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MECÂNICA DOS SOLOS – I Tensões (parte 01) Prof: Helena Paula Nierwinski helnier@gmail.com Introdução • O entendimento do conceito de tensões no solo, sejam elas provenientes do peso próprio ou em decorrência de carregamentos superficiais, ou ainda pelo alívio de cargas causado por escavações, é de fundamental importância ao entendimento de obras geotécnicas. Existe a necessidade de se conhecer a distribuição de tensões ao longo da profundidade para solução de problemas de recalques, empuxo de terra, capacidade de carga, etc. • Como não é possível analisar as forças atuantes em cada partícula constituinte do solo, trabalhamos com o conceito de tensões. Tensões • Conceito de tensões aplicação da Mecânica dos Sólidos Deformáveis • Hipótese adotada: solos constituídos por partículas e as forças aplicadas são transmitidas de partícula para partícula, além das que são suportadas pela água dos vazios. • Transmissão das forças entre partículas complexa • Partículas granulares – transmissão de forças através do contato direto grão a grão; • Partículas de argila – transmissão entre contatos pequenas, pode ocorrer pela água adsorvida nas partículas Tensões • Considerando-se uma única partícula de solo, pode-se observar que numa certa seção, será transmitida uma força, que pode ser decomposta em normal e tangencial à seção. Como é impossível desenvolver um modelo matemático com base nas forças desenvolvidas por cada partícula, a ação das forças é susbtituída pelo conceito de tensão Tensões • Tensão Normal – somatória das componentes normais ao plano, dividida pela área total que abrange as partículas em que os contatos ocorrem: σ = N área • Tensão Cisalhante – somatória das forças tangenciais dividida pela área. 𝜏 = 𝑇 á𝑟𝑒𝑎 Tensões • O conceito de tensões apresentado conduz ao conceito de tensão num meio contínuo. Desta maneira, não se está cogitando se esse ponto de análise, no sistema particulado, está materialmente ocupado por um grão ou um vazio (analogia ao concreto). • As tensões na massa do solo podem ser: - Devidas ao peso próprio (tensões geostáticas) - Cargas externas Tensões – peso próprio • Na análise do comportamento dos solos, as tensões devidas ao peso próprio apresentam valores consideráveis e não podem ser desconsideradas. • Estas tensões, em geral possuem um padrão de distribuição próprio, que depende das características do maciço e da geometria do terreno. • Existem algumas situações simplificadoras: • Caso a superfície do terreno for horizontal e a natureza do solo não varia muito horizontalmente, então, pode-se dizer que a tensão atuante num plano horizontal a certa profundidade é normal ao plano. Não há tensão cisalhante neste plano. Tensões – peso próprio • Num plano horizontal acima do nível d`água, atua o peso de um prisma de terra definido por este plano. O peso do prisma, dividido pela área, indica a tensão vertical: 𝜎𝑣 = 𝛾𝑛 ∙ 𝑉 𝑎𝑟𝑒𝑎 = 𝛾𝑛 ∙ 𝑧 Y X Z N.A SEÇÃO A Za Tensões – peso próprio • SOLO HOMOGÊNEO • No caso em que o peso específico do solo (γ) é constante com a profundidade a tensão no ponto “A” poderá ser determinada como segue: z vo v = z A Tensões – peso próprio • SOLO HETEROGÊNEO • Quando o perfil do subsolo é estratificado, composto por várias camadas, a tensão é obtida pelo somatório das tensões de cada camada. z1 z2 z3 1 2 3 vo ni i iivo z 1 Tensões – peso próprio • Exemplo: Areia fofa γ=16 Kn/ m³ Pedregulho γ=21 Kn/ m³ 0 -3 -5 0 -3 -5 40 80 120 48 90 σ (kpa) Tensão hidrostática • A água no interior dos vazios, abaixo do nível d`água, estará sob uma pressão que independe da porosidade do solo; depende só de sua profundidade em relação ao nível freático. No plano considerado, a pressão da água é representada pelo símbolo u: 𝑢 = (𝑧𝐵 − 𝑧𝑤) ∙ 𝛾𝑤 • Esta pressão é denominada também de poropressão ou pressão neutra. Tensão hidrostática Na zw w wwzu Onde: w = peso específico da água Zw = profundidade do ponto em relação ao nível de água u Tensão efetiva • Onde: – ’ =tensão efetiva; – = tensão total; – u = pressão neutra. • Todos os efeitos mensuráveis oriundos da variação do estado de tensão, tais como compressão e variação da resistência ao cisalhamento são devido a variação do estado de tensões efetivas. u' Tensão efetiva