Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

Prévia do material em texto

Programa de Apoio à Produção de Material Didático
Sarita Leonel
Aloísio Costa Sampaio
ABACATE:
ASPECTOS TÉCNICOS DA PRODUÇÃO
 
Ficha catalográfica elaborada pela Coordenadoria Geral de Bibliotecas da Unesp
 
L583a Leonel, Sarita
 Abacate : aspectos técnicos da produção / Sarita 
Leonel, Aloísio Costa Sampaio. – São Paulo : 
Universidade Estadual Paulista : Cultura Acadêmica 
Editora, 2008
 239 p.
 ISBN 978-85-98605-44-9
 
 1. Abacate – produção. I. Sampaio, Aloísio Costa. II. 
Título.
 CDD 634.653
 
Universidade Estadual Paulista
Reitor
Marcos Macari
Vice-Reitor
Herman Jacobus Cornelis Voorwald
Chefe de Gabinete
Kléber Tomás Resende
Pró-Reitora de Graduação
Sheila Zambello de Pinho
Pró-Reitora de Pós-Graduação
Marilza Vieira Cunha Rudge
Pró-Reitor de Pesquisa
José Arana Varela
Pró-Reitoria de Extensão Universitária
Pró-Reitora
Maria Amélia Máximo de Araújo
Pró-Reitoria de Administração
Pró-Reitor
Julio Cezar Durigan
Secretaria Geral
Secretária Geral
Maria Dalva Silva Pagotto
Cultura Acadêmica Editora
Praça da Sé, 108 - Centro
CEP: 01001-900 - São Paulo-SP
Telefone: (11) 3242-7171
 
APOIO:
FUNDAÇÃO EDITORA DA UNESP 
FUNDAÇÃO PARA O VESTIBULAR DA UNESP - VUNESP
CGB - COORDENADORIA GERAL DE BIBLIOTECAS
COMISSÃO EXECUTIVA
Elizabeth Berwerth Stucchi
José Roberto Corrêa Saglietti
Klaus Schlünzen Junior
Leonor Maria Tanuri
APOIO TÉCNICO
Cecilia Specian
Ivonette de Mattos
José Welington Gonçalves Vieira
PROJETO GRÁFICO
SUMÁRIO
Mercado nacional para o abacate.................................... 7
Botânica e biologia reprodutiva do abacateiro.................... 17
Ecofisiologia do abacateiro............................................. 25
Principais variedades de abacateiro................................. 37
Propagação do abacateiro.............................................. 65
Planejamento e instalação de pomares de abacateiro........... 75
Viabilidade econômica da irrigação no abacateiro.............. 81
Nutrição e adubação do abacateiro.................................. 113
Adubação orgânica do abacateiro.................................... 125
Manejo de culturas intercalares no pomar de abacateiro...... 137
Sistema de podas e reguladores vegetais no manejo da copa 
do abacateiro............................................................... 153
Doenças do abacateiro................................................... 167
Principais pragas do abacateiro....................................... 175
Colheita do abacate....................................................... 185
Pós-colheita do abacate.................................................. 199
Abacate como fonte terapêutica...................................... 215
SOBRE OS ORGANIZADORES
Sarita Leonel, Engenheira Agrônoma, Mestre e Doutora em 
Agronomia/Horticultura pela Faculdade de Ciências Agronômicas da 
UNESP, câmpus de Botucatu/SP. Professor Adjunto do Departamento 
de Produção Vegetal, setor Horticultura da FCA/UNESP/Botucatu. 
Vice-coordenadora do Programa de pós-graduação em Horticultura. 
Atua em nível de graduação e pós-graduação na área de fruticultura.
Aloísio Costa Sampaio, Agrônomo, Mestre em Produção Veg-
etal pela FCAV/Unesp/Jaboticabal, Doutor em Horticultura pela FCA/
Unesp/Botucatu. Docente do Departamento de Ciências Biológicas 
da Unesp/FC/Bauru e do Curso de Pós-graduação em Horticultura 
da FCA/Unesp/Botucatu. Coordena o grupo de pesquisa e extensão: 
Biologia aplicada à agricultura.
MERCADO NACIONAL E MUNDIAL PARA O ABA-
CATE 
Angela Vacaro de Souza1
Dentre as atividades agropecuárias, a fruticultura é uma das 
maiores demandadoras de mão-de-obra. Num país que apresenta 
grande carência de emprego e de melhores condições de vida no meio 
rural, esse seu potencial empregador pode contribuir para minimizar 
problemas como o êxodo rural, o desemprego permanente ou sazonal 
e a baixa geração de renda pelo segmento produtivo.
Apesar do desenvolvimento, inclusive com a adoção de programas 
de qualidade e rastreabilidade das frutas (PIF - Produção Integrada de 
Frutas), que atendem a mercados mais exigentes, é fato que a oferta 
de informações, para embasar a tomada de decisão dos empresários 
nos vários segmentos da cadeia produtiva ainda é bastante escassa no 
país. Foram poucos instrumentos disponibilizados nos últimos anos 
para uma avaliação mais precisa dos mercados, suas oportunidades e 
riscos, frente às várias opções de fruteiras cultiváveis no país.
Nesse ambiente, podemos esperar que momentos de dificuldade 
possam surgir em um futuro próximo para algumas espécies ou varie-
dades de frutas, já que o crescimento observado na atividade não foi 
planejado de acordo com a evolução dos mercados.
Outro fator de risco, que deve ser considerado, é a concentração 
da produção de algumas fruteiras em poucas variedades, já que podem 
haver riscos sanitários, caso surjam pragas que afetem fortemente essas 
variedades, ou de mercado, com a queda na aceitação da variedade, 
pelo surgimento de outra com características melhores, ou pela simples 
substituição, pelo consumidor, por outras frutas.
Recente estudo realizado pela Organização das Nações Unidas para 
Agricultura e Alimentação (FAO, 2004) indica uma excelente perspec-
tiva para a demanda de frutas tropicais nos principais mercados, pre-
vendo uma taxa anual média de 8% para o crescimento das impor-
tações mundiais até 2010. O mesmo estudo, no entanto, alerta para 
a necessidade de investimentos no controle de qualidade, ao mesmo 
1Eng. Agrônoma, Mestranda pelo Departamento de Produção Vegetal – Horticultura, Faculdade de Ciências 
Agronômicas/FCA/UNESP – C.P. 237 – CEP 18.610-307- Botucatu, SP – angelavacaro@hotmail.com.
8 • ABACATE
tempo que crescem as barreiras não tarifárias nos principais países 
importadores.
Os produtores brasileiros vêm investindo pesadamente, com o 
apoio do governo federal, na produção e pós-colheita, para adequar 
nossas frutas às exigências dos principais mercados e têm buscado 
ampliar os mercados compradores, através de ações de promoção.
Originário da américa tropical, de regiões colonizadas pelos espa-
nhóis, o abacate se espalhou até a América do Sul chegando a Amazônia, 
podendo ser encontrado em todas as regiões do globo que possuem 
solos férteis e onde haja calor que lhe seja suficiente.
Considerado uma das frutas tropicais mais valiosas, o abacateiro 
é cultivado na maioria das regiões tropicais e subtropicais, princi-
palmente no México, América Central, partes das América do Sul, 
nas Índias Ocidentais, África do Sul, Israel e no Havaí; e em menor 
expressão, na Índia, República Malgache, Reunião, Madeira, Samoa, 
Taiti, Argélia, Austrália, EUA (Flórida e Califórnia), entre ou-tros 
(TEIXEIRA, 1991). 
Certamente, o primeiro fator a ser considerado, durante a escolha 
do local é o mercado final para o cultivar que se pretende plantar. O 
abacateiro somente inicia sua produção a partir de 3-4 anos de idade, 
atingindo o pico aos 15 anos, requerendo-se desse modo, uma escolha 
cuidadosa. O mercado deve ser analisado a nível local, estadual, na-
cional e internacional. É necessário estudar a evolução dos preços 
nos últimos anos, e realizar projeções com relação às tendências ou 
comportamentos futuros. 
O padrão de fruta exigido pelo mercado a que se pretende atingir 
deve ser levado em conta. Nos países europeus e América do Norte, a 
preferência é por frutos pequenos com alto teor de óleo. O consumidor 
brasileiro, ao contrário, prefere frutos grandes e com baixo teor de óleo. 
Cultivares precoces ou tardias, comercializadas no início ou final da 
safra são preferidas por alcançarem melhores preços para a produção. 
Além disso,a precocidade pode ser acentuada se o plantio for realizado 
em regiões com altas temperaturas, e a colheita dos cultivares tardios 
pode ser retardada pelo plantio em regiões mais frias. Todavia, estes 
cultivares podem ser menos produtivos (KOLLER, 1984). 
O agronegócio frutícola no Brasil apresentou grande dinamismo 
nos últimos 15 anos, o que permitiu ao país atender boa parte da de-
9 MERCADO NACIONAL E INTERNACIONAL •
manda interna de frutas in natura e derivados e, ainda assim, ampliar 
sua participação no mercado mundial desses produtos, principalmente 
de frutas tropicais. A safra brasileira de frutas alcançou o volume re-
corde de 41,4 milhões de toneladas em 2004. 
O Brasil destina 52,5% da sua produção de frutas para o consumo 
in natura (interno e externo) e 47,5% para o processamento industrial 
(LIMA, 1999). As frutas destinadas ao consumo in natura são volta-
das, em sua quase totalidade, para o mercado interno, com exceção do 
melão que tem 24% da produção voltada à exportação. Especialistas 
do setor em todo o mundo desenham um cenário bastante positivo para 
o comércio internacional de frutas e os principais indicadores com-
provam, destacando-se as frutas tropicais, cuja demanda nos países 
desenvolvidos é crescente.
Segundo o Agrianual (2007), a produção mundial de abacate foi 
de 3,2 milhões de toneladas no ano de 2005. Do ano de 1998 até 2005 
a produção mundial da fruta apresentou um aumento substancial de 
cerca de 30% enquanto que a área colhida mundial no mesmo ano teve 
um aumento de cerca de 20%
O abacate é consumido como alimento sob diversas formas no 
Norte da América do Sul, América Central e México, tais como, purê, 
saladas, temperado com sal, pimenta, vinagre e outros condimentos, 
além de outros pratos, nas diversas refeições do dia (KOLLER, 1984). 
Além do seu valor na alimentação, o abacate tem sido aproveitado 
para várias outras aplicações: da polpa obtêm-se óleos comerciais; da 
semente produz-se uma tinta castanho-arroxeada; as flores odoríferas 
fazem do abacateiro uma planta melífera, e outras partes da planta, tais 
como: folhas, caroços, casca dos frutos e casca do tronco, têm sido 
utilizadas pela medicina popular (Teixeira, 1991). 
Segundo Donadio (1995), apesar do grande volume produzido por 
países americanos como o Brasil e o México (maior produtor mun-
dial), apenas os EUA, entre os países americanos, tem sua produção 
voltada para a exportação, sendo o principal fornecedor do Japão. O 
mercado externo é bastante exigente no tocante a padrões de quali-
dade e variedades específicas. Destacam-se na produção destinada à 
exportação, Israel, Espanha e África do Sul. A importação européia, 
que ao final da década de 60 era apenas de 10 mil toneladas, conforme 
Donadio (1995), chegou a mais de 120 mil toneladas no final da dé-
10 • ABACATE
cada de 80, projetando um volume de 275 mil toneladas anuais para 
o final da década de 90. Segundo uma análise de mercado feita pelos 
espanhóis, os preços caíram e persistem com tendência de queda, mas 
ainda assim, são atraentes. Ainda de acordo com este autor, o mercado 
europeu é considerado pequeno em termos de consumo per capita por 
ano, que está em torno de 100g. Donadio (1995) lembra que o abacate 
não é consumido na Europa como fruta, mas sim, como hortaliça, em 
entradas, saladas e outros pratos. O mercado externo do abacate tem 
mostrado crescimento devido, principalmente, a fatores que incluem 
avanços nas tecnologias de pós-colheita e no sistema de transporte 
marítimo; reduções contínuas de barreiras comerciais; forte demanda 
pelo consumo de abacate baseado, entre outros motivos, pela divul-
gação dos benefícios do consumo da fruta na saúde, além do aumento 
de áreas e incentivos nos maiores países produtores, particularmente 
México e Chile, que devem continuar na liderança dos países exporta-
dores (Evans e Nalampang, 2006). Vilela et al. (2005) ao avaliarem as 
tendências de mercado, desenvolveram uma tabela de risco, alertando 
para as culturas e condições econômicas que poderiam significar maior 
ou menor grau de risco futuro aos produtores e definiraram três grupos 
de fruteiras, distinguidos pelo grau de risco futuro projetado de mer-
cado. No primeiro, onde foram listadas as culturas com menor risco de 
mercado estão o abacate e a banana. Estes produtos apresentaram taxa 
negativa de crescimento da produção entre 1990 e 2003 e, em qualquer 
cenário econômico futuro, a demanda supera a produção. No segundo 
grupo, o das culturas com risco futuro aumentado em condições de 
baixo crescimento econômico, estão goiaba, limão e uva; são produtos 
com baixo consumo per capita e/ou alto valor agregado, exigindo maior 
capacidade de compra para incorporação na dieta dos consumidores. 
Em cenários de menor crescimento econômico poderá haver excesso 
de oferta no mercado interno entre 2010 e 2015. O terceiro grupo de 
culturas que, mesmo com elevadas taxas de crescimento da economia, 
apresentam maior risco de excesso de oferta no mercado interno são o 
abacaxi, coco, mamão, manga, maracujá, pêssego e tangerina. 
Em relação ao aproveitamento industrial, apesar das qualidades 
para o aproveitamento desta fruta, não há grande demanda no mercado 
mundial para este fim (DONADIO, 1995). 
O maior produtor mundial é o México ficando o Brasil em quarto 
11 MERCADO NACIONAL E INTERNACIONAL •
lugar no ranking, com uma produção, em 2006, de 169.335 toneladas 
em área de 11.548 ha, para uma produção mundial de aproximada-
mente 3,3 milhões de toneladas e área de 346 mil ha (FAO, 2007). 
No Brasil, a abacaticultura teve grande desenvolvimento na década 
de 1970 devido aos incentivos fiscais concedidos pelo Governo Fede-
ral, dentro do programa de reflorestamento do Instituto Brasileiro de 
Desenvolvimento Florestal (IBDF), que financiou pomares com ca-
racterísticas comerciais a partir de mudas enxertadas (Campos, 1984). 
Segundo dados do Agrianual (2007), para o ano de 2005, a situação 
econômica da cultura nos principais países produtores da cultura em 
produção (ton) e área (ha) estão descritos na Tabela 1.
Tabela 1: Situação econômica mundial da cultura do abacate. 
SITUAÇÃO ECONÔMICA DA CULTURA
País Área (ha) Produção (ton)
México 100.000 987.000
Indonésia 41.232 263.575
Estados Unidos 28.000 247.000
Brasil 12.000 185.811
Africa do Sul 12.500 182.000
Mundo 389.247 3.229.121
 Fonte: Agrianual 2007.
Embora o Brasil esteja bem posicionado na classificação dos 
maiores produtores, exportou em 2003 apenas cerca de US$ 302 mil 
(SECEX, 2003). Com certeza grande parte deste volume exportado, 
deve-se ao trabalho da Fazenda Jaguacy, localizada no Município de 
Bauru (SP), que cultiva o cv. Hass desde 1980. Atualmente, a Jaguacy 
Brasil através de um sistema de parceria conta com 20 produtores 
associados distribuídos pelo Estado de São Paulo, sendo apenas um 
produtor no Estado de Minas Gerais. As áreas produtivas dos parceiros da 
Jaguacy Brasil variam de 05 a 170 hectares em produção. A safra de 2006 
do cv. Hass produzido pelos parceiros e comercializado pela Jaguacy Bra-
sil foi de mil toneladas da fruta, sendo 86% destinada à exportação e 14% 
ao mercado doméstico (Informação pessoal de Vitor Carvalho, 2007).
12 • ABACATE
O México é o maior exportador e a França, o maior importador. 
Assim, a produção brasileira é praticamente destinada ao mercado 
nacional. No Estado de São Paulo, na Companhia de Entrepostos e 
Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP), o comércio de abacate 
encontra-se concentrado em poucos atacadistas. Nos últimos cinco 
anos os cultivares mais comercializados foram: Geada e Fortuna. 
A produção brasileira está distribuída principalmente pela Região 
Sudeste, seguida pelo Nordeste e Sul, sendo o Estado de São Paulo o 
maior produtor, com produção em 2005, de 79 miltoneladas (46% do 
total nacional). O segundo Estado produtor, Minas Gerais, apresenta 
participação ao redor de 20%, seguido pelo Paraná com 12%, Espírito 
Santo com 5% e o Rio Grande do Sul com 4,7% (Agrianual, 2007). O 
Mercado interno é o maior consumidor da fruta. A tabela 2 mostra a 
produção brasileira (ton) da fruta dividida por região de cultivo.
Tabela 2: Produção brasileira de abacate (ha) e área colhida.
PRODUÇÃO BRASILEIRA E ÁREA COLHIDA – 2005
Região Produção (ton) Área colhida (ha)
Norte 4.599 700
Nordeste 9.074 946
Sudeste 123.467 7.918
Sul 30.350 2.218
Cento-oeste 3.044 151
Brasil 17.534 11.933
 Fonte: Agrianual 2007.
Diferenças nos rendimentos agrícolas entre os Estados devem-se, 
principalmente, às formas de cultivo, de tratos culturais além da di-
versidade de cultivares em função das preferências dos consumidores 
das várias regiões.
No Estado de São Paulo, 16% da área com abacate é colhida no 
mês de abril, seguida por 13% em março e 11% em fevereiro, porém a 
colheita de abacate no Brasil é feita o ano todo. Isto é possível através 
do plantio de diferentes variedades.
Levando em consideração os estados maiores produtores da fruta, 
segue a tabela 3 mostrando a situação econômica da cultura em área 
13 MERCADO NACIONAL E INTERNACIONAL •
colhida (ha) e produção (ton).
Tabela 3: Situação econômica da cultura em 2005.
SITUAÇÃO ECONÔMICA DA CULTURA
Estado Área (ha) Produção (ton)
São Paulo 4.458 79.864
Minas Gerais 2.705 34.361
Paraná 1.567 22.034
Espírito Santo 715 8.555
Brasil 11.933 17.534
 Fonte: Agrianual 2007.
 A cultura do abacate pode ser encontrada em praticamente todo 
o Estado de São Paulo, porém 75% da área total cultivada encontra-se 
em 39 municípios, sendo os principais, Mogi-Mirim e Jardinópolis. O 
plantio de novas áreas nos primeiros anos da década de 1990 justificou 
o aumento dos rendimentos a partir de 2001.
O Brasil é um país que tem a sua produção voltada principalmente 
para o mercado interno. Por isso, a lista de variedades tende a aumentar 
muito devido à seleção local. As variedades locais são importantes por 
sua adaptação às condições climáticas, hábitos de consumo, resistência 
a doenças, qualidade, aparência e conservação pós-colheita. No Brasil, 
destacam-se as variedades Quintal e Fortuna.
A definição das zonas climáticas de maturação de abacate no Es-
tado de São Paulo é de grande importância prática, pois permite a 
escolha das variedades que produzam, em uma determinada região, 
exatamente na época em que os preços de mercado sejam mais com-
pensadores. 
A época de maturação das variedades de abacate no Estado de São 
Paulo é bastante diferenciada em suas diversas regiões ecológicas. Isso 
se deve basicamente ao efeito da temperatura do ar sobre o desenvol-
vimento da planta, principalmente no período entre o florescimento e 
a maturação (LUCCHESI & MONTENEGRO, 1975).
Montenegro (1956), em levantamentos do número de abacateiros 
do Estado de São Paulo, verificou que uma mesma variedade ama-
durecia em épocas diferentes nas distintas regiões do Estado. Baseado 
14 • ABACATE
nessas observações, regionalizou o Estado de São Paulo em cinco 
zonas de maturação: 1) Zona de Ribeirão Preto; 2) Zona de Limeira; 
3) Zona de Valinhos; 4) Zona de Buri e 5) Zona de São Sebastião. 
Trabalho semelhante foi realizado por Platt (1975) para abacateiros 
na Califórnia (EUA).
O zoneamento feito por Montenegro (1956), que representou im-
portante contribuição na implantação e desenvolvimento da abacati-
cultura paulista, sendo até hoje bastante utilizado por extensionistas 
e produtores, é pouco detalhado, pois coloca em uma mesma zona 
de maturação regiões climáticas bastante distintas. Este é o caso das 
regiões de Franca e de Votuporanga, situadas na Zona de Ribeirão Pre-
to, porém com características climáticas diferentes. Esses equívocos 
provavelmente se devem à pequena disponibilidade de informações 
sobre o desenvolvimento da planta nas diferentes regiões do Estado 
na época em que o estudo foi realizado.
Atualmente, técnicas como a estimativa da temperatura média em 
função de variáveis geográficas (PEDRO JR. et al, 1991) e o conceito 
dos Graus-dia (HOLMES & ROBERTSON, 1959) permitem a obten-
ção de resultados mais precisos e detalhados do desenvolvimento das 
plantas nas diferentes regiões ecológicas.
Os cultivares mais utilizados no mercado interno são: Simmonds, 
Barbieri, Collinson, Quintal, Fortuna, Breda, Reis, Solano, Imperador, 
Ouro Verde e Campinas. No mercado externo e para a industrialização 
são mais empregados os cultivares: Tatuí, Hass e Wagner. As varie-
dades Hass e Fuerte vêm sendo comercializadas no mercado nacional 
sob a denominação “Avocado” e por serem cultivares diferenciados 
têm sido mais valorizados. As variedades: Ouro Verde, Geada e For-
tuna são mais comerciáveis no exterior, devido ao seu formato. 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AGRIANUAL. Anuário da Agricultura Brasileira. 10. ed. São Paulo: 
FNP Consultoria & Agroinformativos, 2007. p. 142-144.
CAMPOS, J. S. Abacaticultura paulista. Campinas: CATI, 1984. 
92p. (Boletim Técnico, 181).
 
15 MERCADO NACIONAL E INTERNACIONAL •
DONADIO, L. C. Abacate para exportação: aspectos técnicos da 
produção. 2a. ed. rev aum. Publicações técnicas FRUPEX, n º 2. 
Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, 
Secretaria de Desenvolvimento Rural, Programa de Apoio à Produção 
e Exportação de Frutas, Hortaliças, Flores e Plantas Ornamentais. Bra-
sília. EMBRAPA – SPI, 1995. 53p. 
EVANS, E.; NALAMPANG, S. World, U.S. and Florida Avocado 
Situation and Outlook. World Trade Organization, 2006. 10p.
FOOD AGRICULTURAL ORGANIZATION – FAO (2007). Statistical 
database. Disponível em: www.apps.fao.org. Acesso em: 26 nov. 2007. 
HOLMES, R.M., ROBERTSON, G.W. Heat units and crop growth. 
Ottawa, Canada Department of Agriculture. Publication n. 1042, 1959. 
35 p.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICO – 
IBGE. Produção Agrícola Municipal. Rio de Janeiro, 2004. Dis-
ponível em: www.sidra.ibge.gov.br. Acesso em: 10 abr. 2007.
KOLLER, O.C. ABACATICULTURA. Porto Alegre. Ed. Da Univer-
sidade/UFGRS, 1984. 138p. 
LIMA, J. P. R.; MIRANDA, E. A. Novo ciclo de investimentos e 
inovação tecnológica no Nordeste. Segmento: Fruticultura. Con-
trato de Consultoria para o Banco do Nordeste, Relatório 1, Recife, 
abr,1999.
LUCCHESI, A.A., MONTENEGRO, H.W.S. Influência ecológica no 
desenvolvimento do fruto e no teor de óleo na polpa do abacate (Per-
sea americana, Miller). Anais da ESALQ, Piracicaba, v. 32, n. 1, p. 
419- 447. 1975.
MONTENEGRO, H.W.S. Contribuição para o estudo pomológico 
do abacateiro. Piracicaba: USP,1956 92 p. Tese (Livre Docência) Es-
cola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Universidade de São 
Paulo, 1956.
16 • ABACATE
PEDRO JR., M. J.; MELLO, M. H. A.; ORTOLANI, A. et al. Estima-
tiva das temperaturas médias mensais das máximas e das mínimas 
para o Estado de São Paulo. Campinas. Instituto Agronômico, 11 
p., 1991 (Boletim Técnico n. 142).
SECRETARIA DE COMÉRCIO EXTERIOR – SECEX. 2003. Dis-
ponível em: Acesso em: 10 abr. 2007.
TEIXEIRA, C. G. Cultura [do abacate]. In: TEIXEIRA, C. G. et 
al. ABACATE: cultura, matéria prima, processamento e aspectos 
econômicos. 2a. ed. Série Frutas Tropicais n º 8, ITAL, Campinas, 
1991. 250p. 
VILELA, P.S.; CASTRO, C.W. de; AVELAR, S.O. de C. Análise 
da oferta e da demanda de frutas selecionadas no Brasil para o 
decênio 2006/2015, 2005.
BOTÂNICA E BIOLOGIA REPRODUTIVA DO ABA-
CATEIRO
Márcia Regina Antunes Maciel1
Características botânicas do abacateiro
O abacate (Persea Americana Mill.) teve origem na América Cen-
tral e possui ampla distribuição, desde regiões tropicais e subtropi-
cais do planeta. Pertence a famíliaLauraceae, que é considerada uma 
das famílias mais primitivas dentro da divisão Magnoliophyta. Tal 
fato se deve às suas características morfológicas e anatômicas que as 
aproxima de outras famílias como Calycanthaceae, Idiospermaceae e 
Hernandiaceae. As Lauraceae apresentam-se amplamente distribuídas 
através das regiões tropicais e subtropicais do planeta, sendo formadas 
por 49 gêneros e 2.500 - 3.000 espécies, sendo que no Brasil ocorrem 
cerca de 400 espécies. É considerada uma das mais complexas famílias 
do ponto de vista taxonômico devido ao grande número de espécies 
e por serem utilizados caracteres crípticos na distinção de gêneros e 
espécies (Cronquist, 1988; Werff e Richter, 1996; Castro e Lorenzi, 
2005). 
Atualmente, o abacate é inserido no gênero Persea e é conside-
rado nativo do Brasil (Castro e Lorenzi, 2005). Os primeiros registros 
relativos à utilização das espécies desta família datam de 2.800 A.C, 
sendo originários da Grécia antiga. Isso influenciou o nome de muitos 
gêneros que fazem uma alusão àquela época. Laurus L., por exemplo, 
vem do celta “lauer” que significa verde ou ainda “laus” que significa 
louvor e o gênero Phoebe, tem o seu nome relacionado ao Deus Apolo. 
Outras espécies utilizadas desde a Grécia antiga são as pertencentes ao 
gênero Cinnamomum Schaeffer, que significa “caneleira” em grego 
(Barroso et al., 1978; CO-TEIXEIRA, 1980, in Marques, 2001), e os 
nativos do Peru já usavam-na há mais de três mil anos.
Marques (2001) estudou a importância econômica da família 
Lauraceae; comentando que há um número expressivo de espécies, 
com uma grande diversidade de usos, com destaque para as que pos-
1Doutoranda Horticultura/Dept.° Produção Vegetal/Faculdade de Ciências Agronômicas/ UNESP/Botucatu, 
SP. macieletno@fca.unesp.br
18 • ABACATE
suem utilização medicinal e na indústria. Ainda ressalta que o alto 
valor econômico das espécies com uso madeireiro, tem levado a uma 
exploração crescente ao longo dos anos, fazendo com que estas se 
tornem “vulneráveis” ou mesmo “em perigo de extinção”, segundo 
classificação da União Internacional para Conservação da Natureza e 
Recursos Naturais (I.U.C.N) (Vieira et al., 1997). Concordando com 
o referido autores é necessário e urgente estudos direcionados para 
as espécies nativas desta família, que podem ser fonte de vários usos 
como alimentício e medicinal, entre outros. Para as espécies comerci-
ais, o abacateiro, já é consagrado, no entanto é interessante pesquisar 
o uso múltiplo dos produtos, como o óleo de abacate, que é comestível 
e pode ter outras aplicações, como por exemplo, a medicinal.
O abacateiro é uma árvore com copa aberta, e ramos bifurcados e 
o crescimento decorre da gema apical. A casca dos ramos e tronco é 
suberosa, recortada, grossa, com espessura de até 3 cm e cor variável 
entre cinza claro e escuro, podendo atingir 20 metros de altura.
As folhas mostram variações de comprimento de 14 a 19 cm, 
largura de 7 a 9 cm, com pecíolos de 3 a 4,5 cm. O ápice da folha é 
geralmente afilado, com a base foliar de ângulo maior, com 90 a 100 
graus. A face superior é glabra e a inferior pubescente. São perenes 
podendo haver renovação total na época da florada. São simples e in-
teiras, com pecíolo curto, sua forma é elíptica e a nervação penada. O 
limbo é de cor creme claro, quebradiço e com vasos grandes. Os ramos 
novos possuem pêlos e podem variar de cor, dependendo da raça. 
As flores possuem sépalas com 5 mm, e pétalas um pouco maiores 
e os estames são quadriloculares, fornecem pólen (mantem-se viáveis 
5-6 dias, a uma temperatura de 20 a 32ºC). Três estaminódios secretam 
néctar e são hermafroditas, simétricas, verde-amareladas, com aproxi-
madamente 1 cm de diâmetro. As panículas podem possuir até 200 
flores, originárias de gemas florais terminais (apenas 1% irá originar 
frutos), além disso, esta planta apresenta dicogamia.
O fruto é do tipo drupa, com casca (pericarpo) delgada, grossa ou 
quebradiça, de coloração verde-oliva e brilhante, tem polpa (mesocar-
po) carnosa, espessa e cremosa, de coloração creme-amarelada, rica em 
óleos vegetais. As sementes são cobertas pelo endocarpo (envoltório 
coriáceo) recobrindo os cotilédones. O pedúnculo é de tamanho médio 
a longo, inserido no centro ou lateralmente no fruto por uma parte mais 
19 BOTÂNICA E BIOLOGIA •
grossa chamada pedicelo. As grandes variações de cor, formato, ta-
manho, casca, polpa e semente podem ocorrer nos frutos do abacateiro, 
dependendo das raças e variedades. Seu peso pode variar de 50 g a 
2,5 kg, e tem grande valor alimentício. O fruto quando maduro tem a 
seguinte composição bromatológica: água, 71,51%; proteína, 2,15%; 
matérias graxas, 19,31%; carboidratos, 5,63%; cinza 1,36%. 
O abacate é um fruto que tem grande apreciação popular, e é comu-
mente encontrado nos quintais, em especial nas áreas mais afastadas do 
centro urbano. As pessoas que mantém esta árvore em seus quintais, 
além de saborear a fruta, faz uso medicinal das folhas, casca. O poten-
cial industrial desta planta é pouco estudado e explorado no Brasil. 
Portanto maiores pesquisas, voltadas para o aproveitamento múlti-
plo e industrialização do óleo, por exemplo, pode ser interessante para 
os produtores e para a economia do país.
Abacateiro comercial
Segundo Maranca (1993), deve-se a Willians (1976), a classifica-
ção das variedades de abacateiro existentes em três raças, como ele as 
chamou e continuam sendo assim conhecidas. O abacateiro apresenta 
três raças comerciais: a Mexicana (Persea americana var. drymifolia), 
Antilhana (P. americana var. Americana) e Guatemalteca (P. nubi-
gena var. Guatemalensis). Essa classificação é atualmente bem aceita, 
embora todos também podem se referir ao abacateiro apenas como P. 
americana Mill. Cultivares de abacate são em geral, híbridos entre as 
espécies ou raças mexicana, antilhana ou guatemalense (Quadro 1). 
Maranca (1993), salienta que a chave para diferenciar as três raças leva 
em consideração o aroma emitido pelas folhas e outros caracteres do 
abacateiro, como época de maturação dessas três raças.
A) As folhas, quando esfregadas, exalam cheiro de anis.
1. Árvore relativamente resistente ao frio; maturação dos frutos 
em 6 a 8 meses depois do florescimento, dependendo do clima. 
Fruto pequeno com casca fina, suave, lisa. Semente relativa-
mente grande.................................................. Raça Mexicana.
AA) As folhas, quando esfregadas, não exalam cheiro de anis.
2. Árvore menos resistente ao frio; maturação dos frutos em 10 
a 15 meses depois do florescimento. Fruto de tamanho médio 
a grande. Casca grossa e dura, superfície geralmente áspera.
20 • ABACATE
.................................................................................................. 
Raça guatemalteca.
3. Árvores ainda menos resistente ao frio; maturação dos frutos 
em 6 a 8 meses depois do florescimento. Fruto de tamanho 
médio a grande. Casca grossa, mas suave e com superfície li-
sa...............................................................................................
Raça antilhana.
QUADRO 01 – Outras características utilizadas para diferenciar 
as três raças de abacateiro:
Antilhana Guate-
malense
Mexicana
Folhas Sem aroma
20 cm
Sem aroma
de 15-18 cm
Cheira igual er-
va-doce (anis)
de 8-10 cm
Época de floresci-
mento
Ago-Set Set-Out Jul-Ago
Estação de 
amadurecimento
Dez-Mar Mar-Set Dez-Abr
Tempo entre a for-
mação do fruto
 e a maturação
5-8 meses 10-13 meses 6-8 meses
Tamanho dos frutos 400-2000 g 200-2000 g 50-400 g
Textura da casca Coriácea Grossa e 
quebradiça
Macia e fina
Teor de óleo Baixo Médio a alto Médio a alto
Origem (altitude) 0-1000 m 1000-1800 m 1800-2600 m
Suscetibilidade 
à geada (planta 
adulta)
Alta 
(-2,5 ºC)
Média (-4 ºC)Baixa (-5,5 ºC)
Vida pós-colheita Baixa Alta Média
Tolerância à alcali-
nidade
Alta Média Baixa
Tolerância à salini-
dade
Alta Média Baixa
21 BOTÂNICA E BIOLOGIA •
Fonte: MARANCA (1993)
Biologia reprodutiva do abacateiro
O abacateiro inicia a produção, por volta dos três anos de idade 
em plantas enxertadas, e até os oito anos, nas oriundas de pé-franco. 
A polinização e fecundação são necessárias para a produção de fru-
tos. O pólen pode ser levado até 2 Km. A fecundação ocorre em 28 
horas e é possível a partenocarpia, que originará frutos pequenos. A 
frutificação pode ser afetada por uma série de fatores, como o clima, 
tipo de raças, cultivares, porta-enxertos, tratos culturais, polinização 
cruzada e os insetos.
A germinação ocorre a partir de 25ºC. Temperaturas de 28-33ºC 
ocasionam queda das flores. A participação de insetos é essencial para 
a reprodução do abacateiro, em especial as abelhas.
É uma planta que apresenta dicogamia protogínica das flores, ou 
seja, o órgão feminino está sempre pronto para funcionar antes dos 
órgãos masculinos e dependendo do período desse comportamento, 
convencionou-se classificar as variedades de abacateiro nos tipos A 
ou B (quadro 2). 
QUADRO 2 – Dicogamia das flores do abacateiro
Tipo A Tipo B
Manhã Flores abertas com 
estigmas 
receptivos
----------
1º dia Tarde Flores fechadas Flores abertas com 
estigmas receptivos
Noite Flores fechadas Flores fechadas
Manhã Flores fechadas Flores abertas nova-
mente com estames 
deiscentes
2º dia Tarde As flores abrem 
novamente com 
estames deiscentes
Fonte: Portal Toda Fruta (2007). 
22 • ABACATE
Assim o interplantio de variedades dos tipos A e B, atende à ne-
cessidade de polinização cruzada, aumentando assim as possibilidades 
de fecundação e formação de frutos. 
As flores hermafroditas apresentam dicogamia. A época da matu-
ridade do pistilo não corresponde à da deiscência das anteras e isto é 
um fato que precisa ser considerado na escolha das variedades. Nunca 
se planta uma só variedade. Num pomar bem organizado e fecundo, 
25% das plantas serão do grupo A, outros 25% do grupo B e os 50% 
restante poderão ser de outras variedades. A classificação se refere ao 
modo de floração do abacateiro. 
Para obter uma boa polinização é preciso que no mesmo pomar 
existam variedades de abacateiro A e B. Nos abacateiros de variedades 
A, a primeira abertura da flor ocorre de manhã, quando o estigma (parte 
que recebe o pólen) está aberto, pronto para ser polinizado. Mas as 
anteras, que contêm os grãos de pólen, só vão abrir-se na tarde do dia 
seguinte, quando o estigma não tem mais condições de receber o seu 
pólen. Nos abacateiros do grupo B, a abertura do estigma e da antera 
tem alternâncias diferentes, complementando as aberturas das flores 
dos abacateiros do grupo A. Assim, o pólen saído das anteras das flores 
de um grupo de abacateiros vai para os estigmas das flores do outro 
grupo e ocorre o que se chama de polinização cruzada. O pólen é le-
vado de uma planta para outra por insetos, principalmente abelhas. Por 
isso é aconselhável que as plantas polinizadoras não estejam a mais 
de 15 m de distância das que devem ser polinizadas e que haja duas 
colméias por hectare. Caso o agricultor queira colher abacates de uma 
só variedade, é preciso que haja no mínimo 10% de plantas polinizado-
ras do outro grupo. Sabendo-se escolher as variedades, é possível ter 
abacate durante o ano inteiro, pois cada uma delas terá a sua própria 
época de frutificação (Pimentel, 2007; todafruta, 2007).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRUCKNER, C., H. Melhoramento de fruteiras tropicais. Ed. 
UFV, 2002.
PIMENTEL, G. R. Fruticultura Brasileira. São Paulo: Nobel. 2007.
23 BOTÂNICA E BIOLOGIA •
MARANCA, G. Fruticultura comercial: manga e abacate. São 
Paulo: Nobel. 1993.
MARQUES, C. A.,. IMPORTÂNCIA ECONÔMICA DA FAMÍLIA 
LAURACEAE Lindl. Floresta e Ambiente. Universidade Federal de 
Viçosa. V. 8, n.1, p.195 - 206, jan./dez. 2001.
SOUZA, V. C.; LORENZI, H. Botânica Sistemática: Guia ilus-
trado para identificação das famílias de angiospermas da flora 
brasileira, baseado na APG II. Nova Odessa, SP: Instituto Plan-
tarum, 2005.
http://www.todafruta.com.br/todafruta/noticias_su.asp?menu=257 
acesso em 15/03/2007.
ECOFISIOLOGIA DO ABACATEIRO 
Jaime Duarte Filho1
Sarita Leonel2
Csaignon Mariano Caproni1
Ronaldo Simões Grossi3
1 – INTRODUÇÃO
O abacateiro pertence à família Lauraceae, que compreende cerca 
de 50 gêneros, sendo Persea o subgênero do abacate, com várias es-
pécies se aproximando do abacateiro comercial, este pertencente a 
três espécies e variedades hortícolas que caracterizam as três raças: a) 
Mexicana – Persea americana var. drymifolia; b) Antilhana – Persea 
americana var. americana e c) Guatemalense ou Guatemalteca – Per-
sea nubigena var. guatemalensis. 
As variedades comerciais são em geral híbridas dessas três espé-
cies. Essa diversidade genética confere ao abacateiro condições de 
adaptação às mais variadas situações de clima e solo que superam as 
de muitas outras frutíferas. Sob este aspecto, segundo Donadio (1992), 
vale destacar a grande resistência ao frio que tem a raça mexicana, 
enquanto a antilhana é considerada de boa adaptação à região tropical, 
e a guatemalense é tida como intermediária. Quanto ao solo destaca-se 
a maior adaptação da raça antilhana aos solos salinos, o que tem pos-
sibilitado o seu plantio comercial em áreas com estas características, 
mediante o uso de porta-enxertos da raça ou de seus híbridos.
2 – EXIGÊNCIAS EDAFOCLIMÁTICAS DO ABACATEIRO
Para que possa crescer e produzir bem, o abacateiro necessita de 
condições climáticas e de solos favoráveis. 
2.1 – Solo
O solo, através de suas características físicas, químicas e biológi-
cas, deve fornecer suporte adequado ao abacateiro, influindo direta-
1Engenheiros Agrônomos. Pesquisadores da EPAMIG-CTSM. duartefilho@epamig.br
2UNESP. Faculdade de Ciências Agronômicas. Departamento de Produção Vegetal. Setor Horticultura. 
sarinel@fca.unesp.br
3Engenheiro Agrônomo. SAA/CATI. Casa da Agricultura de São Manuel. ca.saomanuel@cati.sp.gov.br 
26 • ABACATE
mente sobre o seu crescimento e produtividade. São importantes no 
solo: a disponibilidade de água, de ar e de nutrientes. A água e o ar 
dependem das condições físicas, e os nutrientes, das condições quími-
cas e biológicas.
Na seleção dos solos, devem ser observadas com prioridade as 
condições físicas, que são difíceis de serem mudadas. As melhorias 
químicas podem ser obtidas mais facilmente, através de calagem e 
adubações.
Do ponto de vista das condições físicas, segundo Donadio (1992) 
o abacateiro é uma das frutíferas mais exigentes em matéria de solo, 
devendo estes terem boa drenagem e profundidade. Desta forma, solos 
mistos, areno-argilosos e profundos são os mais indicados, devido à 
sensibilidade desta espécie à asfixia, de maior ocorrência em solos 
argilosos ou rasos com camada impermeável. Afora essas considera-
ções, são características importantes do solo a acidez (pH) e o nível 
de umidade e salinidade, em relação aos quais o abacateiro é muito 
sensível e exigente.
O índice de salinidade, medido pela condutividade elétrica, de até 
2 mm hos/cm é considerado normal para a cultura, enquanto que aque-
les acima de 3 mm hos/cm pode causar problemas à planta, tais como 
queima da ponta e bordos das folhas e queda da produção (Donadio, 
1992). 
Em muitas partes do mundo, o crescimento e a produtividade do 
abacateiro são bastante prejudicados em solos com deficiência de oxi-
gênio resultantes da má drenagem dos solos, da compactação ou de 
inundações na zona radicular (Schaffer, 2006). A privação total (ano-
xia) ou parcial (hipoxia) do oxigênio no solo provocano abacateiro: 
redução do desenvolvimento tanto do sistema radicular quanto da parte 
aérea, murcha moderada a severa do caule e das folhas, abscisão de 
folha e necroses nas raízes (Schaffer, Whiley, 2002).
O desenvolvimento vegetativo e reprodutivo do abacateiro e de 
muitas outras plantas é diretamente proporcional à disponibilidade de 
água no solo. Segundo Larcher (2000) a primeira e mais sensível res-
posta ao déficit hídrico é a diminuição da turgescência e, associada a 
esse evento, a diminuição do processo de crescimento (particularmente 
o crescimento em extensão). Essa resposta e muitas outras foram ob-
servadas no abacateiro por Chartzoulakis et al. (2002), que avaliando 
27 ECOFISIOLOGIA DO ABACATEIRO •
o efeito do estresse hídrico sobre dois cultivares de abacateiro ‘Fuerte’ 
e ‘Hass’, observaram que o diâmetro do tronco de ‘Fuerte’ e ‘Hass’ foi 
reduzido em 34 e 39%, respectivamente, após seis meses sob condições 
de estresse. Além disso, esses mesmos cultivares apresentaram uma 
redução significativa de 57 e 69% na área foliar total e de 63 e 80% na 
massa seca total das plantas, respectivamente. Foi observado, também, 
que plantas sob condições de estresse apresentaram folhas de tamanho 
inferior e com menor peso específico e uma redução da biomassa das 
raízes fibrosas em ambos cultivares, entretanto, com maior expressão 
em ‘Hass’. 
A faixa de pH ideal está entre 5 e 7. Solos com pH mais baixo de-
vem ser corrigidos via calagem, já solos com pH mais alto podem pro-
vocar deficiência de microelementos, especialmente de ferro, bastante 
demandado pelo abacateiro (Donadio, 1992; Maranca, 1980).
De acordo com o relato de koller et al. (2002), deve ser tomado um 
cuidado especial com o uso de solos compactados, com teor de argila 
superior a 70%, mal drenados, ou em locais planos, onde na época das 
chuvas o lençol freático aflora a menos de 2 m de profundidade, porque 
essas condições de mau arejamento são propícias ao aparecimento da 
doença gomose (Phytophthora cinnamomi). A doença se manifesta no 
sistema radicular, causando o apodrecimento das radicelas, da casca 
de raízes grossas e do tronco das árvores da região do colo, sendo o 
controle difícil e caro. O mais aconselhável é o plantio em solos pro-
fundos, porosos e bem drenados.
2.2 – Clima
O abacateiro possui ampla capacidade de adaptação às condições 
mais variadas de clima. Em que pese à variabilidade genética e sua 
interação com o ambiente, os principais parâmetros climáticos que 
exercem influência sobre o abacateiro são:
Temperatura
A temperatura do ar atua no processo de evapotranspiração, devido 
ao fato de que a radiação solar absorvida pela atmosfera e o calor 
emitido pela superfície cultivada elevam a temperatura do ar. O ar 
aquecido próximo às plantas transfere energia para a cultura na forma 
de fluxo de calor sensível, aumentando as taxas evapotranspiratórias. 
28 • ABACATE
Além disso, a temperatura interfere na atividade fotossintética das 
plantas, por que este fenômeno envolve reações bioquímicas, cujos 
catalisadores, as enzimas, são dependentes da temperatura para expres-
sar sua atividade máxima (Larcher, 2000). 
A temperatura, juntamente com a luminosidade, exerce forte in-
fluência no desenvolvimento reprodutivo do abacateiro, afetando prin-
cipalmente o florescimento em todas as suas fases, desde o processo 
de dicogamia, verificada nesta espécie, até o processo da polinização e 
da germinação do grão de pólen (Davenport, 1986, Sedgley e Annells, 
1981; Donadio 1992).
Segundo Davenport (1986) temperaturas durante o dia de 20ºC 
e a noite entre 5-15ºC promovem a indução floral do abacateiro. En-
tretanto, essa resposta é variável conforme o cultivar, em função da 
sua descendência, segundo Wolfe et al. (1942), que observou que 
abacateiros da raça antilhana não suportam temperaturas inferiores a 
-4,4ºC e são injuriadas consideravelmente a -2,8ºC, enquanto a maio-
ria dos cultivares guatemalenses não suportam temperaturas abaixo 
de 6,1ºC, e alguns cultivares mexicanos, muito resistentes, suportam 
temperaturas inferiores a -7,7ºC.
A temperatura do solo exerce, também, influência sobre o desen-
volvimento do abacateiro e, da mesma forma, é variável conforme a 
raça. Yusof et al. (1969) observaram que abacateiros jovens da raça 
mexicana submetidos a três temperaturas de solo (21, 27 e 32ºC), apre-
sentaram diferenças significativas nos seguintes parâmetros: massa 
fresca do sistema radicular, massa seca do caule e total e na altura 
e circunferência do caule. Foi observado também que as diferentes 
temperaturas influenciaram no status nutricional das folhas, pela maior 
ou menor absorção de macro e microelementos. 
De acordo com o relato de Bergh & Lahav (1996) um dos objetivos 
do melhoramento genético do abacateiro é a seleção de cultivares tole-
rantes ao frio, visando à exploração econômica em regiões sujeitas a 
geadas. Estudos já comprovaram que existe uma grande variabilidade 
genética em relação à tolerância ao frio entre as raças e entre cultivares 
dentro das raças.
Platt (1975) estabeleceu os limites de tolerância ao frio sob 
condições da Califórnia/EUA para o cultivar Fuerte que foi de -2,8ºC. 
Toohill & Alexander (1979) ponderaram que a fixação de limites exa-
29 ECOFISIOLOGIA DO ABACATEIRO •
tos de tolerância ao frio é de difícil demarcação, visto que os danos 
causados a um cultivar são influenciados pelo grau e duração do frio e 
pelas condições fisiológicas da planta no momento da ocorrência das 
baixas temperaturas.
Em trabalho de pesquisa realizado por Soares et al. (2002), em 
Capão Bonito/SP, avaliando a tolerância ao frio de diferentes cultivares 
de abacateiro foi concluído que os cultivares Fuerte, Jumbo, Ermor e 
Solano mostraram menor grau de injúria na copa. O cultivar Ermor foi 
o mais afetado pelas baixas temperaturas em relação à queda de fru-
tos. Os autores indicaram os cultivares Fuerte e Solano para a região, 
devido ao baixo nível combinado de danos apresentados (injúrias e 
queda de frutos).
 
Radiação solar
A radiação solar absorvida pela cultura do abacateiro interfere no 
ciclo vegetativo e no período de desenvolvimento do fruto, sendo de 
grande importância para o crescimento, floração e frutificação, daí a 
importância do manejo cultural, principalmente, em plantios muito 
adensados. Em decorrência do hábito de crescimento vigoroso da 
árvore, existe, geralmente, uma porcentagem relativamente alta de 
folhas sombreadas, em comparação com folhas ensolaradas. Dessa 
forma, grande parte das folhas localizadas no interior da copa recebe 
baixos níveis de luz, diminuindo a disponibilidade de carboidratos 
provocando, consequentemente, reduções no crescimento e produção. 
Uma maior penetração da luz na copa, como resultado da realização 
da poda, pode provocar um aumento significativo na produção, au-
mento no calibre dos frutos e melhora a execução das outras práticas 
no pomar (Mena, 2005).
Umidade Relativa do Ar
A umidade do ar durante o ciclo do abacateiro é muito importante, 
por favorecer o surgimento de doenças fúngicas. Quando altos valores de 
umidade relativa estão associados a temperaturas elevadas, ocorre uma 
maior incidência dessas doenças, tais como oídio e antracnose, provo-
cando danos econômicos, podendo, inclusive, inviabilizar a produção 
comercial de frutos. Segundo Donadio (1992) as variedades antilhanas 
são mais adaptadas a locais com alta umidade, ou seja, acima de 70%.
30 • ABACATE
Altitude
A altitude está geralmente associada à temperatura, exercendo, 
desta forma, bastante influência sobre o ciclo produtivo do abacateiro 
pela alteração da época de maturação das diferentes variedades de 
abacateiro. No Estado de São Paulo, por exemplo, uma variedade pode 
ser colhida com até três meses de diferença, se for plantada nonorte 
ou sul do estado, devido tanto ás variações de temperatura quanto a 
esse parâmetro e a latitude.
Sentelhas et al. (1995), com base neste parâmetro e na latitude, 
temperatura média do ar e a necessidade de graus-dia de cada vari-
edade (maturação precoce, meia-estação e tardia) determinaram as 
zonas climáticas de maturação para os três grupos de variedades de 
abacateiro no estado de São Paulo (Tabelas 1, 2 e 3). A determinação 
das zonas de maturação é um parâmetro técnico de relevância para os 
produtores de abacate, pois com base nele, poderão ser determinadas 
às épocas de colheita, bem como poderá melhorar a sazonalidade da 
oferta do produto no mercado, o que muito provavelmente acarretará 
em melhores preços de venda para o produto.
31 ECOFISIOLOGIA DO ABACATEIRO •
Tabela 1 - Duração média estimada do subperíodo “florescimento 
– maturação” (DFM), em dias, para variedades de abacateiro de matu-
ração precoce, em função da latitude e da altitude, no Estado de São 
Paulo.
Alt. 
(m)
Latitude (graus)
20,0 20,5 21,0 21,5 22,0 22,5 23,0 23,5 24,0 24,5 25,0
50 97 102 106 110 114 119 123 127 132 136 140
100 106 111 115 119 123 128 132 136 141 145 149
150 115 120 124 128 133 137 141 145 150 154 158
200 124 129 133 137 142 146 150 154 159 163 167
250 133 138 142 146 151 155 159 163 168 172 176
300 142 147 151 155 160 164 168 172 177 181 185
350 151 156 160 164 169 173 177 181 186 190 194
400 160 165 169 173 178 182 186 190 195 199 203
450 169 174 178 182 187 191 195 199 204 208 212
500 178 183 187 191 196 200 204 208 213 217 221
550 187 192 196 200 205 209 213 217 222 226 230
600 96 201 205 209 214 218 222 226 231 235 239
650 205 210 214 218 323 227 231 235 240 244 248
700 214 219 223 227 232 236 240 244 249 253 257
750 223 228 232 236 241 245 249 253 258 262 266
800 232 237 241 245 250 254 258 262 267 271 275
850 241 246 250 254 259 263 267 271 276 280 284
900 250 255 259 263 268 272 276 280 285 289 293
950 259 264 268 272 277 281 285 289 294 298 302
1000 268 273 277 281 286 290 294 298 303 307 311
1050 277 282 286 290 295 299 303 307 312 316 320
1100 286 291 295 299 304 308 312 316 321 325 329
Fonte: Sentelhas et al. (1995)
Ventos
A presença de ventos constantes e fortes é prejudicial ao abacateiro 
tanto do ponto de vista fitossanitário quanto fisiológico. O vento em 
velocidade superior a 10 Km h-1 é prejudicial, favorecendo o surgi-
32 • ABACATE
mento de doenças e ácaros. Na fisiologia, a presença de ventos acelera 
a evaportranspiração das plantas, aumentando o consumo de água e 
em muitos casos, limitando a produção.
Tabela 2 - Duração média estimada do subperíodo “florescimento 
– maturação” (DFM), em dias, para variedades de abacateiro de matu-
ração de meia-estação, em função da latitude e da altitude, no Estado 
de São Paulo.
Alt.
(m)
Latitude (graus)
20,0 20,5 21,0 21,5 22,0 22,5 23,0 23,5 24,0 24,5 25,0
50 101 109 117 124 132 140 148 156 163 171 179
100 115 123 131 138 146 154 162 170 177 185 193
150 129 137 145 152 160 168 176 184 191 199 207
200 143 151 159 166 174 182 190 198 205 213 221
250 157 165 173 180 188 196 204 212 219 227 235
300 171 179 187 194 202 210 218 226 233 241 249
350 185 193 201 208 216 224 232 240 247 255 263
400 199 207 215 222 230 238 246 254 261 269 277
450 213 221 229 236 244 252 260 268 275 283 291
500 227 235 243 250 258 266 274 282 289 297 305
550 241 249 257 264 272 280 288 296 303 311 319
600 255 263 271 278 286 294 302 310 317 325 333
650 269 277 285 292 300 308 316 324 331 339 347
700 283 291 299 306 314 322 330 338 345 353 361
750 297 305 313 320 328 336 344 352 359 367 375
800 311 319 327 334 342 350 358 366 373 381 389
850 325 333 341 348 356 364 372 380 387 395 403
900 339 347 355 362 370 378 386 394 401 409 417
950 353 361 369 376 384 392 400 408 415 423 431
1000 367 375 383 390 398 406 414 422 429 437 445
1050 381 389 397 404 412 420 428 436 443 451 459
1100 395 403 411 418 426 434 442 450 457 465 473
Fonte: Sentelhas et al. (1995)
33 ECOFISIOLOGIA DO ABACATEIRO •
O fruticultor deve ter muito cuidado com a escolha da área de 
plantio. Além disso, o plantio de quebra-ventos é sempre aconselhável, 
para amortecer a velocidade dos ventos. Koller (2002) recomenda o 
plantio de quebra-ventos a uma distância de 8 metros dos abacateiros, 
mencionando as seguintes espécies que podem ser utilizadas para esta 
finalidade: pinus, grevíleas, eucaliptos e o próprio abacateiro de pé-
franco.
34 • ABACATE
Tabela 3 - Duração média estimada do subperíodo “florescimen-
to – maturação” (DFM), em dias, para variedades de abacateiro de 
maturação tardia, em função da latitude e da altitude, no Estado de 
São Paulo.
Alt.
(m)
Latitude (graus)
20,0 20,5 21,0 21,5 22,0 22,5 23,0 23,5 24,0 24,5 25,0
50 146 156 165 175 185 195 205 214 224 234 244
100 161 171 181 191 201 210 220 230 240 249 259
150 177 187 196 206 216 226 236 245 255 265 275
200 192 202 212 222 232 241 251 261 271 280 290
250 208 218 227 237 247 257 267 276 286 296 306
300 223 233 243 253 263 272 282 292 302 311 321
350 239 249 258 268 278 288 298 307 317 327 337
400 254 264 274 284 294 303 313 323 333 342 352
450 270 280 289 299 309 319 329 338 348 358 368
500 285 295 305 315 325 334 344 354 364 373 383
550 301 311 320 330 340 350 360 369 379 389 399
600 316 326 336 346 356 365 375 385 395 404 414
650 332 342 351 361 371 381 391 400 410 420 430
700 347 357 367 377 387 396 406 416 426 435 445
750 363 373 382 392 402 412 422 431 441 451 461
800 378 388 398 408 418 427 437 447 457 466 476
850 394 404 413 423 433 443 453 462 472 482 492
900 409 419 429 439 449 458 468 478 488 497 507
950 425 435 444 454 464 474 484 493 503 513 523
1000 440 450 460 470 480 489 499 509 519 528 538
1050 456 466 475 485 495 505 515 524 534 544 554
1100 471 481 491 501 511 520 530 540 550 559 569
Fonte: Sentelhas et al. (1995)
35 ECOFISIOLOGIA DO ABACATEIRO •
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BERGH .B.O, LAHAV, E. Avocados. In: JANICK, J., MOORE, J.N., 
(Ed.). Advances in fruit breeding. West Lafayette: Purdue Univer-
sity Press, 1975. p. 541-567. 
 
CHARTZOULAKIS, K.; PATAKAS, A.; KOFIDIS, G.; BOSABA-
LIDIS, A.; NASTOU, A. 2002. Water stress affects leaf anatomy, 
gás exchange, water relations and growth of two avocado cultivars. 
Scientia Horticulturae. 95: 39-50
DAVENPORT, T.L. 1986. Avocado Florewing. In: Janick, J. (Ed.). 
Horticultural Reviews. 8:257-289
DONADIO, L.C. 1992. Abacate para exportação: aspectos técni-
cos da produção. Brasília: Denacoop/IICA Séries publicações técni-
cas DENACOOP/FRUPEX. 109p. 
KOLLER, O. C. Abacate: produção de mudas, instalação, manejo de 
pomares, colheita e pós-colheita. Porto Alegre: Cinco Continentes, p. 
127-139, 2002. 
LARCHER, W. 2000. Ecofisiologia Vegetal. São Carlos: RiMa 
Artes e Textos. 531p.
MARANCA, G. 1980. Manga e abacate. São Paulo: Nobel. 
138p.
MENA, F.V. 2005. Poda en paltos. In: SEMINARIO INTERNA-
CIONAL DE PALTOS. Quillota, 2. 8p.
PLATT, R.G. Climate zones of avocado maturity in California. Cali-
fornia Avocado Society Yearbook, Los Angeles, v. 58, p. 49-53, 
1975.
SCHAFFER, B. 2006. Effect of oxygen deficit in the soil on the phy-
siology and productivity of avocado. Proc. Seminario de manejo del 
riego y suelo en el cultivo del palto. Quillota, Chile. 
SEDGLEY, M.; ALEXANDER, D.M. 1981. Flowering and fruit-
set response to temperature in the avocado cultivar ‘Hass’. Scientia 
Horticulturae. 14:27-33
SENTELHAS, P.C.; PIZA JUNIOR, C.T.; ALFONSI, R.R.; KAVATI, 
R.; SOARES, N.B. 1995. Zoneamento climático da época de ma-
turação do abacate no estado de São Paulo. Revista Brasileira de 
Agrometeorologia. 3: 133-140.
SOARES, N.B., PEDRO JÚNIOR, M.J., TEIXEIRA, L.A.J., CAS-
TRO, J.L. Tolerânciaa baixas temperaturas de cultivares de abacate 
(Persea americana MILL). Revista Brasileira de Fruticultura, Ja-
boticabal, v. 24, n. 3, p. 721-723, 2002. 
TOOHILL, B.L., ALEXANDER, M.E. Frost tolerance of 19 avo-
cado cultivars in the Mildura region of Murray valley. The Journal 
of the Australian Institute of Agricultural Science. Osford, v. 45, p. 
196-199, 1979.
YUSOF, I.M.; BUCHANAN, D.W.; GERBER, J.F. 1969. The res-
ponse of avocado and mango to soil temperature. Journal Amer. 
Soc. Hort. Sci. 94: 619-621.
WOLFE, H.S.; TOY, L.R.; STAHL, A.L. 1942. Avocado produc-
tion in Florida. Gainesville: Agricultural Extension Service. 111p. 
(Bulletin 112).
PRINCIPAIS VARIEDADES DE ABACATEIRO
Dayana Portes Ramos1
Aloísio Costa Sampaio2
I – INTRODUÇÃO
O abacateiro, Persea americana, é uma fruta tradicional do con-
tinente americano, que em milhares de anos se foi multiplicando em 
milhares de diferentes linhas genéticas, sendo impossível hoje tentar 
uma lista completa de variedades.
As principais características das variedades mais cultivadas indi-
cam que o mercado brasileiro é amplamente abastecido em meados do 
ano, enquanto no início e no final da safra (janeiro-fevereiro e outubro-
dezembro em São Paulo, respectivamente) há pouca oferta, a preços 
geralmente mais altos. Os produtores têm preferido selecionar varie-
dades que produzem nos períodos de menor oferta, tornando menores 
as diferenças de preços entre as épocas (Donadio, 1995).
As variedades locais são importantes por sua adaptação tanto às 
condições climáticas existentes, quanto à forma de utilização do fruto 
e outros hábitos de consumo, bem como por sua resistência às doen-
ças e sua aparência, qualidade e conservação pós-colheita (Donadio, 
1987).
Escolher a variedade certa para determinado local, não é fácil, 
pois há várias exigências climáticas, problemas de polinização, de-
mora na maturação, exigências na qualidade do fruto e o mercado a 
ser abastecido.
Sabendo da importância da escolha de uma variedade, este capítu-
lo objetivou mostrar algumas variedades conhecidas, descrevendo as 
mais importantes, bem como apresentar características almejadas para 
estas. Procurou-se ainda mostrar os fatores que interferem no desen-
volvimento das variedades, a fim de facilitar a escolha em relação ao 
mercado e qualidades da fruta.
1Eng. Agrônoma, Mestranda pelo Departamento de Produção Vegetal-Horticultura, Faculdade de Ciências 
Agronômicas/FCA/UNESP – Cx. P. 237 – CEP 18610-307 - Botucatu, SP – pitchagro@yahoo.com.br.
2Docente do Departamento de Ciências Biológicas, FC/UNESP – Cx. P. 473 – CEP 17033-360 - Bauru, SP e 
do Curso de Pós-graduação em Horticultura/FCA/UNESP – Botucatu, SP - aloísio@fc.unesp.br
38 • ABACATE
II – CARACTERÍSTICAS ALMEJADAS NAS VARIEDADES
Escolher a variedade certa para determinadas regiões não é fácil, 
pois as exigências são muitas: polpa uniforme, de gosto agradável, 
sem fibra, que se descolora lentamente quando cortada, casca fina ou 
média de fácil remoção, cor atrativa, falta de manchas ou defeitos, 
forma ovalada regular, semente aderente à polpa, peso não excessivo, 
alto conteúdo de óleo. Bergh (1975), relata que a maioria dos mercados 
classificam como ideal, frutos com peso em torno de 300 g. Segundo 
Ceagesp (2007) os abacates são classificados como de alto teor de 
óleo quando possuem 20-25%, médio (12-15%) e baixo (5-10%). O 
rendimento de polpa é classificado, segundo Donadio (1987), em alto 
(+68%), médio (64-68%) e baixo (menos de 64%). Segundo Tango et 
al. (2004) a média geral que um abacate pode ter de casca e semente 
para não se tornar inviável para comercialização é de 31,4% e os teores 
de óleo acima de 18% são viáveis para a extração.
Têm-se ainda as exigências de alto valor nutritivo, de capacidade 
de longa conservação e de resistência ao frio, além do vigor da planta, 
produtividade, resistência às pragas e doenças, fácil propagação, to-
lerância aos ventos, à cal e à salinidade, continuidade da produção 
sem alternância anual, produção precoce ou tardia e adaptabilidade ao 
porta-enxerto. São tantos, pois, os requisitos da técnica, do ambiente e 
do mercado, que fica difícil encontrar em somente uma variedade to-
das essas características (Maranca, 1980). Segundo Gustafson (1976), 
citado por Maranca (1980) seriam necessárias de 4 a 10 variedades 
para produzir e vender bem no mercado o ano todo. Tal proeza, se-
gundo o autor, foi conseguida, na Califórnia, com híbridos mexicanos-
guatemalenses, sendo apenas 5 as variedades recomendadas: Hass, 
cultivar que cobre 50% daquele estado norte-americano, Fuerte, com 
outros 26% da área, Bacon, com outros 11% da área, e outras culti-
vares menores que cobrem o restante 13% da área do estado. Isso só 
foi possível porque, naquelas condições, a fruta dos cultivares citados 
se conservam na árvore por vários meses, sem amadurecer e perder-
se. Já isso não acontece no Brasil e na Flórida, nos quais os frutos se 
conservam por pouco tempo na árvore (Maranca, 1980).
No entanto, no Brasil deveria haver abacate o ano inteiro, em 
maior ou menor quantidade; mas de fato, a produção é limitada. No 
39 PRINCIPAIS vARIEDADES •
estado de São Paulo, o abacateiro floresce de maio a dezembro, depen-
dendo da região e especialmente da altitude, sendo mais intensamente 
de julho a outubro. A maior produção vai de fevereiro a julho, com 
maior escassez de outubro a janeiro. É difícil dizer quais os cultivares 
escolher em condições tão diferenciadas como as que apresentam o 
Brasil. Por outro lado são tão grandes as possibilidades no país, que 
muita coisa poderia ser feita, por enquanto aproveitando os cultivares 
já introduzidos, experimentados e mais comuns (Maranca, 1980).
III – DESCRIÇÃO DAS VARIEDADES
A espécie Persea americana pode ser dividida em três raças de ori-
gens diferentes, na qual cada raça possui características específicas.
A Raça Antilhana reúne os abacateiros conhecidos como “comum” 
ou “manteiga”, onde são procedentes das regiões baixas das Américas 
Central e do Sul. É a menos resistente ao frio, danificando-se com 
temperaturas inferiores a -2ºC. Os frutos possuem pedúnculos curtos, 
casca lisa, coriácea, com cerca de 1,5 mm de espessura e polpa com 
baixo teor de óleo. As sementes são de tamanho relativamente grande 
e normalmente, encontram-se soltas na cavidade. Os cultivares desta 
raça amadurecem os frutos geralmente no verão, sendo portanto, os 
mais precoces (Campos, 1984).
A Raça Guatemalense é originária das regiões altas da América 
Central, seus representantes são mais resistentes ao frio que os da Anti-
lhana. Os frutos são grandes, com pedúnculos compridos, casca grossa, 
com 1,5 a 3,0 mm de espessura, geralmente rugosa. A maturação se 
completa, conforme a variedade, de maio a novembro. O caroço ocupa 
toda a cavidade que o contém. O teor de óleo na polpa é médio, em 
torno de 12%. Possui folhas mais verde intenso do que as Antilhanas 
(Campos, 1984).
A Raça Mexicana é originária das regiões altas do México e da 
cordilheira. È a mais resistente ao frio, suportando temperaturas próxi-
mas a -6ºC. Tem como característica o cheiro de anis nas folhas e 
flores, quando esmagados. Os frutos são geralmente pequenos, com 
pedúnculo curto, possuem alto teor de óleo. Os frutos amadurecem nos 
meses quentes do ano, geralmente de dezembro a fevereiro (Campos, 
1984).
40 • ABACATE
Além dessas raças, têm-se as variedades híbridas resultantes de 
cruzamentos entre as diferentes raças. No Brasil, é grande o número 
dessas variedades exploradas com sucesso comercial. Bertanha, Er-
mor, Herculano, Paulista, Solano e Vitória são variedades híbridas gua-
temalense-antilhano pouco conhecidas, mas que se mostram bastante 
promissoras, principalmente a Ermor, considerada a maior produtora 
de todas as variedadesconhecidas (Campos, 1984).
Maranca (1980) classifica as variedades de abacate basicamente 
em duas categorias principais: as de clima tropical (como Lula, Col-
linson, Taylor, Pollock, Booth-8, Waldin) e as de clima subtropical 
(como Fuerte, Hass, Bacon, Zutano, Reed, Ettinger). As primeiras são 
geralmente variedades da raça antilhana, da raça guatemalense, e/ou 
híbridos das duas; as variedades de clima subtropical são das raças 
mexicana ou guatemalense, ou híbridos das duas, podendo citar a Hass 
e a Fuerte. Para Donadio (1995) as variedades do abacateiro agrupam-
se em variedades para exportação e para consumo interno. No Brasil, 
entretanto, as variedades de exportação são pouco aceitas no mercado 
interno, o que reduz as possibilidades de cultivo. As variedades desti-
nadas ao consumo interno baseiam-se em seleções locais, geralmente 
de frutos grandes com baixo teor de óleo, na sua maioria das raças 
antilhana, ou híbridos destas.
A maioria dos países vem utilizando a seleção de híbridos locais 
como meio de obtenção de novos cultivares. Assim, foram obtidas 
diversas variedades tardias no Brasil (Gonçalves, 1999, citado por 
Bruckner 2002), que tem sido plantadas em escala comercial em alguns 
locais, tais como Geada, Quintal, Fortuna, Ouro Verde, Solano, Tatuí, 
Dourado, Margarida, Reis e Campinas. Segundo a Ceagesp (2007), as 
variedades que estão sendo comercializadas em São Paulo são Fucks, 
Geada, Margarida, Ouro Verde, Breda, Fortuna, Quintal e Hass.
1 – Variedades com destino ao mercado interno
Fortuna
É um híbrido antilhano, do grupo floral A, muito comum no Estado 
de São Paulo, especialmente na região de Mogi-Mirim, aconselhado 
pelo IAC (1972). Possui fruto grande e bonito, de formato piriforme, 
pesando de 600 a 800 g (Donadio, 1987). O período de colheita varia 
41 PRINCIPAIS vARIEDADES •
de maio a agosto, no entanto a Ceagesp (2007) cita que essa variação 
é de fevereiro a junho e que a polpa do fruto é amarela sem fibras 
e a casca é verde lisa, com espessura média. Como inconvenientes 
possui sabor aguado, baixo conteúdo de óleo, que faz a fruta menos 
conservável, pouca resistência à podridão do pé (Phytophtora spp) e 
rápido envelhecimento. Apesar disso tem uma boa comerciabilidade, 
alto rendimento (25 caixas/planta) e boa resistência à ferrugem (Ma-
ranca, 1980).
Sabendo da dificuldade de se conservar o fruto desse híbrido, Ger-
mano et al. (1996) estudaram o uso de dose de radiações gama do 
Cobalto-60 e observaram que houve um prolongamento dos dias de 
vida de prateleira quando os frutos foram irradiados com 75 e 100 Gy 
e depois mantidos em condição ambientes.
Segundo Campos (1984) esse híbrido tem ótima aceitação no mer-
cado interno e boa produtividade, boa resistência às doenças e ao trans-
porte e alto rendimento de polpa. Tango et al. (2004) caracterizaram 
frutos de variedades de abacateiro e observaram para esse híbrido um 
alto rendimento de polpa (75,7%); 12,5% de caroço; 11,8% de casca e 
24,3% de caroço e casca. Em relação à porcentagem de óleo apresentou 
um valor baixo (5,9%) e um alto valor de umidade (87,2), não sendo 
viável para extração de óleo.
Figura 1 – Abacate do cultivar Fortuna (Pratânea-SP).
 (Foto: Dayana Portes Ramos)
42 • ABACATE
Quintal
É um híbrido antilhano-guatemalense, do grupo floral B, menos 
popular que o anteriormente citado, também aconselhado pelo IAC 
(1972). A árvore é menos produtiva (8 caixas/planta), mas a madeira 
resiste bem à carga dos frutos, dispensando o custoso escoramento. A 
fruta possui casca fina, com poucas manchas pretas (Maranca, 1980). 
Seu período de colheita varia de abril a junho, possui alto rendimento 
de polpa (68%), sendo a polpa amarela sem fibras (Ceagesp, 2007), 
baixa porcentagem de óleo, frutos oblonga, com pescoço, pesando 
400-600 g (Donadio, 1987). Tango et al. (2004) observaram para 
esse híbrido o mais alto rendimento de polpa (81,3%) e as menores 
proporções de caroço e casca, respectivamente: 10,1 e 8,6%, quando 
comparado a outras variedades. Em relação à porcentagem de óleo 
apresentou um valor médio (14,7%) e valor de umidade de 77,4%. A 
composição em ácidos graxos foi de: palmítico - 19,0%, palmitoléico 
– 7,6%, esteárico: 0,5%, oléico – 65,2% e linoléico – 9,3%.
Segundo Campos (1984) esse híbrido tem boa aceitação no mer-
cado interno, ótima produtividade, boa resistência às doenças e regular 
resistência ao transporte. Germano et al. (1996) objetivando aumen-
tar a vida de prateleira, devido a sua pouca resistência ao transporte, 
estudou doses de irradiação e observou que ‘Quintal’ não respondeu 
às radiações, porém se conservou significativamente melhor quando 
mantido em local refrigerado (12-13,5ºC; UR: 45-55%).
Figura 2 – Abacate do cultivar Quintal (Pratânea-SP).
 (Foto: Dayana Portes Ramos)
43 PRINCIPAIS vARIEDADES •
Solano
É um híbrido antilhano-guatemalense, de maturação tardia, onde 
a colheita ocorre de agosto a novembro. Apresenta mais resistência ao 
frio que outras, devido à descendência da raça guatemalense ou mexi-
cana. O cultivar se desenvolveu, bem ao sul-oeste do Estado de São 
Paulo, na divisa com o Paraná, na zona de Itararé (Donadio, 1987).
O fruto é verde escuro, com formato piriforme (Donadio, 1987), 
com casca dura pontilhada, comprimento de até 11-12 cm e peso de 
700 g a 1 kg ou mais, ou seja, grande demais para as normas de exi-
gências e possibilidades do mercado. Não obstante o inconveniente 
do tamanho, a casca é dura e a resistência da fruta a embalagem e ao 
transporte é baixa. Apresenta polpa amarela, abundante e aromática, 
com pouco óleo. As sementes não são muito grandes e nem se desta-
cam facilmente, o que constitui uma qualidade comercial positiva 
(Maranca, 1980).
No conjunto, o fruto não é muito bem aceito, possuindo caracterís-
ticas da raça antilhana, como polpa muito aguada, pouco óleo, doce, 
pouco conservável; mas com a vantagem da resistência ao frio e da 
maturação tardia, quando o consumidor está apto a pagar melhores 
preços pela fruta (Maranca, 1980).
Ouro verde
É um híbrido antilhano-guatemalense, do grupo floral A, que tem 
ótima aceitação no mercado interno e boa resistência ao transporte 
(Campos, 1984). O seu período de colheita varia de julho a setembro 
(Donadio, 1987).
Possui fruto elíptico, pesando 500-700 g, alto rendimento de polpa 
e média porcentagem de óleo (Donadio, 1987). Tango et al. (2004) 
citam um alto rendimento de polpa (73,7%); 12,7% de caroço; 13,6% 
de casca e 26,3% de caroço e casca. Em relação à porcentagem de óleo 
apresentou alto valor (19,9%) e uma umidade de 70,4%, sendo estas 
características viáveis para extração de óleo. A composição em ácidos 
graxos foi de: palmítico - 18,3%, palmitoléico – 6,8%, esteárico: 0,5%, 
oléico – 60,6% e linoléico – 13,2%.
Soares et al. (2002) estudando tolerância de cultivares a baixa tem-
peratura (-2,8ºC), em Capão Bonito, observaram que essa variedade 
apresentou 65% de injúrias na copa.
44 • ABACATE
Dourado
É um híbrido antilhano-guatemalense, do grupo floral A, originário 
de Arapongas-PR, que apresenta fruto orbicular, pesando 580 g, com 
médio rendimento de polpa e média porcentagem de óleo. O período 
de colheita ocorre de outubro a dezembro (Donadio, 1987). Segundo 
Carvalho et al. (1983) as características mais marcantes desse híbrido 
são a polpa de coloração amarelo forte, a relativa tolerância às baixas 
temperaturas e a produção concentrada nos meses de outubro-novem-
bro, no norte do Paraná.
Carvalho et al. (1983) estudando algumas características físicas e 
químicas dos frutos do abacateiro ‘Margarida’ e ‘Dourado’, no Norte 
do Paraná observaram para o híbrido Dourado que o peso médio do 
fruto foi de 580,34 g, no qual a polpapesou 420,75 g (72,5%), o caroço 
97,04 g (16,7%) e a casca 62,55 g (10,8%), ou seja, observou-se um 
alto rendimento de polpa, diferente do que foi relatado por Donadio 
(1987). A composição química da planta constituiu-se de 77,7% de 
umidade; 1,70% de cinzas totais; 1,40% de proteína bruta e 16,10% 
de extrato etéreo.
Margarida
É um híbrido antilhano guatemalense, do grupo floral B, originário 
de Arapongas-PR. Segundo Carvalho et al. (1983) esse híbrido tem se 
destacado pela tolerância às baixas temperaturas e pela época de matu-
ração tardia que, nas condições do Norte Paranaense, ocorre nos meses 
de novembro e de dezembro. Soares et al. (2002) estudando tolerância 
de cultivares às baixas temperaturas, observaram que essa variedade 
apresentou 40% de injúrias na copa e 30% de queda dos frutos.
Possui fruto obvocado, pesando 750 g, com médio rendimento de 
polpa e baixa porcentagem de óleo (Donadio, 1987). A casca é verde 
rugosa, espessa e a polpa amarela sem fibras (Ceagesp, 2007). Car-
valho et al. (1983) observaram que o peso médio do fruto foi de 750,2 
g, na qual a polpa pesou 572,36 g (76,3%), o caroço 119,46 g(15,9%) e 
a casca 58,36 g (7,8%). A composição química da planta constituiu-se 
de 76,3% de umidade, 1,30% de cinzas totais, 1,20% de proteína bruta 
e 12,60% de extrato etéreo.
 
45 PRINCIPAIS vARIEDADES •
Figura 3 – Abacate do cultivar Margarida (Pratânea-SP).
 (Foto: Dayana Portes Ramos)
Reis
É um híbrido antilhano-guatemalense, do grupo floral B, cujo 
período de colheita varia de agosto a setembro. Possui fruto piriforme, 
com pescoço, pesando 700-800 g, com alto rendimento de polpa e 
baixa porcentagem de óleo (Donadio, 1987).
Soares et al. (2002) estudando tolerância de cultivares à baixa tem-
peratura, observaram que essa variedade apresentou 40% de injúrias 
na copa e 20% de queda dos frutos.
Campinas
É um híbrido antilhano-guatemalense, do grupo floral B, que pos-
sui fruto elíptico, pesando 600-700 g, alto rendimento de polpa e média 
porcentagem de óleo. O período de colheita pode variar de setembro 
a outubro (Donadio, 1987).
Soares et al. (2002), estudando tolerância de cultivares à baixa 
temperatura, observaram que essa variedade apresentou 25% de in-
júrias na copa, porém elevada taxa de queda de frutos (80%).
Geada
É uma variedade da raça antilhana, do grupo floral B, cujos frutos 
46 • ABACATE
são piriforme-elípticos, pesando 600-750 g, com alto rendimento de 
polpa e baixa porcentagem de óleo. O período de colheita ocorre de 
janeiro a fevereiro (Donadio, 1987), porém a Ceagesp (2007), cita esse 
período como sendo de novembro a abril e comenta que o fruto tem a 
polpa amarela com poucas fibras e a casca verde lisa, com espessura 
fina.
Soares et al. (2002) estudando tolerância de cultivares às baixas 
temperaturas, observaram que essa variedade apresentou quase 100% 
de injúria na copa, devido ser da raça antilhana, ou seja, não suportar 
baixas temperaturas.
Ryan
É um híbrido mexicano-guatemalense, pertencente ao grupo floral 
B, de produção tardia. Apresenta má aceitação no mercado interno, 
estando voltado mais para o mercado externo. Tem ótima produtivi-
dade; boa resistência às doenças e ao transporte; médio rendimento de 
polpa e alta porcentagem de óleo (Campos, 1984).
Gómez Lopes (2002), caracterizando frutos de variedades de aba-
cate, na Venezuela, observou para o fruto peso de 146,46 g, altura de 
8,48 cm e diâmetro de 5,92 cm. Apresentou 64,85% de polpa, 22,41% 
de caroço e 12,74% de casca.
Breda
É um híbrido antilhano-guatemalense, do grupo floral A, que pos-
sui fruto de tamanho médio (400-600 g), elíptico, com casca lisa fina 
e polpa amarela sem fibras. A época de produção é tardia, variando 
de junho a dezembro. Apresenta um alto valor comercial, porém a 
produção é alternante (Ceagesp, 2007).
Soares et al. (2002) observaram que essa variedade apresentou 
100% de injúrias na copa, mostrando que esse híbrido apresenta mais 
características da raça antilhana, do que guatemalense.
 
47 PRINCIPAIS vARIEDADES •
 
 Figura 4 – Abacate do cultivar Breda (Pratânea-SP).
 (Foto: Dayana Portes Ramos)
Pollock
Originou-se da Flórida/EUA e começou a propagar-se comercial-
mente no início do século, sendo ainda hoje uma das melhores varie-
dades antilhanas. O fruto é alongado, piriforme, grande, pesando de 0,5 
a mais de 1 kg; é verde brilhante, com superfície lisa, polpa amarela, 
semente grande, algumas vezes solta na cavidade. O conteúdo de óleo 
na polpa é baixo, tendo cerca de 5% (Maranca, 1980).
Bleinroth (1978), Fersini (1975), Montenegro (1956) e Tango et 
al. (1969/70) estudaram a caracterização de frutos e observaram que 
os frutos pesaram 530,70 g, 890-1000 g, 775,2 g e 719,7 g, respectiva-
mente. Os mesmos autores também encontraram baixa porcentagem 
de óleo, porém os valores variaram um pouco, na qual Fersini (1975) 
observou 6,10%, Medina et al. (1978): 7,54%, Lucchesi e Montenegro 
(1975): 7,90 e Tango et al. (1969/70): 13,40%. Os últimos autores em 
2004 encontraram para essa variedade um valor mais baixo, quando 
comparado às outras variedades (5,3%) e o valor mais alto de umidade 
(87,9%), tornando-se inviável para extração de óleo. A composição em 
ácidos graxos foi de: palmítico - 22%, palmitoléico – 8,6%, esteárico: 
0,4%, oléico – 57,7% e linoléico – 13,1%.
Na Flórida é a variedade de maior precocidade de maturação 
48 • ABACATE
(metade de julho a fins de setembro). No estado de São Paulo é uma 
das cultivares mais importantes, pois amadurece em janeiro e feve-
reiro, com produções constantes.
A fruta resiste à refrigeração discretamente a 5,5ºC. Soares et al. 
(2002) estudando tolerância de cultivares à baixa temperatura, obser-
varam que essa variedade apresentou 100% de injúrias na copa, sendo 
pouco resistente.
Esta variedade confirmou sua elevada produtividade em pesqui-
sas realizadas na Venezuela (Maranca, 1980). Campos (1984), dis-
corda, citando que essa variedade tem pequena produtividade, ótima 
aceitação no mercado interno, ótima resistência às doenças, regular 
resistência ao transporte e alto rendimento de polpa. Bleinroth (1978), 
Montenegro (1956) e Tango et al. (1969/70) obtiveram alto rendimento 
de polpa, respectivamente: 80,4%, 80,9% e 78,7%. Tango et al. (2004) 
também encontraram um alto rendimento de polpa, porém um pouco 
mais baixo que os outros autores (73,1%); 12,8% de caroço; 14,1% de 
casca e 26,9% de caroço e casca.
Waldin
É uma variedade antilhana, originária da Flórida, do grupo floral 
A, que se pode alternar no plantio com a Pollock, coincidindo aproxi-
madamente o período de floração. No estado de São Paulo amadurece 
em fevereiro-março e até em abril, com produtividade elevada e cons-
tante, sendo necessário às vezes fazer o raleamento para que os frutos 
não fiquem pequenos demais e com defeitos. A fruta não resiste bem 
à refrigeração (Maranca, 1980).
Tem fruto ovalado, mais curto e arredondado que ‘Pollock’, ca-
racteristicamente achatado de um lado na parte terminal, de tamanho 
médio a grande, pesando 400 a 800 g; com casca suave, verde clara 
a cinzenta amarelada, polpa amarela de bom aroma, semente média 
a grande, quase presa à cavidade, conteúdo de óleo de 5 a 10% (Ma-
ranca, 1980). Gómez Lopes (2000), caracterizando frutos de varie-
dades de abacate, na Venezuela, observou para o fruto peso de 176,28 
g, altura de 8,56 cm e diâmetro de 6,30 cm. Apresentou 63,63% de 
polpa, 25,93% de caroço e 10,44% de casca. Em relação ao teor de 
óleo, Medina et al. (1978) observaram um valor de 10,05%; Lucchesi 
e Montenegro (1975): 10,0%e Tango et al. (1969/70): 6,9%. Tango et 
49 PRINCIPAIS vARIEDADES •
al. (2004) também encontraram valor nesse intervalo (9,6%) e 81,7% 
de umidade. A composição em ácidos graxos foi de: palmítico - 29%, 
palmitoléico – 8,2%, esteárico: 0,4%, oléico – 47,0% e linoléico – 
14,3%. Em relação à porcentagem de polpa, apresentou médio ren-
dimento (61,4%); 25,1% de caroço; 13,5% de semente e 38,6% de 
casca e semente.
Simmonds
É uma velha variedade antilhana, do grupo floral A, originada da 
Flórida. Possui o fruto grande, com formato elíptico e com casca verde 
amarelada, lisa, atrativa, com polpa de excelente qualidade e produção 
abundante, sem alternância anual (Maranca, 1980).
Segundo Campos (1984) tem boa aceitação no mercado interno, 
boa produtividade, boa resistência às doenças, regular resistência ao 
transporte, alto rendimento de polpa e baixa porcentagem de óleo. Ou-
tros autores também encontraram baixa porcentagem de óleo, porém 
os valores variaram um pouco, no qual Medina et al. (1978) obser-
varam 3,86%, Lucchesi e Montenegro (1975): 6,60%, e Tango et al. 
(1969/70): 10,20%.
Bleinroth (1978) observou que os frutos dessa variedade apresen-
taram peso médio de 400,40 g; 66,30% de polpa e 24,48% de caroço; 
no entanto Tango et al. (1969/70) encontrou 551 g, 69,30% e 15%, 
respectivamente. Em 2004, Tango et al. encontraram valores seme-
lhantes, nos quais observaram 71,8% de polpa; 14,7% de caroço; 
13,5% de casca e 28,2% de casca e semente. Em relação à porcentagem 
de óleo, apresentou um valor baixo (7,2%) e um alto valor de umidade 
(84,0%), não sendo está característica viável para extração de óleo. A 
composição em ácidos graxos foi de: palmítico – 26,3%, palmitoléico 
– 10,3%, esteárico: 0,5%, oléico – 47,1% e linoléico – 14,0%.
Soares et al. (2002) estudando tolerância de cultivares à baixa tem-
peratura, observaram que essa variedade apresentou 100% de injúrias 
na copa, mostrando a baixa resistência às baixas temperaturas.
Linda
É uma variedade guatemalense do grupo floral B, comum na zona 
entre Limeira e Ribeirão Preto, assim com na de Valinhos, no estado 
de São Paulo, amadurecendo de julho a agosto, com elevada produ-
50 • ABACATE
tividade. A fruta é de qualidade boa a excelente, com casca purpúrea 
quando madura, de tamanho grande, com peso de 700-800 g, semente 
pequena; a forma elíptica, a casca dura e lenhosa, a polpa sem fibra 
(Maranca, 1980). Alguns autores, estudando o peso dos frutos, en-
contraram valores bem próximos ao intervalo acima, onde Bleinroth 
(1978) verificou frutos pesando 853,50 g, Fersini (1975): 890-1000 g, 
Montenegro (1956) e Tango et al. (1969/70): 641 g.
Segundo Campos (1984), essa variedade tem boa aceitação no 
mercado interno, regular resistência às doenças, ótima resistência ao 
transporte, alto rendimento de polpa e porcentagem de óleo. Bleinroth 
(1978) e Montenegro (1956) observaram 73,3% de polpa, e Tango et al. 
(1969/70): 65%. Em relação à proporção de caroço, Bleinroth (1978) e 
Montenegro (1956) observaram valor de 13% e Tango et al. (1969/70): 
25%. Tango et al. (2004) relataram que frutos apresentaram 69,6% de 
polpa; 15,7% de caroço; 14,7% de casca e 30,4% de casca e semente. 
Fersini (1975), observou frutos com 12,20% de óleo, Medina et al. 
(1978): 7,54%, Lucchesi e Montenegro (1975): 12,30 e Tango et al. 
(1969/70): 15,20%. Em 2004, Tango et al. (2004) encontraram 7,7% de 
lipídeos e 86,2% de umidade, ou seja, inviável para extração de óleo. A 
composição em ácidos graxos foi de: palmítico – 18,9%, palmitoléico 
– 7,1%, esteárico: 0,4%, oléico – 58,8% e linoléico – 12,9%.
Wagner
É uma variedade guatemalense do grupo floral A, comum nas zo-
nas de maior altitude do estado de São Paulo, onde frutifica de agosto 
a setembro. Apresenta porte alto, boa produtividade, fruto pequeno 
arredondado, de polpa amarela, com bom aroma, casca corrugada de 
cor verde, peso de 450 g, que permanece na árvore por muito tempo 
(Maranca, 1980). Bleinroth (1978) encontrou frutos pesando 312,2 g; 
Fersini (1975): 220-340 g, Montenegro (1956): 400,3 g e Tango et al. 
(1969/70): 344 g.
Segundo Campos (1984) essa variedade tem má aceitação no mer-
cado interno, má resistência às doenças, ótima resistência ao trans-
porte, baixo rendimento de polpa e alta porcentagem de óleo. Blein-
roth (1978) observou frutos com rendimento de polpa de 59,55%, 
Montenegro (1956): 67,44% e Tango et al. (1969/70): 62,70. Tango 
et al. (2004) observaram 65,2% de polpa, 24,5% de caroço, 10,3% de 
51 PRINCIPAIS vARIEDADES •
casca e 34,8% de caroço e casca. Em relação ao teor de óleo Fersini 
(1975) observou 16,0%, Medina et al. (1978): 20,80%, Lucchesi e 
Montenegro (1975): 18,70 e Tango et al. (1969/70): 24,80%. Tango 
et al. (2004) encontraram nos frutos 20,6% de óleo e 71,6% de umi-
dade, sendo viáveis para a extração de óleo. A composição em ácidos 
graxos foi de: palmítico - 23,2%, palmitoléico – 7,8%, oléico – 58,9% 
e linoléico – 10,1%.
Prince
É uma variedade guatemalense, do grupo floral B, com fruto médio 
de boa qualidade. A árvore é vigorosa, de boa e constante produtivi-
dade e apresenta a maior precocidade entre as variedades desta raça, 
começando a amadurecer em julho. Prospera bem na região entre Ri-
beirão Preto e Limeira, no estado de São Paulo, em zonas frescas e 
ventiladas, relativamente mais altas, sendo uma das mais importantes 
no estado (Maranca, 1980).
Segundo Campos (1984), essa variedade tem boa aceitação no 
mercado interno, regular resistência às doenças, ótima resistência ao 
transporte, alto rendimento de polpa e porcentagem de óleo. Bleinroth 
(1978) e Montenegro (1956) encontraram 74% de rendimento de polpa 
e Tango et al. (1969/70): 69,30. Bleinroth (1978) encontrou como 
peso dos frutos 825,9 g, Montenegro (1956): 669,16 g e Tango et al. 
(1969/70): 551 g.
Collinson
É um híbrido guatemalense-antilhano do grupo floral A, aconse-
lhado pelo IAC (1972) e seguramente uma das melhores variedades 
(Maranca, 1980). Amadurece no estado de São Paulo, em maio e junho. 
O fruto é grande, com 600 g, ovalado, de casca lisa e coriácea, verde 
brilhante (Maranca, 1980). Bleinroth (1978) observou frutos pesando 
612,10 g, Fersini (1975): 560 g, Medina et al. (1978): 600 g, Monte-
negro (1956): 628,50 g e Tango et al. (1969/70): 458,3 g. È a única 
variedade conhecida que não produz pólen, devendo ser plantada com 
árvores dos grupos A e B. A produtividade é boa e constante, com polpa 
de ótima qualidade, mas de difícil conservação (Maranca, 1980).
Em relação ao rendimento da polpa os autores encontraram eleva-
do rendimento, na qual Bleinroth (1978) encontrou 71,8%, Medina et 
52 • ABACATE
al. (1978): 78%, Montenegro (1956): 78,5% e Tango et al. (1969/70): 
66,3%. Tango et al. (2004) obtiveram 73,0% de polpa, 16,8% de caroço, 
10,2% de casca e 27% de casca e semente. Com relação ao teor de óleo, 
os autores encontraram média porcentagem de óleo, no qual Lucchesi 
e Montenegro (1975) encontraram 13,00% e Tango et al. (1969/70): 
11,50%. Tango et al. (2004) encontraram alta porcentagem de óleo 
(21,2%) e 67,9% de umidade, sendo viável para a extração de óleo. A 
composição em ácidos graxos foram: palmítico - 20,6%, palmitoléico 
– 2,9%, esteárico: 0,7%, oléico – 63,1% e linoléico – 11,8%.
Fuchs
É também conhecida como Fuchsia, sendo difundida em São 
Paulo. Pertence ao grupo floral A e tem fruto grande de 500 g ou 1 
kg, em formato de pêra, com casca coriácea, fina, lisa, verde brilhante 
(Maranca, 1980) e polpa amarela, com fibras. O período de colheita 
varia de janeiro a março (Ceagesp, 2007).
Lula
É uma variedade criada na Flórida/EUA cerca de meio século 
atrás, de uma semente de variedade guatemalense fertilizada por pólen 
desconhecido. No estado de São Paulo proporciona alta produtivi-
dade, com maturação demaio a junho. É variedade do grupo floral A. 
O freqüente odor de anis nas folhas, faz pensar que se trate de uma 
variedade mexicana. O fruto é piriforme, geralmente com pescoço, 
de médio tamanho, pesando de 400 a 700 g, casca lisa ou levemente 
granulada, de cor verde clara, bonita. Polpa excelente, semente grande, 
presa à cavidade; conteúdo de óleo de 6 a 15% (Maranca, 1980). Ou-
tros autores também encontraram esse intervalo, entre os quais Hulme 
(1971) observou 13,6% de óleo e Medina et al. (1978) 16,6%.
A fruta se presta bem para refrigeração. O inconveniente desta 
variedade é a susceptibilidade à verrugose das folhas e frutos (Maran-
ca, 1980). Gómez Lopes (2002) caracterizou frutos de variedades de 
abacate, na Venezuela e observou que o peso dos frutos foi de 336,84 
g, com altura de 13,16 cm e diâmetro de 7,88 cm. Apresentou um ren-
dimento de polpa de 55,68%, 31,77% de caroço e 12,54% de casca.
53 PRINCIPAIS vARIEDADES •
Puebla
É uma variedade mexicana, do grupo floral A, que amadure em 
janeiro-fevereiro, com fruto médio de boa qualidade, ovalado, pesando 
150 a 350 g, polpa amarela de bom aroma. Pode desenvolver-se em 
zonas mais frescas dos estados sulinos (Maranca, 1980). Fersini (1975) 
observou alta porcentagem de óleo (19,5%) e Medina et al. (1978) mé-
dia (10,8-11,9%). Gómez Lopes (2000), caracterizando frutos de va-
riedades de abacate, na Venezuela, observou que o fruto pesou 106,96 
g, com altura de 7,90 cm e diâmetro de 4,72 cm. Apresentou 63,23% 
de polpa, 26,00% de caroço e 10,78% de casca.
Gottfried
É outra variedade mexicana, do grupo floral A, cujo amadureci-
mento vai de dezembro a fevereiro. Possui fruto de casca purpúrea, 
polpa amarela, fruto grande, com peso variando de 250 a 500 g (Ma-
ranca, 1980).
Booth 8
É uma variedade originária da Flórida/EUA em 1920, difundida 
em muitos países latino-americanos com sucesso. Apresenta árvore 
vigorosa de porte aberto, com enorme produtividade. A alternância 
da produção é freqüente, como conseqüência da excessiva carga. Os 
frutos aparecem em grupos; são oblongo-ovalados, pequenos a médios, 
pesando desde 250 até 800 g; casca mais ou menos verde, um pouco 
áspera, espessa e de consistência lenhosa; polpa creme claro, semente 
de médio tamanho, presa a cavidade; teor em óleo de 6 a 12%. A 
fruta resiste moderadamente à refrigeração. Nascida de uma semente 
de variedade guatemalense, provavelmente polinizada por variedade 
antilhana, é do grupo floral B (Maranca, 1980).
Itzamna
É uma variedade guatemalense, do grupo floral B, hoje pouco di-
fundida no Brasil, ao contrário de muitos outros países do continente. 
No estado de São Paulo, amadurece em agosto-outubro, isto é, mais 
tarde que as outras variedades guatemalenses, sendo considerada como 
uma das variedades mais tardias, com fruto de excelente qualidade. 
Tais características poderiam fazê-la merecedora de maior difusão, 
54 • ABACATE
futuramente no país; porém deve-se observar seu comportamento em 
relação às doenças, fator que limitou sua extensão em países onde foi 
cultivada em condições ecológicas não ideais (Maranca, 1980).
Segundo Tango et al. (2004) encontraram baixo rendimento de 
polpa (58,3%), 19,7% de caroço, 22,0% de casca e 41,7% de caroço 
e casca. Apesar disso apresentou alta porcentagem de óleo (20,7%) 
e 69,2% de umidade, sendo viável para a extração de óleo. A com-
posição em ácidos graxos foi de: palmítico – 24,2%, palmitoléico – 
5,8%, esteárico: 0,4%, oléico – 47,3% e linoléico – 21,2%. Tango et 
al. (1969/70) e Medina et al. (1978) encontraram valores menores, 
14,5% e 7,4%, respectivamente.
Princesa
É uma variedade antilhana, do grupo floral A, difundida na zona 
de Limeira, juntamente com ‘Linda’ e ‘Simmonds’, amadurecendo em 
março, com produtividade constante (Maranca, 1980).
Taylor
É considerada uma das melhores variedades guatemalenses, do 
grupo A, de boa produtividade, com fruto pequeno. Amadurece em 
agosto. Seu comportamento deve ser estudado em cada região, para 
polinização da variedade Linda, que começa sua floração um pouco 
mais tarde, prolongando-se quinze dias ou mais depois de terminada 
a das outras variedades do grupo A. O fruto é piriforme, um pouco 
ovalado, pesando de 350 a 500 g, com casca verde escura granulada, 
polpa amarela, semente média, presa à cavidade, médio conteúdo de 
óleo, de 12 a 17%. Hulme (1971) e Lucchesi e Montenegro (1975) ob-
servaram o mesmo (12%). O sabor e o aroma são excelentes (Maranca, 
1980). Fersini (1975) observou frutos pesando 350-500 g, Medina et 
al. (1978): 370 g, Montenegro (1956): 370,3 g. Em relação ao rendi-
mento da polpa, observou valor médio, na qual, Medina et al. (1978) 
e Montenegro (1956) encontraram 66,2% de polpa. A árvore produz já 
nos primeiros anos de plantio, mas a carga não é sempre constante. A 
preferência desta variedade é para clima mais ameno, cujo fruto resiste 
bem à conservação refrigerada. Sua difusão ficou um pouco limitada 
devido a se adaptar em ambientes mais frios (Maranca, 1980).
55 PRINCIPAIS vARIEDADES •
2 – Variedades para exportação
Quanto às variedades destinadas à exportação, em que pese à 
seleção ou mesmo a obtenção de novas variedades mediante hibrida-
ção, principalmente na Califórnia/EUA, as duas variedades mais im-
portantes na maioria dos países exportadores ainda são a Fuerte e a 
Hass, originadas de polinização aberta, não controlada.
Fuerte
É um híbrido guatemalense-mexicano, exigente em clima mais 
ameno e localização com altitude elevada. É aconselhado oficialmente 
no estado de São Paulo, com fruto de polpa manteigosa excelente e 
aromática. O inconveniente, que está limitando sua área de difusão é 
a produção alternada, com anos de carga reduzida. Apesar de ser do 
grupo floral B, a plantação alternada com outras variedades pode ser 
freqüentemente dispensada, em condições climáticas normais, pois 
esta variedade consegue freqüentemente autopolinizar-se. É também 
a variedade mais difundida em Israel (Maranca, 1980).
A casca é flexível, elástica, de cor verde, sem brilho. A polpa não 
possui fibras, mas é firme. A semente tem tamanho pequeno a médio, 
cônica e aderente à polpa. O fruto é facilmente descascável e resistente 
ao transporte. Registra-se nesta variedade a tendência à produção de 
frutos sem sementes, pequenos, de pouco ou nenhum valor comercial 
(Donadio, 1995).
Figura 5 - Abacate do cultivar Fuerte (Bauru - SP). (Foto: Vítor Carvalho)
56 • ABACATE
Young (1965), na Califórnia, objetivando aumento na vida de 
prateleira do fruto, irradiou frutos no estágio pré-climatérico com do-
ses de 50 a 100 Gy e verificou que amadureceram normalmente, ainda 
que alguns dias mais tarde que as testemunhas. Kahan et al. (1968) 
irradiaram abacates uniformemente maduros em intervalos maiores 
entre colheita e irradiação, na qual retardaram mais o amadurecimento. 
Observaram ainda que a dose de 150 Gy causou ligeiro escurecimento 
na superfície da polpa quando cortada.
Segundo Campos (1984) esta variedade tem má aceitação no 
mercado interno, estando voltada para o mercado externo, além de 
baixa resistência às doenças e baixo rendimento de polpa. Tango et 
al. (1969/70) encontraram para essa variedade médio rendimento de 
polpa (66,30%). O mesmo ocorreu em 2004, onde encontraram 65,8% 
de polpa, 22,3% de caroço, 11,9% de casca e 34,2% de caroço e casca. 
A polpa alcança o teor de óleo de 22% em média (até 26%), com o 
fruto piriforme e de tamanho médio a pequeno e peso de 150 a 350 g 
(Donadio, 1995). Os autores observaram o mesmo intervalo de peso 
em seus experimentos, na qual Fersini (1975) encontrou o valor vari-
ando de 240 a 450 g, Medina et al. (1978): 225-450 g e Tango et al. 
(1969/70): 159 g. Gómez Lopes (2002) estudando frutos de variedades 
de abacate, na Venezuela, observou para estavariedade peso de 192,86 
g, com altura de 12,04 cm e diâmetro de 5,86 cm. A polpa apresentou 
um rendimento de 70,90%, 17,04% de caroço e 12,06% de casca.
Com relação ao teor de óleo, os valores disponíveis na literatura 
variaram bastante, no qual Fersini (1975) encontrou valores de 25 a 
29%, Medina et al. (1978): 10,37%, Lucchesi e Montenegro (1975): 
35,0%, Tango et al. (1969/70): 25,50% e Tango et al. (2004): 30,3%, 
sendo considerada viável para extração de óleo. A composição em áci-
dos graxos foi de: palmítico – 20,2%, palmitoléico – 7,9%, esteárico: 
0,4%, oléico – 61,4% e linoléico – 10,1% (Tango et al., 2004).
Essa variedade é exigente no tocante à temperatura-ambiente, prin-
cipalmente na época de floração e no começo da frutificação, quando 
fica mais sensível às baixas temperaturas, embora a planta resista bem 
às geadas. Soares et al. (2002) concordam com esse relato, pois ob-
servaram que essa variedade apresentou maior tolerância às baixas 
temperaturas, não verificando injúria na copa e nem queda de frutos, 
quando comparada a outras variedades. Esse resultado é concordante 
57 PRINCIPAIS vARIEDADES •
com a literatura (Krezdorn, 1974; Campbell e Malo, 1976), que rela-
ciona o grau de tolerância ao frio com a raça do cultivar.
Exige polinizadores específicos para melhorar sua produção. Guill 
e Gazit (1991) demonstraram que as variedades Topa-Topa e Tova são 
ótimos polinizadores para Fuerte. A colheita dessa variedade inclui-se 
na categoria de precoce a média, sendo de cinco a sete meses o espaço 
de tempo da floração à maturação. No Brasil, há poucas plantações co-
merciais da variedade. A maior delas, localizada em Bauru/SP, produz 
frutos para exportação de março a junho, época que em parte coincide 
com a produção da África do Sul e da Austrália (Donadio, 1995).
Hass
É um híbrido guatemalense-mexicano, com acentuada predo-
minância da primeira. Surgiu na Califórnia/EUA na década de 20. É 
mais suscetível ao frio que a Fuerte, principalmente na época de flo-
ração. É sensível a baixa umidade, sobretudo onde há ventos quentes 
e secos, que dessecam as flores e folhas jovens, fazendo-as cair. Pro-
duz flores em grande quantidade, tendendo muitas vezes à excessiva 
frutificação, com reflexo negativo no seu tamanho médio. É em geral, 
muito produtiva e apresenta a interessante característica de reter fruto 
na planta mesmo depois de atingida a maturação comercial, por isso 
pode ser colhida durante longo tempo (Donadio, 1995).
O fruto é oval-piriforme, de casca grossa e rugosa, resiste bem 
ao transporte. Tem cor verde, que escurece na maturação, chegando 
ao violáceo-escuro. É facilmente descascável, pesa de 180 a 300 g 
e tem uma polpa de excelente qualidade, sem fibras. O teor de óleo 
é de 20% em média, indo de 18 a 22%, embora seja colhido com o 
mínimo de 8 a 10%, para fins de exportação, na África do Sul e nos 
Estados Unidos (Donadio, 1995). Tango et al. (2004) verificaram em 
seu experimento alta porcentagem de óleo (31,1%) e 57,2% de umi-
dade, podendo ser feita à extração de óleo. A composição em ácidos 
graxos foi de: palmítico – 24,5%, palmitoléico – 13,3%, esteárico: 
0,3%, oléico – 47,7% e linoléico – 14,2%.
A semente é pequena, esférica e aderente à polpa. Em Bauru/SP 
esta variedade é colhida para exportação de junho a setembro. Mais 
tarde, portanto, que a Fuerte. Guill e Gazit (1991) indicam como po-
linizador mais eficiente, nas condições de Israel, a variedade Ettinger 
58 • ABACATE
plantada até 18 m de distância, que resultou na produção de 17 a 20 t/
ha. Esta caiu para 8-10 t/ha com o plantio do polinizador a 50 m, e a 
menos de 5 t/ha com outros polinizadores.
Segundo Campos (1984) essa variedade tem má aceitação no mer-
cado interno, ótima produtividade, boa resistência às doenças, ótima 
resistência ao transporte e alto rendimento de polpa. Tango et al. (2004) 
também observaram alto rendimento de polpa (67,5%), 19% de caroço, 
13,5% de casca e 32,5% de caroço e casca.
 
Figura 6: Abacate do cultivar Hass (Bauru-SP).
 (Foto: Dayana Portes Ramos)
Figura 7: Abacate do cultivar Hass colhido para exportação (Bauru-SP)
 (Foto: Aloísio Costa Sampaio)
59 PRINCIPAIS vARIEDADES •
Outras variedades de abacateiro são plantadas em pequena escala 
em outros países e são descritas abaixo, segundo Calabrese (1989) e 
Suppo (1982).
Bacon e Zutano são híbridos mexicano-guatemalense, originários 
da Califórnia, do grupo floral B, que produzem precocemente frutos 
de 250-300 g.
Reed é uma variedade guatemalense, originária da Califórnia, do 
grupo A, que produz tardiamente frutos de 300-400 g.
Ettinger é um híbrido mexicano-guatemalense originário de Isra-
el, do grupo floral B, que produz precocemente frutos de 200-300 g.
Edanol é uma variedade guatemalense originária da África do 
Sul, do grupo floral B, que têm produção precoce ou média e apresenta 
frutos de 250-300 g.
Horshim é um híbrido mexicano-guatemalense, originário de Isra-
el, do grupo floral B, que produz medianamente frutos de 250-300 g.
Gwen é uma variedade guatemalense originária, da Califórnia, 
do grupo floral A, que produz precocemente frutos de 200-350 g. É 
resultante de um trabalho de melhoramento por cruzamento realizado 
na Califórnia. É a mais promissora dentre os vários híbridos selecio-
nados, na qual pode chegar a 70 t/ha.
Rincon é um híbrido mexicano-guatemalense, originário do Méxi-
co, do grupo floral A, que tem produção precoce ou média e apresenta 
frutos de 150-300 g.
Tova é uma variedade mexicana, originária de Israel, do grupo A, 
que produz precocemente frutos de 250 g.
Nabal é um híbrido guatemalense, originário de Israel, do grupo 
floral B, que produz precocemente frutos de 300-400 g.
As variedades acima citadas foram obtidas da Fuerte e Hass, 
por isso lembram suas características. Estas não chegaram a adquirir 
grande importância comercial, porque ou têm os mesmos defeitos ou 
não têm qualidades superiores às das duas variedades. Algumas são 
empregadas como polinizadoras de outras variedades (Suppo, 1982).
Conforme o relato de Martins et al. (2006), nos últimos anos os 
produtores de abacate têm procurado outras variedades que possam 
ser alternativas às atuais disponíveis. Para disponibilizar material que 
possa atender a demanda foram realizados trabalhos de melhoramento 
de plantas, disponíveis no campo e no Banco Ativo de Germoplasma 
60 • ABACATE
da FCAV/UNESP/Campus de Jaboticabal, originadas por cruzamentos 
ou mutações, que permitiram a seleção de variedade com frutos de 
tamanho pequeno e ausência de semente. A planta matriz, denominada 
‘Inêz’, tem características típicas da raça antilhana, com maturação 
precoce (fevereiro/março), para as condições de Jaboticabal/SP. O 
fruto de formato alongado tem, em média, 15,6 cm de comprimento e 
5,6 cm de largura, pesando 230 g, dos quais 96% corresponde a polpa, 
que é de coloração creme-esverdeado, com palatabilidade muito boa 
e ºBrix de 7,6, sendo a casca verde e lisa. Os trabalhos, ainda na fase 
inicial, já indicam resultados bastante promissores para o desenvolvi-
mento de novos cultivares com características desejáveis.
IV – FATORES QUE INTERFEREM NA ESCOLHA DAS VARI-
EDADES
Escolher variedades, entre as citadas e as demais existentes, no 
País e fora dele, não é tarefa fácil, quando se pensa nas numerosas 
exigências climáticas ou florais de cada uma delas, ao problema da 
polinização, à demora na maturação, ao tamanho, cor e outras quali-
dades da fruta, já discutidas. (Maranca, 1980).
Também é importante a associação entre espécies e condições 
climáticas capazes de mudar a época de produção, antecipar a das vari-
edades precoces, ou retardar a das tardias, um fator de grande interesse 
práticona escolha das variedades a serem plantadas em determinada 
região (Donadio, 1995).
Um fator importante na escolha da variedade baseia-se na necessi-
dade de polinização cruzada, com vistas ao aumento de produção, pois 
já se viu que há combinações de variedades que levam à melhoria da 
produção (Gazit, 1976). No caso da variedade Fuerte, foi demons-
trado que a Tova é a melhor polinizadora. Na Ettinger, por sua vez, 
a variedade Tova induz um aumento de produção de 200 a 300%, 
comparando-se com outras polinizadoras (Donadio, 1995).
Para facilitar a escolha da variedade a ser plantada é necessário 
observar o comportamento das variedades em cada região, para saber 
melhor as características apresentadas, como por exemplo, se a varie-
dade tem a possibilidade de extração de óleo, se possui alto rendimento 
de polpa, ou ainda, se necessita de polinizadores.
61 PRINCIPAIS vARIEDADES •
IV – CONSIDERAÇÕES FINAIS
Existe a necessidade de mais estudos com a cultura do abacateiro 
no Brasil, visando solucionar problemas, dentre os quais destaca-se a 
necessidade de oferta do produto no mercado o ano todo.
É possível verificar que as variedades apresentam características 
diferentes em determinadas regiões, destacando-se com isso a necessi-
dade da pesquisa local, com o objetivo de indicar as variedades mais 
adaptadas ao clima, além do conhecimento prévio das exigências do 
mercado consumidor.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BERGH, B. O. Avocados. In: JANICK, J.; MOORE, J. N. Advances 
in fruit breeding. West Lafayette: Purdue University Press, 1975. p. 
541-567.
BLEINROTH, E. W. Matéria-prima. In: MEDINA, J. C. et al. Aba-
cate. Campinas: ITAL, 1978. p. 75-94 (Série Frutas Tropicais, 1).
BRUCKNER, C. H. Melhoramento de Fruteiras Tropicais. Viçosa: 
UFV, 2002. 422p.
CALABRESE, F. Fruticultura moderna: Avocado. Itália: Edizioni 
Agricole, 1989. 217p.
CAMPBELL, C. W.; MALO, S. E. A survey of avocado cultivar. In: 
INTERNATIONAL TROPICAL FRUIT SHORT COURSE, 1., 1976, 
Miami Beach. Proceedings… Gainesville: University of Florida, 
1976. p. 24-33.
CAMPOS, J. S. de. Abacaticultura paulista. Campinas: CATI 1984. 
92p. (Boletim técnico, 181).
CARVALHO, S. L. C. de. et al. Margarida e Dourado: novas cultiva-
res de abacate. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 18, n. 
62 • ABACATE
6, p. 635-639, 1983.
CEAGESP. O abacate e suas variedades. São Paulo, 2007. Dis-
ponível em: <http://www.journalentreposto.com.br/fev2007/cqh.
htm>. Acesso em: 8 jun. 2007.
DONADIO, L. C. Present status of Brazilian avocado industry. In: 
WORLD AVOCADO CONGRESS, 1., 1987, South Africa. Procee-
dings… SAAGA: Yearbook, 1987. v. 10, p. 82-85.
DONADIO, L. C. Abacate para exportação: aspectos técnicos da 
produção. 2. ed. ver. ampl. Brasília: EMBRAPA: SPI, 1995. p 21-52 
(Série Publicações Técnicas FRUPEX, 2).
FERSINI, A. El cultivo del aguacate. México: Diana, 1975. 132p.
GAZIT, S. Pollination and fruit set of avocado. Proc. First Int. Tro-
pical Fruit Short Course: The Avocado, Flórida, p. 92-95, 1976.
GERMANO, R. M. de A. et al. Conservação pós-colheita de abacates 
Persia americana Mill., variedades Fortuna e Quintal, por irradiação. 
Scientia agrícola, Piracicaba, v. 53, n. 2-3, p. 249-253, 1996.
GÓMEZ-LÓPEZ, V. M. Fruit characterization of Venezuela avocado 
varieties of medium oil content. Scientia agrícola, Piracicaba, v. 57, 
n. 4, p. 791-794, 2000.
GÓMEZ-LÓPEZ, V. M. Fruit characterization of high oil content 
avocado varieties. Scientia agrícola, Piracicaba, v. 59, n. 2, p.403-
406, 2002.
GUILL, L.; GAZIT, S. Pollination of the Hass avocado cultivars. In: 
WORLD AVOCADO CONGRESS, 2., Califórnia, 1991. Procee-
dings… Califórnia, 1991. v. 10, p. 241.
HULME, A. C. The biochemistry of fruits and their products. 
London: Academic Press, 1971. v. 2. 780p.
63 PRINCIPAIS vARIEDADES •
INSTITUTO AGRONÔMICO DE CAMPINAS. Instruções agríco-
las para o Estado de São Paulo. IAC: Campinas, 1972 (Boletim, 
200).
KAHAN, R. S. et al. Effect of radiation on the ripening of bananas 
and avocado pears. In: INTERNATIONAL ATOMIC ENEERGY 
AGENCY. Preservation of fruits and vegetables by radiation. Vi-
enna: IAEA, 1968. p. 3-11.
KREZDORN, A. H. Influence of rootstock con cold hardiness of avo-
cado. Proceedings of the Florida State Horticultural Society, Win-
ter Haven, v. 86, p. 346-348, 1974.
LUCCHESI, A. A; MONTENEGRO, H. W. S. Influência ecológica 
no desenvolvimento do fruto e no teor de óleo na polpa do abacate. 
An. Esc. Sup. Agric. Luiz de Queiroz, Piracicaba, v. 32, p. 419-
445, 1975.
MARANCA, G. Fruticultura comercial: manga e abacate. 4 ed. São 
Paulo: Nobel, 1980. 138p.
MARTINS, A. B. G. et al. Inêz: Nova variedade de abacate sem se-
mente. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA, 19., 
Cabo Frio, 2006. Anais... Cabo Frio, 2006. p. 400.
MEDINA, J. C. et al. Abacate da cultura ao processamento e comercia-
lização. Campinas: ITAL, 1978. p. 75-94 (Série Frutas Tropicais, 1).
MONTENEGRO, H. W. S. Contribuição para o estudo pomológico 
do abacateiro. Piracicaba, 1956. Tese Livre-docência.
SOARES, N. B. et al. Tolerância a baixas temperaturas de cultivares 
de abacate (Persea americana Mill.). Revista Brasileira de Fruticul-
tura, Jaboticabal, v. 24, n. 3, dez. 2002. Disponível em: <http://www.
scielo.br>. Acesso em: 7 jun. 2007.
SUPPO, F. R. El aguacate. México: A.G.T, 1982. 167p.
64 • ABACATE
TANGO, J. S. et al. Composição do fruto e do óleo de diferentes vari-
edades de abacates cultivados no Estado de São Paulo. Colet. Inst. 
Tecnol. Alim., Campinas, v. 3, p. 283-292, 1969/70.
TANGO, J. S. et al. Caracterização física e química de frutos de aba-
cate visando a seu potencial para extração de óleo. Revista Brasileira 
de Fruticultura, Jaboticabal, v. 26, n. 1, p. 17-23, 2004.
YOUNG, R. E. Effect of ionizing radiation on respiration and ethy-
lene reduction of avocado fruit. Nature, v. 205, p. 1113-1114, 1965.
PROPAGAÇÃO DO ABACATEIRO
Tatiana Rezende Pires de Almeida1
Aloísio Costa Sampaio2
1. Introdução
O abacateiro é propagado basicamente através de sementes ou 
pelo método de enxertia. Para fins comerciais recomenda-se a enxer-
tia, já que se trata de uma planta de porte alto e bastante passível de 
variações genéticas, visto ser uma planta alógama. A enxertia também 
visa antecipar o período produtivo das plantas e garantir uma maior 
uniformidade fenotípica no pomar (Cyro, 1991 citado por Moraes et 
al., 2002).
Em razão do abacateiro ter sido propagado durante muitos anos 
exclusivamente por meio de sementes, obteve-se um grande número 
de híbridos, visto que a semente do abacate é monoembriônica geran-
do apenas plantas híbridas, normalmente diferentes entre si, algumas 
vezes, porém, os fenótipos são similares dificultando o processo de 
melhoramento (Grecco et al., 2006).
Geralmente a semente do abacate quando germina apresenta vários 
caules, que podem ser confundidos com a poliembrionia, mas neste 
caso trata-se de policaulia, ou seja, a formação de vários caules pro-
venientes de apenas um embrião gamético (Zaccaro, 2003).
Por outro lado, os pomares que foram formados com mudas propa-
gadas através de sementes apresentavam grande variabilidade na forma 
e dimensão das copas das árvores e os frutos colhidos também eram 
muito diferentes em relação à forma, tamanho, qualidade da polpa e 
época de maturação (Zaccaro, 2003).
Desta forma a utilização de sementes restringe-se à formação de 
porta enxertos para serem enxertados com cultivares melhoradas. A 
utilização da clonagem através da formação de plantas obtidas através 
da estaquia, alporquia e cultura de tecidos tem apresentado resultados 
animadores (Zaccaro, 2003).
1Engenheira Agrônoma. Mestranda em Horticultura pela UNESP/FCA/Botucatu
2Docente do Departamento de Ciências Biológicas,FC/UNESP – Cx. P. 473 – CEP 17033-360 - Bauru, SP 
e do Curso de Pós-graduação em Horticultura/FCA/UNESP – Botucatu, SP - aloísio@fc.unesp.br
66 • ABACATE
2. Propagação do Abacateiro por Enxertia
A propagação do abacateiro por enxertia é o método empregado 
comercialmente pelos viveiristas. Este método consiste basicamente 
na obtenção dos porta-enxertos através de sementes e na posterior 
enxertia dos cultivares copa. A seguir, são descritas as etapas para a 
obtenção da muda de abacateiro por enxertia.
2.1. Preparo da semente para obtenção dos porta-enxer-
tos
As sementes de abacate para formação dos porta-enxertos devem 
ser retiradas de plantas adultas, sadias e produtivas, colhendo-se os 
frutos quando maduros ou “de vez”, com o maior cuidado possível para 
que não caiam no chão e danifiquem a semente (Zaccaro, 2003).
As sementes devem ser lavadas retirando-se a película que as 
envolve. Utiliza-se um banho com água quente a 49 – 50ºC por 30 
minutos e após devem ser lavadas com água fria, colocando-as para 
secarem a sombra. Se não for utilizado o banho com água quente, 
recomenda-se utilizar um fungicida específico para proteção das se-
mentes. A semeadura deve ser realizada o mais rápido possível, pois 
o poder germinativo decresce rapidamente (Zaccaro, 2003).
Recomenda-se a utilização de sementes da raça mexicana (Got-
tfried), raça guatemalense (Nimlioh) que amadurecem entre feve-
reiro e abril e da raça antilhana (grupo manteiga) e seus híbridos que 
amadurecem normalmente entre dezembro e fevereiro. Geralmente os 
viveiristas retiram as sementes de plantas vigorosas e produtivas e que 
amadurecem até março – abril. Normalmente são híbridos da raça anti-
lhana que se adaptam melhor às condições tropicais (Zaccaro, 2003).
2.2. Semeadura
O método da semeadura consiste na utilização de sacos plásticos 
medindo 20 cm de diâmetro por 40 cm de altura ou também, pode 
ser realizada no campo plantando os porta enxertos no espaçamento 
de 1,00 x 0,30 m. Neste caso, as sementes devem ser semeadas em 
canteiros de areia em condições semelhantes às utilizadas para forma-
ção de mudas em sacos plásticos e, após a germinação das sementes, 
as plantas são transplantadas para o viveiro. Este tipo de plantio não é 
aconselhável por ser difícil de retirar a planta do chão para posterior-
67 PROPAGAçãO DO ABACATEIRO •
mente colocá-las em jacazinhos ou embalagens semelhantes, neces-
sitando de um maior tempo de aclimatação, pois o corte das raízes 
realizado durante o arranquio da muda causa um traumatismo muito 
grande e, pode existir contaminação das raízes com o fungo causador 
da podridão das raízes (Zaccaro, 2003).
Figura 1. Semeadura direta de sementes de abacate comum visando obten-
ção de Porta-enxerto. (Foto: Aloísio Costa Sampaio)
Figura 2. Porta-enxertos em desenvolvimento para futura enxertia por 
fenda cheia, na Fazenda Jaguacy, Bauru (SP). 
 (Foto: Aloísio Costa Sampaio)
68 • ABACATE
2.3. Enxertia 
Utiliza-se a garfagem em fenda cheia e a borbulhia. A enxertia por 
borbulhia é empregada apenas no caso de porta-enxertos formados 
no campo, pois necessita de maior diâmetro destes para a enxertia da 
borbulha que deverá ser mais lenhosa (Zaccarro, 2003). 
Devido às inúmeras vantagens da garfagem em fenda cheia, como 
o uso de sacos plásticos para formação dos porta-enxertos, melhor pe-
gamento da enxertia, maior rapidez de aclimatação da muda e melhor 
pegamento das mudas no campo, atualmente a borbulhia tornou-se 
obsoleta para a produção de mudas de abacateiro (Zaccaro, 2003).
Os porta enxertos estarão em condições propícias para a enxertia 
quando atingirem a altura de 0,20 – 0,30 m de altura, com o caule de 
coloração bronzeada e diâmetro de um lápis. Os garfos deverão ser 
retirados de plantas matrizes de cultivares selecionados, registrads e de 
alta produtividade. Os ponteiros deverão ser cortados com 5 – 8 cm de 
comprimento retirando-se os pecíolos das folhas (Zaccaro, 2003).
Os porta enxertos devem ser aparados a 4 cm acima do ápice da 
semente, efetuando-se um corte longitudinal de 3 cm de comprimento 
ao longo do caule. No garfo efetuam-se dois cortes longitudinais con-
vergentes de 3 cm de comprimento formando uma cunha. A seguir, 
introduz-se o garfo dentro da fenda do porta-enxerto, fixando-o com 
um fitilho de plástico, envolvendo-se toda a área do corte para a pro-
teção local da enxertia. Após protege-se o enxerto com um saco plás-
tico transparente que é envolvido e fixado sobre o enxerto para evitar 
o ressecamento e queimaduras do sol (Zaccaro, 2003).
Depois de 30 a 40 dias, o enxerto inicia a brotação, quando deve 
ser retirado o saco plástico e o fitilho. De 40 a 90 dias após a enxertia, 
deve-se realizar a desbrota do porta enxerto, condução da muda e 
aclimatação gradativa da muda ao sol. A muda de abacateiro estará 
pronta para o plantio no local definitivo quando atingir 0,40 – 0,50 m 
de altura, que ocorrerá com 10 a 12 meses após a semeadura do porta-
enxerto (Zaccaro, 2003).
O sucesso da enxertia depende do conhecimento da técnica, da 
habilidade do enxertador, das condições da planta, do ambiente e de 
outros fatores. Um cuidado especial é quanto à proteção do enxerto 
contra a desidratação após a operação, principalmente quando se trata 
de enxertia por garfagem (Hartmann et al., 1990 citados por Jacomino 
69 PROPAGAçãO DO ABACATEIRO •
et al., 2000).
Além da sacola de polietileno pode ser utilizado o parafilme que 
é um material a prova d’água, bastante flexível e maleável, que é apli-
cado sobre o local a ser protegido, de forma a proporcionar cobertura 
adequada e ajustar-se às formas do enxerto (Jacomino et al., 2000).
O parafilme constitui-se num plástico especial, bastante flexível, 
maleável e biodegradável, não necessitando ser retirado (Jacomino 
et al., 2000). O mesmo autor, estudando seis tipos de materiais para 
a proteção, como o saco de polietileno, parafina, parafina + vaselina, 
cera de abelha, parafilme e filme de PVC, obtiveram que parafilme e 
filme de PVC foram os melhores materiais para a proteção do enxerto 
em abacateiro ‘Fortuna’.
Segundo Koller (1984), o saco de polietileno utilizado para cobrir 
o enxerto tem a finalidade de conservar a umidade do ar, evitando a 
desidratação do garfo, sem impedir as trocas gasosas de O
2
 e CO
2
, 
importantes para o pegamento do enxerto. 
Mindêllo Neto et al. (2004) também estudando materiais para a 
proteção do enxerto, obtiveram que o parafilme promoveu um aumento 
percentual no pegamento quando comparado ao saco de polietileno.
Figura 3. Porta-enxerto de abacate comum enxertada com a cv. Hass na 
Fazenda Jaguacy, Bauru (SP). (Foto: Aloísio Costa Sampaio)
70 • ABACATE
3. Propagação do abacateiro por estaquia
O abacateiro possui problemas para propagação por estaquia, devi-
do ao difícil enraizamento das estacas. Para solucionar este problema 
pode utilizar-se fitorreguladores, especialmente o ácido indolbutírico 
(AIB), que aumenta a concentração endógena de auxinas nos tecidos 
e induz a formação de raízes (Gaspar & Hoffinger, 1988 citados por 
Silveira et al., 2004).
O anelamento, associado à utilização de fitorreguladores, é outra 
solução já que este é utilizado com o objetivo de seccionar os va-
sos do floema, situados no córtex do ramo, impedindo a translocação 
descendente de carboidratos, fitormônios e co-fatores benéficos ao 
enraizamento, como o ácido isoclorogênico e terpenóides oxigenados 
(Hartmann & Kester, 1997).
O estiolamento (crescimento na ausência de luz) dos ramos, tam-
bém é outra técnica para auxiliar, pois aumenta a concentração interna 
de auxinas no ramo, diminui a lignificação dos tecidos, aumenta o 
acúmulo de amido na região estiolada e diminui o conteúdo de co-
fatores negativosao enraizamento, especialmente AIA – oxidase (Bas-
suk & Maynard, 1987; Hartmann & Kester, 1997 citados por Silveira 
et al., 2004).
Estudando o efeito do estiolamento nos cultivares Ouro Verde 
(raça guatemalense x antilhana) e Baronesa (raça antilhana), Silveira 
et al. (2004) observaram que a técnica proporcionou uma maior por-
centagem de sobrevivência, brotação e enraizamento nas estacas da 
cultivar Ouro Verde, porém o mesmo não pôde ser observado para a 
cultivar Baronesa, indicando que o estiolamento não é uma prática 
recomendada para todas as cultivares de abacateiro. 
Reuveni & Raviv (1976) e Koller (1992), citados por Silveira et al. 
(2004) afirmam que os clones mexicanos apresentam maior facilidade 
para enraizar, os guatemalenses e os híbridos são intermediários e os 
antilhanos são de difícil enraizamento. 
Entre os reguladores de crescimento, o mais utilizado é o AIB 
(ácido indolbutírico), cujo efeito estimulante do enraizamento já foi 
comprovado para diversas espécies frutíferas (Mindêllo Neto et al., 
2006). Segundo o mesmo autor, outro fator que pode influenciar no 
enraizamento de estacas de abacateiro é o tempo de imersão das estacas 
na solução hidroalcoólica, ocorrendo divergências na literatura, onde 
71 PROPAGAçãO DO ABACATEIRO •
alguns autores citam 10 segundos (Silveira et al., 2004), 20 segundos 
(Bourdeaut,1970) e 24 horas (La Pena, 1975).
Mindêllo Neto et al. (2006) empregando AIB em estacas do cv. 
Fuerte nas concentrações de 0, 500, 1000, 2000, 4000 mg L-1 durante 5 
segundos (imersão rápida) e 24 horas (imersão lenta) obtiveram que as 
concentrações maiores que 500 mg L-1 ocorreu uma diminuição na por-
centagem de estacas enraizadas, principalmente nas concentrações de 
2000 e 4000 mg L-1. Isso provavelmente devem-se à concentração de 
AIB acima da necessária para estímulos ao enraizamento ocasionado 
desbalanço hormonal nas estacas e desequilíbrio entre promotores e 
inibidores (Tabela 1).
Tabela 1 - Porcentagem de estacas herbáceas enraizadas de aba-
cateiro cv. Fuerte, em função do tempo de imersão e diferentes concen-
trações de AIB (mg L-1) diluídas em solução hidroalcoólica (1:1), com 
testemunha (1) somente água. Canoinhas, SC, 2004. Fonte: Mindêllo 
Neto et al., 2006.
Tempo de 
imersão Concentração AIB (mg L-1)
0 500 1000 2000 4000
5 segundos 22,5 A d 47,5 A a 37,5 A b 32,5 A c 30,0 A c
24 horas 27,5 A a 0,0 B b 0,0 B b 0,0 B b 0,0 B b
C.V. (%) 17,24
 (1) Médias seguidas de mesma letra maiúscula, na coluna,e minús-
cula, na linha, não diferem significativamente entre si, ao nível de 5% 
de probabilidade, pelo teste de Scott-Knott.
4. Micropropagação do Abacateiro
A micropropagação através da proliferação de ápices caulinares 
e gemas axilares são os processos mais utilizados para multiplicação 
“in vitro” de plantas, por ser um método de propagação vegetativa que 
apresenta grande estabilidade genética (Amato, 1977; Krikorian, 1991 
citados por Biasi et al., 1994). 
Em abacateiro este método foi utilizado visando a propagação ve-
getativa de porta enxertos necessária para a manutenção de caracterís-
72 • ABACATE
ticas importantes como a resistência à salinidade e à podridão de raiz. 
No entanto, os resultados apesar de promissores, ainda não permitem 
a utilização do processo em escala comercial (Biasi, et al., 1994). 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BIASI, L.A.; KOLLER, O.C.; KÂMPF, A.N. Micropropagação do 
abacateiro ‘Ouro Verde’ a partir de segmentos nodais. Pesquisa Agro-
pecuária Brasileira, v. 29, n. 7, p. 1051-1058, 1994.
GRECCO, C.S.; SAWAZAKI, H.E.; BARBOSA, W.; SOARES, N.B. 
Caracterização de híbridos de abacateiro e pereira através de RAF. 
Disponível em: www.iac.sp.gov.br, Maio, 2006. Acesso em: 18 mar-
ço 2007. 
JACOMINO, A.P.; MINAMI, K.; KLUGE, R.A.; KISHINO, A.Y. 
Métodos de proteção de enxerto da produção de mudas de mangueira, 
abacateiro e nogueira macadâmia. Pesquisa Agropecuária Brasile-
ira, v. 35, n. 10, p. 1985-1990, 2000.
HARTMANN, H.T.; KESTER, D.E.; DAVIES JR., F.T. Propagacion 
de plantas: principios y praticas. 5 ed. México: Continental, 1997. 
760p.
KOLLER, O.C. Abacaticultura. Porto Alegre: Ed. Da Universidade/
UFRGS, 138p., 1984.
MINDÊLLO NETO, U.R.; TORRES, A.N.L.; HIRANO, E. et al. In-
fluência da proteção do enxerto na produção de mudas de abacate. 
Revista Brasileira de Fruticultura, v. 26, n 1, p. 189-190, 2004. 
MINDÊLLO Neto, U.R.; HIRANO, E.; TELLES, C.A.; BIASI, L.A. 
Propagação de abacateiro cv. Fuertes por estacas herbáceas. Scientia 
Agrária, v.7, n. 1-2, p. 101-104, 2006.
MORAES, A.V.; MACHADO FILHO, J.A.; FAGUNDES, G.R. et al. 
Avaliação da influência do tamanho da semente de abacate na germi-
73 PROPAGAçãO DO ABACATEIRO •
nação e na formação de porta-enxertos. XVII Congresso Brasileiro de 
Fruticultura, Belém, PA, 2002.
SILVEIRA, S.V.; SOUZA, P.V.D.; KOLLER, O.C. Propagação vege-
tativa de abacateiro por estaquia. Revista Brasileira de Fruticultu-
ra, v. 26, n. 1, p. 191-192, 2004.
ZACCARO, R.P. Propagação do abacateiro. Disponível em: www.
todafruta.com.br, Junho, 2003. Acesso em: 18 março 2007.
PLANEJAMENTO E INSTALAÇÃO DE POMARES DE ABA-
CATEIRO
Sarita Leonel1
Jaime Duarte Filho2
Ronaldo Simões Grossi3
1 – Planejamento do pomar
Para a instalação e condução de pomares de abacateiro, vários 
aspectos devem ser considerados visando o sucesso do empreendi-
mento, uma vez que a cultura, de caráter perene, uma vez instalada, 
deverá permanecer na área por vários anos. Os abacateiros começam 
a produzir comercialmente aos 4 anos de idade e a produção comercial 
com retorno econômico começa a partir do 8º – 10º ano. Além disso, 
é importante salientar que quanto mais favoráveis forem as condições 
para o crescimento e desenvolvimento das plantas, melhor e mais 
rápido será o retorno financeiro do empreendimento. 
Somado a isso, um estudo e posterior planejamento econômico 
do capital a ser investido, que envolve os custos para a instalação e 
manutenção da cultura são muito importantes e devem ser feitos ini-
cialmente. O mercado consumidor do produto deve ser identificado e 
caracterizado no tocante às suas principais necessidades e demandas. 
A definição do mercado consumidor do abacate é de fundamental im-
portância, uma vez que os principais cultivares aceitos no mercado 
internacional de exportação, não são bem aceitos no mercado interno. 
A preferência de consumo dos brasileiros é para um abacate como 
fruta de sobremesa e utilizado no preparo de sucos e vitaminas com 
casca verde, tamanho grande, com peso médio dos frutos entre 400 
– 700 g. Internacionalmente, o abacate é mais consumido como um 
legume, no preparo de saladas ou pratos salgados como o guacamole. 
Na Europa e Estados Unidos principalmente, a preferência é por frutos 
pequenos, com peso entre 200 – 400 g, alto teor de óleo e casca roxa, 
características encontradas nos cultivares Fuerte e Hass. 
1UNESP. Faculdade de Ciências Agronômicas. Departamento de Produção Vegetal. Setor Horticultura. 
sarinel@fca.unesp.br
2Engo Agro. Pesquisador EPAMIG-CTSM. duartefilho@epamig.br
3 Engenheiro Agrônomo. SAA/CATI. Casa da Agricultura de São Manuel. ca.saomanuel@cati.sp.gov.br
76 • ABACATE
2 - Escolha do local de plantio 
O local de plantio deve ser escolhido cuidadosamente. Inicial-
mente o local escolhido deve ter clima e solo favoráveis para a cul-
tura. Outro aspecto a ser considerado é a topografia do terreno, que 
preferencialmente deve ser plana, com declividades entre 3 a 10%. A 
facilidade de boas estradas de acesso à propriedade, visando não só o 
manejo da cultura, mas principalmente o escoamento da produção, são 
itens importantes no planejamento do pomar. Se o destino final for 
à exportação dos frutos, a proximidade de portos ou aeroportos,que 
permita a rápida remessa do produto, é muito desejável. 
3 – Escolha dos cultivares
Conforme o que já foi abordado anteriormente, a escolha dos 
cultivares a serem plantados deve inicialmente considerar o destino 
da comercialização do produto final. Para a promoção de algumas 
facilidades no manejo da cultura e também visando a sazonalidade 
da produção, o abacate dispõe de cultivares com época de maturação 
precoces, de meia-estação e tardios. 
De acordo com o relato de Koller (2002), cultivares precoces ou 
tardias, cujos frutos amadurecem, respectivamente no início ou no 
final da safra, geralmente alcançam melhores preços no mercado. En-
tretanto, o autor salienta que os cultivares tardios podem estar sujeitos 
a alternância de produção, o que acarreta num menor rendimento, 
quando comparados com os cultivares de meia-estação. A antecipa-
ção da colheita pode ser obtida com o plantio de cultivares precoces 
em regiões quentes. O retardamento da colheita também pode ser 
conseguido, através do plantio de cultivares tardias em regiões mais 
frias. 
4 – Preparo do solo para o plantio
O solo destinado ao cultivo deve ser profundo, bem drenado e 
conter água e nutrientes em quantidades adequadas para que a planta 
atinja um bom desenvolvimento. O preparo do solo deve ser realizado 
numa profundidade de 40 a 50 cm, para a incorporação dos fertilizantes 
e corretivos que promoverão a correção do solo. Esta é a melhor oca-
sião para a incorporação dos mesmos em profundidade, tendo em vista 
as dificuldades para a colocação após o pomar instalado. 
77 pLANEjAMENTO E INsTALAÇÃO •
4.1 – Preparo do solo com subsolagem e aração profunda
A subsolagem é uma prática realizada a uma profundidade de 40 
a 50 cm no solo, seguida de aração e gradagem. Conforme Fachinello 
et al. (1996), este sistema permite colocar os nutrientes em maiores 
profundidades e à distância das raízes do abacateiro. Melhora a aera-
ção do solo e a infiltração de água, além de romper camadas adensadas 
existentes, facilitando a penetração e o desenvolvimento do sistema 
radicular das plantas. Os inconvenientes desse sistema são de que 
não pode ser utilizado em solos rasos, pedregosos ou com horizonte 
adensado, exige máquinas apropriadas e apresenta um custo inicial 
mais elevado.
O calcário e o fósforo devem ser aplicados em duas etapas: metade 
antes da subsolagem e metade antes da aração.
4.2 – Preparo convencional do solo
Neste sistema, o solo é preparado e corrigido numa profundidade 
menor, que varia de 20 a 25 cm. Realiza-se normalmente de 1 a 2 
arações, seguidas de gradagem superficial. Este sistema é utilizado 
em locais onde possa haver impedimentos à mecanização, tais como 
pedras e declive acentuado. Apresenta menor custo operacional. A 
adubação fosfatada e o calcário também são aplicados em duas etapas, 
metade antes da aração e metade antes da gradagem.
5 – Sistemas de plantio
5.1 – Plantio em covas
As covas são abertas através de broca acoplada ao trator, em pro-
fundidades que podem variar de 50 x 50 x 50 a 70 x 70 x 70 cm de 
profundidade, largura e espessura, dependendo do tipo de solo onde 
será instalado o pomar. O plantio em covas prevê somente a marca-
ção inicial do terreno e facilita o plantio. Contudo, pode apresentar 
alguns inconvenientes como a compactação das paredes da cova em 
solos argilosos, que dificultam a penetração das raízes das plantas 
e em casos graves, forma uma verdadeira barreira de impedimento 
(Fachinello et al, 1996).
78 • ABACATE
5.2 – Plantio em sulcos
É o sistema mais adotado para a implantação de grandes pomares. 
Os sulcos são abertos nas linhas de plantio, normalmente com sulcado-
res empregados para o plantio de cana-de-açúcar, a uma profundidade 
de 40 cm. Posteriormente, são demarcados os locais para o plantio das 
mudas e em seguida, procede-se o fechamento dos sulcos. 
Neste sistema, as plantas podem desenvolver raízes mais uni-
formes e o gasto operacional costuma ser menor.
6 – Época de plantio 
O plantio deve preferencialmente ser realizado na primavera, nos 
meses de outubro e novembro no estado de São Paulo, porém sempre 
condicionado à disponibilidade de água. As mudas de abacateiro nor-
malmente são comercializadas na forma de torrão, pois as de raízes 
nuas normalmente não sobrevivem, pois o sistema radicular é delicado 
e sujeito à dessecação. A muda deve ser colocada um pouco acima 
do nível do terreno para compensar o acamamento da terra na cova, 
antes de chegar terra no torrão. A bacia de irrigação feita ao redor da 
muda, aliada a colocação de palha de capim seco é importante para a 
conservação da umidade.
7 – Espaçamento
O espaçamento a ser adotado deve levar em consideração vários 
fatores, dentre eles: o sistema de crescimento lateral ou vertical dos 
cultivares escolhidos, a profundidade e a fertilidade do solo, a topogra-
fia da área, o trânsito de máquinas e equipamentos, o tamanho do 
pomar e principalmente, os objetivos comerciais que condicionarão 
a longevidade dos pomares. Em pomares pequenos, onde não serão 
utilizados máquinas e implementos grandes, os espaçamentos podem 
ser menores. Atualmente existe uma tendência para o adensamento 
dos cultivos, mesmo em grandes áreas, com o manejo da copa através 
da poda, visando maiores produtividades.
O plantio em quadrado é sempre o mais preferido para o aba-
cateiro, pela facilidade nos tratos culturais e colheita (Ramos, 1982). 
Nesse sistema, os espaçamentos podem variar de 7,5 x 7,5; 8,0 x 8,0 
a até 10,0 x 10,0 m entre linhas e entre plantas, respectivamente, para 
pomares onde não será realizado o adensamento de plantio. Quando 
79 pLANEjAMENTO E INsTALAÇÃO •
a área necessitar da instalação de curvas de nível, o plantio retangular 
promove normalmente uma melhor distribuição dos talhões.
 No sistema de plantio adensado, com a utilização da poda, é pos-
sível utilizar espaçamentos menores de 5 x 8 m até 7 x 9 m (Koller, 
2002). Em propriedades comerciais na região de Botucatu/SP os 
produtores cultivam abacate para mesa, dos cultivares Breda, Mar-
garida, Fortuna e Quintal, no espaçamento de 5 x 6 m. Os produtores 
preconizam o adensamento para aproveitamento do espaço e o cresci-
mento das plantas é controlado através das podas. 
8 – Necessidade do plantio de cultivares polinizadores
Pelo fato de apresentar o processo de dicogamia protogínica, que 
regula a polinização e fecundação das flores do abacateiro, os culti-
vares foram divididos, conforme o horário de abertura das flores em 
dois grupos florais denominados de A e B. A dicogamia protogínica 
favorece a polinização e fecundação cruzada entre cultivares per-
tencentes aos dois grupos (Koller, 2002). Devido a este fato, existe 
concordância entre os especialistas de que, no plantio de pomares de 
abacateiro é recomendável o plantio intercalar de cultivares dos dois 
grupos florais, para assegurar a produção comercial dos frutos. As 
recomendações convergem para o plantio de 1 árvore polinizadora 
para 8-10 do cultivar mais importante.
Existem plantios de linhas inteiras de plantas de um grupo floral 
intercaladas com linhas de plantas de outro grupo, com a finalidade de 
facilitar a colheita e os tratos culturais.
Não é raro, entretanto a constatação de que, em certas circunstân-
cias, árvores isoladas frutificam satisfatoriamente. Tal fato encontra 
explicação nos estudos realizados por Isham e Elisikowitch (1991) os 
quais mostraram que a temperatura, durante o florescimento, afeta as 
fases feminina e masculina de abertura das flores. Para cada aumento 
ou diminuição de 1ºC da temperatura acontece, respectivamente, uma 
antecipação ou um atraso de 15 a 50 minutos no início da abertura 
da flor, bem como uma igual diminuição ou aumento na duração daabertura até o fechamento da flor. Essa falta de sincronia, causada 
por variações da temperatura no florescimento faz com que, em régios 
de temperaturas baixas, na mesma árvore, possa haver flores abertas, 
algumas com os estigmas receptivos e outras liberando o pólen, pos-
80 • ABACATE
sibilitando a autofecundação.
Segundo Koller (2002), a autofecundação é verificada, com maior 
freqüência, nos cultivares do grupo floral A, porque, quando acontece 
o retardamento da fase pistilada, o estigma pode permanecer receptivo 
desde a amanhã até a tarde, favorecendo a polinização por insetos. 
Nos cultivares do grupo B, quando corre o retardamento da abertura e 
fechamento da flor, a fase pistilada se estende para a noite, dificultando 
a polinização entomófila.
REFERÊNCIAS BIBILIOGRÁFICAS
FACHINELLO, J.C., NATCHIGAL, J.C., KERSTEN, E. Fruticul-
tura: fundamentos e práticas. Pelotas: Editora Universitária, Uni-
versidade Federal de Pelotas, 1996. 311p. 
ISHAM, G., EISIKOWITCH, D. New insight in to avocado flowe-
ring in relation to its pollination. In: California Avocado Society 
Yearboock, Saticoy, v. 75, p. 125-137, 1991.
KOLLER, O.C. Abacate – produção de mudas, instalação e 
manejo de pomares, colheita e pós-colheita. Porto Alegre: Cinco 
Continentes. 2002. 154 p. 
RAMOS, V.H.V. Propagação e implantação de pomar de abacateiro. 
Informe agropecuário, Belo Horizonte, v. 8, n. 86, 1982.
 
 
VIABILIDADE ECONÔMICA DA IRRIGAÇÃO NO ABA-
CATEIRO
Adilson Pacheco de Souza1
 José Antônio Frizzone2
Considerações iniciais
A técnica da irrigação pode ser definida como sendo a aplicação 
artificial de água ao solo, em quantidades adequadas, visando propor-
cionar a umidade necessária ao desenvolvimento normal das plantas 
nele cultivadas, a fim de suprir a falta ou a má distribuição das chuvas. 
Dessa forma, o objetivo que se pretende com a irrigação é satisfazer as 
necessidades hídricas das culturas, aplicando a água uniformemente 
e de forma eficiente, ou seja, que a maior quantidade de água apli-
cada seja armazenada na zona radicular à disposição da cultura. Este 
objetivo deve ser alcançado sem alterar a fertilidade do solo e com 
mínima interferência sobre os demais fatores necessários à produção 
cultural.
Os fatores necessários para prover as culturas de água necessária 
para máxima produtividade são principalmente: energia, água, mão-
de-obra e as estruturas de transporte da água, devendo existir uma 
completa inter-relação entre eles de tal forma que se um deles não se 
encontrar bem ajustado, o conjunto ficará comprometido, prejudicando 
o objetivo a ser alcançado que é a máxima eficiência de utilização do 
sistema, juntamente com a máxima produtividade. 
A irrigação no Brasil depende de fatores climáticos. No semi-árido 
do Nordeste é uma técnica absolutamente necessária para a realização 
de uma agricultura racional, pois os níveis de chuva são insuficientes 
para suprir a demanda hídrica das culturas. Nas regiões sul, sudeste 
e centro-oeste, pode ser considerada como técnica complementar de 
compensação da irregularidade das chuvas.
O insumo água é tão importante quanto qualquer outro, mas pouco 
se tem feito quanto ao seu uso racional. A partir daí, nos deparamos 
com as técnicas de manejo da irrigação. Conhecendo-se as caracterís-
1Engenheiro Agrícola, Mestrando em Irrigação e Drenagem, DA / FCA / UNESP, Botucatu - SP, pacheco@
fca.unesp.br
2ESALQ/USP. Departamento de Engenharia Rural/Irrigação; frizzone@carpa.ciagri.usp.br 
82 • ABACATE
ticas físico-hídricas do solo, o clima, a cultura e os princípios de fun-
cionamento dos equipamentos de irrigação, pode-se propor um uso 
racional da água e conseqüentemente, sem danos ao meio ambiente.
Exigências da cultura do Abacateiro
Antes de iniciar um projeto de irrigação para a cultura do aba-
cateiro é preciso descrever bem a fenologia (fases de desenvolvimento 
e crescimento) da planta. Irrigar implica em conhecer as necessidades 
das plantas, as características do solo e fornecer água em quantidade 
adequada no momento requerido. Dos fatores climáticos que afetam o 
abacateiro, os principais são a temperatura, luminosidade, precipitação 
pluviométrica, os ventos e a umidade relativa do ar (KOLLER, 1984), 
destacando-se dentre estes, a temperatura e a precipitação (TEIXEIRA 
et al, 1991). Neste capítulo serão abordados apenas os efeitos da pre-
cipitação.
Segundo Teixeira (1991), precipitações da ordem de 1200 mm 
anuais são suficientes para a cultura, desde que haja uma distribuição 
razoável ao longo do ano. A distribuição das chuvas durante os meses 
do ano nos diferentes períodos de crescimento do abacateiro é funda-
mental, sendo comprovado que essa distribuição resulta na existência 
de umidade no solo durante o período de crescimento ativo (crescimen-
to de novas brotações, florescimento e desenvolvimento dos frutos). 
Minimizando assim a queda intensa de flores ou frutos pequenos, que 
podem influenciar tanto no tamanho como na qualidade dos frutos co-
lhidos, resultando em uma grande redução da produtividade por planta 
e por hectare. As estiagens prolongadas causam a queda de folhas e, 
por conseguinte, da produção. Já o excesso de precipitação no período 
de florescimento e frutificação provoca queda na produção e prejudica 
a qualidade dos frutos (TEIXEIRA, 1991). Koller (1984), alerta para 
o fato de que as folhas do abacateiro não apresentam murchamento 
nítido por ocasião do déficit hídrico, permanecendo praticamente nor-
mais, até o momento em que as folhas apresentam manchas necróti-
cas, secam e caem, comprometendo a produção. Por isso é necessário 
bastante atenção na prevenção de déficit de água, especialmente em 
plantas jovens cujo sistema radicular não é muito profundo. A obser-
vação de outras plantas mais sensíveis ao murchamento como fonte de 
indícios seguros sobre a necessidade de irrigação é fundamental. É uma 
83 vIABILIDADE ECONômICA •
planta muito sensível ao encharcamento, devendo por isso, tomar-se 
muito cuidado com o excesso de água que favorece o aparecimento 
de podridões nas raízes.
Naturalmente não é verificada a ocorrência das chuvas de maneira 
distribuída ao longo do ciclo da cultura do abacateiro, assim utiliza-
se da técnica da irrigação, como uma maneira de suprir esse déficit 
hídrico que a cultura possa ter nos seus estádios de maior exigência 
de água. A necessidade, freqüência e quantidade de água de irrigação 
a ser aplicada dependem fundamentalmente da capacidade de armaze-
namento do solo em forma disponível para o abacateiro. 
No verão, as plantas necessitam de muito mais água do que no 
inverno, devido ao aumento da temperatura e do tamanho do dia. A 
Tabela 01 apresenta a necessidade hídrica anual de algumas fruteiras 
e a sua distribuição espacial e temporal na adoção de um sistema de 
irrigação por gotejamento, sendo que a vazão total necessária é depen-
dente do número de plantas a serem irrigadas. O abacateiro prospera 
nos mais diversos tipos de solos, desde que eles sejam bem drenados, 
apresentando o nível do lençol freático abaixo de 1,50 metros. 
Tabela 01 – Necessidade hídrica da algumas fruteiras.
Cultura
Necessidade Anual de 
água (mm)
Necessidade diária por m² 
para gotejamento
Abacate 1300 1,51 litro por m²
Abacaxi 1200 1,39 litro por m²
Acerola 1400 1,33 litro por m²
Caju 1200 1,39 litro por m²
Caqui 900 1,03 litro por m²
Goiaba 1500 1,58 litro por m²
kiwi 1200 1,39 litro por m²
Maçã 1000 1,14 litro por m²
Manga 1400 1,33 litro por m²
Pera 1100 1,28 litro por m²
Fonte: Adaptado de AGROJET, (2006).
84 • ABACATE
Quando atendidas todas as necessidades da cultura do abacateiro 
com relação às demais variáveis que possam interferir na produção, 
não existindo restrição de umidadepara a cultura, tanto no déficit como 
no excesso, a planta não apresenta desequilíbrio energético, permitindo 
expressar todo o seu desenvolvimento vegetativo e/ou produtivo, con-
forme o seu estádio de desenvolvimento. Porém, sabe-se que o sistema 
solo-planta está sob influencia direta dos fatores climáticos atuantes na 
região, ocasionando a transferência de água deste sistema para a atmos-
fera, pelos processos de evaporação de água do solo e transpiração da 
planta que ocorrem simultaneamente na natureza gerando o fenômeno 
da evapotranspiração. A ocorrência da evapotranspiração máxima da 
cultura do abacateiro depende dos elementos climáticos envolvidos, 
do solo, dos fatores fisiológicos e da restrição hídrica. 
Donadio (1995) enfatiza que o abacateiro é uma das fruteiras mais 
sensíveis ao fator solo, principalmente no que diz respeito à drenagem 
e profundidade. Segundo Simão (1971), solos profundos, férteis, bem 
drenados, leves e pouco ácidos são os desejáveis. Solos argilosos, com 
alto poder de retenção de água e de difícil drenagem podem causar a 
morte das raízes do abacateiro, que são muito exigentes em aeração 
(SETTER & BELFORD, 1990). Além disso, o excesso de umidade 
no solo predispõe as plantas do abacateiro ao ataque do fungo Phyh-
tophtora cinnamomi Rands. Somado a isso, o abacateiro se desenvolve 
mais lentamente em solos pesados, retardando o início da frutificação. 
Donadio (1995) afirma que solos rasos, porém com boa drenagem, 
também podem ser utilizados, pois a planta apresenta sistema radicu-
lar superficial. Segundo Plessis (1991), cerca de 21% das raízes do 
abacateiro se concentram em 30 cm de profundidade, porém quando 
o solo apresenta sinais de compactação esse valor pode chegar a 50%, 
sendo a profundidade considerada para fins de irrigação de 60 cm. De 
acordo com Bower (1984), a tensão de água no solo influenciará ad-
versamente a maturação e qualidade dos frutos, sendo recomendado 
que a irrigação seja realizada quando a tensão da água no solo estiver 
próxima à 55 KPa ou 0,55 atm. 
Um outro fator relacionado ao solo, muito importante a ser con-
siderado para a cultura do abacateiro, no momento de implantação do 
pomar, é a salinidade. De acordo com Donadio (1995), o abacateiro é 
muito sensível à salinidade. Medida pela condutividade elétrica, pode 
85 vIABILIDADE ECONômICA •
causar danos à planta quando excede 3mm hos/cm. Os principais pro-
blemas associados com salinidade do solo e toxicidade alta por cloreto 
incluem reduções no rendimento dos frutos e tamanho das plantas, 
baixo conteúdo de clorofila nas folhas, diminuição da fotossíntese e do 
crescimento das raízes (CROWLEY, 1999). Os sintomas são, queima 
da ponta e borda das folhas e queda da produção. A salinidade pode 
ser provocada por altas concentrações de sulfatos, cloretos, carbone-
tos e nitratos no solo, ou água de irrigação com concentração acima 
de 0,2g/l de cloreto. De acordo com Bernardo et al., (2006), o aba-
cateiro apresenta tolerância a concentração de cloro (Cl-) na água de 
irrigação ou no solo de 4,0 e 6,0 me/L, respectivamente. Sendo ainda 
considerada uma cultura sensível à concentração de sódio trocável no 
solo e à concentração de boro na solução do solo, segundo Ayres e 
Westcot (1985). A Tabela 2 mostra os níveis de tolerância de algumas 
fruteiras à salinidade do solo, relacionado com diversas concentra-
ções de sais solúveis na solução do solo e na água de irrigação com 
o potencial de produção das culturas, desde produção com 100% do 
potencial da cultura até condições em que não haverá mais produção. 
O controle da salinidade pode ser feito mediante a aplicação de uma 
quantidade de água além daquela requerida para repor a quantidade 
de água evapotranspirada para promover a lixiviação do excesso de 
sais para camadas mais profundas do solo, longe do sistema radicular 
das plantas (FOLEGATTI et al., 2005). Uma alternativa interessante 
é a utilização de porta-enxertos da raça antilhana, que são resistentes 
à salinidade. Outra prática também recomendável é a aplicação de 
nitrato na água, que aumenta a tolerância da planta à salinidade. Em 
relação ao pH, a faixa adequada ao abacateiro está entre 5,0 e 6,5. Fora 
desses limites, a planta é muito prejudicada, principalmente em pH 
alcalino, que também é mais difícil de ser corrigido. 
86 • ABACATE
Tabela 02 – Tolerância e produção potencial de algumas fruteiras 
em função da salinidade da água de irrigação (CEi) ou do solo (CEs), 
em dS/m, a 25ºC, segundo Ayers e Westcot.
Culturas
Produção Potencial
100% 90% 75% 50% "Zero" %
CEs CEi CEs CEi CEs CEi CEs CEi CEs CEi
Abacate 
(Persea americana) 1,3 0,9 1,8 1,2 2,5 1,7 3,7 2,4 6,5 4,4
Laranja 
(Citrus sinensis) 1,7 1,1 2,3 1,6 3,3 2,1 4,8 3,2 8,0 5,3
Limão 
(Citrus limon) 1,7 1,1 2,3 1,6 3,3 2,2 4,8 3,2 8,0 5,3
Uva 
(Vitis vinifera) 1,5 1,0 2,5 1,7 4,1 2,7 6,7 4,5 12,0 7,9
Grapefuit 
(Citrus paradisi) 1,8 1,2 2,4 1,6 3,4 2,2 4,9 3,3 8,0 5,4
Fonte: Adaptado de Bernardo et al., (2006).
Custo do sistema de irrigação versus incremento da produ-
tividade
O preço de aquisição do equipamento de irrigação está diretamente 
relacionado à qualidade do material empregado e às características 
específicas de cada projeto, influenciando de maneira significativa no 
incremento de produtividade, necessário para viabilizar a irrigação. 
MONTEIRO et al., (2005) estudando a implicação do preço de aquisição 
e vida útil do sistema de irrigação sobre a viabilidade econômica em 
mamoeiro, verificou que a implementação de um sistema de irrigação 
nesta cultura demanda alto investimento, concluindo que a vida útil 
do equipamento exigiu um incremento de produtividade variando de 
13 a 88,0%, enquanto que o preço de aquisição exigiu de 9 a 79,0% 
de incremento, para viabilizar a implantação do sistema de irrigação. 
Já para a cultura da goiabeira, SANTOS et al., (2005) analisando o 
incremento de produtividade necessário para se viabilizar a irrigação 
na cultura, observou que o preço de aquisição do equipamento de ir-
rigação influenciou a um incremento de produtividade necessário para 
viabilizar a irrigação, que chegou a ultrapassar 150%, em pomares de 
87 vIABILIDADE ECONômICA •
plantas jovens, ao redor de 2 anos, porém à medida que a produção 
tende a se estabilizar devido à idade do pomar, este incremento reduz 
substancialmente, mesmo optando-se pelo equipamento de maior custo 
de aquisição. Enquanto que nos pomares de goiabeiras em idade adulta 
e em condições ideais de clima e solo exigiram um incremento de 
produtividade para se viabilizar a irrigação é menor do que 20%.
Em um trabalho objetivando estudar os efeitos do custo de aquisição 
e vida útil do sistema de irrigação sobre a viabilidade econômica dos 
pomares de manga, FERRAZ et al., (2005) concluiu-se que a vida útil 
do equipamento de irrigação exigiu um incremento de produtividade 
de até 25,0%, enquanto que o preço de aquisição exigiu até 23,0% de 
incremento de produtividade.
Para a cultura do abacateiro não se encontra na literatura nenhuma 
referência quanto à existência de um incremento na produtividade para 
viabilização da implantação de um sistema de irrigação, cabendo ao 
produtor fazer essa análise seguindo as equações apresentadas poste-
riormente, pois dessa maneira, estará verificando essa necessidade de 
aumento da produtividade para as suas condições locais. 
Custo da água
No processo de toda de decisão sobre a forma de manejo do re-
curso hídrico, é importante considerar o custo da água. Quando a água 
é um recurso escasso e caro (em termos de outros recursos que devem 
ser sacrificados para aumentar a sua disponibilidade), é justificável 
fazer investimento no seu uso. O custo da água é definido em termos 
de outros recursos que devem ser sacrificados para aumentar sua dis-
ponibilidade.Este custo é definido pelos economistas como preço de 
sombra ou custo de oportunidade, o qual nem sempre é expresso em 
termos de valor monetário (preço), mas em espécie. Por exemplo, se 
numa região árida é necessário a retirada de uma fonte de abasteci-
mento 2,5 milhões de metros cúbicos de água para produzir 5 toneladas 
de abacate, o custo de 1 milhão de metros cúbicos de água é igual a 
500 kg de abacate, porque no caso em que a água não estivesse di-
sponível, sacrificaria a produção de 500 kg de abacate por m³ de água 
deficiente (FRIZZONE, 1993).
88 • ABACATE
Eficiência econômica da irrigação na cultura do abacateiro
Uma produção eficiente e rentável deve constituir o principal obje-
tivo econômico da empresa agrícola. Para isto, os recursos disponíveis 
devem ser utilizados racionalmente no processo de produção, de forma 
a se obterem os mais altos níveis de produtividade econômica. Na 
atividade de irrigação, a água é o recurso natural sobre o qual se tem 
maior interesse em exercer controle, no sentido de alterar seu padrão 
de disponibilidade espacial e temporal, adequando-o à demanda da 
cultura do abacateiro. A eficiência do uso da água pode ser avaliada 
em função da produção e/ou receitas obtidas pela quantidade de água 
aplicada, conforme exemplificado pela Tabela 03. 
A produção da cultura do abacateiro em reposta à água aplicada 
depende de muitos fatores, tais como quantidade e freqüência de ir-
rigação, método de aplicação de água, estádio de desenvolvimento da 
cultura, variabilidade do solo, condições climáticas, etc. Neste item 
serão utilizadas como base as considerações apresentadas por Friz-
zone, (1993) sobre funções de respostas de culturas à irrigação, por 
ser uma das maiores referências quanto à avaliação do desempenho 
das culturas quanto à lâmina irrigada e, por conseguinte, à eficiência 
econômica da irrigação.
89 vIABILIDADE ECONômICA •
Tabela 03 – Eficiência do uso da água para as principais espécies 
de frutas irrigadas.
Cultura
Produtividade Física 
(t/ha/ano)
Eficiência Física 
(kg/m³)
Eficiência Econô-
mica (US$/m³)
Abacate 10,00 1,79 0,54
Abacaxi 30,00 7,49 1,50
Acerola 15,00 3,25 0,97
Banana 40,00 3,40 1,06
Goiaba 20,00 4,34 2,71
Graviola 10,00 2,17 2,06
Limão 20,00 4,34 2,93
Manga 20,00 5,00 3,00
Tangerina 20,00 4,34 1,30
Uva 40,00 8,13 6,10
Fonte: Adaptado de FRUPEX, (1994) e Banco de Dados do Laboratório de 
Hidráulica e Irrigação da Universidade Federal do Ceará apud Salzburg, 
(1998).
Um enfoque conceitual de função de resposta ou de produção 
da cultura do abacate pode ser considerado como uma relação física 
entre a quantidade de água aplicada e as quantidades físicas máximas 
que podem ser obtidas do produto, para dado sistema de irrigação uti-
lizado (FRIZZONE, 1993). Segundo o mesmo autor, muitas funções 
de produção foram obtidas pelos pesquisadores para as mais variadas 
culturas, em que estas apresentam em sua maioria relações lineares, 
onde o valor ótimo (máximo lucro) será sempre limitado por uma res-
trição, neste caso, a disponibilidade de água. Entretanto, na maioria 
dos problemas práticos, haverá um valor ótimo (que resulta na máxima 
renda líquida) que ocorre dentro de uma região factível, antes da efe-
tiva limitação da água, conforme pode ser observado na Figura 01.
90 • ABACATE
Figura 01 – Esquema de uma função de receita líquida para a cultura do 
abacate. Fonte: Frizzone, (1993).
Na Figura 02 ilustra-se um modelo da função de resposta de uma 
cultura à quantidade total de água aplicada, dada pela relação evapo-
transpiração-produção, que pode ser facilmente adaptada para a cul-
tura do abacateiro, deve-se considerar que o método de irrigação pode 
afetar significativamente a produção, independente da quantidade de 
água a ser aplicada. 
Quando uma pequena quantidade de água é aplicada, ela é quase 
totalmente utilizada pela cultura, mas as curvas de evapotranspiração 
e água aplicada, apesar de próximas, não são coincidentes. A relação 
produção-água aplicada pode ser considerada linear até aproxima-
damente 50% da quantidade que resulta na produção máxima. Para 
maiores quantidades de água aplicada, os acréscimos na produção são 
progressivamente menores, refletindo as várias perdas de água que se 
desenvolvem próximo da condição de máxima produção (irrigação 
sem déficit). A perda de água por percolação profunda aumenta com 
o aumento da quantidade de água aplicada; se o aumento da lâmina 
de irrigação é associado com altas freqüências de irrigação, maior 
perda por evaporação poderá ocorrer, especialmente em irrigação por 
aspersão, com relativamente pequeno aumento na produção (FRIZ-
ZONE, 1993).
91 vIABILIDADE ECONômICA •
Figura 02 – Função de resposta de uma cultura à irrigação. Fonte: Frizzone, 
(1993).
Segundo Frizzone (1993), a irrigação é tão menos eficiente quanto 
mais a quantidade de água aplicada se aproxima da irrigação sem 
déficit. Este declínio da eficiência está associado com a variabilidade 
na quantidade de água aplicada, com as características da cultura e ca-
racterísticas do solo. A curva de produção-água aplicada está próxima 
da reta produção evapotranspiração para baixos níveis de irrigação, 
mas se afasta progressivamente para maiores níveis de irrigação. A 
forma da curva na zona II é governada por outros fatores. Após o ponto 
de produção máxima, a curva se declina em conseqüência da redução 
na aeração do solo devido ao excesso de água, lixiviação dos nutri-
entes e doenças associadas com solo úmido. Uma vez que os fatores 
que afetam a produção na zona II são diferentes daqueles da zona I, 
é necessário uma formulação matemática diferente para a zona II. A 
natureza dessa relação depende do tempo de duração do excesso de 
água, da temperatura durante o período de excesso de água e de outros 
fatores de solo e clima. Quando a quantidade de água aplicada excede 
a necessidade de água da cultura, o lucro diminui linearmente com o 
aumento do nível de irrigação. 
Na Figura 03, observa-se um esquema de funções de receita bruta, 
custos e receita líquida. Desde que a receita bruta é igual à produção 
da cultura multiplicada por uma constante (o preço do produto), a 
relação entre o uso da água de irrigação e a receita bruta tem a mesma 
forma geral da curva produção-água aplicada. A função de custo tem 
92 • ABACATE
três importantes características. A primeira é seu limite inferior (custo/
ha), o qual está associado com os custos fixos anuais (do equipamento 
de irrigação, da maquinaria agrícola e das operações de campo para 
preparo de solo) e com os custos variáveis de produção da cultura, in-
dependentes da irrigação (sementes, fertilizantes, defensivos, cultivo e 
colheita). A segunda característica da função de custo é a declividade, a 
qual representa os custos marginais da produção, nos quais incluem os 
custos variáveis da irrigação, tais como custos de bombeamento, custos 
da água, da mão-de-obra e de manutenção, ou seja, correspondente à 
diferença entre os custos variáveis de produção da cultura irrigada e 
da cultura não irrigada, dividido pelo total de água aplicado. A terceira 
característica é o limite superior que está relacionado à capacidade de 
operação do sistema. Assumindo que é razoável adotar uma função de 
custo linear, têm-se:
C C C W
AB W
= + ( x )0 (01)
em que: C
AB
 – custo de produção da cultura do abacate, por uni-
dade de área; C
0
 – custo de produção da cultura do abacate, por uni-
dade de área, incluindo todos os custos não diretamente relacionados 
à aplicação de água e os custos de irrigação que não são função da 
lâmina de água aplicada, como a depreciação do sistema de irrigação; 
C
W
 – custo do volume unitário de água aplicado; W – volume de água 
aplicado por unidade de área.Se não existirem outros custos envolvidos na produção, tais como 
custos de drenagem, a função de receita líquida por unidade de área 
pode ser dada por:
 
IL P Y C( W ) ( W ) AB= x - (02)
em que: IL
(W)
 – receita líquida por unidade de área; P – preço de 
venda produto; Y
(W)
 – quantidade produzida; CAB – custo de produção 
da cultura do abacate, por unidade de área.
A equação (02) tem um máximo em Wm = W*, conforme obser-
vado na Figura 02. O valor de W* é considerado a necessidade ótima 
de irrigação durante o ciclo produtivo da cultura. Em outras palavras, 
se toda área for uniformemente irrigada, W* corresponde à quantidade 
93 vIABILIDADE ECONômICA •
de água que deve ser infiltrada no solo para se obter o máximo desem-
penho produtivo e econômico. 
Sob a hipótese de que nos projetos de irrigação implantados nas 
lavouras de abacateiro é essencialmente comercial e não de subsistên-
cia, o agricultor tem (ou pelo menos age como se tivesse) o objetivo 
de maximizar a receita líquida. O emprego da irrigação em pomares 
de abacate somente será economicamente viável se o incremento de 
produção for suficiente para gerar uma receita líquida maior que o 
incremento de custo anual do projeto. Por conseguinte, FERRAZ et 
al., (2005) apresentam uma metodologia para determinação do incre-
mento de produtividade que pode ser adaptado para todas as fruteiras, 
em especial para o abacate que apresenta poucas informações técnicas 
sobre a viabilidade da utilização de sistemas de irrigação.
IP P c i P cs= x -( )100 100 (03)
em que: IP é o incremento de produtividade necessário para via-
bilizar o emprego da irrigação; %, Pci é a produtividade da cultura 
irrigada (kg.ha-1.ano-1); Pcs é a produtividade da cultura de sequeiro 
(kg.ha-1.ano-1).
Para a viabilidade econômica do projeto, a receita líquida do po-
mar irrigado deveria ser, no mínimo, igual à receita líquida do pomar 
de sequeiro:
Pci Pcs Pp C TA Pp= [( x ) = ] x
-1
 (04)
em que: Pp é o preço de venda do produto (US$.kg-1); CTA é o 
custo total anual do projeto de irrigação (US$.ha-1.ano-1); CTA é cal-
culado por
C TA = C FA + C VA (05)
em que: CVA é o custo variável anual (US$.ha-1.ano-1); CFA é o 
custo fixo anual (US$.ha-1.ano-1).
C FA FR C C si = ( )X (06)
94 • ABACATE
em que: Csi é o preço de aquisição do sistema de irrigação (US$.
ha-1); FRC é o fator de recuperação do capital obtido por:
F RC = [( j x100 -1)x(( j x100 -1) + 1 )V U]x [(( jx100 ) -1 + 1 )V U- 1]-1
 
(07)
em que: j é a taxa anual de juros (%); VU é a vida útil do projeto 
(anos); O custo CVA foi dado por:
C VA = C e + C m + M o (08)
em que: MO é o custo da mão-de-obra para a operação do sistema 
de irrigação (US$.ha-1.ano-1); Cm é o custo da manutenção do equipa-
mento (US$.ha-1.ano-1); Ce é o custo total anual da energia (US$.ha-1.
ano-1), obtido por:
 C e = FD A + F CA (09)
em que: FCA é o faturamento de consumo anual (US$.ha-1.ano-1); 
FDA é o faturamento de demanda anual (US$.ha-1.ano-1); dado por:
F DA = Cei P i(12 ) (1,36)x x x -1 (10)
em que: Cei é o custo da energia instalada (US$.ha-1.ano-1); Pi é a 
potência instalada (cv.ha-1) e FCA :
 (11)
em que: Tr é o tempo de funcionamento da irrigação no período de 
tarifa de energia reduzida (h.dia-1); Rt é a redução na tarifa de energia 
(%); Cec é o custo da energia consumida (US$.kW-1).
Pode observar-se em publicações de empresas de assistência téc-
nica, consultoria e comércio, como por exemplo, a FNP Consultoria 
& Comércio, que publicou o Agrianual 2005, que no estudo da via-
bilidade da implantação de um sistema de irrigação na cultura do aba-
cateiro, independente do sistema a ser implantado, devem ser observa-
das algumas características importantes como: a) potência do sistema 
de irrigação (cv.ha-1); b) preço de aquisição do sistema de irrigação 
com motor elétrico ou a diesel (US$.ha-1); c) vida útil do sistema de 
95 vIABILIDADE ECONômICA •
irrigação (anos); d) tempo de operação do sistema de irrigação (h.dia-1); 
e) tempo de irrigação no período com tarifas reduzidas ou políticas 
especiais dos fornecedores locais de energia (h.dia-1); f) período de 
operação do sistema de irrigação (meses.ano-1); g) custo de energia 
instalada (US$.kW-1); h) custo da energia consumida (US$.kW-1.h-1); i) 
custo de aquisição da rede elétrica (US$.km-1); j) comprimento da rede 
elétrica (km); k) redução na tarifação da energia (%); l) espaçamento 
entre linhas e plantas (m); m) área a ser irrigada (ha); n) produtividade 
do abacateiro (kg.ha-1.ano-1); o) preço de venda do produto ((US$.kg-1); 
p) lâmina projetada a ser irrigada (mm.dia-1).
Vale ressaltar que, de acordo com a observação destas variáveis 
citadas acima, é possível observar que nem sempre é economicamente 
viável optar por equipamentos de menor custo de aquisição e vida útil. 
Além disso, deve-se considerar que um equipamento com preço muito 
baixo pode possuir partes de baixa qualidade, que exigem manuten-
ções ou substituições freqüentes, apresentando baixa eficiência e uni-
formidade de distribuição de água, assim como tubulações de menor 
diâmetro, que provocam maior perda de carga e consumo de energia.
Manejo racional da irrigação
O manejo racional da irrigação consiste na aplicação da quantidade 
necessária de água às plantas no momento correto. Por não adotar um 
método de controle da irrigação, o produtor rural usualmente irriga em 
excesso, temendo que a cultura sofra um estresse hídrico, o que pode 
comprometer a produção A adoção de técnicas racionais de manejo 
conservacionistas do solo e da água é de fundamental importância 
para a sustentabilidade, de tal forma que se possa, economicamente, 
manter ao longo do tempo esses recursos com quantidade e qualidade 
suficientes para a manutenção de níveis satisfatórios de produtividade. 
Segundo TENÓRIO et al., (2005) a necessidade de utilizar um sistema 
de irrigação de maneira eficiente, torna-se uma das mais importantes 
tarefas do nosso tempo, sendo necessário aprofundar os conhecimentos 
relativos às propriedades e ao comportamento do binômio solo-água, 
devido a sua relação direta com o desenvolvimento das culturas. 
Se as relações mostradas nas Figuras 01 e 02 fossem conhecidas 
com precisão para a cultura do abacate, seria possível escolher com 
96 • ABACATE
rigor o nível ótimo de água para uma situação particular. Contudo, en-
quanto a função de custo pode ser razoavelmente estimada, a função de 
resposta do abacateiro é muito variável e difícil de ser prevista. Devido 
a variação do clima, dos atributos físicos e hídricos do solo, da unifor-
midade de distribuição de água pelo sistema de irrigação, do tempo 
necessário para obter tais resultados em experimentações e de muitos 
outros fatores, torna-se difícil prever quanto de água é armazenada e 
disponibilizada na zona do sistema radicular da planta. Quando estas 
incertezas são combinadas com a variabilidade da resposta da cultura 
ao uso de fertilizantes, condições fitossanitárias e de manejo do solo, 
a produção real obtida para um determinado nível de água aplicada é 
praticamente imprevisível.
Incerteza na produção significa risco econômico, através de estra-
tégias de irrigação (manejo racional), o risco poderá ser abrandado, 
mas um substancial grau de incerteza ainda permanecerá, podendo 
confundir qualquer tentativa no sentido de determinar um plano ótimo 
de irrigação. Este é o problema essencial encontrando na irrigação do 
abacateiro, uma vez que não se pode conhecer com precisão a forma 
da curva de produção em função da água aplicada e, portanto, não se 
determinará com certeza o nível de água que maximizará a receita 
líquida. Também, a quantidade de água ótima representa apenas um 
ponto sobrea curva de produção, tendo pouco significado prático. En-
tretanto, é possível definir um intervalo dentro do qual a receita líquida 
é maior que aquela obtida quando se utiliza a quantidade de água que 
maximiza a produção (Figura 03), onde no intervalo entre Wm e We, 
a irrigação com déficit deverá ser mais rentável que a irrigação sem 
déficit (irrigação para máxima produção).
97 vIABILIDADE ECONômICA •
Figura 03 – Definição do intervalo para manejo racional da irrigação em 
função das receitas. Fonte: Frizzone, (1993).
 
Em uma análise, a extensão deste intervalo pode ser interpretada 
como uma indicação do grau de segurança no manejo racional da 
irrigação com déficit. Se o intervalo é relativamente amplo, o risco 
associado à decisão pode ser pequeno. Um intervalo pequeno implica 
em maior risco e na necessidade de um cuidadoso manejo da irrigação. 
Desta forma, conhecido este intervalo e a incerteza da estimativa da 
quantidade ótima de água, a decisão de quanto irrigar pode ser tomada 
com mais segurança.
Em projetos de irrigação, muitas variáveis influenciam nas meto-
dologias empregadas para se obter o uso racional da água. Porém, a 
estimativa de consumo de água pelas culturas assume grande destaque, 
na medida em que se busca maximizar a produção e minimizar custos 
(MEDEIROS, 2002). Existem diversas formas de quantificar a ne-
cessidade diária de reposição de água através da irrigação, sendo que 
as mais utilizadas são através da utilização de dados climáticos e mo-
98 • ABACATE
delos matemáticos estabelecidos pela FAO ou através de um balanço 
hídrico do solo, que permite observar a quantidade de água que ainda 
está armazenada na região do sistema radicular, quantificando apenas 
a reposição até a condição da capacidade de campo do solo. 
Para realização do manejo da água via clima é necessário se 
conhecer o consumo de água pelas culturas (ETc), que representa a 
lâmina que deve ser aplicada ao solo para manter o crescimento e a 
produtividade em condições ideais (PEREIRA et al., 1997). Segundo 
DOORENBOS & KASSAM (1979), a ETc é o resultado do produto 
da evapotranspiração de referência (ETo) e o coeficiente da cultura 
(Kc). Portanto, a determinação do consumo de água por uma cultura 
é dependente do conhecimento da evapotranspiração de referência, 
que diz respeito às condições climáticas do local da sua implantação 
e também das características fisiológicas e morfológicas que lhe são 
peculiares, representadas através do coeficiente de cultivo. 
A evapotranspiração é uma variável muito estudada devido a sua 
importância na estimativa do consumo de água pelas plantas. THORN-
THWAITE (1948) definiu a evapotranspiração potencial de uma cul-
tura (ETpc) como a quantidade de água utilizada por uma extensa área 
vegetada, em crescimento ativo, sob condições ótimas de umidade 
do solo. A evapotranspiração pode ser determinada ou estimada de 
diferentes maneiras. De acordo com Miranda et al. (2001), ela pode 
ser mensurada utilizando métodos diretos ou estimada por meio de in-
formações climáticas. No primeiro grupo, entre outros, estão incluídos 
os diferentes tipos de lisímetros e o balanço de água no solo; enquanto 
no segundo, estão enquadrados os métodos teóricos e empíricos, como 
os de Penman (1948), Thornthwaite (1948), Blaney & Criddle (1950), 
Jensen & Haise (1963), Priestley & Taylor (1972), Hargreaves (1977), 
Penamn Monteith (Allen et al, 1998) e evaporímetros como o tanque 
“Classe A” (SENTELHAS, 2003), dentre outros métodos apresentados 
no Boletim 56 da FAO. 
Dentre esses métodos destaca-se o do tanque “Classe A”, em 
função da sua facilidade de operação, custo relativamente baixo e 
principalmente, a possibilidade de instalação próxima à cultura a ser 
irrigada. O tanque classe A apresenta área de aproximadamente 1,15 
m2 e deve ser instalado sobre uma superfície gramada em um estrado 
de madeira. Segundo Sentelhas (2001), sua simplicidade de manu-
99 vIABILIDADE ECONômICA •
seio é contraposta a algumas desvantagens como a superexposição às 
condições ambientais, a facilidade de acesso de animais e ao fato da 
evaporação ocorrer também no período noturno, fato que dificulta sua 
correlação com métodos tradicionais de estimativa de ETo. O método 
do tanque é baseado na evaporação de água livre e num coeficiente do 
tanque (kp), relacionando às condições do meio onde se determinam 
ETo (MEDEIROS, 2002). Doorenbos & Pruitt (1977) apresentam uma 
tabela com valores de kp que depende de fatores como velocidade do 
vento, umidade relativa e tamanho da bordadura, relacionados à grama 
irrigada. Os autores lembram da necessidade de ajustes locais no valor 
de kp, dependendo da altura da cultura de referência e das condições 
climáticas existentes. Valores de kp também podem ser obtidos por 
meio de equações utilizadas em função da disponibilidade de dados 
climáticos (Doorenbos & Pruitt (1977), Cuenca (1989), Snyder (1992), 
Pereira et al. (1995), Raghuwanshi & Wallender (1998), Allen et al., 
1998).
Exemplo de uma seqüência para manejo da irrigação pelo método 
do Tanque Classe A, vale ressaltar que este modelo apresenta suas 
limitações, porém pode ser utilizado por possibilitar sua instalação 
próximo à lavoura:
O cálculo da lâmina de água a ser aplicada pode ser realizado di-
ariamente após leitura da evaporação (Ev) do tanque classe A. Assim, 
as leituras diárias de Ev são transformadas em evapotranspiração de 
referência (ETo), conforme equação 12:
E to que kp Ev( tan ) = x (12) 
em que: kp - coeficiente do tanque, cuja estimativa pode ser efetua-
da conforme equação proposta por Allen et al. (1998), dentre vários 
outros modelos matemáticos existentes:
 (13)
em que: U = velocidade do vento medida a 2 m de altura, em m.s-1; 
H = umidade relativa média (%) e F = bordadura, em m, (espaço entre 
o tanque e o final da área de contorno). 
100 • ABACATE
A evapotranspiração da cultura (ETc) pode ser determinada utili-
zando a equação:
ET = K c x Eto (14)
em que: kc - coeficiente de cultivo do abacate. A Tabela 03 apre-
senta os coeficientes de cultivo para algumas fruteiras. 
Tabela 03 – Valores médios do coeficiente (kc) para algumas 
fruteiras.
Cultura Coeficiente de cultivo Altura da 
cultura (m)Kc inicial Kc médio Kc final
Abacate (solo não coberto) 0,60 0,85 0,75 3,00
Banana (1º ano) 0,50 1,10 1,00 3,00
Banana (a partir do 2º ano) 1,00 1,20 1,10 4,00
Cacau 1,00 1,05 1,05 3,00
Abacaxi (solo não coberto) 0,50 0,30 0,30 0,60 – 1,20
Abacaxi (solo coberto com 
grama) 0,50 0,50 0,50 0,60 – 1,20
Kiwi 0,40 1,05 1,05 3,00
Fonte: Adaptado de ALLEN et al., Boletim FAO 56, (1998).
Para melhor representar as condições climáticas locais, diari-
amente os coeficientes de cultivo eram corrigidos, conforme meto-
dologia apresentada por Allen et al., (1998):
(15)
(16) 
(17)
em que: Kcini = coeficiente de cultura do abacate para fase 1; Kcmed 
= coeficiente de cultura do abacate para fase 2; Kc
fim
 = coeficiente 
101 vIABILIDADE ECONômICA •
de cultura do abacate para fase 3; IE = intervalo entre eventos de 
umedecimento do solo, em dias; h = altura máxima da planta na fase 
correspondente, em m.
O balanço hídrico do solo é o somatório das quantidades de água 
que entram e saem de um volume de solo, em determinado intervalo 
de tempo, durante o ciclo de uma cultura. Torna-se necessário avaliar 
a umidade pelo menos na profundidade, ocupada por 95% do sistema 
radicular ativo (REICHARDT & TIMM, 2004). O balanço hídrico 
apresenta componentes que contribuem positivamente, aumentando 
a umidade do solo no volume de controle, ou negativo, reduzindo a 
disponibilidade de água no solo, sobretudo na profundidade do sistema 
radicular efetivo. Uma equação simplificada do balanço hídricono solo 
é apresentada por REICHARDT E TIMM (2004):
 P + I - D S - E T - Q Z - A z = 0+ + + (18)
em que: P = precipitação pluviométrica (mm); I = irrigação (mm); 
DS = deflúvio superficial (mm); ET = evapotranspiração (mm); QZ = 
fluxo vertical (ascensão capilar ou drenagem profunda) (mm); ∆Az = 
variação no armazenamento da água no solo (mm).
Lopes et al. (2005), avaliando o manejo da irrigação por tensiome-
tria e o balanço hídrico climatológico, baseado no Tanque Classe A, 
para a cultura do feijoeiro em sistemas de plantio convencional e dire-
to, concluíram que ambos os métodos são possíveis de serem adotados, 
sendo que o manejo por meio da tensiometria proporcionou economia 
de 15% na água de irrigação aplicada, sem afetar a produtividade em 
grãos.
Para ser útil no controle da irrigação, o balanço hídrico precisa ser 
de fácil execução e entendimento. Com esse objetivo, CAMARGO 
& PEREIRA (1990) simplificaram o balanço hidrico climatológico 
considerando apenas a água disponível (AD) diretamente ao invés do 
armazenamento total como é apresentado acima. Esse controle pode 
ser feito em qualquer escala de tempo (período), devendo ser adotada 
aquela que for mais conveniente para as operações de campo, ou seja, 
o turno de rega utilizado no próprio projeto. PEREIRA et al., (1997), 
propõe uma planilha específica para o controle da irrigação, a qual 
teria a seguinte configuração:
102 • ABACATE
Período
ND= ... dias
ETo
mm Kc ETc
P
mm
I
mm
ADi
mm
Adf
mm
Em que as colunas ADi e Adf representam a água disponível no 
início e no fim do período considerado, sendo a ADi de um período 
igual à ADf do período anterior. A irrigação quando necessária, deve 
ser feita no início do período para garantir suprimento adequado no 
intervalo pré-estabelecido. 
Quanto ao turno de rega a ser adotado, Lahav & Kalmar (1997) 
estudaram nas condições climáticas de Israel, o efeito de quatro inter-
valos de irrigação diferentes, 7, 14, 21 e 28 dias, na com aplicações de 
água anual média respectiva eram 8890, 7450, 6680 e 5940 m³ ha-1. A 
redução de intervalos de irrigação aumentou a taxa de crescimento e 
tamanho de frutos individuais, podendo ser de importância econômica, 
pois a superprodução resultou em frutos pequenos inadequado para 
exportação. Porém as reduções dos turnos de rega tendem a aumen-
tar a porcentagem de óleo da fruta, que retardam a data de colheita. 
Devido aos rendimentos iguais obtidos e a predominância de frutos 
com tamanhos comerciais, recomenda-se que o intervalo de 21 dias era 
a freqüência de irrigação ótima (LAHAV & KALMAR, 1997). Vale 
ressaltar que, é importante à adequação do turno de rega conforme 
as condições de solo, clima e sistema de irrigação adotado para cada 
caso.
Métodos de irrigação
Vários são os fatores que afetam o desenvolvimento das plantas, 
onde se ressalta a água, que em excesso ou escassez, contribui para a 
diminuição dos rendimentos das culturas, sendo assim, o seu manejo 
racional, um imperativo na maximização da produção agrícola. A 
seleção do método de irrigação tem a finalidade de estabelecer a via-
bilidade técnica e econômica, maximizando a eficiência e minimizando 
os custos de investimento e operação, e ao mesmo tempo, mantendo 
as condições favoráveis ao desenvolvimento das culturas. Entre os 
103 vIABILIDADE ECONômICA •
critérios mais utilizados, destacam-se: a topografia, características do 
solo, quantidade e qualidade da água, clima, cultura e considerações 
econômicas. DONADIO (1995) salienta que todos os sistemas de irri-
gação possuem vantagens e desvantagens, incluindo-se os tradicionais 
sistemas de irrigação por sulco, até a aspersão e gotejamento e reque-
rem aplicação criteriosa e acompanhamento rigoroso. Destaca-se o uso 
de aspersão na Califórnia, aspersão subcopa em Israel e o gotejamento 
que é muito utilizado e indicado para a cultura, sendo bastante difun-
dido em Israel, Califórnia e África do Sul. O gotejamento tem como 
grande vantagem, a economia de água, além de permitir o uso de águas 
salinas e permitir a fertirrigação. No dimensionamento de um projeto 
de irrigação, é imprescindível dispor de informações relacionadas com 
as variáveis climáticas, com o solo e com a cultura. Relacionada com 
o solo, uma das principais características é a velocidade de infiltração, 
pois reflete a capacidade do solo em conduzir a água.
Neste texto, não será detalhado os princípios básicos de funciona-
mento de cada sistema de irrigação utilizado na cultura do abacateiro, 
portanto, serão apresentadas apenas as vantagens e limitações dos 
sistemas de irrigação por aspersão e localizada, que são mais empre-
gados na cultura do abacateiro. A adoção de um sistema ou outro de-
pende das características locais da propriedade, principalmente com 
relação ao tipo de solo (velocidade de infiltração), da disponibilidade 
hídrica e dos recursos financeiros disponíveis.
O sistema de irrigação por aspersão, apresenta suas vantagens 
derivadas principalmente de dois aspectos fundamentais: 1) o con-
trole da irrigação só está limitado pelas condições atmosféricas e 2) a 
uniformidade de aplicação da água é independente das características 
hidrofísicas do solo. Dessa forma, as principais vantagens do sistema 
são: a) uma vez que a dose de rega é dependente do tempo de aplicação, 
o sistema pode se adaptar tanto a pequenas quanto a grandes doses; 
b) não há necessidade de sistematização do terreno, adaptando-se a 
topografias onduladas, permitindo preservar a fertilidade natural do 
solo; c) adapta-se perfeitamente à rotação de culturas e cultivos consor-
ciados entre abacate e outra culturas. Neste caso, o dimensionamento 
deve ser feito para o cultivo mais exigente em termos de necessidade 
de água; para cultivos de menor exigência hídrica, o manejo é feito 
unicamente com o controle do tempo de aplicação; d) permite a apli-
104 • ABACATE
cação de fertilizantes e tratamentos fitossanitários como também é 
muito eficiente contra o efeito de geadas nos cultivos; e) é o método 
mais eficiente para a lixiviação de sais por originar um movimento 
de água no solo em subsaturação, obrigando-a a circular pelos poros 
menores e, portanto, mais em contato com a solução do solo. As prin-
cipais limitações de uso do sistema são as seguintes: a) é possível a 
aspersão propiciar a queda de flores da planta, caso atinja a copa; b) 
pode causar problemas de sanidade na parte aérea da planta quando se 
utiliza água salina ou residual para a irrigação; c) é fortemente afetada 
pela ação dos ventos; d) maior custo de implantação e manutenção ao 
ser comparado com os sistemas de irrigação por superfície. 
A irrigação localizada desponta como uma das contribuições mais 
promissoras para o desenvolvimento da fruticultura irrigada no Bra-
sil. Mais especificamente no Nordeste, onde a competição futura por 
água e energia elétrica, principalmente no vale do São Francisco, ten-
derá a priorizar o emprego de sistemas de irrigação mais eficientes, 
criando, assim, possibilidades de aumento das áreas irrigadas nessa 
região (NASCIMENTO et al.,1999). São sistemas com elevado grau de 
automação, capazes de aplicar produtos químicos dissolvidos na água 
de irrigação (fertirrigação). Ao mesmo tempo são exigentes de água 
com boa qualidade e um eficiente sistema de filtragem para reduzir a 
possibilidade de obstrução dos emissores.
De uma maneira geral, o sistema de irrigação localizada apresenta 
como vantagens: a) maior eficiência no uso da água; b) maior produ-
tividade, pois como a irrigação é diária, há maior uniformidade da umi-
dade do solo e com isso, maior desenvolvimento da cultura; c) maior 
eficiência de adubação; d) maior eficiência de controle fitossanitário; e) 
não interfere nos tratos culturais; f) pode ser adotado para qualquer tipo 
de solo e qualquer topografia;g) pode ser usado com água salina ou em 
solos salinos; h) maior economia de mão-de-obra. Porém este sistema 
apresenta como limitações principais o entupimento dos emissores e 
a distribuição do sistema radicular da planta é mais concentrado. De 
acordo com KELLER & KARMELLI (1975), torna-se necessária a 
realização periódica de avaliações do sistema de irrigação, pois apesar 
das inúmeras vantagens apresentadas, existem problemas na irriga-
ção localizada, dentre os quais destaca-se a obstrução dos emissores. 
Esta obstrução é causada por material orgânico em suspensão, por 
105 vIABILIDADE ECONômICA •
deposição química e por partículas minerais, características hidráuli-
cas, topografia do terreno, pressão de operação, tamanho dos tubos, 
espaçamento entre emissores, variabilidade de vazão dos emissores e 
filtragem da água não adequada.
A irrigação localizada aplica-se a água apenas em parte da área 
ocupada pela cultura do abacate, atingindo principalmente o volume de 
solo explorado pelas raízes. Os sistemas mais utilizados são os de gote-
jamento e de microaspersão, ambos constituindo-se de sistemas fixos 
de irrigação. A irrigação por microaspersão, tem sido intensamente uti-
lizada nas plantações de abacate, onde a área superficial molhada por 
um emissor é maior do que por gotejamento. A água aplicada é asper-
gida em círculos completos ou na forma de setores circulares irrigados, 
com um raio de alcance, que varia de 0,80 a 3,50 m. Como o sistema 
radicular do abacate é do tipo axial, com ramificações secundárias, 
onde aproximadamente 80% do volume radicular se concentra a 1,0 m 
de profundidade (KOLLER, 1984), aconselha-se que as plantas adultas 
sejam molhadas em 50% da sua área total ou, no mínimo, na área de 
projeção da copa. Procurar, também aplicar a água numa faixa molhada 
na direção da linha das plantas; no caso do espaçamento de 5,0 m entre 
plantas na linha (por exemplo) de um microaspersor por planta, deve 
o raio de molhamento ficar em torno de 2,5 metros. 
A irrigação por gotejamento consiste na aplicação freqüente de 
pequenas quantidades de água, procurando-se umedecer somente a 
região explorada pelas raízes da planta. Com isso, ocorre uma diminu-
ição da evaporação da água da superfície do solo, uma menor infesta-
ção de plantas daninhas permitindo-se a redução do gasto de água, por 
não irrigar áreas não cultivadas, principalmente quando a planta ainda 
tem um porte pequeno. Por outro lado, o periódico fornecimento de 
água garante a manutenção de seu elevado potencial no solo, reduzindo 
os efeitos negativos da concentração de sais na área de absorção do 
sistema radicular, fator muito importante em regiões onde pode ocorrer 
uma elevada concentração de sais na água disponível.
O sistema de irrigação por gotejamento pode alcançar cerca de 
95% do aproveitamento da água em zonas tropicais, mas não é reco-
mendado para os solos arenosos, pois nestes o bulbo molhado não é 
suficiente para um bom suprimento de água para as plantas. Então, para 
a irrigação em solos arenosos, tem sido recomendado utilizar o sistema 
106 • ABACATE
de microaspersão em substituição ao sistema de gotejamento.
Eficiência dos sistemas de irrigação
KELLER & BLIESNER (1990) comentam que é recomendável, 
após a instalação de um sistema de irrigação, proceder-se a testes de 
campo, com o objetivo de se verificar a adequação da irrigação reco-
mendando, quando necessário, ajustes na operação e principalmente, 
no manejo. Esses procedimentos visam maximizar a eficiência do 
sistema. Para auxiliar na avaliação de um sistema no campo, torna-se 
preciso conhecer alguns valores, como eficiência de aplicação (Ea), 
coeficiente de uniformidade (CU) e eficiência de armazenamento (Ks). 
Para se conhecer o nível de eficiência de um sistema de irrigação 
é necessário que se façam avaliações sistemáticas. Uma avaliação 
completa requer a análise de fatores como superfície molhada e a 
avaliação do funcionamento de acessórios como emissores, filtros, 
reguladores de pressão e válvulas volumétricas. Com o resultado, caso 
seja necessário, devem ser feitos ajustes na operação e principalmente 
no manejo de irrigação (SOUSA, 2003). 
A obstrução dos emissores afeta a uniformidade de aplicação da 
água, a qual é avaliada através do coeficiente de uniformidade de dis-
tribuição e uniformidade absoluta que dependem completamente das 
vazões dos emissores do sistema. À medida que se prolonga o tempo 
de uso do equipamento no decorrer do ciclo da cultura, aumenta a pos-
sibilidade de obstrução dos orifícios, afetando o rendimento da cultura, 
necessitando, assim, da avaliação da uniformidade de distribuição da 
água (SOUSA, 2003). A falta de uniformidade poderá ser causada por 
diversos fatores, entre eles as diferentes características dos emissores, 
devido a um insuficiente controle de qualidade, falhas ou incompetên-
cia no cálculo do sistema, ou sua operação, outras pressões de serviço, 
além daquelas projetadas para os tipos de emissores usados, e varia-
ções físicas no sistema, que aparecem com o tempo (SALES et al., 
2001). A partir desses resultados obtidos em uma avaliação do sistema 
de irrigação, será possível avaliar a adequação do equipamento, relati-
vamente aos requerimentos de água dos cultivos utilizados, bem como 
a eficiência de aplicação de água do sistema de irrigação. Esses pro-
cedimentos visam maximizar a eficiência do sistema. A uniformidade 
é um indicador da igualdade (ou desigualdade) das taxas de aplicação 
107 vIABILIDADE ECONômICA •
dentro do diâmetro padrão de um emissor.
É importante destacar dentro de um sistema de irrigação, inde-
pendente do qual está sendo utilizado na lavoura de abacate, que a 
eficiência de irrigação é função da quantidade de água mobilizada 
para a irrigação e a realmente incorporada ao solo. Esse valor varia 
em função do método de irrigação empregado. A eficiência total de 
irrigação é função das eficiências de condução, de distribuição e a de 
aplicação. A eficiência de condução (Ec) representa todas as perdas 
que ocorrem desde a tomada d’água até os limites da área a ser irrigada. 
É variável em função do tipo de conduto utilizado para o transporte 
da água, que pode ser um canal em terra ou revestido, ou mesmo uma 
tubulação. A eficiência de distribuição (Ed) representa todas as perdas 
que ocorrem na distribuição de água por toda a área. Por fim, a eficiên-
cia de aplicação (Ea) representa todas as perdas que ocorrem durante 
a aplicação de água por toda a área. Varia de 65 a 90%, dependendo 
do método de irrigação empregado. A eficiência total de irrigação (Ei), 
será então determinada pelo somatório das eficiências de condução 
da água, distribuição e aplicação. Normalmente, os valores de Ei são 
os seguintes: - para métodos de irrigação por superfície: 40 a 60%; - 
para métodos de irrigação por aspersão: até 85%; - para métodos de 
irrigação localizados: até 95%.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AGROJET. Irrigação localizada com tecnologia Agrojet. Apos-
tila informativa. 2006. Disponivel em: http:\\ www.agrojet.com.br. 
Acessado em 03/04/2007.
ALLEN, R.G.; PEREIRA, L.S.; RAES, D.; SMITH, M. Crop evapo-
transpiration: guidelines for computing crop water requirements. 
Rome: FAO, Irrigation and Drainage Paper, 56. Food and Agriculture 
Organization of the United Nations, 1998. 301p.
AYRES, R. S.; WESTCOT. Water quality for agriculture (Revised). 
Rome: FAO, Irrigation and Drainage Paper, 29. Food and Agriculture 
Organization of the United Nations, 1985. 174p.
108 • ABACATE
BERNARDO, S.; SOARES, A. A.; MANTOVANI, E. C. Manual de 
irrigação. 8ª ed. Viçosa: UFV, 2006. 625p.
BOWER, J. P. Effect of fruit water stress and irrigation regime in the 
ripening of stored avocado fruit, cultivar Fuerte. South African Avo-
cado Growers’ Association Yearbookv. 7, p.55-56, 1984.
CAMARGO, A.P.; PEREIRA, A.R. Prescrição de rega por modelo 
climatológico. Campinas: Fundação Cargill, 27p. (Série Técnico 
Científica, 170 p). 1990.
CROWLEY, D. E. Salinity tolerance in avocado. In: California Avo-
cado Research Symposium, 1999. California Avocado Society and 
University of California, Riverside. Anais... p.15-16.
DONADIO, L. C. Abacate para exportação: aspectos técnicos da 
produção. 2a. ed. rev aum. Publicações técnicas FRUPEX, n º 2. 
Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, 
Secretaria de Desenvolvimento Rural, Programa de Apoio à Produção 
e Exportação de Frutas, Hortaliças, Flores e Plantas Ornamentais. 
Brasília. EMBRAPA – SPI, 1995. 53p. 
DOOREMBOS, J; KASSAN, A.H. Crop response to water. Rome: 
FAO, 1979. 194p. Irrigation and drainage Paper, 33.
FAO. Perspective on food and water. In: Water and sustainable de-
velopment international conference, 6 p., Paris, 1998.
FAO. Sustainable Management of Water Resources for Agricultural 
Development. In: The World of Agriculture, Hong Kong, p. 110-
112, 1993.
FERRAZ, P.; MONTEIRO, R. O. C; SANTOS, R. A.; TAVARES, 
A. C. S.; COELHO, R. D. Aspectos econômicos da irrigação em 
mangueiras. In: XV Congresso Nacional de Irrigação e Drenagem, 
2005. Teresina – PI, Anais.... Teresina: ABIRD, 2005. Cd-rom.
109 vIABILIDADE ECONômICA •
FNP Consultoria e Comércio. Agrianual 2005: anuário da agricul-
tura brasileira. São Paulo: Argos Comunicação, 2005. 521p.
FOLEGATTI, M. V.; BLANCO, F. F.; SILVA, L. B. D. Manejo da ir-
rigação. Série didática nº 14. Piracicaba – SP: ESALQ, 2005. 123p.
FRIZZONE, J. A. Funções de respostas das culturas à irrigação. Série 
didática nº 06. Piracicaba – SP: ESALQ, 2005. 123p.
FRIZZONE, J.A.; NETO, D.D. Avaliação de sistemas de irrigação. 
Série Engenharia Agrícola – Irrigação, v2. p. 573-651. Piracicaba: 
FUNEP, 2003.
LAHAV, E. ; KALMAR, D. Water requirements of avocado in Israel. 
II.* Influence on yield, fruit growth and oil content. Australian Jour-
nal of Agricultural Research. v.28, n. 5, p. 869 – 877. 1977.
KELLER, J. ; BLIESNER, R.D. Sprinkle and trickle irrigation. 
New York: van Nostrand Reinhold, 1990. 615p.
KELLER, J.; KARMELI, D. Trickle irrigation design. S.1: Rain 
Bird Sprinkler Manufacturing Corporation, 1975. 133 p.
KOLLER, O. C. Abacaticultura. Porto Alegre. Ed. Da Universidade/
UFGRS, 1984. 138p. 
MEDEIROS, A.T. Estimativa da evapotranspiração de referência 
a partir da equação de Penman-Monteith, de medidas lisimé-
tricas e de equações empíricas em Paraipaba-CE. 2002. 103 p. 
Tese (Doutorado em Agronomia: Irrigação e Drenagem). Piracicaba-
SP.
MONTEIRO, R.O.C.; FERRAZ, P.; SANTOS, R.A.; COELHO, R.D. 
Implicação do preço de aquisição e vida útil do sistema de irriga-
ção sobre a viabilidade econômica em mamoeiro. In: XV Congresso 
Nacional de Irrigação e Drenagem, 2005. Teresina – PI, Anais.... 
Teresnia: ABIRD, 2005. Cd-rom.
110 • ABACATE
NASCIMENTO, T.; SOARES, J.M.; AZEVEDO, C.A.V. de. Carac-
terização hidráulica do microaspersor RAIN-BIRD QN-14. Enge-
nharia Agrícola e Ambiental, Campina Grande, v.3, n. 1, p. 30-33, 
Jan/Abr. 1999.
PEREIRA, A.R.; VILLA NOVA, N.A.; SEDIYAMA, G.C. 
Evapo(transpi)ração. Piracicaba: FEALQ, 1997. 183 p.
REICHARDT, K.; TIMM L.C. Solo, Planta e Atmosfera: Conceitos, 
processos e aplicações. Barueri, SP. Ed. Manole, p.323-340, 2004.
SALES, E.G.M.; OLIVEIRA, M.H.M. de; SOUZA, F. Avaliação de 
um sistema de irrigação localizada por gotejamento na fazenda fruta-
cor 1 em Limoeiro do Norte/Ceará. In: Congresso Nacional de Irriga-
ção e Drenagem, 11., 2001, Fortaleza. Anais... Fortaleza: CONIRD, 
2001. p.43-47.
SANTOS, R.A.; MONTEIRO, R.O.C.; FOLEGATTI, M.V.; 
COELHO, R.D. Incremento de produtividade necessário para se via-
bilizar a irrigação na cultura da goiaba. In: XV Congresso Nacional 
de Irrigação e Drenagem, 2005. Teresina – PI, Anais.... Teresnia: 
ABIRD, 2005. Cd-rom.
SENTELHAS, P.C. Agrometeorologia aplicada à irrigação. In: 
MIRANDA, J.H., PIRES, R.C.M. Irrigação. Piracicaba: FUNEP, 
v.1, p.63-120, 2001.
SETTER, T.; BELFORD, B. Waterlogging — how it reduces plant 
growth and how plants can overcome its effects. Journ Agric West 
Australia, v.31, p.51-55, 1990.
SIMÃO, S. Manual de Fruticultura. São Paulo, Editora Agronômi-
ca Ceres, 1971. 530p. p.147-169. 
SOUSA, A. E. C. Avaliação de um sistema de irrigação por gote-
jamento na cultura da manga (mangifera indica L.). Sobral: CEN-
TEC/CE, 2003. 21 p. (Monografia).
111 vIABILIDADE ECONômICA •
TEIXEIRA, C. G. Cultura do abacate. In: TEIXEIRA, C. G. et al. 
ABACATE: cultura, matéria prima, processamento e aspectos 
econômicos. 2a. ed. Série Frutas Tropicais n º 8, ITAL, Campinas, 
1991. 250p. 
TENÓRIO, F.J.C.; CALHEIROS, C.B.M.; CUNHA, J.L.X.L.; SIL-
VA, J.A.C.; SILVA, E.T.; MORAIS, T.A.; SANTOS, C.G. Economia 
de água em irrigação por aspersão com base na técnica de definição 
da velocidade de infiltração para projetos. In: XV Congresso Nacio-
nal de Irrigação e Drenagem, 2005. Teresina – PI, Anais.... Teresnia: 
ABIRD, 2005. Cd-rom.
NUTRIÇÃO E ADUBAÇÃO DO ABACATEIRO
Felipe Rodrigues da Silva1
1. INTRODUÇÃO
A fertilização dos pomares necessita ser orientada devidamente, 
pois representa uma prática cultural muito importante. Sua racionali-
dade, com base, principalmente, na disponibilidade mineral do solo 
e na exportação de nutrientes através das colheitas, é procedimento 
essencial na obtenção de safras compensadoras (Campos, 1985).
As reais exigências das plantas, o desempenho dos diferentes cul-
tivares em face da reação e da riqueza do solo, a diagnose foliar, são 
outros tantos pontos importantes a considerar na condução da nutrição 
do abacateiro. Infelizmente, nossa literatura mostra poucas informa-
ções seguras a respeito.
Através das raízes, as plantas absorvem muitos elementos minerais 
existentes no solo, os quais após metabolizados entram na composição 
dos tecidos.
Dentre os elementos absorvidos, apenas 13 são indispensáveis, 
porque na ausência deles a planta não completa o ciclo de vida, desde 
a germinação da semente, crescimento e reprodução. Os 13 nutrientes 
indispensáveis são conhecidos como essenciais, porque exercem fun-
ções vitais (Koller, 2002).
Os nutrientes essenciais são divididos em duas categorias, os ma-
cro e micronutrientes, respectivamente, em função das quantidades, 
maiores ou menores, que as plantas deles necessitam. Segundo Epstein 
(1975), são considerados como macronutrientes o N (nitrogênio), P 
(fósforo), K (potássio), Ca (cálcio), Mg (magnésio) e S (enxofre). São 
considerados micronutrientes o B (boro), Cl (cloro), Cu (cobre), Fe 
(ferro), Mn (manganês), Mo (molibdênio) e Zn (zinco).
O carbono (C), oxigênio (O) e o hidrogênio (H) também são ele-
mentos essenciais às plantas, porem é muito abundante no ar e/ou na 
água, de onde as plantas os obtém em quantidades suficientes.
Em geral, os solos considerados férteis, com boas propriedades 
físicas e químicas, contêm os nutrientes essenciais em quantidades 
e proporções adequadas, principalmente quando o teor de matéria 
1 Engenheiro Agrônomo, mestrando em Horticultura pela Faculdade de Ciências Agronômica, UNESP, 
Botucatu-SP. e-mail: frsilva@fca.unesp.br.
114 • ABACATE
orgânica for superior a 2%. Contudo, solos que foram cultivados du-
rante vários anos, ou mal utilizados e erodidos, frequentemente se apre-
sentam deficientes de um ou de vários nutrientes essenciais. Alguns 
solos, mesmo sendo virgens, também podem apresentar deficiências 
de nutrientes minerais, devido ao processo de sua origem e formação. 
Nesses casos, as raízes dos abacateiros encontrarão dificuldades em 
absorver um ou vários nutrientes em quantidades e proporções adequa-
das para um satisfatório crescimento e frutificação,sendo conveniente 
para o fruticultor corrigir as deficiências do solo através de adubações 
e/ou calagens.
Para fazer adubações racionais é necessário antes saber se, nas 
condições de solo e clima onde está localizado o pomar, os abacateiros 
conseguem absorver nutrientes minerais em quantidades e proporções 
adequadas às suas necessidades (Koller, 2002).
Existem vários métodos de avaliar necessidades de adubação, tais 
como: analise do solo, analise foliar, exportação de nutrientes pelas 
colheitas, sintomas visuais de deficiência de nutrientes e experimentos 
de adubação.
2. NUTRIÇÃO
A planta do abacateiro absorve do ar, água e solo os elementos que 
necessita para crescer e frutificar. São eles o carbono, o oxigênio e o 
hidrogênio, considerados nutrientes elementares retirados essencial-
mente da água e do ar; eles representam cerca de 90% de seu peso. O 
nitrogênio, fósforo, potássio, enxofre, magnésio e cálcio, considerados 
macronutrientes, e ferro, boro, zinco, cobre, manganês e molibdênio, 
considerados micronutrientes, são retirados do solo (Campos, 1985).
De acordo com Marchal e Bertin (1980) o abacateiro é considerado 
a fruteira que mais exporta, através da colheita. Segundo Montenegro 
(1973), Hiroce et al. (1977), Avilan et al. (1978), Silva et al. (1980) e 
Marchael e Bertin (1980), a importância dos macronutrientes exportados 
resulta na seguinte ordem de grandeza: K>N>P>S>Mg>Ca. Quanto aos 
micronutrientes, a ordem de importância é: Fe>B>Zn>Cu>Mn>Mo.
115 NuTRIçãO E ADuBAçãO •
3. ADUBAÇÃO
3.1 Análise de Solo
A análise de solo é o método de avaliação da fertilidade mais 
conhecido e utilizado na agricultura. Ela é muito importante antes da 
instalação do pomar para avaliação, principalmente da necessidade 
de correção da acidez e adubação corretiva com fósforo. Porque tanto 
o calcário como os adubos fosfatados se movem muito lentamente 
no solo, devendo por isso, serem incorporados desde a superfície até 
30 a 50 cm de profundidade, bem misturados a toda essa camada de 
solo, onde mais tarde se concentrará o maior volume de raízes (Cruz, 
1979).
Essa questão é importante porque, mais tarde, quando os aba-
cateiros estiverem crescidos e o sistema radicular estiver ocupando 
toda a superfície do solo, não se recomenda incorporar corretivos nem 
adubos através de gradagens profundas, porque podem cortar ou dani-
ficar raízes e essas lesões podem servir de entrada de patogenos, prin-
cipalmente da gomose causada por Phytophthora cinnamoni (Koller, 
2002).
Posteriormente ao plantio, a cada 2 a 4 anos é recomendável re-
alizar análises de solo, para avaliar os reflexos de aplicações de adubos 
e corretivos sobre a acidez e disponibilidade de nutrientes minerais no 
solo e verificações de eventuais correções e modificações necessárias 
nas doses que estão sendo utilizadas.
3.2 Análise Foliar
O teor de nutrientes contidos na matéria seca das folhas é um dos 
métodos mais adequados para avaliar a necessidade de adubação de 
plantas frutíferas. Conhecendo-se a concentração ótima de nutrientes 
para um crescimento e produção satisfatória da planta, analisando-se as 
folhas do abacateiro, é possível verificar se as raízes estão conseguindo 
absorvê-los em quantidades e proporções adequadas (Koller, 2002).
Contudo, os teores de nutrientes variam com a idade das folhas 
e época de coleta (Wutscher e Maxwel, 1975, Koo e Young, 1977 e 
Koen e Du Plessis, 1991). Por isso deve-se tomar cuidado ao coletar 
folhas para analise. Como exemplo, Tabela 1 a seguir, refere-se a fo-
lhas com 5 a 7 meses de idade. Folhas mais nova ou mais velha podem 
116 • ABACATE
conter quantidades menores ou maiores de determinados nutrientes, 
fornecendo dados enganosos.
TABELA 1. Padrões de teores foliares de nutrientes, para 
comparação do estado nutricional de abacateiros através da 
análise de folhas com 5 a 7 meses de idade.
Nutrientes Baixo Adequado Excessivo
 % (m/m)
N < 1,6 1,6 a 2,5 > 3,0
P < 0,17 0,17 a 0,3 > 0,4
K < 0,8 1,0 a 2,0 > 3,0
Ca < 1,0 1,0 a 3,0 > 5,0
Mg < 0,3 0,3 a 0,6 > 1,0
S < 0,2 0,2 a 0,5 > 0,8
 mg/kg (ppm)
B < 35 40 a 100 > 150
Cu < 4,0 5 a 15 > 20
Fé < 40 50 a 120 > 200
Mn < 25 30 a 80 > 100
Mo < 0,1 0,1 a 1,0 > 0,2
Zn < 25 30 a 80 > 100
Fonte: Koen & Du Plessis (1991)
Para interpretar a analise foliar, basta comparar o resultado com 
valores tabelados para a cultura, como por exemplo, na Tabela 1, cu-
jos teores adequados são fundamentados em plantas sadias e muito 
produtivas. Se todos os nutrientes da analise foliar estiverem na faixa 
adequada, será um bom indicio de que o pomar está bem nutrido, 
devendo-se continuar com as adubações que estão sendo realizadas. 
Devem-se fazer adubações com nutrientes, cujos teores estão abaixo 
do adequado, ou aumentar as doses desses nutrientes que estão sendo 
aplicados no pomar. Quando alguns nutrientes se encontram na faixa 
excessiva, então não devem mais ser aplicados ou suas doses devem 
ser diminuídas nas adubações subseqüentes (Koller,2002).
117 NuTRIçãO E ADuBAçãO •
3.3 Exportação de Nutrientes
A exportação de nutrientes é um instrumento valioso na avaliação 
da necessidade de adubação em pomares que se encontra em franca 
produção, mas esse critério não é suficiente por si só. Em geral, ela 
não leva em consideração o potencial do solo fornecer nutrientes para 
as plantas; também não considera as quantidades de nutrientes que 
são imobilizados, fazendo parte dos demais órgãos da planta como um 
todo e, por outro lado, alguns nutrientes aplicados nas adubações são 
fixados, de forma indisponível para as plantas e outros são perdidos 
pela erosão, sendo lixiviados para camadas muito profundas do solo, 
onde eles não são mais alcançados pelas raízes (Koller, 2002).
TABELA 2: Exportação de nutrientes em kg/tonelada de aba-
cates de diversos cultivares
Autores Cultivares N P K Ca Mg S
Hiroce (1977) Collinson 2,85 0,30 2,03 0,08 0,18 0,17
Marschal & Bertin 
(1980) Lula 2,80 0,35 4,53 0,13 0,20 -
Avilán (1980)
 Pollok 2,91 0,63 2,99 0,55 0,31 -
 Waldin 3,01 0,81 3,49 0,67 0,29 -
 Sta. Ana 3,69 0,65 3,37 0,54 0,87 -
 Sta. Clara 3,00 0,85 4,27 0,43 0,43 -
 Fonte: Koller (2002).
3.4 Sintomas de Deficiência
Quando as plantas estão mal nutridas, evidenciam alguns sinais, 
que são chamados sintomas de deficiências, tais como cloroses e mo-
dificações no tamanho ou forma das folhas, atraso ou retardamento 
do crescimento, diminuição ou ausência de floração ou frutificação e 
anomalias nas características dos frutos. Conhecendo-se os sintomas 
característicos de deficiência de todos os nutrientes, especialistas na 
questão podem identificar, através deles, qual ou quais nutrientes estão 
em deficiência, através da diagnose visual.
Segundo Koller (2002), uma regra quase geral nas plantas frutíferas 
é que os sintomas foliares de nutrientes pouco móveis no interior da 
planta, como o B, Cu, Fe, Mn, Zn e Ca, manisfestam-se primeiramente 
118 • ABACATE
nas folhas novas, ao passo que os dos nutrientes que se translocam 
facilmente de uma parte da planta para outra, como N, P, K e Mg, 
aparecem inicialmente nas folhas velhas, porque, quando há carência 
no solo, eles se deslocam das folhas velhas para as novas, onde a pre-
sença deles é mais importante.
Para a identificação de sintomas de deficiência é necessário recor-
rer à diagnose visual ou consultar as respectivas descrições e/ou fo-
tografias em bibliografias especializadas, sendo o mais recomendável 
à análise foliar.
 
3.5 Recomendações de Adubação
 
Na bibliografia existem muitas recomendações de adubação, 
porém, com base naquilo que foi abordado nos critérios de avaliação 
das necessidades de adubação é fácil concluir que não se pode reco-
mendar uma formula que possa ser utilizada indiscriminadamenteem 
todos os pomares.
As melhores recomendações de adubação, que geralmente são 
elaboradas com base em diversos métodos de avaliação das necessi-
dades de adubação, são importantes para orientar o abacaticultor, mas 
na situação de cada pomar em particular, o uso de determinados nutri-
entes pode não ser necessário, enquanto outros podem ser requeridos 
em quantidades maiores do que as recomendadas.
Tais fatos alem de significarem gastos desnecessários, podem 
causar grandes desequilíbrios nutricionais, desde carências agudas de 
alguns nutrientes até efeitos fitotóxicos pelo uso excessivo de outros, 
principalmente com fertilizantes químicos, diminuindo a produtivi-
dade do pomar. Por isso as doses de adubos, de recomendações de 
adubação, devem ser sempre adaptadas às condições de cada pomar, 
através de consulta a especialistas, realização de análises de solo, aná-
lises foliares, observação de sintomas de deficiência, produtividade do 
pomar e qualidade físico-química dos frutos (Koller, 2002).
Então, a titulo de orientação, a seguir será apresentada uma reco-
mendação de adubação baseada em Soares e Quaggio (1997).
As recomendações foram realizadas para pomares plantados com 
espaçamento de 10 x 8 m ou 10 x 6 m. Recomenda-se que antes de 
começar qualquer tipo de aplicação, deve-se ter em mão uma análise 
119 NuTRIçãO E ADuBAçãO •
de solo da área.
Com relação à calagem, recomenda-se aplicar calcário para elevar 
a saturação por bases a 60% e o teor de magnésio a um mínimo de 9 
mmolc.dm-3. Para a adubação de plantio, recomenda-se aplicar de 15 
a 20 litros de esterco de curral, ou 4 litros de esterco de galinha por 
cova, em mistura com 250 g de P2O5, no mínimo 30 dias antes do 
plantio do pomar. Utilizar também 3 vezes 20 g de N por planta, aos 
30, 90 e 150 dias após o pegamento das mudas.
Na adubação de formação, aplicar os adubos de acordo com a 
análise de solo, dividindo as doses em três períodos, no inicio, meio e 
final da estação das chuvas, ao redor da planta e na projeção das copas 
(Figura 1). As doses recomendadas estão na tabela 3.
Figura 1. Planta de abacateiro, com o local onde deve ser aplicada
 a adubação. Foto: Silva, F. R. (2007)
 
Projeção da Copa 
120 • ABACATE
TABELA 3. Quantidade de nutrientes de acordo com análise de 
solo para realização da adubação de formação em abacateiro.
Idade N
P resina, mg/dm3
K+ trocável, mmolc/
dm3
0-12 13-30 >30 0-1,5 1,6-3,0 >3,0
Anos N, g/planta P
2
O5, g/planta K2O, g/planta
1-2 100 100 80 40 50 20 0
2-3 100 200 160 80 100 50 0
3-4 300 300 240 120 200 100 0
Fonte: Raij et al. (1997).
Em pomares com mais de 4 anos, deve-se realizar a adubação 
de frutificação, onde se deve aplicar, de acordo com análise de solo 
e produtividade esperada, as seguintes quantidades de nutrientes por 
ano, Tabela 4.
TABELA 4. Quantidade de nutrientes de acordo com análise de solo 
para realização de adubação de frutificação em abacateiro.
Produtivi-
dade
Esperada
N nas folhas, g/kg P resina, mg/dm3
K+ trocável, 
mmolc/dm3
<16 16-20 >20 0-12 13-30 >30 0-1,5 1,6-3,0 >3,0
t/ha N, kg/ha P
2
O5, Kg/ha K2O, kg/ha
<6 80 60 30 60 40 0 60 40 20
6-10 100 80 40 80 50 20 90 60 30
11-20 120 100 50 100 60 40 120 90 50
>20 140 120 60 120 70 60 150 120 70
Fonte: Raij et al. (1997).
É recomendado dividir as doses anuais dos adubos em três par-
celas, aplicando no inicio, meio e final do período chuvoso, em faixas, 
nos dois lados das plantas.
121 NuTRIçãO E ADuBAçãO •
Também se recomenda pulverizar, durante o fluxo de vegetação 
da primavera e do verão, com solução contendo, por litro: uréia, 5g; 
sulfato de zinco, 5 g; sulfato de manganês, 2,5 g; e ácido bórico, 1g.
Não se pode esquecer de realizar análises de solo e foliar pelo 
menos a cada dois anos e com os resultados em mãos, aumentar ou 
reduzir as quantidades dos adubos aplicados no pomar.
Importante frisar que o manejo da adubação varia para cada po-
mar, sendo necessário o produtor adequá-lo para as suas necessidades, 
sempre consultando especialistas, realizando análises de solo e foli-
ares, observando sintomas de deficiências, produtividade do pomar e 
qualidade dos frutos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AVILAN, R. L.; et al. Extracción de nutrients por una cosecha en 
algunos frutales de importancia econômica em Venezuela (Aguacate, 
mango, níspero y guanábana) Fruits, Paris, v.35, n.7-8, p.479-484, 
1980.
CAMPOS, J. S. Cultura racional do abacateiro. São Paulo: Ícone 
Editora, 1985. 150p.
CRUZ, A. D. Adubação de plantas frutíferas: princípios e critérios 
para recomendação. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTI-
CULTURA, 5, 1979, Pelotas. Anais. Pelotas: Sociedade Brasileira 
de Fruticultura, 1979. p.1010-1015.
EPTEIN, E. Nutrição mineral de plantas – princípios e perspec-
tivas. Trad. e notas de Eurípedes Mallavolta. São Paulo: Livros Téc-
nicos e Científico Editora, 1975. 341p.
GENO, P. J. C.; AZEVEDO, J. A.; CAMPELO JR., J. H.; AQUINO, 
A. R.; VIEIRA, A. Nutrição mineral e adubação do abacateiro. In: 
HAAG, H. P. (Coord.). Nutrição mineral e adubação de frutíferas 
tropicais no Brasil. Campinas: Fundação Cargill, 1986. p.1-29.
HIROCE, R. et al. Composição mineral de frutos tropicais na co-
lheita. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA, IV, 
122 • ABACATE
1977, Salvador. Anais. Salvador: Sociedade Brasileira de Fruticul-
tura, 1977, p.357-364.
KOEN, T. J.; DU PLESSIS, S. F. Optimal leaf analysis norms for avo-
cado (cv. Fuerte). In: WOLRD AVOCADO CONGRESS, 2º, 1991, 
Orange. Proceedings. Orange: University of Califórnia, Riverside 
and Califórnia Avocado Society, Saticoy, 1991, v.1, p.289-299.
KOLLER, O. C. Abacate: Produção de mudas, instalação e manejo 
do pomar, colheita e pós-colheita. Porto Alegre: Cinco Continentes, 
2002. 285 p.
KOO, R. C. J.; YOUNG, T. W. Effects of age, position and fruiting 
status on mineral composition of ´Tonnage´ avocado leaves. Journal 
American Society Horticultural Science, Alexandria, v.102, n.3, 
p.311-313, 1977.
MALAVOLTA, E. ABC da adubação. 4. ed. São Paulo: Agronômica 
Ceres, 1979. 255p.
MARCHAL, J.; BERTIN, Y. Contenu em élements ninéraux des or-
ganes de l’avocatier ´Lula´ e relations avec da fumure. Fruts, Paris, 
v.35, n.3, p.139-149, 1980.
MONTENEGRO, H. W. S. Abacateiro – esse desconhecido. Correio 
Agrícola. v.13, 1973, 225p.
SILVA, A. Q.; SILVA, H.; MALAVOLTA, E. Composição mineral 
de frutos de abacateiro (Persea americana Mill) na colheita. Agro-
pecuária técnica. Areia, v.1, p.1-6, 1980.
SOARES, N. B.; QUAGGIO, J. A. Abacate. In: RAIJ, B. von et al. 
Boletim Técnico 100. Recomendações de adubação e calagem para o 
Estado de São Paulo. 2. ed. Campinas: Instituto Agronômico/Funda-
ção IAC, 1997. p.126-127.
WUTSCHER, H. K.; MAXWEL, N. P. Seasonal changes in 12 leaf 
123 NuTRIçãO E ADuBAçãO •
nutrients of ´Lula` avocado with drip and flood irrigation. Hort-
science, Mount Vernon, v.10, n.5, p.512-514, 1975.
ADUBAÇÃO ORGÂNICA DO ABACATEIRO
Erval Rafael Damatto Junior1
Sarita Leonel2
O interesse pelo cultivo orgânico de fruteiras tem apresentado um 
crescente aumento devido ao anseio mundial por frutos oriundos de 
modelos agrícolas mais sustentáveis e nesse contexto, está inserida a 
adubação orgânica, que é um importante pilar da produção orgânica 
(Damatto Junior, 2005).
O abacateiro, bem como a maioria das frutíferas, possui grande 
exigência nutricional, portanto faz-se necessária a reposição ao solo 
dos nutrientes exportados pela colheita dos frutos. Nesse sentido as 
adubações desempenham um papel fundamental na reconstituição 
química do solo.
As adubações convencionais restituem ao solo os elementos mine-
rais exportados pelas plantas ou mesmo perdidos por processos de 
lixiviação,volatilização ou erosão. Em muitos casos, esses adubos 
químicos podem prejudicar a microfauna do solo devido a sua acidi-
ficação, enquanto que a adubação orgânica mostra-se muito eficiente, 
repondo ao solo não apenas os nutrientes dele extraídos, como também 
favorece a diversidade biológica e melhora a estrutura física. Essa ma-
téria orgânica adicionada ao solo também é responsável por algumas 
reações químicas, como complexação de elementos tóxicos e micro-
nutrientes, influência na capacidade de troca catiônica e pH.
Com relação às exigências nutricionais do abacateiro, segundo 
Malo, citado por Donadio (1995), o nitrogênio e o potássio são os 
elementos mais requeridos pela planta, seguidos pelo cálcio e magné-
sio. Em relação aos micronutrientes, o principal é o zinco, e em solos 
alcalinos, o ferro assume maior importância.
Segundo Donadio (1995), a adubação deve basear-se no conheci-
mento das exigências nutricionais da cultura e deve ser avaliada medi-
ante análises foliares periódicas, bem como análises de solo. As doses 
e a época de aplicação dos adubos devem adequar-se às características 
da variedade plantada, dos porta-enxertos e da idade da planta, às 
1 Engenheiro Agrônomo. Mestre em energia na Agricultura pela FCA/UNESP/Botucatu 
2UNESP. Faculdade de Ciências Agronômicas. Departamento de Produção Vegetal.sarinel@fca.unesp.br 
126 • ABACATE
características do solo e aos tratos culturais executados.
Jacob, citado por Teixeira (1991) relata que o sistema radicular do 
abacateiro não é muito extenso, mas de penetração profunda, o que 
somado ao seu rápido crescimento, requer no solo, grande quantidade 
de nutrientes de fácil disponibilidade. 
Os adubos e condicionadores de solo a serem utilizados para as 
adubações orgânicas podem ser produzidos ou não na propriedade, 
contudo antes de se realizar uma adubação, a análise química do solo 
é necessária para indicar a quantidade do nutriente a ser aplicada. A 
calagem, se necessária, é a primeira prática a ser realizada, objeti-
vando fornecer Ca e Mg, elevar o pH do solo e neutralizar o alumínio 
tóxico. Na cova de plantio, recomenda-se aplicar composto orgânico 
ou vemicomposto ou esterco e fosfato natural ou termofosfato (fonte 
de fósforo), estes se forem constatadas as necessidades pela análise 
química do solo.
Os adubos orgânicos contêm todos os nutrientes necessários às 
plantas, como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, en-
xofre e micronutrientes (Kiehl, 1985), sendo que para as plantas, os 
estercos de animais devidamente compostados são considerados um 
excelente adubo, fornecedor de nutrientes, e no solo, esses compostos 
orgânicos melhoram as características físicas, ajudam na manutenção 
da umidade, além de aumentarem a diversidade biológica. Segundo 
Mielniczuk (1999), o teor de matéria orgânica do solo é provavelmente 
o atributo que melhor representa sua qualidade.
De acordo com o relato de Kiehl (1985), a relação C/N e os teores 
de umidade, N, P e K presentes nos compostos orgânicos varia con-
forme a Tabela 01:
127 ADuBAÇÃO ORGÂNICA •
 Tabela 01 – Relação C/N e teores de N, P e K de alguns adubos 
orgânicos. 
Fonte C/N
N (dog
 kg-1)* P
2
O5 (dog kg
-1) K
2
O (dog kg-1)
Umidade 
média (%)
Esterco de 
bovinos 18/1 1,92 1,01 1,62 65,3
Esterco de 
galinha 10/1 3,04 4,70 1,89 55,3
Esterco de 
suínos 10/1 2,54 4,93 2,35 78,0
Esterco de 
eqüinos - 1,80 1,00 1,40 70,5
Esterco de 
ovinos - 2,80 1,70 2,0 65,4
Fonte: Kiehl (1985) adaptado.
*dog kg-1 equivale a 1% no Sistema Internacional de Unidades. 
Campo Dall’Orto et al. (1996) salientam que o principal efeito da 
adubação orgânica é na melhoria das propriedades físicas e químicas 
do solo. No entanto, conforme os mesmos autores, a liberação dos nu-
trientes dos adubos orgânicos é mais lenta que a dos adubos minerais, 
pois é dependente da mineralização da matéria orgânica. De acordo 
com a Comissão de Fertilidade do Solo do Estado de Minas Gerais 
(1989), a conversão do nitrogênio da forma orgânica para a mineral 
ocorre 50% no primeiro ano, 20% no segundo ano e 30% após o se-
gundo ano. Bartz et al. (1995) citou que 50% do nitrogênio aplicado 
mineraliza no primeiro cultivo e 20% no segundo, enquanto que o 
fósforo, mineraliza 60% no primeiro cultivo e 20% no segundo.
Ribeiro et al. (1999) acrescentam ainda que a porcentagem de 
conversão dos nutrientes aplicados via adubos orgânicos, para a forma 
mineral é de:
a) Nitrogênio (N): 50% no primeiro ano, 20% no segundo ano e 
30% no terceiro ano;
b) Fósforo (P
2
O5): 60% no primeiro ano, 20% no segundo ano e 
20% no terceiro ano;
c) Potássio (K
2
O): 100% no primeiro ano.
128 • ABACATE
Contudo, deve ser lembrado que os compostos orgânicos apresen-
tam quantidades variadas de nutrientes, dependendo de sua procedên-
cia, além disso, a mineralização dos nutrientes ocorre em períodos 
diferentes após sua aplicação ao solo e em função dessas diferenças, 
ocorre dificuldade de se determinar o quanto e quando aplicar. Quan-
do se conhece o comportamento da decomposição de certos resíduos 
orgânicos, práticas culturais, especialmente as adubações podem ser 
otimizadas para desempenharem funções benéficas em estágios críti-
cos do ciclo das culturas (Budelman, 1988).
Para Lynch (1986) a decomposição desempenha importante fun-
ção na parte nutricional, na contribuição da ciclagem de nutrientes 
e formação da matéria orgânica. Alguns fatores como a composição 
dos organismos decompositores, o ambiente, o microclima do solo 
e a qualidade dos resíduos acumulados afetam essa decomposição. 
Todos esses fatores reunidos irão determinar o tempo de permanência 
dos resíduos adicionados ao solo, bem como a taxa de liberação de 
nutrientes.
A velocidade de decomposição do material orgânico depende da 
facilidade com que esse material pode ser decomposto, de suas carac-
terísticas químicas e do pH do meio onde este se encontra. O material 
baseado em celulose é decomposto três vezes mais rápido em relação 
às partes lenhosas ricas em taninos (Larcher, 2000). Essa diferença no 
tempo de decomposição dos estercos assegura um fluxo contínuo de 
nutrientes no solo.
O nitrogênio orgânico aplicado ao solo é liberado aos poucos, à 
medida que o material se mineraliza, garantindo o suprimento mais 
uniforme e prolongado de nutrientes às plantas (Kiehl, 1985).
Efeitos da adubação orgânica nas características químicas, 
físicas e biológicas do solo.
A matéria orgânica incorporada ao solo através das adubações 
orgânicas pode apresentar um efeito semelhante ao da calagem, em 
termos de correção da acidez. Segundo Hunter et al., (1995) e Wong et 
al., (1995) a matéria orgânica no solo tem a capacidade de neutralizar 
o alumínio no solo.
O aumento do pH do solo devido à adição de resíduos orgânicos 
tem sido atribuído à própria adsorção de hidrogênio e alumínio na 
129 ADuBAÇÃO ORGÂNICA •
superfície do material orgânico (Hoyt & Turner, 1975). Contudo, se-
gundo Bloom et al. (1979), os resíduos orgânicos não podem ser con-
siderados substitutos satisfatórios do calcário em virtude dos efeitos 
serem temporários, a não ser que sejam incorporados anualmente ao 
solo em grandes quantidades.
Tem sido recomendada a aplicação de matéria orgânica humifi-
cada ao solo como uma maneira de controlar a toxidez causada por 
certos elementos encontrados em quantidades acima do normal, como 
o alumínio, ferro e manganês, uma vez que o húmus tem a propriedade 
de fixar, complexar ou quelatar esses elementos (Kiehl, 1985).
De acordo com Miysaka & Okamoto (1992) o emprego de adubos 
orgânicos nos cultivos agrícolas proporciona mudanças em algumas 
características físico-químicas do solo como densidade, retenção de 
água, textura, estrutura, porosidade, condutibilidade térmicae atua 
aumentando a capacidade de troca catiônica (CTC), a soma de bases, 
além de promover uma ação quelante, evitando que alguns nutrientes 
necessários às plantas se insolubiblizem.
Santos & Camargo (1999) relataram que a matéria orgânica do 
solo atua na agregação do mesmo, o que indiretamente influencia as 
demais características físicas, como por exemplo, densidade, porosi-
dade, aeração, capacidade de retenção e a infiltração de água.
Em solos argilosos a aplicação de matéria orgânica é importante, 
pois estimula a agregação, tornando os solos mais arejados e faci-
litando o desenvolvimento das raízes. Seu efeito em solos arenosos 
também tem importância fundamental, uma vez que em sua ausência 
foi observado que as raízes ficam curtas, finas, desprovidas de radicelas 
e a coifa, que normalmente é branca, fica com aspecto enegrecido, 
dando a impressão de ter sido queimada (Moreira, 1987).
Os efeitos da matéria orgânica sobre os microrganismos do 
solo podem ser avaliados a partir da biomassa e atividade microbi-
ana, parâmetros que representam uma integração de efeitos sobre as 
condições biológicas do solo (Cattelan & Vidor, 1990). Assim sendo, 
a matéria orgânica serve como fonte de carbono, energia e nutrientes 
para os organismos que participam de seu ciclo biológico, mantendo 
o solo em estado de constante dinamismo.
A matéria orgânica no solo é tida como uma excelente forma de 
armazenamento de nitrogênio, pois as formas minerais, amoniacal e 
130 • ABACATE
nítrica, estão sujeitas a perdas por volatilização ou por lavagem, res-
pectivamente (Kiehl, 1985).
Todos esses benefícios gerados pela aplicação de adubos orgâni-
cos ao solo vem de encontro com as reais necessidades de nossos 
solos, uma vez que os solos tropicais apresentam limitações de ordem 
química, com baixos teores de nutrientes e pouca matéria orgânica, o 
que dificulta o bom desenvolvimento das plantas.
Recomendações de adubação orgânica para o abacateiro
Baseado na premissa de que toda a forma de adubação orgânica 
deve estar fundamentada na sustentabilidade da propriedade rural, ou 
seja, de que devem ser utilizados, no máximo possível, os compostos 
e materiais disponíveis nos próprios locais de cultivo. Considerando 
ainda que a composição dos materiais orgânicos à disposição é bastante 
variável, as recomendações generalizadas de adubos orgânicos para o 
abacateiro são difíceis de serem elaboradas. 
Existem sugestões de recomendações baseadas no teor de ni-
trogênio necessário para a cultura, sendo as dosagens calculadas to-
mando como base a porcentagem do elemento presente nos adubos 
orgânicos. Porém, muitas vezes, esse método acarreta na necessidade 
do emprego de dosagens elevadas dos adubos orgânicos, o que pode 
inviabilizar a economia da fertilização da cultura.
Nesse contexto, alguns autores recomendam apenas a adubação 
orgânica complementar à adubação química convencional, para a 
cultura do abacateiro. Assim é que Maranca et al. (1980) salientam 
que nos abacateiros jovens seria muito importante o fornecimento de 
grande parte do nitrogênio na forma orgânica, critério que aumentaria 
a longevidade das plantas.
Campos et al. (1984) também enfatizam a necessidade e os 
benefícios da adubação orgânica para o abacateiro, recomendando as 
seguintes dosagens e fontes:
131 ADuBAÇÃO ORGÂNICA •
Tabela 02 – Dosagens recomendadas de compostos orgânicos para 
o abacateiro em formação e em produção. 
Fonte
Pomar em Formação
 (kg planta-1)
Pomar em Produção 
(kg planta-1)
Esterco de galinha 5,0 10,0
Torta de mamona 2,0 5,0
Esterco de curral 12,0 26,0
Fonte: Campos et al. (1984) adaptado
Os autores ainda recomendam a mistura de superfosfato simples 
aos estercos de galinha e de curral, na proporção em peso de 1:30, para 
redução das perdas de nitrogênio dos estercos.
Koller (2002) também sugere, a título de orientação, o uso de 
dosagens próximas das apresentadas na Tabela 03 para o abacateiro 
em formação. Após o período de formação, do quinto ano em diante, 
o autor recomenda usar a mesma dose do quarto ano, acrescentando 
anualmente 25% para cada aumento real ou esperado de 10 toneladas 
de frutos por hectare. 
Para o estado de São Paulo, Raij et al. (1997) recomendam na 
adubação de plantio a aplicação de 15 a 20 litros de esterco de curral 
ou 4 litros de esterco de galinha por cova, em mistura com 250 g de 
P
2
O5, 30 dias antes do plantio. Na adubação de formação, que vai do 
primeiro até o quarto ano, a aplicação de adubos é baseada na analise 
de solo inicial, sendo aplicados de 100 até 300 g planta-1 de nitrogênio, 
100 a 300 g planta-1 de P
2
O5 e 50 a 200 g planta
-1 de K
2
O. Enquanto 
que para a adubação de frutificação (a partir do 5º ano), a adubação é 
recomendada baseada na análise de solo e na produtividade esperada, 
sendo que as quantidades aplicadas variam de 30 a 140 kg ha-1 de ni-
trogênio, 0 a 120 kg ha-1 de P
2
O5 e 20 a 150 kg ha
-1 de K
2
O.
132 • ABACATE
Tabela 03 – Recomendação de doses para a adubação orgânica do 
abacateiro em formação.
Adubos orgânicos
1º ano 
(t ha-1)
2º ano 
(t ha-1)
3º ano 
(t ha-1)
4º ano
 (t ha-1)
Cama de aviário 0,75 1,5 2,5 6,0
Composto orgânico 2,0 4,0 6,0 15,0
Esterco de suínos 
semi-curtido 1,5 3,0 5,0 12,0
Estrume de bovinos 
semi-curtido 2,0 4,0 6,0 15,0
Fonte: Koller (2002) adaptado.
 
Em propriedades comerciais de abacate para mesa, localizadas na 
região de Botucatu/SP, os produtores adotam a associação da adubação 
orgânica com a adubação química em cobertura. Alguns produtores 
utilizam o esterco bovino curtido, na quantidade de 20 litros por planta, 
nos meses de dezembro a janeiro, sem incorporação do mesmo, para 
não danificar o sistema radicular da planta.
Considerações Finais
Sistema de produção agrícola que vem crescendo a cada ano, ne-
cessitando ainda de maiores estudos, que possam esclarecer dúvidas 
de produtores e consumidores, a produção orgânica não constitui tarefa 
fácil e simples. Do ponto de vista técnico e científico, os desafios que 
a agricultura orgânica impõe são imensos. Neste sentido, é necessária 
muita pesquisa para o desenvolvimento de tecnologias adequadas e 
operacionais para aumentar a produtividade das culturas em manejo 
orgânico.
Devido aos estudos e pesquisas com adubação orgânica levarem 
alguns anos para serem executados, somado ao fato de que a apli-
cação dos resultados obtidos possam ter uma aplicação limitada às 
condições edáficas locais, com possibilidades de utilização em regiões 
seme-lhantes, praticamente não existem resultados de pesquisa com 
adubação orgânica na cultura do abacateiro.
Contudo, à medida que crescem as necessidades e exigências dos 
mercados mundiais, para o consumo e aquisição de produtos oriun-
133 ADuBAÇÃO ORGÂNICA •
dos de sistemas de produção que utilizem, cada vez menos, produtos 
que possam causar prejuízos à saúde e ao meio-ambiente, tais estudos 
tornam-se necessários e viáveis. 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BARTZ, H.R. (Cood.) et al. Recomendações de adubação e calagem 
para os estados de Rio Grande do Sul e Santa Catarina. 3ed. Passo 
Fundo: SBCS-núcleo Regional Sul, 1995. 224p.
BLOOM, P.R.; McBRIDE, M.B.; WEAVER, R.M. Aluminium or-
ganic matter in acid soils, buffering and solution aluminum activity. 
Soil Sc. Soc. Am. J., n.43, p.488-93, 1979.
BUDELMAN, A. The decompositon of the leaf mulches of Leucaena 
leucocephala, Gliricia sepium and Flemingia macrophylla under hu-
mid tropical conditions. Agroforest Systems, v.7, p.33-45, 1988.
CAMPO DALL’ORTO, F.A. et al. Frutas de clima temperado II: 
Figo, maçã, marmelo, pêra e pêssego em pomar compacto. In: 
RAIJ, B. van. et al. (Ed.). Recomendações de adubação e calagem 
para o Estado de SãoPaulo. 2 ed. Campinas: Fundação Instituto 
Agronômico (IAC), 1996, p.139-140.
CATTELAN, A.; VIDOR, C. Flutuações na biomassa, atividade e 
população microbiana do solo, em função da variações ambientais. 
Revista Brasileira de Ciência do Solo, v.14, p.125-132, 1990.
COMISSÃO DE FERTILIDADE DO SOLO DO ESTADO DE MI-
NAS GERAIS. Recomendações para o uso de corretivos e fertili-
zantes em Minas Gerais, 4. aproximação. Lavras, 1989. 176p.
DAMATTO JUNIOR, E.R. Efeitos da adubação com composto 
orgânico na fertilidade do solo, desenvolvimento, produção e 
qualidade de frutos de bananeira ‘Prata-anã’ (Musa AAB). 2005. 
70f. Dissertação (Mestrado em Agronomia / Energia na Agricultura). 
Faculdade de Ciências Agronômicas, Universidade Estadual Paulista, 
134 • ABACATE
Botucatu, 2005.
DONADIO, L. C. Abacate para exportação: aspectos técnicos da 
produção. 2a. ed. rev aum. Publicações técnicas FRUPEX, n º 2. 
Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, 
Secretaria de Desenvolvimento Rural, Programa de Apoio à Produção 
e Exportação de Frutas, Hortaliças, Flores e Plantas Ornamentais. 
Brasília. EMBRAPA – SPI, 1995. 53p.
HOYT, P.B.; TURNER, R.C. Effect of organic materials added to 
very acid soils on pH, aluminum, exchangeable NH4 and crop yelds. 
Soil Science, v.119, p.227-37, 1975.
HUNTER, D.J.; YAPA, L.G.G.; HUE, N.V.; EAQUB, M. Compara-
tive effects of green manure and lime on the growth of sweet corn and 
chemical properties of an acid oxisol in Western Samoa. Commun. 
Sci. Plant anal, v.26, p.375-88, 1995.
KIEHL, E.J. Fertilizantes orgânicos. Piracicaba: Agronômica Ceres. 
1985. 492p.
KOLLER, O.C. Abacate – produção de mudas, instalação e 
manejo de pomares, colheita e pós-colheita. Porto Alegre: Cinco 
Continentes. 2002. 154 p. 
LARCHER, W. Ecofisiologia Vegetal. São Carlos: Rima Artes e Tex-
tos, 2000. 531p.
LYNCH, J.M. Biotecnologia do solo. Editora Manole, 1986. 208p.
MIELNICZUK, J. Matéria orgânica e a sustentabilidade de sistemas 
agrícolas. In : SANTOS, G. de A. ; CAMARGO, F.A. de O. (Eds.). 
Fundamentos da matéria orgânica do solo: ecossistemas tropicais 
e subtropicais. Porto Alegre : Genesis, 1999. p.1-8.
MIYSAKA, S., OKAMOTO, H. Importância da matéria orgâni-
ca na agricultura. In: Encontro sobre matéria orgânica do solo – 
135 ADuBAÇÃO ORGÂNICA •
problemas e soluções. Faculdade de Ciências Agronômicas/UNESP, 
Botucatu, 1992. p 01.
MOREIRA, R.S. Banana: teoria e prática de cultivo. Campinas: 
Fundação Cargil, 1987. 335p.
RAIJ, B. van; CANTARELLA, H.; QUAGGIO, J.A.; FURLANI, 
A.M.C. (Ed). Recomendações de adubação e calagem para o Esta-
do de São Paulo. 2.ed. rev. e atual. Campinas: Instituto Agronômico/
Fundação IAC, 1997. 285p. (Boletim Técnico 100). 
RIBEIRO, A.C., GUIMARÃES, P.T.G., ALVAREZ, V.V.H. Reco-
mendações para o uso de fertilizantes e corretivos para o estado de 
Minas Gerais. 5ª aproximação, Viçosa, MG: Comissão de fertilidade 
do Solo do Estado de Minas Gerais. 1999. 359 p.
SANTOS, G.A.; CAMARGO F.A.O. Fundamentos da matéria 
orgânica do solo. Porto Alegre: Genesis, 1999. 491p.
TEIXEIRA, C. G. Cultura [do abacate]. In: TEIXEIRA, C. G. et al. 
ABACATE: cultura, matéria prima, processamento e aspectos 
econômicos. 2a. ed. Série Frutas Tropicais n º 8, ITAL, Campinas, 
1991. 250p.
WONG, M.T.F.; AKEAMPONG, E.; NORTCLIFF, S.; RAO, M.R.; 
SWIFE, R.S. Initial responses of maize and beans to decreased con-
centrations of monomeric inorganic aluminium with application of 
manure or tree prunings to an oxisol in Burundi. Plant Soil, v.171, 
p.275-82, 1995.
 
MANEJO DE CULTURAS INTERCALARES NO POMAR 
DE ABACATEIRO
Sarita Leonel1
Carlos Renato Alves Ragoso2
Jaime Duarte Filho3
Introdução 
O abacateiro, originário do México e América Central, foi intro-
duzido no Brasil no século XVI no Rio de Janeiro, com mudas e se-
mentes oriundas da Guiana Francesa, de onde se expandiu para todo 
o país, devido ao sucesso de sua aclimatização, sendo a maioria das 
plantas Guatemalenses ou híbridos Guatemalenses. 
O abacate é uma fruta tropical rica em proteínas e vitaminas lipos-
solúveis A, D e B, com quantidade variável de óleo na polpa, utilizado 
na indústria farmacêutica e de cosméticos e na obtenção de óleos co-
merciais substituindo o óleo de oliva. 
A realização de tratos culturais necessários para uma boa produção 
é medida indispensável na condução da cultura do abacateiro. Um 
dos tratos culturais importantes é o manejo das plantas invasoras. O 
pomar de abacateiro, no tocante a este manejo, pode ser conduzido de 
diferentes maneiras. Segundo Wildner (2004), nas propriedades de 
produção frutícola, o período de adoção de novas tecnologias passou 
por várias adaptações: a) inicialmente o solo era mantido no limpo 
apenas na projeção da copa e ou na linha de plantio, através de capinas 
ou herbicidas; b) solo mantido coberto através do manejo mecânico 
(ceifa) ou químico da vegetação espontânea das entrelinhas e c) solo 
das entrelinhas mantido coberto pelo cultivo de adubos verdes. A 
adoção de cada uma dessas tecnologias dependerá de fatores técnicos 
e econômicos a serem definidos pelo próprio produtor e também, pela 
assistência técnica disponível ou contratada. 
1UNESP. Faculdade de Ciências Agronômicas. Departamento de Produção Vegetal. Setor Horticultura. sari-
nel@fca.unesp.br
2 Engenheiro Agrônomo. Doutor em Horticultura. UNESP. FCA/Botucatu. JR RAGOSO LTDA. jrragoso@
uol.com.br
3Engo Agro. Pesquisador EPAMIG-CTSM. duartefilho@epamig.br
138 • ABACATE
Pomar permanentemente limpo
Neste sistema toda área do pomar é mantida livre da vegetação 
nativa ou invasora, por meio de controle mecânico ou químico através 
de herbicidas. Este sistema tem como vantagens:
Evitar a competição das plantas daninhas;• 
Facilitar os tratos culturais;• 
Facilitar a adubação.• 
Como desvantagens podem ser mencionadas:
Exposição do solo a erosão;• 
Possibilidade de provocar a compactação do solo e de diminuir • 
o teor de matéria orgânica do mesmo;
Deixar o solo mais sujeito as variações de temperatura diurna • 
e noturna;
Possibilidade de provocar riscos ao meio-ambiente e ao apli-• 
cador.
De acordo com Ramos (1982) nos dois primeiros anos de cul-
tivo do pomar, especial atenção deve ser dada ao controle das plantas 
daninhas, pois as mesmas concorrem com o abacateiro em água, luz 
e nutrientes. Conforme o autor, o sistema de cultivo mais adotado 
pelos produtores da frutífera consiste em controle com roçadeira nas 
entrelinhas e herbicida ou capina manual com enxada nas linhas de 
plantio (Figura 01). Normalmente são necessárias de 4 a 5 ceifas por 
ano. Os produtos químicos a serem utilizados devem ser os recomen-
dados com registro para a cultura.
139 ASPECTOS TÉCNICOS DA PRODUÇÃO •
Figura 01 – Manejo do pomar com roçada nas entrelinhas e controle 
químico nas linhas de plantio. (Foto: Carlos Renato Alves Ragoso em 
pomar cítrico). 
Pomar com cultivo intercalar
 O pomar pode ser cultivado com culturas intercalares de interesse 
econômico, consorciadas com a cultura principal. Esse consórcio deve 
levar em conta objetivos definidos do fruticultor, a fim de que não haja 
competição com a cultura principal. Podem ser utilizadas espécies 
como grãos, olerícolas e outras frutíferas, respeitando a concorrên-
cia por água, luz e nutrientes, além da facilidade no manejo. Outras 
espécies intercalares são as leguminosas, consideradas como adubos 
verdes, pois têm a capacidade de fixar nitrogênio e carbono atmos-
férico e quando incorporadas ao solo, fornecê-lo à cultura principal. 
As leguminosas são reconhecidas por melhorarem as propriedades 
físicas e químicas do solo (Figura 02).
 
140 • ABACATE
Figura 02 – Plantio direto dos adubos verdes nasentrelinhas do pomar. 
(Foto: Carlos Renato Alves Ragoso em pomar cítrico).
Adubação verde
A adubação verde consiste na prática de se incorporar ao solo 
massa vegetal não decomposta de plantas cultivadas no local ou im-
portadas, com a finalidade de preservar e/ou restaurar a produtividade 
das terras agricultáveis (Von Osterrhot., 2002).
Segundo estudos científicos e evidências práticas, os adubos verdes 
desempenham ações em diferentes aspectos da fertilidade do solo, tais 
como: proteção do solo contra os impactos das chuvas e também da in-
cidência direta dos raios solares; rompimento de camadas adensadas e 
compactadas ao longo do tempo; aumento do teor de matéria orgânica 
do solo; incremento da capacidade de infiltração e retenção de água no 
solo; arrasto de bases a camadas mais profundas do solo; diminuição 
da toxicidade do Al e Mn devido ao aumento de complexificação e 
elevação do pH; promoção do resgate e da reciclagem de nutrientes 
de fácil lixiviação; extração e mobilização de nutrientes das camadas 
mais profundas do solo e subsolo, tais como Ca, Mg, K, P e micro-
nutrientes; extração do fósforo fixado; fixação do N atmosférico de 
maneira simbiótica pelas leguminosas; inibição da germinação e do 
crescimento de plantas invasoras seja por efeitos alelopáticos ou pela 
141 ASPECTOS TÉCNICOS DA PRODUÇÃO •
simples competição por luz (Von Osterrhot, 2002).
Segundo Igue (1984), com a prática da adubação verde é possível 
recuperar a fertilidade do solo proporcionando aumento do teor de ma-
téria orgânica, da capacidade de troca de cátions e da disponibilidade 
de macro e micronutrientes; formação e estabilização de agregados; 
melhoria da infiltração de água e aeração; diminuição diuturna da am-
plitude de variação térmica; controle dos nematóides e, no caso das 
leguminosas, incorporação ao solo do nitrogênio (N), efetuada através 
da fixação biológica.
Weber e Passos (1991), afirmam que as leguminosas são particu-
larmente importantes pela capacidade de estabelecer associação com 
bactérias fixadoras de nitrogênio do ar. As bactérias dos gêneros Rhizo-
bium e Bradyrhizobium formam nódulos nas raízes, fornecendo produ-
tos nitrogenados à leguminosa e recebendo em troca, fotossintatos. 
Essa simbiose resulta em economia da adubação nitrogenada.
Segundo Ambrosano et al. (2000), as leguminosas normalmente 
empregadas em adubação verde, fixam em média 188 Kg de N/ha/ano, 
sendo estes adicionados ao solo, podendo assim racionalizar o uso de 
N. Com esta prática, se pode recuperar a fertilidade do solo, perdida 
devido ao manejo inadequado e à adoção de monocultivo, obter N 
para a cultura seguinte e evitar assim, adubos altamente solúveis que 
podem poluir o ambiente.
As quantidades fixadas de nitrogênio variam entre as espécies le-
guminosas e dentro de uma mesma espécie. Condições de solo, clima 
e genéticos determinam o potencial de fixação biológica do nitrogênio, 
conforme pode ser observado pela Tabela 01 (Lima et al., 2002).
Tabela 01 – Estimativa de fixação de nitrogênio em leguminosas.
Leguminosa N
2
 fixado (kg ha-1ano-1 ou ciclo)
Amendoim forrageiro (Arachis pintoi) 30-196
Lab-lab (Dolichus lablab) 180
Mucuna anã (Mucuna spp) 210-220
Feijão-de-porco (Canavalia 
ensiformis) 49-190
Trevo (Trifolium sp) 100-150
Fonte: Lima et al. (2002) adaptado. 
142 • ABACATE
Lima et al. (2002) salientam que o emprego das leguminosas 
como adubos verdes não contribui apenas com o fornecimento de ni-
trogênio. A princípio, todos os nutrientes essenciais são fornecidos 
por esta adubação, que também precisa ser considerada, visando o 
complemento com outras fontes. Algumas quantidades extraídas do 
solo pelas leguminosas foram obtidas por Tanaka (1981) e são apre-
sentadas na Tabela 02. 
Tabela 02 – Produção de massa seca e nutrientes extraídos pelas 
leguminosas.
Leguminosas
Produção
(t ha-1)
Nutrientes extraídos (kg ha-1)
N P
2
O5 K20
Guandu 11,6 324 35 199
Mucuna Preta 7,0 195 23 144
Feijão-de-porco 8,0 279 30 202
Crotalaria juncea 16,4 290 41 217
Fonte: Lima et al. (2002) adaptado.
Para a escolha de um adubo verde, também denominado de planta 
de cobertura do solo, é necessário levar em consideração as caracterís-
ticas individuais de cada espécie, tais como:
Facilidade de implantação (sementes ou mudas) e condução • 
a campo;
Rapidez no crescimento inicial;• 
Rapidez na cobertura do solo;• 
Boa produção de fitomassa;• 
Sistema radicular profundo e robusto;• 
Capacidade de reciclagem de nutrientes;• 
Floração intensa e prolongada;• 
Facilidade no manejo da fitomassa;• 
Hábito de crescimento que não cause competição com o cul-• 
tivo principal;
 Persistência dos resíduos sobre o solo;• 
Tolerância às condições de baixa fertilidade;• 
Tolerância às secas e ou geadas;• 
Não ser hospedeiro de pragas ou doenças;• 
143 ASPECTOS TÉCNICOS DA PRODUÇÃO •
Tolerância ao sombreamento;• 
Não se comportar como invasora, causando problemas à cul-• 
tura principal;
Produzir sementes nas condições edafoclimáticas do local;• 
Boa capacidade de rebrote após o manejo, caso seja uma cul-• 
tura perene;
Ter potencial para outros usos dentro da propriedade.• 
Dificilmente uma única espécie apresentará todas as características 
descritas acima, por isso, em função das condições edafoclimáticas 
de cada região, das características de cada propriedade e da cultura 
principal (espécie frutícola), apenas algumas delas serão importantes, 
devendo então, ser utilizadas como critérios de seleção das espécies 
a serem semeadas como adubos verdes. Após a seleção inicial, os 
conhecimentos práticos sobre o comportamento de qual a melhor es-
pécie para ser utilizada, dependerá fundamentalmente das observações 
práticas do fruticultor (Wildner, 2004). 
Conforme o autor supracitado, os adubos verdes conhecidos e que 
possuem potencial para o cultivo intercalar na fruticultura podem ser 
classificados quanto ao:
1 – Clima: de inverno (clima frio) e de verão (clima quente);
2 – Ciclo: anuais e perenes;
3 – Família botânica: leguminosas, poáceas; crucíferas, cariofilá-
ceas, poligonáceas e outras;
4 – Hábito de crescimento: ereto, trepador e rasteiro.
As espécies mais conhecidas de inverno são: ervilha (Pisum ar-
vense), nabo forrageiro (Raphanus sativus), aveia preta (Avena stri-
gosa), centeio (Secale cereale), tremoços (Lupinus sp) e trevos (Tri-
folium sp). As mais conhecidas de verão são: guandu-anão (Cajanus 
cajan), feijão-de-porco (Canavalia ensiformis), mucuna-anã (Mucuna 
deeringiana), crotalárias (Crotalaria spectabilis, C. breviflora, C. 
grantiana), soja perene (Neotonia sp), amendoim forrageiro (Arachis 
pintoi), calopogônio (Calopogonium mucunoides), feijão mungo (Vi-
gna radiata) e outras.
Dentre as várias espécies que podem ser utilizadas como adubos 
verdes, Silva et al. (1999) apresentaram algumas espécies que podem 
ser utilizadas em pomares cítricos. Os autores relataram que as espé-
144 • ABACATE
cies utilizadas como adubo verde se dividem em plantas de verão, 
normalmente leguminosas plantadas no início das chuvas e mane-
jadas até o final do período das águas, e as de inverno (leguminosas 
e gramíneas), plantadas no final das chuvas e manejadas quando em 
pleno florescimento. Dentre as espécies de verão mais utilizadas em 
citros podem destacar-se a Crotalária breviflora (Crotalaria breviflo-
ra), Crotalária juncea (Crotalaria juncea L.), Crotalária spectabilis 
(Crotalaria spectabilis Roth.), Guandu (Cajanus cajan L. Millsp), 
Guandu-Anão (Cajanus cajan L. Millsp), Mucuna-Preta (Stizolobium 
aterrimum = Mucuna aterrima), Mucuna-Anã (Mucuna deeringiana 
ou Stizolobium deeringianum, Steph e Bart = Mucuna pruriens), Labe-
Labe (Dolichos lablab L. ou Lablab vulgaris Savi), Feijão-de-porco 
(Canavalia ensiformis(L.) DC.) e Milheto (Pennisetum glaucum) e 
dentre as de inverno as mais recomendadas são a Aveia-Preta (Avena 
strigosa Schreb) e o Nabo-Forrageiro (Raphanus sativus L.). Como 
espécies perenes recomendadas para a cultura dos citros tem-se o 
Amendoim-Rasteiro (Arachis sp).
Ragoso et al (2006) avaliaram e recomendaram para pomares 
cítricos as seguintes espécies, cujas características serão descritas re-
sumidamente a seguir: 
Feijão-de-porco (Canavalia ensiformis DC)
Planta arbustiva, anual, formando dossel ao redor de 0,8 a 1,0 m 
de altura, recomendada para adubação verde. Suas sementes, brancas 
e graúdas, não são indicadas para consumo humano, pois contêm fa-
tores antinutricionais, embora apresentem altos teores de proteína de 
excelente qualidade segundo Braga et al citado por Ambrosano et al. 
(2000).
Cultivar: Comum
Época de semeadura: ideal em outubro/novembro sendo também 
possível em setembro/março.
Espaçamento entre as linhas: 50 cm para adubação verde.
Densidade linear na semeadura: 3 sementes por metro linear.
Sementes necessárias: 80 Kg/ha.
Adubação verde: no surgimento das primeiras vagens, cerca de 
120 dias após a semeadura, efetuar o corte da parte aérea das plantas 
por meio de roçadeira ou grade de discos, seguindo-se ou não sua 
145 ASPECTOS TÉCNICOS DA PRODUÇÃO •
incorporação ao solo.
Colheita de sementes: aproximadamente aos 180 dias depois da 
semeadura, as plantas poderão ser arrancadas manualmente ou ceifa-
das para posterior operação de batedura ou trilhagem após seca das 
vagens e sementes.
Produtividade normal: fitomassa seca de 5 a 8 t/ha e 1,2 a 1,8 t/
ha de sementes segundo Ambrosano et al. (2000).
Labe-labe (Dolichus lablab L.)
Planta anual ou bianual rasteira, de hábito indeterminado e de 
ampla adaptação, recomendada principalmente para adubação verde. 
Suas vagens e sementes podem ser processadas para arraçoamento 
animal ou consumo humano. Apesar de menos digestível, sua forragem 
e feno são comparáveis aos da alfafa. Sua massa pode ser utilizada 
para enriquecimento de silagem ou palha de milho, situação em que 
se efetua o cultivo consorciado (Figura 03).
Figura 03: Plantio de Labe-labe nas entrelinhas do pomar. 
(Foto: Carlos Renato Alves Ragoso em pomar cítrico).
Cultivar: IAC-697.
Época de semeadura: adubação verde: outubro a fevereiro; se-
mentes: outubro a março.
Espaçamento e densidade de semeadura: 50 cm entre as linhas 
146 • ABACATE
com 10 sementes por metro linear.
Sementes necessárias: 50 Kg/ha.
Adubação verde: no surgimento das vagens, 150 a 180 dias após 
a semeadura, realizar o corte da parte aérea das plantas por meio de 
roçadeira ou grade de discos, para aproveitamento como cobertura 
morta ou posterior incorporação ao solo.
Colheita de sementes: decorridos 240 dias da semeadura, os le-
gumes maduros poderão ser colhidos, parceladamente, por via manual. 
Para prevenir ocorrência de carunchos, efetuar a colheita sem atraso, 
seguida de expurgo.
Produtividade normal: fitomassa (matéria seca): 5 a 7 t/ha; se-
mentes: 1 a 1,5 t/ha de acordo com Braga et al citado por Ambrosano 
et al. (2000).
Feijão guandu-anão (Cajanus cajan L. Millsp)
Leguminosa anual, de ciclo curto (90-120 dias), porte baixo (0,8-1,2 
m), crescimento rápido e arbustivo. Pode ser utilizada em rotação, con-
sorciada e como forrageira. No caso do citros é mais usada no sistema 
intercalar, devido ao baixo porte, permitindo o trânsito dos equipamentos 
para operações de adubação e pulverização (Figura 04).
Cultivar: IAPAR 43.
Época de semeadura: de setembro a dezembro.
Espaçamento e densidade de semeadura: 50 cm entre as linhas 
com 20 sementes por metro linear.
Sementes necessárias: aproximadamente 25 Kg/ha.
Adubação verde: 90 a 120 dias após a semeadura realizar o corte 
da parte aérea das plantas por meio de roçadeira ou grade de discos, 
para aproveitamento como cobertura morta ou posterior incorporação 
ao solo.
147 ASPECTOS TÉCNICOS DA PRODUÇÃO •
Figura 04 – Feijão guandu-anão em pleno florescimento. (Foto: Carlos 
Renato Alves Ragoso em pomar cítrico).
Produtividade normal: 4 a 7 t/ha de fitomassa de acordo com 
Piraí Sementes (2002).
Especificamente para o abacateiro, a literatura nacional não dis-
põe de resultados de pesquisa que possam indicar as espécies a serem 
utilizadas. 
A recomendação de espécies de adubos verdes está na dependência 
do estágio de formação do pomar, as quais seriam empregadas para 
promover a formação de uma boa cobertura do solo. Outras espécies 
são empregadas para o pomar já instalado, para promover a recicla-
gem de nutrientes e estimular a formação da maior biodiversidade 
possível.
Para promover um sinergismo positivo dos efeitos da adubação 
verde, é recomendável, sempre que possível, cultivar mais de uma 
espécie ao mesmo tempo. 
Normalmente, na adubação verde não se utiliza adubação química 
no plantio e em cobertura, nem mesmo cultivos pós-plantio (Figura 
02). Após o pleno florescimento, estes devem ser roçados ou triturados, 
ficando a massa verde sobre a superfície do solo. Nunca devem ser 
utilizados equipamentos que revolvam o solo, para evitar a desestru-
turação e rompimento dos canais formados pelo sistema radicular dos 
148 • ABACATE
adubos verdes, por onde ocorrerá translocação de ar e água. Após esta 
etapa, procede-se ao sulcamento das linhas e plantio das mudas cítricas 
(SILVA et al., 1999).
O autor supracitado reporta que em situações nas quais o pomar 
se encontrar implantado, antes da semeadura, deve-se proceder a ins-
peção do mesmo com relação a pragas e doenças, e se necessário, 
recorrer à aplicação de produtos fitossanitários, aplicando uma das 
parcelas da adubação e ao controle das plantas daninhas nas linhas da 
frutífera instalada. Na escolha da espécie a ser plantada, deve-se levar 
em conta o porte e o hábito de crescimento, evitando que esta provoque 
sombreamento e competição com as plantas de citros. Pode optar-se 
por plantio rua sim, rua não; intercalando uma rua com espécie de 
porte alto e outra de porte baixo e plantio somente na metade de cada 
rua. Essas opções de plantio possibilitam o trânsito no pomar e em 
todos os casos, no ano seguinte as posições são invertidas. A primeira 
linha de plantio deve ficar a pelo menos 50 cm da projeção da copa 
dos citros, evitando sombreamento e competição. A semeadura deve 
ser efetuada evitando movimentação do solo em excesso e o corte de 
raízes da cultura, dando preferência aos sistemas de cultivo mínimo e 
plantio direto. Não é necessária a utilização de adubação de cobertura 
e cultivadores. Após a germinação e o desenvolvimento, caso seja 
necessário entrar no pomar com máquinas, devem-se alinhar as rodas 
nas entrelinhas dos adubos verdes, e, mesmo que haja tombamento, 
os danos serão mínimos sobre os adubos verdes.
A fitomassa dos adubos verdes deve ser manejada de tal forma 
que a palhada permaneça sobre o solo. Por isso, o manejo deve visar 
sempre que possível, o acamamento dos adubos sobre o solo (Figura 
05). O corte com roçadeiras, pode ser feito direcionando os adubos 
verdes para a linha de cultivo e para baixo da projeção da copa das 
árvores (Wildner, 2004). 
149 ASPECTOS TÉCNICOS DA PRODUÇÃO •
Figura 05 – Ceifa do adubo verde com roçadeira no pleno florescimento. 
(Foto: Carlos Renato Alves Ragoso em pomar cítrico).
Pomar com cobertura morta
Neste sistema o solo é mantido com uma cobertura de restos vege-
tais, cortados de espécies forrageiras como palha de arroz, bagacinho 
de cana, serragem, casca de pinus, entre outros.
A espessura da cobertura varia de 10 a 20 cm, conforme o material 
a ser utilizado (Figura 06). No caso de cobertura com capim cortado, 
experimento relatado por Fachinello et al. (1996) demonstrouque é 
necessário cortar 3 m2 de capim para cobrir 1 m2 do pomar. 
Trata-se de um sistema oneroso e limitado a pequenas áreas, mas 
que tem como vantagens:
Manutenção da umidade do solo, evitando as perdas por eva-• 
poração direta;
Controle da erosão pela diminuição do impacto das partículas • 
de chuva;
Possibilidade de aumento nos teores de N. S, B e P no solo;• 
Contribui para o controle de plantas daninhas.• 
As desvantagens do sistema são:
Em solos mal drenados aumenta o problema de aeração;• 
150 • ABACATE
Se houver abandono do sistema, as raízes das plantas tendem • 
a ser superficiais, o que acarreta problemas;
A cobertura morta aumenta o risco de geadas por impedir a • 
irradiação do calor do solo para o ar;
Favorece o risco de incêndio e o ataque de roedores;• 
O custo é alto, pois tem que adicionar matéria seca anual-• 
mente;
Não deve ser estabelecido antes de três anos de vida da planta, • 
pois estimula o desenvolvimento de raízes superficiais;
Altera a relação C/N, com isso necessita-se de uma adubação • 
suplementar de nitrogênio, na base de 50 kg N/t de cobertura 
morta (Fachinello et al., 1996).
Figura 06 – Uso de cobertura morta com capim seco (Foto: Márcia Regina 
Antunes Maciel).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AMBROSANO, E. J. MURAOKA et al. O papel das leguminosas 
para a adubação verde em sistemas orgânicos. In: AMBROSANO, 
151 ASPECTOS TÉCNICOS DA PRODUÇÃO •
E.J.; MURAOKA T.; CERVEIRA, R. Adubação verde para a agri-
cultura orgânica. Piracicaba: Degaspari, 2000. p. 17-76.
FACHINELLO, J.C., NATCHIGAL, J.C., KERSTEN, E. Fruticul-
tura: fundamentos e práticas. Pelotas: Editora Universitária, Uni-
versidade Federal de Pelotas, 1996. 311p. 
IGUE, K. Dinâmica da matéria orgânica e seus efeitos nas proprie-
dades do solo. In: ENCONTRO NACIONAL SOBRE ADUBAÇÃO 
VERDE, 1, 1983, Rio de Janeiro. Anais... Campinas: FUNDAÇÃO 
CARGILL, 1984. p. 232-66.
LIMA, P.C., MOURA, W.M., AZEREDO, M.S.F.R., CARVALHO, 
A.F. Estabelecimento de cafezal orgânico. Informe agropecuário, 
Belo Horizonte, v. 23, n. 214/215, p. 33-52, 2002. 
PIRAÍ SEMENTES. Recomendações básicas para adubação verde 
apropriadas para regiões sudeste, sul e centro-oeste. Adubação 
verde, Piracicaba, 2002.
RAGOZO, C.R.A., LEONEL, S., CROCCI, A.J. Adubação verde em 
pomar cítrico. Revista Brasileira de Fruticultura, Jaboticabal, v. 
28., n. 1, p. 69 - 72, 2006.
SILVA, J. A. A.; DONADIO, L. C.; CARLOS, J. A. D. Adubação 
verde em citros. Jaboticabal: Funep, 1999. 37 p.
TANAKA, R.T. Adubação verde. Informe agropecuário, Belo Ho-
rizonte, ano 7, n. 81, p. 62-67, 1981.
VON OSTERROHT, M. O que é uma adubação verde: princípios e 
ações. Agroecologia Hoje, n. 14, p. 9-11, mai/jun 2002.
WEBER, O. B.; PASSOS, O. S. Adubação verde: aspectos relacio-
nados a citricultura. Revista Brasileira de Fruticultura, Cruz das 
Almas, v. 13, n. 4, p. 295-303, out. 1991.
152 • ABACATE
WILDNER, L.P. Adubação verde na fruticultura. Agroecologia 
Hoje, Botucatu, ano IV, n. 22, 2004. p. 21-22.
SISTEMA DE PODAS E REGULADORES VEGETAIS NO 
MANEJO DA COPA DO ABACATEIRO
Maria Aparecida do Carmo Mouco1
Elizabeth Orika Ono2
1. CARACTERÍSTICAS FISIOLÓGICAS DA CULTURA 
O crescimento do abacateiro ocorre a partir do desenvolvimento 
de gemas apicais que se alongam, formando os primórdios foliares e 
os novos ramos, em vários ciclos vegetativos por ano, durante a prima-
vera e o verão. No inverno acontece o período de repouso, seguindo-se 
a floração, que é mais definida e intensa quanto maior for o período de 
repouso. O desenvolvimento da inflorescência do abacateiro ocorre em 
ramos com um ano de idade e do mesmo ano. A floração é principal-
mente lateral, com gemas apicais latentes ou vegetativas, conforme a 
variedade. (Donadio, 1992). 
A temperatura é o principal fator responsável pela diferenciação da 
fase vegetativa para a reprodutiva na cultura do abacateiro. Cultivares 
de abacateiro originários de raça subtropical podem produzir flores 
somente quando estão submetidas às condições de baixa temperatura. 
O cv. Hass não floresce sob condições de temperatura de 30/25°C, 
25/20°C ou 24/19°C (dia/noite), porém floresce por 3 a 4 meses em 
condições de 15/10°C, 18/15°C e 23/18°C; sob esta última combinação 
de temperatura, a floração diminuiu consideravelmente, o que pode 
provavelmente ser associado a um limite crítico para a floração do 
cultivar Hass a condição de 23/18°C (Gazit e Degani, 2002).
A indução floral do abacateiro também pode ser favorecida pela 
relação carbono/nitrogênio, quantidade de reservas, condições nutri-
cionais e outras ambientais como a umidade, e os reguladores vegetais. 
Na faixa de temperatura entre 13°C e 40°C pode ocorrer o floresci-
mento, mas fora deste limite, independente da cultivar, a temperatura 
pode ser limitante, como também na ocorrência de ventos fortes e 
secos (Donadio, 1992).
O processo de abertura de flores, nos dois períodos ou fases, femi-
1 Embrapa Semi-Árido, BR 428, km 152, Zona Rural, C.P. 23, CEP 56302-970, Petrolina, PE.
2UNESP, Universidade Estadual Paulista, Instituto de Biociências, Departamento de Botânica, C.P. 510, 
CEP 18618-000, Botucatu, SP.
154 • ABACATE
nina e masculina, também pode ser alterado em temperaturas abaixo 
de 25°C (dia) e 15°C (noite). A superposição das fases foi observada 
em temperaturas elevadas ou menor luminosidade, como também a 
ocorrência de autofecundação (Whiley e Winston, 1987).
O período total de florescimento de cada variedade varia de um a 
dois meses. Na Austrália foi demonstrado que abacateiros das varie-
dades Fuerte e Hass se comportam melhor, no tocante ao florescimento 
e frutificação, com temperaturas 25°C (dia) e 20ºC (noite). Em tem-
peraturas de 33°C (dia) e 23°C (noite), as variedades Hass e Fuerte 
produziram um menor número de flores e tiveram período de floração 
mais curto (Sedgley, 1987).
A porcentagem de flores polinizadas no abacateiro é alta, mas 
a frutificação é baixa. Wolstenholme (1990) reporta que uma planta 
adulta pode chegar a produzir entre meio milhão a um milhão de flores, 
entretanto, a frutificação pode variar desde um em 500 até um em 
5000 flores. No primeiro mês após a frutificação foi observado que 
apenas 10% dos frutos apresentavam desenvolvimento normal, o que 
explicaria a queda de grande parte deles. Muitos dos que caem não 
possuem embrião, endosperma ou ambos (Gazit, 1976). 
Schaffer e Whiley (2002) encontraram efeito da concentração de 
CO
2
 (150 to 2000 µmol CO
2
 mol-1) na fotossíntese do abacateiro. Wit-
jaksono et al. (1999) também reportam maior crescimento dos ramos 
vegetativos e acumulação de biomassa em ambiente enriquecido com 
CO
2
. A quantidade acumulada de matéria seca no abacateiro ‘Hass’ 
aumentou com a concentração de CO
2
 de 350 a 600 µmol mol-1 (Schaf-
fer e Whiley, 2002); os autores ainda mencionaram que 45 dias depois 
da floração, as plantas que se desenvolveram em condições de 600 
µmol CO
2
 mol-1 seguraram mais frutos que sob 350 µmol CO
2
 mol-1. 
Assim, já que existe uma relação direta entre a fixação de frutos aos 
40-50 dias depois da floração e o rendimento final, o incremento das 
concentrações de CO
2
 atmosférico poderá beneficiar a produção de 
abacate (Howden et al., 2005). 
A frutificação é afetada por vários fatores, entre eles o clima, as ra-
ças, os cultivares, os porta-enxertos, os tratos culturais, o anelamento, a 
polinização cruzada e os insetos (Bergh, 1976). O tempo entre a florada 
e a maturação do fruto está entre 8 a 10 meses (Donadio, 1992).
O bom desenvolvimento do fruto depende da existência de 
155 sIsTEMAs DE pODAs •
condições adequadas, principalmente com as relacionadas à disponibil-
idade de água, nutrientes, superfície foliar e clima.A relação de 30 a 50 
folhas adultas para cada fruto é indicada como necessária ao abacateiro 
(Suppo, 1982).
2. SISTEMA DE PODAS
O abacateiro, pela origem na América Central e México, tem o 
hábito de planta de floresta úmida, o que influencia a tendência ao 
crescimento vegetativo vigoroso. Este vigor vegetativo resulta nos dois 
maiores problemas para os produtores: o primeiro está relacionado ao 
porte das plantas que acaba fechando o pomar depois de quatro a cinco 
anos de plantio (condução), dificultando os tratos culturais, com as 
pulverizações e a colheita mais difíceis e caras. O segundo problema 
está relacionado à competição do crescimento vegetativo com os frutos 
pelos fotoassimilados, nutrientes e água. O fluxo vegetativo que ocorre 
logo após a floração origina uma grande demanda de carboidratos nos 
quarenta dias seguintes (Whiley e Schaffer, 1994, citado por Penter e 
Stassen, 1998). Esta demanda reduz as fontes e compromete a fruti-
ficação efetiva (principalmente nos cultivares mais vigorosos). Esta 
situação fica mais evidente com a emissão de um outro fluxo vegetativo 
(verão), que ocorre quando o fruto tem de 10 a 40% do seu peso final; 
a competição promovida por esta brotação pode causar de 45-60% de 
queda dos frutos (Wolstenholme et al., 1990). O clima e as condições 
de solo, incluindo a nutrição, tendem a estimular o crescimento vi-
goroso do abacateiro e a copa do abacateiro pode aumentar de 50 a 
100% por ano (Köhne, 1988); o autor ainda reporta que o nível de N 
nas folhas do abacateiro deve ser inferior a 1,8%, como meio prático 
de controlar o crescimento vegetativo excessivo da planta. 
Assim, pelos fatores mencionados, o rendimento do abacate em 
áreas mais quentes, como é o caso da região nordeste, está abaixo de 
10 t ha-1, porque esta condição climática estimula a brotação vegetativa 
mais vigorosa.
A necessidade de poda de um cultivo está relacionada não só à 
fenologia como a ecofisiologia do cultivo. Segundo Wolstenholme 
(2002), o hábito natural do abacateiro é de formar uma copa frondosa 
que permite a captação de um máximo de luz disponível. Na busca de 
luz, a planta vai produzir ramos longos, de crescimento vigoroso. Este 
156 • ABACATE
comportamento pode ser explicado também pelo local de origem do 
abacateiro, onde a planta competia com árvores muito altas e a única 
forma de sobreviver era através da capacidade de crescer para a capta-
ção de luz. Esta característica de crescimento vigoroso do abacateiro 
é o que acaba favorecendo a formação de plantas com copa mais alta, 
afastada do tronco, que acaba sombreando os ramos da base, que ten-
dem a perder folhas e a capacidade de produção. 
Segundo Mena (2005), a poda apresenta como vantagens os me-
lhores calibres de fruto, a facilidade na execução de outras práticas 
no pomar e adequação ao espaçamento. Como desvantagens, a perda 
inicial da produção, quando a poda é mais severa, além do aumento 
dos custos no manejo do pomar.
Em pomares implantados com maiores densidades, a poda tem 
como objetivo um maior aproveitamento da luz e eficiência produtiva 
(kg m-2). O manejo da luz em pomares de abacate é um dos princi-
pais fatores para a obtenção de pomares sustentáveis (Wolstenholme, 
2002). 
As podas podem ser feitas de forma mecânica ou manual. A 
mecânica é mais rápida, mas não discrimina os ramos e pode eliminar 
os produtivos, podar além do adequado, como também deixar ramos 
que terão que ser eliminados numa poda manual, durante um repasse, 
normalmente necessário.
A poda manual é mais seletiva e eficiente, e facilitada pela maciez 
da madeira do abacateiro. No entanto, o custo e o tempo da prática 
é maior que na mecânica e a dificuldade é maior em pomares muito 
densos e com árvores com copa mais alta.
A poda, em pomares mais antigos e plantados em maiores espa-
çamentos, têm sido considerada como um manejo adequado, já que o 
fechamento do pomar (entre as copas) determina a perda da capaci-
dade produtiva, determinada, inicialmente, pelo tamanho e depois pelo 
número de frutos por planta, principalmente, pela perda na produ-
tividade no interior da copa (Stassen et al., 1999). Assim, a produção 
tende a se concentrar na parte alta da planta, mais afastada do tronco, 
já que a luz no interior da copa é insuficiente, comprometendo a fotos-
síntese líquida e reduzindo a produção de matéria seca por unidade de 
superfície. A eliminação de plantas nem sempre é eficiente porque as 
copas das plantas mantidas, com o tempo, acabam ocupando o espaço 
157 sIsTEMAs DE pODAs •
das plantas eliminadas. Mena (2005) propõe duas formas de recuperar 
a folhagem no interior da copa e, assim, a capacidade produtiva do 
pomar.
A primeira opção é podar os ramos principais, para logo voltar a 
formar a copa das brotações oriundas deles. Este tipo de poda deve ser 
realizado cedo, depois da colheita, para que seja possível o manejo da 
copa dentro do mesmo ciclo (ano). No entanto, na maioria das vezes, 
a brotação depois da poda é muito vigorosa, o que acaba comprome-
tendo o início da produção, que pode acontecer só depois de dois anos 
e, também, é necessário que esta poda continue sendo feita para que 
as plantas não recuperem logo o tamanho excessivo da copa e, asso-
ciado a este, o problema da produção (Hofshi, 1999). A pintura com 
cal, nas partes podadas e naquelas expostas ao sol, é necessária para 
evitar danos aos ramos, que acabam servindo de ponto de entrada de 
patógenos ou que comprometam novas brotações.
A poda realizada apenas para reduzir os ramos principais a uma 
altura entre 4 a 5 metros também pode ser usada para recuperar a 
produção no interior da copa. Nesta prática, o objetivo é deixar uma 
quantidade de folhagem que permita controlar o vigor da brotação 
vegetativa oriunda da poda. Com o objetivo de evitar uma brotação 
excessiva no extremo dos ramos, formando os “pés de galinha”, pode 
ser feita a pintura dos últimos 20 a 30 cm do ramo com uma solução de 
tinta látex e ácido naftalenacético - NAA (1% i.a.), que deve eliminar 
a dominância apical e permitir a brotação mais uniforme nos ramos 
(Mena, 2005).
Nos tipos de poda mencionados anteriormente, a forma de colheita 
deve ser considerada na definição da altura da planta. Nestas práticas 
de condução, as plantas são manejadas individualmente ou em setores 
de produção; o manejo como árvores individuais deve ser feito conside-
rando a necessidade de deixar áreas abertas para a iluminação dos ramos 
centrais da planta (Partida, 1997). O manejo como setores de produção, 
pode ser feito com o objetivo de formar copas de formato piramidal, com 
a poda sendo realizada em duas etapas, ou seja, uma face (parte) da copa 
em cada ano, para evitar que o produtor fique sem produção durante o 
período do manejo (um ano), como também reduz em parte o vigor na 
parte podada. Neste caso, também é recomendada a pintura dos ramos 
expostos com a tinta látex e a utilização do ácido naftalenacético.
158 • ABACATE
3. REGULADORES VEGETAIS NO MANEJO DA COPA
O fechamento da copa do abacateiro tende a ocorrer quatro a cinco 
anos depois do plantio, quando são utilizados espaçamentos menores, 
como de 5 x 5 metros. As práticas de manejo para controlar o cresci-
mento das plantas são necessárias, já que plantas menos vigorosas 
apresentam vantagens nos custos da manutenção e produção do pomar. 
Os rendimentos podem ser incrementados pela redução do vigor no 
fluxo vegetativo da primavera. Além disso, plantas menores oferecem 
a oportunidade de incrementar a produção pelo plantio de altas densi-
dades e, também, antecipar o máximo de produção (estabelecimento 
do pomar), segundo Köhne (1998).
A poda do abacateiro, apesar de importante, reduz o número de 
gemas/ ramo reprodutivo, já que a inflorescência do abacateiro ocorre 
na parte terminal dos ramos produzidosno verão. O manejo com po-
das severas, para manter a copa em tamanho desejável, também pode 
comprometer a produção (Toerien e Basson, 1979).
Na África do Sul, a busca de estratégias para otimizar a penetra-
ção de luz, maximizar e manter a qualidade e rendimento dos frutos, 
reduzir os custos de produção e aumentar a eficiência de colheita e 
operações no pomar (pulverizações), indica que a poda mecânica pode 
ser implementada sem afetar os rendimentos durante a fase de esta-
belecimento do pomar (Stassen et al., 1999). Entretanto, em pomares 
muito densos, podas imediatamente após a colheita comprometem os 
rendimentos no ano seguinte. Stassen e Davie (1996) mostraram que 
a melhor forma para interceptação de luz pelas plantas é o sistema de 
plantio em que se utiliza espaçamento pequeno nas ruas, resultando em 
uma “cerca”, como também a forma piramidal da copa, tendo como 
altura máxima da planta, 80% da largura da linha (ou copa).
A prática da poda durante o cultivo do abacateiro em países como a 
África do Sul, devido ao crescimento vigoroso, demonstram eficiência 
no manejo do tamanho da copa. Entretanto, enquanto a poda elimina 
a brotação vegetativa indesejada e também ajuda na manutenção da 
forma da copa adequada, ela também estimula uma nova rebrota. Neste 
caso é que os reguladores vegetais têm um papel importante e essen-
cial na condução da cultura. Assim, inibidores da síntese de giberelina 
além de reduzir o comprimento dos ramos vegetativos, incrementam a 
floração e o rendimento de frutos (Penter e Stassen, 1999).
159 sIsTEMAs DE pODAs •
Os três diferentes tipos de reguladores vegetais que interferem 
na síntese da giberelinas podem ser relacionados como: compostos 
quaternários, como o cloreto de mepiquat e o cloreto de chlormequat, 
que inibem a conversão de geranil geranil pirofostato para o caureno; 
os compostos cíclicos contendo um nitrogênio, como o ancimidol, 
flurprimidol, paclobutrazol e uniconazole, que inibem a passagem do 
caureno a GA
12
-aldeído, que é catalisado por monoxigenases e os acil-
ciclohexanodionas como o trinexapac-etil e o prohexadione-Ca, que 
podem bloquear as reações finais do metabolismo de GA (conversão 
do GA
12
-aldeído nos diferentes GAs), relativas à ação de dioxigenases 
(Rademacher, 1993). 
Os triazóis, como o paclobutrazol e o uniconazole, formam um 
grupo de reguladores vegetais que inibem a síntese das giberelinas 
(Singh, 2001), tem registro como redutores do crescimento vegetativo, 
como também incrementam o tamanho do fruto de abacate (Köhne e 
Kremer-Köhne, 1987; Adato, 1990; Wolstenhome et al., 1990; Kremer-
Köhne et al,1991; Whiley et al,1991; Eramus e Brooks, 1998; Penter 
et al., 2000).
As aplicações foliares e injeção de paclobutrazol na fase da floração 
reduziram o entrenó e aumentaram a retenção de frutos no abacateiro 
‘Fuerte’ (Köhne e Kremer-Köhne, 1987). Em trabalho conduzido por 
Köhne (1988), o paclobutrazol foi aplicado no solo, ao redor do colo 
da planta em abacateiro com seis anos, na primavera. No início do 
experimento, o tamanho da copa media 12 m2. No experimento, foram 
testadas duas doses de paclobutrazol, 0,4 e 0,8 g i.a. m-2 de área de 
copa, mas nenhum efeito foi observado nos primeiros 12 meses depois 
da aplicação. No ano seguinte, depois da colheita, o paclobutrazol foi 
novamente aplicado na metade da dose utilizada no primeiro ano e, 18 
meses da primeira aplicação, o comprimento dos ramos foi reduzido 
em 50% quando comparado com o controle. Os tratamentos com as 
duas doses de paclobutrazol testadas não apresentaram diferença no 
crescimento dos ramos, como também não houve diferença significativa 
entre os tratamentos com relação ao rendimento de frutos. Assim, apli-
cações foliares de paclobutrazol visando à redução do vigor do fluxo de 
primavera podem ser efetivas no incremento da produção da cv. Fuerte, 
como também, aplicações de paclobutrazol no solo em plantas jovens 
podem reduzir o porte de plantas, auxiliando no manejo da copa. 
160 • ABACATE
O trabalho de Leonardi (2005) para identificar o efeito da poda 
e de reguladores vegetais no crescimento dos ramos, floração, rendi-
mento e qualidade dos frutos de ‘Hass’, mostrou que a poda depois da 
colheita reduz o rendimento no primeiro ano, mas este efeito negativo 
diminui nos anos subseqüentes. A poda pode estimular o crescimento 
vegetativo e o momento da poda depois da colheita irá influenciar na 
quantidade de rebrota durante a floração e pegamento de frutos. Esta 
rebrota vai competir com o desenvolvimento de frutos e interferir na 
qualidade dos mesmos. O momento da poda de verão também pode 
afetar a quantidade de rebrota e floração na primavera seguinte. Apli-
cação de reguladores vegetais, como o uniconazole na floração, au-
menta o tamanho de frutos e pode reduzir o comprimento dos ramos e 
incrementar a floração, quando aplicado na rebrota, resultante da poda 
de verão. A poda, segundo o autor, altera a distribuição de frutos, que 
tendem a se concentrar na parte inferior da copa, até os dois metros da 
planta. A poda pode reduzir a concentração de cálcio nos frutos e pode 
ser responsável pelo incremento de distúrbios fisiológicos.
Experimento conduzido em abacateiro, por Penter e Stassen 
(1999), mostrou que a aplicação de reguladores vegetais no fluxo de 
crescimento da primavera apresentou melhor efeito no rendimento 
que aplicações na floração. Os resultados também mostraram que o 
cloreto de chlormequat foi mais eficiente no incremento do rendimento 
e tamanho de fruto que o paclobutrazol e o uniconazole. 
O primeiro fluxo vegetativo emitido logo após a frutificação do 
abacateiro funciona como um dreno de água, minerais e fotoassimila-
dos, durante aproximadamente 40 dias (Whiley e Schaffer, 1994 citado 
por Penter e Stassen, 1998). Durante este período, o desenvolvimento 
do fruto do abacateiro é privado dos nutrientes e é a principal causa da 
grande perda de frutos. Um segundo fluxo vegetativo no verão tem um 
efeito similar, induzindo uma perda de frutos da ordem de 60% daque-
les que ficaram na planta depois da primeira queda (Wolstenholme et 
al., 1990). Esta competição, entre o fluxo vegetativo e o crescimento de 
frutos, pode também contribuir para o pequeno tamanho dos frutos em 
alguns cultivares de abacateiro; neste caso, visando minimizar o pro-
blema, é que os reguladores vegetais também poderiam ser eficientes 
no manejo do abacateiro. Assim, pela redução do crescimento vege-
tativo, seria possível reduzir o efeito de dreno dos fluxos vegetativos 
161 sIsTEMAs DE pODAs •
e, então, reduzir a competição com o crescimento reprodutivo, como 
também incrementar a fixação (retenção) e tamanho dos frutos. 
A principal causa dos baixos rendimentos do cv. Fuerte é o baixo 
pegamento de frutos, associado ao vigor vegetativo. Adato (1990) re-
porta incremento de 90% no rendimento do abacateiro ‘Fuerte’ utili-
zando paclobutrazol. As pulverizações de paclobutrazol não alteraram 
a emissão de novos fluxos vegetativos, mas afetaram o comprimento 
dos fluxos, reduzidos em 30% utilizando a concentração de 2%. O 
tempo entre a frutificação e o início da brotação vegetativa foi maior 
em quatro a cinco dias nas inflorescências tratadas. As aplicações de 
paclobutrazol na fase de alongamento das inflorescências dobraram e 
triplicaram os rendimentos do abacateiro desta cultivar, em quatro anos 
de avaliação, e pode ser uma alternativa para plantas com rendimentos 
baixos, como é o caso do cv. Fuerte, ou no ano seguinte a uma alta da 
produção.
Segundo Penter e Snider (2001), o efeito do paclobutrazol no 
rendimento no abacateiro ‘Fuerte’ parece ser resultado da inibição 
do crescimento, que ocorre concomitantemente no processo de fruti-
ficação. Efeito semelhante foi observado na videira pela eliminação 
dabrotação nova (Coombe, 1972), que estimula a frutificação e o de-
senvolvimento de frutos, sem a competição de assimilados essenciais 
(Wolstenholme, 1988).
As giberelinas são essenciais no crescimento e retenção de fru-
tos e parece que o paclobutrazol tem efeito favorável no rendimento 
quando o método, concentração e momento de aplicação assegurem 
um efeito limitado, de forma que o crescimento vegetativo seja retar-
dado, mas que a redução nos níveis de giberelina sejam mínimos. Por 
conseguinte, o efeito que se busca do paclobutrazol é no vigor da planta 
e as concentrações recomendadas ficam em 2% para plantas muito 
vigorosas e 1% para as de vigor moderado; as aplicações devem ser 
feitas no momento antes da antese (abertura das flores), quando se têm 
condições apropriadas para a frutificação (Adato, 1990). 
Os resultados descritos sugerem que os efeitos do paclobutrazol 
e compostos similares no incremento do rendimento são devidos à 
retenção de frutos e é função da inibição ou atraso no crescimento 
vegetativo, que acontece concomitante ao processo de frutificação. 
No entanto, é possível que o paclobutrazol não tenha efeito quando o 
162 • ABACATE
crescimento vegetativo não ocorre na mesma época que a frutificação, 
como acontece em outros cultivares. 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ADATO, I. Effects of paclobutrazol on avocado (Persea americana 
Mill) cv Fuerte. Scientia Horticulturae, v.45, p.105-115, 1990.
BERGH, B.O. Factors affecting avocado fruitfulness. Proceddings 
First International Tropical Fruits Short Course: The avocado. 
Florida, 1976, p.83-87
COOMBE, B.G. The effect of removing leaves, flowers and shorts 
tips on fruit set in Vitis vinifera L. Journal Horticulturae Science, 
v.37, p.1-15, 1972.
DONADIO, L.C. Abacate para exportação: aspectos técnicos da 
produção. Brasília: Denacoop/ IICA Série Publicações Técnicas 
DENACOOP/ FRUPEX. 1992. 109 p.
ERAMUS, H.D.; BROOKS, W.H. Foliar application of uniconazole 
(Sunny) to avocado trees to improve fruit size and yield and to chance 
fruit shape. South African Growers’ Association Yearbook, v.21, 
p.52-53, 1998
GAZIT, S. Pollination and fruit set of avocado. Procedings First In-
ternational Tropical Fruit Short Course: The avocado. Florida, 
1976. p.92-95.
GAZIT, S.; DEGANI, C. Reproductive Biology. In: WHILEY, A.W.; 
SCHAFFER, B.; WOLSTENHOLME, B.N. The Avocado: Botany, 
Production and Uses. CABI Publishing. 2002. p.101-134.
HOFSHI, R. 1999. High-Density Avocado Planting - An Argument 
for Replanting Trees. http://www.avocadosource.com. Acesso em 20 
janeiro 2007.
163 sIsTEMAs DE pODAs •
HOWDEN, M.; NEWETT, S.; DEUTER, P. Climate Changes – Risks 
and Opportunities for the Avocado Industry. In: NEW ZEALAND 
AND AUSTRALIA AVOCADO GROWER’S.Tauranga, 2005. Con-
ference … Tauranga, Session 1, 19p.
KOHNE, J.S. Methods of increasing avocado fruit production. South 
African Growes´Association Yearbook, v.1, p.53-55, 1988.
KOHNE, J. Distancias de plantación y control del tamaño en paltos 
en Sud Africa. In: Seminario Internacional de Paltos. Vina del Mar, 
1998. Anais ... Vina del Mar, Sociedad Gardiazabal y Magdhal, 1998. 
p.73-80.
KOHNE, J.; KREMER-KOHNE, S. Comparison of growth regula-
tors paclobutrazol and uniconazole on avocado. South African Avo-
cado Growers’ Association Yearbook, v.12, p.38-39, 1987.
KREMER-KOHNE, S.; KOHNE, J.S.; KIRKMAN, B. Yield and 
Fruit quality of avocado cv. Fuerte as influenced by paclobutrazol 
foliar applications. South African Growes´Association Yearbook, 
v.14, p.22-23, 1991.
LEONARDI, J. New strategies and tools for avocado canopy. In: 
New Zealand and Australia Avocado Grower´s Conference. Tauran-
ga, 2005. Anais … Tauranga, 2005. Session 9, 15p.
MENA, F.V. Poda en Paltos. In Seminario Internacional de Paltos. 
Quillota, 2, 2005. 8 p. 
PARTIDA, G. Avocado Canopy Management For Greater Yield and 
Orchard Eficiency. California Avocado Society Yearbook, v.80, 
p.117-131, 1997.
PENTER, M.G.; SNIJDER, B. Avocado tree management- a holistic 
approach: Chemical manipulation. South African Avocado Grow-
ers’ Association Yearbook, v.24, p.52-54, 2001.
164 • ABACATE
PENTER, M.G.; SNIJDER, B.; STASSEN, P.J.C.; SCHÄFER, E. The 
efect of inhibitors of fruit production in Hass avocado trees. South 
African Avocado Growers’ Association Yearbook, v.23, p.46-51, 
2000.
PENTER, M.G.; STASSEN, P.J.C. The effect of Growth Inhibitors on 
Vegetative Growth, Fruit Size and Fruit Set in Hass Avocado Trees: A 
preliminary Report. South African Avocado Growers’ Association 
Yearbook, v.21, p.54-57, 1998.
PENTER, M.G.; STASSEN, P.J.C. Chemical manipulation as part of 
a magement programme for improved fruit yield and quality in avo-
cado orchards. South African Avocado Growers’ Association Year-
book, v.22, p.69-75, 1999.
RADEMACHER, W.Growth retardants: Biochemical features and 
applications in horticulture. Acta Horticulturae, Wageningen, v.394, 
p.57-74, 1993.
SEDGLEY, M. Flowering, pollination and fruit set of avocado. South 
African Avocado Growers’ Association Yearbook, v.10, p.142-143, 
1987.
SCHAFFER, B.; WHILEY, A.W. Environmental Physiology. In: 
Whiley, A.W.; Schaffer, B.; Wolstenholme, B.N. (eds). The Avocado: 
Botany, production and Uses. CAB- Publishing, 2002. p.135-160.
SINGH, D.K. Triazole Compounds in Horticulture. New Delhi: 
Agrotech Publishing Academy UDAIPUR, 2001. 120p
STASSEN, P.J.C.; SNIDJER, B.; BARD, Z.J. Results obtained by 
pruning overcrowed avocado orchards. Revista Chapingo Série 
Horticultura, v.5, p.165-171, 1999.
STASSEN, P.J.C.; DAVIE, S.J. Manipulation of avocado trees- pru-
ning. South African Avocado Growers’ Association Yearbook, 
v.19, p.73-76, 1996.
165 sIsTEMAs DE pODAs •
SUPO, F. R. El Aguacate. México: A.G.T. Ed., 1982. 167p.
TOERIEN, J.C.; BASSON, A.M. An investigation into thining of na 
avocado orchard. South African Avocado Growers’ Association 
Yearbook, v.3, p.59-60, 1979.
WHILEY, A. W.; WINSTON, E.C. Effect of temperature at flowering 
on varietal productivity in some avocado-growing areas in Australia. 
South African Avocado Growers’ Association Yearbook, v.10, p.8-
11, 1987.
WHILEY, A.W.; SARANAH, J.B.; WOLSTENHOLME, B.N. ; 
RASSMUSSEN, T.S. Use of paclobutrazol sprays at mid-anthesis for 
increasing fruit size and yield of avocado (Persea americana Mill. Cv 
Hass). Journal of Horticultural Science, v.66, p.593-600, 1991. 
WITJAKSONO; SCHAFFER, B.A.; COLLS, A.M.; LITZ, R.E.; 
MOON, P.A. Avocado shoot culture, plantlet development and net CO2 
assimilation in an ambient and CO
2
 enhanced environment. Vitro Cel-
lular & Developmental Biology –Plant, v.35, n.3, p.238-344, 1999.
WOLSTENHOLME, B. Some thoughts on flowering in avocado 
trees. Journal of the South African Avocado Growers Association, 
v.10, p.3-4, 1990.
WOLSTENHOLME, B. Ecology: Climate and the edaphic environ-
ment. In: WHILEY, A.; SCHAFFER, B.; WOLSTENHOLME, B.N. 
(eds). The Avocado, Botany, Production and Uses. CABI Publishing, 
2002. 233 p.
WOLSTENHOLME, B.N; WHILEY,A.W.; SARANAH, J.B. Mani-
pulating Vegetative: Reproductive Growth in Avocado (Persea Amer-
icana, Mill) with Paclobutrazol Foliar Sprays Scientia Horticultu-
rae, v.41 p.315-327, 1990.
 
DOENÇAS DO ABACATEIRO
Ariane da Cunha Salata1
Aloísio Costa Sampaio2
Introdução
Muitas doenças podem atacar o abacateiro, destacando-se as 
causadas por fungos, porém existe uma virose que é relativamente 
importante, outras doenças como as causadas por microplasma e vírus 
que tem sido relatadas, mas ainda com disseminação pequena.
As principais doenças que ocorrem são: gomose, antracnose, oídio, 
verrugose, cercospora, podridão dos frutos, murcha, podridão radicu-
lar, cancro do tronco, fumagina e mancha das folhas. Estas doenças 
podemocorrer com maior ou menor intensidade, dependendo das 
condições ambientais.
Gomose
Essa doença tem como agente causador o fungo Phytophtora cin-
namomi Rand, que destrói as raízes e causa a morte da árvore. A planta 
atacada exibe uma exsudação branca cristalina na casca do tronco, 
próximo as fendas enegrecidas. O ataque do fungo à raiz produz ne-
crose progressiva em plantas de todas as idades, pode eliminar boa 
parte das raízes e causar lesão no tronco, ao nível do solo e acima 
deste.
Os sintomas externos da doença podem ser assim descritos: depau-
peramento progressivo da planta; perda de cor das folhas; produção 
de folhas menores e de frutos pouco desenvolvidos; ramos secos e 
desfolhação; queda de produção, morte da planta. Esse fungo se de-
senvolve em solos úmidos e mal drenados, por mudas de viveiros 
infectados e por sementes e não se conhece porta enxerto resistente. 
A única medida passível de resultado é evitar os solos pesados e mal 
drenados e o plantio acima do nível do solo, além da aquisição de 
mudas de qualidade, remoção de restos culturais, cuidado com balanço 
nutricional, evitando-se níveis elevados de N, pH alcalino e deficiência 
1Mestre em Agronomia. Aluna de doutorado do PPGA/Horticultura/UNESP/Botucatu. ariane_salata@yahoo.
com.br
2 Docente do Depto de Ciências Biológicas da UNESP/FC/Bauru e do Curso de Pós-graduação em Horticul-
tura/FCA/UNESP/Botucatu. – aloísio@fc.unesp.br
168 • ABACATE
de Ca e P.
Como medida curativa, devem remover-se os tecidos afetados e 
proteger as regiões com pasta à base de fungicida cúprico. Tem sido 
recomendado o uso de fosetyl e metalaxyl como tratamento foliar e 
do tronco. Recentemente, foi desenvolvido um tipo de controle com 
aplicação de ácido fosfórico injetável (Figura 1), cujo custo, entretanto 
é muito alto, porém é um método muito eficiente. 
Figura 1. Detalhe da aplicação de ácido fosfórico no tronco de abacateiro 
na Fazenda Jaguacy, Bauru (SP). (FOTO: Aloísio Costa Sampaio)
Em junho de 2006, implantou-se projeto de pesquisa na Fazenda 
Jaguacy utilizando mudas enxertadas de Hass sobre Dusa, porta-en-
xerto importado da África do Sul, cujo contrato de cessão do material 
foi realizado entre a Fazenda Jaguacy e a Westfalia. Nos países que 
empregam o Dusa como porta-enxerto, há um aumento de produtivi-
dade ao redor de 25% em relação à porta-enxertos comuns utilizados 
no Brasil, possivelmente em função da maior tolerância desde porta- 
enxerto ao fungo de solo Phytophtora cinnamomi Rand. As mudas 
(Figura 2) antes de serem plantadas juntamente com material de Hass 
enxertado com porta-enxerto comum (tratamentos), foram analisadas 
169 DOENçAS DO ABACATEIRO •
pelo Complexo Quarentenário do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvi-
mento do Jardim Botânico do IAC.
Figura 2. Vista geral das mudas enxertadas de Hass sobre Dusa, na Fazenda 
Jaguacy, Bauru (SP), provenientes da África do Sul. (FOTO: Aloísio Costa 
Sampaio)
Antracnose
O agente causal é o Colletrotrichum gloeosporioides Penz. Essa 
doença causa danos aos frutos, sendo também atacados os ramos e as 
folhas.
Os sintomas mais evidentes são manchas escuras circulares na 
casca, além de manchas claras irregulares e purulentas nas folhas que 
depois adquirem um tom marron. Nos ramos as manchas são esbran-
quiçadas, nos frutos são arredondadas e de cor escura. 
Em condições favoráveis ao patógeno, pode ser observada, sobre 
as lesões do fruto, a formação de uma massa gelatinosa, que contém 
os conídios do agente. Esta massa constitui fonte de inóculo podendo 
ser dispersa para outras partes da planta ou outras plantas nas pro-
ximidades.
O controle é feito com calda bordalesa ou fungicidas à base de 
170 • ABACATE
cobre, e também por essa doença ser favorecida por altos níveis de 
umidade, a aeração na copa pode ajudar no seu controle. Também o 
uso de aspersores foliares utilizando iodo ou extratos de cebola deram 
bons resultados no controle dessa doença em frutos de abacate.
Após a colheita, deve ser feita imersão em solução com fungicida 
registrado para a cultura durante dois minutos, pois essa doença ataca 
desde a frutificação até a pós-colheita.
Oídio
O agente causal é o fungo Oidium perseae, que ataca de prefe-
rência as flores e folhas. Quando o ataque se dá nas flores reduz a 
polinização e provoca queda dos frutos.
Os sintomas nas folhas são reconhecidos pelas manchas arredon-
dadas, cloróticas, com pequenas áreas pardas na face superior e man-
chas escuras mal definidas na inferior. Em folhas novas, verifica-se 
na superfície inferior mancha com leve massa branca, constituindo as 
frutificações do fungo.
As condições que favorecem essa doença são a umidade elevada 
(70-80%) e a temperatura de 20ºC, sendo seu desenvolvimento afetado 
por chuvas constantes.
O controle é feito com enxofre pó molhável, calda sulfocálcica ou 
fungicida recomendado para a cultura.
Verrugose
É uma das principais doenças do abacateiro, atacando folhas e 
frutos. As variedades pertencentes à raça antilhana são mais resistentes. 
O agente causal é o fungo Sphaceloma persea, Jenkins, que ataca de 
preferência folhas e frutos quando novos.
Os sintomas surgem no limbo ou na nervura. As manchas são de 
cor parda e quando em grande número, deformam e causam rompi-
mento do limbo foliar, daí constituir doença importante nos viveiros, 
por afetar o desenvolvimento inicial da planta. Os frutos são atacados 
quando novos e as lesões que se formam durante o desenvolvimento 
resultam em cicatrizes de cor parda que se distribuem no sentido lon-
gitudinal.
A disseminação do patógeno é realizada pela água das chuvas e 
pelo vento. Temperatura baixa e a umidade elevada favorecem a espo-
171 DOENçAS DO ABACATEIRO •
rulação do fungo que infecta os tecidos novos e suculentos das folhas, 
ramos e frutos do abacateiro. As folhas jovens sofrem o ataque do 
fungo até atingirem um mês de idade, enquanto os frutos novos estão 
sujeitos à ação do patógeno por um período aproximado de dois meses 
de idade, desde que ocorram condições favoráveis ao seu desenvolvi-
mento, sendo os frutos extremamente susceptíveis ao patógeno, logo 
após a queda das pétalas. 
Em condições desfavoráveis, o fungo sobrevive nas folhas infecta-
das. Quando há aumento de umidade e baixa temperatura, o fungo 
esporula e infecta os tecidos novos e suculentos das folhas, ramos e 
frutos, formando, então, características da doença, nas quais produz 
as formas de reprodução. 
O controle é feito eliminando-se os ramos secos e com calda 
bordalesa ou fungicidas à base de cobre e oxicloreto de Cu a 2%. A 
primeira aplicação deve ser feita no início do período de vegetação, 
devendo-se seguir duas ou três vezes durante o ano, num intervalo de 
20 a 30 dias dependendo das condições.
Cercosporiose
Tem como agente causal o Cercospora purpurea CKE, cujo fungo 
causa danos aos frutos, às folhas e aos ramos. 
Os frutos atacados caem, principalmente quando a infecção atinge 
a região do pedúnculo. As lesões são circulares, pequenas, ligeira-
mente deprimidas. Nas folhas, são como pontos marrons, com 2 mm 
de diâmetro, que quando aglutinados apresentam aspectos típicos. A 
doença incide nas variedades mais tardias, e o cultivar Wagner parece 
ser o mais suscetível.
Condições favoráveis, iniciam-se gradativamente na primeira 
metade do período chuvoso, com pico em junho e julho, que é quando 
inicia a queda das folhas. Permanece na cultura por infecções foliares. 
Sua disseminação se dá pelo vento.
Controle é o mesmo da verrugose e além do uso de cultivares 
resistentes.
Podridão dos frutos
Os agentes causais são: Diplodia natalensis Pol Evans , Hender-
sonia sp., Rhizopus nigricans, causadores de podridões pretas, verdes 
172 • ABACATE
e vermelhas dos frutos.
A infecção normalmenteocorre quando os frutos ainda se encon-
tram em desenvolvimento na árvore. Localiza-se no tecido do pedún-
culo, em estado latente e se desenvolve após a colheita.
O controle é feito com pulverização com produtos cúpricos. O 
tratamento é feito após a colheita com fungicidas recomendados para 
a cultura.
Murcha
Tem como agente causal o Verticillium alboatrum, que causa a 
murcha de ramos e folhas. Estas se escurecem e caem facilmente das 
folhas. 
A doença ocorre quando há ferimentos nas raízes, solo úmido, 
mas não encharcado e em solos nos quais anteriormente se cultivaram 
plantas hospedeiras. As variedades guatemalenses são mais sensíveis 
ao fungo. 
O controle é feito pela poda dos ramos afetados, a aeração do solo 
e a aplicação de fungicidas cúpricos. Se tiver muito afetada, a árvore 
deve ser erradicada e o local desinfetado para o replantio.
Podridão do tronco
Tem como agente causal Nectaria galligena que é favorecida 
pela alta umidade.
Os sintomas são: manchas negras e oleosas que aparecem no tron-
co eliminando um exsudado branco de cheiro característico.
É possível controlar essa doença no seu início com o pincelamento 
do tronco com cal e sulfato de cobre, após a limpeza e a raspagem da 
área que também pode ser pintada com tinta de vinil.
Podridão das raízes
Agente causal Rosellinia necatrix. Não tem grande importância 
econômica, sendo problema apenas em áreas isoladas, principalmente 
em áreas recém desbravadas.
Sintomas iniciais são murcha e lesões que lembram deficiências 
nutricionais, caracterizadas por amarelecimento foliar. É uma doença 
que se manifesta lentamente, demorando meses ou anos para matar a 
planta. Caracteriza-se por murcha ou seca das folhas novas, gerando 
173 DOENçAS DO ABACATEIRO •
seca dos ponteiros que pode ser em toda a planta ou em alguns dos 
lados, correspondendo ao lado do sistema radicular afetado. Nas raízes 
aparece podridão e coloração branca logo abaixo da casca.
Facilmente encontrado em restos de troncos, raízes mortas ou ma-
téria orgânica devido a sua capacidade saprofítica. Com alta umidade 
pode observar-se cordões miceliais negros sobre as raízes ou sobre a 
matéria orgânica próxima a planta afetada.
O controle recomendado é evitar o plantio em áreas recém desbrava-
dos ou em regiões muito ricas em matéria orgânica, amontoar e queimar 
restos de cultura e raízes presentes no solo, eliminar plantas doentes e seus 
sistemas radiculares, evitar o plantio em solos úmidos, evitar ferimentos 
nas plantas principalmente nas raízes e utilizar porta-enxertos resistentes. 
Fumagina
Agente causal Capnodium sp, pode ocorrer em ramos, folhas e 
frutos, mas não é uma doença muito comum no abacateiro. Controle 
com cúpricos.
Outras doenças
Das doenças causadas por outros microorganismo que não os fun-
gos, o sum blotch é a principal, ocorrendo em vários países. É causada 
por um vírus que se transmite até pela semente.
Os sintomas típicos são: manchas cloróticas nas folhas, frutos e 
ramos que debilitam a planta. A sun blotch pode ser transmitida pelo 
pólen, embora em pequena proporção, de 1 a 3%. 
Novas doenças foram estudadas, como um cancro bacteriano, uma 
doença de stem pitting, o black streak, de causa ignorada, e outras 
viroses de etiologia desconhecida, porém potencialmente perigosas 
para a cultura do abacateiro.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BORGES, M. H. C.; MELO, B. Cultura do abacateiro. Disponí-
vel em: < www.fruticultura.iciag.ufu.br>, acesso em 16 de março 
de2007.
El cultivo del aguacate. Disponível em: <www. infoagro.com.>, aces-
174 • ABACATE
so em 16 de março de 2007.
EMBRAPA. Abacate para exportação: aspectos técnico da 
produção. Ministérios da Agricultura, do abastecimento e da refor-
ma agrária, secretaria de desenvolvimento rural, programa de apoio à 
produção e exportação de frutas, hortaliças, flores e plantas ornamen-
tais. Brasília – SPI, 2 ed. 1995. 3p.
MICHEREFF, S. J. Antracnose. Disponível em: <www.ufpel.tche.
br>, acesso em 16 de março de 2007.
MICHEREFF, S. J. Verrugose. Disponível em: <www.ufpel.tche.
br>, acesso em 16 de março de 2007.
SIMÃO, S. Tratados de fruticultura. pág. 236-238. 1998.
PRINCIPAIS PRAGAS DO ABACATEIRO
Luiza Maria de Souza Fernandes1
1- Introdução
A cultura do abacateiro é uma atividade agrícola de grande po-
tencial de exploração em climas subtropicais, tropicais, semi-árido, e 
com excelente adaptação ao solo de cerrado. Entretanto um dos fatores 
determinantes da produção do abacateiro esta relacionado à pragas e 
doenças, que constituem componentes importantes do manejo desta 
cultura
Praga, segundo Houaiss (2001) é qualquer forma de vida animal 
que possa destruir aquilo que o ser humano considera um bem seu.
O conceito agronômico para pragas, é baseado em danos causados 
por insetos a uma cultura com perdas econômicas. 
 O ataque de pragas assim como surgimento de doenças no cultivo 
de abacateiro é favorecido por fatores ambientais tais como: clima 
(temperatura e precipitações pluviométricas) e características físicas 
do solo. A forma de manejo do solo e os tratos culturais do abacateiro 
podem exercer influência no controle de pragas e doenças. 
As principais pragas na cultura do abacate no Brasil são: lagarta 
do fruto ou chamada de broca do fruto, lagarta das folhas, coleobrocas 
e cochonilhas. Em outros países há registro de ataques de ácaros e 
tripes em abacateiro. 
1.1 - Ácaros
A literatura brasileira não cita ataque de ácaros em abacateiro, 
mas em outros paises, como no México, existem referencias aos da-
nos provocados por espécies de ácaros vermelhos. Koller (2002) cita 
as espécies Olioninchus punicae e Paratetraninchus yorthersi. Estas 
espécies atacam as folhas raspando as aberturas estomatais, afetando 
a transpiração e fotossíntese, sendo que em ataques severos as folhas 
podem apresentar coloração marrom roxo, levando a um grande des-
folhamento da planta.
1Bióloga /SEDUC/MT, MSc em Agricultura Tropical, Doutoranda em Horticultura-FCA - UNESP 
176 • ABACATE
Tabela 1 - Principais pragas do abacateiro e conseqüências do 
ataque.
Pragas Espécies Parte atacadas Conseqüências
Ácaros
- Oligoninchus punicae
- Paratetranichus 
yorthersi
Folhas ( raspando 
as aberturas esto-
matais)
Afeta a transpi-
ração e diminui a 
fotossíntese
Besouros
- Sternocolaspis
 quatuordecimcostata
- Costalimaita 
ferruginea vulgata
- folhas novas e 
frutos
-folhas novas
 
- Frutos caem ou 
amadurecem preco-
cemente
- diminuição da 
área foliar
Cocho-
nilhas
- Aspidiotus destructor 
- Protopulvinária 
longivalvata
 
-Folhas
 (pagina inferior )
e frutos
- grande quantidade 
de seiva sugada 
- inoculação de 
substâncias tóxicas
- excremento açu-
carado- atração de 
formigas e fungos. 
Coleo-
brocas
- Apate terebrans
- Acanthoderes jaspi-
dea
- Heillipus cratagra-
phus
-Tronco, ramos 
e especialmente 
frutos
Ramos e galhos 
atacados secam e 
morrem
Os galhos semi-
cerrados secam e 
caem
Lagartas
- Stenoma catenifer 
Wals
- Papilo scamander e 
Saurita cassandra
- Frutos novo e 
desenvolvidos
- Folhas
 
- Frutos novos 
caem e desenvolvi-
dos são comercial-
mente inutilizados
- Sem causar danos 
expressivos 
Fonte: Adaptação de Donadio (1995)
177 pRINCIpAIs pRAGAs •
1.2- Besouros
Sternocolaspis quatuordecimcostata
Descrição: É um besouro de coloração geralmente verde – azulada 
brilhante, apresenta carenas longitudinais nos élitros; as antenas são 
negras azuladas, com 11 segmentos. Os machos medem cerca de 7 mm 
de comprimento e as fêmeas ,10 mm. Após o acasalamento, ela efetua a 
postura no solo, a pouca profundidade, sendo os ovo postos em grande 
número e aglomerados. As larvas vivemno solo e os adultos, após sua 
emergência, atacam a parte aérea das plantas. A época de ocorrência é 
de outubro a fevereiro, com maior intensidade de janeiro a fevereiro.
Prejuízos: Atacam a parte aérea das plantas, o limbo das folhas no-
vas fica perfurado ou totalmente destruído. O ataque mais importante é 
nos frutos verdes que caem ou provocam amadurecimento precoce. 
Costalimaita ferruginea vulgata
Segundo Campos (1984), o adulto tem forma quase elíptica, mede 
5 a 6,5 mm de comprimento e apresenta cor creme amarelada. O be-
sourinho ataca, de preferência, as folhas e frutos relativamente novos, 
danificando-os e causando sérios prejuízos. 
1.3- Cochonilhas
Donadio (1995) descreve varias espécies como pragas do aba-
cateiro as quais são: Aspidiotus destructor, Protopulvinaria longival-
vata, Protopulvinaria pyriformis, Saissetia hmisphaeria. Chysonpha-
lus dictyospermi, Aspidiotus spp. e Dysmicoccus alazan. Tanto Gallo 
eti al. (2002) e koller (2002), destacam somente as duas primeiras 
espécies que merecem atenção. Referenciam como pragas que atacam 
as folhas, sendo que a primeira pode atacar também os frutos.
Descrição: São insetos desprovidos de carapaça, de forma acha-
tada, piriforme, estriada. Coloração vermelho-acastanhada, medindo 
aproximadamente 3 mm de comprimento. Vivem na página inferior 
da folha, em colônias.
Danos: Constante sucção da seiva e inoculação de substâncias 
tóxicas. Devido a eliminação de excrementos açucarados, atraem as 
178 • ABACATE
formigas e fungos causador de fumagina. 
Controle: Segundo Gallo et al. (2002), o controle pode ser feito 
com pulverizações de óleo mineral ou vegetal a 1%, juntamente com 
fosforados sistêmicos ou não. Fazer duas aplicações espaçadas de 20 
dias quando se empregar somente óleo. Koller (2002) acrescenta que 
no período de inverno é conveniente fazer aplicação a 2%. Alerta para 
evitar queimaduras em frutos e folhas novas, devem-se evitar apli-
cações nas horas de maior incidência de luz e quentes do dia. Alerta 
ainda que, antes de iniciar o controle, é importante a observação da 
atuação dos inimigos naturais que existem no meio ambiente dos quais 
se pode relacionar micro himenópteros joaninhas e diversas espécies 
de fungo. 
1.4- Coleobrocas
São besouros que geralmente atacam ramos e troncos do aba-
cateiro, além dos frutos. Segundo Donadio (2002), os besouros podem 
apresentar coloração preta, castanha ou cinza. Entre as espécies pra-
gas de importância econômica no Brasil destacam-se Apate terebrans, 
Acanthoderes jaspidea e Heeillipus cratagraphus.
A espécie Apate terebrans apresenta coloração preta, com élitros 
finamente pontuados. Medem aproximadamente 25 mm de compri-
mento e têm antenas pequenas. Suas larvas são esbranquiçadas, do 
tipo escarabeiforme. Abrem galerias nos ramos e troncos do abacateiro, 
dentro das quais vivem os adultos.
Acanthoderes jaspidea
São besouros de coloração cinza-escura com pontos e manchas 
marrons sobre o élitro. Medem aproximadamente 25 mm de compri-
mento, com antenas longas. A fêmea deposita um ovo no ramo e em 
seguida, faz uma incisão anelar logo abaixo em direção ao tronco, 
cortando totalmente a casca e boa parte do lenho. Após alguns dias, 
o galho serrilhado seca, condições indispensáveis às larvas que só se 
desenvolvem em madeiras secas, que caem facilmente ao solo. Nele 
as larvas se desenvolvem ate chegar ao adulto. As larvas são esbran-
quiçadas, ápodas. 
179 pRINCIpAIs pRAGAs •
Heillipus cratagraphus
É um curculionídeo, no estágio adulto mede 17 mm de compri-
mento, de coloração castanho-escura. Com habito de fazer perfurações 
nas cascas dos galhos e tronco, coloca seus ovos, um em cada orifício. 
As larvas se desenvolvem abaixo da casca denunciando sua presença 
pela serragem expelida e por um liquido branco que escorre dos ori-
fícios. Suas larvas são de coloração creme e cabeça escura, não têm 
patas, podendo atingir 16 mm de comprimento. 
Controle: A população A. jaspidea pode ser controlada pelo re-
colhimento sistemático e queima dos ramos serrados à medida que 
caem no chão. 
As outras duas espécies também podem ser controladas através 
da poda (bem abaixo da região atacada)dos ramos secos e queima do 
material podado.
Segundo Simão (1998) e Koller (2002), o controle pode ser feito 
através de pulverização de inseticida fosforado e fosfina em pasta nos 
orifícios feitos pela broca. O segundo autor alerta que o uso freqüente 
e indiscriminado de inseticidas além de ser caro pode provocar o dese-
quilíbrio biológico, favorecendo o aparecimento de outras pragas, não 
condenando o uso, mas o indicando apenas em casos em casos espe-
ciais e no momento propício em que ocorre a postura, ocasião em que 
as coleobrocas são vulneráveis.
1.5- Lagartas ou broca dos frutos
Este inseto tem sido relatado como uma das pragas mais impor-
tantes na cultura do abacateiro, trazendo sérios prejuízos tanto a nível 
internacional como nacional. Em diversas regiões de São Paulo e 
Paraná nos últimos anos, a cultura do abacate vem sofrendo crescentes 
e severos ataques da broca, Stenoma catenifer (Wals.) causando sérios 
prejuízos ( Medina, 1978; Hohmann & Meneguim,1993).
Stenoma catenifer é a principal praga do abacateiro (Persea ameri-
cana Mill.) na região Neotropical, sendo registrada desde o México até 
o norte da Argentina. No Brasil, ocorre nas principais regiões produ-
toras, incluindo o Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo 
(Medina 1978).
O ataque desta praga ocorre desde o estagio inicial de desenvolvi-
180 • ABACATE
mento dos frutos, acarretando queda prematura e depreciando o valor 
comercial dos mesmos.
O adulto é uma mariposa, cujas asas são de coloração branca palha 
a esverdeada, classificada como Stenoma catenifer. O adulto faz uma 
pequena ranhura na casca onde deposita seus ovos, dando origem a 
lagartas, as quais logo penetram no fruto brocando a polpa em direção 
a semente, da qual se alimenta. Na fase mais adiantada de crescimento 
a broca expele para fora seus excrementos pela galeria aberta na polpa. 
Quando bem desenvolvida, mede aproximadamente 15 mm de com-
primento, cor cinza esverdeada com estrias transversais cor de rosa 
sobre o dorso. 
Os ovos de S. catenifer são colocados isoladamente, próximos ao 
pedicelo do abacate (Hohmann et al. 2000). Após a eclosão, as lagartas 
penetram nos frutos, alimentando-se inicialmente da polpa e posterior-
mente podem atingir a semente (Hohmann et al. 2000). O ataque pode 
ocorrer também em galhos novos e pedúnculos de frutos pequenos, por 
meio de galerias próximas à casca (Wille 1952). Os danos provocados 
pela broca-do-abacateiro variam em função da cultivar, do ano, do 
local e do manejo da cultura, podendo haver perdas totais (Hohmann 
& Meneguim 1993). Ventura et al. (1999) observaram que a cultivar 
Beatriz é mais suscetível ao ataque da broca em relação à 'Margarida', 
embora ambas possam apresentar, no final do ciclo, perdas próximas 
de 97 e 81%, respectivamente.
A distribuição vertical de S. catenifer em abacateiro ainda existem 
poucos estudos, embora sejam essenciais para a compreensão do com-
portamento relacionado ao ataque e estabelecimento de estratégias 
de controle desta praga. Características da planta tais como altura e 
arquitetura, podem ser limitantes para a eficácia dos inseticidas uti-
lizados, desde que os pulverizadores disponíveis não propiciam boa 
cobertura dos frutos, especialmente daqueles encontrados na parte 
superior (Hohmann et al. 2003). Por outro lado, o controle cultural 
tem sido citado como complementar ao químico, e se baseia na coleta 
dos frutos infestados localizados nas plantas de abacate e no chão, e 
posterior destruição dos mesmos (Gallo et al. 2002). 
Nava et al. (2006), estudando a distribuição vertical, os danos e 
verificando o efeitodo ensacamento dos frutos infestados na sobre-
vivência de S. catenifer, em um pomar comercial de abacate, obser-
181 pRINCIpAIs pRAGAs •
varam que ao longo da safra 2002/2003 a queda de frutos, devido ao 
ataque da broca, ocorreu em três épocas. A primeira no final de março 
e início de abril, a segunda no mês de julho e a terceira no final da 
safra agrícola, no mês de agosto. Essas perdas, apesar de variáveis, 
foram crescentes ao longo da safra, sendo registradas quedas de até 6% 
nos frutos em uma única quinzena. Assim, de março a agosto, a perda 
acumulada foi de 27%, correspondendo a 1/4 da produção. Quanto 
ao ataque em relação a altura, o número de frutos infestados por S. 
catenifer, nas alturas inferior, média e superior foi de 2,7; 4,1 e 0,7; 
correspondendo a 35,6; 54,5 e 9,8%, do total coletado.
Controle: O controle é dificultado pela falta de técnicas eficientes 
de monitoramento e pela inexistência de inseticidas registrados para 
combater a praga. Nos últimos anos vem sendo conduzidos trabalhos 
de medidas alternativas de controle como a catação e destruição de 
frutos caídos. Isso impede que a praga complete seu ciclo no solo, 
reduzindo as populações das gerações seguintes. Uma outra medida 
alternativa é presença de outra cultura mesmo que seja erva daninha, 
aumentando a diversidade de plantas e insetos hospedeiros, permitindo 
assim o estabelecimento de vários grupos de inimigos naturais que 
podem contribuir na redução da população de S. catenifer. Os inimi-
gos naturais mais freqüentes são citados os parasitóides de lagartas 
pertencentes às famílias Ichneumonidae (Eudeldeboea costa neto) e 
Braconidae (Apanteles desantisi), segundo Hohmann & Meneguim 
(2006), estes parasitóides apresentam níveis de parasitismo próximo 
de 10% e que a presença de nematóides entomopatogênicos em cerca 
de 18% dos espécimes coletados. 
Estudos conduzidos no Norte do Paraná para avaliar a tendência de 
ataque da broca por cultivares de abacate, como também a eficiência 
de inseticidas piretroides no controle de S. catenifer. Foi observado 
por Hohmann et al. (2000), que todos os piretróides utilizados foram 
eficientes no controle apresentando alta redução de danos ocasionados 
pela praga em estudo, esta eficiência de controle foi acima de 93%, 
em comparação com a testemunha, mesmo quando reduziu a dose de 
um dos piretroides (deltametrina) em cerca de 30%. 
182 • ABACATE
Tabela 2 - Avaliação da eficiência de piretróides no controle de 
Stenoma catenifer em abacateiro variedade Margarida. 
Ingredientes
ativo
Dose
 (g i.a./100l água)
Eficiência de
controle (%) 1,2
Porcentagem 
media cumulativa 
de frutos atacados
Cipermetrina 
(200 CE) 6,00 94 2,28
Deltametrina
 (25 CE) 1,75 99 0,32
Fenvalerato
 ( 750 CE) 37,50 98 0,88
Permetrina
 ( 384 CE) 19,20 97 1,16
Testemunha - - 39,07
Fonte- Hohmann et al.(2000)
1 Habbot (1925)
2 Nove pulverizações (dezembro-91 a junho-92
Esta praga tem provocado o uso abusivo de inseticida ou abandono 
da cultura. Falta pesquisa para determinar uma maneira de controle 
desta praga que se torne viável ao produtor, pesquisas de controle 
integrado, utilizando controle biológico e técnicas de manejo para per-
manência de inimigos naturais, uso de feromônio e outras práticas para 
que venha diminuir a incidência e reinfestaçao da praga. 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CAMPOS,J.S. Cultura Racional do Abacateiro. Campinas: Ícone, 
1984
DANADIO, Luiz Carlos. Abacate para exportação: aspectos técnicos 
da produção. 2 ed. Brasília: EMBRAPA - SPI,1995. p.31-32.
GALLO, D.; NAKANO O.; SILVEIRA NETO S.; CARVALHO 
R.P.L.; BATISTA G.C.; BERTI FILHO, E.; PARRA J.R.P.; ZUCCHI 
183 pRINCIpAIs pRAGAs •
R.A.; ALVES S.B.; VENDRAMIM, J.D.; MARCHINI, L.C.; LOPES 
J.R.S. & OMOTO C.. Entomologia agrícola. Piracicaba: FEALQ, 
2002. 920p. 
HOHMANN, C.L.; SANTOS, W. J.dos; MENEGUIM, A.M. Avalia-
ção de técnicas de manejo para controle da broca-do-abacate, Steno-
ma catenifer (Wals) (Lepidopptera: oecophoridae). Revista Brasilei-
ra de Fruticultura. Jaboticabal, v. 22,n.3, p.359-363, 2000.
HOHMANN, C.L.; MENEGUIM, A.M. Observações preliminares 
sobre a ocorrência da broca-do-abacate, Stenoma catenifer Wals. no 
Estado do Paraná. Anais da Sociedade Entomológica do Brasil, 
Viçosa, 1993 v. 22, p.417-419.
HOHMANN, C.L., MENEGUIM, A.M.; ANDRADE, E.A.; NO-
VAES T.G. & ZANDONÁ, K.. The avocado fruit borer, Stenoma 
catenifer Wals. (Lepidoptera: Elachistidae) egg and damage distribu-
tion and parasitism. Rev. Bras. Frutic. 25: 432-435, 2003.
KOLLER, O.C. ABACATICULTURA. Porto Alegre. Ed. Da Uni-
versidade UFGRS, 1984. 138p.417.
KOLLER, O. C. Abacate: produção de mudas, instalação, manejo 
de pomares, colheita e pós – colheita. Porto Alegre: Cinco Conti-
nentes, 2002. 
MEDINA, J. C. Abacate: da cultura ao processamento e comerciali-
zação. Ital. Campinas, 1978. 73p. ( Série Frutas tropicais).
NAVA, D. E.; PARRA, J. R.P.; BENTO, J. M.S.; DIEZ-RODRI-
GUEZ, G. I.; HADDAD, Marinéia L. Distribuição vertical, danos 
e controle cultural de Stenoma catenifer Walsingham (Lepidoptera: 
Elachistidae) em pomar de abacate. Neotropical Entomology. Lon-
drina v.35 n.4, 2006.
SIMÃO, Salim.Tratado de fruticultura. Piracicaba: FEALQ,1998.
184 • ABACATE
Ventura, M.U.; DESTRO U.D.; LOPES E.C.A. & MONTALVÁN R. 
Avocado moth (Lepidoptera: Stenomidae) damage in two avocado 
cultivars. Fla. Entomol. 1999 82: 625-630. 
WILLE, J.E. Entomologia agrícola del Perú. Estación Experimental 
Agrícola. La Molina, 1952. Publicación Especial, 543p. 
COLHEITA DO ABACATE
Gláucia Cristina Moreira1
Douglas Seijum Kohatsu2
A colheita apresenta como principais objetivos à retirada dos 
produtos do campo em níveis adequados de maturidade, com um 
mínimo de dano ou perda, com a maior rapidez possível e com um 
custo mínimo (CHITARRA e CHITARRA, 2005).
Ponto de colheita, ou de “maturação fisiológica” é o momento ou 
época em que o desenvolvimento fisiológico do fruto atingiu um está-
gio tal, que a polpa do fruto, após colhido, amolece apropriadamente 
e adquire um sabor mínimo aceitável (KOLLER, 2002).
Segundo Chitarra e Chitarra (2005), maturidade fisiológica refere-
se ao estádio de desenvolvimento da fruta, no qual ocorrem o cresci-
mento máximo e a maturação adequada, para que a ontogenia continue 
após a colheita. 
A identificação do ponto de colheita é difícil porque, em geral, a 
polpa dos abacates não amolece, enquanto os frutos permanecem na 
árvore. A maturação completa, tornando os frutos aptos para o con-
sumo, só ocorre alguns dias após a colheita (KOLLER, 2002).
Nas variedades das raças antilhana e mexicana, os frutos caem 
um a dois meses, após atingida a maturação fisiológica e então, a 
polpa amolece rapidamente, dentro de um a três dias, restando pouco 
tempo para a comercialização, até chegarem às mãos do consumidor. 
Por outro lado, em cultivares guatemalenses ou híbridos, como Hass 
e Ouro Verde, os frutos podem permanecer nas árvores, aptos para a 
colheita, durante um período de até 6 meses (KOLLER, 2002).
Para que o produtor não venha a ter prejuízos econômicos, o ideal 
é não deixar que os frutos amadureçam completamente nas árvores. 
Se os frutos amadurecerem nas árvores, ao caírem no chão, sofrem 
injúrias, não permitindo seu manuseio, transporte e por conseqüência, 
sua comercialização. 
Segundo Chitarra e Chitarra (2005), todas as frutas, com algumas 
exceções como o abacate e a banana, atingem sua melhor qualidade 
comestível quando amadurecem na planta. 
1Eng. Agrônoma, Doutoranda pelo Departamento de Produção Vegetal-Horticultura, Faculdade de Ciências 
Agronômicas/FCA/UNESP – Cx. P. 237 – CEP 18610-307 - Botucatu, SP – gcmoreira@fca.unesp.br
2Eng. Agrônomo, Doutorando pelo Departamento de Produção Vegetal-Horticultura,Faculdade de Ciências 
Agronômicas/FCA/UNESP – Cx. P. 237 – CEP 18610-307 - Botucatu, SP – kohatsu@fca.unesp.br
186 • ABACATE
Os frutos de certas cultivares, entretanto, mesmo após o completo 
desenvolvimento fisiológico, podem permanecer na árvore durante 
algum tempo (dias ou semanas), sem que a sua qualidade interna e 
externa se altere. Isso ocorre, em geral, na época em que a temperatura 
da região do pomar está sob controle. Essa característica é observada 
principalmente nos cultivares Hass, Prince e Wagner (BLEINROTH, 
1995).
Figura 1 – Abacate em ponto de colheita (“maturação fisiológica”).
 (Foto: Gláucia Cristina Moreira)
Segundo Bleinroth (1995), para a determinação do ponto de co-
lheita do abacate, tem-se recorrido a vários parâmetros, tais como: 
1. Aderência do pedúnculo: é considerada em parte, como um 
índice de maturação. A aderência do pedúnculo é tanto maior quanto 
mais verde for o fruto. Quando este amadurece, o pedúnculo se des-
prende facilmente.
2. Coloração da casca: em geral, a cor da casca do abacate apre-
senta–se brilhante enquanto o fruto está verde. À medida, porém, que 
este vai amadurecendo, ela vai tornando-se opaca. Neste estádio a 
maturação se completa em menos de sete dias. Poucas variedades de 
abacate apresentam casca de cor púrpura na maturação. A maioria sofre 
pouquíssimas mudanças na cor da casca, o que dificulta o reconheci-
187 COLhEITA DO ABACATE •
mento do ponto ideal de colheita. Há cultivares que, quando maduros, 
apresentam casca verde, mas têm em sua superfície pequenas manchas 
ou pontos de cor marrom ou amarela.
3. Característica da polpa: para verificá-la, deve tomar-se alguns 
frutos bem desenvolvidos, localizados no lado da copa que não é 
atingida pelos raios solares. A polpa desses frutos deve ter uma cor 
verde-clara uniforme. A coloração desuniforme ou esbranquiçada in-
dica que o fruto está muito verde. Este, quando colhido, não amadurece 
em boas condições para o consumo.
4. Revestimento do caroço: o caroço do abacate, quando o fruto 
ainda está verde, encontra-se recoberto por um tegumento carnoso, 
espesso, de cor branca. Com o início do processo de maturação, esse 
tegumento diminui de espessura e adquire uma coloração marrom. Este 
índice, entretanto, não deve ser tomado com absoluta segurança, uma 
vez que nas análises realizadas nos frutos verdes de diversas variedades 
foi constatada a presença dessa película marrom em distintas épocas. 
Frutos que se desenvolveram sob condições de insolação excessiva e 
em conseqüência sofreram danos pelo calor, ou frutos armazenados 
sob condições impróprias, também apresentam a película do caroço 
com coloração marrom.
5. Peso e volume: conhecido o peso do fruto de cada cultivar 
pode-se pela calibração do seu diâmetro, obter uma medida indicativa 
para a colheita. 
6. Densidade do fruto: este método de determinação da maturação 
é simples, rápido e não causa danos aos frutos. Consiste na determina-
ção do seu peso específico real, cujos valores decrescem com a matu-
ração. Em geral, nos frutos verdes, esses valores situam-se entre 1,02 
e 0,95 g/cm3, e nos maduros, entre 0,90 e 0,85 g/cm3. Variações muito 
grandes podem ocorrer nessa determinação, que não dependem apenas 
da composição do fruto, mas também das diferenças de tamanho do 
caroço e da sua cavidade. Frutos com caroço solto têm baixa densi-
dade. Já se demonstrou que o pericarpo varia menos de densidade do 
que o fruto inteiro.
7. Resistência da polpa: a aferição da resistência ou da textura da 
polpa é feita com a ajuda do penetrômetro, que é introduzido na polpa 
do fruto, através da sua punção, após a remoção da casca. São feitas 
de duas a três medidas por fruto. Como durante o desenvolvimento 
188 • ABACATE
fisiológico o abacate tende a perder umidade, há o endurecimento gra-
dativo da polpa, cuja resistência à penetração aumenta, provocando 
a elevação desse índice. Completado o desenvolvimento inicia-se a 
fase seguinte que é o amadurecimento do fruto, quando então a sua 
consistência começa a diminuir.
8. Teor de óleo: o conteúdo de óleo do abacate é, de um modo 
geral, o critério mais utilizado para se determinar a maturação do fruto, 
principalmente nos países exportadores. Alguns países admitem como 
índice de maturação do abacate um mínimo de 4 a 10% a menos do teor 
de óleo do fruto completamente maduro, segundo cultivar e o usam 
como indicativo para a colheita. De acordo com a California Avocado 
Standard Bill, para que o abacate seja colhido, seu teor de óleo deve 
ser, no mínimo, de 8% do seu peso. Esse regulamento, entretanto, não 
foi estabelecido só para determinados tipos de abacate; abrange todos 
as cultivares existentes, alguns dos quais possuem um teor muito baixo 
de óleo, mesmo quando completamente maduros. Este fator, portanto, 
não é considerado como um índice satisfatório de referência para que 
se proceda à colheita dos frutos.
Segundo Chitarra e Chitarra (2005), a maturidade do abacate pode 
ser testada pelo teor de óleo ou colhendo-se algumas frutas para testar o 
amadurecimento. As frutas imaturas não amaciam e nem amadurecem 
adequadamente, já as frutas maturas, amadurecem entre 3 e 5 dias a 
27ºC e em 30 a 40 dias a 4ºC.
Há uma boa correlação entre o teor de óleo e o peso seco, podendo-
se utilizar esse último como índice de maturidade mínima (CHITAR-
RA e CHITARRA, 2005).
O caroço começa a diminuir com o avanço da maturação, até a 
maturidade completa, quando ele se torna solto, sendo percebido por 
agitação da fruta. Essa prática não é aconselhável por provocar danos 
internos ao produto (CHITARRA e CHITARRA, 2005).
Segundo Blumenfeld et al. (1991), existem vários indicadores 
do ponto de colheita, porém nenhum deles, por si só, é perfeito, tais 
como:
- o tempo necessário para o amolecimento da polpa diminui com o 
avanço da maturação fisiológica do fruto, podendo-se então, colher fru-
tos testes, para verificar se o tempo de amadurecimento é adequado;
- a determinação dos teores de óleo e de matéria seca da polpa 
189 COLhEITA DO ABACATE •
aumenta com o avanço da maturação fisiológica, podendo ser usados 
como indicadores do ponto de colheita, mas eles variam de uma cul-
tivar para outra;
- a época em que normalmente ocorre a colheita, em determinada 
região, também é um indicador, mas para a mesma cultivar ela pode 
variar mais de 3 semanas de um ano para outro;
- o tamanho e o peso característico dos frutos de cada cultivar é 
outro critério que pode ser usado, porém ele pode variar com a carga 
de frutos e com as condições climáticas.
Chitarra e Chitarra (2005) citam que, na Califórnia/EUA, durante 
muitos anos, utilizou-se um teor mínimo de óleo no abacate como 
padrão de maturidade, mas esse índice mostrou-se insatisfatório, uma 
vez que alguns cultivares, mesmo apresentando teor de óleo acima do 
mínimo requerido, tinham qualidade organoléptica insatisfatória. Por 
meio de um painel de avaliação sensorial para determinar a qualidade 
da fruta, constatou-se que o padrão de crescimento do abacate pode 
ser usado não apenas para determinar a época na qual a maturidade 
mínima aceitável é atingida, como também, permite estabelecer a data 
da colheita. 
Os teores mínimos de óleo para o início da colheita, foram deter-
minados na Califórnia/EUA, por Ranney et al. (1991), como sendo os 
seguintes: Bacon, 18,5%, Fuerte, 19,9%, Gwen, 25,9%, Hass, 21,6%, 
Pinkerton, 23,0%, Reed, 19,8% e Zutano, 18,8%.
Outro fator que pode ser utilizado para indicar o ponto de colheita 
é a força de retenção do fruto ao pedúnculo (FRF). A força necessária 
para destacar o fruto do pedúnculo diminui conforme o decorrer da 
maturação fisiológica.
Koller (2002), cita que em poucas cultivares, como Hass e Gwen, 
ao atingirem o ponto de colheita,os frutos começam a apresentar colo-
ração roxa na casca.
Segundo Chitarra e Chitarra (2005), uma série de fatores deve ser 
levada em consideração, durante e após a colheita. Por exemplo, o es-
tabelecimento do período em que será realizada. Colheitas após chuvas 
pesadas devem ser evitadas, devendo ser realizadas nos períodos mais 
frios do dia, usualmente no período da manhã. Os frutos não devem 
ser colocados diretamente no solo, nem ficarem expostos às condições 
climáticas ambientais. Os frutos que permanecem descobertos no cam-
190 • ABACATE
po podem adquirir temperatura interna muito elevada, adversa à sua 
conservação. O sucesso de uma boa colheita está relacionado com 
uma coordenação eficiente das operações, da disponibilidade de mão-
de-obra treinada, transporte, operações nas centrais de embalagem e 
demanda de mercado.
Ao realizar a colheita deve-se tomar o máximo de cuidado para 
evitar que os frutos sofram qualquer tipo de injúrias. Se a colheita não 
for bem feita e ocorrer um ferimento na casca, por exemplo, o fruto 
se torna vulnerável à entrada de fungos e consequentemente, ocorre a 
podridão dos mesmos, tornando-os impróprios para a comercialização. 
Essas injúrias também são responsáveis pela aceleração no amadure-
cimento dos frutos, diminuindo, portanto, sua vida útil.
A supervisão das operações de colheita e do manuseio no campo 
deve ser cuidadosa visando proteger os produtos dos danos mecânicos, 
os quais podem resultar de quedas do produto nas cestas ou sacos de 
colheita, batidas dos contêineres contra as superfícies, transferência 
do produto das caixas de campo para os contêineres e superenchi-
mento desses últimos. Cada pequena queda ou impacto é cumulativo 
e contribui para a redução da qualidade final do produto (CHITARRA 
e CHITARRA, 2005).
Segundo Sanches et al. (2007), as lesões mecânicas, durante o 
manejo na colheita e pós-colheita, são responsáveis por perdas sig-
nificativas durante a distribuição e comercialização. Elas afetam dire-
tamente a aparência externa, que é um dos mais importantes atributos 
de qualidade das frutas e é o principal fator de rejeição pelo consu-
midor.
As injúrias mecânicas são definidas como deformações plásticas, 
rupturas superficiais e destruição dos tecidos vegetais, provocadas por 
forças externas. Adicionalmente, levam a modificações físicas (danos 
físicos) e/ou alterações fisiológicas, químicas e bioquímicas que modi-
ficam a cor, o aroma, o sabor e a textura dos vegetais (MOHSENIN, 
1986). 
A suscetibilidade ao dano mecânico é influenciada por vários fa-
tores, como espécie, cultivar, grau de hidratação celular, estádio de 
maturação, tamanho, peso, características epidérmicas e condições 
ambientais (WADE e BAIN, 1980; KAYS, 1991). 
As injúrias mecânicas em frutas são geralmente acompanhadas 
191 COLhEITA DO ABACATE •
por elevado número de respostas fisiológicas. Quando tecidos vegetais 
são lesionados, ocorre elevação na atividade respiratória e na produção 
de etileno, algumas vezes dentro de poucos minutos, mas usualmente 
dentro de uma hora (ABELES et al., 1992; BRECHT, 1995). O etileno 
acelera a deterioração e a senescência dos tecidos vegetais e promove 
o amadurecimento de frutos climatéricos, levando as diferenças na 
idade fisiológica entre os tecidos intactos e os feridos (WATADA et 
al., 1990).
Injúrias mecânicas podem causar alterações na síntese de pig-
mentos de alguns frutos, tornando-os inviáveis à comercialização 
(SANCHES et al., 2007).
No caso do abacate, os danos externos não levam ao efeito ime-
diato e somente quando a fruta amadurece, a polpa se apresenta, parcial 
ou totalmente, escura. A queda durante a colheita, a colocação das 
frutas nas embalagens e o modo como são transportadas são algumas 
das operações que lhes têm causado danos mecânicos, comprometendo 
sua qualidade (BLEINROTH e CASTRO, 1992). 
 
Figura 2 – Abacate apresentando injúria mecânica.
 (Foto: Gláucia Cristina Moreira).
192 • ABACATE
A colheita de abacates requer muitos cuidados na manipulação, 
acondicionamento e transporte dos frutos até o local de beneficiamento 
e embalagem. Isso, aliado ao grande tamanho e peso dos frutos, bem 
como os galhos quebradiços e a grande altura das árvores, as vezes 
superior a 6 ou 7m, torna a colheita como uma das atividades mais 
custosas da abacaticultura (KOLLER, 2002).
Os abacates jamais devem ser colhidos sem o pedúnculo. Pelo 
contrário, parte deste deve acompanhar o fruto na colheita. É impor-
tante deixar o pedúnculo para evitar a entrada de fungos nos frutos. 
Posteriormente apara-se o excesso do pedúnculo com uma tesoura de 
poda ou uma faca afiada, para facilitar o acondicionamento na embala-
gem. Constatou-se que em pomares comerciais, o índice de ferimentos 
causados nos frutos pelo contato com o pedúnculo de outros frutos 
chega a ser relativamente alto, por não se tomarem os devidos cuidados 
na hora da colocação dos frutos nas caixas e não se aparar o excesso 
do pedúnculo (BLEINROTH, 1995).
Durante as operações de colheita deve-se manter um padrão de 
higiene no campo. Os produtos não desejáveis para o mercado de-
vem ser removidos. A colheita deve ser realizada na época certa e 
com seleção imediata do produto para possibilitar as operações sub-
seqüentes. Pode-se ainda deixar o produto descartável na planta du-
rante a primeira operação e em seguida, fazer a operação de limpeza 
(CHITARRA e CHITARRA, 2005).
Figura 3 - Detalhe da classificação e corte de parte do pedúnculo dos frutos de 
abacate cv. Hass na Fazenda Jaguacy, Bauru (SP).(Foto: Vítor Carvalho)
193 COLhEITA DO ABACATE •
Figura 4. Embalamento dos frutos em caixas de papelão ondulado para 
exportação na Fazenda Jaguacy, Bauru (SP). 
 (Foto: Vítor Carvalho)
Em nenhuma circunstância o produto rejeitado deverá permanecer 
no solo por períodos longos de tempo, por ser tornar uma fonte de 
infecção aos produtos sadios. Preferivelmente, o material que poderá 
ocasionar alguma infecção deverá ser destruído. A limpeza adequada 
dos instrumentos e equipamentos utilizados na colheita e manuseio 
é também de importância fundamental (CHITARRA e CHITARRA, 
2005).
Primeiro, são colhidos os frutos mais baixos, ao alcance das mãos, 
pelo corte do pedúnculo, rente à casca do fruto. De imediato, operários 
habilidosos sobem na árvore e colhem os frutos que estão mais próxi-
mos de galhos grossos e resistentes no interior da copa. Para colher os 
frutos da periferia da copa (entre 2 a 4 m de altura) é possível utilizar 
escadas com tripé, que não necessitam ser apoiadas nos galhos, desde 
que elas sejam apropriadamente fixadas sobre o solo. Finalmente, os 
frutos mais altos podem ser colhidos, subindo-se em escadas de apoio, 
feitas de metal ou madeira leve e resistente, cuja base é larga, e a ex-
tremidade superior deve ser apoiada firmemente em galhos suficiente-
mente resistentes para não quebrarem (KOLLER, 2002).
A colheita que emprega varas ou ganchos com os quais se bate nos 
194 • ABACATE
frutos para derrubá-los da árvore deve ser totalmente abolida. Utilizan-
do-se, em seu lugar, escadas e tesouras apropriadas, ou “apanhadores 
de saco” (BLEINROTH, 1995).
Os frutos mais altos também podem ser colhidos com o auxílio de 
varas longas e leves, na ponta das quais se fixa uma sacola de lona, com 
a boca presa a um pequeno arco metálico. O fruto é ensacado através 
de um movimento adequado: um dispositivo existente na borda do 
saco corta ou quebra o pedúnculo; a seguir a ponta da vara é baixada 
até o solo, recolhendo-se o fruto (KOLLER, 2002).
Esse processo de colheita com vara é demorado. Talvez ele possa 
ser agilizado, substituindo a sacola por um tubo de lona ou de pano, 
com diâmetro superior ao do fruto, o qual, após destacado da árvore,escoa suavemente pelo tubo, até ele ser aparado e recolhido por um 
operário que o apanha. Assim, vários frutos podem ser colhidos, um 
após outro, sem necessidade de baixar a ponta superior até o nível do 
solo (KOLLER, 2002).
Para retirar os frutos que se encontram nas partes mais altas das 
árvores são utilizados “apanhadores de saco”, que consistem em longas 
varas de bambu (aproximadamente quatro metros de comprimento) 
providas na extremidade de uma sacola de tecido resistente presa a um 
aro de ferro de ¼”, com cerca de 20 cm de diâmetro e que tem no ex-
tremo oposto à vara uma lâmina de metal cortante de aproximadamente 
cinco centímetros. Este colhedor é o mais recomendado. O outro tipo 
consiste em um aro de chapa de ferro de 1/16” dotado de saliências na 
sua borda em forma de dentes, as quais permitem encaixar o pedúnculo 
e, com um puxão, destacar o fruto do galho. Este tipo de colhedor, en-
tretanto, causa danos mecânicos aos frutos. No sistema recomendado, 
o operário introduz na sacola o fruto a ser colhido e com um puxão 
dado à vara secciona o pedúnculo com lâmina cortante do apanha-
dor. Convém sempre que o pedúnculo seja cortado com o máximo de 
comprimento possível. Um colhedor prático é capas de colher, por dia, 
cerca de 900 Kg de abacate ou o correspondente a 30 caixas de colheita 
ou 45 caixas de mercado (caixa M) (BLEINROTH, 1995).
Após serem colhidos da planta, os frutos são depositados numa 
cesta, ou num saco de colheita de fundo falso, da qual eles podem ser 
escoados suavemente para o interior de um “bin” ou caixa de colheita, 
de forma semelhante à colheita de frutas cítricas (KOLLER, 2002).
195 COLhEITA DO ABACATE •
Na Califórnia/EUA, onde o custo da mão-de-obra é alto, já estão 
sendo usadas máquinas acopladas a reboques, que se deslocam entre 
as linhas de árvores e que são providas de um pequeno guindaste, 
extremamente móvel, em todas as direções, na extremidade superi-
or do qual se acomoda um operário dentro de um recipiente, onde 
ele deposita os frutos que colhe, até transferi-los mais tarde para um 
“bin”. Essa máquina é provida de 4 sapatas hidráulicas, duas de cada 
lado, que permitem fixá-la firmemente ao solo, inclusive em terrenos 
bastante íngremes. Evidentemente que, com apenas uma pessoa fa-
zendo a colheita manualmente, o custo operacional de uma máquina 
desse tipo é muito alto em países, onde os salários pagos a operários 
são tão baixos como no Brasil (KOLLER, 2002).
Após a colheita as frutas devem ser imediatamente levadas para 
o packing house, onde serão submetidas a tratamento fitossanitário, 
seleção, classificação, embalagem e armazenamento, para em seguida 
serem transportadas e comercializadas.
Figura 5 – Frutos com aparência externa ideal para comercialização.
 (Foto: Gláucia Cristina Moreira).
196 • ABACATE
REFERÊNCIAS BIBILIOGRÁFICAS
ABELES, F.B.; ; MORGAN, P.W.; SALTWEIT, M.E. Ethylene in 
plant biology. 2ª ed. San Diego: Academic Press, 1992. 
BLEINROTH, E.W. Colheita e tratamentos. In: GAYET, J.P. et al. 
(Ed.). Abacate para exportação: procedimentos de colheita e pós-
colheita. Brasília: Embrapa- SPI, 1995. p. 10-13.
BLEINROTH, E.W.; CASTRO, J.V. de. Matéria-prima. In: ITAL. 
Abacate: cultura, material-prima, processamento e aspectos econômi-
cos. 2.ed. Campinas: ITAL, 1992. p.58-148.
BLUMENFELD, A.; OFFER, R.; ELIMELECH, M.; DEGANI, C. 
et al. Avocado fruit maturation and criteria for harvest. In: WORDL 
AVOCADO CONGRESS, 2o, 1991, Orange. Proceddings. Orange: 
University of California, Riverside and California Avocado Society, 
Saticoy, 1991. v.II, p.489.
BRECHT, J.K. Physiology of lightly processed fruits and vegetables. 
HortScience, Alexandria, v. 30, n.1, p. 18-22, 1995.
CHITARRA, M.I.F.; CHITARRA, A.B.C. Pós-colheita de frutas e 
hortaliças: fisiologia e manuseio. 2 ed. revisada e ampliada. Lavras: 
UFLA, 785 p., 2005.
KAYS, J.S. Postharvest physiology of perishable plant products. 
New York: Van Nostrand Reinhold, 1991. 453p.
KOLLER, O. C. Abacate: produção de mudas, instalação, manejo de 
pomares, colheita e pós-colheita. Porto Alegre: Cinco Continentes, p. 
127-139, 2002. 
MOHSENIN, N.N. Physical properties of plant and animal mate-
rials: structure, physical characteristics and mechanical properties. 
New York: Gordon and Breach, 2º ed., 1986, 891p.
197 COLhEITA DO ABACATE •
RANNEY, C.A.; GILETTE, G.; BRYDON, A.; et al. Physiological 
maturity and percent dry matter of California avocado. In: SECOND 
WORLD AVOCADO CONGRESS, II, 1991, Orange. Proceedings. 
Orange: University of California, Riverside and California Avocado 
Society, Saticoy, v.II, p.379-385, 1991.
SANCHES, J.; DURIGAN, J.F.; SANTOS, J.M. Utilização da mi-
croscopia eletrônica como varredura como ferramenta de avaliação 
da estrutura do tecido de abacate ‘Quintal’ após danos mecânicos. 
Revista Brasileira de Fruticultura, Jaboticabal, v.29, n.1, p. 057-
060, 2007.
WADE, N.L.; BAIN, J.M. Physiological and anatomical studies of 
surface pitting of sweet cherry fruit in relation to bruising, chemical 
treatments and storage conditions. Journal of Horticultural Science, 
Ashford, v.55, n.4, p.375-384, 1980.
WATADA, A.; ABE, K.; YAMAUCHI, N. Physiological activities of 
partially processed fruits and vegetables. Food Technology, Chicago, 
v.20, p. 166-122, 1990.
PÓS-COLHEITA DO ABACATE
Douglas Seijum Kohatsu1 
Gláucia Cristina Moreira2
INTRODUÇÃO
O abacate (Persea americana) é um fruto climatérico caracteri-
zado por alta taxa de produção de etileno (JEONG et al., 2002) propor-
cionando um rápido amadurecimento, aproximadamente 5 a 7 dias 
após a colheita (SEYMOUR e TUCKER, 1993). Contudo, o etileno 
não é o único hormônio vegetal responsável por este processo, o ácido 
abscísico (ABA) parece desempenhar um papel chave no amadureci-
mento. Lieberman et al. (1977) mostraram aumento no etileno após 
aplicação de ABA antes do pico climatérico.
A auxina parece atuar de diversas maneiras, estimulando a síntese 
de etileno em figos (MAXIE e CRANE, 1967) e atrasando o amadure-
cimento em peras (FRENKEL e DYCK, 1973). Segundo Tingwa e 
Young (1975) a ação da auxina, em abacate, dependendo da concen-
tração, pode induzir a respiração e produção pré-climatérico de etileno 
em altas concentrações e atrasar o amadurecimento em baixas concen-
trações. Os mesmos autores não encontraram influência da giberelina 
e citocinina nestes processos.
O acelerado amadurecimento do abacate proporciona alterações 
indesejáveis para o setor de comércio, restringindo muito o tempo de 
comercialização. Segundo Kluge et al. (2002) o principal fator que 
limita o transporte e o tempo de comercialização, e que deprecia a 
qualidade pós-colheita de fruta é o amolecimento excessivo decorrente 
do amadurecimento.
Sakurai e Nevins (1997) relatam que se ocorrer à degradação da 
celulose e de outros polissacarídeos da parede celular em abacates, 
por enzimas responsáveis pela hidrólise da parede, durante o ama-
durecimento, poderia resultar em mudança da estrutura dos substratos 
(polissacarídeos), associando-se com mudanças na firmeza.
A importância de enzimas neste processo de amolecimento tem 
1Eng. Agrônoma, Doutoranda pelo Departamento de Produção Vegetal-Horticultura, Faculdade de Ciências 
Agronômicas/FCA/UNESP – Cx. P. 237 – CEP 18610-307 - Botucatu, SP – gcmoreira@fca.unesp.br
2Eng. Agrônomo, Doutorando pelo Departamento de Produção Vegetal-Horticultura, Faculdade de Ciências 
Agronômicas/FCA/UNESP – Cx. P. 237 – CEP 18610-307 - Botucatu, SP – kohatsu@fca.unesp.br
200 • ABACATE
sido reportada por vários autores. Awad e Young (1979) observaram 
que parcial desmetilação da pectina é necessária antes que a poliga-
lacturonase (PG) possa trazer significante hidrólise em abacate. En-
tão, a pectinametilesterase(PME) pode ter a função de preparar o 
substrato para ser hidrolisado pela PG. Os autores observaram que, 
quando houve diminuição abrupta da PME, iniciou-se o aumento da 
PG e celulase, salientando a estreita correlação entre o amolecimento 
e a atividade da enzima celulase. Enquanto, Pesis et al. (1978) correla-
cionam o aumento desta enzima com o aumento da produção de etileno 
em abacate, Ronen et al. (1991) observaram aumento da atividade da 
celulase, xilanase e xilosidase após o aumento deste hormônio vegetal 
e sugerem que enzimas que hidrolisam xilano podem estar envolvidas 
no amolecimento do abacate.
O escurecimento da polpa do abacate durante o amadurecimento 
ou sob condições de estresse é outro fator de extrema importância na 
qualidade do mesmo durante o armazenamento e este processo fisi-
ológico/bioquímico é atribuído a enzima polifenoloxidase (PPO).
Cutting e Bower (1986) reportaram que estresse ou atraso na co-
lheita causou aumento no ácido abscísico resultando em efeito nega-
tivo na qualidade do fruto, como mensurado pela polifenoloxidase. 
Os mesmos autores observaram que o ABA é um agente causador 
da senescência e o tratamento com este ácido poderia ter causado 
degradação da membrana com subseqüente aumento de PPO. Segundo 
Cutting e Bower (1987) a irrigação pode influenciar a atividade desta 
enzima quando aplicada em baixa quantidade ou em excesso, assim 
como, observado em frutos submetidos a três tratamentos de estresse 
hídrico e análises de ABA e PPO durante o amolecimento.
O nível de ABA quando os frutos estavam com 50% de amoleci-
mento (pico de etileno) teve um eventual efeito na qualidade do fruto, 
determinado através do conteúdo de PPO (potencial de escurecimento) 
em frutos completamente amolecidos.
Devido a estas características do abacate, o controle do amadure-
cimento é fundamental para o aumento da vida útil após a colheita, 
visando à exportação que demanda de um maior período de comercia-
lização e ao mercado interno que ainda é carente de uma boa logística 
para este setor. 
201 pÓs - COLhEITA •
FATORES QUE AFETAM O ARMAZENAMENTO DO ABA-
CATE
Temperatura
A utilização da temperatura ideal de armazenamento para cada 
produto é indiscutível, porém mo Brasil a refrigeração é restrita a 
poucas culturas, principalmente para frutíferas “in natura” ou produtos 
processados.
A baixa temperatura associada à alta umidade é o principal método 
de conservação pós-colheita empregado no abacate, cuja temperatura 
ideal e o tempo de armazenamento é dependente do cultivar, como ob-
servado na Tabela 1 descrita por Gayet et al. (1995). Perda de umidade 
excessiva pode ocasionar maior incidência de distúrbios fisiológicos, 
assim como maior conteúdo de PPO solúvel (CUTTING e BOWER, 
1987).
Tabela 1. Conservação dos principais cultivares de abacate em 
frigoríficos convencionais.
Cultivares Temperatura
 (°C)
Umidade
Relativa (%)
Tempo de 
Conserva-
ção (dias)
Tempo de comer-
cialização (dias)
Collinson 7 85-90 20 3-5
Fortuna 7 85-90 22 4-6
Fuerte 7 85-90 14 2-3
Quintal 7 85-90 14 3-4
Linda 5-7 85-90 20 3-4
Mc Donald 7 85-90 16 2-3
Pollock 7 85-90 14 2-3
Prince 5-7 85-90 25 2-3
Simmonds 7 85-90 12 2-3
Wagner 7 85-90 20 3-5
Waldin 7 85-90 18 2-3
Fonte: Gayet (1995)
202 • ABACATE
Há uma convicção geral que cultivares de abacate das raças indi-
anas são mais sensíveis às baixas temperaturas do que àquelas prove-
nientes das raças guatemalenses e mexicanas (ZAUBERMAN et al., 
1973). Zauberman et al. (1973) analisando três cultivares de abacate 
mostraram que o ‘Nabal’, um guatemalense, tem maior tolerância a 
baixa temperatura do que os guatemalense-mexicanos ‘Fuerte’ e ‘Et-
tinger’. Todos os cultivares não apresentaram chilling (injúria por 
frio) quando armazenados por 6 semanas a temperatura de 6ºC. Ainda 
observaram que, o estádio de amadurecimento do fruto influencia na 
susceptibilidade do mesmo, quanto mais avançado este estádio menos 
suscetível às baixas temperaturas.
Zauberman et al. (1977) observaram que a resposta de frutos de 
abacates de três cultivares para várias temperaturas diferiram na faixa 
de 0 a 25ºC e estas faixas foram divididas em 3 grupos: entre 10 e 
25ºC, no qual o amolecimento do fruto aumentou com o acréscimo da 
temperatura; entre 5 e 8ºC, no qual o amolecimento foi inibido e o fruto 
amoleceu apenas quando transferido para temperaturas mais altas; e 
entre 0 e 4ºC, no qual o tempo de armazenamento sem a ocorrência 
de chilling foi limitado.
Hopkirk et al. (1994) observaram a importância da temperatura 
de prateleira após o armazenamento e concluíram que o aumento da 
temperatura a partir dos 15ºC até 30ºC, a cada 5ºC, diminui a vida 
de prateleira, aumentam os distúrbios fisiológicos, o escurecimento 
vascular e o amadurecimento desuniforme.
Segundo Fuchs e Zauberman (1995) os sintomas de chilling po-
dem aparecer de diferentes formas: escurecimento da casca e polpa, 
problemas na respiração, aumento da susceptibilidade a ataques de 
microrganismos, pulp spot, bem como, manchas cloróticas na casca. 
Embora, estes sintomas não possam ser somente uma resposta à baixa 
temperatura (BOWER e CUTTING, 1988). 
Tratamentos com calor estão recebendo aumento de atenção como 
meio de reduzir a injúria por frio em alguns frutos (WOOLF et al., 
1995). Este tratamento pode também ser utilizado como técnica de 
desinfestação (PAULL, 1990). Woolf et al. (1995) concluíram que 
o ótimo tratamento de calor (38ºC para 3 a 10 horas e 40ºC por 30 
minutos) reduziu os níveis de danos externos de frutos armazenados a 
2ºC e dos frutos armazenados a 6ºC sem redução da qualidade interna 
203 pÓs - COLhEITA •
após o amadurecimento em 20ºC. Contudo, Woolf (1997) observou 
que o tempo de 60 minutos de imersão em água a 38ºC foi suficiente 
para reduzir o índice de frutos desuniformes, escurecimento vascular 
e “tissue breakdown”. 
Atmosfera modificada e controlada
Para Spagnol et al. (1994), embora a refrigeração se apresente 
como prática eficiente na redução das perdas pós-colheita, a suplemen-
tação com atmosfera modificada ou controlada, poderá trazer melhores 
benefícios, quando empregada adequadamente. Gayet et al. (1995) 
mostraram a eficiência da associação destes métodos de conservação 
pós-colheita (Tabela 2). Spalding e Reeder (1972) relataram que o 
tempo de armazenamento pode ser dobrado sob condições de atmos-
fera controlada (AC).
O etileno é um hormônio vegetal diretamente relacionado com o 
amadurecimento do fruto, sendo assim, contribuí para um dos prin-
cipais aspectos que interessam na pós-colheita, pois a diminuição do 
período de comercialização é uma característica indesejável, não so-
mente atribuída ao abacate. Fuchs e Zauberman (1995) citam a venti-
lação, permanganato de potássio e outras tecnologias como a atmosfera 
modificada como removedores de etileno.
204 • ABACATE
Tabela 2. Conservação dos principais cultivares de abacate em 
frigoríficos convencionais.
Cultivares
Temperatura 
(°C)
Umidade 
Relativa 
(%)
CO
2
(%)
O
2
(%)
Tempo de 
Conservação 
(dias)
Tempo de 
comer-
cialização 
(dias)
Collinson 7 85-90 10 2 35 2-4
Fortuna 7 85-90 10 2 37 3-4
Fuerte 7 85-90 10 2 32 3-5
Quintal 7 85-90 10 2 27 2-4
Linda 5-7 85-90 10 2 35 3-5
Mc Donald 7 85-90 10 2 34 2-4
Pollock 7 85-90 10 2 27 2-4
Prince 5-7 85-90 10 2 33 3-5
Simmonds 7 85-90 10 2 25 2-4
Wagner 7 85-90 10 2 37 3-5
Waldin 7 85-90 10 2 33 2-3
Fonte: Gayet et al. (1995)
Pesis et al. (1994) observaram que baixos níveis de oxigênio di-
minuem o nível de etileno, reduzem a produção de dióxido de car-
bono, ou seja, a respiração do abacate, e ainda, relataram que houve 
correlação inversa entre o conteúdo de clorofila da casca e o nível 
de severidadedo chilling. Os mesmo autores relataram aumento nos 
grupos SH (radicais que participam de aminoácidos como cisteína e 
glutationa) na casca e polpa do abacate. Segundo Foster e Hess (1980) 
a glutationa colabora na proteção de tecidos de plantas contra a ação 
de peróxidos que são gerados durante o estresse oxidativo.
As espécies de oxigênio reativo (ROS) são produzidas durante o 
curso do metabolismo normal e reagem com as estruturas orgânicas 
estáveis (lipídeos e proteínas das membranas celulares, aminoácidos, 
etc.), retirando delas um elétron. Dessa forma tem início a peroxida-
ção de lipídeos e a agregação de proteínas com os seguintes efeitos: 
danos às membranas, vazamento de eletrólitos, distúrbios metabólitos, 
perda de funções celulares e morte das células e tecidos (CHITARRA 
205 pÓs - COLhEITA •
e CHITARRA, 2005).
Outro aspecto de importância para a qualidade do fruto de abacate 
é a manutenção da firmeza, o qual proporciona maior resistência ao 
transporte e aumenta a vida de prateleira. Pesis et al. (1994) trans-
portaram frutos de 2ºC para 17ºC e observaram melhor manutenção 
da firmeza no tratamento com baixos níveis de O
2
. Dori et al. (1995) 
trabalhando com anaerobiose nos aspectos do amadurecimento do 
abacate observaram que a aplicação de nitrogênio (97%) retardou o 
amolecimento do fruto e diminui a atividade de poligalacturonase em 
30%, além de reduzir levemente a atividade de endoglucanase.
Awad e Young (1979) relataram a importância desta enzima respon-
sável pela degradação da parede celular de frutos de abacate durante o 
amadurecimento. Enquanto, Rose et al. (1998) sugeriram que o rompi-
mento de associações não covalente entre xiloglucano e microfibrilas 
de celulose poderia também resultar em mudança na firmeza, bem 
como, aumento na acessibilidade do substrato, para o ataque enzimáti-
co, pelas hidrolases da parede celular.
Truter e Eksteen (1987) observaram que o tratamento no dia 
seguinte após a colheita, com 25% de CO
2
, por três dias, não apresen-
tou antracnose, diminuiu a injúria por frio em 25%, escurecimento da 
polpa em 15% e o escurecimento vascular em 2%. Truter et al. (1991) 
observaram diminuição ao redor de 10% a descoloração de polpa do 
abacate e 60% de anomalias vasculares nos frutos tratados com atmos-
fera modificada e “choque” de CO
2
. 
O potencial de escurecimento da polpa de abacate é principalmente 
em função da enzima polifenoloxidase (KAHN, 1975). Bower et al. 
(1990) estudaram o efeito do armazenamento em atmosfera contro-
lada, “choque” com CO
2
 e condição ambiente na atividade de poli-
fenoloxidase em abacates ‘Fuerte’ e observaram menor atividade no 
tratamento com “choque” com CO
2
. Truter et al. (1991) observaram 
menor atividade de polifenoloxidase e conteúdo de ABA em frutos 
amadurecidos com “choque” com CO
2
, no qual sugerem que estes 
frutos podem ter sido sujeitos a menos estresse pós-colheita que outros 
frutos não tratados.
206 • ABACATE
Cálcio
Tem sido relatado em muitos estudos que este nutriente está en-
volvido em numerosas desordens fisiológicas e outros resultados su-
gerem que o cálcio tem importante papel na susceptibilidade, de frutos 
armazenados, ao chilling.
Chaplin e Scott (1980) observaram que quanto mais se aproxima 
ao pedúnculo do fruto, menor a presença de injúria por frio. Sub-
seqüentes investigações revelaram que a concentração de cálcio no 
mesocarpo não é uniforme, mas é invariavelmente menor na base do 
fruto do que próximo ao pedúnculo. Ainda relataram que a aplicação 
de cálcio na maior concentração apresentou pontuação no índice de 
chilling de 0,94 contra 4,69 em escala que variava de 0-5 pontos.
Rensburg e Engelbrecht (1985) trabalhando com o efeito de di-
versas fontes de cálcio nos componentes de escurecimento do abacate 
observaram que a aplicação de produtos a base deste nutriente supri-
miu a respiração e a polifenoloxidação. Eaks (1985) observou que 
a concentração acima de 0,1 M foi o suficiente para reduzir a taxa 
respiratória e a produção de etileno em frutos de abacate dos cultivares 
‘Hass’ e ‘Fuerte’.
Tratamentos pré-colheita com variadas fontes de cálcio em aba-
cate ‘Fuerte’ reduziram a perda de peso em aproximadamente 4%, 
diminuíram a porcentagem de danos por frio em 65%, e aumentaram 
a firmeza do fruto e a vida de prateleira em dois dias (LÓPEZ e BON-
TEMPS, 1996).
OUTROS MÉTODOS DE CONSERVAÇÃO
Irradiação
O emprego da irradiação no Brasil mostra-se muito promissor 
e de suma importância, através de sua contribuição na conservação, 
reduzindo as perdas pós-colheita e a possibilidade de melhorar a oferta 
de alimentos (LIMA et al., 2001).
A irradiação associada aos procedimentos pós-colheita normal-
mente empregados, em baixas doses, têm mostrado ser um excelente 
método para prolongar a vida comercial de frutas, retardando os 
processos de amadurecimento e a senescêcia, bem como, reduzindo 
significativamente o apodrecimento causado por fungos e bactérias 
207 pÓs - COLhEITA •
patogênicas (KÄFERSTEIN e MOY, 1993).
A irradiação tem que ser melhor estudada para aplicação em frutos 
de abacate, já que assim como a temperatura ideal varia de cultivar 
para cultivar, a dose ideal de irradiação apresenta o mesmo compor-
tamento.
Segundo Germano (1996), os resultados já obtidos para incremen-
to da vida comercial de abacate, indicam que não há dose ou faixa de 
doses uniformes que poderia ser preconizada para todos os cultivares. 
O abacate mostrou-se como sendo uma das frutas mais sensíveis as 
radiações ionizantes, sendo que para a maioria dos cultivares, doses 
acima de 100 ou 200 Gy causam severas descolorações e escureci-
mento da polpa. Contudo, segundo López et al. (1996) doses entre 60 e 
100 Gy provocaram maior perda de peso. A aparência externa do fruto, 
especialmente a da casca, apresentou os maiores danos, com mancha e 
certa desidratação, podendo ser considerada oelas características dos 
danos, como um efeito indesejável para a variedade estudada ‘Colin 
v33’. Além disso, todas as doses receberam nota ‘aceitável’ em relação 
ao sabor, enquanto o controle recebeu nota de ‘bom sabor’.
A irradiação para o abacate ‘Fortuna’ induziu prolongamento na 
vida de prateleira quando comparado com o controle que era de 7 dias, 
para 11 dias quando irradiados com 75 Gy e para 15 dias se irradiados 
com 100 Gy, portanto, comprovando a necessidade de estudos espe-
cíficos para cada cultivar. 
1-MCP (1-metilciclopropeno)
Segundo Kluge et al. (2002), no Brasil, a comercialização do aba-
cate, a varejo, ocorre sem refrigeração, o que torna a aplicação de tec-
nologias de conservação em temperatura ambiente bastante desejável, 
pois, a ampliação do período entre a colheita e o amadurecimento pode 
proporcionar o transporte a longas distâncias e aumento no período 
de comercialização.
Embora, o 1-MCP seja um gás, ele tem sido formulado em pó, 
o qual libera o ingrediente ativo quando misturado a uma solução 
básica ou água. O 1-MCP se liga fortemente ao sítio de ligação do 
etileno, evitando que sua ligação e ação procedam (KLUGE et al., 
2002). Segundo Sisler e Serek (1997) este material não é tóxico, não 
apresenta cheiro e é efetivo quando as plantas são tratadas em baixas 
208 • ABACATE
concentrações.
Jeong et al. (2002) observaram que frutos de abacate do tratamen-
to controle amoleceram e completaram o amolecimento rapidamente 
quando comparados com os tratados com 1-MCP e observaram que 
quanto maior o tempo de exposição ao produto, melhor era a ma-
nutenção da firmeza, conseqüentemente, diminuindo a perda de massa. 
Este produto dobrou de 6 para 12 dias o início do pico climatérico e 
a máxima produção de etileno foi menos da metade da apresentada 
pelos frutos controle, além de menor taxa respiratória.O mesmo trata-
mento auxiliou na manutenção da coloração verde da casca quando 
comparadas com o controle, quando os frutos estavam completamente 
amadurecidos.
Os mesmo autores observaram que não houve aumento na ativi-
dade da poligalacturonase durante o amadurecimento do fruto, en-
quanto que a testemunha apresentou acentuado aumento na atividade. 
A celulase também teve sua atividade reduzida após a aplicação de 
1-metilciclopropeno. Segundo Awad e Young (1979) estas duas enzi-
mas poderiam ser as principais responsáveis pelo amolecimento dos 
frutos.
Kluge et al. (2002) observaram os mesmos resultados, retendo a 
coloração da casca e polpa e proporcionando maior firmeza da polpa 
e menor incidência de podridão dos frutos. Frutos não tratados inicia-
ram o amadurecimento após quatro dias a 24ºC, enquanto nos frutos 
tratados o amadurecimento iniciou-se após sete dias. 
A resposta ideal dos dois autores foi encontrada em dosagens dife-
rentes, portanto, assim como para os outros métodos, há necessidade 
de experimentos com diferentes cultivares para obter resultados mais 
precisos. Além disso, a viabilidade da aplicação deste produto em larga 
escala ainda é pouco relatada. 
Cera
A utilização desta técnica é comum na comercialização de diversas 
frutíferas, sendo principalmente para exportação.
A aplicação de ceras é um método que começou a ser estudado na 
década de 80, apesar de se mostrar eficiente, tem como principal limi-
tação o custo e o possível efeito residual nos frutos. As ceras aumentam 
o período de conservação de frutas e hortaliças, através da diminuição 
209 pÓs - COLhEITA •
da taxa respiratória e da atividade metabólica (OLIVEIRA, 1996).
Figura 1. Vista de aplicador de cera natural visando reduzir a transpiração e 
melhorar a aparência dos frutos de abacate para exportação.
 (Foto: Vítor Carvalho)
 
Figura 2. Vista Geral do Packing-house da Fazenda Jaguacy, Bauru (SP).
 (Foto: Vítor Carvalho)
210 • ABACATE
Segundo Gayet et al. (1995) frutos encerados podem estender a 
vida de prateleira por um tempo maior, o que depende diretamente 
da concentração aplicada, podendo aumentar de 10 para 17 dias se a 
concentração aumentar de 20 para 25%, respectivamente.
Oliveira et al. (2000) observaram que a perda de peso em frutos 
encerados foi muito menor em relação aos frutos não tratados, além 
disso, auxiliou na manutenção da firmeza dos frutos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AWAD, M.; YOUNG, R. E. Postharvest variation in cellulase, poly-
galacturonase, and pectinmethylesterase in avocado (Persea ameri-
cana Mill, cv. Fuerte) fruits in relation to respiration and ethylene 
production. Plant Physiology. v.64, p.306-308, 1979.
BOWER, J. P.; CUTTING, J. G. Avocado fruit development and ripe-
ning physiology. Hort. Rev. v.10, p.229-271, 1988.
BOWER, J. P.; CUTTING, J. G.; TRUTER, A. B. Container atmos-
phere, as influencing some physiological browning mechanism in 
stores ‘Fuerte’ avocados. Acta Hort. v.269, p.315-321, 1990.
BOWER, J. P.; CUTTING, J. G.; VAN LELYVELD, L. J. Long-term 
irrigation as influencing avocado abscisic acid content and fruit qua-
lity. South African Avocado Grower’s Association Yearbook. v.9, 
p.43-45, 1986.
CHAPLIN, G. R.; SCOTT, K. J. Association of calcium in chilling in-
jury susceptibility of stored avocados. Hortscience. v.15, n.4, p.514-
515, 1980.
CHITARRA, M. I. F.; CHITARRA, A. B. Pós-colheita de frutas 
e hortaliças: Fisiologia e manuseio. 2.ed, Lavras: UFLA, 2005, 
785p.
CUTTING, J. G.; BOWER, J. P. Stress, delayed harvest and fruit 
211 pÓs - COLhEITA •
quality in Fuerte avocado fruit. South African Avocado Grower’s 
Association Yearbook. v.9, p.39-42, 1986.
CUTTING, J. G.; BOWER, J. P. Some factors affecting post-harvest 
quality in avocado fruit. South African Avocado Grower’s Associa-
tion Yearbook. v.10, p.143-146, 1987.
FOSTER, J. G.; HESS, J. L. Response of super-oxide dismutase and 
glutathione reductase activities in cotton leaf tissue exposed to na at-
mosphere enriched in oxygen. Plant Physiol. v.66, p.482-487, 1980.
FRENKEL, C.; DYCK, R. Auxin inhibition of ripening. Plant Phy-
siol. v.51, p.6-9, 1973.
FUCHS, Y.; ZAUBERMAN, G. Effect of potharvest treatment and 
storage conditions on avocado fruit ripening and quality. Procee-
dings of The World Avocado Congress III. p.323-333, 1995.
GAYET, J. P. et al. Abacate para exportação: procedimentos de 
colheita e pós-colheita. Brasilia: FRUPEX, 1995, 37p.
GERMANO, R. M, DE A.; ARTHUR, V.; WIENDL, F. M. Conser-
vação pós-colheita de abacates Persea americana Mill., variedades 
Fortuna e Quintal, por irradiação. Sci. Agric. v.53, n.2-3, p.249-253, 
1996.
KAHN, V. Polyphenol oxidase activity and browning by three avoca-
dos cultivars. J. Sci. Fd. Agric. v.36, p.1319-1324, 1975.
KÄFERSTEIN, F. K.; MOY, G. G. Public health aspects of food ir-
radiation. Journal of Public Health Policy. v.14, n.2, p.149-163, 
1993.
KLUGE, R. A. et al. Inibição do amadurecimento de abacate com 
1-metilciclopropeno. Pesq. Agropec. Bras. v.37, n.7, p.895-901, 
2002.
212 • ABACATE
KOPKIRK, G. et al. Influence of postharvest temperatures and the 
rate of fruit ripening on internal postharvest rots and disorders of New 
Zealand ‘Hass’ avocado fruit. New Zealand of Crop and Horticul-
tural Science. v.22, p.305-311, 1994.
JEONG, J.; HUBER, D. J.; SARGENT, S. A. Influence of 1-methyl-
cyclopropene (1MCP) on ripening and cell matrix polysaccharides of 
avocado (Persea americana) fruit. Postharvest Biology and Tech-
nology. v.25, p.241-256, 2002.
LIEBERMAN, M.; BACKER, J. E.; SLOGER, M. Influence of plant 
hormone on ethylene production in apple, tomato and avocado slices 
during maturation and senescence. Plant Physiol. v.60, p.214-217, 
1977.
LIMA, K. S. C. et al. Efeito da irradiação ionizante γ na qualidade 
pós-colheita de cenouras (Daucus carota L.) cv Nantes. Ciênc. Tec-
nol. Aliment., Campinas, v.21, n.2, p.202-208, 2001.
LÓPEZ, L. L.; MANJARREZ, J. A.; TORREZ, E. DE LA C. Estú-
dios de diferentes dosis de radiacion gamma de 60Co sobre la calidad 
em frutos de aguacate Colin v33. Yearbooks 1996: Fundación Sal-
vador Sánches Colin CICTAMEX S. C. Coatepec Harinas, México, 
p.148-153.
LÓPEZ, L. L.; BONTEMPS, J. F. C. Tratamientos precosecha com 
fuentes de cálcio sobre la capacidad de almaciamento de frutos de 
aguacate ‘Fuerte’. Yearbooks 1996: Fundación Salvador Sánches 
Colin CICTAMEX S. C. Coatepec Harinas, México, p.141-147.
MAXIE, F. C.; CRANE, J. C. 2,4,5-Trichlorophenoxacetic: Effect on 
ethylene production by fruits and leaves of fig trees. Science. v.155, 
p.1548-1549, 1967.
OLIVEIRA, M. A. Utilização de películas de féculas de mandioca 
como alternativa a cera comercial na conservação pós-colheita de 
frutos de goiaba (Psidium guayava) variedade Kumagai. Piraci-
213 pÓs - COLhEITA •
caba. 1996, 73p. Dissertação (Mestrado) – Escola Superior de Agri-
cultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo. 
PAULL, R. E. Postharvest heat treatments and fruit ripening. Poshar-
vest News Info. v.1, p.355-363, 1990.
PESIS, E.; FUCHS, Y.; ZAUBERMAN, G. Cellulase activity and 
fruit softening in avocado. Plant Physiol. v.61, p.416-419, 1978.
RENSBURG, E.; ENGELBRECHT, A. H. P. The effect of calium 
salts on the components causing browning of avocado fruit. South 
African Avocado Grower’s Association Yearbook. v.8, p.14-21, 
1985.
RONEN, R. et al. Xilanase and xylosidase activities in avocado fruit. 
Plant Physiol. v.95, p.961-964, 1991.
ROSE, J. K.; HADFIELD, K. A.; BENNET, A. B. Temporal sequence 
of cell wall disassenbly in rapidly ripening melon fruit. PlantPhysi-
ology. v.117, p.345-361, 1998.
SEYMOUR, G. B.; TUCKER, G. A.; Avocado. In: SEYMOUR, G. 
B. et al. Biochemistry of Fruit Ripenig. Chapman and Hall, London, 
p.55-81, 1993.
SISLER, E. C.; SEREK, M. Inhibitors of ethylene responses in plants 
at the receptor level recent development. Physiol. Plant. v.100, p.577-
582, 1997.
SPAGNOL, A. W.; ROCHA, J. L. V.; PARK, K. J. Pré resfriamento 
de frutas e hortaliças. Informativo Agropecuário, Belo Horizonte, 
v.17, p.5-9, 1994.
SPALDING, P. H.; REEDER, W. F. Quality of booth and lula avo-
cados stored in controlled atmospheres. Proceedings of the Florida 
State Horticultural Society. v.87, p.403-405, 1972.
214 • ABACATE
TINGWA, P. O.; YOUNG, R. O. Studies on the inhibition of ripening 
in attached avocado (Persea Americana Mill.) fruits. J. Am. Hort. 
Sci. v.100, p.447-449, 1975.
TRUTER, A. B. et al. Effect of modified atmosphere on internal 
physiological browning of Fuerte avocados. South African Avocado 
Grower’s Association Yearbook. v.14, p.50-52, 1991.
WOOLF, A. B. et al. Reducing external chilling injury in stored ‘Hass’ 
avocados with dry heat treatments. J. Amer. Soc. Hort. Sci. v.120, 
n.6, p.1050-1056, 1995.
ZAUBERMAN, G.; SCHIFFMANN-NADEL, M.; YANKO, U. Sus-
ceptibility to chilling injury of three avocados cultivars at various 
stages of ripening. HortScience. v.8, n.6, p.511-513, 1973.
ZAUBERMAN, G.; SCHIFFMANN-NADEL, M.; YANKO, U. The 
response of avocado fruits to different storage temperatures. Hort-
Science. v.12, n.4, p.353-354, 1977.
ZAUBERMAN, G.; FUCHS, Y.; AKERMAN,, M. Peroxidase activ-
ity in avocado fruit stored at chilling temperatures. Scientia Hort. 
v.26, p.261-265, 1985.
ABACATE COMO FONTE TERAPÊUTICA
 
Andréa Carvalho da Silva1
 
1. As Propriedades Medicinais das Frutas
De acordo com o Jornal Folha de São Paulo (2003), com o decor-
rer do tempo, o homem veio a descobrir que as frutas possuem não 
só um grande valor nutritivo, mas também efeito medicinal. As fru-
tas hoje estão entre os maiores agentes terapêuticos dados pela natu-
reza. Todas as frutas são dotadas de propriedades medicinais. Umas 
são adstringentes, outras emolientes, etc. Umas excitam as funções 
gástricas, outras ativam as funções intestinais, etc. Umas desintoxicam 
o organismo, dissolvendo e expelindo os venenos; outras suprem ao 
organismo as vitaminas necessárias e os sais indispensáveis. Quando 
ingerimos frutas frescas e hortaliças, nossos corpos retiram das suas 
fibras os líquidos de que precisam; em seguida essas fibras passam para 
o trato digestivo inferior. Tomando sucos, eliminamos uma etapa do 
processo digestivo - extraímos o líquido das fibras - e oferecemos ao 
nosso corpo, com mais eficiência, os nutrientes de que ele necessita. 
O suco feito em casa é muito diferente dos sucos em garrafas, latas, 
caixas. Primeiro é absolutamente fresco, o que é importante, porque 
os nutrientes perdem muito de seu valor depois de algum tempo que 
o suco foi feito. Segundo, não é pasteurizado, "cozido", e suas células 
vivas, recebidas de maneira direta pelo organismo, garantem a boa 
saúde. Terceiro e último, o suco fresco é absolutamente puro, livre de 
aditivos e conservantes. 
De acordo com BemStar (2007), as evidências epidemiológi-
cas estão continuamente providenciando recomendações para que 
as pessoas aumentem o consumo de frutas e verduras como medida 
preventiva para reduzir os riscos de diversas doenças degenerativas. 
Existem altíssimas correlações de efeitos benéficos de nutrientes es-
senciais, ou não, que podem modificar processos celulares, com efeitos 
fisiológicos protetores, muitos compostos encontrados nos alimentos 
são responsáveis por efeitos benéficos observados em indivíduos que 
os consomem, como, por exemplo, compostos importantes como os 
1Engenheira Agronôma; Mestranda em Agronomia – Horticultura, FCA/UNESP, Botucatu – SP. andcar@
fca.unesp.br
216 • ABACATE
carotenóides, encontrados em frutas e verduras. Este novo conceito de 
alimentos promotores de boa saúde está emergindo como uma nova 
fronteira no desafio de diversos profissionais tanto das áreas agrárias 
como biomédicas. Nutrientes são necessários para o desenvolvimento 
e crescimento normais dos indivíduos. Mas não é somente para todas 
essas necessidades, é preciso também, proteger os indivíduos contra 
os riscos por agressões genéticas e do meio ambiente, incluindo os 
hábitos alimentares, reduzindo riscos que poderiam ser minimizados 
ou, protelados, através de uma nutrição preventiva, iniciada logo após 
o desmame e continuada ao longo de toda a vida. Obviamente, que 
não se proíbe o consumo de alimentos menos recomendados, mas é 
necessária moderação. 
2. Desmistificando o abacate (Persea sp.)
Enaltecendo a variedade de frutas brasileiras e seu beneficio à 
saúde humana, este trabalho tem como objetivo apresentar o abacate 
(Persea sp), como fonte terapêutica. O abacate é um fruto originário 
do continente americano, é notadamente rico em gordura sendo fonte 
de ácido oléico e de calorias. Até pouco tempo atrás, seu consumo era 
vetado para portadores de obesidade, hipertensão arterial, diabetes, 
dislipidemias, doenças cardiovasculares e outras patologias que estão 
associadas ao acúmulo de gordura no organismo, devido à inter-relação 
entre a alimentação e a origem destas doenças. Alguns estudos popula-
cionais chamam a atenção para uma maior suscetibilidade às doenças 
crônicas em grupos submetidos à modernização do seu estilo de vida. 
Mudanças na dieta, estresse psicológico, sedentarismo, obesidade, 
hereditariedade e mudanças sócio-econômicas têm sido considerados 
fatores de risco para essa situação (CARDOSO et al., 2001). Quanto 
maior a intensidade e o tempo de exposição ao fator de risco, maior a 
possibilidade de desenvolver a doença. A hipercolesterolemia é um im-
portante fator de risco para doenças cardiovasculares. De acordo com 
os dados da American Hearth Association (2001), citados por Godim 
et al. (2005), mais de 30% da população brasileira e 51% da população 
americana, apresentam altos níveis de colesterol (maior que 200 mg/
dl), um dado preocupante, já que estudos mostram que taxas acima de 
240 mg/dl de colesterol total, duplicam o risco de sofrer um ataque 
cardíaco. Aproximadamente 70% do peso do abacate se referem à 
217 ABACATE COMO fONTE TERApÊuTICA •
polpa do fruto. De acordo com Gondim et al., (2005), a Ingestão Diária 
Recomendada (IDR) é a quantidade de vitaminas, minerais e proteí-
nas que deve ser consumida diariamente para atender às necessidades 
nutricionais da maior parte dos indivíduos e grupos de uma popula-
ção sadia. Para a população consumir equilibradamente os nutrientes 
de acordo com a IDR, são necessários dados sobre composições de 
alimentos. Essas composições são importantes para inúmeras ativi-
dades, como para avaliar o suprimento e o consumo alimentar de um 
país, verificar a adequação nutricional da dieta de indivíduos e de 
populações, avaliar o estado nutricional, desenvolver pesquisas sobre 
as relações entre dieta e doença, em planejamento agropecuário, na 
industria de alimentos, além de outras.
Frutas e verduras são exemplos de importantes fontes de elementos 
essenciais. Os minerais desempenham uma função vital no desenvol-
vimento e saúde do corpo humano e as frutas são consideradas as 
principais fontes de minerais necessários na dieta humana. 
Tabela -1. Composição centesimal do teor de nutrientes das cascas 
de frutas analisadas.
100g de amostra in natura das cascas das frutas
Parâmetro Abacate Abacaxi BananaMamão Maracujá Melão Tangerina
Umidade (g) 76,95 78,13 89,47 90,63 87,64 93,23 49,10
Cinzas (g) 0,75 1,03 0,95 0,82 0,57 0,96 1,75
Lipídeos (g) 11,04 0,55 0,99 0,08 0,01 0,10 0,64
Proteínas(g) 1,51 1,45 1,69 1,56 0,67 1,24 2,49
Fibras (g) 6,85 3,89 1,991,20 4,33 1,42 10,38
Carboidratos(g) 2,90 14,95 4,91 5,71 6,78 3,05 35,64
Calorias (Kcal) 117,02 70,55 35,30 29,80 29,91 18,05 158,30
Cálcio (mg) 123,94 76,44 66,71 55,41 44,51 14,69 478,98
Ferro (mg) 2,018 0,71 1,26 1,10 0,89 0,40 4,77
Sódio (mg) 76,75 62,63 54,27 53,24 43,77 8,54 77,76
Magnésio (mg) 26,24 26,79 29,96 24,52 27,82 13,27 159,59
Zinco (Mg) 1,24 0,45 1,00 0,56 0,32 0,23 2,83
Cobre (mg) 0,18 0,11 0,10 0,11 0,04 0,07 0,58
Potássio (mg) 236,70 285,87 300,92263,52 178,40 110,39 598,36
Fonte: Godim et al, (2005).
218 • ABACATE
Tabela – 2. Percentual da ingestão diária recomendada (IDR) para 
um adulto.
 % IDR em relação a 100g de amostra in natura das cascas das frutas
Parâmetro AbacateAbacaxiBananaMamão Maracujá Melão Tangerina
Lipídeos (g) 14 1 1 0 0 0 1
Proteínas(g) 3 3 3 3 1 2 5
Fibras (g) 23 13 7 4 14 5 35
Carboidratos(g) 1 4 1 1 1 1 6
Calorias (Kcal) 5 3 1 1 1 1 6
Cálcio (mg) 15 9 8 7 5 2 60
Ferro (mg) 14 5 8 7 6 3 32
Sódio (mg) 3 3 2 2 2 0 4
Magnésio (mg) 9 9 10 8 9 4 53
Zinco (Mg) 8 3 7 4 2 1 19
Cobre (mg) 6 4 6 4 1 2 19
Potássio (mg) 12 14 15 13 9 5 30
Fonte:BemStar, (2007).
219 ABACATE COMO fONTE TERApÊuTICA •
Tabela – 3. Teor de nutrientes das partes comestíveis dos frutos.
100g de amostra in natura das cascas das frutas
Parâmetro Abacate Abacaxi Banana Mamão Maracujá Melão Tangerina
Umidade (g) 84 86 64 87 83 91 89
Cinzas (g) 0,5 0,4 0,8 0,6 0,8 0,5 0,6
Lipídeos (g) 8 0 0 0 2 0 0
Proteínas(g) 1 1 1 1 2 1 1
Fibras (g) 6,3 1 1,5 1,8 1,1 0,3 0,9
Carboidratos(g) 6 12 34 12 12 8 10
Calorias (Kcal) 96 48 128 45 68 29 38
Cálcio (mg) 8 22 0 25 5 0 13
Ferro (mg) 0,2 0,3 0,3 0,2 0,6 0,2 0,1
Sódio (mg) <0,4 <0,4 <0,4 3 2 11 <0,4
Magnésio (mg) 15 18 24 17 28 6 8
Zinco (Mg) 0,2 0,3 0,3 0,2 0,6 0,2 0,1
Cobre (mg) 0,15 0,11 0,05 1,36 0,19 0,04 0,03
Potássio (mg) 206 131 328 222 338 216 131
Fonte: Godin et al., (2005).
 
Pela observação das Tabelas 2 e 3 que relatam a composição de 
frutos cultivados no Estado do Rio Grande do Norte, verifica-se que a 
amostra da casca do abacate teve o maior teor de lipídeos, 11,04 g ha-
vendo uma enorme diferença em relação às amostras das demais frutas, 
as quais não ultrapassaram valores de 1,0 g, sendo assim considerado 
uma boa fonte de lipídeos, pois fornece 14% do IDR. Com relação às 
fibras, podemos considerar as cascas de tangerina, abacate (Persea 
Amercicana), maracujá e abacaxi como boas fontes, regularizando 
as funções intestinais. É recomendado o consumo diário de 20-25 g 
de fibra dietética de ambas as fontes (solúveis e insolúveis) e de uma 
ampla variedade de origens alimentares (verduras, legumes, frutas, 
alimentos integrais). Não há razão para não recomendar o consumo 
de frutose, encontrada naturalmente nas frutas e vegetais, bem como 
a ingestão de fibras contidas no abacate. Comparando as Tabela 1 e 
3, verificamos que as cascas das respectivas frutas apresentam quan-
tidades de nutrientes maiores que as partes normalmente comestíveis, 
220 • ABACATE
indicando o potencial de aproveitamento das mesmas sob a forma de 
farinha usada como complemento alimentar de baixo custo.
Fica evidente a diferença de composição nutricional da fruta de 
uma região produtora para outra região como o especificado nas Ta-
belas 3 e 4, onde a mesma fruta (abacate), produzida no Estado do 
Rio Grande do Norte possui valores distintos dos frutos produzidos 
no Estado de São Paulo nos seguintes parâmetros: proteínas, fibras, 
calorias, cálcio e ferro. 
Tabela – 4. Teor de nutrientes das partes comestíveis dos frutos 
do Estado de São Paulo.
Composição Nutricional em 100g de 
polpa
Calorias 167 Kcal
Proteínas 2,1 g
Gorduras 16,4 g
Carboidrato 6,3 g
Água 73,8%
Fibra 1,6 g
Sódio 4,0 mg
Vitamina A 87 mcg
Cálcio 10 mg
Fósforo 42 mg
Ferro 0,6 mg
Vitamina B1 0,11 mg
Vitamina B2 0,20 mg
Vitamina B3 1,6 mg
Vitamina C 14 mg
 Fonte: BemStar (2007)
Segundo Klack (2006), As vitaminas são substâncias orgânicas 
presentes em pequena quantidade nos alimentos, tendo por finalidade a 
participação em variadas reações metabólicas controladas por enzimas 
e coenzimas. São indispensáveis ao funcionamento do organismo na 
forma de co-fatores. Abbey (1991), diz que em algumas enzimas o co-
fator é um participante direto do processo catalítico, em outras serve 
como um transportador transitório de algum grupo funcional específico 
221 ABACATE COMO fONTE TERApÊuTICA •
derivado do substrato. Esses co-fatores enzimáticos são essenciais para 
a ação de muitas enzimas, desempenhando um papel vital no metabo-
lismo celular. O organismo humano promove a síntese de algumas 
vitaminas, necessitando, no entanto, do suprimento alimentar. Dentre 
as vitaminas lipossolúveis encontra-se a vitamina K, esta vitamina é 
conhecida como vitamina da coagulação. Pode ser encontrada em ali-
mentos animais e vegetais, como o abacate com a maior concentração 
em folhas verde escura. As formas da vitamina K são:
- Filoquinona (vitamina K1) que é a forma predominante, presente 
nos vegetais, sendo os óleos vegetais e as hortaliças suas fontes mais 
significativas.
- Dihidrofiloquinona (dK), formada durante a hidrogenação co-
mercial de óleos vegetais.
- Menaquinona (vitamina K
2
), sintetizada por bactérias, podendo 
variar de MK4 a MK13 (série de vitaminas designadas MK-n, sendo 
n o número de resíduos isoprenóides). Presente em produtos animais 
e alimentos fermentados.
- Menadiona (vitamina K3) que é um composto sintético a ser 
convertido em K2 no intestino. 
A biodisponibilidade é definida como a proporção da vitamina 
ingerida que sofre a absorção intestinal e conseqüente aproveitamento 
pelo corpo. A absorção da filoquinona presente nos vegetais é um pro-
cesso lento, sendo influenciado por fatores digestivos. Já a presença 
de gorduras na dieta possibilita um aumento na absorção (podendo 
conter de 30-60 µg de dK em 100 g do alimento), O fato de a filoqui-
nona estar associada a tecidos que realizam a fotossíntese faz com que 
os vegetais contenham os maiores teores dessa substância. As frutas 
cítricas contêm baixos teores, tendo como exceção o kiwi, abacate, 
ameixa seca, figo, amora silvestre e as uvas, que contêm de 15,6 a 
59,5 µgK1/100 g.
 Segundo Protasio (2005), a Vitamina B1 foi a primeira do com-
plexo B a ser descoberta. Doses diárias recomendadas são de 1,5 mg. 
Para mães que amamentam e para idosos é 3,0 mg. Como principais 
funções, atua principalmente no metabolismo energético dos açúcares. 
A sua função como neurotransmissor é discutida. A doença carencial 
clássica é o Beribéri que se manifesta principalmente em alcoóla-
tras desnutridos e nas pessoas mal-alimentadas dos países pobres. A 
222 • ABACATE
manifestação neurológica da carência de vitamina B1 é também de-
nominada de Beribéri seco, caracterizando-se por neurites periféricas, 
distúrbios da sensibilidade com zonas de anestesia ou de hiperestesia, 
perda de forças até a paralisia de membros, podendo haver depressão, 
perda de energia, falta de memória até síndromes de demência como a 
psicose de Korsakoff e a encefalopatia de Wernicke. Enquanto que nas 
manifestações cardíacas, são denominadas de Beribéri úmido, que se 
manifesta por falta de ar, aumento do coração, palpitações, taquicardia, 
alterações do eletrocardiograma, inclusive insuficiência cardíaca do 
tipo débito elevado. 
As Vitaminas B
2
 são compostos amarelados isolados de alimentos 
que foram denominados de flavinas. Ficou sendo chamada de Ribo-
flavina. As doses diárias recomendadas são 1,7 mg para homens e 1,6 
mg/dia para mulheres. Desempenha um papel importante no metabo-
lismo energético e como protetor das bainhas dos nervos. É um fator 
importante no metabolismo de enzimas. As primeiras manifestações 
de carência são inflamaçõesda língua, rachaduras nos cantos da boca, 
lábios avermelhados, dermatite, seborréia da face, tronco e extremi-
dades, anemia e neuropatias. Nos olhos, pode surgir a neoformação 
de vasos nas conjuntivas, além de catarata. As carências de vitamina 
B
2
 costumam acompanhar a falta de outras vitaminas. 
Vitamina E (alfatocoferol) substância lipossolúvel é considerada 
aquela que possui determinada participação na prevenção da ateroscle-
rose por meio da inibição do processo oxidativo do LDL-colesterol, 
encontrada na natureza sob quatro formas diferentes (ß,γ,δ e α), sendo 
α-tocoferol a forma antioxidante mais ativa e amplamente distribuída 
nos tecidos e no plasma. De acordo com Cordeiro (1996), alguns estu-
dos epidemiológicos têm revelado associação entre elevada ingestão 
na dieta de rotina ou alta concentração plasmática de alfatocoferol 
e baixa incidência de cardiopatia isquêmica. Esta vitamina também 
é muito importante em casos de sintomas da menopausa, displasia 
mamária, TPM, dismenorréia, alergias, diabetes, prevenção da cata-
rata, nevralgia pós-herpética e na preparação de atletas. 
223 ABACATE COMO fONTE TERApÊuTICA •
3. Colesterol - “O vilão”
Segundo os Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabo-
logia (1999), os Lipídios são um grupo heterogêneo de compostos 
relacionados direta ou indiretamente com ácidos graxos, que possuem 
a propriedade de ser relativamente insolúveis em água e solúveis em 
solventes apolares. Os seguintes lípidios são importantes para o ser 
humano: ácidos graxos, triglicérides (TG) e fosfolípides. O colesterol 
(lipídeo) é um álcool monoídrico não saturado da classe dos esteróides. 
Os ácidos graxos são constituídos por cadeias de carbono hidrocar-
boxiladas, podendo apresentar-se como saturados e insaturados, como 
exemplos de ácidos graxos saturados temos, os ácidos láurico, palmíti-
co, mirístico e esteárico e, de insaturados, os ácidos oléico, linoléico e 
os do grupo ômega-3. Grob (1989) relata que os mesmos têm função 
energética e participam da síntese de lipoproteínas e prostaglandinas. 
Os TG são formados pela esterificação do glicerol por três moléculas 
de ácidos graxos, sendo usado de imediato ou armazenado para pos-
terior utilização. Naveh (2002), diz que os fosfolípidios são formados 
por glicerol, ácido graxo, base nitrogenada e fósforo. O colesterol pode 
se apresentar sob a forma livre ou esterificada (ésteres de colesterol), 
não sendo encontrado nos vegetais. Juntamente com os fosfolipídios, 
possui função estrutural, formando a dupla camada que constitui as 
membranas celulares e a camada única que reveste as lipoproteínas, 
sendo precursor de ácidos biliares, hormônios esteróides e vitamina D. 
Os lipídeos são transportados no organismo sob a forma de partículas 
denominadas lipoproteínas, formadas por uma capa hidrofílica cons-
tituída por fosfolipídios, colesterol livre e proteínas, envolvendo um 
núcleo hidrofóbico que contém TG e colesterol esterificado. As proteí-
nas são denominadas apolipoproteínas ou apoproteínas, que além da 
sua função estrutural, interagem com receptores da membrana celular 
e/ou atuam como co-fatores enzimáticos (Kuust, 1989).
De acordo com Costa et al (1997), o colesterol é encontrado so-
mente em alimentos de origem animal, portanto, para reduzir a in-
gestão, deve-se restringir o consumo de leite integral e seus derivados 
(queijos amarelos, manteiga, creme de leite), biscoitos amanteigados, 
“croissants”, folhados e sorvetes cremosos, além de carnes vermelhas 
gordurosas, carne de porco, “bacon”, embutidos em geral (lingüiça, 
salsicha, frios), vísceras (como fígado, coração, língua) e alguns ani-
224 • ABACATE
mais marinhos.
Dos ácidos graxos monoinsaturados, pertencentes à série ômega-9, 
cujo precursor é o ácido oléico, as principais fontes dietéticas são 
o óleo de oliva, óleo de canola, azeitona, abacate e as oleaginosas 
(castanha, nozes, amêndoas). Segundo Jialal (1992), entre os principais 
efeitos dos ácidos graxos monoinsaturados, incluem-se o de diminuir 
o colesterol total e o LDL-colesterol, ser antitrombótico e inibir a 
agregação plaquetária. 
O ácido oléico é o mais comum dos ácidos graxos monoinsaturados 
e se encontra na maioria das gorduras animais, bem como em azeito-
nas, sementes e nozes. O ácido linoléico é o expoente mais importante 
da série (ω-6) e está presente de forma abundante nos óleos vegetais 
como girassol, cártamo, milho etc. O ácido α-linoléico, representante 
da família ω-3, é encontrado em quantidades apreciáveis em sementes 
oleaginosas como canola, soja e linhaça (DOLORES, 2003).
No óleo de oliva, predomina o ácido oléico (ω-9), além do alto 
teor de α-tocoferol, isômero ativo da vitamina E. O fato de a estrutura 
molecular do ac. oléico ter somente uma dupla ligação, justamente na 
presença da vitamina E, confere ao óleo de oliva maior proteção contra 
a peroxidação lipídica. Essa é uma das vantagens do óleo de oliva que 
estimula sua utilização na terapia nutricional (WAITZBERG, 2002).
O óleo de abacate é constituído de 60 a 84% de ácidos graxos in-
saturados e se destaca pelo alto teor de ácido oléico (TANGO, 2004). O 
teor de óleo na polpa varia segundo os diferentes cultivares e dentro de 
uma mesma variedade pode sofrer variações com a altitude, insolação, 
queda pluviométrica e umidade relativa do ar (LUCCHESI, 1975). As-
sim como Tijero (1974) cita que o conteúdo de óleo no abacate varia 
com o grau de maturação do fruto, o teor de óleo na polpa do abacate 
eleva-se progressivamente, desde o inicio da formação do fruto até 
sua maturação. 
O significado nutricional da presença de ácidos graxos trans as-
sume importante papel, uma vez que interferem no metabolismo dos 
ácidos graxos essenciais, possuem propriedades físicas, químicas e me-
tabólicas comparáveis à dos ácidos graxos saturados e muitas questões 
relacionadas à absorção, catabolismo e incorporação nas membranas 
celulares ainda não foram completamente elucidadas. Ainda segundo 
Matvienko (2002), na natureza, os ácidos graxos apresentam-se pre-
225 ABACATE COMO fONTE TERApÊuTICA •
dominantemente na forma cis, sendo os isômeros trans praticamente 
presentes em quantidades muito pequenas em óleos e gorduras vegetais 
naturais não refinados. Já em produtos de origem animal, especial-
mente leite e derivados, o teor de ácidos graxos trans pode chegar até 
5% do total de ácidos graxos presentes na gordura total. 
 
Tabela – 5. Composição em ácidos graxos do óleo de abacate 
da variedade Margarida, comparado as especificações do Mercado 
Internacional de óleo bruto, bem como composição de diferentes va-
riedades.
% Ácidos 
Graxos
Óleo da 
cultivar 
Margarida
Padrão Inter-
nacional
Óleo da 
 cultivar 
Wagner
Óleo da 
 cultivar 
Quintal
Óleo da 
 cultivar 
Fuerte
Mirístico 0,13 Max 1,0 0,02 - 0,04
Olamítico 27,74 Max 13,0 20,53 19,86 20,84
Palmitoléico 3,92 Max 3,5 4,64 4,20 5,63
Esteárico 1,07 Max 1,0 0,50 0,86 0,69
Oléico 55,81 Max 78,0 66,47 66,20 62,99
Linoléico 15,30 Max 12,0 7,09 8,85 9,35
Linolênico 1,03 Max 1,0 0,79 - 0,37
Fonte: Daniele (2006).
 
Em um estudo realizado por Danieli (2006), verificou-se que o 
óleo contém uma quantidade menor de ácido oléico quando compa-
rado aos óleos extraídos das variedades Wagner, Fuerte e Quintal, mas 
encontra-se dentro dos limites do padrão internacional. 
4. O uso do abacate na medicina Popular
Em pesquisa feita por Annichino et al (1986), nos municípios de 
Dois Córregos, Bocaina, Piratininga, Duartina, Presidente Alves, Bo-
racéia e Potunduva (distrito de Jaú), pertencentes à região de Bauru 
(7ª Região Administrativa). Duartina, Piratininga e Presidente Alves 
pertencem à microrregião de Bauru, Bocaina, Boracéia e Dois Cór-
regos, além do distrito de Potunduva, se incluem na microrregiãode 
Jaú, contatou-se o uso freqüente pelos moradores do abacate como 
ferramenta medicinal. Da seguinte forma: das folhas do abacateiro se 
226 • ABACATE
faz um chá que possui a fama de ser diurético e carminativo, ou seja, 
que elimina gases intestinais. O caroço tostado e moído bem fino com-
bate à diarréia e a disenteria. É conhecido, também por seus poderes 
afrodisíacos. Segundo a crença popular, a polpa do abacate é um ótimo 
estimulante sexual, assim como seus botões florais. Quem sofre de dor 
reumática e dor da gota possui no azeite de abacate um bom remédio. 
Segundo Ravagnani(1981) e Lainetti (1979), é aconselhado a pessoas 
que sofram de obstipação, problemas digestivos, flatulência, problemas 
de pele, reumatismo entre outras indicações. As cascas são benéficas 
para combater problemas de hemorragias. 
 O abacate também é muito utilizado pela indústria de cosmé-
ticos, em forma de cremes nutritivos e hidratantes, xampus, emulsão 
protetora hidratante, creme de limpeza, máscara refinadora, creme de 
mãos e unhas, sabão cremoso, leite de limpeza, entre outros.
 Segundo Balbach (2004), as utilidades medicinais do abacate 
seriam: 
Aftas- mastigar as folhas tenras (brotos novos) da planta, tendo • 
o cuidado de se fazer a higiene dessas folhas.
Amidalite- Deve fazer-se um gargarejo com o chá das fo-• 
lhas, combinado com um chá de tanchagem conseguindo uma 
maximização do efeito;
Bronquite- Para esta enfermidade as folhas do abacateiro • 
devem ser fervidas e tomadas como chá morno, seu efeito 
melhor é melhor quando se mistura a esse chá de própolis e 
guaco, tomando-se de duas a quatro xícaras por dia. 
Cansaço- Afirma-se que a folha do abacateiro contém proprie-• 
dades revitalizantes. Recomenda-se tomar esporadicamente 
o chá juntamente com limão e mel;
Diarréia - Caroço tostado e moído bem fino. Dissolver duas • 
colherinhas deste pó em uma xícara de água morna. O efeito 
é mais potente se, em lugar de água, for utilizado o decocto 
dos brotos da goiabeira. 
Distúrbios da digestão- Recomenda-se o chá das folhas do • 
abacateiro para a dispepsia atônica;
Dor-de-cabeça- devem ser feitas compressas com o chá morno • 
das folhas e colocadas sobre à cabeça. Convém também bebê-
lo;
227 ABACATE COMO fONTE TERApÊuTICA •
Tosse - Chá das folhas do abacateiro, morno, com mel, tomado • 
aos goles;
Verminoses - Lavar e moer bem a casca de abacate e misturar • 
em partes iguais com casca de limão ralado, acrescentar mel 
e tomar em jejum uma colher de sopa.
5. O abacate como fonte terapêutica
Graeff (1993) relata que várias são as causas que podem provo-
car irritabilidade e descontrole emocional. Antenas de TV, torres de 
celular e altos níveis de poluição eletromagnética na atmosfera estão 
provocando aumento no potencial bioelétrico, o que causa inúmeros 
males, inclusive confusão nas ligações neuronais e conseqüente baixa 
de serotonina, substância sedativa e calmante que eleva o humor e pro-
duz sensação de bem-estar. Segundo Banki (1991) pessoas sob estresse 
profundo e desvitalização bioenergética acabam por perder o controle 
dos impulsos, e a baixa da serotonina cria quebras na formação de 
outros neurotransmissores controladores do comportamento explosivo. 
Os níveis cerebrais de serotonina também são dependentes da ingestão 
de alimentos fontes do aminoácido triptofano e de carboidratos. 
Uma alimentação pobre em carboidratos, assim como uma ali-
mentação com excesso de proteínas, por vários dias, pode levar as 
alterações de humor e depressão. Rohlfs (2005) diz que a serotonina 
talvez seja um dos mais importantes neutransmissores do cérebro. Seus 
níveis determinam se a pessoa está deprimida, propensa à violência, 
irritada, impulsiva ou gulosa. E as principais fontes de triptofano são 
o leite e iogurte desnatados, queijos brancos e magros, carnes magras, 
peixes, nozes, banana, arroz, batata, feijão, lentilha, castanhas, abacate, 
soja e derivados.
O Diabetes mellitus é uma doença endócrina que altera o me-
tabolismo de carboidratos, lipídios, proteínas e de outras substâncias. 
Emerge de forma global como um importante problema de saúde 
pública, atingindo cerca de 142.5 milhões de pessoas em todo mundo, 
sendo o Diabetes mellitus tipo 2 responsável por 90% do total de casos 
existentes da síndrome (RODRIGUES, 2003). Os fatores de risco são a 
obesidade, a idade e os fatores genéticos, surgindo em geral, em indi-
víduos acima de 40 anos. A síndrome cursa com diversos graus de de-
ficiência na produção e na ação da insulina, tendo seu início freqüente-
228 • ABACATE
mente insidioso, podendo levar anos até chegar ao diagnóstico. Cerca 
de 80% dos pacientes são obesos. A ingestão excessiva de calorias é 
um fator importante, sendo que a obesidade, em particular a obesidade 
intra-abdominal, é provavelmente o mais poderoso fator de risco e 
mesmo pequena perdas de peso estão relacionadas a uma alteração 
nos níveis de glicose em direção ao normal em indivíduos com este 
tipo de diabetes. Segundo Santiago (1994), um importante objetivo do 
tratamento é prover o indivíduo com as ferramentas necessárias para 
atingir o melhor controle glicêmico possível para prevenir, retardar 
ou interromper as complicações micro e macrovasculares do paciente 
enquanto minimiza a hipoglicemia e o excesso de ganho de peso, in-
cluindo terapia nutricional, medicações, exercícios, monitorização da 
glicose sangüínea e autotratamento. As pessoas com Diabetes Mellitus 
tipo 2 têm um aumento de 2 a 4 vezes na prevalência da dislipidemia 
devendo limitar o consumo de gorduras a < 30% das calorias totais 
diárias. A ingestão de gorduras polinsaturadas (óleo vegetais) deve ser 
< 10% de calorias, com gordura monoinsaturada (azeite de oliva, aba-
cate) na faixa de 10-15% de calorias e colesterol < 300 mg diários. É 
recomendado o consumo diário de 20-25 g de fibra dietética de ambas 
as fontes (solúveis e insolúveis) e de uma ampla variedade de origens 
alimentares (verduras, legumes, frutas, alimentos integrais). 
Mesmo não considerado como fonte protéica, o abacate contém 
quantidades muito superiores deste nutriente quando comparado às 
outras frutas (SALGADO, 2005), sendo que tanto a variedade como 
o clima de cultivo podem interferir no teor dos nutrientes do fruto. 
Segundo Credidio (2004), dada à relevância do consumo de abacate em 
dietas de determinados países, incluindo o Brasil, estudos foram feitos, 
especialmente no México, relatando o papel protetor que os compo-
nentes do abacate possuem tanto na prevenção como no tratamento 
de cardiopatias. Ainda segundo o mesmo autor em 1992 foi publicada 
a primeira evidência científica sobre a eficácia do abacate como fonte 
de ácidos graxos monoinsaturados em pessoas saudáveis, reduzindo o 
colesterol total, o colesterol de baixa densidade (LDL) e os triacilgli-
ceróis. Em 1997, foi constatado em pacientes com hipercolesterolemia 
que, além do consumo do fruto induzir redução nas taxas de colesterol 
total, LDL e TAG, ele favorece o aumento desejável nos níveis do 
colesterol de alta densidade (HDL). Conforme a American Diabetes 
229 ABACATE COMO fONTE TERApÊuTICA •
Association (2000), os resultados do consumo de dietas compostas por 
abacate aparecem logo após o período de uma semana, onde já ocorre 
alterações sensíveis nos indicadores lipídicos do sangue. Além disso, 
já foi identificado que o consumo do abacate influencia também na 
glicemia. Após quatro semanas consumindo dieta contendo abacate, 
mulheres diabéticas insulino dependentes, compensadas e sem com-
plicações graves decorrentes da patologia, tiveram redução tanto no 
colesterol sérico total como na glicemia. 
 De acordo com Salgado (2005), o consumo de abacate auxilia 
no tratamento de doenças crônicas, especialmente nas cardiopatias, di-
abetes e dislipidemias, isso devido ao fato de que parte

Mais conteúdos dessa disciplina