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INSTITUTO ENSINAR BRASIL 
FACULDADES UNIFICADAS DE TEÓFILO OTONI 
 
CAMILA DA SILVA RAMOS 
 
 
 
 
 
A UNIÃO ESTÁVEL POLIAFETIVA COMO ENTIDADE FAMILIAR E 
SUA LEGITIMIDADE NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO 
 
 
Projeto de Pesquisa apresentado ao Curso de Direito das Faculdades 
Unificadas de Teófilo Otoni, como requisito para aprovação na disciplina 
Monografia Jurídica I, orientada pelo Prof. Dr. Luciano Campos Lavall. 
Área de Concentração: Direito Civil 
 
 
 
 
 
 
TEÓFILO OTONI – MG 
2016 
 
 
SUMÁRIO 
 
1. APRESENTAÇÃO .................................................................................................. 3 
2. OBJETO DE ESTUDO ............................................................................................ 4 
3. HIPÓTESES ............................................................................................................ 6 
4. OBJETIVOS ............................................................................................................ 7 
4.1. OBJETIVO GERAL ............................................................................................... 7 
4.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS ................................................................................ 7 
5. JUSTIFICATIVA ...................................................................................................... 8 
6. MARCO TEÓRICO ................................................................................................ 10 
6.1. EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO CONCEITO: FAMÍLIA ......................................... 10 
6.2. RECONHECIMENTO DAS PLURALIDADE DAS ENTIDADES FAMILIARES ... 11 
6.3.CONCEITO DE UNIÃO ESTÁVEL POLIAFETIVA .............................................. 12 
6.4. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E DO DIREITO DAS FAMÍLIAS .................. 12 
6.4.1. Princípio da Dignidade da Pessoa Humana, Art. 1º, Inciso III da 
Constituição Federal de 1988 ................................................................................. 12 
6.4.2. Princípio da Afetividade ................................................................................ 13 
6.4.3. Princípio do Pluralismo das Entidades Familiares..................................... 13 
6.4.4 Princípio da liberdade de constituir uma comunhão de vida familiar ....... 14 
6.4.5.Princípio da Igualdade ................................................................................... 15 
6.5.PRIMEIRO REGISTRO DE UNIÃO POLIAFETIVA NO BRASIL ......................... 16 
6.6.DIVERGÊNCIAS SOBRE A UNIÃO ESTÁVEL POLIAFETIVA ........................... 16 
7. SUMÁRIO HIPOTÉTICO....................................................................................... 18 
8. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS E TÉCNICOS ....................................... 19 
8.1.CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA QUANTO AOS FINS..................................... 19 
8.2.CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA QUANTO AOS MEIOS ................................. 19 
8.3.TRATAMENTO DOS DADOS ............................................................................. 19 
9. CRONOGRAMA ................................................................................................... 20 
10. REFERÊNCIAS ................................................................................................... 21 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1. APRESENTAÇÃO 
 
O projeto de pesquisa para conclusão do Curso de Direito, tem como tema A 
União Estável Poliafetiva como Entidade Familiar e sua legitimidade no 
Ordenamento Jurídico Brasileiro. Para o alcance da pesquisa ora proposta, faz-se 
necessário o estudo legislativo, doutrinário e jurisprudencial para realização da 
pesquisa. Serão utilizados para desenvolvimento do projeto de pesquisa, materiais 
sobre as disciplinas de Direito Civil e Direito Constitucional. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2. OBJETO DE ESTUDO 
 
 A família no Ordenamento Jurídico Brasileiro, inicialmente, era 
caracterizada apenas por meio do matrimônio, ou seja, laços consanguíneos. No 
decorrer dos anos, o conceito de família deixou de limitar-se ao casamento e 
ampliou-se para surgimento dos novos moldes familiares, baseados no vínculo 
afetivo. 
A Constituição Federal de 1988, tem como marco histórico, o acolhimento 
das pluralidades dos arranjos familiares, por reconhecer que além do casamento, a 
união estável também caracteriza entidade familiar. A CF/88 atentou para as 
modificações sociológicas, trazendo princípios inovadores de proteção a família, tais 
princípios são: da dignidade da pessoa humana, do pluralismo das entidades 
familiares, da liberdade, da igualdade e da afetividade; sendo este último o basilar 
para configuração das diferentes entidades familiares. 
O Código Civil de 2002 desconstituiu a figura da família patriarcal e dispôs 
sobre responsabilidade simultânea dos cônjuges, bem como a nova estrutura 
familiar por meio da união estável, conforme art. 1.723: “É reconhecida como 
entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher, configurada na 
convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de 
constituição de família.” 
A União Estável Poliafetiva, tema a ser abordado nesse projeto tem 
repercussão doutrinária, jurisprudencial e social. É um relacionamento afetivo 
composto por mais de duas pessoas no mesmo lar. O Poliamor, assim também 
denominado, sempre existiu na sociedade, embora o preconceito de parte da 
população atrelada a dogmas religiosos e monogâmicos, não o reconhecer como 
família. No cenário jurídico a dialética é nova mediante as recentes escrituras 
públicas de Uniões Estáveis Poliafetivas realizadas nos Cartórios. Destarte as 
questões apresentadas, embora a Constituição Federal de 1988 tenha acolhido a 
 
 
pluralidade familiar e o Código Civil/2002 reconhecer a união estável entre homem e 
mulher como entidade familiar; a legislação brasileira não dispõe sobre o 
relacionamento Poliafetivo, portanto, indaga-se: A União Estável Poliafetiva tem 
legitimidade jurídica enquanto entidade familiar? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3. HIPÓTESES 
 
H0: A Constituição Federal de 1988 (Art. 226 § 3º) e o Código Civil (Art. 1.723), 
estabelecem a união estável entre o homem e a mulher e não abrangem em seus 
textos outra nomenclatura de união estável, como por exemplo, a formada por mais 
de duas pessoas, a União Estável Poliafetiva.O Poliamor não teria legitimidade 
como entidade familiar, pois, não haveria previsão legal no Brasil para o 
poliamorismo. 
 
H1: Embora as relações familiares estariam em constantes mudanças, o Brasil é um 
país religioso, a qual, o princípio da monogamia e a fidelidade prevalecem no meio 
social. Assim como ocorre com a bigamia, a União Estável Poliafetiva, não seria 
entidade familiar mediante o Ordenamento Jurídico Brasileiro, pois, a legislação à 
luz do princípio da monogamia consideraria inconstitucional a poligamia como 
entidade familiar. 
 
H2: Configuraria entidade familiar a União Estável Poliafetiva à luz dos Princípios 
Constitucionais: da dignidade da pessoa humana, do pluralismo das entidades 
familiares, da liberdade, da igualdade e da afetividade. O Ordenamento Jurídico 
Brasileiro, bem como, os operadores do direito acolheriam essa relação socioafetiva 
como família. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4. OBJETIVOS 
4.1. OBJETIVO GERAL 
 
Abordar a União Estável Poliafetiva como entidade familiar e sua 
legitimidade no Ordenamento Jurídico Brasileiro; diante da dialéticados principais 
doutrinadores do Direito das Famílias e entendimentos jurisprudenciais acerca do 
tema. 
4.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS 
 
● Abordar a evolução das relações familiares no Brasil. 
● Dissertar sobre os princípios que norteiam o Direito das Famílias 
● Discorrer sobre contexto histórico do Poliamor no Brasil. 
● Abordar a União Estável Poliafetiva no Ordenamento Jurídico Brasileiro enquanto 
entidade familiar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5. JUSTIFICATIVA 
 
A Família ao longo da história, passou por diversas transformações, desde o 
modelo tradicional até o reconhecimento da pluralidade das entidades familiares. A 
Constituição Federal de 1988 marcou a história do Direito das Famílias, ao 
reconhecer a união estável como entidade familiar, tratar sobre princípios 
fundamentais e norteadores da família. 
Embora a Constituição Federal de 1988 e o Código Civil de 2002, retirarem a 
ideia do Código Civil de 1916, que a família legítima era a oriunda do casamento; o 
legislador infraconstitucional não acompanhou a evolução da sociedade ao dispor 
que a união estável era devida entre “homem e mulher”, contrário a Carta Magna 
que dispõe no art.226 §5º sobre a pluralidade familiar.. Fez-se necessário em 2011 o 
reconhecimento da relação homoafetiva pelo Supremo Tribunal Federal por meio da 
ADI 4277. 
A União Estável Poliafetiva, diante da ausência de legislação sobre o tema, 
encontra respaldos nos princípios constitucionais da família, bem como no uso 
análogo de decisões jurisprudenciais que reconhecem como entidade familiar as 
famílias paralelas (uma pessoa mantém dois relacionamentos, um por meio do 
casamento e outro pela união estável). As relações familiares não restringem-se 
mais aos laços consanguíneos, consoante o entendimento doutrinário majoritário, a 
família tem como basilar a afetividade. E o poliamorismo é uma relação que há 
afetividade e consentimento dos envolvidos sobre a estrutura familiar a qual 
pertencem. 
Consoante a breve explanação sobre o tema, verifica-se o ganho social, científico e 
pessoal ao desenvolver a pesquisa sobre a União Estável Poliafetiva: 
 - As ciências sociais e jurídicas devem ser harmônicas, ou seja, o direito deve 
acompanhar os avanços da sociedade. O acolhimento da legislação a essa nova 
 
 
modalidade familiar, será um avanço científico em respeito ao maior princípio 
constitucional: da dignidade da pessoa humana 
- Embora a dialética sobre o Poliamor no meio jurídico seja recente, mas, no meio 
social esse se perfaz na história. Com a ampla divulgação desse novo arranjo 
familiar, contribuirá para o combate à discriminação e mudança da visão de parte da 
sociedade alienadas a dogmas culturais. 
- Afirma-se a suma importância da defesa dessa tese monográfica que significará 
importantes mudanças jurídicas, sejam previdenciárias, sucessórias, familiares, 
entre outros. É o reconhecimento de todas as formas de amor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6. MARCO TEÓRICO 
 
6.1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO CONCEITO: FAMÍLIA 
 
A família em seu contexto histórico, inicialmente, era estruturada pelo poder 
pátrio, a qual, considerava-se legítima apenas a família advinda do matrimônio. O 
Art. 229 do Código Civil de 1916 dizia: “Criando a família legítima, o casamento 
legitima os filhos comuns, antes dele nascidos ou concebidos”. 
Venosa (2015, p. 3) discorre: 
Entre vários organismos sociais e jurídicos, o conceito, a compreensão e 
extensão de família são os que mais se alteram no curso dos tempos. Neste 
século XXI, a sociedade de mentalidade urbanizada, embora não 
necessariamente urbana, cada vez mais globalizada pelos meios de 
comunicação, pressupõe e define uma modalidade conceitual de família 
bastante distante daquela regulada pelo Código de 1916 e das civilizações 
do passado. Como uma entidade orgânica, a família deve ser organizada, 
primordialmente, sob o ponto de vista exclusivamente sociológico e afetivo, 
antes de ser o fenômeno jurídico. 
 
Farias; Rosenvald (2016, p. 35) elucidam: 
Os novos valores que inspiram a sociedade contemporânea sobrepujam e 
rompem, definitivamente, com a concepção tradicional de família. A 
arquitetura da sociedade moderna impõe um modelo familiar 
descentralizado, democrático, igualitário e desmatrimonializado. O escopo 
precípuo da família passa a ser solidariedade social e demais condições 
necessárias ao aperfeiçoamento e progresso humano, regido o núcleo 
familiar pelo afeto, como mola propulsora. 
 
Embora, ter perdurado por muitos anos o conceito de família ligado ao 
casamento, a sociedade está em constante transformação e consequentemente o 
conceito de família patriarcal se desfez com o passar dos anos 
 
 
 
6.2 RECONHECIMENTO DAS PLURALIDADE DAS ENTIDADES FAMILIARES 
 
O reconhecimento jurídico da pluralidade das entidades familiares no Brasil, 
ocorreu com a promulgação da Constituição Federal de 1988. 
Fiuza (2013, p.1.178) explana sobre o assunto: 
Com a Constituição de 1988, atentou-se para um fato importante: não existe 
apenas um modelo de família, como queriam crer o Código Civil de 1916 e 
a Igreja Católica. A ideia de família plural, que sempre foi uma realidade, 
passou a integrar a pauta jurídica constitucional e, portanto, de todo o 
sistema. Reconhecem-se hoje não só a família modelar do antigo Código, 
formada pelos pais e filhos, mas, além dela, a família monoparental, 
constituída pelos filhos e um dos pais; a família fraterna, consistente na vida 
comum de dois ou mais irmãos; até mesmo as famílias simultâneas, dentre 
outras, são reconhecidas. 
 
Dias (2016, p. 136) discorre: 
 
Rastreando os fatos da vida, a Constituição reconhece a existência de 
outras entidades familiares, além das constituídas pelo casamento. Assim, 
enlaçou no conceito de entidade familiar e emprestou especial proteção à 
união estável (CF 226 §3º) e à comunidade formada por qualquer dos pais 
com seus descendentes (CF 226 § 4º), que passou a ser chamada família 
monoparental. Mas não só nesse limitado universo flagra-se uma presença 
de uma família. 
 
Santiago (2015, p. 189) elucida: 
 
A pluralidade nas relações familiares impõe o reconhecimento de todo e 
qualquer arranjo familiar fundado no afeto e que desenvolva a 
personalidade e promova a dignidade de seus integrantes, 
independentemente de exigência de citação expressa por parte do 
constituinte. A proteção não é conferida à família em si, mas ao indivíduo 
enquanto seu componente, de forma que pouco importa qual entidade 
familiar consta expressamente na Constituição. O simples fato de configurar 
uma unidade de afeto qualificada pelo animo de constituir família, que 
respeite a dignidade de seus integrantes – características presentes no 
poliamor – já torna imperativa a proteção do Estado. 
 
O conceito de família, passou a basear-se na afetividade entre os membros 
que compõe o núcleo familiar, possibilitando assim, a diversidade de arranjos 
familiares. 
 
 
6.3 CONCEITO DE UNIÃO ESTÁVEL POLIAFETIVA 
 
A União Estável Poliafetiva à luz do Ordenamento Jurídico Brasileiro é um 
assunto novo e de repercussão jurisprudencial, doutrinária e social. Para melhor 
compreensão do que é União Estável Poliafetiva, é imprescindível a sua 
conceituação: 
De acordo com Dias (2016, p. 143): 
Os termos são muitos: poliamor, família poliafetiva ou poli amorosas [...] A 
união poliafetiva é quando forma-se uma única entidade familiar. Todos 
moram sob o mesmo teto. Tem-se um verdadeiro casamento, com uma 
única diferença: o número de integrantes.Venosa (2015, p. 56) explana: 
A união poliafetiva é outra situação que ora e vez é informada pelos meios 
de comunicação, e já chegou aos tribunais. União de homens com mais de 
uma mulher concomitantemente, ou até mesmo mulheres com mais de um 
companheiro. 
 
Em observância aos conceitos supracitados, verifica-se que o Poliamor é um 
arranjo familiar que diferencia-se pelo número de companheiros. Embora a 
quantidade seja diferenciada, não impede que este molde seja considerado família. 
6.4 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E DO DIREITO DAS FAMÍLIAS 
 
Neste contexto, é importante destacar que o Poliamor encontra amparo nos 
princípios do Direito das Famílias e Constitucionais: 
6.4.1. Princípio da Dignidade da Pessoa Humana, Art. 1º, Inciso III da 
Constituição Federal de 1988 
 
Conforme Fiuza (2013, p. 1.181): “Pelo princípio da dignidade humana, a 
família passa a ser vista como o ambiente para o livre desenvolvimento da 
personalidade.” 
Calmon (2003, p. 105 apud Dias 2016, p. 49) dispõe: 
A dignidade da pessoa humana encontra na família o solo 
apropriado para florescer. A ordem constitucional dá-lhe especial proteção 
 
 
independentemente de sua origem. A multiplicação das entidades familiares 
preserva e desenvolve as qualidades mais relevantes entre os familiares – o 
afeto, a solidariedade, a união, o respeito, a confiança, o amor, o projeto de 
vida comum -, permitindo o pleno desenvolvimento pessoal e social de cada 
participe com base em ideias pluralistas, solidaristas, democráticos e 
humanistas. 
 
Em suma o princípio da dignidade da pessoa humana é um princípio 
constitucional que rege o Direito das Famílias e protege os diversos arranjos 
familiares. 
 
6.4.2. Princípio da Afetividade 
 
O princípio da afetividade é o basilar das diversas composições familiares: 
Groeninga (2008, p. 28 apud Tartuce 2014, p. 38) elucida: 
Merecem destaque as palavras da juspsicanalista Giselle Câmara 
Groeninga, para quem “O papel dado à subjetividade e à afetividade tem 
sido crescente no Direito de Família, que não mais pode excluir de suas 
considerações a qualidade dos vínculos existentes entre os membros de 
uma família, de forma que possa buscar a necessária objetividade na 
subjetividade inerente às relações. Cada vez mais se dá importância ao 
afeto nas considerações das relações familiares; aliás, um outro princípio do 
Direito de Família é o da afetividade”. 
Lobo (2015, p.14 apud Dias, 2016, p. 54 e 55) disserta: “A afetividade é o 
princípio que fundamenta o direito das famílias na estabilidade das relações 
socioafetivas e na comunhão de vida, com primazia em face de considerações de 
caráter patrimonial ou biológico.” 
O Poliamor funda-se na afetividade entre os membros da relação, sendo 
assim, o princípio da afetividade é mais uma caracterização da União Estável 
Poliafetiva como entidade familiar. 
6.4.3. Princípio do Pluralismo das Entidades Familiares 
 
O princípio da pluralidade das entidades familiares é a abrangência de todos 
os arranjos familiares independente se estes estão previstos ou não na legislação 
brasileira. 
 
 
 
De acordo com Cavalcanti (2002, p. 145 apud Dias 2016, p. 52): “[...] O 
princípio do pluralismo das entidades familiares é encarado como o reconhecimento 
pelo Estado da existência de várias possibilidades de arranjos familiares”. 
Farias; Rosenvald (2016, p. 75) explanam: 
De fato o legislador constituinte apenas normatizou o que já representava a 
realidade de milhares de famílias brasileiras, reconhecendo que é família é 
um fato natural e o casamento, uma solenidade, uma convenção social, 
adaptando, assim, o Direito aos anseios e às necessidades da sociedade. 
Assim, passou a receber proteção estatal, como reza o art. 226 da 
Constituição Federal, não somente a família originada através do 
casamento, bem como outra manifestação afetiva, como a união estável e a 
família monoparental – formada pela comunidade de qualquer dos pais e 
seus descendentes, no eloquente exemplo de mãe solteira. 
 
O princípio do pluralismo das entidades familiares, dá a liberdade de 
reconhecer os diversos arranjos familiares, inclusive o Poliamor, relacionamento 
este, baseado na afetividade, respeito, confiança, dentre outras regras. 
6.4.4 Princípio da liberdade de constituir uma comunhão de vida familiar 
 
Esse princípio baseia-se na liberdade dos indivíduos em constituir uma 
família da forma que desejar seja por: Casamento, União Estável Poliafetiva, 
Monoparental, dentre outras formas de família. 
Consoante Gonçalves (2016, p. 25): “[...] seja pelo casamento, seja pela 
união estável, sem qualquer imposição ou restrição de pessoa jurídica de direito 
público ou privado, como dispõe o supramencionado art. 1.513 do Código Civil”. 
Dias (2016, p.49) discorre: 
A Constituição, ao instaurar o regime democrático, revelou enorme 
preocupação em banir discriminações de qualquer ordem, deferindo à 
igualdade e à liberdade especial atenção no âmbito familiar. Todos têm a 
liberdade de escolher o seu par ou pares, seja do sexo que for, bem como o 
tipo de entidade que quiser para constituir sua família. 
 
Lobo (2011, p.69 apud Santiago, 2015, p.166) 
Assim, o princípio da liberdade representa (i) o livre poder de escolha ou 
autonomia de constituição, realização e extinção da entidade familiar, sem 
qualquer tipo de imposição ou interferências externas de parentes, da 
sociedade ou do legislador; (ii) o livre planejamento familiar; (iii) a livre 
 
 
estipulação dos modelos educacionais, dos valores culturais e religiosos; 
(iv) a livre formação dos filhos, desde que respeitada a sua dignidade; e (v) 
a liberdade de agir, embasada no respeito à integridade física, mental e 
moral. 
Diante do princípio da liberdade em constituir uma família e desde que a 
dignidade da pessoa humana seja respeitada; a sociedade tem a liberdade de 
decidir sobre questões familiares sem a intervenção do Estado, desde a constituição 
até a dissolução de uma família. 
6.4.5. Princípio da Igualdade 
 
É um princípio constitucional que aplicado ao Direitos das Famílias, garante 
o tratamento igualitário de gêneros, filhos, cônjuges, entre outros. 
 
Farias; Rosenvald (2016, p. 99) dissertam: 
A evidente preocupação constitucional em ressaltar a igualdade substancial 
entre homem e mulher parece decorrer da necessidade de pôr cobro a um 
tempo discriminatório, em que o homem chefiava a relação conjugal, 
subjugando a mulher. Consagra-se, assim, a igualdade substancial 
(também dita igualdade material) no plano familiar, excluindo todo e 
qualquer tipo de discriminação decorrente do estado sexual. 
 
 
Dias (2016, p. 51) elucida: 
Atendendo à ordem constitucional, o Código Civil consagra o princípio da 
igualdade no âmbito do direito das famílias, que não deve ser pautado pela 
pura e simples igualdade entre iguais, mas pela solidariedade entre seus 
membros. A organização e a própria direção da família repousam no 
princípio da igualdade de direitos e deveres dos cônjuges (CC 1.511), tanto 
que compete a ambos a direção da sociedade conjugal em mútua 
colaboração (CC 1.567). São atribuídos deveres recíprocos igualitariamente 
tanto ao marido quanto à mulher (CC 1.566). 
 
O princípio da igualdade aplicado a União Estável Poliafetiva significa o 
tratamento igualitário e o reconhecimento do Poliamor como entidade familiar em 
face dos demais arranjos familiares existentes. 
 
 
 
6.5. PRIMEIRO REGISTRO DE UNIÃO POLIAFETIVA NO BRASIL 
 
Em 2012 no estado de São Paulo aconteceu a primeira escritura de 
união estável poliafetiva. Consoante o site do Instituto Brasileiro de Direito de 
Família <http://www.ibdfam.org.br/noticias/4862/novosite>Acesso em 18 de 
maio de 2016, descreve: 
Foi divulgada essa semana uma Escritura Pública de União Poliafetiva que, 
de acordo com a tabeliã de notas e protestos da cidade de Tupã, interior de 
São Paulo, Cláudia do Nascimento Domingues, pode ser considerada a 
primeira que trata sobre uniões poliafetivas no Brasil. Ela, tabeliã 
responsável pelo caso, explica que os três indivíduos: duas mulheres e um 
homem viviam em união estável e desejavam declarar essa situação 
publicamente para a garantia de seus direitos. Os três procuraram diversos 
tabeliães que se recusaram a lavrar a declaração de convivência pública. 
“Quando eles entraram em contato comigo, eu fui averiguar se existia algum 
impedimento legal e verifiquei que não havia. Eu não poderia me recusar a 
lavrar a declaração. O tabelião tem a função pública de dar garantia jurídica 
ao conhecimento de fato”, afirma. 
 
Tartuce (2014, p. 287) sobre esse marco, disserta: 
Toda essa discussão ganha relevo diante da elaboração de uma escritura 
de união poliafetiva pela tabeliã da cidade de Tupã, interior de São Paulo, 
Cláudia do Nascimento Domingues. Conforme se extrai do site do IBDFAM, 
é fundamental o seguinte trecho do documento, assinado por um homem e 
duas mulheres: “Os declarantes, diante da lacuna legal no reconhecimento 
desse modelo de união afetiva múltipla e simultânea, intentam estabelecer 
as regras para garantia de seus direitos e deveres, pretendendo vê-las 
reconhecidas e respeitadas social, econômica e juridicamente em caso de 
questionamentos ou litígios surgidos entre si ou com terceiros, tendo por 
base os princípios constitucionais da liberdade, dignidade e igualdade”. 
 
As relações poliafetivas existem desde os primórdios, porém no Brasil há 
poucos anos que houve o registro das uniões estáveis simultâneas. Os cartórios tem 
escriturado o Poliamor, sendo assim, o primeiro passo para regulamentação como 
entidade familiar, assim como ocorreu com a união homoafetiva. 
6.6. DIVERGÊNCIAS SOBRE A UNIÃO ESTÁVEL POLIAFETIVA 
 
A União Estável Poliafetiva causa divergência sobre seu reconhecimento 
como entidade familiar. De acordo com a publicação de Silva 
<http://www.reginabeatriz.com.br/escritorio/noticias/noticia.aspx?id=340> Acesso 
em: 18 de maio de 2016, aborda: 
 
 
As opiniões dos juristas divergem quanto à aceitação dessas novas uniões, 
principalmente quanto ao seu alcance jurídico e seus efeitos, chegando ao 
ponto de classificarem a expressão poliamorismo como um estelionato 
jurídico. 
 
Madaleno (2011, p.26 apud Venosa, 2015, p.57): “É o poliamor na busca do 
justo equilíbrio, que não identifica infiéis quando homens e mulheres convivem 
abertamente relações afetivas envolvendo mais de duas pessoas” 
 
Fiuza (2013, p. 1224) discorre: 
[...] A tendência da doutrina aponta em outro sentido, porém. no sentido da 
liberdade, da autonomia privada. Questiona-se inclusive se o princípio da 
monogamia deveria ser aplicado a casamento. Havendo duas ou mais 
uniões estáveis (normalmente de um homem com duas ou mais mulheres), 
ainda que não coabitam todos no mesmo local, a Lei deveria proteger a 
todos o (a)s companheiro(a)s, principalmente os que agiram de boa-fé”. 
 
Tartuce (2014, p. 288) explana: 
O reconhecimento de um afeto espontâneo entre duas ou mais pessoas não 
parece ser o caso de dano à coletividade, mas muito ao contrário, de 
reafirmação de solidariedade entre as partes, algo que deve ser incentivado 
perante a sociedade. 
 
Destarte as questões apresentadas, embora, a discussão jurídica acerca do 
tema seja atual, a estrutura amorosa/familiar Poliafeitva é algo de conhecimento 
social, porém, ignorado pela população devido os preceitos religiosos e antigos de 
família tradicional, fazendo com que muitos repudiem o Poliamor em defesa do 
princípio da monogamia. Em contrapartida, levando-se em conta que a União 
Estável Poliafetiva é uma relação em que há o consentimento dos envolvidos e o 
pilar é a afetividade, reconhecer esta relação é um avanço no Ordenamento Jurídico 
Brasileiro, tal qual, como ocorreu o reconhecimento da relação homoafetiva pelo 
Supremo Tribunal Federal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
7. SUMÁRIO HIPOTÉTICO 
 
INTRODUÇÃO 
1. EVOLUÇÃO DAS RELAÇÕES FAMILIARES NO BRASIL 
1.1. FAMÍLIA À LUZ DO CÓDIGO CIVIL DE 1916 
1.2. FAMÍLIA CONTEPORÂNEA 
2. PRINCÍPIOS NORTEADORES DO DIREITO DAS FAMÍLIAS 
2.1. PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA 
2.2. PRINCÍPIO DA AFETIVIDADE 
2.3. PRINCÍPIO DO PLURALISMO DAS ENTIDADES FAMILIARES 
2.4. PRINCÍPIO DA LIBERDADE DE CONSTITUIR UMA COMUNHÃO DE VIDA 
FAMILIAR 
2.5. PRINCÍPIO DA IGUALDADE 
3. CONCEITO DE UNIÃO ESTÁVEL POLIAFETIVA 
4. CONTEXTO HISTÓRICO DA UNIÃO ESTÁVEL POLIAFETIVA NO BRASIL 
5. A VIABILIDADE DA UNIÃO ESTÁVEL POLIAFETIVA COMO ENTIDADE 
FAMILIAR NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO 
6. POSICIONAMENTOS JURISPRUDENCIAIS SOBRE O POLIAMOR 
REFERÊNCIAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS E TÉCNICOS 
 
Esse capítulo visa à exposição dos procedimentos a serem utilizados para 
eficácia da análise proposta, comportando um melhor entendimento do 
desenvolvimento da pesquisa de conclusão de curso. 
8.1.CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA QUANTO AOS FINS 
 
A pesquisa quanto aos fins pode ser classificada como exploratória, visto 
que dessa forma há aproximação entre o pesquisador e o objeto em pesquisa e 
tem como escopo o estudo minucioso da União Estável Poliafetiva como 
Entidade Familiar e sua Legitimidade no Ordenamento Jurídico Brasileiro através 
do estudo do caso concreto e pesquisas bibliográficas. 
8.2. CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA QUANTO AOS MEIOS 
 
Quanto aos meios, a pesquisa será de cunho bibliográfico. O levantamento 
bibliográfico será desenvolvido a partir de livros de leitura corrente referentes à 
temática ora proposta, bem como em portais de universidades. 
Para a realização da coleta de dados serão utilizados os seguintes descritores: 
Constituição Federal de 1988, Código Civil de 2002 e doutrinas que discorrem sobre 
o tema. 
8.3. TRATAMENTO DOS DADOS 
 
A construção da pesquisa será através de pesquisa teórico-dogmática, de 
caráter transdisciplinar entre os ramos do Direito Civil e Direito Constitucional. 
 
 
 
 
 
 
9. CRONOGRAMA 
 
ATIVIDADE Julho 
2016 
Agosto 
2016 
Setembro 
2016 
Outubro 
2016 
Novembro 
2016 
Dezembro 
2016 
Reajustes ao 
projeto 
 
Revisão 
Bibliográfica 
 
Início da 
Orientação 
 
Redação do 
Corpo da 
Monografia 
 
Correção Final 
Formatação 
Protocolamento 
Defesa Pública 
Depósito Final 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10. REFERÊNCIAS 
 
BRASIL. Constituição. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. 
Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm> 
Acesso em 17 de maio de 2016. 
 
_______. Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm> Acesso em 15 de maio 
de 2016. 
 
CARNEIRO, Rafael Gomes da Silva; MAGALHÃES, Vanessa de Padua Rios. O 
direito de liberdade e a possibilidade de reconhecimento da união poliafetiva – 
Família. Disponível em: <http://www.ambito-
juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=12810>Acesso em 16 
de maio de 2016. 
 
DANOSO, Denis. União estável e entidades familiares concomitantes. O poliamor 
como critério jurídico do Direito de Família. Disponível em: 
<https://jus.com.br/artigos/12232/uniao-estavel-e-entidades-familiares-
concomitantes> Acessoem 17 de maio de 2016. 
 
INSTITUTO BRASILEIRO DE DIREITO DA FAMÍLIA. Escritura reconhece união 
afetiva a três. Disponível em: <http://www.ibdfam.org.br/noticias/4862/novosite> 
Acessado em 18 de maio de 2016. 
 
SÁ, Camila Franchi de Souza; VIECILI, Mariza. As novas famílias: relações 
poliafetivas. Disponível em: 
<http://www.univali.br/ensino/graduacao/cejurps/cursos/direito/direito-
itajai/publicacoes/revista-de-iniciacao-cientifica 
ricc/edicoes/Lists/Artigos/Attachments/985/Arquivo%207.pdf> Acesso em 16 de maio 
de 2016 
 
SILVA, Regina Beatriz Tavares da. Tentativa inútil de institucionalizar a 
Poligamia no Brasil. Disponível em: 
 
 
<http://www.reginabeatriz.com.br/escritorio/noticias/noticia.aspx?id=340> Acesso 
em: 18 de maio de 2016. 
 
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Supremo reconhece união homoafetiva. 
Disponível em: 
<http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=178931> 
Acesso em: 18 de maio de 2016 
 
ZAMATARO, Yves. União Poliafetiva – ficção ou realidade? Disponível em: 
<http://www.migalhas.com.br/dePeso/16,MI218321,41046-
Uniao+poliafetiva+ficcao+ou+realidade> Acesso em: 17 de maio de 2016 
 
DIAS, Maria Berenice. Manual de Direito das Famílias.11ª. ed. São Paulo: Revista 
dos Tribunais, 2016. 
 
FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson. Curso de Direito Civil. 
8ª.ed.Salvador: JusPODIVM, 2016, v.6. 
 
FIUZA, César. Direito Civil. 16ª.ed.Belo Horizonte: Del Rey, 2013. 
 
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito de Família. 13ª. ed. São Paulo: Saraiva, 
2016, v.6. 
 
SANTIAGO, Rafael da Silva. Poliamor e Direito das Famílias: reconhecimento e 
consequências jurídicas. Curitiba: Juruá, 2015. 
 
VENOSA, Silvio de Salvo Venosa. Direito de Família. 15ª. ed. São Paulo: Atlas, 
2015, v.6.

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