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LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Procedimentos didáticos. In: Metodologia científica. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2007. p. 15-22. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Procedimentos didáticos. In: Metodologia científica. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2007. p. 15-22. Existem diferentes tipos de leituras: 1 LEITURA PROVEITOSA Para que a leitura tenha um resultado satisfatório, algumas considerações devem ser levadas em conta: Atenção - aplicação cuidadosa da mente ou espírito em determinado objeto, para haver entendimento, assimilação e apreensão dos conteúdos básicos encontrados no texto. Intenção - interesse ou propósito de conseguir algum proveito intelectual através da leitura. Reflexão - consideração e ponderação sobre o que se lê, observando todos os ângulos, tentando descobrir novos pontos de vista, novas perspectivas e relações. Favorece a assimilação de idéias alheias, o esclarecimento e o aperfeiçoamento das próprias, além de ajudar a aprofundar conhecimentos. Espírito crítico - avaliação de um texto. Implica julgamento, comparação, aprovação ou não, aceitação ou refutamento das colocações e pontos de vista Permite perceber onde está o bom ou o verdadeiro, o fraco, o medíocre ou o falso. Ler com espírito crítico significa ler com reflexão, não admitindo idéias sem analisar, ponderar; nem proposições sem discutir; nem raciocínio sem examinar. É emitir juízo de valor. Análise - divisão do tema no maior número de partes possível, determinação das relações entre elas e entender sua organização. Segundo Bloom (1971 :119), "as capacidades que requer a análise estão situadas em um nível mais alto que as necessárias para compreensão e aplicação." Síntese Velocidade - reconstituição das partes decompostas pela análise e resumo dos aspectos essenciais, deixando de lado o secundário e o acessório, mas dentro de uma seqüência lógica de pensamento. Velocidade - certo grau de velocidade, mas com eficiência, faz-se necessário. Os estudantes, os responsáveis pelos trabalhos científicos devem consultar e ler quantidades razoáveis de obras e documentos. Em razão da explosão bibliográfica especializada é necessário que se leia com certa velocidade, para se tomar conhecimento das novas teorias, idéias, colocações etc. Deve-se ler rápido, mas de modo a entender o que se lê, visando ao bom aproveitamento. Gagliano (1979:71-72) indica algumas regras elementares para a leitura: “1. Jamais realizar uma leitura de estudo sem um propósito definido. Reconhecer sempre que cada assunto, cada gênero literário requer uma velocidade própria de leitura. Entender o que se lê. Avaliar o que se lê. Discutir o que se lê. Aplicar o que se lê. 2 DEFEITOS A SEREM EVITADOS Além de se observarem os requisitos necessários para que a leitura se torne proveitosa, deve-se também procurar evitar algumas atitudes que só prejudicam o bom aproveitamento. Entre elas estão: Dispersão do espírito - falta de concentração, deixando a imaginação divagar de um lado para outro. A formação intelectual consiste, em grande parte, na disciplina da mente. Inconstância - o trabalho intelectual, sem uma devida perseverança, não atinge o objetivo, não chega a nada concreto. Passividade - a leitura passiva, sem trabalho da mente, sem raciocínio, reflexão, discussão, impede o verdadeiro progresso intelectual. Excessivo espírito crítico - preocupação exagerada em censurar, criticar, refutar ou contradizer prejudica o raciocínio lógico. Preguiça - em procurar esclarecimentos de coisas desconhecidas contidas no texto. Sem a compreensão da terminologia específica, nem sempre se pode entender o texto. Deslealdade - distorção do pensamento do autor. Quando há má fé ou se falsificam as idéias contidas no texto, compromete-se o caráter científico de qualquer obra. A investigação ou a apreciação deixa de ser uma verdade científica. 3 TIPOS DE LEITURA Harlow (1980:113-114) apresenta cinco tipos de leitura: SCANNING - procura de um certo tópico da obra, utilizando o índice ou a leitura de algumas linhas, parágrafos, visando encontrar frases ou palavras-chave. SKIMMING - captação da tendência geral, sem entrar em minúcias, valendo-se dos títulos, subtítulos, ilustrações (se houver). Leitura dos parágrafos, tentando encontrar a metodologia e a essência do trabalho. DO SIGNIFICADO - visão ampla do conteúdo, principalmente do que interessa, deixando de lado aspectos secundários, lendo tudo de uma vez, sem voltar atrás. DE ESTUDO - absorção mais completa do conteúdo e de todos os significados, devendo ler, reler, utilizar o dicionário e fazer resumos. CRÍTICA - estudo e formação de ponto de vista sobre o texto, comparando as declarações do autor com conhecimentos anteriores. Avaliação dos dados quanto à solidez da argumentação, a fidedignidade e atualização. Se são corretos e completos. Moral (1955:63-65) indica apenas um tipo de leitura, a de erudição, abrangendo três subdivisões: DE ERUDIÇÃO - voltada para o entendimento. Subdivide-se em: Leitura-trabalho - visando ao conhecimento científico do texto. Leitura lenta, com anotações e resumos. Leitura-crítica - análise do conteúdo, fazendo juízo de valor. Abrange leitura, resumo e classificação ordenada do conteúdo. Leitura-descanso - ou de prazer, que pode ser um exercício proveitoso, desde que seja adotado um bom método. A abordagem de Salomon (1972:47) é um pouco diferente da dos outros autores citados. Apresenta os seguintes tipos de leitura: "silenciosa, oral, técnica, de informação, de estudo, de higiene e de prazer”. 4 OUTRAS CLASSIFICAÇÕES A classificação dos tipos de leitura apresentados por Cervo e Bervian (1978:25-60) apresenta três modalidades: formativa, de distração e informativa. Entretanto, eles se preocupam apenas com a última. 4.1 LEITURA INFORMATIVA - ou coleta de informações. Deve-se ler tendo em vista um objetivo determinado. A leitura informativa abrange quatro fases: De Reconhecimento ou Pré-Leitura - permite ao leitor verificar a existência ou não das informações que necessita, dando, ao mesmo tempo, uma visão global do assunto. Seletiva - seleção das informações de interesse, após a localização das mesmas. A seleção deve ser feita tendo em vista as proposições do trabalho, ou seja, os problemas, as hipóteses, os objetivos etc. Crítica ou Reflexiva - implica estudo, reflexão, entendimento dos significados. Exige esforço reflexivo· realizado através das operações de análise, comparação, diferenciação, síntese e julgamento. d) Interpretativa - significa entender a intenção do autor. Abrange três aspectos: saber o que o autor realmente afirma; correlacionar as afirmações do autor com os problemas para os quais se procura a solução; julgar o material coletado em relação ao critério de verdade e cuidar para que todas as afirmações sejam comprovadas. Concluída a análise e o julgamento, passa-se ao processo de síntese. A esquematização dos tipos de leitura, apresentada por Salvador (1980:94-102), é a mais detalhada de todas, embora indique a mesma visão de Cervo e Bervian, ou seja, formativa, informativa e de distração. Ele também apenas se preocupa com uma delas, a informativa, porém, com uma subdivisão mais completa. Para Salvador, a leitura informativa é aquela que visa apenas à coleta de informações para determinado propósito. Engloba três objetivos principais: certificar-se do conteúdo do texto; correlacionar os dados coletados com o problema a ser solucionado; verificar a validade das informações do autor. 5 FASES DA LEITURA INFORMATIVA A leitura informativa engloba as seguintes fases: De Reconhecimento ou Prévia - leitura rápida, cuja finalidade é procurar um assunto de interesse ou verificar a existência de determinadas informações. Exploratória ou Pré-Leitura - leitura de sondagem, tendo em vista localizar as informações, uma vez que já se tem conhecimento de sua existência. Seletiva - leitura que visa à seleção das informaçõesmais importantes relacionadas com o problema em questão. Reflexiva - mais profunda do que as outras, refere-se ao reconhecimento e à avaliação das informações, das intenções e dos propósitos do autor. Crítica - avalia as informações do autor. Implica saber escolher, diferenciar as idéias principais das secundárias e hierarquizá-las pela ordem de importância, procurando obter não só uma visão sincrética e global do texto como também, e principalmente, a intenção do autor. Interpretativa - leitura com o intuito de verificar os fundamentos da verdade enfocados pelo autor. Pelo exposto, pode-se verificar que a leitura é de suma importância para todos os que se interessam pela ampliação ou aprofundamento dos conhecimentos, que são vários os tipos de leitura e que sua utilização vai depender dos objetivos do leitor.