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LIVRO DE ECONOMIA RURAL Utilizado na UFRAACS - Livro gtz[1]

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em média, a renda produz 
deslocamentos na demanda na mesma direção de suas variações. 
Inicialmente, estima-se a equação de demanda, para os dados anuais do período de 
1990/2001 para depois incluir a variável renda. Isto é importante para efeito de análise comparativa. A 
equação de demanda, com base apenas no preço é a seguinte: 
Demanda: QF = 42,93 – 14,20 PF 
A demanda incluindo a variável renda é a seguinte: 
Demanda: QF = 30,63 – 13,62 PF + 0,145 SM. 
Análise dos resultados: 
? O consumo médio per capita de frango, mantendo o preço e o salário mínimo constantes 
(PF=SM=0), é de QFm = 30,63 kg/hab/ano. Este seria o nível de consumo médio, que 
vigoraria na condição de o produto ser distribuído gratuitamente para os consumidores. 
? Mantendo os valores médios do preço (PFm = R$1,46/kg) e do SM (SMm = R$79,24), relativo 
ao período de 1990/01, tem-se um consumo médio de frango de: QFm = 22,23 kg. Este seria 
o consumo médio caso o preço e o SM fossem congelados nestes níveis. 
? O coeficiente -13,62, associado à variável preço, indica a magnitude da mudança na 
quantidade demandada QF, para o aumento no preço PF de R$1,00. Se o preço aumenta de 
R$1,00/kg, a quantidade demandada tende a cair de 13,62 kg/hab/ano, mantendo o SM 
constante. 
? O coeficiente 0,145, associado ao SM, indica a mudança na demanda de frango, quando o 
SM muda de R$1,00. Se o SM aumenta de R$1,00, a QF aumenta de 0,145 kg per capita, 
mantendo o preço constante. 
 
60
70
80
90
100
13.0 16.5 20.0 23.5 27.0 30.5 34.0
Quantidade (kg)
Sa
lá
rio
 m
ín
im
o 
(R
$)
Relação renda demanda de frango
Linear (Relação renda demanda de frango)
 
Figura 2.7 – Comportamento da demanda de carne de frango em função da renda, 1990/2001. 
 
 
Admitindo que o SM aumentasse em 25% (R$ 99,05), representar esta situação em um 
gráfico. A figura 8 ilustra essa situação (Figura 2.8). 
 
 
 
27
10
15
20
25
30
35
40
1.00 1.20 1.40 1.60 1.80 2.00 2.20 2.40
Preço do frango (R$/kg)
Q
ua
nt
id
ad
e 
de
 fr
an
go
 (k
g/
ha
b) Dfrango
Dfrango SM
 
Figura 2.8 – Mudança na curva de demanda de carne de frango em função do aumento de 25% no 
SM. 
 
A linha azul é construída, substituindo o SM médio na equação de demanda, que resulta na 
seguinte equação: 
QF = 30,63 – 13,62 PF + 0,145 (79,24) = 42,12 – 13,62 PF 
A linha vermelha é construída fazendo a substituição do SM, acrescido de 25%, na equação 
de demanda para obter-se o seguinte resultado: 
QF = 30,63 – 13,62 PF + 0,145 (99,05) = 44,99 – 13,62 PF 
O aumento de 25% no SM produz uma mudança na linha de demanda para cima e para a 
direita de 6,81% {[=(44,99/42,12)-1]100}, que é representado pela diferença entre os interceptos das 
equações, ou seja, a diferença no consumo médio, uma vez que a inclinação da reta não muda. 
A inclusão da renda produz duas alterações na equação de demanda inicial, que inclui 
apenas a influência do preço: a primeira é que o intercepto torna-se ligeiramente menor, passando de 
42,93 kg para 42,12 kg; a segunda é que a renda torna as quantidades demandadas menos sensível 
às mudanças nos preços, vez que a inclinação diminuiu de 14,2 kg para 13,62 kg, quando o preço 
muda de R$1,00. 
 
2.3.1.3 Análise da demanda, incluindo a renda e um produto substituto 
Outra força que determina a demanda por bens e serviços é o preço dos produtos substitutos. 
Produtos substitutos, como a renda, são deslocadores da demanda. A carne de boi pode ser 
considerada como um produto substituto para a carne de frango, no período de 1990/2001. 
Demanda: QF = 10,18 – 19,81 PF + 7,69 PB + 0,255 SM. 
Análise dos resultados: 
? O sinal positivo para o coeficiente 7,69, associado à variável preço da carne de boi, indica 
que os produtos carne de boi e carne de frango são substitutos. 
? Quando o preço da carne de boi aumenta de R$1,00, a demanda por carne de frango tende a 
aumentar de 7,69 kg/hab/ano, mantendo constantes o preço do frango e o salário mínimo. 
Por que isto tente a ocorrer? 
? Quando o preço da carne de boi aumenta, os consumidores de carne de boi tendem a 
diminuir a quantidade demandada, fazendo a substituição por outras carnes como a de frango 
cujos preços não aumentaram ou aumentaram menos. 
 
 
28
Substituindo-se o valor médio das variáveis PB = R$2,70/kg e SM = R$ 79,24 na demanda, 
tem-se: 
Demanda: QF = 51,15 – 19,81 PF 
Observa-se que o produto substituto alterou substancialmente tanto o intersepto quanto a 
inclinação da demanda. O consumo médio passou de 42,12 kg/hab para 51,15 kg/hab, aumento de 
21,44%; a inclinação também mudou muito, passando de 13,62 kg para 19,81 kg, ou seja, tornou a 
demanda mais sensível às variações de preço. 
Se o preço da carne de boi aumenta de R$ 1,00, passando para R$ 3,70/kg (aumento de 
37,04%), qual a magnitude desse impacto no consumo de carne de frango? O resultado é o seguinte: 
QF = 10,18 -19,81 PF + 7,69 (3,70) + 0,255 (79,24) = 58,84 – 19,81 PF, gerando um aumento no 
consumo de 7,6 kg/hab (=58,84 – 51,15), equivalente a 15,03%. 
 
Análise da demanda, incluindo a renda e um produto complementar. 
Os produtos complementares são aqueles que variam na mesma direção, ou seja, se o 
consumo de um produto aumentar, automaticamente o consumo do complemento também deve 
aumentar. O peixe parece ser um produto complementar do frango no consumo do brasileiro. A 
demanda, para o período 1990/01, é a seguinte: 
Demanda: QF = 44,29 – 15,98 PF – 3,5 PP + 0,137 SM 
Análise: 
? O sinal negativo para o coeficiente - 3,5, associado ao preço do peixe, indica que os produtos 
carne de frango e peixe são complementares no consumo, na década de 90. Neste caso, 
para cada aumento de R$1,00/kg no preço do peixe, a demanda de frango tende a cair de 3,5 
kg/hab/ano, mantendo constantes o preço do frango e o SM. 
Substituindo-se o valor médio das variáveis PP = R$2,74/kg e SM = R$ 79,24 na demanda, 
tem-se: 
QF = 45,56 – 15,98 PF 
Observa-se que o produto complementar alterou substancialmente tanto o intersepto quanto 
a inclinação da demanda. O consumo médio passou de 42,12 kg/hab para 45,56 kg/hab, aumento de 
8,17%; a inclinação também mudou muito, passando de 13,62 kg para 15,98 kg, ou seja, tornou a 
demanda mais sensível às variações de preço. 
Se o preço do peixe aumenta de PP = R$ 1,00, passando para PP = R$ 3,74/kg (aumento de 
36,5%), qual a magnitude desse impacto no consumo de carne de frango? O resultado é obtido da 
seguinte maneira: QF = 44,29 -15,98 PF – 3,5 (3,74) + 0,137 (79,24) = 41,82 – 15,98 PF, tem-se uma 
redução no consumo da ordem de 3,64 kg, equivalente a 8,21%. 
2.3.2 Oferta: conceito, análise e aplicação 
A segunda força que determina o preço de mercado é a oferta. A oferta representa a 
quantidade dos bens ou serviços que os produtores desejam e podem ofertar, aos vários preços de 
mercado, em dado período de tempo, ceteris paribus. 
Ao contrário do que ocorre com a demanda, a quantidade ofertada tendem a aumentar 
quando o preço do produto ou serviço aumenta. A esse fato se denomina de lei da oferta (Figura 2.9). 
Esta lei pode ser representada por uma equação matemática ou por uma tabela de dados. A 
equação da reta de oferta é dada por: 
Oferta: Qx = - c + d Px 
Qx é a quantidade ofertada do produto X, medido em unidades físicas (kg, @, t, sc, etc.); 
Px é o preço real do produto X, medido em unidades monetárias (R$/kg, R$/@, R$/t, etc.); 
- c é o coeficiente linear da reta e o sinal negativo indica que só haverá produção a preços 
diferentes de zero e positivo, é medido em unidades físicas; 
 
 
29
d é a magnitude da mudança na quantidade ofertada de X, quando o preço muda de uma 
unidade, também conhecido como inclinação da reta. 
• Atenção: O ponto onde a linha de oferta corta

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