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Material de Apoio Direito Civil João Aguirre Aula 02

Material de apoio (monitoria) de Direito Civil sobre vícios do negócio jurídico: aborda vícios do consentimento — erro (substancial/acidental), dolo (positivo/negativo), coação, estado de perigo (art.156) e lesão (art.157) — com classificações, exemplos e referência ao art.139.

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OAB Extensivo Final de Semana – Direito Civil – João Aguirre 
 
 
1
 
OAB Extensivo Final de Semana 
Disciplina: Direito Civil 
Prof.: João Aguirre 
Aula: 02 
Monitor: Rafael Lee 
 
 
MATERIAL DE APOIO - MONITORIA 
 
 
Índice 
 
I. Anotações 
II. Lousas III. Questões 
 
 
 Defeitos do Negócio Jurídico 
 
1. Vícios do Consentimento ou vícios da vontade. A premissa básica decorre do conceito 
de consentimento que é a manifestação de vontade na sua forma afirmativa (e não a 
negativa). Trata-se de concordância. 
 
No vício do consentimento há duas vontades, a declarada x vontade real, podendo haver 
uma dissonância entre eles. A exemplo, a manifestação declarada pode ser afirmativa no 
caso de situação coercitiva, mas dentro de si a vontade real é o oposto. 
 
Vícios do Consentimento: 
 
a) Erro. No erro o prejudica se engana sozinho, independente da aplicação de golpe. A 
exemplo, vender um relógio de latão banhado de dourado na 25 de março – SP como 
se fosse de ouro. Ora, qualquer pessoa saberia que o local funciona um comércio de 
produtos falsificados. 
 
Classificação de Erro: Poder ser substancial ou acidental. Somente o primeiro anula o negócio. 
 
Erro Substancial Erro Acidental 
O negócio não seria realizado se aquele que 
errou soubesse da verdade. 
O negócio seria realizado, mas em outras 
condições. 
Anula o negócio jurídico Não anula o negócio jurídico. 
 
• Art. 139: O erro é substancial quando interessa a natureza do negócio ao objeto principal 
da declaração ou algumas das qualidades a ele essenciais. Ex.: Celebro um contrato de 
locação achando que é de comodato. 
 
• O erro substancial pode se dar sobre a pessoa – chamado de erro essencial. Ex.: Mulher 
que descobriu que o marido era homossexual (para tanto, requer dentro do prazo de 3 
anos) e marido que descobriu que a mulher se prostituía. 
 
• Sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei, for o motivo único ou principal 
do negócio jurídico – erro de direito. O art. 3º da LINDB ninguém pode se escusar da lei 
alegando que não a conhece – princípio da obrigatoriedade da norma. Ex.: Filho renuncia 
 OAB Extensivo Final de Semana – Direito Civil – João Aguirre 
 
 
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herança do pai imaginando que seu quinhão irá para a viúva do falecido (sua mãe) quando 
na verdade, irá para o seu irmão. 
 
b) Dolo. Há um engano bem articulado (golpe), assim o prejudicado se engana pelo engodo 
aplicado pelo golpista, pois se soubesse da verdade não faria o negócio. A vontade está 
viciada da atitude maliciosa de outrem – para o Professor Orlando Gomes, o dolo é a 
arma do estelionatário. 
 
CC/02 também faz uma distinção de dolo substancial e acidental. No substancial o 
negócio não seria realizado se aquele que declarou à vontade soubesse da verdade. 
 
No dolo acidental o negócio seria realizado, mas em outras condições. Nesse caso o 
negócio não é anulável mas obriga às perdas e danos. Ademais, busca conservar sempre 
que possível o negócio jurídico. 
 
Dolo Positivo: Decorre de uma ação, também chamada de conduta comissiva. Ex: 
Falsifico um documento para você assinar o contrato. 
 
Dolo Negativo: Decorre de uma omissão, também conhecida como conduta omissiva. 
Ex: Omitir uma doença já existente quando da contratação de seguro de vida ou saúde. 
 
c) Coação. Coação pode ser empregado por meio de medo, pressão sobre a pessoa. A 
violência é moral – vis coativa (não confundir com a coação física, pois a física – vis 
absoluta gera nulidade absoluta ou inexistência do ato). 
 
Cuidado: Não é qualquer violência moral que gera nulidade, ou seja, está condicionada a ser 
violência moral + irresistibilidade (temor com fundamento). 
 
Cuidado2.: Temor infundado não anula o negócio jurídico. Seria um medo vencível. Da mesma 
forma o temor reverencial não anula o negócio, a exemplo, respeito excessivo ou medo do 
próprio chefe. 
 
d) Estado de Perigo (art. 156 do CC). Significa propriamente dito uma situação de 
perigo no qual o indivíduo precisa se salvaguardar (de si, ou parentes, amigos) do risco 
conhecido pela outra parte (dolo de aproveitamento). Dessa forma, ele assume uma 
prestação excessivamente onerosa. 
 
Ex.: Condicionar acesso ao tratamento médico em hospital sob valor extremamente 
absurdo e oneroso. 
 
e) Lesão (art. 157 do CC). Nessa modalidade, a pessoa que assina o contrato é 
inexperiente ou possui premente necessidade. 
 
Na lesão não é necessário provar o dolo de aproveitamento, bastando provar que a parte 
que assinou o contrato era inexperiente ou a premência necessidade. 
 
Essa desproporção pode se dar: 
 
a) Alguém paga muito mais do que devia; ou (se a parte que recebeu mais se 
comprometer a reduzir o seu ganho – conserva-se o negócio); 
 
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b) Alguém recebe muito menos do que valia (se parte que pagou menos, oferecer 
suplemento suficiente) 
 
� Nesses casos não se anula o negócio. 
 
Obs.: Nesses casos o negócio é anulável e o prazo é decadencial (não confundir com prescrição) 
– em regra, o prazo é de 4 anos, contados da realização do negócio ou do momento em que cessar 
a coação (Art. 178, CC). 
 
2. Vícios Sociais 
 
a) Simulação. Acarreta a nulidade e não há prazo para a sua arguição (art. 167). 
Simulação significa fingir. Existe um negócio aparente que não corresponde à realidade. 
 
O negócio aparente (aquilo que está no papel) mas na prática é bem diferente. A 
exemplo: Divórcio Simulado. José é casado com a Maria e é sócio de uma pessoa jurídica 
que possui dívidas. O divórcio é feito para na verdade para transferir os bens à mulher 
e para esvaziar possíveis bens garantidores de pagamento aos credores da PJ. 
 
Há desdobramentos da simulação: 
 
a.1) Simulação Absoluta: Existe um negócio aparente, mas nada mudou na realidade. 
Não ocorre nenhuma alteração na situação anterior. Ex.: Divórcio Simulado, ou seja, 
divorciados no papel, mas continuam vivendo juntos. 
 
a.2) Simulação Relativa: Na simulação relativa existe alteração na situação anterior, 
mas não da forma que está aparente. 
 
Dica: Na simulação relativa existem dois negócios: 
 
o Negócio Aparente: É o negócio simulado e, portanto, é nulo. 
 
Ex.: Compra e venda simulando uma doação (negócio oculto). José é casado com Maria 
e possuidores de vários bens. José visa transferir um de seus apartamentos para Joana 
a sua então amante. O problema é conseguir a outorga conjugal (que é exigido tanto 
nos bens comuns quanto nos particulares daquele). Então, simula uma compra e venda 
nessa doação. 
 
o Negócio oculto: É o chamado de negócio dissimulado. 
 
b) Fraude contra Credores. O negócio é anulável no prazo decadencial de 4 anos 
contados da sua realização. 
 
É cabível ação pauliana. 
 
Ocorre fraude contra credores quando o devedor dispõe de seu patrimônio levando-se 
a uma situação de insolvência. 
 
Ex.: João é possuidor de um patrimônio de 10 milhões de reais. Rafael figura como 
credor de uma dívida de 100 mil reais. João se desfaz de 98% de seu patrimônio. 
 
 
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II. LOUSAS 
 
 
 
 
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III. QUESTÕES 
 
1. Ano: 2016 Banca: FUNRIO Órgão: Prefeitura de Trindade – GO Prova: Procurador 
Municipal 
 
O defeito na manifestação da vontade gera consequências graves na validade do 
negócio jurídico. 
 
Diante dos defeitos do negócio jurídico, é correta a seguinte afirmativa: 
 
a) O dolo, seja ele essencial ou substancial, é suficiente para invalidação do negócio jurídico. 
 
b) A coação é hipótese de nulidade no Código Civil e, consequentemente, não convalesce pelo 
decurso do tempo. 
 
c) No estado de perigo, o agente, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua 
família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente 
onerosa. 
 
d) A coação suficiente para anular o negócio jurídico é aquela cuja ameaça recai sobre o 
paciente, sendo certo que a ameaça à família ou aos bens apenas autoriza o ressarcimento 
das perdas e danos. 
 
 
 
2. Ano: 2016 Banca: FGV Órgão: CODEBA Prova: Analista Portuário - Advogado 
 
Mariana está internada em hospital da rede particular de saúde em estado grave. 
Rodrigo, seu pai, promete recompensa de R$ 100.000,00 à equipe médica, caso a sua 
filha seja curada. Operada a cura, os médicos reivindicam o pagamento da recompensa 
prometida. Assinale a opção que indica o vício que contaminou essa manifestação de 
vontade. 
 
 a) Estado de perigo. 
 b) Lesão. 
 c) Erro. 
 d) Fraude contra credores. 
 e) Dolo por omissão. 
 
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3. Ano: 2016 Banca: COPESE – UFT Órgão: Prefeitura de Palmas – TO Prova: Procurador 
Municipal 
 
Considerando o estabelecido no Código Civil, analise as afirmativas a seguir: 
 
I. Configura-se lesão quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua 
família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa. 
 
II. Ocorre o estado de perigo quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por 
inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação 
oposta. 
 
III. Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar o devedor 
já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, poderão ser anulados 
pelos credores quirografários, como lesivos dos seus direitos. 
 
IV. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na 
substância e na forma. 
 
Indique a alternativa CORRETA. 
 
a) Somente as afirmativas I e II estão corretas. 
 
b) Somente as afirmativas III e IV estão corretas. 
 
c) Somente as afirmativas I e III estão corretas. 
 
d) Somente as afirmativas II e IV estão corretas. 
 
 
 
4. Ano: 2016 Banca: IESES Órgão: TJ-PA Prova: Titular de Serviços de Notas e de 
Registros - Remoção 
 
É manifesta a ocorrência de vício no consentimento, quando uma pessoa, sob premente 
necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente 
desproporcional ao valor da prestação oposta. O defeito do negócio jurídico acima 
disposto é classificado como: 
 
 a) Dolo. 
 b) Erro. 
 c) Lesão. 
 d) Estado de perigo. 
 
 
 
 
 
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Gabarito: 
 
1. C 
2. A 
3. B 
4. C

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