A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
206 pág.
LIVRO DE ECONOMIA RURAL Utilizado na UFRAACS - Livro gtz[1]

Pré-visualização | Página 11 de 50

a é representado pelo ponto onde a linha de demanda toca o eixo 
das quantidades e é obtido fazendo o preço igual a zero; o ponto a/b é obtido fazendo a quantidade 
igual a zero e isolando o valor de Px. O coeficiente b é a inclinação da linha de demanda, dada pela 
tgθ [=a/(a/b)=b]. Quando o preço diminui de P0 para P1, a quantidade demandada aumenta de Q0 
para Q1. 
 
 
Figura 2.1 – Representação gráfica da demanda de um produto X. 
 
 
Na Figura 2.1, o preço, que é a variável independente, é representado no eixo vertical e a 
quantidade, que é a variável dependente, é representada no eixo horizontal, ao contrário da 
matemática. Isto é feito apenas para facilitar a análise. 
P0 
P1 
0 Q0 Q1 Qx/t a 
θ 
a/b 
Preço 
D 
Qx = a – b Px 
A inclinação negativa da 
linha de demanda deve-se 
ao efeito renda e ao efeito 
substituição. 
O efeito renda é percebido 
pelo aumento no poder de 
compra do consumidor 
quando o preço de X 
diminui. O consumidor pode 
comprar mais unidades de 
X, com a mesma renda. 
O efeito substituição ocorre 
porque ao baixar o preço, 
atrai-se o consumidor de 
outros produtos cujos preços 
se mantiveram ou 
aumentaram. 
Observe que alteração no 
preço de X produz 
ajustamento ao longo da 
linha de demanda. 
 
 
20
A demanda também pode ser representada por dados discretos apresentados na forma 
tabular e, geralmente, é chamada de tabela de demanda. A Tabela 2.1 apresenta dados hipotéticos 
da demanda de peixe. 
 
Tabela 2.1 – Dados hipotéticos de preços e quantidades demandas de peixe. 
Quantidade demandada (kg) 16 11 8 6 4 2 1 
Preço do peixe (R$/kg) 0 2 4 6 8 10 12 
 
 
Pelo que se observa, à medida que o preço do peixe aumenta, a quantidade demandada 
diminui. Quando o preço é igual a zero, tem-se a situação de consumo médio ideal que se efetivaria 
se todos os consumidores tivessem acesso ao produto, ou seja, 16 kg/hab/ano. No outro extremo, 
quando o preço é igual a R$ 12/kg, poucos consumidores poderiam adquirir o produto e o consumo 
médio restringe-se a apenas 1,0 kg/hab/ano. No intervalo desses extremos, tem-se um 
comportamento típico da lei da demanda, pois à medida que o preço aumenta a quantidade que os 
consumidores desejam e podem comprar tende a diminuir, ceteris paribus. 
Plotando-se os dados da Tabela 2.1 em um eixo cartesiano e unindo os pontos por uma linha, 
obtém-se a representação gráfica da demanda de peixe, como na Figura 2.2, elaborada com o auxílio 
do Excel. Esta figura é, geralmente, chamada de gráfico de demanda. 
Evidencia-se, portanto, que a demanda apresenta uma inclinação negativa, mostrando que 
quando o preço aumenta a quantidade demandada diminui, em função do efeito renda que diminui o 
poder de compra do consumidor e do efeito substituição, que força a substituição do peixe por outra 
fonte de proteína cujo preço não se alterou. Conclui-se, portanto, que alterações no preço do produto 
originam movimentos ao longo da curva de demanda. 
 
0
2
4
6
8
10
12
14
0 2 4 6 8 10 12 14 16 18
Quantidade de peixe (kg/hab)
Pr
eç
o 
do
 p
ei
xe
 (R
$/
kg
)
Demanda de peixe
 
Figura 2.2 – Representação da curva de demanda, apresentada na tabela acima. 
 
 
O leitor já deve ter percebido que há muitas outras variáveis que determinam a demanda, 
além do preço do produto. Para facilitar o entendimento, podem-se agregar as forças que influenciam 
a demanda, além do preço do produto, em quatro grandes dimensões: renda do consumidor, preço 
dos produtos relacionados no consumo (substitutos e complementares), tamanho do mercado e 
fatores subjetivos. 
• Renda do consumidor - R: esta talvez seja a força de maior poder de determinação da 
demanda porque dimensiona o poder de compra do consumidor. A relação é direta: o 
 
 
21
aumento da renda leva a um aumento no consumo para a maioria dos bens e serviços, 
mantendo as demais variáveis constantes. Isto produz uma mudança na curva de demanda, 
que se deslocará para o alto e para a direita. 
• Preço de outros bens - Py: os preços dos produtos substitutos afetam diretamente o 
consumo de X. Um aumento no preço da carne de boi tende a levar o consumidor a diminuir 
a quantidade comprada e passar a adquirir mais frango. Portanto, aumento no preço dos 
produtos substitutos Y induz aumentos na demanda de X, mantendo as demais variáveis 
constantes, e vice-versa para os produtos complementares. Isto produz um deslocamento da 
curva de demanda para cima e para a direita, e vive-versa para produtos complementares. 
• Tamanho do mercado – H: o tamanho do mercado e dimensionado com base no número de 
agregados familiares e apresenta uma relação direta com a quantidade demandada. Assim, 
quanto maior o tamanho e o número de famílias, maior tende a ser a demanda dos vários 
bens e serviços. 
• Fatores subjetivos – Fs: esta dimensão contempla um conjunto de variáveis como gostos e 
preferências do consumidor – G, esta é a variável que responde pela evolução no padrão de 
consumo de alimento, vestuário, etc; índice de qualidade dos produtos – Iq, atualmente está 
influenciando fortemente as decisões de compra do consumidor para os produtos de 
qualidade e segurança; expectativas com relação à economia – E, se o cenário da economia 
quanto à manutenção de regras consistentes do jogo, controle da inflação, nível de taxa de 
juros, controle do câmbio é confiável, o consumo tende a aumentar; variáveis de política Vp 
(imposto, subsídio, juros, segurança alimentar, etc.), os impostos reduzem o consumo, o 
subsídio aumenta e os juros diminuem as compras a prazo. 
A ação conjunta desses fatores determina a demanda dos produtos e serviços. É o estudo de 
como tais fatores atuam sobre a demanda que se entendem os movimentos da demanda e a 
magnitude de seus efeitos sobre o preço de mercado. 
A demanda pode ser especificada, na concepção geral, da seguinte forma: 
Demanda: ),,,,( FHRPPQ syxx f= 
Qx = quantidade demandada do produto X; 
f = símbolo da forma funcional de demanda (linear, logarítmica, etc.); 
Px (-)= preço real do produto X; 
Py (+ ou -)= preço dos produtos relacionados no consumo de X, desloca a demanda; 
R (+)= renda real dos consumidores, desloca a demanda; 
H (+)= população, dada pelo número de habitantes, desloca a demanda; 
Fs (±) = fatores subjetivos, envolvendo as variáveis discriminadas abaixo: 
G (+)= gostos e preferências dos consumidores pelo produto X; 
Iq (+)= índice de qualidade total do produto x; 
E (+)= expectativas com relação à economia; 
Vp (±) = variáveis de política (imposto, subsídio, juros, etc.). 
Todas essas forças, a exceção do preço do produto, produzem mudança na curva de 
demanda. Assim, um aumento na renda dos consumidores, tende a deslocar a curva de demanda 
para cima e para a direita, ceteris paribus. 
• Mudança na demanda: quando a renda aumenta, o poder de compra dos consumidores 
também aumenta e a demanda se desloca para cima, mantendo as demais variáveis 
constantes (Figura 2.3). 
Neste caso, observa-se que toda a linha de demanda se deslocou para cima e para a direita, 
indicando que para qualquer nível de preços a demanda será maior do que a anterior. Este mesmo 
tipo de efeito pode ser produzido pelo aumento nos preços dos produtos substitutos de X. Por 
exemplo, se o preço da carne de boi sofrer um substancial aumento, é provável que muitos 
consumidores diminuam as compras de carne bovina e a substituirão por carne de frango, fazendo 
sua demanda aumentar. 
 
 
22
 
 
Figura 2.3 – Representação gráfica da mudança na demanda de um produto X. 
 
 
2.3.1.1 Análise e aplicação da demanda 
Em primeiro lugar, mostra-se o comportamento do consumo e do preço de carnes e peixe no 
Brasil a partir dos de 1980. Com isto tenta-se referendar a lei da demanda para esses produtos 
(Figuras 2.4 e 2.5).

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.