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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMI-ÁRIDO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS AMBIENTAIS TECNOLÓGICAS DOCENTE: MARCELO TAVARES GURGEL DISCENTE: TALITA DUARTE P LEMOS GEOLOGIA APLICADA À ENGENHARIA RELATÓRIO – AULA PRÁTICA MOSSORÓ- RN INTRODUÇÃO O relevo potiguar, localizado geotecnicamente na Província da Borborema, compõe-se de diversas formas geológicas como chapadas, planícies, depressões e tabuleiros, sendo, portanto um ambiente propício para o aprendizado e observação das diversas etapas de formação da litosfera terrestre. (Angelim et al, 2007). Apresenta rochas formadas no período pré-cambriano datadas em mais de 2 bilhões de anos, que ocupam cerca de 65% da superfície do estado assim como rochas sedimentares mesocenozóicas que recobrem a porção restante. Por isso, durante o processo de aprendizado da disciplina de geologia referente ao conteúdo que trata dos tipos de rochas, faz-se necessário reconhecer as estruturas das unidades litoestratigráficas bem como a descrição e interpretação na prática da observação das rochas ao longo da Br-304. O seguinte trabalho aborda uma aula prática realizada no trecho da BR-304 no estado do Rio Grande do Norte, compreendido entre os municípios de Mossoró e Angicos. A viagem contou com sete paradas em pontos diferentes, sendo que a última foi no Pico do Cabugi, que é uma das maravilhas e importantes formações geológicas do Rio Grande do Norte. OBJETIVO O objetivo dessa aula foi conhecer de perto as rochas e minerais da nossa região, entender como ocorre e ocorreram os processos geológicos, as características físicas das rochas e terrenos de diferentes tipos existentes no estado, maior interação com a mudança de terrenos que ocorre num curto caminho e a importância do Pico do Cabugi. DESENVOLVIMENTO Às seis horas da manhã do dia 21 de julho do ano de 2018 iniciou-se a I Aula Prática da turma 01 de Geologia Aplicada à Engenharia da UFERSA, acompanhada pelo Professor Marcelo Tavares Gurgel. O percurso foi transcorrido no ônibus da instituição, o qual fez 07 paradas estratégicas no percurso que une as cidades de Mossoró e Lajes. Em cada um dos locais foi abordado um tipo diferente de formação rochosa e de solo. O percurso teve como última parada a base do Pico do Cabugi. A primeira parada ocorreu na localidade da depressão periférica da Chapada do Apodi, onde há o afloramento do calcário Jandaíra (figura 1), rocha sedimentar de precipitação química especialmente por carbonato de cálcio e de magnésio, do período Cretáceo, que varia mais ou menos de 90 a 120 milhões de anos atrás, ela é uma prova de que essa região era banhada pelo mar, então houve a separação dos continentes e formou-se o Oceano Atlântico. O calcário Jandaíra formou-se justamente por causa da precipitação de sais, sais esses que existiam naquele ambiente marinho e iam se precipitando, formando esses bancos de calcário, e eles são inclinados assim para o oceano. Além disso, o fato de ser formada de carbonatos a torna uma rocha mole, que pode ser riscada com metal facilmente. Figura 1: Região de afloramento do calcário Jandaíra. Fonte: Autoria própria. Os carbonatos dessa região são muito estudados. O carbonato de cálcio e o carbonato de magnésio, por exemplo, devido à pureza, à abundância, estão entre os melhores do mundo, para emprego por exemplo, na construção civil, produção de cal, cimento, porcelanato, brita (apesar de ser menos resistente). Outra importância muito grande nessa região, dessas rochas, é que elas servem como aquífero. Pois, a água da chuva entra na rocha e causa intemperismo, dissolvendo, criando galerias, e então essas rochas armazenam água, que o aquífero guarda em ambientes de caverna, acontecendo um intemperismo químico. Como antes o clima era diferente, chovia muito mais, foram criadas muitas cavernas nessa região, dentro dessas cavernas há água, uma água salgada por dissolver os sais dessa rocha, chegando a ter 3 ou 4 dS (a água potável possui 0,5 dS). Apesar de ser salgada, é muito empregada na agricultura da região, como o cultivo de melão e consumo animal. Além do uso na construção civil e na irrigação, é nesse tipo de rocha que encontra-se muitos fósseis, alguns animais que existiam no ambiente marinho, iam sendo cobertos rapidamente por sedimentos e aí iam sendo fossilizados. A segunda parada foi em um ponto de afloramento do Arenito Açu (figura 2), que é formado pela deposição de sedimento, onde neste caso o constituinte principal é a areia, que foram sendo depositadas, pressionadas, até formar rochas arenosas. Toda a água que entra nesta rocha é filtrada, entretanto quem dá a qualidade desta água filtrada é o teor de argila presente na sua constituição, portanto, quanto maior o teor de argila maior será o grau de pureza desta água. Outra importância desta rocha é que nela também pode ser armazenada o petróleo, nesta rocha também comprova que nesta região um dia já foi um deserto de areia. Figura 2: Presença do arenito sob a rocha calcária e detalhe da rocha à direita. Fonte: Autoria própria. Está presente também tipos rochosos classificados como folhelhos, conhecidos como rochas selantes, caracterizam-se pela presença de argila plástica (figura 3), e também como rocha quebradiça, ela fica localizada entre o calcário e o arenito. Se por um lado o arenito aponta para a presença de ambiente desértico, os folhelhos apontam para a presença de ambiente marinha, uma vez que sua formação se d á pela deposição de sedimentos detríticos em áreas oceânicas de águas tranquilas. Figura 3: Presença de fissuras no folhelho indica a presença de material expansível. Fonte: Autoria própria. Na terceira parada teve como referência uma região cristalina próxima ao vale do Açu, onde foi deparado com a rocha sedimentar, denominada de Formação Moura ou Conglomerado (figura 4). Esse material é recente (formado no período terciário), onde ele foi carregado pela ação da água (Rio Piranhas-Açu), pelo qual veio rolando durante longas distâncias, que também é conhecido como seixo rolado, devido ao seu formato arredondado. Esse material de solos aluviais, são justificados pela ação dos rios, onde esta região é caracterizada pela exploração de argila, bem como a utilização para construção de aterros (conhecida como piçarra), na construção civil, dentre outros ramos. Estes solos que apresentam essa característica são de difícil cultivo de vegetações, por serem rasos, e constituídos basicamente por óxidos. Figura 4 Conglomerados de seixos rolados da formação Moura. Fonte: Autoria própria. Na quarta parada, foi encontrada rochas Cristalinas (metamórficas e ígneas), onde apresenta um paralelismo de minerais, sendo esta a principal característica das rochas metamórficas. Nas rochas metamórficas, nesse caso as gnaisses (figura 5), há uma mistura entre minerais escuros e claros, que tem origem a partir do granito. Essa rocha sofreu com intensos fatores internos, ou seja, sofreu um intenso metamorfismo. Uma característica dos gnaisses é sua clivagem plana, é uma rocha muito usada na construção civil e também por causa da sua resistência, sua mineralogia é constituída basicamente de minerais primários, como feldspatos, possui micas brilhando e quartzo também, anfibólios e piroxênios. São minerais formados pelo resfriamento do magma, onde o granito sofreu metamorfismo e deu origem a essa rocha. Figura 5: Rocha Gnaisse. Fonte: Autoria própria. Uma das condições que pode aparecer nessa região são aquíferos, mas aquífero nela é chamado de tectônico ou estrutural, vê-se que as rochas são impermeáveis, mas em alta profundidade, se a rocha tiver quebrado nessa falha geológica, a água pode entrar nessas fendas e ficar confinada lá dentro, a desvantagem é que pode secar rapidamente, a recarga é mais complicada, diferente dos da região de Mossoró. Porém, a vantagem dessa região é que nela podem ser construídos reservatórios, porque nessa região temos a base, que possui granitos, gnaisses,que dá para construir os reservatórios. Na quinta parada, observou-se a rocha ígnea, conhecida como pegmatito (figura 6), essa rocha foi formada em alta profundidade e resfriamento lento do magma. É chamada de pegmatito por conter minerais grandes, o mineral que se destaca é o de feldspato, mas também possui micas de bandagem planar e depois pode sofrer intemperismo e formar argilas, bem como potássio. O solo também é raso, constatado pelo fato de as rochas estarem quebradas, que houve um alívio de pressão, bem como o calor também contribuiu para isso, e vai havendo a degradação da rocha, um intemperismo. Figura 5: Pegmatito. Fonte: Autoria própria Outro fato importante que acontece com essa rocha é o que chamamos de encaixante (figura 7). Ela é chamada assim porque a placa tectônica se rompeu, o magma veio do interior da Terra e preencheu esse espaço. Figura 7: Rocha encaixante. Fonte: Autoria própria. A sexta parada foi no município de Fernando Pedrosa, sertão central do Cabugi. Observa-se que essa região possui como característica rochas na superfície, e as que se destacam são justamente os granitos (figura 8), rochas ígneas, formadas em profundidade, caracterizada por um resfriamento lento do magma. Entretanto, nessa região o resfriamento do magma aconteceu mais próximo da superfície, mais rápido que o resfriamento que deu origem aos pegmatitos. Granitos são minerais parecidos com grãos, possuem aproximadamente o mesmo tamanho, são uma das rochas mais abundantes no nosso planeta. Nessa região, por ser uma região de intemperismo mais forte, principalmente graças à temperatura, as rochas sofrem bastante, nota-se que o intemperismo é esferoidal (casca de cebola), vão descendo capas na rocha, por isso elas têm esse formato bem arredondado. Figura 8: Granito. Fonte: Autoria própria. Na sétima parada, chegou-se ao Pico do Cabugi (figura 9), uma das formações geológicas mais jovens do Brasil, possui em torno de 20 a 25 milhões de anos, foi formado graças a uma ruptura da placa geológica sul-americana, dando um caminho para o magma subir. É o único vulcão extinto do Brasil que ainda mantém uma de suas saídas. Ele é um importante monumento natural do estado, apontado como um dos únicos edifícios vulcânicos do território brasileiro a preservar sua forma original. Em termos geológicos o Pico é um divisor de águas entre as bacias dos rios Ceará - Mirim e Salgado. O Pico se eleva a cerca de 500 acima do nível na planície, sendo um dos pontos mais elevados do Rio Grande do Norte. É uma rocha muito suscetível ao processo de intemperismo, pode liberar ferro, etc. A rocha vai se oxidando por causa do intemperismo e origina solos escuros. Na base do pico encontram-se muitas gnaisses, rochas que sofreram metamorfismo por causa do calor. Historicamente, foi o primeiro local visto pelos portugueses quando estes chegaram ao Brasil, sendo esta teoria provada pelas Forças Armada, relatos de Portugal, etc. Vale destacar que é possível que o pico do Cabugi fique ativo novamente, basta que a placa tectônica se desestabilize. Figura 9: Pico do Cabugi. Fonte: Autoria própria. CONSIDERAÇÕES FINAIS 7 A aula prática trouxe um aprendizado de fundamental importância para a compreensão dos tipos e origens das riquezas minerais do território potiguar, além dos aspectos físicos das rochas, os aspectos históricos e ambientais do lugar. Durante a visita e durante a elaboração do relatório final pode-se observar que no estado do Rio Grande do Norte existe uma grande variação da sua formação rochosa, podendo encontrar rochas de formação recente até rochas com bilhões de ano como rochas ígneas. Possibilitou-se também conhecer as duas formações rochosas que dão origem aos dois principais aquíferos (Jandaíra e o Arenito Açu) que abastecem o estado. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS