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INSTITUTO ENSINAR BRASIL FACULDADES UNIFICADAS DE TEÓFILO OTONI CAMILA DA SILVA RAMOS A UNIÃO ESTÁVEL POLIAFETIVA COMO ENTIDADE FAMILIAR E SUA LEGITIMIDADE NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO Projeto de Pesquisa apresentado ao Curso de Direito das Faculdades Unificadas de Teófilo Otoni, como requisito para aprovação na disciplina Monografia Jurídica I, orientada pelo Prof. Dr. Luciano Campos Lavall. Área de Concentração: Direito Civil TEÓFILO OTONI – MG 2016 SUMÁRIO 1. APRESENTAÇÃO .................................................................................................. 3 2. OBJETO DE ESTUDO ............................................................................................ 4 3. HIPÓTESES ............................................................................................................ 6 4. OBJETIVOS ............................................................................................................ 7 4.1. OBJETIVO GERAL ............................................................................................... 7 4.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS ................................................................................ 7 5. JUSTIFICATIVA ...................................................................................................... 8 6. MARCO TEÓRICO ................................................................................................ 10 6.1. EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO CONCEITO: FAMÍLIA ......................................... 10 6.2. RECONHECIMENTO DAS PLURALIDADE DAS ENTIDADES FAMILIARES ... 11 6.3.CONCEITO DE UNIÃO ESTÁVEL POLIAFETIVA .............................................. 12 6.4. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E DO DIREITO DAS FAMÍLIAS .................. 12 6.4.1. Princípio da Dignidade da Pessoa Humana, Art. 1º, Inciso III da Constituição Federal de 1988 ................................................................................. 12 6.4.2. Princípio da Afetividade ................................................................................ 13 6.4.3. Princípio do Pluralismo das Entidades Familiares..................................... 13 6.4.4 Princípio da liberdade de constituir uma comunhão de vida familiar ....... 14 6.4.5.Princípio da Igualdade ................................................................................... 15 6.5.PRIMEIRO REGISTRO DE UNIÃO POLIAFETIVA NO BRASIL ......................... 16 6.6.DIVERGÊNCIAS SOBRE A UNIÃO ESTÁVEL POLIAFETIVA ........................... 16 7. SUMÁRIO HIPOTÉTICO....................................................................................... 18 8. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS E TÉCNICOS ....................................... 19 8.1.CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA QUANTO AOS FINS..................................... 19 8.2.CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA QUANTO AOS MEIOS ................................. 19 8.3.TRATAMENTO DOS DADOS ............................................................................. 19 9. CRONOGRAMA ................................................................................................... 20 10. REFERÊNCIAS ................................................................................................... 21 1. APRESENTAÇÃO O projeto de pesquisa para conclusão do Curso de Direito, tem como tema A União Estável Poliafetiva como Entidade Familiar e sua legitimidade no Ordenamento Jurídico Brasileiro. Para o alcance da pesquisa ora proposta, faz-se necessário o estudo legislativo, doutrinário e jurisprudencial para realização da pesquisa. Serão utilizados para desenvolvimento do projeto de pesquisa, materiais sobre as disciplinas de Direito Civil e Direito Constitucional. 2. OBJETO DE ESTUDO A família no Ordenamento Jurídico Brasileiro, inicialmente, era caracterizada apenas por meio do matrimônio, ou seja, laços consanguíneos. No decorrer dos anos, o conceito de família deixou de limitar-se ao casamento e ampliou-se para surgimento dos novos moldes familiares, baseados no vínculo afetivo. A Constituição Federal de 1988, tem como marco histórico, o acolhimento das pluralidades dos arranjos familiares, por reconhecer que além do casamento, a união estável também caracteriza entidade familiar. A CF/88 atentou para as modificações sociológicas, trazendo princípios inovadores de proteção a família, tais princípios são: da dignidade da pessoa humana, do pluralismo das entidades familiares, da liberdade, da igualdade e da afetividade; sendo este último o basilar para configuração das diferentes entidades familiares. O Código Civil de 2002 desconstituiu a figura da família patriarcal e dispôs sobre responsabilidade simultânea dos cônjuges, bem como a nova estrutura familiar por meio da união estável, conforme art. 1.723: “É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família.” A União Estável Poliafetiva, tema a ser abordado nesse projeto tem repercussão doutrinária, jurisprudencial e social. É um relacionamento afetivo composto por mais de duas pessoas no mesmo lar. O Poliamor, assim também denominado, sempre existiu na sociedade, embora o preconceito de parte da população atrelada a dogmas religiosos e monogâmicos, não o reconhecer como família. No cenário jurídico a dialética é nova mediante as recentes escrituras públicas de Uniões Estáveis Poliafetivas realizadas nos Cartórios. Destarte as questões apresentadas, embora a Constituição Federal de 1988 tenha acolhido a pluralidade familiar e o Código Civil/2002 reconhecer a união estável entre homem e mulher como entidade familiar; a legislação brasileira não dispõe sobre o relacionamento Poliafetivo, portanto, indaga-se: A União Estável Poliafetiva tem legitimidade jurídica enquanto entidade familiar? 3. HIPÓTESES H0: A Constituição Federal de 1988 (Art. 226 § 3º) e o Código Civil (Art. 1.723), estabelecem a união estável entre o homem e a mulher e não abrangem em seus textos outra nomenclatura de união estável, como por exemplo, a formada por mais de duas pessoas, a União Estável Poliafetiva.O Poliamor não teria legitimidade como entidade familiar, pois, não haveria previsão legal no Brasil para o poliamorismo. H1: Embora as relações familiares estariam em constantes mudanças, o Brasil é um país religioso, a qual, o princípio da monogamia e a fidelidade prevalecem no meio social. Assim como ocorre com a bigamia, a União Estável Poliafetiva, não seria entidade familiar mediante o Ordenamento Jurídico Brasileiro, pois, a legislação à luz do princípio da monogamia consideraria inconstitucional a poligamia como entidade familiar. H2: Configuraria entidade familiar a União Estável Poliafetiva à luz dos Princípios Constitucionais: da dignidade da pessoa humana, do pluralismo das entidades familiares, da liberdade, da igualdade e da afetividade. O Ordenamento Jurídico Brasileiro, bem como, os operadores do direito acolheriam essa relação socioafetiva como família. 4. OBJETIVOS 4.1. OBJETIVO GERAL Abordar a União Estável Poliafetiva como entidade familiar e sua legitimidade no Ordenamento Jurídico Brasileiro; diante da dialéticados principais doutrinadores do Direito das Famílias e entendimentos jurisprudenciais acerca do tema. 4.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS ● Abordar a evolução das relações familiares no Brasil. ● Dissertar sobre os princípios que norteiam o Direito das Famílias ● Discorrer sobre contexto histórico do Poliamor no Brasil. ● Abordar a União Estável Poliafetiva no Ordenamento Jurídico Brasileiro enquanto entidade familiar. 5. JUSTIFICATIVA A Família ao longo da história, passou por diversas transformações, desde o modelo tradicional até o reconhecimento da pluralidade das entidades familiares. A Constituição Federal de 1988 marcou a história do Direito das Famílias, ao reconhecer a união estável como entidade familiar, tratar sobre princípios fundamentais e norteadores da família. Embora a Constituição Federal de 1988 e o Código Civil de 2002, retirarem a ideia do Código Civil de 1916, que a família legítima era a oriunda do casamento; o legislador infraconstitucional não acompanhou a evolução da sociedade ao dispor que a união estável era devida entre “homem e mulher”, contrário a Carta Magna que dispõe no art.226 §5º sobre a pluralidade familiar.. Fez-se necessário em 2011 o reconhecimento da relação homoafetiva pelo Supremo Tribunal Federal por meio da ADI 4277. A União Estável Poliafetiva, diante da ausência de legislação sobre o tema, encontra respaldos nos princípios constitucionais da família, bem como no uso análogo de decisões jurisprudenciais que reconhecem como entidade familiar as famílias paralelas (uma pessoa mantém dois relacionamentos, um por meio do casamento e outro pela união estável). As relações familiares não restringem-se mais aos laços consanguíneos, consoante o entendimento doutrinário majoritário, a família tem como basilar a afetividade. E o poliamorismo é uma relação que há afetividade e consentimento dos envolvidos sobre a estrutura familiar a qual pertencem. Consoante a breve explanação sobre o tema, verifica-se o ganho social, científico e pessoal ao desenvolver a pesquisa sobre a União Estável Poliafetiva: - As ciências sociais e jurídicas devem ser harmônicas, ou seja, o direito deve acompanhar os avanços da sociedade. O acolhimento da legislação a essa nova modalidade familiar, será um avanço científico em respeito ao maior princípio constitucional: da dignidade da pessoa humana - Embora a dialética sobre o Poliamor no meio jurídico seja recente, mas, no meio social esse se perfaz na história. Com a ampla divulgação desse novo arranjo familiar, contribuirá para o combate à discriminação e mudança da visão de parte da sociedade alienadas a dogmas culturais. - Afirma-se a suma importância da defesa dessa tese monográfica que significará importantes mudanças jurídicas, sejam previdenciárias, sucessórias, familiares, entre outros. É o reconhecimento de todas as formas de amor. 6. MARCO TEÓRICO 6.1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO CONCEITO: FAMÍLIA A família em seu contexto histórico, inicialmente, era estruturada pelo poder pátrio, a qual, considerava-se legítima apenas a família advinda do matrimônio. O Art. 229 do Código Civil de 1916 dizia: “Criando a família legítima, o casamento legitima os filhos comuns, antes dele nascidos ou concebidos”. Venosa (2015, p. 3) discorre: Entre vários organismos sociais e jurídicos, o conceito, a compreensão e extensão de família são os que mais se alteram no curso dos tempos. Neste século XXI, a sociedade de mentalidade urbanizada, embora não necessariamente urbana, cada vez mais globalizada pelos meios de comunicação, pressupõe e define uma modalidade conceitual de família bastante distante daquela regulada pelo Código de 1916 e das civilizações do passado. Como uma entidade orgânica, a família deve ser organizada, primordialmente, sob o ponto de vista exclusivamente sociológico e afetivo, antes de ser o fenômeno jurídico. Farias; Rosenvald (2016, p. 35) elucidam: Os novos valores que inspiram a sociedade contemporânea sobrepujam e rompem, definitivamente, com a concepção tradicional de família. A arquitetura da sociedade moderna impõe um modelo familiar descentralizado, democrático, igualitário e desmatrimonializado. O escopo precípuo da família passa a ser solidariedade social e demais condições necessárias ao aperfeiçoamento e progresso humano, regido o núcleo familiar pelo afeto, como mola propulsora. Embora, ter perdurado por muitos anos o conceito de família ligado ao casamento, a sociedade está em constante transformação e consequentemente o conceito de família patriarcal se desfez com o passar dos anos 6.2 RECONHECIMENTO DAS PLURALIDADE DAS ENTIDADES FAMILIARES O reconhecimento jurídico da pluralidade das entidades familiares no Brasil, ocorreu com a promulgação da Constituição Federal de 1988. Fiuza (2013, p.1.178) explana sobre o assunto: Com a Constituição de 1988, atentou-se para um fato importante: não existe apenas um modelo de família, como queriam crer o Código Civil de 1916 e a Igreja Católica. A ideia de família plural, que sempre foi uma realidade, passou a integrar a pauta jurídica constitucional e, portanto, de todo o sistema. Reconhecem-se hoje não só a família modelar do antigo Código, formada pelos pais e filhos, mas, além dela, a família monoparental, constituída pelos filhos e um dos pais; a família fraterna, consistente na vida comum de dois ou mais irmãos; até mesmo as famílias simultâneas, dentre outras, são reconhecidas. Dias (2016, p. 136) discorre: Rastreando os fatos da vida, a Constituição reconhece a existência de outras entidades familiares, além das constituídas pelo casamento. Assim, enlaçou no conceito de entidade familiar e emprestou especial proteção à união estável (CF 226 §3º) e à comunidade formada por qualquer dos pais com seus descendentes (CF 226 § 4º), que passou a ser chamada família monoparental. Mas não só nesse limitado universo flagra-se uma presença de uma família. Santiago (2015, p. 189) elucida: A pluralidade nas relações familiares impõe o reconhecimento de todo e qualquer arranjo familiar fundado no afeto e que desenvolva a personalidade e promova a dignidade de seus integrantes, independentemente de exigência de citação expressa por parte do constituinte. A proteção não é conferida à família em si, mas ao indivíduo enquanto seu componente, de forma que pouco importa qual entidade familiar consta expressamente na Constituição. O simples fato de configurar uma unidade de afeto qualificada pelo animo de constituir família, que respeite a dignidade de seus integrantes – características presentes no poliamor – já torna imperativa a proteção do Estado. O conceito de família, passou a basear-se na afetividade entre os membros que compõe o núcleo familiar, possibilitando assim, a diversidade de arranjos familiares. 6.3 CONCEITO DE UNIÃO ESTÁVEL POLIAFETIVA A União Estável Poliafetiva à luz do Ordenamento Jurídico Brasileiro é um assunto novo e de repercussão jurisprudencial, doutrinária e social. Para melhor compreensão do que é União Estável Poliafetiva, é imprescindível a sua conceituação: De acordo com Dias (2016, p. 143): Os termos são muitos: poliamor, família poliafetiva ou poli amorosas [...] A união poliafetiva é quando forma-se uma única entidade familiar. Todos moram sob o mesmo teto. Tem-se um verdadeiro casamento, com uma única diferença: o número de integrantes.Venosa (2015, p. 56) explana: A união poliafetiva é outra situação que ora e vez é informada pelos meios de comunicação, e já chegou aos tribunais. União de homens com mais de uma mulher concomitantemente, ou até mesmo mulheres com mais de um companheiro. Em observância aos conceitos supracitados, verifica-se que o Poliamor é um arranjo familiar que diferencia-se pelo número de companheiros. Embora a quantidade seja diferenciada, não impede que este molde seja considerado família. 6.4 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E DO DIREITO DAS FAMÍLIAS Neste contexto, é importante destacar que o Poliamor encontra amparo nos princípios do Direito das Famílias e Constitucionais: 6.4.1. Princípio da Dignidade da Pessoa Humana, Art. 1º, Inciso III da Constituição Federal de 1988 Conforme Fiuza (2013, p. 1.181): “Pelo princípio da dignidade humana, a família passa a ser vista como o ambiente para o livre desenvolvimento da personalidade.” Calmon (2003, p. 105 apud Dias 2016, p. 49) dispõe: A dignidade da pessoa humana encontra na família o solo apropriado para florescer. A ordem constitucional dá-lhe especial proteção independentemente de sua origem. A multiplicação das entidades familiares preserva e desenvolve as qualidades mais relevantes entre os familiares – o afeto, a solidariedade, a união, o respeito, a confiança, o amor, o projeto de vida comum -, permitindo o pleno desenvolvimento pessoal e social de cada participe com base em ideias pluralistas, solidaristas, democráticos e humanistas. Em suma o princípio da dignidade da pessoa humana é um princípio constitucional que rege o Direito das Famílias e protege os diversos arranjos familiares. 6.4.2. Princípio da Afetividade O princípio da afetividade é o basilar das diversas composições familiares: Groeninga (2008, p. 28 apud Tartuce 2014, p. 38) elucida: Merecem destaque as palavras da juspsicanalista Giselle Câmara Groeninga, para quem “O papel dado à subjetividade e à afetividade tem sido crescente no Direito de Família, que não mais pode excluir de suas considerações a qualidade dos vínculos existentes entre os membros de uma família, de forma que possa buscar a necessária objetividade na subjetividade inerente às relações. Cada vez mais se dá importância ao afeto nas considerações das relações familiares; aliás, um outro princípio do Direito de Família é o da afetividade”. Lobo (2015, p.14 apud Dias, 2016, p. 54 e 55) disserta: “A afetividade é o princípio que fundamenta o direito das famílias na estabilidade das relações socioafetivas e na comunhão de vida, com primazia em face de considerações de caráter patrimonial ou biológico.” O Poliamor funda-se na afetividade entre os membros da relação, sendo assim, o princípio da afetividade é mais uma caracterização da União Estável Poliafetiva como entidade familiar. 6.4.3. Princípio do Pluralismo das Entidades Familiares O princípio da pluralidade das entidades familiares é a abrangência de todos os arranjos familiares independente se estes estão previstos ou não na legislação brasileira. De acordo com Cavalcanti (2002, p. 145 apud Dias 2016, p. 52): “[...] O princípio do pluralismo das entidades familiares é encarado como o reconhecimento pelo Estado da existência de várias possibilidades de arranjos familiares”. Farias; Rosenvald (2016, p. 75) explanam: De fato o legislador constituinte apenas normatizou o que já representava a realidade de milhares de famílias brasileiras, reconhecendo que é família é um fato natural e o casamento, uma solenidade, uma convenção social, adaptando, assim, o Direito aos anseios e às necessidades da sociedade. Assim, passou a receber proteção estatal, como reza o art. 226 da Constituição Federal, não somente a família originada através do casamento, bem como outra manifestação afetiva, como a união estável e a família monoparental – formada pela comunidade de qualquer dos pais e seus descendentes, no eloquente exemplo de mãe solteira. O princípio do pluralismo das entidades familiares, dá a liberdade de reconhecer os diversos arranjos familiares, inclusive o Poliamor, relacionamento este, baseado na afetividade, respeito, confiança, dentre outras regras. 6.4.4 Princípio da liberdade de constituir uma comunhão de vida familiar Esse princípio baseia-se na liberdade dos indivíduos em constituir uma família da forma que desejar seja por: Casamento, União Estável Poliafetiva, Monoparental, dentre outras formas de família. Consoante Gonçalves (2016, p. 25): “[...] seja pelo casamento, seja pela união estável, sem qualquer imposição ou restrição de pessoa jurídica de direito público ou privado, como dispõe o supramencionado art. 1.513 do Código Civil”. Dias (2016, p.49) discorre: A Constituição, ao instaurar o regime democrático, revelou enorme preocupação em banir discriminações de qualquer ordem, deferindo à igualdade e à liberdade especial atenção no âmbito familiar. Todos têm a liberdade de escolher o seu par ou pares, seja do sexo que for, bem como o tipo de entidade que quiser para constituir sua família. Lobo (2011, p.69 apud Santiago, 2015, p.166) Assim, o princípio da liberdade representa (i) o livre poder de escolha ou autonomia de constituição, realização e extinção da entidade familiar, sem qualquer tipo de imposição ou interferências externas de parentes, da sociedade ou do legislador; (ii) o livre planejamento familiar; (iii) a livre estipulação dos modelos educacionais, dos valores culturais e religiosos; (iv) a livre formação dos filhos, desde que respeitada a sua dignidade; e (v) a liberdade de agir, embasada no respeito à integridade física, mental e moral. Diante do princípio da liberdade em constituir uma família e desde que a dignidade da pessoa humana seja respeitada; a sociedade tem a liberdade de decidir sobre questões familiares sem a intervenção do Estado, desde a constituição até a dissolução de uma família. 6.4.5. Princípio da Igualdade É um princípio constitucional que aplicado ao Direitos das Famílias, garante o tratamento igualitário de gêneros, filhos, cônjuges, entre outros. Farias; Rosenvald (2016, p. 99) dissertam: A evidente preocupação constitucional em ressaltar a igualdade substancial entre homem e mulher parece decorrer da necessidade de pôr cobro a um tempo discriminatório, em que o homem chefiava a relação conjugal, subjugando a mulher. Consagra-se, assim, a igualdade substancial (também dita igualdade material) no plano familiar, excluindo todo e qualquer tipo de discriminação decorrente do estado sexual. Dias (2016, p. 51) elucida: Atendendo à ordem constitucional, o Código Civil consagra o princípio da igualdade no âmbito do direito das famílias, que não deve ser pautado pela pura e simples igualdade entre iguais, mas pela solidariedade entre seus membros. A organização e a própria direção da família repousam no princípio da igualdade de direitos e deveres dos cônjuges (CC 1.511), tanto que compete a ambos a direção da sociedade conjugal em mútua colaboração (CC 1.567). São atribuídos deveres recíprocos igualitariamente tanto ao marido quanto à mulher (CC 1.566). O princípio da igualdade aplicado a União Estável Poliafetiva significa o tratamento igualitário e o reconhecimento do Poliamor como entidade familiar em face dos demais arranjos familiares existentes. 6.5. PRIMEIRO REGISTRO DE UNIÃO POLIAFETIVA NO BRASIL Em 2012 no estado de São Paulo aconteceu a primeira escritura de união estável poliafetiva. Consoante o site do Instituto Brasileiro de Direito de Família <http://www.ibdfam.org.br/noticias/4862/novosite>Acesso em 18 de maio de 2016, descreve: Foi divulgada essa semana uma Escritura Pública de União Poliafetiva que, de acordo com a tabeliã de notas e protestos da cidade de Tupã, interior de São Paulo, Cláudia do Nascimento Domingues, pode ser considerada a primeira que trata sobre uniões poliafetivas no Brasil. Ela, tabeliã responsável pelo caso, explica que os três indivíduos: duas mulheres e um homem viviam em união estável e desejavam declarar essa situação publicamente para a garantia de seus direitos. Os três procuraram diversos tabeliães que se recusaram a lavrar a declaração de convivência pública. “Quando eles entraram em contato comigo, eu fui averiguar se existia algum impedimento legal e verifiquei que não havia. Eu não poderia me recusar a lavrar a declaração. O tabelião tem a função pública de dar garantia jurídica ao conhecimento de fato”, afirma. Tartuce (2014, p. 287) sobre esse marco, disserta: Toda essa discussão ganha relevo diante da elaboração de uma escritura de união poliafetiva pela tabeliã da cidade de Tupã, interior de São Paulo, Cláudia do Nascimento Domingues. Conforme se extrai do site do IBDFAM, é fundamental o seguinte trecho do documento, assinado por um homem e duas mulheres: “Os declarantes, diante da lacuna legal no reconhecimento desse modelo de união afetiva múltipla e simultânea, intentam estabelecer as regras para garantia de seus direitos e deveres, pretendendo vê-las reconhecidas e respeitadas social, econômica e juridicamente em caso de questionamentos ou litígios surgidos entre si ou com terceiros, tendo por base os princípios constitucionais da liberdade, dignidade e igualdade”. As relações poliafetivas existem desde os primórdios, porém no Brasil há poucos anos que houve o registro das uniões estáveis simultâneas. Os cartórios tem escriturado o Poliamor, sendo assim, o primeiro passo para regulamentação como entidade familiar, assim como ocorreu com a união homoafetiva. 6.6. DIVERGÊNCIAS SOBRE A UNIÃO ESTÁVEL POLIAFETIVA A União Estável Poliafetiva causa divergência sobre seu reconhecimento como entidade familiar. De acordo com a publicação de Silva <http://www.reginabeatriz.com.br/escritorio/noticias/noticia.aspx?id=340> Acesso em: 18 de maio de 2016, aborda: As opiniões dos juristas divergem quanto à aceitação dessas novas uniões, principalmente quanto ao seu alcance jurídico e seus efeitos, chegando ao ponto de classificarem a expressão poliamorismo como um estelionato jurídico. Madaleno (2011, p.26 apud Venosa, 2015, p.57): “É o poliamor na busca do justo equilíbrio, que não identifica infiéis quando homens e mulheres convivem abertamente relações afetivas envolvendo mais de duas pessoas” Fiuza (2013, p. 1224) discorre: [...] A tendência da doutrina aponta em outro sentido, porém. no sentido da liberdade, da autonomia privada. Questiona-se inclusive se o princípio da monogamia deveria ser aplicado a casamento. Havendo duas ou mais uniões estáveis (normalmente de um homem com duas ou mais mulheres), ainda que não coabitam todos no mesmo local, a Lei deveria proteger a todos o (a)s companheiro(a)s, principalmente os que agiram de boa-fé”. Tartuce (2014, p. 288) explana: O reconhecimento de um afeto espontâneo entre duas ou mais pessoas não parece ser o caso de dano à coletividade, mas muito ao contrário, de reafirmação de solidariedade entre as partes, algo que deve ser incentivado perante a sociedade. Destarte as questões apresentadas, embora, a discussão jurídica acerca do tema seja atual, a estrutura amorosa/familiar Poliafeitva é algo de conhecimento social, porém, ignorado pela população devido os preceitos religiosos e antigos de família tradicional, fazendo com que muitos repudiem o Poliamor em defesa do princípio da monogamia. Em contrapartida, levando-se em conta que a União Estável Poliafetiva é uma relação em que há o consentimento dos envolvidos e o pilar é a afetividade, reconhecer esta relação é um avanço no Ordenamento Jurídico Brasileiro, tal qual, como ocorreu o reconhecimento da relação homoafetiva pelo Supremo Tribunal Federal. 7. SUMÁRIO HIPOTÉTICO INTRODUÇÃO 1. EVOLUÇÃO DAS RELAÇÕES FAMILIARES NO BRASIL 1.1. FAMÍLIA À LUZ DO CÓDIGO CIVIL DE 1916 1.2. FAMÍLIA CONTEPORÂNEA 2. PRINCÍPIOS NORTEADORES DO DIREITO DAS FAMÍLIAS 2.1. PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA 2.2. PRINCÍPIO DA AFETIVIDADE 2.3. PRINCÍPIO DO PLURALISMO DAS ENTIDADES FAMILIARES 2.4. PRINCÍPIO DA LIBERDADE DE CONSTITUIR UMA COMUNHÃO DE VIDA FAMILIAR 2.5. PRINCÍPIO DA IGUALDADE 3. CONCEITO DE UNIÃO ESTÁVEL POLIAFETIVA 4. CONTEXTO HISTÓRICO DA UNIÃO ESTÁVEL POLIAFETIVA NO BRASIL 5. A VIABILIDADE DA UNIÃO ESTÁVEL POLIAFETIVA COMO ENTIDADE FAMILIAR NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO 6. POSICIONAMENTOS JURISPRUDENCIAIS SOBRE O POLIAMOR REFERÊNCIAS 8. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS E TÉCNICOS Esse capítulo visa à exposição dos procedimentos a serem utilizados para eficácia da análise proposta, comportando um melhor entendimento do desenvolvimento da pesquisa de conclusão de curso. 8.1.CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA QUANTO AOS FINS A pesquisa quanto aos fins pode ser classificada como exploratória, visto que dessa forma há aproximação entre o pesquisador e o objeto em pesquisa e tem como escopo o estudo minucioso da União Estável Poliafetiva como Entidade Familiar e sua Legitimidade no Ordenamento Jurídico Brasileiro através do estudo do caso concreto e pesquisas bibliográficas. 8.2. CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA QUANTO AOS MEIOS Quanto aos meios, a pesquisa será de cunho bibliográfico. O levantamento bibliográfico será desenvolvido a partir de livros de leitura corrente referentes à temática ora proposta, bem como em portais de universidades. Para a realização da coleta de dados serão utilizados os seguintes descritores: Constituição Federal de 1988, Código Civil de 2002 e doutrinas que discorrem sobre o tema. 8.3. TRATAMENTO DOS DADOS A construção da pesquisa será através de pesquisa teórico-dogmática, de caráter transdisciplinar entre os ramos do Direito Civil e Direito Constitucional. 9. CRONOGRAMA ATIVIDADE Julho 2016 Agosto 2016 Setembro 2016 Outubro 2016 Novembro 2016 Dezembro 2016 Reajustes ao projeto Revisão Bibliográfica Início da Orientação Redação do Corpo da Monografia Correção Final Formatação Protocolamento Defesa Pública Depósito Final 10. REFERÊNCIAS BRASIL. Constituição. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm> Acesso em 17 de maio de 2016. _______. Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm> Acesso em 15 de maio de 2016. CARNEIRO, Rafael Gomes da Silva; MAGALHÃES, Vanessa de Padua Rios. O direito de liberdade e a possibilidade de reconhecimento da união poliafetiva – Família. Disponível em: <http://www.ambito- juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=12810>Acesso em 16 de maio de 2016. DANOSO, Denis. União estável e entidades familiares concomitantes. O poliamor como critério jurídico do Direito de Família. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/12232/uniao-estavel-e-entidades-familiares- concomitantes> Acessoem 17 de maio de 2016. INSTITUTO BRASILEIRO DE DIREITO DA FAMÍLIA. Escritura reconhece união afetiva a três. Disponível em: <http://www.ibdfam.org.br/noticias/4862/novosite> Acessado em 18 de maio de 2016. SÁ, Camila Franchi de Souza; VIECILI, Mariza. As novas famílias: relações poliafetivas. Disponível em: <http://www.univali.br/ensino/graduacao/cejurps/cursos/direito/direito- itajai/publicacoes/revista-de-iniciacao-cientifica ricc/edicoes/Lists/Artigos/Attachments/985/Arquivo%207.pdf> Acesso em 16 de maio de 2016 SILVA, Regina Beatriz Tavares da. Tentativa inútil de institucionalizar a Poligamia no Brasil. Disponível em: <http://www.reginabeatriz.com.br/escritorio/noticias/noticia.aspx?id=340> Acesso em: 18 de maio de 2016. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Supremo reconhece união homoafetiva. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=178931> Acesso em: 18 de maio de 2016 ZAMATARO, Yves. União Poliafetiva – ficção ou realidade? Disponível em: <http://www.migalhas.com.br/dePeso/16,MI218321,41046- Uniao+poliafetiva+ficcao+ou+realidade> Acesso em: 17 de maio de 2016 DIAS, Maria Berenice. Manual de Direito das Famílias.11ª. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2016. FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson. Curso de Direito Civil. 8ª.ed.Salvador: JusPODIVM, 2016, v.6. FIUZA, César. Direito Civil. 16ª.ed.Belo Horizonte: Del Rey, 2013. GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito de Família. 13ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2016, v.6. SANTIAGO, Rafael da Silva. Poliamor e Direito das Famílias: reconhecimento e consequências jurídicas. Curitiba: Juruá, 2015. VENOSA, Silvio de Salvo Venosa. Direito de Família. 15ª. ed. São Paulo: Atlas, 2015, v.6.