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A QUEDA DO MURO DE BERLIM SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO..................................................................................13 2 A CONSTRUÇÃO DO MURO ..........................................................15 2.1 O MURO DE ARAME FARPADO……………………………………….16 2.2 O MURO EM BLOCOS…………………………………………………..17 2.3 0 MURO DE CONCRETO...……………………………………………..19 3 A QUEDA DO MURO…………………………………………………….23 4 OUTROS MUROS............................................................................24 5 QUESTÕES……………………………………………………………….34 6 CONCLUSÃO……………………………………………………………..38 REFERÊNCIAS..........................................................................................39 13 1 INTRODUÇÃO Com o final da II Guerra Mundial, os países aliados, Estados Unidos, França, GrãBretanha e União Soviética decidiram reconstruir a Alemanha, destruída pela Guerra. Ela foi dividida em dois blocos, o ocidental, sob domínio dos estados Unidos, França e Grã-Bretanha e o lado oriental, dominado pela União Soviética. Porém Berlim, a capital estava localizada no centro da porção soviética. Decidiu-se dividir a capital também, uma parte para os aliados capitalistas, a Berlim Ocidental e o aliado comunista, com Berlin Oriental (figura 01).Assim se iniciou a Guerra Fria, onde Berlim tornou-se o centro da disputa. A maioria dos alemães da parte oriental (comunista) começaram a mudar-se para a parte ocidental (capitalista). Por este motivo, em 13 de agosto de 1961, enquanto os Estados Unidos comemorava o Festival de cinema, tendo Marylin Monroe como destaque principal, o lado oriental decidiu construir um muro para evitar que seus moradores continuassem a ir para o outro lado, o capitalista, que estava em crescimento, com trabalho, liberdade e oportunidades de uma vida melhor. O muro passou a ser vigiado por militares, com permissão para atirar em quem tentasse atravessar o muro. Por conta da visão ideológica de mundo dos dirigentes de plantão, na realidade mais do que dividir um país, o mundo ficou dividido em dois grandes blocos: o bloco socialista e o capitalista, em função da “guerra fria”. Aos habitantes dos países socialistas, particularmente, não foi dado o direito de escolha, de qual lado do muro eles preferiam ficar, sobretudo porque em um grande número de casos, famílias foram traumaticamente divididas e sem a possibilidade de se comunicarem. Várias “providências”, do lado comunista, foram adotadas para persuadir os recalcitrantes que ousassem desafiar a situação e tentassem fugir atravessando o muro em direção ao lado capitalista. Essa situação perdurou por cerca de 28 anos, de 1961 à 1989, com o desmantelamento da União Soviética, que redundou na queda do muro de Berlim. 14 Figura 1 – A divisão de Berlim entre os aliados 15 2 A CONSTRUÇÃO DO MURO Na madrugada do dia 13 de agosto de 1961 teve início a construção do Muro de Berlim, erguido pela República Democrática Alemã (Alemanha Oriental), durante a Guerra Fria. Esta barreira física. Esta barreira física circundava toda a Berlim Ocidental, separando-a da Alemanha Oriental, incluindo Berlim Oriental. Além da barreira física, o muro também simbolizava a divisão ideológica do mundo em dois blocos: República Federal da Alemanha (RFA), formado pelos países capitalistas, e a República Democrática Alemã (RDA), composto por países socialistas simpatizantes do regime soviético. O muro de Berlim só foi derrubado no dia 9 de novembro de 1989 após uma série de movimentos revolucionários no leste europeu. No meio tempo em que a obra se executava, vários oficias e civis notavam que aquela ação teria implicações restritivas irreversíveis. Dois dias após as primeiras obras, um oficial oriental chamado Conrad Schumann (foto 01) pulou o emaranhado de farpas para ser acolhido por um veículo militar da parte ocidental. Em alguns pontos onde antigos prédios serviam de extensão do muro, os civis atravessavam cômodos e janelas para fugirem para a banda capitalista (foto 02). Foto 01 Foto 02 16 2.1 O MURO DE ARAME FARPADO Em 13 de agosto de 1961, guardas da Alemanha Oriental começaram a separar com arame farpado e concreto os lados oriental e ocidental de Berlim, isolando Berlim Ocidental dentro do território da Alemanha Oriental. Nas primeiras horas do dia 13 de agosto de 1961, um grupo de militares já estava bem adiantado na tarefa de cercar os portões de Brandenburgo com arame farpado. Em tempos de pós-Segunda Guerra, a ação era resultado da disputa entre os soviéticos e capitalistas. Afinal de contas, ao dividirem o mundo em zonas de influência, o controle do território alemão representava uma conquista bastante significativa. Sob tal contexto, os agentes do lado socialista tomaram a divisão física como solução. Alguns dias depois, os oficiais da República Democrática Alemã, acompanhados por outros militares armados, descarregaram sacos de areia, cimento e tijolos. Assim nascia o Muro de Berlim. Inicialmente, o arame farpado fora substituído por uma mureta que media apenas um metro de altura. Aos poucos, cercas, guaritas, sensores de movimento, minas terrestres e cães de guarda desnudavam o lugar que simbolizaria o epicentro da ordem bipolar. 17 2.2 O MURO EM BLOCOS Na manhã de 13 de agosto de 1961 estende-se uma linha de concreto separado Berlim em duas partes, iniciava a construção do muro de Berlim deixa a cerca de arame farpado e iniciava a construção do muro de tijolos (foto 03) seria uma forma de conter população civil dentro de Berlim oriental a construção teve a mão de obra de civis e soldados ao lado das cercas de arame farpado iniciava a construção do muro, os caminhões descarregavam milhares de tijolos de concreto e sacos de cimento assim começou a primeira linha de concreto pela cidade. Foto 03 Assim nascia o Muro de Berlim. Inicialmente, o arame farpado fora substituído por uma mureta que media apenas um metro de altura. Aos poucos, cercas, guaritas, sensores de movimento, minas terrestres e cães de guarda desnudavam o lugar que simbolizaria o No meio tempo em que a obra se executava, vários oficias e civis notavam que aquela ação teria implicações restritivas irreversíveis. A construção do muro em torno do setor ocidental foi uma surpresa para os berlinenses e para o mundo. 18 O muro que tinha 155 quilômetros de extensão, 4,2 metros de altura e dividia uma cidade e o mundo. Começou a ser construído por soldados e operários da antiga República Democrática da Alemanha (RDA) nos primeiros minutos da madrugada de 13 de agosto de 1961, um domingo, surpreendendo a tudo e a todos. Ruas, avenidas e praças foram fechadas, linhas de ônibus e bondes interrompidas. Famílias e amigos foram separados e empregos, perdidos. 19 2.3 O MURO DE CONCRETO Aos poucos, cercas, guaritas, sensores de movimento, minas terrestres e cães de guarda desnudavam o lugar que simbolizaria o epicentro da ordem bipolar. As barreiras de cercas e o muro de blocos não estavam conseguindo barrar as fugas para a Alemanha Ocidental (capitalista), então, o governo do lado socialista (Alemanha Oriental), resolveu fortalecer o muro, construindo outro, paralelo aos anteriores, mas agora em concreto e aço, em formato de “L”, com 3.60m de altura, para evitar que automóveis continuassem a tentar derrubá-lo, pois se tentassem, o próprio caminhão e o formato do muro em L fariam com que o peso do caminhão estabilizasse o muro e ele não caísse (figura 02). Figura 02 – muro em L de concreto Figura 03 – comparação entre os muros blocos e de concreto Foram construídas também, 127,5 km de cercas elétricas, interligadas a 302 torres de vigilância, com sensores, onde qualquer tentativa de fuga era logo comunicada. A faixa de controle aumentou, foram acrescentadas outras formas cruéis para evitar fugas, com o acréscimo de 259 cães de guarda, uma faixa de pregos, além de minas enterradas. A iluminação era muito forte, evitando que houvessem fugas em qualquer hora do dia. Havia também uma pista de areia, cujo intuito era deixar rastros de pegadas (figura 04). 20 Figura 04 Nesta etapa, as construções que porventura estivessem atrapalhandoa visão eram demolidas, como o caso da Igreja da Ressurreição (foto 04) que ficava no lado Oriental (comunista), sua paróquia ficava do outro lado, do lado capitalista (Alemanha Ocidental). Foi demolida em 1985 porque ficava na faixa da morte, área ampliada onde os soldados tinham permissão para fuzilar que passasse. Os soldados eram treinados para matar em prol da paz, e não tinham remorso algum. Foto 04 - 21 Figura 05 – Igreja da Ressurreição Foto 05 – queda da torre principal da Igreja da Ressurreição 22 Foto 06– memorial à Igreja da Ressurreição destruída Hoje, no local onde estava esta igreja, suas paredes estão demarcadas no piso e ao lado, um memorial foi construído.(foto 06). Devido a dificuldade em atravessar para o lado ocidental sem passar pela zona da morte, os berlinezes orientais passaram a fugir pelos esgotos e por túneis, porém a polícia secreta descobriu, e criou um túnel, no sentido transversal, fechando qualquer tipo de acesso (foto 07). Foto 07 23 3 A QUEDA DO MURO DE BERLIM A partir da segunda metade da década de 1980, o modelo político-econômico adotado pela União Soviética entrou em colapso e as reformas sugeridas pelo seu então líder, Mikhail Gorbachev, Perestroika e Glasnost não obtiveram êxito em seu objetivo de tornar a economia mais flexível, sem, entretanto, abandonar o comunismo e o modelo de controle estatal da economia e das relações sociais. O fracasso dessas medidas estimularam uma rápida fragmentação da União Soviética e muitas nações atreladas ao poder central de Moscou aproveitaram tal ocasião para romper com a URSS e a partir dessa ruptura formou-se a Comunidade dos Estados Independentes. A queda do Império Soviético atingiu outras áreas de seu domínio, inclusive a Alemanha Oriental. Em 9 de novembro de 1989, após um longo período de protesto população alemã como um todo, cidadãos das duas partes de Berlim, munidos de machados, martelos e marretas, puseram abaixo várias partes do longo muro que dividia a cidade em um gesto que clamava por liberdade e que enterrava a Guerra Fria. No ano seguinte, em 03 de outubro de 1990, entrou em vigor o acordo que oficializava a reunificação do país. Sendo assim, o território da antiga República Democrática da Alemanha (RDA ou Alemanha Oriental) foi incorporado à República Federal da Alemanha (RFA ou Alemanha Ocidental). Foto 08 24 4 OUTROS MUROS Ao longo da história os muros tiveram várias funções, em um passado mais remoto, como na era medieval, eles serviram como fortaleza para proteger os feudos contra os inimigos em potencial (foto 11). Foto 11 Em junho de 1989, os húngaros, antes dos alemães, decidiram cortar as grades da fronteira que os separavam da Áustria, literalmente abrindo um buraco na “Cortina de Ferro”. Munidos de alicates, os então ministros de Relações Exteriores Gyula Horn (Hungria) e Alois Mock (Áustria) cortaram, simbolicamente, o aço da barreira (foto 12). Foto 12 25 Na atualidade vários países europeus estão construindo muros com o objetivo de barrar imigrantes e refugiados indesejados e, por ironia um desses países é a Hungria, que no final de 2015 ergueram barreiras ao longo das fronteiras com a Sérvia e com Croácia, depois de, aproximadamente, 400 mil imigrantes e refugiados terem feito passagem pelo país, até à Europa Ocidental (foto 13). Foto 13 A Espanha também construiu seu muro entre ela e o Marrocos – Ceuta/Melila (foto 14). Essas duas cidades são de domínio da Espanha, que afirma possuir esses territórios antes mesmo da constituição de Marrocos, país onde tais cidades estão situadas. Foto14 26 A seguir vemos as imagens do muro referido entre Espanha e Marrocos - Ceuta e Melila e os imigrantes tentando ultrapassá-lo (fotos 15 e 16). Foto 15 Foto 16 Foto 17 Foto 18 Há também o muro em Israel circundando e confinando a Cisjordânia, muro que só acirra a instabilidade na região e inviabiliza o diálogo e a obtenção da paz (fotos 19 e 20). Foto 19 Foto 20 27 Foto 21 Foto 22 Na foto acima, à esquerda a professora palestina aposentada, Umm Judah, 64 anos, que vive nas cercanias de Belém, que teve o seu quintal “cortado” pelo muro de oito metros de altura, observa a sua plantação de oliveiras cultivada por décadas e hoje, em função do muro, tem que dirigir uns quarenta minutos para chegar até ela (fotos 21 e 22). Rumo a Israel, às cinco horas da manhã os trabalhadores palestinos já enfrentam uma enorme fila, no posto de controle israelense, em Belém, na Cisjordânia, alguns escalam as grades formando uma fila paralela.(foto 23). Foto 23 28 Na América do Norte temos o muro que os EUA estão construindo na divisa com o México (fotos 24 e 25). Foto 25 Foto 24 Muro na fronteira com o México vai mesmo avançar Texto F.P. | Foto Lusa | 06/01/2017 | 17:24 foto 26 Presidente eleito assegurou que o Congresso norte-americano vai avançar com o dinheiro para construir a barreira anti-imigrantes na fronteira entre os Estados Unidos da América e o México Foto 27 29 Já aqui no Brasil, como é que nós tratamos a questão dos nossos muros? foto 28 Nos últimos anos, a pretexto de se proteger da violência vimos o surgimento dos condomínios fechados verticais e horizontais, sendo que em cada um desses condomínios os seus moradores têm basicamente o mesmo perfil socioeconômico e sua característica principal é a de se segregarem do restante da cidade, nos moldes dos feudos medievais (foto 28). Tanta evolução para voltarmos ao ponto inicial! Há condomínios residenciais, como Alphaville, no Município de Barueri-SP, por exemplo, que possuem áreas comerciais; nessas, temos comércio e prestação de serviços em geral com bancos, consultórios médicos, escolas para as crianças, clubes com academias e piscinas, até mesmo feira livre, que normalmente são montadas na rua lhes são oferecidas, ou seja, a pessoa tem a possibilidade de morar e trabalhar, enfim viver sem precisar sair de dentro do condomínio. Em contraposição a essa situação temos escolas arquitetônicas com outra proposta, em harmonia com o que foi aprovado na nova lei de ocupação e uso do solo, na cidade de São Paulo, no qual os novos prédios comerciais precisam reservar o andar térreo ao comércio e prestação de serviços destinados aos ocupantes do próprio prédio, mas não só. Nesse sentido, voltar ao passado às vezes é positivo, tomemos como exemplo o modelo de construção do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, o edifício Copam (do arquiteto Oscar Niemeyer), no centro, o MASP e uma pérola, um verdadeiro presente para a cidade, do arquiteto Vilanova Artigas, o edifício Louveira (foto 29), 30 em Higienópolis, (note que não há muros nesse edifício residencial e o endereço eletrônico disponibilizado é um convite ao conhecimento da sua história e de sua proposta arquitetônica) https://www.youtube.com/watch?v=mfoIQNPxEkg Foto 29 Edifício Copan, do arquiteto Oscar Niemeyer, antes de ter a sua fachada desfigurada (fotos 30 - 33). Edifício Copan | VEJA SÃO PAULO vejasp.abril.com.br 31 Conjunto Nacional, na Av. Paulista. “Nesse sentido, a transição quase imperceptível que se estabelece entre o espaço público do passeio –a cota da cidade– e o térreo do edifício, promove relações ímpares nesse novo lugar criado pelo diálogo estabelecido com o espaço coletivo. A cidade em expansão acolhe o edifício, que por sua vez abriga as novas funções e necessidades programáticas que passam a figurar na jovem metrópole, espécie de simbiose urbana.” , 32 E finalizando com o MASP, projetado pela arquiteta Lina Bo Bardi, um prédio apoiado por quatro colunas, deixando sob o edifício um vão livre de 74 metros que “não” interrompe a vista da paisagem e convida à apreciação da vista oferecida de seu belvedere em direção ao centro da cidade. O Trianon e o Túnel da 9 de Julho: vista antiga, a partir do centro de São Paulo (cartão postal s/d) 33 Enfim, aqui em São Paulo, em um passado recente, o comum era a ausência de barreiras físicas e catracas impedindo a circulação e segregando pessoas e nem por isso, viver era inseguro, muito ao contrário, o comércio, o lazer, a vida em comum eram na rua. 34 5 QUESTÕESO MURO DE BERLIM E A QUESTÃO DOS PARTIDOS POLÍTICOS NO BRASIL E NO MUNDO Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a Europa estava arrasada e ocupada pelos exércitos das duas grandes potências vencedoras, os Estados Unidos e a URSS. No entanto, essas duas superpotências apresentavam um alto desnível de ideologia no campo político e econômico. Esse desnível provocou uma ruptura entre essas nações e constituiu um sistema global bipolar, ou seja, centrado em dois grandes polos. O símbolo maior desta ruptura foi o Muro de Berlim. Além de ser uma barreira física, que separava a Alemanha Ocidental da Alemanha Oriental, era uma barreira ideológica que simboliza a divisão do mundo em dois blocos ou partes. Foi uma época de extrema disputa e polarização política entre capitalistas e socialistas. Acreditava-se, como de fato aconteceu, que apenas um lado poderia sair vitorioso. De um lado do muro, estava República Federal da Alemanha (RFA), na esfera de influência do capitalismo ocidental, Do outro, sob a influência da URSS, estava a República Democrática Alemã (RDA), essa parte do Bloco possuía um sistema socialista, baseado na economia planificada, partido único (Partido Comunista), igualdade social e falta de democracia. O Brasil, como um país seguidor do sistema capitalista e com fortes laços comerciais com EUA e Europa Ocidental, ficou posicionado ao lado do bloco norte-americano. Quando no começo de 1964, o então presidente brasileiro João Goulart adotou medidas consideradas socialistas, ocorreu o golpe militar. Com os militares no poder, o Brasil estreitou ainda mais as relações com os Estados Unidos. 35 Este período de intensa disputa ideológica entre comunistas (esquerdistas) e capitalistas (direitistas) ficou conhecido como Guerra Fria. Após a queda do muro de Berlim, e consequentemente, o fim da Guerra Fria os partidos de "direita" e "esquerda" sofreram mutações conceituais. O que era bastante claro num mundo polarizado - de um lado o modelo liberal/democrático/capitalista americano, e do outro o modelo social/autoritário/comunista soviético - passou a ficar confuso. Muitos "esquerdistas" migraram para concepções mais democráticas e progressistas, enquanto alguns "direitistas" começaram a ser identificados como pessoas mais reacionárias. Em realidade, a divisão direita/esquerda do espectro político ficou muito limitada para definir a diversidade política do século XXI, sendo necessária a abrangência do discurso, para definir de mais clara a concepção política de cada um. Assim, o cientista político Klaus von Beyme categorizou os partidos europeus em sete famílias partir da esquerda para a direita: comunismo, socialismo, política verde, liberalismo, democrata cristão, conservador e extrema-direita. No Brasil, a Constituição de Federal de 1988, trouxe de volta o pluripartidarismo que por conta do regime Militar estava proibido no país. Existem atualmente, 35 partidos legalizados no Tribunal Superior Eleitoral. Estudos indicam que poucos partidos que se identificam com a direita do espectro político ideológico. Segundo o analista político João Mellão Neto, no momento o país não possui em atividade nenhum partido político verdadeiramente de direita, embora existam políticos que se identificam como pertencentes à direita. 36 ESTE EPISÓDIO MUNDIAL TRAZ QUAL APRENDIZADO PARA OS DIAS DE HOJE? QUAL A IMPORTÂNCIA DESTE ACONTECIMENTO PARA O DIREITO EM SUA DIMENSÃO POLÍTICA? A existência do Muro de Berlim é a caracterização da ideia do indivíduo como propriedade do Estado. As pessoas eram proibidas de sair do país, e corriam o risco de ser assassinadas caso tentassem. O governo determinava onde as pessoas deveriam morar e trabalhar, quais bens elas poderiam consumir, e quais entretenimentos tinham a permissão de ter. O Estado estabelecia o que as pessoas poderiam ler, ver e dizer. Ao ser comparada com os dias atuais, percebe-se que esta ideia de indivíduo como propriedade do Estado fere os mais preceitos básicos da definição de Estado como é encontrada hoje: a de um Estado de Direito, com normas fixas, claras e estáveis proibindo a atuação de um governo arbitário. Além disso, existe a garantia do direito de liberdade, em todas as suas formas: liberdade de locomoção, liberdade de expressão, de associação, de escolha de religião e trabalho. A história do Muro de Berlim- e tudo que ela representa em termos da tirania de um governo que encarava os indivíduos como propriedades do estado, controlados em tudo o que faziam, com seus movimentos observados, comandados e restringidos - traz consigo a certeza da importância da preservação do direito de liberdade, de simplesmente cada cidadão escolher o quer para si sem nenhuma intervenção estatal. Com relação à sua influência no Direito, deve-se ter em mente a queda do Muro de Berlim simbolizou o surgimento um mundo unificado, não mais dividido entre capitalistas e comunistas, e sim um mundo de integracão internacional crescente, que avança em diversos níveis da vida cotidiana. Os estados e os governos ficaram menores, os mercados , as corporações e a formação de blocos econômicos maiores. Cabe ao operador do Direito, entender que em tempos de globalização o Direito deixa de ser apenas um conjunto de Leis 37 que visa garantir a ordem social para ser um instrumento dinâmico que acompanha a dialética do processo cultural e evolutivo das sociedades complexas. O domínio do direito é amplo, deve sim fornecer tutela jurisdicional devido à importância da manutenção de certos princípios e condutas para a harmonia da convivência coletiva. Mas deve também andar em conexão com o dinamismo das transformações da realidade contemporânea. Não sendo apenas uma definição daquilo que ‘é’, para ser também aquilo que ‘vai sendo’. 38 6 CONCLUSÃO Após a leitura do trabalho ficamos com o conhecimento que devido a uma ruptura política e ideológica entre dois blocos: capitalistas, e os países socialistas (marxista-leninistas) dá-se a Guerra-fria que vai dividir a Alemanha em dois estados por um muro que provocou a morte pelo menos 80 pessoas, 112 ficaram feridas e milhares aprisionadas nas diversas tentativas de atravessá-lo. Este muro símbolo da esquizofrenia geopolítica e da rivalidade entre o leste e oeste foi também o verdadeiro atestado do fracasso do socialismo em manter-se como um modelo de sistema atraente para as populações. Um muro que mesmo após a sua queda ainda trouxe muita dificuldade para o país e o seu povo. Com o fim do Muro de Berlim veio o fim do comunismo de leste. 39 REFERÊNCIAS SANTOS PINTO, TALES DOS – o que é Muro de Berlim? 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