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1 UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO IT – Departamento de Engenharia ÁREA DE MÁQUINAS E ENERGIA NA AGRICULTURA IT 154- MOTORES E TRATORES CONSTITUIÇÃO DOS MOTORES Carlos Alberto Alves Varella1 INTRODUÇÃO Os motores podem ser definidos como todo tipo de conjunto mecânico capaz de transformar uma determinada energia em energia mecânica. Os motores são classificados segundo a energia que transformam. 1. Eólicos: Utilizam-se do movimento do ar. Nestes motores hélices são impulsionadas por fluxo de ar. São destinados normalmente ao bombeamento de água, moinhos e, atualmente também parag geração de energia elétrica. 2. Hiráulicos: direcionamento do fluxo hidráulico através de uma turbina hidráulica, impulsionando um eixo produzindo movimento de rotação. Destinado tradicionalmente ao acionamento de máquinas estacionárias. 3. Elétricos: utiliza as propriedades magnéticas da corrente elétrica para acionamento de um eixo. Aplicações inúmeras . Possibilidade de atingir uma grande gama de potências, desde motores elétricos minúsculos a motores de porte elevado. 4. Térmicos: baseado nas propriedades térmicas das substâncias. Aumento do volume e pressão para produzir movimento linear transformado em movimento de rotação através do conjunto biela-manivela. 4.1. Térmicos de combustão externa: A combustão é realizada externamente ao motor, isto é, o calor é produzido fora do motor em local denominado de caldeira (Figura 1). Em geral utiliza-se vapor d’água proveniente da elevação de pressão no processo de ebulição. Nesta categoria se enquadram os motores das locomotivas a vapor. Atualmente o princípio é utilizado nas Usinas Termoelétricas, podendo utilizar combustível fóssil ou nuclear. Figura 1. Combustão externa: calor é produzido fora do motor em caldeiras. 1 Professor. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, IT-Departamento de Engenharia, BR 465 km 7 - CEP 23890-000 – Seropédica – RJ. E-mail: varella@ufrrj.br. 2 4.2. Térmicos de combustão interna: A combustão é realizada dentro do próprio motor. Tipos de motores que vamos estudar. Atualmente utilizados na propulsão de tratores e máquinas agrícolas. Baixo consumo, flexibilidade, disponibilidade de fontes de energias abundantes. PRINCIPAIS PARTES CONSTITUINTES Os motores de combustão interna apresentam três principais partes: cabeçote, bloco e cárter, conforme ilustrado na Figura 2. Figura 2. Partes do motor de combustão interna. CABEÇOTE DO MOTOR O cabeçote é a parte superior do motor. Normalmente os cabeçotes de motores resfriados a água são fabricados em ferro fundido, e em circunstâncias especiais que exige pouco peso, são fabricados em alumínio. A Figura 3 ilustra o cabeçote de um motor de quatro tempos. Figura 3. Cabeçote de um motor de quatro tempos. Atualmente, quase todos os motores apresentam as válvulas no cabeçote. No cabeçote dos motores de quatro tempos existe para cada cilindro, uma válvula de descarga, uma válvula de 3 admissão, uma câmara de combustão, um coletor de admissão, um coletor de descarga. O eixo de comando de válvulas pode ser encontrado no cabeçote ou no bloco do motor. Válvulas A válvula de haste é hoje universalmente usada nos motores de quatro tempos. Controlam a entrada e saída de gases no cilindro. As válvulas de admissão são de aço, de aço ao níquel ou cromo-níquel. A passagem dos gases de admissão mantém sua temperatura entre 250 e 300°C. As válvulas de descarga são de uma liga de aço, de forte teor de níquel, de cromo e de tungstênio. O níquel melhora a resistência; o cromo torna o aço inoxidável; o tungstênio mantém uma forte resistência mecânica em temperaturas elevadas. As válvulas de descarga suportam temperaturas entre 700 e 750°C. O motor de quatro tempos convencional apresenta duas válvulas por cilindro: uma de admissão e outra de descarga. Segundo TAYLOR (1976), a capacidade de escoamento da válvula de descarga pode ser menor que da válvula de admissão, e recomenda que o diâmetro da válvula de descarga deve ser 0,83-0,87 do diâmetro da válvula de admissão. A Figura 4 ilustra diversos tipos de válvulas para motores de quatro tempos. Figura 4. Diversos tipos de válvulas para motores de quatro tempos. Eixo de cames ou de comando de válvulas Este eixo controla a abertura e fechamento das válvulas de admissão e descarga. Recebe movimento da árvore de manivelas, possui um ressalto ou came para cada válvula e gira com metade da velocidade da árvore de manivelas. Os ressaltos atuam sobre os impulsionadores das válvulas em tempos precisos. Os eixos de cames são fabricados em aço forjado ou ferro fundido (ao níquel-cromo-molibdênio). Passam por tratamentos como cementação e tempera, de maneira a oferecer a máxima resistência ao desgaste dos ressaltos. A Figura 5 ilustra o eixo de cames ou de comando de válvulas. 4 Figura 5. Eixo de cames ou de comando de válvulas. BLOCO DO MOTOR O bloco é a parte central do motor. São, na sua maioria, de ferro fundido. A resistência do bloco pode ser aumentada, se for utilizada na sua fabricação uma liga de ferro fundido com outros metais. Alguns blocos de motor são fabricados com ligas de metais leves, o que diminui o peso e aumenta a dissipação calorífica. Neste caso o cilindro é revestido com camisa de ferro fundido. A Figura 6 ilustra o bloco do motor de combustão interna. Figura 6. Bloco do motor de combustão interna. Vídeo: bloco do motor Cilindro O cilindro é um furo no bloco aberto nas duas extremidades. Os cilindros podem ser constituídos por uma peça sobressalente denominada camisa, que é colocada no furo do bloco, evitando que este sofra desgaste. A camisa ou câmara de água é um conjunto de condutores para circulação da água de resfriamento dos cilindros, e, é normalmente fundida com o bloco do qual faz parte integrante. Árvore de manivelas ou virabrequim Á árvore de manivelas possui na extremidade posterior um flange para acoplamento do volante do motor e na extremidade anterior um eixo para transmissão de rotação ao eixo de comando de válvulas, diretamente engrenado ou por intermédio de corrente/correia dentada. São 5 normalmente fabricadas em aço ou aço fundido. A Figura 7 ilustra árvore de manivelas de um motor de quatro cilindros.. Figura 7. Árvore de manivelas de um motor de quatro cilindros. Pistão O pistão é fechado na parte superior e aberto na inferior. Apresenta ranhuras na parte superior para fixação dos anéis de segmento. Existem dois tipos de anéis de segmento: de vedação e de lubificação. Os anéis de vedação impedem a passagem dos gases de compressão e os queimados para o cárter, mantendo assim, a pressão constante sobre a cabeça do pistão. Os anéis de lubrificação, lubrificam e raspam o excesso de óleo que fica na parede do cilindro, removendo-o para o cárter. A Figura 8 ilustra um pistão com três ranhuras na cabeça para colocação dos anéis de segmento. Figura 8. Pistão com três ranhuras na cabeça para colocação dos anéis de segmento. Biela Em forma de haste, serve para transmitir o movimento linear alternativo do pistão para o virabrequim. A biela é fixada nos mancais móveis ou de bielas do virabrequim e não fica em contato direto com o eixo. Entre a biela e o virabrequim são colocados os casquilhos para evitar desgaste do virabrequim. Mesmo assim, essas peças não são justas, existindo entre elas, uma folga, por onde circula o óleo lubrificante. A biela e casquilhos são ilustrados na Figura 9. 6 Figura 9. .Biela e casquilhos.CÁRTER DO MOTOR O cárter é a parte inferior do motor. Nos motores de quatro tempos é basicamente o reservatório de óleo lubrificante. A bomba de óleo lubrificante está localizada no cárter. A Figura 10 ilustra o cárter do motor de combustão interna. Figura 10. Cárter do motor de combustão interna. UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO IT – Departamento de Engenharia ÁREA DE MÁQUINAS E ENERGIA NA AGRICULTURA IT 154- MOTORES E TRATORES PRINCÍPIOS DE FUNCIONAMENTO DOS MOTORES DE COMBUSTÃO INTERNA Carlos Alberto Alves Varella 1 . Nos primeiros motores de combustão interna a comsbustão era realizada em condições de pressão atmosférica. Em 1862, Beau de Rochas estabeleceu os princípios fundamentais de funcionamento dos motores de combustão interna. Segundo BARGER et. al (1966), os prncípios de Beau de Rochas para máxima eficiência do ciclo são: 1. Relação superfície-volume do cilindro deve ser a menor possível; 2. Processo de expansão deve ser o mais rápido possível; 3. Expansão máxima possível; 4. Pressão máxima possível no início da expansão. Os dois primeiros itens têm como objetivo reduzir a perda de calor através das paredes do cilindro; o terceiro item considera que maior expansão (curso) produz maior trabalho e o quarto item considera que quanto maior a pressão maior é o trabalho produzido na expansão. Os motores de combustão interna são classificados em relação ao princípio de funcionamento em dois tipos: do ciclo OTTO e do ciclo DIESEL. O ciclo de funcionamento é o conjunto de transformações na massa gasosa no interior da câmara, desde a sua admissão, até a sua eliminação para o exterior. O ciclo OTTO foi descrito por NIKOLAUS A. OTTO (1876) e o ciclo DIESEL por RUDOLF DIESEL (1893). Ambos os ciclos podem ser completados em dois ou quatro cursos do pistão. Quando o motor completa o ciclo em dois cursos do pistão é chamado de motor de dois tempos e quando completa o ciclo em quatro tempos é chamado motor de quatro tempos. 1 Professor. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, IT-Departamento de Engenharia, BR 465 km 7 - CEP 23890-000 – Seropédica – RJ. E-mail: varella@ufrrj.br. 2 MOTORES DO CICLO OTTO Os motores do ciclo otto ou de ignição por centelha utilizam a energia da centelha elétrica da vela de ignição para dar início a reação de combustão. Nos motores de quatro tempos é admitido a mistura de ar e combustível e no motores de dois tempos é admito a mistura de ar, combustível e óleo lubrificante. Nos motores de dois tempos no primeiro curso são realizadas as fases de admissão e compressão e no segundo curso as fases de expansão e descarga. Nos motores de quatro tempos cada fase do ciclo é realizada em um curso. MOTORES DO CICLO OTTO DE QUATRO TEMPOS Os motores do ciclo otto de quatro tempos apresentam sistema de lubrificação sendo o cárter o depósito de óleo lubrificante do motor. Realiza o ciclo em quatro cursos, o que implica em duas voltas (720 o ) no virabrequim ou árvore de manivelas. A Figura 2 ilustra a constituição geral dos motores de quatro tempos do ciclo otto. Figura 2. Constituição geral dos motores de quatro tempos do ciclo otto. Primeiro curso: admissão O pistão se desloca do PMS para o PMI. Neste curso ocorre a admissão no cilindro da mistura ar-combustível. Durante a admissão a válvula de admissão está aberta e a válvula de descarga está fechada (Figura 3). O volume admitido é o volume de admissão ou cilindrada parcial do motor. 3 Figura 3. Posição das válvulas durante o primeiro curso do pistão na fase de admissão. Segundo curso: compressão O pistão se desloca do PMI para o PMS. Neste curso ocorre a compressão, isto é, a redução do volume de admissão para volume da câmara de combustão. Durante a compressão as válvulas de admissão e descarga estão fechadas. Figura 4. Posição das válvulas durante o segundo curso do pistão na fase de compressão. Terceiro curso: expansão O pistão se desloca do PMS para o PMI. Neste curso ocorre a expansão, isto é, ocorre a combustão e a força produzida desloca o pistão realizando trabalho. Durante a expansão as válvulas de admissão e descarga estão fechadas (Figura 5). Ar + combustível 4 Figura 5. Posição das válvulas durante o terceiro curso do pistão na fase de expansão. Quarto curso: descarga O pistão se desloca do PMI para o PMS. Neste curso ocorre a descarga, isto é, são eliminados os resíduos da combustão. Durante a descarga a válvula de descarga está aberta e a válvula de admissão está fechada (Figura 6). Figura 6. Posição das válvulas durante o quarto curso do pistão na fase de descarga. MOTORES DO CICLO OTTO DE DOIS TEMPOS Os motores de dois tempos recebem esta denominação porque realizam o ciclo de funcionamento em dois cursos do pistão, isto é, em uma volta (360 o ) da árvore de manivelas. A lubrificação do motor é feita através da mistura de óleo lubrificante no combustível. Não possuem sistema de válvulas sendo a admissão feita em duas etapas: primeiro no cárter e depois no cilindro. A Figura 1 ilustra as principais partes dos motores do ciclo otto de dois tempos. Resíduos da combustão 5 Figura 1. Principais partes dos motores do ciclo otto de dois tempos. Primeiro curso O pistão se desloca do ponto morto inferior (PMI) para o ponto morto superior (PMS). No primeiro curso ocorre a compressão e a admissão no cárter através da janela de admissão (Figura 2). COMPRESSÃO ADMISSÃO NO CÁRTER EXPANSÃO ADMISSÃO NO CILINDRO DESCARGA CÁRTER Figura 2. Primeiro curso nos motores otto de dois tempos: compressão e admissão no cárter. Segundo curso O pistão se desloca do PMS para o PMI. Neste curso ocorre a expansão, a admissão da mistura no cilindro e a descarga dos resíduos da combustão (Figura 3). A renovação da mistura é chamada de lavagem do cilindro, ou seja, a mistura nova que estava no cárter é admitida no cilindro e expulsa os resíduos da combustão. 6 COMPRESSÃO ADMISSÃO NO CÁRTER EXPANSÃO ADMISSÃO NO CILINDRO DESCARGA CÁRTER Figura 3. Segundo curso nos motores otto de dois tempos: expansão, a admissão da mistura no cilindro e descarga dos resíduos da combustão. MOTORES DO CICLO DIESEL Os motores do ciclo diesel ou motores de ignição por compressão utilizam o aumento da temperatura devido a compressão de uma massa de ar para dar início a reação de combustão. Somente ar é admito. Após a compressão, o combustível é pulverizado na massa de ar quente dando início a combustão. MOTORES DO CICLO DIESEL DE QUATRO TEMPOS Os motores do ciclo diesel de quatro tempos apresentam sistema de lubrificação sendo o cárter o depósito de óleo lubrificante do motor. Realiza o ciclo em quatro cursos, o que implica em duas voltas (720 o ) no eixo de manivelas. Os quatro cursos são os seguintes: Primeiro curso: admissão O pistão se desloca do PMS para o PMI. Neste curso ocorre a admissão no cilindro de somente ar (Figura 7). Durante a admissão a válvula de admissão está aberta e a válvula de descarga está fechada. O volume admitido é o volume de admissão ou cilindrada parcial do motor. Nos motores diesel o volume de ar aspirado é sempre o mesmo. A variação da potência é obtida pela variação do volume de combustível injetado de acordo com a posição do acelerador. 7 Figura 7. Admissão de ar durante o primeiro curso nos motores diesel de quatro tempos. Segundo curso: compressão O pistão se desloca do PMI para o PMS. Neste curso ocorre a compressão do ar. As válvulas deadmissão e descarga estão fechadas. A compressão do ar na câmara de combustão produz elevação da temperatura. No fim da compressão para a relação volumétrica de 18:1, a pressão é de 40-45 kgf.cm -2 e a temperatura é de aproximadamente 800 ºC. No final da compressão, o combustível é dosado e injetado na câmara de combustão. A medida exata do combustível e o momento da injeção são fatores muito importantes para o bom funcionamento dos motores diesel. A injeção do combustível na câmara de combustão é feita pelo bico injetor (Figura 8). Imediatamente após a injeção, o combustível se inflama devido ao contato com o ar aquecido, iniciando-se a combustão. Figura 8. Injeção de combustível na massa de ar quente nos motores diesel de quatro tempos. AR Combustível Bico injetor 8 Terceiro curso: expansão O pistão se desloca do PMS para o PMI. Neste curso ocorre a expansão do ar. As válvulas de admissão e descarga estão fechadas. A medida que o combustível é injetado, vai se inflamando, aumentando a temperatura dos gases que tendem a se dilatar cada vez mais. Durante a expansão o pistão é acionado pela força de expansão dos gases transformando a energia térmica em mecânica (Figura 9). A força vinda da expansão dos gases é transmitida para o virabrequim através da biela, promovendo assim o movimento de rotação do motor. A expansão é o único curso que transforma energia. Parte da energia transformada é armazenada no virabrequim e no volante do motor que será consumida durante os outros três cursos Figura 9. Deslocamento do pistão pela força de expansão dos gases transformando a energia térmica em mecânica. Quarto curso: descarga O pistão se desloca do PMI para o PMS. Neste curso ocorre a descarga dos resíduos da combustão. A válvula de admissão está fechada e a de descarga está aberta. O movimento ascendente do pistão expulsa do cilindro os resíduos da combustão através da válvula de descarga (Figura 10).. 9 Figura 10. Resíduos da combustão são eliminados através da válvula de descarga. BIBLIOGRAFIA BARGER, E.L.; LILGEDAHL, J.B.; CARLETON, W.M.; McKIBBEN, E.G. Tratores e seus Motores. Editora Edgard Blücher Ltda. São Paulo, Brasil, 1966. Resíduos da combustão UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO IT – Departamento de Engenharia ÁREA DE MÁQUINAS E ENERGIA NA AGRICULTURA CARACTERÍSTICAS DIMENSIONAIS DOS MOTORES DE COMBUSTÃO INTERNA Carlos Alberto Alves Varella1 Diâmetro do cilindro Curso do pistão O curso é a distância entre o ponto morto superior e o ponto morto inferior. 1 Professor. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, IT-Departamento de Engenharia, BR 465 km 7 - CEP 23890-000 – Seropédica – RJ. E-mail: varella@ufrrj.br. Volume do cilindro O volume do cilindro é obtido multiplicando-se a área do cilindro pelo curso do pistão, conforme escrito na Equação 1. L 4 DVcilouLAVcil 2 ⋅ ⋅pi =⋅= (1) em que: Vcil = volume do cilindro, cm3; A = área do cilindro, cm2; L = curso do pistão, cm; D = diâmetro do cilindro, cm. Volume da câmara de combustão (Vcam) O volume da câmara de combustão é o espaço compreendido entre o cabeçote e o pistão no PMS. É onde ocorre a combustão da mistura ar-combustível. As câmaras de combustão apresentam formatos irregulares, devido a isso seu volume é obtido experimentalmente. Vcam = obtido experimentalmente Cilindrada parcial ou volume de admissão A cilindrada parcial é o volume admitido por um cilindro para realização do ciclo. É calculada pela Equação 2. 2 VcamVcilCp += (2) em que: Cp = cilindrada parcial, cm3; Vcil = volume do cilindro, cm3; Vcam = volume da câmara de combustão. Cilindrada total ou cilindrada É o volume admitido por todos os cilindros do motor para realização do ciclo, isto é, o volume admitido pelo motor equivalente a duas voltas na árvore de manivelas. É calculada pela Equação 3. nCpCt ⋅= (3) em que: Ct = cilindrada total, cm3; Cp = cilindrada parcial, cm3; n = número de cilindros do motor. Taxa de compressão A taxa de compressão é a relação entre a cilindrada parcial e o volume da câmara de combustão. É calculada pela Equação 4. Vcam C Tc p= (4) em que: Tc = taxa de compressão; Cp = cilindrada parcial, cm3; Vcam = volume da câmara de combustão, cm3. Parâmetros dependentes das características dimensionais As características dimensionais têm influência na cilindrada minuto e na velocidade linear do pistão durante o funcionamento dos motores. 3 Cilindrada minuto É o volume admitido pelo motor em um minuto de funcionamento. Depende da cilindrada total e da rotação da árvore de manivelas. É calculada pela Equação 5. ∆ ⋅ = NCtCmin (5) em que: Cmin = cilindrada minuto, cm3.min-1; Ct = cilindrada total, cm3; N = velocidade angular da árvore de manivelas, rpm; ∆ = 2 para motores de quatro tempos; 1 para motores de dois tempos. Velocidade linear do pistão É a velocidade de deslocamento do pistão no vai e vem entre PMS e PMI. Depende do curso do pistão e da rotação da árvore de manivelas. É calculada pela Equação 6. 601000 NL2VLP ⋅ ⋅⋅ = (6) em que: VLP = velocidade linear do pistão, m.s-1; L = curso do pistão, mm; N = velocidade angular da árvore da manivelas, rpm; 4 UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO IT – Departamento de Engenharia MÁQUINAS E ENERGIA NA AGRICULTURA IT 154- MOTORES E TRATORES SISTEMAS AUXILIARES DOS MOTORES DE COMBUSTÃO INTERNA Carlos Alberto Alves Varella 1 IT 154 MOTORES E TRATORES SISTEMAS AUXILIARES DOS MOTORES DE COMBUSTÃO INTERNA Seropédica – Rio de Janeiro Novembro/2012 1 Professor. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, IT-Departamento de Engenharia, BR 465 km 7 - CEP 23890-000 – Seropédica – RJ. E-mail: varella@ufrrj.br. ÍNDICE SISTEMA DE VÁLVULAS ................................................................................................ 4 Componentes do sistema de válvulas ................................................................................. 5 1. Eixo de cames...................................................................................................... 5 2. Tuchos ................................................................................................................. 5 3. Varetas ................................................................................................................. 6 4. Balancins ............................................................................................................. 6 5. Molas ................................................................................................................... 6 6. Válvulas ............................................................................................................... 6 Tipos de sistemas de válvulas ............................................................................................ 6 Sistema de comando direto ............................................................................................ 6 Sistema de comando indireto ......................................................................................... 7 SISTEMA DE ALIMENTAÇÃO....................................................................................... 9 INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 9 SISTEMA DE ALIMENTAÇÃO PARA MOTORES DO CICLO DIESEL .................... 9 CIRCUITO DE AR .......................................................................................................... 10 Pré-filtro ...................................................................................................................... 11 Filtro de ar ................................................................................................................... 11 Filtros em banho de óleo ............................................................................................. 11 Filtros de ar seco .......................................................................................................... 12 Elemento primário do filtro de ar seco ........................................................................ 12 Elemento secundário do filtro de ar seco..................................................................... 13 Coletor de admissão .................................................................................................... 13 Turbocompressor ......................................................................................................... 13 Intercooler .................................................................................................................... 14 CIRCUITO DE COMBUSTÍVEL ................................................................................... 15 Tanque de combustível ................................................................................................ 15 Copo de sedimentação ................................................................................................. 16 Bomba alimentadora .................................................................................................... 16 Filtros de combustível ................................................................................................. 16 Tubulações ................................................................................................................... 17 Bomba injetora ............................................................................................................ 17 Bicos injetores ............................................................................................................. 18 Unidade injetora .......................................................................................................... 18 SISTEMA DE ARREFECIMENTO ................................................................................ 19 INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 19 Função do sistema de arrefecimento ................................................................................ 20 Meios arrefecedores ......................................................................................................... 20 Vantagens do ar ........................................................................................................... 20 Desvantagens do ar ...................................................................................................... 21 Tipos de sistemas de arrefecimento ................................................................................. 21 Sistema de arrefecimento a ar .......................................................................................... 21 Aletas ........................................................................................................................... 21 Ventoinha .................................................................................................................... 21 Dutos e defletores ........................................................................................................ 21 Vantagens do sistema a ar ........................................................................................... 21 Desvantagens do sistema a ar ...................................................................................... 22 Sistema de arrefecimento ar-água .................................................................................... 22 Termossifão ................................................................................................................. 22 3 Circulação forçada ....................................................................................................... 23 Partes constituintes ........................................................................................................... 24 Radiador ...................................................................................................................... 24 Bomba dágua ............................................................................................................... 24 Válvula termostática .................................................................................................... 24 Ventoinha .................................................................................................................... 25 Mangueiras .................................................................................................................. 25 Camisas d’água ............................................................................................................ 25 Elementos do radiador ...................................................................................................... 26 Depósito superior: deposito de água proveniente do motor. ....................................... 26 Depósito inferior: deposito de água após resfriada pela passagem pela colméia do radiador. ....................................................................................................................... 26 Colméia: região central constituída de capilares verticais e aletas horizontais. .......... 26 SISTEMA DE LUBRIFICAÇÃO .................................................................................... 26 INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 26 Óleos lubrificantes............................................................................................................ 27 Funções dos óleos lubrificantes ................................................................................... 27 Viscosidade ...................................................................................................................... 27 Classificação SAE ............................................................................................................ 28 Qualidade ......................................................................................................................... 28 Classificação API ........................................................................................................ 28 TIPOS DE SISTEMAS DE LUBRIFICAÇÃO ............................................................... 29 Sistema de mistura com o combustível ............................................................................ 29 Sistema por salpico........................................................................................................... 29 Sistema de circulação e salpico ........................................................................................ 30 SISTEMA DE CIRCULAÇÃO SOB PRESSÃO ............................................................ 30 COMPONENTES ........................................................................................................ 31 SISTEMA ELÉTRICO DOS MOTORES DIESEL .......................................................33 INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 33 Componentes básicos ....................................................................................................... 33 Bateria .......................................................................................................................... 33 Motor de partida .......................................................................................................... 34 Alternador .................................................................................................................... 34 Referências bibliográficas ................................................................................................ 35 4 SISTEMA DE VÁLVULAS Carlos Alberto Alves Varella 2 O sistema de válvulas controla o fechamento e abertura das válvulas nos motores de quatro tempos. Existem sistemas de válvulas de controle fixo e controle variável. Os sistemas de controle variável apresentam controle eletrônico que permite variar o tempo de abertura e altura de levantamento das válvulas. O motor convencional apresenta duas válvulas por cilindro, sendo uma de admissão e uma de descarga, contudo é possível a colocação de até sete válvulas por cilindro, sendo quatro de admissão e três de descarga. A Figura 1 ilustra a variação da área de admissão em função do número de válvulas por cilindro. Observa-se que a maior área de admissão é obtida para cinco válvulas por cilindro, sendo três de admissão e duas de descarga. Figura 1. Variação da área de admissão em função do número de válvulas por cilindro (Fonte: http://www.km77.com/tecnica/motor/5valvulas/texto.asp, acessado em 24/03/2006). 2 Professor. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, IT-Departamento de Engenharia, BR 465 km 7 - CEP 23890-000 – Seropédica – RJ. E-mail: varella@ufrrj.br. 5 Componentes do sistema de válvulas 1. Eixo de cames O eixo de cames (Figura 2) pode estar localizado no cabeçote ou no bloco do motor. Nos tratores agrícolas está localizado no bloco. Apresenta ressaltos que transformam movimento de rotação em movimento linear alternado das válvulas. São fabricados de materiais que apresentam alta resistência ao desgaste, tais como aço forjado ou ferro fundido. Figura 2. Eixo de cames de um motor de quatro tempos de quatro cilindros. 2. Tuchos Os tuchos ficam em contato direto com os ressaltos e transmitem o movimento do eixo de cames para as varetas. São fabricados em aço forjado ou de fundição temperada e podem ser mecânicos ou hidráulicos. Podem apresentar revestimento de carbono para reduzir as perdas mecânicas. Os tuchos são responsáveis por aproximadamente 20% da fricção total do motor. O revestimento de carbono reduz a fricção em toda a gama de velocidades (Figura 3). Os tuchos hidráulicos apresentam a vantagem prática de se ajustar automaticamente conforme ocorre o desgaste dos cames, contudo não são utilizados em tratores agrícolas. Figura 3. Redução do torque de fricção em função do revestimento de carbono dos tuchos (Fonte: Ford / INA). 6 3. Varetas As varetas estão localizadas entre os tuchos e os balancins. Transmitem o movimento do eixo de cames localizado no bloco até o eixo de balancins localizado no cabeçote do motor. 4. Balancins O eixo de balancins tem como função inverter o sentido do movimento linear das varetas. São fabricados de material fundido, aço estampado ou alumínio. 5. Molas As molas pressionam as válvulas sobre suas sedes no cabeçote. A pressão deve ser suficiente para manter as válvulas fechadas. 6. Válvulas As válvulas regulam a entrada e saída de gases no cilindro. As válvulas de admissão são de aço, aço níquel ou cromo-níquel e são maiores que as de descarga. Isto é assim para favorecer a entrada de gases novos no cilindro e reduzir as perdas no tempo de admissão. A passagem dos gases pela válvula de admissão mantém sua temperatura em torno de 300 o C. As válvulas de descarga são de uma liga de aço, de forte teor de níquel, cromo e de tungstênio. Suportam altas temperaturas chegando no momento da combustão em torno de 750 o C no vermelho escuro. Tipos de sistemas de válvulas Existem dois tipos de sistemas de válvulas: de comando direto e de comando indireto. Sistema de comando direto Neste sistema o eixo de cames está localizado no cabeçote do motor. Recebe movimento do virabrequim através de corrente ou correia dentada. As válvulas recebem movimento direto dos tuchos, sendo assim não apresenta varetas nem eixo de balancins (Figura 4). Causa menor nível de ruído que o sistema de comando indireto, contudo não é utilizado em tratores agrícolas. Existem sistemas de comando direto mecânico e eletrônico. O sistema eletrônico apresenta controle eletrônico para abertura e fechamento das válvulas, isto é, o tempo que as válvulas permanecem abertas é controlado eletronicamente e não é proporcional à rotação do motor (Figura 5). A vantagem do sistema eletrônico é que apresenta bom desempenho em baixas e altas rotações do motor, o que não se justifica em motores de tratores, visto que a rotação de trabalho é constante durante as operações agrícolas. 7 Figura 4. Sistema de válvulas de comando direto mecânico. Figura 5. Sistema de válvulas de comando direto eletrônico (VarioCam da Porsche). Sistema de comando indireto Neste sistema o eixo de cames está localizado no bloco do motor e recebe movimento do virabrequim através de engrenamento direto. O número de dentes da engrenagem do eixo de cames é duas vezes o número de dentes da engrenagem do virabrequim (Figura 6). Durante cada ciclo do motor de quatro tempos (720 0 de giro no virabrequim), as válvulas de admissão e descarga de cada cilindro abrem-se apenas uma vez. Assim enquanto o virabrequim gira 720 o o eixo de cames gira 360 o a cada ciclo do motor de quatro tempos. 8 Figura 6. Transmissão de movimento no sistema de válvulas de comando indireto. As válvulas recebem movimento dos balancins e o movimento é levado do bloco até o cabeçote através das varetas (Figura 7). Causa maior nível de ruído que o sistema de comando direto e é o sistema utilizado em tratores agrícolas. Figura 7. Sistema de válvulas de comando indireto. 1-eixo de cames; 2- tucho; 3- vareta; 4- balancim; 5- mola; 6- válvula. BLOCO CABEÇOTE 9 SISTEMA DE ALIMENTAÇÃO Carlos Alberto Alves Varella1 INTRODUÇÃO O Sistema de alimentação dos motores de combustão é responsável pelo suprimento de ar e combustível ao motor. Existem basicamente dois tipos de sistemas de acordo com o ciclo de funcionamento dos motores: o sistema para motores otto e o sistema para motores diesel. No sistema de alimentação otto o combustível é mistura ao ar antes de ser admito nos cilindros, enquanto que no sistema diesel, o combustível é injetado nos cilindros por um circuito diferente do percorrido pelo ar. Tanto num sistema quanto no outro a admissão ocorre quando o pistão se desloca do ponto morto superior para o ponto morto inferior com a válvula de admissão aberta. SISTEMA DE ALIMENTAÇÃO PARA MOTORES DO CICLO DIESEL O sistema de alimentação diesel é composto por dois circuitos: o circuito de ar e o circuito de combustível. A Figura 1 ilustra o fluxograma do sistema de alimentação diesel turbinado com intercooler. 10 Figura 1. Fluxograma do sistemade alimentação diesel turbinado com intercooler. CIRCUITO DE AR O circuito de ar tem como função conduzir o ar do meio ambiente até o interior dos cilindros e depois eliminar os resíduos da combustão. É constituído das seguintes partes: pré-filtro, filtro de ar, coletor de admissão, coletor de descarga e abafador (Figura 8). Pré-filtro Filtro primário Filtro secundário Turbina (Turbocharger ) Resfriador (Intercooler) Coletor de admissão Cilindro do motor Tanque Copo de sedimentação Bomba alimentadora Filtro de combustível Bomba injetora Bico injetor Coletor de descarga Abafador AR Combustível Resíduos da combustão 11 Figura 8. Circuito de ar do sistema de alimentação diesel. Pré-filtro O pré-filtro (Figura 9) está localizado antes do filtro primário de ar. Tem como função reter partículas grandes contidas no ar. Figura 9. Pré-filtro do circuito de ar do sistema de alimentação. Filtro de ar O filtro de ar tem como função reter pequenas partículas contidas no ar. Podem ser de dois tipos: em banho de óleo ou de ar seco. Filtros em banho de óleo Nos filtros em banho de óleo o ar passa por uma camada de óleo antes de atravessar o elemento filtrante (Figura 10). O elemento filtrante é fabricado de palha de coco e não é trocado, devendo ser limpo periodicamente. PRÉ-FILTRO ABAFADOR COLETOR DE DESCARGA VÁLVULA DE DESCARGA FILTRO COLETOR DE ADMISSÃO VÁLVULA DE ADMISSÃO CILINDRO Ar com impurezas 12 Figura 10. Filtro de ar em banho de óleo do sistema de alimentação diesel. Filtros de ar seco Os filtros de ar seco (Figura 11) são constituídos por dois elementos filtrantes descartáveis: o elemento primário de papel e o elemento secundário de feltro. Figura 11. Filtro de ar seco do sistema de alimentação diesel. Elemento primário do filtro de ar seco O elemento primário de papel (Figura 12) aceita limpezas e deve ser limpo sempre que for avisado pelo indicador de restrição. O indicador de restrição é um dispositivo mecânico do circuito de ar do sistema de alimentação de tratores agrícolas que avisa ao operador da necessidade de limpeza do elemento primário do filtro de ar. A restrição da passagem de ar pelo filtro reduz a eficiência do elemento filtrante, pode levar o motor a perder potência, aumentar o consumo e provocar superaquecimento (REIS et al., 1999). Ar com impurezas Elemento filtrante Cuba de óleo Ar filtrado Ar com impurezas Ciclonizador Centrifugação do ar Ar filtrado Válvula de descarga 13 Figura 12. Elemento primário do filtro de ar seco. Elemento secundário do filtro de ar seco O elemento secundário de feltro (Figura 13) não aceita limpezas e apenas deve ser substituído periodicamente. Figura 13. Elemento secundário do filtro de ar seco. Coletor de admissão O coletor de admissão conduz o ar filtrado até os cilindros do motor. A admissão do ar pode ser apenas por meio de vácuo criado pelo movimento descendente do pistão no interior dos cilindros, neste caso o motor é dito aspirado, ou sob pressão com auxílio de uma turbina denominados motores turbinados. Turbocompressor O turbocompressor é normalmente também denominado de turbina, turbocharger, turboalimentador ou turbo (Figura 14). Constituído por um conjunto de dois rotores montados nas extremidades de um eixo, a turbina é acionada pela energia cinética dos gases da descarga. O ar quente impulsiona o rotor quente fazendo que o rotor frio, na outra extremidade, impulsione o ar para os cilindros. Nos motores do ciclo diesel o turbocompressor tem como objetivo aumentar a pressão do ar no coletor de admissão acima da pressão atmosférica. Isso aumenta a massa de ar sem aumento do volume. O resultando é mais combustível injetado e mais potência. O turbocompressor aumenta a potência em torno de 35% e reduz o consumo específico de combustível em torno de 5%. 14 Figura 14. Turbocompressor, turbina, turbocharger, turboalimentador ou turbo. Intercooler O intercooler é um sistema de resfriamento de ar para motores turbinados (Figura 15). Tem como objetivo resfriar o ar proveniente do turbocompressor. Fica localizado no coletor de admissão e contribui para aumentar a massa de ar admitida. A tendência é que todos os motores diesel sejam turbinados. Figura 15. Intercooler para motores turbinados. 15 CIRCUITO DE COMBUSTÍVEL O circuito de combustível tem como função conduzir o combustível deste o tanque de combustível até o interior dos cilindros. É responsável pela dosagem e injeção do combustível pulverizado no interior dos cilindros segundo a ordem de ignição do motor. A pressão de injeção é em torno de 2000 kgf.cm -2 ou duas mil atmosferas. É constituído das seguintes partes: tanque de combustível, copo de sedimentação, bomba alimentadora, filtros de combustível, tubulações de baixa pressão, bomba injetora, tubulações de alta pressão, bicos injetores e tubulações de retorno (Figura 16). Figura 16. Circuito de combustível do sistema de alimentação diesel. Tanque de combustível Os tanques de combustível são atualmente na sua maioria fabricados de polietileno de alta densidade (HEMAIS, 2003). O uso desse material é devido a sua resistência ao calor, resistência a solventes, baixa permeabilidade, fácil de processar e baixo custo. Podemos encontrar o tanque de combustível em diversos locais dos tratores. Atualmente existe uma tendência de se colocar o tanque em local protegido do calor e menos sujeito a impactos acidentais. O tanque deve apresentar capacidade suficiente par autonomia de uma jornada de trabalho sem necessidade de abastecimento. Segundo PACHECO (2000) é difícil avaliar com precisão o consumo de combustível de um trator, devido às variações de carga nos trabalhos de campo. Portanto quando não se tem informação segura do fabricante do trator, várias literaturas citam que o consumo de combustível (óleo diesel), fica na faixa de 0,25 a 0,30 L.h -1 para cada unidade de potência 16 (cv) exigido na barra de tração. O Quadro 1 apresenta a capacidade do tanque de combustível para alguns modelos de tratores agrícolas. Quadro 1. Capacidade do tanque de combustível para alguns modelos de tratores agrícolas Marca Modelo Potência ISO 1585 (cv-kw) Capacidade do tanque, L John Deere 5403 75-55 58 5705 85-63 105 Massey Ferguson 6360 220-162 500 265 Advanced 65-47,8 75 Valtra BM 100 100-73,2 106 900 4x4 86-63 79 Fonte: Manuais dos fabricantes John Deere, Massey Ferguson e Valtra. Copo de sedimentação O copo de sedimentação está localizado antes da bomba alimentadora. Tem como principal função decantar a água contida no combustível. Apresenta na parte inferior um parafuso para drenagem. A drenagem dever ser feita todos os dias para evitar que a água se misture com o combustível e danifique partes sensíveis do circuito, tais como a bomba injetora e os bicos injetores. Bomba alimentadora A bomba alimentadora está localizada entre o copo de sedimentação e o filtro de óleo combustível. Tem como função promover o fluxo de óleo do tanque até a bomba injetora. Filtros de combustível O filtro de combustível está localizado entre a bomba alimentadora e a bomba injetora. Tem como função proteger o sistema de injeção contra impurezas presentes no óleo diesel. O elemento filtrante é de papel e normalmente vem conjugado com copo de sedimentação e dreno para retirada de água do circuito de combustíveldo sistema de alimentação (Figura 17). 17 Figura 17. Filtro de combustível para motores diesel e seus componentes. Tubulações As tubulações entre o tanque de combustível e a bomba injetora, e as tubulações de retorno são de baixa pressão. As tubulações entre a bomba injetora e os bicos injetores são de alta pressão. A Figura 18 ilustra a localização das tubulações de baixa e alta pressão do sistema de alimentação diesel. Figura 18. Localização das tubulações de baixa e alta pressão do sistema de alimentação diesel. Bomba injetora A bomba injetora está localizada entre o filtro de combustível e os bicos injetores. É a principal parte do sistema de alimentação diesel. Tem como funções: dosar o combustível de acordo com as necessidades do motor; enviar o combustível para os bicos injetores de acordo com a ordem de ignição do motor e promover pressão suficiente para pulverizar o combustível na massa de ar quente na câmara de combustão. A bomba injetora é regulada eletronicamente por um sistema de medição de débitos. O sistema eletrônico de medição de débitos (Figura 19) regula sistemas mecânicos e eletrônicos de monitoramento de bombas injetoras. 18 Bomba injetora Resultados do teste Figura 19. Bancada Bosch para regulagem eletrônica de bombas injetoras. Bicos injetores Os bicos injetores estão localizados no cabeçote e têm como principal função pulverizar o combustível na massa de ar quente dentro da câmara de combustão. O combustível é pulverizado em torno de 1300-2000 bar em gotas de 20-100 µm. Após a injeção o bico fecha-se rapidamente impedindo o retorno de gases da combustão. Unidade injetora A unidade injetora é um sistema de injeção diesel composto por uma bomba de alta pressão e um bico injetor com válvula solenóide (Figura 20). Cada cilindro apresenta uma unidade injetora localizada entre as válvulas de admissão e descarga. Devido a isso há uma redução das tubulações de alta pressão. Nesse sistema a pressão é controlada pela válvula solenóide e mantida acima de 2000 bar. 19 Figura 20. Unidade injetora Bosch com bomba e válvula solenóide para controle da pressão de injeção. Disponível em: http://www.boschautoparts.co.uk/. Acesso em: 04/04/2006. Quadro 2. Tabela para conversão de unidades usuais de pressão Unid. Pascal, Pa Bar, bar Atmosfera, atm Torre, mmHg Pound per square inch, psi 1 Pa ≡ 1 N/m² 10−5 9,8692×10−6 7,5006×10−3 145,04×10−6 1 bar 100 000 ≡ 106 dyn/cm² 0,98692 750,06 14,504 1 at 98 066,5 0,980665 0,96784 735,56 14,223 1 atm 101 325 1,01325 ≡ 101 325 Pa 760 14,696 1 torr 133,322 1,3332×10 −3 1,3158×10 −3 ≡ 1 mmHg 19,337×10−3 1 psi 6 894,76 68,948×10 −3 68,046×10 −3 51,715 torr ≡ 1 lbf/in² 1 kgf.cm -2 98 066,5 0,980665 0,96784 735,56 14,223 Exemplo: 2000 kgf.cm -2 = 28445 psi = 196,131 MPa = 1961,33 bar. SISTEMA DE ARREFECIMENTO Carlos Alberto Alves Varella 1 INTRODUÇÃO O sistema de arrefecimento é um conjunto de dispositivos eletromecânicos que controla a temperatura dos motores de combustão interna. Os motores de combustão 20 interna são máquinas térmicas relativamente ineficientes. Segundo (Barger, Liljedahl, Carleton, & McKibben, 1966), apenas 35% do calor total da combustão é transformado em trabalho efetivo. O restante (65%) é liberado para o meio ambiente por radiação direta, perdas por atrito, gases da descarga e pelo próprio sistema de arrefecimento. O trabalho mecânico é o trabalho útil mais o trabalho para vencer resistências. A Figura 21 ilustra o balanço térmico típico de um motor diesel de combustão interna. Figura 21. Balanço térmico típico de um motor diesel de combustão interna. Função do sistema de arrefecimento O Sistema de arrefecimento tem como objetivo retirar o excesso de calor do motor mantendo a temperatura na faixa de 85-95 o C. Meios arrefecedores Os meios arrefecedores usados são o ar e a água. O meio arrefecedor entra em contato com as partes aquecidas do motor, absorver calor e transfere para o meio ambiente. Vantagens do ar Torna mais simples o projeto e a construção do sistema. É facilmente disponível e não requer reservatórios e tubulações fechadas para sua condução. Não é corrosivo e não deixa incrustações. Não se evapora e não se congela para as mais severas condições de funcionamento do motor. C al o r to ta l d a co m b u st ão = 1 0 0 % Trabalho efetivo = 35% Arrefecimento = 28,5% Gases do escape = 25% Perdas por atrito = 6,5% Radiação direta = 5% 21 Desvantagens do ar Baixa densidade, havendo necessidade de um volume muito maior de ar do que de água para retirar 1 caloria do motor; Baixo calor específico, isto é, baixa capacidade de transferir calor entre um sistema e sua vizinhança. Temperatura não é uniforme no motor e ocorre a formação de “Pontos Quentes”.. Não existe um dispositivo para controlar a temperatura do motor nas diversas rotações. Quadro 3. Quantidades de ar e água para retirar 1 caloria do motor Meio arrefecedor Calor específico, cal. o C -1 Quantidade, g Ar 0,2380 4,2 Água 1,0043 1,0 Tipos de sistemas de arrefecimento 1. SISTEMA A AR de Circulação Livre ou Forçada. 2. SISTEMA A ÁGUA de Camisa aberta ou por evaporação, de circulação fechada com torre de arrefecimento e o de Circulação Aberta com Reservatório. 3. SISTEMA AR E ÁGUA de Termossifão e de Circulação Forçada (tipo comumente usado nos motores de tratores de média e alta potência). Sistema de arrefecimento a ar O sistema de arrefecimento a ar pode ser de circulação livre ou forçada. É o tipo de sistema utilizado em motores de dois tempos empregados em pequenas máquinas que são transportadas pelo próprio operador, normalmente costais. Aletas Localizadas na parte externa do cabeçote e do bloco com a finalidade de aumentar a superfície de contato entre o motor e o meio arrefecedor. As aletas devem estar sempre limpas e nunca devem ser pintadas, pois poeira e tinta dificultam a dissipação do calor. Ventoinha Produção de corrente de ar entre o meio ambiente e o motor. A ventoinha força uma corrente de ar através das aletas para aumentar a transferência de calor entre o motor e o meio ambiente. Dutos e defletores Condução e orientação da corrente de ar na direção das aletas de arrefecimento. Vantagens do sistema a ar Construção Simples Menor peso por CV Manutenção simples 22 Desvantagens do sistema a ar Difícil controle da temperatura Desuniformidade de temperatura do motor São facilmente susceptíveis de superaquecimento Exigem constante limpeza das aletas, principalmente em trabalhos agrícolas. Sistema de arrefecimento ar-água Utiliza em conjunto o AR e a ÁGUA como meios arrefecedores. A ÁGUA absorve o calor excedente dos cilindros do motor, e através de um radiador, transfere calor ao AR. Termossifão A vantagem do termossifão é a simplicidade. As desvantagens são: Exige camisas e tubulações mais amplas para facilitar a circulação da água. Se a água se encontrar abaixo do nível normal haverá formação de bolsões de ar acarretando superaquecimento. Ventoinha Cabeçote Bloco Cárter Radiador 23 Circulação forçada Utiliza em conjunto ar e água como meios arrefecedores. A água circula sob pressão, absorve calor excedente dos cilindros e através de um radiador transfere calor ao ar (Figuraabaixo). Figura 2. Sistema de arrefecimento de circulação forçada. Sistema utilizado nos motores de tratores agrícolas. Semelhante ao sistema do tipo termossifão. As principais características do sistema são: possui bomba centrífuga que promove circulação de água sob pressão; ventoinha para circulação forçada do ar através da colmeia do radiador; válvula termostática para controle da temperatura. A quantidade de água neste sistema pode ser reduzida consideravelmente, pois a água circula sob pressão e com maior velocidade que no termossifão. A Figura abaixo ilustra o fluxo da água de arrefecimento do motor no sistema de circulação forçada. Figura. Fluxo da água de arrefecimento do motor no sistema de circulação forçada. 24 Partes constituintes Radiador Trocador de calor entre a água e o ar. A água do sistema de arrefecimento do motor deve ser limpa e livre de agentes químicos corrosivos tais como cloretos, sulfatos e ácidos. A água deve ser mantida levemente alcalina, com o valor do pH em torno de 8,0 a 9,5. Qualquer água potável boa para beber pode ser tratada para ser usada no motor. O tratamento da água consiste na adição de agentes químicos inibidores de corrosão. A qualidade da água não interfere no desempenho do motor, porém a utilização de água inadequada por longo prazo pode resultar em danos irreparáveis. A formação de depósitos sólidos de sais minerais, produzidos por água com elevado grau de dureza, que obstruem as passagens, provocando restrições e dificultando a troca de calor, são bastante freqüentes. Água muito ácida pode causar corrosão eletrolítica entre materiais diferentes. O tratamento prévio da água deve ser considerado quando, por exemplo, for encontrado um teor de carbonato de cálcio acima de 100 ppm ou acidez, com pH abaixo de 7,0. O sistema de arrefecimento, periodicamente, deve ser lavado com produtos químicos recomendados pelo fabricante do motor. Geralmente é recomendado uma solução a base de ácido oxálico ou produto similar, a cada determinado numero de horas de operação. Bomba dágua Promove a circulação forçada da água. Fica acoplada no eixo da ventoinha. Succiona água do depósito inferior para o interior do motor. Válvula termostática Controla a temperatura através do fluxo de água do motor para o radiador. Começa a se entre 70-80 o C. Possui em seu interior um líquido termostático.É falsa a idéia de que a eliminação da válvula termostática melhora as condições de arrefecimento do motor. Muitos mecânicos, ao se verem diante de problemas de superaquecimento do motor, eliminam a válvula termostática, permitindo que o motor trabalhe abaixo da temperaturas ideal em condições de pouca solicitação. 25 VÁLVULA TERMOSTÁTICA PARA CONTROLE DO FLUXO DE ÁGUA DE ARREFECIMENTO a = afluxo; b = saída fria; c = saída quente; d = prato da válvula do lado quente com frestas de vedação para deixar escapar o ar durante o abastecimento; e = prato da válvula lado frio; f = enchimento de cera; g = vedação de borracha; o curso da válvula depende da variação de volume do material elástico (cera) durante a fusão ou solidificação. A pressão interna do sistema é controlada pela válvula existente na tampa do radiador (ou do tanque de expansão) que, em geral, é menor que 1,0 atm. É recomendado manter a pressurização adequada do sistema de arrefecimento de acordo com as recomendações do fabricante do motor. TAMPA DO RADIADOR COM VÁLVULAS DE SOBRE-PRESSÃO E DE DEPRESSÃO. a = válvula de sobre-pressão; b = molas de a; c = tubo de descarga; d = válvula de depressão; e = tampa. Ventoinha Força a passagem do fluxo de ar através da colmeia do radiador. Mangueiras Condução da água do radiador até a bomba d’água e do motor para o radiador. Camisas d’água Superfície externa a parede dos cilindros, a qual forma galerias por onde a água circula retirando calor excedente do motor. 26 Elementos do radiador Depósito superior: deposito de água proveniente do motor. Depósito inferior: deposito de água após resfriada pela passagem pela colméia do radiador. Colméia: região central constituída de capilares verticais e aletas horizontais. Figura. Elementos do radiador: depósito superior, depósito inferior e colméia. SISTEMA DE LUBRIFICAÇÃO Carlos Alberto Alves Varella 1 INTRODUÇÃO O sistema de lubrificação tem como função distribuir o óleo lubrificante entre as partes móveis do motor com objetivo de diminuir o desgaste, o ruído e auxiliar no arrefecimento do motor. Nos motores de quatro tempos o óleo lubrificante é armazenado no cárter e o fluxo de óleo é feito sob pressão através de galerias existentes no motor. Nos motores de dois tempos do ciclo Otto o óleo lubrificante fica misturado com o combustível no tanque. 27 Óleos lubrificantes São fluidos utilizados na lubrificação dos motores e no sistema de transmissão dos tratores. Deve-se sempre utilizar o óleo lubrificante recomendado pelo fabricante. Óleos com viscosidades acima da recomendada (grossos) não penetram nas folgas, deixando de executar a lubrificação, por sua vez óleos com viscosidades abaixo da recomendada (finos) escorrem entrem as folgas não realizando a lubrificação. Funções dos óleos lubrificantes 1- Diminuir o atrito com conseqüente diminuição do desgaste das partes em contato; 2- Atuar como agente de limpeza, retirando os carvões e partículas de metais que se formam durante o funcionamento do motor; 3- Realizar um resfriamento auxiliar do motor; 4- Impedir a passagem dos gases da câmara de combustão para o cárter, completando a vedação entre os anéis do pistão e a parede do cilindro; 5- Reduzir o ruído entre as partes em funcionamento; 6- Amortecer os choques e as cargas entre os mancais. Para que o óleo lubrificante possa atingir os objetivos acima deve atender as especificações de VISCOSIDADE e de QUALIDADE indicadas pelo fabricante do motor. Viscosidade A viscosidade é a resistência que um óleo impõe ao seu escoamento. É o tempo em segundos, para que uma certa quantidade de óleo, numa dada temperatura, escoe através de um orifício de formato e dimensões padronizados. 28 Viscosímetro Saybolt Universal Classificação SAE Em função da relação linear existente entre viscosidade e temperatura medidas no viscosímetro Saybolt Universal a Society of Automotives Engeneers (SAE) elaborou uma classificação numérica dos óleos lubrificantes conhecida como “SAE”. A viscosidade do óleo lubrificante vem estampada na lata que o embala. Quanto maior o número mais alta é a viscosidade do óleo. CLASSIFICAÇÃO SAE CÁRTER TRANSMISSÃO SAE 5W SAE 75 SAE 10W SAE 80 SAE 20W SAE 90 SAE 30 SAE 140 SAE 40 SAE 250 SAE 50 Qualidade Baseada na CLASSIFICAÇÃO API do Instituo Americano de Petróleo em função das condições em que o óleo deve ser usado. Define os aditivos. Classificação API Motores do ciclo Otto AS - Serviços leves SB - Serviços médios SC - Serviços pesados e intermitentes SD - Serviços pesados e contínuos TERMÔMETRO AQUECEDOR ÓLEO P/ TESTE BANHO DE ÓLEO ORIFÍCIO 29 SE - Serviços muito pesados e velocidades elevadas e contínuas SF - Serviços extremamente pesados em grandes velocidades Motores do ciclo Diesel CS - Serviços leves CB - Serviços médios CC - Serviços pesados CD - Serviços muito pesados Geralmente os óleos de baixa viscosidade contêm aditivos anti-congelantes, identificados pela letra “W” (Winter = Invervo). Existemóleos monoviscosos (SAE-30) e também óleos multiviscosos (SAE 10W-40) que atendem as necessidades de uso dentro da faixa que o código especifica (SAE 10-20-30-40). ADITIVOS: Anti-oxidante Anti-corrosivo Ampliador de viscosidade Detergentes Anti-espumante TIPOS DE SISTEMAS DE LUBRIFICAÇÃO Os sistemas de lubrificação são classificados de acordo com a forma de distribuição do óleo pelas diferentes partes do motor: sistema de mistura com o combustível; sistema por salpico; sistema de circulação e salpico; sistema de circulação sob pressão. Sistema de mistura com o combustível Utilizado nos motores de 2 tempos a gasolina. O óleo é mistura ao combustível na proporção de 1:20 a 1:40. Sistema por salpico Este sistema e mais utilizado nos motores estacionários, monocilindricos, de uso agrícola. Neste sistema o pé da biela apresenta um prolongamento afilado denominado pescador. Uma bomba alimenta com óleo o pescador. Ao girar o motor o óleo é borrifado pelo pescador nas paredes dos cilindros e nos demais orgãos que se acham encerrados na parte inferior do bloco. 30 Sistema de lubrificação por Salpico Sistema de circulação e salpico Neste sistema uma bomba força a passagem do óleo através de uma galeria principal contida no bloco do motor ao mesmo tempo em que abastece as calhas de lubrificação por salpico. Da galeria principal o óleo, sob pressão, é direcionado através do virabrequim, do eixo de cames e do eixo de balancins. O óleo que escapa dos eixos é pulverizado na parte superior das paredes dos cilindros, nos pistões e pinos das bielas. SISTEMA DE CIRCULAÇÃO SOB PRESSÃO Sistema utilizado nos motores de tratores agrícolas. Neste sistema o óleo, sob pressão, além de passar através dos eixos de manivelas, cames e balancins, ainda é forçado através dos pinos dos pistões. Os pinos dos pistões são lubrificados por galerias existentes nas bielas. As partes superiores dos cilindros e dos pistões são lubrificadas pelo óleo que escapa de furos existentes nas conexões das bielas com os pinos dos pistões e a parte inferior das paredes dos cilindros e dos pistões pelo óleo pulverizado de furos existentes nas conexões da árvore de manivelas com as bielas. Devido a longa distância e diversas FILTRO BOMBA SUPRIMENTO DE ÓLEO P/A BANDEJA DE SALPICO MANCAIS FIXOS MANCAIS EXCÊNTRICOS EIXO DE COMANDO DE VÁLVULAS PESCADOR CALHA DE SALPICO 31 galerias percorridas pelo óleo neste sistema, o requerimento de pressão na maioria dos motores dos tratores varia de 15 a 40 psi, podendo em alguns casos chegar até 65 psi. COMPONENTES Reservatório de óleo Bomba de óleo Galerias Filtro de óleo Válvula de alívio Manômetro Radiador de óleo ( em alguns sistemas) Figura 2. Sistema de lubrificação de circulação sob pressão Reservatório de óleo: é o próprio cárter do motor. Bomba de óleo: normalmente está localizada no reservatório de óleo lubrificante, pode ser acionada pelo movimento do eixo de manivelas ou pelo eixo pelo eixo de comando de válvulas. Sua função é suprir óleo lubrificante sob determinada pressão as diversas partes do motor. As bombas de óleo na sua maioria são do tipo de engrenagens. Estas são constituídas por um par de engrenagens encerradas em uma caixa fechada. O óleo entra por um a das extremidades da caixa e é forçado a passar entre as engrenagens. A medida que as engrenagens giram é obtido o aumento de pressão. VÁLVULA DE ALÍVIO BOMBA E FILTRO ÁRV.MANIVELAS PINO DO PISTÃO 32 Figura 3. Bomba de engrenagens. Galerias: são passagens localizadas no interior do bloco do motor por onde o óleo é bombeado até as partes a serem lubrificadas. Filtro de óleo: localizado na parte externa do bloco do motor. Tem como função reter partículas indesejáveis visando promover a limpeza do óleo lubrificante. As impurezas reduzem significativamente a vida dos motores, desta forma os filtros devem sempre ser trocados de acordo com a recomendação do fabricante do trator. Figura 4. Localização do filtro de óleo lubrificante do motor de quatro tempos. Válvula de alívio: localizada na linha de alta pressão do sistema. Tem como objetivo evitar que a pressão atinja valores acima do recomendado. Manômetro: indica a faixa de pressão de funcionamento do sistema de lubrificação. Radiador de óleo: alguns sistemas possuem o radiador de óleo que tem como função resfriar do óleo lubrificante do motor. 33 SISTEMA ELÉTRICO DOS MOTORES DIESEL INTRODUÇÃO O sistema elétrico tem como função auxiliar na partida do motor e controlar a iluminação do trator. Nos motores diesel o sistema elétrico não faz parte do funcionamento do motor. Componentes básicos O sistema é basicamente constituído de bateria, motor de partida, alternador, cabos de distribuição, lanternas e faróis. Bateria A bateria (Figura 1) tem como principal função acumular energia elétrica suficiente para assegurar a partida do motor e, se for o caso, completa a alimentação de outros componentes quando a energia produzida pelo alternador não for suficiente. A energia elétrica é acumulada na bateria através de transformações químicas de materiais especiais que compõem a bateria. Essas transformações são reversíveis. Assim, quando a corrente é em sentido contrário, os materiais transformados, retornam a sua composição inicial. Figura 1. A bateria e seus componentes. 1. Pasta de vedação; 2. Pino polar negativo; 3. Barra de acoplamento dos elementos do acumulador; 4. Ponto polar (de montagem das placas de sinal idêntico); 5. Bujão; 6. Pino polar positivo; 7. Tampa da bateria; 8. Cuba; 9. Calço de madeira (separador); 10.Placa positiva; 11.Suporte; 12.Placa negativa. 34 Motor de partida O motor de partida (Figura 2) tem como função acionar o volante para dar início ao funcionamento do motor. São motores elétricos que recebem energia da bateria e entram em contato com o volante, girando o virabrequim até que haja a combustão em um dos cilindros do motor. Por esta ocasião a mistura é queimada, entrando o motor em funcionamento. Figura 2. Motor de partida e seus componentes. Alternador O alternador (Figura 3) é o gerador de energia elétrica. Funciona utilizando a energia mecânica fornecida pela rotação da árvore de manivelas do motor (Figura 4). Transforma a energia mecânica em energia elétrica, a qual vai suprir a bateria para a partida do motor e iluminação do trator. Figura 3. Alternador: gerador de energia elétrica. Volante 35 Figura 4. Transferência do movimento da árvore de manivelas para o alternador. Referências bibliográficas REIS, A.V.; MACHADO, A.L.T.; TILLMANN, C.A.C.; MORAES, M.L.B. Motores, tratores, combustíveis e lubrificantes. Pelotas: UFPel, 1999. 315 p. HEMAIS, C.A. Polímeros e a indústria automobilística. Polímeros: Ciência e Tecnologia, vol. 13, nº 2, p. 107-114, 2003. Alternador Ventoinha Polia do eixo da Árvore de manivelas Estimativa da potência dos motores de combustão interna IT 154- MOTORES E TRATORES 27/04/2010 Universidade Federal Rural do Rio de janeiro Carlos Alberto Alves Varella Page 1 of 8 Introdução A potência representa a taxa de transformação da energia ao longo do tempo. Nos motores de combustão interna a energia térmica é proveniente da reação de combustíveis com o ar atmosférico.Nem toda a energia térmica gerada na combustão é transformada em energia mecânica pelos motores térmicos. Assim, para fins de avaliação desses motores, temos três tipos de potências: teórica, indicada e efetiva. A potência deve ser expressa na unidade do Sistema Internacional, isto é, em W ou seus múltiplos. A Organização Internacional de Normalização (ISO) publicou a partir de 1955 uma série de normas internacionais sobre as grandezas e unidades. A ISO utiliza as sete unidades de base do Sistema Internacional de Unidades: 1) comprimento (metro, m); 2) massa (quilograma, kg); 3) tempo (segundo, s); 4) intensidade de corrente elétrica (ampère, A); 5) temperatura termodinâmica (K); 6) quantidade de matéria (mol, mol) e 7) intensidade luminosa (candela, cd). Quando uma unidade derivada, é constituída pela divisão de uma unidade por outra, pode-se utilizar a barra inclinada (/), o traço horizontal, ou potências negativas (INMETRO, 2007). Exemplo: m/s; m∙s-1 hp (horse power) ........................................................... 76 kgf.m.s -1 cv (cavalo vapor) ........................................................... 75 kgf.m.s -1 cv ........................................................... 0,73551 kW hp ........................................................... 0,74532 hp Potência teórica É a potência estimada com base em propriedades físicas e consumo de combustível. Essa potência considera que toda energia térmica proveniente da combustão é convertida em energia mecânica (Equação 1). (1) em que, PT = potência teórica; pc = poder calorífico do combustível, kcal.kg -1 ; q = consumo de combustível, L.h -1 ; d = densidade do combustível, kg.L -1 ; Page 2 of 8 Combustível Densidade (kg/L) Poder Calorífico Superior Relação Estequiométrica Ar/Combustível (kJ/kg) kCal/kg Butano 0,580 49500 11831 15,50 Propano 0,509 50300 12022 15,70 Gasolina Comum 0,735 47600 11377 15,20 Diesel N. 1 0,823 45700 10923 15,00 Diesel N. 2 0,834 45500 10875 15,00 Álcool Metílico 0,792 22700 5426 6,49 Álcool Etílico 0,785 29700 7099 9,03 Álcool Butílico 0,805 36100 8628 11,20 Quadro 1- Algumas características dos principais combustíveis. Potência indicada A potência indicada é estimada a partir da pressão na expansão, características dimensionais e rotação da árvore de manivelas do motor. Após a combustão ocorre aumento da temperatura e pressão. A pressão desloca o pistão do PMS para o PMI havendo realização de trabalho mecânico. De maneira geral, a potência indicada pode ser estimada por meio da Equação 2. em que, PI = potência indicada, W; F = força na expansão, N; L = curso do pistão, m; t = tempo para realizar o ciclo, s; P = pressão na expansão, Pa; A = área do cilindro, m 2 ; Vcil = volume do cilindro, m 3 ; n = número de cilindros. A potência indicada depende do ciclo do motor, isto é, se o motor é dois tempos (2T) ou quatro tempos (4T). Page 3 of 8 Motores 2T Nestes motores são necessários dois cursos para realizar o ciclo, e a potência indicada é estimada conforme a Equação 3. t2T = tempo para realizar o ciclo em motores 2T, s; (3) em que, PI = potência indicada para motores 2T, W; P = pressão na expansão, Pa; Vcil = volume do cilindro, m 3 ; N = rotação do motor, rps; n = número de cilindros do motor. Motores 4T Nestes motores são necessários quatro cursos para realizar o ciclo, a potência indicada é estimada conforme Equação 4. Potência efetiva A potência efetiva é estimada em função do torque e da rotação no volante do motor. Esses parâmetros são obtidos, segundo normas da ABNT, em equipamentos denominados dinamômetros. A estimativa da potência efetiva parte do princípio da energia mecânica resultante de uma força tangencial a circunferência de raio R (Figura 1). O ponto P1 gira em torno de P0 com velocidade angular constante Ω. Page 4 of 8 Figura 1- Diagramada força tangencial FBy aplicada a uma distância R do ponto P0 (centro do eixo da manivela). Adaptado de (Schmidt, et al., 2003) página 562. A força atuante na haste da biela é obtida pela Equação 6. em que, FB = força na haste da biela, N; P = pressão na expansão, Pa; = ângulo entre haste da biela e vertical, graus. O torque no eixo da árvore de manivelas é obtido pela Equação 7. Considerando-se que no início da fase de expansão o pistão está em do PMS, então o ângulo β é igual a e temos que: Page 5 of 8 O torque do motor ou torque no eixo da árvore de manivelas é obtido pela Equação 7. TO = torque no eixo da árvore de manivelas, N.m; FBy = força tangencial, N; R = raio da circunferência, m. A potência efetiva pode ser estimada em função da força tangencial FBy e da velocidade angular Ω do ponto P1 (Equação 8). PE = potência efetiva, W; TO = torque na árvore de manivelas (torque do motor), N.m; N = rotação na árvore de manivelas (rotação do motor), rps. Exemplo Calcular a força na haste da biela e o torque no eixo da árvore de manivelas do mecanismo pistão-biela-manivela ilustrado na Figura 1. Dados: pressão na expansão = 2 N/mm 2 ; diâmetro do cilindro 100 mm; . Page 6 of 8 Rendimentos de motores térmicos Os rendimentos dos motores térmicos são usados como parâmetros comparativos entre motores na avaliação de perdas caloríficas e mecânicas. São coeficientes que expressão a eficiência dos motores térmicos na conversão da energia proveniente da combustão. Rendimento térmico O rendimento térmico representa o percentual de energia térmica que está sendo convertido em energia mecânica nos pistões. É calculado pela seguinte equação: em que, RT = rendimento térmico; PI = potência indicada; PT = potência teórica. Rendimento mecânico O rendimento mecânico representa o percentual de energia mecânica nos pistões que está sendo convertido em energia mecânica no volante motor. É calculado pela seguinte equação: em que, RM = rendimento mecânico; PE = potência efetiva; PI = potência indicada. Page 7 of 8 Rendimentotermo-mecânico O rendimento termo-mecânico representa o percentual de energia térmica que está sendo convertido em energia mecânica no volante motor. É calculado pela seguinte equação: em que, RTM = rendimento mecânico; PE = potência efetiva; PT = potência teórica. Curvas características dos motores As curvas características são utilizadas para analisar o comportamento do torque, potência e consumo de combustível em função da rotação da árvore de manivelas dos motores. A Figuras 1 ilutra a variação do torque (N.m), potência (kW) e consumoespecífico de combustível (g.kWh -1 ) de dois motores em função da rotação da árvores de manivelas (rpm). Figura 1. Variação do torque, potência e consumo específico em função da rotação do motor. Reserva de torque de motores A reserva de torque é a diferença entre o torque máximo do motor e o torque correspondente a potência máxima. Page 8 of 8 em que, ∆TO = reserva de torque do motor, N.m; TO = torque máximo do motor (torque do motor); TOP = torque correspondente a potência máxima do motor (torque mínimo). Referências bibliográficas INMETRO. 2007.Sistema Internacional de Unidades-SI. 8a Edição (revisada). Rio de Janeiro : Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial, 2007. 114p. ISBN 85-87-87090-85-2. Schmidt, Richard J. e Boresi, Arthur P. 2003. Estática. São Paulo : Pioneira Thomson Learning Ltda, 2003. p. 674. ISBN 85-22-10287-2.