvição do réu, com base no artigo 386, III do Código de Processo Penal, por 
ausência de tipicidade; 
Diante de eventual condenação, requer de forma subsidiária: 
b) O afastamento do concurso material de crimes, sendo reconhecida a existência 
de crime único; 
c) A fixação da pena-base no mínimo legal, o afastamento da agravante da 
embriaguez preordenada; 
d) A fixação do regime semiaberto para início do cumprimento da pena, com base 
no artigo 33, parágrafo 2º alínea “B” do código Penal, diante da 
inconstitucionalidade do artigo 2º, parágrafo 1° da lei nº8072/1990. 
 
 
 
Nestes termos, 
Pede deferimento 
 
 
Curitiba, Paraná, 29 de abril de 2014 
 
Advogado 
OAB/UF

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