Prévia do material em texto
OAB Extensivo Final de Semana – Direito Civil – João Aguirre 1 OAB Extensivo Final de Semana Disciplina: Direito Civil Prof.: João Aguirre Aula: 02 Monitor: Rafael Lee MATERIAL DE APOIO - MONITORIA Índice I. Anotações II. Lousas III. Questões Defeitos do Negócio Jurídico 1. Vícios do Consentimento ou vícios da vontade. A premissa básica decorre do conceito de consentimento que é a manifestação de vontade na sua forma afirmativa (e não a negativa). Trata-se de concordância. No vício do consentimento há duas vontades, a declarada x vontade real, podendo haver uma dissonância entre eles. A exemplo, a manifestação declarada pode ser afirmativa no caso de situação coercitiva, mas dentro de si a vontade real é o oposto. Vícios do Consentimento: a) Erro. No erro o prejudica se engana sozinho, independente da aplicação de golpe. A exemplo, vender um relógio de latão banhado de dourado na 25 de março – SP como se fosse de ouro. Ora, qualquer pessoa saberia que o local funciona um comércio de produtos falsificados. Classificação de Erro: Poder ser substancial ou acidental. Somente o primeiro anula o negócio. Erro Substancial Erro Acidental O negócio não seria realizado se aquele que errou soubesse da verdade. O negócio seria realizado, mas em outras condições. Anula o negócio jurídico Não anula o negócio jurídico. • Art. 139: O erro é substancial quando interessa a natureza do negócio ao objeto principal da declaração ou algumas das qualidades a ele essenciais. Ex.: Celebro um contrato de locação achando que é de comodato. • O erro substancial pode se dar sobre a pessoa – chamado de erro essencial. Ex.: Mulher que descobriu que o marido era homossexual (para tanto, requer dentro do prazo de 3 anos) e marido que descobriu que a mulher se prostituía. • Sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei, for o motivo único ou principal do negócio jurídico – erro de direito. O art. 3º da LINDB ninguém pode se escusar da lei alegando que não a conhece – princípio da obrigatoriedade da norma. Ex.: Filho renuncia OAB Extensivo Final de Semana – Direito Civil – João Aguirre 2 herança do pai imaginando que seu quinhão irá para a viúva do falecido (sua mãe) quando na verdade, irá para o seu irmão. b) Dolo. Há um engano bem articulado (golpe), assim o prejudicado se engana pelo engodo aplicado pelo golpista, pois se soubesse da verdade não faria o negócio. A vontade está viciada da atitude maliciosa de outrem – para o Professor Orlando Gomes, o dolo é a arma do estelionatário. CC/02 também faz uma distinção de dolo substancial e acidental. No substancial o negócio não seria realizado se aquele que declarou à vontade soubesse da verdade. No dolo acidental o negócio seria realizado, mas em outras condições. Nesse caso o negócio não é anulável mas obriga às perdas e danos. Ademais, busca conservar sempre que possível o negócio jurídico. Dolo Positivo: Decorre de uma ação, também chamada de conduta comissiva. Ex: Falsifico um documento para você assinar o contrato. Dolo Negativo: Decorre de uma omissão, também conhecida como conduta omissiva. Ex: Omitir uma doença já existente quando da contratação de seguro de vida ou saúde. c) Coação. Coação pode ser empregado por meio de medo, pressão sobre a pessoa. A violência é moral – vis coativa (não confundir com a coação física, pois a física – vis absoluta gera nulidade absoluta ou inexistência do ato). Cuidado: Não é qualquer violência moral que gera nulidade, ou seja, está condicionada a ser violência moral + irresistibilidade (temor com fundamento). Cuidado2.: Temor infundado não anula o negócio jurídico. Seria um medo vencível. Da mesma forma o temor reverencial não anula o negócio, a exemplo, respeito excessivo ou medo do próprio chefe. d) Estado de Perigo (art. 156 do CC). Significa propriamente dito uma situação de perigo no qual o indivíduo precisa se salvaguardar (de si, ou parentes, amigos) do risco conhecido pela outra parte (dolo de aproveitamento). Dessa forma, ele assume uma prestação excessivamente onerosa. Ex.: Condicionar acesso ao tratamento médico em hospital sob valor extremamente absurdo e oneroso. e) Lesão (art. 157 do CC). Nessa modalidade, a pessoa que assina o contrato é inexperiente ou possui premente necessidade. Na lesão não é necessário provar o dolo de aproveitamento, bastando provar que a parte que assinou o contrato era inexperiente ou a premência necessidade. Essa desproporção pode se dar: a) Alguém paga muito mais do que devia; ou (se a parte que recebeu mais se comprometer a reduzir o seu ganho – conserva-se o negócio); OAB Extensivo Final de Semana – Direito Civil – João Aguirre 3 b) Alguém recebe muito menos do que valia (se parte que pagou menos, oferecer suplemento suficiente) � Nesses casos não se anula o negócio. Obs.: Nesses casos o negócio é anulável e o prazo é decadencial (não confundir com prescrição) – em regra, o prazo é de 4 anos, contados da realização do negócio ou do momento em que cessar a coação (Art. 178, CC). 2. Vícios Sociais a) Simulação. Acarreta a nulidade e não há prazo para a sua arguição (art. 167). Simulação significa fingir. Existe um negócio aparente que não corresponde à realidade. O negócio aparente (aquilo que está no papel) mas na prática é bem diferente. A exemplo: Divórcio Simulado. José é casado com a Maria e é sócio de uma pessoa jurídica que possui dívidas. O divórcio é feito para na verdade para transferir os bens à mulher e para esvaziar possíveis bens garantidores de pagamento aos credores da PJ. Há desdobramentos da simulação: a.1) Simulação Absoluta: Existe um negócio aparente, mas nada mudou na realidade. Não ocorre nenhuma alteração na situação anterior. Ex.: Divórcio Simulado, ou seja, divorciados no papel, mas continuam vivendo juntos. a.2) Simulação Relativa: Na simulação relativa existe alteração na situação anterior, mas não da forma que está aparente. Dica: Na simulação relativa existem dois negócios: o Negócio Aparente: É o negócio simulado e, portanto, é nulo. Ex.: Compra e venda simulando uma doação (negócio oculto). José é casado com Maria e possuidores de vários bens. José visa transferir um de seus apartamentos para Joana a sua então amante. O problema é conseguir a outorga conjugal (que é exigido tanto nos bens comuns quanto nos particulares daquele). Então, simula uma compra e venda nessa doação. o Negócio oculto: É o chamado de negócio dissimulado. b) Fraude contra Credores. O negócio é anulável no prazo decadencial de 4 anos contados da sua realização. É cabível ação pauliana. Ocorre fraude contra credores quando o devedor dispõe de seu patrimônio levando-se a uma situação de insolvência. Ex.: João é possuidor de um patrimônio de 10 milhões de reais. Rafael figura como credor de uma dívida de 100 mil reais. João se desfaz de 98% de seu patrimônio. OAB Extensivo Final de Semana – Direito Civil – João Aguirre 4 II. LOUSAS OAB Extensivo Final de Semana – Direito Civil – João Aguirre 5 OAB Extensivo Final de Semana – Direito Civil – João Aguirre 6 OAB Extensivo Final de Semana – Direito Civil – João Aguirre 7 OAB Extensivo Final de Semana – Direito Civil – João Aguirre 8 OAB Extensivo Final de Semana – Direito Civil – João Aguirre9 OAB Extensivo Final de Semana – Direito Civil – João Aguirre 10 OAB Extensivo Final de Semana – Direito Civil – João Aguirre 11 OAB Extensivo Final de Semana – Direito Civil – João Aguirre 12 OAB Extensivo Final de Semana – Direito Civil – João Aguirre 13 III. QUESTÕES 1. Ano: 2016 Banca: FUNRIO Órgão: Prefeitura de Trindade – GO Prova: Procurador Municipal O defeito na manifestação da vontade gera consequências graves na validade do negócio jurídico. Diante dos defeitos do negócio jurídico, é correta a seguinte afirmativa: a) O dolo, seja ele essencial ou substancial, é suficiente para invalidação do negócio jurídico. b) A coação é hipótese de nulidade no Código Civil e, consequentemente, não convalesce pelo decurso do tempo. c) No estado de perigo, o agente, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa. d) A coação suficiente para anular o negócio jurídico é aquela cuja ameaça recai sobre o paciente, sendo certo que a ameaça à família ou aos bens apenas autoriza o ressarcimento das perdas e danos. 2. Ano: 2016 Banca: FGV Órgão: CODEBA Prova: Analista Portuário - Advogado Mariana está internada em hospital da rede particular de saúde em estado grave. Rodrigo, seu pai, promete recompensa de R$ 100.000,00 à equipe médica, caso a sua filha seja curada. Operada a cura, os médicos reivindicam o pagamento da recompensa prometida. Assinale a opção que indica o vício que contaminou essa manifestação de vontade. a) Estado de perigo. b) Lesão. c) Erro. d) Fraude contra credores. e) Dolo por omissão. OAB Extensivo Final de Semana – Direito Civil – João Aguirre 14 3. Ano: 2016 Banca: COPESE – UFT Órgão: Prefeitura de Palmas – TO Prova: Procurador Municipal Considerando o estabelecido no Código Civil, analise as afirmativas a seguir: I. Configura-se lesão quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa. II. Ocorre o estado de perigo quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. III. Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar o devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, poderão ser anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos seus direitos. IV. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. Indique a alternativa CORRETA. a) Somente as afirmativas I e II estão corretas. b) Somente as afirmativas III e IV estão corretas. c) Somente as afirmativas I e III estão corretas. d) Somente as afirmativas II e IV estão corretas. 4. Ano: 2016 Banca: IESES Órgão: TJ-PA Prova: Titular de Serviços de Notas e de Registros - Remoção É manifesta a ocorrência de vício no consentimento, quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. O defeito do negócio jurídico acima disposto é classificado como: a) Dolo. b) Erro. c) Lesão. d) Estado de perigo. OAB Extensivo Final de Semana – Direito Civil – João Aguirre 15 Gabarito: 1. C 2. A 3. B 4. C