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FREUD E A ESFINGE No dia 6 de Maio de 1906, Freud fazia 50 anos. Para festejar este aniversário, os seus discípulos de Viena organizaram uma festa íntima na qual iam oferecer ao mestre uma medalha gravada especialmente com esse motivo. Numa das suas faces via-se o perfil de Freud e no outro Édipo, o célebre personagem da lenda grega, respondendo aos enigmas da Esfinge. Na borda da medalha tinham mandado gravar este verso do Édipo Rei de Sófocles: «Resolveu o famoso enigma e foi um homem de grande poder.» Ernest Jones, o conhecido biógrafo de Freud, conta que aconteceu um curioso incidente no momento de oferecer a medalha a Freud. Ao ler a inscrição, este ficou branco como a cera e com voz tremula e apagada perguntou quem tivera a ideia. Parecia ver um fantasma perante os seus olhos assombrados e, de certo modo, pode dizer-se que era isto o que acontecia. Federn, um dos seus alunos, disse que fora ele quem escolherá o verso da tragédia grega. Então Freud explicou algo surpreendente: quando estudava em Viena, disse, tinha o costume de passear pelo pátio da Universidade, comtemplando os bustos dos professores célebres de tempos passados. Foi então, disse, que tinha imaginado ver não só o seu próprio busto entre os demais (o que não tinha nada de extraordinário num jovem cheio de ambição), como também um que tinha exatamente as mesmas palavras da medalha. Ao cabo de alguns anos, o próprio E. Jones preocupou-se em realizar aquele desejo de Freud, mandando à Universidade de Viena um busto do criador da psicanálise, esculpido por Königsberger em 1921. Mais tarde foi inscrito no pedestal o verso de Sófocles. Foi deste modo que se realizou, passados muitos anos, aquela curiosa fantasia do jovem Freud. Referencias.: Psicologia Diferencial, Jordi Bachs.