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LIVRO DE ECONOMIA RURAL Utilizado na UFRAACS - Livro gtz[1]

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é a entrega direta da produção à agroindústria seja 
mediante contrato formal, compra à vista ou contrato informal. Nos dois últimos casos, não há uma 
compreensão sobre os ganhos econômicos globais que a gestão da cadeia produtiva pode gerar, 
uma vez que cada membro envolvido na produção ou intermediação do produto tenta, de forma 
isolada, obter lucro, mesmo que à custa de outros membros da cadeia. É este o caso dominante na 
região amazônica para frutas, madeira, pescado, carne, leite, grãos, etc. 
A tecnologia de produção é, para grande parte dos pequenos e médios produtores, 
ultrapassada e o grau de organização desses produtores é baixo, formando uma estrutura do tipo 
atomizado, de modo que suas ações individuais de compra e venda não influenciam os preços do 
mercado. Atuando dessa forma, cria-se uma situação em que a informação sobre o mercado torna-se 
cada vez mais assimétrica em relação aos demais agentes que atuam na cadeia de suprimento. Isto, 
fatalmente, leva a uma negociação que desfavorece o produtor. 
Os ganhos e distribuição dos resultados que devem ser obtidos com a integração da 
produção regional a processos industriais e aos mercados nacionais e internacionais estão 
subordinados ao equacionamento de questões básicas como o aumento do número de 
empreendedores rurais (reunir, organizar e remunerar os recursos de produção; assumir riscos; 
atender as legislações ambiental e trabalhista, etc.), disponibilização de tecnologia apropriadas ao 
ambiente operacional dos pequenos produtores, organização dos produtores e a infra-estrutura de 
apoio. 
5.3.5 Fornecedores 
Os fornecedores são empresas ou organizações que ofertam insumos, bens de capital e 
serviços para os produtores e as agroindústrias. Os produtos fornecidos para os produtores rurais 
incluem: insumos (sementes, sêmen, adubos, inseticidas, fungicidas, herbicidas, corretivos de solo, 
fertilizantes, vacinas, medicamentos, sacaria, arame, combustível, lubrificante, etc.); ferramentas e 
implementos (moto-serra, enxada, foice, terçado, machado, seringa, arado, grade, arreios, 
apetrechos de pesca, motor, etc.); bens de capital (trator, colhedeira, carroça, caminhão, máquina 
 
 
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forrageira, computador, impressora, etc.); serviços (energia elétrica, telefone, Internet, assistência 
técnica, transporte, etc.). 
Entre os fornecedores de insumos e bens de capital e embalagens para o setor produtivo 
rural estão a Basf, Bunge Fertilizantes e Bayer da cadeia de produtos químicos, a John Deere da 
cadeia de máquinas e equipamentos, a Random da cadeia de montagem de veículos e peças, a 
Pirelli Pneus da cadeia de borracha e plástico, a Aché e Schering-Plough da cadeia de produtos 
farmacêuticos e veterinários, a Vicunha de produtos têxteis, a Aracruz, Votorantim e Suzano da 
cadeia de papel e celulose, a Cargil e Agroceres na cadeia de sementes, que figuram entre as cem 
maiores empresas do agronegócio brasileiro. 
Essas empresas são estruturadas em oligopólios, de modo que suas ações individuais 
alteram os preços de mercado. Isto torna a barganha difícil, por parte dos produtores, no que se 
refere aos preços dos insumos. Infelizmente, o produtor não conhece o preço de custo dos insumos, 
portanto as compras efetivadas tendem a produzir um valor de excedente para o fornecedor bem 
maior do que deveria ser numa situação em que as informações fossem simétricas. 
Os produtos fornecidos para as agroindústrias envolvem os seguintes itens: insumos 
(embalagens, aditivos químicos, corantes, etiquetas, fios, papel, cola, adesivos, tintas, vernizes, 
pregos, termômetros, combustível, lubrificantes, isopor, gelo, etc.); bens de capital (máquinas, 
equipamentos de precisão, balanças, computador, impressora, móveis de escritório, etc.); serviços 
(energia elétrica, transporte, telefone, Internet, saúde, etc.). 
Neste caso, as negociações se dão entre empresas pertencentes a oligopólios, ficando a 
eficiência das transações a depender das soluções seqüenciais das barganhas efetivadas entre as 
partes. O nível de informação é maior, porém continua assimétrica. 
5.3.6 Legislação e regulamentação 
Existem várias normas que definem a legislação que regula as atividades desenvolvidas 
pelos agentes de cada estágio da cadeia produtiva. Dessas normas, as de influência diretas são as 
que definem a legislação trabalhista e a tributação dos produtos e insumos ao longo da cadeia 
produtiva. Mais recentemente ganharam peso as normas ambientais, que se transformaram em 
requisitos indispensáveis aos processos produtivos e aos produtos destinados aos mercados 
internacionais. 
As legislações trabalhista e ambiental, dada a sua maior fiscalização e interesse da 
sociedade, estão causando impacto positivo junto às instituições empregadoras e processadoras de 
produtos agropecuários e florestais, tendo algumas organizações implementado as normas da série 
ISO 9000 (qualidade total de produto e processo) e ISO 14000 (qualidade ambiental) e algumas 
outras estão implementando as normas da série IBD (Instituto Biodinâmico – que certifica processos 
de produção orgânicos no Brasil) para produtos orgânicos. 
Atualmente, qualquer projeto de implantação de agroindústria tem que constar o estudo de 
impactos ambientais. E o cumprimento de todos os requisitos de proteção ao meio ambiente pode 
render dividendo na venda dos produtos, uma vez que os produtos podem ser vistos como 
diferenciados por parte dos consumidores. Da mesma forma, os produtos oriundos de processos que 
atendem a todos os requisitos da legislação trabalhista, e quando envolve a distribuição de benefícios 
às comunidades pobres (emprego, saúde, educação) os produtos podem incorporar o selo social e 
serem comercializados como produtos diferenciados, principalmente, nos mercados internacionais. 
As Delegacias Regionais do Trabalho, vinculadas ao Ministério do Trabalho, estão na busca 
de eliminar o problema do trabalho escravo e de semi-escravidão nas fazendas de pecuária, 
exploração de madeira para carvão e agricultura, principalmente no Estado do Pará, onde 
ocorrências recentes aviltam o problema. Este esforço contribui para regulamentar o uso da força de 
trabalho, para a remuneração da mão-de-obra e assegurar os direitos trabalhistas associados com o 
pagamento dos encargos sociais, que garantem fundos para aposentadoria. Além disso, as unidades 
empregadoras livram-se da acusação de prática de dumping nas principais atividades produtivas 
brasileiras, justamente pelo fato da baixa remuneração da força de trabalho. 
Na mesma direção deve-se avançar no processo de organização da produção, para regular o 
processo de distribuição da terra e assegurar o direito de posse e uso dos recursos naturais. Isto 
exige o equacionamento dos problemas de assassinatos de lideranças rurais, o que tende a fragilizar 
o processo de integração agroindustrial da região amazônica. Observa-se que a implementação e 
 
 
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gestão de cadeias produtivas não é uma decisão trivial, recorre-se a uma política clara para orientar o 
desenvolvimento regional. 
O passo seguinte é fazer a descrição dos fluxos da cadeia de suprimento. Estes fluxos 
respondem pela dinâmica das negociações que se realizam entre os agentes de cada segmento da 
cadeia de suprimento, ao longo dos canais de distribuição que vai da fabricação do produto aos 
consumidores finais. Assim, inicialmente, passa-se a compreender um pouco sobre a dinâmica 
operacional dos canais de distribuição de produtos e serviços. 
5.4 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO OU REDE DE DISTRIBUIÇÃO 
Deve-se ter em vista que o estudo da cadeia de suprimento engloba a gestão das atividades 
de transformação de matérias-primas em produtos intermediários e produtos finais, e que fazem a 
entrega desses produtos aos clientes. Portanto as atividades da cadeia de suprimento envolvem as 
compras, manufatura, logística, distribuição, transporte