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Novo Acordo Ortográfico SESI PR - cadernoortografico

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REFORMA ORTOGRÁFICA
Salvador, Sábado, 7 de março de 2009
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Novas regras gramaticais alteram
a escrita de centenas de palavras
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2 SALVADOR, SÁBADO, 7/3/2009REFORMA ORTOGRÁFICA
PORTUGUÊS PASSOU
POR TRÊS REFORMAS
O português nasce a partir do latim trazido pelos
soldados romanos, que invadiram a Península
Ibérica no século III a.C. O idioma passou a se
formar em duas províncias diferentes no norte do
que hoje é Portugal e na Galícia, agora parte do
território espanhol. Os séculos se passaram e o
vernáculo escrito tornou-se gradualmente de uso
geral a partir do final do século XIII. Como língua
viva, palavras como oye, ljuro, nunqua, do
português arcaico, evoluem lentamente para
hoje, livro, nunca, entre tantas outras, sem
necessidade das reformas ortográficas que se
tornariam comuns no século XX.
Portugal torna-se um país independente em
1143, com o rei D. Afonso I. A separação política
entre Portugal e Galiza e Castela (mais tarde,
Espanha) permitiu a evolução em direções opostas
do latim vernáculo presente nos dois países.
O ano é 2009. Entra em vigor no Brasil a terceira
reforma ortográfica do português falado no País
em 66 anos. A primeira foi em 1943 e a segunda,
em 1971.
Apesar das discussões em torno do acordo
ortográfico, há bastante tempo os integrantes da
Comunidade dos Países de Língua Portuguesa,
CPLP (ver mapa na página 12) pensam em unificar
a ortografia do nosso idioma. Nos últimos cem
anos, houve duas grandes reformas ortográficas
no Brasil e três em Portugal, sem contar outros
pequenos ajustes, em ambos os países.
Desde o início do século passado, Brasil e
Portugal buscam estabelecer um modelo de
ortografia que possa ser usado como referência
nas publicações oficiais e no ensino. Segundo os
gramáticos, a alteração mais significativa que
antecedeu o atual acordo foi a de 1971.
Naquele ano foi estipulada, por exemplo, a
eliminação do trema nos hiatos átonos, assim
como a do acento circunflexo diferencial nas letras
“e“ e “o“ da sílaba tônica das palavras
homógrafas, de significados diferentes, mas com a
mesma grafia, além da extinção do acento
circunflexo e do grave em palavras terminadas
com “mente“ e “z“.
Com a reforma, êle passou a ser escrito ele,
sòmente, somente e bebêzinho, bebezinho.
Houve ainda a supressão das consoantes mudas ou
não articuladas em palavras como ação (acção),
ativo (activo), diretor (director) e ótimo
(óptimo).
Agora outras regras entraram em vigor, com a
nova reforma ortográfica do português – quinta
língua mais falada no mundo: cerca de 210
milhões de pessoas. Mais uma vez, mudamos um
pouco a maneira de escrever as palavras. As
editoras terão até 2012 para promover mudanças
nos livros didáticos, segundo determinação do
Ministério da Educação.
Conscientes das dificuldades de que quem lida
cotidianamente com o idioma, a exemplo de
estudantes e profissionais liberais, e das
dificuldades diante das incontáveis alterações
introduzidas pelo novo Acordo Ortográfico,
elaboramos este caderno, que pode ser guardado
e utilizado como um tira-dúvidas.
índice
4
Reforma reabilita
letras aposentadas
do alfabeto
5
Conheça as alterações
introduzidas no acento
agudo pela reforma
6/7
Regras do hífen
passaram por
várias modificações
10
Acordo elimina
definitivamente
o uso do trema
8
Palavras terminadas
em ôo e êem deixam
de ter o circunflexo
Portugal realiza 
reforma ortográfica, 
acentuando diferenças 
ortográficas entre o 
país e o Brasil. 
Novo acordo ortográfico torna-se 
lei em Portugal. 
O Brasil não ratifica o acordo e 
ficam as regras estabelecidas no 
Formulário Ortográfico de 1943, 
da Academia Brasileira de Letras.
Grafias portuguesa e brasileira se 
aproximam com novo acordo. Cerca 
de 70% da acentuação divergente 
é eliminada. Extinguem-se acentos 
subtônicos como sòmente além 
da maior parte dos acentos 
diferenciais, como em êle.
Cabo Verde ratifica o 
acordo ortográfico.
S
é
cu
lo
s 
17
 a
 2
0
Protocolo normativo reduz para três 
o número de países necessários 
para a aprovação do acordo. 
O Brasil foi o primeiro a ratificar o 
documento. Timor Leste é 
incluído no acordo.
São Tomé e Príncipe ratifica 
o documento. Devido à 
resistência de Portugal, outros 
países protelam colocar em 
vigor as novas normas.
Escrita adequa-se à 
pronúncia: oye/hoje; 
ljuro/livro; 
nunqua/nunca.
Brasil e Portugal assinam acordo 
preliminar para adotar a ortografia 
reformada pelo Brasil. 
Processo não se completa.
O
R
T
O
G
R
A
F
IA
 L
U
S
Ó
F
O
N
A
 N
O
 T
E
M
P
O
Sete países lusófonos (Angola, 
Brasil, Cabo Verde, Guiné 
Bissaú, Moçambique, 
Portugal, São Tomé e 
Príncipe) participam da 
elaboração de acordo ortográfico. 
O Parlamento de Portugal 
aprova o acordo ortográfico, 
mas sua aplicação ainda não 
foi colocada em prática.
Surgem grafias etimológicas e 
palavras com "ph", "y", "th" (de 
origem grega) e "ct", 'gm", 
"gn" (de origem latina).
19
11
19
31
19
4
5
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71
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9
0
20
0
4
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0
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6
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0
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S
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cu
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 a
 1
6
INFOGRAFIA Filipe Cartaxo
3SALVADOR, SÁBADO, 7/3/2009 REFORMA ORTOGRÁFICA
11
Veja se você
conseguiu
assimilar as novas
regras da reforma
12
Conheça os livros
sobre a reforma
existentes nas
livrarias da cidade
12
Maioria dos países
lusófonos tem altos
índices de pobreza
expediente
Editora-coordenadora |
Simone Ribeiro
Editor | Cláudio Bandeira
Consultora de português | Joanne Silva
Reflexões pedagógicas
Unidade da língua é relativa
LÍCIA MARIA FREIRE BELTRÃO
E MARY ARAPIRACA
Iniciamos 2009, ocupadas
com mais um debate no am-
biente acadêmico. Centrado
na língua portuguesa, dessa
vez. Motivação: o acordo or-
tográfico proposto pela Co-
munidade dos Povos de Lín-
gua Portuguesa e assinado
por oito países falantes desse
idioma, vigente desde o 1º de
janeiro do ano em curso.
Entre a atenção dispen-
sada tanto à questão dos cus-
tos de várias ordens, deman-
dados por mais esse tentá-
culo da globalização, quanto
aos tópicos que compõem o
acordo – Alfabeto e grafia de
nomes próprios estrangei-
ros, uso do h, grafemas con-
sonânticos, sequências con-
sonânticas, vogais átonas,
vogais nasais, ditongos,
acentuação gráfica, uso do
trema, uso do hífen, uso do
apóstrofo, uso de letras
maiúsculas e minúsculas, di-
visão silábica, grafia de as-
sinaturas e firmas –, orien-
tando como proceder, con-
forme sistematização pro-
posta pelo Instituto Antônio
Houaiss, sob a coordenação
de Azeredo (2008) , desta-
ca-se outra, tão ou mais re-
levante, para nós: o papel da
escola no que diz respeito à
compreensão do processo de
implementação do acordo
ou, em outras palavras: o pa-
pel da escola no que diz res-
peito à educação linguística
dos estudantes, usuários da
língua, na sua modalidade
escrita, em especial.
Sendo a escola espaço pri-
vilegiado para pedagogica-
mente tratar da escrita e a
escrita, considerando não so-
mente suas peculiaridades de
permitir à fala humana sub-
sistir sem a presença do som
emissor, se dissincronizar e se
deslocar, permitindo ao ho-
mem a superação de limites
quanto ao tempo e ao espaço,
mas, sobretudo a opção do
humano de elegê-la, e não o
gesto, o desenho, a imagem, a
oralidade, como forma de ci-
mentar sensibilidade, imagi-
nário, memória, cidadania,
configurando o mundo, his-
toricamente, como grafocên-
trico, não nos parece adequa-
do que o acordo ortográfico
mobilize, no momento, todas
as atenções do ensino apren-
dizagem da língua escrita. O
apropriado é que o acordo or-
tográfico constitua-se em mais
uma lição a ser inserida na
cultura escolar no prazo de
quatro anos, (janeiro de 2013)
período definido em instru-
mento