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Apostila Apiáceas

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CAPÍTULO 14 – FAMÍLIA DAS APIÁCEAS 
14.1 – INTRODUÇÃO: As apiáceas, antigas umbelíferas, ocupam lugar de 
destaque entre as hortaliças produzidas no centro-sul. Nesta família destaca-se 
principalmente a cultura da cenoura, merecendo destaque também a mandioquinha-
salsa, aipo, salsa, coentro e funcho. 
14.2 – CULTURA DA CENOURA: 
14.2.1 – ORIGEM: A cenoura (Daucus carota) é originária da região onde hoje se 
localiza o Afeganistão. Entretanto, a cenoura de coloração alaranjada foi selecionada a 
partir de material asiático trabalhado na França e na Holanda durante o século XVII. 
14.2.2- DESCRIÇÃO BOTÂNICA: Planta herbácea, possui caule pouco perceptível. 
Os frutos são secos (diaquênios), sendo a semente a metade de um fruto. A parte 
utilizável é uma raiz pivotante, tuberosa, carnuda, lisa, reta e sem ramificações, de 
formato cilíndrico ou cônico e de coloração alaranjada. É elevado o teor de 
betacaroteno, precursor da vitamina A, sendo a cenoura considerada a melhor fonte 
vegetal dessa vitamina. 
14.2.3 – CLIMA E ÉPOCA DE PLANTIO: A planta é bienal, embora cultivada como 
anual. As cenouras européias são exigentes em temperaturas amenas; as japonesas e 
brasileiras são selecionadas para adaptação a temperaturas cálidas. Regiões 
apresentando altitudes em torno de 1000 m, apresentam condições altamente favoráveis 
ao cultivo ao longo do ano. 
 Em relação ao fotoperíodo, temperaturas baixas e dias longos favorecem o 
florescimento de cultivares destinadas para o plantio na primavera verão no centro – sul 
brasileiro. 
 
14.2.4 – CULTIVARES: Durante a década de 1950, a cenoura era uma cultura 
considerada tipicamente de outono-inverno nas condições do centro-sul. Atualmente, as 
cultivares podem ser agrupadas conforme sua adaptação termoclimática, graças ao 
notável trabalho de melhoramento genético desenvolvido a partir de então, inclusive no 
Brasil. 
- Grupo Nantes (de inverno): As cultivares semeadas no outono-inverno são de 
origem européia geralmente. As cultivares Nantes, de origem francesa, e Forto, de 
origem holandesa, produzem cenouras perfeitamente cilíndricas com pontas 
arredondadas, de ótimo aspecto, coloração alaranjada intensa e sabor adocicado 
característico. São muito resistentes ao florescimento, que não ocorre nas condições do 
centro-sul. Entretanto, a cultura é muito exigente em clima ameno, sendo intolerante à 
temperatura e pluviosidade elevadas, condições sob as quais apresentam alta 
suscetibilidade à queima-das-folhas. 
 
Cenoura Nantes 
 
- Grupo Brasília (De Verão):Este grupo engloba aquelas cultivares selecionadas para 
semeadura na primavera-verão, particularmente para o cultivo de verão. As cultivares 
brasileiras (Brasília, Carandaí, Alvorada e Esplanada) apresentam notável adaptação à 
temperatura e pluviosidade elevadas, e alta resistência à queima-das-folhas. Estas 
cultivares não devem ser expostas a baixas temperaturas no campo, já que florescem 
facilmente. A notável cultivar Brasília, criada na Embrapa Hortaliças, foi lançada em 
1981 e apresenta ampla adaptação a várias regiões brasileiras, havendo seleções 
diferenciadas efetuadas pelas firmas produtoras de sementes. Seguramente é a cultivar 
de verão mais plantada nessa estação do ano. As cenouras são cilíndricas, ligeiramente 
ponteagudas, com coloração externa alaranjada e menos acentuada no interior, e sabor 
característico. 
 
Cenoura Brasília 
 
14.2.5 – SOLO E ADUBAÇÃO: Por ser uma hortaliça tuberosa, a cenoura é exigente 
em solo apresentando ótimas condições físicas (textura, estrutura e permeabilidade). São 
mais favoráveis os solos de textura média, leves, soltos e arejados, que não apresentam 
obstáculos ao bom desenvolvimento da raiz. O pH ideal para a cultura varia na faixa de 
5,7 a 6,8. Através da calagem procura-se elevar a saturação por bases para 70 – 80% e o 
pH para 6,5. 
 Por ocasião da adubação de plantio aplicar 20 a 30 t/ha de esterco bovino ou 
equivalente, incorporado ao solo, antes do plantio. A adubação mineral para a cultura 
segundo Prezotti et al. (2007) é de 40 kg/ha de N, 100 a 300 kg/ha de P2O5 e 100 a 200 
kg/ha de K2O. Se a análise do solo indicar baixo teor de enxofre, dar preferência aos 
adubos que contenham esse elemento. Se indicar baixo teor de boro, aplicar 1 a 2 kg/ha. 
 Na adubação de cobertura, segundo Prezotti et al. (2007) deve-se aplicar 20 a 30 
kg/ha de N e 20 a 30 kg/ha de K2O, aos 15, 30 e 50 dias após a germinação. 
 
14.2.6 – IMPLANTAÇÃO DA CULTURA : É a etapa mais delicada e difícil da 
cultura. A cenoura é absolutamente intolerante a qualquer forma de transplante, que 
ocasiona a formação de raízes tuberosas deformadas. Em vista disso, efetua-se a 
semeadura diretamente no canteiro definitivo. O ideal é utilizar semente peletizada e 
semeadeiras de alta precisão, o que elimina a necessidade de desbaste e reduz o gasto 
com sementes. 
 Geralmente, as sementes são depositadas em 4-5 fileiras longitudinais, distanciadas 
de 20-25 cm sobre o canteiro. A profundidade de semeadura adequada é de 10-15mm. 
Pequenos olericultores, que praticam a semeadura e os tratos culturais manualmente, 
preferem semear em linhas transversais espaçadas de 15cm. 
 
Cultivo de cenoura em canteiros 
 
14.2.7 – TRATOS CULTURAIS: Alguns tratos são indispensáveis à cultura durante o 
seu desenvolvimento. 
- Desbaste: Retira-se o excesso de plantas, deixando-se de 3-5 cm entre as mesmas em 
cada fila nos canteiros. 
- Irrigação: É elevada a exigência de água nesta cultura, razão pela qual o solo deve 
manter um teor de água próximo à capacidade de campo, ou seja, 100% de água útil. As 
irrigações devem ser leves e freqüentes, com turno de rega de um a dois dias, 
especialmente em temperaturas elevadas. O sistema por aspersão é o mais utilizado, 
apesar da lavagem das folhas após a aplicação de defensivos ou adubos foliares. O 
sistema localizado têm sido bastante utilizado nos últimos anos. Pode-se irrigar por 
aspersão na fase inicial da cultura, seguindo-se com a irrigação localizada. 
- Eliminação da vegetação espontânea: Pequenos agricultores realizam a capina 
manual, entretanto é muito trabalhosa e pode danificar as raízes. Essa é uma cultura com 
características muito favoráveis à aplicação de herbicidas, havendo alguns deles 
registrados e de eficiência comprovada. 
- Cobertura morta: A cobertura palhosa do canteiro com casca de arroz, bagacilho de 
cana, serragem ou outros materiais, é altamente favorável à cultura, desde que não 
prejudique a germinação e a emergência. 
 
Cobertura morta no cultivo de cenoura. 
 
14.2.8 – ANOMALIAS FISIOLÓGICAS 
 - Rachadura longitudinal da cenoura: Com a rachadura, as raízes expõem seu 
interior. É ocasionada por flutuação hídrica no solo, pela carência de B, ou pelas duas 
causas agindo conjuntamente. O controle na irrigação e o fornecimento adequado de B 
ao solo previnem a ocorrência. Também se observa que há cultivares mais resistentes. 
 
Rachadura longitudinal da cenoura 
- Desenvolvimento de cenouras bifurcadas:Também outros tipos de malformação, 
devido a obstáculos mecânicos no leito do canteiro. O preparo esmerado do leito, 
eliminando-se pedras, gravetos e torrões, pode prevenir a manifestação desta anomalia. 
 
Cenouras bifurcadas 
 
14.2.9 – CONTROLE FITOSSANITÁRIO 
Queima – das – folhas: É a doença mais comum , e, sob temperatura e pluviosidade 
elevadas, a cultura pode ser totalmente destruída. É causada pelos fungos Alternaria 
dauci, Cercospora carotae e também pela bactéria Xanthomonas campestris pv. 
Carotae. A necrose inicial nas folhas evolui para a desfolha da planta, o que ocasiona 
redução no tamanho das cenouras. As cultivares