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Imagine um objeto em movimento com uma certa velocidade. O que devemos fazer para alterar a velocidade do mesmo? Na física dizemos que basta aplicar Do ponto de vista físico, as forças são os agentes responsáveis pela mudança da velocidade de um objeto. Se ele muda de velocidade então sobre ele age Ao chutarmos uma bola em repouso, vamos colocá-la em movimento. Esse movimento resulta da força aplicada (sobre ela) pelo nosso pé direito (ou o pé esque Forças são muito comuns no nosso cotidiano. Ao segurarmos uma pedra, ao caminharmos ou no exercício de várias atividades humanas. As forças resultam da capacidade das várias partes do Universo (e da matéria) Forças resultam da i Apesar de o termo "força" abrigar uma noção quase intuitiva, é importante entender que, do ponto de vista da Física, relacionada com a alteração do estado de movimento de uma partícula isto é, a presença de forças entre as partes da matéria se faz sentir através de um movimento ou de afastamento (forças repulsivas) ou de aproximação Para que o aluno tenha pleno êxito no entendimento da dinâmica, ele deve, ao se dep envolvem o movimento de um corpo, identificar todas as forças que atuam sobre ele. Esse passo deve ser o primeiro e ele é fundamental. Por isso, vamos analisar, neste e nos próximos capítulos, as principais forças com que o estudante deverá se deparar ao longo deste curso de Mecânica. Analisaremos também as suas características. FORÇA Imagine um objeto em movimento com uma certa velocidade. O que devemos fazer para alterar a velocidade do mesmo? Na física dizemos que basta aplicar ao objeto uma força. Do ponto de vista físico, as forças são os agentes responsáveis pela mudança da velocidade de um objeto. Se ele muda de velocidade então sobre ele age uma força (ou mais forças). Ao chutarmos uma bola em repouso, vamos la em movimento. Esse movimento resulta da força aplicada (sobre ela) pelo nosso pé direito (ou o pé esquerdo). Forças são muito comuns no nosso cotidiano. Ao segurarmos uma pedra, ao caminharmos ou no exercício de várias atividades humanas. As forças resultam da capacidade das várias partes do Universo (e da matéria) de interagirem. Forças resultam da interação da matéria. Apesar de o termo "força" abrigar uma noção quase intuitiva, é importante entender que, do ponto de vista da Física, a noção de força está intimamente relacionada com a alteração do estado de movimento de uma partícula presença de forças entre as partes da matéria se faz sentir através de um movimento ou de afastamento (forças repulsivas) ou de aproximação (forças atrativas) das mesmas. Para que o aluno tenha pleno êxito no entendimento da dinâmica, ele deve, ao se deparar com problemas que envolvem o movimento de um corpo, identificar todas as forças que atuam sobre ele. Esse passo deve ser o primeiro e ele é fundamental. Por isso, vamos analisar, neste e nos próximos capítulos, as principais forças deverá se deparar ao longo deste curso de Mecânica. Analisaremos também as suas características. Imagine um objeto em movimento com uma certa velocidade. O que devemos fazer para alterar a velocidade do mesmo? Na física dizemos que basta aplicar Do ponto de vista físico, as forças são os agentes responsáveis pela mudança da velocidade de um objeto. Se ele muda de velocidade então sobre ele age Forças são muito comuns no nosso cotidiano. Ao segurarmos uma pedra, ao caminharmos ou no exercício de várias atividades humanas. As forças resultam da capacidade das várias partes do Universo (e da matéria) Apesar de o termo "força" abrigar uma noção quase intuitiva, é importante a noção de força está intimamente relacionada com a alteração do estado de movimento de uma partícula, presença de forças entre as partes da matéria se faz sentir através de um movimento ou de afastamento (forças repulsivas) ou de aproximação As forças são divididas em duas categorias: as interações fundamentais e as interações que derivam dessas. Na Dinâmica usaremos exclusivamente o Sistema Internacional de Unidade (SI), que tem, para unidade de intensidade de força, o newton, cujo símbolo é N. Observe que, de acordo com as regras de escrita do SI, a unidade "newton" se escreve com letra minúscula, embora venha do nome próprio "Newton". Por razões históricas, às vezes aparece uma outra unidade de força, que não pertence ao SI: é o quilograma-força, cujo símbolo é kgf e tal que 1) A interações gravitacionais e eletromagnéticas são ditas de longo alcance. Contudo, apenas a interação gravitacional é relevante para avaliar fenômenos em escala cosmológica. Explique o porquê deste fato. 2) O dina é a unidade de força no sistema cgs (centímetro-grama-segundo). Dado que força deve ter dimensão de aceleração vezes massa, defina as unidades do dina e estabeleça sua relação com a unidade do SI, o newton. A dinâmica é a parte da mecânica que se dedica ao estudo dos movimentos levando em conta as suas causas: as forças. O problema básico da mecânica é aquele de determinar a posição e a velocidade de uma partícula, uma vez conhecidas as forças agindo sobre ela. A inércia e a lei da inércia Existe na natureza uma tendência de não se alterar o estado de movimento de uma partícula, isto é, uma partícula em repouso tende naturalmente a permanecer em repouso e uma partícula com velocidade constante tende a manter a sua velocidade constante. Essa tendência natural de tudo permanecer como está é conhecida como inércia. No caso da Mecânica, essa observação a respeito do comportamento da natureza levou Newton a enunciar a sua famosa Lei da Inércia, que diz: "Qualquer corpo em movimento retilíneo e uniforme (ou em repouso) tende a manter-se em movimento retilíneo e uniforme (ou em repouso)." Esta é a primeira Lei de Newton. A inércia pode ser pensada como uma propriedade inata da matéria. Trata-se de um poder de resistir, mediante o qual cada corpo, no que depender de si, continua no seu estado presente, seja de repouso seja em movimento retilíneo e uniforme. O exemplo mais simples, do ponto de vista da observação da inércia dos corpos, é aquele dos passageiros num ônibus. Quando o veículo é brecado, os passageiros tendem a manter-se no seu estado de movimento. Por isso, as pessoas "vão para a frente" do ônibus quando este breca. Na realidade, a mudança do estado de movimento é apenas do ônibus. Os passageiros simplesmente tendem a manter resultam os ferimentos em acidentes no tráfego. Por que a utilização do cinto de segurança? A segunda lei de Newton é a lei fundamental da Mecânica. A partir dela e através de métodos matemáticos, podemos fazer previsões (velocidade e posição, por exemplo) sobre o movimento dos corpos. Qualquer alteração da velocidade de uma partícula é atribuída, sempre, a um agente denominado força. Basicamente, o que produz mudanças na velocidade são forças que agem sobre a partícula. Como a variação de velocidade indica a existência de aceleração, relação entre a força e a aceleração. De fato, Sir Isaac Newton percebeu que existe uma relação muito simples entre força e aceleração, isto é, a força é O exemplo mais simples, do ponto de vista da observação da inércia dos corpos, é aquele dos passageiros num ônibus. Quando o veículo é brecado, os passageiros tendem a se no seu estado de movimento. s "vão para a frente" do ônibus quando este breca. Na realidade, a mudança do estado de movimento é apenas do ônibus. Os passageiros simplesmente tendem a manter-se como estavam. Da inércia resultam os ferimentos em acidentes no tráfego. utilizaçãodo cinto de segurança? A 2ª lei de Newton A segunda lei de Newton é a lei fundamental da Mecânica. A partir dela e através de métodos matemáticos, podemos fazer previsões (velocidade e posição, por exemplo) sobre o movimento dos corpos. Qualquer alteração da velocidade de uma partícula é atribuída, sempre, a um agente denominado força. Basicamente, o que produz mudanças na velocidade são forças que agem sobre a partícula. Como a variação de velocidade indica a existência de aceleração, é de se esperar que haja uma relação entre a força e a aceleração. De fato, Sir Isaac Newton percebeu que existe uma relação muito simples entre força e aceleração, isto é, a força é s "vão para a frente" do ônibus quando este breca. Na realidade, a mudança do estado de movimento é apenas do ônibus. se como estavam. Da inércia A segunda lei de Newton é a lei fundamental da Mecânica. A partir dela e através de métodos matemáticos, podemos fazer previsões (velocidade e posição, por exemplo) sobre o movimento dos corpos. Qualquer alteração da velocidade de uma partícula é atribuída, sempre, a um agente denominado força. Basicamente, o que produz mudanças na velocidade são forças que agem sobre a partícula. Como a variação de é de se esperar que haja uma relação entre a força e a aceleração. De fato, Sir Isaac Newton percebeu que existe uma relação muito simples entre força e aceleração, isto é, a força é sempre diretamente proporcional à aceleração que ela provoca: onde m é a massa do corpo. Esta relação simples entre força e aceleração é conhecida como a 2ª Lei de Newton. No enunciado da lei de Newton, o termo tanto pode representar uma força como a força que resulta da soma de um conjunto de forças. Sendo a força uma grandeza vetorial, o mesmo acontecendo com a aceleração, podemos escrever para a lei de Newton, numa notação vetorial: Em componentes ao longo dos eixos x, y e z podemos escrever: Fx = max , Fy = may , Fz = maz . No caso em que mais de uma força atua sobre uma partícula, a lei de Newton deve ser entendida como: onde indica a soma das forças, ou seja, a somatória das forças que atuam sobre o objeto é igual à massa vezes a aceleração. Em termos das componentes, escrevemos: Ação e reação a 3ª lei de Newton Como foi dito no Capítulo 8, as forças resultam da interação de um corpo com outro corpo. É de se esperar, portanto, que, se um corpo A exerce uma força sobre um corpo B (chamada de ação), A também experimenta uma força (chamada de reação) que resulta da interação com B. Newton percebeu não só que isso acontece sempre mas, indo mais longe, especificou as principais características das forças que resultam da interação entre dois corpos. Essa questão foi objeto da sua terceira lei, cujo enunciado é: "Para toda força que surgir num corpo como resultado da interação com um segundo corpo, deve surgir nesse segundo uma outra força, chamada de reação, cuja intensidade e direção são as mesmas da primeira mas cujo sentido é o oposto da primeira." Desse modo, Newton se deu conta de três características importantes das forças de interação entre dois objetos. Em primeiro lugar, uma força nunca aparece sozinha. Elas aparecem aos pares (uma delas é chamada de ação e a outra, de reação). Em segundo lugar, é importante observar que cada uma dessas duas forças atua em objetos distintos. Finalmente, essas forças (aos pares) tem a mesma magnitude mas diferem uma da outra pelo sentido: elas têm sentido oposto uma da outra. Unidades de massa No SI , a unidade de massa é o quilograma (kg). Esta é a massa de um cilindro de platina iridiada mantido no Bureau Internacional de Pesos e Medidas (Paris). Independência das leis de Newton À primeira vista pode parecer que se pode deduzir a primeira lei a partir da segunda. Na realidade, na ausência de forças, o movimento de uma partícula é uma trajetória retilínea e o movimento é uniforme e isso se pode deduzir da segunda lei. O enunciado da primeira lei procura definir um conjunto de sistemas de referência ditos inerciais. Para qualquer um desses sistemas inerciais uma partícula, não estando sob a ação de forças, tem um movimento retilíneo e uniforme. Isso, como veremos depois, não é válido para sistemas não-inerciais. Uma vez definidos os sistemas inerciais, podemos estabelecer, para esses sistemas, a relação entre força e aceleração (a segunda lei). As equações de Newton podem ser escritas em coordenadas cartesianas, sob a forma mais geral como Determinado a posição de uma partícula O problema central da mecânica se resume àquele de encontrar as soluções das equações de Newton. Trata-se de resolver, para o caso de se determinar a posição (x(t), y(t), z(t)) como função do tempo, um conjunto de equações diferenciais de segunda ordem no tempo. A dificuldade principal está no fato dessas equações estarem acopladas umas às outras. As condições iniciais A solução completa das equações de Newton requer que informações sobre a velocidade da partícula e sua posição sejam conhecidas em algum instante de tempo anterior ao tempo t. Em geral admitimos que no instante de tempo t = 0 a posição e a velocidade da partícula são conhecidas Assim, do ponto de vista matemático, o problema da mecânica se reduz a encontrar as soluções para as equações de Newton dadas as condições iniciais. Isto é, se forem conhecidas a velocidade e a posição da partícula no passado, podemos determiná-las no futuro, uma vez conhecidas as forças agindo sobre ela. Quando a aceleração vetorial de um corpo é nula, dizemos que ele está em equilíbrio. Sabemos, porém, que se a aceleração vetorial é nula podemos ter dois casos: velocidade nula ou movimento retilíneo uniforme. No primeiro caso (velocidade nula), dizemos que o equilíbrio é estático e no segundo (M.R.U.), dizemos que o equilíbrio é dinâmico. 1) Um bloco de massa m está sobre um plano inclinado de 30o com a horizontal. Dado que o módulo da força de atrito entre o bloco e o plano é , onde N é o módulo da força normal de contato entre os dois e o coeficiente de atrito entre as duas superfícies, determine para que o bloco não escorregue plano abaixo. O termo Energia incorporou-se, em caráter definitivo, no cotidiano das pessoas. Este é o reconhecimento de que o consumo de energia determina, e muito, o padrão de vida dos habitantes da Terra. Ter energia, sob as mais diversas formas, à disposição é uma condição necessária para o desenvolvimento econômico e social de um país. Energia é a capacidade de realizar tarefas (os físicos preferem dizer realizar trabalho). Por tarefas entendemos atividades das mais diversas naturezas, como bater uma estaca no solo (para dotar um futuro prédio de bases sólidas), acender uma lâmpada, acionar as turbinas (ou reator) de um submarino nuclear, movimentar uma locomotiva ou aquecer a água dentro de uma panela. Energia é, portanto, a mola propulsora do desenvolvimento, do progresso. Por isso, a relevância de programas de geração e conservação de energia. A busca por fontes alternativas de energia será perene. Formas de energia A capacidade de realizar tarefas origina-se dos mais distintos processos físicos. Existem, pois, formas distintas de geração (ou armazenamento) de energia. A cada forma de energia associamos um nome para lembrar sua origem. Por exemplo, na detonação de uma bomba atômica existe a liberação (produção) de umaenorme quantidade de energia. Essa forma de energia se origina de processos que ocorrem no núcleo dos átomos (divisão de núcleos). Por isso, essa forma de energia recebe o nome de energia nuclear. Se a energia gerada tem origem no aproveitamento dos ventos, ela recebe o nome de energia eólica. Se a energia gerada se origina do aproveitamento de energia armazenada pela presença de campos elétricos (e magnéticos), temos a energia elétrica (ou magnética). O calor também é uma forma de energia (energia térmica). Existe, portanto, um número apreciável de formas de energia. Nos próximos capítulos estaremos estudando a Energia Mecânica. Ela é composta de outras duas formas: a Energia Cinética e a Energia Potencial. Formas de energia A capacidade de realizar tarefas origina-se dos mais distintos processos físicos. Existem, pois, formas distintas de geração (ou armazenamento) de energia. A cada forma de energia associamos um nome para lembrar sua origem. Por exemplo, na detonação de uma bomba atômica existe a liberação (produção) de uma enorme quantidade de energia. Essa forma de energia se origina de processos que ocorrem no núcleo dos átomos (divisão de núcleos). Por isso, essa forma de energia recebe o nome de energia nuclear. Se a energia gerada tem origem no aproveitamento dos ventos, ela recebe o nome de energia eólica. Se a energia gerada se origina do aproveitamento de energia armazenada pela presença de campos elétricos (e magnéticos), temos a energia elétrica (ou magnética). O calor também é uma forma de energia (energia térmica). Existe, portanto, um número apreciável de formas de energia. Nos próximos capítulos estaremos estudando a Energia Mecânica. Ela é composta de outras duas formas: a Energia Cinética e a Energia Potencial. Energia cinética Existe uma forma de energia que está associada inteiramente ao movimento, isto é, está associada ao estado de movimento (à velocidade, mais precisamente). Tal energia é denominada Energia Cinética (cinético, em grego, significa movimento). Para uma partícula de massa m e velocidade v, a sua energia cinética é dada pela expressão: . Note-se que, quanto maior for a velocidade e a massa de um objeto, tanto maior será a sua energia cinética. Esta expressão acima está muito de acordo com a nossa experiência cotidiana. Sabemos que um carro em movimento pode realizar tarefas, algumas delas absolutamente desnecessárias, tais como derrubar postes, derrubar muros ou deformar laterais de outros carros. O estrago provocado em acidentes é tanto maior quanto maior a velocidade do veículo. Uma jamanta, por outro lado, por ter uma massa maior do que um automóvel, é capaz de fazer mais estragos do que este (até mesmo a uma velocidade menor). Trabalhos realizados por uma força Quando definimos energia dissemos que os físicos preferem definir Energia como a capacidade de realizar trabalho (em vez de tarefas). Trabalho é um conceito muito abstrato (nada intuitivo, de fato) mas que, por outro lado, introduz um rigor matemático e, portanto precisão, na definição de energia. Para ser bem preciso, o que se pode afirmar é que, se alguma força realizou trabalho, então houve variação de energia. O trabalho aqui definido se constitui, portanto, numa medida de quanto uma forma de energia se altera (varia) quando um móvel se desloca de um ponto A para o ponto B. Trabalho realizado por uma força num deslocamento linear Para uma força constante, o trabalho realizado pela força sobre uma partícula, quando esta se desloca linearmente de A até B, é dado pelo produto escalar , onde é o vetor deslocamento de A até B: . Portanto, trabalho é uma grandeza escalar e seu valor é . Trabalho de uma força não constante Trabalho realizados por uma força Imaginemos que queremos calcular o trabalho de uma força quando a partícula percorre um caminho arbitrário do ponto A até o ponto B. Podemos dividir o percurso numa sucessão de deslocamentos (i=1,2,...) como mostra a figura ao lado. Se tomamos um número de divisões muito grande, os deslocamentos são muito pequenos e a força praticamente não varia ao longo de cada . O trabalho realizado por no deslocamento é então: , onde é o valor de no deslocamento . Agora podemos definir o trabalho no percurso total como sendo a soma em cada deslocamento parcial: Na verdade, esse é apenas um valor aproximado do trabalho. Para obter o valor exato, devemos fazer o número de divisões tender a infinito e de tal forma que as amplitudes de todos os intervalos vão tendendo a zero. Por esse processo, a somatória do segundo membro de (15.6) tende para um valor bem definido, indicado com e denominado integral de linha de um vetor ao longo de uma curva . Assim, . Escrevendo o deslocamento infinitesimal ao longo da curva, , na forma , onde dx, dy e dz são as variações infinitesimais correspondentes de x, y e z podemos escrever também . Essa é a forma usualmente empregada no cálculo do trabalho. Trabalhos e variação da enrgia cinética Vamos agora demonstrar, primeiramente sem muito rigor, um resultado muito importante; ou seja, o trabalho realizado por uma força (ou a resultante das forças que agem sobre o corpo) no deslocamento de A até B dá a diferença de energia cinética da partícula entre os pontos B e A: . Portanto, o trabalho dá uma medida muito precisa de quanto a energia cinética variou. Esta variação de energia cinética pode, por exemplo, ter-se transformado em outras formas de energia. Para demonstrarmos esse resultado, basta retomarmos a definição de trabalho e usarmos a lei de Newton. Obtemos . Uma manipulação simples leva a . O integrando pode ser escrito como uma diferenciação exata se lembrarmos que . Assim, utilizando a equação anterior em obtemos , demonstrando-se portanto, o resultado . Calculando o trabalho Vamos calcular o trabalho realizado por algumas das forças consideradas nos capítulos anteriores. Vamos começar pela força normal. Trabalho realizado pela força normal A força normal é sempre perpendicular à direção do deslocamento (e do movimento). Isso significa que a projeção da força na direção de deslocamento é nula. Matematicamente, Portanto, o trabalho realizado pela força normal é nulo. Trabalho realizado pela força gravitacional Como a força da gravidade na proximidade da terra é uma força constante m , o trabalho da força da gravidade será dada por . Escolhendo o eixo y de acordo com a figura ao lado verifica-se que . Observe-se que o trabalho depende apenas da variação da altura. Isso ocorre porque deslocamentos na direção horizontal dão contribuição nula para o trabalho, pois a força de gravidade é perpendicular a esses deslocamentos. Trabalho realizado por uma força não constante num deslocamento linear Dada uma força dependente de x, podemos dividir o deslocamento entre as posições xA e xB em pequenos intervalos . Para cada um desses intervalos aplicamos a fórmula para força constante, pois essa divisão procura justamente isso, ou seja, busca intervalos tão pequenos que para cada um deles possamos utilizar a expressão para força constante. Disso obtemos, para o i-ésimo intervalo, o trabalho . valor esse igual ao da área do retângulo tracejado mostrado na figura O trabalho total é o limite da somaquando aumentarmos o número de divisões fazendo os i tenderem a zero, isto é, . O significado de é que ele é igual a área da região compreendida entre o eixo x, a curva F(x) e as verticais por xA e xB, considerando-se essa área negativa quando F(x) é negativa. Exemplos No caso da força elástica, F(x) = -k x, a curva F(x) é a reta , mostrada na figura abaixo. A área do triângulo tracejado é, . Portanto, . Esse resultado vale também para pois, nesse caso, Introdução A dinâmica newtoniana é voltada para o estudo do movimento de objetos puntiformes (por isso dizemos a dinâmica do ponto). Como sabemos, os objetos que se movem no nosso Universo se encontram em constante interação com os demais. Dessa forma o interesse maior na mecânica é o estudo de um sistema de partículas. Nesse capítulo analisaremos as leis gerais do movimento de um sistema de N partículas. Esse número N pode ser relativamente pequeno como 2 ou 3 até um número muito grande. Faremos uma análise bastante geral, isto é, não especificaremos o número de partículas que compõe o sistema. Consideremos um sistema composto por N partículas. A posição da i-ésima partícula é . Sobre ela imaginemos que atuem as forças internas (isto é, devido as demais partículas do sistema) e as forças externas (estas devido a partículas ou objetos que não pertencem ao sistema). Podemos assim escrever para a força sobre a i-ésima partícula: . As forças internas sobre a i-ésima partícula podem ser escritas como uma soma: onde é a força exercida pela j-ésima partícula sobre a i-ésima partícula. Sabemos, ademais, pela terceira lei de Newton, que: . Utilizando agora a segunda lei de Newton, podemos escrever, para cada uma das partículas as quais designamos por 1, 2, 3, ..., N Conservação do momento linear Se adicionarmos as equações ( ) verificaremos que os termos das forças internas na somatória se anulam. Isto decorre de ( ). Portanto, podemos escrever para a soma . Definindo o momento linear total do sistema como a soma dos momentos de cada uma das partículas . Podemos portanto escrever ou seja, a taxa com que o momento linear total do sistema varia com o tempo é igual à soma das forças externas. Um resultado muito importante que segue de ( ) é que na ausência de forças externas ou se o resultado for nulo . Então de ( ) segue que o momento linear se conserva e, consequentemente onde é um vetor constante. Este resultado vale independentemente da natureza das forças internas. O centro de massa A despeito de ser muito difícil, em geral, determinar a posição e a velocidade de qualquer uma das partículas do sistema (tendo em vista a dificuldade de encontrarmos a solução exata para o sistema de equações ( )) existe um ponto no sistema de partículas cujo movimento em um bom número de casos é previsível. Esse ponto é o centro de massa. O centro de massa é definido pelas suas coordenadas Rx, Ry, e Rz dadas pelas expressões: , onde m de M é a massa total do sistema de partículas . Podemos assim escrever, vetorialmente, que o vetor de posição do centro de massa ( ) é dado por . No caso de um sistema composto por um número muito grande de partículas é preferível tratá-lo como uma distribuição contínua de partículas e não discreta. Nesse caso, um dos conceitos mais relevantes é a densidade. A densidade de massa é definida como a relação entre a quantidade de massa dm contida num elemento infinitesimal de volume dV. Definimos, portanto onde é o vetor posição do elemento de volume dV. Dada a densidade volumétrica de massa podemos calcular a massa total através da integral de volume da densidade . Para uma distribuição contínua de massa o centro de massa é dado por . Movimento do centro de massa O movimento do centro de massa é bastante simples. Para entendermos isso notamos primeiramente que e portanto, a taxa de variação do vetor posição do centro de massa vezes a massa total é igual ao movimento linear total . Consequentemente, de ( ) e ( ) segue que . Assim, o centro de massa é tal que ele se movimenta como se todas as forças externas estivessem atuando sobre ele. Não é assim muito difícil determinar a posição do centro de massa de um sistema de partículas. No caso em que as forças externas se anulam ou são nulas, temos que e portanto, o centro de massa tem um movimento retilíneo e uniforme independentemente das forças internas. Sistema de duas partículas Consideremos o caso mais simples de um sistema de partículas. Aquele composto por apenas duas partículas. Nesse caso as equações ( ) se reduzem a apenas duas: No caso do sistema constituído por apenas duas partículas definimos além do centro de massa a coordenada relativa definimos, além da massa total, a massa reduzida . A utilidade das grandezas físicas assim definidas podem ser entendidas ao adicionarmos e subtrairmos as equações ( ). A adição nos leva a . Ao passo que a subtração nos leva, depois de dividirmos a primeira equação por m1 e a segunda por m2, a . A primeira equação representa o resultado já conhecido de que o centro de massa se move de tal maneira que tudo se passa como se todas as forças externas estivessem atuando sobre ele. Para entendermos a relevância da coordenada relativa e de massa reduzida consideremos o caso em que o sistema de duas partículas não está sujeito a forças externas. Nessas circunstâncias as equações ( ) se escrevem agora Uma vez conhecida a força (ou forças) de interação entre as duas partículas podemos determinar a partir de ( ) e utilizando ( ). Uma vez conhecidos e podemos determinar e utilizando ( ). Isto é O centro de massa como sistema de referência Em muitos casos é útil fazer uso de um sistema de coordenadas cuja origem coincide com o centro de massa do sistema. Assim a posição de uma partícula genérica do sistema (i-ésima partícula) é dada por . Sua velocidade é composta por dois termos onde representa a velocidade de partícula relativa ao sistema centro de massa. A aceleração é dada por onde, novamente aqui, a barra representa a grandeza (no caso a velocidade) relativa ao centro de massa. Multiplicando a equação ( ) por mi, efetuando a soma e lembrando ( ) notamos uma propriedade da coordenada relativa ao centro de massa. Tal propriedade se resume, assim . Se considerarmos um sistema contínuo, então a propriedade análoga ( ) para um sistema contínuo é: . Veremos que a propriedade ( ), ou equivalentemente ( ), é muito útil na simplificação da expressão de várias grandezas físicas quando expressas em termos do centro de massa. Momento angular de um sistema de partículas O momento angular de uma partícula é dado por e a taxa de variação do momento angular em respeito ao tempo é . O primeiro termo se anula uma vez que é paralelo a . Utilizando a lei de Newton, escrevemos . O lado direito da equação acima é o torque da força definido como portanto, a taxa de variação do momento angular é igual ao torque aplicado pela força agindo sobre o corpo. Portanto . Para um sistema de partículas, o momento angular total é dado por . No caso de uma distribuição contínua de partículas escrevemos para o momento angular . Utilizando o sistema centro de massa verificamos que de ( ) e ( ) . e portanto, o momento angulardo sistema pode ser expresso como o momento angular do centro de massa mais o momento angular de cada uma das partículas relativas ao centro de massa. A conservação do momento angular total A taxa de variação do momento angular total é dada por lembrando a terceira lei de Newton, notamos que o último termo se escreve . Como é paralelo a , temos . Donde o resultado que ou seja, a taxa de variação com o tempo, do momento angular total é igual à soma dos torques das forças externas . No caso em que esses torques se anulem ou tornem nulos temos o resultado de que o momento angular total deve ser conservado, isto é: . Energia cinética de um sistema de partículas A energia cinética do sistema é dada pela soma de energia cinética de cada uma das partículas que o compõe. Temos assim . Considerando-se o sistema centro de massa, utilizando a definição ( ) temos . Tendo em vista a propriedade ( ) o segundo termo se anula e portanto . E portanto, a energia cinética é dada pela energia cinética do centro de massa mais a energia cinética das partículas no seu movimento relativo ao centro de massa. Energia potencial do sistema Admitindo que as forças externas sejam conservativas teremos onde . Admitindo ainda que as forças internas são conservativas, isto é, admitindo que onde . Então a energia potencial do sistema será dada por . Introdução A análise das colisões elásticas no caso geral fica enormemente facilitada pelo uso do sistema centro de massa e o uso das coordenadas em relação a esse sistema ( e ). Lembrando que em relação ao centro de massa. e que a coordenada relativa é definida por , temos e e, portanto, as velocidades das duas partículas relativas ao centro de massa são: e , onde é a velocidade de m1 com respeito a m2. Numa colisão elástica, a conservação da energia cinética nos leva a onde e são as velocidades relativas no estado inicial e no estado final e é a massa reduzida. Temos, portanto e consequentemente, só existe uma mudança de direção na velocidade relativa. Escrevemos, portanto onde é um versor que indica a direção na velocidade relativa no estado final. A partir desses resultados podemos escrever , , onde o último termo é a velocidade constante do centro de massa. Portanto, onde é o momento linear total (constante) em relação ao sistema de laboratório. Utilizando vetores, temos o seguinte diagrama para as equações acima: Se uma das partículas (digamos a partícula 2) estiver em repouso, temos as três possibilidades abaixo: Os ângulos , e são ângulos de espalhamento da partícula 1 como vistos nos dois sistemas. O ângulo é o ângulo de recuo da partícula 2 no sistema de laboratório. Os diagramas das figuras anteriores são muito úteis para obtermos todos os parâmetros a partir de apenas um, dado como conhecido. Por exemplo, uma simples inspeção geométrica nos fornece a seguinte relação entre os ângulos , e . Vemos também que istó é, . Tomando o quadrado de e vemos que e . Vamos analisar os três casos relevantes. a) m1 > m2 Observando a figura notamos que, nesse caso, e o ângulo atinge um valor máximo dado por b) m1 < m2 Nesse caso a velocidade da primeira partícula pode ter qualquer direção. Nesse caso c) m1 = m2 Todas as equações e resultados se simplificam. Olhando para a figura vemos que De e segue que Colisões analisadas do sistema centro de massa A colisão vista do sistema centro de massa é, em alguns casos, bem mais simples do que do sistema do laboratório. No caso da colisão entre duas partículas temos que, em função de , , o mesmo valendo para o estado final, isto é . Portanto, visto do sistema centro de massa as duas partículas estarão sempre em movimento. Sendo a velocidade relativa das duas partículas, podemos escrever Introdução O movimento de rotação é bastante comum no nosso mundo físico. Hoje sabemos que o nosso mundo - a Terra - está em rotação em torno de um eixo imaginário no espaço. A conseqüência disso é uma sucessão de dias intercalados com noites. A Terra, portanto, ilustra bem o exemplo de rotação em torno de um eixo. O pião é outro exemplo de objeto que executa movimento de rotação. No entanto, o seu movimento pode ser bem mais complexo do que a simples rotação em torno de um eixo. As portas das casas são fixadas aos batentes utilizando-se de duas ou três dobradiças. O efeito das dobradiças é o de permitir o movimento de rotação da porta em torno do batente da porta. Para fazermos uma porta girar devemos aplicar uma força sobre a porta. Certamente, você já notou que é mais fácil abrir a porta empurrando-a cada vez mais longe das dobradiças. O que é movimento de rotação O que caracteriza o movimento em geral é a variação do vetor de posição. Dizemos assim que houve movimento se o vetor de posição r passou para outro vetor de posição r', isto é, Nós dizemos que o movimento é de rotação pura se a direção e o sentido do vetor posição mudam, ou seja, se apenas o módulo do vetor permanece constante. Portanto, numa rotação pura: Rotação em torno de um eixo Consideremos uma maçã sobre a qual marcamos uma pinta vermelha (r). Façamos agora a rotação da maçã em torno de seu eixo de simetria por um ângulo muito pequeno . A nova posição é agora . O deslocamento durante a rotação é dada por No caso de rotação de um ângulo em torno de um eixo podemos escrever a seguinte relação entre as coordenadas do vetor depois da rotação ( ) e o vetor antes da rotação (r). Para ângulos pequenos ( ) temos: Portanto, o vetor deslocamento tem coordenadas Vê-se pois que podemos escrever onde k é um versor, cuja direção e sentido angular são aqueles do eixo de rotação. O vetor k é o vetor deslocamento angular Esse vetor é deominado por . = vetor deslocamento angular. O vetor deslocamento angular pode agora ser escrito para angulas bem pequenos como: Observe que o vetor deslocamento angular é apenas uma generalização, para grandezas vetoriais, da relação entre espaço percorrido e ângulo, no caso do movimento circular. Lembramos que, naquele caso, O vetor deslocamento angular Podemos expressar o deslocamento devido à rotação como função do vetor posição r. Para isso, introduzimos o vetor deslocamento angular. O vetor deslocamento angular é definido (como todo vetor) a partir do seu módulo, direção e sentido. Direção A direção do vetor deslocamento angular é dada pelo eixo de rotação. Sentido O sentido é dado pela regra da mão direita. Com a mão direita leve r para a novo posição . O polegar indica o sentido. Módulo O módulo é igual à variação (do ângulo de rotação). O vetor velocidade angular A partir do vetor deslocamento angular podemos definir o vetor velocidade angular através do processo limite Dividindo por e tomando o limite, teremos: Portanto, a velocidade de um ponto devido à rotação é: Essa velocidade está associada estritamente à rotação. Estamos imaginando o corpo sem movimento de translação. Essa é a velocidade percorrida por alguém que observaa partícula ou corpo em rotação em torno do eixo. Novamente aqui notamos a semelhança com o movimento circular no qual escrevemos: Portanto a definição () é uma generalização necessária visando a estabelecer relações entre grandezas vetoriais. Momento angular O momento angular, L, é uma grandeza física muito importante, especialmente em se tratando de rotações, mas cuja definição é um tanto quanto abstrata. Ela é definida como o produto vetorial do vetor posição e do vetor quantidade de movimento. L = r x p Vê-se que L é um vetor perpendicular a r e a p e, por isso, na maioria das vezes, ela acaba levando a dificuldades de visualização. No entanto, é uma quantidade física fundamental e importante no estudo da rotação de um corpo. A quantidade de movimento de um corpo pode ser nula (o que significa que ele nã está em movimento de translação) e ainda assim ter momento angular total diferente de zero. O momento angular total está para o movimento de rotação assim como a quantidade de movimento total está para o movimento de translação. Como p = mv, e usando expressão , podemos escrever o momento angular em termos de velocidade angular, como . Para um sistema de partículas, definimos o momento angular total como a soma dos momentos angulares de cada uma das partículas. Para um sistema de N partículas, temos: . Um corpo em rotação tem um valor definido para o momento angular. Pode-se, portanto, dizer que, se o corpo está em rotação, ele tem momento angular e vice-versa. O torque O torque ( ) de uma força (F) é definido como o produto vetorial entre a posição onde aplicamos a força. . Trata-se, portanto, de uma grandeza vetorial. Analogamente, definimos, quando mais de uma força atua sobre o corpo, o torque total como a soma dos torques produzidos por cada uma das forças. . Para duas forças F1 e F2, temos: . Um exemplo muito simples é o binário de duas forças. Nesse caso, aplicamos a um corpo a mesma distância (a partir de uma origem comum) duas forças de mesmo módulo mas sentidos opostos. Nesse caso, a força total é nula, mas a soma dos torques, não. Torque e rotação Um corpo se coloca em rotação quando aplicamos torques sobre ele. A variação de velocidade angular ocorre sempre como resultado de torques aplicados a um corpo. Rotações ocorrem como resultado de torques aplicados a um corpo. Para entendermos isso, notamos que a variação de momento angular pode ocorrer como resultado da variação da posição e da quantidade de movimento. Da definição () segue que: . Se dividirmos esta expressão por e tomarmos o limite quando , teremos: . O primeiro termo do lado direito se anula por v x p = 0 Donde concluímos que . ou seja, Torque é igual à taxa de variação do momento angular. Isso significa qu os torques aplicados às partículas levam a alteração no momento angular. No caso sistema binário (de duas forças opostas), o corpo sujeito ao binário se colocará em rotação pura (sem movimento de translação). Conservação do momento angular Se os torques aplicados às partículas ou a um sistema de partículas tiverem uma resultante nula, o momento angular se conserva, isto é, L é constante no tempo. Escrevemos L = L0 onde L0 é um vetor constante. Movimento do corpo rígido O corpo rígido é um caso particular de um sistema de N partículas. Ele é particular no sentido de manter as distâncias, entre as várias partes que o compõem (átomos), invariáveis. As distâncias entre os vários pontos do corpo rígido são fixas (só nesse sentido a rigidez). Qualquer deslocamento de um ponto P do corpo rígido pode sempre ser dado como uma soma de dois termos. Um deles associado ao movimento de translação do corpo rígido como um todo e o outro associado a uma rotação pura do corpo rígido. Escrevemos, assim . Para entendermos isso basta imaginarmos um sistema de referência solidário ao corpo rígido, com origem num ponto O, arbitrariamente escolhido, do mesmo. A posição de um ponto P do corpo rígido, com respeito a um sistema de referência S, será dada por , onde é a posição do ponto O e o vetor posição relativa a ele. Portanto onde descreve o deslocamento do ponto O do corpo e corresponde ao deslocamento associado à rotação em torno de O. Já vimos que , onde é o vetor deslocamento angular. Portanto, podemos escrever para a velocidade de um ponto do corpo rígido: , onde é a velocidade de O. Como o movimento mais geral do corpo rígido consiste de um movimento de translação e um outro de rotação, dizemos que o corpo rígido requer seis graus de liberdade para descrevê-lo: Translação: 3 coordenadas do ponto O. Rotação: 3 ângulos de Euler. Caráter absoluto da velocidade angular A velocidade angular do corpo rígido é a mesma em relação a qualquer um de seus pontos. Para entendermos isso, consideremos o caso em que ao invés do ponto O, toma-se outro ponto como referência, isto é, um ponto O'. Agora escrevemos onde é a posição da origem do novo sistema e , é a posição do ponto relativa a esse novo sistema. Podemos escrever De podemos escrever e, portanto, Sendo, pela equação , , temos estão Por outro lado, é dada também por . Temos assim isto é, Levando em conta , vem Como é arbitrário, pois P é um ponto qualquer do corpo rígido, podemos concluir que . Eixo instantâneo de rotação Contanto que exista um ponto O cuja velocidade seja perpendicular a , existe um eixo cujos pontos tem velocidade nula e em torno do qual o movimento do corpo é visto como uma rotação pura. Muitas vezes isso não é muito útil porquanto esse eixo pode mudar de direção. O movimento portanto, só é de rotação pura instantaneamente. Para determinarmos esse eixo consideremos os pontos do corpo que tem velocidade igual a zero: A solução dessa equação são os pontos situados sobre uma reta (ou seja, um eixo) paralela a que passa por um ponto C cuja posição em relação a O é dada pelo vetor. . Esse eixo é conhecido como eixo instantâneo de rotação e se encontra a uma distância d dada por . Momento angular O momento angular do corpo rígido com respeito a origem do sistema S é dado por onde é a densidade de massa do corpo rígido e dV é o elemento de volume. Lembrando e e considerando o ponto O como sendo o centro de massa, obtemos Sendo = massa total do corpo rígido = M e , Temos o momento angular composto por dois termos: . O primeiro corresponde ao momento angular do centro de massa e está associado ao movimento de translação do corpo rígido como um todo. O segundo, que indicaremos com , diz respeito estritamente à rotação e será analisado em seguida. Momento de inércia Utilizando a identidade vetorial , a expressão transforma-se em Para as componentes no sistema solidário do corpo rígido, temos . A i-ésima componente pode ser escrita como , onde são as componentes do tensor de inércia. Utilizando uma notação mais compacta temos , onde I é o tensor de inércia escrito de uma forma matricial . Observe-se que sob uma rotação do sistema de eixos solidário ao corpo rígido, as coordenadas sofrem a transformação . Espera-se pois que sob uma rotação o tensor Iij também se transforme: . Para determinarmos como o tensor Iij se transformasob uma rotação, lembremo-nos de que as coordenadas se transformam de acordo com . A partir da equação anterior podemos verificar facilmente que após a rotação o tensor Iij se transforma da seguinte maneira . Em notação matricial dizemos que o tensor I se transforma como , onde . Uma transformação dada pela equação anterior e é conhecida por transformação de semelhança e onde sabemos que, no caso de rotação, . Teorema dos eixos paralelos Em alguns casos pode haver interesse na relação entre o momento de inércia num determinado sistema no centro de massa e aquele de um sistema de eixos paralelos a esse. Façamos, portanto, a translação . Substituindo a relação acima na expressão de I'ij obtemos . O integrando é portanto: Substituindo em , obtemos Lembrando que temos finalmente . Este é o teorema dos eixos paralelos. Para a situação mostrada na figura ao lado, temos reduzindo-se a relação anterior a Energia cinética Consideremos agora a expressão para a energia cinética do corpo rígido. Sua energia cinética é dada por . Lembrando agora que a velocidade do ponto do corpo rígido localizado na posição (em relação ao centro de massa) é dada por , segue que . Lembrando as propriedades = massa total do corpo rígido = M e e que: obtém-se . E portanto, a energia cinética se constitui de duas partes. A primeira é a energia cinética de translação do corpo como um todo (é a energia cinética do centro de massa). A segunda está associada à rotação do corpo rígido. Lembrando a identidade . Podemos escrever T sob a forma Lembrando a definição do momento angular , notamos que T pode então ser então escrito agora como . Vemos que a energia cinética de rotação é dada por , ou, de um modo equivalente, ou ainda . Introdução A equação básica descrevendo o movimento de rotação é a equação de movimento para o momento angular total: . Note-se que como o tensor de inércia é determinado num sistema preso ao centro de massa e como esse está em rotação, podemos lembrar a expressão e escrever: Utilizando a equação em temos: Levando em onta que e tomando as componentes da equação ao longo dos eixos principais, vamos obter . Estas equações são conhecidas como equações de Euler. Máquina de Atwood A máquina de Atwood é um dispositivo bastante simples e que permite, pela determinação da aceleração dos corpos em movimento, testar as leis da mecânica. Ela consiste de dois corpos de massas m1 e m2 presos por um fio que passa por uma roldana. Nos problemas mais simples simplificamos o problema admitindo que ela não tenha massa. Isso é claramente uma aproximação. A roldana tem um momento de inércia dado por e devemos então levar em conta o seu movimento de rotação. Assim, além das equações usuais do movimento das partículas de massa m1 e m2 onde T1 e T2 são as forças tensoras nos fios , temos agora a equação de movimento da roldana . Note-se que T2 = T1 só é possível se desprezarmos a massa da roldana. Lembrando que , temos de e que . A solução torna-se agora, utilizando as equações , . Se tomarmos inicialmente as duas partículas em repouso e a mesma altura (z = 0) teremos para a energia total E = 0 Quando elas se deslocam de uma altura h em relação à posição original, a energia será E portanto, Donde obtemos que . Movimento de iodô O ioiô é um carretel sobre cujo eixo central enrolamos um fio esticado. Prendemos a extremidade do fio e soltamos o ioiô o qual rola para baixo até o fio acabar. Nesse ponto volta a enrolar o fio, tornando a subir. O movimento de translação do ioiô é devido à força tensora no fio e ao peso. Temos, portanto, para o centro de massa do ioiô, , ao passo que o movimento de rotação é descrito pela equação , onde R é o raio do eixo central e I é o momento de inércia ao redor do eixo passando pelo centro da massa. Como , a equação é escrita como: e portanto, de , temos e A energia cinética será dada por A energia conservada será dada por Admitindo E = 0 (o ioiô parado em X = 0), obtemos Para cada posição do ioiô temos duas velocidades O sinal + é válido quando o ioiô desce. O sinal - é associado ao movimento de subida. O maior valor da velocidade é atingido quando todo o fio de comprimento L está desenrolado Ao mudar de sinal existe uma variação de momento dada por e consequentemente uma força (puxão no fio) dada por , onde é o intervalo de tempo no qual houve a variação de momento.