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Madame Charlie Sahara Kelly Madame Charlie Resumo: Londres, 1814: Uma jovem herda uma casa em Londres interessante, número 14 Beaulieu Crescent. Nada incomum em que, você poderia dizer. E normalmente você estaria certo. Mas desta vez a casa é, na verdade um bordel de alta classe, e a mulher jovem tem uma identidade secreta que nunca deve revelar. Especialmente para o homem que traz seu corpo para a vida, desperta seus sentidos como nenhum outro, e que começou sua campanha para desvendar o mistério que é Madame Charlie. Disponibilização e Tradução: Rachael Moraes Revisora Inicial: Vania Gusmão Revisora Final: Angéllica Formatação: Rachael Moraes Logo/Arte: Suzana Pandora Madame Charlie Sahara Kelly Madame Charlie Sahara Kelly Prólogo Do periódico — The Evening Gazette, Fleet Street, Londres, 1814: As autoridades informaram hoje ao Ministério do Interior que a investigação sobre o incêndio que se cobrou a vida de Philip, Conde do Calverton, e de sua jovem esposa foi por causa acidental. O comprido atraso que separou o triste falecimento de Sua Senhoria e a falha final sobre o caso se deveu aos atrozes danos causados pelo incêndio terrível. . O governante do condado, o Honorável Lorde Lieutenant Matthew Fortescue, informou ao secretário que em sua opinião, um tronco caiu sobre o tapete da sala de Sua Senhoria e isso ocasionou à fumaça que asfixiou ao Conde e a sua esposa. A intensa labareda devorou grande parte da asa leste da Reserva de Caça Calverton e lhes deixou muito pouco aos investigadores desta tragédia. O herdeiro da fazenda Calverton anteriormente o Coronel Jordan Lyndhurst, agora o Sétimo Conde, foi trazido do Continente europeu, onde estava emprestando serviço sob as ordens do Duque de Wellington e onde recebeu honras por sua conduta. Estas são suas próprias palavras: “Estou surpreso e entristecido pelo falecimento de Sua Senhoria. Apesar de que não tinha conhecimento a respeito de seu matrimônio, é obvio faço extensivas minhas condolências à família de sua esposa. Aprecio profundamente a honra de ter recebido o pêsames de Sua Alteza Real.” A data prevista para a volta do Sétimo Conde as suas terras natais é o mês seguinte, bem a tempo para a temporada. Filho de um familiar muito longínquo da linha Calverton, este distinto soldado certamente apreciará a agradável mudança de situação. O povo espera ansiosamente sua chegada. O Coronel Lyndhurst não está casado e se sabe arrumado. Perguntamo-nos se as estratégias militares que ele desenvolveu para nosso valente e nobre Wellington podem comparar-se com as estratégias românticas que sem dúvida desenvolverá o sexo oposto. Um par de mãos magras dobrou o periódico e o voltou a deixar sobre a mesa. A agitação de outro dia londrino era constante sob a janela, mas a pessoa que estava na habitação não se moveu. Madame Charlie Sahara Kelly O adornado espelho da parede em frente, refletia a um moço magro, com uma vestimenta sem nenhuma particularidade. Uma camisa desgrenhada pendurava por fora de um par de calças de montar desgastados, e havia uma jaqueta escura atirada sobre uma cadeira próxima. Seu cabelo comprido e dourado estava amarrado em um prático nó, e as bochechas do moço eram suaves e não mostravam nenhum indício de barba. Uma risada rouca retumbou para fora da habitação. Era cedo ainda, mas aqui, nas habitações elegantemente eróticas do Beaulieu Crescent Nº 14, as mulheres estavam agitadas. Logo seus clientes se amontoariam nas ruas de Londres e, poucas horas depois do entardecer, toda a mansão estaria viva e cheia de buscadores de prazer. A figura se levantou e cruzou a habitação para olhar, por entre as colunas de pedra da janela, para a rua principal debaixo. Algumas carruagens passavam fazendo ruído, assim como o faziam alguns vendedores ambulantes, que tinham feito já suas entregas diárias. No momento, tudo estava como era devido. A figura se encolheu de ombros. Para um esboço de moço chamado Charlie, que tinha passado os últimos anos trabalhando silenciosamente na ‘Crescent’, como era conhecido o lugar, era uma manhã comum. Para Charlotte, a Condessa de Calverton e viúva do Sexto Conde, este podia ser o dia em que começariam seus problemas. Era muito pouco provável que ao Coronel Jordan Lyndhurst lhe agradasse inteirar-se de que a Senhora Charlotte e Charlie da Crescent fossem à mesma pessoa. E se sentiria ainda mais molesto ao saber que, desde ontem, a Condessa, viúva do título, era agora a proprietária de uma casa de má fama. Mas o que lhe faria ferver o sangue realmente seria saber que esta mesma viúva muito provavelmente tinha assassinado ao Sexto Conde. Madame Charlie Sahara Kelly Capítulo Um Londres, 1815 “Não se preocupe por nada, Susie. Madame Charlie não vai deixar que ninguém te faça mal.” O Sétimo Conde de Calverton, Jordan Lyndhurst, curvou o lábio ao escutar o pequeno fragmento da conversa na porta. Obviamente, Susie era nova no posto. “Damos aos clientes o que querem, mas nada de coisas bruscas. É regra da casa, e Antonio vai chegar em segundo se você começar a gritar.” As vozes se afastar, deixando a Jordan um pouco confuso. Isto era um bordel. Nem mais, nem menos. Claro que estava mascarado como uma casa discreta de prazer e oferecia a seus clientes uma boa seleção de comidas, vinhos excelentes e várias mesas de jogo bem organizadas. Mas debaixo da fachada de discrição e elegância, havia mulheres dispostas a vender seu corpo por dinheiro. Dinheiro. Frio e duro dinheiro. Jordan soprou. Sempre haveria mulheres dispostas a vender seu corpo em troca de dinheiro. Algumas impulsionadas pela necessidade, outras pela cobiça. Seu lábio se curvou ainda mais, enquanto estava recostado no cômodo divã e observava o brilho da luz de alerta do fogo na churrasqueira. Esperava com devoção que Susie não tivesse que chamar o Antonio aos gritos, sem importar quem diabos fora ele. Provavelmente era esse porteiro montanhês que havia feito um intento de inclinar-se respeitosamente, enquanto o escoltavam dentro das instalações mais cedo. Vê-lo inclinar-se foi como ver uma baleia rompendo o oceano. Surpreendente, enorme e um pouco desordenado ao se curvar. Parecia-lhe que já podia avaliar o lugar bastante bem, ao vê-lo com o olhar de alguém que não era um cliente. Bom, não no sentido estrito da palavra. Ele receberia um serviço esta noite, mas não um sexual. Madame Charlie Sahara Kelly Este era o único lugar onde podia encontrar a alguém que o ajudasse a aliviar sua dor de costas. Durante alguns meses, tinha estado utilizando os serviços do servente japonês do Maior Ryan Penderly. O truque Kasuki de caminhar sobre as costas de Jordan lhe tinha feito ranger fortemente alguns ossos, tinha esmagado seus intestinos, deixando-os como panquecas, e lhe tinha aliviado enormemente a dor que sofria de maneira intermitente, desde que caiu de seu cavalo na Bélgica. Agora Kasuki já não estava, foi-se para sua casa em um navio a vapor, e ele sabiade uma moça japonesa, aqui na Crescent, que fazia a mesma classe de tratamento. Moveu-se nervosamente um pouco, consciente da crescente dor em sua espinha dorsal. Maldição. Tinha chegado aqui no momento preciso. Certamente, pensou, podia dar uma rapidinha, enquanto estava ali. Tinha passado quase um ano do último encontro, embora parecesse incrível. Um ano, desde que se enterrou entre as coxas brandamente arredondadas de quem logo seria sua prometida, Daisy Wrothings. Um ano desde que sorveu os doces sucos de entre suas pernas e a sentiu acabar-se em sua cara, só para que logo o dissesse que se casaria com outra pessoa. Um Duque. Um com sua fazenda intacta e mais dinheiro que Deus. Maldição. E outra vez maldição. Foi então, quando deixou de putanear. Por sorte, coincidiu com o começo do trabalho mais duro que recordava ter feito. A dor em sua espinha estava se transformando em uma dolorosa ereção. Possivelmente deveria convencer à Senhorita Feet Nimble do Japão de que lhe chupe, enquanto estava aqui, e que se ocupasse de todas suas dores de uma vez, por dizê-lo assim. Provavelmente não teria problemas e ele podia pagar o custo adicional. Agora que a Reserva de Caça Calverton estava virtualmente inteiro e a fazenda recuperava algo de seu rendimento, já era tempo de voltar a ter uma vida. Uma que não incluíra largas horas nos campos com seus arrendatários, dias absortos na leitura de documentos financeiros com seu procurador e seu advogado, e noites só com a única companhia do brandy e o cansaço. Sim, possivelmente uma rapidinha fosse justamente à distração que necessitava. Alguma pessoa jovem, flexível, que pudesse lhe chupar o pênis até a semana seguinte. Madame Charlie Sahara Kelly Alguma pessoa bem disposta, alguém alta, alguém loira possivelmente, alguém agradável à vista… Alguém como ela. Estava tão absorto em seus pensamentos que ela entrou na habitação, sem que ele a escutasse. Seus instintos de soldado se horrorizaram ante tal deslize de sua concentração. Franziu-se o cenho a si mesmo. “Boa noite, meu Senhor.” Sua voz era baixa e refinada, seu corpo, magro e alto, e era uma mulher tão formosa que se fazia água em sua boca. Quis tê-la imediatamente e seu membro apoiava o movimento. “Devo me desculpar por fazê-lo esperar. Acabam-me de informar que você havia pedido por Kiko-San.” Jordan se levantou, sem pensá-lo sequer. Fosse o que fosse, esta era uma mulher e merecia, ao menos, sua cortesia. “Não importa. Estive muito cômodo e o pessoal aqui é certamente atento.” Fez um gesto descuidado com a mão, assinalando o copo de brandy, que estava quase vazio. “Um muito bom brandy também, se me permitir.” Ela inclinou a cabeça em agradecimento. “Sinto-me agradada. Meu pessoal dá o melhor de si.” “Seu pessoal?” “Exatamente.” Os olhos cinza que o olhavam careciam de expressão e não lhe deixavam entrever nada de seus sentimentos, seu caráter ou sua personalidade. Malevolamente, ele queria lhe pôr um pouco de brilho a esses olhos. Provocar uma reação nela. Ver como se veria se investia profundo dentro dela e apertava seus clitóris no ponto exato que a faria cair do topo mais alto. “Então você deve ser… “Madame Charlie. Sim.” Outra amável inclinação de cabeça aconteceu a suas palavras. “É você a proprietária da Crescent?” “Assim é.” Madame Charlie Sahara Kelly “Parece muito jovem para ter uma responsabilidade tão grande. Faz muito que é prostituta?” Poderia ter jurado que seus olhos dispararam um tênue brilho de irritação, mas antes que pudesse estar seguro, já não estava ali. Ela se deu volta, fazendo como que controlasse o fogo. “Infelizmente, meu Senhor, Kiko abandonou nosso estabelecimento.” Seria verdade? Ou uma mentira para desfazer-se dele, depois desse insulto imperdoável? Não sabia. Maldição. Ela era muito, muito boa. “Entretanto, todos souberam reconhecer os extraordinários benefícios que as técnicas do Kiko lhe traziam para seus clientes. Ela se tomou o trabalho de nos ensinar seus métodos a algumas de nós. Possivelmente você quereria considerar que alguma outra pessoa lhe administre a massagem?” Jordan simulou pensar em seu oferecimento, enquanto observava cada costura na roupa que olhava tão belamente, cada mecha de cabelo, cada covinha que podia ver de sua pele. Fez um catálogo dela, detalhada, efetiva e rapidamente. Suas habilidades de soldado podiam estar falhando em alguns aspectos, mas outras habilidades ainda lhe resultavam inestimáveis, ocasionalmente. Esta era, certamente, uma dessas vezes. “Bom, considerando que minhas costas só parecem piorar se não fizer nada ao respeito, parece que não tenho muitas alternativas neste assunto. Estaria disposto a aceitar os serviços de uma substituta, se você me assegurar que é suficientemente habilidosa, para ao menos não me machucar.” “Isso o posso assegurar.” “Me diga, então, Madame Charlie. Quem é a habilidosa profissional das técnicas curativas orientais?” “Eu.” Madame Charlie Sahara Kelly Charlie soube que ao fim, absoluta e magnificamente, tinha perdido a cabeça. No entanto, seu rosto não deixava transparecer sua agitação interior. Disciplinou-se muito bem para isso. Mas acabava de aceitar oferecer um serviço a um cliente, algo que tinha jurado não fazer jamais. E tudo por seus olhos. Esses lagos marrons, que cintilavam com manchas douradas, olhava-a além de sua fachada exterior e pareciam cavar profundamente até lugares que considerava mortos, desde fazia muito tempo. Ele a olhava como se quisesse vê-la nua, mas de uma vez, como se precisasse saber no que pensaria enquanto estivesse nua. Foi esse particular olhar a que lhe tinha quebrado sua firme decisão. “Poderia tirar a roupa, meu Senhor?” Perguntou fazendo um gesto para o biombo decorado, que estava em um canto do grande quarto. “Logo volte a se sentar, por favor. Eu retornarei em um momento.” Não lhe deu oportunidade de responder, saiu rapidamente da habitação e subiu rapidamente os poucos degraus que levavam a suas habitações privadas. Suas mãos estavam tremendo quando chegou ao lugar e ao entrar bruscamente e sem fôlego, emocionou a mulher que estava ali. “Santo céu, senhorita Charlie. O que é o que acontece?” “Devo me trocar. Rápido. Minha bata e minha regata de seda. As azuis.” “Senhorita Charlie. Para que?” “Ande depressa, Matty. Vou fazer o tratamento de Kiko a um cliente.” “Ai, senhorita. Não. Você não irá a...” “Não, Matty. Somente vou caminhar por sua coluna vertebral e vou dar uma massagem rápida nas costas. Tal como me ensinou Kiko. Isso será total e absolutamente tudo.” Madame Charlie Sahara Kelly Matty olhou a sua senhora. “Está segura? Está terrivelmente ruborizada.” Charlie tentou desacelerar sua respiração deliberadamente. “Sei. Ele me pegou de surpresa. É o Conde do Calverton.” Matty deixou cair sua mandíbula e desabou na grande cama, sem emprestar atenção ao vestido que estava esmagando sob seus amplos quadris. “Uuuh! Não diga.” “Ah sim, Matty. Ele está aqui.” Charlie lutou para desatar seus laços e se tirar o vestido. “Tem um problema de costas e vinho procurando o Kiko. Isso é tudo. E antes que o pergunte, não tem a menor idéia de quem sou eu.” “Bom, mantenha-lo assim, certo?” Disse a mulher, com a relaxada familiaridade de uma amiga de muitos anos. Charlie tirou a roupaintima e deixou que Matty a ajudasse a colocar a seda pela cabeça. Sabia que necessitaria de seu equilíbrio para manter este tratamento, e Kiko fazia insistência uma e outra vez na necessidade de luz. Luz no coração, na mente e no corpo. Não deveria haver roupas pesadas, nem pensamentos intensos: só concentração e consciência. Charlie suspirou. Consciência. Isso não seria um problema. Era muito consciente de Jordan Lyndhurst. Só que não estava muito segura de por que. Sua expressão carrancuda tinha captado sua atenção, nos poucos segundos que entrou no quarto, e ele colocou-se fortemente em sua consciência. “E quer a alguma outra moça ali com você?” As palavras de Matty a tiraram bruscamente de seus pensamentos. “Não, não acredito. Mas, pelas dúvidas, quem está livre?” Matty deixou de dobrar e ordenar por um momento e enrugou o cenho. “Bom, me deixe ver, Susie e Grace estão atendendo ao Sr. Johns esta noite.” “Recordo-o. Havia-nos dito que estaria aqui esta noite para sua sessão de costume. E acredito que seria perfeito que Susie comece com a Grace. Uma boa apresentação.” “Quase todas têm um cliente que já chegou ou está por chegar.” Madame Charlie Sahara Kelly Charlie não deixava de surpreender-se da assombrosa habilidade de Matty para estar ao par de tudo o que acontecia na Crescent, cada noite. Parecia saber instintivamente quem seria a melhor para quem, e era o melhor recurso que Charlie poderia haver imaginado ter. Charlie teria deixado ir qualquer coisa que possuísse, antes de deixar que algo acontecesse com Matty. “As três moças novas estão na sala de bilhares e Antonio lhe está jogando um olho à multidão ali. Está cheio outra vez, é obvio, e há alguns fazendo fila para entrar.” A nova atração de Charlie, a Sala de Bilhar, oferecia uma grande mesa de pano verde, vários tacos e três jogadoras de sexo feminino, todas completamente nuas. Aos clientes, lhes permitia sentar-se ao redor da mesa, ali podiam fumar beber e desfrutar da vista, tudo o que quisessem. Entretanto, tocar estava proibido. Até agora, a sala era um êxito terminante. A imagem de três belezas nuas jogando bilhar era provocadora e sedutora. Eram poucos os clientes que se foram do estabelecimento ao término de seu tempo atribuído na sala de bilhar. A maioria deles se apressava para buscar uma companheira, para o resto da noite. Havia resultado uma interessante maneira de fazer dinheiro, às moças gostava da pausa de outras tarefas mais atléticas, e Charlie estava satisfeita com os resultados em general. “Ah, sabe, a que não está trabalhando hoje é Jane. Está em algum lugar por ali, mas não pode atender a nenhum cliente esta noite, é seu período.” Charlie assentiu com a cabeça, sabendo que sabia que uma ou outra de suas moças faltasse alguns dias ao mês. Estava calculado em seu sistema, e se estava surpreendida de quanto o agradeciam as moças. “E o Dr. Posnonby esteve aqui outra vez.”Os lábios de Matty se curvaram em um sorriso desdenhoso. “Estava pressionando a Dora para que o leve acima. Tal como o fez a última vez. Antonio o acompanhou à saída, mas acredito que esse vai causar problemas.” Charlie assentiu com a cabeça. “É hora de cuidar dele, eu acredito.” Girou em direção à porta. “Me recorde arrumar uma reunião com o Ponsonby logo. Vamos pôr esta questão em claro, de uma vez por todas. Devo ir. O Conde me está esperando.” Madame Charlie Sahara Kelly Matty olhou de lado ao Charlie. “Tome cuidado com esse, linda. Jordan Lyndhurst pode ser muito perigoso.” “Não para uma Madame de Londres, Matty.” disse ela com um ligeiro sorriso. “Isso é tudo que pensa que sou. Uma alcoviteira. O mais baixo dos baixos. Perguntou-me quanto tempo fazia que era prostituta.” Matty a olhou, boquiaberta. “Que sujo, de mente podre, e pedaço de…” “O que outra coisa poderia pensar? Alegro-me de que pense dessa maneira. O manterá afastado de nossos assuntos. Não me prestaria mais atenção, do que me prestaria se eu fosse o que o supõe que sou.“ “Tome cuidado. Escutou-me?” Os olhos da outra mulher delatavam sua preocupação. Charlie cruzou a habitação e rodeou a Matty com seus braços, abraçando-a com força. “Se preocupa muito.” “E se eu não o faço quem o fará, eu gostaria de saber?” Charlie se afastou e olhou à mulher que amava mais que a qualquer outra sobre coisa na face da terra. Levantou a mão e acariciou brandamente a pele grosseiramente enrugada que desfigurava um lado do pescoço do Matty e subia até terminar em forma de ponta detrás de uma de suas orelhas. Ali já não lhe crescia o cabelo. “Matty, já tem feito suficiente por mim. Deixe-me preocupar e planejar por mim, de agora em adiante. Por favor?” Os olhos do Matty se encheram de lágrimas. “É mais apreciada comigo do que seria qualquer filha, Charlie. Não posso evitar me preocupar ao pensar que esta vida não é a que deveria ter. Deveria estar ter uma boa casa, com um bom marido e vários bons…” Charlie deteve o discurso do Matty com um dedo. “Meninos. Sim, sei. Já me há dito isso. Mas não acontecerá assim. Agora estamos aqui, começando uma nova vida e de passagem, com sorte, fazendo um pouco melhores as vistas de algumas pobres e desafortunadas moças. Vejamos dessa maneira, Matty. Sim?” “Ai, segue com o teu. Vê e caminha pelas costas desse homem. Prova ao demônio se for o que deve fazer, mas não me culpe se seus pés se chamuscam.” Madame Charlie Sahara Kelly Charlie sorriu a Matty e saiu da sala, uma beleza descalça vestida de seda azul. Seu sorriso se apagou ao chegar à porta fechada, detrás da qual estava recostado um muito nu Jordan Lyndhurst. A mão dela se deslizou por suas próprias costas, enquanto tocava as cicatrizes de suas feridas, através da suavidade de sua bata. Esta família já lhe tinha ocasionado queimaduras uma vez. Não deixaria que isto voltasse a acontecer. Madame Charlie Sahara Kelly Capítulo Dois Seu suave tamborilar sobre a porta revolveu as vísceras dele, e lhe fez saber que podia entrar com um grunhido. Ele tinha seguido suas instruções ao pé da letra. Nu como Deus o trouxe para o mundo, estava esparramado de barriga para baixo sobre o divã, ao que tinha aproximado um pouco do fogo. Girou a cabeça e se aconchegou mais comodamente sobre o travesseiro, enquanto ela fechou a porta silenciosamente detrás de si. Seus olhos cintilavam ao olhá-la aproximar-se com as pálpebras entrecerradas. “Não te pedi que me agarrasse, sabe.” “Não é minha intenção.” “Então, a que se deve a mudança de vestuário?” Charlie saiu de seu campo visual, por uns instantes e logo reapareceu vestida com sua simples regata azul. Não se tinha dado conta de que ao parar entre ele e o fogo, fazia que tudo ficasse invisível. Ele sentiu como lhe endurecia o pênis e se moveu incômodo contra o tecido dos almofadões debaixo dele. “Entendo que você se submeteu a este tratamento com antecedência, meu Senhor.” “Posso lhe perguntar o que tinha posto seu massagista anterior, nessas ocasiões?” “Bom, a seda azul não se veria muito apropriada em um jardineiro.” Ela ignorou seu intento de ser gracioso, entretendo-se com uns pequenos frascos que colocou sobre uma vela para aquecê-los. Ele encolheu os ombros. “Em geral, só uma espécie de bata de algodão, agora que o penso.”“Já vejo. Esta técnica necessita atenção, concentração e a habilidade de perceber a essência, o que se conhece como o chi, do paciente. As capas adicionais de roupa inibem a habilidade de ser um com o paciente, de sentir as partes do corpo que o causam desconforto.” Madame Charlie Sahara Kelly “Posso lhe dizer exatamente onde tenho o problema. Justo aqui.”Seus músculos se flexionaram, quando levantou a mão por detrás dele e assinalou um ponto apenas em cima de seu traseiro. Ele observou seus olhos, enquanto seguiam a direção em que apontava seu dedo, até o lugar de sua ferida, e logo seguiram um pouco mais, lhe jogando uma boa olhada a sua parte traseira. “Vê algo? Algo que necessite de sua atenção?” Ela procurou seu olhar, lhe oferecendo em troca um totalmente inexpressivo, logo se estirou para alcançar o primeiro pote de óleo para massagens. “O que é isso?” “Isto? É óleo perfumado, que usarei para relaxar sua pele e sua mente. Aliviar a tensão ao redor de sua ferida é o primeiro passo para curá-la.” Ele estirou bruscamente sua mão e lhe agarrou o pulso, antes que pudesse derrubar o óleo em seu corpo. Levantou-se sobre um braço, enquanto a atraía para ele. “Me desculpe. Sou um homem precavido por natureza.” Devorou sua mão para aproximá-la a e cheirou a garrafa. Era leve, relaxante e vagamente oriental, enrugou o nariz, enquanto tratava de identificá-lo. “É uma mescla de azeites de madeira, sândalo e lótus, meu Senhor. Não lhe fará mal.” Ele soltou seu pulso, sabendo que possivelmente a tinha agarrado muito forte, mas não pôde deter-se. Por alguma razão, seus nervos estavam em um alto estado de alerta com esta mulher. “Muito bem.” Recostou-se de barriga para baixo e esperou. Sentiu como o salpicavam as primeiras gotas de azeite, suaves como a garoa. Ela esfregou suas mãos brandamente sobre sua pele, de maneira reconfortante, sem chegar a tocar seu traseiro, mas passando as mãos por todo o comprimento de sua coluna, para cima e para abaixo, em suaves círculos. Era uma sensação incrivelmente erótica, mas mesmo assim sentia seu corpo relaxar-se, enquanto o tocava. Depois de vários minutos, lhe adicionou mais óleo, logo procurou uma toalha úmida, que tinha deixado perto do fogo. “Ai! Está quente.” Madame Charlie Sahara Kelly “Assim deve estar. Isto ajudará ao óleo em sua tarefa e, além disso, adicionará outro nível de relaxamento a qualquer músculo que possa estar tenso.” Ele esteve tentado de pedir isso para seu membro também, se ela ia falar de coisas que estavam tensas. Ela correu de seu lado, e se estirou. Ele a observou, fascinado, enquanto ela prosseguia com o que parecia ser uma série de atitudes felinas. Estirou seus próprios músculos, contraindo-os e logo os flexionando, dobrando-se, descansando e parando-se em uma estranha série de movimentos. Ele quase pôde ver como a atenção dela se intensificava e seus olhos refletiam sua concentração, quando retornou ao seu lado e lhe tirou a toalha. Estava tão quente com ela que poderia havê-la posto de costas, lhe haver arrancado a regata da cintura até o pescoço e havê-la investido nesse preciso instante. Surpreendeu-se a si mesmo, ao não fazê-lo. Ela era uma puta, uma Madame. Devia estar acostumada a esse tipo de entendimentos. Então, o que o detinha? Por que, ainda agora, suas bolas não estavam golpeando contra sua vagina e não o estava chupando esses tenros seios? Por que não estavam ambos gritando juntos seus orgasmos? Por quê? Bom, a resposta pôde ter sido que ela não parecia vê-lo como homem, no mínimo. E só esse fato lhe incomodava realmente. Ainda tinha que conseguir algum tipo de gesto sexual de sua parte. Era quase como o tratamento da madeira, imparcial até o limite do absurdo. Enquanto sentia que as mãos dela começavam a exercer pressão sobre sua coluna dolorida, fez-se uma promessa a si mesmo. Ia possuir a essa mulher. Ia fazer que esses olhos se acendessem com o fogo da luxúria, com a necessidade de um orgasmo que só a deixaria ter, depois de que tivesse gritado seu nome e lhe tivesse rogado que a fizesse gozar. Faria-a gozar, como nunca gozou antes. E ele provavelmente faria o mesmo, só para acompanhá-la, é obvio. Madame Charlie Sahara Kelly Charlie necessitava toda a atenção e concentração que pudesse reunir, enquanto sentia sua suave pele sob as palmas de suas mãos. Se soubesse de quão agitada estava em seu interior, provavelmente teria ficado pasmo. Sentia-se quase fraca ao pensar no corpo dele tão perto. O quarto lhe tinha parecido menor, enquanto fazia seus exercícios de pré-aquecimento e a temperatura tinha subido tanto na chaminé, como em seu ventre. Algo primitivo em seu sexo pulsava e palpitava em reconhecimento de sua necessidade de sexo. De unir-se a este espécime de primeira classe, que começava a gemer um pouco antes da pressão. Aumentou o peso sobre suas mãos, empurrando fortemente os músculos a cada lado de sua espinha dorsal, e cravando seus dedos profundamente na massa sólida que encontrou ali. O óleo se deslizou entre eles, um véu sedoso que lhe permitiu suavizar e amassar sua carne, sem lhe fazer dano. Seu corpo era perfeito. Apesar de algumas cicatrize aqui e lá, e uma zona muito mais evidentemente afundada na base da coluna, onde devia originar-se seu problema de costas, não lhe encontrava defeito algum ao homem recostado e quieto debaixo de suas mãos. “Posso lhe perguntar como se fez essa ferida?” “Na Salamanca.” “Dispararam-lhe?” “Atirou-me o cavalo. Uma granada explorou ao nosso lado. Levantou-o pelo ar e caiu acima de mim. Morreu no ato, pobre criatura.” “Junto com um terrível número de outros soldados, não?” Charlie comentou em voz baixa. Jordan encolheu os ombros, evidentemente sem nenhuma vontade de reviver batalhas passadas, em especial essa em que Charlie sabia que tantos tinham morrido, em tão terrível massacre. “E sentiu dor após?” Madame Charlie Sahara Kelly “Um pouco. Piorou quando voltei para casa e comecei a trabalhar na Reserva de Caça Calverton.” Charlie não revelou o familiar que lhe era esse nome, nem por uma fração de segundo. “Trabalhando? Quer dizer dirigindo os negócios da fazenda?” “Não, quero dizer trabalhando.” Moveu-se nervosamente um pouco, quando seus músculos começaram a afrouxar-se sob a pressão contínua de Charlie. “O maldito lugar queimou-se, quase por completo, quando eu não estava. Quando o herdei, não havia nada em pé mais que um edifício central e os estábulos.” Charlie obteve não reagir. Recordou o terrível incêndio, esta asa paralisando, mas não se deu conta das dimensões do dano. Precisava detê-lo. As lembranças não eram algo no que ela queria regozijar-se, não com o Jordan Lyndhurst nu recostado ao seu lado. “Desculpe que seja tão direta, meu Senhor. Devo me sentar sobre suas extremidades por um momento.” “Adiante.” murmurou, acomodando-se em uma posição um pouco mais confortável. Sua voz soava relaxada e sua respiração, casual. Suas lições com o Kiko, não lhe tinham falhado. É obvio que Kiko nunca lhe havia dito o que se sentiria, ao abrir as coxas e montar-se sobre um homem nu. Kiko nunca lhe disse que quente sentiria seu corpo ou que agradavelmente rústica se sentiria a pele peluda de suas coxas contra as coxas dela, suaves e sedosas. Acomodou seu objeto cuidadosamente para evitar que suas carnesse tocassem. Charlie temia arder em chamas nesse mesmo instante, se suas peles nuas se roçavam. Como se ele pudesse sentir seu desconforto, Jordan riu baixo e ela sentiu como se sacudia, enquanto a risada se estendia por seu corpo. “Está segura de que não me agarrará, quando terminarmos? Estou sentindo uma crescente necessidade, realmente. Deve ser a essência, ou algo.” Ao Charlie lhe congelou a mente por um instante, enquanto por sua consciência passavam algumas visões. Imagens de corpos transpirados e enredados, extremidades nuas, respirações quentes e lábios mais quentes, e a doçura da carne encontrando à carne. Madame Charlie Sahara Kelly “Está incômodo, meu Senhor?” Perguntou ela, recomeçando com sua pressão rítmica para cima e para baixo sobre suas costas, esta vez com todo o peso de seu corpo sobre as mãos. Algo para distrair seus pensamentos erráticos. “Carinho, tenho um pênis muito duro aqui, que adoraria te conhecer. Havia-me prometido a mim mesmo que esta seria uma visita por motivos estritamente curativos, mas sua casa e sua encantadora pessoa me recordaram que sou um homem, com as necessidades de um homem. Possivelmente depois do tratamento poderia…” e fez um gesto vago no ar com sua mão. Charlie trabalhava sobre ele em silêncio, considerando quais eram suas opções. Mordeu-se o lábio, sabendo que seu desejo mais profundo ficava totalmente fora da questão. Esse desejo que a impulsionava a arrancar-se sua fina regata de seda e esfregar seus doloridos peitos, contra suas musculosas costas. O mesmo que lhe dizia que seu membro se sentiria melhor ainda, se lhe esfregava seu suave Monte de Vênus, ou o colocava em sua boca. O mesmo que lhe dizia que tinha um vazio muito dentro de sua vagina, que se sentiria muito melhor se Jordan Lyndhurst lhe administrasse grandes golpes, desse seu pênis de que falava. Grandes e palpitantes punhaladas. Profundo, largo e penetrante. Deus estava se molhando. Isto não era bom. Tinha tomado uma decisão. “Muito bem, meu Senhor. Acredito que você está preparado para o tratamento de caminhar por suas costas, e depois disso me assegurarei de que suas necessidades sejam satisfeitas.” O Sétimo Conde do Calverton fez um grande esforço por não saltar. Jordan mal podia acreditar no que acabava de escutar. Seu pênis, que tinha saltado até mais, ante suas palavras, tampouco acreditava, já estava tratando de abrir-se caminho aos golpes, através do travesseiro debaixo de sua barriga. Ela desceu das coxas dele, que imediatamente se sentiram frescos e causavam arrepios, pela falta de seu quente peso sobre eles. Ele escutou e seguiu o rastro de seus movimentos, Madame Charlie Sahara Kelly enquanto ela fez soar um pequeno sino e se dirigiu à porta para responder ao toque quase imediatamente. Logo houve uma conversação silenciosa, mas não pôde escutar nada do que se dizia, embora se esforçasse para fazê-lo. “Meu Senhor, agora subirei sobre suas costas.” “Duvido-o muito, minha querida.” Seu humor malicioso foi inútil. “Com seu modo fresco e eficiente, Madame Charlie subiu cuidadosamente no divã e estava apoiando um pequeno pé com firmeza sobre a parte inferior de suas costas. Estabilizou seu equilíbrio e inalou. O outro pé se uniu ao primeiro... ele sentiu todo seu peso. Seus músculos estavam suaves e flexíveis, graças as suas massagens, e quase podia sentir como seus ossos se acomodavam em seu lugar novamente, enquanto ela caminhava delicadamente até um ponto justo debaixo de seus ombros e logo voltava sobre seus passos. Estava completamente silenciosa, a tal ponto que se podia escutar o assobio de sua roupa de seda ao mover-se. Supôs que estava muito concentrada em seus passos sobre sua coluna e teve que admitir que seu equilíbrio e movimentos fossem perfeitos. Em poucos instantes, já tinha terminado e estava saindo cuidadosamente de cima dele, de volta sobre a terra. “Você está bem, meu Senhor?” Ele se moveu para experimentá-lo. “Sim. A verdade é que sim. Aliviou-me grande parte da dor. Mais que o de costume, de fato. É incrível, Madame Charlie.” Começou a rodar para um lado, mas o deteve uma mão firme sobre seu ombro. “Ainda não, meu Senhor. Seus músculos estão agora muito suaves e relaxados. Devemos deixar que despertassem um pouco, se lhe parecer bem, antes de pô-los a prova.” “E como faremos isso?” Seus lábios se curvaram sobre o travesseiro. “Com isto.” Madame Charlie Sahara Kelly Uns toques muito ligeiros sobre sua coluna lhe disseram que estava voltando para massagear. Mas esta vez, em lugar do peso de suas mãos, estava usando algo muito suave, como uma parte de pele de ovelha. Lentamente, esfregava suas costas, para cima, para baixo e para cima outra vez. Sentiu fortes desejos de ronronar. “Por que dirige um bordel?” A Pergunta lhe deslizou, antes que tivesse tempo de pensá-la. Seguiu um momento de silêncio, enquanto os movimentos de esfregação continuavam constantes. Perguntou-se se sequer lhe responderia. “É um trabalho como qualquer outro.“ “Pela maneira que falas, tiveste uma boa educação. É atrativa, inteligente e o suficientemente ardilosa para fazer que este lugar seja rentável, a julgar pelo que vi. Certamente teria muito para oferecer a um marido.” Desde que a viu pela primeira vez, esta foi à única vez que sentiu que suas palavras geraram uma reação nela. O ritmo das massagens se alterou por um instante, quase imperceptivelmente. “E você acredita que o matrimônio seria preferível a isto?” Jordan soprou. “Melhor que ser uma prostituta, por mais que seja uma muito bem paga, e proprietária de sua própria casa de putas? Certamente que sim.” “Meu Senhor, temo que suas hipóteses estão tristemente equivocadas.” “O que quer dizer?” Só um sossegado tamborilar no corredor rompeu o silêncio, que seguiu a sua pergunta. Madame Charlie tirou a pele de ovelha de sua pele com um golpezinho final, e ele suspirou, enquanto ela cruzava o quarto para a porta. Agora, pensou. Agora terminamos com a massagem, a esfregação e o tratamento. Agora me toca lhe devolver o favor e massageá-la, esfregá-la e reconfortar sua deliciosa vagina com uma boa dose de Jordan Lyndhurst. Madame Charlie Sahara Kelly Fez-lhe água a boca ao imaginar-lhe nua e rebolando debaixo dele, e sua mente começou a perguntar-se se lhe gostaria de sentir essa coisa peluda sobre sua pele. Possivelmente umas cócegas sobre seus mamilos, justo depois de roçá-los brandamente com seus dentes. Ou talvez o passasse com delicadeza sobre seus clitóris, apenas como para prepará-lo para sua língua. É obvio, também gostaria de provocar com o azeite. Ao melhor, jogar um pouco sobre seu ventre e esfregá-lo com a cabeça de seu membro, seria divertido. Ou, melhor ainda, esfregar-lhe pelas costas, como ela o tinha feito. Ele seria um pouco mais aventuroso, é obvio, e se asseguraria de que seu traseiro fique lindo, suave e reluzente, quando tiver terminado. Possivelmente até deslizaria um pouco entre suas nádegas. Para ver que estreito era cuzinho. Nunca havia possuído a uma mulher dessa forma, mas escutou muitas conversas de fogueiras entre seus homens, e muitos deles asseguravam que não havia nada igual. Pela primeira vez, perguntou-se se teriam razão. “Meu Senhor?” Sua voz calma e aprumada perfurou o miasma de luxúria que estava formando em seu cérebro. “Elaé Jane. Ela se encarregará de atender suas outras necessidades esta noite.” “O que?” Madame Charlie Sahara Kelly Capítulo Três Charlie não tinha idéia de como tinha feito para não rir. A cara de Jordan Lyndhurst, quando ficou de pé de um salto, foi um estudo de impacto, que não tinha preço. “Mas eu pensei...” “Ah, Senhor, eu sou muito boa. Não o desapontarei.” Jane olhou a Jordan com um gesto de ansiedade e baixou os olhos até seu pênis, que estava ereto como um militar. Ele se deixou cair sobre o divã. Jane cruzou a habitação e caiu de joelhos graciosamente frente a ele, estirando-se para tomá-lo brandamente com a mão. “Uuh, é uma beleza o que tem aqui, Senhor. Incomoda-lhe se lhe dou um beijo?” O Conde parecia aturdido e Charlie pôde ver como sua pele tremia, quando Jane dobrou sua cabeça e apertou seus lábios contra sua ereção. Charlie deu volta para deixá-los sozinhos. “Madame Charlie.” A voz dele a deteve em seu caminho. Deu-se a volta e levantou uma sobrancelha ao notar que Jane não tinha deixado de trabalhá-lo. Ao contrário, agora se estava pondo muito cômoda entre as coxas abertas de Jordan. Ela se negava a admitir que a imagem da escura cabeça do Jane movendo-se lenta e sensualmente sobre o pênis de Jordan era excitante, mas sentiu que seu ventre contraía-se e seus próprios fluidos umedeciam suas coxas, convertendo-a em uma mentirosa. “Meu Senhor?” Sua voz carecia de expressão. “Pago o dobro se você ficar.” Isso fez que Jane levantasse a cabeça e lhe jogasse um rápido olhar a sua patroa. Charlie tomou um par de decisões à velocidade do raio, e lhe fez um gesto com a cabeça a Jane, para que continuasse com o que estava fazendo. “Muito bem, meu Senhor. Se isso for o que deseja. Compreenderá que eu não participarei, é obvio.” Madame Charlie Sahara Kelly “É obvio.“ A luz da vela cintilava e refletia em seus olhos marrons. “Mas estará olhando.” Charlie cruzou a habitação e se sentou em uma cadeira de encosto alto, enquanto se acomodava cuidadosamente sua bata de seda. “Não tirará os olhos de nós. Está claro?” Charlie procurou seu olhar, lhe oferecendo em troca outro, sem expressão alguma. “Muito bem, meu Senhor. Sempre fazemos honra aos desejos de nossos clientes.” “Nem sempre.” A resposta entre dentes de Jordan quase nem se escutou, já que Jane começou a lhe chupar o pênis com entusiasmo, baixando ruidosamente até sua grosa base e logo para cima novamente, para agitar sua língua, por debaixo da cabeça. Charlie observava, tal como lhe tinham indicado. Tinha os punhos tão apertados que sabia que suas unhas lhe deixariam pequenas cicatrize nas palmas das mãos. Entretanto, não deixaria que nem um músculo o demonstrasse a este homem que a afetava. Não faria nem um leve movimento que revelasse o que só ver seu corpo reluzente de suor a excitava. Tampouco deixaria ver que uma gota de sua própria transpiração se deslizava por sua coluna, a que mantinha tão rígida contra a cadeira. Seus mamilos se endureceram até se converter em pequenas protuberâncias marrons, quando Jane começou a acariciar suas bolas, além de seu pênis. Seu peito estava tão bem formado como o resto dele, forte e levemente bronzeado, como se realmente tivesse estado trabalhando fora ao sol, sem a proteção de uma camisa. O fato de saber como se sentia sua carne debaixo de seus dedos, fez que o coração de Charlie pulsasse mais rapidamente, e começou a sentir um rude desejo dentro de seu corpo. Ele deslizou sua mão sobre a cabeça do Jane, empurrando seu cabelo para um lado. “Jane?” Ela deixou de se mover e o olhou por sobre sua reluzente ereção. “Senhor?” “Jane, deixa seus seios soltos para mim, eu gostaria de vê-los.” “Muito bem, Senhor.” Madame Charlie Sahara Kelly Mas foi ao Charlie a quem Jordan olhou, enquanto Jane se baixava o vestido dos ombros, enrugando-o. Eram os seios de Charlie os que Jordan olhava ao estirar-se para acariciar a suave carne de Jane, e foi a Charlie a quem Jordan piscou os olhos e olhou quando se aproximou de Jane, até que sua boca chupou seu mamilo, fazendo-a gemer. Charlie não pôde evitar que seu corpo reagisse. Moveu-se muito brandamente, esperando poder esconder o fato de que seus próprios seios estavam a ponto de desprender fogo, pelo calor que lhe provocava seu olhar. Rogou que seus próprios mamilos, que se endureciam rapidamente, não delatassem sua condição. Estava quente, molhada e penando, mas se ele o notava, estava condenada. Jane agora esfregava seu peito contra as coxas peludas de Jordan, havendo retomado sua anterior tarefa de lhe devorar o pênis. Ele passou brandamente suas mãos pelo cabelo de Jane, enquanto estudava os cachos de cabelo dourados de Charlie. Ela se conteve para não estirar a mão e comprovar se seu elegante penteado seguia intacto. Seu olhar baixou rapidamente até seus seios outra vez, esquentando-os com a paixão que ela notava em seus olhos. Ele a desejava, isso era um fato. Por que ela também o desejava, não tinha idéia. Jane estava desfrutando abertamente esta noite. Em lugar de sua sessão regular de cinco minutos, ela estava estendendo nesta, levando-o até o limite, para logo relaxar-se e permitir que ambos tomassem ar. “Eu gostaria de ajudá-lo a que se acabe logo, Senhor.” disse ela finalmente em voz baixa, esfregando um mamilo contra suas bolas. “Também eu gostaria disso, Jane. Mas não em sua boca, se te parecer bem. Em sua mão. Dessa maneira, poderemos fazer como que Madame Charlie ali é realmente parte da diversão. O que te parece?” “Ai, Senhor.” Jane riu nervosamente, ruborizando-se ante sua própria quentura. “Madame Charlie não joga com os clientes, Senhor.” Jordan disparou o olhar para o Charlie. Madame Charlie Sahara Kelly “Jane, acredito que já pode terminar com o Conde.” O tom entrecortado de Charlie recordou suas obrigações a Jane. “Sim, Madame Charlie. Será um gosto para mim.” “Jane? Prova o tato sobre esse ponto de pressão de que falamos na reunião de ontem.” Charlie se permitiu lhe dar tanta expressão a sua voz, como a que lhe teria dado se tivesse estado ordenando o vinho para o jantar. “Uuuh. Muito bem, senhora.” Jane riu nervosamente outra vez e voltou a inclinar-se sobre o pênis de Jordan com entusiasmo. Apenas lhe levou uns segundos, desta vez para fazer que Jordan estivesse a ponto de gozar, e Charlie notou que rápido subia e baixava seu peito. Seus olhos estavam quase completamente fechados, mas ela não se enganou pensando que não estava atento. Este homem era perigoso, como lhe tinha advertido Matty, e sabia que não devia baixar a guarda. Jane afastou sua boca com uma última e amorosa chupada, e deixou que sua mão se fizesse cargo. Relaxou a outra, que estava debaixo de suas bolas, e a deslizou até os apertados músculos de seu traseiro. Seus olhos aumentaram. Charlie não moveu um músculo, sabendo que agora Jane estava introduzindo delicadamente um dedo em sua parte traseira e tratava de chegar a certo lugar. Ela se deu conta com certeza, de quando foi o preciso momento em que Jane o encontrou. Ele grunhiu e levantou o traseiro do divã. Jane se aferrou a seu palpitante pênis, sem deixar de manter o ritmo. Ele lançou sua cabeça para trás, estirando os tendões de seu pescoço. “Sim, agora. Agora Charlie.”A mente de Charlie paralisou ao escutá-lo gritar seu nome. Não o de Jane, não o da mulher cuja mão o masturbava como os deuses. A não ser seu nome. Charlie. Deu-se conta de que estava fantasiando com ela. Sem fôlego, viu como as veias de seu membro pulsavam violentamente. Ele voltou a grunhir, e de seu membro foram expulsos jorros de sêmen, que provavelmente ejaculava a fervuras, ao ritmo dos batimentos do coração de seu coração. Charlie queria averiguá-lo. Madame Charlie Sahara Kelly Queria pôr sua mão sobre o peito dele e sentir esse coração golpeando debaixo de sua mão. Apoiar sua cabeça ali e escutar como voltava a baixar o ritmo. O que teria sentido Jane? Perguntou-se. O que se sentiria ao ter a um homem como esse entre as mãos, enquanto expressava a gritos seu prazer? Pela primeira vez em sua vida, Charlie sentiu curiosidade por saber. E seu interesse não pôde ter sido despertado por um homem mais arriscado. Este era realmente um caso no que a curiosidade bem podia matar ao homem. “Obrigado, Jane. Foi uma experiência excelente.” Jane, que já estava estirando seu vestido e voltando a atar seus laços, lhe deu de presente um amplo sorriso. “Bom, graças a você, Senhor. Foi um prazer ajudar a alguém de tão boa qualidade como você, Senhor.” O limpou delicadamente com uma parte de tecido úmido, secando os restos de fluidos. Notou que era a mesma parte de tecido que Charlie tinha passado por suas costas fazia um momento. “Espero que volte a nos visitar logo, Senhor. Farei-me cargo com gosto de qualquer de suas necessidades. E não somente com minha boca.” Jane lhe fez um pequeno e descarado sorriso ao Jordan e inclinou sua cabeça a Charlie com respeito, enquanto saía rapidamente da habitação. Charlie ficou de pé, rígida, protegendo-se com seu ar de dignidade. Era a armadura que utilizava usualmente, pôde cruzar o olhar com o Jordan, sem mostrar um brilho de expressão. Sentia-se muito orgulhosa de si mesmo. Não foi uma atuação fácil, já que seus próprios fluidos pingavam entre as coxas. Jordan se levantou do divã. Ela tinha esquecido que alto era. Ele se aproximou, a propósito, nu, reluzente, com seu membro descansando flácido, entre suas pernas. Ele sorriu ao descobri-la o olhando. “Ele estará mais que disposto para outra volta contigo, Charlie. Só tem que dizê-lo.” Madame Charlie Sahara Kelly Charlie fez uma grande atuação ao olhar para baixo, para sua masculinidade. Não havia dúvida, ele estava despertando novamente. “Não, obrigado, Lorde Calverton. De todas as maneiras, se desejasse algum serviço adicional, posso chamar a alguma outra de nossas senhoritas.” Jordan suspirou e deu um passo para aproximar-se dela ainda mais. Charlie se manteve em seu lugar, obstinadamente, algo dentro lhe dizia que retroceder ante este homem seria como admitir debilidade. Nunca terá que deixar ver a debilidade de um. Ela o tinha aprendido pelo caminho mais difícil. De outro Calverton. Com um grande sorriso, Jordan a roçou ao passar ao seu lado, enquanto ia até o biombo, de onde tomou sua roupa. Com um exibicionismo desavergonhado, vestiu-se lentamente em frente dela. “Minhas felicitações, Madame Charlie.“ “Sente-se melhores suas costas?“ “Minhas costas, minha parte dianteira, meu pênis e minhas bolas.” Sorriu-lhe amplamente. Se o que queria era espantá-la com sua linguagem, foi bastante bom e original. “Tudo se sente melhor. Tudo, exceto por uma coisa.” Charlie inclinou levemente a cabeça e deixou que sua sobrancelha levantada fizesse a pergunta. “Minha mente, Charlie. Minha mente não está satisfeita.” Charlie piscou uma vez, enquanto ele se aproximava. Nu, era o sonho de toda mulher. Vestido, era avassaladoramente bonito, e sua presença enchia todos seus sentidos. “Minha mente está cheia de ti, Charlie. É um quebra-cabeça, um enigma. Um mistério. Eu sou um homem ao que gosta de resolver mistérios. Ao que gosta de deixá-los ao nu. Indagar seus segredos mais escuros e tirá-los a luz. Eu gosto de tomar os quebra-cabeças com as mãos, Charlie.” Estava mais perto dela do que sua paz interior podia suportar. Seus olhos brilhavam ao encontrar o olhar calmo dela. Ela quase poderia jurar que ele estava se divertindo mais ao provocá-la com suas duplas mensagens, do que quando Jane o chupou. Madame Charlie Sahara Kelly “Eu adoro esparramá-los, ver o que os move, como tocá-los e suavizá-los e fazê-los mover mais rápido. Como a seu pulso. Justo aqui...” Ele estirou sua mão e posou a pontinha de seu dedo indicador sobre o pescoço dela, onde seus batimentos do coração golpeavam como um cavalo de corrida chegando à meta. “Deste-te conta, de que um homem pode saber muito sobre uma mulher com só observar este pequeno ponto?” Roçou sua pele delicadamente com o dedo. Charlie o sentiu como se a estivesse marcando a fogo e lutou uma grande batalha contra seus reflexos para não estremecer-se quando a tocava. “Pulsa como se fora o coração de uma ave enjaulada. Deus, isso é poético. Geralmente, não digo coisas assim. Deve ser sua influência, Charlie.” Seguia roçando sua pele com o dedo, para trás e para diante. “Isso, e o fato de que te quero foder até te deixar inconsciente.” A ela lhe obstruiu o ar na garganta, mas continuou lhe sustentando o olhar. Sabia que já a estava fazendo ruborizar com o tato e com as palavras, mas se negava a sucumbir ante suas maneiras sedutoras. Este homem bem podia ser seu inimigo declarado. Devia aferrar-se a essa noção e não cair a seus pés, derretida em um atoleiro de desejo. “Quero te ter gritando debaixo de mim, Charlie. Eu me pergunto, gritaste alguma vez? Sentiu alguma vez desespero, por que um homem te penetrou o pênis para te fazer dar esse passo que te leva a outra dimensão? A uma dimensão de claros e escuros, de dias e noites, uma dimensão onde não existe nada mais que o prazer e a dor de finalizar, de te acabar, de liberar sua alma?” Os lábios dele estavam mais perto agora, e ainda assim Charlie se negou a mover um músculo. Perguntou-se se poderia voltar a mover-se alguma vez. Seu corpo estava encerrado em uma luta furiosa contra si mesmo, e ela estava segura de que muito provavelmente terminaria sendo uma vítima fatal. “Nós também o faremos, Charlie, você e eu. Vamos foder e será logo. Às vezes simplesmente sei este tipo de coisas. Logo olharei aos olhos, enquanto chupe seus seios e olharei aos olhos ao te fazer gozar com minha língua, dentro de sua morna vagina. Olharei aos olhos Madame Charlie Sahara Kelly enquanto empurro meu pênis bem para dentro de seu corpo úmido, e eles me dirão o que quero saber, Charlie. Seus olhos me dirão quanto quer possuir meu pênis. Eles delatarão seus segredos, Charlie. Todos eles. Sei. Acredite isto que te digo.” Ele se apartou um pouco, como esperando uma reação. Não lhe deu nada. “Até então, doçura minha.” Seus lábios roçaram os batimentos do coração de seu pescoço. “Só terá que sonhar comigo. Posso-te assegurar que eu estarei pensando em ti.” Colocou o dedo que tinha apoiado sobre seu pescoço na boca e o chupou, com o olhar cravado nela todo o tempo. Logo o tirou lentamente, enquanto seus lábios se curvavam. “Muito logo, Charlie. Muito em breve.” Ele se afastou, enquanto colocava a jaqueta, lhe lançando um sorriso ao sair do quarto. Ela ficou imóvel por um minuto completo, logo se desabou na cadeira, apoiando a cabeçacontra o adornado esculpido. Levantou uma mão tremente até suas bochechas. Para sua surpresa, umas lágrimas rodavam livremente por sua pele e salpicavam seu vestido de seda azul. Jordan não tinha idéia se suas pernas suportariam seu peso ao baixar as escadas para sair da Crescent. Estava tão fraco como o sabido gatinho, mas não pelo efetivo serviço de Jane. Estava fraco pelo clímax que tinha tido, porque ela o estava observando. Pensou que era bastante experiente em quase todas as questões sexuais. Maldição era um soldado, pelo amor de Deus. Tinha-o visto tudo e o tinha feito tudo. Bom, ou quase tudo. Mas esta noite foi à experiência mais erótica que podia recordar. Não pela boca de uma mulher, nem por sua vagina, nem sequer por tocá-la. Somente por seus olhos. Porque, durante uns instantes, esses olhos cinza arderam. E ele sentiu seu calor desde o outro lado da habitação. O que iria sentir quando ardesse debaixo dele? Madame Charlie Sahara Kelly Seu pênis voltou a pulsar lhe recordando que era melhor ter esses pensamentos em um lugar menos público. Passeou por várias habitações onde provou um pouco do excelente brandy e conversou com conhecidos. Disse a si mesmo que não estava esperando que a proprietária do estabelecimento fizesse sua aparição. Também sabia que estava enganando a si mesmo. “Jordan? É você?” Uma voz ligeira cortou o murmúrio da conversação, quando Jordan se dirigia ao grande vestíbulo. “Deus Santo, é você. Que diabos está fazendo você aqui, querido?” Jordan Lyndhurst teria dado meia volta e teria saído correndo, se houvesse podido. Desgraçadamente, a estratégia de retirada não era uma opção. “Elizabeth. Que surpresa.” Jordan viu como Lady Elizabeth Wentworth se deslocava através da multidão para esperá-lo ao pé das formosas escadas, um pouco escandalosa e aclamada pelo povo, Elizabeth não ocultava seu interesse por Jordan. Entretanto, ele estava entre vários aos que favorecia e Jordan só esperava que houvesse outros antes dele na lista. Ele desfrutava de sua companhia e acreditava que havia uma pessoa agradável realmente debaixo de toda sua superficialidade social, mas não estava seguro de estar preparado para jogar seu jogo esta noite. Tinha ficado muito fora do estado. Viu como seu cabelo negro e seus olhos azuis monopolizavam a atenção dos homens que acontecia ao lado. Realmente era adorável. Não podia entender, por que não o acelerava o pulso. Seu vestido era uma obra de arte do eufemismo, pendurando precariamente de seus seios, e dando a impressão de que se respirava fundo, cairia por completo. “Se houvesse sabido que viria, te teria rogado que me fizesse um lugar em sua carruagem,Jordan.” disse fazendo graça, e deslizou seu braço através do dele. “Não esperava te encontrar em um lugar como este Elizabeth.” Jordan obteve um tom de voz levemente desaprovatório. Madame Charlie Sahara Kelly “Ai, querido, que gracioso é. Todos vêm ao Crescent agora. Bom, não todos, suponho. Mas muita gente, de fato. E servem muito boas mesas e a sala de jogo está bem dirigida. Além disso, pedi ao Tony que me traga, porque Mamãe está tratando de decidir se deve tratar de salvar a estas Pobres Desafortunada, e pensei que devia jogar uma olhada, antes que ela se envolva muito...” Baixou a voz e olhou a seu ao redor, e Jordan também o fez. Estava procurando em vão a uma Pobre Desafortunada, mas não a podia ver. “Você sabe como é Mamãe.” continuou Elizabeth, arrastando ao Jordan a seu lado. Jordan sabia que “Mamãe” era Lady Amanda Wentworth, apelidada “Armada Wentworth por algum gracioso, que associou seu estilo com o da Armada Espanhola. Uma dúzia de galeões vento em popa. Lady Wentworth gostava de entreter-se resgatando a Pobres Desafortunadas, como diziam às mulheres não castas de Londres. Vendo que seu marido era um contribuinte importante na perdição de muitas Pobres Desafortunadas, Jordan supôs que ela fazia o correto. Havia uma espécie de simetria nisso. Certa agitação detrás dele capturou sua atenção. Madame Charlie estava baixando as escadas. “OH, arrumado que é uma delas.” tagarelou Elizabeth ruidosamente. Jordan olhou ao Charlie, agora vestida elegantemente com rendas cinza e pérolas, mover-se entre seus convidados. “Duvido muito que seja, pobre Elizabeth. E quanto a ser desafortunada, bom, só olha- a.” Jordan não podia tirar os olhos da graciosa imagem de Charlie, enquanto fazia gestos com a cabeça e sorria a amigos e oferecia sua mão a novas relações. “Essa é Madame Charlie. Sua anfitriã esta noite.” Sentiu seu membro retorcer-se ante a mera menção de seu nome. “Ah, essa é ela. Algo na voz da Elizabeth capturou a atenção de Jordan, que separou o olhar da mulher alta de cinza. “Sabe dela?” Madame Charlie Sahara Kelly “Bom, é obvio, mas não pessoalmente. Onde estiveste, Jordan? Ah, me esquecia...” Sua risada leve tilintou entre as velas. “Estiveste no campo. Trabalhando.” Reprimiu um estremecimento dramático. “Madame Charlie. Disse que a conhecia?” “Bom, se… não, não a conheço ela exatamente...” “Olá, velho amigo. Procurando um pouco de diversão fácil … ai, perdão Elizabeth. Não lhe tinha visto.” Uma figura de grande tamanho apareceu ao lado de Jordan e resultou ser Sir Anthony Douglas. Em circunstâncias normais, os dois homens teriam trocado frases de cortesia, teriam se espalmado mutuamente sobre as costas, teriam compartilhado comparações das mulheres disponíveis para satisfazê-los e teriam seguido seus caminhos por separado. Esta noite, entretanto, Jordan Lyndhurst apertou os dentes, desejando ter sua espada consigo para desfazer-se de Sir Anthony Douglas. Elizabeth estava a ponto de lhe revelar os segredos de Charlie e este… este bodoque tinha que entremeter-se. “Tony, vou deixar que Jordan me leve para casa, agora. Importa-te?” Sorriu-lhe de maneira deslumbrante. Ao Jordan, o coração lhe caiu ao chão, justo até suas bem lustradas botas. “Por nada, Elizabeth. Boa idéia. Acredito que irei jogar um pouco de bilhar.” Acotovelou a Jordan tão forte que quase o atira ao chão. “Não sei se me entende, velho.” Recebeu uma sutil piscada e uma cotovelada de um homem que media facilmente um metro e noventa e oito, devia pesar perto de cento e vinte quilos, e tinha um cabelo avermelhado como o entardecer, foi toda uma experiência. Algo assim como que um elefante te passe por acima, imaginou Jordan. Elizabeth riu bobamente. “Ai, Tony, menino mau. Vá, então.” Tony os saudou com a mão e desapareceu por uma porta próxima. “Ele é tão gracioso. Pensa que não o sei.” “O que? “A Sala de Bilhar? Jordan meneou a cabeça, sem entender uma palavra da conversa. Madame Charlie Sahara Kelly Elizabeth o olhou surpresa. “Realmente não sabe, não?” “O que?” Repetiu com os dentes apertados. Elizabeth se acomodou contra ele ainda mais e ficou nas pontas do pé, para lhe sussurrar ao ouvido. “A sala de Bilhares é onde as Pobres Desafortunadas jogam bilhar.” Fez uma pausa para gerar um clima dramático. Jordan o arruinou. “E?” Elizabeth suspirou. “Fazem-no sem roupa.” Seu sussurro logo que havia alcançado seu ouvido, quando Charlie passou o olhar por sua cara e a deteve ali. Ele paralisou, enquanto isso lhe cruzava pela mente a imagem de Charlie, nua, com seu cabelo dourado derrubando-se sobre a mesa de panoverde, enquanto ele a penetrava por trás. Respirou profundo. “Sim, não é muito, muito horroroso? Isso é o que lhe fez pensar a Mamãe se estas Pobres Desafortunadas não deveriam ser as próximas em sua lista de gente para ajudar.” “Elizabeth. Peça-lhe a alguém que procure sua capa. Eu procuro minha carruagem e nos encontramos fora. De repente queria sair deste lugar. O ar era sufocante, não podia respirar e precisava ir a algum lugar onde pudesse pensar em Charlie, sem ter que vê-la rir e sorrir e falar com outros homens. Foi até a porta, onde Antonio, o mordomo gigante, esperava-o. “Sua conta desta noite, meu Senhor. Quereria pagar agora ou lhe mandamos um mensageiro a seu homem de negócios amanhã? Perguntou-lhe, entregando ao Jordan um pequeno cartão dobrado. “Ocuparei-me disso agora mesmo. Jordan tirou algumas moedas e contou cinqüenta guineus sem pestanejar. “Sua patroa deve ser bastante custosa.Essa é uma soma importante, para uma massagem.” “Ah, não, meu Senhor, está equivocado. A tarifa é pelos serviços de Jane, e está multiplicada por dois, como você o pediu. Madame Charlie não aceita dinheiro por tratamentos médicos que faz de bondosa que é, no mais.” Antonio olhou ao Jordan como se fosse uma forma de vida inferior. Madame Charlie Sahara Kelly De repente, ele sentiu que o era. Mas, a sua vez, estava indo de uma casa de putas, sem importar que tão emperiquitada estivesse para ver-se como uma reunião elegante. Como poderia saber que sua proprietária considerava as massagens que dava como tratamentos médicos de caridade? Uma vozinha lhe disse que faria bem em confiar nas mensagens que seu coração estava enviando a seu cérebro. Ele ignorou a voz. “Estou preparada, querido. Vamos?” Elizabeth se apurou para chegar até o Jordan, o tirou da mão e o conduziu até a porta para deixar atrás a Baulieu Crescent Nº 14. Madame Charlie Sahara Kelly Capítulo Quatro “Bom, me conte sobre Madame Charlie.” Elizabeth olhou ao Jordan, quando disparou a ordem, sem esperar sequer que terminasse de acomodar seu vestido sobre o assento frente a ele. A carruagem entrou em marcha e entrecerrou os olhos ao homem sentado em frente que lhe cravava o olhar. “Por que quer saber?” “Elizabeth. Não seja irritante.” “Vou fazer um trato contigo. Direi-te o que sei se me toca, enquanto o faço.” “O que?” Jordan não teria se surpreendido tanto, se a carruagem tivesse asas e levantado vôo sobre Londres. “Me toque Jordan. Estive vendo toda a noite como a gente ali se roçava entre si, como se esfregavam e se beijavam. Está me fazendo perder a cabeça.” “Não sabe o que diz.” respondeu Jordan abruptamente. “E se acredita que vai fazer que me case contigo com algum tipo de comportamento comprometedor, me deixe lhe dizer o quão equivocada está.” Elizabeth suspirou. “Maldito seja, Jordan Lyndhurst. Não se trata de ti. Embora sozinho Deus saiba que aparentemente não posso convencer a nenhum homem sobre isso. Não quero me casar contigo. Ouve-me?” Ela estava inclinada adiante agora, lhe golpeando o peito com um muito rígido dedo indicador. “Ouço-te. Como também o fazem a metade de Londres, uma parte do Chiswick e possivelmente uns dois terços das embarcações do Támesis.” Ela ignorou o sarcasmo. “Tenho necessidades, Jordan. Uma mulher tem necessidades. Estou-me fazendo cargo delas sozinha. Quero saber que posso fazer o pau de um homem ter uma ereção, como faz essa Madame Charlie.” Madame Charlie Sahara Kelly “De que demônios, está falando? E cuida de seu vocabulário.” Jordan lutava para encontrar as palavras. Elizabeth Wentworth, a Incomparável do povo, estava usando palavras que nunca pensou que escutaria sair de seus elegantes lábios. “Vi-te como a olhava Jordan. Ela baixou essas escadas e suas calças quase explodiram. Agora, olhe isto... “Ela se inclinou mais perto e abaixou a parte dianteira de seu vestido. Seus seios se derramaram nas sombras da carruagem, e Jordan teve que reconhecer que eram uns formosos exemplares de atributos femininos. “Vê?” “Aham. Sim. Vejo muito bem. Agora os guarda.” Elizabeth se inclinou ainda mais perto, lhe fazendo sentir sua suave fragrância. “Não, estou falando disto, Jordan.” Ela pôs sua mão sobre a entre perna dele, sentindo o vulto que tinha aparecido no mesmo momento em que soltou seus seios. “Muito lindo, mas olhe isto. Se eu te dissesse que parece que Madame Charlie gosta que lhe chupem as tetinhas...” Sem dúvidas, debaixo da mão da Elizabeth, o pênis de Jordan se levantou atento, e amaldiçoou a seu próprio corpo por delatá-lo. Elizabeth sorriu. “Querido, não me importa. Se quiser te agarrar a uma puta, para mim está bem. Não se trata de sentimentos, ou amor, ou matrimônio, ou felizes por sempre. Trata-se de que quero aprender mais sobre o prazer. Quero que me toquem com um pouco de calidez e afeto. Sou uma mulher grande, Jordan. Vi sexo por todos os lados ao meu redor esta noite e quero ter algo disso, eu também. Com alguém de confiança. Não faça que procure a alguém mais.” Ela se estirou até alcançar sua mão e a trouxe até a suavidade de seu seio, suspirando e agradando ao esfregá-la sobre seu duro mamilo. “Por favor?” Jordão lutou uma valente batalha contra si mesmo, mas ele também estava ao limite. Uma beleza de olhos cinza enchia sua mente, seu membro ficava mais duro a cada segundo e uma mulher formosa lhe estava pedindo que tocasse seu corpo. Diabos, ele era simplesmente humano. Madame Charlie Sahara Kelly “Que isto não saia desta carruagem, Elizabeth. Sou claro?” “Totalmente, Jordan. Certamente, não quero que o resto do mundo saiba que tive que rogar por um favor sexual, não te parece?” Jordan não passou por cima seu tom malicioso. “Não vais receber favores sexuais. Vou ajudar-te a sentir prazer, mas isso é tudo, Elizabeth.” “Isso é tudo o que quero querido.” Ela se deslizou a seu lado e apertou seus seios contra seu peito. “Até te deixarei simular que sou ela...” Jordan franziu o cenho. “Eu sou atento com meus parceiros sexuais, Elizabeth. Não jogo esse tipo de jogos.” Elizabeth riu bobamente. “Muito bem. Mas não pode evitar que te conte o que sei sobre ela, verdade? Continua Jordan. Toque-me. Não me quebrarei.” Jordan suspirou. A amizade às vezes punha ao homem sob muita pressão. Inclinou sua cabeça sobre os seios da Elizabeth. Eram polpudos e firmes, ela tremeu quando beijou brandamente a morna elevação de carne e atirou de um mamilo com seus lábios. “Ah, sim. Isso é adorável. Mais, por favor.” Ele a agradou. “Bom.” sussurrou sobre a umidade que sua língua tinha deixado ao redor de seus mamilos, fazendo-a tremer. “Vai me contar sobre ela.” Elizabeth arqueou suas costas, empurrando seu seio contra a cara dele. “Sim. Ela é jovem, sabe. Não tem mais de vinte e dois, conforme me disseram. Ai Deus, mais disso, sim… aí mesmo...“ Seus lábios e dentes estavam ocupados mordiscando, lambendo, reconfortando. Ele sentiu que os ossos dela se derretiam, quando afrouxou seus braços ao redor de seu corpo e a acomodou sobre sua saia. Sua mão desatou os laços de atrás e ela lançou um suspiro de alívio, quando ele afrouxou o espartilho de seu vestido e o soltou. Elizabeth era uma mulher adorável. Ele se preparou para sua tarefa. “Faz menosde um ano que dirige a Crescent. Alguns dizem que a herdou, outros que a comprou diretamente depois de ter trabalhado ali toda sua vida. Outros dizem que um homem a comprou para ela, para suborná-la.” Madame Charlie Sahara Kelly Os dentes de Jordan se prenderam fortemente de um mamilo, o que fez chiar a Elizabeth. “Me desculpe. Continua.” “Farei-o se você o faz.” Jordan, como um excelente soldado que era, acatou as ordens. Deslizou uma mão por debaixo das dobras soltas de seu vestido até sua coxa para provocar, fazer cócegas e acariciar a suave carne, que encontrou por cima de sua liga apertadamente atada. “Ela… ela… ai, querido, isto se sente taaaaan bom.” retorcia-se Elizabeth, enquanto Jordan tomava seu suave Monte de Vênus em sua mão. Ele podia sentir seu líquido umedecendo a palma de sua mão, e deslizou seus dedos cuidadosamente por entre as dobras desta mulher, aprendendo o que gostava e o que não, e esparramando seus fluidos livremente por sua inflamada carne. “Continua.” insistiu-lhe Jordan, pondo mais pressão sobre seus clitóris e fazendo-a gemer. “Ela… bem… dizem que ela ainda é virgem. Outros dizem que teve mais homens que uma mesalina. Suas moças são muito apreciadas, isso é seguro...” Elizabeth suspirou quando Jordan deslizou um dedo dentro dela. “Ai, isso é adorável. Mmm. Sim… Sabia que Pinky Waterston pagou duzentas moedas de ouro por uma noite com uma delas?” Ela abriu os olhos e olhou ao Jordan. “Duzentas moedas de ouro. Posso imaginar.” Jordan percebeu que se estava distraindo e deslizou outro dedo dentro dela, lhe recordando onde estava e o que estava fazendo. Ela ofegou, e tragou antes de seguir. “Cuida bem de suas moças. Não permite que ninguém lhes faça nenhum tipo de dano. Há regras muito estritas. Ai, Deus. Ai, Jordan...” Sua voz se afinou até ser um sussurro, enquanto Jordan penetrava mais profundo. Suas pernas se abriram mais ainda, quando os dedos de Jordan faziam seus hábeis truques mágicos sobre seu distendido clitóris. “Não falemos mais, Elizabeth. Não agora...” Madame Charlie Sahara Kelly A culpa fez que Jordan agarrasse a Elizabeth com sua mão com todo o talento que possuía. Não tinha nada que fazer fantasiando com uma mulher, quando outra estava recostada meio nua, sobre sua saia. Zangado consigo mesmo, chupou ferozmente seus mamilos, atraindo-a com força contra sua boca, enquanto sua mão se movia, agora bruscamente, contra sua carne empapada. Tinha dois dedos colocados bem para dentro dela, e seu polegar apertado contra seu excitado clitóris e lhe mordia brandamente um mamilo, enquanto movia seus dedos em carícias rítmicas contra seu conduto interior. Ela se retorcia debaixo dele, empurrando-se contra sua mão e sua boca. Ela gemeu, quando sua mão encontrou um lugar que fez que todos os músculos de seu corpo se contraiam. Ele sentiu que sua tensão aumentava, quando o volume de seus ofegos entrecortados subiu. Duplicou a intensidade de tudo o que estava fazendo. Elizabeth apertou os dentes, estirou suas pernas e explorou debaixo dele com um soluço selvagem. Sua vagina apanhou a sua mão, prendendo-se com tal selvageria, que ele pensou que seus dedos ficariam arroxeados durante vários dias. Ela tremia e se sacudia indefesa, ante o orgasmo que a arremetia. Ele a ajudou a relaxar seu corpo, reconfortando seus seios com suaves beijos, para que sobrepor-se dos efeitos que seguem ao orgasmo, e deslizou a mão fora de sua vagina, enquanto seus sucos fluíam entre seus dedos. “Ah, Jordan.” disse em voz baixa. “Obrigado.” Jordan se sentiu um verme. “Elizabeth, eu...” Ela estirou uma mão e pôs um dedo sobre seus lábios. “Fez o que te pedi Jordan. E te agradeço por isso. Tem-me feito um presente esta noite. Tem-me feito sentir maravilhosa. Aliviaste meu corpo das tensões que sentia, e me deu algo para usar como referência. Algo do que me agarrar, quando estou sozinha e algo para recordar se algum dia necessito de uma boa lembrança. Ela sorriu maliciosamente. “E me ensinaste que Ryan Penderly é um péssimo amante.” Madame Charlie Sahara Kelly “O que?” Elizabeth alisou seu vestido e lhe deu as costas. Jordan ainda estava tão pasmo que começou a atar os laços automaticamente, sem dizer uma palavra. “Ryan Penderly. Sim. O homem calado, obcecado com as paisagens, antigo intendente, Ryan Penderly. Acredito que vou casar-me com ele, sabe. Mas tenho que lhe ensinar algo sobre como são as coisas entre um homem e uma mulher. Por isso necessitava realmente algo com que compará-lo, entende-me?” Jordan se deu conta de que sua boca ainda seguia aberta e a fechou de repente. “Então tudo isto, o que acabamos… você e eu... foi tudo para...” “Para descobrir se Ryan era bom ou não. Sim. Não pode comparar se não tiver com o que comparar, não?” Jordan sentiu que lhe desenhava um sorriso nos lábios. “Elizabeth, é uma mulher das mais escandalosas.” Elizabeth lhe sorriu também. “Sim, sei. E também sei que de verdade eu gosto de Ryan Penderly. É agradável. Não é que você não o seja, é obvio, você é muito melhor à hora de prazer a uma mulher, Jordan, e tocou divinamente meu corpo. Mas, por favor, não te ofenda quando te disser isto, não chegou a me tocar o coração.” “Não estou ofendido.” Jordan franziu o cenho. “Não penso.” Disse-lhe que não com a cabeça. “De fato, não sei o que pensar sobre nada mais. Toda esta noite foi muito confusa.” “Pobre coração. Agarrar uma terrível quentura com uma Madame e que depois se ofereçam ao voltar para casa. Foi uma noite bastante dura, não.” A total falta de compaixão em sua voz o fez sorrir. “Sim. Que bem. Morre a risada. Já tem o que procurava. E o que fica esta noite.” “Essa é uma boa pergunta, Jordan. O que fica a ti? O interesse em uma mulher inadequada? Um coração ferido? O ego machucado? Uma terrível quentura? O que é o que te faz palpitar por Madame Charlie?” Jordan olhou para fora, às escuras ruas de Londres, enquanto a carruagem diminuía a marcha. Madame Charlie Sahara Kelly “Não sei Elizabeth. E essa é a verdade. A verdade é que não sei.” Nas ruidosas habitações do Beaulieu Crescent Nº 14, Madame Charlie não teve oportunidade de fazer uma reflexão introspectiva. As pessoas precisavam de sua atenção, e seu negócio exigia que respondesse amavelmente, com sorrisos, com respostas rápidas e engenhosas e com um ar distante que lhe dava essa distinção especial, que sabia a convertia em uma figura “aceitável. O povo era inconstante: um dia lhe emprestava atenção a uma pessoa e ao dia seguinte a fazia em pedaços. Até agora, tinha tido a sorte de atrair à classe correta de gente a sua casa e também de criar um ambiente onde os desejos sexuais podiam dar às mãos com a curiosidade sexual. Os visitantes podiam jogar uma olhada aos tesouros ocultos, sem comprometer seu lugar na sociedade, e estava encantada de que algumas mulheres valentes houvessem começado a aventurar-se a cruzar as portas e não sofrer as conseqüências de havê-lo feito. Uma dessas mulheres era a que ocupava seus pensamentos privados, enquanto levava a cabo as tarefas dessa noite. Essa atrativa mulher de cabelos negros que se aferrou ao braço de Jordan Lyndhurst e não o soltou mais. Deus sabia que ela não tinha por que pensar em Jordan Lyndhurst, muito menos perguntar-se quem era a mulher e que relação a uniaao Jordan. Mas em algum lugar, de alguma maneira, esse homem se colocou debaixo de sua pele e lhe estava ardendo. Em lugares que pensou que nunca arderiam por nenhum homem. Jamais. O percurso por sua casa a levou para um corredor mais silencioso, onde geralmente se detinha para espiar os quartos mais afastados através de discretas janelas. Negava-se a pensar que oferecer sexo quisesse dizer que uma moça pudesse ser maltratada. Quem queria machucar a uma mulher, devia ir a outra parte. Beaulieu Crescent Nº 14 era uma casa de prazer e a expressa intenção de Charlie era que todos o entendessem assim. Não somente os clientes. Sally Trotter estava ganhando seu pagamento, sem lugar a dúvidas essa noite. Entusiasta e bonita, Sally tinha uma lista regular de clientes, dois dos quais estavam com ela Madame Charlie Sahara Kelly esta noite. Os irmãos Thompson-Ffyfe estavam enredados com a Sally, sorrindo e acenando em um emaranhado de membros, esparramados sobre a cama maior da casa. Esta habitação era uma das que estavam reservadas para os clientes a quem gostavam de ter mais de uma parceira por vez, e esta noite era para a Sally, Ned e Tommy. Enquanto Charlie observava a cena, Ned Thompson-Ffyfe liberou suas pernas e se mergulhou até o quadril dentro da vagina de Sally, empurrando sua boca ainda mais profundamente sobre o pênis do irmão Tommy. Tommy obviamente apreciou a manobra, e Sally o chupava ruidosamente e logo o soltava, ao tempo que movia seus quadris desenfreadamente contra o pobre Ned, que estava a ponto de entregar tudo o que tinha. Charlie fechou a janela de observação quando ele gritou ao gozar. As outras habitações ofereciam mais ou menos o mesmo em términos de habitantes: uma variedade de homens desfrutando do sexo com uma variedade de mulheres, de muito variadas maneiras. Em sua maioria, os homens pertenciam à nobreza, as moças de Charlie não eram escandalosamente caras, mas certamente não eram para aqueles que deviam cuidar de cada centavo. Reprimiu uma risada ao ver o cliente de Belle, um conhecido médico e político, a quem estava lhe fazendo cócegas com uma enorme pluma. Aparentemente, só Belle podia manter a pressão justa com a pluma, combinando-o com uma talentosa manipulação, para assegurar uma rígida ereção e uma bem-sucedida culminação. Este cliente em particular acabava de aumentar suas visitas a três vezes por semana, e Belle... bom... Belle saltava de alegria. Charlie caminhou até a última porta no corredor e espiou silenciosamente para dentro. Aqui, sua moça mais nova, Susie, fazia sua “estréia” esta noite guiada pelas mãos hábeis de Gracie, uma das residentes da Crescent mais experientes. Seu cliente tinha sido Neville Johns, um investidor bem-sucedido e um homem de maneiras tranqüilas. Não era particularmente bonito: o Sr. Jones deixava geralmente que seu dinheiro falasse por ele, mas Charlie tinha descoberto que era agradável e considerado, e categórico em sua apreciação de si mesmo. Madame Charlie Sahara Kelly “Eu gosto das mulheres, Madame Charlie.” Havia-lhe dito, quando à buscou vários meses atrás. “Mas minha aparência não ajuda muito para atraí-las. Meu dinheiro, desgraçadamente, sim o faz.” Fez uma careta afligida. “Não tenho interesse em ser seduzido por minha fortuna. Se for pagar por uma mulher, será uma transação honesta, em que as partes tenham bem em claro a natureza do trato. E entendo que suas moças são limpas, bem dispostas e uma agradável companhia.” Charlie tinha assentido com a cabeça a estas palavras, sabendo que não dizia mais que a verdade e orgulhosa da reputação que suas moças pudessem ganhar. “Portanto, queria pedir duas mulheres por vez. É algo que sempre me gerou curiosidade, mas que era pouco provável que experimentasse, sem a ajuda de profissionais.” Seu encantador sorriso tinha enrugado seus olhos, e Charlie tirou o chapéu sorrindo-lhe também. Então o Sr. Jones se converteu em um cliente regular, que vinha pelo menos uma vez a cada duas semanas e freqüentemente levava duas de suas moças acima com ele na noite. Era custoso, mas a todos os envoltos lhes resultava satisfatório. E a julgar pela cena que via seus olhos, uma vez mais o Sr. Johns tinha tido uma noite prazenteira. Em meio das enrugados lençóis da grande cama, Susie dormia profundamente com seus jovens membros emaranhados. Parecia satisfeita e sua respiração, apenas agitava os lençóis próximos a seu nariz. Neville Jones e Gracie, entretanto, não tinham terminado. Sentados sobre a cômoda estofada aos pés da cama, Johns tinha a Gracie sentada sobre seu colo. Charlie teve que admitir que embora o Sr. Johns não estava mais na flor da juventude, seu corpo ainda era firme e agradável à vista. O que podia ver dele detrás de Gracie, para este caso. Madame Charlie Sahara Kelly Algo fez que ficasse quieta, com o olho apertado contra a mira. Geralmente só revisava que tudo estivesse bem com suas moças e finalizava sua ronda. Mas esta noite, algo era diferente. Suas necessidades eram diferentes. Seu corpo se sentia diferente. Então esta noite ficou olhando a Gracie, enquanto apoiava suas costas contra Neville Johns e o deixava agradá-la. Charlie pôde dar-se conta de que ela enterrou o pênis dele, bem dentro de seu ânus. Isto só deu uma pausa a Charlie. Gracie não ocultava o fato de que desfrutava que a penetrassem desta maneira, mas dava esta oportunidade a poucos clientes. O Sr. Johns deve haver se comportado muito bem esta noite, para que Gracie o deixasse chegar tão longe. Seus corpos estavam alinhados, com as virilhas inclinadas para diante, o qual deixava a Charlie uma vista sem obstruções da vagina reluzente e a carne inflamada de Gracie. Gracie gemeu e levou uma mão de Neville para seus seios, enquanto ele deslizava sua outra mão entre suas pernas e encontrava seus clitóris. Ele moveu seus quadris levemente e Gracie voltou a gemer. Por um cego instante, Charlie se sentiu desequilibradamente ciumenta. Quis saber o que se sentia. O que sentia Gracie neste preciso momento? Como era sentir a um homem enterrado nas partes mais escuras de uma mulher e querer que sua mão entre nos lugares mais secretos? Fechou os olhos brevemente, a imagem do sorriso de Jordan Lyndhurst flutuou frente a ela. Um gemido de Neville a distraiu, e Charlie voltou a olhar, quando ele lançava sua cabeça para trás, curvava os lábios e apertando os dentes. Gracie tremia, seus quadris o investiam com movimentos pequenos, mas violentos. Ela apertou sua mão contra a de Neville, enquanto lhe afundava os dedos bem para dentro de sua vagina. Evidentemente estavam por gozar. Enquanto Charlie olhava, Neville e Gracie se contraíam, e logo Gracie gritou ao gozar. Neville estava calado, mas estremecia, enquanto Gracie se sacudia sobre ele. Madame Charlie Sahara Kelly A força de seus orgasmos estalou em uma rajada que atravessou a porta e chegou ao espaço vazio entre as coxas de Charlie. Ela ansiava por esta mesma culminação. Fechou a mira com uma mão tremente e alisou a parte da frente de seu vestido. O que andava mal nela? Sentiu um terrível temor de que a resposta tivesse pernas largas e fortes, um traseiro muito lindo e uns olhos marrons que lhe rasgavam a alma. Suspirou e tratou de tirar Jordan Lyndhurst de sua mente. Uma vez completada sua patrulha noturna, Charlie se dirigiu a suas habitaçõesprivadas. Ainda havia alguns clientes abaixo e suas moças estariam ocupadas por um par de horas mais. Mas as funções de Charlie desta noite tinham terminado. Chamariam se havia algum problema, se não, Antonio travaria as portas um pouco depois das três em ponto da manhã e o pessoal começaria com o procedimento de fechar a casa pelo que ficava da noite. “Está bem, senhorita Charlie?” Ela se sobressaltou ao escutar a voz do Matty. “Matty. Deveria estar na cama. Por que me espera levantada?” Charlie repreendeu à mulher com suavidade, sabendo que ambas estavam cansadas. “Foi uma noite peculiar, senhorita Charlie, e não me equivoco. Não podia descansar até saber que estava a salvo e metida em sua própria cama. Sozinha.” “Matty!” Charlie ficou impactada. “Depois de tudo o que conversamos, realmente pensou...” “Era o Coronel Lyndhurst. Incomodou-me até a indigestão. Que se pensava que fazia, ao vir aqui dessa maneira?” Charlie suspirou, quando Matty começou a lhe escovar o cabelo. “Não tem a menor idéia de quem sou eu, Matty. Absolutamente. A casualidade o trouxe até aqui. Isso e uma velha e desagradável ferida. Vi a cicatriz.” Charlie fechou os olhos e, por um instante, uma carne firme e um traseiro bem formado lhe cruzou a mente. “Bom, eu não gosto. Não, para nada.” Madame Charlie Sahara Kelly “A mim tampouco, Matty. Mas não temos opção no assunto. Muito provavelmente, não voltaremos a ver o Conde do Calverton.” “Sim. Possivelmente tenha razão.” A mulher terminou de pentear o cabelo de Charlie com um pequeno puxão e a acomodou sobre seu próprio travesseiro com um pequeno abraço. “Certamente, minha querida, me vejo na obrigação de te recordar que já dissemos isso uma vez.” Charlie não necessitava que o recordasse. Passou muito tempo, desde que Matty se foi para que ela pudesse fechar os olhos e se rendesse ante o sonho. Madame Charlie Sahara Kelly Capítulo Cinco Durante os dias seguintes, o Conde do Calverton e seu homem de negócios estiveram muito ocupados. Havia questões que requeriam a atenção de Jordan e um projeto que queria completar. Esse projeto era Madame Charlie. O eficiente Martin Jeffreys, que dirigia os assuntos de negócios de Calverton, demonstrou certa surpresa, quando lhe pediu que dirigisse seus consideráveis talentos na direção de um trabalho de detetive. “Que quer que faça o que, meu Senhor?” Disse pasmado. “Quero averiguar tudo o que possa sobre esta mulher, Martin. Você tem os contatos. Averigua quem é, de onde vem, esse tipo de coisas, e me apresente o relatório. Em troca, prometo-te assinar todas estas coisas...” Fez um gesto assinalando uma importante pilha de papéis frente a ele. “Sem me queixar.” Seus olhos escuros titilavam, ante seu companheiro. Jeffreys meneou a cabeça. “Verei o que posso fazer, meu Senhor.” “Excelente, meu amigo. Excelente.” Jordan se esfregou as mãos, antecipando-se aos fatos. Com somente olhar, esses calmos olhos cinza uma vez, soube que queria ter Madame Charlie. Pelo que não se havia dado conta era que o desejo se converteria em necessidade e se podia converter em uma obsessão se não fazia algo a respeito, logo. Durante os últimos dias tinha funcionado normalmente, cumprindo com suas obrigações de negócios, visitando vários amigos e contatos no centro da cidade, organizando satisfatoriamente as questões financeiras de Calverton. Sim, a fazenda parecia ter um futuro promissor e sua riqueza pessoal era mais que aceitável. Mas ele estava constantemente consciente de uma presença. Um fantasma de olhos cinza que o perseguia. De noite era pior, quando apoiava a cabeça no travesseiro, seu corpo nu sentia os frescos lençóis e seu membro não fazia mais que lhe doer. Madame Charlie Sahara Kelly Duas noites atrás, teve um sonho. Ele passava as mãos pelo corpo dela, enquanto ela o tocava com a ponta dos dedos, desde seu estômago até sua virilha. O cabelo dela caía sobre seu abdômen, o que produzia um gemido em seus lábios e um sorriso em sua cara. Logo ela fechava sua boca ao redor dele. Gozava em poucos segundos, com todas as forças, e ao despertar notou que de fato tinha ejaculado durante o sonho, como um jovenzinho inexperiente. Levantou da cama com raiva e pôs ele mesmo uns lençóis limpo, para não causar muito impacto na servidão. Eles se dariam conta, sempre o faziam. Mas não era necessário publicar o fato de que tinha perdido o controle. Voltou a meter-se na cama, deixou cair sua cabeça sobre o travesseiro e rapidamente voltou-se a se pôr duro, ao sentir a esses malditos olhos cinza rindo dele. Mas como, Jordan Lyndhurst reconheceu a si mesmo, era o que queria em realidade. Queria ver esses olhos sorrindo, rindo e respirando, para alcançar maiores e melhores proezas sexuais. Mais que nada, queria ver esses olhos aumentar e dilatar, enquanto ela se aproximava do clímax, e olhar como se derretiam, enquanto gozava, com ele muito dentro dela. Esse era seu plano supremo. E como qualquer experiente lutador, sabia que necessitava de uma estratégia. Jeffreys constituía a primeira parte dessa estratégia. A informação sempre era vital e agora mais que nunca. Se tiver informação, podia começar a procurar uma debilidade, ou ponto vulnerável, que pudesse usar para conseguir seu objetivo. E seu objetivo era levá-la à cama. Além disso, não podia pensar, porque esta vez o Coronel Jordan Lyndhurst não podia pensar em longo prazo. Seu membro liderava o ataque e governava por completo seu normalmente ordenado e discreto processo de pensamento. Certamente, que no fundo de sua mente estava à vaga idéia de fazê-la sua amante. Não tinha uma neste momento, não tinha tido uma desde que se converteu em Conde e pensou que Madame Charlie seria ideal. A levaria a Calverton, possivelmente escrituraria uma de suas propriedades menores em seu nome e juntos poderiam ver acontecer os anos… Madame Charlie Sahara Kelly Bom, já. Por sorte, uma batida na porta recuperou Jordan, de um sonho acordado que se parecia à ratoeira do pastor. Necessitava uma amante, não uma esposa, e embora a necessitasse, uma puta de bordel não era uma boa candidata. De nenhuma maneira. Jeffreys entrou fazendo um gesto com a cabeça a seu patrão e suspirando. “Bom, meu Senhor, falhei.” “Perdão?” “Falhei, Senhor.” repetiu Jeffreys, tomando assento na grande cadeira frente ao escritório de Jordan e tirando uma pilha de papéis de sua maleta de couro. “De que forma, Martin? Isto é tão impróprio de ti.” Jordan não pôde evitar que sua voz tivesse um leve tom gracioso. Porque para que Jeffreys falhasse em algo, era como se o Parlamento se desmoronasse sobre as águas do Tamises, convertidas em um cachorro. Nunca poderia acontecer. “Não pude averiguar nada sobre Madame Charlie.” Jordan se sentou sobressaltado. “Nada?” “Bom, muito pouco.” Endireitou um pequeno par de óculos sobre seu nariz e se remeteu a suas notas. Jordan conteve a respiração. “É na verdade a proprietária do Beaulieu Crescent Nº 14, livre de dívidas. Está escriturado no seu nome e figura como uma herança comprada a sua anterior proprietária, uma tal Anne Brody.” “Uma herança comprada? “Sim. Tinha dívidas pendentes, que ela pagou, e a papelada foi apresentada comose fosse uma herança. Recentemente, menos de um ano que é a proprietária. Antes disso, somente há rumores. É como se esta mulher não tivesse existido, até que herdou um bordel. Jordan exalou entre dentes. “Impossível, homem, impossível.” Jeffreys lhe disparou um olhar de irritação. “Bom, é obvio que é impossível, meu Senhor. Todo mundo que existe agora tem alguma coisa de passado. Permite-me continuar?” Madame Charlie Sahara Kelly “Perdão.” Repreendido, Jordan se reclinou em sua cadeira, juntou as mãos e emprestou muita atenção. “Sua situação financeira atual é interessante e digna de menção. A casa, como já disse, é dela, livre de dívidas. Entretanto, tem muito poucos bens pessoais, a margem da propriedade em si. Não tem contas importantes, nem contas privadas, nem fortuna pessoal.” “Como pode ser? Esse lugar é uma mina de ouro, vi-o com meus próprios olhos.” Sempre com movimento, sempre cheio de gente que pode dar o luxo de gastar o que ela cobra…, irrompeu Jordan com suas perguntas. “Se me desse à oportunidade, meu Senhor, explicarei.” “Perdão outra vez.” “Minhas averiguações no banco, entretanto, conduziram-me até um fenômeno muito interessante. Cada uma das moças da casa tem uma conta própria.” Jordão ficou boquiaberto. “É normal que se surpreenda meu Senhor. Atreveria-me a dizer que eu fiz o mesmo gesto, quando me dava conta de que isto estava acontecendo. Pareceria ser que Madame Charlie, quem, devo adicionar, abre estas contas a suas moças pessoalmente, está economizando dinheiro para elas de forma regular e o tem feito durante todo este ano.” “Ela não fica com nada do efetivo que ganham. Ela paga seus gastos a tempo e em sua totalidade, não tem contas pendentes relevantes com nenhum dos comerciantes locais, que pude encontrar e a diferença vai diretamente aos recursos das moças que ganharam.” Jordan meneou a cabeça, incrédulo. “É mais.” Continuou Jeffreys. “Há mais?” “Ah, sim. Esta tarefa que me encomendou é muito interessante, meu Senhor. Não tinha idéia pelo que ia descobrir, quando comecei minha busca de informação. Pois bem, em que estava? Ah, sim, além disso...” Tirou outro papel de sua maleta. “Madame Charlie é proprietária de três casas importantes fora de Londres.” “Estraguem. Mais bordéis, suponho. Provavelmente obtém seu dinheiro dali.” Madame Charlie Sahara Kelly “Não.” “Não?” Jeffreys meneou a cabeça. “Não. Estas casas eram velhas construções demolidas, que ela comprou a muito sob custo. Está as fazendo restaurar para deixá-las habitáveis e ela converteu à primeira, que agora está completamente habitável, em uma mescla de estalagem e pensão para...como dizê-lo?....mulheres de reputação duvidosa.” “Um momento.” Jordan fechou os olhos, tratando de compreender o que acabava de escutar. “Está-me dizendo que não só está fazendo reservas em contas tipo recursos de investimento para suas moças, mas sim está recebendo a outras putas e lhes dando um lugar para viver? Que não tem outro bordel, a não ser uma pensão?” “Isso é basicamente certo, meu Senhor. Madame Charlie poderá dirigir um bordel, mas também está fazendo um grande esforço por ajudar a melhorar a todas as outras mulheres que não têm a sorte de trabalhar em um lugar, como a Crescent.” Jeffreys se remeteu uma vez mais a suas notas. “De fato, conforme entendo, os outros dois edifícios estão completamente ocupados e há moças em lista de espera, para entrar na Crescent. Essa é outra coisa interessante...” Fez uma pausa e olhou ao Jordan pedindo permissão para continuar. Jordan assentiu movendo levemente a cabeça. “Madame Charlie não se parece com as abadessas comuns. Suas garotas são cuidadosamente disciplinadas, muito cuidadosamente selecionadas e estão ali estritamente por própria vontade. Não obriga a ninguém a converter-se em uma puta em Beaulieu Crescent Nº 14, elas simplesmente não têm opção e esperam tirar proveito disto. Não há habitações onde se levem a cabo práticas cruéis e as moças têm direito a recusar-se a satisfazer as demandas de qualquer cliente, se assim o escolherem. E, em realidade, têm-no feito.” “De verdade?” Jordan estava totalmente fascinado. “Ah, sim.” Um pequeno sorriso se desenhou no semblante geralmente circunspeto do Jeffreys. “Parece ser que recentemente, um cavalheiro visitou a Crescent, sem mencionar que tinha uma decidida predileção por jogos que se tornavam rude. Supôs que se pagava por isso, Madame Charlie Sahara Kelly podia golpear a qualquer moça que ele quisesse com algo que queria usar .... Neste caso, a vara que tinha escondido em seu jaqueta. “O que aconteceu?” “Bom, aparentemente descobriu que ser o receptor de tal castigo não era tão divertido, como pensava. Suas feridas lhe fizeram impossível montar, teve que usar sua carruagem durante algumas semanas, e se fala que ficaram algumas cicatrize interessantes de lembrança.” Jordan não pôde evitá-lo. Riu a gargalhadas. “Bem por ela.” A cara de Jeffreys se enrugou para fazer um pequeno sorriso. “Certamente, meu Senhor. Todos os que me ajudaram a investigar a esta jovem dama, apontam a uma mente ardilosa combinada com uma personalidade bondosa, embora retraída. Compreenderá que a busca que realizei para reunir esta informação foi muito dificultosa. Há o escondido realmente muito bem.” “Mas nada sobre seu passado, né?” “Ali é onde me dava à cabeça contra a parede, meu Senhor. Existem rumores, por suposto. A gente diz que ela viveu na Crescent durante um tempo, antes de comprá-la e que se vestia como um moço. Dali seu apelido, Charlie. Mas ninguém parece ter a menor idéia de onde vem ou quando o fez, nem sequer se tiver algum outro nome. Sempre esteve acompanhada de sua empregada, uma senhora Matty Jones, mas se o Jones for real ou não, não o pude descobrir, e embora o fora, há muitos Jones, como para que eu possa rastrear sua origem um pouco mais à frente.” “Maldição.” Jordan ficou de pé e caminhou nervosamente até a janela. “Há uma só coisa mais, meu Senhor.” Uns olhos marrons se fixaram sobre os de Jeffreys com profundo interesse. “O que averigüei é que a Sra. Jones e Madame Charlie, compartilham uma característica peculiar.” “Ah, sim? “Realmente. De acordo com a terceira criada da residência de Lorde Duffington, que está saindo com o ajudante de cozinha da Crescent, os rumores dizem que a senhora Jones e Madame Charlie Sahara Kelly Madame Charlie têm cicatrizes, ambas. Cicatrizes de queimaduras. As da senhora Jones estão à vista, em seu pescoço e ombro, as de Madame Charlie estão supostamente sobre suas costas, de acordo com sua criada.” Jordan permaneceu imóvel, absorvendo este pequeno sanduíche de informação. Queimaduras. Cicatrizes. Deus sabia que tinha visto o suficiente em batalha como para saber a dor que causavam. E somente de pensar que sua Charlie se machucou dessa maneira, foi suficiente para fazer que lhe obstrua o ar na garganta. Não podia suportar a idéia de que algo ou alguém lhe tivesse ocasionado essa agonia a sua suave pele. De repente, sentiu que a habitação se esgotava e o ar estava rarefeito. “Jeffreys, estiveste esplêndido. Segue trabalhando assim. Preciso dar um passeio.” E Jordan se foi, antes que Jeffreys pudesse tirar o resto dos papéis que esperava lhe apresentar a sua Senhoria essa manhã. Enquanto que, desde dia em que se conheceram, o CoronelJordan Lyndhurst ocupou seu tempo atendendo os interesses de sua posição, como o sétimo Conde, seu projeto, Madame Charlie, esteve ocupada com seus próprios assuntos e tratando de não pensar absolutamente no Conde. Ela tinha tido êxito no primeiro e falhado penosamente no segundo dia. Era seus assuntos de negócios que a trouxeram esta manhã à discreta residência sobre a Rua Harley, onde devia enfrentar a desagradável tarefa de confrontar ao Dr. Ponsonby. Este médico, que atendia regularmente aos nobres com os títulos mais altos do povo, tinha-lhe devotado um acerto que, em seu momento, soava útil. Seus serviços médicos em troca de uma pequena antecipação de dinheiro e companhia uma vez ao mês. Charlie, ansiosa por proteger a saúde de suas moças, tinha estado de acordo. Logo descobriu, faz alguns meses, que o bom doutor não estava atendendo a suas moças com amabilidade ou cuidados médicos, a não ser mais de uma vez, com brutalidade. Seus serviços médicos reais se limitavam a abrir algum que outro furúnculo, fazer sangrar com Madame Charlie Sahara Kelly sanguessugas a qualquer uma que tivesse um pouco parecido a uma febre e desmerecer um grande número de consultas sussurrando a frase problemas de mulheres. Charlie não perdeu o tempo e deu por finalizado seu acordo, mas o médico não estava satisfeito com isso. De fato, tentou manter tanto a ela, como as suas moças em várias ocasiões, e sua última visita, foi à gota que transbordou o copo para Charlie. Hoje terminaria tudo. Partiu até sua porta e tocou o sino, enquanto sua carruagem a esperava fora sobre o cordão e com uma de suas criadas dentro dele. Preferia que não houvesse público nesta visita. Perdeu-se de ver o elegante carro descoberto, que estava dobrando a rua. Harley ao entrar e nunca viu o olhar de alerta do Conde de Calverton, quando fez deter seus cavalos atrás da carruagem dela. A criada do Dr. Posonby acompanhou a Charlie até a sala de espera, uma sala poeirenta e escura, a que tinha uma lareira à lenha e uma limpeza profunda lhe haveriam vindo muito bem. Escutou vozes na habitação contigua e deduziu que estava com um paciente. Caminhou até a suja janela, que dava a um pequeno jardim. Não crescia nada ali, exceto um par de dentes de leão e algumas resistentes ervas daninha. De repente, Charlie ouviu um grito. Sem pensá-lo, correu até a porta mais distante e a abriu de um golpe, ficando sem fôlego, ante a imagem que viram seus olhos horrorizados. Havia uma mulher de barriga para baixo sobre uma espécie de mesa, e suas costas estava rasgada com chicotadas, dos ombros até a cintura. Tinham-lhe aplicado um intento de bandagem, que já estava manchado de sangue. Mas o pior era o muito mesmo doutor. Com as calças à altura dos tornozelos. O doutor investia à mulher, saindo e entrando nela por atrás, sem ter em conta seus soluços. “Que diabos, acredita que está fazendo?” Gritou Charlie, indignada ao extremo. Perdido em suas ações luxuriosas, o doutor não a tinha escutado entrar e se sobressaltou, seu membro saltou do ânus da moça e ficou meneando-se no ar. Madame Charlie Sahara Kelly Havia um rastro de sangue sobre ele, e ao Charlie, a ira lhe nublou a vista. “Lixo!” Agarrou o que encontrou mais perto, que foi um pesado peso de papel de bronze. O lançou com todas suas forças. “Miserável, despojo humano.” Gritou ela, zangada porque tinha se esquivado de seu míssil. Agarrou um abajur da mesa. “Como se atreve a tratar a uma mulher dessa forma, muito menos a uma paciente...” “Detenha neste instante, mulher estúpida.” O doutor subiu as calças e aparentemente recuperou a voz ao mesmo tempo. “Ela não é uma paciente, é uma puta. Não me pode pagar com dinheiro, por isso fizemos uma troca. O que é o que lhe acontece? É o mesmo tipo de coisas que você faz diariamente.” Os lábios dele lhe fizeram um gesto desdenhoso, enquanto suas palavras amassavam seus desagradáveis sons dentro do cérebro cheio de ira dela. “Malvado bastardo desumano...” Esgotadas as palavras, Charlie lançou o abajur e saltou sobre ele, levantando os punhos. “Sai de cima mim, puta.” rugiu o doutor, empurrando-a com todas suas forças. E infelizmente, o Dr. Ponsonby era um homem de grande tamanho. Charlie saiu voando pela habitação e terminou feito um pão-doce no chão, com a metade de seu vestido pendurando de seus ombros e a outra metade entre os dedos do Dr. Ponsonby. A mulher sobre a mesa soluçava, enquanto Charlie tratava de reunir os restos de seu vestido sobre seu peito e ficar de pé cambaleando, enquanto o Dr. Ponsonby lhe seguia insultando. E esse foi o preciso momento, em que Jordan Lyndhurst escolheu insistir em sua perseguição de Madame Charlie. Madame Charlie Sahara Kelly Capítulo Seis Logo que cruzou a soleira, os instintos militares de Jordan se alertaram. Houve muito silêncio durante muito tempo, o grito e o golpe que retumbaram repentinamente através do vestíbulo, não pareceram surpreendê-lo. Instintivamente, Jordan procurou sua espada. Certamente que não a tinha consigo, e terminou com sua jaqueta na mão, mas seu instinto de luta se despertou e se apurou para chegar até o som de batalha. Uma porta se abriu bruscamente. “Verei que receba o que merece por isso, cadela. Farei-me cargo de ti, não te engane se pense que não o farei. Tem sorte se chegar a ver a noite.” As estrondosas ameaças provinham de um homem que se via bastante desgrenhado, cujo traje anunciava que era o bom Dr. Ponsonby. Bom, Jordan se deu conta aos poucos segundos, provavelmente não era um adjetivo aplicável a este médico em particular. “Desculpe-me, Senhor. Devo ir. Não atenderei meus turnos de hoje. Meteu-se certa animália em meus escritórios. Devo as fazer pulverizar. Não há nada do que preocupar-se. Me farei cargo pessoalmente deste pequeno problema.” Ponsonby passou ao lado de Jordan, empurrando-o, e desapareceu em outra parte da casa, seguido quase imediatamente por um criado que tinha aparecido no vestíbulo, quase ao mesmo tempo em que Jordan. Um gemido detrás da porta, fez que Jordan sentisse um calafrio em sua coluna, e entrou apertando os dentes. Foi recebido por uma cena de caos e matança. Charlie estava ali, aparentemente inteira, e Jordan sentiu como o ar voltava a entrar lentamente em seus famintos pulmões. Estava arrulhando a uma mulher que jazia ensangüentada sobre uma larga mesa, enquanto tratava de manter unidos os retalhos de seu vestido. Estava lhe formando um hematoma na bochecha. Madame Charlie Sahara Kelly “Charlie, Madame Charlie.” disse Jordan, apressando-se em direção a ela. “Está bem? O que aconteceu?” Charlie deu volta para olhar ao Jordan, seus olhos já não eram calmos, a não ser acalorados e zangados. “Esse… esse c-c-porco de médico. Ele me golpeou. Depois de machucar a esta moça. Supunha-se que ele devia ajudá-la, curá-la, mas em troca ele… ele a machucou…” “Shh, querida, tudo estará bem...” Jordan notou que a mão de Charlie começou a tremer e viu que sua cara perdia a cor. Havia visto suficientes nas batalhas, para saber que o impacto começava a afetá-la. Ele a agarrou, quando caiu. A porta se abriu de um golpe e a criada de Charlie e o chofer de Jordan entraram correndo. “Senhorita Charlie? Ai, Meu deus, senhorita Charlie…” grasnou a criada. “Senhor? Meu Senhor?”O homem de Jordan olhou ao seu redor com grandes olhos, com os punhos ainda fechados e preparados. Jordan, que ainda estava lutando com o fato de que estava sustentando a uma Charlie, meio nua em seus braços, ordenou seus pensamentos erráticos. “Você, moça, vá ver o que pode fazer por ela ali, assinalou com a cabeça a jovem a que tinham golpeado tão ferozmente. Joseph, ajude-a. Leva a essa jovem a carruagem de Madame Charlie e a levem a Crescent. Eles saberão como ajudá-la melhor ali. Tom está com os cavalos?” Joseph assentiu com a cabeça, enquanto seu olhar advertiu a ensangüentadas costas da jovem. Fez um gesto compassivo. “Bem. Tom me levará de volta a Casa Calverton. Levarei comigo a Senhora Charlie. Eu não gosto como soou Ponsonby, nem suas ameaças.” Olhou ao Charlie e a aconchegou contra seu peito. Ela era alta, mas em seus braços se sentia como uma verdadeira garotinha. Seu firme corpo estava escassamente coberto, e apesar das circunstâncias, Jordan sentiu que ficava duro. Madame Charlie Sahara Kelly Reprimindo silenciosamente uma maldição, dirigiu-se à criada que agora estava ajudando a jovem vítima com suas feridas. “Você, ali, como te chama?” “Amy, meu Senhor.” disse ela com uma pequena inclinação. “Amy.” Diga a todos na Crescent que levo madame Charlie a minha casa daqui de Londres, a Casa Calverton, no Farmington Square, para sua segurança. Uma vez que recuperou-se do impacto, decidiremos como seguir.” Saiu da habitação levando sua carga e dando largos passos, e deixou a dois criados olhando-se boquiabertos. “Vá, céu santo.” disse Amy em voz baixa. “Prepotente, né? “Esse é o Coronel, para que saiba. Está muito acostumado a ter o que manda.” Embora nunca o visse oferecer-se a levar a uma mulher a Casa Calverton. Geralmente, só queria as tirar correndo. “Só espera que Madame Charlie desperte. Ela o vai dirigir.” Amy sorriu ao Joseph ao dar-se volta para ver como podia ajudar a pobre mulher cujo apuro tinha começado esta estranha sucessão de feitos. Em poucos minutos, Jordan tinha a Charlie acomodada, em sua carruagem e estava à caminho a Casa Calverton. Por que ainda a tinha entre seus braços era outra coisa e algo que não se questionaria neste momento. Estava recuperando um pouco da cor, e apesar de que suas mãos estavam frias e pegajosas, ele sentiu que o pior já tinha passado. Baixou seu olhar até o esmigalhado vestido, nem por sua vida poderia deixar de olhar a suave carne que deixava exposta. Tinha-o tratado de acomodar o melhor possível, para protegê- la de olhares indiscretos, mas agora que estavam sozinhos, concedeu-se o prazer de olhar seus pálidos seios e a forma em que se avultavam, formando uma atrativa fenda. Madame Charlie Sahara Kelly Queria passar sua língua entre eles e provar sua pele com desespero. Estaria levemente salgada, mas doce, imaginou, uma mescla de mulher desavergonhada e doçura. Suas mãos tremiam, enquanto lutava contra seus instintos. Os instintos que o incitavam a afrouxar o tecido rasgado e deixar seus mamilos ao ar. Uma sacudida no andar da carruagem o fez por ele, e conteve a respiração, quando um de seus peitos se livrou de seus rasgados tecidos. Seus mamilos arredondados o hipnotizaram, sua cor o deslumbrou e seu coração começou a martelar, gerando um pulso que ergueu seu membro até um incrível nível de rigidez. Sua auréola era de cor rosa escuro e maior do que teria imaginado, considerando sua figura magra. Seu mamilo era perfeitamente redondo e descansava brandamente sobre seu carne, rogando por que sua boca e toque, despertado para obter uma rigidez premente. Quase podia saboreá-la, enquanto seus olhos se deleitavam com ela e seu membro se movia inquieto debaixo dela. Ela gemeu e o som o tirou de sua nebulosa sexual. Com um suspiro de arrependimento, cobriu-a e a trouxe contra ele, deixando que seu perfume se pulverizasse até seus orifícios nasais e impregnasse sua mente. A carruagem diminuiu a marcha e soube que tinham chegado a Casa Calverton. Durante as próximas horas, ao menos, ela estaria onde ele acreditava que pertencia: ao seu lado. Agora, se somente pudesse convencer de que seria melhor ainda se provassem com outra posição: ele em cima dela. Charlie estava dolorida. Das pálpebras até os dedos dos pés, tudo doía. Não queria abrir os olhos, se por acaso seus globos oculares lhe doíam também, então se aconchegou mais sobre o suave travesseiro e permaneceu ali, com uma paz incomum. A habitação em que se encontrava estava em silêncio e os lençóis cheiravam mal, embora se sentisse suaves sobre sua pele nua. Aos poucos segundos, ficou tensa, dando-se Madame Charlie Sahara Kelly conta de que onde fora que estivesse, não era sua habitação da Crescent e não levava nada posto. Levantou suas pálpebras com cautela. Estava escuro e uns pequenos brilhos de luz guiaram seu olhar até um fogo que titilava na habitação. Havia um sofá baixo perto da estufa e Matty estava descansando comodamente nele, com sua cabeça para trás e uma manta de lã sobre suas pernas. Tinha a boca aberta e roncava levemente. Bom, se Matty estava aqui, onde fora que aqui fosse, devia ser um lugar aceitável, supôs Charlie. Matty sempre soube o que era o melhor. Charlie levantou a cabeça com um pequeno grunhido e isso foi suficiente para despertar ao Matty. “Doçura, está acordada.” murmurou, jogando para trás a manta e apressando-se até a cama. “Ai, Matty, sinto muito. Não quis despertar. Estava dormitando tão pacificamente ali.” Charlie levantou uma mão até sua cabeça e tocou o grande galo detrás de uma orelha. “Ai. Com razão me dói a cabeça.” Sua visão captou algumas imagens e logo voltou a inundar-se no travesseiro. “Onde estamos e por que estou nua?” “Só fique ali como uma menina boa, Charlie...” A cama se moveu, quando Matty foi daqui para lá na habitação, logo se afundou, quando acomodou um amplo quadril junto à de Charlie. Charlie percebeu um aroma de chá. Ela sorriu. O remédio de Matty para tudo era uma boa taça de chá. E quase sempre funcionava. “Agora, me deixe acomodá-la um pouco e poderá tomar uns sorvos desta linda taça de chá, carinho.” Matty deslizou um braço por detrás dos ombros de Charlie. “O doutor diz que estará bem. Tem alguns golpes e hematomas, mas nada que não se cure em uns poucos dias.” Charlie retirou os lábios da taça e fez um gesto. “Matty, este chá não é tão bom, como os que geralmente faz.” Madame Charlie Sahara Kelly “Isso é porque tem um pouquinho de medicamento, querida. Algo para que alivie a dor mais forte. O Coronel me permitiu usá-lo.” Charlie se paralisou. “Matty, onde estamos?” Voltou a perguntar. Com mais firmeza desta vez. “Bem, verá, é assim: logo depois de que o Coronel a resgatou da besta do Ponsonby, você desmaiou e ele a levou nos braços até sua carruagem rapidamente e a trouxe até aqui.” “E onde é ‘aqui’?” Matty brincava com a taça, para não olhar ao Charlie. “Né, bom, ele a trouxe até o lugar seguro mais próximo, querida.” “Onde?” A voz de Charlie era quase um grunhido. “A Casa Calverton.” “Oh, Deus. A casa de Londres de Jordan?” Matty franziu o cenho. “Oh, Deus o que? O que, ‘oh, Deus’ nem a oito quartos. O Coronel fez o melhor que pôde por você, jovenzinha. Deveria estar agradecida aos astros de que ele tenha entrado e a tenhasalvado quando o fez.” Charlie fechou os olhos e implorou por paciência. “Matty, devo te deixar algumas coisas em claro. Primeiro Jordan Lyndhurst não me resgatou, eu me resgatei sozinha. Segundo, me trazer para a Casa Calverton não foi o melhor que pôde ter feito nestas circunstâncias. Deveria me haver levado a Crescent. E terceiro, onde está minha surpresa? Os olhos de Charlie se entrecerraram, quando um ponto de dor lhe pulverizou por seu flanco e por entre as costelas. “Aí tem, olhe o que tem feito. Suas costelas estão machucadas e você foi as fazer doer, não?” Charlie podia reconhecer os signos de ofensa, preocupação e culpa, quando os escutava. Suspirou. “Matty, está bem. Arrumaremos isso. Eu alguma vez estive aqui, recorda? Simplesmente é irritante não estar em casa, onde deveria estar. Quem está cuidando da Crescent? Quem está a cargo das moças? O que aconteceu a essa pobrezinha do consultório?” Madame Charlie Sahara Kelly Matty lhe aplaudiu a mão e acomodou a colcha ao redor de sua paciente. “Tudo está bem na Crescent, e lhe trarei a roupa pela manhã. Estive correndo um pouco hoje, por isso não tive oportunidade de procurar sua roupa de cama. Mas não importa, seus machucados necessitavam um pouco de arnica, e por isso tínhamos que deixá-la sem roupas, de todos os modos. Estou cuidando bem do lugar por você e lhes hei dito aos convidados que você estará visitando uns amigos longe da cidade, por uns dias. Não há falatórios e as moças estão bem, só sentem saudades.” Matty se deteve para respirar, dando tempo a Charlie para ficar a par de todas as notícias. “Essa jovem moça, Mary, a do consultório do Ponsonby?” Charlie quis assentir com a cabeça, mas lhe pesava muito. “Bom, muito provavelmente terá algumas cicatrize feias, mas está se recuperando muito bem. Fez-se de amigas na Crescent e embora não acredito que tenha o interesse d trabalhar ali, tem um dom com o cabelo e as moças já a estão perseguindo para que as penteie para esta noite. Está acontecendo bastante bem e estará bem apesar de tudo...” Charlie fez o que pôde por manter as pálpebras abertas, mas caíram, apesar do esforço. “Agora só descanse Charlie, carinho. Tudo estará bem.” A voz do Matty era suave, e Charlie sentiu que uma mão tenra passava por suas sobrancelhas. Ela sorriu, recordando como Matty estava acostumado a fazer isso, quando ela era uma garotinha. Possivelmente faria o que Matty disse. Que mal lhe poderia fazer dormir na Casa Calverton? Não era que estava na cama de Jordan Lyndhurst nem nada parecido. E embora estivesse nua, era só por umas horas, de todas as formas, e estava tão endemoniadamente cansada… Madame Charlie Sahara Kelly Capítulo Sete Jordan Lyndhurst a olhava dormir em sua cama. Ele havia a trazido até aqui sem pensá- lo, seus passos o levaram automaticamente até sua própria habitação e seus braços deixaram sua preciosa carga, onde ele sentia que devia estar: sobre seu travesseiro. Ele a viu começar a tremer e apertou os dentes ante o impulso de lhe arrancar a roupa, subir à cama a seu lado e abraçá-la forte até que se o fora o medo. Em troca, aterrorizou a toda a casa e os teve zumbindo para todos os lados em busca de seu próprio médico, o travesseiro mais suave, que houvesse lenha para acender o fogo em sua habitação e mensageiros para enviar a Crescent. Isto último foi bastante desnecessário, já que ao pouco tempo de que Jordan e Charlie chegassem a Casa Calverton, Matty estava golpeando com força a porta de entrada e quase passa por cima de seu mordomo na pressa por chegar até sua custodiada. A Jordan fascinou a mescla de devoção, amor e respeito que Matty demonstrava pela Madame Charlie. Ela a tratava primeiro como a uma garotinha e logo como a uma adulta, e ao Jordan ficava claro que estas duas tinham uma larga história juntas. Não pôde evitar notar as cicatrizes de Matty, mas não pôde lhe jogar uma olhada às de Charlie, já que Matty o tirou correndo da habitação e não o deixou voltar a entrar até que Charlie esteve a salvo, tampada com os lençóis e envolta tão forte como um bebê bem agasalhado. A atitude inicial de Matty tinha sido de hostilidade e suspeita. “Levaremo-la para casa em muito pouco tempo, meu Senhor.” Foi bastante firme em sua declaração e Jordan teve que usar todo seu encanto e lógica para convencer a do contrário. “Ponsonby é uma verdadeira ameaça, senhora Matty.” opinou finalmente. Não era mais que a verdade, depois de tudo. “Aqui na Casa Calverton, posso-lhe garantir seu amparo. Pode dizer o mesmo da Crescent? Sei que tem guardas, mas há muita gente que entra e sai. Você saberia se o homem de Ponsonby se escapa e entra? Ou se chegasse alguém que ele contratou para lhe fazer danos a senhorita Charlie?” Madame Charlie Sahara Kelly Matty inclinou a cabeça e o olhou fixamente durante tanto tempo que ele quase sentiu que começava a ruborizar. “Ponsonby a golpeou, você sabe. Foi muito violento.” Jordan se perguntou se seu argumento reforçaria seu oferecimento de amparo. “Sim. Bom, os cavalheiros fazem isso, ou não?” A ácida resposta de Matty o surpreendeu. “Não, não o fazem senhora Matty.” Recebeu um bufido como resposta, mas não a deixaria sair-se com a sua por nada. “Um homem que golpeia a uma mulher não é um cavalheiro. Pode ser da nobreza ou rico, ou o que seja, mas não é um cavalheiro. É um caipira, um porco, um animal e pior que isso, mas não é um cavalheiro. Não há, e lhe repito, NÃO há desculpa alguma para que um homem levante a mão a uma mulher. A única vez que peguei um membro de minha brigada fazendo isto, eu o fiz acoitarem. Pela danifico de algumas de suas amigas. Em público.” Jordan viu que uma expressão estranha passava pelo semblante de Matty, enquanto fazia sua declaração. Começou sendo um gesto de alívio e logo se converteu em um pequeno sorriso. “Bueeeeeno...” Atirou de seu lábio inferior, obviamente analisando-o a ele e a suas palavras. Sorriu-lhe e tratou de irradiar encanto e confiabilidade. “Acredito que não lhe faria mal que a tenha aqui por um dia ou dois. Ninguém deve saber disso, advirto-lhe... Ele negou firmemente com a cabeça. “Já suportou muitas falatórios, pobrezinha. Não ajudaria à reputação de nenhum dos dois, se soubesse que esteve aqui.” “Ninguém dirá uma palavra, senhora Matty. E você pode entrar e sair como lhe agrade. Se deseja ficar com ela...” “Deveria, sei.” respondeu Matty, fazendo que as tripas de Jordan se atem. Madame Charlie Sahara Kelly “Mas além de Charlie, eu sou quão única está a par de tudo na Crescent. E se eu também desaparecesse, daria o que falar. Não.” Concluiu. “Vou confiar em você, Coronel Lyndhurst. Mantenha-a salvo e deixe que se cure. Logo envie-a para casa.” Jordan o prometeu. Mantê-la a salvo. Bom, estava fazendo-o. Esparramado sobre o condensado sofá e debaixo de uma manta, certamente podia mantê-la a salvo. Tinha atribuído mais serventes, para que cuidem da casa e os estábulos, fazendo referência a uma recente onda de assaltos na área. A maioria dos serventes sabia que havia trazido para sua casa a uma hóspede machucada, mas poucos, além de seu mordomo e seu valete, conheciam sua identidade ou sequer seu sexo. As portas estavam fechadas, travadas e duplamente revisadas. Esta habitação estava fechada com chave e as janelas que davamdesde muito alto ao jardim traseiro da Casa Calverton eram seguras. Jordan se perguntou se o estava tomando muito a sério, mas logo recordou a cara de Ponsonby. Ali havia um homem que guardava rancor e sobre tudo, se pensava que o tinha vencido uma mulher, e, pior ainda, uma puta. Puta. Já. A mulher que dormia em sua cama não era mais puta do que era ele. Isso é algo que Jordan notou rapidamente ao sustentar seu corpo tremente e acomodá-la em sua habitação. Seus olhos se abriram e o olharam sem expressão, com os efeitos do impacto ainda visível, em suas profundidades cor cinza brumosos. Qualquer puta tivesse estado mais que acostumada a essa violência, porque apesar da iluminada época em que viviam, as putas eram atacadas de maneira perturbadoramente freqüente. Suas magras mãos se obstinado fortemente as suas lapelas, e ele se maravilhou ante a suavidade de sua pele ao lhe baixar o esmigalhado vestido pelos ombros. Era uma dama em cada polegada de seu corpo e não importava qual fora seu passado: ele sabia que não era nenhuma puta. Deixá-la curar-se. Madame Charlie Sahara Kelly Bom, não havia muito que pudesse fazer a respeito. Os hematomas se viam bem, lívidos contra sua carne pálida, mas eram apenas hematomas e desapareceriam. Sua reação ao ataque, entretanto, tinha-o um pouco confundido. Podia não ser uma endurecida prostituta, acostumada à violência pessoal, mas o nível do impacto que sofreu foi muito alto. Provavelmente teria tido que lutar com um comportamento como o do Ponsonby com antecedência? Era um quebra-cabeça e a Jordan adorava resolver quebra-cabeças. Lambeu-se. Enviá-la a casa. Ah, ali estava à armadilha. Não queria enviá-la a casa. Queria ficar com ela. Recostou-se com um suspiro e enfrentou a inviabilidade da situação. Queria ter madame Charlie tanto que seus dentes lhe doíam. Foi a primeira vez que recordava estar tão obcecado com uma mulher. Nem sequer com a que quase se casa, cujo nome já nem se recordava. Ninguém o tinha feito sentir tão quente, nem tão necessitado por dentro, desejando algo que nem sequer podia definir. Queria ter seu corpo, certamente. Sabia que enterrar-se dentro dela e bombear seu sêmen muito profundo em seu ventre, seria uma espécie de maravilha assombrosa, algo que nunca antes tinha experiente. Queria prová-la, beber seus sucos, chupar seus seios e acariciar seu traseiro. Queria explodir em seu corpo, como um buscador de tesouros explorando novos mundos em busca de ouro. Queria vê-la nua ao raio do sol e nua à luz do fogo. Diabos, só a queria nua. Com ele. Pele contra pele, boca contra boca, seus seios apertados contra ele e sua concha abraçando seu pênis. Falou-se entre dentes a si mesmo e se deu volta, tratando de aliviar-se um pouco da pressão que seu membro criava ao responder a seus pensamentos. Suspirando, ficou de pé e se despiu, deixando cair sua roupa descuidadamente ao lado do sofá e gemendo com alívio, quando seu membro saltou liberto de suas calças. “Não é de nenhuma ajuda.” murmurou, afundando-se outra vez e cobrindo-se com a manta. Madame Charlie Sahara Kelly Tratou de desviar seus pensamentos, mas um pequeno suspiro dos lençóis do outro lado da habitação voltou seus pensamentos para Charlie. Jordan refletiu sobre que classe de mulher se faria credora de um nome como “Charlie.” E que, além disso, ficasse tão bem. Não era uma Emily, isso é seguro. Nem Margaret, nem Jane, nem Daphne, nenhum deles lhe teriam ficado bem, tampouco. Não, ela era Charlie. Orgulhosa, elegante, reservada, mas disposta a defender a suas moças e a lhes assegurar uma vida decente além do que podiam esperar. Uma mulher com um espírito de ferro, pronta a enfrentar-se à besta mais malvada para proteger a alguém mais fraco que ela. Charlie. Uma mulher cheia de surpresas, contraste, enigmas e mistérios. Um nome fora do comum para uma pessoa fora do comum. Nesse momento, a pessoa fora do comum choramingou. “Papai?” Charlie sentia como os vestígios do sonho se afastavam deslizando-se como gotinhas de água, e, entretanto, a ilusão permanecia. Sua mente estava difusa, as imagens imprecisas e distantes e seu corpo se sentiam pesado e irreal. Possivelmente ainda estava sonhando. Não, havia alguém a seu lado, tendo-a em seus braços. Sentia-se bem, a salvo de alguma forma. Devia ser Papai. Finalmente estava ali para ela. “Graças a Deus. Papai deve me escutar. Não me faça fazer isto.” “Fazer o que, querida?” A voz era suave e profunda. Não soava como a de Papai, mas era uma voz de homem. “Não me faça casar com ele. Sabe que Mamãe nunca me teria feito casar com ele.” Uns dedos pentearam seu cabelo para trás para tirar o de sua cara. “Me conte sobre ele.” Madame Charlie Sahara Kelly “Ele é tão velho, Papai.” Possivelmente esta vez a escutaria. “E a forma que me olhe. Ele quer estar comigo a sós, Papai, e eu lhe tenho medo. O outro dia, precisamente, quando deveu tomar o chá...” “O que aconteceu?” “Ele m… me tocou Papai. Em uma parte onde não devia. Em uma parte p… p… privada.” Os dedos cessaram suas tenras carícias. “Não te zangue comigo, Papai, por favor. Eu não fiz nada. Queria gritar, mas não o fiz. Reeves entrou com a bandeja do chá e ele se deteve. Mas Papai, ele não gostou...” Charlie deixou sair um soluço. Por que seu pai não a escutava? Por que a fazia continuar com o deste espantoso casamento? “Não quero me casar com ele. De verdade não quero. Por que não pode entender, nem me emprestar atenção? Deixe ficar aqui contigo e te cuidar. Por favor, Papai, por favor. Morrerei se me faz ir com ele.” Uns quentes braços a abraçaram forte e pôde perceber os fortes batimentos do coração, de um coração contra sua aturdida cabeça. Quase podia ver a cara de seu pai, sorrindo com tristeza. Suspirou. “Devo fazê-lo, não? Não há alternativa. Arruinará-te se não me caso com ele. E me arruinará se o faço.” Deixou sair uma risada irônica. “Ambos vamos perder.” “Ssshh, está bem, Charlie, está bem...” Uns sons reconfortantes ajudaram a afrouxar a tensão em seus ombros e Charlie suspirou aliviada. “Faz que esteja bem outra vez, Papai. Faz como que nunca aconteceu.” Ela emitiu umas pequenas risadas. “E eu gosto que me chame Charlie. Mamãe estava acostumada fazê-lo, recorda? Muito mais divertido que o velho e presunçoso Charlotte.” Suspirou e se aconchegou contra a calidez, que se esparramava por todo seu corpo. “Mamãe estava acostumado a cantar ‘Charlie é meu amor’. Recorda?” Ela cantarolou uma pequena melodia, deixando que as lembranças de sua mãe se deslizem por sua mente e a reconfortem. “Estranha a mamãe, você não acha, Papai?” Madame Charlie Sahara Kelly Os braços ao redor dela há apertaram um pouco mais. “Sim, você a estranha, posso vê-lo. Sinto me haver queixado. Sei que devo me casar com ele. Não quero fazê-lo e não sei se sobreviverei, mas o farei. Casarei-me com ele por ti, Papai. E porque Mamãe me pediu que te cuidasse e não sei de que outra maneira fazê-lo...” Sentiu que as lágrimas rodavam por sua cara e que uma mão cálida as secava. “Não chore Charlie. Já terminou tudo. Está a salvo agora, comigo.” A salvo. Estava a salvo? Doía-lhe o corpo, como lhe tinha doído antes. Mas o coração não lhe doía tanto. “Estou a salvo contigo? Ela deu volta à cabeça para encontrá-lo, seus olhos se negavam a enfocar-sesobre nada em concreto, só uma mancha pálida de uma cara perto da sua. “Está a salvo comigo. Nunca deixarei que te passe nada, Charlie. Nisso, tem minha palavra.” Sua voz a acalmou e a reconfortou, e por uns segundos, um par de olhos com manchinhas douradas dançando dentro deles se fizeram visíveis. “Sim. Você me manterá a salvo, verdade?” Sentiu que sua mente se dispersava e seu corpo se afundava em um prazenteiro estado de relaxação. “Obrigado.” Seus olhos se fecharam. Logo se abriram por um instante novamente e encontraram sua cara uma vez mais. “Jordan.” sussurrou ela. “Tem uns olhos formosos.” Ela dormiu. Madame Charlie Sahara Kelly Capítulo Oito Charlie despertou a luz do sol que fluía sobre sua cara. Ao estirar-se, deu-se conta de que sua boca se sentia como se tivesse estado lambendo um tapete durante horas, seu estômago fazia ruídos, e tinha a imperiosa necessidade de um urinol. Quando levantou um pouco a cabeça, viu o biombo do outro lado da habitação e deduziu que ao menos uma de suas necessidades podia ser satisfeita. Tremiam-lhe as pernas e lhe doía o corpo, mas estava satisfeita e orgulhosa de si mesma, por poder cobrir a pequena distância até atrás do biombo e novamente até sua cama, sem cambalear. Notou que agora tinha posto sua própria camisola e sorriu ao dar-se conta que algumas outras de suas coisas estavam esparramadas na habitação. Matty estava a cargo, sem dúvida. Como se a tivesse chamado com o pensamento, abriu-se a porta e a mesma Matty entrou precipitadamente com uma grande bandeja. “Ai, minha querida, olhe-se. Já está levantada. E estou segura de que também deve estar muito faminta.” “Sedenta, mais que faminta, mas sim a ambas as coisas, Matty. Que horas são? Quanto tempo eu dormi?” Charlie deu um enorme bocejo e se estirou bem acima de sua cabeça, afrouxando seus ombros e fazendo uma pequena careta. “Ainda lhe dói?” Perguntou Matty, servindo chá do bule sobre a bandeja que trouxe com ela. “Um pouco. Não muito. Mas sinto a cabeça um pouco lenta...” “Esse é o láudano. Pensamos que seria boa idéia lhe dar algumas gotinhas.” “Láudano? Matty sabe que eu nunca hei tocado essas coisas.” Charlie franziu o cenho ao pensar nisso. Houve um tempo em que Matty a obrigou a tomá-lo, mas ela se negou inexoravelmente. Madame Charlie Sahara Kelly “Sei preciosa, sei. Mas é que estava tão golpeada e sabíamos que se estava acordada, teria estado chateando com perguntas sobre a Crescent e quando iria para casa, assim pensamos que era o melhor. Só por esta vez, carinho.” “Que horas são então?” Matty limpou sua garganta. “São mais de quatro.” “Santo céu, quer dizer que dormi durante várias horas?” “Bom, em realidade, são as quatro da quinta-feira.” Charlie ficou boquiaberta. “Por Deus. Dormi durante dois dias?” Matty assentiu e lubrificou várias torradas com manteiga. “Nós acreditamos que seria o melhor. Precisava curar-se.” Os olhos de Charlie se entrecerraram, inclusive enquanto tomava gostosamente a taça de chá, e permitiu a Matty que lhe acomode os travesseiros e a posta cômoda. “Estou escutando muito a palavra ‘nós’. Os quem são ‘nós’, Matty?” Matty lhe ofereceu uma torrada. Ganhou a fome e Charlie mordeu o alimento com entusiasmo. “Não pense que lhe escapará desta, minha amiga.” Charlie resmungou com a torrada na boca. “Não fale com a boca cheia, jovenzinha.” disse Matty automaticamente, servindo uma segunda taça de chá e acomodando seus amplos quadris sobre a cadeira que tinha aproximado à cama. “Agora, como se sente?” Charlie devorou sua segunda torrada. “Além de machucada e faminta, e com dor de cabeça, estou endemoniadamente ansiosa por saber o que esteve acontecendo e por que pensou que devia me drogar para me manter fora de tudo.” Manteve sua voz firme e nivelada, e seu olhar sobre o Matty. Ignorando-a, Matty se inclinou para frente e entregou-lhe uma torrada com manteiga com a familiaridade de uma amiga de muito tempo. Bebeu seu chá e logo endireitou suas costas contra a cadeira. Madame Charlie Sahara Kelly “Muito bem. O Coronel e eu pensamos que seria melhor que você durma um tempo. Ele estava muito preocupado pelas ameaças do Ponsonby e acreditou que estaria melhor protegida aqui do que poderia ter estado na Crescent.” Charlie abriu a boca para protestar, mas a deteve, com a mão levantada de Matty. “Só pensa um pouco, Charlie. Teria fechado a Crescent? Teria posto a um criado em cada uma das portas para revistar aos visitantes ao chegar? Como haveria protegido às moças se alguém tivesse decidido as castigar a elas, em vez da ti?” Charlie fechou a boca. “Teria ficado ao menos em sua habitação até que Ponsonby revelasse seus planos ou aparecesse em sua casa outra vez?” “Desapareceu?” “Completamente.” “Maldição.” “O Coronel se assegurou também de que seus pacientes saibam exatamente o que aconteceu, mas sem mencionar seu nome. Só disse que tinha surpreendido ao doutor abusando de uma mulher que necessitava atenção médica. Isso foi tudo.” “Isso não pôs ao Jordan… digo, a sua Senhoria em perigo, também?” A preocupada pergunta de Charlie fez que os olhos de Matty brilhassem com interesse. “Parece pensar que não. Estava mais preocupado com você. E se tomou especialmente o trabalho de assegurar-se de que esteja a salvo, protegida e de que ninguém saiba que está aqui.” Matty assentiu com aprovação. “E o tem feito, além disso.” “Ah, sim?” Charlie olhou ao Matty, assombrada de que por uma vez um homem recebesse a aprovação da muito crítica olhar desta mulher. “A verdade que sim. Ele a atendeu sozinho. Ninguém exceto o agradável senhor Arthur sabe quem é. É o valete do Coronel, sabe?” Inclinou-se Matty informalmente. “Um homem tão agradável. Diz que esteve com o Coronel durante anos. Antigo ajudante pessoal, agora valete. Cuida-o tão bem e se assegurou de que eu entre e a visite, sem nenhum alvoroço ou moléstia cada vez que venho.” Madame Charlie Sahara Kelly Charlie tragou completamente surpresa com o assombroso reconhecimento de Matty ao Jordan Lyndhurst. “Sério? Ah, santo céu. E o que disse às moças?” “Disse-lhes que estava visitando uns amigos que encontrou por acaso e que passaria uns dias com eles.” “Como tomaram? Nunca fiz algo assim antes.” “Possivelmente por isso tomaram tão bem. A maioria disse que era hora de que descansasse uns dias. Um par, disseram que não se apresse em voltar, porque os homens as olham mais agora que você não está.” Charlie sorriu. “E eu me estou arrumando isso, para fazer que tudo funcione o melhor que posso.” “Os clientes parecem estar bem, alguns perguntaram por você, a maioria homens.” a boca do Matty baixou o tom. “Mas em geral, tudo anda bem. Não tem que preocupar-se por nada.” “E está preocupando, senhora Matty?” A voz profunda ressonou na consciência de Charlie e instintivamente levantou as cobertas até sua garganta. Aparentemente, Jordan notou seus movimentos, porque seus olhos seguiram sua mão e seus lábios torceram em um pequeno sorriso. “Por amor de Deus, Senhor, é obvio que sim. Mas acabo de lhe dizer como estão às coisas na Crescent, assim pode descansar e não preocupar-se com um tempinho ao menos.” Jordan se aproximou da cama e se serviu da última torrada. Sua boca tinha saborde serragem seco, mas ao mastigar e tragar obteve a concentração que poderia ter perdido de outra forma, enquanto olhava a Charlie. A tinha tido com ele as últimas quarenta e oito horas, para conhecer seu perfume, seus sons e saber brevemente como se sentia sua pele. Mas agora ela estava totalmente acordada, alerta e outra vez baixando esse véu de ocultação sobre seus olhos cinza. Estava decidido a não deixar que isso continuasse. De uma forma ou outra, ia penetrar a fortaleza de controle de Madame Charlie e abrir uma brecha em suas emoções e em seu corpo. Madame Charlie Sahara Kelly Lambeu-se e lhe agradou ver um pequeno estremecimento mover o cabelo desordenado ao redor da cara de Charlie. “Eu gostaria de te dar minha palavra, Madame Charlie, que te protegerei enquanto esteja aqui em minha casa. Não deve sentir temor a respeito. Acredito que na Crescent se hão tomado algumas precauções sensatas também. Estarei muito mais feliz, quando encontrem ao Ponsonby, mas por agora, não acredito que haja mais que possamos fazer.” Reclinou-se contra o alto poste ao pé da cama e a examinou, desfrutando do atado cabelo loiro que caía para todos os lados e da camisola de rendas e laços, delicadamente ao redor de seu pescoço, que não fazia nada por desalentá-lo a querer soltar os laços, até que se abrisse. Ou possivelmente nem sequer incomodar-se, só rasgá-la de acima a abaixo e deixar à sua vista o calor de sua vagina, seus formosos seios… Jordan trocou de posição e olhou para outro lado, sentindo um desacostumado calor em suas bochechas, enquanto despia e agarrava mentalmente a sua hóspede. “Aprecio tudo o que tem feito meu Senhor. Não posso mais que pensar que lhe hei causado problemas.” A resposta de Charlie foi toda formalidade e seus olhos careciam completamente de emoção. Sim, realmente tinha um bom controle de si mesmo. “Para nada. Passaste a maior parte do tempo dormindo. Não foste precisamente uma hóspede difícil de atender.” sorriu Jordan. “Bom, agora que estou acordada, possivelmente deveríamos planejar minha partida. De verdade, devo retornar a Crescent.” Jordan tomou ar, mas Matty lhe adiantou. “Bom, Charlie, não nos apressemos a tomar nenhuma decisão tola. Neste momento, ninguém sabe onde está. Dê um par de dias mais ao Coronel, para ver se seus agentes encontram ao Ponsonby.” Olhou rapidamente a Jordan, que moveu levemente a cabeça em sinal de aprovação. “Verá, carinho, o criado do Ponsonby foi reconhecido como um completo vilão.” Charlie franziu o cenho. Madame Charlie Sahara Kelly “Realmente, Charlie.” Jordan nem se deu conta de que estava chamando o Charlie por seu primeiro nome. Simplesmente lhe soou tão natural. “Logo que fiz que minha gente começasse a indagar sobre o possível paradeiro de Ponsonby, descobrimos que seu criado tem uma história violenta. Especialmente com as mulheres. Houve histórias de criadas desaparecidas em casas onde ele trabalhou e bastante brutalidade comprovável. Parece que o homem é abusivo, sem dúvidas, e possivelmente também um assassino.” Charlie empalideceu levemente. “Por todos os céus. E nós não sabíamos.” “Como poderiam sabê-lo? E em circunstâncias normais, nunca teria tido contato com ele de todas as formas. Mas agora, vendo que Ponsonby está fugindo das autoridades, a quem gostaria de conversar sobre suas práticas médicas, e que os feitos se precipitaram por uma mulher, não temos idéia do que estará pensando ou fazendo seu servente, ou o que estará respirando a Ponsonby a fazer. É uma situação aterradora e que simplesmente não podemos controlar neste momento. Está mais a salvo justo aqui onde está.” O olhar de Charlie foi e veio de Matty ao Jordan uma e outra vez. Jordan conteve a respiração, enquanto via Charlie analisar seu problema desde distintas perspectivas. Sua cara permanecia impassível, seus olhos calmos e circunspetos. Mas se tinha acostumado a sua linguagem corporal durante os últimos dois dias e, pela pequena vacilação do pulso em seu pescoço, deu-se conta de que suas revelações perturbavam- na. Os cobertores subiram e baixaram sobre seus seios, quando ela inspirou profundamente. “Parece ser que não tenho alternativa neste momento que aceitar sua hospitalidade. Agradeço-lhe, meu Senhor. Igualmente, me reservarei o direito de partir, tão logo como resolvo esta situação. Enquanto isso, acredito que deveria me vestir e possivelmente me encarregar da papelada da Crescent. Estou segura de que Matty não o importará trazê-la quando voltar. E a necessitarei ao meu lado todo o tempo, desde logo...” Jordan reprimiu um sorriso. Charlie estava tentando evadir elegantemente a possibilidade de que a presença dele a perturbasse. E ele sabia que o fazia. Sabia com a Madame Charlie Sahara Kelly segurança que sentia pulsar a seu coração. Esta mulher tinha muitas estratégias para manter-se à margem, distante. Ele ia desfrutar derrotar cada uma delas. Era hora de começar. “Compreendo.” Ele sorriu amavelmente. “Entretanto, deveria assinalar que a senhora Matty se tem feito cargo da Crescent em sua ausência. Tem a alguém em mente para substituí- la, enquanto fica aqui te cuidando?” Havendo recordado elegantemente a Charlie sobre suas obrigações de negócios e implicando que Matty não faria mais que chatear a Charlie, esperou ver como responderia . Ela não o desapontou. Levantou o queixo um pouco e procurou seu olhar com tolerância. Nem um rastro, do que deveu ser uma tremenda luta interna, se deixou ver em seus olhos cinza claro. “Suas hipóteses são corretas, meu Senhor. Devia ter considerado todas as possibilidades antes de falar.” Charlie olhou a Matty. “Matty, parece que estarei obrigada a contar contigo por um tempo mais. Igual, gostaria que me trouxesse a papelada. O lado financeiro deve ser atendido e certamente posso fazer isso sem pôr em perigo a nada, nem a ninguém. Se sua Senhoria fora tão amável de me permitir usar seu escritório...” Uma sobrancelha pálida se levantou lhe indagando. “É obvio. Não tiveste a oportunidade de averiguar, mas de fato, esta suíte tem uma pequena sala de estar por essa porta...” Ele fez um pequeno gesto. “Pode usá-lo tanto como o necessite.” “Aí tem, linda. Agora minha mente pode descansar. Só veja-o como umas pequenas férias. Deus sabe que não teve umas e as necessitou desde...” “Desde que me fiz cargo da Crescent. Sim, Matty, obrigado.” A interrupção de Charlie foi rápida e deliberada. Jordan o anotou mentalmente na pequena lista que tinha começado em sua cabeça. Tinha por objeto resolver o quebra-cabeça que era Charlie. Estava justo ao lado das idéias que enchia sua mente, sobre formas de agarrar Charlie. Madame Charlie Sahara Kelly “Agora devo ir, preciso terminar com o cardápio do jantar e as moças sempre se sentem melhor quando eu chego.” Matty deu umas precipitadas voltas e juntou seu xale e seu chapéu. “Matty, eu…” Charlie duvidou como reagia a que Matty se vá. “Agora só deixe que o Coronel se faça cargo de tudo, preciosa.” reconfortou-a Matty. “De verdade, Madame Charlie, não há nada do que se preocupar. Pedi que lhe preparasse um banho, em um momento. Possivelmente queira compartilhar uma comida informal comigo, depois. Tenho entendido por isso me disse Matty, que joga xadrez...” Jordan inclinou a cabeça, mostrando a mais pura imagem da inocência. Não podiaestar fazendo outra coisa que ser um anfitrião amável. De fato, irradiava tão fortemente sua inocência, que a famosa manteiga não somente, teria se derretido em sua boca, mas sim teria ficado ali por uma semana. Esperava fervorosamente ter enganado Charlie. Não havia nada de inocente em seus objetivos. Eram simples e fundamentais. Agarrar a Charlie. Entender Charlie. Fazer que Charlie sorrisse, logo, fazer que Charlie gritasse. Ah, e logo agarrá-la um pouco mais. Para o Coronel Jordan Lyndhurst, Conde do Calverton, a batalha estava começando. As estratégias que usaria seriam matreiras e ardilosas. Sua campanha envolveria cada ferramenta sob seu controle. Valia à pena brigar por seus objetivos, e a rendição de Charlie seria um prêmio impagável. Nunca considerou realmente a possibilidade de que pudesse haver vítimas. Madame Charlie Sahara Kelly Capítulo Nove Charlie escutou uns golpes e estalos na habitação contigua, que lhe diziam que estavam lhe preparando o banho. Picava-lhe a pele, jurava que podia sentir seu aroma de transpiração e morria por afundar-se na banheira de água. Uma mulher de hábitos exigentes, Charlie estava acostumada a um banho diário, já fora pequeno, rápido, fresco, ou o que seja que estivesse disponível para sua comodidade. Tinha-o sentido falta. Esperou até que os sons amainaram e a habitação esteve em silêncio. Avançou lenta e cautelosamente desde sua cama, até a porta que dava à sala de estar da suíte. Um fogo quente crepitava na lareira e as cortinas estavam abertas à chuva que tinha começado mais cedo e convertia ao mundo exterior em um entardecer cedo. Uma grande banheira em forma de cadeira estava posta frente à chaminé, com uma pequena banqueta de um lado, sobre a que havia umas toalhas bem dobradas, uma barra de sabão e vários trapos pequenos. Com um suspiro de alívio, Charlie passou a mão pela água e descobriu que estava a temperatura justa. Cruzou a habitação, jogo chave à porta e em poucos segundos esteve inundada até o pescoço na banheira. Sentiu que suas preocupações se aliviavam, quando a calidez da água reconfortava seu corpo e relaxava sua mente. Seus olhos vagaram pela habitação, descobrindo o fino tapete, um pequeno escritório a um lado, um sofá que se via confortável e um par de poltronas bastante gastas. Evidentemente, esta era uma suíte onde os hóspedes tinham passado um tempo considerável relaxando. Podia entender por que. A pintura sobre o suporte da chaminé era uma maravilhosa paisagem marinha, sem mais que uma gaivota, algumas folhas de algas e uma praia deserta. Implorava que alguém se imaginasse caminhando, sem pressa pela areia. Um pequeno relógio marcava os minutos, enquanto Charlie se encharcava e o fogo crepitava sua aprovação no lar. Madame Charlie Sahara Kelly O som de seis badaladas devolveu Charlie a noção de onde estava. Alcançou o sabão e começou seu banho, sentindo-se mais limpa a cada segundo e descobrindo que seus hematomas tinham desaparecido quase por completo. Acomodou seu cabelo sobre a cabeça, desejando poder lavá-lo também, mas era assim, e seu ombro ainda lhe doía um pouco. Saltou até a altura de um pé, pelo menos, e derrubou água pelos lados da banheira, quando uma voz profunda falou detrás dela. “Por que não me deixa te ajudar com isso? Charlie paralisou. Instintivamente se deslizou para baixo na banheira até que apenas se via seu nariz. Girou com um olhar zangado a Jordan Lyndhurst, que estava apoiado descuidadamente contra o marco da porta, com dois baldes a seus pés. “Esqueceu de passar a chave na porta do dormitório.” Ela entrecerrou os olhos e tirou a boca da água. “O que está fazendo aqui? Estou-me banhando, por amor de Deus. Isto é extremamente inapropriado.” “Sei.” Seu sorriso era pura sedução, e Charlie lutou contra o impulso de retorcer-se. “Alguém tinha que trazer mais água quente para seu cabelo. Não ia deixar entrar nenhum de meus criados. Esta vista está reservada só para meus olhos.“ Seu olhar passou pela água saponácea. Charlie baixou a vista. Estava principalmente coberta de borbulhas e a água não estava tão clara, como antes. Duvidou que Jordan pudesse ver muito. Assim e tudo, juntou fortemente as coxas, pelas dúvidas. Ele se aproximou da banheira. “Tenho água quente para te ajudar a enxaguar seu cabelo. Permitirá-me que lhe ajude? Ou é muito exigente em seus hábitos, para deixar que um humilde homem toque sua cabeça?” Charlie levantou o queixo. “Não é uma questão de exigência. Simplesmente acredito que esta é uma situação extremamente inapropriada. E eu não o descreveria como humilde.” Murmurou o último comentário, enquanto tirava um molho de cabelo de cima de seus olhos, e fez uma careta ao dar-se conta de que estava realmente bastante sujo. Madame Charlie Sahara Kelly Amaldiçoou por dentro. Ele a tinha apanhado uma vez mais com sua lógica e suas palavras diretas. “Maldito seja. Não tenho alternativa, ou sim?” “Sempre há uma alternativa, Charlie. Só te assegure de que seja a correta.” Ela o olhou com fúria, demonstrando sua irritação por uma vez. Jordan assentiu. “Muito bem.” Seus olhos aumentaram quando Jordan procedeu a tirar o terno, o colete, a desatar a gravata, tirando-a e logo desabotoar a camisa. Charlie recuperou a voz, quando desabotoou o quarto botão. “Que demônios, acredita que esteja fazendo?” Negou-se a acreditar que tinha chiado, mas secretamente temia havê-lo feito. Tinha um pouco obstruído na garganta, que crescia à medida que o peito de Jordan ficava mais exposto a seu olhar. “Intento ajudar a te lavar o cabelo. Para fazê-lo, preciso ensaboá-lo e enxaguá-lo bem. Você, senhorita Charlie...” Atirou de um cacho rebelde. “… tem suficiente cabelo como para ao menos três mulheres. É provável que seja uma tarefa difícil. Nem sequer estou seguro de que um humilde homem como eu, esteja à altura do desafio. Suspirou com dramatismo e tirou a camisa. Charlie ficou boquiaberta. “Realmente preferiria não empapar minha roupa. Em particular minha jaqueta, que me hão dito que sua cor verde está muita na moda. O colete, bom, não estou seguro, mas a camisa é uma de minhas favoritas. Já sabe como é, quando tem um objeto favorito. Parece que queria levá-la posta todo o tempo. Certamente, não quero que se salpique com água suja ou com espuma de qualquer jeito. É de linho, sabe?” Charlie custava enormemente seguir suas palavras, porque havia trazido os baldes ao lado da banheira. Seu peito tinha vindo com ele. E que peito era. Sólido, agradavelmente musculoso, com uma encantadora sombra de pêlo que se pulverizava, desde justo debaixo de seu pescoço, até perto de sua cintura. Podiam-se ver uns mamilos chatos escondendo-se nesta suave selva, e Charlie ficou pasma ao sentir que seus Madame Charlie Sahara Kelly dedos lhe encolhiam debaixo da água. Queria tocar. Pela primeira vez em sua vida, queria passar suas mãos por seu peito e sentir por si mesmo todas as texturas que havia ali. Ela passou a língua pelos lábios O momento em que suas mãos tocaram seu desordenado cabelo dourado, Jordan esteve perdido. Deslizou suas mãos por seu couro cabeludo, procurando invisíveis enredadas e as tirando até que a última mecha ficou livre e a sedosa massa pendurava através da água e pela parte traseira da banheira.Não havia dito nada mais que a verdade, quando comparou seu cabelo com o de três mulheres. Era grosso, lustroso e tinha vida própria. Respirou fundo e juntou os revoltosos cachos entre suas mãos, empurrando-os dentro da água, ao redor de seu pescoço. “Respira profundo…” advertiu-lhe. “Uuuumf…’ disse ela com um som borbulhante, enquanto ele empurrava sua cabeça e a afundava. Ela subiu cuspindo ao falar. “Santo Deus, está tratando de me matar?” Cuspiu a água em sua boca, com irritação. “Avisei-te que respirasse profundo.” disse ele, justificando-se, enquanto começava a ensaboar seu cabelo. “Bom, sim… mas… aaaaaah.” Os dedos de Jordan faziam ociosos círculos sobre seu couro cabeludo e incentivavam a que se forme algo mais que espuma entre suas mãos e o cabelo dela. Ele massageou e reconfortou e esfregou sua cabeça e sentiu que os músculos se relaxavam ao tocá-la. “Ai, Deus, Jordan, isso se sente tão prazenteiro.” suspirou ela. Jordan suspirou também, quando a pressão de seu inflamado pênis se convertia em dor. “E o que sabe uma encantada jovem como você do prazer, pergunto-me eu?” Madame Charlie Sahara Kelly Por uns instantes, não houve resposta, só o som de suas mãos gerando espuma e o tic- tac do relógio sobre o suporte da chaminé. “Nada.” A resposta foi quase um sussurro. “Não sei nada sobre o prazer. Só posso supor que esta sensação de relaxamento e calidez se aproximam do que outros poderiam chamar de prazer.” “Dificilmente.” riu pelo baixo. “Há muitas outras coisas, além disso.” Charlie moveu sua cabeça levemente para fazer que ele passassee sua mão, justo detrás de sua orelha e se sacudiu um pouco de sabão que tinha sobre seu nariz. “Está falando de sexo, imagino.” De repente ela era a senhorita Recatada Altiva. “Entre outras coisas. Mas sim, o prazer sexual é a melhor classe de prazer que existe.” De novo, fez-se um silêncio. “Não saberia dizê-lo.” A confissão ressonou na silenciosa habitação, como muito pequenas explosões, fazendo que o rígido pênis de Jordan, se voltasse como mármore. Havia tanto que ele queria ter e estava tudo a meras polegadas de suas mãos, de sua boca e de seu pênis, estava tudo úmido e brilhantemente nu. Provavelmente sofreria um ataque cardíaco nos próximos cinco minutos. O periódico ‘The Teme’ teria que trabalhar duro para escrever seu obituário de modo que ninguém descobrisse que morreu de um severo caso de luxúria não correspondida. Se perguntava se os pênis podiam chegar a explodir. Temia estar a ponto de averiguá-lo. “Deixe-me te mostrar, Charlie.” As palavras lhe deslizaram, antes que pudesse as conter, direto do coração e as vísceras. Ela se paralisou sob suas mãos. “Eu não quero ter sexo com você, meu Senhor.” “Está segura?” Seu pescoço se estirou tão rápido que ele poderia ter jurado que escutou ranger seus ossos ao acomodar-se. Madame Charlie Sahara Kelly “Nunca quis ter sexo. Nem com você, nem com nenhum outro. É um passatempo que acredito firmemente que é melhor deixar para os outros. Sim, é meu negócio, mas não o meu prazer. Não tenho nenhum interesse nessas coisas.” “Nenhum absolutamente?” “Exatamente. Absolutamente. Agora, se já terminou com meu cabelo...” Jordan alcançou o balde de água que ficava e provou a temperatura. Sua mente dava voltas, resolvendo a logística de seu próximo movimento. Tirou-lhe o cabelo da cara e golpeou ligeiramente a água através dele, respirando-a a sentar-se para diante. Seus seios subiram à superfície, enquanto seu corpo se bamboleava para diante. Ela tossiu quando Jordan, com a atenção distraída, derrubou água sobre sua cara por engano. “Perdão.” Voltou a pôr a mente em sua tarefa, assegurando-se de ter enxaguado todo o sabão, da massa amarela empapada que flutuava na banheira. Agarrou uma toalha e apertou seu cabelo, tirando a maior parte da água, logo o atou em um turbante, como o vinham fazendo as babás e as amas de cria do princípio dos tempos. “Obrigado, meu S…” começou ela, só para que suas palavras fossem interrompidas. “Charlie, tenho uma proposta. Um experimento para ti se quiser.” Ela levantou uma sobrancelha. “Diz que nunca experimentaste prazer. E não quer te envolver sexualmente com ninguém. Jamais.” Uma leve cor invadiu suas bochechas, mas seus olhos permaneceram calmos e alerta. “Assim é exatamente.” “E se você me deixasse te demonstrar o que é o prazer?” Ele pôde ver as contradições e a ira, a ponto de fazer erupção por sua boca. Ele deteve suas palavras com um dedo. “Não te tocarei Charlie.” Moveu o dedo até que esteve a uma escassa polegada de seus lábios. Madame Charlie Sahara Kelly “Eu te mostrarei o que é o prazer. Aqui mesmo, agora mesmo. E não terei que te tocar para fazê-lo.” Charlie soprou sua expressão mostrando uma clara descrença. “Duvido realmente que tal coisa seja possível, meu Senhor.” O olhou com desprezo. “Embora o fora, duvido que consiga me sensibilizar. O que apostaria...” As orelhas de Jordan se entusiasmaram. “O que apostaria Charlie?” “Nada. Não quis dizer apostar...“ “Sim, o fez. Disse ‘ apostaria’. Te escutei claramente. Assim é uma jogadora, né?” Charlie se mordeu o lábio e baixou a vista para a água, por uma vez, aparentemente não querendo deixar que Jordan a olhasse aos olhos. “O que apostamos Charlie? Você arrumado, que posso te levar a sentir o prazer de uma mulher, nesta banheira, agora mesmo, sem te tocar. Se perder, qual será meu castigo?” Ele a olhou desejando que ela levante a cabeça e cruzem olhadas. “Não… não acredito que esta seja uma boa idéia.” murmurou, sem mover-se. “Tem medo de perder?” Isso fez que levante a cabeça. “É obvio que não. A idéia em si é absurda. E muito inapropriada, além disso.” Jordan riu pelo baixo. “Já superamos o de inapropriado faz um momento, Charlie. Já o tenho...” Estalou os dedos. “Essa moça que resgatou. Se perder a aposta, darei um lar e um trabalho no campo. Faremos que se treine para criada. O que diz?” Sabia que tinha jogado a carta ganhadora. O compromisso de Charlie por melhorar as vistas de seus “pobres desafortunadas foi um fator importante em sua decisão de fazer esta aposta particular. Ele estava seguro de que ela não poderia negar-se. “E se ganhar?” Ela não ia render se sem dar batalha, pensou Jordan com tristeza. “Se ganhar, então me comprometerei a fazer que duas de suas moças se treinem para criadas.” Ele sorriu. Madame Charlie Sahara Kelly Ela suspirou e encolheu os ombros, produzindo pequenas gotinhas na superfície da água. “Muito bem.” Ele sorriu ainda mais. “Faz o pior de ti.” Ela se recostou na banheira, assegurando-se de que todo seu corpo ficasse submerso. Seu queixo tocou a água e seus olhos o seguiram, enquanto ele se afundava no tapete ao lado da banheira e enganchava um braço pelo flanco, agitando a água. “Não me deve tocar, está claro isso?” Jordan sentiu que o calor lhe abrasava a entre perna e desejou haver tirado as calças também. Seu membro fazia uma tendinha no tecido de uma forma das mais incômodas. “Fecha os olhos, Charlie.” respondeu, deslizando sua mão livre até o botão de suas calças. Ela obedeceu, acomodando a cabeça sobre o alto encosto da banheira. Reprimiu um suspiro de alívio, quando seu membro ficou livre. “Não te tocarei. Dei-te minha palavra, e acrediteou não, minha palavra vale. Mas te darei prazer como nunca antes tiveste. Só peço que se deixe levar. Madame Charlie Sahara Kelly Capítulo Dez Ele queria que ela se deixasse levar. Charlie reprimiu uma risada zombadora. Ele não podia saber que ela nunca se deixava levar. Jamais. Suas experiências com seu finado marido se asseguraram disso. É obvio, era muito relaxante estar recostada na água cálida ao lado do fogo, sentindo-se limpa e fresca, e com um agradável corpo masculino ao lado da banheira. Mas deixar-se levar? Absolutamente. Ela ficou um pouco tensa, quando a mão de Jordan transpassou a superfície da água e a moveu, gerando pequenas correntes. “Recorda Jordan. Sem tocar.” Com ar de suficiência, acomodou-se um pouco mais. Esta seria uma aposta que ganharia sem problemas. Sua mente se evadiu pensando qual das moças merecia a oportunidade de sair da Crescent e acompanhar ao campo, com a sua protegida recentemente resgatada. Logo foi consciente de uma brisa cálida. “Não te tocarei com minhas mãos, Charlie, não tema. Prometi-o. Não te tocarei com nenhuma parte de meu corpo, embora certamente eu gostasse de fazê-lo.” Sua respiração vibrava em seu ouvido. “Eu gostaria de tocar este pedacinho de pele aqui, só com a ponta de minha língua.” Soprou uma suave corrente de ar sobre suas sensíveis orelhas, fazendo-a tremer. O que ele estava fazendo? “Veja, a orelha de uma mulher é um lugar imensamente fascinante. Cheio de intricadas curva e terrenos baixos e curvas secretas...” Uma vez mais, a calidez de sua respiração a acariciou. Charlie paralisou, temendo que se movesse apenas uma polegada, ele estaria dentro de sua orelha. “É um lugar muito sexual, Charlie.” Ela se retorceu apenas, afundando-se ainda mais e esperando fervorosamente que ele não notasse que seus mamilos se endureciam mais a cada segundo. Madame Charlie Sahara Kelly “A orelha de uma mulher não é diferente de outra zona erógena. Misteriosa, escura quente, só esperando ser tocada pela língua de um amante.” Sua mão agitou a água outra vez e as gotinhas chocavam sedutoramente contra o corpo dela. “Algum homem te acariciou as orelhas com sua língua alguma vez, Charlie? Há deixado que alguém te lambesse por um bom momento, descendo pelo lado de fora e que logo faça girar...” Sua respiração quente enchia sua orelha. “...faça girar sua língua em círculos maiores e menores até sentir que ele está em seu cérebro, em seu corpo e em sua boceta? Charlie deu um salto e franziu o cenho ante sua linguagem. “Impactada, minha doçura? Por quê? Estou segura de que já escutaste palavras como essas antes. Ou não, Charlie? Não lhe contaram as moças, como seus clientes se deslizam dentro de suas bocetas e como se sente isso? Como os pênis de seus clientes se movem mais rápida ou mais lentamente e algumas até lhes dão prazer? Como o tamborilar de seus corpos, um contra o outro, pode liberar poderosos estímulos que convertem a duas pessoas rugindo no inferno?” A mão de Jordan continuou com seus movimentos giratórios, e agora Charlie podia sentir cada gotinha e cada corrente sob a água. “Observaste alguma vez, Charlie? Estou seguro de que tem as miras de segurança instaladas. Deve ir ver as habitações de vez em quando, é uma mulher de negócios muito protetora de suas moças, para não fazê-lo. Diga-me, então, Charlie. Observaste?“ A mente de Charlie voou até a noite em que tinha feito isso. Felizmente, seus olhos ainda estavam fechados, porque sabia que sua expressão a teria delatado. A mão de Jordan se moveu levemente e ela sentiu que ele se retirava. Logo a água fez um ruído e ela abriu os olhos para ver que ele estava tirando um pouco de água da banheira com um concha de sopa e pondo-a em um balde. “O que está fazendo?” “Só baixando um pouco o nível da água. Quando obtiver seu prazer, provavelmente mova-te muito, e não quero arruinar meu tapete do Aubusson.” Charlie soprou. “Não tire muita, sentirei frio.” Madame Charlie Sahara Kelly “Duvido-o.” Maldito bastardo arrogante, pensou Charlie. Eu lhe vou mostrar. Recuperando o julgamento e o controle, recostou-se novamente e fechou os olhos, disposta a derrotá-lo em seu jogo de sedução. Para sua surpresa, sentiu um toque em seu joelho elevado. “Isto. Mantém entre seus joelhos.” “O que?” Olhou para baixo para ver o Jordan calçando a concha de sopa entre seus joelhos, as separando até a beira da banheira. “Eu...” “Não estou te tocando. Mas nunca dissemos nada sobre usar o que estava à mão. Agora só seja uma menina boa e mantém isto entre seus joelhos. Ou teme perder a aposta?” Charlie curvou o lábio. “Já.” Seus joelhos se abriram, e sentiu como a suave concha de sopa de madeira lhe separava bem as coxas. Jordan sorriu. “Melhor.” Charlie sorriu com suficiência. Logo paralisou novamente, quando o trapo para banhar-se arrastou sem cerimônia por seus seios. “Hey. Está tocando.” Ela se deu volta para olhar furiosa ao homem a seu lado, procurando seu intenso olhar com hostilidade. “Não, não o estou fazendo. É o trapo.” Ele curvou uma esquina de sua boca. “Não pode suportá-lo? Rende-se?” Charlie fechou rapidamente a boca. “Não.” “Bem.” O trapo se arrastou novamente, estimulando seus mamilos e deixando-a sem fôlego. Enquanto o fazia, seus seios se elevaram fora da água, agora com menos volume, e Jordan se moveu rapidamente para soprar sobre a pele úmida. Ela ofegou, quando a sensação estremeceu todas as terminações nervosas entre seu coração e sua boceta. Madame Charlie Sahara Kelly “Sente-se bem, não, amor? A respiração cálida de um homem sobre esses formosos seios. Seios que foram feitos para beijá-los e lambê-los e chupá-los, e ai, Deus, como desejo fazer as três coisas! Quero os ter entre minhas mãos e apertá-los, e enterrar minha cara entre eles. Quero lhes fazer todo tipo de coisas maravilhosas a seus seios, Charlie.” Ela tratou de afundar-se mais na água, mas não pôde inundar-se tanto como haveria querido. A mão de Jordan agora fazia movimentos rítmicos na água entre suas pernas e a corrente que ia por debaixo combinada com as gotinhas da superfície, começavam a pô-la tensa. Uma e outra vez o trapo acariciou seus seios, às vezes tocando-os brandamente, logo os esfregando com mais intensidade. Agora seus mamilos estavam rígidos e respondiam cada vez que percebia sua respiração, quando lhe falava e deixava que seu calor estimulasse seus mamilos. Ela queria enterrar suas mãos no sedoso cabelo dele e lhe aproximar a cara de seus seios. Ela queria mais que uma respiração, ou um respingo da água, queria que a chupasse e lhe passasse a língua e até que há beliscasse um pouco. Estava começando a querer que lhe faça todo tipo de coisas maravilhosas a seus seios. Reprimiu um gemido e manteve as mãos firmemente apertadas sob a água aos lados. “Sabia que uma mulher pode gozar, com apenas que lhe chupem os seios, Charlie?“ Ai, Deus, por que não se calava? Suas palavras e sua voz e as imagens que estava criando a estavam voltando louca. A forma em que repetia seu nome uma e outra vez, brandamente, como uma carícia, estava comovendo seu coração e sua alma. Não queria comover-se assim. “Pergunto-me se você seria uma dessas mulheres. Tenho enormes desejos de averiguá-lo.” Fiel a sua palavra, Jordan não a estava tocando. Sua respiração roçava seu corpo e sua voz acariciava sua alma. Mas não lhe tinha posto uma mão em cima, ainda. Charlie começava a ficar muito tensa. Supôs que era irritação, nunca havia se sentido tão irritada ou nervosa como agora. Madame Charlie Sahara Kelly “Certamente, seus seios não são o único lugar que quero explorar, minha doçura. Há tão mais.” Charlie gemeu mentalmente. Não se deixaria levar. Ou ao menos não pensava que o faria. Ai, Deus, estava enlouquecendo. Jordan sabia que estava triunfando. Apenas de olhar seus mamilos brotar e se endurecer e maturar ante seus olhos lhe contou à história que ele queria escutar. Charlie estava respondendo a ele e respondia grosseiramente. Era tempo de levar seu pequeno experimento ao seguinte nível. Tomou um trapo do balde de água fria e o apoiou sem cerimônias sobre seus seios. “Aaajj. Que...” Ela se sobressaltou e seus olhos cinza se abriram e o olharam acusadores. “O que está fazendo?” Jordan observou sua reação. “Só me asseguro de que ainda esteja comigo.” Tirou o trapo frio e salpicou a água morna sobre seus mamilos gelados, observando como voltava à cor ao substituir a água fria pela morna. Sua outra mão continuava com sua lenta ondulação entre as pernas. Sabia que a água chocaria contra seu clitóris, já que a concha de sopa se mantinha em suas pernas, o suficientemente abertas para ficar exposta à pequena corrente que ele estava gerando. Ele moveu sua mão mais perto do corpo dela. Sem dúvida, percebeu uma sensação diferente, mais viscosa, entre os dedos. O corpo de Charlie lhe dizia que estava respondendo. Sua vagina estava pronta para ele. E ai, Deus! Seu membro estava mais que pronto para ela. “Seu corpo me deseja Charlie.” Sua mão intensificou a velocidade um pouco e formou ondas mais firmes, contra seus clitóris. Ela se moveu apenas. Madame Charlie Sahara Kelly “Sua boceta está se enchendo de doce delicioso mel. Quer que meu pênis se deslize para dentro… meu duro pênis, que pode encher esse espaço vazio completamente. Tocará todos esses lugares secretos dentro de ti, Charlie, tocará, acariciará, empurrará e a encherá.” Sua mão manteve o ritmo acelerado, assegurando-se de que a água agora empurrasse contra seu corpo. Seus mamilos se endureceram ainda mais sob seu olhar e sua cabeça se jogou para trás um pouco, enquanto ela se excitava mais ainda. Jordan ficou enfeitiçado com sua resposta. Apenas de olhar seu corpo, quando reagia a cada sensação diferente era uma das coisas mais estimulantes que tinha feito. Se a campanha tinha êxito e conseguia ter Charlie debaixo dele, agarrá-la ficaria como um dos momentos mais importantes de sua vida. Sua mão tremeu um momento, quando tudo o que isso implicava invadiu sua mente. Seu pênis deixava sair pequenas gotas de leite só por jogar com Charlie. Estava disposto a chegar ao final com esta mulher, quando ela o podia excitar até extremos tão extraordinários sem sequer lhe tocar o corpo? Seu pensamento racional o repreendeu. Esta era simplesmente uma experiência erótica diferente e divertida. Poderia ter estado fazendo isto com qualquer uma. Diabos, Elizabeth o teria desfrutado certamente. Sim, disse sua consciência. Mas o teria desfrutado tanto você? Jordan lhe deu as costas mentalmente a essa conversação e voltou sua atenção à mulher que agora se retorcia de desejo na água. Já era quase o momento de selar seu êxito. Alcançou a barra de sabão de lavanda e a deslizou dentro da água, por sobre seu corpo. Ela ficou sem fôlego, quando ele a deixou deslizar desde seu ventre até seus clitóris, onde esperava sua mão. Muito cuidadosamente, como para não tocá-la absolutamente, deixou que o sabão pressionasse sua carne quente. Ela gemeu, esquecendo reprimir o som. “E agora, Charlie, chegou o momento. Se estivéssemos juntos nus, seus seios estariam empurrando fortemente contra meu peito. Sentiria o calor de meu corpo sobre todo seu ser, dos Madame Charlie Sahara Kelly ombros até os dedos dos pés. Seu ventre se sentiria vazio, suas pernas se abririam bem para mim. Estaria faminta, desejosa, querendo meu pênis, Charlie.” Ela gemeu perdida agora nas imagens que criavam suas palavras. “Possivelmente, estaríamos deitados entre meus lençóis, possivelmente estaria sentindo a aspereza de meu tapete contra suas suaves costas ou o calor do fogo em seus seios...” Jordan deslizou o sabão até sua carne inflamada, até sua abertura. Ela tomou ar e levantou levemente seus quadris para lhe dar melhor acesso, enquanto ele a abria com o sabão. Ele sorriu, dolorosamente, sentindo como cada uma das reações fazia eco em seu pênis. “Possivelmente teríamos decidido provar agarrar por atrás, Charlie. O que te parece? Gostaria que me localizasse por detrás, quando te colocasse de quatro? Poderia me deslizar dentro de sua deliciosa vagina quente e úmida dessa maneira e, ao empurrar, sentiria minhas bolas contra suas coxas.” O sabão continuava exercendo pressão, passando por todos os lugares que Jordan mencionava. Os sons de Charlie continuaram, quando seu corpo começou a pulsar debaixo da água. “Poderia usar uma mão para acariciar seus mamilos, Charlie. Tocá-los e excitá-los, ao ritmo de meu pênis saindo e logo voltando a investir...” O sabão investiu no clitóris de Charlie. Ela grunhiu, quando seus lábios se separaram de seus apertados dentes. “A outra mão procuraria seu doce clitóris. O lugar onde seu mundo começaria e terminaria. O lugar que quero fazer meu, Charlie. Quero te chupar o clitóris, esfregar minha cara por todo seu clitóris. Quero fazê-lo sacudir contra meu pênis, quando gozar comigo, tão dentro de ti, que nenhum dos dois saberia onde um começa e o outro termina. Quero seu clitóris, Charlie. É meu. O que lhe farei, te farei gritar e soluçar e me suplicar por mais. E te darei mais. Cada vez que me peça isso, haverá mais. Haverá mais inclusive quando não o pedir.” Madame Charlie Sahara Kelly O sabão a esfregava com intensidade agora, e os músculos de Charlie se estavam tencionando. Sua respiração saía em baforadas irregulares, seus mamilos estavam sólidos e seus seios, acalorados. Estava há poucos segundos. “Quero te agarrar, Charlie, te agarrar até que o mundo termine para os dois.” Saiu dele como uma explosão, surpreendendo-se a si mesmo pela força e a emoção de suas palavras. “Abre os olhos. Charlie. Abre os olhos. Me olhe...” Uns olhos cinza se abriram bem, e um segundo depois, ela grunhiu, quando todo seu corpo se sacudiu debaixo da água. Jordan não pôde resistir. Deixou cair o sabão e afundou sua mão até sua vagina, deslizando um dedo para dentro, para compartilhar sua explosão. Os olhos dela estavam tempestuosos e brilhantes, como nuvens de tormenta atravessadas por um raio. Suas pupilas estavam dilatadas, havia suor sobre sua cara e sua boca estava aberta formando uma ‘O’ de surpresa. Sua boceta se prendeu ao seu dedo, pelo que pareceu uma eternidade, liberando-o só para voltar a prender-se. Ele acariciou cautelosamente seus clitóris, só para lhe enviar mais paroxismos de prazer. Ela era incrível. E muito, muito estreita. Não pôde evitar que sua outra mão deixasse a banheira e agarrasse seu pênis. Ao ritmo das convulsões de Charlie, ele se apertou fortemente ante a necessidadede uns poucos e rápidos toques para gozar. Não podia enfocar o olhar, tão perdido estava em seu orgasmo. Provavelmente poderia ter gozado várias vezes, justo em frente dela, e ela nem teria notado. A água se agitava, enquanto o corpo dela se repunha das sensações, e Jordan retirou sua mão brandamente. Ela gemeu levemente, enquanto ele destravava seus dedos de sua vagina. “Por favor, Jordan...” “Por favor, o que, minha doçura?“ Jordan lhe deu um beijinho na testa. Madame Charlie Sahara Kelly “Toque-me ali de novo… agora… por favor...” Cuidadosamente, Jordan obedeceu, voltando a deslizar sua mão dentro da água. Tirou a concha de sopa de entre suas pernas, enquanto seguia suas instruções, só para encontrar que suas coxas lhe apertaram a mão contra seus clitóris. Assombrosamente, ela voltou a gozar no instante em que ele deslizou um dedo dentro de sua vagina. Ele deslizou brandamente um segundo dedo, estirando-há um pouco. Ao movê- los sentiu como começava a convulsionar-se outra vez. Ela era incrível. Era como se ele tivesse aberto uma porta no seu corpo, que ela não sabia que existia. Agora que lhe tinha demonstrado do que se tratava o orgasmo, seu corpo exigia seu castigo. Seu terceiro orgasmo claramente a esgotou, e ele sentiu os músculos dela debilitarem- se, quando os estremecimentos finalmente terminaram. Afrouxou-se a tensão em sua coluna e seus mamilos se suavizaram, enquanto ele os olhava. Ela tinha fechado os olhos uma vez mais, mas Jordan sabia que esta vez não era para mantê-lo afastado de seus pensamentos. Era para manter seus pensamentos afastados dele. Levantando-se, tirou as calças molhada e se esfregou rapidamente, envolvendo a toalha ao redor da cintura. Em poucos segundos teve Charlie fora da banheira e apertada contra ele. Débil como um gatinho, as pernas dela se negavam a suportar o peso, então ele a levou até a chaminé e agarrou umas toalhas no caminho. Com eficiência, sustentou-a contra ele e a secou, passando a toalha grosseiramente por sua pele molhada e fazendo-a gemer ao tocar seus sensíveis seios. Seu pênis se agitou, mas lhe disse firmemente que descansasse. Tinha completado com êxito a primeira parte de sua estratégia. Para a seguinte fase de sua campanha, deveria recorrer à paciência. Madame Charlie Sahara Kelly Capítulo Onze Charlie não sabia o que sentir. O que dizer ou o que fazer ou o que pensar tampouco. Estava calidamente aconchegada em um negligé grande e suave, como estava Jordan, que os tinha manipulado a ambos com bastante eficiência, para conseguir que se secassem um pouco, logo depois de sua aventura à hora do banho. Agora Jordan a sustentava firmemente sobre seu colo, enquanto passava seus dedos ociosamente por seus cachos enredados, alisando os nós e esparramando-o sobre seus ombros para que se secasse ao calor do fogo. Os músculos dela estavam languidamente satisfeitos, como se um impulso de energia os houvesse estimulado, só para deixá-los relaxados e frouxos. Sentiu um formigamento em sua pele, não sabia se era por sua prazenteira experiência ou por a enérgica estimulação que lhe tinha administrado Jordan. E sua mente, por uma vez, estava à deriva. Isto era muito incomum para Charlie, admitiu reticentemente. Parecia-lhe impossível poder concentrar-se em todas as coisas que devia estar fazendo. A principal entre elas era afastar-se de Jordan Lyndhurst, tanto como pudesse o mais breve possível. Bom, possivelmente teria que fazê-lo, mas não justo neste momento. Por uma vez, ia permitir o prazer sensual de ser apreciada por um homem, que tinha despertado seus sentidos e lhe tinha feito conhecer o orgasmo a seu corpo. Ela sorriu em silêncio. Então era isso que se tratava. “Essa é uma risada muito enigmática.” disse Jordan, passando um dedo por seus lábios. “Ah, sim?” “Sabe que sim. Quer compartilhar o pensamento?” Charlie inclinou a cabeça para trás e o olhou. Uns olhos marrons lhe devolveram o olhar, com suas luzes douradas apanhando o brilho intermitente do fogo e dançando em suas profundidades. Madame Charlie Sahara Kelly “Esta foi minha primeira… minha primeira experiência com isso, Jordan.” Por que o confessou isso, não tinha idéia. Mas o momento parecia não requerer menos que uma total honestidade. “Obrigado.” Os braços de Jordan se aferraram a ela e lhe deu um beijo na cabeça. “A primeira de muitas, espero. É formosa quando está excitada, Charlie. É formosa todo o tempo, não me interprete mal, mas há um tipo especial de beleza que surge de dentro, quando uma mulher está no fragor de sua paixão. Você a tem. Seus olhos se voltam tempestuosos. Suas bochechas brilham...” Os dedos dele sulcaram seus pálpebras e passaram por suas bochechas, “Seus lábios se inflamam e se voltam mais vermelhos, e seu perfume, aaaah, Charlie, seu perfume.” Ele enterrou sua cara no pescoço dela e respirou fundo, dramaticamente, fazendo-a rir. “Poderia te encontrar em uma habitação escura até com os olhos tampados. Seu perfume está dentro de mim agora.” Ele se atirou para trás levemente. “E, se não me equivoco, isso, senhorita Charlie, foi uma risada verdadeira.” Charlie olhou o fogo pensativamente. “Não houve muito do que rir em minha vida.” “Conte-me.” A calidez do fogo e a calidez dos braços de Jordan estavam fazendo sua magia, e Charlie sentiu que muitas de suas inibições se derretiam, junto com seus músculos. Sabia que havia segredos que deviam permanecer escondidos, mas uma parte dela ansiava compartilhar outros, uns que lhe tinham pesado durante tanto tempo. Suspirou. “Não é uma história fora do comum, Jordan. Aborreceria aos poucos minutos.” Jordan girou um pouco e alcançou sua garrafa de brandy com sua mão livre, servindo dois bons copos. Passou um a Charlie e tomou o outro para ele. Fez chocar as taças. “Brindo, por que me aborreça, Charlie. Nunca acontecerá, mas é bem-vinda se quer tentá-lo.” Ele sorriu e tomou um gole, esperando que ela começasse. Charlie fez girar a bebida e deixou que os aromas lhe fizessem cócegas no nariz, logo tomou um pequeno sorvo. Queimava, mas a esquentou ao pulverizar-se por seu sistema. Madame Charlie Sahara Kelly “Quando era muito jovem, estive casada com um cavalheiro muito, mas velho.” Agora sim, tinha começado a história. Como se o brandy tivesse afrouxado sua memória e sua língua, começaram a fluir mais palavras. “Foi um matrimônio arrumado, é obvio. Mas os acertos foram tais que não tive mais remédio que me casar. Meu pai foi um pouco imprudente em questões financeiras, e eu fui à garantia oferecida por suas dívidas. Era me casar com este homem ou perder tudo o que tínhamos.” Charlie tomou outro sorvo de brandy. Sentiu mais que ver o olhar de Jordan fixo sobre ela. “Minha mãe tinha morrido menos de dois anos antes, e isto nos afetou muito, tanto a meu pai como a mim. Os dois estavam perdidos sem ela, mas especialmente meu pai. Acredito que nunca se recuperou realmente da perda. Havia tanto que ela não dizia.” Daria-se conta ele? Poderia Jordan imaginar a dor de perder a uma mãe por uma enfermidade, só para perder seguidamente a seu pai, porque lhe rompeu o coração? Ela suspirou. Jordan lhe acariciou brandamente o cabelo, tirando o de sua cara. “Sinto muito, Charlie.” Quando ele a tocou, a trouxe de volta ao presente e lhedeu a coragem para continuar. “Bom, o desenlace já estava decidido. Eu me casei, fui de minha casa e me converti na nova esposa deste homem.” Agora ela devia ser cautelosa. Não lhe devia escapar nada, nem um sussurro de um nome. Sentiu que Jordan quereria saber toda a história, assim, lhe deu toda a história. A versão editada de toda a história. “Como disse, ele era velho. Por muitas décadas, conforme resultou ser. Não tinha herdeiros e me via como sua última oportunidade de engendrar um.” Jordan fez um som de desgosto. “Não é tão pouco comum, Jordan. Sejamos honestos nisto, muitos matrimônios se arrumam com esse mesmo propósito.” Madame Charlie Sahara Kelly Jordan baixou a cabeça, assentindo. “Isso não significa que tenha que admirar essa prática.” grunhiu. “Certo.” admitiu Charlie. “Sinto muito, doçura, continua. Casou-te com ele?” “Sim.” Se mordeu o lábio, enquanto se perguntava como dirigir-se com o resto da história. “É difícil falar disso, Jordan. Não compartilhei isto com ninguém mais que com Matty e não sei por que sinto que lhe quero contar isso agora, mas é assim...” Charlie girou sobre o colo de Jordan e o olhou, sabendo que seus olhos cinza possivelmente pediam muito dele. Deus, ele poderia chegar a entender? Jordan teve cãibras as tripas. Tinha horríveis visões de Charlie sendo usada sexualmente por um velho depravado. Sabia que ela precisava compartilhar estas coisas, mas não tinha idéia de onde ia encontrar a força para dirigi-las. O que sim sabia, inequivocamente, era que mataria a qualquer um que a houvesse machucado. Sem pensá-lo duas vezes. “Conte-me, Charlie. Está tudo bem. Só me conte.” Ele a voltou a abraçar e a impulsionou a seguir. Sua voz era firme e desceu na silenciosa habitação e a acompanhava o tic-tac do relógio. “Meu… meu marido resultou ser impotente. Não importava o que tentasse, o que me fizesse lhe fazer, ou que empregasse, não podia… me engravidar.” “Ah.” A mente de Jordan girava em torno de visões de Charlie obrigada a ficar de joelhos, ou pior. Travou os dentes. “Isto era uma grande tragédia para ele, certamente. Ele tinha uma amante que, aparentemente, podia satisfazê-lo. Mas essa união não tinha resultado nunca em um filho.” Ele inclusive... Ela tragou. “Ele inclusive a trouxe para a cama conosco, com a esperança de que nos ver às duas juntas o ajudasse a acabar-se dentro de mim.” Ela procurou seu brandy e tomou um grande gole, como tirando um gosto amargo da boca. Madame Charlie Sahara Kelly “Falhou. Completamente. Eu carreguei com o peso da culpa deles dois, pelo problema dele. Logo ele teve outra idéia.” Jordan podia sentir como ela tencionava o corpo sobre seu colo. “Não tem que seguir se não querer, amor.” disse, apertando-a contra ele. Ela se retorceu um pouco e acomodou a cabeça debaixo de seu queixo. O movimento fez que um raio quente perfurasse um lugar profundo em seu corpo. Um lugar que nunca ninguém havia tocado antes. Ele queria explodir, esta nova sensação, mas ela estava falando de novo, em voz baixa, contra seu peito. “Seu desejo de ter um herdeiro era desesperado, ao bordo da loucura, acredito. Ele falava continuamente de ‘um filho de meu corpo’ que herdasse seu legado, e não passou muito tempo, antes que a expressão lhe desse a idéia de que se eu produzia um filho fosse suficiente.” Ela respirou fundo. “Ele fez que seu valete tentasse ter êxito, onde ele tinha fracassado.” “Deus bendito.” Jordan tratou de horrorizar-se, mas para falar a verdade, não era uma História tão assombrosa. Muitas vezes se sugeriu que essas coisas aconteciam no passado, quando havia grandes heranças em jogo. “Seu valete era um homem grande e grosseiro, e parecia se orgulhar do fato de que, tal como o dizia ele, tinha ‘servido à cadela do patrão’. A pior parte era que eu não estava muito disposta a participar. Meu… meu marido me sustentava e seu valete fez o trabalho por ele. Fez- me como me recostar sobre seu colo, enquanto seu valete… fazia… isso… Me doeu.” Sua voz se apagou e, durante um minuto aproximadamente, só se escutou o ruído do relógio no silêncio. “De todas as maneiras.” a voz de Charlie recuperou seu nível normal de controle. Seu momento de debilidade tinha passado, claramente. “Às poucas semanas, ele morreu. Me arrumei para vir a Londres, soube que tinha herdado a Crescent e comecei uma nova vida. E ali a tem. Há bastante pouco interessante história de Char… Charlie.” Jordan conteve a respiração, lutando por controlar sua irritação e as náuseas que se deram procuração dele ao pensar que tinham abusado assim de Charlie. Não foi estranho que Madame Charlie Sahara Kelly ela tivesse desenvolvido um nível de autocontrole tão intimidante. E não foi estranho o haver sucumbido ao impacto, logo depois de topar-se com o violento ataque de Ponsonby. Agora muitas coisas tinham sentido para o Jordan, e saber o que ela sofreu lhe doía mais do que poderia ter imaginado. “E como encaixa a senhora Matty aqui?” Perguntou ele, mais para dar-se tempo a recuperar-se que por um grande desejo de saber. “Minha querida Matty.” sorriu Charlie. “Ela ia ser minha criada, quando eu me apresentasse em sociedade, minha mãe a tinha estado treinando para isso. Mas depois, quando minha mãe faleceu, aproximamo-nos mais que uma simples criada e sua patroa, e eu briguei com unhas e dentes para que ela me acompanhasse quando me casei.“ Jordan se sentia o suficientemente calmo para alcançar seu brandy. Seus dentes ainda tocavam castanholas um pouco, contra o cristal. “Assim que ela estava ali, graças a Deus, para me ajudar a passar o pior, e foi ela a que me trouxe para Londres depois do… depois de que ele morreu. Eu só queria desaparecer. Resultou ser que todos pensaram que eu também estava morta, então nós decidimos deixá-lo assim. Resultou muito bem.” “E as queimaduras da senhora Matty?” Charlie levantou a cabeça. “Notaste-as? Sim, é obvio.” Ela olhou em direção oposta a ele. “Houve um incêndio. Matty conseguiu escapar, mas se queimou durante a fuga.” “Os rumores dizem que você também te queimou, Charlie.” Jordan fez o comentário em voz baixa, sem emoção. “Tenho uma cicatriz, assim é, Jordan. Surpreende-me que não a tenha visto antes.” Jordan tossiu. “Se não estava em seus seios, ou em algum desses lugares que me enlouquecem, provavelmente não me teria dado conta, assim tivesse tido a bandeira da Casa de Hanover grafite em algum lado.” Ele sorriu desculpando-se. Charlie se moveu para sair de seu colo. “Hey, aonde vai?” Ele a abraçou com força. Madame Charlie Sahara Kelly “Quero te mostrar.” Ela se deslizou de seus braços e lhe deu as costas para desatar o nó em sua cintura. Com uma mão empurrou o tecido detrás dela e a separou da suave curva do lado esquerdo de seu traseiro. Ali, na carne suave e branca, havia uma marca de queimadura. A letra “C, no estilo iluminado medieval. “Deus bendito.” Jordan ficou estupefato. “Agora não dói. Eu gosto de simular que é como uma tatuagem. Como esses marinheiros que chegam a casa, destas terras longínquas e maravilhosas com marcas sobre seu corpo. Vi alguns na Crescent uma vez.” Os olhos de Jordan nunca se afastaram da marca sobre seu suave traseiro. Obedecendo a um impulso interior, inclinou-se para frente e passou sua língua brandamente pela cicatriz. Logo lhedeu um beijo ali, baixou sua cabeça ainda mais e beliscou levemente a parte carnuda de sua nádega. Seu estremecimento foi suficiente recompensa. “Por que, Charlie? Por que te marcou esse animal?” Ela se cobriu e se sentou entre seus braços outra vez. Foi um ato natural de confiança o que disse ao Jordan mais que todas as histórias de vida que ela poderia lhe haver contado. Outra pequena parte dentro do corpo dele pulsou com vida. “Acredito que sentia que era importante me fazer entender que eu lhe pertencia. Eu era sua propriedade tanto como o gado que marcava para seu curral ou as ovelhas que criava pela lã. Ele queria que soubesse que ele podia fazer o que quisesse comigo. Ou me haver feito o que quisesse. Nos primeiros dias de nosso matrimônio, eu não era muito complacente com seus desejos. Charlie baixou os olhos com modéstia ao fazer este anúncio, e Jordan curvou os lábios. “Assim rebelde, né?” Madame Charlie Sahara Kelly Um sorriso encantador se estendeu no rosto de Charlie, produzindo uma insuspeitada covinha em uma bochecha e um sorriso que lhe correspondia no rosto de Jordan. Ele estava encantado. “Bom, não quereria colaborar muito, mas certamente não entendi o conceito de ter um lugar e ficar ali.” Jordan riu e a abraçou forte. Esta era uma mulher extraordinária. Sentiu-a rir com ele e notou o bocejo que seguiu. Não tinham jantado, só tomaram brandy, mas já eram quase as nove e não tinha nenhuma dúvida de que sua Charlie estava exausta. “Hora de te levar a cama, Charlie.” Ela tencionou em seus braços. “Sozinha, minha doçura. Não por eleição própria, mas porque acredito que ainda necessita descansar. E se estivesse contigo, perto desse teu delicioso corpo, nenhum dos dois descansaria. Absolutamente. Não somente esta noite, mas durante muitas noites futuras... De fato, pelo resto de nossas vidas…” As palavras passaram velozmente pela mente de Jordan e o fizeram deter-se abruptamente. Ele franziu o cenho, enquanto Charlie se deslizava silenciosamente de seus braços e lhe permitia ajudá-la a chegar até a cama. Tinham ordenado a habitação e tirado as mantas, e havia uma só vela acesa. “Obrigado, Jordan.” Suas palavras eram sonolentas e seus olhos, quentes ao olhá-lo. “Por tudo.” “Foi um prazer, Charlie. E ainda não terminamos. Nem muito menos.” Ele logo que tocou os lábios dela com os seus e logo a vela com um sopro. Antes que se extinguisse a chama, ela já estava adormecida. Madame Charlie Sahara Kelly Capítulo Doze Durante os dias seguintes, a vida se tornou uma espécie de rotina para Charlie, enquanto permanecia na Casa Calverton. Houve um par de incidentes estranhos, reportados contra visitantes da Crescent, e uma moça estava convencida de que a tinham seguido, enquanto fazia os trabalhos. Havia suficientes pergunta sem respostas para fazer, que Jordan estava intranqüilo e totalmente convencido de que manter Charlie escondida era uma boa idéia. Matty estava totalmente de acordo com sua postura. Charlie tinha dado rédea solta dentro de sua suíte, e tinha instalado seu escritório de maneira que se assemelhava a um pequeno escritório. Mantinha-se em silêncio e ocupada, e tinha poucas visitas, exceto por Matty e Jeffreys, seu novo amigo. Quanto ao Jordan, da noite em que lhe mostrou o que podia ser a paixão entre um homem e uma mulher, permaneceu escrupulosamente correto em seu comportamento e não estiveram sozinhos, nem por um momento. Charlie não podia decidir se devia sentir-se satisfeita ou lamentá-lo. Embora sim admitiu em privado e a si mesmo que estava bastante aliviada. O período de tranqüilidade lhe permitiu recuperar um pouco do controle de si mesma e superar seu arrependimento de ter compartilhado tantos pensamentos e sentimentos íntimos com ele. Entretanto, era consciente de que em sua mente e, honestamente, também em seu coração, havia certo grau de calma. Como se ao liberar algumas de suas lembranças, tivesse liberado da carga do desgosto, que tinha levado durante tanto tempo. Segura de que não tinha revelado nenhuma informação pessoal, pôde responder amável e apropriadamente ao Jordan, quando a visitava ocasionalmente, e conversar comodamente com o Matty durante as tardes em que a mulher mais velha, fazia seus informes das noticias e trazia novos documentos. Charlie e Jeffreys encontraram imediatamente um tema em comum inesperado – os negócios. Quando Jeffreys se aproximou da convidada de seu patrão com certo grau de Madame Charlie Sahara Kelly precaução e grande quantidade de curiosidade, Charlie fez imediatamente que se sentisse cômodo e começou a aproveitar seus conhecimentos elegantemente. Para quando terminou sua primeira hora juntos, ambos se declararam mais sábios logo depois da conversação. A admiração de Jeffreys pela estranha astúcia financeira de Charlie cresceu, enquanto escutava suas perguntas e a observava analisar as respostas. O interesse de Charlie pelo tema e seu desejo de aprender aumentaram sua crescente convicção, de que esta mulher teria sido uma potência a ter em conta, se lhe tivessem permitido um lugar na Bolsa do Comércio. Desta maneira, ambas as partes se beneficiaram enormemente do tempo compartilhado e ambos esperavam ansiosos a oportunidade de conversar sobre questões financeiras que fossem de interesse mútuo. No sábado, entretanto, Charlie já estava inquieta. Já era hora de que ela voltasse para a Crescent, ao seu trabalho real, e longe da zona de influência de Jordan Lyndhurst. “Só uns poucos dias mais, Charlie, isso é tudo o que pedimos.” Matty se sentou perto da janela a desfrutar do sol. Charlie ia e vinha. “Isto está se tornando frustrante.” “De que forma, carinho? Esta é uma casa encantadora, está em uma suíte perfeita, tem tudo o que necessita, não?” “Sabia que estas eram as habitações do Conde, Matty? Que Jordan me colocou em sua própria suíte?” “Bom, imaginava, mas o que importa? Não é que estará aqui para sempre.” Só alguns dias mais. Charlie sentiu um estranho golpe perto de seu coração ao escutar as palavras de Matty. Voltou a caminhar daqui para lá. Enquanto seus passos a levavam e a traziam, sua sensação de desconformidade crescia. Tinha muito medo de não querer ir-se. De querer estar perto de Jordan Lyndhurst tanto como fora possível. Com a menor quantidade de roupa possível entre eles. Madame Charlie Sahara Kelly As palavras que tinha usado para seduzi-la até o orgasmo, a espreitavam todas as noites e estava cansada de despertar tremendo, penando e sozinha. Estava pronta para experimentar um pouco mais de prazer. Seus olhos passearam pela papelada esparramada sobre seu escritório. Matty estava conversando sobre alguma coisa, mas a mente de Charlie se negava a lhe emprestar atenção à outra coisa que não fora a crescente idéia de que estava sentindo algo pelo Conde de Calverton. Sentindo algo que não devia sentir, sentindo algo que era tão inapropriado, como arriscado. Sentindo algo que poderia fazê-la atuar como a puta que o mundo pensava que era. Repreendeu-se a si mesmo silenciosamente por esse último pensamento. Jordan nunca deu a entender que a considerava menos que uma dama, inclusive quando a incitava em seu primeiro encontro. Suas maneiras foram exemplares e seu comportamento, bom, certamente não foi o de um homem com uma prostituta.De fato, lhe poderia perdoar Charlie, se pensava que ele pudesse sentir certa quantidade de ternura por ela. Depois de tudo, tinha passado muito tempo cuidando-a e logo vieram os abraços junto ao fogo e a conversa, e todo o tempo, a mão dele passava por seu cabelo, reconfortando-a, acariciando-a… Começaram-lhe a doer às vísceras e ela pôde sentir que se começava a umedecer entre as pernas. Isto jamais funcionaria. Jordan Lyndhurst, o Sétimo Conde do Calverton, estava fora de seu alcance. Por ao menos, cento e cinqüenta razões, mas mais que nada, por quem era ela agora. Madame Charlie da Crescent. Qualquer relação entre duas pessoas assim seria extraordinariamente escandalosa e daninha para Jordan. Por sua parte, uma notoriedade como essa bem poderia ajudar a seu negócio, mas a que preço? Estava ela disposta a arriscar-se a um coração quebrado e uma reputação destroçada para sempre pela oportunidade de ter mais prazer? Podia ela ver com bons olhos, converter-se em seu amante e compartilhar sua cama, mas nada mais? Madame Charlie Sahara Kelly Nesse momento, Jordan entrou na habitação para dizer a Matty que sua carruagem estava preparada. Charlie o olhou: tão forte, tão bonito, tão homem. Ela tinha a coragem de submeter-se a seus próprios desejos? Para aproximá-lo dela e lhe rogar que faça o que queira com ela? Tinha a coragem de admitir a si mesmo que o desejava desesperadamente, a seus braços e a seu corpo? Intimamente? Era possível que ele fora o único homem que realmente podia fazê-la ‘deixar-se levar’? Jordan entrou na habitação, para o que agora estava começando considerar sua dose diária de tortura. Certamente a inquisição espanhola não poderia ter idealizado um castigo pior que estar na mesma habitação com Madame Charlie e não tocá-la, despi-la e possuí-la. Seu pênis estava em um estado de permanente excitação, cavalgar havia se tornado esquisitamente incômodo, e temia que se não fazia algo logo, seria empurrado à loucura por sua insatisfeita necessidade masculina. Perguntou-se se haveria um pavilhão em Bedlam especificamente para homens que sofriam de desejo não correspondido. Não o teria surpreendido. Porque isso era tudo o que era: desejo. Recordava-se a si mesmo constantemente. Não importava que nunca houvesse sentido antes o impulso de abraçar forte a uma mulher durante horas. Não importava que nunca antes tivesse estado tão consciente do perfume de uma mulher. Não importava que tivesse entrado sigilosamente e se envergonhou a si mesmo por trocar os travesseiros, só para poder dormir com a fragrância de seu cabelo no nariz toda a noite. Madame Charlie Sahara Kelly Não importava que cada vez que entrava em sua suíte e voltava a vê-la, lhe obstruía a respiração nos pulmões e seu coração vacilava de um modo estranhamente sutil. Nada disso importava um nada. Era todo desejo. Queria-a nua, debaixo dele e gritando. Prender essa vagina estreita e quente ao redor dele, até que o mamasse o cérebro, junto com o sêmen. Era simples desejo. E esta seria a noite em que ia fazer algo a respeito. Para completar finalmente sua campanha. Se tudo seguia tranqüilo na Crescent, então ele não poderia, para falar a verdade, manter a Charlie na Casa Calverton. Esta poderia ser sua última oportunidade de ter ação, e nem louco, ia desperdiçar. Uma vez seduzida, agarrada e dela, possivelmente poderia tirar-se da cabeça e voltar para a tarefa de ser um conde, onde pertencia e onde ainda tinha uma grande quantidade de coisas que fazer. Preferiria desfrutar de tê-la como amante, pensou. Sempre que ela estivesse de acordo. É obvio que teriam que ser bastante discretos, mas ele era um ex-soldado. Seu segundo nome era ‘Raposa’. Bom, muito bem. Em realidade era Edward, por seu pai, mas Jordan sabia que se tinha êxito em convencer a Charlie de que se convertesse em seu amante, não teria problemas em continuar a relação de maneira privada e confidencial. A diferença de muitos no povo, não acreditava em fazer alarde de suas conquistas sexuais. Charlie não tinha idéia de que tinha revelado muito mais sobre si mesma, do que tinha intenção quando se descarregou com ele frente ao fogo. Ele sabia agora, por exemplo, que a apresentaram em sociedade. Isto indicava que ela era certamente membro da aristocracia, e provavelmente do campo, já que a maioria das debutantes de sua idade teria sido notada, examinadas e catalogadas pela revista de moda das Damas de Londres, desde que nasciam até que se casavam. Obviamente, não era centro da atenção pública, ou seu casamento teria aparecido nos titulares, outra vez, fazendo-a notória. O fato de que podia mesclar-se com o povo dentro das Madame Charlie Sahara Kelly paredes da Crescent e ninguém nunca a viu como outra coisa que Madame Charlie, lhe disse que ela não era de Londres e que nunca tinha estado na cidade com nenhuma outra função. Em conseqüência, ele anotou ‘as pistas’ em sua lista, entregou ao Jeffreys e já estava esperando a resposta a suas perguntas. Quem tinha se casado com uma jovem uns três ou possivelmente tanto, quatro anos atrás? Quem tinha morrido à pouco tempo? Tinha que ser mais velho, provavelmente nobre, e de fora de Londres. Devia haver registros em algum lugar, e Jordan confiava em que Jeffreys poderia desenterrá-los, embora ainda não tivessem um sobrenome. Não podia haver muita Charlotte que encaixassem nos parâmetros, que tinha reunido tão cuidadosamente. O homem era incrivelmente eficiente, quando lhe apresentava um desafio, e Jordan o fazia acordar a um terrier com um osso. Em pouco tempo, resolveriam alguns dos mistérios que rodeavam a esta mulher fora do comum. Em poucos dias, possivelmente, poderia saber todas as outras coisas que ela não tinha lhe contado, enquanto estava aconchegada tão comodamente em seus braços. Havia compartilhado algumas experiências difíceis com ele e possivelmente explicado algo de seu comportamento, mas Jordan tinha o pressentimento de que havia mais em jogo. Queria saber. Mais que isso, precisava saber. O que não podia compreender era por que o estava obcecado com estas perguntas, sem responder. Com esse pensamento na mente, observou Charlie, enquanto se despedia de Matty, abraçando à mulher mais velha e sorrindo-lhe com seu estilo inocente de costume. Ela não tinha idéia de que seu sorriso se metia em suas calças, e sua covinha, nas estranhas ocasiões em que se deixava ver, fazia que lhe apertem as bolas. Possivelmente essa falta de consciência era parte de seu encanto. Ela podia ter ignorado o efeito que tinha sobre ele, mas ele se dava conta de que tinha um efeito nela. Sorriu por dentro, quando notou como ela obviamente, não o olhava. Inclinou-se amavelmente, ante o Matty e a deixou nas hábeis mãos de seu valete. Suprimiu um sorriso, quando o passo de Charlie se apressou e ela pôs rapidamente o escritório entre eles. Madame Charlie Sahara Kelly “Posso levar tudo a Crescent também?” Perguntou amavelmente. “Certamente. Matty dirigiu tudo de uma forma incrivelmente competente.” “Vejo que dificilmente precisam de mim.” Sua resposta foi calma, seus olhos controlados e o pequeno batimento do coração, na base de seu pescoço estava loucamente agitado. “Sempre te necessitam, Charlie.” murmurou ele. “De fato, eu mesmo vejo que lhe necessito.” Charlie levantou uma sobrancelha,sem deixar ver uma emoção em sua expressão. Jordan viu que um pequeno músculo em sua bochecha se moveu. Sorriu-lhe e se deslocou até a porta. “Estou aqui para te perguntar se você gostaria te unir a mim, para uma partida de xadrez mais tarde esta noite. Devo assistir a um molesto jantar de trabalho, mas já teria terminado pelas dez, quando muito. Encontro-me que atualmente não tenho interesse em assistir às atividades mais mundanas dos sábados de noite. Um tranqüilo jogo de xadrez ou dois seria um prazer para mim. Poderia te pedir que me conceda a honra de sua companhia?” Charlie se permitiu cruzar o olhar com ele. Por um segundo, ele poderia ter jurado que viu seus olhos acalorar-se e se voltarem tempestuosos. Mas logo é como se houvesse cansado do pano de fundo e voltado à calma e tranqüilidade de sua expressão de costume. “Será um prazer, meu Senhor. Um jogo de xadrez é uma pequena recompensa pelos cuidados que você me tem feito. Confio em que minha destreza não o desiluda.” “Ao contrário, Charlie. Tenho que confiar em que minha destreza não desiluda a ti.” Sabendo que lhe tinha deixado bastante para meditar, Jordan se inclinou e se foi, se perguntando se poderia sobreviver pelas próximas horas. Recordou-se a si mesmo que devia revisar se tinha um par de calças de festa, que escondessem o fato de que tinha uma furiosa ereção, da que tinha toda a intenção de encarregar-se esta mesma noite. Madame Charlie Sahara Kelly A leve garoa que Jordan encontrou ao sair de sua casa essa noite, se tornou um forte aguaceiro que o empapou ao voltar, fazendo-o necessitar uma ansiado mudança de vestimenta. “Arthur, por favor, peça à senhorita Charlie que se reúna comigo na Sala de Leitura em meia hora. Ela já sabe do convite.” disse Jordan, enquanto tirava a roupa molhada e a deixava sobre uma pilha no chão. “Sim, Coronel.” Arthur suspirou e recolheu a roupa úmida. “Maldição, onde está minha camisa favorita?” “Junto a suas calças favoritas, senhor.” respondeu Arthur com secura. “Posso sugerir usar uma toalha, antes de se vestir?” Arthur estendeu majestosamente uma toalha para o uso de seu molhado patrão. “Não ponha a brincar comigo, homem. Recorda que te vi bêbado como uma Cuba, com suas calças no chão e duas mulheres sobre seu colo.” A advertência murmurada de Jordan veio das profundidades da toalha, que esfregava violentamente por seu cabelo. Arthur suspirou. “Lembro aquela noite com carinho. E você, se a memória não me falha, estava atendendo à outras duas.” Jordan tossiu. “Sim, bom. Possivelmente nos dois deveríamos fazer um esforço por purgar nossas lembranças desse pequeno incidente.” “Necessitará você ou a senhorita Charlie algo mais dos criados esta noite?” Jordan levantou uma sobrancelha suspeita a seu valete. A questão tinha sido posta em palavras muito suaves. Arthur se mostrou cortês. “Uma pergunta natural, Coronel. O pessoal estará feliz de retirar-se cedo esta noite, uma vez que você diga que suas necessidades foram satisfeitas. Eu mesmo me assegurarei de que a casa esteja segura e me retirarei a minha habitação também.” Tendo sido informado assim de que seu pessoal estava deixando à casa livre para que jogue com sua convidada, Jordan meneou a cabeça. “Um destes dias, os criados se levantarão e conquistarão o mundo. A aristocracia se encontrará sem trabalho.” “E será um mundo melhor, além disso, Senhor.” Madame Charlie Sahara Kelly Jordan arrumou a camisa e deixou o pescoço aberto, e lhe fez um gesto para descartar a jaqueta e o colete. “Não estou em casa esta noite. Para ninguém. Não é que esteja esperando companhia, mas não vejo por que tenha que me sentar incômodo ao lado de minha própria chaminé, na privacidade de minha própria casa. Charlie não importará. Possivelmente Charlie até goste de ver seu peito. Por Deus, de onde saiu essa idéia? Possivelmente do mesmo lugar que lhe dizia que se tirasse toda a roupa, economizaria tempo. Deu-se uma sacudida mental e sorriu ao Arthur. “Deixaste tudo na Sala de Leitura como te pedi?” “É obvio Senhor. Acredito que encontrará tudo a seu gosto.” Arthur fez uma pausa. “Terá que esperar que a senhorita Charlie o faça também.” Jordan levantou uma sobrancelha a seu valete. “Sabe Arthur, acredito que eu gostava mais como meu ajudante pessoal eternamente bêbado. Uma vez que ficou sóbrio, desenvolveu um muito desagradável lugar ao sarcasmo que provém de não sei onde.” “Possivelmente a aprendi de você, Senhor.” Sem alterar-se, Arthur limpou os restos que deixou Jordan com sua veloz mudança de roupa. “Agora, se me permitir isso, chame à senhorita Charlie e lhe peço que se reúna com você? Presumo que você prefere não esperar muito?” A frase formalmente amável foi acompanhada por um olhar mordaz a entre perna de Jordan, onde havia indicio de uma boa ereção, que já estavam distorcendo o tecido de suas calças. “Arthur, você é um diabo que enviaram para me assediar. Ofenderia-me se não soubesse que você poderia disparar melhor que eu em qualquer campo de batalha e em qualquer dormitório no que estive!” Jordan riu pesaroso. “Me alegro de que seu atual estado de desejo, não o tenha cegado a respeito de algumas verdades fundamentais.” Arthur tomou o completo como merecido. “Sujeito a futuros acontecimentos, estou considerando afundar minha relação com a acompanhante da senhorita Charlie, a senhora Matty.” Madame Charlie Sahara Kelly Jordan inclinou a cabeça. “Ah, sério?” Arthur o olhou com desaprovação. “Sim, sério. A senhora Matty é uma dama encantadora, de grande inteligência e muito atrativo pessoal. Tem um bom sentido do humor, uma boa cabeça sobre os ombros, e apesar de que outros possam pensar que suas cicatrizes são desagradáveis, resulta que eu penso que lhe adicionam um toque de sabor picante a seu caráter.” Jordan levantou as sobrancelhas. “Sabor picante? Escutei-te dizer sabor picante? O que lhe disse sobre ler essas espantosas novelas da Fanny Barney?” Arthur soprou pelo nariz. “Devi ter sabido que um jovem fantoche como você, desculpe-me, meu Senhor, se burlaria de meu julgamento sobre os encantos de uma dama.” Jordan riu. “Vê com cuidado, meu amigo, mas segue a seu coração.” “Tal como pensa fazer você, Coronel?” A pergunta fez que Jordan se detivera abruptamente. Era isso o que estava fazendo? Seguindo a seu coração? Madame Charlie Sahara Kelly Capítulo Treze “Obrigado por me acompanhar esta noite.” Jordan falava calmamente, enquanto acompanhava Charlie à Sala de Leitura. A cabeça dela girava de um lado ao outro, ao fiscalizar as enormes prateleiras com livros que se elevavam imponentes até o forro do teto e lhe davam o nome à habitação. Várias velas titilavam nos candelabros da parede, e as cortinas estavam bem fechadas, devido à chuva que assobiava contra os vidros das janelas. Não era uma habitação grande, mas certamente dava a impressão de estar bem cuidada e bem usada. “Que preciosa.” sorriu ela. “Eu gosto. Quer um pouco de xerez, ou talvez um porto?” Ele a conduziu até uma pequena mesa onde havia taças e jarras. “Obrigado. Um pouco de xerez estaria bem.” A luz da vela fez que um arco íris de cristal cintilante das delicadas taças, quando Charlie levantou o xerez até seus lábios. Os olhos de Jordan seguiram cada movimentodela. “Terminou com êxito a reunião de negócios?” A pergunta foi amável e imparcial. “Sim. Aborrecida como poucas, mas necessária. Já estão assegurados alguns investimentos, e outros sujeitos a consideração. Tinha que ir, mas me alegro de estar em casa.” Um agradável fogo crepitava e se elevava na grande lareira e Charlie se aproximou dele, atraída possivelmente pelo chamariz de duas cadeiras de encosto alto que tinham sido localizadas frente a ele. “Vejo que está preparado para nossa partida, Senhor.” disse despreocupada, passando um dedo pelo flanco da mesa. “Realmente o estou, Charlie. Jogar contigo será um grande prazer, estou seguro.” O dedo se deteve em seu movimento, sobre o brilhoso tabuleiro. “Confio em que não se desiluda.” “Contigo, impossível.” Madame Charlie Sahara Kelly A resposta foi firme e fez que Charlie levantasse rapidamente a cabeça. Seus olhos encontraram-se por um ou dois segundos, logo a fez sentar frente a ele e se estirou para alcançar um peão negro e um branco. Com as mãos detrás dele, Jordan mesclou os peões, mostrando as mãos novamente, cada uma delas encerrando um peão diferente. “As damas escolhem. Quer escolher sua cor?” Charlie levantou a mão e tocou apenas o reverso da mão esquerda dele. Jordan abriu seu punho e revelou o peão branco. “A dama joga com o branco. O primeiro movimento é teu, Charlie.” Charlie fez um gesto de aceitação com a cabeça. Jordan tomou assento frente a ela e os dois competidores se inclinaram para jogar. O peão branco fez o movimento inicial de costume, e foi evitado por uma igualmente acostumada resposta do negro. Charlie se inclinou um pouco para a mesa, enquanto analisava seu próximo movimento. Um cavalo branco se uniu ao combate. Jordan piscou seus olhos, pensou uns instantes e logo moveu outro peão. Charlie respondeu com outro peão mais, sobressaltando-se um pouco quando um tronco se estalou na lareira. A chuva tamborilava contra as janelas, acentuando o som. Jordan deslizou seu peão diagonalmente e se apoderou do dela. “Vejo que tem experiência neste jogo, Charlie.” “Certamente a tenho, meu Senhor. Meu pai me ensinou quando era pequena, e sempre me gostou um desafio.” “Certamente demonstra sua predisposição a sacrificar as pequenas coisas, pela perseguição de metas maiores.” Charlie apertou um pouco seus cotovelos para dentro, fazendo que o vale entre seus seios ficasse mais profundo. “Espero que sempre saiba que estratagema usar para obter a vitória, meu Senhor.” O olhar de Jordan baixou até os suaves montes que seu decote vestido deixava ver. Madame Charlie Sahara Kelly Ele se moveu em sua cadeira. Charlie permitiu que seu cavalo tirasse ao ofensivo peão negro e fez que Jordan a olhasse com surpresa. “Pelo visto também acredita no jogo agressivo?” Charlie sustentou o peão com ambas as mãos, fazendo-o girar para trás e para adiante, como se tivesse esquentando, entre as palmas de suas mãos. Ela lambeu os lábios, deixando um brilho úmido sobre eles. “Pode-se considerar agressivos a esse tipo de movimentos? Não é ganhar o objetivo, sem importar que estratagema se utilize?” “Pareceria que puseste o meu peão em perigo.” disse Jordan, inclinando-se em sua cadeira e deixando que sua camisa se abrisse sobre seu peito. “É uma mulher bastante atrevida. Especialmente quando te dispõe a ganhar.” Os olhos de Charlie se apartaram bruscamente do espetáculo dos sólidos músculos de Jordan, que refletiam a luz dourada do fogo. A garganta dela se moveu, enquanto tragava em silêncio. A mão de Jordan se estirou sobre a mesa e tocou a parte superior do cavalo dela, fazendo um círculo, roçando-o com sua unha e finalmente golpeando-o com o dedo. Ela se inclinou para diante, aproximando seus seios a esse dedo. Seus mamilos se endureceram debaixo do fino tecido, sobressaindo-se orgulhosamente através da musselina. “Ensinaram-me que só a vitória conta meu Senhor. Nenhum sacrifício é muito grande.” Jordan sorriu e pôs seu cavalo em jogo. “Nos somos bem como parceiros aqui, então. Vê como meus movimentos seguem tão de perto os teus? Possivelmente até se correspondem? Estamos destinados a nos seguir um ao outro no jogo… de xadrez? A nos mover juntos, ao uníssono, as duas mentes como uma?” Charlie trouxe sua mão ao tabuleiro e seus dedos acariciaram a alta figura de sua torre. Subiam e baixavam, às vezes em círculos, às vezes aferrando-se, jogando ociosamente enquanto analisava seu próximo movimento. Jordan se moveu em sua cadeira, uma vez mais. Madame Charlie Sahara Kelly “Está cômodo, meu Senhor? Possivelmente sua cadeira é muito baixa?” A pergunta de Charlie perfurou o silêncio da habitação e fez que uma das sobrancelhas de Jordan se levantasse. “Acredito que é mais o caso de que minha antecipação está muito alta. A idéia de lhe dominar me tem .... excitado...muito.” “Me dominar?” “No xadrez, é obvio.” Jordan levantou sua rainha e a elevou até seus lábios. “A idéia de fazer esse movimento final, Charlie...” Passou a peça por seus lábios e a deslizou até seu queixo. “A mera idéia de que posso triunfar sobre suas estratégias esta noite tem-me excitado. “E se ganhasse meu Senhor.” Charlie pôs seu outro cavalo em jogo. “Acredito que não havemos conversado sobre o prêmio.” Jordan olhou fixamente o tabuleiro. “Cabe a você, meu Senhor.” Jordan levantou a cabeça e a olhou. Voltou a pôr a rainha cuidadosamente sobre o tabuleiro. “Se eu ganhar, Charlie, acredito que posso reclamar como prêmio… um beijo?” “Um beijo, meu Senhor?” “Um beijo, Charlie. Entregue livremente. Parece-te justo?” A resposta de Charlie foi rápida e decidida. “De acordo.” Jordan moveu um peão negro para frente, um pequeno espaço com uma mão que tremia muito levemente. “E se fosse tão afortunada para capturar meu rei, Charlie? O que quereria reclamar como seu prêmio?” Os olhos dele percorreram seu corpo, enquanto uma gota de transpiração descia por entre seus seios. Ele lambeu os lábios e abriu as pernas estiradas debaixo da mesa, logo que roçando a coxa dela com seu joelho. Apenas se pôde escutar que ela tomou ar, por sobre o som de sua roupa ao roçar-se na quietude da habitação. “O que pedirei?” “Essa foi minha pergunta, sim.” Madame Charlie Sahara Kelly O olhar de Charlie permaneceu fixo sobre o tabuleiro, enquanto passava os dedos pelas peças. Sua coxa se moveu contra a de Jordan debaixo da mesa, pressionando muito levemente, e fazendo que o pulso no pescoço dele, pulsasse mais rápido. Ele a olhou, enquanto ela respondeu com outro peão. “É uma pergunta interessante. Há muito que eu gostaria de pedir.” Ele respirou de maneira irregular. “Só tem que pedi-lo.” O olhar de Charlie permaneceu fixo no tabuleiro. “Sua vez.” Jordan se passou uma mão pelo cabelo e observou o jogo. Tomou um bispo e o deslizou para diante bruscamente. “Estou esperando...” “E eu estou pensando.” Charlie se inclinou para diante ainda mais, permitindo que Jordan desfrutasse de seus seios e da imagem dela passando um desventurado peão pela pele, debaixo de seu pescoço, e mais abaixo, até seu decote. “O que está pensando?” Suas palavras foram quase ásperas agora, tão ásperas como o som de sua respiração. Seus pés travaram ao redor de uma das pernas dela e a atiraram para ele por debaixo da mesa. Ela levantou avista e o olhou. “O que está pensando.” repetiu ele, movendo a perna dela para trás e para adiante junto com a dele. “Estou pensando que se eu mover este peão aqui...” A mão de Jordan interrompeu seu movimento. “Não mais movimentos até que me diga o que quererá ao final do jogo se vencer.” Seu tom não admitia discussão alguma. Charlie permaneceu sentada e imóvel, com sua perna entre as dele e seu pulso em seu punho. Respirou fundo, empurrando os mamilos contra o apertado tecido de seu vestido. “Se eu ganhar, peço esta noite contigo.” Fez-se um silêncio na habitação. Até o fogo deixou de crepitar, como impactado pelo que acabava de escutar. Lentamente, sem soltar sua mão, Jordan se levantou de sua cadeira. Uma mão atirou o tabuleiro ao chão, esparramando peças de xadrez em qualquer parte. Madame Charlie Sahara Kelly A outra aproximou de Charlie para ele, até apertá-la contra seu corpo. “Você ganha.” A boca de Jordan esmagou a dela em um beijo que deixou a mente dela inconsciente e seu corpo já excitado em êxtase. Seus braços a estreitaram ainda mais contra si, e ela automaticamente deslizou sua mão pelos ombros dele e ao redor de seu pescoço, ajudando-o a deixar colada a carne de ambos. Charlie era virtualmente incapaz de pensar. Os lábios dele estavam fazendo tudo o que ela tinha imaginado que fariam. Firmes, quentes, exigentes, acariciavam-na e excitavam e logo se abriam para permitir que sua língua excite as profundezas de sua boca. Ela gemeu para tomar ar e ele seguiu à respiração dentro de sua boca. Ela se deu conta pela primeira vez, da maravilhosa sensação de um homem adorando sua pele suave, aprendendo as diferentes texturas de sua língua, deslizando-se por entre seus dentes e excitando-a com pequenos toques e voltas. Sem nenhum pensamento consciente, ela seguiu seu exemplo, imitando sua intrusão ao deslizar sua própria língua dentro da boca dele e saboreá-lo. Quente, doce, com matizes de xerez, o sabor de Jordan tinha uma embriaguez própria e se estendia até os joelhos dela. Ela sentiu que os braços dele se moviam para baixo e aos poucos segundos era levantada do chão e contra o corpo dele. “Está segura?” perguntou ele bruscamente, separando sua boca da dela para fazer a pergunta. Ela não teve oportunidade de responder, antes que ele a estivesse beijando avidamente, comendo seus lábios, chupando sua língua, apertando seu corpo com as mãos e abraçando-a contra ele com uma força de ferro. Os braços dela rodearam seu pescoço, lhe devolvendo o abraço grosseiramente. “Estou segura.” disse afogada, enquanto fazia força para separar-se e tomar ar. “Bem.” Jordan saiu da habitação a grandes passos e subiu quase correndo ao segundo piso com Charlie em seus braços. Madame Charlie Sahara Kelly A casa estava escura e silenciosa, e em breves instantes a porta se fechou com chave e ele estava baixando-a ao chão, ao lado da cama. “Desejo-te. Nunca desejei tanto a ninguém.” As palavras de Jordan eram ásperas, mas honestas, como o eram seus olhos. “Sei.” Charlie voltou a olhá-lo. Tinha tomado uma decisão esta noite. Não ia a retroceder. “Por que esta noite?” Jordan passou brandamente as mãos por seus seios, sorrindo um pouco, quando os mamilos se fizeram notoriamente visíveis debaixo de seus dedos. “Por que agora, Charlie?” Charlie passou suas mãos pelo firme peito de Jordan e abriu atrevidamente sua camisa. Ele a tirou, complacente, e a jogou em um canto nas sombras. Ela obedeceu a um impulso interior e se inclinou para diante, passando a língua pelo disco plano de seu mamilo. Escutou-o ofegar e isso a fez estremecer, apenas pelo efeito que podia causar esse tipo de reações era um lucro para si mesmo. Ela levantou os olhos para o Jordan e viu que as manchas douradas cintilavam de desejo por ela. “Porque eu também te desejo, Jordan. Porque quero suas mãos sobre mim. Quero conhecer o prazer de novo, mas quero conhecer o verdadeiro desta vez. Porque pela primeira vez desde que lembro, quero que um homem me toque.... você. Porque quero saber como é fazer o amor e não sexo.” Ela deixou que seu olhar passeasse pelo corpo dele. “Porque quero te tocar e aprender sobre ti e que você me toque. Porque não posso deixar de me perguntar, como é ter a um homem dentro de mim, me fazendo sentir maravilhosa em lugar de… em lugar de… bom, suponho que quero ver se juntos podemos apagar o passado, Jordan.” Tomou a mão sobre seu peito e a deslizou entre eles, lhe permitindo sentir como seu membro empurrava contra suas calças. Ela envolveu sua mão ao seu redor, com curiosidade, e apertou um pouco, sorrindo quando ele respirou fundo, de repente. “Não sei se posso apagar suas lembranças, Charlie. Mas, demônios, posso-me assegurar bem de que tenha algumas novas.” Madame Charlie Sahara Kelly Suas mãos se deslizaram por detrás dela e seu vestido caiu até a cintura. “Posso beijar estas belezas...” Seus lábios caíram sobre seus mamilos e ele passou a língua ao redor de um, fazendo-a gemer. “E chupá-los também.” ele se moveu até o outro seio, chupando brandamente sua rígida ponta. “E muito mais, Charlie, amor.” Separou sua boca dela e apertou seus seios nus contra seu corpo, deixando que os sensibilizados mamilos sentissem a aspereza de seu pêlo e o calor de seu corpo. Era a vez de ela explodir, e sem duvidá-lo, estirou-se até alcançar a parte dianteira de suas calças. “Acredito que é hora de dispensar isto, Jordan.” murmurou, lutando com as cintas. “Malditas coisas...” As mãos de Charlie mergulharam pela abertura, famintas por tocar seu pênis, e com um gemido ele tirou as calças e caiu nas palmas das mãos dela. “Ah, Jordan.” disse em voz baixa. Ele estava tão duro e quente, era maravilhoso tocá-lo. Sua pele era suave em alguns lugares, áspera em outros, e ela sentiu que seus dedos estavam fascinados, pela diferença nas texturas que ia descobrindo. Tocou a gotinha de umidade que se juntou na pequena abertura sobre a cabeça e levantou os olhos, quando a mão dele agarrou seu pulso. “Fará-me perder em meu desejo muito rápido, se seguir com isso, Charlie. Nos percamos juntos.” Ele deslizou suas mãos por debaixo de sua roupa enrugada e empurrou tudo por sobre seus quadris até o chão. Ela estava nua, parada diante dele, sentindo que o calor saía do corpo dele, formando ondas que rompiam sobre o seu. Por um momento, nenhum tocou somente liberando seus sentidos e regozijando-se na enormidade deste momento. Madame Charlie Sahara Kelly Charlie podia cheirá-lo, sentir seu calor, e quase absorver seu desejo através da pele. Não tinha idéia de que podia conhecer um homem a tantos níveis diferentes, cada um causando uma resposta dentro dela, que só adicionava combustível ao fogo. “Charlie, me toque.” O sussurro enrouquecido tocou os ouvidos e o coração de Charlie ao mesmo tempo. Era uma súplica, um estímulo, uma prece e uma exigência. Ela tocou. Tomou seu membro entre as mãos e a esfregou por seu ventre, querendo experimentá- lo a um nível diferente de qualquer idéia convencional. Ela se aproximou dele, obrigando-o a levantar-se, e sua mão se deslizou por debaixo dele, para agarrar o firme traseiro. Ela apertou seus corpos, fazendo um sanduiche com o pênis de Jordan, contra sua suavidade. Seu gemido a deixou contente. As mãos dele sobresua parte traseira a deixaram ainda mais contente, e quando ele começou a amassar e agarrar, e a deslizar seus dedos para cima e para baixo por sua abertura, ela não pôde ficar quieta. Os quadris dela começaram a mover-se contra a dureza dele que tinha diante e as mãos que tinha detrás. “Jordan.” disse ela em voz baixa, enquanto se inclinava um pouco e alinhava seus clitóris com as bolas dele. “Abre as pernas, Charlie.” As mãos dele abriram seus lábios e ele deslizou um dedo para seu estreito canal rosa. Os milhões de terminações nervosas, enviaram estremecimentos de prazer por ela toda, quando Jordan as acariciou brandamente. Estirando-se, recolheu seus sucos e os pulverizou para cima e ao redor de sua tensa argola de músculos, acariciando-a com um toque tão leve, como o de uma pluma. Charlie sentiu que seu corpo começava a desprender fogo e que seus quadris se moviam com mais força contra ele. Madame Charlie Sahara Kelly Seus joelhos começavam a dobrar-se e Charlie soube que não poderia se manter em pé, muito mais. Não tinha que fazê-lo. Aos poucos segundos que suas pernas começaram a tremer, Jordan a tinha convexo sobre a colcha detrás deles. O corpo dele estava completamente sobre ela: duro, quente, em movimento e a tocava, beliscava-a, acariciava-a, enlouquecia-a. Ela se retorcia incapaz de se aproximar mais dele, mas consciente de que devia fazê-lo ou morrer no intento. Jordan deslizou a mão por seu ventre, enquanto lhe chupava energicamente um seio. Ela sabia que estava fazendo alguma classe de sons, mas era incapaz de controlá-los. Logo ele encontrou seus clitóris e os ruídos se converteram em gritos de prazer. “Deus, Jordan.” soluçou ela. “Você gosta disso, não?” Deu uma resposta com voz enrouquecida, que o fez apartar do seio, por um total de cinco segundos. “Siiiimm....” respondeu ela, jogando sua cabeça para trás e fechando os olhos. “Ai, siiimmm...” Ele deslizou a mão até suas inflamadas e úmidas dobras, explorando, acariciando, encontrando lugares que a faziam retorcer-se e lugares que a faziam suspirar. Ele a excitava e agitava, às vezes afastando-se e inserindo um ou dois dedos dentro dela, para voltar a jogar com seus clitóris um pouco mais. Ele moveu a cabeça de seu seio, para mordiscar seus lábios. “Ah, Charlie. Não me canso de ti.” a voz de Jordan era rouca, ao voltar avidamente para os mamilos dela. Seus quadris se retorciam e levantavam debaixo dele, e ele se separou de seus seios e se deslizou pela cama. Sem mais, separou bem suas coxas e enterrou sua cara contra sua boceta, lambendo e fofocando sua carne, e fazendo que algo lhe obstruísse em sua garganta pelo impacto e o prazer. Foi incrível, eliminou todo pensamento racional de sua cabeça e a voltou selvagem. Madame Charlie Sahara Kelly Levantou os quadris, empurrando-se contra sua cara, procurando sua língua, seus lábios, oferecendo tudo o que tinha, tudo o que era para o prazer dele. Mas ainda não era suficiente. “Jordan, não espere.” disse as palavras ofegando, com a cabeça dando voltas freneticamente sobre o travesseiro. Jordan obedeceu. Levantou-se sobre ela, sustentando seu peso sobre ambas as mãos. “Charlie. Abre os olhos. Me olhe, Charlie.” Ela era incapaz de lhe negar nada neste ponto, mesmo que quisesse se esconder de qualquer distração e concentrar sua atenção no que lhe estava fazendo. Seu pênis lhe roçou a vagina, estimulando, abrindo, respirando-a. “Me olhe, Charlie. Esta é sua nova lembrança chegando… justo… agora.” Com três investidas enérgicas, tinha-a penetrado. Com três ágeis movimentos tinha enchido seu corpo e perfurado sua alma. Ele se deteve dentro dela. Os olhos dela se abriram grandes, enfocados sobre ele, vendo que seus olhos marrons se obscureciam até ser quase negros, enquanto o corpo dele se apropriava do dela. Uma gota de suor tremia em sua têmpora, e os músculos de seus ombros sobressaíam-se. “Deus. Te mova Jordan, por favor, te mova...” Ela abriu as pernas tanto como pôde, para devorar ao homem cujo pênis estava enterrado, até o fundo dentro dela. Ela se lançou contra ele e com um enorme ofego, lhe devolveu o embate, arremetendo sem piedade com seus quadris e seu pênis, a ternura ficou esquecida, e a sedução foi coisa do passado. Esta não era uma forma gentil e educada de fazer o amor. Esta era uma agarrada primitiva e necessitada, e Charlie estava em êxtase. Seu corpo respondia a cada uma das exigências com sua própria. Enquanto ele a investia, ela empurrava para trás. As mãos dele baixaram até o traseiro dela, enquanto deslizava as pernas pelo flanco da cama, trazendo-a com ele e sem perder uma investida. Madame Charlie Sahara Kelly De pé, pôde aumentar a intensidade de sua posse implacável, aferrando-se fortemente a ela com as mãos e ajudando-a a empalar-se a si mesmo com seu membro implacável. Era crua, quase violenta, e era tudo o que Charlie imaginou alguma vez que seria. Uma estranha tensão começou a apoderar-se de sua respiração, e seus olhos encontraram os de Jordan. “Jordan… eu … é...” “Sim, sei...” Suas palavras tremiam, enquanto seu corpo mantinha o incessante ritmo de pilhagens e retiradas. Uma mão encontrou rapidamente seus clitóris, e os lábios dela se separaram de seus dentes, em um grunhido selvagem. Com as mãos retorcendo-se entre os lençóis, e as pernas agora fortemente travadas ao redor de Jordan, Charlie esperou que a onda elevando-se rompesse, saboreando cada momento da crescente tensão, cada músculo que se contraía e cada momento que o corpo de Jordan tocava o seu. Finalmente, a espera tinha terminado. Ela gozou ferozmente, silenciosamente e durante o que pareceu ser anos. Jordan sentiu desejos de uivar, quando viu a mulher sobre sua cama sacudir-se e convulsionar-se ao redor de seu pênis. Ele desacelerou seu ritmo, contendo seu próprio orgasmo por pura força de vontade. Recordou o momento em que a tocou, como lhe tinha rogado por mais aos poucos segundos. Perguntou-se se esta noite seria o mesmo. Os músculos dela se relaxaram um pouco ao redor dele, e ele voltou a deslizar-se uma vez mais dentro dela. Ela era sedosa, úmida e mais quente que algo que tinha experiente jamais. Sua vagina se aferrava a ele paralisando-o, e ele sentiu como se não pudesse ir-se nunca de onde estava nesse momento. Madame Charlie Sahara Kelly O corpo dela encaixava bem no dele. Ela tremeu, abrindo os olhos e atraindo-o com seu olhar cinza e tempestuoso. Como o esperava, uma palavra saiu de sua boca. “Mais.” Algum instinto primitivo rugiu de prazer na mente de Jordan. Sua mulher queria mais dele. Por Deus que o teria. Deslizou-se rapidamente fora dela, ignorando seu grito de protesto. Este foi rapidamente sossegado pela roupa de cama, ao dá-la volta sobre seu estômago e deixar que suas pernas pendurem sobre o flanco da cama. Ele se acomodou entre suas coxas e voltou a empurrar dentro de sua deliciosa vagina quente, antes que ela tivesse tempo de tomar ar. Esta vez seus embates foram mais lentos e acompanhados pela pressão de suas mãos, enquanto as passava do traseiro aos ombros, e de volta. Ela afastou o cabelo de seu corpo, lhe dando acesso a sua pele nua. Ele se inclinou para diante, empurrando-se contra seu traseiro e sua coluna, mantendo seu ritmo de impulso e esfregando sua carnecontra a dela. Ela suspirou e logo gemeu, levantou um pouco o traseiro para empurrar-se contra ele e ao mesmo tempo exigir, respirar, desfrutar, e pura e simplesmente amar. Admirado de seu próprio controle, Jordan se dispôs a jogar. Era quase como se seu membro soubesse, que esta mulher era especial. Que merecia algo mais que uma agarrada rápida, não importa que satisfatória fora. Esta mulher ia ter uma noite cheia de incríveis lembranças se ele e seu membro tinham algo que dizer a respeito. Ele deslizou uma mão debaixo dela para massagear sua deliciosa vagina brandamente e acariciar meigamente seus clitóris. Ela estava empapada com seus próprios fluidos, as coxas, úmidas com mel morno, a pele, molhada com suor. Jordan soube que o que enchia seu nariz era uma combinação dos aromas de ambos, ele também estava suando. Endireitou-se um pouco e olhou para baixo, onde seus corpos se uniam. Seu membro se deslizava dentro e fora do corpo dela com facilidade, reluzindo onde ela o banhava com seus líquidos. O traseiro dela era perfeito, suave e arredondado, e até a marca lhe pareceu erótica e estimulante. Madame Charlie Sahara Kelly Cobriu-a brandamente com a mão, sorrindo enquanto ela também empurrava contra ele, como ansiosa por aumentar seu contato da forma que pudesse. Ele afrouxou os socos dela, separando-os, e se umedeceu um dedo em seu mel. Seu ânus pequeno e estreito, enrugado e rosado, rogava que ele o tocasse. Ela se retorceu e grunhiu, quando ele começou sua delicada excitação, sem perder nem por um instante o ritmo das investidas de sua penetração. Ela começou a respirar entrecortadamente, quando ele empurrou um dedo contra ela. “Jordan… o que...” “Não fale amor. Me deixe jogar contigo.” Ele a sentiu relaxar-se debaixo de suas mãos, e outro pedacinho de seu coração se quebrou pela confiança que ela estava depositando nele. Ele começou a aumentar a velocidade, que se correspondia com a agora rítmica pressão de seu dedo, contra a abertura dela. Ela voltou a gemer, respondendo grosseiramente a seus movimentos. Aos poucos segundos, o dedo dele se transpassou nos músculos dela, que gemeu quando seu dedo se afundou em sua zona escura. Ele deslizou um braço por debaixo dela e atirou de seu traseiro, aproximando-o ainda mais a ele, tudo sem a levantar da cama. Seus arremetedores quadris se chocavam contra o traseiro dela, enquanto seu dedo se movia em seu ânus virgem, excitando brandamente as terminações nervosas que ele sabia que havia ali. Ele sentiu que ela se esticava, pensou que ela poderia ter deixado de respirar realmente, e logo ela explodiu. Esta vez, seu alarido foi ensurdecedor. Cada músculo de seu corpo se contraiu e se endureceu. O dedo de Jordan estava esmagado, e seu membro se sentia como se estivesse apanhado em uma armadilha vivente. Ele ofegou sem poder compreender a força do corpo dela, enquanto gozava ao redor de seu corpo. Madame Charlie Sahara Kelly Sua vagina atirava, apertava e esmagava grosseiramente seu pênis, enviando sua mente ao espaço e seu corpo ao orgasmo mais monumental que podia recordar. Investiu profundamente dentro de seu corpo, tão profundo como pôde chegar, separando suas mãos do traseiro dela e dirigindo seu membro onde queria estar. Ele jurou que pôde sentir o ventre dela tratando de chegar à alma dele, enquanto sua vagina ondeava para cima e para baixo de seu pênis, cada um dos órgãos do corpo dele gritou ao descarregar-se. Explodiu dentro dela, enchendo-a, alagando-a, afogando seu útero, sua vagina e cobrindo suas malhas com seu leite quente. Foi um momento diferente de qualquer outro que tinha experimentado. Durante uns segundos, perguntou-se se sua morte era iminente, ao sentir que lhe nublava a visão, seu coração se detinha por completo e sua existência se derramava por um olho na ponta de seu pênis. Quando passou seu clímax e seu corpo decidiu aferrar-se à vida, Jordan permitiu a seus torturados músculos o luxo do relaxamento. Começou a sair, mas um gemido de Charlie o manteve onde estava. “Não te mova, por favor. Fica um momento.” Jordan aventurou um sorriso. “Ah, Charlie.” sussurrou ele, enquanto apoiava todo seu corpo sobre as costas dela para permitir cuidadosamente que ela sentisse todo seu peso. “Não irei a nenhum lado.” Charlie fez um som, que para o Jordan se pareceu muito a um ronrono. As seguintes palavras que ele pronunciou, surpreenderam-no enormemente: “Só quero te ter perto de meu coração.” Madame Charlie Sahara Kelly Capítulo Quatorze Havia algo que golpeava, rasgava e fazia que Charlie voltasse a despertar a um nível de consciência, depois de um sonho profundo. Ela se deu volta debaixo das mantas, para encontrar-se sozinha, mas havia vozes na habitação. As lembranças voltaram a fluir. Lembranças de paixão, de corpos quentes e suor e o aroma de sexo e a desejo. Doíam-lhe um pouco os músculos, mas era uma dor maravilhosa, sorriu ao recordar as palavras sussurradas de Jordan. Ele os tranqüilizou a ambos, abaixo das enrugadas mantas e a apertou forte contra ele, contra seu coração, como o tinha prometido. Ali, com seu corpo depravado e sua mente cantarolando, dormiu contra o constante rufo do coração dele. Agora, parecia que algo os tinha despertado. Algo ou alguém… Sentiu a presença de Jordan junto a sua cama, e abriu os olhos para vê-lo acender uma vela. “Charlie, amor.” disse ele brandamente. “Estou acordada, Jordan. O que acontece?” A cara dele estava nas sombras, mas a tocou brandamente ao acariciar seu enredado cabelo e o tirar de sua cara. “Temos um problema, coração. Houve um incêndio na Crescent.” Charlie sentiu que seu coração se detinha. Sentou-se rapidamente na cama, sem que lhe importe sua nudez e tomou ao Jordan pelos ombros. “Que tão sério foi? Quem saiu machucado? Estão todos bem? E Matty? Jordan pode me levar até ali? Devo ir...” Ela o empurrou a um lado e saiu voando da cama, quase tropeçando em seus próprios pés. “Hey, Charlie, agora te acalme. Primeiro ninguém saiu machucado.” Ela lutava freneticamente com seu negligé, mas as mangas estavam ao avesso e não podia as pôr como devia. Madame Charlie Sahara Kelly Tremiam-lhe as mãos e via impreciso. “Um incêndio. Ai, Deus, Jordan, um maldito incêndio...” As mãos dele caíram firmemente sobre seus ombros. “Charlie, me escute. Escuta maldição... “A fez girar com força e a agarrou do queixo para fazer que o olhe. “Todos estão bem. O dano foi pouco porque o detiveram, antes que se estendesse muito. Matty está bem, as moças estão bem e você não deve preocupar-se. Agora...” Ele afrouxou a pressão sobre seus ombros, e ela sentiu que a respiração voltava para seus pulmões. “Está-me escutando?” Ela assentiu com a cabeça distraidamente. “Mas eu deveria estar...” Jordan grunhiu. “Onde deveria estar é dentro desse negligé e abaixo comigo em uns cinco minutos. Elizabeth Wentworth trouxe a notícia, junto com uma mensagem de Matty. Ela lhe quererá dar isso pessoalmente. Pode fazer isso, Charlie? Te pôr o negligé e logo baixar à sala de café da manhã? Devo agarrar um pouco de roupa e te verei ali. Está bem?” Ele a sacudiu um pouquinho e logo lhe deu um forte beijo sobre os trementes lábios. “Não se preocupe amor. Tudo estará bem.” Enquanto Charlie se dirigia à plantabaixa, perguntava-se, com um pouco de histeria, se algo voltaria a estar bem outra vez. Tinha agarrado seu próprio negligé, atando-o fortemente a seu pescoço, e tinha passado uma escova por seu cabelo enredado, ruborizando-se ao recordar como tinha ficado assim. Suas coxas ainda estavam pegajosas da paixão de Jordan, e seu corpo pulsava com prazer satisfeito. Mas o coração lhe doía por outro motivo: a idéia de que ela era responsável pelo que tinha passado na Crescent. Fiel a sua palavra, Jordan a estava esperando. Mas a estava esperando junto à Senhorita Elizabeth Wentworth, que se via tão formosa à luz do dia, como o fazia a primeira vez que Charlie a viu na Crescent. Ao ver a imagem do casal juntos, caiu a alma ao chão. Nesse momento, enfrentou a realidade de sua situação, a realidade da situação de Jordan e o inevitável final de seu romance. Não podia haver futuro para uma Madame de bordel e um conde. Madame Charlie Sahara Kelly Endireitando os ombros, entrou em silêncio. “Senhorita Elizabeth?” “Ah, então está aqui. Não acreditei no princípio, mas sua amiga, a senhora Matty, insistiu tanto. Como pode estar aqui sem que ninguém saiba?” Os olhos azuis e brilhantes da Elizabeth se passeavam com curiosidade de Jordan a Charlie, nenhum dos quais revelou nem com um pestanejo que tinham sido levantados de uma cama que deixou os lençóis empapados de sexo. “Desculpo-me, Madame Charlie, devia me haver apresentado, mas pensei que possivelmente quereria ler isto primeiro.” Estendeu um pergaminho a Charlie, quem tomou calmamente e se retirou a um canto da habitação para lê-lo. “Elizabeth, deixa de olhar, sente-se e me conte o que aconteceu exatamente. E, por favor, recorda.” a voz de Jordan era severo e intransigente. “Que não está com um grupo de jovens mulheres que convidou ao Almacks. A dramatização e a ornamentação não serão bem- vindas. Os fatos simples, sem adornos, se forem tão amável.” Elizabeth suspirou. “Jordan, é uma doçura, mas realmente recorda a meu pai às vezes. Graças a Deus, que não tenho nenhum interesse em ti como pretendente. Acredito que te dispararia muito antes de formalizar o enlace.” Charlie estava absorta em sua nota e se negou a permitir que as palavras de Elizabeth afetem sua calma exterior. Por dentro, é obvio, exalava um enorme suspiro de alivio ao pensar que ao menos não tinha dormido com um homem que se havia comprometido para casar-se. Voltou a dobrar sua nota e se aproximou novamente do casal que estava perto do fogo. “De verdade, Senhorita Elizabeth, nos diga, por favor, o que aconteceu. Agora que estou segura de que não houve feridos, posso pôr minha mente em restaurar a Crescent e encontrar aos responsáveis.” Charlie manteve o tom calmo e amável, e se sentiu segura de que sua capa de imperturbabilidade estava novamente em seu lugar. Logo olhou ao Jordan, só para ver que seu olhar ardente a percorria dos pés a cabeça. Apesar de seu controle, ruborizou-se. Madame Charlie Sahara Kelly Elizabeth observou a ação paralela com interesse, mas se absteve de fazer algum comentário. “Bom, não há grandes coisas que contar.” Charlie tomou assento, enquanto olhava a Elizabeth relatar as aventuras da noite. Reconfortou-a o fato de que Jordan se moveu naturalmente para tomar uma posição detrás dela, apoiando-se, protetor, no encosto da cadeira dela. “Um pequeno grupo de nós tinha decidido visitar a Crescent esta noite. Tony é obvio, a quem adora a Sala de Bilhares, e Pomeroy queriam provar seu arenque defumado, Madame Charlie. É realmente excelente, sabe, especialmente com esse delicioso molho...” “Elizabeth? Está divagando...” Jordan juntou as sobrancelhas. Charlie girou levemente. “Por favor, Jordan. Deixa que a Senhorita Elizabeth conte a historia a sua maneira.” Se voltou para a mulher. “Sinto muito. Obrigado pelo elogio sobre o arenque, mas estamos compreensivelmente ansiosos por chegar à parte do incêndio.” Elizabeth continuou. “Bom, era logo que passava da uma, e eu pensei que teria tempo de passar pelo tumulto do Devonshire, quando vi um homem de aspecto estranho espiando por uma das janelas mais baixas. Uma das janelas traseiras mais baixas. Sabe as quais me refiro?” Charlie assentiu com a cabeça, recordando as janelas que davam ao pequeno jardim. De noite, estavam escuras, apesar de que as cortinas estavam, em estranha ocasião, fechadas. O jardim era muito privado, e os visitantes não tinham acesso a ele. Ela franziu o cenho. “Bom, ver sua cara assim realmente me fez saltar, como se podem imaginar. Estava a ponto de mencionar-lhe a alguém, quando o vi atirar sua mão para trás e lançar um objeto. Lançou-o justo pela janela, rompendo o vidro... destroçando-o, na verdade. Aterrissou a uns cinco pés de mim e explodiu em seguida.” Elizabeth disse isto com tanta calma que levou uns instantes a Charlie registrar por completo o significado de suas palavras. Quando o fez, saiu como uma explosão de sua cadeira e correu ao lado da outra mulher. “Minha pobre menina. Está bem? Machucou-se?” Olhou com preocupação o rosto de Elizabeth e notou o penteado torcido e detectou um leve fedor a fumaça. Madame Charlie Sahara Kelly Elizabeth lhe sorriu. “Não precisa atuar como minha protetora, Charlie. Estou bem. Bom, alcançou-me um pouco, mas um senhor tão amável se aproximou e o apagou.” Estendeu a mão para a barra de seu vestido, onde uma grande parte de seda chamuscada e enegrecida fazia de testemunha muda da verdade, de sua despreocupada declaração. Charlie empalideceu e a boca de Jordan se afinou. “De fato.” continuou Elizabeth com uma risada malvada. “O homem que o pisoteava terminou puxando o meu vestido, com muita força. Não se deu conta da força até que olhou para cima e encontrou meus seios olhando-o à cara.” Jordan suspirou. Os olhos de Charlie aumentaram. “Senhorita Elizabeth. Isso é terrível. Lamento profundamente que tenha passado uma coisa assim em minha casa. Averiguou seu nome? Ele deve ser repreendido com severidade.” “Por que motivo?” As sobrancelhas da Elizabeth se levantaram, enquanto um sorriso cruzava por seu rosto. “Ficou atônito por um par de segundos, mas logo sorriu e...” Ela se inclinou para o Charlie, dando as costas ao Jordan. “Sabe o que fez?” Muda, Charlie disse que não com a cabeça. “Deu-lhe um beijinho a cada um deles e disse: Senhora, acredito que seu vestido está apagado, mas o fogo se estendeu até minhas calças. Não esteve encantador?” Elizabeth riu bobamente. “Deus, Elizabeth.” exalou Jordan, passando uma mão pelo cabelo. “Não tem nenhum tipo de decoro, né?” “Bom, Jordan, pelo amor de Deus, não seja tão afetado. Havia fumaça por todas as partes, a gente gritava e corria e chateava, como se fora acabar o mundo. E aqui havia um homem com presença, para fazer o que era necessário e ainda divertir-se um pouco ao mesmo tempo.” Seus olhos azuis baixaram até sua saia. “Queria saber quem era, entretanto. Não lhe perguntei seu nome.” Deu-se volta entusiasmada para o Charlie. “Ai, Charlie. Possivelmente você me possa averiguar isso, possivelmente ele seja um membro ou algo assim, possivelmente o conheça...” Madame Charlie Sahara Kelly Charlie aplaudiu a mão da Elizabeth distraidamente. “Verei o que posso fazer Elizabeth. Mas temos um problema um pouco maior que a identidade de seu mal educado cavalheiro.” “Seriamente?”“Sim, assim é.” Jordan estava olhando a Charlie e por um segundo pôde lhe ler o pensamento como se tivesse sido o seu próprio. De fato, pôde havê-lo sido, já que ambos estava muito em sintonia com os perigos potenciais da situação. “O tema é assim, Elizabeth.” disse Jordan. “Temos dúvidas agora de que alguém esteja atrás de Charlie, e, por caráter transitivo, da Crescent.” Ele levantou a mão para adiantar-se às perguntas da Elizabeth. “Mais tarde. Poderá falar de tudo isso mais tarde. Mas a questão é assim. Você viu ao autor do fato. Viu-o bem, verdade?” Elizabeth assentiu com a cabeça. “Via-se bastante feio. Tinha um bigode estranho.” “Dá-te conta de que é uma testemunha agora? E alguém que poderia enviar a esse homem muito facilmente ao calabouço?” Elizabeth se encolheu um pouco, quando se deu conta da importância desse comentário. “Demônios. Agora estará detrás de mim, também.” Jordan olhou ao Charlie. “Ela poderá ser frívola e indecorosa, mas nunca ninguém a acusou de não ser inteligente.” Charlie franziu o cenho a Jordan e voltou sua atenção a Elizabeth. “Devemos assegurar sua segurança por todos os meios, Elizabeth.” Elizabeth colocou seu lábio inferior entre os dentes e o mordiscou distraidamente. “Suponho que poderia me retirar ao campo durante uns dias, Mamãe e Papai ainda estão ali...” “E o resto do mundo saberá imediatamente onde te foste. Claro. Que ardiloso. Ir exatamente onde se espera que vá.” Elizabeth jogou um olhar de desgosto ao Jordan. “Bom, Senhor Gênio. Tem uma idéia melhor?” “De fato.” disse Jordan, passando o olhar da Elizabeth ao Charlie, “Acredito que sim.” Madame Charlie Sahara Kelly Elizabeth se acomodou na carruagem e olhou a seu acompanhante. “Pode dizer o que dele queira, mas tem que admitir que Jordan é extraordinariamente competente, quando se trata de conseguir coisas. Possivelmente seja o soldado que há nele. “Certamente.” A Elizabeth, que não era conhecida por sua reserva ou por sua paciência, chateou-lhe a amável resposta. Olhou pela janela a temprana luz do dia, quase sem poder acreditar que Jordan Lyndhurst tinha obtido que ambas se trocassem, empacotassem e se localizassem em sua carruagem, para serem enviadas à Reserva de Caça Calverton, sem mais demora. Até se arrumou para que as acompanhasse uma escolta de meia dúzia de homens à cavalo. Nenhuma das moças tinha pregado um olho, mas nenhuma confessaria estar cansada agora. Elizabeth sabia que estava muito tensa para sequer pensar em fechar os olhos e só podia adivinhar como se sentia Charlie. Porque essa mulher tinha, sem lugar a dúvidas, o melhor controle de si mesmo que havia visto jamais. Elizabeth se permitiu fazer um pequeno sorriso ao pensar na beberagem especial que tirou de sua cômoda nos quinze minutos que Jordan lhe deu para empacotar. Um admirador havia trazido de Paris, onde estava aparentemente na última moda, tendo sido parte do carregamento que trouxe Napoleão, quando voltou de sua campanha ao Egito. O chá que se fazia com essa beberagem, se diz, fazia coisas maravilhosas com as inibições de uma pessoa. Elizabeth não podia esperar para prová-lo e pensou que Charlie seria possivelmente a sujeito de prova perfeita. Junto consigo mesma, é obvio. Era sua maldição. Tinha-o aceito fazia tempo. A infinita busca por sentir, por experimentar, por conhecer. Em especial sobre si mesmo e seu corpo. Ainda era virgem, tecnicamente, de todas as formas, mas desfrutava de gozar, se estava sozinha ou se o permitia a alguém o privilégio de ajudá-la. Madame Charlie Sahara Kelly Em realidade, além de Jordan, só Ryan Penderly tinha tido essa honra e não era muito bom... digamos para isso. Franziu o cenho levemente. “Problemas, Elizabeth?” Charlie tinha notado seu gesto. “Sempre, Charlie. Sempre.” Lhe sorriu também, esperando que possivelmente desenvolvessem uma relação amistosa. Elizabeth era muito atrativa para ter muitas amigas fiéis entre suas contemporâneas, e embora devota a suas próprias investigações hedonistas, sentia saudades ocasionalmente o companheirismo que lhe podia oferecer outra mulher. “É muito jovem e muito, muito formosa para estar infestada de problemas.” respondeu Charlie, honestamente. “Já. Isso, Já, aos dois comentários, Charlie. Por ser uma mulher de negócios inteligente, verdadeiramente tem algumas idéias tolas. Primeiro, a idade não tem uma maldita coisa que ver com os problemas, e estou segura de que isso sabe muito bem, dirigindo um lugar como a Crescent. Segundo.” levantou dois dedos. “Ser atrativa significa que os homens me chateiam, enquanto tratam de assegurar-se se valer algo em questões de dote, e as outras moças se pegam a mim, como cauda com a esperança de conseguir algum solteiro elegível que eu deixe. Todas suas mães, ou me amam, ou me odeiam.” Ela suspirou ruidosamente. “Deus, odeio tanto isso. Um jogo tão estúpido.” “O que é o que quer Elizabeth?” A pergunta fez que Elizabeth se apoiasse no assento e pensasse. Era uma pergunta simples, mas a resposta era complexa, incompleta e um pouco perturbadora. Porque a verdade da questão era que Elizabeth não estava segura de sabê-lo. “Bom, possivelmente é mais fácil começar me assegurando de que sei o que não quero...” Seus olhos azuis olharam pela janela da carruagem, vendo pouco da campina que deixavam atrás. Charlie permaneceu em silêncio, oferecendo paciência e lugar para a reflexão. Elizabeth estava agradecida. Madame Charlie Sahara Kelly “Não quero que me casem como uma cláusula em um contrato comercial. Disso estou segura.” Assentiu decididamente com a cabeça. “É provável que isso aconteça?” “Felizmente, não. Minha família tem suficiente dinheiro e bens para fazer de mim um prêmio neste Mercado do Matrimônio, mas não necessitam títulos, e Mamãe apoiou-me para que tome meu tempo, antes de me decidir a me estabelecer. Tenho a suspeita de que não me deixará repetir seus enganos...” A boca de Elizabeth se franziu, ao pensar na cruzada de sua mãe pelas mulheres perdidas e o intento de seu pai por manter a sua mãe ocupada assegurando-se de que haja muitas delas. “Eu tampouco quero que me cortejem pelo que tenho. Quero que me amem por quem sou. E por quem posso ser com o homem indicado.” “Esse é um ponto de vista interessante e sofisticado.” Elizabeth sorriu agradada. “Obrigado. Sabia que entenderia. Acredito que há muitas coisas que compartilhamos Charlie. Um sentido da independência, uma curiosidade, um interesse no mundo e seus métodos. Não está de acordo?” “Em alguns aspectos, possivelmente.” respondeu Charlie com cautela. “Verá, você está imersa em voltar-se completamente independente. Tem seu próprio negócio e usa sua própria sexualidade para estender seus objetivos financeiros. Ah, não me interprete mal, por favor...” Ela levantou uma mão. “Soube do primeiro momento que você era simplesmente a proprietária da Crescent. Ninguém que se vê como você e se comporta como você poderia ser jamais uma das empregadas.” “Você acredita que não?” “Definitivamente. Por que imagina que tantos membros do povo vêm agora a Crescent tão abertamente? Vêm porque você está ali, Charlie. Sua personalidade é tão elegante e majestosa como a de qualquer um na Casa Carlton e mais, de fato. Você recebe a seus convidados tão corretamente como o faria Sally Pulôver e é tão acessível como a Sra. Drummond-Burrell.” Madame CharlieSahara Kelly Charlie enrugou o nariz ante a comparação que fez Elizabeth, dela com duas protetoras atrás do fenômeno do Almacks. “Você faz que a gente sinta que a Crescent está só um degrau por debaixo, no esquema das coisas que, digamos, Cavendish Square, e você os faz sentir muitíssimo mais cômodos do que Caro Lamb o fez alguma vez. Enfrentemo-lo, Charlie, você é uma dama, feita e direita. Sem importar onde esteja ou o que faça, sempre será uma dama.” A expressão de Charlie se abrandou um pouco quando lhe fez uma pequena, mas genuína, sorriso a Elizabeth. “É muito amável.” “Para nada. Só estou sendo honesta. Além disso, é obvio, tenho toda a intenção de lhe fazer um montão de perguntas sobre as atividades da Crescent. Uma moça não pode saber muito, antes que finalmente lhe entregue seu corpo a um homem. E quero sabê-lo tudo. Como agradá-lo, como assegurar-se de que ele a agrade, que tipo de coisas podemos fazer juntos. Toda essa maravilhosa informação que as moças como eu não se supõe que saibamos.” Charlie riu, surpreendendo a ambas. “E você acredita que eu sei tudo isso?” Era óbvio que lhe resultava divertido. “Bom, certamente, minha querida Charlie. Não poderia ir-se à cama com o Jordan Lyndhurst e não aprender algo.” A boca de Charlie se fechou de repente, mas antes que pudesse lhe reprovar os comentários a Elizabeth, a outra moça interveio. “Nem se incomode Charlie. Vocês dois só precisam estar na mesma habitação para soltar faíscas. Juro que Jordan a teria despido e possuído justo em frente de mim, na outra noite se a questão não tivesse sido tão séria. Ele estava mau.” Ela sorriu do outro lado da carruagem. “Isto sim, é obvio, marca um par de diferenças entre nós. Duvido que você seja virgem. E está apaixonada pelo Jordan Lyndhurst. Assim que o que quero saber é, como é realmente fazer o amor com um homem.” Madame Charlie Sahara Kelly Capítulo Quinze Charlie foi poupada de ter que responder as perguntas totalmente inadequadas de Elizabeth, graças ao som dos cascos golpeando junto à carruagem. Em poucos instantes, o veículo diminuiu a velocidade e Jordan entrou, atirou suas luvas de montar ao lado de Elizabeth e se sentou comodamente ao lado de Charlie. “Bom, damas, espero que se divertido as duas juntas. Estaremos lá em apenas um par de horas.” Sua jaqueta emanava um perfume de ar fresco e cavalos, e a Charlie resultou difícil resistir o impulso de lhe enterrar o nariz em seu peito e inalar. Misturado com o masculino perfume próprio de Jordan, a fragrância estava fazendo estragos em seu corpo. Uns estragos maravilhosos. Ela olhou as mãos dele, que descansavam sobre os joelhos, e tratou de concentrar-se em outra coisa que não fosse sua recentemente despertada consciência dele. Seus intentos falharam miseravelmente, só podia pensar no que essas mãos faziam na escuridão de sua cama. Teve que fazer muito esforço para separar sua atenção e pô-la novamente na conversação. “… Assim depois de tudo, pude as alcançar. Arthur, é obvio, está muito mais atrás com a outra carruagem, nunca gostou de cavalgar arriscadamente.” Charlie girou a cabeça e se permitiu o prazer de olhá-lo. “Está convencido de que este é o curso de ação adequado, meu Senhor?” Jordan sorriu. “Já que estiveste me chamando de Jordan há um tempo, e frente à Elizabeth também, é um pouco parvo ficar tão formal comigo, não acredita?” Charlie se ruborizou e olhou para outro lugar. “Charlie, amor, Elizabeth é uma querida amiga. Eu confio nela e a aprecio. Espero que você também o faça.” “Certamente que sim. Só que eu...” Madame Charlie Sahara Kelly Elizabeth se inclinou para frente e aplaudiu a mão de Charlie. “Compreendo-te, Charlie. Você é uma pessoa reservada. Qualquer um se dá conta disso. Só porque eu tendo a ser um pouco estridente, às vezes...” Jordan estalou da risada. “Te chamar só estridente é como dizer que a Torre de Londres é uma casa de pedra grande.” Elizabeth lhe franziu o cenho e rapidamente o ignorou, voltando sua atenção a Charlie. “Ele pode ser um incomodo irritante às vezes, Charlie, mas pode confiar em Jordan, e espero que possa confiar em mim também. Eu gostaria de pensar que poderíamos ser amigas.... você e eu...” Charlie olhou para cima e encontrou com uns olhos azuis, sorridentes e honestos. Estavam-na olhando fixamente, lhe pedindo que tenha confiança de compartilhar algo, alguns valores ou crenças indefiníveis que as unissem como mulheres e como amigas. Sentiu que seus lábios se curvavam e sua mão se movia para agarrar a de Elizabeth. “Você é o diabo em pessoa, verdade?” Sorriu ela. Elizabeth tomou isso como um enorme completo. “Sim. E só uma mulher muito inteligente como você poderia reconhecê-lo.” Jordan suspirou em voz alta. “Ai, Deus, já estamos preparados.” Elizabeth girou para ele, mas antes que pudesse dar rédea solta a seu discurso, Jordan tomou a mão de Charlie e a apertou fortemente para evitar que ela a afastasse. “Charlie, quero que saiba que estará a salvo na Reserva de Caça Calverton.” Agarrou com mais força e sua voz se tornou séria. “Prometi te proteger, tanto a ti como a Elizabeth e hei posto diferentes classes de medidas de segurança em funcionamento, que nos estarão esperando quando cheguemos. Um mensageiro será enviado, antes que saia o sol com instruções.” A voz de Jordan era calma agora, mas muito intensa. “Vou pedir-lhes, que ambas permaneçam na casa o máximo possível. Haverá guardas postados ao redor da propriedade em vários pontos, mas será difícil, se não impossível, as proteger a ambas, se passeiam por ali como se nada passasse.” Madame Charlie Sahara Kelly Charlie inclinou sua cabeça, assentindo. Ela via um fundamento nas palavras de Jordan, mesmo que Elizabeth fez um pouco de careta ante elas. “A casa é bastante nova, ambas sabem que reconstruí uma boa parte dela recentemente. Isto significa que a confecção é excelente, as travas são novas e firmes, e as janelas estão bem asseguradas. Isto não é mais uma pilha de escombros com um par de ratos como inquilinos, a não ser uma casa solidamente construída. Será muito mais fácil de cuidar de algo, que não teria suportado os embates do tempo.” Charlie se agitou desejosa de fazer uma pergunta, mas temerosa de que suas palavras revelassem muito. Como se pudesse perceber suas necessidades, Jordan se voltou para ela e levantou uma sobrancelha. “Perguntas?” “Seu pessoal, Jordan. Estiveram contigo por muito tempo?” “Por anos, Charlie. Eu tinha uma pequena casa de minha propriedade, muito antes de descobrir que tinha herdado a Reserva. Meus criados a fizeram funcionar sem sobressaltos, enquanto eu estava fora, na Europa, mas estiveram mais que felizes de ir-se e mudar-se aqui, onde acreditavam que o entorno fazia mais justiça à elevada opinião que têm de si mesmos.” Ele riu zombadoramente. “Logo viram o lugar.” “Mal?” Charlie escondeu suas emoções, recordando a última olhada que lhe jogou à Reserva de Caça Calverton: uma acesa pilha de brasas disparando faíscas a um céu escuro. “Quase totalmente em ruínas. Levou quase seis meses para tirar os escombros e ter uma idéia do que ficou no nível dos alicerces. O fogo, é obvio, ficou com muito deles, mas todos os criados tinham fugido logo do desastre, e tinha sido bastante devastado pelo clima, os animais e algum saqueador fortuito. Não é que houvesse muito para saquear.” Charlierecordou a bandeja de prata e muitas peças valiosas de jade. Alguém se beneficiou com o incêndio. Perguntava-se quem teria sido. “Então todo meu pessoal é meu, confio neles, estiveram comigo desde que usava calças curtas, virtualmente. Um fato que me recordam diariamente, quando estou aqui. Há um par de moços locais que me ajudam com o gado, mas conheço todos pelo nome.” Madame Charlie Sahara Kelly Elizabeth riu bobamente. “Tem que admitir, não há nada mais triste, que sua criada olhe-te e te recorde algo muito vergonhoso que fez quando tinha quatro anos.” Jordan riu e assentiu. Charlie deixou que a conversa seguisse seu curso, enquanto olhava pela janela e se perguntava quanto desta Reserva recordaria. O tempo em que esteve ali, tinha-o apagado agora, deliberadamente, supôs. Como nova esposa, não tinha tido nenhuma visita. Em parte pelo bem-intencionado desejo de lhe dar privacidade aos recém casados, mas em parte, porque seu marido não era muito apreciado na região. Assim era muito improvável que encontrasse a alguém que conhecesse ou que a pudesse recordar, dos seis meses que tinha vivido ali. O fato de que os todos criados eram gente de Lyndhurst foi uma grande tranqüilidade. Charlie tinha odiado ao pessoal de Calverton. Eram altivos, sarcásticos, cruéis e adoravam atormentar a uma jovem moça, que resultou ser incapaz de dar um herdeiro a seu patrão. Tratou de sentir pena, por aqueles que pereceram nas chamas, mas tudo o que podia recordar era o desagradável fôlego de Johnny Dobbs, enquanto se empurrava dentro dela, sorrindo e murmurando todo tipo de coisas asquerosas. Ela sentiu um calafrio. A mão de Jordan agarrou a dela mais fortemente. “Está bem, coração?” Perguntou ele brandamente, protegido pelo ruído dentro da carruagem. Charlie olhou a Elizabeth e notou que estava descansando contra os almofadões do rincão, com os olhos fechados. O encaixe à altura de seus seios caía com regularidade e parecia estar adormecida. Atrevidamente, permitiu-se lhe devolver o apertão à mão de Jordan. Ele a aproximou sobre o assento e a acomodou contra seu corpo, logo passou um braço pelos ombros dela e a fez girar para que pudesse apoiar-se contra ele. Madame Charlie Sahara Kelly “Trata de descansar, amor. Ainda falta um momento. Logo estaremos ali e você estará a salvo, e você e eu...” Ele tirou a língua para logo roçar a orelha dela. Ela sentiu outro calafrio, esta vez pela chama que ele acendia no profundo de seu ventre. “… Você e eu encontraremos algumas outras formas de nos divertir. E não pense que terá que ver com o xadrez...” Foi com uma mescla de orgulho e temor que Jordan Lyndhurst, o Sétimo Conde, retornou à Reserva de Caça Calverton com duas mulheres, uma das quais se voltava mais importante para ele à medida que passava cada minuto. Ele sabia que a casa se via bem, seus operários e seus arquitetos tinham feito um trabalho admirável. Ele queria com desespero que Charlie gostasse e, entretanto, ele mesmo não se sentia muito apegado a casa. Não tinha crescido ali, conhecia pouco, por não dizer a nenhuma pessoa do lugar, e não lhe importava muito a propriedade. Era um projeto para o Jordan. Um ao que lhe tinha derramado seu tempo e sua atenção acostumados, mas um projeto ao fim. Nunca se tinha convertido em seu lar. Isto é, até o momento em que acompanhou Charlie a cruzar a soleira. Ao vê-la parada ali, conversando comodamente com a Sra. Hughes, o mundo se moveu um pouco de seu eixo de repente. Ela se via perfeita. Via-se como se estivesse totalmente cômoda nesse ambiente. De fato, parecia como se tivesse nascido nesse ambiente. Via-se como em casa. Via-se como o lar dele. Sua amarração. A peça que lhe faltava. Esse algo indefinível que ele tinha estado procurando, sem sequer sabê-lo. Ele tragou saliva, com força. Isto era muito para dirigir tudo de uma vez. “Então, Senhor Jordan, finalmente trouxe para casa a uma jovem e agradável dama.” A Sra. Hughes deu um grande sorriso a Charlie. Madame Charlie Sahara Kelly Jordan se perguntou como saberia. Por que Charlie e não Elizabeth? Igualmente encantadora, igualmente perita em dirigir apresentações. Como soube a Sra. Hughes? Pensou em lhe perguntar na primeira oportunidade que tivesse. “Duas jovens e agradáveis damas, Hughie.” brincou Jordan. “Suponho que recebeu minha mensagem?” A Sra. Hughes suspirou. “Que terríveis acontecimentos. Sim, soubemos, e preparei habitações para todos vocês.” Lhe disparou um olhar direto e bastante intimidante a Jordan, quem a recebeu meigamente. “A senhorita Elizabeth terá a suíte de convidados acima das escadas, a senhorita Charlotte terá as Habitações das Rosas mais à frente pelo corredor, e você, é obvio, terá a suíte do Conde.” Jordan sorriu. Bendita seja por não mencionar que as Habitações das Rosas estavam destinadas à futura Condessa e eram contiguas a suíte do Conde. Seu coração se acelerou e seu membro se agitou. A senhorita Charlotte olhou ao Jordan com olhos inquisidores. Ela tinha aceitado a sugestão dele sobre um nome apropriado, sem objeções, sabendo que ‘Charlie’ era pouco usual e poderia despertar comentários pouco felizes na proximidade de ouvidos inadequados. Ela não sabia que ele tinha elegido deliberadamente esse nome, é obvio. Ele queria que ela estivesse cômoda e também sabia que ao escutar seu próprio nome provocaria uma reação natural, também algo que ele queria. O mundo permaneceria totalmente ignorante do paradeiro de Charlie e Elizabeth, no que a Jordan Lyndhurst respeitava. “Deixem-me as acompanhar, senhoritas, a suas habitações...” Ele ofereceu os braços as moças e as conduziu acima, enquanto a senhora Hughes ia daqui para lá para preparar chá e sanduíches para os esgotados viajantes. “Aqui estará Elizabeth, o que te parece?” Jordan abriu uma grande porta para uma ensolarada habitação com portas do chão ao teto, que davam a uma larga extensão de grama. “Ai, Jordan, perfeita. É realmente encantadora.” Elizabeth entrou alegremente, alisou o suave veludo dourado do sofá e abriu o escritório para ver seus segredos. Madame Charlie Sahara Kelly “Posso escrever cartas?” “Acredito que deveria fazê-lo. Seus pais devem estar informados do que há passado, apesar de que te recomendaria não lhes dizer onde está, é obvio. Só lhes diga que está a salvo e protegida.” Elizabeth assentiu com a cabeça. “Eles entenderão. E sei que estão ocupados, assim provavelmente seja um alívio para eles não ter que incomodar-se com minhas aventuras por um tempo.” Algo em seu tom atraiu o ouvido de Jordan, e Charlie também o escutou, obviamente. Ao seu lado, seguiu a Elizabeth até dentro de sua habitação e lhe deu um grande abraço. “Nós adoramos suas aventuras, Elizabeth. Fazem-lhe ser quem é.” Ela sorriu e deixou aparecer a sua covinha, para respirar. “De fato, acredito que deveria te pedir que me ensine algumas delas....” Jordan bufou e desviou o olhar. “Ai, Deus. Não acredito Charlie...” Elizabeth lhe sorriu maliciosamente a ambos. “Bom, acredito que se de aventuras se trata, vocês dois poderiam possivelmente me ensinar...” Charlie se ruborizou e Jordan decidiu que era tempo de sair da habitação. Rápido. “Descansa Elizabeth. Escreve suas cartas, desempacota sua bagagem que deverá estar aqui logo. Encontraremo-nos abaixo em uma hora mais ou menos, para almoçare ter uma sessão sobre estratégias… há alguns pontos que devemos tocar pela segurança de ambas.” Jordan conduziu Charlie fora da habitação e fechou a porta detrás deles, deixando a Elizabeth para que desempacotasse suas coisas. Sem dizer uma palavra, ele girou e a conduziu até o final do corredor. “Estas são as habitações do Conde, Charlie. As minhas, por caráter transitivo, suponho.” Mostrou a Charlie uma suíte recém construída, elegante e com um leve aroma de pintura. “E minhas habitações?” Madame Charlie Sahara Kelly “Por aqui...” Ele cruzou seu escritório, até sua habitação, passando pela enorme cama de quatro pilares. Um suave tapete de cor bordo escuro, acolchoou seus passos. Uma porta minuciosamente esculpida do outro lado, e Jordan abriu o trinco. “Esta, meu amor, são suas habitações. Justo ao lado das minhas.” Ele sorriu e fez um gesto para que ela passe diante dele. Ela estava ao lado de seu dormitório. O coração de Charlie estava em algum lugar de sua garganta, enquanto compreendia o significado da distribuição dos dormitórios. Uma sensação de alegria se apoderou dela. Ele ainda a desejava. Ele a queria perto durante a noite. Podiam ir e vir como quisessem, e a servidão não se inteiraria. Outra vozinha dizia “E o que?” Mas Charlie a ignorou. Estava muito feliz neste momento, para permitir que qualquer classe de dúvidas escurecesse seu prazer. Entrou em uma habitação cheia de luz solar e flores. Ou isso parecia com o princípio. Seu dormitório também tinha uma cama com quatro pilares, mas era clara e elegante. Os pilares de cama estavam bordados com grandes rosas adamascadas e a colcha fazia jogo. O tapete tinha os mesmos tons apagados de rosa e verde. Jordan abriu a porta do outro lado, lhe mostrando uma sala de estar decorada nos mesmos tons. Não havia nenhuma lembrança desagradável que enchesse estas habitações. Tinham sido varridos, junto com o prejudicado gesso e substituídos com luz e cor. Os lúgubres e sombrios rincões que a tinham espreitado em sua cabeça, durante tanto tempo já não estavam. Estas habitações, e esta em particular, eram completamente novas. Era elegante, encantadora, e seus olhos se encheram de lágrimas. Jordan esteve frente a ela imediatamente. “O que, amor? Você não gosta?” Madame Charlie Sahara Kelly “J… J… Jordan.” Lhe obstruiu a voz, em um momento em que era tão impróprio dela que se perguntou se estaria perdendo a cabeça. Tudo o que queria fazer era lançar-se nos braços dele e ficar ali para sempre. “É formosa. Tão formosa…” ela sussurrou as palavras, enquanto levantava os olhos até sua cara. Viu como lhe suavizavam as rugas de preocupação e observou como seus olhos se voltavam mais quentes, com algo que não era preocupação. Esse algo reverberava entre as pernas dela. “Jordan.” disse ela em voz baixa, estirando uma mão para ele em um vago gesto, sem estar segura do que pedia, mas sabendo que ele tinha a resposta. Ele a tinha. Seus lábios estiveram sobre os dela, antes que tivesse terminado o pensamento, limpando sua cabeça e excitando seu corpo até temperaturas febris, em poucos segundos. Umas mãos se mesclavam para desenganchar, desatar e desembaraçar, e o escutou suspirar, quando seus seios saltaram livres da parte superior de seu vestido para as mãos dele. “Jordan… a porta...” Logo depois de murmurar um insulto, Jordan deixou seus seios, apressou-se a cruzar a habitação, fechou a porta de um golpe e a travou, e deixou sua camisa e jaqueta no caminho de volta. Seu calor estava apertado contra ela, antes que se desse conta de que tinha retornado. Suas mãos se deslizaram para baixo e a liberaram de seu vestido e roupa intima, assim como as dela liberaram a seu membro de suas calças. “Jordan… quero..” “O que quer amor? Pede-o. O que seja….” murmurou Jordan desde seus seios, obviamente esquecendo o velho juízo de não falar com a boca cheia. “Quero te conhecer.” Uma risada rápida saiu ao encontro do comentário. “Bom, meu céu, não sei como vamos dirigir isso. Já fomos apresentados, estivemos juntos nus, e hei estado dentro de ti. Arriscaria-me a aventurar que me conhece bastante bem...” Madame Charlie Sahara Kelly “Isso não é o que quero dizer.” Charlie se separou dele e passou os olhos por seu corpo. Excitou delicadamente um mamilo chato e adorou a forma em que se endurecia sob os dedos dela. “Quero explorar. Fazer o Grande Tour. De Jordan Lyndhurst.” A expressão de Jordan foi impagável. Ela se mordeu o lábio para deter a risada que queria explodir, quando ele a olhou fixo como se ela fosse Papai Noel, o Duque de Wellington e sua Fada Madrinha todos em um. Ela se aproveitou de seu estado atônito, dando-lhe a volta e empurrando-o à cama. “Primeiro lhe liberamos destas.” disse ela, acomodando-se seus pés entre os joelhos. Jordan limpou sua garganta. Bruscamente. Sabendo o que ele via, quando ela se agachou e tirou sua bota, Charlie ficou desconcertada ante sua própria desfaçatez. Mas era como se tivesse deixado seus escrúpulos e suas inibições atrás, em Londres. Aqui ela era livre de obedecer a seus impulsos internos. E que diabos, estava descobrindo que tinha muitos deles. A bota dele apertou com força seu traseiro, quando ela liberou um pé e repetiu a ação com a outra, ao tempo sentia seu pé descalço contra suas nádegas, enquanto ele empurrava em direção oposta. “Tão formoso Charlie Seu traseiro é uma obra de arte.” Ela riu baixo, enquanto lhe tirava a outra bota e a atirava ao piso com um golpe. “Jordan, os traseiros não são formosos.” “O teu sim o é. Acredite no que te digo.” Ela se moveu entre as pernas dele e o ajudou a sair de suas calças, encantada com a forma em que seu membro investia contra ela, como uma pedra ímã para o norte. Finalmente, ela o deixou nu. Empurrou-o sobre suas costas, respirou-o a recostar-se sobre a cama e ficou cômoda para ajoelhar-se a seu lado. Ela passou a língua pelos lábios Agora sim ela podia jogar. Madame Charlie Sahara Kelly O mundo de Jordan desapareceu, quando sua atenção se concentrou na mulher que o tocava. A expressão dela estava cheia de interesse e fascinação, enquanto passava as mãos por seu cabelo e até seus ombros. Adorou como lhe curvaram um pouco os lábios, quando ela se inclinou e lhe deu um beijinho muito suave sobre a boca, seguido de uns toquezinhos com a língua a seu queixo e a seu pescoço. A cada tempo, seus seios roçavam o corpo dele, e teve que lutar contra o impulso de levantar-se e empurrá-la forte contra ele. Era difícil, porque ele podia perceber sua excitação, que se correspondia com a sua própria. Ele também podia perceber seu aroma e saber que estava se esquentando e umedecendo em um lugar que ele queria explorar. Terrivelmente. Mas lhe tinha pedido a oportunidade de aprender sobre ele, e por Deus que ele a daria. Se resultar que ele morria de prazer durante a experiência, bom, haveria de morrer feliz. “Aaahh...” Uma baforada de risada saiu dele por surpresa, quando ela roçou o lugar sensível justo debaixo de sua axila. Ela sorriu. “Jordan é susceptível. Nunca o teria adivinhado.” Jordan mordeu o lábio e decidiu não reagir. “Não muito. E arrumado a que eu posso encontrar seus lugares susceptíveis em menos de dez segundos.” Ela riu em voz alta, rastreando seus músculos com a ponta dos dedos.“Provavelmente o faria. Essa é uma aposta que não aceitarei. Estou muito ocupada com minha expedição de descobrimento.” Inclinou-se para diante e chupou delicadamente seu mamilo, fazendo-o girar em sua língua e trazendo um gemido de prazer a sua garganta. “Deus, Charlie, eu adoro quando faz isso.” Madame Charlie Sahara Kelly Ela se atirou para trás com uma amorosa lambida final. “Nunca soube que os homens podiam ser tão sensíveis aí.” Ela passou suas mãos por todo o comprido de seu torso, entre uma carícia e uma massagem. Jordan suspirou de prazer. “Os homens são sensíveis em todas as partes, Charlie.” Riu ele. “Algo que nos faça, nos os fracos, vamos responder.” Charlie baixou até seu umbigo, ajeitando-se na cama um pouco. A voz de Jordan se voltou mais rouca, quando as mãos dela inundaram no pequeno umbigo e fizeram cócegas na pele de seu abdômen. “Coisas como essa...” Ele tragou, enquanto a língua dela seguia à ponta de seus dedos. “Quando faz algo como isso, faz-me querer… uuuuh.” Gemeu ele. Ela tinha deslizado as mãos até o limite de seu pêlo púbico e seus seios estavam roçando sua carne. Ele podia sentir seus tensos mamilos, enquanto se apertavam contra ele. A língua dela passou por seu umbigo e logo se moveu para o sul, fazendo palpitar cada terminação nervosa. Seu membro estava mais duro, que o tronco de uma árvore e se sentia como se fora do mesmo tamanho. Ele rogou que não ricocheteasse contra sua cabeça e a matasse. “Faz-te querer que coisa, Jordan?” Perguntou ela, soprando brandamente sobre a pele que sua língua tinha umedecido. Os quadris de Jordan se moveram nervosamente. “Me… me… você me faz querer te devolver o favor. Quero ter minha língua sobre ti, Charlie. Por todos os lados...” Sua voz falhou, quando ela chegou ao destino e tomou seu membro com as mãos. Ele era tão sensível a ela, que podia lhe sentir a respiração saindo de seus orifícios nasais, enquanto ela passava os dedos sobre ele para aprender mais e senti-lo ao mesmo tempo em que o olhava. Ele estava perdido. “Deus, Charlie.” murmurou, arqueando a cabeça para trás um pouco, enquanto sua mão explorava suas arestas e veias, tocando com suavidade, acariciando e adicionando uma lambida de vez em quando. “Você gosta disto, Jordan? É algo prazenteiro para ti?” Madame Charlie Sahara Kelly Jordan só pôde grunhir. Os lábios dela se fecharam sobre seu pênis, e o resto de sua mente se foi a algum outro lugar. O que ficava tinha alcançado o prazer máximo. Cautelosamente, ela deslizou sua boca sobre ele, moveu a língua um pouco, lambeu e provou, descobriu texturas, curvas e gretas que ele nem sabia que tinha. Outras mulheres lhe tinham feito este serviço antes, muitas vezes. Ele era um soldado e isto era aceito como a forma mais segura de obter prazer das mulheres que encontravam em suas campanhas. Jordan nunca tinha tido desejos de contagiar-se nenhuma das virulentas enfermidades venéreas, que eram comuns em qualquer exército, então ele se desafogava desta maneira. Mas esta era uma sensação totalmente diferente. Isto era algo que transcendia o ato físico. Isto era uma fusão, uma oferenda, um compartilhar, que era exclusivo desta experiência. A forma em que a língua de Charlie o amava era suave e cálida e desejosa, e ele sentiu que necessitava cada pequeno movimento que lhe dava. Levantou um pouco a cabeça para vê-la como se movia sobre seu corpo, seu cabelo dourado atirado para trás e excitando a pele das coxas dele. Suas bochechas se moviam enquanto ela chupava, impondo seu próprio ritmo, que atirava de seu coração como o fazia em suas bolas. Claramente, ela era uma novata nesta classe de diversão, seus movimentos eram um pouco torpes e dúbios, mas Jordan não quereria que fossem de nenhuma outra maneira. Era muito mais que o contato da boca dela contra seu pênis. Era o desejo dela de saboreá-lo, tocá-lo e aprender os prazeres que chegavam profundamente dentro dele. Ela estava chupando o lugar a que ninguém se aproximou antes. Seu coração. Intrépida e aventureira, ela moveu uma mão entre suas pernas e encontrou suas bolas. Tomou brandamente entre as mãos, como se fossem o tesouro mais frágil que existia. Jordan não podia discutir, porque neste momento, eram-no. Ela encontrou o pequeno ponto debaixo da cabeça que o fazia retorcer-se e gemer. Madame Charlie Sahara Kelly “Charlieeee…” assobiou ele, apertando os dentes e aferrando-se por sua vida a seu autocontrole. “Jordan, deixe-se ir.” disse ela em voz baixa, soprando ar sobre seu membro molhado e fazendo-o tremer. “Quero que goze. Vi-te gozar na mão de Jane na Crescent e quis ser eu a que lhe fazia gozar. Deixe-me sê-lo esta vez, Jordan. Dê-me de presente essa experiência. Por favor...” Não teve que pedi-lo duas vezes. Logo que seus lábios se voltaram a deslizar por seu pênis, ela deixou que sua mão tomasse a base e deslizou sua outra mão, por debaixo de suas bolas até esse ponto maravilhosamente sensível que fazia arrepiar, cada cabelo de seu corpo e convulsionava seus músculos. “Deus, vou … não posso agüentar...” Ele soube que ia perder a batalha. Charlie o tinha pedido amavelmente, e apesar de que sua mente lhe dizia que era uma dama e que não deveria estar fazendo isto, o resto dele gritava pronto por acabar-se e mergulhar em seu pênis. Ela moveu a cabeça mais rápida e mais segura agora, de seus movimentos. Para Jordan, tudo tinha terminado. Em poucos segundos sentiu que seu traseiro se endurecia, suas pernas ficavam rígidas, e era como se um raio percorresse sua coluna, passasse por suas bolas e subisse por seu pênis, fazendo-o explodir na calidez da boca de Charlie. Ela fez um zumbido, quando ele gozou, ejaculando comprido e profundo em sua garganta. Aferrou-se a ele com força, esmagando-o um pouco, como se lhe ordenhasse até a última gota. Exausto, caiu pesadamente sobre a cama. “Ai, Meu Deus. Charlie. Ai, Meu Deus.” Claramente, seu julgamento o tinha abandonado. Uma mulher lhe tinha dado um dos prazeres maiores que tinha experimentado, e isso foi o melhor que lhe ocorreu. Ele suspirou. “Parece-me que desfrutou disso.” Ela estava ao seu lado, com um sorriso muito malicioso em sua cara. Madame Charlie Sahara Kelly Ela entrecerrou os olhos, inclinou-se para diante e o beijou brandamente, deixando-o sentir o gosto de si mesmo em seus lábios. “Agora sei que gosto tem você.” sussurrou ela. “É agradável. Um pouco salgadinho, totalmente único. E é tão maravilhoso ao tato, Jordan. Esse foi um momento que sempre desejei. Te ter, enquanto gozava. Foi mágico.” Jordan Lyndhurst estava perdido. Olhou em seus olhos cinza e viu o prazer genuíno e a honestidade brilhando dentro. Nesse momento soube que se apaixonou. A batalha tinha terminado, a campanha tinha finalizado. Ele tinha tomado seus objetivos com grande êxito e, quando voltou a baixar a poeirada, teve que admitir a derrota. Tinham-no enrolado, com infantaria e armas. Seu adversário, com uma combinação de astúcia, inteligência, sensualidade e carinho, tinha-o derrotado decididamente e o tomado prisioneiro. Agora ela tinha seu coração. Madame Charlie Sahara Kelly Capítulo Dezesseis Charlie sentiu queera tarde, quando despertou a manhã seguinte. O sol brilhava através das cortinas abertas, e o lado da cama de Jordan estava vazio e frio. Depois de recuperar-se de seus jogos sensuais do dia anterior, os fatos aconteceram ao redor de Charlie à grande velocidade. Também Elizabeth se havia declarado perdida, ao querer compreender os acertos de segurança de Jordan. Mas ele foi um torvelinho, organizando ao seu pessoal e seus guardas extras para que estejam a não mais de um metro delas. A Elizabeth pediram que descrevesse ao homem da Crescent várias vezes, e inclusive tratou de desenhá-lo, ante a insistência de Jordan. Infelizmente, ela não podia alegar muito talento na arte de fazer retratos, então se abandonaram os esforços. Charlie não pôde deixar de olhar a seu redor, quando se deu conta de que estava outra vez na Reserva de Caça Calverton. Também passou uma considerável quantidade de tempo perguntando-se, por que não se sentia mais incômoda ao ter voltado para lugar onde havia tantas lembranças desagradáveis. Mas não lhe levou muito tempo a entender que a Reserva de Caça Calverton de seu passado se tinha ido com a fumaça. As habitações escuras e lúgubres que estavam acostumados a aparecer em seus pesadelos já não estavam. A escada principal era quase o único que se via vagamente similar a suas lembranças e inclusive reluzia encerada e tinha um formoso tapete Aubusson, que se estendia por todo seu comprido. Muitas das habitações reconstruídas ainda estavam vazias, e Jordan admitiu, sem disfarces que todo o dinheiro que tinha herdado foi destinado à construção. Ele opinava que as gerações futuras poderiam preocupar-se com a cor das cortinas, sua obrigação era ver que houvesse umas boas janelas sólidas de onde as pendurar. Na verdade, Charlie não pôde ver nada da Reserva de Caça Calverton que a havia espreitado durante tanto tempo e, sem dar-se conta, desfez-se de outro peso sobre seus ombros. Madame Charlie Sahara Kelly Em metade da tarde, uma nuvem de pó que anunciou que se aproximava um cavaleiro a grande velocidade ocasionou um pequeno revôo. Jordan enviou às moças à biblioteca e ele mesmo esperou na porta. Uma pistola de duelo estava discretamente apoiada em uma pequena mesinha nas sombras, ao alcance da mão. Charlie e Elizabeth sopraram com desgosto ante um trato tão arrogante e espiaram cautelosamente da habitação, ansiosas por saber quem tinha chegado. Umas fortes vozes acompanhadas da risada de Jordan, lhes asseguraram que tudo estava bem, e saíram da habitação apuradas para correr à porta de entrada. Ali, sobre os degraus, Charlie viu que Jordan estava sendo abraçado por um viking. Bom, alguém que encaixava na descrição de como ela sempre imaginou que se veria um viking. Muito alto musculoso e com um matagal de cabelo muito loiro, o homem ria e batia a Jordan nas costas. Com força. Charlie fez uma careta de dor por ele. Viu o uniforme. Este devia ser um dos antigos companheiros de armas de Jordan. Elizabeth estava muito quieta ao seu lado. “É ele, Charlie…” sussurrou. “Mm? Quem é?” “Esse é o homem que beijou meu seio.” Charlie se sobressaltou e se deu conta de que Elizabeth estava pendurada em seu braço, fortemente obstinada. “Jamais esqueceria esse cabelo ou esses olhos.” a voz da Elizabeth se apagava, enquanto olhava ao homem debaixo dos degraus. “O que acredita que esteja fazendo aqui? E não lembro de havê-lo visto com uniforme... “ Os homens se deram volta e viram as duas moças de braços dados, paradas na porta. O olhar de Jordan deixou-se parar sobre Charlie e, por um segundo, esqueceu-se onde estava. Mas um som de seu companheiro recuperou sua atenção, e juntos subiram o grande número de degraus. “Olhe quem está aqui…” disse Jordan, sorrindo de orelha a orelha. “Ah, estou olhando.” murmurou Elizabeth, em voz baixa. Madame Charlie Sahara Kelly “Charlie, Elizabeth, este é o Tenente General Sir Spencer Marchwood. Spencer queria te apresentar à senhorita Charlotte e à senhorita Elizabeth Wentworth.” “Damas, é um dia pouco comum, quando algo brilha mais que o sol, mas devo chegar à conclusão de que hoje é realmente um dia pouco comum.” Sir Spencer fez uma graciosa reverência, e Charlie se perguntou se ele seria um dos homens de Wellington, que eram famosos por suas maneiras suaves e seu discurso cortês. Sir Spencer emanava encanto, mas este foi moderado pela maliciosa curva de seus lábios ao levantar a mão de Elizabeth. “Beijar esta mão produz um comichão em minha coluna, senhorita Elizabeth. Sua pele é incrivelmente suave contra meus lábios.” Fez uma pausa e a olhou aos olhos. “Tal como a lembrança.” Até Charlie estremeceu e Elizabeth emudeceu. Céus, o homem era bom. Jordan limpou sua garganta. “Dentro, por favor, damas. Spencer tem novidades.” O resto da tarde se passou com uma conversa sobre a grande vitória de Wellington, perto de um pequeno povo na Bélgica. Spencer aparentemente estava a caminho para reunir-se com seu regimento, mas não pôde chegar a Bruxelas a tempo. Então voltou da costa, logo que chegaram as primeiras mensagens e escutou os rumores que ligavam a Jordan Lyndhurst com problemas. “Depois de tudo, não podia deixar que um velho camarada lutasse com este tipo de coisas sozinho. Ia arruinar tudo, seguro.” Jordan suspirou. “Então há falatórios sobre esta questão. Maldição esperava que pudéssemos mantê-lo em segredo. Isso não significa que toda a brigada vai a aparecer em minha porta em poucas horas, ou sim?” “Não te viria mal à ajuda extra.” murmurou Arthur ao trazer uma bandeja carregada com copos de cerveja fresca e um bule. “Arthur, velho bruto. Ainda está arando os campos por aqui?” Arthur levou a cabo a incrível proeza de rebaixar com o olhar, ao homem que se erguia por sobre ele, ao menos trinta centímetros. “Segue com seu cérebro em suas calças, Sir Spencer? Madame Charlie Sahara Kelly Jordan riu baixo. “Nem sequer tente superar a Arthur, Spence. Nunca o obterá. Agora, me deixe te contar o que está acontecendo e você poderá nos contar sobre… como se chamava? Waterloo?” Aparentemente, falar sobre a guerra era tão árduo como extenso, porque muito antes que os homens tivessem terminado, Elizabeth e Charlie se encontraram adormecidas frente ao fogo. O jantar tinha sido muito informal e dominado por reminiscências de amigos, suspiros sobre perdas e risadas por correrias passada. Todas as quais eram totalmente fascinantes para os cavalheiros, mas aborrecidas ao pouco momento para suas acompanhantes femininas. Ambos os homens ficaram de pé cortesmente quando Charlie e Elizabeth anunciaram que se retiravam para descansar. Jordan disparou um quente olhar a Charlie, e Spencer despiu muito obviamente a Elizabeth com os olhos. Ambas as moças ficaram ruborizadas e entre risadas subiram a suas habitações. Charlie tratou de esperar acordada, mas Jordan demorava muito em vir e o sonho apoderou-se dela, antes que ele subisse. Ela sentiu vagamente que ele a atraía a seus braços e dava volta para escutar o sólido tamborilar de seu coração debaixo de sua orelha. Dormiu contente, sabendo que ele estava ali. Mas agora era de amanhã, ele tinha se levantado e já não estava. Hora de que ela enfrentasse o dia e o que fora que ele trouxesse. Trouxe para Elizabeth. “Bom, em fim.” disse uma voz exasperada. Charlie se levantou sobre seu travesseiro para ver a Elizabeth se despedindode uma criada e trazendo o café da manhã de Charlie, sozinha. “Tive toda a noite para pensar nele e cheguei a uma decisão.” Apoiou a bandeja sobre a mesa ao lado da cama com um golpe e aterrissou na cama ao lado de Charlie, cruzou as pernas ao estilo índio e se levantou a saia de uma maneira muito pouco elegante. “Desejo a Spencer Marchwood.” Madame Charlie Sahara Kelly Charlie fechou os olhos. “Acredito que queria tomar primeiro chá, por favor. E me passe a torrada, também. Comeste algo?” “Sim, comi. Embora esse pão-doce se vê muito fresco. Não te importa?” Charlie fez um vago gesto com a mão, enquanto Elizabeth se apropriava do pão-doce, lubrificava-lhe com manteiga e o devorava gostosa. “Bom.” disse Charlie, deixando que seus olhos finalmente se enfocassem em seu companheira. “Deseja ao Spencer Marchwood.” “Sim.” “Defina desejo.” “Bom, quero-o em minha cama. Sobre mim. Levando minha virgindade. Acredito que ele fará um excelente trabalho. O que te parece?” Charlie tossiu, quando um miolo enorme se alojou em sua traquéia. Necessitou vários sorvos de chá restaurador, para fazer que sua voz voltasse a sair. “Elizabeth, isto não é algo que deveria tomar à ligeira. Isto é algo que deveria reservar para seu marido. E pensei que havia dito que Ryan Penderly era a vítima, o candidato para isso. Elizabeth levantou uma sobrancelha a Charlie. “Não viu ao Ryan Penderly. É agradável. Agradável, Charlie.” Seus lábios se curvaram. “Ele merece uma esposa agradável, filhos agradáveis. Ao princípio pensei que podia ser eu, mas quanto mais tempo passa, mais me dou conta de que eu não sou agradável.” Ela suspirou e apoiou o resto de seu pão-doce. “Quero mais, Charlie. Quero emoção. Quero estrelas e clarins e fogos artificiais. Quero sentir. Recentemente me perguntei o que queria. Bom, agora sei. Quero sentir a Spencer Marchwood. Quando seus lábios tocaram minha pele, foi como um fogo ou o que dizem que faz essa máquina de eletricidade. Um formigamento, uma sensação quase dolorosa que se dispara até umas partes muito privadas...” Elizabeth olhou ao Charlie. “Entende algo do que te estou dizendo?” Charlie lhe devolveu o olhar. “Ah, sim. Ah, sim, claro que entendo.” “Bom, então. Acredite-me quando te digo que conheci a muitos homens… não poderia ser eu parte do povo e que não tenham passado perto de mim como licitantes em um leilão. Madame Charlie Sahara Kelly Seus lábios se franziram com desagrado. “Nenhum deles me fez sentir, jamais, como ele o faz, Charlie. Nenhum.” “Nenhum deles te beijou um seio, tampouco.” recordou-lhe Charlie. “Verdade. Mas a questão é, tive a mesma sensação ontem quando ele me beijou a mão.” Ela se abanou com a mão a parte superior do vestido e se ruborizou um pouco. “Ele me tocou e tudo começou a acontecer. Podia sentir meus seios… foi muito incomum...” Charlie sorriu reconfortando-a. “Em realidade, não. Isso foi excitação, Elizabeth. Esse homem te excita. Sexualmente. Isso é bom. Usualmente, ele falaria com seus pais e vocês dois poderiam aprofundar sua relação...” “Mas esse é o ponto, Charlie. Não quero isso. Simplesmente quero saber o que há entre nós. Qual é o potencial para nosso prazer mútuo. Não quero pensar em herdeiros e linhagens e dotes. Por que não posso simplesmente desfrutá-lo sozinha? Por que tem que afetar o futuro da nação? Só quero agarrar isso, por amor de Deus.” Charlie levantou as sobrancelhas. “Bom isso é chamar as coisas por seu nome, não?” “Estou cansada das garotas melosas que vão daqui para lá e parece que se vão deprimir, se alguém somente menciona uma parte do corpo em sua presença.” Elizabeth assentiu vigorosamente. “Eu não sou assim.” “Não, isso é mais que seguro.” Concordou Charlie com um sorriso. “Então quer que o mantenha quieto, enquanto você o despe e joga com ele?” A pergunta tomou a Elizabeth com a guarda baixa e se deteve, pasmada, antes de estalar em gargalhadas. “Ai, Deus, Charlie, é maravilhosa. Estou tão contente de te conhecer. Tomou uns instantes até que a euforia se apagou. “Não, não quero pensar que necessitaremos chegar tão longe, além disso, Jordan nunca permitiria que tocasse a outro homem, enquanto ele estivesse perto. Até um cego, poderia perceber isso.” Ela riu pelo baixo. “Sempre me perguntei como seria Jordan, quando encontrasse a sua mulher. Agora sei. Em realidade é muito doce.” O coração de Charlie se deteve por um segundo. “Sua mulher?” Madame Charlie Sahara Kelly “Sem lugar a dúvidas. Conheço Jordan Lyndhurst e a sua família há anos. Jogávamos juntos, bom, deveria dizer que eu jogava com sua irmã menor. Nunca vi ao Jordan olhar a uma mulher como ele olha a ti. É especial, possessivo e apaixonado e, ah, não sei. É simplesmente único. Mais vale que lhe corresponda com você amor, Charlie, porque detestaria ver o Jordan machucado.” Elizabeth disparou a Charlie um olhar muito agudo. O coração de Charlie começou a pulsar de novo, forte e sólido. “Como poderia não amá-lo? A simples pergunta ficou flutuando entre as moças por uns instantes. Logo, Elizabeth se inclinou adiante e abraçou forte a Charlie durante uns segundos. “Alegra-me tanto.” Apartou- se e se apoderou da última torrada. “Vamos, te apresse e vista-se. Necessito te falar sobre algo que trouxe comigo, que morro por provar. Me encontre na sala do café da manhã, quando estiver preparada, sim?” Charlie sorriu e assentiu com a cabeça, e endireitou a bandeja enquanto Elizabeth se deslizava para descer da cama e saía da habitação rapidamente. Apenas com seus pensamentos, Charlie olhou fixamente sua taça de chá. “Amo-o.” Ela disse as palavras em voz alta, como provando como ficavam. “Estou apaixonada por Jordan Lyndhurst.” Saíam mais facilmente quanto mais às dizia. Agora tudo o que devia fazer era decidir se isto era o melhor que lhe tinha passado em toda sua vida. Ou possivelmente o pior. Era tarde quando todos se voltaram a encontrar, na pequena sala para tomar o chá. Charlie e Elizabeth tinham passado a manhã se distraindo, conversando e murmurando como duas adolescentes no salão da escola. Madame Charlie Sahara Kelly Jordan se enterneceu ao ver Charlie tão despreocupada. Desejava deslizar-se dentro de seu calor acolhedor, com tantas vontades da noite anterior, quando finalmente cambaleou até a cama, mas sabia que estava cansado e que ela estava cansada, e tinha deixado que Spencer o convencesse de tomar muito brandy. Então sorrindo tristemente a si mesmo, a aconchegou contra ele e dormiu como um tronco, com o peso dela aninhado junto a seu coração. Ele se deu conta de que não se podia imaginar passar suas noites de outra maneira. Agora tudo o que tinha que fazer era formular uma nova campanha para dirigir todas as obstruções que a vida, sem dúvida, ia pôr no caminho deles. A mais importante das quais era a dúvida de Charlie sobre as possibilidades de uma relação entre uma proprietária de bordel e um Conde. Jordan suspirou. Ia ter que pensar um pouco nessa. Spencer também lhe deu o que pensar. O brandy abrandou a ambos e, pouco depois que se foram às mulheres, tiraram-se as gravatas, atiraram as jaquetas a um canto e acomodaram suas largas pernas sobre os braços das poltronas. “Não posso dizer que não estou emocionado por ter encontrado à senhorita Elizabeth aqui, Jordan.” Jordan entrecerrouos olhos. “Foi você o que a salvou essa noite na Crescent, não?” Imperturbável, Spencer continuou olhando o fogo. “Sim. Foi tudo muito confuso, com um montão de gritos e um pouco de fumaça. Elizabeth foi quão única não entrou em pânico, mas nunca se deu conta de que seu vestido se queimava. Não tinha idéia do bruto que era até que vi seu corpo.” Logo olhou para acima. “De verdade não quis insultar a dama, Jordan. Mas, Por Deus, homem, que seios.” Seu membro se agitou com a lembrança. “Sim, sei.” disse ele, falando com a sua ereção. “Mas bem, pode voltar para dormir.” Jordan riu pesaroso. “Elizabeth é um caso especial, Spence. Mas você é um bom homem, e não estou em posição de atirar pedras. Confio em ti com a Elizabeth, onde seja que te Madame Charlie Sahara Kelly leve o baile. É um pouco rebelde, cuidado, mas possivelmente você possa ser o homem que a mantenha a raia. Só não a comprometa, nem a machuque, está bem?” Spencer suspirou. “É só que lhe tenho um pouco de temor a essa mulher, Jordan. E se alguma vez repete isso, terei que te desafiar a duelo e liberar ao mundo de sua molesta presença.” Jordan sabia que Spence era perito em muitas coisas, mas a pontaria não era uma delas. Ele riu pelo baixo. “Por que teme a Elizabeth?” Por um momento, a habitação ficou em silêncio, e o tic-tac do relógio e o crepitar do fogo se escutaram fortemente, na quietude que seguiu à pergunta de Jordan. “Porque quando a toquei e a olhei aos olhos, eu… eu senti algo. Um calafrio por minha coluna, como se alguém caminhasse sobre minha tumba. Ela é um problema, Jordan. E eu me estou colocando de cabeça.” Jordan encolheu os ombros, como minimizando a sensação de inevitabilidade. “Chega a todos, velho amigo. Chega a todos.” Olhando às moças sentadas frente a ele agora, na luz debilitada da tarde, Jordan se deu conta de que proféticas tinham sido suas palavras. O problema que Spencer havia descrito a noite anterior tinha chegado a Jordan e se instalou em sua alma. Seu nome era Charlie. E ele não poderia estar mais feliz. Bom, ele pensou que não. Mas logo Charlie lhe sorriu e o olhou. Ai, Deus, havia-lhe perguntado algo. Ele estava tão absorto em seus pensamentos, que não escutou uma palavra pelo que lhe disse. “Lamento-o, senhoritas. Minha mente estava em outro lugar.” Como entre suas pernas, Charlie. “O que diziam? Charlie lhe sorriu, lhe fazendo saber que tinha uma idéia bastante clara, de onde havia estado sua mente, e gostou do lugar. Muito. Jordan se moveu incômodo e ofereceu uma prece de agradecimento, quando Elizabeth teve piedade dele. Madame Charlie Sahara Kelly “Jordan, Charlie e eu queremos preparar um jantar especial esta noite. Sir Spencer há- nos dito algo sobre sua viagem ao Egito, e Charlie admitiu sentir certa fascinação com as histórias de Médio Oriente que escutou. Então pensávamos que seria divertido jantar a Egípcia esta noite. O que te parece?” “Depende.” respondeu Jordan com cuidado. “O que implica isso?” “Bom, uns almofadões bem grandes para que nos sentemos todos. Não na sala de jantar, obviamente. Podemos usar aquelas mesas baixas na sala de atrás. Além disso, tem um tapete lindo e suave. Devemos estar descalços, é obvio, e vocês, cavalheiros, não deverão levar gravata e essas coisas, busquem-se um pouco parecido a uma túnica árabe, sim? Nós as moças também nos vestiremos para a ocasião.” O entusiasmo da Elizabeth era contagioso. “Estou seguro de que Jordan e eu poderemos pensar em algo apropriado, Elizabeth. E eu, por minha parte, não posso esperar as ver como moças do harém...” Spencer agitou as sobrancelhas sugestivamente. “Harém? Ah, não acredito, Sir Spencer. Charlie e eu nunca aceitaremos nada que não seja o posto de esposa principal. Seremos mulheres do deserto. Nada de ser uma de suas ninfas muçulmanas perfumadas, certo, Charlie?” “Em certo.” acordou Charlie, fraco ante a determinação da Elizabeth. “Bem. Está arrumado então. Ah, e tenho um chá especial que vou preparar. Vem direto do Egito. Paul Faremont me trouxe isso de Paris, é a última moda ali, acredito. Uma espécie de beberagem estimulante, nada daninho, mas muito a tom com nosso tema desta noite.” Ela agarrou a mão de Charlie. “Vamos, temos muito que fazer.” Charlie olhou ao Jordan e lhe fez um rápido sorriso. “E eu suponho que tenho muito que fazer contigo.” disse ela, enquanto se apurava detrás da Elizabeth. “Os veremos mais tarde.” Jordan sorriu, enquanto olhava a rajada de vestidos agitando-se na habitação. “A vida nunca é aborrecida com estas duas por perto.” murmurou. “Alguma notícia de Londres?” Madame Charlie Sahara Kelly Jordan ficou sério imediatamente. “Nenhuma palavra. Tenho homens rastreando a nosso suposto homicida e parece que podem ter descoberto seu paradeiro. Espero que o mensageiro apareça logo, possivelmente amanhã, para me informar sobre a situação.” “Bem, nós estamos a salvo aqui. A propósito, bom trabalho no perímetro.” Jordan sorriu ante o completo militar. Ele sabia que estava garantido. Havia apostado homens em lugares pouco óbvios ao redor do terreno, com instruções de mudar suas posições aleatoriamente ao longo da noite. Ele sabia que parvo era ter patrulhas regulares. A casa estava bem fechada e vigiada, e os estábulos assegurados. Muitos dos homens que trabalhavam no estábulo se ofereceram a ajudar, e um par de homens do povo, chegaram oferecendo assistência. Tinham pessoal de sobra, estavam bem protegidos, e Jordan sabia que tinha feito tudo o que tinha podido até o momento. “O que sabe disso de Paris que mencionou Elizabeth? Escutou falar disso?” Spencer se apoiou na cadeira e levantou uma sobrancelha. “Ah, sim. Certamente. Você não?” “Não. Enterrado aqui no Calverton, como que perdi o contato com o que estava em moda em Paris. Não há muita necessidade disso, quando está tratando de decidir onde reconstruir uma casa.” “Certo.” riu Spencer. “Bom, se for o que estou pensando, então as tropas de Napoleão o trouxeram, depois da campanha no Egito. É uma erva, não é daninha em absoluto, mas é como que relaxa a uma pessoa. Uma vez a provei, não está mau.” “Não estamos falando de ópio nem nada disso aqui, quero acreditar?” Jordan levantou uma sobrancelha. “Não, Por Deus. Nem sequer de láudano. Não, isto nem sequer te deixa dor de cabeça, apesar de que tenho que admitir que me desse uma fome do demônio. E prepará-lo como chá o debilita, também. Escutei que uma seita de assassinos o usa em sua forma original, como parte de seus rituais, mas isso é só um rumor. Provavelmente, Elizabeth mesma toma uma garrafa de suco de dente-de-leão e não nota a diferença.” Madame Charlie Sahara Kelly Jordan se estremeceu e parou, estirando os braços detrás de sua cabeça. “E bom. O que seja para mantê-las contentes e fazer que deixem de preocupar-se com nossos problemas. Suponho que será melhor que vamos e reunamos algo para usar de fantasia.” Spencer sorriu e se levantou de sua cadeira. “É obvio que se a coisa for verdadeira, manterá-nos felizes a todos.” Com essa nota bastante enigmática, seguiu a Jordan e saíram da habitação. Madame Charlie Sahara Kelly Capítulo Dezessete Charliese apoiou sobre os pés e fiscalizou a habitação. Elizabeth e ela haviam trabalhado, bastante duro durante o último par de horas para deixá-la igual com a visão de Elizabeth, do que era um caramanchão egípcio. Ou um harém. Ou algo que os egípcios tivessem em suas casas. Neste ponto, Charlie não estava muito segura de que tivessem tido êxito. As velas ardiam em vários candelabros ao redor da habitação, e muitos metros de seda quase transparente atraíam os brilhantes raios de luz. A seda havia suavizado as linhas tradicionais da habitação, e junto com as ervas aromáticas que a senhora Hughes tinha doado para o entretenimento dessa noite, a habitação tinha agora uma aura de mistério. Encontraram uns enormes almofadões em um dos apartamentos de cobertura, e Elizabeth atirou velozmente umas mantas suaves sobre elas, para cobrir o brocado que já estava bastante gasto. O fato de que alguma outra pluma escapava por diferentes vasos, só adicionava ao ambiente a ocasião. Ao menos isso é o que disse Elizabeth ao soprar uma delas e fazê-la formar redemoinho até tocar o piso. Charlie tremeu levemente e foi atiçar o fogo. Perguntou-se pela septuagésima vez por que tinha apoiado este plano, especialmente quando se olhou a si mesma. Não pôde evitar de ruborizar-se. “Está-o fazendo de novo.” repreendeu-a Elizabeth. “Fazendo o que?” “Te ruborizando. Pensando que está vestida de maneira indecente.” “Mas por todos os céus, Elizabeth. Por que pensaria isso? Levo postas vários metros de pura seda e um par de calças escandalosas. Nada mais. O que poderia chegar a ser indecente nisso? Além disso, o fato de que estou convencida de que pode se ver através disto, e estranho minha regata. Ah, e calças que… bom. Ali tem-nos.” Madame Charlie Sahara Kelly Elizabeth riu bobamente. “E também te vê muito decadente, Charlie. Certamente, o cabelo loiro arruína bastante a ilusão de uma mulher do oriente médio, mas não importa, entre nós fazemos um lindo contraste.” Charlie não pôde discutir esse ponto. Seu cabelo dourado tinha sido deixado solto esta noite, de acordo com as instruções de Elizabeth. Outra coisa que há punha um pouco incômoda. Era estranho ver uma mulher com o cabelo solto, em qualquer lado que não fora sua penteadeira. Mas comparada com a aparência exótica de Elizabeth, Charlie sabia que se haveria visto ridícula, com sua vestimenta de todos os dias. O cabelo negro azeviche de Elizabeth, pendurava como uma cortina até seu traseiro. Charlie admitiu que fosse provavelmente um pecado tratar de enrolar esses cachos, para deixá-los penteados ao estilo que estava de moda todos os dias. Assim era como se deveriam ver sempre. Ambas as moças lhe tinham dado forma a uns trajes drapejados com a seda que tinham encontrado em sua expedição exploradora mais cedo, a de Charlie era azul escuro e o da Elizabeth vermelho sangue. Seus seios estavam acolhidos por suaves drapejados, e tinham envolvido suaves dobras do material para formar saias que penduravam baixas de seus quadris. Cada tanto se vislumbrava um pouco de pele branca, que aparecia entre as sedas. Elizabeth tinha revolto, uma caixa com jóias antigas e agarrado as coisas mais inverossímeis. Um colar comprido e muito pesado, que parecia da época isabelina e era provavelmente de metal, agora oxidava afanosamente os magros quadris de Charlie, enquanto que Elizabeth luzia um rubi com forma de gota, enorme e de aspecto muito falso, entre os olhos. Viam-se exóticas e, Charlie teve que admiti-lo, bastante sensuais. Elizabeth havia revelado outro segredo, quando arrastou Charlie a sua habitação e lhe exigiu que provasse seus cosméticos. Charlie, que nunca passou um pouco de ruge pelas bochechas, estava fascinada. Permitia a suas moças na Crescent colori-lhe as bochechas e os olhos, mas nunca o considerou Madame Charlie Sahara Kelly para ela. Uma hora mais tarde, tinha olhos maiores, pelo que ela pensou que era possível, e um delicado toque de rosa sobre as bochechas. Elizabeth era sem dúvidas, uma caixa de surpresas. Também era um molho de nervos, e Charlie pôde ver como sua mão tremia ao alisar as franjas de um dos exóticos xales, que tinha estirado sobre a mesa baixa. “Não tem que fazer nada que não queira fazer, Elizabeth.” Charlie tocou o ombro da outra moça para tranqüilizá-la. “Sei, Charlie. Sei. Mas sim quero isto. Quero-o tanto que o desejo me faz doer. Suponhamos que entendo mal...” Ela olhou com olhos agonizantes ao Charlie, quem tratou corajosamente de esconder seu sorriso. “Minha querida, não há nada que entender mal. Seu corpo te dirá o que quer quando chegue o momento. Seu coração e sua mente sabem que Spencer é a quem escolheu, lhe deixe o resto a seu corpo e confia nele para que te guie bem.” Elizabeth suspirou. Abriu a porta e entraram dois cavalheiros vestidos exoticamente. Charlie e Elizabeth ficaram sem fôlego. Para o Jordan, entrar nessa habitação e ver Charlie vestida com umas frágeis seda, foi um momento que permaneceria gravado em sua mente para sempre. Foi como se alguém tivesse estado revolvendo entre seus desejos mais profundos e gasto um deles à vida. O fato de que ele tinha posto pouco mais que um lençol com um buraco nela e uma velha bata cujas mangas tinham sido cortadas não importava um nada. Tinha rachado o lençol até seu umbigo, com a esperança de que sua Charlie gostasse do que via. Sabia que lhe gostava de jogar com seu peito… então bem podia exibir os brinquedos. Spencer tinha ido um passo mais à frente: tinha fabricado um chapéu com uma parte de tecido e um pouco de linho. Com seu cabelo loiro comprido, este homem alto se via como a verdadeira essência do bárbaro do deserto. O sabre curvo de brinquedo que meteu em seu cinturão não incomodava tampouco. Madame Charlie Sahara Kelly Jordan fez uma analise mentalmente. Ele tinha querido levar o sabre e só havia um. Maldição. Entretanto, sentiu-se redimido, quando Charlie parecia não poder tirar os olhos dele. Seu pênis se agitou, e ele reconheceu imediatamente as vantagens das vestimentas soltas que tinha fabricado. Havia muito para dizer sobre o estilo de vestimenta árabe e o fato de que servia para ocultar uma boa e saudável excitação, não era o menos importante. Ao menos, por um momento. Recuperadas do impacto, as moças conduziram a seus xeques aos almofadões, acomodando-os como se supunha que era a forma em que o fazia uma mulher do deserto. As ordens de Elizabeth sobre onde sentar-se, o que comer primeiro e a sentida bofetada sobre a mão do Spence, que estava por subir por sua saia, destruíram um pouco a imagem de escravas, mas a ilusão era ainda a de uma decadência mágica. Os molhos de sálvia ardente ao redor da habitação perfumaram o ar com um aroma doce e penetrante, e Elizabeth serviu cuidadosamente seu chá especial. Procurou umas pequenas taças orientais, sem asas, e assim entregou cuidadosamente a cada um sua bebida, usando ambas as mãos. Eles se acomodaram sobre os almofadões com risadas sossegadas e pequenos movimentos, até encontrar uma posição cômoda e tomar seu chá em pequenos sorvos. As sobrancelhas de Spence se levantaram, logo que provou o chá e lhe disparou um rápido olhar a Jordan. Jordan entendeu claramente a seu amigo. Este era do bom. “Estou impressionado, Elizabeth. Não só que sua beberagem é genuína, mas também é realmente muito rico.” Elizabeth levantou o nariz. “Eu não me mereço menos queo melhor, Sir Spencer. Me surpreende que duvidasse do presente que recebi...” Charlie bebia seu chá em silêncio, enquanto Jordan a observava. Ele decidiu que a infusão era aceitável. Sabia um pouco a grama recém talhada, com algumas ervas, mas podia-o tolerar. Madame Charlie Sahara Kelly Esvaziou sua taça e não fez nenhuma objeção, quando Elizabeth a voltou a encher como o fez com os outros. Eles comeram despreocupadamente das bandejas de comidas que os criados tinham preparado. Embora Spence dissesse que para ser mais genuínos, deveriam estar comendo cordeiro guisado do mesmo prato, e com nada mais que seus dedos, ninguém quis levar a ilusão tão longe. Em troca, desfrutaram da comida simples de queijos e pão fresco e frutas que o pessoal de cozinha de Jordan tinha preparado. Jordan sorriu, quando Charlie, metendo-se em seu papel de escrava com entusiasmo, o deu uma uva na boca. Um estremecimento de desejo cruzou por sua carne, e se endureceu ainda mais debaixo de sua bata. Observou cuidadosamente a Charlie e viu que seus mamilos se endureciam debaixo da fina proteção da seda. Spencer também desfrutava do banquete, enquanto convencia a Elizabeth de que oferecesse um pedaço de fruta com seus lábios. O que levou ao inevitável: um rápido beijo roubado. Só Jordan estava no ângulo justo para ver a mão de Spencer roçar o seio de Elizabeth, quando se inclinou para procurar comida. A tensão sexual aumentava na habitação, junto com o perfume do incenso. Charlie tomou um pêssego e o mordeu, permitindo que o suco se derramasse por seus lábios e até seu queixo. Foi um desafio ao que Jordan não pôde resistir. Atirou de seu almofadão para aproximá-la e atraiu sua cara junto à dele. “Permita-me ser seu guardanapo, Charlie.” disse em voz baixa, enquanto punha uma mão sobre sua cabeça. Deslizou seus dedos pelo dourado cabelo dela, tomando a parte traseira de sua cabeça com uma mão com facilidade, enquanto sua língua lambia brandamente os restos de sua boca e queixo. Ela gemeu em voz baixa e se retorceu. Ao lado dele, Spencer estava passando como nunca em sua vida, com Elizabeth. Madame Charlie Sahara Kelly Punha uvas sobre seus ombros e os mordiscava para tomá-los, rindo quando caíam sobre a saia dela. Aos poucos segundos, ela foi empurrada pelas costas, com um grande almofadão debaixo dela, e Spencer procurava uma uva perdida em seu decote. Com a boca. A risada de Elizabeth ressonava em toda a habitação, enquanto o respirava. “Charlie.” disse Jordan, só pelo prazer de escutar seu nome. “Eu adoro seu cabelo assim...” Levantou a mão e deixou que a suavidade caísse entre seus dedos. “Eu gosto quando faz isso, Jordan.” respondeu Charlie, fechando os olhos e obviamente desfrutando da sensação. “Sim?” Ela assentiu com a cabeça, sorrindo enquanto um ofego de Elizabeth retumbava em a habitação. Spencer devia estar fazendo algo que lhe gostava também. “Alegra-me que você goste Charlie. Que mais faço que você gosta…?” Sua língua fazia círculos ao redor de sua orelha agora, entrando e saindo, provando, excitando e acelerando sua respiração. Sabia que ficava mais duro a cada segundo e se imaginou que podia cheirar a excitação de Charlie por sobre o incenso. Só de pensar nessa excitação o fazia delirar um pouco. Inclinou-se detrás de Charlie e apagou um candelabro cheio de velas, uma por uma, com seus dedos, deixando seu lado da mesa coberto de sombras. Parte de sua mente notou Spencer acomodando a Elizabeth em uma zona escura entre dois grandes sofás do outro lado da habitação. Ele sorriu. Os dois velhos camaradas tinham a mesma idéia em mente. Não irei a nenhum lugar neste momento, mas nem louco vou deixar que alguém mais olhe. Nunca o havia dito a Charlie e a Elizabeth, mas Spencer e ele já tinham feito este jogo um par de vezes em farras cheias de álcool. Os jornais de soldado raramente permitiam ter privacidade e nenhum era um monge. Esta vez, entretanto, era Charlie. E merecia o melhor. Acomodou o almofadão dela para trás, junto com a dele, até que chegaram ao outro lado da habitação. Madame Charlie Sahara Kelly Apesar das sombras, pôde ver o brilho nos olhos de Charlie e o rápido brilho de seus dentes, quando lhe sorriu. Deitou-a de costas, deixando que seu cabelo se derrubasse sobre o almofadão. “Jordan.” suspirou ela. “Jordan, meu amor.” “Estou aqui, doçura.” As palavras dela o tocaram e sua cabeça girava com uma embriagadora mescla de alegria e desejo. “Jordan, me toque.” Ela se estirou até seu ombro e passou os dedos por seu braço até encontrar sua mão. Trouxe-a até as sedas sobre seu seio e a manteve contra ela. “Mostre-me como, amor. Me mostre o que te dá prazer...” Lhe deu um apertão a seu seio e logo moveu sua mão, atirando da seda junto com ela. As dobras de tecido escura caíram dela, emoldurando a palidez de seus seios com um sulco de escuridão. “Eu… eu…” gaguejou ela, claramente insegura sobre o que fazer. “Te toque Charlie. Me deixe ver como você gosta, me mostre como te dar prazer.” Ele se inclinou um pouco para trás e tirou sua bata, deixando que o lençol se deslizasse para cima e por sobre seus joelhos nus. Roçou a pele dela com sua coxa nua. Ela gemeu ao sentir o contato. “Está tudo bem, Charlie. Adiante, te toque. Ninguém mais que eu pode verte. Quero te olhar, doçura. É excitante. Eu adoro te olhar, sua suavidade, sabendo que é toda para mim...” Charlie passou a língua pelos lábios e baixou as pálpebras, enquanto sua mão estava suspensa tentativamente sobre um de seus seios nus. “Charlie… amor. Por mim, o faça por mim...” Sua voz a seduzia tanto como suas mãos e seus olhos e seus lábios o tivessem feito sobre seu corpo. Charlie se derretia debaixo do sedutor ataque de suas palavras. Sua mente vacilava, dava voltas e estava livre por uma vez das convenções, as preocupações, as inibições ou o protocolo. Sentia-se liberada, em paz e livre pela primeira vez em sua vida para deixar-se ser. Madame Charlie Sahara Kelly Era uma experiência embriagadora e saber que Jordan estava tão perto e tão preparado, adicionava um pouco mais de condimento à situação. Sentia-o, mais que vê-lo, recostado ao seu lado, levantando sua cabeça com um braço dobrado e tirando o tolo lençol, para poder descansar seu membro contra a coxa sedosa dela. Ela riu. Esse lençol era tão gracioso e de uma vez tão sensual. Ela quis passar a língua pelo talho até seu umbigo. Possivelmente o faria. Em um par de minutos. Agora mesmo ele estava esperando que ela se tocasse. Ai, Deus. Ela sob sua mão até seu seio dubitativamente e escutou que a seu lado alguém tomava ar. Esfregou a palma de sua mão contra o mamilo, fascinada porque em seguida se endureceu e se sobressaiu em seu seio. Seus quadris se moviam em resposta aos sinais sensuais que recebiam e ela se sobressaltou quando os dentes de Jordan mordiscaram brandamente seu ombro. “Agora o outro, não deve ter favoritos, Charlie.” Gracejou-a o homem a seu lado. “A ver, vamos desfazer-nos disto.” ele tirou a seda afastando dela por completo e deixou uma pilha de enrugada suavidade debaixo dela, ao tempo que despiu seu torso para seus olhos. Seu pênis estava quente contra ela, ardendo ao roçar sua pele. Ela pôde senti-la mover- se, ao estirar-se para acariciar seu outro seio. Outra vez, rodou sua palmabrandamente contra o mamilo, esfregando-o até chegar a seu excitado pico. “Você gosta disso, não? Esse movimento circular… assim...” Jordan imitou seus movimentos. A reticência natural de Charlie se desvaneceu e respondeu roucamente. “É diferente quando você o faz, Jordan. Suas mãos sobre mim, ah Deus, sentem-se como o paraíso mesmo.” “E minha língua, Charlie? Como se sente quando minha língua o faz?” Madame Charlie Sahara Kelly Ele se inclinou para frente e apertou seu peito quente contra sua pele nua, deixando que sua língua esfregasse firmemente os bicos protuberantes, que agora se avultavam sobre seu corpo. “Delicioso.” suspirou ela e se estirou até a nuca dele para apertá-lo contra ela, respirando-o a chupar e jogar, enquanto ela desfrutava do calor que se pulverizava por seu corpo. “Onde mais, Charlie? Me mostre outras partes que queira que te toque. Este é o momento para que me diga essas coisas. Me deixe conhecer seus segredos, seus desejos, suas fantasias.” Seus lábios sugavam e atiravam de um mamilo, estirando-o longe dela. “Me deixe fazê-los realidade a todos.” “Ah, Deus, só segue fazendo isso e o obterá.” suspirou ela, capaz de alguma maneira de sentir cada pequeno golpe de sua língua, enquanto banhava seus seios. “Um minuto, nos afrouxemos um pouco aqui, quer?” Com precisão militar, Jordan teve a saia dela desabotoada e desenrolada em menos de cinco segundos, e respirou profundo, quando caiu deixou suas calças à vista. “Ai, Deus. O que temos aqui?” Charlie deixou escapar uma risada. “São da Elizabeth. Sensuais, não? Mas ela diz que muito em breve todos estarão usando-os.” “Penso que pode ter razão.” disse Jordan, passando uma mão pelo suave tecido e separando-a onde se abria entre as pernas. Deslizou sua mão pela abertura e tomou seu monte na mão. Charlie gemeu encantada com a habilidade de sua mão, enquanto se esparramava por suas vísceras e através de sua carne até seu útero. “Isto é meu Charlie. Minha boceta. De ninguém mais. Nunca permitirei que ninguém veja ou toque. Logo que pus meu pênis dentro de ti, soube que estava feita para mim. Encaixamos tão bem, amor. E você fica tão quente comigo… sente seus sucos, Charlie?” Madame Charlie Sahara Kelly Sua mão fazia magia entre suas coxas, e Charlie gemeu, quando ele esparramou a umidade sobre sua sensível pele. Logo voltou a trazer a mão acima e esfregou a umidade contra seu seio. Inclinou a cabeça e chupou seu mel. “Deus Santo, Charlie, saboreia tão bem...” Charlie estava flutuando. Seu corpo se voltava mais leve que o ar ao seu redor, toda sua atenção em cada sensação que Jordan criava com sua língua e seus lábios e seu calor. Sua voz era a nuvem sobre a que estava recostada, suas mãos eram os instrumentos de sua paixão, e se perguntou se o Paraíso seria algo assim de maravilhoso. Esqueceu-se que Spencer e Elizabeth se estavam entretendo a escassos metros de onde estava. Para ela, o mundo se esgotou a este pequeno lugar, escondido detrás de um par de cadeiras grandes e ao lado da parede. Uma pequena e escura caverna onde um homem a estava levando a um ponto gélido de sensações que ela jamais acreditou possível. Estranhamente, não sentia nenhuma urgência por que ele se enterre dentro dela. Seu corpo choramingava por ele, mas sua mente estava satisfeita de deixá-lo ir passo a passo. De seguir cada um de seus movimentos e direções, e analisar, examinar e desfrutar de cada um deles. Seus seios se sentiam maravilhosos, inflamados e sensuais, vivos ante a mínima baforada de ar que criavam os movimentos de Jordan. Ela pôde sentir a calidez de sua própria língua movendo-se sobre seus lábios e atrevidamente lambeu o ombro de Jordan, quando ele se aproximou. Ele tinha um gosto levemente salgado e muito de Jordan. Seu gosto favorito. Cada pequeno pedacinho de sua consciência estava concentrado em seu próprio corpo e em suas respostas. E as coisas maravilhosas que Jordan o fazia. Sentiu como desatava as cintas que sustentavam suas calças em seu lugar, e foi quase um alívio, quando ele os tirou. Ela se retorceu livre de suas sedas e se esparramou nua, abrindo desenfreadamente as pernas como um convite. Uns ruídos de fricção e de queda, seguidos de um calor que queimava, indicaram-lhe que Jordan também estava nu. Estava apertado contra seu lado, esfregando-se contra ela, como um gato farejando seu território. Madame Charlie Sahara Kelly “Deus, que agradável é ao tato.” gemeu ele, deixando que seu membro pressionasse contra a carne dela. “Você também.” respondeu ela, estirando-se para tocar seu corpo, desejando tocá-lo, senti-lo, qualquer parte dele. “Agora, voltando para minha lição.” disse Jordan, retirando-se um pouco e provocando um suspiro de desilusão nos lábios dela. “Quer que te toque… aqui?” Jordan tinha tomado sua mão e a tinha posto sobre seu púbis. Apesar de seu estado incrivelmente depravado, Charlie igual sentiu que suas bochechas se ruborizavam e acaloravam. “Está bem, meu amor, me mostre. Quero verte, observar e aprender de ti. Sente o que provoca em mim quando o faz.” Ele aproximou a mão livre de Charlie ao flanco dela e enlaçou seus dedos ao redor de seu pênis. “Agora, segue, me mostre o que você gosta.” Charlie fez sua aposta lentamente, sentindo-se um pouco envergonhada, bastante sensual e muito excitada. Ela deslizou seus dedos por sua deliciosa vagina e os deixou separar os lábios debaixo deles. Ela podia sentir sua própria umidade, e a sensação do ar sobre sua pele quente e molhada a deixou sem fôlego. O pênis de Jordan saltou dentro dos limites dos dedos dela e esse movimento deu ao Charlie força para seguir. Realmente gostava de olhar. Ela se estirou um pouco mais abaixo e esparramou seus sucos, tal como Jordan o havia feito antes. Não estava segura do que fazer agora, mas deixou que seu corpo dirigisse suas ações. Uma sensação de que estava fazendo algo mal resmungava vagamente no fundo de sua mente, mas ela recordava escutar a suas moças falar de satisfazer-se a si mesmas. Só porque ela nunca o tinha feito, não queria dizer que estivesse proibido. Madame Charlie Sahara Kelly Sua mão buscadora encontrou certo lugar, um que a fez estremecer-se ao esfregá-lo. Estremeceu muito mais, quando a língua de Jordan empurrou sua mão a um lado e tomou seu lugar. “É esse um bom lugar? Justo aí...” Sua língua se lançou dentro de suas dobras, movendo-se e agitando-se contra seus clitóris. “Esse é seus clitóris, Charlie. Posso sentir como se endurece.” Sua língua seguiu movendo-se, e agora ele estava apoiado contra ela, mantendo-a quieta, enquanto seus quadris tratavam de desbancá-lo. Ela se aferrou a seu membro como se fora questão de vida ou morte, sentindo sua dureza dentro de seu agarre. “Jordan.” disse ela ofegando. “Não posso suportar isso, é… é...” “É o que, amor?” “É muito.” suspirou enquanto ele tirava sua boca. “Muito para fazê-lo aqui, isso é seguro…” murmurou Jordan. Seu calidez retrocedeu, mas antes que Charlie pudesse protestar, estava-a levantando, nua, em seus braços. Ele ficou de pé com ela obstinada, contra seu peito. “Necessitamos nossa própria habitação, doçura. Te agarre.” Com uns poucos passos largos, Jordan tinha cruzado a porta e o hall até seu estúdio. A porta se fechou detrás dele com um golpe e a travou. A única luz na habitaçãoera a do fogo, que ardia brilhantemente, deixando que Charlie visse seus olhos. As pupilas eram quase negras e uma gota de suor descia pelo flanco de sua cara. Ela pensou que nunca veria nada tão magnífico. Lentamente, Jordan a soltou, deixando que o corpo nu dela se deslizasse para baixo contra seu lençol. Tão logo como seus pés tocaram o chão, ele deixou cair o lençol por completo desde seus quadris, deixando a ambos nus. Ele deu volta e apertou suas costas contra a pesada porta de carvalho. “Deus, Charlie, quero te agarrar. Quero te agarrar até que não haja vida em nenhum de nós. Quero passar toda minha vida com meu pênis bem para dentro de sua doce concha. Não quero me separar de ti. Jamais.” Madame Charlie Sahara Kelly Charlie empurrou seus seios contra seu peito, tão desesperada como ele agora, pelo acoplamento. Ela se esfregou de lado a lado um pouco, fazendo que os pêlos dele raspassem um pouco seus mamilos. Charlie não pôde deter o gemido que escapou silenciosamente de sua garganta. Seu pênis apertava contra seu abdômen, ela ficou nas pontas do pé e usou os ombros de Jordan como apoio para estabilizar-se. “Levanta sua perna, carinho. Ponha detrás de mim.” Ela fez como lhe ordenou. As mãos de Jordan se deslizaram para baixo, tomaram seu traseiro e a levantaram, pondo-a em posição para seu pênis. “Não posso esperar mais para isto, Charlie. Me deixe te agarrar. Por favor, me agarre..” Jordan derrubou sua urgência em palavras que Charlie quase não podia seguir. Seu pênis empurrava, procurava e finalmente encontrou seu calor. A porta se sentia dura contra suas costas, e Jordan estava quente contra sua dianteira. Ela se sentiu no paraíso, quando ele a investiu, enchendo-a, completando-a, fazendo-a inteira. O ofego de prazer de Jordan foi imitado pelo grito de alegria dela. “Jordan.” gritou ela, incapaz de guardar-se suas emoções. “Jordan, siiimmm...” Ela estava flutuando realmente agora, com seu peso firmemente sustentado pelas mãos dele ao redor de seu traseiro. Ela levantou a outra perna e travou os tornozelos detrás dele. A posição dela, a deixava muito aberta a seu contato, e quando ele começou a mover-se, ela acreditou que morreria. Seu corpo açoitava seus clitóris e sua deliciosa vagina, enquanto seu ritmo aumentava, e a respiração dela ia e vinha em baforadas de soluços, com cada um de seus embates. Pareceu durar para sempre, uns momentos de prazer indescritível, nos que o pênis de Jordan se mergulhava e se retirava, levando-a ainda mais alto em um plano de prazer que parecia infinito. Jordan também parecia incansável. Seus movimentos eram fortes e apaixonados, e seus gemidos de prazer a excitavam ainda mais. Madame Charlie Sahara Kelly Ele baixou a cabeça para olhar como seu membro se deslizava dentro e fora de sua vagina, brilhando com a combinação de sucos e rígida de excitação. Ela olhou também, e lhe pareceu erótico e incrivelmente sensual. Este emparelhamento, este acoplamento, era à base de tantas coisas formosas entre duas pessoas. Ela se deu conta disso, em um momento de iluminação pessoal cegadora. Assim era como devia ser. Sem dor, sem irritação, sem medo, só duas pessoas amando e entregando seus corpos um ao outro, pelo simples e plano prazer disto. Jordan se retirou com um calafrio e levantou o olhar até a cara de Charlie. “Tenho que gozar agora.” disse em voz baixa. Suas palavras pareceram ressonar dentro do ventre de Charlie , porque todo seu corpo se esticou, esperando sua investida final. “Gozarei contigo.” Prometeu ela. “Sim, fará-o.” respondeu ele e acomodou o peso dela sobre uma mão e deslizou a outra entre os dois. Apertou seus clitóris abaixo, intensamente, enquanto a investia uma última vez. O traseiro de Charlie se endureceu em sua mão e pôde sentir como todo seu corpo se punha tenso e tremia. E para ambos, o mundo terminou em uma explosão de sensações e luz que pareceu continuar durante um número infinito de vidas. Ambos gritaram. Ambos se sacudiram com infinitos estremecimentos de prazer, enquanto seus corpos liberavam suas energias sexuais acumuladas. E logo, ambos se abraçaram fortemente, enquanto seus debilitados músculos os fizeram desabar-se sobre o tapete. Madame Charlie Sahara Kelly Capítulo Dezoito Eles estavam esparramados na poltrona do estúdio dele. Jordan não podia recordar por nada no mundo, como tinham chegado ali, sua mente ficou em branco depois de um orgasmo que superava a todos os orgasmos. Mas ali estavam quentinhos e aconchegados juntos, debaixo de uma das mantas suaves que gostava de ter aqui, para as noites frias. O traseiro de Charlie estava pego contra sua entre perna, e a sensação lhe pareceu encantadora. E incrivelmente excitante. Seu membro se agitou, quando o relógio deu duas horas. Sentia-se com a mente limpa, maravilhosamente, satisfeito e luxurioso ao mesmo tempo. Ele sorriu. Isto verdadeiramente devia ser o céu. Se não o era, chegava perto. Charlie se moveu em seus braços, gemendo um pouco e apertando-se contra ele. “Mmm, Jordan.” murmurou ela, enquanto ele a mantinha perto e tomava um seio com sua mão. “Mmm, Charlie.” replicou ele, lhe lambendo a orelha. “Mais, Jordan…“ murmurou, dando-se volta para ele e abrindo os olhos. “Mais?” “Ah, sim. Tenho que me pôr em dia por toda a vida. Mais, Jordan.” Ele não era de rejeitar o pedido de uma dama, e Jordan a beijou, larga e intensamente, surpreendendo-se a si mesmo pela rapidez de sua nova ereção. Não tinha passado mais de uma hora, desde que a tinha pego até voltar-se estúpido, e agora ele a queria de novo. “Que desejas Charlie?” “Desejo a ti, Jordan. Dentro de mim, sobre mim, em todos os lados, em qualquer lado…” sussurrou ela, contra os lábios dele. “Quero-o inteiro.” Isso era algo difícil. Madame Charlie Sahara Kelly Ela se voltava mais escorregadia a cada segundo, enquanto o lábio dele mordiscava o dela e suas mãos passeavam acariciando seu corpo. Ele a aproximou, juntando a parte de abaixo de seus corpos e tomou suas nádegas com as mãos. Ela acomodou seu traseiro entre suas mãos e gemeu quando seus dedos separaram levemente suas nádegas. “Deus, Jordan, isso se sente bem.” disse ela, empurrando-se ainda, mas entre suas mãos. “Vire-se, meu amor.” disse Jordan, alcançando um travesseiro e acomodou debaixo dos quadris dela. Ela meneou o traseiro provocativamente. “Abre suas pernas um pouco.” ordenou-lhe ele, deslizando-se entre elas e passando seu pênis para cima por sua abertura e de volta para sua vagina. Ela gemeu. “Deus, isso é maravilhoso.” Seus quadris se retorceram. Jordan passou a mão por debaixo dela e recolheu seu mel, deslizando-o para cima e ao redor, entre suas nádegas e especialmente ao redor de seu anel de estreitos músculos anais. “Não te machucarei, amor, de acordo?” “Você nunca poderia me machucar, Jordan.” respondeu ela, abrindo suas pernas ainda mais. Jordan ficava mais duro a cada segundo. Ela parecia querer isto, conhecer sua intrusão nesse lugar escuro e secreto. Ser tocada onde nunca ninguém a havia enlouquecido jamais. Ele continuou esparramando seu fluido escorregadio, escutando seus gemidos e cheirando sua fragrância de mulher, enquanto ela empapava sua mão, o travesseiro e seu pênis. Quando não pôde umedecê-la mais,levantou-se um pouco e tocou seu ânus com a ponta de seu pênis. Uma gota de seu próprio leite se deslizou dele e adicionou ao estado escorregadio dela. Ela suspirou de prazer. “Só te relaxe para mim, querida minha.” disse ele, perguntando-se se ela saberia que esta era a primeira vez para ele, também. “Te deixe levar, somente me sinta aqui, empurrando contra ti.” Madame Charlie Sahara Kelly Ele substituiu seu membro por seus dedos, sabendo que mergulhar-se nela a machucaria. Essa não era sua meta. Brandamente, permitiu que um dedo pressionasse através de seus músculos e dentro de seu corpo. Ela se sobressaltou e suspirou, quando ele se acomodou dentro. Logo adicionou outro dedo, que estirou, moveu um pouquinho e a levou a aceitá-lo. Ele deslizou sua outra mão por debaixo dela e excitou seus clitóris, deixando que os movimentos paralelos de seus dedos, aumentassem sua excitação. Ela ofegou e gemeu e se lançou contra suas mãos, exigindo, necessitando, desejando tudo o que ele tinha para dar. Os músculos dela eram tão estreitos ao redor de seus dedos, que Jordan se deu conta de que não se animava a penetrá-la por ali. Este era um momento para o prazer delicioso, não para uma lembrança de dor. Ela tinha tido suficiente disso. Ele reacomodou um pouco sua posição. Com uma mão ainda excitando seu ânus e a outra jogando com seus clitóris, deslizou seu pênis cuidadosamente dentro do calor ardente de sua vagina, enchendo-a virtualmente de todas as maneiras que conhecia. O traseiro dela apertava contra ele, e suas bolas tocavam a parte de atrás das coxas dela. Ela gemeu de prazer. Ela deslizou sua própria mão por debaixo de si, enquanto se tocava os mamilos e aumentava desavergonhadamente suas próprias sensações jogando, atirando e apertando-os. Jordan se sacudiu com sua própria quentura. Vê-la assim, vulnerável, exposta, quente, sem esconder nada de suas respostas a cada coisa que o fazia, foi o momento mais erótico que podia recordar. Nenhuma mulher antes tinha gerado este tipo de emoções em sua mente, seu coração ou suas vísceras. Nem tampouco, mulher alguma tinha usado seu corpo para lhe expressar seus sentimentos como Charlie o fazia nesse momento. Madame Charlie Sahara Kelly Os sons e os movimentos de lhe diziam quanto amava a sensação de seus dedos dentro dela, seu membro nela e suas bolas golpeando forte contra sua carne. Ele moveu seus dedos mais profundamente dentro de seu ânus, escutou-a gemer e quase sentiu seu próprio pênis, enquanto investia dentro de sua vagina. Sua mente vacilava, enquanto seu orgasmo se aproximava, e todo o corpo de Charlie se esticou preparando-se para seu sêmen. “Agora, Charlie, agora…” gritou ele, atirando sua cabeça para trás e bombeando dentro dela tão duro, que deveria lhe haver feito sair os olhos até a metade da habitação. O corpo dela se convulsionou, prendendo-se e liberando, prendendo-se e liberando, e levando-o mais e mais alto. Cada músculo debaixo da cintura dela se aferrava a qualquer parte do corpo dele que pudesse. Ele supôs que teria hematomas nos dedos e no pênis, quando isto terminasse, mas por Deus que valia a pena. Ele se sacudiu e tremeu e finalmente seu membro liberou seu sêmen, ejaculando jorros quentes dentro do corpo de Charlie, em uma corrente interminável. Enchendo-a com a vida dele. Seu futuro. Sua alma. Ele soluçou e sentiu que uma lágrima se derramava por sua cara. Deus Bendito poderia sobreviver toda uma vida fazendo amor assim? Mas, o mais importante, como poderia sobreviver sem fazê-lo? Estava amanhecendo. Charlie podia senti-lo, mesmo que a luz ainda não se havia filtrado através das grosas cortinas, que protegiam as janelas do estúdio de Jordan. O homem ao seu lado dormia um sonho profundo e tranqüilo. Exausto também, possivelmente, Charlie sorriu para si. Tinha-a montado dura e maravilhosamente, lhe dando uma noite que ficaria como sua lembrança favorita pelo resto de sua vida. Ela se moveu com cuidado, perguntando-se como tinha sobrevivido seu corpo. Madame Charlie Sahara Kelly Reduzindo a pressão sobre o sofá, fez uma careta, quando sentiu ferroadas em um par de lugares, mas em geral se sentia incrivelmente bem. Ela tinha a cabeça clara, alerta e um pouco rígida, mas surpreendentemente inteira. Ao dar-se volta, atirou brandamente o grosso cobertor sobre os ombros de Jordan. Ele farejou e afundou sua cara no travesseiro. Charlie agarrou outra malha, envolveu-se nela e saiu sigilosamente da habitação. Precisava lavar-se, vestir-se e possivelmente encontrar um pouco de roupa para Elizabeth e Spencer. Em qualquer lugar que estivessem. Se sua noite foi um pouco parecida com a de Charlie, aqueles dois poderiam estar ainda agora de barriga para baixo sobre a elegante escadaria. Ou acima dos estábulos. Com o entusiasmo de Elizabeth e a evidente habilidade de Spencer, o céu era o limite para eles, possivelmente. Charlie voltou a sorrir, sentindo-se extraordinariamente feliz. O vestíbulo estava deserto e os corredores vazios, e ela estava em seu quarto em poucos segundos. A água na jarra estava fria, mas refrescante, e se sentiu bastante recomposta quando se lavou. Suas mãos se detiveram ao passar um trapo por sua vagina. Suas bochechas se ruborizaram ao recordar algumas das coisas que tinha feito e lhe tinha deixado fazer Jordan. Deixado fazer? Já, soprou para si. Ela o tinha animado em cada passo que o deu. Ela sabia sem lugar a dúvidas que estava perdidamente apaixonada por Jordan Lyndhurst, o Sétimo Conde de Calverton. O que não sabia era o que ia fazer exatamente a respeito. Suspirou, enquanto se deslizava dentro da regata e amarrava seu negligé bem apertado. Algo teria que fazer a respeito, mas possivelmente roubaria outro dia de prazer, antes de ter que enfrentar o tema. Antes de ter que lhe revelar a verdade finalmente sobre sua identidade. Ela tinha medo de que uma vez que o tivesse feito, seu idílio terminasse. Todo o que ficaria seriam suas lembranças. Madame Charlie Sahara Kelly Rogou poder encher este dia com alguns mais. Com um molho de roupas, saiu da habitação e começou a caminhar pelo corredor, para ser detida repentinamente, pela imagem de uma figura que saía das habitações de Jordan. Arthur, possivelmente? Não, movia-se muito sigilosamente pelo corredor em sombras, quase como se ele mesmo fosse uma sombra. Logo o cheirou. Fumaça. Por um espantoso segundo, congelou-se, paralisada pelo aroma, os sons e os lembranças do primeiro incêndio que tinha experiente ali voltando a alagar sua consciência. Gemeu e girou para fugir, em direção à escada, rogando que suas pernas a mantiveram em pé. Chegou ao primeiro degrau e sentiu uma mão que puxava seu negligé e a fazia deter-se. Finalmente encontrou seus pulmões e gritou tão alto como pôde. “Jordan… FOGO!” Uma voz detrás dela vaiou em seu ouvido, enquanto a atiravam contra o revestimento áspero. “Maldita cadela. Por que alguma vez, não está onde se supõe que esteja?” Ela lutou contra o homem que a agarrava, deixando cair à roupa sobre os degraus e retorcendo-se e puxando, fazendo o melhor que podia para lhe dar um tapa ou uma cotovelada a seu agressor. Atirou a cabeça para trás e a golpeou com força contra seu queixo, lhe tirando um surpreso grito e enviando estrelas a sua visão.“Isso, puta...” Sentiu um sólido golpe cortante detrás de sua orelha e viu que as escadas se elevavam perto dela. Deu um passo e seu pé se obstruiu no matagal de roupas que tinha caído ao redor dela. Escorregou-se e caiu, girando, tropeçando, golpeando-se contra o tapete Aubusson e finalmente contra o piso de mármore do vestíbulo. Madame Charlie Sahara Kelly Alguém gritava seu nome, mas não podia escutar bem… logo todo se obscureceu. Jordan sentiu que todo seu mundo terminava. Estava parado, virtualmente nu, em seu próprio vestíbulo, vendo como Charlie baixava a escada aos tombos para aterrissar feita um bolo sobre o frio piso de mármore. E seguindo-a havia um homem com uma pistola grande. Antes que Jordan pudesse fazer muito mais que gritar seu nome, o homem estava em cima dela, apontando a arma a sua cabeça. Charlie não se movia. Jordan sentiu que lhe parou o coração no peito e levantou os olhos para ver o homem parado sobre ela. Um filme vermelho nublou sua visão por um instante. “Quem diabos é você?” Uma risada aguda foi à resposta. “Não quereria sabê-lo?” Do outro lado do vestíbulo, abriu-se uma porta e Spencer entrou abruptamente, seguido de Elizabeth. Aos poucos segundos, Elizabeth tinha sido empurrada outra vez pela porta e Spencer estava parado sozinho, alerta, preparado para uma palavra ou ação de Jordan. Ambos os homens estavam tão nus como se pode estar quando leva posta só uma manta, e nenhum estava armado. Jordan se sentiu completamente necessitado e furioso, e assustado até a medula. Charlie ainda não se movia. Seu coração golpeava como louco. Negava-se a acreditar que ela estivesse outra coisa que inconsciente. “O que está passando, Jordan?” Perguntou Spencer em voz baixa. “Não sei. Este homem empurrou Charlie pelas escadas. Estou tratando de averiguar por que.” Madame Charlie Sahara Kelly “Charlie? Ah, esse é seu nome agora, não?” O homem agitou o revólver, logo o voltou a apontar à mulher entre suas pernas. “Eu gostava mais de Charlotte. Em realidade eu gostava de Lady Charlotte. Colocar meu pau em sua boceta era muito mais excitante.” Nesse instante as engrenagens na mente de Jordan fizeram um clique para acomodar-se e soube quem era o homem. “Então você era o valete de seu finado esposo, não? Que ia ajudar para que continuasse sua linhagem?” Jordan tratava de tirar a atenção do homem de Charlie e Spencer e concentrá-la sobre si. Ele sabia que se lhe jogava uma pequena olhada, isso permitiria ao Spence mover-se um pouco e um pouco mais, até que ambos estivessem em uma posição onde tivessem uma oportunidade contra ele. Não funcionou. O homem permaneceu com o olhar fixo em Charlie. Sua arma fazia o mesmo. “Ah, sim, esse era eu. E você deveria estar estreitando minha mão e me agradecendo por ter falhado, ou não, meu Senhor? A ênfase posta nas duas últimas palavras escapou a Jordan. Sua atenção se dividia em várias direções diferentes, procurando soluções, descartando idéias, trabalhando furiosamente para planejar sua resposta. “Ela tem um corpinho quente, não, meu Senhor? Realmente, eu gostei de agarrar isso. Uma lástima que gritasse tanto. Ocasionalmente, ele me deixava amordaçá-la, mas a maioria das vezes gostava de escutar os gritos.“ Ele a empurrou com seu dedo do pé, fazendo que o sangue de Jordan fervesse. Mas, como um soldado perito que era, sabia que sua irritação só nublaria seu julgamento. Com um grande esforço se sentou sobre sua fúria e respirou ao homem que lhe falava. Possivelmente essa era a forma de distraí-lo. “É obvio que ela era um pouco pálida e amarela, todo esse cabelo. Mais que nada nós gostávamos de escuras e fogosas como essa Maria. Essa sim que era uma pequena e quente Madame Charlie Sahara Kelly corrupção para nosso prazer. Ela podia chupar um atiçador e lhe tirar o banho de bronze, ela podia fazê-lo. Fazia que o patrão estivesse tudo preparado e excitado, mas o perdia antes que pudesse meter-lhe nesta.” Charlie gemeu levemente, e Jordan sentiu que a vida voltava a alagar seu corpo. Estava viva. Podia estar muito machucada, mas estava viva. “Como te chama?” “Como me chamo? Bom, demônios, meu Senhor, você deveria estar perguntando o nome dela”. O homem riu de novo. Sua arma nunca se moveu nenhuma polegada e ainda apontava direito à cabeça de Charlie. “Ainda é uma maldita moléstia, também, isso é o que ela é. Nunca está onde se supõe que deve estar.” Jordan franziu o cenho. “Não entendo.” Spencer se moveu uma polegada mais ou menos para um lado. “Eu nem me incomodaria, senhor. Meu dedo sobre este gatilho pode esparramar seu cérebro por todo este piso de mármore novo, muito antes que você me alcance. E aí é onde estará minha satisfação, o verá.” Seus olhos brilhavam loucamente, enquanto olhava aos homens e outra vez a Charlie. Jordan meneou a cabeça levemente a Spence, lhe fazendo saber que não piorasse a situação. Obviamente, este homem tinha algo que queria descarregar de seu peito. “Você planeja matá-la, verdade?” Disse Jordan com calma. “Ah, sim. Já tratei que fazê-lo antes, sabe? Mas saiu tudo mal.” Pestanejou por um momento, para esclarecer sua visão. Jordan tomou ar, mas a cabeça do homem voltou a levantar-se, antes que se pudesse mover. “Eu queria muito a esse velho. Era como um pai para mim. Ensinou-me coisas. Como a ler e escrever, e me deixava compartilhar seus prazeres. Não foi sua culpa ser velho e morrer no sulco, como dizem. Só queria um herdeiro. E ele me tinha dado tanto, era minha obrigação moral ajudá-lo. Foi culpa dela...” Sua voz se endureceu e sacudiu a mão. Madame Charlie Sahara Kelly A respiração de Jordan abandonou seu corpo, ao observar que o dedo do homem tremia sobre o gatilho. “Quando via que não ia funcionar, pensamos que era hora de desfazer-se dela. Ou ao menos, eu o pensei. Sabia que ele ia levá-la a sua cama essa noite, e sempre ia por seu brandy, justo antes de agarrá-la. Então soube que havia um incêndio quando ela estivesse sozinha, ele ficaria desvinculado. Seria livre. Podíamos tentar de novo...” As lágrimas rodavam pela cara do homem, enquanto Jordan e Spencer escutavam sua horrível historia. Charlie ainda estava debaixo dele, mas Jordan tinha estado lhe jogando o olho e podia ter jurado que a viu mover-se um pouco. “Mas ela não estava ali. Demônios, ela não estava ali. Ele tinha se esquecido, meu patrão, o que íamos fazer essa noite. Levou a Maria, em troca. Eu não sabia. Acendi o fogo no armário dele. Não quis matá-los. Eu o queria. Foi culpa dela.” Esta vez chutou ao Charlie, que grunhiu quando sua bota lhe pegou nas costelas. “Dela. Toda dela. Você pergunta quem sou eu, bom, eu sou Johnny Dobbs. E posso-lhe dizer quem é ela, meu Senhor. Esta cadela, em que você esteve colocando seu membro toda à noite, é a Senhora Charlotte Calverton. A Condessa de Calverton, a viúva do título.” Olhou ao Jordan, sorrindo como um louco através das lágrimas que rodavam por suas bochechas. “Gracioso, não é assim? Esteve-se agarrando à viúva de Philip Calverton!” De repente se escutou um forte ruído e a expressão no rosto de Dobbs trocou a uma de surpresa. Olhou-se a si mesmo para baixo e pareceu surpreso ao ver um pequeno círculo de sangre sobre seu peito. Fazia-se maior. Olhou para cima a Jordan e agitou a mão. “Tudo culpa dela...“Caminhou cambaleando-se e Charlie rodou afastando-se imediatamente, movendo-se como um borrão pelo piso. Dobbs tropeçou, caindo sobre um joelho. Com outro olhar atônito a Jordan, caiu para diante, sobre sua cara e jazeu quieto. O sangue se juntou debaixo dele, de cor escarlate brilhante contra o mármore negro e branco. Madame Charlie Sahara Kelly Jordan o ignorou e correu para Charlie, caiu de joelhos ao seu lado e a agarrou contra seu peito. Aferrou-se mais fortemente a ela, do que se agarrou algo em toda sua vida. Ela gemeu e levantou uma mão até sua cabeça. “Está viva, Charlie, Deus, está viva.” Jordan Lyndhurst manteve a sua mulher contra seu coração e fez algo que nunca em sua vida tinha feito. Soluçou. Madame Charlie Sahara Kelly Capítulo Dezenove O pandemônio que se estalou no vestíbulo, seguia sendo como um borrão para Charlie. Doíam-lhe as costelas e tinha uma terrível dor de cabeça, por isso só era vagamente consciente de que Spencer saiu correndo para a parte traseira do vestíbulo e atirou de uma Elizabeth nua para a tirar das sombras. Uma muito nua Elizabeth que levava uma grande pistola de duelo. Parecia que não tinha perdido tempo e correu pelas janelas da pequena sala e se meteu na biblioteca de Jordan, onde a intrépida mulher, ainda completamente nua, preparou e carregou uma das valiosas pistolas de duelo, que tinha exibidas ali em uma vitrine. Para o assombro de todos eles, ela voltou sigilosamente para vestíbulo sem ser vista e disparou tranqüilamente ao Dobbs pelas costas. Quando Spencer a trouxe para diante e a cobriu com uma das batas que havia agarrado das escadas, ela tropeçou e caiu sobre ele, enquanto ia para Charlie. “Meu deus, Charlie, está bem?” Perguntou Elizabeth. Charlie recordava que conseguiu sorrir fracamente do cerco dos braços de Jordan. “Graças a ti, Elizabeth, graças a ti.” sussurrou ela. Jordan não podia falar só a abraçava forte e secava suas lágrimas sobre o cabelo dela. Spence foi revisar ao Dobbs. “Está morto.” Elizabeth empalideceu e se deu volta, e em seguida vomitou. Nesse momento, um grito alertou a todos sobre a fumaça no corredor de acima, mas Charlie recordava pouco mais desde que Jordan a levantou do chão e a levou longe do ruído. Desmaiou outra vez em seus braços. Isso tinha passado há várias horas atrás. Agora o fogo tinha sido extinto e os danos foram mínimos, Elizabeth estava metida em sua cama, com o Spencer fazendo guarda sobre ela, como um agressivo cão guardião e ela mesma tinha sido banhada, vestida e sentada no estúdio de Jordan. Madame Charlie Sahara Kelly Sobre o mesmo sofá, onde tinham compartilhado tanta paixão não mais de doze horas atrás. Ela tinha superado seus argumentos, brigado contra suas ordens e ignorado suas exigências. Sua dor de cabeça tinha diminuído a um apagado pulsado, suas costelas lhe doíam um pouco e tinha alguns hematomas para mostrar por sua queda, mas em geral era notavelmente afortunada por estar inteira. O que realmente lhe doía era seu coração. A verdade tinha saído à luz da pior maneira possível. Agora Jordan Lyndhurst sabia quem era e tinha chegado o momento deles se separassem. Não podia haver outro curso de ação. Jordan entrou silenciosamente à habitação e se sentou detrás de seu escritório. Charlie apreciou o gesto. Manter a distância entre eles faria mais fácil esta conversa difícil. “Está bem?” Sua voz era calma e não mostrava nada da emoção que havia deixado sair quando a abraçou forte mais cedo. “Sim, obrigado. Tenho alguns golpes e hematomas, esse tipo de coisas. Realmente tive muita sorte.” “Graças a Elizabeth. Verdadeiramente, é uma jovem muito intrépida.” A boca de Jordan se torceu formando um sorriso. Charlie não pôde evitar lhe sorrir também. “Sim o é, realmente. Eu queria me dar uma volta e vê-la, mas Sir Spencer está rondando o corredor e proibindo a todos absolutamente que incomodem seu descanso.” “É um oficial severo e possessivo no que a ela concerne. Duvido que ela tenha a oportunidade de voltar a fazer tiro ao alvo nua, se o deixam opinar. Charlie empalideceu ante suas palavras, porque lhe voltaram a trazer as lembranças à mente. “Charlie, devemos falar.” Madame Charlie Sahara Kelly “Sei. Me deixe começar, por favor, e te dizer que lamento que tenha descoberto quem era eu era, dessa forma tão terrível.” Ela baixou a vista para sua saia e se deu conta de que tinha entrelaçado seus dedos fortemente. Fez força para separá-los e lutou por manter o controle. “Por que não me disse isso?” “Te dizer? Como podia ter feito isso, Jordan? Supunha-se que eu estava morta. O mundo acreditava que Philip Calverton e sua nova esposa tinham morrido essa noite. Sendo eu a jovem esposa. Não queria ter nada mais que ver com o nome de Calverton.” “Nem sequer comigo?” “Especialmente contigo. Você foi uma verdadeira ameaça para meus segredos. Logo quando nos uniu o destino...” “E encontramos a paixão juntos.” “Sim.” ela tragou e não pôde olhá-lo aos olhos, “Quando isso aconteceu, estava em um verdadeiro enredo.” Parou-se e caminhou nervosamente pela habitação. “Uma coisa era que tivesse um romance com… com uma Madame de um bordel. E outra coisa era que tivesse um romance com a esposa de seu… o que fora. A Condessa de Calverton, viúva do título, dormindo com o atual Conde? Pode imaginar o que faria o povo com esse sanduíche de informação? Seria sua ruína, Jordan.” Olhou pela janela, cegamente, sem ver a luz do sol, que banhava os verdes prados. “Haveria-lhe isso dito. Em algum momento, haveria-lhe isso dito. Não foi porque não confiasse em ti que não lhe disse isso antes. Jamais pense isso. Foi por que...” “Por quê?” “Porque eu estava… eu estava feliz. Pela primeira vez em minha vida tinha encontrado a alguém que me fazia feliz de tantas maneiras que nem sequer posso começar as contar. E eu queria mais. Queria mais dias de prazer, de felicidade. Algo que me mantivera quente e pudesse recordar, quando fosse velha e grisalha. Então relaxei em lhe dizer isso, Jordan. Mesmo que nos trouxe aqui, não lhe pude dizer isso Não estavam os criados de antes, tudo era novo. Não tinha idéia de que Dobbs ainda trabalhava nos estábulos, aguardando o momento. E você alguma vez soube seu nome, verdade?” Madame Charlie Sahara Kelly Suspirando, Jordan meneou a cabeça. “Não. Se o tivesse sabido, possivelmente algo houvesse feito o clique antes desta manhã, mas não o fez.” “De uma coisa me alegro, entretanto.” Ela se deu volta para olhar a Jordan e se apoiou contra o batente da janela. “Ao menos sei que eu não matei a Philip Calverton.” Jordan franziu o cenho. “É obvio que não o fez. Foi o fogo. Não há dúvida disso...” Charlie fechou os olhos para não ver o amor que brilhava em seu olhar. Não podia permitir o luxo de desfrutá-lo. A dor ao ir-se seria muito grande. “Fui a sua habitação essa noite, Jordan. Eu sabia que ele queria voltar a tentar e eu não tinha vontade. Então tomei muito tempo. Até enviei a Maria uma mensagem, supostamente do Philip. Esperava que se ela estivesse ali, não me quereriam. Mas sim o fizeram. E quando cheguei ali, ela estava…ela estava bem, digamos que estava agradando-o. E me revolveu o estômago e fiz cair uma vela ao sair correndo a procurar de um urinol.” Ela abriu os olhos de novo, sem dar-se conta de que a dor de anos estava refletida em suas profundidades cinza, à vista de Jordan. “Pensei que tinha sido minha vela que tinha começado o fogo, Jordan. Todos estes anos, vivi sabendo que provavelmente tinha matado a meu marido e a sua amante.” A mente de Jordan estava totalmente confundida. A mulher que amava mais que a vida, não era quem ele pensou que fosse, mas era em realidade a viúva de um parente muito longínquo. Apesar de que sua existência não lhe negava a herança, certamente complicava-a. Seu coração se compadeceu de Charlie, quando ela revelou seus temores mais profundos. Como terá sido viver com tanta culpa? Certamente, explicava seu comportamento majestoso e inalcançável, e seu rígido autocontrole. “Matty estava aqui então, não?” Perguntou ele, mais por ter algo que dizer que pela necessidade de saber. Madame Charlie Sahara Kelly “Sim. Ela conseguiu me tirar, quando nos demos conta que Calverton estava se incendiando. Era uma casa mal cuidada, Jordan. Havia muitas coisas em mal estado e se queimou como uma gaveta de maçãs. Um pedaço de madeira ardente caiu sobre Matty enquanto íamos, e isso é o que lhe deixou as cicatrizes. Apesar disso, ela pegou...” “Pegou o que, Charlie? “Ela sempre dizia que eu era muito boa para Calverton.” Charlie tentou fazer um pequeno sorriso. “Ela dizia que eu devia haver me casado com um bom homem e ter muitos meninos. Então enquanto corríamos do incêndio, ela agarrou um par de jóias que eu havia trazido comigo. E graças a sua previsão, tivemos suficiente para comprar a Crescent.” “Comprar a Crescent? Não a herdou?” “Não. Pertencia à prima de Matty. Eu queria que fosse de Matty, mas ela disse que não, que preferia ficar como estava. Eu não queria que ninguém soubesse onde estava ou quem era, então durante um tempo me vesti de moço. Era simplesmente Charlie, o mensageiro da Crescent. Em realidade, foi divertido.” Jordan a olhou como se estivesse descobrindo suas características outra vez. Como poderia lhe fazer entender? “Não sei se posso explicar que maravilhoso foi ser livre, Jordan. Livre de um matrimônio que era mais uma tortura que outra coisa, mas também livre de qualquer uma das restrições que a sociedade impõe à mulher. Como Charlie, podia ir a qualquer lado, fazer algo, dizer algo e aprender o que quisesse. Esse tipo de liberdade é o que era tão atrativo.” Ela suspirou e voltou a caminhar. “Pude caminhar pela cidade sem ser notada. Pude ir à Bolsa de Comércio e satisfazer meu interesse nos negócios. Os cavalheiros sempre estão dispostos a demonstrar seus conhecimentos a um moço jovem e prometedor. Se tivesse ido como mulher, me teriam dado chá e acompanhado até a porta.” Jordan assentiu em silêncio. “Pude conhecer as moças também. Ah, elas adivinharam meu segredo, mas se deram conta de que não tinha outra opção. Elas não sabiam quem era eu, é obvio só que estava me escondendo e estava tratando de ser útil. Tomei o dinheiro que obtivemos por minhas jóias e Madame Charlie Sahara Kelly comecei a investi-lo. Resultou ser que tinha talento para os investimentos, porque para quando Anne adoeceu e soubemos que a Crescent estava em venda, tinha mais que suficiente para comprá-la. Acredito que ela esteve feliz de deixá-la ir, sabendo que eu a teria.” “E você começou a melhorar a vida de todas as moças que trabalhavam para ti.” Charlie se sobressaltou um pouco ante suas palavras. “Você estiveste fazendo investigações.” “Certamente.” Ela se encolheu de ombros. “Alguém tinha que começar. Eu só sabia que nenhuma de minhas moças sofreria jamais o que eu sofri, se eu podia evitá-lo. Não era muito, mas me ajudava a dormir melhor.” “E agora?” Ali estava. A grande pergunta. Flutuando entre eles, como uma nuvem de vapor em um dia de inverno em Londres. “Agora? Agora não sei o que fazer.” Jordan ficou de pé e se aproximou dela. Charlie se moveu para trás, não o queria perto dela. Não queria saber ainda a dor que ia lhe ocasionar deixá-lo. “Posso fazer uma sugestão?” “Não.” “Não?” “Não, Jordan, isto... isto o que seja que tivemos entre nós. Deve terminar. Aqui e agora.” Fez-se um silêncio, enquanto Jordan a olhava, jogando com uma pluma de um jogo sobre seu escritório. Ela não podia olhá-lo aos olhos. “Por quê?” Sua pergunta ricocheteou contra as prateleiras de livros. “Porque não sente nada por mim?” Ela soprou. “Não seja estúpido. Isso não tem nada que ver com isto.” Deu-lhe as costas e perdeu o sorriso que acendeu em sua face. Madame Charlie Sahara Kelly Charlie continuou, com o mesmo tom de voz, retorcendo ambas as mãos juntas. “Unicamente tem que haver com os quais somos. E temos que enfrentar ser quem somos. Sem mais segredos. Não para nós, ao menos.” Ela se deu volta e recompôs sua dignidade, voltando a ser a impenetrável e elegante mulher da Crescent. “Eu era a Condessa de Calverton, casada e viúva de Philip, o Sexto Conde, e seu… o que fora que era. Quinto primo. Ou algo assim.” Ela fez um gesto com a mão desprezando os detalhes molestos. “Também sou Madame Charlie, dona e proprietária da Crescent, uma casa de prazer. Você é o Coronel Jordan Lyndhurst, herói de guerra e agora o Sétimo Conde de Calverton. Qualquer futuro para nós dois é impossível.” “Impossível?” “Sim. Completamente. Acabaria-te socialmente se soubessem que dorme com a viúva de seu predecessor. Também poderia te arruinar socialmente se soubessem de sua relação com Madame Charlie. Embora nem tanto. Por alguma razão, o povo toma essas questões menos seriamente.” Ela fez uma pausa para tomar ar. “Embora meu negócio provavelmente se beneficiasse, se soubesse de nossa relação, só seria porque os homens fariam fila para tomar seu lugar, uma vez que nosso vinculo terminasse. Não permitirei isso.” A mandíbula de Jordan se endureceu ante suas palavras e a pluma entre seus dedos se partiu em duas. “Vejo que também te desagradaria.” adicionou ela com ironia. “Em conseqüência, devo ir, Jordan. Devo fazer os acertos para voltar para a Crescent em pouco tempo, tão logo como meus pertences estejam empacotadas. Quanto antes vá, antes poderá esclarecer este assunto com o Dobbs. As autoridades quererão uma explicação por sua morte, mas estou segura de que você e Sir Spencer poderão manter a Elizabeth fora disto e satisfazer a todos os envoltos.” Madame Charlie Sahara Kelly Ela cruzou a porta, tratando de manter sua cabeça em alto e suas lágrimas baixo controle. Não podia, entretanto, olhar a Jordan. “Devo te agradecer por sua completa e incrível devoção por me proteger. Disse que me manteria a salvo e o fez. Por isso, devo-te mais do que poderia te devolver. O melhor que posso fazer por ti agora é te deixar, e te pedir que me perdoe. Seu futuro e o meu vão por caminhos diferentes.” Ela se arriscou a olhá-lo, quando soou um golpe sobre a porta. Arthur colocou a cabeça silenciosamente. “Desculpe Senhor. A carruagem da senhorita Charlotte está preparado.” Jordan assentiu e Arthur se retirou. “Charlie.” A voz dele a deteve em seu caminho. “Amo-te.” A ela lhe escapou um soluço de sua garganta. “Não o faça, Jordan. Pelo amor de Deus,não faça isto mais difícil.” Ela fechou os olhos quando os alagaram de lágrimas. “Por que não? Está-me deixando. Eu não quero que vá por uns motivos estúpidos, de aparências ou de reputação.” “Não são estúpidos e você sabe. Não tenho outra opção. Você acredita que eu quero te deixar?” “Não sei Charlie. O que quer você?” Ali estava a pergunta lhe exasperando, que tinha feito a Elizabeth várias vezes. Ela reuniu cada grama de coragem que tinha à mão e cruzou a habitação até Jordan, com a cabeça em alto e as lágrimas controladas, por pura força de vontade. “O que eu quero é que você seja feliz, Jordan. O que quero é que você saiba que há feito uma pessoa nova em mim. Alguém que se livrou de muitos de seus pesares, alguém que deixou atrás seus fantasmas. Alguém que agora tem suficientes lembranças para que lhe durem toda a vida. E são bons, Jordan, graças a ti.” Ela estirou sua mão e roçou a bochecha dele, enquanto observava como seus olhos marrons cor xerez ardiam e lhe devorava a cara. Madame Charlie Sahara Kelly “Quero que saiba que nunca amei a ninguém antes que a ti, Jordan, e jamais amarei a ninguém outra vez. Por isso devo ir.” Ela se inclinou para diante e roçou seus lábios brandamente contra os dele. Girou e saiu da habitação, e em poucos instantes estava instalada em sua carruagem. “Adeus, senhorita Charlotte, que tenha uma boa viagem.” disse Arthur enquanto fechava a porta da carruagem. “Obrigado, Arthur. Foi um prazer conhecê-lo.” Arthur lhe sorriu amplamente. Ela supôs que ele estaria contente de vê-la ir-se. Os cavalos atiraram da carruagem e Charlie olhou pela janela. Esta vez não estava deixando atrás uma pilha de escombros ardentes. Estava deixando sua alma. Jordan se sentou em seu estúdio vazio e escutou como os cavalos se afastavam pelo caminho de pedras da Reserva de Caça Calverton e afastavam Charlie dele, levando-a a Londres. Seus lábios se apertaram ante o vazio que sentiu, não só na habitação, mas também em seu coração. Ele a queria. Ao lado dele agora, justo neste momento e pelo resto de suas vidas. De algum jeito tinha que fazê-lo realidade. Ela o tinha deixado por todos os motivos corretos e por muitos incorretos. A sociedade, ele sabia, rasgaria a ambos se seus vínculos familiares se faziam públicos. Embora não havia nenhum laço de sangue absolutamente entre eles, o mero sussurro sobre um pouco parecido ao incesto, acabaria com ambos. Ele fez uma careta ao recordar os rumores desagradavelmente titilantes que já circulavam sobre o Byron e sua irmã, logo do nascimento de sua filha o ano passado. Madame Charlie Sahara Kelly Ele não tinha desejos de que sua fama se dispersasse tanto como a do poeta, nem que sua própria reputação fora manchada pelo escândalo, mas o fato era que estava envolto em uma relação sexual com a viúva do Conde de que tinha herdado seu título. Ao povo não lhe importavam as relações. Eles simplesmente inventariam uma história própria, para que encaixasse com suas cínicas e fofoqueiras necessidades. Não, precisavam de medidas drásticas nesta situação e Jordan sabia que era o momento de tomar algumas decisões importantes, sobre o curso de sua vida. Uma vida que incluía Charlie. Ele nunca acreditou que uma mulher pudesse voltar-se tão importante para ele, para que toda sua existência tivesse que ser reorganizada por ela. E mesmo assim, não havia nenhuma dúvida em sua cabeça, de que ia fazer exatamente isso. Uma vida sem o Charlie era inimaginável. Até agora sentia a dor de sua partida. Ela foi- se dez minutos e ele se sentia sozinho. De uma forma nova e desagradável. Como se alguém levou um braço ou uma perna dela, por engano. A porta se abriu, interrompendo suas confusas meditações, e Arthur colocou a cabeça. “Você quererá que eu lhe empacote suas coisas, verdade?” Jordan suspirou. O homem era estranho às vezes. “Arthur, você será minha perdição. Poderia procurar o Spence e lhe pedir que me dedique cinco minutos? Ata-o e usa uma espada, se tiver que fazê-lo, para distraí-lo de Elizabeth, mas preciso lhe pedir conselhos. E volta você mesmo com ele. Necessito de umas idéias, que passem por sua brilhante mente também.” Arthur soprou. “Já era hora, se me perguntar.” Jordan levantou uma sobrancelha ante seu imutável valete. “Sério?” “Sim, sério. Estive-o observando, rondando em busca de sexo, durante quase dez anos, esperando que encontrasse a essa mulher que satisfizera mais que só a isso...” Arthur fez um gesto depreciativo com a mão, assinalando ao pênis de Jordan. “Parece que agora é o momento.” Jordan lhe sorriu. “Isso acredita, verdade?” “Sim, por certo, Coronel. E em minha humilde opinião, ela é uma boa eleição.” Madame Charlie Sahara Kelly “Arthur, realmente é um homem de grande perspicácia.” “Sempre pensei isso.” acordou Arthur, modestamente. “E não há um pingo de humildade em seu corpo.” “Bom, é obvio que não. Sou seu valete, ou não? Servimos juntos, não? Havemos pegado em algumas das melhores casa de putas na Europa juntos, certo?” Jordan meneou a cabeça e riu. “Esses dias passaram faz muito, meu amigo. Uma nova aventura nos espera agora. Estaremos à altura? O que te parece?” Arthur ficou de pé. Chegava quase à altura do queixo de Jordan. “Nada está muito longe para o ‘Nonagésimo Quinto de Combate’.” O lema de seu antigo batalhão acendeu a alma de Jordan. “Então mãos à obra. Me consiga a Spence e saca os baús. Vamos de viagem.” Madame Charlie Sahara Kelly Capítulo Vinte O ruído em Londres era ensurdecedor. Por que ela alguma vez tinha notado que ruidoso era tudo? Charlie parou na janela de sua habitação na Crescent e observou às pessoas na rua, enquanto celebrava a queda do arquiinimigo da Inglaterra e cantava louvores ao novo herói de Inglaterra. De fato, a capital estava alagada de bom ânimo. O nome de Wellington era o responsável por muitas ressacas, porque só escutar o nome do Duque era suficiente, para que se faça um brinde. Muitas vezes. Os grandes espetáculos da ‘Assombrosa Vitória do Waterloo’ apareciam por todos os lados. Drury Lane se voltava patriótica, Vauxhall se apurava a fazer exibições de foguetes de orgulho nacional cada noite desde que chegou a notícia, e ninguém, aparentemente, cansava-se da poderosa bandeira nacional do Reino Unido. A bandeira da Inglaterra podia ver-se em todos os lados, do mastro da Torre de Londres, até o chapéu da senhora Jersey, passando pela parte superior do vestido da prostituta comum. Sim, era uma época maravilhosa para ser britânico. A menos que tivesse o coração quebrado. Charlie tinha voltado para uma Crescent enfeitada com bandeiras, e um grupo de residentes que estavam emocionadas pela vitória, encantadas de voltar a vê-la e ocupadas com suas próprias vidas. Às poucas horas, era como se nunca se foi. Nunca tivesse viajado à Reserva de Caça Calverton ou sido atacada uma última vez por Johnny Dobbs. Nunca tivesse conhecido a Elizabeth ou ao Spencer Marchwood. Nunca tivesse estado debaixo de Jordan Lyndhurst e lhe tivesse dado seu corpo, seu coração e sua alma. Madame Charlie Sahara Kelly Parecia que só Matty podia perceber a desolação que