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LIVRO DE ECONOMIA RURAL Utilizado na UFRAACS - Livro gtz[1]

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para a formação da 
pastagem foi retirada toda a vegetação e para fazer a limpeza, geralmente, se utiliza o fogo. 
A Figura 1.8 exibe uma área preparada mecanicamente para o plantio de soja. Observa-se 
que a área está totalmente desprovida de vegetação e sem nenhuma proteção. Ao fundo, encontram-
se os silos para o beneficiamento e armazenamento da produção. A escala mínima para viabilizar 
esta infra-estrutura gira em torno dos 800 hectares de área cultivada. Na Amazônia, em função da 
legislação ambiental que só permite desmatar 20% da área, o produtor necessitaria de uma área de 
4.000 hectares de terra. 
 
 
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Figura 1.7 - Produção integrada ou moderna em Rurópolis Pará. Foto de Max. 
 
 
 
Figura 1.8 – Agricultura integrada ou moderna em Belterra Pará. Foto de Max. 
 
1.3.4 Agricultura de precisão 
A agricultura de precisão surge como necessidade de manter o lucro da agricultura moderna, 
mediante a redução de custo de produção por aumentar a precisão e o controle do uso de insumos e 
da tecnologia de produção. Consiste então em empregar tecnologia da informação e conhecimento 
para fazer uso preciso dos insumos e evitar desperdício. O produtor deve mapear sua área e 
subdividi-la em talhões homogêneos quanto às suas características físicas e químicas. As 
informações são armazenadas em banco de dados para gerar padrões de análise e comparação em 
relação ao nível ideal de que necessita para o desenvolvimento de cada cultura. Assim, a imagem de 
satélite revela um determinado talhão está com deficiência de nitrogênio ou com um início de ataque 
de pragas. 
 
 
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O produtor, de posse dessa informação, corrige o solo ou combate a praga apenas naquele 
talhão, economizando uma adubação nitrogenada em toda a área ou faz a pulverização. Com isto, as 
experiências indicam que a redução no uso de adubo ou de agrotóxico chega a mais de 20%. 
Empregam-se também plantas geneticamente modificadas para desenvolver resistência a pragas e 
doenças e ainda não ser afetada pelo uso de dado herbicida para o controle de ervas, gerando uma 
redução de custo de até 30% em relação ao cultivo tradicional. Isto é a fronteira no uso de 
conhecimento e informação na agricultura. As características dessa agricultura são apresentadas em 
seguida. 
a) Tamanho da unidade de produção ou porte do produtor: grande porte. Necessita-se de 
uma área grande e contínua para racionalizar o uso da tecnologia (máquinas, banco de 
dados, imagem de satélite, etc.). 
b) Força de trabalho: mão-de-obra contratada e com alto nível educacional e alta habilidade 
técnica. É uma atividade conduzida por profissionais (agrônomos, veterinários, zootecnistas, 
contadores, administradores, técnicos agrícolas, etc.). 
c) Tecnologia de produção: mecanizada, química, tecnologia da informação e do 
conhecimento. Uso intensivo de informática, imagem de satélite, geoprocessamento e 
georeferenciamento, banco de dados, etc. Faz uso da mecanização em qualquer fase da 
lavoura, monitorado por imagem de satélite. As máquinas são importadas e de preço elevado, 
assim como o quite de informática e a geração de banco de dados sobre a cultura e a área da 
unidade de produção. Testes utilizando a pulverização de precisão por avião já se iniciou na 
Amazônia, no Estado do Mato Grosso, nos plantios de soja, com redução de custo estimada 
em mais de 20%. Esta tecnologia permite colher e identificar diretamente a qualidade do 
produto e a produtividade do talhão. Na pecuária, esta tecnologia entra com a implantação de 
um chip que permite o armazenamento de dados sobre o estádio do animal, sua origem, 
localização, etc. 
d) Destino da produção: Toda a produção é destinada ao mercado. A venda ocorre no 
mercado de futuros (bolsa de mercadorias), onde as agroindústrias adquirem a produção, 
assim como diversos agentes especuladores. 
e) Forma de produção: monocultura. 
f) Tipo de produto: grãos mecanizados (arroz, milho e soja), pomares de laranja, plantios 
florestais, pecuária de corte e de leite. 
g) Impacto ambiental: moderado a baixo. Com a determinação das necessidades de uso de 
adubo e de agrotóxico com maior precisão, a quantidade de insumos aplicados na lavoura 
diminui, o que reduz o impacto sobre o meio ambiente. 
Um outro tipo de unidade produtiva em expansão no mundo e no Brasil é a agricultura 
plural, também chamada de pluriatividade. Neste tipo de unidade produtiva, combinam-se atividades 
rurais com outras atividades não-agrícolas na composição da renda, que são desenvolvidas por 
membros da família e/ou com a ajuda de mão-de-obra contratada. Portanto, é um mix das várias 
unidades de produção apresentadas. Não há limites quanto aos itens utilizados na caracterização das 
unidades de produção acima. A produção agropecuária e florestal pode ser familiar, moderna ou de 
precisão, a mão-de-obra pode ser predominantemente familiar ou contratada, a tecnologia pode ser 
rudimentar ou motorizada, a forma de produção pode ser diversificada ou monocultura, o destino da 
produção pode ser para o autoconsumo ou para o mercado. O traço desta agricultura é que boa parte 
da renda é oriunda de atividades não-agrícolas. 
Uma unidade de produção onde se produz peixe em cativeiro e se combina essa atividade 
com as atividades de lazer na forma de pesque e pague e/ou restaurante para a população, é 
considerada uma unidade de produção plural, pois além da produção de peixe se desenvolve a 
atividade serviço e lazer. Em outras unidades produtivas se combina a atividade agrícola com o 
trabalho no serviço público ou empresa, serviços de mecânica, adaptação de áreas da propriedade 
com trilhas para turistas, etc. Outros combinam ainda as atividades agrícolas com a oferta de mão-
de-obra e comércio ou venda da produção na feira. 
O importante é que neste tipo de unidade de produção, bastante freqüente na região 
amazônica, boa parte da renda é gerada nas atividades não-agrícolas. Nas comunidades ribeirinhas 
da Amazônia, é comum a combinação das atividades de pesca, agricultura, pecuária e a prestação 
de serviços de barco para transporte de safra e de passageiros, assim como a atividade de comércio. 
 
 
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É freqüente, também, nas unidades produtivas, algum membro da família que complementa a renda 
da família vendendo a força de trabalho e outros atuando como professor no local. 
Até aqui, dois pontos fundamentais do conceito de economia rural foram apresentados: a 
identificação e alocação dos fatores de produção, e os principais tipos de atividade rural onde tais 
fatores produtivos são utilizados, de acordo com a tecnologia disponível. Mostrou-se também o 
significado do termo escassez ou limitação de recursos para emprego imediato nas atividades 
produtivas, quando o mercado sinaliza, tendo como barreira o Estado da arte tecnológica. 
1.4 QUESTÕES ECONÔMICAS 
A compreensão do conceito de Economia Rural ajuda ao tomador de decisão a se preparar 
para responder as seguintes questões fundamentais da economia: 
a) O que e quanto produzir? 
b) Como produzir? 
c) Para quem produzir? 
Estas questões estão presentes no dia a dia dos agentes econômicos, que tomam decisão de 
alocar recursos escassos em atividades alternativas, para satisfazer os desejos e preferências 
individuais ou coletivas, como o produtor familiar de arroz que tenta maximizar seus lucros fazendo 
uso da mão-de-obra familiar, terra e máquinas disponíveis na propriedade, o governo que tenta alocar 
seus gastos, força de trabalho dos funcionários, máquinas e conhecimento para atender as 
necessidades coletivas por saúde, educação, segurança, qualidade de vida, etc. 
A primeira destas questões envolve uma decisão de caráter econômico, pois remete o 
tomador de decisão a fazer a escolha de qual atividade deve produzir e em que quantidade. Para 
apoiar esta decisão, precisa-se fazer um estudo sobre o mercado de produtos

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