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2014 ASSEPSIA ESTADUAL VERSÃO FINAL (1)

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Questões resolvidas

DOMÍCIO pergunta se ALEXANDRE tem alguma novidade, tendo este respondido que sim. ALEXANDRE afirma que, na segunda-feira, apresentará o planejamento e aceita a orientação de DOMÍCIO para que apresente, antes, a “D. Dorinha”. ALEXANDRE diz que apresentará a esta no dia seguinte. O planejamento diz respeito à abertura de hospital, em Mossoró, pelo Governo do Estado.

Inscrita no CNPJ sob o nº 04.425.789/0001-83, representada por Francisco Malcides Pereira de Lucena, com sede na cidade de Fortaleza/CE, firmou três contratos de prestação de serviço com a Associação MARCA, tendo como objeto a terceirização de médicos nas especialidades de ginecologia, obstetrícia e anestesiologia. O primeiro contrato estabelecido entre a Associação MARCA e a Adventus, em 12/3/2012, teve como objeto os serviços de coordenação da equipe médica de ginecologia e obstetrícia, assim como a contratação de quatorze médicos gineco-obstetras, sendo dois por turno de plantão de 24 (vinte e quatro) horas, tendo como custo mensal o valor total de R$ 250.000,00 (duzentas e cinquenta mil reais). Outrossim, foi firmado um segundo contrato, também em 12/3/2012, referente à contratação de sete médicos anestesiologistas, sendo um por turno de plantão de 24 (vinte e quatro) horas, no valor mensal de R$ 125.000,00 (cento e vinte e cinco mil reais). Finalmente, foi firmado em 21/5/2012, pela Associação MARCA, o terceiro contrato com a empresa Adventus Group e Consultores Ltda., no valor mensal de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais), o qual tem como objeto a prestação de serviço de assessoria em gestão de saúde, nas especialidades de ginecologia, obstetrícia e anestesiologia, sendo o atendimento exclusivo para as demandas pré-agendadas do Hospital da Mulher, incluindo apenas os atendimentos ambulatoriais e cirúrgicos pré-agendados pela Associação MARCA, não englobando atendimentos em sistema de plantão ou emergência. Assim, em decorrência destes contratos, aferiu o Corpo Técnico que a empresa necessita dos profissionais e do custo unitário por médico.

Analise as seguintes afirmacoes, e notadamente:
I - praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto, na regra de competência;
II - retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício;
a) II e II.1 estão corretas.
b) I e II.2 estão corretas.
c) I e II.3 estão corretas.

Qual é o valor total que a empresa OLIVAS PLANEJAMENTO E ASSESSORIA recebeu pelo contrato de prestação de serviços com a ASSOCIAÇÃO MARCA?

a) R$ 394.170,00
b) R$ 64.863,50
c) R$ 394.000,00

Qual é o valor total que a empresa HEALTH SOLUTIONS LTDA. recebeu por meio da Associação MARCA?

a) R$ 64.863,50
b) R$ 394.170,00
c) R$ 3.940,00

Qual é o valor total dos contratos de prestação de serviço celebrados entre a Associação MARCA e a empresa ADVENTUS GROUP E CONSULTORES LTDA.?

a) R$ 1.366.666,67
b) R$ 683.333,33
c) R$ 190.000,00

No que tange à empresa ESPÍNDOLA & RODRIGUES ASSESSORIA CONTÁBIL LTDA. - ME, imputa o Ministério Público Estadual a condição de beneficiária da prática dos atos de improbidade descritos nos artigos 9º, XI, 10, caput e VIII, e 11, caput, da Lei nº 8.429/92, bem como quantifica o ressarcimento ao erário estadual no valor de R$ 20.000,00 (vinte e mil reais).

Qual a entidade que assumiu a administração do Hospital da Mulher Parteira Maria Correia, no Município de Mossoró, e qual o custo global do contrato?

a) Associação Marca, R$ 15.000.000,00
b) Unimed, R$ 2.000.000,00
c) Cooperativa de Enfermeiros, R$ 750.000,00

Quais são as razões que levaram Alexandre Magno Alves de Souza a ir para a SESAP?

a) Alexandre estava desanimado e começou a entrar no Estado.
b) Alexandre e Ana Tânia têm visões diferentes de como as coisas devem rodar.
c) O secretário concorda com Alexandre, mas não tem coragem de contrariar Ana Tânia.
d) Todas as opções anteriores estão corretas.

O trabalho realizado pela Comissão de Auditoria Interna da SESAP e pelo Corpo Técnico da Diretoria de Controle Externo do Tribunal de Contas do RN teve como objetivo descortinar o verdadeiro desfalque nos cofres públicos do Estado, fruto da contratação vergonhosa da organização MARCA. Qual foi o montante do dano ao erário estadual quantificado pelo Corpo Técnico do Tribunal de Contas do RN?

a) R$ 11.804.811,38
b) R$ 18.396.528,78
c) R$ 3.160.474,93

Conduta que culminou em dano ao erário estadual pela ausência da efetiva contraprestação dos serviços contratados, descumprindo, assim, a alínea “c” da cláusula quarta do TP nº 001/2012, bem como os princípios da transparência e da moralidade (CF, art. 37), motivo pelo qual deve responder solidariamente a empresa Núcleo de Saúde e Ação Social – SALUTE SOCIALE (CNPJ nº 32.088.890/0001-21), pelo débito de R$ 2.712.560,35.

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DOMÍCIO pergunta se ALEXANDRE tem alguma novidade, tendo este respondido que sim. ALEXANDRE afirma que, na segunda-feira, apresentará o planejamento e aceita a orientação de DOMÍCIO para que apresente, antes, a “D. Dorinha”. ALEXANDRE diz que apresentará a esta no dia seguinte. O planejamento diz respeito à abertura de hospital, em Mossoró, pelo Governo do Estado.

Inscrita no CNPJ sob o nº 04.425.789/0001-83, representada por Francisco Malcides Pereira de Lucena, com sede na cidade de Fortaleza/CE, firmou três contratos de prestação de serviço com a Associação MARCA, tendo como objeto a terceirização de médicos nas especialidades de ginecologia, obstetrícia e anestesiologia. O primeiro contrato estabelecido entre a Associação MARCA e a Adventus, em 12/3/2012, teve como objeto os serviços de coordenação da equipe médica de ginecologia e obstetrícia, assim como a contratação de quatorze médicos gineco-obstetras, sendo dois por turno de plantão de 24 (vinte e quatro) horas, tendo como custo mensal o valor total de R$ 250.000,00 (duzentas e cinquenta mil reais). Outrossim, foi firmado um segundo contrato, também em 12/3/2012, referente à contratação de sete médicos anestesiologistas, sendo um por turno de plantão de 24 (vinte e quatro) horas, no valor mensal de R$ 125.000,00 (cento e vinte e cinco mil reais). Finalmente, foi firmado em 21/5/2012, pela Associação MARCA, o terceiro contrato com a empresa Adventus Group e Consultores Ltda., no valor mensal de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais), o qual tem como objeto a prestação de serviço de assessoria em gestão de saúde, nas especialidades de ginecologia, obstetrícia e anestesiologia, sendo o atendimento exclusivo para as demandas pré-agendadas do Hospital da Mulher, incluindo apenas os atendimentos ambulatoriais e cirúrgicos pré-agendados pela Associação MARCA, não englobando atendimentos em sistema de plantão ou emergência. Assim, em decorrência destes contratos, aferiu o Corpo Técnico que a empresa necessita dos profissionais e do custo unitário por médico.

Analise as seguintes afirmacoes, e notadamente:
I - praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto, na regra de competência;
II - retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício;
a) II e II.1 estão corretas.
b) I e II.2 estão corretas.
c) I e II.3 estão corretas.

Qual é o valor total que a empresa OLIVAS PLANEJAMENTO E ASSESSORIA recebeu pelo contrato de prestação de serviços com a ASSOCIAÇÃO MARCA?

a) R$ 394.170,00
b) R$ 64.863,50
c) R$ 394.000,00

Qual é o valor total que a empresa HEALTH SOLUTIONS LTDA. recebeu por meio da Associação MARCA?

a) R$ 64.863,50
b) R$ 394.170,00
c) R$ 3.940,00

Qual é o valor total dos contratos de prestação de serviço celebrados entre a Associação MARCA e a empresa ADVENTUS GROUP E CONSULTORES LTDA.?

a) R$ 1.366.666,67
b) R$ 683.333,33
c) R$ 190.000,00

No que tange à empresa ESPÍNDOLA & RODRIGUES ASSESSORIA CONTÁBIL LTDA. - ME, imputa o Ministério Público Estadual a condição de beneficiária da prática dos atos de improbidade descritos nos artigos 9º, XI, 10, caput e VIII, e 11, caput, da Lei nº 8.429/92, bem como quantifica o ressarcimento ao erário estadual no valor de R$ 20.000,00 (vinte e mil reais).

Qual a entidade que assumiu a administração do Hospital da Mulher Parteira Maria Correia, no Município de Mossoró, e qual o custo global do contrato?

a) Associação Marca, R$ 15.000.000,00
b) Unimed, R$ 2.000.000,00
c) Cooperativa de Enfermeiros, R$ 750.000,00

Quais são as razões que levaram Alexandre Magno Alves de Souza a ir para a SESAP?

a) Alexandre estava desanimado e começou a entrar no Estado.
b) Alexandre e Ana Tânia têm visões diferentes de como as coisas devem rodar.
c) O secretário concorda com Alexandre, mas não tem coragem de contrariar Ana Tânia.
d) Todas as opções anteriores estão corretas.

O trabalho realizado pela Comissão de Auditoria Interna da SESAP e pelo Corpo Técnico da Diretoria de Controle Externo do Tribunal de Contas do RN teve como objetivo descortinar o verdadeiro desfalque nos cofres públicos do Estado, fruto da contratação vergonhosa da organização MARCA. Qual foi o montante do dano ao erário estadual quantificado pelo Corpo Técnico do Tribunal de Contas do RN?

a) R$ 11.804.811,38
b) R$ 18.396.528,78
c) R$ 3.160.474,93

Conduta que culminou em dano ao erário estadual pela ausência da efetiva contraprestação dos serviços contratados, descumprindo, assim, a alínea “c” da cláusula quarta do TP nº 001/2012, bem como os princípios da transparência e da moralidade (CF, art. 37), motivo pelo qual deve responder solidariamente a empresa Núcleo de Saúde e Ação Social – SALUTE SOCIALE (CNPJ nº 32.088.890/0001-21), pelo débito de R$ 2.712.560,35.

Prévia do material em texto

MINIISTÉRIO PÚBLICO DO RIO GRANDE DO NORTE
PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA
Rua Promotor Manoel Alves Pessoa Neto, 97, Candelária, Natal/RN
CEP 59.065-555 – FONE/FAX: (84) 3232-7132 – E -MAIL: PGJ@MP.RN.BR
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DE UMA DAS VARAS DA 
FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DE NATAL/RN, A QUEM ESTA COUBER POR 
DISTRIBUIÇÃO LEGAL
Ref. Inquérito Civil n.º 005/12-PGJ
O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE, 
através do Procurador-Geral de Justiça, com suporte no art. 127, caput, e art. 129, incisos II e 
III, da Constituição Federal, na Lei 8.429/92, na Lei 7.347/85, e no art. 29, VIII, da Lei 8.625/93, 
vem perante Vossa Excelência propor a presente
AÇÃO CIVIL PÚBLICA POR ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
com pedido cautelar de indisponibilidade de bens
1
em desfavor de:
1) ROSALBA CIARLINI ROSADO, brasileira, casada, médica, inscrita no CPF n.º 199.516.984-
68, ocupando o cargo de Governadora do Estado do Rio Grande do Norte, podendo receber intimações na 
Governadoria, Centro Administrativo do Estado, BR 101, Km 0, Lagoa Nova - CEP: 59.064-901 – 
Natal/RN, e com endereço residencial na Rua Maria Negócio, 175, Centro, Mossoró/RN, CEP 59610080;
2) DOMÍCIO ARRUDA CÂMARA SOBRINHO, brasileiro, casado, médico, ex-Secretário 
Estadual de Saúde Pública do Rio Grande do Norte, portador do CPF n.º 056.192.974-20, residente 
na Rua Dr. Carlos Passos, 1783, Morro Branco, Natal/RN;
3) MARIA DAS DORES BURLAMARQUI DE LIMA, brasileira, casada, servidora pública 
estadual aposentada, portadora de CPF n.º 307.950.104-78, residente na Rua Duodécimo Rosado, 
1306, Apto. 602, Condomínio Spazio de Firenze, Nova Betânia, Mossoró/RN;
4) ALEXANDRE MAGNO ALVES DE SOUZA, brasileiro, casado, Procurador do Município de 
Natal, portador do CPF n.º 790.799.464-00, residente e domiciliado na Rua Maxaranguape, 550, 
Apt. 1501, Tirol, Natal-RN;
5) VALCINEIDE ALVES DA CUNHA DE SOUZA, brasileira, casada, servidora pública 
estadual, portadora de CPF nº 877.085.584-68, residente na rua Tibério Burlamaqui, 59, paredões, 
no Município de Mossoró/RN;
6) TUFI SOARES MERES, brasileiro, casado, empresário, portador de CPF nº 116.860.657-87, 
residente e domiciliado à Rua Jornalista Ricardo Marinho, nº 300, Ap. 1906, Barra da Tijuca, Rio 
de Janeiro/RJ;
7) VÂNIA MARIA VIEIRA, brasileira, casada, empresária, CPF nº 356.666.257-72, residente e 
domiciliada à Rua João Xavier, n.º 250, Bloco I, Apt. 301, Duarte da Silveira, Petrópolis-RJ;
8) ROSIMAR GOMES BRAVO E OLIVEIRA, brasileira, casada, empresária, portadora do CPF 
002.179.437-56, residente e domiciliada à Rua Praia de Botafogo, nº 528, Apto. 1205, Bloco A, 
Botafogo, Rio de Janeiro/RJ;
9) ANTÔNIO CARLOS DE OLIVEIRA JÚNIOR (MANINHO), brasileiro, casado, empresário, 
CPF 776.389.727-91, residente e domiciliado à Rua Praia de Botafogo, nº 528, Apto. 1205, Bloco 
A, Botafogo, Rio de Janeiro/RJ;
2
10) ELISA ANDRADE DE ARAÚJO, brasileira, solteira, portadora do CPF n.º 099.689.767-41, 
residente na Rua Senhor dos Passos, n.º 135, Centro, São José do Vale do Rio Preto-RJ;
11) OTTO DE ARAÚJO SCHMIDT, brasileiro, casado, empresário, CPF nº 183.206.277- 53, 
residente e domiciliado à Rua Roberto Dias Lopes, n.º 83, Apt. 703, Leme, Rio de Janeiro-RJ;
12) SADY PAULO SOARES KAPPS, brasileiro, casado, empresário, CPF nº 134.740.737-53, 
residente e domiciliado à Av. Barão do Rio Branco, n.º 3050, Bloco III, Apt. 203, Retiro, 
Petrópolis-RJ;
13) HÉLIO BUSTAMANTE DA CRUZ SECCO, brasileiro, casado, empresário, CPF nº 
738.110.257-91, residente e domiciliado à Rua Dr. Nelson de Sá EARP, 88, Apt. 208, Centro, 
Petrópolis-RJ;
14) CARLOS ALBERTO PAES SARDINHA, brasileiro, casado, empresário, CPF nº 
230.008.137-72, residente e domiciliado à Rua São Salvador, 38, Flamengo, Rio de Janeiro-RJ; 
15) SIDNEY AUGUSTO PITANGA DE FREITAS LOPES, brasileiro, casado, empresário, CPF 
nº 105.494.127-00, residente e domiciliado à Rua Professor Margarida Valadão, 221, Barra da 
Tijuca, Rio de Janeiro-RJ;
16) FRANCISCO MALCIDES PEREIRA DE LUCENA, brasileiro, casado, médico, CPF n. 
112.494.633-00, residente na Rua Barão de Aracati, 1565, apto 702, Aldeota, CEP 60115080, 
Fortaleza/CE;
17) LEONARDO JUSTIN CARAP, brasileiro, casado, empresário, portador do CPF nº 
500.674.947-49, residente e domiciliado à Rua Visconde de Morais, 252, Apt. 1402, Ingá, 
Niterói/RJ;
18) ASSOCIAÇÃO MARCA PARA PROMOÇÃO DE SERVIÇOS, pessoa jurídica de direito 
privado, CNPJ n.º 05.791.879/0001-50, com sede na Avenida Rio Branco, 122, sala 1701, Centro, 
no Município do Rio de Janeiro/RJ;
19) NÚCLEO DE SAÚDE E AÇÃO SOCIAL - SALUTE SOCIALE, pessoa jurídica de direito 
privado, CNPJ n.º 32.088.890/0001-21, com sede na Avenida Amaral Peixoto, 305, sala 208, Areal, 
no Município do Rio de Janeiro/RJ;
20) HEALTH SOLUTIONS LTDA., pessoa jurídica de direito privado, CNPJ n.º 
05.113.395/0001-52, com sede na Avenida das Américas, 3434, Bloco 05, Sala 205 e 206, Barra da 
3
Tijuca, no Município do Rio de Janeiro/RJ;
21) ESPÍNDOLA & RODRIGUES ASSESSORIA CONTÁBIL LTDA. - ME, pessoa jurídica de 
direito privado, CNPJ n.º 08.364.700/0001-77, com sede no Largo do Machado, 29, sala 501, 
Catete, no Município do Rio de Janeiro/RJ;
22) ADVENTUS GROUP E CONSULTORES LTDA., pessoa jurídica de direito privado, CNPJ 
n.º 04.425.789/0001-83, com sede na Rua Capitão Aguiar, 70 a, Aldeota, no Município do 
Fortaleza/CE;
23) NÚCLEO SERVIÇOS DIAGNÓSTICOS LTDA., pessoa jurídica de direito privado, CNPJ 
n.º 11.780.146/0001-13, com sede na Avenida Jornalista Moacir Padilha, 540, Jardim Primavera, no 
Município do Duque de Caxias/RJ;
24) AZEVEDO & LOPES AUDITORES INDEPENDENTES LTDA. - ME, pessoa jurídica de 
direito privado, CNPJ n.º 06.337.379/0001-06, com sede na Rua dos Andradas, 96, sala 403, 
Centro, no Município do Rio de Janeiro/RJ;
25) OLIVAS PLANEJAMENTO ASSESSORIA E SERVIÇOS S/C LTDA., pessoa jurídica de 
direito privado, CNPJ n.º 07.404.400/0001-01, com sede na Rua Manoel Damas, 44, sala 60, 
Centro, no Município do José do Vale do Rio Preto/RJ;
26) THE WALL CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA., pessoa jurídica de direito privado, 
CNPJ n.º 11.391.700/0001-70, com sede na Rua João Dias de Oliveira, 784, Barro Vermelho, no 
Município de Natal/RN.
I – OS FATOS: VISÃO GERAL 
Em 30 de agosto de 2012, a Procuradoria-Geral de Justiça instaurou o Inquérito 
Civil nº 005/2012-PGJ, com a finalidade de apurar a legalidade da contratação da ASSOCIAÇÃO 
MARCA PARA PROMOÇÃO DE SERVIÇOS, na qualidade de OSCIP, por meio do Termo de 
Parceria nº 001/2012, pactuado entre a Secretaria Estadual de Saúde e a mencionada entidade, para 
a prestação do serviço de gerenciamento do Hospital da Mulher Parteira Maria Correia, em 
Mossoró, bem como para examinar a conduta da Governadora ROSALBA CIARLINI ROSADO no 
tocante à referida contratação.
4
As provas colhidas no procedimento, sobretudo as que foram obtidas mediante 
compartilhamento autorizado pelo Juiz de Direito da 7ª Vara Criminal de Natal, oriundas da 
denominada Operação Assepsia1, revelam que a contratação da ASSOCIAÇÃO MARCA pelo 
Estado do Rio Grande do Norte, mediante dispensa de licitação, sob a alegação de situação 
emergencial, foi direcionada pela Governadora do Estado ROSALBA CIARLINI ROSADO e pelo 
Secretário de Saúde DOMÍCIO ARRUDA CÂMARA.
Para tanto, no âmbito da Secretaria Estadual da Saúde o processo administrativo 
foi manipulado e construído para o favorecimento da Associação Marca, com graves prejuízos ao 
Estado e à saúdepública, conforme detalhado ao longo da petição.
No mesmo sentido, a prova dos autos demonstra que o governo do Estado 
concebeu e planejou, desde meados de 2011, a terceirização da administração do Hospital da 
Mulher, com grande antecedência em relação à própria contratação emergencial da ASSOCIAÇÃO 
MARCA, somente formalizada em 29 de fevereiro de 2012, de modo que o estado de emergência 
alegado para balizar a contratação, gerado pela própria ineficiência do governo com a assistência 
médica em Mossoró, foi instrumentalizado para justificar o desejo da Governadora ROSALBA 
CIARLINI de contratação da entidade e para introdução imediata do terceiro setor na gestão da 
saúde pública.
1
 A Operação Assepsia desvendou esquema de corrupção e superfaturamento de preços dos 
serviços da mesma ASSOCIAÇÃO MARCA na administração de unidades de saúde no Município de Natal, na gestão 
da ex-prefeita MICARLA DE SOUZA.
5
Para tornar viável a contratação milionária, a Governadora ROSALBA CIARLINI 
ROSADO, tão logo celebrado o termo de parceria, logo no início de 2012, suplementou recursos 
orçamentários de quase 16 (dezesseis) milhões de reais apenas para esse contrato, mais do que o 
total dos investimentos em saúde do Estado em todo o ano de 2011, conforme relatório do Tribunal 
de Contas do Estado.
A contratação da ASSOCIAÇÃO MARCA pela Governadora ROSALBA 
CIARLINI ROSADO e pelo Secretário de Saúde DOMÍCIO ARRUDA CÂMARA foi intermediada 
pelo demandado ALEXANDRE MAGNO ALVES DE SOUZA, representante informal dos 
interesses da entidade no Rio Grande do Norte e arauto propagandístico do terceiro setor no Estado. 
Para tanto, o governo do Estado solicitou a cessão do referido servidor ao Município de Natal no 
segundo semestre de 2011, passando ele a transitar entre o Gabinete Civil do Governo do Estado e a 
Secretaria Estadual de Saúde, no intuito de viabilizar a terceirização da saúde no Estado do Rio 
Grande do Norte.
Nesse sentido, a privatização da administração do Hospital da Mulher não era 
providência isolada, mas parte de um projeto para terceirizar os principais hospitais do Estado, 
mediante a entrega de suas administrações a organizações sociais (OS) e organizações da sociedade 
civil de interesse público (OSCIP) previamente ajustadas com a Chefe do Executivo. Nesse ponto, 
há elementos nos autos que indicam que a própria MARCA iria assumir o Hospital Ruy Pereira, e a 
CRUZ VERMELHA passaria, segundo relatado pelo Secretário DOMÍCIO ARRUDA CÂMARA, a 
administrar o Hospital WALFREDO GURGEL.
Os autos expõem ainda a autorização pessoal da Governadora ROSALBA 
CIARLINI ROSADO e do Secretário DOMÍCIO ARRUDA CÂMARA para que a ASSOCIAÇÃO 
MARCA promovesse a reforma das instalações do antigo Hospital da Unimed em Mossoró, 
adquirisse equipamentos e contraísse obrigações à custa do termo de parceria, antes mesmo que 
este contrato administrativo fosse celebrado e a entidade em apreço fosse formalmente escolhida 
para prestar o serviço, sob a égide de uma emergência dolosamente fabricada e silenciosamente 
permitida pelo governo, desde o fechamento do Hospital da Unimed em junho de 2011.
6
A instrução revela que todo o processo que antecedeu a avença, a própria 
contratação e também a execução do termo de parceria com a MARCA foi controlado pessoalmente 
pela Governadora ROSALBA CIARLINI ROSADO, que incumbiu pessoalmente MARIA DAS 
DORES BURLAMAQUI DE LIMA, Secretária Adjunta da Saúde, de acompanhar em seu nome as 
despesas que indevidamente ordenou e assumiu antes da celebração do Termo de Parceria nº 
001/2012, cumpre dizer, as atinentes à reforma das instalações físicas que a MARCA promovia no 
antigo Hospital da Unimed, à custa do inexistente termo de parceria, através da empresa THE 
WALL CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA, além de avalizar a compra de equipamentos que a 
entidade adquiria, junto a diversas outras empresas, para equipar o nosocômio, mesmo sem a 
formalização do termo de parceria. 
Depois do pacto assinado e após vir a público o escândalo da Operação Assepsia, 
a Governadora ROSALBA CIARLINI ROSADO designou, por intermédio do Secretário ISAÚ 
GERINO, a pessoa de VALCINEIDE ALVES DA CUNHA DE SOUZA, para supostamente 
fiscalizar o contrato. Esta, no exercício do verdadeiro mister que lhe foi confiado pela Governadora 
ROSALBA CIARLINI, erigiu-se em grande obstáculo à fiscalização da comissão de auditoria 
interna da própria SESAP, formada por servidores de carreira, que fazia o levantamento das 
irregularidades do contrato. 
Vale mencionar que as duas servidoras, MARIA DAS DORES BURLAMAQUI 
DE LIMA e VALCINEIDE ALVES DA CUNHA DE SOUZA, embora vinculadas à Secretaria de 
Saúde, reportavam-se diretamente à Governadora ROSALBA CIARLINI ROSADO no que tange a 
essa contratação.
O dano ao patrimônio público advindo da contratação, apurado em auditoria 
interna da Secretaria Estadual de Saúde e também pelo Corpo instrutivo do Tribunal de Contas do 
Estado, decorrente de serviços superfaturados, ou não prestados, ou de equipamentos cobrados, mas 
não instalados, notas fiscais frias e outras formas de desvio, alcançou a milionária cifra de R$ 
11.960.509,00 (onze milhões, novecentos e sessenta mil, quinhentos e nove reais).
7
A instrução do inquérito civil desvendou que a planilha de custos para 
funcionamento do Hospital da Mulher foi elaborada pela própria entidade contratada, a 
ASSOCIAÇÃO MARCA, o que permitiu o superfaturamento dos serviços e a inclusão de itens 
ilegais como o pagamento de comissão e de uma taxa de lucros que alcançava 24,77% do valor 
mensal do contrato, incompatíveis com a natureza de uma entidade contratada como se fora uma 
Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP.
No bojo deste imenso prejuízo para os cofres públicos está inserida uma 
inacreditável taxa de “retorno para a administração” em torno de 10% (dez por cento) a 20% 
(vinte por cento) em pelo menos um dos contratos que compõem esse esquema, conforme captado 
em conversa telefônica interceptada do demandado FRANCISCO MALCIDES PEREIRA DE 
LUCENA, proprietário de uma das empresas subcontratadas pela MARCA, a ADVENTUS 
GROUP E CONSULTORES LTDA., com sede em Fortaleza/CE. Essa taxa teria o condão de 
“fidelizar o contrato”, segundo disse o próprio demandado FRANCISCO MALCIDES PEREIRA 
DE LUCENA, fato que é típico não apenas como improbidade administrativa que enseja 
enriquecimento ilícito (art. 9º da LIA), mas também sujeita os agentes envolvidos aos crimes de 
corrupção ativa e passiva, previstos no Código Penal, conforme o caso. 
Os técnicos do Tribunal de Contas do Estado e os membros da Comissão de 
auditoria interna da SESAP, além das ilegalidades já mencionadas nos subcontratos da MARCA 
com as empresas ADVENTUS GROUP E CONSULTORES LTDA e THE WALL 
CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA, encontraram irregularidades graves nas subcontratações 
das pessoas jurídicas NÚCLEO DE SAÚDE E AÇÃO SOCIAL - SALUTE SOCIALE, 
HEALTH SOLUTIONS LTDA, ESPÍNDOLA & RODRIGUES ASSESSORIA CONTÁBIL 
LTDA. – ME, NÚCLEO SERVIÇOS DIAGNÓSTICOS LTDA, AZEVEDO & LOPES 
AUDITORES INDEPENDENTES LTDA. – ME e OLIVAS PLANEJAMENTO 
ASSESSORIA E SERVIÇOS S/C LTDA, todas ligadas ao esquema de TUFI SOARES MERES, 
já desvendado no âmbito do Município de Natal durante a Operação Assepsia2.
2
 TUFI SOARES MERES é o chefe do grupo SALUTE VITA, sediado no Rio de Janeiro, do 
qual faz parte a ASSOCIAÇÃO MARCA. A organização SALUTE VITA integra a chamada máfia do 3º setor na área 
8
Além dessas pessoasjurídicas, as pessoas físicas VÂNIA MARIA VIEIRA, 
ROSIMAR GOMES BRAVO E OLIVEIRA, ANTÔNIO CARLOS DE OLIVEIRA JÚNIOR 
(MANINHO), ELISA ANDRADE DE ARAÚJO, OTTO DE ARAÚJO SCHMIDT, SADY 
PAULO SOARES KAPPS, HÉLIO BUSTAMANTE DA CRUZ SECCO, CARLOS 
ALBERTO PAES SARDINHA, SIDNEY AUGUSTO PITANGA DE FREITAS LOPES e 
LEONARDO JUSTIN CARAP concorreram para os atos de improbidade como integrantes do 
esquema de TUFI SOARES MERES.
I.A. OS FATOS: A DISPENSA INDEVIDA DE LICITAÇÃO. A CONTRATAÇÃO 
DIRECIONADA. O ESTADO DE EMERGÊNCIA FICTO. A DECISÃO DE 
CONTRATAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO MARCA PELA GOVERNADORA ROSALBA 
CIARLINI ROSADO E PELO SECRETÁRIO DOMÍCIO ARRUDA CÂMARA
O termo de parceria nº 01/2012, datado de 29 de fevereiro de 2012, formalizou a 
contratação emergencial da ASSOCIAÇÃO MARCA pela Secretaria Estadual de Saúde, 
contemplando a entidade com a administração do Hospital da Mulher Parteira Maria Correia, no 
Município de Mossoró ao custo global de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais), pelo prazo 
inicial de cento e oitenta dias.
No entanto, a prova dos autos revela que essa contratação foi previamente 
acertada pela Governadora do Estado ROSALBA CIARLINI ROSADO e pelo Secretário estadual 
de Saúde DOMÍCIO ARRUDA CÂMARA e que a emergência alegada foi apenas utilizada para 
justificar a escolha pessoalizada da entidade, com quem a administração já mantinha estreitos 
contatos visando à contratação nos vários meses que antecederam a celebração do ajuste.
Com efeito, desde meados de 2011 que a Governadora ROSALBA CIARLINI 
de saúde pública e suas atividades foram desvendadas na Operação Assepsia, promovida pelo Ministério Público do 
Rio Grande do Norte. Os seus principais componentes respondem a ações penais e de improbidade em Natal e no Rio 
de Janeiro, em face da prática de atos de corrupção relacionados à prestação de serviços de saúde nos Estados do Rio 
Grande do Norte e Rio de Janeiro.
9
previa a instalação e a terceirização de um Hospital no Município de Mossoró. Isso está 
documentado em diálogos telefônicos mantidos entre o secretário DOMÍCIO ARRUDA CÂMARA 
e o procurador do Município de Natal ALEXANDRE MAGNO ALVES DE SOUZA, espécie de 
representante informal da ASSOCIAÇÃO MARCA no Rio Grande do Norte:
6141090 DOMÍCIO relata a ALEXANDRE que esteve na Governadoria, onde teve acesso 
a um relatório no qual se demonstra o interesse da Governadora em alugar o 
Hospital da Unimed em Mossoró e transformá-lo numa unidade materno-infantil. 
Continuou DOMÍCIO relatando que disse a Governadora que o caminho 
para a implantação é a terceirização (Terceiro Setor) e que deve ser feito com 
uma OSCIP. Segundo DOMÍCIO, em Mossoró, essa implantação seria mais 
tranquila. Em seguida, DOMÍCIO diz a ALEXANDRE que a situação do 
Hospital Walfredo Gurgel está insustentável (excesso de pacientes, falta de pontos 
de oxigênio) e que vai contratar a Cooperativa de Enfermeiros para implantar 
emergencialmente 30 leitos no Hospital Ruy Pereira. Nos dizeres de DOMÍCIO, 
“dá para botar 30 pessoas internadas... a gente bota aqueles pacientes lá... abre de 
qualquer maneira”.
28/06/11
17:27:47
(04:20)
ALEXANDRE 
e 
DOMÍCIO
ARRUDA
622
519
7
18/07/20
11 
09:16:1
6
(02:31)
ALEXANDRE e DOMÍCIO 
ARRUDA
(84 9982-3870)
DOMÍCIO relata que esteve com a 
Governadora e, numa coletiva de 
imprensa, em Mossoró, ela afirmou 
que seria montado um hospital lá. 
Ele afirmou que disse a Governadora 
que faria um pedido ao ministério 
semelhante ao que foi feito para o 
Hospital Ruy Pereira e que estava 
aguardando o valor estipulado para a 
“terceirização”, para que este pedido 
fosse feito nesse mesmo valor. 
DOMÍCIO diz que a Governadora 
deseja que seja feito essa avaliação 
para que ela leve ao ministério. 
Continuando, DOMÍCIO diz que 
“quem conseguiu esse negócio” foi 
“Henrique” e que este conseguiu com o 
“secretário-geral” (Beltrame). 
ALEXANDRE diz que irá apresentar o 
projeto a DOMÍCIO, que está com 
“Rogério Marinho” e que quer 
10
encontrar DOMÍCIO. ALEXANDRE 
diz que irão à secretaria encontrá-lo por 
volta das 10:00 hs.
Inúmeros outros documentos mostram os contatos da Administração com a 
ASSOCIAÇÃO MARCA, através do demandado ALEXANDRE MAGNO ALVES DE SOUZA, 
ainda no ano de 2011: 
6283410 01/08/2011 18:03:57
(01:33)
De: 
DOMÍCIO 
ARRUDA 
(84 9982-
3870)
Para: 
ALEXAND
RE
DOMÍCIO pergunta a 
ALEXANDRE se ele tem 
alguma notícia do 
“pessoal”. 
ALEXANDRE responde 
dizendo que está 
preparando uma 
apresentação com o 
planejamento que eles 
lhes repassaram. 
Continua dizendo que 
eles estiveram “aqui”, na 
semana passada, nas 
duas unidades. 
DOMÍCIO diz que a 
Governadora marcou uma 
audiência, na quarta-feira, 
no ministério e que lá irá 
falar sobre o aumento de 
teto; ele diz que pediu que 
fosse feito uma exposição 
de motivos para que ela 
possa apresentar. 
DOMÍCIO pede que 
ALEXANDRE vá, no dia 
seguinte, para 
apresentar uma 
estimativa de valor.
6324645 18/08/2011 11:49:15
(01:48)
ALEXANDR
E e 
DOMÍCIO
DOMÍCIO informa que está 
acompanhando a 
Governadora e o Secretário 
de Planejamento e pergunta 
se ALENXADRE tem 
alguma notícia do pessoal 
com relação a Mossoró. 
ALEXANDRE responde que 
11
sim, mas que ainda não 
repassou os dados pois está 
fazendo um estudo prévio; 
continuando, ele diz que o 
“pessoal” passou o valor de 
R$ 2 milhões e que pediu um 
detalhamento deste valor. 
DOMÍCIO diz que o valor é 
muito alto e que pode 
remanejar médicos para que 
o valor diminua. 
ALEXANDRE diz que na 
segunda-feira apresentará os 
resultados desse estudo.
6343658 24/08/2011 19:17:25
(02:00)
ALEXANDR
E e 
DOMÍCIO 
ARRUDA
DOMÍCIO pergunta se 
ALEXANDRE tem alguma 
novidade, tendo este 
respondido que sim. 
ALEXANDRE afirma que, 
na segunda-feira, 
apresentará o planejamento 
e aceita a orientação de 
DOMÍCIO para que 
apresente, antes, a “D. 
Dorinha”. ALEXANDRE diz 
que apresentará a esta no dia 
seguinte. O planejamento diz 
respeito à abertura de 
hospital, em Mossoró, pelo 
Governo do Estado.
6349259 26/08/2011 10:50:44
(04:15)
ALEXANDR
E e D. 
DORINHA
ALEXANDRE diz que quer 
marcar uma reunião com ela 
e com os proprietários do 
Hospital da Unimed para 
que possa apresentar o 
projeto. ALEXANDRE diz 
que sugerirá algumas 
adequações do edifício e a 
troca de equipamentos 
obsoletos. Em seguida, 
ALEXANDRE diz que a 
proposta será de R$ 750 
mil/mês para 30 leitos (de 
clínica), R$ 700 mil/mês para 
leitos de UTI, e R$ 700 
mil/mês de neonatal.
12
O planejamento a que alude o Secretário DOMÍCIO ARRUDA e que seria 
apresentado à demandada DORINHA BURLAMAQUI, Secretaria Adjunta da Secretaria Estadual 
da Saúde, pessoa da estrita confiança da Governadora ROSALBA CIARLINI, também está 
documentado nos e-mails da OPERAÇÃO ASSEPSIA e corresponde a um projeto básico elaborado 
pela equipe da MARCA/SALUTE VITA, organização comandada por TUFI SOARES MERES, 
com previsão orçamentária acima de 2 milhões de reais mensais, conforme documenta o email 
abaixo e seu anexo (em razão da extensão do anexo, a sua transcrição é desaconselhável, mas pode 
ser conferida na documentação que instrui a ação):
From: tmeres 
Sent: Monday, August 22, 2011 4:41 PM
To: Rosi Bravo 
Subject: Fwd: CONSIDERAÇÕES INICIAIS SOBRE PROJETO HOSPITALAR NO RIO GRANDE DO 
NORTE_MOSSORÓ.docx
---------- Mensagemencaminhada ----------
De: Leonardo Carap <leonardo.carap@fgv.br>
Data: 19 de agosto de 2011 19:50
Assunto: CONSIDERAÇÕES INICIAIS SOBRE PROJETO HOSPITALAR NO RIO GRANDE 
DO NORTE_MOSSORÓ.docx
Para: Tufi Soares Meres <tmeres@gmail.com>
Prezado amigo
Segue projeto mais burilado
Abs
Bom fds
Leonardo
Esse projeto, embora elaborado pela equipe da MARCA/SALUTE VITA, aportou 
nos autos do processo administrativo que viabilizou a contratação como se fora o projeto básico 
confeccionado pela própria administração, fato que demonstra a força e a interação entre a 
administração estadual e o grupo MARCA/SALUTE VITA. Não é por acaso que logo no início da 
13
atual gestão do Estado, quando se cogitou o nome de DOMÍCIO ARRUDA para assumir o cargo de 
Secretário de Saúde, TUFI SOARES MERES, chefe dessa organização, revelou, em contato com 
LEONARDO CARAP, a pessoa que elaborou o projeto hospitalar do Hospital da Mulher (cf. email 
anterior), ter mantido contato pessoal com a Governadora ROSALBA CIARLINI ROSADO, que 
lhe assegurou nova rodada de conversa tão logo definisse o novo Secretário de Saúde. Observe-se a 
missiva:
From: Leonardo Carap 
Sent: Wednesday, January 05, 2011 10:23 AM
To: tmeres 
Subject: RE: Natal
Estou preparando... 
-----Original Message----- 
From: tmeres 
Sent: 1/5/2011 1:15:38 PM 
To: Leonardo Carap 
Subject: Re: Natal
Acredito que sim, conversei pessoalmente com ela e me falou que tão logo definise o 
secretário,marcaria uma conversa comigo !
O nosso assunto d IPMDC ? Vamos adiante !!! o ano começou e temos a encomenda para A Marca,
aguardo,
abs,
Tufi
Em 4 de janeiro de 2011 13:41, Leonardo Carap <leocarap@hotmail.com> escreveu:
Feliz 2011, amigo.
o texto abaixo revela alguma oportunidade para nós?
RN: ex-diretor da Unimed é noemado secretário de saúde
14
por Saúde Business Web
03/01/2011
Como uma indicação técnica, o médico Domício Arruda foi o escolhido para assumir a 
secretaria estadual de Saúde do Rio Grande do Norte
O médico Domício Arruda foi o escolhido para assumir a secretaria estadual de Saúde do 
Rio Grande do Norte. Ex-diretor da Unimed e do Hospital Walfredo Gurgel, Domício chega 
à pasta como um-a indicação técnica. A escolha dele ocorreu na véspera da posse da 
governadora Rosalba Ciarlini (DEM), após a desistência do médico Ricardo Lagreca para 
que assumir a função. Domício Arruda é graduado em Medicina pela Universidade do 
Estado do Rio Grande do Norte (UFRN), turma de 1977 e fez especialização em Urologia no 
Rio de Janeiro. Atualmente é médico do Hospital Walfredo Gurgel e voluntário na Liga 
Norte-riograndense Contra o Câncer, além de Superintendente do Hospital da Unimed. 
Rosalba chegou a 30 horas da sua posse ainda sem ter nome para a secretaria de Saúde. A 
chefe do Executivo chegou o deputado estadual Paulo Davim (PV) para o cargo. No 
entanto, ele assumirá o cargo de senador, na vaga de Garibaldi Filho, que foi indicado para 
o Ministério da Previdência. O deputado estadual Getúlio Rego também foi uma opção, 
mas ele avisou que preferia continuar na Assembleia Legislativa. Ana Tânia Sampaio, que 
foi secretária municipal de Saúde, e o diretor do Hospital Universitário Onofre Lopes 
(HUOL), RicardoLagreca, também foram especulados.
Domício Arruda
 O secretário escolhido pretende mergulhar a partir da semana que vem na formação de 
sua equipe, mantendo na agenda o compromisso já assumido do novo governo de realizar 
um corte de 30% em seus cargos de confiança. Além disso, um grande acordo com todos os 
setores ligados à Sesap (Secretaria de Estado da Saúde Pública) deve ser conduzido por 
Arruda, dentro do pressuposto que o futuro governo nada tem a ver com a situação 
administrativa instalada na pasta.
Leonardo Justin Carâp
Qualimed Planejamento & Gestão em Saúde 
Diretor Técnico
55-21-2719.9585
55-21-8105.1417
Neste ínterim, cumpre contextualizar que, naquela mesma época, chegaram os 
15
envolvidos a tratar nos bastidores da Administração Pública Estadual da possibilidade de o Hospital 
da Mulher ser inaugurado já em outubro de 2011, consoante se infere da mensagem e do diálogo 
abaixo:
SMS “Pre-planejamento para inauguracao de mossoro (unidade materno-infantil) dia 14 de outubro 
(sexta-feira). Amanha, se voce estiver em natal, lhe apresento para sua aprovacao, o 
calendario de atividades ate a inauguracao. Alexandre”.11/07/2011
13:11:46
Enviado para 84 
9982-3870 - 
DOMÍCIO 
ARRUDA
6259854 Inicialmente, ALMERINDA e ALEXANDRE conversam sobre uma notícia divulgada 
informando que a cozinha do Hospital da Unimed estaria funcionando em agosto. 
ALEXANDRE explica que não está sabendo disso e que seu compromisso é o de que o 
funcionamento se dará no final de outubro. Em seguida, ALMERINDA pergunta o que irão 
fazer com o Hospital Ruy Pereira. ALEXANDRE explica que estão fazendo um levantamento 
para saber o que o hospital precisa para funcionar de forma completamente autônoma, com 
todos os equipamentos e equipe. ALMERINDA complementa o raciocínio de ALEXANDRE 
dizendo “para a gente entregar para alguém”. ALEXANDRE confirma e diz que após o 
levantamento discutirão para saber como seria esse modelo: se entregarão “todo”; se 
centralizarão todos os contratos de terceirização numa só entidade. Ele diz, também, que o 
mesmo será feito em relação ao Hospital da Unimed, em Mossoró, e que a decisão será feito 
pela coordenação de ALMERINDA e pelo secretário “Domício”.
27/07/2011
12:10:02
(02:17)
ALMERINDA e 
ALEXANDRE
As iniciativas prosseguiram sob o pálio de ALEXANDRE MAGNO ALVES DE 
SOUZA e DOMÍCIO ARRUDA CÂMARA, e de tudo era dado conhecimento à demandada 
DORINHA BURLAMAQUI, escalada pela Governadora ROSALBA CIARLINI ROSADO para 
tratar do assunto:
6349259 ALEXANDRE diz que quer marcar uma reunião com ela e com os proprietários do Hospital 
da Unimed para que possa apresentar o projeto. ALEXANDRE diz que sugerirá algumas 
adequações do edifício e a troca de equipamentos obsoletos. Em seguida, ALEXANDRE diz 
que a proposta será de R$ 750 mil/mês para 30 leitos (de clínica), R$ 700 mil/mês para leitos 
de UTI, e R$ 700 mil/mês de neonatal.
26/08/2011
10:50:44
(04:15)
ALEXANDRE e D. 
DORINHA
16
Num determinado momento, restou inclusive elaborada a minuta do edital nº 
001/2011, cujo objeto se referia à deflagração de um concurso de projeto visando à escolha de uma 
OSCIP para contratar com o Poder Público Estadual o gerenciamento do Hospital da Mulher e 
também do Hospital Ruy Pereira. Evidentemente que o acerto com a MARCA, já definido, 
contemplava informações privilegiadas, para que a entidade auferisse o contrato. Por isso que a 
minuta do edital circulou nos emails de responsáveis pela Associação MARCA, em agosto de 2011, 
sem que fosse sequer publicada no Diário Oficial do Estado:
From: tmeres
Sent: Monday, August 22, 2011 12:09 PM
To: Leonardo Carap ; viviane.advogada
Subject: Minuta de seleção
Segue minuta de edital, para Ruy Pereira e Mossoró
Para sugestões,
Abs
17
As negociações, de fato, prosseguiram durante todo o ano de 2011, mas havia 
duas dificuldades: o Estado não tinha recursos suficientes para encetar a contratação e não havia lei 
local permitindo a contratação de OSCIP na área de saúde pública. Representativo desse momento é 
o seguinte diálogo telefônico:
02/07/2011 11:03:24 ROSI BRAVO
 X CLÁUDIO
CLAUDIO pergunta sobre o negócio de Parnamirim, 
ROSE responde que não vai dar certo, até porque os 
médicos lá estão em greve. Diz que tratou direto com o 
TUFI. CLAUDIO fala que ISABEL esteve lá e viu que os 
serviços precisam realmente de melhorias. ROSE fala que 
as instabilidades dos negócios em Natal estão contribuindopara que em Parnamirim não dê certo. CLAUDIO 
pergunta sobre o andamento com o Estado. ROSE diz 
que o problema do Estado é o orçamento e que para o 
que o DOMÍCIO quer com um milhão e meio, não dá 
pra fazer. Que na verdade teria que se ter de três 
milhões e meio a quatro milhões e hoje o Estado não 
tem orçamento para isto. CLAUDIO fala que tem uma 
pessoa que pode resolver tudo isso, tanto com a 
Prefeitura quanto com o Estado. CLAUDIO afirma que 
quem trouxe esse um milhão e meio foi essa tal “pessoa”. 
18
CLAUDIO diz que acha interessante ter uma reunião em 
Brasília ou Rio de Janeiro ou São Paulo com essa pessoa 
para resolver esses assuntos. CLAUDIO diz que essa 
“pessoa” consegue resolver tudo isso e afirma que hoje o 
Estado depende exclusivamente dessa “pessoa” para tudo e 
complementa que tudo passa por essa “pessoa”. ROSE 
pede para CLAUDIO repassar essas informações para o 
TUFI, mas CLAUDIO diz que não consegue entrar em 
contato com o TUFI. CLAUDIO diz que esse “amigo” 
perguntou se gostaria de fazer o mesmo na Paraíba. Pela 
proximidade com Natal já teria uma estrutura.
Não obstante todas essas dificuldades, o certo é que existia um compromisso 
bastante sólido entre os componentes da Administração Pública Estadual e a organização chefiada 
pelo demandado TUFI MERES para que a respectiva contratação ocorresse a todo custo. Logo, era 
só uma questão de tempo para que a mesma se concretizasse, pois a todo momento surgia uma nova 
forma para implementá-la. Neste sentido, insta exemplificar com o seguinte e-mail, trocado entre 
TUFI e seu braço direito ROSI BRAVO, no qual consta duas outras possibilidades cotadas 
para operacionalizar o acordo em comento:
 
---------- Mensagem encaminhada ----------
De: merest <merest9@gmail.com>
Data: 7 de setembro de 2011 13:09
Assunto: Natal
Para: Rosi Bravo <rosibravo@gmail.com>
Cc: vicente.salek@salek.com.br, monique monteiro <moniquemm3@gmail.com>
Rosi,boa tarde.
Breve relato para que já amanhã pela manhã vc fale c Risiely.
Miguel me levou p tomar café da manhã com Francisco Vagner,da SEGELM(Secretario de 
Gestão,Logistica e Modernização) e Wellington Tavares(subsecretario).
-Expus toda a questão sobre a qual falamos no aeroporto ontem.
-Resolveu-se: 1- A partir de amanhã a Prefeita cria uma pequena comissão,da qual eles farão 
parte,para solucionar as prorrogaçoes.
2- O PGE opina e trabalha pela correção da Lei das OS ,e já na proxima semana pensam 
aprovar na ALERN.
3- Caso não consigam(entendem que conseguem),faz-se Têrmo de Parceria.
4- Este procedimento cobre todos os contratos,IGAPÓ e UPA Nova Esperança tambem.
5- A SSMRN , cuja secretária Perpétua é corporativista,fica fora deste processo,tendo atuação 
operacional.
6- A questão pagamentos será tratada em nova reunião com novas pessoas.Não fazer nada até lá.
7- Já amanhã colocar Risiely em contato com Wellington Tavares( Pai de Tobias),cel 55 84 
88023232 , se colocando a disposição para eventuais docs.
19
- No RN , Alexandre avançou e vc deve ter relato.Já levo na semana que vem o CHC-Barcelona 
para assinar Protocolo de intenções.
No anexo, A TRibuna do RN de hj,onde o PMDB entra oficialmente no Governo
Rosalba.Estive com Henrique Eduardo Alves e já falamos sobre a Gestão do Hosp Est .
- Com a prorrogação dos contratos,vamos falar sobre a participação do Nucleos em todas as 
unidades,mas falo pessoalmente com vc.
Fale um pouco com Alexandre que já coloquei à par , e me falou que ficou muito satisfeito com 
esta nova interlocução.
Vamos falar amanhã,ok ?
Volto hj no mesmo TAM que vc voltou ontem.
abs,
Tufi
Corroborando as informações insertas no aludido correio eletrônico, pode-se 
remeter a trecho de depoimento prestado ao Ministério Público por. NELSON FREDERICO 
ACCIOLY VARELLA BARCA, assessor jurídico da SESAP, em que confirma ter participado de 
reunião em que se discutiu a elaboração de projeto de lei que especificaria os critérios necessários à 
qualificação, em âmbito estadual, de Organizações Sociais (O.S.), com a finalidade de possibilitar a 
celebração de contrato com a respectiva entidade do Terceiro Setor pelo Poder Público e, desta feita, 
dar azo a implementação da primeira opção nele sugerida, senão vejamos:
“(…) que em relação à contratação de organizações sociais para gerir unidades de 
saúde no Rio Grande do Norte recorda-se que, em outubro ou novembro de 2011, 
foi convocado para participar de reunião com a então Secretária-Adjunta de 
Saúde do Rio Grade do Norte, conhecida como DORINHA, na qual foi 
apresentada a ideia de contração de organizações sociais; que na oportunidade, 
foi discutido que o Estado iria instalar um hospital voltado para o atendimento 
de mulheres em Mossoró, no antigo Hospital da Unimed; que DORINHA 
esclarecia que aquela ação era de interesse da Governadora Rosalba Ciarlini, 
pois esta via a necessidade de um hospital voltado para o atendimento às 
mulheres em sua cidade natal; que, no entanto, o Estado não tinha estrutura de 
pessoal para colocá-lo em funcionamento, daí a necessidade de se pensar o 
modelo de contratação de organizações sociais; que o Hospital de Traumas de 
João Pessoa foi citado como exemplo; que ao ser questionado sobre a 
possibilidade de contratação de Oss, nesta mesma reunião, o depoente 
esclareceu de plano que seria necessária uma lei regulamentadora no âmbito 
estadual; que a reunião discutiu esse assunto e por aí ficou; (…)”3
3 Íntegra do Termo de Depoimento prestado pelo Sr. NELSON FREDERIDO ACCIOLY VARELLA BARCA às 812/813, V. 3.
20
Contudo, na prática, o que se verificou foi uma total falta de paciência por parte 
dos envolvidos em promover as medidas necessárias à regulamentação, em âmbito estadual, da 
contratação de entidades do Terceiro Setor pelo Poder Público, mesmo tendo pleno conhecimento 
de que tal inobservância afrontaria flagrantemente o ordenamento jurídico pátrio. A decisão 
governamental de contratar a MARCA, especificamente a MARCA, não se harmonizava com um 
processo mais lento e regulamentado, a fim de propiciar a competição entre diversas entidades, 
hipótese que resguardaria o interesse público.
Entrementes, foi exatamente por meio da segunda opção descrita no e-mail supra - 
elaborado pelo demandado TUFI MERES em 07.09.2011 - que se processou a contratação da 
Associação MARCA para Promoção de Serviço pelo Governo deste Estado no início do ano de 
2012, qual seja, através da celebração de “Termo de Parceria”, forma que os demandados 
pensavam ser a mais rápida de conseguir implementar seus planos ilegais.
Para tanto, valeram-se ilegalmente da qualificação de Organização da Sociedade 
Civil de Interesse Público (OSCIP) concedida à Associação MARCA para Promoção de Serviços 
pelo Ministério da Justiça, a qual, a bem da verdade, só tem validade em sede de parcerias firmadas 
com a União.
A participação de pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos na 
gestão de serviços considerados não exclusivos do Estado é matéria a ser tratada à luz da legislação 
vigente, tendo sempre por foco a prevalência do interesse público e os princípios constitucionais 
que sempre devem reger o trato com a coisa pública, com ênfase na legalidade, moralidade, 
impessoalidade, transparência e eficiência
No que concerne especificamente às Organizações da Sociedade Civil de Interesse 
Público (OSCIPs), entidades que compõem o terceiro setor, a regulamentação, no plano federal, se 
dá pela Lei Federal nº 9.790/99, que estabelece os requisitos indispensáveis para que determinadas 
entidades possam ser qualificadas como OSCIP, devendo, também, ter sempre como propósito a 
prestação de uma série de serviços sociais e/oua promoção de direitos sociais. Assim, a 
qualificação das OSCIPs não é discricionária, devendo preencher uma série de requisitos formais 
que estão dispostos na lei. Ainda, de acordo com a citada lei federal, cabe ao Ministério da Justiça 
atribuir a qualificação de OSCIP às pessoas jurídicas que preencham os requisitos legais.
21
Ocorre que a Lei Federal n. 9.790/99 é de caráter geral, e à medida que o seu 
artigo 3º estabelece uma série de requisitos para que uma entidade possa receber a 
qualificação como OSCIP, à toda evidência faz-se necessário que cada esfera de Governo 
proceda à devida regulamentação local, de modo a definir os elementos necessários para 
tanto, observando-se a realidade e necessidades de cada ente, independentemente de a 
entidade encontrar-se qualificada pelo Ministério da Justiça.
Assim, cabe aos Estados e Municípios estabelecerem os pressupostos que se lhes 
assemelham necessários a que algumas entidades qualifiquem-se como OSCIPs, a fim de que a 
norma possa ser aplicada de maneira mais adequada à sua própria realidade local.
Desta feita, antes de o ente público pretender firmar Termo de Parceria com 
OSCIP, é indispensável a existência de lei no respectivo nível de governo que preveja os 
requisitos necessários a que determinada entidade possa qualificar-se como tal.
Nesse sentido o escólio de Paola Nery Ferrari e Regina Maria Macedo Nery 
Ferrari:
“Considerando a Federação brasileira, Estados, Municípios e Distrito Federal, 
também podem criar tanto organizações sociais como organizações da sociedade 
civil de interesse público, desde que, em seu âmbito de atuação, exista prévia 
previsão legal. Isto porque a legislação federal, as Leis n. 9.637/98 e n. 9.790/99, só 
se aplica à administração pública federal e não serve de suporte para qualificar, 
como tais, pessoas jurídicas de direito privado, na esfera estadual, municipal e 
distrital.4
Na mesma esteira de pensamento já decidiu o Tribunal de Contas do Estado do 
Minas de Gerais, consoante parecer emitido através da consulta nº 716.238, que restou assim 
ementado:
“Município — Organização da sociedade civil de interesse público — Assessoria 
jurídica à população carente — Exigência de lei municipal para qualificação da 
OSCIP — Necessidade de licitação para celebração do termo de parceria — 
Limitações ao exercício da advocacia — Apreciação do estatuto social pela OAB — 
Fiscalização e controle pelo Tribunal de Contas — Empregados celetistas — 
4 FERRARI, Paola Nery; FERRARI, Regina Maria Macedo Nery. Controle das organizações sociais. Belo Horizonte: Fórum, 2007. p.85
22
Impossibilidade de lançamento em Despesa de Pessoal. (Tribunal Pleno, sessão do 
dia 27/11/2008, Conselheiro Presidente Elmo Braz, parecer aprovado à 
unanimidade). Grifos inovados.
Ainda encampando o entendimento sobre a obrigatoriedade de edição lei 
autorizativa, o Tribunal de Contas do Estado da Bahia editou a Resolução nº 1.258/07, disciplinando 
os procedimentos concernentes à qualificação de entidades civis sem fins lucrativos como OSCIP e 
à celebração de termos de parceria entre o Poder Público municipal, trazendo, dentre outros, os 
seguintes considerandos:
 
“a) a Lei Federal n. 9.790, de 23 de março de 1999, prevê a qualificação de 
pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos como Organização da 
Sociedade Civil de Interesse Público — OSCIP, habilitando-as, mediante a 
celebração de termo de parceria, a colaborar com o Poder Público no atendimento 
de interesses públicos, desde que em seus objetivos sociais constem, pelo menos, 
uma das finalidades catalogadas no seu art. 3º;
b) a lei mencionada no item anterior restringe-se, por suas disposições, aos serviços 
públicos federais, sendo imprópria sua utilização direta pelos Municípios para 
fundamentar a celebração de termos de parceria com OSCIPs;
c) compete aos Municípios editar leis que disponham sobre as entidades que 
sejam passíveis de qualificação como OSCIPs, sobre as exigências para essa 
qualificação, inclusive no que tange às disposições estatuárias da pretendente, 
sobre a instituição e o conteúdo dos termos de parceria e demais requisitos 
necessários, observando-se, subsidiariamente, as regras estabelecidas pelos arts. 
2º, 3º e 4º da Lei n. 9.790/99, além dos procedimentos insculpidos em seu art. 5º, 
no que couber;
d) alguns Municípios, não obstante o entendimento dominante, vêm celebrando 
termo de parceria com OSCIPs, inclusive com trespasse de serviços inteiros, sem 
respaldo legal, devido à inexistência de lei municipal autorizativa;
e) é vedada a utilização de OSCIPs para contratação de pessoal para o serviço 
público, o que caracteriza burla ao princípio.” Destaques inovados
Como se afere, apenas a qualificação da entidade como OSCIP no âmbito federal 
não serviria de fundamento para que o Estado do Rio Grande do Norte pudesse, de pronto, firmar 
termo de parceria. Necessária e imprescindível que a referida contratação tivesse sido precedida da 
edição de norma estadual que estabelecesse os requisitos para qualificação de entidade particular 
como OSCIP, para, a partir de então, selecionar a instituição de direito privado com a qual pudesse 
ser estabelecida parceria. Nada disso foi feito pelo Poder Público Estadual.
23
Nesse sentido, o governo estadual, através da Governadora ROSALBA 
CIARLINI ROSADO e do Secretário de Saúde DOMÍCIO ARRUDA CÂMARA, conduziu a 
situação até se chegar a um estado de emergência ficta na área de saúde, pois nesta hipótese, 
conforme orientação do Procurador-Geral do Estado MIGUEL JOSINO NETO, seria possível a 
dispensa de seleção pública prévia e, assim, proceder à escolha direta de uma OSCIP, no caso a 
MARCA.
Na verdade, impende destacar que a situação de emergência em que se 
fundamentou a contratação sob exame casou com o interesse da demandada ROSALBA 
CIARLINI de contratar a ASSOCIAÇÃO MARCA, conforme os contatos que vinham sendo 
mantidos por ela e pelo Secretário de Saúde com a presteza interessada de ALEXANDRE 
MAGNO ALVES DE SOUZA. A Governadora inclusive, à época (início de 2012), incomodava-se 
com a demora do demandado DOMÍCIO ARRUDA em resolver a questão, que vinha sendo 
postergada ao longo de meses, a fim de que pudesse inaugurar o Hospital da Mulher e consumar de 
uma vez por todas os contatos que foram feitos com a MARCA.
Com o novo orçamento, relativo ao exercício de 2012, passando por cima do 
óbice da inexistência de lei estadual, o Governo finalmente contratou a MARCA, nos exatos 
valores constantes nas planilhas elaboradas pelo grupo de TUFI SOARES MERES. Confiram-se os 
documentos:
Em 27 de janeiro de 2012 11:54, Otto Schmidt <oschmidt50@gmail.com> escreveu:
Tufi,
Segue em anexo a PLANILHA FINANCEIRA e de RESULTADOS de Mossoró. Este 
valor é o número final (real) que chegamos e não vejo como reduzí-lo, a não ser que 
tenhamos mais condições de reduzir pessoal.
Ressalto que o valor ficou um pouco acima do que havíamos imginado, pois existe o 
valor do aluguel do imóvel.
Abraços
Otto Schmidt
Re: PLANILHAS DE MOSSORÓ
24
Oi,
2.8 - treinamento interno = 22.000
2.11 = 1500.00
2.15 = 1000.00
3.4=5.000
5.9=35.000
5.11=8000.00
5.12=10.000
5.13=5.000
5.19=18.000
Muda os acima e pode mandar.
Depois de mudar , reemprime e me envia de novo
Email: Mossoró
Tufi,
Seguem as planilhas devidamente alteradas.
NOTA: O RESULTADO FICOU UM POUCOMENOR, POIS AS ALTERAÇÕES QUE VC ME 
PEDIU PARA FAZER EU NÃO INCLUI COMO RECEITA.
Abraços
Otto Schmidt
Inicialmente, a planilha financeira acostada ao primeiro correio eletrônico 
remetido pelo demandado OTTO SCHMIDT para o demandado TUFI MERES tinha os seguintes 
custos:
25
26
Após as alterações ordenadas pelo demandado TUFI MERES ao demandado 
OTTO SCHMIDT, restou montada por este último nova planilha contendo a seguinte 
discriminação financeira:
27
Esta última planilha, do jeito que foi elaborada pela organização de TUFI 
SOARES MERES, determinou o valor que consta no termo de parceria nº 001/2012, sem qualquer 
questionamento do governo, seja da demandada ROSALBA CIARLINI ROSADO, seja do 
demandado DOMÍCIO ARRUDA CÂMARA. Da análise das citadas planilhas, infere-se que as 
modificações dos custos ordenadas pelo demandado TUFI MERES ao seu comparsa, o demandado 
OTTO SCHMIDT, recaíram sobre despesas claramente genéricas, como, por exemplo, 
treinamentos interno e externo, programação visual, consultoria jurídica, desenvolvimento e 
implantação de sistemas etc, acerca das quais se pode questionar não só o montante por ele 
arbitrado aleatoriamente, mas também a própria pertinência das mesmas.
A demandada ROSALBA CIARLINI ROSADO, no entanto, não titubeou, 
aceitando sem glosa o preço imposto pela ASSOCIAÇÃO MARCA, razão pela qual providenciou, 
tão logo foi assinado o termo de parceria nº 01/2012, a abertura de crédito suplementar para 
custeio da respectiva despesa, por meio do Decreto nº 22.575, de 02 de março de 2012, cujo 
montante foi da ordem de R$ 15.806.057,91 (quinze milhões, oitocentos e seis mil, cinquenta e 
sete e reais e noventa e um centavos), valor que, diga-se de passagem, superior a todo o 
investido na saúde estadual durante o ano de 2011 (R$ 11.076.834,92). Eis a seguir cópia do 
mencionado ato:
28
Nesse ponto, o próprio demandado DOMÍCIO ARRUDA, no seu depoimento 
prestado na Procuradoria-Geral de Justiça, bem explicitou que uma contratação envolvendo tão 
vultoso valor não poderia partir dele, Secretário, de forma solitária, estando o poder decisório 
de contratar nas mãos da requerida Governadora Rosalba Ciarlini. Convém lembrar suas 
palavras:
“(...) que a contratação da ASSOCIAÇÃO MARCA envolveu recursos da ordem R$ 
13.000.000,00 (treze milhões de reais) e o depoente como Secretário de Saúde não tinha 
condições orçamentárias de viabilizar essa contratação sem envolver a decisão política da 
Governadora ROSALBA CIARLINI de carrear recursos para fazer frente a essa 
contratação...”5
Resta clarividente que a demandada ROSALBA CIARLINI direcionou a 
5
Vide Fls. 824-825, V. 3.
29
contratação da entidade Associação MARCA, com o qual o governo mantinha contatos desde o 
início de 2011. E carreou recursos milionários para dar suporte a essa contratação, sabendo de 
antemão que os valores envolvidos não foram fruto do planejamento administrativo, mas obra e 
cálculo do futuro parceiro privado, previamente escolhido, sem qualquer glosa por parte do governo. 
A bem da verdade, quando TUFI SOARES MERES deu números finais à sua 
planilha de custos, contemplou no valor do projeto alguns fatores incompatíveis com um contrato 
celebrado com uma OSCIP. A planilha que detalha o resultado financeiro da empreitada é elucidativa 
do superfaturamento, já que contempla um lucro de 24,77%, como resultado financeiro do grupo 
SALUTE VITA, o equivalente a R$ 641.712,00 (seiscentos e quarenta e um mil, seiscentos e doze 
reais), por mês. Confira-se o extraordinário documento, elaborado pela equipe de TUFI SOARES 
MERES, de circulação restrita nos e-mails de TUFI MERES e os integrantes da sua organização e 
obtido mediante cooperação internacional:
30
Ouvido, o Secretário DOMÍCIO ARRUDA CÂMARA tentou passar a impressão 
de que o nome da ASSOCIAÇÃO MARCA foi lembrado apenas no início do ano de 2012, quando 
a Governadora ROSALBA CIARLINI se mostrou desapontada com a sua demora em efetivar o 
projeto de terceirização do Hospital da Mulher. O seu depoimento foi prestado nos seguintes 
termos:
“que desde o anúncio do fechamento do Hospital da UNIMED que a 
Governadora ROSALBA CIARLINI assumiu pessoalmente a tarefa de dar 
resposta a essa situação, tanto na parte jurídica quanto na parte financeira; que 
antes mesmo da Secretaria de saúde ter uma resposta para a situação do 
31
fechamento do Hospital da Unimed, a governadora ROSALBA CIARLINI já 
havia anunciado publicamente que o Estado iria assumir o Hospital; que o 
desejo da Governadora era ter uma organização social na área de saúde, mas 
era necessário uma alteração legal; que repete o depoimento anterior quando diz 
que a contratação da ASSOCIAÇÃO MARCA pelo Estado do Rio Grande do 
Norte foi uma decisão conjunta do depoente e da Governadora ROSALBA 
CIARLINI, mas que o nome da MARCA foi sugestão do depoente; que houve 
várias reuniões de ALEXANDRE MAGNO com o depoente e a governadora 
ROSALBA CIARLINI para tratar da contratação da MARCA; que ALEXANDRE 
MAGNO defendia que uma OSCIP poderia ser contratada sem alteração legal; 
que o Procurador MIGUEL JOSINO disse à Governadora e ao depoente que a 
MARCA podia ser convidada diretamente como OSCIP, sem processo seletivo ou 
licitação, em virtude da emergência, pelo prazo de seis meses;”
A tentativa do Secretário é óbvia, no sentido de se acostar a uma opinião técnica 
do Procurador Geral do Estado MIGUEL JOSINO NETO, de que é possível fazer uma contratação 
direta em razão de um estado emergencial, para justificar a contratação direta de uma entidade com 
quem já vinha negociando há meses, aproveitando-se justamente de uma situação caótica gerada 
pela sua própria inação como Secretário de Saúde Pública.
Ocorre que o Procurador MIGUEL JOSINO NETO não tinha conhecimento das 
tratativas anteriores do Secretário DOMÍCIO ARRUDA e da Governadora ROSALBA CIARLINI 
ROSADO com a ASSOCIAÇÃO MARCA. Isso ficou patente em seu depoimento, prestado na 
Procuradoria Geral de Justiça, quando ele frisou que não deu qualquer parecer que justificasse 
especificamente a contratação da ASSOCIAÇÃO MARCA:
“que se manifestou formalmente no processo de contratação de uma entidade do 
terceiro setor para administrar o Hospital da Mulher, admitindo a possibilidade 
jurídica da contratação de uma OSCIP, inclusive de forma emergencial; que não 
sabe dizer se o Estado do Rio Grande do Norte qualificou a ASSOCIAÇÃO 
MARCA como uma OSCIP antes da celebração do termo de parceria; que não 
32
confirma a informação de DOMÍCIO ARRUDA de que ALEXANDRE MAGNO 
ALVES DE SOUZA tenha consultado o depoente sobre as cláusulas do termo de 
parceria; que não conhece as cláusulas do termo de parceria, nem teve qualquer 
participação na sua elaboração; que quando elaborou o seu parecer, não sabia 
que a MARCA já tinha sido escolhida pelo Governo; que participou de audiência 
pública com o Ministério Público em Mossoró em março de 2012 sobre esse 
tema; que acredita que alguém da MARCA participou da audiência pública, mas 
não sabe dizer quem; que não tem conhecimento de qualquer autorização formal 
ou informal do governo permitindo que a ASSOCIAÇÃO MARCA fizesse 
reformas no prédio do Hospital da UNIMED e adquirisse equipamentos e 
produtos médicos para o funcionamento do futuro Hospital da Mulher às custas 
de uma futura contratação e do futuro termo de parceria; que a Procuradoria 
Geraldo Estado jamais autorizou a inserção de despesas prévias realizadas pela 
MARCA nos anexos do termo de parceria firmado com a MARCA ou nas 
prestações de contas da entidade, conforme obriga o termo de parceria;”
Decerto, o caos evidenciado na saúde pública estadual, nesse momento, figurou 
como ambiente propício a configurar um estado crítico e apto a justificar a contratação 
“emergencial” da Associação Marca. Na verdade, essa urgência era previsível, tanto que nos 
bastidores um ajuste fraudulento já era programado com mais de seis meses de antecedência, diga-
se de passagem. A transcrição adiante evidencia essa prática, que parte justamente do Secretário 
Estadual de Saúde, médico de formação, ressalte-se, e que vislumbra “nessa situação de crise 
encontrada” a “oportunidade para decretar estado de emergência em Mossoró e no RN” e fazer as 
contratações que vinham sendo planejadas pelo Secretario e pela Governadora6:
678
760
5.W
03/01/20
12 
17:00:48 ALEXANDRE e 
DOMÍCIO 
ARRUDA
DOMÍCIO relata a ALEXANDRE que o 
“negócio de Mossoró parece que 
engrossou”, deixando a governadora muito 
6
 Conforme será explicitado no próximo tópico, a governadora ROSALBA CIARLINI 
pretendia terceirizar a administração de vários hospitais estaduais e estava conversando com duas entidades para esse 
fim, a ASSOCIAÇÃO MARCA e a CRUZ VERMELHA, a quem pretendia contemplar salomonicamente com 
contratos específicos.
33
AV angustiada. Continuando, DOMÍCIO diz que 
ligou para o “menino da Cruz Vermelha”, 
por ser o mais próximo, e que este disse que 
se a “ela” (supostamente a governadora) 
estiver disposta a conversar virá até aqui, 
pois já está em João Pessoa. DOMÍCIO diz 
que esta pessoa já está com a estrutura 
montada em João Pessoa, tendo 16 pessoas 
já trabalhando com ele. ALEXANDRE, 
então, se questiona como isso será resolvido, 
pois, na sua opinião, se essa saída for para 
resolver de forma mais rápida o problema, 
acha ótima. DOMÍCIO afirma que, nessa 
situação de crise encontrada, será a 
oportunidade para decretar estado de 
emergência na urgência de Mossoró e do 
RN. Nesse momento, DOMÍCIO pergunta 
se “o cara tem 6 meses para tomar a 
contratação das coisas”. ALEXANDRE 
afirma que tem 6 meses para contratação 
emergencial. DOMÍCIO, então, diz que 
durante esses 6 meses verão o resultado e 
que foi isso que “eles fizeram em João 
Pessoa”. ALEXANDRE questiona se 
DOMÍCIO está falando “de abrir o 
hospital” ou de “contratar o pessoal que 
não está trabalhando”. DOMÍCIO 
responde afirmando que era para “trazer 
de fora”, “abrir o hospital”. 
ALEXANDRE mais uma vez indaga se é 
para “abrir o Hospital da Unimed”, tendo 
DOMÍCIO confirmado que se trata deste 
hospital. Em seguida, DOMÍCIO diz que 
“ela” (supostamente a governadora) 
reclamou e o apontou como culpado em 
razão de não ter apresentado o projeto. 
DOMÍCIO, então, pede a ALEXANDRE 
para darem uma alinhavada e este pergunta 
quando ele quer fazer isso. ALEXANDRE 
pergunta se isso poderá ser feito e 
apresentado a “ela” no dia seguinte. 
DOMÍCIO responde dizendo que é isso o 
que “D. Dorinha” está tentando programar. 
ALEXANDRE diz que está chegando em 
34
casa e que poderá já fazer o projeto e 
encaminhar para o e-mail de DOMÍCIO. 
Este concorda e acrescenta que “o cara de 
João Pessoa” também quer vir 
(supostamente para conversarem com a 
governadora). ALEXANDRE concorda que 
ele venha e diz que acha que ele dirá que 
precisa de 45 dias para assumir. 
ALEXANDRE diz que já dará início à 
elaboração do projeto e que, no dia seguinte, 
conversarão.
35
Na verdade, a crise enfrentada pela saúde pública do Município de Mossoró já era 
conhecida pelos gestores públicos desde muito tempo antes ao evento pontual que o demandado 
DOMÍCIO ARRUDA, ardilosamente, lançou mão para justificar a contratação direta, por dispensa 
de licitação, da Associação MARCA no início do ano de 2012.
 SAMEC, MATER DEI, UNICÁRDIO, HOSPITAL DUARTE FILHO e CASA 
DE SAÚDE SANTA LUZIA são exemplos de unidades de saúde localizadas na referida 
Municipalidade que foram fechando as portas com a complacência do governo, como reflexo das 
dificuldades na saúde, sobretudo da falta de financiamento, que tem feito reduzir a estrutura naquela 
cidade nos últimos anos, apesar dos aumentos populacional e de demanda por esse tipo de serviço.
Além delas, duas outras unidades de saúde já com especialização no atendimento 
materno-infantil de Mossoró, pelos mesmos sobreditos motivos, anunciaram diferentes mudanças 
em seus destinos ainda no primeiro semestre de 2011, que foram justamente o Hospital da 
UNIMED e a UNIPED – Unidade de Pronto-Atendimento Infantil de Mossoró, mas que, na prática, 
redundaram igualmente no fomento da situação de crise na assistência à população. 
Registre-se, outrossim, que até mesmo o evento pontual utilizado pelo demandado 
DOMÍCIO ARRUDA para decretar estado de emergência na saúde de Mossoró era totalmente 
previsível meses antes. Ora, a greve iniciada em 1º de janeiro de 2012 pelas cooperativas dos 
médicos pediatras, obstetras e anestesiologistas da Casa de Saúde Dix-Sept Rosado/Maternidade 
Almeida Castro, que serviu de subterfúgio para o Governo do RN contratar diretamente a 
Associação MARCA em vislumbre, teve como principal motivo o atraso no pagamento dos salários 
desses profissionais por quase três meses e o não pagamento das férias dos mesmos, desde agosto 
de 2011, pelo próprio governo, conforme se extrai de notícias veiculas à época em anexo.
Portanto, a falta de assistência na saúde pública no Estado do Rio Grande do 
Norte não é nenhuma novidade: passam-se os anos e o abandono continua o mesmo, justamente 
pela desídia daqueles que são incumbidos pelo povo de lhes assegurar um direito fundamental que é 
a saúde. Sobre isso, bem pontou a Informação n. 326/2013-DAD, Diretoria de Controle Externo do 
36
Tribunal de Contas do RN, inserta no processo n. 15153/2012-TC:7
“Nesse sentido, a necessidade de melhora da rede de assistência à saúde da mulher 
em Mossoró, não obstante ser um grave problema, não foi um episódio que se 
iniciou no início do ano de 2012. Trata-se, de fato, de situação crônica mantida por 
várias administrações omissas em fornecer alguma solução concreta para solucioná-
la.”
O Tribunal de Contas da União, conforme voto exarado pelo Ministro Carlos 
Átila, bem asseverou que somente cabe a invocação da exceção legal se “a situação adversa, dada 
como de emergência ou de calamidade pública, não tenha se originado, total ou parcialmente, da 
falta de planejamento, da desídia administrativa ou da má gestão dos recursos disponíveis, ou seja, 
que ela não possa, em alguma medida, ser atribuída à culpa ou dolo do (s) agente (s) público (s) que 
tinha (m) o dever de agir para prevenir a ocorrência de tal situação...”8
E chama atenção relativamente à suposta situação de emergência o fato de que em 
06 de setembro de 2011 a demandada MARIA DAS DORES BURLAMAQUI DE LIMA, 
Secretária Adjunta da SESAP, expediu o Memorando n. 047/2011, encaminhando ao Secretário 
DOMÍCIO ARRUDA as “minutas de termo de parceria para instalação de uma Unidade Materno-
Infantil em Mossoró e Hospital Ruy Pereira dos Santos, em Natal, com gerenciamento da unidade a 
ser feito através da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP, escolhida 
mediante SELEÇÃO PÚBLICA.”9 Desde essa época poderia ser feita sem dificuldades uma 
licitação que atendesse ao interesse público. Mas ointeresse dos demandados residia apenas na 
contratação da MARCA.
O fato é que, ao menos oficialmente, desde setembro de 2011 o Estado do RN 
adotou o primeiro passo visando à contratação de uma entidade do Terceiro Setor para gerir uma 
unidade Materno-Infantil em Mossoró, mas o demandado DOMÍCIO ARRUDA, para dispensar a 
seleção pública, em 06 de fevereiro de 2012, exatamente 05 (cinco) meses depois, sem tomar 
7
Relatório que consta no CD de fl. 635, V. 2, p. 29.
8 Idem, ibidem, p. 240.
9 P. 23, V. I
37
qualquer das providências que lhe cabiam, veio reconhecer a suposta “situação de emergência”. E 
esse ardil não passou despercebido pela análise do Corpo Técnico do TCE/RN, na Informação n. 
326/201310:
“Ora, constata-se que desde 06 de setembro de 2011 a Administração Pública 
já tinha a intenção de instalar o Hospital da Mulher em Mossoró, sendo a 
realização de sua gestão procedida mediante Organização da Sociedade Civil 
de Interesse Público (OSCIP), e somente em 06 de fevereiro de 2012 é que 
o então Secretário de Saúde declara a suposta situação de emergência veiculada pela 
imprensa; depreende-se, dessa maneira, a montagem de situação 
emergencial com vistas a contratação de forma direta da Associação MARCA 
fundamentada no art. 24, IV da Lei 8.666/93. Desse modo, caso o procedimento 
licitatório tivesse ocorrido de forma regular e célere que a situação exigia, 
dificilmente chegar-se-ia a uma contratação ás pressas, nos moldes da pactuada 
com a OSCIP acima mencionada.”
(…)
Destarte, pode-se concluir sem maiores dificuldades que o próprio governo 
aceitou, fomentou e conviveu com a crise que passou a alegar para contratar diretamente a 
ASSOCIAÇÃO MARCA, em caráter emergencial.
Em depoimento na Promotoria do Patrimônio Público, em 27 de julho de 2012, o 
Secretário DOMÍCIO ARRUDA CÂMARA, revelou, a seu modo, como foram feitos os contatos 
com a MARCA:
“(...) Que existiu a ideia de terceirizar o Hospital Dr. Ruy Pereira, pois era um hospital alugado 
que tinha uma dotação orçamentária fixa e seria possível com o valor do custeio, alugar o 
serviço; Que recebeu a visita da DERSLON da FIBRA em uma audiência na SESAP; Que ele 
afirmou que a Fibra administrava uma UPA em Guarabira e estava atuando no Hospital de 
Trauma de Campina Grande; Que Deslon da Fibra chegou a visitar o Hospital Dr. Ruy Pereira, 
mas a Fibra não apresentou proposta; Que a Marca também visitou o Hospital Dr. Ruy Pereira, 
através de Rose Bravo, Maninho e uma terceira pessoa; Que a Marca não chegou a apresentar 
uma proposta; Que existia também um empecilho para contratação destas entidades pela falta 
de legislação regulamentando as organizações sociais; Que com a crise do Walfredo Gurgel e 
com a solução realizada na Paraíba quando a Cruz Vermelha passou a administrar o Hospital 
de Traumas em João Pessoa, a SESAP manteve contato com a Cruz Vermelha através de seu 
representante Edmont Silva, Que fez uma visita ao hospital administrado pela Cruz Vermelha 
em João Pessoa; Que foi marcada uma reunião com Cruz Vermelha em Natal para tratar sobre 
uma solução para administrar o Walfredo Gurgel; Que a reunião foi na Governadoria; Que 
10 Relatório que consta no CD de fl. 635, V. 2, p. 27
38
estavam presentes Edmont Silva, Daniel Gomes, Dorinha, Rosalba e o depoente; Que foi nesta 
reunião que a Cruz Vermelha afirmou como tinha sido a solução para o Hospital de Traumas 
de João Pessoa, através da decretação do estado de emergência e da aprovação de uma lei 
estadual que possibilitou a contratação de organizações sociais por parte do Estado da Paraíba; 
Que a Governadora pediu para fazer uma reunião quinze dias depois com a área jurídica do 
Estado; Que entre as reuniões foi apresentada a matéria no Fantástico com denúncias sobre 
algumas empresas no Rio de Janeiro no âmbito da saúde, entre elas a Toesa; Que segunda 
reunião foi na Secretaria de Planejamento; Que estavam presentes Edmont Silva, Daniel 
Gomes, Dorinha, Rosalba, Miguel Josino, José Marcelo, Alexandre Magno, Oberi, o depoente e 
um consultor do Estado da Paraíba que não se recorda o nome; Que nesta reunião, Daniel 
Gomes falou ao depoente que ele era consultor da Cruz Vermelha; Que a Toesa administra o 
SAMU em João Pessoa; ; Que nesta reunião ficou decidido que sem a existência de uma lei não 
era possível realizar a contratação; Que ficou sabendo que o projeto de lei das OS's já estava 
sendo redigido; Que em junho ou julho de 2011, o Hospital da Unimed em Mossoró fechou; 
Que surgiu a ideia de uma organização social para administrar o Hospital da Mulher em 
Mossoró após o agravamento do problema com a assistência obstetrícia em janeiro de 2010; 
Que foi feito o convite para a Marca administrar o Hospital da Mulher, visto que a entidade 
tinha experiência do município de Natal; Que teve uma reunião com Rose Bravo e Maninho na 
SESAP, em janeiro de 2012, onde o depoente informou a situação da saúde de Mossoró e fez o 
convite verbal para a Marca assumir o Hospital; Que este convite verbal teve o aval de Miguel 
Josino; Que Miguel Josino afirmou que poderia ser feito um convite a uma OS para fazer um 
contrato emergencial de seis meses, para depois ser feito uma licitação; Que seguiu esta 
orientação; Que esta orientação foi confirmada por Miguel Josino em seu parecer emitido no 
processo do contrato emergencial; Que Rose Bravo e Maninho foram até Mossoró e visitaram o 
hospital; Que Rose Bravo e Maninho falaram que poderiam colocar o hospital para funcionar 
em 45 dias; Que a Marca apresentou uma proposta foi levado para a reunião com a 
Governadora, o Chefe da Casa Civil, o Secretário de Planejamento e o depoente e ela foi 
aprovada; Que existiu o compromisso do Governo contratar a Marca; Que o contrato (termo de 
parceria) foi assinado no dia 29 de fevereiro de 2012; Que o termo de parceria foi redigido por 
Alexandre Magno, por parte da Sesap; Que o Hospital da Mulher foi inaugurado no dia 09 de 
maço de 2012;
É importante registrar que o grupo de TUFI SOARES MERES já havia, por 
intermédio do demandado ALEXANDRE MAGNO ALVES DE SOUZA, conseguido estabelecer 
um canal próprio de interlocução com a Governadora ROSALBA CIARLINI ROSADO e o 
Secretário DOMÍCIO ARRUDA CÂMARA. Um dos exemplos dessa aproximação é o correio 
eletrônico a seguir citado, de 24 de maio de 2011, que traz a tona o relato de acertos mantidos pela 
mencionada organização com o demandado ALEXANDRE MAGNO, relativos a uma viagem para 
39
a qual os demandados ROSALBA CIARLINI e DOMÍCIO ARRUDA11 foram convidados a fazer 
para Barcelona, na Espanha, com a finalidade de conhecer projetos lá desenvolvidos pelo Consórcio 
Hospitalar da Catalunha, que, no Brasil, possui convênio com o grupo Salute Vita. Em resumo: 
seria uma outra forma de o aludido grupo criminoso conseguir formalizar sua contratação 
com a Administração Pública Estadual também na área de medicamentos , mas que, 
inobstante todo o esforço, não vicejou por esse prisma. Vejamos:
From: rosibravo@gmail.com
Date: Tue, 24 May 2011 07:38:48 +0000
To: Tufi<tmeres@gmail.com>
ReplyTo: rosibravo@gmail.com
Subject: Res: Re: Goias/Carta manifestaçao Interesse
Bom dia Dr!
Ontem em conversa cxom Alexandre aqui, ele disse para providenciar estes convites o + rapido 
possivel, mas tb disse q a data de 23 será praticamente impossivel por ser tradicao do RN o Sao 
Joao e q a Gov vai marcar a data q provavelmente será primeira semana de julho, mas q so pode 
confirmar as datas com os convites!
Att
Rosi
Enviado do meu BlackBerry® da Oi.
From: tmeres <tmeres@gmail.com>
Date: Mon, 23 May 2011 22:13:30 -0300
To: Jordi Campo<jcampo@consorci.org>
Subject:Re: Goias/Carta manifestaçao Interesse
Boa noite Jordi,
Confirmo estas datas com 3,5 dias de agenda.
Pode emitir os convites,
abs,
Tufi Meres
Em 19 de maio de 2011 04:41, Jordi Campo <jcampo@consorci.org> escreveu:
Prezado,
Mando a carta com a correção do nome do Hospital.
11
Na data de 24 de setembro de 2013, o demandado Domício Arruda Câmara Sobrinho prestou depoimento ao Ministério Público 
deste Estado e, naquela oportunidade, confirmou o recebimento do ofício aposto nesta peça, através do qual foi convidado a conhecer os projetos 
desenvolvidos pelo Consórcio Hospitalar da Catalunha em Barcelona, tendo, inclusive, aproveitado o ensejo para entregar uma cópia do por ele 
recebido (fl.718, V. 3).
40
O dia 24 de junho é São João. Não temos as festas juninas como vocês, mas é feriado e tem uma festa importante o dia 
23 a noite. Se você acha que temos suficiente com 3,5 dias de agenda (de segunda de manhã ate quinta ao médiodia) 
não vejo problemas por as datas. Por favor, me confirme.
Um abraço,
Jordi
De: tmeres [mailto:tmeres@gmail.com] 
Enviado el: dimecres, 18 / maig / 2011 23:34
Para: Jordi Campo
Asunto: Re: Goias/Carta manifestaçao Interesse
Jordi,
1- Chegou a tempo, obrigado. Preciso que vc faça uma correção no nome da instituição.
O correto é : Hospital de Urgências de Aparecida de Goiânia ou HUAPA.
Favor alterar e reenviar.
Estamos hoje com chances de 80% para nossa contratação.Questões de valores contratuais
2-Com relação a visita da Governadora do Rio Grande do Norte,desta vez parece que sai .
Aqui no Brasil haverá o feriado de "Corpus Cristis" em 23 de Junho. Como seria para vcs, se o 
periodo da visita a Barcelona fosse entre 19 e 24 de junho ?
Se de acordo, já me envia o convite para a Governadora e para o secretário de saúde,cujos nomes 
são :
Governadora - Rosalba Ciarlini
Secretário de saúde- Domício Arruda Câmara
Aguardo,
Abs,
Tufi
Em 17 de maio de 2011 12:58, Jordi Campo <jcampo@consorci.org> escreveu: 
Prezado,
Conforme combinado, mando você a manifestação de interesse.
Espero não "chegar" tarde demais...
Um abraço,
Jordi
From: tmeres
Sent: Sunday, May 29, 2011 2:22 PM
To: amagnosouza@gmail.com ; Rosi Bravo 
41
Subject: Fwd: Enviando por correo electrónico: Carta_convite_governadora_Natal.pdf, 
Carta_convite_secretario_SESAP_Natal.pdf
Boa tarde Alexandre,
Nos anexos os convites para a Governadora e para o Sec Saúde.
abs,
Tufi Méres
---------- Forwarded message ----------
From: Jordi Campo <jcampo@consorci.org>
Date: 2011/5/25
Subject: Enviando por correo electrónico: Carta_convite_governadora_Natal.pdf, 
Carta_convite_secretario_SESAP_Natal.pdf
To: tmeres@gmail.com
<<Carta_convite_governadora_Natal.pdf>> 
<<Carta_convite_secretario_SESAP_Natal.pdf>>
Pronto!
Por favor, confirme recepçao dos arquivos.
Estarei no Brasil (Salvador e Brasilia) do 2 ate o 9 de junho, qualquer coisa a gente se liga.
Abraços,
jordi
Os convites anexados aos e-mails têm a seguinte conformação:
42
Para concretizar os planos pretendidos pela demandada ROSALBA CIARLINI, 
foram empreendidas diversas medidas iniciais, como, a título de exemplo, a visita realizada em 
julho de 2011 pelo próprio ALEXANDRE MAGNO, acompanhado da demandada ROSIMAR 
BRAVO, representante da ASSOCIAÇÃO MARCA, ao Hospital da UNIMED em Mossoró, com a 
finalidade de verificarem a estrutura do respectivo prédio e os equipamentos nele existentes, 
conforme narrado nos seguintes áudios degravados:
6174312 ALEXANDRE está em Mossoró e diz a DR. NEY que foi ver a questão do Hospital da 
Unimed e que conversará com “D. Dorinha”. Os dois combinam de se encontrar no dia 
seguinte, em Mossoró, no Hospital Tarcísio Maia. DR. NEY pergunta a ALEXANDRE 
o que ele irá verificar no Hospital (“tá vendo a parte de estrutura? De check-list 
também?”), tendo este respondido que verá tudo. ALEXANDRE complementa 
dizendo que “há uma tendência de uma entidade conveniada pelo Estado assumir o 
Hospital”; diz, ainda: “isso acontecendo, a entidade para assumir a necessidade que a 
gente disser; se a gente disser: ‘não tem equipamento nenhum; você vai ter que 
comprar tudo e entrar’; eles entram... a gente é que dá as diretrizes”. Os dois finalizam 
confirmando o encontro no dia seguinte.
06/07/2011
14:54:49
(02:56)
DR. NEY ROBSON e 
ALEXANDRE
43
6167840 ROSI diz a RISIELY que já chegou a Natal e que uma funcionária da “MV Sistemas” 
havia lhe ligado perguntando se um rapaz poderia ir à UPA recolher dois servidores. 
RISIELY diz que o que era da “MV Sistemas” já estava separado. Em seguida, 
RISIELY pergunta se ROSI irá ao escritório, tendo esta respondido que estava 
aguardando “Alexandre” e que só iria se este demorasse a passar onde ela estava. 
Complementando, ROSI diz que irá a Mossoró. RISIELY pergunta se pode continuar 
tentar com a “Márcia” tudo o que foi solicitado com a Prefeitura (possivelmente a 
reunião acima relatada). ROSI confirma que sim e diz que “Dr. Tufi” chegará, no dia 
seguinte, para ir a reunião às 19:00hs. ROSI diz que seria bom se ela conseguisse 
conversar com “Kalazans” ou com o Vice-Prefeito. RISIELY opina dizendo que, 
naquele primeiro momento, a primeira opção seria melhor (conversar com “Kalazans”). 
Segundo RISIELY, complementando sua opinião, “ele” (“Kalazans”) é a pessoa de 
credibilidade “dela”; e o segundo é “porque ela não tem como fugir daquilo”. ROSI, 
então, se refere ao Vice-Prefeito como um grande articulador, demonstrando seu 
interesse em tratar com ele também. RISIELY concorda com ela e complementa: “ele 
vai fazer qualquer coisa que seja com você para o futuro... para depois desse mandato 
dela”. RISIELY diz que se ROSI conseguir conversar com os dois estará de bom 
tamanho. Em seguida, RISIELY diz que “Sandra” está com ela perguntando se ROSI 
tem alguma previsão sobre Igapó. ROSI, então, responde dizendo, inicialmente, que 
não há previsão, mas, posteriormente, diz que a previsão é: “quando sair o repasse, 20 
dias depois”.
05/07/2011
09:15:44
(04:36)
RISIELY e ROSI BRAVO
Mais ou menos nessa época, foi identificado, fruto da operação Assepsia, o correio 
eletrônico a seguir, que demonstra a existência de estreito contato mantido pela demandada 
ROSALBA CIARLINI com os integrantes do grupo criminoso do demandado TUFI MERES:
Assunto: Nutricionista Ana Caroline Ciarline – Brasília Teimosa
Date: 22/07/2011
From: Fabiana RH - Natal
To: Risielly, Micaela Gerente Enfermagem
Risiely, bom dia
Micaela, Gerente de Enfermagem de Brasília Teimosa, veio hoje no escritório fazer mais reclamações em relação a Ana Carolina, 
Nutricionista.
Ela sempre, chega atrasada, no mês de junho, está faltando, sem justificativas e nem apresentado atestados em nenhuma ocasião.
Eu liguei pra ela, pra ela vim conversar comigo, Dra. Francisca também pediu pra ela vim no escritório, e ela ainda não veio e 
também não justificou o motivo de não ter atendido o nosso pedido.
O problema é que ela é indicação de Rosalba (Governadora do RN), ela é sobrinha da mesma.
Gostaria de ter orientação em relação a mesma, pois a meta dela não está sendo cumprida, desde que entrou, sobrecarregando o 
outro profissional, que já dobrou sua quantidade de atendimentos.
Ela já foi chamada atenção várias vezes em relação a farda, ela usa jeans e não usa a bata da empresa, quando vai falar com ela, 
ela simplesmente ignora.
44
Att.
Fabiana Inácio A. Barreto
Analista de R.H.
(84)88319670
Pouco depois dos convites para a viagem à Espanha, a equipe da MARCA aportou 
em Mossoró para fazer os levantamentos encomendados pelo Governo do Estado relativos ao 
Hospital da Mulher. Lá, o demandado ANTÔNIO CARLOS DE OLIVEIRA JÚNIOR, o Maninho, 
foi recebido exatamente pela demandada DORINHA BURLAMAQUI:6255731 ALEXANDRE avisa a DORINHA que, no dia seguinte, um rapaz chamado “Antônio” 
(“Maninho”) chegará do Rio de Janeiro para ir a Mossoró fazer um levantamento do 
Hospital da Unimed. DORINHA afirma que ligará para “Iranilde” e pedirá que ela o 
acompanhe. “Antônio” estará em Mossoró às 09:00hs e procurará “Iranilde” na 
“USAP” (“Regional”). Em seguida, DORINHA pergunta qual o horário em que 
ALEXANDRE estará na SESAP, pois quer saber se “eles já deram alguma sinalização” 
para ALEXANDRE.
26/07/2011
15:11:31
(02:14)
ALEXANDRE e 
DORINHA
(84 9972-2342)
6259149 ALEXANDRE diz que o rapaz que iria ao Hospital da Unimed em Mossoró está 
procurando a regional para encontrar a pessoa que o acompanhará na avaliação. 
DORINHA pede que ele encaminhe o rapaz até o Hospital Tarcísio Maia e procure por 
“Dr. Nei”, pois este o acompanhará.
27/07/2011
10:35:15
(00:51)
ALEXANDRE e DORINHA
Aliás, foi a partir dessas vistorias que restou elaborado pelo demandado 
LEONARDO CARAP o projeto que descreveu o perfil proposto pela organização em vislumbre 
para o Hospital da Mulher, consoante se depreende do e-mail abaixo, de agosto de 2011, muito 
antes da assinatura do termo de parceria ou da deflagração do processo administrativo que resultou 
na contratação da MARCA. Recorde-se o email suso transcrito: 
45
From: tmeres
Sent: Monday, August 22, 2011 4:41 PM
To: Rosi Bravo 
Subject: Fwd: CONSIDERAÇÕES INICIAIS SOBRE PROJETO HOSPITALAR NO RIO GRANDE DO 
NORTE_MOSSORÓ.docx
---------- Mensagem encaminhada ----------
De: Leonardo Carap <leonardo.carap@fgv.br>
Data: 19 de agosto de 2011 19:50
Assunto: CONSIDERAÇÕES INICIAIS SOBRE PROJETO HOSPITALAR NO RIO GRANDE 
DO NORTE_MOSSORÓ.docx
Para: Tufi Soares Meres <tmeres@gmail.com>
Prezado amigo
Segue projeto mais burilado
Abs
Bom fds
Leonardo
Frise-se que a demandada DORINHA BURLAMAQUI foi escalada pela 
Governadora ROSALBA CIARLINI ROSADO “para apresentar a ela as propostas, as sugestões e 
soluções para o Hospital da Mulher”, segundo a própria demandada MARIA DAS DORES 
BURLAMAQUI afirmou em depoimento prestado ao Ministério Público (fls. 785/786, V. 3). Isso 
explica porque o demandado ALEXANDRE MAGNO ALVES DE SOUZA tinha uma preocupação 
especial em apresentar a DORINHA BURLAMAQUI os resultados da interlocução que fazia com 
os representantes da MARCA. Ela própria tinha consciência disso, conforme relatou em seu 
depoimento:
“que a depoente e o secretário DOMÍCIO ARRUDA eram os interlocutores da 
Governadora ROSALBA CIARLINI para apresentar a ela as propostas, as 
sugestões e as soluções para o Hospital da Mulher; que acredita que esse foi o 
motivo pelo qual ALEXANDRE MAGNO ALVES DE SOUZA procurava a 
depoente para tratar de assuntos do Hospital da Mulher;”
46
Registre-se, nesse particular, alguns desses contatos, o primeiro deles 
documentando o passo seguinte à visita do demandado “Maninho” a Mossoró:
6349259 ALEXANDRE diz que quer marcar uma reunião com ela e com os proprietários do Hospital 
da Unimed para que possa apresentar o projeto. ALEXANDRE diz que sugerirá algumas 
adequações do edifício e a troca de equipamentos obsoletos. Em seguida, ALEXANDRE diz 
que a proposta será de R$ 750 mil/mês para 30 leitos (de clínica), R$ 700 mil/mês para leitos 
de UTI, e R$ 700 mil/mês de neonatal.
26/08/2011
10:50:44
(04:15)
ALEXANDRE e D. 
DORINHA
626146
9
27/07/2011 16:48:25
(01:00)
ALEXANDRE e HNI 
(“Deputado”)
(84 9926-8681)
@
MNP
MCRIP
HNI diz a ALEXANDRE que 
conversou com o reitor. 
ALEXANDRE pergunta se a 
conversa foi boa, tendo ele 
respondido que sim e que “ele” 
(reitor) abriu expectativas 
interessantes em relação ao 
instituto. Em seguida, HNI 
pergunta se houve “alguma coisa 
boa” para o lado de 
ALEXANDRE e este responde 
que “andaram os projetos”; “o 
pessoal veio, foi a Mossoró e veio 
aqui; já voltaram e levaram um 
bocado de dados”. HNI pergunta 
se a conversa com “Dorinha” foi 
boa. ALEXANDRE diz que foi 
ótima e que depois dirá a HNI 
como foi. Finalizando, HNI 
pergunta se ALEXANDRE já “viu 
com Canindé” a “situação” que ele 
(HNI) havia falado. 
ALEXANDRE diz que não viu 
“Canindé” nesse dia.
Então, quando os fatos afunilaram, a contratação da ASSOCIAÇÃO MARCA era 
algo natural para o governo, desde o fechamento do Hospital da Unimed, em junho de 2011. O 
agravamento das condições da assistência à maternidade em Mossoró e região oeste, desde o 
término das atividades da unidade de saúde, foi um espetáculo lento e dantesco permitido ao longo 
de meses pelo governo e que resultou na contratação emergencial da ASSOCIAÇÃO MARCA para 
gerenciamento do Hospital da Mulher.
47
A escolha dirigida, mesmo sob o pálio de uma emergência concebida, atropelou a 
praxe administrativa e não foi resultado de qualquer escolha técnica, mas de um convite pessoal do 
Secretário DOMÍCIO ARRUDA CÂMARA, seguida da aprovação oficial da demandada 
ROSALBA CIARLINI ROSADO, nos moldes narrados pelo próprio DOMÍCIO ARRUDA no seu 
depoimento suso transcrito. 
Seguindo esse mesmo raciocínio, urge destacar trechos dos depoimentos prestados 
ao Ministério Público pelos demandados DOMÍCIO ARRUDA e MARIA DAS DORES 
BURLAMAQUI em que confirmam a participação da demandada ROSALBA CIARLINI em 
todos os momentos em que se processou a contratação da Associação MARCA com o Poder 
Público Estadual, in verbis:
“(...) que antes da celebração do termo de parceria, houve um acordo verbal, que não 
foi formalizado, garantido pela própria governadora ROSALBA CIARLINI 
ROSADO, que a ASSOCIAÇÃO MARCA instalaria às suas custas e depois que o 
Hospital estivesse montado, com todos os equipamentos, é que o termo de parceria 
seria assinado, contemplando todas as despesas realizadas com os equipamentos e a 
reforma física do prédio do antigo Hospital da UNIMED; que o Estado não comprou 
qualquer equipamento; que todos os equipamentos foram adquiridos pela MARCA, 
antes da assinatura do termo de parceria; que essa decisão foi conjunta do depoente e 
da Governadora ROSALBA CIARLINI; (…) que a Governadora ROSALBA 
CIARLINI decidiu que a contratação seria mediante convite e seria contratada uma 
OSCIP para, durante seis meses, resolver o problema emergencial; que essa solução 
foi abonada pelo setor jurídico do governo; (…) que a governadora estava 
pressionando politicamente tanto a PGE quanto a SESAP para concluírem o 
processo, pois a inauguração já estava anunciada publicamente e a assistência 
obstétrica na região estava totalmente prejudicada; (…) que no dia 09 de janeiro de 
2012, a Governadora ROSALBA CIARLINI autorizou o depoente a fazer contato 
com a ASSOCIAÇÃO MARCA especificamente.” - Depoimento prestado pelo 
demandado DOMÍCIO ARRUDA CÂMARA SOBRINHO em 24.09.2013 (fls. 
715/717, V. 2)
“(...) que a contratação da ASSOCIAÇÃO MARCA envolveu recursos da 
ordem R$ 13.000.000,00 (treze milhões de reais) e o depoente como Secretário 
de Saúde não tinha condições orçamentárias de viabilizar essa contratação sem 
envolver a decisão política da Governadora ROSALBA CIARLINI de carrear 
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recursos para fazer frente a essa contratação; que desde o anúncio do fechamento 
do Hospital da UNIMED que a Governadora ROSALBA CIARLINI assumiu 
pessoalmente a tarefa de dar resposta a essa situação, tanto na parte jurídica quanto 
na parte financeira; que antes mesmo da Secretaria de saúde ter uma resposta para a 
situação do fechamento do Hospital da Unimed, a governadoraROSALBA 
CIARLINI já havia anunciado publicamente que o Estado iria assumir o Hospital; 
que o desejo da Governadora era ter uma organização social na área de saúde, 
mas era necessário uma alteração legal; que repete o depoimento anterior 
quando diz que a contratação da ASSOCIAÇÃO MARCA pelo Estado do Rio 
Grande do Norte foi uma decisão conjunta do depoente e da Governadora 
ROSALBA CIARLINI, mas que o nome da MARCA foi sugestão do depoente; 
que houve várias reuniões de ALEXANDRE MAGNO com o depoente e a 
governadora ROSALBA CIARLINI para tratar da contratação da MARCA; que 
ALEXANDRE MAGNO defendia que uma OSCIP poderia ser contratada sem 
alteração legal; que o Procurador MIGUEL JOSINO disse à Governadora e ao 
depoente que a MARCA podia ser convidada diretamente como OSCIP, sem 
processo seletivo ou licitação, em virtude da emergência, pelo prazo de seis meses...
Depoimento prestado pelo demandado DOMÍCIO ARRUDA CÂMARA 
SOBRINHO em 11.11.2013 (fls. 824-825, V. 3)
“(...) que acompanhou como Secretária Adjunta, informalmente, a realização de 
adequações no prédio do antigo Hospital da Unimed; que não havia uma missão 
oficial nesse sentido; que quem estava realizando as adequações no prédio era uma 
empresa da ASSOCIAÇÃO MARCA; que o Secretário de saúde DOMÍCIO 
ARRUDA tinha conhecimento de que a MARCA estava realizando a reforma do 
antigo Hospital da Unimed para funcionar o Hospital da Mulher; que acredita que a 
Governadora ROSALBA CIARLINI ROSADO também tinha conhecimento, pois 
depois que tinham iniciado várias vezes a própria depoente informava a 
Governadora ROSALBA CIARLINI do andamento da obra de adequação; (…) que 
a depoente acha que as obras de adequação começaram em janeiro de 2012; (…) que 
acha que a escolha da MARCA para fazer o trabalho foi feita em conjunto pelo 
Secretário DOMÍCIO ARRUDA e pela Governadora ROSALBA CIARLINI.” - 
Depoimento prestado pela demandada MARIA DAS DORES BURLAMAQUI 
DE LIMA em 01 de outubro de 2013 (fl. 770, V. 3)
Em outra oportunidade, o demandado DOMÍCIO ARRUDA chegou a relatar que 
manteve contato com os demandados ROSIMAR BRAVO e ANTÔNIO CARLOS DE 
OLIVEIRA (Maninho) no mês de janeiro de 2012, com o objetivo de solicitar o envio de proposta 
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pela Associação MARCA relativa à prestação de serviço de gerenciamento do Hospital da Mulher, 
e que tão logo a recebeu, se reuniu com a demandada ROSALBA CIARLINI e outros, tendo 
advindo desta a autorização para efetivar a respectiva contratação, senão vejamos:
Que surgiu a ideia de uma organização social para administrar o Hospital da 
Mulher em Mossoró após o agravamento do problema com a assistência 
obstetrícia em janeiro de 2010; Que foi feito o convite para a Marca 
administrar o Hospital da Mulher, visto que a entidade tinha experiência do 
município de Natal; Que teve uma reunião com Rose Bravo e Maninho na 
SESAP, em janeiro de 2012, onde o depoente informou a situação da saúde de 
Mossoró e fez o convite verbal para a Marca assumir o Hospital; Que este 
convite verbal teve o aval de Miguel Josino; Que Miguel Josino afirmou que 
poderia ser feito um convite a uma OS para fazer um contrato emergencial de 
seis meses, para depois ser feito uma licitação; Que seguiu esta orientação; Que 
esta orientação foi confirmada por Miguel Josino em seu parecer emitido no 
processo do contrato emergencial; Que Rose Bravo e Maninho foram até 
Mossoró e visitaram o hospital; Que Rose Bravo e Maninho falaram que 
poderiam colocar o hospital para funcionar em 45 dias; Que a Marca 
apresentou uma proposta foi levado para a reunião com a Governadora, o 
Chefe da Casa Civil, o Secretário de Planejamento e o depoente e ela foi 
aprovada; Que existiu o compromisso do Governo contratar a Marca; Que o 
contrato (termo de parceria) foi assinado no dia 29 de fevereiro de 2012; Que o 
termo de parceria foi redigido por Alexandre Magno, por parte da Sesap; Que o 
Hospital da Mulher foi inaugurado no dia 09 de maço de 2012; (...)” - 
Depoimento prestado pelo demandado DOMÍCIO ARRUDA ao 44º Promotor 
de Justiça da comarca de Natal na data de 27 de julho de 2012.
Definitivamente, o acerto com a ASSOCIAÇÃO MARCA envolvia o comando da 
Administração Estadual, na pessoa da demandada ROSALBA CIARLINI ROSADO, e foi 
antecedente à própria formalização da contratação, cumpre destacar, antes que nos autos do 
processo administrativo n º 3972/2012-1 existisse qualquer decisão que tenha efetivamente 
selecionado a MARCA ou qualquer outra entidade para esse fim.
No ponto, observe-se que o processo esteve na Procuradoria Geral do Estado até a 
data da formalização do termo de parceria, ainda sem qualquer decisão, nos autos, acerca de qual a 
entidade que seria contratada para gerenciamento do hospital. O processo percorreu os seguintes 
50
caminhos (atente-se para as datas das manifestações:
51
52
Perceba-se que o processo seguiu da Procuradoria Geral do Estado -PGE para a 
Secretaria de Saúde no mesmo dia da formalização do termo de parceria, 29 de fevereiro de 2012, 
sem qualquer escolha existente nos autos. 
A partir da escolha pessoal da MARCA, todo o processo administrativo foi 
criminosamente montado, através da simulação de atos, para conferir a impressão de que o poder 
público ainda atuava para a seleção da OSCIP, de modo que enquanto os atos do processo falavam 
em envio de convites para três entidades, a MARCA já estava operacionalizando a reforma do 
prédio do Hospital. 
A propósito, a 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Mossoró requisitou que a 
demandada MARIA DAS DORES BURLAMAQUI DE LIMA (Dorinha), então Secretária 
Estadual de Saúde Adjunta, apresentasse os convites que teriam sido enviados a entidades com 
eventual interesse em instalar o Hospital Mulher.12 Na resposta, a requerida Maria das Dores 
pontificou: 
“Em atenção ao Ofício supracitado, no que pertine à formulação de convite a 
outras instituições para estabelecimento de parceria no gerenciamento do 
Hospital da Mulher de Mossoró, informamos que foram convidadas para 
oferecer propostas não só a Associação Marca, como também a Cruz Vermelha, 
que administra o Hospital de Trauma da Paraíba e a Associação Fibra, que 
gerencia a unidade de Prontoatendimento (UPA) no município de Guarabira.
As três entidades visitaram a edificação que se destinava ao Hospital e, como 
decorrência disso, a Associação Marca ofertou o projeto completo de atuação e 
a Cruz Vermelha manifestou-se pela falta de interesse naquele momento... Já a 
Associação Fibra compareceu à SESAP, quando já havia sido decidido pela 
formulação do Termo de Parceria com a MARCA, o que fez com que esse 
assunto não fosse mais tratado.”13
Ocorre que tais “convites” inexistem formalmente no procedimento 
administrativo n. 3972/2012. O que se vê é a contratação DIRETA da MARCA, sem que sequer 
houvesse uma pesquisa de mercado a apontar que aquela seria a proposta mais vantajosa 
para a Administração Pública.
Também não houve consulta ao Conselho Estadual de Saúde. Os representantes 
do Conselho Estadual de Saúde informaram que o termo de parceria firmado entre o Estado do Rio 
12 Fl. 1054, Anexo VI.
13 Fl. 1055, Anexo VI.
53
Grande do Norte e a Associação Marca Para Promoção de Serviços não fora submetido à análise do 
órgão de controle social (fls.460, Anexo III).
No caso específico da celebração de termos de parceria com OSCIPs, a Lei 
Federal nº 9.790/90 estabelece, em seu art.10, §1º, a obrigatoriedade de realização de consulta 
prévia ao Conselho de Políticas Públicas da área, no respectivo nível de governo.
Art. 10. O Termo deParceria firmado de comum acordo entre o Poder Público e as 
Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público discriminará direitos, 
responsabilidades e obrigações das partes signatárias.
§ 1 o A celebração do Termo de Parceria será precedida de consulta aos Conselhos 
de Políticas Públicas das áreas correspondentes de atuação existentes, nos 
respectivos níveis de governo. 
Nesse sentido, a doutrina existente sobre o tema reputa determinante fiscalizar a 
política de saúde através do controle social, enfatizando a aplicação dos princípios 
constitucionais da transparência e da eficiência. Veja-se o seguinte exemplo:
“Reconhecida como OSCIP, o poder público ainda não está vinculado à 
parceria, que é facultativa, e, se decidir positivamente à cooperação, deverá 
previamente ouvir o Conselho de Política Pública da respectiva área em que a 
entidade desenvolverá suas atividades, conforme art. 10, §1º, da Lei Federal 
9.760/1999. Aqui cabe relembrar uma possível forma de controle, tanto interno, 
como externo, bem como o viés de aplicação igualmente da Lei de Improbidade 
Administrativa, mesmo porque nessas parcerias há o repasse de recursos 
públicos.” 14
“É importante controlar os rumos da política de saúde para abrir a 
possibilidade de que seja realmente efetivado o que se conquistou legalmente 
com o SUS: saúde, direito de todos e dever do Estado. E para tanto, é 
determinante controlar os recursos destinados à saúde, verificando-se quanto 
entra e de onde vêm (as contrapartidas da esfera federal, estadual e municipal), 
e participar da decisão de como e onde devem ser alocados (elaboração de 
planos estadual e municipal de saúde e de planilhas orçamentárias”. 15(Grifos 
acrescidos)
Assim, por decorrência lógica – e expressa previsão legal -, os contratos e 
14 MARTINS, Fernando Rodrigues. MARTINS, Fernando Rodrigues. Controle do Patrimônio Público. Comentários à Lei de Improbidade 
Administrativa. 4. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010. p. 116.
15 CORREIRA, Maria Valéria Costa. Desafios para o Controle Social: Subsídios para a Capacitação de Conselheiros de Saúde, Rio de Janeiro: Ed. 
Fiocruz, pág. 65.
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convênios firmados com pessoas jurídicas de direito privado com o SUS, para oferta de serviços de 
saúde, devem ser objeto de apreciação pelos Conselhos de Saúde, especialmente porque são 
instrumentos excepcionais na execução da política de saúde.
No entanto, mais uma vez, tangenciou o Poder Público Estadual no cumprimento 
de dever legal, fazendo tábula rasa do ordenamento jurídico brasileiro de Direito Público, tratando 
a gestão das verbas públicas como se privadas fossem, livres de quaisquer formas de controle. No 
caso concreto, a dispensa de cumprimento da norma legal atendia ao desiderato de contratar acima 
de todos os empecilhos de ordem legal, a ASSOCIAÇÃO MARCA para a administração do 
Hospital da Mulher.
Inicialmente, o processo administrativo nº 3972/2012-116, originário da Secretaria 
Estadual de Saúde, foi instaurado em 09 de janeiro de 2012 e teve como justificativa inicial para 
seu nascedouro “solicitação para elaboração de minuta de Medida Provisória-MP, visando a 
contratação dos serviços de uma ORGANIZAÇÃO SOCIAL para prover a gestão da unidade 
hospital denominada de Hospital da Mulher, que será inserida na Rede Hospitalar Estadual” (fl. 
22, V. I).
Através de despacho da lavra do demandado DOMÍCIO ARRUDA CÂMARA 
SOBRINHO, datado de 06 de fevereiro de 2012 , pôs-se em curso a estratégia de contratação da 
MARCA, com a alteração do objeto do referido processo, e a invocação da existência de situação de 
emergência enfrentada pela área da saúde deste Estado, com fulcro em reportagens publicadas à 
época em veículos de comunicação em Mossoró (fls. 128/142). Ao final, como não poderia deixar 
de ser, foi apontada a solução da contratação emergencial, aduzindo-se ainda, por ironia, que não 
havia sido selecionada a entidade parceira responsável pela gestão do Hospital da Mulher. 
Convém trazer à baila os exatos termos utilizados pelo demandado DOMÍCIO ARRUDA para 
declarar a “situação de absoluta emergência”:
“- Situação de absoluta emergência:
Temos clareza que o Estado do Rio Grande do Norte deve efetuar seleção de instituições para 
poder firmar termo de parceria (instrumento próprio para existência de vínculo entre o Poder 
Público e as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP), na forma do Decreto 
Federal n. 3.100/99 (ex vi art. 23). Ocorre que conforme notícias administrativas, amplamente 
veiculadas pela imprensa local e estadual a situação é insustentável.
Como apontam reportagens juntadas em anexo.
Essa situação obviamente acarreta real e iminente risco à saúde das mulheres que necessitam dar-
a-luz (sic), o que não permite a adoção de soluções ortodoxas e que demandariam um tempo que 
não dispomos. Ao administrador recai o ônus de resolver entre as opções postas a que melhor 
16 Cópias do inteiro procedimento administrativo n. 3972/2012 encontram-se nos anexos XVII a XXI, apensados ao presente Inquérito 
Civil.
55
ampara os administrados e, portanto, a coletividade e qual seja essa não temos dúvida.
(….)
A entidade não foi escolhida . Entretanto, deve ser enviado convite para apresentação de projetos 
ao menos 03 instituições, dando-se o prazo de 07 dias para formalização de interesse nos termos 
que aqui são apresentados. A escolha deverá ser baseada em critérios de capacidade de logística de 
implantação até início de março, ou seja, aproximadamente 45 (quarenta e cinco) dias para 
funcionamento efetivo.”(fls. 145/147). Grifo nosso.
Nesse mesmo período, toda a estrutura da MARCA já se deslocava para Mossoró para a entidade 
assumir o Hospital da Mulher, o que é comprovado pelos seguintes e-mails:
------- Mensagem original --------
Assunto: Re: Re: Fwd: PASSAGENS
Data: Fri, 3 Feb 2012 16:07:15 -0200
De: Otto Schmidt <oschmidt50@gmail.com>
Para: tmeres@gmail.com
Neste momento sim, pois até agora o Anselmo não foi em Natal e 
eles ficarão 2 dias em cada cidade. Irão ter encontros com a 
cooperativa de médicos que nos atende em Natal e ainda abrirão 
conversas com a cooperativa de anestesistas para Mossoró.
Além disto, terão que fazer contato para SESMT e buscar espaço 
para seleção do pessoal de Mossoró. Após esta primeira semana, 
na fase de implantação, bastará a presença de um deles.
Em 3 de fevereiro de 2012 14:29, <tmeres@gmail.com> escreveu:
Ok , mesmo Sandro e Anselmo?
Enviado do meu BlackBerry® da Oi.
From: Otto Schmidt <oschmidt50@gmail.com>
Date: Fri, 3 Feb 2012 12:14:23 -0200
To: <tmeres@gmail.com>
Subject: Re: Fwd: PASSAGENS
Tufi,
 
Entendo que nesta primeira ida, seja ideal que vá todo este grupo, pois 
a cidade seria mapeada para providências futuras.
 
Abraços
Otto Schmidt
Em 3 de fevereiro de 2012 10:53, <tmeres@gmail.com> escreveu:
Vamos rever as pessoas, conforme falamos . Sua sugestao?
Enviado do meu BlackBerry® da Oi.
From: ELIANE MOREIRA MATHIAS DA COSTA 
<elianemmathias@gmail.com>
Date: Fri, 3 Feb 2012 10:36:08 -0200
56
To: Tufi Meres<tmeres@gmail.com>
Subject: Fwd: PASSAGENS
Dr Tufi Bom Dia
Encaminho solicitação do Dr Maninho para seu conhecimento e 
aprovação.
Fico no seu aguardo.
Att
Eliane
 
---------- Mensagem encaminhada ----------
De: ANTONIO CARLOS OLIVEIRA JR 
<maninho.antoniocarlos@gmail.com>
Data: 1 de fevereirode 2012 18:13
Assunto: PASSAGENS
Para: ELIANE MOREIRA MATHIAS DA COSTA 
<elianemmathias@gmail.com>, Rosi Mô <rosibravo@gmail.com>, 
Marcio Viana <marcio@salutesociale.org.br>, Sandro Vaz 
<sandro@salutesociale.org.br>, Anselmo Carvalho 
<anselmo@salutesociale.org.br>, Bruno Guimaraes 
<btgc81@hotmail.com>, jmb@compuland.com.br
Eliane,
 
Após reunião realizada na data de hoje e definir os membros que irão 
para Natal/Mossoró para implantação do Hospital Estadual da Mulher, 
solicito providenciar as passagens aéreas para as seguintes datas:
 
 IDA = RIO - NATAL
 
 Dia 05/02 - 20:20h - Márcio Viana e Julio Manoel Barros (CPF 
193.203.967/87 - jmb@compuland.com.br)
 
Dia 06/02 - 20:20h - Anselmo e Sandro
 
Dia 08/02 - 20:20 - Rosimar Bravo, Maninho e Bruno Tourinho 
Guimarães Correa (CPF 025.735.537/52 - btgc81@hotmail.com)
 
VOLTA = NATAL - RIO
 
Dia 10/02 - 14:50h - Márcio Viana, Anselmo, Sandro e
 
Dia 16/02 - 14:50h - Bruno Tourinho Guimarães, Maninho e Rosi 
Bravo
 
Quanto a hospedagem, solicito providenciar o seguinte (podendo ser o 
Quality):
 
57
 Diária do dia 05/02 ao dia 06/02 - Márcio Viana e (os demais dias 
irão para Mossoró e ficarão lá até o dia 10/02)
 Diária do dia 06/02 ao dia 08/02 - Sandro e Anselmo (os demais 
dias irão para Mossoró e ficarão lá até o dia 10/02)
 Diária do dia 08/02 ao dia 16/02 - Bruno, Maninho e Rosi Bravo
 
Sem mais,
 
Maninho
 
 P.S: Aos que irão para Mossoró posso sugerir o seguinte: 1) 
Márcio e Júlio alugam carro na LOCALIZA do aeroporto e seguem 
para Mossoró no dia seguinte.
 2) Sandro e Anselmo alugam carro na LOCALIZA do Aeroporto 
e quando chegarem em Mossoró (independente do dia) podem entregar 
o carro na LOCALIZA de Mossoró e ficar num carro só (junto ao 
Márcio).
No mesmo sentido, impende enumerar diversas despesas relacionadas ao efetivo 
funcionamento do Hospital da Mulher executadas por parte da Associação MARCA para Promoção 
de Serviços, contraídas ao longo do mês de fevereiro de 2012, algumas antes de 06 de fevereiro, 
quando sequer havia sido reconhecido o estado de emergência nos autos do processo administrativo 
nº 3972/2012-1 e outras antes da celebração do respectivo termo de parceria. Parte da prestação de 
contas apresentada pela aludida entidade17 evidenciam o ajuste ilícito em desconformidade com o 
que consta no processo de contratação:
PRESTAÇÃO DE CONTAS DA ASSOCIAÇÃO MARCA -HOSPITAL DA MULHER
FORNECEDOR NOTA FISCAL 
EMITIDA EM
OBJETO FLS.
Queiroz Filhos Comercial 
LTDA
01/02/2012; 03/02/2012, 
dentre outros
Aquisições de 
materiais
1279, 1280, 1281, 1282, 
1283, Anexo IV
The Wall Construções e 
Serviços Ltda
01/02/2012 Serviços de 
Arquitetura
1066, Anexo VI
Concret Materiais de 
Construção Ltda
04/02/2012, 06/02/12; 
08/02/12, 09/02/12, 
13/02/12, 22/02/12, 
dentre outros
Aquisições de 
materiais
1285, 1286, 1287, 1300, 
1324, 1349,Anexos IV 
e V
IMAGEM Produtos 
Radiológicos
28/02/2012 Aquisições de 
produtos 
radiológicos (RS 
98.000,00)
1500, Anexo V
Comjol Comercial José 
Lucena
23/02/2012 Aquisições de 
materiais
1603, Anexo VI
17 Fls. 1255 e ss, anexo IV, V, VI
58
Teka Tecelagem 27/02/12 Aquisições de 
materiais (600 
lençóis)
1363, Anexo X
Interessante destacar que até a data que consta no ofício nº 014/2012, endereçado 
ao demandado DOMÍCIO ARRUDA CÂMARA SOBRINHO, que remeteu a proposta de preço 
da Associação MARCA para Promoção de Serviços18, é anterior à data do próprio despacho que 
deflagra a contratação emergencial do serviço em comento. O primeiro datado de 02 de fevereiro 
de 2012, enquanto o ato do Secretário Estadual de Saúde remete ao dia 06 de fevereiro de 2012.
E tudo isso era do pleno conhecimento da Governadora do Estado ROSALBA 
CIARLINI ROSADO, pois como afirmou a demandada MARIA DAS DORES BURLAMAQUI 
em depoimento prestado ao Ministério Público: “a depoente acha que as obras de adequação 
começaram em janeiro de 2012;” (fl. 770, V. 3).
Saliente-se que através da efetivação da medida de busca e apreensão na 
residência do demandado ALEXANDRE MAGNO, restou apreendida agenda pessoal em que 
constava o “Passo-a-Passo” dos planos atinentes a como e quando tramitaria o procedimento 
administrativo “montado” para alicerçar a parceria sob análise, previsto inicialmente para o mês de 
janeiro. Lá, no meio das anotações (item 5), devia surgir para o processo o ofício da MARCA. 
Confira-se:
18 Vide Fls, 177, V. 1.
59
O mais interessante disso tudo é a ingênua participação do Procurador Geral do 
Estado no processo em curso. O demandado DOMÍCIO ARRUDA CÂMARA afirma que o 
Procurador MIGUEL JOSINO aprovou a contratação emergencial. Na realidade, o parecer subscrito 
pelo Procurador Geral do Estado está datado de 17 de fevereiro de 2012, quando a parceria com a 
MARCA já estava pactuada verbalmente com os demandados DOMÍCIO ARRUDA CÂMARA e 
ROSALBA CIARLINI ROSADO.
Portanto, a governadora ROSALBA CIARLINI, pessoalmente, aprovou a 
contratação, antes de qualquer formalização legal. É prova inconteste dessa assertiva o registro da 
aprovação do layout do empreendimento (confira-se a data dos e-mails adiante), elaborado sob a 
chancela da demandada ROSIMAR GOMES BRAVO (ROSI BRAVO), e a comemoração do 
grupo de TUFI SOARES MERES:
From: isnar castro 
Sent: Thursday, January 19, 2012 6:35 AM
To: tmeres@gmail.com
Subject: Re: Res: Re: Res: Re: Cti
Combinado a reuniao ,fico feliz pela prosperidade ,parabens
Em 18/01/2012 17:52, <tmeres@gmail.com> escreveu:
Ok amigo, atrazos sao normais. Vou dar o projeto a eles. Segunda e a nossa reuniao ,ok ? Estamos 
assumindo uma maternidade em Mossoro , no RN sendo esta a nossa quinta unidade em Natal, 
com inauguracao em 10/2; Va se preparando ,pois o maior hospital de emergencia de Natal será 
nosso tambem e você vai fazer Trauma la . Tambem mais 2 Upas e o PSF de Macae , em 01/ 02 . 
Agora falta uma grande emergencia no RJ .
From: Rosi Bravo 
Sent: Wednesday, February 01, 2012 2:52 PM
To: Tufi Soares Meres ; Otto Schmidt ; Sandro Vaz ; Anselmo ; ANTONIO Jr ; Giselle Gobbi ; 
Izabel Mendonça ; Bruno ; associacao.marca@gmail.com
Subject: Apresentação Hospital da Mulher
60
Prezados,
segue apresentação deo Hospital da Mulher - Mossoro - que foi apresentado e aprovado pela 
Governadora.
Abs
Rosi Bravo
61
From: Izabel Mendonça 
Sent: Wednesday, February 01, 2012 3:20 PM
To: ANTONIO CARLOS OLIVEIRA JR 
Cc: Rosi Bravo ; Tufi Soares Meres ; Otto Schmidt ; Sandro Vaz ; Anselmo ; Giselle Gobbi ; 
Bruno ; associacao.marca@gmail.com
Subject: Re: Apresentação Hospital da Mulher
recebido
abs
Em 1 de fevereiro de 2012 15:55, ANTONIO CARLOS OLIVEIRA JR 
<maninho.antoniocarlos@gmail.com> escreveu:
mUITO LINDA!!! pARABÉNS.
ABS
MANINHO
Em 1 de fevereiro de 2012 15:52, Rosi Bravo <rosibravo@gmail.com> escreveu:
Prezados,
segue apresentação deo Hospital da Mulher - Mossoro - que foi apresentado e aprovado pela 
Governadora.
Abs
Rosi Bravo
A rigor, até mesmo a agência de publicidade encarregada da feitura dessas peças 
já estava integrada ao processo de contratação da ASSOCIAÇÃO MARCA. Email da Operação 
Assepsia revela que um dos proprietários da ART&C COMUNICAÇÃO INTEGRADA, ARTURO 
ARRUDA CÂMARA, coincidentemente sobrinho do demandado DOMÍCIO ARRUDA CÂMARA, 
apresentou pessoalmente à demandada ROSALBA CIARLINI ROSADO os produtos publicitários 
62alusivos ao Hospital da Mulher. A missiva é exemplar da escolha prévia da entidade pela 
demandada ROSALBA CIARLINI ROSADO:
Date: 31.01.2012 10:47
Email: Res: Logomarca Hospistal de Mossoró - Previsão de entrega.
De: rosibravo@gmail.com
Para: Art&C | Nina<nina@artc.com.br>;
Oj Nina! To nooo aguardo!
Rosi
Sent from my BlackBerry® smartphone from Oi
From: "Art&C | Nina" <nina@artc.com.br> 
Date: Tue, 31 Jan 2012 09:55:31 -0300
To: Rosi<rosibravo@gmail.com>
Subject: Logomarca Hospistal de Mossoró - Previsão de entrega.
Bom dia, Rosi.
Arturo irá apresentar a logomarca da hospital da Mulher de Mossoró ainda hoje para a 
governadora.
Se a marca for aprovada, hoje mesmo eu te mando o arquivo finalizado, ok?
Alexandre já foi comunicado sobre isso.
Abs,
 Nina Barbalho // Gestora de Clientes // 9461.1741 Av. Romualdo Galvão / 920 / Tirol / Natal-RN
84 / 4008.8250 / twitter.com/artccom / artc.com.br 
No ponto, não deixa de ser interessante observar que, no e-mail, a funcionária da 
Art&C avisa à demandada ROSIMAR GOMES BRAVO E OLIVEIRA que o demandado 
ALEXANDRE MAGNO ALVES DE SOUZA já foi comunicado das providências em curso 
mencionadas no texto.
Diante de todo esse quadro, soa como um desapreço à verdade a petição de 
resposta da demandada ROSALBA CIARLINI ROSADO, protocolado pelos advogados 
ESEQUIAS PEGADO CORTEZ, FELIPE CORTEZ e THIAGO CORTEZ, em que a Chefe do 
63
Executivo confere toda a responsabilidade da contratação ao demandado DOMÍCIO ARRUDA 
CÂMARA e coloca-se como pessoa distante dos fatos e sem qualquer contato com a organização de 
TUFI SOARES MERES e, particularmente, com a ASSOCIAÇÃO MARCA. Melhor é conferir o 
texto do documento:
64
Conforme foi exposto, o projeto do Hospital da Mulher em Mossoró foi concebido 
politicamente pela demandada ROSALBA CIARLINI e a sua concretização, a partir da contratação 
da ASSOCIAÇÃO MARCA, foi minuciosamente acompanhada pela Governadora do Estado, 
mediante reuniões habituais com o Secretário DOMÍCIO ARRUDA, o demandado ALEXANDRE 
MAGNO ALVES DE SOUZA e atualização permanente das informações através da demandada 
DORINHA BURLAMAQUI, além dos contatos registrados nos autos com a organização de TUFI 
SOARES MERES.
No campo burocrático, a demandada ROSALBA CIARLINI ROSADO não só 
decidiu contratar diretamente a MARCA, com favoritismo sobre qualquer outra pessoa jurídica que 
pudesse vir a ser contratada, como disponibilizou os recursos suficientes para custear a milionária 
contratação, que concentrou verba pública superior ao valor de todos os investimentos realizados 
em saúde pública no ano de 2011. A intenção de se eximir dos atos que ela própria praticou, sob a 
alegação de que não era a ordenadora de despesas, equivale a dizer que o Secretário de Saúde é 
quem chefiava o governo.
65
Destarte, apesar de aparentemente obedecidos todos os trâmites procedimentais, o 
que se verificou, na prática, foi que o procedimento administrativo nº 3972/2012-1 serviu para 
hospedar atos flagrantemente ilegais por parte da Administração Pública Estadual, elaborados com 
o único e exclusivo intuito de avalizar a escolha, concretizada previamente, da entidade 
Associação MARCA para assumir a administração do Hospital da Mulher.
Estamos diante de típico caso de desvio de finalidade, haja vista que o 
procedimento administrativo nº 3972/2012 foi desviado de sua finalidade precípua, que levaria à 
seleção da entidade que melhor atendesse ao interesse público, para se transformar em instrumento 
manipulado pelos demandados para atender aos seus próprios interesses e dar ares de legalidade à 
contratação da Associação MARCA.
I.B. OS FATOS: O PROJETO DE TERCEIRIZAÇÃO DA SAÚDE PÚBLICA. O 
RECRUTAMENTO DE ALEXANDRE MAGNO ALVES DE SOUZA, REPRESENTANTE 
INFORMAL DA ASSOCIAÇÃO MARCA, PARA A MONTAGEM DO PROJETO DE 
PRIVATIZAÇÃO DA SAÚDE ESTADUAL. A ORGANIZAÇÃO DE TUFI SOARES 
MERES, COMO INTEGRANTE DA MÁFIA DO TERCEIRO SETOR.
Para melhor compreensão da sistemática dos prévios acertos ilegais que 
redundaram na contratação em vislumbre e antes de nos debruçarmos sobre o relevantíssimo papel 
do Procurador Municipal ALEXANDRE MAGNO ALVES DE SOUZA na contratação emergencial 
da ASSOCIAÇÃO MARCA para administrar o Hospital da Mulher, convém detalhar como 
funciona a organização comandada por TUFI SOARES MERES, na qual se insere a 
ASSOCIAÇÃO MARCA.
Convém iniciar a narrativa a partir de uma breve apresentação acerca de quem 
verdadeiramente é a Associação MARCA para Promoção de Serviços. Trata-se de instituição, em 
tese, sem fins lucrativos integrante do Terceiro Setor, qualificada pelo Ministério da Justiça como 
Organização Social de Interesse Público (OSCIP), sediada no Estado do Rio de Janeiro, e que tem 
como objetivo social atuar na gestão de serviços de saúde.
66
Imprescindível ao conhecimento da estrutura organizacional da ASSOCIAÇÃO 
MARCA, é fazer remissão ao demandado TUFI SOARES MERES, um dos grandes e experientes 
articuladores da “máfia do terceiro setor” no Rio de Janeiro e que replicou seu modelo neste 
Estado, por meio da organização que chefia e a qual integra a ASSOCIAÇÃO MARCA.
A notícia histórica do aludido cidadão remonta ao governo de Rosinha Matheus no 
Estado do Rio de Janeiro, nos idos de 2003 a 2006. Funcionou como chefe de um núcleo 
empresarial na cidade de Petrópolis/RJ, o qual fazia parte de um esquema de corrupção no âmbito 
do referido Estado, segundo investigação realizada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. 
Realmente, nos termos da Ação Civil Pública por Ato de Improbidade Administrativa nº 0073487-
49.2010.8.19.0001_201_001 (vide item III.4), “uma fração de recursos públicos desviados foi 
depositada na conta bancária do PMDB, para financiamento de pré-candidatura de ANTHONY 
GAROTINHO à Presidência da República.”
No esquema descoberto pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, uma 
das entidades ligada a TUFI SOARES MERES e utilizadas para desviar os recursos públicos era o 
Centro Brasileiro de Defesa dos Direitos da Cidadania - CBDDC. Com a divulgação da ação por 
parte do MP-RJ, a entidade muda de nome e passa a se chamar Núcleo de Cidadania e Ação Social 
– Nucas e logo em seguida passa a se chamar Núcleo de Cidadania e Ação Social – Salute Sociale. 
É com essa mesma denominação que a entidade foi subcontratada pela MARCA no Município de 
Natal e também em Mossoró, na administração do Hospital da Mulher.
O modus operandi do grupo de TUFI SOARES MERES identificado pelo 
Ministério Público do Rio de Janeiro, e agora também pelo Ministério Público do Rio Grande do 
Norte na Operação Assepsia, consistia inicialmente na contratação de uma organização social ou de 
uma OSCIP pelo Poder Público e em subcontratações subsequentes de diversas empresas de 
fachada ligadas à entidade contratada pela Administração. Estas, por sua vez, serviam para mascarar 
um serviço que jamais foi efetuado, emitindo notas fiscais frias, superfaturadas ou ideologicamente 
falsas, para apresentação nas prestações de contas de contratos de gestão, no caso das organizações 
sociais, ou dos termos de parceria, na hipótese de a entidade contratada ser uma OSCIP – 
Organização da Sociedade Civil de Interesse Público.
O ingresso da ASSOCIAÇÃO MARCA na organização comandada pelo 
67
demandado TUFI SOARES MERES se deu quando, após um tempo desativada, a demandada 
ROSIMAR GOMES BRAVO e seu esposo, o demandado ANTÔNIO CARLOS DE OLIVEIRA 
JÚNIOR, ambos responsáveis pela referida OSCIP, firmaram parceria para atuar em conjunto comTUFI MERES, que possuía a expertise no desvio de recursos públicos mediante utilização de um 
“pool” de empresas de fachada (ARTESP/MEDSMART/RJ CONSULTORIA DIFERENCIADA 
EM SAÚDE LTDA EPP/ ITAYPARTNERS INTERMEDIAÇÃO E CORRETAGEM DE 
NEGÓCIOS LTDA ME/ EDITORA GRÁFICA IMPERATOR, dentre outras), e que ocupava o 
posto de “chefe” do esquema ilícito montado. A vasta experiência no desvio de recursos públicos 
por parte do demandado TUFI SOARES MERES, que o alçou à referida condição hierárquica, 
remonta a escândalos de corrupção envolvendo a entidade SALUTE SOCIALE, uma das entidades 
constantes na respectiva organização, ao tempo em que recebia a denominação de CBDDC – Centro 
Brasileiro de Defesa dos Direitos da Cidadania.
Por meio do organograma abaixo apreendido na sede da RJ CONSULTORIA 
DIFERENCIADA EM SAÚDE, é possível ter uma exata noção de como funciona a organização 
comandada pelo demandado TUFI SOARES MERES19:
19
Vide fl. 161, V. 2
68
69
Observe-se que no topo da pirâmide organizacional fica exatamente a SALUTE 
VITA e seu presidente, o demandado TUFI SOARES MERES. Este, formalmente, não tem 
ligação alguma com as entidades contratadas no Rio Grande do Norte, como é o caso da 
ASSOCIAÇÃO MARCA. Todavia, por trás, dirige toda a atividade das entidades e empresas 
ligadas ao seu grupo. Perceba-se que, na parte de baixo do organograma acima, já está incluído o 
Hospital da Mulher como um dos empreendimentos administrados pela organização de TUFI 
SOARES MERES.
E, muito embora o comando central esteja sediado no Estado do Rio de Janeiro, 
onde atua fortemente em vários municípios, os negócios espúrios dessa organização foram 
alastrados por vários estados da Federação. O desenrolar das investigações da Operação Assepsia, 
que descortinou a atuação do grupo iniciada no âmbito da Secretaria Municipal de Saúde de 
Natal/RN, permitiu compreender que a organização é extremamente articulada, pois conta 
constantemente com o respaldo de inúmeros agentes políticos (em todo território nacional e em 
várias unidades da federação, diga-se de passagem).
O modus operandi das OS's - Organizações Sociais - e OSCIP's – Organizações 
Sociais de Interesse Público - controladas pela referida organização é de se valer do regime jurídico 
diferenciado e atípico concedidos a essas entidades que lhes permitem auferir determinados 
benefícios previstos em lei, para celebrar com o Poder Público contratos de gestão ou termos de 
parcerias, dependendo da qualificação da respectiva instituição, e a partir daí desviar recursos 
públicos de diversas formas, quais sejam, inserindo como subcontratadas outras empresas 
controladas ou acionadas pelo grupo criminoso nas prestações de contas, criando despesas fictícias 
ou superfaturadas, emitindo notas fiscais frias em nome dessas pessoas jurídicas, entre tantas outras 
irregularidades.
E esse esquema criminoso ocorreu no Município de Natal, tendo estendido os seus 
tentáculos para o Estado do Rio Grande Norte, conforme se verá nas linhas seguintes.
Foi essa organização quem cooptou para os seus quadros o Procurador Municipal 
ALEXANDRE MAGNO ALVES DE SOUZA, o que explica a sua desenvoltura nos escaninhos 
70
políticos do Estado do Rio Grande do Norte em defesa dos interesses da ASSOCIAÇÃO MARCA 
PARA PROMOÇÃO DE SERVIÇOS.
A teor dos elementos angariados através da Operação Assepsia, cujo 
compartilhamento foi autorizado judicialmente pelo Juiz da 7ª Vara Criminal desta Capital (fls. 621-
623, V. 2), restaram identificadas provas de que os demandados DOMÍCIO ARRUDA e 
ALEXANDRE MAGNO ALVES DE SOUZA, ainda em maio de 2011, trataram diretamente 
sobre a contratação da MARCA pelo Estado do Rio Grande do Norte para administrar outro 
hospital do Estado do RN, o Ruy Pereira, com integrantes da organização de TUFI MERES, 
consoante se pode exemplificar por meio da conversa documentada abaixo: 
Date: 03/05/2011 14:43:42
From: Rosi Bravo
To: Tufi Soares Meres
Dr, somente agora consegui uma conversa um poucoi mais clara com Natal. Repasso-a.
Alexandre: Trabalhe no projeto básico
eu: o PB está pronto e com vcs
só preciso saber as deficiçoes de mudança pra alterar
Alexandre: To falando do rui pereira
eu: ahhh sim. Ele definiu o perfil?
Alexandre: Sobre abastecimento, Thiago está mudando tudo. Quer rescindir a dengue e iniciar 
uma seleção pra abastecimento esta semana
Alexandre: Estou meio deprimido. Acho que ele esta se entregando
eu: entendi. Era o q ele havia dito semana passada. Sobre a Dengue, creio q não haverá outra 
saída, mas sobre abastecimento, abrindo dessa forma ele terá varias propostas e o q será pior, não 
saberá se realmente resolverão.
Eu o achei mt desanimado semana passada.
outra coisa, os 20 leitos de UTI q foram publicados no DO do Estado são pra qd?
Alexandre: O contrato da dengue esta tão bom ou ruim como o que fizemos com o ipas. É que 
thiago cansou definitivamente
71
eu: ele não quer comprar a briga
o problema dise é q qualquer contrato q vier agora ele vai sofrer as mesmas pressoes
Alexandre: Não
Alexandre: Ele cansou. O problema é que eu me expus. Ontem, contra uma recomendação do 
governo do estado, eu fui defender a legalidade do contrato na câmara e hoje ele me chega com 
essa de rescindir
eu: Eu li q vc foi a Camara
Alexandre: Recebi recado de rogério e de domicio para não ir a câmara, mas por questão ética eu 
fui
Aí ele resolve rescindir agora? Me deixa em situação dificílima
eu: eu penso q ele deveria sentar com o ITCI e rever as açoes e metas. Precisava reverter o quadro 
e consegueria se eles realmente forem bons.
Vc está realmente numa situação mt ruim
eu: Eu disse a ele semana passada q ele deveria cobrar do ITCI as açoes q a SMS precisa e 
divulgar os resultados rapidamente, mas creio q ele nao vá fazer. Será + facil desistir
Alexandre: Mudando de assunto, tente fazer um projeto para o ruy pereira, com leitos de 
vascular 45, traumato 25 e 10 urologia. Porta fechada. Com centro cirúrgico nessas áreas. 
Pode ser, para começar?
eu: pode sim. Vou dar início. Domício encontrou com Maninho e cobrou q as coisas estão 
paradas
Alexandre: O problema é esse. Ele quer que a gente faça tudo. Inclusive o perfil
eu: entendo, mas por outro lado, se ele está abero a aceitar nossa proposta, fica mais facil 
trabalhar tb!
Vou dar inicio aqui para q semana q vem seja apresentada uma proposta
Alexandre: Faça isso
eu: ok
eu: Qualquer noticia sobre abastecimentos por favor, me avise
Alexandre: Vou preparar o termo de referência para seleção, mas antes de qualquer coisa lhe aviso 
antes
Vc vem?
eu: Estou com passagem emitida para amanha as 9, mas estou considerando se realmente seré 
necessário
Enviado às 14:34 de terça-feira
Rosi Bravo
72
Como se percebe na conversa, a ida de ALEXANDRE MAGNO ALVES DE 
SOUZA, Procurador do Município de Natal e um dos investigados na Operação Assepsia, para o 
Estado teve o intuito de levar adiante o projeto de terceirização da saúde. Ademais, demonstra que, 
desde maio de 2011, já estavam em curso tratativas com a MARCA para implementação de tal 
plano. A sua escolha para assessorar o governo na área de saúde foi uma das principais estratégias 
adotadas para o fim de garantir que o modelo de gestão descentralizada para o Terceiro Setor de 
serviços de saúde planejado pela demandada ROSALBA CIARLINI ROSADO fosse efetivamente 
implementado.
Sob outra ótica, impende destacar que a ida do demandado ALEXANDRE 
MAGNO também transpareceu bastante vantajosa para o mesmo no sentido de expansão de seus 
negócios escusos, visto que o projeto de terceirização implantado no Município de Natalà época já 
estava sofrendo os efeitos da intensa fiscalização por parte do Ministério Público Estadual que 
levaram, inclusive, a revogação do contrato com o ITCI e ao pedido de exoneração do Secretário 
Municipal de Saúde, Thiago Trindade. Logo, foi vista essa mudança pelo referido como “uma nova 
estratégia em virtude do novo quadro” , como bem externou no diálogo a seguir:
Áudio 5959425
Dia: 11/05/11
Horário:12:53:2
0
Duração: 
00:04:29
ROGÉRIO 
MARINHO E
ALEXANDRE 
MAGNO
Deputado Rogério Marinho liga para Alexandre, conversam sobre a saída de Thiago. Alexandre 
diz: “eu não disse a você omi, em primeira mão hoje, foi a primeira, você foi a única pessoa fora 
do circuíto que eu avisei”. Rogério Marinho diz: “sim companheiro, mais ele pede todo dia, que 
nem o caso daquela história da raposa e do pastor”. Alexandre diz: “depois eu converso com 
você, mas ele pediu ao vivo na TV Cabugi, pediu não, ele entregou mesmo entregando, o que eu 
lhe disse na mensagem, exatamente o que eu lhe disse. Pediu, não concorda com a extensão do 
processo, como foi determinado pela Prefeita que ele revogasse, ele revogou e está saindo”. 
Rogério Marinho diz: “eu só não entendi porque ele revogou, ele devi não ter revogado, deixasse 
que ela botasse alguém para revogar”. Alexandre diz “houve esse negocio ontem, sabe? Mas 
assim, a ideia deles é que se fosse outra pessoa que revogasse ficaria claro de a administração 
entendia que havia uma irregularidade, por isso ele não querendo revogar, outra pessoa teria 
revogado no lugar dele, aí ele achou melhor ele revogar, e dizer que o contrato não tinha erro 
nenhum puxar para cima dele a coletiva, ele deu uma coletiva agora”. Rogério Marinho diz: “esse 
vai ser o assunto, né? esse e a greve da educação”. Alexandre diz “agora ela vai ficar num rabo de 
foguete, porque os agentes não voltam” Rogério Marinho diz: “ela vai fazer uma matéria hoje 
sobre meu processo na TV Ponta Negra, já ligou para minha assessoria. Aí deixa eu lhe fazer uma 
pergunta, ela vai tentar desviar o foco né, claro né? Que raspando em mim melhor ainda né? Mas 
é o tipo do assunto que há 5 anos é requentado, né? Não tem fôlego para existir muito tempo, né? 
Mais você se lembra que as minhas contas foram aprovadas em 2005e 2006, né? Depois é que 
aconteceu aquela situação (palavra não compreendida), será que eu conseguiria uma certidão no 
Tribunal de Contas?” Alexandre diz: “acho que sim, mas a melhor pessoa que pode lhe dar uma 
dica sobre isso é Cacau”. Rogério Marinho diz: “é, vou dar uma ligada para ele”. Alexandre diz: 
“que dia é hoje, quarta é?” Rogério Marinho diz: “é, amanhã eu tô aí”. Alexandre diz: “é, deixe 
isso para se resolver amanhã”. Rogério Marinho diz: “é amanhã eu tô aí.” Alexandre diz: “é 
melhor”. Rogério Marinho diz: “eu joguei um poster”. Alexandre diz: “no twitter”. Rogério 
Marinho diz: “no twitter, não sei se você chegou a ver, onde eu digo o seguinte: que eu tô 
73
jogando a realidade para cima dela, como é que ela não sabia que houve o problema”. Alexandre 
diz: “não, mais escute, ela sabia, e Thiago disse isso na entrevista e hoje na nota oficial, a nota 
diz assim: a Prefeita determinou”. Rogério Marinho diz: “é mais ela não, ela disse ao Ministério 
Público que não sabia, no depoimento dela, entendeu?”. Alexandre diz: “sabia, escute, e mais, 
bom quando você chegar aqui a gente traça uma nova estratégia em virtude do novo 
quadro”. Rogério Marinho diz: “você já teve com Domício ?” Alexandre diz: “não, eu tô 
ainda aqui lambendo as feridas, não dormi, tudo isso que aconteceu durou até 4 da manhã. 
Inclusive Bruno indo lá em casa, num sei o que, aí já tô trabalhando mais tô aqui ainda, 
acabou agora a coletiva, não sei nem como é que foi, mas hoje de tarde eu acho que dou um 
pulo lá em Domício”. Conversam sobre notícia de motel que foi assaltando na Zona Norte de 
Natal, que estava na 1ª página do UOL. Rogério Marinho diz: “ei, é, procure Domício 
companheiro, ele tá (fala palavras não compreendidas por conta da interrupção de 
Alexandre)”. Alexandre diz: “hoje a tarde, deixa eu dizer, já que você tá com tempo 
sobrando, hoje a tarde eu vou procurar Arturo pedi a ele para refazer o meio de campo, 
dizer que eu tava entalhando nesse negócio, barará, bororó, e que eu vou procurá-lo hoje a 
tarde. Mas primeiro eu vou procurar Arturo, entendeu. Sossegue, o quadro mudou”. 
Rogério Marinho diz: “porque ele é importante para gente, demais, você voltar para lá, tá bom. 
Outra coisa uma informação que eu tive hoje, o estado tem UPA no Rio de Janeiro tem?” 
Alexandre diz: “tem, só o estado tinha UPA no Rio de Janeiro até muito pouco tempo atrás. 
Agora ele está municipalizando e vai ficar só com algumas do Corpo de Bombeiros, para servir 
de parâmetro para as outras”. Rogério Marinho diz: “tá bom, vamos a luta, Deus te abençoe” e 
encerra o áudio.
Obs.: O poster no citado no Twitter é este:
rogeriosmarinho Rogério Marinho
Caos administrativo em natal,aumenta a incidência de dengue,pmn rescinde contrato com 
empresa,prefeita alega que não sabia..e você acredita?
Além disso, sua vinda para a Administração Pública Estadual teve ainda o intento 
de estreitar os laços com a organização comandada pelo demandado TUFI SOARES MERES, e 
estabelecer um canal de negociação direto com a Governadora ROSALBA CIARLINI acerca do 
assunto em comento. Isso se deve ao fato de que era o demandado ALEXANDRE MAGNO 
ALVES DE SOUZA quem mantinha estreitos contatos com os responsáveis pela atividade 
operacional da Associação MARCA, os demandados ROSIMAR GOMES BRAVO E OLIVEIRA 
e ANTÔNIO CARLOS DE OLIVEIRA JÚNIOR, o “Maninho”, bem como com o próprio TUFI 
MERES, durante o período em que o Município de Natal contratou com o aludido grupo criminoso.
Amparando a narrativa supra, convém transcrever degravação de duas conversas 
interceptadas durante a Operação Assepsia, nas quais o demandado ALEXANDRE MAGNO 
ALVES DE SOUZA fala abertamente as razões que o levaram a ir para a SESAP, senão vejamos:
21/06/11 – 
(18:56:35)
ALEXANDRE diz a THIAGO que estava reunido com Domício Arruda Câmara Sobrinho. 
THIAGO, então, pergunta como Domício está, tendo ALEXANDRE respondido que ele 
74
6127762 (Domício) estava “achando uma merda”, que “Ana Tânia” está lá e que a visão de administração 
dela é “aquela que a gente já conhece”; continua dizendo que ele (Domício) está precisando “fazer 
o sistema ter eficiência e não está conseguindo”. ALEXANDRE complementa dizendo “nesta 
ordem e uma ruma de outras coisas”. THIAGO, então, diz “ainda estão nesse disco”. 
ALEXANDRE confirma que sim e que a ele (ALEXANDRE) lhe parece que “hoje” começou a 
entrar no Estado, porque estava desanimado. THIAGO pergunta se ALEXANDRE foi mal visto 
por “Ana Tânia” e este responde que os dois (Alexandre e Ana Tânia) são até amigos, mas que o 
problema é que ambos têm “visões diferentes de como as coisas devem rodar”. ALEXANDRE, 
então, continua dizendo que ele e o secretário têm o mesmo pensamento (“o secretário pensa igual 
a mim”), mas que este não tem coragem de contrariar “Ana Tânia” (“só que não está querendo dar 
uma peitada nela”). THIAGO volta a dizer que “ainda estão nesse disco, ou seja, ainda vão decidir 
que linha vão tomar e quem vai mandar”. ALEXANDRE diz que ele (o secretário) já decidiu, 
mas que não comunicou aos demais; que esta decisão só é da ciência do próprio secretário, 
de ALEXANDRE e da Governadora (“a Governadora já decidiu também”). Continuando, 
ALEXANDRE exemplifica a situação dizendo que pede “um perfil do Ruy Pereira” (“o que é que 
vocês querem do Ruy Pereira?”), mas que, como resposta, dizem que se deve ter cuidado, que se 
deve perguntar a “Terezinha Rêgo”. ALEXANDRE diz que isso complica e que diz ao secretário 
que está com “essa visão” e que, “se não forpara fazer isso”, não tem o que fazer lá (“eu não tenho 
o que fazer aqui”). ALEXANDRE diz que a resposta do secretário é de que não se preocupasse e 
que concorda com ele. Em seguida, THIAGO diz que “se não for para implementar o Terceiro 
Setor” ALEXANDRE “não tem função nenhuma ali”. ALEXANDRE concorda com a 
afirmação de THIAGO e diz que falou para o sobrinho do secretário e para o próprio 
secretário. THIAGO interrompe e faz o seguinte questionamento: “tu vai ficar fazendo 
processo administrativo, é?”; ao que ALEXANDRE responde: “pois é; não tem o menor 
sentido isso”. THIAGO ainda complementa o questionamento: “cessão de servidor e outra 
coisas mais?”. ALEXANDRE, em seguida, pergunta onde THIAGO anda e diz que está indo para 
a ART&C (Arturo o espera) naquele momento. THIAGO, então, pede para conversar com 
ALEXANDRE antes dele entrar na ART&C. ALEXANDRE concorda e diz que os dois podem se 
encontrar no estacionamento da ART&C. Em virtude do horário e da duração do compromisso na 
ART&C, ALEXANDRE, então, combina de encontrar THIAGO no apartamento deste após sair da 
ART&C.
29/06/2011
(18:10:14)
6143737
ALEXANDRE diz a WASHINGTON que a conversa que teve com ele foi boa. Segundo 
ALEXANDRE, para o que ele tem que fazer na secretaria, terá que brigar com todo mundo, 
exceto com o Secretário e com a Governadora, pois todos são contra. WASHINGTON agradece 
o fato de ALEXANDRE ter se aberto com ele e diz que numa próxima conversa ele é quem se 
abrirá.
No mesmo sentido, as trocas de mensagens abaixo entre os demandados 
ALEXANDRE MAGNO e TUFI MERES, a respeito de agendamento de encontro com o 
demandado DOMÍCIO ARRUDA:
----Mensagem Original-----
From: tmeres@gmail.com
Sent: Wednesday, May 04, 2011 11:56 AM
To: merest9@gmail.com
Subject: Bate-papo com Alexandre Souza em 05/4/2011
Participantes:
75
-------------
Merest, Alexandre Souza
Mensagens:
---------
Merest: Foram consideracoes
Alexandre Souza: Ok. Vamos em frente. Tufi eu entendo suas dificuldades. Sei que eh dificil fazer as coisas 
assim, mas estamos todos aqui onde estamos pela nossa capacidade de resolver os problemas. Para fazer 
devagar e com calma existem outras opções
Merest: Ok, a palavra final e de quem contrata. . O que me preocupa e a anciedade dele...
Alexandre Souza: Isso eh contingencia e nao discuto contingencia. A questao verdadeira eh: eh possivel 
fazer?
Merest: Ja ta sendo feito...
Alexandre Souza: Entao ta resolvido
Merest: Chegaram agora 5 pessoas no aeroporto
Merest: Vc ja me viu brincar ?
Alexandre Souza: Sei disso. Eh que você ta querendo moleza. Vamos resolver
Merest: Quinta estarei ai com precos e planilhas
Merest: To não
Alexandre Souza: Venha simbora
Merest: To querendo seguranca ppra não fazer merda... Coisas de gente velha !!!
Merest: Ranzinza...
Alexandre Souza: Nada. Vai dar certo e tudo seguro
Merest: Sabe gente velha, cascudo?
Merest: Vamos em frente
Merest: Quinta to ai
Alexandre Souza: Você sabe das questoes e sabe que o ambiente nao eh o ideal, mas eh a oportunidade
Merest: Ok, vamos juntos...
Alexandre Souza: Abs
Merest: Abs
Merest: Boa tarde
Alexandre Souza: Oi
Merest: Nosso pessoal ai ja achou uma solucao para a questao do soro
Merest: Posso resolver ja por conta ?
76
Merest: Ha noticia que ha mais carretas com soro
Alexandre Souza: Resolveriamos como?
Merest: Havera mais soro ?
Merest: Estou indo com Sidnei amanha ,
Merest: Disponível a partir das 14.3
Alexandre Souza: Estou a disposição
Merest: Veja se vamos ao Domicio
Alexandre Souza: Vou agendar
Merest: Ok
Merest: Indo bem ai ?
Alexandre Souza: Esta. Como cuscuz na pressão
Merest: Aleluia !!!
Merest: Bom dia
Merest: Como vamos ai?
Alexandre Souza: Oi tudo ok
Merest: Avancamos bem ...
Merest: Consegui um preco de Medicamentos excepsional .
Merest: E ja podemos entregar...
Alexandre Souza: Ok. Perfeito. Estou indo ao escritorio tudo agora
Merest: Ok
Merest: Semana qie vem vou sem falta para irmos no Domicio . Agora ta mais tranquilo !
Merest: Abs
Alexandre Souza: Aguardo então abs
Merest: Abs
Merest: Bom dia Frances
Enviado através do meu BlackBerry® da Nextel
 Como se pode aferir, esses contatos foram todos anteriores à formalização do 
termo de parceria entre o Governo do Estado e a ASSOCIAÇÃO MARCA. Para ser preciso, nove 
meses antes da celebração do ajuste. Com efeito, a chegada do demandado ALEXANDRE 
MAGNO à Secretaria Estadual de Saúde para assessorar o demandado DOMÍCIO ARRUDA foi 
crucial para que a implantação do modelo de gestão descentralizada e os acertos com o grupo 
77
criminoso SALUTE VITA pudessem se desenrolar mais facilmente. E isso se deu devido ao fato de 
ALEXANDRE MAGNO possuir uma ampla rede de contatos políticos e manter uma relação 
bastante aproximada com os integrantes da aludida organização.
Ademais, é importante que se diga que tão grande era o interesse dos demandados 
ROSALBA CIARLINI e DOMÍCIO ARRUDA na implementação do modelo de gestão 
descentralizada para o Terceiro Setor neste Estado que autorizaram ao demandado ALEXANDRE 
MAGNO ALVES DE SOUZA para tratar de tal assunto nos bastidores da gestão estadual, antes 
mesmo que fosse ele formalmente cedido à SESAP em 17 de setembro de 2011.
Com efeito, no depoimento que o demandado DOMÍCIO ARRUDA prestou na 
qualidade de testemunha, nos autos do processo criminal nº 0125526.25.2012, 7ª Vara Criminal, 
referente à operação Assespsia, ele chegou a admitir que ALEXANDRE MAGNO era uma espécie 
de “assessor informal da Secretaria”20, referindo-se à SESAP! É certo que essa “assessoria 
informal” foi efetivamente prestada por ALEXANDRE MAGNO com o único intuito de favorecer 
o ingresso do terceiro setor no Estado do RN, conforme o plano concebido pela Governadora 
ROSALBA CIARLINI ROSADO.
Como se demonstrou, desde o mês de maio de 2011, há registros de mensagens, 
conversas e emails interceptados, através da Operação Assepsia, que comprovam que o demandado 
ALEXANDRE MAGNO já auxiliava o demandado DOMÍCIO ARRUDA nas tratativas 
pessoalizadas relacionadas à terceirização de serviços de saúde em âmbito estadual, com especial 
destaque para aquelas que guardassem relação com a organização comandada pelo demandado 
TUFI SOARES MERES.
Em julho de 2011, conforme registros telefônicos suso mencionados, 
ALEXANDRE MAGNO ALVES DE SOUZA tratou inúmeras vezes com a demandada DORINHA 
BURLAMAQUI, interlocutora direta da demandada ROSALBA CIARLINI ROSADO, das 
questões da terceirização do Hospital da Mulher em Mossoró.
20
Vide depomento que consta no CD que repousa à fl. 871, V. 3, especificamente a partir de 32 minutos.
78
Mas não era apenas a administração do Hospital da Mulher que seria terceirizada. 
Já havia, desde o primeiro semestre de 2011, articulações do governo com a ASSOCIAÇÃO 
MARCA para assumir o Hospital Ruy Pereira e com a CRUZ VERMELHA, a quem a Governadora 
ROSALBA CIARLINI ROSADO iria entregar a administração do maior hospital do Estado, o 
WALFREDO GURGEL.
A comunicação telefônica, por mensagem, captada entre ALEXANDRE MAGNO 
ALVES DE SOUZA e ROSIMAR GOMES BRAVO E OLIVEIRA, proprietária de fato da 
ASSOCIAÇÃO MARCA, revela que realmente a Governadora ROSALBA CIARLINI ROSADO 
havia decidido contratar a CRUZ VERMELHA para assumir a administração do Hospital 
WALFREDO GURGEL. Como estaria no Rio de Janeiro, ALEXANDRE MAGNO tentava 
desmarcar uma reunião marcada em Natal para tratar do assunto. Veja-se o registro:
Start Time: 26/06/2012 13:52:57(UTC+0)
Last Activity: 26/06/2012 18:16:33(UTC+0)Participants: 268FC9F1 Rosi Bravo, 278E61B3 Alexandre Souza
From: From: 278E61B3 Alexandre Souza
TimeStamp: 26/06/2012 13:52:57(UTC+0)
Source Application: BlackBerry Messenger
Body:
Bom dia, ja chegou no 122?
-----------------------------
From: From: 268FC9F1 Rosi Bravo
TimeStamp: 26/06/2012 13:53:17(UTC+0)
Source Application: BlackBerry Messenger
Body:
Bom dia
-----------------------------
-----------------------------
79
From: From: 268FC9F1 Rosi Bravo
TimeStamp: 26/06/2012 18:12:04(UTC+0)
Source Application: BlackBerry Messenger
Body:
Você não vai?
-----------------------------
From: From: 278E61B3 Alexandre Souza
TimeStamp: 26/06/2012 18:13:33(UTC+0)
Source Application: BlackBerry Messenger
Body:
Tenho que ficar. Não consigo desmarcar a reuniao com a cruz vermelha amanha de manha. A 
gov quer eles
 no walfredo e preciso estar dentro 
-----------------------------
Fica claro pela mensagem que ALEXANDRE MAGNO ALVES DE SOUZA 
também trabalhava na articulação para contratar a CRUZ VERMELHA para administrar o Hospital 
WALFREDO GURGEL, conforme já havia decidido a Governadora ROSALBA CIARLINI 
ROSADO. Esses projetos somente não foram adiante porque houve a deflagração da Operação 
Assepsia exatamente no dia 27/06/2012, um dia depois dessa mensagem. A imprensa local noticiou 
o fato nos:
80
Postado dia 27/06/2012 às 12h06 
por: Portal JH
MP deflagra OPERAÇÃO ASSEPSIA que investiga contratação de organizações sociais na área de saúde do município de Natal
O Ministério Público do Rio Grande do Norte, por meio da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público da Comarca 
de…
O Ministério Público do Rio Grande do Norte, por meio da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público da Comarca de 
Natal e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), deflagrou na manhã desta quarta-
feira, dia 27/06/2012, com o apoio da Polícia Militar do Estado, a OPERAÇÃO ASSEPSIA, que investiga a contratação 
de supostas organizações sociais pelo Município de Natal, com atuação na área da saúde pública.
Estão sendo cumpridos mandados de busca e apreensão e de prisões preventivas e temporárias, expedidos pelo Juiz de 
Direito da 7ª Vara Criminal de Natal. As buscas e as prisões vem sendo realizadas em Natal e no Rio de Janeiro.
Em Natal, estão sendo realizadas buscas e apreensões nas residências do ex-Secretário Municipal de Saúde, THIAGO 
BARBOSA TRINDADE, do Procurador do Município de Natal ALEXANDRE MAGNO ALVES DE SOUZA, do 
Secretário de Planejamento do Município ANTÔNIO CARLOS SOARES LUNA, do Coordenador Administrativo e 
Financeiro da Secretaria Municipal de Saúde FRANCISCO DE ASSIS ROCHA VIANA, do ex- Coordenador 
Administrativo e Financeiro da Secretaria Municipal de Saúde CARLOS FERNANDO PIMENTEL BACELAR 
VIANA, na filial da ASSOCIAÇÃO MARCA, na sala da Coordenadoria Administrativa e Financeira da Secretaria 
Municipal de Saúde, na sede da SMS, e no Gabinete do Secretário Municipal de Planejamento, na sede da SEMPLA.
Ainda em Natal, o Poder Judiciário expediu mandado de prisão preventiva em desfavor do Procurador Municipal 
ALEXANDRE MAGNO ALVES DE SOUZA e mandados de prisões temporárias de THIAGO BARBOSA 
TRINDADE, ANTÔNIO CARLOS SOARES LUNA, FRANCISCO DE ASSIS ROCHA VIANA e de CARLOS 
FERNANDO PIMENTEL BACELAR VIANA.
No Rio de Janeiro, a Polícia cumpre mandados de busca e apreensão nas residências de TUFI SOARES MERES, de 
GUSTAVO DE CARVALHO MERES, do casal ROSIMAR GOMES BRAVO E OLIVEIRA e ANTÔNIO CARLOS 
DE OLIVEIRA JÚNIOR, conhecido como MANINHO, e em três salas de um edifício empresarial situada na Barra da 
Tijuca, onde funcionam empresas ligadas a TUFI SOARES MERES.
Também no Rio de Janeiro, a Polícia busca cumprir mandados de prisão preventiva de TUFI SOARES MERES e 
ROSIMAR GOMES BRAVO E OLIVEIRA e de prisão temporária de ANTÔNIO CARLOS DE OLIVEIRA JÚNIOR.
Com efeito, na busca e apreensão da operação ASSEPSIA, foram encontradas nas 
agendas do demandado ALEXANDRE MAGNO ALVES DE SOUZA anotações através das quais 
é possível dimensionar o gigantismo do projeto de terceirização dos serviços de saúde pública 
concebido pelo Governo da demandada ROSALBA CIARLINI, que incluía, no caso da MARCA, 
além do Hospital da Mulher, em Mossoró, a terceirização da administração do Hospital Ruy 
Pereira, e também a inserção da CRUZ VERMELHA nos projetos relacionados aos hospitais 
WALFREDO GURGEL, MARIA ALICE FERNANDES, DEOCLÉCIO MARQUES, JOÃO 
MACHADO, GIZELDA TRIGUEIRO e SANTA CATARINA, e a previsão de construção de um 
81
“Hospital Geral”, no valor de R$ 100.000.000,00 (cem milhões de reais), este último a ser 
explorado mediante Parceria Público Privada, com prazo de 35 anos, ao custo de R$ 10.000.000,00 
(dez milhões) mensais para o parceiro privado, segundo as anotações de ALEXANDRE MAGNO 
ALVES DE SOUZA. Confiram-se os seus registros:
82
Como se afere, a Governadora ROSALBA CIARLINI vinha planejando executar 
serviços milionários na área de saúde pública. Neste sentido, há o registro da ampliação dos planos 
de contratação direta de outras unidades de saúde, tendo como entidade parceira a ASSOCIAÇÃO 
MARCA. Além dela, seria contemplada também a CRUZ VERMELHA no plano de terceirização 
da saúde. É interessante notar que o cronograma previsto na figura 4 para a contratação da MARCA 
para administrar o Hospital da Mulher já estava posto desde o início do mês de janeiro de 2012, de 
modo que os atos praticados no processo de contratação foram mera execução fraudulenta de uma 
decisão já adotada previamente.
Entre as anotações do demandado ALEXANDRE MAGNO ALVES DE 
SOUZA, verificou-se ainda informações relacionadas à visita dos demandados DOMÍCIO 
ARRUDA e ROSALBA CIARLINI à Espanha, numa articulação com TUFI SOARES MERES, 
conforme foi relatado antes, além da criação de UPAS estaduais como parte da estratégia de 
expansão do terceiro setor no Rio Grande do Norte:
83
Sobre esse processo de expansão do terceiro setor na área de saúde, com escolhas 
predeterminadas do parceiro privado, o demandado DOMÍCIO ARRUDA CÂMARA detalhou a 
84
existência de diversas reuniões ocorridas, inclusive com a presença da demandada ROSALBA 
CIARLINI, conforme depoimento prestado em 27 de julho de 2012, na sede da Promotoria do 
Patrimônio Público:
 “(...) Que existiu a ideia de terceirizar o Hospital Dr. Ruy Pereira, pois era um hospital 
alugado que tinha uma dotação orçamentária fixa e seria possível com o valor do custeio, 
alugar o serviço; Que recebeu a visita da DERSLON da FIBRA em uma audiência na 
SESAP; Que ele afirmou que a Fibra administrava uma UPA em Guarabira e estava atuando 
no Hospital de Trauma de Campina Grande; Que Deslon da Fibra chegou a visitar o 
Hospital Dr. Ruy Pereira, mas a Fibra não apresentou proposta; Que a Marca também 
visitou o Hospital Dr. Ruy Pereira, através de Rose Bravo, Maninho e uma terceira pessoa; 
Que a Marca não chegou a apresentar uma proposta; Que existia também um empecilho 
para contratação destas entidades pela falta de legislação regulamentando as organizações 
sociais; Que com a crise do Walfredo Gurgel e com a solução realizada na Paraíba quando a 
Cruz Vermelha passou a administrar o Hospital de Traumas em João Pessoa, a SESAP 
manteve contato com a Cruz Vermelha através de seu representante Edmont Silva, Que fez 
uma visita ao hospital administrado pela Cruz Vermelha em João Pessoa; Que foi marcada 
uma reunião com Cruz Vermelha em Natal para tratar sobre uma solução para administrar 
o Walfredo Gurgel; Que a reunião foi na Governadoria; Que estavam presentes Edmont 
Silva, Daniel Gomes,Dorinha, Rosalba e o depoente; Que foi nesta reunião que a Cruz 
Vermelha afirmou como tinha sido a solução para o Hospital de Traumas de João Pessoa, 
através da decretação do estado de emergência e da aprovação de uma lei estadual que 
possibilitou a contratação de organizações sociais por parte do Estado da Paraíba; Que a 
Governadora pediu para fazer uma reunião quinze dias depois com a área jurídica do 
Estado; Que entre as reuniões foi apresentada a matéria no Fantástico com denúncias sobre 
algumas empresas no Rio de Janeiro no âmbito da saúde, entre elas a Toesa; Que segunda 
reunião foi na Secretaria de Planejamento; Que estavam presentes Edmont Silva, Daniel 
Gomes, Dorinha, Rosalba, Miguel Josino, José Marcelo, Alexandre Magno, Oberi, o 
depoente e um consultor do Estado da Paraíba que não se recorda o nome; Que nesta 
reunião, Daniel Gomes falou ao depoente que ele era consultor da Cruz Vermelha; Que a 
Toesa administra o SAMU em João Pessoa; ; Que nesta reunião ficou decidido que sem a 
existência de uma lei não era possível realizar a contratação; Que ficou sabendo que o 
projeto de lei das OS's já estava sendo redigido;”
O Consultor-Geral do Estado, o Procurador do Estado de carreira JOSÉ 
MARCELO FERREIRA COSTA, sem perceber que as parcerias e as negociações estavam tão 
avançadas com essas entidades, relatou a propósito:
85
“que participou de reuniões com DOMÍCIO ARRUDA, ALEXANDRE MAGNO e um Procurador 
do estado da Paraíba e uma advogada representante da CRUZ VERMELHA, a mando da 
Governadora ROSALBA CIARLINI; que o foco dessas discussões, como foi dito antes, era a 
aplicabilidade da lei federal das organizações sociais no Estado; que nessa reunião, os 
participantes saíram convencidos de que a lei estadual precisava ser alterada para possibilitar a 
contratação de organizações sociais para atuar na área de saúde, como de fato ocorreu; que chegou 
a ir ao Estado da Paraíba juntamente com a Governadora ROSALBA CIARLINI para visitar o 
Hospital de Trauma de João Pessoa; que foram à convite de um médico que era o Diretor do 
Hospital, administrado na época pela CRUZ VERMELHA;”
Atente-se que nas reuniões em que o Consultor Geral do Estado participou, com o 
conhecimento da Governadora ROSALBA CIARLINI ROSADO, ficou clara a impossibilidade 
jurídica de contratação de organizações sociais para atuar na área de saúde, no âmbito estadual, sem 
lei local autorizativa.
Em que pese a vontade férrea da demandada ROSALBA CIARLINI em expandir 
o plano de terceirização da saúde, bem como a evolução das conversas mantidas pelos respectivos 
agentes públicos com os parceiros privados escolhidos a dedo pela Chefe do Executivo, não restou 
exitosa a disseminação do modelo de gestão descentralizada para o Terceiro Setor nos moldes do 
implantado no Hospital da Mulher, como primeira experiência no âmbito do Governo Estadual, por 
força dos fatos que vieram à tona após a deflagração da operação Assepsia, em junho de 2012.
Isso porque foi a partir da deflagração da referida operação que houve o 
descortinamento das tratativas ilegais que se davam nos bastidores da Administração Pública, tanto 
no Município de Natal quanto na esfera Estadual, envolvendo servidores públicos e integrantes do 
grupo comandado por TUFI MERES, entre eles os demandado ALEXANDRE MAGNO, que à 
época estava cedido à SESAP, ROSIMAR BRAVO (ROSI BRAVO) e ANTÔNIO CARLOS DE 
OLIVEIRA (MANINHO), entre outros.
I.C. OS FATOS: O CONTRATO VERBAL QUE VIGOROU ENTRE O ESTADO E A 
ASSOCIAÇÃO MARCA, PAUTADO NA PALAVRA DA GOVERNADORA ROSALBA 
86
CIARLINI ROSADO, NA FASE QUE ANTECEDEU A FORMALIZAÇÃO DO TERMO DE 
PARCERIA Nº 01/2012. DESPESAS NÃO AUTORIZADAS POR LEI: A REFORMA DO 
HOSPITAL DA UNIMED E A AQUISIÇÃO DE EQUIPAMENTOS, SEM LICITAÇÃO, À 
CUSTA DO TERMO DE PARCERIA. A CONTRATAÇÃO DE PESSOAL PARA 
TRABALHAR NO HOSPITAL DA MULHER SUBMETIDA AO CRIVO POLÍTICO DA 
DEMANDADA ROSALBA CIARLINI, ATRAVÉS DORINHA BURLAMAQUI. A 
EXECUÇÃO DO TERMO DE PARCERIA.
Como ficou demonstrado, houve um acordo da Governadora ROSALBA 
CIARLINI ROSADO com os representantes da ASSOCIAÇÃO MARCA em anuir com a 
celebração de despesas prévias na montagem do Hospital da Mulher, em data anterior à celebração 
do contrato administrativo. Houve, na prática, a pactuação verbal do termo de parceria, com efeitos 
imediatos na assunção de despesas pelo poder público, no que tange à reforma do espaço físico do 
antigo hospital da Unimed em Mossoró e na aquisição de equipamentos para funcionamento do 
nosocômio.
A Lei 8.666/93 é peremptória em vedar ajustes verbais nos contratos celebrados 
pelo Poder Público. Confira-se o dispositivo:
“Art. 60. Os contratos e seus aditamentos serão lavrados nas repartições interes-
sadas, as quais manterão arquivo cronológico dos seus autógrafos e registro sis-
temático do seu extrato, salvo os relativos a direitos reais sobre imóveis, que se 
formalizam por instrumento lavrado em cartório de notas, de tudo juntando-se 
cópia no processo que lhe deu origem.
Parágrafo único. É nulo e de nenhum efeito o contrato verbal com a Administra-
ção, salvo o de pequenas compras de pronto pagamento, assim entendidas aque-
las de valor não superior a 5% (cinco por cento) do limite estabelecido no art. 
23, inciso II, alínea "a" desta Lei, feitas em regime de adiantamento.
Isso importa dizer que a Governadora ROSALBA CIARLINI ROSADO ordenou 
a realização de despesas não autorizadas por lei, praticando ato visando fim proibido em lei (art. 11, 
inciso I, da LIA).
87
 Prova inconteste é o email que veicula a minuta do contrato celebrado entre a 
MARCA e a empresa THE WALL, em que consta expressamente que as despesas seriam custeadas 
pelo termo de parceria celebrado com a Estado. Observe-se no trecho que importa, procedendo-se o 
devido cotejo da data do email (07/02/2012) com a data do termo de parceria (29/02/2012):
De: ANTONIO CARLOS OLIVEIRA JR [mailto:maninho.antoniocarlos@gmail.com] 
Enviada em: terça-feira, 7 de fevereiro de 2012 14:53
Assunto: Contrato The Wall
Alexandro,
 
Após entendimento com nossa Assessoria Jurídica, segue em anexo o contrato de prestação de 
serviços. Lembro que estaremos levando impresso em 3 vias e asssinado pela Elisa. Não há 
necessiadade que você imprima. Se houver modificações e/ou erros de digitação, favor nos 
comunicar.
Abs,
MANINHO
CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE SUPERVISÃO, 
REFORMA E ADEQUACAO, NO HOSPITAL ESTADUAL DA MULHER 
NO MUNICIPIO DE MOSSORÓ, QUE ENTRE SI CELEBRAM A 
ASSOCIAÇÃO MARCA PARA PROMOÇÃO DE SERVIÇOS E THE 
WALL CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA
(...)
CLÁUSULA PRIMEIRA: DO OBJETO
1.1. O presente CONTRATO tem por objeto a contratação de prestação de serviços especializados para 
reforma, adequação e supervisão de obra a ser realizada nas instalações do Hospital Estadual da Mulher, 
localizado no Município de Mossoró/ RN, a fim de atender ao Termo de Parceria nº 001/2012-SES/RN, 
88
firmado entre a CONTRATANTE e o Governo do Estado do Rio Grande do Norte.
1.2. Dentre os serviços contratados e os seus respectivos custos, conforme abaixo indicados, estão 
incluídos: anotação de responsabilidade técnica (ART) junto ao CREA/RN; alimentação da equipe; diárias 
de deslocamentos; a revisão de toda a parte elétrica e hidráulica do Hospital; pintura, revisão e reparo da 
rede de gases medicinais.
A inserção dessas despesas na planilha de custos do termo de parceria está 
devidamente comprovada nos autos. Veja-se o email adiante:
From: ANTONIO CARLOS OLIVEIRA JR <maninho.antoniocarlos@gmail.com>
Date: Mon, 30 Jan 2012 12:28:20 -0200
To: Otto Schmidt<oschmidt50@gmail.com>; Rosi Mô<rosibravo@gmail.com>;<alexandro@construtorathewall.com>
Subject: Planilha de Obras
Rosi e Otto,
Para que seja incluído nas planilhas de custos que seguirá para a SES/RN e com base 
no que foi acertado com o Alexandro, segue mais ou menos os custos de obras, sem 
contar o material que não tenho noção de quanto ficará.
Empresa The Wall - R$ 15.000,00 (podendo sofrer acréscimo se tivewr que retirar ou 
instalar equipamentos específicos);
Mão de Obra - R$ 60.748,80 ( levando em consideração os seguintes dados: Empresa 
R$ 212,65/dia; Pedreiro R$ 91,06/dia (sendo 8); Ajudante R$ 59,74/dia (sendo 16); 
Eletricista R$ 95,41/dia (sendo 3) e Mestre R$ 127,99 (sendo 01) que irão trabalhar 
durante 30 dias).
Os contratos destas empresas estão sendo providenciados pelo Bruno, já temos alguns 
dados da The Wall mas falta da outra.
LEMBRAR:é sexta-feira teremos que pagar a empresa de mão de obra , não sei o valor 
aproximado mas o Alexandro deve passar o valor ainda hoje.
Abs,
MANINHO
A aquisição prévia de equipamentos também estava contemplada no ajuste coma 
empresa THE WALL. Mais uma vez observe-se o email:
89
De: Alexandro Vasconcelos [mailto:alexandro@construtorathewall.com] 
Enviada em: segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012 09:57
Assunto: Enc: FW: Construtora The Wall
Solicitei orcamento de instalacao dos arcondicionados! Empresa que o Dr. Ney appresentou! Solicitei a 
outra tambem, para comparativo! Temos que correr com a aquisocao dos equipamentos, visto que para 
instalacao necessita de pelo manos 15 dias! Fora os acabamento se necessario apos instalacao!
The Wall Constrrutor e Consultoria Imobiliaria
Alexandro Vasconcelos - Engenheiro Civil
Tel. 55 84 96552112
From: FRIOTEC REFRIGERAÇÃO LTDA FRIOTEC REF. <friotecltda@hotmail.com> 
Date: Mon, 6 Feb 2012 12:49:22 +0000
To: <alexandro@construtorathewall.com>
Subject: FW: Construtora The Wall
Bom dia,
Alexandro, segue anexo orçamento.
As ordens
Eduardo Ramalho
FRIOTEC REFRIGERAÇÃO LTDA. 
(84) 3314-7367 - 3314-1659 - 3321-4374 
Av. Cunha da Mota, 553, Centro
Mossoró/RN Cep 59.600-160 
Convém assinalar que já no dia 2 de fevereiro de 2012 21, a Associação Marca 
respondia ao convite formulado pela Secretaria Estadual de Saúde, apresentando proposta 
para implantação do nosocômio em questão, tanto que no dia 1º de fevereiro de 2012, a Oscip 
já havia formalizado contratos de aluguel do prédio onde funciona o hospital materno- 
infantil22, bem como com a empresa responsável por reformá-lo 23, qual seja a THE WALL 
CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA, afora todos os contatos anteriores já esmiuçados 
21 Fl. 177, V. 1 e fl. 3133, Anexo XVII
22 Fls. 3858-3863, Anexo XX
23 Fls. 3775-3781, Anexo XX
90
nesta petição. 
A autorização da Governadora ROSALBA CIARLINI ROSADO para a realização 
de despesas anteriores ao termo de parceria remonta ao mês de janeiro de 2012, como está 
documentado no email seguinte: 
Re: Re: Res: Re Andamento em Mossoró
Date: 14/02/2012
From: Otto Schmidt
To:maninho.antoniocarlos@gmail.com
Maninho,
Favor observar o seguinte:
1) A relação definitiva dos equipamentos, só nos passada na quinta-feira, 09/02 - neste período, já 
havíamos liberado a solicitação de orçamento para os diversos forncedores;
2) Após o recebimento deste arquivo, tansferimos os novos quantitativos para nossa planilha, para 
mensurarmos o custo total do projeto;
3) Os instrumentais a relação só veio na sexta-feira, dia 10/03;
4) Só poderíamos sinalizar a viabilidade ou não da montagem do hospital, com base na data 
prevista para entrega dos equipamentos, que os fornecedores nos passam em suas cotações;
5) Na sexta-feira, dia 10/02, posicionei a Rosi sobre a minha preocupação com o prazo que 
teríamos, e ontem (13/02) informei ao presidente;
6) Concordo que deveremos agendar uma reunião para avaliarmos a situação.
Abraços
Otto Schmidt
Em 14 de fevereiro de 2012 12:25, Antonio Carlos <maninho.antoniocarlos@gmail.com> 
escreveu:
Prezados,
No dia 18/01/12 nos foi apresentada a proposta de assumirmos a gestão do hospital em 
Mossoro.
Em 23/01/12 viemos a Mossoro e verificamos "in-locco" a realidade, voltamos ao Rio e nos 
reunirmos para decidir.
Em 30/01/12, já devidamente autorizado, iniciaram as obras, que a principio seria o grande 
problema devido ao exímio tempo. Nesta data tentamos adiar a inauguração e não 
conseguimos.
Assumimos o compromisso com a nossa equipe e com a Secretaria Estadual, envolvemos 
todos os responsáveis. Fizemos cronogramas e estamos nos organizando.
Acho que estamos realmente apertados no tempo, entendo perfeitamente que a entrega de 
equipamentos exige tempo (ainda mais com um carnaval no meio). Entendo também que todos 
(nossa equipe e SES/RN)estão cientes que poderá haver atraso nas entregas. 
91
Quanto ao recrutamento e seleção, entendo que se vier uma boa equipe de seleção daremos conta. 
Só p lembrar, nas Ames já foi assim.
Agora, se é realmente impossível, já deveríamos ter agendado ou proposto uma reunião com a 
presidência e equipe responsável + a SES/RN para deliberar, caso contrario colocaremos todo 
nosso trabalho sob suspeita.
Abraços,
Maninho
Ainda para reforçar essa verdadeira farsa, a própria demandada MARCA, por 
meio de sua Diretora Geral Elisa Andrade de Araújo, atendendo à requisição da 1ª Promotoria de 
Justiça de Defesa da Saúde da Comarca de Mossoró, encaminhou os “processos de aquisição de 
Materiais no período de fevereiro a abril”, assim como os processos de aquisição de 
Equipamentos”, sendo tudo isso referente à instalação do Hospital da Mulher. Consta, por 
exemplo, nota fiscal referente a serviços de arquitetura para as “adequações necessárias da reforma 
do Hospital da Mulher24, emitida em 01/02/2012, notas de pagamento referente à aquisição de 
“Tintas para a Pintura do Hospital da Mulher”25, com data de pagamento 23/02/2012, dentre várias 
outras despesas realizadas em fevereiro de 2012, conforme já aduzido alhures, antes da celebração 
do próprio instrumento contratual.
A participação da demandada DORINHA BURLAMAQUI, além de autoridade 
administrativa devidamente constituída, como secretária Adjunta da Saúde, na qualidade de pessoa 
elegida pela demandada ROSALBA CIARLINI, quanto ao acompanhamento dessa fase do espúrio 
processo de contratação da MARCA, desponta dos autos com grande realce. Em seu próprio 
depoimento, DORINHA BURLAMAQUI destacou a missão confiada pela Governadora:
“que acompanhou como Secretária Adjunta, informalmente, a realização de 
adequações no prédio do antigo Hospital da Unimed; que não havia missão 
oficial nesse sentido; que quem estava realizando as adequações no prédio era 
uma empresa da ASSOCIAÇÃO MARCA; que o Secretário de saúde DOMÍCIO 
ARRUDA tinha conhecimento de que a MARCA estava realizando a reforma do 
antigo Hospital da Unimed para funcionar o Hospital da Mulher; que acredita 
que Governadora ROSALBA CIARLINI ROSADO também tinha conhecimento, 
24 Fl. 1066, Anexo VI.
25 Fl. 109
92
pois depois que tinham iniciado várias vezes a própria depoente informava a 
Governadora ROSALBA CIARLINI do andamento da obra de adequação; que 
entre essas adequações foi montada uma UTI neonatal; que a depoente também 
testemunhou a chegada dos equipamentos médicos e, nesse caso, constatou que a 
pessoa de SEVERINA era responsável da MARCA pelo recebimento desses 
equipamentos; que os equipamentos iam sendo montados à medida que a obra deadequação também avançava; que acha que a obra somente ficou pronta às 
vésperas da inauguração, alguns dias antes desse ato; que a depoente acha que 
as obras de adequação começaram em janeiro de 2012;
Em verdade, a tentativa de distanciamento dos fatos da demandada DORINHA 
BURLAMAQUI, presente na afirmação de que acompanhava apenas informalmente o desenrolar da 
contrato verbal, é incompatível com a sua posição de Secretária Adjunta da Saúde. O mesmo se diga 
em relação à Governadora ROSALBA CIARLINI, que tinha o controle de todos as fases da 
implementação do Hospital da Mulher, inclusive porque era informada, passo a passo, pela 
demandada DORINHA BURLAMAQUI, com quem mantém relação de confiança antiga e que 
remonta ao seu governo no Município de Mossoró. A demandada DORINHA BURLAMAQUI, 
realmente, asseverou:
“(...) que a depoente e o secretário DOMÍCIO ARRUDA eram os interlocutores 
da Governadora ROSALBA CIARLINI para apresentar a ela as propostas, as 
sugestões e as soluções para o Hospital da Mulher; que acredita que esse era o 
motivo pelo qual ALEXANDRE MAGNO ALVES DE SOUZA procurava a 
depoente para tratar dos assuntos do Hospital da Mulher.”26
Cumpre registrar, outrossim, que o demandado DOMÍCIO ARRUDA, ao prestar 
depoimento judicial, como testemunha, nos autos da Ação Penal nº 0125526.25.2012 (Operação 
Assepsia)27, ao ser indagado pelo Ministério Público se teria autorizado verbalmente o início da 
reforma no Hospital da UNIMED, já em janeiro de 2012, para a instalação do Hospital da Mulher, 
ele declarou que a MARCA logo começou a instalação porque "a Governadora tinha garantido 
que honraria os compromissos assumidos" com a MARCA.
26 Depoimento de fl. 785, V. 3.
27 Depoimento no CD à fl. 871, V. 3, a partir de 26 minutos.
93
As subcontratações da ASSOCIAÇÃO MARCA, justamente, desobedeceram o 
regime legal a que estava submetida a organização. Nos termos do artigo 37, XXI, da Constituição 
Federal, ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e alienações 
serão contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a 
todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as 
condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de 
qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações.
As regras gerais de licitação, por sua vez, foram previstas pela Lei nº 8.666/93, 
bem como pela lei nº 10.520/2002, a qual estabelece normas sobre pregão.
A utilização de procedimento licitatório significa, pois, a busca pela proposta mais 
vantajosa para a Administração Pública, observando-se, dentre outros, os princípios da 
impessoalidade, publicidade e moralidade administrativa.
Com relação especificamente às Organizações da Sociedade Civil de Interesse 
Público, insta afirmar que também estão abarcadas pelo espectro de incidência das normas que 
condicionam à aquisição de bens, obras, serviços e alienações ao prévio processo de licitação 
quando celebram termo de parceria com o Poder Público, na medida em que passam a gerir verbas 
públicas.
No âmbito federal, o Decreto nº 5.504/05 determina que os instrumentos de 
parceria com as Organizações Sociais e as OSCIPs que receberem repasse de recursos 
públicos da União deverão conter cláusula que determinem que as obras, compras, serviços e 
alienações a serem realizadas por estes entes sejam contratados mediante pregão, 
preferencialmente na modalidade eletrônica, devendo ser justificado pelo dirigente ou 
autoridade competente caso seja inviável a utilização de tal forma de pregão.
Não se poderia aceitar outro entendimento que afastasse a necessidade de 
realização de licitação por parte dessas entidades privadas quando firmam termo de parceria com o 
Poder Público, uma vez que passarão a administrar recursos públicos em sentido estrito.
Nesse sentido já se pronunciou o Tribunal de Contas da União no Acórdão 
1070/2003. Veja-se.
94
“... Note-se que a entidade privada não está obrigada a firmar convênio com a 
administração pública, mas ao assinar deve ter a certeza que está administrando 
recursos públicos em sentido estrito e, isto é verbas incluídas em lei orçamentária, 
dessa forma, deve observar rigorosamente, como todo administrador público, os 
princípios que informam a gestão da coisa pública, em especial o da legalidade, sob 
o ponto de vista formal e material. Não pode, por isso mesmo, dar destinação 
diversa aos recursos, daquela fixada na lei orçamentária, sob pena de ser 
condenado à devolução das importâncias recebidas por desvio de finalidade; não 
pode, ademais, deixar de prestar contas dos recursos recebidos, por expressa 
determinação constitucional; como também não pode descumprir a Lei nº 
8.666/93.”
No mesmo sentido os seguintes acórdãos também do TCU:
Ementa: Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). Termo de 
Parceria. Terceiro Setor. Atuação do Tribunal. Limite de remuneração da 
administração pública. Obrigatoriedade de aplicação das Leis nºs 8.666/93 e 
10.520/2002 às OSCIPs para contratações com recursos públicos transferidos em 
razão de Termo de Parceria firmado com a Administração Pública. (GRUPO II – 
CLASSE V – PLENÁRIO, TC 008.011/2003-5, Data da Sessão:09/11/2005)
EMENTA: Existem direitos potestativos inseridos na Lei n.º 8.666/93 que são 
competências privativas de entes que integram a administração pública, tais como: 
aplicação de multas, rescisão unilateral de contratos e declaração de inidoneidade de 
licitantes. Essas prerrogativas, que privilegiam o princípio da supremacia do 
interesse público, não se conferem a entidades privadas. Com base nesse 
entendimento, o Plenário determinou à Fundação Instituto de Hospitalidade 
(OSCIP) que, quando da gestão de recursos públicos federais recebidos 
mediante transferências voluntárias, observe os princípios da impessoalidade, 
moralidade e economicidade, além da cotação prévia de preços no mercado 
antes da celebração do contrato, de acordo com o art. 11 do Decreto nº 
6.170/2007. (Acórdão n.º 114/2010-Plenário, TC-020.848/2007-2, rel. Min. 
Benjamin Zymler, 03.02.2010)
Nesse passo, considerando que o compromisso assumido por meio do Termo de 
Parceria implica alocar recursos públicos a uma entidade privada para a consecução de uma 
atividade de interesse público, desatenderia aos princípios constitucionais da impessoalidade e da 
publicidade permitir que a entidade privada, que realizará gastos os mais diversos com recursos 
públicos, deixe de observar o princípio da licitação, nos termos do que estabelece o inciso XXI do 
art. 37 da Constituição Federal e permitiria a malversação do dinheiro público.
95
No vertente caso, após notificada pela Promotoria de Justiça de defesa da Saúde 
da Comarca de Mossoró, para prestar esclarecimentos sobre a forma de aquisição de materiais e 
equipamentos para o Hospital da Mulher, a Associação Marca Para Promoção de Serviços, por 
meio de sua diretora, a demandada ELISA ANDRADE DE ARAÚJO, informou que possui 
regulamento que define os critérios e condições a serem observados pela entidade nas 
compras e aquisições de quaisquer bens, na contratação de quaisquer trabalhadores e 
serviços, inclusive de engenharia, alienações e locações, destinadas ao regular atendimento das 
necessidades institucionais e operacionais relativas à execução do termo de parceria firmado 
com o Estado do Grande do Norte (fls.1.125-1.127, Anexo IV).
Ocorre que, a despeito de o regulamento estabelecer diversas modalidades de 
contratação, como a pesquisa de preços, a carta-convite, a concorrência e a concorrência especial,todas prevendo a cotação de, no mínimo, 3 (três) propostas, o que se percebe da documentação 
acostada é que, durante a execução do termo de parceria, não houve a realização de procedimento 
de seleção de proposta mais vantajosa para a aquisição de produtos e serviços pela entidade. 
Houve, quando muito, a apresentação de orçamento por um único fornecedor, o que nem de longe 
caracteriza a existência de múltiplas propostas. A grande maioria das contratações foi realizada de 
forma direta, sem qualquer pesquisa de preços (Anexos VII ao XII do Inquérito Civil).
Consoante informações prestadas pela Associação Marca, por meio de sua 
Diretora Geral, a demandada ELISA ANDRADE DE ARAÚJO, foi asseverado que em virtude da 
situação de calamidade pública da saúde na região de Mossoró, o processo de compras teria sido 
realizado “de forma mais rápida”, tendo em vista que “muitos dos equipamentos não foram 
encontrados para pronta entrega” (fl. 1569, Anexo VI).
Informou, ainda, que algumas cotações de preços foram realizadas ainda em 
dezembro de 2011, tendo em vista que tão logo receberam a proposta de apresentação do 
modelo de gestão para o referido hospital, foi iniciado contato com os fornecedores para 
levantamento de custos dos equipamentos (fl.1.569, Anexo VI)!
Realmente, consoante restou já evidenciado nesta peça, a partir da análise dos 
diálogos travados entre os membros da Associação MARCA, o compromisso da Governadora 
ROSALBA CIARLINI com a MARCA e seus dirigentes já havia sido firmado desde 2011, tanto 
que logo em janeiro de 2012 começaram as obras para a reforma do prédio onde funcionaria 
96
o Hospital da Mulher, nada obstante o Termo de Parceria ter sido celebrado tão somente em 29 de 
fevereiro de 2012, fato corroborado nos depoimentos já citados dos demandados DOMÍCIO 
ARRUDA e MARIA DAS DORES BURLAMAQUI.
No que se refere especificamente à aquisição de materiais de construção, a 
demandada ELISA ANDRADE DE ARAÚJO mencionou à fl. 1571 (Anexo VI) que todos foram 
comprados no município de Mossoró, junto às empresas que previamente realizaram cadastro junto 
à instituição, de modo a viabilizar pronta entrega com preço de mercado. Acrescentou, ainda, que 
esta foi uma forma de valorizar o comércio local.
Em momento algum a lei de licitações dispõe que a seleção de proposta para o 
Poder Público deve se pautar pela valorização do comércio local. Ao contrário, independente do 
local onde sejam adquiridos produtos ou serviços, deve-se ter em mente a seleção da proposta mais 
vantajosa em termos econômicos para o Poder Público.
Registre-se, ainda, que a demandada ASSOCIAÇÃO MARCA somente utilizou 
esse critério de “valorização do comércio local” quando foi de sua conveniência, pois é certo que 
todo o corpo médico do Hospital da Mulher é oriundo da cidade de Fortaleza/CE, por meio de 
contratações a preços astronômicos, e que a maior parte dos equipamentos não foi adquirida 
sequer no Estado do Rio Grande do Norte.
Ademais, conforme asseverado, o regulamento da Associação Marca dispõe sobre 
a necessidade de observar as normas por meio dele instituídas também na contratação de quaisquer 
trabalhadores e serviços, inclusive de engenharia, alienações e locações. Nada disso foi observado 
com relação ao Hospital da Mulher, pois não houve cotação de preços para a contratação do serviço 
de reforma do Hospital.
Noutro ponto, Constatou-se que o recrutamento do pessoal efetivado pela 
Associação Marca, para trabalhar na unidade materno-infantil denominada Hospital da Mulher, foi 
feito bem antes da assinatura do Termo de Parceria, havendo, inclusive, indicação de pessoas pelo 
critério político da Secretaria Adjunta, a demandada DORINHA BURLAMAQUI.
Com efeito, consoante termo de parceria celebrado pelo Estado do Rio Grande do 
97
Norte com a Associação Marca Para Promoção de Serviços, em sua cláusula terceira, II, 1, foi 
atribuída à OSCIP a obrigação de realizar a seleção e contratação de pessoal para laborar no 
Hospital da Mulher de Mossoró.28
Ocorre que a Associação Marca começou a recrutar profissionais de diversas 
áreas, DESDE O DIA 20 DE FEVEREIRO DE 2012, conforme informado pela própria 
entidade EM SEU RELATÓRIO DE ATIVIDADES,29 como técnicos de enfermagem, 
enfermeiros, médicos de diversas especialidades, farmacêuticos, dentre outros, tendo a escolha de 
pessoal sido realizada, segundo informações prestadas por representante da OSCIP, por meio da 
análise de currículos, entrevistas e realização de prova escrita.
Para esse fim, a Associação Marca Para Promoção de Serviços abriu processo 
seletivo para recrutamento de pessoal no período de 20 de fevereiro de 2012 a 30 de março de 
2012. E o recrutamento prévio ocorreu sob a égide da própria demandada ROSALBA 
CIARLINI, ficando incumbida de selecionar os funcionários do Hospital da Mulher a pessoa 
de confiança da Governadora, DORINHA BURLAMAQUI, Secretária Adjunta de Saúde, a 
quem caberia a realização do filtro político das contratações, em pleno ano de eleições 
municipais, como se vê no e-mail abaixo:
Resultado de reunião
Date: 16.02.2012 14:51:34
FROM: antonio carlos oliveira jr.
TO: Otto Schmidt, Anselmo Carvalho, Sandro Vaz, Daniel Velazquez Teixeira, Severina Pilar, Rosi Mô, 
Marta, Marcio Viana Viana, Bruno Guimaraes, armandinhojs@bol.com.br, Giselle Gobbi, A Marca
Pessoal,
Tendo em vista reunião realizada no dia de hoje para tratarmos do resumo que havia sido encaminhado via 
e-mail no dia de ontem, segue o desdobramento:
DANIEL - 1) Ficou de encaminhar as medidas da autoclave para os rapazes da obra ainda hoje 
(felip.moreira@hotmail.com ou renatowmf@gmail.com) ;
2) Ficou de verificar junto ao laboratório Núcleo condições de se estabelecer em Mossoró (falar das UTI e 
das análises patológicas);
3) Quanto ao material de limpeza, ficou de ver com Severina e fechar a listagem para passar para o Márcio;
SEVERINA - 1) Rever toda listagem de equipamentos para consertar a que esta com Rosi;
MÁRCIO - 1) Ver empresa de manutenção para o foco cirúrgico existente;
2) Ver empresa de limpeza da cisterna, caixa de água e exames da água;
3) Ver empresa de desratização e dedetização;
4) Verificar empresa de coleta de lixo hospitalar em Mossoró;
BRUNO - 1) Fechar com Armando a listagem de mobiliário e repassar a lista para o Otto e Márcio;
2 ) Ver como fazer CNPJ, Alvará Sanitário e Alvará de localização em Mossoró;
MANINHO - 1) Fechar com D. Dorinha e Dr. Nei os nomes para seleção no dia 29/02 para os cargos de 
direção;
Abs,
28 Vide fl. 274 , V. 1.
29 Fl.3421 e 3427, Anexo XVIII.
98
MANINHO
Assim, é relevante concluir que a atuação do terceiro setor, no caso concreto, 
devia se dar sob o pálio da impessoalidade. Inobservada a regra do concurso público, deveria 
vigorar sobretudo o critério técnico que, em tese, fez a administração agraciar a MARCA com tão 
relevante contrato. Pode-se dizer, em verdade, que o contrato com qualquer OSCIP se dá intuito 
personae, de modo que a suposta excelência e aptidão na prestação de serviços pressupõe um corpo 
de funcionários habilitados para o mister, sem que a organização tenha que se submeter aos 
caprichos de indicações políticas para qualquer cargo de suas atividades. 
No tocante à execução do Termo de Parceria, melhor sorte não houve ao 
combalido contribuinte potiguar. Diante da constatação de diversas ilegalidades na contratação da 
Associação Marca, a 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Mossoró de Defesa da Saúde ajuizou 
naquela Comarca a ação civil pública nº 0008561-37.2012.8.20.010630, em 06/06/2012, com pedido 
de tutela antecipada, em desfavor do Estado do Rio Grandedo Norte e da Associação Marca, com a 
finalidade de anular o Termo de Parceria, modulando-se seus efeitos, para que o Estado do RN 
reassumisse a prestação do serviço, convocasse e nomeasse os candidatos aprovados no último 
concurso público da SESAP, dentre outros pedidos.
Após o ajuizamento da Ação Civil Pública em Mossoró, que teve o seu pedido 
de tutela antecipada deferido em parte, o então Secretário de Saúde do Estado do RN Sr. Isaú 
Gerino Vilela da Silva expediu a Portaria n. 334/GS/SESAP, em 05 de outubro de 2012, e formou 
uma comissão interna presidida pelo servidor público Marcos Antônio Costa, que ficou responsável 
pela realização de uma auditoria em relação aos contratos, atendimentos, funcionamento, 
aquisições, bem como em relação a todas as obrigações estabelecidas e assumidas pelo Parceiro 
Privado, conforme se vê nos considerandos da referida Portaria (fls. 375-376, V. 2).
A citada Comissão elaborou um relatório preliminar, exarado em 25 de outubro 
de 2012, no qual foi constatado graves irregularidades praticadas com recursos públicos, 
recomendando que o Governo do Estado não autorizasse qualquer transferência de recursos para a 
Associação Marca (Anexo XVI). Cumpre informar, ainda, que cópia do citado relatório 
preliminar foi encaminhado ao Tribunal de Contas deste Estado, o qual instaurou a 
30 Cópias da referida ação civil pública estão nos anexos I a XV, apensos ao presente Inquérito Civil.
99
Informação Seletiva e Prioritária n. 015153/2012-TC (Anexo XXI). 
As ilegalidades e imoralidades de logo detectadas no Relatório Preliminar da 
Auditoria Interna da SESAP foram de tamanha gravidade que o Tribunal de Contas do RN, em 
decisão publicada em 30 de novembro de 2012, por unanimidade, concedeu MEDIDA 
CAUTELAR para determinar a suspensão de todo e qualquer pagamento à Associação Marca 
pelo Estado do RN, além de decretar a indisponibilidade do bens desta e de seus dirigentes, 
dentre outras medidas (fls. 468-490, V. 2 e fls. 184-214, Anexo XXI).
Com a conclusão dos trabalhos, foi elaborado o Relatório Final pela Auditoria da 
SESAP (fls. 526/745-V. 2), apontando sérias ilegalidades e prejuízo ao Erário no montante de R$ 
8.414.600.69 (oito milhões quatrocentos e quatorze mil, seiscentos reais e sessenta e nove 
centavos). Do mesmo modo, o Corpo Técnico do Tribunal de Contas do RN emitiu Relatório 
Final sobre o caso, o qual consta no CD acostado à fl. 635, V. 2. Nesse relatório, foi 
quantificado dano ao Erário no valor de R$ 11.804.811,38, “cujo valor é ratificado pela 
robustez e precisão das evidências cotejadas nos autos.” O dano ao Erário causado pelos 
demandados será esmiuçado pormenorizadamente mais adiante.
Esse verdadeiro atentado aos Cofres Públicos ocorreu em decorrência da 
conivência dos próprios agentes estatais, representados aqui pelos agentes públicos 
demandados, ao direcionar a prestação do serviço e, por consequência, a utilização dos 
recursos públicos pela organização MARCA e seus comparsas.
Apenas para se ter uma ideia da conivência estatal, no Termo de Parceria que 
repousa às fls. 270-274 (V. 1), em sua Cláusula Terceira, item 5, já restou estabelecida a obrigação 
do Estado de criação de uma Comissão de Gestão, Monitoramento e Avaliação do Termo de 
Parceria, sendo obrigação da OSCIP enviar ao Parceiro Público relatório bimestral sobre as 
atividades (cláusula quarta, 4.1, alínea “b”).
Apesar do Termo de Parceria nº 01/2012 ter sido celebrado em 29 de 
fevereiro de 2012 , a citada comissão foi apenas nomeada pelo Estado em outubro de 2012 , ou 
seja, no apagar das luzes da respectiva contratação, e teve como sua presidente a Sra. MARIA 
JOSÉ FERNANDES TORRES, servidora da SESAP. Em depoimento prestado ao Ministério 
Público Estadual (fls. 775, V. 3), a Sra. Maria José relatou sérias dificuldades que a referida 
comissão enfrentou para ter acesso aos documentos elaborados pela Associação MARCA a fim 
100
de proceder a sua fiscalização, destacando, neste ínterim, atitudes negativas praticadas pela 
servidora da MARCA chamada GEMMA, como também da demandada VALCINEIDE 
ALVES DA CUNHA DE SOUZA, esta que, inclusive, ficou conhecida como “representante da 
Governadora Rosalba Ciarlini no Hospital da Mulher.”
Essa dificuldade de fiscalização, em total afronta ao princípio constitucional 
da transparência, também foi sentida de perto pela Comissão de Auditoria Interna da SESAP. 
Com efeito, no dia 25 de novembro de 2012, representantes da Comissão de Auditoria da SESAP 
foram ouvidos pelo Ministério Público (fls. 371-373. Volume 2). Na oportunidade narraram muitas 
das ilegalidades que já foram mencionadas, ocorridas no bojo no procedimento administrativo nº 
3972/2012-1. Acrescentaram que os processos de pagamento relativos à Associação MARCA não 
seguiam os trâmites legais dentro da SESAP e que houve forte pressão do Estado para que fosse 
liberado o primeiro empenho à MARCA, mesmo sem a devida análise do mérito pela 
CONTROL. Registraram também que a comissão sofreu forte pressão por parte da demandada 
VALCINEIDE ALVES31, nomeada como uma espécie de “gestora” do Hospital da Mulher pela 
Governadora Rosalba Ciarlini. Vejamos alguns trechos do referido depoimento:
“Que trabalha como técnico administrativo na SESAP há três anos; que trabalha na 
CPCI (Comissão Permanente de Controle Interno), da SESAP/RN; que é o 
Presidente do Controle Interno; que foi nomeado para presidir a Comissão de 
Auditoria Interna da SESAP/RN, relativamente à contratação da empresa Marca 
para gerir o Hospital da Mulher, conforme a Portaria 334, Gabinete do 
Secretário/SESAP, publicada em 05/10/12 e republicada no DOE 17/10/12; que 
foram nomeados também Antônio Bezerra da Rocha, membro do controle interno, 
Francisco de Assis Paiva Filho, representante do SEA (Sistema Estadual de 
Auditoria), Flávio José de Andrade Rebouças, da Comissão de Gerenciamento de 
Contratos; Edinice Moreira de Souza, da COHUR (Coordenadoria de Hospitais e 
Unidade de Referência); José Antonio Lopes Barcelos, da COAD (Coordenadoria 
Administrativa, cargo comissionado); Valcineide Alves Cunha de Souza (gestora 
do Termo de Parceria celebrado com a MARCA); que com a nova publicação 
da Portaria saiu Valcineide, diante de sua evidente vinculação com a empresa 
MARCA, e ingressou Alexandre Sátiro Soares de Souza, da Comissão de 
Controle Interno; Alexandro Alves de Souza, representante da SEA, Maria 
Aparecida Cunha de Souza, assistente social, Dra. Ariluce Barbosa, médica, dentre 
outros elencados na Portaria 334/GS/SESAP, publicada em 17/10/12; que sua 
função, conforme a Portaria, é realizar uma auditoria em relação aos contratos, 
atendimentos, funcionamento, aquisições, bem como todas as obrigações 
estabelecidas pelo Termo de Parceria n. 001/2012, com poderes para solicitar os 
documentos necessários; que, no entanto, vem sentindo grande dificuldade em 
exercer a referida atividade; primeiramente porque quanto aos documentos 
solicitados, a MARCA encaminha cópias, muitas vezes ilegíveis, faltando 
documentos e com rasuras nos valores dos contratos; que nas solicitações de 
documentos pede-se os documentos originais, mas esses até o momento nunca 
foram enviados (...) que na análise do processo de pagamento e liquidação detectou 
várias irregularidades(...) que o processo de pagamento feito para a Marca não 
31 Valcineide foi nomeada como membro da Comissão de Auditoria Interna da SESAP, na qualidade de gestora do Termo de Parceria da MARCA, 
conforme Portaria n. 334/GS/SESAP, de 05 de outubro de 2012 (fl. 3655 do Anexo XIX). Depois, diante da flagrante vinculação da mesma com a 
MARCA, foi retirada da comissão, sendo a Portaria republicada por “incorreção”. Mas Valcineide continuou nos bastidores, tentando intimidar oscomponentes da referida Comissão, conforme depoimento prestado perante o Ministério Público.
101
seguia os trâmites legais da SESAP, posto que deveria passar pela Comissão de 
Controle Interno, pelo Sistema Estadual de Auditoria e pela Comissão de 
Gerenciamento de Contratos; mas o referido processo da MARCA saia do 
Gabinete do Secretário para a Coordenadoria Financeira, era realizado o 
pagamento, retornava ao Gabinete do Secretário para ser arquivado, sem 
passar pelos setores competentes (...), conforme pode ser verificado às fls. 725 , 
volume III, do processo administrativo 3972/12 da SESAP (...) que foi aberto um 
crédito suplementar especial pelo Estado para pagar a MARCA, no valor de quinze 
milhões, oitocentos e seis mil, cinquenta e sete reais e noventa e um centavos, 
conforme consta no Decreto 22575, de 02/03/12, publicado no DOE de 03/03/12, 
conforme se constata às fls. 306 dos referidos autos citados; que a liberação do 
empenho foi feito mesmo sem que a CONTROL analisasse o mérito da 
legalidade do pagamento, conforme fls. 313, frente e verso, onde constam 
despachos com ressalvas da CCI (Comissão de Controle Interno) e da 
CONTROL, isso para liberação do empenho; que houve muita pressão do 
Governo para que fosse liberado o empenho da CPCI/SESAP; no despacho de 
Antonio Osir Costa Filho, subcoordenador da CUFIFN/CONTROL ELE 
LIBERA O EMPENHO SEM ANÁLISE DO MÉRITO; que registram que a 
comissão sofreu muita pressão por parte de Valcineide, nomeada gestora do 
Hospital da Mulher pelo Governo do Estado, no sentido que a auditoria 
apresentasse relatório por amostragem, sem analisar todos os documentos; que 
Valcineide sempre falava que trabalhava para o “ casal ” , referindo-se à 
Governadora e seu marido, dizendo que a Governadora deveria demitir quem 
vazou as informações do relatório preliminar da comissão para imprensa, no 
afã de desestabilizar o trabalho da equipe; que sempre Valcineide tentava 
intervir no trabalho da comissão, querendo conduzir os trabalhos de sua 
forma.”
Ademais, observa-se que o processo de pagamento da MARCA foi encaminhado 
para análise da Controladoria Geral do Estado em 09 de março de 2012 e, no mesmo dia, o técnico 
ANTÔNIO OSIR COSTA FILHO proferiu despacho “pela liberação do empenho, “SEM O 
DEVIDO EXAME DO MÉRITO POR PARTE DA CONTROL.” Ouvido perante o Ministério 
Público, o Sr. Antônio Osir32 declarou:
“que é servidor do Estado do Rio Grande do Norte, da DATANORTE, redistribuído 
para Controladoria Geral do Estado, desde 1998, salvo engano; que na CONTROL 
ocupa um cargo comissionado de subcoordenador de fiscalização e finanças; que se 
recorda de ter chegado para análise os empenhos referentes à primeira parcela da 
contratação da ASSOCIAÇÃO MARCA, relativamente à gestão do hospital da 
mulher em Mossoró; que confirma ter exarado o despacho que consta à fl. 3261, 
verso (Anexo XVIII); que se recorda que os referidos empenhos chegaram da 
SESAP para análise da CONTROL no dia 09 de março de 2013; que se recorda 
que nessa data a Governadora Rosalba estava com sua comitiva em Mossoró, e 
foi repassado para o declarante que ela estava lá já para inaugurar o Hospital 
da Mulher e que esse pagamento referente à primeira parcela contratual tinha 
que ser feito com a máxima urgência; que diante dessa pressa, o declarante se 
manifestou pela liberação do pagamento, sem exame do mérito, haja vista que 
existia um parecer favorável da Procuradoria Geral do Estado, ratificado pelo CDE ; 
que não houve tempo hábil para que o declarante analisasse devidamente o processo; 
que o declarante ficou bastante preocupado com essa situação e informou o caso ao 
Controlador Geral do Estado, Dr. Francisco de Melo; que o processo voltou para a 
SESAP; que algum tempo depois desse fato houve várias denúncias de 
irregularidade na contratação da MARCA....”
32 Vide fls. 820, V. 3
102
O funcionário ANTÔNIO OSIR evidenciou em seu despacho de fl. 3261-verso, a 
pressão que estava sofrendo para liberar o empenho para a Associação MARCA, tanto que 
registrou que liberava MAS sem a análise do mérito, isso porque a Governadora ROSALBA 
CIARLINI já estava com sua comitiva em Mossoró, no dia 08 de março de 2013, preparando-se 
para colher os frutos midiáticos da inauguração do “Hospital da Mulher”, na sua terra natal, no dia 
internacional da mulher, e tinha que adimplir com o compromisso assumido com a organização 
desde 2011, deixando claro que havia uma ordem governamental nesse sentido.
Os demandados ROSALBA CIARLINI e DOMÍCIO ARRUDA, de fato, 
decidiram pela contratação direta da MARCA sob a égide dos interesses da contratada, já que foi a 
empresa quem ditou todas as regras da parceria, orçando valores astronômicos e irreais em sua 
planilha de custos33, para garantir o seu LUCRO, sem a realização SEQUER de uma pesquisa de 
mercado. Todas as benesses ficaram para a organização privada e todas as desvantagens para 
o Estado do RN e, por consequência, para a população, que teve que arcar, segundo o TCE, 
danos no montante de mais de onze milhões de reais, detalhados em tópico adiante.
E foi nesse clima de pressão “de cima para baixo”, ditada pela pressa da 
demandada ROSALBA CIARLINI para inaugurar o hospital no dia internacional da mulher, que 
houve a liberação do primeiro empenho à MARCA, no montante de R$ 2.590.740,87 - 
exatamente o valor da planilha superfaturada decidida por TUFI SOARES MERES -, lançado 
em 09 de março de 2012, sem que sequer tivesse havido a devida análise de mérito pela 
Controladoria do Estado.
Muito tempo depois da celebração do Termo de Parceria, quando eclodiu a 
Operação Assepsia e os escândalos envolvendo a MARCA foram sendo descortinados, é que o 
Estado resolveu nomear a comissão interna de Auditoria da SESAP, cujos membros relataram ao 
Ministério Público o quão difícil foi executar o seu trabalho, diante de empecilhos impostos 
pelo próprio Estado.
Neste sentido, um dos principais obstáculos arquitetados pela Governadora, 
pessoalmente, foi a designação da demandada VALCINEIDE ALVES para supostamente “proteger 
o funcionamento do HOSPITAL DA MULHER”, cuja publicação saiu no DOE de 18 de julho de 
201234, pouco tempo após a deflagração da operação Assepsia.
33 Vide proposta de fl. 219, V. 1.
34 Na data de 18 de julho de 2012, foi publicada no Diário Ofícial deste Estado a Portaria nº 219/GS/SESAP que designou Valcineide Alves da 
Cunha de Souza para ser gestora do Termo de Parceria com a Associação MARCA para Promoção de Serviços, relativo à gestão do Hospital da 
Mulher em Mossoró (fl. 873 – Volume 3).
103
Tal designação, travestida da criação da atividade de gestora do respectivo Termo 
de Parceria, teve, na verdade, como função primordial a de atrapalhar, o quanto pôde, os trabalhos 
de fiscalização da comissão de Auditoria Interna da SESAP e da própria comissão de 
Monitoramento e Avaliação do Contrato de Gestão 001/2012, conforme já relatado acima, 
procurando impedir o acesso à informação e mostrando-se sempre com uma postura 
intimidadora, apresentando-se como a pessoa que trabalhava para o “casal”, referindo-se à 
Governadora e ao seu esposo.
E como a própria demandada afirmou em seu depoimento ao Ministério 
Público (CD de fl. 866, V. 3), o que ela recebeu diretamente da demandada ROSALBA 
CIARLINI foi uma verdadeira “missão”, a qual cumpriu com bastante esmero e dedicação, 
consoante se pode depreender dos relatos de integrantes de ambas as comissões!
Contudo, esse mesmodesempenho não foi observado em relação à específica 
atividade de gestora do Termo de Parceria nº 01/2012. Ora, não obstante possuir a demandada 
VALCINEIDE ALVES conhecimentos técnicos suficientes a embasar sua designação, restou 
constatado pelos componentes da comissão de auditoria da SESAP que, mesmo após sua chegada à 
administração do Hospital da Mulher, inúmeras impropriedades/irregularidades continuaram sendo 
executadas pelo corpo técnico da Associação MARCA à frente do aludido nosocômio e que estas, 
inclusive, contaram com o atesto de legítimas e legais por parte da referida servidora35.
Como se vê, ao invés de ter realizado o mister para o qual foi designada, qual seja, 
“fiscalizar e atestar a efetividade da execução do contrato, bem como materializar a sua 
declaração de 'Atesto' nos quantitativos e valores constantes das notas fiscais/faturas apresentadas 
pela contratada, declarando sua correção, compatibilidade e vinculação ao contrato”, procedeu de 
forma contrária, no sentido de “avalizar” todas as ilegalidades cometidas pela Associação MARCA 
por meio dos seus atestos, ocultando-as, desta forma, tanto de seus superiores quanto dos demais 
órgãos de fiscalização, como é o caso do Ministério Público, em franca contraposição ao que prevê 
o artigo 13 da Lei nº 9.790/99.
Destarte, revela-se flagrante que a demandada VALCINEIDE ALVES foi mais 
uma na condição de servidora pública deste Estado partícipe dos desmandos ocorridos durante a 
execução do Termo de Parceria nº 01/2012, agindo dolosamente de modo a obstar o trabalho 
35 Vide documento às fls. 3399/3404 do Anexo XV e trecho constante no relatório às fls. 596/597 – Volume 2.
104
daqueles que se propunham a fiscalizar. E pior: seu agir decorreu de “missão” pessoalmente dada 
pela demandada ROSALBA CIARLINI. 
Entrementes, mesmo com a imposição de tantos obstáculos por parte do Estado e 
seus agentes, a Comissão da SESAP conseguiu concluir o seu relatório preliminar, já constatando 
naquela oportunidade um dano ao erário no valor de R$ 3.160.474,93 (três milhões, cento e sessenta 
mil, quatrocentos e setenta e quatro reais e noventa e três centavos).
Posteriormente, após a realização de vistoria in loco em Mossoró, a Auditoria 
Interna da SESAP elaborou o Relatório Conclusivo que consta às fls. 524-600, V. 1, apontando um 
dano ao Erário na cifra de R$ 8.414.600,69 (oito milhões, quatrocentos e catorze mil, seiscentos 
reais e sessenta e nove centavos).
Ocorre que o trabalho da Comissão Interna de Auditoria da SESAP incomodou e 
muito o Governo deste Estado. Tanto que os servidores MARCOS ANTONIO COSTA, que presidiu 
a referida comissão, bem como ANTONIO BEZERRA DA ROCHA, que a compôs, ambos como 
representantes da Comissão de Controle Interno da SESAP (vide portaria de fls. 375-374, V.2), 
foram exonerados da Comissão de Controle Interno da SESAP (CCI), da qual faziam parte há 
anos, mediante a publicação da Portaria n. 161/2013, publicada no DOE no dia 20/04/2013, sem 
que lhes fosse dada a menor explicação, em uma nítida atitude de retaliação por parte do 
Governo deste Estado. Esse quadro está bem retratado no seguinte depoimento:
“Que são funcionários públicos efetivos do Estado do RN, lotados na SESAP; que 
foram nomeados para atuarem na CPCI (Comissão Permanente de Controle Interno), 
da SESAP/RN; que o Sr. Antônio Bezerra atuava na comissão há cerca de 
dezenove anos, desde 04/05/94; que o Sr. MARCOS atua na CPCI desde 
fevereiro de 2010; que foram nomeados também para participarem da 
Comissão de Auditoria Interna da SESAP/RN, relativamente à contratação da 
empresa Marca para gerir o Hospital da Mulher, conforme a Portaria 334, 
Gabinete do Secretário/SESAP, publicada em 05/10/12 e republicada no DOE 
17/10/12; que estavam exercendo suas funções normalmente, quando foram 
chamados pela Sra. Catarina Lins, assessora do Gabinete do Secretário de 
Saúde do Estado do RN, no dia 18/04/2013, por volta das 11hs, a qual lhes 
afirmou que ambos seriam exonerados da CPCI, em decorrência “do 
vazamento do relatório do hospital da mulher”, segundo palavras dela; que 
estavam na sala apenas os declarantes e a Sra. Kátia; que ficou claro para os 
declarantes se tratar de uma retaliação do Governo do RN em decorrência da 
atuação dos declarantes de fiscalizarem com retidão a gestão do hospital da 
mulher de Mossoró; que o Sr. Antônio indagou se seria colocado por escrito o 
motivo dessa exoneração; que a Sra. Catarina declarou que não seria colocado 
por escrito a motivação do ato; que no dia 20/04/13 os declarantes foram 
surpreendidos com uma publicação no DOE/RN, qual seja a Portaria 161/2013, 
exonerando os declarantes da Comissão; que a publicação foi feita de modo 
bastante sutil, em meio a inúmeras outras Portarias, a fim de “recompor a 
composição da Comissão de Controle Interno”, sem nenhuma fundamentação; que 
sempre exerceram com zelo suas funções, e estão se sentindo perseguidos pelo 
105
Governo do Estado do RN. ” 36
Ocorre que nada obstante tal retaliação, o árduo trabalho feito pela Comissão de 
Auditoria Interna da SESAP já cumprira o seu papel, descortinando o verdadeiro desfalque nos 
cofres públicos deste Estado, fruto da contratação vergonhosa da organização MARCA.
E o trabalho iniciado pela Comissão de Auditoria Interna da SESAP foi ainda 
mais burilado pelo Corpo Técnico da Diretoria de Controle Externo do Tribunal de Contas do RN, o 
qual quantificou o dano ao erário estadual no montante de R$ 11.804.811,38 (onze milhões, 
oitocentos e quatro mil, oitocentos e onze reais e trinta e oito centavos), “ratificado pela 
robustez e precisão das evidências cotejadas nos autos.”37
No item seguinte, serão esmiuçadas as despesas ilegais apresentadas pela 
MARCA em sua prestação de contas, que permitiram quantificar o dano ao erário no valor acima 
descrito.
I.D. OS FATOS: O DANO AO ERÁRIO CONTABILIZADO PELO TRIBUNAL DE 
CONTAS DO ESTADO E PELA COMISSÃO DE AUDITORIA INTERNA DA SESAP. 
SERVIÇOS SUPERFATURADOS, NOTAS FISCAIS FRIAS, SERVIÇOS NÃO 
REALIZADOS, EQUIPAMENTOS INEXISTENTES, COMISSÃO, PREVISÃO DE 
LUCRO, “ TAXA DE RETORNO PARA A ADMINISTRAÇÃO” E OUTRAS FORMAS DE 
DESVIO DE RECURSOS PÚBLICOS OBSERVADOS NA EXECUÇÃO DO CONTRATO.
I .D.1) DA AUDITORIA INTERNA DA SESAP: 
Conforme já referido anteriormente, a Comissão de Auditoria Interna da 
SESAP produziu um Relatório Preliminar de Auditoria38, em 31 de outubro de 2012, no qual já 
se evidenciavam inúmeras ilegalidades praticadas pela demandada Associação MARCA na 
execução do Termo de Parceria nº 001/2012.
No citado Relatório39, a Comissão explicitou a dificuldade que estava 
encontrando para realizar a sua fiscalização por empecilhos postos por outros órgãos da 
36 Vide depoimento que consta à fl. 625, V. 2.
37 Vide Relatório Final do Corpo Técnico, no CD acostado à fl. 635, V. 1
38 Vide Relatório Preliminar da Comissão de Auditoria Interna da SESAP, acostado ao Anexo XVI.
39 Vide Relatório, fls. 2918, Anexo XVI
106
Administração Direta e pela Associação MARCA, haja vista que a própria Controladoria Geral 
do Estado estava se negando a disponibilizar os dados colhidos no Relatório de Auditoria 
Extraordinária formulado pelos técnicos da CONTROL. 
Além disso, na análise do Processo de Prestação de Contas nº 136.410/2012-2, 
bem como do Processo de Prestação de Contas nº 486.630/2012-4, a Comissão detectou que a 
demandada MARCA juntou cópias de documentos sem a devida autenticação, sem numeração, sem 
observância à ordem cronológica dos fatos, além de não terem sido juntados aos autos documentos 
fundamentais à análise pela Comissão, como por exemplo o Relatório da Execução Físico-
Financeira daaplicação de todos os recursos previstos no Termo de Parceria 001/2012.
Nada obstante, a Comissão da SESAP, com base nos elementos que lhe foram 
disponibilizados, já detectou uma série de ilegalidades, os quais foram detalhados no citado 
Relatório Preliminar, por exemplo:
 Ilegalidades na planilha financeira40 apresentada pela Associação MARCA, 
com previsão de custos mensais irreais. Por exemplo, no item 1.4 foi previsto o item “Reserva 
Técnica” no valor de R$ 8.901,09, quando a Portaria Interministerial/CGU/MF/MP 507/201141, em 
seu art. 52, inciso I, veda a realização de despesas a título de taxa de administração, de gerência ou 
similar, EXATAMENTE PORQUE SE ESTÁ, EM TESE, DIANTE DE ENTIDADE SEM 
FINS LUCRATIVOS;
 Previsão do custo “1.5- Encargos trabalhistas”, no valor mensal de R$ 
734.372,87, de forma generalizada, quando a Associação MARCA é beneficiária de imunidade 
junto ao INSS, restando para a entidade apenas o custo de FGTS;
 Previsão do item 1.7 “seguro de vida”, item não localizado nos autos;
 Repasses financeiros para a MARCA, que, até o período de 24/10/2012, já 
alcançavam o valor de R$ 18.396.528,78 (dezoito milhões, trezentos e noventa e seis mil, 
quinhentos e vinte e oito reais e setenta e oito centavos), sem a devida análise de mérito por parte 
da Comissão de Controle Interno – CPCI/SESAP, órgão interno de controle e responsável pela 
chancela formalística da despesa pública no âmbito da pasta respectiva;
 Custo médio da folha de pagamento de pessoal do Hospital da Mulher, 
“gerenciado” pela Entidade “Núcleo de Saúde e Ação Social- SALUTE SOCIALE, para o período 
de março de 2012 a junho de 2012, de aproximadamente R$ 326.000,00, enquanto que os repasses 
40 Vide Anexo IV Planilha Financeira proposta pela Associação Marca para a gestão do Hospital da mulher, às fls. 3216, Anexo XVII.
41 Portaria que regula os convênios, contratos de repasse e os termos de cooperação celebrados pelos órgãos e entidades da Administração Pública 
Federal com órgãos e entidades públicas ou privadas sem fins lucrativos para a execução de programas, projetos e atividades de interesse 
recíproco, que envolvam a transferência de recursos públicos.
107
da MARCA para a SALUTE SOCIALE só no mês de abril somou a importância de R$ 
2.406.583,06 (dois milhões, quatrocentos e seis mil, quinhentos e oitenta e três reais e seis 
centavos);
 Dificuldade de acesso às informações;
 Realização de contrato denominado erroneamente de “Convênio” entre 
a MARCA e a SALUTE SOCIALE42, “visando cooperação técnica para gestão e execução do 
Termo de Parceria n. 001/2012", celebrado em 16 de fevereiro de 2012, portanto bem antes da 
formalização do Termo de Parceria, em 29/02/2012!!
 Realização de despesas ilegais em data anterior à celebração do Termo 
de Parceria (como, por exemplo, toda a despesa para a reforma do antigo Hospital da UNIMED e 
funcionamento do Hospital da Mulher, por meio de contrato com a empresa The Wall Construções e 
Serviços Ltda.; contrato de aluguel com a empresa UNICÁDIO, cujo objeto era a locação de um 
imóvel onde funcionaria o referido Hospital);
 Identificação, já naquele momento, de um dano ao erário no montante 
de R$ 3.160.474,93 (três milhões, cento e sessenta mil, quatrocentos e setenta e quatro reais e 
noventa e três centavos) .
Após aprofundar a análise do caso, a Comissão de Auditoria Interna da SESAP 
produziu o seu relatório final.43
No citado Relatório, a Comissão iniciou por apontar as despesas ilegais 
realizadas pela Associação MARCA, antes mesmo da assinatura do Termo de Parceria nº 
001/2012, em 29/02/12, já mencionadas no tópico anterior.
Com efeito, pontuou que a Associação MARCA já celebrava contratos com outras 
empresas, em 01/02/2012, realizando despesas sem qualquer lastro legal, à guisa de promover a 
inauguração do Hospital da Mulher, a saber:
 Contrato de aluguel44 celebrado pela Associação MARCA, por meio de sua 
Diretora Geral a demandada ELISA ANDRADE DE ARAÚJO, com a empresa "UNICÁDIO - 
URGÊNCIAS CARDIOLÓGICAS LTDA", cujo objeto era a locação de um imóvel para a 
instalação do Hospital da Mulher, com duração de 07 (sete) meses, iniciando-se no dia 01 de 
fevereiro de 2012 e término dia 01 de setembro de 2012, no valor mensal de R$ 45.000,00 
42 Vide “Convênio” celebrado entre a Associação MARCA e a SALUTE SOCIALE, às fls. 3714-3719, Anexo XX.
43 Vide relatório acostado às fls. 524-600, V. 2
44 Fls. 3858-3863, Anexo XX.
108
(quarenta e cinco mil reais);
 Contrato, denominado erroneamente de "Convênio", celebrado pela 
Associação MARCA, por meio de sua Diretora Geral ELISA ANDRADE DE ARAÚJO, com a 
empresa "NÚCLEO DE SAÚDE E AÇÃO SOCIAL SALUTE SOCIALE, representado por 
seu diretor-presidente o ora demandado Sady Paulo Soares Kapps, cujo objeto era a 
"cooperação técnica para seleção, treinamento, provimento e gestão de recursos profissionais, 
visando a realização das atividades necessárias para a prestação de serviços de gerência do 
Hospital da Mulher Parteira Maria Correia". Na cláusula 5ª do referido instrumento lê-se que "o 
valor global determinado para a execução desse CONVÊNIO será aquele estabelecido no Termo de 
Parceria celebrado entre a CONCEDENTE e o Estado do Rio Grande do Norte, especificamente nas 
rubricas orçamentárias destinadas a despesas com recursos humanos e seus encargos."45
 Contrato46 celebrado pela Associação MARCA, por meio de sua Diretora 
Geral Elisa Andrade de Araújo, com a empresa The Wall Construções e Serviços LTDA, cujo 
objeto foi a "prestação de serviços especializados para a reforma, adequação e supervisão da obra a 
ser realizada no Hospital Estadual da Mulher, localizado no Município de Mossoró/RN, a fim de 
atender ao Termo de Parceria nº 001/2012-SES/RN, firmado entre o contratante e o Governo do 
Estado do Rio Grande do Norte", no valor global de R$ 65.000,00 (sessenta e cinco mil reais).
Interessante é que nesse último contrato, celebrado com a empresa The Wall 
Construções em 01/02/12 , chegou-se ao cúmulo de já mencionar o Termo de Parceria nº 001/2012, 
quando, a rigor, esse sequer existia formalmente, haja vista que foi celebrado em 29/02/2012. Esse 
fato evidencia o conluio que gerou o termo de parceria, englobando até mesmo a empresa que iria 
promover a adequação do prédio onde funcionaria o Hospital. 
Continuando a análise do Relatório conclusivo da Auditoria Interna da SESAP, 
nele também se fez menção ao contrato celebrado em 29/02/2012, curiosamente na mesma data da 
assinatura do Termo de Parceria nº 001/12, pela Associação MARCA, por meio de sua Diretora 
Geral ELISA ANDRADE DE ARAÚJO, com a Empresa OLIVAS PLANEJAMENTO 
ASSESSORIA E SERVIÇOS S/C LTDA, representada no ato pela demandada ROSIMAR 
GOMES BRAVO E OLIVEIRA (ROSE BRAVO), com o vago objeto de "prestação de serviços 
de assessoria, consultoria, implantação, acompanhamento, controle e apoio a gestão do 
Hospital da Mulher Parteira Maria Correia-Mossoró, RN, com vigência por seis meses, cujo 
valor mensal foi de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais). 
45 Fls. 3714-3720, Anexo XX
46 Fls. 1231-1237, Anexo IV.
109
Convém lembrar que Rose Bravo é sócia de fato da MARCA e foi uma espécie de 
"representante executiva da MARCA" para instalar o Hospital da Mulher em Mossoró, 
segundo relatado pelo próprio demandado o Secretário Estadual Domício Arruda47. Ou seja, 
trocando emmiúdos, a demandada Rose Bravo celebrou um contrato consigo mesma, visando 
receber a vultosa quantia de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) mensais, para a prestação de serviço 
incompreensível, de tão vago que se apresenta, cuja realização não foi comprovada pelos 
demandados, conforme a seguir será melhor detalhado, ao analisar o relatório do Corpo Técnico do 
TCE/RN. E esse foi apenas mais um capítulo da série de apropriações de dinheiro público promovi-
das pelos demandados.
Outrossim, passou o Relatório de Auditoria da SESAP à análise da gestão e 
execução do Hospital da Mulher. Para tanto, teve por base levantamento feito por Técnicos do 
Sistema Estadual de Auditoria SEA/SESAP/RN.
Nesse campo, o relatório citou uma série de várias irregularidades na gestão do 
Hospital da Mulher, no período da gestão efetuada pela Associação MARCA, refletindo total 
desleixo com o trato da saúde pública. Como exemplo, convém citar os principais pontos apontados 
pelos Técnicos do Sistema Estadual de Auditoria SEA/SESAP/RN:
 Inexistência de alvará sanitário;
 Não foram entregues os documentos dos profissionais que compunham a 
equipe técnica;
 Documentos entregues na forma de cópias, gerando dúvidas sobre sua 
autenticidade;
 Notas fiscais em forma de cópias;
 A UTI Adulto não possuía alvará sanitário, apenas o número de protocolo 
vencido em 16/05/2012, do mesmo modo a UCI (unidade de cuidados intermediários) e a UTI 
NEONATAL, sendo que essas duas últimas também não estavam de acordo com a RDC nº 50 da 
ANVISA48;
 O setor de farmácia também não possuía alvará sanitário, apenas o número de 
protocolo vencido em 16/05/2012, e as compras eram realizadas por cotação simples, sem 
observar o procedimento licitatório, além do que também não estava de acordo com a RDC nº 
50, da ANVISA;
47 Vide depoimento judicial prestado por Domício Arruda nos autos do processo criminal n. 0125526.25.2012, no CD acostado à fl. 871, v. 3.
48 Dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais 
de saúde.
110
 Quanto ao Setor de Nutrição, as refeições para funcionário e acompanhantes 
eram terceirizadas à empresa Meio-Dia refeições, sendo que não foi disponibilizado o alvará 
sanitário da mesma, não sendo informada a forma de aquisição de gêneros alimentícios para a 
feitura das refeições, confeccionadas na cozinha do hospital;
 O Hospital não possuía lavanderia, sendo que a demanda era recebida pelo 
Hospital Regional Tarcísio Maia, existindo um "contrato de permissão" celebrado entre o Hospital 
Tarcísio Maia e a Associação MARCA, para tal fim49;
 O transporte das roupas era feito em um carro comum, sem nenhuma licença 
da vigilância sanitária, sendo que o mesmo carro que levava a roupa suja trazia a roupa limpa;
 O material utilizado para a lavagem era do Hospital Tarcísio Maia;
 As funcionárias do Hospital da Mulher se alimentavam no Tarcísio Maia;
 Não existia a atuação da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar 
(CCIH), sendo que essa só passou a existir após a ocorrência de 05 (cinco) óbitos neo natal em maio 
de 2012;
 A área de esterilização estava em desacordo com a RDC/ANVISA nº 50; os 
funcionários transitavam da área suja para a área limpa e os Equipamentos de Proteção Individual 
eram de uso compartilhado;
 Quanto à sala de parto, também em desacordo com a RDC/ANVISA nº 50, 
sendo que o ambiente era compartilhado para a realização de parto normal e curetagem;
 O Centro Cirúrgico/Obstétrico também em desacordo com a RDC/ANVISA 
nº 50, estando o registro de nascidos vivos incompleto;
 O Laboratório de Análises Clínicas não apresentou alvará sanitário, tampouco 
o contrato celebrado observou a Lei de Licitações;
 Várias irregularidades na alimentação do SIH (Sistema de Informação 
Hospitalar)50 e do CNES (Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde);
 No período de março a setembro de 2012 houve 179 AIHs (Autorização de 
Internação Hospitalares) rejeitadas, por diversos motivos, tais como: profissional não cadastrado no 
CNES; AIH com duplicidade; erro de faturamento no número de diárias do acompanhante, dentre 
outros;
 Deixaram de ser processadas 157 AIH's no citado período, por diversas falhas 
no faturamento, como por exemplo diversas AIH's sem espelho, provavelmente não enviadas;
 Segundo o relatório da SESAP, em decorrência das falhas no processamento 
dessas 336 AIH's, no período entre março a setembro de 2012, o Fundo Estadual de Saúde deixou 
49 Fls. 3866-3870, Anexo XX.
50 Sistema que visa, dentre outros pontos, garantir maior autonomia ao gestor local no processamento das informações relativas a internações 
hospitalares, desde o cadastramento até o pagamento das Autorizações de Internação Hospitalares - AIH em cada competência.
111
de captar o montante relativo a R$ 139.584,48 (cento e trinta e nove mil, quinhentos e oitenta e 
quatro reais e quarenta e oito centavos);
 O percentual de cesáreas, em relação aos partos normais, foi bem acima do 
estabelecido pelo Ministério da Saúde, verificando-se que não houve uma política programada de 
incentivo ao parto normal humanizado;51
 Quantidade expressiva de Atendimentos em clínica médica que não eram da 
especialidade do Hospital da Mulher, registrando-se queda nos atendimentos de obstetrícia e 
pediatria;
 Os leitos de UTI somente foram habilitados em outubro de 2012, deixando o 
valor gerado em diárias de UTI sem o pagamento devido pelo Ministério da Saúde, devido à falta de 
cadastramento do Hospital da Mulher no CNES. Pontuou o Relatório que o Estado deixou de 
receber, no período, aproximadamente R$ 86.000,00 (oitenta e seis mil reais) por mês pela 
utilização dos leitos de UTI Neo Natal e R$ 110.00,00 (cento e dez mil reais) por mês para os leitos 
de UTI adulto.52
Após a análise das irregularidades na gestão e execução do Hospital da Mulher, 
passou o Relatório da SESAP a analisar as ilegalidades efetuadas nos contratos celebrados entre a 
Associação MARCA e os terceirizados. Eis os principais pontos identificados:
 Os contratos celebrados pela Associação MARCA na gestão do Hospital da 
Mulher não observaram os ditames da lei de licitações;
 Os contratos apresentados foram todos na forma de cópias, muitas 
apresentadas com rasuras, e não havia ninguém responsável pela fiscalização desses contratos, para 
dar parecer e atestar a efetiva prestação do serviço;
 Contrato com a empresa ADVENTUS GROUP, com o objeto de prestação 
de serviço de assessoria em gestão de saúde, nas especialidades médicas de Ginecologia, Obstetrícia 
e Anestesiologia, em atendimento às demandas pré-agendadas, fixando o valor em R$ 60.000,00 
(sessenta mil reais) por mês (para um período de 03 meses e 05 dias), sendo o valor total do 
contrato R$ 190.000,00 (cento e noventa mil reais), sendo que o valor a ser pago é fixo, havendo 
ou não procedimentos!53
 Contrato de prestação de serviços de laboratório de análises clínicas para 
atendimento no Hospital da Mulher, celebrado entre a Associação MARCA e o Laboratório Zona 
Sul Ltda ME. Nesse caso, a cláusula referente ao valor encontra-se rasurada, estimando um valor 
51 Vide fl. 570, v.2.
52 Vide Relatório, fls. 565, v. 2.
53 Vide contrato de fls. 3752-3760, Anexo XX.
112
global de R$ 180.000,00 (cento e oitenta mil reais), porém, entre parênteses, está escrito por extenso 
duzentos e quarenta e seis mil reais;54
 Aquisição de insumos e equipamentos para a manutenção e funcionamento 
do Hospital da Mulher de forma direta, sem observar a Lei de Licitações;
 A produção da Unidade Hospitalar foi toda custeada pelo Orçamento Geral 
do Estado (OGE), quando havia a possibilidade de contrapartidapelo Fundo Nacional de Saúde, 
porém essa forma de retorno financeiro para o hospital não fora utilizada, causando danos ao Erário 
Estadual55;
 O Estado possuía mão de obra qualificada para atuação dentro do hospital da 
mulher, mas a Associação MARCA procedeu a contratações diretas, em desrespeito ao concurso 
público em aberto para convocação (Edital 001/2010 SEARH, cujo resultado foi homologado em 
24/06/2010 e publicado em 26/06/2010).56
 "A gestão da OSCIP se mostrou ineficaz e antieconômica para administração 
do Hospital da Mulher";57
 Os objetos dos contratos não estão definidos de forma clara;
 Falta de publicação em meio próprio dos instrumentos denominados 
"contrato", para conhecimento da sociedade e dos órgãos de controle e fiscalização.
Relativamente à aplicação dos recursos, o relatório da SESAP rememorou as 
ilegalidades já apontadas no relatório preliminar, com alguns acréscimos, por exemplo:
O custo efetivo da folha de pagamento do pessoal do Hospital da Mulher, 
"gerenciado" pela entidade Núcleo de Saúde e Ação Social - SALUTE SOCIALE, para o período de 
março de 2012 a setembro de 2012 foi o correspondente a um montante de R$ 2.538.098,68 (dois 
milhões, quinhentos e trinta e oito mil, noventa e oito mil e sessenta e oito centavos) mensais; já os 
repasses dos valore transferidos à referida entidade (SALUTE SOCIALE), para o período de março 
de 2012 a outubro de 2012 foi de R$ 5.745.954,86 (cinco milhões, setecentos e quarenta e cinco 
mil, novecentos e cinquenta e quatro reais e oitenta e seis centavos), restando evidenciada uma 
diferença no período de março a setembro de R$ 2.387.0006,00 (dois milhões, trezentos e oitenta e 
sete mil e seis centavos) conforme detalhado no relatório58;
Na análise da prestação de contas, foi constatada a transferência de recursos 
financeiros entre contas da Associação MARCA, no total de R$ 1.761.584,12 (um milhão, 
54 Vide contrato fls. 3784-3792, Anexo XX.
55 Fls. 570, v. 2.
56 Fls. 572, v. 2.
57 Fls. 572, v.2.
58 Vide fls. 585 e 586, v. 2.
113
setecentos e sessenta e um mil, quinhentos e oitenta e quatro reais e doze centavos), sem a devida 
comprovação de que foi empregada corretamente dentro do objeto do termo de pareceria;59
Foi detectada a realização de despesas anteriores à vigência do Termo de Parceria 
001/2012, portanto de forma ilegal, no total de R$ 758.379,68 (setecentos e cinquenta e oito mil, 
trezentos e setenta e nove reais e sessenta e oito centavos), conforme consta na prestação de 
contas da entidade n. 136410/2012-2, v.I, fl.05;60
Realização de despesas fora do objeto do Termo de Parceria, relativas a "PIS 
DEPÓSITO JUDICIAL", no total de R$ 353.187.86,00 (trezentos e cinquenta e três mil, cento e 
oitenta e sete reais e oitenta e seis centavos);61
Despesas de natureza particular, fora do objeto do Termo de Parceria, como 
pagamentos para a CAERN, relativas à residência de JAILMA GOMES DE SOUSA CARVALHO, 
bem como pagamentos de contas de telefone da CLARO, em nome de BRUNO TOURINHO 
GUIMARÃES CORREA, sócio da ASSOCIAÇÃO MARCA, no total de R$ 1.788,17 (hum mil 
reais, setecentos e oitenta e oito reais e dezessete centavos); 62
Despesas de vários particulares, pagas por meio de CUPOM FISCAL, ora em 
dinheiro, ora em cartão de crédito (despesas em shopping, com lanches, refeições, postos de 
combustível, dentre outras), no total de R$ 6.931,42 (seis mil, novecentos e trinta e um reais e 
quarenta e dois centavos);63
O contrato com a empresa THE WALL CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA 
foi celebrado com o valor global de R$ 65.000,00 (sessenta e cinco mil reais), para a realização de 
reformas nas instalações do Hospital Estadual da Mulher, porém foram encontrados pagamentos à 
empresa no valor de R$ 155.697,62 (cento e cinquenta e cinco mil, seiscentos e noventa e sete reais 
e sessenta e dois centavos), conforme consta nas notas fiscais que estão no processo n. 
600838/2012-8, v. I, folhas 94 a 160;64
Foi realizado contrato com a empresa OLIVAS PLANEJAMENTO E 
ASSESSORIA E SERVIÇOS S/C LTDA65, para a qual a MARCA repassou o valor de R$ 
420.000,00 (quatrocentos e vinte mil reais), para "a prestação de serviços de assessoria, 
consultoria, implantação, acompanhamento, controle e apoio a gestão do Hospital da Mulher", 
sendo que os auditores não encontraram um relatório sequer apresentado pelos tais 
CONSULTORES da OLIVAS. 
Relativamente ao FGTS, foi constatado que a MARCA anexou na prestação de 
59 Vide fls. 587-588, v. 2.
60 Fls. 588, v. 2.
61 Fls. 588-589, v. 2.
62 Fls. 589, v. 2.
63 Fls. 589 a 592, v.2.
64 Fls. 593, v. 2.
65 Fls. 594, v.2.
114
contas o comprovante de recolhimento correspondente à totalidade dos seus funcionários, sem 
fazer a devida alocação dos funcionários por tomador de serviço, que no caso seriam aqueles 
alocados em decorrência do Termo de Parceria 001/2012, o que representou uma diferença de 
R$ 3.707.561,25 (três milhões, setecentos e sete mil, quinhentos e sessenta e um reais e vinte e 
cinco centavos).66
Diante de tudo isso, o relatório concluiu que os repasses feitos pela SESAP/RN 
para a MARCA não percorreram os trâmites legais ordinários, pois não passavam pelos órgãos de 
controle e fiscalização da própria SESAP;67
A demandada VALCINEIDE ALVES DA CUNHA DE SOUZA, a qual foi 
nomeada pela demandada ROSALBA CIARLINI como gestora do Termo de Parceria, por meio da 
Portaria 219/GS/SESAP, de 17/07/2012, com atribuição para "fiscalizar e atestar a efetividade da 
execução dos contratos", mas nada disso foi feito, sendo que a MARCA nunca sequer apresentou os 
extratos da conta de aplicação financeira dos recursos recebidos;68
O Estado do Rio Grande do Norte foi totalmente omisso em acompanhar a 
execução do Termo de Parceria69, posto que sequer nomeou no tempo devido a Comissão de Gestão, 
Monitoramento e Avaliação do Termo de Parceria, de que tratava a cláusula 3ª, alínea 5, do referido 
termo, a qual, registre-se, apenas foi nomeada em outubro de 2012. Convém rememorar que 
segundo a Presidente dessa comissão, a requerida VALCINEIDE ALVES DA CUNHA DE SOUZA 
ainda dificultou o serviço da comissão, impedindo o acesso a documentos, dizendo-se 
representante do Governo dentro do Hospital da Mulher;70
Analisando todas as ilegalidades cometidas na contratação e gestão do Hospital da 
Mulher, a auditoria interna da SESAP concluiu pela existência de dano ao erário, estimado em 
R$ 8.414.600,69 (oito milhões, quatrocentos e catorze mil, seiscentos reais e sessenta e nove 
centavos)71, pugnando pela devida restituição desse valor aos cofres públicos, sugerindo a remessa 
do relatório ao Ministério Público Estadual, Controladoria Geral do Estado e Tribunal de Contas do 
RN.
Relativamente à Controladoria Geral do Estado, essa elaborou dois relatórios, 
cujas conclusões foram basicamente as mesmas das que já haviam sido realizadas pela auditoria 
interna da SESAP, razão pela qual se torna desnecessário transcrevê-los.72
66 Fls. 595-596, v.2
67 Fl. 596, v.2.
68 Fl. 596, v.2
69 fL. 596, V.2
70 Vide depoimento de MARIA JOSÉ FERNANDES TORRES, à fl. 775, v.3.
71 Fls. 598. v. 2.
72 Vide o primeiro "Relatório Final" da CONTROL às fls. 3699-3713, Anexo XX, de 30 de agosto de 2012, bem como o Relatório Final de 
Auditoria, às fls. 679-706, v. 2, de 21 de março de 2013, encaminhado a esta PGJ pelo Secretário Adjunto da CONTROL em 23/09/2013.
115
Desta feita, o citado Relatório foi encaminhado também ao Tribunal de Contas do 
Estado, gerando uma análise mais detalhada por parte da citada Corte, por intermédio dos técnicos 
da Diretoria de Administração Direta – DAD, cujos resultados e conclusões serão detalhadas a 
seguir.
I.D.2) DO RELATÓRIO DO CORPO TÉCNICO DO TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTA - 
DO . 
O Tribunal de Contas deste Estado, por parte de seu Corpo Técnico, debruçou-se 
sobre a prestação de contas da Associação Marca, relativamente à sua contratação bem como sobre 
a execução do Termo de Parceria nº 001/2012. A análise técnica do TCE/RN detectou que a 
aventura do terceiro setor na saúde pública estadual foi permeada de ilegalidades tamanhas que 
redundou aos cofres públicos um dano ao erário estimado na cifra de R$ 11.827.563,84 (onze 
milhões, oitocentos e vinte e sete mil, quinhentos e sessenta e três reais e setenta e quatro 
centavos), conforme pontou a Informação n.º 326/2013-DAD, da Diretoria de Controle Externo 
do Tribunal de Contas do RN, inserta no processo n.º 15153/2012-TC.73
O Corpo Técnico do TCE constatou, em suma, que a Associação MARCA, 
juntamente com as empresas Núcleo de Saúde e Ação Social - SALUTE SOCIALE (responsável 
pelo gerenciamento dos recursos humanos do Hospital da Mulher), a Health Solutions Ltda 
(empresa responsável pelo sistema de informação hospitalar) e a Olivas Planejamento, Assessoria 
e Serviços S/C Ltda – ME (empresa responsável pela assessoria e consultoria no projeto Hospital 
da Mulher Mossoró/RN, tendo como sócia gerente a demandada ROSIMAR GOMES BRAVO E 
OLIVEIRA), operaram verdadeiro esquema criminoso na saúde pública estadual, com a finalidade 
de desviar recursos públicos, por meio dos mais diversos artifícios, sendo o principal modus 
operandi a apresentação de notas fiscais sem a devida comprovação da efetiva prestação dos 
serviços.
A seguir, passar-se-á a apontar cada uma das ilegalidades praticadas pelos 
demandados que causaram o supracitado dano ao erário, conforme análise do corpo técnico 
do TCE. 
73 Vide Informação Técnica do TCE que consta no CD de fl. 635, v. 2.
116
DA ILEGITIMIDADE DAS DESPESAS RELATIVAS ÀS PRESTAÇÕES DE CONTAS DO 
TERMO DE PARCERIA Nº 001/2012. 
DA OMISSÃO NO DEVER DE PRESTAR CONTAS 
Segundo apurou o Corpo Técnico do TCE, no período compreendido de 
22/3/2012 a 15/10/2012, a Secretaria de Estado da Saúde do RN repassou, por intermédio do 
FUSERN, o montante de R$ 18.396.798,78 (dezoito milhões, trezentos e noventa e seis mil, 
setecentos e noventa e oito reis e setenta e oito centavos) à Associação MARCA para Promoção 
de Serviços.
Do total repassado, R$ 15.544.445,22 (quinze milhões, quinhentos e quarenta e 
quatro mil, quatrocentos e quarenta e cinco reais e vinte e dois centavos) foram destinados para o 
gerenciamento mensal da unidade hospitalar, sendo esses recursos transferidos por meio de seis 
repasses mensais no valor de R$ 2.590.740,87 (dois milhões, quinhentos e noventa mil, setecentos e 
quarenta mil e oitenta e sete centavos). O restante dos recursos foi transferido em 10/4/2012 
mediante três parcelas fixas de R$ 2.543.515,00 (dois milhões, quinhentos e quarenta e três mil e 
quinhentos e quinze reais); R$ 218.838,56 (duzentos e dezoito mil, oitocentos e trinta e oito reais e 
cinquenta e seis centavos) e R$ 90.000,00 (noventa mil reais), destinados respectivamente a 
compra de equipamentos e mobiliários hospitalares, custear a obra de readaptação predial e 
implementar o sistema de climatização do Hospital da Mulher, nos termos da cláusula quinta 
do TP nº 001/2012, conforme tabela do SIAF/RN que consta à fl. 43 da Informação Técnica do 
TCE nº 326/2013.74
Ocorre que a Associação MARCA somente apresentou documentação relativa 
a despesas no valor de R$ 18.281.424,86 (dezoito milhões, duzentos e oitenta e um mil, 
quatrocentos e quarenta e quatro mil reais e oitenta e seis centavos), conforme Tabela 2, fl. 44, da 
Informação Técnica. Assim, não houve comprovação de despesas no montante de R$ 115.373,92 
(cento e quinze mil, trezentos e setenta e três reais e noventa e dois centavos), conforme aferiu o 
Corpo Técnico, a partir da análise dos volumes 5 ao 19 do TP nº 001/2012.
E ao agir assim, a demandada Associação MARCA contrariou o art. 70, parágrafo 
74 Vide Informação Técnica do TCE que consta no CD de fl. 635, v. 2.
117
único, da Constituição Federal, o qual determina que prestem contas todas as pessoas físicas ou 
jurídicas, públicas ou privadas, que utilizem bens e dinheiros públicos, bem como o art. 4º, inciso 
VII, “d”, da Lei Federal nº 9.790/1999, o qual rememora a obrigatoriedade da prestação de contas 
pela entidade parceira de todos os recursos e bens de origem pública.
A referida conduta violou os princípios basilares da Administração Pública, 
esculpidos no art. 37, caput, da Constituição Federal, mais notadamente o da legalidade estrita, 
publicidade, moralidade e transparência da Administração, restando configurada a hipótese da 
prática de ato de improbidade administrativa prevista no art. 11, caput, e inciso VI, da Lei nº 
8.429/92.
Mas não é só. A análise da prestação de contas da MARCA, pelo Corpo Técnico 
do TCE, revelou a ocorrência de efetivo dano ao patrimônio público, conforme se verá a seguir.
SERVIÇOS PAGOS E NÃO EXECUTADOS 
Apurou o Corpo Técnico do TCE/RN que, em 10 de abril de 2012, a SESAP/RN 
repassou para Associação MARCA o valor de R$ 308.838,56 (trezentos e oito mil, oitocentos e 
trinta e oito reais e cinquenta e seis centavos), sendo R$ 218.838,56 (duzentos e dezoito mil, 
oitocentos e trinta e oito reais e cinquenta e eis centavos) referente à reforma para a readequação 
predial, e R$ 90.000,00 (noventa mil reais) para a implantação do sistema de refrigeração, ambos 
relativos ao Hospital da Mulher em Mossoró/RN.
No afã de verificar a efetiva execução desses serviços, foi realizada vistoria 
técnica no Hospital da Mulher em Mossoró/RN, no dia 18/12/2012, pelos engenheiros pertencentes 
ao quadro do Grupo Auxiliar de Engenharia e Projetos da SESAP/RN, sendo esses, Alcedo 
Germano Rodrigues (CREA 210361244-2) e Rafael Ferreira Cavalcanti (CREA 210649804-7). 
Ocorre que, a partir desta visita técnica, os mencionados engenheiros produziram 
Relatório de Vistoria, no qual constataram serviços não executados no montante de R$ 
165.795,5175. Assim, concluiu o Corpo Técnico que a conduta da Associação MARCA gerou 
dano ao erário Estadual na ordem de R$ 165.795,51 (cento e sessenta e cinco mil, setecentos e 
75 Vide Relatório de Vistoria de fls. 308-309, Anexo XXXVII, do IC 005/12-PGJ.
118
noventa e cinco reais e cinquenta e um centavos), visto não ter executado 46,32% dos serviços 
contratados.
DO PAGAMENTO DE MULTAS E DESPESAS BANCÁRIAS INDEVIDAS 
A partir do levantamento dos documentos apresentados pela Associação MARCA 
para comprovar a utilização dos recursos do TP nº 001/2012, o Corpo Técnico apurou o uso 
indevido dos recursos para o pagamento de juros e multa no valor de R$ 36.067,18 (trinta e seis 
mil, sessenta e sete reais e dezoito centavos), bem como de despesas bancárias indevidas no valor 
de R$ 1.271,40 (hum mil, duzentos e setenta e um reais e quarenta centavos), perfazendo o valor 
total de R$ 37.338,58 (trinta e sete mil, trezentos e trinta e oito reais e cinquenta e oito 
centavos).
Segundo o Corpo Técnico do TCE, tanto as multas como as despesas bancárias 
destacadas "foram decorrentes exclusivamente de culpa da Associação MARCA, já que os 
repasses financeiros efetuados pela Secretaria Estadual de Saúde do RN ocorreram oportunamente, 
não justificando, assim, o atraso desses pagamentos."76 Em relação às despesas bancárias, o Corpo 
Técnico considerou que a concretização destas ocorreu no momentoem que a movimentação 
bancária foi realizada em conta bancária não oficial.
Registrou que, com base nos princípios constitucionais da Administração Pública 
(Art. 37, CF/88), mormente o da moralidade, o TCE/RN pontificou, mediante Súmula nº 21:
PAGAMENTO DE MULTAS E TAXAS SOBRE O SALDO DEVEDOR. 
ILEGALIDADE. RESTITUIÇÃO DOS RESPECTIVOS VALORES. O pagamento 
indevido de multas e taxas sobre saldo devedor constitui grave irregularidade, 
sujeitando o responsável à devolução integral desses valores, sem prejuízo de outras 
sanções.
 
Desta feita, concluiu o Corpo Técnico do TCE que "em decorrência da 
negligência administrativa da Associação MARCA, assim como pelo desrespeito aos princípios 
constitucionais basilares da Administração Pública, insculpidos no art. 37 da CF, ocorreram 
76 Fl. 46, da Informação Técnica nº 326/2013 - DAD.
119
pagamentos injustificados e indevidos de despesas bancárias, juros e multas no valor total de R$ 
37.338,58"77 (trinta e sete mil, trezentos e trinta e oito reais e cinquenta e oito centavos), o qual 
deverá ser devidamente ressarcido aos cofres públicos.
DA REALIZAÇÃO DE DESPESAS ANTES DA VIGÊNCIA DO TERMO DE PARCERIA Nº 
001/2012.
A realização de despesas ILEGAIS, antes da vigência do Termo de Parceria nº 
001/2012, por determinação da própria Governadora do Estado, a demandada ROSALBA 
CIARLINI ROSADO, ao lado de seus comandados, os também demandados Secretário Estadual de 
Saúde DOMÍCIO ARRUDA e o seu "assessor" ALEXANDRE MAGNO, bem como a Secretária 
Adjunta de Saúde MARIA DAS DORES BURLAMAQUI, já foi exaustivamente mencionada no 
decorrer desta peça.
Ocorre que, ao debruçar-se sobre os processos de prestação de contas apresentado 
pela Associação MARCA, o Corpo Técnico do TCE também detectou que apesar do TP nº 
001/2012 ter sido celebrado em 29 de fevereiro de 2012, a Associação MARCA apresentou 
documentação de despesas realizadas no montante de R$ 804.071,05 (oitocentos e quatro mil, 
setenta e um reais e cinco centavos), em data anterior a vigência do referido termo de 
parceria.
Com efeito, registrou o Corpo Técnico que, em 01/02/2012, a demandada 
Associação MARCA, representada pela Diretora Geral, Elisa Andrade de Araújo, firmou contrato 
de locação no valor mensal de R$ 45.000,00 com a empresa UNICÁRDIO – Urgências 
Cardiológicas de Mossoró Ltda.78, tendo como objeto a locação do imóvel utilizado para instalação 
e funcionamento do Hospital da Mulher. 
Observou que, ao firmar contrato de aluguel do prédio na mencionada data, a 
Associação MARCA se comprometeu a, além do aluguel de fevereiro79, honrar com as despesas de 
luz, água e esgoto da competência deste mês, consoante os termos da Cláusula Segunda do aludido 
77 Fls. 47 da Informação Técnica nº 326/2013-DAD
78 Vide contrato de locação às fls. 3858-3863, Anexo XX.
79 Vide recibo do aluguel de fevereiro, às fls. 1289, Anexo XXXIV, do IC 005/12.
120
contrato, em que são estabelecidas as obrigações da locatária. Assim, detectou o Corpo Técnico 
que o referido contrato de locação gerou pagamentos de despesas irregulares da ordem de R$ 
50.620,08 (cinquenta mil seiscentos e vinte reais e oito centavos), conforme demonstrado na 
Tabela 3, à fl. 48 da Informação 326/2013-DAD.80
Ainda, segundo o Corpo Técnico, foram apresentados 11 documentos relativos às 
aquisições de equipamentos e mobiliários hospitalares para o Hospital da Mulher de Mossoró/RN, 
no montante de R$ 753.450,97(setecentos e cinquenta e três mil, quatrocentos e cinquenta reais 
e noventa e sete centavos), em que a data da emissão das notas fiscais corresponde à data anterior 
ao início da vigência do TP nº 001/2012, conforme demonstrado na Tabela 4, fls. 48-49, da 
Informação nº 326/2013-DAD.81
Como se não bastasse, o Corpo Técnico ressaltou que "não há segurança de que 
esses bens adquiridos foram realmente incorporados ao patrimônio do Hospital da Mulher, e, por 
conseguinte, ao da Secretaria de Estado da Saúde Pública, conforme determina a Cláusula Nona do 
TP nº 001/201247, visto que os documentos acostados às prestações de contas não se encontram 
efetivamente certificados pelo responsável da MARCA com informações acerca do recebimento 
desses bens. "
Bem lembrou o Corpo Técnico que em âmbito federal é vedada a prática de 
comprovar despesas com documentos que possuem data de emissão de suas notas fiscais anterior à 
vigência do instrumento, uma vez que contraria flagrantemente o art. 39, inciso V, da Portaria 
Interministerial nº 127/2008, de 29/05/2008, que dispõe:
Art. 39. O convênio ou contrato de repasse deverá ser executado em estrita observância 
às cláusulas avençadas e às normas pertinentes, inclusive esta Portaria, sendo vedado:
(...)
V - realizar despesa em data anterior à vigência do instrumento;
Registre-se que essa vedação é uma decorrência da própria Lei 8.666/93, a qual 
estabelece em seu art. 60, parágrafo único:
Art.60. Os contratos e seus aditamentos serão lavrados nas repartições interessadas, as 
quais manterão arquivo cronológico dos seus autógrafos e registro sistemático do seu 
80 A documentação que comprova a realização dessas despesas anteriores à vigência do Termo de Parceria, citada na Tabela 3, fl. 48, da Informação 
nº 326/2013-DAD, está acostada nos anexos XXX, XXXIII, XXXIV e XXXV, deste IC.
81 A documentação citada na Tabela 4 encontra-se acostada nos Anexos XXXI,XXXIV e XXXV, deste IC.
121
extrato, salvo os relativos a direitos reais sobre imóveis, que se formalizam por 
instrumento lavrado em cartório de notas, de tudo juntando-se cópia no processo que lhe 
deu origem.
Parágrafo único. É nulo e de nenhum efeito o contrato verbal com a 
Administração, salvo o de pequenas compras de pronto pagamento, assim entendidas 
aquelas de valor não superior a 5% (cinco por cento)do limite estabelecido no art. 23, 
inciso II, alínea "a" desta Lei, feitas em regime de adiantamento.
Ora, como o Termo de Parceria só foi assinado em 29/02/2012, de modo que as 
despesas anteriores são fruto de acordo verbal entre os contratantes, situação que foi autorizada pela 
própria Governadora do Estado, a demandada ROSALBA CIARLINI ROSADO.
De bom alvitre lembrar que o demandado DOMÍCIO ARRUDA, ao prestar 
depoimento judicial, como testemunha, nos autos da Ação Penal nº 0125526.25.2012 (Operação 
Assepsia)82, quando indagado pelo Ministério Público se teria autorizado verbalmente o início da 
reforma no Hospital da UNIMED, já em janeiro de 2012, para a instalação do Hospital da Mulher, 
ele declarou que a MARCA logo começou a instalação porque "a Governadora tinha garantido 
que honraria os compromissos assumidos" com a MARCA. Portanto, a demanda Rosalba 
Ciarlini, juntamente com seus asseclas, ordenou e permitiu a realização de despesas não autorizadas 
em lei ou regulamento, incidindo na conduta ímproba descrita no art. 10, caput e inciso IX, da Lei 
8.429/92.
Desta forma, diante da apresentação na prestação de contas de 23 (vine e três) 
despesas realizadas ilegalmente antes da vigência do TP nº 001/2012, no valor total de R$ 
804.071,05 (oitocentos e quatro mil, setenta e um reais e cinco centavos), restou configurada a 
prática de ato de improbidade administrativa descrito acima (art. 10, caput e inciso IX, da Lei 
8.429/92), além da ofensa patente aos princípios constitucionais da Administração Pública, com 
ênfase na legalidade, moralidade e transparência (art. 11, caput, da citada lei), cabendo o devido 
ressarcimento ao erário.
DA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS EM DUPLICIDADE PARA COMPROVAÇÃO 
DE DESPESAS: 
82 Depoimento no CD à fl. 871, V. 3, a partir de 26 minutos.
122
Apurou o Corpo Técnico, a partir da análise dos documentoscontidos nas 
prestações de contas apresentadas pela Associação MARCA, a existência de três pagamentos em 
duplicidade, gerando dessa forma comprovação irregular das despesas no montante de R$ 
24.225,88 (vinte e quatro mil, duzentos e vinte e cinco reais e oitenta e oito centavos), conforme 
Tabela 5 (fl. 51 da Informação 326/2013-DAD).83
Sobre o fato, esclareceu o Corpo Técnico à fl. 51 da Informação 326/2013:
"Em relação ao primeiro pagamento, relacionado na tabela acima, a Associação 
MARCA, além de apresentar esse documento na prestação de contas do mês de fevereiro, 
referente à primeira parcela, o incluiu também na prestação do mês de março de 2012 
(Vol. 18, às fls. 1532 – 1535).84 Quanto ao segundo, observou-se que, a entidade parceira, 
na prestação de contas do mês de maio de 2012, apresentou a nota fiscal nº 6771 no 
valor de R$ 192,00, referente à fatura da CLARO FIXO S/A, em dois momentos distintos, 
sendo que no primeiro momento às fls. 217-218 (Vol. 9)85 o pagamento foi realizado 
pelo internet banking, enquanto o segundo às fls. 283-285 (Vol. 9) foi acostado um 
cheque nominal a própria Associação MARCA para comprovar a realização da despesa. 
Por último, observou-se o pagamento, da segunda parcela referente à nota fiscal nº 458, 
à empresa W S Comércio e Serviços e Serviços Ltda. ME em dois momentos distintos, isto 
é, às fls. 509-511 (Vol. 6)86 se observa o primeiro documento e às fls. 575-578 (Vol. 6) se 
constata a inserção do mesmo documento. Diante da apresentação dessas notas fiscais 
em duplicidade pela Associação MARCA, conclui-se pela irregularidade material das 
despesas e, consequentemente, dano ao erário estadual no montante de R$ 24.225,88."
É dizer, para justificar contabilmente o uso de recursos repassados à entidade pela 
FUSERN, a Associação MARCA computou, em sua prestação de contas, despesas já liquidadas e 
contabilizadas em meses anteriores, do que resultou o pagamento em duplicidade no montante de 
R$ 24.225,88 (vinte e quatro mil, duzentos e vinte e cinco reais e oitenta e oito centavos), tudo em 
prejuízo ao erário estadual.
DA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA PARA COMPROVAÇÃO DE 
DESPESAS.
Neste ponto, a auditoria do Corpo Técnico identificou a inclusão indevida, nas 
prestações de contas do TP nº 001/2012, de documentação inidônea com o intuito de ratificar 
83 Os documentos citados na tabela 05 estão acostados aos Anexos XXIV, XXVII e XXXIV, do IC 005/2012.
84 Vide Anexo XXXV do IC 005/12.
85 Vide Anexo XXVII, do IC 005/12.
86 Vide Anexo XXIV.
123
despesas no valor de R$ 412.038,29 (quatrocentos e doze mil, trinta e oito reais e vinte e nove 
centavos). Conforme apurado, foram identificadas duas maneiras de realizar a comprovação 
irregular desses recursos: 
a) com documentos relativos à compra fictícia de medicamentos e insumos 
hospitalares, no valor R$ 367.401,20 (trezentos e sessenta e sete mil, quatrocentos e um 
reais e vinte centavos); e
b) com documentos fraudados a partir da inserção de dados nos DANFE`s, depois da 
emissão das respectivas NF-e, no valor de R$ 44.637,09 (quarenta e quatro mil, 
seiscentos e trinta e sete reais e nove centavos).
Segundo o Corpo Técnico, na primeira forma, a documentação apresentada pela 
entidade parceira simula negócios que nunca ocorreram (apresentação de notas frias). Em relação à 
segunda, " a documentação comprobatória corresponde efetivamente à compra de medicamentos e 
insumos hospitalares pela Associação MARCA. No entanto, informações falsas foram inseridas 
nesta documentação com o intuito de simular a entrega desta mercadoria no Hospital da Mulher em 
Mossoró/RN."87 
Convém observar a forma como se efetivou cada uma dessas fraudes.
Em relação à compra fictícia de medicamentos e insumos hospitalares, apurou o 
Corpo Técnico que, nas prestações de contas dos meses de maio e junho de 2012, a Associação 
MARCA apresentou sete DANFE`s inidôneos no valor total de R$ 251.113,80 (duzentos e 
cinquenta e um mil, centro e treze reais e oitenta centavos), os quais descrevem aquisições 
fictícias de medicamentos e insumos hospitalares em empresa sediada na cidade de Duque de 
Caxias/RJ, Glalmed Distribuidora de Medicamentos Ltda. (vide Tabela 6, à fl. 53 da Informação 
326/2013-DAD).88
Convém transcrever os esclarecimentos do Corpo Técnico sobre esse aspecto89:
"Por oportuno, cabe mencionar que uma das funções básicas do DANFE, com base no § 
3º da Cláusula décima quinta, do Ajuste SINIEF 07 (Sistema Nacional de Informações 
Econômicas e Fiscais), de 30 de setembro de 2005, é conter uma “chave de acesso” para 
que se consulte, no ambiente nacional disponibilizado pela Receita Federal do Brasil, a 
regularidade da NF-e cujo DANFE representa. Nesse sentido, com vistas a identificar a 
87 Vide fl. 52 da Informação 326/2013-DAD.
88 Os documentos descritos na Tabela 06 estão anexados, nas respectivas páginas, nos Anexos XXVII, XXVIII e XXX, do IC 005/12.
89 Fls. 53 a 55 da Informação nº 326/2013-DAD
124
autenticidade e a validade desses DANFE`s foram realizadas consultas ao referido 
ambiente nacional, em 15/5/2013, o qual demonstrou, por fim, que todas as chaves de 
acesso são inválidas, ou seja, esses documentos não correspondem a nenhuma operação 
efetivamente realizada, conforme documentação acostada no Anexo 390. Cabe ressalvar 
ainda que as chaves de acesso contidas nos DANFE`s possuem quarenta e quatro 
caracteres numéricos divididos em nove campos representados por informações que se 
encontram dispersos na sua respectiva NF-e, sendo que o sexto campo desta chave, 
constituído por nove caracteres, deverá obrigatoriamente identificar o número da nota 
fiscal eletrônica. "
(...)
Dessa maneira, a confirmação dessa irregularidade se deu, ainda, pela correlação do 
número da nota fiscal contido no DANFE com o número referente ao sexto campo da 
chave de acesso. Campo esse que identifica o número da nota fiscal eletrônica, consoante 
se constata na Tabela 791 abaixo:
(...)
Ante ao exposto, é evidente a fraude realizada pela Associação MARCA, pois os 
DANFE`s possuem numeração fiscal totalmente diferente dos números dos documentos 
fiscais contidos na chave de acesso. Inclusive, percebe-se que na confecção da fraude a 
Associação MARCA repetiu os números do documento fiscal na chave de acesso, já que a 
sequência 000.000.856 se repete nos seis primeiros DANFE`s. Ademais, constatou-se, 
ainda, que, na prestação de contas do mês de junho de 2012, a Associação MARCA 
adotou novamente a prática fraudulenta de falsificação de DANFE´s, quando apresentou 
irregularmente quatro documentos que não correspondem a uma operação efetivamente 
realizada, perfazendo um desvio de R$ 116.287,40, conforme demonstrado na Tabela 892 
abaixo:
(...)
Os referidos documentos descrevem a compra de medicamentos na empresa Material 
Hospitalar Hosp-News Ltda., localizada no município de Duque de Caxias/RJ. No 
entanto, todos os quatro DANFE`s possuem a mesma chave de acesso, sendo ela: 
3312.0611.2780.8000.0168.5500.1000.0000.2310.9060.0603. Primeiramente, é 
importante esclarecer que para cada NF-e existe apenas uma chave de acesso, que tem 
como objetivo, dentre outros, de confirmar a existência da referida NF-e, em outras 
palavras, não se pode ter um código (chave de acesso) representando duas ou mais NF-e. 
Dessa forma, com base na aludida chave de acesso, a consulta realizada no ambiente 
nacional da Receita Federal do Brasil resultou na ratificação da fraude, uma vez que o 
destinatário e o comprador das mercadorias constantes na NF-e é o Hospital Estadual 
Getúlio Vargas, estabelecido no município de Duquede Caxias/RJ, inscrito no CNPJ sob o 
nº 42.498.717/0003-17, conforme se evidencia no Anexo 4. 93 Portanto, com base nas 
evidências colhidas fica evidente a conduta fraudulenta da Associação MARCA na 
apresentação desses documentos nas prestações de contas uma vez que esses documentos 
falsos representam operações não efetivamente realizadas pela entidade parceria na 
compra de medicamentos e insumos hospitalares para o Hospital da Mulher de 
Mossoró/RN. Dessa maneira, conforme o exposto acima, conclui-se que a Associação 
MARCA com o intuito de justificar os recursos recebidos do Termo de Parceria nº 
001/2012 perpetrou mediante a apresentação de 11 DANFE`s fraudados a comprovação 
irregular de despesas no valor de R$ 367.401,20." (grifos acrescidos)
Portanto, conclui-se que a demandada Associação MARCA – aqui contemplando 
90 Essa documentação, referida pelo TCE como Anexo III, está acostada no Anexo XXXVII, fls. 166-184, do IC 005/12.
91 Vide tabela 7, à fl. 54 da Informação nº 326/2013-DAD. Os documentos referidos nessa tabela, nas respectivas folhas, estão acostados nos Anexos XXVII, 
XXVIII e XXX, do IC 005/12.
92 Vide tabela 08, à fl. 55 da Informação nº 326/2013-DAD. Os documentos referidos nessa tabela estão acostados no Anexo XXX, do IC 005/12-
PGJ.
93 Essa documentação, referida pelo TCE como Anexo IV, está acostada no Anexo XXXVII, fls. 185-196, do IC 005/12.
125
todos os seus membros formais e informais – apresentou documentos fraudados com o fim de 
"justificar" os recursos recebidos no Termo de Parceria nº 001/2012, havendo comprovação 
irregular de despesas no valor de R$ 367.401,20 (trezentos e sessenta e sete mil, quatrocentos e um 
reais e vinte centavos).
Mas não era somente isso. 
Ainda segundo a análise minuciosa do Corpo Técnico do TCE/RN, a Associação 
MARCA inseriu dados falsos em DANFE'S, após a emissão da correspondente NF-e, de forma a 
alterar o destino das mercadorias que, em tese, seriam destinadas ao Hospital da Mulher em 
Mossoró/RN.
Necessário é transcrever as conclusões do Corpo Técnico do TCE:
"Nas prestações de contas dos meses de abril e maio de 2012, a Associação MARCA 
apresentou nove DANFE`s, cujas informações do local de entrega indicavam o “Hospital 
da Mulher. Rua Francisco Bessa, 168 – Bairro Nova Betânia – Mossoró/RN. CEP 59612-
207”. Contudo, cotejando esses dados com os da NF-e, por meio do site da Receita 
Federal do Brasil, evidenciou-se que nos dados da NF-e não há menção nenhuma de 
que esse material foi entregue no Hospital da Mulher, em outras palavras, esses nove 
DANFE`s foram fraudados após a emissão das suas respectivas NF-e. Esta afirmação é 
corroborada pelo Manual de Orientação do Contribuinte NF-e o qual determina que o 
campo denominado de “Informações Complementares” do DANFE, onde foi observada 
a irregularidade, deverá obrigatoriamente conter todos os dados do campo “Informações 
Adicionais” da NF-e. O aludido manual ressalta, ainda, que os campos do DANFE 
deverão representar o conteúdo das respectivas NF-e, não podendo ser impressas 
informações que não constem na NF-e. 190. Destarte, este Corpo Técnico a partir desta 
constatação apurou um dano ao erário Estadual na ordem de R$ 44.637,09, conforme 
se demonstra na Tabela 9...94
(...)
Com efeito, diante de tal conduta praticada pela Associação MARCA, conclui-se que a 
compra desses medicamentos e insumos hospitalares não foram para atender as 
necessidades do Hospital da Mulher em Mossoró/RN. Logo, a inserção dessas 
informações falsas nos DANFE`s tem como único objetivo comprovar despesas por meio 
de documentação inidônea dos recursos provenientes do TP nº 001/2012 na monta de R$ 
44.637,09."
Do mesmo modo como descrito anteriormente, houve comprovação irregular de 
despesas pela Associação MARCA e seus comparsas no valor de R$ R$ 44.637,09 (quarenta e quatro 
mil, seiscentos e trinta e sete reais e nove centavos), o que, além de constituir improbidade 
administrativa causadora de DANO AO ERÁRIO, importa ainda em ato de improbidade 
94 Vide Tabela 9, à fl. 56 da Informação nº 326/2013-DAD. Os documentos referidos na Tabela 9 , nas respetivas folhas, estão acostados nos 
Anexos XXVII e XXXIII, do IC 005/12-PGJ.
126
administrativa de ENRIQUECIMENTO ILÍCITO, descrito no art. 9º da Lei de Improbidade 
Administrativa.
DA COMPROVAÇÃO DE DESPESAS COM DOCUMENTOS ILEGÍTIMOS E NÃO 
FISCAIS.
O Corpo Técnico também apurou, a partir da análise das prestações de contas 
apresentadas pela Associação MARCA, a existência de diversos pagamentos efetuados tanto a 
pessoas jurídicas quanto a pessoas físicas, no montante de R$ 48.298,4 (quarenta e oito mil, 
duzentos e noventa e oito reais e quatro centavos), sem a devida juntada do documento fiscal ou 
outro documento equivalente que comprove a devida contraprestação desses serviços ao Hospital 
da Mulher. Ainda, apurou que "não há nos pagamentos a descrição detalhada do serviço realizado 
nem dados completos do prestador do serviço, assim como não existem as devidas 
retenções, no caso da prestação do serviço por pessoa física, da contribuição para a 
seguridade social, a ser recolhida pela contratante juntamente com a própria contribuição."95
A informação Técnica pontuou o entendimento do Tribunal de Contas da União a 
esse respeito, citando o Acórdão nº 2.261/2005 que convém trazer a lume:
"(...) Os responsáveis por órgãos da Administração Pública não podem admitir, nos 
documentos de prestação de contas, comprovação de despesas baseadas em documentos 
ilegítimos, pois tal atitude, além de ferir normativos em vigor, tende a facilitar práticas de 
evasão fiscal (art. 1º, Lei 4.729/65) e de crimes contra a ordem tributária (art. 1º, V, da 
Lei 8.137/90).
A prática abre caminho para a evasão fiscal, pela falta de lançamento dos tributos e 
contribuições devidos, gerando, em consequência, prejuízo ao erário, além de elevar o 
risco de fraude contra a Administração pela maior facilidade de se forjar documentos não 
fiscais e da falta de fiscalização fazendária sobre os mesmos.
(...)
"(...) para fiel cumprimento ao que determina o art. 30 da IN/STN n.º 01/1997 e as 
demais normas que regulam a matéria, em especial as Leis nºs 4.729/1965, art. 1º, incisos 
II a IV; 8.137/1990, art. 1º, inciso V; 8.846/1994, arts. 1º e 2º; 9.532/1997, art. 61, § 1o; 
4.502/1964, art. 47, e o Convênio ICMS S/Nº, de 15/12/1970, art. 6º, somente aceitem a 
comprovação de despesas, no caso de fornecedor pessoa jurídica, por meio de notas 
fiscais ou documentos fiscais equivalentes e, no caso de fornecedor pessoa física, que 
não esteja obrigado à emissão de nota fiscal ou documento equivalente, somente por 
meio de documentação que atenda as exigências da legislação trabalhista e 
95 Fl. 58 da Informação 326/2013-DAD. Vide também Tabela 10 de fls. 58-59, que traz o elenco de todas as despesas realizadas sem a devida 
comprovação comprobatória . Os documentos nele referidos estão acostados, nas respectivas folhas, nos anexos XXVI, XXVIII, XXX, XXXIII, 
XXXIV, XXXV e XXXVI, do IC 005/12-PGJ.
127
previdenciária ....
(TCU, Plenário, Processo nº TC-003.067/2005-4, Min. Rel. Guilherme Palmeira. 
Acórdão nº 2.261/2005 – TCU, 13/12/2005). 
 
Assim, concluiu o Corpo Técnico que a Associação MARCA, na percepção de 
recursos públicos provenientes do Termo de Parceria nº 001/2012, comprovou inadequadamente 
23 (vinte e três) despesas, no montante de R$ 48.298,44 (quarenta e oito mil, duzentos e noventa 
e oito reais e quarenta e quatro centavos),96 apresentando documentos ilegítimos, afrontando, dessa 
forma, aos princípios constitucionais da Administração Pública, com ênfase ao da legalidade e 
moralidade.DA UTILIZAÇÃO DE RECURSOS PARA PAGAMENTOS DE DESPESAS NÃO 
COMPATÍVEIS COM O OBJETO E A FINALIDADE DO TERMO DE PARCERIA Nº 
001/2012
O Corpo Técnico do TCE também apurou pagamentos irregulares de despesas não 
compatíveis com o objeto e a finalidade do TP nº 001/2012 no valor total de R$ 4.070.839,43 
(quatro milhões, setenta mil, oitocentos e trinta e nove reais e quarenta e três centavos).
Concluiu a auditoria que, para a consumação dessa ilegalidade, foram 
identificados três padrões utilizados pela Associação MARCA para comprovar a aplicação ilegal 
dos recursos provenientes do TP nº 001/2012, quais sejam:
a) documentos comprobatórios em nome de terceiros, no valor de R$ 48.461,94 
(quarenta e oito mil, quatrocentos e sessenta e um reais e noventa e quatro centavos);
b) endereço de local da entrega de mercadorias diferente do endereço do Hospital da 
Mulher em Mossoró/RN, no valor R$ 180.009,52 (cento e oitenta mil, nove reais e 
cinquenta e dois centavos) e
c) repasses financeiros efetuados para a própria Associação MARCA, no valor de R$ 
820.099,35 (cento e vinte mil, noventa e nove reais e trinta e cinco centavos) e para a 
SALUTE, no valor de R$ 3.022.268,62 (três milhões e vinte e dois, duzentos e sessenta e 
oito reais e sessenta e dois centavos), sem a devida comprovação da aplicação desses 
96 Fls. 60 da Informação nº 326/2013.
128
recursos na finalidade prevista do TP nº 001/2012.
Os técnicos do TCE detalharam como ocorreu cada uma das ilegalidades 
supracitadas, conforme se verá nos parágrafos a seguir.
Em relação aos documentos comprobatórios em nome de terceiros, apurou o 
Corpo Técnico que, em relação à categoria contábil correspondente à energia elétrica, constatou-se 
irregularidade nos pagamentos na ordem de R$ 266,03 (duzentos e sessenta e seis reais e três 
centavos), visto que nas prestações de contas dos meses de março, abril, junho e julho de 2012, a 
entidade parceira apresentou faturas da COSERN tendo como endereço de cobrança a Rua Doutor 
João Marcelino, nº 7, no Bairro de Nova Betânia, Mossoró/RN. Tal endereço fica a 1,7 km de 
distância do endereço onde está localizado o Hospital da Mulher (Rua Francisco Bessa, 168, no 
Bairro de Nova Betânia, em Mossoró/RN). 97
A auditoria também identificou tês faturas da CAERN, no valor total de R$ 
559,40 (quinhentos e cinquenta e nove reais e quarenta centavos) em nome de Jailma Gomes de 
Sousa Carvalho98, esposa do na época chefe do Gabinete Civil da Governadora do Estado, Sr. 
José Anselmo de Carvalho Júnior, cujo endereço é a Rua Raimundo Leão de Moura, nº 21, bairro 
de Nova Betânia, Mossoró/RN, sendo que tais despesas não possuem qualquer relação com o 
imóvel contratado pela MARCA, visto que esse está localizado na Rua Francisco Bessa, 168, no 
Bairro de Nova Betânia, em Mossoró/RN. Desse modo, tais despesas foram inadequadamente 
inseridas pela MARCA, motivo pelo qual foram desconsideradas para fins de prestação de contas. 
Ainda, foram identificados nove pagamentos de faturas da CLARO FIXO S/A, 
no valor total de R$ 578,89 (quinhentos e setenta e oito reais e oitenta e nove centavos), em nome 
de um particular, Sr. Bruno Tourinho Guimarães Correa, Diretor Administrativo da Associação 
MARCA.99
Ademais, o Corpo Técnico identificou outra irregularidade em relação à 
documentação referente aos serviços de telefonia prestados à MARCA pela empresa TNL PCS S.A. 
Com efeito, foram pagas duas faturas no montante de R$ 1.029,33 (mil e vinte e nove reais e trinta 
e três centavos), porém, foi observado que apesar das faturas estarem em nome da “Associação 
97 Vide tabela 11, à fl. 61, da Informação Técnica 326/2013-DAD. Os documentos citados na referida tabela, nas páginas respetivas, estão 
acostados nos Anexos XXVI,XXX, XXXIII e XXXV, do IC 005/12-PGJ.
98 Vide fls. 394-395, Anexo XXVII; fls. 2404-2405, Anexo XXX e fls. 609-610 do Anexo XXIV, todos do IC 005/12.
99 Vide Tabela 13, fl. 62, da Informação 326/2013-DAD. As notas fiscais citadas na referida tabela encontram-se acostadas, nas respetivas folhas, 
nos Anexos XXIV, XXVII, XXX e XXXVI, todos do IC 005/12-PGJ.
129
MARCA para Promoções de Serviços", o endereço constante nas mesmas é a Av. Rio Branco, nº 
122, SL 1701, no Centro da cidade do Rio de Janeiro/RJ”. 100 
Ademais, segundo relatado, "os dados constantes nas notas fiscais são precários, 
uma vez que não identificam nem o número nem a quantidade das linhas telefônicas utilizadas pela 
entidade parceira. Desse modo, considera-se que essas despesas apresentadas pela MARCA são 
incompatíveis com termo de parceria em análise, razão pela qual se desconsidera o seu 
reconhecimento." 101
 Finalmente, o Corpo Técnico identificou, em seis oportunidades, pagamentos na 
ordem de R$ 46.028,29 (quarenta e seis mil e vinte e oito reais e vinte e nove centavos)102 à 
empresa ARBC ATACADISTA LTDA EPP, sediada na cidade do Rio de Janeiro/RJ, cujos 
documentos fiscais apresentaram como destinatário das mercadorias o Hospital Regional 
Tarcísio de Vasconcelos Maia inscrito no CNPJ nº 08.241.754/0104-50. Assim, concluiu a 
Auditoria que, "para todos os fins legais, a documentação apresentada retrata que houve uma 
relação comercial entre a empresa supracitada e o Hospital Tarcísio Maia, não acarretando qualquer 
despesa que pudesse ser reconhecida no âmbito do TP nº 01/2012-SESAP. "
Nesse passo, convém transcrever a conclusão da auditoria:
"(...) Desse modo, é importante frisar que em suas relações comerciais a Associação 
MARCA utilizou o CNPJ sob o nº 05.791.879/0001-50, referente a sua matriz no Rio de 
Janeiro/RJ, o CNPJ nº 05.791.879/0004-01, referente a sua filial sediada em Natal/RN, e, 
por fim, o CNPJ nº 05.791.879/0005-84, referente também a sua filial em Mossoró/RN, 
ou seja, não existem motivos ou razões que justifiquem a comprovação de despesas 
utilizadas para gerir o Hospital da Mulher em nome de pessoas físicas (Bruno Tourinho 
Guimarães Correa) ou do Hospital Regional Tarcísio de Vasconcelos Maia.
Diante do exposto, conclui-se que a Associação MARCA comprovou ilegalmente a 
utilização de recursos, no valor de R$ 48.461,94, com documentos cujos pagamentos das 
despesas não são compatíveis com o objeto e a finalidade do TP nº 001/2012, visto que 
estes documentos estão em nome de terceiros. "103
Verificou-se, também, que a MARCA apresentou em sua prestação de contas 
diversas notas fiscais nas quais constam como local de entrega, de prováveis mercadorias 
adquiridas pela OSCIP, destino diferente do endereço do Hospital da Mulher de Mossoró/RN, 
100 Vide notas de fls 2359-2360, Anexo XXX, e fls. 548-549, Anexo XXIV, todos deste IC.
101 Fl. 63 da Informação 326/2013-DAD.
102 Vide Tabela 15, às fls. 63-64 da Informação 326/2013-DAD. As notas referidas nessa tabela estão acostadas, nas respectivas páginas, nos Anexos 
XXIV (fls. 643-646), XXX (fls. 2484-2486), XXXIII (fls. 1020-1022) e XXXVI (fls. 177-179), todos do IC 005/12-PGJ.
103 Fl. 64 da Informação 326/2013-DAD
130
de modo que tais documentos não comprovam efetivamente a entrega de tais mercadorias nessa 
Unidade Hospitalar. 
Comprovando o fato acima referido, a Tabela 16, fl. 64, da Informação 323/2013-
DAD, relacionou as notas de materiais de limpeza adquiridos na empresa W T Comércio e 
Representações Ltda., com endereço de entrega na cidade do Rio de Janeiro, no valor total de 
R$ 33.370,25 (trinta e três mil, trezentos e setenta reais e vinte e cinco centavos).104
Outrossim, a Tabela 17, fl. 65 da Informação, relacionou as notas de 
Medicamentos e insumos hospitalares, com endereço de entrega no Rio de Janeiro, no valor 
total de R$ 9.761,60 (nove mil, setecentos e sessenta e umreais e sessenta centavos).105
Ademais, a Tabela 18, fls. 65-66 da Informação, relacionou as notas de 
mercadorias com endereço de entrega na filial da Associação MARCA em Natal/RN, no valor 
total de R$ 72.126,54 (setenta e dois mil, cento e vinte e seis reais e cinquenta e quatro 
centavos.106
Na Tabela 19, fls. 67-68 da Informação 326/2013, foram relacionadas as notas de 
mercadorias com endereço de entrega na UPA de Pajuçara, no valor total de total R$ 51.447,51 
(cinquenta e um mil, quatrocentos e quarenta e sete reais e cinquenta e um centavos).107
Por fim, na Tabela 20, fl. 68 da Informação nº 326/2013,encontram-se as 
mercadorias com endereço de entrega na Secretaria de Saúde Pública do RN, no valor total de 
R$ 13.303,62 (treze mil, trezentos e trinta e três reais e sessenta e dois centavos).108
E bem pontuou a Informação Técnica que, segundo a Súmula nº 22 do TCE/RN, 
“a aquisição de material sem comprovação de sua destinação por meio documental caracteriza dano 
ou prejuízo ao Erário, e gera, dentre outros efeitos, a obrigação de restituir o valor despendido."
Desse modo, concluiu o Corpo Técnico que todas as despesas acima citadas "são 
fatos geradores que resultaram em dano ao erário no valor total de R$ 180.009,52, uma vez que os 
documentos comprobatórios das despesas supramencionadas demonstram inequivocamente que tais 
104 Os documentos citados nessa tabela estão acostados, nas respectivas páginas, nos Anexos XXIV, XXVI e XXX, todos do IC 005/12. 
105 Os documentos citados nessa tabela estão acostados , nas respectivas páginas, nos Anexos XXVIII, XXXIII e XXXV, deste IC.
106 Os documentos citados nessa tabela estão acostados , nas respectivas páginas, nos Anexos XXIV, XXVI, XXVII, XXVIII, XXX e XXXIII, deste IC.
107 Os documentos citados nesta tabela estão acostados, nas respectivas páginas, nos Anexos XXIV, XXVI, XXVII, XXVIII,XXX e XXXIII, todos deste IC.
108 Os documentos citados nessa tabela estão acostados, nas respectivas páginas, nos Anexos XXVIII, XXX, XXXIII e XXXV, deste IC.
131
mercadorias não foram entregues no endereço do Hospital da Mulher Mossoró-RN, qual seja: Rua 
Francisco Bessa, 168, Nova Betânia, Mossoró/RN. "
Ainda no tópico em exame, restou apurado pelo Corpo Técnico do TCE que, no 
período compreendido de 26/3/2012 a 25/10/2012, a Associação MARCA realizou vinte e seis 
transferências bancárias a crédito da própria conta bancária (nº 7.8003, agência 471 – Banco 
do Bradesco) para outra conta de titularidade da própria MARCA na mesma agência do Banco 
do Bradesco (c/c nº 7.8006), perfazendo o valor total de R$ 820.099,35 (oitocentos e vinte mil, 
noventa e nove reais e trinta e cinco centavos).109
Bem registrou o Corpo Técnico que a demandada Associação MARCA, ao 
transferir recursos oriundos do Termo de Parceria (TP) nº 001/2012 para conta diversa da prevista 
para gerir tais recursos, contrariou o estabelecido na cláusula terceira, item II, subitem 17 do Termo 
de Parceria, o qual determina que os recursos oriundos do mesmo serão movimentados 
exclusivamente em conta-corrente indicada pela própria SESAP. 110 Com efeito:
"(...) Nesse sentido, as referidas transferências foram contabilizadas pela entidade 
parceria nas prestações de contas na categoria contábil titulada como “Gestão 
Manutenção de Projeto - manutenção do projeto do Hospital da Mulher de Mossoró”. 
Em que pese tal importância, não foi encontrada nos autos memória de cálculo que 
justifique a previsão de verbas mensais nesse montante para tal categoria contábil. 
Ademais, não há qualquer comprovação das despesas com Gestão Manutenção de 
Projeto, o que há são simples comprovantes bancários de transferência. "111
DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS DE PESSOAL DECORRENTES 
DOS REPASSES REALIZADOS PELA ASSOCIAÇÃO MARCA À EMPRESA SALUTE 
SOCIAL.
Quanto às transferências financeiras realizadas entre a Associação MARCA e a 
empresa Núcleo de Saúde e Ação Social – SALUTE SOCIALE, observou-se que tais 
transferências foram decorrentes de acordo denominado de “Convênio”112, cujo objeto era a 
"cooperação técnica para seleção, treinamento, provimento e gestão de recursos profissionais para 
a prestação de serviços de gerência do Hospital da Mulher Parteira Maria Correia". O tal convênio 
fixou, conforme cláusula quinta, que a SALUTE SOCIALE receberia recursos provenientes do TP 
109 Vide Tabela 21, fls. 69 e 70, da Informação 326/2013-DAD. Os documentos descritos na referida Tabela, nas respectivas páginas, estão acostados nos 
Anexos XXIV, XXV, XXVI, XXVII, XXVIII, XXX, XXXV e XXXVI, deste IC.
110 Vide Termo de Pareceria à fls. 270-284, V. 1.
111 Fl. 70 da Informação 370/2013-DAD.
112 Fls. 3714-3720, Anexo XX.
132
001/2012 com vistas a custear todas as despesas com recursos humanos e seus encargos, além 
das despesas com treinamento e seleção de pessoal.
Ressaltou o Corpo Técnico que os custos com pessoal especificado no Anexo IV 
– Formação de Custos Mensais113- mereceram análise detalhada por parte da auditoria. Segundo 
apurado, os gastos globais com pessoal divididos em onze categorias contábeis alcançaram a 
quantia mensal de R$ 1.799.907,53 (hum milhão, setecentos e noventa e nove mil, novecentos e 
sete reais e cinquenta e três centavos), de modo a representar 69,47% do custo total do 
referido anexo.
No entanto, nada obstante tão alto valor, não há nos autos memória de cálculo que 
fundamente esse custo mensal com pessoal. Existe apenas no referido Anexo IV menção da 
existência de 363 (trezentos e sessenta e três) funcionários. Segundo a auditoria:
"(...) não há qualquer justificativa da necessidade deste quantitativo, assim como não 
existe identificação das especialidades dos funcionários. Nesse sentido, com base no 
convênio firmado, a Associação MARCA, no período de 10/4/2012 a 5/10/2012, prestou 
contas de quinze transferências diretas no valor total de R$ 5.745.954,86 relativas aos 
custos com pessoal, as quais tiveram como beneficiária a SALUTE SOCIALE, os 
valores correspondentes ingressaram em conta corrente nº 77000-0, da titularidade desta 
no Banco do Bradesco, agência 0471."114
Destacou a Auditoria que as transferências para SALUTE SOCIALE eram 
efetivadas e, por sua vez, comprovadas nas prestações de contas por intermédio de simples recibos 
autodenominados de “Nota de Débito”, os quais não possuem detalhamento suficiente para 
justificar os repasses realizados pela Associação MARCA, pois não apresentam informações que 
comprovem o real custo com pessoal.
Ocorre que a Associação MARCA tinha a obrigação de apresentar, nos termos da 
alínea “c” da Cláusula Quarta do TP nº 001/2012115, bimestralmente, além de relatório das 
atividades desenvolvidas pela MARCA, os comprovantes de pagamentos de salários, obrigações 
trabalhistas, encargos sociais, alimentação e vale-transporte dos funcionários encarregados de 
executar os serviços pactuados, nesse caso, os empregados contratados pela SALUTE direcionados 
ao Hospital da Mulher de Mossoró/RN.
113 Vide fls. 258-259, V. 1.
114 Fl. 71 da Informação Técnica nº 326/2013-DAD. As citadas transferências estão descritas na Tabela 22. Os documentos citados nessa Tabela 
estão acostados, nas respectivas folhas, nos Anexos XXIV, XXV, XXVI, XXX, XXXIII e XXXVI.
115 Termo de Parceria nº 001/2012, às fls. 270-284.
133
No entanto, a demandada MARCA nada disso comprovou, limitando-se a apre-
sentar relatórios analíticos com a composição dos custos com pessoal, e não os comprovantes dos 
pagamentos dos salários e demais obrigações.
Com base nesses relatórios analíticos da folha de pessoal e demais documentos 
constantes da prestação de contas, o Corpo Técnico concluiu que dos R$ 5.745.954,86 (cinco 
milhões, setecentos e quarenta e cinco mil, novecentos e cinquentae quatro reais e oitenta e 
seis centavos) repassados para a empresa SALUTE SOCIALE, a fim de, supostamente, 
promover a gestão dos recursos humanos no Hospital da Mulher, apenas R$ 2.723.686,24 (dois 
milhões, setecentos e vinte e três mil, seiscentos e oitenta e seis reais e vinte e quatro centavos) 
seriam realmente necessários para o pagamento de todas as despesas com pessoal.116 Esse 
cálculo é relativo ao período de março a setembro de 2012, já que a Associação MARCA, apesar 
de ter gerenciado o Hospital da Mulher até 30/10/2012, não apresentou a documentação referente à 
folha de pagamento do mês de outubro de 2012, sob a justificativa da falta de repasses financeiros 
pela SESAP.117
Destarte, concluiu o Corpo Técnico do TCE:
"(...) o confronto entre o valor total repassado à SALUTE SOCIALE e o provável custo 
real da empresa com os funcionários pertencentes ao quadro de pessoal do Hospital da 
Mulher de Mossoró/RN revela uma diferença no montante de R$ 3.022.268,62, de modo 
que não há comprovação de que esta diferença contabilizada foi destinada à realização 
das atividades necessárias para o cumprimento do objeto do TP nº 001/2012. Assim, 
conclui-se que os recursos transferidos para Associação MARCA, no valor de R$ 
820.099,35, assim como os transferidos para SALUTE SOCIALE, no valor de R$ 
3.022.268,62, geraram a consumação de dano ao erário no valor total de R$ 
3.842.367,97, tendo em vista que esses recursos não foram aplicados no objeto do TP 
nº 001/2012. "118 (Grifos)
Na verdade, aprofundando ainda mais as conclusões do Corpo Técnico, cumpre 
registrar que o dano ao Erário gerado pela empresa SALUTE SOCIALE é consequência direta do 
esquema criminoso orquestrado pelo demandado TUFI MERES na incursão do chamado Terceiro 
Setor na área da Saúde.
Com efeito, restou evidenciado, a partir da análise probatória realizada na 
116 Vide Memória de Cálculo Completa da Folha de Pagamento, elaborada pelo Corpo Técnico, à fl. 255, Anexo XXXVII, deste IC.
117 Vide a Tabela 23, às fls. 73-74 da Informação nº 326/2013. A documentação citada na referida Tabela está acostada, nas respectivas folhas, nos Anexos 
XXIII, XXV, XXVI, XXVIII, XXIX, XXXI e XXXII, deste Inquérito Civil.
118 Fl. 74 da Informação nº 326/2013-DAD.
134
denominada "Operação Assepsia", cujas provas foram devidamente compartilhadas com este IC119, 
que a SALUTE SOCIALE é mais uma das empresas que atuam no esquema criminoso do requerido 
TUFI MERES, conhecido como "o Chefe".
A SALUTE SOCIALE tem como sócios formais as pessoas de Sady Paulo Soares 
Kapps, CPF 134.740.737-53, Hélio Bustamante da Cruz Secco, CPF 738.110.257-91, e Carlos 
Alberto Paes Sardinha, CPF 230.008.137-72, contudo a empresa é gerenciada por TUFI 
SOARES MERES que faz parte do conselho fiscal junto com sua esposa VANIA MARIA VIEIRA. 
Os sócios formais têm plena ciência que TUFI SOARES é o mentor da organização e assumem o 
seu papel operacional dentro da organização, conforme diversos e-mails trocados entre eles.
Além dos sócios formais, TUFI SOARES MERES também conta com o suporte 
de Otto de Araújo Schmidt na gestão da SALUTE SOCIALE/SALUTE VITA. Pelos diversos e-
mails captados, ficou claro o grau de subordinação de Otto de Araújo Schmidt com relação às 
determinações emanadas pelo “chefe”. Após a análise da prova produzida, verifica-se que TUFI 
SOARES MERES120 tem o controle completo do pagamento e das finanças da SALUTE, junto com 
o contador GUSTAVO GONÇALEZ CARNEIRO, que consulta TUFI sobre qualquer pagamento, 
inclusive indicando bens que deviam ser adquiridos em nome da SALUTE SOCIALE, conforme 
diversos e-mails apreendidos, por exemplo:
------- Mensagem original --------
Assunto: Bate-papo com Gustavo Carneiro
De:
Gustavo Carneiro
<gustavogcarneiro@gmail.com>
Para: tmeres@gmail.com
eu: oi
eu: boa tarde
eu: oi gu
Gustavo: Boa tarde
eu: boas
eu: sant foi ai ?
Gustavo: Nao
eu: ok
eu: paga agora HS Informare junho
Gustavo: Ok
eu: preciso 10 as 14,30 para um pg
Gustavo: Ok
119 Decisão de fls. 621-623, v. 2.
120 Utilizava o e-mail tmeres@gmail.com.
135
eu: laboratorio outubro 79.104,33
eu: boletas Cris ?
Gustavo: Total 142
eu: ok
eu: jr ?
eu: M
Gustavo: Total 367
eu: so as velhas do Jr ?
Gustavo: 231
eu: quanto ja passou da marca para salute de outubro ?
Gustavo: 4.8 + 1,3 do 13 salario
Gustavo: Nov = 1,1
eu: ok
eu: ja passou quanto hj de natal
Gustavo: Ia te perguntar agora se faz essa transf., 1.103
eu: não toda
eu: passa 600 marca Nov
eu: 500 Natal
eu: vai ter mais 650 hj na marca
eu: ok ?
Gustavo: Ok
eu: saca 10 para carlos
Gustavo: Jr faz o que?
Gustavo: Ta muuuito dificil sacar, to conseguindo os 10 q vc pediu, mais q isso 
so sei
no final do dia
eu: ta ali no email
eu: ok
eu: e pro carlos
eu: avisa a bele
eu: pode pagar jr M , so o velho
Gustavo: So consigo fazer tudo depois dos 650
Gustavo: Quer que priorize alguma coisa?
eu: entendi
eu: vai chegar
eu: laboratorio
eu: HS
Mensagem original --------
Assunto: Enc: Programação Curso - 08/02/11
Data: Wed, 26 Jan 2011 14:39:45 +0000
De: rosibravo@gmail.com
Responder a: rosibravo@gmail.com
Para: Tufi novo <tmeres@gmail.com>
CC:
Gustavo
<gustavogcarneiro@gmail.com>
Boa tarde Dr!
O curso abaixo é de suma importancia para 3 profissionais da Marca por se tratar 
de prestacao de contas de OS!
Solicitei ao Gustavo, no entanto ele pediu q eu passasse pela sua aprovacao! 
136
Disse ainda q o Sr poderia querer q alguem da Salute tb fosse!
Atente-se q a data para pagamento do boleto é hj, por isso a necessidade de seu 
retorno ainda hj!
Abs
Rosi
Enviado do meu BlackBerry® da Oi.
 Mensagem original --------
Assunto: Fwd: Gama camara - Medicina Nuclear
Data: Thu, 2 Sep 2010 09:47:24 -0300
De: tmeres <tmeres@gmail.com>
Para:
Gustavo Carneiro
<gustavogcarneiro@gmail.com>
Gustavo,
 
Esta aquisição será feita pelo Salute Sociale.
 Favor se comunicar com a empresa vendedora, por aqui, para as providencias,
 Tufi
---------- Mensagem encaminhada ----------
De: raul.ronquete <raul.ronquete@sul-imagem.com.br>
Data: 1 de setembro de 2010 18:42
Assunto: Re: Gama camara - Medicina Nuclear
Para: tmeres@gmail.com
Prezado Dr. Tuffi,
Fvr. informar dados da empresa para cadastro formalização da proposta e 
faturamento.
 Cordialmente,
 Raul Ronquete
Original Message -----
From: tmeres@gmail.com
To: Raul Ronquete
Sent: Wednesday, September 01, 2010 6:02 PM
Subject: Res: Gama camara - Medicina Nuclear
Boa tarde Raul. Ok,vamos fechar a compra. Aguardo!
137
Enviado pelo meu aparelho BlackBerry® da Vivo
From: raul.ronquete <raul.ronquete@sul-imagem.com.br>
Date: Mon, 30 Aug 2010 21:04:40 -0300
To: <tmeres@gmail.com>
ReplyTo: "raul.ronquete" <raul.ronquete@sul-imagem.com.br>
Subject: Gama camara - Medicina Nuclear
Prezado Dr. Tuffi,
 
Estou confirmando as condições de fornecimento do Equipamento para exames 
de Medicina Nuclear conforme acordado em nossa reunião de 30/08/2010.
 Valor do equipamento: 126,000 Us$ (cento e vinte e seis mil dolares 
americanos) ao câmbio de R$ 1,80/ dolar
Sinal de 15% R$ 34.020,00 na assinatura da proposta
9 parcelas iguais de R$ 21.420,00 a 1a. 30 dias após a assinatura.
 Fvr. dar o " de acordo" retornando o e-mail.
 
Cordialmente,
 
Raul Ronquete
Comercial -RJ
(21)2187-6800 - 9857-9949
- Mensagem original --------
Assunto:
Fwd: Nucleo - Folha de Pagamento e
Encargos - 10/2011
Data: Mon, 7 Nov 2011 09:02:38 -0200
De: tmeres <tmeres@gmail.com>
Para: Anselmo carvalho
<anselmodiasdecarvalho@gmail.com
>, sandrovaz.rh@gmail.com
Bom dia,
138
 Anselmo e sandro,
 Favor fazer uma inspeção nesta folha para sabermos se está sendo executada 
com
critérios tecnicos.Se está correta.
 Vejam e me informem , se for feira pelo Salute , qual a economia que 
podemos alcançar.
 Se a economia for significativa ,vou propor mudar para o Salute,
Grato,
 Tufi
(Grifos acrescidos)
Portanto, evidente está que a feitura do denominado "Convênio", realizado entre a 
Associação MARCA e a SALUTE SOCIALE, foi mais uma forma orquestrada pelo esquema 
criminoso comandado por TUFI e seus intermediários para promover essa verdadeira sangria nos 
cofres públicos estaduais, tudo com a conivência e aquiescência do mais alto escalão do Governo do 
RN, como já foi dito ao longo desta peça.
DA FALTA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROVANDO A EFETIVA PRESTAÇÃO DOS 
SERVIÇOS CONTRATADOS OU DOS BENS ADQUIRIDOS 
Analisando as prestações de contas do Termo de Parceria 001/2012, o Corpo 
Técnico do TCE/RN considerou irregulares pagamentos efetivados por serviços cuja prestação 
não restou comprovada, no vultoso valor de R$ 6.149.582,74 (seis milhões, cento e quarenta e 
nove mil, quinhentos e oitenta e dois reais e setenta e quatro centavos).
Segundo o Corpo Técnico do aludido Órgão, essa irregularidade foi identificada 
nas prestações dos serviços das seguintes empresas contratadas pela MARCA: 
a) Núcleo de Saúde e Ação Social – SALUTE SOCIALE, no valor de R$ 
2.712.560,35 (dois milhões, setecentos e doze mil, quinhentos e sessenta reais e trinta e cinco 
centavos);
139
b) Olivas Planejamento, Assessoria e Serviços S/C Ltda – ME, no valor de 
R$ 394.170,00 (trezentos e noventa e quatro mil, cento e setenta reais);
c) Núcleo Serviços Diagnósticos Ltda., no valor de R$ 185.823,00 (cento e 
oitenta e cinco mil, oitocentos e vinte e três reais); 
d) Health Solutions Ltda, no valor de R$ 64.863,50 (sessenta e quatro mil, 
oitocentos e sessenta e três reais cinquenta centavos); 
e) Adventus Group e Consultores Ltda., no valor de R$ 2.768.225,89 (dois 
milhões, setecentos e sessenta e oito mil, duzentos e vinte e cinco reais e oitenta e nove centavos); 
f) Espíndola & Rodrigues Assessoria Contábil Ltda. – ME, no valor de R$ 
20.000,00 (vinte mil reais); e
g) Azevedo & Lopes Auditores Independentes, no valor de R$ 3.940,00 (três 
mil, novecentos e quarenta reais). 
A informação técnica do Corpo Técnico do TCE detalhou cada uma dessas 
contratações ilegais, conforme se verá a seguir.
A) DO NÚCLEO DE SAÚDE E AÇÃO SOCIAL – SALUTE SOCIALE: 
 
Além dos já citados repasses irregulares para a SALUTE SOCIALE, acrescentou 
o Corpo Técnico que, em relação à documentação apresentada pela Associação MARCA com o 
intuito de comprovar as despesas realizadas com pessoal, apenas se pôde considerar comprovados 
os gastos com as despesas de vales-transportes, no valor de R$ 11.125,89 (onze mil, cento e vinte e 
cinco reais e oitenta e nove centavos), uma vez que apenas essas foram devidamente evidenciadas 
pela entidade parceira.
Com efeito, informou o Corpo Técnico que os gastos com salários, no valor de R$ 
2.019.453,34 (dois milhões, dezenove mil, quatrocentos e cinquenta e três reais e trinta e quatro 
centavos); insalubridade, no valor de R$ 210.028,85 (duzentos e dez mil, vinte e oito reais e oitenta 
e cinco centavos); abono/hora extra/adicionais, no valor de R$ 148.165,88 (cento e quarenta e oito 
mil, cento e sessenta e cinco reais e oitenta e oito centavos); e encargos trabalhistas, no valor de R$ 
334.912,28 (trezentos e trinta e quatro mil, novecentos e doze reais e vinte e oito centavos), 
devidamente detalhados no Anexo 9, cujos valores totais perfazem a quantia de R$ 2.712.560,35, 
não foram devidamente comprovados, ferindo assim a alínea “c” da cláusula quarta do Termo de 
140
Parceria nº 001/2012121, a qual determina que a entidade parceira apresente a comprovação dos 
pagamentos de salários, obrigações trabalhistas, encargos sociais e alimentação dos 
funcionários contratados. 
Esclareceu o Corpo Técnico que as despesas deveriam ser comprovadas mediante 
os seguintes documentos: holerites assinados e datados, ou comprovantes de pagamentos, mediante 
autenticação bancária, com identificação dos beneficiários, ou ainda folhas de pagamentos 
assinadas pelos beneficiários, com a devida identificação destes, assim como a comprovação tanto 
do recolhimento do FGTS por meio das informações à Previdência Social (GFIP) como o 
recolhimento do INSS retido dos funcionários, sendo que a comprovação do FGTS mediante GFIP 
deverá ser individualizada com vistas a identificar somente os funcionários contratados para o 
Termo de Parceria nº 001/2012. 122 Assim, concluiu a auditoria:
"(...) diante desta constatação, conclui-se que a Associação MARCA não comprovou 
devidamente nas prestações de contas os recursos públicos utilizados para pagamentos 
com despesas com pessoal. Conduta que culminou em dano ao erário estadual pela 
ausência da efetiva contraprestação dos serviços contratados, descumprindo, assim, a 
alínea “c” da cláusula quarta do TP nº 001/2012, bem como os princípios da 
transparência e da moralidade (CF, art. 37), motivo pelo qual deve responder 
solidariamente a empresa Núcleo de Saúde e Ação Social – SALUTE SOCIALE (CNPJ 
nº 32.088.890/0001-21), pelo débito de R$ 2.712.560,35. "123
B) OLIVAS PLANEJAMENTO, ASSESSORIA E SERVIÇOS S/C LTDA.: 
 
Detectou o Corpo Técnico que a empresa Olivas Planejamento, Assessoria e 
Serviços S/C Ltda. – ME, inscrita no CNPJ nº 07.404.400/0001-01, com sede no município de São 
José do Vale do Rio Preto, no Estado do Rio de Janeiro, foi beneficiada, no período de 12/6/2012 a 
23/10/2012, com sete transferências diretas no montante de R$ 394.170,00 (trezentos e noventa 
quatro mil, cento e setenta reais).124
Registrou a Auditoria que se tratou de uma "contratação de serviços cujo objeto 
possui características totalmente genéricas e com pouca definição. Além disso, constam nos autos 
apenas as notas fiscais de prestação de serviço, não existindo qualquer documentação adicional que 
comprove a regular e efetiva execução dos serviços prestados, tais como relatórios com conclusões 
121 Vide fl. 277, v. 1.
122 Vl. 75, da Informação 326/2013-DAD.
123 Vide fls.
124 Vide Tabela 24, à fl. 76 da Informação 326/2013-DAD. Os documentos referidos nessa Tabela estão acostados, nas respectivas páginas, nos Anexos XXIV, 
XXV, XXX e XXXVI.
141
e recomendações dos consultores, bem como as ações públicas levadas a efeito com base em tais 
conclusões e recomendações, com ênfase nos resultados obtidos. "125
Deveras, ao observar o Contrato de Prestação de Serviços126 celebrado entre a 
ASSOCIAÇÃO MARCA, por meio de sua diretora, a demandada ELISA ANDRADE DE 
ARAÚJO, e a empresa OLIVAS PLANEJAMENTO E ASSESSORIA, representada pela 
demandada ROSIMAR GOMES BRAVO E OLIVEIRA, vê-se o quão genérico é o seu objeto, qual 
seja, a "prestação de serviços de assessoria, consultoria, implantação, acompanhamento, 
controle e apoio a gestão do Hospital da Mulher, a fim de atender ao Termo de Parceria nº 
001/2012", celebrado no dia 29/12/2012, curiosamente o mesmo dia em que foi assinado o referido 
Termo de Parceria.
Registrou o Corpo Técnico do TCE, tomando por base um caso análogo ao 
presente, referente ao contrato de gestão com uma organização social para a prestação dos serviços 
públicos de saúde no município de Carazinho/RS, que, no julgamento do processo nº 6492-
02.00/08-3, o Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul entendeu pela irregularidade de 
“pagamento efetivado por serviços de assessoria cuja prestação não restou comprovada ou cuja 
finalidade não atenda ao interesse público”. 127
Desse modo, concluiu a Auditoria que "a Associação MARCAnão comprovou 
devidamente nas prestações de contas dos recursos públicos utilizados para pagamentos com 
despesas de assessoria e consultoria, descumprindo os princípios norteadores da administração 
pública, insculpidos no art. 37 da CF/88, sobretudo, os da transparência e da moralidade, motivo 
pelo qual deve responder solidariamente a empresa Olivas Planejamento, Assessoria e Serviços 
S/C Ltda. – ME (CNPJ nº 07.404.400/0001-01), pelo débito de R$ 394.170,00."128
Ocorre que, aprofundando ainda mais essa contratação, a partir dos elementos 
colhidos na denominada "Operação Assepsia", que descortinou o esquema de corrupção da 
Associação MARCA na Secretaria Municipal de Saúde de Natal/RN129, verificou-se que a 
contratação da aludida entidade por parte do Estado do RN não se restringiu apenas à citada OSCIP, 
mas englobava um pacote de outras empresas do esquema ilícito (SALUTE SOCIALE, 
HEALTH SOLUTIONS LTDA, ARTESP, OLIVAS, LABORATÓRIO ZONA SUL / NÚCLEO 
125 Vide fls. 76-77 da Informação 326/2013-DAD.
126 Vide fls. 1.185-1192, Anexo IV.
127 Fl. 77 da Informação nº 326/2013-DAD.
128 Fl. 77 da Informação nº 326/2013-DAD.
129 As provas colhidas durante a Operação Assepsia foram compartilhadas com este IC, por meio da decisão judicial de fls. 621-623.
142
DE DIAGNÓSTICO, dentre outras), que foram contratadas para prestar serviços ao Poder 
Público Estadual por meio da Associação MARCA, sem ter que se submeter a um processo 
licitatório.
Ora, o Termo de Parceria celebrado entre um ente da federação e uma organização 
social representa a administração direta dos recursos do erário por parte de uma entidade privada, 
razão porque esta última não pode almejar lucro. Para burlar a regra da distribuição dos lucros 
aos sócios e associados prevista Lei n.º 9.790/99 (OSCIP's), ROSIMAR GOMES BRAVO E 
OLIVEIRA (Rose Bravo) e seu esposo ANTONIO CARLOS DE OLIVEIRA JUNIOR 
(Maninho) adotaram a seguinte tática:
a) colocaram seus empregados como dirigentes da ASSOCIAÇÃO MARCA, 
enquanto eles continuaram a ser os verdadeiros proprietários da instituição;
b) criaram uma empresa (OPAS - OLIVAS PLANEJAMENTO ASSESSORIA E 
SERVICOS S/C LTDA, CNPJ 07.404.400/0001-), que passou a ser permanentemente contratada 
pela MARCA para prestar “assessoria”, e justificar a saída de recursos da OSCIP para a empresa do 
casal, a fim de que isso não fosse identificado com distribuição de lucros.
A movimentação de parte do dinheiro decorrente do Termo de Parceria nº 
001/2012 seguiu o caminho traçado no organograma abaixo:
Secretária Estadual de Saúde – SESAP
(repassa os recursos para a OSCIP)
↓
ASSOCIAÇÃO MARCA 
(recebe os recursos, conforme Termo de Parceria)
↓
OLIVAS PLANEJAMENTO 
(contratada para prestar “assessoria” à MARCA)
↓
ROSIMAR BRAVO E ANTONIO CARLOS 
(verdadeiros proprietários da MARCA, juntamente com TUFI MERES, recebem os 
recursos por intermediação da OLIVAS)
143
Com efeito, conforme já esmiuçado nesta peça, a partir da análise das tratativas 
traçadas entre os membros da MARCA, obtidas mediante autorização judicial durante a Operação 
Assepsia, comprovou-se que ROSIMAR GOMES BRAVO E OLIVEIRA, vulgo ROSE 
BRAVO, apesar de não mais constar oficialmente como sócia da MARCA, continuava de fato 
dela fazendo parte, haja vista que ROSE, juntamente com seu esposo, ANTÔNIO CARLOS 
DE OLIVEIRA JÚNIOR, vulgo MANINHO, e TUFI MERES, foram as pessoas que 
coordenaram todo o esquema para a contratação da MARCA para gerir o HOSPITAL DA 
MULHER em Mossoró.
Essa fato foi confirmado pelo próprio demandado Domício Arruda, quando 
ouvido pela Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público da Comarca de Natal (fls. 05-
07, v.1), o qual afirmou que "foi feito o convite para a MARCA administrar o Hospital da Mulher, 
visto que a entidade tinha experiência no município de Natal; que teve uma reunião com ROSE 
BRAVO e MANINHO na SESAP, em janeiro de 2012, onde o depoente informou a situação de 
saúde de Mossoró e fez o convite verbal para a MARCA assumir o Hospital." E ainda, o requerido 
Domício Arruda revelou que Rose Bravo era uma espécie de "representante executiva da 
MARCA" para instalar o Hospital da Mulher em Mossoró, segundo depoimento judicial por ele 
prestado130.
Portanto, de fácil percepção que foi repetido o mesmo esquema criminoso 
realizado no âmbito do Município de Natal, desta vez na Secretaria Estadual de Saúde do Rio 
Grande do Norte, lesando o patrimônio público de forma avassaladora, tudo com a conivência do 
mais alto escalão do Governo.
NÚCLEO SERVIÇOS DIAGNÓSTICOS LTDA.: 
Apurou o Corpo Técnico do TCE/RN que a empresa Núcleo Serviços 
Diagnósticos Ltda., inscrita no CNPJ nº 11.780.146/0001-13, sediada no município de Duque de 
Caxias, no Estado do Rio de Janeiro, foi beneficiada com recursos do Termo de Parceria nº 
001/2012 no valor de R$ 185.823,00 (cento e oitenta e cinco mil, oitocentos e vinte e três reais).131
130 Vide depoimento judicial prestado por Domício Arruda nos autos do processo criminal n. 0125526.25.2012, no CD acostado à fl. 871, v. 3.
131 Vide Tabela 25, à fl. 77 da Informação nº 326/2013-DAD. Os documentos citados nessa tabela estão acostados, nas respectivas páginas, nos Anexos XXV, 
XXVIII e XXX.
144
Segundo a Auditoria, não existe nos autos da prestação de contas da Associação 
MARCA contrato firmado entre a citada pessoa jurídica e a Associação, não sendo possível 
identificar o objeto contratado. Contudo, com base tanto nos dados das notas fiscais quanto nos do 
CNPJ da empresa supostamente contratada, afere-se que o tipo de serviço prestado pela referida 
empresa seria de exames laboratoriais e ambulatoriais. 132
Dessa forma não foi possível ao Corpo Técnico identificar o quantitativo dos 
serviços adquiridos, tampouco a comprovação efetiva da prestação desses serviços, haja vista não 
existir nas prestações de contas documentação comprobatória que confirme o fornecimento de 
exames laboratoriais e ambulatoriais.
Ocorre que as irregularidades não param por aí. O Corpo Técnico relatou 
inúmeras ilegalidades relativas à empresa Núcleo de Diagnósticos Ltda., constatadas pelo Sr. 
Marcondes de Souza Diógenes Paiva durante o período em que atuou como interventor judicial a 
frente das AME`s Nova Natal, Brasília Teimosa, Planalto e da UPA de Pajuçara, as quais 
foram geridas pela Associação MARCA. As referidas irregularidades constam nos relatórios da 
Administração Judicial133dos meses de julho, agosto e setembro/outubro, dentre as quais se 
destacam:
a) conclui-se, com base no relatório de julho, que os exames dos pacientes eram 
supostamente realizados no Rio de Janeiro/RJ, os quais eram enviados diariamente por via aérea, 
colocando em questão a viabilidade econômica do acordo e, sobretudo, a qualidade desses 
resultados. Além disso, constatou-se uma grande quantidade de exames não entregues aos pacientes;
b) em relação ao relatório de agosto, conclui-se que a empresa Núcleo Serviços 
Diagnósticos Ltda., além de não prestar o serviço diretamente, não possuía o registro no Conselho 
Regional de Farmácia do RN, assim como funcionava sem Alvará Sanitário. Além disso, segundo as 
informações prestadas pelo Sr. Gilson Marques Teodoro, funcionário da referida empresa, a 
chefia da organização é do Sr. Tufi Soares Meres, sendo a administração desta realizada na empresa 
SALUTE SOCIALE.134
Aprofundando ainda mais o esquema criminoso, a partir da análise do material 
probatório apurado na Operação Assepsia135, afere-se que O NÚCLEO SERVIÇOS 
132 Fl. 78 da Informação nº 326/2013 - DAD.
133 Vide Relatórios do Interventor Judicial na Associação MARCA, acostados ao Anexo XXII, deste IC.
134 Vide fl. 32, Anexo XXII.
135 O compartilhamento dasprovas da Operação Assepsia foi devidamente autorizado por meio da decisão judicial que repousa às fls. 621-623. v. 2.
145
DIAGNÓSTICOS LTDA. na verdade é outra empresa ligada a TUFI SOARES MERES, 
administrada por MONIQUE MONTEIRO MARTINS, PAULO FERNANDO VILLELA 
FERREIRA e VICENTE SEMI ASSAN SALEK, conforme se verifica nos seguintes e-mails 
captados:
------- Mensagem original --------
Assunto: Fwd: Re: Contrato
Data: Fri, 5 Aug 2011 14:48:58 -0300
De: tmeres <tmeres@gmail.com136>
Para: monique monteiro
<moniquemm3@gmail.com>
Veja como vc é injusta comigo e só tem feito me ofender...
 
As 12:38 recebo um email do Paulo me comunicando que mandou a alteração
contratual.
 
As 12:39 eu respondo perguntando a ele como ele estipulou as cotas ?
 
As 13:29 ele me responde que fez proporcional a participação de cada um , e me 
manda
planilhas anexas
As 13:59 eu solicito que faça as cotas iguais e retire da Jane o que vai completar 
as suas.
 
As 12:51 vc ja me pergunta pra que te coloquei com 3,23
 
As 12:52 eu te pergunto o que vc ta falando,pois não havia lido o email do Paulo 
nem
falado com ele.
 
As 12:53 vc ja sai me jogando pedras e fazendo afirmações , quando eu não sabia 
siquer
ainda o que o mPaulo havia feito, ele so me respondeu
136 e-mail utilizado por TUFI MERES.
146
 
as 13:29 .
 
As 13:59 eu peço que tire da Jane ( são minhas as cotas e não dela ) e passe pra 
vc pra
igualar com os outros socios.
 
As 14 :01 vc me fala que minha atitude é desprezivel, pois deveria igualar aos 
demais.
Foi exatamente o que fiz , tinha 2 minutos antes.
 
As 14:58 vc continua me ofendendo, dizendo que agora quero que saia... Há uma 
hora
atráz eu pedi ao Paulo para igualar,havia comentado
 
com ele que talvez até deixase as minhas cotas tambem com vc .
 
Quanto destempero, quantas ofensas .
 
O Paulo tá no exterior, fez as coisas da cabeça dele, não conversamos.
 
não seja tão ingrata assim...
---- Mensagem original --------
Assunto: Fwd: Upa
Data: Thu, 20 Jan 2011 11:42:47 -0300
De: Tufi Meres <tmeres@gmail.com>
Para: pfvillela@gmail.com, vicente.salek@salek.com.br,
sidneilopes@hsolutions.com.br, wjg@dmed.com.br
CC: moniquemm3@gmail.com
Senhores,
Solicito que avaliem a possibilidade real de instalarmos o Nucleo em Natal com
urgencia ,visto que o laboratorio que presta servicos no momento,nao atende
satisfatoriamente a demanda atual,e que como esta demanda aumentara 
147
significamente
no decorrer dos proximos meses,inclusive com abertura de novas unidades,no 
meu
entender sera economicamente viavel !
Sent from my iPad
-------- Mensagem original --------
Assunto: Fwd: Fw: pedidos da UPA Natal
Data: Thu, 23 Jun 2011 20:34:36 -0300
De: Paulo Villela <pfvillela@gmail.com>
Para: Tufi Soares Meres <tmeres@gmail.com>,
Salek - Vicente
<vicente.salek@salek.com.br>, Monique
<moniquemm3@gmail.com>
Prezados
Estamos mudando a qualidade em Natal, vamos acompanhar
abs
Paulo Villela
---------- Mensagem encaminhada ----------
De: Andre Freitas ::: Nucleo Diagnosticos
<andre.freitas@nucleodiagnosticos.com.br>
Data: 23 de junho de 2011 17:25
Assunto: Re: Fw: pedidos da UPA Natal
Para: Paulo Villela <pfvillela@gmail.com>
Já avisei ao Gilson. As máquinas chegam e logo em seguida o engenheiro para
montagem e a assessoria científica para treinamento.
---- Mensagem original --------
Assunto: Fwd: MOBILIÁRIOS E OUTROS
Data: Thu, 17 Nov 2011 21:40:19 -0200
De: monique monteiro
<moniquemm3@gmail.com>
Para: Miriam Lima ::: Dmed
<miriam.lima@dmed.com.br>
148
CC: Tufi Soares Meres
<tmeres@gmail.com>, Paulo Villela
<pfvillela@gmail.com>,
vicente.salek@salek.com.br, "Andre
Freitas ::: Nucleo Diagnosticos"
<andre.freitas@nucleodiagnosticos.co
m.br>, Wagner <wjg@dmed.com.br>
Boa noite Miriam!
Realmente não consigo entender como o nucleo ainda possa estar devendo algo a
DMED, penso que quando o Wagner e o Tufi resolveram a dissolução e fizeram 
um
acordo onde o Wagner recebeu tudo o que solicitou, o assunto se deu por 
encerrado.
Vamos por favor aproveitar que os dois estão copiados e se entendem muito bem,
resolvam mais essa questionavel divida.
O Andre não tem condições de responder por algo que não faz parte do trabalho 
dele.
Qualquer questao pendente terá de ser resolvida entre o Wagner e o Tufi.
Att
Monique
--- Mensagem original --------
Assunto: Re: upa senador camara
Data: Sun, 20 Feb 2011 20:52:53 -0300
De: Rosi Bravo
<rosibravo@gmail.com>
Para: vicente.salek@salek.com.br
CC: Tufi Soares Meres
<tmeres@gmail.com>
Boa noite Vicente!
 Preciso de notícias sobre os laboatórios das AMEs e UPA de Natal.
 Eles estão me perguntando até quando se dará a prestação de serviços deles.
 Viegas havia falado que dia 20 estaria com o laboratório da UPA funcionando, 
mas não
149
me deu mais nenhuma notícia e por isso já avisei o Roberto garcia que ele ficará 
até dia
28.
 No aguardo
 Rosi
 Mensagem original --------
Assunto: Bate-papo com Nik em 14/8/2011
Data: Sun, 14 Aug 2011 13:52:47 +0000
De: tmeres@gmail.com
Responder a: tmeres@gmail.com
Para: Abrao Meres <merest9@gmail.com>
Participantes:
-------------
Merest, Nik
Mensagens:
---------
Merest: Vc ta muito ligada !!!
Merest: Saudade ...
Merest: Cade vc ?
Nik: Estava discutindo com a Riziele o tamanho da "cacada" que esse
povo do nucleo fez aqui. Amor, e mta maluquice com o dinheiro alheio.
Esse imovel de 4.500 todo fudido a arquiteta mostrou ontem o quanto de
obra.
Nik: A Riziele disse que essa uma area de risco para esse tipo de
negocio. Existe um local onde ficam clinica e laboratorios.
Merest: Entendi
Nik: Mas tudo bem vou pontuar tudo com calma para voce.
Merest: Sim
Merest: Precisamos fazer mudancas
Merest: E vamos fazer...
Nik: Muitas e rapido, as decisoes sao simples porque o dinheiro nao e
deles
Merest: Eu sei
Nik: Ninguem quer ficar no local porque e longe e ai manda fazer,
150
manda fechar negocio, manada pagar.
Nik: Fui no contador, uma merda, nao fez nada ate hj, e assim vai. So
dinheiro jogado fora. Mas te darei detalhes concretos sobre tudo ok?
Merest: Ok
Merest: Vc e mil
Nik: Estou em outra reuniao, mas mutreta do ze. Dps te falo.
Merest: Ok
Merest: Tambem to aqui ...
Nik: Ok
Nik: Vou te encaminhar, um email do paulo mais nao responda apenas
analise e depois falamos.
Merest: Ok
Nik: Você fez minha ted?
Merest: Sim
Nik: Cef ou BB
Merest: Vou ver
Nik: Ok
Merest: Vc vem ?
Nik: Sim, estou saindo da ultima empresa, vamos comer algo e aeroporto
Nik: Chego as 19
Merest: Ok
Merest: cef
Nik: Ok ja vi o recibo
Merest: Bj
Nik: Bj
Nik: Você vai subir hoje?
Merest: Iria sim
Merest: Mas ?
Merest: Oi
(...)
nilopolis e na cidade. E dia de sexta você vai para casa.
Merest: Mas tenho o dia todo
Merest: Algum horario vc tem
Nik: Mas eu nao, so tenho a noite.
Merest: E a empresa ? Nao vai trabalhar hoje ?
151
Nik: Estou trabalhando mais do que você pensa, tenho chegado as 8:30 e
saido as 20h.
Merest: Eu tenho visto...
Nik: Ali tem muito trabalho, issob ninguem quer, acho que o que
interessa e o lugar do wagner.
Nik: A preocupacao e tratar com fornecedor mais nada.
Merest: Fique tranquia e toca tuas coisas
Merest: Assim que puder , me fala .
Merest: Almoco tambem ocupada ?
Nik: O email de ontem tem gestao, administracao e financeiro. Mas estamos 
jogando dinheiro pelo ralo, deixando a desejar com mao de obra, a contabilidade de natal nao 
existe, fui ao contador e um louco incompetente, peguei o numero de umapessoa com a riziele. Fui 
a um fornecedor com o andre e desfiz mais um esquemao do wagner. A nossa
conta do rio nao tem provisao. Aqui onde temos 11 unidades nao temos um 
central. Mas nao posso me meter...
Merest: Estava me arrumando pra sair , desci com meu genrro
Merest: Vc pode e deve se meter sim
Merest: Independente de ser de minha confianca ...
Merest: Vc e socia ...
Merest: A partir desta semana , vou conversar com todos e vc passara a
ser vista como socia enao funcionaria...
Merest: Vou enquadrar o Paulo
Merest: Vc deve ver a empreza daqui pra frente
Merest: Nova empreza
Merest: Novos metodos
Merest: O pra traz, fica como exemplo
Merest: As 9:10 te perguntei : almoco tambem ocupada ?
Nik: Estou sim, mas estarei no centro as 16h
Merest: Ok
Merest: Estou no centro na R B
Nik: Ok
Nik: 17;40 onde?
Nik: ?????
Nik: ????
Merest: 17:40
152
Nik: Sim, para encontar onde?
Merest: No 2 ? Nao vou la ha tempos .
Nik: Ok, mas sem me deixar esperar.
Merest: Sim
Portanto, claro está que a suposta prestação de serviços pela NÚCLEO 
SERVIÇOS DIAGNÓSTICOS, mais uma das empresas do esquema criminoso da Associação 
MARCA, foi outra forma de malversação e desvio do dinheiro público, razão pela qual o Corpo 
Técnico do TCE lhe imputou responsabilidade solidária com a Associação MARCA pelo 
ressarcimento ao erário do valor de R$ 185.823,00 (cento e oitenta e cinco mil, oitocentos e vinte e 
três reais), visto que não comprovou devidamente, nas prestações de contas, os recursos públicos 
utilizados para pagamentos das despesas com exames laboratoriais e ambulatoriais.
HEALTH SOLUTIONS LTDA 
Apurou o Corpo Técnico do TCE/RN que a empresa Health Solutions Ltda., 
inscrita no CNPJ nº 05.113.395/0001-52, sediada na cidade do Rio de Janeiro/RJ, recebeu por meio 
da Associação MARCA recursos provenientes do Termo de Parceria nº 001/2012, no valor de R$ 
64.863,50 (sessenta e quatro mil, oitocentos e sessenta e três reais e cinquenta centavos).137
Ocorre que não há nos autos de prestação de contas qualquer contrato pactuado 
entre a Health Solutions Ltda. e a Associação MARCA. A partir da análise das notas fiscais 
apresentadas nas prestações de contas, o Corpo Técnico inferiu que os pagamentos à referida 
empresa seriam relativos à prestação de serviços de implantação e manutenção do sistema de gestão 
do estoque no Hospital da Mulher em Mossoró/RN.
Ainda, a Auditoria não constatou nos autos a comprovação de que tal serviço de 
instalação e manutenção do sistema de gestão dos estoques de almoxarifado e farmácia do Hospital 
da Mulher foi devidamente implantado e, por sua vez, que se encontra em pleno funcionamento, 
faltando a devida comprovação da efetiva contraprestação desses serviços.
Desta feita, concluiu o Corpo Técnico do Tribunal de Contas pela irregularidade 
das despesas apresentadas pela Associação MARCA cujos recursos foram utilizados para 
137 Vide Tabela 26, à fl. 79 da Informação nº 326/2013-DAD. Os pagamentos relacionados nessa Tabela estão acosta-
dos, nas respectivas páginas, nos Anexos XXIV e XXXVI.
153
pagamento à empresa Health Solutions Ltda. (CNPJ nº 05.113.395/0001-52), asseverando que 
devem responder solidariamente pelo débito de R$ 64.863,50 (sessenta e quatro mil, oitocentos e 
sessenta e três reais e cinquenta centavos).
Ocorre que, da mesma forma das empresas anteriores, foi apurado na denominada 
Operação Assepsia que empresa HEALTH SOLUTIONS fazia parte do núcleo empresarial da 
Associação MARCA.
A partir da análise das provas colhidas na referida operação, devidamente 
compartilhadas com este IC, infere-se que, formalmente, a HEALTH SOLUTIONS LTDA, CNPJ 
05.113.395/0001-52, pertence a SIDNEY AUGUSTO PITANGA DE FREITAS LOPES, CPF 
105.494.127-00, sem qualquer ligação aparente com o grupo liderado por TUFI SOARES MERES. 
Todavia, a empresa tem uma sociedade em conta de participação com a empresa 
ITAYPARTNERS INTERMEDIAÇÃO E CORRETAGEM DE NEGÓCIOS LTDA ME, 
pertencente a TUFI SOARES MERES e a sua esposa VANIA MARIA VIEIRA, ficando o 
líder da organização e sua esposa com 50% (cinquenta por cento) dos lucros nesta contratação. 
Deste modo, contratar a HEALTH SOLUTIONS LTDA é contratar TUFI 
SOARES MERES, interpostos, na negociação, pela ITAYPARTNERS INTERMEDIAÇÃO E 
CORRETAGEM DE NEGÓCIOS LTDA ME, com quem a HEALTH SOLUTIONS LTDA. 
desenvolve parceria comercial, conforme se extrai dos e-mails abaixo relacionados:
Mensagem original --------
Assunto: HS x Itaypartners
Data: Wed, 5 Oct 2011 12:21:30 -0300
De:
Leonardo Berenhauser
<lberenhauser@gmail.com>
Para:
Eduardo Schmidt
<eduardo.schmidt@slk.adv.br>
CC: tmeres <tmeres@gmail.com>
Prezado Eduardo,
154
Conforme contato por telefone, segue em anexo o Contrato a ser celebrado entra 
a HS e a Itaypartners.
Vou tentar resumir um pouco para vc entender a necessidade desta SCP. A HS 
desenvolveu um software (DOC 1) para atender as necessidades hospitalares, e por sua vez, a 
itaypartners faz parte desta criação e desenvolvimento do produto. Mas a Itay somente quer 
participar no direito do produto a ser comercializado pela HS. Portanto todas as responsabilidades 
irão recair sobre a HS, e a Itay só tera participação no lucro final do produto, caso haja uma 
comercialização do mesmo.
Tenho algumas duvidas quanto aos pontos marcados em amarelo e em vermelho 
no contrato.
A primeira duvida é quanto a Especificação do Produto. Na parte do Objeto 
Social, coloquei o nome do produto objeto deste contrato, e coloquei entre parenteses o DOC 1,
que seria uma explicação do produto. Queria saber se tem algum problema 
anexar a especificação do produto no Contrato? Pois acredito que colocando, estamos nos 
resguardando melhor.
A segunda duvida é quanto ao Capital Social da SCP. É necessario ter Capital 
social? Pois não sei como seria esta parte? Ou podemos fazer sem capital social?
A terceira questão é sobre a cláusula nona. O pro Labore neste caso tb é 
necessario? É obrigado ter uma remuneração para os socios? Se sim, precisa ser estabelecido no 
Contrato ou não o valor/porcentagem a ser retirado?
Acho que é isso. Peço que caso haja necessidade de modificar, implementar ou 
excluir algo, sinta-se a vontade.
Agradeço sua atenção!
Um Abraço!
-- 
Leonardo V. B. Borba
 + 55 24 8855-7902
 Mensagem original --------
Assunto: HS x ITAYPARTNERS
Data: Mon, 10 Oct 2011 12:11:38 -0300
De: Leonardo B.
<lberenhauser@gmail.com>
Para: <helio.bustamante@salutesociale.org.br
CC: <tmeres@gmail.com>
155
Prezado Hélio,
Segue em anexo o Contrato e o Descritivo do Objeto (Anexo I) que serão 
utilizados para formalizar o contrato.
Peço que seja assinado e rubricado em 03 vias, incluindo o Anexo I.
Assim que estiver com as 03 vias assinadas pela HS, solicito que entre em 
contato para que eu possa colher as demais assinaturas e reconhecer firma em cartório.
Aguardo seu retorno.
Um Abraço,
 
Leonardo V. B. Borba
“Pelo presente instrumento e na melhor forma de direito, de um lado, HEALTH SOLUTION 
LTDA, com sede no município do Rio de Janeiro, estabelecida na Avenida das Américas, 3.434, Bloco 05, Salas 
205/206, Barra da Tijuca, inscrita no CNPJ/MF sob o n° 05.113.395/0001-52, doravante denominada SÓCIA 
OSTENSIVA; e do outro lado, ITAYPARTNERS INTERMEDIAÇÃO E CORRETAGEM DE NEGÓCIOS 
LTDA ME, com sede no município de Petrópolis, estabelecida na Estrada União Indústria, 10.126, Itaipava, inscrita 
no CNPJ/MF sob o n° 35.842.715/0001-76, doravante denominada SÓCIA PARTICIPANTE; resolvem constituir 
uma Sociedade em Conta de Participação – SCP, regida pelas cláusulas seguintes:
CLÁUSULA PRIMEIRA:
A SCP será uma sociedadenão personificada, que se regerá pelos artigos 991 à 996 da
Lei n o 10.406 de 10 de janeiro de 2002, que instituiu o Novo Código Civil Brasileiro.
CLÁUSULA SEGUNDA:
O prazo de duração da sociedade será indeterminado, iniciando suas atividades a partir
da assinatura deste instrumento.
CLÁUSULA TERCEIRA:
A sociedade tem por objetivo o aperfeiçoamento e a comercialização de um Sistema Hospitalar 
Informatizado denominado SALUTESYS – Sistema de Gestão de Saúde, desenvolvido em conjunto pelas contratantes 
e cujo descritivo encontra-se no Anexo I, utilizando-se para isso da denominação comercial da SÓCIA OSTENSIVA.
PARÁGRAFO PRIMEIRO: O compromisso da guarda dos códigos fontes deve ser atualizado 
sistematicamente e compartilhado entre as sócias ora contratantes.
PARÁGRAFO SEGUNDO: Toda e qualquer modificação, aperfeiçoamento e/ou
evolução do sistema informatizado em apreço faz parte de sua expansão e regular 
desenvolvimento.
CLÁUSULA QUARTA:
O capital social da SCP no ato da assinatura deste instrumento, subscrito e integralizado
pelas partes é de R$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil reais), assim distribuído entre as
sócias participantes:
a) SÓCIA OSTENSIVA – subscreve e integraliza 50% do capital social da SCP no
156
valor de R$ 75.000,00 (setenta e cinco mil reais), neste ato;
b) SÓCIA PARTICIPANTE – subscreve e integraliza 50% do capital social da SCP no
valor de R$ 75.000,00 (setenta e cinco mil reais), neste ato.”
Outrossim, restou apurado na Operação Assepsia que os recursos da 
ITAYPARTNERS INTERMEDIAÇÃO E CORRETAGEM DE NEGÓCIOS LTDA ME também são 
utilizados para aquisição de imóveis e depois estes bens retornam para a família MERES, conforme 
e-mail abaixo: 
-------- Mensagem original --------
Assunto: Re: Extravio de Documentos Fiscais
Data: Wed, 7 Dec 2011 14:54:40 -0200
De: tmeres <tmeres@gmail.com>
Para:
Eduardo Schmidt
<eduardo.schmidt@slk.adv.br>
Boa tarde Eduardo.
 
Podemos nos reunir na segunda feira , em horario a ser marcado entre nós.
 
Solicito que vc agilise aqueles processos de baixa da Itaypartners, Junto a Justiça 
Federal, para que o meu Filho Bernardo possa registrar a escritura de seu apartamento, que ele 
comprou da Itaypartners, com financiamento do Banco itau.
 
E peço tambem que façamos a ação contra a Sul Imagem, visto a empresa não 
dar a minima para soluçoes que seriam de concenso.
 
Todas as conversas são protelatórias,
 
abs
Portanto, claro está que a empresa HEALTH SOLUTIONS LTDA, também 
pertencia ao grupo de TUFI SOARES, sendo a suposta contratação mais uma forma de malversação 
e desvio de dinheiro público operada pelo esquema criminoso em tela.
157
ADVENTUS GROUP E CONSULTORES LTDA. ME: 
Detectou o Corpo Técnico do TCE/RN, ainda, que a empresa Adventus Group e 
Consultores Ltda., inscrita no CNPJ sob o nº 04.425.789/0001-83, representada por Francisco 
Malcides Pereira de Lucena, com sede na cidade de Fortaleza/CE, firmou três contratos de 
prestação de serviço com a Associação MARCA, tendo como objeto a terceirização de médicos nas 
especialidades de ginecologia, obstetrícia e anestesiologia.
O primeiro contrato138estabelecido entre a Associação MARCA e a Adventus, 
em 12/3/2012, teve como objeto os serviços de coordenação da equipe médica de ginecologia e 
obstetrícia, assim como a contratação de quatorze médicos gineco-obstetras, sendo dois por tuno de 
plantão de 24 (vinte e quatro) horas, tendo como custo mensal o valor total de R$ 250.000,00 
(duzentas e cinquenta mil reais). 139
Outrossim, foi firmado um segundo contrato140, também em 12/3/2012, referente 
à contratação de sete médicos anestesiologistas, sendo um por turno de plantão de 24 (vinte e 
quatro) horas, no valor mensal de R$ 125.000,00 (cento e vinte e cinco mil reais).141
Finalmente, foi firmado em 21/5/2012, pela Associação MARCA, o terceiro 
contrato142 com a empresa Adventus Group e Consultores Ltda., no valor mensal de R$ 60.000,00 
(sessenta mil reais), o qual tem como objeto a prestação de serviço de assessoria em gestão de 
saúde, nas especialidades de ginecologia, obstetrícia e anestesiologia, sendo o atendimento 
exclusivo para as demandas pré-agendadas do Hospital da Mulher, incluindo apenas os 
atendimentos ambulatoriais e cirúrgicos pré-agendados pela Associação MARCA, não englobando 
atendimentos em sistema de plantão ou emergência. 143
Assim, em decorrência destes contratos, aferiu o Corpo Técnico que a empresa 
138 Vide fls. 266-273, Anexo XXXVII, deste IC.
139 Vide Tabela 27 da Informação 326/2013,fl. 80, que relaciona todos os pagamentos feitos à Adventus Group relativos ao primeiro contrato. Os documentos 
relacionados nessa tabela, nas respectivas páginas, estão acostados nos Anexos XXIV, XXV, XXVI, XXVII, XXX, XXXIII e XXXVI, deste IC.
140 Vide fls. 277-284, Anexo XXXVII, deste IC.
141 Vide Tabela 28, fls. 80-81 da Informação 326/2013-DAD, que relaciona os pagamentos à Adventus Group referentes ao segundo contrato. Os documentos 
referidos nessa tabela estão acostados, nas respectivas páginas, nos Anexos XXIV, XXV, XXVI, XXVII, XXX, XXXIII e XXXVI, deste IC.
142 Vide fls. 286-294, Anexo XXXVII, deste IC.
143 Vide Tabela 29, fl. 81 da Informação 323/2013-DAD, que relaciona os pagamentos à Adventus Group, referentes ao terceiro contrato. Os documentos 
referidos nessa tabela estão acostados, nas respectivas páginas, aos Anexos XXIV, XXVI e XXXVI, deste IC.
158
Adventus Group e Consultores Ltda. foi beneficiada com recursos provenientes do Termo de 
Parceria nº 001/2012 no montante de R$ 2.768.225,89 (dois milhões, setecentos e sessenta e oito 
mil, duzentos e vinte e cinco reais e oitenta e nove centavos).
Asseverou o Corpo Técnico que, de acordo com os citados contratos firmados, as 
condições necessárias para a efetivação dos pagamentos era a apresentação, pela contratada, da nota 
fiscal de serviços devidamente acompanhada de relatórios dos serviços prestados, nos termos 
padrão do item "7.2", da cláusula sétima dos contratos firmados.
No entanto, observou a Auditoria, a partir da análise das prestações de contas da 
Associação MARCA, que os pagamentos foram efetuados em sua totalidade e apenas com as 
notas fiscais de serviço. Não existe documentação que comprove a contraprestação dos 
serviços realizados pela empresa Adventus Group e Consultores Ltda. 
Ainda, afirmou o Corpo Técnico que os citados contratos foram formalizados 
sem definição precisa e clara dos preços contratados. Com efeito, relatou o Corpo Técnico que 
"existe apenas menção do valor mensal do serviço e, por conseguinte, o custo global do serviço, 
sem fundamentação tanto da real necessidade dos profissionais quanto do custo unitário por 
médico."144
Assim, concluiu a Auditoria pela "falta de documentação suficiente para se 
comprovar a efetiva contraprestação dos serviços médicos ora em análise, uma vez que não há nos 
autos documentos que atestem a devida prestação desses serviços, motivo pelo qual devem 
responder solidariamente pelo débito de R$ 2.768.225,89 a Associação MARCA, por não 
comprovar devidamente o uso de recursos públicos, como também a empresa Adventus Group e 
Consultores Ltda. (CNPJ nº 04.425.789/0001-83), tendo em vista o dano originado pela não 
contraprestação dos serviços. "145
Ademais, urge trazer a lume relevante fato descoberto durante investigações 
empreendidas pelos Promotores de Justiça de Defesa do Patrimônio Público desta Capital 
relacionadas à contratação firmada pela empresa Adventus Group e Consultores Ltda. com a 
entidade sucessora da Associação MARCA no gerenciamento do Hospital da Mulher, o INASE – 
Instituto Nacional de Assistência à Saúde e à Educação, mas que, a toda evidência, podeservir 
de parâmetro para escancarar possível tipo de “acerto” que a aludida empresa mantivera com a 
144 Fl. 87 da Informação nº 326/2013-DAD.
145 Fls 81-82 da Informação nº 326/2013-DAD.
159
administração à época em que prestou serviço para a MARCA.
Em conversa interceptada por ordem do MM. Juiz de Direito da 4ª Vara Criminal 
da comarca de Natal no bojo do processo nº 0103698-36.2013.8.20.0001, cujo compartilhamento 
com o inquérito civil que lastreia a presente ação de improbidade foi deferido (cópia em anexo)146, o 
demandado FRANCISCO MALCIDES PEREIRA DE LUCENA, representante da empresa 
ADVENTUS, falou abertamente com a sua interlocutora, sua esposa ERINALDA SCARCELA 
CAVALCANTE DE LUCENA, sobre a necessidade de superfaturar a proposta de preço apresentada 
ao INASE com a finalidade de inserir percentual ilícito, em torno de 10% a 20%, dado a título de 
“retorno pra administração”, o intuito declarado e hipócrita de “fidelizar o contrato”, fazendo 
referência explícita no sentido de seguir o "mesmo modelo" do contrato da MARCA, conforme se 
afere da degravação a seguir:
Data: 06/03/2013
Horário: 11:12:13
ERIN X MALCIDES
MALCIDES diz: “ta podendo falar?”
ERIN diz: “to... to eu cheguei aqui agora...eu to...to...atrás aqui de um prédio aqui.”
MALCIDES diz: “hum...é....aqui...to...indo...pra...pra...voltando para Mossoró.”
ERIN diz: “Hã.”
MALCIDES diz: “com o....eu precisava...é... formular um contrato, pra apresentar o contrato....”
ERIN diz: “Hã.”
MALCIDES diz: “com o ... tem como você me mandar a...a....a....a....é.... eu dizer só os valores e 
você já mandar o contrato?”
ERIN diz: “tem meu filho, tem, só me dá o valor aí, que eu mando a menina, a Paula preparar e 
ela passa o e-mail. Não tem o contrato da MARCA, mesmo modelo.”
MALCIDES diz: “é....um anestesista, um obstetra e um pediatra, ta certo?”
ERIN diz: “hã! O pediatra quem é, é o Jean?”
MALCIDES diz: “é.”
ERIN diz: “hã.”
MALCIDES diz: “certo, aí você vai e joga, ta certo? Joga ...é....é....o valor de quatrocentos mil e 
vinte oito mil....”
ERIN diz: “hã.”
MALCIDES diz: “eu acho que já poderia era botar um...o...o...quanto é que botaria ....é...é....pra 
ficar de participação do ...do....do....pro...acho que bota o que? 5 %?”
ERIN diz: “de que, de administração?”
MALCIDES diz: “não, de retorno pra administração.”
ERIN diz: “é.”
MALCIDES diz: “é, quantos? 5% ou 10%?”
ERIN diz: “(Erin então fala com alguém na rua dizendo: “ei moço, aonde é o Ministério Público 
aqui?”) só um minutinho meu filho (então Erin conversa com alguém e não dá para compreender o que falam, só em 
dado momento que ela diz: “é não...é não....fica lá mesmo...dentro do Fórum....não (trecho não compreendido pelo 
analista) é o Ministério Público onde é que fica a sede do Ministério Público? tá bom então”) diga meu filho, ta, 5% 
de retorno para a administração...e é normal isso?”
MALCIDES diz: “não, é que eu to comprando popular, pra poder fidelizar o contrato.”
ERIN diz: “10%? 5% é pouco, pode botar 10. Eles normalmente fazem em torno de 20.”
MALCIDES diz: “então ficaria alguma coisa em torno (trecho não compreendido pelo analis-
ta).”
ERIN diz: “geralmente o retorno é 10 a 20 %, normalmente.”
MALCIDES diz: “(trecho não compreendido pelo analista) acrescentar mais quarenta mil aí 
146 Vide documentos às fls. 874/880 do Volume III.
160
(trecho não compreendido pelo analista) quatrocentos e vinte oito, seria quatrocentos e sessenta e oito mil.”
ERIN diz: “ainda vai ser mais baixo do que o dele?”
MALCIDES diz: “não, ta mais alto, o dele é quatrocentos e cinqüenta.”
ERIN diz: “ele não pode botar mais alto, pode?”
MALCIDES diz: “omi, estoure, bote quatrocentos e quarenta.”
ERIN diz: “anram.”
MALCIDES diz: “ai a gente espreme pra baixo.”
ERIN diz: “ta bom.”
MALCIDES diz: “ta.”
ERIN diz: “ta. Ei e quem é o contato.” (então o áudio faz som de encerramento de chamada)
O pagamento de propina para fidelização do contrato, não só constitui 
improbidade administrativa, mas também sujeita os negociantes aos rigores da lei penal, pelo 
cometimento dos crimes de corrupção ativa pelos particulares e de corrupção passiva por parte dos 
funcionários do governo, ainda não identificados, que recebiam essa vantagem indevida. 
Sopesando o diálogo acima transcrito com as provas carreadas ao presente caso, 
resta evidente que tal conversa se harmoniza com os robustos indícios de superfaturamento no valor 
contratado pela empresa Adventus com a Associação MARCA, irregularidade que inclusive fora 
objeto de ponderação por parte da Comissão de Auditoria da SESAP, consoante se extrai do 
seguinte trecho retirado do Relatório Final147 elaborado pela mencionada equipe:
“3. O núcleo de ginecologia nos entregou um documento em anexo II, onde detalha a reunião 
realizada entre a empresa MARCA e o Núcleo de Ginecologia, a cerca dos valores cobrados pelo 
plantão de ginecologia na unidade hospitalar, no documento detalha a proposta dos profissionais 
pelo plantão de 12hs o valor de R$ 1.200,00 (Hum mil e duzentos Reais); no entanto foi 
celebrado o contrato com Adventus de Fortaleza onde o plantão de 24 h e pago o valor de R$ 
8.064 (Oito mil e sessenta e quatro reais, por dia); a equipe de auditoria pegou o valor 
contratualizado com a empresa Adventus Group, R$ 250.000,00 (duzentos e cinquenta mil 
reais) e dividimos por 31 dias, segundo o contrato o valor de R$ 8.064,00 corresponde a dois 
plantonistas e medico diarista, dividindo esse valor por 3, fica R$2.688,00 (dois mil seiscentos 
e oitenta e oito reais);
4. Os valores dos contratos apresentam indícios que estão bem acima dos valores praticados 
no mercado;”
Desta feita, tudo leva a crer que o montante a maior identificado pela Comissão de 
Auditoria como superfaturamento do valor acordado pela Associação MARCA com a empresa 
Adventus Group e Consultores Ltda. significa o possível repasse realizado em proveito da 
“administração” para garantir a “fidelização do contrato” - aquilo que é reportado no diálogo como 
“retorno para administração”.
Neste sentido, a ausência de documentação que comprove a contraprestação dos 
serviços realizados pela empresa Adventus Group e Consultores Ltda., serve, em verdade, como 
147 Vide fl. 566 do citado documento acostado ao Volume 2 do IC em anexo.
161
subterfúgio para esconder essa diferença de quantia, como forma de não evidenciar tal prática ilícita 
e justificar aquilo que, contabilmente, não pode ser atestado.
ESPÍNDOLA & RODRIGUES ASSESSORIA CONTÁBIL LTDA. – ME: 
Apurou, ainda, o Corpo Técnico do TCE que a empresa Espíndola & Rodrigues 
Assessoria Contábil Ltda. – ME, inscrita no CNPJ sob o nº 08.364.700/0001-77, representada por 
Célia Regina Caruzo Espíndola, sediada na cidade do Rio de Janeiro/RJ, firmou, em 01/3/2012, 
contrato148, no valor mensal de R$ 4.000,00 (quatro mil reais) com a Associação MARCA, tendo 
como objeto a contratação “de prestação de serviços especializados para assessoria contábil do 
Hospital Estadual da Mulher”.
Ocorre que detectou o Corpo Técnico que, relativamente a esse contrato, o que 
existe são cinco pagamentos apresentados nas prestações de contas dos meses de julho e outubro de 
2012, de despesas no valor total de R$ 20.000,00 (vinte e mil reais), os quais não possuem a 
devida comprovação nos autos da efetiva contraprestação desses serviços contratados. 149
Lembrou o Corpo Técnico do TCE que, de acordo com a Cláusula Quarta do 
referido contrato, a empresa tem como obrigações, dentre outras, de conduzir os serviços prestados 
conforme as normas estabelecidas pelo Conselho Regional de Contabilidade (CRC), assim como 
elaborar listagem de documentos necessários ao preparo de guias e relatórios, com a indicação das 
datas dos seus respectivos vencimentos.No entanto, ponderou a Auditoria que tais obrigações pactuadas apresentam 
características genéricas e com pouca definição. Ademais, bem pontuou que a Lei Federal nº 9.790, 
de 23 de março de 1999, estabelece em seu artigo 4º, alínea “a”, que as normas referentes às 
prestações de contas devem observar os princípios da contabilidade e as Normas Brasileiras de 
Contabilidade.
Assim, asseverou o Corpo Técnico que, "em relação aos serviços prestados de 
acordo com as Normas Brasileiras de Contabilidade, o Conselho Federal de Contabilidade 
148 Vide contrato às fls. 298-304, no Anexo XXXVII, deste IC.
149 Vide Tabela 30 , à fl. 82 da Informação nº 326/2013-DAD. Os documentos referidos nessa Tabela estão acostados, nas páginas respectivas, nos Anexos 
XXVI e XXXVI deste IC.
162
(CFC) regulamentou, por meio da Resolução nº 1.409, de 21/9/2012, aplicável aos exercícios 
iniciados a partir de 1/1/2012, que as demonstrações contábeis de elaboração obrigatória pela 
entidade sem finalidade de lucros são: o Balanço Patrimonial, a Demonstração do Resultado do 
Período, a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, a Demonstração dos Fluxos de 
Caixa e as Notas Explicativas."150
E essa obrigação estava estabelecida de forma cristalina, na Cláusula Sétima, 
Parágrafo Primeiro, inciso II, do Termo de Parceria 001/2012, a saber:
Cláusula Sétima – Do Acompanhamento e da Prestação de Contas
(...)
Parágrafo Primeiro – A OSCIP deverá entregar ao PARCEIRO PÚBLICO a prestação de 
contas instruída com os seguintes documentos:
II - demonstrativo integral da receita e despesa realizadas na execução do objeto, 
oriundos dos recursos recebidos do PARCEIRO PÚBLICO, bem como, se for o caso, 
demonstrativo de igual teor dos recursos originados da própria OSCIP e referentes ao 
objeto deste TERMO DE PARCERIA, assinados pelo contabilista e pelo responsável da 
OSCIP indicado na Cláusula Terceira;
Nada obstante, segundo o Corpo Técnico do TCE, o único documento fornecido 
pela Associação MARCA foram os demonstrativos de receita e despesa realizadas na execução do 
Termo de Parceria 001/2012. Contudo, não há assinatura do contabilista, assim como não se 
identifica nas prestações de contas nenhum demonstrativo contábil, dentre os estabelecidos pelo 
CFC (Conselho Federal de Contabilidade).
Desta forma, conclui o Corpo Técnico pela irregular prestação de contas de 
despesas relativas aos serviços de assessoria contábil, diante da inexistência de efetiva 
contraprestação dos serviços contratados, ferindo a alínea “a” do artigo 4º da Lei Federal nº 
9.790/1999, motivo pelo qual devem responder solidariamente pelo débito de R$ 20.000,00 (vinte 
e mil reais), a Associação MARCA, por não comprovar devidamente o uso de recursos públicos, 
como também a empresa Espíndola & Rodrigues Assessoria Contábil Ltda. – ME, em face do 
dano originado pela não contraprestação dos serviços. 
AZEVEDO & LOPES AUDITORES INDEPENDENTES : 
150 Fl. 83 da Informação nº 326/2013-DAD.
163
Por fim, detectou o Corpo Técnico que, na prestação de contas do mês de outubro 
de 2012, foram realizados dois pagamentos à empresa Azevedo & Lopes Auditores Independentes, 
inscrita no CNPJ sob o nº 06.337.379/0001-06, no valor total de R$ 3.940,00 (três mil, novecentos 
e quarenta reais).151
No entanto, foi apurado que a comprovação dessas duas despesas "não se deu por 
notas fiscais ou outros documentos revestidos de formalidades legais, mas pela apresentação de 
recibos com informações precárias. Na descrição dos serviços, existe apenas que foram “serviços 
de auditoria externa na prestação de contas mensal do projeto Hospital da Mulher de Mossoró”. 152
Lembrou a Auditoria que a Lei Federal nº 9.790, de 23 de março de 1999, nos 
termos do artigo 4º, inciso VII, alínea “c”, prevê a obrigatoriedade da realização de auditoria, 
inclusive por auditores externos independentes se for o caso, da aplicação dos recursos objeto do 
Termo de Parceria. Assim, nos termos da Cláusula Sétima, parágrafo primeiro, inciso IV, do 
Termo de Parceria nº 001/2012, a Associação MARCA deveria ter fornecido à SESAP, juntamente 
com as prestações de contas, “parecer e relatório de auditoria independente sobre a aplicação dos 
recursos objeto deste Termo de Parceria”.153
Ocorre que foi constatada a inexistência de relatório de auditoria expressando 
opinião acerca dos aspectos de consistência, regularidade e autenticidade dos registros e dos 
documentos constantes das prestações de contas mensais da MARCA relativas ao Termo de Parceria 
em análise. 
Assim, o Corpo Técnico instrutivo do TCE asseverou: "conclui-se pela irregular 
prestação de contas de despesas relativas aos serviços de auditoria externa, visto que não existe a 
efetiva contraprestação desses, ferindo a alínea “c” do inciso VII do artigo 4º da Lei Federal nº 
9.790/99, motivo pelo qual devem responder solidariamente pelo débito de R$ 3.940,00 a 
Associação MARCA, por não comprovar devidamente o uso de recursos públicos, como também a 
empresa Azevedo & Lopes Auditores Independes Ltda. – ME (CNPJ nº 06.337.379/0001-06), 
tendo em vista o dano originado pela não contraprestação dos serviços."
Desse modo, após detectar todas as irregularidades supracitadas, o Corpo Técnico 
151 Vide Tabela 31, da Informação nº 326/2013-DAD, que relacionou os pagamentos à citada empresa. Os documentos referidos nessa tabela estão 
acostados, nas páginas respectivas, no Anexo XXXVI, deste IC.
152 Fl. 84 da Informação nº 326/2013-DAD.
153 Vide Termo de Parceria, às fls. 270-284, v. 1, deste IC.
164
do Tribunal de Contas deste Estado concluiu pela existência de dano ao Erário Estadual, no 
valor total de R$ 11.827.563,84 (onze milhões, oitocentos e vinte e sete mil, quinhentos e 
sessenta e três reais e oitenta e quatro centavos), o que merece a devida reprimenda pelo Poder 
Judiciário, sendo inadmissível a conduta de todos os demandados, os quais, cada um a seu modo, 
contribuíram e participaram de modo determinante para essa sangria nos cofres públicos, conforme 
será detalhado no tópico a seguir.
II – OS ATOS DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA COMETIDOS. 
INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONDUTAS
A Constituição Federal, no artigo 37, § 4º, consagra a repressão aos atos de 
improbidade administrativa, culminando-lhes severas sanções, quais sejam, a suspensão dos direitos 
políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário.
Acerca do conceito de probidade administrativa, colhe-se da doutrina os seguintes 
ensinamentos:
“O funcionário deve servir à Administração com honestidade, procedendo no 
exercício de suas funções sempre no intuito de realizar os interesses públicos, 
sem aproveitar os poderes e facilidades delas decorrentes em proveito pessoal 
ou de outrem a quem queira favorecer . ”154
“O princípio da probidade administrativa é norma superior que exige do 
agente público e de terceiros atos honestos e leais para com a Administração 
Pública.”155 (grifo não pertencente ao original)
Em síntese, é prudente dizer que todo agente público deve exercer o seu mister 
colocando como única finalidade a ser perseguida a consecução do interesse público, porque agindo 
dessa maneira estará procedendo conforme prescreve o dever de probidade. Não é lícito ao 
administrador utilizar as suas prerrogativas para auferir vantagens para si próprio ou para outrem 
vedadas pelo ordenamento jurídico, devendo, portanto, ao desempenhar uma função pública, ter 
como fim precípuo o servir, e não desfrutar como se fosse proprietário dos bens, rendas e serviços 
públicos, em detrimento dos interesses dos administrados.Segundo De Plácido e Silva o vocábulo ‘‘improbidade’’, do latim improbitas, tem 
o sentido de desonestidade, má fama, incorreção, má conduta, má índole, mau caráter, e 
‘‘revela a qualidade do homem que não procede bem, por não ser honesto, que age indignamente, 
154 CAETANO, Marcelo. Manual de Direito Administrativo. Coimbra:Livr. Almedina, 1992, pág. 749.
155 MATOS NETO, Antônio José de. Responsabilidade Civil por Improbidade Administrativa. RT, v.727, maio 1996.
165
por não ter caráter, que não atua com decência, por ser amoral’’ e “... sem capacidade ou 
idoneidade para a prática de certos atos’’156. Nesta linha de pensamento, improbidade 
administrativa constitui uma deformidade de caráter do agente público, que atua na contramão 
daquilo que tem como moralmente correto, contrariando os interesses institucionais do órgão a que 
pertence.
No presente caso, restou patente que os ora demandados afrontaram o dever de 
probidade imposto pelo regramento constitucional brasileiro e, desta forma, terminaram por incorrer 
em diversas das condutas ímprobas descritas na Lei nº 8.429/92.
De fato, consoante restou largamente demonstrado alhures, estruturou-se no 
âmbito da Administração Pública Estadual esquema ilícito para no curso da implementação de um 
novo modelo de gestão descentralizada de serviços públicos de saúde, projeto de governo da 
demandada ROSALBA CIARLINI. O que deveria ser feito sob o manto da impessoalidade 
resultou na escolha favorecida e pessoalizada de determinadas entidades, particularmente a 
ASSOCIAÇÃO MARCA, para a prestação desses serviços no Hospital da Mulher, sob o norte dos 
acordos clandestinos que maculam o dever de probidade perante a Administração Pública.
Para tal fim, contou ela com o apoio inestimável e estratégico dos servidores 
públicos ora demandados DOMÍCIO ARRUDA CÂMARA, ALEXANDRE MAGNO ALVES 
DE SOUZA, MARIA DAS DORES BURLAMAQUI e VALCINEIDE ALVES, uma vez que 
cada um deles, valendo-se de seus cargos/funções à época, contribuiu para que essa contratação 
pudesse ser implantado e executado a todo custo, como efetivamente foi feito, provocando um 
imenso dano ao erário, difícil de ser recomposto.
Noutra banda estão os demandados TUFI MERES, OTTO SCHMIDT, 
LEONARDO JUSTIN CÂRAP, ROSIMAR BRAVO, ANTÔNIO CARLOS DE OLIVEIRA, e 
ELISA ANDRADE DE ARAÚJO, bem como as empresas ASSOCIAÇÃO MARCA PARA 
PROMOÇÃO DE SERVIÇOS, NÚCLEO DE SAÚDE E AÇÃO SOCIAL - SALUTE 
SOCIALE, HEALTH SOLUTIONS LTDA., ESPÍNDOLA & RODRIGUES ASSESSORIA 
CONTÁBIL LTDA. - ME, ADVENTUS GROUP E CONSULTORES LTDA., NÚCLEO 
SERVIÇOS DIAGNÓSTICOS LTDA., AZEVEDO & LOPES AUDITORES 
INDEPENDENTES LTDA. - ME, OLIVAS PLANEJAMENTO ASSESSORIA E SERVIÇOS 
S/C LTDA e THE WALL CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA, que, nos termos do disposto 
156 Vocabulário Jurídico, Forense, 1984, p. 431.
166
no artigo 3º da Lei de Improbidade Administrativa, concorreram (as pessoas físicas) e se 
beneficiaram (as pessoas jurídicas) da indevida parceria celebrada pelo Estado do RN, através da 
SESAP, com a Associação MARCA para Promoção de Serviços, instrumentalizada por meio do 
Termo de Parceria nº 001/2012.
E ao praticarem os atos ímprobos detidamente explicitados na presente ação, os 
demandados dolosamente causaram lesão ao erário estadual, ensejando uma perda patrimonial 
avaliada pelo Corpo Técnico do TCE/RN na cifra de R$ 11.804.811,38 (onze milhões, oitocentos e 
quatro mil, oitocentos e onze reais e trinta e oito centavos), acrescido de R$ 155.697,62 (cento e 
cinquenta e cinco mil, seiscentos e noventa e sete reais e sessenta e dois centavos), quantificado 
pela Comissão de Auditoria da SESAP.
Com efeito, é certo que a sangria ocorrida nos cofres públicos deste Estado 
decorreu diretamente da maneira como se processou a contratação da Associação MARCA, qual 
seja, por meio de tratativas obscuras realizadas nos bastidores da Administração Pública Estadual, 
do direcionamento exacerbado em proveito da Associação MARCA, dos fundamentos “fabricados” 
que alicerçaram a parceria em destaque e a escolha pessoal da contratada pelos demandados 
ROSALBA CIARLINI e DOMÍCIO ARRUDA, entre tantas outras ilegalidades objeto de 
enfrentamento no bojo desta peça. E, ao assim agirem, incorreram nos atos de improbidade 
administrativa elencados abaixo, do modo como será detalhado resumidamente em seguida:
Art. 9° Constitui ato de improbidade administrativa importando enriquecimento 
ilícito auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do 
exercício de cargo, mandato, função, emprego ou atividade nas entidades 
mencionadas no art. 1° desta lei, e notadamente:
(...)
XI - incorporar, por qualquer forma, ao seu patrimônio bens, rendas, verbas ou 
valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1° 
desta lei;
 
Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário 
qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda patrimonial, desvio, 
apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades 
referidas no art. 1º desta lei, e notadamente:
(...)
VIII - frustrar a licitude de processo licitatório ou dispensá-lo indevidamente;
IX - ordenar ou permitir a realização de despesas não autorizadas em lei ou 
regulamento;
(..)
XIV – celebrar contrato ou outro instrumento que tenha por objeto a prestação de 
serviços públicos por meio da gestão associada sem observar as formalidades 
previstas na lei;
 Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os 
princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres 
de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições, e 
notadamente:
167
I - praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele 
previsto, na regra de competência;
II - retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício;
II.1 – DA INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONDUTAS ÍMPROBAS IMPUTADAS À 
DEMANDADA ROSALBA CIARLINI. 
 In casu, a atuação da demandada ROSALBA CIARLINI foi determinante para 
produção dos resultados danosos ao patrimônio público. Até mesmo porque tudo foi motivado pelo 
interesse da mesma em implantar e executar, em seu governo, a terceirização de determinados 
serviços de saúde, a qualquer custo e com ofensa ao princípio da impessoalidade.
Sob essa ótica, pode-se atribuir a ela a responsabilidade pela montagem estratégica 
da equipe de servidores públicos ora demandados que atuaram no afã de implementar, com afronta 
às leis, o citado modelo de gestão, visto que seguiram exatamente, como primeira experiência, o 
projeto alardeado pela governadora na imprensa local, desde julho de 2011, a inauguração de uma 
unidade materno-infantil em sua “cidade natal”, Mossoró.
Ademais, partiu dela todas as exigências para efetivar num curto espaço de tempo 
a inauguração do Hospital da Mulher, inclusive a escolha da contratada, com quem assumiu 
compromissos anteriores à celebração do termo de parceria.
Nesse diapasão, imputa-se à demandada ROSALBA CIARLINI a escolha direta 
da Associação MARCA e a autorização prévia para preparação do Hospital da Mulher, passando ao 
largo e violando frontalmente os pressupostos legais para se estabelecer uma parceria com uma 
OSCIP, bem como anuindo com a produção dos atos elaborados no bojo do respectivo 
procedimento administrativo para “justificar” a escolha já feita. 
Além disso, expediu a Governadora o Decreto nº 22.575, de 02 de março de 2012, 
que autorizou a abertura de crédito suplementar na ordem de R$ 15.806.057,91 (quinze milhões, 
oitocentos e seis mil, cinquenta e sete e reais e noventa e um centavos), para pagamento da 
contratação ilegal em destaque.Ademais, urge destacar que a demandada ROSALBA CIARLINI, juntamente 
com o demandado DOMÍCIO ARRUDA, autorizaram verbalmente a Associação MARCA a 
contrair despesas antes mesmo da celebração do Termo de Parceria, o que, a toda evidência, colide 
168
diretamente com o ordenamento jurídico brasileiro, consoante se explicitou alhures.
Outrossim, restou evidenciada a plena ciência e conivência da demandada 
ROSALBA CIARLINI em relação às ilegalidades que ocorreram durante a execução da parceria 
em comento, tendo ela inclusive agido de modo a obstaculizar o trabalho de auditoria realizado 
pelas comissões criadas com este propósito, por meio da designação da demandada VALCINEIDE 
ALVES para obstar o referido mister.
À guisa do breve exposto e por tudo mais que outrora foi largamente relatado, o 
Ministério Público Estadual imputa à demandada ROSALBA CIARLINI a prática dos atos de 
improbidade previstos nos artigos 10, caput, incisos VIII, IX e XIV, e 11, caput, e inciso I, da Lei 
nº 8.429/92.
II.2 – DA INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONDUTAS ÍMPROBAS IMPUTADAS AO 
DEMANDADO DOMÍCIO ARRUDA. 
Ao assumir o cargo de Secretário Estadual de Saúde, passou o requerido 
DOMÍCIO ARRUDA a ser o braço direito da demandada ROSALBA CIARLINI, especialmente 
no que diz respeito à implementação dos planos de governo atinentes à área da saúde.
In casu, o demandado DOMÍCIO ARRUDA, em conjunto com os demandados 
ALEXANDRE MAGNO e MARIA DAS DORES BURLAMAQUI, não só anuiu com a escolha 
direta feita pela Governadora da Associação MARCA, como deixou a cargo desta a realização dos 
projetos e custos suportados pelo Governo do RN para manter a aludida contratação, defendendo, 
deste modo, os interesses da respectiva OSCIP e não do poder público.
Assim, DOMÍCIO ARRUDA atuou da seguinte forma: executou a contratação 
direta da Associação MARCA, com a qual já existia um prévio acerto com a demandada 
ROSALBA CIARLINI ROSADO; montou e executou o projeto relativo à contratação direta da 
Associação MARCA, sendo responsável pela ausência de um estudo prévio aprofundado acerca dos 
custos que a referida parceria importaria aos cofres públicos; participou de todas as decisões que 
redundaram na contratação direta e em caráter emergencial, por dispensa de licitação, da Associação 
MARCA, bem como na “fabricação” do procedimento administrativo nº 3972/2012-1, com especial 
destaque para os próprios atos por ele exarados; autorizou, juntamente com a demandada 
ROSALBA CIARLINI, que a Associação MARCA contraísse despesas antes mesmo da celebração 
169
do Termo de Parceria nº 01/2012; e ainda celebrou o Termo de Parceria à total revelia do Conselho 
de Saúde, burlando a exigência do art. 10, § 1º, da Lei 9.790/99.
E diante de tais condutas, o Ministério Público Estadual imputa ao demandado 
DOMÍCIO ARRUDA a prática dos atos de improbidade previstos nos artigos 10, caput, incisos 
VIII, IX e XIV, e 11, caput, e inciso I, da Lei nº 8.429/92.
II.3 – DA INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONDUTAS ÍMPROBAS IMPUTADAS À 
DEMANDADA MARIA DAS DORES BURLAMAQUI. 
Em continuidade ao resumo das condutas atribuídas aos demandados epigrafados, 
insta explicitar acerca das atinentes à demandada MARIA DAS DORES BURLAMAQUI.
Desde sua nomeação ao cargo de Secretária Adjunta da SESAP, recebeu a 
demandada MARIA DAS DORES BURLAMAQUI a incumbência de atuar como interlocutora da 
demandada ROSALBA CIARLINI e, nesta função, se prestava a não só mantê-la atualizada acerca 
dos andamentos dados aos projetos de seu interesse, como também de repassar aos demais 
envolvidos as ordens, vontades e os anseios da governadora.
E foi no desempenho do papel por ela assumido que terminou por colaborar 
ativamente para que a contratação com a Associação MARCA fosse efetivada. Sua ciência acerca 
da forma como as tratativas se deram no presente caso é plena. Tanto que MARIA DAS DORES 
BURLAMAQUI fez uso consciente da minuta do edital elaborado pela organização criminosa 
chefiada por TUFI MERES, que circulava nos e-mails de parcela dos envolvidos no mês de 
agosto/2011, para embasar o memorando nº 047/2011, datado de 06.09.2011, que foi um dos 
documentos utilizados para iniciar o procedimento administrativo nº 3972/2012-1.
In casu, a demandada MARIA DAS DORES BURLAMAQUI, em conjunto com 
os demandados ALEXANDRE MAGNO e DOMÍCIO ARRUDA não só anuiu com a escolha 
direta feita pela Governadora da Associação MARCA, como deixou a cargo desta a realização dos 
projetos e custos suportados pelo Governo do RN para manter a aludida contratação, defendendo, 
deste modo, os interesses da respectiva OSCIP e não do poder público, atuando ainda da seguinte 
forma: executando a contratação direta da Associação MARCA, com a qual já existia um prévio 
acerto da demandada ROSALBA CIARLINI; colaborando ativamente com os demandados 
ALEXANDRE MAGNO e DOMÍCIO ARRUDA na finalização do projeto apresentado à 
170
governadora, que justificou a celebração da parceria em vislumbre; sendo responsável pela ausência 
de um estudo prévio aprofundado acerca dos custos que a referida parceria importaria aos cofres 
públicos; contribuindo para a execução dos atos que antecederam à celebração do Termo de 
Parceria nº 01/2012, como é o caso do acompanhamento in locu da obra de reforma do prédio onde 
veio a funcionar o Hospital da Mulher e participando da seleção de pessoal para ocupar cargos no 
âmbito do Hospital da Mulher, atendendo a critérios de interesse político.
E ao assim agir, praticou a demandada MARIA DAS DORES BURLAMAQUI, 
os atos ímprobos descritos na Lei nº 8429/92 nos artigos 10, caput e incisos VIII, IX e XIV, e 11, 
caput e inciso I, da Lei nº 8.429/92.
II.4 – DA INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONDUTAS ÍMPROBAS IMPUTADAS À 
DEMANDADA VALCINEIDE ALVES. 
Outra importante servidora pública que colaborou com a execução do projeto da 
demandada ROSALBA CIARLINI foi a demandada VALCINEIDE ALVES. Diferentemente dos 
demais agentes públicos epigrafados, a demandada VALCINEIDE ALVES só veio a compor a 
equipe estrategicamente montada pela Governadora ROSALBA CIARLINI para controle das 
atividades relativas ao Hospital da Mulher em julho de 2012 , ou seja, durante a execução do Termo 
de Parceria nº 01/2012. Contudo, não por isso merece algum tipo de descrédito sua contribuição 
para os desmandos ocorridos no presente caso.
Isso porque em sua designação para ocupar a função de gestora do Termo de 
Parceria nº 01/2012 foi essencial para a continuidade da execução do plano da Chefe do Executivo 
Estadual relacionado ao funcionamento a todo custo do Hospital da Mulher sob a égide do poderio 
da organização denominada Associação MARCA, uma vez que, após a deflagração da operação 
Assepsia, emergiram fortes suspeitas acerca da ocorrência de ilegalidades envolvendo a parceria 
celebrada pelo Governo deste Estado com a referida OSCIP, fato este que, a qualquer momento, 
poderia redundar na suspensão das respectivas atividades ante o descortinamento da malversação de 
dinheiro público no presente caso.
Neste pórtico, como resposta às suspeitas levantadas à época pelos órgãos de 
fiscalização, como o Ministério Público Estadual, a demandada ROSALBA CIARLINI designou 
formalmente a demandada VALCINEIDE ALVES para atuar na função de gestora do respectivo 
Termo de Parceria. Já na surdina, delegou uma verdadeira “missão” à mesma, que foi de obstar 
171
qualquer trabalho de fiscalização dos órgãos de controle.
Realmente, foi com bastante "esmero e dedicação" o mister desenvolvido pela 
demandada VALCINEIDE ALVES, na condição de braço direito da Governadora dentro do 
Hospital da Mulher, da formaque ela própria alardeava no local, que integrantes de ambas as 
comissões de fiscalização estruturadas naquele tempo, a de Auditoria Interna da SESAP e a de 
Monitoramento e Avaliação do Contrato de Gestão 001/2012, relataram que ela dificultou muito o 
acesso às informações atinentes à execução do TP em comento, bem como se mostrou sempre com 
uma postura intimidadora, apresentando-se como a pessoa que trabalhava para o “casal”, 
referindo-se à Governadora e ao seu esposo.
Entrementes, esse mesmo desempenho não foi aferido em relação à específica 
atividade de gestora do Termo de Parceria nº 01/2012. Ora, não obstante possuir a demandada 
VALCINEIDE ALVES conhecimentos técnicos suficientes a embasar sua designação, restou 
constatado pelos componentes da comissão de auditoria da SESAP que, mesmo após sua chegada à 
administração do Hospital da Mulher, inúmeras impropriedades/irregularidades continuaram sendo 
executadas pelo corpo técnico da Associação MARCA à frente do aludido nosocômio e que estas, 
inclusive, contaram com o atesto de legítimas e legais por parte da demandada Valcineide157.
Como se vê, ao invés de ter realizado o mister para o qual foi formalmente 
designada, qual seja, “fiscalizar e atestar a efetividade da execução do contrato, bem como 
materializar a sua declaração de 'Atesto' nos quantitativos e valores constantes das notas 
fiscais/faturas apresentadas pela contratada, declarando sua correção, compatibilidade e 
vinculação ao contrato”, atestou os serviços não executados, ocultando essas ilegalidades da 
fiscalização tanto de seus superiores quanto dos demais órgãos, como é o caso do Ministério 
Público, em franca contraposição ao que prevê o artigo 13 da Lei nº 9.790/99.
Destarte, revela-se flagrante que a demandada VALCINEIDE ALVES foi 
também responsável pelos desmandos ocorridos durante a execução do Termo de Parceria nº 
01/2012. E pior, sua “complacência” com os atos ímprobos narrados decorreu de “missão” 
pessoalmente dada pela demandada ROSALBA CIARLINI. 
Portanto, em seu agir, VALCINEIDE ALVES praticou atos de improbidade 
administrativa, por ter atestado serviços não prestados ou prestados incorretamente, como também 
157 Vide documento às fls. 3399/3404 do Anexo XV e trecho constante no relatório às fls. 596/597 – Volume 2.
172
por ter dolosamente obstruído, como pôde, os trabalhos de fiscalização da Auditoria Interna da 
SESAP e da Comissão de Monitoramento e Avaliação do Contrato de Gestão 001/2012.
Assim agindo, incorreu a demandada VALCINEIDE ALVES na prática dos atos 
de improbidade administrativa previstos nos artigos 10, caput, e 11, caput e inciso II, da Lei nº 
8.429/92.
II.5 – DA INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONDUTAS ÍMPROBAS IMPUTADAS AO 
DEMANDADO ALEXANDRE MAGNO. 
Consoante largamente explicitado nesta petição, o demandado ALEXANDRE 
MAGNO ALVES DE SOUZA participou de todas as fases da contratação, desde a montagem do 
negócio, atuando ativamente das negociações de preços, obras de readequação, contatos com os 
dirigentes da MARCA e com TUFI SOARES MERES, das tratativas com a Governadora 
ROSALBA CIARLINI e com o Secretário DOMÍCIO ARRUDA, tudo dentro de um plano mais 
amplo que foi abraçado pela Governadora ROSALBA CIARLINI de terceirizar quase que por 
completo a saúde estadual.
Nesta esteira, o demandado ALEXANDRE MAGNO, em conjunto com os 
demandados MARIA DAS DORES BURLAMAQUI e DOMÍCIO ARRUDA, não só executou a 
contratação direta da Associação MARCA, como deixou a cargo desta a realização dos projetos e 
custos suportados pelo Governo do RN para manter a aludida contratação, defendendo, deste modo, 
os interesses da respectiva OSCIP e não do poder público, atuando ainda da seguinte forma: montou 
e executou, juntamente com o demandado DOMÍCIO ARRUDA, a elaboração do projeto 
apresentado à governadora que deu o pontapé inicial para celebração da parceria em vislumbre; 
participou de todas as decisões que redundaram na contratação direta e em caráter emergencial, por 
dispensa de licitação, da Associação MARCA, bem como na “fabricação” do procedimento 
administrativo nº 3972/2012-1 e na execução das despesas autorizadas antecipadamente pelos 
demandados ROSALBA CIARLINI e DOMÍCIO ARRUDA à celebração do Termo de Parceria 
nº 01/2012.
Já no que tange às ilegalidades e irregularidades in casu imputadas à organização 
criminosa a qual integra a Associação MARCA, a colaboração prestada pelo demandado 
ALEXANDRE MAGNO se deve ao estreito vínculo por ele mantido tanto com o “chefe”, o 
demandado TUFI MERES, quanto com os demandados ROSIMAR BRAVO e ANTONIO 
173
CARLOS DE OLIVEIRA, desde a época em que o Município de Natal iniciou a contratação do 
aludido grupo criminoso.
Ressalte-se que esse também foi um dos motivos que o levou a ser cedido para o 
Governo deste Estado com a finalidade de assessorar o demandado DOMÍCIO ARRUDA, haja 
vista que a estreita aproximação com os chefes da entidade privada favorecida pela governadora 
facilitou e muito a execução dos planos pretendidos pela Chefe do Executivo.
Na verdade, a ida do demandado ALEXANDRE MAGNO foi igualmente 
estratégica para implementação também dos projetos criminosos arquitetados pelos integrantes da 
organização em destaque, visto que passaram a ter uma pessoa da confiança deles dentro da 
Administração Pública Estadual, abrindo “portas”, facilitando contatos, defendendo seus interesses, 
em resumo, “advogando” em favor deles.
E, desta feita, foi a partir do terreno fértil produzido no âmbito do Governo deste 
Estado pelo demandado ALEXANDRE MAGNO que se desenvolveram os planos de 
locupletamento ilícito estruturados por partes dos membros do grupo criminoso sob exame, cujas 
consequências em termos unicamente monetários chegaram ao desvio do montante de R$ 
11.804.811,38 (onze milhões, oitocentos e quatro mil, oitocentos e onze reais e trinta e oito 
centavos), acrescido de R$ 155.697,62 (cento e cinquenta e cinco mil, seiscentos e noventa e sete 
reais e sessenta e dois centavos), quantificado pela Comissão de Auditoria da SESAP.
E assim agindo, ALEXANDRE MAGNO praticou condutas que se enquadraram 
com perfeição nos atos de improbidade previstos nos artigos 10, caput e incisos VIII, IX e XIV, e 
11, caput e inciso I, da Lei nº 8.429/92.
II.6 – DA INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONDUTAS ÍMPROBAS IMPUTADAS AO 
DEMANDADO TUFI SOARES MERES. 
Em continuidade à individualização das condutas ímprobas imputadas aos 
membros da organização criminosa em destaque, cumpre trazer à baila breve explanação sobre as 
relacionadas ao “chefe”, o demandado TUFI SOARES MERES.
Tal condição hierárquica restou construída pelo demandado TUFI MERES à custa 
de sua vasta experiência no desvio de recursos públicos, a qual remonta a escândalos de corrupção 
174
envolvendo a entidade SALUTE SOCIALE, uma das entidades constantes na respectiva 
organização, ao tempo em que recebia a denominação de CBDDC – Centro Brasileiro de Defesa dos 
Direitos da Cidadania. E como consequência dessa vida de malfeitos praticados durante todos esses 
anos, aprimorou sua atuação com a estruturação de um verdadeiro “pool” com empresas de fachada 
(ARTESP/MEDSMART/RJ CONSULTORIA DIFERENCIADA EM SAÚDE LTDA EPP/ 
ITAYPARTNERS INTERMEDIAÇÃO E CORRETAGEM DE NEGÓCIOS LTDA ME/ EDITORA 
GRÁFICA IMPERATOR, dentre outras), cujo fundo comum tem como principal beneficiária a 
entidade SALUTE VITA, da qual é presidente.
No presente caso, há registro da participação ativa do demandado TUFI MERES 
desde o início do ano de 2011, oportunidade em que discutiu a implementação da terceirização de 
serviços públicos desaúde no âmbito do Estado do RN, tendo ofertado como entidade parceira a 
Associação MARCA, consoante relatou em e-mail transcrito anteriormente.
Entrementes, sua atuação não se restringiu a tal episódio. Muito pelo contrário, a 
partir do material colhido durante a operação Assepsia, restaram identificados diversos e-mails, 
diálogos e mensagens que evidenciam que, em todos os momentos, o demandado TUFI MERES 
esteve sempre colaborando na clandestinidade com a implantação do projeto de terceirização da 
saúde do governo da demandada ROSALBA CIARLINI.
Neste sentido, urge exemplificar que foi dele, como chefe da organização, que 
partiu a solicitação para a pessoa de LEONARDO JUSTIN CÂRAP, igualmente demandado, 
elaborar o projeto que descreveu o perfil proposto pela organização em vislumbre para o Hospital da 
Mulher, como também foi identificado que circulou em seu email pessoal a minuta do Edital que 
instruiu o memorando nº 047/2011, datado de 06.09.2011, acostado ao procedimento administrativo 
nº 3972/2012, o que revela um vínculo inquestionável com a Chefe do Executivo Estadual, ainda 
que por meio de terceiros.
Além disso, restou clara sua penetração no âmbito decisório da Administração 
Pública Estadual, visto que desde 07.09.2011 o demandado TUFI MERES já prenunciava em 
correio eletrônico outrora transcrito que se não fosse realizada a modificação na Lei das OS's, a 
contratação em vislumbre se daria por meio da celebração de “Termo de Parceria”, como 
efetivamente foi feito.
Outrossim, impende relembrar o papel de chefe da organização, patamar que 
175
autorizou o demandado TUFI MERES a alterar, sem qualquer critério ou justificativa, a planilha 
financeira preliminar elaborada pelo demandado OTTO SCHMIDT, promovendo a elevação dos 
custos atinentes a despesas claramente genéricas arroladas na proposta da Associação MARCA, 
como, por exemplo, treinamentos interno e externo, programação visual, consultoria jurídica, 
desenvolvimento e implantação de sistemas etc, conduta esta que redundou em flagrante 
locupletamento ilícito por parte da organização criminosa comandada pelo mesmo.
De fato, tal postura só evidencia a expertise do mesmo em onerar os custos para o 
respectivo ente público contratante, a partir da elevação aleatória de despesas estrategicamente 
genéricas inseridas na proposta de preços de entidade integrante do seu grupo criminoso, com o 
único e exclusivo intuito de desviar o máximo de recursos públicos possível em proveito próprio e 
daqueles que fazem parte de sua rede criminosa. E isso sem contar com a percepção ilegal de 
montante a título de lucro líquido, também diretamente prevista em documento denoninado de 
“planilha de resultados”, consoante restou explicitado alhures.
Como se pôde demonstrar, valeu-se o demandado TUFI MERES da celebração, 
por dispensa de licitação, do Termo de Parceria nº 001/2012 que teve como entidade contratada a 
Associação MARCA, integrante de sua rede criminosa, como subterfúgio para lesar o erário público 
deste Estado em proveito próprio e dos seus asseclas.
Pelo brevemente exposto e por tudo mais que restou demonstrado na presente 
petição, o Ministério Público Estadual imputa ao demandado TUFI MERES a prática dos atos de 
improbidade administrativa previstos nos artigos 9º, inciso XI, 10, caput e incisos VIII, IX e XIV, 
e 11, caput e inciso I, da Lei nº 8.429/92.
II.7 – DA INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONDUTAS ÍMPROBAS IMPUTADAS AO DEMANDADO 
OTTO SCHMIDT. 
Com efeito, impende aproveitar o momento para individualizar as condutas 
atribuídas ao gerente administrativo financeiro158 da organização criminosa sob exame, o 
demandado OTTO SCHMIDT, a quem o Ministério Público Estadual imputa a prática dos atos de 
improbidade administrativa descritos nos artigos 10, caput e incisos VIII e IX, e 11, caput e I, da 
Lei nº 8.429/92.
158 A função de gerente administrativo financeiro foi atribuída ao demandado Otto Schmidt pelo demandado Antônio Carlos (Maninho) em e-mail 
datado de 14 de fevereiro de 2012 citado no tópico IV.1.
176
Além da mencionada função, cumula o demandado OTTO SCHMIDT a diretoria 
da SALUTE SOCIALE, uma das empresas contratadas por “quarteirização” pela Associação 
MARCA no presente caso, e o Conselho Consultivo da SALUTE VITA, o que, a toda evidência, só 
serve para escancarar ainda mais sua importância no âmbito do referido grupo criminoso.
Fundamentalmente, foi de sua incumbência preparar a planilha financeira 
preliminar que serviu de base para a proposta de preço da Associação MARCA in casu, a qual 
continha estratégica e dolosamente despesas de cunho genérico utilizadas de subterfúgio para o 
demandado TUFI MERES onerar os gastos contraídos pela Administração Pública Estadual, tudi 
com o objetivo de auferir dinheiro público indevido. Ademais, colaborou ativamente para as 
definições de despesas que antecederam à celebração do Termo de Parceria nº 001/2012, conforme 
se comprova por meio de diversas comunicações eletrônicas transcritas ao longo desta peça.
À guisa do esposado e pelo que mais consta nesta petição, resta límpido que a 
participação do demandado OTTO SCHMIDT foi essencial para a ocorrência do dano ao erário 
público, tendo como beneficiária a organização criminosa a qual integra, bem como desempenhou 
papel fundamental para a tomada de importantes decisões relacionadas à execução da parceria em 
tela, pelo que deve responder pelos atos de improbidade administrativa elencados.
II.8 – DA INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONDUTAS ÍMPROBAS IMPUTADAS AO 
DEMANDADO LEONARDO JUSTIN CARAP . 
Outro que integra a organização criminosa especializada em lesar o erário, como 
consultor, é LEONARDO JUSTIN CARAP. No caso dos autos, preparou documento denominado 
“considerações iniciais” e deu o suporte inicial à contratação da MARCA para administrar o 
Hospital da Mulher em Mossoró, colaborando, assim, na elaboração do projeto eivado de ilicitudes, 
de forma consciente e dolosa, pelo que praticou os atos de improbidade previstos nos artigos 10, 
caput e incisos VIII, IX e XIV, e 11, caput e inciso I, da Lei nº 8.429/92.
II.09 – DA INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONDUTAS ÍMPROBAS IMPUTADAS AO 
DEMANDADOS ROSIMAR BRAVOANTÔNIO CARLOS DE OLIVEIRA JÚNIOR . 
Sem perder de vista, urge individualizar com brevidade as condutas ímprobas 
imputadas aos demandados ROSIMAR BRAVO (Rosi Bravo) e ANTÔNIO CARLOS DE 
OLIVEIRA JÚNIOR (Maninho), enquadrados no disposto nos artigos 9º, inciso XI, 10, caput e 
177
incisos VIII, IX e XIV, e 11, caput e inciso I, da Lei nº 8.429/92.
Conforme narrado, foram os demandados ROSIMAR GOMES BRAVO e 
ANTÔNIO CARLOS DE OLIVEIRA JÚNIOR os responsáveis pelo ingresso da ASSOCIAÇÃO 
MARCA na organização comandada pelo demandado TUFI SOARES MERES, para o compor o 
“pool” de empresas/entidades utilizadas para desviar recursos públicos.
Embora não apareçam formalmente como integrantes da Associação MARCA, 
ambos os demandados ROSIMAR BRAVO e seu esposo ANTÔNIO CARLOS JÚNIOR são os 
reais dirigentes da referida entidade privada, juntamente com o chefe do grupo TUFI MERES. Tal 
condição se deveu ao interesse na aplicação da seguinte tática para burlar a regra da distribuição dos 
lucros aos sócios e associados prevista Lei n.º 9.790/99 (OSCIPs):
a) colocaram seus empregados como dirigentes da ASSOCIAÇÃO MARCA, enquanto eles 
continuaram a ser os verdadeiros proprietários da instituição;
b) criaram uma empresa (OPAS - OLIVAS PLANEJAMENTO ASSESSORIA E SERVICOS S/C 
LTDA, CNPJ 07.404.400/0001-),que passou a ser permanentemente contratada pela MARCA para 
prestar “assessoria”, e justificar a saída de recursos da OSCIP para a empresa do casal, que será 
beneficiada por estes recursos, a fim de que isso não fosse identificado com distribuição de lucros.
Nestes termos, não só mantiveram o efetivo controle administrativo/financeiro da 
mencionada entidade, como também puderam se valer de outro subterfúgio para desviar ainda mais 
recursos públicos que foi a abertura da empresa OLIVAS, a qual no presente caso aparece como 
contratada da Associação MARCA - por “quarteirização” - para prestar serviços públicos inerentes 
à própria parceria nº 01/2012, cujo montante percebido chegou à cifra de R$ 394.170,00159. 
Para melhor ilustrar, insta relembrar a movimentação de parte do dinheiro 
decorrente do Termo de Parceria nº 001/2012 a partir do caminho traçado no organograma abaixo:
Secretária Estadual de Saúde – SESAP(repassa os recursos para a OSCIP)
↓
ASSOCIAÇÃO MARCA (recebe os recursos, conforme Termo de Parceria)
↓
OLIVAS PLANEJAMENTO (contratada para prestar “assessoria” à MARCA)
159 Fl. 77 da Informação nº 326/2013-DAD.
178
↓
ROSIMAR BRAVO E ANTONIO CARLOS (verdadeiros proprietários da MARCA, 
juntamente com TUFI MERES, recebem os recursos por intermediação da OLIVAS)
Com efeito, a teor do já esmiuçado nesta peça, foi por meio da análise das 
tratativas mantidas entre os membros da associação criminosa MARCA, obtidas mediante 
autorização judicial durante a Operação Assepsia, que se comprovou que ROSIMAR BRAVO, 
juntamente com seu esposo ANTÔNIO CARLOS JÚNIOR e TUFI MERES, foram as pessoas 
que coordenaram todo o esquema para a contratação da MARCA para gerir o HOSPITAL 
DA MULHER em Mossoró, em conluio com a Governadora ROSALBA e os demandados 
DOMÍCIO ARRUDA, ALEXANDRE MAGNO e MARIA DAS DORES BURLAMAQUI.
Para além disso, as participações dos demandados ROSIMAR BRAVO e 
ANTÔNIO CARLOS JÚNIOR podem ser observadas em todos os momentos da parceria em 
apreço, uma vez que não só foram as pessoas que efetivamente se apresentaram para o demandado 
DOMÍCIO ARRUDA como sendo representantes da Associação MARCA e, assim, trataram de 
todos os pormenores que antecederam à celebração do TP nº 01/2012, como também a execução do 
serviço contratado pelo Estado do RN com a Associação MARCA, tanto sob a ótica do que coube à 
citada entidade privada quanto pelo que foi “quarteirizado” para a empresa OLIVAS de propriedade 
de ambos e para outras empresas integrantes da organização de TUFI SOARES MERES.
Em face do que foi explicitado e por tudo que mais restou demonstrado ao longo 
da presente petição, devem os demandados ROSIMAR BRAVO e ANTÔNIO CARLOS DE 
OLVEIRA JÚNIOR responder pela prática dos atos de improbidade administrativa previstos nos 
artigos 9º, inciso XI, 10, caput e incisos VIII, IX e XIV, e 11, caput e inciso I, da Lei nº 
8.429/92.
II.10 – DA INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONDUTAS ÍMPROBAS IMPUTADAS À 
DEMANDADA ELISA ANDRADE DE ARAÚJO. 
Em relação à demandada ELISA ANDRADE DE ARAÚJO. Sua colaboração 
para os desmandos ocorridos no presente caso remonta ao fato de ter sido ela quem assinou, na 
qualidade de Presidente da Associação MARCA, o Termo de Parceria nº 01/2012, mesmo tendo 
plena ciência que, no mundo dos fatos, já se encontravam em execução diversos dos serviços 
necessários à inauguração do Hospital da Mulher.
179
Também foram dela as assinaturas apostas em grande parte dos contratos 
celebrados pela Associação MARCA com empresas apontadas pelo Corpo Técnico do TCE e pela 
Comissão de Auditoria da SESAP como participantes do esquema de desvio de recursos públicos 
que redundou no dano ao erário estadual quantificado em R$ 11.960.509,00 (onze milhões, 
novecentos e sessenta mil, quinhentos e nove reais) , entre elas a OLIVAS PLANEJAMENTO 
ASSESSORIA E SERVIÇOS S/C LTDA. e a THE WALL CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS 
LTDA.
E, da forma como agiu, incorreu a demandada ELISA ANDRADE na prática dos 
atos de improbidade descritos nos artigos 10, caput e incisos VIII, IX e XIV, e 11, caput e I, da 
Lei nº 8.429/92.
II.11 – DA INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONDUTAS ÍMPROBAS IMPUTADAS À 
DEMANDADA ASSOCIAÇÃO MARCA. 
Adentrando na individualização das condutas atribuídas às pessoas jurídicas ora 
demandadas, urge trazer à baila a Associação MARCA para Promoção de Serviços. Como dito 
anteriormente, trata-se de instituição “em tese” sem fins lucrativos integrante do Terceiro Setor, 
qualificada pelo Ministério da Justiça como Organização Social de Interesse Público (OSCIP), 
sediada no Estado do Rio de Janeiro, e que tem como objetivo social declarado atuar na gestão de 
serviços de saúde.
Contudo, o que se apurou foi que a mesma integra a organização criminosa 
comandada pelo demandado TUFI MERES, cuja estrutura se assemelha puramente com a de uma 
empresa, tanto que restou colhida prova da expressa previsão em documento denominado “planilha 
de resultados” da percepção de lucro líquido pela mesma. Além disso, também é utilizada como 
conveniada no “poll” de empresas de fachada da rede criminosa, “quarteirizando” serviços a ela 
contratados para outras entidades integrantes dessa mesma rede, com a finalidade de facilitar a 
prática de desvio de recursos públicos.
No presente caso, foi a Associação MARCA para Promoção de Serviços a 
entidade contratada como parceira pelo Governo deste Estado, cuja instrumentalização se deu 
através da celebração do Termo de Parceria nº 001/2012, a qual, neste ato, foi representada por sua 
diretora, a demandada ELISA ANDRADE, uma espécie de presidente de fachada, já que as 
180
decisões são tomadas de fato pelo demandados ROSIMAR BRAVO e ANTÔNIO CARLOS 
JÚNIOR. No caso concreto, foi com eles, e não com ELISA ANDRADE, que foram tratados 
diretamente todos os pormenores relativos à aludida contratação nos bastidores.
No que tange à quantificação do dano envolvendo diretamente a entidade em 
comento, restou apurado pelo Corpo Técnico do TCE que no período compreendido de 26/3/2012 a 
25/10/2012 a Associação MARCA realizou injustificadamente vinte e seis transferências 
bancárias a crédito da própria conta bancária (nº 7.8003, agência 471 – Banco do Bradesco) 
para outra conta de titularidade da própria MARCA na mesma agência do Banco do Bradesco 
(c/c nº 7.8006), perfazendo o valor total de R$ 820.099,35 (oitocentos e vinte mil, noventa e nove 
reais e trinta e cinco centavos), mesmo ciente de que tal conduta contrariava o estabelecido na 
cláusula terceira, item II, subitem 17 do TP, a qual previa que os recursos oriundos da parceria em 
vislumbre seriam movimentados exclusivamente em conta-corrente indicada pela própria 
SESAP.
Desta feita, e por tudo mais que consta nesta peça, atribui o Ministério Público 
Estadual a incidência da Associação MARCA para Promoção de Serviços como beneficiária das 
condutas ímprobas descritas nos artigos 9º, XI, 10, caput e incisos VIII, IX e XIV, e 11, caput e I, 
da Lei nº 8.429/92, bem como quantifica o ressarcimento ao erário estadual no valor de R$ 
820.099,35 (oitocentos e vinte mil, noventa e nove reais e trinta e cinco centavos).
II.12 – DA INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONDUTAS ÍMPROBAS IMPUTADAS AOS 
DEMANDADOS NÚCLEO DE SAÚDE E AÇÃO SOCIAL - SALUTE SOCIALE , SADY 
PAULO SOARES KAPPS, HÉLIO BUSTAMANTE DA CRUZ SECCO, CARLOS 
ALBERTO PAES SARDINHA) E VANIA MARIA VIEIRA 
Já no que concerne à demandada NÚCLEO DE SAÚDE E AÇÃO SOCIAL - 
SALUTE SOCIALE, restou evidenciado a partir do conjunto probatório colhido naoperação 
Assepsia que a demandada é mais uma das empresas que atuam no esquema criminoso do requerido 
TUFI MERES.
Inobstante a SALUTE SOCIALE ter como sócios formais as pessoas de SADY 
PAULO SOARES KAPPS, HÉLIO BUSTAMANTE DA CRUZ SECCO e CARLOS 
ALBERTO PAES SARDINHA, a empresa é, na verdade, gerenciada por TUFI SOARES 
MERES que faz parte do conselho fiscal junto com sua esposa VANIA MARIA VIEIRA, e ainda 
181
conta ele com o apoio do demandado OTTO SCHMIDT. Neste sentido, há provas robustas que os 
sócios formais tem plena ciência que TUFI SOARES MERES é o mentor da organização e assume 
o seu papel operacional dentro da organização criminosa, juntamente com seu assecla OTTO 
SCHMIDT.
In casu, apurou-se que a entidade SALUTE SOCIALE foi uma das empresas 
contratadas por “quarteirização” pela Associação MARCA, cuja instrumentalização se deu por meio 
de um “Convênio”, tendo como objeto a "cooperação técnica para seleção, treinamento, 
provimento e gestão de recursos profissionais para a prestação de serviços de gerência do Hospital 
da Mulher Parteira Maria Correia". E, nesta condição, havia expressa previsão na cláusula quinta 
do citado convênio que a SALUTE SOCIALE receberia recursos provenientes do TP nº 001/2012, 
com vistas a custear todas as despesas com recursos humanos e seus encargos, além das despesas 
com treinamento e seleção de pessoal.
No efetivo exercício do referido mister, a SALUTE SOCIALE só comprovou 
ordenadamente despesas de vales-transportes no valor de R$ 11.125,89 (onze mil, cento e vinte e 
cinco reais e oitenta e nove centavos), visto que quanto ao pagamento da folha de pessoal foi 
constatado o repasse do valor R$ 5.745.954,86 (cinco milhões, setecentos e quarenta e cinco mil, 
novecentos e cinquenta e quatro reais e oitenta e seis centavos), sendo que apenas R$ 
2.723.686,24 (dois milhões, setecentos e vinte e três mil, seiscentos e oitenta e seis reais e vinte e 
quatro centavos) seriam realmente necessários para o pagamento de todas as despesas com 
pessoal, segundo cálculo realizado pelo Corpo Técnico do TCE160.
Por conseguinte, foi estabelecido como prejuízo ao erário estadual pelo Corpo 
Técnico do TCE o montante de R$ 3.022.268,62 (três milhões, vinte e dois mil, duzentos e sessenta 
e oito reais e sessenta e dois centavos), haja vista inexistirem provas na prestação de contas da 
Associação MARCA de onde a entidade SALUTE SOCIALE empregou verdadeiramente tal 
quantia.
À guisa do esposado, imputa o Ministério Público à demandada NÚCLEO DE 
SAÚDE E AÇÃO SOCIAL - SALUTE SOCIALE, bem como aos seus sócios formais (SADY 
PAULO SOARES KAPPS, HÉLIO BUSTAMANTE DA CRUZ SECCO E CARLOS 
ALBERTO PAES SARDINHA), bem como VANIA MARIA VIEIRA, que fazia parte do 
Conselho Fiscal da empresa, juntamente com TUFI, os quais tinham plena consciência dos atos 
160Esse cálculo é relativo ao período de março a setembro de 2012, empregado de R$ 2.712.560,35 (dois milhões, setecentos e doze mil, quinhentos e 
sessenta reais e trinta e cinco centavos).
182
praticados pela organização criminosa, as condutas ímprobas descritas nos artigos 9º, XI, 10, 
caput e inciso VIII, e 11, caput, da Lei nº 8.429/92, bem como quantifica o ressarcimento ao 
erário estadual no valor de R$ 3.022.268,62 (três milhões, vinte e dois mil, duzentos e sessenta e 
oito reais e sessenta e dois centavos).
II.13 – DA INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONDUTAS ÍMPROBAS IMPUTADAS À 
DEMANDADA OLIVAS PLANEJAMENTO E ASSESSORIA . 
Em continuidade à individualização das condutas atribuídas às empresas ora 
demandadas, insta ressaltar a participação da empresa OLIVAS PLANEJAMENTO E 
ASSESSORIA de propriedade da demandada ROSIMAR BRAVO nos desmandos ocorridos no 
caso sob exame.
Por meio da celebração de Contrato de Prestação de Serviço, a ASSOCIAÇÃO 
MARCA, através de sua diretora, a demandada ELISA ANDRADE DE ARAÚJO, e a empresa 
OLIVAS PLANEJAMENTO E ASSESSORIA, representada pela demandada ROSIMAR BRAVO, 
firmaram acordo para o fim de que esta última prestasse serviços de assessoria, consultoria, 
implantação, acompanhamento, controle e apoio à gestão do Hospital da Mulher, tendo 
recebido a título de retorno financeiro o valor total de R$ 394.170,00 (trezentos e noventa e 
quatro mil, cento e setenta reais) - condição que a enquadra como beneficiária dos atos de 
improbidade previstos nos arts. 10, caput e inciso VIII, e 11, caput, da Lei nº 8.429/92.
Contudo, consoante explicitou o Corpo Técnico do TCE, não foi possível a 
comprovação efetiva da prestação desses serviços, haja vista inexistir nas prestações de contas 
entregues pela entidade parceira documentação comprobatória que confirme o exercício de 
quaisquer das atividades arroladas no citado contrato.
Logo, atribui o Ministério Público deste Estado à demandada OLIVAS 
PLANEJAMENTO E ASSESSORIA, como beneficiária, as condutas ímprobas descritas nos 
artigos 9º, XI, 10, caput e inciso VIII, e 11, caput, da Lei nº 8.429/92, bem como quantifica o 
ressarcimento ao erário estadual no valor de 394.170,00 (trezentos e noventa e quatro mil, cento e 
setenta reais).
II.14 – DA INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONDUTAS ÍMPROBAS IMPUTADAS AOS 
DEMANDADOS HEALTH SOLUTIONS LTDA. E SIDNEY AUGUSTO PITANGA DE 
183
FREITAS LOPES. 
Nesta mesma esteira, deve ser igualmente atribuída a prática do atos de 
improbidade acima indicados à demandada HEALTH SOLUTIONS LTDA., sediada na cidade do 
Rio de Janeiro/RJ, que recebeu injustificadamente por meio da Associação MARCA recursos 
provenientes do Termo de Parceria nº 001/2012 no valor de R$ 64.863,50 (sessenta e quatro mil, 
oitocentos e sessenta e três reais e cinquenta centavos), estes que devem ser ressarcidos 
integralmente aos cofres públicos deste Estado.
Isso se deve ao fato de não haver no bojo da prestação de contas apresentada pela 
Associação MARCA qualquer contrato pactuado com a demandada Health Solutions Ltda. De 
fato, só restaram identificadas pelo Corpo Técnico do TCE notas fiscais das quais se inferiu que os 
respectivos pagamentos feitos à referida empresa guardariam relação com a prestação de serviços 
de implantação e manutenção do sistema de gestão do estoque no Hospital da Mulher em 
Mossoró/RN.
Contudo, mesmo que se tratassem de tais serviços, não foi constatada pelos 
auditores a comprovação de que foram devidamente implantados e, por sua vez, que se 
encontravam em pleno funcionamento.
Além disso, restou descoberto durante a operação “Assepsia” que empresa 
HEALTH SOLUTIONS também fazia parte do núcleo empresarial da organização criminosa que 
integra a Associação MARCA. In casu, constatou-se que formalmente a referida empresa pertence 
a SIDNEY AUGUSTO PITANGA DE FREITAS LOPES, sem qualquer ligação aparente com o 
grupo liderado por TUFI SOARES MERES. Todavia, aprofundado o exame, verificou-se que a 
mesma tem uma sociedade em conta de participação com a empresa ITAYPARTNERS 
INTERMEDIAÇÃO E CORRETAGEM DE NEGÓCIOS LTDA ME, pertencente a TUFI 
SOARES MERES e a sua esposa VANIA MARIA VIEIRA, ficando o líder da organização 
criminosa e sua esposa com 50% (cinquenta por cento) dos lucros nesta contratação. 
Deste modo, ao contratar a HEALTH SOLUTIONS LTDA foi contratado 
indiretamente o demandado TUFI SOARES MERES, por meio da ITAYPARTNERS 
INTERMEDIAÇÃO E CORRETAGEM DE NEGÓCIOS LTDA ME, consoante evidenciaram tais 
vínculos os emails transcritos outrora. E deve responder pelo mesmo ato de improbidade 
administrativa o seu sócio formal SIDNEY AUGUSTO PITANGA DE FREITAS LOPES, uma 
184
vez que tinha plena consciência da utilização da citada empresa como mero instrumento para a 
consumação defins ilícitos pelo organização comandada por TUFI MERES.
II.15 – DA INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONDUTAS ÍMPROBAS IMPUTADAS À 
DEMANDADA AZEVEDO & LOPES AUDITORES INDEPENDENTES LTDA. - ME. 
Outra empresa supostamente contratada pela Associação MARCA para Promoção 
de Serviços que o Corpo Técnico do TCE não localizou qualquer instrumento formal foi a 
demandada AZEVEDO & LOPES AUDITORES INDEPENDENTES LTDA. - ME.
De fato, o Corpo Técnico do TCE, na prestação de contas do mês de outubro de 
2012, consta a realização de dois pagamentos à empresa Azevedo & Lopes Auditores 
Independentes Ltda. - ME no valor total de R$ 3.940,00 (três mil, novecentos e quarenta reais) 
- condição que a enquadra nos arts. 10, caput e inciso VIII, e 11, caput, da Lei nº 8.429/92.
No entanto, foi apurado que a comprovação dessas duas despesas "não se deu 
por notas fiscais ou outros documentos revestidos de formalidades legais, mas pela apresentação de 
recibos com informações precárias. Na descrição dos serviços, existe apenas a descrição de 
“serviços de auditoria externa na prestação de contas mensal do projeto Hospital da Mulher de 
Mossoró”.
Do mesmo modo, em observância aos termos da Cláusula Sétima, parágrafo 
primeiro, inciso IV, do Termo de Parceria nº 001/2012, a Associação MARCA deveria ter fornecido 
à SESAP, juntamente com as prestações de contas, “parecer e relatório de auditoria independente 
sobre a aplicação dos recursos objeto deste Termo de Parceria”. Ocorre que não foi constatada a 
existência desse relatório de auditoria expressando opinião acerca dos aspectos de consistência, 
regularidade e autenticidade dos registros e dos documentos constantes das prestações de contas 
mensais da MARCA relativas ao Termo de Parceria em análise.
E, por fim, explanou o Corpo Técnico do TCE o seguinte: "conclui-se pela 
irregular prestação de contas de despesas relativas aos serviços de auditoria externa, visto que 
não existe a efetiva contraprestação desses, ferindo a alínea “c” do inciso VII do artigo 4º da Lei 
Federal nº 9.790/99, motivo pelo qual devem responder solidariamente pelo débito de R$ 3.940,00 a 
Associação MARCA, por não comprovar devidamente o uso de recursos públicos, como também a 
empresa Azevedo & Lopes Auditores Independes Ltda. – ME (CNPJ nº 06.337.379/0001-
185
06), tendo em vista o dano originado pela não contraprestação dos serviços."
Em face do exposto, imputa o Ministério Público deste Estado à demandada 
AZEVEDO & LOPES AUDITORES INDEPENDENTES LTDA. - ME as condutas ímprobas 
descritas nos artigos 9º, XI, 10, caput e inciso VIII, e 11, caput, da Lei nº 8.429/92, bem como 
quantifica o ressarcimento ao erário estadual no valor de R$ 3.940,00 (três mil, novecentos e 
quarenta reais).
II.16 – DA INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONDUTAS ÍMPROBAS IMPUTADAS AOS 
DEMANDADOS ADVENTUS GROUP E CONSULTORES LTDA e FRANCISCO 
MALCIDES PEREIRA DE LUCENA.
Dando continuidade à individualização das condutas ímprobas atribuídas às 
empresas ora demandadas, impende destacar o envolvimento da ADVENTUS GROUP E 
CONSULTORES LTDA. com o presente caso.
Ora, consoante se apurou, a Associação MARCA celebrou com a empresa 
ADVENTUS GROUP 03 (três) contratos de prestação de serviço para fornecimento de mão-de-
obra especializada para o Hospital da Mulher. O primeiro deles trata do fornecimento de médicos 
para atuar nas áreas de ginecologia e obstetrícia pelo prazo de 05 (cinco) meses e 14 (quatorze) dias, 
tendo como valor total o montante de R$ 1.366.666,67 (hum milhão, trezentos e sessenta e seis mil, 
seiscentos e sessenta e seis reais e sessenta e sete centavos) - condição que a enquadra nos arts. 
10, caput e inciso VIII, e 11, caput, da Lei nº 8.429/92.
Já o segundo contrato tem como objeto o fornecimento de médicos para atuar na 
área de anestesiologia pelo prazo de 05 (cinco) meses e 14 (quatorze) dias, tendo como valor total o 
montante de R$ 683.333,33 (seiscentos e oitenta e três mil, trezentos e trinta e três reais e trinta e 
três centavos).
Quanto ao terceiro instrumento, constatou-se que tem como objeto o fornecimento 
de médicos para atuar nas áreas de ginecologia, obstetrícia e anestesiologia em demandas pré-
agendadas, pelo prazo de 03 (três) meses e 05 (cinco) dias, tendo como valor total o montante de R$ 
190.000,00 (cento e noventa mil reais).
Entrementes, observou a Auditoria, a partir da análise das prestações de contas da 
186
Associação MARCA, que os pagamentos foram efetuados em sua totalidade apenas com base em 
notas fiscais de serviço, ou seja, desacompanhada de qualquer documentação que comprove a 
efetiva contraprestação dos respectivos serviços, violando, desta feita, o item "7.2", da cláusula 
sétima dos contratos por eles firmados.
Ademais, afirmou o Corpo Técnico do TCE que os citados contratos foram 
formalizados sem definição precisa e clara dos preços contratados, ponderando que "existe 
apenas menção do valor mensal do serviço e, por conseguinte, o custo global do serviço, sem 
fundamentação tanto da real necessidade dos profissionais quanto do custo unitário por médico."
Por fim, concluiu a Auditoria o seguinte: "falta de documentação suficiente para 
se comprovar a efetiva contraprestação dos serviços médicos ora em análise, uma vez que não há 
nos autos documentos que atestem a devida prestação desses serviços, motivo pelo qual devem 
responder solidariamente pelo débito de R$ 2.768.225,89 a Associação MARCA, por não 
comprovar devidamente o uso de recursos públicos, como também a empresa Adventus Group e 
Consultores Ltda. (CNPJ nº 04.425.789/0001-83), tendo em vista o dano originado pela não 
contraprestação dos serviços "161 .
Por todo o esposado, atribui o Ministério Público à empresa ADVENTUS 
GROUP E CONSULTORES LTDA a condição de beneficiária da prática dos atos de improbidade 
descritos nos artigos 9º, XI, 10, caput e VIII, e 11, caput, da Lei nº 8.429/92, bem como 
quantifica o ressarcimento ao erário estadual no valor de R$ 2.768.225,89 (dois milhões, 
setecentos e sessenta e oito mil, duzentos e vinte cinco reais e oitenta e nove centavos). E nos 
mesmos atos deve incidir o representante legal da empresa, Francisco Malcides Pereira de 
Lucena, o qual, segundo restou evidenciado alhures162, tinha pleno domínio do fato sobre os 
negócios escusos da empresa, com ênfase nos valores altíssimos colocados nos contratos, como 
forma de "fidelizar" as avenças e garantir o que ele mesmo denominou de "retorno administrativo".
II.17 – DA INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONDUTAS ÍMPROBAS IMPUTADAS À 
DEMANDADA ESPÍNDOLA & RODRIGUES ASSESSORIA CONTÁBIL LTDA. - ME.
No que tange à empresa ESPÍNDOLA & RODRIGUES ASSESSORIA 
CONTÁBIL LTDA. - ME, imputa o Ministério Público Estadual a condição de beneficiária da 
prática dos atos de improbidade descritos nos artigos 9º, XI, 10, caput e VIII, e 11, caput, da Lei 
161 Fls 81-82 da Informação nº 326/2013-DAD.
162 Vide item relativo ao dano ao Erário causado pela empresa Adventus Group.
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nº 8.429/92, bem como quantifica o ressarcimento ao erário estadual no valor de R$ 20.000,00 
(vinte e mil reais).
No presente caso, a Associação MARCA celebrou contrato de prestação de 
serviços especializados de assessoria contábil para o Hospital da Mulher com a empresa Espíndola 
& Rodrigues Assessoria Contábil Ltda. – ME, representada por Célia Regina Caruzo Espíndola, 
sediada na cidade do Rio de Janeiro/RJ, tendo acordado como pagamento mensal a cifra de R$ 
4.000,00 (quatro mil reais) - condição que a enquadra nos arts. 10, caput e inciso VIII, e 11, 
caput, da Lei nº 8.429/92.