Prévia do material em texto
Profª. Maria Luíza Teófilo Gandini Fonte Slides: Prof. Antenor Rodrigues Barbosa Júnior HIDROLOGIA APLICADA – CIV 272 Meios porosos naturais: Aluviões depósitos de material granular (cascalho, areia e argila) produtos da erosão; Rochas compactas fissuradas fendas ou fissuras que resultam das deformações da crosta terrestre devido às forças internas Meios porosos artificiais: Aterros ex.: barragens de terra. Revisão: meios porosos naturais e artificiais Cap. 11 Estudo do escoamento da água através de meios porosos ALUVIÕES https://pt.slideshare.net/nunocorreia/geo-2-ocupao-antrpica-e-problemas-de-ordenamento-rios- 3052256 2 Conceitos de homogeneidade e isotropia Revisão Homogêneos Meios Porosos Isotrópicos Introdução 3 Quando um meio poroso é considerado homogêneo ? Quando em qualquer ponto do seu interior a resistência ao escoamento, em relação a uma dada direção, é a mesma. Conceitos de homogeneidade e isotropia 4 Homogeneidade: efeito de escala em rochas fissuradas e formações sedimentares Meios porosos homogêneos para escala de homogeneidade suficientemente grande: aluviões: grãos de 1 mm de diâmetro são homogêneos na escala do dm2; maciços rochosos: homogêneos para dimensões da ordem de 100 vezes a maior dimensão dos blocos. Conceitos de homogeneidade e isotropia 5 Quando um meio poroso é isótropo ? Quando a resistência ao escoamento (ou outra propriedade física) é a mesma em todas as direções. Conceitos de homogeneidade e isotropia 6 Observação: Os meios porosos naturais são caracteristicamente anisótropos. A anisotropia no caso das formações sedimentares: a intercalação de camadas de diferentes características e o peso das camadas oferecem maior facilidade ao escoamento no sentido horizontal. Conceitos de homogeneidade e isotropia 7 A anisotropia no caso das rochas fissuradas: fendas são orientadas segundo direções paralelas entre si e perpendiculares às compressões que lhes deram origem nessas direções são menores as resistências ao escoamento. Conceitos de homogeneidade e isotropia 8 Ciclo hidrológico: Cap. 1 Origem da água subterrânea 9 Ciclo hidrológico e a ocorrência da água subterrânea Ciclo hidrológico http://www.universiaenem.com.br/sistema/faces/pagina/publica/conteudo/texto-html.xhtml?redirect=83573688250061175744050357356 10 Origem da água subterrânea (estudo do ciclo hidrológico Cap. 1) Formação dos lençóis d’água subterrâneos: - têm origem na infiltração e na percolação das águas através das camadas permeáveis, das falhas existentes nas estratificações, das fendas, das discordâncias das camadas geológicas, etc. Origem da água subterrânea 11 O movimento da água subterrânea em direção à área de descarga pode levar dias, anos, décadas, séculos, milênios... Origem da água subterrânea Ocorrência da água subterrânea por meio de prospecção geofísica. https://water.usgs.gov/edu/watercycleportuguese.html 12 Distribuição da água no globo terrestre e a água doce superficial e subterrânea Água subterrânea 13 Representação esquemática da distribuição da água subterrânea Zonas de aeração e saturação 14 Distribuição da água subterrânea 15 Zona de saturação: É a zona de interesse para o aproveitamento hídrico. Pode ser considerada como um vasto reserva- tório natural (ou um conjunto de reservatórios) cuja capacidade de armazenamento é definida pelo volume total dos poros (na zona de saturação, os poros encontram-se completamente preenchidos pela água). Distribuição da água subterrânea http://slideplayer.com.br/slide/363311/ 16 Zonas saturada e não saturada http://slideplayer.com.br/slide/363311/ 17 Formação (camada ou unidade geológica) que contém a água em seu interior (zona saturada) em quantidade suficiente para permitir o seu aproveitamento econômico. Aquífero http://quimicanopolis.blogspot.com.br/2013/02/aquifero-guarani.html 18 Uma unidade geológica é considerada aquífero quando, possuindo os poros cheios de água, permite que a água se escoe pelos espaços intergranulares até poços ou fontes, com uma vazão de saída capaz de, por exemplo, suprir o abastecimento de água de uma comunidade. Aquífero 19 freáticos (livres ou não confinados) Aquíferos artesianos (cativos ou confinados) Aquíferos: classificação 20 Originam-se das águas de chuva que se infiltram nas camadas permeáveis do terreno, até atingir uma camada impermeável. • Saturando as camadas porosas logo acima da superfície impermeável, a água permanece em repouso ou em lento deslocamento (a depender da configuração geométrica do terreno). Aquíferos freáticos 21 Nos aquíferos freáticos, a água que enche os poros da formação geológica está submetida à pressão atmosférica. Aquíferos freáticos http://hpqc.blogspot.com.br/2009/05/aguas-subterraneas.html 22 Quando um poço é perfurado no aquífero freático, o nível d’água atinge o nível estático (nível freático) do aquífero. Carga hidráulica igual à profundidade medida a partir do nível estático: p/γ = h Poço freático 23 Poços freáticos são normalmente escavados(*), rasos (3m a 20m de profundidade) e de grandes diâmetros (1m a 2m de diâmetro) Vazão: relativamente pequena (apenas para uso doméstico e, raramente, industrial ou irrigação). Qualidade da água: frequente ocorrência de água salobra e, mesmo, contaminada. (*) há também poços freáticos tubulares perfurados mecanicamente têm pequenos diâmetros e profundidades bem maiores. Poço freático 24 Rebaixamento do lençol pelo bombeamento de poço freático 25 Nos aquíferos artesianos, a água de saturação situa-se entre duas camadas impermeáveis A água está submetida a uma pressão superior à atmosférica. Aquíferos artesianos http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/regional/governo-atrasa-ativacao-dos-aquiferos-1.1576998 26 Poços que retiram água de um aquífero confinado são ditos poços artesianos. água no poço ascende até atingir o nível da linha piezométrica: - piezométrica acima do terreno poço jorrante; - piezométrica abaixo do nível do terreno poço artesiano não-jorrante. Obs.: é comum, ainda, considerar “artesiano” apenas o poço jorrante (poço não-jorrante em aquífero confinado é, às vezes, caracterizado como “semiartesiano”). Poço artesiano 27 Linha piezométrica e de energia http://slideplayer.com.br/slide/45813/ 28 Aquífero confinado ou artesiano Aquíferos artesianos Poço freático Não Jorrante Jorrante Superfície potenciométrica ou piezométrica 29 Em poços artesianos, o lençol é alcançado por meio de poços tubulares: Diâmetros dos poços artesianos: entre 6 e 12 polegadas (150 a 300mm); Profundidades dos poços artesianos: de dezenas a centenas de metros. Poço artesiano 30 Poço artesiano jorrante http://blogdasaguassubterraneas.blogspot.com.br/2008/08/ 31 Observações: - Ao se fazer a perfuração, podem ser encontrados lençóis sobrepostos com distintas capacidades de armazenamento e diferentes padrões de qualidades da água. - Quando se atinge um rico lençol artesiano, a água é normalmente suficiente para o abastecimento de bairros residenciais inteiros e indústrias e, até mesmo,para uso na irrigação. - A qualidade da água é geralmente boa (nos casos de poços profundos, pode apresentar-se salobra). Poço artesiano 32 Aquífero suspenso Formação de um aquífero ou lençol suspenso, quando uma formação impermeável aparece entre a zona saturada e a superfície do terreno, dando origem à retenção de águas de infiltração acima desta formação. Aquíferos suspensos Aquíferos freático http://dpipwe.tas.gov.au/water/groundwater/aquifers/intergranular-aquifer Poço seco Argila Areia Argila Poços 33 Poço freático Poço artesiano jorrante Poço artesiano não-jorrante Resumo 34 Parâmetros que caracterizam a relação solo-água Duas funções desempenhadas pelos aquíferos: - Reservação da água; - Condução da água. Os poros, no seu conjunto, ora se comportam como um reservatório, ora como um conduto que transporta a água entre dois pontos submetidos a um gradiente hidráulico. Portanto, do ponto de vista hidráulico, o aquífero é um “reservatório em marcha”. Propriedades dos Aquíferos 35 A eficiência do aquífero como fonte de suprimento de água: depende das propriedades do meio intimamente ligadas às funções de reservação e de condução da água desempenhadas pelo aquífero. Parâmetros que caracterizam a relação solo-água Propriedades dos Aquíferos 36 Propriedades do aquífero relacionadas à capacidade de reservação da água: - Porosidade - Produção específica (suprimento específico). Propriedades do aquífero relacionadas à função de condução da água: - Condutividade hidráulica (permeabilidade) - Transmissividade. Parâmetros que caracterizam a relação solo-água Propriedades dos Aquíferos 37 Porosidade (n) - porcentagem de poros (vazios) no material: Vt = volume dos poros (Vp) + volume dos grãos (Vg) Para o material saturado: Vp = Vágua Volume da água de saturação = n Vt %100 V V %100 totalvolume poros dos volume n t p Parâmetros que caracterizam a relação solo-água Propriedades dos Aquíferos 38 Meio poroso saturado Parâmetros que caracterizam a relação solo-água Propriedades dos Aquíferos 39 Porosidade, n: - É função do tamanho, da forma, do grau de uniformidade e da arrumação dos grãos do material poroso. Material de granulometria uniforme n Material de granulometria não uniforme (partículas menores ocupam os vazios deixados pelas maiores) n Parâmetros que caracterizam a relação solo-água Propriedades dos Aquíferos 40 Granulometria não uniforme: armazenamento da água subterrânea entre os grãos do sedimento (redução da porosidade e da capacidade de armazenamento da água) Parâmetros que caracterizam a relação solo-água Propriedades dos Aquíferos 41 %20 areia e pedregulho %25 pedregulho %35 areia %45 argila %20n grande, porosidade %5 denso calcáreo %15 arenito %20n%5 média, porosidade %1 granito quartzito, %5n pequena, porosidade Parâmetros que caracterizam a relação solo-água Propriedades dos Aquíferos 42 Produção específica (suprimento específico ou porosidade efetiva), Pe: - Porcentagem da água de saturação que se liberta sob a ação da gravidade: Vd = volume drenado livremente da amostra saturada; Vt = volume total da amostra %100 V V Pe t d Parâmetros que caracterizam a relação solo-água Propriedades dos Aquíferos 43 Pe = (volume drenado) (volume total) x 100% Propriedades dos Aquíferos http://slideplayer.com.br/slide/353727/ Parâmetros que caracterizam a relação solo-água Obtenção da produção específica: - coloca-se o material seco num cilindro de fundo afunilado, provido de torneira; - satura-se o material; - abre-se totalmente a torneira e permite-se o escoamento da água (a vazão é decrescente); - ao final, mede-se o volume de água drenado sob a ação da gravidade: http://www.observatorio-phoenix.org/k_ensaios/24_k16_a.htm 44 Retenção específica, Re: - Porcentagem da água de saturação que não se liberta da unidade de volume do material saturado, sob a ação da gravidade. tamanho das partículas Re (ação molecular de retenção da água). PenRe%100 V VV Re t dp Parâmetros que caracterizam a relação solo-água Propriedades dos Aquíferos 45 Coeficiente de Permeabilidade, K: - Índice empregado para estabelecer parâmetros de permeabilidade dos solos. Resumidamente, é um valor que representa a velocidade com que a água atravessa uma amostra. Quantidade de água que, na unidade de tempo, atravessa a seção do material de área unitária, quando a perda de carga por unidade de comprimento (perda de carga unitária) é igual à unidade (definição derivada da eq. de Darcy) Ai Q K [K] = LT -1 U(K) = m/s; mm/dia Parâmetros que caracterizam a relação solo-água Propriedades dos Aquíferos 46 Coeficiente de Permeabilidade, K: - representa a propriedade do aquífero interligada com a função de condução da água. - o valor do coeficiente de permeabilidade é uma medida da “capacidade do meio poroso transmitir a água”. Parâmetros que caracterizam a relação solo-água Propriedades dos Aquíferos 47 i = (h1 – h2) / L Experiência de Darcy • Darcy (em 1856) estudou o escoamento da água em meios porosos saturados (colunas de areia), verificando que a vazão de saída (Q) era diretamente proporcional à perda de carga (Δh) e à seção transversal da coluna da amostra (A) e inversamente proporcional ao comprimento desta mesma coluna (L). Nível de Referência ↑A, ↑K, ↑Δh ↑Q ↓L ↑Q Ai Q K 48 •A condutividade hidráulica (meio saturado) é afetada pela estrutura e textura do solo: •maior em solos porosos (poros grandes), fraturados e bem estruturados (formação de agregados). •Ou seja, não depende apenas da quantidade de poros, mas também do tamanho e da geometria desses poros (tortuosidade) por onde o fluido irá ser conduzido. •Por isso, em geral, solos arenosos apresentam condutividade hidráulica maior que solos argilosos quando saturados. Características de alguns materiais ARGILA AREIA ↑ ↓ 49 Coeficiente de transmissividade, T - Definido pelo produto do coeficiente de permeabilidade, K, pela espessura, m, de uma camada do material, T = Km [T] = L2T -1 U(T) = m3/(hm); m3/(diam) Parâmetros que caracterizam a relação solo-água Propriedades dos Aquíferos 50 T: “vazão que flui de uma seção vertical do aquífero de largura unitária, quando a perda de carga unitária é igual à unidade”. T = Km Propriedades dos Aquíferos w 51 Problema exemplo 11.1 • Um lençol freático tem espessura média de 3,6m e é constituído de areia com coeficiente de permeabilidade igual a 40m/dia. Dois poços perfurados neste lençol, afastados entre si de 20m e situados ao longo de uma mesma linha de corrente permitiram que se constatasse um desnível de 1,20m na superfície do lençol, conforme indica a Figura 11.10. Com base nessas informações, calcular: 52 a) a vazão de escoamento do lençol, por metro linear de largura; b) o comprimento mínimo que deverá ter uma galeria de infiltração, instalada transversalmente às linhas de corrente, de modo a se poder captar a vazão de 6L/s, supondo-se que se aproveite totalmente a água em escoamento. Problema exemplo 11.1 53 Problema exemplo 11.1 L = 6/0,1 → L=60m b) 0,1 (L/s) → 1m 6,0 (L/s) → X m 54 Radial poços (escoamento se processa radialmente no interior do maciço poroso que contém o lençol de água subterrânea). Captação da água subterrânea por poços https://www.china-slot.com/wedge-wire-tube-slot-tube/ 55 Rebaixamento e curva de depressão Poço freático sob bombeamento 56 Rebaixamento e curva de depressão Poço artesiano (não jorrante) sob bombeamento 57 Nível estático do poço: nível de equilíbrio da água no poço quando este não está sob a ação de bombea- mento, nem sob a influência de bombeamento anterior ou sob a influência de bombeamento que se processa (ou se processou) nas suas imediações. - poços freáticos: nível estático = nível do lençol; - poços artesianos: nível estático sempre acima do nível do lençol (e acima do nível do terreno quando o poço é jorrante). Bombeamento da água de poços - Terminologia 58 Nível dinâmico do poço: nível da água no poço quando este está sendo bombeado, ou sob a ação de bombeamento anterior, ou de bombeamento nas suas imediações. - o nível dinâmico do poço (freático ou artesiano) fica sempre abaixo do nível estático (tanto mais abaixo quanto maior for a vazão de bombeamento); - o nível dinâmico do poço de maior importância é o que corresponde à vazão de projeto (vazão a ser fornecida pelo poço). Bombeamento da água de poços - Terminologia 59 Regime de equilíbrio: regime em que o nível dinâmico do poço permanece estacionário – ocorre depois de determinado tempo de bombeamento, quando a vazão do poço iguala-se à da bomba. Regime não-equilibrado: inicia-se com o bombeamento, prosseguindo com o abaixamento do nível dinâmico até ser atingido o regime de equilíbrio. Obs.: Cessado o bombeamento, inicia-se novo regime não- equilibrado, que dura até a recuperação total do poço, quando é novamente atingido o nível estático. Bombeamento da água de poços - Terminologia 60 Tempo de recuperação: tempo decorrido, desde o instante em que é cessado o bombeamento, até o instante em que o nível dinâmico do poço, que vai sempre subindo, atinge o nível estático do poço. Profundidade do nível estático: distância medida, a partir da superfície do terreno, até o nível estático do poço. Observação: pela definição acima, no caso de poço jorrante a profundidade do nível estático será negativa. Bombeamento da água de poços - Terminologia Prof. do nível estático 61 Profundidade do nível dinâmico: distância que se mede do nível do terreno até o nível dinâmico do poço. Depressão de nível (ou rebaixamento de nível): diferença de cota entre o nível estático e o nível dinâmico do poço. Bombeamento da água de poços - Terminologia Prof. do nível dinâmico 62 Superfície de depressão: - nos poços freáticos: Superfície que resulta da depressão de nível do lençol em decorrência do bombeamento. A forma aproximada da superfície freática de depressão é a de uma superfície lateral de tronco de cone invertido: a base menor do cone coincide com a seção do poço na posição do nível dinâmico. Bombeamento da água de poços - Terminologia 63 Superfície de depressão: CÔNICA Bombeamento da água de poços - Terminologia https://gartic.com.br/diegobertocci/desenho-jogo/funil 64 Superfície de depressão: - nos poços artesianos: Superfície de depressão é imaginária: constitui o lugar geométrico dos pontos piezométricos que sofrem depressão em decorrência de bombeamento. A superfície de depressão, tanto em poços freáticos quanto artesianos, é função da vazão de bombeamento. Bombeamento da água de poços - Terminologia 65 Curva de depressão: interseção da superfície de depressão com o plano vertical que passa pelo eixo do poço. - Os dois ramos da curva de depressão são geralmente assimétricos: a assimetria é mais acentuada no plano vertical paralelo ao deslocamento da água subterrânea. Obs.: para traçar a curva de depressão são abertos outros poços alinhados com o poço bombeado, determinando-se o nível dinâmico de equilíbrio dos poços. Bombeamento da água de poços - Terminologia 66 Zona de influência: zona abrangida pela superfície de depressão do poço bombeado. O seu limite é definido pelo raio de influência do bombeamento. - A zona de influência será tanto maior quanto maior for a vazão de bombeamento. - Qualquer outro poço aberto na zona de influência ficará com seu nível deprimido, em decorrência do bombeamento do primeiro - essa depressão é tanto maior quanto mais próximo estiver um poço do outro. Bombeamento da água de poços - Terminologia 67 Poço freático / poço artesiano: de acordo com o aquífero do qual se promove o bombeamento da água. O bombeamento produz as depressões do nível d’água do aquífero (ou da superfície piezométrica, em caso de artesiano), constituindo o chamado “cone de depressão”. O raio do cone de depressão é denominado de raio de influência: é função da vazão de bombea- mento e varia com o tempo de bombeamento. Bombeamento de poços freáticos e artesianos 68 O raio de influência, bem como a depressão de nível, cresce com o tempo de bombeamento, em taxas decrescentes. Quando a capacidade de recarregamento do aquífero se equilibra com a vazão de bombeamento do poço atinge-se o regime de equilíbrio. O bombeamento no regime de equilíbrio pode ser modelado pelas equações de Thiem (freático e artesiano). Bombeamento de poços freáticos e artesianos 69 Equações de Thiem para poços freáticos e artesianos. Considera: granulometria e espessura do aquífero invariáveis; poço atinge o limite inferior do aquífero; regime de escoamento laminar; escoamento em linhas radiais que têm por centro o eixo do poço. Bombeamento de poços freáticos e artesianos 70 Poço freático sob a ação de bombeamento com vazão Q constante Corte horizontal Corte vertical passando pelo eixo do poço Bombeamento de poços freáticos Ro = raio do poço Ri = raio de influência r = raio qualquer 71 Na ilustração o regime é o de equilíbrio: - rebaixamento s invariável no tempo para a vazão de bombeamento Q constante; - no entorno do poço, o aquífero mostra-se rebaixado em forma de funil (cone de depressão). Obtenção do rebaixamento do lençol na zona de influência do bombeamento equação de Darcy para a superfície cilíndrica à distância genérica r do eixo do poço, através da qual escoa a água bombeada do aquífero: Regime de equilíbrio: poço freático 72 Poço freático: bombeamento com vazão Q constante hr2A drdhi AiKAVQ 202 0 2 0 2 0 hh Rr3032 K hh Rr K Q log, ln Regime de equilíbrio: poço freático 73 Equação de Thiem para o poço freático Eq. de Thiem escrita em termos da depressão de nível: h = m - s e h0 = m - s0 , onde ou 202 0 smsm Rr K Q ln 202 0 hh Rr K Q ln 202 0 smsm Rr3032 K Q log, Regime de equilíbrio: poço freático 74 Expressão do Raio de Influência, Ri A eq. de Thiem deve ser integrada de (r = R0, h = h0) a (r = Ri, h = m), pois para r = Ri, s = 0 202 0i 2 0 2 0i smm RR K hm RR K Q lnln 000i ssm2 Q K RRexp Regime de equilíbrio: poço freático h0 = m - s0 75 Obtenção do coeficiente de permeabilidade, K 2122 12 hh RR K Q ln 2122 12 smsm RRQ K ln Poço freático Poços de observação 76 Caso em que o PO1 seja o próprio poço bombeado: e 202 0 hh RRln K Q 2 02 0 smsm RRlnQ K Regime de equilíbrio: poço freático h = m - s h0 = m - s0 77 Observações: i) Os valores da permeabilidade K são geralmente mais precisos quando definidos pelas leituras em 2 poços de observação, já que ocorre uma perda de carga na entrada do poço bombeado (embora a utilização de 1 poço de observação, ao invés de 2, seja mais cômoda e econômica). ii) A boa prática sugere a obtenção de um coeficiente de permeabilidade médio (exemplo na Figura): 4,34,23,24,13,12,1 KKKKKK 6 1 K Regime de equilíbrio: poço freático 78 Coeficiente de permeabilidade médio 79 Como no caso dos poços freáticos, a Eq. de Thiem para poços artesianos considera: granulometria e espessura do aquífero invariáveis; poço atingindo o limite inferior do aquífero; regime laminar de escoamento; escoamento radial (linhas de corrente têm por centro o eixo do poço). Regime de equilíbrio: poço artesiano 80 Regime de equilíbrio: poço artesiano 81 Poço artesiano sob a ação de bombeamento com vazão Q constante Corte horizontal Corte vertical passando pelo eixo do poço Regime de equilíbrio: poço artesiano 82 Na ilustração, o regime é o de equilíbrio: - rebaixamento s em cada posição r é invariável no tempo para a vazão de bombeamento Q constante; - cone de depressão constitui uma superfície imaginária. Obtenção do rebaixamento na zona de influência do bombeamento do poço artesiano equação de Darcy para a superfície cilíndrica à distância genérica r do eixo do poço, através da qual escoa a água bombeada do aquífero com a vazão Q: Regime de equilíbrio: poço artesiano 83 mr2A drdhi AiKAVQ 0 0 0 0 hh Rr3032 mK2 hh Rr mK2 Q log, ln Poço artesiano: bombeamento com vazão Q constante Regime de equilíbrio: poço artesiano 84 A equação de Thiem pode, ainda, ser escrita em termos da depressão de nível. Para tal, faz-se: h = H - s e h0 = H - s0 donde, h - h0 = s0 - s ou ss Rr mK Q ss Rr mK Q 0 0 0 0 log303,2 2 ln 2 Regime de equilíbrio: poço artesiano 85 Expressão para o Raio de Influência, Ri A eq. de Thiem deve ser integrada de (r = R0, h = h0) a (r = Ri, h = H), pois para r = Ri, s = 0 Pois H - h0 = s0 00i 0 0i s RR mK2 hH RR mK2 Q lnln 00 2 exp s Q mK RRi Regime de equilíbrio: poço artesiano 86 12 12 ss RR mK2 Q ln 21 12 ssm2 RRQ K ln Coeficiente de permeabilidade, K Poço artesiano Poços de observação 87 Caso o PO1 seja o próprio poço bombeado, então e Havendo vários postos de observação (4, p. ex.) 0 0 hh RR mK2 Q ln ssm2 RRQ K 0 0 ln 434232413121 KKKKKK 6 1 K ,,,,,, Regime de equilíbrio: poço artesiano 88 Interferência mútua de dois poços: A interferência mútua de dois poços ocorre quando, estando ambos submetidos ao bombeamento, suas zonas de influência coincidem parcialmente. Interferência de poços 89 Problema: Determinar a distância mínima entre dois poços bombeados com a mesma vazão Q para que não haja interferência mútua. Solução: Utilizam-se as equações de Thiem para o raio de influência Ri (conforme o aquífero seja freático ou artesiano). Interferência de poços 90 Para que um poço não esteja localizado na região de influência do outro, no caso de bombeamento com a mesma vazão Q a distância entre eles deverá ser maior ou igual a 2Ri. - Poço freático: - Poço artesiano: 000imín ssm2 Q K R2R2d exp 00imín s Q mK2 R2R2d exp Interferência de poços 91 Regime não equilibrado (regime não permanente): é aquele que se inicia com o bombeamento do poço (freático ou artesiano). Caracteriza-se pelo rebaixamento do nível dinâmico e termina quando o regime de equilíbrio é atingido: o nível d’água do poço, inicialmente no nível estático, estabiliza-se no nível dinâmico de equilíbrio sob a vazão de bombeamento constante. Regime não equilibrado 92 Observação: Um regime não equilibrado também ocorre logo após cessar o bombeamento, durante o período de recuperação do nível estático do poço. Regime não equilibrado 93 Solução clássica de Theis: W(u) = função do poço sendo uW T4 Q s du u e T4 Q s u u du u e u u Tt4 Sr u 2 Regime não equilibrado r = raio de interesse S = armazenamento T = transmissividade t = tempo 94 -Representa a parcela de água libertada de um prisma vertical -de base unitária, -de mesma altura do aquífero, -quando a superfície piezométrica é reduzida de uma altura unitária. -capacidade de armazenamento útil do aquífero, por unidade de área horizontal. Coeficiente de armazenamento, S Quanto ele armazena de água por m², cm²... 95 Visualização dos prismas de base unitária para a definição do coeficiente de armazenamento S em aquíferos freático e artesiano Aquífero freático Aquífero artesiano Coeficiente de armazenamento, S 96 Solução clássica de Theis (cont.) Os valores de W(u) podem ser encontrados pelo desenvolvimento da série convergente: Valores de W(u) em função de u: dados em Tabelas construídas com base na série acima. Tabela de Wenzel para W(u) em função de u: !! ln, 44 u 33 u uuu57720du u e uW 43 2 u u Regime não equilibrado 97 u 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0 7,0 8,0 9,0 x 1 0,219 0,049 0,013 0,0038 0,00114 0,00036 0,00012 0,000038 0,000012 x 10-1 1,82 1,22 0,91 0,70 0,56 0,45 0,37 0,31 0,26 x 10-2 4,04 3,35 2,96 2,68 2,48 2,30 2,15 2,03 1,92 x 10-3 6,33 5,64 5,23 4,95 4,73 4,54 4,39 4,26 4,14 x 10-4 8,63 7,94 7,53 7,25 7,02 6,84 6,69 6,55 6,44 x 10-5 10,95 10,24 9,84 9,55 9,33 9,14 8,99 8,86 8,74 x 10-6 13,24 12,55 12,14 11,85 11,63 11,45 11,29 11,16 11,04 x 10-7 15,54 14,85 14,44 14,15 13,93 13,75 13,60 13,46 13,34 x 10-8 17,84 17,15 16,74 16,46 16,23 16,05 15,90 15,76 15,65 x 10-9 20,15 19,45 19,05 18,76 18,54 18,35 18,20 18,07 17,95 x 10-10 22,45 21,76 21,06 20,84 20,66 20,66 20,50 20,37 20,25 x 10-11 24,75 24,06 23,65 23,36 23,14 22,96 22,81 22,67 22,55 x 10-12 27,05 26,36 25,95 25,66 25,44 25,26 25,11 24,97 24,86 x 10-13 29,36 28,66 28,26 27,97 27,75 27,56 27,41 27,28 27,16 x 10-14 31,66 30,97 30,56 30,27 30,05 29,87 29,71 29,58 29,46 x 10-15 33,96 33,27 32,86 32,58 32,35 32,17 32,02 31,88 31,76 Tabela de Wenzel (1942): Valores da função dopoço, W(u), em termos de u. Tt4 Sr u 2 98 Fórmula de Theis modificada por Jacob: - para valores suficientemente pequenos de u, Jacob (1940) considerou boa a aproximação: (a série é limitada aos seus dois primeiros termos) - para t suficientemente grande (equivale a u < 0,01), Jacob reescreveu a eq. de Theis na forma aproximada: u57720du u e uW u u ln, u57720 T4 Q uW T4 Q s ln, Regime não equilibrado Tt4 Sr u 2 99 Fórmula de Theis modificada por Jacob (cont.) Mas, Logo: Como u561470u561470u57720 ,lnln,lnln, u 561470 T Q 4 3032 e u561470 T4 Q u 561470 T4 Q s , log , log ,log, ln Tt4Sru 2 Sr tT5614704 T Q 4 3032 s 2 , log , Sr tT252 T Q1830 s 2 , log , Regime não equilibrado 100 Determinação dos coeficientes de transmissivi- dade (T) e armazenamento (S) do aquífero Processo tempo-rebaixamento Consiste na obtenção das características do aquífero a partir do levantamento de um conjunto de pares de valores do rebaixamento e do tempo correspondente, (si, ti), sendo o tempo contado a partir do início do bombeamento. Aplicação da fórmula de Theis modificada por Jacob 101 Processo tempo-rebaixamento: Obtenção de T - um gráfico de s versus log t é uma reta cuja declividade é igual a 0,183Q/T: T pode ser calculado a partir de dois pares de valores de s e t, situados sobre a reta. Pode-se, ainda, construir o gráfico em papel monolog (s na escala aritmética e t na escala logarítmica) t T Q1830 Sr T252 T Q1830 Sr Tt252 T Q1830 s 22 log ,, log ,, log , Aplicação da fórmula de Theis modificada por Jacob y b a x 102 Rebaixamentos s1 e s2 observados em dois instantes sucessivos t1 e t2 Aplicação da fórmula de Theis modificada por Jacob 103 - Para o instante t1: - Para o instante t2: Fazendo s2 – s1, resulta 121 t T Q1830 Sr T252 T Q1830 s log ,, log , 222 t T Q1830 Sr T252 T Q1830 s log ,, log , 1 2 121 2 12 t t ss Q1830 T t t T Q1830 ss log , log , Aplicação da fórmula de Theis modificada por Jacob 104 12 12 ss Q183,0 T t10 tPara Gráfico do rebaixamento em função do tempo em papel monolog Aplicação da fórmula de Theis modificada por Jacob 105 Processo tempo-rebaixamento: Obtenção de S O coeficiente de armazenamento, S, também pode ser estimado com base na eq. de Theis modificada por Jacob e na construção gráfica de s versus log t (ou de s versus t, em papel monolog). Da eq. de Jacob, 1 25,2 0s para E, ; 25,2 log 183,0 2 0 2 Sr Tt Sr Tt T Q s 2 025,2 r Tt S Aplicação da fórmula de Theis modificada por Jacob t T Q1830 Sr T252 T Q1830 Sr Tt252 T Q1830 s 22 log ,, log ,, log , y b a x 0 106 Processo tempo-rebaixamento: Obtenção de S (cont.) Para calcular S, necessita-se, portanto, da distância r (medida entre os eixos dos poços bombeado e de observação), do coeficiente de transmissividade T (determinado anteriormente) e do tempo t0. Com alguns pares de valores de s e t, usando o papel monolog, extrapola-se a tendência linear para obter o tempo t0 que corresponde ao rebaixa- mento nulo (t = t0 para s = 0). Aplicação da fórmula de Theis modificada por Jacob 107 Válida para t grande, ou u pequeno (u < 0,01) 2 0 r Tt252 S , Gráfico do rebaixamento em função do tempo em papel monolog Aplicação da fórmula de Theis modificada por Jacob 108 Ao lado de um poço artesiano (d=8” d=200mm) é perfurado um poço de observação: distância entre eixos = 110m. Posta uma bomba a funcionar com a vazão de teste de 120m3/h, o nível dinâmico no poço de observação sofre os rebaixamentos indicados na tabela. Pelo processo de tempo-abaixamento, determinar: a) os coeficientes T e S; b) a depressão de nível do poço bombeado para a vazão de projeto de 180m3/h. Problema exemplo 11.3 109 Poço de observação 110 m Vazão teste = 120 m3/h 100 mm Problema exemplo 11.3 110 Problema exemplo 11.3 Tempo, t (min) Depressão, s (cm) Tempo, t (min) Depressão, s (cm) Tempo, t (min) Depressão, s (cm) 1,0 4,3 9,0 29,3 50,0 54,0 2,0 10,2 10,0 31,2 60,0 57,2 3,0 14,3 12,0 32,8 80,0 60,5 4,0 18,0 15,0 36,2 100,0 64,4 5,0 22,7 20,0 40,3 120,0 67,3 6,0 23,5 25,0 43,7 240,0 78,0 7,0 25,2 30,0 45,9 8,0 26,8 40,0 50,8 Tabela – Valores da depressão do nível de água, s, num poço de observação à distância de 110m do poço bombeado, em função do tempo, t 111 Solução Dados: R0 = 100 mm = 0,1 m r = 110 m Qb = 120 m 3/h Rebaixamento s(t), conforme tabela Pede-se: a) Coef. de transmissividade (T) e armazenamento (S); b) sp = ? para Q = 180 m 3/h (de projeto) Problema exemplo 11.3 112 Solução a) Cálculo do coeficiente de transmissividade, T: Da eq. de Jacob, para t grande (u < 0,01): para t = t1 para t = t2 Sr Tt252 T Q1830 s 2 b ,log , Sr Tt252 T Q1830 s 2 1b 1 , log , Sr Tt252 T Q1830 s 2 2b 2 , log , Problema exemplo 11.3 113 Se forem escolhidos t2 e t1 tal que t2 = 10t1: Da reta traçada no papel mono-log (Figura 11.21), com t1 = 10min e t2 = 100min (log t2/t1 = 1) 1 2 12 b 1 2b 12 t t ss Q1830 T t t T Q1830 ss log , log , 12 b ss Q1830 T , Problema exemplo 11.3 114 Figura – Curva rebaixamento versus tempo, em papel monolog, construída com os dados da Tabela 11.3, para a obtenção do coef. T. m3450cm534ss cm 564s min 100t cm 030s min 10t 12 22 11 ,, , , m hm 6563T 3450 1201830 ss Q1830 T 3 12 b , , ,, Problema exemplo 11.3 115 Pode-se, agora, determinar o armazenamento, S: - Com base no modelo matemático aproximado, para s = 0 t = t0 O valor de t0 pode, então, ser obtido da intersecção da reta de Jacob (papel monolog) com o eixo do rebaixa- mento s: 2 0 2 0 2 0b r Tt252 S 1 Sr Tt252 Sr Tt252 T Q1830 0s ,,, log , Problema exemplo 11.3 116 Figura – Curva rebaixamento versus tempo, em papel monolog, construída com os dados da Tabela 11.3, para a obtenção do armazenamento S. t0=1,4min 0,02333h 0002760S 110 0233306563252 r Tt252 S 22 0 , ,,,, Problema exemplo 11.3 117 b) Obtidos os valores de T e S, emprega-se a equação de Theis simplificada por Jacob para estimar o rebaixa- mento no poço para a vazão de projeto de 180m3/h: Em seguida, atribuem-se valores crescentes a t, a partir de t=2h, constrói-se uma tabela com os valoresde s(t): 000276010 t6563252 6563 1801830 Sr Tt252 T Q1830 s 22 p projeto p ,, ,, log , ,, log , t5175099253sp log,, Problema exemplo 11.3 118 Tabela – Evolução da depressão de nível em função do bombeamento tempo (h) depressão, sp (m) tempo (h) depressão, sp (m) tempo (h) depressão, sp (m) tempo (h) depressão, sp (m) 2 4,15 12 4,55 22 4,69 32 4,77 4 4,30 14 4,59 24 4,71 34 4,79 6 4,40 16 4,62 26 4,73 36 4,80 8 4,46 18 4,64 28 4,74 38 4,81 10 4,51 20 4,67 30 4,76 40 4,82 Por estes resultados, pode-se tomar, por segurança, . m05sp , Problema exemplo 11.3 119