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Manual de Handebol

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Manual de handebol
InstItuto Phorte educação
Phorte edItora
Diretor-Presidente
Fabio Mazzonetto
Diretora-Executiva
Vânia M. V. Mazzonetto
Editor-Executivo
Tulio Loyelo
Manual de handebol
Da iniciação ao alto nível
Pablo Juan Greco
Juan J. Fernández Romero
(orgs.)
São Paulo, 2010
Manual de handebol: da iniciação ao alto nível
Copyright © 2010 by Phorte Editora
Rua Treze de Maio, 596
CEP: 01327-000
Bela Vista – São Paulo – SP 
Tel./fax: (11) 3141-1033
Site: www.phorte.com 
E-mail: phorte@phorte.com
Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou transmitida de qualquer forma ou por quaisquer meios 
eletrônico, mecânico, fotocopiado, gravado ou outro, sem autorização prévia por escrito da Phorte Editora Ltda. 
Impresso no Brasil
Printed in Brazil
concepção pedagógica para a formação de joga-
dores de Handebol no Brasil, criar uma “Escola 
de Handebol Brasileiro”. Analisaram-se diferentes 
propostas e escolas de formação, tais como a es-
cola espanhola, a escola francesa, a escola alemã. 
Surge assim, com renovada ansiedade, a ideia de 
se publicar uma obra que refletisse em seus temas 
a realidade do handebol brasileiro, um handebol 
ligado à cultura, aos costumes e caracterizado pela 
filosofia de vida do brasileiro. 
Assim, conforme debatido no VI Encontro 
de Professores de Handebol das Instituições de 
Ensino Superior em Educação Física (2007) orga-
nizado pela Confederação Brasileira de Handebol 
(CBHb), considerou-se importante referenciar a 
concepção pedagógica do processo da criação da 
escola brasileira de handebol no modelo de forma-
ção proposto pela Escola Espanhola de Balonma-
no, respeitando nossa idiossincrasia, característi-
cas culturais e, principalmente, as potencialidades 
de desenvolvimento da modalidade em todas as 
suas formas de expressão, ou seja, sem ser dire-
cionada somente à concepção do esporte de ren-
dimento e alto rendimento. Assim, as duas obras 
citadas anteriormente e um conjunto de textos já 
publicados no Brasil como, por exemplo, Manual 
de handebol – treinamento de base para crianças e 
Apresentação
o Ponto de PartIda...
Este livro é uma adaptação e ampliação em 
língua portuguesa da publicação do livro Ba-
lonmán: Manual Básico (1999), organizado por 
Juan J. Fernández Romero, Luis Casais Martinez, 
Helena Vila Suárez e José María Canela Carral, 
publicado na Espanha, em galego, pela editora 
Lea. Também se tornou como referência o texto 
Balonmano, organizado por Javier Garcia Cuesta,1 
(1991) que, na época, era treinador da Real Fede-
ración Española de Balonmano, e publicado por 
essa federação, com patrocínio da empresa Corte 
Inglés, em razão das Olimpíadas de Barcelona, 
com o intuito de popularizar o esporte nesse país.
Os motivos que levaram a decisão de con-
siderar essas obras como ponto de partida para a 
concepção de um texto de referência para a área 
apoiam-se, por um lado, na falta de publicações 
sobre handebol em língua portuguesa direciona-
das a estudantes de Educação Física, professores 
e treinadores que desenvolvem a modalidade nos 
diferentes campos de atuação e, por outro lado, 
na decisão da Confederação Brasileira de Han-
debol (CBHb) presidida pelo professor Mano-
el Luiz Oliveira, que objetivava consolidar uma 
1 Cuesta J. G. Livro
Manoel Luiz de Oliveira
adolescentes (autoria de Ehret, Späte, Schubert & 
Roth) (inserir nota de rodapé: 2Ehret, A.; Späte, 
D. Schubert & Roth, K. Livro Manual),2 servi-
ram de ponto de partida para conceber este livro. 
Assim, Balomman, considerado referência básica 
para este livro, foi traduzido do galego para o por-
tuguês. A obra foi ampliada e incorporaram-se 
novos capítulos, inovadores em seu conteúdo, que 
abrangem a modalidade handebol nos diferentes 
campos de atuação do professor e profissional de 
Educação Física. 
Neste livro, reúnem-se aportes de diferentes 
autores, pesquisadores, professores universitários, 
treinadores, enfim, personalidades que atuam na 
modalidade em suas diferentes vertentes, todos 
com ampla experiência na área, sejam jogadores 
ou militantes na beira da quadra nos diferentes 
níveis de expressão e organizacionais da modali-
dade. 
Reitera-se que, neste livro, procura-se reunir 
o conhecimento da modalidade handebol em suas 
diferentes formas de expressão do rendimento. Por 
esse motivo, este livro está dividido em oito partes 
(História, Perfil do Atleta, Técnica, Tática, Go-
leiro, Tática Coletiva, Sistemas de Jogo, Sistema 
de Formação de Jogadores, Formas de Manifes-
tação do Esporte), cada uma delas versando sobre 
diferentes aspectos relacionados com o handebol. 
Assim, em cada área, são apresentados diferentes 
capítulos que levam ao leitor, gradativamente, o 
conhecimento específico produzido no handebol, 
ao mesmo tempo que o convida a pesquisar de 
forma mais aprofundada sobre eles. Este livro se 
constitui em uma referência geral, em um com-
pêndio ou manual específico sobre o handebol. 
A concepção dos textos permite, após a leitura, 
a busca de outras referências (algumas citadas), 
de forma a conseguir, posteriormente, organizar 
e aprofundar sua formação profissional e, enfim, 
saciar a sede de conhecimentos do handebol. 
Destaca-se que este livro não esgota todos 
os temas relacionados ao handebol, porém, re-
úne grande parte desses temas em um só volu-
me. Possibilita-se, assim, a orientação do leitor 
na matéria, direcionando de forma pedagógica 
o processo de aprendizagem e otimizando sua 
formação profissional. Mas este livro se consti-
tui em testemunho principal da constante busca 
pelo conhecimento de todos aqueles que gostam 
da modalidade. Todo professor responsável de sua 
função social no exercício da sua práxis sabe da 
necessidade de contar com obras que reúnam te-
mas importantes da modalidade e da importância 
de contribuir com mais leituras e com ações con-
cretas de investigação e práxis para seu aperfeiço-
amento profissional. 
O handebol como uma das modalidades es-
portivas de quadra mais praticadas por crianças 
e jovens não delimita sua presença somente aos 
diferentes níveis e categorias de competição. Pelo 
contrário, neste livro as diferentes facetas da mo-
dalidade handebol, desde suas origens históricas 
a uma concepção pedagógica de sua prática nos 
diferentes níveis de expressão do rendimento, são 
relacionadas de forma didática. 
Nesta obra, reúnem-se os esforços da Con-
federação Brasileira de Handebol (CBHb), enti-
dade que rege o esporte de competição no Brasil, 
mas o texto perpassa essa fonte de informação e 
visa contribuir nos diferentes níveis da concretude 
da práxis do handebol. 
São tratados os diferentes aspectos que ca-
racterizam a modalidade. As oito partes do livro 
reúnem um total de 28 capítulos, com 41 figuras, 
126 desenhos e 47 quadros que visam fornecer 
informação de qualidade. 
As oito partes deste livro são as seguintes:
I) Handebol: sua história e sua evolução 
(ou seja, do passado e da história pro-
jeta-se o futuro) 
II) O perfil motor do atleta de handebol 
(preparação física aplicada ao hande-
bol)
III) Técnica (fundamentos técnico-táticos 
individuais de ataque, defesa e goleiro)
IV) Tática coletiva (tática de grupo de ata-
que e defesa)
V) Sistemas de jogo no handebol (ataque, 
defesa e contra-ataque)
VI) O sistema de formação e treinamento 
esportivo: por uma pedagogia da ini-
ciação ao alto rendimento esportivo 
(da iniciação ao campeão)
VII) Parâmetros de análise do rendimento 
(detecção de talentos e observação de 
jogo)
VIII) As diferentes formasde manifestação 
do handebol 
Na parte I, o capítulo 1 oferece uma in-
trodução sobre o esporte e sua interação com o 
handebol. No capítulo 2, procura-se descrever o 
processo histórico da modalidade handebol com 
a “gênese do handebol: primeiras aproximações” 
e, posteriormente, a explanação do desenvolvi-
mento do handebol no Brasil, com o tema “Me-
mórias do handebol no Brasil: construindo uma 
história”. Ambos os capítulos foram escritos pela 
Prof.ª Dr.ª Heloisa Baldi dos Reis (UNICAMP). 
A seguir, apresenta-se o capítulo 3: a “História do 
handebol de praia no Brasil”, um aporte da Prof.ª 
Claudia Monteiro do Nascimento (ex-treinadora 
da CBHb) e Arline Porto Ribeiro (CBHb), uma 
das precursoras sobre essa forma de manifestação 
do jogo de handebol no Brasil. Seguidamente, no 
capítulo 4, aborda-se o tema “Caracterização e 
classificação do jogo de handebol”, de autoria dos 
professores Pablo J. Greco, do acadêmico Fernan-
do L. Greco (ambos da UFMG) e da Prof.ª Ms. 
Siomara A. Silva (UFOP). O capítulo é comple-
tado com o aporte que destaca a importância de 
considerar “o handebol em uma visão sistêmica”, 
de autoria do Prof. Ms. Rudney Uezu (sub-item 
4.2). A caracterização da modalidade leva a com-
preender melhor as necessidades do esporte e de-
terminar princípios para os processos de ensino-
aprendizado e treinamento que se relacionem com 
elas (parte VI), bem como tratar de compreender 
“O jogo no ataque” e “O jogo na defesa”, de auto-
ria do Prof. Juan J. Fernández Romero e Pablo J. 
Greco. Destacam-se os aspectos que corroboram 
o processo de caracterização do jogo de handebol. 
Nesses dois aportes, apresentam-se as caracterís-
ticas gerais do jogo em suas fases ou momentos, 
bem como, sucintamente, quais os fundamentos 
técnicos (de ataque e defesa, respectivamente) e os 
meios táticos coletivos da defesa e ataque necessá-
rios a prática do handebol com sucesso. 
Na parte II, trata-se sobre o perfil motor do 
atleta de handebol. Inicia-se com o capítulo sínte-
se, desenvolvido pelo professor Rudney Uezu, so-
bre o perfil motor do atleta de handebol. A seguir, 
no capítulo 6, apresenta-se uma inovadora forma 
de concepção da preparação física no handebol, de 
autoria dos professores Francisco Seirul-lo (Univ. 
Barcelona) e Juan J. Fernández Romero (Univ. A 
Corunha). Relacionam a metodologia do treina-
mento com as teorias cognitivas, o que se consti-
tui em uma rica forma de considerar o processo 
de formação e desenvolvimento das capacidades 
biomotoras do atleta de handebol. Continua-se 
com o capítulo 7, direcionado ao treinamento de 
coordenação, redigido pelos professores Pablo J. 
Greco (UFMG), Siomara A. Silva (UFOP) e o 
acadêmico Fernando L. Greco (UFMG). 
Na parte III, são abordadas as capacidades 
técnicas do handebol. No capitulo 8, descrevem-
se os fundamentos técnico-táticos individuais 
comuns ao ataque e à defesa, a partir das posi-
ções de base e os deslocamentos, redigidos pelo 
professor Juan J. Fernández Romero (Univ. A 
Corunha). A seguir, no capítulo 9, são descritos 
os fundamentos técnico-táticos individuais no 
ataque, começando com a recepção da bola até as 
fintas. No capítulo 10, são relacionados e expli-
cados os fundamentos técnico-táticos individuais 
de defesa, da marcação à tomada da posse da bola. 
Todos esses temas foram escritos pelo professor 
Juan J. Fernández Romero (Univ. A Corunha) e 
colaboradores, com aportes do professor Pablo J. 
Greco e do acadêmico Fernando L. Greco (ambos 
UFMG). Já no capítulo 11 são explanados os as-
pectos das ações técnico-táticas do goleiro, da sua 
técnica defensiva às técnicas ofensivas, de autoria 
do professor Pablo J. Greco (UFMG), Siomara A. 
Silva (UFOP) e do acadêmico Fernando L. Greco 
(UFMG). 
Na parte IV, que se inicia com o capítulo 
12, são relacionados os meios técnico-táticos de 
grupo de ataque, das tabelas à ponte aérea, e, no 
capítulo 13, são relatados e explicados os meios 
técnico-táticos de grupo de defesa, desde a bas-
culação ao contrabloqueio. Os textos foram redi-
gidos pelo professor Juan J. Fernández Romero 
(Univ. A Corunha) e colaboradores, com aportes 
de Pablo J. Greco (UFMG), Siomara A. Silva 
(UFOP) e Fernando L. Greco (UFMG). 
Na parte V, o professor Juan J. Fernández 
Romero (Univ. A Corunha) e colaboradores apre-
sentam os sistemas de jogo no handebol. Assim, 
o capítulo 14 e seus sub-itens referem-se aos siste-
mas de ataque. Já no capítulo 15, explicam-se os 
sistemas defensivos individuais, zonais e mistos, 
com especial ênfase na evolução recomendada 
para o ensino da defesa, proposta defendida por 
autores como Klaus Feldmann, da escola alemã, 
e Pablo J. Greco, pesquisador na área dos jogos 
esportivos coletivos (pedagogia e metodologia de 
ensino). Apresenta-se também uma clara concei-
tuação das vantagens e desvantagens de cada um 
dos sistemas defensivos zonais. Esses capítulos 
contam com o aporte no sistema defensivo 3:2:1 
do professor Pablo J. Greco (UFMG), da Prof.ª 
Siomara Silva (UFOP) e do acadêmico Fernando 
L. Greco (UFMG). No capítulo 16, são expla-
nados os conceitos relacionados com as fases de 
transição no jogo (contra-ataque e retorno defen-
sivo), que são importantíssimas no handebol de 
alto nível de rendimento (autoria de Pablo J. Gre-
co, Siomara A. Silva e Fernando L. Greco).
A parte VI se inicia com o capítulo 17, de-
senvolvido pelo professor Pablo J. Greco (UFMG) 
e pela prof.ª Siomara A. Silva (UFOP), com a 
colaboração do acadêmico Fernando L. Greco 
(UFMG), no qual se descreve a concepção peda-
gógica do sistema de formação e treinamento es-
portivo, que serve de orientação para a formação 
de jogadores e de praticantes da modalidade no 
Brasil. Assim, são tratados os aspectos inerentes 
ao sistema de formação e treinamento esportivo 
e a necessidade de sua concepção pedagógica, na 
visão das estruturas temporal-metodológica-subs-
tantiva. O capítulo 18 apresenta uma síntese dos 
métodos de ensino do handebol para diferentes 
alternativas e ambientes pedagógicos. No capítulo 
19, a prof.ª Siomara A. Silva (UFOP) trata dos jo-
gos de iniciação e do aprendizado das regras e, no 
capítulo 20, os professores Claudia Nascimento, 
Philipe Matos e Antônio Lara Junior explanam 
sobre a estrutura do ensino de handebol de praia. 
A parte VII se inicia com o capítulo 21, no 
qual se descrevem os diferentes caminhos do pro-
cesso de seleção de talentos. Esse importante tema 
foi pesquisado e escrito pelos professores Juan J. 
Fernández (Univ. A Corunha) e Randeantoni do 
Nascimento (UFS). No capítulo 22 é tratado um 
tema direcionado à análise de jogos e dos núme-
ros que destes surgem para o planejamento do 
treinamento, aspectos pesquisados pelo Prof. Dr. 
Lucidio Rocha Santos (UFAM) em sua tese de 
doutorado, reunindo a informação de forma clara 
e consistente.
A parte VIII começa com o capítulo 23, em 
que vários autores apresentam sua colaboração 
para explanar as diferentes formas de manifesta-
ção da práxis do handebol. Neste capítulo se des-
taca o texto “Valores, valoração e educação: uma 
necessidade na pratica do handebol”, do professor 
Dourivaldo Teixeira (UEM), que tem ampla ex-
periência em projetos sociais e projetos de forma-
ção de atletas relacionados com o handebol. No 
capítulo 24, o professor Francisco de Assis Faria 
(UFAL), ex-treinador das seleções femininas do 
Brasil por mais de uma década, apresenta sua con-
tribuição relatando sua criação, o handebol mas-
ter, o jogo para os ex-atletas de todos os níveis 
de rendimento, comentando sobre o regulamen-to do jogo. No capítulo 25, os professores Décio 
Callegari, José Irineu Gorla e Paulo Araújo rela-
tam sobre a criação e a divulgação do handebol 
em cadeira de rodas, tema inclusive apresentado 
nas paraolimpíadas de Pequim e incluído no pro-
grama dos jogos, sendo um aporte do handebol 
brasileiro para o contexto internacional. No capí-
tulo 26 se apresentam os projetos mini-handebol 
e caça-talentos, oferecidos em todo Brasil pela 
CBHb com apoio de diferentes patrocinadores. 
Assim, o leitor poderá compreender e aplicar em 
seu cotidiano essas ações da CBHb. No capitulo 
27, o professor Marcos Valentim traz sua criação, 
registrando os objetivos e regras do handebol na 
terceira idade. Fechando o bloco, o capítulo 28 
trata sobre o handebol de areia, escrito pelos pro-
fessores Claudia M. Nascimento, Alexandre 
Almeida e Clodoaldo Dechechi (ex-treinadores 
da seleção de Handebol Beach da CBHb). 
Muitos outros capítulos serão escritos, desta 
vez pelos leitores, aos quais fica o desafio de conti-
nuar desenvolvendo cada vez mais esta modalidade. 
Desta forma, os autores desejam que a leitura 
seja agradável, que este livro seja fonte renovada 
de consulta e que muitas sugestões sejam enviadas 
à CBHb para incentivar a criação de uma nova 
coleção de textos direcionados à modalidade. Boa 
leitura, muito sucesso e bom trabalho!
Sumário
Parte I – Handebol: Sua história e evolução 13
1 Introdução 15
2 A gênese do handebol: primeiras aproximações 17
3 Memórias do handebol no Brasil: construindo uma história 19
4 Identificação, caracterização e classificação do jogo de handebol 27
Parte II – Perfil motor do atleta de handebol 47
5 Caracterização do perfil Físico-motor do atleta de handebol 49
6 Preparação física aplicada aos esportes coletivos: exemplo para o handebol
7 O treinamento da coordenação no handebol 73
Parte III – Técnica 89
8 Fundamentos técnico-táticos individuais comuns de ataque e defesa 91
9 Fundamentos técnico-táticos individuais no ataqueI 101
10 Fundamentos técnico-táticos 125
11 Fundamentos técnico-táticos do goleiro* 133
Parte IV – Tática 147
12 Meios técnico-taticos de grupo no ataque 149
13 Meios tecnicos táticos de grupo na defesa 165
14 Sistemas de jogo no ataque 175
15 Sistemas de jogo na defesa 187
16 Fases de transição 213
Parte VI – O sistema de formação e treinamento esportivo: por uma pedagogia da iniciação 
 ao alto rendimento esportivo 219
17 O sistema de formação e treinamento esportivo no handebol brasileiro (SFTE-HB) 221
18 Métodos de ensino no handebol: do incidental ao intencional 237
19 O ensino das regras do handebol: da necessidade à compreensão 251
20 Proposta de um processo pedagógico de aprendizagem do handebol de areia 257
Parte VII – Parâmetros de análise de rendimento 267
21 A detecção do talento esportivo no handebol 269
22 Análise e observação de jogos no handebol: dos números ao treinamento 275
Parte VIII – As diferentes formas de manifestação do handebol 287
23 Valores, valoração e educação: uma necessidade na prática do handebol 289
24 Handebol master para ex-atletas: uma proposta de inclusão 309
25 Handebol em cadeira de rodas 317
26 Projeto mini-handebol e caça-talentos no Brasil 323
27 Handebol na terceira idade 327
28 O handebol de areia 337
Manual de handebol 13
Parte I
Handebol: Sua história 
e evolução
O esporte é considerado, hoje, como um 
dos fenômenos sociais mais importantes da hu-
manidade. Sua presença na mídia, seja escrita, ra-
dial, televisiva, internet etc. desperta o interesse e 
a curiosidade no mundo todo. Grandes eventos, 
como as Olimpíadas e Campeonatos Mundiais, 
atraem multidões. Os protagonistas nesses even-
tos abrangem, além dos atletas e/ou equipes par-
ticipantes (treinador, preparador físico, médico/
fisioterapeuta etc.), as confederações, federações, 
clubes, os espectadores, os voluntários e pessoas 
que trabalham na teia do esporte. Enfim, pessoas 
que se “vestem” de festa imbuídas do espírito do 
esporte. 
O esporte é indicado para todos os indi-
víduos, independentemente de classe, condição 
física, crença ou religião. O esporte se constitui 
em fator de educação, ou, de acordo com as 
palavras de Bento,1 
qualificação da cidadania e da vida 
(...) O esporte é pedagógico e edu-
cativo quando proporciona oportu-
nidades, coloca obstáculos, desafios 
e exigências para se experimentar, 
observando regras e lidando com 
os outros, quando fomenta a pro-
cura do rendimento na competição 
e para isso se exercita, se treina e 
reserva-se um pedaço da vida. (...)
Nas raízes do esporte – o fenômeno espor-
tivo –, sua essência vincula-se à ética da humani-
dade relacionando-se com a cultura, com a plura-
lidade ideológica e religiosa, com a compreensão 
das variadas acepções das classes econômicas e so-
ciais. O esporte tem, no entanto, particularmente 
para nós, professores, enorme potencialidade pe-
dagógica. Sua prática oportuniza seu mais preza-
do dom: as opções pedagógicas. Aproveitando as 
opções pedagógicas que se apresentam na prática 
ou em situações criadas pelo professor, o esporte 
desenvolve o conhecimento da pessoa em relação 
aos outros e permite que a pessoa se conheça. No 
esporte, a pessoa desenvolve suas capacidades, 
habilidades, competências. A práxis solicita com-
portamento, atitudes, valores, ética, moral, ou 
seja, aspectos de personalidade que contribuem 
para formar o conceito de cidadania. Através da 
prática do esporte, a pessoa aprende a ser, a co-
nhecer, a fazer, a conviver; em síntese, aprende-se 
a aprender para ser um cidadão ativo e compreen-
der o seu destino.
Introdução1 
Pablo Juan Greco; Juan J. Fernandez
Manual de handebol16
O esporte pode ser concebido, conforme 
Bento1,2,3 e também Gaya,4 como um fenômeno 
cultural, global, plurívoco e polissêmico. Cultu-
ral, pois o esporte faz parte da cultura dos povos 
desde as mais antigas civilizações. O esporte fun-
damenta-se pela e na cultura. Global, pois se en-
contra nos mais distintos pontos do planeta. Os 
campeonatos de handebol são disputados em di-
versos países, estando presente também nas Olim-
píadas. É plurívoco, pois apresenta pluralidade de 
sentidos e é integrador, permitindo diferentes for-
mas de recordação. É polissêmico, pois apresenta 
muitos significados para seus participantes, sejam 
estes ativos praticantes ou os mais distantes espec-
tadores. 
O handebol se integra no conjunto das mo-
dalidades esportivas coletivas, nos denominados 
esportes de invasão. No Brasil, é comum nas aulas 
de Educação Física. No esporte e, particularmen-
te, no handebol, apresentam-se diferentes formas 
de expressão, isto é, diferentes níveis de rendi-
mento – esporte escolar (de, para e na escola), 
reabilitação, saúde, lazer-recreação, rendimento, 
alto nível de rendimento e esporte profissional. O 
handebol é um dos esportes mais praticados nas 
escolas no Brasil. É jogado na praia, em cadeira de 
rodas, na terceira idade, no máster; logo, é um es-
porte no qual todos os que o praticam encontram 
um grupo que tenha seus interesses e vocações. 
Esse é um dos fatores que fazem do handebol um 
dos esportes mais populares no Brasil. 
Pesquisas recentes apresentam dados irre-
futáveis em relação à falta de atividade física das 
crianças e jovens nos dias de hoje, e prognosticam, 
também, as consequências no deterioramento de 
suas saúdes. A falta de movimento, de atividade 
esportiva, as pressões de tempo e o tipo de vida 
moderno indicam a necessidade de se pensar o 
esporte de forma global, reclamando flexibilida-
de, inovação e variabilidade nas concepções me-
todológicasvigentes. Nesse sentido, o handebol 
se apresenta como uma excelente alternativa, pois 
é um jogo simples, que reúne habilidades moto-
ras simples como correr, saltar, lançar, passar. Sua 
prática possibilita a aproximação dos jovens à mo-
dalidade, oportunizando sua inclusão social, sua 
aderência a programas de prática, sua identificação 
com grupos, pessoas, enfim, sua interação social, 
sua compreensão da cidadania plena. Sem dúvida, 
a incubação do “vírus” de jogar handebol é um 
desafio para professores e treinadores da modali-
dade, bem como um caminho, uma opção para se 
vencer as dificuldades reconhecidas na sociedade 
contemporânea. Neste livro, espera-se contribuir 
com aqueles que gostam da modalidade para uma 
melhor qualidade de prática, para uma formação 
de jogadores de handebol, de cidadãos plenos e 
que sejam exemplos em nosso Brasil.
O handebol é originário de diversos passa-
tempos (jogos) dos séculos XIX e XX. Um des-
tes tornou-se esporte no século XX, recebendo o 
nome de handebol de salão, designação que per-
durou enquanto coexistiu com outro esporte de-
nominado handebol de campo. 
Fortes indícios indicam que a Suécia foi o 
país “criador” do handebol (contemporâneo) em 
razão da semelhança das regras atuais com o jogo 
praticado na década de 1930 naquele país. Coro-
nado e González6 afirmam que foi na Dinamarca, 
com a fundação da IHF em 1946 sob presidência 
do sueco Gösta Björk,1 que se aprovaram as regras 
do handebol. As informações a esse respeito, no 
entanto, contradizem as encontradas em Ferreira.7
Segundo Ferreira (p. 16),7 os primeiros 
campeonatos suecos de handebol ocorreram en-
tre 1931 e 1932, com regras bastante similares ao 
handebol praticado atualmente, como a permis-
são da posse de bola sem drible por, no máximo, 
cinco segundos; a existência de uma área circular 
medindo seis metros; sete jogadores por equipe; 
e a permissão do drible. Para ele, o handebol de 
salão surgiu antes do de campo, porém sua prática 
ficou limitada aos países escandinavos, com regras 
1 Gösta Björk comandou a entidade de 1946 a 1950 e já havia 
sido presidente da Federação em 1939.9
próprias e que foram internacionalizadas e unifi-
cadas no Congresso, as quais a Federação Interna-
cional celebrou em 1934, em Estocolmo, inician-
do, assim, o movimento internacional, único no 
handebol de salão.2,7
A Sociologia do Esporte tem como para-
digma para a definição dos esportes modernos a 
institucionalização do jogo. Assim, para que um 
jogo se torne esporte, é necessária a criação de 
uma instituição responsável pela sua regulamen-
tação, normatização, divulgação e supervisão da 
sua prática. Esse tipo de instituição é, em geral, 
denominado Federação Internacional (em âmbi-
to mundial) e de Federação ou Confederação (em 
âmbito nacional).
As principais características, segundo Dun-
ning,8 dos denominados esportes modernos são:
	 a diminuição da violência por parte dos jo-
gadores e espectadores;
	 o aumento do autocontrole;
	 a forte regulamentação – regras escritas 
(delimitação do campo de jogo, número 
de jogadores, tempo de jogo).
2 Esta informação é a mais provável de ser correta (em contra-
posição a Coronado e González)6 por ter havido um primeiro 
campeonato mundial de handebol masculino na Alemanha, em 
1918.
2 
Heloisa Helena Baldy dos Reis
A gênese do handebol:
primeiras aproximações
Manual de handebol18
Todas essas características estão presentes no 
handebol em relação aos jogos que o antecederam. 
Handebol de salão foi o nome dado ao esporte pra-
ticado em quadra (coberta/ginásio), que ficou até 
1946 sob supervisão da International Handball 
Amauteur Federation (IHAF). Após esta data, 
esteve sob supervisão da recém-criada Internatio-
nal Handball Federation (IHF).3 O handebol4 é 
o mais jovem dos esportes coletivos tradicionais. 
Em analogia à história do futebol,5 pode-se 
inferir que o handebol foi uma invenção sueca em 
virtude do pioneirismo da sua federação quanto à 
normatização e à organização do handebol. Outro 
indício que sustenta essa tese é a presença da Sué-
cia na fundação da IHF e o fato de a primeira pre-
sidência ter sido exercida pelo sueco Gösta Björk.
Quase todos os esportes coletivos são ori-
ginários de jogos que, em algum momento his-
tórico, foram institucionalizados e, portanto, 
receberam o nome de esportes. Isso significa que 
passaram a ter instituições responsáveis pela sua 
regularização, normatização, divulgação e su-
pervisão de prática. Essas instituições são geral-
mente denominadas federações internacionais no 
âmbito mundial e federações ou confederações no 
âmbito nacional.
3 Fundada em 12 de abril em 1946 em Copenhague (Dinamar-
ca) para reger os dois esportes (handebol de salão e de campo), 
onde permaneceu até 1956, quando sua sede foi transferida 
para Basileia (Suíça). Ambos eram, anteriormente, de respon-
sabilidade da Federación International de Balonmano Amateur 
(FIHA).6,8
4 Denominação que prevaleceu após o término (a partir de 1976) 
das competições internacionais de handebol de campo.
5 A Sociologia do Esporte atribui a origem do futebol como um 
esporte moderno a partir da fundação, na Inglaterra, da Football 
Association em 1863, entidade pioneira na publicação das regras 
do futebol.
O primeiro campeonato mundial de hande-
bol ocorreu na Alemanha em 19386 apenas para 
a categoria masculina e teve a anfitriã como cam-
peã7 (Coronado e González,6 p. 23).
O primeiro mundial na categoria feminina 
foi realizado em 1957,8 apenas 19 anos depois da 
masculina, na Iugoslávia, sagrando-se campeã a 
seleção da Tchecoslováquia (Coronato e Gonzá-
lez, p. 23).6
A organização técnica do desenvolvimento 
da competição de handebol9 nos Jogos Olímpi-
cos é de responsabilidade da IHF. O handebol 
foi introduzido nos Jogos Olímpicos de Muni-
que em 1972 apenas na categoria masculina. 
Em seguida, nos Jogos Olímpicos de Montreal, 
em 1976, foi introduzida, também, a categoria 
feminina. 
Entende-se que, atualmente, a definição do 
país criador do handebol não seja de interesse po-
lítico da entidade internacional, porém é dever 
dos estudiosos do esporte e, particularmente, de 
historiadores e sociólogos esportivos pesquisarem 
e apontarem caminhos para a compreensão da gê-
nese dos esportes modernos.
6 O último campeonato de handebol de campo masculino foi 
em 1966.
7 Este foi organizado pela IHFA, já que a IHF foi fundada ape-
nas em 1946. Por isso, são necessários mais estudos para cotejar 
a informação de Coronado e González sobre a normatização do 
handebol apenas pela IHF em 1946.
8 O último campeonato de handebol de campo feminino foi 
realizado em 1960.
9 Estamos nos referindo ao handebol jogado em ginásio por 
sete jogadores titulares, pois o jogo praticado em campo (por 
onze jogadores) foi introduzido nos Jogos Olímpicos de Ber-
lim, em 1936.
Memórias do handebol no Brasil: 
construindo uma história3
Heloisa Helena Baldy dos Reis
O handebol é um jogo relativamente jovem 
se comparado a outros esportes coletivos tradicio-
nais, e sua prática no Brasil é recente. Essa pesqui-
sa comprovou que foi trazido ao Brasil por Au-
guste Listello em 1952, ano em que o professor 
francês lecionou para a APEF-SP (Associação dos 
Professores de Educação Física) na cidade de San-
tos, em São Paulo.I 
O esporte se disseminou pelo país predo-
minantemente por meio de seu ensino nas es-
colas. Esse esporte despertou nos adolescentes 
uma grande atração e interesse, fazendo que fos-
se incluído como uma modalidade esportiva no 
III Jogos Estudantis Brasileiros (JEBs), realiza-
do,em 1971, em Belo Horizonte. A partir desse 
ano, os JEBs tornaram-se o principal propagador 
do handebol.II 
Em 1975, um grupo de 19 professores brasi-
leirosIII foi enviado para um curso técnico de han-
I O curso de aperfeiçoamento técnico-pedagógico foi sobre o 
ensino dos esportes coletivo, e o professor Listello utilizou o 
handebol como modelo.
II Sob a coordenação do professor José Maria Teixeira (do remo), 
que, posteriormente, se tornou o segundo presidente da CBHb. 
Um dos responsáveis pela inclusão do handebol nos referidos 
jogos foi Ari Façanha de Sá, juntamente com três mineiros que 
foram os responsáveis técnicos.9
III Os integrantes do grupo eram: Otávio Catanete Fanali (AM); 
Sérgio Guimarães da Costa Flórido (PE); Oliveiro Gomes da 
Silva (RN); Antônio Luiz Cabral (PB); Wilson de Matos (RJ); 
William Felippe (RJ); Athaíde Lacerda (MG); Wilson Bonfim 
(MG); Arcílio Tavares (SP); Waldir de Castro Gomes Ribeiro 
– SP (Indicado por Darcymires do Rêgo Barros no momento 
da digitação da lista por Ary Façanha de Sá, no RJ); Roberto de 
debol na Romênia. Esse grupo foi apontado pelos 
especialistas entrevistados como o impulsionador 
da qualidade técnica do handebol brasileiro.IV A 
seleção brasileira juvenil excursionou com os pro-
fessores como equipe de aplicação.V 
Os campeonatos brasileiros adultos de han-
debol iniciaram-se com a categoria de handebol 
masculino em 1974. Em 1978, ocorreu o primei-
ro campeonato de handebol feminino, enquan-
to os campeonatos nacionais de outros esportes 
coletivos tradicionais iniciaram-se em 1905, com 
o futebol masculino. Em 2007, inicia-se o campe-
onato de futebol feminino (Copa do Brasil); em 
1925, basquetebol masculino; em 1940, o cam-
peonato de basquetebol feminino; e, em 1944, 
iniciam-se os campeonatos de voleibol masculino 
e feminino. O I Torneio Aberto de Handebol foi 
realizado pela Federação Paulista de Handebol, 
em 1954.
Lima Rosa (SP); Santo Baldacin (SP); Mauro Rodinski (PR); 
Nivaldo (o padre); Luiz Celso Giacomini (RS); José Maria Tei-
xeira (AL – 2º Pres. da CBHb e 1º Pres. da Federação de Han-
debol do Estado do Rio de Janeiro, fundada em 1978); Manoel 
Luiz – SE (atual presidente da CBHb); Homero José Alcântara 
Ribeiro (SE).
IV Ary Façanha de Sá foi o idealizador da viagem e o responsável 
pela elaboração da lista dos integrantes da comitiva.
V Minas Gerais: Ricardo Avelino Trade – Baka, Carlos Eustaquio 
Brum da Silveira – Jamanta, Guilherme Angelo Raso – Toco, 
Gilberto – Boi; São Paulo: Luiz – Luizinho, Manoel – Mane-
zinho, Paulo – Paulinho, Roni; Rio de Janeiro: Sergio – Sergi-
nho; Paraiba: Denilson Bonates Galvão; Paraná: Kusmam, Julio, 
Eniel Carazzai – Peninha; Rio Grande do Sul: Luis Osório – Li-
gadão, Otto; Maranhão: Gilson – Gilsinho; Amazonas: Bosco.
Manual de handebol20
O handebol foi institucionalizado no Bra-
sil em âmbito nacional em 1979, com a criação, 
em 11 de junho, da Confederação Brasileira de 
Handebol (CBHb). Seu 1º presidente foi Jamil 
André,VI eleito em assembleia em 22 de agosto de 
1979, fixando sua primeira sede na cidade de São 
Paulo. Antes da fundação da CBHb, o handebol 
era organizado em âmbito nacional pelo Conse-
lho Técnico de Assessores para o Handebol, da 
Confederação Brasileira de Desportos (CBD), 
conselho presidido pelo professor Jamil André e 
do qual fazia parte o professor Eurípedes Mattos 
Carmo e, mais tarde, os professores Darcymires 
do Rêgo Barros e Pedro Moraes Sobrinho (Silva).9
Atualmente, o handebol no Brasil é de res-
ponsabilidade da Confederação Brasileira de Han-
debol (CBHb), com sede em Aracaju. Em outros 
Estados, o handebol é organizado pelas federações 
estaduais (totalizando 27), e, em algumas cidades 
ou regiões, existem Ligas de handebol.
As memórias do handebol nos Estados e no 
Brasil começou a ser elaborada por mim como um 
projeto de pesquisa na Unicamp em 2005. Em 
2007, a CBHb manifestou o interesse em recons-
truir o caminho percorrido pelo esporte no país 
durante o V Encontro Nacional de Professores 
de Handebol das Instituições de Ensino Superior 
Brasileiras,VII em Florianópolis. Nessa ocasião, tive 
a incumbência de sistematizar os dados coletados 
pelos outros colegas em seus Estados, o que possi-
bilitou o resgate de alguns fatos importantes para a 
compreensão da expansão do handebol no Brasil.
VI Professor da Escola de Educação Física e Esporte da Universi-
dade de São Paulo – EEFE/USP.
VII Evento promovido anualmente pela CBHb a partir de 2002.
Todas as evidências apontam São Paulo 
como o Estado pioneiro no handebol, denomi-
nado, à época, de handebol de salão, a partir da 
exposição feita pelo professor francês Auguste 
Listello no curso de aperfeiçoamento técnico-pe-
dagógico promovido pela APEF-SP em 1952, na 
cidade de Santos. A Federação Paulista de Hande-
bol (FPHb) havia sido criada em 1940 para gerir 
apenas o handebol de campoVIII e, já em 1954, 
antes mesmo da fundação da CBHb, já organiza-
va o primeiro torneio de handebol (de salão). Em 
virtude da inexistência de uma federação nacional 
e do interesse da FPHb, o Brasil filiou-se à Inter-
national Handball Federation (IHF) em 1954, por 
meio da FPHb.
O handebol foi incluído como disciplina no 
curso da Escola de Educação Física do Estado de 
São Paulo – USP por volta de 1959.IX
O Estado também foi pioneiro no ofereci-
mento da disciplina para alunos do curso de for-
mação de professores de Educação Física. 
No Estado de São Paulo, considera-
se que um dos principais impulsionadores 
do handebol foi o Trófeu Bandeirantes de 
Handebol,X criado em 1973.7
Segundo Silva,9 em 1954, os professores Eu-
rípedes Mattos Carmo (que iniciou o ensino em 
VIII Esporte praticado em campo por 11 jogadores em cada equipe.
IX Informação prestada pelo ex-aluno e ex-professor da EEFE/
USP, professor Antônio Boaventura da Silva, em entrevista a Sil-
va, 1995. Antes da criação da cadeira de handebol, a modalidade 
era ensinada na disciplina de Educação Física Geral desde 1951.9 
Inicialmente, a disciplina foi oferecida apenas para homens; para 
mulheres, a inclusão ocorreu apenas alguns anos depois. (Infor-
mação prestada pelo ex-aluno e professor aposentado da EEFE/
USP Emedio Bonjardim).
X O I Trófeu Bandeirantes de Handebol foi disputado em São 
José do Rio Preto. Segundo Ferreira,7 a competição foi criada 
para incentivar a prática da modalidade no interior do estado.
MeMórIas do handebol no brasIl 21
Campo Grande, RJ), Cássio Rothier do Amaral 
e Enéas da Silva (Niterói – Centro Educacional) 
participaram de um curso em Santos. Estes foram 
os divulgadores do handebol nas escolas em que 
lecionavam no Estado do Rio de Janeiro. 
Em 1966, o handebol foi incluído como 
modalidade no I Campeonato Intercolegial do 
Estado da Guanabara (denominação do atual Es-
tado do Rio de Janeiro até 1976), o que estimulou 
os professores a procurarem cursos de handebol. 
Porém, o primeiro curso oficial de handebol no 
Estado foi em 1967, ministrado por Darcymi-
res do Rêgo Barros (especialista em ginástica) e 
Eurípedes Mattos Carmo, que já lecionavam 
handebol como conteúdo de outros cursos no 
Departamento de Educação Física do Ministério 
da Educação e Cultura DEF/MEC.9 No ano de 
1972, o handebol foi incluído como disciplina na 
grade curricular da Escola de Educação Física e 
Desportos da Universidade Federal do Rio de Ja-
neiro EEFD/UFRJ.
A Federação de Handebol do Estado do 
Rio de Janeiro foi fundada apenas em 1978. Em 
1981, o Rio de Janeiro recebeu o professor alemão 
Horst Käsler para ministrar um curso.XI
Em 23 de setembro de 1960, no Maranhão, 
os professores Luiz Gonzaga Braga e José Rosa da 
Escola TécnicaFederal do Maranhão (ETFM, 
hoje denominada de CEFET) promoveram um 
jogo para demonstração de handebol no aniver-
sário da escola.
Porém, credita-se a Antonio Maria Za-
charias Bezerra de Araújo, conhecido como 
XI Autor do livro Handebol, publicado pela editora Ao Livro Técnico.
professor Dimas, a introdução do handebol 
no Maranhão após este assistir à modalida-
de no JEBs de 1971, em BH, e ter levado 
bolas doadas por Ary Façanha de Sá para o 
Maranhão. O desenvolvimento no Maranhão 
também é atribuído ao professor Dimas e ao 
professor Laércio Elias Pereira, paulista de 
São Caetano do Sul que se radicou naquele 
Estado no ano de 1973.XII 
Tem-se notícia de que, em 1967, em Pal-
meira dos Índios (AL), o professor Luiz Freire e 
a pedagoga e diretora de escola (Colégio Cristo 
Redentor), irmã Marcelina Dantas, promoveram 
o handebol. Em Maceió, o handebol foi praticado 
em 1968 nas escolas em que lecionavam os pro-
fessores Belmiro Alves (Colégio Sagrada Família) 
e Josefa Alves (Colégio Bom Conselho).
Foi pela coordenação do professor alagoano 
José Maria Teixeira que o handebol foi incluído 
no JEBs realizado na cidade de Belo Horizonte 
em 1971. No ano seguinte, a cidade de Maceió 
foi sede do 4º JEBs. Porém, apenas em 25 de mar-
ço de 1980 foi criada a Federação Alagoana de 
Handebol.
No Estado do Piauí, os registros apontam 
que, entre os dias 15 de fevereiro e 5 de março 
de 1970, realizou-se em Teresina o primeiro cur-
so de avaliação básica em handebol. O primeiro 
jogo realizou-se em 15 de maio de 1970 entre 
duas equipes do Colégio Helvídio Nunes, que 
tinham como treinadores os professores Antônio 
Sarmento de Araújo Costa e o professor Péricles 
Freitas Avelino.
XII Formado pela EEFE/USP em 1970 e preparador físico da 
seleção brasileira comandada por seu ex- professor, Jamil André.
Manual de handebol22
Em julho de 1971, o professor Péricles Frei-
tas Avelino ministrou o primeiro Curso Básico de 
Educação Física em Handebol para professores 
da capital e do interior do Piauí. Esse curso foi 
promovido pela Inspetoria Seccional de Educação 
Física do Piauí, em convênio com a Secretaria de 
Educação e Cultura.
A primeira participação do Piauí em JEBs 
foi em 1972 em Maceió, e teve como técnicos os 
professores Péricles Freitas Avelino (masculino) e 
Jovita Maria Ayres Lima Cavalcante (feminina). 
Em 21 de novembro 1980, foi criada a Federação 
de Handebol do Estado do Piauí.
O handebol em Santa Catarina foi implan-
tado na década de 1970 na área de Florianópolis, 
e, no 1º semestre de 1971, realizou-se o 1º cam-
peonato regional escolar. A Federação Catarinen-
se de handebol foi criada em 27 de setembro de 
1974. 
O Brasil começou a participar de competi-
ções internacionais em 1958 (na República De-
mocrática Alemã) no 3º Campeonato Mundial 
(iniciado em 1938). A seleção convocada para era 
formada apenas por jogadores paulistas.XIII Em 
1966, por iniciativa do Conselho Técnico de As-
sessores para o handebol da CBD, deu-se a 1ª par-
ticipação brasileira nos III Jogos Luso-Brasileiros 
em Angola (Silva).9 Em 1970, o Brasil participou 
pela primeira vez da III Taça Latina realizada em 
Portugal (Ferreira).7 
Em 1992, a seleção brasileira masculina par-
ticipou pela primeira vez dos Jogos Olímpicos em 
XIII Provavelmente porque quem representava o Brasil no âmbito 
internacional era a FPBh.
Barcelona, conseguindo a 11ª colocação; a estreia da 
seleção brasileira de handebol feminina em Olimpí-
adas se deu apenas no ano de 2000, nos Jogos Olím-
picos de Sidney, classificando-se em 8o lugar. 
Os principais resultados obtidos pela seleção 
adulta masculina brasileira em certames interna-
cionais foram: vice-campeão masculino, em 1981, 
da Taça Latina e do Campeonato Sul-Americano; 
terceiro colocado nos jogos Pan-Americanos, em 
1987; segundo colocado em 2002; campeão sul-
americano em 2000, 2001 e 2003; e primeiro co-
locado nos Jogos pan-americanos de 2000, 2001, 
2003, 2006 e 2008. 
Os principais resultados obtidos pelo Brasil 
em certames internacionais na categoria adulta fe-
minina foram: campeão pan-americano em 1997, 
1999, 2000, 2003, 2005 e 2007; e campeão sul-
americano em 1998.
Os melhores resultados de ambas as seleções 
nacionais em Jogos Olímpicos foram em Atenas, 
em 2004, quando a equipe masculina conquistou a 
10ª colocação, e a seleção feminina, a 7ª colocação.
Os resultados dos Jogos Olímpicos têm 
servido para impulsionar o handebol no Bra-
sil. A partir do ano 2000, as TVs ESPN Brasil 
e SPORTV têm dado apoio ao handebol trans-
mitindo jogos, e, mais recentemente, também a 
Bandeirantes, fato que consideramos fundamen-
tal para o incentivo e crescimento no número de 
praticantes do handebol. Em julho de 2005, pela 
primeira vez, um jogo de handebol foi transmiti-
do pela Rede Globo em cadeia nacional, porém 
a emissora exigiu que o tempo de jogo fosse re-
duzido para 20 minutos. A CBHb e a Petrobrás, 
MeMórIas do handebol no brasIl 23
principal patrocinadora do handebol nacional e 
do evento, aceitaram essa exigência, o que rendeu 
ao esporte, ainda, uma participação de destaque 
no Jornal Nacional, com a inclusão de uma en-
trevista com um atleta. Essas informações são im-
portantes, porque registram acontecimentos mar-
cantes do handebol nacional. Essas transmissões 
contribuem para que, em um futuro próximo, o 
handebol receba a mesma atenção da mídia que 
os outros esportes coletivos de quadra. Isso, em 
nosso modo de ver, contribuirá para a populariza-
ção da sua prática. 
Esses registros datados são interessantes para 
comprovar o pouco tempo de prática desse esporte 
no Brasil, em relação a outros esportes coletivos.
3.1 História do handebol de praia 
no Brasil
Arline Pinto Ribeiro; 
Cláudia Monteiro do Nascimento
O handebol de areia (beach handball) teve 
origem no início da década de 1990, na Itália, 
com adaptações de regras do handebol de quadra, 
visando tornar o jogo na areia mais dinâmico. Po-
rém, essas regras não foram publicadas oficialmen-
te. Já em 1992, as primeiras partidas e torneios 
foram disputados também na Itália, obedecendo 
a essas regras não oficiais. Entretanto, no mesmo 
ano, esse jogo também era praticado nas praias 
francesas, sob a denominação de Sandball, e, na 
Holanda, como handball on the beach. Em janei-
ro de 1994 ocorre, na Faculdade de Ciência do 
Desporto e Educação Física do Porto (FADEUP), 
um encontro para refletir sobre as regras do beach 
handball. Nesse evento, estavam presentes os pro-
fessores Antônio Luiz “Lula” Cabral, então técni-
co do Estado da Paraíba, e o Prof. Almir Liberato 
da Silva (UFAM), que cursava doutorado naquela 
instituição. Em setembro do mesmo ano, ocorre 
o XXV Congresso da Federação Internacional de 
Handebol (IHF), em Noordwijik, Holanda, com 
a apresentação do handebol de areia para os par-
ticipantes de todo o mundo, e foi realizada uma 
partida de demonstração entre Holanda e Itália 
(Ribeiro e Ribeiro).10
O presidente da Confederação Brasileira 
de Handebol (CBHb), o professor Manoel Luiz 
Oliveira, participou do XXV Congresso da IHF 
e interessou-se pela modalidade e angariou recur-
sos junto ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB) 
para, em 1995, no Brasil, realizar o I Torneio In-
ternacional de Handebol de Areia entre seleções 
masculinas, com a participação de Brasil (cam-
peão), Argentina, Itália e Portugal (Ribeiro e Ri-
beiro).10 No mesmo ano, uma resolução do Con-
selho da IHF adota oficialmente o handebol de 
areia. As primeiras regras oficiais foram apresen-
tadas em 1996, no XXVIICongresso da IHF, em 
Hilton Head, Estados Unidos, e divulgadas em 
uma publicação da IHF (Beach Handball – Rules 
of the Game). Em 2001, o Handebol de Areia foi 
incluído no “World Games” de Akita, Japão, com-
petição organizada pelo Comitê Olímpico Inter-
nacional (COI). Os campeões foram a Bielorrús-
sia, no masculino, e a Ucrânia, no feminino. O 
Manual de handebol24
primeiro Campeonato Mundial de Handebol de 
Areia, organizado pela IHF, foi realizado no Egi-
to, em 2004, sendo vencido por Egito e Rússia, 
no masculino e no feminino, respectivamente. 
No handebol de areia, os Campeonatos do 
Mundo adulto são realizados a cada dois anos, e as 
competições para homens e mulheres acontecem 
no mesmo local e data, simultaneamente. A Cro-
ácia é a atual campeã mundial tanto no masculino 
como no feminino, em 2008. O mesmo destaque 
teve o Brasil quando conquistou títulos mundiais 
nos dois naipes em 2006 (Quadro 3.1). 
Quadro 3.1 – Os campeões mundiais de hande-
bol de areia (IHF)
Ano País
Campeão
Masculino Feminino
2004 Egito Egito Rússia
2006 Brasil Brasil Brasil
2008 Espanha Croácia Croácia
O handebol de areia não é esporte olímpi-
co, porém já fez parte das três últimas edições do 
“World Games” (2001, 2005 e 2009), competição 
organizada pelo Comitê Olímpico Internacional 
(COI). Em Duisburg, Alemanha, a Rússia con-
quistou, em 2005, a medalha de ouro no mascu-
lino e o Brasil, no feminino. 
3.1.1 O Handebol de Areia no Brasil
O handebol era jogado nas praias brasi-
leiras desde a década de 1980, nos Estados da 
Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Rio Grande do 
Norte, Rio de Janeiro e Espírito Santo. No en-
tanto, tratava-se de um jogo com as mesmas re-
gras da quadra. Porém, oficialmente, o hande-
bol de areia tem início com sua introdução no 
Festival Olímpico de Verão, em 1995 (Ribeiro e 
Ribeiro).10 Nessa competição, surgiu a primei-
ra Seleção Brasileira, comandada pelo professor 
Leoni Nascimento, que venceu o então Torneio 
Internacional de Handebol de Praia.
De 10 a 15 de setembro de 1996, na Praia 
do Forte, Rio de Janeiro, foi realizado o I Cam-
peonato Brasileiro de Handebol de Areia, dispu-
tado entre seleções estaduais masculinas, tendo 
como campeão o Paraná. Em dezembro do mes-
mo ano, foi disputada a primeira edição dessa 
competição para mulheres, e o Estado campeão 
foi o Rio de Janeiro.
Em 2001, o Brasil participou da estreia do 
handebol de areia no “World Games”, em Akita, 
Japão, e ficou com a medalha de bronze tanto 
no masculino quanto no feminino. Em 2005, 
em Duisburg, Alemanha, o Brasil ficou em 9º 
colocado no masculino e conquistou a medalha 
de ouro no feminino. Em 2009, na cidade de 
Kaohsiung, China, a equipe masculina do Bra-
sil sagrou-se campeã desse torneio pela primeira 
vez, enquanto a equipe feminina ficou em ter-
ceiro lugar (Quadro 3.2). Assim, o Brasil figura 
como uma potência mundial, pois foi a única 
equipe a conquistar títulos nas duas competi-
ções mais importantes da modalidade.
MeMórIas do handebol no brasIl 25
Quadro 3.2 – O handebol de areia nos “World 
Games” (COI)
Ano Cidade – País
Medalha de Ouro
Masculino Feminino
2001 Akita – Japão Bielorrússia Ucrânia
2005
Duisburg – 
Alemanha
Rússia Brasil
2009 Kaohsiung – China Brasil Itália
No I Campeonato Mundial de Handebol de 
Areia no Egito, em 2004, o Brasil esteve presen-
te com as seleções masculina e feminina, ficando 
com a 9ª e a 6ª colocação, respectivamente. Em 
2006, jogando em casa, o Brasil sagrou-se cam-
peão no masculino e no feminino. Na edição de 
2008, na Espanha, o masculino foi vice-campeão 
e o feminino ficou em 3º lugar.
O handebol de areia é uma modalidade 
nova, porém conquistou muitos adeptos ao redor 
do mundo pela dinâmica apresentada pelo jogo. 
Tal dinâmica é possibilitada pelas suas regras, que 
foram cuidadosamente discutidas e desenvolvidas 
ao longo do tempo por seus praticantes organi-
zadores. Apesar do pouco investimento, o Brasil, 
assim como em outros esportes de praia, é con-
siderado potência mundial e vem se mantendo, 
desde as primeiras competições, entre os primei-
ros colocados nos mais importantes eventos inter-
nacionais. 
O caráter lúdico e criativo valorizado pelas 
regras do handebol de areia faz dela uma moda-
lidade cada vez mais atrativa e praticada ao redor 
do mundo. Basta pensar no handebol de areia não 
apenas como uma modalidade competitiva, mas 
como uma possibilidade de lazer, recreação e saú-
de, que pode ser praticado na praia, na areia, na 
escola, na praça, no gramado de casa etc.
Identificação, caracterização e 
classificação do jogo de handebol4
Pablo Juan Greco, Siomara A. Silva, Fernando Lucas Greco
Uma compreensão ampla do fenômeno es-
porte inicia-se com a consideração das caracterís-
ticas da modalidade. Assim, observam-se espor-
tes individuais, de conjunto, de rede, de parede, 
de invasão, em espaço específico, de rebatida, de 
campo, de sala etc. Segundo Guia, Ferreira e Pei-
xoto11, um jogo esportivo coletivo “apresenta um 
conjunto de indivíduos em interação mútua, com 
relações e interrelações coerentes e consequentes, 
com objetivos convencionados e funções especí-
ficas definidas”. O handebol se encaixa nessas ca-
racterísticas, apresentando elementos comuns às 
outras modalidades esportivas coletivas: um ter-
reno de jogo, onde se desenvolvem ações individu-
ais, em grupo e coletivas direcionadas a uma meta, 
que deve ser atacada ou defendida pelos compa-
nheiros de equipe. Um objeto de jogo a bola, que 
é movimentada com as mãos pelos integrantes da 
equipe, que cooperam buscando alcançar os obje-
tivos do jogo: fazer o gol, o que lhes que solicita 
a superação das ações de oposição dos adversários, 
considerando as regras do jogo (Bayer; Gargan-
ta).12,13 A movimentação pelo terreno de jogo 
ocorre de forma particular, nas denominadas fases 
ou ciclo do jogo (uma alternância do poder no 
jogo: quem está com a bola ataca e procura fazer o 
gol) na busca pela vitória. Essas fases do jogo, de-
finidas pela posse ou não da bola, estão relaciona-
das e inseparavelmente ligadas, assim como a atu-
ação dos jogadores/equipes. Dessa forma, quando 
a posse de bola muda de um time para outro, os 
jogadores trocam imediatamente de função, pas-
sando de atacantes a defensores e vice-versa.
Em uma partida de handebol, o comporta-
mento dos atletas se fundamenta nos princípios 
do jogo, que podem ser conforme a fase ofensi-
va: conservar a posse de bola, progredir até o alvo 
e, por último, buscar a finalização; e defensiva: 
recuperar a posse da bola, evitar a progressão do 
adversário e evitar a finalização do adversário 
(Moreno).15 O handebol apresenta outras carac-
terísticas específicas, por meio de uma estrutura 
organizacional conhecida pelos jogadores a partir 
das regras do jogo que expõem o que é ou não 
permitido. Os conteúdos e ações (individuais ou 
coletivas) acontecem em um contexto de elevada 
variabilidade, imprevisibilidade e aleatoriedade, o 
que dificulta sua antecipação dos fatos e, parale-
lamente, exige dos atletas uma permanente atitu-
de tático-estratégica (Garganta).13,14,16 Em termos 
práticos, essa atitude pode ser representada na so-
licitação de respostas variadas, velozes, precisas e 
complexas, realizadas, muitas vezes, sob uma ele-
vada pressão de tempo (Greco).17 Por esse motivo, 
Manual de handebol28
é de suma importância que, nos processos de ensi-
no-aprendizagem-treinamento (EAT), as ações dos 
jogadores sejam orientadas para resoluções velozes e 
adequadas de situações de jogo, quese apresentam 
ininterruptamente. Essas situações exigem compor-
tamento tático flexível, variado repertório motor, 
com diversas soluções técnicas, entre os quais os atle-
tas devem escolher, no menor tempo possível, a so-
lução que considerar mais adequada. Essas escolhas 
são efetuadas por meio do desenvolvimento dos pro-
cessos cognitivos subjacentes à tomada de decisão, 
que estão intimamente ligados à capacidade tática 
que o atleta detém. No jogo, as decisões dos joga-
dores são velozes, parecem intuitivos, pois o tempo 
para “pensar” é muito escasso. Para se conseguir essa 
forma de ação, é necessário um adequado processo 
de EAT, de forma a automatizar a descoberta dos 
sinais relevantes para a situação e, assim, decidir de 
forma intuitiva, ou seja, antecipando o resultado. 
Graça e Oliveira18 sugerem que, para me-
lhor compreensão de uma modalidade, seja tra-
çado seu perfil, observando o conjunto de cate-
gorias que determinam, a posteriori, a possível 
forma de classificação/divisão da modalidade no 
marco dos jogos esportivos coletivos.
Essas categorias e sua classificação se relacionam 
e dependem muito dos espaços de que o jogador dis-
põe no terreno de jogo, que, no caso do handebol, 
representam 57 m2 por jogador para desenvolver suas 
ações, totalizando 800 m2 do campo de jogo.
Outra consideração surge dos conteúdos que 
se apresentam nos planos regulamentares, energéti-
cos, técnicos e táticos constitutivos de uma modali-
dade, conforme descritos no Quadro 4.2, a seguir.
Quadro 4.1 – Relação de categorias e formas de 
classificação da modalidade (Graça e Oliveira)18
Categorias Classificação Handebol
Fontes energéticas
Aeróbico, anaeró-
bico, misto
Aeróbico, anaeró-
bico, misto
Ocupação do 
espaço
De invasão, de 
não invasão.
De invasão
Disputa de bola
De disputa direta, 
de disputa indireta
De disputa direta
Trajetórias predo-
minantes
De troca de bola, de 
circulação de bola
De circulação de 
bola
Quadro 4.2 – Síntese das características do han-
debol (com base em Graça e Oliveira)18
Plano Características
Regula-
mentar
O espaço disponível por jogador é de 80 m2, 
com restrição (área do goleiro)
O regulamento prevê existência de faltas acu-
mulativas, individuais e por equipe
Descontos de tempo e um número ilimitado 
de substituições de jogadores
Tempo de jogo contínuo (cronometrado)
Energético
Esforço de natureza intermitente e aleatória
Mudanças de direção e sentido muito frequentes
Número ilimitado de substituições, permitin-
do a recuperação dos atletas e possibilitando 
a manutenção ou aumento do ritmo do jogo 
conforme necessidade tática
Técnico
Elevada velocidade de execução de gestos técnicos
Controle da bola com a mão
Elevado número de contatos com a bola por 
jogador, assim como de situações de finaliza-
ção em uma partida
Tático
Utilização do goleiro como um elemento in-
tegrante do processo ofensivo
Rápida alternância entre as situações de ata-
que e defesa
Crescente exigência de jogadores polivalentes, 
com uma elevada capacidade e rapidez de decisão
IdentIfIcação, caracterIzação e classIfIcação do jogo de handebol 29
Nessas categorias, ainda se inter-relacionam 
um conjunto de parâmetros: situação, objetivo, 
características, formas de comportamento tático, 
características e tipo de ações individuais, grupais 
e coletivas, que compõe o marco de perspectivas 
das decisões (táticas) e perspectiva de comunica-
ção entre os jogadores (técnica).
Considerando essas características do 
jogo, pode-se tomar, inicialmente, como refe-
rência para classificar o handebol no conjunto 
dos esportes a proposta de Parlebas,19 comple-
mentada com os estudos realizados por More-
no,15 incluindo dois importantes elementos na 
compreensão do handebol: um com relação à 
forma com que os participantes utilizam o es-
paço e outro com relação à participação dos jo-
gadores. Dessa forma, é possível diferenciar o 
grupo dos jogos esportivos coletivos nos quais 
se joga em um espaço padronizado (separado/
comum) com participação (simultânea/alter-
nada) (vide Figura 4.1). Para Moreno,15 os es-
portes de cooperação/oposição são aqueles nos 
quais a ação de jogo é produto das interações 
entre os participantes, realizadas de maneira 
que uma equipe coopere entre si para se opor a 
outra que atua também em cooperação e que, 
por sua vez, se opõe à anterior. Segundo esse 
autor, o handebol se insere no grupo dos jogos 
esportivos coletivos ou esportes de equipe de 
cooperação/oposição em que os jogadores de-
senvolvem suas ações em um espaço comum. 
FIgura 4.1 – Classificação dos esportes de cooperação/
oposição, segundo Moreno.15
É necessário, além disso, fazer constar a esse 
respeito o estudo de Favre,20 que demonstra que, 
em todos os jogos esportivos, existe uma constan-
te entre:
	 intensidade da carga autorizada pelo regu-
lamento (pelas regras);
	 possibilidade de progredir com a bola se-
gundo o regulamento (as regras).
A possibilidade de carga e seu “grau de vio-
lência” foi proposta pela primeira vez por Parle-
bas19 em uma análise, na qual se faz referência ao 
espaço que cada jogador comporta com os outros, 
depois de uma correlação de distintas variáveis e 
de seu tratamento estatístico com ajuda do índice 
de Kendall. Assim, parece que:
Espaço 
Separado
Squash
Voleibol/Tênis
Badminton
HANDEBOL
BB/FB/FS
Hockey
Comum Simultânea Alternada
Participação
CAM
Companheiro - Adversário - Meio Ambiente 
Manual de handebol30
	 quanto mais espaço dispõe o jogador, mais 
violenta é a carga;
	 quanto mais próxima a carga, mais violenta é;
	 quanto mais próxima a carga e, portanto, 
mais violenta, mais fácil é controlar tecni-
camente a bola (Parlebas).19
Sendo assim, apresentamos, a seguir, as ca-
racterísticas das principais modalidades esportivas 
de acordo com as considerações realizadas por 
Parlebas (Quadro 4.3).19 
Quadro 4.3 – Características dos jogos esporti-
vos coletivos de acordo com a carga permitida e 
o transporte da bola (adaptado de Bayer, p. 52).12
Modalidade Tipo de carga
Possibilidade de pro-
gressão
Voleibol Não há carga
Não existe progressão 
com a bola.
Basquetebol Pequena carga
Progressão com a bola 
delicada.
Handebol
Carga mais forte 
(severa)
Progressão com a bola 
mais fácil.
Futebol Carga viril
Progressão com a bola 
de forma livre, mas com 
esta sempre junto ao pé.
Rúgbi Carga máxima
Progressão com a bola de 
forma livre, sendo que 
esta pode ser elevada.
 
A lógica do jogo de handebol é semelhan-
te aos jogos esportivos coletivos de invasão/
oposição simultânea. Conforme Bayer,12 (p. 53) 
caracteriza-se pela progressão do ataque e a 
oposição defensiva. 
Quadro 4.4 – Características do ataque e defesa 
nos jogos esportivos coletivos de invasão (adapta-
do de Bayer, p. 53).12
Ataque Defesa
Conservação da bola Recuperação da bola
Progressão dos jogadores e da 
bola para a meta adversária.
Impedir a progressão dos joga-
dores e da bola até meu gol.
Atacar à meta contrária, ou 
seja, marcar um ponto.
Proteger a meta ou o campo.
A participação para a obtenção da posse de 
bola é simultânea, ou seja, as duas equipes podem 
atuar simultaneamente pela posse sem esperar a 
ação final do adversário. A partir do momento 
em que uma das equipes tem o controle da bola, 
tem-se em vista atingir o objetivo final do jogo 
(marcar ponto). Caso não tenha a posse da bola, 
objetiva-se recuperar seu controle, tirando-a da 
outra equipe e, dessa forma, marcar o ponto. Apartir dessa concepção do jogo, pode ser consi-
derado o ciclo do jogo nas duas fases de ataque e 
defesa e seus respectivos conteúdos (Figura 4.2).
Considerando os procedimentos de ataque 
e defesa com ou sem pose de bola, as ações dos 
jogadores podem ser agrupadas em ações táticas 
individuais, de grupo ou de conjunto, como pode 
ser observado na Figura 4.3.
IdentIfIcação, caracterIzação e classIfIcação do jogo de handebol 31
fIgura 4.3 – Integração de ações como elemento de formação da equipe e sua relação com os sistemas de jogo (Greco).21
Sequencia do jogo no Handebol 
Equipe em posse da bola
Equipe sem posse da bola
Defesa
Ataque Objetivo
Objetivo
Gol
Evitar
Fazer
Meios 
técnico-táticos
Meios 
técnico-táticos
Individual
Grupal
Coletivo
Individual
Grupal
Coletivo
Jogador Tática Individual
Tática Individual
Tática Individual
Jogador+Jogador
Sistema de Jogo
Ofensivo Defensivo
Organização
Distribuição de 
Responsabilidades
Jogador+Jogador+Jogador
Equipe
Por sua vez, deve-se observar que o jogo de 
handebol se desenvolve conforme princípios tá-
ticos gerais que as equipes apresentam dentro do 
terreno de jogo, que estão descritos na Figura 4.4 
(segundo Bayer, p. 144):12
FIgura 4.2 – A sequência do jogo nos jogos esportivos coletivos (Greco).21
 
Manual de handebol32
na interação ataque-defesa, na qual se apoia a 
estrutura funcional que destaca a relação espa-
ço-temporal, relações entre colegas, adversários 
e bola, e as regras, limitando e condicionando 
essa interação.
A lógica funcional dos jogos esportivos 
(García)22 mostra as relações entre os sistemas de 
jogo, os meios táticos para alcançá-los, as inten-
ções dos atletas, que são subordinadas aos prin-
cípios do jogo e estes, por sua vez, determinados 
com base nas regras do esporte em seus objetivos.
fIgura 4.4 – Interações do jogo de handebol (Bayer, p. 144).12
4.1 Características do jogo de handebol 
Pablo Juan Greco, Siomara A. Silva, 
Fernando Lucas Greco
O handebol apresenta-se como uma disci-
plina esportiva na qual elementos próprios dos 
âmbitos cognitivos, físicos, técnicos, táticos e 
psicológicos se relacionam de forma dinâmi-
ca e complexa. As principais características do 
jogo de handebol assentam-se nomeadamente 
Equipe em posse de bola
Ataque Defesa
Equipe sem posse de bola
Um companheiro
 consegue(Re) Posiciono
(Ruptura de alinhamento)
Ajudar
Se um 
companheiro a 
recebe
Se um 
adversário a 
recupera
Se eu a 
recebo
Depois de ter
me informado
Procuro
Passá-la Tirar Desdobrar
(1x1)
Ataco o portador
da bola ou o 
controlo para dar
facilidade à minha 
equipe
Não consigo e minha 
equipe também não
Crio
alinhamento
defensivo
para
recuperá-la
em
Ajudo
Eu consigo
Procuramos repurerá-la ou 
dissuadir os passes• Para receber a bola:
 Correndo para o gol
 Em um espaço livre
• Levando em conta:
 os compamnheiros
 os adversários
 o gol
ou
ou
ou
ou
ou
ou
ou
ou
ou
e
e e
e
e
e
e
e
e
e
e
IdentIfIcação, caracterIzação e classIfIcação do jogo de handebol 33
fIgura 4.5 – As relações entre os componentes que constituem a lógica do jogo de handebol (García).22
Tais classificações servem como auxilio para 
identificarmos o handebol como um jogo espor-
tivo coletivo que solicita uma visão sistêmica dos 
FIgura 4.6 – Fases do jogo de handebol e seus objetivos, com base em Coronado.23
Por sua vez, Coronado23 apresenta uma ex-
plicação mais detalhada dos objetivos do jogo de 
handebol nas duas diferentes fases. 
Sistemas de jogo
Intenções
Princípios
Objetivos
DefesaAtaque
Ataque X defesa
Meios 
táticos
Defesa Impedir Obter Ataque
Lançamento
da melhor posição
Organizar o
ataque
Conservar a
bola
Contra-ataque
Progredir para
a portaria contrária
Gol
Evitar
progressão da 
outra equipe 
Lançar nas 
piores condições
Intervenção
do goleiro RE-organizar a
defesa
RE-organizar o
ataque
Retorno
defensivo
Retorno da
bola
Manual de handebol34
seus componentes, o que gera consequências para 
os processos de EAT.
4.2 O handebol em uma visão sistêmica
Rudney Uezu
O handebol é caracterizado pela aplicação 
de técnicas de movimentos específicas da moda-
lidade, que precisam ser adequadas às diferentes 
situações encontradas no jogo. Nesse sentido, 
faz-se necessário o entendimento da modalidade 
segundo uma perspectiva integrada relacionando 
os aspectos físicos, psicológicos, técnicos e táticos 
independentemente do nível de desempenho es-
portivo, ou seja, faz-se necessária uma mudança 
no paradigma de entendimento da modalidade.
A palavra paradigma apresenta-se como um 
termo bastante difundido em nosso cotidiano, 
podendo ser utilizada em diversas áreas do conhe-
cimento. Ao longo de nossa história, os paradig-
mas do conhecimento foram sendo substituídos 
conforme as inquietações de algumas pessoas in-
conformadas com as regras e normas de conduta 
vigentes na época. 
Porém, como será que esse paradigma atu-
al e o que está emergindo podem influenciar o 
entendimento do esporte e, mais especificamente, 
do handebol? Quais são as possíveis implicações 
práticas? Será que a mudança de paradigmas em 
relação à conceituação do handebol pode aportar 
uma visão diferenciada dos processos de ensino-
aprendizagem e treinamento do handebol?
A leitura deste texto representa um convite 
para que se evite, sem prévia análise, a aceitação 
de verdades absolutas ou certezas (paradigmas) 
“confirmadas”, considerando que a verdade pode 
ser relativa à representação individual das pessoas 
e que seus alicerces relacionam-se com as justifi-
cativas que fundamentam o estímulo que induz a 
estarmos sempre com nossa mente aberta a novas 
ideias e mudanças de paradigmas.
Os paradigmas podem ser entendidos como 
conjunto de regras, modelos, padrões, visões de 
mundo. O tempo todo percebemos o mundo 
conforme nossos paradigmas, que acabam sele-
cionando o que percebemos e reconhecemos. As-
sim, eles nos levam a recusar ou distorcer os dados 
que não combinam com as expectativas criadas 
previamente em nossa mente. Os paradigmas de 
uma sociedade, por exemplo, influenciam nossa 
vida de forma direta, levam-nos a fazer acreditar 
que a forma como entendemos os fatos são “cor-
retos” ou o “único jeito de fazer”, impedindo, as-
sim, que outras ideias possam ser aceitas de forma 
a nos tornar resistentes a mudanças e com pouca 
flexibilidade comportamental. 
Hoje, em pesquisa cientifica, o paradigma 
denominado “sistêmico” vem sendo a referência 
para substituir a chamada “modernidade” pela 
“pós-modernidade”. Esse paradigma sistêmico 
parte do princípio de que não é possível fragmen-
tar a totalidade em partes isoladas para entendê-la, 
já que, desse modo, as interações entre as partes 
são desconsideradas, impossibilitando, assim, sua 
compreensão. O termo sistêmico vem de sistema, 
que foi conceituado como “complexo de elemen-
IdentIfIcação, caracterIzação e classIfIcação do jogo de handebol 35
tos em interação” ou “conjunto de componentes 
em estado de interação”. A existência das intera-
ções ou relações entre os componentes represen-
tam o aspecto central que identifica a existência 
do sistema como entidade, diferenciando-o de um 
aglomerado de partes independentes. Portanto, os 
fenômenos são analisados de maneira globalizada, 
sem a fragmentação das partes que o compõem, 
considerando, assim, as interações existentes entre 
as partes na composição da totalidade.
Segundo Tani e Correa,26as modalida-
des esportivas coletivas podem ser classificadas 
como sistemas abertos e complexos, incluindo, 
assim, o handebol. Portanto, para se compre-
ender e analisar o jogo de handebol, pode-se 
recorrer à visão sistêmica, pois o handebol é 
sistema aberto e complexo: aberto porque as 
partes que o constituem interagem com o meio 
ambiente; e complexo porque existem muitas 
características que nele influem, além do gran-
de número de interações (aspectos físicos in-
fluenciam a realização de uma técnica no final 
do jogo, ou táticos, quando o defensor chega 
a fechar o espaço) que podem ocorrer entre as 
partes que o compõem. 
Os sistemas abertos trocam matéria/energia 
e informação com o meio ambiente. Já os com-
plexos apresentam grande número de fatores que 
nele influem, assim como o grande volume de 
interações que podem ocorrer. A Figura 4.7 apre-
senta uma análise que considera duas equipes, o 
número de jogadores envolvidos e as possibilida-
des de ações ofensivas que cada atacante pode re-
alizar individualmente. 
fIgura 4.7 – Análise de duas equipes, do número de jogadores envolvidos e das possibilidades de ações ofensivas que 
cada atacante pode realizar individualmente.
Deslocamento Drible Recepção Passe Finta Arremesso
Jog. 1 Jog. 2 Jog. 3 Jog. 4 Jog. 5 Jog. 6 Jog. 7
Equipe A Equipe B
Jogos Coletivos
Manual de handebol36
No processo de ensino-aprendizagem do 
handebol, as habilidades motoras especializa-
das da modalidade, também chamadas de fun-
damentos, técnicas ou elementos, ou, na visão 
sistêmica, de meios técnico/táticos individuais, 
podem ser consideradas e analisadas segundo as 
duas concepções. Por sua vez, os meios técnico/
táticos individuais (os de grupo e os de conjun-
to seguem a mesma lógica) poderão ser treina-
dos a partir da concepção teórica que se adota 
e do referencial que lhes dá sustentação, isto é, 
o processo de ensino-aprendizagem resultante 
será escolhido conforme a visão de mundo (sis-
têmica ou cartesiana, no exemplo aqui exposto) 
em que o treinador acredita. 
Tomemos como exemplo o ensino do pas-
se com salto conforme uma abordagem carte-
siana, que se expressa no uso do método analí-
tico. Ao aluno seriam ensinadas, inicialmente, 
a corrida e as três passadas. Após o domínio da 
forma “correta” da corrida e das passadas, vem, 
a seguir, o ensino do salto, a questão da busca 
de altura, o não impulsionamento para frente 
etc. Somente quando esses aspectos estiverem 
“mecanizados”, serão estimuladas e oportuni-
zadas as situações de passe com exercícios que 
combinem esse fundamento, ou meio técnico-
tático individual, com outras ações (fintas sem 
bola etc.). Por fim, após trabalhar cada compo-
nente isoladamente, serão realizadas as combi-
nações necessárias até que os três movimentos 
constitutivos – a corrida, o salto e, finalmente, 
o passe – sejam possíveis de se concretizar com 
fluência pelo aprendiz.
Provavelmente, a principal dificuldade 
que o aluno apresentará será na coordenação 
entre os três movimentos, ou seja, nas intera-
ções existentes entre eles na realização do passe 
com salto e na interação com outros elementos 
que sejam agregados em sequência (anteriores 
ou a posteriori). 
Já na abordagem sistêmica, o passe com 
salto seria estimulado desde o início para ser re-
alizado na sua totalidade gestual; seriam obser-
vadas as modificações nos graus de liberdade do 
movimento conforme a situação que se apre-
senta no ambiente e colocada ênfase em cada 
etapa da aprendizagem. Nesse sentido, teríamos 
combinações entre a corrida e o passe, a corrida 
e o salto e o salto e o passe, considerando, dessa 
forma, as interações entre os três componentes. 
Em uma partida de handebol, atacantes e 
defensores, no campo de jogo, se organizam ta-
ticamente para obter o gol, ou evitá-lo. Assim, 
a equipe em posse de bola, ou que apresenta 
condições de obter sua posse, está no ataque e 
a outra, em defesa. Ocorre, consequentemente, 
uma série de ações de oposição entre atacantes 
e defensores e de colaboração entre colegas da 
mesma equipe. Essa característica do handebol 
oferece um importante papel educacional, pois 
os jogadores aprendem a cooperar uns com os 
outros e, também, a se superar de forma cons-
tante, superando os obstáculos que os adversá-
rios, momentaneamente, lhes colocam, na bus-
ca também da vitória. 
Durante o processo de ensino-aprendiza-
gem e treinamento do handebol, a estimulação 
IdentIfIcação, caracterIzação e classIfIcação do jogo de handebol 37
de aspectos táticos (quando e por que fazer) e 
técnicos (como fazer) deve ocorrer concomi-
tantemente, já que, ao mesmo tempo que o 
praticante entende a lógica do jogo e se com-
porta com autonomia e independência, preci-
sa aprender os diferentes procedimentos que 
podem ser realizados durante o jogo. A partir 
do momento em que o aprendiz entende o que 
fazer, são impostas as decisões de quando e por 
que aplicar os procedimentos técnico-táticos. 
Esse aspecto leva a afirmar que os fundamentos 
ou técnicas do handebol devem ser denomina-
dos ações técnico-táticas individuais, já que a 
execução de um passe, por exemplo, depende 
da decisão de o que fazer (se passar ou lançar), 
isto é, o aprendiz considera primeiro o que fa-
zer e, assim, conclui o como executar, quando, 
para quem e em qual momento ele será realiza-
do. Ações em esporte se orientam pelos objeti-
vos táticos e requerem a técnica para sua con-
cretude, ou seja, no handebol a ação é tática e 
técnica simultaneamente. Pode ser considerado 
que, mentalmente, primeiro se decide o que fa-
zer (tática) e, depois, como fazer (técnica), mas 
ambas as decisões ocorrem simultaneamente na 
execução.
Gréghaine e Goudbout26 sugeriram que, 
na lógica de um jogo coletivo onde ocorra opo-
sição entre duas equipes, faz-se necessário con-
siderar diferentes níveis de organização: jogo, 
equipes, parcial e primário.
O nível jogo representa o confronto dire-
to entre as duas equipes que se opõem durante 
a partida. Tal oposição pode ser expressa pela 
dinâmica de movimentação de um gol a ou-
tro, conforme discutido nas diferentes fases do 
jogo. O nível organizacional equipe é constitu-
ído pelos jogadores que compõem as equipes e 
sua respectiva distribuição espacial pela quadra 
de jogo, segundo os conceitos de largura e pro-
fundidade, na criação e ocupação de espaços e 
suporte ao jogador com bola. Já o nível parcial 
considera os jogadores diretamente envolvidos 
nas ações, conforme conceitos de tática grupal 
e tática coletiva, nos quais são consideradas as 
opções de interações que podem ocorrem entre 
dois a três jogadores, seja no ataque ou na de-
fesa. Para finalizar, o nível primário considera 
a unidade mínima de oposição entre dois jo-
gadores, ou seja, um atacante com bola e seu 
correspondente na defesa. 
O jogo pode ser entendido como o nível 
de organização mais complexo, e seu resultado 
depende das interações ocorridas nos demais 
níveis de organização. Seu entendimento pode 
explicar o resultado de uma partida. A Figura 
4.8 ilustra as possibilidades de interação entre 
um jogador com bola e seus companheiros de 
equipe, assim como com seu adversário direto.
Manual de handebol38
fIgura 4.8 – Interação do jogador com bola no handebol dentro do sistema de jogo.
(aspecto técnico), caso ele não saiba o momento e 
o local mais adequado para tal ação. 
Ao se considerar o nível parcial, podemos 
entender as interações que podem ocorrem entre 
dois ou três jogadores, e a Figura 4.9 ilustra as 
possibilidadesentre dois atacantes.
Para que as possibilidades de interações pos-
sam ocorrer de forma organizada, existe a necessi-
dade de considerar, de maneira integrada, as ações 
técnicas e táticas do handebol. Por exemplo, em 
situações de jogo, não basta que um atleta domine 
somente a forma de execução de um arremesso 
fIgura 4.9 – Possibilidade entre dois atacantes dentro do jogo de handebol.
Deslocamentos
Criação e
ocupação de
espaços
Após 
desmarque
Superar um
adversário
Superar um
adversário
Manter a
posse de bola
Companheiro
desmarcado
Recepção
Arremessos Fintas
Dribles
Passes
Atacante
Tabelas
Cruzamentos
Pantalhas
Ponte Aérea
Permutas
Bloqueios
2
Atacantes
IdentIfIcação, caracterIzação e classIfIcação do jogo de handebol 39
Acredita-se que o processo de ensino-apren-
dizagem e treinamento do handebol deva conside-
rar uma integração entre aspectos técnicos (como 
fazer) e táticos (quando e por que fazer), que, por 
sua vez, são influenciados pelos aspectos de cons-
tituição corporal e aptidão física dos praticantes. 
Nesse sentido, para a prática do handebol, 
não basta apenas que o praticante tenha domínio 
dos aspectos técnicos da modalidade e como rea-
lizar adequadamente o movimento do arremesso, 
por exemplo, se ele não souber o momento mais 
adequado ou o local mais indicado para cada situa-
ção de arremesso. Conforme citado anteriormente, 
o jogo de handebol apresenta alta complexidade, 
e sua dinâmica consiste em uma série de situações 
praticamente imprevisíveis pelas quais os jogadores 
têm que se adaptar constantemente para conseguir 
seus objetivos, seja no ataque ou na defesa. 
Assim, deve-se buscar a formação de joga-
dores com autonomia para analisar as diferentes 
situações de jogo, interpretá-las, tomar as deci-
sões corretas e utilizar as técnicas adequadas em 
função de cada situação específica de jogo. 
4.3 O jogo no ataque
 Juan J. Fernández, Pablo Juan Greco, Helena Vila
4.3.1 Características gerais
O jogo de handebol é um todo coberto 
pela dupla vertente: o ataque e a defesa. Entre 
ambos, apresenta-se a mudança de compor-
tamento do jogador, por exemplo, da defesa 
saindo para o ataque e, no caso do ataque para 
a defesa ao perder a bola, realizando-se o re-
torno defensivo. O primeiro é a parte do jogo 
mais espetacular e atraente para o fã apaixo-
nado, pois seu objetivo é conseguir o gol na 
meta adversária, superando as ações defensivas 
do rival. O ataque, aparentemente, começa 
quando se entra em posse de bola. Entretanto, 
os jogadores já mudam seu comportamento ao 
anteciparem a perda ou a tomada da bola da 
posse adversária.
Como todo jogo coletivo, baseia-se no ga-
nho da posição e na ocupação de espaços úteis 
para ganhar a maior vantagem possível; os espaços 
ofensivos dividem-se:
	 segundo a profundidade, estabelecendo-
-se duas linhas de ataque; a primeira li-
nha a contar do meio do campo, que, 
geralmente, é ocupado pelos armadores 
do jogo, e uma segunda linha de ataque, 
ocupada pelos jogadores nas funções de 
pontas e pivôs;
	 segundo a largura, estabelecendo-se três 
zonas: central, lateral esquerda e lateral 
direita.
Manual de handebol40
A ocupação dos espaços deve se realizar uti-
lizando as zonas que se correspondem com postos 
específicos. Para isso, no ataque, conformam-se 
duas linhas de jogo. A primeira linha ofensiva é 
contada a partir do meio do campo de ataque. 
Nela se posicionam os jogadores responsáveis 
pela armação do jogo. Na segunda linha ofensiva, 
situada entre as linhas de 6 e 9 metros, posicio-
nam-se os pontas e o pivô. No sistema padrão de 
ataque, definido como 3:3, representa-se, na sua 
primeira linha, por um central e dois laterais e, na 
segunda, por um pivô e dois pontas (extremos), 
estabelecendo-se zonas de lançamento próximas 
(6 a 9 m), que incluem lançamentos no ar dentro 
da área de 6 m, e zonas de lançamento afastadas 
(7,5 – 14 m).
4.3.2 Fases e formas de jogo
No jogo de ataque distinguem-se, basica-
mente, dois tipos de situações para um jogador:
	 Com a posse de bola: deve-se manter a pos-
se desta, progredir até o objetivo, dar con-
tinuidade ao ataque habilitando, mediante 
um passe, outro companheiro ou finalizar 
a ação por meio do lançamento;
	 Sem a posse de bola: a missão principal é 
apoiar o companheiro com a bola, saindo 
da marcação, e, também, atuar procurando 
espaços livres úteis;
Com respeito ao jogo em conjunto, distin-
guem-se várias fases:
	 Contra-ataque: fase rápida de ataque, aprovei-
tando-se a surpresa e desorganização defensiva 
com o objetivo de aproveitar a superioridade 
numérica que supõe um grande espaço que se 
deve ocupar. Distinguem-se em duas subfases: 
contra-ataque propriamente dito (1a e 2a on-
das) e contra-ataque sustentado (3a onda);
	 Ataque posicional: fase na qual os jogadores 
atuam em seus postos específicos, aprovei-
fIgura 4.10 – Linhas ofensivas no handebol.
Lateral
Central
Lateral
Segunda linha ofensiva
Segunda linha: pontas de pivô
Primeira linha: armadores
Primeira linha ofensiva
IdentIfIcação, caracterIzação e classIfIcação do jogo de handebol 41
tando os espaços do campo na largura e 
profundidade e graças a seus movimentos 
objetivam o lançamento a gol (subfase de 
organização e execução).
Em todo caso, o jogo de ataque deve seguir uma 
série de princípios táticos específicos do handebol:
	 garantir a posse de bola ate encontrar es-
paços livre;
	 entrar nos espaços entre dois jogadores;
	 reconhecer espaços;
	 buscar a superioridade numérica;
	 manter a largura e a profundidade, utili-
zando todo o espaço de jogo;
	 variedade e alternância nas ações;
	 trocar de velocidade e de ritmo no trans-
porte da bola.
O jogo de ataque apresenta-se de várias formas:
	 Jogo livre: não se define previamente a cir-
culação de jogadores nem da bola.
	 Jogo dirigido (orientado): as circulações ou 
deslocamentos dos jogadores estão definidos 
em algumas zonas, apesar de a movimenta-
ção da bola ser livre. Pode-se desenvolver 
por meio de jogo posicional (os jogadores 
não mudam os seus postos específicos) ou 
em circulação (mudam de posição).
	 Jogo estruturado: os deslocamentos dos jo-
gadores e da bola estão perfeitamente de-
finidos. Por exemplo, as “jogadas ensaia-
das” predefinem o percurso da bola e dos 
jogadores, assim como o local de definição 
do ataque estão previamente acordados. O 
que mais ocorre no jogo atual são as equi-
pes se apoiarem em “conceitos de ataque” 
nos quais a movimentação dos jogadores e 
a forma de ocupação de espaços seguem a 
lógica da troca de número de atacantes nos 
espaços da primeira linha para ocupar na 
segunda linha de ataque. Isso ocorre pela 
troca de passes e conforme a situação na 
qual se realiza a definição. 
4.3.3 Fundamentos técnico-táticos do 
jogador em ataque
Para levar a cabo com êxito o jogo no ataque, 
o jogador deve ser capaz de conseguir os seguintes 
objetivos ligados aos fundamentos técnicos:
	 desmarcar-se para receber (deslocamento 
sem bola, usando-se da troca de velocidade 
e/ou de direção);
	 receber a bola (recepção e adaptação da bola);
	 passar ao companheiro desmarcado (ma-
nejo e posse de bola);
	 dominar o dribling;
	 dominar as distintas formas de lançamento;
	 decidir: passar ou progredir (avançar), pas-
sar ou penetrar, passar ou lançar etc.;
	 ser capaz de se desmarcar com a bola (fin-
ta), ou seja, superar o adversário;
	 ser capaz de colaborar com o companheiro 
(fixação, bloqueio etc.).Manual de handebol42
4.3.4 Meios básico-táticos coletivos em 
ataque
O êxito do jogo em ataque passa por uma 
estreita colaboração e interação entre todos os 
companheiros em busca do gol. Para isso, o joga-
dor deve dominar meios básico- táticos de ataque, 
que são estruturas simples de colaboração, quase 
sempre entre dois jogadores, e que constituem o 
pilar para a construção do jogo coletivo. Entre 
eles, encontram-se:
	 tabela ou passa-e-vai (give and go);
	 apoios sucessivos;
	 cruzamentos;
	 permutas; 
	 bloqueios;
	 pantalhas;
	 cortinas;
	 ponte aérea.
4.4 O jogo na defesa
Juan J. Fernández, Pablo Juan Greco, Helena Vila
4.4.1 Características gerais
A defesa é uma ação do jogador de oposi-
ção ao ataque encaminhada para recuperar a bola 
e evitar o gol. Começa no momento em que se 
perde a posse da bola. Atualmente, é uma parte 
do jogo que está adquirindo cada vez maior im-
portância e relevância. Também se centra na co-
laboração e na ocupação dos espaços (situação) 
e deveria se basear em uma filosofia de ação e 
iniciativa dos jogadores, para a qual se deveria 
ensinar a defender atacando (atacar a posição do 
rival); segundo Bárcenas e Roman-Seco,27 “ata-
car ao atacante”. Desde o momento em que não 
se pode recuperar a bola, os jogadores dispõem-
se segundo um sistema defensivo, sendo o jogo 
defensivo uma tarefa permanente e coletiva, res-
guardando sempre a zona na qual se encontra a 
bola e sua relação com o gol.
Os espaços defensivos que teremos em 
conta são:
	 Zona de atraso: quando se tenta impedir ou 
dificultar o contra-ataque. Nesta zona, tem 
de se deixar um jogador o mais próximo 
possível à situação da bola.
	 Zona de balance defensivo: em torno do 
meio do campo, onde se deve situar, pelo 
menos, um jogador a mais que os que há 
na equipe adversária.
	 Zona de adaptação: o objetivo é o equilíbrio 
do espaço, rompendo (evitando), a todo 
custo, a situação de progressão da bola.
	 Zona proibitiva: é a zona central mais pró-
xima do gol. Sempre deve estar ocupada.
	 Zona preventiva: está nas laterais, é a de 
menor ângulo de lançamento e à qual deve 
ser forçada a equipe adversária, ainda que 
também devêssemos ocupá-la.
Outros conceitos importantes em quanto ao 
espaço defensivo são:
IdentIfIcação, caracterIzação e classIfIcação do jogo de handebol 43
fIgura 4.11: linhas defensivas no handebol.
Lateral
linhas defensivas
Lateral
Segunda linha 
Terceira linha
Primeira linha 
Central
fIgura 12: Distribuição dos espaços defensivos em re-
lação à profundidade e à largura.
	 Largura: distinguindo-se uma zona central, 
duas laterais e duas externas.
	 Profundidade: refere-se ao distanciamento 
da área de meta, distinguindo-se em uma 
zona de tiro próxima (até 8 m) e uma 
zona de tiro afastada (até 14 m). Em ge-
ral, considera-se que as defesas podem ter 
três linhas ou barreiras para confrontar o 
ataque. As linhas se contam a partir da li-
nha de gol. A primeira linha próxima aos 
6 metros, a segunda, entre 7 e 9 metros e a 
terceira, entre 8 e 10 metros.
Durante o jogo, os jogadores de campo atu-
am conjuntamente e se relacionam entre as linhas 
de jogo. Por exemplo, no sistema defensivo 6:0, 
existem dois defensores centrais, dois laterais, dois 
extremos (pontas), unidos, em todo caso, em co-
laboração com o goleiro.
fIgura 13: Distribuição dos jogadores em sistema de-
fensivo 6:0 contra o ataque 3:3.
4.4.2 Fases e formas de jogo
Em defesa, podemos distinguir diferentes 
comportamentos quando o adversário direto do 
D
C A
E
F
E
DD
C A
FF
D
C
B A
F
Manual de handebol44
defensor possui ou não a bola. No primeiro caso, 
o defensor deverá evitar o lançamento, tentando o 
bloqueio da bola ou tomá-la, evitando a progres-
são do atacante. No segundo caso, deve-se vigiá-
lo, dissuadi-lo para que não receba a bola, colocá-
lo em situação de pressão para que, caso a receba, 
não tenha opções de passe ou fi nta.
As fases da ação defensiva podem-se consi-
derar como:
	 Fase de recuperação: imediatamente depois 
de perder a bola, tentando recuperar a si-
tuação defensiva o mais rápido possível, 
ainda que seja em zonas de ataque.
	 Fase de temporalização: já no meio campo, 
com o objetivo de resguardar a zona central 
da defesa.
	 Fase de organização defensiva: busca-se 
o equilíbrio dos jogadores, que passam a 
ocupar os postos específi cos na defesa.
	 Fase de desenvolvimento do sistema defensivo: os 
jogadores dispõem-se a executar os meios tá-
ticos específi cos do sistema de jogo defi nido.
Durante o jogo, a ação defensiva pode dife-
renciar-se em:
	 Balance defensivo: fase na qual se tenta difi -
cultar o contra-ataque e formar a defesa no 
menor tempo possível.
	 Defesa estabelecida: na qual se tenta exe-
cutar (efetivar) os objetivos básicos do 
jogo defensivo. Pode desenvolver-se de 
três formas:
	 Defesa em zona: o defensor responsabiliza-
se por uma zona e do atacante que nela se 
encontra.
	 Defesa individual: o defensor responsabili-
za-se do jogador que se emparelha de for-
ma constante no jogo defensivo.
fIgura 4.14 – Defesa individual.
	 Defesa mista: é uma combinação das op-
ções anteriores nas quais uns jogadores de-
fendem individualmente e outros em zona.
fIgura 4.15 – Defesa mista.
IdentIfIcação, caracterIzação e classIfIcação do jogo de handebol 45
4.4.3 Fundamentos técnico-táticos do 
jogador em defesa
Cada jogador em defesa tem alguns objeti-
vos básicos ligados estreitamente aos fundamen-
tos defensivos, como:
	 dominar os deslocamentos defensivos (des-
locamentos);
	 desenvolver a posição e a atitude defensiva 
(posição básica);
	 efetivar sua responsabilidade de marcação 
sobre o oponente que lhe corresponde;
	 atuar sobre o jogador sem bola (dissuasão, 
interceptação, pressão);
	 atuar sobre o jogador com bola (bloqueio 
do lançamento, toma da bola, evitar a 
progressão);
	 colaborar com os companheiros na defesa 
(fechar os espaços, cobertura, ajuda, dobra).
4.4.4 Meios básico-táticos coletivos em 
defesa
O jogo defensivo solicita dos jogadores da 
equipe uma ação comum e plural para conseguir 
êxito. Sem dúvida, sem uma boa colaboração e 
uma atitude positiva com o jogo defensivo, é di-
fícil obter o objetivo. Entre os meios coletivos, de 
grupo ou grupais, que o jogador deve dominar, 
encontram-se:
	 basculações;
	 dobras (2x1);
	 troca de oponentes; 
	 deslocamentos;
	 contrabloqueios etc.
Referências
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j. o.; garcIa, r. P.; graça, a. (Org.) Con-
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Horizonte, 1999. p. 19-112.
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Pedagogia do desporto. Rio de Janeiro: Guana-
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Porto Alegre: Editora UFRGS, 2004.
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Manual de handebol46
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10 rIbeIro, A. P.; rIbeIro, M. A. Surgimento e 
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11 guIa, n.; ferreIra, n.; PeIxoto C. A eficácia 
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13 garganta, J. O ensino do futebol. In: olI-
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Porto: FCDEF, 1998.
14 ______. Modelação tática do jogo de futebol: es-
tudo da organização da fase ofensiva em equi-
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15 Moreno, J. H. Fundamentos del deporte: 
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gaya, a. c.; Marques, a.; tanI, G. Desporto 
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M Temas Atuais IV. Belo Horizonte: Health, 
2001. p. 48-72.
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1995.
19 Parlebas, P. L´espace socio-moteur. Paris: Edu-
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20 favre, J. P. Remarques sur les sports colleficts. 
Paris: Education Physique et Sport, p. 33, n. 
43, jun. 1959.
21 greco, P. J. O ensino do comportamento tático 
nos jogos esportivos coletivos: aplicação no han-
debol. Tese (doutorado), Unicamp, SP, 1995.
22 garcía, J. L. Balonmano: metodología y alto 
rendimiento. Barcelona: Paidotribo, 1995.
23 coronado, J. F. O. Curso de Solidariedade 
Olímpica. São Paulo: s. e., 2002.
24 bertalanffy, L. von. Teoria Geral dos Siste-
mas. Petrópolis: Vozes, 2008.
25 Tani G. & Correa (2006)
26 gréghaIne, j. f.; goudbout P. Tactical Kno-
wledge in Team Sports From a Constructivist 
and Cognitivist Perspective. n. 41. London: 
Quest, 1995. p. 490-505.
27 bárcenas, d.; roMán, J. Balonmano: técni-
ca, tática y metodologia. Madrid: Gymnos, 
1991.
caracterIzação do PerfIl físIco-Motor do atleta de handebol 47
Parte II
Perfil motor do atleta 
de handebol
5 
Rudney Uezu
Os aspectos de constituição corporal (biotipo-
logia, somatotipologia, entre outros) e de aptidão 
física influenciam diretamente o desempenho espor-
tivo nas diferentes modalidades esportivas. As carac-
terísticas específicas em relação ao tipo de solicita-
ções de cada modalidade, suas regras e especificidade 
dos contextos ambientais parecem determinar um 
padrão corporal mais adequado para que os atletas 
obtenham cada vez mais melhores rendimentos. 
Assim, a observação de padrões de referên-
cia específicos em função da modalidade espor-
tiva representa um aspecto que pode auxiliar na 
formação das futuras gerações esportivas. Ao se 
identificar um perfil específico de características 
de constituição corporal e aptidão física de atletas 
de diferentes modalidades esportivas, os técnicos 
esportivos teriam um banco de dados para auxi-
liar em sua prática profissional. 
Nesse sentido, a comparação dos jovens atle-
tas com padrões específicos podem representar 
um aspecto relevante na identificação e promoção 
de talentos esportivos no handebol, na planifica-
ção do processo de treinamento, na adaptação das 
cargas de treinamento, entre outros fatores.
O Quadro 5.1 apresenta os trabalhos de inves-
tigação que buscaram descrever aspectos antropo-
métricos e de aptidão física em atletas de handebol 
Caracterização do perfil Físico-motor 
do atleta de handebol
nas categorias júnior e adulto. Por meio da análise 
das informações deste quadro, observa-se que a 
maioria dos estudos buscou descrever o padrão an-
tropométrico dos atletas participantes de diversas 
competições nacionais, e o somatotipo foi a estraté-
gia mais utilizada para a descrição do perfil corporal 
do atleta de handebol, sendo que o predomínio da 
mesomsorfia foi evidente em todas as investigações.
Entretanto, ao se considerar as características 
antropométricas e de aptidão física para tentar 
encontrar diferenças significativas entre atletas de 
níveis competitivos distintos, não foi encontrada 
uma tendência de determinadas variáveis, ou seja, 
as características relevantes na diferenciação entre 
os grupo variavam conforme a amostra adotada.
Com relação a aspectos fisiológicos relacio-
nados à prática do handebol, os estudos de Eleno, 
Barela e Kokubun1 e Barbosa e Oliveira2 sugeri-
ram que componentes aeróbicos e anaeróbicos 
são relevantes para o desempenho no handebol, 
fato evidenciado empiricamente no trabalho de 
Paes Neto,3 que encontrou frequência cardíaca 
média entre 158 e 167 durante jogos oficiais. 
Um aspecto que chama a atenção se refere à 
predominância de investigações que analisaram atle-
tas do sexo masculino, fato que sugere a necessidade 
e relevância de estudos com atletas do sexo feminino.
Manual de handebol50
Quadro 5.1 – Resumo dos estudos com atletas das categorias júnior e adulto
Autor Objetivo Conclusões
André4
Verificar a influência do handebol na aptidão 
física.
Aumentos na força de preensão manual e nos períme-
tros de braço e antebraço.
Profeta5
Analisar o somatotipo de atletas da Taça Brasil 
de clubes e seleção brasileira júnior masculina.
Perfil mesomorfo balanceado, não sendo encontradas 
diferenças significativas entre os postos específicos.
Pires Neto,6 
Pires Neto e Profeta7
Descrição de características antropométricas 
da seleção brasileira júnior masculino.
Elaboração de padrões de referência e sugestão de no-
vas investigações.
Silva8
Analisar o somatotipo de universitários das re-
giões Norte, Nordeste e Centro-sul do Brasil.
Perfil endomesomórfico, não sendo encontradas diferenças 
significativas entre as posições de jogo e região geográfica.
Maia9
Analisar o somatotipo de atletas da primeira 
divisão portuguesa.
Predominância mesomórfica.
Gonçalves e 
Dourado10
Descrever o somatotipo e a composição cor-
poral de participantes dos jogos abertos pa-
ranaenses.
Predominância endo-mesomórfica em todos os postos 
específicos e não foram encontradas diferenças signifi-
cativas na composição corporal.
Gonçalves, Osiec, 
Tsuneta e Zamberlan11
Determinar o perfil cineantropométrico da 
seleção brasileira feminina de 1989.
Perfil endomesomórfico, não sendo encontradas dife-
renças significativas entre os postos específicos.
Araújo, 
Andrade e Matsudo12
Comparação de aspectos cineantropométricos 
de universitários com a média populacional.
Valores superiores dos atletas em todas as característi-
cas e sugestão de importância das variáveis na seguinte 
ordem: força de membros superiores, inferiores e ab-
dominal, potência aeróbica e agilidade.
Glaner13
Comparação do perfil morfológico de atletas 
participantes do x jogos Pan-Americanos por 
posto específico.
Os melhores atletas do campeonato apresentaram 
maiores valores em relação aos demais atletas, espe-
cialmente na estatura, envergadura, comprimento de 
membros inferiores e menores valores de percentual 
de gordura e massa corporal magra.
Paes Neto3
Determinação da intensidadede esforço a partir 
da frequência cardíaca em atletas do sexo mas-
culino participantes do Jogos Regionais de SP.
Caracterização do esforço como misto aeróbico-anae-
róbico com a média da frequência cardíaca entre 157 
a 168 durante três jogos oficiais.
Gorostiaga, 
Granados, Ibañes e 
Izquierdo14
Verificar as diferenças na antropometria e ap-
tidão física entre atletas profissionais e ama-
dores da segunda divisão da Liga Espanhola.
Identificação de valores superiores dos atletas profissio-
nais na massa corporal, massa magra, potência muscu-
lar, potência de arremesso parado e apos a progressão.
Vasques, 
Antunes, 
Duarte e Lopes15
Comparação morfológica de atletas partici-
pantes dos Jogos Abertos de SC.
Os atletas das equipes melhores classificadas apresen-
taram valores superiores na na estatura, envergadura, 
altura troncocefálica e diâmetro palmar.
Cunha Junior, Cunha, 
Schneider e Dantas16
Caracterização dermatoglífica, somatotípica, 
fisiológica e psicológicas de atletas da seleção 
feminina adulta.
Somatotipo mesomorfo balanceado, limiar ventilató-
rio a 90% do consumo máximo de oxigênio e tempe-
ramento sanguíneo.
Bezerra e Simão17
Caracterização antropométrica de atletas da 
Taça Amazônica adulto masculino e compa-
rar os valores com a seleção do torneio.
Os atletas da seleção do torneio não apresentaram per-
fil antropométrico conforme sugerido pela literatura, 
com exceção dos extremas esquerda e direita e arma-
dor central no percentual de gordura.
continua
caracterIzação do PerfIl físIco-Motor do atleta de handebol 51
Autor Objetivo Conclusões
Vasques, Mafra, 
Gomes, Fróes e Lopes18
Caracterização antropométrica de atletas da 
Liga Petrobrás 2006 e comparar as equipes 
conforme sua classificação
Os extremas apresentaram valores inferiores nas carac-
terísticas (massa corporal, comprimentos, diâmetros e 
perímetros), e os goleiros apresentaram maior percen-
tual de gordura corporal.
Pelegrini e Silva19
Caracterização antropométrica e do somatoti-
po da seleção júnior masculina.
Somatotipo meso-ectomorfo e baixo percentual de 
gordura (9,98%).
O Quadro 5.2 apresenta os trabalhos de in-
vestigação que buscaram descrever aspectos antro-
pométricos e de aptidão física em atletas de han-
debol nas categorias de base.
Quadro 5.2 – Resumo dos estudos com atletas das categorias de base
Autor Objetivo Conclusões
Gaya, Cardoso, 
Torres e Siqueira20
Analisar características antropométricas e de 
aptidão física de atletas participantes dos Jo-
gos da Juventude.
Identificação da estatura, altura troncocefálica, peso e 
resistência abdominal como características relevantes 
para o handebol.
Szmurchrowski; 
Menzel21
Avaliar a aptidão física de participantes dos 
Jogos da Juventude de ambos os sexos.
Estabeleceram padrões de referência nas medidas con-
sideradas.
Menzel22
Avaliar características antropométricas de partici-
pantes dos Jogos da Juventude de ambos os sexos.
Estabeleceram padrões de referência nas medidas con-
sideradas.
Raso, França e 
Matsudo23
Acompanhar a estabilidade de características 
antropométricas e de aptidão física de jovens 
atletas do sexo feminino.
Identificação do peso, estatura, agilidade, velocidade 
e potencia aeróbica como variáveis que apresentaram 
estabilidade, e, por esse fato, os autores sugeriram que 
o talento no handebol feminino pode ser predito a 
partir de idades precoces.
Rannou24
Avaliar aspectos metabólicos de atletas france-
ses do sexo masculino.
Determinação de valores da potência aeróbica, limiar de 
lactato e potência anaeróbica, com destaque para a rele-
vância do componente anaeróbico para o handebol.
Eleno e Kokubun25
Avaliar a frequência cardíaca e o lactato san-
guíneo durante a execução do drible.
O drible não representou sobrecarga fisiológica adi-
cional ao deslocamento, independentemente do nível 
competitivo.
Vasques, Antunes, 
Silva e Lopes26
Comparação do perfil morfológico em fun-
ção dos postos específicos ofensivos e defensi-
vos de atletas juvenis de SC.
Os extremas apresentaram menor estatura, perímetro 
de antebraço, massa corporal e massa corporal magra. 
Já nos postos defensivos, foram observados aumentos 
nas variáveis quando os atletas atuam nas regiões cen-
trais da quadra (posição 3).
Lidor, Falk, 
Arnon, Cohen 
e Segal27
Verificar a importância das características mo-
toras, físicas e técnicas na formação de jovens 
talentos de 13 e 14 anos do sexo masculino.
Críticas à utilização das características consideradas 
na comparação de níveis competitivos diferentes, e 
os autores ressaltaram a necessidade de procedimento 
com maior validade ecológica e considerar o nível de 
maturação biológica dos jovens atletas.
continuação
continua
Manual de handebol52
Autor Objetivo Conclusões
Farto, Perez e 
Alvarez28
Analisar características antropométricas de 
atletas cadetes masculino portugueses.
Valorização de um perfil antropométrico em função 
do posto específico, com a necessidade de pivôs e late-
rais altos, sendo os extremas os jogadores mais baixos.
Uezu, Paes, 
Böhme e Massa29
Verificar quais características antropométri-
cas, de aptidão física e nível de conhecimento 
tático poderiam discriminar atletas federados 
de escolares na categoria infantil masculino.
Identificação da estatura como fator mais relevante, 
porém em combinação com a força de membros infe-
riores, inferiores e agilidade.
Os estudos realizados com atletas das cate-
gorias de base buscaram identificar característi-
cas antropométricas e de aptidão física relevantes 
para o handebol, assim como uma caracterização 
geral e em função dos postos específicos. 
Lidor et al.27 criticaram a maneira como as 
medidas antropométricas vêm sendo utilizadas e 
reforçaram a necessidade de procedimentos com 
maior validade ecológica, destacando a importân-
cia dos aspectos de maturação biológica e sua in-
fluência nos resultados encontrados.
Já Uezu et al.29 destacaram a importância de 
procedimentos multidisciplinares para o entendi-
mento dos fatores que podem discriminar jovens 
atletas de níveis competitivos diferentes, ao com-
parar atletas federados com escolares que disputa-
vam competições escolares oficiais.
Os federados eram mais altos do que os esco-
lares, o que pode sugerir que, quanto maior o ní-
vel competitivo, maior a estatura dos atletas. Esses 
resultados corroboram Glaner,13 que realizou um 
estudo com 96 atletas adultos que disputaram um 
campeonato pan-americano de seleções e compa-
rou a média das equipes com os valores dos atletas 
considerados os melhores da competição, ou seja, 
a seleção do campeonato. Os resultados obtidos 
indicaram que os jogadores da seleção do campe-
onato (189,51 ± 6,38) eram mais altos do que a 
média das equipes (184,42 ± 6,78).
Foram verificados valores de estatura acima 
da média tanto na escola (valor máximo de 182 
cm) quanto no clube (valor máximo de 187,50 
cm). Em relação aos valores mínimos, o escore 
apresentado pelo clube (154,40 cm) foi inferior 
ao da escola (155,60 cm), ou seja, o menor atle-
ta da escola era maior do que o menor atleta do 
clube. Esse fato questiona a afirmação de que a es-
tatura representa um fator relevante na seleção de 
jovens para o esporte de rendimento, uma vez que 
a média do clube foi significativamente diferente. 
Ao analisar sua amostra, foram encontrados 
atletas na escola com estatura mais elevada quan-
do comparados aos atletas federados. Porém, pa-
rece que a estatura considerada de maneira isolada 
pode levar a tomadasde decisão equivocadas ao 
padronizar um perfil dessa variável na seleção de 
seus praticantes.
Já a análise do somatotipo classificou os 
federados como ectomesomorfos (3,25 – 4,42 – 
3,79) e os escolares como endomesomorfos (3,37 
– 5,07 – 3,14), ou seja, com características corpo-
rais diferenciadas quando observado o conjunto. 
continuação
caracterIzação do PerfIl físIco-Motor do atleta de handebol 53
Nesse sentido, quando as características dos in-
divíduos foram analisadas de forma isolada, não 
foram encontradas diferenças significativas; en-
tretanto, quando ao se analisar maneira integra-
da, como no somatotipo, a constituição corporal 
passou a ser diferente. 
Hoje, um dos grandes desafios dos pesquisa-
dores da área do talento e desempenho esportivo 
e dos técnicos consiste a compreensão da natureza 
heterogênea do padrão apresentado por atletas de 
alto desempenho esportivo, ao se considerar que 
não existe necessariamente um padrão ideal, mas, 
talvez, vários padrões ou até mesmo a inexistência 
de um perfil, já que os atletas não apresentam ne-
cessariamente as mesmas características. 
Nesse sentido, cabe ressaltar que grandes 
atletas de handebol, como Vranjes, ou Swensson 
(Suécia), Balic (Croácia), Duschebaiev (Rússia, 
naturalizado espanhol posteriormente) e Richards-
son, ou Gille, ou Karabatic (França), Kehrmann, 
Schwarzer, ou Lenz (Alemanha), entre outros 
atletas, não apresentavam características físicas e 
motoras acima da média encontrada em atletas de 
handebol, porém sempre se destacaram por suas 
atuações em competições internacionais, sendo 
alguns deles considerados os melhores do mundo 
em suas posições.
Acredita-se que, por mais que sejam enten-
didos os fatores que diferenciam níveis competi-
tivos diferentes na combinação das variáveis que 
seriam relevantes, não apresentam um padrão en-
tre si, existindo, assim, várias composições indi-
viduais a partir de características individuais dis-
tintas. Escores individuais considerados inferiores 
podem ser compensados por outras variáveis de 
maneira individual ou integrada.
Por se tratar de um esporte coletivo, existe 
ainda um agravante referente ao ajuste dos dife-
rentes padrões de composição e comportamento 
para a montagem de uma equipe, que apresenta 
a necessidade de uma interação entre as caracte-
rísticas pessoais para um desempenho individual, 
além da necessidade de integração com os outros 
indivíduos que compõem o grupo.
Preparação física aplicada aos esportes 
coletivos: exemplo para o handebol6
 Francisco Seirul-lo
Apresenta-se, agora, uma filosofia inovadora 
sobre o treinamento nos esportes de equipe e nos 
esportes coletivos, incluindo o handebol. Trata-
mos dos esportes de equipe, pois, até o presente 
momento, estes não tinham uma filosofia própria 
para o treinamento das capacidades físicas. Em 
geral, procedia-se a uma adaptação dos conceitos 
utilizados nos esportes individuais. A seguir, será 
demonstrada a diferença existente entre os mode-
los de treinamentos que devem e têm de existir, 
basicamente, em virtude de dois conceitos fun-
damentais que diferenciam ambas as formas de 
modalidades esportivas:
	 Interação grupal;
	 Incerteza espacial.
Até hoje, a filosofia de treinamento utiliza-
da era aquela que tinha como referencial as te-
orias conductistas, behavioristas, provavelmente 
porque as primeiras disciplinas que estudaram o 
fenômeno esportivo (Psicologia, Pedagogia, Teo-
logia etc.) se fundamentavam no conductismo. As 
características específicas dessa teoria psicológica 
que servem para avaliar os fenômenos esporti-
vos são adequadas para modalidades nas quais se 
apresenta uma situação estável, claramente defini-
da e com pouco grau de incerteza entre os parti-
cipantes.
A seguir, apresenta-se uma revisão geral do 
que a corrente conductista tem aportado ou pode 
aportar ao esporte, para, assim, a partir dessa 
base, criticá-las, oportunizando a construção de 
um modelo alternativo sobre outra base teórica 
(cognitivismo).
6.1 O treinamento esportivo com base 
no conductismo
Até os anos 1980, o sujeito tem sido con-
siderado como uma globalidade composta por 
partes. Assim, cada disciplina atuava por conta 
própria e não existia quase comunicação entre 
elas, ou seja, na prática não existia globalidade. 
Aportavam-se conhecimentos do ponto de vista 
das “pluridisciplinas”; seguidamente, encontra-se 
a “interdisciplinariedade”, que é a fonte de ori-
gem do problema de que não somos capazes de 
ver mais longe, além de nossos horizontes, pen-
sando na possibilidade de aparição de novas áreas.
O conductismo remete a um tipo de esporte 
que está altamente organizado e que solicita o es-
tabelecimento de um modelo ideal de jogo. Nes-
Manual de handebol56
sa concepção, o treinamento global de um esporte 
se entende como treinamento físico, técnico, táti-
co e psicológico. Todo o problema do treinamen-
to está atomizado em distintas áreas concretas 
(pluridisciplinariedade). Como consequência, no 
conductismo:
	 observa-se o comportamento do esportista 
e se avalia o que ele é capaz de fazer na si-
tuação (conduta observada);
	 criam-se situações concretas, bem defini-
das, para realizar as observações (técnicas 
de observação que, cumpridas pelo atleta, 
apresentem fiabilidade científica);
	 comprovam-se os tipos de comportamen-
tos que são mais úteis, aqueles que permi-
tem melhor rendimento (definem-se a efi-
ciência e, conforme o estímulo-resposta, se 
tiram as conclusões);
	 definem-se e se desenvolvem “técnicas” 
para o atleta ser mais eficaz e obter o me-
lhor resultado nessas situações estáveis (en-
sino por modelos);
	 o sujeito submete-se ao processo de apren-
der essas técnicas (constrói-se um modelo 
pedagógico para aprender mais rapidamente 
e que permita, paralelamente, a estabilidade 
e os resultados: progressões, reforços positi-
vos e reforço negativo, transferências etc.);
	 o homem adapta-se ao “modelo” construído 
segundo as necessidades do esporte e sua es-
pecialidade (adaptar as potencialidades);
	 conduz a “modelos” preestabelecidos que 
exigem e solicitam a adaptação do atleta;
	 é válido para os esportes em que o entor-
no apresenta-se estável e os elementos que 
o compõem não contam ou apresentam 
pouca interação;
	 predominam nos jogadores as motivações 
extrínsecas: prêmios, dinheiro, reconhe-
cimento social etc. (imitar um modelo ini-
be a liberdade motriz do indivíduo);
	 os modelos modificam-se de forma utópica; 
quando um indivíduo quebra o modelo e 
elabora outro mais pessoal, precisa ser, poste-
riormente, justificado cientificamente e cons-
tituído como outro modelo a ser imitado.
De tal forma, a aprendizagem conductista 
consta no seguinte: segundo as últimas teorias 
conductistas dos anos 1980, uma aprendizagem 
motriz consiste em se mudar da atitude ao hábito 
motriz. Como se muda? A chave é: repetição este-
reotipada de movimentos, um estereótipo em que 
os parâmetros motrizes-espaciais-temporais se re-
petem exatamente igual. Assim, dessa repetição 
homogênea e invariável se muda de uma atitude 
motriz para um hábito motriz. Na área da pre-
paração física, o conductismo desencadeia uma 
condição física específica:
	 Elaboram-se exercícios analíticos para o 
desenvolvimento dos grupos musculares 
que participam no modelo que é conheci-
do pelo treinador;
	 Descrevem-se os exercícios e a situação em 
que se deve praticar, e o esportista os exe-
cuta. A modificação dos exercícios realiza-
PreParação físIcaaPlIcada aos esPortes coletIvos 57
se em função da situação: diferentes exercí-
cios, diferentes formas de aplicação;
	 Constata-se o progresso na qualidade com 
que se realiza o exercício, aplicando-se testes 
de controle (observa-se a conduta). Avaliam-
se, assim, aspectos concretos do modelo;
	 Desenvolvem-se sistemas de treinamento 
válidos para determinada qualidade, que 
se aplicam indiscriminadamente a todos os 
esportistas que necessitem dessa qualidade 
em seu modelo;
	 Cada treinador tem seu “método”, apoiado 
em sua própria interpretação do modelo da 
técnica, e o esportista deve adaptar-se a ele;
	 A evolução do treinamento está em relação 
com as formas em que o esportista pode se 
adaptar em maior ou menor medida.
O maior problema desse modelo é que ele so-
mente é perfeito caso, nessa modalidade esportiva, 
o ambiente não mude, não varie e seja constante, 
e se os elementos não interagem entre si. Portan-
to, quanto mais aportes das ciências ocorram, mais 
difíceis apresentam-se as alternativas de determina-
ção do modelo. Ou seja, nos esportes de equipe, os 
modelos conductistas não são válidos
6.2 O treinamento esportivo com 
base em uma concepção cogni-
tiva: novas alternativas
Contrapondo-se ao conductismo com base 
nos princípios estímulo-resposta, que visam so-
mente ao resultado final, aparecem as teorias 
cognitivas, preocupadas com os processos que de-
correm dentro do indivíduo para que este consiga 
reproduzir o modelo necessário à ação esportiva, 
um modelo mais situacionalmente pensado.
Nas teorias cognitivas, o sujeito atua depen-
dendo, isto é, relacionando com o que se sucede 
no seu entorno. As teorias cognitivas, portanto, 
permitem analisar como o indivíduo processa a 
informação que se reflete do ambiente e da tarefa 
a realizar.
A isso se agrega e se relaciona o estrutura-
lismo, que nos diz que a inteligência humana se 
constitui de uma estrutura composta por uma sé-
rie de fatores, e a modificação de um deles altera 
todos os outros, fazendo que o efeito que se dese-
java não se apresente de forma isolada, mas como 
outro mais global. O próprio indivíduo pode se 
autoestruturar para fazer que aquilo que antes 
possuía determinado significado tenha, agora, um 
significado diferente.
Por isso, a aprendizagem cognitiva é mais 
adequada do que a conductista no que se refere 
à aprendizagem dos diferentes movimentos que 
compõem a técnica dos esportes de equipe, apre-
sentando-se com maior validade.
6.2.1 Características do cognitivismo
	 Interessa-se pelo que sucede no interior do 
esportista depois de analisar as condições 
do ambiente em que ele deve realizar sua 
atividade competitiva: como processa a in-
Manual de handebol58
formação, o que observa do oponente, do 
espaço, suas motivações, como se relaciona 
com o objeto de jogo etc.
	 Modificando a organização dos acon-
tecimentos e as situações do ambiente, 
estimula-se o esportista a elaborar novos 
comportamentos, que são o produto da 
interpretação pessoal daqueles aconteci-
mentos (não são situações padronizadas 
nem comportamentos homogêneos). 
	 O que se tenta melhorar é a interpre-
tação do sujeito, para que isso ocasione 
a modificação da conduta externa (não 
se centra no produto, mas no processo, 
para conseguir uma maior disponibilida-
de motora).
	 Conseguem-se atitudes motrizes que são 
“esquemas motores”, aplicáveis a situa-
ções variáveis, não adquirindo modelos 
estereotipados de conduta. Assim, cria-
se uma motricidade mais coerente com a 
situação interpretada.
	 A evolução da aprendizagem está centrada 
na capacidade que o esportista tem para 
analisar sinais do ambiente, saber inter-
pretá-las e tomar decisões motrizes varia-
das, sendo estas cada vez mais ajustadas à 
suas necessidades e interesses particulares.
	 Deve-se ter em conta muito mais as neces-
sidades do esportista, pois a pessoa é prio-
ritária à atividade desportiva.
	 É mais válido para os esportes em que as 
situações de competição não são estáveis e 
apresenta-se grande interação.
	 Predominam nos atletas as motivações in-
trínsecas: a satisfação pessoal pela tarefa 
bem realizada, afinco de investigar o que se 
passa, a autoestima etc. Essas motivações 
são mais perduráveis do que as extrínsecas 
e produzem outro tipo de fenômenos na 
personalidade.
	 As relações professor-aluno, treinador-
esportista permitem obter resultados da 
pessoa que compete e não do modelo de 
competição em que se joga.
	 O esportista vai se autoformando nessa 
determinada especialidade segundo seus 
próprios interesses e não como o treinador 
entende que deve ser. 
Conforme colocado, no handebol é funda-
mental procurar por uma forma de preparação 
física integrada, globalizada, pois não se melhora 
apenas uma única capacidade condicional, coor-
denativa ou cognitiva. Quando a treinamos, deve-
se relacioná-la com as outras capacidades, ao invés 
de treiná-la isoladamente.
6.2.2 Construção do modelo de treina-
mento cognitivista
Apresenta-se a necessidade de otimizar 
as capacidades de rendimento que o esportista 
possui, porém considerando a estrutura hu-
mana de forma homogênea. Por isso, temos de 
diferenciar, no modelo cognitivo, os seguintes 
fatores:
PreParação físIca aPlIcada aos esPortes coletIvos 59
fIgura 6.1 – Fatores que diferenciam o modelo cogni-
tivo de treinamento.
Ao se elaborar determinado modelo com 
determinada estrutura, ou seja, quando se modi-
ficam aspectos condicionais, deve-se considerar 
que também se modificam os componentes co-
ordenativos e cognitivos. É necessário conhecer 
os diferentes parâmetros que constituem cada 
elemento condicional, coordenativo e cognitivo. 
O preparador físico de uma equipe tem de saber 
como potencializar os fenômenos condicionais, 
porém nunca se esquecer dos outros dois (coor-
denativos e cognitivos). O treinamento terá uma 
estrutura conforme a Figura 6.3:
fIgura 6.2 – Interação das estruturas que compõem o 
modelo cognitivo de treinamento.
Portanto, sempre que se tenha intenção de 
enfatizar um aspecto qualquer – seja condicional, 
coordenativo ou cognitivo –, não se pode se es-
quecer de trabalhar de forma homogênea com os 
outros dois aspectos.
Fundamental, e mais importante no pro-
cesso dessa concepção, para estruturar o treina-
mento, consiste na necessidade de coerência entre 
os três elementos anteriormente citados. Nesse 
aspecto é que reside, na realidade, o grande pro-
blema da transferência que existia nos modelos 
conductistas, pois não se consideravam as inte-
rações dos três elementos fundamentais do jogo: 
condicional, coordenativo, cognitivo.
fIgura 6.3 – Estrutura do treinamento no modelo 
cognitivo.
Isso significa que metade ou mais da metade 
da necessidade de treinamento tem de estar cen-
trada no aspecto condicional, porém sem se es-
quecer da parte coordenativa e da cognitiva.
Nas fases iniciais de uma atividade de aper-
feiçoamento da condição física, teria de ser algo 
como na Figura 6.4:
fIgura 6.4 – Sequência inicial de treinamento para o 
aperfeiçoamento da condição física.
Cognitivas
Capacidades psicológicas
CoordenativasCondicionais
Tarefa Gesto
MovimentoTrabalho
Diferente orientação espacial
Coordenação
Resistência
Flexibilidade
Força
Velocidade
Condicional Coordenativo
Cognitivo
Condicional
Coordenativo/Cognitivo
Condicional/Cognitivo
Coordenativo
Manual de handebol60
Ao longo do processo de treinamento, mo-
dificar-se-ão em distintas proporcionalidades de 
acordo com cadacaso, mas sempre combinando 
os três componentes, já que são o fundamento 
dessa estrutura, que é a estrutura complexa dos 
sistemas de treinamento. Por isso, é muito im-
portante que o preparador físico e o treinador, ao 
tratar de terminologia conductista, sintonizem 
com essa mesma forma de entender a preparação 
física dos esportes de equipe, porque, do contrá-
rio, o treinador estará, continuamente, alegando 
que o preparador físico se intromete em assuntos 
que não são exclusivamente do campo físico, e 
isto é totalmente negativo. Portanto, a filosofia do 
treinador e do preparador físico tem de coincidir 
com a Teoria Cognitivista.
6.2.2.1 Elementos a ter em conta para
a) Melhorar as capacidades condicionais:
Tabela 6.1 – Elementos que compõem a melhora das 
capacidades condicionais na abordagem cognitivista
Recursos 
do am-
biente
Naturais
Instrumentais
Próprio corpo
Lugar
Grupo de treinamento
Caracte-
rísticas da 
atividade 
muscular
Tipo de contração
Número de grupos musculares
Ângulo e localização
Velocidade de contração
Aspectos de 
sobrecarga
Quantidade de quilos deslocados
Situação em relação à carga geral
Forma de contato
Condições 
quantita-
tivas de 
tempo de 
prática
Número de 
tentativas
Repetições
Séries
Pausa
Micropausa (-2 s)
Macropausa (+2 s)
Sem pausa
b) Melhorar as capacidades coordenativas:
Tabela 6.2 – Como melhorar as capacidades co-
ordenativas, segundo abordagem cognitivista do 
treinamento
Variações na execução
do movimento
Nuances (mais forte, mais fraco, 
mais rápido, mais devagar etc.)
Amplitude (encadeados, não en-
cadeados etc.)
Simetrização (localização quanto 
ao eixo corporal)
Combinação de 
movimentos
Sucessivos
Alternados
Simétricos
Variações espaciais 
na execução
Orientação
Direcionados
Móveis
Variações temporais 
na execução
Antecipação
Adaptação
Variações de ritmo
Tarefas em estado 
de fadiga
Por excesso de informação
Cansaço fisiológico
Acúmulo de tarefas
continuação
continua
PreParação físIca aPlIcada aos esPortes coletIvos 61
6.3 Treinamento da força
6.3.1 Níveis de aproximação
Para fazer que uma capacidade básica (força) 
seja aplicada pelo jogador naquilo que ele quer 
(por exemplo: lançamento em suspensão), o joga-
dor deve ter passado por uma série de fases, cujo 
processo denominaremos a seguir.
6.3.1.1 Distintos níveis de aproximação
	 Localizar as investigações e a avaliação.
	 Primeiro nível – força geral
Quadro 6.2 – Detalhes do primeiro nível de trei-
namento de força (força geral)
Tarefa:
trabalho 
de carga
Recursos do 
ambiente
 Instrumentos não similares 
aos do jogo
 Próprio corpo
 Lugar não específico
 Grupos variados
Caracte-
rísticas da 
contração 
muscular
 Todo tipo de contrações
 Todos os grupos musculares
 0% de trabalho semelhante
 Distintas velocidades de 
contração
Aspectos de 
sobrecarga
 Peso (kg) de acordo com as 
possibilidades pessoais
 Variadas colocações da C.G.
 Formas de contato semelhante
Condições
Quantitativas
 Nº de tentativas segundo as 
possibilidades pessoais
 Pausas variadas segundo 
necessidade dos sistemas
Gesto: mo-
vimento
Variações na 
execução
 Amplitude
 Simetrização
Coor-
denação
Combinação 
de Movi-
mentos
 Sucessivas uniões, específi-
cas e não específicas
 Movimentos simultâneos 
específicos e não específicos
Variações 
espaciais
 Equipamentos distintos
 Modificações na orientação
Os exercícios gerais podem ser:
	 compensatórios;
	 orientados;
	 não orientados (atividades coordenativas 
não próprias ao esporte praticado).
fIgura 6.5 – Níveis de aproximação.
Existem quatro níveis de aproximação que 
permitirão, no momento da planificação, progra-
mar e organizar:
 
Quadro 6.1 – Níveis de aproximação da força no 
plano de treino
Força 
Geral
Força 
Específica
Força 
Dirigida
Força de 
Competição
Em cada nível de aproximação, dão-se as 
três categorias de força do handebol: força de luta, 
força de salto e força de lançamento. Esses níveis 
de aproximação permitirão:
	 Desenvolver os aspectos, condicionais e co-
ordenativos
	 Alcançar estados de forma
Efeito específicoQualidade básica
Manual de handebol62
	 Segundo nível – força dirigida 
Permite melhorar o rendimento da ação téc-
nico-táctica geral da capacidade.
Quadro 6.3 – Detalhes do segundo nível de trei-
namento de força (força dirigida).
Tarefa:
trabalho 
da carga
Recursos do 
ambiente
 Instrumentos parecidos
 Lugares específicos
 Grupo estável
Caracte-
rísticas da 
contração 
muscular
 Contrações parecidas
 Grupos musculares prota-
gonistas da ação
 0% de trabalho parecido
 Velocidades similares
Aspectos 
de sobre-
carga
 Peso (kg) de acordo com as 
necessidades do gesto
 Colocação ajustada da C.G.
 Formas de contato adequadas
Condições 
quantita-
tivas do 
tempo
 Tentativas ajustadas às 
necessidades do esporte
 Pausas ajustadas ao sistema 
de adaptação ao esporte
Gesto:
movimento 
e coordena-
ção
Variações 
na execução
 Diferenciação
 Amplitude
 Simetrização (bilateralidade)
Combina-
ção de mo-
vimentos
 Sucessivos específicos
 Simultâneos específicos
 Alternativos específicos e 
não específicos
Variações 
espaciais e 
temporais
 Equipamentos semelhantes
 Orientação preferencial (em 
função da posição específica)
 Variações no ritmo de 
execução (nos permite di-
ferenciação e bilateralidade 
de uma vez)
 Adaptação a um ritmo
Os exercícios dirigidos podem ser:
	 de ação indireta (somente combinam um 
elemento coordenativo e um condicional);
	 de ação direta (combinam vários);
	 de situação parcializada (criamos uma situ-
ação que simula uma situação real de jogo).
 
	 Terceiro nível – força especial
Quadro 6.4 – Detalhes do terceiro nível de treina-
mento de força (força especial)
Tarefa: 
trabalho 
com carga
Recursos do 
ambiente
 Instrumentos desenhados
 Lugares específicos de prática
Caracte-
rísticas da 
contração 
muscular
 Contrações idênticas
 Grupos específicos
 Objetos idênticos reforçados
 Velocidade específica
Aspectos de 
sobrecarga
 Peso (kg) de acordo com a 
qualidade específica
 Colocação da C.G. idêntica
 Contatos específicos
Condições 
quantita-
tivas do 
tempo
 Recuperação conjugando 
sistema e participação 
específica
Gesto:
movimento e 
coordenação
Variações 
na execução
 Complexidade aumentada 
do nível 2 (força dirigida)
Combina-
ção de mo-
vimentos
 Complexidade aumentada 
do nível 2 (força dirigida)
Variações 
espaciais e 
temporais
 Variações rítmicas criativas
 Antecipação
Tarefas em 
estado de 
fatiga
 Por acumulação de tarefas 
específicas ou não específicas
 Cansaço fisiológico
PreParação físIca aPlIcada aos esPortes coletIvos 63
Os exercícios especiais podem ser:
	 de variação espacial;
	 de controle tátil-cinestésico (relação entre 
o tato e a cinestesia, aproveitando a força 
adversária para próprio benefício);
	 de hiperestimulação setorial (relação força-
-peso do instrumento).
	 Quarto nível – força de competição 
É aquele que tem de desenvolver, por sua 
vez, o preparador físico e o treinador, já que se 
necessitam de componentes táticos.
Quadro 6.5 – Detalhes do quarto nível de treina-
mento de força (força de competição)
Tarefa, carga,
trabalhoComo os exercícios especiais, mas dificul-
tando as condições do ambiente.
Gesto:
Movimento 
coordenação
Iguais às do terceiro nível, incluindo-se:
fadiga por excesso de informação, que se 
necessita para o jogo; dificuldade crescen-
te mesclando dois ou três fatores por vez 
(combinação + tempo + espaço).
Os exercícios competitivos podem ser:
	 competitivos “especiais” (porque tem uma 
sucessão de jogo que não se pode categori-
zar nas três categorias de força);
	 de ação “diferencial” (possibilidade de tro-
car em maior ou menor rapidez os dese-
nhos do jogo);
	 de supercomplexidade tática.
6.3.1.2 Aplicação prática do trabalho de força
O quadro seguinte é um resumo dos distin-
tos trabalhos que devem ser realizados para chegar 
aos níveis de aproximação das diferentes manifes-
tações da força.
Quadro 6.6 – Detalhes dos distintos trabalhos de treinamento de força
Força Geral Dirigida Especial Competição
Lança-
mento
 Pull over
 Variações de press
 Tríceps
 Munhecas
 Dedos
 Multilançamentos
 Estáticos-Dinâmicos
 Apoio-suspensão
(2 kg + 2 mãos)
 Multilançamentos
 Estático-Dinâmico
 Apoio-Suspensão
 (2 mãos - 1 kg; 1 mão - 800 g)
 Lançamentos específicos
 Distância
 Velocidade
 Act. diferencial (400 g)
Salto
 Variações do squat
 1\2 squat + salto
 Pliometria
 Multissaltos
 Multissaltos
 Encadeados + tarefas específicas
 Simultâneos + tarefas específicas
 Lançamentos em suspensão
 Saltos, bloqueios sucessivos
 Modificação da trajetória
Luta
 Arrancada
 Dois tempos
 Giros em desloca- 
mento
 Rosca
 Leves (-10 kg)
 Pesadas (-25 kg)
 Estático-dinâmico
 Exercícios de simulação com 
sobrecarga (mais ou menos 
8-10 kg de acordo com o peso 
dos jogadores 10%-15% p.c)
 Jogo específico:
 Diferencia do princípio 
defesa-ataque
 Defender sucessivamente
Manual de handebol64
	 Os que se encontram na parte final de 
sua carreira esportiva eliminam o traba-
lho de força geral e de competição, re-
alizando um suporte de força dirigida e 
específica exclusivamente. 
6.4 Treinamento da resistência
6.4.1 Categorias de resistência
O trabalho de resistência que propomos está 
construído igual a todo trabalho de força já visto. 
A partir das necessidades específicas do jogador, 
desenvolvemos uma forma de treinamento que 
satisfaça às necessidades energéticas necessárias 
para um jogador de handebol em todas as catego-
rias e manifestações da resistência.
No Quadro 6.7, da escola italiana, vemos a 
denominação de diferentes categorias da capaci-
dade ou potência de resistência, ou potência-ca-
pacidade nessa sequência, e as condições em que 
se manifesta:
Quadro 6.7 – Denominação das diferentes cate-
gorias da resistência
Via energética Potência Capacidade
Anaeróbica alática
De 
0 a 7- 8 s
Repetições de 7 s ou 
de 7 a 15 s
Anaeróbica lática
Entre 
15 - 45 s
Repetições de 25 - 30 s 
ou de 45 s a 2 min
Aeróbica
De 
2 a 3 min
Repetições de 3 min 
ou mais de 15 min
6.3.1.3 Uma aproximação da planificação do 
trabalho de força ao longo de uma temporada
A distribuição do trabalho de força deve ser 
feito em função da temporada e da equipe. Divide-
se em meses todo o período competitivo, e cada mês 
em semanas. Em função de como for a competição, 
periodiza-se o trabalho de força, planificando dois 
ou mais picos de forma ao longo da temporada.
FIgura 6.6 – Distribuição do trabalho de força.
Todo o trabalho de força estará relacionado 
com o trabalho técnico-tático e em função dos sis-
temas a serem utilizados, sobretudo os defensivos.
A força de competição se manifesta nos jo-
gos desde o princípio da temporada, e isso é algo 
que se deve levar em conta.
O trabalho sempre se faz em função do jogador:
	 Os indivíduos que iniciam este tipo de tra-
balho não devem trabalhar em treinamen-
tos da força de competição (que será visto 
nas competições), somente um pouco de 
força específica.
	 Os que estão em pleno apogeu de sua car-
reira realizam todo tipo de trabalho de for-
ça nos treinamentos.
Planificação do Trabalho de Força
Força 
Geral
Força 
Dirigida
Força 
Específica
Força 
Competição
PreParação físIca aPlIcada aos esPortes coletIvos 65
a) Ciclo anaeróbico alático
No trabalho puro de velocidade, da potência 
anaeróbica alática, não se produz ácido lático, o 
que acontece em condições de anaerobiose. Está-
-se no limite máximo de 7 a 8 s, obtendo-se a 
máxima velocidade de deslocamento. Quando fa-
zemos repetições nesse período, ou realizamos um 
trabalho de duração entre 8 e 15 s (em indivíduos 
treinados; em jogadores não treinadores, seria de 
10 a 11 s) à velocidade máxima, estamos traba-
lhando no limite do trabalho alático. Esse método 
se denomina capacidade anaeróbica lática. 
b) Ciclo do acido lático
Entre 15 e 45 s, trabalhamos a potência ana-
eróbica lática. Trabalha-se quase ao mesmo tempo 
da velocidade máxima. Acumula-se uma quan-
tidade de ácido lático no sangue. O trabalho de 
capacidade anaeróbica lática se levará com séries 
repetidas de 25 a 30 s ou realizar trabalhos com 
uma duração de 45 s a 2 min. Nesse tipo de traba-
lho, obteremos os picos de lactato mais elevados.
c) Ciclo aeróbico
O período entre 2 a 3 min é o limiar final, 
quando aparece o limiar anaeróbico, chamado po-
tência aeróbica. Quando realizamos séries de 2 a 3 
min, ou passamos de 4 a 5 min e até 15 min ou 
mais, chamamos esse ciclo de capacidade aeróbica.
Essa classificação dos distintos estados ener-
géticos que suportam a participação do jogador, 
quando se exige trabalhar a velocidade máxima 
durante esses tempos, sucede esses tipos de re-
sistências, assim denominadas: com duas opções 
anaeróbicas aláticas, duas opções anaeróbicas láti-
cas e duas opções aeróbicas.
Isso foi pesquisado na escola italiana sobre 
indivíduos que correm na máxima velocidade 
possível. Entretanto, devemos imaginar que um 
indivíduo, além de correr, move os braços, desloca 
uma bola etc. Esses tempos devem se modificar 
ou reduzir. Por quê?
Em 15 a 20 s correndo, o trabalho é pura-
mente anaeróbico alático; de 10 a 11 s é o limite 
de capacidade anaeróbica alática, em que, fre-
quentemente, aparece entre 4,5 a 5 mmol de con-
centração de ácido lático. É a partir dessa taxa que 
passamos a considerá-lo no âmbito de lactademia. 
Evidentemente, devemos estar por baixo, porque 
o volume da atividade muscular que gera a prática 
de handebol é muito mais do que somente correr, 
já que ativamos os braços, realizamos trabalhos 1 
x 1, deve-se saltar etc. Logo, o que foi investiga-
do sobre as atividades de corrida não valem para 
esse esporte, mas apenas para determinar algumas 
bases. Porém, os tempos de participação em cada 
uma delas, para nós, sempre serão modificados 
em função da atividade, já que há maior número 
de solicitação muscular. 
Assim, centrando-se no handebol, podemos 
dizer que o primeiro e o último dos grupos defi-
nidos anteriormente não existem, já que não reali-
zamos uma ação de 8 s ao máximo e não voltamos 
a intervir até que se tenham passados 3 min, e, 
também, não podemos pensar que um jogador 
Manual de handebol66
atuará a uma velocidade média durante mais de 
15 min ou repetições de 3 min.
O jogador de handebol na competição está 
exposto a tempos de trabalho nos quais sua con-
centração de ácido lático aumenta muito, o que 
dificulta a atividade motora. Nessa ação, entramos 
com uma dívida. Entretanto, a capacidade anae-
róbica lática é necessária porque dependemos dos 
momentos de participação, e se o oponente,por 
sua vez, não tiver participado da ação anterior, ne-
cessariamente deve-se responder a níveis suficientes 
de oposição, luta etc. e suportar o trabalho lático, 
ainda que não deseje. Necessitamos bastante da po-
tência como uma capacidade, mais a potência do 
que a capacidade.
Também devemos potencializar em um joga-
dor, de preferência, a capacidade anaeróbica aláti-
ca, ou seja, podem-se repetir muitas vezes partici-
pações de 6 a 7 s com um alto nível de velocidade, 
com tempos de trabalho e de pausa de forma quase 
nunca homogênea. Além disso, a potência anaeró-
bica servirá para ressintetizar mais rapidamente os 
resíduos láticos de uma atividade que se pode dar.
Na prática dos sistemas de treinamento de 
resistência, devemos planificar tipos de resistência 
anaeróbica alática, componente lático e, também, 
potência aeróbica, que é o oxigênio de que se necessi-
ta para manter uma prática anaeróbica lática, que é 
o metabolismo que prevalece nesta prática esportiva 
sobre o resto. Para resumir, deve-se desenvolver:
	 sistemas de capacidade anaeróbica alática.
	 potência e capacidade lática.
	 potência aeróbica.
6.4.2 Tipos de trabalho de resistência
a) Capacidade anaeróbica alática
Quadro 6.8 – Trabalho de resistência para capaci-
dade anaeróbica alática
Estrutura 
condicional
Componente 
cognitivo
Estrutura 
coordenativa
 8 a 10 s (máxi-
ma velocidade 
de execução - 
90% ou +)
 1 a 1min30s 
de recuperação 
ativa
 Nº de vezes em 
função da posi-
ção específica 
e do momento 
da temporada
 Pode-se asso-
ciar ao tempo 
de trabalho 
ou ao de recu-
peração (mais 
aconselhável 
para se centrar 
no elemento 
coordenativo 
durante o 
trabalho)
 Gesto específico
 Corrida de 
recuperação
 Tarefa com-
plementar de 
recuperação
6.4.2.1 Estrutura condicional
Como temos visto, deve-se ampliar o tempo 
de trabalho até 8 a 10 s, quase sempre ao topo, de 
90% a 100%, com uma recuperação máxima de 
1min30s. Nessas condições, a PC (fosfocreatina), 
que é o substrato orgânico que permite trabalho 
alático, regenera-se em 80% do que fora gasto em 
nível muscular, segundo os grupos musculares 
que participam. Assim, asseguramos o trabalho 
seguinte neste âmbito metabólico. O número de 
repetições variará em função da posição específica, 
do peso do jogador e do momento da temporada.
Não depende de nenhum dos sistemas tradicio-
nais de treinamento, mas do que foi exposto anterior-
PreParação físIca aPlIcada aos esPortes coletIvos 67
mente, já que cada posição específica solicitará mais o 
trabalho de alguns grupos musculares concretos para 
essa posição específica; no entanto, o momento da tem-
porada em que nos encontramos também é decisivo.
6.4.2.2 Estrutura coordenativa
Consiste em realizar sempre o gesto específico 
durante o trabalho. Durante o tempo de recupera-
ção ativa, existem duas opções: realizar corrida de 
recuperação ou uma tarefa complementar, poden-
do ser o quique da bola, passes em duplas etc.
6.4.2.3 Componente cognitivo
Neste sistema, o componente cognitivo é asso-
ciado tanto ao trabalho quanto ao tempo de recupe-
ração ativa. De preferência, deve-se fazê-lo no tempo 
de recuperação ativa e menos durante o trabalho, já 
que este é um sistema no qual devemos localizar, 
fundamentalmente, o gesto coordenativo específico.
b) Potência anaeróbica lática
Quadro 6.9 – Trabalho de potência anaeróbica lática
Estrutura 
condicional
Componente 
cognitivo
Estrutura 
coordenativa
 Ações na maior velo-
cidade possível
 Tempo de execução: 20 
a 35 s
 Repetições: de 4 a 8
 Recuperação: 4 a 5 min
 Ativa
 De pouco 
significado
 Passar de 
tarefas 
inespecíficas 
a tarefas 
específicas, 
progressiva-
mente.
6.4.2.4 Estrutura condicional
A potência anaeróbica lática melhora a 
condição das enzimas glicolíticas dos grupos 
musculares que participam, sobretudo das per-
nas. Essas enzimas favorecem a destruição do 
ácido lático.
As ações que faremos serão mais específicas e 
deverão fazer-se na mais alta velocidade possível. 
Desse modo, estaremos, continuamente, media-
dos pela estrutura coordenativa.
Entre 20 e 35 s, à máxima velocidade, deve-
-se realizar não mais que 4 a 8 repetições, com re-
cuperações entre 4 a 5 min. Esse tipo de trabalho 
suporta altas concentrações de ácido lático: de 6,5 
a 8 mmol/mL.
6.4.2.5 Estrutura coordenativa
Passará progressivamente de tarefas inespecí-
ficas à específicas. Não se pode chegar a uma alta 
velocidade específica se não se dispõem do gesto 
coordenativo específico. 
Devem-se levar sempre tarefas conhecidas 
pelos jogadores para poder realizá-las na máxima 
velocidade, do contrário, não se estaria trabalhan-
do a potência anaeróbica lática. A recuperação se 
realizará sempre de forma ativa.
6.4.2.6 Componente cognitivo
De pouco significado.
Manual de handebol68
c) Capacidade anaeróbica lática 
Quadro 6.10 – Trabalho de capacidade anaeró-
bica lática
Estrutura 
condicional
Componente 
cognitivo
Estrutura 
coordenativa
A:
 Alta velocidade
 Tempo de execução: 
1 a 2 min.
 Repetições: de 2 a 6.
 Recuperação: mais de 
6 min.
 Trabalha-se durante 
a pré-temporada 
para criar a capa-
cidade para logo 
fazer.
B:
 Velocidade submá-
xima.
 Tempo de execução: 
30 a 45 s.
 Repetições: de 3 a 7.
 Recuperação: menos 
de 3 min, diminuin-
do progressivamente.
 Mantém-se durante 
todo o período de 
competição.
 De pouca 
relevância. Se 
fizermos inter-
pretar e elabo-
rar respostas 
alternativas a 
essas situações, 
a velocidade 
de execução 
diminui mui-
to, e o que 
nos interessa é 
a capacidade 
fisiológica. 
Isso significa 
que não existe, 
ainda que esta 
seja elementar 
e de pouca 
relevância.
Componentes 
específicos, de 
menos a mais, 
encadeados 
(força de luta, 
de salto, de 
lançamento)
O trabalho A pode e deve ser prévio ao B, 
porque o tempo total de realização é maior.
6.4.2.7 Estrutura condicional
Apresentam-se duas opções:
1. Pode ser prévio a B, porque o tempo total de 
realização é maior. Utiliza-se durante a pré-
-temporada.
Velocidade alta, com 1 a 2 min. Realizam-se 
de 2 a 6 repetições com recuperação suficiente, de 
mais de 6 min. Nesse primeiro nível, já se deve 
criar a capacidade de tamponar a acidose meta-
bólica para que, durante o treinamento específico 
da temporada, já se tenham os recursos metabóli-
cos suficientes para suportar esse tipo de trabalho. 
Um dos erros mais cometidos na preparação física 
na pré-temporada é que, enquanto ela acontece, 
não se trabalha nada da capacidade anaeróbica lá-
tica, mas tão somente a potência aeróbica (correr, 
correr e correr); quando chegam os primeiros dias 
em que se trabalha com bola, os jogadores se en-
contram esgotados. Na pré-temporada, também 
se devem ter em conta trabalhos específicos de 
campo e, inclusive, podem-se fazer trabalhos de 
técnica com muitas repetições e trabalhos de ele-
mentos da tática básica, que serão utilizados nesta 
temporada.
2. Velocidade muito próxima da máxima, tem-
po de realização menor que 1 min: entre 30 e 
45 s, aumenta-se o número de repetições até 
8, sendo, normalmente, de 3 a 7, e a recupe-
ração ocorre de 3 min para menos. O ideal 
é que a distribuição dessas repetições possa 
ser feita em blocos, por exemplo, 2 blocos de 
3 repetições. No primeiro bloco, 3 min de 
recuperação e, no segundo 3, 2 e 1 minuto 
de recuperação para aumentar,ao máximo, 
a reatividade orgânica do sujeito, para que 
provoque mais substâncias tampões do ácido 
lático. Nesse tipo de treinamento, chega-se 
aos 10 mmol/mL.
PreParação físIca aPlIcada aos esPortes coletIvos 69
6.4.2.8 Estrutura coordenativa
Componentes específicos de menos a mais.
6.4.2.9 Componente cognitivo
Devem-se apresentar poucas complicações 
para evitar que a atenção e a concentração para 
manter altas velocidades não se reduzam. Mas isso 
não significa que não existam, pois, nos passes 
com bola, por exemplo, deverão ser usados quatro 
tipos de passes distintos. Logo, já há certo compo-
nente cognitivo, que é elementar.
Outro exemplo: se se deve desviar de cones, 
o deslocamento entra cada cone se realizará de 
forma distinta. É muito importante fazer que esse 
pequeno elemento de tomada de decisão não seja 
esquecido pelos jogadores.
d) Potência aeróbica
Quadro 6.11 – Trabalho de potência aeróbica
Estrutura 
condicional
Componente 
cognitivo
Estrutura 
coordenativa
 Corrida ou deslo-
camentos contí-
nuos (em período 
preparatório, cor-
rida; a medida que 
se avança a tempo-
rada, cada vez mais 
deslocamentos 
específicos).
 Tempo de execução: 
2 a 3 min.
 Associado.
 Tarefas 
específicas, 
progresiva-
mente ajus-
tadas.
 Material 
específico do 
jogo.
 Espaço es-
pecífico nas 
trajetórias 
de postos 
específicos.
Estrutura 
condicional
Componente 
cognitivo
Estrutura 
coordenativa
 Repetições: nº de 
vezes de acordo 
com o tempo real 
do jogo.
 Recuperação: 30 s a 
1 min.
 Ativa.
6.4.2.10 Estrutura condicional
O trabalho de potência aeróbica será funda-
mentado em forma de corrida ou deslocamentos. 
Serão realizados, no início, trabalhos de corrida 
que logo passarão a ser desenvolvidos junto com 
os deslocamentos. Terão duração de 2 a 3 minu-
tos, recuperação ativa de 30 segundos a 1 minu-
to e número de vezes de acordo com o tempo 
de jogo, porque a potência aeróbica será utiliza-
da como via de ressíntese dos restos de lactato e 
outros resíduos. Portanto, é necessário superar o 
tempo real de jogo.
6.4.2.11 Estrutura coordenativa
As tarefas são específicas e progressivamente 
ajustadas. No princípio da temporada, 80% do 
trabalho será corrida, em distintas velocidades de 
execução, mas, progressivamente, se transforma 
em uma tarefa específica do jogador (quicar, pas-
sar e driblar, fundamentalmente): trabalho especí-
fico do jogo. Nesse tipo de sistema, nas pré-tem-
poradas, podem-se usar jogos de basquetebol, 
continuação
continuação
Manual de handebol70
futebol etc. para, posteriormente, como última 
aproximação coordenativa, utilizar o espaço espe-
cífico dentro da quadra com as trajetórias mais 
utilizadas nas posições específicas de cada jogador 
(no caso de correr por toda a quadra, os pontas o 
farão pelas laterais, o central e o pivô pelo centro 
etc.), realizando tarefas de acordo com estas posi-
ções específicas.
6.4.2.12 Componente cognitivo
Está associado às tarefas específicas.
6.5 Periodização da resistência
Graças a essas três categorias, podemos ela-
borar, ao longo da temporada, um espectro de 
meios de treinamento da resistência.
Na planificação do nosso esporte, dividimos 
a temporada em dois períodos: um período pre-
paratório, com duração de 4 a 5 semanas; e um 
período competitivo, que se estende por 7 meses.
Tabela 6.1 – planejamento do treinamento de re-
sistência ao longo de uma temporada competitiva
Período preparatório Período competitivo
Capacidade 
anaeróbica alática
Potência aeróbica
Potência anaeróbica lática
Capacidade anaeróbica 
lática “a”
Capacidade anaeróbica 
lática “b”
Portanto, devem-se utilizar diferentes meios 
ao longo dos períodos, dois deles, fundamental-
mente, ao longo do período preparatório:
	 Aquele que permite ressintetizar os altos 
níveis de ácido lático, no nível de trabalho 
aeróbico. A potência aeróbica será a resis-
tência preferencialmente utilizada durante 
o período de preparação;
	 A fase lática: a capacidade “a” dentro da ca-
pacidade anaeróbica lática.
Uma vez que temos, basicamente, desenvol-
vidas essas duas vias (potência aeróbica e capaci-
dade anaeróbica lática “a”) de resistência, devem 
aparecer e continuar ao longo de toda temporada 
de competições as outras vias que faltavam, a po-
tência anaeróbica lática e as capacidades anaeróbi-
cas alática e lática “b”.
Assim, existe um momento final da cha-
mada pré-temporada, que é crítico na troca dos 
meios de treinamento da resistência e o mais di-
fícil, porque, além disso, teremos de incluir as 
primeiras competições, e, em função da posição 
específica e de como cada um tenha assumido es-
ses treinamentos de resistência, cada um vai usar 
mais um tipo de metabolismo que outro. Nes-
sas primeiras competições, se tiverem assumido 
muito bem o trabalho aeróbico, irão muito bem 
na 1a parte; na 2a parte, não poderão se mover, 
pois haverá muito ácido lático acumulado. Isso 
se vê claramente nas partidas anteriores ao início 
da temporada competitiva oficial.
PreParação físIca aPlIcada aos esPortes coletIvos 71
Quando vão se equilibrando as quatro vias 
de resistência, elas irão se homogeneizando, che-
gando-se à forma ótima na competição.
Entretanto, devemos observar a sequência 
em que vamos utilizá-la e em todo o momento 
que elevam, no início do período de competição, 
as quatro vias.
É praticamente a partir desse instante que 
desaparece a potência aeróbica, aparecendo aos 
poucos nos momento em que houver muita 
carga de competições. O fundamento será ca-
pacidade anaeróbica alática e potência anaeró-
bica lática como suporte da opção “b” da capa-
cidade anaeróbica alática, e, de vez em quando, 
potência aeróbica.
Ao longo da temporada, sobretudo na po-
tência anaeróbica lática, trabalhar-se-á mais no 
treinamento técnico e tático. Assim, basicamen-
te, os trabalhos de ataque-defesa e contra-ataque 
podem ser classificados como físico-táticos. Desse 
modo, a proposta tem de ser comum entre ambos 
os treinadores, para que, dessa forma, possamos 
assegurar que é um treinamento de potência ana-
eróbica lática. 
O treinamento da coordenação no handebol7
O nível de conhecimento das capacidades co-
ordenativas não é tão diferenciado e teoricamente 
comprovado como o das capacidades condicionais 
força e resistência. As dúvidas são determinadas 
fundamentalmente na dificuldade de se obter pro-
gressos sobre aspectos neurofisiológicos e seus res-
pectivos correlatos em níveis corticais (por meio de 
um procedimento dedutivo de pesquisa). Observa-
-se também que as pesquisas no plano de observa-
ção do comportamento coordenativo (por meio de 
um procedimento indutivo de pesquisa) têm apon-
tado resultados contraditórios.30 Assim, os conheci-
mentos adquiridos até hoje na área das capacidades 
coordenativas apresentam várias dúvidas e muitas 
hipóteses, sendo alguns deles somente gerais. A 
execução de uma ação, em especial a esportiva, é 
compreendida como um processo sistêmico e inte-
grado, organizado e relacionado ao contexto situa-
cional (pessoa – ambiente – tarefa). Nesse sentido, 
existe um conjunto de capacidades que interage 
mutua e complexamente, na busca de um objetivo.
O termo capacidade deriva das bases teóri-
cas da psicologia diferencial, que observa fatores 
como a inteligência e a personalidade do sujeito. 
São traços (traits) latentes, disposições ou, ainda, 
construtos que são herdados, definidos por meio 
deum processo de constante construção para, 
assim, poder explicar melhor as diferenças inte-
rindividuais de rendimento.31 As capacidades são 
entendidas como a característica que torna possí-
vel o desempenho de alta qualidade, nas diversas 
atividades humanas, propiciando o alcance do 
sucesso. As capacidades coordenativas traduzem a 
organização e o controle de movimentos por meio 
das propriedades dinâmicas do sistema efetor. A 
análise de ações coordenadas como soluções nas 
tarefas motoras práticas contribui com possíveis 
respostas às “controvérsias entre a teoria motora e 
a da ação”,32 com uma visão dos velhos problemas 
em um novo contexto.
No marco das capacidades inerentes ao ren-
dimento esportivo, as capacidades coordenativas 
possuem caráter geral, ou seja, elas são pré-requi-
sitos de ordenamento e estruturação para deter-
minada classe de tarefas motoras, que, em certos 
momentos ou situações no esporte, colaboram na 
execução de uma técnica específica da modalida-
de. Ou seja, as capacidades coordenativas servem 
de base para as habilidades técnicas e estas, por 
sua vez, para a aprendizagem da técnica, isto é, do 
gesto específico da modalidade (por exemplo, o 
lançamento em suspensão ou a realização de uma 
“rosca” no lançamento do ponta, na parada de 
uma bola com uma técnica de side-quick do golei-
Pablo Juan Greco, Siomara A. Silva, Fernando Lucas Greco
Manual de handebol74
ro e muitas outras). Na presente proposta, o con-
ceito de habilidade é ajustado aos jogos esportivos 
coletivos e se distancia do conceito comumente 
utilizado nos estudos de aprendizagem motora.
7.1 Revisão teórica
As capacidades coordenativas estão com-
postas por um conjunto de processos e subpro-
cessos que provoca bastante controvérsia acadê-
mica quanto a seus alcances, limites e conteúdos. 
Conforme o ponto de vista em que é considera-
da, toma-se um plano de análise diferente. Os 
trabalhos de pesquisa mais importantes sobre as 
capacidades coordenativas são, entre outros, os de 
Bernstein,33 Hirtz,34,35 Neumaier e Mechling,36,37 
Roth,38,40 Schmidt,41,43 Zimmermann,44 entre ou-
tros autores. 
Coordenar significa, etimologicamente, 
ordenar junto. No handebol, essa característica 
se agrega à função de direcionar, regular e har-
monizar os processos parciais do movimento, os 
quais, tendo em vista o objetivo da ação, permi-
tem que este seja alcançado com o menor gasto 
energético possível. As capacidades coordenati-
vas estão em princípio determinadas pelos pro-
cessos de regulação e orientação do movimento, 
oportunizam que o atleta domine, de forma se-
gura e econômica, ações motoras em situações 
previsíveis (estereótipos) e imprevisíveis (adap-
tação), sendo fundamentais para aprender movi-
mentos esportivos. Do ponto de vista da “Teoria 
da Ação”,45,46 a coordenação de movimentos é 
sempre um complexo rendimento da persona-
lidade como um todo, que abrange todos os 
processos de regulação do comportamento nos 
níveis de controle do movimento – intelectual, 
emocional, automático –, que são necessários 
para a organização e obtenção do objetivo.48 
As capacidades coordenativas são propriedades 
qualitativas do nível de rendimento de um ser 
humano e pré-requisitos de rendimento que ca-
pacitam o atleta para realizar ações. As capacida-
des coordenativas são consideradas como equi-
valentes ao construto inteligência, isto é, como 
representantes da inteligência motora. 
O treinamento da coordenação, portanto, 
se relaciona com o desenvolvimento da capa-
cidade de realizar movimentos, de adaptá-los à 
situação, de contribuir no aprimoramento da 
imagem corporal, de uma percepção sensorial 
diferenciada, da melhora dos processos de pro-
priocepção (necessários à condução ou à adapta-
ção de movimentos). Lamentavelmente, obser-
va-se, na prática do professor, que o treinamento 
das capacidades coordenativas e da coordenação 
é esquecido ou “sacrificado” na errada procura 
por uma performance ou aperfeiçoamento do ní-
vel técnico de forma veloz.
Um processo de ensino-aprendizagem-trei-
namento em longo prazo na formação de joga-
dores de handebol inteligentes e criativos solicita 
que a coordenação se relacione com o treinamen-
to da percepção geral e, posteriormente, à percep-
ção específica, com atividades que possibilitem 
o desenvolvimento do conhecimento tático e da 
tomada de decisão, seguindo três princípios:
o treInaMento da coordenação no handebol 75
	 Modificar a dificuldade/aumentar a difi-
culdade.
	 Modificar a complexidade/aumentar a 
complexidade.
	 Esses princípios mencionados, simultane-
amente.
Considera-se de fundamental importância 
que as atividades a serem oferecidas às crianças 
para aprimorar a coordenação tenham uma es-
truturação didática em que seja considerado um 
processo de aumento gradativo e permanente na 
exigência de organização interna do movimento. 
Portanto, recomendamos uma progressão em que 
se exploram todas as possibilidades que cada ele-
mento oferece e desenvolve nas faixas etárias, de 
acordo com a sequência proposta a seguir: 
	 6-8 anos: atividades com um elemento 
(exemplo corda, bastão ou bola). 
	 8-10 anos: atividades com dois elementos 
(exemplo: corda e bola). 
	 10-12 anos: atividades com três elementos 
(exemplo: corda, bola e bastão). 
Na fórmula para se treinar as capacidades co-
ordenativas, sugere-se aplicar a proposta apresenta-
da por Neumaier e Mechling,36,37 Roth47 e Kröger 
e Roth,31,48 já experimentada com sucesso pelos 
autores deste aporte no Brasil. As faixas etárias des-
critas são sugeridas como elemento de referência.
Assim, para o ensino-aprendizagem-treina-
mento das capacidades coordenativas, sugere-se 
uma alternativa metodológica e didática extrema-
mente fértil, relacionando tais exigências à realiza-
ção de movimentos. Os aspectos inerentes aos pro-
cessos de recepção da informação nas vias aferentes 
são caracterizados pela recepção de informação por 
meio dos diferentes órgãos dos sentidos: visual, 
acústico, tátil, cinestésico, vestibular ou de equilí-
brio, bem como os processos eferentes (parâmetros 
de pressão da motricidade) por meio da motricida-
de ampla e fina (caracterizadas pelo volume e pela 
quantidade dos agrupamentos musculares necessá-
rios à ação), que é submetida a diferentes condicio-
nantes de pressão: tempo, precisão, complexidade, 
organização, variabilidade e carga, que constituem 
a base teórica para organizar um modelo de treina-
mento da coordenação no handebol. 
Na parte inferior do modelo (vide Figura 
7.1), os condicionantes da ação, isto é, as restrições 
típicas da ação esportiva, permitem estabelecer os 
parâmetros perante os quais o desempenho coorde-
nativo deve ser treinado. Os parâmetros de pressão 
das capacidades coordenativas são variáveis confor-
me a situação específica que se pretende resolver na 
prática esportiva. Esses parâmetros foram determi-
nados a partir da comparação de mais de 20 for-
mas de abstrações de utilização do conceito de ca-
pacidade coordenativa (Neumaier e Mechling).36,37 
Os seis parâmetros de pressão – tempo, precisão, 
organização, complexidade, carga e variabilidade 
– constituem as dimensões das capacidades co-
ordenativas relacionadas a motricidade, execução 
motora, elementos característicos da motricidade 
no momento da realização do movimento coorde-
nado, isto é a execução de uma técnica especifica 
(lançamento em suspensão, passe, “rosca” etc.)
Manual de handebol76
fIgura 7.1 – Exigências coordenativas.31
Exigências Coordenativas nas Tarefas 
deMovimentos
Elaboração de Informação
Eferente
Motricidade grossa e �na
Aferente
Ótico, acústico, tátil, 
cinéstesico, vestibular
Baixa Alta
Pressão do Tempo
Pressão da Precisão
Pressão da complexidade
Pressão da organização
Pressão da variabilidade
Pressão da carga
O Quadro 7.1 esclarece quais são os parâ-
metros de pressão conforme colocados por Kröger 
e Roth,32 o que representa o ponto de vista da exi-
gência motora e um exemplo prático.
Quadro 7.1 – Elementos de pressão da motricidade31,36
Parâmetros de pressão
Tarefas coordenativas nas quais é 
necessário
Exemplos
Tempo
Minimizar o tempo ou maximizar a 
velocidade de execução.
No contra-ataque, receber e fazer o passe ao colega que 
corre no espaço livre.
Precisão A maior exatidão possível. Lançamento a gol fora do alcance do goleiro.
Complexidade
Resolver sequências de exigências su-
cessivas, uma depois de outra.
Realizar uma finta dupla, com câmbio de direção e 
posterior salto em suspensão, fingir lançamento e pas-
sar ao pivô.
Organização
Superar exigências simultâneas, ao mes-
mo tempo.
Receber a bola fintando a linha de corrida e, paralela-
mente, saltar.
Variabilidade
Superar exigências ambientais variá-
veis e situações diferentes.
Realizar diferente tipo de fintas caindo com dois pés, 
com um pé, giro.
Carga
Superar exigências de tipo físico-con-
dicionais ou psíquicas.
Lançamento em suspensão no final do jogo.
o treInaMento da coordenação no handebol 77
7.2 O treinamento da coordenação 
no handebol
A fórmula para treinar a coordenação in-
clusive no handebol parte das habilidades básicas 
correr, saltar, empurrar, tracionar etc., que podem 
ser agrupadas em manuais: lançar (arremessar), 
driblar, receber, rebater etc.; pedais: chutar, con-
duzir, receber com os pés; e com elementos (raque-
te ou bastão). Na realização das habilidades, suge-
re-se combiná-las com elementos diversos, como, 
por exemplo, a bola junto das habilidades pedáli-
cas e manuais, a bola e um bambolê, um manual 
(girar o bambolê no braço) e, simultaneamente, 
um pedálico (condução da bola). A fórmula para 
o treinamento da coordenação no handebol deve 
priorizar as atividades com bola e sua combina-
ções com outros elementos, ou seja:
Portanto, deve-se observar, ao se oferecer 
exercícios (que depois são integrados em jogos 
e formas jogadas de aplicação do aprendido), 
que a recepção de informação por meio dos 
analisadores (tátil, acústico, visual, cinestési-
co, vestibular ou de equilíbrio) seja colocada 
em situação de pressão motora (tempo, preci-
são, organização, complexidade, variabilidade 
e carga).
A proposta expressa na fórmula de trei-
namento da coordenação na qual se combi-
na a recepção de informação com a pressão 
na motricidade nas atividades, nos exercícios 
propostos, leva a criança à execução de tare-
fas que, sistematizadas pelo professor, visam 
oportunizar a melhora do seu desempenho 
motor, otimizando o desenvolvimento das ca-
pacidades de coordenação. 
Treinamento da coordenação 
com bola
Habilidade básica 
com bola
Variabilidade
(exigências aferentes e eferentes)
Situação de pressão
(do tempo, da precisão, 
da complexidade, da organização, 
da variabilidade, da carga)
FIgura 7.2 – Fórmula básica do treinamento da coordenação.31
Manual de handebol78
7.3 Atividades sugeridas para o de-
senvolvimento da coordenação 
com bola para a iniciação (não 
somente) ao handebol
A seguir se apresentam atividades para o 
treinamento da coordenação já descritas em outra 
publicação,49 que podem ser exemplo para a orga-
nização de diferentes programas de treinamento. 
Em geral, recomenda-se que o treinamento da 
coordenação não seja realizado somente pelos go-
leiros, mas por todos os jogadores, de preferência 
após um jogo, no início do treinamento, consi-
derando-se, assim, a realização de um jogo para o 
desenvolvimento da capacidade tática como ele-
mento de motivação e de aquecimento no início 
da aula e, posteriormente, realizar um trabalho de 
aproximadamente 15 minutos de treinamento da 
coordenação. Não é recomendado, na faixa etária 
da pré-adolescência e no treinamento com ini-
ciantes, trabalhar a coordenação quando os parti-
cipantes estão cansados. 
7.3.1 Idade: 6-8 anos, 1 elemento 
Material: bola
Quadro 7.2 – exemplo de atividades para a faixa etária de 6-8 anos
Analisador Condicionantes Exercício
Cinestésico Tempo
Rolar a bola no chão, 
correr, ultrapassá-la, 
detê-la com a testa.
Tátil Precisão
Conduzir a bola, 
rolando-a com a mão 
(utilizar as duas mãos) 
no chão, em diversas 
direções e em determi-
nados percursos.
Visual Tempo
Lançar a bola para 
o alto com as mãos, 
simultaneamente, e 
segurá-la após um 
quique no chão e, 
posteriormente, sem 
tocar no chão.
Tátil Tempo
Rolar a bola no chão, 
enquanto o compa-
nheiro tenta chegar à 
frente dela, correndo.
o treInaMento da coordenação no handebol 79
Material: bambolê
Quadro 7.3 – Exemplo de atividades para a faixa etária de 6-8 anos utilizando o bambolê
Analisador Condicionantes Exercício
Cinestésico Precisão
Andar quicando 
uma bola e, simul-
taneamente, puxar o 
companheiro que está 
dentro de um bam-
bolê o com os olhos 
fechados.
Material: pneu
Quadro 7.4 – Exemplo de atividades para a faixa etária de 6-8 anos utilizando o material pneu
Analisador Condicionantes Exercício
Tátil Complexidade
Passar por dentro do 
pneu de várias formas.
Vestibular Carga
Os companheiros, 
segurando-se mutua-
mente por um bambo-
lê, devem andar pisan-
do acima de uma fi leira 
de pneus, quicando 
uma bola, saltando 
sobre o pneu que se 
encontra no chão até 
que o último do grupo 
chegue à “terra fi rme”.
Manual de handebol80
Material: banco sueco, bola, arcos ou bambolês 
Quadro 7.5 – Exemplo de atividades para a faixa etária de 6-8 anos utilizando os materiais banco sueco, 
bola, arcos ou bambolês 
Analisador Condicionantes Exercício
Vestibular Precisão
Andar acima de um 
banco sueco invertido 
e quicar uma bola 
dentro de bambolês 
colocados no chão.
Vestibular Complexidade
Amarrar o pé direito 
de um companheiro 
ao pé esquerdo do ou-
tro e fazer que, juntos, 
corram e driblem cada 
um uma bola.
Vestibular Complexidade
Amarrar o pé direito 
de um companheiro 
ao pé esquerdo do ou-
tro e fazer que, juntos, 
corram e driblem cada 
um uma bola.
o treInaMento da coordenação no handebol 81
7.3.2 Idade: 8-10 anos, 2 elementos 
Material: bolas 
Quadro 7.6 – Exemplo de atividades para a faixa etária de 8-10 anos utilizando bolas
Analisador Condicionantes Exercício
Visual Tempo
Rolar duas bolas iguais 
no chão, correr, ultra-
passá-las e segurá-las.
Cinestésico Organização
Quicar duas bolas 
diferentes, simultanea-
mente, caminhando e 
correndo em diferentes 
direções.
Material: bola e arco
Quadro 7.7 – Exemplo de atividades para a faixa etária de 8-10 anos utilizando bola e arco
Analisador Condicionantes Exercício
Cinestésico Precisão
Quicar a bola uma vez 
dentro e outra fora 
de um arco no chão, 
variando o braço alea-
toriamente.
Visual Precisão
Enquanto o compa-
nheiro rola o arco no 
chão, quicar a bola, 
passando por dentro 
do arco de um lado 
para o outro.
Manual de handebol82
7.3.3 Idade: 10-12 anos, 3 elementos 
Material: bola, bastão e arco
Quadro 7.8 – Exemplo de atividades para a faixa etária de 10-12 anos utilizando bola, bastão e arco
Analisador Condicionantes Exercício
Cinestésico Complexidade
Puxarum arco por um 
bastão (um de cada 
lado), enquanto quica 
uma bola com a outra 
mão.
Cinestésico Complexidade
Puxar um pneu por 
uma corda (um de 
cada lado), enquanto 
passa a bola entre si, 
com as mãos desocu-
padas.
Material: bola, bastão e pneu
Quadro 7.9 – Exemplo de atividades para a faixa etária de 10-12 anos utilizando bola, bastão e pneu
Analisador Condicionantes Exercício
Cinestésico Complexidade
Puxar um pneu por 
um bastão (um de 
cada lado), enquanto 
se conduz uma bola 
com os pés.
o treInaMento da coordenação no handebol 83
Quadro 7.10 – exemplo de atividades para a faixa etária de 10-12 anos utilizando bola, corda e arco
Analisador Condicionantes Exercício
Visual Organização
Pendurar um arco, 
com uma corda no gol. 
Balançar o arco e lan-
çar bolas para acertar 
no alvo móvel. Depois 
colocar dois arcos que 
balancem em sentidos 
contrários 
7.4 Conclusões
O processo de aprendizagem motora no 
handebol se apoia no desenvolvimento da co-
ordenação e nas capacidades inerentes à reali-
zação das ações motoras basicas para a melhora 
da motricidade. Portanto, é necessário formular 
uma adequada sistematização do processo de 
ensino-aprendizagem das capacidades coorde-
nativas. Assim, para melhorar as capacidades 
coordenativas, é necessária a adequada sequ-
ência de exercícios que focalizam os diferentes 
condicionantes de pressão (são seis) da motri-
cidade. O processo de aprendizagem motora se 
complementa com jogos a serem propostos nas 
denominadas estruturas funcionais, nas quais o 
esporte é vivenciado a partir de formas de jogo 
reduzidas, com menos jogadores, mas que, pela 
sua manipulação didática em relação à quanti-
dade de jogadores, uso do espaço, do curinga 
etc., é possível aumentar o desenvolvimento 
das capacidades perceptivas e de tomada de 
decisão específi cas para resolver as situações 
de jogo, destacando que estas são semelhantes 
às que se encontram no jogo formal. Essas ati-
vidades solicitam dos alunos a alternância da 
atenção e da dissociação de segmentos muscu-
lares, ou ambos simultaneamente, no momento 
da realização das suas ações motoras, que é um 
dos aspectos fundamentais no handebol (por 
exemplo, como se observam nas exigências do 
movimento de engajamento). 
Deve-se destacar o potencial de combina-
ções possíveis nas atividades a serem realizadas, 
por exemplo: analisador visual, com pressão de 
tempo, de precisão e assim por diante. As ativida-
des devem ser realizadas, em todas as faixas etárias, 
com mãos, pés e com raquete-bastão, resultando, 
assim, em uma fabulosa combinação. 
Um analisador (exemplo visual) x 6 condi-
cionantes de pressão x 3 formas de realizar a ação 
(pé-mão, raquete/bastão) signifi ca que se têm 18 
Manual de handebol84
possibilidades de realizar a mesma atividade, de 
forma igual, porém sempre de forma diferente... 
Quando se combinam dois analisadores 
(por exemplo, visual e vestibular), encontramos 
um maior número de atividades plausíveis de se-
rem pensadas. O resultado final é quase infinito, 
pois se pode usar, ainda, materiais como bolas, 
bastões, arcos, pneus, entre outros.
Em relação às exigências coordenativas que 
se apresentam no handebol, observa-se que estas 
são gerais para as diferentes modalidades cole-
tivas de invasão, ou seja, são gerais em relação 
aos esportes e influenciam o nível de condução 
e regulação dos movimentos voluntários, tanto 
nos esportes quanto na vida cotidiana. As capa-
cidades coordenativas apresentam alto nível de 
treinabilidade e, para as crianças e adolescentes, 
constituem uma base para o desenvolvimento 
da inteligência motora31 e das técnicas especí-
ficas do esporte posteriormente. São altamente 
dependentes da herança genética, porém, são 
modificadas por meio do processo de ensino-
-aprendizagem e do treinamento. As capacidades 
coordenativas constituem o pré-requisito para 
mais de uma estrutura de diferentes movimen-
tos e apresentam uma amplitude e generalização 
variada. Diferentes fatores limitam o desenvol-
vimento das capacidades coordenativas. Entre 
estes, os mais importantes são: a quantidade de 
coordenações intra e intermusculares solicitadas 
no movimento, a condição dos analisadores, ou 
seja, o estado dos órgãos dos sentidos no mo-
mento de receber a informação do próprio cor-
po e do ambiente, a situação da aprendizagem, 
a experiência e o repertório de movimentos ad-
quiridos anteriormente, bem como as condições 
ambientais do processo de aprendizagem. 
Qualquer processo pedagógico não se resu-
me, simplesmente, ao ato de ensino-aprendizado, 
bem como o ensino-aprendizado não constitui, 
isoladamente, o processo pedagógico. O ato de 
ensinar e treinar implica oportunizar o desenvol-
vimento do indivíduo, potencializar suas capaci-
dades, habilidades, competências e, paralelamen-
te, compreender as formas de manifestação do 
comportamento, atitudes e valores implícitos em 
suas ações. Portanto, é fundamental a orientação 
pedagógica da práxis educativa em qualquer con-
teúdo que se proponha trabalhar. Em todas as for-
mas de manifestação do esporte, o eixo norteador 
da ação do professor situa-se, por excelência, no 
rol pedagógico. 
o treInaMento da coordenação no handebol 85
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para o programa segundo tempo. 1. ed. Porto 
Alegre: UFRGS, 2008. p. 81-111. v. 1
fundaMentos técnIco-tátIcos IndIvIduaIs coMuns de ataque e defesa 89
Parte III
Técnica
8 Fundamentos técnico-táticos individuais comuns de ataque e defesa
8.1 Posições de base
8.1.1 Definição
Considera-se como posição de base “o ges-
to que o jogador adota para desenvolver, a par-
tir dele, qualquer ação técnica” (Bárcenas e Ro-
mán Seco);1 “é a gesto-forma que devem adotar 
os jogadores de campo para a sua predisposição 
diante das intervenções futuras” (Falkowski e En-
ríquez);2 “a postura que o jogador adota, a partir 
da qual atua ou intervém, permitindo fazê-lo o 
mais rápido possível, como ponto de partida de 
qualquer intervenção” (VVAA).3
Uma vez assumida a posição básica, começa 
para o jogador a responsabilidade de assumir in-
tenções táticas, sejam elas ofensivas ou defensivas. 
As posições de base que se adotam antes e depois 
de todos os deslocamentos são de grande impor-
tância para as ações posteriores.
8.1.2 Princípios fundamentais
Segundo Bárcenas e Román Seco,4 os princí-
pios fundamentais são: adotar uma posição equi-
Juan J. Fernández, José M. Miragaya, Randeantony do Nascimento
libradae cômoda, que facilite intervenções em 
ações posteriores de forma continuada, à veloci-
dade conveniente e no momento oportuno.
A posição de base necessita de uma tensão 
regulada que favoreça a contração da musculatu-
ra. A atenção à situação da bola e aos jogadores 
deve manter-se de forma contínua, predispondo 
(antecipando) o jogador para a jogada posterior 
(implica o princípio da responsabilidade).
A aquisição de uma técnica básica ofere-
ce melhores possibilidades no que diz respeito à 
velocidade de reação e à velocidade contrátil do 
músculo, facilitando, assim, a entrada em ação do 
jogador no jogo.
8.1.3 Descrição do gesto técnico
No ataque, existem duas posições:
	 Estática: 
a) Cabeça: erguida com naturalidade;
b) Tronco: ligeiramente inclinado para frente;
c) Pernas: ligeiramente flexionadas, as-
simétricas e em situação cômoda, se-
guindo o princípio da perna contrária 
ao braço de lançamento à frente;
Manual de handebol92
d) Braços: com os cotovelos flexionados a 
90o e com a parte radial girada acima e 
ligeiramente separados do corpo;
e) Mãos: com os dedos estendidos e sepa-
rados, em atitude apropriada para rece-
ber a bola.
	 Dinâmica:
a) Pernas: simétricas, em suspensão alternada;
b) Pés: com apoios alternados sobre o 
metatarso.
Na defesa:
	 Cabeça: erguida, permitindo uma boa vi-
são periférica;
	 Tronco: ligeiramente flexionado;
	 Pernas: colocadas simétricas ou assimétri-
cas, segundo a necessidade do momento 
do jogo;
	 Braços: com os cotovelos flexionados a 
120o e com a parte radial girada acima e 
ligeiramente separados do corpo;
	 Mãos: com a face palmar dando frente ao opo-
nente e com os dedos abertos e estendidos.
O objetivo da posição de base consiste em 
oportunizar, a partir da antecipação corporal, a 
ação a ser concretizada e, portanto, beneficiar a 
rapidez de execução do movimento posterior.
Encontramo-nos com dois inconvenientes 
para a realização desse gesto técnico:
	 Paradas súbitas depois dos deslocamentos; 
	 Caso se adote a posição durante muito 
tempo, esta produz diminuição do rendi-
mento em razão do cansaço produzido pela 
tensão muscular.
8.2 Os deslocamentos
8.2.1 Deslocamentos sem bola
8.2.1.1 Definição
Pode-se definir o deslocamento como “todo 
o percurso corporal de um lugar ao outro do cam-
po utilizando como meio o movimento” (Antón)5 
ou “a ação de se deslocar (mover-se) de um lugar 
a outro pelo espaço de jogo sem estar em posse de 
bola” (Lasierra, Ponz e Andrés).6,7
Os deslocamentos são o suporte do resto das 
ações, tanto de ataque quanto de defesa, já que 
uma alta porcentagem dessas ações é realizada em 
movimento. Devem ser efetuados de forma equi-
librada para obter êxito nas ações posteriores.
Os deslocamentos são formas de movimen-
to que o jogador, sem estar em posse da bola, uti-
liza para se deslocar de um lugar a outro do cam-
po, tanto ofensiva quanto defensivamente. Seu 
objetivo principal é tratar de ocupar e abandonar 
espaços, assim como alcançar uma antecipação 
postural: chegar antes que o adversário. Iniciam-
se depois de ter adotada uma posição de base. O 
tipo e a forma de deslocamento determinam o 
fundaMentos técnIco-tátIcos IndIvIduaIs coMuns de ataque e defesa 93
momento do jogo em que nos encontramos. As 
paradas estão diretamente relacionadas a isso.
8.2.1.2 Princípios fundamentais
Para a realização dos deslocamentos, o jogador 
tem de adotar posições equilibradas que facilitem:
	 a iniciação do deslocamento (arrancadas);
	 as mudanças de direção e sentido;
	 as mudanças de ritmo (aceleração – desa-
celeração);
	 os equilíbrios – desequilíbrios;
	 as paradas.
A visão periférica mantém-se em todo momento 
durante os deslocamentos, procurando obter um gran-
de campo visual para facilitar a tomada de decisão. 
Deve-se buscar a orientação e o equilíbrio 
nos deslocamentos. De preferência, o jogador não 
deve cruzar as pernas nos deslocamentos para tro-
car de direção.
8.2.1.3 Classificação
Segundo as propostas de Bárcenas e Román 
Seco:4
(1) Pela trajetória escolhida:
	 Frontais para frente: dando frente (de frente) 
à trajetória adotada (escolhida, realizada);
fIgura 8.1 – Deslocamento para frente.
	 Frontais para trás: dando as costas à traje-
tória adotada (escolhida, realizada);
fIgura 8.2 – Deslocamento para trás.
	 Laterais para o lado direito e esquerdo: de 
lado à trajetória escolhida. 
fIgura 8.3 – Deslocamento para o lado.
Manual de handebol94
(2) Pela técnica de execução:
	 Em forma de marcha: quando há suspen-
são da perna de impulso, a outra perna está 
em contato com o chão;
	 Em forma de corrida: cada impulso rea-
lizado pela perna gera suspensão no jo-
gador. Depende da amplitude (influen-
ciada pela força e direção do impulso) e 
da frequência (dependente da coordena-
ção neuromuscular).
	 Em forma de deslizamento: os impulsos 
sucedem-se sem que os pés percam o con-
tato com o chão. As pernas aproximam-se 
e separam-se sem chegar a se cruzar em ne-
nhum momento. Este tipo de deslocamen-
to garante a máxima estabilidade, sendo, 
portanto, muito utilizado nos deslocamen-
tos defensivos.
fIgura 8.4 – Recepção de bola correndo para frente.
(3) Pela trajetória adotada:
	 Retilínea:
fIgura 8.5 – Trajetória retilínea.
	 Curvilíneas:
FIgura 8.6 – Trajetória curvilínea.
fundaMentos técnIco-tátIcos IndIvIduaIs coMuns de ataque e defesa 95
Também podemos considerar dentro dos 
deslocamentos:
	 a mudança de direção: utilização de traje-
tórias distintas sem paradas (interrupções);
	 a troca (mudança) de sentido: utilização da 
mesma trajetória na direção adotada para 
voltar à posição inicial;
	 as paradas: com elas, é necessário baixar o 
centro de gravidade, flexionando os mem-
bros inferiores e, se o deslocamento é em 
grande velocidade, levar o tronco ligeira-
mente atrás. Os pés podem tomar contato 
no chão simultânea ou alternadamente.
8.2.1.4 Descrição do gesto técnico
(4) Deslocamento frontal para frente e parada
Se a posição de pernas é assimétrica, levanta-
-se o calcanhar da perna de trás para impulsiona-se 
com a parte do pé que continua apoiada no chão.
Em deslocamentos em forma de marcha e 
deslizando, assim como nos deslocamentos curtos 
correndo, é conveniente que os braços se colo-
quem na posição de base recomendada de acordo 
com a fase ofensiva ou defensiva em que se encon-
tre o jogador.
Em deslocamentos longos, convém mudar a 
posição dos braços indicada nas trajetórias longas 
pelas posições de base correspondentes, quando o 
jogador se encontra próximo do objetivo, ou seja, 
com a proximidade (possibilidade) de receber a bola. 
Trata-se de obter a maior eficácia levando à prática o 
conceito fundamental da antecipação postural.
Quando a posição das pernas é simétrica, 
cumpre, para começar o ciclo de iniciação do des-
locamento, suspender e projetar à frente a perna 
contrária à de impulso.
Para interromper o deslocamento e ado-
tar uma posição de base, o jogador apoiará uma 
perna no chão com a força suficiente como se 
tentasse realizar um deslocamento para trás, di-
minuindo, ao mesmo tempo, a inclinação do 
tronco para frente.
A perna que tentar deter o impulso da pro-
gressão deve ser:
	 A que no momento do impulso esteja em 
suspensão;
FIgura 8.7 – Recepção em suspensão.
Manual de handebol96
	 Se o jogador está em suspensão, tomará 
contato com o chão de forma alternada, 
sendo a perna mais adiantada (à frente), cor-
respondente ao último passo, a que inter-
vém, necessitandotentar parar o percurso;
a separação entre ambas as pernas ficar exagerada, 
modifica-se imediatamente a situação da perna de 
trás, para obter uma posição equilibrada.
(5) Deslocamento frontal para trás e parada
Se a posição das pernas é assimétrica, freia-se 
totalmente com o pé correspondente à perna de 
trás, tanto na forma de marcha quanto na corrida 
e no deslizamento.
O começo dos outros ciclos determina-
-se por um novo impulso da perna de trás. O 
tronco projeta-se muito ligeiramente na posi-
ção do deslocamento, adotando, praticamente 
a posição vertical que facilite a velocidade e 
evite a perda de equilíbrio. Essas possibilidades 
não poderão ser alcançadas tentando-se man-
ter a postura do tronco para trás, acentuando o 
abandono da vertical.
O deslocamento em questão se realiza em 
forma de deslizamento; convém pontualizar que 
o grau de inclinação do tronco para frente é o 
mesmo preconizado para a posição de base.
Na posição simétrica das pernas, é neces-
sário, para iniciar o ciclo de deslocamento, sus-
pender e projetar para trás a perna contrária à 
de impulso. Com referência aos braços, devem 
manter-se as mesmas recomendações indicadas 
no deslocamento frontal para frente.
Para interromper o deslocamento e adotar a 
posição de base, o jogador freará o seu impulso, 
apoiando no chão com suficiente força a perna 
correspondente, como se na tentativa de se rela-
cionar a uma progressão para frente.
FIgura 8.8 – Recepção da bola alta na corrida. 
	 Nos casos em que o deslocamento seja des-
lizando e, portanto, não exista nenhuma 
perna em suspensão, a ação da parada será 
efetuada, logicamente, com a perna mais 
próxima à direção de transição.
Nas posições indicadas, se a força de impulso 
não permite obter a parada imediata com o apoio 
recomendado, deve-se conseguir definitivamente 
após mais um passo de um novo contato com o 
chão da perna que não interveio no princípio. Se 
fundaMentos técnIco-tátIcos IndIvIduaIs coMuns de ataque e defesa 97
De modo sincronizado se efetuará uma re-
ação regulada no sentido contrário à trajetória 
adotada anteriormente. O apoio indicado será 
realizado com o tornozelo levantado.
Com respeito à perna que intervém na de-
tenção da progressão, é necessário observar as se-
guintes normas:
	 Deve-se utilizar a perna que, no momento 
da ação, se encontra em suspensão (deslo-
cando-se em forma de marcha ou corrida); 
a perna indicada deve colocar-se para trás 
da situada em contato com o chão;
	 Estando o jogador em suspensão (corrida), 
tomará contato com o chão de forma al-
ternada, sendo a perna adiantada à frente, 
correspondente ao último passo, a que in-
tervém em primeiro lugar para tentar deter 
a progressão.
	 Quando o deslocamento é deslizante, a para-
da tentará ser igualmente com a perna mais 
adiantada (à frente) na direção do deslocamen-
to. Deverão ser levadas em conta as recomen-
dações específicas no deslocamento frontal 
para a frente, fazendo as correções oportunas 
na colocação das pernas, para tentar a deten-
ção (parada) definitiva, supondo não conse-
guir no primeiro momento (tentativa).
(6) Deslocamento lateral e parada
Tanto na posição simétrica como na assimé-
trica, eleva-se ligeiramente o tornozelo da perna 
de trás, impulsionando com a parte do pé que se 
encontra apoiada no chão; é igual na forma de 
marcha, de corrida ou de deslizamento.
Novos impulsos sucessivos sobre a perna de 
trás supõem o começo de outros ciclos para conti-
nuar o deslocamento.
Seja qual seja a direção escolhida, a perna 
de trás situa-se à altura daquela que está à frente 
(adiantada), mas sempre sem se cruzarem.
Com respeito à perna que intervém na de-
tenção do deslocamento, é recomendado que:
	 se a perna adiantada estiver em contato 
com o chão, apoia-se a outra perna à al-
tura da primeira, ampliando, seguidamen-
te, a abertura mediante uma retificação da 
perna à frente. Se a perna situada em sus-
pensão é a que estiver à frente, esta deverá 
tomar contato com o chão energicamente;
	 Se o jogador se encontrar em fase de suspen-
são no deslocamento, a tomada de contato 
com o chão efetuar-se-á alternadamente;
	 No deslocamento deslizante, a tentativa 
de parada efetua-se com a perna adiantada 
com respeito à direção empreendida.
(7) Troca de sentido sem mudar a orientação
Em qualquer deslocamento, deve-se impul-
sionar-se com a perna mais adiantada (à frente), 
respeitando a direção seguida antes de produzir 
a mudança de direção, em forma de marcha, de 
corrida como deslizante.
No deslocamento para frente e para trás, a 
perna de impulso será a direita ou a esquerda, in-
Manual de handebol98
distintivamente. Nos deslocamentos laterais, será 
a perna esquerda para o lado direito e a direita 
para a esquerda.
(8) Troca de direção sem mudar a orientação
Realiza-se igualmente impulsionando com 
a perna mais à frente (adiantada) com respeito à 
direção escolhida antes de se produzir a troca de 
direção, tanto nos deslocamentos frontais quanto 
nos laterais. É necessário levar em conta a força do 
impulso para facilitar a aceleração.
(9) Troca de direção e mudança de sentido varian-
do a orientação
No deslocamento, seja frontal ou lateral, impul-
siona-se com a perna que está adiantada mais à frente 
respeitando a direção adotada, antes de se produzir 
mudança de direção, tanto em deslocamentos em for-
ma de marcha quanto nos de corrida ou deslizamen-
to. Coincidindo com o impulso, tem de se realizar um 
giro com o pé correspondente para trocar (mudar) a 
orientação de que se trata, coordenando tudo com o 
resto do corpo. A nova orientação origina, logicamen-
te, um deslocamento frontal ou lateral.
8.2.2 Deslocamentos com bola
8.2.2.1Definição
São “os movimentos que o jogador que está 
em posse de bola realiza” ou a “ação de se mover de 
um lugar a outro do campo de jogo, de forma regu-
lamentada, estando em posse de bola, tanto dentro 
quanto fora do local específico e sem utilizar o qui-
que como recurso” (Falkowski e Enríquez).2
O objetivo principal será a penetração, o en-
gajamento, ou, na sua impossibilidade, manter a 
posse da bola, mas tendo sempre que considerar a 
característica do jogo em profundidade.
A técnica de deslocamento em posse de bola 
está limitada pelo que marca o regulamento do 
jogo, em parte, pelo número máximo de passos e, 
finalmente, pelo uso do dribling e a sua repercus-
são no ciclo de passadas. Portanto, pode-se dizer 
que, depois do terceiro passo, não é permitido 
realizar um novo contato com o chão se, previa-
mente, o jogador não se desprender da bola ou 
não utilizou a ação de bote.
Ainda que o princípio da técnica deter-
mine que o final do deslocamento com bola a 
perna à frente deve ser a contrária ao braço que 
controla a bola (deslocamentos fundamentais), 
as possibilidades do jogador devem ser mais nu-
merosas para poder atender a qualquer exigência 
do jogo de ataque (deslocamentos especiais). Por 
consequência, os movimentos escolhidos podem 
terminar com a perna do lado do braço que con-
trola a bola adiantada, mesmo com as pernas em 
posição simétrica.
Definição do ciclo de passos:
Ciclo = 3 passos para o jogador com bola.
Utiliza-se o dribling em qualquer momento, 
possibilitando um novo ciclo de passadas.
Exemplo da possibilidade máxima:
3 passos - bote - 3 passos
fundaMentos técnIco-tátIcos IndIvIduaIs coMuns de ataque e defesa 99
Inicialmente, resultam válidas as classifica-
ções realizadas para os deslocamentos sem bola, 
exceto por duas pequenas diferenças:
	 Os deslocamentosse realizam estando em 
posse de bola, sendo permitidos três passos 
com ela;
	 Em alguns momentos concretos, para ga-
nhar mais espaço ou velocidade, alguns 
passos podem converter-se em saltos.
8.2.2.2 Descrição do gesto técnico
Deslocamento frontal para frente:
Deslocamento lateral:
fIgura 8.9 – Deslocamento frontal.
fIgura 8.10 – Deslocamento lateral.
2
11
0
3
2
22
0
0
0
2
0
0
0
0
3
3
1 01 0 2
01
1 0
0
0
21
2 02 1
1 02 0
9
Juan J. Fernández, Pablo Juan Greco, Helena Vila, Luis Casáis, José M. Cancela
Fundamentos técnico-táticos 
individuais no ataque I
9.1.2 Princípios fundamentais
Não se deve olhar de forma contínua para 
quem possui a bola, mas se deve manter o contato 
visual com a bola quando se dirigir ao receptor.
Em qualquer circunstância, deve-se asse-
gurar o máximo a posse de bola e, se necessário, 
perder possibilidades de êxito ou retificar a po-
sição inicial.
Sempre se deve colocar o corpo entre a bola 
e o adversário, particularmente logo após recep-
cioná-la, iniciando-se o dribling.
Deve-se manter a atenção dividida entre a 
bola e o campo visual do jogo.
9.1.3 Classificação
Segundo a direção do passe e do receptor:
	 Frontais.
	 Diagonais para frente.
	 Laterais.
	 Diagonais para trás.
	 Por trás.
Segundo a altura do passe:
	 Intermediárias.
9.1 A recepção da bola
9.1.1 Definição
Define-se como “a ação de tomada de conta-
to com a bola com o objetivo de apoderar-se dela, 
controlando-a para realizar na continuação outra 
ação”. (Falkowski e Enríquez).2 É a ação específica 
e o efeito de receber a bola, assim como o gesto/
forma empregado para fazê-la.
A recepção supõe um dos elementos técnicos 
mais importantes, já que possibilita a posse de bola. 
É, pois, um ponto-chave para desenvolver todo o 
processo técnico seguinte, posto que seu domínio 
permite o êxito em intervenções posteriores, no 
momento oportuno e na velocidade conveniente.
O seu trabalho deve centrar-se no princípio 
da segurança, relacionado diretamente com a ve-
locidade do passe e a de deslocamento do receptor.
Este meio técnico está intimamente ligado 
ao passe, pelo qual se desenvolverão conjunta-
mente e, se possível, também com diferentes des-
locamentos.
A trajetória, a altura e o tipo de passe, assim 
como a posição dos jogadores e ações posteriores, 
determinarão o tipo de recepção.
Manual de handebol102
	 Altas.
	 Baixas.
Especiais:
	 Rodadas.
	 De bate-pronto.
9.1.4 Descrição do gesto técnico
Recepção frontal alta: os braços elevam-se 
estendidos à altura da cabeça, de tal forma que a 
bola se encontre dentro do campo visual do re-
ceptor. Sem interrupção, acompanhando a bola 
no seu percurso, segue-se elevando os braços até 
alcançar praticamente a vertical. A colocação das 
mãos será com os dedos orientados com a face 
para cima e na posição recomendada para rece-
ber a bola. A tomada de contato com a bola será 
produzida, aproximadamente, no centro da tra-
jetória compreendida entre a primeira elevação 
dos braços e a posição vertical (movimento de 
flexão-extensão).
Recepção frontal intermediária: os braços 
estendem-se para frente. De forma contínua, o 
receptor os flexionará, acompanhando o percurso 
da bola. A colocação das mãos faz-se com os de-
dos orientados para cima e na posição recomen-
dada para receber a bola. A tomada de contato 
com a bola será realizada, aproximadamente, no 
centro da trajetória compreendida entre os movi-
mentos de flexão-extensão dos braços. 
FIgura 9.1 – Recepção frontal alta. 
FIgura 9.2 – Recepção frontal intermediária. 
Recepção frontal baixa: os braços estendem-
-se para baixo. De maneira continuada, o recep-
tor irá flexioná-los, acompanhando a bola e sua 
trajetória. A colocação das mãos far-se-á com os 
fundaMentos técnIco-tátIcos IndIvIduaIs no ataqueI 103
dedos orientados para baixo e na posição reco-
mendada para receber a bola. O contato com 
a bola realiza-se no centro aproximado da tra-
jetória compreendida entre os movimentos de 
extensão-flexão dos braços.
As posições indicadas nas recepções frontais, 
seja qual for a sua altura, são aplicadas também 
para as recepções:
	 diagonais.
	 laterais.
	 por trás.
Mais que isso, incorpora-se um novo gesto: 
rotação do tronco para o lado de onde vem a bola, 
movimento do qual se acentuará progressivamen-
te até alcançar o nível máximo das recepções por 
trás. Dessa forma, não se modifica a força do des-
locamento e melhora-se a disposição para intervir 
na ação posterior.
Sobre as recepções por trás, e concretamente 
sobre a tomada de contato com a bola, convém 
ter presente as seguintes considerações:
Alturas altas, intermediárias e baixas:
	 Lado do braço executor: recebe com 
a mão contrária ao braço executor; a 
outra assegura a posse da bola.
	 Lado contrário ao braço executor: re-
cebe com a mão do braço executor; a 
outra assegura a posse da bola.
Nas recepções diagonais, laterais e por trás, 
o movimento de rotação que tem de ser realizado 
pelo jogador para não modificar o gesto normal 
do deslocamento e a velocidade da corrida fron-
tal, com o fim de não perder a força dos objeti-
vos sucessivos e alcançá-los o quanto antes, deve 
considerar-se transcendental, se queremos aplicar o 
princípio fundamental básico da técnica: o jogador 
deve estar disposto, em cada momento, para inter-
vir de forma imediata na ação posterior mais eficaz.
Recepções com a bola no chão:
	 Bola e jogador estáticos: devem ser 
aplicadas as normas indicadas no capí-
tulo de adaptação da bola, assegurando 
a sua posse com uma ou duas mãos.
FIgura 9.3 – Recepção com a bola no chão. 
	 Bola parada e jogador em deslo-
camento frontal: deve utilizar-se o 
procedimento chamado de “colher”, 
impulsionando a bola para frente no 
momento de adaptá-la com a mão do 
Manual de handebol104
braço executor. A outra mão, situada 
frontalmente à primeira, deve assegu-
rar a posse da bola tomando o contato 
com ela imediatamente depois da pri-
meira ação.
	 Bola e jogador em movimento, na 
mesma direção e sentido: deve uti-
lizar-se o procedimento igual ao da 
“colher”. No entanto, neste caso, para 
assegurar a posse da bola, a ação do 
impulso deve ser realizada para trás, 
adaptando-a com a mão contrária ao 
braço executor. A outra mão assegu-
rará a posse da bola imediatamente 
depois da primeira ação.
	 A utilização do procedimento de “co-
lher” leva implícita, ainda mais, a pos-
sibilidade de manter a velocidade má-
xima do jogador no seu deslocamento.
Para colher a bola nas recepções com a bola 
no chão, tendo em conta a distância até o chão, é 
melhor fazê-lo com uma flexão de tronco ao invés 
de flexão de pernas.
Recepção com quique:
Em algumas ocasiões, o jogador vê-se obri-
gado a receber bolas quando se encontra no ar 
e muito próximas do chão, não havendo tempo 
praticamente de recebê-las nas devidas condições 
até depois que as quiquem. A este tipo de recep-
ção denomina-se de “bote-pronto” e os movimen-
tos que se recomendam para efetuá-la são:
	 Bolas não controladas: a mão do bra-
ço executor acompanha a bola na sua 
trajetória descendente, logicamente 
coma a face palmar orientada para 
baixo. Depois do quique, a bola não 
retrocederá ligeiramente, tomando 
contato com a bola imediatamente 
depois, reduzindo, consequentemen-
te, a força da reação do impacto. A ou-
tra mão, com a palma orientada para 
cima, assegurará a posse da bola.
FIgura 9.4 – Recepção compasse quicado/indireto. 
	 Bolas controladas procedentes de pas-
ses indiretos: a mão do braço executor, 
com a face palmar para a bola, chega 
praticamente ao local de impacto so-
fundaMentos técnIco-tátIcos IndIvIduaIs no ataqueI 105
bre o chão para acompanhá-la na sua 
trajetória. A outra mão, com a face 
palmar para baixo, assegurará a posse 
da bola.
	 Nas recepções de quique pronto (rápi-
do), convém flexionar o tronco, como 
nas recepções com a bola no chão, 
para poder intervir com prontidão na 
ação posterior.
Até agora, tratamos das recepções com o jo-
gador em apoio. Só faltam, para finalizar as recep-
ções, aquelas nas quais o jogador se encontra em 
suspensão, dada a altura do passe, que denomina-
remos de salto.
Finalmente, como normas comuns para re-
alizar a recepção, concordamos com Bárcenas e 
Román Seco:1
	 Em recepções estáticas, a perna con-
trária ao braço executor deve estar 
adiantada, posição que favorece a con-
tinuidade imediata para intervir na 
ação posterior.
	 Nas recepções estáticas e em relação à 
posição das pernas e do tronco, é con-
veniente cumprir as indicações expos-
tas na posição de base ofensiva.
	 Nas recepções em deslocamento, a 
posição de pernas e do tronco está re-
lacionada com gestos técnicos de qui-
que, passe e lançamento.
	 A orientação do jogador não está con-
dicionada à trajetória do passe.
Quando os passes não são corretos em rela-
ção à situação do receptor, o que obriga a realizar 
uma postura forçada, o jogado deve retificar a sua 
situação, mesmo perdendo eficácia, em benefício 
da segurança.
9.2 Adaptação à bola
9.2.1 Definição
A adaptação da bola é um conceito de or-
dem técnica dentro da relação jogador-bola: “É a 
forma específica de colher e receber a bola com o 
objetivo de abranger a maior parte dela” (Falko-
wski e Enríquez).2
Trata-se do domínio que possibilita a rapi-
dez dos gestos técnicos posteriores, e seu objetivo 
é dar segurança à ação posterior.
9.2.2 Princípios fundamentais
	 Não olhar a bola;
	 A face palmar da mão não deve tocar 
a bola;
	 Utilizar, preferencialmente, as duas 
mãos para realizar a adaptação da bola.
Manual de handebol106
FIgura 9.5 – Adaptação à bola.
9.2.3 Descrição do gesto técnico
A bola é recebida com a face palmar mé-
dia e as últimas falanges (pontas dos dedos). Os 
dedos estão estendidos e abertos para abranger a 
maior superfície da bola. O polegar e o mínimo 
estão em oposição; o polegar forma, por sua vez, 
os lados de um triângulo com o indicador, que 
toma essa forma com o polegar e o indicador da 
outra mão. Tem de ficar, entre a superfície da bola 
e da mão, um espaço (a face palmar nunca toca 
a bola). Deve-se pressionar a bola com os dedos 
e mantê-los com firmeza para assegurar a posse, 
mas sem rigidez para facilitar o manejo posterior.
FIgura 9.6 – Recepção da bola. 
fundaMentos técnIco-tátIcos IndIvIduaIs no ataqueI 107
Não se deve confundir adaptação com re-
cepção (tomada de contato com a bola), já que, 
mais propriamente, a adaptação é a fase final da 
recepção. Tudo isso deve facilitar os movimentos 
naturais e coordenados do pulso para dar sequência 
ao gesto técnico seguinte, que é o manejo (quando 
estariam implicados o antebraço e o braço).
9.3 Manejo da bola
9.3.1 Definição
É o uso geral do braço executor (o braço que 
adaptou a bola). Pode-se definir como “o conjun-
to de todos os movimentos que o jogador tem que 
realizar com o braço executor desde o momento 
de controle da bola até que se desprende dela” 
(Bárcenas e Román Seco).4
A partir do momento em que se recepciona 
a bola, todo o manejo se realiza com um só braço. 
Com a adaptação, evitamos que a bola caia; com 
manejo, realizamos as ações técnicas posteriores. 
Dado que, no jogo, se utiliza preponderantemen-
te com uma só mão, o manejo da bola é um fator 
essencial da técnica que permite aumentar a efi-
cácia ofensiva e a qualidade das ações do jogador.
9.3.2 Objetivos
	 Um bom manejo apresenta maior des-
treza e domínio da bola;
	 Obter facilidade para trocar o tipo de 
gesto;
	 Fazer possíveis mudanças de ritmo no 
jogo (rápido-lento/lento-rápido);
	 Variedade das ações técnicas;
	 Permitir um movimento natural e 
continuado.
9.3.3 Princípios fundamentais
	 Devem-se realizar os movimentos jus-
tos e necessários;
	 Realizar os movimentos com destreza 
e espontaneidade;
	 Todas as ações devem ser contínuas 
(coordenar ações técnicas).
9.3.4 Descrição do gesto técnico
O manejo da bola permite todas as possibi-
lidades de movimento e amplitude do braço; as-
sim, depois de executar um controle com o braço, 
pode-se realizar:
	 elevação do braço (anterior, posterior, 
lateral direita e lateral esquerda);
	 flexão - extensão do cotovelo;
	 pronação - supinação do antebraço;
	 flexão, extensão, abdução e adução do 
pulso;
	 giro do braço e pulso;
	 circundução completa etc.
Manual de handebol108
FIgura 9.7 – Manejo da bola alta.
Um bom manejo consegue-se:
	 sem que o braço esteja rígido ou esten-
dido;
	 mantendo-se o ângulo no cotovelo e 
o braço “armado” para o lançamento;
	 não deixando o pulso rígido.
No plano frontal, pode-se falar dos estereó-
tipos de manejo denominados armação do braço, 
diferenciando-se quatro posições:
	 Alto: o braço segue a prolongação da 
linha do corpo e mantém um ângu-
lo em relação ao cotovelo; braço não 
estendido (braço com ligeira flexão). 
Adaptação da mão com os dedos vira-
dos para cima.
FIgura 9.8 – Posicionamento alto para o manejo da bola. 
fundaMentos técnIco-tátIcos IndIvIduaIs no ataqueI 109
Clássico: é o mais utilizado tanto em passes 
quanto em lançamentos. É o mais fácil de assimilar 
em crianças. Adaptação com a mão virada para cima 
e o braço e o antebraço formam um ângulo de 90o.
Altura intermediária: o braço prepara-se 
como continuação da linha dos ombros. Adap-
tação com os dedos virados para fora e ângulo de 
180o no cotovelo.
FIgura 9.9 – Posicionamento clássico para o manejo 
da bola.
FIgura 9.10 – Posicionamento intermediário para o 
manejo da bola.
Manual de handebol110
Altura do quadril: é mais baixo que o inter-
mediário. Adaptação com os dedos virados para 
baixo. Dar o passe caracteriza este tipo pelo fato 
de ter que ser realizado na altura do quadril.
jogador o máximo de possibilidades de progressão 
espacial com a bola, que amplia as oportunidades 
de realizar deslocamentos rápidos e de culminar 
este tipo de ação. Marca a estreita relação sujeito-
-bola, tanto em habilidades e destrezas como em 
recursos fundamentais, em função das faltas re-
gulamentares e dos encadeamentos com outros 
conteúdos técnicos.
FIgura 9.11 – Posicionamento na altura do quadril 
para o manejo da bola. 
Quando se falar em coordenação, é importan-
te levar em conta a cadeia cinética, já que, no mo-
mento de lançar, grande parte da força que damos à 
bola sai dos impulsos coordenados de todo o corpo.
9.4 O dribling
9.4.1 Definição
O dribling define-se como “a ação de lançar 
a bola contra o chão sem que exista perda de con-
trole sobre ela”.3 É a ação técnica que oferece ao 
FIgura 9.12 – Dribling. 
9.4.2 Princípios fundamentais
O uso de ambas as mãos, de forma alterna-
da, é imprescindível no quicar da bola, atendendo 
ao princípio do afastamento da bola com respeito 
ao defensor.
	 Basicamente, o jogador não deve olhar 
a bola;
fundaMentos técnIco-tátIcos IndIvIduaIs no ataqueI 111
	 Mantém-se o princípio permanente 
do “campo visual”;
	 Em nenhumcaso, o uso do quique 
deve provocar a diminuição desneces-
sária do ritmo coletivo.
Deve-se proteger a bola ante a um adversário 
próximo, para o qual o jogador tem que se colocar 
entre a bola e o adversário. Este recurso técnico 
só deve ser executado quando estiver plenamen-
te justificado, já que seu uso indevido supõe um 
freio em determinados momentos próprios do es-
porte coletivo no qual a velocidade de transição 
da bola é o nexo mais eficaz entre os atacantes; 
ou seja, não se pode progredir quicando a bola 
se existe um companheiro desmarcado e em boa 
posição para receber a bola.
Não obstante, aparecem situações concretas 
que requerem a execução e a oportuna utilização 
do quique usados contextualmente com outros 
recursos técnicos do jogador para:
	 saídas de fintas;
	 atrair o adversário;
	 se afastar do oponente;
	 evitar a perda da bola, uma vez dados 
os três passos regulamentares;
	 evitar a retenção da bola;
	 mudanças (trocas) de ritmo;
	 cadenciar o jogo em algumas circuns-
tâncias;
	 desdobrar (superar) o adversário;
	 se aproximar à distância de lançamen-
to (tiro);
	 dar tempo para que os companheiros 
se situem e organizem o ataque;
	 progredir dentro de uma distância es-
timada maior que a dos três passos. 
FIgura 9.13 – . 
9.4.3 Classificação
Adotando as propostas de Bárcenas e Ro-
mán,4 deverá ser:
Em função da distância que tem de percorrer:
	 unitário (um só quique ou bote): apli-
ca-se para unir dois ciclos de passos;
	 continuado (vários quiques).
Em função da altura:
	 alto;
	 baixo.
Manual de handebol112
Em função da trajetória da bola:
	 vertical;
	 oblíqua.
9.4.4 Descrição do gesto técnico
Dribling alto vertical:
	 Cabeça: erguida, obtendo em todo 
momento o campo visual útil;
	 Tronco: em posição natural ou ligeira-
mente flexionado (se o quique é baixo, 
a flexão se acentua mais);
	 Braço executor: antebraço ligeiramen-
te flexionado sobre o braço e separado 
do corpo;
	 Pernas: flexionadas, tanto simétrica 
como assimetricamente; neste caso, 
adiantar a perna contrária ao braço 
executor;
	 Controle do dribling: o contato da 
bola efetua-se com a mão aberta, 
sendo os dedos e a face média da 
palma a superfície de contato, com 
movimento coordenado do braço 
executor efetuando uma elevação do 
antebraço e uma flexão-extensão do 
pulso. É utilizado para deslocamen-
tos em forma de marcha ou em caso 
de botes unitários.
Dribling baixo:
FIgura 9.14 – Dribling baixo. 
	 Cabeça: tentando obter um campo vi-
sual amplo;
	 Tronco: semiflexionados;
	 Pernas: em posição assimétrica, adian-
tando a perna contrária ao braço exe-
cutor. Em comparação com o bote 
alto oblíquo, a flexão acentua e am-
plia, de forma regulada, a separação 
das pernas, pois, ao se chegar o tronco 
no chão colocando o peso do corpo 
na perna adiantada, produz-se certa 
descompensação que deve ser corrigi-
da abrindo-se o compasso das pernas 
para manter o equilíbrio;
fundaMentos técnIco-tátIcos IndIvIduaIs no ataqueI 113
FIgura 9.15 – . 
	 Controle do dribling: se a ação é con-
tinuada, devemos manter o indica-
do para o bote vertical oblíquo, mas 
com trajetória menos acentuada, ou 
se efetua o bote com menor altura e 
mantém-se reduzida a trajetória da 
bola. A força do golpe deve diminuir 
consecutivamente.
	 No bote baixo, em que existe uma 
grande inclinação do tronco, deve-se 
evitar um aumento exagerado da fle-
xão das pernas, já que isso atrapalharia 
a velocidade de deslocamento.
FIgura 9.16 – .
Dribling oblíquo:
	 Cabeça: ligeiramente flexionada;
	 Braço executor: produz-se uma maior 
extensão do antebraço e a bola proje-
ta-se para frente;
	 Pernas: de acordo com a corrida;
	 Controle do dribling: o impulso da 
bola deve ser elevado para assegurar 
uma trajetória suficientemente oblí-
qua e regulada, na direção em que se 
desloca o jogador e que melhor permi-
ta a progressão;
	 Este tipo de dribling pode regularizar-
-se em benefício da velocidade, com 
intervalos amplos que permitam in-
tercalar vários passos entre cada con-
tato com a bola.
Manual de handebol114
Mudança de direção no dribling:
	 Jogador destro que modifica sua dire-
ção para o lado direito: toma impul-
so com a perna esquerda, muda de 
orientação, dirige a bola para a nova 
direção, mantendo o dribling. Segui-
damente, volta a utilizar a mão do 
princípio;
	 Jogador destro que modifica sua di-
reção para o lado esquerdo: impulso 
dado com a perna direita, mudando 
de orientação e dirigindo a bola para a 
nova direção sem trocar de mão.
 
Mudança de sentido no dribling:
	 Giro para o lado direito: impulso com 
a mão esquerda mudando de orien-
tação, dirigindo a bola para a nova 
trajetória, ajudando-se com a mão 
esquerda e golpeando em ação de dri-
bling contínuo. Seguidamente, volta a 
utilizar a mão do início;
	 Giro para o lado esquerdo: impul-
so sobre a perna direita trocando de 
orientação e dirigindo a bola para a 
nova trajetória sem trocar de mão;
	 As indicações específicas anteriores 
são válidas para os jogadores canho-
tos, tendo em conta que o bote se rea-
liza com a mão esquerda. 
9.5 O desmarque (jogar sem bola)
9.5.1 Definição
O desmarque define-se como a “ação suces-
siva que persegue a ocupação de um espaço eficaz 
antes que o defensor eluda sua marcação” (Trosse).8
Desmarcar-se é “escapar” das possibilidades de 
intervenção dos defensores, com o fim de se encontrar 
livre para atuar, mas, também, deve resultar acessível a 
outro colega para participar na conservação e na pro-
gressão da bola ou na realização de um gol. Esta ação 
está intimamente ligada à recepção, já que o desmar-
que é fundamental para poder receber a bola. Para se 
desmarcar, o jogador realiza duas ações: oferecer-se no 
espaço e se orientar em relação à situação de jogo, gol 
adversário, companheiros de time.
9.5.2 Objetivos
	 Esquivar-se da marcação ou, em seu 
efeito, reduzi-la para eficácia pela ob-
tenção de uma ligeira vantagem den-
tro dos espaços de manobra mais vari-
áveis em função da distância.
	 Superar a vigilância de um ou vários 
adversários para provocar, coletiva-
mente, uma situação de superiorieda-
de numérica que facilite a conclusão 
do ataque e crie as condições favorá-
veis para a ação final.
fundaMentos técnIco-tátIcos IndIvIduaIs no ataqueI 115
	 Buscar espaços livres no jogo de ata-
que, bem como para receber a bola ou 
facilitar a ação dos companheiros.
	 Oferecer-se como opção de passe ao 
colega com bola.
9.5.3 Princípios fundamentais
O desmarque terá êxito se conseguirmos 
certa vantagem sobre o defensor para poder re-
ceber a bola, para o qual devemos nos afastar da 
zona de atuação deste.
O campo visual deve concentrar-se em um 
lugar alheio ao objetivo previsto, com o fim de 
conseguir maior informação global do jogo e não 
dar pistas ao oponente.
Realizá-lo no momento oportuno e à velo-
cidade conveniente; recomenda-se a realização de 
troca de direção e de velocidade da ação.
A chave do desmarque reside em observar a 
distância adequada, evitando o contato físico com 
o defensor.
9.5.4 Classificação
Em função da situação do defensor:
	 desmarque direto, buscando-se a pene-
tração ante ao desequilíbrio do defensor.
	 desmarque com mudança de direção, 
quando o desequilíbrio inicial do defensor 
não é tão grande e, portanto, insuficiente.
Em função da trajetória empregada:
	 desmarque em profundidade: deslo-
car-separa o objetivo, o gol, ou espa-
ços vários próximos a este, utilizando-se 
trajetórias retilíneas e curvilíneas;
FIgura 9.17 – Desmarque em profundidade com tra-
jetória retilínea.
	 desmarque em apoio: deslocando-se 
para assegurar a conservação da bola 
e criar espaços para os companheiros, 
utilizando-se trajetórias retilíneas e cur-
vilíneas, mas com mudanças de direção.
FIgura 9.18 – Desmarque em apoio.
Manual de handebol116
9.5.5 Descrição do gesto técnico
A realização do desmarque depende, fun-
damentalmente, dos deslocamentos sem bola do 
possível atacante receptor; para isso, deve situar-se 
oportunamente sobre o campo de jogo, fazer pos-
síveis transmissões e facilitar, assim, a circulação 
da bola e sair das zonas possíveis de interceptação 
e de oposição ocorridas pela vigilância dos adver-
sários. Não se deve adotar a imobilidade, mas, 
com seus deslocamentos, tem de se situar em uma 
zona favorável para a transmissão da bola. Deve 
consegui-lo descentrando-se, momentaneamente, 
da bola para se informar sobre as zonas nas quais 
ele poderá desenvolver a sua ação (espaços livres). 
A esse conjunto de ações prévias ao recebimento 
da bola denomina-se corrida de desmarcação. Es-
tas dependerão de uma trajetória específica que o 
atacante sem bola empregue para ocupar as possí-
veis zonas de recepção e ajustar-se aos princípios 
dos deslocamentos.
9.6 O passe 
9.6.1 Definição
O passe é “a ação de transladar ou enviar 
a bola de um jogador a outro” (Trosse),8 assim 
como “o gesto/forma apropriado que se pode 
empregar” para transportar a bola de um local a 
outro da quadra.
É considerado uma das habilidades funda-
mentais para o jogo, já que permite a comunicação 
entre jogadores que estão realizando ações coleti-
vas. Este elemento é fundamental ou se concreti-
za no vínculo de relação entre os jogadores. Deve 
realizar-se sempre com as máximas garantias de se-
gurança para alcançar a continuidade no jogo.
9.6.2 Princípios fundamentais
Deve ser realizado sobre o jogador situado 
nas condições mais favoráveis para que a ação pos-
terior adquira a maior eficácia.
Deve-se dominar o maior número de tipos 
de passe, selecionando o mais adequado a cada 
situação de jogo.
Tem de ser realizado com suficientes garan-
tias de posse. Recomenda-se ao jogador com posse 
de bola que comprove previamente e com rapidez 
a situação dos oponentes mais próximos ao recep-
tor e suas possibilidades de cortar a trajetória do 
passe. Antes de se realizar um passe deficiente ou 
inútil, em que a bola não chegará ao seu destino, 
é preferível trocar sua direção, ainda que esta nova 
ação não tenha maior transcendência.
Durante a sua execução, não se fixa o olhar 
para o possível receptor, ainda que previamente 
tenha de se estabelecer contato visual com ele.
Deve realizar-se com tensão adequada. A 
força deve regular-se em função da distância exis-
tente entre o passador e o receptor. Não devemos 
nos esquecer de que a bola no ar não prejudica o 
defensor e é totalmente necessário que, além do 
fundaMentos técnIco-tátIcos IndIvIduaIs no ataqueI 117
seu translado, chegue ao seu destino no tempo 
mais breve possível.
Deve fazer-se com precisão. Um passe mal-
dirigido obriga a modificar posições adotadas, 
atrasando a intervenção do jogador e, como con-
sequência, a da equipe. Geralmente, se o receptor 
é marcado próximo, a direção é ao ombro do bra-
ço executor. Se for marcado à distância, o passe 
será feito ao espaço livre de marcação. Se o recep-
tor está em deslocamento, a direção será sempre 
ligeiramente por diante do receptor.
Com oponente próximo, deve-se proteger a 
bola colocando-se entre ela e o adversário.
A utilização de um tipo de passe ou outro 
está determinado pelo(a):
	 altura da recepção;
	 situação do adversário;
	 tipo de ação posterior;
	 velocidade de execução coletiva;
	 posição do corpo em relação ao braço 
dominante.
9.6.3 Classificação
Em contato com chão (com uma mão):
	 clássico (frontal e lateral).
	 altura intermediária ombro-quadril 
(frontal e dorsal).
	 altura baixa (frontal e lateral).
	 em pronação (frontais, laterais, e para 
trás).
	 por trás do corpo (frontais e laterais).
	 por cima do ombro do braço executor.
	 deixada.
	 retificado.
	 entre as pernas.
Em contato com o chão (com as duas mãos):
	 de peito;
	 por cima da cabeça.
Em suspensão (com uma mão):
	 frontal;
	 lateral.
9.6.4 Descrição do gesto técnico
Suporemos que o jogador executante seja 
destro.
	 Passes em com contato com o chão (Com uma 
mão) ou passe em apoio:
Clássico frontal (altura do ombro do braço 
executor): o braço coloca-se em posição horizon-
tal (altura do ombro) e o antebraço, semiflexio-
nado, em posição vertical orientado para cima. O 
braço e o antebraço formam, praticamente, um 
ângulo reto. A face palmar da mão que controla a 
bola situa-se dando frente à direção do passe com 
os dedos orientados para cima. Ligeira rotação do 
tronco ao mesmo tempo que se projeta o braço 
executor na direção do lançamento.
Manual de handebol118
FIgura 9.16 – Passe clássico frontal. (FOTO PÁGINA 
75, Livro Balonmán)
Clássico lateral para o lado direito (altura do 
ombro do braço executor): igual disposição da uti-
lizada para o passe clássico frontal, mas acentuando 
a rotação do tronco. Não se realiza desrotação.
Clássico lateral para o lado esquerdo (altura 
do ombro do braço executor): posição igual à do 
passe clássico frontal. A partir deste momento, ro-
tação, desrotação e nova rotação do tronco para o 
lado do lançamento, projetando o braço executor 
na direção do passe.
Altura intermediária, ombro-quadril (fron-
tal): o antebraço coloca-se ligeiramente flexionado 
sobre o braço, com a extremidade radial orientada 
para cima. A face palmar deve estar em direção ao 
passe, com os dedos orientados lateralmente. O 
tronco deve estar ligeiramente inclinado e roda-
do para o lado do braço executor. A continuação 
desfaz a rotação do tronco e projeta-se o braço na 
direção do passe.
Altura intermediária, ombro-quadril (lateral 
para o lado direito): com exceção da inclinação 
do tronco, a posição corresponde ao passe clássico 
frontal, altura intermediária, mas aumentando a 
rotação do tronco para o lado do braço executor. 
Não se desfaz a rotação do tronco. Projeção do 
braço executor na direção do passe.
Altura intermediária, ombro-quadril (lateral 
para o lado esquerdo): posição igual à do passe 
clássico frontal, altura intermediária. A partir des-
te momento, efetua-se uma rotação, desrotação e 
uma nova rotação do tronco para o lado do lan-
çamento, projetando o braço executor na direção 
do passe.
Altura baixa (frontal): a posição correspon-
de ao passe clássico frontal, altura intermediária, 
com lógica variação na altura de iniciação do 
gesto que obriga uma maior inclinação do tron-
co. Este movimento converte-se em semiflexão 
à medida que a posição de início se aproximada 
do chão, uma vez que o braço executor perde 
horizontalidade.
Altura baixa (lateral para a direita): acentu-
ando a inclinação do tronco para o lado do braço 
executor, a posição corresponde à do passe clássi-
co lateral para o lado direito, altura intermediária. 
Diferencia-se pela altura da posição inicial, que, 
neste caso, por ser mais baixa em relação ao braço 
executor, descende perdendo a horizontalidade.
Altura baixa (lateral para a esquerda): par-
tindo da posição do passe clássico frontal, altura 
baixa, produz-se rotação, desrotação e nova rota-
ção do troncopara o lado de lançamento, proje-
tando o braço executor na direção do passe.
De pronação frontal (altura intermediária): 
a bola adapta-se às duas mãos (altura do abdô-
men, aproximadamente). Os antebraços colo-
cam-se ligeiramente flexionados sobre os braços, 
com a extremidade radial virada para cima. O 
tronco se mantém ligeiramente inclinado para 
frente. No momento em que a mão contrária ao 
braço executor perde contato com a bola, aquele 
se estende na direção do passe, efetuando-o, ao 
mesmo tempo que se produz um movimento de 
pronação para facilitar a impulsão do lançamento. 
fundaMentos técnIco-tátIcos IndIvIduaIs no ataqueI 119
Na altura baixa, realiza-se da mesma forma. Neste 
caso, a bola parte de uma posição mais próxima 
do chão e, em conseqüência, a inclinação do cor-
po é maior (pronunciada).
De pronação lateral para a direita (altura in-
termediária): a posição de início é similar à indi-
cada no passe de pronação frontal, por exceção do 
braço executor na direção do passe. Realiza-se da 
mesma forma na altura baixa e, consequentemen-
te, a inclinação do tronco é maior.
De pronação lateral para trás (altura interme-
diária): a posição de início é similar à indicada no 
passe de pronação frontal. Devemos realizar um 
movimento de rotação do tronco para o lado do 
braço executor no momento em que se efetua a ex-
tensão e a pronação do braço na direção do passe.
FIgura 9.17 – Passe pronado lateral para trás. (FOTO 
PÁGINA 77, Livro Balonmán)
Por trás, lateral para a esquerda: orientado 
para baixo, o antebraço coloca-se ligeiramente fle-
xionado sobre o braço e à altura do quadril. A pal-
ma da mão controla a bola de frente para o corpo. 
O tronco mantém-se ligeiramente inclinado para 
frente. Coincidindo com uma rotação e ligeira in-
clinação do tronco para o lado contrário do braço 
executor, projeta-se este por trás, como se tentás-
semos abraçar o próprio corpo. Neste momento, 
o jogador, com a linha dos ombros orientada na 
direção do passe, culminará a ação do lançamento 
com movimento de supinação. Este passe realiza-
-se, também, frontalmente. Neste caso, a rotação 
do tronco é mais articulada e o movimento de su-
pinação, mais acentuado.
Por cima do ombro do braço executor: o bra-
ço executor, em semiflexão, coloca-se à altura da 
cabeça, aproximadamente. A palma da mão que 
controla a bola fica orientada para cima. Ligeira ro-
tação do tronco, para o lado do braço executor, com 
uma suave inclinação. Efetua-se o passe mediante 
impulso dado pelo braço executor, acentuando-se, 
neste momento, a rotação do tronco e orientando 
a face palmar da mão na direção do passe. Neste 
lançamento, pode fazer-se lateral ou frontal. Disso 
dependerá o grau de rotação do tronco.
Deixada (vaselina): efetua-se uma rotação 
do tronco para o lado do braço executor, que se 
estende para trás com a palma da mão que con-
trola a bola orientada para cima. Seguidamente, 
abre-se a mão, com a qual a bola fica sem susten-
tação sobre a face palmar modelada como ban-
deja, efetuando-se ligeiro impulso para cima ao 
tempo em que se retira, de forma súbita, a mão.
Retificado: efetua-se uma flexão de tronco 
para o lado contrário ao braço executor, e este rea-
liza um movimento de flexão por trás da cabeça e 
a posterior extensão para se desfazer da bola.
FIgura 9.18 – Passe retificado. (FOTO PÁGINA 78, 
Livro Balonmán)
Entre as pernas: realiza-se com o último pas-
so mais longo do que o habitual; quando se apoia 
o pé no chão, o braço oscila para o centro, entre 
as pernas, efetuado o passe.
Manual de handebol120
	 Passe em contato com o chão (com as duas mãos)
De peito frontal: os braços semiflexionados 
e recolhidos próximos ao corpo adotam a técnica 
de adaptação da bola com as duas mãos. O tron-
co mantém-se ligeiramente inclinado para frente. 
Estendem-se os braços para frente na direção do 
passe, efetuando, ao mesmo tempo, o impulso 
da bola mediante um movimento de pronação 
simultânea com ambos os braços. Se o passe for 
lateral, será necessário acrescentar uma rotação do 
tronco para o lado do passe.
Por cima da cabeça: os braços ficam ligeira-
mente flexionados e dirigidos para cima. As mãos 
colocam-se na posição recomendada na técnica de 
adaptação da bola com as duas mãos. O tronco 
mantém-se erguido. Impulsiona-se a bola na di-
reção do passe, projetando os braços para frente e 
inclinando, às vezes, o tronco, na mesma direção. 
No caso de passe lateral, deverá haver uma rota-
ção do tronco para o lado do passe.
	 Passe em suspensão (com uma mão)
Frontal: o impulso começa na perna contrá-
ria do braço executor, flexionando-a ligeiramente 
para incrementar o impulso; eleva-se o corpo e o 
braço que controla a bola verticalmente até alcan-
çar a máxima extensão do braço, ou, também, se 
pode alcançar mediante um movimento de cir-
culação. A superfície palmar da mão orienta-se 
na direção do passe. No momento do impulso, 
a perna do braço executor flexiona-se para cima 
para favorecer a rapidez da suspensão (do salto) e 
alcançar a máxima altura. O gesto total deverá ser 
acompanhado de uma desrotação do tronco para 
o lado do braço executor. O lançamento efetua-se 
projetando o braço na direção do passe, coincidin-
do com uma desrotação do tronco. Pode estabele-
cer-se igualmente a suspensão impulsionando-se 
simultaneamente com as duas pernas, ainda que, 
neste caso, a disposição do braço executor deva 
conseguir-se mediante uma trajetória vertical.
Lateral para a direita: mantêm-se as mesmas 
indicações especificadas no passe clássico frontal, 
mas, na execução, devemos acrescentar um mo-
vimento de pronação do braço. Não se desfaz a 
rotação do tronco. 
Lateral para a direita: mantêm-se as mesmas 
indicações especificadas no passe clássico frontal, 
mas, na execução, devemos acrescentar um mo-
vimento de pronação do braço. No momento do 
passe, produz-se uma ligeira rotação para o lado 
oposto do braço executor.
9.7 O lançamento ao gol
9.7.1 Definição
Define-se como “a ação de aplicar um im-
pulso à bola de forma que percorra uma distância 
determinada em direção ao gol, procurando supe-
rar o goleiro e conseguir o gol”.3
É a ação técnica com a qual culmina o jogo 
no ataque. Resulta da coordenação de ações indi-
viduais, grupais ou coletivas e das contribuições 
fundaMentos técnIco-tátIcos IndIvIduaIs no ataqueI 121
técnicas dos jogadores no ataque que dirigem os 
seus esforços para conseguir o gol, considerado 
objetivo fundamental. Encontrar a situação ide-
al para o lançamento ao gol é a tarefa básica do 
jogo ofensivo, que finaliza com essa ação e que, 
de certa forma, supõe o fracasso ou êxito do jogo 
anteriormente elaborado.
9.7.2 Princípios fundamentais
O lançamento deve ser realizado quando se 
conseguir trajetórias livres de marcação. Conside-
ra-se que o jogador obteve estas possibilidades:
	 quando entre o atacante e o gol não 
existem mais obstáculos que o goleiro;
	 quando entre o atacante e o gol se en-
contram vários jogadores de campo, 
oponentes à distância, mas existem 
trajetórias livres de marcação;
	 quando entre o atacante e o gol se 
encontra um oponente em marcação 
próxima, mas se obtêm trajetórias li-
vres de marcação modificando a altu-
ra ou o tipo de lançamento e, como 
consequência, a situação primária do 
braço executor.
O lançamento deve ser rápido nas suas duas 
vertentes fundamentais:
	 Mínimo de espaço de tempo na sua 
execução.
	 Que a bola percorra a trajetória esco-
lhida no mínimo espaço de tempo.
O lançamento deve responder ao denomi-nador comum da precisão, não isento de rapidez, 
escolhendo a trajetória adequada dentro do ângu-
lo de tiro que se apresenta.
9.7.3 Classificação
Em função da altura do lançamento, para 
efeitos de localização das zonas onde se dirige a 
bola, divide-se a altura do gol em três partes:
	 Zona número 1: altura superior;
	 Zona número 2: altura intermediária;
	 Zona número 3: altura baixa.
FIgura 9.19 – Divisões do gol.
A altura do lançamento pode ser determi-
nada por:
Manual de handebol122
	 características antropométricas do goleiro;
	 características físicas do goleiro;
	 situação e posição do goleiro.
Nos lançamentos desde a linha da área de 
gol, é recomendável escolher a trajetória corres-
pondente ao lado em que se encontra apoiada 
uma perna do goleiro se a outra estiver em sus-
pensão.
Deve proceder-se da mesma forma se o lan-
çamento se realiza desde um posto específico da 
ponta. Neste caso, não importa se a perna que 
está apoiada pelo goleiro é a correspondente ao 
ângulo menos amplo sempre e quando exista en-
tre ela e o poste mais próximo a distância mínima 
para que passe a bola.
Se o goleiro, além de intervir em suspensão, 
realiza uma progressão de fechamento ao executor 
do lançamento, convém escolher uma trajetória 
parabólica.
É imprescindível que o jogador domine 
a ação de retardar o lançamento ao gol quando 
existirem tais circunstâncias. Não devemos nos 
esquecer de que o goleiro tenta sempre intuir, 
antecipadamente, a trajetória da bola escolhida, 
tanto em direção como em altura.
Isso oferece a possibilidade de mudar ime-
diatamente a trajetória pensada no início, circuns-
tância que se torna fundamental na observação 
específica, no domínio da bola, manejando-a com 
destreza, na coordenação de movimentos que im-
plicitamente apresentam as mudanças súbitas de 
gesto/forma.
Com base na linha de jogo, os motivos de 
interpretação do jogador que se consideram lan-
çamentos importantes são os seguintes:
Quadro 9.1 – Tipos de lançamentos no handebol
Tipo de 
lançamento / 
linha ofensiva
Primeira linha
(Armadores)
Segunda linha
(pontas e pivô)
Clássico
Altura do ombro
Altura do quadril Altura do quadril
Altura baixa Altura baixa
Retificado
Lado contrário do 
braço sem queda
Lado contrário do 
braço sem queda
Lado contrário do 
braço com queda
Lado contrário do 
braço com queda
Mesmo lado do 
braço com queda
Mesmo lado do 
braço com queda
Suspensão
Adquirindo a 
maior altura 
possível
Adquirindo a 
maior altura 
possível
Salto
Sem queda, ad-
quirindo a máxi-
ma profundidade
Sem queda, ad-
quirindo a máxi-
ma profundidade
Salto com queda
Salto sem queda
Caindo sem salto
Caindo com salto
Além desses lançamentos durante o jogo 
posicional, ainda existe o lançamento de sete me-
tros, que ocorre quando o atacante sofre uma falta 
quando está em clara chance de gol.
9.7.4 Descrição do gesto técnico
	 Primeira linha
fundaMentos técnIco-tátIcos IndIvIduaIs no ataqueI 123
Clássico (altura do ombro do braço executor): 
realiza-se da mesma forma que o passe clássico fron-
tal, mas com uma armação mais ampla, a rotação do 
tronco mais acentuada e uma desrotação instantânea.
Foto 9.20 – Lançamento clássico. (FOTO PÁGINA 
84, Livro Balonmán)
Altura intermediária: dão-se as mesmas con-
siderações que para o passe, com as observações 
expostas anteriormente.
Foto 9.21 – Lançamento da altura quadril. (FOTO 
PÁGINA 84, Livro Balonmán)
Altura baixa: idem.
FIgura 9.22 – Lançamento de altura baixa. (FOTO 
PÁGINA 84, Livro Balonmán)
Retificado pelo lado contrário ao braço exe-
cutor (sem queda): partindo de uma posição de 
lançamento clássico ao gol, efetua-se uma incli-
nação do tronco ao mesmo tempo que se produz 
uma abdução do braço executor com a extremi-
dade cubital virada para cima e situando-se por 
trás da cabeça. Finalmente, produz-se, desde essa 
posição, uma rotação e desrotação do tronco.
FIgura 9.23 – Lançamento retificado sob o braço. 
(FOTO PÁGINA 85, Livro Balonmán)
Retificado pelo lado contrário do braço exe-
cutor (com queda): dá-se uma inclinação maior, 
colocando o corpo quase na horizontal. Depois 
do lançamento, a mão contrária à do braço execu-
tor coloca-se no chão.
Foto 9.24 – Lançamento retificado pelo lado contrá-
rio ao braço executor. (FOTO PÁGINA 85, Livro Ba-
lonmán)
Retificado pelo mesmo lado do braço execu-
tor (com queda): partindo de uma posição de lan-
çamento com armação para o lançamento interme-
diário, produz-se uma flexão e rotação do tronco 
para o lado do braço executor, que, no momento 
da armação, se projeta para trás. O lançamento 
produz-se por meio de uma desrotação do tronco, 
e o corpo fica sobre o chão em contato dorsal.
	 Primeira e segunda linha
Em suspensão: a sua execução corresponde-
-se com a do passe frontal em suspensão, mas com 
uma rotação mais acentuada. A armação pode 
produzir-se igual ou bem no que se denomina 
“armação em aspas”, elevando o braço mediante 
um movimento de circundunção. No momento 
do lançamento, produz-se uma flexão e rotação 
do tronco.
Em salto (sem queda): impulsiona-se com 
a perna mais adiantada, buscando profundidade. 
Coincidindo com salto, produz-se uma rotação 
de tronco e correspondente armação. Este tipo de 
lançamento sofre modificações segundo o posto 
específico de que se trata. Desde a ponta e com 
lado bom, deve ampliar-se o ângulo de lançamen-
Manual de handebol124
to e, desde o lado mal, produzir uma inclinação 
do tronco e uma armação por trás da cabeça. 
	 Segunda linha (pontas)
Em salto (com queda): é um lançamento ca-
racterístico dos pontas. A sequência de execução 
é a seguinte:
	 Recepção: o mais próximo da linha de 
6 metros, com uma aproximação rápida 
a ela.
	 Batida: o mais próximo da linha, de 
forma explosiva e enérgica, com tra-
jetória para a linha de 7 metros e ga-
nhando profundidade e altura no salto.
	 Voo: o mais longo possível para au-
mentar o ângulo de lançamento. A 
armação do braço produz-se o mais 
tarde possível para que a bola não seja 
interceptada pelos defensores e o go-
leiro a veja durante pouco tempo.
	 Armação: não há estereótipos. Depen-
de da posição do goleiro.
	 Trajetória: normal, parabólica ou em 
rosca (com efeito).
	 Queda: rodando (rolamento) ou des-
lizando.
	 Segunda linha (pivôs)
Em queda (sem salto): é um lançamento 
característico dos pivôs, com apoio em um pé 
ou nos dois, flexionando as pernas e com a bola 
controlada na altura do abdômen, dando frente 
ao gol. Seguidamente, o jogador deixa-se cair ao 
mesmo tempo que eleva ligeiramente o braço exe-
cutor para lançar.
Em queda (com salto): efetua-se de forma 
idêntica, ainda que com maior impulso de pernas 
para obter maior penetração.
De acordo com as exigências do jogo, em 
muitas ocasiões o jogador não pode nem deve 
atender aos princípios básicos de colocação das 
pernas. Em consequência, o lançamento deve ser 
realizado com posições especiais de pernas; ou 
seja, efetuando o lançamento ao gol com a per-
na do braço executor adiantada (lançamento em 
apoio) ou depois impulsionar com a perna corres-
ponde à do braço executor (lançamento em sus-
pensão ou salto).
Os lançamentos que partem de uma posi-
ção baixa realizam-se mediante uma inclinação 
do tronco, sem aumentar a flexão das pernas ou 
abrindo o compasso normal destas para chegar-se 
ao chão. Trata-se de evitar que as possibilidades de 
intervenção posterior do lançador sejam negati-
vas, já que umamaior flexão de pernas dificultaria 
a intervenção imediata do jogador em outra ação 
consecutiva.
Para cumprir o princípio fundamental de 
intervenção oportuna à velocidade conveniente, 
é necessário que o jogador, depois de realizar o 
lançamento, adquira uma postura equilibrada o 
quanto antes, para poder responder, no momento 
preciso, a posteriores exigências do jogo.
O jogador deve dedicar uma atenção espe-
cial a não pisar na linha da área de gol quando 
fundaMentos técnIco-tátIcos IndIvIduaIs no ataqueI 125
executar o lançamento nas suas proximidades. O 
esforço realizado individual e coletivamente pode 
se reduzir a uma perda da bola. Desde as proximi-
dades da área de gol, antes de realizar o lançamen-
to, o jogador deve olhar a situação da linha.
Quanto à forma de estabelecer as quedas no 
lançamento, a experiência demonstrou que cada 
jogador adapta seu corpo para amortecer o cho-
que. Não obstante, o deslizamento peitoral pela 
área ou queda com rolamento dorsal com contato 
no chão representam as formas mais usuais para 
reduzir os impactos que nos ocupam.
Em geral, o lançamento ao gol deve estar 
dominado pela potência. O jogador deve desen-
volver a sua força à máxima velocidade, mediante 
realização explosiva do gesto total de cada lança-
mento.
Em comparação com o passe, a projeção do 
braço executor para trás tem de ser mais aguda 
para obter um movimento uniformemente acele-
rado, mais amplo na execução do lançamento, e, 
assim, incrementar a velocidade da bola na sua 
trajetória.
Como em definitivo se trata de que a exe-
cução do lançamento e a trajetória da bola sejam 
rápidas, tem de se buscar o equilíbrio na projeção 
do braço executor ao se realizar a armação para o 
lançamento.
O executor de um lançamento ao gol deve 
concentrar a sua atenção nos movimentos e nos 
deslocamentos na intervenção do goleiro. Temos 
de pensar que, uma vez obtidas as possibilidades 
de lançamento, é lógico concentrar todos os es-
forços em surpreender o goleiro, que constitui o 
único obstáculo para que o jogador em posse de 
bola possa tratar de alcançar o gol.
	 Lançamento de 7 metros
Partindo das limitações regulamentadas, a 
execução deste lançamento vai acompanhada de 
movimentações e fintas para enganar o goleiro.
9.8 A finta
9.8.1 Definição
A finta define-se como “uma ação realizada 
pelo jogador com bola que, por meio de um en-
gano, tenta iludir uma marcação em proximidade 
do oponente direto”.5 É “um gesto mediante o 
qual o atacante com bola tenta superar um defen-
sor, realizando uma ação prévia de engano e uma 
posterior para aproveitar o dito engano”.3d O seu 
objetivo mecânico é provocar um desequilíbrio 
corporal do rival (contrapé).9
É um elemento técnico muito utilizado no 
jogo um contra um, observando que sempre é o 
que se encontra atrás do adversário fintado. No 
jogo um contra dois, utiliza-se para alcançar um 
deslocamento de engano entre dois defensores.
É importante diferenciar de outros elemen-
tos técnicos como a desmarcação (que se realiza 
sem bola), ou a troca de direção (não possui fase 
de freada, se realiza sem a bola). Como elemento 
diferenciador, uma finta exige:
Manual de handebol126
Estar em posse da bola:
	 Proximidade do defensor.
	 Deslocamento de engano: com uma fase 
de freada acompanhada de uma flexão 
de tronco e orientação frontal para a tra-
jetória de saída, protegendo a bola com 
as duas mãos na altura do abdômen. Se 
o defensor não “cai” na finta, continua-
-se a trajetória inicial (lado falso).
	 Fase de saída, já com o braço armado.
O aspecto perceptivo é de grande importân-
cia, para o qual, antes de realizá-lo, devemos ana-
lisar a situação periférica. A ordem de observação 
dos espaços é a seguinte:
	 Possível posição de lançamento.
	 Passe a um jogador desmarcado.
	 Finta.
	 Lançamento.
Devemos observar ainda:
	 espaço entre o jogador fintador e o 
defensor;
	 espaço atrás do defensor;
	 relação do gol e do goleiro: ângulo de 
lançamento, situação do goleiro, posi-
ção de lançamento etc.
O objetivo fundamental da finta é superar o 
defensor mediante um engano para posteriormen-
te penetrar, mas, além disso, também se busca:
	 uma progressão que permita pelo me-
nos igualar em profundidade a situa-
ção do defensor;
	 fixar o defensor;
	 desequilibrar o defensor;
	 iludir/esquivar a oposição ou contato 
de um adversário.
9.8.2 Princípios fundamentais
A trajetória de engano deve oferecer uma 
possibilidade eficaz que resulte perigosa para o 
defensor.
A finta tem de ser determinante para o de-
fensor, pelo qual não se deve repetir de forma exa-
gerada.
Deve adaptar-se às possíveis respostas do de-
fensor ante a finta, para o qual o atacante deve 
possuir: velocidade de reação, troca de ritmo e 
campo visual útil.
Outros pontos que se devem ter em conta são:
	 A finta é uma opção tática dentro do 
jogo geral do 1 x 1.
	 Não realizar se as possibilidades obser-
vadas são nulas.
	 Não buscar o contato com o oponen-
te. Atacar o espaço. Forçar o defensor 
a se desdobrar no espaço.
	 A proteção da bola realiza-se sempre 
com o braço na posição de lançamen-
to e não à altura do abdômen.
fundaMentos técnIco-tátIcos IndIvIduaIs no ataqueI 127
	 A coordenação dos passos no deslo-
camento é dada pelo resultado do en-
gano (fintar sem bola), procurando-se 
sempre não ir sobre outro defensor.
	 A perna de freio deve ser sempre con-
trária à de saída.
9.8.3 Classificação
Segundo Bárcenas & Román2:
Segundo o momento da recepção:
	 em contato com o chão.
	 em suspensão.
	 segundo a orientação prévia:
	 de frente para o oponente.
	 de costas.
	 de lado.
	 combinado.
Segundo a trajetória de saída:
	 normal.
	 falsa.
Segundo o número de trocas de direção:
	 simples.
	 dupla.
Segundo o momento da troca de direção:
	 no ponto certo.
	 no primeiro passo.
	 no segundo passo.
	 no terceiro passo.
Outra forma de classificar as fintas é dada 
por Greco:10
FIgura 9.25 – Tipos de fintas no handebol.
As fintas de queda sobre um pé são utiliza-
das quando o defensor está a uma distância que 
não lhe é possível fazer contato com o atacante. 
São mais rápidas e têm semelhança com a troca 
de direção e velocidade. Pode ser realizada com-
binando as passadas e saindo sobre ou contra o 
braço de lançamento. As fintas de queda de re-
cepção e de queda com os dois pés paralelos são 
utilizadas quando o defensor está próximo e na 
frente do atacante, em uma distância que seja pos-
sível o contato corporal entre atacante e defen-
sor. Podem ser realizadas com uma, duas ou três 
passadas, saindo contra ou a favor do braço de 
lançamento. Os giros são fintas pouco utilizadas 
atualmente no handebol, porém uma boa técnica 
para pontas e pivôs.
Manual de handebol128
9.8.4 Descrição do gesto técnico
O movimento global de uma finta consta de 
várias fases ou momentos:
	 Deslocamento de engano: realiza-se um 
deslocamento para algum lugar deter-
minado, afastado do defensor e, usu-
almente, para o lado contrário pelo 
qual se tenta sair da finta.
	 Fase de freada: produz-se uma flexão 
de tronco, com orientação frontal do 
corpo para a trajetória de saída, prote-
gendo a bola e levando o braço à posi-
ção de lançamento (“armar o braço”). 
Se o defensor não cai na finta, isto é, 
não varia a sua posição para o lado do 
deslocamento de engano, continua-se 
pela trajetória inicial. É o que deno-
minamos de finta pelo lado falso.
	 Fase de saída: uma vezsuperado o de-
fensor, aproveita-se a vantagem, com 
o braço armado, pronto para lança-
mento ou passe tudo isto realizado 
com a máxima velocidade.
10
Juan J. Fernández, Pablo Juan Greco, Helena Vila, Luis Casáis, José M. Cancela
Fundamentos técnico-táticos 
individuais na defesa 
10.1 A marcação
10.1.1 Definição
É a ação individual defensiva na qual, utili-
zando como base os deslocamentos e as posições 
básicas na defesa, se pretende, como conceito ge-
ral, responder à ação ofensiva do atacante e limi-
tar suas possibilidades de intervenção.
10.1.2 Objetivos
	 Cortar a progressão do atacante sem bola;
	 Evitar o lançamento ao gol;
	 Em último caso, levar a situação para o blo-
queio contra um lançamento já efetuado.
10.1.3 Princípios fundamentais
	 Adquirir a posição de base aceitável, 
procurando, com isso, predispor-se da 
posição postural correta para realizar 
uma intervenção oportuna com máxi-
ma velocidade.
	 A marcação produz-se ganhando a 
ação do atacante, atuando de forma 
antecipativa. A antecipação tampouco 
deve ser muito exagerada, pois o ata-
cante poderá trocar de direção e evitar 
a marcação.
	 Controlar os mínimos movimentos 
do oponente em ataque com a máxi-
ma atenção, para poder reagir de for-
ma contínua e com gesto adequado.
	 Estudar as características do oponente 
em ataque para poder contra-atacar os 
seus pontos fortes.
	 Dominar o maior campo visual possível.
10.1.4 Classificação
Segundo a distância:
	 Marcação à distância.
	 Marcação em proximidade.
Segundo a posse ou não da bola:
	 Marcação ao oponente com a bola.
	 Marcação ao oponente sem a bola.
Manual de handebol130
10.1.5 Descrição do gesto técnico
a) Marcação ao oponente sem a bola.
	 Marcação à distância:
	 Controle: controlar o atacante por meio 
de contatos visuais, visando a todos os 
movimentos do oponente para decidir 
sobre o momento correto de intervenção.
	 Situação: sempre entre o oponente e 
o gol.
	 Posição de base na defesa.
	 Deslocamentos: em função das trocas 
de situação do atacante, a resposta do 
defensor se realiza em deslocamen-
tos suaves e deslizantes, tanto laterais 
quanto frontais, e dentro das trajetó-
rias eficazes de cada posição.
	 Marcação em proximidade.
Para impedir uma progressão perigosa:
	 Situação: o defensor deve colocar-se 
entre o atacante e o gol, mas com uma 
ligeira inclinação de situação para um 
dos lados do oponente, geralmente 
para o lado forte, para o lado do bra-
ço de lançamento, tentando reduzir 
as suas possibilidades, impedindo ou 
retardando a ação ofensiva.
	 Posição: de base defensiva com a per-
na correspondente ao lado de inclina-
ção adiantada.
	 Deslocamentos: em qualquer caso, é 
necessária a antecipação das intenções 
do ataque e o defensor tem de se en-
contrar próximo ao atacante para evi-
tar as progressões posteriores ou, em 
último caso, retardar tais ações.
Para impedir a recepção e uma posterior progressão:
Atacante fora da linha da área de gol e de 
frente para o adversário e defensor posicionado 
entre o atacante e o gol. Diante dessa situação, a 
marcação realiza-se da seguinte forma: 
	 Perna: adianta-se aquela que está do 
lado onde se situa a bola;
	 Braço do mesmo lado: colocada entre 
o oponente e a bola;
	 Braço do lado contrário: em contato, 
contra o quadril do atacante, altura da 
crista ilíaca.
Atacante posicionado na linha de 6 m de 
costas para o adversário e o defensor posicionado 
entre o atacante e o gol:
	 Perna: adianta-se aquela que está do 
lado onde se situa a bola;
	 Braço do mesmo lado: colocada entre 
o oponente e a bola;
	 Braço do lado contrário: em contato, 
contra as costas do atacante na altura 
do quadril.
fundaMentos técnIco-tátIcos IndIvIduaIs na defesa 131
FIgura 10.1 – Posicionamento do defensor, posicionado entre o atacante e o gol, quando aquele está posicionado 
na linha de 6 m de costas para o adversário.
Atacante posicionado na linha de 6 m de 
costas ou de lado para o gol e o defensor posicio-
nado entre o atacante e a bola:
	 Perna: posição assimétrica, estando 
mais para trás aquela que corresponde 
ao lado onde se encontra a bola;
	 Braço do mesmo lado: estendido para 
trás, situando-o entre o atacante e a bola.
Atacante posicionado na linha de 6 m per-
pendicular ao defensor (em linha) e o defensor 
posicionado à sua frente:
	 Perna: posição assimétrica;
	 Braços: ligeiramente estendidos para trás.
Atacante posicionado na linha de 6 m per-
pendicular ao defensor (em linha) e o defensor 
posicionado atrás do mesmo:
	 Perna contrária do braço executor: li-
geiramente adiantada;
	 Braço do mesmo lado: colocado entre 
o adversário e a bola;
	 Braço do lado contrário: em contato 
com o adversário.
b) Marcação ao oponente sem a bola
Atacante posicionado frontalmente ou de 
lado para o defensor, em contato com o chão:
	 O defensor deve adiantar a perna cor-
respondente ao braço executor do ata-
cante. Situar-se entre o oponente e o 
gol, mas com uma ligeira inclinação 
para o lado da bola;
	 O braço correspondente à perna adianta-
da projeta-se para cima do braço executor 
do atacante, obtendo a máxima aproxi-
Manual de handebol132
mação, tratando de reduzir ou evitar sua 
trajetória frontal com a mão estendida 
para cima e os dedos abertos e a mão con-
trária em contato com o abdômen.
Atacante posicionado de costas para o de-
fensor, em contato com o chão:
	 Colocação simétrica das pernas;
	 Posicionar-se entre o atacante e o gol, 
com predisposição para se inclinar e 
mudar de situação para o lado contrá-
rio do lado executor;
	 Os braços estendidos para frente, 
atacando de forma decisiva a bola, 
controlando, ao mesmo tempo, os 
possíveis deslocamentos laterais do 
atacante.
Atacante posicionado frontalmente e em 
suspensão:
	 Colocação em suspensão, situando-se 
entre o atacante e o gol;
	 Braço correspondente ao do atacante 
com a bola estendido para cima e para 
a bola, com a mão aberta e os dedos 
separados de frente para a bola;
	 Braço contrário tendo controle sobre 
o quadril do oponente.
Atacante posicionado frontalmente e em 
contato com o chão: tronco do defensor entre o 
ombro do braço executor do atacante e o gol.
Atacante em suspensão: tronco do defensor 
em linha com o do atacante.
Atacante posicionado na linha de 6m em 
suspensão:
	 O defensor posicionado do lado do 
braço executor do atacante: interven-
ção em suspensão com uma só mão, 
atacando a bola com a mesma esten-
dida e os dedos abertos;
	 O defensor posicionado no lado con-
trário ao braço executor do atacante;
	 A intervenção do defensor será em 
suspensão com as duas mãos, ten-
tando alcançar a trajetória do lan-
çamento.
Atacante posicionado frontalmente: apoia-
do no chão, em atitude de lançamento baixo: 
tronco do defensor entre o ombro de braço exe-
cutor e o gol.
10.2 O bloqueio do lançamento
10.2.1 Definição
É a ação de cortar, em última instância, 
a trajetória da bola lançada ao gol, utilizando 
uma ação com os braços do defensor em dire-
ção à bola para evitar seu objetivo de alcançar 
o gol.
fundaMentos técnIco-tátIcos IndIvIduaIs na defesa 133
10.2.2 Objetivos
	 Cortar a trajetória da bola;
	 Desviar a trajetória da bola suficien-
temente para impedir que esta chegue 
ao gol.
10.2.3 Princípios fundamentais
O bloqueio depende da posição específica 
do lançador ou do procedimento de lançamento, 
podendo ser em apoio ou em suspensão, ou retifi-cado, devendo-se adotar uma posição dinâmica e 
de rápida intervenção.
Em qualquer caso, sempre colocaremos o 
nosso tronco entre o gol e o ombro do braço 
de lançamento do executor. O domínio do blo-
queio exigirá, por um lado, rapidez para modifi-
car a posição e situação adquirida diante de uma 
mudança súbita do gesto do lançamento ao gol, 
tanto em apoio quanto em suspensão, e, por ou-
tro lado, controle visual reduzido à bola, com 
atenção especial ao movimento da articulação do 
pulso que a controla. Não se deve esquecer de 
que é o último movimento que precede o tiro.
10.2.4 Classificação
Em função da posição do lançador:
	 Bloqueio em apoio, quando o lança-
dor realizar um lançamento com os 
pés em contato com o chão, igual o 
defensor que realizará o bloqueio;
	 Bloqueio em salto, quando o lançador 
realiza um lançamento em salto, para 
o qual o defensor deverá coordenar a 
sua ação com o salto.
10.2.5 Descrição do gesto técnico
Para sua realização, devemos partir da posi-
ção de base, a partir da qual se levantam os bra-
ços juntos e estendidos, sempre sem cruzá-los no 
momento do lançamento, ou antes, dirigindo-se 
frontalmente para a bola. A perna do defensor 
que corresponde ao lado forte do atacante deve 
estar ligeiramente adiantada, levantando o calca-
nhar da perna contrária, ao mesmo tempo, para se 
obter uma maior aproximação com o braço exe-
cutor do atacante.
Para os lançamentos em suspensão, o de-
fensor deve impulsionar-se imediatamente depois 
que o atacante o fizer, e não antes.
Em todos os casos, o bloqueio da bola reali-
za-se com as duas mãos, com exceção dos lança-
mentos baixos, que serão feitos com apenas uma 
mão no momento de lançar.
É conveniente que o defensor domine uma 
mudança rápida de posição das mãos, em respos-
ta às mudanças de trajetória que adote o atacante 
com seu braço executor.
Deve-se esperar na posição básica até que se 
esteja seguro de que o atacante lançará.
Manual de handebol134
10.3 A interceptação da bola
10.3.1 Definição
Pode-se definir a interceptação como o ato 
de cortar um envio da bola em determinado es-
paço livre, atuando sobre a possível trajetória da 
bola entre o passador e o possível receptor. A in-
terceptação é um gesto técnico defensivo derivado 
diretamente da marcação. Nela se destaca o prin-
cípio defensivo da antecipação, tanto em sentido 
temporal como espacial. 
Mediante a interceptação, consegue-se a 
ocupação do espaço, que coincidirá com a trajetó-
ria da bola quando esta se desloca. Esse gesto pode 
interpretar-se desde uma dupla vertente: intercep-
tando-se bem a linha de passe, quando o defensor 
atua mais próximo do passador que do receptor, 
bem próximo à linha de recepção, quando a atu-
ação se desenvolve mais próxima do receptor que 
do passador, sempre ocupando a linha de passe 
(mais comum).
10.3.2 Objetivos
	 Recuperar a bola (ação prioritária);
	 Dificultar a progressão ou a circulação 
da bola;
	 Proteger o gol.
10.3.3Princípios fundamentais
Para facilitar a interceptação, é recomenda-
do que se prolongue a duração da trajetória da 
bola e, assim que possível, interceptá-la o mais 
próximo possível do receptor.
Para poder interceptar, deve-se perceber a 
possível trajetória da bola, buscando uma orienta-
ção que permita ter focalizados, dentro do campo 
visual, o passador e o receptor.
Para que a interceptação tenha êxito, o de-
fensor deve realizar uma boa avaliação do tempo, 
de forma que, se atuar demasiadamente rápido, 
provocará uma dissuasão do passe, e, se o fizer de-
masiadamente tarde, não evitará o passe.
Antes de realizar a interceptação, é conve-
niente um controle sobre o possível receptor, para 
que não se possa realizar um desmarque. Se a in-
terceptação não obtiver êxito e o receptor alcan-
çar a bola, o defensor deve ocupar rapidamente 
a sua posição defensiva e encadear outros gestos 
técnicos defensivos como a marcação, a tomada 
da bola etc.
10.3.4 Descrição do gesto técnico
Sua realização técnica é mais singela que a 
dos outros gestos defensivos.
Podemos entender duas ações ao mesmo 
gesto defensivo: correr para a bola, buscando-a 
com as pernas e não com o tronco, o que implica 
risco de uma projeção do corpo para frente e um 
mau controle da ação dos braços, com o tronco 
fundaMentos técnIco-tátIcos IndIvIduaIs na defesa 135
fixo, por intermédio da pelve sobre as extremida-
des inferiores na recepção da bola.
Utilizam-se duas formas de se apoderar da 
bola quando está em trajetória aérea: desviá-la 
para continuar quicando ou fazer o controle da 
bola com as mãos e, depois, continuar qualquer 
gesto de ataque. Essa interpretação dá-se comu-
mente no espaço próximo ao receptor e, para sua 
realização, é necessário um bom conhecimento 
das capacidades motrizes próprias, já que um dos 
princípios que se deve seguir é “não chegar tarde”. 
Se isso ocorrer, devemos adotar uma conduta de 
dissuasão, controlando a bola e o receptor. 
10.4 A tomada da posse da bola 
(roubar a bola)
10.4.1 Definição
A tomada (ou roubo) da bola refere-se às 
ações precisas que se devem realizar para desviar 
ou tirar a bola do adversário, dentro das margens 
estritamente regulamentadas.
Tradicionalmente, interpreta-se essa ação 
como definitiva, com os gestos ou movimentos 
precisos para roubar a bola do adversário em 
plena fase de lançamento quando este se realiza 
nas proximidades da linha de 6 m. No entanto, 
existem outros diversos movimentos durante o 
jogo, nos quais é preciso desviar ou tirar a bola 
do oponente caso se queira conseguir eficácia no 
jogo defensivo.
Temos, quando o atacante abusa do quique, 
uma situação vantajosa ou quando, esgotado o ci-
clo de passos regulamentados, utiliza o bote como 
recurso imprescindível para obter uma situação 
benéfica, ou, simplesmente, diante de uma per-
seguição do adversário que se escapa driblando. 
Assim, vemo-nos obrigados a ampliar as 
fronteiras de interpretação deste recurso técnico 
e podemos determinar que a tomada da posse da 
bola não se relaciona somente com a possibilidade 
de evitar um lançamento ao gol, mas, também, 
com a pretensão de evitar uma progressão, o meio 
de desenvolvimento do qual se utiliza o quique.
10.4.2 Objetivos
	 Evitar o lançamento.
	 Impedir a progressão perigosa.
10.4.3 Princípios fundamentais
Na tomada de bola, durante o quique, a 
ação será mais efetiva se tentarmos realizá-la na 
trajetória descendente da bola, já que teremos 
mais tempo, e o controle posterior da bola será 
mais fácil.
10.4.4 Descrição do gesto técnico
É importante ter em conta o que diz a re-
gra: “É permitido tirar a bola do adversário com 
Manual de handebol136
a mão aberta e a partir qualquer direção, sem 
violência.” Para uma realização correta dos mo-
vimentos e gestos específicos da tomada de bola, 
é importante uma preparação para todas as ações 
para não infringir as regras do jogo, pois a téc-
nica que irá se empregar é realmente peculiar e 
difícil de executar.
Quando o atacante tem a bola adaptada, o 
defensor deverá aproximar a mão suficientemen-
te estendida, próxima à bola, que está presa por 
ele, e evitar a utilização de golpes (movimentos) 
violentos.
Quando a bola não está em contato com o 
atacante ou está em ação de quique, tenta-se tirá-
la no momento ascendente ou descendente do 
quique com a mão aberta, suficientemente esten-
dida e o mais próxima do lugar do quique.
11
Pablo Juan Greco, Siomara A. Silva, Fernando Lucas Greco
Fundamentos técnico-táticos do goleiro*
11.1 IntroduçãoNo jogo de handebol, existe uma posição 
que exige um atleta de especiais características, 
ocupando o principal posto específico dentro 
da equipe. Sua tarefa fundamental como último 
defensor é, basicamente, evitar o gol, corrigindo, 
com suas defesas, os erros de seus companheiros 
e, como iniciador do ataque, organizar e facilitar 
a possibilidade de contra-atacar de forma eficaz. 
Cada bola defendida deve ser um momento de 
alegria ao goleiro e cada gol sofrido deverá passar 
de forma natural para a equipe. O trabalho do 
goleiro é difícil e de enorme responsabilidade. Por 
meio de seu desempenho, comportamento e in-
tervenções seguras, principalmente nos momen-
tos difíceis, fortalece sua equipe, favorecendo a 
segurança e o rendimento de seus companheiros, 
estimulando e consolidando a combatividade da 
equipe e influenciando, decididamente, no resul-
tado do jogo. Suas falhas são irreparáveis, pois ele 
não tem ajuda ou alguém que possa cobrir sua 
falha ou erro. A diferença em relação aos outros 
jogadores é que não pode se permitir ao erro, pois 
será castigado com o gol. Deverá atuar sem titu-
beios, devendo estar sempre vigilante e atento, 
tendo domínio do seu corpo e das suas emoções 
e concentração absoluta sobre o atacante que está 
de posse de bola a fim de que tenha capacidade 
de responder ao lançamento, inclusive antes do 
momento que o atacante solta a bola. Necessita 
de intuição para jogar, possuindo conhecimento 
sobre o adversário, com informações sobre os ti-
pos de lançamentos que realiza e a situação por 
zona predileta do gol, trabalhando sempre com 
muita segurança (confiança) e disposição, visando 
obrigar o adversário a lançar com pouca precisão, 
permitindo-lhe maiores chances de defesa ou, 
mesmo, desencorajar o lançamento por medo de 
falhas. Um goleiro de handebol se vê submetido 
a seguidos esforços durante o jogo (violência do 
lançamento, bola pequena e dura, proximidade 
das ações em relação ao adversário, chão duro 
etc.); entretanto, possui vantagens e privilégios 
aos quais deve ter conhecimento e dos quais deve 
saber tirar proveito: utilização de todo o corpo 
para a realização de seu trabalho e área de restrita 
de atuação. A disposição para ser goleiro, aliada ao 
treinamento dos gestos específicos da técnica, leva 
ao sucesso. A condição para a aquisição da técnica 
é a prática, e esta, aliada à qualidade do treino, 
leva à otimização das capacidades e habilidades 
específicas de um bom goleiro. A sorte não é obra 
do acaso, pois quem deseja ser goleiro deve desen-
* Texto modificado com base so livro Caderno de rendimento do goleiro de handebol. Greco, P. J. Org., 2002.
Manual de handebol138
volver todas as capacidades necessárias à função e 
assim terá sorte.
11.2 Características
Conforme as regras do jogo, o goleiro de 
handebol executa, em sua área específica, tarefas 
diferentes em relação aos seus companheiros.
Entre todas as características necessárias para 
realizar com êxito suas funções, o goleiro deve ter 
o domínio dos gestos técnicos, e a inteligência 
tática merece uma especial atenção. No processo 
de treinamento da antecipação e percepção, assim 
como da velocidade de pensamento para decidir 
e executar prontamente, sem hesitação, a resposta 
para a situação de jogo, a visão global de jogo, 
a atenção múltipla, por meio da observação da 
bola, a movimentação dos atacantes e dos pró-
prios companheiros, facilitando as possibilidades 
de uma intervenção segura e precisa, fazem que o 
goleiro seja quem lidera tanto a defesa quanto a 
saída para o contra-ataque. Isso ocorre pelo fato 
de ele ter todo o campo de jogo sobre seu coman-
do, colaborando de forma primordial com sua 
equipe. A capacidade de concentração para acom-
panhar o jogo e ordenar rapidamente suas respos-
tas está presente nos sessenta minutos de jogo. 
O desenvolvimento das capacidades de fle-
xibilidade e alongamento, velocidade de desloca-
mentos, reação e ação, força explosiva e resistência 
são fundamentais e imprescindíveis para o sucesso 
do goleiro, influenciando diretamente na técnica 
específica a ser trabalhada. No processo de trei-
namento de base, dentro do trabalho de aprendi-
zagem motora, os pontos fundamentais a serem 
trabalhados são o equilíbrio dinâmico, a destre-
za e a manipulação com bola, a dissociação de 
membros, a coordenação dinâmica geral, a noção 
espaço-temporal e a coordenação com pressão de 
tempo e com pressão de organização (duas ações 
simultâneas).
11.3 Aspectos gerais da técnica
A técnica específica em relação à posição de 
base deverá ser equilibrada, cômoda e deve facili-
tar a chegada a todas as zonas do gol com eficiência e 
velocidade. Deverá, também, ser ajustada às suas 
características biotipológicas, psicológicas e físi-
cas, respeitando seu estilo e individualidade. Em 
geral, o apoio é sobre a planta dos pés, com os 
calcanhares ligeiramente levantados e os pés ali-
nhados com a largura dos ombros.
É necessário adotar uma técnica definida e 
específica para poder ter o efeito adequado às exi-
gências do jogo. A técnica do goleiro se divide em 
defensiva e ofensiva. Nas ações defensivas, o golei-
ro deve interceptar ou cortar a trajetória da bola, 
depois controlá-la e realizar o passe aos seus com-
panheiros. Nas técnicas ofensivas, deve ser um 
grande passador de longa distância. Conhecer e 
treinar as técnicas individuais de cada jogador de 
campo, com passes rápidos, curtos e executados 
com qualidade e precisão, pode iniciar ataques de 
muito êxito, garantindo um contra-ataque rápido 
e efetivo para sua equipe. 
fundaMentos técnIco-tátIcos do goleIro 139
11.3.1 Técnica defensiva
Considerado o primeiro e o último defensor, o 
goleiro atua coordenando e colaborando com os joga-
dores de quadra, organizando e orientando a defesa em 
relação ao seu posicionamento, trabalhando em con-
junto com o bloqueio e com o marcador dos pontas.
	 Posições e situações em função da cir-
culação de bola, ante o deslocamento 
dos atacantes.
	 Momento da intervenção: ante os lança-
mentos entre 6 m e 9 m (pontas, pivô, 
infiltração dos armadores), fora dos 9 m, 
nos 7 m e na iniciação do contra-ataque.
	 Atuação fora da área de 6 m, inter-
ceptação do contra-ataque (dissuadir, 
retardar ou interceptar) partindo ve-
lozmente sem indecisão, procurando 
chegar primeiro ou ao mesmo tempo, 
criar indecisão. Realizar a intercepta-
ção do contra-ataque, pois a bola de 
gol a gol vale 1 gol, e se o atacante 
receber a bola livre e o goleiro não 
sair, as suas chances são poucas. Essa 
antecipação visa não só cortar o passe, 
mas, também, evitá-lo e retardá-lo, ou 
forçar o erro de passe do adversário.
11.3.2 Posição de base
De modo geral, esta posição será ao centro 
do gol, um pouco adiantado da linha de gol, con-
forme sua estatura, variando de 0,5 a 1,5 metro. 
Deve-se manter a cabeça erguida com naturalida-
de, orientação frontal ao portador da bola, com 
total controle do campo visual da bola, olhos 
em sua trajetória, tronco ligeiramente inclinado 
à frente, pernas simétricas, afastadas à largura 
dos ombros, ligeiramente flexionadas e peso do 
corpo dividido uniformemente; pés totalmente 
apoiados no solo (base firme de sustentação), des-
locamentos curtos, rápidos e deslizantes, com lar-
gura cômoda propiciando possibilidades de ação 
posterior rápida; braços de acordo com a postura 
adotada, devendo se sentir à vontade. As mãos se 
mantêm naturalmente abertas e voltadas para o 
objetivo. Toda a atitude deve ser relaxada e des-
contraída. Nunca deve segurara bola, mas, sem-
pre que possível, utilizar as duas mãos nos movi-
mentos, assegurando o sucesso e a continuidade 
de ações.
FIgura 11.1 – Posição de base.
Na Figura 11.1, observam-se três cones co-
locados de forma que o goleiro se desloque entre 
eles, mantendo a posição básica.
Manual de handebol140
11.3.3 Situação de posição na ação
É a posição assumida pelo goleiro em rela-
ção ao lançamento. É o lugar que o goleiro ocupa 
em cada momento, devendo estar situado no eixo 
entre a bola e o gol, no centro da bissetriz entre os 
postes e a bola.
Sua atenção e concentração devem estar volta-
das para o atacante de posse de bola e sua circulação.
A situação do goleiro poderá variar de acor-
do com a distância em relação à linha de gol. Para 
diminuir ângulos de lançamento, o goleiro sai do 
gol, diminuindo sua distância em relação ao ata-
cante, com o intuito de prejudicar a qualidade do 
seu lançamento, surpreendendo-o, induzindo-o a 
fim de tirar proveito. Quando sair? No momento 
do lançamento.
	 Zona central (1,5 m). 
	 Zona lateral (1,0 m). 
	 Zona extrema (0,5 m).
	 Tiro de 7 m (até 4 metros, até a linha 
demarcatória).
2 a 3m
0,5
1,5
2 a 3m
0,5
1,5
fIgura 11.2 – Situação do goleiro em relação à linha 
de gol.
fundaMentos técnIco-tátIcos do goleIro 141
Para favorecer sua ação e sua velocidade de 
reação e de movimento, o goleiro toma a posição 
coincidindo com a linha de gol.
11.3.4 Deslocamentos
Estão determinados em função da situação e 
da atitude do jogador atacante. Os específicos são 
curtos, rápidos e deslizantes, com a finalidade de 
estar em posição de base o maior tempo possível. 
Poderão ser executados com os pés em movimen-
tos alternados ou simultâneos, de forma semicir-
cular e frontalmente para frente e para trás, para 
obter a situação ótima de intervenção. O raio da 
trajetória é definido em função de qualidades an-
tropométricas. O goleiro se desloca procurando 
anteceder aos movimentos e estabilizar-se antes 
do lançamento, avaliando as possibilidades do 
ataque, a posição do atacante segundo seu setor 
de eficácia, a qualidade do seu lançamento e a si-
tuação da defesa para reposição de bola e contra-
-ataque.
11.3.5 Formas de intervenção
11.3.5.1 Em relação aos diferentes segmen-
tos do corpo
Defesa com a mão
Para lançamentos aos ângulos superiores, se 
elevará rapidamente uma mão, executando um 
pequeno passo com o pé do mesmo lado. Para 
maior segurança, poderão ser utilizadas ambas as 
mãos para bolas com menor potência e maior dis-
tância. Em nenhum caso deve se segurar a bola, 
FIgura 11.3 – Posição do goleiro no momento de che-
gar à trave, na situação de lançamento do ponta.
fIgura 11.4 – Deslocamento do goleiro para chegar à bola.
No deslocamento para se chegar à bola, o 
goleiro deve estar preparado para defender; por-
tanto, a perna do lado do deslocamento deve ser 
a que chega à bola, e a outra serve como apoio, 
conforme demonstrado na Figura 11.4.
Manual de handebol142
ela deve ser rebatida na área de onde pode ser 
recuperada ou por cima da linha do gol. Desta 
maneira além de se evitar o gol, se impede que a 
bola possa cair em posse do adversário. O corpo e 
os braços devem formar uma linha direta com os 
pés e a perna de apoio.
FIgura 11.6 – Posicionamento do goleiro para defesa 
com os pés no ângulo inferior.
Defesa com o tronco
Para os lançamentos dirigidos diretamente 
ao tronco do goleiro, quando não existe outra pos-
sibilidade, deve-se defender com o tronco. Ocor-
re normalmente ou por erro no lançamento feito 
pelo adversário, desvio da bola pelos defensores 
ou ainda pelo mal-posicionamento no momen-
to de defesa do lançamento por parte do goleiro. 
Além de uma boa condição muscular abdominal, 
são recomendáveis espumas de proteção e outros 
componentes que completam a vestimenta do go-
leiro, principalmente no handebol feminino.
11.3.5.2 Em relação à trajetória da bola
Defesa de bola alta
Arremesso de cima para baixo, em suspen-
são. A bola vem de uma altura superior à trave. 
fIgura 11.5 – Posicionamento do goleiro para defesa 
com as mãos no ângulo superior.
Defesa com o pé
Para lançamentos baixos nos ângulos inferio-
res, o goleiro defende com o pé, acompanhado com 
a mão. Para este ato, deve realizar um passo lateral 
com a perna do lado do lançamento (espacato), gi-
rando o pé de maneira que sua parte interna esteja 
na direção da bola, para opor a ela a maior superfície 
possível de contato. Durante a extensão da perna, o 
pé não deve ser elevado do solo excessivamente. O 
regulamento permite a possibilidade de defender o 
lançamento com pernas, joelhos e coxas.
fundaMentos técnIco-tátIcos do goleIro 143
Impulsão no pé contrário (o pé mais afastado 
da trajetória da bola, sem deslocamento). A 
outra perna, em suspensão, se deslocará lateral-
mente para atingir o ponto de contato com a 
bola, juntamente com a elevação do braço cor-
respondente à altura adequada, projetando-o 
ligeiramente para frente. Cobertura maior do 
ângulo. Não girar o tronco. Posicionar de fren-
te para a bola. Pés direcionados para frente. Na 
elevação de um braço na bola, o ganho de altu-
ra é maior, porque o deslocamento da cintura 
escapular, elevando-se do lado que elevamos o 
braço, permite isso. Se levantarmos a perna do 
lado, deslocamos, também, a cintura pélvica, e 
esse ganho em alcance aumentará, favorecendo, 
também, a intervenção para defesas em qual-
quer altura. Em qualquer sentido do movimen-
to a situação é a mesma, sobretudo em sentido 
diagonal, em que, para se levar os dois braços, 
tornam-se necessários uma torção do tronco e 
um ligeiro atraso de movimentos. A diferença 
talvez não vá além de um palmo, mas é o bas-
tante para defender certas bolas que de outra 
maneira entrariam. A defesa deve ser realizada 
apenas no sentido de desviar a bola. Deve-s es-
perar e não sair para frente.
Defesa de bola de média altura
Braço e perna correspondentes, realizan-
do a impulsão na perna contrária (a fundo ou 
elevação). O braço contrário ao da defesa atua-
rá como ponto de equilíbrio no contato com a 
bola. Braços sempre à frente dos joelhos, a fim 
de propiciar o ataque à bola. Para defesas a meia 
altura altas e longas, utilizam-se os dois braços, 
não havendo elevação da perna, mas um ataque 
em diagonal à fundo com inclinação do tronco e 
para defesas curtas, com um braço só. É necessá-
rio muito trabalho de mobilidade na articulação 
coxo-femoral. 
FIgura 11.7 – Posicionamento do goleiro para defesa 
de bola de média altura com as duas mãos.
Manual de handebol144
FIgura 11.8 – Posicionamento do goleiro para defesa 
de bola de média altura com uma mão.
Defesa de bola baixa
A característica principal é realizar a defesa 
com auxílio das pernas e dos pés. Olha-se para 
a bola, desloca-se o corpo todo, o trabalho de 
pernas é em diagonal, dando-se preferência ao 
trabalho com as mãos, deixando-se o braço livre 
à frente das pernas e visando-se atacar a bola. 
Para os goleiros com dificuldades em defesas bai-
xas, deve-se utilizar maior afastamento dos pés, 
mantendo o posicionamento entre eles igual, va-
riando, ainda, com movimento de flexão do joe-
lho lateral para bolas entre as pernas. Os goleiros 
não muito altos devem flexionar um pouco mais 
as pernas para, por meio de um pequeno salto, 
realizar o movimento com maior amplitude e 
melhor impulsão. A mão faz parte do movimen-
to de defesa, trabalhando como recurso para au-
mentar o contato e a superfície de defesa da bola. 
O equilíbrio ao movimentoé dado com o braço 
contrário quando da utilização de um só braço 
no movimento, senão é com a projeção e incli-
nação do tronco à frente.
FIgura 11.9 – Posicionamento do goleiro para defesa 
de bola baixa.
Movimentos de espacato e queda com meio 
rolamento para trás são também muito utilizados 
nesse tipo de defesa.
FIgura 11.10 – Posicionamento do goleiro para defesa 
de bola baixa (final da ação).
Defesa de bola quicada
Quando se trata de lançamentos à meia al-
tura ou de quadril do atacante, especialmente nos 
casos de bolas picadas na frente do goleiro, é ab-
solutamente conveniente combinar a defesa com 
o pé e com a mão. O alcance da bola deve ser o 
mais próximo possível do solo, em razão da maior 
dificuldade de controlar as trajetórias ascenden-
fundaMentos técnIco-tátIcos do goleIro 145
tes. Olhar para a bola é fundamental, bem como 
fazer a flexão e a queda do corpo.
FIgura 11.12 – Posicionamento do goleiro para defesa 
na posição central.
Posições externas (pontas)
O goleiro se posiciona no poste correspon-
dente, cobrindo completamente o primeiro poste, 
com o braço levantado deste lado. Os lançamen-
tos executados no segundo poste serão defendidos 
com o outro braço, tronco ou pés. O corpo do go-
leiro estará direcionado permanentemente para o 
lançador, e os movimentos são executados para o 
outro lado lateral, ou seja, para o centro da quadra 
e não para trás ou para a largura da linha de gol. 
Uma corrida para frente produz êxito, no caso 
de lançamentos potentes, pois reduz mais ainda 
o escasso ângulo de lançamento. Movimentos de 
pés são caracterizados por passos curtos, acom-
panhando o salto do arremessador dos extremos. 
O movimento de defesa é curto e rápido, pois o 
goleiro não sai muito. Situado no momento do 
lançamento, tranquilo, calmo, sem movimento. 
Deve mover-se antes e se posicionar, pois o ata-
cante quer que o goleiro tome a iniciativa. No tra-
balho em conjunto com o defensor, não permitir 
o lançamento; realizar o lançamento com menor 
FIgura 11.11 – Posicionamento do goleiro para defesa 
de bola quicada.
11.3.5.3 Em relação à distância dos lançamentos
Defesa dos lançamentos de curta distância
Posições centrais
São os mais difíceis de deter, pois oferecem 
o maior ângulo de lançamento. Neste caso, é van-
tajoso reduzir o ângulo mediante uma corrida 
para frente, encurtar a distância, ficando de 1 a 3 
metros de distância do lançador, e, no momento 
do lançamento, o movimento para frente deve ser 
parado e estar na posição fundamental de defesa. 
Sair com o corpo, deixar os braços abertos e voltar 
a atacar; saída pelo lado contrário, ataca com o 
tronco a bola, naturalmente voltar e atacar. Obri-
ga o pivô a retificar o lançamento, não permitin-
do o lançamento reto (mais forte).
Manual de handebol146
ângulo; não tocar no arremessador (muda a traje-
tória do salto e conseqüentemente o lançamento).
de salto. A movimentação dos braços é de bai-
xo para cima e acompanha a perna flexionada. 
Quanto o adversário estiver mais próximo do 
gol, os movimentos deverão ser mais amplos e, 
quanto mais à frente, mais curtos e próximos do 
corpo. Deve o goleiro ter a capacidade de reagir 
no ar para qualquer movimento variado em re-
lação à trajetória da bola realizado pelo ataque. 
Neste tipo de defesa, o goleiro perde a condição 
futura de uma nova reação rápida e sequencial. 
Não deve ser utilizada como técnica básica, re-
petindo-a em cada ação. A tática defensiva do 
goleiro na defesa do contra-ataque é a mesma 
dos lançamentos de 6 metros, o movimento se 
inicia com uma saída para a frente e defesa late-
ral, fechando o ângulo.
fIgura 11.13 – Posicionamento do goleiro para defesa 
de lançamento dos pontas.
Defesa dos lançamentos de contra-ataque
O recurso utilizado, o qual denominamos 
defesa em “Y”, é realizado com ou sem execução 
FIgura 11.14 – Posicionamento do goleiro para defesa 
de lançamento de contra-ataque.
fundaMentos técnIco-tátIcos do goleIro 147
Defesa dos lançamentos de sete metros
Para defender, o goleiro deve estar preparado 
para o jogo sabendo para quem e onde lançar.
O goleiro pode ou não realizar uma pré-
-defesa, em função do nível de dificuldade de sua 
intervenção. Sua posição fundamental poderá di-
minuir ou não a distância com o atacante, deslo-
cando-se ou posicionando-se à sua frente.
O posicionamento inicial mais utilizado, 
antes da autorização do árbitro, é de 4 a 5 metros 
do executante. No primeiro caso, o executante se 
dá conta da posição imediatamente e, no segundo 
caso, é perturbado em sua concentração, distrain-
do-se naquilo que previa realizar. O importante é 
que, no momento do lançamento, o goleiro obte-
nha a sua posição fundamental básica para poder 
reagir rápido o suficiente em todas as direções e 
movimentos.
O conhecimento do jogador adversário em 
relação às suas características e possibilidades pode 
favorecer e determinar ao goleiro a escolha da me-
lhor forma defensiva de sua atuação, relacionadas 
com diferentes distâncias e posições iniciais. Na 
cobrança realizada por jogadores armadores, o 
goleiro poderá sair mais e, no caso de lançadores 
pontas ou pivô, poderá esperar mais. Por exem-
plo, para lançamentos precisos e não potentes, 
permanecer na linha de gol e esperar o lançamen-
to; permanecer na posição básica e no momento 
do lançamento saltar contra o lançador; perma-
necer 1 a 2 metros à frente do lançador de forma 
passiva e com uma posição básica; lançar-se sobre 
o lançamento; estar a 3 metros da linha de gol e 
saltar contra o lançador; estar a 4 metros da linha 
de gol e deixar lançar ou provocar um lançamento 
de cobertura; preparar armadilhas, obrigando ou 
induzindo o atacante ao lançamento. Estar tranqui-
Até 4 metros
FIgura 11.15 – Posicionamento do goleiro para defesa 
de lançamento de 7 metros.
O jogador tem, no máximo, 3 ou 4 tipos de 
lançamentos e locais em que gosta de lançar (1 ou 
2 é o normal).
O goleiro tem opções de: 
	 deixar o atacante lançar onde ele pre-
fere;
	 enganar o atacante, levantando uma 
perna e retornando; levantando uma 
perna e um braço junto com o pé de 
apoio; e levantando uma perna e tro-
car saltando, saindo à frente.
FIgura 11.16 – Opções do goleiro para defesa de lan-
çamento de 7 metros.
Manual de handebol148
lo e não fintar com demasiada antecipação é funda-
mental, além de observar que, nos lançamentos com 
queda, deve reagir ao braço do lançamento e não so-
bre o corpo. No jogo psicológico com o atacante, ter 
uma tática, buscar a sua forma de comportamento, 
encontrar a melhor forma de atuar.
11.3.6 Fintas
Nem sempre o goleiro deve esperar tranqui-
lo ou passivo pelas possíveis ações dos adversários. 
Poderá provocar determinada direção do lança-
mento do jogador adversário, escolher o ângulo e 
a altura com a utilização de fintas. É muito prová-
vel a obtenção do êxito se utilizar estas fintas. Es-
tas não devem ser realizadas com demasiada ante-
cipação, pois simulam ações e atitudes, induzindo 
ao lançamento para provocar erros do atacante. A 
finta será tática e tecnicamente perfeita quando 
for obtida depois do movimento de engano, con-
dição de voltar à posição inicial correta, e a partir 
daí, reagir. Prioritariamente, deverá ser utilizada 
nos lançamentos de 7 m e 6 m das zonas centrais 
(de curta distância). A mesma finta não deve ser 
repetida, ou, pelo menos, não imediatamente. No 
duelo goleiro x atacante, triunfará o jogador psi-
cologicamente mais forte.
11.3.6.1 Tipos de fintas
Fintas para eleger um ângulo:
	 Direitapara a esquerda.
	 De cima para baixo.
	 Em cima de um lado para o outro.
Fintas para eleger a altura do lançamento:
	 Saída e retorno.
	 Definição de um pé de apoio.
11.3.7 Técnicas ofensivas
Logo após uma defesa com êxito, o goleiro 
deve colocar a bola em jogo em diferentes veloci-
dades, conforme o placar do jogo. Se a equipe está 
perdendo, realiza-se o mais rapidamente possível, 
ou lentamente, quando a equipe está “curtindo” 
o momento se se encontrar à frente do marcador. 
Deve realizar, de preferência, passes longos, ao 
meio campo, possibilitando um ataque rápido. 
Somente realizará um passe curto quando o lon-
go for taticamente inadequado ou arriscado pela 
posição de defensores que possam interceptá-los. 
É considerado o iniciador do ataque e, também, o 
último atacante, pois é responsável pela reposição 
de bola e início do contra-ataque, podendo tam-
bém atuar como sétimo jogador.
	 Recuperação da Bola 
a) recepcionar – controle total da bola;
b) amortecer – médio controle;
c) deslocar/rebater – difícil controle.
	 Reposição da Bola
fundaMentos técnIco-tátIcos do goleIro 149
Rápido controle da bola após o lançamento, 
realizando o passe ao companheiro mais próximo 
de sua área desmarcado e, a seguir, o apoio ime-
diato saindo da área para jogar 2 x 1.
	 Lançamento de contra-ataque
O passe deve ser feito ao jogador livre, des-
marcado e mais adiantado, de qualquer local da 
área. São feitos passes longos, de meia distância, e 
lançamentos diretos ao gol adversário.
	 Participação no ataque
Como jogador de quadra, auxilia a equipe 
no apoio na saída de bola, no caso de bolas perdi-
das, na cobrança de tiros livres e lateral próximos 
de seu gol, em superioridade e inferioridade nu-
mérica, ou defesas individuais. Também deve ser 
treinada a saída de bola rápida com passes curtos, 
geralmente para a lateral perto da área de 9 m, 
para organizar o contra-ataque sustentado.
11.4 Considerações finais
Deverá o goleiro ter consciência clara de que 
a função de defesa de lançamentos apenas inicia o 
trabalho a ser realizado por ele e que a mudança 
de defensor para atacante deverá ser rápida: de-
fesa – posse de bola – equilíbrio – passe potente, 
preciso para saída da bola da área conforme a si-
tuação com passes curtos ou longos.
Os deslocamentos realizados deverão ser 
com movimentos de passo normal, para se posi-
cionar o mais rápido possível com duplo apoio. 
Os saltos poderão ser realizados com impulso em 
uma ou duas pernas. As quedas, em algumas situ-
ações de jogo, são empregadas como recursos, não 
sendo fundamentais. Nos casos de inferioridade 
numérica e finais de partida, o goleiro, se for um 
bom jogador e com extraordinária prudência, po-
derá intervir na circulação de bola, participando 
do jogo ofensivo.
De maneira geral, a maior preocupação do 
goleiro deverá ser a de adequar a técnica a ser 
utilizada na defesa do lançamento e planejar o 
trabalho a ser desenvolvido durante os treinos 
para, de acordo com os conhecimentos sobre 
o adversário e, principalmente, atender às ca-
racterísticas próprias de se organizar estruturas 
para o próximo jogo. Busca-se, cada vez mais, 
enriquecer a gama de movimentos, aumentan-
do suas possibilidades de intervenção e trabalhar 
paralelamente com as tendências e inovações 
dentro do handebol, principalmente em rela-
ção aos sistemas ofensivos e aos atacantes. Tais 
afirmações são preocupações inerentes a relação 
goleiro-treinador.
Independentemente do conhecimento 
das técnicas apresentadas, parte-se do princí-
pio de que “o que não se quer melhorar deixa 
de ser bom”. Devemos estar atentos, de olhos 
bem abertos, abrindo novos horizontes, ob-
servando novos goleiros, novas tendências e 
influências. 
Manual de handebol150
Referências
1 bárcenas, d.; roMán seco, j. d. r. Técni-
cas de balonmano. Madri: Gymnos, 1995.
2 falKowsKI, M. M.; enríquez, e. Estudio mo-
nográfico de los jugadores de campo: aspectos 
técnicos. Madri: Esteban Sanz, 1982. v. 1.
3 VVAA. Balonmano. Colección de los depor-
tes olímpicos. Madri: Comité Olímpico Es-
pañol, 1991.
4 bárcenas, d.; roMán seco, j. d. r. Balon-
mano: técnica y metodología. Madri: Gym-
nos, 1991.
5 antón, j. L. Balonmano: metodología y alto 
rendimiento. Barcelona: Paidotribo, 1994.
6 lasIerra, g.; Ponz, j. M.; andrés, f. 1013 
Ejercicios y juegos aplicados al balonmano: fun-
damentos y ejercicios individuales. Barcelo-
na: Paidotribo, 1992. v. 1.
7 lasIerra, g.; Ponz, j. M.; andrés, f. 1013 
Ejercicios y juegos aplicados al balonmano: fun-
damentos y ejercicios individuales. Barcelo-
na: Paidotribo, 1992. v. 2.
8 trosse, h. d. Balonmano: entrenamiento, 
técnica y tática. Barcelona: Martínez Roca, 
1993.
9 greco, P. j.; Maluf, e. Handbol: de la escue-
la al club. Buenos Aires: Ediciones Lidium, 
1989.
10 greco, P. j. Caderno de rendimento do atleta 
de handebol. Belo Horizonte: Health, 2000.
11 ______. Caderno de Rendimento do Goleiro de 
handebol. Belo Horizonte: Health, 2002.
fundaMentos da tátIca coletIva no ataqueI 151
Parte IV
Tática
12 
 Juan J. Fernández, Pablo Juan Greco, Simonara Silva, Fernando Greco
Meios técnico-taticos de grupo no ataque
O handebol é um esporte que se caracteri-
za pela presença simultânea de ações de ataque e 
defesa, em espaços comuns que determinam a sua 
luta. Assim, durante o jogo, as ações individuais se 
concatenam com as ações de grupo e de conjunto, 
tanto de ataque quanto de defesa. As ações técnico-
-táticas a serem realizadas para resolver as situações 
de jogo são denominadas meios técnico-táticos, 
que, conforme a situação, são considerados de ata-
que ou defesa, nas diferentes fases do jogo. 
uma intenção tática; portanto, os níveis das capacida-
des técnicas de um jogador e, também, de uma equi-
pe se manifestam por meio das ações dos jogadores, 
conforme as intenções táticas no momento do jogo. 
Os meios táticos de grupo se caracterizam pela 
solicitação do apoio do colega na realização da ação; 
somente serão finalizadas com sucesso caso essas con-
dutas estejam concatenadas entre os jogadores. Os 
atacantes sem a bola devem favorecer, em todo mo-
mento, o jogo daquele que possui a bola, oferecendo-
lhe ocasiões e condições para um passe eficaz após um 
desmarque ou criando espaços para ele ou para outros 
que possam ser beneficiados por sua movimentação 
sem bola. Como se observa, no handebol é funda-
mental organizar as ações de jogo, observando os parâ-
metros da conduta individual no tempo e no espaço.
Trata-se da aplicação dos deslocamentos por 
parte de todos os jogadores na ação ofensiva coletiva, 
com o objetivo de obter situações favoráveis de recep-
ção distribuídas equilibradamente ao redor da bola 
em qualquer fase do ataque. Nesta situação, o jogador 
com a bola tem de ir para as zonas nas quais se encon-
tram mais apoios e melhores possibilidades de passe.
Os fatores que se deve ter em conta para ob-
ter o êxito nesta criação são: as mudanças de dire-
ção e de ritmo de corrida ou da velocidade, além 
da distância com o defensor.
FIgura 12.1 – Meios táticos de grupo no handebol 
(modificado de Antón).1,2
Os meios táticos de ataque e defesa solicitam de 
ações técnico-táticas. Como fora anteriormente colo-
cado, no handebol, a técnica sempre está a serviço de 
Manual de handebol154
12.1 Tabela (give and go – passe e vai)
12.1.1 Definição
A tabela é uma ação que se realiza visando 
oportunizar ao atacante em posse de bola a supe-
ração de seu defensor direto.
Este meio tático grupal inclui várias formasde realização e procedimento:
	 Passe e vai: é a estrutura básica de inte-
ração entre dois atacantes. É utilizado 
quando o possuidor da bola não con-
segue superar o seu oponente no jogo 
1 x 1 e passa a um companheiro. Este, 
em seguida, se desmarca para, poste-
riormente, voltar a receber a bola em 
melhores condições.
	 Passe e volta: é uma sequência do 
jogo com um duplo passe de ida e 
volta entre dois jogadores, com o ob-
jetivo de assegurar a posse da bola e 
dar continuidade ao jogo de ataque.
	 Passe e segue: estabelece-se para dar 
continuidade ao jogo por meio da cir-
culação da bola. Encadeiam-se, assim, 
vários passes entre atacantes, dando 
início ao jogo posicional.
12.1.2 Objetivos
	 Conseguir superar o defensor direto;
	 Buscar, de forma secundária, a penetra-
ção e aproximação da meta adversária;
12.1.3 Terminologia específica e classifi-
cação
Participam de uma ação de tabela dois joga-
dores, sendo:
	 um jogador com bola: aquele que ini-
cia a ação da tabela com um passe para 
um segundo jogador;
	 um jogador sem bola: também deno-
minado jogador resposta, este é o res-
ponsável por se deslocar sem bola se 
desmarcar e receber o passe do joga-
dor com bola, para devolver o 
12.1.4 Considerações
Para se realizar a tabela, deve-se levar em con-
sideração que ambos os jogadores envolvidos em 
tal ação ofensiva devem realizar deslocamentos sem 
bola, oferecendo-se para receber e orientando-se no 
espaço e com os colegas livres da ação do defensor, 
para que se inicie e se termine a ação. Além disso, 
eles devem garantir a continuidade das ações. Po-
rém, os demais atletas da equipe devem estar aten-
tos e devem, também, se oferecer para receber um 
possível passe e dar continuidade ao ataque quando 
o jogador iniciador da tabela não puder concluir 
ou receber a devolução do jogador resposta.
fundaMentos da tátIca coletIva no ataqueI 155
O jogador com bola deve realizar determi-
nadas ações para o sucesso da tabela, tais como:
	 fixar o defensor e ver a proximidade 
com ele;
	 passar a bola ao colaborador;
	 sair da marcação após passar a bola;
	 fintar sempre na direção de corrida;
	 usar a troca de velocidade na ação de 
sair da marcação;
	 apresentar qualidade e variação no 
tipo de passe.
O jogador com bola deve realizar determi-
nadas ações para o sucesso da tabela, tais como:
	 oferecer-se para receber;
	 perceber a ação do colega;
	 receber em espaço que permita a sequ-
ência de ações;
	 fixar o adversário;
	 apresentar qualidade e variação no 
tipo de passe na devolução.
É importante, todavia, que os demais atle-
tas da equipe estejam atentos à situação criada 
pela tabela entre esses dois jogadores e fixem a 
atenção de seus defensores diretos, realizando 
ações sem a bola. Além disso, devem observar a 
proximidade com o jogador que realiza a tabela 
para evitar que se feche o espaço deste, realizar 
fintas e mudanças de direção e sentido em suas 
linhas de corrida.
12.2 engajamento, as progressões, pe-
netrações ou apoios sucessivos, 
em ataque no intervalo
Juan J. Fernández, Helena Vila, 
Randeantoni do Nascimento
12.2.1Definição
Por meio de uma estrutura de jogo com 
base nas progressões ou penetrações sucessivas, 
podem-se estabelecer conceitos como os de am-
plitude e profundidade em ataque, conseguindo 
a máxima utilização do espaço possível regula-
mentado.
Podemos conceitualizá-los como sendo a 
soma dos pontos de apoios dinâmicos. Penetrar 
é “entrar por” e realiza-se pelos espaços livres. 
Quando um atacante penetra entre dois defen-
sores e atrai a atenção dos deles, um compa-
nheiro atacante fica sozinho. Esta é a base das 
progressões sucessivas, já que, a partir daqui, a 
sequência se repete até esgotar as possíveis ajudas 
da defesa e obter a superioridade numérica que 
dê lugar a um possível 1 x 0.
12.2.2 Objetivos
	 Conseguir a penetração na defesa 
quando se está em igualdade de nú-
mero de jogadores no campo;
	 Melhorar a distância do lançamento;
Manual de handebol156
	 Organizar o jogo posicional com o in-
tuito de deslocar a defesa para aprovei-
tar a ação na sua sequência.
12.2.3 Considerações
Realiza-se de forma frontal à meta ou ao gol 
adversário e de modo escalonado, ou seja, um joga-
dor após o outro, sempre em corrida e em progres-
são para o gol. Quando o jogador com a bola chega 
à metade de sua trajetória, o companheiro do posto 
específico começa a sua corrida. Este é o meio mais 
difícil de ser aprendido, pois exige muita colabora-
ção e timing entre os jogadores participantes.
Para estabelecer e aplicar os princípios do 
ataque a intervalos encadeados, ou engajamento, 
devemos considerar o seguinte:
	 O possuidor da bola (jogador iniciador) 
deve atacar sempre o espaço vazio entre 
dois defensores e sem buscar o contato, 
tentando fazer que o defensor, que não 
é seu oponente direto, realize um des-
locamento para oferecer uma ajuda ao 
defensor par do atacante. Quando isso 
acontece e fica anulada a possibilida-
de de penetração do atacante iniciador 
com a bola, deve-se efetuar um passe 
para o companheiro, de modo a manter 
a circulação da bola. Esse passe é funda-
mentalmente clássico lateral, devendo-
-se evitar os passes de pronação. O jo-
gador com bola tem de proteger a bola 
soltando-a no momento certo antes do 
seu contato com o defensor.
	 O receptor (jogador resposta) deve 
tentar receber o passe em corrida de 
forma gradual, com mudança de dire-
ção e velocidade prévia e um desloca-
mento paralelo ao do seu antecessor. A 
premissa seguinte é a mesma.
Alcança-se, assim, o conceito de amplitude 
e profundidade no ataque por meio da “recepção 
e vou”, ou seja, o jogador que recebe desmarca-se 
novamente com a bola até obter a superioridade 
numérica (1 x 0).
FIgura 12.2 – Progressões sucessivas em busca de uma 
superioridade numérica iniciada pelo jogador C, que 
engaja e atrai o seu defensor par. A ação de B inicia com 
troca de direção e aproveitamento do bloqueio realizado 
pelo jogador E; ao entrar entre o defensor 5 e 6, cria es-
paço para o jogador A. Caso o defensor 7 feche o espaço 
na ajuda de 6, o jogador F fica livre de marcação, e o jo-
gador A deve passar-lhe a bola; caso contrário, o jogador 
A estará em condições de lançar ao gol sem oposição.
fundaMentos da tátIca coletIva no ataqueI 157
12.3 A noção par-ímpar
12.3.1 Definição
Pode-se definir como a situação básica entre 
atacantes e defensores com a finalidade de conseguir 
um espaço para penetração ou, pelo menos, liberar 
um espaço que seja suscetível de ser utilizado por um 
companheiro. A partir da menor unidade do jogo, 
construímos o resto dos procedimentos coletivos.
O conceito ímpar significa que um atacante 
conseguiu a oposição do defensor que não é o seu 
direto, ou seja, centrar a atenção ou conseguir a 
fixação do oponente não direto.
em linha de lançamento, ou seja, dá-se um empa-
relhamento do atacante e defensor bem definido.
FIgura 12.3 – Ataque com base no conceito ímpar com 
finalização da zona exterior esquerda ao se conseguir su-
perioridade. No conceito ímpar, a resposta do jogador 
beneficiado pela ação do jogador iniciador é atacar em 
paralelo, ou em engajamento ou apoio sucessivo.
O conceito par significa que um atacante 
conseguiu uma situação frontal com seu oponente 
FIgura 12.4 – Ataque utilizando o conceito par com 
finalização. No conceito par, a resposta do jogador be-
neficiado pela ação do jogador iniciador é realizar o 
cruzamento com ele.
12.3.2 ObjetivosPretende-se a fixação dos defensores para obter 
superioridade numérica e alcançar, na continuação:
	 a penetração;
	 a progressão, por falta de êxito do pri-
meiro objetivo.
12.3.3 Considerações
Esta noção ofensiva demonstra as condu-
tas fundamentais que têm de se desenvolver em 
Manual de handebol158
uma situação 2 x 2, 3 x 3 etc. O jogador, ao ini-
ciar a ação ofensiva, deve atacar sempre o espa-
ço compreendido entre dois defensores (também 
denominado ataque ao intervalo), procurando ser 
perigoso na busca da penetração para chamar a 
atenção dos defensores mais próximos. Aparece, 
assim, o conceito de fixação. Não podemos nos 
esquecer de que o handebol é, fundamentalmen-
te, uma luta pelos espaços de penetração. Nesta 
luta, o beneficiado pode ser o jogador iniciador, 
mas, na maioria das vezes, será o jogador resposta 
que se beneficia da nossa ação. Portanto, devemos 
tentar, na ação coletiva, liberar espaço que possa 
ser aproveitado pelo nosso companheiro. O joga-
dor resposta deve observar e atuar no momento 
oportuno para aproveitar a fixação do iniciador.
Quando o jogador iniciador fixa o ímpar, 
o jogador resposta aproveita a situação mediante 
uma mudança de direção, dando lugar às progres-
sões sucessivas. Quando o jogador iniciador fixa o 
par, a resposta ofensiva é o cruzamento.
FIgura 12.6 – Ataque utilizando o conceito par com 
finalização mediante um cruzamento.
12.4 Os cruzamentos
12.4.1 Definição
Define-se como a ação de troca entre dois ou 
mais jogadores de forma escalonada, premeditada ou 
encontrada, para que, por meio da fixação realizada 
pelo primeiro atacante em posse da bola, possa-se 
originar um erro na defesa e, assim, um companhei-
ro possa aproveitar essa circunstância passando atrás 
do colega de posse da bola, liberando, desse modo, 
com mais facilidade o seu braço de lançamento.
12.4.2 Objetivos
	 Conseguir a penetração;
	 Melhorar a distância e a condição do 
lançamento;FIgura 12.5 – Ataque utilizando o conceito ímpar.
fundaMentos da tátIca coletIva no ataqueI 159
	 Fixar ao máximo o oponente;
	 Buscar o erro ou o atraso na ação de-
fensiva, objetivando a superioridade 
numérica em um local específico.
12.4.3 Classificação
Cruzamento com bola:
a) Simples: é o cruzamento gradual e 
premeditado entre dois jogadores 
com trajetórias específicas.
FIgura 12.7 – Cruzamento simples.
b) Duplo: quando não se obtêm resul-
tados com o simples, o jogador que 
atacou por último emenda um segun-
do cruzamento para tentar obter um 
espaço livre.
FIgura 12.8 – Cruzamento duplo.
c) Múltiplo: quando se realizam mais de 
duas trajetórias de cruzamento.
Cruzamento sem bola: 
Ocorre quando o jogador que inicia não está 
em posse da bola, mas o jogador que responde ou 
recebe de um terceiro.
FIgura 12.9 – Cruzamento sem bola.
Manual de handebol160
12.4.4 Considerações
Os cruzamentos tendem a se realizar entre joga-
dores de primeira linha, mas podem ser utilizados por 
qualquer jogador em qualquer linha de jogo entre elas.
São empregados para romper a relação de 
marcação dos defensores, de forma que os atacan-
tes cruzam as suas trajetórias e, deste modo, um 
dos dois fica mediante a fixação dos defensores.
O jogador que inicia fixa o oponente par 
mediante uma trajetória que o desloque para o 
posto específico defensivo colidente. Como con-
sequência desta trajetória, provoca-se uma dú-
vida defensiva entre o oponente direto e o opo-
nente do atacante no posto específico defensivo 
colidente. O continuador aproveita o espaço de 
penetração criado pelo iniciador e deve progre-
dir por ele até melhorar a distância de arremesso. 
Inicia-se com uma trajetória retilínea e, a partir 
da observação que o oponente direto mantém 
em sua posição, muda-se de direção e cruza-se 
por detrás do iniciador, uma vez que este invada 
seu setor. O espaço entre ambos será mínimo e 
o passe pode ser em largada, pronação para trás 
ou, até mesmo, com as duas mãos girando como 
na pantalha.
Um princípio básico é que o jogador atacan-
te com a bola deve iniciar a ação de cruzamento 
(com exceção do cruzamento sem bola):
	 Os jogadores em ação premeditada ou 
em ações improvisadas buscam a fixa-
ção de seu oponente direto, mas ata-
cando o espaço entre dois defensores.
	 As ações devem ser coordenadas em es-
paço e tempo por todos os jogadores.
	 Se for alcançado o objetivo, não são 
necessárias situações de troca.
	 O segundo jogador busca a ocupação 
do setor do iniciador.
	 O cruzamento é mais aconselhado 
quando os defensores estão em linha.
14.5 As permutas
12.5.1 Definição
A permuta é um cruzamento sem bola, 
no qual os atacantes trocam de posições em 
postos próximos, entre dois ou mais jogado-
res. Existe uma invasão de espaço no posto 
específico do colega, que ocupará o espaço li-
vre. Tais ações oportunizam uma mobilidade 
maior do ataque.
12.5.2 Objetivos
Participam de uma ação de permuta:
	 jogador iniciador: é o responsável por 
iniciar a ação com um passe para um 
colega;
	 jogador resposta: é quem realiza a ação 
de cruzamento sem bola com o joga-
dor iniciador;
fundaMentos da tátIca coletIva no ataqueI 161
	 jogador colaborador: realiza a recep-
ção do passe do jogador iniciador e dá 
sequência ao jogo.
12.5.3 Terminologia específica e classificação
As permutas podem ocorrer de acordo com 
o posicionamento dos atletas em relação à defesa:
	 frente à defesa;
	 através da defesa;
	 por dentro da defesa.
 Participam de uma ação de permuta:
	 jogador iniciador: é o responsável por 
iniciar a ação com um passe para um 
colega;
	 jogador resposta: é quem realiza a ação 
de cruzamento sem bola com o joga-
dor iniciador;
	 jogador colaborador: realiza a recep-
ção do passe do jogador iniciador e dá 
sequência ao jogo.
12.5.4 Considerações 
Para se realizar a permuta, são necessárias ca-
pacidades técnico-táticas individuais dos partici-
pantes dessa ação, tais como variedade de desloca-
mentos, eficácia e variedade de lançamentos, uma 
boa movimentação sem bola, uma boa decisão em 
posse da bola e qualidades na fixação e continui-
dade do jogo de ataque.
12.6 O bloqueio
Pablo Juan Greco, Siomara A. Silva, Fernando Lucas Greco
12.6.1 Definição
O bloqueio define-se quase exclusivamente 
como a interrupção da trajetória do defensor por 
parte de um atacante sem/com a posse da bola. 
Realiza-se sobre qualquer defensor, ainda que sua 
maior utilização se proceda no jogo estático e quase 
de forma única pelo(s) pivô(s), podendo e devendo 
ser feito por qualquer jogador sem restrições.
12.6.2 Objetivos
	 Conseguir a penetração;
	 Melhorar a distância de lançamento;
	 Quebrar a coordenação do sistema de-
fensivo;
	 Buscar o erro ou o atraso na ação de-
fensiva, objetivando-se a superiorida-
de numérica em um setor específico.
12.6.3 Terminologia específica e classificação
Ao denominar os jogadores que intervêm no 
bloqueio, distinguem-se:
Manual de handebol162
	 bloqueador: jogador que realiza o blo-
queio (1);
	 beneficiado: jogador atacante, com opo-
nente em defesa que é bloqueado (2);
	 bloqueado: jogador de defesa que so-
fre o bloqueio (3);
	 colaborador direto defensivo: defensor 
que participa no contrabloqueio (4).
FIgura 12.10 – Bloqueio.
Quadro 12.1 – Tipos de classificação dos bloqueios
Tipo Modo de ação Imagem
Segundo a trajetória 
da bola/defensor
Frontal (para frente e para trás).
Lateral (pela esquerda e pela direita).
Diagonal (pela frente e por trás).
Segundo alinha defensiva 
em que ocorre
Primeira linha.
Segunda linha.
Os bloqueios podem se classificar sobre vá-
rios parâmetros (Román; Petkovic; Teixeira):3-7
fundaMentos da tátIca coletIva no ataqueI 163
Tipo Modo de ação Imagem
Segundo a linha defensiva 
em que ocorre
Terceira linha.
Segundo a ação posterior
Bloqueio direto ou estático, quando o beneficia-
do é quem finaliza a ação.
Bloqueio indireto ou dinâmico, quando o bene-
ficiado passa a bola ao bloqueador para que este 
finalize a ação.
Segundo o número de jogadores
Bloqueio simples 
(um atacante atua sobre um defensor).
Bloqueio duplo 
(dois atacantes atuam sobre um defensor).
Manual de handebol164
Tipo Modo de ação Imagem
Segundo o número de jogadores
Duplo bloqueio 
(dois atacantes atuam sobre dois defensores).
Segundo a saída
Bloqueio com saída para seu lado.
Bloqueio com saída para o lado falso, ou seja, 
lado contrário àquele realizado pelo bloqueador.
12.6.4 Considerações 
Para realizá-lo, o regulamento permite a 
antecipação espaço-temporal sobre o defensor, 
em forma de choque simultâneo e com resistên-
cia mútua. Recomenda-se que o bloqueador se 
posicione fechando a saída do defensor bloquea-
do a 50-70 cm dele e não indo sobre ele, a fim de 
evitar a falta de ataque. A respeito disto, o blo-
queador não pode empurrar, mas somente ofere-
cer resistência corporal. O regulamente prevê a 
impossibilidade de utilizar os braços estendidos 
ou pernas afastadas.
A orientação do bloqueador pode ser fron-
tal ou, até mesmo, dando as costas ao defensor, 
mas, em todo caso, não deve nunca perder a bola 
de vista. Somente se deve realizá-lo perante um 
defensor que se encontra em uma linha de jogo 
distinta para se ter maior garantia de êxito, já que 
a coordenação defensiva ficaria mais difícil em ra-
zão da surpresa da ação. 
Devemos levar em conta:
fundaMentos da tátIca coletIva no ataqueI 165
	 um bloqueio será eficaz se houver 
coincidência espaço-temporal nas 
ações dos atacantes.
	 perante um bloqueio frontal, bloque-
ador e beneficiado devem coincidir no 
mesmo eixo.
	 uma vez produzido o bloqueio, o blo-
queador deve se desmarcar o mais rá-
pido possível no espaço livre.
O bloqueio constitui uma série de fases:
1. Iniciação: quando o principal proble-
ma está na sincronização da ação do 
atacante com o restante da jogada de 
ataque, que estará em função da dis-
tância e da situação dos jogadores en-
tre si.
2. Realização: o bloqueador é o jogador 
que começa a ação, mas em função da 
bola, e é o primeiro que deve chegar 
ao ponto escolhido. O beneficiado 
deve passar lateralmente o defensor, 
na hora em que acontece o bloqueio, 
e o bloqueador se coloca pelo lado em 
que pretende passar o beneficiado.
3. Finalização: se dá quando o beneficia-
do ultrapassa lateralmente a linha de 
bloqueio (formada entre o bloqueador 
e o jogador com a bola) e implica um 
lançamento ao gol, uma continuação 
com um passe ao bloqueador (blo-
queio dinâmico) ou uma possibili-
dade de superioridade numérica nas 
ações seguintes.
FIgura 12.11 – Desenvolvimento de bloqueio dinâ-
mico.
12.7 A pantalha
Pablo Juan Greco, Siomara A. Silva, Fernando Lucas Greco
12.7.1 Definição
É um meio tático coletivo pelo qual dois ou 
mais atacantes cortam simultaneamente a trajetória 
de um defensor (ou defensores) em profundidade 
para facilitar o lançamento de um companheiro. 
A pantalha é um muro que se interpõe entre os 
defensores e um atacante para facilitar a este o lan-
çamento à distância. Pode-se considerar, também, 
como a soma de dois ou mais bloqueios frontais.
12.7.2 Objetivos
	 Conseguir uma situação ótima para o 
lançamento eficaz da primeira linha; 
Manual de handebol166
geralmente envolve um especialista 
que possui grande qualidade no lan-
çamento de média e longa distância;
	 Buscar, de forma secundária, a penetra-
ção pela ruptura da pantalha, ou pela 
liberação do espaço do lado contrário.
12.7.3 Classificação
As pantalhas são denominadas segundo o 
número de jogadores que as compõem:
a) Pantalhas de dois ou duplas.
b) Pantalhas de três ou trios.
c) Pantalha múltipla: normalmente uti-
lizadas em situações especiais, como 
no caso dos lançamentos em tiro livre 
ou nos instantes finais da partida.
Também podemos classificá-las em função 
do momento do jogo em que elas acontecem:
a) Pantalha dinâmica: aquela que acon-
tece dentro da ação normal do jogo 
com mais um procedimento tático.
b) Pantalha estática ou estratégica: tem 
seu início em uma situação de inter-
rupção do jogo (tiro livre).
12.7.4 Considerações
Seu emprego é muito efetivo contra defesas 
fechadas e de uma só linha ou, também, em ações 
estratégicas do jogo (lançamento em um tiro li-
vre). Contudo, exige opções de continuação dian-
te da possibilidade de fracasso da pantalha.
Devemos levar em conta que:
	 envolve uma boa estruturação espaço-
-temporal: ocupar o espaço da panta-
lha no momento em que o lançador 
recebe a bola.
	 deve ser adequado ao lugar em que se en-
contra o lançador, em consideração à tra-
jetória do lançador e dos bloqueadores.
	 os jogadores estarão próximos e não 
em graduação.
	 se não houver êxito na pantalha (não 
se chegara executar o lançamento), um 
dos bloqueadores deve continuar o 
jogo de pivô, aproveitando o jogo em 
profundidade (bloqueio dinâmico).
	 buscar a maior profundidade por par-
te dos integrantes da pantalha para 
conseguir maior efetividade e melho-
rar a distância em relação ao gol.
FIgura 12.12 – Desenvolvimento da pantalha.
fundaMentos da tátIca coletIva no ataqueI 167
12.8 Cortina
Pablo Juan Greco, Siomara A. Silva, Fernando Lucas Greco
12.8.1 Definição
As cortinas são ações táticas de grupo de ataque 
que objetivam interromper, momentaneamente, a 
trajetória de um defensor, evitando sua progressão 
na profundidade da quadra, para beneficiar o colega 
com ou sem a posse da bola. É uma ação simultânea 
de dois atacantes, sendo que um protege a corrida 
do lançador e outro se beneficia da ação do colega. 
O jogador sem bola deve realizar uma corrida 
pela frente da defesa, obstruindo a saída a frente do 
defensor direto do colega, facilitando, assim, a ação de 
progressão para o lançamento ou a superioridade deste 
que se beneficia da movimentação do iniciador da ação.
12.8.2 Objetivos
	 Conseguir uma situação ótima para o 
lançamento;
	 Conseguir uma situação de superiori-
dade do ataque;
	 Atrasar ou evitar a saída à frente do de-
fensor direto do jogador beneficiado;
12.8.3 Considerações
Seu emprego é muito efetivo contra defesas 
fechadas em situações de saída do defensor direto 
acompanhando o movimento da bola. A movi-
mentação do jogador sem bola, segundo Cuesta,9 
deve ocorrer de forma que o defensor direto do 
colega não perceba, ou seja, deve ser realizada por 
meio de uma surpresa do adversário. 
Entretanto, tal movimentação deve ser rea-
lizada observando-se alguns aspectos técnico-táti-
cos e regulamentares do jogo, tais como:
	 O jogador sem bola não pode realizar 
um bloqueio faltoso no defensor dire-
to daquele que estará sendo beneficia-
do pela ação dele;
	 O atacante deve chegar ao espaço an-
tes que o defensor, realizando uma 
pequena parada para “segurá-lo”, de 
forma tal a dar “tempo” e “espaço” ao 
colega;
	 Quem se beneficia do bloqueio deve 
perceber as melhores alternativas para 
finalizar ou dar sequência ao jogo 
ofensivo;
	 Deve-se ajustar o timing da ação entre 
os dois jogadores de ataque, sendoque 
a trajetória do jogador deve ter sua 
“chegada” de forma simultânea com a 
do companheiro no local de definição 
da ação.
12.9 Ponte aérea (ou fly, ou kempa-trick)
Pablo Juan Greco, Siomara A. Silva, Fernando Lucas Greco
Manual de handebol168
12.9.1 Definição
A ponte aérea é uma ação tática de grupo 
que exige interação de dois atacantes, com traje-
tórias diferentes. O primeiro, também chamado 
de jogador iniciador, deve passar a bola no espa-
ço da área para um segundo atacante, também 
chamado de jogador resposta, evitando a ação de 
interceptação do defensor direto de ambos os jo-
gadores e do goleiro.
12.9.2 Objetivos
	 Liberar braço de lançamento;
	 Utilizar o espaço nas costas da defesa 
(realizando uma progressão com salto 
de fora da área de 6 metros).
12.9.3 Considerações
A utilização da ponte aérea, ou “fly”, deve acon-
tecer observando-se a movimentação dos defensores 
e determinando o melhor momento tanto do passe 
quanto do deslocamento do jogador sem bola.
As responsabilidades dos atletas durante 
uma ação de ponte aérea estão apresentadas no 
Quadro 12.1:
Quadro 12.2 – Responsabilidades dos atletas durante uma ação de ponte aérea
Jogador iniciador Jogador receptor Jogador sem bola
Fixar o defensor direto. Perceber a ação do colega.
Fixar a atenção dos seus defensores 
diretos, realizando ações sem bola.
Passar a bola ao colega que salta para 
a área.
Oferecer-se para receber.
Observar a proximidade com o jogador 
que realiza o fly, não fechar espaço 
deste.
Sair da marcação após passar a bola. Saltar de fora da área. Não se aproximar em demasia.
Fintar sempre a direção de corrida, 
desviando atenção da defesa para o 
local do passe.
Recepção no ar no espaço da área, nas 
costas da defesa.
Desmarcar-se para ser opção de passe e 
para ser um possível receptor.
Fixar e passar com qualidade. Observar o goleiro, tipo de ação, saída etc.
Fintar sempre a direção de corrida e 
trabalhar sem bola para atrair defen-
sores.
Usar a troca de velocidade na ação de 
sair da marcação.
Usar a troca de velocidade na ação de 
sair da marcação.
Qualidade e Variação no tipo de passe.
Qualidade e variabilidade no tipo de 
lançamento.
Qualidade e variação no tipo de ação.
Assegurar a continuidade do jogo.
Assegurar a continuidade do jogo caso 
não possa definir.
Assegurar a continuidade.
13 Meios tecnicos táticos de grupo na defesa
“triângulo defensivo”. Esse nome se deve a sua 
similaridade geométrica com essa fi gura. Sua mis-
são fundamental é reforçar as zonas defensivas 
correspondentes à posição da bola, isto é, formar 
superioridade numérica defensiva em torno da 
bola (densidade).
Juan J. Fernández, Jose M. Miragarjo, Rondeantoni do Nascimento, Helena Vila
13.1 Basculação, fl utuação e forma-
ção do triângulo defensivo
13.1.1 Defi nição
Por basculação entende-se uma série de 
deslocamentos laterais defensivos determinados 
pela posição da bola e do jogador (amplitude 
defensiva), com o objetivo de se obter superio-
ridade numérica defensiva no setor em que se 
encontra a bola.
Unido ao conceito de basculação defensiva, 
encontramos, também, o de fl utuação, que se 
defi ne como a ação de aproximação-afastamento 
de um defensor frente ao seu oponente. A dis-
tância que os separa pode ser maior ou menor 
dependendo da ação ou não contra o oponen-
te (profundidade defensiva). A missão funda-
mental da fl utuação é jogar com espaços que se 
deixam disponíveis para o atacante. Por meio 
da redução, aproximamo-nos do oponente, em 
uma zona efi caz de deslocamento, ou pelo seu 
aumento, retrocedendo para bloquear a bola na 
direção que ela fosse.
O exercício que combina fl utuação e bas-
culação possibilita a formação do denominado 
fIgura 13.1 – Triângulo defensivo.
13.1.2 Objetivos
	 Impedir penetrações e progressões.
	 Buscar a ocupação antecipada de es-
paços livres.
	 Reduzir a zona de ação efi caz do ata-
cante no lançamento à distância.
Manual de handebol170
	 Reforçar as zonas defensivas onde se 
encontra a bola (formar igualdade ou 
superioridade numérica defensiva).
	 Jogar com espaços, aproximando-
nos ou afastando-nos de nosso opo-
nente.
	 Poder efetuar com a maior precisão a 
defesa de nosso gol.
13.1.3 Considerações
A disposição tática do triângulo defensivo 
nos permite também colaborar melhor com o 
goleiro. Dessa forma, podem-se estabelecer como 
critérios básicos de colaboração:
	 o jogador que ataca seu oponente di-
reto cobre o ângulo curto do gol;
	 o jogador da base interior do triângulo 
defensivo cobre o ângulo longo.
Esses meios táticos, levando em conta a ti-
pologia do sistema defensivo, utilizam-se:
em defesas por zona:
	 Perante procedimentos táticos coleti-
vos ofensivos que buscam penetração 
ou a melhora do parâmetro de pro-
fundidade.
	 Especialmente eficaz contra procedi-
mentos táticos coletivos ofensivos que 
buscam superioridade ofensiva no se-
tor em que encontra a bola.
em defesas mistas:
	 As mesmas considerações do caso an-
terior para aqueles que defendem em 
zona.
	 Realizam-se os ajustes necessários se o 
jogador que recebe a defesa individual 
a supera.
Em defesas individuais, este conceito não 
tem cabimento. Recorre-se às ajudas defensivas 
em caso de superação do defensor, ou, se for o 
caso, pode-se chegar à troca de função defensiva 
que é conhecida como troca na marcação. 
FIgura 13.2 – Troca na marcação.
13.2 A dobra
13.2.1Definição
É um meio tático coletivo defensivo com 
base na intenção técnico-tática defensiva de con-
trole da distância do oponente, que busca evitar a 
fundaMentos de tátIca coletIva na defesa 171
progressão de um jogador adversário em posse da 
bola que superou um companheiro em um posto 
específico ao lado do seu. Também é conhecida 
como ajuda ou “fechamento”.
A dobra implica atuar sobre um adversário 
em posse da bola que não seja nosso oponente di-
reto, o qual se torna perigoso por ter superado seu 
defensor direto no setor defensivo.
13.2.3 Considerações
A superação de um defensor implica uma 
série de ajustes coletivos, mas, também, facilita as 
iniciativas e a valorização de riscos nas tomadas de 
decisão, sabendo que o companheiro vencido será 
capaz, por sua vez, de acudir em ajuda defensiva.
Em definitivo, dobrar supõe que a defesa 
se adapta em inferioridade numérica, ou seja, ao 
se eliminar um defensor, há mais atacantes. Para 
fechar este buraco na defesa e impedir a sua utili-
zação imediata, o defensor que cobre deve neutra-
lizar completamente o atacante em posse da bola 
para evitar o lançamento e permitir, assim, que a 
defesa se reagrupe e se reorganize (principalmente 
o companheiro vencido).
A dobra, tendo em conta a tipologia do sis-
tema defensivo, é pertinente:
a) em defesas por zona:
	 Superação de um companheiro em 
um contra um: o companheiro que 
está ao lado pelo qual foi vencido seu 
colega realiza a cobertura.
	 Em defesa de duas ou três linhas pe-
rante erro na interceptação ou supe-
ração pela zona externa (a dobra é um 
deslizamento).
b) em defesas mistas:
	 As mesmas considerações do caso ante-
rior para aqueles que defendem em zona.
	 As mesmas situações e cadências, ou 
seja, superação do homem que foi à 
FIgura 13.3 – Ação de dobra por parte de um central 
defensivo.
13.2.2 Objetivos
	 Ajudar a resolver as dificuldades de um 
companheiro superado por um adver-
sário com bola e ocupar o seu lugar.
	 Neutralizar uma situação de superio-
ridade numérica ofensiva com perigo 
iminente.	 Permitir a reorganização de ações de-
fensivas com posterioridade.
Manual de handebol172
individual e realização da dobra (mes-
mo que não tinha a bola, pois está des-
marcado).
Em defesas individuais, seguem os princí-
pios de colaboração coletiva para se fazer a dobra.
13.3 A troca de oponentes e o desli-
zamento
13.3.1 Definição
Ambos os meios táticos defensivos coletivos 
podem resumir de forma simples a ideia básica do 
jogo defensivo coletivo. Essas interações defensi-
vas se dão como resposta a movimentos ofensivos 
com a finalidade de abortá-los ou diminuir sua 
efetividade ou consequência.
A troca do oponente é uma permuta de fun-
ções de marcação como consequência de ações dos 
atacantes com a finalidade de não romper a estru-
tura espacial de uma organização defensiva. Esse 
meio tático requer que os defensores encontrem-
se na mesma linha defensiva para poder realizar 
a troca de oponentes. Se isso não for possível, a 
resposta defensiva seria mediante o deslizamento, 
elemento que podemos conceituar como uma res-
posta defensiva às trocas de posicionamento dos 
atacantes, e cada defensor acompanha o seu ad-
versário marcando-o de perto. Em casos em que 
não é possível a troca do oponente, mas a amplia-
ção do posto defensivo específico, o deslizamento 
se apresenta como a ação técnico-tática defensiva 
indicada para a sequência da marcação do opo-
nente com bola.
13.3.2 Objetivos
	 Manter a estrutura e o bom funciona-
mento do sistema defensivo utilizado.
	 Abortar os meios táticos coletivos 
ofensivos que impliquem trocas ou 
permutas de postos específicos.
	 Utilizar corretamente o conceito de 
ajuda defensiva.
13.3.3 Classificação
A troca de oponentes pode classificar-se sob 
vários parâmetros:
a) Pela ocupação de espaços livres:
	 Troca do oponente por abandono do 
posto específico, o qual leva a um au-
mento do espaço do posto específico 
defensivo.
	 Troca do oponente como resposta a 
cruzamentos ou invasão do posto de-
fensivo de outro defensor.
b) Em função da distância a qual se realiza a ação 
ofensiva:
	 Troca de oponente perante ações em 
proximidade, na qual podemos distin-
guir três fases:
fundaMentos de tátIca coletIva na defesa 173
1. Interceptação do atacante.
2. Acompanhamento do atacante.
3. Entrega ao companheiro e troca do oponente 
propriamente dito.
	 Troca do oponente perante ações a dis-
tância, também conhecida como troca 
do oponente visual. Tem objetivo tático, 
pois, como defensor, só posso ampliar 
meu posto e meu contato visual com 
meu atacante. Como regra geral, depen-
derá da profundidade de nossos defen-
sores e dos movimentos dos atacantes. 
O defensor há de manter a marcação em 
uma zona, sem se importar com qual atacante 
a está ocupando. Se este abandonar esta zona, 
então o defensor deve deixá-lo, conservar seu 
posto específico e marcar outro oponente. Nesse 
caso, estabelece-se um combinado ou uma co-
municação com seus companheiros para indicar 
esta ação, frequentemente por meio da ação ver-
bal “troca”, e, inclusive, chegar a fazer contato 
corporal com o companheiro continuando seu 
deslocamento anterior.
Sem impedimento, o deslizamento é uma 
resposta defensiva perante trocas de posiciona-
mentos dos atacantes, nos quais não seja possível 
a troca de oponentes. Perante defesa homem a 
homem, os emparelhamentos são feitos de forma 
nominal. Por essa razão, quando o atacante se des-
loca para outros espaços, o defensor deve segui-
lo. Perante defesas zonais, quando os atacantes se 
cruzam e os defensores não se encontram em mes-
ma altura ou profundidade, a resposta defensiva 
se realiza com o deslocamento em forma de desli-
zamento (daí vem sua denominação) para evitar a 
superioridade da equipe atacante. Terá prioridade 
o defensor que está adiantado, já que é responsá-
vel pelo atacante com bola.
Portanto, os requisitos são:
a) Câmbio ou troca de oponente
	 Os defensores devem estar em mes-
ma linha.
	 Nunca deve ser realizado quando um 
dos defensores está atuando decisiva-
mente contra seu oponente com bola.
fIgura 13.4 – Troca do oponente.
13.3.4 Considerações
A troca de oponente funciona perfeitamente 
quando o sistema defensivo é de natureza zonal, 
se bem que, nas primeiras fases da iniciação, tam-
bém deve ser utilizado dentro das organizações de 
funções individuais na marcação.
Manual de handebol174
	 Quando um dos jogadores atacantes 
possui a bola, decidirá pela realização 
do câmbio do oponente o defensor do 
jogador que não tem a bola.
b) Deslizamento
	 No momento de realizá-lo, os defen-
sores deverão estar escalonados.
	 O defensor que o realiza deve fazê-lo 
o mais próximo possível do seu com-
panheiro, para poder neutralizar o seu 
oponente assim que possível.
Em consequência, realizaremos o câmbio de 
oponentes (VVAA):12
	 perante uma ação de cruzamentos dos 
atacantes;
	 durante o deslocamento de um atacante 
que supere os limites da ação de outro.
Em qualquer uma das situações anteriores, 
pode-se atuar ante o oponente com ou sem a bola.
Optaremos por deslizamento:
	 quando os defensores não estão à mes-
ma altura;
	 quando um dos defensores está atu-
ando decisivamente contra o seu opo-
nente com a bola;
	 quando existir um acordo prévio.
FIgura 13.5 – Câmbio do oponente.
fIgura 13.6 – Defesa mediante deslizamento.
13.4 O contrabloqueio
13.4.1 Definição
O contrabloqueio é uma situação típica 
de troca de oponente como resposta defensiva 
à ação ofensiva do bloqueio, geralmente em 
situações de marcação zonal e espaços próxi-
mos aos nove metros e linha de lançamento 
eficaz de um atacante. Consiste em uma troca 
de marcação específica para a situação de blo-
queio ofensivo.
fundaMentos de tátIca coletIva na defesa 175
13.4.2 Objetivos
	 Abortar a utilização do jogo de blo-
queios por parte dos atacantes.
	 Solucionar uma desigualdade defensi-
va ou um acerto ofensivo.
13.4.3 Considerações
O jogador bloqueado realiza uma manobra 
que consiste em um deslocamento para frente pri-
meiro e para trás depois, para se situar na linha 
de passe do bloqueador. O defensor oponente do 
bloqueador vai para o jogador com a bola, benefi-
ciário do bloqueio. Se o beneficiário sai pelo lado 
falso, é o defensor bloqueado que deve responder. 
fensores se encontram em diferentes planos, não 
será feito o câmbio de oponente.
Outra possibilidade de solução é que o opo-
nente do bloqueador o acompanhe até o lugar do 
bloqueio, ajudando o bloqueado a ganhar a situa-
ção, deslocando-se para trás. 
fIgura 13.7 – Contrabloqueio mediante deslocamen-
to para frente do jogador bloqueado.
Uma regra geral é que, quando os defensores 
estão na mesma altura, a situação se resolve por 
meio de um câmbio do oponente. Mas, se os de-
fIgura 13.8 – Contrabloqueio mediante deslocamen-
to diante do jogador bloqueado.
Manual de handebol176
Referências
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Madri: Gymnos, 1998.
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Conferencia pronunciada no Curso Especial 
de Actualización para entrenadores de Balon-
mano. Bilbao: Real Federación Española de 
Balonmano e Escuela Nacional de Entrena-
dores, 1986.
4 ______. El entrenamiento individual y de 
grupo como base de los sistemas defensivos. 
Conferencia pronunciada no Curso Especial 
de Actualización para entrenadores de Balon-mano. Bilbao: Real Federación Española de 
Balonmano e Escuela Nacional de Entrena-
dores, 1986.
5 ______. El juego entre líneas: entrenamiento 
del pivote. El juego técnico como base de los 
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no Curso Especial de Actualización para en-
trenadores de Balonmano. Bilbao: Real Fe-
deración Española de Balonmano e Escuela 
Nacional de Entrenadores, 1986.
6 roMán, J. El juego del pivote. V Jornadas 
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Málaga: Unisport, 1993.
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Vigo: Federación Galega de Balonmán, 1993.
9 ______. Cuadernos de balonmano: el juego 
entre dos. Vigo: Federación Galega de Balon-
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10 R.F.E.B.M. Reglas del juego. Madri: Real Fe-
deración Española de Balonmano, 1997.
11 cuesta, J. G. (org.) Balonmano. Madri: Co-
mité Olímpico Español y Real Federación 
Española de Balonmano, 1991.
12 VVAA. Balonmano. Colección de los depor-
tes olímpicos. Madrid: Comité Olímpico Es-
pañol, 1991.
sIsteMas de jogo no ataque 177
Parte V
Sistemas de jogo no 
handebol
14 Sistemas de jogo no ataque
Juan J. Fernández, Pablo Juan Greco, Helena Vila, Rondeantony do Nascimento
14.1 Introdução aos sistemas de jogo 
em ataque
14.1.1 Definição
Entende-se por sistema de jogo no ataque 
o conjunto de medidas (técnico-táticas individu-
ais e táticas coletivas) que o treinador seleciona e 
ordena pra serem colocadas em prática por parte 
dos jogadores, com a finalidade de impedir a pro-
gressão da equipe atacante ou a execução do gol. 
Quando se fala de um sistema de jogo no ataque, 
faz-se referência a:
	 determinada situação ou distribuição, 
mais ou menos equilibrada no espaço, 
dos jogadores na zona de ataque (idéia 
estratégica);
	 uma organização das ações táticas 
que serão colocadas na prática (idéia 
dinâmica).
Com base nisso, podemos redefinir um sis-
tema de jogo ofensivo como determinada organi-
zação espacial e das ações dos jogadores de uma 
equipe. Esta organização acontecerá em razão:
	 das características dos jogadores da 
sua equipe;
	 das características dos jogadores da 
equipe adversária;
	 do sistema de jogo utilizado pela equi-
pe adversária;
	 das situações decisivas no decorrer da 
partida.
14.1.2 Sistema 3:3: a estrutura básica do 
ataque
14.1.2.1 Definição e estrutura
O ataque em 3:3 (um pivô) é um sistema 
de ataque básico, no qual os jogadores realizam 
uma divisão equilibrada na zona de ataque com a 
finalidade de diminuir os espaços e assegurar uma 
continuidade do ataque. A partir deste sistema, 
ocorrem variações estruturais que dão lugar a ou-
tros sistemas de ataque ou modificações destes.
Em suma, sua estrutura é formada por duas 
linhas, nas quais se distribuem três jogadores em 
cada uma delas.
As posições específicas de cada linha são as 
do Quadro 14.1:
Manual de handebol180
Quadro 14.1 – Posições específicas de cada linha 
ofensiva
Primeira linha de ataque Segunda linha de ataque
Armação central (B) Ponta esquerda (F)
Lateral esquerdo (A) Ponta direita (D)
Lateral direito (C) Pivô (E)
FIgura 14.2 – sistema 3-3 normal ou fechado.
	 3:3 (um pivô) aberto: nesta variação do 
sistema 3:3, os dois pontas se posicio-
nam mais abertos, próximos à linha de 
fundo.
FIgura 14.1 – Sistema 3-3 clássico.
14.1.2.2 Classificação
Como em qualquer outro sistema, existe 
uma estrutura básica e uma divisão de funções 
por posição específica. A partir desta posição 
inicial, pode-se ter uma série de modificações 
no sistema, o que oportuniza as seguintes va-
riações.
	 3:3 (um pivô) normal ou fechado: ca-
racteriza-se pela situação de os dois 
pontas se posicionarem na mesma li-
nha do pivô
FIgura 14.3 – sistema 3-3 aberto.
14.1.2.3 Posssibilidades de atuação
A posição dos jogadores na quadra deve ser 
ativa e dinâmica, com constantes movimentos para 
receber a bola, buscar se desmarcar, preparar para 
infiltração, ou, para passar a bola, atuando sempre 
sIsteMas de jogo no ataque 181
em direção ao gol e colaborando constantemente com 
o restante dos companheiros da sua equipe.
14.1.2.4 Função dos jogadores
Em geral, e em razão da quantidade de pos-
sibilidades de desenvolvimento que se tem neste 
sistema, poderíamos dizer que cada jogador deve 
dominar o maior número de ações a partir da sua 
posição específica.
 
	 Primeira linha
	 Ataque direto e perpendicular em di-
reção ao gol.
	 Domínio de fintas com e sem bola para 
os dois lados (ponto forte e ponto fraco).
	 Domínio de lançamento.
	 Domínio do jogo com pivô.
Só devemos fazer uma observação particular 
no caso do jogador central (B), quando se busca:
	 sintetizar as duas zonas de ataque.
	 ser perigoso (ofensivo) em ambas as 
trajetória.
	 ser capaz de jogar para os dois lados 
com o pivô.
	 dominar pelo menos o lançamento 
entre 8 e 9 m.
	 Segunda linha
Pivô:
	 Mudança rápida de ritmo.
	 Capacidade de dificultar a movimen-
tação defensiva por meio de bloqueios.
	 Atitude constante de colaboração e 
ajuda com os jogadores da segunda e 
da primeira linha.
Pontas:
	 Realizar todas as recepções em movi-
mento e não em posição estática.
	 Domínio de várias movimentações 
com o seu companheiro (F-A/C-D).
	 Domínio eficaz das trajetórias dentro 
da sua posição específica.
	 Capacidade de atrair a atenção, mes-
mo de dois defensores.
14.1.2.5 Utilização
Pode ser utilizada diante de qualquer tipo de 
defesa. A experiência nos mostra que é mais eficaz 
diante de defesas em 6:0, tanto em bloco defensi-
vo quanto em linha de tiro. Também é válido em 
situações de superioridade numérica.
Devemos nos lembrar, de todas as formas, 
de que a equipe deve conhecer procedimentos 
táticos específicos, tanto contra defesas abertas 
(bloqueio em segunda linha, cruzamentos etc.), 
quanto contra defesas fechadas (progressões su-
cessivas, mudanças no sentido da bola, bloqueios 
em primeira linha defensiva etc.).1
A utilização deste sistema ofensivo tem van-
tagens e desvantagens, entre as quais podemos 
destacar:
Manual de handebol182
Vantagens:
	 É um sistema seguro (a distância entre 
os passes é curta).
	 Há equilíbrio na ocupação do espaço 
(largura e profundidade).
Desvantagens:
	 Facilita a adaptação do sistema defen-
sivo em razão de sua estrutura (sem 
transformações).
14.2 Sistemas de transformação
14.2.1 Definição e estrutura
Podemos entender os sistemas de transforma-
ção como sendo as mudanças de um sistema de um 
jogo a outro, por modificação das linhas de jogo ou 
das posições específicas. Esta evolução dos sistemas de 
ataque faz com que a defesa se reorganize buscando:
	 aumento da iniciativa defensiva (maior 
antecipação);
	 ocupação espacial em várias linhas 
(maior profundidade);
	 aumento da movimentação defensiva 
(espaços mais amplos).
Contra isso, aparecem as transformações do 
sistema 3:3 (um pivô). Uma das movimentações 
básicas dos sistemas de jogo ofensivo é o desdo-
bramento. Este é um procedimento tático coleti-
vo que consiste no deslocamento de um jogador 
de uma posição específica, o de pivô, mediante o 
qual se transforma o sistema de jogo ofensivo.
Entre os desdobramentos mais usuais, pode-
mos citar o da primeira linha e o do ponta, transfor-
mando, por exemplo, o sistema 3:3 (um pivô) a 2:4, 
no primeiro caso, ou a 3:3 (2 pivôs), no segundo.
14.2.2 Classificação
Segundo a zona de procedência do jogador 
ondese realiza a transformação, podemos distin-
guir as seguintes variantes do sistema:
Sistema de ataque 3:3 (um pivô) - 3:3 (dois pivôs)
Acontece quando, partindo do sistema 3:3 (um 
pivô), um ponta abandona a sua posição e se converte 
em segundo pivô, geralmente do lado contrário que 
correu. Assim, a equipe passaria a atuar com dois pivôs 
e ficaria sem um ponta, inicialmente. Os armadores la-
terais ficam em suas posições, ou seja, apresenta-se um 
3:3 com uma ponta livre, sem ocupação por jogador.
FIgura 14.4 – Transformação do sistema 3:3 (um 
pivô) para o sistema 3:3 (dois pivôs).
sIsteMas de jogo no ataque 183
Partindo de um sistema 3:3 (um pivô), 
um dos jogadores da primeira linha abando-
na a sua posição para se converter em segundo 
pivô, e serão realizados os ajustes necessários 
para que os pontas se mantenham ocupados e a 
posição deixada por aquele que penetrou como 
pivô seja preenchida por um dos jogadores da 
primeira linha.
	 Um bloco de 3 x 3, outro de 2 x 2 e o 
central. O bloco de 3 x 3 estaria for-
mado pelo ponta, o lateral e o pivô, e 
o de 2 x 2 estaria formado pelo lateral 
e o segundo pivô.
Em ambos os casos, deve estar assegurada 
a união das diferentes zonas de ataque mediante 
o central, o que provocará, em muitas situações, 
que se forme um triângulo na zona do centro en-
tre o central e os dois pivôs.
Sistema de ataque 3:3 (um pivô) - 2:4
O sistema deve ter agilidade suficiente para 
se transformar de um 3:3 (um pivô) sem perder 
opções no ataque, o qual causaria um problema 
grave de adaptação para a defesa. As possibilida-
des de realização seriam:
	 Transformação do central.
	 Transformação de um lateral. O cen-
tral pode ou não ocupar o espaço do 
lateral em função das suas próprias ca-
racterísticas (mais ou menos lançador, 
maior ou menor qualidade técnica-
-tática individual).
Na atualidade, também se usa, com certa as-
siduidade, a transformação de 3:3 (um pivô) - 3:3 
(dois pivôs) - 2:4. Neste caso, parte-se do desdo-
bramento do ponta e dobra o pivô. Geralmente, 
o lateral ocupará o seu lugar, e o central abre em 
amplitude (2:4).
FIgura 14.5 – Transformação do sistema 3:3 (um 
pivô) para o sistema 2:4.
14.2.3 Possibilidades de atuação
Sistema de ataque 3:3 (um pivô) - 3:3 (dois pivôs)
Existem duas possibilidades de atuação em 
função da distribuição dos blocos de trabalho dos 
jogadores:
	 Dois blocos de 3 x 3 formados da se-
guinte maneira: de um lado o central, 
o lateral e o pivô; de outro, o ponta, o 
lateral e o pivô;
Manual de handebol184
14.2.4 Funções dos jogadores
Em geral os jogadores devem dominar o 
momento do passe e a coordenação com os pi-
vôs. Além do mais, dependendo da posição, as 
necessidades provocadas pelas modificações do 
sistema seriam:
O central:
	 Deve coordenar totalmente o sistema.
	 Deve jogar em profundidade com 2 
pivôs.
O lateral do lado em que se encontra a ponta livre 
deve ter:
	 Domínio tático do jogo em profun-
didade, dificultado por ter um pivô 
constante na sua zona, já que tem me-
nos apoio do seu ponta.
	 capacidade de penetrar com efetivida-
de para a ponta.
O pivô:
	 O pivô fixo tem a responsabilidade de 
coordenar corretamente os dois pivôs.
O jogador que se desdobra a pivô:
	 Deve ter grande inteligência tática, 
sobre todo o domínio do ritmo e dos 
momentos de intervenção.
	 Deve conhecer o jogo do pivô, em 
geral, e o trabalho entre as linhas em 
particular.
14.2.5 Utilização
Em geral, pode-se utilizar contra todos os 
sistemas defensivos, mas é especialmente eficaz 
contra defesas avançadas, porque a adaptação de-
fensiva, neste caso, é mais complicada.
Em particular, deve-se utilizar, sobretudo, 
contra defesas abertas, por exemplo, 5:1 em linha 
de lançamento, 3:3 e, também, contra 3:2:1.
14.3 Ataque contra defesa individual 
(da iniciação ao alto nível)
Klaus Feldmann, Pablo Juan Greco, 
Fernando Lucas Greco
14.3.1 Definição e estrutura
O jogo de handebol caracteriza-se pela oposi-
ção e cooperação simultânea dos jogadores em ata-
que e defesa, com posse de bola, alternando sistema 
ofensivo e defensivo utilizado pelas equipes.
A marcação individual é considerada como 
uma das mais relevantes no processo de ensino-
-aprendizagem-treinamento de crianças e jovens, 
sendo muito utilizada na iniciação e, em poucas si-
tuações, mas presentes, no alto nível de rendimento. 
Equipes asiáticas e africanas, por exemplo, utilizaram 
o sistema de marcação individual por muito tempo 
em competições de alto nível de rendimento. Isso 
ocorreu em razão das características apresentadas por 
seus jogadores em relação aos jogadores europeus.
sIsteMas de jogo no ataque 185
O ataque contra a marcação individual deve 
apresentar alguns princípios para facilitar o transporte 
da bola até o objetivo final do jogo, ou seja, o gol. 
Ataque contra marcação individual define-
-se como sendo um sistema de ataque livre sem 
obrigações de ocupação de posições no qual os 
jogadores movimentam-se pela quadra a fim 
de proporcionar situações de passe ou infiltração 
para o portador da bola. Sua estrutura modifica-se 
em função do posicionamento da bola e do joga-
dor que a possui, relacionando-se com o tempo e 
espaço da quadra de jogo.
Os jogadores devem iniciar o ataque con-
tra a marcação individual conforme os seguintes 
princípios, visualizados na figura abaixo no mo-
mento de saída da bola:
3. Dois jogadores com mais habilidade, 
tecnicamente, se colocam um atrás 
do outro no meio do campo.
4. Conforme a situação e de acordo com 
o trabalho da defesa, os jogadores 1 
e 2 podem realizar o “corte” para o 
meio, ou cruzar com o colega. 
14.3.2 Classificação
O ataque contra marcação individual 
tem como característica a presença de duas 
funções, sendo:
	 Jogador com bola: é aquele que possui 
a bola e a preferência para penetrações 
e lançamentos ao gol.
	 Jogador sem bola: são os apoios e tem a 
responsabilidade de auxiliar o jogador 
com bola para sua movimentação e con-
seqüente infiltração, lançamento ou passe.
14.3.3 Possibilidades de atuação
Os jogadores em ataque podem realizar 
diversas ações técnico-táticas a fim de facilitar o 
transporte da bola ao objetivo e, consequente-
mente, o gol.
Podem ser subdivididas em dois momentos, 
podendo ser realizadas movimentações sem bola 
com mudança de direção e/ou sentido ou movi-
mentações de apoio e de ajuda.
FIgura 14.6 – Estrutura do ataque contra marcação 
individual.2
1. Dois jogadores ocupam a posição de 
ponta em espera.
2. Dois jogadores ocupam a posição no 
meio do campo junto à linha lateral e 
aguardam.
Manual de handebol186
Movimentações sem bola com mudança de direção 
e/ou sentido
	 Sair da marcação
1. Passe no espaço livre, utilizando as 
costas do defensor (passe ao espaço 
futuro).
3. Deve haver, por parte do jogador 
sem bola, uma troca de direção 
prévia para poder ganhar a posição 
de saída do defensor.
	 Vai e volta
1. Passe ao espaço em linha paralela.
2. Deve ter por parte do jogador sem 
bola uma troca de direção previa 
para poder ganhar a posição de sa-
ída do defensor.
FIgura 14.7 – Saída da marcação a partir de uma mu-
dança de direção.2 Na primeira figura, observa-se a 
ação de sair para entrar; na segunda, observa-se a ação 
de entrar para sair.
FIgura 14.8 – Mudança de direção e sentido (vai e volta).2
	 “Saio para entrar”
1. Passe no espaço livre. Para sair da 
“sombra” do defensor, deve-se des-
marcar na mesma linha.
2. Passe ao espaço em linha paralela.3. Deve haver, por parte do jogador 
sem bola, uma troca de direção 
prévia para poder ganhar a posição 
de saída do defensor.
FIgura 14.9 – Mudança de direção e sentido (“saio 
para entrar”).2
sIsteMas de jogo no ataque 187
	 Sair para receber
1. Pivô: passe no espaço livre, para sair 
da marcação do defensor e se ofere-
cer, deslocando-se lateralmente. 
2. Passe ao espaço em linha de pro-
fundidade.
3. Deve haver, por parte do jogador 
sem bola, uma troca de direção 
previa para poder ganhar a posição 
de saída do defensor.
FIgura 14.11 – Mudança de direção e sentido (entro 
para sair).2
Movimentações sem bola de apoio e de ajuda
	 Entrar entre dois defensores
1. O atacante em posse de bola entra 
no meio de dois defensores para 
chamar a marcação de ambos. 
2. O colega deve se abrir em linha 
diagonal para a lateral para rece-
ber, após troca de direção e de ve-
locidade sem bola. 
FIgura 14.10 – Mudança de direção e sentido (sair 
para receber).2
	 Entro para sair
1. O jogador realiza uma troca de 
direção saindo primeiro para logo 
voltar rápido para receber. 
2. Passe ao espaço em linha de pro-
fundidade.
3. Deve ter por parte do jogador sem 
bola uma troca de direção previa 
para poder ganhar a posição de sa-
ída do defensor.
FIgura 14.12 – Movimentações sem bola de apoio e de 
ajuda (passar entre dois).2
 
	 Cruzamento e ataque em paralelo
1. O atacante em posse de bola fixa 
seu defensor direto. O conceito de 
ajuda é realizado pelos dois colegas; 
um deles (1) cruza por trás do joga-
dor com bola, sempre priorizando 
sobre o braço de lançamento.
2. O colega (2) deve se abrir em linha 
diagonal para a lateral para receber, 
após troca de direção e de ritmo.
FIgura 14.14 – Movimentações do jogador sem bola 
de apoio e de ajuda (cruzamento).2
	 Ajuda (novo início da ação)
1. O atacante que vai receber a bola 
deve ter sempre as opções de pas-
se. Quando ele, eventualmente, 
fixar seu defensor, a ajuda é reali-
zada pelos dois colegas. 
2. O jogador próximo se prepara 
para o cruzamento por trás do jo-
gador com bola.
3. O jogador mais distante corre 
para atrair a marcação e abrir es-
paços.
FIgura 14.13 – Movimentações sem bola de apoio e de 
ajuda (cruzamento e ataque em paralelo).2
	 Cruzamento
1. O atacante em posse de bola fixa 
seu defensor direto. O conceito 
de ajuda é realizado pelos dois 
colegas cruzando por trás do jo-
gador com bola.
2. O colega deve se abrir em linha 
diagonal para a lateral para receber. 
Recebe quem chega primeiro do 
lado fácil para passar. 
sIsteMas de jogo no ataque 189
FIgura 14.15 – Movimentações sem bola de apoio e de 
ajuda (cruzamento).2
14.3.4 Funções dos jogadores
Em geral, os jogadores devem dominar o 
momento do passe e a coordenação espaço-tem-
poral para decidir entre progressão com a bola ou 
sem ela e o uso do dribling. No ataque contra a 
marcação individual, definem-se princípios de 
ação dos jogadores para que se alcance o gol de 
forma mais eficiente, tais como:
	 O jogador em posse de bola sempre 
tem a preferência de utilizar o espaço 
central da largura da quadra quando 
progride usando o dribling.
	 Os jogadores sem bola devem abrir os 
espaços centrais e servir de apoio/aju-
da para o jogador com bola.
FIgura 14.16 – Movimentação dos jogadores sem bola 
para criar o espaço na área central da quadra.2
	 Nenhum jogador deve ficar parado, 
ou seja, aceitar passivamente a mar-
cação do adversário. Pelo contrário, 
devem realizar trocas e mudanças de 
direção e/ou sentido em suas trajetó-
rias de corrida, bem como mudanças 
na velocidade de deslocamento.
	 Levar o jogo para um canto da quadra, 
atraindo a atenção da defesa e crian-
do espaços livres na outra metade do 
campo.
	 Usar a profundidade.
	 Trabalhar de poste (pivotar).
	 Passar ao espaço futuro.
	 “Passe e vai”.
15 Sistemas de jogo na defesa
	 Impedir a construção de ações ofen-
sivas.
	 Anular ou evitar ações de finalização.
	 Impedir a finalização com êxito.
15.1.2 Classificação
Para diferenciar e classificar os sistemas de-
fensivos, devemos ter claros os seguintes concei-
tos: amplitude, profundidade e densidade.
A amplitude define-se como a distribuição 
espacial dos jogadores da equipe defensora com 
a finalidade de evitar lançamentos de 6 m. Em 
função disso, podemos classificar os sistemas em:
	 Defesa em bloco defensivo: seu objetivo 
é conseguir superioridade numérica 
defensiva no lugar da bola; para isso, 
os jogadores se deslocam seguindo o 
movimento da bola (basculação de-
fensiva).
	 Defesa em linha de tiro: quando os 
jogadores são responsáveis por deter-
minada zona e pelo jogador que ali se 
encontra, sem realizar deslocamentos 
laterais importantes e definidos.
Juan J. Fernández, Helena Vila, Luis Casáis, José M. Cancela
15.1 Introdução aos sistemas de jogo 
na defesa
15.1.1 Definição e características
Sabemos que a defesa é uma fase do jogo de 
handebol, que se caracteriza pela ausência da pos-
se de bola, e a equipe adversária com a posse de 
bola tem a possibilidade de conseguir o objetivo 
principal do handebol: o gol.
Para evitar isso, a defesa possui alguns 
princípios gerais de atuação universalmente re-
conhecidos:3
	 Recuperação da bola.
	 Impedir a progressão dos jogadores 
adversários em profundidade e o lan-
çamento ao gol.
	 Proteger o gol (evitá-lo).
Os sistemas de jogo defensivos caracterizam 
configurações espaço-temporais que uma equipe 
adota para impedir a progressão da equipe atacan-
te e, consequentemente, o gol.4
Os sistemas defensivos acontecem para con-
trapor o ataque, buscando:3
Manual de handebol192
A profundidade define-se como a distribui-
ção espacial dos jogadores defensivos com o pro-
pósito de evitar lançamentos de longa distância, 
pois a sua condição será afastada em relação à li-
nha dos 6 m. Em função da profundidade, pode-
mos classificar os sistemas em:
	 Sistemas abertos, nos quais os defen-
sores estão situados longe da própria 
linha dos 6 m, estruturando-se em vá-
rias linhas de jogo.
	 Sistemas fechados, nos quais se pro-
duz uma aglomeração de jogadores 
perto da linha dos 6 m, evitando, 
assim, a penetração dos jogadores 
adversários.
A densidade pode ser definida como a ca-
pacidade para acumular jogadores em uma zona 
de espaço com a finalidade de recuperar a bola ou 
evitar a progressão do ataque.
Atendendo aos três critérios anteriores, po-
demos diferenciar os seguintes tipos de sistemas 
de defesa:
Sistema 3:2:1
É uma defesa em três linhas estruturada, 
fundamentalmente em função da bola. É uma 
defesa mais profunda e densa, mas pouco ampla. 
Em virtude do posicionamento de defensores 
avançados, favorece o desenvolvimento do con-
tra-ataque.
FIgura 15.1 – Sistema 3:2:1.
Sistema 3:3
Organiza-se um adiantamento dos defensores 
laterais, estabelecendo-se duas linhas defensivas. A 
pressão sobre a primeira linha do ataque adversário 
é máxima, acarretando uma situação de desvanta-
gem posicional em torno da linha dos 6 m, já que o 
espaço para defender é maior. Podemos considerar 
essa defesa mais profunda, pouco ampla e densa.
D
B
C A
F
2
5
7
6
4
3 E
D
B
C A
F
2
5 7 6
4
3 E
FIgura 15.2 – Sistema 3:3.
Sistema 4:2
São estabelecidas duas linhas defensivas, a 
primeira com quatro jogadores perto da linha dos 
sIsteMas de jogo na defesa 193
6 m e a segunda com dois defensores perto da 
linha dos 8-9 m.Como defesa por zona, sua uti-
lização é mais reduzida e limitada. Podemos con-
siderá-la profunda, densa e de média amplitude.
Sistema 6:0
É o sistema defensivo considerado por mui-
tos como o principal ou padrão. Consiste só de 
uma linha defensiva, muito próxima da linha dos 
6 m. É um sistema muito fechado. Tem como ob-
jetivo evitar, fundamentalmente, a penetração do 
adversário com a bola, permitindo o lançamento 
de longa distância. Os deslocamentos utilizados 
são, principalmente, os laterais, saindo a marcar o 
adversário direto. Podemos considerá-la profun-
da, densa e ampla.D
B
C A
F
2 5
7 6
3 E4
FIgura 15.3 – Sistema 4:2.
Sistema 5:1
São estabelecidas duas linhas defensivas, sendo 
a segunda formada por apenas um jogador, denomi-
nado avançado, que tem como principal função difi-
cultar a circulação da bola na primeira linha ofensiva, 
assim como a responsabilidade de marcar o central. 
Podemos considerá-la profunda, densa e ampla.
D
B
C A
F
2
5
7
6
3
E4
FIgura 15.4 – Sistema 5:1.
D
BC A
F
2
5
7
63
E4
FIgura 15.5 – Sistema 6:0.
15.2 Evolução dos sistemas defensivos
Klaus Feldmann, Pablo Juan Greco, 
Fernando Lucas Greco
Para uma melhor realização de um sistema 
defensivo no alto nível de rendimento no hande-
bol, é importante seguir uma lógica de ensino-
-aprendizagem-treinamento visando favorecer o 
aprendizado completo dos componentes técnico-
Manual de handebol194
-táticos individuais, de grupo e coletivos. O ensino 
dá-se na sequência de defesas abertas para defesas 
fechadas. Sendo assim, Feldmann5 propõe o ensi-
no dos sistemas defensivos de acordo com as faixas 
etárias dos alunos/atletas, os quais, em princípio, 
decorrem de forma paralela à sua experiência.
Nas ações defensivas, é importante que 
os iniciantes (principalmente as crianças entre 
6-10/12 anos) compreendam o denominado 
“sentido da defesa” (posicionamento defensivo, 
tomada da marcação, organização defensiva, 
jogo no sistema defensivo), bem como dominem 
os fundamentos técnico-táticos que permitem 
recuperar a posse da bola (antecipação/intercep-
tação/dissuasão/pressão; recuperação da bola, 
seja no drible ou no momento do lançamento 
do adversário, bloqueio de lançamentos). Os ele-
mentos necessários à compreensão individual do 
jogo defensivo na iniciação técnico-tática podem 
ser didaticamente divididos em atividades para 
compreender. 
Sentido da defesa: posicionamento defensivo, 
tomada da marcação, organização defensiva, jogar 
aprendendo as regras táticas de troca de marcação 
(passo por trás do colega “acompanhado”, passo 
pela frente do colega “troco a marcação”), que 
serão solicitadas nas marcações zonais em idades 
posteriores.
Recuperar a posse de bola: ações de antecipa-
ção, interceptação, dissuasão, pressão, recuperar a 
bola no momento do dribling ou do lançamento 
do adversário, bloqueio de lançamentos. 
Marcação individual Marcação Zonal
12-14
14-16
16-18
Mini
individual 08-10
menores 1-5
júnior e adulto
cadete 3-3
juvenil 3-2-1
Marcação Zonal
Mini
individual 
Mini
individual 12-14
FIgura 15.6 – Evolução do ensino dos sistemas defensivos no handebol.5
sIsteMas de jogo na defesa 195
FIgura 15.7 – Componentes do ensino dos meios técnico-táticos individuais .
Sentido da defesa
• Posicionamento defensivo
• Deslocamentos defensivos
• Posições de base
• Uso do corpo
• Organização defensiva
• Jogo no Sistema defensivo
Recuperar a posse da bola
• Antecipação
• Interceptação
• Dissuasão
• Pressão
• Flutuação
• Recuperar/lutar a posse de bola 
o drible, no lançamento
• Bloqueios de lançamentos
Tática individual
Ações defensivas
15.3 Sistemas zonais, mistos e indi-
viduais
15.3.1 Defesa individual
15.3.1.1 Definição e características
Atualmente, no handebol de alto nível de 
rendimento, as equipes tendem a praticar as defesas 
zonais, adotando as defesas individuais em poucas 
ocasiões. Em momentos muito concretos ou sobre 
um jogador de grande qualidade, seja de lança-
mento ou de armação de jogo o uso de sistemas de-
fensivos mistos também é praticado no handebol.
No processo de EAT, ao experimentar a de-
fesa individual, em geral, observa-se uma série de 
carências técnico-táticas individuais que permi-
tem justificar a utilização de defesas zonais que, 
por terem um caráter estrutural mais defensivo, 
permitem mais ajuda e, desse modo, diminuem-se 
os erros e as responsabilidades individuais, mas 
também se criam novas.
Em sua dissertação no congresso internacio-
nal para técnicos de handebol em agosto de 1970, 
em Estocolmo, Werner Vick, técnico da seleção 
alemã na época, relatou que não se deve deixar 
de realçar a importância que possui o trabalho de 
marcação individual na formação técnica do jo-
gador, sua formação em relação ao jogo limpo e 
ao correto trabalho defensivo, fundamentalmente 
em relação a aspectos didáticos como:
	 Defender sempre sobre o braço de 
lançamento.
	 A concentração sobre a bola.
	 A correta apreciação e evolução da capa-
cidade de deslocamento (timing) do rival.
É um sistema no qual cada defensor se 
encarrega de um atacante e não de uma zona 
Manual de handebol196
concreta, como ocorre nos demais sistemas tra-
tados.1 A sua finalidade pode-se resumir nos se-
guintes pontos:
	 Dificultar a criação e o ritmo do ataque.
	 Levar o ataque para zonas não pe-
rigosas.
	 Recuperar a posse da bola mediante o 
roubo da bola ou a finalização rápida 
do ataque em zonas desvantajosas.
Por isso, é imprescindível o trabalho de 
marcação individual nas divisões inferiores, nos 
mini e nos infantis. Atualmente, todo jogador 
de handebol sabe que as formações defensivas 
zonais são a base do sistema defensivo. Mas de 
que serve “um perfeito sistema defensivo se a 
técnica individual não é realizada com perfei-
ção”? Com essa definição, estão praticamente 
claros e com absoluta precisão o valor, o sentido 
e a tática da marcação individual. Restaria dei-
xar claro, com caráter didático-metodológico, 
os seguintes aspectos:
 
	 Formas de marcação individual.
	 Princípios da marcação individual.
	 Aspectos táticos a levar em conta.
	 Capacidades táticas básicas do defensor.
	 Formas de marcação individual.
Pode realizar marcação individual em:
	 Todo o campo.
	 A partir da metade da quadra.
	 Na própria linha de nove metros 
(por exemplo, em situações padrões 
como nos tiros laterais e tiros livre 
ao realizar o chamado pressing ou, 
por exemplo, ao aplicar um sistema 
1-5 que é, por suas características, 
um sistema de marcação individual 
em zona). 
15.3.1.2 Classificação
Podemos apresentar diferentes tipos de 
defesa individual em função do espaço no qual 
se utiliza:
Defesa individual na quadra inteira
Os defensores têm de encontrar o seu 
oponente rapidamente e realizar uma marca-
ção muito estrita por todo o terreno, indepen-
dentemente da zona que ocupa o adversário 
e mantendo, além disso, certa atenção sobre 
a bola.
O objetivo estrito é abalar a colaboração do 
ataque e provocar erros, seja por andadas, três se-
gundos, passes ruins etc., ou seja, que o adversá-
rio cometa um erro técnico-tático no controle da 
bola, logo, um erro regulamentado.
sIsteMas de jogo na defesa 197
FIgura 15.8 – Defesa individual quadra inteira.
Defesa individual na metade da quadra
A diferença com a anterior é escassa, deven-
do fazer-se o emparelhamento partindo de uma 
defesa zonal ou sobre meia quadra.
A marcação deve ser mais estrita, pelo maiorgrau de proximidade com o gol, diminuindo-a 
quando o atacante retrocede ao seu próprio cam-
po defensivo.
Os objetivos são os mesmos que na defesa 
individual quadra inteira.
FIgura 15.9 – Defesa individual na metade da quadra.
Manual de handebol198
Defesa individual por aglomeração
A defesa parte da zona e não se arrisca além 
dos 10-11 m para, deste modo, não se separar uns 
dos outros e poder garantir ajuda, assim como 
evitar as penetrações.
Uma vez estabelecido o emparelhamento, as 
marcações são mais estritas sobre o jogador com a bola 
e igualmente sobre os jogadores perigosos (geralmente 
aqueles mais habilidosos ou com melhor eficiência de 
lançamento), e a marcação é em linha de passe e vigi-
lância quando a bola está mais afastada. Geralmente 
se utiliza quando a bola se encontra nos pontas e a e 
equipe contrária está em inferioridade numérica.
	 Nominal: cada jogador deve saber qual 
adversário defenderá de forma concre-
ta e direta.
	 Zonal: a responsabilidade estabelece-
-se em função do posto que o jogador 
ocupa no ataque, organizando-se um 
sistema de contagem que se inicia si-
multaneamente pelos pontas e que se 
finaliza no centro.
15.3.1.3 Funcionamento do sistema
O funcionamento deste sistema carac-
teriza-se por marcar os seus defensores cor-
respondentes a todos ou vários jogadores da 
equipe adversária de forma individual. O tipo 
de marcação realizada pelos defensores estará 
relacionado com o sistema de defesa individual 
utilizado.
15.3.1.4 Função dos jogadores
As funções que têm de desempenhar os jo-
gadores da defesa estarão relacionadas com a va-
riante do sistema defensivo individual eleito; em 
geral, as prioridades de atuação defensiva são:
	 Oponente direto (evitar ser superado 
por ele).
	 Bola (evitar o passe, a recepção e bus-
car a interceptação ou tomada da pos-
se da bola.
5
2 3
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6
4
F
A
B
C
D E
FIgura 15.10 – Defesa individual por aglomeração ou 
defesa individual fechada.
O objetivo fundamental encontra-se em anular 
os homens mais perigosos, ilhar as coordenações de 
ataque, garantir as ajudas e impedir as penetrações.
A forma de marcação que será utilizada e 
seu desenvolvimento se baseiam em duas formas 
de emparelhamento, previamente definidas e que 
serão aplicadas:
sIsteMas de jogo na defesa 199
	 Deslocamentos dos outros atacantes 
(dissuadir o jogador com bola, evitar 
bloqueios etc.).
	 Eventuais apoios que possas surgir 
(dobra e ajuda).
15.3.1.5 Aspectos táticos
É comum a aplicação da marcação individual 
quando, nos últimos minutos, uma equipe procura, 
por meio de retenção de jogo, manter a vantagem 
no marcador. A equipe na defesa está pressionada 
pelo tempo e procura, por meio dessa medida, ob-
ter a bola. O risco é evidente, a abertura da defesa 
oferece grandes buracos ao rival, que pode condu-
zir ao gol. A vantagem surge na surpresa que pode 
ocasionar esta medida tática, provocando erros téc-
nicos do ataque que aumentam a ansiedade pela 
posse da bola. Os aspectos que o técnico deverá ter 
em conta para ordenar a marcação individual são: 
	 Qualidade individual da equipe para 
essa ação.
	 O momento: isto depende da relação en-
tre o resultado e o tempo de jogo restante.
	 As reservas físicas da equipe.
	 O tipo de marcação individual que 
deverá fazer: por exemplo, faltam pou-
cos minutos, com os seis jogadores, e 
se está em desvantagem por um gol ou 
dois. Com cinco jogadores e um líbero, 
fica-se em superioridade numérica dei-
xando livre o rival menos habilidoso.
	 A característica dos jogadores que es-
tão no campo e quais são necessárias 
para a marcação dos adversários.
	 A reação que se espera do rival, refletir 
se este tem jogadores habilidosos, se tem 
experiência contra esse tipo de marcação, 
como se comportaria o goleiro rival etc.
	 A reação dos juízes: apitam mais seve-
ramente? Param o jogo?
Com base nesses e muitos outros conceitos, 
deverá decidir-se desde o banco até a ordem de 
marcação individual em alguma de suas variantes.
Capacidades táticas do defensor
Para a aplicação da marcação individual, o 
defensor deve possuir, entre outras, as seguintes 
capacidades táticas de base:
	 Capacidade de percepção de jogo.
	 Capacidade de antecipação à ação do 
rival e a situação do jogo.
	 Visão periférica da situação de jogo.
	 Capacidade de decisão: tomar deci-
sões em velocidade.
15.3.1.6 Princípios para a utilização da mar-
cação individual
Apesar de existirem critérios táticos diferen-
tes, de acordo com a forma de marcação individual, 
existem princípios gerais que devem ser respei-
Manual de handebol200
tados para a conquista do êxito. Esses princípios 
devem ser transmitidos ao jogador em forma sis-
temática, pois fazem a didática e a metodologia 
da educação. Devem ser exercitados sistemática e 
metodologicamente por meio de trabalhos espe-
ciais em treinamento. Eles são:
	 posição frente ao atacante: entre ele e 
o gol e orientado sobre seu braço de 
lançamento. 
	 atitude frente ao rival: em possessão 
da bola, pressionando-o; sem posses-
são da bola, em pré-ação.
	 adaptar-se à corrida do rival e às suas 
mudanças de direção.
	 forçar a corrida do rival para posições 
desfavoráveis.
	 combater a possessão da bola, por 
meio do trabalho de braços e pernas, 
antecipar, interceptar ou pressionar na 
recepção do rival.
15.3.2 Síntese da estrutura do sistema 1:5
Klaus Feldmann, Pablo Juan Greco, 
Fernando Lucas Greco
15.3.2.1 Definição e características
Pode ser considerado um sistema defensi-
vo ideal para se fazer a transição entre as defesas 
ofensivas, individuais e os sistemas zonais. É um 
sistema defensivo misto, pois existe um jogador 
que marca individual ao pivô, seus colegas maram 
em zona avançadas nos 9 metros.
15.3.2.2 Funcionamento do sistema
	 É um sistema ideal para a iniciação.
	 A passagem da marcação individual 
para a zonal é facilitada.
	 Sistema em que se combate o atacante.
	 É uma defesa ativa.
	 O iniciante descobre regras de com-
portamento tático ao longo do jogo.
15.3.2.3 Função dos jogadores
	 Todos os jogadores são responsáveis por 
um adversário, sempre em um setor.
FIgura 15.11 – Responsabilidades de cada jogador na 
defesa 1:5.
	 Defender de forma ativa, atacar o ata-
cante! Evitar o jogo de passes rápido.
sIsteMas de jogo na defesa 201
FIgura 15.12 – Defesa ativa dos jogadores no sistema 1:5.
	 Dificultar as linhas de passe, provocar 
os passes longos.
FIgura 15.14 – Ações de deslizamento no sistema 1:5.
	 Quando alguém da defesa errar, ou 
quando for superado pelo atacante, 
todos marcam em função da bola (re-
alizar a dobra ou ajuda).
FIgura 15.13 – Ações de dissuasão no sistema 1:5.
	 Acompanhar o atacante no setor de 
seis metros, lembrando-se sempre da 
regra de troca e deslizamento, ou seja, 
quando o atacante passa por trás do 
colega na defesa, deve-se acompanhá-lo. 
Caso contrário, quando o atacante 
passar pela frente do colega em defesa, 
realiza-se a troca.
FIgura 15.15 – Movimentação de ajuda e cobertura 
quando um defensor é superado no sistema 1:5.
15.3.2.4 Utilização
	 É recomendada para equipes infantis 
e iniciantes;
	 Utiliza-se como forma de transição 
para os sistemas zonais.
Manual de handebol202
15.3.3 Síntese da estrutura do sistema 3:3
Juan J. Fernández, Helena Vila
15.3.3.1 Definição e características
O sistema 3:3 clássico foi jogado pela pri-
meira vez pelas equipes da Romênia e da Iugos-
lávia. Um dos objetivosera evitar os lançamentos 
de fora dos 9 metros.
É um sistema defensivo de duas linhas, muito 
flexível, apresentando boa profundidade e “densi-
dade” no setor da bola, mas não tem muita largura.
Apresenta boas alternativas para a saída em 
contra-ataque, pois tem duas linhas defensivas.
Foi reintroduzido principalmente pelas 
equipes femininas asiáticas perante equipes euro-
peias. As equipes masculinas africanas, principal-
mente (Egito e Argélia), têm aplicado variações 
interessantes para evitar o armado de jogo e a ve-
locidade de bola das equipes europeias.
15.3.3.2 Função dos jogadores
	 As funções dos jogadores se consideram 
a partir da posição da bola e do jogador 
com bola. Sempre deve haver dois joga-
dores perto para oferecer a cobertura.
	 Solicita dos defensores muita discipli-
na tática, deslocamentos, trabalho de 
braços bem como coesão tática.
15.3.3.3 Utilização
É um sistema defensivo muito utilizado por 
equipes de baixa estatura e grande mobilidade pe-
rante adversários com bons lançadores.
15.3.4 Síntese da estrutura do sistema 4:2
No sistema 4:2, estabelecem-se duas linhas 
defensivas, assim como no sistema 3:3. A primei-
ra com quatro jogadores perto da linha dos 6 m 
e a segunda com dois defensores perto da linha 
dos 8-9 m. Os princípios de utilização, objetivos e 
função dos jogadores assemelham-se aos presentes 
no sistema 3:3. A grande diferença desta variante 
defensiva encontra-se em sua escolha dentro de 
um jogo. A sua utilização é recomendada contra 
equipes que tenham dois bons lançadores de nove 
metros, geralmente os armadores laterais, e um 
armador passador, ou quando a equipe desdobra-
-se de uma formação ofensiva 3:3 para 2:4, princi-
palmente quando se marca no sistema 3:3.
FIgura 15.16 – Estrutura do sistema defensivo 3:3.
sIsteMas de jogo na defesa 203
Sua utilização é mais reduzida e limitada que 
a do sistema 3:3. Podemos considerá-la profunda, 
densa e de média amplitude.
sempre adaptada às possibilidades técnico-táticas 
da própria equipe ou equipe adversária.
É um sistema que está constituído por três 
linhas, das quais a primeira se encontra formada 
por três jogadores, a segunda linha compõe-se de 
dois jogadores entre as linhas e a terceira é cons-
tituída por um só jogador que se situa diante da 
linha de lançamento franco.
Basicamente é uma defesa muito profunda e 
densa, mas pouco ampla.
2
3
7
5
6
F
A
B
C
D E4
FIgura 15.17 – Sistema 4:2.
15.3.5 Síntese da estrutura do sistema 3:2:1
Pablo Juan Greco, Siomara A. Silva, 
Fernando Lucas Greco
15.3.5.1 Definição e características
Desde a chegada desta defesa em zona gra-
dual, surgida nos anos 1970, jogada pela equipe 
nacional iugoslava de Vlado Stenzel com grande 
êxito, muito se escreveu e, sem dúvida, se escreve-
rá por múltiplos autores de todos os países sobre 
este tema.
Este sistema defensivo apresenta eficácia 
contra adversários com jogadores de bom lança-
mento de 9 m e é empregada conforme múltiplos 
arranjos táticos (mais passiva ou mais agressiva) e 
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A
B
C
D
E
4
FIgura 15.18 – Estrutura do sistema 3:2:1.
O sistema defensivo 3:2:1 é um sistema zo-
nal que se estrutura em função da bola, distin-
guindo-se três linhas de ações básicas:
1ª linha
Constitui-se por três jogadores na zona de 6 m, 
cuja missão principal é neutralizar a segunda li-
nha de ataque (pontas e pivô).
2ª linha
Constituída pelos dois jogadores situados 
sobre 8-9 m, a atividade deles consiste em impe-
Manual de handebol204
dir os lançamentos desde a linha dos 8-10 m dos 
laterais atacantes, criar obstáculos com os deslo-
camentos dos atacantes da primeira e da segunda 
linha ofensiva e evitar passes sobre os jogadores 
situados na segunda linha ofensiva (pivôs).
3ª linha
Trata-se do avanço na defesa. A sua tarefa 
principal é impedir passes, lançamentos, desloca-
mentos e penetrações do jogador central e, assim 
mesmo, colaborar para fechar as linhas de passe 
dos jogadores em 6 m.
O objetivo principal desta defesa é im-
pedir o adversário de organizar e conduzir um 
ataque coletivo, deslocando-se o conjunto sem-
pre em relação com a posição na qual está a 
bola e em virtude do seu possuidor. Baseia-se 
em uma grande atividade e exige uma perfei-
ta coesão dos jogadores, implicando domínio 
exemplar dos fundamentos técnico-táticos in-
dividuais defensivos.
15.3.5.2 Funcionamento do sistema
Esta defesa implica grande atividade e exige 
uma perfeita coesão dos jogadores com o fim de 
adotar uma posição adequada em relação com a 
posição e situação da bola.
Esta estrutura defensiva origina-se da im-
portância de, no handebol atual, se possuir capa-
cidade de lançamento da primeira linha de ata-
que; portanto, dá-se menor importância a todos 
aqueles espaços que se produzam em uma zona 
mais afastada do lugar onde se está desenvolven-
do o jogo com a bola. Normalmente, estes espa-
ços serão criados nas zonas mais externas da área 
(pontas).
15.3.5.3 Função dos jogadores
As funções de cada jogador estão definidas, 
pelo que se reduzem as tomadas de decisão e, por-
tanto, o desgaste psíquico. De todas as formas, tem 
de se indicar que, na atualidade, algumas variantes 
do sistema e, sobretudo, alguns pontos concretos, 
requerem mais capacidade de decisão que antes.
Pelo contrário, ao existir muita ajuda, o des-
gaste físico é bastante elevado. Esta é uma das razões 
pelas quais não se recomenda manter essa defesa ao 
longo da partida. Atualmente, essa afirmação é mais 
discutível em razão, fundamentalmente, da maior 
qualidade físico-tática dos defensores e da possibi-
lidade de utilizar trocas contínuas de ataque-defesa.
Em relação às três linhas de ataque do sistema, 
podemos dizer que as funções dos jogadores são:
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F
AC
D
E
4
B
FIgura 15.19 – Linhas defensivas no sistema 3:2:1.
sIsteMas de jogo na defesa 205
1ª linha
Os jogadores que se encontram sobre a linha 
de 6 m (2, 3, 4), executam tarefas similares e deslo-
cam-se de forma análoga. Trata-se, na maior parte 
do tempo, de deslocamentos laterais que impeçam, 
na medida do possível, o trabalho de ataque do pivô 
e dos pontas e seus possíveis lançamentos ao gol.
2ª linha
Encontram-se próximos à linha de 8-9 m e 
também há tarefas análogas entre eles. Realizam 
deslocamentos em profundidade (9-10 m) neu-
tralizando as ações dos lançadores a distância, 
assim como intervenções eventuais sobre o pivô, 
recuando até a linha de 6-7 m.
3ª linha
O jogador avançado opõe-se aos lançamen-
tos a distância e tenta impedir os passes para o 
pivô. Os deslocamentos vão desde uma profun-
didade máxima de 11 m até uma mínima de 8 
m, quando a bola está situada em um dos pontas.
15.3.5.4 Vantagens da defesa 3:2:1 clássica
O sistema 3:2:1 é recomendado contra equi-
pes que não mudam a formação de ataque é o 
sistema que mais se adapta a de jogadores mudan-
ças, mantendo um equilíbrio entre a largura e a 
profundidade defensiva.
O possuidor da bola, em exceção dos pontas, 
é tomado sempre entre os defensores, no raio de 
ação destes. 
A distribuição de tarefas é clara e os desloca-
mentos são curtos e muito esquemáticos. 
Os movimentos básicos dentro do sistema 
são de fácil automatização e não requerem gran-
des esforços a nível cognoscitivo dos jogadores.
É um sistema extremamente ofensivo e com-
bativo que, por isso, possui a vantagem de saída 
veloz ao contragolpe.
15.3.5.5 Desvantagens da defesa 3:2:1 clássica
Requer uma excelente condição física dos

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