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Antropologia Forense Professora Dra. Francielle Fiorentin Antropologia Forense “ Campo de trabalho que atua na análise de restos humanos esqueletizados, ou parcialmente esqueletizados, no contexto de uma investigação criminal” - Atua em casos de mortes humanas quando os tecidos moles estejam degradados a ponto de que outros especialistas (médicos patologistas ou legistas) não tenham mais recursos para determinar a causa da morte, o modo como ocorreu e o tempo desde sua instalação Decomposição carbonização esqueletos Antropologista Forense Perfil Biológico: sexo, ancestralidade, idade, estatura e outras características individuais Esqueleto Humano Cenário 01 “Cadáver esqueletizado encontrado em casa, no chão da sala, em decúbito dorsal, vestido. Indivíduo do sexo feminino, idade superior a 60 anos, estatura entre 1,55 m e 1,65 m, caraterísticas faciais e cranianas atribuíveis a um indivíduo de origem europeia. Prótese total da anca direita. Ossos leves. Fratura linear na região posterior do crânio que segue desde a região posterior do foramen magnum, dirige-se para a sutura sagital, percorrendo-a até sensivelmente a meio e terminando na região parietal direita, de caraterísticas perimortais” Resultado da análise: embora seja possível concluir pela existência de uma ação e/ ou objeto contundente a atuar na região posterior do crânio, nada mais se poderá concluir, uma vez que não é possível, apenas através da observação desta única lesão, esclarecer nem a causa nem as circunstâncias da morte. Cenário 02 “Cadáver esqueletizado encontrado numa zona de floresta, em decúbito ventral, vestido. Indivíduo do sexo feminino, idade entre 30 e 40 anos, estatura entre 1,60 m e 1,70 m, caraterísticas faciais e cranianas atribuíveis a um indivíduo de origem africana. Fratura da arcada zigomática esquerda e dos ossos nasais, fratura com afundamento de formato sensivelmente circular na região parietal direita com cerca de 3 cm x 3 cm, de caraterísticas perimortais” Resultado da análise: análise do cenário 2 revela informações respeitantes não apenas relativamente a uma possível causa de morte – ação contundente no crânio, com possíveis sequelas de elevada gravidade ao nível do encéfalo – como a possíveis circunstâncias de morte – agressão física severa resultando na morte do indivíduo. A construção de um possível cenário de agressão resulta da conjugação das lesões observadas. Coleta de Dados Antroposcopia: Inspeção visual de restos humanos, a olho nu ou eventualmente com auxílio de lentes ou outros recursos de imagens Antropometria (osteometria): Medida dos ossos utilizando instrumentos. Os resultados das medidas podem ser usados para estimar a estatura ou calcular os índices da face e do crânio, que podem ser úteis na estimativa de ancestralidade Tabua osteométrica e paquímetro 3) Métodos histológicos: Utilizados para o estudo da microestrutura dos ossos 4) Métodos químicos: Utilização menos comum em rotina, pode ser qualquer método para determinar a presença de uma determinada substância química em ossos Detecção de resíduos de chumbo em um osso em que supostamente um projétil de arma de fogo esteja alojado Análise de Dados Tabelas de decisão: Método através do qual diferentes variáveis necessárias para analisar uma determinada característica antropológica são organizadas em uma tabela. As variáveis são então verificadas e anotadas na tabela como presente ou ausente, determinado tipo ou de outro, com determinada forma ou de outra (decisão é baseada no maior número de características presentes ou ausentes no elenco da tabela) 2) Índices: Método estatístico de análise simples e poderoso que se baseia em características mensuráveis. Um índice é obtido através da divisão de uma medida obtida por outra, sendo o resultado multiplicado por 100. Índice nasal: largura máxima/altura máxima x 100 - Nariz largo ou estreito (ancestralidade) Esquema de Trabalho em Antropologia Forense Coleta dos restos humanos: Deve ser feita do modo mais cuidadoso possível (não deixar peças ósseas ou outros tecidos sem serem recolhidos, não recolher peças que não sejam restos humanos) 2) Preparação dos restos humanos Restos humanos totalmente esqueletizados Restos humanos parcialmente esqueletizados (em putrefação) Maquina redutora de cadáver Separação de amostra para possível análise de DNA 3) Análise dos restos humanos Etapa I: Organização e inventário do esqueleto Organizar a ossada em posição anatômica Observar correta lateralidade dos ossos e distribuição sequencial Inventário dos ossos presentes e ausentes (sem alterações ou com) Buscar as principais características com maior possibilidade de ajudar na identificação da pessoa a qual esse conjunto de ossos pertenceu Sexo Ancestralidade Faixa etária Estatura aproximada Destreza manual Presença de elementos odontológicos e outros elementos de especificidade Etapa II: Estimativa do sexo Etapa III: Estimativa de ancestralidade Etapa IV: Estimativa da idade: Jovens e adultos Fechamento da cartilagem da epífise medial das clavículas Superfície da sínfise púbica (adultos jovens: densa, com relevo ondulado horizontal bem marcado e com bordas mal delineadas/adultos mais velhos: superfície porosa, deprimida, com bordas delineadas irregulares) Superfície da articulação sacroilíaca (adultos jovens: superfície granulosa fina com relevo ondulado/adultos velhos: irregular com perda de granularidade e com marcada atividade óssea nas bordas) 4. Extremidade distal (esternal) da quarta costela (adultos jovens: superfície plana e sem bordas/adultos velhos: formato de taça com centro deprimido e bordas finas mais elevadas. Formação de espículas ósseas) 5. Fechamento das suturas cranianas (utiliza-se uma tabelas de notas: sutura aberta, nota 0. Sutura fechada com linha visível, nota 1. Sutura fechada com linha apagada, nota 3) 6. Alterações anatômicas das vértebras Etapa V: Estimativa da estatura Medidas de ossos longos: fêmur, tíbia, fíbula, úmero, ulna e rádio (antropometria e equações de regressão): - Faixa de estatura (levar em conta: sexo e ancestralidade) Tabua osteométrica e paquímetro Etapa VI: Estimativa da destreza manual A estimativa da destreza manual é um elemento importante na análise antropológica. Apesar de saber que a maioria da população é destra, a detecção de indivíduos sinistros (canhotos) pode favorecer muito o processo de identificação individual ou, no mínimo levar à exclusão de indivíduos nesse processo Etapa VII: Avaliação odontológica - Ausência ou presença de dentes, estado de conservação ou reparo, alinhamento, desgaste, aparelhos ortodônticos, próteses, implantes (avaliação preliminar) Etapa VIII: Avaliação de outros elementos Deformidades ou patologias ósseas Fraturas Orifícios de entrada e saída de projéteis de arma de fogo Artefatos cirúrgicos nos ossos Pertences, peças de vestuário e outros objetos Ante mortem: ocorreram quando o indivíduo ainda estava vivo, houve tempo para sua recuperação e formação do calo ósseo Peri mortem: ocorreram simultaneamente ao momento da morte e podem guardar relação com a causa da morte do indivíduo Post mortem: ocorridas algum tempo após a morte, quando o processo de putrefação já ocorreu