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Apostila - Morfologia e Anatomia Vegetal - PET

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MATERIAL DIDÁTICO 
Prof. Dr. Kilson Pinheiro Lopes 
MORFOLOGIA & ANATOMIA 
VEGETAL 
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Prof. Dr. Kilson Pinheiro Lopes 
 
2 Morfologia e Anatomia Vegetal 
 
APRESENTAÇÃO 
 
Caros alunos, 
 
Este Material Didático é resultante de uma das inúmeras atividades desenvolvidas pelo 
Grupo PET Agronomia da UFCG. Trata-se de uma apostila sobre "MORFOLOGIA E 
ANATOMIA VEGETAL" e tem a função de ser apenas mais um instrumento para auxiliar no 
processo de ensino-aprendizagem. De forma alguma você deve utilizá-la para substituir 
os livros-textos de Morfologia e Anatomia Vegetal. 
 
 
 
Este Material teve a colaboração dos alunos do curso de Agronomia 
Luana Lucas de Sá Almeida (Monitora da disciplina) 
Jerffeson Araújo Cavalcante (Bolsita do Grupo PET Agronomia) 
 
 
 
 
 
Esperamos que este material possa lhes ser útil! 
 
Bons estudos!!! 
 
 
 
 
Prof. Dr. Kilson Pinheiro Lopes 
 
3 Morfologia e Anatomia Vegetal 
 
 
HISTÓRICO DA BOTÂNICA 
 
Botânica é a ciência que se ocupa do estudo dos vegetais sob todos os 
seus aspectos. Trata, basicamente, da morfologia das plantas, seu 
funcionamento, suas relações mútuas e com o meio que as circunda e dos 
processos que determinaram seu atual grau de evolução. 
O homem sempre utilizou as plantas como alimento, remédio, material 
de construção e no fabrico de todo tipo de ferramentas e armas. Os vegetais 
foram empregados também como fonte de substâncias tóxicas necessárias à 
guerra e à caça, de tinturas e pigmentos. O homem primitivo achava-se 
estreitamente ligado ao meio natural e precisava conhecer os vegetais 
aproveitáveis, além dos lugares e épocas do ano em que cresciam. O interesse 
primitivo pela botânica caracterizou-se por seu aspecto estritamente prático, 
traço que ainda se verifica em povos cujo desenvolvimento se mantém em 
níveis rudimentares. 
 
A botânica na antiguidade 
 
Vários milênios antes da era cristã, os chineses haviam elaborado 
verdadeiros tratados sobre a utilização de plantas medicinais na cura das mais 
diversas doenças. Também os filósofos gregos se interessaram pelo mundo 
vegetal, embora de forma especulativa e abstrata. Teófrasto foi o primeiro 
que, no século IV a.C., dedicou-se a descrever detalhadamente as plantas 
mais comuns em seu meio, tarefa que o levou a estudar várias centenas de 
espécies. No século I da era cristã, Dioscórides elaborou um tratado em que 
descreveu as propriedades medicinais de aproximadamente 600 plantas. Sua 
obra teve ampla difusão e influência, pois foi utilizada como texto nas escolas 
e faculdades de medicina até o século XVIII. Os romanos dedicaram-se mais 
às aplicações agrícolas e paisagísticas dos vegetais que ao estudo da botânica. 
Uma das obras mais significativas da era romana é a História Natural de Plínio 
o Velho, composta de 37 livros com observações sobre horticultura e 
jardinagem. 
Como ocorreu com muitos outros campos do saber, durante a Idade 
Média o estudo da botânica permaneceu estagnado no mundo ocidental. Os 
árabes, que mantiveram vivo o interesse pela pesquisa, introduziram na 
Europa, através da Península Ibérica, diferentes produtos originários do 
Oriente e difundiram o conhecimento de novas espécies vegetais, como o 
algodão. Utilizavam também plantas como a beladona e o cânhamo, das quais 
extraíam drogas e essências, com que preparavam ungüentos e substâncias 
diversas. No mundo árabe tiveram início os estudos metodológicos sobre a 
morfologia das plantas. No século XI, por exemplo, al-Biruni analisou as partes 
que integram regularmente a flor (sépalas, pétalas, estames, etc.) e lançou as 
bases do que mais tarde se conheceria como diagrama floral, isto é, a 
 
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4 Morfologia e Anatomia Vegetal 
representação gráfica dos componentes florais. No século XII sobressaíram os 
trabalhos do santo Alberto Magno, que, com observações minuciosas e 
precisas, estudou aspectos da fisiologia das plantas. 
 
O ressurgimento da botânica 
 
O Renascimento, no século XV, que recuperou os valores da cultura 
clássica e do saber acumulado por gregos e romanos, provocou um 
movimento de aproximação da natureza e de afirmação da capacidade do 
homem para observar por si mesmo os fenômenos naturais. Anatomistas, 
físicos, astrônomos, inventores e artistas retomaram a exploração dos 
diversos campos do conhecimento. Idéias que durante séculos haviam 
permanecido cristalizadas, impedindo o progresso das ciências e das técnicas, 
foram substituídas por novos conceitos. A renovação do interesse científico 
chegou também à botânica: no século XV se formaram os primeiros herbários, 
onde as plantas, coletadas e conservadas de maneira adequada, eram 
classificadas, ordenadas e comparadas umas com as outras, segundo certos 
critérios. 
Ao longo do século XVI foram criados na Europa os primeiros jardins 
botânicos. Neles eram cultivadas plantas exóticas, coletadas nas viagens de 
exploração que naquela época se faziam à América e à Ásia. Alguns botânicos 
se lançaram à descrição sistemática da flora autóctone de diferentes regiões 
da Europa e experimentaram sistemas de classificação mais rigorosos. Conrad 
Gesner estabeleceu um critério básico para classificar as plantas superiores, 
baseado nos órgãos florais, mais rigoroso que outros empregados então, como 
os detalhes morfológicos ou o aspecto das folhas e do talo. Andrea Cesalpino 
escreveu uma obra monumental, De plantis libri XVI (1583; Dezesseis livros 
sobre plantas), em que aplicava um sistema baseado nos caracteres da flor, 
do fruto e do embrião. Estimulados pelo descobrimento de novas espécies 
americanas, como a batata, o tabaco e a batata-doce, alguns países europeus 
empreenderam expedições em busca de outras espécies economicamente 
aproveitáveis. Entre as viagens de exploração e pesquisa, salientaram-se as 
do religioso francês Charles Plumier ao Peru e a do naturalista espanhol 
Francisco Hernández ao México. Este último foi enviado por Filipe II e redigiu 
uma grande obra em 17 volumes na qual reuniu observações sobre as plantas 
mexicanas de aplicação terapêutica. 
No século XVII, O botânico inglês John Ray descreveu milhares de 
espécies e distinguiu as dicotiledôneas (plantas superiores cujo embrião 
apresenta dois cotilédones) das monocotiledôneas, que têm um único 
cotilédone. Estudou também a estrutura das sementes e propôs uma 
nomenclatura para designar as diversas espécies. A diferenciação sexual das 
plantas foi demonstrada de forma definitiva pelo naturalista alemão Rudolph 
Jakob Camerarius, que atribuiu aos estames das flores a função de órgãos 
reprodutores masculinos na obra Epistola de sexu plantarum (1694; Carta 
sobre o sexo das plantas). A utilização do microscópio permitiu o estudo dos 
tecidos vegetais. O britânico Robert Hooke descobriu as células vegetais ao 
examinar amostras de cortiça, e o italiano Marcello Malpighi estudou a 
anatomia vegetal. O pesquisador francês Pitton de Tournefort definiu um 
critério preciso de classificação botânica baseado na análise dos órgãos florais 
 
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das plantas superiores, nos quais distinguiu os tipos de pétalas, sua 
disposição, simetria etc. 
No século XVIII, as tentativas de estabelecer uma classificação racional 
dos vegetais, levadas a cabo nos séculos precedentes, chegaram a um 
resultado positivo com o sueco Carl von Linné, conhecido como Lineu, que 
propôs uma nomenclatura pela qual se atribuíam a cada espécie dois nomes 
em latim: o primeiro correspondia ao gênero e o segundo à espécie. Lineu 
estabeleceu também uma hierarquia na qual apareciam agrupadas as plantas 
de características semelhantes.