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1 
 
 
 
A DIMENSÃO ÉTICO-POLÍTICA NO FORTALECIMENTO DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM 
SERVIÇO SOCIAL1 
 
 
Daniela Cristina Soares Goulart2 
RESUMO 
 
O presente trabalho analisa a dimensão ético-política na formação profissional do assistente 
social na contemporaneidade através do processo de estágio supervisionado. Para isso, tece 
um breve histórico dos aspectos relacionados à gênese da profissão, ao estágio 
supervisionado em Serviço Social no Brasil e a ética profissional do assistente social. Ressalta-
se a necessidade de se potencializar a atenção ao estágio supervisionado enquanto elemento 
constitutivo do processo de formação do assistente social e de materialização da dimensão 
ético-política da profissão, pelo qual os acadêmicos de Serviço Social se capacitam ao 
exercício da profissão. Entende-se que a inserção no espaço de estágio constitui-se um 
momento privilegiado e importantíssimo, no qual ocorre a primeira aproximação com a 
prática profissional, possibilitando ao estagiário transcender os limites da sala de aula e, a 
partir da realidade social concreta, na qual está inserido, o seu deciframento, o que 
possibilitará, a partir de análises, de escolha dos instrumentos que se valerá, da aplicação das 
resoluções da categoria profissional, buscar alternativas, propor estratégias de ação, 
objetivando atender às demandas sociais impostas à profissão. Neste ínterim, considera-se 
que os aspectos legais e legítimos acerca do estágio supervisionado em Serviço Social e das 
condições éticas e técnicas da profissão são imprescindíveis para a identificação de sua 
dimensão ético-política, assim como para o fortalecimento do estágio supervisionado em 
Serviço Social, norteado pela Resolução do Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) n°. 
533/2008 e a Política Nacional de Estágio da Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em 
Serviço Social (ABEPSS) de 2010. 
 
Palavras-chave: Serviço Social, Estágio Supervisionado, Ética, Formação Profissional. 
 
 
 
1Artigo apresentado como pré-requisito para avaliação da Disciplina: A ÉTICA PROFISSIONAL, PRÁXIS E O 
PROJETO ÉTICO-POLÍTICO PROFISSIONAL, ministrada pela Profa. Dra. Terezinha de Fátima Rodrigues 
(Unifesp) no Programa de Pós-Graduação em Serviço Social pela UNESP - Franca-SP no 2° Semestre de 2012. 
 
2
 Assistente Social. Mestranda em Serviço Social pela UNESP- Franca-SP. Membro do Grupo de Pesquisas sobre 
Famílias (GEPEFA). Docente do Centro Universitário de Formiga - UNIFOR-MG. Analista do Seguro Social 
com formação em Serviço Social do INSS, Agência de Formiga/MG, e-mail: danipiui@yahoo.com.br. End.: Rua 
Luiz Ferreira Belo, 45, São Francisco, Piumhi/MG, CEP: 37925-000, Telefone: (37) 9962-2784. 
 
 
2 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
Pretende-se através deste trabalho, analisar a dimensão ético-política no processo de 
formação profissional dos assistentes sociais, especialmente mediante o processo de estágio 
supervisionado. 
Acredita-se que a temática ligada ao estágio supervisionado em Serviço Social e sua 
importância na formação profissional do assistente social no cenário contemporâneo, 
entendendo sua construção social, histórica e política, remete à necessidade de se tratar 
tanto de seus instrumentos técnicos, operativos e normativos. 
Inicialmente foram abordados aspectos relacionados à gênese do Serviço Social no 
Brasil, considerando que este emerge no Brasil em 1932 através do CEAS (Centro de Estudo e 
Ação Social), primeira instituição a oferecer curso intensivo com elementos de uma formação 
para o trabalho, porém ainda na ótica da filantropia e benesse, apontando que a 
profissionalização em nível superior na PUC/SP (Pontifícia Universidade Católica de São 
Paulo) com a criação da primeira escola de Serviço Social no Brasil em 1936. Na década de 
1940, o Serviço Social se tecnifica, recebe as influências norte-americana e franco belga, cujo 
trabalho baseava-se em Serviço Social de caso, grupo e comunidade. 
Assim como ocorreu na América Latina, no Brasil, em meados da década de 1960 há 
questionamentos e indagações acerca dos métodos e procedimentos utilizados pelo Serviço 
Social. colocando a reflexão sobre a dimensão política do trabalho profissional. Exigia-se 
deste um repensar sobre a profissão, uma revisão crítica, um novo posicionamento que 
visava construir um Serviço Social mais crítico frente à realidade social. É neste período que o 
Serviço Social vivencia o Movimento de Reconceituação. 
 A partir de 1980 com o processo de redemocratização do país ocorreram avanços e 
conquistas significativas no âmbito do Serviço Social: a revisão do currículo mínimo do curso 
de Serviço Social, em 1982; o Código de Ética de 1986, com o posicionamento claro do 
assistente social ao lado da classe trabalhadora; várias publicações em nível lactu e strictu 
senso, assim como revistas com produções teóricas e científicas do Serviço Social; a 
Constituição Federal de 1988; a criação da LOAS (Lei Orgânica da Assistência Social) em 1993; 
o Código de Ética Profissional e a Lei de Regulamentação da profissão ambos datados de 
1993, dentre outros. 
3 
 
É notório que desde as Diretrizes Curriculares da ABEPSS (Associação Brasileira de 
Ensino e Pesquisa em Serviço Social) datada de 1996, o estágio assume centralidade na 
formação profissional, uma vez que no período que antecede este momento histórico, 
focava-se no ensino da prática, sendo o estágio descolado do restante da formação; 
entretanto, ainda se carecia de normalizações, que posteriormente serão contempladas pela 
Resolução 533/2008 e legitimadas com a construção e aprovação da PNE (Política Nacional de 
Estágio) pela ABEPSS em 2010, que vem organizar o estágio em Serviço Social na amplitude 
do território nacional. 
Assim, a implantação das Diretrizes Curriculares construídas coletivamente nos 
espaços de discussão da categoria profissional, pela ABEPSS, mostra-se enquanto estratégia 
de resistência, de debate, diante do contexto atual, neoliberal, de mercantilização e 
precarização da educação superior. 
No desenvolvimento deste artigo buscou-se explicitar o processo de estágio 
supervisionado na formação profissional do assistente social, entendendo-o enquanto um 
dos instrumentos de formação contidos na grade curricular do curso de Serviço Social e 
espaço propício para a materialização da dimensão ético-política da profissão, com vistas ao 
fortalecimento da categoria profissional. 
 Destaca-se que a Instituição campo de estágio se configura num espaço sócio-
ocupacional designado para realização do estágio desde que conte em seu quadro de 
funcionários com o (a) profissional assistente social, que neste processo de formação será 
denominado Supervisor de Campo. 
É inegável também que a discussão da legalidade e legitimidade do estágio está 
intrinsecamente relacionada às atuais condições do mercado de trabalho e ao contexto de 
precarização do ensino superior. Neste debate, tem-se como pressuposto a articulação entre 
formação e exercício profissional, sendo necessário que o projeto de formação seja um 
componente de materialização e enraizamento do projeto ético-político profissional, 
comprometido com um projeto societário, que vise uma sociedade mais justa e emancipada. 
Nesta lógica, faz-se necessária uma reflexão crítica sobre os novos desafios que se 
apresentam à profissão numa perspectiva ampla de atuação e enfrentamento das questões 
dificultadoras para uma prática consciente, ética e comprometida com a direção social da 
profissão, hoje hegemônica. 
Neste estudo, o estágio é considerado um espaço privilegiado para fortalecimento das 
4 
 
concepções pedagógica, ética e política do Serviço Social, pois possibilita, dentreoutros 
aspectos, a aplicação das resoluções e do projeto profissional com importância formativa, 
construídos pela categoria profissional, para além de um olhar meramente operativo de 
exigências curriculares, como a elaboração de alguns documentos: plano de estágio, diário 
de campo, relatório, avaliação, controle de freqüência, dentre outros. 
Ademais, as referências teóricas deste artigo se baseiam na hipótese que o Assistente 
Social, possuindo todo um arcabouço teórico, prático e institucional, oriundos de profundas 
pesquisas em diferentes realidades profissionais, é portador de um conhecimento 
indispensável que visa a defesa intransigente de um projeto societário comprometido com 
uma sociedade mais justa. 
 
Desenvolvimento 
 
Ao longo da trajetória do Serviço Social no Brasil, verifica-se que desde a criação das 
primeiras Escolas de Serviço Social nas décadas de 30 e 40, o estágio é considerado parte 
integrante da formação profissional. Em cada período histórico na trajetória do Serviço 
Social, a categoria profissional, por meio da ABESS, trouxe/defendeu um determinado 
projeto de formação em função de seu posiconamento político, ainda que perdurou por um 
longo tempo, a perspectiva conservadora, sendo que os assistentes sociais se “adequavam” 
ao atendimento das novas demandas sociais postas a profissão. 
À procura da construção de uma identidade profissional construída coletivamente 
pela categoria, velhos paradigmas são discutidos afim de peneirar o conservadorismo 
historicamente localizado dentro da profissão, o que ao mesmo tempo representa uma 
luxação devido aos atritos de novas perspectivas ascendentes em uma possível 
modernização profissional. 
Dá-se o marco histórico do movimento dentro do Serviço Social que se intitula 
“reconceituação”. Torna-se necessário tal premissa devido às mudanças sociais decorrentes 
no Brasil, sinalizadas posteriormente ao golpe de 1974, momento em que se ampliam as 
matizes de trabalho profissional principalmente devido à atenção do Estado com a criação de 
programas sociais. A relevância de tal movimento na derme profissional é justamente em 
prol do profissionalismo ético, característica nulificada nos primórdios do Serviço Social 
brasileiro que ainda ganha repercussões no que tange principalmente em razão da crônica 
5 
 
debilidade brasileira, a união conservadora e colonial aliada aos pressupostos neoliberais, 
que solicita um profissional acrítico e apolítico. 
Entender o quão complexo é a relação do Assistente Social, quando ainda no seio do 
Serviço Social têm-se bases teóricas diversificadas, sob variados prismas interpretativos que 
conduz à conclusão que os conceitos compartilhados coletivamente não são homogêneos, o 
que, por sua vez, torna complexa e diversificada a formação profissional e a constituição da 
identidade profissional dos Assistente Sociais. Todavia, é vivenciado na realidade profissional 
que instrumentais fundamentados na intervenção imediata, além de suprimir a criticidade 
do usuário, sem as devidas qualificações, torna-se instrumento de reprodução do sistema 
capitalista de produção. (GUERRA,1995) 
Neste ínterim, mais precisamente, na década de 80, os profissionais firmaram 
compromisso com a classe trabalhadora, devido às mudanças ocorridas nas relações do 
trabalho, o que se acentua com a ofensiva neoliberal mais fortemente nos meados da década 
de 1990 e depois se alastra, o que modificou o mundo do trabalho e as relações sociais, com 
redução dos direitos, surgindo às novas expressões da questão social, objeto de intervenção 
do Serviço Social. (IAMAMOTO, 2010). 
Esta metamorfose da questão social exige um novo perfil profissional; assim no 
âmbito dessas mudanças, o Serviço Social precisa adequar à formação acadêmica para a 
realidade atual, atentando-se para as mudanças ocorridas em relação ao mundo do trabalho, 
mudanças que também afetam a trajetória do Serviço Social. Tendo em vista as 
transformações ocorridas e o fato do Serviço Social hegemonicamente primar por 
profissionais críticos, competentes e comprometidos com o fazer profissional, imbuídos de 
conhecimentos teórico-metodológicos, técnico-operativos e ético-políticos, a ABEPSS elabora 
e aprova um novo projeto pedagógico em 1996, denominado Diretrizes Curriculares: 
 
As Diretrizes Curriculares foram elaboradas como uma resposta às novas exigências 
da formação profissional, que remetem às contradições do processo capitalista 
atual, o qual demanda, por um lado, uma formação qualificada e crítica e, por outro 
lado, que sejam contempladas as novas características técnicas e sociointelectivas 
exigidas ao trabalhador. (LEWGOY, 2010, p. 180). 
 
Para elucidação da dimensão ético política do Serviço Social, faz-se necessário 
conceituar ética e moral, como ainda, a importância de cada um deles na história do 
conhecimento, refletindo sobre suas implicações na sociedade contemporânea. 
 
6 
 
Associada à reflexão sobre a ética é praticamente impossível não considerar a 
moral. Moral e ética por algumas filosofias são consideradas como sinônimos: ética 
como filosofia moral e a moral como realização dos valores éticos. Por outras, a 
moral refere-se ao individuo e a ética à sociedade. Etimologicamente, o termo 
moral vem do latim mores, que significa costumes e ética derivada do grego ethos 
traduzido como modo de ser ou modo de vida. (BARROCO, 2008, p. 19). 
 
Aliada, aos conceitos de ética e moral, a liberdade, aparece com uma característica 
própria do homem genérico e legal que o porta como dinamizador da realidade social, 
fundamental no estabelecimento das relações sociais. 
Infere-se que no campo das profissões a ética está intrinsecamente relacionada aos 
projetos societários destas. Quanto ao Serviço Social em específico, cuja existência depende 
dos conflitos existentes na sociedade capitalista, tem claramente um projeto societário com 
dimensões políticas, ou seja, é uma profissão politizada inserida no mundo sócio-técnico do 
trabalho comprometida atualmente com a defesa dos interesses da classe trabalhadora. 
Entretanto, é necessário ressaltar que a dimensão política do trabalho profissional está 
posta na medida que esta profissão assenta-se na mediação capital/trabalho e como a autora 
Marilda Iamamoto afirma, pela mesma atividade, atende a interesses contraditórios, o que 
convida a categoria fazer este debate a cerca da dimensão política da profissão. 
Desta forma, cabe considerar que a profissão possui caráter eminentemente político 
da prática ou do exercício profissional ao lidar de forma comprometida e organizada em luta 
e defesa dos interesses da classe trabalhadora, a partir do momento que se posiciona na 
realidade pela histórica inserção da profissão no contexto das relações entre o Estado, o 
mercado e a sociedade civil, mediante o estabelecimento de uma realidade repleta de 
desigualdades sociais. 
Assim, o Serviço Social se norteia com base em um projeto ético político que utiliza 
pressupostos historicamente construídos, uma vez que se insere na movimentação da 
realidade social num contínuo processo de construção e se baseia em fatores consagrados e 
considerados pela profissão como indispensáveis à vida, principalmente a liberdade. 
 
O Projeto Ético-Político do Serviço Social, que assume essa nomenclatura somente 
na década passada, se constrói com base na defesa da universalidade do acesso a 
bens e serviços, dos direitos sociais e humanos, das políticas sociais e da 
democracia, em virtude por um lado da ampliação das funções democráticas do 
Estado e por outro da pressão de elementos progressistas, emancipatorios (NETTO, 
1999). 
 
Ainda, cabe destacar que não existe uma forma delimitada de cumprir à primeira7 
 
vista com as predisposições do Projeto Ético-Político do Serviço Social, visto que ele é uma 
construção coletiva e depende da maturidade intelectual e política da categoria profissional; 
assim como de sua legitimidade junto à mesma, que pode e deve ser vivenciada de forma 
efetiva em seu exercício profissional, como também através do processo de estágio 
supervisionado em Serviço Social. 
Oliveira (2009) ressalta alguns elementos fundamentais para problematizar o estágio 
supervisionado e suas contribuições na formação profissional do (a) assistente social com 
bases em seu projeto ético-político, sendo eles: a legalidade, a legitimidade, os diferentes 
sujeitos envolvidos neste processo e a construção de uma nova lógica curricular. 
 
Assim, pode-se afirmar que o desafio presente nesta forma de conceber o estágio 
supervisionado é romper com o paradigma de uma atividade direcionada 
majoritariamente para a informação teórica e a prestação de serviços por meio do 
exercício profissional. O estágio, além desta prerrogativa, deve centrar-se no estudo 
dos elementos históricos e conceituais ministrados no curso de Serviço Social, 
aproximando-se de situações reais e experiências cotidianas, na tentativa de 
compreendê-las em suas múltiplas determinações e, dentro da realidade político-
institucional, apresentar criativamente propostas de enfrentamento das expressões 
da questão social. (OLIVEIRA, 2009, p. 103-104). 
 
Vale ressaltar que as primeiras publicações relacionadas ao estágio e supervisão em 
Serviço Social aconteceram em 1947, revelando a história da formação e o exercício 
profissional no seio da categoria profissional. A ABESS (Associação Brasileira de Ensino em 
Serviço Social), hoje ABEPSS, juntamente com o CBCISS (Comitê Brasileiro de Conferência 
Internacional de Serviço Social), foram criados em 1946 com a finalidade de produção, 
divulgação e intercâmbio de literatura em Serviço Social. 
Foi a partir da Lei 6.497, de 07 de dezembro de 1977, que foi regulamentada a Lei de 
Estágio; até então não havia legislação específica que tratasse do estágio. De acordo com 
esta mesma Lei, em seu parágrafo 2°, 
 
Os estagiários devem proporcionar a complementação do ensino e da 
aprendizagem a serem planejados, acompanhados e avaliados em conformidade 
com os currículos, programas e calendários escolares, a fim de se constituírem um 
instrumento de integração, em termos de treinamento prático, de aperfeiçoamento 
técnico-cultural, cientifico e de relacionamento humano. (BRASIL, Lei 6494/77, 
artigo 1°). 
 
Nos primórdios dos anos 70, o Serviço Social no Brasil, tem uma aproximação com a 
corrente marxista, focado no desenvolvimento do processo de renovação do Serviço Social. 
Tendo destaque o Método BH, que ocorreu por intermédio da Escola de Serviço Social da 
8 
 
Universidade Católica de MG. Esta Escola elaborou um currículo muito expressivo para a 
época, que propunha alternativas para a formação profissional dotado de um referencial 
teórico, tendo como conceito o ensino, a aprendizagem, a teoria e a prática. 
Somente a partir de 1980, o estágio passou a ser considerado uma disciplina 
vinculada à prática profissional. Com o Currículo Mínimo de 1982, houve alterações 
significativas no âmbito da formação profissional e um desmonte das estruturas tradicionais 
da divisão caso, grupo e comunidade, passando o estágio a ser pensado e visualizado numa 
perspectiva de totalidade, envolvendo a reflexão sobre teoria e prática, e as relações da 
sociedade em diferentes momentos históricos. 
Segundo a ABESS, 
 
(...) propõe-se a introdução de estágio supervisionado (caracterizado no Currículo 
Mínimo atual como estágio prático). Este estudo é importante como forma de 
aprendizagem, práticas das estratégicas de ação profissional como aos campos 
fundamentais de atuação do Serviço Social. Supõe a aprendizagem de habilidades 
técnicas e capacidade de análise das repercussões profissionais face à aplicação 
dessas habilidades. (ABESS, Parecer 412/82, 1997). 
 
Nos anos 90, mudanças ocorridas nos diversos campos da vida social, dentre os quais 
a educação, exigiram alterações significativas no campo da formação profissional, o que 
motivou o governo brasileiro, através do MEC (Ministério da Educação), rever a Política da 
Educação. No decorrer desta análise este elaborou uma nova Lei de Diretrizes para a 
Educação (LDB), no sentido de se adequar às novas exigências impostas ao país. 
A LDB, Lei nº. 9.394, foi aprovada em dezembro de 1996. Também neste ano, a 
ABEPSS identificou a necessidade de revisão do Currículo Mínimo para o curso de Serviço 
Social, com vistas às mudanças capitalistas da sociedade, que também rebatem sobre o 
Serviço Social e que motiva o repensar constante de seus rumos sociais. Para estar à frente 
dessas mudanças e atuar resolutivamente nesta realidade social, o Serviço Social precisava 
assumir um direcionamento ético-político, comprometido com a classe trabalhadora, 
expresso na construção das Diretrizes Curriculares, que estão organizadas em, 
 
[…] princípios eixos e núcleos que expressam uma nova relação com a realidade 
social, ganhando destaque nesta proposta as atividades ligadas à extensão, à 
pesquisa, ao estágio e aquelas que se materializam em novas práticas pedagógicas 
componentes. (Revista UNIABEU, v. 3 nº. 5 set/dez. 2010, p. 184). 
 
Neste sentido, o estágio, a partir das Diretrizes Curriculares de 1996, é parte 
integrante do processo de formação profissional que, com seus 12 (doze) princípios firma a 
9 
 
integração entre estágio, supervisão acadêmica e o trabalho profissional. 
Destaca-se que atualmente o estágio supervisionado em Serviço Social apresenta-se 
normatizado pela Lei Lei 8.662/1993, que regulamenta a profissão; do Código de Ética 
Profissional de 1993 que, com seus onze princípios, indica o rumo ético-político a ser seguido 
pela categoria profissional, assim como os conhecimentos a serem buscados; pela Resolução 
CFESS nº. 533 de 29 de Setembro de 2008, que regulamenta a supervisão direta de estágio 
em Serviço Social; mais recentemente pela Política Nacional de Estágio instituída pela 
ABEPSS em 2010 e em aspectos mais amplos, pela Lei Federal 11.788/2008 que define o 
Estágio no artigo 1°, como sendo, 
 
[...] ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho 
que, visa à preparação para o trabalho produtivo de educandos que estejam 
frequentando o ensino regular em instituições de educação superior, de educação 
profissional, de ensino médio, da educação especial, e dos anos finais do ensino 
fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos. (BRASIL, 
Lei Federal 11.788/2008, art. 1°). 
 
A Lei Federal de Estágio inova ao definir que o estágio deve fazer parte do projeto 
pedagógico do curso, voltando-se para o aspecto formativo do aluno, devendo possibilitar o 
aprendizado de competências próprias da atividade profissional, de acordo com a 
contextualização curricular do curso. 
Ressalta-se que o estágio poderá ser de caráter obrigatório ou não-obrigatório, 
conforme determinação das diretrizes curriculares da etapa, modalidade e área de ensino e 
do projeto pedagógico do curso. (Lei Federal do Estágio n.º 11.788/2008, art. 2°). 
Destaca-se que a formalização do estágio faz-se através da documentação acordada 
entre os sujeitos envolvidos no estágio supervisionado, como o termo de compromisso, 
plano de estágio, seguro escolar e outros, sendo necessário que o estagiário esteja 
devidamente matriculado em uma Instituição de Ensino Superior (IES). 
Já o importante dispositivo supracitado que trata sobre a legalidade do estágio em 
Serviço Social, a Resolução 533/2008, instituída pelo CFESS retoma este debatecom a 
regulamentação da supervisão direta de estágio em Serviço Social, normalizando a relação 
direta, sistemática e contínua entre as IES (Instituições de Ensino Superior), os campos de 
estágio e os CRESS’s (Conselhos Regionais de Serviço Social). 
Esta Resolução considera que o estágio é parte constitutiva da formação e do 
exercício profissional, definindo que a supervisão direta em Serviço Social constitui-se em 
10 
 
momento ímpar no processo de ensino-aprendizagem do acadêmico, pois a partir daí este 
terá subsídios para estabelecer a relação teoria/prática e desenvolver o seu perfil 
profissional, momento este que deverá ser visto com comprometimento e seriedade entre 
todos os atores envolvidos neste processo. 
Ainda de acordo a Resolução n° 533/2008, em seu artigo 8°, a responsabilidade ética e 
técnica da supervisão direta é tanto do supervisor de campo, quanto do acadêmico. 
Dentre suas principais deliberações considera que o estágio curricular obrigatório 
deve estar estabelecido de acordo com as Diretrizes Curriculares da ABEPSS, que deverá 
constar no projeto pedagógico do curso e na política de estágio da IES, garantindo maior 
qualidade para a formação profissional. 
Já ao CRESS da respectiva jurisdição cabe a fiscalização do exercício profissional do (a) 
assistente social supervisor de campo, sendo necessário que a IES informe ao CRESS a 
abertura de campos de estágio bem como a relação de vagas de estágio em até 15 dias após 
sua abertura. 
É fundamental que as instituições de campo de estágio ofereçam estruturas mínimas 
para a realização do estágio, com vistas a garantir as condições físicas, técnicas e éticas para o 
exercício profissional, como: espaço físico adequado, garantia ao sigilo profissional, 
equipamentos necessários, supervisor de campo disponível para acompanhar o estagiário, 
dentre outros. (CFESS, Resolução n° 493/2006) 
É de suma importância ressaltar que a supervisão em Serviço Social é atividade 
privativa deste profissional, conforme o instituído na Resolução do CFESS nº. 533 de 29 de 
setembro de 2008. 
Art. 2° A supervisão direta de estágio em Serviço Social é atividade privativa do 
assistente social, em pleno gozo dos seus direitos profissionais, devidamente 
inscrito no CRESS de sua área de ação, sendo denominado supervisor de campo o 
assistente social da instituição campo de estágio e supervisor acadêmico o 
assistente social professor da instituição de ensino. (CFESS, 2008) 
 
Estabelecendo ainda em seu parágrafo único 
 
(...) a definição do número de estagiários a serem supervisionados deve levar em 
conta a carga horária do supervisor de campo, as peculiaridades do campo de 
estágio e a complexidade das atividades profissionais, sendo que o limite máximo 
não deverá exceder 1 (um) estagiário para cada 10 (dez) horas semanais de 
trabalho. (CFESS, Resolução n.º 533, 2008). 
 
Acrescenta-se que os principais sujeitos envolvidos no processo de estágio 
11 
 
supervisionado são: o aluno-estagiário, o supervisor acadêmico e o supervisor de campo. 
Entende-se que para haver um adequado desempenho de aprendizagem, é fundamental que 
o trabalho desenvolvido nesse processo seja indissociável entre estes sujeitos, constituindo-
se num processo dialético de trocas e construção de saberes. 
No tocante à supervisão e ao estágio, a partir das Diretrizes Curriculares da ABEPSS, 
ressalta-se que as reformulações propostas foram assertivas e necessárias para o 
aprimoramento e afirmação do Curso de Serviço Social, principalmente ao se referir ao 
estágio supervisionado como elemento necessário para que a qualidade da formação 
profissional alcance um elevado patamar no processo de criticidade e de profissionalização 
do acadêmico, capacitando-o para o exercício profissional. 
Já a Política Nacional de Estágio da ABEPSS pode ser considerado um instrumento 
legítimo construído de forma coletiva pela categoria profissional, destacando que, 
 
o estágio se constitui num instrumento fundamental na formação da análise crítica 
e da capacidade interventiva, propositiva e investigativa do(a) estudante, que 
precisa apreender os elementos concretos que constituem a realidade social 
capitalista e suas contradições, de modo a intervir, posteriormente como 
profissional, nas diferentes expressões da questão social, que vem se agravando 
diante do movimento mais recente de colapso mundial da economia, em sua fase 
financeira, e de desregulamentação do trabalho e dos direitos sociais. (PNE, 2010, 
p. 11). 
 
A supracitada Política tem como princípios éticos e políticos, a defesa da liberdade, 
democracia, cidadania, justiça, direitos humanos, combate ao preconceito, dentre outros. 
São seus princípios norteadores a indissociabilidade entre as dimensões teórico-
metodológica, ético-política e técnico-operativa; articulação entre formação e exercício 
profissional; indissociabilidade entre estágio, supervisão acadêmica e de campo; articulação 
entre universidade e sociedade; unidade entre teoria e prática; interdisciplinaridade; 
articulação entre ensino, pesquisa e extensão. 
Com este importante dispositivo, as atribuições dos sujeitos envolvidos no processo 
de estágio supervisionado em Serviço Social ficam bem delimitadas e definidas, destacando 
que as atividades de extensão só podem ser consideradas como estágio desde que sejam 
previstas no projeto pedagógico do curso e respeitada a carga horária docente e discente e 
que não deve haver acúmulo das funções de supervisor de campo e supervisor acadêmico. Já 
a pesquisa não deve ser considerada como estágio e sim como eixo estruturante no processo 
de formação do profissional, onde se deve desenvolver a postura investigativa. 
12 
 
Traz como ressalva que o estagiário deve evitar desenvolver o estágio no mesmo lugar 
em que trabalha, visando uma melhor qualificação profissional. 
Outro ponto destacado se refere ao fato da necessidade de desenvolver ações 
permanentes visando à capacitação de supervisores, seja pela realização de fóruns de 
supervisores de estágio, seja estabelecendo o diálogo e troca de experiências entre os 
mesmos; ações que permitirão avaliar constantemente o desenvolvimento do estágio, 
buscando novas formas de ação; propõe ainda a realização de seminários interdisciplinares 
com demais disciplinas e os diferentes campos de estágios; o fortalecimento dos vínculos do 
curso com os CRESS’s, além da proposição de estratégias de ações voltadas para a realidade 
social em que cada sujeito se insere. 
Busca-se a contraposição ao contexto neoliberal que traz rebatimentos que 
interferem diretamente na formação profissional, que por sua vez busca permanentemente 
atender a uma “demanda” de mercado, descomprometido com uma formação qualificada e 
competente. Em contrapartida, deve-se atentar para a importância do momento do estágio, 
quando a identidade profissional do aluno está em momento ímpar de constituição e 
formação. 
Uma vez que o quadro da Questão Social é desenhado pela correlação de forças 
sociais e suas expressões se materializam é no território, faz-se necessário, no cotidiano 
profissional o deciframento das particularidades sócio-históricas que compõem o 
denominado “miúdo” social, que como bem alcunhado pela autora Yazbeck, é no miúdo do 
cotidiano em que se efetiva o trabalho profissional. 
Diante disso, ao vislumbrar a prática profissional pela inserção em determinado 
espaço sócio-institucional é que se entende a realidade da profissão, possibilitando a 
maturidade enquanto profissionais, entretanto diante do atual cenário contemporâneo é 
preciso estabelecer um contraponto pela busca da formação continuada e qualificada 
enquanto profissionais do Serviço Social. (Oliveira, 2004), que melhorincida no 
enfrentamento dos diferentes rebatimentos da Questão Social. 
 
Considerações finais 
 
Ao finalizar este trabalho e fazendo uma breve reflexão histórica da trajetória do 
Serviço Social, verificou-se que as dimensões teórico-metodológicas e ético-políticas da 
13 
 
profissão vêm se fortalecendo de acordo com as mudanças ocorridas no seio da sociedade. 
Mudanças estas que modificaram o exercício profissional do assistente social, provocando 
alterações nas estruturas curriculares para uma formação que possa atender as demandas 
impostas pela política do neoliberalismo. 
 Identificou-se que o debate de incorporação do projeto ético político do Serviço 
Social, se expressa mais nos anos 90, com o novo Código de Ética (1993), Diretrizes 
Curriculares (1996) e nova Lei de Regulamentação da profissão (1993) que enfeixam o 
projeto na esfera da institucionalidade. Este é fruto de lutas históricas pela busca de sua 
legitimidade, suas discussões estão em torno de debates teóricos ideopolíticos, a fim de 
haver avanços na profissão. 
No enfrentamento do produtivismo acadêmico para atendimento de uma demanda 
mercadológica, faz-se necessário o fortalecimento do projeto ético político do Serviço Social, 
a partir do conhecimento e retomada do fazer prevalecer o seu componente coletivo por 
parte da categoria profissional, cuja resistência deve estar em consonância com o projeto 
ético político do Serviço Social brasileiro, através da materialização da Lei de 
Regulamentação da Profissão e do Código de Ética Profissional datados de 1993; das 
Diretrizes Curriculares de 2002; da Lei Federal de Estágio e Resolução n° 533, ambas de 2008 
e da PNE/2010, a começar pelo processo de estágio supervisionado em Serviço Social. 
Assim, a discussão proposta neste trabalho pautou-se sobre a importância do estágio 
na formação profissional. Através de reflexões acerca das legislações vigentes e 
apontamentos de autores referenciados, foi possível entender quão importante é o estágio 
neste processo de formação dos assistentes sociais e no fortalecimento de sua dimensão 
ético política através da aplicação dos seus instrumentos político-normativos (PNE, 
Parâmetros nacionais e Resoluções do conjunto CFESS/CRESS). 
Desta forma, a dimensão ética está presente no exercício profissional, por exemplo, 
quando da escolha dos instrumentos que o supervisor e o estagiário se valem durante o 
processo de estágio supervisionado para materialização da concepção teórica do seu fazer 
profissional, a partir de diferentes conhecimentos, teórico, procedimental, cultural etc., 
sejam dos sujeitos, seja da realidade social alvo de suas intervenções. 
Destaca-se que no estágio supervisionado o (a) estagiário (a) tem possibilidades de 
aprender e apreender questões significativas do exercício profissional, desenvolvendo seu 
perfil profissional, assim como contribuindo para a construção de sua identidade 
14 
 
profissional; espaço propício para confrontar-se com as demandas nas quais irá atuar, com a 
realidade social onde se dá a atuação dos (as) assistentes sociais, proporcionado o (a) 
estagiário (a) defrontar-se com situações interventivas em que suscitam questionamentos, 
discussões, esclarecimentos, aprendizados e desafios (im) postos cotidianamente nos 
espaços sócio-ocupacionais. 
Foi possível ainda entender que a profissão não é neutra, visto que os assistentes 
sociais ao atuarem na realidade concreta, no “miúdo” social, trazem sua visão de homem e 
de mundo, que remete à uma determinada direção social da profissão. 
Entende-se que o estágio supervisionado é uma atividade que precisa ser 
continuamente discutida para aprimorar o processo de formação ensino-aprendizagem, 
como por exemplo, através de espaços coletivos como os Fóruns de Supervisores. 
Espera-se que com as legislações vigentes (como a Resolução CFESS 533/2008 e a PNE 
da ABEPSS de 2010), onde o estágio é referenciado na sua totalidade e obrigatoriedade, que 
as IES possam atentar-se e dar materialidade de forma concreta ao estágio, pautando para 
uma formação diferenciada frente às diversas demandas posta ao profissional do Serviço 
Social. Ademais sabe-se dos desafios dos campos de estágio e das relações presentes nestes 
espaços que dificultam as intencionalidades presentes no projeto de formação profissional 
dos assistentes sociais. 
Desta forma, sabe-se que a discussão sobre a formação profissional deve ser 
permanente e que não se esgota somente com a criação de Leis, exigindo um contínuo 
processo de debate, devendo ser repensadas, aperfeiçoadas, implementadas e praticadas no 
cotidiano do agir profissional do assistente social. Destaque para o papel fundamental que a 
ABEPSS e o CRESS vem protagonizando nesta direção, defendendo uma formação 
profissional com qualidade e não precarizada, como bem encaminhada pela recente 
campanha: Educação não é fast food. 
Enfatiza-se que atualmente a discussão em torno do estágio e suas contribuições na 
formação dos assistentes sociais, volta-se também para a construção de um novo perfil 
profissional capaz de decifrar a realidade social, intervir nesta de forma crítica, propositiva, 
investigativa e comprometido com os valores e princípios que norteiam o projeto ético-
político profissional, através de respostas profissionais mediante as novas demandas sociais 
(profissionais, institucionais e dos usuários), buscando a superação do (neo) 
conservadorismo profissional que ainda se apresenta nos ambientes acadêmico e de 
15 
 
intervenção do assistente social. 
Acredita-se também que para a formação de um profissional diferenciado é preciso 
estar calcado em um arcabouço teórico-metodológico, que seja pautado nos princípios éticos 
e políticos que norteiam a profissão. Para tanto implica mudanças significativas no modo de 
pensar o estágio e a supervisão, seja acadêmica ou de campo, no âmbito de uma formação 
diferenciada e qualificada como sinalizam os órgãos competentes de representação do 
Serviço Social, nos âmbitos do ensino, pesquisa e extensão. 
A guisa de conclusão, as exigências contemporâneas postas aos assistentes sociais, 
tanto no processo de estágio supervisionado, quanto no exercício da profissão remetem à 
compreensão clara da realidade social, da identificação das demandas e possibilidades de 
ação profissional apresentadas nesta realidade, com base nos compromissos éticoéticos e 
políticos políticos estabelecidos pelo Código de Ética Profissional dos Assistentes Sociais em 
vigor. 
Sendo que o cumprimento destas exigências vem possibilitar a definição de 
estratégias e táticas na perspectiva da consolidação teórico prática do projeto profissional, 
compromissado com os interesses, necessidades, defesa e garantia dos direitos sociais dos 
usuários do Serviço Social. 
16 
 
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