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HEMATOLOGIA 5º SEMESTRE 2014 DEFINIÇÃO ...............................................2 SANGUE ...................................................2 Plasma .................................................. 2 Elementos celulares .............................. 2 FATORES DA ERITROPOESE ......................3 Eritropoetina (EPO)............................... 3 Vitamina B12 ......................................... 3 Absorção ................................................... 3 Deficiência ................................................ 3 Folatos .................................................. 3 Absorção ................................................... 3 Deficiência ................................................ 3 Ferro (26Fe)............................................ 4 Absorção ................................................... 4 Deficiência ................................................ 4 HEMATOPOESE ........................................5 Locais de hematopoese ........................ 5 Hematopoese fetal ................................... 5 Hematopoese pós-natal ........................... 6 ERITRÓCITO ..............................................7 Membrana dos eritrócitos .................... 7 Hemoglobina (Hb) ................................ 7 Variações morfológicas ........................ 8 ERITROPOESE .......................................... 8 Proeritroblasto ......................................... 8 Eritroblasto basófilo ................................. 9 Eritroblasto policromático ........................ 9 Eritroblasto ortocromático ....................... 9 Reticulócitos ............................................. 9 Controle da eritropoese ...................... 10 GLANULÓCITOS ...................................... 11 GRANULOCITOPOESE ............................ 11 Maturação dos granulócitos .............. 11 Mieloblasto ............................................. 11 Promielocitos .......................................... 11 Mielócito................................................. 11 Metamielócito ........................................ 11 Bastonetes .............................................. 11 Segmentado............................................ 11 Granulações secundárias .................... 12 Eosinófilos .............................................. 12 Basófilos ................................................. 12 MONOCITOPOESE ................................. 12 Monócitos ........................................... 12 Monoblastos ........................................... 12 Pró-monócitos ........................................ 12 Monócitos maduros................................ 12 Macrófago .............................................. 13 LINFÓCITOS ............................................ 14 MATURAÇÃO DOS LINFÓCITOS ............. 14 Linfocitogênese................................... 14 Linfoblasto .............................................. 14 HEMOSTASIA ......................................... 15 MECANISMO ......................................... 15 Hemostasia primária .......................... 15 Hemostasia secundária ...................... 15 VASOS SANGUÍNEOS ............................. 16 Efeitos antiplaquetários ..................... 16 Efeitos anticoagulantes ...................... 16 PLAQUETAS ........................................... 16 Fatores plaquetários .......................... 17 Função ................................................ 17 COAGULAÇÃO ....................................... 17 Mecanismo ......................................... 17 Fatores ............................................... 17 Via intrínseca ...................................... 18 Via extrínseca ..................................... 18 FIBRINÓLISE........................................... 18 TRANSFUSÃO DE SANGUE ..................... 19 Imunoglobulinas ................................. 19 IgG....... ................................................... 19 IgM...... ................................................... 19 IgA....... ................................................... 19 IgD.......... ................................................ 19 IgE....... ................................................... 19 GRUPOS SANGUÍNEOS .......................... 19 Sistema AB0 ....................................... 19 Subgrupos A ........................................... 19 Subgrupo B............................................. 19 Antígeno ............................................. 20 Anticorpos .......................................... 20 Sistema Rh .......................................... 20 Fisher-Race (CDE) ................................... 20 Teoria de Wiener (Rh-Hr) ....................... 20 Sistema Kell ............................................ 20 Sistema Duffy ......................................... 20 Sistema Kidd .......................................... 20 Reações adversas ............................... 20 Reações agudas não imunológicas ......... 20 Reações hemolíticas .............................. 20 Sistema Lewis ..................................... 21 Sistema P ............................................ 21 sistema Li ............................................ 21 Sistema MNS ...................................... 21 HEMODERIVADOS ................................. 21 ANEMIA ................................................. 22 Sinais e sintomas ................................ 22 Classificação ....................................... 22 ANEMIA HIPOCRÔMICA ........................ 23 Anemia ferroprivas ............................. 23 ANEMIAS MACROCITICAS (MEGALOBLÁSTICAS) ........................... 23 ANEMIAS NORMOCROMICAS ............... 24 ANEMIA HEMOLITICA ............................ 24 HEMOGLOBINOPATIAS .......................... 25 TALASSEMIA .......................................... 25 α-talassemia ....................................... 25 β-talassemia ....................................... 25 Anemia perniciosa .............................. 25 LEUCOCITOPENIA E LEUCOCITOSE ......... 26 MIELOCITOSE ........................................ 26 Neutropenia ....................................... 26 NEUTROFILIA ............................................ 27 Eosinofilia ........................................... 27 Linfadenopatia ................................... 27 Esplenomegalia .................................. 27 LEUCEMIAS ............................................ 28 CLASSIFICAÇÃO ..................................... 28 LEUCEMIAS AGUDAS (LA) ...................... 28 Leucemia mieloide aguda (LMA) ........ 29 Diagnóstico............................................. 29 Exames laboratoriais .............................. 30 Citogenética e genética molecular ......... 30 Imufenótipo ........................................... 30 Tratamento ............................................ 30 Leucemia linfoblástica aguda (LLA) .... 30 LEUCEMIA CRÔNICA (LC) ....................... 31 Leucemia mieloide crônica (LMC) ...... 31 Leucemia Linfocitica Crônica (LLC) ..... 31 Aspectos clínicos .................................... 31 Achados laboratoriais............................. 32 Tratamento ............................................ 32 Policitemia vera .................................. 32 Transplante da medula óssea ............ 32 COLETA DE SANGUE ............................... 33 TUBOS A VÁCUO ................................... 33 Análise bioquímica e sorológica (tubo amarelo) .......................... 33 Análise hematológica (tampa roxa) ... 33 Análise glicêmica (tampacinza) ......... 33 Análise de coagulação (tampa azul) .. 33 HEMOGRAMA ....................................... 34 Método manual ................................. 34 Métodos automatizados .................... 34 Contagem de eritrócitos e plaquetas ..... 34 Dosagem de hemoglobina ..................... 35 Contagem global de leucocitos .............. 35 ERITROGRAMA ...................................... 35 Índices eritrocitométricos ................... 35 Volume Corpuscular Médio (VCM) ........ 36 Hemoglobina corpuscular média (HCM) .......................................... 36 Concentração da hemoglobina corpuscular médica (ChCM) ........ 36 RDW (red cell distribution width) .......... 36 Hematócrito ....................................... 36 LEUCOGRAMA ....................................... 37 Contagem diferencial ......................... 37 Esfregaço sanguíneo .......................... 37 Coloração ........................................... 37 DEFINIÇÃO Hematologia é o ramo da medicina que estuda o sangue. A palavra hematologia vem dos radicais gregos Haima=sangue e logos=estudo. A hematologia estuda os elementos figurados do sangue: hemácias, leucócitos e plaquetas. Estuda também a produção desses elementos e os órgãos onde são produzidos. SANGUE O sangue é o líquido que circula no sistema circulatório, o sangue é ¼ de todo líquido extracelular, o meio interno que banha as células e atua como intermediário entre as células e o meio externo. O sangue é responsável por transportar material de uma parte do corpo para outra. O sangue é uma suspensão de células num líquido complexo, chamado plasma, constituído por água, sais minerais, vitaminas, proteínas, glicídios e lipídios. O sangue circula na forma líquida. Quando fora do organismo, passa para o estado gel, com a formação do coágulo. A diferença do plasma e do soro é a falta de fatores de coagulação consumida na formação do coágulo como o fibrinogênio, porem possui alguns fatores ativados durante o mecanismo da gelificação, como o fator VII. Plasma É a porção líquida do sangue, dentro da qual os elementos celulares estão suspensos. A água é o principal elemento componente do plasma, correspondendo aproximadamente 92% do seu peso, as proteínas são 7% os outros 1% restantes são moléculas orgânicas dissolvidas, íons e dióxido de carbono dissolvido. Figura 1: o sangue consiste em plasma e elementos celulares. (1) sangue; (2) plasma; (3) elementos celulares; (A) eritrócitos; (B) leucócitos; (a) linfócitos; (b) monócitos; neutrófilos; (d) eosinófilos; (e) basófilos. (c) plaquetas. O fígado produz a maioria das proteínas plasmáticas e as secreta no sangue. A presença de proteínas no plasma torna a pressão osmótica do sangue mais alta do que a do líquido intersticial. Elementos celulares Encontramos três elementos celulares no sangue: 1. Hemácias (eritrócitos); 2. Leucócitos; 3. Plaquetas (trombócitos). Figura 2: Três tipos diferentes de leucócitos, entre os eritrócitos há uma nuvem de plaquetas. Figura 3: (a) eritrócitos, 4,8 a 5,4 milhões; (b) Leucócitos 50000 a 100000; (c) trombócitos 250000 a 400000. Os eritrócitos perdem seu núcleo ao entrarem na corrente sanguínea, Os eritrócitos são responsáveis pelo transporte de oxigênio dos pulmões. e as plaquetas anucleadas, são fragmentos dos megacariócitos. As plaquetas participam da coagulação, os leucócitos trabalham na resposta-chave imunitária, defendendo o corpo contra invasores externos, como parasitas, bactérias e vírus. O sangue possui cinco tipos de leucócitos maduros: 1. Linfócitos; 2. Monócitos; 3. Neutrófilos; 4. Eosinófilos; 5. Basófilos. Os monócitos que deixam a circulação e entram nos tecidos tornando-se macrófagos. Os basófilos teciduais são chamados de mastócitos. Os neutrófilos, os monócitos e os macrófagos são conhecidos coletivamente como fagócitos, pois engolfam e ingerem partículas estranhas como bactérias. Os basófilos, os eosinófilos e os neutrófilos têm uma aparência granular. Figura 4: leucócitos. (a) neutrófilos 60% à 70%; (b) linfócitos 20% à 25%; (c) monócitos 3% à 8%; (d) eosinófilos 2% à 4%; (e) basófilos 0,5% à 1%. Figura 5: (a) neutrófilo; (b) bastão; (c) eosinófilo; (d) basófilo; (e) monócito; (f) linfócito. FATORES DA ERITROPOESE Entre os mais importantes estão: a eritropoietina, a vitamina B12, os folatos e o ferro. Eritropoetina (EPO) Dá início a eritropoese na medula óssea. A EPO é formada por uma glicoproteína, que contém ácido siálico, hexosamina e hexose na sua composição. O seu mecanismo de ação se faz diretamente no nível da UFC-E assim como no pro-Eritroblasto e no Eritroblasto basófilo, que sofrem a diferenciação para a série vermelha. Vitamina B12 Sua estrutura é semelhante à porção heme da hemoglobina e possui um anel de protoporfirina ligado a um nucleotídeo. A vitamina B12 é encontrada em alimentos, como fígado, ovos, leite, peixes e carnes. Quando a vitamina B12 (fator extrínseco-FE) é ingerida, ela se liga no estômago a uma glicoproteína chamada fator intrínseco (FI), secretada pelas células parietais localizadas no corpo gástrico, formando um complexo. Este complexo FI-FE é absorvido pela mucosa do íleo terminal e ceco onde o FI se desliga da vitamina B12, que por sua vez se junta a outras proteínas as transcolâminas (I, II e III) que transportam até o fígado, onde fica armazenada. Como a vitamina B12 é necessária na síntese do DNA, a sua deficiência resulta numa síntese defeituosa do mesmo, com formação de células de grande tamanho, os megaloblastos, com núcleos imaturos apresentando cromatina nuclear frouxa, além de citoplasma com quantidade insuficiente de hemoglobina. Absorção Há dois mecanismos de absorção da B12, o 1º é passivo e ocorre no jejuno e no íleo, sendo rápido, mas ineficiente, pois apenas 1% da B12 é absorvida. O 2º mecanismo pelo qual o organismo adquiriu a B12 é mediado pelo fator gástrico- intrínseco. A B12 de origem alimentar é liberada dos complexos proteicos por enzimas no estômago, duodeno e jejuno e se combinam com o fator intrínseco. A B12 entra na célula ileal, ao penetrar na circulação, a B12, após sofrer modificações químicas, ela é capturada pela proteína responsável pelo seu transporte, a transcolamina II. Figura 6: principais sítios de absorção de alguns fatores essenciais à eritropoese normal. (a) ferro, duodeno; (b) vitamina B12, íleo; (c) folato, jejuno. Deficiência A B12 age como coenzima de reações enzimáticas. Junto com o ácido fólico, ela participa da transferência de grupos metil na síntese da metionina. A consequência desta reação não é somente a síntese da metionina, mas sim a regeneração do tetrahidrofolato a partir do 5-metil tetrahidrofolato, pois o ácido fólico só é ativo nesta forma de ácido tetrahidrofólico (FH4), na qual exerce as funções de doador do radical metil, indispensável à síntese da timina. Folatos Chama-se folatos e ácido fólico um grupo de compostos que têm em comum a pteridina, o ácido para-aminobenzóico e um número variado de ácido glutâmico. Quando a molécula do ácido fólico é adicionada a quatro grupos de 1H, há formação do ácido tetraidrofóbico. A enzima deidrofolato redutase que catalisa a redução do ácido fólico, formando o ácido diidrofólico e o tetraidrofólico, importante na síntese das pirimidinas, purinas, e DNA integrantes da divisão celular. Encontramos folatos e ácidos fólicos nos alimentos de origem vegetal, como nas saladas, aspargos, espinafre, feijão, e nos alimentos de origem animal, como no fígado, rins e leite de vaca. O ácido folinico, derivado do ácido fólico como o tetraidrofólicoreduz os efeitos tóxicos do metotrexato. Os folatos podem ser armazenados nos tecidos na quantidade de 5-10mg, sendo que uma dieta deficiente em folato pode levar à anemia megaloblástica após cinco ou seis meses, já que o consumo é de 50 µg/dia. Absorção O principal local de absorção de folatos é o intestino delgado em suas primeiras porções, sobretudo no duodeno e no jejuno. Os poliglutamatos são hidrolisados a monoglutamatos tanto na luz do intestino quanto na mucosa. A enzima responsável é chamada de ptenoil- glutamato hidrolase ou folato conjugase. Os monos glutamatos são convertidos em 5-metil- tetrahidrofolato antes de entrar na circulação porta. O ácido pteroilglutâmico é absorvido sem modificações. Uma vez ingerido, o ácido poliglutâmico é decomposto em ácido monoglutâmico na luz da mucosa intestinal e irá ser em seguida, absorvida na região do intestino delgado no metabolismo dos folatos, há participação da B12 nas reações finais, o que explica o aumento dos folatos e ácido fólico nos casos de deficiência da B12. Deficiência A deficiência desses ácidos resulta, numa síntese anormal das proteínas nucleares, e como consequência alteração e diminuição na formação e divisão celular, como anemia do tipo megaloblástico. Ferro (26Fe) A molécula da hemoglobina é formada pela heme e globina. São quatro cadeias proteicas que formam a globina e quatro moléculas de heme. Esta é uma porfirina que contém um átomo de ferro no centro da molécula. O 26Fe apresenta duas valências livres que se ligam ao 8O para o seu transporte até os tecidos, no mecanismo de oxigenação, que é a função das hemoglobinas. O ferro ligado à heme representa a maior parte do ferro do organismo. Nos depósitos, o ferro é ligado a uma proteína, apoferritina, sintetizada em todas as células. A forma de 26Fe armazenado a ferritina pode ser encontrada no plasma e nas células dos tecidos, como do reticulo endotelial, no fígado e na mucosa intestinal. Esta forma de ferritina, chamada isoferritina, participa mais do metabolismo do ferro, enquanto que a forma de depósito chamada hemosiderina, que consiste de agregados de ferritina encontrada no sistema reticulo endotelial (medula óssea, baço e fígado) é dificilmente removida. Absorção Os íons ferrosos do intestino entram nas células da mucosa do jejuno e estimulam a secreção de uma proteína chamada apoferritina. Na face que entra em contato com a luz do intestino, o potencial de oxirredução da célula oxidara o ferro ao entrar e o convertera na forma trivalente, o qual se combinaria com a apoferritina e formara a ferritina. Na outra face da célula, em contato com a parede vascular, essa exercera um efeito oxi-redutor que liberara íons ferrosos a partir da ferritina. Este íon ferroso se difundira no plasma, onde após oxidarem-se novamente ligaram à transferrina, completando-se assim o mecanismo de sua absorção. Figura 7: metabolismo e homeostase do 26Fe. (1) o 26Fe vem da dieta; (2) o 26Fe é absorvido por transporte ativo; (3) a proteína transferrina transporta o 26Fe no plasma; (4) o fígado armazena o excesso de 26Fe, como ferritina; (5) a medula óssea usa o 26Fe para sintetizar Hb; (6) o baço converte a Hb em bilirrubina; (7) o fígado metaboliza a bilirrubina e a excreta na bile; (8) os metabolitos de bilirrubina são excretados na urina e nas fezes. Deficiência É a mais comum das afecções que atingem a espécie humana. A deficiência de 26Fe segue uma sequência de estágios, uma 1ª fase é caracterizada pela depleção do 26Fe em depósito, persistindo normais a transferrina com seu conteúdo de 26Fe plasmático e os níveis de Hb e do hematócrito. A 2ª fase pode ser chamada de deficiência de 26Fe sem anemia, sendo caracterizado pela ausência de 26Fe em depósito, 26Fe sérico em níveis baixos, com baixa concentração da transferrina; entretanto, a Hb e o hematócrito ainda persistem em níveis normais. Havendo uma anemia normocrômicas e normocítica. HEMATOPOESE Hematopoese é o processo de formação, desenvolvimento e maturação dos elementos figurados do sangue, a partir de um precursor celular comum, e indiferenciado conhecido como células hematopoiéticas pluripotentes. As células linfo-hematopoiéticas, produzidas por um pequeno número de células da medula óssea, chamadas células-tronco, proliferam-se, diferenciam-se e são auto-renováveis. Elas respondem a estímulos indutivos e diferenciam-se em células precursoras as quais apresentam um potencial cada vez mais restrito de proliferação, diferenciação e auto- renovação, mas possuem um número crescente de características funcionais conforme definido por suas linhagens específicas. Os glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas têm sua origem, após o nascimento, na medula de todos os ossos, mas nos adultos, apenas os ossos chatos (esponjosos) compreendem o órgão hematopoiético. A estrutura básica do sistema eritropoético é composta por 4 compartimentos fundamentais: 1. Células pluripotentes; 2. Células indiferenciadas comissionadas; 3. Precursores eritróides diferenciados; 4. Eritrócitos em circulação. As primeiras células formadas são células pluripotenciais também conhecidas como totipotentes ou Stemcell que podem gerar as demais células. A célula inicial do sangue é uma célula primitiva e pluripotentes. Agrupadas, essas células constituem unidades formadoras de células (UFC) que estimuladas por fatores específicos vão se diferenciar nas linhagens por fatores específicos eritrocitárias, linfoides e outras. No compartimento pluripotencial, encontramos as UFC mais iniciais chamadas unidades formadoras de colônias blásticas (UFC-BL) e de células linfoides e mielóides (UFC-LM). Seu reconhecimento é feito pelos anticorpos monoclonais anti-CD34 e anti-HLA. A UFC-LM compreende uma fase mais evoluída com diferenciação para linhagem linfoide e mielóides. Estas células são reconhecidas por anticorpos monoclonais anti-CD33 e antígenos específicos da linhagem linfoide. O compartimento pluripotencial ainda contém unidades celulares mais diferenciadas como as unidades formadoras de colônias de granulocitos, eritrócitos, monócitos e megacariócitos (UFC- GEMM) e unidades formadoras de linfócitos (UFC- L) as células são morfologicamente idênticas às células das unidades de origem UFC-BL e UFC- LM. A diferença entre elas é feita com o uso dos anticorpos monoclonais que reconhecem os antígenos CD22 e CD13 nas UFC-GMM. As células da UFC-GMM expressam antígenos mielóides revelados pelo soro monoclonais CD33 e CD15 e CD13, CD14 e HLA-DR, mas não expressam mais o CD34. Locais de hematopoese Nas primeiras semanas da gestação, o saco vitelínico é o principal local de hematopoese. Os precursores comuns às células endoteliais e hematopoiéticas formam-se no fígado, no baço e na medula óssea, de 6 semanas até 6 a 7 meses de vida-fetal, o fígado e o baço são os principais órgãos hematopoiéticos e continuam a produzir células sanguíneas até cerca de duas semanas após o nascimento. A medula óssea é o sítio hematológico mais importante de 6 a 7 meses de vida fetal e, durante a infância e a vida adulta, é a única fonte de novas células sanguíneas. Nos dois primeiros anos, toda a medula óssea é hematopoiética, mas, durante o resto da infância, há substituição progressiva da medula nos ossos longos por gorduras, de modo que a medula hematopoiética no adulto é confinada ao esqueleto central e às extremidades proximais do fêmur. Hematopoese fetal Pode ser diferenciada num período pré-hepático e linfo-medular. Na 3ª semana surgem as células sanguíneas. Na superfíciedas reservas vitelinas dispõe-se se algumas células mesenquimatosas em pequenos grupos. Os elementos periféricos vão se diferenciar para formar o endotélio vascular. Os elementos centrais perdem suas ligações com as células vizinhas, tornando-se esféricos e dão origem às primeiras células sanguíneas. No 3º mês o fígado começa a funcionar como órgão hematopoiético, atividade que se mantém até o nascimento. Dá origem então à eritropoese de linhagem definitiva, a qual se processa também no baço. Surgindo também os granulocitos, em seguida, os megacariócitos. Figura 8: (1) A hematopoese fetal ocorre principalmente no fígado, onde estão as células-tronco que produzem as células do sangue. No meio da gestação, gradualmente, estas células começam a migrar para o seu local definitivo: a medula óssea. (2) No seu trajeto, até a medula óssea, as células-tronco hematopoiéticas circulam com as outras células sanguíneas do feto e passam pelos vasos do cordão umbilical e pela placenta, local onde o sangue fetal recebe oxigênio e nutrientes diretos do organismo materno; (3) O sangue oxigenado e rico em nutrientes circula de volta da placenta para o feto, enquanto as células-tronco vão migrando gradativamente para a medula óssea. Este processo se intensifica no 3º trimestre e próximo ao parto. Por este motivo, o sangue do cordão umbilical é tão rico em células-tronco. (4) No epitélio do cordão umbilical existem células-tronco mesenquimais e células progenitoras endoteliais (células com funções regeneradoras e imunológicas). Hematopoese pós-natal Ao nascer, a medula hematopoiética, de cor vermelha, ocupa todo o interior dos ossos do esqueleto, e assim persiste por até 3 anos. Durante esse período os sítios de hematopoeses extras medulares ficam em repouso, a menos que haja um estimulo anormal, como por exemplo, perdas sanguíneas. No decorrer da infância há uma gradual substituição da medula vermelha por medula amarela, gordurosa, de escassa atividade hematopoiética no individuo adulto, a medula torna- se, parcialmente substituída por gordura, o que explica a fragilidade do sistema hematopoiético geriátrico. Figura 9; (a) medula óssea; (b) plaquetas; (c) glóbulos vermelhos; (d) glóbulos brancos. ERITRÓCITO São as células sanguíneas mais abundantes. Tem como função facilitar o transporte de 8O dos pulmões às células e o transporte do CO2 das células aos pulmões. Na medula óssea as células progenitoras comprometidas se diferenciam, em grandes eritroblastos nucleados. No último estágio da maturação, o núcleo é expulso e fagocitado pelos macrófagos da medula óssea. A forma celular imatura final, chamada de reticulócito, deixa a medula e entra na circulação onde amadurece formando um eritrócito dentro de 24h. Membrana dos eritrócitos Os eritrócitos são sacos membranosos preenchidos com enzimas e Hb. Sua membrana é mantida no lugar por um citoesqueleto complexo composto de filamento unido a proteínas transmembranar de ancoramento. A membrana dos eritrócitos compreende uma camada bilipidica, proteínas integrais e um esqueleto de membrana. Cerca de 50% da membrana são compostas de proteínas, 20% de fosfolipídios, 20% de colesterol e até 1% de carboidratos. Os carboidratos ocorrem somente na superfície externa, enquanto as proteínas são periféricas ou integrais. O esqueleto da membrana é formado por proteínas estruturas que incluem espectrina α e β-anquirina, proteína 4,1 e actina essas proteínas formam uma rede horizontal no interior do eritrócito e são importantes na manutenção da forma bicôncava. A espectrina é mais abundante e consiste em duas cadeias, α e β-anquirina, proteína 4,1 e actina, essas proteínas formam uma rede horizontal no interior do eritrócito e são importantes na manutenção da forma bicôncava. A espectrina é a mais abundante e consiste em duas cadeias, α e β enroladas uma na outra para formar hemeterodimeros que associam cabeças para formar tetrâmeros, os quais, são ligadas na extremidade caudal actina e conectados à proteína banda 4,1 na outra extremidade, as cadeias de β-espectrina ligam-se à anquirina, que se conecta na banda 3, a proteína transmembranar que age como canal iônico. A proteína 4,2 intensifica essa ação. Figura 10: (1) mostra a forma de disco bicôncavo dos eritrócitos; (2) secção transversal de um eritrócito; (3) o citoesqueleto cria a forma única dos eritrócitos. (a) filamento do citoesqueleto; (b) proteína de ancoramento; (c) actina. Um eritrócito colocado num meio ligeiramente hipotônico incha e forma uma esfera sem comprometer a integridade da sua membrana. Num meio hipertônico, os eritrócitos encolhem e desenvolvem uma superfície pontiaguda quando a membrana é tracionada em direção ao citoesqueleto. Figura 11: mudança na forma do eritrócito devido à alteração osmótica. (a) os eritrócitos colocados num meio hipotônico incham e perdem sua forma, mostrada na figura (b); (c) os eritrócitos colocados num meio hipertônico, mas o citoesqueleto rígido permanece intacto criando uma superfície pontiaguda. Hemoglobina (Hb) Síntese: cada molécula de hemoglobina A (HbA), consiste em quatro cadeias polipeptídicas α2β2, cada uma com seu próprio grupo heme. A síntese de heme ocorre nas mitocôndrias por uma série de reações bioquímicas que começam na condensação de glicina e de succinil-coenzima A (succinil-CoA) por ação do ácido δ-aminolevulinico síntese (ALA). O fosfato de pridozina (VB6) é uma coenzima dessa reação com ferro no estado ferroso (Fe2+) para formar heme, cada molécula de heme combina-se com uma cadeia de globina feita nos polirribossomos. Forma-se um tetrâmero de cadeias de globina, cada cadeia com seu próprio núcleo heme agrupado num bolso, montando uma molécula de hemoglobina. A estrutura química da heme é a de uma porfiria com um átomo de 26Fe ligado ao 7N de quatro anéis pirrólicos, os quais são os unidos entre si por pontes de meteno. Figura 12: síntese de Heme. (a) na fase inicial da formação da heme, há a síntese da alanina a partir da condensação da glicina com o ácido succinico, que é ativada pela alanina sintetase; (b) duas moléculas de alanina formam o porfobilinogênio pela ação da alanina de hidratase; (c) esta porfobilinogênio se transforma em uroporfirnogênio III, sendo necessário a condensação de 4 moléculas e a ação do uroporfirinogênio sintetase; (d) sob ação de outras enzimas, uroporfirinogênio descarboxilase, se forma a coproporfirinogênio 3, que por sua vez forma a protoporfirina IX como consequência da ação da coproporfirinogênio oxidase; (e) 26Fe é introduzido na molécula pela ferroquetalase e, assim, se forma a heme. Função: à medida que a Hb carrega e descarrega O2, as cadeias individuais de globina movimentam- se uma sobre a outra os contatos α1β1 e α2β2 estabilizando a molécula. As cadeias β deslizam sobre os contatos α1β2 e α2β1 durante a oxigenação e a desoxigenação, quando o O2 é descarregado, as cadeias β são separadas, permitindo a entrada do metabolito 2,3-difosfoglicerato (2,3-DPG) diminuindo a afinidade da molécula por O2. Esse movimento é responsável pela forma sigmoide da curva de dissociação da hemoglobina do sangue normal é 26,6 mmHg. Com o aumento da afinidade por O2 a curva desvia para a esquerda, e, com a diminuição da afinidade, a curva desvia para a direita. Figura 13: (a) esquema enfocando as áreas de contato entre os dímeros, com a interfaseα1β2 à frente, cada grupo heme fica alojado num bolsão hidrofóbico. Estrutura tridimensional da desox-Hb (b) e oxi-Hb (c), com as cadeias β em primeiro plano. Na transformação desoxi-Hb → oxi-Hb, há movimentação de um dímero em relação ao outro desoxi-Hb e evidenciada pela mudança na posição relativa de alguns aminoácidos, ocorre, um estreitamento da cavidade central entre as cadeias β1 indicado pelas setas duplas. Variações morfológicas Quando se apresentam com tamanhos diferentes é chamada anisocitose, quando o tamanho é maior do que o normal, macrocitose e quando é menor, microcitose. Se a coloração é menor, chama-se de hipocromia e, se muito corado, hipercromia. Se a variação na presença de basofilia é chamada policromasia. A variação também pode ser na forma, se os glóbulos vermelhos se apresentam com formas variadas é chamada de poiquilocitose. Outras variações na forma são as seguintes: Esferocitose: quando os glóbulos apresentam formas esféricas; Ovalocitose: quando a forma é de célula oval; Esquisocitose: quando as formas são muito irregulares; Formas em alvo: quando apresentam uma parte central mais corada como um alvo; Formas em foice: quando os glóbulos apresentam formas em foice ou lua crescente; Formas espiculadas: são glóbulos com espículas na superfície, como carrapicho ou ouriço. Figura 14: (1) equinócito; (a) superfície espiculada. (2) Eritrócitos crenados; (a) projeção dispersas. (3) esferócitos; (a) concavidade central reduzida ou inexistente. (4) estomatocitos; (a) concavidade com formas alargadas. ERITROPOESE A célula mãe que vai dar origem a série vermelha é a célula formadora da unidade eritróide (UFC- BFU), derivada da StemCell. Figura 15: representação da UFC-BFU com suas características morfológicas. (a) nucléolo de grande tamanho; (b) mitocôndria; (c) polirribossomos. O processo básico da maturação da série eritrocítica ou vermelha é a síntese de Hb e a formação de um corpúsculo pequeno e bicôncavo, que oferece o máximo de superfície para as trocas de 8O. Durante a maturação das células da linhagem eritrocítica ocorre o seguinte: O volume da célula diminui; O núcleo também diminui de tamanho e a cromatina torna-se cada vez mais condensada, até que o núcleo se apresenta picnótico e é expulso da célula; Os nucléolos diminuem de tamanho e depois tornam invisíveis no esfregaço; Há uma diminuição dos polirribossomos (diminuição da basofilia) e um aumento de hemoglobina (aumento da acidofilia) no citoplasma; A quantidade de mitocôndrias e de outras organelas diminui. De acordo com seus grais de maturação, as células eritrocíticas são chamadas de: 1º. Proeritroblastos; 2º. Eritroblastos basófilos; 3º. Eritroblasto policromático; 4º. Eritroblastos ortocromático; 5º. Reticulócitos. Proeritroblasto É uma célula menos madura grande com características de célula sintetizadora de muitas proteínas. O núcleo esférico central, com cor vermelha púrpura clara, com cromatina delicada de distribuição uniforme, assumindo aspecto de massa fragmentada. Com 1 a 3 nucléolos bem evidentes. O citoplasma tem aspecto granular e é intensamente basófilo. O 26Fe é trazido para os pro e outros eritroblastos pela transferrina. Os eritroblastos possuem nas membranas receptoras para as transferrinas. Eritroblasto basófilo É uma célula menor do que a anterior. A cromatina é condensada em grânulos grosseiro não há nucléolos visíveis. É uma célula parecida com a pró-eritroblasto, porém sem nucléolo. O núcleo com a cromatina mais densa, apresentando mais tendência à configuração de massa rachada. Figura 16: (1) proeritroblastos: célula de 20-25 µm de diâmetro, com um grande núcleo imaturo que ocupa a maior parte da superfície celular. (a) citoplasma azulado; (b) cromatina fina e delicada; (c) nucléolos; (d) grânulos com ferritina e fosfatase ácida. (2) eritroblasto basófilo. Célula de 16-18 µm, com um grande núcleo caracterizado por apresentar em seu interior heterocromatina misturado com a eucromatina, unidas entre si dando lhe um aspecto de uma roda. (a) citoplasma azul; (b) ausência de nucléolos; (c) cromatina com acúmulo azul; (d) halo perinuclear; (e) polirribosomas; (e) aumento da Hb. Eritroblasto policromático É uma célula pequena com um núcleo contendo cromatina mais condensada. Ele contém Hb que é visualizada pela primeira vez, em quantidade suficiente para aparecer uma acidofilia ainda existente, confere uma coloração cinza ao citoplasma dessa célula. Eritroblasto ortocromático Há uma grande redução do diâmetro celular, que desce para 12 a 8 µm. O núcleo escuro, constituído por massa homogênea de cromatina, sem estrutura visível, de localização excêntrica, movendo-se para a periferia da célula, estágio que procede a sua expulsão. Nesta fase a célula atingiu o fim de sua capacidade de síntese de DNA e é incapaz de atividade mitótica. O núcleo, com cromatina muito condensada, é picnótico com restos de citoplasma, expelidos das normoblastos, são fagocitados pelos macrófagos da medula óssea. Figura 17:(1) eritroblasto policromatico: célula de 12-15 µm, cujo núcleo ocupa cerca de metade da superfície celular. (a) aparelho de Golgi; (b) citoplasma com tons rosado; (c) cromatina condensada em grânulos reduzidos; (d) ausência de nucléolos; (e) citossomos; (f) moléculas de ferritina presentes no citoplasma. (2) eritroblasto ortocromático: célula mais madura, com um pequeno núcleo em seu interior. (a) citoplasma com tons mistos; (b) núcleo com aspecto denso; (c) cromatina condensada em grânulos; (d) ribossomos; (e) aumento da hemoglobina; (f) mitocôndrias. Reticulócitos Após a expulsão do núcleo o reticulócito contém polirribossomos, mitocôndrias e aparelho de Golgi. Muitos eritrócitos passam para a circulação como reticulócitos. Após 48h, perdem as organelas e passa a eritrócitos. Figura 18: (1) reticulócitos: células de forma irregular e carente de núcleo em que persistem algumas organelas remanescentes. (a) citoplasma com bordas irregulares; (b) ausência do núcleo; (c) mitocôndrias; (d) fragmentos do aparelho de Golgi; (e) ribossomos. (2) característica morfológica dos eritrócitos maduros. (a) citoplasma com bordas lisas; (b) coloração central mais clara; (c) ausência do núcleo e outras organelas; (d) hemoglobina dissolvida no citoplasma. Figura 19: (a)Proeritroblasto; (b) Eritroblasto basófilo; (c) Eritroblasto policromático; (d) Eritroblasto ortocromático; (e) reticulócitos; (f) eritrócitos (hemácia). Figura 20: representação esquemática do processo de eritropoese. (a) Proeritoblasto;(b) Eritroblasto basófilo; (c) Eritroblasto policromático;(d) Eritroblasto ortocromatico; (e) Reticulócito; (e) Eritrócito. Controle da eritropoese As células hematopoiéticas primitivas, na medula óssea podem entrar em atividade progressiva iniciando o 1º ciclo celular pela ação de fatores de crescimento. A medula óssea possui um estroma que fornece um microambiente para o crescimento de células hematopoiéticas primitivas. Dentre os fatores de crescimento mais estudado temos a EPO. Também temos o fator estimulante de colônias granulóciticas (FEC-G) do cromossomo 17 que codifica a produção mieloperoxidase, enzima importante dos grânulos neutrófilos FEC-G estimula a granulopoese. O ritmo da eritropoese é regulado pelo transporte de 8O aos tecidos. Quando o transporte de 8O diminui, a eritropoese é ativada. A EPO é sintetizada nos rins dos adultos. Seus estímulos para a síntese e liberação de um fator de transcrição chamada de fator induzível por hipóxia- 1(HIF-1), que ativa o gene EPO para aumentara síntese de EPO. Na hematopoese participam uma série de fatores reguladores e estimulantes, entre os quais estão varias interleucinas, fatores de crescimento e outras citocinas. As citocinas são glicoproteínas que atuam para baixar as concentrações sobre os receptores, no qual produzem determinados sinais que ordenam à célula a viver, morrer, proliferar-se ou exercer certas funções. Os fatores estimulantes de colônias são moléculas capazes de estimular o crescimento e o amadurecimento de determinadas linhagens celulares da medula óssea. Outros fatores linfo- hematopoiéticos são chamados interleucinas (IL) com ação sobre as células linfoides. São conhecidos pela numeração arábica de 1 a 13. A IL-1 produz neutrofilia, tem ação quimiotáxica tanto para neutrófilos como para monócitos, estimula a produção de prostaglandinas, inibe a produção dos interferons, de fatores de crescimento e das IL-6 e 2. A IL-2 estimula a unidade formadora de colônias de linfócitos T (UFC-LT). A IL-2 inibe o crescimento da UFC-G, UFC-GM e UFC-M. A IL-3 apresenta ação estimulante sobre as unidades formadoras de varias linhagens (UFC- GEMM, UFC-E, UFB-Meg, UFC-Meg). O gene que regula sua síntese está no cromossomo 5. A IL-4 é produzida pelos linfócitos T e tem ação estimulante sobre a formação de UFC-LB e secreção de imunoglobulinas. Ativa as funções dos linfócitos T auxiliares. A IL-5 age sobre a produção de eosinófilos e linfócitos-B auxiliam a diferenciação dos linfócitos-B para células produtoras de imunoglobulinas. A IL-6 é importante nas diferenciações dos linfócitos N para as células plasmáticas e produção de imunoglobulinas; A IL-7 estimula a proliferação de células pré-B, mas não interferem na proliferação do linfócito B maduro. Sua ação também é presente na proliferação e na diferenciação de timócitos e na divisão mitótica dos linfócitos T; A IL-8 é formada em diferentes células sobre estímulos inflamatórios e tem ação mediadora na resposta da inflamação, com aumento da atividade dos linfócitos T; A IL-9 estimula a UFB-E, a UFB-Meg e a UFC- Meg; A IL-10 inibe a síntese da citocina pelas células T e aumenta o número das células T citotóxicas, bem como ativar sua função; A IL-11 é uma citocina que estimula a Stemcell, as células B e os megacariócitos; A IL-12 é um estimulador das NK. auxilia a proliferação da célula T e produção de interferon gama pelas células T e NK; A IL-13 é uma citocina que, à semelhança da IL-4 estimula a célula B e a secreção de imunoglobulinas. Também age sobre a proliferação das células linfoides T e inibe a produção de citocinas pelos monócitos nas inflamações. GLANULÓCITOS Têm a função de defesa contra germes invasores. São encontradas em maiores quantidades quando agem como armas de defesa do organismo, elas possuem a habilidade de englobar partículas, estranhas de pequenas dimensões, como bactérias, através da fagocitose, sendo chamadas de macrófagos. Os monócitos tem a capacidade de fagocitar partículas vivas ou inertes de dimensões maiores, chamadas por isso de macrófagos. Todos os granulócitos tem a capacidade de fagocitar. A fagocitose está relacionada com duas outras funções importantes dos granulócitos. A quimiotaxia, e a capacidade de ataque e morte aos microrganismos invasores do meio interno. Todas estas funções são dependentes do metabolismo celular que, está ligado à geração e ao consumo de oxigênio (O2) pelos granulócitos. GRANULOCITOPOESE Na maturação dos granulócitos ocorre modificação citoplasmática caracterizada pela síntese de proteínas, que são acondicionadas em dois tipos de grânulos, os azurófilos e os específicos. Maturação dos granulócitos O mieloblasto é a célula mais imatura já determinada para formar os 3 tipos de granulócitos. Quando nela surgem granulações citoplasmáticas específicas, essas células passam a ser chamadas de: Promielócito; Neutrófilo; Eosinófilo (basófilo); Os estágios seguintes da maturação são: Mielócito; Metamielócito; Granulócito com núcleo em bastão; Granulócito maduro. Mieloblasto Célula redonda de 12 a 20 µm de diâmetro. O núcleo ocupa quase toda a superfície e a relação núcleo-citoplasma é de 6/1. O núcleo apresenta uma rede cromatinica fina, uniformemente distribuída, exibindo dois ou mais nucléolos bem visíveis de coloração azul pálido. O citoplasma é azul claro com o contorno mais basófilo sem grânulos. Promielocitos Pouco maior que o mioloblasto, com núcleo grande, ovoide, pouco denteada, com uma cromatina púrpura clara. O citoplasma, mais abundante que no mieloblasto, com coloração azul clara e exibe vários e finos grânulos de coloração azurofila. O núcleo tem dois ou mais nucléolos de coloração azul clara. Figura 21: (1) mieloblasto: célula com núcleo grande e ovalado, vários nucléolos e citoplasma com poucos grânulos e muitos grânulos azurofilos. (a) citoplasma com poucos grânulos; (b) núcleo volumoso e ovalado; (c) vários núcleos; (d) cromatina delicada e bem definida; (e) prolongamentos citoplasmáticos. (2) promielócito são as primeiras células que apresentam grânulos primários azurofilos, peroxidase-positiva. (a) citoplasma azul; (b) micros peroxissoma; (c) halo perinuclear; (d) grânulos primários azurófilos; (d) núcleo aplanado sobre um lado; (e) grânulos vermelhos; (f) grânulos secundário, vistos com pontos rosados. Mielócito Mede 12 a 18 µm de diâmetro, é uma célula de núcleo arredondado ou ovalado, cujo citoplasma contém quase exclusivamente granulações específicas neutrófilas, núcleo menor do que o do pró-mielócito, com massas cromatinicas mais densas não exibem mais nucléolos. Metamielócito O núcleo é constituído por cromatina densa, distribuída por vários fragmentos delimitados de forma mais nítida que no núcleo do mielócito. Figura 22: (1) mielócito são as primeiras células que apresentam as demais granulações primárias. (a) citoplasma azul; (b) microperoxisoma; (c) halo perinuclear; (d) grânulos primários e azurófilos; (e) núcleo aplanado sobre um lado; (f) granulações rosa; (g) grânulos secundários visíveis como pontos rosados. (2) metamielocito. (a) citoplasma rosado; (b) grânulos primários; (c) microperoxisoma; (d) grânulos secundário; (e) núcleo estendido. Bastonetes É uma célula madura, com núcleo em ferradura ou bastão, com cromatina grosseira, o citoplasma é acidófilo e só tem granulações específicas. Segmentado Possui o núcleo irregular segmentado, em lobos. Estes lobos costumam ser em número de dois ou três. Em indivíduos do sexo feminino, reconhece-se um apêndice de cromatina que se une a um dos lobos do núcleo por filamentos delicados, é chamado de Corpúsculo de Barr, que serve para determinar o sexo genético. Figura 23: (1) neutrófilo bastonete, estado intermediário, anterior ao neutrófilo segmentado. (a) citoplasma; (b) granulações primárias; (c) secundário; (d) núcleo em forma de ferradura. (2) neutrófilo segmentado, com núcleo polilobulado, seu citoplasma observam-se granulócitos. (a) citoplasma vazado; (b) grânulos primários; (c) secundários; (d) núcleo lobulado; (e) ligação filamentosa. Figura 24: (a) promielócito neutrófilo; (b) mielócito neutrófilo; (c) metamielócito neutrófilo; (d) neutrófilo com núcleo em bastão; (e) neutrófilo maduro. Granulações secundárias São arredondadas variando seu aspecto conforme a linhagem, após coloração. Eosinófilos Possuem granulações especificas muito características, menos numerosas e bem maiores do que as dos neutrófilos coram-se muito bem por corantesácidos, como a Eosina, daí o nome que recebem estas células. Basófilos As granulações basófilas são grandes, pouco numerosas e têm mucopolissacarídeos ácidos. Daí a denominação dos basófilos. Figura 25: (1) eosinófilo o núcleo é bilobulado seus grânulos acidófilos contém peroxidase. (a) citoplasma rosado; (b) grânulos esféricos com corantes roxos; (c) núcleo bilobulado; (d) distribuição dos grânulos. (2) basófilos são células relativamente grandes e grânulos citoplasmáticos peroxidase-positiva. (a) citoplasma rosado claro; (b) grânulos escuros e volumosos; (c) núcleo com forma em aba lobulada; (d) distribuição desordenada das granulas. Figura 26: esquema da granulocitopoese. (1) mieloblasto: (a) ao passar de um estado para outro se produz cerca de 5 divisões; (b) começo da formação dos granulócitos primários. (2) promielócitos: (a) as células não se dividem mais; (b) se forma os grânulos secundários. (3) mielócito: (a) se inicia a diferenciação celular; (4) metamielócito: (a) passam dos capilares sanguíneos para os tecidos; (c) se armazenam durante 5 dias antes de passar para a circulação. (5) neutrófilo bastonete; (6) neutrófilo segmentado; (7) eosinófilo; (8) basófilo. MONOCITOPOESE na medula óssea, a UFC-GM podem diferenciar-se para a série grânulocitica, ou para, desenvolver monócitos. sobre este último caso, a produção continua na UFC-M, que por sua vez, se diferencia novamente em monoblasto, pró-monócito e depois monócito maduro. os monócitos diferenciam-se no interior de diferentes tecidos em macrófagos. Figura 27: monocitopoese. (1) monoblasto; (2) promielócito; (3) monócito; (4) macrófago. Monócitos São células que circulam durante poucos dias e deixam a circulação fixando-se nos tecidos, onde adquirem aspectos de macrófagos. Distinguimos os seguintes precursores da série monocito- macrofágica na medula óssea e no sangue. Monoblastos Encontrados em esfregaços da medula óssea, o núcleo é redondo, a cromatina é delicada e contém nucléolos evidentes. O citoplasma é escasso. Pró-monócitos Possui núcleo oval e muito citoplasma. O contorno da célula não é regular, mas há apresenta projeções. A cromatina nuclear é mais condensada, ainda podemos visualizar nucléolos. Figura 28: (1) monócito: (a) citoplasma sem grânulos; (b) nucléolos; (c) cromatina. (2) pró-monócitos: (a) citoplasma liso; (b) pequenos grânulos; (c) núcleos extensos e pregueados; (d) nucléolo. Monócitos maduros O núcleo é irregular, com chanfraduras marcadas, com citoplasma abundante, levemente basófila, com contorno irregular. O citoplasma apresenta granulações finas, muito menos numerosas do que as dos neutrófilos e podem ser vistos pequenos vacúolos. Macrófago Adquire formas diferentes de acordo com seu estado funcional e com tecido onde se encontra. Possuem núcleos grandes vesiculoso, em forma de ferradura, não são vistos nucléolos e o citoplasma são ricos em granulações, restos celulares, vacúolos e material fagocitado de natureza diversa. temos dois tipos de macrófagos: um da medula óssea que forma a parte da série eritroblástica e também exercem funções de eritrócitos fagocitigos. o outro são os macrófagos hepáticos (células de Kupffer) localizadas nos lobos sinusoidais do fígado e também fagocita eritrócitos e outros elementos celulares. Figura 29: (1) monócitos. (a) citoplasma reticular; (b) núcleo ovalado; (c) grânulos; (d) vacúolos; (e) núcleo em posição excêntrica; (f) cromatina fina e acumulada. (2) macrófagos: (a) (a) citoplasma com aspecto ameboide; (b) citoplasma azul claro; (c) eritrócito; (d) vacúolo; (e) partículas fagocitadas; (f) fragmentos nucleares fagocitados. LINFÓCITOS Circulantes no sangue e na linfa se originam principalmente no timo e nos órgãos linfoides periféricos (baço linfonodos e tonsilas). A célula mais jovem da linhagem é o linfoblasto, que forma o pró-linfocitos, formando este, os linfócitos maduros. Os linfoblasto são a maior célula da série linfocitica, com citoplasma basófilo e sem granulações azurófilas. O linfoblasto apresenta dois ou três nucléolos. O pró-linfocito é menor do que a célula anterior tem o citoplasma basófilo, podendo conter granulações azurófilas. A cromatina do pró- linfocito é condensada. Os núcleos são facilmente visíveis. O pró-linfocito dá origem aos linfócitos circulantes. MATURAÇÃO DOS LINFÓCITOS Os precursores dos linfócitos são identificados pelo tamanho, pela estrutura da cromatina e apresenta nucléolos visíveis nos esfregaços. A medida que os linfócitos maduram, sua cromatina se torna mais condensada, os núcleos se tornam menos visíveis e a célula diminui de tamanho. Linfocitogênese Os linfócitos e os plasmócitos, que deles se derivam originam-se de células indiferenciadas da medula óssea, passando por poucas fases intermediárias até a célula madura. São células com poucas granulações em seu citoplasma, por isso são chamadas de agranulócitos. As células maduras são encontradas no sangue circulante em quantidades variáveis dependente das condições fisiológicas ou patológicas. São encontradas nos órgãos linfoides primários e secundário. Os órgãos linfoides primários são a medula óssea e o timo. Nesses locais ocorre a linfocitopoese nos órgãos linfoides primários ocorre à produção constante de células linfoides, que servem para suprir a necessidades dos órgãos linfoides secundários. Os órgãos linfoides secundários são os gânglios linfáticos ou linfonodos, o baço e outros agrupamentos linfoides. no nascimento, estes órgão linfoides, secundários são pouco desenvolvidos à medida que o corpo entra em contato com antígenos há resposta ou reação destes órgão linfoides. Linfoblasto É uma célula com 10 a 18 micra de diâmetro. O núcleo é prevalente e apresenta uma relação núcleo-citoplasmático de 6/1. A cromatina nuclear é púrpuro-profundas e apresenta-se agregada em torno da membrana nuclear. Os nucléolos são em número de um a dois, não muito bem delimitadas citoplasma azul intenso, com halo claro perinuclear, exibindo grânulos azurófilos. Figura 30: processo da linfopoiese. (a) linfoblasto, não possui característica morfologicamente destacáveis para identificar as etapas de diferenciação celular; (b) pró- linfocito, os diferentes elementos celulares se reconhecem por meio da identificação de antígeno com anticorpos monoclonais; (c) linfócitos grandes, (c1) linfócito T sua diferenciação ocorre no timo (c2) linfócito B a sua diferenciação continua na medula óssea. Em respostas a certos antígenos se transforma em plasmócito que produzem anticorpos (d). Figura 31: (1) estágios; (2) células-troncos; (3) células progenitoras; (4) células precursoras (blasto); (5) células maduras. (1A) morfologia inicial; (2-3A) não distinguíveis morfologicamente, parecem linfócitos grandes; (B2) baixa atividade mitótica, auto-renováveis, pouco numerosos na medula óssea; (B3) grande atividade mitótica, auto renováveis; mono ou bipotentes; frequentes na medula óssea e nos órgãos linfáticos. (A4) começo da diferenciação morfológica; (B4) grande atividade mitótica; não auto renováveis; monopotentes, frequentemente na medula óssea e nos órgãos linfáticos. (A5) diferenciação morfológica completa; (B5) não se multiplicam, são frequentes na medula óssea e nos órgãos linfáticos. (1-2a) célula pluripotente hemocitopoético; (1-2b) células linfoides multipotentes; (1-2c) migram paraos órgãos linfáticos; (1-2d) célula mielóides multipotente. (3a) célula linfática formadora de colônia (LCFC); (3b) célula formadora de colônias eritrocítica (ECFC); (3c) célula formadora de megacariócito; (3d) célula monocítica formadora de colônias (MCFC); (3e) MGCFC; (3f) células granulocíticas formadora de colônias (GCFC); (3g) célula eosinófilica formadora de colônias (EoCFC); (3h) célula basofilica formadora de colônias. (4a) linfoblasto; (4b) eritoblasto; (4c) megacarioblasto; (4d) megacarioblasto; (4e) mielócito neutrófilo; (4f) mielócito eosinófilo; (4g) mielócito basófilo; (5a) linfócito R e B; (5b) hemácia ou eritrócito; (5c) megacariócito; (5d) monócito; (5e) granulócito neutrófilo; (5f) granulócito eosinófilo; (5g) granulócito basófilo. HEMOSTASIA É o fenômeno fisiológico que mantêm o sangue fluido no interior dos vasos, e impede a sua saída para os tecidos vizinhos. Esses dois fatores evitam a trombose e a hemorragia. A hemostasia normal é dependente do equilíbrio entre vários fatores, como: vasculares, plaquetários, coagulantes, anticoagulantes, fibrinolíticos e a velocidade do fluxo sanguíneo no interior dos vasos. MECANISMO Hemostasia primária A hemostasia se inicia na lesão vascular quando existe ruptura da camada endotelial expondo o TC subendotelial. As plaquetas são atraídas e aderidas às fibras colágenas no local da lesão, formando um botão que funciona como uma rolha ou tampão, que procura fechar o local lesado. As plaquetas aderidas iniciam um processo de liberação de fatores como cálcio, serotonina, enzimas proteolíticas e difosfato. Promove agregação das plaquetas, as quais se ligam fortemente entre si, dando mais consistência ao botão plaquetário, ao mesmo tempo em que liberam mais ADP, promovendo maior número de plaquetas agregadas, cobrindo a área lesada. Em contato com o colágeno, a plaqueta ativa as fosfolipases de sua membrana, que agem sobre o ácido araquidônico, que sofre a ação de uma enzima plaquetária, a cicloxigenase, e se transforma em endoperóxido cíclico, que sofre a ação da tromboxane sintetase, e é transformado em tromboxane A2, a qual é liberada da plaqueta. A tromboxane A2, é um agregante plaquetário, mas também apresenta uma ação vasoconstritora, diminuindo a luz do vaso. Com o fluxo sanguíneo diminuindo no nível da lesão vascular decorrente da vasoconstrição há maior interação entre os fatores da coagulação. Figura 32: formação do tampão plaquetário. (1) colágeno exposto liga-se às plaquetas e as ativa; (2) os fatores plaquetários são liberados; (3) os fatores atraem mais plaquetas; (4) as plaquetas agregam-se formando o tampão plaquetário. (a) lúmen de vaso sanguíneo; (b) endotélio integro; (c) libera prostaciclina e NO + ; (d) impede a adesão plaquetária; (e) colágeno na parede do vaso sanguíneo danificado; (f) colágeno integro ; (g) colágeno exposto; (h) LEC. Figura 33: (1) vaso constrição. (a) endotélio; (b) membrana basal; (c) musculatura lisa da arteríola; (d) local de lesão; (e) liberação da endotelina causa vasoconstrição; (f) vasoconstrição reflexa; (g) matriz extracelular (colágeno). Homeostásia primária. (1) adesão plaquetária; (2) alteração da forma; (3) liberação granular (ADP, TXA2); (4) recrutamento; (5) agregação (tampão hemostático); (a) endotélio; (b) membrana basal; (c) colágeno.hemóstase secundaria. (1) fator tecidual; (2) expressão do complexo fosfolipídio; (3) ativação da trombina; (4) polimerização da fibrina; (5) fibrina. Trombo e eventos antitrombóticos. (a) liberação de t-PA (fibrinólise), trombo dulina (bloqueia a cascata da coagulação; (b) neutrófilo capturado; (c) eritrócitos capturados; (d) fibrina polimerizada. Hemostasia secundária É chamado tempo plasmático, porque é nessa fase que os fatores plasmáticos da coagulação interagem, formando os coágulos sanguíneos, que junto com o botão plaquetários e a vasoconstrição, mantém uma hemostásia eficiente e duradoura. Nesta fase, tem a ativação do fator de contato (XII) pela praclicreína e por um mecanismo de clivagem enzimática, a ativação em cadeia ou cascata dos fatores XII, XI, X, VII e II, que junto com fatores V, VII e fibrinogênias enzimas não clivadas, formam a fibrina. Esta após ser formada, é estabilizada e se torna fibrina insolúvel pela ação do fator XIII e do cálcio. Após o tempo plasmático, a fibrina estável se retrai e sofre a ação de fatores fibrinolíticos, os quais lesão à fibrina, restabelecendo o fluxo sanguíneo normal, ao mesmo tempo em que se faz a restituição da parede do vaso lesado. Figura 34: a hemostasia possui três passos principais. (1) vasoconstrição; (2) bloqueio temporário de uma ruptura por meio de um tampão plaquetário; (3) coagulação do sangue, que sela o orifício até o tecido ser reparado. VASOS SANGUÍNEOS As células endoteliais podem liberar substâncias ativas na hemostásia, como o fator Von Willebrand, a prostaciclina, a tromboxane A2, a prostaglandina D2 e os ativadores do plasminogênio. O colágeno tem a capacidade de ativar o sistema de coagulação a partir do fator XII, bem como pode ativar o sistema fibrinolítico. As camadas mais próximas do endotélio tem função anticoagulante, como a prostaciclina e o ativador extrínseco do plasminogênio. As camadas mais distantes do endotélio apresentam substâncias procoagulantes, como colágeno, prostaglandinas G2, H2 e E2. No nível do endotélio destacam-se a fibronectina, encontrada no plasma, e as plaquetas com a ação de opsonina, mediadora da função de aderência plaquetária e ação hemostática junto ao fator XIII ativado. No mecanismo hemostático primário a vasoconstrição inicial é devida à contração das células musculares lisas e dependente do calibre do vaso. O fluxo normal do sangue é mantido pela propriedade antiplaquetária anticoagulante e fibrinolítica endoteliais. Por outro lado, após a lesão, o endotélio exibe atividades pró-coagulante. O equilíbrio entre a atividade antitrombótica e pró- trombótica determina se ocorre formação propagação ou dissolução do trombo. Efeitos antiplaquetários O endotélio previne as plaquetas e os fatores de coagulação plasmática do encontro com a MEC subendotelial altamente trombogênico. As plaquetas não ativadas não se aderem ao endotélio, propriedade intrínseca ao endotélio mesmo após a ativação das plaquetas, elas são inibidas da adesão ao endotélio não lesionado pela prostaciclina endotelial (PGI2) e óxido nítrico. Ambos são vasodilatadores e inibidores da agregação plaquetária, sua síntese endotelial também produzem ADP, que contribui para a inibição da agregação plaquetária. Efeitos anticoagulantes São mediados por moléculas parecidas com a heparina associadas à membrana e pela trombomodulina, um receptor especifico da trombina. Elas atuam indiretamente, como cofator que interagem com a anitrombina III para inativa a trombina, fator X e outros fatores de coagulação. A trombomodulina também atua de forma indireta, ela liga-se à trombina, convertendo-a de um pró- coagulante a um anticoagulante capaz de ativar a proteína C. Figura 35: ilustração esquemática de algumas atividades pró e anticoagulantes das células endoteliais. (1) favorecem a trombose; (a) sequencia da coagulação extrínseca; (b) exposição do fator tecidual unido à membrana; (c) vWf; (d) adesão plaquetária mantidas juntas pelo fibrinogênio. (2) inibem a trombose. (a) inativa a trombina e os fatores Xa e Ixa; (b) proteólise dos fatores Va e ViIIa; (c) ativa a proteína c; (d) proteína c; (e) cascata fibrinolitica; (f) t-Pa; (g) inibe a agregação plaquetária; (h) PGI2, NO, a adenosina difosfato; (i) efeitos endoteliais; (j) trombina; (l) inativa os fatores teciduais ViLLa e Xa; (m) antitrombinaIII; (n) trombina. (3) TC. (a) colágeno; (b) trombomodulina; (c) molécula semelhante à heparina; (d) inibidor da via do fator tecidual; (e) receptor da trombina; (f) endotélio. PLAQUETAS Elementos sanguíneos circulantes provenientes dos megacariócitos. Que sobre o estimulo da tromboetina ou da plaquepoetina, se transforma em megacarioblasto. Do seu citoplasma desprendem- se fragmentos que passam para a circulação como pequenos discos. As plaquetas tem uma vida média de sete a 10 dias, sendo retiradas das circulação pelo sistema fagocitário. Figura 36: megacariócito maduro e liberação de plaquetas. (1) megacariócito maduro; (a) trombócitos livres; (b) trombócitos diferenciados; (c) prolongações citoplasmáticas com vesículas visivelmente demarcadas; (d) citoplasma granuloso; (e) vacúolos periféricos; (f) múltiplos núcleos; (g) grânulos azurofilos. (2) trombócitos, (a) ausência do núcleo; (b) pequenos grânulos azuis; (c) prolongações; (d) citoplasma azul pálido. Fatores plaquetários Encontramos fatores, tais como os fatores 1, 2, 3, 4, 5 e a antiplasmina. O fator plaquetário 3 é importante na coagulação e um fosfolipideo da membrana da plaqueta que liga aos fatores da coagulação via ponte de cálcio. A antiplasmina é uma proteína plaquetária com função de inibir a atividade fibrinolítica do plasma. As plaquetas também liberam substâncias como adenosinas difosfato, agregante plaquetário a serotonina com ação vasoconstritora, a β- tromboglobulina, com ação trombótica, o fator mitogênico. Com ação na proliferação das células musculares lisas da parede vascular e enzimas lisossômicas com papel na fase da cicatrização e eliminação do tampão hemostático. Função Na fase inicial as plaquetas, aderem-se ao colágeno e agregação entre si para formar o botão ou tampão hemostático no local da lesão vascular. A aderência ao TC do subendotelio estimula a plaqueta, que inicia o seu mecanismo de secreção e de liberação de substância agregante, aumentando o botão plaquetário que tampona o local lesado. COAGULAÇÃO Há necessidade do mecanismo de coagulação é formar um coagulo para manter o tampão hemostático permanente e uma hemostasia e mais eficaz. Mecanismo A coagulação é um processo dinâmico de reações bioquímicas e enzimáticas envolvendo proteínas plasmáticas e íons, que transformam o sangue circulante fluido, em um gel insolúvel pela conservação do fibrinogênio em fibrina. A fibrina forma uma rede que contém em suas malhas os glóbulos vermelhos, envolve o trompo plaquetário formando inicialmente, estabilizando o tampão hemostático. O processo da coagulação se inicia com a ativação dos fatores chamados contato e segue uma sequencia de ativação de proteínas precursoras ou proenzimas num mecanismo de ativação de proteínas precursor ou proenzimas num mecanismo de multiplicação chamado cascada ou reação em cadeia. Para ordenar a terminologia dos fatores, foi estabelecido uma nomenclatura baseada em números romanos, usando como critérios a data do descobrimento de cada fator, os numerais indicam os fatores não ativados que existem no plasma. São exceções o fator III, que é encontrado nos tecidos e na superfície da membrana da plaqueta o fator IV, que é o íon cálcio e o fator VI, que mais tarde foi reconhecido como produto intermediário e não um fator coagulante propriamente dito.O fator VIII é uma molécula de grande tamanho e compreende dois fatores: O fator coagulante (VIII: C) e o fator Von Willebrand (VIII:VW), ambos com participação em locais diferentes no mecanismo hemostático. O primeiro participa do mecanismo em cascata, enquanto o segundo é importante na fase inicial da hemostasia facilitando a agregação plaquetária. Fatores São serina proteases que circulam no plasma na forma inativa. Sendo agrupadas de acordo com a função e as propriedades bioquímicas. Consideramos 3 grupos ou sistemas de fatores segundo a função. No sistema de via intrínseca inclui os fatores: XII, XI, IX, VIII. No sistema de via extrínseca o fator VII e na via comum dos fatores, V, X, II, I. Conforme o comportamento bioquímico, os fatores são separados em três grupos: O grupo 1 ou grupo do fibrinogênio compreende os fatores I, V, VIII e XIII, todos com elevado peso molecular. Esses fatores são consumidos durante a coagulação, aumentam na inflamação aguda e não são alteradas pelo anticoagulante orais bem como não são vitaminas K dependentes; O grupo 2 ou grupo protrombínico tem a participação dos fatores II, VII, IX e X e proteínas C e S. são vitaminas K dependentes e sofrem ação dos anticoagulantes orais. O grupo 3 são conhecidos como sistema de ativação por contato, inclui os fatores XII e XI o cininogênio de elevado peso molecular e precalicreína. A coagulação é realizada por duas vias; a via intrínseca e a extrínseca que se encontram numa determinada etapa e seguem uma via comum que culmina com a formação da fibrina. Origem: o fígado sintetiza todos os fatores da coagulação, incluindo, o fator VIII, que também é produzido em diferentes tecidos, como plaquetas, megacariocitos e células endoteliais. Os grupos de fatores dependentes de vitamina K são precursores de serina protease todos requer a vitamina K para completar sua síntese no fígado. A vitamina K é lipossolúvel e é levada pela alimentação como vitamina K1 ou produzidas por bactérias no TGI como vitamina K2. Tabela 1: fatores de coagulação. Via intrínseca Se inicia com a ativação do fator plasmático, fator XII ou fator de contato pelo colágeno do subendotelio, ou quando o plasma entra em contato com materiais carregados negativamente o fator XII, ativado ativa o fator XI, que por sua vez ativa o fator IX. O fator IX ativado forma com o fator VIII, íons Ca+ e fosfolipideo da plaqueta, um complexo que ativa o fator X. Na sequencia seguinte, o fator X ativado se liga ao fator V, Ca+ e fosfolipídio da plaqueta, formando um segundo complexo que ativa o fator II o qual converte o fibrinogênio em fibrina. Este é o produto final da coagulação. A fibrina formada é instável, pela ação do fator XIII se transforma em fibrina estável e insolúvel,a qual mantém um coagulo resistente. Via extrínseca É o meio alternativo para ativar o fator X sem participação dos fatores XII, XI,IX e VIII. O fator liberados dos tecidos lesados se ligam ao Ca+ e ao fator VIII, e assim ativam o fator X. a via extrínseca possui um mecanismo rápido para a produção de pequenas quantidade de trombina, a qual age sobre os fatores V e VIII, tornando-os em formas mais ativas e, acelerando a via intrínseca. O fator XII ativado também age sobre o fator VII tornando- o mais reativo. Figura 37: cascata da coagulação. As proteínas plasmáticas inativas convertidas em enzimas ativas em cada passo da via. (1) via intrínseca; (a) colágeno ou outros ativadores; (2) via extrínseca; (a) o dano expõe o fator tecidual III; (b) retroalimentação positiva; (3) via comum; (a) fosfolipídios (PL); (b) retroalimentação positiva. FIBRINÓLISE Após a formação da fibrina começa a ser ativado o mecanismo fibrinolítico, que procura remover o coágulo fibrinolítico, e restabelecer a circulação no local, ao mesmo tempo em que há a restituição do endotélio vascular. Podemos considerar duas vias, ambas com a via comum agindo sobre o plasminogênio que ativa a plasmem, a qual vai agir sobre a fibrina, lisando-a. O plasminogênio é ativado em plasmina na via intrínseca pelo fator XII ativado na via extrínseca o plasminogênio sofre a ação dos ativadores do tecido, de modo semelhante ao da ativação do fator VII pelo fosfolipideo dos tecidos na via extrínseca de coagulação.A plasmina formada quer pela via intrínseca ou extrínseca, cinde a fibrina e também o fibrinogênio em pequenos fragmentos chamados produtos de degradação da fibrina (PDF). Figura 38: os eritrócitos são aprisionados na rede de fibrina do coágulo. TRANSFUSÃO DE SANGUE Consiste na transferência segura do componentes sanguíneos de um doador para um receptor. o sangue como cura já é usado a séculos. o papa Inocêncio VIII, portador de doença renal crônica, recebeu sangue de 3 jovens para curá-lo dessa enfermidade, os três rapazes morreram. no séc. 20, com a descrição dos grupos A, B e 0 por Landsteiner (1900) e do grupo AB por De Castello e Sturli (1902) e pela introdução de teste de compatibilidade por Ottemberg (1907) e Moss (1910) a transfusão passou a adquirir base mais cientifica para sua realização. Os primeiros bancos de sangue foram criados em Leningrado (1932), Barcelona (1936) e Chicago (1937). com a descrição do sistema Rh e do soro de Coombs, novos desenvolvimentos ocorreram no conhecimento de grupos sanguíneos. Imunoglobulinas São divididas em 5 grupos (IgG, IgM, IgA, IgD e IgE); as funções das imunoglobulina dentro do sistema imune incluem a ligação a antígenos, a ativação do sistema complemento e a fixação a receptores celulares. IgG Atravessam a placenta e fixam o complemento, formam os principais anticorpos eritrocitário imunes (Rh, Kell, Duff, Kidd). também são responsáveis pela maioria dos casos de anemias hemolíticas auto-imunes. sua concentração sérica é de 110 a 130 g/L. IgM Apresenta grande capacidade de fixar o complemento, mas não atravessam a placenta. forma a maioria dos anticorpos naturais (ABH, Lewis, I, P e MN) anemia hemolítica auto-imune a frio. sua concentração sérica é de 20 g/l. IgA Encontra-se no soro e em secreções (saliva). Tem pouca importância imuno-hematologica. Indivíduos deficientes em IgA podem ser suscetíveis a reação anafilática por transfusões, sua concentração sérica é de 1,8 g/L. IgD sua função hematológica é pouco conhecida. IgE importante na formação de reações alérgicas, mas sem importância imuno-hematológica. GRUPOS SANGUÍNEOS Os antígenos eritrocitários podem induzir à formação de anticorpos, cuja força irá depender da sua conformação química, número e localização na membrana eritrocitária. Alguns antígenos são bioquimicamente divididos em dois grupos: 1. Carboidratos: em que um gene codifica a formação que adicionarão açúcares e substrato específicos; 2. Proteicos: decorrentes de ação direta de um gene. Sistema AB0 Consiste em três genes alelos: A, B e 0. Os genes A e B controlam síntese de enzimas específicas, responsáveis pela adição de um único resíduo de carboidrato numa glicoproteína básica antigênica ou nem glicolipídio com terminal açúcar de L- frutose no eritrócito, conhecido como substância H. o gene 0 é amorfo e não transforma a substância H. Pela ação de um gene H, a codificação de uma enzima que adiciona um açúcar, ao açúcar terminal de uma cadeia precursora das hemácias ou de secreções formando-se o antígeno H. a seguir, sob ação do gene A há a codificação de outra enzima que adiciona um açúcar ao antígeno H, convertendo-o em antígeno A. da mesma forma, sob ação do gene B, HPA a codificação de uma outra enzima que adiciona um açúcar ao antígeno H, convertendo-o em antígeno B. O gene 0 é considerado um gene silencioso ou amorfo, pois não codifica a formação de nenhuma enzima especifica e não ocasiona a conversão do antígeno H. os raros indivíduos pertencentes ao fenótipo Bombay, não apresentam a capacidade de transformar a substância precursora em antígeno H, A e B nas suas hemácias. Subgrupos A Temos vários subgrupos do antígeno a, os mais importantes são A1 e A2.Embora o açúcar imuno dominante seja o mesmo, é possível que ocorram diferenças quantitativas no nível de transferases. A diferenciação do subgrupo A1 pode ser feita mediante reação positiva com o uso de lectina anti- A1. Subgrupo B Embora não haja diferenciação de antígeno B1 e B2, raramente podem ocorrer subgrupos de B. Antígeno Existem aproximadamente 400 antígenos de grupos sanguíneos. Eles são importantes na transfusão de sangue porque indivíduos com falta de um antígeno do grupo sanguíneo, podem produzir anticorpo contra esse antígeno, com possibilidade de causar reação transfuncional. Pacientes do grupo A1 portadores de infecções por algumas bactérias podem apresentar a degradação do antígeno A em galactosamina, comportando-se como se fosse AB. Bactérias como P. vulgaris ou E. coli podem produzir substâncias B-like que são adsorvidas às hemácias, originando o mesmo fenômeno. Anticorpos Anticorpos naturais são os que não possuem o antígenos correspondente e que nunca foi exposto com ele por meio de transfusão. Os mais importantes são os anti-A e anti-B. Os anticorpos do sistema AB0 costumam ocorrer naturalmente. São detectados no soro após três a seis meses de vida. Individualmente A ou B costumam produzir apenas IgM, ao passo que 0 produz IgM e IgG naturais. Sistema Rh Trata-se de uma proteína com papel importante na integridade da membrana eritrocitária. O termo Rh positivaoo refere-se à presença do antígeno D (fisher-race) ou Rho (Wiener) estão associados mais quatro outros antígenos. (C, c, E, e). pessoas Rh negativas apresentam ausência de D. o comportamento desses antígenos é de co- dominância, os produtos de ambos os genes se manifestam-se nas hemácias. Fisher-Race (CDE) Eles sugerem que os antígenos de sistema Rh fossem codificadas por três genes distinto, que seriam transmitidos como um tudo, comportando- se como um haplótipo onde o crossing-over ocorreria. Teoria de Wiener (Rh-Hr) Sugere a existência de dois genes distintos –Rh e Rh com capacidade de produção e ausência de codificação para o Rho(D) respectivamente; adicionalmente, um único gene produziria um aglutinogênio, composto por vários fatores (antígenos). Cada gene Rh é composto por múltiplos alelos. Sistema Kell É um sistema de 2 antígenos. Há três principais grupos de alelos antitéticos, que produzem antígenos de alta e baixa frequência, os anticorpos são geralmente imunes, de classe de IgG1 e muitos fixam complementos, causando reações transfuncionais ou DHPn. O antígeno K1 é, depois do D, o mais imunogênico, sendo comum a detecção de anticorpos anti-K1. Sistema Duffy É composto por seis antígenos sendo que os mais importantes são: Fy(a) e Fy(b). formam quatro fenótipo, com variações na incidência de acordo com distintas raças. Sistema Kidd Consiste de três antígenos Jk:1, Jk:2 e Jk:3, sendo que Jk:1 e Jk:2 são antitético. Figura 39: (a) tipificação AB0 em lâmina em paciente do grupo. Os eritrócitos suspensos em salina aglutinam na presença de anti-A e Anti A+B; (b) tipificação rotineira de 12 pacientes em microplaca de 96 poços. Reações positivas mostram aglutinadas nítidas; em reações positivas mostra aglutinados nítidos, em reações positivas mostram dispersos. Colunas, pacientes numerados de 1- 12, fileiras 1-3, eritrócitos dos pacientes mostra antissoros: 4-6, soro dos pacientes contra eritrócitos conhecidos; 7-8, anti-D contra eritrócito dos pacientes. Reações adversas Uma reação transfuncional com todo e qualquer problemas indesejável que ocorra durante ou após uma transfusão de sangue ou componentes. Elas são divididas em: Reações agudas não imunológicas Decorre do aumento rápido de volemia, num paciente cardiopatia. Sua prevenção é feita com o uso de concentradode glóbulos. O uso concomitante de diuréticos poderá ser benéfico nesses caos. Reações hemolíticas Varias são as causas de reação hemolítica imunológica do sangue transfundido, devendo-se diferenciá-las das reações hemolíticas imunológicas, de consequências mais severas. Sistema Lewis Os antígenos desse sistema não são especificamente eritrocitários, produzidos no epitélio intestinal e liberados como antígenos solúveis no plasma onde são adsorvidos à membrana eritrocitária. Os anticorpos do sistema de Lewis costumam ser naturais (IgM) e embora fixem complemento, dificilmente são ativos 37 ºC e não causam hemólise, não tendo valor clinico. Sistema P Os anticorpos anti-P1, costumam ser naturais (IgM) e estão presentes nas maioria das pessoas P2, porem são raras aqueles reativos a 37 ºC capazes de causar hemólise in vivo. mulheres com esse fenótipo costumam apresentar aborto espontâneo no primeiro trimestre da gestação. sistema Li No nascimento, o recém-nascido tem grande quantidade de e antígeno i e quase nenhum antígeno I. após 18 a 24 meses, a situação se inverte. Sistema MNS Anticorpos Anti-M e anti-N costuma ser naturais (IgM) e raramente reativos a 37 ºC sua presença nas crianças é comum, embora sem valor clinico. paciente renais crônicos submetidos a hemodiálises com reutilização de dialisadores formalizadas produzem com frequência anti-N. HEMODERIVADOS Os componentes sanguíneos são produtos hemoterápicos obtidos do sangue total, através de processo físicos (centrifugação e congelamento). Os homoderivados são produtos obtidos do sangue total ou do plasma obtidos por processos físico- químicos. Antes de começarmos a transfusão, algumas regras devem ser observadas: 1. Requisição: aos, a avaliação médica, a requisição dos produtos hemoterápicos devem ser preenchidos, contendo o produto desejado, a identificação do receptor e a causa que originou a transfusão. A requisição será enviada ao banco de sangue, que iniciará os processos pertinentes à transfusão; 2. Identificação: após a requisição, deverão ser colhidos amostras do receptor e identificadas, com nome completo do paciente, registro, localização e data; 3. Liberação do produto: após a tipagem e a realização de provas de compatibilidade, o produto deverá ser corretamente identificado com nome, registro e localização do receptor, assim, como as especificações do componente (tipo, data e validade). Este produto, deverá ser encaminhado para transfusão ou ser armazenado em local apropriado. 4. Inicio da infusão: o responsável pela transfusão deve fazer uma última conferencia dos registros do produto e da identificação do receptor estando atento a qualquer anormalidade. Os sinais vitais do receptor deverão verificadas e anotadas na ficha, facilitando a identificação de reações transfuncionais, da mesma forma, reações alérgicas ou febris não poderão ser falsamente imputadas às transfusões se o paciente já apresenta essas alterações previamente. ANEMIA É uma manifestação comum de distúrbios da medula óssea, anomalias de eritrócitos, distúrbios imunológicos, deficiência. Ou seja, é qualquer condição que prejudique a produção ou aumente a taxa de destruição ou perda de eritrócito pode resultar em anemia, se a medula óssea não consegue equilibrar a taxa de perda de hemácias. A diminuição da Hb geralmente é acompanhada por baixa na contagem de eritrócitos e do hematócrito. As células responsáveis por receber o 8O na área do aparelho justaglomerular do rim reagem à hipóxia tecidual local aumentando a produção de EPO, que é o hormônio regulador da eritropoese. A EPO é essencial para a maturação da UFC-E, e para os pró-Eritroblasto na medula óssea. Quando as células precursoras de eritropoese amadurecem para pró-Eritroblasto, a maturação posterior para normoblastos, reticulócito e eritrócitos maduros não requer mais a presença de EPO. A hipóxia, detectada no rim, resulta em produção aumentada de EPO, que leva a produção aumentada de eritrócito pela medula óssea. Quando ocorre um aumento nos níveis de EPO em resposta ao início da anemia, no prazo de 2 a 4 dias aparecem pró-Eritroblasto e normoblastos novos na medula óssea e, no prazo de 3 a 7 dias, começam a surgir novos reticulócitos no sangue periférico. Sinais e sintomas Os sintomas das anemias estão ligados ao grau e a rapidez da instalação da baixa de Hb. Os sintomas são mais intensos na anemia aguda, seguida de grandes hemorragias, ou hemólises, do que na anemia crônica, em que a adaptação à hipóxia se faz progressivamente. Observam-se em qualquer tipo de anemia os seguintes sintomas gerais: palidez cutânea ou da mucosa, fadiga, unhas quebradiças, irritabilidade taquicardia aos esforços, sonolência, náuseas, perda de libido e impotência. Classificação Existem várias classificações propostas para anemia, dentro das quais as mais usadas são a fisiopatogênica e as morfológicas. Fisiopatogênicas: distinguem as anemias de acordo com seu mecanismo de produção, naquelas por diminuição na produção de eritrócitos, entre elas temos as ferroprivas, as aplásica, etc. Morfológicas: se baseia no aspecto que os glóbulos vermelhos apresentam no sangue periférico nas distintas anemias. Assim, distinguimos as anemias microcitica hipocrômicas, como as ferropênicas, a macrocitica como anemia megaloblástica, as normocítica e normocrômicas. As anemias podem ser causadas por: 1. Perda sanguínea: Aguda (hemorrágica); Crônica (perdas pequenas e continuas). 2. Alteração na formação do glóbulo vermelho: Alterações genéticas: a. Da membrana: Esferocitose; Eliptocitose. b. Da Hb: Síndrome talassemica; Hemoglobinopatia. c. De enzimas: Deficiência da 6-glicose-fosfato- desidrogenase. Deficiência de outras enzimas. Alterações adquiridas: a. Deficiência adquirida de substâncias essenciais à eritropoese: Ferro; B12 e folato; Proteínas. 3. Destruição aumentada: a. Adquirida. b. Por defeito intrínseco: Hemoglobinopatias; Enzimopatias; Alterações da membrana. c. Por alterações extrínsecas. ANEMIA HIPOCRÔMICA São reconhecidas por apresentarem diminuição da Hemoglobina corpuscular média (HbCM) e da concentração da hemoglobina corpuscular média (CHbCM). É comum serem acompanhados de diminuição do volume corpuscular média (VCM), sendo chamadas de anemias hipocrômicas macrocitica e microcitica. A deficiência de 26Fe é a causa mais comum de anemia microcitica e hipocrômicas. Esse aspecto decorre de defeitos na síntese de hemoglobina. Anemia ferroprivas Os sintomas sempre desenvolvem insidiosamente porque, sendo o sangramento crônico, a compensação vai-se processando à medida que a anemia se instala. As queixas dos pacientes é fadiga para exercer atividades habituais. Dados do exame físico, os dados mais sugestivos de anemia por carência de 26Fe são observados no epitélio da língua e dar ângulos dos lábios, determinando a chamada estomatite angular, unhas friáveis ou em colher. Na deficiência de 26Fe, só ocorre anemia quando já há depleção completa dos depósitos reticulócitos endoteliais de hemosiderina e ferritina. Figura 40: (a) eritrócito pequenos (microcitica); (b) eritrócitos hipocromáticos; (c) leucócitos normais; (d) eritrócitos com leve prolongações. Figura 41: estão presente duas populações de eritrócitos,uma microcitica e hipocrômica, outra normociticas e bem hemoglobinizada. Figura 42: anemia por deficiência de 26Fe. (a) unhas frágeis em forma de colher; (b) fissura e ulceração no canto da boca; (c) defeito de enchimento (seta) causada na membrana pós- cricoide. ANEMIAS MACROCITICAS (megaloblásticas) São anemias que apresentam glóbulos vermelhos grandes. São do tipo normocrômica, onde se encontra uma medula óssea com células eritróides características, de grande tamanho, devido a um defeito na síntese do núcleo celular. Na deficiência da B12 e folato há defeito na síntese do DNA da célula, com maturação normal do citoplasma, resultando também em macrocitose. As anemias por deficiências de B12 e folatos são conhecidas por megaloblásticas. Algumas são devidas somente à deficiência de B12. Enquanto outras dependem da B12, e folatos são as seguintes: anemias megaloblásticas grandes desnutrições, ressecções digestivas síndrome de má absorção. Figura 43: medula óssea com anemias megaloblásticas. (a)megaloblastos agrupados; (b) eritrócitos hipercromaticos; (c) neutrófilos hipersegmentados. (d) anisocitose. Tanto a deficiência da B12 como, a de folato produzem modificações morfológicas idênticas na medula óssea e no sangue periférico. Por isto, a carência destes dois fatores é estudada sob a rubrica de anemias megaloblásticas ou anemias macrociticas, a 1ª referindo-se ao achado medular e a 2ª a citomorfologia do sangue periférico. A deficiência de qualquer uma destas vitaminas determina modificações estruturais na morfologia do núcleo das células, de regime mitótico ativo e que, necessitam de uma síntese elevada de DNA. Estas modificações são mais visíveis nos precursores eritropoéticos, chamados megaloblastos e caracterizados, pela delicadeza da rede de cromatina resultante de uma síntese inadequada de DNA. O volume aumentado dos megaloblasto persiste em sua progênie, e os glóbulos vermelhos resultantes, ao atingirem o sangue periférico, exibem um volume muito maior que o dos eritrócitos normais, sendo por isto chamado macrocitose. ANEMIAS NORMOCROMICAS Diante desse tipo de anemias deve-se avalia o número dos reticulócitos que informa indiretamente sobre a produção medular da séria vermelhar. Este número é variável em 1 a 2% ou 25000 a 125000/mm3 de sangue. Números mais baixos indicam uma anemia arregenerativa, que tem origem numa anormalidade da medula óssea. o exame apresenta 5 tipos de anemias: 1. Anemias normocrômicas arregenerativas como mielograma com diminuição de eritroblastos; 2. Anemias normocrômicas com mielograma de tipo megaloblástico; 3. Anemia normocrômica arregenerativa co mielograma invadido por células; 4. Anemia normocrômica arregenerativa com mielograma pobre em células; 5. Anemia normocrômica arregenerativa com mielograma normal. ANEMIA HEMOLITICA São caracterizadas pela diminuição da vida média dos eritrócitos devido a sua destruição prematura intravascular ou extravascular isto traz como consequência um aumento na atividade eritropoetica na medula óssea, na intenção de compensar a perda de hemácias e o acumulo de produtos do catabolismo da Hb (bilirrubina e urobilirrubina). As anomalias hemolíticas são agrupadas em dois grupos: Anemias intrínsecas; Anemias corpusculares. A medula óssea nas anemias hemolíticas evidenciam uma grande atividade medular eritropoetica, que se manifesta pelo aumento, evidente, da relação eritróide mieloide. A hemólise pode ter varias causas, as mais comuns são: 1. Anemia genética: a. Alteração genética: Da membrana: Esferocitose; Eliptocitose; Piropoiquilocitose. b. da Hb: Talassemia; Hemoglobinopatias; Hemoglobina instáveis. c. Enzimas: Deficiência de 6glicose-fosfato-desidrogenase; Deficiência de piruva-toquinase; Deficiência de outras enzimas. 2. alterações adquiridas: Imunológicas; Isoimune; Auto-imune Drogas; a. Mecânica: Hemoglobinúria do esforço; Queimadura; Anemia hemolítica microangiopática; Próteses valvares. b. Infecção: Bacteriana; Malária; Clostridiun welchii; Bastonete. c. Química: Arsina; Chumbo; Megaloblastose; Hemoglobinúria peroxistica noturna; d. Outros: Doenças hepáticas; Hipofosfatemia. HEMOGLOBINOPATIAS As hemoglobinopatias são doenças de caráter hereditário, onde um defeito quantitativo na produção de cadeias de globinas normais (talassemicas) ou uma mutação genética que afeta o DNA, levando à formação da globina anormal. TALASSEMIA São um grupo heterogêneo de doenças genéticas que resultam de diminuição da velocidade de síntese de cadeias α ou β. A β-talassemia é mais comum no mediterrâneo, e a α-talassemia, no extremo oriente. α-talassemia São causadas por deleção de genes. Havendo em geral quatro cópias do gene α-globina, a gravidade clínica pode ser classificada conforme o número de genes que faltam ou estão inativos. A perda de quatro genes suprime por completo a síntese de cadeia α. Três deleções do gene α provocam anemia microcitica hipocrômicas moderadamente severa, com esplenomegalia H (HbH), pois a hemoglobina H (β4) pode ser detectada nos eritrócitos desses pacientes por eletroforese ou em preparações de reticulócito. Na vida fetal ocorre a HbBarts (γ4). Os traços α-talassemia são causados por perda de um ou dois genes em geral não se associam à anemia, embora o VCM e o HCM sejam baixos e a contagem de eritrócitos esteja acima de 5,5x1012/L. β-talassemia É inversa da α-talassemia, muito frequente no mediterrâneo. É caracterizada por deficiência na produção de cadeias β de globina. Como há aumento da cadeias alfa livres dentro dos eritrócitos, elas precipitam. Esse precipitado altera a membrana celular e a célula, assim alterado é fagocitado precocemente pelo sistema reticulo endotelial. Anemia perniciosa É causada por agressão auto-imune à mucosa gástrica, levando à atrofia do estômago. Tornando a parede do estomago delgada, com infiltrado de linfócito e plasmócito na lâmina própria. A infecção por Helicobacter pylori pode iniciar uma gastrite autoimune: em pacientes jovens, causa anemia ferropênicas; em idosos, causa anemia perniciosa. 90% dos pacientes têm, no soro, anticorpos contra células parietais, dirigidos contra H+/K+ATPase gástrica, e 50%, anticorpos tipo I ou anticorpos bloqueadores do IF, que inibem a ligação de IF a B12. LEUCOCITOPENIA E LEUCOCITOSE Os distúrbios leucocitários podem ser classificados em duas classes: Distúrbios proliferativos, onde há uma expansão dos leucócitos; Leucopenia, definida como uma deficiência de leucócitos. A contagem de leucócitos varia de 5,0 a 10,0 bilhões/l, uma contagem total baixa de leucócitos é chamada de leucopenia, geralmente resulta de números reduzidos de neutrófilos, quando descoberta é preciso descobrir qual o tipo de leucócito está com o nível baixo. Varias doenças podem causar uma redução dos leucócitos circulantes. MIELOCITOSE Neutropenia A disfunção fagocitária é um risco à vida. Ocorre neutropenia quando a contagem periférica de neutrófilos é menor que 2,0 bilhões/l. varias doenças podem causar lesão à medula óssea, a lesão mais comum é a induzida por drogas, chamadas de agentesantineoplásicos, alguns antivirais e imunossupressores causam lesão sobre a população de células não mieloide. Essas reações idiossincrásicas induzidas por drogas podem resultar de citotoxicidade mediada por drogas ou de um mecanismo imune no qual: Os neutrófilos são destruídos nos locais extra- medulares como resultado de anticorpos anti- neutrófilos; O compartimento medular é lesionado (como proinamida, clorafenicol, dapsona, tocainida). A radiação pode causar lesão aguda auto limitada da medula óssea e insuficiência medular crônica. A insuficiência da medula óssea é mediada por anticorpos ou linfócitos T que inibem o crescimento de células precursoras da medula óssea. A maioria dos indivíduos com leucopenia mediada pelo sistema imune apresentam reumatismo ou doenças autoimune, anormalidades no sangue periférico.Uma redução marcante na contagem de neutrófilos é chamada de agranulocitose, tornando os indivíduos suscetíveis a infecções.Uma redução dos granulocitos irá ocorrer se houver: Produção reduzida ou ineficiente de neutrófilos; Remoção inadequada ou ineficiente. É observada em situação de: Supressão de células-tronco mieloide, como ocorre na anemia aplásica numa variedade de transtorno infiltrantes de medula (tumores, doença granulomatosa etc.); nestas condições, a granulocitopenia é acompanhada de anemia e trombocitopenia; Supressão de precursores granulocitos comprometidos em razão da exposição a determinadas drogas; A remoção acelerada ou destruição de neutrófilos ocorre quando há: Sequestro esplênico, em que ocorra uma destruição extrema, secundária ao aumento do baço, geralmente associada a uma destruição aumentada de hemácias e plaquetas; Demanda periférica aumentada, como pode ocorrer em infecções devastadoras causadas por bactérias, fungos, ou em infecções por Rickettsiae. As drogas são responsáveis pela maioria das neutropenias. Algumas drogas, como agentes alquilantes e os anti-metabólicos usados no tratamento do câncer, produzem agranulocitopoese de maneira previsível e dose- relacionada. Como estas drogas causam uma supressão generalizada da medula óssea, a produção de eritrócitos e plaquetas também é afetada. Morfologia: as alterações anatômicas da medula óssea variam conforme a causa subjacente, quando a neutropenia é causada por uma destruição extensa dos neutrófilos maduros, a medula é hipercelular, em função da quantidade alta de precursores granulocitos. Infecções são consequências comuns da agranulocitose. Lesões ulcerativas necróticas na gengiva, assoalho da boca, mucosa oral, faringe ou qualquer outra região da cavidade oral são característicos. Estas ulcerações são profundas, solapantes e cobertas por membranas necróticas cinzas ou verdes enegrecidas, de onde varias bactérias ou fungos podem ser isoladas. Figura 34: (a) infecção orbital com LMA e neutropenia severa; (b) LMA com placa de Candida albicans no palato mole; (c) infecção na pele, Pseudômona aeruginosa, mulher com LLA e com neutropenia severa; (d) placas de cândida albicans na boca, com lesões de herpes-simples no lábio superior. Neutrofilia Foi observado que os neutrófilos não se encontravam apenas na circulação de forma livre, mas também se dispõem nas margens das vênulas e dos capilares. Há uma troca constante entre os neutrófilos circulantes e os marginais que pode ser considerado uma unidade cinética. Estes depósitos são distribuídos de forma difusa por todo o sistema vascular, mas com nítida prevalência nos pulmões. Os leucócitos que existem no sangue venoso, são representados apenas por neutrófilos circulantes e não indicam o que ocorre com a população dos leucócitos marginais. As causas mais comuns de neutrofilia são: Infecções bacterianas (bactérias pirogênicas); Inflamação e necrose tecidual (miosite, vasculite, infarto do miocárdio, traumatismo); Doença metabólica (uremia, aclâmpsia, acidose, gota); Neoplasias de todos os tipos (carcinoma, linfoma, melanoma) Hemorragia ou hemólise aguda; Fármacos corticosteroides, lítios e tetraciclinas; Eosinofilia Suas causas no aumento acima de 0,4 bilhões/l são: Doenças alérgicas; Doença parasitária; Doenças de pele; Sensibilidade a fármaco. Pode causar danos às válvulas cardíacas, à pele e aos pulmões, o tratamento e feito com esteroide. Figura: Eosinofilia. Linfadenopatia Temos linfonodos em todo o corpo, localizados de modo a permitir a filtragem do fluido linfático e a neutralização de microrganismos e proteínas anormais. Os linfonodos são constituídos por macrófagos, células dendriticas, linfócitos B e T. Os linfócitos B estão localizados nos folículos e nas áreas perifoliculares, enquanto os linfócitos T são encontrados nas áreas, interfoliculares ou para corticais dos linfonodos. Essas células funcionam juntas para proporcionar o processamento, apresentação, reconhecimento do antígeno e a proliferação dos linfócitos B e T. A resposta imune normal leva à proliferação e a expansão de um ou mais componentes celulares dos linfonodos, ela também leva a um aumento no linfonodo. Em crianças uma linfadenopatia palpável é normal.A ausência na criança é considerada anormal. Nos adultos, os linfonodos maiores que 1 a 2 cm são considerados anormais. O local dos linfonodos aumentados reflete o local de invasão. Por exemplo, a linfadenopatia cervical seria típica num paciente com faringite. A linfadenopatia e a proliferação imune generalizada podem ocorrer num distúrbio sistêmico do sistema imune, como uma infecção disseminada ou com uma neoplasia disseminada. As infecções por bactérias, fungos, clamídias, parasitas e vírus são as principais causas do aumento do linfonodo. Esplenomegalia O baço é o maior órgão linfático do corpo, ele funciona como filtro para o sangue e remove da circulação hemácias velhas, assim como células do sangue e outras células cobertas por imunoglobulinas.O sangue entra no baço é filtrado pelos cordões esplênicos e é exposto a células imunologicamente ativas no baço. A polpa vermelha esplênica ocupa mais da metade do volume do baço, e está no local onde as células vermelhas velhas são identificadas e destruídas e as inclusões de hemácias são removidas por um processo chamado Pitting. Na ausência da função esplênica, inclusões basofilicas chamados corpúsculo de Howell-Jolly são vistas nas hemácias circulantes. Sua presença no sangue periférico indica que o paciente passará por uma esplecnetomia ou por um processo que fez com que o baço ficasse não-funcional. A polpa branca esplênica contém macrófagos, linfócitos B e T, participa do reconhecimento de microrganismos e proteínas heterólogas e está envolvida na resposta imune primária. Sua ausência de função esplênica torna os indivíduos sensíveis a infecções (Streptococcus pneumoniae). LEUCEMIAS São doenças proliferativas de curso progressivo e irreversível do tecido hematopoiético. É um grupo de doenças caracterizadas pelo acúmulo de leucócitos malignos na medula óssea e no sangue. A anomalia de proliferação pode se manifestar deste o início da doença, encontrando-se no sangue circulante um número elevado de células indiferenciadas, jovens, chamadas de blastos mieloide. As células leucêmicas são quase sempre liberadas no sangue, numa mesma fase mais avançada estás células invadem quase todos os tecidos do organismo. Essas células anormais causam sintomas, como, insuficiência da medula óssea, infiltração de órgãos. O crescimento normal das células hematopoiéticas é regulado por genes, alguns desses genes são estimuladoresda proliferação enquanto outros são inibidores. Em condições normais há um equilíbrio de função entre estes genes. Quando nos locais das alterações cromossômicas estiverem situados genes responsáveis pela regulação do crescimento celular as funções destes ficam modificadas. Como resultado haverá um desequilíbrio do crescimento com proliferação anormal ou neoplásica das células. Dentre os genes mutantes, envolvidos na etiologia da leucemia mielóides aguda está o gene chamado N- ras que pertence à família ras, compostos dos genes Ha-ras, ti-ras e N-ras. A etiologia das leucemias, em geral, está relacionada com certos fatores do meio ambiente, herança genética e fatores individuais.Os fatores ambientais importantes são: radiações do tipo δe β,podem provocar lesões nos cromossomos como quebras, translocações, inversões e perdas, os agentes químicos tóxicos, as infecções como as virais, e certas condições socioeconômicas. CLASSIFICAÇÃO São classificados em dois tipos: leucemias agudas e crônicas, que, se subdividem do ponto de vista histológico, em mielóides ou linfoides. Estes dois grupos são, também, subdivididos conforme o grau de maturidade celular, em formas imaturas, que têm numa evolução aguda e forma matura que têm por sua vez uma evolução crônica. Numa porcentagem pequena das formas agudas não podemos saber à qual sistema pertenceàs células, se mieloide ou linfoide. Estas formas são consideradas indiferenciadas. LEUCEMIAS AGUDAS (LA) A leucemia aguda é o resultado de um ou mais eventos que ocorrem num precursor inicial hematopoiético. Em vez de ocorrer proliferação e diferenciação normais, a célula afetada dá origem a uma progenitora que não, se diferencia e continua a se proliferar de modo incontrolável. Como resultado, as células mielóides imaturas ou as células linfoides, chamadas de blastos, se acumulam rapidamente, e substitui a medula óssea, causando redução na produção de células vermelhas normais, leucócitos e de plaquetas. Com o tempo, os blastos leucêmicos penetram na corrente sanguínea e ocupam oslinfonodos, baço e outros órgãos vitais.As LAs são doenças agressivas onde as transformações malignas ocorrem em células tronco da hematopoese ou em progenitores primitivos. É caracterizada pela proliferação anômala dos precursores da medula óssea.Acredita-se que o dano genético envolva vários passos bioquímicos, resultando em: Alteração da velocidade de produção; Diminuição da apoptose; Bloqueio na diferenciação celular. Juntos, esses eventos causam um acúmulo de blastos. Ocorre uma parada ou dificuldade de maturação, de modo completo. A parada pode ocorrer em qualquer etapa do granulocitogênese, as células resultantes podem ter aspectos variados, desde formas indiferenciadas (blastos) até aspectos bem mais diferenciados. Osaspectos clínicos da leucemia aguda é insuficiência da medula óssea, causada pelo acumulo de blasto, também pode ocorrer infiltração tecidual. Conseguimos identificar algumas causas possíveis das LAs. Como exemplo, a radiação ionizante que é leucemogênica, podemos citar o aumento da incidência de LLAs, LMAs e LMC em pessoas que foram expostas as radiações causadas pelas bombas atômicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki. Vírusoncogênicos, como o vírus linfotrópico de células T humana do tipo T (HTLV-I), um vírus RNA, de fita simples e envelope, são considerados como agente causador de leucemia de células T do adulto. Agentes químicos e drogas, como a exposição ao benzeno e a compostos contendo benzeno como o querosene e tetracloreto de carbono pode causar uma lesão medular, que pode assumir a forma de anemia aplásticamielodisplásicas ou LMA. Classificamos as LAs em LMA e LLA porque essas duas doenças diferem em seu comportamento clínico, prognóstico e resposta ao tratamento. Esses dois grupos apresentam algumas diferenças. Leucemia mieloide aguda (LMA) Morfologia: as células leucêmicas na LMA apresentam características de 12 a 20nm de diâmetro, com cromatina nuclear discreta, nucléolos múltiplos, e citoplasma com grânulos azurofilicos. Os Corpúsculos deAues são inclusões longas, fusiformes, com inclusões citoplasmáticas que se coram em vermelho pelo método de Wright-Giemsa os estudos da French- American-Britihs (FAB) subdividiu a LMA em oito subtipos baseados na morfologia e na histoquímica: M0, M1, M2 e M3, refletem graus crescentes de diferenciação das células leucêmicasmieloide, as leucemias M4 e M5 apresentam características de linhagem monocitica, a M6 da linhagem eritróide, M7 é a leucemia megacariocítica. Figura 44: (1) LMA M1: (a) cromatina fina; (b) ausência de grânulos; (c) núcleo redondo; (d) nucléolo definido; (e) núcleo com forma oval; (f) citoplasma escasso. (2) blastos sem diferenciação mostram poucos grânulos, mas podem apresentar bastões de Auer, como neste caso. Figura 45: (1) LMA M2: (a) grânulos azurófilos; (b) núcleo redondo ou oval; (c) cromatina fina; (d) um ou mais nucléolos múltiplos definidos. (2) células em diferenciação mostram múltiplos grânulos citoplasmáticos. Figura 46: (1) LMA M3promielocitica: (a)núcleo redondo; (b) múltiplos núcleos; (c) múltiplos núcleos; (d) cromatina fina; (e) núcleo sem dente; (f) bastonete de Auer; (g) grânulos nucleares escuros; (h) grânulos azurófilos proeminentes. (2) blastos de leucemia promielocitica aguda com grânulos proeminentes ou múltiplos bastão de Auer. Figura 47: (1) LMA M4mielomonocitico, (a) cromatina densa e com coloração roxa; (b) citoplasma azulado; (c) citoplasma com zonas pouco definidas; (d) núcleo liso; (e) cromatina fina; (f) núcleo redondo; (g) grânulos citoplasmático. (2) blasto mielomonocitico tem alguma diferenciação monocitose. Figura 38: (1) LMA mieloblástica M5 monocitica. (a) núcleos lisos e pregueados; (b) cromatina variável; (c) grânulos; (d) fragmentos citoplasmático semelhantes a plaquetas; (e) citoplasma moderado com tintas azuladas; (f) nucléolos múltiplos; (g) núcleo redondo. (2) leucemia monoblástica, em que mais de 80% dos blastos são monoblastos. Figura 39: (1) LMA M6 eritroleucemia. (a) núcleo múltiplos grotescos; (b) células gigantes; (c) núcleo único; (d) cromatina abera (megaloblastoiode). (2) leucemia monocitica, menos que 80% dos blastos são monoblastos. Diagnóstico LA é definida pela presença de mais de 20% de blastos no sangue ou na medula óssea na apresentação clinica. A linhagem dos blastos é definida pela morfologia ao microscópio. Imunotipagem, análise citogenética e molecular, isso definirá a origem mieloide ou linfoide e localizará o estágio de diferenciação celular. O imunofenótipomieloide típico é CD13+, CD33+, CD117+ e TDT- e anticorpos especiais são úteis nos diagnósticos dos raros subtipos eritroide, megacariocítico ou indiferenciado. Análise citogenética e molecular são essenciais; em geral são feitas em células da medula óssea, embora possa ser usado o sangue periférico quando há alta contagem de blastos. A citoquimica pode ser útil na determinação da linhagem dos blastos, não e mais realizada em centros nos quais estão disponíveis os testes mais recentes e definitivos. Exames laboratoriais Exames hematológicos mostram anemia normocrômica e normocítica e tromcopenia na maioria dos casos. A medula óssea é hipercelular por infiltração de blastos leucêmicos, caracterizados pela morfologia, citometria em fluxo e análise citogenética e molecular, o diagnóstico diferencial inclui leucemia linfoblástica aguda e infiltração da medula por outros tumores malignos, como carcinoma. Citogenética e genética molecular Anormalidades citogenéticas são usadas na classificação da maioria dos casos deLMA. Duas das mais comuns afetam os genes do fator de ligação ao núcleo CBFα ou CBFβ. CBF é um fator de transcrição heterodimérico importante na regulação de genes como IL-3 e GM-CSF. A alteração mais comum é a hiperploidia, mas também ocorrem poliploidia e translocações t(12; 21), t(9,22). As aberrações cromossomiais e a LLA desregulam a expressão e a função de fatores de transcrição necessária para o desenvolvimento das células hematopoiéticas. Imufenótipo Imunocoloração para desoxinucleotidil transfera-se terminal (TdT). Um DNA polimerase expressa apenas por linfoblastos pré-B e pré-T, são positivosem mais de 95% dos casos. A distinção entre LLA originadas de células B e T precursores requer colorações adicionais de marcadores específicos: As células B precursoras em LLA são detidas em estágios anteriores à expressão de IgG superfície. Os blastos leucêmicos quase sempre expressam as moléculas de células pan-B CD9, CD10. Nas LLA atingindo as células pré-B iniciais podem ser separadas daqueles de células pré-B tardias pela ausência da cadeia pesada de IgM citoplasmática, presente apenas em células tardias; As células T precursoras em LLA são detidas em estágios iniciais do desenvolvimento das células T. na maioria dos casos, as células são CD1 +, CD2 +, CD3 + e CD7 +. Representação do fenótipo de LLA, analisado por citometria de fluxo. (a) os linfoblastos representados por pontos vermelhos expressam TdT e marcador de células B CD22. (b) as mesmas células são positivas para os dois outros marcadores, CD10 e CD9, expressas em linfoblastos pré-B, este é uma LLA de células pré-B. Tratamento Transplante de células-tronco: O transplante de células-tronco alogênico (TCT) reduz a frequência de recidiva da LMA, mas provoca risco de morbidade e mortalidade, de modo que não é indicado em casos de risco favorável, a menos que tenha havido recidiva. Leucemia linfoblástica aguda (LLA) É caracterizada pelo acúmulo de linfoblastos na medula óssea e no timo.É a doença maligna mais comum na infância; 85% dos casos são de linhagem B (LLA-B) e têm incidência em ambos os sexos. Corresponde a neoplasia das células linfocitárias e podem ser agudos ou crônicos, caracterizados pela presença de grande porcentagem de blastos linfoides ou linfoblastos no sangue periférico e na medula óssea. Como ocorre na LMA, às células leucêmicas da LLA mantêm certa capacidade de multiplicação, mas não se diferenciam até formas mais maduras. Acumulando-se, grande quantidade de linfoblastos, etapas diferentes de sua maturação. Esta parada pode ser detectada através de anticorpos monoclonais capazes de demonstrar os antígenos de diferenciação linfocitários. As LLA podem ser, do tipo B ou T, sendo as B mais frequentes.O grupo FAB classifica a LLA em três tipos morfológicos: L1, L2 e L3. LLA tipo L1: leucemia linfoide de blasto pequenas e homogêneas com relação núcleo/citoplasmática alta. Os núcleos são conspícuos dificultando a observação dos nucléolos. LLA tipo L2: leucemia linfoide de blastos de tamanho variável heterogêneos, relação núcleo citoplasmática pequena, nucléolo grandes e bem visíveis. LLA tipo L3: leucemia linfoide de blastos grandes, com citoblastos abundante, basófilo e vacuolizado. Figura 40: (1) LLA tipo L1; (a) citoplasma escasso com coloração azul; (b) nucléolo pequenos e porosos; (c) cromatina; (d) núcleo redondo; (e) cromatina homogênea; (f) núcleo fendido. (2) linfoblastos mostram citoplasma escasso sem grânulos.(3)LLA tipo L2; (a) citoplasma variante; (b) núcleo irregular; (c) muitas células grandes heterogêneas; (d) cromatina fina; (e) citoplasma pálida; (f) núcleo fendido ou liso; (g) cromatina variável. (4) linfoblastos são grandes e heterogêneos com citoplasma abundante. Figura 48: LLA tipo L3: (a) citoplasma pouco abundante; (b) nucléolos menores; (c) vários vacúolos citoplasmáticos; (d) muitas células grandes e homogêneas; (e) núcleo redondo ou oval; (f) cromatina grossa e homogênea. (2) linfoblastos são muitos basófilos com vacuolização citoplasmática. LEUCEMIA CRÔNICA (LC) Leucemia mieloide crônica (LMC) É caracterizada pelo distúrbio clonal de células granulocíticas, como neutrófilos e ocasionalmente monócitos, que leva a uma esplenomegalia acentuada e a leucometrias muito alta. É comum encontrar basofilia e trombocitose. Uma anormalidade citogenética, o cromossomo Filadélfia (ph1) está presente na medula óssea em mais de 95% dos casos. O Ph1 resulta da translocação de material entre os braços longos dos cromossomos 9 e 22, quando se perde mais material cromossomial do cromossomo 22 do que se ganha do cromossomo 9, o Ph1 é um cromossomo 22 encurtado, com 60% do seu complemento normal de DBA. O ponto de quebra na faixa q34 do braço longo do cromossomo 9 possibilita a translocação do oncogene celular C- ABL para uma posição no cromossomo 22 chamado de região de agrupamento de pontos de quebras (BCI). A aposição destas duas sequências genéticas produz um gene hibrido (BCR/ABL), que codifica uma proteína (P210), uma tirosina quinase, que desencadeiaa proliferação descontrolada das células da LMC. Achados laboratoriais: Todos os pacientes com LMC apresentam um leucograma alto, variando de 10.000/µl até mais de 0,5 milhões/µl. As células com predominância são as da série dos neutrófilos, com um desvio a esquerda e extensão para as células blasticas. E os eosinofilos e basófilos estão normalmente aumentadas coincidindo com a LMMC. Figura 49: leucemia granulocitica. (a) citoplasma corpo de Aues; (b) neutrófilo macrocitico polipióide; (c) promielócito; (d) escasso grânulos escuros; (e) mieloblastos; (f) ausência de grânulos; (g) nucléolos evidentes; (f) citoplasmas azul escuro. Figura: leucemia monocitica. (a) núcleo fendido; (b) núcleo evidente; (c) pseudopodes; (d) núcleo; (d) citoplasma espumoso; (f) promonocito; (g) citoplasma com granulo; (h) núcleo transparente pregueado; (i) monoblastos. Leucemia Linfocitica Crônica (LLC) A LLC é um tumor que se caracteriza pelo acúmulo de linfócitos monoclonais, do imunofenótipo de célula B e raramente do imunofenótipo de célula T. As células acumulam-se na medula óssea, fígado, baço e outros órgãos. Manifestação clínica: os pacientes portadores de LLC estãoassintomáticos, e a doença édiagnosticada quando se observa uma contagem delinfócitos absoluta no sangue periférico. Figura 50: (1) LL. (a) cromatina nuclear imatura; (b) núcleo duplo; (c) prolifócito; (d) fragmento celular; (e) linfócitos; (f) núcleo fendido; (g) linfoblastos; (h) nucléolo evidente. A LLC tem incidência maior entre os 6- e os 80 anos de idade. As células tumorais é um linfócitos B relativamente maduro, com fraca expressão de imunoglobulina IgM ou IgD de superfície. Linfocitose B monoclonal: células B clonais com o mesmo fenótipo de LLC são encontradas em pequenos números no sangue de varias pessoas idosas, cerca de 3% já a partir dos 50 anos. Figura 51: (a) LLC. Anfonodopatia cervical bilateral em mulher com 67 anos de idade; (b) LLC. Infecção por herpes-zóster em mulher com 68 anos de idade. Aspectos clínicos A doença acomete idosos, predominante em homens. A maioria dos casos é diagnosticada em hemograma de rotina. Ocorre aumento simétrico de linfonodo em hemograma de rotina. Ocorre aumento simétrico de linfonodo cervicais, auxiliares ou inguinais é o sinal clínico mais frequente. Figura 52: biopsia de três pessoas com LLC. (a) aumento difuso de linfócitos (células com núcleos pequenos e escuros, muito agrupados); (b) aspecto nodular do acúmulo de linfócitos; (c) infiltração intersticial. Achados laboratoriais Linfocitose: a contagem de linfócitosclonais B, é maior que 5000 µL. Entre 70 e 99% dos leucócitos no sangue tem aspecto de pequenos linfócitos. Anemia normocitica esta presente nas fases tardias, como resultados de infiltração medula ou de hipereplenismo. Citogenética:As anomalias cromossômicas mais comuns são deleção de 13q14, trissomia 12, deleções em 11q23, anomalias estruturais de 17p envolvendo o gene p53 e a deleção 6q21. Tratamento O tratamento na idade do paciente e na fase da doença, inicialmente os pacientes recebem um tratamento citorredutor com hidroxiuréia para atingir um rápido controle de sua leucometria. O tratamento definitivo para os pacientes portadores de LMC se divide nas alternativas com ou sem transplante. Terapia sem transplante: o IFN-α como agente isolado apresenta um efeito dose-resposta, mas seus efeitos colaterais aumentam conforme as doses se tornam maiores. Transplante de células-tronco alogênico: é um tratamento potencialmente curativo, portadores de LMC, é mais eficaz durante a fase crônica. Transplante de medula óssea (TMO): O TMO de um irmão ou irmã com HLA idêntico fornece a melhor chance de cura. Policitemia vera É uma neoplasia que surge de uma célula-tronco mieloide multipotente, são caracterizados pela produção elevada de elementos eritróides, granulocitica e megacariocítica na medula. Esta produção resulta em eritrócitos, granulocitose e trombocitose no sangue periférico. As células progenitoras de policitemia vera têm uma necessidade diminuída de eritropoetina e de outros fatores de crescimento hematopoiético. Os níveis plasmáticos de eritropoetina na policitemia vera são bastante reduzidos, enquanto quase todas as outras formas são reduzidas. Morfologia: a medula óssea é hipercelular. A elevação nos progenitores eritróides pode ser útil, sendo acompanhada de números elevados de precursores granulocíticas e megacariócitos. A policitemia vera surge de forma insidiosa, geralmente no final da meia idade (60 anos). A maioria dos sintomas está relacionada com a elevação na massa de hemácia e aumento do hematócrito. Este aumento é acompanhado de uma elevação no volume total de sangue, ambos promovem um fluxo sanguíneo anormal. Os pacientes são pletóricos e alguns cianóticos, em função da estagnação e desoxigenação do sangue nos vasos periféricos. Figura 53: policitemia vera, fase de esgotamento. Esplenomegalia, em grande parte resultante da hematopoese extramedular ocorrendo em condições de mielofibrose avançada na medula óssea. Transplante da medula óssea É recomentato para pacientes com menos de 30 anos que possuam doador compatível. O transplante pode ser sinérgico, alogênico ou autólogo. O transplante alogênico pressupõe que o doador tenha os mesmos antígenos do sistema HLA (humanlecocyteantigens) do receptor. O transplante começou a ser indicado em pacientes, com 40-45 anos ou mais, a partir do uso da medula autóloga, colhida na remissão. Com isso conseguiu-se reduzir o número de reações enxerto versus hospedeiro. O transplante é feito após se conseguir a mielodepressão total à custa de quimioterapia e irradiação corporea total, outras drogas são usadas na fase de indução, substituindo ou não a ciclofosfamida: tiotepa, bussulfan, melfalan, Ara-c em altas doses ou etoposídeos. Após o transplante há uma fase crítica na qual o paciente fica sujeito a invasão de germes patogênicos devido a ausência de defesa e à reação enxerto versus hospedeiro. O uso de drogas imunossupressoras, como a ciclosporina, permitem controlar a maioria das reações graves dessa fase. Pode haver falha na aceitação do enxerto, assim como contaminação do próprio material pela doença que, com frequencia, levam ao êxito letal. As medidas de suporte consistem no uso de transfusões, antibióticos e fatores de crescimento como o G-CSF, GM-CSF e o IL-3. O material medular é colhido por várias punções da crista ilíaca do doador. Atualmente, tem sido usado o transplante de células indiferenciadas (stem cells) do sangue periférico. Esse método é chamado de transplante de stem cell periferico. Estas células são concentradas e injetadas na veia do receptor. Quando usamos o transplante autológo o material medular é submetido à purgação das possíveis células malignas resistentes à QT que eventualmente existem no mesmo. A purgação tóxica conjugada com anticorpos monoclonais ou mesmo combinando mais de um método. A quantidade de remissão completa em casos de LMA tratado com quimioterapia tem aumentado com uso de esquemas agressivos em pessoas com idade abaixo de 30 anos. COLETA DE SANGUE É de alto valor para o diagnóstico e tratamento de vários processos patológicos. O sangue é constituído de elementos sólidos (células sanguíneas), substâncias líquidas (soro, plasma) e elementos gasosos (8O e CO2). Os materiais usados para a coleta de sangue são importantes, pois, auxiliam num melhor resultado dos exames ao reduzir a ocorrência de erros na coleta e podem ser fatores de interferência na fase pré-analítica. É recomendado o uso de sistemas fechados, composto por um dispositivo que permita a aspiração, usando agulhas de duas pontas que se conectam ao tubo de análise para onde o sangue é drenado. As vantagens do uso do sistema fechado para coleta são: Facilidade no manuseio: o tubo para coleta contém vácuo calibrado, que está relacionado com a proporção entre a quantidade de volume do sangue coletado com anticoagulante; Segurança e conforto do paciente; Segurança ao profissional da saúde: minimizam os riscos de contaminações, uma vez que o sangue entra diretamente no recipiente de coleta. TUBOS A VÁCUO São de uso único, devem ter seu interior estéril e possuir vácuo calibrado, com quantidade de anticoagulante proporcional ao volume de sangue a ser aspirado. Análise bioquímica e sorológica (tubo amarelo) Nesse tipo de análise deverá ser colhida uma amostra de soro. Esta será obtida através da coleta em tubo sem anticoagulante para que ocorra o processo de coagulação. Essa coleta deve ser feita no tubo de tampa amarela com gel. Este tubo contém ativador de coagulo, e deve-se, homogeneizar o tubo por inversão de 5 a 8 vezes para evitar hemólise, manter em repouso na posição vertical por 30 minutos para retrair o coágulo e seguir a centrifugação a 3.000 rpm durante 10 minutos. Análise hematológica (tampa roxa) Nessa análise, deverá ser colhida uma amostra de sangue total. Esta será obtida atravésda coleta em tubo de EDTA de tampa roxa. Ele contém anticoagulante especifico para evitar a coagulação. Análise glicêmica (tampa cinza) Nessa análise, deverá ser colhida uma amostra de plasma. Esta será obtida através da coleta em tubo com a tampa cinza. Este tubo contém fluoreto de sódio com EDTA, o sangue colhido com anticoagulante deve ser cuidadosamente homogeneizado, para evitar hemólise e a coagulação do sangue. Colhe-se por punção venosa o frasco a vácuo que punciona a veia com seringa e coletar 3 ml de sangue. Análise de coagulação (tampa azul) Nessa análise, deve ser colhida uma amostra de plasma. Esta será obtida através da coleta em tubo de tampa azul com citrato. Este tubo contém citrato de sódio, o sangue colhido com anticoagulante deve ser cuidadosamente homogeneizado, para evitar hemólise e a coagulação do sangue. Tabela 2: as cores indicam o tipo de coagulante ou de tratamento que o tubo recebeu. Tabela 3: tubos a vácuo: (a) EDTA; (b) heparina; (c) fluoreto; (d) citrato; (e) nenhum. Cores Aditivo Mecanismo de ação Amostra Aplicação T. Azul Citrato Liga 20Ca Sangue total ou plasma Exame de coagulação. T. Vermelha Com ou sem ativador de coagulo e sem gel separador. O ativador acelera a coagulação Soro Exames sorológicos, bioquímicos e hormonais. T. Amarela Com ou sem ativador de coagulo e sem gel separador. O ativador acelera a coagulação Soro Exames sorológicos, bioquímicos e hormonais. T. Verde Heparina Inibe trombina Sangue total ou plasma Exames bioquímicos. T. Roxa EDTA Liga 20Ca Sangue total ou plasma Exames bioquímicos. T. Cinza Fluoreto/ EDTA Inibe a degradação da glicose Plasma Exames de glicose e lactato. HEMOGRAMA Hemograma é um exame que avalia as células sanguíneas de um paciente. Ou seja,O hemograma é o conjunto de análise de parâmetro quantitativo e morfológicos das células sanguíneas, composto de Eritrograma, Leucograma e contagem de plaquetas. A determinação dos vários parâmetros que compõem o hemograma pode ser feita de duas formas: Manual; Automatizada. Método manual A contagem de células é realizada diluindo-se o sangue e depositando-se a diluição num hemocitometro ou camada de contagem de células (câmara de Neubauer), as contagens são realizadas num ou mais retículos, específicos para cada elemento figurado e os resultados expressos em número de células mm cúbico, em unidades convencionais, ou litros, no caso de unidade internacionais. Dosagem de bilirrubina: o sangue é diluído numa solução com cianeto de potássio e ferrocianeto de potássio, que converte a hemoglobina em cianometahemoglobina. A seguir, a absorbância da solução é medida em espectrofotômetro, em comprimento de onda de 540nm e a dosagem da hemoglobina obtida pela comparação da absorção da solução frente a uma curva de calibração. O resultado é expresso em g/dl ou d/l. Hematócrito: é medido, manualmente, pela centrifugação, de um tubo capilar com o sangue total do paciente. Após a centrifugação, a altura da coluna de eritrócitos compactadas é medida e comparada com a altura da coluna do sangue total, agora separada em três camadas eritrócitos, leucócitos, plaquetas e plasma. O percentual do volume ocupado pela coluna de eritrócitos é o valor do hematócrito expresso em percentual ou em fração do volume total. Figura 54:representação da centrifugação do sangue total para obtenção de hematócrito. (a) menisco; (b) plasma; (c) plaquetas e leucócitos; (d) hematócritos. Métodos automatizados O hemograma é realizado em equipamentos automatizados, que apresentam grande exatidão, precisão e rapidez para a contagem de células, a impedância elétrica foi o primeiro método a ser muito usado, até os dias de hoje. O método é baseado na resistência que os eritrócitos e plaquetas impõem a condução de uma corrente elétrica entre dois eletrodos mergulhados, numa solução eletrolítica, há um eletrodo no interior de um tubo com uma pequena abertura que se comunica com o recipiente onde está a solução na qual se pretende contar as células. Se nenhuma célula há na abertura do tubo, a corrente elétrica se faz sem obstáculos entre dois eletrodos. Entretanto, se há alguma célula na abertura do tubo, ocorre uma oposição ao fluxo do corrente elétrica. Os analisadores hematológicas contam com um sistema de tubos internos e câmaras. Para que as células sejam contadas, o sague diluído contidos nas câmaras é aspirado para dentro do tubo, de forma que se faz um fluxo de um volume pré- determinado da diluição contida na câmara para dentro do tubo. Durante esse fluxo, todas as células que passam pela abertura do tubo geram pulsos de resistência elétrica, que não só são contados, permitindo a quantificação das células, mas também avaliados pela magnitude, fornecendo a determinação de volume da célula que passou pelo tubo de abertura. Contagem de eritrócitos e plaquetas Realizados num único sistema, isto é, num mesmo tubo e câmara do equipamento. O sangue é diluído com solução isotônica, portanto, incapaz de promover a lise dos eritrócitos, na câmara de diluição, e a diluição aspirada. Todas as partículas com volume de 1 ou 2 a 20 fenolititros Fl. São contados como plaquetas e aqueles com volume de 35 ou 50 a 200 Fl, como eritrócitos. Esse método permite, a construção de histogramas, gráficos que demonstram a distribuição da frequência das células quanto ao tamanho. Figura 55: histograma de eritrócitos e plaquetas, demonstrando microcitose. Dosagem de hemoglobina É realizada a partir da diluição feita, para a contagem de leucócitos, por método colorimétrico, após diluição do sangue com solução que lisa os eritrócitos e conversão da hemoglobina em cianometaglobina. Figura 56: histograma de eritrócitos e plaquetas, demonstrando plaquetas gigantes. Contagem global de leucocitos É realizada no sangue diluído e hemolisado. A câmara onde ocorreu hemólise segue-se um tubo pelo qual a solução é aspirado. Por impedância elétrica, as células com volume entre 35 e 450fl são contados como leucocitos alguns equipamentos que não dispõem dicitometro de fluxo usam o volume dos leucocitos para fazer uma contagem diferencial em três grupos: Linfócitos; Monócitos; Eosinófilos; Basófilos; Neutrófilos. Essa contagem de três partes é muito inferior àquela realizada pelos analisadores hematológicos, que exigem sempre a contagem manual de leucocitos pelo exame do esfregaço sanguíneo. A contagem diferencial de leucocitos é realizada por um ou mais dos seguintes métodos, pelos diferentes equipamentos disponíveis. Figura 57: representação esquemática da separação dos leucócitos por citometria de fluxo. Absorção da luz: alguns analisadores associam a dispersão da luz um segundo canal, com uma reação citoquimica na qual a peroxidase de neutrófilos, eosinófilos e monócitos é detectada; Condutividade elétrica: os granulocitos são identificados pela condutividade de uma corrente elétrica de alta frequência: Impedância elétrica; Radiofrequência; Fluorescência do DNA ERITROGRAMA Diante de um ou mais sintomas de anemia, deve- se avaliar o número de glóbulos vermelhos, a taxa de hemoglobina e o hematócrito. Se a taxa de hemoglobina for inferior a 12g/100ml para o homem, 11g/100ml para mulher e criança,é indicado um hemograma completo, para avaliar a série vermelha e branca, pelo índice eritrocitário podemos determinar a hemoglobina média dos glóbulos (relação entre a hemoglobina e o número de glóbulos HbCM), o volume médio dos glóbulos (relação entre o hematócrito e o número de glóbulos vermelho VCM) e a concentração média da hemoglobina nos glóbulos (relação entre a hemoglobina e o hematócrito CHbCM), que permitem distinguir as anemias hipocrômicas das normocrômicas. Índices eritrocitométricos A faixa normal da quantidade de eritrócitos para um homem adulto normal é de 4,5 a 6,5 milhões por mm3, e para a mulher é de 3,9 a 5,6 milhões por mm3. A hemoglobina (Hb) e o hematócrito (Ht) variam conforme a idade, o sexo, a altitude do local, etc. A hemoglobina é medida em gramas por decilitro (g/dl) e representa a quantidade da proteína por unidade de volume do sangue. O hematócrito representa a proporção dos eritrócitos no total do sangue é medido em porcentagem (%). Com o resultado obtido do número de eritrócitos, da hemoglobina e do hematócrito, podemos calcular outras médias ou índices chamados hematimétricos, como: Volume Corpuscular Médio (VCM) tamanho da hemácia: Hemoglobina Corpuscular médio (HbCM) cor da hemácia, e a concentração da hemoglobina corpuscular média (CHbCM). O volume corpuscular médio é a relação que existe entre o volume globular obtida e o número de eritrócitos. O resultado obtido é dado em micra cúbicos (μ3). A hemoglobina corpuscular média é dada pela relação entre o valor da hemoglobina obtida em gramas por 100dl e a contagem dos eritrócitos. O resultado é em pictogramas (pg) ou micrograma (μg). A concentração da hemoglobina corpuscular média é calculada pela ação entre a hemoglobina obtida em glicosídeo volume globular. O resultado obtido é dado em porcentagem (%). A medida do valor da hemoglobina é o exame mais importante para se avaliar a série vermelha. Quando os valores da hemoglobina estiverem abaixo dos valores normais, pode se diagnosticar uma anemia. Os valores da hemoglobina superiores aos normais quando acompanhadas por aumento de eritrócitos permitem diagnosticar uma policitemia. A análise do número de eritrócito, hematócrito e as várias relações entre eles fornecem os chamados índices hematimétricos que permitem interpretar pelos valores encontrados no hemograma as variações da série vermelha. O VCM é importante para definir se a anemia é predominantemente de eritrócitos de pequeno volume, isto é, microcitica ou de grande volume, macrocitica. A HbCM se refere à quantidade hemoglobina em cada eritrócito e fornece a informação do tipo de anemia: hipocrômicas, com pouca hemoglobina, ou hipercrômica, com muita hemoglobina. A associação da determinação do volume e hemoglobina de cada eritrócito fornece elementos para caracterização de certas anemias como a microcistica hipocrômicas das deficiências de ferro e das talassemias. Indivíduos Eritrócitos milhões/mm 3 Hemoglobina (g/100dl) Hematócrito (%) Recém-nascidos 4-5,4 13,5-18,6 44-12% Crianças(3 meses) 6,5-6,7 9,5-12,5 32-44% Crianças (2 anos) 6,0-6,7 11,0-35 36-44% Criança (10-12 anos) 6,5-6,7 11,5-14,5 3744% Mulheres (gravidas) 3,9-5,6 11,5-16 34-47% Mulheres (não gravidas) 6,0-5,6 12-16,5 35-47% Homem 6,5-6,5 13-3,30 40-54% Tabela 4: Valores normais para eritrócitos, hemoglobina e hematócrito. Indivíduos VCM HbCM CHbCM Crianças (3 meses) 83-110 24-34 27-34. Crianças (1 ano) 77-101 23-31 38-33. Crianças (10-12 anos) 77-95 24-30 30-33. Mulheres 81-101 27-34 31,3-36. Homem 82-101 27-34 31,5-36. Tabela 5: Valores normais para VCM; HbCM e CHbCM. Volume Corpuscular Médio (VCM) É obtido dividindo-se o volume dos eritrócitos corpuscular pelo seu número num dado volume de sangue. A fórmula usada é a seguinte: VCM= 𝑉𝐶𝑥10 𝐻𝑚/𝜇3 Sendo VC o volume corpuscular e Hm as hemácias. O VCM do adulto oscila entre 76 a 96μ3. Aos 3 meses seu valor encontra-se entre 83 e 110µ3, caindo no fim do primeiro ano para 77 a 101μ3. Hemoglobina corpuscular média (HCM) É o conteúdo de hemoglobina existente em cada glóbulo. É obtido pela divisão da quantidade de hemoglobina pelo número de células em uma quantidade pré-determinada de sangue.O valor normal da hemoglobina corpuscular média oscila de 27 a 32. HCM= 𝐻𝑡 𝐻𝑚/𝜇3 Concentração da hemoglobina corpuscular médica (ChCM) Exibe a porcentagem eritrocíticahemoglobinizado. O limite superior é de 36% nível de saturação do glóbulo vermelho em hemoglobina. A formula para calculá-lo é dividir a hemoglobina pelo volume corpuscular numa quantidade conhecida de sangue. ChCM= 𝐻𝑏 𝐻𝑡 ou 𝐻𝐶𝑀 𝑉𝐶𝑀 Os valores normais oscilam de 30 a 36%. RDW (red cell distribution width) E uma variação da distribuição dos eritrócitos quanto ao tamanho e reflete, de forma matemática, a diferencia do tamanho dos eritrócitos de uma determinada amostra (anisocitose). Com resultados de expressos em valores de referência de 11,5 a 15,5% apresentam uso na classificação das anemias e microcitica, já que, é maior nas anemias ferroprivas do que nas talassemias e anemias de doenças crônicas ferroprivas do que nas talassemias e anemias de doença crônica sua eficácia na distinção dessa condições é razoavelmente baixa, mesmo quando se usam. Correlacionam RDW e VCM ou hemoglobina, isto é, não permite, por si só, classificar uma anemia microcitica como ferroprivas ou não e não dispensa a avaliação da cinético do ferro. Hematócrito É o volume da massa eritróides uma amostra de sangue, expresso em porcentagem do volume desta. Quando coletamos o sangue num anticoagulante e centrifugamos, temos separações em duas camadas, uma plasmática e outra celular. O volume superior ficam concentradas as plaquetas e leucócitos que perfazem 1% do volume e são facilmente diferenciados. LEUCOGRAMA Os dados quantitativos dos leucócitos variam dentro de certos limites que devem ser estabelecidos como padrões normais para determinados agrupamentos humanos. As modificações fisiológicas das fórmulas leucocitárias são discretas e estão relacionadas com condições como, idade, sexo, condição física e ambiental. O número global dos leucócitos circulantes é determinado pelo sangue colhido na veia. A amostra de sangue é colhida, corada e diluída com líquido própria para a contagem em câmara (Neubauer). O resultado da contagem é expresso em número de leucócitos por mm3. Considera-se normal a quantidade de leucócitos de 4000 a 10000 por mm3. Valores superiores a 10000/mm3 são chamados de leucocitose e inferiores a 4000/mm3 de leucopenia. A leucocitose reflete a resposta da medula ósseaàsgentes estimuladores da granulocitogênese ou da linfocitogênese, como, as infecções agudas bacterianas ou viróticas. As leucopenias quase sempre estão associadas à insuficiência medular, condição em que há redução da proliferação e maturação dos granulocitos da medula óssea. Quando há leucocitose, ocorrendo aumento de algum leucócito, são chamados de: Neutrofilia: corresponde ao aumento dos neutrófilos; Eosinofilia: indica o aumento dos eosinófilos; Basofilia: indica o aumento dos basófilos; Linfocitose: indica o aumento de linfócitos; Monocitose: indica o aumento dos monócitos; Plasmositose: indica o aumento dos plasmócito. As designaçõesneutropenia, eosinopenia, monocitopenia e linfocitopenia indicam a diminuição dosneutrófilos, eosinófilos, monócitos e linfócitos, respectivamente. As infecções são as causas mais comuns de certas leucocitoses. De modo geral,as infecções bacterianas causam neutrofilia acentuada, com aumento de bastonete e desaparecimento dos eosinófilos circulantes. Nestas condições podemos encontrar células jovens circulação, como metamielócitos, mielócitos e promielócito. Em condições normais estas células são restritas a medula óssea e só aparecem no sangue quando há um estímulo ou solicitação maior. Dá-se o nome de desvio à esquerda quando tais células são encontradas na circulação. Contagem diferencial É executada sobre o esfregaço sanguíneo, contando pelo menos 200 células nos quatro cantos do esfregaço. Os neutrófilos e os monócitos ocupam os bordos do esfregaço; os linfócitos situam-se no centro da lâmina. A porcentagem dos diferentes tipos celulares é a seguinte, em condições normais no adulto. Neutrófilos: 40 à 75% e 2500 à 7500/mm3 Linfócitos: 20 à 45% e 1500 à 3500/mm3 Monócitos: 2 à 10% e 200 à 800/mm3 Eosinófilos: 1 à 6% e 40 à 440/mm3 Basófilos: 0 à 1% e 0 à 100/mm3 Esfregaço sanguíneo Em análise de rotina de uma amostra de sangue inclui a determinação de valores físico-químicos, e reconhecimento de células na contagem de células e a observação microscópica dos elementos particulados. Existem duas técnicas que comumente se usam para visualizar amostras de sangue periférico: a primeira envolve a observação de sangue fresco e a segunda envolve a preparação de extensões de sangue em uma camada delgada. Para preparar uma amostra de esfregaço sanguíneo coloca-se uma gota de 2 a 3mm de diâmetros, colocando outra lâmina sobre a amostra movendo-se com o movimento firme e rápido num ângulo de 45º graus em relação a primeira lâmina. Imediatamente deixa a lâmina secar em temperatura ambiente. Figura 58: técnica de preparação de esfregaço sanguíneo para leitura. (a) cabeça; (a1) zona de linfócito; (b) corpo; (b1) trajetória; (c) calda; (c1) zona de neutrófilo e monócitos. Coloração A coloração de May-Grunwald-Giemsa é uma das colorações mais usadas para esfregaços sanguíneos. A tinta básica contém azul de metileno e eosina. Este tipo de coloração é chamado de coloraçãopanótica, pois colorem tanto os elementos básicos como os ácidos que se encontram no esfregaço. O azul de metileno é um componente básico que tinge estruturas ácidas da célula de uma coloração azul-violeta; a eosina e o azul de metileno são compostos ácidos que tingem estruturas alcalinas, tingindo-as de roxo-alaranjado e roxo-violeta, respectivamente.Uma vez tingida amostra, se pode observa-las num microscópio com objetivas de pouco aumento (40X) para ter uma ideia global do aspecto das células.