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LIVRO DE ECONOMIA RURAL Utilizado na UFRAACS - Livro gtz[1]

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monetário e de informação na 
cadeia de suprimento? 
As atividades da cadeia de suprimento iniciam com uma ordem ou pedido emanado pelo 
consumidor e findam quando o cliente é satisfeito e fecha negócio, pagando sua aquisição. 
Como é desencadeada a dinâmica de interação entre os estágios da cadeia de suprimento 
dos produtos indicados na Figura 1 (madeira, carne, leite, frutas, grãos e peixe)? 
1. O cliente ou consumidor entra no supermercado ou outra loja do varejo e efetiva a compra do 
produto (esta prática é realizada por vários clientes simultaneamente); 
2. O supermercado interage com o estoque da loja para reabastecer as gôndolas e, ao mesmo 
tempo, informa ao atacado para repor o produto, de acordo com a programação da demanda; 
3. O atacadista interage com o armazém, faz inventário do estoque e atende ao pedido do 
varejo e, imediatamente, emite um comando para a agroindústria fornecer o produto na 
quantidade programada para repor o estoque; 
4. A agroindústria recebe o pedido do armazém e atende ao pedido com o produto estocado na 
fábrica ou que está sendo processado e, em seguida, emite o comando para os fornecedores 
de matéria-prima e insumos; 
5. Os produtores (isolados ou organizados em cooperativas) recebem o pedido e se programam 
para atender no tempo adequado. De acordo com o pedido, emite-se comando para os 
fornecedores de insumos agrícolas, tecnologia, assistência técnica, financiamentos, etc. 
6. A interação continua ... 
Estas interações formam ciclos de negociação, estabelecidos na interface entre os estágios 
da cadeia de suprimento (Figura 5.4). 
 
 
 Figura 5.4 – Interação entre os estágios da cadeia de suprimento. 
 
Qual o objetivo da cadeia de suprimento? 
O objetivo principal da cadeia de suprimento é maximizar o valor adicionado gerado em toda 
a cadeia de suprimento. O valor adicionado é a diferença entre o montante final que o cliente pagou 
pelo produto e o esforço realizado para atender adequadamente ao seu pedido. Na cadeia de 
suprimento, não é interessante observar apenas o desempenho dos membros de um elo da cadeia 
de suprimento, mas o global, uma vez que se busca a integração em que cada membro compartilha 
com as ações que levam ao desempenho global da cadeia. 
Exemplo: Os R$ 19,00/kg de filé de pescada amarela que o consumidor pagou no 
supermercado corresponde ao valor final que a cadeia de suprimento recebe. A diferença entre esse 
Fornecedor 2 Agroindústria 2 Atacado 2 Varejo 2 Cliente 2 
Fornecedor 1 
Fornecedor 3 
Agroindústria 1 
Agroindústria 3 
Atacado 1 
Atacado 3 
Varejo 1 
Varejo 3 
Cliente 1 
Cliente 3 
 
 
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valor e a soma dos custos realizados ao longo de toda a cadeia de suprimento para pescar, 
transportar, beneficiar, embalar, estocar e distribuir representa a lucratividade da cadeia de 
suprimento. 
Ao longo da cadeia, para o peixe pescada amarela inteiro, apenas eviscerados e congelados, 
têm-se os seguintes valores de venda: 
 
 
 
 
Nos níveis de pescador e intermediário o pescado é in natura, apenas conservado no gelo. A 
agroindústria eviscera, limpa, congela e empacota. O supermercado conserva o pescado congelado 
em gôndolas e em câmeras frias, e vende diretamente ao consumidor. 
Assim, se a análise for realizada apenas em nível de agroindústria, o valor da cadeia de 
pescada seria subavaliada, uma vez que deixaria de contemplar o último e mais importante lance da 
operação comercial que seria o lance dado pelo consumidor, que paga R$13,00 por cada quilo de 
pescada amarela que adquire. Cabe lembrar que para a determinação do lucro em cada etapa, 
precisa-se diminuir o custo unitário de produção. Em nível de pescador, os custos envolvem as 
despesas com combustível, apetrechos de pesca, salário de mão-de-obra, manutenção e 
depreciação do barco e gelo. Assim, para que o pescador obtenha lucro, os R$3,00 que recebe por 
quilo de peixe entregue a intermediário devem superar os custos, caso contrário toma prejuízo e 
compromete o desempenho da cadeia para frente. Os custos do intermediário envolvem o pagamento 
de salário à mão-de-obra, gelo, combustível, imposto e custos de transação. 
Os custos da agroindústria são compostos de custos fixos (depreciação e manutenção de 
instalações e bens de capital, salário de mão-de-obra permanente, impostos, etc.) e custos variáveis 
(gelo, energia elétrica, mão-de-obra temporária, embalagens, matéria-prima, insumos, transporte, 
impostos, etc.) e os custos de transação, envolvendo contratos e/ou acordos para aquisição do peixe 
e para o fornecimento do produto. Nos supermercados, os custos são compostos de energia elétrica, 
depreciação e manutenção de gôndolas, mão-de-obra, embalagens, custos de transação e serviços 
de venda. Em todas as etapas há perdas e riscos, que são computados como custos. O que sobra da 
remuneração desses custos é o lucro bruto. Lembre-se que o interesse maior para a gestão da 
cadeia é a soma dos lucros obtidos em cada elo da cadeia e não apenas o lucro obtido em uma das 
etapas. Sendo assim, o sucesso da cadeia de suprimento não pode ser medido com base apenas no 
lucro individual obtido em um estágio. 
Com efeito, deve-se observar que na cadeia de suprimento, a única fonte de renda é o 
cliente, pois representa o único ponto real positivo do fluxo de caixa da cadeia de suprimento. 
Como é sabido, o fluxo monetário é a contrapartida das transações comerciais de produto. 
Em cada transação, um membro da cadeia fornece o produto e o outro retribui com o valor em 
dinheiro, efetivando simultaneamente os dois ciclos. Sabe-se, também, que uma parcela do valor em 
dinheiro que o cliente pagou ao varejista pelo produto é repassada ao atacadista. A transferência 
deste dinheiro envolve custo e informação. O mesmo também na transferência de produto e de 
informação entre os agentes da cadeia de suprimento. Em função disso, a gestão desses fluxos é a 
chave para o sucesso das cadeias de suprimento. 
O gerenciamento da cadeia de suprimentos, além de coordenar o fluxo de informações, 
dinheiro e produto entre todos os componentes da cadeia, tem por objetivo ligar os elos da cadeia e 
permitir que todos tenham acesso às informações de que precisam o mais perto possível do tempo 
real. Para isso, é necessário adotar dois sistemas: um para fazer o planejamento de recursos das 
empresas (ERP, do inglês Enterprise Resource Planning), que torno os negócios mais eficientes; e 
outro para fazer o gerenciamento das relações com o cliente (CRM, de Customer Relationship 
Management), que ao controlar com eficiência pedidos, vendas, atendimento e marketing, tende a 
fidelizar o cliente. A partir disso, a rede de empresas articuladas e geridas por esses sistemas é 
fortalecida, facilitando a identificação e remoção de gargalos, utilização dos pontos fortes e 
Pescador 
R$3,00/kg 
Intermediário 
R$5,00/kg 
Agroindústria 
R$9,00/kg 
Supermercado 
R$13,00/kg 
 
 
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incorporando as oportunidades que se apresentam, de modo a afastar as ameaças e produzir um 
resultado positivo para toda a cadeia de suprimento. 
Quais são as fases de decisão que se desencadeiam em cada elo da cadeia de 
suprimento? 
As fases de decisões da cadeia de suprimento podem ser categorizadas em estratégia 
(desenho), planejamento e operacionalização. 
1. Estratégia (desenho) da cadeia de suprimento: a empresa decide como estruturar a 
cadeia de suprimento, os seja, elege-se o canal de distribuição e determina-se a configuração 
de acordo com as etapas que se processam em cada estágio da cadeia em um horizonte de 
longo prazo. Decide-se sobre: 
a) Localização da empresa: próximo a mercado, fonte de recursos e infra-estrutura (modelos de 
programação matemática); 
b) Logística de transporte: combinação dos modais rodoferroviário, rodofluvial, na região 
amazônica; 
c) Sistema de

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