Introdução, universo e planetas
13 pág.

Introdução, universo e planetas


DisciplinaGeologia7.043 materiais58.229 seguidores
Pré-visualização4 páginas
UNIVERSIDADE CATÓLICA DE BRASÍLIA 
CURSO DE BIOLOGIA 
Disciplina: GEOLOGIA 
Professor: Luiz Fernando W. Kitajima 
 
Apostila 1 \u2013 Introdução à geologia. Universo e Planetas 
 
 
1 Introdução 
 
1.1 Definição e história 
 
O que é geologia? Geologia é, de forma simples, \u201co estudo da Terra\u201d (geo, Terra, logos, saber ou estudo). 
Corresponde ao estudo da estrutura e composição do planeta Terra; dos processos abaixo e acima da 
superfície responsáveis pela modificação da crosta terrestre e do seu interior; da história do planeta; da sua 
interação com a atmosfera / hidrosfera / biosfera / sociedade (ou antroposfera). 
A Geologia pode apresentar várias sub-divisões. Na prática emprega-se a sub-divisão para as diversas áreas 
de especialização da geologia, que são numerosas e podem ser criadas a partir da própria evolução do 
conhecimento sobre a Terra. Por exemplo: 
Mineralogia: estuda as propriedades químicas e estruturais dos minerais 
Petrologia: estuda os diferentes tipos de rochas e suas origens 
Geoquímica: estuda o comportamento dos elementos químicos nos processos geológicos e formadores de minerais e 
rochas 
Paleontologia: estuda as formas de vida passadas (preservadas na forma de fósseis), sua evolução e os 
ecossistemas que formavam 
Geologia estrutural: estuda as estruturas que as rochas formam 
Desde eras pré-históricas os fenômenos geológicos, que afetam a superfície da Terra, como terremotos, 
vulcanismo, inundações, impressionaram as civilizações primitivas, atribuindo-lhes caráter divino. Até hoje associa-se 
(metaforicamente) estes eventos ao destino ou à ações divinas. Havia também razões de ordem prática neste 
interesse: localizar ocorrência de minerais e rochas úteis ou áreas com solos de boa qualidade para o plantio ou uma 
área cujo relevo permitisse a fundação de um povoado. 
Antes de Cristo, filósofos como Tales de Mileto, Anaxímenes, Heráclito e Aristóteles observaram e 
descreveram vulcanismo e terremotos, procurando tentar encontrar explicações para os mesmos, observaram que os 
fenômenos geológicos podem ser extremamente lentos e tentaram encontrar teorias que explicassem a origem da 
própria Terra. 
Nos séculos XV e XVI, surgem dois nomes que ajudam a definir a geologia como ela é. Geórgio Agrícola e 
Nicolau Steno publicam obras em que descrevem os tipos de minerais e suas características e ocorrências, como 
também procuram explicar a formação das rochas. A geologia surge como ciência definida a partir do séc. XVIII 
(Hutton). Hutton resume todos os conhecimentos até então e define uma série de princípios até hoje aplicados em 
diversos campos da geologia, sendo assim esta época marcada como o nascimento da geologia como ciência. 
 
1.2 Geologia e a biologia 
 
Na pesquisa científica, procura-se empregar os conhecimentos de duas ou mais áreas para resolver um dado 
problema. Na atualidade, estes problemas acumulam-se na mesma proporção em que se tem consciência dos 
impactos provocados pela atividade humana no meio físico e biológico. Ao mesmo tempo, precisa-se de ser 
encontrados novos recursos para manter os níveis de conforto ou desenvolvimento exigidos pela sociedade. 
Também há o fato de que muitas perguntas das ciências biológicas podem ser respondidas pelas outras áreas das 
ciências, como é o caso da geologia. 
A vida, objeto de estudo da biologia, é essencialmente a vida na Terra. A Terra é a base da existência da 
vida, fornece o abrigo, substrato para os ciclos de energia e matéria que sustentam os ecossistemas, forma as 
condições necessárias para que ela prospere. Ou seja: 
 Sem Terra não há vida 
 A Terra e a vida fazem parte de um todo complexo, de partes que constantemente estão interagindo, e que 
pode ser chamado de Sistema Terra. O Sistema Terra é um sistema composto pelas partes que ocorrem na 
superfície do planeta Terra, no espaço imediatamente o seu redor e abaixo dela. Para que esse sistema possa 
funcionar, é necessário energia. A energia do Sistema Terra vem de duas fontes básicas: 
 -o calor interno da Terra. Este calor é causado, principalmente, pela radioatividade no interior da Terra, 
especialmente em suas áreas centrais, onde a temperatura alcança 6.000 graus Celsius. 
 -do Sol 
 Os componentes do Sistema Terra que funcionam com a energia do Sol são: 
 -Atmosfera. Envoltório gasoso do planeta Terra. Nele ocorrem os fenômenos meteorológicos e climáticos 
(chuvas, ventos, nuvens...) 
 -Hidrosfera. A água na Terra: Superfície (oceanos, lagos, rios), subsolo (água subterrânea) e atmosfera 
(vapor de água) 
 -Biosfera. Matéria orgânica relacionada á vida. 
 Os componentes do Sistema Terra que são acionados pela energia interna da Terra: 
 -Camadas rochosas que constituem o interior da Terra: Litosfera / Crosta (a definição precisa de Crosta e 
Litosfera será apresentada mais adiante), Manto e Núcleo. A Litosfera / Crosta é de especial interesse pelo fato de 
ser a interface direta com os outros sistemas, assim como a humanidade e uma porção dos seres vivos viverem nela. 
Todos estes componentes interagem incessantemente entre si, influenciando-se mutuamente. Tais 
interações afetam profundamente a vida na superfície da Terra. A vida responde, reage às mudanças que a Terra 
sofre ou sofreu ao longo do tempo. Tais mudanças ainda ocorrem, fazem parte de todo um processo que ainda está 
em andamento. Conhecer melhor a Terra é conhecer a casa em que a vida existe. 
 
 
Por exemplo: Uma erupção vulcânica pode destruir extensas áreas diretamente ou mesmo induzir mudanças 
climáticas globais; destruindo grande número de espécies animais ou vegetais. A atmosfera atua sobre as rochas, 
fragmentando-as e retirando o material destruído, causando a erosão. Pode também formar o solo que sustenta a 
vida vegetal. A presença de vegetação também ajuda a definir o grau de ação da erosão em uma dada área. 
 
À esquerda, extinção em massa causado por atividade vulcânica. À direita, erosão no solo acelerada pela retirada de vegetação. 
 
O tipo de rocha define também a qualidade do solo, afetando a vegetação, que por sua vez pode afetar o 
clima. O comportamento da atmosfera pode ser modificado pela vegetação abaixo. 
Na Bacia Amazônica o clima é extremamente quente e úmido, com chuvas constantes. Esse tipo de clima faz 
com que as rochas sejam rapidamente destruídas e erodidas, formando relevos suaves e solos profundos e pobres 
em nutrientes, lixiviados pelas águas. A vegetação densa que se instala é obrigada a reciclar constantemente seus 
resíduos para poder se alimentar, o que é facilitado pelo clima quente. A vegetação densa, devido á intensa evapo-
transpiração, também libera grandes quantidades de vapor de água que vão causar mais chuvas torrenciais, levando 
mais sedimentos que serão depositados nos rios maiores ou em alto mar, auxiliando na formação de novas rochas 
sedimentares. 
Já nas regiões temperadas, as variações de temperatura, bastante acentuadas, com calor intenso no verão e 
neve no inverno, permite o desenvolvimento de solos de tipos diferentes. 
Outro exemplo da importância da geologias para a biologia é que a evolução das espécies ao longo das eras 
geológicas só pode ser acompanhada graças aos fósseis. Estes restos vegetais e animais preservados nas rochas 
permitem: 
-acompanhar as mudanças que afetaram os seres vivos ao longo da história do planeta 
-determinar as origens da vida 
-definir os tipos de espécies, suas relações com outras espécies, determinar a composição dos ecossistemas 
e biomas 
-definir a distribuição dos mesmos. Esse trabalho de distribuição permite ainda estudar as leis que regem a 
evolução e a expansão das espécies na superfície da Terra; é a chamada Biogeografia. 
-transportar os fenômenos causadores de sua expansão e extinção