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1 Títulos de Credito (aulas 49 a 62) Teoria dos Títulos de Crédito Títulos de Crédito: é o documento necessário para o exercício do direito literal e autônomo nele mencionado. Os títulos decorrem de uma relação jurídica e são emitidos para incorporar em si créditos de natureza pecuniária. Sua natureza é a de circular. Princípios: 1. cartularidade ou incorporação: o exercício do direito de crédito incorporado no título pressupõe a posse do título pelo credor. Hoje é relativizado pelos títulos de crédito digitais, não exigindo mais uma cártula, bastando um título válido, mesmo que não seja em meio físico (uma cártula), daí a adequação do nome de princípio da cartularidade para princípio da incorporação. 2. Literalidade: o exercício do direito de crédito só pode ser realizado nos limites do que está expresso no título. Não importa que eu compre uma mercadoria de 200 reais e assine o contrato dessa transação, se eu lançar um cheque de 100 reais, o credor só poderá sacar 100 reais. 3. Autonomia das obrigações cambiais: eventuais vícios que acarretam nulidade, anulabilidade ou ineficácia de determinada relação jurídica incorporada em um título de crédito não contaminam as demais relações que decorram do título, as quais permanecem válidas e eficazes. Se eu compro algo ilício, a relação comercial é nula, mas o cheque que eu lancei na compra é exigível, podendo ser executado por quem o possui. O princípio da autonomia das obrigações cambiais se divide em dois subprincípios: 3.1. Abstração: a partir da entrada do título em circulação, ele se desvincula da relação jurídica que lhe deu origem, assim, uma vez lançado o título não importa mais se a relação original foi anulada, se era lícita, etc., o título permanece exigível e permanecem válidas todas as relações decorrentes do título. 3.2. Inoponibilidade de exceções pessoais ao terceiro de boa-fé: o devedor principal não pode se opor ao pagamento ao endossatário de boa-fé, alegando defesas estranhas ao título, somente poderá se opor alegando vícios do próprio título (ex.: assinatura falsa, erro de forma, prescrição do título). Principais títulos de crédito: - Letra de câmbio - Nota Promissória - Duplicata mercantil (Lei 5.474/68) - Duplicata de prestação de serviços (Lei 5.474/68) - Cheque (Lei 7.357/85) Classificação conforme o modelo: Livres / Vinculados: todos os títulos devem conter certos requisitos previstos em lei, mas os "Títulos Vinculados" devem atender também certos padrões específicos quanto a sua forma, o que não é exigido dos "Títulos Livres". Ex.: a nota promissória, desde que conste os itens previstos em lei, pode ser feita manuscrita em papel, pode ser emitida de um bloco de notas vendido em papelaria, pode ser feita e impressa em computador, pois trata-se de um Título Livre, ou seja, não tem forma determinada, apenas elementos. Já o cheque é um Título Vinculado, além de elementos definidos em lei, tem um padrão específico de forma (tamanho, posição dos campos, etc). Classificação conforme as hipóteses de emissão: Não causais / Causais: todos os créditos decorrem de uma causa. São Títulos Não Causais aqueles que podem ser emitidos para incorporar qualquer espécie de crédito, não importando a causa que lhe deu origem. Ex.: cheque, nota promissória. Já os Títulos Causais só podem ser validamente emitidos para incorporar o crédito que teve como origem uma das hipóteses previstas na lei. Ex.: duplicata mercantil, duplicata de prestação de serviços. Classificação conforme a circulação: Ao Portador / Nominativos à Ordem / Nominativos Não à Ordem: o Título ao Portador não possui expresso na cártula o nome do beneficiário do crédito, sendo legítimo para receber o crédito qualquer um que esteja na posse do título, portanto, eles circulam pela tradição (basta entregá-lo a outra pessoa). São uma exceção dos títulos de crédito, só existindo o cheque e somente quando abaixo de 100 reais. Já os títulos nominativos trazem o nome do credor expresso 2 na cártula. Os Títulos Nominativos à Ordem circulam pelo endosso (ato cambial), enquanto os Títulos Nominativos Não à Ordem circulam pela cessão de crédito. Endosso: é um ato cambial, ou seja, só existe nos títulos de crédito. Por meio do endosso o credor de um Título à Ordem (endossante) transfere o título a terceiro (endossatário), que se torna o credor do título. Como efeito do endosso, o endossante vincula-se ao seu pagamento na qualidade de codevedor do crédito e responderá pela dívida caso o emitente do título (devedor principal) fique inadimplente. Já na cessão do crédito o cedente não se torna codevedor do crédito recebido pelo cessionário, ficando responsável apenas pela existência do crédito (relação base), mas não pela sua solvência (relação cambial). O prazo para protesto do título por falta de pagamento é de um dia útil. Após esse prazo o título ainda poderá ser protestado, mas perde-se o direito de voltar-se contra os codevedores (coobrigados do crédito). Na data do vencimento é dever do credor apresentar o título para pagamento do devedor principal (emitente do título). Se o emitente pagar, todas as obrigações incorporadas ao título estarão extintas. O protesto por falta de pagamento é o que comprova que o emitente deixou de pagar ao credor, gerando para a cadeia de endossantes (codevedores) a obrigação de pagar o título. Não fazendo o protesto em um dia útil, o credor não mais poderá cobrar dos codevedores (endossantes), mas ainda terá o direito de cobrar do emissor. São duas as modalidades de endosso (em branco e em preto): o endosso em preto poderá ser dado tanto no verso, quanto no anverso (face) do título e deve conter o nome do beneficiário do título (endossatário). Já o endosso em branco é feito, exclusivamente, no verso do título e não traz o nome do novo beneficiário, permitindo sua transferência sem novo endosso. Enquanto o endosso em preto força um novo endosso para circular, o endosso em branco requer apenas a tradição (transferência física) do título. Endosso parcial: é nulo, pois vedado na lei. Endosso póstumo: é aquele dado após o vencimento e protesto por falta de pagamento (ou expiração do prazo para protesto), produzindo efeitos de mera cessão civil de créditos. Não basta que o título tenha vencido, é necessário que tenha sido protestado (ou tenha expirado o prazo para fazê-lo). Não gera efeitos de endosso, gera efeitos de cessão, portanto, não vincula o endossante ao pagamento do título, ele apenas garante a existência do crédito (relação base). Endosso próprio (ou translativo) / impróprio: no endosso próprio se transfere a posse do título e o crédito incorporado a ele, enquanto no endosso impróprio se legitima a posse sem transferir o crédito. Ex.: incapacitado para ir cobrar o título ao emissor, eu me utilizo do endosso impróprio para que outra pessoa se torne legítima na posse do título e possa cobrá-lo em meu nome, contudo, sem que o endosso transfira a esse endossatário o crédito incorporado ao título, o qual continuará sendo direito meu. São duas as espécies mais comuns de endosso impróprio: endosso mandato e endosso caução. Endosso mandato: "pague à fulano, por mandato" ou "pague à fulano, por procuração". Endosso caução: "por caução". É utilizado para constituir direitos reais, dando o título como garantia de uma obrigação assumida, já que o penhor e a caução se aperfeiçoam com a entrega do bem dado em garantia. Classificação conforme a estrutura: Promessa de pagamento / ordem de pagamento: na Promessa de Pagamento o emitente promitente (ou subscritor - emissor do título) se compromete a pagar determinada quantiaao tomador (credor do título), enquanto que na Ordem de Pagamento o sacador (emissor do título) manda que o sacado pague determinada quantia ao tomador (credor do título). A nota promissória é uma promessa de pagamento, enquanto que o cheque, a duplicata, a letra de câmbio são exemplos de ordem de pagamento. É possível que uma mesma pessoa / instituição vigore como sacado e tomador (ex.: o banco da conta é credor), ou como sacador e tomador (ex.: eu emito um título para que eu mesmo receba - sacar por cheque / todas as duplicatas), ou como sacado e sacador (ex.: cheque administrativo). Letra de câmbio: título com forma livre e não causal, onde o sacador ordena que o sacado (devedor principal) pague determinada quantia ao tomador. Para que esse tomador possa cobrar do sacado o crédito, primeiro, é necessário que o 3 tomador tenha colhido o aceite do sacado no título, de outra forma, sem o aceite, o sacado não estará vinculado ao título e não terá obrigações com a adimplência do crédito incorporado no título. Aceite: é um ato cambial, portanto, só existe nos títulos de crédito e só faz sentido nas ordens de pagamento, pois nas promessas de pagamento o próprio emissor se vinculou ao título como devedor principal. Pelo aceite, lançado na face do título, o sacado reconhece a ordem que lhe foi dada pelo sacador, vinculando-se ao pagamento do título na qualidade de devedor principal. O aceite é facultativo, assim como é livre que o sacador emita ordens em nome de qualquer terceiro na qualidade de sacado. Havendo recusa do aceite pelo sacado, ele não se vincula ao pagamento do título e ocorre o vencimento antecipado do título, ou seja, o tomador (credor) poderá antecipadamente exigir o pagamento do crédito pelo sacador. Só ocorrerá o vencimento antecipado do título se houver o protesto por falta de aceite, que é a prova de que o sacado recusou o aceite da ordem que lhe foi dada pelo sacador. Aceite parcial: o sacado pode aceitar parte da ordem dada pelo sacador (recusando parcialmente a ordem). Ocorre o aceite limitativo quando o sacado aceita a ordem do sacador, mas limita o valor da obrigação assumida. Ex.: o sacador ordena o pagamento de 100 reais, mas o sacado aceita pagar somente 40 reais. Ocorre o aceite modificativo quando o sacado aceita a ordem do sacador e o valor da obrigação, mas modifica as condições de pagamento do título, como a data ou o local do pagamento. Ambas as formas de aceite parcial acarretam a antecipação da exigibilidade do crédito em relação ao sacador. Se o sacador, antecipadamente exigido do crédito, pagar ao tomador, o sacador se sub-roga no papel de credor da letra de câmbio em relação ao sacado, nos termos por ele assumidos (no aceite parcial). É possível o aceite parcial, simultaneamente, limitativo e modificativo. Na letra de câmbio o aceite é facultativo, sem que o sacado tenha de justificar o motivo de recusa da ordem. Na duplicata o aceite é obrigatório, já que trata-se de um título de natureza causal, relação jurídica que dá origem ao título (sem o aceite, a relação base não ocorre), dessa forma, mesmo que não tenha o aceite formal no título, o aceite é presumido e para fazer a recusa da ordem, o sacado precisa justificar, justificativa que deve estar fundamentada em uma das hipóteses taxativas previstas na lei de duplicatas (Lei 5.474/68). No cheque o aceite é vedado, conforme Art. 6 da Lei 7.357/85, pois o banco não pode se vincular como devedor principal do cheque emitido pelo correntista. Ao banco cabe somente pagar o título se o correntista (sacador) tiver provisão de fundos em sua conta ou devolvê-lo em caso de falta de fundos. Aval: é um ato cambial, portanto só existe em títulos de crédito, que corresponde a uma garantia prestada no título, pela qual o avalista garante a obrigação assumida no título pelo avalizado. Difere da fiança, que é um contrato acessório ao principal. Características do aval: - Autonomia: é autônomo em relação a relação avaliada, portanto, eventuais vícios da relação avalizada não contaminam o aval. Ex.: o crédito tomado pelo incapaz sem representação, uma vez avalizado, sendo nulo a relação de origem, ainda será válido e exigível o crédito contra o avalista. - Equivalência: o avalista responde nas mesmas condições do avalizado, não havendo benefício de ordem na cobrança da obrigação. Não se confunde com a garantia prestada em contrato, que não é aval, é fiança. Na fiança o contrato acessório segue o principal, sendo nulo o principal, será nulo o acessório. Na fiança há benefício de ordem. Art. 897, parágrafo único CC - é vedado o aval parcial. Entretanto, o Art. 903 CC diz que os títulos de crédito são regidos pelo CC, salvo disposição diversa em lei especial. Lei 7.357/85 (lei do cheque) - admite o aval parcial. Decreto Lei 57.663/66 (lei das notas promissórias e letras de câmbio) - admite o aval parcial. CC de 2002 - equiparou o avalista as mesmas regras que aplicáveis ao fiador. Se o avalista for casado, exceto se no regime de separação absoluta, será necessário a anuência do cônjuge para prestar o aval. Sem a anuência do cônjuge, aplica-se a mesma regra aplicada ao fiador; conforme o regime de casamento, o aval será nulo ou anulável. 4 Vencimento do título de crédito: é o momento em que o crédito incorporado no título se torna exigível. Pode ser ordinário, que via de regra ocorre com o decurso do tempo. Excepcionalmente, o título ordinário pode não vencer pelo decurso do tempo, mas ser um título à vista, o qual vence contra a apresentação do título ao devedor. Pode ser extraordinário, que é quando um fato acarreta na antecipação da exigibilidade do crédito incorporado no título (ex.: decretação da falência do devedor; falta de aceite na letra de câmbio). Pagamento do título de crédito: é o ato que promove a extinção de uma, algumas ou todas as obrigações incorporadas no título de crédito, conforme quem realiza o pagamento. O pagamento do título pelo devedor principal extingue todas as obrigações incorporadas no título. Na inadimplência do devedor principal, se o avalista pagar o título promove a extinção de sua obrigação e o sub-roga no papel de credor, mantendo as demais obrigações. Protesto do título de crédito: é um ato formal e solene necessário para a produção de certos efeitos jurídicos, podendo ainda provar o descumprimento de determinada obrigação incorporada em título de crédito. O protesto por falta de pagamento prova o descumprimento da obrigação assumida pelo devedor principal, quando do vencimento do título. Se realizado dentro do prazo legal, tem como efeitos a possibilidade de exigir o crédito dos codevedores. O protesto por falta de aceite prova a recusa de aceite da ordem de pagamento por parte do sacado, tendo como efeito a antecipação de exigibilidade do crédito incorporado no título. O protesto por falta de devolução é cabível nas duplicatas, conforme Art. 13 Lei 5.474/68. Quando da venda, o vendedor tem 30 dias para remeter ao comprador a duplicata emitida e o comprador tem 10 dias para devolvê-la com o seu aceite ou recusa justificada. Caso o comprador não devolva o título, o vendedor poderá fazer o protesto por falta de devolução. Essa modalidade de protesto é feita por simples indicação do título, já que nesse caso não se dispõe do título físico para apresentar ao tabelião do ofício de protestos. Ação Cambial: Ação de execução: é a principal ação cambial. Em regra, é a ação para cobrança judicial do título. Letra de câmbio e nota promissória (Decreto 57.663/66) - ação de cobrança: a pretensão de cobrança do título prescreve: - contra o devedor principale respectivos avalistas, em 3 anos da data do vencimento do título; - contra codevedores e seus avalistas, em 1 ano da data do regular protesto; - regresso contra qualquer dos outros coobrigados, em 6 meses da data em que haja sido feito o pagamento do título. Independentemente do tipo de título, os prazos de prescrição variam conforme o tipo de devedor em face de quem se propõe a cobrança. E o início da contagem do prazo se dá da data de exigibilidade. Duplicata - ação de cobrança: a ação deve ser instruída com: Duplicata aceita, com a assinatura do comprador: nenhum outro documento precisará instruir a petição inicial da ação. Em caso de perda, a triplicata bastará para instruir a ação. Duplicata sem aceite, portanto, sem a assinatura do comprador lançada no título. Ainda assim o título poderá ser executado, mas além da duplicata (ou triplicata), será preciso instruir a petição inicial com o comprovante de entrega da mercadoria ou realização do serviço, além do protesto por não aceite. Duplicata - ação de cobrança: a pretensão de cobrança do título prescreve: - contra o sacado e respectivos avalistas, em 3 anos a contar do vencimento do título; - contra os endossantes e seus avalistas, em 1 ano a contar da data do protesto; - regresso contra qualquer dos outros coobrigados, em 1 ano da data quem tenha feito o pagamento do crédito. Cheque (Lei 7.357/85) - ação de cobrança: a pretensão de cobrança do título prescreve (Art. 59 Lei 7.357/85): - contra o sacador (emitente) e seus avalistas, em 6 meses a contar da data de expiração do prazo de apresentação do cheque. 5 - contra os endossantes e seus avalistas, no mesmo prazo, desde que apresentado no prazo legal e a recusa de pagamento for comprovada por protesto ou por declaração do sacado / câmara de compensação, escrita e datada sobre o cheque. O prazo de apresentação do cheque, a contar da emissão (data da face), é de 30 dias se o cheque for da mesma praça ou 60 dias se o cheque for de praça distinta. O cheque comporta uma segunda ação cambial: a ação de locupletamento sem causa, que prescreve em 2 anos a contar do prazo de prescrição da ação de cobrança do título. Ex.: da data de emissão, conta-se 30 ou 60 dias de prazo de apresentação do cheque. Dessa data conta-se 6 meses de prazo de prescrição da cobrança do título. Dessa data conta-se 2 anos do prazo de prescrição da ação de enriquecimento sem causa. Adendo: os títulos de crédito são títulos executivos extrajudiciais, conforme Art. 585, I CPC. Não realizada a Ação de Execução de Título Extrajudicial no prazo legal, o título perde a sua força executiva, perdendo a sua eficácia de título de crédito, porém, ainda, cabendo exigir o cumprimento da obrigação por meio: - da Ação Monitória: Art. 1.102-A a 1.102-C CPC e Súmula 299 STJ; - da Ação de Enriquecimento Ilícito (locupletamento injusto): Art. 61 Lei 7.357/85 - dispensa instrumentar a ação com provas da relação base, basta o título prescrito; - da Ação de Enriquecimento Sem Causa (locupletamento causal): Art. 62 Lei 7.357/85 - exige prova da relação base, sedo o título a prova do inadimplemento desta relação; - da Ação de Cobrança da relação causal (relação base): podendo manejar ação de cobrança fundada na inadimplência do devedor ou manejar ação para discussão do negócio jurídico base. Títulos de Crédito em Espécie: Duplicata (Lei 5.474/68): é uma ordem de pagamento, emitida em razão de uma compra e venda (duplicata mercantil) ou de uma prestação de serviços (duplicata de prestação de serviços), portanto, sendo um título de crédito de natureza causal. Requisitos da duplicata: - a denominação "duplicata", a data de emissão e o número de ordem; - o número da fatura que lhe deu origem; - a data certa de vencimento ou a expressa declaração de ser a duplicata à vista; - o nome e domicílio do vendedor (sacador) e do comprador (sacado); - a importância a pagar, em algarismos e por extenso; - a praça do pagamento; - a cláusula à ordem (a duplicata só circula por endosso, nunca por cessão); - a declaração do reconhecimento de sua exatidão e da obrigação de pagá-la, a ser assinada pelo comprador como aceite cambial; - a assinatura do emitente (vendedor da mercadoria ou prestador do serviço). Remessa e devolução da duplicata (Art. 6, parágrafo 1 Lei 5.474/68): emitida a duplicata, o emissor do título (sacador) terá 30 dias para fazer a remessa da duplicata para o comprador da mercadoria ou tomador serviço (tomador - sacado), o qual terá 10 dias para lançar a sua assinatura no título, assim dando o aceite cambial e comprometendo-se a pagá-la, ou recusá-la, por declaração escrita, justificando com uma das hipóteses previstas em lei. O tomador dispõe do prazo de 10 dias para reter a duplicata para lançar o aceite, até mesmo para que tenha tempo de verificar a mercadoria ou serviço recebido. Não devolvendo a duplicata, cabe ao emissor o protesto por não devolução, o qual é feito por simples indicação (envio das informações do título), já que o emissor não dispõe do título para apresentá-lo ao tabelião do ofício de protestos. Na duplicata há uma vinculação da emissão com a obrigação de pagamento do sacado, pois trata-se de um título causal, só se emite a duplicata para que incorpore o crédito de uma operação de compra de mercadoria ou tomada de serviço, assim, para o protesto desse título não há a necessidade do sacado lançar a sua assinatura no título, formalizando o aceite. Pode ser feita a ação de cobrança do título com comprovante de entrega da mercadoria / serviço, junto com o protesto. Trata-se de presunção relativa, podendo o sacado se desvincular da obrigação, por meio da justificativa da recusa lançada no título. 6 Possíveis justificativas de recusa da duplicata: 1. Duplicata mercantil: - avaria ou não entrega da mercadoria (hipótese somente cabível se o transporte e entrega correr por conta do vendedor); - vício ou defeitos na qualidade ou quantidade da mercadoria entregue; - divergência nos prazos ou preços ajustados. 2. Duplicata de prestação de serviços: - não correspondência com os serviços contratados; - vícios ou defeitos na qualidade dos serviços prestados; - divergência nos prazos ou preços ajustados. Protesto da duplicata: cabe o protesto por falta de aceite, por falta de devolução ou por falta de pagamento do título. O protesto por falta de devolução é feito pela simples indicação do título, enquanto os protestos por falta de aceite ou por falta de pagamento exigem a apresentação da duplicata ou da triplicata. O protesto será tirado na praça de pagamento constante do título, devendo ser feito de forma regular em até 30 dias a contar do vencimento, para não perder o direito de regresso contra os coobrigados (endossantes e respectivos avalistas). Triplicata: é a segunda via da duplicata, a qual pode ser emitida pelo sacador em caso de perda ou extravio da duplicata, tendo os mesmos requisitos da duplicata e gerando os mesmos efeitos. Cheque (Lei 7.357/85): é uma ordem de pagamento à vista, dada pelo emitente (correntista) ao banco sacado pelo, em razão de fundos disponíveis que o emitente possui junto ao banco. Art. 32 Lei 7.356/85 - o cheque é ordem de pagamento à vista e qualquer menção em contrário é considerada não estrita. Não existe o cheque pré-datado, o banco pagará o cheque depositado em data antecipada, mas caberá ação de indenização contra o sacador que descumpriu a data acordada na relação base, tendo o seu crédito incorporado no título. Requisitos do cheque: - a denominação "cheque", a data de emissão e o lugar de emissão; - ordemincondicional de pagamento de quantia determinada; - o nome do banco ou instituição financeira que deve cumprir a ordem (sacado); - a indicação da praça de pagamento. Não é regra absoluta, na sua falta é considerado o local junto ao nome do sacado (banco / instituição financeira). Inexistindo também essa indicação, será considerado o local de emissão do título; - a assinatura do emitente (sacador) ou de seu mandatário com poderes especiais. Art. 6 Lei 7.356/85 - o cheque não admite aceite, sendo nula qualquer declaração nesse sentido. Dessa forma, o sacado (banco) não tem como se tornar devedor principal do título, nem se vincular ao título emitido pelo seu correntista. Ao lançar a assinatura no cheque, o sacador (emitente) se torna o devedor principal do título. Art. 10 Lei 7.356/85 - o cheque é uma ordem de pagamento à vista, sendo nula qualquer estipulação de juros inserida no título. Art. 12 Lei 7.356/85 - havendo divergência entre o lançado em algarismos e o lançado por extenso, prevalecerá a quantia por extenso. Em se lançando dois valores distintos por algarismo ou por extenso, vale o menor valor lançado. Art. 37 Lei 7.356/85 - a morte do emitente ou a sua incapacidade superveniente à emissão do título não invalidam os seus efeitos. Art. 38, parágrafo único Lei 7.356/85 - o portador não pode recusar pagamento parcial, caso em que o sacado pode exigir que este pagamento conste no cheque e que o portador lhe dê a respectiva quitação. Circulação do cheque: é o único título que pode circular pela tradição, pelo endosso, pela cessão. Quando for título ao portador, circula pela simples tradição (entrega física a um novo portador); quando for nominativo à ordem, circula 7 pelo endosso; quando for nominativo não à ordem, circula pela cessão de créditos. Só se admite cheque ao portador para valores abaixo de 100 reais. Aval do cheque: o pagamento do cheque pode ser garantido, no todo ou em parte, por aval prestado por terceiro, exceto pelo sacado (banco ou instituição financeira), ou mesmo por signatário do título. Art. 30 Lei 7.356/85 - o aval deve indicar o avalizado. Na falta de indicação, considera-se avalizado o emitente do cheque. Art. 33 Lei 7.356/85 - o prazo de apresentação para pagamento, a contar da data de emissão, será de 30 dias quando o cheque for emitido na praça de pagamento; e será de 60 dias quando o cheque for emitido em outro município ou no exterior. Passado o prazo de apresentação, permanece o direito de sacar o cheque. É possível apresentá-lo ao banco e, havendo provisão de fundos do correntista, o cheque será pago normalmente. O prazo de apresentação gera para o cheque os mesmos efeitos que o protesto gera para os demais tipos de títulos de crédito, ou seja, perdido o prazo de apresentação, o tomador perde o direito de cobrar os codevedores (endossantes e avalistas). Sustação do cheque: tem por finalidade impedir a liquidação do cheque pelo sacado, não cabendo do banco / instituição financeira apreciar as razões do ato. São duas as modalidades de sustação: 1. sustação por revogação ou contraordem: só pode ser realizada pelo emitente. É feita por carta, notificando judicial ou extrajudicialmente o banco sacado da contraordem de pagamento. É necessário indicar as razões motivadoras do ato. A sustação por revogação só produz efeitos depois de expirado o prazo de apresentação do cheque, portanto, mesmo feita a contraordem, o cheque será compensado se for apresentado dentro do prazo de apresentação. 2. sustação por oposição: pode ser realizada pelo emitente ou portador. É feita por escrito junto ao banco sacado. É fundada em relevante razão de direito, em geral, o desapossamento indevido do título (perda, roubo, furto, apropriação indébita) A sustação por oposição produz efeitos imediatos, podendo ocorrer dentro do prazo de apresentação do título. Recuperação Judicial (aulas 73 a 80) Recuperação de Empresas: É um acordo que pode ser feito entre o devedor (empresário, sociedade empresária ou sociedade ilimitada - EIRELI) e parte de seus credores, pois somente algumas categorias de seus credores se submetem à recuperação. Tem a finalidade de promover a reorganização de sua atividade econômica que esteja em crise e efetuar o pagamento do passivo submetido aos efeitos da recuperação, mediante um acordo recíproco em torno de uma proposta especificada no plano de recuperação. Tem por finalidade preservar a atividade produtiva da empresa. Art. 47 Lei 11.101/2005 - o acordo somete é viável se o empresário tiver viabilidade econômica, ou seja, se a empresa tiver capacidade para recuperar-se pelos seus próprios meios. Art. 105 Lei 11.101/2005 - o empresário que constatar que não possui viabilidade econômica, deve requerer a sua autofalência. Viabilidade econômica = clientela, marca valorizada, patentes, aviamentos (administração lucrativa), etc. Modalidades de recuperação: 1. recuperação judicial (Arts. 47 a 69 Lei 11.101/2005): é a mais usual e mais complexa; 2. recuperação judicial especial (Arts. 70 a 72 Lei 11.101/2005): é pouquíssimo usada. É específica para microempresas e empresas de pequeno porte; 3. recuperação extrajudicial (Arts. 161 a 167 Lei 11.101/2005): o empresário, por sua conta e risco, busca o acordo com os seus credores que representem mais de 3/5 de seu passivo. Se lograr êxito, leva o acordo por escrito e busca a 8 homologação judicial. Obtendo a homologação, todos os seus credores, os que aderiram ou não ao acordo, serão submetidos ao plano homologado judicialmente. A principal diferença entre as modalidades de recuperação judicial e extrajudicial é o caminho que o empresário busca para a tratativa do acordo com os credores, na primeira via todas as tratativas serão feitas judicialmente, na segunda via ele terá de fazer as tratativas. Art. 3 Lei 11.101/2005 - regras de competência. Requisitos (Art. 48 Lei 11.101/2005): - exercício regular da atividade empresária há mais de 2 anos; - não ter falido ou declaradas extintas as obrigações decorrentes da falência; - não ter, há menos de 5 anos, obtido concessão de recuperação judicial, nem mesmo do plano especial para microempresas e empresas de pequeno porte, nos termos dos Arts. 70 a 72 Lei 11.101/2005; - não ter sido condenado ou não ter, como administrador ou sócio controlador, pessoa condenada por qualquer dos crimes falimentares (crimes previstos na Lei 11.101/2005); - a recuperação judicial poderá ser requerida pelo cônjuge sobrevivente, herdeiros do devedor, inventariante ou sócio remanescente (Art. 48, parágrafo 1 Lei 11.101/2005). A falência é um processo de saneamento do mercado, motivo pelo qual o instituto é expandido para atingir e penalizar até aquele que exerce a atividade empresária de forma irregular, enquanto que a recuperação é um benefício ao devedor que consiga demonstrar a viabilidade econômica, então, tendo a lei exigido maiores requisitos do empresário: ele terá de provar o mínimo de 2 anos de atividade regularmente inscrita no registro de empresas. No meio de processo de recuperação é possível ter decretada a falência, mas no meio do processo de falência não é possível ter decretada a recuperação. Uma parcela dos credores é legalmente excluída do processo de recuperação judicial, ficando livres para exigir o cumprimento de seus direitos de crédito fora da recuperação: - créditos o fiscais e parafiscais / INSS (Art. 6, parágrafo 7 Lei 11.101/2005). A Administração Pública não pode renunciar bens, direitos e interesses públicos, exceto se houver previsão em lei, além disso a AdministraçãoPública executa pela LEF que é mais célere; - créditos do proprietário fiduciário de bens móveis ou imóveis, do arrendador mercantil - leasing, do proprietário ou promitente vendedor de imóvel cujos contratos contenham cláusula de irrevogabilidade ou irretratabilidade, inclusive em incorporações imobiliárias, do proprietário em contrato de compra e venda com reserva de domínio (Art. 49, parágrafo 3 Lei 11.101/2005). Em regra são créditos bancários, que se dificultados, ao terem elevação de risco, terão elevação da taxa de juros, acarretando a insolvência da empresa. No caso das incorporações imobiliárias e contratos de compra e venda imobiliária irrevogáveis ou irretratáveis, visa proteger o consumidor de incorporações que poderia sofrer atraso na finalização da construção; - créditos do credor em adiantamento de contrato de câmbio - ACC (Art. 86, II Lei 11.101/2005). Sem o crédito para adiantamento da exportação, a atividade empresária estaria afetada, impossibilitando a sua recuperação. Créditos sujeitos à recuperação judicial: - derivados da legislação do trabalho e decorrentes de acidente de trabalho; - com garantia real, até o limite do valor do bem garantido; - créditos com privilégio especial (assim definidos no Art. 964 CC e outras leis); - créditos com privilégio geral (assim definidos no Art. 965 CC e outras leis); 9 - créditos quirografários; - créditos subordinados: os assim previstos em lei ou em contrato e os créditos dos sócios e dos administradores sem vínculo empregatício. Na recuperação extrajudicial, difere o rol de créditos passíveis de ingressar na negociação, pois nesta modalidade ficam excluídos os créditos derivados da legislação do trabalho e decorrentes de acidente de trabalho. Permitir a inclusão desses créditos em uma negociação em âmbito privado seria arriscado para a garantia dos direitos dos trabalhadores, que longe dos olhos do poder judiciário poderiam ser pressionados a aceitarem negociações injustas. Plano de recuperação: deverá expor a situação econômica da empresa e, a partir de elementos econômicos da atividade da empresa, apresentar uma solução para que se recupere (meios de recuperação). O Art. 50 Lei 11.101/2005 elenca um rol exemplificativo de meios de recuperação, sendo possível que a empresa escolha um outro meio. Meios de recuperação judicial (Art. 50 Lei 11.101/2005): - concessão de prazo e condições especiais para pagamento das obrigações vencidas ou vincendas; - cisão, incorporação, fusão ou transformação de sociedade, constituição de subsidiária integral, ou cessão de cotas ou ações; - alteração do controle societário; - substituição total ou parcial dos administradores do devedor; - concessão aos credores de direitos de eleição em separado de administradores e de poder de veto em relação às matérias que o plano especificar; - aumento do capital social; - trespasse ou arrendamento de estabelecimento, inclusive para sociedade constituída pelos próprios empregados; - redução salarial, compensação de horários e redução de jornada, mediante acordo ou convenção coletiva; - dação em pagamento ou novação de dívidas do passivo, com ou sem constituição de garantias; - constituição de sociedade de credores; - venda parcial dos bens; - equalização de encargos financeiros relativos a débitos de qualquer natureza; - usufruto da empresa; - administração compartilhada; - emissão de valores mobiliários (debentures); - constituição de sociedade de propósito específico (SPE), exclusivamente para o fim de receber, mediante adjudicação e em pagamento do passivo, os ativos do devedor. Plano de recuperação judicial: - obriga o devedor e todos os credores a ele sujeitos, mesmo que não tenham votado a favor da sua aprovação (Art. 59 Lei 11.101/2005); - alienação judicial de filiais ou de unidades produtivas isoladas do devedor ficam livres de qualquer ônus, de modo que o arrematante não sucede o devedor nas obrigações pendentes do referido bem (Art. 60 Lei 11.101/2005). A garantia de não repasse dos ônus aplica-se à sucessão trabalhista e fiscal; 10 - manutenção da variação cambial nos créditos em moeda estrangeira. Qualquer alteração superveniente do plano de recuperação requer uma nova aprovação do plano em assembleia de credores. Art. 94, III, "g" Lei 11.101/2005 - o não cumprimento do plano aprovado pelos credores transforma a recuperação em falência. Órgãos exigidos na lei para a recuperação judicial: - Administrador judicial (Art. 21 e seguintes); - Assembleia geral de credores (Art. 35 e seguintes); - Comitê de credores (Art. 26). 1. Administrador judicial: responsável pela fiscalização da recuperação. Pessoa natural, com experiência na gestão de empresas e de massa falidas, recuperações, etc. Na administração, ele não administra o negócio produtivo empresarial, ele administra a recuperação: preside a assembleia geral de credores, cumpre as determinações do magistrado, enfim, atua mais no acompanhamento e fiscalização do que na administração. Excepcionalmente, em decorrência de alguma irregularidade, caso os administradores da empresa venham a ser afastados, o administrador judicial assume a administração da atividade produtiva empresarial, até a escolha do gestor judicial. Tem como atribuições: - enviar correspondência aos credores, comunicando a data do pedido de recuperação judicial ou da decretação da falência, a natureza, o valor e a classificação dada ao crédito; - fornecer todas as informações pedidas pelos credores; - dar extratos dos livros do devedor, que merecerão fé de ofício; - exigir dos credores, do devedor ou de seus administradores quaisquer informações; - elaborar a relação de credores; - consolidar o quadro geral de credores; - requerer ao juiz a convocação da assembleia geral de credores; - contratar profissionais ou empresas especializadas para auxiliá-lo; - manifestar-se nas hipóteses legais; - fiscalizar as atividades do devedor e o cumprimento do plano de recuperação judicial; - requerer a falência, se for o caso; - apresentar ao juízo o relatório mensal das atividades do devedor; - apresentar o relatório circunstanciado sobre a execução do plano de recuperação, por ocasião do encerramento da recuperação judicial. A jurisprudência vem aceitando que se escolha como administrador judicial uma empresa, devido a sua experiência, contudo, um representante da empresa, pessoa física, será nomeado como o responsável pela recuperação, respondendo inclusive na esfera penal, em caso de crime falimentar. A remuneração do administrador judicial é proporcional ao valor do passivo administrado. 11 O administrador fica vinculado no dever de diligência, ou seja, deve exercer o seu papel com zelo e dedicação. Como é nomeado pelo juiz, exerce uma função pública, a qual é transitória. Na recuperação judicial especial e na extrajudicial, não haverá administrador judicial. Só existe na recuperação judicial. 2. Assembleia geral de credores: na recuperação judicial é necessário que o acordo entre devedor e credores seja fechado em uma reunião formal. Uma vez instaurada, ela é o órgão máximo de deliberação dos credores, sendo soberana para decidir pela aprovação, rejeição ou modificação do plano de recuperação apresentado pela empresa devedora. Em caso de rejeição do plano, a empresa requerente terá decretada a sua falência. Em caso de proposta de modificações do plano, o devedor teráde aprová-las para só aí a recuperação ser aprovada pelos credores. A assembleia geral de credores é presidida pelo administrador judicial (Art. 37). A assembleia deve ser composta por credores das diversas classes de créditos submetidos a recuperação, para que possa ser considerada soberana e legítima. Tem como atribuições: - a aprovação, rejeição ou modificação do plano de recuperação; - a constituição do comitê de credores, a escolha de seus membros e sua substituição; - deliberar sobre o pedido de desistência formulado pelo devedor do requerimento de recuperação judicial. Caso a assembleia não aprove a desistência, a empresa terá decretada a sua falência; - deliberar sobre o nome do gestor judicial, quando do afastamento do devedor; - discutir sobre qualquer outra matéria que afete seus interesses. A assembleia geral de credores é um órgão bicameral: plenário e classes de credores. a) Plenário: é formado por todos os credores. Os votos são proporcionais ao valor dos respectivos créditos em recuperação; b) Classe de credores: dívidas, nos termos do Art. 41: - classe I: créditos trabalhistas e/ou decorrentes de acidentes de trabalho. Voto per capta (cada credor corresponde a um voto, independente do valor do seu crédito); - classe II: créditos com garantia real. Obs.: há créditos com garantia real que estão, por lei, excluídos da recuperação judicial, devendo ser cumpridos pelo contrato original (Ex.: Art. 49, parágrafo 3); - classe III: créditos quirografários, com privilégios: especiais, gerais e subordinados; - classe IV: créditos enquadrados como microempresa ou empresa de pequeno porte. Não tem ligação com a origem do crédito, mas sim com a titularidade (quem é o credor), ou seja, se o credor possui enquadramento tributário de ME ou EPP. A votação na assembleia (Art. 58): A aprovação do plano requer a aprovação pela maioria do plenário e por todas as classes de credores. Em caso de aprovação parcial (não obter a aprovação em uma das classes de credores), o juiz pode suprir fazendo a aprovação do pleno. É a única situação em que o juiz pode intervir na recuperação. 3. comitê de credores: sua criação é facultativa. Sua função é mais qualitativa do que quantitativa, já que, será formado por 4 representantes eleitos pela assembleia geral, sendo um representante de cada classe de credores. Tem como atribuições (Art. 27) - tanto na recuperação judicial como na falência: - fiscalizar as atividades e examinar as contas do administrador judicial; - zelar pelo bom andamento do processo e pelo cumprimento da lei; 12 - comunicar ao juiz, caso detecte violação dos direitos ou prejuízos aos interesses dos credores; - apurar e emitir parecer sobre quaisquer reclamações dos interessados; - requerer ao juiz a convocação da assembleia-geral de credores; - manifestar-se nas hipóteses previstas nesta lei. Obs.: não é convencional a instauração da assembleia geral de credores, que dirá do comitê de credores no processo de falência. Na falência o juiz toma as decisões e o administrador judicial as executa, cada credor em separado acompanhando os seus interesses e impugnando as decisões que lhes são contrárias. Procedimento da recuperação judicial: é dividido em 3 fases: 1. Fase preliminar ou postulatória: a empresa ainda está postulando pela recuperação, não sendo conhecido se o pedido será aprovado pelos credores. Tem um carater ordenatório, visando dar ordem no procedimento da recuperação, sem ainda entrar no mérito da recuperação. Não cabe ao juiz analisar questões de viabilidade econômica, tarefa que caberá aos credores quando da aprovação do plano de recuperação. Ao juiz caberá analisar os requisitos específicos (mais de 2 anos de atividade empresária regular, não ter falido...), para dar o despacho de processamento do pedido. Atos: - distribuição do pedido (Art. 48); - juízo competente (Art. 3); - instrução da petição inicial (Art. 51); - despacho de processamento do pedido de recuperação judicial (Art. 52). Tem como efeito a suspensão de todas as ações e execuções existentes contra a empresa, pelo prazo de 180 dias (Art. 6). Não suspende as execuções fiscais, mas nesses 180 dias não se admite a prática de atos de constrição de bens contra a empresa. Proferido o despacho, o devedor terá 60 dias para apresentar o plano de recuperação judicial. Apresentado o plano, os credores submetidos à recuperação terão 30 dias para se manifestar sobre o aceite dos meios de recuperação que serão adotados pelo empresário (dentre o rol daqueles previstos em lei ou outros que ele especificar). Silentes, o plano estará tacitamente aprovado, contudo, caso algum credor se manifeste contrário, somente aí, será convocada a assembleia geral de credores e o comitê de credores. 2. Fase de deliberação ou assemblear: os credores serão reunidos no plenário e nas 4 classes. Poderá haver a aporvação total, aprovação parcial (cabendo a intervenção do juiz) ou a rejeição por mais de uma classe (Arts. 42, 58 parágrafo 1, 56). Caso o plano seja aprovado, se incia a fase de execução. 3. Fase de execução: tem início a execução do plano de recuperação aprovado. Sendo necessário alterar o plano, o que só pode ocorrer se houver expressa previsão no plano aprovado, o devedor deverá requerer a reunião da assembleia geral para que os credores possam deliberar sobre o pedido, podendo aprovar ou não as alterações pedidas pelo devedor. Caso o plano alterado não seja aprovado, será decretada a falência da empresa. Caso o plano não seja seguido pelo devedor, conforme sua versão aprovada pela assembleia, haverá a convolação da recuperação judicial em falência (Art. 94, III, "g"). Recuperação Extrajudicial: é um acordo que pode ser realizado pelo empresário devedor e parte dos seus credores, no âmbito privado, quando o empresário se encontra em princípio de crise financeira, desde que ele apresente viabilidade econômica. Sua grande diferença em relação a recuperação judicial é em termos procedimentais. Na recuperação extrajudicial o devedor terá de buscar seus credores e convencê-los a aceitar o acordo, assim, quanto maior o número de credores do devedor, mais difícil será fechar esse acordo. A extrajudicial não conta com a suspensão das ações e execuções em curso, durante a sua fase postulatória e assemblear. Tem os mesmos créditos e classes de credores que estão sujeitos à recuperação judicial, exceto pela exclusão dos créditos classe I - créditos trabalhistas e/ou decorrentes de acidentes de trabalho. 13 O devedor deverá montar um plano de recuperação, nos mesmos moldes do utilizado na recuperação judicial, tendo ele mesmo de encaminhá-lo aos credores que fazem parte do plano, por meio de carta registrada ou notificação. A lei não determina como será o aceite dos credores, apenas que o plano deve ser aceito por, no mínimo, 3/5 dos credores da recuperação. Caso aceito pela maioria, o devedor deve se dirigir ao juiz competente (local do seu maior estabelecimento), para pedir a homologação do seu plano de recuperação. Após a distribuição da ação de homologação, os credores não podem mais desistir do acordo. A sentença constitui título executivo judicial. O pedido de homologação da recuperação extrajudicial: - deverá apresentar a justificativa da sua realização (Art. 162); - deverá apresentar seus termos e condições; - incluir as assinaturas dos credores que a ele aderiram (+ de 3/5 do passivo sujeito à recuperação extrajudicial). Art. 163, parágrafo 6 - documentos que instruem o pedido: - exposição da situação patrimonial do devedor;- demonstrações financeiras relativas ao último exercício social, bem como demonstrações financeiras especialmente confeccionadas para esse fim (balanço especial); - documentos que comprovem os poderes dos representantes dos credores que aderiram ao plano; - relação nominal completa dos credores.