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Novo Acordo Ortográfico SESI PR - cadernoortografico

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competente para se co-
meçar a considerar como erro
a não aplicação das novas re-
gras ortográficas.
Nesse sentido, preocu-
pa-nos que, na falta de pro-
jeto de importância no trato
pedagógico da escrita, ado-
te-se, na escola, um outro,
atribuindo-lhe valor absolu-
to: o estudo dos tópicos que
compõem o acordo, com ba-
se em atividades predomi-
nantemente de transcrição e
repetição, tolhendo a produ-
ção, adiando a liberdade de
expressão, reprimindo a cria-
tividade, ocupando tempo e
espaço de reflexão e ação em
torno das prioridades da ges-
tão educacional da educação
linguística que os
usuários da língua
demandam bem co-
mo o que sugere o
mundo vivido que,
historicamente vem
se desenrolando, se
guardando e se mos-
trando na escrita e
pela escrita.
Lícia Maria Freire Beltrão e
Mary Arapiraca são
professoras da Ufba
AMÉRICO VENÂNCIO LOPES
MACHADO FILHO
A escrita, enquanto instru-
mento de apropriação e rea-
propriação mnemônica das
línguas de cultura e maior
estandarte do almejado pres-
tígio linguístico, tem exercido
há muito um papel de des-
taque junto à comunicação
social, nomeadamente quan-
do se anuncia alteração em
seu padrão. Não é este pri-
meiro esforço de normatiza-
ção gráfica que se propõe
para a língua portuguesa e
certamente não será o úl-
timo. Desde o século XVI,
diversas tentativas foram em-
preendidas pelos primeiros
gramáticos no esforço de se
estabelecer uma ortografia
para o português, mas foi so-
mente com Gonçalves Vian-
na, em 1911, que se lançaram
as bases para o primeiro tra-
tado ortográfico da língua,
conquanto a primeira pro-
posta de unificação da escrita
entre Portugal e uma de suas
ex-colônias, notadamente o
Brasil, tenha se dado no ano
de 1931, sem muito sucesso.
Após diversas outras ten-
tativas fracassadas nas dé-
cadas de 40, 70 e 80, resol-
ve-se, afinal, por decreto, im-
plementar um acordo redi-
gido há quase vinte anos. To-
da a expectativa de unifica-
ção em 100% da ortografia de
língua portuguesa que havia
sido defendida em outras
propostas cai por terra com o
novo acordo. E não poderia
ser diferente. A alegada uni-
dade da língua portuguesa é
relativa e, mesmo na escrita,
difícil de ser alcançada.
A recepção entusiástica
da notícia de promulgação
do acordo pela população em
geral e especialmente por
parte dos meios midiáticos -
ou "mediáticos" como escre-
veriam os portugueses - era
esperada e mesmo desejada
por muitos, já que em face do
já diagnosticado, por assim
dizer, estado "esquizofrêni-
co" em que se encontram os
falantes das normas cultas
em relação ao uso da nor-
ma-padrão no Brasil, a no-
vidade parecia trazer algum
alento de saneamento de al-
gumas dessas dificuldades.
Mas para quem já conhe-
cia o teor original do acordo,
amplamente divulgado por
diversas publicações ainda
no ano de 1990, em Portugal,
não haveria de ter ilusões de
seus reais efeitos. A relação
entre custo e benefício não
parece muito vantajosa para
nenhum país envolvido. Ao
invés de se simplificarem as
regras, à exceção obviamente
de atitudes como a da abo-
lição do trema das palavras
consideradas portuguesas
que propiciará boa economia
de tempo de digitação, abun-
dam normas como as de co-
locação do hífen, por exem-
plo, que se consolidam como
verdadeiros tratados. O medo
da mudança e o peso da tra-
dição refrearam, certamente,
posições mais simplificado-
ra s.
Embora se anuncie a todo
tempo na imprensa que o
acordo teria trazido à cena
um largo debate sobre
a língua, a verdade é
que o fundamental,
que seria a oportuni-
dade de ampla dis-
cussão pública sobre
o estado atual da lín-
gua portuguesa no
Brasil, em prol de
uma definição mais
realista em relação à
norma-padrão que
incorpore fenômenos
já cristalizados nos
usos nacionais, não se
tem minimamente
operado. O professor
de português, muni-
do do acordo, conti-
nuará sem saber o
que corrigir na reda-
ção de seu aluno,
além do aspecto or-
t o g r á f i c o.
Então, como ne-
nhum cidadão pode
alegar desconhecimento da
lei, que se cumpra, pois, o
Decreto 6583, de 29 de se-
tembro de 2008, até que uma
nova demanda da ortografia
da língua portuguesa venha a
se manifestar.
Américo Venâncio Lopes Machado Filho é
professor da Ufba
“F
a
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”
Editor-coordenador de Arte |
Pierre Themotheo
Projeto gráfico e diagramação |
Valentina Garcia
4 SALVADOR, SÁBADO, 7/3/2009REFORMA ORTOGRÁFICA
Wy
A B C D E K
L M N O P Q
R S T U V W
X Y Z
Para relembrar...
Posição da sílaba tônica:
PROPAROXÍTONA | Sílaba tônica na antepenúltima: má-
gico, lâmpada, paralelepípedo, transatlântico, inédito, prá-
tica, matemática, fantástico, médico, música.
Obs.: O Acordo não alterou a acentuação dessas palavras.
PAROXÍTONA | Sílaba tônica na penúltima: cadeira, tênis,
s e c re tária, prêmios, início, palhaço, carro, jornalista, pa-
re de, menino, carruagem, lápis, régua, sistema, equilíbrio.
As alterações concentram-se neste tipo de vocábulo. En-
tretanto, muitas paroxítonas continuam acentuadas, pois não
foram modificadas pelo Acordo.
OXÍTONA | Sílaba tônica na última: café, paletó, anéis, sofá,
parabéns, armazém, armação, caju, maracujá, cajá, país,
Panamá, coração, fubá.
K As letras K, W e Y são reintroduzidas. Elas continuam a serusadas na escrita de palavras estrangeiras, como nos no-mes próprios de pessoas e seus derivados: Darwin, darwi-nismo, Taylor, taylorista; nos nomes próprios de lugar eseus derivados: Kuwait, kuwaitiano, Malawi, malawia-no; e nas siglas, símbolos e palavras adotadas como uni-dades de medida de uso internacional: kw – quilowatt, kg– quilograma, km – quilômetro.O alfabeto passa a teroficialmente 26 letras
5SALVADOR, SÁBADO, 7/3/2009 REFORMA ORTOGRÁFICA
ó
?O acento agudo é um sinal de acentuação gráficaformado por um traço oblíquo para a direita (comono í da palavra oblíquo) e ressalta alguma caracte-rística fonética. No português, indica a sílaba tônicade timbre aberto. As mudanças introduzidas pelareforma ortográfica nas formas verbais referem-se
à escrita, e não à pronúncia, que continua a mesma:
em arguo – leia-se argúo, mas não leva acento; ave-
rigua – leia-se averigúa, mas não recebe acento.
Como era
idéia
estréia
jibóia
jóia
assembléia
heróico
andróide
asteróide
bóia
platéia
tramóia
paranóia
debilóide
geléia
colméia
paranóico
p ro t é i c o
Coréia
apóio (verbo apoiar)
onomatopéico
onomatopéia
nucléico
odisséia
pré-estréia
Como fica
ideia
e s t re i a
jiboia
joia
assembleia
h e ro i c o
a n d ro i d e
a s t e ro i d e
boia
plateia
tramoia
paranoia
debiloide
geleia
colmeia
paranoico
p ro t e i c o
C o re i a
apoio
onomatopeico
onomatopeia
nucleico
odisseia
p r é - e s t re i a
Deixaram de ser
acentuados o i e
o u tônicos
precedidos por
ditongo, apenas
nas palavras
p a ro x í t o n a s .
Como era
baiúca
bocaiúva
maoísmo
maoísta
taoísmo
taoísta
tauísmo
feiúdo
feiúra
boiúno
cheiínho
feiínho
saiínha
Como fica
baiuca
bocaiuva
maoismo
maoista
taoismo
taoista
tauismo
feiudo
feiura
boiuno
cheiinho
feiinho
saiinha
Não são mais
acentuados os
ditongos abertos
éi e ói das
palavras
p a ro x í t o n a s .
Esta regra não é válida para
as palavras oxítonas
terminadas em éis, éu, éus, ói
ou óis ,que continuam
acentuadas: papéis, herói,
heróis, constrói, troféu,
troféus, fiéis, réu, véu, céu,
dói, pastéis, anéis, lençóis,
farnéis, mói, destrói, rói,
corrói, Ilhéus, réis, sóis,
chapéus, hotéis, bordéis.
Palavras como b l ê i z e r,
contêiner, destróier, gêiser
e Méier continuam
acentuadas, apesar de se
enquadrarem na regra que
prevê a perda do acento nos
ditongos ei e oi, porque são
paroxítonas terminadas em r.
O QUE MUDA NO
ACENTO AGUDO
Como era
apazigúe
apazigúem
averigúe