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contabilidade intermediaria II   1

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de R$
2.000.000,00 cada uma, sem juros, efetuada num momento em que a taxa de juros,
para o tipo de vendedor e comprador, seja, para ambos, de 18% ao ano (essas taxas
podem ser diferentes para eles). (CPC, 2008)
A fim de se resolver a questão do exemplo, a tabela abaixo demonstra os cálculos
que subsidiarão o registro contábil do caso:
O valor pago à vista não precisa ser atualizado, pois já consta na data zero, ou seja,
representa um valor presente. Para atualização dos valores das parcelas das três
Notas Promissórias, utiliza-se a fórmula para o cálculo do Valor Presente, como
vemos abaixo:
VOCÊ SABIA?
Quadro 3 - Demonstração dos cálculos realizados para ajuste a valor presente em transação de
compra e venda de imóvel com pagamento a prazo. Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.
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Utilizando a calculadora financeira HP 12C podemos calcular o Valor Presente da
seguinte forma: considere um valor de venda de R$ 12.000,00 com pagamento em
24 meses (ou 2 anos), com uma taxa de juros de 12% ao ano. O Valor Futuro de R$
12.000,00, atualizado a taxa de 12% ao ano, seria de R$ 9.566,33 no Valor Presente.
Para encontrar este valor adotamos o seguinte procedimento na calculadora HP
12C: 12.000 CHS FV; 2 n; 12 i; PV.
Com os cálculos realizados, passamos então para a contabilização dos valores
respeitando o método das partidas dobradas, como segue.
 
Reconhecimento inicial da transação pelo vendedor
Débito: Caixa ou Bancos (Grupo do Ativo Circulante); 
Valor: R$ 4.000.000,00;
Débito: Notas Promissórias a Receber (Grupo do Ativo Circulante e não Circulante);
Valor: R$ 6.000.000,00;
Crédito: Juros a Apropriar (Grupo do Ativo Circulante e não Circulante);
Valor: R$ 1.651.454,00;
Crédito: Receita de Vendas de Imóveis (Grupo de Receitas);
Valor: R$ 8.348.546,00;
Histórico: Venda a prazo realizado nesta data.
 
Reconhecimento inicial da transação pelo comprador
Débito: Imóveis (Grupo do Ativo não Circulante); 
Valor: R$ 8.348.546,00;
Débito: Juros a Apropriar (Grupo do Passivo Circulante e não Circulante);
Valor: R$ 1.651.454,00;
Crédito: Caixa ou Bancos (Grupo do Ativo Circulante);
Valor: R$ 4.000.000,00;
Crédito: Notas Promissórias a Pagar (Grupo do Passivo Circulante e não
Circulante);
Valor: R$ 6.000.000,00;
Histórico: Compra de imóvel a prazo realizado nesta data.
 
Agora, devemos estruturar as contas contábeis que envolvem o AVP, objetivando a
evidenciação nas demonstrações contábeis. As tabelas a seguir apresentam, por
meio da estrutura do Balanço Patrimonial, a configuração das contas contábeis
que envolvem o AVP, tanto pelo lado do vendedor, quanto do comprador.
Esta é a tabela que representa o lado do vendedor:
E esta é a tabela que representa o lado do comprador:
Quadro 4 - Balanço Patrimonial: estrutura das contas contábeis que envolvem o Ajuste a Valor
Presente no vendedor. Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.
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Conforme representado no BP do vendedor, perceba que a conta “Juros a
Apropriar” ficará representada abaixo da conta “Notas Promissórias”, dentro do
grupo de conta de “Clientes”, como retificadora desta conta (no BP do vendedor).
Por um lado, à medida que o tempo passa, os registros contábeis do vendedor
apropriarão os juros pelo regime de competência, ou seja, os juros de cada
período serão contabilizados como receita financeira, reduzindo o valor das contas
de “Juros a Apropriar” no Ativo. Por outro lado, no BP do comprador, a conta
“Juros a Apropriar” ficará representada abaixo da conta “Notas Promissórias”
dentro dos Grupos do Passivo Circulante e não Circulante. Neste caso, os juros de
cada período serão contabilizados como despesa financeira no comprador,
reduzindo o valor das contas de “Juros a Apropriar” no Passivo.
Considerando o Exemplo 2, considere que ocorreu o recebimento da primeira
Nota Promissória. A contabilização desta transação deverá ser realizada da forma
como vemos a seguir.
 
Recebimento pelo vendedor da primeira Nota Promissória e apropriação dos
juros
Quadro 5 - Balanço Patrimonial: estrutura das contas contábeis que envolvem o Ajuste a Valor
Presente no comprador. Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.
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Débito: Caixa ou Bancos (Grupo do Ativo Circulante); 
Valor: R$ 2.000.000,00;
Crédito: Notas Promissórias a Receber (Grupo do Ativo Circulante);
Valor: R$ 2.000.000,00;
Débito: Juros a Apropriar (Grupo do Ativo Circulante);
Valor: R$ 305.085,00;
Crédito: Receitas Financeiras (Grupo de Receitas);
Valor: R$ 305.085,00;
Histórico: Recebimento de Nota Promissória 01 nesta data.
 
Pagamento pelo comprador da primeira Nota Promissória e apropriação dos
juros
Débito: Notas Promissórias a Pagar (Grupo do Passivo Circulante); 
Valor: R$ 2.000.000,00;
Crédito: Caixa ou Bancos (Grupo do Ativo Circulante);
Valor: R$ 2.000.000,00;
Débito: Juros a Apropriar (Grupo do Passivo Circulante);
Valor: R$ 305.085,00;
Crédito: Despesas Financeiras (Grupo de Despesas);
Valor: R$ 305.085,00;
Histórico: Pagamento de Nota Promissória 01 nesta data.
 
Ressalta-se o destaque dado pelo CPC 12 no qual “o tratamento contábil mais
comum é a utilização, no ajuste a valor presente, de contas retificadoras do
realizável ou do exigível a que se refere”, como pode ser observado nas tabelas
acima sobre o BP do vendedor e do comprador. 
No vídeo Ajuste a valor presente | Descomplicando #6 (MEDRADO, 2017), você poderá conferir mais
explicações práticas sobre o AVP. O vídeo pode ser acessado em: < (https://www.youtube.com/watch?
v=PByTq9vHHk4)https://www.youtube.com/watch?v=PByTq9vHHk4
(https://www.youtube.com/watch?v=PByTq9vHHk4)>.
No Exemplo 2 foi utilizada a taxa de juros de 18%. Cabe destacar que a taxa de
desconto a ser utilizada corresponde à:
taxa efetiva da data da transação, ou seja, independe da taxa de juros de mercado
em períodos subsequentes. Nos casos em que a taxa de juros da transação é
explícita (está indicada em contrato ou é conhecida), deve-se apenas verificar sua
razoabilidade com a taxa de mercado aplicável. Caso a taxa de juros seja implícita,
isto é, não claramente indicada ou conhecida, seu valor deverá ser estimado a partir
da taxa de juros de mercado que seja praticada para transações com natureza, prazo
e riscos semelhantes, na data inicial da transação. Nessa segunda situação, a taxa
de juros utilizada pela Tesouraria de uma entidade para determinação de condições
e preços praticados é geralmente uma boa estimativa. (MARTINS et al., 2013, p. 114).
 
O contador Olívio Koliver, Doutor de Ciências Contábeis, é uma das grandes personalidades da
contabilidade brasileira. Dominava diversos idiomas, e isso representava uma facilidade para lecionar
em países estrangeiros. Sua principal marca era o respeito aos seus princípios, dentre os quais a ética,
que estava sempre em primeiro plano (ELY, 2010). 
VOCÊ QUER VER?
VOCÊ O CONHECE?
Além disso, outro ponto importante acerca do Valor Presente é que, em situações
de dificuldade para determinar a data de vencimento ou liquidação de um título,
seja a receber ou a pagar, não se aplica a determinação do CPC 12 (CPC, 2008).
1.3 Conceituando o Ativo Intangível
Com a promulgação da Lei nº 11.638/2007 (BRASIL, 2007), que alterou diversas
situações no âmbito da contabilidade no Brasil, os grupos de Ativo e Passivo
tiveram suas nomenclaturas alteradas. Tanto o Ativo quanto o Passivo foram
divididos em Circulante e Não Circulante. Especificamente para o Ativo não
Circulante, uma das modificações introduzidas foi a inclusão do grupo do
Intangível. Desse modo, o Ativo não Circulante passou a ser composto da seguinte
forma: 
 
realizável a longo prazo;
investimentos;
imobilizado;
intangível. 
 
Com isso, importa destacar