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contabilidade intermediaria II   1

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valor do ativo, caso o
valor justo seja superior ao valor líquido contábil”.
Algumas definições podem ser destacadas com base nos Pronunciamentos CPC 01
(2010b) e CPC 04 (CPC, 2010a):
Amortização é a alocação sistemática do valor amortizável de ativo intangível ao
longo da sua vida útil.
Valor residual de um ativo intangível é o valor estimado que uma entidade obteria
com a venda do ativo, após deduzir as despesas estimadas de venda, caso o ativo já
tivesse a idade e a condição esperadas para o fim de sua vida útil.
Vida útil é: (a) o período de tempo no qual a entidade espera utilizar um ativo; ou (b)
o número de unidades de produção ou de unidades semelhantes que a entidade
espera obter pela utilização do ativo.
Perda por desvalorização é o montante pelo qual o valor contábil de um ativo ou de
unidade geradora de caixa excede seu valor recuperável.
Valor recuperável de um ativo ou de unidade geradora de caixa é o maior montante
entre o seu valor justo líquido de despesa de venda e o seu valor em uso.
Ressalta-se que os ativos intangíveis com vida útil definida sofrem amortização em
função de sua vida útil. A amortização trata da perda do valor do capital aplicado
no ativo e deve ser aplicada sobre os ativos intangíveis que tenham vida útil
definida, ao longo dos anos, de acordo com o padrão de consumo da entidade. 
De acordo com o CPC 04 (R1) (2010a), o valor residual de um ativo intangível com
vida útil definida deve ser considerado 0 (zero), exceto em casos excepcionais,
conforme determina o item 100 do CPC 04 (R1): 
(a) haja compromisso de terceiros para comprar o ativo ao final da sua vida útil; ou
(b) exista mercado ativo (como definido no CPC 46) para ele e (Alterada pela Revisão
CPC 03): (i) o valor residual possa ser determinado em relação a esse mercado; e (ii)
seja provável que esse mercado continuará a existir ao final da vida útil do ativo.
É importante ressaltar ainda que o valor residual dos ativos intangíveis deve ser
revisado pelo menos ao final de cada exercício, conforme o item 102 do CPC 04
(R1).
Há ativos intangíveis com vida útil definida e com vida útil indefinida, sendo essa
última determinada quando não existir um limite previsível de geração de fluxos
de caixa positivos. Importante ressaltar que vida útil indefinida não é sinônimo de
vida útil infinita.
Os ativos intangíveis com vida útil definida sofrem amortização, enquanto os
ativos intangíveis com vida útil indefinida podem ser submetidos ao Teste de
Impairment (teste de recuperabilidade). Contudo, as regras para as Pequenas e
Médias Empresas (PME) são diferenciadas e específicas: elas devem considerar
todos os ativos intangíveis como tendo vida útil definida e, portanto, devem
submetê-los à amortização.
Em relação ao Goodwill, que é o ágio por expectativa de rentabilidade futura, é
preciso diferenciá-lo do Ativo Intangível. Enquanto o intangível pode e deve ser
identificável para que seja reconhecido, o Goodwill é um intangível não
identificável. Para Martins et al. (2013, p. 318) trata-se de um “conjunto de
intangíveis não identificáveis no processo de aquisição”. Ademais, o Goodwill
gerado internamente não poderá ser contabilizado, pois o reconhecimento é
vedado, conforme item 48 do CPC 04 (R1) (2010a).
Os gastos que fazem parte do custo de um ativo intangível adquirido
separadamente incluem, de acordo com o item 27 do CPC 04 (R1): a) seu preço de
compra, acrescido de impostos de importação e impostos não recuperáveis sobre
a compra, depois de deduzidos os descontos comerciais e abatimentos; e
conforme item 28, b) qualquer custo diretamente atribuível à preparação do ativo
para a finalidade proposta, como os honorários profissionais diretamente
relacionados para que o ativo fique em condições operacionais (CPC, 2010a).
Desse modo, o quadro abaixo visa apresentar os custos que são diretamente
atribuíveis e os gastos que não fazem parte do custo de um ativo intangível
adquirido separadamente:
O trabalho “Relevância dos ativos intangíveis em empresas de alta e baixa tecnologia”, de Dal Magro et
al. (2017), teve como objetivo analisar a relevância dos ativos intangíveis em empresas de alta e baixa
tecnologia. Acesse o estudo em: < (https://goo.gl/vosboE)https://goo.gl/vosboE
(https://goo.gl/vosboE)>. 
Quadro 6 - Custos diretamente atribuíveis e os gastos não atribuíveis ao custo de um ativo intangível.
Fonte: Elaborado pelo autor, baseado em CPC, 2010a.
VOCÊ QUER LER?
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Para a realização dos lançamentos referentes aos fatos contábeis provenientes das
operações envolvendo o Ativo Intangível, devemos levar em conta todos os
aspectos relacionados com o conceito de intangível, os critérios de identificação,
reconhecimento e mensuração destes ativos.
VOCÊ SABIA?
Não existirá valor residual de um ativo intangível que não possa ser vendido
futuramente, ou quando do término de sua vida útil. Isto faz sentido, pois a
definição de Valor Residual é o valor estimado que uma entidade obteria com a
venda do ativo (CPC, 2010a). Leia mais acessando o site do Comitê de
Pronunciamentos Contábeis em: < (https://goo.gl/EztTbw)https://goo.gl/EztTbw
(https://goo.gl/EztTbw)>. Bons estudos!
Para melhor compreensão dos lançamentos contábeis decorrentes de transações
envolvendo custos incorridos para aquisição de intangíveis, vemos a seguir um
caso como exemplo de análise prática dos conceitos estudados.
CASO
A Cia. SOLUTION Ltda. realizou reunião nesta data para deliberações das
estratégias para a área de sistemas da empresa. O principal diretor da área,
Sr. Navas, é responsável pela diretoria de TI – Tecnologia de Informação. O
Sr. Navas apresentou um projeto de estruturação de rede e de aquisição de
novos so�wares.
A primeira etapa do projeto é justamente a aquisição das licenças de
so�wares pela companhia. O valor de gasto a ser incorrido nesta situação
de compra das licenças é de R$ 4,5 milhões. Além disso, a vida útil a ser
considerada é de 5 anos, ou seja, 20% de amortização anualmente.
O Presidente da Cia. se assustou com o valor e questionou sobre os
impactos contábeis provocados pela aquisição das licenças. O Gerente de
Controladoria foi acionado para explicar os efeitos desta transação. Quais
serão os impactos desta transação e que suporte normativo deve ser dado
nesta questão pelo Gerente de Controladoria da SOLUTION Ltda.?
Solução do caso
Primeiramente, cabe esclarecer que, independentemente da forma de
pagamento, à vista ou a prazo, trata-se de um possível ativo intangível. Para ser
tratado como tal, o Gerente de Controladoria deverá informar aos presentes na
reunião que a observação de dois Pronunciamentos Técnicos é necessária: o CPC
01 (2010b) e o CPC 04 (2010a). CPC 01 aborda os critérios de análise da
recuperabilidade dos ativos e o CPC 04 estabelece os critérios para o
reconhecimento de um ativo intangível. Considerando que os critérios de
reconhecimento de um ativo intangível foram atingidos, a Cia. poderá efetuar os
seguintes lançamentos, conforme seguem. 
 
Na aquisição das licenças de so�wares
Débito: Ativo Intangível (Grupo do Ativo não Circulante); 
Crédito: Caixa, bancos ou passivo (Grupo do Ativo Circulante ou Passivo Circulante
e Não Circulante);
Valor: R$ 4.500.000,00;
Histórico: Aquisição de licenças de so�ware conforme contrato nesta data.
 
Na amortização do ativo intangível com vida útil definida
Débito: Despesas com amortizações (Grupo de Despesas); 
Crédito: Amortização acumulada (Grupo do Ativo Circulante);
Valor: R$ 900.000,00;
Histórico: Amortização sobre aquisição de licenças de so�ware nesta data.
 
Convém ainda demonstrar, no BP, como figurariam as contas envolvidas:
 
ATIVO
Ativo circulante
Ativo não circulante
Realizável a Longo Prazo
Investimentos
Imobilizado
Intangível 3.600.000,00       
Licenças de So�ware