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Elizabeth Mayne AREIAS ARDENTES

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Joao Victor

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Areias Ardentes Elizabeth Mayne 
Areias Ardentes
Elizabeth Mayne
Clássicos Românticos
N. 99
Página de 1-10 
Capítulo 1
_Caramba, se isso não é igualzinho ao fundo do desfiladeiro Terralíngua, eu engulo o meu chapéu!
Ajeitando o fone de ouvido para ouvir melhor aquela voz, Adriana Bennett olhou para a paisagem árida e rochosa lá embaixo, a centenas de metros.
_É mesmo, papai parecidíssimo com o oeste do Texas.
A única vez em que vi tanta poeira foi quando você levou família toda a acampar. Mamãe ameaçou pedir divórcio se não voltássemos imediatamente à civilização.
_Menina, não é possível que você se lembre disso!
-Quer apostar?_riu-se Adriana, ouvindo o pigarro do velho.
_O que estou dizendo é que não há muita diferença entre esta terra e a nossa, no oeste do Texas.Tão seca, meu Deus, não se vê uma gota de água de Pecos a el Paso.Nem quero pensar em ter de fazer um pouso de emergência num lugar destes.
_Lá está o oleoduto.
_É a nossa referência, vamos segui-lo até o velho “Kuweit Internacional”._disse ele com seu arrastado sotaque texano.-Calculo que estaremos no Golfo Pésico em quinze minutos.
Bocejando, Adriana passou os olhos pelo sofisticadíssimo painel,verificando o nível de combustível, a pressão do motor,a temperatura do ar e o altímetro. Com o piloto automático ligado, não tinha muito que fazer para combater o tédio.
_Não vá dormir, garota_disse a voz do velho pelo sistema de comunicações também de última geração.
Adriana sabia como afastar a sonolência e quebrar a monotonia.Bastava assumir o controle manual.aproando do rumo aos tons dourados do sol do amanhecer, impôs ao Vixen 2000-2 uma trajetória em oito, que passava por baixo, por cima e ao redor da linha perfeitamente reta do curso do jato de seu pai.
_Quem está dormindo?_desafiou._Quer apostar uma corrida até o golfo?
_tenha juízo menina. Não quero nem um arranhão nenhum rebite fora do lugar, nem um barulhinho nestas duas princesas. 
_Ora , não se ouviria sequer um copo de cristal na cozinha_provocou Adriana._Foi tudo projetado com revestimento de espuma aveludada .Nem de propósito agente consegue quebrar alguma coisa aqui dentro.
Sorrindo sob pressão da gravidade que lhe prendia o corpo no banco anatômico, Adriana descreveu uma ampla órbita ao redor do jato idêntico de seu pai.Uma descarga de adrenalina removeu-lhe o último vestígio de enfado.
_Não é horrível ter que entregar estas gracinhas a outra pessoa, papai?_perguntou ela com uma ponta de mágoa na voz.
_Horrível?Não.Quer que eu faça com esta sala de reuniões voadora?Para minhas discussões, basta a mesa da cozinha.
_Ora bem que eu gostaria de ter um brinquedinho destes.
_Brinquedinho?_Jim bufou no microfone_ Já é hora de abandonar os brinquedos e parar de me causar úlceras.Hora de sossegar um pouco e começar a me dar netos.Pare com isso, Adriana!Droga, você me fez derrubar o café!
Adriana executou duas rápidas piruetas, o horizonte girou a sua frente.
_Não me fale em neto.É muito cedo para compromissos.
_Com vinte e quatro anos, já devia estar pensando nisso.
_Ora! _exclamou ela sem conter o riso._Ainda sou uma menina!
Então trate de diminuir a velocidade, menina.Viemos do Texas até aqui sem cometer erros.Não vamos ter tempo para arrumar nada quando aterrissarmos.No instante em que seu padrinho abrir a porta, vão aparecer centenas de xeques querendo passar pente fino nas duas princesas.
_Eu sei, eu sei_ resmungou Adriana com bom humor. Nivelou-se com o jato do pai, submetendo-se a seu comando. 
Os aviões chamariam muita atenção.Nem sequer a Miss Universo seria notada na pista, ao lado do reluzente Vixen 2000 de Adriana.Quando se tratava dos clientes do seu pai, todos adoradores de aparelhos rápidos e ágeis que voassem fácil e majestosamente no céu, ela sabia perfeitamente que qualquer mulher ficaria em segundo plano.Era ter ciúmes.
Houve um tempo em que chegou a pensar que , se fosse extraordinariamente alta e tivesse cabelos dourados, sedosos e até a cintura conseguiria atrair alguma atenção.
Só depois se deu conta de que, para os homens fixados em aviões a jato e na amplidão do céu, para os que não faziam caso dos limites do espaço, as mulheres vinham em segundo ou terceiro lugar às vezes nem mesmo existiam. Ela sofria de idêntico mal. De fato era mesmo raro o homem capaz de seduzi-la a ponto de faze-la renunciar àquelas horas preciosas de vôo, tão necessárias para manter a habilidade a liberdade.
Bastaram-lhe umas poucas incursões no mundo da aviação para perceber que os pilotos de jatos eram tão arrogantes quanto ela.Convencida, mimada e orgulhosa de si, Adriana Bennett era um tipo totalmente diferente de mulher, uma aviadoras_ Sem esquecer que 
Também era a filha caçula de Jim Bennett.
Ter herdado as particularidades do homem que ia pilotando o avião líder lhe dava orgulho.Contudo, essas mesmas particularidades tornavam difícil para ela encontrar um parceiro capaz de adequar a seu mundo. 
O problema era que Adriana nunca poderia se interessar por um homem que não tivesse paixão pela aviação. Era a praga dos Bennett.E ela se rendera a essa maldição aos dezesseis anos, quando recebeu seu primeiro brevê solo, e quando o rapaz que estava namorando vomitou em seu Piper Cub.
Muitas águas tinham rolado naqueles oito anos.O teste do amor verdadeiro naturalmente não deu em nada nas rotas de navegação do céu do Texas. Quem perdesse a cor em áreas turbulência, tempestades ou acrobacias aéreas era riscado da sua lista.
Para piorar as coisas, como seus irmãos e irmãs,ela era capaz de desmontar e montar qualquer tipo de motor inventado por um Homem.A habilidade mecânica estava em seu sangue, muito embora sua mãe não soubesse distinguir um parafuso de um martelo.
Diminuindo a velocidade, Adriana disse:
_Como já estamos chegando, vou por minha cara séria.Qual é a primeira coisa que devemos ao aterrissar?
_Vender os dois Vixen!_afirmou Jim._Quando você me levar para casa na pata choca, quero estar com vinte encomendas no bolso.
_Naquela ratoeira velha?_perguntou Adriana, torcendo o nariz ante a idéia de pilotar o antigo DC-7da empresa. A reverberação do sol no deserto lhe feriu os olhos._Por que não enterram essa velha aí na areia?
_Ah, você sabe muito bem, Jack já deve tê-la abastecido e está ancioso por coloca-la em suas mãos. 
_Não saio sem ter dormido pelo menos doze horas, comido dois bifes e tomado meio barril de cerveja. Eu quero um bom banho e roupa limpa.
_Não vá choramingar por um colchão de penas de ganso.Você está ficando molengona, garota_riu Jim com ternura.Tinha muito orgulho da filha mais nova e com ternura.Tinha muito orgulho da filha mais preciosos designs lhe saíam com espontaneidade, quase esforço.A sua querida Adriana Jane era perfeiccionista, além de teimosa, cabeça-dura e genial.As vezes Jim Bennett tinha de teimosa, cabeça dura e genial. As vezes Jim Bennett tinha de procurar um motivo de queixa, outras, ao contrário,ela cometia de súbito um ato tão impulsivo e irracional, tão deslavadamente feminino, que o fazia explodir de cólera.Como,por exemplo aquela viagem.
James Matthew Bennett Junior, o filho mais velho de Jim, o suposto herdeiro e braço direito das Industrias Bennett, era quem devia levar o Vixen 2000_2 aoKuweit.
Mas isto tinha sido antes que sua irmã caçula, na antevéspera, o desafiasse a uma partida de tênis. \sob o intenso calor matinal do Texas, Matt foi atrás de um saque de Adriana, que qualquer idiota teria percebido que saira do campo. Descansando no terraço dos fundos,que dava para a quadra, foi com horror de Jim Bennett viu seu filho mais velho escorregar e cair no chão de mau jeito.
Teve a absoluta certeza que o saque de Adriana tinha sido intencional.Ela devia até mesmo haver passado graxa na sola dos tênis do irmão, pois a discussão sobre quem levaria o segundo jato Vixen ao sheik Wali Haj Haaris tinha começado no instante em que as plantas saíram da prancheta computadorizada de Adriana.Quando a encomenda do riquíssimo saiu do hangar para as inspeções e os testes de vôo, a polêmica entre osirmãos Bennett já se havia se transformado numa verdadeira guerra. 
Só três membros da empresa dirigida pela família tinham habilitação para pilotar aquela aeronave de primeiríssima classe, Jim, Matt a jovem Adriana.Ninguém se atreveu a sugerir que o rapaz ficasse em casa e deixasse a que a irmãzinha se encarregasse de levar o avião, mas Adriana teve e audácia de exigi-lo.
Semanas antes ,Jim tinha concordado em permitir que a talentosa filha o acompanhasse como co- piloto.Estava cedendo a uma evidente manipulação. Sabia-o, naturalmente, mas pareceu-lhe a única maneira de encerrara briga familiar.Nada era mais difícil que intimidar Adriana.Jim não era capaz disso e muito menos o pobre Matt. 
A moça tinha nas mãos os homens do clã Bennett desde o dia que nascera.
_sabe?_ disse ele._ Eu queria entender por que era tão imporatante pra vpcê entregar estes aviões pessoalmente.
_Digamos que é uma vendeta_ Riu-se Adriana._
Uma rebelião contra o purdah .Papai, fui eu quem projetei estes aviões sozinha.Ninguem senão eu pôs as mãos nos designs pelos quais os riquíssimos príncipes do petróleo se apaixonou. Ele vai pagar uma fortuna por uma frota.
Um avião para cada um de seus filhos machistas.
É isso que a irrita?
_Mais ou menos, Esses xeques não passam de uns pavões que só querem aparecer! 
_Continuo sem entender.
_Estou falando dos filhos do seu sheik, papai.e parece que ele tem vinte filhos.
_E daí? Quem pode pode, não?
-É? Você também podia . Sabe que todos os filhos do sheik Haaris estudaram em Oxford, Harvard e Yale?
_ E daí?
_ Mas nenhuma de suas filhas.
_ É esse o problema , Adriana?
_O Vixen é criação minha!Pode chamar de orgulho de artesão, pode chamar de vaidade pessoal ou mesmo de burrice de primeiro grau.Só quero que um sheik mulçumano conservador seja obrigado a engolir o fato que foi uma mulher que projetou o avião que ele tanto adorou.É por isto que estou aqui.
_minha querida, nós estamos neste negocio.É assim que ganhamos a vida.Não julgamos as pessoas que compram nossos aviões.Não foi para isso que a educamos.
_Não estou julgando ninguém , papai. Só quero ver a cara do príncipe Wali Haj quando você lhe apresentar A.J Bennett. Não pretendo dizer uma palavra.Vou agüentar a parada até o fim e ainda sorrir para as câmeras.
_Ai de você se provocar um incidente com essa sua língua solta!Estou falando sério, Adriana, vou sair do Kuweit com uma encomenda de outros vinte aparelhos para sheik. 
Se acontecer alguma coisa , juro que você vai acompanhar toda a negociação lá do escritório de contabilidade.acredite!
Adriana começou a rir.
_Pense bem.Talvez algum príncipe do deserto lhe ofereça vinte cavalos em troca da minha língua solta.
_Eu fecho negócio na mesma hora_retrucou Jim sem hesitar.O riso de Adriana pelo rádio era música para ele.
_Reconheça papai, o negócio não vai ficar prejudicado se esses fanáticos por aviões souberem que você tem um punhados de filhos tão bem dotado quanto o pai, os homens e as mulheres.
_Hum_rosnou Jim. Vindo de Adriana, aquele tipo de elogio fazia com que ele se curvasse a qualquer capricho dela.Como se não soubesse que estava sendo manipulado._Trate de tomar cuidado quando chegarmos ao Kuwit.
_Claro papai.Negócio é negócio.
_Exatamente.
_Olhe, temos companhia às nove horas da manhã.
_Já faz uma hora,tagarela.Há uma base de caças perto de Riad. Estão em manobras essa semana. 
_Quer dizer que já nos despedimos do deserto?
_Isso mesmo.O Kuweit é logo ali. Fique com os ouvidos atentos.
Meu rádio esta com estática.Deixe ligado o de curto alcance, OK?Adoro escutar sua respiração.
Ouvindo a gargalhada do pai, Adriana ficou olhando para o pássaro distante no dourado do céu. Evidentemente era um caça , uma patrulha militar.Deixou o rádio ligado quando seu pai entrou em contato.Uma voz falando um inglês perfeito , pediu-lhe que se identificasse,e ela obedeceu.
Aproximando-se do movimentado Aeroporto Internacional do Kweit, começaram a voar em sua volta. Nessas ocasiões era sempre o seu pai que assumia o comando.
Segundo a hierarquia, o mandachuva da empresa era o primeiro a aterrissar.
_Mande Jack tirar os bifes da geladeira assim que eu pousar_pediu ela ._ morrendo de fome.
_Pode deixar o nosso hangar é o único laranja e branco.Fique de olho quando tiver taxiando. Agente se encontra lá gatinha.Esperando as instruções de pouso, Adriana sobrevou a terra parda e água verde e lisa bem ao sul do crescente da Baía de al Kuweit.
Controle, aqui é Bennet Vixen 2000-2. O tráfego está muito intenso.É sempre assim?
_Roger falando,Vixen 2000-2_ respondeu em inglês o controlador._É todo dia assim.Aproxime-se da curva a setenta e cinco metros. 
Adriana olhou as movimentadas rotas de vôo.Acima dela seis 747comerciais e um Concorde circulavam monotonamente.A setenta e cinco metros, ela contou nada menos que doze jatos similares ao Vixen.A tela do radar acusava muitos abaixo do seu.Ia demorar para que tivesse autorização para aterrissar.
Eram quase oito horas da manhã, horário do Kuweit. Adriana bocejou.Fazia mais de quarenta horas que não via uma cama. O generoso cockpit do Vixen agora parecia apertado e cheio.Doze horas sozinha ao manche, percorrendo quase treze mil quilômetros, não tinham parecidos tão difíceis quando decolaram, em San Antônio,no dia anterior.
A espera aumentou o tédio.
Consultando o relógio, Adriana constatou que eram quase onze horas no Texas. Hora de dormir,e ela estava, de fato, com o corpo entorpecido. Doía-lhe o pescoço por estar tanto tempo sentada. Bocejando, pensou no pai.
Sabia que era ele que devia ser ainda pior. Era trinta anos mais velho que seu primeiro filho.
Tinha sido uma loucura não haverem trazido os co- pilotos, que tiveram problemas para obterem o visto.Havia ocasiões em que seu pai simplesmente telefonava para o Departamento de Estado e obtinha o que quisesse, até mesmo um tapete vermelho na pista.em outras, como no dia anterior, nada , absolutamente nada, dava certo.
O plano da viagem original era adorável. De San Antonio a Lisboa a Bagda´, com uma noite de descanso e algumas refeições quentes.
Adriana tinha vontade de conhecer Bagdá e fazer compras naquele mercado sem igual no resto do mundo. Foi pensando nisso que trouxera suas economias. 
Mas tudo fora por água abaixo quando a autorização para trafegar no espaço aéreo do Iraque foi bruscamente cancelada. Não deram explicações alguma. E eles se viram obrigados a alterar o plano previsto. A única rota alternativa, que passasse por um país árabe “amigo”, era a Arábia Saudita, antiga cliente de seu pai.
Valia ter amigos influentes. Contornar a África significava duas vezes mais tempo e combustível.
Adriana teve vontade de rir ao pensar no prazer que seu pai tinha em economizar cada centavo.Ao mesmo tempo,contudo não economizar na construção dos aviões.Nda havia de barato no vixen 2000-2, nem um único componente, da madeira de lei do revestimento ao couro importado do estofamento. A aeronave era compacta sem dúvida projetada para transportar máximo de dez adultos, mas de um luxo que pouca gente seria capaz de imaginar.
O poderoso motor do jato, menina dos olhos de seu irmão Thomas, era capaz do impossível com uma fantástica mistura de combustíveis que ele mesmo descobrira. Consequentemente , ela e o pai haviam decolado na tarde anterior, com a intenção de chegar a seu destino num máximo em quatorze horas. 
O jato tinha demais , a agilidade de uma raposa a driblara matilha de cães de caça .Graças a isto, quando um pesado transporte militar atravessou perigosamente seu curso, bastou-lhe um rápido movimento dos pulsos para se desviar, aproximando de dois aviões comerciais que vinham da baía de Al Kuweit, faziam uma curva pronunciada.
_Ei!-gritou ela ao microfone._Que significa isso?
_Roger falando, Bennett 2000-2. Mantenha a altitude e o s curso determinados.
_Não fui eu que saiu do curso rapaz>Vai haver uma colisão se esta bagunça continuar. Alguma possibilidade de aterrissar mais cedo?
_Roger falando informe o nível de combustível.
Adriana forneceuo dado.Não estava em situação crítica , ainda podia voar mais seiscentos e quarenta quilômetros, se bem que cada volta ao redor do aeroporto lhe consumia até setenta e cinco.
_Bennett Vixen 2000-2, suba a duzentos e dez metros.Aguarde aproximação, pista seis.
_Obrigada , controle._adriana relaxou e se imaginou já caminahndo, sentindo o chão sob os pés.\pela janela viu o Vixen do seu pai aproximando-se da pista seis, para pousar o Vixen com a leveza de um pombo.
Fazendo uma curva, ela perdeu de vista a pista de aterrissagem. Concentrou-se na manobra do Vixen, no vôo. Abrindo o trem de pouso, sorriu satisfeita com o empurrão natural que ele imprimia em sua velocidade.a última parte da curva a conduziu a cabeceira da pista, aproximando-a da cidade do Kuweit numa inclinação de quarenta graus sobre a água azul e a fumaça cinzenta.
Fumaça?
Adriana hesitou.Devia ser neblina.mas não tinham falado em neblina na torre. Sua asa direita encobria a cidade. A pista seis se aproximava do nariz do jato. 
Ela bocejou novamente. Come seria bom ficar de pé espreguiçar-se, sentir o ar quente do deserto na pele refrigerada. A pista foi se tornando mais larga.Ela baixou a cauda do avião, de modo que as rodas traseiras fossem as primeiras a tocar o solo.
Uma espiral de fumaça se erguia no meio da longa pista. A interferência no rádio estalou seus ouvidos.
Seguiu-se de um grito . Era o controlador:
_Bennett, Vixen 2000-2! Cancele a aterrissagem.Volte para setenta e cinco metros.Repetindo!Cancelar a aterrissagem na pista seis!Compreendido, Vixen?
O bocejo de Adriana se interrompeu no meio.Com uma mão ela tornou a puxar o manche, com a outra, tratou de regular o volume de seu fone de ouvido.
_ Controle aqui é Bennett Vixen 2000-2! Cancelando a aproximação da pista seis.Que está acontecendo aí em baixo?Oh meu Deus!
O aeroporto explodiu como um vulcão se estilhaçaram, lançando uma espiral de chamas e fumaça negra sobre as aeronaves junto aos terminais. A torre de controle ruiu em pedaços. O fone emitiu um último grito estridente e silenciou.
Ao outro ouvido chegavam-lhe sucessivas explosões.
Levantando a frente do Vixen, Adriana traçou uma diagonal por cima da extremidade incendiada do terminal.
As vidraças gigantescas se esmigalharam no chão.A sessenta metros uma curva brusca, ela descreveu um círculo completo e retornou. Pouco importava, o que havia caído.
_Papai!_chamou, sintonizando o rádio no canal em que haviam estado em contato durante a viagem._Papai, está me ouvindo?Papai! Responda! Você está bem?
_ Adriana!_ em meio aos ruídos da estática, ouviu-se bombas em toda parte. Não aterrisse.Você ouviu, menina? Dê o fora já! Volte para casa!
Capítulo 2
Ao retirar-se, voando baixo sobre a cidade, Adriana presenciou um pesadelo.Em toda parte da Cidade do Kuweit viam-se grossas colunas de fumaça e poeira.
Adriana procurou ganhar altitude no céu congestionando.Sem controladores de vôo, as rotas aéreas se transformavam num caos.Os demais pilotos compreenderam.
Era cada um por si .Os canais de comunicação estavam tão congestionados quanto o tráfego.Tomando o rumo do mar, Adriana sobrevoou as praças cheias de tanques de guerra.Os caminhões espalhavam comandos armados nas ruas.Nas praias, uma miríade de helicópteros pairava sobre a tropa.Era uma invasão!
Ela chegou a ver os destacamentos especiais apontando as metralhadoras para o alto e dispararem as metralhadoras contra Vixen.Puxando o manche, tratou de subir em linha reta.A força da gravidade a colou no banco.A mil e oitocentos metros, descreveu uma ampla curva para o sul e tratou de examinar os danos.Não detectou mais que alguns buracos na asa esquerda.Atordoada e desorientada, sobrevoou novamente a cidade.Daquela altura, Al Kuweit parecia uma refinaria em chamas.
Cruzou o céu um mig verde e marrom de fabricação soviética.Adriana olhou boquiaberta para o ameaçador avião de combate, tentando decifrar rapidamente a sua insígnia.
_ que estará acontecendo?
Seu rádio voltou a funcionar.
Atenção!_gritou uma voz gutural._ Aeronave civil nas proximidades do Aeroporto Internacional do Kuweit...Está violando o espáço aéreo iraquiano.
Adriana consultou o programa de localização cartográfica.Seus instrumentos não mentiam. 
_Não , não estou.encontrou-me no espaço aéreo do Kuwet._gritou._E tenho autorização.Você está enganado, amigo.
_Atenção! Todas as aeronaves comerciais
E particulares!_trovejou a mesma voz, sem fazer caso da resposta de Adriana._O aeroporto do Kuweit está fechado.Todos os aviões civis devem abandonar área.O aeroporto está fechado.As aeronaves que estiverem precisando reabastecer devem se identificar imediatamente.Declarem suas necessidades, e providenciaremos escolta até Basra.
Adriana sabia que não receberia ajuda do aeroporto do Kuweit. Principalmente depois de tê-lo visto bombardeado.Estava com as mãos tremulas quando pediu socorro mais próximo.
_ Atenção, Dhahran.Aqui é Bennett Vixen 2000-2.
Jato soviético, prefíxo79-523-1 aproximando-se SOS!Aeronave civil preparando-se para aterrissagem no aeroporto do Kuweit.O nível de combustível é crítico.Dhahan, precisei cancelar aterrissagem>algo muito grave está acontecendo no Kuweit.
Adriana escutara pelo rádio o numero de identificação do Mig. Havia estática em todas as freqüências.Talvez ninguem a tivesse ouvido pedir socorro. \mas a raiva que estava sentindo superava o medo.Era inconcebível que tivesse coragem.de usar caças mig para intimidar aviões civis.Mudando novamente de direção, contornou a cidade incendiada>o piloto do Mig não ousaria disparar.
Era simplesmente inadmissível . Ao ouvir o rádio repetir a advertência, agora em outra língua, Adriana renovou seu SOS. A resposta foi imediata. 
_Vixen 2000-2 .Os pilotos tem iraquianos tem ordem de abrir fogo. Para sua proteção suba a zero-cinco-sete, rumo norte.
_Iraquianos?_surpreendeu-se ela._Droga!Controle , identifique-se.Forneça as coordenadas >Esclareça sua autoridade para invadir a freqüência exclusiva dos vôos comercias.
_Atenção todas as aeronaves nas proximidades do aeroporto do Kuweit..._ameaçou a voz com a mesma indiferença.
Apavorada, Adriana tentava se lembrar do que lera ultimamente sobre o Oriente Médio e de que lado estava cada país da região.
_Onde que diabos , fica Basra?_perguntou, irritada.
_Dê-me coordenadas._Sintonizando o rádio abriu acesso a todas as freqüências de uma vez.
_Vixen 2000-2 sobrevoando o espaço aéreo do Kuweit e pedindo autorização para pouso de emergência no aeroporto internacional>Afastem sua força militar.Atenção força aérea americana !Há alguém em operação no golfo?Aeronave americana particular em situação de emergência SOS!
A atitude desafiadora de Adriana não passava de um blefe.Na verdade, não tinha como saber a nacionalidade das outras aeronaves na região.Talvez, com um pouco de sorte, um avião de combate que se encontrava nas proximidades viessem em seu encontro.
_Repetindo:sou cidadã americana, estou em negócios no Kuweit e meu avião está sem combustível.Se você dispara ficará registrado na caixa preta.Afaste-se camarada!
Adriana apertou com violência o botão do radar, tentando enquadrar o que devia ser o Mig atraz dela. Havia tanta fumaça no ar que mal podia distingui-lo.A tela do computador parecia um vídeo game ensandecido.Os sinais de aceleração nas proximidades da cauda do Vixeng só podiam ser do Mig.Quando Adriana estava sobrevoando a cidade pela segunda vez, eles se intensificaram e ela conseguiu divisar, em meio a fumaça negra, o que parecia ser um lançador de mísseis. 
Alheia ao pdedio de socorro,a voz continuava ordenando a todas as aeronaves comerciais que abandonassem o espaço aéreo do Kuweit. 
De repente, um míssel passou diante dela a uma distancia ameaçadora.O perigo tornara-se real.Acaso o Mig a tinha alvejado?
_Oh,canalhas !_vociferou ela, puxando o manche.
O Vixen rodopiou no ar, descrê vendo uma órbita que teria feito seu pai urrar de preocupação.Dois outros foguetes riscavam o céu antes que ela terminasse a manobra.Torcendo o manche para esquerda, adrianadeu um giro de cento e oitenta graus e desceu.Passou muito perto do cockpit do Mig.
-Vou acerta-lo, bandido!_ameçou Adriana com os dentes cerrados.
Já havia cometido , muitas lucuras no ar, porém nenhuma chegava aos pés da façanha que estava arriscando. Seu desejo era que uma montanha surgisse a frente do nariz do agressor.
Engolindo em seco, tratou de buscar refúgio numa gigantesca nuvem enegrecida pela fumaça.Respirou fundo e procurou controlar a taquicardia.No painel, uma luz alaranjada alertava com insistência para a situação crítica do combustível. Ao sair da nuvem escura, constatou que o sinistro pássaro de aço continuava a seu lado, bem acima de sua cabeça.Não podia acreditar que aquele maluco se atrevesse a se aproximar tanto.Consultando os controles, constatou que estavam a uma velocidade próxima dos novecentos e sessenta quilômetros por hora. Numa das telas, um aviso dizia que sairiam do espaço aéreo do Kuweit em dois minutos. O mostrador de combustível cricrilava como um inseto indesejável.Bip!Bip!Bip! 
_Está bem, eu já sei!_gritou, tirando a os olhos dos mostradores.Olhou a sua volta.
_Malditos!_exclamou com horror. Cinco outros Migs vinham ao seu encontro, enquanto a sombra lúgubre do outro se aproximava cada vez mais, impedindo-a de outra aeronave imediatamente abaixo dela.Com mão trêmulas,Adriana acionou uma vez mais o rádio.A voz lhe saiu cheia de pavor:
_SOS, controle de Dhahran! Aqui, Bennett, aeronave Vixen 2000-2. estou me aproximando do espaço aéreo da arábia Saudita, assediada por dois caças.Outros cinco Migs me perseguem.Sou da aviação civil.Sou cidadã americana.
_Vixen 2000-2.Aqui , controle de Barsa,Iraque , Todas as aterrissagens no Kuweit estão canceladas.Rume para o norte imediatamente, do contrário, será abatido.
_Com os diabos, onde fica Barsa?estou sem combustível, cretino!_gritou ela sem obter resposta._emergência!SOS! SOS! SOS! Está me ouvindo, Dhahran?
Informe imediatamente a área de pouso ,ais próxima.
O jato que voava junto a sua asa direita se aproximou ainda mais, exibindo o lançador de mísseis. Sentindo-se encoberta por sua sombra, Adriana deixou escapar um grito de pavor.Boquiaberta, acompanhou com o olhar os dois disparos desfechados contra os Migs sauditas que guardavam a fronteira.Enquanto isso, indiferente ao seu desespero, o computador de bordo exibia na tela a fria mensagem:Em quarenta e seis segundos adentraremos espaço aéreo saudita.Digitar novo plano de vôo.Nível de combustível alarmante. 
_Droga!
Trêmula como estava, Adriana mal conseguia controlar o manche.O radar emitia sinais incessantes, prevenindo-a da proximidade do avião inimigo.
Os cinco Migs executaram uma previsível manobra, evitando os mísseis disparados pelos iraquianos.Dois desviaram para o leste, o terceiro passou por cima do Vixen, enquanto os dois restantes iam para o oeste.Um dos torpedos foi explodir 
Á sua frente;o outro caiu no deserto.Adriana se voltou em busca dos Migs.Suas insígnas também eram iraquianas.
_Mas afinal, quem são esses dois ao meu lado?_murmurou ao cruzar a fronteira.
Antes que tivesse pronunciado as ultimas palavras diminuiu drasticamente a velocidade.E logo obteve a resposta.A julgar pela configuração da cauda, o jato de combate que acabava de ultrapassa-la era um F-15.O cretino que seguia voando abaixo do seu campo visual, grudado feito carrapato na barriga do Vixen, provocava um funesto bip na tela do radar , anunciando uma iminência de uma colisão. O prefixo do F-15 estava claramente legível agora, porém Adriana não conhecia a escrita árabe nem tinha tempo para identificar a bandeiras e os emblemas pintados na fuselagem.
Quase imediatamente, o jato de combate descreveu uma curva para cima , diminuindo a velocidade e esperando que ela o alcançasse.Desta vez, aproximou-se demais .Tanto que , se abrisse acidentalmente o trem de aterrissagem certamente esmagaria pó pára-brisa do Vixen.
Aterrorizada, adriana viu o fortemente armado caça cobrir por completo a fuzelagem azul e branca d e seu avião.
_Oh, meu Deus!
O intruso abaixo apareceu a sua esquerda, manobrando o F-15 de modo a formarem uma verdadeira gaiola, da qual Adriana não tinham a menor possibilidade de escapar.Não conseguia ficar de olho nas telas do radar, nos monitores e ao mesmo tempo , nos dois aviões que pressionavam.Podia, quando muito, tratar de manter acima dela.Estavam tão próximos que faltava poucos para que se arranhassem mutuamente.
Se esse cara não for um suicida maluco, pensou, é o maior piloto que eu já vi.
Nem mesmo seu pai, treinado na Thunderbird, arriscaria uma manobra daquelas
Adriana não estava dispostas e submeter àquilo!Imprimindo velocidade máxima e gastando o precioso combustível, tratou de fugir.O F-15 se adiantou e , intencionalmente, colocou a as esquerda na frente do nariz Vixen, obstruindo-lhe a passagem.
Numa fração de segundos, Adriana vislumbrou os lançadores de mísseis já vazios e chamuscados em suas asas prateadas.na parte de baixo, viu pintada a bandeira do Kuweit. Reparou também que o outro jato pertencia a força real saudita.E era também fabricação americana.
_afinal, que está acontecendo?
_ resmungou com incredulidade. Mas não pode evitar um grito quando o F-15 diminuindo a velocidade e quase caiu em seu colo.
Era uma mensagem clara .Não toleraria outra tentativa de evasão.
_estou sem combustível, cretino!
As acrobacias que ela costumava praticar no céu do Texas eram totalmente inúteis naquele deserto infinito, com os tanques de gasolina quase vazios.
_ Que você quer afinal? Ligue esse maldito rádio e me diga de uma vez o que está pretendendo!Afastem-se idiotas, antes que acabemos morrendo os três!
As mãos de Adriana vibravam agarradas aos controles , mas ela não tinha coragem de solta-los nem mesmo para fazer um gesto furioso ao troglodita ao seu lado.Bastava um movimento brusco,um espasmódico puxão de sua parte, e o elegante nariz do Vixen, assim como seu cockpit moldado em fibra de vidro, se espatifaria na sólida asa de aço do F-15.Não lhe restava sequer a possibilidade de saltar de par-queda.
Adriana sentiu a garganta seca.
_Um a zero pra você ,Omar!
O piloto apontou para o sul, para o outro lado do deserto saudita.Em silêncio, ela fez um gesto de aquiescência.Segurando firmemente o manche, tomou o rumo indicado.A ponta enorme e assustadoramente próxima da asa do avião militar se ergueu diante dela.Só então Adriana percebeu quanto aquele homem devia ser louco.
Um doente, um fanático, um assassino...Estava disposto a morrer só porque um avião particular havia se intrometido em sua guerrinha insana!
O aparelho se afastou a uma distância razoável quando Adriana se submeteu à escolta.Ela estava com o pescoço tenso e úmido de suor, seu coração batia os olhos.Independentemente do que pudesse acontecer quando aterrissassem_ se aterrissassem_ havia de dizer poucas e boas àquele jóquei de camelo.
Suas trêmulas mãos mantiveram o Vixen numa rota que ambos os truculentos aviões pareciam aprovar.Uma olhadela nas telas e nos mostradores, no entanto, a fez suar ainda mais.Apesar da redução da velocidade, seu tanque continha gasolina para menos de cento e sessenta quilômetros.Nervosa, ela consultou o monitor em busca de uma área de pouso, um campo particular qualquer. Nada!Passou então a procurar um trecho de asfalto. 
O F-15 do Kuweit oscilou a asa fazendo-lhe um sinal.Adriana olhou para cima e deu com os olhos do piloto, tão próximos estava. O sol forte lhe iluminava o rosto, tornando bem visíveis , apesar da viseira do capacete, o seu olhar intenso e as suas sombrancelhas negras.Ele lhe fez sinal para que se descesse a cento e cinqüenta metros.
Ótimo! o cara está querendo que eu me arrebente numa duna.
Adriana sacudiu a cabeça, recusando-se a obedecê- lo.
O piloto apontou mais uma vez para baixo e , com outro gesto, indicou aterrissagem.
_Não tenho a menor intenção de enterrar meu avião na areia, amigo_ rosnou ela, e continuou procurando no radar algum tipo de civilização num raio de oitenta quilômetros.A lógica do cérebro eletrônicocontinuava informando que o aeroporto do Kuweit era a opção mais favorável.
_Grande ajuda!
Olhando para cima , ela constatou que estava sendo novamente pressionada pelo que desta vez, não se limitou a violar o seu espaço físico.Parecia mesmo disposto a obriga-la a descer a cento e cinqüenta metros ou faze-la cair. Não havia como resistir a tamanha ferocidade.
Oito ou dez quilômetros adiante, a sombra de três aviões se projetava claramente na ondulada extensão do deserto. O Vixen parecia um passarinho disputado por dois abutres.Pela primeira vez desde que começara aquele pesadelo, Adriana lembrou-se que sua aeronave não possuía nenhum sinal externo que a identificasse como pertencente a uma negociante norte- americana .O número de registro V-2000-2 podia ser lido em qualquer lugar do mundo, porém as grossas letras estampadas na fuselagem diziam, em árabe, Al Haaris. Ela mesma tinha pintado a bandeira do Kuweit na cauda do jato.Coisa que podia causar confusão, pensou ao mesmo tempo em que examinava mo marcador de combustível. 
_ Ei, Omar ! Está me ouvindo?_ gritou ao microfone_ Estou sem gasolina.
_Fantástico!
O homem lhe fez um sinal para que baixasse noventa metros . Ela sacudiu a cabeça contrariada , mas obedeceu.
O sujeito não tinha cara de assassino. Adriana procurou não pensar, queria concentrar-se unicamente no vôo.
Dentro em pouco , nada mais importaria.
O piloto apontou para alguma coisa a sua frente.Ela esfregou os olhos cansados, mas não viu senão a areia parda.De súbito , no entanto, divisou uma mancha escura no horizonte, que pouco a pouco, foi se tornando mais nítida, até tomar forma de um aglomerado de habitações.Uma caixa d´água, um oásis, talvez uma miragem.
Adriana não tardou a compreender que no primeiro momento parecera ser uma caixa d´água era, na verdade um alto minarete.
A baixa altitude e incrivelmente devagar, os três jatos sobrevoaram, camelos, tendas e tamareiras.Bem a frente do nariz do Vixen, num desfiladeiro entre duas dunas estendia-se uma enorme pista de concreto, orlada de construções baixas.Tendo sobrevoado uma montanha de areia, Adriana avistou nada menos que uma base militar, com muitas pistas de pouso espalhadas na profunda garganta.Escapou-lhe um suspiro de alívio.Seu rádio continuava em silêncio.Todavia, era evidente que os dois sheiks do ar queriam que ela aterrissasse. Abrindo o trem de pouso ela inclinou em dois graus as asas do aparelho a fim de corrigir sua linha de aproximação.O Vixen desceu trinta metros em pouco mais de um quilômetro, aproximando-se da larga pista.
O sinistro falcão continuava acompanhando-a.estava a milímetros dela quando as suas rodas tocaram o solo.E Adriana não pode conter um grito de pavor ao compreender que o F-15 pretendia aterrissar ao seu lado.
_Meu Deus! Que está fazendo esse doido? 
Nenhuma aeronave era capaz de manobrar durante o pouso.Ou avançava em linha reta, até para,ou batia.
Suas rodas traseiras tocaram o solo a uns quatrocentos quiloômetros por hora.devido à alta velocidade e ao calor que subia do concreto, o nariz do Vixen.se recusoua baixar.Violando todas as regras de pouso, Adriana ultrapassou as marcas pintadas no centro da pista.
O F-15 desceu como um garanhão empinado.Suas rodas traseiras soltaram fumaça quando a borracha tocou o solo. Com o nariz ainda voltado para cima, por pouco não se chocou com a traseira do Vixen.se a colisão fosse muito violenta, ele simplesmente a atropelaria.
_ Eu mato esse cara!
Adriana com tanta força o manche que chegou a cravar as unhas nas palmas das mãos. Abriu os flaps, e o nariz do Vixen baixou, as rodas finalmente tocaram a pista; ela acionou, desacelerando devagar.com pouco espaço a sua frente, fechou os olhos, apertou os dentes e pisou nos freios.sentiu o corpo todo tenso, esperando o impacto
por trás.
Não houve colisão.O Vixen deslizou lentamente, sem choques nem explosões.
Adriana abriu os olhos.estava viva! Com precisão profissional, acionou os diferentes comandos do painel, fechando o reverso, acendendo as luzes de terra , nivelando os flaps, destravando o manche de solo. O avião finalmente parou, tinha uns vinte metros de comprimento a sua frente.
O jato do Kuweit continuava à sua calda.O saudita pousou bem depois .fazendo tudo trepidar, havia passado por cima dela em vôo rasante.Adriana interpretou a manobra como um modo de assegurar que ela não se atreveria a tentar escapar novamente.
Se tivesse combustível, bem que tentaria.Com tanques vazios, não lhe restava senão taxiar. 
Era evidente que tinha aterrissado em instalações militares fortemente armadas.
Os hangares semi- enterrados na areia abrigavam aviões e helicópteros equipados com bombas e foguetes.
O ruído dos motores dos aparelhos prestes a decolar fazia vibrar o ar do deserto.ali se encontrava uma variedade de aviões que ela nunca tinha visto juntos:Hanrier e Tornado ingleses, F-14 e F-15 americanos e Mirage franceses.O dinheiro dos saudita era capaz de comprar tudo, pensou.
Um balizador fez sinais com sas bandeirolas , orientando-a a rumo às vagas de estacionamentos curiosamente marcadas.A fuselagem azul e branca do Vixen contrastava com a multidão de jatos de combate com camuflagem para o deserto.Os dois palmos do horizonte, o sol ainda alongava as sombras.
Quando ela finalmente estacionou, o balizador travou suas rodas com blocos de madeira.Adriana relaxou o corpo na poltrona e deixou os braços caírem flacidamente. 
O relógio digital estava marcando 8:27 da manhã.
Omar, o Fantástico, se aproximou e deteve o terrível F-15 bem a sua frente, nariz com nariz.O jato de guerra era três vezes maiores que o dela.Por sorte, os lançadores de foguetes estavam apontados para o céu, bem acima de seu cockpit.Adriana sentiu vontade de saltar para fora e arrancar o piloto do seu banco, esbofeteá-lo, chuta-lo ,moê-lo.
Ele a fitou através do pára-brisa em forma de bolha e sorriu.
_Ora seu grandíssimo ...!_ Todo o medo tinha se transformado num ódio corrosivo.Condicionada por anos de treinamento, desligou todos os sistemas mas continuou olhando pra ele._Você e eu, Omar sozinhos, a dez passos um do outro, a arma que você escolher.Aqui mesmo, agora,em plena luz do dia.Você me deve satisfações. 
Duvidava que o arrogante brutamontes estivessem compreendendo as suas palavras, mas decerto imaginava o que ela estava pensando.Já não sorria.
O ar condicionado ainda estava circulando quando a porta do cockpit do Vixen foi aberta.Uma baforada de ar quente invadiu a cabina.Um soldado se aproximou para tira-la do assento. Detendo-se de súbito, voltou-se e gritou para alguém atrás dele que o piloto era uma mulher, uma loura.Innaeho gaemil ash’er.
Nem mesmo aquela intrusão fez com que ela tirasse os olhos do piloto.
Um enxame de invasores entrou precipitadamente pela porta de passageiro, e rosnando ásperas e incompreensíveis palavras, pôs a revistara aeronave.
Por via das dúvidas, Adriana tomou medidas de segurança, ou seja, codificou os programas antes de desligar todos os sistemas.O sofisticado computador que monitorava cada função do Vixen podia ser acionado com um a senha. O avião estava seguro. Podia ser rebocado ou erguido com um guindaste, , mas voar, não voaria.
Por isso, Adriana Bennett pôde sair tranquilamente do cock pit e descer ao tumulto da pista. Antes porém tirou um lenço colorido do pescoço e com ele prendeu o cabelo à nuca.O vento estava forte e quente.Ela não queria que o cabelo atrapalhasse quando estivesse tentando descobrir o que estava acontecendo ali e negociando combustível.
Instalada a desembarcar, finalmente obedeceu, levando consigo a pasta de couro e um dicionário de bolso inglês -árabe. 
Mal conseguia endireitar a espinha, passara muito tempo sentada.Estava quase desidratada e como corpo dolorido.Tinha se esquecido da fome e do cansaço uma hora antes, no aeroporto do Kuweit. O calor lhe fez bem depois de tanto tempo a atmosfera rarefeita do Vixen 2000-2.Alheia se voltou para observar o piloto que também desembarcava.Um deles teve a audácia de lhe tocar o cabelo. O olharfrio e severo que ela lhe endereçou fez com que o rapaz afastasse a mão como se tivesse sofrido uma queimadura.
_ Se você me tocar outra vez, garoto, eu lhe quebro uma costela.
Todos a examinavam como se estivessem vendo um extraterrestre.Com um misto de reverência, medo e surpresa ante ao seu modo de se vestir, deram-lhe passagem.
Ela tornou a olhar para o pilotodo F-15, intuindo que seu destino repousava nas mãos dele.Oxalá falasse inglês.Com um pouco de sorte, era possível que tivesse sido treinado nos Estados Unidos.
Adriana encarava os pilotos militares como homens feitos sob medida, selecionados segundo padrões preestabelecidos, para caber nos cockpits cada vez menores.Raramente passavam de um metro e sessenta e cinco.Além disso, eram todos empertigados e arrogantes.Com um metro e noventa cada um , seu pai e seu irmão mais velho fugiam os moldes da força aérea.E o mesmo se podia dizer do homem de um uniforme de campanha que acabava de descer ao asfalto. Tinha pelo menos vinte e cinco centímetro a mais que os nanicos a sua volta.E seus ombros eram largos do tipo que qualquer garota da altura dela sonharia encontrar numa pista de dança. 
Adriana reparou imediatamente em seu rosto com barba por fazer, em seus olhos escuros e na marcante combinação de traços que compunham suas feições inquestionavelmente belas .A boca era o que mais chamava a atenção.Uma boca sensual e generosa que , naquele momento, se dilatavam num sorriso.
Nenhum dos soldados que a cercavam era capaz de olha-lo nos olhos.Não passavam de arraia miúda.Sem fazer caso deles, ela se concentrou exclusivamente no sr. Arrogância, que vinha em sua direção.
O homem tinha alta patente.Quando se aproximou, todos bateram continência e se afastaram. Ela notou a s estrelas de ouro em seus ombros.E ficou tensa ao ver que a uma voz de comando dele, os soldados recuaram prontamente, abrindo-lhe caminho. Ele se deteve a meio metro dela e a fitou nos olhos.Uma faísca de surpresa brilhou fugazmente em seu olhar, mas não tardou em desaparecer atrás de uma expressão imutável.
Depois, com insolência, mediu-a da cabeça aos pés.Mais de uma vez, seu olhar viajou em seu corpo ao belo avião atrás dela e vice-versa . Adriana viu um ligeiro rubor tingiu-lhe a pele, ao tempo em que suas narinas se dilatavam, como se ele acabasse de sentir o seu perfume. 
Todo o corpo dela reagiu à inesperada avaliação de seus atributos.Adriana não costumava levar desaforo para casa. E antes, que aquele homem voltasse a fixar os olhos escuros nos seus, ela lhe desferiu uma sonora bofetada .
_seu porco!Você quase destruiu meu avião!Quase me matou na aterrissagem!
Ele lhe agarrou o pulso com violência.
Pode ser que eu ainda tenha esse prazer_disse em inglês.Chamou um oficial que acabava de descer do compartimento de passageiros do Vixen. Sem solta-la , teve com ele um breve diálogo em árabe.Depois, voltou a atenção para Adriana novamente.A pressão em seu pulso se intensificou._Onde está o sheik Haj Haaris?
_Como vou saber?_ retrucou.
_Não brinque comigo mulher. Não vou cair nessa a vida de meu pai esta em jogo.Onde estão os passageiros?
_Que passageiros?Eu não tenho passageiro nenhum.
Adriana engoliu em seco , sentindo-se em grande perigo quando entregou seus documentos ao ordenança que acompanhava o piloto.
Naquele momento, outro jato decolou com um ruído ensurdecedor. Durante algum tempo, ela não conseguiu ouvir o que o homem estava gritando. Só viu as veias se dilatarem em seu pescoço e em suas têmporas.
_Quando você saiu do Kuweit, o bombardeamento já tinha começado.Onde está o sheik Wali Haaris?Você o abandonou no aeroporto?
Ela falou entre os dentes:
_Se quer uma resposta, é melhor soltar-me.
Ele aproximou o rosto do rosto do dela e lhe apertou o pulso com mais força. 
_Vai responder sim.como se apossou do avião de meu pai? Seduziu algum de meus irmãos para que o dessem de presentes?
Adriana perdeu o controle.
_Quê?_ Tentou se livrar do punho de aço que a prendia._Escute aqui, Omar, acontece que ,por acaso fui eu quem projetou este avião.ainda não foi entregue ao sheik Haj Haaris.eu acabava de chegar ao Kuweit para entrega-lo.Meu pai ficou lá, e as bombas estão caindo por toda parte.Não consegui pousar.a torre de controle e o terminal explodiram na minha frente quando eu estava me aproximando da pista.Por enquanto, o Vixen continua sendo meu, pois pertencem à minha empresa. Quanto a seduzir seu irmão, você quer que eu lhe diga aonde sua família pode ir?
_Qual é o seu nome?
_ Adriana Bennett. E seu , Omar?
_O jovem tenente vasculhou os documentos que Adriana trazia na carteira_ passaporte, cartões de crédito, declaração de bens.Só dois outros documentos faziam parte de sua bagagem:o da propriedade do Vixen 2000-2 e a licença de exportação em favor das industrias Bennett._Os documentos da mulher estão em ordem general Haaris.No passaporte, não há carimbo de entrada no Kuweit.Talvez ainda não tivesse aterrissado.
_Foi o que eu disse.
_Tire-a da minha frente_ ordenou o árabe._ Deve ficar confinada.
_Ei, espere um pouco!_gritou Adriana, ainda tentando livra-se._Você não pode me prender!Sou cidadã americana, seu bárbaro!
_Mulher, srt.Bennett_disse ele_, você é uma mulher .Não tenho tempo para o seu desafio.Há problemas militares,e meu país precisa de mim.Você e seu aviãozinho vão ter que esperar. Mas garanto que não vou me esquecer do nosso duelo.
_É mesmo?_Adriana finalmente conseguiu safar.
O piloto a percorreu uma vez mais com os olhos quando ela deu meia volta e se afastou.Olhando para os longos cabelos louros que lhe desciam quase até a cintura, gritou em árabe par o jovem oficial:
_Leve a srta. Bennetta Anaiza de helicóptero imediatamente.Diga a al-Dia-Allah que ela vai ficar isolada conforme a lei do Islã.Nenhum homem deve tornar a ver seu cabelo solto ou descoberto.Compreendido?
_Sim, senhor!
Adriana se voltou sem compreender uma palavra , mas não teve tempo de fazer perguntas, pois um jipe lotado de soldados armados até os dentes parou a seu lado.
O tenente se sentou ao volante, e adrana foi conduzida ao banco de passageiro.Um soldado jogou no assento traseiro a sacola com seus objetos pessoais.O veículos arrancou.
General voltou com passos largos para junto do F-15 ao mesmo tempo em que a equipe de solo começava a recarregar os lançadores de mísseis.
Adriana nada mais viu quando o jipe passou por trás de um muro de arrimo.Pouco além do banco de areia seguinte, uma esquadrilha de helicópteros levantou vôo e se dirigiu para o norte.
Outros jatos sacudiram o ar, levantando areia.Ela toldou a vista e concluiu que os sauditas estavam dispostos a empregar naquela guerra todas as armas de que dispunham.
O jipe freou com um gemido agudo ao lado de um antigo helicóptero Huey.Adriana compreendeu que seria levada a algum lugar e protestou por ter subir a bordo de outra aeronave sem haver podido usar as instalações do aeroporto.
A resposta do tenente comprovou seu domínio do inglês. 
_Não temos instalações para mulheres aqui.é um grande insulto para os soldados tolerarem a sua presença entre nós.Uma mulher não deve mostrar seu rosto nem o cabelo em público. Estamos na Arábia saudita, gaemil. 
Capítulo 3
Adriana fez um grande esforço para se controlar, pensar e acalma-se.estava cansada,assustava, desidratada cercada por incontáveis homens armados e hostis, cujo idiota ignorava. Aqueles árabes a olhavam com...bem, era difícil dizer o que significavam tantos olhares duros e perturbadores.
O que ela fazia sobre a Arábia Saudita cabia num dedal.Fizera um estudo genérico da arte islâmica, com objetivos de produzir designs mais ao gosto dos clientes do Oriente Próximo.À parte isso, tudo que sabia da região era o que divulgavam os jornais e a televisão sobre terroristas e suas bombas, as intermináveis guerras intestinais, os golpes de Estado, os atentados.Mesmo assim, nunca dera atenção a tais cosias.Não se lembrava de haver conhecido um só árabe em seus vinte e quatro anos.
Sim , o sheik Haaris em San Antonio uma vez fechar o negóciodos Vixen, mas ela não participara das reuniões.Seu pai e Matthew, com seus dotes de sedutor, tinham se encarregado das negociações.aliás, no dia em que o sheik vestido de branco visitou a loja Bennett, as seis mulheres que trabalhavam tiveram folga.
Do mesmo modo, ela e suas duas irmãos, também empregadas da empresa do pai, não precisaram viajar os oito quilômetros até a fábrica.Margaret,Katie e Adriana morreram de rir e fizeram piadas das astutas manobras do pai para conseguir o contrato altamente vantajoso.Só Adriana manifestara a sua contrariedade com aquele ato repressivo posterior em pilotar o Vixen até o Kuweit.
Agora, desejava nunca haver se ocupado daquele projeto.Estava preocupadíssima com pai.Que lhe teria acontecido?Acaso o 2000-1 tinha explodido, pegado fogo ou sido atingido por uma bomba? E o tio Jack, e o hangar, e o material de solo? Que teria acontecido com a pata choca , o velho DC-7? 
Um milhão de perguntas lhe crivaram a mente enquanto o helicóptero atravessava o deserto, rumando para o oeste.Que pretendiam os sauditas?Será que ela e seu pai seriam reféns em algum jogo político idiota?
Seu pai tinha clientes importantes naquela parte do mundo, no entanto, por mais que se esforçasse, ela não conseguia se lembrar de um único nome.Que fazer?
A impossibilidade de dar respostas a suas próprias perguntas só fazia intensificar a dor de cabeça que a atormentava.Adriana fez boa parte da viagem como os olhos fechados e os dedos pressionados na testa.
Depois, endireitando subitamente o corpo, arregalou os olhos e se pôs a olhar para quanto se podia ver\-as cabeças cobertas com fones de ouvido do piloto e do navegador do helicóptero e, Além do pára-brisa, o ondulado do deserto de areia parda.
Tarde demais, percebeu. Devia ter procurado pontos de referencia desde o começo, anotando as direções, preparando um plano de fuga antes de se tornar prisioneira.
E olhando para a paisagem uniforme que se desdobrava ante seus olhos, deixou escapar um gemido.
O helicóptero estava descendo num heliporto claramente demarcado no alto de um aglomerado de construções, no flanco rochoso de uma montanha. Os declives eram fortes e áridos .Ela não viu nenhum outro sinal de civilização nas proximidades daquele posto avançado à beira do nada
Ao que tudo indicava, estava numa prisão.
Quatro homens subiram correndo uma escada externa e se aproximaram de uma escada externa e se aproximaram do helicóptero.Todos com vestes largas que lhes chegavam ao tornozelo.Dois deles vinham armados de fuzis de assalto AK-47.Para grande alívio de Adriana, o terceiro parecia mais gentil.Curvou-se com toda reverência diante dela e lhe ofereceu a mão longa e magra para que desembarcasse.O quarto se encarregou de sua bagagem e da pasta de couro.Inclinando-se sob as lâminas da hélice, os quatro a acompanharam a escada abaixo e uma espécie de pátio cercado.Com suas silenciosas 
Chinelas , o carregador ia diante , abrindo e fechando pesadas portas entre os quintais.A roupa listrada se sacudia junto a seus tornozelos ossudos, porém Adriana só conseguia se concentrar no turbante preto com uma cauda de seda que lhe caia no centro das costas.
Passaram por uma séries de portões.Os dois grandalhões de fuzil não diziam uma palavra; Fitavam nela seus vigilantes olhos negros com a mesma desconfiança dos soldados. O terceiro se mostrava visivelmente preocupado e ia fazendo muitas perguntas, as quais Adriana não podia responder porque não conseguia ouvir com o barulho do rotor do helicóptero que tornava a levantar vôo.
Ela vasculhava na mente em busca de cada partícula de conhecimento para defesa e a sobrevivência que acumulara em muitos anos diante do televisor .Sabia que iria para prisão e nada podia fazer para evita-lo.
Sentiu-se ainda mais atordoada ao entrar num salão ladrilhado e ornado de belas colunas, cuja as vastas proporções lembravam os imponentes prédios governamentais.Uma ampla escadaria balaustrada levava ao frescor do andar superior.Tendo percorrido um longo corredor forrado de tapetes persas e adornado com vasos de plantas exóticas, sem parar para falar seu inglês sofrível, o homem abriu uma porta de duas folhas que dava para um aposento particular. 
Adriana, que esperava um a cela austera, ficou boquiaberta naquela suíte que merecia aparecer em qualquer revista de decoração.
No caminho, os dois guarda-costas armados tinham desaparecido atrás das volutas.O ágil carregador deixou a bolsa de lona e a pasta de couro e desapareceu.O homem alto e magro, que tão valentemente se confrontava com a língua inglesa, abriu outro par de portas, mostrando-lhe um dormitório tão ostensivamente luxuosos, que Adriana ficou sem palavras.
_ Isto... fique à vontade...lala, sim?_disse ele desajeitadamente.
_Vou ficar aqui?
O homem se curvou três vezes e fez um gesto , tocando a cabeça , os lábios e o peito,Depois, com um sorriso nos lábios, voltou a endireitar o corpo.
_ Aqui , sim! Aqui vai comer, dormir, tomar banho, descansar. _com ar desanimado , levou a mão a testa.
_Perdoe-me o ...meu inglês ...por favor, mademoiselle.Há muitos anos não falo estou enferrujado.Por favor, fique `a vontade.A senhora deve estar cansada.Descanse.Tome um banho, lave a areia da viagem.O almoço estará pronto quando sair do banho._Quer uma mulher para ajudar?
Adriana olhou para a mesa baixa aonde o carregador tinha deixado a bagagem.
_Não tenho tudo que eu preciso.Obrigada.
Talvez isso seja uma espécie de hotel, pensou ela quando o homem saiu, deixando fechadas as portas externas.
Pareceu-lhe difícil acreditar em tal hipótese quando mergulhou o corpo exausto numa gigantesca banheira de água quente, que borbulhava e lhe envolvia deliciosamente os membros entorpecidos.Nunca estivera num hotel equipado com tanto luxo e abundância.Se não estivesse com tanta fome, dormiria ali mesmo, arriscando afogar-se. 
Refrescada com o banho e vestindo calças compridas de algodão que trouxera,Adriana voltou à sala de estar. Ali tinha disposto um verdadeiro banquete numa mesa redonda, de tampo de vidro, grande o bastante para acomodar oito pessoas.Ela sentou sem menor cerimônia e com água na boca , contemplou as frutas geladas, a verdura fresca, a carne m diferentes molhos e as travessas de arroz, tudo servido como para um rei.
Primeiramente, provou um forte aperitivo de abricó.Seu estomago se contraiu agradecido.Lembrando-se das boas maneiras estendeu no colo o fino guardanapo de linho e olhou para o homem.
_Posso lhe fazer uma pergunta?
Mas é claro, mademoiselle Bennett. _ respondeu co uma mesura solene empregado.
_Onde estou?
_No palácio de inverno sheik Zayn Haji Haaris.
_Na Arábia saudita?
_Em Anaiza,Arábia.O deserto é igual em todas as partes mademoiselle.
_Não quero entender nada mal , compreende?Esse sheik Zayn Haji Haaris é filho do sheik Wali Haj Haaris?
_O filho mais velho, senhora, com sua primeira esposa,Yaella.Esta era a casa de sua família.O jovem príncipe herdou , é o costume.
Adriana deduziu muitas coisa da explicação simples do árabe.Primeiro e mai importante ela estava em segurança...tanto quanto possíveis naquelas circunstancias.
Erguendo uma sobrancelha em muda aceitação voltou-se para comida.Concentrou-se numa porção d arroz com carne de cordeiro deliciosamente temperada.
Com a fome parcialmente aplacada voltou a pensar nas perguntas.
_ Ali você sabe o que aconteceu no Kuweit?O jornal chegou?Ou melhor , há um canal de televisão em inglês?
O homem a mirou intrigado, e ela chegou a pensar que tinha falado muito depressa, abusando de seus limitado inglês.Logo porém, alterando o olhar perplexo, ele respondeu claramente: 
_Não mademoiselle.Não temos essas coisas.Em Riad, a senhora poderia ter notícias, mas aqui, em Anaiza, quase não sabemos o que se passa pelo mundo.
Adriana não conseguiu dissimular a decepção.
Riad murmurou, imitando a pronúncia do árabe.A que distancia fica Riad? Em quanto tempo eu chego lá?
Ele a olhou de um modo que Adriana só pode interpretar como paternal.Bastaria uma estola verde em sua veste clara e longapara que passasse por um sacerdote.E apesar do básico mal-estar que ela sentia ali, os modos calmos e afáveis daquele homem contribuiu muito para amenizar suas preocupações.As palavras nem tanto.
Não é a distância que importa, lala, nem o tempo da viagem à capitalA senhora não pode ir.
Por que não?Adriana soltou o grafo no prato.Estava alarmada.Sua calma, depois de tudo por que passara, devia-se ao seu estado de choque.A qualquer momento era capaz de perder o controle> Mas preferiu engolir o medo e não deixar transparecerem as emoções .
_ A senhora é americana , não
_Sou.
_Nunca esteve na Arábia?
_Não , nunca .É minha primeira visita.
Ele abriu as mãos num gesto de resignação.
_Aqui as mulheres não podem viajar sem autorização do pai. Seu pai está no Kuweit, não?
_Creio que sim.
_Pois então , mademoiselle.Quando seu pai chegar,a senhora pede autorização e , se el a der, pode viajar à vontade.
O raciocínio a deixou estupefata.
Sabe como cheguei aqui? Perguntou com certa maldade.
_Sei o sheik Zayn a mandou para cá.
Era a simplificação mais exagerada que Adriana tinha ouvido.
Só para que você saiba Ali ela murmurou com mais simpático dos sorrisos._Eu vim pilotando meu avião no meio da guerra na cidade do Kuweit.
_Guerra no Kuweit, mademoiselle?Não quero corrigir uma hóspede,seria uma grosseria, mas a senhora deve esta enganada.Não é possível.
_Não queria ser portadora de más notícias, mas que nome se pode dar a uma infinidade de bombas caindo em toda parte e a um terminal de aeroporto explodindo diante dos nossos olhos? 
Não sei mademoiselle.Trabalho há muitos anos para o Hji Haarisd.É um homem corretíssimo, fiel as suas convicções.Ele jamais recusaria a sua proteção a uma mulher mesmo sendo estrangeira.Mas não se preocupe, aconteça o que acontecer no Kuwiet, a senhora estará em segurança aqui em Anaiza.
Adriana hesitou ante a maneira sutil como o empregado eludira suas preocupações.Quis discutir, argumentar que ela presenciaria nada tinha a ver com as corrétissimas convicções do homem cujaa hospitalidade era temporariamente obrigada a aceitar.
Você não me entendeu disse com calma._Não posso ficar aqui parada, enquanto meu pai está correndo sabe-se lá que perigos.
Eu entendo.O solene Ali fez um lento gesto afirmativo, como se estivesse refletindo sobre o que acabava de ouvir._Mas vejo que a senhora está cansada da viagem.Precisa repousar.Quando o sheik Haji Haaris voltar deve conversar com ele sobre essas coisas a que preocupam.Eu não tenho como responder suas perguntas sobre o Kuweit.
Ali começou a tirar a mesa.Adriana compreendeu que era inútil discutir.Ele tinha razão quanto a seu cansaço.
A verdade era que estava a ponto de cair ali mesmo.A cama opulenta que tinha visto no quarto a atraía como um imã.Mesmo assim, como conseguiria dormir com tantas preocupação?E o conselho de reservar todas as perguntas ao sheik Zayn Haaris estava longe de tranqüiliza-la.
No estado em que se encontrava , não era capaz de imaginar como haveria de se entender com o protótipo do porco chauvinista que ela esbofeteara na pista.A idéia regou com ácido sulfúrico a magnífica refeição que acabava de comer. 
Adriana olhou para a porta de duas folhas que Ali tinha fechado ao sair com o carrinho de chá. Ouvira o clique da fechadura? Estava presa?Estremeceu ao imaginar que havia um homem de sentinela do outro lado do pau-rosa talhado , com uma submetralhadora Uzi no ombro.Devia levantar-se e verificar?Preferiu não faze-lo e esfregou levemente os olhos.Mesmo esse contato foi doloroso.Fazia muito tempo que estava sem dormir.
Teria muito trabalho para sair daquela situação,concluiu.Mas sabia que estava exausta demais para lidar com problema no momento.
O quarto era fresco, escuro e deliciosamente silencioso, a cama, macia como uma nuvem e os travesseiros aceitavam o peso da sua cabeça e lhe aliviavam a tensão das costas e do pescoço.
Assim que fechou os olhos se viu diante de um dos aviões mais bem projetados que já existiu.À sua frente, encontrava-se o homem mais arrogante do mundo.
Seu olhar cobiçoso não estav no Vixen, mas voltado para ela.
Abriu os olhos.
_Isso é absurdo._disse para deslumbrante opulência que a cercava.
Viro-se de lado, aninhou o crânio latejante nas mãos frias .olhou para o entalhado das venezianas que obstruíam o sol ardente.Que hei de fazer?Por que Omar tinha que ter um nome tão bonito? Zayn. Sacudiu a cabeça no fofo travesseiro.Que fazer?Que fazer?
A resposta àquela e a todas as outras perguntas lhe escapava.Os pensamentos rodopiavam em sua cabeça.Seus bocejos se tornaram mais longos, e Adriana dormiu um sono sem sonhos, do qual só acordaria muitas horas depois.
O destino o colocara nas rotas do Kuweit, a fazer piadas com os dois primos pelo rádio sauditas envolvidos em manobras similares.O destino quase lhe provocara um ataque cardíaco quando o ato de guerra foi confirmado ele viu no céu de Al Kuweit o mais novo brinquedinho a jato de seu pai perseguido por um Mig iraquiano.O destino lhe oferecera uma americana que sabia percorrer os céus como um relâmpago.E o destino não lhe avia negado presença de espírito de manda-la a Anaiza.
Naquele dia, naquele exato momento, ele dava graças a Alá por lhe haver concedido aquele refúgio.E, se Alá fosse misericordioso, em breve, todos os membros de sua família estariam a salvo entre os pacíficos muros de Anaiza.
No harém, o fresco silêncio o recebeu.A porta do quarto estava entreaberta.Seua sapatos de couro não faziam barulho na lã do tapete persa.Uma cálida luz se filtrava pelas antigas treliças de pau-rosa.Os raios oblíquos do sol incidiam sobre as cobertas armafanhadas na cama vazia.Ele inclinou a cabeça tentando escutar.Mas nada ouviu.
Entrou no quarto à procura da mulher que deveria estar lá.
Haviam uma sacola, seu conteúdo se espalhado no banco junto aos pés da cama.As portas do enorme banheiro estavam escancaradas, porém só a escassa luz do dia o iluminava.Zayn apertou o passo ao se aproximar.Não era possível que a mulher tivesse saído dali.Maari acabava de lhe dizer estava dormindo, indiferente a qualquer esforço para desperta-la.
_Quem está ai?_perguntou uma voz vinda do banheiro.
Zayn acendeu a luz.Adriana Bennett se levantou no ultimo degrau da profundo banheira e , apanhando um curto robe de seda , tratou de cobrir rapidamente a pele úmida.Atras dela, a parede espelhada, embora embaçada ,refletia o outro lado se sua tentadora postura.O longo cabelo molhado torcido escorria em suas costas.Com uma careta, ela s inclinou a cabeça.
_Quer você quer? 
Capítulo 4
Uma jovem foi ver Adriana de hora em hora, até o anoitecer, e passou a noite numa esteira junto a cama.
De manhã , Maari informou Ali que a hóspede do sheik continuava dormindo.Ao meio dia a única novidade era que Adriana tinha mudado de posição.Porém, às seis horas da tarde Maari foi chamada a presença do amo e lhe falou do longo sono da estrangeira, o sheikZayn mostrou-se contrariado.
_Quer que eu vá acordá-la, meu Senhor?
_Não. Eu mesmo cuido disso.
_Como quiser , senhor.
Maari voltou a seus afazeres. Alheio ao jantar para ele preparado, Zayn dispensou Ali com um gesto e subiu aos aposentos reservados a Adriana.
No caminho deteve-se para examinar aqueles cômodos que não eram usados desde a morte de sua mãe, dez anos antes.estavam limpos e em ordem, quase todos escassamente mobiliados.Fazia setenta anos que uma concubina não alegrava o palácio de inverno.O harém continuava ali, no entanto, um oásis particular e recluso continuava ali, em meio à enorme construção.Zayn achava um grande desperdício tanto espaço para pouco uso de um homem.Nos séculos anteriores, eram os eunucos que administravam o harém, mas ele não tinha essa gente a seus serviços.Isto não significava que não houvesse guardas bem treinados ali.Para qualquer sheik, seria uma imprudência hoje em dia,tanto no tempo de seu bisavô.
Zayn entrou na ante-sala.Modernizara-a anos antes , como passava a maior parte do tempo viajando,entre o Kuweit , Londres e Paris, raramente visitava Anaiza. Oritmo dos negócios modernos o mantinha voando a jato de um lado para outro.
Nunca nem sequer nos mais desvairados sonhos, imaginava-se com a farda da força aérea, defendendo seu país.Se não tivesse sido obrigado a voltar ao Kuweit para as duas semanas de reciclagem dos oficiais da reserva, estaria passando férias no Cairo como a maioria dos seus conterrâneos. 
Mesmo trajando roupas tradicional ,o kuffiah e o iqual bordado de ouro, Zayn esperava ser reconhecido.
_Já nos conhecemos srta.Bennett.
_Você!¬exclamou Adriana com surpresa.Oh, como ele é alto!Esse rosto emoldurado pelo tecido, como é bonito!_Costuma invadir a privacidade do banho de seus Hóspedes?
Zayn quase riu ante a reação .Ela não tinha consciência de seu esforço para cobrir a parte da frente do corpo com inadequado robe de seda não io impedia de apreciar as belas formas de suas costas e pernas gloriosas.Contendo-se, no entanto, ele a fitou com seriedade nos olhos.
_Você é uma privilegiada, srta.Bennet. Raramente uma hóspede recebe tanta atenção pessoal nesta casa.
_Ora quanta gentileza_ resmungou Adriana ao mesmo tempo que procurava amarra o cinto.Estremeceu ao se dar conta de quanto vulnerável e nua sob o robe.E diante dele!
_Meus criados ficaram muito preocupados paorque você não acoradava.S´vim ver se ainda estava viva, se não estava doente ou ferida.
Adriana ruborizou.a primeira coisa que lhe ocorrera ao despertar tinha sido desfrutar daquela deliciosa banheira novamente.Ainda bem que já havia terminado o banho quando ouviu abrirem as portas do quarto sem bater.Só teve tempo de cobrir o corpo com o robe que ali se encontrara antes que o intruso aparecesse.
_Estou perfeitamente bem_ respondeu ela um pouco tensa, apertando o nó do cinto.
Sem fazer menção de retira-se, o árabe continuou onde estava, admirando ostensivamente as curvas de suas pernas nuas, só achava esquisito faze-lo diante de um homem com mais roupa que um monge.
_Algum problema ?_perguntou.
_Claro que não.Que problema poderia haver na exposição de uma verdadeira obra de arte? Seu corpo é lindo. 
Adriana recebeu o elogio com desconfiança.
-É mesmo?Obrigada.A dona da academia de ginástica que eu freqüento ficará contente.
Indiferente a ironia,Zayn respondeu:
_UM corpo como o seu é uma dádiva de Alá,srta.Bennett, não de uma academia.
_ E você já esta passando dos limites.Que está fazendo aqui?
_Só fiquei preocupado porque você não acordava.
_Culpe as muitas horas de viagem, o estresse , ter voado numa zona de guerra, com um maldito avião caça no meus calcanhares.Mas já estou acordada.Se você me conceder um pouco de privacidade para me vestir, podemos conversar... lá fora.
_Como quiser.Vou espera-la na ante-sala._Zayn se curvou com elegância saiu do banheiro e fechou as portas.
_Caramba! Isto é que é sentir-se vulnerável!_suspirou Adriana.
Correu ao gabinete e tateou no tampo de mármore em busca das lentes de contato que ali tinha deixado.Vestiu-se apressadamente, trocando o robe pela calça de linho e a blusa.Passou a escovar nos cabelos molhados e os prendeu num coque.Preferiu ficar descalça.Era uma características texana.Sempre que possível, renunciava aos calçados.Por outro lado,Omar estava a sua espera lá fora, se pudesse as botas, provavelmente se sentiria tentada a lhe dar um pontapé.
Fechando a porta atrás de si,Adriana foi para a espaçosas ante-sala.Zayn havia acendia todas as luzes.
Ela teve a estranha sensação de que o cômodo tinha encolhido durante seu sono, ou seria a presença dele?
O jovem sheik estava de pé e se voltou quando ela entrou. 
Adriana se recusou a olhar diretamente para ele.Quando finalmente se dispôs a erguer a vista para aquele belo homem, notou uma sombra de contrariedade em seu olhar.
Em seu primeiro encontro, ela tivera a impressão de que Zayn tinha o rosto de pedra, incapaz de mostrar o que estava sentindo.Agora, no entanto, parecia sentir-se bastante livre para deixar transparecer alguma coisa.A desaprovação era evidente.Por que?
No banheiro, mesmo sem as lentes de contato, ela notara o brilho de aprovação em seus olhos negros e sensuais.Mais importante:sentira-o .A súbita mudança a desconcertava.
_Venha, sente-se.Vamos conversar_pediu ele num tom formal.
_Mandei trazerem chá.
_Algo mais forte._Adriana se ajoelho e abriu a porta de baixo do carrinho.Encontro duas latas de refrigerante.
_Esta procurando uísque?
_Adriana se levantou.Tinha notado um tom de censura em sua voz , mas não estava disposta a tolerar tal atitude.
Já tinha passado da idade.
_Não acabo de acordar, Omar.Prefiro um café.
_Café _repetiu ele.Foi até o interfone e, em ríspido árabe, mandou trazerem a bebida.
Enquanto esperava, Adriana se serviu de água e gelo.
Queria adiar o confronto com aquele homem.Obviamente não sairia enquanto não tivessem conversado.Ela depositou o copo vazio na bandeja e se voltou e se voltou para ele.
_Muito bem, E agora sheik Haaris?
_Venha sentar-se.por favor.Temos vários assuntos a tratar.Não precisa ter medo de mim.Afinal nossos pais estão fazendo negócio, não?
_Tecnicamente sim, _respondeu Adriana evasiva.
Tornou a encher o copo de água evitando aproxima-se de Zayn, que de algum modo, a atemorizava.Não.Era mais que isso.Havia alguma coisa que desequilibrava o ar entre eles, uma espécie de corrente ou estranha vibração que a arrastava para aquele homem.Adriana oferecia a resistência que podia, pois não sabia o que eu fazer. Por outro lado, Zayn era tão atraente que a fazia simplesmente desejar abandonar-se, deixar-se falar por aquela coisa... fosse o que fosse.
Ali não haviam poltronas isoladas, apenas modernos sofás modulados.Já que tinham de se sentar, ela escolheu o módulo do canto de um deles, instalou-se e encolheu as pernas junto ao peito.
O sheik ficou em pé ainda um momento, observando-a.
Não gostava dos seus cabelos retorcidos num coque.Também pouco lhe agradava aquela calça moderna e aquela blusa solta duas vezes maiores que ela.Adriana ergueu um pouco mais o queixo firme e , mesmo sem nada dizer deixou claro o seu desafio.As sobrancelhas erguidas e a expressão da boca diziam que estava disposta a lutar muito antes de abrir mão de qualquer coisa que considerasse importante.Seus lábios carnudos sugeriam uma mulher de natureza apaixonada.Uma conquista seria doce e compensadora para os dois, pensou Zayn e ,sorrindo interiormente, sentou-se no sofá da frente. 
Adriana observou com cuidado.As bordas de sua veste bordada de ouro se separaram, expondo-lhe a calça escura e evidentemente feita sob medida.Suas pernas eram longas e esbeltas.ela tento manter mos olhos fitos nos dele, muito embora achasse difícil não percorrer aquele esplêndido exemplar de homem.Que além de tudo, pilotava jatos como poucos.
Reparou em seus finos sapatos feitos a mão, no levíssimo perfume de sua loção de barba exclusiva, em seus dedos e nas unhas bem cuidadas, Afinal , não era todo dia que agente topava com um sheik de verdade... o equivalente ao um príncipe.
Zayn achou curiosa aquela calada avaliação.Viera preparado para ouvir um interminável bla, bla, blá.Onde estavam os medos?Por quê, depois de haver ostentado por duas vezes o corpo magnífico diante dele , esforçava-se tanto pra ocultar a cintura fina, os seios generosos e as pernas longas e bem torneadas? E o cabelo... ela tinha estragado tudo prendendo-o num coque. Que jogo era aquele?
_Pois bem_ disse Adriana bruscamente, olhando para sua boca escultural._Você quer conversar, não?Tem notícias?
_Notícias, você quer notícias?
_Claro que sim.Que aconteceu no Kuweit?Foi um ataque terrorista, uma revolução ou um golpe de estado?
_Pior que isso_ respondeu Zayn._O Kuweit foi invadido por um país vizinho com um exército muito numeroso.
Adriana franziu a testa.
_O país inteiro? Meu pai está a salvo?
_Ninguém esta a salvo no Kuweit neste momento, srta. Bennett.O aeroporto foi um dos primeiros alvos do Iraque está controlando as três fronteiras.Fora isso, não tenho mais informação a lhe dar.Ninguém tem.
O que lê acabava de dizer não podia ser mais atordoante,Adrianao encarou.Não conseguia acreditar.
_Isso é impossível, não?
_É a pior notícia, que eu e meu país já recebemos.Mas se for possível, srta. Bennett, o impossível aconteceu.Um ato de agressão já denunciado por todas as entidades políticas, mas não impossível.
_Por quê? 
_Os motivos da invasão não estão claro, mas se relacionam com o petróleo e a renda que ele produz. Afinal , todos se baseiam na ambição e riqueza, não?
_Não sei_disse Adriana, engolindo em seco.__Em meu pai?Onde está?Será que reabasteceu o Vixen e saiu do país?Estaria aqui na Arábia Saudita a minha procura?
_Não sei onde seu pai se encontra neste momento.Mas duvido que tenha conseguido sair do aeroporto.
_Meu Deus!_Adriana tornou a engolir em seco.Apertou os dedos nas têmporas, tentando pensar._Eu não deveria ter dormido.Preciso telefonar imediatamente pra casa e saber o que querem que eu faça.Se papai ainda estiver no Kuweit preciso ir busca-lo.Pode me levar ao telefone internacional mais próximo?
_Não srta.Bennett.Lamento, mas não posso.Meu tempo aqui é muito limitado.Na verdade, estou a disposição do emir do Kuweit para assuntos militares.Você compreende, estamos em guerra.
_Sim claro, eu entendo.Mas preciso telefonar para saber do meupai.
Seu pai está como qualquer outra pessoa no Kuweit.
_ E se tiver sido seqüestrado por um grupo de fanáticos?
_Todas as pessoas do Kuweit foram detidas pelos militares iraquianos.Não houve esclarecimento específico sobre a situação dos cidadãos americanos no país.
_Que quer dizer isso?
A resposta do sheik foi adiada pela chegada de Ali com o café.Zayn Haaris serviu uma xícara para ela dizendo:
_Você vai achar nosso café bem mais forte que dos Estados Unidos.
Adriana sentiu o aroma primeiro.era bom, prometia anima-la .O sabor era diferente.Ela tomou com prazer pensando enquanto bebida ajudava a pensar com clareza e sentir-se alerta.Era tão forte que ela não precisou tomar sua três xícaras habituais.
_ É muito melhor_ disse
O sheik inclino, notando o suspiro de alívio em suas palavras.Era uma mulher lindíssima, apesar da roupa e do cabelo preso sem cuidado.Ele achava agradável observa-lhe os tímidos movimentos, examina-la.Não era capaz de lhe adivinhar a idade. 
_O café é muito bom._Ela se encostou no respaldo do sofá, a xícara e os pires na mão, e olhou para o homem a sua frente._Agora, vamos ao que interessa.Preciso voltar ao meu avião imediatamente.Imagino que você possa providenciar isso para mim.Evidentemente, não tenho visto na Arábia Saudita, mas tenho certeza de que o Departamento de Estado e seu governo compreenderão como vim para aqui.
A afirmação caiu como uma bomba na sala silenciosa.Adriana ficou tensa.
_estou presa?
_Estes não são os aposentos de um prisioneiro, srta.Bennett, pode ter certeza.
_Bandido!_gritou Adriana._Você está ameaçando fazer de mim uma refém.
_Eu repito:estes não são aposentos de um refém nem de uma pessoa detida.Não me insulte.
_Então eu estou livre para ir embora?
_Não.Lamento informa-la que não está livre para ir a lugar nenhum.Estamos na arábia Saudita,srta.Bennett.Aqui as mulheres não dirigem automóveis nem pilotam aviões.
_Preciso lembra-lo que sou uma cidadã americana?
_A cidadania é irrelevante no deserto.aqui, você continuará sendo uma hóspede de honra.Será bem tratada e ficará em segurança até que possamos providenciar para que saia do país.
_Eu não vou ficar aqui!
_Senhorita Bennett_Zayn relaxou nas almofadas do sofá_, você está na Arábia Saudita.Aqui as mulheres cobrem as cabeças, usam véu e não vão a lugar sem a companhia de um homem.Infelizmente você não tem parentes aqui.Portandto,como filha de um homem que tem relações comerciais com o seu pai ausente, a responsabilidade pela sua segurança é minha.
Você só precisa permanecer em Anaiza. A lei que proíbe as mulheres viajarem sozinhas é cumprida com rigor.
_Não quero que venha a ter mais dificuldades que o necessário.agora, sugiro que solte o cabelo e relaxe.
_Deixe meu cabelo em paz. 
_Eu gostaria que nossa conversa prosseguisse numa atmosfera menos carregada de desconfianças.
_Oh!é mesmo? Sabe de uma coisa,Omar, tire os sapatos e e relaxe como eu, talvez então pense em soltar o cabelo.
_Você não tem nada a ganhar falando comigo nesse tom.
_Está querendo dizer que , se eu usar meus encantos femininos, soltar meu cabelo e fizer um ostensivo esforço para seduzi-lo , você vai se tornar maleável como plastilina em minhas delicadas mãos?
O sheik se esforçou para não rir.
_Cara srta.Benntett, eu não estou querendo dizer nada disso. Nem me ocorreria descrever suas mãos como delicadas.acho que não há nada delicado em você.Isto não significa que eu não me deixaria seduzir. Um pouco alta para meu gosto, mas seu cabelo poderia compensar esse defeito se o soltasse e me deixasse vê-lo.
Adriana ficou tensa, os músculos de seu maxilar se retesaram .
_Olhe vamos examinar os fatos, ok ? Eu quero voltar ao meu avião.Você precisa de dez segundos para dar uma ordem e providenciar um transporte.Tenha a bondade.Eu estarei fora da sua vida no momento em que eu ligar o motor do Vixen.
O sheik fitou em Adriana um olhar curiosamente vazio e perturbador.Tomou seu café e disse brandamente:
_Escute, eu não estou aqui por necessidades,não por minha vontade.Certamente os governos envolvidos compreenderão.
_Os motivos de sua presença não importam.Você não tem escolha senão obedecer as leis do país em que se encontra.Se desprezar os costumes ,garanto que terá que enfrentar conseqüências que não serão do seu agrado.
Como posso deduzir que conformar-se é a ultima coisa que você pretende fazer, vai permanecer em Anaiza.em segurança e a salvo, até que eu possa entrgá-la asua família nos Estados Unidos.
Adriana tentou relaxar. 
_Se for absolutamente necessário, eu posso me adaptar aos costumes.Não quer dizer que eu tenha gostado deles. No entanto, estou dizendo que não vou voltar aos Estados Unidos sem meu pai e meu tio Jack.Se isto significa que terei de ir ao Kuweit com véu , tudo bem!Posso manter intactos os seus costumes e tradições.Mas não volto sem meu pai e meu tio.
Pela primeira vez, Adriana detectou um brilho de ternura no olhar do árabe.Um leve sorriso lhe passou pela boca sensual._Admito a sua determinação.tanta coragem diante de tanto perigo é louvável,embora impraticável.Mas tampouco posso deixa-la fazer isso.Você não compreendeu bem o perigo.Eu não conseguirei conviver com minha conciência se lhe acontecer algo que eu possa evitar.Tenha certeza que durante todo o tempo em que ficar reclusa em Anaiza, você estará sob minha proteção.
_Reclusa!_Adriana quase se levantou de um salto ao repetir a palavra._Olhe, como você que quer que eu me reúna a meu pai e conclua o negócio que viemos fazer no Oriente Médio?
_Enquanto não se resolveram os problemas no Kuweit, nenhum negócio será concluído.Foi um erro você ter vindo pilotando o segundo aparelho.Em erro que sua família deve estar lamentando agora.Estive examinando os documentos referentes aos Vixen que meu pai encomendou.Nenhum deles fala numa mulher como piloto.Sei que em seu país, algumas mulheres exercem essa profissão.Mas aqui é outra latitude.Suas escolhas são extremamente limitadas.
_Eu me oponho totalmente a essa história de purdah.Não me submeterei a isso.Preciso encontrar meu pai.Viemos aqui a negocio.Tenho um trabalho a fazer e quando terminar, voltarei diretamente para casa.
_Não quero que esta nossa conversa se transforme numa disputa de vontades, stra.bennett.Você é minha hóspede.O Kuweit se transformou num caos.Você permanecerá em Anaiza.
_Um momento, sheik Haaris.Temos um problema muito grave.E não quero ficar em Anaiza.Quero sair da sua casa imediatamente. 
Se não posso viajar livremente devido à situação delicada do Kuweit, prefiro ir para a capital para a embaixada mais próxima.
_Antes, você....
_Oh, não!_ela não sem ter dito tudo que queria._Eu posso pagar minha estadia neste país e em qualquer lugar do mundo.Não preciso de um novo tio ou muito menos de um irmão mais velho.
Os dois que tenho em casa são maisque suficientes.E já que estou falando em meus irmãos, fique sabendo que nenhum deles se atreveria a ditar aonde eu posso ou não posso ir, como você está pretendendo.Eu tomo as minhas decisões sozinhas, muito obrigada.
_Terminou?
Adriana estava preparando o segundo round de seu discurso quando se lembrou do Vixen e do trunfo que ele representava.
Ainda não.Só mais uma coisa , sheik Haaris.Se você continuar com isso, vou fazer com que minha empresa cancele a venda dos vinte Vixen para vocês._Fez uma pausa de efeito dramático e tentou avaliar a reação do árabe.Ele nem sequer piscou!Acaso achava que ela não tinha poder para cancelar o negócio?Pois ficaria decepcionado.Seu voto tinha tanto peso na diretoria da empresa quanto outro membro da família._Que acharia o sheik Wali Haj Haaris de sua intervensão?
_Eu já cancelei o negócio_ disse Zayn com firmeza._O avião que você não vale nada.Nenhum sistema funciona. 
_É mesmo?_Adriana ergueu a xícara de café e sorriu satisfeita.Assoprou de leve a bebida._É a primeira boa notícia que você me dá .Agora , já não há motivo algum para continuemos com essa brincadeira.Leve-me até a base, e eu pegarei meu jato que nada vale e partirei.Assim , não terei que me preocupar com nenhum troglodita a abusar dos delicados sistemas do Vixen.
_Quanto mais delicado o sistema mais satisfatória é sua resposta aos comandos,stra. Bennett.Você devia restringir suas opiniões aos comandos aos ramos que conhece.
_O design aeronáutico é justamente o meu ramo_ replicou Adriana, colocando a xícara na mesa de centro entre eles_Em meu país, sou considerada uma menina prodígio, muito embora, aos vinte e quatro anos, já não se possa dizer que seja uma menina.nada há de errado com o Vixen, eu simplesmente não consigam usa-lo.se me levar à base, ele estará voando num piscar de olhos.
_Não.
_E se eu pedir por favor?
_Não.
Porco chauvinista arrogante, pensou ela.Arrogante e bonito!
Levantou-se alisou a calça com as mãos.
_É a sua palavra final Omar?
Um músculo se reteseou na face bem escanhoada do sheik, indicando que Adriana tinha marcado um ponto.Tudo bem, admito ela intimamente, tinha sido um golpe abaixo da cintura, mas as táticas dele eram igualmente desleais.Quantas indiretas teria de tolerar?ainda estava uma máquina sensível!Quem estava enganado quem?
Zayn a estava mantendo prisioneira deliberadamente a julgar por seus olhos, estava a ponto de derreter.
_Devo admitir que a conversa foi interessante_ disse ela._Apareça qualquer dia.Você é uma companhia agradabilíssima,Omar.
_sente-se, stra.Bennett.ainda não terminei minha visita. 
Capítulo5
A força daquela ordem proferida em voz suave foi uma ofensa para Adriana.Nenhum homem se atreveria a lhe dar ordens.Do outro lado da mesinha Ming, ela se preparou para a guerra.
_Como?
_Você entendeu.
_Ah!_Adriana foi até a porta e a abriu._acho que já passou da hora de você ir embora.
Zayn permaneceu onde estava, nem sequer fez menção de colocar a xícara na mesa.
_Eu nunca repito uma ordem, stra.Bennett.
Com aquela calam fria, ele parecia perigoso que quando se pôs a gritar, na base militar,ao descobrir que seu pai não se encontrava a bordo do Vixen.O perigo pairava no ar, embora Zayn não tivesse movido um só músculo.O brilho glacial de seu olhos negros indicava que Adriana havia transposto a linha do insulto tolerável.
Dando de ombros, ela fechou a porta.
_Como quiser _disse com insolência.
Enfim, a luta terrível que vinha se preparando entre ela e aquele homem arrogante parecia eminente.Caminhando nervosamente, desejando fugir a sua presença, ela percorreu a enorme sala, contornando os sofás.Queria esmurra-lo, jogar nele cada um daquele vasos preciosos.
Precisava de um alívio físico das tenções que ameaçavam paralizá- la. Tinha de fazer rapidamente alguma coisa com as mãos_ antes que fosse dominada pela tentação de lhe partir a cabeça com o abajur.
Preferiu atacar o balde de gelo, enchendo a um copo, derramando água na bandeja polida.Enxugou-a com um imaculado guardanapo de linho.Depois, percorreu uma vez a sala, consciente que estava prestes a cometer uma loucura.Olhou de soslaio para ele.Sua expressão era brutal; com os lábios apertados e os maxilares travados não anunciavam que se relaxaria tão cedo. 
Que ela tinha feito afinal?
Ou que tinha deixado de fazer? Uma lista enorme de coisas não feitas flutuou na mente de Adriana.A idéia de lutar com um homem daquela espécie lhe dava medo.Não tinha como vencer.Para que tentar? Por outro lado, ceder sem nada sem nada questionar era simplesmente insuportável.Ela não era uma criança.Mas de nada lhe serviria seguir desafiando a autoridade natural de Zayn.Que fazer então?
Finalmente,Adriana retornou à mesa onde iniciou sua pequena revolta, pegou a xícara e se sentou à direita dele.Fez o possível para não se mostrar mal-humorada ao perguntar.
_Posso tomar mais café?
Sem uma palavra, ele fez um gesto para que se servisse.
Adriana se inclinou para encher a xícara e ficou segurando o bule, como que a perguntar se devia servi-lo também.Zayn fez um gesto mínimo na direção da xícara, um mero movimento de pálpebras.
Ele domina a linguagem do silêncio, pensou Adriana revoltada a recolocar o bule na bandeja.De repente pareceu íntimo demais, pessoal de mais, tomar café com aquele estranho.
Ficou olhando para suas mãos, para os dedos longos que estavam mexendo o café.Baixou os olhos quando a mesma levou a xícara aos lábios.Endereçou um olhar furtivo, por entre os cílios, um olhar de através que buscava comunicar quanto lhe era intolerável aquela situação, quanto se sentia fraca e vulnerável.
Não havia incerteza no sheik.Sua vontade era dura como pedra.Era ele que devia se curvar.As últimas palavras que ele dissera continuavam a lhe ecoar na mente.Eu nunca repito uma ordem.Não precisava repetir nada, posto que tinha o poder de impor sua vontade pelo domínio mental.Adriana apertou os dentes.Estava sentada novamente.Desta vez mais perto dele.Sou uma idiota! Pensou.O estresse transparecia em seu comportamento, não no dele. 
Olhou com raiva para Zayn, estava profundamente ressentida com sua intrusão no pequeno e maravilhosos mundo de sucessos que ela criara para si.Em sua ótica, deviam estar tratando como iguais.Neste caso,por que não conseguia tirar os olhos dele?Por que não parava de observar aqueles dedos bronzeados tocarem num objeto inanimado?
Por que não conseguia sujeitar o desejo de que o gesto se tornasse pessoal?Droga, quanto queria que ele a tocasse.
Zayn recolocou a xícara no pires sem fazer tinir a porcelana.
_Você é sempre assim tensa e ansiosa, srta.Bennett?
_Quer saber se sou agressiva?
_Não quero saber se a ansiedade governa seu comportamento.Não consegue relaxar, sabendo que está a salva aqui?
_Estou ? Estou mesmo em segurança aqui?
_Quer me dizer que perigo você acha que a está ameaçando?
_Bem, digamos que não estou preocupada com as bombas que possam cair na minha cabeça.
_Compreendo.
Ele fitou nos olhos dela os olhos negros, que tinham a força de um campo magnético.Adriana percebeu que se abaixasse a vista naquele momento, recuaria ainda mais.
Tentou recuperar a vantagem com palavras:
_Sendo assim,acho que já pode ir embora agora.
_Você se habituará mais depressa a minha presença se eu ficar.
_Para quê?É uma situação provisória.Não voltaremos a nos ver quando a crise estiver superada.
_Não vai voltar ao meu país quando tiverem de entregar o outro avião, srta.Bennett?
_O negócio está cancelado .Você mesmo o disse, e eu concordei.
_O que eu disse é que o avião não funciona. 
_Você mentiu quanto a seu peso_ disse ele depois de algum tempo.
_Ora , que absurdo _defendeu-se Adriana.
_Você não pesa cinqüenta e sete quilos.
_Nem uma grama a mais.
_Não tem curvas de uma mulher desse peso.
Sentindo-se novamente insultada, ela replicou com rispidez?
_Pois bem, eu tenho os ossos!
_Você se ofende facilmente.
Adriana revirou os olhos.Que falta de tato!
O sheik continuou vasculhando seus pertences pessoais, detendo-se para examinar sua licença de motorista,o brevê as fotografias de parentes.Contou o dinheiro e os cheques de viagem.Ao terminar a inspeção, apontou para cinco enrugadas notas de mil do Kuweit.
_Se você na esteve no Kueit , onde conseguiu este dinheiro?
Adrian o mirou com irritação.
_Nunca ouviu falr no Banco Cullem-Frost, sheik Haaris?Pode-se conseguir moeda de qualquer país nos Estados Unidos.
Sem comentar a resposta, ele voltou a atenção ao documentos do Vixen.
_Falta o manual de instruções.
_A pessoa que escreveu o manual não precisa dele.
Zayn Haaris se encostou nela o olhar penetrante.
_Está afirmando que essa pessoa é você, srta.Bennett?
_Enfim conseguiu acertar uma!
Ele sorriu e sacudiu a cabeça.
_Impossível. 
Era impressionante o efeito de um sorriso no rosto daquele homem.Suas feições duras e masculinas se suavizavam, tornando-o ainda mais irresistível.Adriana se sentiu afundando em areia movediça.Ele tinha inclusive a sombra de uma covinha na face! Ela engoliu em seco.
_O fato de ter projetado o Vixen pode ser inaceitável para os seus padrões sheik Haaris_ disse_ mais impossível não é.
_Onde está o manual de instruções?_insistiu ele sem acreditar que ela fosse a criadora do avião.
_Todos os documentos essenciais estão guardados no jato de meu pai .Ele é muito rigorosos quanto ao seu procedimentos.Ou seja:o manual esta no Kueit.Vamos busca-lo?
_ Que imprudência a de vocês.
_Acha mesmo?_Foi a vez de Adriana exibir um sorriso._Pois eu acho que meu pai foi muito prudente ao insistir em ficar com todos os papéis importantes .Desse modo, eu era obrigada a ficar com ele.E o melhor é que você não vai poder usar Vixen sem mim.
O impasse a satisfazia.mas ela não estava nada satisfeita com a crescente atração por cada aspecto que Zayn revelava de sua personalidade.Cada novo conflito entre eles o transformava num desafio mais fascinante.Ela imaginava que se o tocasse, pegaria fogo.
O rosto daquele homem estava mapeado e impresso nela sua voz permanentemente gravada,assim como aquele musculoso que a roupa larga escondia.Em resumo,Adriana o tinha estudado e fixado.Em tudo quanto via , queria.Tal revelação lhe abriu um vazio no peito.Embora estivesse fazendo o possível para manter a calma exterior, seu corpo ebulia, vendo-o como homem.A atração era dramática, pronunciada, desorientadora.Ela sentiu as têmporas latejarem,seus cinco sentidos aguçarem_ Seus dedos ansiavam por toca-lo.
Enfim,estava amarrada.Adriana queria saber pó que continuavam falando sobre o Vixen quando já não era aquele assunto que o interessava.
_Sempre é possível contornar bloqueios_ disse ele com delicadeza. 
_É verdade.Você sabe programar ou reprogramar um computador?
_Agora você está sendo impertinente._Toquei um nervo, não?_riu-se ela._Leve-me até o Vixen.Eu mostrarei todas as suas assombrosas propriedades.
_Você pode me explicar como coloca-lo em funcionamento.
_Nunca..._Adriana se interrompeu para não chama-lo de Omar.Já não tinha necessidade de insulta-lo.
Longe disso;percebia agora que já não desejava senão a admiração daquele homem pela bela máquina que ela havia criado.nada do que ele dissera aquele momento indicava que quisesse o Vixen 2000-2.Mas ela sabia que o queria.Desejava ardentemente aquele avião,muito embora fosse mestre em ocultar suas emoções.
Adriana não foi capaz de evitar um sorriso ao imagina-lo no cockpit,derrotado, frustrado, com os controles nas mãos, mas sem conseguir uma resposta da máquina.Ele não podia senão desejar voar com aquele aparelho.Mais ou menos como estava acontecendo com ela, sentada em seu fino sofá, tomando delicioso café e sem se atrever a se aproximar e toca-lo.
_Onde está o manual de instruções?
_Já disse.Está com meu pai, no Kueit.
Zayn Haaris enrugou a testa.Não era a resposta que queria ouvir.Procurou uma última vez entre os documentos.Apoiou o cotovelo no respaldo do sofá, voltou-se para ela e, com a mão na boca, refletiu alguns instantes.
De repente, sorriu, depois riu divertido.
_Quer que eu acredite que foi você que projetou o Vixen?
_Não me julgue pela cor do meu cabelo_ retrucou ela.
_Compreendo.Você está brincando comigo, quer ser induzida a dizer onde se encontra o manual , quiser ser forçada.
_Isso mesmo,vá buscar o chicote e as correntes._talvez você tenha deixado as chaves erradas no avião.Abrem as fechaduras e servem na ignição, só isso.
_Se acha qie minha chave vai ajudar, pode leva-la.Está na carteira. 
_Vou entrar em contato com sua empresa, no Texas e pedir que me enviem imediatamente outro manual.
_Faça isso sheik Haaris.Teve oportunidade de conhecer meus irmãos?Mathew dirige a empresa na ausência de meu pai.Tom cuida das emergências.Ambos vão recomendar que recomendar que você solicite a minha assistência para acionar os computadores.Na verdade, ninguém neste mundo, senão eu pode por o Vixen 2000-2 em funcionamento.E assegurarei isso antes de deixa-lo na sua pista saudita.Nas Industrias Bennett, ultilizamos bloqueios de ultima geração.Assim , nenhum ladrão pode invadir nossos aviões, dizer “abre-te sésamo” e rouba-los.Eu também li As mil e uma noites.
_Agora você está sendo insolente.
_Estou?_perguntou Adriana sem se deixar afetar por seu olhar insistentes.Tampouco estav preocupada com possíveis represálias.Ele estava com as mãos atadas.
_Sabe?Você até que tentou.Mas não teve sorte.Não vou ajuda-lo.
_Você tem um modo muito peculiar de fazer negócios srta.Bennett.
_Não perca o seu tempo.
Zayn inclinou a cabeça para o lado e sorriu.
_Você se acha muito esperta?
_A palavra que a maioria das pessoas costumam usar é brilhante, mas eu não deixo que isso me suba à cabeça.
O sorriso de Adriana lhe encheu os olhos de alegria. 
Era delicioso bater-se com aquele homem, sobretudo quando era ela quem saía ganhado.Sem saber a senha,Ali babá estava trancado.Teve vontade de lhe perguntar como era sentir-se sem saída.Era uma bela reviravolta.
Teve também vontade de rir da ironia da situação, mas preferiu não faze-lo.Ele não acharia graça na analogia.
Zayn reagiu com naturalidade ao belo sorriso de Adriana, aos seus irresistível olhos azuis.
_Diga_ pediu ele, inclinando-se para frente, aproximando muito o rosto do dela _, se eu a levasse ao avião,você conseguiria coloca-lo em funcionamento?
_Eu não o estava pilotando quando tivemos o prazer de quase colidir?
Zayn umedeceu os lábios, estava morrendo de vontade de saboreá-la.Preferiu provoca-la:
_É uma questão de opinião.
A reação não se fez esperar.
_Sou capaz de esbofeteá-lo se continuar com isso!Sim eu estava pilotando o avião.Sim ,eu posso leva-lo de volta aos Estados Unidos e você não vai ficar com ele!Portanto,acorde.Atreva-se a me insultar novamente, e vai ver o que acontece!
Zayn esticou o braço no encosto do sofá,atrás dela.
_Você quer mesmo que eu acredite que você não decolou do Kuweit?Deixemos de brincadeira.Você nem teve tempo de passar pela alfândega e obter o carimbo no passaporte.Simplesmente porque seu pai a mandou fugir.Não espere que eu acredite que você veio pilotando sozinha dos Estados Unidos.
_Acredite no que quiser.Eu estou aqui, não estou?
E além disso , preciso telefonar.Tenho que avisar minha mãe que estou viva.E , se não te, telefone, permita-me que eu use o rádio daquele helicóptero enferrujado que você mantém no telhado deste mausoléu.
_Não adiantaria.Você não fala árabe e Anaiza fica muito longe de qualquer lugar que fale inglês.Tampouco conseguiria entrar em contato como Kuweit.Estamos fora do alcance. 
_Não gosto disso.Eu não vou ficar sentada aqui sem fazer nada, enquanto meu pai corre perigo.
_Você não pode fazer nada.Só resta esperar.No entanto ,podia ser um pouco mais sensata.Eu preciso do Vixen.Dê-me os códigos, eu providencio para que sua empresa receba o que lhe devemos.
_Quando os porcos voarem!
_Cuidado com o que diz.
_Por que tenho de ser mais cuidadosa que você?Eu diria que estamos em pé de igualdade.Faça o que estou pedindo.Solte-me, ajude-me a entrar em contato com meu pai e meu tio no Kuweit, pague o que nos deve então eu lhe direi como voar no Vixen.
_Minhacara srta.Bennett, eu não tenho condições de satisfazer nenhuma das suas exigências.Você não pode sair desta casa.Seu pai não pode sair de Al Kueit neste momento, o meu também não.Por último, o dinheiro está congelado em todos os bancos do mundo por causa da agressão de Sadan Hussein.Todos os depósitos iraquianos e kuweitianos foram congelados.Nossos petroleiros estão presos nos portos americanos, japoneses e ingleses.As reservas de ouro do Kuweit nos bancos estrangeiros não podem ser tocadas.Enquanto esta situação não mudar, você ficará tão presa quanto todos nós.Minha hóspede srta.Bennett.
_Sua prisioneira,sheik Zayn Haji Haaris.
_É loucura provocar-me.
_Mais luca eu seria se aceitasse a sua palavra sobre tudo o que acabamos de discutir.
_Você não tem uma escolha.
_Sempre há uma escolha.
_Então chegamos a um impasse.
_Oh, disso eu tenho certeza._Adriana franziu a testa, digerindo o que ele havia dito._Espere um pouco, você disse que todos os depósitos iraquianos e kuweitianos estão congelados?No mundo inteiro?E os bancos automáticos?
_Congelados.
_Mas é claro que vocês tem dinheiro em outros bancos.
_E , neste exato momento , o presidente americano esta dizendo ao rei Fahd que as forças americanas precisam de permissão de assumir a defesa da arábia saudita.
Adriana aregalou os okhos.
_A crise é tão grave assim? 
_Gravíssima.Seu governo acha que nós árabes, não temos o direito de estabelecer preço do petróleo de nossos poços, que devemos vende-lo ao preço que os Estados Unidos estão dispostos a pagar.Esta é a questão .
_De que vale a retórica política?_Adriana sacudiu a cabeça._Não é isso o que acontece nas reuniões de diretoria, onde os negócios são decididos.Os produtores vendem, os consumidores compram.Eu vim aqui para vender aviões.
Zayn a percorreu com os olhos .
Primeiro, você diz que é piloto, depois projetista de aviões ,agora da equipe de vendas.Afinal, qual é sua função nas Indústrias Bennett?
_É inútil insultar-me.Não funciona.Mas fale-me dessa crise.É mesmo muito grave?Há possibilidade de guerra entre a Arábia Saudita e os Estados Unidos?
Uma vez mais , Zayn conteve um sorriso.Ela não se assustava com insultos.Não se deixava afetar.Era admirável tanta bravata, por absurda que fosse.Aquilo, somado a seu charme, só fazia aumentar o desejo que ele estava sentindo por ela.
_Guerra?Não creio.Washington já nos ameaçou exigindo que fechássemos os oleodutos iraquianos que passam pela Jordânia e pela Arábia Saudita.A assessoria de seu governo neste problema, que é exclusivamente árabe, foi recusada, mas se continuarem ameaçando estacionar soldados na Arábia Saudita, as repercussões serão tão graves.Esta terra é árabe, não vamos entrega-la.
_Mas afinal você é Kuweitano ou saudita:?
_Nenhuma coisa e nem outra.Sou nômade.Sou um tanto mulçumano.E sou filho de meu pai.Sou beduíno e minha pátria é o Summan,Rubál Kahali, Meca,Bagdá,Al Kuweit, o Cairo, o Sinai a Jordadânia.Aonde quer que eu vá, meu coração está voltado para Meca, atento ao chamado do Profeta.Ouço o que é bom para o meu povo.
_Não quero entrar numa discussão política_disse ela._Sou ambivalente quanto aos governos.Qualquer um é tão ruim quanto o outro.Só quero saber dos fatos.Que aconteceu aqui e o que preciso fazer. 
Decerto não há de ser ficar aqui sentada, com as mãos abanando.
_Mesmo que eu tomasse as sua afirmações ao pé dda letra, não poderia deixa-la partir_retrucou Zayn.
_sem querer , você acabou tropeçando em certas imposições estratégicas.
_Ao pé da letra?Que significa isso?Que está querendo dizer com “imposições estratégicas”?_Adriana passou a mão na testa.Devia ter prendido muito o cabelo.Ou então aquele confronto que lhe estava provocando dor de cabeça._Está se referindo à base militar no deserto, onde aterrissei?Acaso acredita que as forças norte-americanas não sabem dela?
É preciso ser muito ingênuo para imaginar que eu seja uma espiã.Santo Deus, os militares têm satélites capazes de ler o número da chapa de um automóvel em movimento!Não se pode manter em segredo a existência de uma base aérea, nem mesmo no deserto, sheik Haaris.É loucura acusar-me de espionagem.Eu estava sem combustível.Meu S.O.S era verdadeiro. Posso provar.
_Já comprovamos que o pedido de socorro era necessário_ concordou ele._Os tanques de seu jato estavam perigosamente vazios.Se isto não tivesse sido verificado imediatamente, quando pousou, você nunca teria tido a oportunidade de ser minha hóspede.Seria hóspede do serviço secreto saudita.
_Puxa, que sorte!_Adriana tamborilou irritada no couro macio da almofada a seu lado.Percorreu com os olhos a prisão de veludo em que se achava e se perguntou se era mesmo uma sorte estar lá._Muito bem, e agora, Bozo?
Zayn conservou o silêncio.Seus insultos eram sinal de desespero.ela sabia que tinha perdido a batalha.
_Você é uma moça astuta, srta.Bennett.Certamente, não vai ter dificuldade para saber o que vem agora.
_Oh claro que não .Você quer o meu avião porque representa mais arma no seu impressionante arsenal.Vejamos, um Falcon contra um Vixen sobre o deserto, a seis mil metros de altura.As industrias Bennett não são bélicas, sheik Haaris.não fabricamos máquinas de guerra. 
_Inshallah.
_Repito, não fabricamos aviões militares.Só fazemos componentes para equipamento de radar e computador.Que quer dizer inshallah?
_A vontade de Alá é a vontade de Alá._explicou ele._Minha empresa encomendou vinte jatos de combate às industrias Bennett.Encomendou vinte jatos.
Ouso que daremos depois da compra é assunto nosso.Em todo caso, vou lhe explicar:todos os meus recursos pessoais estão à disposição de meu país.e eu vou receber esses aviões.Todos eles.
_Deixe-me adivinhar.Você está construindo sua base militar lá no deserto?
_Você tem imaginação fértil.
_tenho a imaginação fértil , ah!_Adriana soltou uma gargalhada._Só falta você tentar me convencer de que não vi aeroporto internacional no KUweit explodir.acha que não me importo porque não era minha terra que as bombas estavam destruindo?
_Pelo que você me disse até agora, acho de que a sua maior preocupação é Adriana Bennett.
_Você é um bandido!_gritou ela._acontece que meu pai esta preso no seu país.E também o tio Jack que é meu padrinho.Além disso, tenho duas irmãs, dois irmãos e minha mãe, que está lá em casa, preocupada conosco.
_Você não falou em seu marido, muito embora tenha passado da idade convencional_ respondeu ela sem pensar.
Ele parecia penetrá-la com os olhos negros.Adriana engoliu em seco, sentido uma onda de calor na face.Por que não conseguia manter a boca fechada?
_Uma mulher encantadora como você já devia ser casada.
_Pretende se candidatar?_perguntou ela com desdém.
_Acho que não.Eu não terá paciência com uma mulher cuja língua me obrigaria a tomar medidas toda vez que ela desafiasse a minha vontade.
A resposta fria do sheik não deixou dúvida na mente de Adriana quanto a que ele não tinha gostado dela, coisa que não a incomodou no estado em que se encontrava.
_Ótimo_respondeu com um orgulhoso movimento da cabeça._Você seria o ultimo homem neste mundo pelo qual eu me interessaria.Nenhuma mulher em sã consciência concordaria, de livre e espontânea vontade em vir a figurar nas estatísticas da violência 
_Está querendo dizer que como árabe, eu não tenho outros meios de impor minha vontade a não ser a violência física?
_Está querendo dizer que você conhece a fina arte da negociação e do compromisso? Até agora, não deu o menor sinal.
_Não discutimos um só ponto que permita negociação ou compromisso, srta,Bennett.Até agora, você se limitou a fazer exigências absurdas, as quais eu não posso satisfazer.
_Simplesmente porque você não passa de um porco chauvinista estúpido.
Zayn Haaris teve a audácia de rir um riso diabólico, que estimulou o péssimo humor de Adriana.
_Sabe de uma coisa?_disse ela._É melhor você ir embora agora.Porque eu não terei como pagar o estrago que sou capaz de fazer em sua cara.
Zayn riu novamente.
_É, um mundo inteiro pode ver o estrago que você fez ontem.Nunca mais vou me livrar dascicatrizes deixadas por sua delicada mão.
_Ontem eu nem tentei , meu amigo.
_Então tente._Ele abriu os braços._Estou ao seu dispor.Tente.
_porco!Arrogante, chauvinista, asqueroso!_Adriana se levantou de um salto e resmungando furiosamente, atravessou metade da sala. Depois se deteve e se voltou para encara-lo._Porco!
Zayn também se levantou, observando-lhe o comportamento.
_Pode ter sua explosão de insultos.Adriana Bennett.
Todas as mulheres são escravas de suas emoções, e geralmente faz bem aliviar o mau humor batendo os pés e soltando gritinhos.Amanhã, você vai me entregar a chave certa do Vixen e revelar-me as senhas.Não volte a brincar comigo, uma vez mais, perdeu a parada. 
_Você acha?Pois saiba que homens maiores que você já tentaram me intimidar e não conseguiram.
_Inshallah.
_A vontade de Alá, hem?Pois a Bíblia diz que , quando o olho de um homem o ofende, ele deve ser arrancado.Você me ofendeu.Fora daqui!
_Não prefer citar aquela passagem do Novo Testamento que diz , quando me esbofetearem, eu devo voltar \a outra face?
Adriana deixou escapar um gemido de cólera. Seu controle estava por um fio.
_Eu não vou ligar o motor do avião para você.Alias sheik Haaris, já que você não sai daqui, quem vai embora sou eu! 
Capítulo 6
Nenhuma mulher ousava falar com o sheik Haaris daquela maneira.nenhuma tampouco o insultara de tal modo, dando-lhe as costas e saindo em meio a uma conversa.
Zayn a seguiu até o banheiro e , decidido a enfrenta-la, entrou e trancou a porta.Adriana se voltou.Viu-o tirar calmamente sua larga veste, turbante bordado, e joga-los na mesinha junto à porta._Quando nos vimos pela primeira vez, você me disse que eu lhe devia satisfações, srta.Bennett. Pois bem venha, toma-las.
Adriana respirou fundo.Não a surpreenderia que o sheik a tivesse ouvido ou se lembrasse de suas palvras.Ela havia falado com todos os canais de rádio abertos.Mas que tivesse a audácia de cobra-las agora era simplesmente diabólico.
_Não vou me humilhar, se é o que espera, Zayn Haaris.
_Está com medo ?
_Não tenho medo de nada.
_Ótimo, valentona.Então venha. Enfrentar-me de perto.Estou convidando .
_Está mandando.
_Ah , entendo. Tem medo da obediência.E do prazer, também tem medo?
Adriana engoliu em seco.Ele estava se divertindo! Sabia exatamente o que estava fazendo, provocado-a e rindo às suas custas.Como, diabos, tinha percebido que ela atravessou o espaçoso banheiro e se colocou diante dele.
_Vamos deixar uma coisa clara_disse._Estou aqui, à sua frente, porque quero.Não porque você mandou.Não porque tenha medo,E, para que não paire nenhuma dúvida, fiquei sabendo que você não me daria prazer nem que fosse o último homem do mundo, porque eu nunca vou deixa-lo aproximar-se de mim.
Reprimindo o riso,Zayn falou com voz doce: 
_Você está bem próxima agora Adriana bennett .E se eu cobrar o que me deve pelos insultos?
_Ora!_Adriana cravou o dedo no peito do sehik._Eu não lhe devo absolutamente nada.Vicê quase derrubou o meu avião.Assustou-me e me obrigou a pousar no seu deserto.Prendeu-me aqui e não me deixa sair para socorrer meu pai.E ainad por cima, está praticamente dizendo que só vou recuperar minha liberdade se ceder ao seu assédio grosseiro.
_A atração é mútua.Você está tão caidinha quanto eu.
_Caidinha?_Adriana hesitou._Onde você foi desenterrar esse termo arcaico?_Vacilou, tentando fugir da verdade ;estava perturbada porque Zayn acabava de admitir que se sentia tão atraído por ela quanto ela por ele.Não podia ser verdade._Será que podemos conversar sobre coisas mais interessantes?Por exemplo, sobre a minha libertação deste confinamento bárbaro.Já estava farta de sua hospitalidade.
_Alá perdoe tanta ingratidão.
_Eu devia estar agradecida ao homem que quase me matou?
_Não ao homem que arriscou a vida para salvar a sua.Você ia ser derrubada porque os iraquianos pensaram que meu pai estava no avião>Tinham ordem para matar o emir, todos os membros de sua família e a hierarquia política do Kuweit.
_E isso significava alvejar todo e qualquer jatinho particular que estivesse perto do aeroporto ?
Zayn lhe segurou os ombros e a sacudiu.
_não desvirtue os fatos!Dispararam dois mísseis contra o seu avião.Você sabe que é verdade.Hussein ordenou execuções pessoalmente.
_acha que vou acreditar nisso?Acaso o presidente de um país civilizado manda matar os outros?Por muito menos, Nixon praticamente sofreu um impeachment.Ninguém ficaria impune com um crime desses.
_Saddan Hussein fez isso, Adriana Bennett, e você estava no meio da confusão.Se eu tivesse cometido a opucura de deixa-la avançar um pouco mais para o norte, hoje seria refém. 
_Prove!Você se esconde atrás do nome de seu velho e só diz tolices.Pois eu não acredito!Você não passa de um maníaco.Não tem ética e se arrisca à toa.É implacável.Omar, o camicase!
_Insulte-me quanto quiser, mas você não chamaria o sheik Wali Haj Haaris de “velho” na cara dele.Ele mandaria cortar sua língua.Meu primo e eu impedimos os iraquianos de atacar um avião desarmado.Eles não arriscariam a derrubar um caça saudita.
_Acha que isso justifica sua tática de troglodita?
_Por que está tão zangada, afinal?Só porque não é capaz de pilotar um avião como o meu?
Zayn ergueu a mão e lhe tocou os cabelos dourados.
Ela reagiu com um safanão.
_Não ponha a mão em mim!
_Pare de se comportar como se estivesse sendo agredida_ ordenou ele rispidamente._Ninguém a machucou.Eu não bati em você.
_Oh, quanta bondade!_retrucou Adriana, esquivando-se dos dedos que voltaram a toca-la.
ZAyn lhe agarrou a blusa e a puxou para junto de si.
Com um gemido, ela lhe segurou o pulso com ambas as mãos, procurando soltar-se.Ele mergulhou os dedos em seus cabelos, removendo os grampos que os prendiam.
_Você ainda não sabe o que é ser mulher.Fique quieta!Não a estou machucando.
_Não quero soltar os cabelos>Não quero que segure a minha blusa, nem respire em cima de mim, nem grite comigo.
_Você não sabe o que quer, mas eu sei!_Ele tirou o último grampo e passou os dedos em sua longa e esplêndida trança, desenredando-a._Não volte a prender os cabelos em minha presença. 
_Você não sabe o que quer, mas eu sei!_Ele tirou o último grampo e passou os dedos em sua longa e esplêndida trança, desenredando-a. 
_ Não volte a prender os cabelos em minha presença.
A veemência de suas palavras deixou-a boquiaberta. Adriana sentiu o estômago contrair-se, tudo parecia sacudir-se dentro dela.O sheik a puxou para mais perto e ela colocou a mão no peito dele para empurra-lo. Os poucos centímetros que separavam suas cabeças se deviam mais a diferença da altura.
Zayn percorreu com os olhos os lisos planos do rosto de Adriana e se deteve em sua úmida e carnuda boca.
_Venha, minha valentona, chegou o dia que você tanto esperava.As armas que esclho são seus lábios e os meus.Exija satisfações.
Revoltada com o fato de ele usar suas próprias palavras para atormenta-la e dela escarnecer, Adriana o empurrou com força.
_Prefiro beijar um sapo!Eu estava falando em mata-lo, seu machista arrogante!
_Conheço, bem a origem do seu desafio.Se você fosse um Homem , a coisa teria sido resolvida no momento em que aterrissou.Quando pusesse os pés no chão, eu quebraria o seu queixo caso não a matasse antes,Não sou um homem de que você possa zombar,que agredir e depois ir embora.Desafie-me se quiser, mas agüente as consequências. 
As palavras de Zayn calaram qualquer replica que Adriana teria sido capaz de formular.Ele passou a mão em seus cabelos e a beijou como se estivesse querendo devora-la.Ela não conseguia respirar.Não conseguia pensar.Fechando os olhos, concentrou-se unicamente naquela boca que explorava a dela.Era o que queria desde o momento em que o vira pela primeira vez.Aquele beijo, aquela fusão.Desistindo de empurra-lo, ergueu a mão para lhe envolver a cabeça.
Era impossível sentir tanta coisa ao mesmo tempo. A rígida resistência do peito dele,a cálida firmeza de suas coxas, o ardor de seus lábios nos dela, aquela mão forte a lhe segurar a nuca, seus dedos acariciando-lhe o seio.
Quandosuas bocas se separaram, Adriana abriu os olhos e viu nos dele o brilho ofuscante do desejo.Assustada, deixou escapar um tímido gemido.Mal tinha conseguido respirar quando ele a beijou novamente.
Desta vez,apossando-se do doce interior de sua boca,o qual ela não lhe teria entregado não fosse o desejo que vira brilhar nos olhos daquele homem.Tinha de lutar contra sua própria resistência.Não queria resistir.Era grande o perigo, muito maior do que ela suspeitava, pois notou depressa que seu corpo desejava entregar-se.Coisa que de modo algum podia deixar acontecer.
Recomeçou sua luta para afasta-lo,esforçando-se para recuperar o controle de si mesma.Desesperadamente, conseguiu libertar-se, desvia os lábios, fugir.
_Vamos parar! 
Zayn a impediu de recuar.Passou uma vez mais os dedos em seus cabelos dourados, depois tomou-lhe o rosto na palma da mão.Por sob a tenra superfície da cútis,sentiu o tremor da excitação.Adriana o queria, era evidente e palpável que o queria.
_Por quê?_perguntou.
Ela mal entendeu a pergunta.Não sabia como podia estar tão confusa simplesmente porque um homem a tocara.Preferiu agarrar-lhe o pulso e afastar sua mão.
_Porque..._respondeu hesitante_ eu não consigo pensar.
_Pensar?para quê?Você é mulher.Queria que eu a tocasse desde o primeiro momento.
Ela não teve como negar o óbvio.
_Pode ser.Mas não vou me entregar cegamente a uma relação física, ao sabor do momento.
_Que outra possibilidade existe?Qualquer outra coisa seria fria e calculada.tudo vem das emoções que estamos sentindo .Não negue
_É biológico._Adriana engoliu em seco, procurando as palavras._Não vou cair de joelhos só porque você esta exalando testosterona.
Zayn concluiu que ela tinha um modo estranhíssimo e nada feminino de dizer as coisas.Onde teria aprendido a falar assim?Ele não conseguia imaginar em que família fora criada para ter uma língua tão ferina. Ficou novamente irritado, Adriana não era a mulher que devia ser...a que seu lindo rosto e sua boca sensual e acolhedora diziam que era capaz de ser.Afrontado por suas audaciosas palavras, ele lhe segurou os ombros e a obrigou a girar e olhar-se no espelho.
_Veja. Você é uma mulher como qualquer outra.Tem seios.lindíssimos seios.Mas acaso os mostra?Não, esconde-os debaixo de uma camisa de homem.E usa calça que lhe tiram toda a graça quando caminha.Será que preciso desnuda-la para que veja o corpo que Deus lhe deu?Para que entenda qual é o seu sexo? 
_Você não tem o direito de me tratar assim.
_Tenho .Alá fez homem para domesticá-la.
_Não acredito no que estou ouvindo!
_Vai acreditar.
Ele passou os dedos sedutores em suas costas, girou-a e a abraçou.Aproximou novamente a boca da dela, capturou-lhe os lábios.ela se sentiu despedaçada.Era isso o que tinha visualizado ao pensar em lutar com ele?
Nos obscuros recessos da mente, sabia que sim.Nunca desejara um combate como os homens costumavam empreender, do qual um só saía vitorioso.Tratava-se, isto sim, da antiqüíssima luta entre macho e fêmea, uma luta diferente, primitiva, elementar.
Ele lhe segurou a cabeça e com a outra mão, acariciava-lhe os macios contornos do pescoço.Adriana o abraçou com força, abandonando-se à língua quente e úmida que a saboreava.E com os mamilos já endurecidos ao contato de sua mão, começou a perder o controle.
ZAyn ergueu a cabeça e olhou no fundo de seus olhos azuis.
_Diga que não quer, que prefere parar.
Ela desejou gritar e fugir.Algo mais forte, porém, pedia-lhe que se entregasse a cada beijo, a cada carícia, numa paixão igualmente sensual.Em resposta, apertou mais os dedos na nuca de Zayn e lhe tomou a boca novamente.
Outras coisas sucederam então.Urgências sobre as quais ela não tinha domínio.Queria-o, queria-o como nunca se permitira querer um homem.Jamais encontrara um capaz de despertar o lado sensual e emocional de sua natureza .O sheik Haaris tinha rompido todas as barreiras que a retinham.Ela não costumava ter acessos de raiva.Era conhecida como reservada , distante, até arrogante, mas sempre lúcidas e lógicas.
De súbito, seus pensamentos confusos começaram a estabelecer conexos insuspeitadas.O contato daquele homem não era uma ameaça.Eram as suas próprias e reprimidas necessidades que a ameaçavam.Ela precisava ter Zayn Haaris,não suportaria um momento mais sem possuí-lo.A raiva que surgira entre eles resultava do inferno de desejos que nela ardiam.Adriana o que queria. 
Bastara que aquele homem arranhasse a superfície de seu desejo para que ela explodisse.Não era moderada nem comum a paixão que fervia dentro dela.A mulher que acabava de sair da concha da sensualidade inesperada era adulta, suas paixões tinham ficado muito tempo ignoradas.Ele a compreendera.
Sem pensar, Adriana passou a mão em seu peito, desceu-a por sua barriga,e continuou descendo .Zayn lhe segurou o pulso.
_Calma_ disse._Temos todo tempo do mundo.
Ela o fitou ancisosa, faminta,voraz.Sorrindo satisfeito, ele acariciou o longo e fino arco de seu pescoço e começou a lhe desabotoar a blusa.Baixando a cabeça para lhe saborear o pescoço e a garganta , continuou descendo, antecipado o prazer de tomar na sua boca seu seio nu.
Uma batida os devolveu à realidade.Adriana olhou para a porta fechada.Zayn endireitou o corpo.
_Que é?
_Perdoe-me, meu sheik_ disse a voz submissa de Ali do outro lado._Chegou um mensageiro de Riad.
_Mande-o esperar.
Adriana ficou tensa.A interrupção tinha destruído o efêmero e delicado equilíbrio da paixão, fazendo com que ela se sentisse subtamente nua e exposta.Pior, teve vergonha de seu próprio atrevimento.
É urgente, meu sheik_ insistiu Ali._O mensageiro é sobrinho do rei.
Adriana teve certeza de que Zayn murmurou em árabe era um palavrão.
_Leve-o ao meu escritório.Vou já para lá.
_Sim, senhor. 
Com relutância, afastou-se dela, vestiu a roupa e pôs o turbante.depois, voltou-se sorrindo.
_Desculpe a interrupção.Os assuntos de Estado podem adiar mas não alterar o inevitável._Tomou-a nos braços e a beijou com tanta paixão, tanto ardor, que ela mal registrou suas últimas palavras._Alá conserve esse seu calor até que eu volte. 
Capítulo 7
Não fazia cinco minutos que Zayn tinha saído quando Adriana começou a percorrer o longo e tortuoso caminho do auto-exame .Que tinha feito?Precisava ir embora de Anaiza antes que o sheik retornasse! Como podia ter se apaixonado num piscar de olhos ?Ele incorporava todas as características físicas que em sua opinião, um homem devia ter, Alto bastante para que ela não se sentisse grande demais a seu lado e tinha uns olhos escuros e incrivelmente profundos e cálidos, que eram uma perdição.Mas aproximar-se por um príncipe do deserto era tão absurdo quanto saltar sem pára-quedas de um avião.Puro suicídio.
Que falta de sorte!Voar meio mundo e acabar posando numa zona de guerra e topar com o Príncipe encantado.Com quem mais aconteceria uma coisa dessas?e que fazer com um homem cuja idéia de cavalheirismo consistia em trancafiar uma mulher num palácio em pleno deserto?Nada absolutamente nada.
Adriana tinha uma carreira.Lutar muito para conquistar seu lugar nas Industrias Bennett.Jogaria fora todos os anos que tinha passado trabalhando dia e noite para alcançar os padrões de excelência que seu pai e seu irmão mais velho tinham estabelecido?A concorrência era dura na aeronáutica.Ela na desfrutava de nenhum privilégio na fábrica.Não, no mínimo, tinha de provar permanentemente a si mesma que era a melhor.Jogaria fora a educação só porque enfim encontrara um galã de quase um metro e noventa de altura, com um par de olhos que eram um sonho?
De modo nenhum.
E isso ficou ainda mais plausível quando ela se deteve para pensar de onde era aquele sheik.Impondo-se um brutal realismo,Adriana admitiu que Zayn Haji Haaris podia escolher a mulher que quisesse.Estava anos-luz acima de sua realidade americana de classe média.
Ela era de uma família com raízes firmemente plantadas nos subúrbios.Retirando-se o verniz, os Bennett não passavam de trabalhadores.Mecânicos, especialistas, sem dúvida,mas gente simples. 
Zayn Haaris era um príncipe.Moravanum palácio secular de mármore.Fora educado nos melhores colégios particulares.Sua árvore genealógica provavelmente remontava a Alexandre Magno.
Portanto,tinha sido uma insensatez deixar-se envolver.Determinada a não permitir que aquele comportamento impulsivo se repetisse, Adriana tomou uma decisão.Iria ao Kuweit na primeira oportunidade que se apresentasse, daria um jeito de encontrar o pai e o tio Jack e voltar pra casa.
A manhã trouxe algumas surpresas, entre elas , a descoberta de um jardim suspenso junto ao seu quarto.No alto do telhado, era deliciosamente particular, isolado de outros patamares da gigantesca mansão.Os largos toldos e os aglomerados de palmeiras ofereciam sombra e abrigo do calor da casa.
Adriana notou a intensa atividade nos pátios durante toda manhã.Ficou observando com curiosidade aquele ir e vir.Continuava confusa.Seu cérebro lhe pedia que voltasse correndo às verdes colinas de sua terra.Seu corpo ansiava por saber o resultado daquela súbita paixão.Ela estava com os ouvidos atentos ao ar, antecipando e temendo o retorno do helicóptero de Zayn.
Aquela convocação a Riad tinha sido uma benção, dera-lhe tempo para meditar.Tudo em Zayn Haaris exalava a experiência e sofisticação.Que sabia ela dos homens fascinantes e devastadoramente atraentes?Desde os doze anos não fazia nada senão estudar.Todos os homens que conheciam a tratavam como irmã mais nova ou como filha.ainda bem que sua mente dominava o corpo, pois ela não se acostumaria facilmente a ser tratada com uma mulher desejável e atraente.Num país estrangeiro, tudo era mais exótico e provocante, simplesmente por ser novo.mas ela não podia deixar que sua libido assomasse outra vez. 
No dia anterior, depois da partida de Zayn, tinha descoberto que não estava presa naquela suíte opulenta.
Tinha liberdade para passear e explorar a casa.Ali lhe serviria um solitário e tardio jantar.Não que ela se tivesse interessado pela comida.Tampouco estava com sono.Tinha dormido tanto, que a última coisa que desejava era voltar para cama.De modo que passou a noite vagando pela residência do sheik.Pouco a pouco, familiarizou-se com a disposição dos cômodos e o esquema de segurança.Constatou que não seria fácil sair de lá, os portões bem trancados eram custodiados por sentinelas armadas.O único ponto que lhe pareceu vulnerável foi a cozinha.
Antes, detivera-se admirando os veículos que o sheik tinha ali.Uma Ranger Rover nova,dois belos Mercedes, dois jipes simples muito usados.Tanto a casa quanto os automóveis estavam equipados com alarme.Fingindo ignorância, ela tocou propositadamente no capô de um dos Mercedes.O homem que estava polindo a Ranger Rover riu muito, imaginando seu susto, e entrou no carro para desligar a sirene.
Cumprida a missão,Adriana voltou para o jardim suspenso a fim de refletir sobre as possibilidades de fugir.Sabia de que carros dispunham do esquema de segurança e por qual saída teria uma boa chance de escapar.O velho jipe no pátio mais externo, atrás da cozinha, era a melhor opção.ela notara que o portão era antigo e raramente o fechavam.O jipe era usado com freqüência.Os empregados faziam com ele todas as diligências na aldeia próxima.Adriana reparou particularmente que as mulheres não deixavam o complexo sem a abba, uma espécie de véu que lhes cobria totalmente o corpo.Nenhuma saía sozinha.Um guarda armado de fuzil, que controlava o portão, tomava a direção do jipe tanto na entrada quanto na saída.Aquilo lhe bastou para ter certeza de que se encontrava na Arábia Saudita. 
Talvez tenha sido a revolta diante da situação das pobres mulheres envoltas nas sufocantes abbas que levou Adriana a desafiar os costumes locais e ir tomar banho de sol no jardim suspenso.Dispensando o sutiã, deitou-se apenas com um escandaloso fio dental.Tosta-se no glorioso sol do meio-dia lhe acalmou os nervos mais que qualquer outra coisa nas últimas doze horas.
Apenas um ocasional falcão piava no céu.O que lhe estragou o prazer da transgressão.Afinal queria perturbar o equilíbrio de um determinado piloto.Mas não teve oportunidade.O helicóptero não retornou durante sua permanência no jardim.
No começo da tarde, Adriana voltou para dentro.Embora não tivesse dificuldade para bronzear, não queria se expor demais e arriscar uma queimadura.
Ali revelou-se um homem prodigioso em recursos que uma americana perdida podia ter encontrado.Adriana praticamente não tinha o que vestir.Solícito, o árabe se ofereceu para mandar uma criada fazer compras elaborou uma longa lista.A jovem Maari prometeu adquirir o máximo de itens possível .Maliciosa, Adriana não poupo exigências, queria os mais curiosos tecidos e bordados, as melhores amostras da roupa local.Alegou que não podia voltar de um país estrangeiro sem levar prestes para a mãe, as duas irmãs e os dois irmãos mais velhos.Na verdade, sabia que com a roupa nativa chamaria menos atenção.
Restavam-lhe só mais um ou dois problemas cruciais a resolver.O primeiro e mais grave era oi dinheiro .Precisava de moeda saudita.O outro consistia em localiza a base do deserto.sabia que ficava ao norte de Anaiza na direção da fronteira iraquiana, no Summan.Ela precisava de um mapa.Ou seja , tinha de fazer uma excursão ao escritório do sheik. 
Havia muitas indicações de que ali existia todo equipamento imaginável, inclusive uma antena parabólica.
A tarde, a casa ficou totalmente fechada.Do jardim, Adriana viu os guardas recolheram-se na guaritas.Os jardineiros desapareceram.até mesmo os cães procuraram a sombra, fugindo do tórrido calor.Satisfeita porque agora era menos provável que se fosse pilhada, ela entrou depressa vestiu uma blusa simples, transparente, que Maari lhe trouxera do mercado , e enrolou na cintura uma saia também recém-comprada.tendo arregaçado as mangas, saiu à procura dos aposentos do sheik.Já conhecia a distribuição dos cômodos mais óbvios, mas não visitara a ala leste do complexo, pois havia topado com dois homens sinistros à porta.Mas agora não havia ninguém ali.
Ela compreendeu que estava no caminho certo ao encontrar num corredor escuro e formal, onde duas fileiras de cadeiras estofadas se estendiam sobre o intricadíssimo estampado do tapete persa.As enormes portas laterais estavam bem fechadas.Adriana atravessou a sala aproximando-se de uma das portas interiores.Foi quando ouviu o rosnar de um cão enorme e de maus bofes.
_Quieto, Quasyr_ ordenou uma voz lá dentro.
Adriana arregalou os olhos para o cachorro, uma horrorosa fera peluda.
_Pois não_ dissea mesma voz.
O inglês bem falado a surpreendeu.Ela se voltou deu com um rapaz alto, trajando uma longa roupa branca.
_Oh, hã...Oi!_disse, mostrando os mais lindo dos sorrisos.
O adolescente fez um gesto , e o enorme animal se deitou a seus pés.
_pode entrar, srta.Bennett.
_Você sabe quem sou?_Adriana esticou o pescoço, interessada num grande mapa em relevo na parede atrás do moço.O que mais a intrigava naquele momento, porém, era o fato de ele saber o seu nome._Acho que ainda não fomos apresentados,fomos?
_Ah. Bem , estou fazendo minhas explorações,sabe?
Ali disse que eu podia ficar à vontade e fazer o que quisesse.Posso entrar?O cachorro não morde? 
Por trás dos óculos de aro preto como seus olhos, o rapaz a examinou com interesse de um estudante de biologia diante de uma espécime alfinetado num quadro
Adriana achou aquela atitude um tanto familiar.Com recato, puxou a blusa e alisou a prega da saia um tanto curta para o seu talhe.
Caramba ele é um bebê, disse Adriana consigo.Um bebê predador, acrescentou ao notar que depois de medida dos pés a cabeça, o adolescente se fixou em seus seios quase totalmente visível através da blusa transparente.
Olhe quanto quiser, pensou.E tratou de entrar na sala enorme antes que ele mudasse de idéia e lhe negasse o acesso.Intencionalmente, puxou a dobra da saia no lugar em que se fechava, acima dos joelhos.Precisava de informação, e todos os meios eram válidos para obtê-la.
Aquilo, sem dúvida, era um escritório .Dava para uma sala de reuniões e várias outras menores.Numa escrivaninha baixahavia um computador, e na bancada junto à qual se encontrava o rapaz, um telefone preto, ou melhor , um aparelho de fax.
Quadir Haaris estava atônito diante daquela mulher.Seus cabelos soltos eram da cor do trigo maduro e lhe chegavam a cintura.A blusa finamente bordada estava fora da saia azul como seus olhos.E o decote expunha uma pele dourada e lisa entre os belíssimos seios.O problema era que aquela blusa de algodão transparente era uma roupa de baixo.Ele engoliu em seco.Tinha ouvido boatos sobre a mulher que seu irmão mais velho trouxera, mas não esperava vê-la.Zayn era capaz de arranca os olhos se soubesse.
_Acho melhor me apresentar_ disse ela,aproximando-se do rapaz com um sorriso sedutor.Tinham a mesma altura, mas ele como o filhote de cachorro estava crescendo._Eu me chamo Adriana .
_Não há necessidade_ disse Quadir, evitando apertar a mão que ela lhe estendeu, formalidade que por sinal mal interpretada_Sei quem você é, srta.Bennett.
Insistentemente, ela não o conheço.
O rapaz não teve remédio senão lhe tomar a mão. 
_Sou Quadir al Aharis, irmão caçula do sheik AHaris.
_Confesso que estou encantada.Zayn não me contou que havia outros como el escondidos entre essas paredes.E esta fera como se chama?
_Quasyr.significa César.
_César!Belo nome, combina com ele.E eu pensando que estivesse sozinha neste palácio enorme.O sr.Ali o que pode para me entreter, mas estou morrendo de tédio.Vocês tem uma biblioteca?Será que encontro uma revista ou um romance numa dessas estantes?
Preciso fazer alguma coisa.Com passos displicentes, foi entrando na sala contígua, atenta ao equipamento eletrônico._Isso é um computador?Meu pai tem um igual.
O rapaz e o enorme cão a seguiram.Quadir disse alguma coisa, mas Adriana mal ouviu.Estava tentando guardar na memória tudo quanto via.Um teclado no canto,um computador IBM com modem, impressora a laser, uma máquina de xerox, enfim, todas as quinquilharias eletrônicas conhecidas.Um pequeno televisor a cores estava sintonizado na CNN.Com modos frívolos, Adriana debruçou sobre um dos muitos teclados de computador.
_Puxa1 isto é árabe?Eu na~sabia que existiam tais coisas.Acho que fabricam computadores para todo os países agora, não?_A gargalhada fútil que ela se permiti teria escandalizado seus irmãos.parou diante de uma estante repletas de livros._Caramba, alguém aqui deve gostar de ler!É impressionante , não?Eu não leio muito mas..._suspirou_ acho que vou enlouquecer de tanto esperar Zayn.Estou tão sozinha que sou capaz de enfrentar um livro.
Demorou bastante para encontrar um que conseguisse ler.Era o volume de O homem e seus Símbolos, de Carl Jung.O rapaz finalmente adiantou, passou por ela e se deteve diante de uma prateleira, de onde tirou outro livro.
_Talvez este sirva. 
E lhe ofereceu um exemplar de O Dia do Julgamento, de Higgins.
_Oh, grosso, não?_Adriana imprimiu um som de decepção na voz._Você não tem nada de Jude Devereaux?_Examinou a capa antes de se voltar para a outra parede , onde , acima das bancadas de aparelhos de comunicação, achavam-se os mapas._Você não tem nada do Rolling Stones, tem?
_Rolling Stones?_A voz de Quadir subiu uma oitava.Estava com as mão suadas.O perfume daquela mulher o envolvia como o jasmim em flor, doce , tóxico e tentador._Devo ter um ou dois discos em meu quarto.
_eu sabia!_riu-se Adriana novamente._você parece mesmo gostar de rock.Aposto que dança bem, não dança?
O garoto ficou vermelho.Adriana sentiu vergonha do que estava fazendo.Mas guerra era guerra.lembrou.
_Pode ir buscar pra mim?Eu agradeceria muito.
Como que flutuando,Quadir olhou para a escrivaninha vazia de zayn, estava com medo de deixa-la sozinha no escritório.Mas lembrou-se do cão.
_Quasyr terá de ficar com você.
_Oh, o cachorrinho?_Adriana se voltou para o monstro , que assim como o dono, a mediu dos pés a cabeça.Ajoelhou-se e lhe ofereceu o rosto.O animal lambeu o queixo._Nós vamos nos dar muito bem, não mesmo Quasyr?
_Eu já volto.Por favor não mexa em nada.
_Nem pensar_ assegurou Adriana com um sorriso angelical.
O rapaz respirou fundo e saiu rapidamente.Depois de fechar as portas sacudiu a cabeça e riu como um garotinho enamorado.Decidindo que se, Zayn não quisesse ficar com a mulher, ele ficaria, correu para escada. 
Adriana foi para o computador assim que a porta fechou. Tinha várias opções.O fax , o telefone ou o correio eletrônico via computador.A tela do monitor as cores mostrava um familiar home page da Internet...já estava sitonizado na rede mundial.Era o que ela precisava para entrar em contato com a família!Ajoelhou-se diante da mesa baixa ao mesmo tempo em que apertava o comando.
A seguir, digitou o endereço do email, buscando comunicar-se diretamente com o computador de seu irmão Tommy, na fábrica.Consultando o relógio, viu que eram cinco horas da manhã no Texas.Cruzou os dedos ao colocar o fone no modem.A julgar pelos hábitos de trabalho de Tommy era bem possível que estivesse perto do computador,às voltas com alguma peça de motor.cheia de esperança, ficou olhando para a tela azul que fazia a leitura da mensagem.
A resposta de Tommy chegou depressa.
Adriana, onde você está?
Aliviada, ele se precipitou sobre o teclado.
NA Arábia Saudita.
Como foi para aí?Papai está em algum lugar do Kuweit.Não se sabe quando sairá.bombardeios.Lutas esporádicas no aeroporto.Embaixada?EUA mandou todos cidadãos evacuarem via Jordânia.Volte já, é uma ordem.
Não posso. Onde estão papai e o Vixen Um?
Papai baleado na perna direita, Jack no hangar. sem comunicação.Pata choca abastecida,Vixen Um avariado.Embaixada?EUA diz que há comida H2O, medicamento. Kuweit sob lei marcial. Dê seus quadrantes... endereço do email?
Não sei os quadrantes. V2 ok. Diga a mamãe que não corro perigo e volto com papai e Jack assim que possível.Tempo esgotado.Beijo .AJB. 
Adriana desfez a ligação e restaurou a tela.a seguir, foi até e escrivaninha grande e ebriu a gaveta central.Como imaginava, encontrou notas presas com clipes.Hesitou um ou dois segundos, tamborilando os dedos no tampo, pois não era ladra.Mas não podia ir a parte alguma sem dinheiro.
Uma vez tomada a decisão, apanhou as moedas de pratas maiores, rogando que não fossem mais valiosas que os centavos de dólar.Depois , por via das dúvidas, apossou-se de duas notas.
Pouco depois a porta se abriu.Meio sem fôlego, Quadir entrou com um jornal na mão.
_É de alguns meses atrás.¬_Tivera a precaução de embrulhar o disco.
Adriana o fitou com ternura.
_Oh, você é tão gentil.Não vou tomar mais seu tempo.
_Você entrou na ala dos homens.Por favor , deixe-me acompanha-la até o harém.
A palavra harém lhe provocou um choque.Ela mordeu a língua para refrear o impulso de lhe dar uma resposta que, certamente, acabaria estragando tudo.Harém!Ora, aquele porco chauvinista asqueroso!
Só a razão a conteve.Não valia a pena desencadear uma guerra contra o garoto inocente que lhe oferecia o braço.
_Oh, você é tão gentil._Pousou delicadamente a mão no braço e atravessou com ele o escritório.Ia reparando em tudo.O patife tem televisão!A CNN Noticiário do mundo inteiro a cada hora!Harém! Você não perde por esperar,Zayn Haaris!Voltou-se para Quadir._Espero não ter lhe causado nenhum problema.
_Claro que não_ respondeu educadamente o jovem._Meu irmão não vai demorar.É um prazer poder oferecer alguma coisa enquanto espera.
_Você é um amor!Tão doce e solícito. trabalha para o sheik Zayn?
_Sou estudante .Meus irmãos me deixam ajudar às vezes.
_Quer dizer que seus outros irmãos estão aqui?
Quadir limpou a garganta subtamente bloqueada. Será que aquela mulher imaginava o efeito que tinha sobre ele?Seu coração batia como se ele acabasse de fazer um violento esforço físico. 
_Não, aqui não.Meus irmãos estão em Hafaro.
_Onde fica?
_No Summan...o deserto.
_Cuidado dos negócios da família, hem?_sorriu Adriana
Ao sair da ala leste, viram-se uma vez mais na ampla escadaria que dava nos aposentos dela.Sem se atrever ir mais além,Quadir parou no espaço saguão.
_Obrigada.Você é um anjo._Deu lhe um delicado beliscão na bochecha._Tãogentil.Apsto que, quando for adulto,vai se parecer muito Zayn.
Ele corou.Adriana teve que se esforçar para não explodir numa gargalhada.Sempre representado seu papel, foi lepidamente para a escada.Ao subir o primeiro degrau, ergueu a saia, apara que ele visse suas pernas bronzeadas, e acenou.
_Tchau!Até a hora do jantar, Quadir.
No harém , Adriana se pôs a praguejar.Bandido! Que coragem a daquele idiota!Colocá-la num harém!
Depois sentou-se à mesa e se pôs a desenhar de memória os mapas que tinha visto.Uma vez mais, estava satisfeitíssima com seu perfeito senso de orientação e sua inteligência.
Buraida era a cidade mais próxima, ao norte de Anaiza.
A capital Riad, ficava a sudeste e , a nordeste, a zona neutra entre o Iraque , O Kuweit e a Arábia Saudita.A distância em quilômetros da capital e das fronteiras ela só podia estimar.O único fato seguro era que voara menos de cento e cinqüenta quilômetros entre a fronteira e a base militar, que não constava nos mapas .Seria a tal Hafaro que o rapazinho tinha mencionado?
Agora, Adriana precisava imaginar como voltar para lá.Olhando pensativa para seu tosco mapa, ficou a torcer uma longa mecha de cabelo com o dedo.
Simplesmente não havia como sair do reduto do sheik vestida como estava.Ali tivera a esperteza de não lhe providenciar a peça ,ais necessária, uma abba.mesmo que ela conseguisse uma , não deixaria de chamar a atenção:era muito alta, muito loura, muito branca, por bronzeada que tivesse. 
Com o queixo na mão, ficou olhando para o intrincado entalho das venezianas.Atrás delas ficavam as vidraças e o jardim suspenso, onde se via os pátios. Ela precisava de um disfarce.E tinha de ser muito bom para enganar a todos, para despertar o interesse dos sauditas como fizera com o rapaz.
O rapaz ! O garoto imberbe, de cara lisa!Adriana largou a caneta e correu para o canto mais distante do jardim, de onde podia avistar o pátio da cozinha e muitos varais com a roupa lavada secando ao sol.
O garoto!
Desceu a escada externa e correndo atravessou os pátios.O exercício a afetou depressa, fazendo-a transpirar muito.O sol cozinhava tudo àquela hora do dia.
Na garagem, um homem estava roncando junto à parede.Adriana passou por ele na ponta dos pés, entrou no pátio da cozinha e se curvou a para passar sob os varais.
Encolheu acalca, uma pesada túnica de algodão e uma daquelas vestes largas, como a de um cantor de coral que todos os árabes pareciam usar.Podia ter apanhado também um turbante, o problema era que todos se pareciam com os panos de prato de sua mãe.O que podia significar que cada clã ou tribo tinha um estampado diferente.O melhor era que não se identificasse com nenhuma família específica.escolheu um branco, liso, que para ela, podia muito bem ser uma toalha de mesa ou um guardanapo.Voltou para a suíte com a mesma pressa.
Estava molhada de suor.Depois de esconder o botim. Despiu-se e foi tomar um demorado banho.
Mergulhada na perfumada água, ficou pensando nos homens que trabalhavam nos jardins do palácio.Usavam os retorcidos e enrolados no crânio.Ora , havia muitas maneiras de disfarçar os cabelos claros.E ela do generoso carrinho de chá de Ali e enche-las.Precisava estar preparada, pronta para partir a qualquer momento.
Uma vez definido o plano de ação, era preciso tirar uma soneca.Coisa que Adriana tratou de fazer imediatamente. 
Capítulo 8
Adriana devia estar mais cansada do que imaginava, pois adormeceu logo.Bocejou, espreguiçou-se, puxou os cabelos de sob o ombro, aninhou-se confortavelmente nos travesseiros e suspirou.Depois, tateou em busca do interruptor do abajur, mas não o encontrou, devia ter escorregado.Franzindo a testa, procurou a coberta.
_Não se cubra, por favor.
Ela abriu os olhos.O sheik! Zayn tinha voltado.
Adriana se sentou na cama.
_Que está fazendo aqui?
O sheik respondeu com um sorriso malicioso, que a atingiu diretamente no coração.
_Perguntei o que está fazendo aqui_ ela insistiu.Alegrando os meu olhos.
Adriana puxou para baixo a curta camisola de seda.Será que aquele sujeito tinha o instinto de surpreendê-la seminua?
_Você precisa dar um jeito nessa sua compulsão a invadir minha privacidade._protestou ela, tentando cobrir-se.
Zayn segurou o lençol.
_Não faça isso.
Adriana pôde evitar olhar para aquele peito nu.
_Que quer aqui?
_Recomeçar de onde paramos.
_Nós não estávamos na cama!
_Não?Mas estávamos muito longe.
Ele se mostrava tão calmo e confiante, que Adriana teve vontade de agredi-lo.
_Está redondamente enganado, seu bruto.Mudei de idéia.Você e eu nada temos a compartilhar.É melhor que na misturemos.Você é... hã....árabe, e eu sou americana 
Zayn enrugou a testa.Não era a recepção que esperava.Passara as últimas vintee quatro horas às voltas com o desejo que tinha por aquela mulher.O que estava sentindo naquele momento tampouco o agradava.Dormindo, ela era incrivelmente sensual, parecia uma gata a ronronar e acordava feito uma tigresa.Ele tentou lhe segurar a mão mas Adriana a afastou como que com nojo.
_Não me toque!
_queria que você me recebesse com um beijo.
_No dia de São Nunca!_retrucou ela, saltando da cama.
Zayn se sentou abrutamente.
Adriana se arrependeu, não queria ter sido grossa.
Apenas reagira ao choque de despertar com um homem seminu ao seu lado, a observa-la .
_Olhe, desculpe-me. Acabo de acordar>Você me assustou.Com os diabos, não pode assediar assim uma mulher que mal conhece.
_Você me conhece_ corrigiu ele._Sabe tudo que precisa saber a meu respeito.
_Pelo contrário, não sei nada. Só sei que você afirmou ser filho do sheik Wali Haaris.Mas não me ofereceu provas
_Caramba, como você espero que não seja assim também pela manhã. _Zayn achou que gracejando daquele modo conseguiria afastar suas suspeitas._Você sabe muito bem que eu lhe disse a verdade.Sou filho do sheik Wali Haaris.
_Está bem, não vou discutir . Mas uma coisa nós precisamos pôr em pratos limpos.
Relaxando novamente , Zayn passou o olhar por seus cabelos longos e desalinhados.Como eram bonitos!Grossos e magnificamente louros, com tons dourados e mechas acastanhadas, tirantes a mel.Sentiu vontade de toca-los.
_Que coisas minha gata selvagem?
_Bem..._Adriana vacilou.O olhar lascivo daquele homem a penetrava.A sombra de um sorriso em seus lábios prometia infinitos prazeres.Baixando a vista, ela iniciou seu bem preparado discurso, desejando, no fundo, ter coragem de atirar-se em seus braços e beija-lo._Acho importante que...bem, o que aconteceu ontem...foi...foi um acidente.Estou muito estressada, sabe?Não podemos começar um relacionamento sem futuro.Não gosto de aventuras passageiras.Eu não saberia lidar com isso.
O sheik ficou sério. 
_Que está dizendo,Adriana?”Afaste-se camarada” como gritou aos pilotos que invadiram seu espaço aéreo?
_Você esteve escutando o tempo todo, não?
_Segundo a minha experiência, uma mulher espera uma oferta antes de dizer não.
_Ora tenha paciência!_disse Adriana com um sorriso sarcástico._Você não acha já estou querendo quando se mete seminu na cama de uma mulher?
_Quando eu saí, você parecia estar gostando de ser abraçada e beijada.
_Este é o problema.Fomos longe demais_ retrucou Adriana._Por sorte, tive tempo de controlar meus hormônios.
Zayn ficou ainda mais sério.As contraditórias mensagens de Adriana o desorientavam.Tinha vontade de sacudi-la.sabia que nenhuma de suas palavras era verdadeira.
_É tão difícil entender?_perguntou ela.
_Claro que é.Como vou entender um absurdo?Que foi que mudou?Você etsá tentando me ofender.Mas eu sei que está contente porque voltei.Vai me dar as boas vindas ou não?
O bom senso a aconselhava a não cometer tal loucura.O desejo, no entanto, protestava com veemência em seu coração.Zayn a tomou nos braços.
_Não há mais ninguém aqui que lhe dê as boas vindas?
O sheik fitou nela um olhar penetrante.
_Eu estaria aqui se houvesse?
_Não sei._Adriana sentiu o rubor na face._É o que estou tentando lhe dizer.Não sei nada a seu respeito só que é um homem muito atraente.
_Sabe tudo que precisa saber, sabe o que está sentindo agora,bem aqui._Pousou a mão no coração dela._O que importa está aqui.O que você sente.Agora beije-me, stra.Bennett.Estou morrendo por um beijo seu.
Adriana se colocou de joelhos e lhe deu um beijo no rosto.
¬Seja bem-vindo.
Zayn lhe ergueu o queixo com o dedo.
_Assim não.Beije-me. 
Ela sentiu um frio no estômago.Estava perdendo a parada , e a perderia definitivamente se continuasse fitando aqueles olhos enigmáticos.Como eram negros e lindos, como a atraíam!Endireitando o corpo,sentou-se e , hesitante, colocou as mãos em seus ombros, largos.
_Vai se dar por satisfeito com um beijo?_Ele ergueu as sobrancelhas._Não devia beija-lo.Você esteve fora inteirando-se do que se passa no mundo.E eu fiquei aqui tancafiada, presa.
_Sim, estou vendo as marcas das algemas em seus pulsos.
_Precisa levar em conta que estou muito nervosa.Não quero ser tratada como uma pessoa só capaz de pensar na hora que você vai chegar.Estive muito ocupada.
_Esteve?_Zayn inclinou a cabeça, aproximando ainda mais os lábios dos dela.
_Sim, e isto é um protesto.Portanto,o beijo que está pedindo será tomado a força.
_UM mero beijo a assusta?
_Talvez._Ela umedeceu os lábios e olhou para a boca perfeita de Zayn.Lentamente aproximou o rosto do dele, tomou-lhe o lóbulo da orelha entre os dentes e o mordeu._Quero sair daqui\-rosnou.
O sheik lhe envolveu a cintura, trazendo-a para junto de si.Depois rolou com ela na cama, prendendo-a, dominando-a.
_Por acaso isto é um beijo, srta.Bennett?
_Não, não é.
_Inshallah.Sou obrigado a ensinar-lhe.É um novo desafio, que aceito de bom grado.
_Não se atreva a me beijar!_disse Adriana, contorcendo-se, tentando sair debaixo dele.
Rindo-se, Zayn obrigou-a a esticar os braços, prendendo-lhe os pulsos no colchão, acima de sua cabeça, onde os podia segurar facilmente com uma só mão. 
_Eu só estava querendo o contato dos seus lábios, Adriana.Já que você recusa, tenho de buscar o prazer em outro lugar.
Baixou lentamente a cabeça, roçando os lábios na pele sensível de sua garganta , traçou uma linha ardente até o caminho entre os seios.
_Pare!_gritou ela, sentindo um súbito medo.Medo do tremor que lhe invadia o corpo, da estranha contração no ventre._Está bem, eu lhe dou o beijo.
Ele ergueu a cabeça.O desejo manifesto no fundo de seus olhos negros fez aumentar a anciã dentro dela.
_Quer dizer que agora ficou com vontade de me beijar?
Incapaz de uma resposta, Adriana fez que sim .
_Neste caso, será um prazer satisfaze-la._Sorrindo,Zayn lhe soltou as mãos e mergulhou os dedos em seus cabelos.Ela entreabriu os lábios._Não sei...acho que você não quer.
Adriana lhe segurou a nuca, puxando-o
_Se você não me beijar , eu grito!
_Não imagina quanto quero ouvir os seus gritos_ disse ele.E sempre sorrindo, apenas roçou os lábios nos dela, depois recuou.Adorava aquela boca bem desenhada, carnuda, que parecia sempre prestes a sorrir.Ou a beijar.
Era demais. Adriana o segurou com mais força lhe deu um beijo suave e exitante, verdadeiramente de boas-vindas. Zayn, por seu lado, controlou o impulso de obter tudo de uma vez.Acariciando-lhe o cabelo, disse:
_Valeu a pena ter voltado a Anaiza.
Ela ficou séria, sem adivinhar o que e lê pretendia sem conhecer seus próprios limites.Não conseguia decifrar o brilho divertido no fundo dos olhos dele.Por decidida que estivesse a mantê-lo a distância, aquele homem a fascinava.
_Você gosta de dançar , sheik Haaris? 
Rindo ,Zayn a puxou para cima, de modo que ficassem ambos sentados, um diante do outro, mas não muito próximos.
_Dancei muito na Europa.
_Eu sabia.
Ele a mirou com desconfiança. Adriana sentiu vontade de gritar de frustração.Zayn a sentir-se uma adolescente.Por que ela estava combatendo a atração que sentia?
Não tinha motivo algum.Olhou para ele, para seu pescoço forte, para aquele peito largo, musculoso sombreado de pêlos pretos.Depois, tornou a examinar sua boca.Queria beija-lo mais, muito mais.
_Você é um demônio_ disse ao mesmo tempo em que se inclinava, diminuindo a distância. Beijou-o de leve primeiro, passando a língua em seu lábio superior.Ele a tomou pela cintura e a atraiu ao colar de sua pele.Só o fino tecido da camisola os separava.Adriana deixou escapar um sorriso de prazer ao moldar o corpo nos firmes contornos do dele.
Estou perdida, pensou ao se sentir sugada por seu beijo. Era delicioso, irresistível.E se entregou por completo quanto ele a comprimiu no duro e pronunciado volume de sua excitação.Afastando os lábios dos dela,Zayn respirou fundo.Tomou-a pelas nádegas com ambas as mãos, e a puxou firmemente para junto de sua masculinidade.Era deliciosa tortura, a mais refinada que ela tinha experimentado.
Um arrepio subi pela espinha.
_Seja bem-vindo._ disse em voz baixa, um pouco assustada coma intensidade do que estava sentindo.
Zayn lhe beijou o pescoço e os ombros, afastando a fina alça da camisola. 
Um arrepio a percorreu sob a pressão de seus quadris.
Ele continuou explorando-lhe o colo com a língua, contornou-lhe o seio, sugou-lhe um mamilo, depois o outro.
_Valeu a pena voltar a Anaiza_ sussurrou.
Então , segurando-a pela cintura, afastou-a e lhe tomou ambas as mãos.
_Como passou o dia?
Adriana hesitou, compreendendo que ele não pretendia seduzi-la..
_Fã...bem .Foi um dia muito interessante.
_Achou um livro para ler?
Ela examinou o brilho qrrogante daqueles olhos negros e compreendeu que o sheik estava dizendo que sabia exatamente o que ela tinha feito.
_Um só.
_E também mandou comprar roupas no mercado.
_Precisava repôs a que um certo brutamontes rasgou.
_E que vai fazer com quatro pares idêntico de sandálias?
_Três são para minha mãe e minhas irmãs e um para mim.
Ele simulou uma careta de horror.
_Existem mais duas como você?
_Nem tanto . somos diferentes.
_Não .Sou a única loura.
_Então você é uma jóia mais rara do que eu imaginava.Vai descer para jantar com meus irmãos e comigo?
_OH! Eu posso?Não estarei violando alguma tradição machista?
Zayn sorriu. 
_Não há violação alguma em jantar com a família de seu anfitrião.Além disso, você mesma já se convidou.
_É... acho que sim.Será um prazer jantar com você.Zayn disse alguma coisa em árabe, que Adriana não compreendeu.Levantou-se, pegou a camisa, que estava jogada na cadeira, e a vestiu.
_Venha me ajude a abotoa-la.
_Não_ respondeu Adriana.Além disso não recebo ordens.
Zayn ficou onde estava, esperando>de repente, começou a rir e disse:
_Precisa me ensinar a palavra mágica, lalla.
_Que tal por favor?_sorriu ela triunfante.
_Está bem.Por favor, lalla, abotoe minha camisa.Meus dedos ficam entorpecidos na sua presença.
_Mentiroso._Adriana saltou da cama, aproximando-se e começou a lhe abotoar a camisa._A propósito, que significa lalla?
_Dama_ respondeu em voz baixa.
Adriana ergueu o olhar.Estava sentindo o leve aroma de sua loção de barba e mal pôde resistir à tentação de lhe acariciar o peito viril.
_Você é quase irresistível.
_Quase?_disse ele com desdém, afastando-se._Até o jantar será servido dentro de vinte minutos.Ali vai lhe mostrar o caminho.
_Eu já conheço o caminho.
_Ótimo até o jantar, srta.Bennett.
Com elegância marcial, ele bateu os calcanhares, curvou-se e beijou-lhe a mão e saiu. 
Quadir não se separava do fiel mastim irlandês, presente de sua professora favorita em Harrow.Durante o jantar, o rapaz se divertiu jogando-lhe pedaços de carne, que o enorme cão apanhava no ar e engolia de uma vez.
Outro irmão de Zayn encontrava-se à mesa.Chamava-se Issaam e tinha quase a mesma idade que Adriana.
Como todos sabiam que ela viera dos Estados Unidos pilotando um dos Vixen, Issaam fez muitas perguntas sobre o avião.Seu interesse se concentrava nos detalhes específicos ao Vixen Um, que o pai dela trouxera.Uma vez esgotado o assunto, ele quis saber dos outros dezoitos aparelhos encomendados pelo velho sheik.
_Parece-me que a encomenda foi cancelada em comum acordo_ disse Adriana, endereçando a Zayn um olhar significativo.
O sheik a fitou demoradamente.Na verdade, não tirava os olhos dela.Adriana imaginou que fosse por causa doseu vestido tomara-que-caia , o qual era pouco mais que uma peça mínima de seda preta que se estendia de uma a outra axila. indecorosa.Muito justo até os quadris, abria-se numa míni-saia absolutamente indecorosa.Com meias de seda e elegantes saltos altos, ela estava um “escândalo”, como dizia seu pai.
Zayn era polido demais para fazer um comentário sobre sua indumentária.Seus irmão se limitavam a babar no guardanapo.
Outro pedaço de cordeiro foi para na boca do cachorro.
Issaam rosnou alguma coisa, em árabe, que fez o garoto ruborizar.Ele é mesmo uma gracinha, pensou Adriana do mais jovem dos irmãos. 
_Você pilota?
_Não_respondeu Quadir._eles não me deixam.
_Há restrições quanto a idade para que se possa tomar aulas de vôo?
_Não -disse Issaam.Era o que mais falava à mesa .Calado e pensativo à mesa, Zayn só os observava.
_Mas acreditamos no princípio de que dar muito, cedo demais, acaba arruinando o homem.
_Ainda bem que isso não se aplica às mulheres.Tirei meu primeiro brevê ainda no ginásio aos dezoito anos, já pilotava aviões comercias.Foi assim que paguei, eu mesma, a universidade.
_No ginásio?_exclamou Quadir, olhando para o irmão mais velho_ Eu vou para a faculdade no ano que vem.
_Mesmo assim ainda não vai começar a pilotar.informou Zayn.
_Por quê?_intrometeu-se Adriana, mesmo sabendo que não devia.Era uma criancice dela, mas adorava desafiar Zayn Haaris. Saber voar é muto útil, principalmente no deserto, onde as distâncias são tão grandes.
Seu pai deve concordar comigo, não teria encomendado vinte aviões a minha empresa.
A estranha suposição fez Issaam engasgar. Quadir ficou olhando boquiaberto para ela..Adriana se perguntou se não tinha transgredido algum tabu tribal ao contrario o mais velho.
_Fale-me do trabalho de seu pai.Quantos aviões as Indústrias Bennett produzem por ano?
_Oh, depende.Alguns modelos são muito detalhados.
Os protótipos como o Vixem demoraram três ou quatro meses para ficar prontos.As adaptações dos Cub ou dos Cessna não passam de uma semana.
_Por quê o Vixen exige tanto tempo?
Adriana parou para pensar. 
_Bem, uma vez terminado o design, a montagem avançou.Acho que levou mais tempo foi a instalação dos computadores.O primeiro protótipo deu bode.
_Bode?_perguntou Issaam.
_Sim, bode, grilo, problemas a resolver.
_Isso não me surpreende_ disse Issaam._É porque vocês têm mulheres trabalhando na fábrica.
A distração das mulheres deve causar muitos erros e problemas.
_Desculpe_ corrigiu Adriana_ , os problemas nada têm a ver com o sexo, são coisas de computador.
_Elas são cobras em programas, Issaam_ disse Quadir.
_As estatísticas provam que as mulheres tendem a sofrer menos acidentes de trabalho que os homens_ Acrescentou Adriana
_as mulheres devem ficar em casa, com os filhos_ declarou Issaam.
_Seria muito chato_ retrucou Adriana.
_Não preferiria estar em casa agora, srta.Bennett?
_Ora, claro que sim.Mas se estivesse lá, não teria o prazer de conhecer três cavalheiros tão charmosos.
_É mesmo?_insistiu o rapaz._Não lhe importa ter arriscado a vida?
_não, você se engana.Voar é menos perigosos que viajar de automóvel, e todos dirigem em meu país.Eu gosto de voar.Sempre gostei, e tenho a sorte de fazer o que quero.
_Não esta certo_ Contrapôs Issaam_ Se as mulheres americanas ficassem em casa com os filhos, a criminalidade no Estados Unidos diminuiria muito.
_É a simplificação grosseira de um problema social complexo_ argumentou ela._A pobreza é a principal causa da criminalidade.Mas vocês não sabem nada disso.
Não é verdade que todos, no Kuweit, nascem com a garantia de uma renda mensal da ordem de cinco mil dólares?Ou só os homens?
Zayn pigarreou.
_É uma discussão improdutiva, sobretudo se levarmos em conta o que aconteceu no Kuweit esta semana.E é impossível que uma nação pequena e insignificante como o Kuweit influencie a mentalidade americana. 
._Olhou para o irmão._Issaam, você tem hoje uma excelente oportunidade para saber, de primeira mão, por que uma jovem americana trocou o casamento por uma carreira.Evidentemente, com seus atributos, a srta.Bennett podia ter escolhido o marido que quisesse.mas optou por uma carreira difícil e rigorosa.Eu mesmo tenho curiosidade de saber por que você não se casou.
_Nenhum homem interessante me pediu em casamento_ riu-se Adriana
_Duvido_disse Quadir._Você é tão bonita, centenas de homens devem ter pedido a sua mão.
_Não, não foi o que aconteceu, e você, garoto charmoso, ainda vai devastar muitos corações._Adriana sorriu para o rapaz._Nada tenho de bonita.Na verdade sou muito comum.Na sua idade eu era alta e magra feito um bambu.Só servia para jogar basquete e limpar o chão da loja do meu pai.
_Mas você é linda! E não é magra.
_Você não me entendeu.Eu aprendi a me valorizar por meu desempenho, não por minha aparência.Sou sempre a mesma pessoa, seja trabalhando com um computador, restaurando um motor ou resolvendo matematicamente um complexo problema de design.Uma boa educação proporciona isso.
-O que nos traz aos computadores_ Quadir passou subitamente a falar em árabe_ Eu disse que ela era inteligente o bastante para conhecer computadores.Foi assim que bloqueou os sistemas do avião.É uma senha.Claro , tentar descobri-la ao acaso vai demorar muito, a menos que um de nós consiga convence-la a nos revelar a palvra.tente ajudar, Issaam.
Adriana sorriu intrigada.a mudança para o árabe fora tão brusca e intencional, que ela chegou a se perguntar seriamente se três irmãos a consideravam tola.Quadir parecia tão beligerante.Issaam o mirava com enfado. 
Ela olhou para o homem calado, com a mão no queixo, que se limitava a ouvi-los.Resolveu testar uma teoria.
_Sabe?Sempre achei importante que cada família tivesse ao menos um hacker.Vocês têm a sorte de contar com dois,Zayn, mas vão precisar de uns vinte para decifrar minha senha.mesmo assim, não conseguirão fazer o Vixen 2000-2 voar.Eel não obedece a um comando forçado.
Os três se voltaram pra ela.bingo! Zayn se inclinou em sua direção com a sombra de um sorriso nos belos lábios.
_Estou satisfeitíssimo com as respostas que obtive até agora_ disse ._ E tenho certeza de que minha satisfação teimosa e voluntariosa do Vixen.
Não estava falando do jato, e seus irmãos eram inteligentes o bastante para perceber.Adriana ficou com o sorriso fixado nos lábios.a indireta a atingiu em cheio.
Fingindo um pequeno bocejo, ela colocou o guardanapo na mesa.
_Foi adorável, cavalheiros, mas antes que a conversa degenere, acho melhor ir dormir.Boa noite. 
Os três se puseram de pé ao vê-la levantar-se e sair.
Quando o ruído dos seus passos desapareceu no corredor, Quadir se serviu de outro pedaço de katayif.E disse em árabe:
_Não sei o que há de tão importante assim no avião dela.
_Não é o avião dela que importa_explicou Zayn calmamente._é o Vixen Um.Talvez seja o único meio de tirar nosso pai, a mãe e as irmãs de vocês vivos do Kuweit.
_mas o pai dessa mulher está lá.ele não pode pilotar?
_A vida dele está por um fio_ disse Issaam com ar sombrio.
_vai morre?
_Quem sabe?_respondeu Zayn irritado.Eu agradeceria muito se vocês voltassem aos computadores e continuassem trabalhando.
_Tem idéia de quantas possíveis senhas há na língua inglesa?_queixou-se Quadir.
_A experiência mostra que os melhores códigos são os mais simples e fáceis de lembrar.
Pra limitar a pesquisa e excluir o obvio, sugiro que comecem pelas frases que o inglês e o árabe têm em comum.
_não fiz outra coisa nestes dois dias_ resmungou o rapaz.
_É importante ou não?_perguntou-lhe Zayn.
_Claro que é.mas o mais provável é que papai tenha pegado um carro e esteja atravessando a fronteira nesse momento.
_Não podemos saber_ observou Issaam.
_E não podemos arriscar a segurança de papai _acrescentou Zayn._O jatinho é capaz de pousar em qualquer salina do deserto.
E isso pode decidir a vida ou a morte,Sei que está cansado, Quadir.todos estamos.
Trabalhe o quanto puder, depois vá descansar.
_Enquanto você se encarrega de persuadir a americana a lhe revelar a senha_ resmungou o garoto commau humor.
Zayn não lhe deu resposta à impertinência do irmão.Foi para o escritório e ficou dando telefonemas internacionais.Pouco depois da meia-noite, ouviu-se em todo o palácio o seu helicóptero levantando vôo. 
Capítilo 9
As vibrações do rotor do helicóptero reverberaram no dossel da cama de Adriana. Era o barulho que estava esperando desde que se retirara da mesa.Livrando-se das cobertas, saltou da e vestiu depressa a roupa de homem que havia furtado.
Tinha um plano alternativo agora. Se não conseguisse chegar a Hafaro, onde achava que seu avião estava, dirigir-se-ia a Riad e à embaixada norte-americana.Era o mais sensato, mas ela não abandonava a idéia de pegar o Vixen e ir até ao Kwueit em busca do pai.Na pior das hipóteses, havia o DC-7. Seria um duro e longo Vôo até os Estados Unidos, mas não era impossível.
Desceu ao pátio da cozinha, onde ficava o jipe que pretendia roubar. Tomou cuidado para não ser vista pelos guardas do portão principal. Com a ajuda de um canivete suíço, fez ligação direta e regulou o carburador para diminuir o ruído do motor.Saiu com faróis acesos, espalhando pedrinhas sob pneus.Aparte um cachorro que se pôs a latir, ninguém do palácio notou sua fuga.
Em poucos minutos, localizou a rodovia que levava a Anaiza.E não tardou para que estivesse viajando ao longo de um gigantesco oleoduto paralelo à estrada.Lembrando-se claramente de ter visto oleodutos quando estava a caminho do Kuweit.Mas tudo parecia diferente do ar.
Os oleodutos eram maciças serpentes de aço montadas em suportes de concreto, bem acima do solo do deserto.
Do alto, não passava de linhas insignificantes a cortarem a terra com precisão geométrica, exatamente como as rodovias.
Agora que estava agindo, Adriana não queria pensar muito no pai. Mas a mensagem de Tommy lhe retornava a cada instante. Papai baleado na perna direita. Vix avariado. Era triste. 
Teve cautela de para com freqüência.
Um comboio de caminhões militares, jipes e blindados passou por ela quando estava numa encruzilhada, orientando-se pelas estrelas, pensando no que iria fazer quando ficasse sem gasolina.Alguns soldados acenaram mais não se detiveram.
Adriana trouxera água numa garrafa de refrigerante na mochila improvisada.Quando o comboio passou ,a encruzilhada ficou vazia até onde ela conseguia enxergar.Era quase três horas da madrugada.
Pondo-se embaixo do jipe, abriu o tanque de óleo e recolheu aproximadamente um quarto de lubrificante num saco plástico. Com canivete raspou um pouco de graxa do lado de dentro da roda e a misturou ao óleo queimado. Já tinha parado duas vezes para fazer isso, mas, em ambas as ocasiões,a areia que acrescentara à mistura era de cor muito clara para seu objetivo.Desta vez, encontrou uma espécie de terra parda, bem mais escura e adequada.Pelo sabor e cheiro, concluiu que continha argila e óxido de ferro.Sentando-se, ergueu a barra da calça e espalhou o pegajoso líquido na perna. Precisava escurecer a pele e tinha pressa, pois logo o sol nasceria às cinco horas. Foi horrível espalhar aquela pasta no rosto e no pescoço.Como a grossa camada não secaria polvilhou mais terra por cima.Arriscou ligar os faróis para ver o resultado .Suas mãos estavam muito escuros e imundos.
Seus cabelos estavam bem presos sob o turbante preto. Ela usara maquiagem para escurecer as sobrancelhas e cílios e tinha encontrado um par de óculos de sol sob o banco do jipe. Não notariam a cor de seus olhos. Quem a visse a tomaria por um rapazinho sujo, com o rosto muito inchado. Ela achara boa idéia enfiar um pedaço de plástico preto na boca, parte do qual aparecia, dando a impressão de que lhe faltavam dentes.
Caso chamasse atenção de alguém, tinha planejado fingir uma terrível dor de dente, coisa que segundo esperava, levaria todos a afastar se e olhar para o outro lado. 
A necessidade a obrigou a abandonar o jipe roubado a vários quilômetros de um aglomerado de lâmpadas halogênicas que brilhavam na distância.Ficar sem gasolina justamente onde se encontravam as maiores reservas de petróleo do mundo beirava o humor negro, porém Adriana estava satisfeita por haver percorrido trezentos e vinte quilômetros em cinco horas.Ela riu, caminhando rapidamente em direção as luzes. Tratava-se de uma grandiosa aldeia num oásis. E teve a sorte de chegar a tempo de alcançar um ônibus que ia para o norte.
O motorista lhe entregou um punhado de notas amassadas e moedas quando ela o pagou com umas das notas furtadas.
Sua teoria da dor de dente deu resultado no ônibus lotado. Bastava que gemesse e fingisse estar sofrendo muito para que os desconhecidos a evitassem.Claro, sua aparência também ajudava: nenhum árabe quis sentar-se a seu lado.
Ao solavancos no calor da manhã, o coletivo entrou na estrada, levando passageiros, cabras vivas, galinhas e crianças chorando.Antes de meio-dia, chegaram a um povoado.
O exército tinha bloqueado a estrada, o ônibus não poda avançar mais. Todos desceram. O malcheiroso motorista foi lentamente a um bar e se instalou em uma mesa raquítica para almoçar antes de voltar. Uma verdadeira multidão esperou pacientemente que comesse e bebesse antes de iniciar a viagem para o sul.
Adriana concluiu que tinha chegado a uma espécie de posto de controle. Os soldados dominavam tudo, examinavam os documentos dos que iam para o sul e distribuíam ordens.Separando-se da multidão, ela se acocorou junto aos muros do povoado, tentando parecer típica.Outros árabes estavam na mesma posição, conversando e observando o mundo.
Havia muito que ver no estreito trecho de sombra junto ao muro. Os f-14 atravessavam o céu azul.Muitos helicópteros de fabricação americana pairavam a pouca altura, levantando espirais de poeira. Isso mesmo, pensou ela, sorrindo seu feio sorriso desdentado, a base aérea fica em algum lugar ao norte. 
Ao lado do posto de controle havia um consultório médico improvisado. Quase toda atividade do povoado estava concentrada nas duas barracas de lonas. Um tráfego intermitente vinha do norte. Ninguém voltava para lá.
Era grande a variedade de veículos que chegavam, Mercedes cobertos de poeira e modernos carros americanos com ar condicionado, assim como caminhões caindo aos pedaços e peruas lotadas. Todos tinham de parar e mostrar os documentos antes de entrar na rodovia pela qual Adriana tinha vindo. Pareciam refugiados, alguns precisavam de atendimento médico.
No meio da tarde, chegou um caminhão de soldados, que substituíram os que estavam de serviço. Um grupo desembarcou , o outro embarcou e voltou para o norte.
Nada escapava à observação de Adriana.Sentada no mesmo lugar, ela acompanhava o espetáculo; estava decidida a só se arriscar seguir caminho ao anoitecer.
Os árabes davam impressão de ser tagarelas. Tudo merecia ser comentado. Aos ouvidos ignorantes de Adriana, as conversas soavam como ásperas discussões, sobre tudo com os solados. Quando um velho e desengonçado ônibus urbano parou no posto de controle, Adriana se pôs a observar com enorme interesse. Construído para transportar uns cinqüenta passageiros, estavam abarrotados com mais de uma centena .Desceram famílias inteiras, muitas do Extremo Oriente.Depois correram ao miserável mercado ao ar livre para comprar água e pão .Os pães redondos eram muitos bons, ela tinha comido um no almoço. 
Adriana daria tudo para compreender o que diziam os refugiados. Porém , mesmo que tivesse visto alguém com aparência européia ou americana, não teria se aproximado. Era melhor não saber o que esperava no norte.
Ela podia acabar perdendo a coragem.e já tinha queimado todas as pontes ao roubar o jipe e fugir no meio da noite.Portanto, não havia possibilidade de voltar a Anaiza.
Preferindo não gastar em comida o dinheiro saudita que lhe restava, tirou do bolso um punhado de tâmaras roubadas das generosa bandejas de Ali e comeu uma.
Não tinha idéia de quanto de dinheiro possuía nem sabia como ou quanto obteria mais.Os dólares americanos, os cheques de viagem e o cartão de crédito não seriam de grande utilidade. Assim , continuou onde estava e tomou a água daultima das garrafas. Não valia a pena arriscar-se a bebera local.
No começo, os recém-chegados a deixaram confusa. Aos poucos, ela começou a compreender o que estava vendo.
A gente do norte havia sofrido alguma coisa muito grave para ter percorrido uma distância tão longa no deserto.
Muitos se mostravam revoltados. As crianças menores pareciam irritadas, assustadas, e choravam à toa. Os adolescentes estavam sombrios, desconfiados. 
O ultimo a desembarcar foi um velho triste, que gemia.
Estava sozinho, e ninguém lhe deu atenção quando tirou maços de dinheiro dos bolsos. Agitando as notas, mostrou-as a todo mundo em sua queixosa arenga.Ninguém queria o dinheiro.ele não conseguia gasta-lo. E rasgando a frente do dólmã que lhe chegava até os tornozelos, pôs-se a bater no peito, chorando a sua desgraça.
Outros refugiados a discutir com ele.Uns militares se aproximaram, interromperam a briga e mandaram os dois embora.O vento quente espalhou o dinheiro no chão. Ninguém se deu o trabalho de apanha-lo.
Curiosa, Adriana se levantou, avançou alguns passos com a cabeça baixa, para não chamar a atenção,e pegou uma nota. Ficou assombrada. Eram mil dólares kuweitianos! Esquisito.... vasculhando a memória, um dólar no México, um dólar americano valia quase três mil pesos. Mas o Kuweit era o país mais rico do mundo! E ficou olhando atônita para o dinheiro que o vento arrastava no deserto.
_Pobre garoto._O enfermeiro saudita apontou para o magro rapaz ajoelhado no chão, recolhendo cada cédula.
Provavelmente nunca teve tanto dinheiro na mão, e agora não vale nada.
Terminado a sutura no braço de um menino anestesiado, o médico olhou para o rapaz além da fila de pacientes que esperavam sua vez.
_Que há com ele?
_Está com o rosto inchado.Um dente infeccionado talvez.
_Mande Hamil trazê-lo para cá.Se não estiver muito doente, podemos recruta-lo pra o exército.Ele é do povoado?
_Acho que não pelas roupas deve ser de Wadi Rumna. 
Adriana ainda estava ajoelhada na areia quando a sobra de um soldado lhe encobriu as mãos.Olhou para ele por trás dos óculos escuros.
_Levante-se e venha comigo_ disse o militar em seu dialeto._O médico vai tratar de seu dente.
Adriana sorriu e levou a mão ao rosto.
_Pare de choramingar.Levante-se e entre na fila.
Estendeu as mãos para ela e fez um gesto na direção dos veículos militares. Pensando que eles estivesse pedindo dinheiro, Adriana o entregou. E , pondo-se de pé tratou de voltar junto do muro.
Fazendo a areia crepitar sob as botas, o soldado a alcançou, agarrou-lhe seu braço e a puxou, obrigando-a a dar meia-volta. Embora Adriana não compreendesse uma palavra, seu tom de voz a alarmou.
_Qual o problema? Está com medo de arrancar o dente?
_Inshallah_murmurou ela com plástico na boca.E se deixou arrastar até o fim da fila.
Assim que se viu solta, retrocedeu.O homem a olhou com raiva e tornou a empurra-la.
_Fique quieto aí garoto. É uma ordem. O médico vai examina-lo .
Adriana ficou imóvel. O soldado limpou a mão na farda e ficou a vigiá-la.
Mesmo sem saber o que estava acontecendo, ela compreendeu que estava em apuros.Engolindo em seco, olhou a barraca.Viu o médico e seu assistente enrolando uma atadura na mão de um bebê. 
Sob o sol escaldante, a temperatura era de mais de quarenta graus. Com o suor lhe brotava na pele suja. Adriana reparou numa mulher grávida a sua frente . Devia estar morrendo de calor envolta naquele pano preto que a desumana lei saudita a obrigava a usar. Mas, apesar da sua revolta, permaneceu calada.
Por sorte, o ônibus que ia para o sul estava prestes a sair. Todos os que não moravam no pobre povoado tratavam de embarcar. A fila se desfez rapidamente e o ônibus partiu numa nuvem de poeira. O enfermeiro levou a mulher grávida à outra barraca e voltou.
_Muito bem , vamos dar uma olhada em você_ disse a Adriana._Abra a boca.
Ela ficou olhando para o homem, sem compreender uma palavra. O soldado lhe ordenou com rispidez.
_Abra a boca, rapaz.Será que você é ruim da cabeça?
_Não precisa falar assim _disse o enfermeiro ao militar.
_Esse cara é um idiota, não está vendo?
O médico saiu da tenda, enxugando as mão com uma toalha. Olhou com interesse para Adriana.
_Hamil , vá descansar agora. Você já ajudou bastante.
Percebendo que a farsa tinha chegado ao fim, ela se perguntou o que seria pior , fugir se esquivando-se das balas, ou deixar que ele lhe extraíssem o plástico da boca.
E fez com que se sentasse. 
O médico lhe segurou o queixo ergueu-lhe a cabeça e provavelmente disse:
_Abra.
Adriana ensaiou um sorriso, enfiou os dedos sujos na boca e tiro o plástico. Com uma careta, o médico o arrebatou de sua mão e o jogou no lixo. Pôs-se a falar e a gesticular furiosamente , e não foi difícil entender que continuava querendo ver-lhe a boca por dentro. O enfermeiro interferiu. Adriana,então, sorriu o seu sorriso , enfiou os dedos sujos na boca e tirou o plástico. Com uma careta, o médico o arrebatou de sua mão e o jogou no lixo. Pôs-se a falar e a gesticular furiosamente, e não foi difícil entender que continuava querendo ver-lhe a boca por dentro. O enfermeiro interferiu. Adriana , então, sorriu o seu sorriso perfeito_ o mais bonito de que era capaz_ mostrando os dentes bem tratados, e , acanhada, encolheu os ombros.
O enfermeiro disse:
_Aposto que é um mendigo da cidade.
_Qual é seu nome?_quis saber o médico. Tirou-lhe os óculos. Ainda segurando-lhe o queixo, pegou uma lanterna e se paralisou de súbito ao notar a cor de seus olhos.
_Azul. Ame nae saek?
_Quasyr _ respondeu Adriana, esperando que lhe tivessem perguntando o nome. _Al...Haaris. 
Enrugando a testa, o médico pegou um chumaço de algodão, embebeu-o de álcool e lhe esfregou a bochecha .
_Qual é seu nome?
De onde você é?Você não é saudita.
Adriana afastou o rosto e se levantou.
_Você é kuwietiano? Iraquiano?
_Ele não entendeu nada.
Adriana sacudiu a cabeça , recuando. Precisando ir embora.
Curvando-se, tocou a cabeça,a boca e o peito e murmurou.
_Salami, salami.
E saiu. Disposta a fugir do posto, saltou um banco de areia. Vários soldados gritaram, mas não dispararam.
Ela se inclinou, desaparecendo numa depressão do terreno, e começou a correr para o norte ao longo da estrada vazia. Não tinha avançado muito quando foi obrigada a diminuir o passo. Fazia muito calor para correr. Aquilo provavelmente explicava por que nenhum soldado a perseguira a pé.Ela estava com os pulmões em pandarecos.
Não tardou para que se sentisse muita falta dos óculos escuros. O sol era fortíssimo àquela hora. O melhor era não ser vista. Continuou caminhando para o norte, junto ao oleoduto paralelo à estrada, que se entendia até onde a vista podia alacançar. E rogou que anoitecesse logo. 
O palácio de Haji Haaris estava lindo quando ela deixou cair à única sombra disponível, debaixo do oleoduto. A sombra era estreita. O solo , rochoso e áspero.
Mas precisava evitar o contato do sol com a pele . Sem dúvida era a hora errada para vagar no deserto, pensou.
Quanto tempo ficou ali, Adriana nunca soube. Por mais que transpirasse, não sentia a pele refrescada. A vontade de dormir era insuportável, mas o calor não lhe permitia sequer cochilar.
Parada ali, procurando ocupar o máximo da sombra enquanto o sol rumava para o oeste, Adriana começou a duvidar de seu plano . sua maior preocupação fora não ser reconhecida como mulher. Coisa que não aconteceu.
Mas não tinha previsto a hipótese de se ver perdida no deserto antes de chegar ao Vixen.
Sim , agora se dava conta de que não seria fácil viajar centenas de quilômetros a pé num país estrangeiro. Era o grande defeito de seu plano. Não se importara com a distância. Ao fugir tinha a intenção de chegar de jipe à base. Uma viagem de carro de quilômetros não era nada para uma texana.
Mais tarde, quando o sol ainda estava alto e o calor não diminuíra um só grau. Adriana continuava encolhida sob a sombra alongada do oleoduto. A sede não a deixava pensar senão em tomar água. Seus pés doíam com as bolhas e queimaduras contra as quais as sandálias não ofereciamproteção. Ela não sabia se seria capaz de avançar um centímetro mais.
_Como fui idiota!_disse em voz alta. Que tolice tinha feito. Jamais conseguiria chegar a base. 
Naquele momento, desejou que a polícia chegasse e a prendessem por se vestir de homem e andar sem véu.
Nenhum castigo seria que aquele sol. Ia acabar morrendo ali. Compreendendo isso, levantou-se. Apoiou-se numa das bases de concreto e enfeixou o que lhe restava de energia. Ainda estava com as tâmaras. Precisava comer. A doce fruta grudou em seu céu da boca e nos dentes.
Ela não conseguia produzir saliva para engolir. Aquilo assustou. Sabia o que significava. Estava gravemente desidratada. Com muito esforço, conseguiu caminhar e vencer a rochosa distância até a rodovia .Só lhe restava ficar no asfalto. Alguém passaria. Alguém tinha de passar.
O pôr-do-sol demorou a chegar. Quando chegou, foi longo e muito bonito. A areia se tornou rubra. O céu passou do vermelho ao carmim, depois a vários tons de azul. Ao norte, muito ao longe, brilhavam luzes inalcançáveis. Mas eram luzes artificiais, halogênica, fabricadas pelo homem.
Tarde demais , ela percebeu que ali era impossível calcular as distâncias como em sua terra. Tarde demais , compreendeu que o oleoduto não a levaria aonde queira ir. Se aquela fosse a estrada da base aérea, haveria tráfego.
Não passara um só veículo desde que tinha chegado. Devia ter tomado o caminho errado ao fugir do posto de controle. 
Então escureceu. A temperatura caiu. Adriana não agüentava mais.
Uma patrulha saudita, três soldados num jipe, a encontrou sentada no círculo de suas próprias pegadas. Jogada na traseira do veículo, ela bebeu um pouco de água e fechou os olhos. As pálpebras lhe ardiam. Suas lentes de contato pareciam brasa viva. A água lhe provocou náuseas.
Os sauditas davam a impressão de saber que o deserto tornava a gente incapaz de compreender o que quer que fosse. Pelo menos, com a noite o ar refrescara, mas não o bastante para reanimá-la. Ela não se deu conta de que estava entretanto numa base militar. Só se lembrava de ter sido carregada e de cair no chão de uma pequena enfermaria muito iluminada.
O médico ficou tão confuso quanto ela. Deu-lhe torradas e pequenos copos de água, um a um. Adriana estava muito cansada e fraca. Sentia dor de estômago. Pouco a pouco, sua mente começou a sair da inércia. Estava numa base militar, mas seria a que procurava?
O médico ficou tão enojado com sua sujeira, que a empurrou a um canto e a deixou só. Tanto melhor. Só uma pequena fração de sua mente parecia funcionar naquele momento. Ela era um bicho, uma fera hostil, preocupada unicamente com a sobrevivência. 
Encolhida no canto, repeliu com caretas todas as tentativas de comunicação. Desistindo dela, o médico limitou-se a lhe trazer água de vez em quando .Adriana pousou a cabeça nos joelhos e adormeceu. Depois, quando o médico estava jantando fugiu.
Não havia luz do lado de fora. Ela demorou a identificar nas elevações do solo os hangares camuflados que tinha visto dias_ ou semanas_ antes.
Era como se fosse a única alma viva no mundo. Vagando na escuridão, atravessou pistas e trechos de concreto repletos de veículos e aviões, nos quais nenhuma marca reconhecível. Fileiras e fileiras de estranhos aviões estacionados. Todos feios e enormes. Nenhum deles esguios, azul e branco. Caminhando entre os aparelhos, tentando ler a caligrafia árabe pintada no asfalto, ela parou ao lado de um F-14. e ali , no meio do estacionamento, girou devagar, procurando o tamanho, não a cor. Avançou diagonalmente, passando por duas outras fileiras, e lentamente chegou à última, atenta á origem dos aviões. Americano, americano, inglês, americano, francês, italiano, italiano, americano.
Vixem 
Parou e ergueu a mão para tocar o nariz do polido da aeronave. Uma maravilhosa ponta em forma de agulha, que se dilatava para traçar uma caprichosa curva ao redor da lisa bolha de fibra de vidro moldada, que oferecia ao piloto uma visão de cento e oitenta graus. O Vixem.
Não era azul e branco.
Correu a mão na fuselagem sob o cockpit. Respirou fundo, sentindo o cheiro de tinta fresca. Seu lindo Vixem azul e branco estava irreconhecível pintado de um mórbido cinzento, com manchas verdes pardas.
Passando por baixo dele, Adriana subiu à porta do piloto.
Estava trancada. Enfiando a mão no fundo do bolso da calça, procurou entre os escassos pertences a pequena chave de prata. Abriu a porta, entrou e se sentou na poltrona de couro, cujas formas anatômicas eram uma carícia para suas costas doloridas. Entrou-lhe uma sensação de familiaridade e segurança. A minueta brilhava no painel, iluminando o cockpit, que em nada fora alterado.
_O vixem 
Adriana segurou o manche, suspirou e fechou a porta para que se apagasse a luz. Abri-la tinha feito um barulho, fecha-la também. Ela ficou no escuro, com a respiração suspensa, a esquadrinhar o aeroporto. Não apareceu ninguém, nenhum soldado à vista. Nenhum avião pousando. As luzes apagadas. Até mesmo a torre estava ás escuras. Uma base fantasma. Vazia. Silenciosa como um túmulo. A não ser pelas batidas de seu coração e pelo ruído estranho de seu coração e pelo ruído de sua respiração ressecada.
Pouco a pouco, ela começou a respirar regularmente e a sentir-se em segurança. Primeiro, tinha de esvaziar os bolsos. Sob o pesado dólmã, elevava a carteira, o passaporte e os documentos do avião. Tirou o punhado de pegajosas tâmaras que resolvera guarda até que estivesse dentro do Vixen e as comeu uma a uma. Depois lambeu os dedos sujos. 
Estava com vontade de chorar. Um soluço lhe escapou mas não lhe caiu uma lágrima. Fechou os olhos, que continuavam ardendo. As ásperas lentes de contato davam a impressão de estar coladas a suas córneas. Em breve teria de tira-las e descansar a vista. Mas não agora.
Agora, tinha de ligar o motor e tratar de ganhar o céu.
_não é hora de fraquejar, Adriana Bennett_ disse consigo mesma._Você esteve no inferno, precisava voltar.
Cometeu a maior tolice de sua vida, apaixonando-se por um homem que nunca a amará!
Um homem que lhe não dá a mínima. Controle-se!
A voz falhou, e ela sacudiu a cabeça violentamente.
_Tenha coragem. Decole e vá para o Kuweit. Em uma hora você entra e sai do aeroporto. Cinco minutos no solo para colocar papai e tio Jack no avião e dar o fora . Isso é o que você vai fazer. Agora mexa-se! 
Capítulo 10
Recompondo-se, Adriana pegou a chave e a introduziu no contato.Girou-a e se inclinou sobre o painel do computador. Ouviu-se um bip, indicando que o hard disk estava carregando. Puxou o teclado embutido e digitou Ali babá. A tela ficou branca, depois preta, por fim azul com uma margem branca.
Olá Adriana Bennett.
Ela digitou Olá Vixen, e apertou a tecla enter.
O monitor respondeu, verificando o sistema, e passou a exibir uma rápida sucessão de números acompanhados de bips,indicando que todas as funções estavam em ordem. Por fim, apareceram as palavras Verificação do sistema concluída, iniciar seqüência de arranque.
Adriana se acomodou no assento e pressionou uma tecla e enter. Enquanto o computador fazia o trabalho, lambeu um resíduo de tâmaras na mão esquerda. Uma tela secundária a informou sobre a composição do combustível. Era rico demais, mais octano do que se costumava usar no avião. Só dois dos tanques estavam cheios.
Ela queria cancelar o arranque e alterar a composição do combustível? Sim ou Não? Não. Enter . Com imparcialidade, o computador informou: A atual composição do combustível reduzirá o desempenho do motor em 0,0003 por cento. Aceitável. Introduzir o plano de vôo. 
Adriana digitou os comandos. O único destino em que conseguia pensar era a sua cama, no Texas. Tentou umedecer os lábios com a língua qual ainda parecia inchada e entorpecida. Os estados unidos estavam a doze horas dali. Seria loucura exigir tanto de seu corpo.
Havia uma cama no Vixen.Ela podia ir até lá e deitar-se. Dormir. Também havia água armazenada. Podia despir-se, lavar-se e deixar o resto para mais tarde. E não vacilar quando tivesse recuperado a energia.Suspirando, já que encontrara uma solução aceitável, levou os dedos ao teclado e digitou fechar os sistemas, Enter.
Na tela brilhou uma praga, ela repetiu o comando.
Tem certeza?
_Escute, computador idiota_ rosnou Adriana com raiva_ , não banque o engraçadinho.
Digitou Não e reiniciou a seqüência. Devia ter funcionado. Não funcionou. Ela estava cansada demais para verificar o erro do sistema. A maneira mais rápida de desligar o computador era girar a chave, mais isto cancelaria os bloqueios. O avião passaria automaticamente ao controle manual. 
Voltou uma vez mais ao começo e topou com a mesma dificuldade. Ao ler a pergunta Tem certeza? Teve vontade de dar um murro no monitor.
Adriana quase desmaiou quando um longo braço se estendeu por trás do respaldo da poltrona e apertou a tecla N. A seguir, aqueles dedos longos e bronzeados empurraram os dela e digitaram Quarenta ladrões e enter.
E o Vixen foi desligado.
_Muito inteligente. _Uma mão forte agarrou a dela sem lhe dar tempo de tirar a chave do contato. _Previsível mais muito inteligente.
Zayn Haaris guardou a chave no bolso da farda, pegou o passaporte, a carteira e os documentos, e os colocou em outro bolso.
_Levantou-se. Vamos embora.Empurrou-a com força na direção que queria que ela tomasse. Mal tinha se levantado quando ele a jogou fora do cockpit.
Emudecida, assombrada porque o sheik tinha aparecido do nada e ficara esperando que ela caísse na armadilha que ele cuidadosamente havia preparado, Adriana última alternativa quando, segurando-lhe com força o antebraço, ele a levou à saída traseira. 
Muito embora mal conseguisse se sustentar nas pernas, ela tentou se livrar.
Zayn bateu duas vezes no pau- rosa do revestimento. Imediatamente, a maçaneta externa girou e a porta hidráulica deslizou-se para o lado de fora.
Tentando uma vez mais se livrar-se , ela disse entre os dentes:
_você já conseguiu o que queria . Larguem-me!
O sheik a puxou para junto de si , fazendo-a perder o equilíbrio.
_Continue me provocando!
Adriana não conseguiu encontrar um palavrão feio o bastante para xinga-lo. Mas tratou de controlar-se para não se pôr a gritar e chorar feito uma criança.
Foi arrastada a um jipe e jogada lá dentro, com o sheik, cujo o corpo grande demais não lhe deixava espaço. Com os faróis apagados, o veículo passou por vários edifícios meio enterrados na areia e parou diante de um bunker. Levaram-na por uma entrada escura como breu,.Uma porta de aço se fechou atrás deles , e ela se viu numa sala fortemente iluminada. Zayn deixou escapar um gemido ante o que as luzes revelaram. 
Vários soldados lhe haviam contado como era o rapaz de olhos azuis que ultrapassara o posto de controle. A patrulha que tinha encontrado vagando no deserto também o informara. Mas ouvir a descrição com que ele estava vendo.nem em um milhão de anos teria adivinhado que a criatura a sua frente era uma bela mulher. Suja, ela estava mais suja que o último dos mendigos. Zayn a obrigou a ficar de frente para ele e lhe arrancou o kuffiyah da cabeça. Se ela tivesse cortado ou estragado o cabelo, estava disposto a mata-la. Com rudeza, desenrolou o pano preto que lhe cobria a cabeça.
-ai!_Adriana lhe empurrou a mão e recuou.
_entre ali_rosnou o sheik. _Você vai se lavar esfregar e limpar essa...essa...
As palavras lhe faltaram. Nem em seu idioma nem no dela era capaz de descrever exatamente a sua aparência.
Adriana se esquivou ao vê-lo erguer a mão. Não foi rápida o suficiente para escapar. Mas ele não pretendia agredi-la.
Agarrou-lhe a roupa encardida, empurrou-a para o lado e arrastou brutalmente por uma porta. Acendeu a luz.
Adriana se viu num asseadíssimo banheiro de azulejos brancos. Tinha um chuveiro, uma privada e uma pia_ Mas suas reduzidas dimensões não comportavam aquele homem enraivecido e ela ao mesmo tempo. 
Havia um pequeno espelho parafusado na parede.
Olhando de relance, Adriana deu com uma horrenda aparição ao lado do belo 
Zayn Haaris, que passou por ela, puxou a cortina do boxe e ligou o chuveiro.
_Entre aí!
Adriana obedeceu prontamente, pondo-se sob a ducha com roupa e tudo. 
Zayn pegou um sabonete na pia e o colocou em sua mão.
_Lave-se!
Um par de olhos azuis na cara preta de um carvoeiro fitou os dele.
O sheik não compreendeu aquela expressão.
Adriana começou a lavar as mãos, porém não conseguiu senão enegrecer o sabonete com a graxa; a sujeira de sua pele permaneceu intacta. 
Enfurecido demais para arriscar dizer o que estava pensando, Zayn deu meia-volta e saiu do banheiro e bateu na porta. 
Prado no meio de seu alojamento, passou os dedos no cabelo, olhando a sua volta como que enlouquecido. 
Não havia sabonete suficiente no mundo para lavar aquela mulher. 
Foi até o almoxarifado, mandou tirarem um sargento da cama, ordenou-lhe que abrisse o depósito e trouxessem detergente , sabão de mecânico, gordura vegetal, pedra pomes e tudo quanto houvesse. 
Voltou ao alojamento com uma enorme caixa de papelão.
Adriana não tinha feito grande progresso, muito embora já quase não restasse nada do sabonete. 
Sentando-se no chão, tirou a túnica e a calça de algodão e se pôs a esfregar o pé.
_Não vai sair _disse.
O desânimo em sua voz mexeu com alguma coisa no peito de Zayn.
Ele baixou a tampa da privada, colocou nela a caixa e se ajoelhou no chão molhado.
Desligou o chuveiro e lhe entregou uma toalha. 
Sem nada a dizer, destapou o frasco de sabão de mecânico, segurou-lhe o pé direito e nele aplicou o produto.
Adriana teve um arrepio ao ver aquelas mãos espalharem o creme branco em seu pé, entre os dedos, no tornozelo.
Lambuzou-a mais com a substância pastosa, que rapidamente ia se tornando cinzenta.
A toalha também branca parecia um pano de chão.
_Você está zangado por causa do avião _disse ela.
_Não fale comigo.
_O avião é meu. Ficou horrorosos daquela cor.
_Não vou discutir. 
_Você voou com ele?_Zayn olhou com raiva para ela.
_Voou, não? Seu irmão conseguiu descobrir a senha, não?
Adriana apanhou o frasco de sabão e começou a esfregar as mãos.Todos os seus porors pareciam entupidos.
_Por que não quer discutir?
Sem responder , ele passou a lhe esfregar o pé esquerdo.
Só depois da terceira tentativa o óleo e a graxa começaram a se dissolver.
_Nunca estive tão suja em toda minha vida.
Sempre calado, ele abriu outro frasco e espalhou um punhado do creme no rosto dela. Adriana fechou os olhos e a boca, deixando que ele esfregasse e enxugasse repetidamente. 
Depois de lhe rasgar a camisa , desnudando-lhe os ombros, Zayn se ocupou do pescoço , da garganta, das orelhas.
_Estou com fome_ disse ela.
Acocorando-se , o sheik a encarou.
_E com sono.E não quero que você fique zangado comigo.
Ele lhe jogou outra toalha.
_enxugue o rosto e o pescoço e não se esqueça das orelhas.
Levantou-se e saiu.
Exausta se pôs de pé.
Olhou para a caixa e encontrou sabonete em pó e em barras. Despiu a roupa imunda, tornou a ligar o chuveiro e começou a se esfregar.
Queria sair limpa dali. 
Havia um pequeno vestíbulo no banheiro, onde ela encontrou mais toalhas e um roupão. Sua pele estava esquisita, porém bem mais limpa.
Sem pentear os cabelos, ela enrolou uma toalha e amarrou bem o cinto do roupão.
Depois de jogar no lixo a roupa e a toalha suja, foi para outro cômodo.
Em um pequeno apartamento. 
Havia um sofá de vinil, uma mesa e duas cadeiras. Não sobrava espaço para mais nada. Uma divisória separava a minúscula sala de estar, com um nicho de cozinha, do quarto, onde se via uma cama estreita e uma pequena cômoda.
Zayn se achava junto ao fogão. Umas casacas de ovo estavam espalhadas na pia de aço inoxidável. Não olhou para ela. 
Tirando a frigideira do fogo, serviu dois pratos colocou um garfo em cada um e os levou à mesa.
_Sente-se e coma.
Adriana teve vontade de lhe dizer quanto a comida estava cheirosa. Com água na boca, sentou-se e esperou.
Ele veio com um litro de leite e dois copos.
_Coma_ ordenou. 
Comeram calados. O silêncio dele a estava matando.
_Posso lhe contar uma coisa?
_Não.
_Está bem.
Adriana apertouos lábios, magoada com tanta frieza.
Mas não estava disposta a ficar muda como uma criança de castigo.
Ele ia ouvir suas perguntas e responde-las por bem ou por mal.
Esperou que terminasse de comer.
_Esta manhã...ontem de manhã , um ônibus do Kuweit parou em Al Auda. Havia um velho com muito dinheiro . Maços. Começou a mostra- lo a todo mundo, tentando trocá-lo, creio.
Ninguém quis. Nem mesmo os soldados. Jogaram tudo fora.
_Moeda do Kuweit_ disse Zayn laconicamente.
_A economia entrou em colapso? Mas o Kuweit não é o país mais rico do mundo?
_É um país ocupado. A moeda desvalorizada do Iraque substituiu a kuweitiana. Meu país está sendo sistematicamente violentado e saqueado. 
Adriana o fitou demoradamente. Estava abatido, preocupado.
_Como o Iraque pode fazer uma coisa dessas? E vocês, que vão fazer?
_Não é da sua conta o que os árabes vamos fazer.
Adriana baixou os olhos. Acaso tanta hostilidade se devia o fato de ela não ser árabe?
Ele decerto não dava nada pelas americanas....ou talvez só por ela. Mas estava tão triste, precisava ser consolado. Que dizer a uma pessoa cujo país tinha sido invadido?
_Nem notícias de seu pai?_perguntou. _Sabe se ele está bem?
_Não. Não recebi notícias. Só sei que foi visto no aeroporto na manhã da invasão. 
Um amigo disse que um americano ruivo e muito alto estava com ele. Seu pai é ruivo?
_É. Só isso? Seu amigo não sabe mais nada ? Eles estão bem?
Zayn respirou fundo. Não seria ele quem lhe contaria que o pai dela tinha sido baleado.
_A informação é da semana passada. Não recebi mais nenhuma.
_Não é muito tranqüilizadora.
Adriana tirou a mesa, lavou os pratos e se pôs a enxuga-los. Zayn continuou calado, olhando para parede. Depois disse:
_Vá dormir, Adriana Bennett.
_E você? Onde vai dormir?
_Não é da sua conta. 
Com raiva ela jogou o pano de prato na pia.
_Muito bem, não é de minha conta! Nada é de minha conta. Você não vai discutir comigo. E o que vai acontecer comigo? Acaso é de minha conta, sheik Haaris? Eu estou detida? Vai me mandar para prisão?
Zayn exalou um longo suspiro antes de se levantar.
Tinha vontade de lhe sorrir, de toma-la nos braços, de conforta-la. 
Mas não podia . Primeiro, porque não ia se aproveitar do caos emocional em que ela se encarava.
Segundo, porque já não podia confiar em si mesmo caso se aproximasse daquela mulher. O melhor era manter-se a distância.
Se eu puder , mando-a de volta a Anaiza_ respondeu. _Não posso garantir a sua segurança aqui. A Guarda Republicana está concentrada na fronteira, disposta a ocupar os poços de petróleo sauditas ao sul do Kuweit. 
Nada neste mundo é capaz de deter o poderoso exército de Saddam Hussein. E você está no primeiro alvo a ser atacado, esta base. Entendeu agora?
Adriana mordeu o lábio e sacudiu a cabeça.
_Não. Não enetendo.
Zayn lhe segurou os ombros e a sacudiu.
_O que é que você entende? Já ouviu falar de alerta vermelho? Consegue compreender que esta base é uma fortaleza no caminho do maior exército árabe?
Hussein quer os poços de petróleo e está disposto a obtê-los a qualquer preço.
_Isso eu entendo_ Adriana gritou._ mas a culpa não é minha. Não fui eu quem começou a guerra. Você vive me ameaçando como se eu fosse sua inimiga, mas não sou.
_Acontece que você, em sua sandice, veio a um lugar onde uma mulher nada tem a fazer! Não é seguro! Eu sou responsável pela vida e bem estar de milhares de pessoas, não posso ficar pajeando uma americana teimosa, que faz o que lhe dá na cabeça.
Ofendida, Adriana ergueu o queixo.
_Pois bem, não precisa se preocupar mais comigo.
Vou sair do seu caminho.
_Agora é muito tarde! _ rosnou ele. _Será que você não compreende?
_O quê?
Tem idéia do inferno que criou para mim nas últimas vinte e quatro horas? 
_Para você? Ora , seu idiota arrogante e egocêntrico, eu é que estive sofrendo, vagando nessa droga de deserto, tentando chegar aqui. Só assim podia pegar meu avião, ir buscar meu pai e meu tio e voltar para casa!
Você podia ter me ajudado, mas preferiu agir como um salteador do deserto e me trancou em seu harém!
Zayn falou com raiva.
Como os americanos são cabeças duras! Você teria morrido no deserto. Precisei deslocar dez patrulhas de seus postos para vasculhar o deserto a sua procura. Dá para entende?_ Não foi por um acaso que a encontraram! E você devia dar graças a deus. Em poucas horas teria morrido e virado comida de escorpiões.
Adriana estremeceu ante a verdade nua. Nada tendo a dizer em sua defesa, cruzou os braços e o fitou nos olhos.
_Eu lamento.
_Oh!_Zayn recuou assombrado. _ Você lamenta? Acha que dizendo isso pode concertar as coisas? A agonia de descobrir que você tinha desaparecido? A tortura pela qual passei o dia inteiro? Sem saber se estava viva, morta ou numa situação horrível? Quer dizer que esta tudo bem novamente? É assim em seu país? Basta fazer uma carinha triste e dizer que lamenta para que tudo fique em ordem? 
Adriana sacudiu a cabeça.
- Não. Eu não sabia que você...que eu...Olhe, eu sinto muito.Fugir foi uma grande tolice, reconheço.Eu não sabia.Sou do Texas,também moro numa especie de deserto - Interrompeu-se porque a bela e verde San Antonio nada tinha em comum com o árido Summan. - Não o fiz para magoá-lo.Achei que seria melhor se não voltássemos a nos ver.Acreditava que conseguiria chegar aqui rapidamente entra no Vixen e partir.Sei que meu pai está vivo.Está ferido,mas vivo.Se conseguir chegar ao Kuweit,ao aeroporto,ao nosso hangar,posso salvá-lo antes que lhe aconteça alguma coisa.E a meu padrinho também. 
Zayn olhou para aquele rosto lindo e teimoso.Por melhores que fossem as suas intenções, ela era mulher e muito mais vulnerável do que imaginava.
- Só quero lhe fazer uma pergunta.
- Sim?
- Suponha que uma coisa horrível tivesse acontecido a seu pai.Acha que ele queria que você estivesse lá com ele?
Adriana se lembrou das últimas palavras que ouviu o pai gritar pelo rádio.
- Não.
Zayn relaxou um pouco.
- Obrigada pela resposta franca.
Ela sentiu a boca seca.Sim, tinha respondido com sinceridade,mas viu imediatamente que isto o levava a outras conclusões, reforçava-lhe o pretenso direito de agir como seu protetor.
- olhe,não me interprete mal - disse - Não deixo que meu pai e muito menos meus irmãos determinem o que devo ou não devo fazer.Eu decido o que acho melhor. Não sou covarde.Pode ser que algumas mulheres recuem diante do perigo,eu não.
- Neste caso,não me resta senão providenciar para que você não faça outra besteira.Vai ficar aqui no alojamento até que eu possa mandá-la a Anaiza em segurança.
Adriana o encarou.
- Por que não é sincero e chama as coisas por seu nome? Eu estou presa,certo? 
- Pense o que quiser.
- Seu machista atrevido!
Teve vontade de esbofeteá-lo.Controlando-se,porém,girou sobre os calcanhares nus e foi para o quarto.
Derrotado,Zayn a deixou sair.Tinha sido rude.A diplomacia não era o seu forte,a defesa sim.Os militares sauditas e o resto do mundo estavam á espera da jogada seguinte de Hussein.
O maior temor de Zayn era a Guarda Republicana.Nenhum militar podia deixar a base. Ele estava tão preso quanto Adriana. 
Capitulo 11
Zayn não estava quando Adriana acordou de seu sono agitado.A porta do apartamento sem janelas estava trancada por fora.Na mesa,havia uma bandeja com comida.Não era grande coisa,mas ela comeu.Passou muito tempo cuidando da pele,limpando as unhas,lavando-se,tentando desembaraçar os cabelos.
Parcialmente enterrado,o bunker era muito silencioso.Ela dormiu durante o dia. Ao despertar,encontrou outra refeição servida,mas nada de Zayn.
O tempo passava devagar naquela prisão.Ela o media pela chegada da comida.O soldado carrancudo e grosseiro que a trazia era a antítese do obsequioso Ali.
Foi-lhe preciso tomar litros de água para aliviar a garganta seca.Mesmo no terceiro dia de confinamento seguia bebendo continuamente.Uma única jornada no deserto fizera isso.Como os árabes aguentavam?
O espelho lhe mostrou que tinha recuperado a aparência normal. 
Ela estava sentada nos pés da cama quando Zayn finalmentevoltou.Não o ouviu entrar, só notou a sua presença quando ele se deteve na abertura entre a sala e o quarto.Trazia um embrulho.
- Olá - Muito sério e com olheiras, ele parecia cansado - Você vai bem?
- Oh... - Adriana deu de ombros - Sim, vou bem.E você?
- Na medida do possivel.Trouxe roupas.Vista-se.
Entregou-lhe o pacote.Ela hesitou.Aquele homem a tinha mantido três dias apenas com o roupão.Era evidente que sabia que,seminua, não poderia ir a parte alguma.Agora vinha com roupas.
- Eu vou a algum lugar?
-Vai.
Examinando-lhe o rosto,Adriana conteve centenas de perguntas.Sabia que era inútil falar.Abrindo o pacote,encontrou várias peças de seda.Ergueu as finas alças de uma combinação preta.Era da melhor qualidade.Voltou-se para ver se Zayn continuava ali,mas ele tinha se afastado.Estava na sala,de costas para ela,contemplando o Profeta.Adriana despiu o roupão e o colocou na cama.Vestiu a combinação e teve um arrepio quando a seda lhe rocou a pele.Pôs,então,um vestido escuro e sem adornos,que,curiosamente,caiu-lhe perfeitamente.Calçou as meias e um par de sapatos do melhor fabricante italiano.Tirou a fira que lhe prendia o cabelo e se penteou.
Depois de jogar fora o papel e pendurar o roupão no banheiro, voltou para a sala.
- Estou pronta. 
Ele se voltou. Adriana estava linda, elegante e adulta.
Zayn lhe fez um gesto para que se aproximasse. Tirando do bolso um lenço preto para que se aproximasse.Tirando do bolso um lenço preto de seda, cobriu-lhe a cabeça e o amarrou à nuca, por baixo do cabelo abundante e longo demais para ser contido como devia. Depois , pegou a abba e a colocou-a em seus ombros, prendend-a no pescoço e no peito. Quando ele lhe cobriu a cabeça,m Adriana reparou na peça com capuz, que lhe chegava aos pés.
agora , Zayn só lhe podia ver o rosto. Um rosto muito branco e lindo, com uns olhos suplicantes, grandes, azuis, e uns tentadores lábios de rubi. Segurando-lhe o queixo com a ponta dos dedos, ele pediu:
_Beije-me.
_É uma despedida?_ perguntou Adriana. E , já com lágrimas nos olhos, atirou-se em seus braços. 
Sem saber o que dizer, o sheik sacudiu a cabeça. que ia lhe pedir era imperdoável. Adriana tinha o direito de recusar, mas ele havia rezado com muito fervor para que mostrasse a coragem que não lhe faltava.
reprimindo um soluço, Adriana aproximou o rosto e colou sua boca na dele. Jurou que , se fosse aquele último momento passariam juntos, haveria de guardar para sempre o sabor de Zayn.
Ele a tomou pelos ombros e a afstou. Olhou-a com tristeza. Como era difícil separar-se dela novamente!
_Ainda quer ir ao Kuweit procurar seu pai?
Era a última coisa que Adriana esperava ouvir. Ela hesitou, mas respondeu:
_Você sabe que sim.
_Tem certeza? Você conheceu o deserto. Está disposta a arriscar outra vez?
_Eu arrisco qualquer coisa por meu pai.
A expressão de Zayn era indecifrável.
_Já imaginava. Muita coisa aconteceu nos últimos dias. a resistência da Cidade do Kuweit garante que meu pai e o seu foram capturados.
_Capturados?
_Sim . Todos os americanos estão sendo levados a bagdá. Serão usados como moeda de barganha para que os Estados Unidos não interfiram. Minha esperança é conseguir encontrar nossos pais e salvá-los da Guarda Republicana. Outros membros de minha família estão em perigo, duas irmã que eu adoro, são pequenas ainda têm só oito anos. há uma chance de resgatá-las. Seua avião, no aeroporto, é o melhor meio de tirá-los de lá.
Será perigoso, e eu não posso garantir sucesso da missão. O Vixen pode ser a única salvação de minha família. 
- o Vixen Um? - perguntou Adriana, arregalando os olhos.
- É. Você acha que seu pai bloqueou o controle do avião como você fez com o seu?
- É bem provável - mentiu Adriana.Queria ir também e temia que,se lhe dissesse o contrário, ele não a levasse.
- Será que usou a mesma senha?
- Duvido.Ele pode ter escolhido qualquer uma como eu.
Zayn lhe examinou o rosto com tanta concentração que Adriana temeu que descobrisse a mentira.
- Era o que eu temia - disse ele com desânimo - Não tenho tempo para mandar buscar Quadir.Você é a minha única esperança.
- Quer que eu vá junto para descobrir o código...se houver?
- Quero.
Ela respirou com alívio.
- Promete que não sairemos do Kuweit sem meu pai e o tio Jack?
- Prometo. Mas, Adriana, eu também preciso de uma garantia.Temos de sair juntos do Kuweit, quando todas as pessoas estiverem reunidas.
- Prometido - respondeu ela- Mais alguma coisa que eu deva saber?
- Você já provou que tem coragem de andar entre o meu povo sem temer consequências.Tenho de ser sincero.Precisaremos passar pela alfândega para entrar no kuweit.A única maneira de evitar que você seja feita prisioneira,devido a sua nacionalidade,é ir para lá como minha esposa.
- Quê?
-Sendo esposa de um defensor da fé, de um haji, de um ortodoxo, você naõ precisa responder ás perguntas de nenhum homem.Não precisa falar nunca,nem admitir sua nacionalidade ou mostrar o rosto.Estará em segurança.´Só assim posso levá-la comigo.Concorda em se casar?
- Não estou entendendo.
- É tão simples que sua mente ocidental não vai acreditar.Pela doutrina islâmica, sendo esposa de um defensor jurado da fé, você fica sujeita ás leis sagradas do purdah.Nenhum outro homem pode ver o seu rosto. É o modo mais fácil de enganar os iraquianos.Os sauditas me ofereceram imunidade diplomática se eu levar certos documentos ao embaixador.Casando-se comigo,você pode ir também.
- Você não está me dando muito tempo para pensar - sussurrou Adriana - Não podemos simplesmente fingir que somos casados? 
- Não.Eu sou um homem de palavra,Adriana. Não posso mentir nem ludibriar os outros.Tem de ser verdade,do contrário não vou assumir o risco de levá-la comigo.Você volta a Anaiza.
- Não! - Adriana lhe agarrou os braços.
- Adriana - Zayn a fitou nos olhos. Precisava convencê-la.Seria ridículo mergulhar numa aventura tão perigosa e, depois não poder sair porque o maldito avião estava bloqueado com uma senha. - Na casa de um haji,uma mulher é rigorosamente protegida.Nenhum muçulmano ousa questionar isso.Você passará pela aduana sob a minha proteção, gozando de minha imunidade diplomática, protegida pela minha fé.Com o véu, estará em segurança.Se souberem que você é americana,vão prendê-la imediatamente.
- Droga! Como em Beirute,não?
- Mais ou menos - disse Zayn, sem coragem de lhe contar que era muito pior.
- Está bem - decidiu Adriana - Se é para salvar meu pai,faço o que você mandar.
Com um sorriso aliviado, o sheik a estreitou nos braços e a beijou.Percebendo o desejo que dele se apossava, ela o beijou com igual paixão.
Com esforço, o sheik se separou dela.
- Você naõ deve falar inglês com ninguem quando sairmos daqui. 
- Está bem.
-Aeywah é sim em árabe, lae é não.Não se esquece? Você não imagina quanto seu silêncio é importante.Jure,Adriana,jure pela vida de seu pai que naõ falará com ninguem .Seu sotaque...pode ser fatal.
- Juro não falar uma palavra.
- Ótimo. Vou confiar em você,mesmo que isso custe a minha vida ou a sua - Ele lhe acariciou a maõ com ternura - Não tenha medo.Não se preocupe com o casamento.O divórcio é muito fácil sob as leis do Islã.
- Quer dizer que vamos nos casar só pro forma?
- Quando tudo terminar e estivermos a salvo em Anaiza - respondeu ele - naõ vou mantê-la presa ás palavras que você disser diante do amman.Porém,até lá, você vai me obedecer em tudo, Adriana.Tem de ser assim.
- Que é amman?
- O religioso muçulmano.
- Um padre?
- O equivalente em minha religião.Qual é a sua resposta? 
Adriana fechou os olhos.Deus era Deus em qualquer cultura.Também ela tinha muita fé e levaria a sério a cerimônia.Tentando se recompor, umedeceu os lábios e baixou a cabeça,lembrando-se das palavras na tela do computador.Pata choca abastecida.Vix avariado.Devia revelar a Zayn que podia não haver nenhum jato com que tirar sua familia do Kuweit? E se contasse que tinham outro avião, o DC-7, será que ele se disporia a levá-la? A pata choca não dispunha de sistema de bloqueio eltrônico.Ela se lembrou das outras perturbadoraspalavras do irmão:papai possivelmente baleado na perna direita,Jack no hangar. Dois entes queridos dependiam dela para sair da zona de guerra, Não podia deixar de ir. 
- Está bem.Eu me caso com você.
- E eu com você.- disse Zayn solenemente - O amnan está esperando lá fora,Vou chamá-lo.
Embora tivesse tempo,ela não perguntou como fariam para dissolver o matrimônio.Tampouco Zayn tocou no assunto.
Embora extremamente simples,o ritual a impressionou pela solenidade do sacerdote muçulmano.Dois oficiais sauditas de alta patente estavam presentes,testemunhas sombrias daquela união.Terminada a cerimônia,Zayn se afastou apressado,levando Adriana consigo. 
Após dias de silencioso e austero isolamento,pouco mais de uma hora depois de se haver entregado de corpo e alma á proteção de Zayn,Adriana conheceu o inferno na terra,o Aeroporto Internacional do Kuweit.
Era a única mulher a acompanhar os doze diplomatas sauditas.Quando desembarcaram,Zayn lhe entregou uma correia.César foi trotando a seu lado com olímpica indiferença pela cena que o cercava. Ele não explicou qual era a missão do cachorro.Adriana tampouco perguntou.Segurou a correia e foi em frente,acompanhando os passos lentos do ministro Jaleel, o chefe da delegação.Ela examinou a destruição a sua volta.O véu transparente coloria mas não lhe impedia a visão.
Zayn a acompanhava de perto.Adriana não conseguia deixar de ser ela mesma,observadora,curiosa,interessada.Ele lhe tomou a mão e a apertou.Ao descerem a escada do avião,cochichou-lhe ao ouvido:
- Abaixe a cabeça.Não olhe ostensivamente para nada.A esposa de um haj nunca seria tão atrevida.
Adriana ficou confusa,mas ele não teve tempo de dar mais explicações.um soldado iraquiano os esperava a poucos metros.
Acho que,quando tudo terminar,pensou ela, vai ser uma delicia estrangular esse cara.Será que ela lhe teria dado carta branca se soubesse o que a esperava, se ele tivesse contado o que havia acontecido no Kuweit?
Agora via o horror do que se passara.Estava em perigo.Todos aqueles diplomatas estavam em grave perigo.Em sua ignorância ela se dispusera a tudo para procurar o pai.Como haveria de encontrá-lo naquele mar de ruínas?Não havia um prédio intacto ao redor do aeroporto.
As peças de artilharia e os tanques da Guarda Republicana estavam com os canos silenciosos apontados para seus últimos alvos: os jatos comerciais.ninguem se dera ao trabalho de remover os escombros,a bagagem espalhada, os cadáveres.
Se o aeroporto se encontrava naquele estado,como naõ estaria a cidade?
O terminal despedaçado parecia o cenário de um filme surrealista. 
As carcaças dos aviões quebrados,os caminhões incendiados e as limusines perfuradas de bala tinham sido empilhados fora da pista pelos buldôzeres.A torre de controle era um amontoado de concreto,ferro retorcido e pedaços de alumínio. O calçamento se transformara numa sucessão de crateras abertas pelas bombas.
Por dentro,o terminal semidestruído era pior,muito pior.No ar abafado, a pestilência da morte se misturava com a dos esgotos entupidos e o ranço da comida estragada.Os enxames de moscas fizeram Adriana dar graças a Deus pelo véu que a cobria.Ela constatou com assombro que o aeroporto se transformara numa prisão para as pessoas ali surpreendidas pela guerra;garçons,vendedores,agentes de viagem,comissários de bordo,mecânicos,pilotos e muitos passageiros que, como Adriana, tinham escolhido o dia errado para viajar.
Aparentemente indiferentes ao calor,os seis soldados iraquianos da escolta avançavam á frente dos diplomatas.Aos gritos e empurrões, abriam caminho na multidão:crianças chorando,mulheres a gritar e pedir socorro,agarrando com desespero as roupas dos diplomatas, homens de todas as nacionalidades imagináveis,que,desamparados e confusos,olhavam para eles,uns de pé,outros sentados nas bagagens, a cabeça nas mãos.
Adriana teve de parar quando uma garotinha árabe interceptou o caminho dos diplomatas,tentando lhe segurar a saia.Uma velha a pegou rapidamente no colo e lhe tapou a boca,sufocando-lhe os gritos.
Nem mesmo o choro da criança deteve a caminhada dos diplomatas rumo á única saída.
Abalada, com Zayn a lhe segurar firmemente o braço,Adriana seguiu adiante.Mas dessa vez,olhando para aquela gente contida,á espera de aviões que jamais chegariam,deu-se conta do que faltava.Mulheres. 
Havia meninas de todas as nacionalidades e garotos,rapazes,pais,avós,tios,mulheres velhas.Todos se mostravam exaustos,abatidos,famintos e estressados.Porém, em parte alguma se viam mulheres bonitas, jovens mães,comissárias de bordo.Adriana estremeceu, imaginando que destino haviam tido naquele reino de terror.
De súbito,com um ódio que nunca sentira na vida,ela se voltou para Zayn.Ele apertou com mais força o seu braço.Acaso aquele maluco arrogante esperava a sua humide obedîência diante daquilo? Tomada de fúria,Adriana se livrou com um safanão.Fora uma loucura prometer ficar calada.E maior loucura tinha sido a dele,ao impor condições impossivéis para trazê-la consigo.
Preocupado,Zayn voltou a lhe segurar o braço.o ministro Jaleel conversava tranquilamente com o oficial iraquiano,tratando de desviar sua atençao da única mulher do grupo. 
Chegaram a uma enorme abertura na parede.Adriana parou e olhoy para o hangar branco e alaranjado da Bennett Air.Precisava saber se o principal patrimônio da empresa no Kuweit ainda existia.Avistou-o num distante canto da pista,junto a um aglomerado de escritórios de companhias de transportes aéreos.A fachada voltada para ela estava intacta.Mas também havia soldados,tanques,artilharia, barricadas de arame farpado,que isolavam aquela extremidade do aeroporto.Ela não foi capaz de conter um gemido.
Zayn lhe puxou de leve o braço, fazendo com que voltasse a atençao para o interior do terminal.
O sol entrava pelas vidraças partidas, iluminando a sujeira acumulada do chão.As lojas saqueadas davam a tudo uma aparência ainda mais arruinada.
Detiveram-se na saída.A uma mesa,o empoladíssimo iraquiano que controlava o portão se interessou imediatamente por Adriana.Com o desejo nos olhos,lambeu os lábios ao exigir que os diplomatas apresentassem as credenciais.
O ministro Jaleel protestou.O iraquiano fazia questão de observar a nova lei: nenhuma mulher podia entrar na país sem ser revistada,fotografada e identificada.
Quando Jaleel mostrou os documentos,Adriana começou a tremer.Não tinha carteira de identidade.Só levava a roupa do corpo e o cachorro.Alegando,em árabe,que aquela exigência era inaceitável,Zayn colocou o passaporte diplomático nas mãos do corpulento soldado.
Adriana naõ podia cometer nenhum erro agora.O militar folheou lentamente o passaporte.Havia um retrato dela abaixo do de Zayn,mas o carimbo saudita lhe encobria o rosto. o militar insistiu em lhe remover o véu,o brilho em seus olhos a enchia de medo.César rosnou e se aproximou mais dela.
Dando um soco na mesa,o sheik desafiou o oficial.
- Você ousa desafiar os mandamentos de Maomé?
Os doze diplomatas entraram na discussão.Criou-se um impasse.O ministro Jaleel pediu para falar com o encarregado do aeroporto.
Naquele momento,um oficial iraquiano de alta patente saiu de um escritório próximo e interferiu.
- Qual é o problema? 
- Não é um problema,tenho certeza. - sorriu o ministro.
Zayn se mostrou ofendidíssimo:
- Este infiel está exigindo que a esposa de um haj mostre o rosto num lugar público.A lei de Maomé proíbe isso!
Colocando-se entre Zayn e os iraquianos, Jaleel se dirigiu ao recém-chegado.
- Estes jovens soldados estão cumprindo seu dever com excesso de zelo.Isto ofende o meu jovem auxiliar,cuja devoção por Alá governa sua vida.Queremos garantias de que naõ vão molestar a esposa do haji.Pode me ajudar,amigo?
- A mulher não é diplomata - argumentou o teimoso soldado, pousando nela um olhar malicioso.
- Minha esposa vai aonde eu vou - disse Zayn, apoiando-se nos principios de sua fé.
- Sem dúvida - disse o outro militar,inclinando-se com respeito - mas naõ podemos deixar uma mulher entrar no Iraque sem verificar sua identidade.Uma traidorapode se disfarçar de esposa de um haj.Como vamos saber quem é se está com o rosto encoberto?
- Dou-lhe a minha palavra.Segundo o Alcorão,é suficiente.
Os iraquianos não estavam cumprindo ordens e sim abusando do poder ao desrespeitar uma fé antiga como o Alcorão. Zayn sabia qual era o objetivo deles.Engoliu em seco,revoltado com o destino das mulheres retiradas á força do aeroporto.Mas estava com as mãos amarradas.Alá o ajudasse!
- Haale - chamou, para atrair a atençao de Adriana,que,uma vez mais,estava olhando a sua volta.Mesmo por trás do véu, seus olhos pareciam perturbados.Zayn,que os estava vendo tão claramente,temia que os soldados reparassem em quantoeram azuis.Ela se encolheu,simulando modéstia - Não me envergonhe,estamos em público!- continuou o sheik em ríspido árabe. - Este não é um lugar para mulheres.Eles pensam que você está armada.Passe pelo detector de metais, para provar que naõ tem nada a esconder, só a sua pessoa.
Ela não entendeu uma palavra,só seu tom de voz.Imaginou que tivesse cometido um novo erro. Morrendo de medo,agarrou-lhe o braço, deixando ver a grossa aliança em seu anular.E, sacudindo a cabeça,sussurou: 
- Lae,Zayn. 
- Não seja tola - disse em árabe,dando-lhe umas palmadinhas na mão. - eu vou junto.Venha,César.
- Pronto - disse aos soldados o ministro Jaleel. - Isso naõ os satisfaz? Agora deixe-nos passar.Estamos aqui a convite de seu presidente.
Zayn conduziu Adriana ao alto detector de metais.Então,era isso? pensou ela.O cachorro passou, depois ela, depois Zayn.Nenhum alarme disparou.Estavam no Kuweit.
Ao se sentar no banco traseiro de uma lotada limusine Mercedes,Adriana deixou escapar um longo suspiro de alívio.Os três carros da missão diplomática percorreram lentamente a cidade.No lugar onde estava,cercada de homens e com César desconfortavelmente estendido diante deles,mal conseguia enxergar.Tinha a impressão de que havia barricadas,soldados e pouco mais.As ruas estavam desertas,as lojas fechadas.Al Kuweit era uma cidade fantasma povoada unicamente por soldados iraquianos.
Sem tráfego que os retivesse,os carros naõ tardaram a entrar pelo portão da embaixada.Desta vez,foram soldados sauditas,com as fardas familiares e disposição mais amigável, que tomaram as mesmas precauções que os iraquianos.Com uma exceçâo: naõ questionaram Zayn Haji Haaris quanto a sua esposa.
Uma vez entre os altos e seguros muros no edifício,desapareceu toda a aparência de cidade fantasma.A enorme embaixada estava cheia de gente, dentro e fora,que ia lentamente dos carros para a entrada.Vários homens escuros chamaram imediatamente a atenção de Zayn.Falaram com ele do mesmo modo áspero e excitado que Adriana tinha observado no deserto.Ela examinou o rosto do sheik em busca de algum sinal, ja´que não compreendia o que diziam.Ele permaneceu o tempo todo muito sério.
Evidentemente as noticias não eram boas.
Pararam diante de uma escadaria.Ali,a conversa terminou abruptamente.Zayn desceu com Adriana ao subsolo.Dois andares abaixo,chegaram a um pequeno hall com uma pesada porta de metal de cada lado.Ele tirou uma chave do bolso e abriu uma delas.Entraram numa sala fresca e escura,cheia de escrivaninhas e terminais de computadores, todos ligados. 
A sós com ela, o sheik disse em inglês:
- Sente-se a um terminal, por favor.
Adriana já havia localizado um teclado de alfabeto ocidental, com modem e uma tela da Internet.Sentou-se sem fazer perguntas.Zayn tirou do bolso um caderno de anotações preto e o abriu numa pagina repleta de números.
- Quero que faça uma coisa para mim. 
Capítulo 12
Zayn lhe perguntou:
_Você sabe , sabe copiar arquivos via Internet, não?
Adriana deu de ombros, sem saber o que era melhor responder.
_Sei.
_Quero que chame estes números, abra os arquivos e copie tudo o que puder em disquetes.
_E se os documentos estiverem protegidos?
Zayn colocou na escrivaninha o caderno aberto numa página com números de telefones e códigos.
_É importante, Adriana. Não tenho tempo para lhe explicar. Você tem .....talvez uma hora.
_Uma hora para quê?
_Até que a resistência sabote o fornecimento de energia. Não haverá mais eletricidade no Kuweit. Apresse-se.
César se deitou no chão, perto dela. Zayn saiu,deixando-a trancada. Adriana achou uma caixa de disquetes formatados e começou trabalhar.
Digitou cuidadosamente os códigos e números, sem saber o certo o que estava fazendo. Quando entrava num arquivo principal, o computador vasculhava pasta por pasta, informando-a quando devia inserir um novo disquete no diretório A. Toda vez que a máquina pedia uma senha, ela digitava o código seguinte escrito no caderno de Zayn, que lhe permitia abrir arquivo por arquivo.Precisou de quinze disquetes, para copiar tudo, e de outros quinze para o backup. O relógio na parede dizia que ainda tinha meia hora. 
Ao terminar, guardou os disquetes e tentou comunicar-se com o Texas. Foi inútil. A ligação caía.
Depois, ela se perguntou se podia telefonar para alguém no Kuweit. Vasculhou a sala em busca de uma lista telefônica. Nas páginas amarelas, achou o número do hangar. Mas não teve tempo de entrar em contato com as Industrias Bennett do Kuweit:a luz acabou. Os computadores se apagaram.
O subsolo se transformou num túmulo. César latiu. Adriana se deixou cair na cadeira giratória, ofegante, frustrada, faminta.
O cão se pôs a uivar até Zayn abrisse a porta e entrasse com uma lanterna. Apanhando a coleira, o caderno de anotações e os disquetes, Adriana correu ao seu encontrou, ansiosa por subir aos andares superiores, à luz do dia.
No subsolo à prova de som, não tinha ouvido as explosões.
No andar térreo, porém, viu seu efeito. Os que se encontravam no jardim da embaixada corriam para as portas, tentando entrar. Os que estavam lá dentro queriam sair. Era uma confusão. Os funcionários aflitos não conseguiam controlar o pânico provocado pela falta de luz. Os que estavam nos andares superiores desceram correndo. Sem soltar as mãos de Adriana, Zayn passou pela multidão, tentando acalmar as pessoas. 
Foi nesse momento que o embaixador saudita saiu de seu gabinete acompanhado de um numeroso séqüito. Todos mudaram imediatamente de atitude. O embaixador chamou aos gritos a delegação recém chegada. Sua palidez cedeu um pouco quando Jaleel se adiantou. Abandonando Adriana , Zayn se reuniu depressa ao grupo.
Quando se acenderam as luzes de emergência, ouviu-se um suspiro de alívio. O ar condicionado voltou a funcionar e as animadas conversas se restabeleceram.
Só quando dois empresários encurralaram um frenético diplomata, pedindo explicações, foi que Adriana compreendeu o que tinha acontecido
_Hussein anexou o Kuweit. Temos vinte e quatro horas para evacuar a embaixada. Amanhã cedo , todas as fronteiras serão fechadas. Ninguém poderá deixar o território ocupado.E só diplomatas poderão entrar. Os cidadãos kuweitianos terão de trocar seus documentos por autorizações de residência na província iraquiana 19.
A notícia se espalhou rapidamente entre a multidão. Era curioso que os sauditas tivessem acolhido tantos estrangeiros.
Ali havia gente de todo mundo. 
_Estamos fazendo o possível para providenciar aviões_ Ela ouviu um assessor dizer a um preocupado australiano.
_Está demorando muito_ reclamou o homem.
_Não é fácil.
_Já se passaram muitos dias.Ontem , Hussein estava recuando. Hoje, vai anexar o país! Quantas mentiras querem que eu acredite?
_Lamento que esteja tão irritado. Estamos fazendo o possível para tirar todos daqui. Os vôos comerciais sauditas foram severamente restringidos. A Kuweit Air parou de operar. O aeroporto está muito danificado. Meu governo está procurando arranjar aviões extras. Não posso fazer nada. O senhor tem de esperar.
_Mas acaba, de anunciar que esta embaixada será fechada em vinte e quatro horas. Aonde iremos? Os soldados estão prendendo todo mundo na rua.
Um homem de forte sotaque canadense interferiu.
_É matando quem resiste à prisão.
_Caros senhores _ respondeu pacientemente o assessor _, neste momento, os cidadãos kuweitianos estão sendo obrigadosa entregar suas certidões de nascimento iraquianos. Nós temos maiores possibilidades de conservar nossa integridade e nossa nacionalidade.
Há cinqüenta e três crianças e vinte e uma mulheres grávidas, que precisam ser evacuadas em primeiro lugar. Estamos fazendo o possível. 
_Mas não basta!_ resmungou o canadense. _Esta embaixada tem condições de comprar dúzias de aviões.
_Sem dúvida, a Arábia Saudita pode comprar os aviões que quiser_ replicou o assessor. _ Mas nenhum pilotos fugiram do país. È melhor vocês começarem a rezarem por ônibus.
Quando o jovem funcionário se afastou, Adriana o deteve.
_Desculpe-me _disse. _Acabo de ouvir sua conversa com esses senhores. Eu sou aviadora e tenho um DC-07 no aeroporto. Posso transportar cento e cinqüenta adultos. Talvez consiga um jato menor que consiga levar outros dez._ O assessor arregalou os olhos. Adriana afastou um pouco o abba., o suficiente para lhe mostrar a testa e os olhos. _Como não posso pilotar dois aviões ao mesmo tempo, vou indicar duas, talvez três pessoas capazes de ajudar a levar essa gente à Arábia Saudita.
O homem parecia assombrado.
_Aesfae, issaeyaeda. Mãe mea´nea haeazae?
_Lamento, mas o senhor precisa falar inglês. Não falo árabe. 
_Não?..._ o assessor ficou vermelho como um pimentão. _madame, a senhora precisa cobrir o rosto! Nem seu marido nem sua família estão aqui.
_Eu não sou...._Adriana ia dizer “casada”, mas corrigiu-se a tempo. _Você não vai me excluir só porque sou mulher , meu jovem.
_Cubra o rosto, madame.
_Não me insulte. Estou lhe dizendo que possuo um avião capaz de esvaziar esta embaixada em menos de vinte e quatro horas. Quer fazer o favor de ir falar com seus superiores? Esta solução pode lhe valer uma condecoração. Ou prefere que eu vá me queixar de sua imperdoável grosseria com uma princesa?
_A s-senhora é ..... americana?
_Acertou_ disse ela. _Vai me ajudar a resolver o problema?Ou vai continuar dando-me lições de etiqueta mulçumana?
_acompanhe-me, por favor. Mas eu lhe peço , tenha a bondade de cobrir o rosto. Pode haver problemas . Todo mundo está nervoso hoje.
_Mas do que o senhor pensa_ murmurou ela. E, voltando a cobrir-se com a abba, seguiu o rapaz._Alguém aqui tem autoridade para conseguir que os iraquianos liberem meu avião?
_Sim , é possível. Vou cuidar disso.
_Ótimo. Obrigada. _ Ela acariciou o fiel cachorro sempre a seu lado. _Outra coisa, onde eu conseguiria uma xícara de café? 
_Por aqui. Vou leva-la à ala das mulheres.
_Nada disso! Vocês , sauditas ,têm uma mania de trancar as mulheres! Prefiro não arriscar. Leve-me a um lugar onde eu possa ficar observando aqueles ingleses.
Adriana foi instala numa saleta do primeiro andar , de onde podia ver o saguão.
_Como é possível que a senhora tenha um avião só seu, lalla?_quis saber o funcionário
_Muito simples. Meu pai é o presidente da Bennett Air. Temos um hangar no aeroporto do Kuweit e vários funcionários permanentes no país.
_Compreendo. Seu pai está vivo no Kuweit?
_Está mais eu não o vejo a mais de uma semana.
_que pena_ solidarizou-se o rapaz ._ Imagino que a senhora tenha feito essa perigosa oferta para tirá-lo do país , não?
Adriana preferiu ser diplomática.
_Pode imaginar o que quiser. Estou aqui para tira-lo do país, não?
_Sei, sei. E a senhora tem autoridade para dispor dos aviões de sua empresa?
_Nas circunstâncias atuais, meu pai apoiará qualquer decisão que eu tome.
_O problema é que ele foi feito refém.Aconteceu com muitos americanos. 
O problema era grave. Muita gente precisava de ajuda.
Egoísta ou não, o que ela queria era dar um jeito de chegar ao aeroporto e localizava o pai e Jack. Mas havia prometido a Zayn o Vixen Um. Tinha de fazer as duas coisas.
_Por favor_ disse ao assessor. _Preciso mandar um recado a meu marido, Zayn haaris.. Ele está numa reunião com o embaixador.
O jovem funcionário ficou pálido.
_A senhora é esposa do sheik Zayn Haji Haaris?
_Sou por quê?
A reação do árabe foi estranha. Juntando as mãos, curvou-se diante dela, murmurando:
_O sheik Haaris vai me degolar quando souber. Não me atrevo a irritá-lo.
_Não seja bobo. O sheik sabia muito bem com quem estava se casando.
_É terrível, terrível_ Disse o árabe, inclinando-se novamente. _Por favor, Issaeyaedea Haaris, perdoe a minha impertinência. Vou mandar um criado providenciar imediatamente para que fique à vontade.
_Não vou ficar confinada!
_Não, não. Como a senhora quiser, lalla. 
Lalla, hem? Adriana estava gostando da deferência instantânea que merecia por se esposa de Zayn. Não tardou para que um criado lhe trouxesse café e bolo, sanduíches e refrigerante. César se dispôs a participar da comilança. Quando ela lhe deu um pedaço de sanduíche, várias crianças numa sala próxima a ficaram observando de longe.
No andar de baixo, empregados das companhias de petróleo assediávamos funcionários.
Do lado de fora, outras pessoas se agitavam numa fila enorme para entrar na embaixada.
Pouco depois que a criada tirou a mesa, o jovem assessor apareceu acompanhado de um homem mais velho, de aparência mais importante, que a olhou para ela com desconfiança. Sentou-se a sua frente.
_desculpa a demora, Issaeyaedea Haaris acaba de me expor sua oferta. A senhora tem um avião?
_Sim , já disse a seu assistente.
_Hamid me deu detalhes, e eu tomei a liberdade de verificar ao que pude. Por isso demorei.
_O senhor sabe que tem menos de vinte e quatro horas para evacuar a embaixada, não?
_Sei , minha senhora. Acabo de telefonar para o comando militar iraquiano no aeroporto. Vão liberar apenas o DC-7. O preço é exorbitante, mas ele autorizou o embarque das pessoas refugiadas na embaixada, não?
_Sei, minha senhora. Acabo de telefonar para o comando militar iraquiano no aeroporto. Vão liberar apenas o DC-7. O preço é exorbitante, mas autorizou apenas o embarque das pessoas refugiadas na embaixada. Preciso saber o preço do avião, Issaeyaedea Haaris. 
_Quer compra-lo?
_Temos que compra-lo. Se não for propriedade do governo saudita, os iraquianos não permitirão que decole.
Confiscaram todos os bens pessoais e reais do Kuweit.
Só as missões diplomáticas estão excluídas.
_mas não podem fazer isso!
_Não somos nós que vamos decidir o que uma força de ocupação pode ou não pode fazer, issaeyaedea.
_Com os diabos, minha empresa investiu muito dinheiro aqui!_resmungou ela.
_Quanto custa o avião?
Adriana sacudiu a cabeça.
_Não. Não vou discutir o preço se isto significa que meu pai e meu padrinho sairão do país. É um avião antigo, ainda em bom estado, mas ultrapassado. Dez dólares bastavam.
Ofereça o que os iraquianos quiserem. Para mim está bom.
O secretário Devir na cadeira e a fitou.
_Não vai ter lucro nenhum?
Adriana olhou para as crianças assustadas na sala ao lado.
_Eu quero tirar esse meninos daqui, e lamento não poder oferecer coisa melhor.
_Issaeyaedea Haaris _disse o diplomata_ , a senhora já está fazendo muito. Agora, tenho de interromper a reunião do embaixador e falar com o sheik Haaris.
Preciso da autorização dele também.
Adriana ficou alarmada.
_Não faça isso!
_Mas é preciso, issaeyaedea. A senhora não pode sair da embaixada sem a autorização escrita de seu marido. Tampouco podemos fazer o negócio sem consentimento dele. Precisamos de sua presença quando entramos no hangar. O oficial do aeroporto informou que os funcionários da empresa montaram uma barricada lá.
Não se renderam à ocupação. Parece que há um velho lá dentro, que jurou torcer o pescoço de Saddam Hussein.
Adriana ficou tensa com a notícia. É o tio Jack, disse consigo. Só pode ser. 
_Eu posso ir com o Senhor. Fique descansado. Se for falar com meu marido, ele simplesmente vai encara-lo e dizer “ não seja provinciano”. Viemos aqui especialmente para tirar o máximo de pessoas possível da zona de guerra. Ele é kuweitiano, o senhor sabe, e muito mais liberal que vocês, sauditas ortodoxos . Eu não preciso de autorização para nada. Não percamos tempo.
O homem sorriu pela primeira vez.
_A senhora não me entendeu, issaeyaedea. Temos de agir como sauditas. Osmilitares no aeroporto ficarão desconfiados se a senhora não levar uma autorização escrita de seu marido.
_Ora, isso não é problema. Dê-me uma folha de papel. Eu mesmo escrevo.
_Não é possível.
_Acha que os iraquianos conhecem a assinatura de meu marido?
_Lalla, não temos o hábito de agir com desonestidade.
_Que absurdo! _ exclamou ela exasperada._ A reunião de Zayn pode durar horas. Ele ficará furiosos se a interrompermos com uma coisa tão trivial como uma autorização são tão obvias? Os gorilas do aeroporto provavelmente nem sabem ler. Vamos. Não podemos perder mais tempo. Qual desses papéis é contrato de venda?
Pegou o documento, preencheu as lacunas correspondentes às Industrias Bennett, assinou-o e o devolveu.
Hesitante, o árabe também assinou. O assessor serviu de testemunha.
_Vamos. 
Que ridículo, pensou Adriana. O diplomata lhe comprava o avião, aceitava sua assinatura no contrato, mas fazia questão do consentimento de Zayn para que ela saísse da embaixada.
Conseguiu um saco plástico para guardar os disquetes.
Que ia fazer com eles e com o caderno de Zayn? Leva-los consigo, imaginou.
Os funcionários da embaixada começaram a preparar as crianças para partir. Um jovem diplomata a conduziu a um automóvel particular, e ela foi mandada ao aeroporto com três soldados sauditas. A limusine foi diretamente para o hangar, parando bem perto de uma entrada lateral.
O motorista desceu e , sem largar o fuzil, bateu na porta de aço. Ficou esperando. Mordendo o lábio, Adriana o observava. César rosnou inquieto. Ela segurou a coleira.
Do lado de dentro do hangar, alguém estava discutindo com o soldado.
_Preciso sair.
Os demais guardas e o capitão Nassif se levantaram imediatamente e a acompanharam até a porta.
_Com licença_ pediu ela, afastando pó soldado.
_Jack Winslow ! Tio Jack, você está aí? Sou eu, Adriana. Abra!
_Adriana? É você?
_Eu mesma, titio. Quer abrir a porta para mim? 
Ouvindo-se um ruído de objetos arrastados, a barricada abriu a pesada porta, quase a bateu em seu rosto novamente. Sem compreender, Adriana forçou a entrada, mas foi detida pelo cano de um Colt.
_Que palhaçada é esta?_rosnou Jack indignado.
_Pelo amor de Deus, não atire titio. Sou eu_ disse ela, tirando o véu. César começou a latir.
Jack a reconheceu mas continuou bloqueando a entrada.
_Adriana! Que está acontecendo?
_está tudo bem, tio. Os soldados são sauditas. Deixe-nos entrar, por favor. Cale a boca César!
Jack puxou um pouco a porta, suficiente para que entrassem um a um. Não baixou a pistola.
_Que diabos você está fazendo aqui com esses caras?
_É uma longa história.
Voltando-se para os soldados, ela ordenou que abrissem as grandes portas da frente. Estes olharam para o velho americano, que não baixara a arma. Podia estar em desvantagem, mas obviamente continuava disposto a lutar.
_Tem sim_ respondeu ela, examinando o padrinho. Seu aspecto era deplorável, fazia dias que não se barbeava nem trocava de roupa. _Confie em mim e conte-me o que aconteceu. _ Vendo-o hesitar, ela insistiu.
_Diga logo, titio, onde está papai?
Jack olhou para os sauditas, depois para ela novamente.
_há dias que estou me agüentando neste hangar.
Que está fazendo aqui? Seu pai me disseque você tinha voltado para casa. 
Era esquisito. Segundo o diplomata saudita,os iraquianos tinham dito que havia resistência no hangar.
Um velho com uma Colt 45 não podia ter contido um exército. Talvez ele preferisse não contar nada. Adriana achou melhor conceder o benefício da dúvida.
Começou a avaliar os danos. O teto de aço estava com duas crateras. Havia pilhas de ferro e alumínio retorcido e montanhas de caixas vazias espalhadas. Nada restava do escritório nem dos sofisticados aparelhos de comunicação. Adriana olhou para o tio à espera de uma explicação.
_os bandidos levaram quase tudo_ disse o velho com amargura, colocando o braço em seu ombro e caminhando a seu lado. Apontou com queixo para o DC-7.
_ E papai? Aonde foi? Tommy me contou que está ferido. Que aconteceu?
Jack a abraçou.
_Meu bem, quer que eu lhe conte como eles o levaram? Os malditos iraquianos. Entraram aqui, saqueando e destruindo tudo. Seu pai os convenceu de que a pata choca não estava em condições de levar quanto encontraram lá dentro. E quanto encontraram no hangar. Tomaram-no como refém, para extorquir a empresa. Não sei aonde o levaram 
Com uma súbita tontura, Adriana se apoiou no padrinho.
_Um infiel não pode tocar a esposa de um haj_ gritou em inglês um soldado. _É contra a lei do Alcorão.
_Como?_ perguntou Jack, abraçando a sobrinha com mais força._Esposa? O que esse cara está dizendo?
_Titio_ sorriu ela, fazendo com que o velho baixasse a pistola._ Houve grandes mudanças. Ouça. O soldado falou a verdade. Tem ordens de me proteger. São meus guarda-costas. O cachorro também. Fiz uma espécie de acordo com os sauditas. Vendi-lhes a pata choca para tirar do Kuweit todos os que estão na embaixada. Não temos muito tempo. Os iraquianos vão fechar as fronteiras amanhã de manhã.A pata choca está abastecida? 
Jack ficou olhando atônito para ela.
_Não é possível. Como vamos sair daqui?
_Com o DC-7, titio. Você é meu co-piloto. Venha eu lhe explico tudo no ar.
_È melhor explicar agora mesmo. Não estou gostando nada dessa história.... a começar por essa fantasia de carnaval que está usando. Se Katie a visse com essa roupa, você nunca mais poderia voltar em feminismo lá em casa.
_Vamos, tio Jack!_ Adriana foi com passos resolutos para o avião. _ Abram bem as postas, rapazes, e tirem os calços dos pneus. Vou ligar o motor.
Ao passar por baixo do nariz do DC-7, parou de súbito, olhando para o espaçoso vazio que se estendia até a parede do hangar. 
_Mas onde foi para o Vixen Um? 
Capítulo 13
Mas você não ouviu o que eu disse,
Adriana? - perguntou
Jack. - Eles levaram tudo.
- Oh, não! - gemeu ela. Quantos choques ainda teria
de suportar? - Que aconteceu? Responda, tio. Tommy
disse que o Vixen estava avariado. Como podem tê-lo
levado?
- Ora, eram apenas uns arranhões. Eu consertei a
fuselagem. Pensei até em pintá-lo, mas não tive tempo.
Há uma guerra aqui, Adriana. Não podíamos fazer nada.
- Quer dizer que roubaram o avião? Mas como ligaram
o motor?
- Seu pai o ligou. Eles puseram uma metralhadora
na minha cabeça.
- Oh, não!
- Por mim, podiam ter me matado, mas seu pai era
de outra opinião.
- Imagino.
De um salto, Adriana puxou com força a alça da porta
do cockpit. A escada interior desceu e bateu com ruído
no concreto do piso, provocando os latidos de César.
- Oh, cale a boca, vira-lata!
Ela notou vários chamuscos e uma emenda na parte
inferior do avião. No chão, a pouca distância, havia uma
cratera de morteiro. Ela examinou a emenda soldada,
que parecia bastante firme.
- Será que vai agüentar?
- Ora, você não conhece o meu trabalho? - resmungou
Jack, subindo a escada e estendendo-lhe a mão.
Adriana ergueu o vestido e subiu com o cachorro. Empurrando-
o para dentro, fechou a porta e foi examinar
a cabina de passageiros.
- Meu Deus! Tiraram todas as poltronas! Para quê?
Como vamos transportar bebês, crianças pequenas e
mulheres?
- Pois é. Você vai ter de voar com muito cuidado respondeu
Jack, jogando o saco plástico com os disquetes
e o caderno no banco do piloto. Entregou-lhe as chaves.
Perdemos o Vixen, pensou Adriana enquanto esperava
que os soldados abrissem as portas do hangar. Que traição
para Zayn Haaris! 
- Esta geringonça vai funcionar?
- Claro que sim. O único problema é a falta de acomodações
para os passageiros. Mas vamos sair daqui.
- Tomara!
Adriana girou a chave no contato. As luzes se acenderam.
César latiu.
As portas do hangar se abriram, e a luz do sol inundou
o cockpit, ofuscando-os. Adriana se concentrou nos controles
e no ruído do motor. Não era fácil sair de lá com
a pata choca e manobrar entre barricadas e crateras.
Esperou que os soldados fechassem o hangar e subissem
a bordo pela entrada traseira. O capitão Nassif abriu a
porta ao cockpit.
- Issaeyaedea Haaris - disse em inglês-, não há
assentos para as crianças.
- É o que acabo de descobrir, capitão. Os iraquianos
levaram tudo. Temos de improvisar acomodação para os
menores, e eu voarei com o máximo cuidado. Sinto muito.
- Ainda bem que deixaram os bancos dos pilotos -
resmungou Jack. Mas não se preocupe, Adriana vai
pilotar como se estivesse pisando em ovos.
Pouco depois de contornar uma enorme cratera na pista
lateral, ela deteve a aeronave.
- Por que parou? - quis saber Jack.
Ela apontou para os quatro jipes cheios de soldados
iraquianos, que estavam bloqueando a entrada da pista
de decolagem. 
- A aeronave terá de ser inspecionada antes que as
crianças possam embarcar.
- Oh, não! Não diga isso!
- Por quê, titio?
- Estacione, Adriana, e é melhor que venha comigo.
Esse cachorro é bravo?
- Uma fera.
- Ótimo. Dê-lhe um pontapé para que fique mais bravo
ainda.
- Titio!
- Ou então trate de arranjar muito dinheiro para dar
a esses abutres. São uns ladrões, todos eles! "
Jack se levantou e pegou a coleira de César. O cão
arreganhou imediatamente os beiços.
- Estou gostando dele - disse o velho. - Onde arranjou
esse cachorro?
- É do meu marido, Zayn Haaris.
- O filho do Haj? Caramba! Eu sempre soube que você
ia longe, Adriana. Vamos, não podemos perder tempo.
Ela seguiu o tio, que parecia mais tenso - sinal de
que as coisas com o DC-7 não estavam tão bem assim.
Desceu a escada atrás dele e se curvou sob a cauda do
avião. Jack parou diante do primeiro compartimento de
carga e o abriu.
Os guarda-costas sauditas não permitiriam que os
iraquianos entrassem enquanto ela não tivesse saído.
Nassif não se afastava dela. César, a seus pés, não
parava de latir.
Quando o compartimento de carga foi aberto, o enorme
cão entrou e se pôs a fuçar num contêiner de alumínio.
Normalmente, aqueles contêineres levavam a bagagem
e a mercadoria a ser embarcada, mas, naquela viagem,
Adriana não ia transportar carga. Só seres humanos.
Mesmo assim, o cachorro se comportava como se tivesse
farejado um coelho lá dentro. Arranhava o enorme baú,
sacudindo o rabo excitadamente. 
- César! - chamou Adriana, agarrando e puxando
a coleira. - Junto! - ordenou, e o animal se deitou de
imediato, olhando para ela com olhos suplicantes e ganindo
baixinho.
Para ter certeza de que ele ficaria onde estava, Adriana
se ajoelhou no piso metálico e o amarrou. Ele mostrou
os dentes e rosnou quando os soldados iraquianos se aproximaram.
Temendo que um deles atirasse no cachorro,
ela lhe abraçou o pescoço. O animal forçava a coleira,
latindo ferozmente para o soldado que estava examinando
o compartimento.
- Lae!
Por sorte um saudita interveio em socorro de Adriana
e César. Mesmo.assim o iraquiano ergueu o fuzil disposto
a acabar de uma vez com aquele desafio. Jack mostrou
um maço de dólares americanos, tentando negociar a vida
do cachorro.
O soldado olhou com ódio para César .e com desprezo
para Adriana; depois, pegou o dinheiro de Jack e se afastou,
examinando o antigo avião, batendo com a coronha
do fuzil nas placas e arrebites da fuselagem.
Com um suspiro de alívio, Jack fechou o compartimento
e se apressou a abrir o seguinte, convidando os
soldados a vistoria-lo. Deu pancadas em vários contêineres
para provar que estavam vazios.
A inspeção foi rápida e superficial. Passaram mais tempo
na cabina, revistando os armários e a cozinha à procura
de comida. A guarda saudita só permitiu que Adriana
voltasse ao cockpit quando terminou a revista.
Com o coração disparado, ela se acomodou no banco
do piloto. Jack resmungou:
- Propina, eu não disse? Esses caras são uns abutres.
Adriana procurou o saco plástico que lá deixara.
- Graças a Deus que está aqui! 
- Que é isso? - perguntou o velho, olhando pela
janela para os veículos da embaixada saudita, que se
aproximavam.
- Nada. Minhas coisas.
- As crianças chegaram. Quantas vamos levar?
- Não sei. Não me deram o número. - Olhando para
fora, Adriana viu Zayn sair do primeiro automóvel. -
Prepare-se, titio. Vai haver encrenca.
-,Como assim?
Adriana engoliu em seco;
- Meu marido chegou.
-Quê? - exclamou Jack, empalidecendo. Haaris não
devia estar aqui. Se o reconhecerem descarregarão nele
as metralhadoras e não vão dar a mínima para as crianças
que morrerem também.
- Por quê?
- Por dinheiro e poder, por que mais? A família Haaris
é ligada ao Banco do Kuweit. Você não tem idéia da
fortuna dessa gente. É muito dinheiro, Adriana. Muito
mais do que a gente pode imaginar.
Ele continuava pálido, suando.
- Você está bem, titio? - Já estive melhor.
Adriana olhou para fora. Zayn desviou o olhar como
que atingido por um raio. Ela suspirou, vendo-o tirar
uma criança do carro e esperar que uma senhora idosa
viesse se apoiar em seu braço. Acercou-se conforme o
passo dela.
Formara-se uma fila flanqueada pelos sauditas, crianças
de todas as idades, mulheres com o rosto oculto pelos
véus. Não se viam homens entre os refugiados, nem mesmo
adolescentes.
Adriana desejava que Zayn subisse a bordo. Todos os
diplomatas voltaram aos carros, com exceção de Zayn.
Parado junto à bandeirola que se agitava no pára-Iamá
do primeiro automóvel, seu porte marcial, principesco,
era evidente. Ele examinou preocupado o velho aparelho.
- Titio - sussurrou Adriana sem tirar os olhos do
sheik. - Diga a verdade. Este avião está em condições
de levar as crianças para o outro lado da fronteira?
- Mecanicamente é um Rolls Royce. Não ligue para
a aparência externa.
-Preciso ter certeza - Além de preocupada com a
segurança das crianças, ela estava ansiosa quanto à opinião
de Zayn. Se alguma coisa acontecesse àqueles bebês... 
Jack se levantou e foi certificar-se de que todos estavam
sentados no chão, segurando-se em alguma coisa
firme. Ao voltar, fechou devagar a porta do cockpit, sentou-
se e exalou um suspiro.
- Não sei, Adriana, as crianças estão morrendo de
medo. Acho que nunca viram um avião assim. Vamos
embora logo.
Era o que ela estava precisando ouvir. Olhando uma
última vez para Zayn, acenou e tratou de se concentrar
no trabalho que tinha pela frente. ..
Jack ligou vários comandos, leu em voz alta os dados
dos mostradores, ajustou o medidor de pressão e pôs as
hélices em rotação máxima. Na cabina, os guardas sauditas
começaram a cantar com as crianças, tentando combater
o medo que, de uma hora para outra, podia se
transformar em histeria.
- Vamos, Adriana, faça a sua parte. Tire esta lata
velha do Kuweit.
Adriana estava com medo. Sabia que os contêineres
não estavam vazios. César não tinha latido daquele modo
sem motivo.
- Muito bem, tio Jack, mãos à obra. - Ela se livrou
do véu e respirou fundo.
- Vamos embora.
Os motores da pata choca se aceleraram. Adriana olhou
para a pista. Os carros da embaixada se afastavam rapidamente.
Zayn Haaris tinha ficado no Kuweit.
o DC-7 taxiou lentamente. Adriana se colocou na cabeceira
da pista. Com mais de dois quilômetros de chão
esburacado a sua frente, já não estava confiante como
na embaixada. Quando os motores ganharam aceleração
máxima, fez para Jack o sinal de decolagem. Não havia
controladores de vôo no aeroporto devastado.
- Não se preocupe com as crateras - disse o velho.
- Em menos de quinhentos metros, estaremos no ar.
Vá em frente! 
Sem controle de rádio, estavam completamente sozinhos.
A responsabilidade pelo avião lotado de crianças
pesava como uma rocha nas costas de Adriana.
- Ande logo, menina - apressou-a o velho.
- Uma pergunta.
- Não! - Jack apontou com o queixo para as peças
de artilharia assestadas diretamente contra eles. Seu
olhar disse claramente: nada de perguntas.
Adriana soltou os freios. A velha aeronave arremeteu
aos solavancos, rodando sobre buracos, pedras e pedaços
de concreto.
- Fique à esquerda - aconselhou Jack.
- É melhor você me ajudar.
- Estou aqui para isso. - Segurou o manche dual,
ajudando-a a manter os críticos pneus dianteiros em curso.
- Tenho uma pergunta - disse Adriana entre os dentes,
contraindo os músculospara segurar as rodas dianteiras.
- Meu cachorro vai ficar bem no compartimento
de carga?
- Ora, meu amor, você acha que eu arriscaria uma
vida se não tivesse cuidado da pressão?
- É um cachorro, titio - rosnou ela.
- Sim, mas não está sozinho. O homem que me paga
todo mês está encolhido dentro de um contêiner.
- Quê?
- Vamos Adriana, decole de uma vez!
Engolindo' um milhão de perguntas, ela obedeceu. 
O velho Jack tinha razão. A pata choca levantou vôo rapidamente,
sem ter de passar pelos buracos maiores da pista.
- Eles precisam consertar isto. 
- Melhor assim, os Migs não podem pousar aqui -
resmungou Jack.
Ganhando altura sobre o Golfo Pérsico, Adriana fez
uma suave curva para o sul. Seu tio pôs o fone de ouvido,
e bastou que sobrevoassem a fronteira para que entrasse
em contato com o controle saudita de Dhahran e recebesse
as coordenadas para a aterrissagem.
- Que significa isso? - Irritou-se. - Os sauditas
, estão nos mandando para o meio do deserto.
Adriana sorriu, olhando para as coordenadas que ele
lhe mostrava. .
- É. Eu sei muito bem aonde estamos indo.
E tinha razão.
Aterrissar foi incomparavelmente mais fácil que decolar.
Ela desceu suavemente e taxiou rumo à pista agora
familiar que dava nos hangares sob as dunas. Desta vez,
o balizador a conduziu a um lugar onde os esperavam
as ambulâncias do Crescente Vermelho, muitos médicos
e soldados. Uma frota de ônibus escolares estava à espera
das crianças.
No momento em que o avião parou, Jack se levantou
de um salto.
- Vamos, menina. Precisamos tirar o cachorro de lá.
- Eu vou voltar, titio.
- Quê?
- Vou voltar. Há centenas de pessoas na embaixada. Os
iraquianos fecharão a fronteira dentro de dezenove horas.
- Você enlouqueceu, garota, os iraquianos matam e
estupram qualquer um. Ora, Adriana, seu pai está com
uma bala na perna, tenho de tirá-lo do compartimento
de carga. O sheik Haaris também está lá, e sua esposa
com as crianças. Precisam de cuidados médicos.
- Quê? - gritou Adriana.
- Já disse. Estou com o velho sheik metido num dos
contêineres. A mulher e os filhos também. Agora venha, preciso de ajuda.
- Com os diabos, tio Jack! Por que não me contou
antes? Você teve uma hora para isso! 
- Não podia arriscar. Acha que os iraquianos não
teriam derrubado o avião? Claro que sim. O sheik é um
homem marcado. Tentarapl matá-ló no dia da invasão;
- E você me fez largar seu filho mais velho naquele
inferno! Pois eu vou voltar, titio. Ele está arriscando a
vida no Kuweit para salvar o pai e a família. Preciso ir
para lá e lhe contar que estão todos aqui.
- Você não vai a lugar nenhum, Adriana. E Jim?
Atormentada, Adriana não sabia que decisão tomar.
- O ferimento é grave?
- Bah! Nós dois sofremos ferimentos piores no Vietnã,
mas é verdade que éramos bem mais jovens. Agora, levante-
se e venha comigo.
- Não! - Abaixando-se, Adriana apanhou o saco com
os disquetes e o colocou na mão dele. - Não vou sair
daqui, titio. Você tem um trabalho a fazer, meu caro sr.
Winslow. Faça-o. O piloto sou eu. Tire papai, o sheik e
a família do avião. Leve-os aos médicos que estão aí. E
entre na fila também. Está precisando de tratamento.
- Seu pai não vai gostar disso. .
- Meu pai está impedido. Eu venho depois dele na
hierarquia. Saia já daqui. É uma ordem!
Jack ficou vermelho de raiva.
- Ah! Garotinha metida! Acontece que eu tenho um
documento que me nomeia responsável pela empresa no
Oriente Próximo. Você é que me deve obediência!
- Nada disso, titio - respondeu Adriana, abrandando
. a voz. - Sei que você trocou muitas vezes as minhas
fraldas, mas agora tenho de cumprir a missão mais importante
que já tive na vida. Entregue esse saco ao sheik
Haaris e diga a papai que não se preocupe. Em duas
horas, estarei de volta com Zayn.
- Você é mais teimosa que seu pai. Não posso fazer
nada. Mas saiba que ele vai pedir a minha cabeça por isto!
- E a minha também. Mas não tenho saída. Titio,
não se esqueça de entregar o saco plástico ao sheik.
- Que é isto afinal? 
- Disquetes e o caderno de anotações do filho dele.
- Coisa boa não há de ser.
- Entregue isso ao sheik, em mãos.
- Pode deixar. Tenha cuidado, menina,
- Sim, senhor - sorriu ela, batendo continência.
Jack se foi.
Adriana roeu a unha, observando os meninos que corriam
ao encontro dos soldados. Do outro lado, um empregado
estava reabastecendo o DC-7. A torre de controle
comunicou que outro piloto e um navegador subiriam a
bordo. Jack obtivera ajuda nos compartimentos de carga.
César saiu alegremente, latindo e saltando.
Adriana viu seu pai sendo levado de maca. Estava
consciente e ainda trajava o macacão de vôo azul e branco.
Teve vontade de abraçá-lo e beijá-lo, mas não podia. Seu
coração estava no Kuweit. Ela precisava voltar.
Fecharam-se os compartimentos e as portas. Os dois
membros da tripulação saudita entraram no c ockpit.
Eram quatro e quinze da tarde. Havia tempo para oito
ou nove viagens. Novecentas pessoas. Não era suficiente.
Adriana pediu que lhe dessem notícias frescas, mas
logo se arrependeu. Os árabes achavam que estavam à
beira de uma guerra mundial. E ela acabava de decolar,
rumo ao estopim. ,
- Os russos estão envolvidos?
- Todo mundo está - disse o mais velho, que ia no
assento do co-piloto.
Adriana se levantou quando aterrissaram em AI Kuweit.
Viu um automóvel a mais na caravana da embaixada,
um belo Rolls Royce branco.
- Puxa! Deve ser um figurão!
O major saudita riu.
- Sua alteza o embaixador.
Apreensiva, ela procurou Zayn. Não o viu. Procurou
novamente, examinando cada funcionário com o emblema
da embaixada. .
Um calafrio a percorreu. E se ele tivesse sido preso?
E se... ocorreram-lhe mil motivos para a sua ausência.
Talvez estivesse na embaixada, ela precisava saber.
Desligou os comandos vitais do aparelho, explicando
ao major as particularidades do DC-7. Quando estava
recolocando o véu, notou quanto suas mãos tremiam. Pôs
a abba nos ombros e tomou a decisão. Com um sorriso,
dirigiu-se ao navegador: 
- Agora, o avião está em suas mãos. A decolagem é
fácil, mas não se esqueçam, ele precisa de muito espaço ao pousa.
- Não se preocupe - disse o major. - Boa sorte,
senhora.
Ela examinou a roupa.
- Acham que eu consigo passar?
- Já conseguiu, issaeyaedea.
Adriana endireitou o corpo e foi para a cabina vazia.
Tinha de dar um jeito de tirar Zayn do Kuweit antes
que fechassem a fronteira.
Imaginou a alegria dele quando soubesse que seu pai
já estava a salvo na Arábia Saudita. Sorrindo por trás
do véu, ficou esperando ao lado de Nassif e dos outros
guardas sauditas.
Seu sorriso desapareceu quando um soldado iraquiano
empurrou a porta hidráulica. Ficou com muito medo. Não
tinha como explicar quem era, nem por que tinha voltado.
O homem apontou uma Uzi para ela. O capitão Nassif
protestou com veemência, fazendo delicadamente com
que ela se afastasse para que o iraquiano visse que não
havia mais ninguém a bordo. Bruscamente, no entanto,
este fez um gesto para que desembarcassem.
Segurando a abba, que o vento sacudia, Adriana seguiu
o capitão Nassif ao asfalto quente. Tratou de ficar afas-
tada dos nervosos soldados que revistavam o avião, abrindo
os compartimentos de carga e arrastando para fora
os contêineres de alumínio vazios. Vistoriaram cada centímetro
da aeronave antes de autorizar o pessoal da embaixada
a se aproximar. 
Adriana sabia que aquele espetáculo era para o embaixador,
queriam impressioná-lo para arrancar mais dinheiro
do governo saudita. E conseguiram. Não tardou
para que o iraquiano no comando embolsasse mais um
punhado de dólares.
O embaixador embarcou em primeiro lugar. Adriana
imaginou a rude surpresa que teria. Os demais passageiros
o seguiram apressados. Zayn não estava entre eles.
Quando todos os automóveis ficaram vazios, ela se aproximou
do Rolls Royce, olhou para dentro, e imaginou
como devia ser bom viajar nele. Mas seguiu adiante, aproximando-
se de um familiar sedã. O motorista a reconheceu,
saltoue lhe abriu a porta.
Ela entrou. Os guardas ocuparam os assentos restantes.
Todos os motoristas retornaram ao mesmo tempo. Os
soldados iraquianos se encarregaram de fechar as portas.
Não fizeram perguntas. O comboio partiu pouco antes
que o DC-7 decolasse.
Já não havia como voltar atrás.
Capítulo 14
O Rolls Royce, que ia à frente, parou diante
da primeira barreira fora do perímetro
do aeroporto. Quatro soldados se puseram a ameaçar o
motorista, depois apontaram uma metralhadora para ele.
O homem desceu com as mãos para cima.
Adriana viu um soldado jogar a arma dentro do luxuoso
carro e entrar. Nassif pôs a cabeça para fora da janela,
gritou alguma coisa e abriu a porta; o motorista veio
correndo e se sentou a seu lado no banco da frente. Estava
suando. Ambos falaram e gesticularam muito. O Rolls
Royce, se afastou da barreira e desapareceu na larga
avenida.
O assalto deixou Adriana arrasada. Já não existia imunidade
diplomática no Kuweit. O motorista tratou de
sair logo dali. As bandeirolas nos pára-lamas de seu automóve1
não ofereciam proteção alguma. Os iraquianos
só faziam concessões mediante suborno.
Ela se sentiu aliviada quando entraram na embaixada.
Os muros altos e os guardas à entrada impediam os assaltos,
mas por quanto tempo? Quanto demoraria para
que fechassem as fronteiras e imperasse a anarquia?
Logo ao entrar, avistou Zayn no jardim, cercado de
um grupo de homens de aparência rude, selvagem, todos
muito bem armados. Não trajavam roupas finas como os
sauditas. Alguns estavam com a cabeça descoberta, mas
a maioria levava kuffiyahs presos com ´iquals pretos. Ela
ficou intrigada. Seriam bandidos beduínos? A resistência
do Kuweit? Era melhor não saber. Talvez o sheik estivesse
em busca de notícias do pai.
O carro parou à entrada exclusiva do embaixador. Ambos
os motoristas desceram gritando que o Rolls Royce
tinha sido roubado. Rugindo de ódio, muitos árabes se
aproximaram. 
O chofer se voltou e abriu a porta para ela. Segurando
a abba, Adriana saiu do carro e avaliou a multidão. Já
não havia mulheres. Os homens que ela tinha ouvido
falar inglês estavam na caravana seguinte.
Uma forte rajada de vento quente lhe agitou a abba.
A mesma lufada sacudiu o kuffiyah de Zayn, que se
voltou para o lugar onde Adriana se encontrava. Ficou
olhando para ela, alheio ao homem de short que lhe
falava incessantemente.
Ela inclinou a cabeça e se voltou para a porta que
Nassif mantinha aberta. Aquela entrada dava para uma'
escada que levava ao primeiro andar. No descanso, ela
cruzou com o assessor com que tinha conversado antes.
Cumprimentou-o com um gesto, mas não falou com ele.
O rapaz ficou boquiaberto.
Um empregado a levou à ala das mulheres. Ali, as
esposas dos diplomatas e os filhos pequenos ficavam luxuosamente
alojados. Bastava ver o requintado bufê ainda
à mesa. O espaçoso lugar estava cheio de objetos pessoais
abandonados - brinquedos, jogos, pacotes de fraldas
descartáveis e malas. Era triste.
Adriana tirou a abba, o véu e os sapatos, sentou-se
e tirou as meias. Ao dobrar cuidadosamente a roupa,
lembrou que estava com fome. Serviu-se de salada e
preparou um café. Sentando-se num divã confortável,
comeu. Ao terminar, estava um tanto aborrecida porque
Zayn não viera. 
Pela janela, viu outra caravana sair rumo ao aeroporto.
Um avião não bastava para transportar tanta gente. O
tempo estava correndo.
O último carro partiu e os soldados fecharam os portões.
A embaixada ia ficando cada vez mais silenciosa.
Por fim, ela ouviu um ruído na porta. O mesmo empregado
que a conduzira olhou para dentro à procura de
outras ocupantes. Não vendo nenhuma, fez-se a um lado
e abriu mais a porta. Zayn quase o derrubou ao entrar.
Parou e, com um gesto, dispensou o criado. Ficou rígido,
olhando fixamente para ela, sem dizer uma palavra. Depois,
com um gesto brusco, tirou o kuffiyah da cabeça e
o arrojou numa cadeira.
- Explique o que andou fazendo às minhas costas -rosnou.
- Tenho permissão para falar?
- Você falou demais quando devia ficar calada. Tanto
que a embaixada inteira ficou sabendo da americana que
sabe pilotar aviões e vai salvar todos os sauditas. Como
pôde ser tão idiota? Não sabe que há espiões em toda parte?
- Que pergunta devo responder primeiro? Obviamente
sou estúpida o bastante para tentar ajudá-lo.
- Alá me perdoe, eu vou bater nesta mulher! - murmurou
Zayn, erguendo as mãos crispadas para o teto.
- Você que se atreva!
- Quer ver? - ameaçou ele, mal contendo a raiva.
- Não causei nenhum problema. Dei um jeito de tirar'
as pessoas deste país, coisa que ninguém mais conseguiu
fazer em muitos dias. Ou preferia que eu as deixasse
aqui, andando de um lado para outro, enquanto aqueles
gorilas roubam tudo o que elas têm? - Você não sabe o que fala.
- Não sei? - gritou Adriana. - Estou furiosa e não
admito que me trate como criança. Recuso-me a esperar
passivamente que me matem. Ninguém me intimida!
- Oh, _agora eu entendo. Está contente, não? Está
Como ego inflado porque pilotou uma lata velha cheia
de criancinhas apavoradas. Que bom que nós do Terceiro
Mundo contamos com os americanos para nos salvar!
- Não seja sarcástico. 
- Pois fique sabendo, Issaeyaedea Haaris, que mais
de dez mil pessoas, a metade crianças pequenas, passaram
por esta embaixada nos últimos cinco dias. Todas
foram ..levadas em segurança à Arábia Saudita.
- Oh! - Adriana ficou surpresa. - Bem... desculpe.
Não foi essa a impressão que tive. Os canadenses e os
australianos estavam dizendo que ninguém ia sair daqui.
- Canadenses que preferiram vir para cá, não para
a sua própria embaixada. Australianos que ouviram falar
que os sauditas estavam tirando as pessoas do Kuweit
mais depressa e com mais segurança. Você ouviu boatos
e tirou suas próprias conclusões.
- Está bem, eu errei - admitiu ela. - Mas também
fiz uma coisa que talvez o deixe contente. Fui ao hangar
de minha empresa. Não imagina quem estava lá. Tio Jack,
meu pai e o seu tinham transformado aquilo num bunker.
- Quê? - Zayn lhe agarrou os ombros.
- Estão todos bem - disse Adriana depressa. - Todos.
Meu tio os escondeu nos contêineres do DC-7. Quando
os iraquianos vieram saquear tudo, conseguiu salvar
sua família e meu pai. Levei-os à Arábia Saudita. Estão a
a salvo. '
Zayn a soltou com desânimo.
- Acha que vou acreditar nisso?
- Claro que sim. Eles já estão em segurança.
- Ora, qualquer um podia estar escondido nos contêineres.
Você os viu? Descreva-os.
- Não preciso descrever meu pai, seu maluco. Como
você é tolo!
Magoada, Adriana lhe deu as costas e foi para a porta.
- Vou embora. Voltei, contei-lhe que sua família está
salva. Se não quer acreditar, tudo bem. Fique aqui! Deixe
que o matem. Eu não me importo.
Ia sair, mas ele a agarrou e prendeu. Falou com voz
ameaçadora:
- Responda, por que voltou? Todas as mulheres foram
evacuadas. .
Adriana permaneceu calada.
- Responda! ááZayn estava preocupado com ela, esse era o problema.
Adriana esfregou as mãos entre seus corpos e lhe acariciou
o rosto já áspero pela barba.
- Eu não sabia se. você ia acreditar numa mensagem
sem provas, sheik Haji Haaris.
Adriana colou os lábios nos dele.
- Você decidiu! - rosnou Zayn. Estava pressionando-
a contra a parede, os lábios colados nos dela, como
se quisesse mais alguma coisa. Com as mãos crispadas,
segurou-lhe o rosto.
- Você decidiu! - Afastou o rosto do dela e falou em voz baixa. 
- Mulher, você não compreende o perigo que
estamos correndo? Droga!
Agarrando-lhe os cabelos, ele a imobilizou. Enfiou a
mão direita na seda de seu vestido, perto da garganta,
e o rasgou até a cintura. Adriana se sentiu sufocada,
seu coração disparou. Com um segundo puxão, o vestido
cedeu por completo e caiu a seus pés. A sala era privada,
mas não o bastante para o que ele tinha em mente.
- Zayn, Zayn, por favor, deixe-me lhe contar:..
Ele a calou com um beijo rude.
- Não - rosnou sem separar os lábios dos dela.
Prendendo-lhe o maxilar, manteve-lheo rosto junto ao
seu. A frieza daqueles olhos negros a fez calar. - Está
gostando?
- Não. - Adriana tentou sacudir a cabeça, mas ele
a tinha bem presa.
- Sabe o que os iraquianos fazem com as espiãs?
Uma bela mulher, com um corpo como o seu?
Ela arregalou os olhos.
- Não quero saber!
Zayn desceu a mão. A fina seda e a renda da combinação
não a protegiam. Mesmo assim, ela a segurou ,
tentando manter a única peça de roupa que lhe restava.
- Vão currá-la. Cem homens vão possuí-Ia antes que
termine o primeiro dia de prisão. Você vai ser apalpada,
jogada no chão, agredida e estuprada até enlouquecer.
Foi para isso que voltou, americana idiota.
- Pare! Pare de tentar me intimidar!
Ambos se paralisaram ofegantes.
O peito dela arfava. Adriana conseguiu manter os seios
cobertos. 
- Eu me mataria antes de me sujeitar a esse tratamento.
- É o que você pensa. A vontade de viver, mesmo
nessa miséria, é mais forte do que você imagina. As mulheres
acabam se submetendo transformando-se em prostitutas
de seus carcereiros. Quer que eu a leve à enfermaria
no terceiro andar? Vai conhecer várias :mulheres
que juraram a mesma coisa.
Adriana fitou os seus olhos negros e duros.
- Não é verdade.
Com um grande esforço, Zayn tentou falar com calma.
- É sim. Você podia confortar algumas dessas mulheres.
São comissárias de' bordo, foram seqüestradas 
no aeroporto e levadas a um hotel do centro e usadas
brutalmente. Algumas ainda devem gostar de voar
como você.
- Oh, meu Deus! - Adriana tentou refrear as lágrimas.
- Por que está acontecendo isso?
- É a guerra.
Um soluço lhe escapou, ela tapou a boca.
-Adriaha. - Zayn estendeu a mão. Desta vez, segurou-
lhe ternamente os ombros e a puxou para junto
de si. Abraçou-a com carinho. - Você não devia ter voltado.
Fiquei contente quando foi embora.
Ela respirou fundo.
- Eu vim buscá-lo.Não suportaria se lhe acontecesse
alguma coisa.
- Pois agora estamos os dois em apuros. - Zayn lhe
deu um lenço para que enxugasse os olhos. - Eu estava
começando a acreditar que você tinha nervos de aço. Mas
até que sabe chorar.
- Se acha que estou chorando para abrandá-lo, está
muito enganado, Ornar. 
Zayn riu.
- Você comeu?
- Comi salada quando cheguei.
- Estou morrendo de fome. Venha, sente-se comigo.
Adriana se abaixou e apanhou o que restava do fabuloso
vestido de seda.
- Não vou pedir desculpas - disse o sheik. - Você
estava precisando de uma lição. Ainda bem que só lhe
custou um vestido.
- Oh, claro, ainda bem - concordou ela. - Só quero
saber onde há uma butique aberta em AI Kuweit.
- Acho que não vai ser difícil conseguir outra roupa.
O sheik se serviu. Depois, voltando-se para ela e examinando-a
com olhos cobiçosos, disse:
- Issaeyaedea Haaris, eu já lhe contei quanto você é
bonita?
- Não, você não tem sido muito gentil ultimamente.
- Por favor, ligue o toca-fitas. Continuo achando que
as paredes aqui têm ouvidos.
Adriana fez o que ele pediu, serviu-se de café e se
sentou a seu lado. Zayn comia com voracidade.
- E os disquetes?- perguntou ao terminar a pita
com muitas azeitonas e tomate.
- Estão com tio Jack. Ele ficou de entregá-los a seu pai.
- Havia alguém ferido?
- Meu pai estava. Os meninos e as duas meninas
pareciam muito bem. Seu pai estava em ótimas condições.
II
Havia uma mulher muito loura, que parecia ter dificuldade
p'ara andar, mas não sei se estava ferida ou doente.
- E Karen, a mãe de Quadir.
- Ela não é árabe, é?
- Escandinava.
- É mesmo? Então é verdade!
- O quê?
- Que os príncipes do petróleo têm uma queda
pelas louras.
Ele a encarou. 
- Está querendo saber as minhas preferências?
- Talvez.
- Sou como todo mundo. Gosto de tocar no cabelo de
uma mulher. Nunca me importei com a cor, só ultimamente.
- Oh?- Adriana preferiu mudar de assunto. - Falta
pouco tempo para que fechem as fronteiras. Como vamos
sair daqui?
- Agora quer conversar a sério, hem? Pois saiba que
caiu numa armadilha. Minha imunidade diplomática foi
cancelada. Quando você se pôs a falar pelos cotovelos e
contou que seu marido era um sheik do Kuweit com documentos
sauditas falsos, fez um grande favor para mim.
Os iraquianos não gostaram. Consideram-me espião e
traidor. Quando eu puser os pés fora daqui, serei pres.9
e executado. E você, minha cara, terá o destino que acabo
de descrever.
Adriana ficou horrorizada.
- Você está brincando.
- Não, não. Palavra que não. - Zayn deu de ombros.
- Até agora, os iraquianos não mostraram a menor compaixão.
Se formos presos, morreremos: por espionagem,
subversão, por desafiar a vontade iraquiana. A.acusação
não importa. Alguns estavam marcados pará morrer desde
o começo. Eu sou um deles.
- Fantástico - resmungou Adriana. - E que tenho
eu com isso? Não fiz nada aos iraquianos.
- Oh, fez sim. Aqueles disquetes eram vitais, e você sabe onde estão. Não é brincadeira, Adriana. Se não tivesse falado tanto, os espiões não saberiam a minha identidade. Agora é tarde. Todos sabem que você é a esposade Haji Haaris.
A situação era grave. Adriana pousou um olhar angustiado
no dele. 
- Zayn, eu não agüentei ficar sem fazer nada, olhando
para aquelas crianças tão assustadas. Que opções eu tinha? A vida delas estava em perigo.
- Claro - suspirou o sheik. - Mas seriam retiradas
daqui em poucas horas independentemente de sua interferência.
Você podia ter esperado o fim da reunião
com o embaixador. Eu teria inventado uma explicação
para os iraquianos, que não comprometesse a nossa identidade.
- Eu juro que só queria ajudar - disse com voz trêmula. .
_ E ajudou - concluiu Zayn. - Eu a compreendo.
_ Você decidiu ficar com seu marido árabe. E agora terá
que enfrentar as conseqüências.
Zayn se levantou. Precisava imaginar como salvá-la.
Acomodou-se no divã, exausto dos muitos dias de correrias, manobras e atividades. 
Adriana se aproximou e começou
a lhe massagear o pescoço e os ombros.
- Você parece tão cansado. Há dias que não dorme, não?
- É verdade. - O sheik. lhe segurou as mãos e as
afastou. Olhou para seus seios, que afloravam no decote
da combinação. - No momento em que a vi, soube que era. perigosa. .
- É mesmo? E o que me torna tão perigosa? - Você tem resposta para tudo. Meu país está se dissolvendo.
Muita gente ainda precisa ser evacuada antes
que eu possa pensar em mim.
_Tudo bem - disse Adriana. - Comovamos tirá-la. daqui?
- Vamos? Quem disse que eu a incluí nisso?
Adriana consultou o relógio, não queria polemizar
com ele.
- Dentro de onze horas as fronteiras estarão fechadas.
- Você pensa que eu não sei? - Zayn se levantou
de um salto. - Pare de me pressionar e não discuta
comigo!
Adriana compreendeu que não valia a pena contestar.
O sheik estava furioso. E a ela só restava uma
cartada. Um blefe. Se desse certo, os dois sairiam vivos
do Kuweit.
- O Vixen Um está abastecido, pronto para decolar
- mentiu. - Verifiquei quando fui ao hangar. Tio Jack
consertou os danos na fuselagem. 
- Você o quê? - Zayn empalideceu. Contornando o
divã, agarrou-lhe os pulsos.
- Não se trata do que eu fiz - retrucou ela com ar
desafiante. - Trata-se do que quero fazer. Dar o fora
daqui! O Vixen pode transportar facilmente dez pessoas,
sobretudo se não tivermos bagagem.
- Responda a minha pergunta. Você ligou o avião
quando os soldados iraquianos estavam vigiando cada
movimento dentro do hangar? .
Adriana não estava disposta a voltar atrás em sua
mentira.
- Eu não o liguei. Eu disse que verifiquei. Usei o
sistema de verificação do computador, nada mais. Você
só precisa dizer ao pessoal da resistência a que horas
devem estar no aeroporto.
- Oh, Adriana, Adriana - disse Zayn com desânimo.
- Você acha tudo muito simples. - Soltou-a de súbito
e se pôs a caminhar de um lado para outro.
- Temos de ir para o aeroporto com a próxima caravana.
Só isso. Podemos estar fora daqui em uma hora.
- Acha mesmo que pode simplesmente ir até o hangar,
ligar o Vixen e decolar? Será que você é tão cega tão ingênua?
Não entendeu que estamos em guerra?Meu país está sendo aniquilado. Não posso simplesmente ir
embora sem olhar para trás.
Adriana suspirou. Precisava convencê-lo.
- Pode sim, Zayn. Pode e deve. Você não tem outra
escolha. 
Capitulo15
Como suas palavras não movessem Zayn,
Adriana mudou de tática. Também sabia
ser dura.
- Os que saírem daqui não vão ficar calado. O mundo
vai conhecer a verdade sobre a invasão. O importante,
agora, é sobreviver para que você possa voltar depois,
numa posição de força. Você é um líder. Se ficar, será
apenas mais um mártir. Vamos ao aeroporto, eu o tirarei
deste país no Vixen Um.
- Caso você não tenha prestado atenção, Adriana Bennett,
custou muito mais do que você imagina para que
o DC-7 levantasse vôo. Todas as propriedades do Kuweit
foram confiscadas. O Vixen Um pertence ao Iraque.
- Pertence uma oval
- É inútil discutir com você.
- Zayn, por favor, ouça. Mesmo que o Estado tenha
se apossado de tudo, o comandante do aeroporto faz qualquer
coisa por dinheiro. São todos corruptos. Fique com
a minha carteira. Tenho dinheiro e cheques de viagem,
talvez consigamos comprar à. liberação do Vixen.
- Não adianta! Será que não ouviu nada do que eu
disse? - Adriana permaneceu calada. - Você não tem
a menor idéia do que está acontecendo.
- Zayn, podemos discutir isso mais tarde. Vamos, eu
lhe peço. Vamos descer e partir com a próxima caravana.
O tempo é curto...
- É! _ atalhou ele. - Ninguém sabe melhor do que
eu quanto é curto! Eu que preciso arranjar um meio seguro
de tirá-la do Kuweit. .
Aquelas palavras a magoaram.
- Pois não precisa se incomodar, sr. Haaris. A embaixada
americana fica nesta mesma rua. Eles me levarão
embora. 
- E você pretende chamar um táxi e ir para lá?
Adriana o fitou, sem fazer caso do estrago que aquelas
palavras duras faziam em sua dignidade.
- Duvido que eu precise provar o que quer que seja.
Contente-se com a minha palavra. Se eu disse que vou
para lá, pode ter certeza de que dou um jeito de ir.
- Com os diabos! Você vai ficar quietinha aqui, sob
I vigilância se necessário, até que eu arranje um meio de
tirá-la do país.
- Não sou importante para a sobrevivência do Kuweit.
Pare de perder tempo comigo. Sei cuidar de mim mesma.
- Alá me livre das americanas! - Zayn foi para a
porta. Estava carrancudo quando pegou o kuffiah e o
'iqual. - Por sorte, o harém só tem uma porta, Issaeyaedea
Haaris. Você vai ficar confinada até segunda ordem.
- Vá para o inferno, Zayn! Estamos numa embaixada.
Eles podem emitir documentos em qualquer
nome. Podemos arranjar documentos falsos, assumir
nova identidade.
- Meus amigos sauditas não falsificam documentos.
- Não seja ridículo. Eu vim para cá com um documento
falso.
- Não, Issaeyaedea Haaris, você entrou na Província
19 do Iraque com o passaporte diplomático de seu marido.
E agora, vai aprender a primeira lição da esposa de um
árabe. Obediência. Não cometa nenhuma tolice. De agora
em diante, você está sob vigilância.
Ela pegou os restos do vestido, a abba, o véu, e se
precipitou sobre a porta que ele acabava de bater com
violência. 
- Não, Zayn! Não me tranque aqui!
E ficou paralisada ao ouvir o ruído da chave lá fora.
- Zayn, espere, tenho uma coisa importante para lhe
contar!
Aquele era o homem mais cabeça-dura, teimoso e arrogante
que ela conhecia!
Adriana não teve sossego no silêncio cada vez mais
sinistro da embaixada. Calou-se também, até que uma
explosão muito próxima despedaçou as vidraças. Abalada
levantou-se de um salto, sentindo uma onda de ,calo;
invadir a sala. Ouviu os ruídos da cidade. Até então, os
pesados vidros fechados e o zumbido do ar-condicionado
abafaram o que se passava lá fora, agora, o barulho da
guerra e o cheiro de queimado não podia ser desprezado.
Aquilo a desconcertou.
- Vou sair daqui! - gritou para ninguém. Resoluta,
pegou uma faca e começou a forçar o fecho das malas
abandonadas. A primeira continha inúteis camisolas, a
outra, blusas do Paquistão, saias compridas, lenços e roupas
de algodão tão longas que só podiam ser sáris.
O harém contava comum banheiro opulento, que merecia
ser vasculhado. Estava igualmente apinhado de objetos
abandonados - cosméticos, perfumes, cremes e óleos, inclusive
tintura de cabelo e finos pincéis marta. Adriana
escovou e repartiu os cabelos, depois umedeceu-os com óleo
para bebê, a fim de escurecê-los um pouco. Fez duas tranças
e as enrolou na cabeça, prendendo-as bem. Ficou horrível.
O cabelo escurecido tornava-a ainda mais clara. E havia
o problema dos olhos intensamente azuis.
Ela começou a selecionar a roupa que levara ao banheiro.
Escolheu cores berrantes e vivos estampados. Conseguiu
enrolar o sári no corpo e examinou o resultado. Horrível.
Resolveu despir tudo. 
- Adriana! - chamou Zayn ao entrar.
- Estou no banheiro - resmungou ela. Agora você
aparece, pensou revoltada. Não vou lhe contar nada, seu
tolo arrogante!
Zayn a surpreendeu vestindo uma calça preta.
- Mas, que... - A pergunta morreu em seus lábios.
I Ela abotoou a calça. Estava nua e linda demais para ser
I descrita. - Que fez com o cabelo?
- Não me aborreça! É óleo de bebê. Basta lavá-lo
quando eu chegar em casa, se chegar. Como vai sair
daqui? Eu vou embora mesmo que tenha de atravessar
a fronteira a pé. No Kuweit eu não fico.
_Não precisa ir a pé. Já tomei providências. Antes
de discutir isso, você vai lavar a cabeça e soltar os cabelos.Ela se voltou.
- E, se eu me recusar, pretende me forçar a obedecer?
- É possível.
Zayn fechou lentamente a porta. Adriana observou sua
expressão. Era a mesma que tinha visto quando ele a
empurrou ao minúsculo chuveiro da base militar.
- Pois bem! - Ela abriu com violência a blusa que
acabava de vestir, arrancando todos os botões. Ao jogá-la
no chão, deu-se conta de que estava se acostumando a
desnudar-se diante dele. Apanhando um frasco de xampu,
foi para o boxe. Tirou a calça, entrou no chuveiro e fechou
a porta corrediça. O vidro era transparente, não a ocultava.
Mesmo assim, ele se aproximou, abriu-a e se encostou
no batente.
_Que está tentando fazer?
- Mudar um pouco a minha aparência. Parecer menos
americana.Ok?
-Ok.
_ E você? Que está fazendo? Saia daqui! - gritou
ela. - Com os diabos, Zayn, dê o fora!
_Fique quieta - disse ele sem tirar os olhos de seus
lindos seios. - Aproveite bem a água, vai passar um
bom tempo sem vê-la. '
- Por quê? - Acabe de lavar o cabelo. Ainda está cheirando a fralda. 
_ Saia daqui!I
Tornou a ensaboar os cabelos. Quando abriu os olhos ,
depois de enxaguá-los, deu com ele ali no mesmo lugar
admirando-a. 
áá- Pelo amor de Deus, estamos numa embaixada saudita.
Provavelmente há uma câmera no chuveiro. Vão
me mandar para a cadeia!
- Você é minha esposa, Issaeyaedea Haaris.
- Só no nome.
- Tem certeza? - ele sorriu e estendeu a mão para
lhe acariciar o seio.
- Zayn!- gritou ela, recuando.
O sheik lhe agarrou o pulso, puxou-a e lhe envolveu
a cintura, colando seu corpo molhado no dele.
- Tenho o direito de admirar minha belíssima esposa.
- Zayn!
Ele a ergueu do chão.
- Que está fazendo?
O sheik a ergueu ainda mais, deitou-a no ombro e lhe
segurou firmemente as coxas.
- Vamos fazer amor até que você não agüente mais.
- Por favor, não temos tempo para isso. Vão fechar
as fronteiras em poucas horas!
- Exatamente - respondeu ele, levando-a para o salão.
- Só depois tentaremos sair daqui. Vamos dormir,
comer e fazer o que já devíamos ter feito no primeiro
encontro.
Colocou-a no espaçoso divã. Adriana tentou endireitar
o corpo, mas foi agarrada novamente. Zayn se colocou
por cima dela. Ela ainda ofereceu resistência, mas percebeu
que era inútil. Estava nua, presa, com os braços
e as pernas abertas.
- Você não me deseja. Só quer me punir por haver
entrado em sua vida, ou melhor, quer submeter-me a
sua vontade. 
- Oh, eu a desejo sim - respondeu ele, acariciando-lhe
os seios com os lábios. - Faz tempo que a desejo.
- Mentira! - gemeu ela, contorcendo-se. A língua
dele brincava em seu mamilosensível, provocando-lhe
arrepios. - Oh, Zayn...
Ele tomou na boca toda a auréola rosada, intensificando
a carícia com a ponta da língua e os dentes. Adriana
I tentou uma vez mais dissuadi-lo.
_ Vou gritar.
I - Grite à vontade - disse ele, beijando-lhe o corpo.
- A embaixada está vazia. Só ficaram dez homens do
lado de dentro. Estão esperando minhas ordens. Nenhum
deles interferiria num assunto entre marido e mulher.
- Por favor, Zayn, não faça isso. Com raiva não.
- Não estou com raiva. Só excitado. Você ganhou.
Não posso lhe dar as costas e ir embora. Estamos no
. mesmo barco até que tudo termine.
-Desculpe-me se não consigo tomar isso por uma
promessa de amor eterno.
- Amor eterno eu não lhe prometi. Dei-lhe meu nome,
a minha proteção para sempre, minha fortuna e minha
alma. Que mais você quer?
- Quando prometeu tudo isso?
- Diante do amman.
Ela não tinha compreendido uma só palavra da cerimônia de casamento.
- E eu, que prometi?
Zayn sorriu e lhe beijou a boca.
- Honrar-me, obedecer-me e dar-me filhos.
Adriana o abraçou. Lá fora, explodiu outra bomba, o
prédio tremeu. O resíduo do calor do deserto entrava
pelas vidraças quebradas. Ela já não fazia caso de nada,
só queria aquele homem. 
- Acho que não vai dar tempo para termos filhos.
- Temos tempo para nós... Nada mais importa -
respondeu o sheik, e a beijou prolongadamente. Contavam
Com aquele momento para cumprir o juramento. - Há
dias, prometi a mim mesmo que, quando fizesse amor
com você,não teria pressa. Queria dispor de todo o tempo
do mundo para adorar cada centímetro de seu corpo.
Pode contar com isso, Issaeyaedea Haaris.
Adriana o abraçou com mais força.
Ouviu-se outra explosão nas proximidades. O gerador
da embaixada falhou, a luz vacilou duas vezes e se apagou
por completo. Adriana olhou para as treliças das janelas.
Zayn lhe segurou o rosto e o voltou para ele.
- Foi a resistência. Estará em atividade a noite inteira.
- Ela estremeceu. - Não precisa ter medo. Ficarei
com você. Vou protegê-la.
- E quem vai protegê-lo?
- Alá e a boa vontade de meu povo.
Adriana enfiou o dedo no colarinho alto de sua dishdasha
e soltou o primeiro botão.
- Gosta de meu peito?
- Gostaria mais se você também estivesse nu.
- Ainda não.
Zayn baixou a cabeça e, com a língua, traçou o sensível
contorno da orelha dela. Desceu ao pescoço e, beijo a
beijo, tomou-lhe os lábios novamente. Sugou-lhe a língua,
saboreando-a, brincando com ela, depois, mergulhou a
dele em sua boca. Arqueando o corpo, Adriana exalou I
um gemido abafado de desejo. Sabendo o que ela queria,
o sheik pôs a mão em sua feminilidade. Sentiu a umidade
de seus pêlos encaracolados,sentiu-lhe o calor. 
Um delicioso arrepio a fez gemer alto. Algo assustada,
ela fugiu ao beijo. Nunca tinha deixado que um homem
a tocasse como Zayn a estava tocando. Porém; incapaz I
de resistir às turbulentas sensações que a invadiam, fechou os olhos. 
O desejo a incendiou quando aqueles dedos
separaram e roçaram delicadamente suas dobras mais 
íntimas. Era um prazer imenso. Era como se estivesse 
se derretendo, tornando-se líquida. 
As carícias se tornaram mais agressivas, exploradoras
E ela se contraiu quando Zayn mergulhou o dedo. Sentiu
um ligeiro ardor, que desapareceu quando ele o retirou
e a beijou novamente. Adriana lhe estava oferecendo 
presente inesperado. Sua virgindade. Aquilo lhe dava um
prazer indizível; pena. que a primeira união seria acompanhada de dor. 
- Por que você parou? - perguntou Adriana. - Psiu.
Zayn se despiu lentamente. Depois, aproximou-se.
Seus joelhos se tocaram, suas coxas se encontraram, seus
dedos se entrelaçaram. O corpo dele era áspero, duro,
peludo, e cheirava a café e a almíscar.
Ela fechou os olhos quando seus lábios se tocaram e
O beijo se converteu num mergulho no desejo e na volúpia.
Ai;palavras já não eram necessárias. Adriana o acolheu
nos braços, esperando as lições que só ele podia ensinar.
Seus corações pulsavam com força. Era tão delicioso tocar
e ser tocada. Ela lhe acariciou os ombros largos, os braços
fortes,embrenhou os dedos nos pêlos de seu peito.
O sheik lhe segurou a mão, beijou-lhe a palma e pediu:
- Toque-me, Haale.
E lhe mostrou como fazer, levando-a a sua dilatada e
rija masculinidade. Com os olhos muito abertos, ela agradeceu
a escuridão reinante. E apertou os dedos na prova
palpitante do desejo que Zayn tinha por ela. Estava muito
enrijecida e carregada de tensão. 
- Eu a quero muito - murmurou ele, beijando-a com
voracidade.
Adriana abriu as pernas e estremeceu quando ele se
Colocou entre suas coxas, e sentiu uma agonia quando
roçou o dedo na sensível protuberância onde residia a
sensualidade, acariciando-a lenta e ritmicamente. Ela
I1moveu o corpo, buscando-o, e sentiu o contato ardente
de sua rija virilidade.
Ele lhe segurou os ombros e começou a penetrá-la pouco a pouco, devagar. 
O calor e a pressão provocaram-lhe
Uma necessidade, uma urgência, impossível de negar. Era
deliciosa aquela intrusão, aquela invasão lenta e constante,
que finalmente a preencheu.
Sem perceber, Adriana cravou as unhas em suas costas.
Uma arremetida mais, e Zayn estava totalmente mergulhado.
E abandonando-se ao intenso prazer, deixou-se
cair sobre ela, beijando-a, movendo compassadamente a
língua, ensinando-lhe a cadência do amor.
Era uma loucura. Adriana acreditou que aquela dança
lenta e ondulada duraria para sempre. Nunca tinha imaginado
a ânsia do orgasmo. Sentiu-se como que no alto
de um penhasco, hipnotizada pela altura, relutante e fascinada,
até que a ventania finalmente a empurrou, e ela
se deixou levar, precipitando-se no abismo do prazer supremo.
E gozou.
Zayn lhe colheu os gritos na própria boca. Também
precisava de alívio, mesmo assim, adiava deliberadamen- .
te o seu próprio prazer pela alegria de saborear o dela.
Por fim, Adriana o envolveu com os braços e as pernas,
puxando-o vigorosamente para dentro de si, empurrando-
o, num frenético ir e vir, oferecendo-lhe o que nenhuma
outra mulher lhe havia oferecido.
Ele finalmente se desfez numa vulcânica explosão que
a inundou. Seu coração disparou enlouquecido. E, deixando
a cabeça tombar no ombro dela, ofegante, suado,
feliz, gratificado, relaxou. 
Capitulo 16
Oficialmente, a embaixada saudita fechou
à meia-noite, exatamente no horário limite
imposto a todas pelo Iraque. Extra-oficialmente...
de acordo com as fontes de Zayn e a resistência clandestina
do Kuweit... a maioria das as missões diplomáticas
continuou operando discretamente, opondo-se às forças
de ocupação. O encarregado de negócios americano ficou
embarricado atrás de seus muros, resistindo deliberadamente
aos invasores.
Ali poucas patrulhas que se aproximaram da representação
saudita decidiram que os beduínos acampados
no jardim podiam lá permanecer provisoriamente. Tinham
coisa melhor a fazer em outros lugares e, enquanto
estavam ocupados em saquear as residências e o comércio
kuweitianos, a embaixada saudita continuava oferecendo
segurança aos que lá estavam escondidos.
Várias noites depois do fechamento das fronteiras,
Zayn e Adriana mudaram-se para o subsolo de uma luxuosa
mansão com vista para a baía do Kuweit.
Os iraquianos tinham iniciado uma pilhagem sistemá tica, rua por rua,
de tudo quanto houvesse de valor. 
Nos caminhões militares, levavam toda a mobília das casas,
sem poupar torneiras, vasos sanitários ou maçanetas. O
lugar onde os dois se instalaram já tinha sido saqueado,
I de modo que a resistência o considerava seguro.
Adriana não ficou nada satisfeita com a falta de luz,
telefone, gás e água que se seguiu ao fechamento das
fronteiras. Sem ar condicionado, os prédios modernos se
transformaram em verdadeiros fornos sob o sol inclemente.
Não era muito mais fresco no subsolo. Tinham
água porque os iraquianos haviam quebrado os canos ao
invadir a casa, inundando-a parcialmente. Até que ponto
se tratava de água potável, Adriana preferiu não averiguar.
Ninguém no Kuweit podiase dar ao luxo de ser
exigente.
Era dificil dormir naquele lugar abafado, quente e poeirento.
Toda vez que ela pegava no sono, sobressaltava-se
com as descargas de metralhadora. Levantava-se, então,
e ia procurar Zayn na penumbra. Geralmente ele estava
por perto, conversando com seus aliados. Nervosa, Adriana
vivia atenta ao ruído dos veículos militares e aos incessantes
tiroteios na rua. Quanto mais duravam, mais
ansiosa ficava. E não conseguia aceitar a obstinada recusa
de Zayn a se mudar do seguro esconderijo. Na verdade,
só compreendeu o que ele tinha em mente quando
finalmente saíram de lá.
O sheik estava à espera de um kaus, ou seja, de uma
tempestade de areia. Esta começou num entardecer,
quando o intenso calor de agosto atingira nada menos
que cinqüenta graus. O vento abrasivo chegou do deserto,
trazendo uma areia avermelhada que encobriu
o céu. As furiosas rajadas varriam os desfiladeiros formados
pelos modernos edifícios vazios, obrigando as
patrulhas iraquianas a buscar abrigo e cegando os que
eram obrigados a permanecer nos postos de controle
nas principais estradas. 
Quando escureceu, Zayn e Adriana fugiram a pé pelas
ruas desertas de AI Kweit, na companhia de dois
combatentes da resistência, que sabiam evitar o controle
iraquiano.
A cidade estava sinistra aquela noite, diferente de todas
as que Adriana conhecia. O kaus uivante nada poupava
a sua passagem. A força da areia transportada pelo
vento era capaz de arrancar a pintura de um carro e
maltratava cruelmente a pele e os olhos humanos. Mas
foi a tempestade de areia que lhes permitiu passar despercebidos pelos postos iraquianos.
Em AI Jahrah, reuniram-se a um grupo de beduínos.
Adriana teve a impressão de reconhecer um ou outro . da embaixada, mas, como havia perdido as lentes de contato na ventania, não podia ter certeza. Ademais,
estava rigorosamente proibida de falar, determinação
que, em seu estado de apreensão, não foi difícil de cumprir
ao pé da letra.
Zayn se confundia facilmente com o pequeno grupo de escuros e bigodudos beduínos. Todos declaravam ser primos dele. '
! Ficaram em AI Jahrah até tarde da noite, quando a
tempestade passou. Misteriosamente, os beduínos conseguiram uma caminhonete Nissan sem placas, que parecia ter vindo direto da loja. Os treze subiram no veículo e viajaram pelos campos de petróleo a noroeste de AI Ku weit. Já era dia quando chegaram a um posto de controle.
Todas as estradas ao sul e a oeste estavam cheias de
pessoas desesperadas,que tentavam fugir do país. Mais
de um milhão se dirigiam ao oeste a pé, em busca de salvação nas longínquas
fronteiras da Jordânia.
No posto de controle, era impossível controlar tanta
gente, os soldados se limitavam a examinar rapidamente os documentos. Quando um deles se aproximou, Haasan
se pôs a choramingar; queixando-se de que haviam destruído seu caminhão e ferido três de seus filhos. 
Com ar céptico, o soldado foi examinar a carroceria; as ataduras
dos beduínos e sua roupa manchada de sangue pareceu
convencê-lo de que era verdade, e ele os mandou seguir
para o oeste, através do Iraque. Era o caminho mais
rápido a Basra.
Antes do anoitecer, chegaram ao principal acampamento beduíno. 
Também este havia sofrido uma incursão
das famintas tropas iraquianas, que, em troca de bebida
e uns computadores roubados, pediram carne fresca de
carneiro e mulheres com que se entreter. Algum tipo de
negociação, cujos detalhes Adriana não conheceu, tinha
sido possível; tanto que, no dia seguinte, quando a tribo
levantou acampamento, o velho sheik levou consigo quatro
monitores e um teclado.
Um mês e meio depois, Adriana estava habituada à
existência no deserto. Adaptara-se facilmente ao estilo
de vida simples e errante dos beduínos.
Só corria um minguado fio de água da nascente junto
à qual estavam acampados agora, mas era um fluxo constante
que vinha das irregulares elevações. -
Adriana estava se lavando ao cair da tarde. Espalhados
no chão do deserto, os homens limpavam seus fuzis e as
mulheres colocavam pesados rolos de lona na carroceria
dos caminhões ou no lombo dos camelos com a mesma
facilidade com que erguiam uma criança. Mil carneiros
vagavam inquietos ao redor do acampamento ou junto
ao leito quase seco do regato. Uma tropa de camelos
gemia, queixava-se e se recusava a se levantar para dar
passagem aos sedentos cavalos. 
Observando-a do alto de uma rocha próxima, Zayn sorriu.
Estava orgulhoso da rapidez com que Adriana se
adaptara ao deserto e de seus progressos no domínio do
dialeto beduíno. Mas voltou a ficar sério, lembrando-se
de que estava de sentinela, precisava permanecer alerta.
Como era difícil prestar atenção em qualquer outra coisa
na presença daquela mulher! Ele tratou de virar a cabeça
de modo que apenas o vivo colorido de sua roupa e o
dourado de seu cabelo ficassem na periferia de seu campo
visual. Talvez assim conseguisse concentrar-se mais na
vigilância.
Adriana se voltou para a luz suave do crepúsculo. Era
a parte mais bela do dia, quando o sol poente tingia de
dourado as rochas e a areia. Forçou a vista para observar
os detalhes do belo porte de Zayn, o fuzil à altura da
cintura, pendendo da correia ao ombro, o longo e empoeirado albornoz. 
Colhendo um pouco de água na concha
das mãos, umedeceu os cabelos, que brilhavam feito uma
cascata de ouro em suas costas. Tomado de desejo, Zayn
deixou escapar um rouco gemido e se agitou com desconforto.
Tinha consentido que ela viesse a seu posto de
guarda, para que pudesse banhar-se antes do início da
marcha noturna.
- Está... zangado por causa de ontem? - perguntou
Adriana com cautela, escolhendo as palavras.
- Se meu honrado tio elevar a oferta para trinta ca melos e um garanhão, ele fica com você _ respondeu
Zayn mal-humorado.
- Você está zangado - riu ela. - Eu não tenho culpa
do que aconteceu.
- Na próxima encarnação, vou pedir a Alá uma mulher
que saiba exprimir seu prazer em silêncio. Não fui
eu que acordei as crianças.
_ Mas foi você que derrubou o pau da barraca 
lembrou Adriana.
- Pensando bem, dispenso o garanhão e os camelos.
Haasan pode ficar com você em troca de dez cabras.
Com um muxoxo, Adriana se levantou, cobriu a cabeça
e os ombros com o véu, ocultando totalmente os traços
de sua identidade. 
çãçõçéááUma brisa quente agitou-lhe a saia junto a seus pés
descalços, que estavam tão bronzeados quanto o rosto e
as mãos. Zayn riu porque ela tinha compreendido a ironia
de sua censura.
- Você pode dormir com os camelos hoje.
Virou-se para se afastar pelo pedregoso caminho. Ele
continuou olhando para ela. Vendo-a de costas, ninguém
diria que não era da tribo. Caminhava com agilidade,
os pés seguros como os de uma cabra, e já sabia
vestir-se e comportar-se como as árabes. Ali terminavam as semelhanças.
O forte bronzeado ressaltava sua beleza. O sol lhe clareara
os cabelos. Seus olhos azuis eram exóticos. 
Todos os homens da tribo a queriam, todas as mulheres a invejavam.
Mesmo assim a aceitaram por sua generosidade
e simpatia.
- Vá para a tenda e guarde os meus pertences. Seja útil.
Com urna careta, Adriana desceu a pendente e foi para
o acampamento, que estava sendo desmontado.
Haasan, o exuberante tio de Zayn, se pôs a rir em sua
confortável cadeira instalada num tapete diante da tenda.
Não lhe escapava nada do que se passava no acampamento.
A mulher de seu poderoso sobrinho era um espetáculo
que havia muitos anos ele não via.
Adriana se deteve um momento e o cumprimentou com
urna respeitosa mesura, depois se internou na escuridão
da barraca de pele de cabra e de camelo. Praguejou a
sós. Não tinha culpa se Zayn chamava a atenção e até
acordava as crianças durante a noite, quando estavam
fazendo amor. Não tinha culpa se ele era tão fogoso. Ela
nunca imaginou que um dia haveria de se queixar disso,
muito embora, quando se reuniu à tribo de Haasan, tivesse
achado estranha a idéia de fazer amor numa tenda facilmente
devassável. Logo se acostumou aos diferentesruídos
do deserto à noite. Havia o confortável crepitar da .fogueira
lá fora e o roncar do velho sheik. Até os animais tinham
seus padrões de chamados e movimentos noturnos. 
No começo, nem sequer lhe ocorreu fazer amor; aos poucos, no
entanto, ficou tão relaxada que a falta de privacidade perdeu
a importância. Os beduínos respeitavam a intimidade
alheia. Encaravam as necessidades físicas como parte natural
da vida. Ninguém reparava em tosses, espirros e outros
ruídos do corpo. E, a julgar pelo número de crianças
da tribo, tinham relações sexuais freqüentemente.
Adriana juntou e enrolou a roupa lavada e apanhou
as botas de reserva de Zayn. Ao terminar a última trouxa,
calçou as sandálias. Com a ajuda de Kabira aI Sabah
levou tudo para fora, onde um camelo estava ajoelhado. 
Enquanto esperava sua vez de carregá-lo, tratou de ficar 
fora do alcance das traiçoeiras mordidas do animal
Com o acampamento praticamente. desmontado, os jovens
reuniram o rebanho de carneiros e começaram a tangê-los para o sul.
Adriana sabia que se encontravam no
interior da chamada Zona Neutra, uma terra de ninguém
coberta de areia avermelhada onde se espalhava uma infinidade
de poços de petróleo. A nascente seguinte ficava
bem longe. Como o rebanho estava descansado, passariam
dias viajando, internando-se cada vez no Summan.
Adriana partiu animada. O fato era que se dava bem
com os beduínos e estava muito feliz com Zayn. 
Capitulo 17
Foram muitas e longas jornadas no deserto
seco. De vez em quando, Adriana se distraía
observando os beduínos. Eram uma curiosa mistura do passado
com o presente. Além dos cavalos e dos camelos, tinham
um caminhão Ford 1990 e a Nissan nova em folha,
com tração nas quatro rodas. O mais importante, contudo,
era um caminhão Mercedes, que transportava a maior parte
das tendas e os objetos mais pesados.
Eles viviam sincronizados com o sol e descansavam
nas horas de mais calor. Sua filosofia nômade era elementar:
quando uma fonte começava a secar, mudavam-se
para outra, tangendo carneiros e cabras no deserto.
Quando acampavam, apareciam os teares e as fibras
de lã tingidas. Ao entardecer, a metade da tribo se punha
a tecer belos tapetes. Os demais dançavam ao som de
flautas e tambores.
As jovens eram verdadeiras ninfas selvagens, que
bailavam toda noite à luz das fogueiras. A julgar pelo
modo como as solteiras chocalhavam os braceletes para
o seu marido, Adriana imaginou que muitas delas aspiravam
a ser a esposa número dois, três ou quatro
do sheik Haji Haaris. Zayn lidava tranqüilamente com
tais galanteios. Ria e gracejava com as moças, lembrando
sempre que eram primos; em todo caso apesar
dos insistentes convites, nunca permitiu que Adriana
participasse da dança. 
Esta já havia perdido a noção dos dias da semana, só
tinha consciência de que estavam em outubro. Às vezes
ficava aborrecida, imaginando quanto sua família devia
estar preocupada, mas procurava não se atormentar com
coisas que não podia resolver. E rogava que chegassem
sãos e salvos, queria tanto voltar a abraçar o pai e o tio!
Ninguém lhe havia contado que já se encontravam em
território da Arábia Saudita. Sempre procurando evitar
um encontro com os iraquianos, a caravana seguiu para
o sul, detendo-se apenas para que os animais descansassem.
Não voltaram a acampar.
Na última parada, tinham.perdido algum tempo reagrupando
os camelos e as montarias. Adriana recebeu
ordem de sair à frente com parte do rebanho. Labid, um
rapazinho ainda jovem, foi designado para acompanhá-la.
Pouco antes da partida, Zayn e outros quatro beduínos
adiantaram-se a cavalo, a fim de investigar as cercanias.
Munida de um bastão, Adriana ia tangendo os carneiros. 
Sentia dores no corpo e, embora desejasse sentar-se
e descansar enquanto esperavam os cinco.cavaleiros, sabia que era preciso seguir adiante. 
- Não se preocupe, lalla -- disse-lhe Labid. – 
Há um pequeno oásis perto daqui. Já vamos chegar.
- Não acha que podemos nos perder? perguntou,apenas distinguindo a silhueta dos camelos ao luar e ouvindo os motores a distância.
- Não. Não há perigo.
O céu estava estrelado e sem nuvens, a lua nova iluminava
o caminho. A temperatura começou a cair.
- Lalla, o sheik está chegando - avisou Labid, notando
a inquietação do rebanho.
- Seu avô? - perguntou Adriana, esforçando-se para
enxergar.
- Não,lalla. É o sheik Haaris.
- Ah, sim, estou ouvindo os cavalos. Mas é melhor
seguir em frente, podem demorar.
_Talvez seja melhor esperá-lo.
- Não se preocupe. Logo nos alcançarão - sorriu ela.
Iam avançando devagar quando, pouco à frente deles,
duas ovelhas caíram numa vala na areia. Ouviu-se um
grito. Outros animais caíram. Adriana e Labid correram
para deter o rebanho. Neste momento, um homem saiu
do buraco, tentando livrar-se dos apavorados carneiros.
Adriana ergueu o cajado para se defender do que tomou
por um animal selvagem, mas deixou escapar um grito
ao ver que estava diante de um soldado.
- Alto! - ordenou ele, apontando o fuzil. - Quem
está aí?
- Que você está fazendo aqui? - perguntou Adriana
ao soldado. - Quase me matou de susto!
- Eu? - disse ele. - O que é que você está fazendo
aqui? 
Gritando como um autêntico guerreiro, Labid -e colocou
entre Adriana e o militar. E, disposto a lutar, brandiu
o cajado.
- Corra para junto das mulheres, lalla!
Balindo espavoridas, as ovelhas se dispersaram. Adriana
empurrou o menino, afastando-o da mira do fuzil.
- Não atire! - pediu. - Somos de paz. Quem são
vocês?
Surpreso, o soldado baixou a arma.
- Fuzileiros em manobra, senhora. Você é americana?
- Corra, Lalla! Eu a protejo! - gritou o valenterapazinho.
- Sou mais que americana - respondeu Adriana ao
soldado. - Sou do Texas!
- Não diga! Eu também sou de lá, senhora! Seja
bem-vinda!
- Adriana!
Emergindo da escuridão, Zayn arremeteu com a cavalo
contra o desconhecido.
_ Pare Zayn! São fuzileiros americanos! Estão em manobras
aqui.
Ouviu-se o rádio do soldado. Uma voz pediu informações
quanto ao que estava acontecendo.
- Sou eu, sargento, Woodie. Posição 7-57-Alfa. Encontramos
uma mulher com um rebanho e uma tribo de
nômades.
- Adriana, vá para junto das mulheres - ordenou o'
sheik ao desmontar.
- São fuzileiros americanos, Zayn! Estamos salvos!
- Vocês são refugiados do Kuweit? --'--quis saber o
soldado.
Zayn colocou-se diante de Adriana e apontou para a
tribo, que se aproximava na escuridão. Ela correu para
lá com a notícia. Labid tratou de reunir as ovelhas desgarradas
e alcançá-la.
- Quem são eles? - perguntou. - Árabes não são.
- Não. São americanos. Fuzileiros navais.
- Americanos? Fuzileiros? Que estão fazendo aqui?
Tomado de curiosidade e mesmo sabendo que não devia
intrometer-se nos assuntos dos adultos, o menino voltou
correndo para junto de Zayn. Fingiu ocupar-se de seu
cavalo. 
Adriana não sabia se devia reunir-se aos beduínos
ou voltar aonde estavam os fuzileiros. Que era mais
seguro?
De repente, deu-se conta da pavorosa realidade. A
presença de americanos no deserto só podia significar
uma coisa: guerra! Com lágrimas nos olhos, esforçando-
se para não perder o controle, decidiu ir ao encontro
da tribo.
Pouco depois, apareceram quatro jipes blindados. Inúmeros
fuzileiros se aproximaram do acampamento. O ruído
de estática dos rádios se misturava às vozes dos agitados
animais. As mulheres ofereceram a Adriana café
e biscoitos.
- Não consigo comer - disse ela. - Estou muito
nervosa.
- É o seu povo, Haale? - perguntou Kabira, que se
tornara sua amiga. Como todas as outras já se cobrira com
o manto. Adriana não tinha véu, de modo que enrolou o
xale na cabeça, deixando apenas os olhos à mostra. Kabira
observava os jovens fuzileiros com grande interesse. - Agora
compreendo por que você é tão alta e bonita. -
- Eles não são meus parentes - explicou Adriana.
- São apenas compatriotas. Nos Estados Unidos há todo
tipo de gente, das mais diferentes raças.
A beduína balançou a cabeça.
- É mesmo? Mas os clãs deviampermanecer unidos.
Você vai entender o que estou dizendo quando conhecer
a esposa do sheik Haaris. Ela é muito bonita e enérgica.
Precisa ver como trata os filhos.
- Quê? - Adriana engoliu em seco. - O sheik tem
outras esposas?
- Claro que tem - disse Kabira. - É uma tradição
do clã al-Haaris ter quatro esposas.
Era a primeira vez que Adriana ouvia aquilo. Não
sabia o que pensar. Nunca lhe ocorrera perguntar se
Zayn era casado. Por outro lado, casara-se com ele por
necessidade, para resolver um problema imediato. Não
se tratava de um compromisso definitivo.
- É melhor você dormir um pouco - aconselhou Kabira.
- Não, não estou com sono. 
Nesse momento, ouviu-se um ruído ensurdecedor.
Apareceram fortes luzes no céu: helicópteros rumando
para o norte. Um dos aparelhos aterrissou, provocando
uma verdadeira tempestade de areia ao seu redor. Embora
trouxesse o emblema dos Estados Unidos, os soldados
que desembarcaram eram sauditas. Vieram buscar
Zayn.
Ele passou um bom tempo trocando abraços com os
membros da tribo, expressando a sua gratidão; depois,
- Não consigo comer - disse ela. - Estou muito
nervosa.
- É o seu povo, Haale? - perguntou Kabira, que se
tornara sua amiga. Como todas as outras já se cobrira com
o manto. Adriana não tinha véu, de modo que enrolou o
xale na cabeça, deixando apenas os olhos à mostra. Kabira
observava os jovens fuzileiros com grande interesse. - Agora
compreendo por que você é tão alta e bonita.
- Eles não são meus parentes - explicou Adriana.
- São apenas compatriotas. Nos Estados Unidos há todo
tipo de gente, das mais diferentes raças.
A beduína balançou a cabeça.
- É mesmo? Mas os clãs deviam permanecer unidos.
Você vai entender o que estou dizendo quando conhecer
a esposa do sheik Haaris. Ela é muito bonita e enérgica.
Precisa ver como trata os filhos.
- Quê? - Adriana engoliu em seco. - O sheik tem
outras esposas?
- Claro que tem - disse Kabira. - É uma tradição
do clã al-Haaris ter quatro esposas.
Era a primeira vez que Adriana ouvia aquilo. Não
sabia o que pensar. Nunca lhe ocorrera perguntar se
Zayn era casado. Por outro lado, casara-se com ele por
necessidade, para resolver um problema imediato. Não
se tratava de um compromisso definitivo.
- É melhor você dormir um pouco - aconselhou Kabira.
- Não, não estou com sono.
Nesse momento, ouviu-se um ruído ensurdecedor.
Apareceram fortes luzes no céu: helicópteros rum ando
para o norte. Um dos aparelhos aterrissou, provocando
uma verdadeira tempestade de areia ao seu redor. Embora
trouxesse o emblema dos Estados Unidos, os soldados
que desembarcaram eram sauditas. Vieram buscar
Zayn. 
Ele passou um bom tempo trocando abraços com os
membros da tribo, expressando a sua gratidão; depois,
sem se deter, passou pelo grupo de mulheres que cercavam
Adriana e foi se despedir do velho tio.
Kabira então sussurrou:
- O sheik a está esperando. Vá.
Adriana se despediu rapidamente, beijou o rosto de Labid
e correu ao helicóptero, que não tardou a levantar vôo.
Na Vila Militar Rei Khalid, um esquadrão de soldados
kuweitianos e sauditas se enfileirou na escuridão
para saudar o general. Zayn saltou do helicóptero entre
gritos de boas-vindas. Depois de acenar para os homens,
sob o vento das hélices, voltou-se para ajudar
Adriana a desembarcar.
. - Conseguimos! .
Com. a garganta apertada demais para falar, ela fez
que sim. Zayn a tomou pela cintura. Foi cercado de ruidosos
companheiros de armas, que já tinham sido informados
de que ele estava retomando são e salvo do território
ocupado. Os sauditas desenrolaram seu melhor
tapete vermelho para receber o herói.
Embora fossem muitos, ele parecia conhecer todos os
soldados.
Adriana se afastou da pequena multidão. Sentia-se
sozinha, deslocada, e estava sofrendo como nunca.
Era o fim.
Saindo do hangar, ficou a contemplar a noite do deserto.
A tripulação americana estava tomando café ao
lado do helicóptero. Os pilotos olharam para ela. Um
deles riu, dizendo:
- É a primeira mulher que vejo desde que cheguei à
Arábia. Todas se vestem assim?
O outro murmurou alguma coisa que Adriana não chegou
a entender. Nenhum deles imaginava que falasse a
sua língua. Ela não sabia como reagir. Não era saudita
nem kuaitiana, mas tampouco se sentia americana.
Será que o Vixen ainda estava lá? Se estivesse, podia 
voltar para casa imediatamente. Adriana suspirou. Zayn
estava em seu elemento, pronto para dar ordens que seriam
cegamente obedecidas. Depois de algum tempo, ele
veio procurá-la intrigado com seu desaparecimento. Ficou
aliviado ao encontrá-la. Aproximou-se, retirou o xhle que
a cobria, abraçou-a e beijou-a. Adriana se surpreendeu.
Sabia que os sauditas não toleravam aquelas manifestações
de carinho, mesmo quando se tratava de um sheik.
- Por que está chateada? - perguntou Zayn. - Estamos
em segurança agora. Temos de nos apressar. Já
providenciei para que sejamos levados a Anaiza. - Adriana
permaneceu calada. - O que aconteceu?
- Você não entenderia nunca!
O sheik se afastou alguns centímetros. Estavam praticamente
no mesmo lugar onde tinham conversado pela
primeira vez.
- Vamos para Anaiza.
- Você me consultou quanto a isso?
E, dando-lhe as costas, ela se afastou. A discussão
tinha chamado a atenção dos árabes e despertado a curiosidade
dos americanos. Com passos largos Adriana
seguiu seu caminho. Quando estava a certa distância do
hangar, viu um jipe aproximar-se. Zayn saltou do veículo
em movimento. Adriana se voltou e gritou:
- Deixe-me em paz!
- É a última vez que venho atrás de você - respondeu
ele. - Suba no jipe! .
- Você vai se arrepender muito se me tocar.
Zayn olhou exasperado para o motorista e fez um sinal
para que esperasse.
- Por que está tão zangada? Que aconteceu afinal?
Pode me explicar? - Ela continuou caminhando. - Aonde
você vai? 
çãçõçéáá- Não sei. Não tenho nada a fazer aqui.
- Então entre no jipe. Vamos embora.
- Não. 'Não vou a lugar nenhum com você. Não quero
ficar trancada.
- Adriana, só quero levá-la a Anaiza.
Ela o mirou com tristeza.
- Zayn, eu quero ir para a minha casa. Estou com
saudades. Quero voltar.
- Ótimo. Você quer voltar. Por favor, entre no
jipe para que possamos descansar um pouco. Preciso
tomar banho, comer uma refeição quente e dormir
numa cama decente. Não quero ficar aqui, discutindo
até amanhã.
- Você me leva ao aeroporto de Riad? Agora?
Zayn respirou fundo. Não valia a pena mentir.
- Não. Não vou levá-la a Riad. Já lhe disse exatamente
o que quero fazer. Tomar banho, jantar e dormir.
Entre no jipe.
- Está bem.
Era a quarta vez que ele repetia a ordem e a segunda
que pedia por favor. No primeiro encontro, tinha declarado
que nunca repetia uma ordem. Havia mudado, pelo
menos no que lhe dizia respeito.
No jipe, Adriana aceitou o abraço de Zayn. O veículo
passou por três edifícios e uma pista iluminada. Ela não
viu mais nada. As lágrimas lhe embaçavam os olhos. O
jipe parou junto a um helicóptero pilotado por três homens.
O rotor já estava ligado.
- Por que não passamos a noite aqui?
- Não há acomodações - disse o sheik. - Quase
cem mil soldados estão alojados na base. Vamos para
Anaiza.
- Não quero ir para lá. Dê-me a chave do Vixen.
- Não, Adriana. Pare de me atormentar!
- Não grite comigo!
- Então faça o que estou pedindo.
- Não posso ir para Anaiza desse jeito. Estou imunda.
Seus criados... sua família... Que vão pensar de mim?
Zayn se apoiou no jipe e aproximou o rosto do dela.
- Saia daí e suba no helicóptero. Aperte o cinto de
segurança e não diga mais nenhuma palavra. 
Adriana hesitou, mas logo concluiu que já tinha falado
demais.. Fuzilando-o com o olhar, ergueu o vestido e embarcou.
Zayn subiu atrás dela. Ela se sentou no comprido
banco, afivelou o cinto e ficou olhando para o fundo vazio
do aparelho.
O sheik a deixou em paz. Ela tentou imaginar como
enfrentaria a dor da separação. Mas era preciso. Por isso
não queria sequer conhecer sua família, que certamente
não a aprovaria.Teria sido melhor se houvessem se separado
na base militar.
O vôo pareceu interminável. Apesar do cansaço, ela
não conseguiu dormir. Quanto mais se aproximava do
palácio, mais tensa ficava.
Quando sobrevoaram Anaiza, Adriana notou que havia
pouca luz no palácio, assim como na aldeiazinha situada
no vale próximo.
Três homens subiram as escadas para recebê-los no
heliporto. O único que ela conhecia era Ali. Os outros
dois se precipitaram sobre Zayn, abraçando-o e beijando-
o. Só ao chegarem ao amplo saguão iluminado ele a
apresentou aos desconhecidos. O de bigode era Saul, o
de óculos, Daud Haj Haaris. Ambos a cumprimentaram
com fria cortesia. Ela compreendeu imediatamente que
não tinham gostado dela. Ali se aproximou. ,
- Seja bem-vinda, Issaeyaedea Haaris. A senhora nos
causou muita preocupação. Prometi a meu sheik não deixar
que aconteça novamente. Só queremos o seu bem estar
e a sua segurança. . 
O palácio estava em silêncio. Os três irmãos trocaram
poucas palavras. Adriana esperava receber a qualquer
momento a notícia de que a esposa e os filhos kuweitianos
de Zayn tàmbém estavam hospedados ali, mas ninguém
tocou no assunto.
Tendo se despedido subitamente dos irmãos, ele a tomou
pela mão e a conduziu à outra ala da enorme casa.
Mesmo que quisesse, Adriana não teria conseguido livrar-
se de sua mão firme, de modo que se resignou a
acompanhá-lo. Entraram por um comprido corredor, que
passava por jardins e uma bela piscina. Pouco depois,
entraram num quarto enorme. Zayn fechou a porta, soltou-
a e apontou para a extremidade do aposento.
- O banheiro fica ali. Se quiser tomar banho sozinha,
tem cinco minutos.
Adriana estava indo para lá quando viu entrar um
criado. Sem lhe dar atenção, foi para o banheiro. O empregado
a seguiu, levando-lhe toalhas e um roupão. O
banheiro não tinha sequer uma porta que lhe garantisse
um mínimo de privacidade. Antes de se despir, ela se
certificou de que o homem havia saído. Mal tinha mergulhado
na enorme banheira quando ouviu a voz de Zayn
anunciar:
- Tempo esgotado! 
Ele entrou. Estava apenas com uma toalha na cintura.
Adriana se refugiou num canto. Não que faltasse espaço.
A banheira era. grande o suficiente para que o
sheik se banhasse acompanhado de cinqüenta odaliscas
se quisesse. .
Ela vestiu o roupão, sentou-se na borda e ficou observando-
o. Precisava controlar-se para lhe perguntar
o que queria saber: a verdade, toda a verdade. A começar
por uma questão fundamental: até que ponto
ele a amava?
- Você parece exausta.
Ela ergueu a cabeça e o viu enrolar uma pequena toalha
na cintura.
- Vamos - disse ele, estendendo-lhe a mão.
Adriana nunca soube dizer como aconteceu. 
Quando se deu conta, já estava na cama, aninhada no calor do
corpo de Zayn, sentindo na pele os seus lábios úmidos e
macios. Ao contato de sua rija virilidade, não opôs resistência;
precisava desesperadamente daquele homem.
Dizendo que em breve ela estaria se sentindo bem melhor,
o sheik lhe beijou lentamente o colo, os seios, o abdômen.
Depois, separou com delicadeza as suas coxas e sugou o
mel de sua feminilidade; a voluptuosa carícia era um
delicioso tormento para a alma exausta e cheia de culpa
de Adriana.
Zayn não se entregaria enquanto ela continuasse se
comportando como uma garotinha mimada, como uma
menina tola e egoísta, incapaz de dividir com outras mulheres
o mais maravilhoso dos homens. No entanto, doía-lhe
muito imaginá-lo compartilhando momentos tão íntimos
com outra. 
Adriana tentou escapar, empurrando-lhe a cabeça, mas
ele não fez caso de seu débil protesto. Com a ponta da
língua, continuou a acariciá-la até que ela já não suportasse
a necessidade premente de ser penetrada. Estava
disposto a levá-la ao limite. Já conhecia bem o seu corpo.
Mas era a primeira vez que a tinha nos braços num
lugar seguro, onde ela podia gritar à vontade, e implorar,
gemer, chorar. Por isso persistiu, saboreando-lhe pacientemente
os orgasmos, conduzindo-a de um prazer a outro.
Mesmo porque achava melhor não deixá-la descansar.
Queria-a. exausta. Do contrário, na manhã seguinte teria
forças para reiniciar a discussão maluca, exigindo embarcar
no primeiro avião. Afinal, depois de tudo que passara,
só podia desejar o mesmo que ele: voltar para casa.
Assim, aproveitando-se de seu cansaço, pôs em prática
o astucioso plano de sedução.
Adriana gemeu de prazer quando ele finalmente lhe
penetrou o corpo ávido. Seus túmidos seios pareciam
querer explodir sob os seus beijos. Suas línguas duelavam
no mesmo ritmo impetuoso de seus corpos. 
Zayn estava lhe "dando a alma e um filho. O frenesi do
momento do amor denunciou o que Adriana só teve
condições de compreender muito mais tarde: Zayn jamais
a deixaria partir.
Relaxando a seu lado, ele a abraçou com ternura.
- Durma, Issaeyaedea Haaris.
- Zayn, eu queria...
Ele levou o dedo aos lábios.
- Agora não. Amanhã. 
Poucos segundos depois, Adriana estava dormindo profundamente.
Seu corpo vulnerável ficou à mercê das carícias
e do olhar fascinado do sheik. Embora ele tivesse
a impressão de conhecê-la havia muito tempo, ver-lhe o
corpo nu em sua cama era uma experiência nova. Adriana
era uma jóia única, a mais preciosa do universo. Sentando-
se a seu lado, estudou-lhe o rosto agora tranqüilo.
Seus cabelos dourados, espalhados no travesseiro, eram
de uma beleza que nenhum artista saberia imitar. De
leve, beijou-lhe o rosado mamilo. Sentindo que ela estava
com a pele fria, levantou-se e a cobriu com um lençol.
Depois, apagou as luzes uma a uma. Aproximando-se de
um pequeno tapete, ajoelhou-se na direção de Meca e
agradeceu a Alá a proteção, as bênçãos e os quarenta
dias que passara no deserto em companhia de Adriana
Bennett. Depois, interfonou para Ali e pediu que lhe servissem
a refeição no escritório. Enquanto aguardava sentado
à escrivaninha, selecionou a correspondência e telefonou
para Nova York, Londres, Paris, Atenas, contatando os irmãos e uma infinidade de tios espalhados no mundo. 
Vasculhou a gaveta em busca da relação de desaparecidos,
mortos e capturados que havia elaborado
na última vez em que estivera ali. Era uma lista minuciosa.
Em primeiro lugar vinham os familiares, depois
os amigos, os vizinhos, os conhecidos e serviçais. Para
grande alívio seu, o secretário havia arquivado a relação
no commatador, do mesmo modo que a carta que recebera
do ministro de Estatísticas do Kuweit. Do exílio ele o
parabenizava, agradecendo-lhe o destemido. esforço de retirar
documentos importantíssimos do país invadido. 
Zayn sorriu. Não tinha sido ele quem tão corajosamente
resgatara os arquivos do Ministério de Estatísticas.
Adriana era quem havia salvado as informações
de inestimável valor para a reconstrução do
país. Zayn não tivera tempo para isso. Se um dia o
Kuweit voltasse a ser soberano, era Adriana quem
mereceria a sua gratidão.
Eram oito horas da manhã quando Ali entrou.
- Tomei a liberdade de chamar seu secretário, meu
sheik - disse ao lhe servir um omelete. - O senhor seu
pai mandou avisar que quer vê-Ia depois do café.
- Obrigado, Ali. Estou com uma fome! Por que não
pediu a meu pai que viesse me fazer companhia? - Zayn
relaxou ao vê-lo encher a xícara com o aromático café.
- Deixe tudo preparado para servir Adriana assim que
ela acordar. .
- Issaeyaedea Haaris já acordou, meu sheik. Tomou
o café muito cedo, solicitou um carro e saiu. Pediu-me
roupas. Não queria ser vista com a roupa suja com
que chegou.
Zayn deixou cair a xícara no pires.
- Quê?
Ali engoliu em seco; num gesto automático, enxugou
os respingos de café no robe do patrão.
- Ali, você entregou um carro nas mãos de uma
mulher?
- Não imaginei que houvesse problema, meu sheik
- respondeu o pálido empregado.
Rosnando uma praga,Zayn jogou longe a cadeira e se
afastou da mesa.
- Meu sheik, não vai comer?
- Tire isso daqui! - explodiu ele. E, abrindo a porta
com violência, saiu do escritório. 
Ela não podia deixá-lo daquele modo! pensou ao entrarno quarto. A cama estava vazia; os lençóis, amarfanhados.
- Adriana! - A voz de Zayn ecoou no quarto e no
banheiro. Vendo que as portas laterais de vidro 'estavam
abertas, correu à garagem. Todos os automóveis
estavam lá, exceto um. O Mercedes desaparecera.
Ela havia partido. 
Capitulo 18
17 de novembro de 1990.
Vamos - pediu Katie -, conte-me
como conseguiu fugir da Arábia.
- De novo? - protestou Adriana. - Já estou cansada
de contar essa história.
Mas sorriu com benevolência. Compreendia a curiosidade
da irmã mais nova, que estava em viagem de férias
quando ela retornou do Oriente Próximo. Mas era difícil
para ela reviver uma vez mais os detalhes da aventura,
mexer numa ferida ainda aberta. Mesmo assim, diante
da expectativa de Katie, concordou em responder:
- Roubei o Mercedes do sheik Haaris e fui a Riad.
- Sozinha?
- Quase. Eu consegui ajuda num pequeno vilarejo a
caminho da capital. Uma viúva, dona de uma loja de
roupas, convenceu o filho a me acompanhar ao aeroporto.
Pedi auxílio a ela porque estava precisando de uma abba,
sabe o que é? Aquela capa que as sauditas usam sobre
a roupa.
- Você é corajosa - interferiu Margie, a mais velha.
- Eu jamais teria me arriscado tanto. Aliás, quando
pretende contar a verdade a papai e mamãe?
Os olhos de Katie se dilataram.
- Que verdade?
- Muito obrigada, Margie. Você adora ver-me em apuros, não?
- Eu? Você é que vive procurando encrenca. Papai
tem razão. Precisa criar juízo.
- Está bem - retrucou Adriana irritada.
A porta do refeitório se abriu num estrondo.
- Adriana! - chamou Tommy Bennett. - Papai quer
falar com você.
As três irmãs se entreolharam.
Adriana deu de ombros, levantando-se. 
- Está bem. Daqui a pouco eu vou.
- Vá agora. Ele está esperando.
Adriana o encarou durante alguns instantes, mas se
absteve e qualquer comentário. Nos domínios dos Bennett
era quem menos direito tinha de discutir ordens.
Levantou-se, saiu e desceu apressada as escadas rumo
ao escritório do pai. Na ante-sala, a secretária não se
deu ao trabalho de olhar para ela.
- Pode entrar - disse. - Ele está aguardando.
- Obrigada. .
Adriana abriu a porta com cuidado. O escritório de
seu pai era pelo menos quatro vezes maior que seu exíguo
e tumultuado local de trabalho. Apesar do espaço, as
I pilhas de problemas se acumulavam na mesa.
I - Sente-se, minha filha - convidou Jim Bennett; in terrompendo uma conversa ao telefone. Ela afugentou o gato amarelado que estava dormindo na cadeira e ocupou
o seu lugar. - Sim, sim. Está bem. Eu compreendo -disse ele antes de desligar. –
Telefono assim que tiver uma resposta.
Adriana se moveu com desconforto na cadeira, notando o constrangimento do pai.
_ Tommy disse que você quer falar comigo.
Jim Bennett inclinou a cabeça, estudando-lhe o rosto.
-É.
- E então?
- Então? Eu estou transtornado.
- Transtornado? Por quê?
- Porque você não me contou, nem a sua mãe, o que
de fato aconteceu na Arábia Saudita.
- Claro que contei!
Jim coçou o queixo.
- Tudo? 
áá- Sim... Acho que sim. A não ser que tenha esquecido
alguma coisa.
- Sua memória é bastante seletiva, não?
- Ora, papai, tudo já passou. Qual o problema?
- Bem - grunhiu ele, fingindo arrumar uns papéis.
- Recebi uma carta... Está por aqui... Conta uma série
de coisas estranhas.
- Que coisas?
- Por exemplo: uma conta de quarenta mil dólares...
referente a um Mercedes roubado. E multas por haver
atravessado dois países sem autorização. E um pedido
de extradição por ter saído da Arábia sem autorização
de seu marido. Isso mesmo, minha filha... de seu marido!
E agora? Está se lembrando? - A voz de Jim se alterou
bruscamente. - Quer me explicar o que significa isso?
Adriana hesitou.
- Você está falando a sério?
- Dou a impressão de estar brincando?
-Não.
- Escute aqui, Adriana, você está demitida. Vá imediatamente
para casa e explique essa história a sua mãe.
Quem sabe depois, quando eu voltar, Emma consiga me
explicar como funciona a cabeça de uma mulher de vinte
e quatro anos!
- Eu... estou demitida?
- A não ser que me dê uma explicação aceitável.
- Você é comovente! Depois de haver trabalhado como
uma escrava para cobrir as férias de Margie, depois de
I ter assumido boa parte das responsabilidades de Matt,
I estou na rua!. Muito gentil de sua parte.
- Não se esqueça que você acaba de chegar de uma
I temporada de três meses de farra no deserto. Vá conversar com sua mãe.
- Estou indo.
I- E vá diretamente para. casa se não quiser piorar
as coisas.
Adriana saiu e deparou com o olhar assustado da secretária,
que normalmente não tirava os olhos da mesa,
e com Jack encostado no batente.
-Você por aqui, titio?
- São ordens. Seu pai quer que eu a acompanhe.
Ela se. voltou e viu o pai à porta do escritório. Estava
furioso. 
- Pois então vamos, tio Jack.
Durante o percurso, Adriana preferiu ficar calada. Jack
fez muitas perguntas, mas não obteve resposta. Chegando
ao casarão, na rodovia Contoura, estacionou a caminhonete
à sombra de um frondoso carvalho.
- Lembranças a sua mãe.
- Está bem. - Adriana abriu a porta e sentiu o sol
Ide novembro no rosto. Olhou uma vez mais para o tio.
- Que foi? .
- Eu não disse nada, meu bem. Não quer dizer que
concordo com o que você anda fazendo. É melhor explicar-
se com seus pais.
- Eu não fiz nada errado, titio.
- Não? Casou-se sem consultar ninguém e, a seguir,
abandonou o marido. Acha isso certo, Adriana? E, pelo
que ouvi dizer, há uma criança envolvida nessa história.
Cedo ou tarde, você vai ter de enfrentar a. situação.
Adriana deu de ombros.
- Isso acontece. A gravidez, hoje em dia, não é uma
tragédia.
- Então é verdade?
Ela desviou o olhar, lembrando-se da última vez em
que fizera amor com Zayn. Não queria pensar nisso.
- Até amanhã, tio Jack. - Passou pela ampla varanda
e entrou. Como sempre, a casa estava escura e fresca.
- Mamãe! Cheguei - gritou, tirando os sapatos. 
- É você, Adriana? Papai telefonou dizendo que você
estava a caminho. - A voz de Emma Bennett vinha dos
fundos. - Estou no alpendre, tomando café. Venha cá.
Adriana deteve-se à mesa de jantar e examinou a correspondência.
Nenhuma carta para ela. Na cozinha, abriu
a geladeira abarrotada, mas não se interessou por nada.
Antes de fechá-Ia, porém, pegou um cacho de uvas.
- Papai está uma fera -disse à mãe. - Acaba de
me demitir.
- Outra vez? Isso já não me surpreende - sorriu
Emma, olhando para o homem a seu lado. - Acho que
não preciso apresentá-Ios. Adriana estou muito decepcionada
porque você não contou que havia se casado com
este jovem tão simpático.
- Zayn...? Que está fazendo aqui?
O sheik se levantou.
Adriana engoliu em seco sem acreditar no que estava
vendo. Zayn ali... no alpendre de sua mãe... diante do
quintal florido!
Ele a fitava em silêncio.
- Por quê? - perguntou ela, deixando cair na mesa
o cacho de uvas.
Zayn respirou fundo.
- Eu é que pergunto, Adriana. Por quê?
Emma se levantou.
- Com licença, acho que vocês precisam ficar a sós.
Vou cuidar de minhas roseiras. - E saiu. . 
A altivez de Zayn a intimidou. Adriana não sabia o
que fazer com as mãos, não sabia o que dizer. Embora
se encontrasse a poucos metros dele, era como se esti-
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vessem separados por um abismo. Tentando controlar-se,
indicou uma cadeira.
- Sente-se. Fique à vontade.
- Está zangada porque vim procurá-Ia?
- Não, claro que não. É que... eu não esperava. -
Adriana segurou os próprios braços, refreando o desejo
de abraçá-Io.
- Bem, não é tão longe assim. Sua casa é linda, e
sua mãe, um encanto. - Zayn suspirou novamente. -
Quer que eu vá embora?
I- .oh, não... Não. Quero olhar para você. Está tão
bonito. Exatamente como eu me lembrava.
1 - Também tenho muitas lembranças, Haale. Não vai
me dar um beijo?
Trêmula, ela umedeceu os lábios e sacudiu a cabeça. - Melhor não. Costumam me acontecer coisas terríveis
quando você me abraça. Eu sabia que estava me metendo numa grande enrascada.
Zayn esboçou um sorriso. Conhecia bem a relutânciade Adriana. Ela usara as mesmas palavras para negar a atração que sentia por ele.
E não era outra coisa que o tinha levado a percorrer a enorme distância entre os
dois países para encontrá-la e evitar que se erguesse
uma barreira intransponível entre eles.
- Sei que já lhe pedi muita coisa, Adriana Bennett,
mas quero mais, muito mais - disse, abrindo os braços.
- Venha. Não tenha medo do amor que quero lhe dar.
- Quê?
- Estou pedindo que não tenha medo do meu amor.
Um tremor lhe percorreu a espinha. Aquela declaração
a atordoava.
- Amor? E suas... E suas outras mulheres? Zayn,
eu estou apaixonada por você, não consigo dividi-l o com
ninguém. Sou capaz de tudo, menos de dividi-lo com
outra mulher. 
O sheik se aproximou.
- Foi por isso que me abandonou? - Ela recuou. -
Responda. Preciso saber o motivo. Foi porque achava que
eu tinha outras esposas?
- E não tem? Disseram-me até que eu devia ficar
satisfeita com isso... Você tem outras esposas? _ Não. Nunca me casei.
Ela o fitou nos olhos.
- Nunca?
- Nunca. Você é minha primeira e única esposa, Haale.
Não há lugar para outra em meu coração nem em
minha vida. Foi por isso que você me abandonou?
- Foi um dos motivos.
- E os outros?
- Compreendi que a aventura havia terminado. Quando
me pediu em casamento, você disse claramente que
era apenas um subterfúgio para entrarmos no Kuweit.
Eu não queria me transformar num fardo para você.
Zayn estendeu o braço e a puxou pelo cós do jeans. Com
a ponta do dedo, acariciou-lhe a pele macia da cintura.
- Quando a pedi em casamento, estava convencido
de que era preciso para salvar minha família e meu
país. Mas estava enganado. Na verdade, não suportava
a idéia de me afastar de você. Precisava tê-la a meu
lado o tempo todo. Achei que, se não a levasse comigo,
a perderia para sempre. - Embora acariciando-a, conservava
a distância. - Eu a esperei a vida inteira,
Adriana Bennett. Quando Alá a pôs no meu caminho,
não podia perder tempo. Desculpe-me.
- Oh, Zayn... - Adriana se atirou em seus braços,
ansiosa pela sensação de segurança que eles lhe proporcionavam.
Esmagando-lhe o rosto com as mãos trêmulas, 
beijou-o intensamente, buscando afugentar a dor e o tormento
causado por sua ausência.
Zayn a estreitou nos braços, sentindo aquele corpo delicado
encaixar-se perfeitamente no seu; e jurou nunca
mais deixá-la partir. Sua bocas se buscavam com voracidade. 
Ele precisou afastar-se para não perder o controle.
Viu que Adriana estava com lágrimas nos olhos.
- Pensei que você não me quisesse mais depois que
tudo terminou - confessou ela. - Fui tão egoísta quando
estávamos juntos, vivia pensando em minhas necessidades
e nas de minha família. Estou envergonhada, sei
que lhe causei muitos aborrecimentos. Tive medo de que
sua família não gostasse de mim. De que você tivesse
outra mulher capaz de compreendê-o melhor. Desculpe-me
se o fiz sofrer.
- Adriana, você foi muito corajosa. Não se deixou abater
nem intimidar. Estou orgulhoso de você.
- Mas causei muito sofrimento inútil. Nunca tive coragem'
de confessar que o amava. Temia que você risse
de meus sentimentos... Preciso lhe confessar outra coisa...
- Que não gosta da idéia de ser casada com um árabe?
- Não, não é isso. É que eu estou apaixonada. E isso
me assusta muito. Na verdade receio que já não queira
levar-me com você.
- Vou levá-la aonde você quiser morar. A Lisboa, a
Londres, a Atenas, a Nova York. A escolha é sua.
- E a Anaiza?
- Podemos ir a Anaiza também, Adriana. Mas não
estou acostumado a me fixar num lugar. Estou sempre
nos lugares aonde se possa chegar de avião... O céu é o
meu Summan... 
-Oh!
Seus lábios roçaram de leve.
Zayn a afastou e lhe segurou a mão. Depois, tirou do
bolso a aliança que ela deixara ao abandoná-lo.
- A partir deste momento, eu lhe dou meu nome,
meus bens, minha alma, meu amor e meu coração. Aceita-
me assim como sou, Adriana Bennett?
- Aceito, Zayn Haaris.
- Apesar de tudo?
-Sim.
- E me dará filhos?
Ela desviou o olhar.
- Eu... eu não... lhe contei que... - balbuciou. - Acho
que... já estou grávida.
O rosto do sheik se iluminou.
- lnshallah! Teremos quantos filhos Deus nos mandar.
- Teremos sim!
- Eu não posso querer mais nada. É uma honra ser
seu marido, Adriana Jane Bennett.
Adriana estava trêmula de emoção. Olhou uma vez
mais para a aliança que ele lhe colocara no dedo. Depois,
erguendo a vista, deixou-se perder na escuridão dos olhos
de Zayn. Sabia que nunca mais seria tão feliz quanto
naquele momento. Nos braços um do outro, beijaram-se,
acariciaram-se e faltou pouco para que fizessem amor
ali mesmo.
Mas não tardou para que uma voz sonora irrompesse
naquele idílio:
- Desculpe interromper essa festinha, mas seria demais
pedir-lhe, sr. Haji Haaris, que me concedesse dez
minutos a sós com minha filha? Talvez ela possa me
explicar que diabos está acontecendo aqui.
Adriana se levantou de um salto. Zayn precisou de alguns
instantes para se recompor e enfrentar Jim Bennett.
- Para ser franco - explicou Zayn, tomando a mão
trêmula de Adriana -, estou tentando seduzir a minha
esposa. Espero poder contar com a sua aprovação, sr.Bennett.
Jim soltou uma gargalhada. 
- Espere até que eu dê a notícia a Jack.
E, da mesma maneira abrupta que chegou, saiu. Adriana
tapou a boca, reprimindo o riso.
- Qual é a graça?
- É que o tio Jack já sabe de tudo.
- Você contou tudo a ele mas não a seus pais?
_ Contei a minhas irmãs e um pouco a minha mãe.
Mas, você sabe... se eu tivesse contado a meus irmãos
ou a meu pai que você me havia partido o coração, eles
o obrigariam a um casamento à moda texana.
- E como é?
- Na mira de uma espingarda.
Zayn a tomou nos braços e girou com ela.
- Esse costume deve ter sido roubado dos beduínos.
Adriana lhe abraçou o pescoço e o beijou.
A aventura para recuperar o Vixen havia terminado. Agora,
Adriana Bennett era toda sua, pensou Zayn. Não importava
o que o futuro lhes reservasse. Enquanto ela o amasse,
a vida seria perfeita. Que homem podia querer mais? 
FIM>>>>>>>>>>>>>>FIM>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>FIM>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>FIM>>>>>>>

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