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<p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>1</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>2</p><p>Olá, alunos!</p><p>Sejam bem-vindos e-book “Como resolver as peças”.</p><p>O presente e-book contém as peças que são resolvidas nas aulas de</p><p>“como resolver”. A nossa sugestão é que você utilize o e-book para</p><p>acompanhar a peça sendo resolvida em aula pelo professor.</p><p>É muito importante que você assista as aulas de “como resolver”, pois</p><p>nelas os professores explicam como desenvolver as peças, como</p><p>localizar as teses nos enunciados, bem como dão dicas valiosas sobre</p><p>como encontrar as palavras-chave no seu Vade Mecum (o que ajuda</p><p>MUITO na hora da prova).</p><p>Qualquer dúvida, estaremos à disposição para auxiliá-los através da</p><p>ferramenta “Pergunte ao professor”!</p><p>Bons estudos,</p><p>Abraços, Equipe Ceisc.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>3</p><p>2ª FASE OAB | PENAL | 41º EXAME</p><p>Como resolver peças</p><p>SUMÁRIO</p><p>Aulas imprescindíveis</p><p>Como resolver queixa-crime .................................................................................................................. 5</p><p>Como resolver resposta à acusação ................................................................................................... 10</p><p>Como resolver memoriais .................................................................................................................... 15</p><p>Como resolver apelação....................................................................................................................... 22</p><p>Como resolver contrarrazões de apelação ......................................................................................... 29</p><p>Como resolver recurso em sentido estrito contra decisão de pronúncia .......................................... 35</p><p>Como resolver resposta à acusação no procedimento do júri .......................................................... 41</p><p>Como resolver memoriais no procedimento do júri ............................................................................ 45</p><p>Como resolver agravo em execução................................................................................................... 50</p><p>Como resolver revisão criminal ............................................................................................................ 56</p><p>Como resolver embargos infringentes ................................................................................................ 61</p><p>Aulas muito relevantes</p><p>Como resolver recurso ordinário constitucional .................................................................................. 65</p><p>Como resolver defesa preliminar de funcionário público ................................................................... 69</p><p>Como resolver defesa preliminar da lei de drogas ............................................................................. 72</p><p>Como resolver carta testemunhável .................................................................................................... 76</p><p>Como resolver apelação no Tribunal do Júri ...................................................................................... 81</p><p>Como resolver apelação do assistente de acusação no procedimento do júri ................................ 85</p><p>Como resolver contrarrazões de apelação do júri .............................................................................. 90</p><p>Como resolver relaxamento de prisão ................................................................................................ 96</p><p>Como resolver liberdade provisória ................................................................................................... 100</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>4</p><p>Aulas relevantes</p><p>Como resolver queixa-crime subsidiária ........................................................................................... 104</p><p>Como resolver razões de apelação ................................................................................................... 107</p><p>Como resolver contrarrazões de recurso em sentido estrito ........................................................... 114</p><p>Como resolver contrarrazões de agravo em execução ................................................................... 119</p><p>Como resolver recurso especial......................................................................................................... 125</p><p>Como resolver mandado de segurança ............................................................................................ 129</p><p>Olá, aluno(a). Este material de apoio foi organizado com base nas aulas do curso preparatório para</p><p>a 2ª Fase do 41º Exame da OAB e deve ser utilizado como um roteiro para as respectivas aulas.</p><p>Além disso, recomenda-se que o aluno assista as aulas acompanhado da legislação pertinente.</p><p>Bons estudos, Equipe Ceisc.</p><p>Atualizado em julho de 2024.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>5</p><p>Aulas imprescindíveis</p><p>Como resolver queixa-crime</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XV EXAME OAB (Adaptada)</p><p>Enunciado</p><p>Enrico, engenheiro de uma renomada empresa da construção civil, possui um perfil em uma das</p><p>redes sociais existentes na Internet e o utiliza diariamente para entrar em contato com seus</p><p>amigos, parentes e colegas de trabalho. Enrico utiliza constantemente as ferramentas da Internet</p><p>para contatos profissionais e lazer, como o fazem milhares de pessoas no mundo</p><p>contemporâneo.</p><p>No dia 07/05/2021, Enrico comemora aniversário e planeja, para a ocasião, uma reunião à noite</p><p>com parentes e amigos para festejar a data em uma famosa churrascaria da cidade de Niterói,</p><p>no estado do Rio de Janeiro. Na manhã de seu aniversário, resolveu, então, enviar o convite por</p><p>meio da rede social, publicando postagem alusiva à comemoração em seu perfil pessoal, para</p><p>todos os seus contatos.</p><p>Helena, vizinha e ex-namorada de Enrico, que também possui perfil na referida rede social e está</p><p>adicionada nos contatos de seu ex, soube, assim, da festa e do motivo da comemoração. Então,</p><p>de seu computador pessoal, instalado em sua residência, um prédio na praia de Icaraí, em</p><p>Niterói, publicou na rede social uma mensagem no perfil pessoal de Enrico.</p><p>Naquele momento, Helena, com o intuito de ofender o ex-namorado, publicou o seguinte</p><p>comentário: “não sei o motivo da comemoração, já que Enrico não passa de um idiota, bêbado,</p><p>irresponsável e sem vergonha!”, e, com o propósito de prejudicar Enrico perante seus colegas</p><p>de trabalho e atingir sua reputação acrescentou, ainda, “ele trabalha todo dia embriagado! No</p><p>dia 10 do mês passado, ele cambaleava bêbado pelas ruas do Rio, inclusive, estava tão bêbado</p><p>no horário do expediente que a empresa em que trabalha teve que chamar uma ambulância para</p><p>socorrê-lo!”.</p><p>Imediatamente, Enrico, que estava em seu apartamento e conectado à rede social por meio de</p><p>seu tablet, recebeu a mensagem e visualizou a publicação com os comentários ofensivos de</p><p>Helena em seu perfil pessoal.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>6</p><p>Enrico, mortificado, não sabia o que dizer aos amigos, em especial a Carlos, Miguel e Ramirez,</p><p>que estavam ao seu lado naquele instante. Muito envergonhado, Enrico tentou disfarçar o</p><p>constrangimento sofrido, mas perdeu todo o seu entusiasmo, e a festa comemorativa deixou de</p><p>ser realizada. No dia seguinte, Enrico procurou a Delegacia de Polícia Especializada em</p><p>Repressão aos Crimes de Informática e narrou os fatos à autoridade policial, entregando o</p><p>conteúdo impresso da mensagem ofensiva e a página da rede social na Internet onde ela poderia</p><p>ser visualizada. Passados cinco meses da data dos fatos, Enrico procurou seu escritório de</p><p>advocacia</p><p>da pretensão punitiva em abstrato do delito em tela.</p><p>Sendo assim, incidiu a causa de extinção da punibilidade pela prescrição, nos</p><p>termos no artigo 107, inciso IV, do Código Penal.</p><p>B) DA SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO</p><p>O Ministério Público deixou de oferecer a suspensão condicional do processo,</p><p>mesmo sendo postulado pela defesa. Todavia, nos termos do artigo 89 da Lei nº 9.099/95,</p><p>caberá ao Ministério Público oferecer proposta suspensão condicional do processo quando</p><p>a pena mínima cominada ao delito imputado for de até 01 ano, abrangidos ou não por esta</p><p>Lei, preenchidos os demais requisitos legais, dentre os quais se destacam a primariedade e</p><p>a presença dos requisitos do artigo 77 do Código Penal.</p><p>O réu faz jus ao benefício, pois o crime de aborto tentando pelo qual foi</p><p>denunciado possui pena mínima não superior a um ano. Além disso, o recorrente é primário</p><p>e de bons antecedentes, conforme folha de antecedentes criminais sem outras anotações</p><p>juntada no processo.</p><p>Logo, deve ser declarada a nulidade da instrução e da decisão de pronúncia,</p><p>uma vez que não foi oferecida a proposta de suspensão condicional do processo.</p><p>C) DO CRIME IMPOSSÍVEL</p><p>O réu foi denunciado pelo crime de tentativa de aborto. Todavia, conforme</p><p>boletim de atendimento médico, Joaquina não estava grávida no momento dos fatos. Nos</p><p>termos do artigo 17 do Código Penal, não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta</p><p>do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o delito. Trata-</p><p>se, portanto, de crime impossível.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>49</p><p>No caso, há impropriedade absoluta do objeto, já que Joaquina não estava</p><p>grávida para causar o aborto. O reconhecimento do crime impossível gera a atipicidade da</p><p>conduta e, consequentemente, a absolvição sumária pelo fato evidente não constituir crime,</p><p>com base no artigo 415, inciso III, do Código de Processo Penal.</p><p>IV) DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, requer:</p><p>a) Seja declarada a extinção da punibilidade, com base no artigo 107,</p><p>inciso IV, do Código Penal;</p><p>b) Seja reconhecida a nulidade dos atos processuais, com oferecimento de</p><p>proposta de suspensão condicional do processo;</p><p>c) Absolvição sumária, com base no artigo 415, inciso III, do Código de</p><p>Processo Penal.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., 25 de junho de 2018.</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>50</p><p>Como resolver agravo em execução</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XVI EXAME OAB</p><p>Enunciado</p><p>Marieta, funcionária pública do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), foi condenada por</p><p>infração ao Art. 313-A do Código Penal, a uma pena de dois anos de reclusão e 10 dias-multa,</p><p>em regime aberto e substituída por duas penas restritivas de direitos, porque, em 10/10/2017,</p><p>inseriu nos sistemas informatizados do INSS informações fraudulentas, consistentes em vínculos</p><p>empregatícios falsos, o que ensejou a concessão de benefício previdenciário indevido em favor</p><p>de Joana, com prejuízo ao erário no valor de R$75.000,00 (setenta e cinco mil reais). Marieta</p><p>também foi condenada em idêntica pena, em outro processo, por infração ao Art. 313-A do</p><p>Código Penal, porque em 15/09/2017, valendo-se do mesmo modus operandi, concedeu</p><p>benefício previdenciário indevido em favor de Luíza, gerando prejuízo ao erário no montante de</p><p>R$ 81.000,00 (oitenta e um mil reais). Ainda, Marieta foi condenada em um terceiro processo,</p><p>por infração ao Art. 313-A do Código Penal, consoante mesmo modus operandi e com aplicação</p><p>da mesma pena de dois anos de reclusão e 10 dias-multa, por inserir dados falsos no sistema</p><p>informatizado e assim conceder benefício previdenciário fraudulento em favor de Anastácia, com</p><p>prejuízo ao erário de R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais), fato ocorrido em 03/11/2017. As</p><p>referidas condenações transitaram em julgado nos dias 10/11/2022, 21/11/2022 e 02/12/2022,</p><p>respectivamente, e todas elas substituíram as penas privativas de liberdade por duas restritivas</p><p>de direitos. Marieta não possui outros processos em sua folha de antecedentes criminais. As</p><p>cartas de execução de sentença foram tombadas ao Juízo de execução penal da Vara Federal</p><p>Criminal de Alfa (vinculada ao Tribunal Regional Federal da 10ª Região) em datas próximas. O</p><p>Juízo, à luz das três cartas de execução definitivas, proferiu decisão somando as penas, na forma</p><p>do Art. 69, do Código Penal, fixando a pena total de 6 (seis) anos de reclusão, em regime</p><p>fechado, considerando que houve reincidência de Marieta quando da realização do segundo e</p><p>terceiro fato, após já ter realizado o primeiro ato delituoso. Quanto à pena de multa, promoveu a</p><p>readequação, consoante proporcionalidade à nova pena privativa de liberdade fixada,</p><p>estabelecendo-a em 90 dias-multa. Determinou a conversão das penas restritivas de direito em</p><p>privativas de liberdade e a expedição de mandado de prisão para o início de cumprimento das</p><p>penas. A intimação da decisão ocorreu no dia 25/08/2023, sexta-feira. O mandado de prisão foi</p><p>expedido na mesma data, pendente de cumprimento. Na qualidade de advogado de Marieta já</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>51</p><p>constituído nos autos, redija a peça processual cabível, diferente de embargos de declaração e</p><p>habeas corpus, para garantir os direitos de sua assistida, devendo ser deduzida toda a matéria</p><p>de direito processual e material cabível. A peça deverá ser datada do último dia do prazo,</p><p>levando-se em conta que segunda a sexta-feira são dias úteis em todo o país. (Valor: 5,00).</p><p>Obs.: o examinando deve abordar todas os fundamentos de Direito que possam ser utilizados</p><p>para dar respaldo à pretensão. A mera citação do dispositivo legal não confere pontuação.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>52</p><p>AO JUÍZO DA VARA DE EXECUÇÃO PENAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DE ALFA</p><p>Processo nº...</p><p>MARIETA, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com</p><p>procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, interpor o</p><p>RECURSO DE AGRAVO EM EXECUÇÃO, com base no artigo 197, da Lei 7.210/84 (Lei</p><p>de Execução Penal).</p><p>Nesse sentido, requer seja recebido o recurso e procedido o juízo de</p><p>retratação, nos termos do artigo 589, do Código de Processo Penal. Se mantida a decisão,</p><p>requer seja encaminhado o presente recurso, já com as razões inclusas, ao Tribunal</p><p>Regional Federal da 10ª Região.</p><p>O presente recurso é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo de 5</p><p>(cinco) dias, nos termos da Súmula nº 700, do Supremo Tribunal Federal e artigo 586, do</p><p>Código de Processo Penal.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., 1 de setembro de 2023</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>53</p><p>EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 10ª REGIÃO</p><p>Agravante: MARIETA</p><p>Agravado: MINISTÉRIO PÚBLICO</p><p>Processo nº...</p><p>RAZÕES DE RECURSO DE AGRAVO EM EXECUÇÃO</p><p>Egrégio Tribunal Regional da 10ª Região</p><p>Colenda Câmara Criminal</p><p>I) DOS FATOS</p><p>A agravante foi condenada, definitivamente, pela prática dos crimes de</p><p>inserção de dados falsos em sistema de informações, sendo-lhe aplicada, para cada um</p><p>dos crimes, a pena de 2 anos de reclusão e 10 dias-multa.</p><p>Após receber as cartas de execução da sentença, o Juízo da execução</p><p>proferiu decisão somando as penas, na forma do Art. 69, do Código Penal, fixando a pena</p><p>total de 6 (seis) anos de reclusão, em regime fechado, considerando a existência de</p><p>reincidência.</p><p>Promoveu ainda a readequação da pena de multa, consoante</p><p>proporcionalidade à nova pena privativa de liberdade fixada, estabelecendo-a em 90 dias-</p><p>multa.</p><p>A defesa foi intimada no dia 25/08/2023, sexta-feira.</p><p>II) DO DIREITO</p><p>DA CONTINUIDADE DELITIVA</p><p>A ré foi denunciada pela prática de 3</p><p>(três) crimes previstos no art. 313-A do</p><p>Código Penal, tendo o juiz da execução penal aplicado o concurso material de crimes.</p><p>Todavia, trata-se de crime continuado, previsto no artigo 71, “caput”, do Código Penal.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>54</p><p>Isso porque os crimes são da mesma espécie e foram cometidos nas mesmas</p><p>condições de tempo, lugar e modo de execução, já que praticados nos dias 15/09/2017,</p><p>10/10/2017 e 03/11/2017, contra o INSS. Assim, todas as condutas subsequentes devem</p><p>ser havidas como continuação da primeira.</p><p>Logo, deveria ser aplicada a unificação das penas na forma do art. 111, da Lei</p><p>7.210/84 (Lei de Execução Penal), com a exasperação da pena de 1/6 a 2/3, de forma</p><p>proporcional ao número de crimes, nos termos do artigo 71, “caput”, do Código Penal.</p><p>B) DA PENA RESTRITIVA DE DIREITOS</p><p>É inadmissível a reconversão das penas restritivas de direito em privativa de</p><p>liberdade, pois as penas restritivas de direitos podem ser executadas de forma simultânea</p><p>ou sucessiva, nos termos do artigo 69, § 2º, do Código Penal</p><p>Além disso, não se verifica nenhuma das hipóteses de conversão da pena</p><p>restritiva de direitos em privativa de liberdade, previstas no artigo 44, §§ 4º e 5º, do Código</p><p>Penal, e 181, §1º da Lei Execução Penal.</p><p>C) DA REINCIDÊNCIA</p><p>Não incidiu, no caso, a agravante da reincidência.</p><p>Isso porque, para a configuração da reincidência é imprescindível que exista</p><p>sentença condenatória transitada em julgado por crime anterior ao praticado pelo agente,</p><p>conforme o artigo 63, do Código Penal.</p><p>No caso, a agravante não registrava nenhuma sentença condenatória</p><p>transitada em julgado antes da prática do segundo e terceiro fato, cometidos em 10/10/2017</p><p>e 03/11/2017, sendo que o trânsito em julgado da sentença condenatória pelo primeiro fato</p><p>ocorreu em 10/11/2022, após, portando, a prática dos delitos.</p><p>Logo, deve ser afastada a agravante da reincidência.</p><p>D) DO REGIME DE CUMPRIMENTO DE PENA</p><p>Considerando o afastamento da reincidência, já que a agravante não registra</p><p>sentença condenatória transitada em julgado por crime anterior, o regime deverá ser o</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>55</p><p>aberto, nos termos do artigo 33, §2º, alínea “c”, ou regime semiaberto, na forma do art. 33,</p><p>§2º, alínea “b”, do Código Penal.</p><p>E) DA PENA DE MULTA</p><p>A pena de multa deve observar o disposto no art. 72 do Código Penal, uma</p><p>vez que no concurso de crimes, as penas de multa são aplicadas distinta e integralmente,</p><p>devendo, portanto, ser somadas as penas de multa impostas, o que resultaria em 30 dias-</p><p>multa.</p><p>III) DOS PEDIDOS</p><p>Ante o exposto, requer seja CONHECIDO e PROVIDO o presente recurso</p><p>com o recolhimento do mandado de prisão ou expedição de contramandado de prisão.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., 1 de setembro de 2023.</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>56</p><p>Como resolver revisão criminal</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – X Exame da OAB</p><p>Enunciado</p><p>Jane, no dia 18 de outubro de 2010, na cidade de Cuiabá – MT, subtraiu veículo automotor de</p><p>propriedade de Gabriela. Tal subtração ocorreu no momento em que a vítima saltou do carro</p><p>para buscar um pertence que havia esquecido em casa, deixando-o aberto e com a chave na</p><p>ignição. Jane, ao ver tal situação, aproveitou-se e subtraiu o bem, com o intuito de revendê-lo no</p><p>Paraguai. Imediatamente, a vítima chamou a polícia e esta empreendeu perseguição ininterrupta,</p><p>tendo prendido Jane em flagrante somente no dia seguinte, exatamente quando esta tentava</p><p>cruzar a fronteira para negociar a venda do bem, que estava guardado em local não revelado.</p><p>Em 30 de outubro de 2010, a denúncia foi recebida. No curso do processo, as testemunhas</p><p>arroladas afirmaram que a ré estava, realmente, negociando a venda do bem no país vizinho e</p><p>que havia um comprador, terceiro de boa-fé arrolado como testemunha, o qual, em suas</p><p>declarações, ratificou os fatos. Também ficou apurado que Jane possuía maus antecedentes e</p><p>reincidente específica nesse tipo de crime, bem como que Gabriela havia morrido no dia seguinte</p><p>à subtração, vítima de enfarte sofrido logo após os fatos, já que o veículo era essencial à sua</p><p>subsistência. A ré confessou o crime em seu interrogatório.</p><p>Ao cabo da instrução criminal, a ré foi condenada a cinco anos de reclusão no regime inicial</p><p>fechado para cumprimento da pena privativa de liberdade, tendo sido levada em consideração a</p><p>confissão, a reincidência específica, os maus antecedentes e as consequências do crime, quais</p><p>sejam, a morte da vítima e os danos decorrentes da subtração de bem essencial à sua</p><p>subsistência. A condenação transitou definitivamente em julgado, e a ré iniciou o cumprimento</p><p>da pena em 10 de novembro de 2012. No dia 5 de março de 2013, você, já na condição de</p><p>advogado(a) de Jane, recebe em seu escritório a mãe de Jane, acompanhada de Gabriel, único</p><p>parente vivo da vítima, que se identificou como sendo filho desta. Ele informou que, no dia 27 de</p><p>outubro de 2010, Jane, acolhendo os conselhos maternos, lhe telefonou, indicando o local onde</p><p>o veículo estava escondido. O filho da vítima, nunca mencionado no processo, informou que no</p><p>mesmo dia do telefonema, foi ao local e pegou o veículo de volta, sem nenhum embaraço, bem</p><p>como que tal veículo estava em seu poder desde então.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>57</p><p>Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso</p><p>concreto acima, redija a peça cabível, excluindo a possibilidade de impetração de “habeas</p><p>corpus”, sustentando, para tanto, as teses jurídicas pertinentes. (Valor: 5,0)</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>58</p><p>AO JUÍZO DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO</p><p>DO MATO GROSSO</p><p>JANE, nacionalidade..., profissão..., estado civil..., RG..., CPF..., com</p><p>endereço eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., por seu procurador infra-assinado,</p><p>com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência ajuizar</p><p>a presente REVISÃO CRIMINAL, com base no artigo 621, inciso I e III, do Código de</p><p>Processo Penal, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos:</p><p>I) DOS FATOS</p><p>A requerente foi denunciada pela prática do crime de furto qualificado, ocorrido</p><p>no dia 18 de outubro de 2010, consistente no veículo automotor de propriedade de Gabriela.</p><p>Após o encerramento da instrução e oferecimento das alegações finais, o</p><p>Magistrado proferiu decisão condenando a requerente a 05 anos de reclusão no regime</p><p>fechado.</p><p>Após o trânsito em julgado, o filho da vítima informou que, no dia 27 de outubro</p><p>de 2010, Jane, acolhendo os conselhos maternos, lhe telefonou, indicando o local onde o</p><p>veículo estava escondido.</p><p>II) DO DIREITO</p><p>A) DO ARREPENDIMENTO POSTERIOR</p><p>A requerente foi denunciada pela prática do crime de furto qualificado, ocorrido</p><p>no dia 18 de outubro de 2010, consistente no veículo automotor de propriedade de Gabriela.</p><p>Todavia, não foi considerada na sentença condenatória a causa de diminuição</p><p>da pena consistente no arrependimento posterior, previsto no artigo 16 do Código Penal.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>59</p><p>O filho da vítima, que nunca fora mencionado no processo que deu origem à</p><p>condenação do requerente, informou que, no dia 27 de outubro de 2010, Jane, acolhendo</p><p>os conselhos maternos, lhe telefonou indicando o local onde o veículo estava escondido,</p><p>acrescentando que no mesmo dia do telefonema foi ao local e pegou o veículo de volta,</p><p>sem nenhum embaraço, bem como que tal veículo estava em seu poder desde então.</p><p>Logo, surgiu prova nova no sentido de que a requerente teria restituído o</p><p>veículo antes do recebimento da denúncia,</p><p>razão pela qual deve ser considerada a causa</p><p>de diminuição da pena em face do arrependimento posterior, no se grau máximo, qual seja,</p><p>em 2/3, já que o bem subtraído foi devolvido na sua integralidade.</p><p>B) DA QUALIFICADORA</p><p>A requerente foi denunciada pela prática do crime de furto qualificado, ocorrido</p><p>no dia 18 de outubro de 2010, consistente no veículo automotor de propriedade de Gabriela,</p><p>sendo qualificado porque teria subtraído para transportar para o Paraguai.</p><p>Todavia, o fato novo, consistente nas declarações do filho da vítima, comprova</p><p>que o veículo não chegou a ser transportado para o exterior, já que teria sido restituído à</p><p>vítima.</p><p>Logo, não incidiu a qualificadora prevista no §5º do artigo 155 do Código</p><p>Penal. Por isso, cabível a desclassificação do furto qualificado para o furto simples (artigo</p><p>155, “caput”, do Código Penal).</p><p>C) DO REGIME FECHADO</p><p>A requerente foi denunciada pela prática do crime de furto qualificado, ocorrido</p><p>no dia 18 de outubro de 2010, consistente no veículo automotor de propriedade de Gabriela,</p><p>sendo condenada a cinco anos de reclusão, em regime fechado.</p><p>Todavia, considerando o afastamento da qualificadora e do arrependimento</p><p>posterior e a consequente diminuição em 2/3, a pena não será superior a quatro anos. Além</p><p>disso, a reparação do dano promovida pela requerente prepondera sobre os maus</p><p>antecedentes, sendo, portanto, as circunstâncias judiciais favoráveis.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>60</p><p>Logo, nos termos da Súmula 269 do Superior Tribunal de Justiça, é possível</p><p>a fixação do regime semiaberto ao condenado à pena não superior a quatro anos, com</p><p>circunstâncias judiciais favoráveis.</p><p>III) DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, requer seja julgada procedente a ação de revisão criminal, a</p><p>fim de que seja, nos termos do artigo 626 do Código de Processo Penal:</p><p>a) Desclassificada a conduta de furto qualificado para o furto simples;</p><p>b) A diminuição da pena privativa de liberdade, em face do arrependimento</p><p>posterior;</p><p>c) A fixação do regime semiaberto (ou a mudança para referido regime) para</p><p>o cumprimento da pena privativa de liberdade.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., data...</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>61</p><p>Como resolver embargos infringentes</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XI EXAME</p><p>(Adaptado da peça cobrada no XI Exame da OAB, que foi recurso em sentido estrito)</p><p>Enunciado</p><p>Jerusa, atrasada para importante compromisso profissional, dirige seu carro bastante</p><p>preocupada, mas respeitando os limites de velocidade. Em uma via de mão dupla, Jerusa decide</p><p>ultrapassar o carro à sua frente, o qual estava abaixo da velocidade permitida. Para realizar a</p><p>referida manobra, entretanto, Jerusa não liga a respectiva seta luminosa sinalizadora do veículo</p><p>e, no momento da ultrapassagem, vem a atingir Diogo, motociclista que, em alta velocidade,</p><p>conduzia sua moto no sentido oposto da via. Não obstante a presteza no socorro que veio após</p><p>o chamado da própria Jerusa e das demais testemunhas, Diogo falece em razão dos ferimentos</p><p>sofridos pela colisão.</p><p>Instaurado o respectivo inquérito policial, após o curso das investigações, o Ministério Público</p><p>decide oferecer denúncia contra Jerusa, imputando-lhe a prática do delito de homicídio doloso</p><p>simples, na modalidade dolo eventual (Art. 121 c/c Art. 18, I parte final, ambos do CP).</p><p>Argumentou o ilustre membro do Parquet a imprevisão de Jerusa acerca do resultado que</p><p>poderia causar ao não ligar a seta do veículo para realizar a ultrapassagem, além de não atentar</p><p>para o trânsito em sentido contrário. A denúncia foi recebida pelo juiz competente e todos os atos</p><p>processuais exigidos em lei foram regularmente praticados. Finda a instrução probatória, o juiz</p><p>competente, em decisão devidamente fundamentada, decidiu pronunciar Jerusa pelo crime</p><p>apontado na inicial acusatória. Contra essa decisão, a defesa interpôs recurso em sentido estrito,</p><p>ao qual, por maioria, foi julgado improvido pela 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça,</p><p>mantendo a decisão de pronúncia, tendo um desembargador proferido voto pela</p><p>desclassificação. Atento ao caso apresentado e tendo como base apenas os elementos</p><p>fornecidos, elabore a peça cabível, adotando os argumentos pertinentes.</p><p>A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não pontua.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>62</p><p>AO ESCRIVÃO DO CARTÓRIO DA... VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI DA</p><p>COMARCA...</p><p>Processo nº</p><p>JERUSA, já qualificada nos autos, por seu procurador infra-assinado, com</p><p>procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, opor o</p><p>presente RECURSO DE EMBARGOS INFRINGENTES, com base no artigo 609, parágrafo</p><p>único, do Código de Processo Penal, requerendo seja recebido e processado.</p><p>O presente recurso é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo de 10</p><p>dias, na forma do artigo 609, parágrafo único, do Código de Processo Penal.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local... e data...</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>63</p><p>EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO...</p><p>Embargante: Jerusa</p><p>Embargado: Ministério Público</p><p>Processo nº</p><p>RAZÕES DE RECURSO DE EMBARGOS INFRINGENTES</p><p>Egrégio Tribunal de Justiça do Estado...</p><p>Colenda Câmara Criminal ou Colendo Grupo Criminal</p><p>(conforme o regime interno do Tribunal)</p><p>I) DOS FATOS</p><p>A recorrente dirigia seu carro quando atingiu a motocicleta da vítima, que, em</p><p>alta velocidade, conduzia sua moto no sentido oposto da via.</p><p>Após o encerramento do inquérito policial, o Ministério Público ofereceu</p><p>denúncia imputando a prática do delito de homicídio doloso simples, na modalidade dolo</p><p>eventual.</p><p>O Juiz pronunciou a recorrente pelo delito descrito na denúncia. Contra essa</p><p>decisão, a defesa interpôs recurso em sentido estrito, que, por maioria, foi julgado improvido</p><p>pela 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça.</p><p>II) DO DIREITO</p><p>A recorrente foi acusada de, na condução do seu veículo, ter causado a morte</p><p>de Diogo, que conduzia sua motocicleta em alta velocidade, sendo denunciada e</p><p>pronunciada pela prática do crime de homicídio doloso simples, na modalidade dolo</p><p>eventual. A 2ª Câmara Criminal, por maioria, manteve a decisão recorrida.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>64</p><p>Todavia, a recorrente em nenhum momento assumiu o risco de causar a morte</p><p>de Diogo, nem aceitou o resultado morte da vítima, tanto que conduzia o seu veículo</p><p>respeitando o limite de velocidade.</p><p>Nesse sentido, a conduta da recorrente se enquadra, em tese, no artigo 302</p><p>do Código de Trânsito Brasileiro, razão pela qual deve responder pela prática, em tese, de</p><p>homicídio culposo na condução de veículo automotor, devendo haver, portanto, a</p><p>desclassificação e remessa do presente feito ao juízo competente, nos termos do artigo 419</p><p>do Código de Processo Penal.</p><p>III) DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, requer seja conhecido e provido o recurso, com a reforma do</p><p>acórdão, a fim de que:</p><p>Seja desclassificado o delito de homicídio simples doloso para o delito de</p><p>homicídio culposo na direção de veículo automotor, previsto no artigo 302 da Lei 9.503/97,</p><p>encaminhando-se os autos para o Juízo competente, nos termos do artigo 419 do Código</p><p>de Processo Penal.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., data...</p><p>Advogado ...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>65</p><p>Aulas muito relevantes</p><p>Como resolver recurso ordinário constitucional</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL</p><p>Enunciado</p><p>Durante investigação para apurar a prática de roubos a agências bancárias ocorridos em Volta</p><p>Redonda/RJ, agentes</p><p>da polícia civil, embora desconfiados que Pedro Rocha estivesse</p><p>envolvido nos crimes, não conseguiram reunir provas suficientes para apontá-lo como um dos</p><p>assaltantes de banco. Diante disso, o Delegado de Polícia orientou um dos policiais a passar a</p><p>frequentar os mesmos lugares do investigado Pedro Rocha para com ele estabelecer relação de</p><p>confiança. Ao manter reiterados contatos com Pedro Rocha, o agente policial disfarçado</p><p>convence o investigado a com ele praticar um roubo em determinada agência bancária. Diante</p><p>disso, no dia 15 de outubro de 2021, previamente engendrados, o policial disfarçado e o</p><p>investigado dirigem-se ao banco e, no instante em que ingressaram na agência bancária e</p><p>anunciaram o assalto, diversos policiais, que monitoravam toda a ação, prenderam Pedro Rocha</p><p>em flagrante, sob a acusação da prática do crime de roubo majorado tentado. Ao final, o</p><p>Delegado de Polícia lavrou o auto de prisão em flagrante, observando todas as formalidades</p><p>legais, e encaminhou à autoridade judiciária. Durante a audiência de custódia, após ouvir o</p><p>flagrado, o Magistrado, acolhendo requerimento do Ministério Público, converteu a prisão em</p><p>flagrante em prisão preventiva, com base no artigo 310, inciso II, do Código de Processo Penal.</p><p>Irresignado, Pedro Rocha, por meio do seu advogado(a), impetrou Habeas corpus, que foi</p><p>denegado, por maioria dos votos, pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Com base somente</p><p>nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto acima, na</p><p>qualidade de advogado(a) de Pedro Rocha, redija a peça cabível, exclusiva de advogado(a), no</p><p>que tange à liberdade de seu cliente. (Valor: 5,00)</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>66</p><p>AO DOUTO DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE</p><p>JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO</p><p>PEDRO ROCHA, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-</p><p>assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, a presença de Vossa</p><p>Excelência, interpor o presente RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL, com</p><p>base no artigo 105, inciso II, “a” da Constituição Federal/88, combinado com os artigos</p><p>30 e 32, ambos da Lei 8.038/90, requerendo seja o recurso recebido e processado e,</p><p>ao final, remetido ao Superior Tribunal de Justiça.</p><p>O presente recurso é tempestivo, pois interposto dentro do prazo de 5 dias,</p><p>previsto no artigo 30 da Lei nº 8.038/1990.</p><p>Nestes termos,</p><p>pede deferimento.</p><p>Local... e data...</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>67</p><p>COLENDO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA</p><p>Recorrente/Impetrante: Pedro Rocha</p><p>Recorrido: Ministério Público</p><p>Autos nº</p><p>RAZÕES DE RECURSO ORDINARIO CONSTITUCIONAL</p><p>EGRÉGIO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA</p><p>COLENDA TURMA</p><p>I) DOS FATOS</p><p>O requerente foi preso em flagrante, acusado de ter praticado, em tese, o delito</p><p>de roubo majorado tentado.</p><p>O auto de prisão em flagrante foi lavrado e encaminhado à autoridade judiciária,</p><p>que converteu em prisão preventiva.</p><p>O recorrente impetrou habeas corpus, que, por maioria, foi denegado pelo</p><p>Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.</p><p>II) DO DIREITO</p><p>A) DO FLAGRANTE PREPARADO/PROVOCADO</p><p>O recorrente foi preso acusado de ter praticado, em tese, o crime de roubo</p><p>majorado tentado. Todavia, trata-se de prisão ilegal, já que um policial disfarçado</p><p>convenceu o requerente a ingressar na agência bancária e anunciar o assalto, momento</p><p>em que foi preso em flagrante, caracterizando o chamado flagrante preparado ou</p><p>provocado.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>68</p><p>Nos termos da Súmula 145 do Supremo Tribunal Federal, não configura</p><p>crime quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação.</p><p>Logo, em se tratando de flagrante preparado e crime impossível, previsto no</p><p>artigo 17 do Código Penal, verifica-se que a prisão é ilegal, devendo ser relaxada.</p><p>III) DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, requer seja conhecido e provido o recurso, com a consequente</p><p>reforma do acórdão recorrido, para o fim de que seja concedido o habeas corpus e relaxada</p><p>a prisão em flagrante do recorrente, com a expedição do alvará de soltura.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local... e data...</p><p>ADVOGADO...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>69</p><p>Como resolver defesa preliminar de funcionário público</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL</p><p>Enunciado</p><p>Wilson Ferdinando, funcionário público municipal, que exerce a função de motorista, após o</p><p>encerramento do expediente, resolveu utilizar o carro da Prefeitura para levar a esposa até o</p><p>Posto de Saúde do Município vizinho, distante 15 Km do município onde trabalha. Duas horas</p><p>depois, após encher o tanque de gasolina, Wilson devolve o automóvel no mesmo lugar em que</p><p>o havia retirado. Ao analisarem as câmeras de segurança do Prédio Municipal, guardas</p><p>municipais perceberam a ação de Wilson, relatando o fato e dando ensejo a instauração de</p><p>procedimento administrativo disciplinar. O acusado foi interrogado, confessando que, de fato,</p><p>utilizou o veículo sem autorização, mas que sua intenção era devolvê-lo logo em seguida, como</p><p>demonstraram as imagens constantes no procedimento. Ao final da instrução do procedimento</p><p>administrativo, concluiu-se que Wilson praticou falta disciplinar, sendo encaminhada cópia dos</p><p>autos ao Ministério Público. O Ministério Público ofereceu denúncia contra Wilson pela prática</p><p>do delito de peculato, previsto no artigo 312, “caput”, do Código Penal. Wilson foi notificado no</p><p>dia 03 de junho de 2016, sexta-feira.</p><p>Com base nas informações acima expostas e naquelas que podem ser inferidas do caso</p><p>concreto, redija a peça cabível, excluída a possibilidade de habeas corpus, no último dia do prazo</p><p>para oferecimento, sustentando todas as teses jurídicas pertinentes. (Valor: 5,00)</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>70</p><p>AO JUÍZO... VARA CRIMINAL DA COMARCA....</p><p>Wilson Ferdinando, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-</p><p>assinado, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, apresentar DEFESA</p><p>PRELIMINAR, com base no artigo 514 do Código de Processo Penal, pelos fatos e</p><p>fundamentos a seguir expostos.</p><p>I) DOS FATOS</p><p>O réu foi denunciado pela prática do crime de peculato, previsto no artigo</p><p>312, “caput”, do Código Penal, porque teria utilizado, sem autorização, o veículo do</p><p>Município.</p><p>O réu foi notificado no dia 03 de junho de 2016.</p><p>A presente defesa preliminar é tempestiva, já que apresentada dentro do</p><p>prazo de 15 dias, previsto no artigo 514 do Código de Processo Penal.</p><p>II) DO DIREITO</p><p>A) DA AUSÊNCIA DE DOLO OU PECULATO DE USO</p><p>O réu foi acusado de ter utilizado o veículo automotor do Município, sem</p><p>autorização. Todavia, o réu não teve a intenção de se apropriar do bem, nem tampouco o</p><p>desviou da Administração Municipal.</p><p>Pretendia, apenas, utilizar o veículo para levar sua esposa até o Posto de</p><p>Saúde do Município vizinho e depois devolvê-lo no mesmo lugar que retirou. Assim, não há</p><p>que se falar em peculato-apropriação, peculato-desvio ou peculato-furto.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>71</p><p>Logo, o réu não tinha dolo de se apropriar, desviar ou subtrair o veículo, tanto</p><p>que, após encher o tanque de gasolina, devolveu-o no mesmo local que pegou e nas</p><p>mesmas condições, caracterizando, no caso, peculato de uso, que constitui fato atípico.</p><p>Assim, trata-se de fato atípico, devendo a denúncia ser rejeitada, nos termos</p><p>do artigo 395, incisos II e III, do Código de Processo Penal.</p><p>III) DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, requer o réu seja a denúncia rejeitada, com base no artigo</p><p>395, incisos II</p><p>e III, do Código de Processo Penal.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., 20 de junho de 2016.</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>72</p><p>Como resolver defesa preliminar da lei de drogas</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL</p><p>Enunciado</p><p>No dia 25 de janeiro de 2015, Roniquito Vieira foi abordado por policiais, acusado de estar</p><p>portando 02 gramas de maconha. Após constatar por sua experiência profissional que</p><p>efetivamente se tratava de cannabis sativa, o policial deu voz de prisão em flagrante,</p><p>encaminhando Roniquito à Delegacia de Polícia. Durante a lavratura da prisão em flagrante,</p><p>verificou-se que Roniquito não registrava procedimento policial em seu desfavor. Ao final, a</p><p>autoridade policial indiciou Roniquito como incurso no crime tráfico ilícito de entorpecentes,</p><p>previsto no artigo 33 da Lei nº 11.343/2006. Ao longo do procedimento policial, Roniquito negou</p><p>ser traficante, reconhecendo, contudo, ser dependente químico, já tendo sido, inclusive,</p><p>internado para tratamento, o que foi confirmado por Joaquim e Manuel, responsáveis pela Clínica</p><p>de Tratamento. Após o encerramento do procedimento policial, o Ministério Público ofereceu</p><p>denúncia contra Roniquito, imputando-lhe a prática do delito do artigo 33, “caput”, da Lei nº</p><p>11.343/2006. O Magistrado determinou a notificação de Roniquito, que ocorreu no dia 03 de</p><p>junho de 2016, que caiu numa sexta-feira.</p><p>Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso</p><p>concreto acima, na qualidade de advogado(a) de Roniquito, redija a peça cabível, exclusiva de</p><p>advogado, invocando todos os argumentos em favor de seu constituinte, datando a peça no</p><p>último dia do prazo. (valor: 5,00)</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>73</p><p>AO JUÍZO DE DIREITO DA... VARA CRIMINAL DA COMARCA....</p><p>Processo nº</p><p>Roniquito Vieira, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado,</p><p>com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência,</p><p>oferecer DEFESA PRELIMINAR, com base no artigo 55 da Lei 11.343/2006, pelos fatos e</p><p>fundamentos a seguir expostos.</p><p>I) DOS FATOS</p><p>O réu foi flagrado portando 02 gramas de maconha.</p><p>Ao longo do seu interrogatório, o réu disse que não era traficante,</p><p>reconhecendo ser dependente de substância entorpecente.</p><p>O Ministério Público ofereceu denúncia imputando ao réu a prática do delito</p><p>do artigo 33 da Lei 11.343/2006.</p><p>O réu foi notificado.</p><p>A presente defesa preliminar é tempestiva, já que apresentada dentro do</p><p>prazo de 10 dias, previsto no artigo 55 da Lei 11.343/2006.</p><p>II) DO DIREITO</p><p>A) DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA</p><p>O réu foi flagrado portando 02 gramas de maconha, sendo acusado de tráfico</p><p>de drogas. Todavia, o fato é materialmente atípico, incidindo, no caso, o princípio da</p><p>insignificância, já que a pequena quantidade de droga apreendida em poder do réu não é</p><p>capaz de ofender à coletividade ou a saúde pública.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>74</p><p>Logo, deve ser rejeitada a denúncia, com base no artigo 395, incisos II e III,</p><p>do Código de Processo Penal.</p><p>B) DA AUSÊNCIA DE MATERIALIDADE</p><p>O réu foi preso acusado de estar portando substância entorpecente. Todavia,</p><p>a natureza da substância supostamente apreendida em poder do réu foi atestada a partir</p><p>da experiência profissional do policial que realizou a prisão em flagrante. Logo, não há</p><p>registro de que tenha sido realizado o laudo de constatação preliminar da natureza da</p><p>substância, nos termos do artigo 50, §1º, da Lei 11.343/2006.</p><p>Diante disso, não há prova da materialidade do delito, devendo a denúncia</p><p>ser rejeitada, por ausência de justa causa, com base no artigo 395, inciso III, do Código de</p><p>Processo Penal.</p><p>C) DA DESCLASSIFICAÇÃO PARA O DELITO DO ARTIGO 28 DA LEI</p><p>11.343/2006</p><p>O Ministério Público denunciou o réu pela prática do delito de tráfico ilícito de</p><p>entorpecentes. Todavia, deve ser desclassificado o crime de tráfico de drogas para o delito</p><p>previsto no artigo 28 da Lei 11.343/2006.</p><p>O réu, perante a autoridade policial, disse não ser traficante, reconhecendo</p><p>ser dependente de substância entorpecente, tendo sido, inclusive, internado para</p><p>tratamento de dependência química, o que foi confirmado por Manuel e Joaquim,</p><p>responsáveis pela Clínica de Tratamento.</p><p>Além disso, o réu não registra contra si nenhuma ocorrência policial.</p><p>Assim, nos termos do artigo 28, §2º, da Lei 11.343/2006, considerando a</p><p>pequena quantidade de droga apreendida, as condições pessoais do réu e a circunstância</p><p>de ser primário, cabe a desclassificação do delito de tráfico de drogas para o delito previsto</p><p>no artigo 28 da Lei 11.343/2006, com a remessa dos autos ao Juizado Especial Criminal,</p><p>juízo competente para processar e julgar infrações de menor potencial ofensivo.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>75</p><p>III) DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, requer:</p><p>a) A rejeição da denúncia, pela atipicidade da conduta, com base no artigo</p><p>395, incisos II e III, do Código de Processo Penal;</p><p>b) A rejeição da denúncia, pela ausência de materialidade, com base no artigo</p><p>395, inciso III, do Código de Processo Penal;</p><p>c) Seja desclassificado o crime previsto no artigo 33 da Lei 11.343/2006 para</p><p>o delito do artigo 28 da Lei 11.343/2006, remetendo-se os autos ao Juizado Especial</p><p>Criminal;</p><p>d) A produção de todas as provas admitidas em direito, principalmente a</p><p>testemunhal, conforme rol abaixo.</p><p>ROL DE TESTEMUNHAS:</p><p>a)Joaquim</p><p>b) Manuel</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., 15 de junho de 2016</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>76</p><p>Como resolver carta testemunhável</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL</p><p>Enunciado</p><p>Jerusa, atrasada para importante compromisso profissional, dirige seu carro bastante</p><p>preocupada, mas respeitando os limites de velocidade. Em uma via de mão dupla, Jerusa decide</p><p>ultrapassar o carro à sua frente, o qual estava abaixo da velocidade permitida. Para realizar a</p><p>referida manobra, entretanto, Jerusa não liga a respectiva seta luminosa sinalizadora do veículo</p><p>e, no momento da ultrapassagem, vem a atingir Diogo, motociclista que, em alta velocidade,</p><p>conduzia sua moto no sentido oposto da via. Não obstante a presteza no socorro que veio após</p><p>o chamado da própria Jerusa e das demais testemunhas, Diogo falece em razão dos ferimentos</p><p>sofridos pela colisão.</p><p>Instaurado o respectivo inquérito policial, após o curso das investigações, o Ministério Público</p><p>decide oferecer denúncia contra Jerusa, imputando-lhe a prática do delito de homicídio doloso</p><p>simples, na modalidade dolo eventual (Art. 121 c/c Art. 18, I parte final, ambos do CP).</p><p>Argumentou o ilustre membro do Parquet a imprevisão de Jerusa acerca do resultado que</p><p>poderia causar ao não ligar a seta do veículo para realizar a ultrapassagem, além de não atentar</p><p>para o trânsito em sentido contrário. A denúncia foi recebida pelo juiz competente e todos os atos</p><p>processuais exigidos em lei foram regularmente praticados. Finda a instrução probatória, o juiz</p><p>competente, em decisão devidamente fundamentada, decidiu pronunciar Jerusa pelo crime</p><p>apontado na inicial acusatória. O advogado de Jerusa é intimado da referida decisão em 02 de</p><p>agosto de 2013 (sexta-feira). Contra essa decisão, a defesa interpôs, no dia 09 de agosto de</p><p>2013, recurso em sentido estrito. Ao proceder ao juízo de admissibilidade, o Magistrado não</p><p>recebeu o recurso, sob o fundamento de que foi interposto de forma intempestiva, já que,</p><p>considerando o dia de início 02 de agosto de 2013, o prazo venceu no dia 06 de agosto de 2013.</p><p>Atento ao caso apresentado e tendo como base apenas os elementos fornecidos, elabore o</p><p>recurso</p><p>cabível, instruindo-o com a cópia integral do processo.</p><p>A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não pontua.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>77</p><p>AO ESCRIVÃO DO CARTÓRIO DA ... VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI DA</p><p>COMARCA ...</p><p>Processo nº ...</p><p>JERUSA, já qualificada nos autos, por seu procurador infra-assinado, com</p><p>procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Senhoria, interpor o</p><p>presente recurso de CARTA TESTEMUNHÁVEL, com base no artigo 639, I, do Código de</p><p>Processo Penal, requerendo seja recebido e processado, pelos fatos e fundamentos</p><p>expostos nas razões inclusas.</p><p>O presente recurso é tempestivo, pois interposto dentro do prazo de 48 horas,</p><p>previsto no artigo 640 do Código de Processo Penal1.</p><p>Diante disso, requer seja procedido o juízo de retratação, com base no artigo</p><p>589 do Código de Processo Penal, requerendo, se mantida a decisão, seja encaminhado</p><p>ao Tribunal de Justiça do Estado...</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local... data...</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>1 Considerando a exigência da tempestividade na peça do 35º Exame, sugerimos expressamente que a peça é</p><p>tempestiva.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>78</p><p>EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO...</p><p>Testemunhante/recorrente: Jerusa</p><p>Testemunhado/recorrido: Ministério Público</p><p>Processo nº ...</p><p>RAZÕES DE RECURSO DE CARTA TESTEMUNHÁVEL</p><p>Egrégio Tribunal de Justiça do Estado...</p><p>Colenda Câmara Criminal</p><p>I) DOS FATOS</p><p>A recorrente dirigia seu carro quando atingiu a motocicleta de Diogo. Não</p><p>obstante a presteza do socorro, Diogo faleceu em razão dos ferimentos sofridos pela</p><p>colisão.</p><p>Após o encerramento do respectivo inquérito policial, o Ministério Público</p><p>ofereceu denúncia contra a recorrente Jerusa, imputando-lhe a prática do delito de</p><p>homicídio doloso simples, na modalidade dolo eventual (Art. 121 c/c Art. 18, I parte final,</p><p>ambos do Código Penal).</p><p>Finda a instrução probatória, o juiz competente, em decisão devidamente</p><p>fundamentada, decidiu pronunciar Jerusa pelo crime apontado na inicial acusatória.</p><p>Contra essa decisão, a defesa interpôs recurso em sentido estrito, que não foi</p><p>recebido pelo Magistrado, sob o fundamento de que é intempestivo.</p><p>II) DO DIREITO</p><p>A) Da carta testemunhável/Do recurso em sentido estrito denegado</p><p>O Magistrado não recebeu o recurso, sob o fundamento de que seria</p><p>intempestivo, já que a data fatal, segundo ele, seria o dia 06 de agosto de 2013.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>79</p><p>Todavia, como se trata de prazo processual, o termo inicial para a contagem</p><p>do prazo do recurso é o primeiro dia útil após a intimação, nos termos do artigo 798 do</p><p>Código de Processo Penal.</p><p>Assim, considerando que a intimação ocorreu no dia 02 de agosto de 2013,</p><p>que caiu numa sexta-feira, o prazo recursal começou a correr no primeiro dia útil, segunda-</p><p>feira, qual seja, 05 de agosto de 2013, vencendo no dia 09 de agosto de 2013.</p><p>Logo, requer o testemunhante seja recebido o recurso em sentido estrito</p><p>denegado, pois interposto dentro do prazo previsto em lei.</p><p>B) DA DESCLASSIFICAÇÃO</p><p>Estando o presente recurso suficientemente instruído, verifica-se a</p><p>possibilidade de analisar o mérito do recurso denegado, nos termos do artigo 644 do Código</p><p>de Processo Penal.</p><p>A recorrente foi acusada de, na condução do seu veículo, ter causado a morte</p><p>de Diogo, que conduzia sua motocicleta em alta velocidade, sendo denunciada e</p><p>pronunciada pela prática do delito de homicídio doloso simples, na modalidade dolo</p><p>eventual (Art. 121 c/c Art. 18, I parte final, ambos do CP).</p><p>Todavia, a recorrente em nenhum momento assumiu o risco de causar a morte</p><p>de Diogo, nem aceitou o resultado morte da vítima. Ou seja, a recorrente não agiu com</p><p>dolo, uma vez que não assumiu o risco nem aceitou o resultado morte, conforme prevê o</p><p>artigo 18, I (parte final), do Código Penal, que adotou, em relação ao dolo eventual, a teoria</p><p>do consentimento.</p><p>Nesse sentido, o fato atribuído à recorrente deveria, em tese, ser classificado</p><p>como homicídio culposo na condução de veículo automotor, previsto no artigo 302 do</p><p>Código de Trânsito Brasileiro.</p><p>Em consequência, não havendo crime doloso contra a vida, o Tribunal do Júri</p><p>não é competente para julgar o processo, razão pela qual deve ocorrer a desclassificação</p><p>do delito, nos termos do artigo 419 do Código de Processo Penal, remetendo-se os autos</p><p>ao juízo competente.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>80</p><p>III) DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, requer seja conhecido o recurso, reformada a decisão e</p><p>provido o presente recurso, para o fim de que:</p><p>a) seja recebido o recurso em sentido estrito denegado;</p><p>b) seja desclassificado o delito de homicídio simples doloso, para o delito de</p><p>homicídio culposo na condução de veículo automotor (Art. 302 do Código de Trânsito</p><p>Brasileiro), remetendo-se os autos para o Juízo Competente, nos termos do artigo 419 do</p><p>Código de Processo Penal.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., data...</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>81</p><p>Como resolver apelação no Tribunal do Júri</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL</p><p>Enunciado</p><p>Fernando foi pronunciado pela prática de um crime de homicídio doloso consumado que teve</p><p>como vítima Henrique. No dia 07 de julho de 2015, numa terça-feira, em sessão plenária do</p><p>Tribunal do Júri, todas as testemunhas asseguraram que Henrique iniciou agressões contra</p><p>Fernando e que este agiu em legítima defesa. No momento do julgamento, os jurados</p><p>reconheceram a autoria e materialidade e optaram por condenar Fernando pela prática do delito</p><p>de homicídio doloso. Após a prolação da sentença condenatória, que impôs ao réu a pena de 06</p><p>(seis) anos, em regime semiaberto, a família de Fernando toma conhecimento de que dois dos</p><p>jurados que atuaram no julgamento eram irmãos. A intimação da sentença ocorreu na sessão</p><p>plenária. Com base nas informações acima expostas e naquelas que podem ser inferidas do</p><p>caso concreto, redija a peça cabível, excluída a possibilidade de Habeas Corpus, no último dia</p><p>do prazo para interposição, sustentando todas as teses jurídicas pertinentes. (Valor: 5.00</p><p>pontos)</p><p>Obs.: o examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não</p><p>confere pontuação.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>82</p><p>AO JUIZ PRESIDENTE DO TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA...</p><p>Processo nº ...</p><p>FERNANDO, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado,</p><p>vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, interpor o presente RECURSO</p><p>DE APELAÇÃO, com base no artigo 593, inciso III, “a” e “d”, do Código de Processo Penal.</p><p>O presente recurso de apelação é tempestivo, já que interposto dentro do</p><p>prazo de 5 dias, previsto no artigo 593, “caput”, do Código de Processo Penal.</p><p>Assim, requer seja recebido e processado o recurso, já com as razões anexas,</p><p>remetendo-se os autos ao Tribunal de Justiça do Estado...</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento</p><p>Local..., 13 de julho de 2015.</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>83</p><p>EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO ...</p><p>Apelante: Fernando</p><p>Apelado: Ministério Público</p><p>Processo nº</p><p>RAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO</p><p>Egrégio Tribunal de Justiça do Estado...</p><p>Colenda Câmara Criminal</p><p>I – DOS FATOS</p><p>O réu foi denunciado e pronunciado pela prática do crime de homicídio doloso.</p><p>Durante a sessão plenária do Júri, todas as testemunhas disseram que a vítima</p><p>iniciou as agressões e que o réu agiu em legítima defesa.</p><p>Os jurados decidiram pela condenação do réu.</p><p>O Magistrado fixou a</p><p>pena em 06 (seis) anos, em regime semiaberto.</p><p>II) DO DIREITO</p><p>A) Da nulidade posterior à pronúncia</p><p>Após a sessão plenária, a família do réu tomou conhecimento de que dois dos</p><p>jurados que atuaram no julgamento eram irmãos. Todavia, nos termos do artigo 448, inciso</p><p>IV, do Código de Processo Penal, irmãos são impedidos de servirem de jurados no mesmo</p><p>Conselho de Sentença.</p><p>Logo, considerando que dois dos jurados eram irmãos, deve ser</p><p>anulada a sessão do plenário do Júri, nos termos do artigo 593, inciso III, “a”, do Código de</p><p>Processo Penal.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>84</p><p>B) Da decisão manifestamente contrária à prova dos autos</p><p>Os jurados reconheceram a autoria e a materialidade e optaram por condenar</p><p>o réu pela prática do delito de homicídio doloso. Todavia, todas as testemunhas</p><p>asseguraram que a vítima iniciou as agressões contra Fernando e que este agiu em legítima</p><p>defesa.</p><p>Logo, a decisão dos jurados é manifestamente contrária à prova dos autos,</p><p>devendo o presente recurso ser provido, a fim de sujeitar o réu a novo julgamento, nos</p><p>termos do artigo 593, § 3º, do Código de Processo Penal.</p><p>III – DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, requer seja conhecido e provido o recurso, com a reforma da</p><p>decisão, a fim de que:</p><p>a) Seja anulada a sessão do plenário do Júri, nos termos do artigo 593, III,</p><p>“a”, do Código de Processo Penal;</p><p>b) Seja o réu submetido a novo julgamento pelo plenário da Sessão do Júri,</p><p>nos termos do artigo 593, § 3º, do Código de Processo Penal.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., 13 de julho de 2015.</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>85</p><p>Como resolver apelação do assistente de acusação no procedimento do júri</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – VII Exame</p><p>Enunciado</p><p>Grávida de nove meses, Ana entra em trabalho de parto, vindo dar à luz um menino saudável, o</p><p>qual é imediatamente colocado em seu colo. Ao ter o recém-nascido em suas mãos, Ana é</p><p>tomada por extremo furor, bradando aos gritos que seu filho era um “monstro horrível que não</p><p>saiu de mim” e bate por seguidas vezes a cabeça da criança na parede do quarto do hospital,</p><p>vitimando-a fatalmente. Após ser dominada pelos funcionários do hospital, Ana é presa em</p><p>flagrante delito. Durante a fase de inquérito policial, foi realizado exame médico-legal, o qual</p><p>atestou que Ana agira sob influência de estado puerperal.</p><p>Posteriormente, foi denunciada, com base nas provas colhidas na fase inquisitorial, sobretudo o</p><p>laudo do expert, perante a 1ª Vara Criminal/Tribunal do Júri pela prática do crime de homicídio</p><p>triplamente qualificado, haja vista ter sustentado o Parquet que Ana fora movida por motivo fútil,</p><p>empregara meio cruel para a consecução do ato criminoso, além de se utilizar de recurso que</p><p>tornou impossível a defesa da vítima. Em sede de Alegações Finais Orais, o Promotor de Justiça</p><p>reiterou os argumentos da denúncia, sustentando que Ana teria agido impelida por motivo fútil</p><p>ao decidir matar seu filho em razão de tê-lo achado feio e teria empregado meio cruel ao bater a</p><p>cabeça do bebê repetidas vezes contra a parede, além de impossibilitar a defesa da vítima,</p><p>incapaz, em razão da idade, de defender-se.</p><p>A Defensoria Pública, por sua vez, alegou que a ré não teria praticado o fato e, alternativamente,</p><p>se o tivesse feito, não possuiria plena capacidade de autodeterminação, sendo inimputável. Ao</p><p>proferir a sentença, o magistrado competente entendeu por bem absolver sumariamente a ré em</p><p>razão de inimputabilidade, pois, ao tempo da ação, não seria ela inteiramente capaz de se</p><p>autodeterminar em consequência da influência do estado puerperal. Tendo sido intimado o</p><p>Ministério Público da decisão, em 11 de janeiro de 2011, o prazo recursal transcorreu in albis</p><p>sem manifestação do Parquet.</p><p>Em relação ao caso acima, você, na condição de advogado(a), é procurado pelo pai da vítima,</p><p>Wilson, em 20 de janeiro de 2011, para habilitar-se como assistente da acusação e impugnar a</p><p>decisão. Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo</p><p>caso concreto acima, redija a peça cabível, sustentando, para tanto, as teses jurídicas</p><p>pertinentes, datando do último dia do prazo. (valor: 5,00)</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>86</p><p>AO JUÍZO DA 1ª VARA CRIMINAL/TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA...</p><p>Processo nº</p><p>Wilson, nacionalidade..., estado civil..., profissão..., RG..., CPF..., na</p><p>qualidade de pai da vítima, por seu procurador infra-assinado, com</p><p>procuração em anexo, vem respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, requerer a</p><p>sua HABILITAÇÃO COMO ASSISTENTE DA ACUSAÇÃO, com base no artigo 268 do</p><p>Código de Processo Penal, após oitiva do Ministério Público.</p><p>Ainda, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, interpor o</p><p>presente RECURSO DE APELAÇÃO, com base no artigo 593, inciso I, do Código de</p><p>Processo Penal, e artigo 416 do Código de Processo Penal, e artigo 598 do Código de</p><p>Processo Penal.</p><p>O presente recurso é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo de 15</p><p>dias, de acordo com o artigo 598, parágrafo único, do Código de Processo Penal e Súmula</p><p>448 do STF.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., 31 de janeiro de 2011.</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>87</p><p>EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO...</p><p>Apelante: Wilson</p><p>Apelada: Ana</p><p>Processo nº</p><p>RAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO</p><p>Egrégio Tribunal de Justiça do Estado...</p><p>Colenda Câmara Criminal</p><p>I – DOS FATOS</p><p>Ana foi denunciada pela prática do delito de homicídio triplamente qualificado</p><p>pelo motivo fútil, emprego de meio cruel e recurso que tornou impossível a defesa da vítima.</p><p>Ao proferir sentença, o Magistrado absolveu sumariamente a ré, sob o</p><p>fundamento de que seria inimputável por conta do seu estado puerperal.</p><p>Intimado da decisão no dia 11 de janeiro de 2011, o Ministério Público deixou</p><p>transcorrer o prazo recursal.</p><p>Em 20 de janeiro de 2011, o pai da vítima procurou o advogado para se</p><p>habilitar como assistente da acusação e impugnar a decisão.</p><p>II – DO DIREITO</p><p>A) DA ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA</p><p>O Magistrado proferiu sentença de absolvição sumária, considerando a ré</p><p>inimputável. Todavia, nos termos do artigo 415, parágrafo único, do Código de Processo</p><p>Penal, somente seria possível a absolvição sumária pela inimputabilidade se fosse a única</p><p>tese defensiva.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>88</p><p>No caso, além da inimputabilidade, a defesa apresentou a tese de negativa</p><p>de autoria, ao alegar que a ré não praticou o fato imputado a ela.</p><p>Logo, não poderia o Magistrado absolver sumariamente a ré, mas deveria</p><p>proferir sentença de pronúncia, encaminhando-a para julgamento pelo Tribunal do Júri pela</p><p>prática do crime de homicídio triplamente qualificado ou, alternativamente, pelo delito de</p><p>infanticídio.</p><p>B) DA INIMPUTABILIDADE</p><p>O Magistrado proferiu sentença de absolvição sumária, considerando a ré</p><p>inimputável, pois, ao tempo da ação, não seria ela inteiramente capaz de se autodeterminar</p><p>em consequência da influência do estado puerperal. Todavia, o estado puerperal não</p><p>constitui causa de inimputabilidade, ou seja, causa excludente de culpabilidade, sendo,</p><p>portanto, elementar do crime de infanticídio, previsto no artigo 123 do Código Penal.</p><p>Logo, não cabia ao Magistrado absolver sumariamente a ré pela</p><p>inimputabilidade, mas proferir decisão de pronúncia pela prática do delito de homicídio</p><p>triplamente qualificado, pelo motivo fútil, emprego de meio cruel e recurso que impossibilitou</p><p>a defesa da vítima, ou alternativamente, pelo delito de infanticídio, previsto no artigo 123 do</p><p>Código Penal.</p><p>III – DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, requer seja CONHECIDO O RECURSO</p><p>E REFORMADA A</p><p>DECISÃO RECORRIDA, com o PROVIMENTO, a fim de que:</p><p>Seja a ré pronunciada, encaminhando-a a julgamento pelo Tribunal do Júri</p><p>pela prática do crime de homicídio triplamente qualificado, pelo motivo fútil, emprego do</p><p>meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima, nos termos do artigo 121, §2º,</p><p>incisos II, III e IV, do Código Penal, ou, alternativamente, pelo delito de infanticídio, previsto</p><p>no artigo 123 do Código Penal.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>89</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., 31 de janeiro de 2011.</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>90</p><p>Como resolver contrarrazões de apelação do júri</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL</p><p>Enunciado</p><p>No dia 24 de dezembro de 2014, na cidade do Rio de Janeiro, Rodrigo e um amigo não</p><p>identificado foram para um bloco de rua que ocorria em razão do Natal, onde passaram a ingerir</p><p>bebida alcoólica em comemoração ao evento festivo. Na volta para casa, ainda em companhia</p><p>do amigo, já um pouco tonto em razão da quantidade de cerveja que havia bebido, subtraiu,</p><p>mediante emprego de uma faca, os pertences de uma moça desconhecida que caminhava</p><p>tranquilamente pela rua. A vítima era Maria, jovem de 24 anos que acabara de sair do médico e</p><p>saber que estava grávida de um mês. Em razão dos fatos, Rodrigo foi denunciado pela prática</p><p>de crime de roubo duplamente majorado, na forma do Art. 157, § 2º, incisos II e VII, do Código</p><p>Penal. Durante a instrução, foi juntada a Folha de Antecedentes Criminais de Rodrigo, onde</p><p>constavam anotações em relação a dois inquéritos policiais em que ele figurava como indiciado</p><p>e três ações penais que respondia na condição de réu, apesar de em nenhuma delas haver</p><p>sentença com trânsito em julgado. Foram, ainda, durante a Audiência de Instrução e Julgamento</p><p>ouvidos a vítima e os policiais que encontraram Rodrigo, horas após o crime, na posse dos bens</p><p>subtraídos. Durante seu interrogatório, Rodrigo permaneceu em silêncio. Ao final da instrução,</p><p>após alegações finais, a pretensão punitiva do Estado foi julgada procedente, com Rodrigo sendo</p><p>condenado a pena de 05 anos e 04 meses de reclusão, a ser cumprida em regime semiaberto,</p><p>e 13 dias-multa. O juiz aplicou a pena-base no mínimo legal, além de não reconhecer qualquer</p><p>agravante ou atenuante. Na terceira fase da aplicação da pena, reconheceu a majorante</p><p>mencionada na denúncia e realizou um aumento de 1/3 da pena imposta. O Ministério Público</p><p>foi intimado da sentença em 14 de setembro de 2015, uma segunda-feira, sendo terça-feira dia</p><p>útil. Inconformado, o Ministério Público apresentou recurso de apelação perante o juízo de</p><p>primeira instância, acompanhado das respectivas razões recursais, no dia 30 de setembro de</p><p>2015, requerendo: i) O aumento da pena-base, tendo em vista a existência de diversas anotações</p><p>na Folha de Antecedentes Criminais do acusado; ii) O reconhecimento das agravantes previstas</p><p>no Art. 61, inciso II, alíneas ‘h’ e ‘l’, do Código Penal; iii) A majoração do quantum de aumento</p><p>em razão das causas de aumentos previstas no Art. 157, §2º, incisos II e VII, do Código Penal,</p><p>exclusivamente pelo fato de serem duas as majorantes; iv) Fixação do regime inicial fechado de</p><p>cumprimento de pena, pois o crime de roubo tem assombrado a população do Rio de Janeiro,</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>91</p><p>causando uma situação de insegurança em toda a sociedade. A defesa não apresentou recurso.</p><p>O magistrado, então, recebeu o recurso de apelação do Ministério Público e intimou, no dia 19</p><p>de outubro de 2015 (segunda-feira), sendo terça feira dia útil em todo o país, você, advogado(a)</p><p>de Rodrigo, para apresentar a medida cabível. Com base nas informações expostas na situação</p><p>hipotética e naquelas que podem ser inferidas do caso concreto, redija a peça cabível, excluída</p><p>a possibilidade de “habeas corpus”, no último dia do prazo, sustentando todas as teses jurídicas</p><p>pertinentes. (Valor: 5,00)</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>92</p><p>AO JUÍZO DA... VARA CRIMINAL DA COMARCA DO RIO DE JANEIRO/RJ.</p><p>Processo nº...</p><p>RODRIGO, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com</p><p>procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, oferecer</p><p>as CONTRARRAZÕES DE APELAÇÃO, com base no artigo 600 do Código de Processo</p><p>Penal.</p><p>Nesse sentido, requer sejam recebidas, com posterior remessa ao Tribunal de</p><p>Justiça do Estado do Rio de Janeiro.</p><p>As presentes contrarrazões são tempestivas, já que oferecidas dentro do</p><p>prazo de 8 dias, previsto no artigo 600 do Código de Processo Penal.</p><p>Nestes termos.</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local ..., 27 de outubro de 2015.</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>93</p><p>EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO</p><p>Apelante: MINISTÉRIO PÚBLICO</p><p>Apelado: RODRIGO</p><p>CONTRARRAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO</p><p>Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro</p><p>Colenda Câmara Criminal</p><p>I) DOS FATOS</p><p>O réu foi denunciado pela prática do crime de roubo majorado, na forma do</p><p>artigo 157, §2º, inciso II e VII, do Código Penal.</p><p>Ao final da instrução, o Magistrado proferiu sentença condenatória, aplicando</p><p>a pena de 05 anos e 04 meses de reclusão, a ser cumprida em regime semiaberto, e 13</p><p>dias-multa.</p><p>Inconformado, o Ministério Público interpôs recurso de apelação,</p><p>acompanhado das respectivas razões recursar, no dia 30 de setembro de 2015.</p><p>O Magistrado recebeu o recurso de apelação do Ministério Público e intimou</p><p>a defesa para apresentar medida cabível.</p><p>II) DO DIREITO</p><p>A) DA INTEMPESTIVIDADE DA APELAÇÃO</p><p>O recurso interposto pelo Ministério Público não pode ser conhecido, já que</p><p>interposto fora do prazo de 5 dias, previsto no artigo 593, “caput”, do Código Penal.</p><p>Isso porque o Ministério Público foi intimado na sentença no dia 14 de</p><p>setembro de 2015 e interpôs o recurso de apelação no dia 30 de setembro de 2015, após,</p><p>portanto, o prazo legal.</p><p>Diante disso, o recurso de apelação não deve ser conhecido.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>94</p><p>B) DO AUMENTO DA PENA-BASE</p><p>A pena-base de ver mantida no mínimo legal.</p><p>Isso porque, nos termos da Súmula 444 do Superior Tribunal de Justiça,</p><p>inquéritos policiais, ações penais em curso e condenações ainda não transitas em julgado</p><p>não autorizam o reconhecimento de circunstância judicial desfavorável como maus</p><p>antecedentes, sob pena de violação do princípio da presunção de inocência, previsto no</p><p>artigo 5º, inciso LVII, da Constituição Federal/88.</p><p>Logo, não há maus antecedentes, devendo a pena-base ser mantida no</p><p>mínimo legal.</p><p>C) DA AGRAVANTE DA GRAVIDEZ</p><p>Não deve ser reconhecida a agravante pela prática de crime contra mulher</p><p>grávida, prevista no artigo 61, inciso II, alínea “h”, do Código Penal.</p><p>Isso porque o réu não tinha conhecimento de que a vítima estava grávida, já</p><p>que a própria vítima recém tinha saído do médico e tomado conhecimento de que estava</p><p>grávida de um mês, não sendo, portanto, possível verificar sinais visíveis da gravides da</p><p>vítima.</p><p>Logo, não deve ser aplicada a agravante da gravidez.</p><p>D) DA AGRAVANTE DA EMBRIAGUEZ PREORDENADA</p><p>Não deve ser reconhecida a agravante da embriaguez preordenada, prevista</p><p>no artigo 61, inciso II, alínea “I”, do Código Penal.</p><p>Isso porque o réu não ingeriu bebida alcóolica com o objetivo de praticar crime</p><p>ou para tomar coragem para cometer o delito, uma vez que bebeu em comemoração</p><p>durante evento festivo.</p><p>Logo, não se trata de embriaguez preordenada, mas voluntária ou, até</p><p>mesmo, culposa. Assim, não deve ser aplicada a agravante da embriaguez preordenada.</p><p>E) DO</p><p>AUMENTO DA PENA</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>95</p><p>Não deve ser reconhecida a majoração do quantum do aumente de pena,</p><p>exclusivamente pelo fato de serem duas as majorantes.</p><p>Isso porque a elevação da fração da pena exige motivação idônea, não sendo</p><p>suficiente fundamentar o aumente apenas com base no número de majorantes, conforme a</p><p>Súmula 443 do Superior Tribunal de Justiça.</p><p>Logo, deve ser mantida a majoração da pena.</p><p>F) DO REGIME CARCERÁRIO</p><p>Deve ser mantido regime inicial semiaberto para cumprimento da pena.</p><p>Isso porque, nos termos das Súmulas 718 e 719 do Supremo Tribunal Federal,</p><p>eventual gravidade em abstrato do delito não constitui motivação idônea para a fixação do</p><p>regime mais severo do que a pena aplicada permitir.</p><p>Além disso, o Magistrado fixou pena-base no mínimo legal, sendo, portanto,</p><p>vedada a fixação do regime mais severo do que a pena imposta permite, com base na</p><p>gravidade em abstrato do delito, nos termos da Súmula 440 do Superior Tribunal de Justiça.</p><p>Logo, deve ser mantido o regime carcerário semiaberto fixado na sentença.</p><p>III) DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, requer NÃO SEJA CONHECIDO, e, no mérito, IMPROVIDO</p><p>o recurso de apelação interposto, mantendo-se, por conseguinte, a decisão recorrida nos</p><p>seus exatos termos.</p><p>Nestes termos.</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local ..., 27 de outubro de 2015.</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>96</p><p>Como resolver relaxamento de prisão</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – VI EXAME OAB (adaptada)</p><p>Enunciado</p><p>No dia 10 de março de 2020, após ingerir um litro de vinho na sede de sua fazenda, José Alves</p><p>pegou seu automóvel e passou a conduzi-lo ao longo da estrada que tangencia sua propriedade</p><p>rural. Após percorrer cerca de dois quilômetros na estrada absolutamente deserta, José Alves</p><p>foi surpreendido por uma equipe da Polícia Militar que lá estava a fim de procurar um indivíduo</p><p>foragido do presídio da localidade. Abordado pelos policiais, José Alves saiu de seu veículo</p><p>trôpego e exalando forte odor de álcool, oportunidade em que, de maneira incisiva, os policiais</p><p>lhe compeliram a realizar um teste de alcoolemia em aparelho de ar alveolar. Realizado o teste,</p><p>foi constatado que José Alves tinha concentração de álcool de um miligrama por litro de ar</p><p>expelido pelos pulmões, razão pela qual os policiais o conduziram à Unidade de Polícia</p><p>Judiciária, onde foi lavrado Auto de Prisão em Flagrante pela prática do crime previsto no artigo</p><p>306 da Lei 9.503/1997, sendo-lhe negado no referido Auto de Prisão em Flagrante o direito de</p><p>entrevistar-se com seus advogados ou com seus familiares.</p><p>Dois dias após a lavratura do Auto de Prisão em Flagrante, em razão de José Alves ter</p><p>permanecido encarcerado na Delegacia de Polícia, você é procurado pela família do preso, sob</p><p>protestos de que não conseguiam vê-lo e de que o delegado não comunicara o fato ao juízo</p><p>competente, tampouco à Defensoria Pública.</p><p>Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso</p><p>concreto acima, na qualidade de advogado de José Alves, redija a peça cabível, exclusiva de</p><p>advogado, no que tange à liberdade de seu cliente, questionando, em juízo, eventuais</p><p>ilegalidades praticadas pela Autoridade Policial, alegando para tanto toda a matéria de direito</p><p>pertinente ao caso. (Valor 5,00)</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>97</p><p>AO JUÍZO DA... VARA CRIMINAL DA COMARCA...</p><p>Autos nº...</p><p>JOSÉ ALVES, nacionalidade..., estado civil..., profissão..., RG..., CPF...,</p><p>endereço eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., vem, por seu procurador infra-</p><p>assinado, com procuração em anexo, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência,</p><p>requerer o RELAXAMENTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE, com base no artigo 310, inciso</p><p>I, do Código de Processo Penal e artigo 5º, inciso LXV, da Constituição Federal/88, pelos</p><p>fatos e fundamentos a seguir expostos:</p><p>I) DOS FATOS</p><p>O requerente foi preso em flagrante, acusado de ter praticado o delito previsto</p><p>no artigo 306 da Lei nº 9.503/97.</p><p>O requerente foi compelido a realizar o teste de alcoolemia em aparelho</p><p>alveolar, sendo-lhe negado no auto de prisão em flagrante o direito de se entrevistar com</p><p>advogado e com seus familiares.</p><p>O requerente permaneceu preso dois dias após a lavratura da prisão em</p><p>flagrante, sendo que a autoridade policial não comunicou o fato ao juízo competente nem à</p><p>Defensoria Pública.</p><p>II) DO DIREITO</p><p>A) DA PROVA ILÍCITA</p><p>O requerente foi compelido a realizar o teste de alcoolemia em aparelho de</p><p>ar alveolar. Todavia, trata-se de prova ilícita, porque violou o direito do requerente de não</p><p>produzir prova contra si mesmo, previsto no artigo 5º, inciso LXIII, da Constituição</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>98</p><p>Federal/88 e artigo 8º, § 2, alínea “g”, do Decreto 678/92.</p><p>Além disso, o requerente foi forçado a realizar o teste de alcoolemia. Logo,</p><p>trata-se de prova ilícita, nos termos do artigo 157 do Código de Processo Penal, e artigo 5º,</p><p>inciso LVI, da Constituição Federal/88.</p><p>B) DO DIREITO À ADVOGADO E COMUNICAÇÃO À FAMÍLIA</p><p>A autoridade policial negou ao requerente o direito de se entrevistar com</p><p>advogado, bem como não permitiu comunicação com a família.</p><p>Todavia, nos termos do artigo 306, § 1º, do Código de Processo Penal, e artigo</p><p>5º, inciso LXIII, da Constituição Federal/88, o preso tem direito à assistência de advogado.</p><p>Logo, deveria a autoridade policial viabilizar a presença de advogado ou encaminhar a cópia</p><p>dos autos à defensoria Pública.</p><p>Além disso, a família do preso não foi imediatamente comunicada sobre a</p><p>prisão, havendo, portanto, violação ao artigo 306, “caput”, do Código de Processo Penal, e</p><p>artigo 5º, inciso LXII, da Constituição Federal/88.</p><p>C) DA AUSÊNCIA DE COMUNICAÇÃO AO JUIZ COMPETENTE E À</p><p>DEFENSORIA PÚBLICA</p><p>A autoridade policial não comunicou a prisão ao juiz competente, nem</p><p>tampouco à Defensoria Pública.</p><p>Todavia, nos termos do artigo 306, § 1º, do Código de Processo Penal, e artigo</p><p>5º, inciso LXII, da Constituição Federal, a prisão deveria ser comunicada imediatamente ao</p><p>juiz competente, bem como à Defensoria Pública, no prazo de 24 horas.</p><p>Logo, trata-se de prisão ilegal.</p><p>D) DA NOTA DE CULPA</p><p>Após o decurso de dois dias da lavratura da prisão em flagrante, o Delegado</p><p>não havia comunicado e, portanto, encaminhado os autos ao juiz competente, não entregando,</p><p>pois, a nota de culpa.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>99</p><p>Todavia, conforme o artigo 306, §2º, do Código de Processo Penal, no prazo</p><p>de 24 horas após a realização da prisão, deveria ser entregue a nota de culpa ao flagrado.</p><p>Logo, trata-se de prisão ilegal.</p><p>III) DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, requer:</p><p>a) O relaxamento da prisão em flagrante;</p><p>b) Expedição do alvará de soltura;</p><p>c) Vista ao Ministério Público.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local... e data...</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>100</p><p>Como resolver liberdade provisória</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL</p><p>Enunciado</p><p>No dia 15 de janeiro de 2022, por volta das 14 horas, na Rua das Mocas, nº 2000, São Paulo/SP,</p><p>Josué da Silva foi preso em flagrante pela prática do delito de receptação, previsto no artigo 180,</p><p>“caput”, do Código Penal, acusado de estar conduzindo veículo automotor que sabia ser produto</p><p>de crime. Ao ser interrogado, Josué disse que era trabalhador e que tinha carteira de trabalho,</p><p>embora estivesse, na ocasião, desempregado. Ao analisar a folha de antecedentes criminais de</p><p>Josué, a autoridade policial constatou que o flagrado respondia a processo pelo delito de furto.</p><p>Diante dessa anotação na Folha de Antecedentes</p><p>Criminais de Josué, a autoridade policial</p><p>representou pela conversão da prisão em flagrante em preventiva, afirmando que existiria risco</p><p>concreto para a ordem pública, pois o indiciado possuía outros envolvimentos com o aparato</p><p>judicial.</p><p>Você, como advogado(a) indicado por Josué, é comunicado da ocorrência da prisão em</p><p>flagrante, além de tomar conhecimento da representação formulada pelo Delegado. Da mesma</p><p>forma, o comunicado de prisão já foi encaminhado para o Ministério Público e para o magistrado,</p><p>sendo todas as legalidades da prisão em flagrante observadas. O juiz recebeu o auto de prisão</p><p>em flagrante, deixando para se manifestar na audiência de custódia. Josué, no entanto,</p><p>desesperado com a situação disse para você, na condição de advogado (a), buscar soltá-lo o</p><p>mais rápido possível, antes mesmo da designação da audiência de custódia.</p><p>Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso</p><p>concreto acima, na qualidade de advogado(a) de Josué, redija a peça cabível, exclusiva de</p><p>advogado, em favor do seu cliente, apontando os argumentos e fundamentos jurídicos</p><p>pertinentes ao caso. (Valor: 5,00)</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>101</p><p>AO JUÍZO DA ...VARA CRIMINAL DA COMARCA DE SÃO PAULO/SP</p><p>Autos nº</p><p>Josué da Silva, nacionalidade, estado civil, desempregado, RG..., CPF...,</p><p>residente e domiciliado..., por seu procurador infra-assinado, vem, respeitosamente, à</p><p>presença de Vossa Excelência, requerer a presente LIBERDADE PROVISÓRIA, com base</p><p>no artigo 310, inciso III, do Código de Processo Penal, artigo 321 do Código de Processo</p><p>Penal e artigo 5º, LXVI, da Constituição Federal/88, pelos fatos e fundamentos a seguir</p><p>expostos:</p><p>I) DOS FATOS</p><p>O requerente foi preso em flagrante, acusado de ter praticado o delito de</p><p>receptação, previsto no artigo 180, “caput”, do Código Penal.</p><p>O auto de prisão em flagrante observou todas as formalidades e foi</p><p>encaminhado, no prazo legal, ao Poder Judiciário.</p><p>II) DO DIREITO</p><p>A) Da impossibilidade de conversão da prisão em flagrante em prisão</p><p>preventiva</p><p>O requerente foi preso em flagrante acusado de ter praticado o delito de</p><p>receptação, previsto no artigo 180, “caput”, do Código Penal.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>102</p><p>Todavia, nos termos do artigo 313, inciso I, do Código de Processo Penal, se</p><p>o acusado não for reincidente em crime doloso, somente será admitida a prisão preventiva</p><p>nos crimes dolosos punidos com pena máxima privativa de liberdade superior a quatro</p><p>anos.</p><p>Logo, no caso, considerando que o acusado não é reincidente e o crime de</p><p>receptação simples prevê a pena máxima de quatro anos, não é possível a conversão da</p><p>prisão em flagrante em prisão preventiva, já que não estão presentes nenhuma das</p><p>hipóteses do artigo 313 do Código de Processo Penal.</p><p>Diante disso, a medida cabível é a concessão da liberdade provisória.</p><p>B) Da ausência dos requisitos da prisão preventiva</p><p>A autoridade policial representou pela conversão da prisão em flagrante em</p><p>prisão preventiva, para preservação da ordem pública. Todavia, não estão presentes os</p><p>requisitos que autorizam a prisão preventiva, uma vez que o requerente é primário, além</p><p>de ser trabalhador, embora esteja desempregado.</p><p>Logo, o requerente não representa perigo à ordem pública, ordem econômica,</p><p>à conveniência da instrução criminal e aplicação da lei penal, estando, portanto, ausentes</p><p>os fundamentos do artigo 312 do Código de Processo Penal.</p><p>Assim, deve-se conceder a liberdade provisória, nos termos do artigo 321 do</p><p>Código de Processo Penal.</p><p>C) Do princípio da presunção da inocência</p><p>Convém destacar que prevalece no nosso ordenamento jurídico o princípio da</p><p>presunção da inocência, previsto no artigo 5º, inciso LVII, da Constituição Federal/88,</p><p>razão pela qual deve o requerente responder a eventual procedimento criminal em</p><p>liberdade.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>103</p><p>D) Da fiança ou medida cautelar diversa da prisão</p><p>Na hipótese de não ser concedida a liberdade plena, cabe, no caso, a</p><p>concessão de fiança ao requerente, uma vez que o delito pelo qual está sendo acusado</p><p>não se enquadra nas hipóteses de inafiançabilidade previstas nos artigos 323 e 324,</p><p>ambos do Código de Processo Penal.</p><p>Em não sendo fixada fiança, postula-se, ainda de forma subsidiária, a fixação</p><p>de outra medida cautelar diversa da prisão, prevista no artigo 319 do Código de Processo</p><p>Penal, por ser tratar de medida mais conveniente e adequada do que a conversão da</p><p>prisão em flagrante em prisão preventiva, nos termos do artigo 282 do Código de</p><p>Processo Penal.</p><p>III) DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, requer:</p><p>a) a concessão da liberdade provisória, a fim de que possa responder eventual</p><p>processo em liberdade;</p><p>b) Subsidiariamente, requer seja concedida a fiança ou outra medida cautelar</p><p>diversa da prisão;</p><p>c) Expedição de alvará de soltura;</p><p>d) Vista ao Ministério Público.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local... e data...</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>104</p><p>Aulas relevantes</p><p>Como resolver queixa-crime subsidiária</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL</p><p>Enunciado</p><p>No dia 06 de abril de 2020, na cidade de Niterói, Carla, que contava com 19 anos de idade,</p><p>caminhava sozinha pela rua, quando foi surpreendida por um indivíduo, que, por meio de</p><p>emprego de uma faca, subtraiu o seu celular. A ação foi visualizada por Amarildo e Carlos, que</p><p>conversavam próximo ao local. De imediato, Clara procurou a Delegacia de Polícia Especializada</p><p>em Crimes Contra o Patrimônio e narrou os fatos à autoridade policial, apontando a fisionomia</p><p>do agente. Depois das investigações, a autoridade policial conseguiu reunir elementos</p><p>informativos no sentido de que João teria sido o autor da subtração, já que, além de ter sido</p><p>regularmente reconhecido pela vítima, foi apreendido em seu poder o celular subtraído e a arma</p><p>branca utilizada. Após a conclusão do inquérito policial, os autos são encaminhados ao Ministério</p><p>Público com relatório final de investigação, indiciando João, que se encontrava em liberdade</p><p>provisória. Após 90 (noventa) dias do recebimento do inquérito, os autos permanecem no</p><p>gabinete do Promotor de Justiça, sem que qualquer medida tenha sido adotada. Indignada, Carla</p><p>procurou seu escritório de advocacia e narrou os fatos acima.</p><p>Você, na qualidade de advogado(a) de Carla deve adotar a medida cabível. Informa-se que a</p><p>cidade de Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, possui Varas Criminais e Juizados Especiais</p><p>Criminais.</p><p>Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso</p><p>concreto acima, redija a peça cabível, sustentando, para tanto, as teses jurídicas pertinentes.</p><p>(Valor: 5,00 pontos)</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>105</p><p>AO JUÍZO DA... VARA CRIMINAL DA COMARCA DE NITERÓI/RJ</p><p>CARLA, nacionalidade..., estado civil..., profissão..., RG..., CPF..., com</p><p>endereço eletrônico..., residente e domiciliada na Rua...., por meio do seu procurador infra-</p><p>assinado, com procuração com poderes especiais, vem, respeitosamente, à presença de</p><p>Vossa Excelência, oferecer a presente QUEIXA-CRIME SUBSIDIÁRIA, com base nos</p><p>artigos 29, 30, 41, 44, todos do Código de Processo Penal, artigo 100, § 3º, do Código</p><p>Penal e artigo 5º, LIX, da Constituição Federal, contra JOÃO, nacionalidade..., estado</p><p>civil..., profissão..., RG..., CPF..., endereço eletrônico..., residente e domiciliado na Rua ...,</p><p>pelos fatos a seguir expostos.</p><p>I) DA TEMPESTIVIDADE E LEGITIMIDADE</p><p>A presente queixa-crime subsidiária foi oferecida dentro do prazo de 6 meses,</p><p>a contar da inércia do Ministério Público em oferecer a denúncia dentro do prazo do artigo</p><p>46 do Código de Processo</p><p>e narrou os fatos acima. Você, na qualidade de advogado de Enrico, deve assisti-lo.</p><p>Informa-se que a cidade de Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, possui Varas Criminais e</p><p>Juizados Especiais Criminais.</p><p>Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso</p><p>concreto acima, redija a peça cabível, excluindo a possibilidade de impetração de “habeas</p><p>corpus”, sustentando, para tanto, as teses jurídicas pertinentes, datando-a no último dia do prazo.</p><p>(Valor: 5,00 pontos)</p><p>A peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar</p><p>respaldo à pretensão.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>7</p><p>AO JUÍZO DE DIREITO DA ... VARA CRIMINAL DA COMARCA DE NITERÓI/RJ</p><p>ENRICO, nacionalidade..., estado civil..., engenheiro, RG..., CPF..., com</p><p>endereço eletrônico..., residente e domiciliado na Rua...., por meio do seu procurador</p><p>infra-assinado, com procuração com poderes especiais, vem, respeitosamente, à</p><p>presença de Vossa Excelência, oferecer a presente QUEIXA-CRIME, com base nos</p><p>artigos 30, 41, 44, todos do Código de Processo Penal, e artigo 100, § 2º, do Código Penal,</p><p>contra HELENA, nacionalidade..., estado civil..., profissão..., RG..., CPF..., endereço</p><p>eletrônico..., residente na Rua ..., pelos fatos a seguir expostos.</p><p>I – DA TEMPESTIVIDADE</p><p>A presente queixa-crime é tempestiva, pois oferecida dentro do prazo de 6</p><p>meses, previsto nos artigos 38 do Código de Processo Penal e artigo 103 do Código Penal.</p><p>II – DOS FATOS</p><p>No dia 07 de maio de 2021, no prédio na praia de Icaraí, em Niterói/RJ, a</p><p>querelada Helena difamou e injuriou o querelante, imputando-lhe fato ofensivo à sua</p><p>reputação e ofendeu, ainda, sua dignidade e o decoro.</p><p>Na ocasião, Helena, vizinha e ex-namorada de Enrico, que também possui</p><p>perfil na referida rede social e está adicionada nos contatos do querelante, por meio do</p><p>seu computador pessoal, instalado em sua residência, publicou no perfil pessoal de Enrico</p><p>o seguinte comentário: “não sei o motivo da comemoração, já que Enrico não passa de</p><p>um idiota, bêbado, irresponsável e sem vergonha”.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>8</p><p>Na sequência, com o propósito de prejudicar Enrico perante seus colegas de</p><p>trabalho e atingir a sua reputação, acrescentou que “ele trabalha todo dia embriagado! No</p><p>dia 10 do mês passado, ele cambaleava bêbado pelas ruas do Rio, inclusive, estava</p><p>tão bêbado no horário do expediente que a empresa em que trabalha teve que chamar</p><p>uma ambulância para socorrê-lo!”.</p><p>Helena, ao utilizar o seu computador pessoal para inserir as expressões</p><p>injuriosas e difamantes, no perfil do querelante em sua rede social, usou meio que facilitou</p><p>a divulgação da difamação e injúria, incorrendo na causa de aumento de pena, prevista no</p><p>artigo 141, § 2º, do Código Penal.</p><p>III – DO DIREITO</p><p>Ao afirmar que o querelante trabalha todo dia embriagado e que no dia 10 de</p><p>abril, ele cambaleava bêbado pelas ruas do Rio, inclusive, estava tão bêbado no horário do</p><p>expediente que a empresa em que trabalha teve que chamar uma ambulância para socorrê-</p><p>lo, a querelada praticou o crime de difamação, previsto no artigo 139 do Código Penal.</p><p>Ao afirmar que o querelante não passa de um idiota, bêbado, irresponsável e</p><p>sem vergonha, a querelada praticou o crime de injúria, previsto no artigo 140 do Código</p><p>Penal.</p><p>Helena, ao utilizar o seu computador pessoal para inserir as expressões</p><p>injuriosas e difamantes, no perfil do querelante em sua rede social, usou meio que facilitou</p><p>a divulgação da difamação e injúria, por meio de rede mundial de computador, incidindo,</p><p>por isso, a causa de aumento de pena prevista no artigo 141, § 2º, do Código Penal.</p><p>Helena praticou a injúria e a difamação no mesmo contexto, mediante única</p><p>publicação, com desígnios autônomos, em concurso formal imperfeito de crimes, nos</p><p>termos do artigo 70, 2ª parte, do Código Penal.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>9</p><p>IV – DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, o querelante requer:</p><p>a) A designação de audiência reconciliação, prevista no artigo 520 do Código</p><p>de Processo Penal;</p><p>b) O recebimento da queixa-crime;</p><p>c) A citação da querelada;</p><p>d) A procedência do pedido, com a consequente condenação da querelada</p><p>pela prática dos crimes do artigo 139 e 140 c/c o artigo 141, § 2º, e artigo 70, todos do</p><p>Código Penal;</p><p>e) A fixação do valor mínimo de indenizatório, nos termos do artigo 387, inciso</p><p>IV, do Código de Processo Penal;</p><p>f) A produção de provas, com a oitiva das testemunhas arroladas.</p><p>ROL DE TESTEMUNHAS:</p><p>1) CARLOS...;</p><p>2) MIGUEL...;</p><p>3) RAMIREZ...</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., 6 de novembro de 2021.</p><p>ADVOGADO...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>10</p><p>Como resolver resposta à acusação</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – 36º EXAME</p><p>Enunciado</p><p>No dia 31 de dezembro de 2019, Matheus, nascido em 10 de fevereiro de 2000, compareceu a</p><p>uma festa de Ano Novo, em Vitória, Espírito Santo, juntamente com seus amigos. Animados com</p><p>o evento, os amigos de Matheus ingeriram grande quantidade de bebida alcoólica, enquanto</p><p>Matheus permaneceu bebendo somente água tônica, pois sabia que tinha intolerância ao álcool</p><p>e que qualquer pequena quantidade de bebida alcoólica já o colocaria em situação de</p><p>embriaguez. Ocorre que, em determinado momento, solicitou água tônica ao funcionário do bar,</p><p>que, contudo, em erro, entregou a Matheus o drink “gin tônica”, que é feito com uma dose de gin</p><p>misturada com água tônica. Matheus, com sede, deu um grande gole na bebida, vindo a ficar</p><p>completamente embriagado, em razão da intolerância ao álcool. Sentindo-se mal, quando</p><p>deixava o local dos fatos, Matheus é surpreendido com a presença de Caio, 25 anos, com quem</p><p>já discutira em diversas oportunidades em jogos de futebol. Caio, ao verificar a situação de</p><p>completa embriaguez de seu rival, começa a rir, momento em que Matheus usa a garrafa de</p><p>refrigerante, de vidro, que estava em suas mãos, para desferir um golpe na cabeça de Caio. Caio</p><p>é imediatamente encaminhado para o hospital e, após atendimento médico, comparece à</p><p>Delegacia, narra o ocorrido e informa que teve de levar 15 pontos na cabeça, razão pela qual</p><p>ficaria incapacitado de trabalhar por 45 dias. Em razão da dor que sentia na cabeça, deixou de</p><p>comparecer, naquele momento, para a realização de exame de corpo de delito, informando,</p><p>ainda, que não teve acesso ao Boletim de Atendimento Médico (BAM) no hospital, não sabendo</p><p>se ele foi, efetivamente, realizado. Concluído o procedimento, o inquérito foi encaminhado ao</p><p>Ministério Público, que, com base apenas nas declarações de Caio, ofereceu denúncia em face</p><p>de Matheus, perante a 2ª Vara Criminal de Vitória/ES, imputando-lhe a prática do crime do Art.</p><p>129, § 1º, inciso I, do Código Penal. Informou o Parquet que deixou de oferecer proposta de</p><p>suspensão condicional do processo, em razão da significativa pena máxima prevista para o delito</p><p>(05 anos de reclusão), bem como diante da Folha de Antecedentes Criminais, que registrava</p><p>apenas uma condenação anterior de Matheus, com trânsito em julgado no ano de 2018, pela</p><p>prática da infração prevista no Art. 42 do Decreto-lei no 3.688/41. Como documentação, o</p><p>Ministério Público apresentou apenas imagens da câmera de segurança do local da festa e a</p><p>Folha de Antecedentes Criminais. Após recebimento da denúncia, Matheus foi pessoalmente</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>11</p><p>citado e intimado para adoção das medidas cabíveis, em 16 de novembro de 2022, quarta-feira,</p><p>data em que os mandados foram juntados aos autos, vindo a procurar seu advogado para</p><p>assistência técnica. Informou ao patrono que, na data dos fatos, realizou exame de</p><p>Penal, nos termos dos artigos 38 do Código de Processo Penal</p><p>e art. 103 do Código Penal.</p><p>Considerando ter extrapolado o prazo para o Ministério Público oferecer a</p><p>denúncia, a ofendida passou a ter legitimidade para oferecer a presente queixa-crime</p><p>subsidiária.</p><p>II) DOS FATOS</p><p>No dia 06 de abril de 2020, na cidade de Niterói/RJ, o querelado João subtraiu,</p><p>mediante grave ameaça, por meio de emprego de uma faca, o celular que pertencia à</p><p>querelante.</p><p>Na ocasião, a querelante, que contava com 19 anos de idade, caminhava</p><p>sozinha pela rua, quando foi surpreendida pelo querelado, que, por meio de grave ameaça,</p><p>com emprego de uma faca, subtraiu o seu celular.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>106</p><p>A subtração ocorreu por meio de emprego de faca, incidindo, por isso, a causa</p><p>de aumento de pena prevista no artigo 157, §2º, VII, do Código Penal.</p><p>III) DO DIREITO</p><p>Ao subtrair o celular da querelante, com emprego de uma faca, o querelado</p><p>praticou o crime previsto no artigo 157, § 2º, VII, do Código Penal.</p><p>IV) DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, a querelante requer:</p><p>a) O recebimento da presente queixa-crime subsidiária;</p><p>b) A citação do querelado;</p><p>c) A condenação do querelado pela prática do crime previsto no artigo 157, §</p><p>2º, VII, do Código Penal;</p><p>d) A fixação do valor mínimo de indenizatório, nos termos do artigo 387, inciso</p><p>IV, do Código de Processo Penal;</p><p>e) A produção de provas, com a oitiva das testemunhas arroladas.</p><p>ROL DE TESTEMUNHAS:</p><p>1) Amarildo...;</p><p>2) Carlos...</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., data...</p><p>Advogado ...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>107</p><p>Como resolver razões de apelação</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL</p><p>Enunciado</p><p>Desejando comprar um novo carro, Leonardo, jovem com 19 anos, decidiu praticar um crime de</p><p>roubo em um estabelecimento comercial, com a intenção de subtrair o dinheiro constante do</p><p>caixa. Narrou o plano criminoso para Roberto, seu vizinho, mas este se recusou a contribuir.</p><p>Leonardo decidiu, então, praticar o delito sozinho. Dirigiu-se ao estabelecimento comercial, nele</p><p>ingressou e, no momento em que restava apenas um cliente, simulou portar arma de fogo e o</p><p>ameaçou de morte, o que fez com ele saísse, já que a intenção de Leonardo era apenas a de</p><p>subtrair bens do estabelecimento. Leonardo, em seguida, consegue acesso ao caixa onde fica</p><p>guardado o dinheiro, mas, antes de subtrair qualquer quantia, verifica que o único funcionário</p><p>que estava trabalhando no horário era um senhor que utilizava cadeiras de rodas. Arrependido,</p><p>antes mesmo de ser notada sua presença pelo funcionário, deixa o local sem nada subtrair, mas,</p><p>já do lado de fora da loja, é surpreendido por policiais militares. Estes realizam a abordagem,</p><p>verificam que não havia qualquer arma com Leonardo e esclarecem que Roberto narrara o plano</p><p>criminoso do vizinho para a Polícia. Tomando conhecimento dos fatos, o Ministério Público</p><p>requereu a conversão da prisão em flagrante em preventiva e denunciou Leonardo como incurso</p><p>nas sanções penais do art. 157, § 2º-A, inciso I, c/c o art. 14, inciso II, ambos do Código Penal.</p><p>Após decisão do magistrado competente, qual seja, o da 1ª Vara Criminal de Belo Horizonte/MG,</p><p>de conversão da prisão e recebimento da denúncia, o processo teve seu prosseguimento regular.</p><p>O homem que fora ameaçado nunca foi ouvido em juízo, pois não foi localizado, e, na data dos</p><p>fatos, demonstrou não ter interesse em ver Leonardo responsabilizado. Em seu interrogatório,</p><p>Leonardo confirma integralmente os fatos, inclusive destacando que se arrependeu do crime que</p><p>pretendia praticar. Constavam no processo a Folha de Antecedentes Criminais do acusado sem</p><p>qualquer anotação e a Folha de Antecedentes Infracionais, ostentando uma representação pela</p><p>prática de ato infracional análogo ao crime de tráfico, com decisão definitiva de procedência da</p><p>ação socioeducativa. O magistrado concedeu prazo para as partes se manifestarem em</p><p>alegações finais por memoriais. O Ministério Público requereu a condenação nos termos da</p><p>denúncia. O advogado de Leonardo, contudo, renunciou aos poderes, razão pela qual, de</p><p>imediato, o magistrado abriu vista para a Defensoria Pública apresentar alegações finais.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>108</p><p>Em sentença, o juiz julgou procedente a pretensão punitiva estatal. No momento de fixar a pena-</p><p>base, reconheceu a existência de maus antecedentes em razão da representação julgada</p><p>procedente em face de Leonardo enquanto era inimputável, aumentando a pena em 06 (seis)</p><p>meses de reclusão. Não foram reconhecidas agravantes ou atenuantes. Na terceira fase,</p><p>incrementou o magistrado em 2/3 (dois terços) a pena, justificando ser desnecessária a</p><p>apreensão de arma de fogo, bastando a simulação de porte do material diante do temor causado</p><p>à vítima. Com a redução de 1/3 (um terço) pela modalidade tentada, a pena final ficou</p><p>acomodada em 5 (cinco) anos de reclusão. O regime inicial de cumprimento de pena foi o</p><p>fechado, justificando o magistrado que o crime de roubo é extremamente grave e que atemoriza</p><p>os cidadãos de Belo Horizonte todos os dias. Intimado, o Ministério Público apenas tomou ciência</p><p>da decisão. A irmã de Leonardo o procura para, na condição de advogado, adotar as medidas</p><p>cabíveis. Constituída nos autos, a defesa interpôs o recurso cabível. O Magistrado recebeu o</p><p>recurso, sendo a defesa intimada no dia 06 de maio de 2019, segunda-feira, sendo terça-feira</p><p>dia útil em todo o país.</p><p>Com base nas informações expostas acima e naquelas que podem ser inferidas do caso</p><p>concreto, redija a peça cabível, excluída a possibilidade de habeas corpus, no último dia do</p><p>prazo, sustentando todas as teses jurídicas pertinentes.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>109</p><p>AO JUÍZO DA 1ª VARA CRIMINAL DA COMARCA DE BELO HORIZONTE/MG</p><p>Processo nº</p><p>LEONARDO, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com</p><p>procuração em anexo, vem, respeitosamente, a presença de Vossa Excelência, oferecer</p><p>as presentes RAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO, com base no art. 600 do Código</p><p>de Processo Penal, requerendo sejam recebidas, com posterior remessa dos autos ao</p><p>Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais.</p><p>As presentes razões de recurso de apelação são tempestivas, pois oferecidas</p><p>dentro do prazo de 8 dias, previsto no artigo 600 do Código de Processo Penal.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento</p><p>Local..., 14 de maio de 2019.</p><p>Advogado...</p><p>OAB.</p><p>EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS</p><p>Apelante: Leonardo</p><p>Apelado: Ministério Público</p><p>Processo nº ...</p><p>RAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO</p><p>Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais</p><p>Colenda Câmara Criminal</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>110</p><p>I) DOS FATOS</p><p>O réu foi denunciado pela prática do crime de roubo majorado tentado,</p><p>previsto no art. 157, § 2º-A, inciso I, c/c o art. 14, inciso II, ambos do Código Penal.</p><p>O réu foi interrogado. Encerrada a instrução, o Ministério Público requereu a</p><p>condenação.</p><p>Em sentença, o juiz julgou procedente a pretensão punitiva estatal, fixando a</p><p>pena de 05 (cinco) anos de reclusão, em regime fechado.</p><p>Intimada da sentença, a defesa interpôs o recurso cabível, que foi recebido</p><p>pelo Magistrado. Após, a defesa foi intimada para apresentar a peça correspondente no dia</p><p>06 de maio de 2019, segunda-feira, sendo terça-feira dia útil em todo o país.</p><p>II) DO DIREITO</p><p>A) DA NULIDADE</p><p>O advogado do réu renunciou aos poderes, tendo o Magistrado, de imediato,</p><p>concedido vista para a Defensoria Pública apresentar alegações finais.</p><p>Todavia, o processo deve ser anulado a partir da apresentação das alegações</p><p>finais pela Defensoria Pública, uma vez que deveria o Magistrado intimar o réu, que</p><p>estava</p><p>preso, para se manifestar acerca do interesse de constituir novo advogado ou ser defendido</p><p>pela Defensoria Pública. A abertura, de imediato, de vista dos autos à Defensoria Pública</p><p>violou princípio da ampla defesa, previsto no art. 5º, inciso LV, da Constituição</p><p>Federal/1988, uma vez que as alegações finais foram apresentadas sem nenhum contato</p><p>com o réu, acarretando-lhe prejuízo, já que restou condenado.</p><p>B) DA DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA</p><p>O réu foi denunciado pela prática de crime de roubo majorado tentado.</p><p>Todavia, ao verificar que o único funcionário que estava trabalhando no local era um senhor</p><p>que utilizava cadeiras de rodas, o réu, mesmo antes de ser notado, desistiu de prosseguir</p><p>a subtração, deixando o local sem nada subtrair.</p><p>Logo, não poderia ter sido imputado ao réu a prática de roubo na modalidade</p><p>tentada, uma vez que, incidindo hipótese de desistência voluntária, o agente responde</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>111</p><p>pelos atos praticados, nos termos do artigo 15 do Código Penal, afastando a possibilidade</p><p>de tentativa, sendo o fato atípico, já que os atos praticados não constituem crime.</p><p>Em relação à ameaça, crime de ação penal pública condicionada à</p><p>representação, como o cliente ameaçado demonstrou não ter interesse em ver o réu</p><p>responsabilizado, operou-se, no caso, a decadência do direito de representação.</p><p>Logo, os fatos até então praticados não constituem crime, ensejando a</p><p>absolvição, com base no artigo 386, III, do Código de Processo Penal.</p><p>C) DOS MAUS ANTECEDENTES</p><p>O Juiz aumentou a pena-base em razão da representação julgada procedente</p><p>em face do réu enquanto era inimputável. Todavia, não poderia o Magistrado elevar a</p><p>pena-base, porque a existência de representação pela prática de ato infracional, ainda</p><p>que com decisão definitiva, não enseja maus antecedentes, já que decisão reconhecendo</p><p>a prática de ato infracional não constitui fundamento idôneo a elevar a pena- base. Logo,</p><p>na eventualidade de ser mantida a condenação, deve ser afastado o aumento da pena</p><p>pelos maus antecedentes, devendo a pena-base ficar no mínimo legal.</p><p>D) DA ATENUANTE DA MENORIDADE</p><p>O Juiz não reconheceu a atenuante da menoridade. Todavia, o réu era menor</p><p>de 21 (vinte e um) anos na data dos fatos. Logo, incide a atenuante da menoridade</p><p>relativa, prevista no art. 65, inciso I, do Código Penal. Assim, requer seja reconhecida a</p><p>atenuante da menoridade relativa.</p><p>E) DA CONFISSÃO ESPONTÂNEA</p><p>Ao ser interrogado, o réu confessou os fatos, confirmando integralmente os</p><p>fatos, inclusive destacando que se arrependeu do crime que pretendia praticar.</p><p>Logo, incide a atenuante da confissão espontânea, prevista no art. 65, inciso III,</p><p>alínea d, do Código Penal.</p><p>F) DO AFASTAMENTO DO AUMENTO DE PENA PELO EMPREGO DE</p><p>ARMA</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>112</p><p>O magistrado aplicou o aumento de 2/3 (dois terços) da pena, sob o</p><p>fundamento de ser desnecessária a apreensão da arma de fogo, sendo suficiente a</p><p>simulação do porte da arma para ensejar a causa de aumento de pena.</p><p>Todavia, nos termos do art. 157, § 2º-A, inciso I, do Código Penal, a pena do</p><p>delito de roubo aumenta-se até 2/3 (dois terços) se a violência ou ameaça é exercida com</p><p>emprego de arma. No caso, não há provas do emprego de arma de fogo, já que nenhuma</p><p>arma foi apreendida. Além disso, a simulação do uso de arma de fogo, por si só, não</p><p>autoriza a incidência da causa de aumento de pena, uma vez que não gera risco à</p><p>integridade física da vítima.</p><p>Assim, deve ser afastada a majorante do art. 157, § 2º-A, inciso I, do Código</p><p>Penal.</p><p>G) DA DIMINUIÇÃO DA PENA PELA TENTATIVA E SURSIS</p><p>O Magistrado reduziu a pena em 1/3 (um terço), restando a pena definitiva em</p><p>cinco anos. Todavia, o réu ficou distante da consumação do delito, tanto que desistiu da</p><p>empreitada delituosa antes mesmo de ser visto pelo funcionário do estabelecimento</p><p>comercial.</p><p>Logo, a diminuição da pena pela tentativa deveria ser considerada pela</p><p>redução máxima, ou seja, em 2/3 (dois terços), o que levaria a pena definitiva a ficar abaixo</p><p>de 02 (dois) anos. Assim, considerando a pena abaixo de 02 (dois) anos, bem como o fato</p><p>de o réu ser primário e não ser cabível a substituição da pena privativa de liberdade por</p><p>restritiva de direitos, cabe, no caso, o sursis, ou seja a suspensão condicional da pena, nos</p><p>termos do art. 77 do Código Penal.</p><p>H) DO REGIME CARCERÁRIO</p><p>O Juiz fixou o regime inicial fechado, justificando que o crime de roubo é</p><p>extremamente grave e que atemoriza os cidadãos de Belo Horizonte todos os dias.</p><p>Todavia, a opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do delito não</p><p>constitui motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que permitia a pena</p><p>aplicada, nos termos das Súmula nº 718 e 719, ambas do Supremo Tribunal Federal, e</p><p>Súmula nº 440 do Superior Tribunal de Justiça. Assim, considerando que a pena não supera</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>113</p><p>04 anos, deveria ser fixado o regime carcerário aberto, nos termos do art. 33, § 2º, alínea</p><p>c, do Código Penal.</p><p>III) DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, requer seja conhecido e provido o recurso, com a reforma</p><p>da decisão recorrida, para o fim de que:</p><p>a) Seja declarada a nulidade do processo a partir das alegações finais pela</p><p>Defensoria Pública;</p><p>b) Seja o réu absolvido, com base no art. 386, inciso III, do Código de Processo</p><p>Penal;</p><p>c) Seja afastado o aumento pelos maus antecedentes, fixando a pena-base no</p><p>mínimo legal;</p><p>d) Seja reconhecida a atenuante da menoridade relativa, nos termos do art. 65,</p><p>inciso I, do Código Penal;</p><p>e) Seja reconhecida a atenuante da confissão espontânea, nos termos do art.</p><p>65, inciso III, alínea d, do Código Penal;</p><p>f) Seja afastado o aumento da pena pelo emprego de arma de fogo, fixando a</p><p>pena no mínimo legal;</p><p>g) Seja considerada a redução máxima pela tentativa, ou seja, em 2/3 (dois</p><p>terços) da pena;</p><p>h) Seja concedido o sursis, nos termos do art. 77 do Código Penal;</p><p>i) Seja fixado o regime inicial aberto de cumprimento de pena, nos termos do</p><p>art. 33, § 2º, alínea c, do Código Penal;</p><p>j) Seja expedido o alvará de soltura do réu.</p><p>Nestes termos, pede deferimento.</p><p>Local..., 14 de maio de 2019.</p><p>Advogado....</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>114</p><p>Como resolver contrarrazões de recurso em sentido estrito</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL</p><p>Enunciado</p><p>No dia 25 de janeiro de 2015, Roniquito Vieira foi flagrado vendendo razoável quantidade de</p><p>cocaína. Ao consultar os registros policiais, a autoridade policial verificou que não havia nenhum</p><p>procedimento policial ainda instaurado contra Roniquito. Não obstante isso, deu início à lavratura</p><p>do auto de prisão em flagrante pela prática do delito de tráfico ilícito de entorpecentes, previsto no</p><p>art. 33 da Lei nº 11.343/2006. Ao tomar vista dos autos, o Ministério Público requereu a conversão</p><p>da prisão em flagrante em preventiva. O Magistrado proferiu decisão indeferindo o pedido e</p><p>concedeu a liberdade provisória a Roniquito. O Ministério Público foi intimado da decisão no dia</p><p>04 de maio de 2016, quarta-feira, e apresentou recurso em sentido estrito perante o juízo de</p><p>primeira instância, acompanhado das respectivas razões, no dia 19 de maio de 2016 (quinta-feira),</p><p>argumentando que: a) o crime de tráfico de drogas é insuscetível de liberdade provisória, nos</p><p>termos do art. 44 da Lei nº 11.343/2006; b) estão presentes os requisitos da prisão preventiva,</p><p>sobretudo a garantia da ordem pública, já que o crime de tráfico de drogas é grave, pois fomenta</p><p>a existência de um Estado paralelo e a prática de outros delitos. O Magistrado, então, recebeu o</p><p>recurso em sentido estrito interposto pelo Ministério Público e intimou, no dia 09 de junho de 2016</p><p>(quinta-feira), você, advogado(a) de Roniquito, para apresentar</p><p>a medida cabível. Com base nas</p><p>informações expostas na situação hipotética e naquelas que podem ser inferidas do caso</p><p>concreto, redija a peça cabível, excluída a possibilidade de habeas corpus, no último dia do prazo,</p><p>sustentando todas as teses jurídicas pertinentes. Considerando apenas as informações narradas,</p><p>na condição de advogado(a) de Roniquito, redija a peça jurídica cabível, diferente de habeas</p><p>corpus, apresentando todas as teses jurídicas pertinentes. A peça deverá ser datada no último dia</p><p>do prazo para interposição, considerando-se que todos os dias de segunda a sexta-feira são úteis</p><p>em todo o país. (Valor: 5,00)</p><p>Obs.: a peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar</p><p>respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não confere</p><p>pontuação.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>115</p><p>AO JUÍZO DA... VARA CRIMINAL DA COMARCA...</p><p>Autos nº...</p><p>RONIQUITO VIEIRA, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-</p><p>assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa</p><p>Excelência, oferecer CONTRARRAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO, com</p><p>base no art. 588 do Código de Processo Penal.</p><p>As presentes contrarrazões são tempestivas, já que oferecidas dentro do</p><p>prazo de 2 dias, previsto no artigo 588 do Código de Processo Penal2. Nesse sentido,</p><p>requer sejam recebidas, mantendo-se a decisão recorrida em sede de juízo de retratação,</p><p>previsto no artigo 589 do Código de Processo Penal, com posterior remessa dos autos ao</p><p>Tribunal de Justiça do Estado...</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., 13 de junho de 2016.</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>2 Considerando a exigência da tempestividade na peça do 35º Exame, sugerimos expressamente que a peça é</p><p>tempestiva.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>116</p><p>EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO....</p><p>RECORRENTE: Ministério Público</p><p>RECORRIDO: Roniquito Vieira</p><p>Autos nº...</p><p>CONTRARRAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO</p><p>Egrégio Tribunal de Justiça do Estado...</p><p>Colenda Câmara Criminal</p><p>I) DOS FATOS</p><p>O recorrido foi preso em flagrante, acusado de ter praticado, em tese, o delito</p><p>de tráfico de drogas, previsto no art. 33 da Lei nº 11.343/2006.</p><p>O Ministério Público requereu a conversão da prisão em flagrante em prisão</p><p>preventiva.</p><p>O Magistrado proferiu decisão indeferindo o pedido e concedeu a liberdade</p><p>provisória.</p><p>Inconformado, o Ministério Público interpôs Recurso em Sentido Estrito. O</p><p>recurso foi recebido e a defesa intimada para apresentar a medida cabível.</p><p>II) DO DIREITO</p><p>A) DA INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO EM SENTIDO ESTRITO</p><p>O Ministério Público foi intimado da decisão no dia 04 de maio de 2016, numa</p><p>quarta-feira, e apresentou Recurso em Sentido Estrito no dia 19 de maio de 2016. Todavia,</p><p>nos termos do art. 586 do Código de Processo Penal, o prazo para interpor o Recurso em</p><p>Sentido Estrito é de 05 dias.</p><p>Logo, considerando que entre a data da intimação da decisão e da</p><p>interposição do recurso passaram mais de 05 dias, já que o último dia do prazo seria 09 de</p><p>maio de 2016, conclui-se que o Recurso em Sentido Estrito é intempestivo.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>117</p><p>Logo, não deve ser conhecido o recurso.</p><p>B) DA INCONSTITUCIONALIDADE DA VEDAÇÃO DA CONCESSÃO DA</p><p>LIBERDADE PROVISÓRIA</p><p>O Ministério Público requereu a conversão da prisão em flagrante em prisão</p><p>preventiva, alegando que o crime de tráfico de drogas é insuscetível de liberdade provisória,</p><p>nos termos do art. 44 da Lei nº 11.343/2006. Todavia, conforme entendimento consolidado</p><p>pelo Supremo Tribunal Federal, a vedação da concessão de liberdade provisória afronta o</p><p>princípio da presunção da inocência, previsto no art. 5º, inciso LVII, da Constituição</p><p>Federal/1988, segundo o qual a prisão cautelar é medida excepcional, já que ninguém pode</p><p>ser considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença condenatória.</p><p>Além disso, viola o princípio do devido processo legal, previsto no art. 5º,</p><p>inciso LIV, da Constituição Federal/1988, já que, com a vedação prevista no art. 44 da Lei</p><p>nº 11.343/2006, retira do juiz a possibilidade de analisar a necessidade da prisão cautelar</p><p>ou soltura do flagrado.</p><p>C) DA GRAVIDADE EM ABSTRATO</p><p>O Ministério Público busca a prisão do recorrido, afirmando que estão</p><p>presentes os requisitos da prisão preventiva, sobretudo a garantia da ordem pública, já que</p><p>o crime de tráfico de drogas é grave, pois fomenta a existência de um Estado paralelo e a</p><p>prática de outros delitos.</p><p>Todavia, a opinião do julgador acerca da gravidade em abstrato do delito não</p><p>constitui motivação idônea e suficiente para embasar um decreto de prisão, sendo</p><p>necessária decisão fundamentada, apontando de forma concreta, um dos motivos</p><p>ensejadores da prisão preventiva, constantes no art. 312 do Código de Processo Penal,</p><p>bem como nos termos do art. 93, inciso IX, da Constituição Federal/1988 e art. 5º, inciso</p><p>LXI, da Constituição de Federal/1988, bem como o artigo 312, § 2º, do Código de Processo</p><p>Penal, e artigo 315, § 2º, II, do Código de Processo Penal.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>118</p><p>Logo, considerando que não estão presentes os requisitos que autorizam a</p><p>preventiva, sobretudo porque o recorrido é primário, o recurso em sentido estrito deve ser</p><p>improvido.</p><p>III) DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, requer NÃO SEJA CONHECIDO e que seja IMPROVIDO</p><p>o recurso em sentido estrito interposto pelo Ministério Público, MANTENDO-SE a decisão</p><p>recorrida nos seus exatos termos.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., 13 de junho de 2016.</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>119</p><p>Como resolver contrarrazões de agravo em execução</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL</p><p>Enunciado</p><p>Gilberto, quando primário, apesar de portador de maus antecedentes, praticou um crime de roubo</p><p>simples, pois, quando tinha 20 anos de idade, subtraiu de Renata, mediante grave ameaça, um</p><p>aparelho celular. Apesar de o crime restar consumado, o telefone celular foi recuperado pela</p><p>vítima. Os fatos foram praticados em 12 de dezembro de 2011. Por tal conduta, foi Gilberto</p><p>denunciado e condenado como incurso nas sanções penais do Art. 157, caput, do Código Penal</p><p>a uma pena privativa de liberdade de 04 anos e 06 meses de reclusão em regime inicial fechado</p><p>e 12 dias multa, tendo a sentença transitada em julgado para ambas as partes em 11 de setembro</p><p>de 2013. Gilberto havia respondido ao processo em liberdade, mas, desde o dia 15 de setembro</p><p>de 2013, vem cumprindo a sanção penal que lhe foi aplicada regularmente, inclusive obtendo</p><p>progressão de regime. Nunca foi punido pela prática de falta grave e preenchia os requisitos</p><p>subjetivos para obtenção dos benefícios da execução penal. No dia 25 de agosto de 2015, você,</p><p>advogado(a) de Gilberto, formulou pedido de obtenção de livramento condicional junto ao Juízo</p><p>da Vara de Execução Penal da comarca do Rio de Janeiro/RJ, órgão efetivamente competente.</p><p>O pedido foi deferido pelo Magistrado. O Ministério Público foi intimado da decisão em 14 de</p><p>setembro de 2015, uma segunda-feira, sendo terça-feira dia útil. Inconformado, o Ministério</p><p>Público apresentou recurso de agravo em execução perante o juízo competente, acompanhado</p><p>das respectivas razões recursais, no dia 30 de setembro de 2015, alegando:</p><p>a) o crime de roubo é crime hediondo, não tendo sido cumpridos, até o momento do</p><p>requerimento, 2/3 da pena privativa de liberdade;</p><p>b) ainda que não fosse hediondo, não estariam preenchidos os requisitos objetivos para o</p><p>benefício, tendo em vista que Gilberto, por ser portador de maus antecedentes, deveria cumprir</p><p>metade da pena imposta para obtenção do livramento</p><p>condicional;</p><p>c) indispensabilidade da realização de exame criminológico, tendo em vista que os crimes de</p><p>roubo, de maneira abstrata, são extremamente graves e causam severos prejuízos para a</p><p>sociedade.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>120</p><p>O magistrado, então, recebeu o recurso de agravo em execução e intimou, no dia 19 de outubro</p><p>de 2015 (segunda-feira), sendo terça feira dia útil em todo o país, você, advogado(a) de Gilberto,</p><p>para apresentar a medida cabível.</p><p>Com base nas informações expostas na situação hipotética e naquelas que podem ser inferidas</p><p>do caso concreto, redija a peça cabível, excluída a possibilidade de habeas corpus, no último dia</p><p>do prazo, sustentando todas as teses jurídicas pertinentes. (Valor: 5.00)</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>121</p><p>AO JUÍZO DA VARA DE EXECUÇÃO PENAL DA COMARCA DO RIO DE JANEIRO/RJ</p><p>Processo nº ...</p><p>GILBERTO, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado,</p><p>vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, apresentar CONTRARRAZÕES</p><p>DE AGRAVO EM EXECUÇÃO, com base no artigo 588 do Código de Processo Penal.</p><p>As presentes contrarrazões são tempestivas, pois interpostas dentro do</p><p>prazo de 2 dias, nos termos do artigo 588 do Código de Processo Penal3. Nesse sentido,</p><p>requer sejam recebidas, mantendo-se a decisão recorrida em sede de juízo de retratação,</p><p>nos termos do artigo 589 do Código de Processo Penal, com posterior remessa dos autos</p><p>ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., 21 de outubro de 2015.</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>3 Considerando a exigência da tempestividade na peça do 35º Exame, sugerimos expressamente que a peça é</p><p>tempestiva.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>122</p><p>EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO</p><p>Agravante: Ministério Público</p><p>Agravado: Gilberto</p><p>Processo nº...</p><p>CONTRARRAZÕES DE RECURSO DE AGRAVO EM EXECUÇÃO</p><p>Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro</p><p>Colenda Câmara Criminal</p><p>I) DOS FATOS</p><p>O agravado foi denunciado e condenado como incurso nas sanções penais</p><p>do artigo 157, “caput”, do Código Penal, a uma pena privativa de liberdade de 04 anos e</p><p>06 meses de reclusão, em regime inicial fechado.</p><p>A sentença transitou em julgado para ambas as partes no dia 11 de</p><p>setembro de 2013.</p><p>No dia 25 de agosto de 2015, o agravado formulou pedido de livramento</p><p>condicional, que foi deferido pelo Juiz da Execução Penal.</p><p>Inconformado, o Ministério Público interpôs recurso de agravo em</p><p>execução, acompanhado das razões recursais, no dia 30 de setembro de 2015.</p><p>O Magistrado recebeu o recurso interposto pelo Ministério Público e intimou</p><p>a defesa para apresentar e medida cabível.</p><p>II) DO DIREITO</p><p>A) DA INTEMPESTIVIDADE DO AGRAVO EM EXECUÇÃO</p><p>O Ministério Público foi intimado da decisão no dia 14 de setembro de 2015</p><p>e interpôs o recurso de agravo em execução no dia 30 de setembro de 2015.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>123</p><p>Todavia, nos termos do artigo 586 do Código de Processo Penal e Súmula</p><p>700 do Supremo Tribunal Federal, o prazo para interposição do recurso é de cinco dias.</p><p>Logo, considerando que entre a data da intimação e da interposição do</p><p>recurso passaram mais de cinco dias, já que o prazo vencia no dia 21 de setembro de 2015,</p><p>conclui-se que o recurso de agravo em execução é intempestivo.</p><p>Diante disso, o recurso de agravo em execução não deve ser conhecido.</p><p>B) DO ROUBO NÃO SER CRIME HEDIONDO</p><p>O Ministério Público postulou o indeferimento do livramento condicional, sob</p><p>o fundamento de que o crime de roubo simples é hediondo, devendo, portanto, cumprir 2/3</p><p>da pena para o livramento condicional. Todavia, o crime de roubo simples não é hediondo,</p><p>porque não consta do rol previsto no artigo 1º da Lei 8.072/90.</p><p>Assim, não há necessidade de cumprir 2/3 da pena para o livramento</p><p>condicional, mas 1/3 da pena, já que o agravado não é reincidente, nos termos do artigo</p><p>83, inciso I, do Código Penal.</p><p>C) DOS MAUS ANTECEDENTES PARA CUMPRIMENTO ½ DA PENA</p><p>O Ministério Público postulou o indeferimento do pedido de livramento</p><p>condicional, argumentando que não estaria preenchido o requisito objetivo, já que o</p><p>agravado ostenta maus antecedentes, devendo cumprir ½ da pena para obtenção do</p><p>livramento condicional.</p><p>Todavia, a pretensão do Ministério Público fere o princípio da legalidade, uma</p><p>vez que o artigo 83, inciso II, do Código Penal, prevê que apenas o condenado reincidente</p><p>em crime doloso deverá cumprir ½ da pena para obtenção do livramento condicional.</p><p>Logo, embora o artigo 83, inciso I, do Código Penal, disponha que o</p><p>condenado não reincidente em crime doloso e portador de bons antecedentes, deve cumprir</p><p>1/3 da pena, essa fração deve ser aplicada também na hipótese de o condenado ser</p><p>portador de maus antecedentes e primário, por ausência de previsão legal para adotar a</p><p>fração de ½.</p><p>Assim, diante da omissão legislativa, deve ser considerado o percentual mais</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>124</p><p>favorável ao agravado, pois não cabe falar em analogia in malam partem.</p><p>D) DA DESNECESSIDADE DO EXAME CRIMINOLÓGICO</p><p>O Ministério Público postula o indeferimento do livramento condicional, porque</p><p>considera indispensável a realização do exame criminológico, tendo em vista que os crimes</p><p>de roubo, de maneira abstrata, são extremamente graves e causam severos prejuízos para</p><p>a sociedade.</p><p>Todavia, nos termos do artigo 112 da Lei de Execução Penal (Lei 7.210/84),</p><p>para fins de progressão de regime e livramento condicional, basta atestado de bom</p><p>comportamento carcerário durante a execução da pena.</p><p>O simples fato de considerar o crime de roubo grave não justifica a realização</p><p>do exame criminológico, não constituindo motivação idônea para exigir a realização de tal</p><p>exame, devendo a fundamentação considerar a gravidade em concreto do caso, nos termos</p><p>da Súmula 439 do Superior Tribunal de Justiça.</p><p>Além disso, o agravado nunca foi punido pela prática de falta grave dentro do</p><p>estabelecimento prisional, de modo que desnecessária a realização do exame</p><p>criminológico.</p><p>III) DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, requer NÃO SEJA CONHECIDO e que seja IMPROVIDO o</p><p>recurso de agravo em execução, MANTENDO-SE, por conseguinte, a decisão recorrida</p><p>nos seus exatos termos.</p><p>Local..., 21 de outubro de 2015.</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>125</p><p>Como resolver recurso especial</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL</p><p>Enunciado</p><p>Daniel foi denunciado, processado e condenado pela prática do delito de roubo simples em sua</p><p>modalidade tentada. A pena fixada pelo magistrado foi de dois anos de reclusão em regime aberto.</p><p>Todavia, atento às particularidades do caso concreto, o referido magistrado concedeu-lhe o</p><p>benefício da suspensão condicional da execução da pena, sendo certo que, na sentença, não</p><p>fixou nenhuma condição. Somente a defesa interpôs recurso de apelação, pleiteando a absolvição</p><p>de Daniel com base na tese de negativa de autoria e, subsidiariamente, a substituição do benefício</p><p>concedido por uma pena restritiva de direitos. O Tribunal de Justiça, por sua vez, no julgamento</p><p>da apelação, de forma unânime, negou provimento aos dois pedidos da defesa e, no acórdão,</p><p>fixou as condições do sursis, haja vista o fato de que o magistrado a quo deixou de fazê-lo na</p><p>sentença condenatória. Atento ao caso apresentado e tendo como base apenas os elementos</p><p>fornecidos, você, advogado(a) de Daniel foi intimado, para apresentar a medida cabível. Com base</p><p>nas informações expostas na situação hipotética e naquelas que podem ser inferidas do caso</p><p>concreto,</p><p>redija a peça cabível, excluída a possibilidade de habeas corpus. (Valor: 5,00)</p><p>Obs.: a peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar</p><p>respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não confere</p><p>pontuação.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>126</p><p>AO DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO</p><p>ESTADO ...</p><p>Recurso Recorrido nº ...</p><p>DANIEL, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com</p><p>procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, interpor o</p><p>presente RECURSO ESPECIAL, com base no art. 105, III, “a”, da Constituição Federal,</p><p>requerendo seja o recurso recebido e processado e, ao final, remetido ao Superior Tribunal</p><p>de Justiça.</p><p>O presente recurso é tempestivo, pois interposto dentro do prazo de 15 dias4.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., data...</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>4 Considerando a exigência da tempestividade na peça do 35º Exame, sugerimos expressamente que a peça é</p><p>tempestiva.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>127</p><p>COLENDO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA</p><p>Recorrente: DANIEL</p><p>Recorrido: MINISTÉRIO PÚBLICO</p><p>Recurso nº ...</p><p>RAZÕES DE RECURSO ESPECIAL</p><p>Colendo Superior Tribunal de Justiça</p><p>Douta Turma</p><p>Eminentes Ministros</p><p>I) DOS FATOS</p><p>Daniel foi denunciado, processado e condenado pela prática do delito de</p><p>roubo simples em sua modalidade tentada. A pena fixada pelo magistrado foi de dois anos</p><p>de reclusão em regime aberto, concedendo-lhe o benefício da suspensão condicional da</p><p>execução da pena, não fixando nenhuma condição.</p><p>Somente a defesa interpôs recurso de apelação, pleiteando a absolvição de</p><p>Daniel com base na tese de negativa de autoria e, subsidiariamente, a substituição do</p><p>benefício concedido por uma pena restritiva de direitos.</p><p>O Tribunal de Justiça, por sua vez, no julgamento da apelação, de forma</p><p>unânime, negou provimento aos dois pedidos da defesa e, no acórdão, fixou as condições</p><p>do sursis, haja vista o fato de que o magistrado a quo deixou de fazê-lo na sentença</p><p>condenatória.</p><p>II) DO DIREITO</p><p>O recorrente foi condenado pela prática do delito de roubo simples tentado,</p><p>sendo-lhe concedido o benefício da suspensão condicional da pena, sem, no entanto, terem</p><p>sido fixadas condições. Todavia, em recurso exclusivo da defesa, o Tribunal de Justiça</p><p>negou provimento ao pedido formulado e, ainda, fixou as condições do sursis, violando o</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>128</p><p>disposto no art. 617 do Código de Processo Penal, já que a fixação das condições cabia ao</p><p>juiz de 1º grau.</p><p>Como não houve impugnação por parte do Ministério Público, a decisão</p><p>proferida pelo Tribunal configura verdadeira reformatio in pejus, vedada pelo art. 617 do</p><p>Código de Processo Penal.</p><p>III) DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso especial,</p><p>para o fim de que seja REFORMADO O ACÓRDÃO e, consequentemente, mantida a</p><p>decisão que concedeu o sursis, sem estabelecer as condições do benefício.</p><p>Nestes temos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., data...</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>129</p><p>Como resolver mandado de segurança</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL</p><p>Enunciado</p><p>Jurema, atrasada para um encontro pessoal, dirige seu carro sem observar o limite de velocidade</p><p>exigida para o local. Em uma via de mão dupla, Jurema atravessou a via preferencial e, de forma</p><p>imprudente, acabou atingindo a motocicleta conduzida por Francisco. Não obstante o socorro</p><p>rápido, Francisco vem a falecer em decorrência dos ferimentos sofridos pela colisão provocada</p><p>por Jurema. Instaurado o respectivo inquérito policial, após o curso das investigações, o</p><p>Ministério Público decide oferecer denúncia contra Jurema, imputando-lhe a prática do delito de</p><p>homicídio culposo na condução de veículo automotor, previsto no artigo 302 do Código de</p><p>Trânsito Brasileiro, sendo a peça acusatória recebida pelo juiz da 5ª Vara Criminal da Comarca</p><p>de Niterói/RJ. Ao longo da ação penal, Maria, companheira de Francisco, formula pedido de</p><p>habilitação na condição de assistente à acusação, acompanhado do respectivo contrato de união</p><p>estável. O Magistrado indeferiu o pedido, sob o argumento de que o artigo 268 do Código de</p><p>Processo Penal não prevê legitimidade à companheira para intervir como assistente à acusação.</p><p>Atento ao caso apresentado e tendo como base apenas os elementos fornecidos, elabore, na</p><p>condição de advogado de Maria, a peça cabível, adotando os argumentos pertinentes.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>130</p><p>AO DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO</p><p>ESTADO DO RIO DE JANEIRO</p><p>MARIA, nacionalidade, união estável, profissão, RG..., domiciliada..., por seu</p><p>advogado infra-assinado, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência impetrar</p><p>MANDADO DE SEGURANÇA, com pedido liminar, com base no artigo 5º, inciso LIX, da</p><p>Constituição Federal/88, combinado com o artigo 1º da Lei 12.016/2009, contra ato do Juiz</p><p>de Direito da 5ª Vara Criminal da Comarca de Niterói/RJ, pelos fatos e fundamentos</p><p>jurídicos a seguir expostos:</p><p>I) DA TEMPESTIVIDADE</p><p>O presente mandado de segurança é tempestivo, uma vez que impetrado</p><p>dentro do prazo de 120 dias, na forma do artigo 23 da Lei nº 12.016/2009.5</p><p>II) DOS FATOS</p><p>O Ministério Público ofereceu denúncia contra Jurema, imputando-lhe a</p><p>prática do delito de homicídio culposo na condução de veículo automotor, previsto no artigo</p><p>302 do Código de Trânsito Brasileiro (Lei nº 9.503/97).</p><p>A impetrante, companheira da vítima Francisco, formulou pedido de</p><p>habilitação na condição de assistente à acusação, acompanhado do respectivo contrato de</p><p>união estável.</p><p>5 Considerando a exigência da tempestividade na peça do 35º Exame, sugerimos mencionar a que o mandado de</p><p>segurança é tempestivo.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>131</p><p>O Magistrado indeferiu o pedido, sob o argumento de que o artigo 268 do</p><p>Código de Processo Penal não prevê legitimidade à companheira para intervir como</p><p>assistente à acusação.</p><p>III) DO DIREITO</p><p>O Magistrado indeferiu o pedido de habilitação à assistente à acusação</p><p>formulado pela impetrante, sob o argumento de que o artigo 268 do Código de Processo</p><p>Penal não prevê legitimidade da companheira para intervir como assistente à acusação.</p><p>Todavia, embora o artigo 268 do Código de Processo Penal não faça</p><p>referência à legitimidade do companheiro nos casos de união estável, o artigo 226, § 3º, da</p><p>Constituição Federal, reconheceu a união estável entre homem e mulher como entidade</p><p>familiar para fins de proteção do Estado.</p><p>Logo, a própria Constituição Federal legitima a companheira como sucessor</p><p>no caso de falecimento do ofendido para fins de habilitação como assistente da acusação.</p><p>Assim, a decisão proferida pelo Magistrado violou direito líquido e certo da</p><p>impetrante, a concessão do mandado de segurança é medida que se impõe.</p><p>IV) DA LIMINAR</p><p>Como se vê, estão presentes o fumus boni juris e o periculum in mora,</p><p>pressupostos autorizadores da concessão liminar do mandado de segurança postulado.</p><p>A impetrante juntou aos autos o contrato de união estável, demonstrando sua</p><p>condição de companheira da vítima e parte legítima para figurar como assistente da</p><p>acusação.</p><p>Além disso, a liminar se faz necessária dada a impossibilidade de reversão do</p><p>ato da autoridade judiciária, já que a impetrante não poderá se manifestar nos atos</p><p>processuais produzidos ao longo do procedimento criminal em que seu companheiro</p><p>figura como vítima.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>132</p><p>V) DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, o impetrante requer a concessão do mandado de segurança,</p><p>para o fim de:</p><p>a) Seja ouvido o ilustre representante do Ministério Público;</p><p>b) Seja expedido ofício à autoridade coatora, a fim de que preste informações,</p><p>nos termos do artigo 7º, inciso I, da Lei 12.016/2009;</p><p>c) Liminarmente, seja deferida a habilitação da impetrante como assistente da</p><p>acusação na ação penal em que seu falecido companheiro figura como vítima;</p><p>d) Seja concedido de forma definitiva o mandado de segurança, mantendo-se</p><p>a liminar postulada, para o fim de que seja cassada a decisão do Juiz da 5ª Vara Criminal</p><p>da Comarca de Niterói, com a consequente habilitação da impetrante como assistente</p><p>da acusação na ação penal em que seu falecido companheiro figura como vítima;</p><p>e) Atribui-se à causa o valor de Alçada</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local... e data...</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>133</p><p>alcoolemia e</p><p>atendimento médico, que constatou que ele se encontrava completamente embriagado em razão</p><p>da ingestão de bebida alcóolica (gin) e sua intolerância, bem como, que era inteiramente incapaz</p><p>de determinar-se sobre o caráter ilícito do fato. Forneceu, ainda, o nome do funcionário do bar</p><p>que teria lhe atendido (Carlos) e dos seus amigos José e Antônio, que teriam presenciado os</p><p>fatos. Confirmou, todavia, que desferiu o golpe de garrafa na cabeça de Caio, que deixou o local</p><p>com sangramento. Considerando a situação narrada, apresente, na qualidade de advogado de</p><p>Matheus, a peça jurídica cabível diferente de habeas corpus e embargos de declaração, expondo</p><p>todas as teses jurídicas de direito material e direito processual pertinentes. A peça deverá ser</p><p>datada no último dia do prazo, considerando que de segunda a sexta-feira são dias úteis em todo</p><p>o país. (Valor: 5,00)</p><p>Obs.: A peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar</p><p>respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não confere</p><p>pontuação.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>12</p><p>AO JUÍZO DA 2ª VARA CRIMINAL DA COMARCA DE VITÓRIA/ES</p><p>Processo nº</p><p>Matheus, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com</p><p>procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência apresentar</p><p>RESPOSTA À ACUSAÇÃO, com base no artigo 396 e 396-A, ambos do Código de</p><p>Processo Penal, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos:</p><p>I) DA TEMPESTIVIDADE</p><p>A presente Resposta à Acusação é tempestiva, uma vez que apresentada</p><p>dentro do prazo de 10 dias, na forma do artigo 396 do Código de Processo Penal.</p><p>II) DOS FATOS</p><p>O réu foi denunciado pelo crime de lesão corporal qualificada, previsto no</p><p>artigo 129, §1º, inciso I, do Código Penal.</p><p>Após o recebimento da denúncia, Matheus foi pessoalmente citado e</p><p>intimado para adoção das medidas cabíveis, em 16 de novembro de 2022, quarta-feira.</p><p>III) DO DIREITO</p><p>A) DA AUSÊNCIA DE EXAME DE CORPO DE DELITO</p><p>A denúncia deve ser rejeitada ou declarada a nulidade do recebimento da</p><p>denúncia. Isso porque o crime de lesão corporal qualificada deixa vestígios, sendo,</p><p>portanto, indispensável o exame de corpo de delito, conforme o artigo 158 do Código de</p><p>Processo Penal, não bastando as declarações do ofendido para comprovar a materialidade</p><p>do delito.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>13</p><p>No caso, a vítima deixou de realizar o exame de corpo de delito, em razão de</p><p>dores de cabeça, não havendo informações sobre a realização ou juntada do Boletim de</p><p>Atendimento Médico.</p><p>Logo, diante da falta de justa causa, a denúncia deve ser rejeitada, conforme</p><p>prevê o artigo 395, inciso III, do Código de Processo Penal, bem como reconhecida a</p><p>nulidade do recebimento da denúncia, conforme o artigo 564, III, “b”, do Código de Processo</p><p>Penal.</p><p>B) DA SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO</p><p>Deve ser declarada a nulidade do processo, diante da alta de proposta de</p><p>suspensão condicional do processo.</p><p>Isso porque deve ser proposta a suspensão condicional do processo quando</p><p>a pena mínima cominada ao delito imputado for de até 01 ano, bem como não estar sendo</p><p>processado ou possuir condenação pela prática de crime, nos termos do artigo 89 da Lei</p><p>9.099/95.</p><p>No caso, havia informação de que Matheus registrava contra si apenas uma</p><p>condenação anterior pela prática da contravenção penal prevista no artigo 42 do Decreto-</p><p>lei nº 3.688/41.</p><p>Logo, deve ser declarada a nulidade dos atos processuais, uma vez que a</p><p>condenação anterior por contravenção penal não impede a proposta de suspensão</p><p>condicional do processo.</p><p>C) DA EMBRIAGUEZ COMPLETA ACIDENTAL</p><p>O réu agiu em embriaguez completa e acidental decorrente de caso fortuito,</p><p>causa de exclusão da culpabilidade, nos termos do artigo 28, §1º, do Código Penal.</p><p>Isso porque, conforme exame de alcoolemia, foi constatado que Matheus</p><p>estava completamente embriagado ao tempo do fato, em razão de situação não esperada,</p><p>uma vez que solicitou água tônica ao funcionário do bar, mas este, por erro, entregou a</p><p>Matheus o drink “gin tônica”.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>14</p><p>Logo, deve Matheus ser absolvido sumariamente, conforme artigo 397, inciso</p><p>II, do Código de Processo Penal.</p><p>IV) DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, requer o denunciado:</p><p>a) Nulidade do ato de recebimento da denúncia, com base no artigo 564, III,</p><p>“b”, do Código de Processo Penal.</p><p>b) Rejeição da denúncia, com base no artigo 395, III, do Código de Processo</p><p>Penal;</p><p>c) Nulidade do processo OU encaminhamento dos autos ao Ministério Público,</p><p>pelo não oferecimento da proposta de suspensão condicional do processo;</p><p>d) Absolvição sumária, com base no artigo 397, inciso II, do Código de</p><p>Processo Penal;</p><p>e) Produção de todas as provas admitidas em direito, especialmente a</p><p>testemunhal.</p><p>ROL DE TESTEMUNHAS</p><p>a) Carlos...</p><p>b) José...</p><p>c) Antônio...</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., 28 de novembro de 2022.</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>15</p><p>Como resolver memoriais</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XXXII EXAME OAB</p><p>Enunciado</p><p>Na madrugada do dia 1º de janeiro de 2020, Luiz, nascido em 24 de abril de 1948, estava em</p><p>sua residência, em Porto Alegre, na companhia de seus três filhos e do irmão Igor, nascido em</p><p>29 de novembro de 1965, que também morava há dois anos no mesmo imóvel. Em determinado</p><p>momento, um dos filhos de Luiz acionou fogos de artifício, no quintal do imóvel, para comemorar</p><p>a chegada do novo ano. Ocorre que as faíscas atingiram o telhado da casa, que começou a</p><p>pegar fogo. Todos correram para sair pela única e pequena porta da casa, mas Luiz, em razão</p><p>de sua idade e pela dificuldade de locomoção, acabou ficando por último na fila para saída da</p><p>residência. Percebendo que o fogo estava dele se aproximando e que iria atingi-lo em segundos,</p><p>Luiz desferiu um forte soco na cabeça do irmão, que estava em sua frente, conseguindo deixar</p><p>o imóvel. Igor ficou caído por alguns momentos, mas conseguiu sair da casa da família,</p><p>sangrando em razão do golpe recebido.</p><p>Policiais chegaram ao local do ocorrido, sendo instaurado procedimento para investigar a autoria</p><p>do crime de incêndio e outro procedimento para apurar o crime de lesão corporal. Luiz,</p><p>verificando as consequências de seus atos, imediatamente levou o irmão para unidade de saúde</p><p>e pagou pelo tratamento médico necessário. Igor compareceu em sede policial após ser intimado,</p><p>narrando o ocorrido, apesar de destacar não ter interesse em ver o autor do fato responsabilizado</p><p>criminalmente.</p><p>Concluídas as investigações em relação ao crime de lesão, os autos foram encaminhados ao</p><p>Ministério Público, que, com base no laudo prévio de lesão corporal de Igor atestando a</p><p>existência de lesão de natureza leve na cabeça, ofereceu denúncia, perante a 5ª Vara Criminal</p><p>de Porto Alegre/RS, órgão competente, em face de Luiz como incurso nas sanções penais do</p><p>Art. 129, § 9º, do Código Penal. Deixou o órgão acusador de oferecer proposta de suspensão</p><p>condicional do processo com fundamento no Art. 41 da Lei nº 11.340/06, que veda a aplicação</p><p>dos institutos da Lei nº 9.099/95, tendo em vista que aquela lei (Lei nº 11.340/06) estabeleceu</p><p>nova pena para o delito imputado.</p><p>Após citação e apresentação de resposta à acusação, na qual Luiz demonstrou interesse na</p><p>aplicação do Art. 89 da Lei nº 9.099/95, os fatos foram integralmente confirmados durante a</p><p>instrução probatória. Igor confirmou a agressão, a ajuda posterior do irmão e o desinteresse em</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>16</p><p>responsabilizá-lo. O réu permaneceu em silêncio durante</p><p>seu interrogatório. Em seguida, foi</p><p>acostado ao procedimento o laudo definitivo de lesão corporal da vítima atestando a existência</p><p>de lesões de natureza leve, assim como a Folha de Antecedentes Criminais de Luiz, que</p><p>registrava uma única condenação, com trânsito em julgado em 10 de dezembro de 2019, pela</p><p>prática de contravenção penal.</p><p>O Ministério Público apresentou a manifestação cabível requerendo a condenação do réu nos</p><p>termos da denúncia, destacando, ainda, a incidência do Art. 61, inciso I, do CP. Em seguida, a</p><p>defesa técnica de Luiz foi intimada, em 19 de janeiro de 2021, terça-feira, para apresentação da</p><p>medida cabível.</p><p>Considerando apenas as informações expostas, apresente, na condição de advogado(a) de Luiz,</p><p>a peça jurídica cabível, diferente do habeas corpus e embargos de declaração, expondo todas</p><p>as teses cabíveis de direito material e processual. A peça deverá ser datada no último dia do</p><p>prazo para apresentação, devendo segunda a sexta-feira serem considerados dias úteis em todo</p><p>o país. (Valor: 5,00)</p><p>Obs.: A peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar</p><p>respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não confere</p><p>pontuação.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>17</p><p>AO JUÍZO DA 5ª VARA CRIMINAL DA COMARCA DE PORTO ALEGRE/RS</p><p>Processo nº</p><p>LUIZ, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com</p><p>procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, apresentar</p><p>MEMORIAIS, com base no artigo 403 § 3º OU artigo 404, parágrafo único, ambos do Código</p><p>de Processo Penal, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos:</p><p>I) DA TEMPESTIVIDADE</p><p>Os presentes memoriais são tempestivos, já que apresentados dentro do prazo</p><p>de 5 dias, previsto no artigo 403, §3°, do Código de Processo Penal.</p><p>II) DOS FATOS</p><p>O réu foi denunciado pela prática do crime de lesão corporal previsto no artigo</p><p>129, § 9º, do Código Penal.</p><p>Durante a audiência de instrução, foi ouvida a vítima. O réu permaneceu em</p><p>silêncio durante o interrogatório.</p><p>O Ministério Público requereu a condenação do réu nos termos da denúncia,</p><p>destacando a incidência do artigo 61, inciso I, do Código Penal.</p><p>A defesa foi intimada no dia 19 de janeiro de 2021.</p><p>III) DO DIREITO</p><p>A) DA FALTA DE REPRESENTAÇÃO</p><p>Como já se passaram mais de 6 meses a partir da data da ciência da autoria</p><p>do fato, nos termos do artigo 38 do Código de Processo Penal e artigo 103 do Código Penal,</p><p>ocorreu a extinção da punibilidade, pela decadência do direito de representação, nos termos</p><p>do artigo 107, IV, do Código Penal.</p><p>Isso porque o crime de lesão corporal leve é de ação penal pública</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>18</p><p>condicionada à representação, conforme prevê o artigo 88 da Lei 9.099/95. E,</p><p>no caso, a vítima demonstrou não ter interesse em ver o autor do fato responsabilizado</p><p>criminalmente, não havendo, pois, condição de procedibilidade da ação penal.</p><p>Além disso, a falta de representação enseja nulidade do processo nos termos</p><p>do artigo 564, inciso III, alínea “a” ou inciso IV, do Código de Processo Penal.</p><p>B) DA PROPOSTA DE SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO</p><p>O Ministério Publico deixou de oferecer proposta de suspensão condicional do</p><p>processo com fundamento no artigo 41 da Lei nº 11.340/06.</p><p>Isso porque o crime não foi praticado no contexto da violência doméstica e</p><p>familiar contra a mulher, não sendo aplicável a previsão do artigo 41 da Lei nº 11.340/06 pelo</p><p>fato da vítima ser homem.</p><p>Logo, ocorreu nulidade do processo pelo não oferecimento da proposta de</p><p>suspensão condicional do processo.</p><p>C) DO ESTADO DE NECESSIDADE</p><p>O réu agiu em estado de necessidade, causa excludente de ilicitude, previsto</p><p>no artigo 23, I e 24, ambos do Código Penal.</p><p>Isso porque a casa estava pegando fogo e, em razão de sua idade e pela</p><p>dificuldade de locomoção, o réu acabou ficando por último na fila para a saída da residência,</p><p>sendo o único meio para se salvar da situação de perigo praticar a lesão corporal contra o</p><p>irmão.</p><p>Assim, deve o réu ser absolvido, com base no artigo 386, inciso VI, do Código</p><p>de Processo Penal.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>19</p><p>D) DA PENA BASE NO MÍNIMO LEGAL</p><p>A pena-base deve ser fixada no mínimo legal, já que todas as circunstâncias</p><p>judiciais previstas no artigo 59 do Código Penal são favoráveis.</p><p>E) DA AGRAVANTE DA REINCIDÊNCIA</p><p>Deve ser afastada a agravante da reincidência.</p><p>Isso porque o réu foi condenado, com sentença transitada em julgado, pela</p><p>prática de contravenção penal, não se enquadrando no contexto do artigo 63 do Código Penal,</p><p>que prevê a reincidência quando o agente comete novo crime após o trânsito em julgado da</p><p>sentença penal condenatória pela prática de crime anterior.</p><p>Logo, deve ser afastada a agravante da reincidência, prevista no artigo 61,</p><p>inciso I, do Código Penal.</p><p>F) DA ATENUANTE DA IDADE</p><p>O réu era maior de 70 anos na data da sentença, razão pela qual deve ser</p><p>reconhecida a atenuante prevista no artigo 65, inciso I, do Código Penal.</p><p>G) DA ATENUANTE DO ARTIGO 65, INCISO III, ALÍNEA “B”, DO CP</p><p>Deve ser reconhecida a atenuante prevista no artigo 65, III, “b”, do Código</p><p>Penal.</p><p>Isso porque, o réu imediatamente levou o irmão para a unidade de saúde e</p><p>pagou pelo tratamento médico necessário. Logo, o réu procurou, logo após o crime evitar ou</p><p>minorar as consequências de seus atos, levando a vítima para o hospital e pagando pelo</p><p>tratamento.</p><p>Assim, requer seja reconhecida a atenuante do artigo 65, inciso III, alínea “b”,</p><p>do Código Penal.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>20</p><p>H) DO REGIME ABERTO</p><p>Na hipótese de eventual condenação, deve ser fixado o regime aberto, nos</p><p>termos do artigo 33, §2º, “c”, do Código Penal.</p><p>Isso porque a pena não será superior a quatro anos. Além disso, trata-se de</p><p>crime apenado com detenção, não sendo possível a fixação de regime fechado, nos termos</p><p>do artigo 33, “caput”, do Código Penal.</p><p>Logo, o Magistrado deverá fixar o regime aberto para o início do cumprimento</p><p>da pena, nos termos do artigo 33, § 2º, alínea “c”, do Código Penal.</p><p>I) DA SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA</p><p>Deve ser a concedida suspensão condicional da pena, já que preenchidos os</p><p>requisitos do artigo 77 do Código Penal. Isso porque o réu é primário, e eventual pena aplicada</p><p>não será superior a 2 anos, não sendo cabível a pena restritiva de direitos.</p><p>Logo, requer seja concedida a suspensão condicional da pena.</p><p>IV) DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, requer:</p><p>a) A extinção da punibilidade, pela decadência, nos termos do artigo 107, inciso</p><p>IV, do Código Penal;</p><p>b) Nulidade do processo pela falta de representação, nos termos do artigo 564,</p><p>III, “a”, e inciso IV, do Código de Processo Penal;</p><p>c) Nulidade do processo pela falta de oferecimento de proposta de suspensão</p><p>condicional do processo;</p><p>d) Absolvição, na forma do artigo 386, inciso VI, do Código de Processo Penal;</p><p>e) Aplicação da pena-base no mínimo legal;</p><p>f) Reconhecimento das atenuantes do artigo 65, incisos I, e III, alínea “b”, do</p><p>Código Penal;</p><p>g) Fixação do regime aberto nos termos do artigo 33, § 2º, alínea “c”, do Código</p><p>Penal;</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>21</p><p>h) Concessão de suspensão condicional da pena.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., 25 de janeiro de 2021.</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>22</p><p>Como resolver apelação</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – 35º EXAME</p><p>Enunciado</p><p>No dia 04 de março de 2019, Júlio, insatisfeito com a falta de ajuda de</p><p>sua mãe no tratamento</p><p>que vinha fazendo contra dependência química, decide colocar fogo no imóvel da família em</p><p>fazenda localizada longe do centro da cidade. Para tanto, coloca gasolina na casa, que estava</p><p>desabitada, e acende um fósforo, sendo certo que o fogo gerado destruiu de maneira significativa</p><p>o imóvel, que era completamente afastado de outros imóveis, e, como ninguém costumava</p><p>passar pelo local, o crime demorou algumas horas para ser identificado.</p><p>Júlio foi localizado, confessou a prática delitiva e, realizado exame de alcoolemia, foi constatado</p><p>que se encontrava completamente embriagado, sem capacidade de determinação do caráter</p><p>ilícito do fato, em razão de situação não esperada, já que ele solicitou uma água com gás e limão</p><p>em determinado bar, mas o proprietário, sem que Júlio soubesse, misturou cachaça na bebida,</p><p>que ingerida junto com o remédio que vinha tomando para combater a dependência química,</p><p>causou sua embriaguez. Foi, ainda, realizado exame de local, constando da conclusão que o</p><p>imóvel foi destruído, havendo prejuízo considerável aos proprietários, mas que não havia</p><p>ninguém no local no momento do crime e nem outras pessoas ou bens de terceiros a serem</p><p>atingidos.</p><p>Com base em todos os elementos informativos produzidos, o Ministério Público ofereceu</p><p>denúncia em face de Júlio, perante a 2ª Vara Criminal da Comarca de Florianópolis/SC, juízo</p><p>competente, imputando-lhe a prática do crime do Art. 250 do Código Penal. Foi concedida</p><p>liberdade provisória. Após citação e apresentação de defesa, entendeu o magistrado por realizar</p><p>produção antecipada de provas, ouvindo as vítimas antes da audiência de instrução e</p><p>julgamento, motivando sua decisão no risco de esquecimento, já que a pauta de audiência de</p><p>processos de réu solto estava para data longínqua, tendo a defesa questionado a decisão. Após</p><p>oitiva das vítimas, foi agendada audiência de instrução e julgamento, que foi realizada em 05 de</p><p>março de 2021, ocasião em que os fatos acima narrados foram confirmados. Em seu</p><p>interrogatório, o réu confirmou a autoria delitiva, destacando que pouco, porém, se recordava</p><p>sobre o ocorrido.</p><p>Após apresentação da manifestação cabível pelas partes, o juiz proferiu sentença condenando</p><p>o réu nos termos da denúncia. No momento de aplicar a pena base, reconheceu a existência de</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>23</p><p>maus antecedentes, aumentando a pena em 03 meses, tendo em vista que, na Folha de</p><p>Antecedentes Criminais, acostada ao procedimento, constava uma condenação de Júlio pela</p><p>prática do crime de tráfico, por fato ocorrido em 20 de abril de 2019, cujo trânsito em julgado</p><p>ocorreu em 10 de março de 2020. Na segunda fase, reconheceu a presença da agravante do</p><p>Art. 61, inciso II, alínea b, do Código Penal, aumentando a pena em 05 meses, já que o meio</p><p>empregado por Júlio poderia resultar perigo comum. Não foram reconhecidas atenuantes da</p><p>pena. Na terceira fase, não foram aplicadas causas de aumento ou de diminuição de pena, sendo</p><p>mantida a pena de 03 anos e 8 meses de reclusão e multa de 15 dias, a ser cumprida em regime</p><p>semiaberto, não sendo substituída a privativa de liberdade por restritiva de direitos com base no</p><p>Art. 44, III, do CP. Intimado da sentença, o Ministério Público se manteve inerte, sendo a defesa</p><p>técnica de Júlio intimada em 11 de julho de 2022, segunda-feira.</p><p>Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado(a) de Júlio, redija a</p><p>peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus e embargos de declaração, apresentando todas</p><p>as teses jurídicas pertinentes. A peça deverá ser datada no último dia do prazo para interposição,</p><p>considerando que todos os dias de segunda a sexta-feira são úteis em todo o país. (Valor: 5,00)</p><p>Obs.: o(a) examinando(a) deve abordar todas os fundamentos de Direito que possam ser</p><p>utilizados para dar respaldo à pretensão. A mera citação do dispositivo legal não confere</p><p>pontuação.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>24</p><p>AO JUÍZO DA 2ª VARA CRIMINAL DA COMARCA DE FLORIANÓPOLIS/SC</p><p>Processo nº</p><p>JÚLIO, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com</p><p>procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência interpor</p><p>RECURSO DE APELAÇÃO, com base no artigo 593, inciso I, do Código de Processo Penal.</p><p>Assim, requer seja recebido e processado o recurso, já com as razões inclusas,</p><p>remetendo-se os autos ao Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina.</p><p>O presente recurso é tempestivo, pois interposto dentro do prazo de 5 dias,</p><p>previsto no artigo 593, caput, do Código de Processo Penal.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento</p><p>Local..., 18 de julho de 2022.</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>25</p><p>EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA</p><p>Apelante: Júlio</p><p>Apelado: Ministério Público</p><p>Processo nº</p><p>RAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO</p><p>Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina</p><p>Colenda Câmara Criminal</p><p>I) DOS FATOS</p><p>O réu foi denunciado pela prática do crime previsto no artigo 250 do Código</p><p>Penal.</p><p>Após apresentação da manifestação cabível pelas partes, o Juiz proferiu</p><p>sentença, condenando Júlio nos termos da denúncia.</p><p>O Ministério Público não interpôs recurso.</p><p>A defesa foi intimada da sentença no dia 11 de julho de 2022, segunda-feira.</p><p>II) DO DIREITO</p><p>A) DA NULIDADE DA OITIVA DAS VÍTIMAS</p><p>Deve ser anulada a oitiva das vítimas, com base no artigo 225 do Código de</p><p>Processo Penal.</p><p>Isso porque mero decurso natural de tempo não é fundamento idôneo para</p><p>justificar tal medida. No caso, o magistrado determinou a produção antecipada da prova</p><p>simplesmente porque a data da audiência de instrução e julgamento estava longe, sem</p><p>qualquer fato concreto a indicar o risco de perecimento da prova.</p><p>Diante disso, considerando ainda o inconformismo manifestado pela defesa,</p><p>requer a nulidade da oitiva das vítimas, com base no artigo 225 do Código de Processo Penal</p><p>ou Art. 564, inciso IV, do Código de Processo Penal e Súmula 455 do Superior Tribunal de</p><p>Justiça.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>26</p><p>B) DA ATIPICIDADE DA CONDUTA OU DESCLASSIFICAÇÃO</p><p>O fato atribuído ao réu é atípico, já que não se enquadra no crime previsto no</p><p>artigo 250, do Código Penal.</p><p>Isso porque o crime de incêndio exige perigo comum, sendo necessário que o</p><p>agente exponha a perigo a vida, integridade física ou patrimônio de outrem, causando risco</p><p>para número indeterminado de pessoas.</p><p>No caso, o réu colocou fogo em um imóvel isolado, sendo constatado na perícia</p><p>que não havia pessoas ou bens de terceiros nas proximidades para serem atingidos.</p><p>Logo, trata-se de atipicidade da conduta, ou, no máximo, crime de dano</p><p>qualificado, previsto no artigo 163, do Código Penal.</p><p>Dessa forma, deve Júlio ser absolvido, diante da atipicidade da conduta,</p><p>conforme artigo 386, inciso III, do Código de Processo Penal OU deve ser o fato</p><p>desclassificado para o crime de dano qualificado.</p><p>C) DA EMBRIAGUEZ COMPLETA ACIDENTAL</p><p>O recorrente praticou o fato com embriaguez completa e acidental, causa de</p><p>exclusão da culpabilidade, em razão da inimputabilidade, nos termos do artigo 28, §1º, do</p><p>Código Penal.</p><p>Isso porque, conforme exame de alcoolemia, foi constatado que Júlio estava</p><p>completamente embriagado ao tempo do fato, em razão de situação não esperada, já que o</p><p>proprietário do bar, sem que Júlio soubesse, misturou cachaça na bebida.</p><p>Logo, deve Júlio ser absolvido, conforme artigo 386, inciso VI, do Código de</p><p>Processo Penal.</p><p>D) DOS MAUS ANTECEDENTES</p><p>A pena-base deve ser fixada no mínimo legal, uma vez que o fato que ensejou</p><p>a condenação definitiva – o tráfico de drogas – foi praticado no dia 20 de abril de 2019, depois,</p><p>portanto, da suposta prática</p><p>do crime de incêndio no dia 04 de março de 2019.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>27</p><p>Logo, antes da acusação do crime de incêndio, não existia qualquer fato</p><p>delituoso por parte do réu.</p><p>Dessa forma, devem ser afastados os maus antecedentes, devendo a pena-</p><p>base ser aplicada no mínimo legal.</p><p>E) DO AFASTAMENTO DA AGRAVANTE</p><p>Deve ser afastada a agravante do artigo 61, inciso II, alínea “d”, do Código</p><p>Penal, uma vez que a situação de perigo comum já é elementar do tipo imputado, de modo</p><p>que a agravante do artigo 61, inciso II, alínea “d” do Código Penal deve ser afastada, por</p><p>configurar bis in idem.</p><p>F) DA CONFISSÃO ESPONTÂNEA</p><p>O recorrente, em seu interrogatório, confirmou a autoria delitiva.</p><p>Desta forma, deve ser reconhecida a atenuante da confissão espontânea, nos</p><p>termos do artigo 65, inciso III, alínea “d”, do Código Penal.</p><p>G) DO REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DE PENA</p><p>Considerando a aplicação da pena no mínimo legal, em eventual condenação,</p><p>deve ser fixado o regime inicial aberto para cumprimento de pena, conforme artigo 33, §2º,</p><p>alínea “c”, do Código de Processo Penal, já que não será superior a 4 anos.</p><p>H) DA PENA RESTRITIVA DE DIREITOS</p><p>O réu possui direito à substituição da pena privativa de liberdade por pena</p><p>restritiva de direitos, tendo em vista que estão presentes todos os requisitos do artigo 44 do</p><p>Código Penal, já que primário, o crime foi praticado sem violência ou grave ameaça à pessoa,</p><p>e eventual pena não será superior a 4 anos.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>28</p><p>III) DOS PEDIDOS</p><p>Ante o exposto, requer seja CONHECIDO e PROVIDO o recurso, com a</p><p>REFORMA da decisão, a fim de que:</p><p>a) Seja reconhecida a nulidade na oitiva das vítimas;</p><p>b) Seja declarada a absolvição do crime de incêndio em razão da atipicidade</p><p>da conduta;</p><p>c) Seja declarada a absolvição do crime de incêndio em razão da ausência de</p><p>culpabilidade;</p><p>d) Seja aplicada a pena base no mínimo legal, tendo em vista que não há</p><p>fundamento para reconhecimento de maus antecedentes;</p><p>e) Seja afastada a agravante reconhecida na sentença;</p><p>f) Seja reconhecida a atenuante da confissão espontânea;</p><p>g) Seja fixado o regime inicial de cumprimento de pena no regime aberto, para</p><p>cumprimento da pena;</p><p>h) Seja substituída a pena privativa de liberdade por restritiva de direitos;</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., 18 de julho de 2022.</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>29</p><p>Como resolver contrarrazões de apelação</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XIX EXAME OAB (Adaptada)</p><p>Enunciado</p><p>No dia 24 de dezembro de 2014, na cidade do Rio de Janeiro, Rodrigo e um amigo não</p><p>identificado foram para um bloco de rua que ocorria em razão do Natal, onde passaram a ingerir</p><p>bebida alcoólica em comemoração ao evento festivo. Na volta para casa, ainda em companhia</p><p>do amigo, já um pouco tonto em razão da quantidade de cerveja que havia bebido, subtraiu,</p><p>mediante emprego de uma faca, os pertences de uma moça desconhecida que caminhava</p><p>tranquilamente pela rua. A vítima era Maria, jovem de 24 anos que acabara de sair do médico e</p><p>saber que estava grávida de um mês. Em razão dos fatos, Rodrigo foi denunciado pela prática</p><p>de crime de roubo duplamente majorado, na forma do Art. 157, § 2º, incisos II e VII, do Código</p><p>Penal. Durante a instrução, foi juntada a Folha de Antecedentes Criminais de Rodrigo, onde</p><p>constavam anotações em relação a dois inquéritos policiais em que ele figurava como indiciado</p><p>e três ações penais que respondia na condição de réu, apesar de em nenhuma delas haver</p><p>sentença com trânsito em julgado. Foram, ainda, durante a Audiência de Instrução e Julgamento</p><p>ouvidos a vítima e os policiais que encontraram Rodrigo, horas após o crime, na posse dos bens</p><p>subtraídos. Durante seu interrogatório, Rodrigo permaneceu em silêncio. Ao final da instrução,</p><p>após alegações finais, a pretensão punitiva do Estado foi julgada procedente, com Rodrigo sendo</p><p>condenado a pena de 05 anos e 04 meses de reclusão, a ser cumprida em regime semiaberto,</p><p>e 13 dias-multa. O juiz aplicou a pena-base no mínimo legal, além de não reconhecer qualquer</p><p>agravante ou atenuante. Na terceira fase da aplicação da pena, reconheceu a majorante</p><p>mencionada na denúncia e realizou um aumento de 1/3 da pena imposta. O Ministério Público</p><p>foi intimado da sentença em 14 de setembro de 2015, uma segunda-feira, sendo terça-feira dia</p><p>útil. Inconformado, o Ministério Público apresentou recurso de apelação perante o juízo de</p><p>primeira instância, acompanhado das respectivas razões recursais, no dia 30 de setembro de</p><p>2015, requerendo:</p><p>i) O aumento da pena-base, tendo em vista a existência de diversas anotações na Folha de</p><p>Antecedentes Criminais do acusado;</p><p>ii) O reconhecimento das agravantes previstas no Art. 61, inciso II, alíneas ‘h’ e ‘l’, do Código</p><p>Penal;</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>30</p><p>iii) A majoração do quantum de aumento em razão das causas de aumentos previstas no Art.</p><p>157, §2º, incisos II e VII, do Código Penal, exclusivamente pelo fato de serem duas as</p><p>majorantes;</p><p>iv) Fixação do regime inicial fechado de cumprimento de pena, pois o crime de roubo tem</p><p>assombrado a população do Rio de Janeiro, causando uma situação de insegurança em toda a</p><p>sociedade.</p><p>A defesa não apresentou recurso. O magistrado, então, recebeu o recurso de apelação do</p><p>Ministério Público e intimou, no dia 19 de outubro de 2015 (segunda-feira), sendo terça feira dia</p><p>útil em todo o país, você, advogado(a) de Rodrigo, para apresentar a medida cabível.</p><p>Com base nas informações expostas na situação hipotética e naquelas que podem ser inferidas</p><p>do caso concreto, redija a peça cabível, excluída a possibilidade de “habeas corpus”, no último</p><p>dia do prazo, sustentando todas as teses jurídicas pertinentes. (Valor: 5,00)</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>31</p><p>AO JUÍZO DA... VARA CRIMINAL DA COMARCA DO RIO DE JANEIRO/RJ</p><p>Processo nº...</p><p>RODRIGO, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com</p><p>procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, oferecer</p><p>as CONTRARRAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO, com base no artigo 600 do Código</p><p>de Processo Penal.</p><p>Nesse sentido, requer sejam recebidas, com posterior remessa ao Tribunal de</p><p>Justiça do Estado do Rio de Janeiro.</p><p>As presentes contrarrazões são tempestivas, já que oferecidas dentro do</p><p>prazo de 8 dias, previsto no artigo 600 do Código de Processo Penal.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., 27 de outubro de 2015.</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>32</p><p>EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO</p><p>Apelante: MINISTÉRIO PÚBLICO</p><p>Apelado: RODRIGO</p><p>CONTRARRAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO</p><p>Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro</p><p>Colenda Câmara Criminal</p><p>I) DOS FATOS</p><p>O réu foi denunciado pela prática do crime de roubo majorado, na forma do</p><p>artigo 157, §2º, incisos II e VII, do Código Penal.</p><p>Ao final da instrução, o Magistrado proferiu sentença condenatória, aplicando</p><p>a pena de 05 anos e 04 meses de reclusão, a ser cumprida em regime semiaberto, e 13</p><p>dias-multa.</p><p>Inconformado, o Ministério Público interpôs recurso de apelação,</p><p>acompanhado das respectivas razões recursais, no dia 30 de setembro de 2015.</p><p>O Magistrado recebeu o recurso de apelação do Ministério Público e intimou</p><p>a defesa para apresentar a medida cabível.</p><p>II) DO DIREITO</p><p>A) DA INTEMPESTIVIDADE DA APELAÇÃO</p><p>O recurso interposto pelo Ministério Público não pode ser conhecido, já que</p><p>interposto fora do prazo de 5 dias, previsto no artigo 593, “caput”, do Código Penal.</p><p>Isso porque o Ministério Público foi intimado da sentença no dia 14 de</p><p>setembro de 2015 e interpôs o recurso de apelação no dia 30 de setembro de 2015.</p><p>Logo, considerando que entre a data da intimação da sentença e da</p><p>interposição do recurso de apelação passaram mais de 05 dias, conclui-se que o recurso</p><p>de apelação interposto pelo Ministério Público é intempestivo.</p><p>Diante disso, o recurso de apelação não deve ser conhecido.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>33</p><p>B) DO AUMENTO DA PENA-BASE</p><p>A pena-base deve ser mantida no mínimo legal.</p><p>Isso porque, nos termos da Súmula 444 do Superior Tribunal de Justiça,</p><p>inquérito policiais, ações penais em curso e condenações ainda não transitadas em</p><p>julgado não autorizam o reconhecimento de circunstância judicial desfavorável como maus</p><p>antecedentes, sob pena de violação do princípio da presunção de inocência, previsto no</p><p>artigo 5º, inciso LVII, da Constituição Federal/88.</p><p>Logo, não há maus antecedentes, devendo a pena-base ser mantida no</p><p>mínimo legal.</p><p>C) DA AGRAVANTE DA GRAVIDEZ</p><p>Não deve ser reconhecida a agravante pela prática de crime contra a mulher</p><p>grávida, prevista no artigo 61, inciso II, alínea “h”, do Código Penal.</p><p>Isso porque o réu não tinha conhecimento de que a vítima estava grávida, já</p><p>que a própria vítima recém tinha saído do médico e tomado conhecimento de que estava</p><p>grávida de um mês, não sendo, portanto, possível verificar sinais visíveis de gravidez da</p><p>vítima.</p><p>Logo, não deve ser aplicada a agravante da gravidez.</p><p>D) DA AGRAVANTE DA EMBRIAGUEZ PREORDENADA</p><p>Não deve ser reconhecida a agravante da embriaguez preordenada, prevista</p><p>no artigo 61, inciso II, alínea “i”, do Código Penal.</p><p>Isso porque o réu não ingeriu bebida alcóolica com o objetivo de praticar crime</p><p>ou para tomar coragem para cometer delito, uma vez que bebeu em comemoração durante</p><p>evento festivo.</p><p>Logo, não se trata de embriaguez preordenada, mas voluntária ou, até mesmo,</p><p>culposa. Assim, não deve ser aplicada a agravante da embriaguez preordenada.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>34</p><p>E) DO AUMENTO DA PENA</p><p>Não deve ser reconhecida a majoração do quantum do aumento de pena</p><p>exclusivamente pelo fato de serem duas as majorantes.</p><p>Isso porque não é possível elevar ainda mais a pena, uma vez que a elevação</p><p>da fração da pena exige motivação idônea, não sendo suficiente fundamentar o aumento</p><p>apenas com base no número de majorantes, conforme a Súmula 443 do Superior Tribunal</p><p>de Justiça.</p><p>Logo, deve ser mantida a majoração da pena.</p><p>F) DO REGIME CARCERÁRIO</p><p>Deve ser mantido regime inicial semiaberto para cumprimento de pena.</p><p>Isso porque, nos termos da Súmula 718 e 719 do Supremo Tribunal Federal,</p><p>eventual gravidade em abstrato do delito não constitui motivação idônea para a fixação do</p><p>regime mais severo do que a pena aplicada permite.</p><p>Além disso, o Magistrado fixou a pena-base no mínimo legal, sendo, portanto,</p><p>vedada a fixação do regime mais severo do que a pena permite, com base na gravidade</p><p>em abstrato do delito, nos termos da Súmula 440 do Superior Tribunal de Justiça.</p><p>Logo, deve ser mantido o regime carcerário semiaberto na sentença.</p><p>III) DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, requer não seja conhecido, e, no mérito, IMPROVIDO o</p><p>recurso de apelação interposto, mantendo-se, por conseguinte, a decisão recorrida nos</p><p>seus exatos termos.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., 27 de outubro de 2015.</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>35</p><p>Como resolver recurso em sentido estrito contra decisão de pronúncia</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XXXIV EXAME OAB</p><p>Enunciado</p><p>Rodrigo foi denunciado pelo crime de homicídio simples consumado, com a causa de aumento</p><p>prevista na primeira parte do Art. 121, § 4º, do CP, perante o Tribunal do Júri da Comarca de</p><p>São Paulo. De acordo com o que consta na denúncia, no dia 26 de dezembro de 2019, em uma</p><p>boate localizada na cidade de São Paulo, Rodrigo teria desferido um soco na barriga de João,</p><p>além de ter lhe dado um empurrão, que fez com que a vítima caísse em cima da garrafa de vidro</p><p>que segurava. O corte gerado foi a causa eficiente da morte de João, conforme consta do laudo</p><p>acostado ao procedimento. Rodrigo teria sido encaminhado por seus amigos ao hospital após os</p><p>fatos, pois se mostrava descontrolado, não tendo prestado socorro à vítima, por isso, sendo</p><p>imputada a causa de aumento da primeira parte do Art. 121, § 4º, do CP.</p><p>Diante da inicial acusatória, Rodrigo procurou seu (sua) advogado(a), narrando que, no dia dos</p><p>fatos, câmeras de segurança registraram o momento em que uma pessoa desconhecida, de</p><p>maneira furtiva, teria colocado substâncias entorpecentes em sua bebida, o que teria causado</p><p>uma embriaguez completa. Rodrigo teria ficado descontrolado e, em razão disso, sem motivação,</p><p>teria desferido um soco na barriga de João, empurrando-o em seguida apenas para que, dele,</p><p>se afastasse, nem mesmo percebendo que a vítima estaria com uma garrafa de cerveja nas</p><p>mãos. Destacou sequer saber por que quis lesionar João, mas assegurou que o resultado morte</p><p>não foi pretendido e nem aceito pelo mesmo, que precisou, inclusive, ser submetido a tratamento</p><p>psicológico em razão dos fatos. Apresentou laudo do hospital, elaborado logo após o ocorrido,</p><p>constatando que estaria completamente embriagado em razão da ingestão daquela substância</p><p>entorpecente que teria sido colocada em sua bebida, bem como que, naquele momento, era</p><p>inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito dos fatos.</p><p>Após recebimento da denúncia, citação e apresentação de defesa, foi designada audiência de</p><p>instrução e julgamento, na primeira fase do procedimento do Tribunal do Júri, para oitiva das</p><p>testemunhas de acusação e defesa, além do interrogatório do réu. Os policiais responsáveis</p><p>pelas investigações e pela oitiva dos envolvidos, arrolados como testemunhas pelo Ministério</p><p>Público, informaram ao magistrado que se atrasariam para o ato judicial, pois estavam em</p><p>importante diligência. Não querendo fracionar a colheita da prova, o magistrado determinou a</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>36</p><p>oitiva das testemunhas de defesa antes das de acusação, apesar do registro do inconformismo</p><p>da defesa. Ao final, o réu foi interrogado. As provas colhidas indicaram que a versão apresentada</p><p>por Rodrigo ao seu advogado era totalmente verdadeira. Considerando que foi constatado o</p><p>desferimento do soco e do empurrão por parte de Rodrigo em João, após manifestação das</p><p>partes, o juiz pronunciou o acusado nos termos da denúncia. Intimado, o Ministério Público se</p><p>manteve inerte. Rodrigo e sua defesa técnica foram intimados da decisão em 05 de abril de 2021,</p><p>segunda-feira. Considerando apenas as informações expostas, apresente, na condição de</p><p>advogado(a) de Rodrigo, a peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus e embargos de</p><p>declaração, expondo todas as teses jurídicas de direito material e processual aplicáveis. A peça</p><p>deverá ser datada do último dia do prazo para interposição, devendo ser considerado que</p><p>segunda a sexta-feira são dias úteis em todo o país. (Valor: 5,00)</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>37</p><p>AO JUÍZO DA VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA DE SÃO</p><p>PAULO/SP</p><p>Processo nº</p><p>RODRIGO, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com</p><p>procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, interpor o</p><p>presente RECURSO EM SENTIDO ESTRITO, com base no artigo 581, inciso IV, do Código</p><p>de Processo Penal.</p><p>Nesse sentido, requer seja recebido o recurso e procedido o juízo de retratação,</p><p>nos termos do artigo 589 do Código de Processo Penal. Se mantida a decisão, requer seja</p><p>encaminhado o presente recurso, já com as razões</p><p>inclusas, ao Tribunal de Justiça do</p><p>Estado de São Paulo, para o devido processamento.</p><p>O presente recurso é tempestivo, já que interposto dentro do prazo de 5 dias,</p><p>previsto no artigo 586 do Código de Processo Penal.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento</p><p>Local..., 12 de abril de 2021.</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>38</p><p>EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO</p><p>Recorrente: RODRIGO</p><p>Recorrido: MINISTÉRIO PÚBLICO</p><p>Processo nº</p><p>RAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO</p><p>Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo</p><p>Colenda Câmara Criminal</p><p>I) DOS FATOS</p><p>O Ministério Público denunciou o recorrente pelo crime de homicídio simples</p><p>consumado, com a causa de aumento prevista na primeira parte do artigo 121, §4º, do</p><p>Código Penal.</p><p>Encerrada a instrução, o Magistrado proferiu decisão pronunciando o réu nos</p><p>termos da denúncia.</p><p>A defesa foi intimada da decisão no dia 05 de abril de 2021, segunda-feira.</p><p>II) DO DIREITO</p><p>A) DA NULIDADE DO PROCEDIMENTO</p><p>Deve ser declarada a nulidade da audiência de instrução.</p><p>Isso porque o magistrado determinou a oitiva das testemunhas de defesa antes</p><p>das de acusação, em virtude do atraso dos policiais arrolados pelo Ministério Público.</p><p>Todavia, conforme dispõe o artigo 411 do Código de Processo Penal, na audiência de</p><p>instrução e julgamento deverão ser ouvidas as testemunhas de acusação e defesa, nesta</p><p>ordem. Houve, portanto, violação ao princípio da ampla defesa e do contraditório, previsto</p><p>no artigo 5º, LV, da Constituição Federal.</p><p>Logo, deve ser reconhecida a nulidade da audiência de instrução e, por</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>39</p><p>consequência, da decisão de pronúncia, com base no artigo 564, IV, do Código de Processo</p><p>Penal.</p><p>B) DA EMBRIAGUEZ COMPLETA E ACIDENTAL</p><p>O réu agiu em embriaguez completa e acidental, em decorrência de caso</p><p>fortuito, causa de exclusão da culpabilidade, prevista no artigo 28, §1º, do Código Penal,</p><p>sendo, portanto, inimputável.</p><p>Isso porque, conforme laudo hospitalar elaborado logo após o ocorrido,</p><p>Rodrigo estava completamente embriagado, em razão de substância entorpecente que</p><p>havia sido inserida em sua bebida sem que ele percebesse, de modo que não entendia o</p><p>caráter ilícito dos fatos.</p><p>Logo, requer a absolvição sumária, nos termos do artigo 415, inciso IV, do</p><p>Código de Processo Penal</p><p>C) DA DESCLASSIFICAÇÃO</p><p>No caso de não ser reconhecida a absolvição sumária, deve ocorrer a</p><p>desclassificação para o crime de lesão corporal seguida de morte, prevista no artigo 129, §</p><p>3º, do Código Penal.</p><p>Isso porque, o réu não pretendia esse resultado e nem o aceitava. O réu agiu</p><p>para praticar lesão corporal, mas, sem que fosse a sua intenção, ocorreu a morte da vítima.</p><p>Dessa forma, caso não seja reconhecida a absolvição sumária, requer a</p><p>desclassificação para o crime de lesão corporal seguida de morte, previsto no artigo 129,</p><p>§3º, do Código Penal, com a remessa do processo ao Juízo competente, já que não se trata</p><p>de crime doloso contra a vida, nos termos do artigo 419 do Código de Processo Penal.</p><p>D) DO AFASTAMENTO DA CAUSA DE AUMENTO</p><p>Deve ser afastada a causa de aumento de pena imputada ao réu, já que não</p><p>se aplica no caso o artigo 121, §4º, do Código penal.</p><p>Isso porque essa causa de aumento somente é aplicável ao crime de</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>40</p><p>homicídio culposo conforme se extrai da primeira parte do artigo 121, §4º, do Código Penal.</p><p>No caso, o delito imputado ao recorrente foi de homicídio doloso, sendo inaplicável a causa</p><p>de aumento de pena.</p><p>Logo, requer seja afastada a causa de aumento de pena.</p><p>III) DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, requer seja CONHECIDO e PROVIDO o presente recurso, com</p><p>a reforma da decisão de 1º grau, para o fim de que:</p><p>a) Seja reconhecida a nulidade dos atos praticados desde a audiência de</p><p>instrução e julgamento;</p><p>b) Seja o réu absolvido sumariamente, com fundamento no artigo 415, inciso</p><p>IV, do Código de Processo Penal;</p><p>c) Seja desclassificado o delito de homicídio simples consumado para o crime</p><p>de lesão corporal seguida de morte, com a consequente remessa para o juízo comum, na forma</p><p>do artigo 419 do Código de Processo Penal;</p><p>d) Seja afastada a causa de aumento de pena, previsto no artigo 121, §4º, do</p><p>Código Penal.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., 12 de abril de 2021</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>41</p><p>Como resolver resposta à acusação no procedimento do júri</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XXVIII EXAME OAB (Adaptada)</p><p>Enunciado</p><p>Túlio, nascido em 01/01/1996, primário, começa a namorar Joaquina, jovem que recém</p><p>completou 15 anos. Logo após o início do namoro, ainda muito apaixonado, é surpreendido pela</p><p>informação de que Joaquina estaria grávida de seu ex-namorado, o adolescente João, com quem</p><p>mantivera relações sexuais. Joaquina demonstra toda a sua preocupação com a reação de seus</p><p>pais diante desta gravidez quando tão jovem e, em desespero, solicita ajuda de Túlio para</p><p>realizar um aborto.</p><p>Diante disso, no dia 03/01/2014, em Porto Alegre, Túlio adquire remédio abortivo cuja venda era</p><p>proibida sem prescrição médica e o entrega para a namorada, que, de imediato, passa a fazer</p><p>uso dele. Joaquina, então, expele algo não identificado pela vagina, que ela acredita ser o feto.</p><p>Os pais presenciam os fatos e levam a filha imediatamente ao hospital; em seguida, comparecem</p><p>à Delegacia e narram o ocorrido. No hospital, foi informado pelos médicos que, na verdade,</p><p>Joaquina possuía um cisto, mas nunca estivera grávida, e o que fora expelido não era um feto.</p><p>Em face disso, foi determinada realização de perícia. Como não havia perito oficial na comarca,</p><p>o inquérito policial demorou para ser concluído, sendo acostados ao procedimento investigatório</p><p>o laudo médico pericial, no qual consta a informação de que Joaquina não estivera grávida no</p><p>momento dos fatos, a Folha de Antecedentes Criminais de Túlio sem outras anotações e um</p><p>exame de corpo de delito, que indicava que o remédio utilizado não causara lesões na</p><p>adolescente. Após conclusão do inquérito policial, no dia 20/01/2018, Túlio vem a ser denunciado</p><p>pelo crime do Art. 126, caput, c/c. o Art. 14, inciso II, ambos do Código Penal, perante o juízo do</p><p>Tribunal do Júri da Comarca de Porto Alegre/RS, não sendo oferecido qualquer instituto</p><p>despenalizador, apesar do reclamo defensivo. A denúncia foi recebida em 22/01/2018. O réu foi</p><p>citado no dia 18 de junho de 2018, segunda-feira.</p><p>Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado(a) de Túlio, redija a</p><p>peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus, apresentando todas as teses jurídicas</p><p>pertinentes. A peça deverá ser datada no último dia do prazo para interposição, considerando-</p><p>se que todos os dias de segunda a sexta-feira são úteis em todo o país. (Valor: 5,00)</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>42</p><p>AO JUÍZO DA VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA DE PORTO</p><p>ALEGRE/RS</p><p>Processo nº ...</p><p>TÚLIO, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com</p><p>procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, apresentar</p><p>RESPOSTA À ACUSAÇÃO, com base no artigo 406 do Código de Processo Penal, pelos</p><p>fatos e fundamentos a seguir expostos:</p><p>I) DA TEMPESTIVIDADE</p><p>A presente peça é tempestiva, uma vez que apresentada dentro do prazo de</p><p>10 dias, na forma do artigo 406 do Código de Processo Penal.</p><p>II) DOS FATOS</p><p>O Ministério Público denunciou o réu pelo crime de tentativa de aborto,</p><p>previsto no artigo 126, caput, combinado com artigo 14, inciso II, ambos do Código Penal.</p><p>A denúncia foi recebida no dia 22 de janeiro de 2018.</p><p>O réu foi citado</p><p>no dia 18 de junho de 2018, segunda-feira.</p><p>III) DO DIREITO</p><p>A) DA SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO</p><p>O Ministério Público deixou de oferecer a suspensão condicional do processo,</p><p>mesmo sendo postulado pela defesa. Todavia, nos termos do artigo 89 da Lei nº 9.099/95,</p><p>caberá ao Ministério Público oferecer proposta suspensão condicional do processo quando</p><p>a pena mínima cominada ao delito imputado for de até 01 ano, abrangidos ou não por esta</p><p>Lei, preenchidos os demais requisitos legais, dentre os quais se destacam a primariedade</p><p>e a presença dos requisitos do artigo 77 do Código Penal.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>43</p><p>O réu faz jus ao benefício, pois o crime de aborto tentando pelo qual foi</p><p>denunciado possui pena mínima não superior a um ano. Além disso, o recorrente é primário</p><p>e de bons antecedentes, conforme folha de antecedentes criminais sem outras anotações</p><p>juntada no processo.</p><p>Logo, deve ser declarada a nulidade do recebimento da denúncia, uma vez</p><p>que não foi oferecida a proposta de suspensão condicional do processo.</p><p>B) DA PRESCRIÇÃO</p><p>O réu foi denunciado pela prática do crime do artigo 126, caput, combinado</p><p>com artigo 14, inciso II, ambos do Código Penal. A pena máxima do delito de aborto é 04</p><p>anos de reclusão. Logo, o prazo prescricional é de 8 anos, nos termos do artigo 109, inciso</p><p>IV, do Código Penal.</p><p>Todavia, como o réu era menor de 21 anos de idade à época do fato, o prazo</p><p>prescricional deverá ser contado pela metade, forte artigo 115 do Código Penal. Assim o</p><p>prazo prescricional, no caso, é de 04 anos.</p><p>Entre a data da consumação do delito, dia 03 de janeiro de 2014, e a do</p><p>recebimento da denúncia, 22/01/2018, decorreram mais de 04 anos, configurando a</p><p>prescrição da pretensão punitiva em abstrato do delito em tela.</p><p>Sendo assim, incidiu a causa de extinção da punibilidade pela prescrição,</p><p>devendo o réu ser absolvido sumariamente, nos termos do artigo 397, IV, do Código de</p><p>Processo Penal.</p><p>C) DO CRIME IMPOSSÍVEL</p><p>O réu foi denunciado pelo crime de tentativa de aborto. Todavia, conforme</p><p>boletim de atendimento médico, Joaquina não estava grávida no momento dos fatos. Nos</p><p>termos do artigo 17 do Código Penal, não se pune a tentativa quando, por ineficácia</p><p>absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o</p><p>delito. Trata-se, portanto, de crime impossível.</p><p>No caso, há impropriedade absoluta do objeto, já que Joaquina não estava</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>44</p><p>grávida para causar o aborto. O reconhecimento do crime impossível gera a atipicidade da</p><p>conduta e, consequentemente, a absolvição sumária pelo fato evidentemente não constituir</p><p>crime, com base no artigo 397, inciso III, do Código de Processo Penal.</p><p>IV) DO PEDIDO</p><p>Ante o exposto, requer:</p><p>a) Seja reconhecida a nulidade dos atos processuais, com oferecimento</p><p>de proposta de suspensão condicional do processo;</p><p>b) Absolvição sumária, com base no artigo 397, inciso III, do Código de</p><p>Processo Penal;</p><p>c) Absolvição sumária, com base no artigo 397, inciso IV, do Código de</p><p>Processo Penal.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local..., 28 de junho de 2018.</p><p>Advogado...</p><p>OAB...</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>45</p><p>Como resolver memoriais no procedimento do júri</p><p>PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XXVIII EXAME OAB (Adaptada)</p><p>Memoriais no tribunal do júri</p><p>Enunciado</p><p>Túlio, nascido em 01/01/1996, primário, começa a namorar Joaquina, jovem que recém</p><p>completou 15 anos. Logo após o início do namoro, ainda muito apaixonado, é surpreendido pela</p><p>informação de que Joaquina estaria grávida de seu ex-namorado, o adolescente João, com quem</p><p>mantivera relações sexuais. Joaquina demonstra toda a sua preocupação com a reação de seus</p><p>pais diante desta gravidez quando tão jovem e, em desespero, solicita ajuda de Túlio para</p><p>realizar um aborto.</p><p>Diante disso, no dia 03/01/2014, em Porto Alegre, Túlio adquire remédio abortivo cuja venda era</p><p>proibida sem prescrição médica e o entrega para a namorada, que, de imediato, passa a fazer</p><p>uso dele. Joaquina, então, expele algo não identificado pela vagina, que ela acredita ser o feto.</p><p>Os pais presenciam os fatos e levam a filha imediatamente ao hospital; em seguida, comparecem</p><p>à Delegacia e narram o ocorrido. No hospital, foi informado pelos médicos que, na verdade,</p><p>Joaquina possuía um cisto, mas nunca estivera grávida, e o que fora expelido não era um feto.</p><p>Após investigação, no dia 20/01/2014, Túlio vem a ser denunciado pelo crime do Art. 126, caput,</p><p>c/c. o Art. 14, inciso II, ambos do Código Penal, perante o juízo do Tribunal do Júri da Comarca</p><p>de Porto Alegre/RS, não sendo oferecido qualquer instituto despenalizador, apesar do reclamo</p><p>defensivo. A inicial acusatória foi recebida em 22/01/2014.</p><p>Durante a instrução da primeira fase do procedimento especial, são ouvidas as testemunhas e</p><p>Joaquina, assim como interrogado o réu, todos confirmando o ocorrido. Foram juntados aos</p><p>autos o boletim de atendimento médico de Joaquina, no qual consta a informação de que ela</p><p>não estivera grávida no momento dos fatos, a Folha de Antecedentes Criminais de Túlio sem</p><p>outras anotações e um exame de corpo de delito, que indicava que o remédio utilizado não</p><p>causara lesões na adolescente. Encerrada a instrução, o Ministério Público pugnou pela</p><p>pronúncia, nos termos da denúncia. A defesa foi intimada para se manifestar no dia seja, 18 de</p><p>junho de 2018, segunda-feira.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>46</p><p>Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado(a) de Túlio, redija a</p><p>peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus, apresentando todas as teses jurídicas</p><p>pertinentes. A peça deverá ser datada no último dia do prazo para interposição, considerando-</p><p>se que todos os dias de segunda a sexta-feira são úteis em todo o país. (Valor: 5,00)</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>47</p><p>AO JUÍZO DA VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA DE PORTO</p><p>ALEGRE/RS</p><p>Processo nº ...</p><p>TÚLIO, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com</p><p>procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, apresentar</p><p>MEMORIAIS, com base no artigo 403, § 3º, do Código de Processo Penal, pelos fatos e</p><p>fundamentos a seguir expostos:</p><p>I) DA TEMPESTIVIDADE</p><p>Os presentes memoriais são tempestivos, uma vez que apresentada dentro do</p><p>prazo de 5 dias, na forma do artigo 403, § 3º, do Código de Processo Penal.</p><p>II) DOS FATOS</p><p>O Ministério Público denunciou o recorrente pelo crime de tentativa de aborto,</p><p>previsto no artigo 126, caput, combinado com artigo 14, inciso II, ambos do Código Penal.</p><p>Durante a instrução, foram ouvidas as testemunhas e Joaquina, bem ainda</p><p>realizado o interrogatório. Encerrada a instrução, o Ministério Público pugnou pela</p><p>pronúncia nos termos da denúncia.</p><p>A defesa foi intimada da decisão no dia 18 de junho de 2018, segunda-feira.</p><p>III) DO DIREITO</p><p>A) DA PRESCRIÇÃO</p><p>O réu foi denunciado pela prática do crime do artigo 126, caput, combinado com</p><p>artigo 14, inciso II, ambos do Código Penal. A pena máxima do delito de aborto é 04 anos</p><p>de reclusão. Logo, o prazo prescricional é de 8 anos, nos termos do artigo 109, inciso IV,</p><p>do Código Penal.</p><p>2ª Fase Penal | 41º Exame de Ordem</p><p>Como resolver peças</p><p>48</p><p>Todavia, como o réu era menor de 21 anos de idade à época do fato, o prazo</p><p>prescricional deverá ser contado pela metade, forte artigo 115 do Código Penal. Assim o</p><p>prazo prescricional, no caso, é de 04 anos.</p><p>Entre a data de recebimento da denúncia, 22/01/2014, até a data de publicação</p><p>da sentença de pronúncia, dia 18/06/2018, decorreram mais de 04 anos, configurando a</p><p>prescrição</p>

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