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Teoria da Contabilidade Roberto Rodrigues Prado Adaptada/Revisada por Luís Carlos Gruenfeld (setembro/2012) É com satisfação que a Unisa Digital oferece a você, aluno(a), esta apostila de Teoria da Contabilidade, parte integrante de um conjunto de materiais de pesquisa voltado ao aprendizado dinâmico e autônomo que a educação a distância exige. O principal objetivo desta apostila é propiciar aos(às) alunos(as) uma apresentação do conteúdo básico da disciplina. A Unisa Digital oferece outras formas de solidificar seu aprendizado, por meio de recursos multidis- ciplinares, como chats, fóruns, aulas web, material de apoio e e-mail. Para enriquecer o seu aprendizado, você ainda pode contar com a Biblioteca Virtual: www.unisa.br, a Biblioteca Central da Unisa, juntamente às bibliotecas setoriais, que fornecem acervo digital e impresso, bem como acesso a redes de informação e documentação. Nesse contexto, os recursos disponíveis e necessários para apoiá-lo(a) no seu estudo são o suple- mento que a Unisa Digital oferece, tornando seu aprendizado eficiente e prazeroso, concorrendo para uma formação completa, na qual o conteúdo aprendido influencia sua vida profissional e pessoal. A Unisa Digital é assim para você: Universidade a qualquer hora e em qualquer lugar! Unisa Digital APRESENTAÇÃO SUMÁRIO INTRODUÇÃO ................................................................................................................................................7 1 ATUAÇÃO PROFISSIONAL ................................................................................................................9 1.1 A Evolução da Contabilidade ......................................................................................................................................9 1.2 Contabilidade na Bíblia .............................................................................................................................................. 12 1.3 Contabilidade Despertando como Ciência ........................................................................................................ 12 1.4 Teorias Descritivas e Prescritivas ............................................................................................................................. 14 1.5 Doutrinas e Escolas de Contabilidade .................................................................................................................. 14 1.6 O Cenário Atual da Contabilidade ......................................................................................................................... 16 1.7 Resumo do Capítulo .................................................................................................................................................... 17 1.8 Atividades Propostas ................................................................................................................................................... 18 2 CONTABILIDADE E CONTADOR ................................................................................................. 19 2.1 A Tomada de Decisão .................................................................................................................................................. 19 2.2 A Função do Contador ................................................................................................................................................ 20 2.3 A Contabilidade como Profissão ............................................................................................................................. 20 2.4 Visão Geral da Profissão Contábil ........................................................................................................................... 22 2.5 A Contabilidade em outros Cursos ........................................................................................................................ 23 2.6 Resumo do Capítulo .................................................................................................................................................... 24 2.7 Atividades Propostas ................................................................................................................................................... 24 3 OBJETIVOS DA CONTABILIDADE E UTILIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL ..................................................................................................................................................25 3.1 Utilização da Informação Contábil e Campo de Atuação da Contabilidade ......................................... 26 3.2 Patrimônio da Entidade ............................................................................................................................................. 26 3.3 Finalidade Social do Contador ................................................................................................................................ 27 3.4 Resumo do Capítulo .................................................................................................................................................... 27 3.5 Atividades Propostas ................................................................................................................................................... 28 4 QUALIDADE E CARACTERÍSTICA DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL: O PRODUTO FINAL DA CONTABILIDADE ................................................................................ 29 4.1 Informação Econômica............................................................................................................................................... 29 4.2 Custos versus Benefícios ............................................................................................................................................. 30 4.3 Compreensibilidade .................................................................................................................................................... 30 4.4 Relevância ....................................................................................................................................................................... 30 4.5 Confiabilidade ................................................................................................................................................................ 31 4.6 Comparabilidade .......................................................................................................................................................... 32 4.7 A Importância da Comparação ............................................................................................................................... 32 4.8 Políticas Contábeis ....................................................................................................................................................... 32 4.9 Tempestividade ............................................................................................................................................................ 33 4.10 Intempestividade .................................................................................................................................................... 33 4.11 Tomada de Decisões ................................................................................................................................................. 34 4.12 Resumo do Capítulo .................................................................................................................................................34 4.13 Atividades Propostas ................................................................................................................................................35 5 RELATÓRIOS CONTÁBEIS ............................................................................................................... 37 5.1 Demonstrações Financeiras .....................................................................................................................................375.2 Relatórios Contábeis Obrigatórios .........................................................................................................................37 5.3 Complementação às Demonstrações Financeiras ...........................................................................................39 5.4 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................45 5.5 Atividades Propostas ...................................................................................................................................................45 6 OS PRINCÍPIOS DE CONTABILIDADE – A ENTIDADE E A CONTINUIDADE ............ 47 6.1 Aplicação da Contabilidade ......................................................................................................................................47 6.2 Usuários da Contabilidade ........................................................................................................................................47 6.3 Para quem é Mantida a Contabilidade .................................................................................................................48 6.4 Pilares da Contabilidade ............................................................................................................................................48 6.5 Princípios da Contabilidade......................................................................................................................................50 6.6 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................54 6.7 Atividades Propostas ...................................................................................................................................................54 7 PATRIMÔNIO E RESULTADO ......................................................................................................... 55 7.1 O Ativo e sua Mensuração (Avaliação) .................................................................................................................55 7.2 Algumas Definições de Ativo ...................................................................................................................................55 7.3 Ativo Circulante .............................................................................................................................................................56 7.4 Ativo Realizável em Longo Prazo ............................................................................................................................58 7.5 Ativo Permanente .........................................................................................................................................................58 7.6 Contas Retificadoras do Ativo ..................................................................................................................................59 7.7 Dedução do Ativo Permanente ...............................................................................................................................60 7.8 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................60 7.9 Atividades Propostas ...................................................................................................................................................61 8 O PASSIVO E SUA MENSURAÇÃO (AVALIAÇÃO) ........................................................... 63 8.1 Generalidades ................................................................................................................................................................63 8.2 Definições de Passivo ..................................................................................................................................................63 8.3 Passivo Circulante .........................................................................................................................................................64 8.4 Passivo Exigível em Longo Prazo ............................................................................................................................64 8.5 Resultado de Exercício Futuros ...............................................................................................................................64 8.6 Patrimônio Líquido ......................................................................................................................................................65 8.7 Contas Retificadoras do Passivo..............................................................................................................................65 8.8 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................66 8.9 Atividades Propostas ...................................................................................................................................................66 9 TERMINOLOGIA CONTÁBIL BÁSICA USADA EM CONTABILIDADE .................. 67 9.1 Receitas e Ganhos ........................................................................................................................................................67 9.2 Despesas e Perdas ........................................................................................................................................................68 9.3 Outras Terminologias Usadas ...................................................................................................................................69 9.4 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................69 9.5 Atividades Propostas ...................................................................................................................................................70 10 PATRIMÔNIO E RESULTADO...................................................................................................... 71 10.1 Relatórios Contábeis .................................................................................................................................................71 10.2 O Balanço Patrimonial ..............................................................................................................................................71 10.3 Poder Preditivo do Balanço Patrimonial ............................................................................................................72 10.4 Uma Estrutura de Balanços não Usada entre Nós .........................................................................................73 10.5 As Normas Brasileiras de Contabilidade e o Balanço Patrimonial ...........................................................74 10.6 CFC e Lei das S.A.........................................................................................................................................................74 10.7 Passivo Descoberto ...................................................................................................................................................74 10.8 Algumas Diferenças ..................................................................................................................................................74 10.9 Resultado de Exercícios Futuros ...........................................................................................................................75 10.10 Resultados de Exercícios Futuros versus Exigível .........................................................................................75 10.11 As Normas Brasileiras de Contabilidade (as NBCS) ....................................................................................7510.12 Resumo do Capítulo ...............................................................................................................................................78 10.13 Atividades Propostas ..............................................................................................................................................78 RESPOSTAS COMENTADAS DAS ATIVIDADES PROPOSTAS ..................................... 79 REFERÊNCIAS ............................................................................................................................................. 83 Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 7 INTRODUÇÃO Você está iniciando o estudo da disciplina Teoria da Contabilidade, a qual tem como objetivo prin- cipal solidificar os estudos teóricos relacionados à origem da contabilidade, sua história, doutrinas e es- colas e o surgimento do período pré-científico. Será possível compreender a evolução da Contabilidade com o progresso das sociedades e o de- senvolvimento da contabilidade como uma Ciência Social Aplicada. Ainda, você conhecerá a necessidade e a criação de organismos de regulamentação, como o Con- selho Federal de Contabilidade (CFC). Por meio desta disciplina, você aprofundará sua compreensão do surgimento dos Postulados, Con- venções e o significado dos Princípios de Contabilidade. Você terá o entendimento sobre as demonstrações contábeis, seus diversos grupos e Critérios de Mensuração do Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido, Receitas e Despesas, Ganhos e Perdas, e Princípios Fundamentais da Contabilidade. O presente material foi especialmente desenvolvido para os alunos do Ensino a Distância (EaD) e seu uso será de grande valia no decorrer das aulas do curso, devendo ser usado como bibliografia básica. Ao final de cada capítulo, leia com atenção os enunciados e responda às questões propostas. Essas questões objetivam auxiliá-lo(la) na aprendizagem. Primeiramente, responda a todas as questões e so- mente ao final verifique as suas respostas, relacionando-as com as respostas e comentários do professor, ao final desta apostila. Bons estudos e sucesso! Prof. Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 9 ATUAÇÃO PROFISSIONAL1 Caro(a) aluno(a), neste capítulo você tem um rápido comentário da estabilidade da profis- são contábil e da evolução da contabilidade. A profissão contábil tem hoje uma posição bem de- finida na economia global, um campo de trabalho bastante amplo e diversificado e objetivos bem claros de onde pretende chegar. Essa estabilidade profissional, esses horizontes bem definidos têm uma longa história! Assim, você conhecerá a História da Con- tabilidade e poderá associar a sua origem à ne- cessidade de controle da riqueza e dos estoques na produção de alimentos e animais em antigas civilizações. Entenderá, ainda, os acontecimentos que contribuíram para surgir o Método das Partidas Dobradas, que é origem das palavras “débito” e “crédito”, de Frei Luca Pacioli. 1.1 A Evolução da Contabilidade Pense na contabilidade em uma época na qual não existia moeda, escrita e números! Imagine um homem, na Antiguidade, sem conhecer números e, muito menos, a escrita, exercendo a atividade de pastoreio. O inverno está chegando. O homem prepara toda a provi- são para o sustento do seu rebanho de ovelhas, olhando para um período longo de muito frio que está se aproximando. Ainda que ele nunca tenha aprendido sobre os meses do ano, ele sabe que a neve está se aproximando, pois as folhas das ár- vores ficaram amarelas e caíram e assim ocorreu no passado, por inúmeras vezes. Ele não sabia o que eram as estações do ano, mas tinha experiên- cia: árvores secando, frio chegando. Pense a respeito! O home tem natureza materialista, pois des- de seu surgimento é ligado aos bens materiais. A Contabilidade no Início de Tudo Antes que caísse a 1ª neve, ele recolhia seu rebanho num aprisco (curral), para protegê-lo do frio que matava. Era um período de monotonia, de ociosidade. Depois de tosquiar (cortar rente) as ovelhas, não se tinha nada para fazer a não ser olhar pelas frestas a neve caindo. O que fazer nes- se período? De repente, o homem se questiona: “Quanto será que o meu rebanho cresceu desde o último frio até hoje? Será que o meu cresceu mais que do Floreto?” (Floreto era o pastor de ovelhas vizinho desse homem na Antiguidade). Esse homem, as- sim como qualquer um, era ambicioso, tinha de- safios e queria ver sua riqueza aumentando. AtençãoAtenção Aqui entra a função da Contabilidade, já no início da civilização: avaliar a riqueza do homem; ava- liar os acréscimos ou decréscimos dessa riqueza. Como o homem naturalmente é ambicioso, a Contabilidade existe desde o início da civilização. Alguns teóricos preferem dizer que ela existe, pe- los menos, desde 4.000 antes de Cristo. Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 10 Mas como contar o rebanho e avaliar seu crescimento se não existiam números (da forma que sabemos hoje), nem escrita e, muito menos, moeda? Na monotonia do inverno, entre os balidos (voz de ovelha ou cordeiro) ininterruptos das ove- lhas, o homem tem uma ideia. Havendo um pe- queno monte de pedrinhas ao seu lado, o homem separa uma pedrinha para cada cabeça de ovelha, executando assim o que o contabilista chamaria hoje de inventário. Após o término dessa mis- são, o homem separa o conjunto de pedrinhas, guardando-o com muito cuidado, pois o conjun- to representava a sua riqueza num determinado momento. Finalmente, a neve derretia e o sol voltava a aquecer a montanha do homem do pastoreio. A superfície da montanha voltava a ficar verde e lá ia ele dirigindo o seu rebanho, protegendo contra os predadores, administrando assim a sua riqueza. Passado algum tempo, novas ovelhinhas surgiram e já se percebia que o nascimento era maior que a mortalidade e o descarte (escapató- ria). A lã era tirada e parte dela negociada em tro- ca de alguns equipamentos rudimentares de caça e pesca. O tempo passava. Novamente as folhas das árvores voltavam a ficar amarelas e começavam a cair. Para nós, chamamos, hoje, esse fenômeno de outono. Para aquele homem, era o momento de fazer a provisão para sustentar sua riqueza no período da seca do inverno. Novamente a neve caía. No aprisco (uma grande caverna no alto da montanha), estavam de volta o pastor e seu rebanho. Nada mais natu- ral que fazer uma pedrinha por cabeça de ovelha: Figura 1 – Contagem abstrata. Resultado da contagem Cada símbolo (pedrinha) corresponde a uma cabeça de ovelha: Primeiro Inverno Segundo Inverno Comparação entre 2 invernos O+O+O+O+O O+O+O+O+O O+O+O+O+O P+P+P+P+P+P+P P+P+P+P+P+P+P P+P+P+P+P+P O+O+O+O+O PP O+O+O+O+O PP O+O+O+O+O P 1º INVENTÁRIO 2º INVENTÁRIO ACRÉSCIMO DE CABEÇAS DE OVELHAS Fonte: Iudícibus (2010, p. 5). Resultado Positivo é Igual ao Lucro? Ao comparar o atual conjunto de pedrinhas com o anterior, feito no inverno passado, o pastor constata que houve um excedente de pedrinhas (para nós, cinco pedrinhas) e isso representava que ele tinha sido bem-sucedido naquele perío- do, ou seja, houve um acréscimo real no seu reba- nho (um resultado positivo). Todavia, o pastor não estava satisfeito pelo fato de apenas avaliar o crescimento do plantel. Ele sabia que seu rebanho havia produzido lã naquele período. A lã proporcionara não só agasalho para proteger sua família, como também fora utilizada como meio de troca na aquisição de instrumentos de caça e pesca. Além disso, havia uma quantidade de lã recém- -obtida no processo de tosquiamento nesse inverno. Um Inventário Completo O homem estima que, se fosse trocar ove- lhas por agasalho, precisaria de pelo menos duas cabeças para suprir sua famílianesse inverno. Teoria da Contabilidade Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 11 Como seu próprio rebanho havia produzido, ele separa duas novas pedrinhas correspondentes a duas ovelhas, representando aquele adicional de riqueza da sua família. Os instrumentos de caça e pesca obtidos equivalem a três ovelhas. Toda a lã estocada corresponderia a, pelo menos, quatro ovelhas, ou seja, ele conseguiria trocar seu depó- sito de lã por quatro cabeças. Assim, ele teria um novo conjunto de nove pedrinhas para acrescen- tar à contagem realizada nesse segundo inverno. Observe, caro(a) aluno(a), a situação a seguir: ACRÉSCIMO DO PERÍODO 1º Inverno 2º Inverno Agasalhos InstrumentosCaça/Pesca Estoque de Lã OOOOO PP A C/P X OOOOO PP A C/P X OOOOO P C/P X 1º INVENTÁRIO 2º INVENTÁRIO Corresponde a 2 ovelhas Corresponde a 3 ovelhas Corresponde a 4 ovelhas Total do Rebanho Resultado da Produção do Período Total da Riqueza à Disposição do Pastor Imagine se houvessem números e escrita, poderíamos apresentar um relatório da riqueza do pastor! Relatório Contábil O acréscimo do primeiro para o segundo in- verno foi correspondente a 14 ovelhas, que, num sentido econômico, podemos chamar de lucro. O pastor da Antiguidade certamente iria vibrar, pois sua riqueza praticamente dobrou no perío- do analisado. Se nós tivéssemos moeda, o denominador comum não seria ovelhas, mas sim o valor em dinheiro. Todavia, o que fica bem claro é que, mesmo sem moeda, escrita e número, a Conta- bilidade, como inventário, já existia, ficando evi- denciado que ela é tão antiga quanto a existência do homem em atividade econômica, ou melhor, quem sabe, do homem sapiente. Esta pode ser chamada de fase empírica da Contabilidade, em que se utilizavam desenhos, fi- guras, imagens para identificar o patrimônio exis- tente. Com o passar do tempo, o homem começa a fazer marcas em árvores e pedras, podendo, assim, conferir seu rebanho em termos de crescimento, de extravio (perdas) de ovelhas, mortes etc. Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 12 Assim, conclui-se que, desde os povos mais primitivos, a Contabilidade já existia em função da necessidade de controlar, medir e preservar o patrimônio familiar e, até mesmo, em função de trocar bens para maior satisfação das pessoas. O livro de Jó, ainda que não seja o primeiro da Bíblia, é considerado o mais antigo. Jó era um ho- mem muito rico e justo, da terra de Uz, no Oriente, que certamente tinha um bom contador, pois, na descrição de sua riqueza, no versículo três do pri- meiro capítulo, observa-se: “E era o seu gado sete mil ovelhas, e três mil camelos, e quinhentas jun- tas de bois e quinhentas jumentas.” CuriosidadeCuriosidade A relação de bens de Jó demonstra um cui- dado no controle do seu patrimônio pessoal. Por questões espirituais, um dia, Jó perde toda a sua fortuna, tornando-se um homem po- bre, sem nenhum bem. Mas no final do livro de Jó, algo surpreen- dente acontece. Também por motivos espirituais, ele recupera a sua fortuna e não deixa de reen- contrar um contador que, num certo momento, apresenta um relatório surpreendente: sua ri- queza estava duplicada em relação ao primeiro inventário: “E assim abençoou o Senhor o último estado de Jó, mais do que o primeiro; porque teve catorze mil ovelhas, e seis mil camelos, e mil jun- tas de bois e mil jumentas.” (descrito no capítulo 42, versículo 12, do Livro de Jó). Esse e diversos exemplos mostram que a Contabilidade já existia com o primitivismo dos povos, ainda que os conhecimentos da matemá- tica, das letras, dos negócios e até mesmo de pa- trimônio fossem limitados. Símbolos na Argila Talvez, na época de Jó, já se introduzisse o período Mnemônico da Contabilidade, através de cuneiforme. Outras evoluções foram observadas, principalmente nas escritas em papiro, descober- to pelos egípcios. 1.2 Contabilidade na Bíblia 1.3 Contabilidade Despertando como Ciência DicionárioDicionário Cuneiforme: símbolos gravados em barro ou placa de argila, dando-se os primeiros passos para os re- gistros. As próprias placas de argila serviam como relatórios. Você sabia que a Contabilidade vai iniciar a sua fase adulta, fase racional, exatamente no aperfeiçoamento da Imprensa por Gutenberg, na Alemanha, no século XV d.C.? Pense a respeito! Ainda que a Contabilidade, como já vimos, existisse desde o princípio da civilização, nota-se um desenvolvimento muito lento ao longo dos séculos. Somente em torno do século XV (com pre- sença relevante no século XIII), isto é, praticamen- te após 5.500 anos (partindo-se da hipótese de Teoria da Contabilidade Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 13 que ela existe desde 4.000 a.C.), é que a Contabi- lidade atinge um nível de desenvolvimento notó- rio, sendo chamada de fase lógico-racional ou, até mesmo, fase pré-científica da Contabilidade. Do Renascimento para a Ciência O que toda a história tem mostrado é que a Contabilidade torna-se importante à medida que há desenvolvimento econômico. Hoje, por exem- plo, a profissão é muito valorizada nos países do primeiro mundo. No Brasil, até a década de 1960, esse profissional era chamado de “guarda-livros”, a nosso ver, título pejorativo (desagradável) e pou- co indicador. Todavia, com o milagre econômico na década de 1970, essa expressão desapareceu e observou-se um excelente e valorizado mercado de trabalho para os contabilistas. Na Idade Moderna, em torno dos séculos XIV a XVI, principalmente no Renascimento, diver- sos acontecimentos no mundo das artes, na eco- nomia, nas nações, proporcionaram um impulso espetacular das Ciências Contábeis, sobretudo na Itália. Em torno desse período, tivemos, sem a preocupação de ordem cronológica, Copérni- co, Galileu e Newton, revolucionando a visão da humanidade, o aperfeiçoamento da Imprensa por Gutenberg (já referido), Colombo iniciando as grandes descobertas, o mercantilismo, o surgi- mento da burguesia, o protestantismo, a desco- berta de diversos campos de conhecimento etc. O Frade Franciscano Todavia, o marco, nesse período, foi a pri- meira literatura contábil relevante pelo Frei Luca Pacioli, em 1494, consolidando o método das par- tidas dobradas, expressando a causa e o efeito do fenômeno patrimonial com os termos “débito” e “crédito” (esse método já era conhecido antes de Pacioli: era praticado no século XIII). A obra de Pacioli pode muito bem ser vista como início do pensamento científico da Conta- bilidade. Pense a respeito! Doutrinadores contábeis, sucessores de Pa- cioli, na Europa (principalmente na Itália), nos sé- culos seguintes, vão dar um cunho científico para a Contabilidade e origem à (denominada pos- teriormente) Escola Contábil Europeia ou, mais especificamente, Escola Contábil Italiana. A Itália pode ser chamada de Berço da Contabilidade. Origem das Palavras ‘Débito’ e ‘Crédito’ As palavras utilizadas para a escrituração por partidas dobradas têm sua origem no latim, em que a palavra ‘débito’ significa: dívidas, deve- dores, debêntures, que são palavras que resultam da base debere, ou deber. E a palavra ‘crédito’ vem da raiz da palavra credo, ou seja, algo em que se acredita e também pode referir-se a pessoas nas quais se acreditam credores. É possível compreender que, como um Frei da Igreja, Luca Pacioli associou o significado des- sas palavras com os direitos e obrigações de uma pessoa. Veja, caro(a) aluno(a), como tudo começou! A Contabilidade não é uma ciência exata. Ela é uma ciência social, pois é a ação humana que gera e modifica o fenômeno patrimonial. Todavia, a Contabilidade utiliza os métodos quantitativos (matemática e estatística) como sua principal fer- ramenta. Aliás,em tudo o que fazemos na vida, preci- samos dos métodos quantitativos, dos números. Desde o momento em que levantamos, subme- temo-nos aos números: identificamos no relógio que horas são; o nosso café está sujeito a uma quantidade de colheres de açúcar ou gotas de adoçante; a velocidade do carro; o nosso salário, recebimentos e pagamentos; o canal de televisão; as vantagens e desvantagens, em tudo se envol- vem números. Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 14 Caro(a) aluno(a), a seguir, faça uma pausa para a seguinte reflexão! Este é o grande impulso que a Contabilida- de precisava. Já imaginou a Contabilidade sem os números arábicos, sem o zero, só com letras? Praticamente, no século XIII, é que os números indo-arábicos (0, 1, 2, 3, ...) vieram substituir o siste- ma greco-romano (I, II, III, IV, ...) e hebraico, que usa- vam letras para contar e calcular (desconheciam o zero). A história dos números, no Ocidente, come- ça com o livro Liber Abaci (Livro do Ábaco), escrito, em 1202, por Leonardo Pisano, conhecido como Fibonacci (“cabeça dura”). Esse livro, entre inúme- ras contribuições, inclui Contabilidade (cálculo de margem de lucro, moedas, câmbio...) e juros. CuriosidadeCuriosidade A classificação consiste em questionar se os argumentos advêm de generalizações e observa- ções específicas. Tanto as teorias indutivas quan- to as teorias dedutivas podem ser descritivas (po- sitivas) ou prescritivas (normativas). Descritivas (positivas): visam a mostrar e explicar quais informações financeiras são apresentadas e comunicadas aos usuários de dados contábeis, ou seja, o que é; Prescritivas (normativas): visam a reco- mendar que dados devem ser comuni- cados e como devem ser apresentados, ou seja, o que deve ser. 1.4 Teorias Descritivas e Prescritivas 1.5 Doutrinas e Escolas de Contabilidade Até o século XVIII, pode-se afirmar que não houve evolução do pensamento científico da Contabilidade sob influência da obra de Luca Pacioli, cuja preocupação era o aprimoramento da técnica contábil, que criou regras e princípios voltados para o funcionamento das contas para o registro dos direitos e das obrigações. Escola Contista Surgiu com o comerciante Benedetto Co- trugli, em 1458, considerado por alguns autores o primeiro a descrever o sistema de registro das partidas dobradas. As regras estabelecidas eram de que o comerciante deveria possuir três livros de contas para registrar suas transações comer- ciais: o livro de Gastos, o livro Diário e o livro-razão. A teoria das cinco contas de Edmundo De- granges, em 1975, sustentava que o comércio ti- nha cinco objetos principais, que, sucessivamen- te, poderiam ser negociados: (1) mercadorias; (2) dinheiro; (3) Contas a Receber; (4) Contas a Pagar; (5) Lucros e Perdas. Escola Materialista Orientou o início do período científico da Contabilidade e seu precursor foi o italiano Fran- cesco Villa, em 1840, com a publicação de La con- tabilità applicata alle amministrazioni private e pubbliche. Teoria da Contabilidade Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 15 O objeto essencial da Contabilidade era a gestão, a riqueza gerada e, para os seus pensa- dores, a conta limitava-se a representar os valores gerados e a escrituração contábil auxiliava o estu- do contábil. Consequentemente, a Contabilidade deveria ser elevada a uma condição de importan- te fonte de informação sobre o gerenciamento do Patrimônio. Essa escola preocupou-se em aumentar a quantidade de informações apresentadas nos relatórios contábeis, implantando os dados que geravam impactos nos resultados das empresas, como os custos de produtos e os gastos realiza- dos. Esses pensadores forneceram grande contri- buição para: Avaliação do ativo permanente a preço corrente em atividades comerciais e in- dustriais; Desvinculação da Contabilidade de ci- fras e números; Estabelecimento do controle como ob- jeto da Contabilidade. Escola Personalista Surgiu em 1867, com Francesco Marchi, que publicou o livro I cinquecontist ovvero la inganne- vola teórica che viene insegnata negli istituti tecnici del Regno e fluori del Regno intorno il Sistema de Scrittura a partita dopia e nuovo saggio per La facile intelligenza ed applicazione del sistema. Foram também pensadores dessa escola Giuseppe Cerboni e Giovanni Rossi. Assinalou uma nova postura da ciência contábil. A Contabilidade deixava de ser voltada apenas para a arte de registrar e contar a riqueza gerada, com as seguintes características: Quem recebe é debitado; Quem entrega é creditado; Os agentes e correspondentes são de- bitados à medida que o proprietário é creditado e vice-versa; As contas são abertas em nome das pessoas físicas ou jurídicas; Considera o aspecto jurídico das rela- ções entre as pessoas. Período em que surgiu a teoria logismo- gráfica. Escola Controlista Com a obra do italiano Fabio Besta, em 1880, La ragioneria, sobre a figura do controle, surgiu a filosofia do Controlismo, em que o con- trole da riqueza aziendal era o objeto do estudo da Contabilidade. Seus principais pensadores fo- ram: Fabio Besta, Vittorio Alfieri, Carlo Ghidiglia, Pietro Rigobon e Pietro D’Alvise. Nesse sentido, a riqueza deveria ser con- siderada sobre ela mesma e o patrimônio como uma grandeza que se pudesse medir, sendo ne- cessário que os fatos administrativos fossem es- criturados, em (1) permutativos: quando ocorre mudança entre elementos do ativo e do passivo (mudam duas contas); (2) modificativos: quando ocorre mudança entre elementos do ativo ou do passivo e patrimônio líquido (mudam duas con- tas); (3) mistos: quando ocorre mudança entre elementos do ativo ou do passivo e patrimônio líquido (mudam três contas). Escola Reditualista ou Alemã Segundo o alemão Eugen Schmalenbach, o sucesso ou o insucesso de uma empresa esta- va diretamente vinculado aos lucros ou prejuízos obtidos; portanto, a filosofia do Reditualismo con- sistia em que o redito (lucro/rendimento) detinha prioridade sobre a estrutura patrimonial, sendo o principal objeto de estudo da Contabilidade. DicionárioDicionário Teoria logismográfica: método de coordenar e representar os fatos administrativos da azienda e analisar seus processos e os efeitos jurídicos eco- nômicos agrupados (HENDRIKSEN; BREDA, 1999). Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 16 Escola Aziendalista Seus pensadores foram Alberto Ceccherelli e Gino Zappa, seguidos por Pietro Onida, Lino Az- zini, Carlo Masini, entre outros. Essa escola tinha como filosofia que a azien- da (bens, direitos e obrigações que constituíam o patrimônio) era o objeto do estudo da Contabili- dade. Escola Patrimonialista Foi Vincenzo Masi o precursor da escola patrimonialista, cuja filosofia consistia em que o patrimônio era objeto da Contabilidade e seu es- tudo estava relacionado à estática patrimonial, à dinâmica patrimonial e à relevância patrimonial. A escrituração e as demonstrações con- tábeis representam apenas instrumentos para registrar os fatos, devendo conter explicações e interpretação, propondo uma nova classificação das contas em patrimoniais e de resultado. Seus principais seguidores foram Francisco D’Áuria, Jaime Lopes Amorim e José Maria Fer- nandez Pirea, entre outros. Escola do Pensamento Contábil Formada pela Escola Europeia, que predomi- nou em todo o mundo durante séculos. O expressi- vo crescimento e a influência da economia ameri- cana nas economias dos outros países, por volta do século XIV, quebraram sua hegemonia, surgindo a Escola Norte-Americana, que teve seu início volta- do para o tratamento prático das questões econô- mico-administrativas da Contabilidade.O desenvolvimento contábil, como já dis- semos, acompanha de perto o desenvolvimento econômico. Com a ascensão econômica do colos- so norte-americano, o mundo contábil volta sua atenção para os Estados Unidos, principalmente a partir de 1920, dando origem ao que alguns cha- mam de Escola Contábil Norte-Americana. O surgimento das gigantescas Corporations, principalmente no início do século anterior, alia- do ao formidável desenvolvimento do mercado de capitais e ao extraordinário ritmo de desen- volvimento que aquele país experimentou e ain- da experimenta, constitui um campo fértil para o avanço das teorias e práticas contábeis norte- -americanas. Não podemos esquecer também que os Es- tados Unidos herdaram da Inglaterra uma exce- lente tradição no campo da auditoria, criando lá sólidas raízes. 1.6 O Cenário Atual da Contabilidade De maneira geral, poderíamos dizer que o início do século XX presenciou a queda da cha- mada Escola Europeia (mais especificamente, a Italiana) e a ascensão da chamada Escola Norte- -Americana no mundo contábil. Sem pretender esgotar o tema, apresentamos alguns motivos que levaram à mudança do cenário internacio- nal da Contabilidade. Hoje em dia, entretanto, a tendência é rumo à harmonização internacional das normas contábeis, adotando o modelo do In- ternational Accounting Standards Committee (IASC – Comitê Internacional de Normas Contábeis), de inspiração Anglo. Teoria da Contabilidade Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 17 Comparação das duas escolas. Algumas razões da Queda da Escola Europeia (especificamente, a italiana) Algumas razões da Ascensão da Escola Norte- Americana 1. Excessivo Culto à Personalidade: grandes mestres da Contabilidade ganharam tanta notoriedade que passaram a ser vistos como “oráculos” da verdade contábil. 1. Ênfase ao Usuário da Informação Contábil: a Contabilidade é apresentada como algo útil para a tomada de decisões, evitando-se endeusar demasiadamente a contabilidade; atender aos usuários é o grande objetivo. 2. Ênfase a uma Contabilidade Teórica: as mentes privilegiadas produziam trabalhos excessivamente teóricos, apenas pelo gosto de serem teóricos, difundindo-se ideias com pouca aplicação prática. 2. Ênfase à Contabilidade Aplicada: principalmente, à Contabilidade Gerencial. Ao contrário dos europeus, não havia uma preocupação com a teoria das contas ou com querer provar que a Contabilidade é uma ciência. 3. Pouca Importância à Auditoria: principalmente na legislação italiana, o grau de confiabilidade e a importância da auditagem não eram enfatizados. 3. Bastante Importância à Auditoria: como herança dos ingleses e transparência para os investidores das Sociedades Anônimas (e outros usuários) nos relatórios contábeis, a auditoria é muito enfatizada. 4. Queda do nível das principais faculdades: principalmente as faculdades italianas, superpovoadas de alunos. 4. Universidades em busca de qualidade: grandes quantias para as pesquisas no campo contábil, o professor em dedicação exclusiva e o aluno em período integral valorizam o ensino nos Estados Unidos. 1.7 Resumo do Capítulo Saiba maisSaiba mais Entidades contábeis As entidades mais atuantes no campo contábil têm sido, tradicionalmente, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), o Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (IBRACON) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A partir de 2007, com a promulgação da Lei nº 11.638, que veio alterar em alguns aspectos a Lei nº 6.404/1976, a Lei das Socieda- des por Ações, foi constituído o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC). Neste capítulo, você foi conduzido(a) à reflexão sobre as origens e história da Contabilidade. Co- nheceu que as origens estão registradas desde o surgimento da humanidade, possibilitando atender às necessidades de controlar e medir as riquezas possuídas pelo homem. Aprendeu que se registram os antecedentes da Contabilidade, através da história, desde a Anti- guidade dos povos. Viu como a arte da escrita e a aritmética conduziram à Contabilidade como ciência. Foi a partir do período pré-científico, com o Método das Partidas Dobradas, criado pelo Frei Luca Pacioli, que o uso da Contabilidade ganhou impulso, surgindo as escolas e doutrinas contábeis. A partir desse período, a Contabilidade é dominada pela Escola Europeia, também denominada Italiana, até sua queda, com a ascensão da escola Norte-Americana. Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 18 1. Pode-se dizer que Pacioli é o criador do método das partidas dobradas? 2. Quais as vantagens da Escola Contábil Norte-Americana em relação à Europeia? 1.8 Atividades Propostas Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 19 Frequentemente, estamos tomando deci- sões: a que hora iremos levantar, que roupa ire- mos vestir, qual tipo de comida iremos almoçar, a que programa iremos assistir, qual trabalho ire- mos desenvolver durante o dia etc. Algumas ve- zes, são decisões importantíssimas: o casamento, a carreira que escolhemos, a aquisição de casa própria, para exemplificar. Dentro de uma empresa, a situação não é diferente. Frequentemente, os responsáveis pela administração estão tomando decisões, quase todas importantes, vitais para o sucesso do ne- gócio. Por isso, há necessidade de dados, de in- formações corretas, de subsídios que contribuam para uma boa tomada de decisão. Decisões tais como comprar ou alugar uma máquina, preço de um produto, contrair uma dívida em longo ou curto prazo, quanto de dívida contrairemos, que quantidade de material para estoque deveremos comprar, reduzir custos, produzir mais etc. A contabilidade é o grande instrumento que auxilia a administração a tomar decisões. Na verdade, ela coleta todos os dados econômicos, mensurando-os monetariamente, registrando- -os e sumarizando-os em forma de relatórios ou de comunicados, que contribuem sobremaneira para a tomada de decisões. Observamos, com certa frequência, que várias empresas, principalmente as pequenas, têm falido ou enfrentam sérios problemas de so- brevivência. Ouvimos empresários que criticam a carga tributária, os encargos sociais, a falta de recursos, os juros altos etc., fatores esses que, sem dúvida, contribuem para debilitar a empresa. Entretanto, descendo a fundo nas nossas investi- gações, constatamos que, muitas vezes, a “célula cancerosa” não repousa naquelas críticas, mas na má gerência, nas decisões tomadas sem respaldo, sem dados confiáveis. Por fim, observamos, nes- ses casos, uma contabilidade irreal, distorcida, em consequência de ter sido elaborada única e exclu- sivamente para atender às exigências fiscais. Vivemos um momento em que “aplicar os recursos escassos disponíveis com a máxima eficiência” tornou-se, dadas as dificuldades eco- nômicas (concorrência, globalização etc.), uma tarefa nada fácil. A experiência e o feeling do ad- ministrador não são mais fatores decisivos no quadro atual; exige-se um elenco de informações reais, que norteiem tais decisões. E essas informa- ções estão nos relatórios elaborados pela Conta- bilidade. Tomada de Decisão Fora dos Limites da Empresa Evidentemente, o processo decisório de- corrente das informações apuradas pela Contabi- lidade não se restringe apenas aos limites da em- presa, aos administradores e gerentes (usuários internos), mas também a outros segmentos, quais sejam: usuários externos. Investidores: é através dos relatórios contábeis que se identifica a situação econômico-financeira da empresa; des- 2.1 A Tomada de Decisão CONTABILIDADE E CONTADOR2 Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 20 sa forma, o investidor tem à mão os ele- mentos necessários para decidir sobre as melhores alternativas deinvestimen- tos. Os relatórios evidenciam a capaci- dade da empresa em gerar lucros e ou- tras informações; Fornecedores de bens e serviços a crédito: usam os relatórios para anali- sar a capacidade de pagamento da em- presa compradora; Bancos: utilizam os relatórios para aprovar empréstimos, limite de crédito etc.; Governo: não só usa os relatórios com a finalidade de arrecadação de impostos, como também para dados estatísticos, no sentido de melhor redimensionar a economia (Instituto Brasileiro de Geo- grafia e Estatística –IBGE, por exemplo); Sindicatos: utilizam os relatórios para determinar a produtividade do setor, fator preponderante para reajuste de salários; Outros interessados: funcionários (este, usuário interno), órgãos de clas- ses, pessoas e diversos institutos, como a CVM, o Conselho Regional de Conta- bilidade (CRC) etc. Diante de um leque diversificado de ativi- dades, podemos dizer que a tarefa básica do Con- tador é produzir e/ou gerenciar informações úteis aos usuários da Contabilidade para a tomada de decisões. Ressalte-se, entretanto, que, em nosso país, em alguns segmentos da nossa economia, principalmente na pequena empresa, a função do contador foi distorcida (infelizmente), estando voltada quase exclusivamente para satisfazer as exigências do Fisco. ÁREAS DE ATUAÇÃO DO CONTADOR Coleta de Dados Registro dos Dados e Processamento Relatórios Usuários (tomada de decisão): Administração Investidores Bancos Governo Outros Interessados 2.2 A Função do Contador 2.3 A Contabilidade como Profissão A Contabilidade é uma das áreas que mais proporcionam oportunidades para o profissional. O estudante que optou por um curso superior de Contabilidade terá inúmeras alternativas, entre as quais, citaremos as seguintes: Contabilidade Financeira: é a con- tabilidade geral, necessária a todas as empresas. Fornece informações básicas aos seus usuários e é obrigatória, con- forme a legislação comercial; Contabilidade de Custos: está voltada para o cálculo, interpretação e controle dos custos dos bens fabricados ou co- mercializados ou dos serviços presta- dos pela empresa; AtençãoAtenção CONTADOR: é o profissional que exerce as fun- ções contábeis, com formação superior de ensino Contábil (Bacharel em Ciências Contábeis). Teoria da Contabilidade Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 21 Contabilidade Gerencial: voltada para fins internos, procura suprir os gerentes de um elenco maior de informações, exclusivamente para a tomada de de- cisões. Diferencia-se das contabilidades já abordadas, pois não se prende aos Princípios Fundamentais da Contabili- dade. O profissional que exerce a Con- tabilidade Gerencial também é conhe- cido como Controller; Auditor Independente: é o profissio- nal que não é empregado da empresa em que está realizando o trabalho de Auditoria. É um profissional liberal, em- bora possa estar vinculado a uma em- presa de Auditoria. O registro definitivo de Auditor Independente é conferido ao Contador que estiver registrado no CRC e tiver exercido atividade de Au- ditoria por período não inferior a cinco anos (podendo ser reduzido para três anos, após conclusão do curso de es- pecialização em Auditoria Contábil, em nível de pós-graduação, reconhecido pelo Conselho Federal de Educação); Auditor Interno: é o Auditor que é empregado (ou dependente econômi- co), preocupado principalmente com o Controle Interno da empresa; Analista Financeiro: analisa a situação econômico-financeira da empresa, por meio de relatórios fornecidos pela Con- tabilidade. A análise pode ter os mais diversos fins: medida de desempenho, concessão de crédito, investimentos etc.; Perito Contábil: a perícia contábil é motivada por questão judicial, solici- tada pela justiça. O contador fará uma verificação na exatidão dos registros contábeis e em outros aspectos, daí a designação Perito Contábil; Consultor Contábil: a consultoria, em franco desenvolvimento em nosso país, não se restringe especificamente à par- te contábil e financeira, mas também – e aqui houve um grande avanço da profissão – à consultoria fiscal (Imposto de Renda, IPI, ICMS e outros), na área de processamento de dados comércio ex- terior etc.; Professor de Contabilidade: exerce o magistério de 2º grau ou de faculdade (nesse caso, há necessidade de pós-gra- duação), não só na área Contábil, como também em cursos de Ciências Econô- micas e de Administração; Pesquisador Contábil: para aqueles que optaram pela carreira universitária e que normalmente dedicam um período maior à universidade, há um campo pou- co explorado no Brasil, ou seja, a inves- tigação científica na Contabilidade. Na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (USP), através do Departamento de Contabilidade (no qual há os cursos de Mestrado e de Doutorado em Conta- bilidade) e da Fundação Instituto de Pes- quisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (FIPECAFI), temos observado o desenvol- vimento de pesquisas contábeis; Cargos Públicos: em muitos concur- sos, tais como para Fiscal de Renda, tan- to na área Federal quanto na Estadual e na Municipal, tem havido grande con- tingente de contadores aprovados; Cargos Administrativos: observamos, ainda, contadores que exercem cargos de assessoria, elevados postos de che- fia, de gerência e, até mesmo, de dire- toria, com relativo sucesso. O contador é um profissional gabaritado para tais cargos, pois, no exercício de sua ativi- dade, entra em contato com todos os AtençãoAtenção AUDITOR: auditoria é o exame, a verificação da exatidão dos procedimentos contábeis. Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 22 setores da empresa. É comum afirmar- -se que o elemento que mais conhece a empresa é o contador. Por fim, ainda encontramos contadores que exercem a função de executivos. Outras áreas ainda ocupadas pelo Conta- dor: Investigador de Fraude, Escritor, Parecerista, Avaliador de Empresas, Conselheiro Fiscal, Media- ção e Arbitragem etc. Quais outras profissões têm um leque tão grande de alternativas quanto a profissão contábil? Pense a respeito! DicionárioDicionário Arbitragem: a arbitragem, há décadas utilizada nos países desenvolvidos, é regulamentada no Brasil pela Lei nº 9.307/1996, a chamada Lei da Arbitra- gem, e vem sendo reconhecida como o método mais eficiente de resolução de conflitos, contri- buindo para o descongestionamento do Poder Judiciário. Fonte: www.camaradomercado.com.br/arbitragem.asp a) Planejador Tributário: orientador dos processos tributários/ICMS/IR e outros, bem como Especialista nas Fusões, In- corporações e Cisões; b) Analista Financeiro: analista de crédito, desempenho, mercado de capitais, in- vestimento, custos; c) Contador Geral: poderá se especializar em Contabilidade rural, hospitalar, fis- cal, imobiliária, hotelaria, industrial, se- curitária, de condomínio, de empresas transportadoras, bancária, pública, de empresas sem fins lucrativos, de empre- sas de turismo, de empresas minerado- ras, cooperativas; d) Cargos Administrativos: área financeira, comércio exterior, Chef Information Offi- cer (CIO), executivo, logística; e) Auditor Interno: auditor de sistema, au- ditoria de gestão, controle interno; f ) Contador de Custo: custos de empresa prestadora de serviços, custos indus- triais, análise de custos, orçamentos, custos de serviço público; g) Contador Gerencial: controladoria, con- tabilidade internacional, contabilidade ambiental, contabilidade estratégica, controladoria estratégica, balanço so- cial; h) Atuário: contador que se especializa em previdênciaprivada, pública e seguros. a) Auditor Independente: especialização em sistemas, tributos, custos; b) Consultor: expert em avaliação de em- presa, tributos, comércio exterior, infor- mática, sistemas, custos, controladoria, qualidade total, planejamento estraté- gico, orçamento; 2.4 Visão Geral da Profissão Contábil CONTADOR NA EMPRESA INDEPENDENTE (AUTÔNOMO) Teoria da Contabilidade Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 23 c) Empresário Contábil: escritório de con- tabilidade, “despachante” (serviços fis- cal, departamento de pessoal etc.), cen- tro de treinamento; d) Perito Contábil: perícia contábil, judi- cial, fiscal, extrajudicial; e) nvestigador de Fraude: detecta o lado “podre” da empresa. Empresas na Euro- pa e Estados Unidos contratam, às ve- zes, até semestralmente esses serviços. a) Professor: cursos técnicos, cursos espe- ciais (In Company, concursos públicos etc.), carreira acadêmica (mestre, dou- tor etc.); b) Pesquisador: pesquisa autônoma (FA- PES, CNPq, empresas etc.), fundação de pesquisa (FIPECAFI, FIA, FIPE etc.), pes- quisas para sindicatos, instituições de ensino, órgãos de classe; c) Escritor: há revistas/boletins que remu- neram os escassos escritores contábeis. Livros didáticos e técnicos, articulista contábil/financeiro/tributário para jor- nais, revisão de livros; d) Parecerista: docente e pesquisador com currículo notável. Parecer sobre: laudo pericial, causa judicial, envolvendo em- presas, avaliação de empresas, ques- tões contábeis; e) Conferencista: palestra em universida- des, empresas, convenções, congressos. a) Contador Público: gerenciar as finanças dos órgãos públicos; b) Agente Fiscal de Renda: agente fiscal de Municípios, Estado e União; c) Diversos Concursos Públicos: controla- dor de arrecadação, contador do Minis- tério Público da União, fiscal do Ministé- rio Público da União, fiscal do Ministério do Trabalho, Banco Central, analista de finanças e controle etc.; d) Tribunal de Contas: controladoria, fis- calização, parecerista, analista contábil, auditoria pública, contabilidade orça- mentária; e) Oficial Contador: policial militar, exérci- to, contador e auditor com a patente de general de divisão. 2.5 A Contabilidade em outros Cursos NO ENSINO ÓRGÃO PÚBLICO Entretanto, não são apenas os cursos de Eco- nomia e de Administração de Empresas que têm em seus currículos as disciplinas de Contabilidade. Na Faculdade de Direito – para os estudantes que se especializam em Direito Comercial –, ministra-se a disciplina Contabilidade Empresarial; na Faculdade de Higiene e Saúde, observamos a disciplina Custos Hospitalares; na Faculdade de Comunicação, dão- -se noções de Contabilidade para que o futuro pro- fissional possa interpretar melhor a situação econô- mico-financeira das empresas; alunos do curso de Saiba maisSaiba mais Áreas afins à Contabilidade, como Economia e Ad- ministração de Empresas, utilizam com muita frequ- ência a Contabilidade. Poderíamos dizer que essas duas ciências estão intimamente ligadas à Conta- bilidade, que lhes expõe quantitativa e qualitativa- mente os dados econômicos. Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 24 Estatística já fazem optativamente Contabilidade, para melhor aplicar aquela disciplina aos dados econômicos dentro da empresa; em diversas espe- cificações dos cursos de Engenharia, principalmen- te aquelas ligadas diretamente à indústria, já se mi- nistra a Contabilidade; cursos de Processamento de Dados (Computação) incorporaram disciplinas de Contabilidade; cursos de Educação Física também a utilizam, quando o estudante se especializa em Administração Esportiva; por fim, na grande maio- ria das profissões liberais, em que o profissional irá desenvolver atividade em seu próprio escritório ou consultório (médico, dentista, advogado etc.), são necessários conhecimentos, mesmo que elemen- tares, de Contabilidade. Neste capítulo, você foi levado(a) à reflexão sobre a importância da Contabilidade e a função do Contador para a tomada de decisões nas organizações empresariais. Você compreendeu que Contabilidade é uma das áreas que mais proporcionam oportunidades para o profissional, pois oferece diversas alternativas de atuação profissional para os egressos dos cursos de Bacharelado em Ciências Contábeis. Compreendeu que outros cursos recebem a contribuição da Contabilidade na formação. 2.6 Resumo do Capítulo 2.7 Atividades Propostas 1. Qual a tarefa básica do contador? 2. Trace algumas diferenças entre a Contabilidade Financeira (Geral), a Contabilidade de Custos e a Contabilidade Gerencial. Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 25 Neste capítulo, você deve aprender que o objetivo da Contabilidade pode ser estabelecido como sendo o de fornecer informação estrutu- rada de natureza econômica, financeira e, subsi- diariamente, física, de produtividade e social, aos usuários internos e externos à entidade objeto da Contabilidade. Inicie, agora, a leitura! A informação, os Relatórios e os Usuários Assim, as operações da entidade à qual se está aplicando a Contabilidade são estudadas mi- nuciosamente, sendo então desenhado o Plano e Manual de Contas, para contabilização sistemá- tica das operações rotineiras da entidade, ao mes- mo tempo que são delineados os principais tipos de relatórios (demonstrações) que devem sair do processo contábil. Esses relatórios devem atender às necessi- dades: 1. Dos usuários externos (bancos, even- tuais investidores etc.); 2. Dos usuários internos à entidade. Para os usuários externos, temos as tradi- cionais demonstrações contábeis, como o Balan- ço Patrimonial (posição das contas num determi- nado momento), Demonstração de Resultado do Exercício (uma demonstração de fluxos econômi- cos), Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos ou, mais recentemente, Fluxo de Caixa (demonstrações de fluxos financeiros) e outras. Essas demonstrações serão estudadas no curso de ciências contábeis. Usuários Internos Já para os usuários internos à entidade, in- teressam, além das demonstrações citadas que, como ponto de partida, também subsidiam os tomadores internos de decisões, outros tipos de relatórios que aliem conceitos e informações de- rivantes do sistema de Contabilidade Financeira (geral) – que produz os relatórios tradicionais – a outros derivantes da Contabilidade de Custos, da administração financeira, da administração da produção e outras disciplinas que apresentem conceitos importantes para tomada de decisões. Nem sempre tais tipos de relatórios podem ser incluídos no sistema contábil de forma rotinei- ra e repetitivamente. Incluem-se, entre tais tipos de relatórios: 1. Comparações entre custos orçados (ou padrão) e reais; 2. Relatório para decisões especiais do tipo: a) Fabricar versus adquirir; b) Orçamento de capital; OBJETIVOS DA CONTABILIDADE E UTILIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL 3 DicionárioDicionário Informação estruturada: significa que a Contabilida- de não fornece dados e informações de forma dis- persa e apenas seguindo as solicitações imediatas dos interessados, mas sim que o faz de maneira es- truturada, dentro de um esquema de planejamento contábil, em que um sistema de informação é de- senhado, colocado em funcionamento e periodica- mente revisto, tendo em vista parâmetros próprios. Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 26 c) Expansão da fábrica; d) Criação de divisões; e) Relatórios sobre mix de produtos e serviços etc. Em maior ou menor grau, tais tipos de rela- tórios deverão utilizar outros conceitos, além dos Princípios Fundamentais de Contabilidade, tais como: custos de oportunidade, taxas de jurose de desconto, custos de reposição, custos imputa- dos e econômicos, noções e cálculos de risco eco- nômico e financeiro e outros. Sistema Avançado De maneira geral, pode-se dizer que um sistema de informação contábil será tão avança- do quanto mais for capaz de produzir todos os relatórios gerenciais (além dos tradicionais), da forma mais automática e repetitiva possível, com o menor grau de trabalho adicional por parte do Contador. Nesse caso, tem-se um sistema contábil que atende às decisões de natureza operacional, tática e, no limite, estratégica. A informação contábil é utilizada por uma vasta gama de pessoas e entidades com as mais variadas finalidades. Assim, os eventuais compradores de ações ou debêntures (títulos de longo prazo com garan- tias, emitidos por empresas para solicitar emprésti- mo ao público em geral, pagando juros periódicos e concedendo amortizações regulares, classificados no exigível em longo prazo) da entidade (se for de capital aberto) procuram extrair informações para sua decisão sobre se vale a pena ou não investir na empresa; bancos emprestadores de dinheiro estão interessados em avaliar se a enti- dade oferece boas perspectivas de retorno para seus empréstimos e financiamentos; o governo, em seus vários níveis, está interessado na infor- mação contábil como base de imposição fiscal e para estudos macroeconômicos; os empregados da entidade procuram extrair informações sobre a capacidade da entidade de pagar maiores salá- rios e benefícios; macroeconomistas e analistas fi- nanceiros estão interessados nas agregações con- tábeis para extrair agregados financeiros (vendas por setor, liquidez etc.), mas ninguém estará tão vitalmente (vigor) interessado quanto o tomador de decisão interno à entidade. Para ele, as informações contábeis estrutu- radas, fidedignas, tempestivas (no tempo) e com- pletas podem ser a diferença entre o sucesso e o fracasso. 3.1 Utilização da Informação Contábil e Campo de Atuação da Contabilidade O campo de atuação da Contabilidade, na verdade, seu objeto, é o patrimônio de toda e qualquer entidade; ela acompanha a evolução qualitativa e quantitativa desse patrimônio. É importante salientar que entidade, para a Contabilidade, pode ser pessoa jurídica ou física. O acompanhamento das variações do patrimônio de uma grande sociedade por ações de capital aber- to merece interesse por parte da Contabilidade, da mesma forma que o patrimônio individual de um de seus sócios. A entidade pode ser privada ou pública, de finalidade lucrativa ou não. A entidade pode ser, em certas circunstâncias, contabilmente, uma consolidação de patrimônios de outras en- tidades individuais, bem como uma divisão (uma parte) de uma ou outra entidade multidivisional. 3.2 Patrimônio da Entidade Teoria da Contabilidade Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 27 Assim, esquematicamente, temos: Campo de Atuação da Contabilida- de: toda entidade que exerça atividade econômica como meio ou fim; Objeto da Contabilidade: o patrimô- nio de tais entidades, sejam elas pes- soas físicas ou jurídicas, seja esse patri- mônio resultante da consolidação de patrimônio de outras entidades distin- tas ou da subdivisão do patrimônio de uma entidade em parcelas menores, que mereçam ser acompanhadas em suas mutações e variações. 3.3 Finalidade Social do Contador 3.4 Resumo do Capítulo Saiba maisSaiba mais Se você desejar, aprofunde os conteúdos estuda- dos neste capítulo consultando o CPC 0 – Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade. Fonte: www.cpc.org.br/pdf/pronunciamento_conceitual. pdf A Contabilidade é o melhor repórter e intér- prete desse desempenho, pois verifica o volume dos (e se necessário quais) produtos ou serviços que a entidade repassou à sociedade, se o fez a preços razoáveis, com boa qualidade, como a entidade amalgamou (combinou/entrelaçou) os fatores de produção, se pagou salários competiti- vos, se efetuou programas de treinamento de sua força de trabalho e se, após ter feito todos esses pagamentos, inclusive de impostos, ainda foi ca- paz de gerar margem para seus acionistas e para reinvestir dentro da própria entidade, se é moder- na e competitiva etc. Assim, verifica-se que a Contabilidade tem uma função social muito relevante, independen- temente de a entidade praticar a chamada Con- tabilidade Social (ou Balanço Social), em que essa importância fica mais caracterizada, pois, nesse caso, além das demonstrações contábeis tradicio- nais, a entidade fornece outras específicas. AtençãoAtenção No que se refere à Contabilidade Geral ou Finan- ceira, o trabalho do contador tem alcance social em termos amplos, além do estritamente econô- mico. Afinal, informando à sociedade quão bem (ou mal) certa entidade utiliza os recursos confe- ridos pelos sócios ou pelo povo, exerce um papel de grande relevância nessa mesma sociedade. Neste capítulo, você foi conduzido(a) à reflexão sobre os objetivos da contabilidade e a utilização da informação contábil. Viu assuntos relacionados à informação, aos relatórios e aos usuários internos e como é criado o Plano e Manual de Contas para contabilização sistemática das operações rotineiras da entidade. Também aprendeu que o Patrimônio é o campo de atuação da Contabilidade e compreendeu que a finalidade social do contador é fornecer informações corretas à sociedade. Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 28 1. A Contabilidade poderia ter como objeto uma pessoa física? Explique. 2. Qual a finalidade social do Contador? 3.5 Atividades Propostas Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 29 Neste capítulo, você deve compreender que o objetivo principal da contabilidade é prover seus usuários de informações úteis para a tomada de decisão. Em outras palavras, a função principal da contabilidade reside em ser instrumento útil para a tomada de decisões pelo usuário, tendo em vista a entidade. Também vamos compreender que as infor- mações geradas pela contabilidade são apresen- tadas aos usuários em forma de resumos ordena- dos, periódicos... A informação contábil, como todo bem eco- nômico, tem um custo e esse custo deve ser sem- pre comparado com os benefícios esperados da informação. Em última análise, o benefício esperado de um sistema de informação é o valor presente dos lucros adicionais (ou fluxos de caixa), que não se- riam obtidos caso aquele particular sistema de informação não tivesse sido adotado ou não es- tivesse disponível. Inicie, agora, a leitura! 4.1 Informação Econômica QUALIDADE E CARACTERÍSTICA DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL: O PRODUTO FINAL DA CONTABILIDADE 4 Frequentemente (na verdade, quase sem- pre), não é tão fácil mensurar tais custos e bene- fícios, embora exista um ramo da Economia (a In- formation Economics) que considera a informação um produto qualquer, que tem seu preço e custo. As aplicações contábeis de tais conceitos não têm sido tão abundantes e as que existem são elaboradas em situações de empresa bem simplificadas. Assim, embora a “consciência” da comparação entre custo e benefício de uma infor- mação (ou de um sistema) ou de uma informação adicional sempre deve estar presente na mente do gerente, mensurar tais variáveis é difícil. O melhor que se pode fazer em muitas si- tuações práticas é confiar na experiência, no bom-senso, nos exemplos de outras empresas e, acima de tudo, tentar estabelecer relacionamen- tos entre casos de empresas muito bem-sucedi- das (no longo prazo) e o grau de complexidade e originalidade de seus sistemas de informação. Saiba maisSaiba mais Se você desejar, aprofunde os conteúdos estuda- dos neste capítulo consultando o CPC 0 – Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade. Fonte: www.cpc.org.br/pdf/pronunciamento_conceitual.pdf Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 30 Sem negar a eventualidade de uma desco- berta extremamente original, deve-se sempre se guiar pelo que a média das empresas bem-suce- didas e inteligentes está fazendo, desconfiando sempre daquela forma “única e absolutamente original” de bolar (arquitetar, conceber) o siste- ma de informação que ninguém pensou ou usou imaginar antes. É claro, todavia, que empresas diferentes e gerentes diferentes sabem lidar de formas diver- sas com o mesmo sistema de informação, utili- zando com maior ou menor grau de eficiência o nível e a qualidade da informação existente. Alguns tomadores de decisão sabem “tirar leite de pedra” de informações simples, ao passo que outros nem tomam conhecimento de siste- mas mais complexos. Para esses últimos, a infor- mação quase terá somente custo e nenhum be- nefício. Uma das formas de avaliar a qualidade da informação contábil e, portanto, sua utilidade (benefício), quando comparada ao custo, é ana- lisar algumas qualidades ou características que deve possuir, tais como: compreensibilidade, rele- vância, confiabilidade e comparabilidade. Pense a respeito! A análise Custo x Benefício é fundamental em termos de elaboração dos Relatórios Contábeis. 4.2 Custos versus Benefícios 4.3 Compreensibilidade 4.4 Relevância Fácil de entender! A informação contábil precisa ser com- preensiva, isto é, completa, e retratar todos os aspectos contábeis de determinada operação ou conjunto de eventos ou operações. Não se de- vem compensar créditos com débitos ou direitos e obrigações. Todos os aspectos de uma operação que afeta o patrimônio precisam ser levados em conta. É o caso da elaboração da demonstração de origem e aplicação de recursos (ou de caixa), que deveria evidenciar recursos e aplicações sem compensações, por levantamento direto das ope- rações e não por diferenças de saldos de balanço, em princípio. A fim de ser útil, a informação precisa ser re- levante para as necessidades de tomada de deci- sões dos usuários. A informação possui a qualida- de da relevância quando ela influencia as decisões econômicas dos usuários, ajudando-os a avaliar eventos passados, presentes ou futuros ou confir- mando ou corrigindo suas avaliações passadas. Saiba maisSaiba mais Segundo o trabalho do IASC intitulado Framework for the Preparation of Financial Statements (estrutura para a preparação do relatório financeiro), a relevân- cia é uma das características ou qualidades mais im- portantes da informação contábil. Teoria da Contabilidade Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 31 Ainda, o IASC (1989) afirma que os papéis preditivo (dito ou citado an- teriormente) e confirmatório das infor- mações estão inter-relacionados. Por exemplo, informação sobre o nível atual e sobre a estrutura dos ativos mantidos pela entidade somente tem valor para o usuário quando ele tenta prever a habili- dade que a empresa tem de aproveitar as oportunidades e também sua habilidade em reagir a situações adversas. A mesma informação exerce um papel confirma- tório com relação a previsões como, por exemplo, a forma pela qual a empresa seria estruturada ou o resultado das ope- rações planejadas. A informação sobre a posição financeira e o desempenho do passado é frequentemente utiliza- da, segundo aquele documento do IASC, como base para prever a situação financeira e o desempenho futuro, bem como outros assuntos sobre quais os usuários estão diretamente interessados, tais como pagamentos de salários e de dividendos, movimen- tações e flutuações de preços de ações e títulos e a habilidade da empresa em honrar suas obrigações à medida que vão vencendo. A fim de que tenha valor preditivo, a infor- mação não precisa, necessariamente, estar co- locada na forma de previsão explícita (de forma clara). A habilidade de efetuar previsões a partir das demonstrações contábeis é realçada, entre- tanto, pela forma de evidenciar informações so- bre transações passadas. Caro(a) aluno(a), você sabia que o valor pre- ditivo da demonstração de resultados é realçado se itens não usuais, anormais e não recorrentes de renda (receita) ou despesa forem evidenciados separadamente. Você concorda com esse exemplo? 4.5 Confiabilidade Para que seja útil, a informação também precisa ser confiável. A informação possui a quali- dade da confiabilidade quando está livre de erros materiais e vícios e pode ser aceita pelos usuários como representando fielmente o que está desti- nada a representar ou que poderia razoavelmen- te se esperar que representasse. A informação pode ser relevante, mas tão inafiançável (não afiançável – responsabilidade, garantia), pela sua natureza ou pela sua exterio- rização (manifestar, externar), que seu reconhe- cimento pode ser potencialmente enganoso. Por exemplo, se a validade e o total de uma indeni- zação por danos numa ação judicial estão sendo discutidos, pode ser inapropriado para a empresa reconhecer o valor total da ação no balanço, em- bora possa ser apropriado evidenciar a dimensão e as circunstâncias da disputa. Faça uma reflexão sobre a confiabilidade e a Ética do Contador! Visão Verdadeira e Apropriada O CPC 0 – Estrutura Conceitual Básica define: Demonstrações contábeis são freqüen- temente descritas como apresentando uma visão verdadeira e apropriada (true and fair view) da posição patrimonial e financeira, do desempenho e das muta- ções na posição financeira de uma enti- dade. Embora esta Estrutura Conceitual não trate diretamente de tais conceitos, a aplicação das principais características qualitativas e de normas e práticas de contabilidade apropriadas normalmente resultam em demonstrações contábeis que refletem aquilo que geralmente se entende como apresentação verdadeira e apropriada das referidas informações. (CPC, 2008, p. 3). Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 32 Os usuários precisam ter condições de com- parar as demonstrações contábeis de uma enti- dade através dos anos, a fim de identificar ten- dências em sua situação patrimonial e financeira e em seu desempenho. Os usuários também precisam ter condi- ções de comparar as demonstrações contábeis de diferentes entidades, a fim de avaliar sua situação patrimonial e financeira em termos comparati- vos, seu desempenho e as mudanças na situação financeira. 4.6 Comparabilidade 4.7 A Importância da Comparação 4.8 Políticas Contábeis Assim, a mensuração e a evidenciação dos efeitos financeiros de transações semelhantes e outros eventos precisam ser efetuadas de forma consistente por uma entidade através do tempo e também por diferentes entidades ao mesmo tempo. AtençãoAtenção Uma importante implicação da característica qua- litativa da comparabilidade é que os usuários pre- cisam ser informados sobre as políticas contábeis utilizadas na preparação das demonstrações con- tábeis, sobre quaisquer variações nas políticas e os efeitos de tais mudanças. Os usuários precisam ter condições de iden- tificar diferenças entre as políticas contábeis para transações semelhantes utilizadas pela mesma entidade de um período para outro e também por diferentes entidades ao mesmo tempo. A adequação aos padrões contábeis nacionais e internacionais, incluindo a evidenciação das po- líticas contábeis utilizadas pela entidade, ajuda a conseguir a comparabilidade. A necessidade de comparabilidade não de- veria ser confundida com mera uniformidade e não deveria ser um impedimento para a introdução de padrões contábeis aperfeiçoados. Não é apropria- do para uma empresa continuar a contabilizar da mesma forma uma determinada transação se a política adotada não se mantém aderente às condi- çõesde relevância e confiabilidade. É também inapropriado para uma entidade deixar intocáveis suas práticas contábeis quando existirem alternativas mais relevantes e confiá- veis. Pelo fato de os usuários quererem comparar a situação patrimonial, o desempenho e as mu- danças na posição de uma entidade através do tempo, é importante que as demonstrações con- tábeis evidenciem a informação correspondente para os períodos precedentes (ocorrer antes). Teoria da Contabilidade Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 33 Existem algumas variáveis que restringem a utilidade e a plena potencialidade das qualidades da informação descritas. São a tempestividade e a relação custo/benefício. Pode-se afirmar que a relevância, principal- mente, é afetada pela tempestividade, no sentido de que muito pouco adianta ter informação relevante e fidedigna se ela “passou do ponto”, ou melhor, da hora. Não é fácil saber, a priori, esse tempo certo. Depende do tipo de decisão e avaliação que está sendo realizado em cada caso. Para o analista econômico que gosta de examinar balanços de várias empresas, para ex- trair tendências setoriais ou valores de agregados contábeis, como lucratividade sobre vendas, so- bre patrimônio etc., não vai fazer diferença se ele fizer essa análise um dia após a publicação dos balanços ou dois meses depois. 4.9 Tempestividade 4.10 Intempestividade DicionárioDicionário Tempestividade: oportunidade; que vem ou sucede no tempo devido. Entretanto, quase na mesma situação, se um investidor estiver interessado na compra das ações de uma determinada empresa, o timing (adaptação; acomodação; ajustamento) das pe- ças contábeis dessa empresa que ele vai utilizar para assessorá-lo na decisão é tremendamente importante, pois a situação da empresa em parti- cular pode se alterar em curto prazo, invalidando a informação intempestiva. Mais dramática ainda é a importância da tempestividade nas decisões gerenciais dentro da empresa, visando às operações e mesmo às decisões de longo prazo, em que informação es- truturada e a semiestruturada são necessárias, na qualidade e no tempo certo. Já a relação custo/benefício precisa estar sempre presente na mente do planejador do sis- tema contábil ao estabelecer o nível de informa- ção que é considerado ótimo. DicionárioDicionário Intempestividade: fora do tempo próprio; inoportuno! Saiba maisSaiba mais Primazia da essência sobre a forma Para que a informação represente adequadamente as transações e outros eventos que ela se propõe a representar, é necessário que essas transações e eventos sejam contabilizados e apresentados de acordo com a sua substância e realidade econômi- ca e não meramente sua forma legal. A essência das transações ou outros eventos nem sempre é con- sistente com o que aparenta ser com base na sua forma legal ou artificialmente produzida. Por exem- plo, uma entidade pode vender um ativo a um ter- ceiro, de tal maneira que a documentação indique a transferência legal da propriedade a esse terceiro; entretanto, poderão existir acordos que assegurem que a entidade continuará a usufruir os futuros be- nefícios econômicos gerados pelo ativo e o recom- prará depois de certo tempo, por um montante que se aproxima do valor original de venda, acrescido de juros de mercado durante esse período. Em tais circunstâncias, reportar a venda não representa- ria adequadamente a transação formalizada (CPC, 2008). Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 34 Representação Adequada A Estrutura Conceitual Básica (CPC, 2008) define que para ser confiável, a informação deve re- presentar adequadamente as transações e outros eventos que ela diz representar. Assim, por exemplo, o balanço patrimo- nial numa determinada data deve repre- sentar adequadamente as transações e outros eventos que resultam em ativos, passivos e patrimônio líquido da entida- de e que atendam aos critérios de reco- nhecimento. A maioria das informações contábeis está sujeita a algum risco de ser menos do que uma representação fiel daquilo que se propõe a retratar. Isso pode decorrer de dificuldades inerentes à identificação das transações ou outros eventos a serem avaliados ou à identificação e aplicação de técnicas de mensuração e apresenta- ção que possam transmitir, adequada- mente, informações que correspondam a tais transações e eventos. Em certos ca- sos, a mensuração dos efeitos financeiros dos itens pode ser tão incerta que não é apropriado o seu reconhecimento nas demonstrações contábeis; por exemplo, embora muitas entidades gerem, inter- namente, ágio decorrente de expectativa de rentabilidade futura ao longo do tem- po (goodwill), é usualmente difícil identi- ficar ou mensurar esse ágio com confiabi- lidade. Em outros casos, entretanto, pode ser relevante reconhecer itens e divulgar o risco de erro envolvendo o seu reco- nhecimento e mensuração. (p. 12). Só que, se já é difícil nos sistemas contábeis isolar custos e receitas marginais, muito mais o será para o caso de valor da informação. Assim, valem muito mais as considerações feitas alhures (noutro lugar) de que o bom-senso e o que acon- tece em organizações comparáveis à nossa, con- sideradas sofisticadas em matéria de informação, devem ser observados com cuidado. Não se pode esquecer de que o sistema de informação é um meio para o que é essencial, que é o processo decisório. O ideal seria dispor de um quadro de gerentes tão superdotados, tão imaginativos, tão previsores do que irá ocorrer, que nenhum sistema de infor- mação seria necessário. É claro que esses super- -homens (ou mulheres) não existem, na realidade. 4.11 Tomada de Decisões 4.12 Resumo do Capítulo Neste capítulo, você compreendeu que o objetivo principal da contabilidade é prover seus usuá- rios de informações úteis para a tomada de decisão. Também foi levado(a) a refletir sobre algumas qualidades ou características que devem possuir as informações contábeis, tais como: compreensibilidade, relevância, confiabilidade e comparabilidade. Teoria da Contabilidade Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 35 1. Cite uma situação em que você entenda que o Custo é mais que o Benefício na Contabilidade. 2. Explique por que a comparação em dois ou mais períodos dos relatórios contábeis é funda- mental. 4.13 Atividades Propostas Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 37 Neste capítulo, você deve compreender que relatório contábil é a exposição resumida e orde- nada de dados colhidos pela Contabilidade. Ele objetiva relatar às pessoas que utilizam os dados contábeis os principais fatos registrados por aque- le setor (contabilidade) em determinado período. Também conhecido como informe contábil, dis- tingue-se em obrigatório e não obrigatório. RELATÓRIOS CONTÁBEIS5 Os relatórios obrigatórios são aqueles exigi- dos por lei, sendo conhecidos como Demonstra- ções Financeiras. São exigidos na totalidade para as sociedades anônimas e parte deles estendida a outros tipos societários, através do Imposto de Renda. Os relatórios contábeis não obrigatórios, evidentemente, são aqueles não exigidos por lei, o que não significa que sejam menos importan- tes. Há relatórios não obrigatórios imprescindí- veis para a administração. 5.1 Demonstrações Financeiras 5.2 Relatórios Contábeis Obrigatórios Lei das Sociedades Anônimas A Lei das Sociedades Anônimas por Ações estabelece que, ao fim de cada exercício social (ano), a diretoria fará elaborar, com base na es- crituração contábil, as seguintes demonstrações financeiras (ou contábeis): Demonstrações financeiras de Sociedades de Grande Porte Art. 3º Aplicam-se às sociedades de gran- de porte, ainda que não constituídas sob formade sociedades por ações, as dispo- sições da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sobre escrituração e elaboração de demonstrações financeiras e a obriga- toriedade de auditoria independente por auditor registrado na Comissão de Valores Mobiliários. (BRASIL, 2007). Art. 176. Ao fim de cada exercício social, a diretoria fará elaborar, com base na es- crituração mercantil da companhia, as se- guintes demonstrações financeiras, que deverão exprimir com clareza a situação AtençãoAtenção “Parágrafo único. Considera-se de grande porte, para fins exclusivos desta Lei, a sociedade ou con- junto de sociedades sob controle comum que tiver, no exercício social anterior, ativo total su- perior a R$ 240.000.000,00 (duzentos e quarenta milhões de reais) ou receita bruta anual superior a R$ 300.000.000,00 (trezentos milhões de reais).” (BRASIL, 2007). Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 38 do patrimônio da companhia e as mu- tações ocorridas no exercício. (BRASIL, 2007). A Lei nº 11.638/2007 substitui a obrigato- riedade de elaboração de uma demonstração e inclui outra: a) A Demonstração das Origens e Aplica- ções de Recursos (DOAR) foi substituída pela Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC); b) Foi incluída, entre as demonstrações de elaboração obrigatória, a Demonstra- ção do Valor Adicionado (DVA). As demonstrações financeiras exigidas pela Lei nº 6.404/1976, a partir de 1º de janeiro de 2008, são, portanto, as seguintes: I – balanço patrimonial (BP); II – demonstração do resultado do exer- cício (DRE); III – demonstração dos lucros ou prejuí- zos acumulados (DLPA); IV – demonstração das mutações do pa- trimônio líquido (DMPL); IV – demonstração dos fluxos de caixa (DFC); (redação dada pela Lei nº 11.638, de 2007). V – se companhia aberta, demonstração do valor adicionado (DVA). (incluído pela Lei nº 11.638, de 2007). Notas A Lei nº 6.404/1976 denomina as de- monstrações contábeis de demonstra- ção financeiras; Quando a companhia elaborar e publi- car a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, estará dispensada da elaboração da Demonstração de Lu- cros ou Prejuízos Acumulados (parágra- fo 2º do art. 186 da Lei nº 6.404/1976); A Demonstração do Valor Adicionado é obrigatória somente para as compa- nhias abertas; A companhia é aberta ou fechada, con- forme os valores mobiliários de sua emissão estejam ou não admitidos à negociação no mercado de valores mo- biliários (art. 4º da Lei nº 6.404/1976); Parágrafo 6ª. A companhia fechada, com patrimônio líquido, na data do balanço, inferior a R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais) não será obrigada à elaboração e publicação da demonstração dos fluxos de caixa.(BRASIL, 2007). Notas explicativas As notas explicativas devem complemen- tar, juntamente a outros quadros analíticos ou de- monstrações contábeis, as demonstrações finan- ceiras, servindo para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do exercício. As demonstrações financeiras das socieda- des por ações de capital aberto observarão, ain- da, as normas expedidas pela Comissão de Valo- res Mobiliários (CVM) e serão obrigatoriamente auditadas por auditores independentes, registra- dos na mesma comissão (parecer da auditoria). A CVM determina que todas as sociedades anônimas de capital aberto apresentem a De- monstração das Mutações do Patrimônio Líquido em substituição à Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados. As demonstrações financeiras serão assina- das pelos administradores e por contabilista, le- galmente habilitados. Saiba maisSaiba mais Se você desejar, aprofunde os conteúdos estuda- dos neste capítulo consultando o CPC 0 – Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade. Fonte: www.cpc.org.br/pdf/pronunciamento_conceitual. pdf Teoria da Contabilidade Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 39 No momento da publicação das Demons- trações Financeiras, as Sociedades por Ações de- verão informar aos usuários desses relatórios os dados adicionais seguintes: Relatório da Diretoria (ou da Administração) Após a identificação da empresa, na publi- cação das Demonstrações Financeiras, destaca-se, em primeiro plano, o Relatório da Administração, em que a diretoria dará as informações normal- mente de caráter não financeiro (não monetário). As principais informações são: Dados estatísticos diversos; Indicadores de produtividade; Desenvolvimento tecnológico; A empresa no contexto socioeconômico; Políticas diversas: recursos humanos, exportações etc.; Expectativas com relação ao futuro; Dados do orçamento de capital; Projeto de expansão; Desempenho em relação aos concor- rentes etc. Essas informações seriam mais significati- vas se não houvesse excesso de otimismo (incon- sequente), como algumas vezes se observa. Você sabia que existe uma grande diferen- ça entre Relatório da Diretoria e Demonstração Financeira? Pense a respeito! Notas Explicativas Também conhecidas como “Notas de Roda- pé”, as Notas Explicativas são normalmente desta- cadas após as Demonstrações Financeiras (quan- do publicadas). A Lei das Sociedades por Ações estabelece que as Demonstrações serão complementadas por Notas Explicativas e outros quadros analíticos ou demonstrações contábeis necessários para es- clarecimento da situação patrimonial e dos resul- tados do exercício. Como alguns exemplos de Notas Explicati- vas, podemos citar: a) Critérios de cálculos na obtenção de itens que afetam o lucro; b) Obrigações de longo prazo, destacan- do os credores, taxa de juros, garantias a dívidas etc.; c) Composição do capital social por tipos de ações; d) Ajustes de exercícios anteriores etc. É importante que você entenda por que Notas Explicativas não são Demonstrações Finan- ceiras! Parecer dos Auditores De maneira geral, as companhias abertas, instituições financeiras e alguns outros casos es- pecíficos estão obrigados a publicar as Demons- trações com o Parecer da Auditoria. Trata-se de parecer de auditor externo, que difere do auditor interno, pois esse último é em- pregado da empresa, enquanto o primeiro não possui nenhum tipo de vínculo com a instituição, tendo total independência para manifestar sua opinião, daí o título “Auditor Independente”. A auditoria pode ser feita por pessoa física (contador credenciado) ou por empresa de audi- toria (escritório). A opinião dada por empresa de auditoria, normalmente, é mais confiável, princi- palmente porque há a preocupação com o pres- tígio da firma, muitas vezes representada em di- versos países. 5.3 Complementação às Demonstrações Financeiras Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 40 O auditor emite sua opinião informando se as Demonstrações Financeiras representam adequadamente a Situação Patrimonial e a Posi- ção Financeira na data do exame. Informa se as Demonstrações Financeiras foram levantadas de acordo com os Princípios Fundamentais de Con- tabilidade (PFCs) e se há uniformidade em relação ao exercício anterior. Muitas vezes, ocorre que informações con- tidas nos comentários do auditor já constam de Notas Explicativas. Essa dupla evidenciação vem trazer maior segurança para o usuário das De- monstrações Financeiras. Parecer Confiável Uma das formas de avaliar se o parecer é confiável é identificar se a empresa de auditoria não está demasiadamente dependente de um único cliente. Diz-se que, se a empresa de audito- ria tiver um cliente que represente mais que 2% de seu faturamento, já é comprometedor, tornan- do-se uma ameaça para sua independência eco- nômica. Imagine, por exemplo, um grande banco contratando uma pequena empresa de auditoria. Esta se estruturaem função do grande cliente. En- tretanto, no momento em que precisar fazer uma ressalva no parecer referente às Demonstrações Financeiras do grande cliente, poderá ter proble- mas se o cliente estiver disposto a ocultar infor- mações aos usuários. A pequena empresa correrá o risco de ficar sem o cliente e, em consequência disso, comprometer seu futuro, já que ela é alta- mente dependente de um grande cliente. Valor Adicionado (Balanço Social) O Balanço Social evidencia o perfil social das empresas: relações de trabalho dentro da empresa (empregados: quantidade, sexo, escola- ridade, encargos sociais, gastos com alimentação, educação e saúde do trabalhador, previdência privada); tributos pagos; investimentos para a co- munidade (em cultura, esportes, habitação, saú- de pública, saneamento, assistência social etc.); investimentos no meio ambiente etc. Dentro da ideia de Balanço Social, o item que mais se des- taca é o valor agregado (valor adicionado). Se subtrairmos das vendas todas as com- pras de bens e serviços, teremos o montante de recursos que a empresa gera para remunerar sa- lários, juros, impostos e reinvestir em seu negó- cio. Esses recursos financeiros gerados levam-nos a contemplar o momento de valor que a empresa está agregando (adicionando como consequên- cia de sua atividade). Exemplo – Uma Prefeitura Imagine, por exemplo, que a prefeitura de uma cidade tem que tomar a decisão de receber ou não determinada empresa em seu município. A pergunta correta seria: quanto a determinada empresa vai agregar em renda para a região? Em função dessa empresa, o orçamento do município será acrescido, pois terá que investir em infraestrutura e em sua manutenção, em fun- ção de uma nova demanda. Admita-se que a prefeitura terá gastos adi- cionais anuais na área de ensino, saúde, seguran- ça, ambiente (despoluição de rio e outros) no to- tal de $250, tudo em decorrência da instalação da nova empresa. Para melhor análise, ela solicita uma de- monstração do Valor Adicionado da empresa, que mostra o seguinte: Saiba maisSaiba mais Muito comum nos países da Europa Ocidental, o Valor Adicionado ou Valor Agregado procura evi- denciar para quem a empresa está canalizando a renda obtida ou, ainda, admitindo que o valor que a empresa adiciona através de sua atividade seja um “bolo”, para quem estão sendo distribuídas as fatias do bolo e de que tamanho são essas fatias. Teoria da Contabilidade Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 41 Exemplo de valor adicionado Descrição Ano 1 % Ano 2 % Vendas 5.000 - 5.000 - (-) Compras de Bens/Serviços (2.500) - (2.000) - Valor Adicionado 2.500 100 3.000 100 Distribuição Valor Adicionado Salários • Pessoal de Fábrica 500 20 510 17 • Pessoal Administrativo 400 16 480 16 36 33 Diretoria/Acionista • Pró-Labore (honor. Diretoria) 800 32 1.050 35 • Dividendos 250 10 360 12 42 47 Juros 150 06 90 03 Impostos • Municipal 25 01 30 01 • Estadual 50 02 60 02 • Federal 75 03 90 03 06 06 Reinvestimento 200 08 270 09 Outros 50 02 60 02 Na Demonstração do Valor Adicionado, observa-se que o item Impostos permanece inal- terado, o que propicia uma boa análise para a pre- feitura. Todavia, o valor do imposto recolhido ao município é muito baixo. Admitindo-se que os diretores/acionistas não morarão na cidade e que os juros não se re- verterão em favor do município, o que se agre- gará ao fluxo de renda do município será o item Salário. Com esses dados, caberia analisar se o pe- queno imposto para o município e o acréscimo no fluxo de renda em salário de pessoas que residirão na região (gerando mais negócio, mais arrecada- ção) compensarão o acréscimo no orçamento e se o benefício da vinda da empresa seria viável. Um sindicato Imagine, ainda, o presidente do sindicato analisando a “distribuição do bolo”, que aumen- tou em 20% do ano 1 para o ano 2 (de $2.500 para $3.000). Certamente, ele não ficaria calado diante de uma redução da fatia do bolo para seus afiliados (salário de fábrica caiu de 20 para 17%). Poderia ficar irritado ao ver que a fatia do bolo aumentou consideravelmente para os diretores/ acionistas. Seria um bom motivo para uma greve? Contabilidade Social Poderíamos dizer que o Balanço Social está no contexto da Contabilidade Social. Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 42 A Contabilidade Social envolve aspectos econômicos e sociais de um país. Alguns denomi- nam essa Contabilidade de Contabilidade Nacio- nal, já que ela envolve a renda nacional, balanço de pagamentos etc. De maneira geral, quando tratamos do Ba- lanço Social da empresa, de uma unidade indi- vidualizada, podemos dizer que se trata de um campo da Contabilidade. Todavia, quando tratamos o Balanço So- cial no âmbito geral da economia (seja regional, municipal, estadual ou nacional), considerando a soma dos ramos de atividades, a renda nacional, podemos dizer que se trata de um campo da Eco- nomia e não da Contabilidade. Contabilidade Ambiental A Contabilidade Ambiental se preocupa com a proteção do meio ambiente. Em função de os recursos naturais se tornarem cada vez mais escassos, um número crescente de empresas par- ticipa de um desenvolvimento sustentável, de ge- renciamento ambiental para redução de custos operacionais, de cuidados para reduzir o risco de poluição acidental ou insidiosa (traiçoeiro, pérfi- do, falso) etc. A Contabilidade Financeira, quando apli- cada à avaliação e mensuração das informações relativas ao meio ambiente, é denominada Con- tabilidade Ambiental ou Ecológica. De maneira geral, a Contabilidade Ambien- tal destaca os custos ambientais nas despesas gerais (proporcionando uma análise financeira em relação à preservação do meio ambiente), evi- dencia no Ativo os investimentos nessa área, cria provisão para os riscos ambientais no Passivo etc. Um exemplo de balanço social de uma pequena empresa Farmácia Homeopática Natural (FHC) A empresa está inserida no mercado há 16 anos, desenvolvendo um trabalho que visa a uma assistência farmacêutica integral ao cliente, desde a manipulação dos medicamentos à orientação final (posologia, modo de usar, interação medica- mentosa, entre outras). A nossa atividade está basicamente voltada para três segmentos: Homeopatia, Fitoterapia e Fitocosmética. a) Homeopatia: é um método científico baseado em três leis que foram larga- mente experimentadas pelo seu pre- cursor, Samuel Hahnemann. Ele iniciou seus estudos em 1970, quando, tradu- zindo a Matéria Médica de Cullen, ficou admirado com a sintomatologia pro- duzida pela China oficinallis (medicinal, usado em farmácia), quando tomada em doses excessivas. Observou, ainda, que a malária produzia esses mesmos sintomas e que a medicação indicada para o tratamento dessa doença era a China (usada até os nossos dias). A par- tir dessa observação, imaginou a possi- bilidade de outras substâncias possuí- rem as mesmas propriedades – LEI DOS SEMELHANTES. A partir dessa constatação, começou a experimentar várias substâncias no ho- mem são. Começou consigo, seus fami- liares e discípulos. Iniciou catalogando os sintomas mentais, gerais e locais que cada substância provocava, quando in- gerida pelo homem são. Chamou esse conjunto de sintomas de PATOGENESIA (mecanismo pelo qual os agentes mór- bidos [enfermo, doente] produzem as doenças). O resultado desses estudos denominou EXPERIMENTAÇÃO NO HO- MEM SÃO. Com a continuação do experimento, ele observou que, se diluísse a dose, os efeitos causados eram atenuados no homem são, entretanto, ao ser ad- ministrado no paciente em doses cada vez mais diluídas, os resultados obti- dos tinham maior eficácia. Essas doses obedeciam a um critériodeterminado, Teoria da Contabilidade Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 43 que compreendia diluições, seguidas de certo número de agitações (sucus- sões). Chamou essa técnica de DINAMI- ZAÇÃO. Com esse processo de diluições e sucussões, foi estabelecida a terceira lei – DOSES MÍNIMAS. b) Fitoterapia: a fitoterapia, ou terapia pelas plantas, era conhecida e praticada pelas antigas civilizações. Pode-se afir- mar que o hábito de recorrer às virtudes curativas de certos vegetais é uma das primeiras manifestações do esforço do homem para compreender e utilizar a natureza. A história da fitoterapia se confunde com a história da farmácia, visto que, até o século passado, os medicamentos eram basicamente formulados à base de plantas medicinais. O descobrimento das propriedades curativas das plantas foi, no início, me- ramente intuitivo (intuição) ou obser- vando os animais, que, quando doen- tes, buscavam nas ervas cura para suas afecções. c) Fitocosmética: segmento da ciência cosmetológica (cosméticos) que se dedica ao estudo e aplicação dos prin- cípios ativos vegetais em proveito da higiene da estética de correção e ma- nutenção de um estado normal e sadio da pele e dos cabelos. Nesse contexto, temos como objetivo divulgar o medicamento como bem de saúde, deixando a visão mercantilista de bem de consumo. Recursos humanos A empresa conta com dezoito funcionários distribuídos na matriz – Centro – e nas Filiais Farol e Mangabeiras. Dezesseis do sexo feminino e dois do sexo masculino, assim compostos: 4 farmacêuticas; 4 técnicas; 2 estoquistas; 1 auxiliar administrativo; 1 gerente de informática; 6 balconistas. O grau de instrução deles é, no mínimo, 2º grau, cursos técnicos específicos (informática, química) e superior (farmácia). A farmácia conta ainda com participação efetiva da sócia-gerente, que também é farma- cêutica e responde como responsável técnica pela empresa. Saúde A Farmácia implantou o programa de Me- dicina e Segurança no Trabalho, com contratação de consultoria específica. Temos plano de saúde próprio, em parceria com a UNIMED, sendo o cus- to compartilhado, 50% para a empresa e 50% res- tante para os empregados. Educação Desenvolvemos um programa de qualida- de total. Sempre estamos reciclando nosso pes- soal dentro de um programa de educação conti- nuada. Legislação A Farmácia cumpre à risca a Legislação em vigor, como também acata todas as orientações/ normativos provenientes do Conselho Regional de Farmácia, e obedece ao padrão estabelecido pela Vigilância Sanitária. No aspecto tributário, a empresa aderiu ao Sistema de Imposto Simplificado (SIMPLES), im- plantado pelo Governo Federal. Para o Governo Estadual, em cumprimento à legislação, efetuamos o pagamento do ICMS de forma antecipada. Trabalhamos com todo o sis- tema fiscal informatizado, em todas as unidades farmacêuticas. Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 44 Meio ambiente A empresa está sempre atenta, buscando comprar material de embalagem reciclável. Cuida- do especial é dado ao lixo contaminado, que só é disponibilizado para coleta depois de esterilizado. Ressaltamos que todas as nossas embalagens, car- tões de aniversário e outros documentos enviados aos clientes são feitos em papel reciclado, evitan- do ao máximo o uso de plástico ou qualquer outro material contaminante. Demonstração do valor adicionado – 2006 Descrição R$ Vendas/Receitas 524.962,65 Produtos manipulados 403.609,20 Mercadorias revendidas 120.881,62 Receitas financeiras 471,83 Materiais adquiridos de terceiros (139.777,51) Serviços de terceiros (118.118,59) Despesas diversas (19.249,17) Valor adicionado 247.817,38 Distribuição do valor adicionado DESCRIÇÃO R$ % EMPREGADOS Salários 122.246,07 49% Benefícios, encargos sociais e treinamento 29.185,87 12% 61% GOVERNO Federal – Simples 30.562,00 12% Estadual – ICMS 46.574,38 19% 31% FINANCIADORES Encargos financeiros 9.061,63 04% Sócios 1.000,00 0,5% RETENÇÕES Depreciação 7.953,72 03% Lucros 1.233,71 0,5% Teoria da Contabilidade Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 45 Neste capítulo, você conheceu os Relatórios Contábeis Obrigatórios e os complementares às De- monstrações Financeiras. Também detalhamos o Balanço Social e a importância do valor adicionado em distintas aplicações. Viu que a Contabilidade Ambiental se preocupa com a proteção do meio ambiente e que seu prin- cipal destaque é classificar os custos ambientais para evidenciar no Ativo os investimentos com riscos ambientais. 5.4 Resumo do Capítulo 5.5 Atividades Propostas 1. Diferencie os termos: Contabilidade Social e Contabilidade Ambiental. 2. Tente diferenciar os termos Demonstrações Contábeis e Demonstrações Financeiras. Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 47 Neste capítulo, você deve compreender os conceitos básicos que constituem o núcleo es- sencial que deve guiar a profissão na consecução dos objetivos da Contabilidade, que consistem em apresentar informação estruturada para os usuários. OS PRINCÍPIOS DE CONTABILIDADE – A ENTIDADE E A CONTINUIDADE6 A Contabilidade pode ser estudada de modo geral (para todas as empresas) ou em par- ticular (aplicada em certo ramo de atividade ou setor da economia). Quando a Contabilidade Geral for aplicada a empresas: Comerciais, denomina-se Contabilida- de Comercial; Industriais, denomina-se Contabilidade Industrial; Públicas, denomina-se Contabilidade Pública; Bancárias, denomina-se Contabilidade Bancária; Hospitalares, denomina-se Contabilida- de Hospitalar; Agropecuárias, denomina-se Contabili- dade Agropecuária; De seguros, denomina-se Contabilida- de Securitária etc. 6.1 Aplicação da Contabilidade 6.2 Usuários da Contabilidade AtençãoAtenção A Contabilidade Geral, também conhecida como Contabilidade Financeira, pode ser aplicada a di- versos ramos de atividades. Os usuários são as pessoas que se utilizam da Contabilidade, que se interessam pela situa- ção da empresa e buscam na Contabilidade suas respostas. Evidentemente, os gerentes (administrado- res) não são os únicos que se utilizam da Contabi- lidade. Os investidores (sócios ou acionistas), ou seja, aqueles que aplicam dinheiro na empresa, estão interessados basicamente em obter lucro, por isso se utilizam dos relatórios contábeis, ana- lisando se a empresa é rentável; os fornecedores de mercadoria a prazo querem saber se a empre- sa tem condições de pagar suas dívidas; os ban- cos, por sua vez, emprestam dinheiro, desde que a empresa tenha condições de pagamento; o go- verno quer saber quanto de impostos foi gerado para os cofres públicos; outros interessados dese- jam conhecer melhor a situação da empresa: os empregados, os sindicatos, os concorrentes etc. Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 48 A Contabilidade pode ser feita para Pessoa Física ou Pessoa Jurídica. Considera-se pessoa, juridicamente falando, todo ser capaz de direitos e obrigações. As pessoas jurídicas podem ter fins lucrati- vos (empresas industriais, comerciais etc.) ou não (cooperativas, associações culturais, religiosas etc.). Normalmente, as pessoas jurídicas denomi- nam-se empresas. A Contabilidade, portanto, pode ser feita para um indivíduo – pessoa física (desde que haja necessidade, em virtude do volume de negócios) – ou para uma empresa com ou sem fins lucrati- vos – pessoa jurídica. Quando se faz Contabilidade para a pessoa física (embora não seja comum) ou pessoa jurídi- ca, essa pessoa é denominada entidade contábil. Dessa forma, qualquer pessoa que tenha neces- sidade de Contabilidade(e a Contabilidade é mantida para essa pessoa) é chamada entidade contábil. O novo Código Civil usa o vocábulo “conta- bilista” em substituição ao “contador” e à expres- são “técnico em contabilidade”, que são duas cate- gorias previstas em lei. Obs.: Para o exercício profissional da Conta- bilidade, é necessário estar habilitado pelo CRC. O CPC 0 – Estrutura Conceitual define que o objetivo das demonstrações contábeis é fornecer informações sobre a posição patrimonial e financeira, o desempenho e as mudanças na posição financeira da entidade, que sejam úteis a um grande número de usuários em suas avaliações e tomadas de decisão econômica. (CPC, 2008, p. 15). 6.3 Para quem é Mantida a Contabilidade 6.4 Pilares da Contabilidade DicionárioDicionário Pessoa física: é a pessoa natural, é todo ser huma- no, é todo indivíduo (sem qualquer exceção). A existência de pessoa física termina com a morte. Pessoa jurídica: é a união de indivíduos que, atra- vés de um contrato reconhecido por lei, formam uma nova pessoa, com personalidade distinta da de seus membros. Pilares da Contabilidade são as regras bási- cas da Contabilidade, que podemos chamar ge- nericamente de princípios contábeis. A Contabilidade repousa, basicamente, em dois pilares da teoria contábil: a entidade contábil e a continuidade da empresa. Em primeiro lugar, há necessidade da exis- tência da entidade contábil, ou seja, uma pessoa para quem é mantida a Contabilidade. Não ha- vendo entidade contábil, não há, evidentemente, a contabilidade aplicada. Desse primeiro conceito, deduz-se que a Contabilidade é mantida para a entidade como pessoa distinta dos sócios. A Contabilidade é realizada para a entidade, devendo o contador fazer um esforço para não misturar as movimen- tações da entidade com as dos proprietários. Pessoas físicas e jurídicas não devem ser confun- didas; os sócios não devem ser confundidos com empresas. O segundo pilar é baseado no pressupos- to de que a empresa é algo em andamento, em continuidade, que funcionará por prazo indeter- minado. Uma empresa em processo de extinção (descontinuidade) ou liquidação será contabiliza- da por outras regras, que estudaremos mais tarde em disciplina específica. Teoria da Contabilidade Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 49 A Resolução CFC nº 750/1993 dispõe sobre os PFCs e é composta dos seguintes princípios: entida- de, continuidade, oportunidade, registro pelo valor original, atualização monetária, competência e prudência. I-Entidade - o patrimônio da entidade não se confunde com os seus sócios ou acionistas, ou proprietário individual. II-Continuidade – a vida da empresa ou instituição é continuada. III-Oportunidade – significa que todas as variações que ocorrem no patrimônio de uma entidade deverão ser registradas e relatadas no momento em que elas ocorrem, mesmo na hipótese de existir somente razoável certeza de sua ocor- rência. IV-Registro pelo valor original – os re- gistros são feitos pelo valor de aquisição do bem ou pelo custo de fabricação, ex- pressos em moeda corrente do país. V-Atualização monetária – em função da inflação, o registro pelo valor original fica defasado no decorrer do tempo. A atualização monetária é ajustar este valor (por exemplo, uma máquina) mediante aplicação de índices oficiais que reflitam o poder aquisitivo da moeda. VI-Competência – este princípio está li- gado ao fato de registrar no momento certo as vendas e as despesas que com- petem (pertencem) a um período de tempo, independentemente de recebi- mento ou pagamento. VII-Prudência – uma posição conserva- dora do profissional contábil: se existirem dois valores diferentes de bens e direitos, deverá optar pelo menor; se existirem dois valores diferentes de dívida, deverá optar pelo maior. (CFC, 1993). O CFC, por conta do processo de conver- gência às normas internacionais de contabilida- de, emitiu a NBC TG Estrutura Conceitual – Estru- tura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis, que discute a apli- cabilidade dos PFCs contidos na Resolução CFC nº 750/1993. “O Princípio da Continuidade pressupõe que a Entidade continuará em operação no fu- turo e, portanto, a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio levam em conta esta circunstância.” (Art. 5º da Resolução CFC nº 1.282/2010). “O Princípio da Oportunidade refere-se ao processo de mensuração e apresentação dos componentes patrimoniais para produzir infor- mações íntegras e tempestivas.” (Art. 6º da Reso- lução CFC nº 1.282/2010). “Parágrafo único. A falta de integridade e tempestividade na produção e na divulgação da informação contábil pode ocasionar a perda de sua relevância, por isso é necessário ponderar a relação entre a oportunidade e a confiabilidade da informação.” (Resolução CFC nº 1.282/2012). A Resolução, em seu art. 7º, define: O Princípio do Registro pelo Valor Origi- nal determina que os componentes do patrimônio devem ser inicialmente regis- trados pelos valores originais das transa- ções, expressos em moeda nacional. § 1º. As seguintes bases de mensu- ração devem ser utilizadas em graus distintos e combinadas, ao lon- go do tempo, de diferentes formas: I – Custo histórico. Os ativos são registra- dos pelos valores pagos ou a serem pa- gos em caixa ou equivalentes de caixa ou pelo valor justo dos recursos que são en- tregues para adquiri-los na data da aqui- sição. Os passivos são registrados pelos valores dos recursos que foram recebidos em troca da obrigação ou, em algumas circunstâncias, pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa, os quais serão ne- cessários para liquidar o passivo no curso normal das operações; e AtençãoAtenção Por conta dessa harmonização, a denominação Princípios Fundamentais de Contabilidade foi al- terada para Princípios de Contabilidade, conforme Resolução CFC nº 1.282, de 28 de maio de 2010. Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 50 II – Variação do custo histórico. Uma vez integrado ao patrimônio, os componen- tes patrimoniais, ativos e passivos, po- dem sofrer variações decorrentes dos se- guintes fatores: a) Custo corrente. Os ativos são reconhe- cidos pelos valores em caixa ou equiva- lentes de caixa, os quais teriam de ser pagos se esses ativos ou ativos equiva- lentes fossem adquiridos na data ou no período das demonstrações contábeis. Os passivos são reconhecidos pelos va- lores em caixa ou equivalentes de caixa, não descontados, que seriam necessários para liquidar a obrigação na data ou no período das demonstrações contábeis; b) Valor realizável. Os ativos são mantidos pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa, os quais poderiam ser obtidos pela venda em uma forma ordenada. Os passi- vos são mantidos pelos valores em caixa e equivalentes de caixa, não desconta- dos, que se espera seriam pagos para li- quidar as correspondentes obrigações no curso normal das operações da Entidade; c) Valor presente. Os ativos são manti- dos pelo valor presente, descontado do fluxo futuro de entrada líquida de caixa que se espera seja gerado pelo item no curso normal das operações da Entida- de. Os passivos são mantidos pelo valor presente, descontado do fluxo futuro de saída líquida de caixa que se espera seja necessário para liquidar o passivo no cur- so normal das operações da Entidade; d) Valor justo. É o valor pelo qual um ativo pode ser trocado, ou um passivo liquida- do, entre partes conhecedoras, dispostas a isso, em uma transação sem favoreci- mentos; e e) Atualização monetária. Os efeitos da alteração do poder aquisitivo da moe- da nacional devem ser reconhecidos nos registros contábeis mediante o ajustamento da expressão formaldos valores dos componentes patrimoniais. § 2º. São resultantes da adoção da atuali- zação monetária: I – a moeda, embora aceita universalmente como medida de valor, não representa unida- de constante em termos do poder aquisitivo; II – para que a avaliação do patrimônio pos- sa manter os valores das transações origi- nais, é necessário atualizar sua expressão formal em moeda nacional, a fim de que permaneçam substantivamente corretos os valores dos componentes patrimoniais e, por consequência, o do Patrimônio Líquido; e III – a atualização monetária não repre- senta nova avaliação, mas tão somente o ajustamento dos valores originais para determinada data, mediante a aplicação de indexadores ou outros elementos ap- tos a traduzir a variação do poder aquisi- tivo da moeda nacional em um dado pe- ríodo. [...]. (CFC, 2010). Art. 9º. O Princípio da Competência de- termina que os efeitos das transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independen- temente do recebimento ou pagamento. Parágrafo único: O Princípio da Compe- tência pressupõe a simultaneidade da confrontação de receitas e de despesas correlatas. (CFC, 2010). Art. 10. O Princípio da Prudência pressu- põe o emprego de certo grau de precau- ção no exercício dos julgamentos neces- sários às estimativas em certas condições de incerteza, no sentido de que ativos e receitas não sejam superestimados e que passivos e despesas não sejam subesti- mados, atribuindo maior confiabilidade ao processo de mensuração e apresenta- ção dos componentes patrimoniais. (CFC, 2010). 6.5 Princípios da Contabilidade A emissão de pronunciamentos sobre Prin- cípios de Contabilidade para orientação dos con- tadores no exercício da sua profissão teve início nos Estados Unidos, na década de 1930, após a quebra da Bolsa de Nova Iorque. Desde então, houve uma maior preocupação com a uniformi- zação de princípios que pudessem dar embasa- mento às normas e regras contábeis. Teoria da Contabilidade Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 51 IBRACON No Brasil, o antigo Instituto Brasileiro de Contadores, hoje conhecido como Instituto dos Auditores Independentes do Brasil, teve uma par- ticipação importante para o início da normatiza- ção dos Princípios Contábeis, o que ocorreu atra- vés da Circular nº 179/1972 do Banco Central do Brasil. Seu esforço constante no sentido de emitir pronunciamentos de interesse da classe culmi- nou com a publicação, em 1986, de um trabalho intitulado Estrutura Conceitual Básica da Conta- bilidade. Em 1981, através da Resolução nº 530, o CFC havia se pronunciado acerca dos Princípios Con- tábeis. Com a tendência recente de aperfeiçoar aquela resolução, o CFC publicou a Resolução nº 750, de 29 de dezembro de 1993, que define os PFCs, de observância obrigatória no exercício da profissão. Resolução CFC nº 750/1993 O CFC preocupou-se em disciplinar tal ma- téria, editando tais princípios por meio das Reso- luções CFC nos 750/1993 e 774/1994, essa última válida a partir de 16/12/1994. Princípio da Entidade O patrimônio da entidade (consideram-se aqui as sociedades Comerciais ou Civis) não se confunde com os seus sócios, acionistas ou pro- prietário individual. Conclui-se, então, que o patrimônio da em- presa ou instituição, para todos os efeitos contá- beis, tem vida autônoma das pessoas que a cons- tituem ou que venham a ingressar. Exemplo de Anthony, segundo o Professor Sérgio de Iudícibus e Marion (2009, p. 91): O famoso autor Robert Anthony apre- senta um exemplo que sempre é bom reproduzir. ‘Um casal mora num sobrado, na parte alta do mesmo. No nível da rua, exerce pequena atividade comercial. As contas de água, luz, telefone etc., vêm para o sobrado como um todo. O princí- pio da Entidade manda que se faça um esforço para verificar, se necessário por critérios de rateio, qual parte das despe- sas que vieram numa só conta, indiscri- minada, deve ser apropriada à entidade que exerce a atividade comercial e qual à entidade familiar.’ Princípio da Continuidade A vida da empresa ou instituição é conti- nuada; por consequência, como as demonstra- ções contábeis são estáticas, por relatar a situação patrimonial em um determinado momento, não podem ser desvinculadas dos períodos anteriores e subsequentes. Caso a empresa ou instituição tenha vida por prazo indeterminado, porém, devido às cir- cunstâncias, haja uma reversão sustentada de expectativas que levem a concluir que a empresa ou instituição passou a ter vida com data provável de encerramento, deve ser analisada sobre a ade- quada classificação e avaliação das mutações pa- trimoniais, nos âmbitos quantitativo e qualitativo. Exemplo: uma sociedade estabeleceu em seus atos constitutivos que o seu prazo de vida é indeterminado. Porém, diante da dinâmica em- presarial, detecta-se que a empresa está em esta- do pré-falimentar. Ora, os estoques da empresa constam em seu balanço pelo seu valor original, porém, diante da reversão das expectativas quan- to à continuidade da sociedade, para efeito con- tábil, tão somente, devem passar a ser avaliados pelo seu valor de realização, ou seja, a valor de mercado, com as devidas explicações aos usuá- Saiba maisSaiba mais Os PFCs são os conceitos básicos que constituem o núcleo essencial que deve guiar a profissão na con- secução dos objetivos da Contabilidade, que, como vimos, constituem em apresentar informação estru- turada para os usuários (IUDÍCIBUS; MARION, 2009). Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 52 rios das informações contábeis dos motivos que levaram a essa mudança de critério para avaliação de um item patrimonial, além de outros itens que possam vir a ser justificáveis à mudança. Perceba que a continuidade da empresa ou instituição influencia o valor econômico dos ati- vos e, em muitos casos, o valor ou o vencimento dos passivos, especialmente quando a extinção da empresa ou instituição tem prazo determina- do ou provável. A observação do Princípio da Continuidade é indispensável para que o Princípio da Compe- tência venha a ser aplicado com consistência, pois assim se relacionará diretamente à quantificação dos componentes patrimoniais e à formação do resultado, além de constituir dado importante para auferir a capacidade futura de geração de resultado. Princípio da Oportunidade As mudanças nos ativos, passivos e na ex- pressão contábil do patrimônio líquido devem ser contabilizadas logo que ocorrerem e com exten- são correta, independentemente das causas que as originaram. Para observância do Princípio da Oportuni- dade: a) Desde que tecnicamente estimável, o registro das mutações patrimoniais deve ser feito mesmo na hipótese de somente existir razoável certeza de sua ocorrência; b) O registro compreende os elementos quantitativos e qualitativos, contem- plando os aspectos físicos e monetários; c) O registro deve ensejar o reconheci- mento universal das variações ocor- ridas no patrimônio da empresa ou instituição, em um período de tempo determinado, base necessária para ge- rar informações úteis ao processo deci- sório da gestão administrativa. Princípio do Registro pelo Valor Original Os componentes do patrimônio devem ser registrados pelos valores originais das transações com o mundo exterior, expressos a valor presente na moeda do País, que serão mantidos na avalia- ção das variações patrimoniais posteriores, inclu- sive quando configurarem agregações ou decom- posições no interior da empresa ou instituição. Diante disso, tem-se que: 1. A avaliação dos componentes patrimo- niais deve ser feita com base nos valo- res de entrada, considerando-se como tais os resultantes do pactuado com os agentes externos ouda imposição des- tes; 2. Uma vez integrado no patrimônio o bem, direito ou obrigação, não pode- rão ser alterados seus valores intrínse- cos (que está dentro de uma coisa ou pessoa e lhe é próprio), aditando-se, tão somente, sua decomposição em elementos e/ou sua agregação, parcial ou integral, a outros elementos patri- moniais; 3. O valor original será mantido enquanto o componente permanecer como par- te do patrimônio, inclusive quando da saída deste; 4. Os Princípios da Atualização Monetária e do Registro pelo Valor Original são compatíveis entre si e complementa- res, dado que o primeiro apenas atua- liza e mantém atualizado o valor de entrada; 5. O uso da moeda do País na tradução do valor dos componentes patrimo- niais constitui imperativo (que ordena ou exprime uma ordem) de homoge- neização (que são da mesma natureza) quantitativa destes. Teoria da Contabilidade Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 53 Princípio da Atualização Monetária É do conhecimento público que a moeda perde seu poder aquisitivo diante da inflação. Assim, os efeitos do poder aquisitivo da moeda nacional devem ser reconhecidos nos registros contábeis através do ajustamento da expressão formal dos valores dos componentes patrimoniais. O Princípio da Atualização Monetária se apoia nas seguintes afirmativas: 1. A moeda, embora aceita universalmen- te como medida de valor, não repre- senta unidade constante em termos do poder aquisitivo; 2. Para que a avaliação do patrimônio possa manter os valores das transações originais, é necessário atualizar sua ex- pressão formal em moeda nacional, a fim de que permaneçam substantiva- mente (que define, caracteriza ou acen- tua alguma coisa) corretos os valores dos componentes patrimoniais e, por consequência, o do patrimônio líquido; 3. A atualização monetária não repre- senta nova avaliação, tão somente o ajustamento dos valores originais para determinada data, mediante aplicação de indexadores ou outros elementos aptos a traduzir a variação do poder aquisitivo da moeda nacional em um dado período. Princípio da Competência As receitas e as despesas devem ser incluí- das na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebi- mento ou pagamento. O Princípio da Competência determina o momento em que as alterações no ativo ou no passivo levarão a aumento ou diminuição no pa- trimônio líquido, estabelecendo diretrizes para classificação das mutações patrimoniais, resultan- tes da observância do Princípio da Oportunidade. O reconhecimento simultâneo das receitas e despesas, quando correlatas, é consequência natural do respeito ao período em que ocorrer sua geração. As receitas consideram-se realizadas: a) Nas transações com terceiros, quando estes efetuarem o pagamento ou assu- mirem compromisso firme de efetivá- -lo, quer pela posse da propriedade de bens anteriormente pertencentes à empresa ou instituição, quer pela frui- ção (gozo, posse, usufruto) de serviços por esta prestados; b) Quando da extinção, parcial ou total, de um passivo, qualquer que seja o motivo, sem o desaparecimento concomitante de um ativo de valor igual ou maior; c) Pela geração natural de novos ativos, independentemente da intervenção de terceiros; d) No recebimento efetivo de doações e subvenções. Consideram-se incorridas as despesas: a) Quando deixar de existir o correspon- dente valor ativo, por transferência de sua propriedade para terceiros; b) Pela diminuição ou extinção do valor econômico de um ativo; c) Pelo surgimento de um passivo, sem o correspondente ativo. Princípio da Prudência O Princípio da Prudência determina a ado- ção do menor valor para os componentes do Ati- vo e do maior para os do Passivo, sempre que se apresentem alternativas igualmente válidas para a quantificação das mutações patrimoniais que alterem o patrimônio líquido. Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 54 O Princípio da Prudência impõe a escolha da hipótese que resulte menor patrimônio líqui- do, quando se apresentarem opções igualmente aceitáveis diante dos demais PFCs. Observado o disposto quanto ao Princípio do Registro pelo Valor Original, o Princípio da Pru- dência somente se aplica às mutações posteriores, constituindo-se ordenamento à correta aplicação do Princípio da Competência. A aplicação do Princípio da Prudência ga- nha ênfase quando, para definição dos valores re- lativos às variações patrimoniais, vier a ser neces- sário fazer estimativas que envolvam incertezas de grau variável. Neste capítulo, você compreendeu os conceitos básicos que constituem o núcleo essencial, que consiste em apresentar informação estruturada para os usuários, através dos Princípios da Contabilidade. Você foi levado(a) a refletir sobre a Resolução CFC nº 750/1993, atualizada pela Resolução CFC nº 1.282, de 28 de maio de 2010, para atender ao processo de convergência para as Normas Internacionais de Contabilidade. 6.6 Resumo do Capítulo 6.7 Atividades Propostas 1. Por que os postulados da Entidade e da Continuidade são tratados como pilares da Contabilidade? 2. Onde teve início a emissão dos pronunciamentos sobre Princípios de Contabilidade? Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 55 Caro(a) aluno(a), pode-se dizer que a “espi- nha dorsal” da Teoria da Contabilidade é o Ativo, o Passivo e o Patrimônio Líquido. Esses três itens representam o Patrimônio da Empresa, que é o alvo de estudo da Contabilidade. O Patrimônio Líquido é modificado pelas Receitas, Despesas, Perdas e Ganhos. Daí a impor- tância dessa parte. 7.1 O Ativo e sua Mensuração (Avaliação) 7.2 Algumas Definições de Ativo PATRIMÔNIO E RESULTADO7 Balanço Patrimonial A empresa deve manter escrituração contá- bil com base na legislação comercial e com obser- vância das Normas Brasileiras de Contabilidade. O balanço patrimonial é uma das demons- trações contábeis, que visa a evidenciar, de forma sintética, a situação patrimonial da empresa e dos atos e fatos consignados na escrituração contábil. Essa demonstração deve ser escriturada de acordo com os preceitos da Lei nº 6.404/1976 e segundo os PFCs. Generalidades É tão importante o estudo do ativo que po- deríamos dizer que é o capítulo fundamental da Contabilidade, porque à sua definição e mensu- ração (medir) está ligada a multiplicidade de rela- cionamentos contábeis que envolvem receitas e despesas. É crítico o entendimento da verdadeira natureza do ativo, em suas características gerais, a fim de que possamos entender bem as subclassi- ficações que aparecem em vários tipos de padro- nização, em vários países. Entre nós, por exemplo, tem-se entendido o grupo pendente, até a pouco vigente (antes do advento atual da Lei das Socie- dades por Ações), de forma muitas vezes desfi- gurada, devido a mau entendimento da natureza geral do ativo. Ativo é ativo, independentemente de pertencer, por uma ou por outra classificação, a este ou àquele grupo. Segundo Francisco D’Auria (1958, p. 65), a ativo é, finalmente, “o conjunto de meios ou a matéria posta à disposição do administrador para que esse possa operar de modo a conseguir os fins que a entidade entregue à sua direção tem em vista.” Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 56 Essa definição é, de certa forma, restrita, pois fala em conjunto de meios ou da matéria posta à disposição. Pode dar a entender que se trata apenas de meios materiais ou tangíveis, dei- xando de lado elementos tão importantes quan- to o goodwill. Além do mais, não projeta exatamente o que esses meios devem realizar para que possam ser considerados ativos.Que tipo de serviço está implícito em tais meios? Tem, todavia, o mérito de pôr em realce, implicitamente, a distinção entre donos do capital e gerência. O professor Eliseu Martins (1972) apresen- ta uma definição interessante que, livremente interpretada, define Ativo como os benefícios fu- turos provocados por um agente. Essa definição tem a vantagem de deixar bem claro que é o valor dos benefícios que determinará o valor do ativo e não, propriamente, o agente (que opera, que age), per si. Entretanto, é muito difícil separar o agente dos benefícios que gera. Segundo Sprouse e Moonitz (apud KRAE- MER, 2000, p. 22), “ativos representam benefícios futuros esperados, direitos que foram adquiridos pela entidade como resultado de alguma transa- ção corrente ou passada.” Paton (apud IUDÍCIUS, 2010, p. 94) conside- ra que “ativo é qualquer contraprestação, material ou não, possuída por uma empresa específica e que tem valor para aquela empresa.” O comitê de Terminologia do American Institute of Certified Public Accountants (AICPA), em 1941 e em 1953, no Accounting Terminology Bulletin nº 1, apresentou uma definição casuística (aceitação passiva de ideias ou de doutrinas) de ativo da seguinte forma: algo representado por um saldo devedor que é mantido após o encerramento dos livros contábeis de acordo com as normas ou os princípios de Contabilidade, na pre- missa de que representa ou um direito de propriedade ou um valor adquirido, ou um gasto realizado que criou um direito. Uma definição que se chegou, juntamente a várias turmas de alunos de Teoria, tanto na USP quanto na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP), é a seguinte: ativos são recursos controlados por uma entidade, capazes de gerar, mediata ou imediatamente, fluxos de caixa. O termo ‘recursos’ é amplo, incluindo tan- gíveis e intangíveis. O fato de serem controlados por uma entidade é uma dimensão mais moder- na de ativo. Ao controlarmos, podemos ter ou não a propriedade. Por outro lado, a posse nem sem- pre é indispensável para caracterizar um ativo. Podemos ter adquirido um ativo e ele estar ainda em trânsito, não chegou, fisicamente, em nossa entidade, mas, nem por isso, deixa de ser ativo. Finalmente, o teste de um ativo é que, ao trazer benefícios imediatos ou futuros, transfor- mará esses benefícios em entradas líquidas de caixa ou em economia de saídas líquidas de caixa. Essa definição e a do Professor Martins nos parecem as mais adequadas, segundo o Professor Sérgio de Iudícibus (2006). 7.3 Ativo Circulante Este grupo de contas é dividido, segundo a Lei nº 6.404/1976, em: Disponibilidades; Direitos realizáveis no curso do exercí- cio social subsequente; Aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte. Saiba maisSaiba mais Se você desejar, aprofunde os conteúdos estuda- dos neste capítulo consultando o CPC 0 – Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade. Fonte: www.cpc.org.br/pdf/pronunciamento_conceitual. pdf Teoria da Contabilidade Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 57 A NBC T 3 estabelece a divisão do ATIVO CIRCULANTE em: Disponível; Créditos; Estoques; Despesas antecipadas; Outros valores e bens. DISPONÍVEIS: são entendidos como dispo- nibilidades de dinheiro em caixa, os saldos mo- netários em contas de movimento bancário, os saldos de contas relativas ao ativo imediatamente liquidável (títulos no mercado aberto) e o nume- rário em trânsito por qualquer motivo. a) NBC T 3: são os recursos financeiros que se encontram à disposição imediata da Entidade, compreendendo os meios de pagamento em moeda e em outras es- pécies, os depósitos bancários à vista e os títulos de liquidez imediata. CRÉDITOS: estes direitos representam, normalmente, um dos mais importan- tes ativos das empresas em geral. São oriundos de vendas a prazo, de merca- dorias e serviços a clientes, ou decorrem de outras transações que geram valores a receber. A Lei nº 6.404/76 não separa as transa- ções relacionadas às atividades fins das não relacionadas com as atividades fins da empresa. A NBC T 3 determina essa segregação, classificando as transações não relacionadas com as atividades fins em Outros Valores e Bens. b) NBC T 3: são os títulos de crédito, quais- quer valores imobiliários e os outros di- reitos. ESTOQUES: são os valores referentes às existências de produtos acabados, pro- dutos em elaboração, matérias-primas, mercadorias, materiais de consumo, serviços em andamento e outros valo- res relacionados às atividades fins da Entidade. c) NBC T 3: neste subgrupo, classificam-se os seguintes valores: 1. Estoque de produtos e mercadorias, matérias-primas e material secun- dário empregado em processo em andamento, material de consumo, produtos em trânsito, subprodutos, resíduos e serviços em andamento; 2. Estoque de imóveis prontos para venda ou em construção, com pra- zo de entrega até 12 meses; 3. Estoque de mercadorias em poder de terceiros, para beneficiamento. DESPESAS ANTECIPADAS: são regis- trados, neste subgrupo, os valores das despesas antecipadas que devem ser apropriadas como despesa no decurso do exercício seguinte (prêmio de segu- ros, despesas financeiras etc.). A NBC T 3 estabeleceu o título DESPE- SAS ANTECIPADAS por ser mais ade- quado e tecnicamente correto, como a própria conceituação anterior reconhe- ce. d) NBC T 3: são as aplicações em gastos que tenham realização no curso do pe- ríodo subsequente à data do balanço patrimonial. OUTROS VALORES E BENS: a NBC T 3 estabelece a identificação das transa- ções reais relacionadas com as ativida- des fins da empresa. Devem ser usadas as mesmas contas já previstas nos gru- pos anteriores. São exemplos: Bens Não Destinados ao Uso, Imóveis Recebidos em Garantia para Revenda etc. e) NBC T 3: são os não relacionados às ati- vidades fins da Entidade. Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 58 De uma forma geral, são classificáveis no Realizável em Longo Prazo contas da mesma na- tureza das do Ativo Circulante, que, todavia, te- nham sua realização certa ou provável após o tér- mino do exercício seguinte, o que, normalmente, significa realização num prazo superior a um ano, a partir do próprio balanço. As despesas apropriáveis após o exercício seguinte também são classificadas no Ativo Reali- zável em Longo Prazo. Os direitos não derivados de vendas e adiantamentos ou empréstimos a sociedades co- ligadas (sociedades que participam com 10%, ou mais, do capital da outra, sem controlá-la, ou par- ticipação igual ou maior que 10% e igual ou menor que 50% do capital total) ou controladas (socieda- des cuja controladora, diretamente ou por meio de outras controladas, é titular de direito de sócios que lhe assegurem, de modo permanente, preponde- rância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores), diretores, acionistas ou participantes no lucro da empresa, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da empresa, serão classificados no Ativo Realizável em Longo Prazo. Em geral, por se constituírem poucas con- tas, não há no Ativo Realizável em Longo Prazo uma abertura em subgrupos, como ocorre no Ati- vo Circulante. Esse procedimento pode, todavia, ser adotado no Plano de Contas como uniformi- zação de estrutura, porém abreviado quando da divulgação das demonstrações contábeis. NBC T 3: são os ativos referidos nos itens a, b, c, d, e anteriores, cujos prazos esperados de realização situem-se após o término do exercício subsequente à data do balanço patrimonial. 7.4 Ativo Realizável em Longo Prazo 7.5 Ativo Permanente São incluídos neste grupo todos os bens de permanência duradoura, destinados aofunciona- mento normal da sociedade e do seu empreen- dimento, assim como os direitos exercidos com essa finalidade. O Ativo Permanente é composto de 4 (qua- tro) subgrupos: Investimentos, Imobilizado, In- tangível (novo grupamento) e Diferido. NBC T 3: são os bens e direitos não desti- nados à transformação direta em meios de pa- gamento e cuja perspectiva de permanência na Entidade ultrapasse um exercício. É constituído pelos seguintes subgrupos: INVESTIMENTOS: são escrituradas neste subgrupo: Participações permanentes em outras empresas; Aplicações em incentivos fiscais, após o certificado de investimentos, quando houver intenção de manter esses valo- res como investimentos; Aquisição de imóveis, desde que não sejam para revenda ou destinados à manutenção das atividades da empre- sa. a) NBC T 3: são as participações em socie- dades, além dos bens e direitos que não se destinem à manutenção das ativida- des fins da Entidade. IMOBILIZADO: são escriturados neste subgrupo os direitos que tenham por ob- jeto bens destinados à manutenção das atividades operacionais da empresa ou que sejam exercidos com essa finalidade, Teoria da Contabilidade Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 59 abrangendo, inclusive, os de proprieda- de industrial ou comercial. Os itens clas- sificados na categoria Ativo Imobilizado incluem bens tangíveis e intangíveis. Obs.: Também integram o Imobilizado os recursos aplicados ou já destinados a bens da natureza citada, mesmo que ainda não em operação, mas que se des- tinem a tal finalidade, tais como constru- ção e importação em andamento. b) NBC T 3: são os bens e direitos, tangí- veis e intangíveis, utilizados na conse- cução das atividades fins da Entidade. INTANGÍVEL: os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destina- dos à manutenção da companhia ou exercício com essa finalidade, inclusive o fundo de comércio adquirido (Lei Fe- deral nº 11.638). DIFERIDO: serão classificadas no Ativo Diferido as aplicações de recursos em despesas, que contribuirão para a for- mação do resultado de mais um exer- cício social, inclusive os juros pagos ou creditados aos acionistas durante o pe- ríodo que anteceder ao início das ope- rações sociais. Pela Lei Federal nº 11.638: as despesas pré-operacionais e os gastos de reestru- turação que contribuirão, efetivamente, para o aumento do resultado de mais de um exercício social e que não con- figurem tão somente uma redução de custos ou acréscimos na eficiência ope- racional. Exemplos: gastos de implantação e pré- -operacionais; pesquisas e desenvolvi- mento de produtos. c) NBC T 3: são as aplicações de recursos em despesas, que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social. 7.6 Contas Retificadoras do Ativo DicionárioDicionário Bens tangíveis: aqueles que têm corpo físico, tais como terrenos, máquinas, veículos, benfeitorias em propriedades arrendadas, direitos sobre recur- sos naturais etc. Bens intangíveis: aqueles cujo valor reside não em qualquer propriedade física, mas nos direitos de propriedade legalmente conferidos aos seus possuidores, tais como: patentes, direitos autorais, marcas etc. No balanço patrimonial, algumas contas que apresentam saldo credor devem ser agrupa- das no ativo, uma vez que representam valores retificativos de elementos que integram os seus grupos. Contas Retificadoras do Ativo Circulante Títulos descontados; Provisão para crédito de liquidação du- vidosa; Provisão para ajuste de estoque ao va- lor de mercado; Saiba maisSaiba mais Se você desejar, aprofunde os conteúdos estuda- dos neste capítulo consultando o CPC 0 – Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade. Fonte: www.cpc.org.br/pdf/pronunciamento_conceitual. pdf Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 60 Provisão para perdas (registrará os valo- res estimados de perdas de investimen- tos temporários). Contas Retificadoras do Ativo Realizável em Longo Prazo Títulos descontados; Provisão para crédito de liquidação du- vidosa; Provisão para perdas (registrará os valo- res estimados de perdas de investimen- tos temporários). Contas Retificadoras do Ativo Permanente INVESTIMENTOS • Provisão para perdas prováveis na realização de investimentos. IMOBILIZADO • Depreciação acumulada; • Exaustão acumulada; • Amortizações acumuladas. DIFERIDO • Amortizações acumuladas. 7.7 Dedução do Ativo Permanente 7.8 Resumo do Capítulo Depreciação acumulada: perda da capacidade (pelo desgaste ou pela de- terioração tecnológica) daquele imo- bilizado de produzir eficientemente. Obtém-se assim o valor líquido (valor bruto - depreciação acumulada), que deverá aproximar-se do valor dos ativos imobilizados em termos de potencial de benefícios futuros para a empresa. O Imposto de Renda fixa taxas de de- preciação anuais. Por exemplo, máqui- nas, equipamentos, móveis e utensílios depreciam-se à base de 10% ao ano; veículos e ferramentas, 20% ao ano; prédios, 4% ao ano; Exaustão acumulada: corresponde à perda do valor, decorrente da explo- ração de direitos cujos objetos sejam recursos minerais ou florestais ou bens aplicados nessa exploração; Amortização acumulada: corresponde à perda do valor do capital aplicado em ativos intangíveis. Assim, são amortizá- veis os ativos permanentes intangíveis de duração limitada, ou seja, o Fundo de Comércio (Goodwill), o ponto comer- cial, os direitos autorais, as patentes e o direito de exploração. AtençãoAtenção Capital a Integralizar e Prejuízos Acumulados são contas de natureza devedora, mas devem ser clas- sificadas no Patrimônio Líquido, pois são contas retificadoras deste. Neste capítulo, você compreendeu o Ativo e sua avaliação. Ainda, aprofundou seu aprendizado sobre os conceitos essenciais de Ativos, compreendeu o im- pacto das contas redutoras do ativo sobre o patrimônio líquido e a formação do resultado, e viu sobre os conceitos essenciais de Deduções sobre o Ativo Permanente. Teoria da Contabilidade Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 61 1. O que a NBC T 3 informa sobre o subgrupo Disponíveis? 2. Como a NBC T 3 classifica o subgrupo de Estoques? 7.9 Atividades Propostas Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 63 A empresa deve manter escrituração contá- bil com base na legislação comercial e com obser- vância das Normas Brasileiras de Contabilidade. O balanço patrimonial é uma das demons- trações contábeis, que visa a evidenciar, de forma sintética, a situação patrimonial da empresa e dos atos e fatos consignados na escrituração contábil. Essa demonstração deve ser escriturada de acordo com os preceitos da Lei nº 6.404/1976 e segundo os Princípios de Contabilidade. O PASSIVO E SUA MENSURAÇÃO (AVALIAÇÃO)8 Trataremos do passivo como sinônimo de exigibilidades. Fazemos essa ressalva, pois se po- deria entender o termo “passivo” em sentido mais amplo, de todas as contas com saldo credor inse- ridas no lado direito do balanço patrimonial. A avaliação recai, usualmente, na natureza de itens monetários fixos; às vezes, existe cláusu- la de correção monetária ou variação cambial, de qualquer forma, são sempre expressos em moeda corrente na data dos balanços. Uma diferenciação poderia ser constituída pelas receitas recebidas antecipadamente, as quais nem sempre são itens monetários. 8.1 Generalidades 8.2 Definições de Passivo AtençãoAtenção O problema principal do passivo não reside em sua avaliação, mas em quando reconhecê-lo e registrá-lo. Hatfield (1927 apud IUDÍCIUS, 2010, p. 98) as- sim definiu exigibilidades: Num sentido restrito, exigibilidades [...] são subtraendosdos ativos, ou ativos negativos. Seria lógico, portanto, prepa- rar um balanço no qual as exigibilidades totais fossem subtraídas dos ativos totais, deixando no lado direito do balanço me- ramente os itens que representam a pro- priedade. Esta é uma visão nítida de teoria da proprie- dade (abordagem do Patrimônio Líquido; essa forma de entender o Patrimônio Líquido facili- ta a aplicação e a explicação do funcionamento das contas e tem estado em grande evidência, principalmente em razão disso), como podemos notar. Já a teoria dos fundos poderia interpretar os passivos de forma diferente, como reservas ou restrições aos ativos, derivantes de considerações legais, equitativas (reconhecer o direito de cada um), econômicas ou gerenciais. Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 64 Por outro lado, a visão da teoria da entida- de é outra, isto é, consideram-se as exigibilidades como reclamos contra a entidade ou, mais especifi- camente, contra os ativos da entidade. Entretanto, a entidade continua sendo vista como organismo com vida própria. Nem mesmo o patrimônio líqui- do pertence aos proprietários, na continuidade, mas à entidade. DicionárioDicionário Teoria dos Fundos: essa forma de entender o Patri- mônio Líquido considera que o Fundo é o núcleo de interesse. Neste grupo, são escrituradas as obrigações da empresa, inclusive financiamento para aquisição de direitos do ativo permanente, quando vencerem no exercício seguinte. 8.3 Passivo Circulante 8.4 Passivo Exigível em Longo Prazo 8.5 Resultado de Exercício Futuros Neste grupo, são escrituradas as obrigações da empresa vencíveis após o exercício seguinte, inclusive financiamento para aquisição de direitos do ativo permanente. No caso de o ciclo operacio- nal da empresa ter duração maior que o do exercí- cio social, a concepção (conceber) terá por base o prazo desse ciclo. Este grupo consta no balanço entre o passi- vo exigível em longo prazo e o patrimônio líqui- do; o seu objetivo é abrigar receitas já recebidas, que efetivamente devem ser reconhecidas em resultados em anos futuros, sendo que já devem estar deduzidas dos custos e despesas corres- pondentes. Somente deve englobar tais receitas menos despesas, ou seja, resultados futuros rece- bidos ou faturados antecipadamente, mas para os quais não haja qualquer tipo de obrigação de devolução por parte da empresa. a) NBC T 3: não considerou o grupo Resul- tado de Exercícios Futuros, entendendo que tais contas devem ser classificadas no Ativo e Passivo Circulante. A Lei nº 6.404/1976 prevê este grupo e, por con- sequência, pode ser considerado no plano contábil das empresas. O mais adequado, todavia, é classificar tais contas no Ativo e no Passivo Circu- lante. Há uma tendência entre os doutrinado- res da ciência contábil em não conside- rar este subgrupo do passivo. Saiba maisSaiba mais Se você desejar, aprofunde os conteúdos estuda- dos neste capítulo consultando o CPC 0 – Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade. Fonte: www.cpc.org.br/pdf/pronunciamento_conceitual. pdf Teoria da Contabilidade Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 65 É a diferença entre o valor dos ativos e dos passivos e o resultado de exercícios futuros. É constituído por Capital Social, Reservas de Ca- pital, Ajustes de Avaliação Patrimonial (novo agrupamento), Reservas de Lucros, Ajustes em Tesouraria e Prejuízos Acumulados (antes previa também: reservas de reavaliação e lucros ou pre- juízos acumulados). Obs.: Lucros ou Prejuízos Acumulados são também resultados obtidos, mas retidos sem fi- nalidade específica (quando lucros) ou à espera de absorção futura (quando prejuízos). Pela Lei nº 11.638/2007, os Lucros Acumulados serão desti- nados para uma reserva de expansão ou investi- mentos (reserva de lucros). Capital Social: representa valores rece- bidos pela empresa, ou por ela gerados, e que estão formalmente incorporados ao Capital; Reservas de Capital: representam valo- res recebidos que não transitaram pelo seu resultado como receitas; Ajustes de Avaliação Patrimonial: foi criado um novo subgrupo de contas, no patrimônio líquido, específico para os ajustes de avaliação patrimonial, decor- rentes da avaliação de ativos e passivos pelo seu valor de mercado; Reservas de Lucros: representam lucros obtidos pela empresa retidos com fina- lidade específica. No caso, se houver Passivo a Descoberto (passivo maior que o ativo), devido à sua excep- cionalidade, a empresa deverá alterar a forma ha- bitual da equação patrimonial, apresentando, de forma vertical, o Ativo diminuído do Passivo, tendo como resultado o Passivo a Descoberto. Passivo a Descoberto: denominação dada ao Patrimônio Líquido Negativo, quando o Passi- vo Exigível for maior que o Ativo (IUDÍCIBUS; MA- RION, 2009). Equação Patrimonial Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido, tam- bém conhecida como Equação Contábil (IUDÍCI- BUS; MARION, 2009). Equilíbrio Patrimonial Igualdade patrimonial indicada no Balanço Patrimonial, ou seja, os valores do Ativo devem ser iguais aos valores do Passivo e Patrimônio Lí- quido, porque as aplicações devem ser iguais às origens (IUDÍCIBUS; MARION, 2009). 8.6 Patrimônio Líquido 8.7 Contas Retificadoras do Passivo Os custos e despesas relativos a receitas antecipadas, registradas em conta do grupo Resultado de Exercícios Futuros; A que representa os prejuízos acumula- dos, que serão um valor deduzido dos elementos do Patrimônio Líquido; A parcela do Capital a Realizar e/ou a In- tegralizar, que será deduzida do Capital Social. Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 66 Neste capítulo, você compreendeu o passivo e sua mensuração. Ainda, aprofundou seu aprendizado sobre os conceitos essenciais de Passivos, compreendeu o pa- trimônio líquido e a formação do resultado e viu sobre os conceitos essenciais de Patrimônio Líquido. 8.8 Resumo do Capítulo 8.9 Atividades Propostas 1. Identifique as principais diferenças entre Provisão e Reserva. 2. Faça um breve resumo de todas as teorias de Patrimônio Líquido. Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 67 Neste capítulo, você será conduzido(a) a aprender que, na Contabilidade, encontramos diversos termos com significados diferentes, que, muitas vezes, são utilizados de forma inadequa- da. Por exemplo, podemos encontrar termos como: desembolso, dispêndio, gasto, desencaixe, despesa, custo, perda e outros de natureza sub- trativa. Além dos termos de natureza subtrativa, há aqueles que significam acréscimos, como receita, ganho, encaixe etc. Vamos descrever os significados desses ter- mos, sem uma preocupação de esgotar o assunto ou de dar uma conotação de profundidade, pois, nesse caso, deveriam ser vistos livros mais específicos. Boa leitura! 9.1 Receitas e Ganhos TERMINOLOGIA CONTÁBIL BÁSICA USADA EM CONTABILIDADE9 Receita Representa a entrada de ativos, sob a forma de dinheiro ou direitos a receber, corresponden- te, normalmente, à venda de mercadorias, de pro- dutos ou à prestação de serviços. Pode também derivar de juros sobre depósitos bancários ou tí- tulos e de outros ganhos eventuais. Ainda, a receita corresponde, em geral, a vendas de mercadorias ou prestações de servi- ços. Ela aparece (é refletida) no Balanço através de entrada de dinheiro no Caixa (receita à vista) ou entrada em forma de Direitos a Receber e/ou Duplicatas a Receber (receita a prazo). A Receita sempre aumenta o Ativo, embo- ra nem todo aumento de Ativo signifique Receita (empréstimos bancários, financiamentos etc. au- mentam o Caixa/Bancos – Ativo da empresa e não são Receitas). Toda vez que entra dinheiro no Caixa/Banco por meiode receita à vista, recebimentos etc., de- nominamos essa entrada de Encaixe. Ganhos Representam itens não recorrentes (repetiti- vos), que têm o mesmo efeito líquido no patrimô- nio, mas que podem ou não surgir na atividade normal de uma empresa, ao passo que a receita sempre surge de atividades normais. Entretanto, como o efeito no patrimônio é o mesmo, não se excluem os ganhos no tratamento desse item, embora, às vezes, não estritamente operacionais (como no caso de uma aplicação financeira, que gera receita financeira). Iudícibus e Marion (2009) comentam que ganho é: 1) acréscimo no Patrimônio Líquido, in- dependente da atividade operacional da empre- sa; e 2) resultado líquido favorável resultante de transações ou eventos não relacionados às ope- rações normais do empreendimento. Ainda, da mesma forma que perda, ganho é bastante aleatório. É um lucro que independe da atividade operacional. Exemplos: ganhos monetá- rios (ganhos com a inflação), venda de um imobi- lizado por valor acima de seu custo, recebimento Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 68 de seguro por um bem perdido etc. O ganho au- menta o Ativo (consequentemente, o Patrimônio Líquido). Tanto a perda quanto o ganho refletem no Patrimônio Líquido, diminuindo ou aumentan- do o lucro apurado na Demonstração de Resulta- do do Exercício (DRE). De maneira geral, pode-se conceituar Des- pesa como o sacrifício de ativos realizado em troca da obtenção de Receitas (cujo montante, espera-se, supere o das despesas). Iudícibus e Marion (2009) comentam que despesa representa a utilização ou consumo de bens e serviços no processo de produzir receitas. O que caracteriza a despesa é o fato de ela tratar de expirações (terminar) de fatores de serviços, di- reta ou indiretamente relacionadas com a produ- ção ou a venda do produto (serviço) da entidade. Por exemplo, no momento em que é gerada a despesa de comissão dos vendedores, há tam- bém uma receita, ou seja, venda de bens ou ser- viços resultante do trabalho dos vendedores. Essa despesa é normal, previsível, orçável. Uma perda com desfalque no caixa não provocou nenhuma receita, só subtração. É um fato anormal, imprevisível, não foi orçado. Exemplos: desfalque no caixa, inundações, greves, incêndio, perda de um veículo em um desastre etc. Na prática, é bastante difícil prever uma perda (por ser anormal). Geralmente, a perda reduz o Ativo (consequentemente, o Patrimônio Líquido). Caro(a) aluno(a), informa-nos a esse respei- to Martins (2003, p. 26): Perda não se confunde com a despesa (muito menos com o custo), exatamente por sua característica de anormalidade e involuntariedade; não é um sacrifício fei- to com intenção de obtenção de receita. Exemplos: perdas com incêndios, obsole- tismo de estoques etc. Cabe aqui ressaltar que inúmeras perdas de pequeníssimo valor são, na prática, co- mumente consideradas dentro dos cus- tos ou das despesas, sem sua separação; e isso é permitido devido à irrelevância do valor envolvido. No caso de montan- tes apreciáveis, esse tratamento não é correto. 9.2 Despesas e Perdas AtençãoAtenção Despesa é todo consumo de bens ou serviços para obtenção de receita. É exatamente aqui que despesa se diferencia de perda, pois, enquanto aquela (despesa) representa sacrifícios no senti- do de obter receita, esta (perda) não gera receita. Despesas são gastos que provocam redução do patrimônio. DicionárioDicionário Perda: bem ou serviço consumido de forma anor- mal e involuntária. Perda é um gasto involuntário, anormal, extraordinário. Saiba maisSaiba mais Se você desejar, aprofunde os conteúdos estuda- dos neste capítulo consultando o CPC 0 – Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade. Fonte: www.cpc.org.br/pdf/pronunciamento_conceitual. pdf Teoria da Contabilidade Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 69 Gasto (ou Dispêndio) É o termo genérico que pode representar tanto um custo quanto uma despesa. É todo sa- crifício para aquisição de um bem ou serviço, com pagamento no ato (desembolso) ou no futuro (cria uma dívida). Assim, a empresa tem gasto na compra de Imobilizado, na compra de matéria- -prima, na produção etc. Num primeiro estágio, todo sacrifício para aquisição de bem ou serviço é um gasto (é um conceito consideravelmente am- plo). Portanto, no momento em que a empresa adquire um bem ou um serviço, defrontamo-nos com um gasto. Desembolso É todo dinheiro que sai do Caixa (disponí- vel) para um pagamento. Podemos também uti- lizar o termo Desencaixe como sinônimo de de- sembolso. Na verdade, mais cedo ou mais tarde, o gasto será um desembolso. Todavia, nem todo desembolso é um gasto. Por exemplo: amortiza- ção ou quitação de empréstimo bancário é um desembolso, mas não é um gasto. Investimento Gasto ativado em função de sua vida útil ou de benefícios atribuíveis a futuro(s) período(s). Custo Quando a matéria-prima é adquirida, de- nominamos esse primeiro estágio de Gasto; em seguida, ela foi estocada no Ativo (ativada); no instante em que a matéria-prima entra na pro- dução (produção em andamento), associando-se a outros gastos de fabricação, reconhecemos (a matéria-prima + outros gastos) como Custo. Portanto, todos os gastos no processo de industrialização, que contribuem com a transfor- mação da matéria-prima (fabricação), entende- mos como custo: mão de obra, energia elétrica, desgaste das máquinas utilizadas para a produ- ção, embalagens etc. Assim, numa indústria, iden- tificamos como custo todo gasto de dentro da fábrica, seja ele matéria-prima, mão de obra, des- gaste de máquina, aluguel da fábrica, imposto predial da fábrica, pintura da fábrica etc. Eliseu Martins (2003) comenta em seu livro que custos são gastos relacionados com a transformação de ativos. 9.4 Resumo do Capítulo 9.3 Outras Terminologias Usadas Neste capítulo, você viu outras terminologias e os conceitos de Receitas, Despesas, Ganhos e Perdas. Ainda, aprofundou seu aprendizado sobre os diversos termos com significados diferentes, como: desembolso, dispêndio, gasto, desencaixe, despesa, custo, perda e outros de natureza subtrativa. Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 70 1. O que você entende por Receita e Ganho? 2. O que você entende por Despesas e Perdas? 9.5 Atividades Propostas Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 71 Os relatórios contábeis significam os produ- tos finais da contabilidade. A preocupação desta parte é mostrar como a Teoria da Contabilidade influencia na confecção desses relatórios. Aqui, existe uma preocupação em mostrar aspectos diferenciados entre a Lei das Sociedades Anônimas e as Normas do CFC. PATRIMÔNIO E RESULTADO10 10.1 Relatórios Contábeis 10.2 O Balanço Patrimonial O Balanço Patrimonial é a peça contábil que retrata a posição das contas de uma entidade após todos os lançamentos das operações de um período terem sido feitos, após todos os provi- sionamentos (depreciação, devedores duvidosos etc.) e ajustes, bem como após o encerramento das contas de Receitas e Despesas também ter sido executado. De acordo com art. 178 (Lei das S.A.), no ba- lanço, as contas serão classificadas segundo os ele- mentos do patrimônio que registrem e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da companhia. Hierarquia O Balanço Patrimonial é a mais importante demonstração contábil de “posição” das contas num determinado momento. Imagine a estrutu- ra e hierarquia do sistema contábil de informação mais ou menos dessa forma simplificada: Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 72 Os PFCs representam a cúpula de todo o edifício contábil, principalmenteda Contabilida- de Financeira. O Processamento e os Ajustes correspon- dem à fase de acumulação sistemática dos re- gistros de operações, bem como dos ajustes de final de exercício (incluindo os encerramentos de receitas e despesas). Principal Relatório Os Relatórios de Posição representam a po- sição da entidade num determinado momento, no que se refere a suas principais contas. O Balan- ço Patrimonial é o principal deles. Podem-se ter, todavia, detalhamentos de grupos do Balanço, como Bancos, Valores a Receber, Imobilizados etc. Os Fluxos Os Relatórios de Fluxos descrevem o que aconteceu em determinadas contas durante o período. Assim, tem-se Relatório de Receitas e Despesas (nossa Demonstração de Resultados), que retrata a movimentação, no período, de re- ceitas e despesas, pelo Regime de Competência. Outro relatório de fluxos importante é a Demons- tração de Fluxo de Caixa (em substituição às De- monstrações de Origens e Aplicações de Recur- sos), entendida aqui a palavra “Recursos” como Capital de Giro Líquido, mas, na verdade, poden- do vir a ter várias conotações. Os relatórios de Comparação e de Exceção (ou de situações especiais) já pertencem mais ao campo da Contabilidade Gerencial e não serão tratados aqui. Inferência (indução, conclusão) Obs.: Preditivo é um adjetivo formado a par- tir de predizer (dizer antes, anunciar com antece- dência, prognosticar); é aquele em que se afirma algo antecipadamente. Embora o Balanço represente uma situação aparentemente estática, informando, portanto, sobre o passado e o presente, principalmente, ele, como todas as peças contábeis, apresenta um po- der informativo de natureza preditiva, na me- dida em que os usuários, sabedores do cuidado e do zelo com que foi elaborado o Balanço, podem inferir, com alguns ajustes pessoais adicionais, as seguintes dimensões básicas, importantes para a tomada de decisões visando ao futuro: Posição de liquidez e endividamento; A representatividade dos principais gru- pos patrimoniais, como, por exemplo, o Imobilizado comparado com o Patrimô- nio Líquido, o Circulante Passivo (Exigível em Curto Prazo) com o Circulante Ativo (Realizável em Curto Prazo) etc.; Se as contas tiverem sido avaliadas e colocadas em termos de poder aquisiti- vo da data do Balanço ou estiverem ex- pressas em algum tipo de moeda forte ou a custos de reposição etc., o Balanço pode ser uma indicação inicial de quan- to um investidor deveria investir, apro- ximadamente, para ter uma empresa equivalente. É evidente que as avaliações e comparações anteriores e outras ficam fortalecidas à medida que se dispõe de Balanços para mais de um pe- ríodo, de Balanços de empresas concorrentes etc. O poder preditivo geral do Balanço Patri- monial, entretanto, consiste em dar uma razoável dose de confiança de que, se os eventos retrata- dos se repetirem, os resultados serão equivalen- tes, no futuro. 10.3 Poder Preditivo do Balanço Patrimonial Teoria da Contabilidade Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 73 Passado e Futuro Assim, o Balanço é uma sombra do passado que se projeta para o futuro. Os analistas deverão fazer as estimativas necessárias para ajustar o Ba- lanço às mudanças nas expectativas e transações. Também, não se pode esquecer que o próprio Balanço já incorpora estimativas, como deprecia- ções, provisionamentos etc. 10.4 Uma Estrutura de Balanços não Usada entre Nós O Balanço Patrimonial não dispensa uma boa estruturação das principais categorias de ati- vos e passivos, bem como, residualmente, do pa- trimônio líquido, que o compõem. O lado esquerdo do Balanço tem sido, tra- dicionalmente, o lado do ativo. Uma estruturação que se poderia considerar seria (bastante típica de Balanços Europeus): ATIVO PASSIVO E PATRIMÔNIO LÍQUIDO Ativo Não Corrente Passivo Exigível em Longo Prazo Imobilizações Técnicas Passivo Exigível em Curto Prazo Imobilizações Financeiras Patrimônio Líquido Diferidos Capital Realizável em Longo Prazo Reservas de Lucros Lucros Acumulados Ativo Corrente Estoques Recebíveis Disponibilidades Liquidez Crescente A razão pela qual se pode preferir ordem cres- cente de liquidez é, exatamente, mostrar os ativos na ordem crescente de seu equivalente de caixa, que é, como visto, o ativo por excelência e contra o qual todos os demais devem ser referenciados. Ao mesmo tempo, tem-se que verificar pri- meiro, principalmente nas empresas de porte, manufatureiras, a estrutura permanente de fun- cionamento e manutenção das atividades da em- presa. Entretanto, a ordem inversa também tem suas vantagens. O essencial é que os subgrupos represen- tem com adequação as contas componentes. Ciclo Operacional As definições de curto e longo prazo pre- cisariam ser cuidadosamente revistas. Talvez a adoção do ciclo operacional da empresa, como divisor, pudesse ser um critério mais interessante. Entretanto, por razões de comparabilidade entre empresas, tem sido mais utilizado um critério de tempo. No que se refere a certos valores a receber e a pagar, como já visto, defende-se seu cálculo a valor presente. Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 74 O Balanço Patrimonial é o herdeiro das primeiras manifestações da existência da Conta- bilidade, antes mesmo das partidas dobradas. É o descendente direto do Inventário e como in- ventário patrimonial geral aperfeiçoado deve ser considerado. O CFC dedicou a NBC T 3 ao tratamento e es- truturação das Demonstrações Contábeis, em ge- ral. A NBC T 3.1 trata de Disposições Gerais sobre demonstrações contábeis e NBC T 3.2 trata, espe- cificamente, do Balanço Patrimonial; serão tecidos alguns comentários a respeito. 10.5 As Normas Brasileiras de Contabilidade e o Balanço Patrimonial 10.6 CFC e Lei das S.A. 10.7 Passivo Descoberto 10.8 Algumas Diferenças Os conceitos e definições expedidos estão em linha, de maneira geral, com os da Lei das So- ciedades por Ações. Entretanto, adicionalmente a esta, a NBC T 3.2 conceitua Balanço Patrimonial como “a demonstração contábil destinada a evi- denciar, quantitativa (qtde) e qualitativamente (qualidade), numa determinada data, a posição patrimonial e financeira da Entidade [...].” (Resolu- ção CFC nº 1.049/2005). Em seguida, define o conteúdo e a estrutura do Balanço Patrimonial, ressaltando que, na hipó- tese de o passivo superar o ativo, a diferença deno- mina-se “Passivo a Descoberto”. Essa denominação não é encontrada na Lei das S.A. e, de fato, é prefe- rível Passivo a Descoberto a Patrimônio Líquido Negativo. Enquanto a Lei das S.A. define, por exemplo, de forma global o que deve conter o Ativo Circu- lante, a redação dada pela NBC T 3.2 prefere de- finir de maneira geral que tipos de direitos e obri- gações devem constar em grupos do circulante. Quando desce ao detalhe de definir a composição do Ativo Circulante, chamando-o simplesmente de Circulante, define separadamente Disponível, Créditos, Estoques, Despesas Antecipadas e Ou- tros Valores e Bens. Por outro lado, mantém a noção de prazo, no sentido de que os prazos de realização dos di- reitos e os prazos das obrigações, estabelecidos ou esperados, situem-se após o término do exer- cício subsequente à data do balanço patrimonial (com exceção, da mesma forma que na Lei das S.A., do caso em que o ciclo operacional tiver du- ração maior que o exercício social, em que a clas- sificação em Circulante em Longo Prazo terá por base o prazo desse Ciclo). Teoria da Contabilidade Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 75 A NBC T 3.2 não faz menção, como grupo específico, a Resultados de Exercícios Futuros (art. 181 da Lei das S.A.), a não ser no item genérico 3.2.2.7, em que se afirma: queos valores recebidos como receitas antecipadas por conta de produtos ou serviços a serem concluídos em exercícios futuros, denominados como resultados de exercícios futuros, na legislação, serão demonstrados com a dedução dos valo- res ativos a eles vinculados como direitos ou obrigações, dentro do respectivo gru- po do ativo e passivo. Uma redação algo complexa, como se pode observar, e fora do que genericamente se enten- de por Resultados de Exercícios Futuros. 10.9 Resultado de Exercícios Futuros 10.10 Resultados de Exercícios Futuros versus Exigível 10.11 As Normas Brasileiras de Contabilidade (as NBCS) Pela Lei das S.A., qualquer obrigação fica no Passivo Circulante ou Exigível em Longo Prazo. Assim, valores recebidos por conta de mercado- rias ou serviços a entregar ficam nesse Passivo e não nos Resultados de Exercícios Futuros. Nestes, só podem ficar valores recebidos que não sejam ainda receitas pelo regime de competência, mas que não impliquem Exigibilidades, como no caso de aluguel recebido adiantado e absolutamente não restituível ou então no caso de receitas de ta- xas de abertura de crédito que são apropriadas ao longo do contrato e que não são devolvíveis. De resto, na definição dos grupos de Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido, segue a NBC T 3.2, basicamente, os conceitos da lei comercial, sen- do essa última, todavia, muito mais detalhada na composição do Patrimônio Líquido. Por outro lado, a lei trata também dos crité- rios de avaliação do Ativo, Passivo e da Correção Monetária, ao passo que o CFC dedica uma NBC (a T 4) à Avaliação Patrimonial, especialmente, a ser comentada em outro item. NBC T 3 – Conceito, Conteúdo, Estrutura e Nomenclatura das Demonstrações Contábeis Esta norma estabelece os conceitos e regras sobre o conteúdo, a estrutura e a nomenclatura das demonstrações contábeis de natureza geral. A norma estabelece o conjunto das de- monstrações capaz de propiciar aos usuários um grau de revelação suficiente para o entendimento da situação patrimonial e financeira da Entidade, do resultado apurado, das origens e aplicações de seus recursos (fluxo de caixa) e das mutações do seu patrimônio líquido num determinado período. NBC T 3.2 – Do Balanço Patrimonial 3.2.1 – Conceito 3.2.1.1. O balanço patrimonial é a demons- tração contábil destinada a evidenciar, quantitativa e qualitativamente, numa determinada data, a posição patrimonial e financeira da Entidade. 3.2.2 – Conteúdo e Estrutura Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 76 3.2.2.1. O balanço patrimonial é constituí- do pelo Ativo, pelo Passivo e pelo Patri- mônio Líquido. a) O Ativo compreende as aplicações de recursos representadas por bens e direi- tos; b) O Passivo compreende as origens de recursos representadas por obrigações; c) O Patrimônio Líquido compreende os recursos próprios da Entidade, ou seja, a diferença a maior do ativo sobre o pas- sivo. Na hipótese do passivo superar o ativo, a diferença denomina-se ‘Passivo a Descoberto’. Portanto, o valor do PL, pode ser positivo, nulo ou negativo. 3.2.2.2. As contas do ativo são dispostas em ordem crescente dos prazos espera- dos de realização, e as contas do passivo são dispostas em ordem crescente dos prazos de exigibilidade, estabelecidos ou esperados, observando-se iguais proce- dimentos para os grupos e subgrupos. 3.2.2.3. Os direitos e as obrigações são classificados em grupos do Circulan- te, desde que os prazos esperados de realização dos direitos e os prazos das obrigações, estabelecidos ou esperados, situem-se no curso do exercício subse- qüente à data do balanço patrimonial. 3.2.2.4. Os direitos e as obrigações são classificados, respectivamente, em gru- pos de Realizável e Exigível a Longo Pra- zo, desde que os prazos esperados de realização dos direitos e os prazos das obrigações estabelecidas ou esperados, situem-se após o término do exercício subseqüente à data do balanço patrimo- nial. 3.2.2.5. Na Entidade em que o ciclo ope- racional tiver duração maior que o exercí- cio social, a classificação no Circulante ou Longo Prazo terá por base o prazo desse ciclo. 3.2.2.6. Os saldos devedores ou credores de todas as contas retificadoras deverão ser apresentados como valores redutores das contas ou grupo de contas que lhes deram origem. 3.2.2.7. Os valores recebidos como recei- tas antecipadas por conta de produtos ou serviços a serem concluídos em exercícios futuros, denominados como resultados de exercícios futuros, na legislação, serão demonstrados com a dedução dos valo- res ativos a eles vinculados, como direitos ou obrigações, dentro do respectivo gru- po do ativo ou do passivo. 3.2.2.8. Os saldos devedores e credores serão demonstrados separadamente, sal- vo nos casos em que a Entidade tiver di- reito ou obrigação de compensá-los. 3.2.2.9. Os elementos da mesma natureza e os pequenos saldos serão agrupados, desde que seja indicada a sua natureza e nunca ultrapassem, no total, um décimo do valor do respectivo grupo de contas, sendo dedada a utilização de títulos ge- néricos como “diversas contas” ou “con- tas-correntes”. 3.2.2.10. As contas que compõem o ativo devem ser agrupadas, segundo sua ex- pressão qualitativa, em: I. Circulante O Circulante compõe-se de: a) Disponível São os recursos financeiros que se encon- tram à disposição imediata da Entidade, compreendendo os meios de pagamen- tos e em outras espécies, os depósitos bancários à vista e os títulos de liquidez imediata. b) Créditos São os títulos de crédito, quaisquer valo- res mobiliários e outros direitos. c) Estoques São os valores referentes às existências de produtos acabados, produtos em ela- boração, matérias-primas, mercadorias, materiais de consumo, serviços em anda- mento e outros valores relacionados às atividades-fins da Entidade. d) Despesas Antecipadas São aplicações em gastos que tenham realização no curso do período subse- qüente à data do balanço patrimonial. e) Outros Valores e Bens São os não relacionados às atividades – fins da Entidade. II. Realizável a Longo Prazo São os ativos referidos nos itens I. b, c, d, e anteriores, cujos prazos esperados de realização situem-se após o término do exercício subseqüente à data do balanço patrimonial. III. Permanente São os bens e direitos não destinados à transformação direta em meios de paga- mento e cuja perspectiva de permanência Teoria da Contabilidade Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 77 da Entidade ultrapasse um exercício. É cons- tituído pelos seguintes subgrupos: a) Investimentos São as participações em sociedades além dos bens e direitos que não se destinem à manutenção das atividades - fins da En- tidade. b) Imobilizado São os bens e direitos, tangíveis, utiliza- dos na consecução das atividades – fins da Entidade. c) Intangível São os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manuten- ção da companhia ou exercidos com essa finalidade, inclusive o fundo de comércio adquirido. d) Diferido São as aplicações de recursos em despe- sas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social. 3.2.2.11. As contas que compõem o pas- sivo devem ser agrupadas, segundo sua expressão qualitativa, em: I. Circulante São as obrigações conhecidas e os encar- gos estimados, cujos prazos estabeleci- dos ou esperados situem-se no curso do exercício subseqüente à data do balanço patrimonial. II. Exigível a Longo Prazo São as obrigações conhecidas e os en- cargos estimados, cujos prazos estabe- lecidos ou esperados situem-se após o término do exercício subseqüente à data do balanço patrimonial. 3.2.2.12. As contas que compõem o Pa- trimônio Líquido devem ser agrupadas, segundo sua expressão qualitativa,em: I. Capital São os valores apontados pelos proprie- tários e os decorrentes de incorporação de reservas e lucros. II. Reservas São os valores decorrentes de retenções de lucros, de reavaliação de ativos e de outras circunstâncias. III. Lucros ou Prejuízos Acumulados São os lucros retidos ou ainda não desti- nados e os prejuízos ainda não compen- sados, estes apresentados como parcela redutora do Patrimônio Líquido. (CFC, 1990). Obs.: Pela Lei nº 11.638, de 28/12/2007, no Patrimônio Líquido, portanto, as contas represen- tativas dos capitais próprios são classificadas da seguinte maneira: a) Capital Social: subgrupo composto pela conta Capital, que representa os valores investidos na empresa pelos titulares, e pela conta Capital a reali- zar (ou Titular conta Capital a Realizar; Quotistas conta Capital a Realizar; Acio- nistas conta Capital a Realizar etc.), que representa a parcela do capital já subs- crita pelos sócios, porém ainda não realizada. Poderão figurar, ainda, nesse subgrupo, as contas que representam o montante do capital autorizado, bem como da parcela desse capital ainda não subscrita; b) Reservas de Capital: subgrupo de con- tas representativas de algumas receitas que, por força do § 1º do art. 182 da Lei nº 6.404/1976, não devem transitar pelo resultado do exercício, como é o caso das receitas decorrentes de ágio na emissão de ações e na alienação de partes beneficiárias ou de bônus de subscrição; c) Ajustes de Avaliação Patrimonial: se- rão classificadas como ajustes de ava- liação patrimonial, enquanto não com- putadas no resultado do exercício, em obediência ao regime de competência, as contrapartidas de aumentos ou dimi- nuições de valor atribuído a elementos do ativo (§ 5º do art. 177, inciso I, do ca- put do art. 183 e § 3º do art. 226 des- ta Lei) e do passivo, em decorrência da avaliação a preço de mercado (§ 3º do art. 182 da Lei nº 6.404/1976); d) Reservas de Lucros: subgrupo compos- to pelas contas representativas das Re- servas constituídas com parte dos lucros apurados pela empresa em decorrência de Lei ou da vontade do proprietário, dos sócios ou dos administradores; Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 78 e) Ações em Tesouraria: correspondem a ações da própria empresa, adquiridas por ela mesma; f) Prejuízos Acumulados: compreendem os prejuízos apurados pela empresa no exercício atual ou em exercícios ante- riores, até que sejam compensados ou assumidos pelos sócios. Neste capítulo, você viu os conceitos de Patrimônio e resultados. Ainda, aprofundou seu aprendizado sobre os grupos e subgrupos do Passivo e Patrimônio Líquido. 10.12 Resumo do Capítulo 10.13 Atividades Propostas 1. O que retrata o Balanço Patrimonial? 2. O que é Passivo a Descoberto? Qual pode ser o futuro da entidade que está nessa situação? Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 79 CAPÍTULO 1 1. A primeira literatura contábil relevante foi do Frei Luca Pacioli, em 1494, consolidando o mé- todo das partidas dobradas, expressando a causa e o efeito do fenômeno patrimonial com os termos ‘débito’ e ‘crédito’ (esse método já era conhecido antes de Pacioli; era praticado no século XIII). A obra de Pacioli pode muito bem ser vista como início do pensamento científico da Contabilidade. 2. A Escola Europeia predominou em todo o mundo durante séculos. O expressivo crescimento e a influência da economia americana nas economias dos outros países, por volta do século XIV, quebraram sua hegemonia, surgindo a Escola Norte-Americana, que teve seu início voltado para o tratamento prático das questões econômico-administrativas da Contabilidade. CAPÍTULO 2 1. A tarefa básica do contador é produzir e/ou gerenciar informações úteis aos usuários da Conta- bilidade para a tomada de decisões. 2. A contabilidade geral é necessária a todas as empresas. Fornece informações básicas aos seus usuários externos e é obrigatória, conforme legislação comercial. A contabilidade de custos está voltada para o cálculo, interpretação e controle dos custos dos bens fabricados ou co- mercializados ou dos serviços prestados pela empresa. A contabilidade gerencial, voltada para fins internos, procura suprir os gestores de um elenco maior de informações, exclusivamente para a tomada de decisões. Diferencia-se dos tipos de Contabilidades já abordados, pois não se prende aos princípios Contábeis. O profissional que exerce a Contabilidade gerencial também é conhecido como Controller. CAPÍTULO 3 1. A contabilidade é mantida para quem precisa dela, seja pessoa física, seja pessoa jurídica. Des- de que haja volume considerável de negócios, justifica-se a necessidade da contabilidade. Dessa forma, dever-se-ia fazer a contabilidade para pessoa física, sendo tratada, a partir desse momento, como entidade contábil. RESPOSTAS COMENTADAS DAS ATIVIDADES PROPOSTAS Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 80 2. A finalidade é atender às necessidades dos usuários da contabilidade, que dela necessitam para conhecer a saúde da empresa. Sem ela, não se pode decidir nada. Daí a importância da finalidade do contador e da contabilidade. CAPÍTULO 4 1. Uma das formas de avaliar a qualidade da informação contábil e, portanto, sua utilidade (be- nefício), quando comparada ao custo, é analisar algumas qualidades ou características que deve possuir, tais como: compreensibilidade, relevância, confiabilidade e comparabilidade. 2. São fundamentais a mensuração e a evidenciação dos efeitos financeiros de transações seme- lhantes e outros eventos que precisam ser efetuados de forma consistente por uma entidade através do tempo e também por diferentes entidades ao mesmo tempo. CAPÍTULO 5 1. Poderíamos dizer que o Balanço Social está no contexto da Contabilidade Social. A Contabilida- de Social envolve aspectos econômicos e sociais de um país. Alguns denominam essa Conta- bilidade de Contabilidade Nacional, já que ela envolve a renda nacional, balanço de pagamen- tos etc. De maneira geral, quando tratamos do Balanço Social da empresa, de uma unidade individualizada, podemos dizer que se trata de um campo da Contabilidade. Todavia, quando tratamos o Balanço Social no âmbito geral da economia (seja regional, municipal, estadual ou nacional), considerando a soma dos ramos de atividades, a renda nacional, podemos dizer que se trata de um campo da Economia e não da Contabilidade. A Contabilidade Ambiental se preocupa com a proteção do meio ambiente. Em função de os recursos naturais se tornarem cada vez mais escassos, um número crescente de empresas participa de um desenvolvimento sustentável, de gerenciamento ambiental para redução de custos operacionais, de cuidados para reduzir o risco de poluição acidental ou insidiosa (traiçoeiro, pérfido, falso) etc. A Contabili- dade Financeira, quando aplicada à avaliação e mensuração das informações relativas ao meio ambiente, é denominada Contabilidade Ambiental ou Ecológica. De maneira geral, a Contabili- dade Ambiental destaca os custos ambientais nas despesas gerais (proporcionando uma análi- se financeira em relação à preservação do meio ambiente), evidencia no Ativo os investimentos nessa área, cria provisão para os riscos ambientais no Passivo etc. 2. Não há diferença entre os dois termos; eles têm o mesmo significado. Elas são o conjunto de informações que devem ser obrigatoriamente divulgadas anualmente, segundo a Lei nº 6.404/1976, pela administração de uma sociedade por ações e representam a sua prestação de contas para os sócios e acionistas. Teoria da Contabilidade Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 81 CAPÍTULO 6 1. Os pilares da contabilidade são a Entidade e a Continuidade. São dois princípios contábeis, que, na verdade, podemos até classificarcomo Postulados. Sem eles não há contabilidade. O princípio da Entidade é o que reconhece o Patrimônio como objeto da contabilidade, reco- nhece esta ou aquela pessoa, instituição etc. como possuidora do patrimônio. O princípio da Continuidade, como o nome revela, entende que há contabilidade até enquanto a entidade existe, podendo ainda haver contabilidade antes da entidade, que é o que aparece no balanço classificado como Ativo Diferido. 2. A emissão de pronunciamentos sobre Princípios de Contabilidade para orientação dos conta- dores no exercício da sua profissão teve início nos Estados Unidos, na década de 1930, após a quebra da Bolsa de Nova Iorque. Desde então, houve uma maior preocupação com a uniformi- zação de princípios que pudessem dar embasamento às normas e regras contábeis. CAPÍTULO 7 1. São os recursos financeiros que se encontram à disposição imediata da Entidade, compreen- dendo os meios de pagamento em moeda e em outras espécies, os depósitos bancários à vista e os títulos de liquidez imediata. 2. Neste subgrupo, classificam-se os seguintes valores: Estoque de produtos e mercadorias, matérias-primas e material secundário empregado em processo em andamento, material de consumo, produtos em trânsito, subprodutos, resíduos e serviços em andamento; Estoque de imóveis prontos para venda ou em construção, com prazo de entrega até 12 meses; Estoque de mercadorias em poder de terceiros, para beneficiamento. CAPÍTULO 8 1. Algumas exigibilidades somente podem ser mensuradas se utilizar um grau substancial de es- timativa. São as provisões. Já a criação de Reservas é, às vezes, requerida por disposição estatu- tária ou legal, a fim de dar à entidade e a seus credores uma medida adicional de proteção com relação ao efeito de possíveis perdas. Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 82 2. Num sentido restrito, exigibilidades são subtraendos dos ativos ou ativos negativos. Seria lógi- co, portanto, preparar um balanço no qual as exigibilidades totais fossem subtraídas dos ativos totais, deixando no lado direito do balanço meramente os itens que representam a proprieda- de. Esta é uma visão nítida de teoria da propriedade (abordagem do Patrimônio Líquido; essa forma de entender o Patrimônio Líquido facilita a aplicação e a explicação do funcionamento das contas e tem estado em grande evidência, principalmente em razão disso), como pode- mos notar. Já a teoria dos fundos poderia interpretar os passivos de forma diferente, como re- servas ou restrições aos ativos, derivantes de considerações legais, equitativas (reconhecer o direito de cada um), econômicas ou gerenciais. Por outro lado, a visão da teoria da entidade é outra, isto é, consideram-se as exigibilidades como reclamos contra a entidade ou, mais espe- cificamente, contra os ativos da entidade. Entretanto, a entidade continua sendo vista como organismo com vida própria. Nem mesmo o patrimônio líquido pertence aos proprietários, na continuidade, mas à entidade. CAPÍTULO 9 1. A receita corresponde, em geral, a vendas de mercadorias ou prestações de serviços. Ela apare- ce (é refletida) no Balanço através de entrada de dinheiro no Caixa (Receita à Vista) ou entrada em forma de Direitos a Receber (Receita a Prazo). Já ganho é bastante aleatório. É um lucro que independe das atividades operacionais da empresa. Exemplo: recebimento de seguro por um bem perdido. 2. Despesa é todo consumo de bens ou serviços para obtenção de receita. Ainda, despesas são gastos que provocam redução do patrimônio. Perdas são gastos involuntários, anormais, ex- traordinários. Exemplos: desfalque no caixa, inundações, incêndio etc. Na prática, é bastante difícil prever uma perda (por ser anormal). Geralmente, a perda reduz o Ativo e, consequente- mente, o Patrimônio Líquido. CAPÍTULO 10 1. O Balanço Patrimonial é a peça contábil que retrata a posição das contas de uma entidade, após todos os lançamentos das operações de um período terem sido feitos, após todos os pro- visionamentos (depreciação, devedores duvidosos etc.) e ajustes, bem como após o encerra- mento das contas de Receitas e Despesas também ter sido executado. De acordo com art. 178 (Lei das S.A.), no balanço, as contas serão classificadas segundo os elementos do patrimônio que registrem e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação finan- ceira da companhia. 2. Em seguida, define o conteúdo e a estrutura do Balanço Patrimonial, ressaltando que, na hi- pótese de o passivo superar o ativo, a diferença denomina-se “Passivo a Descoberto”. Essa de- nominação não é encontrada na Lei das S.A. e, de fato, é preferível Passivo a Descoberto a Patrimônio Líquido Negativo, ou seja, a Empresa, no futuro, pode não ter riqueza, ou seja, seus bens + direitos não são suficientes para pagar suas obrigações. A situação seria péssima. Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 83 ALMEIDA, M. C. Manual prático de interpretação contábil da lei societária: interpretação dos artigos contábeis da Lei nº 6.404/76, com as modificações introduzidas pela Lei nº 11.638/07 e pela Lei nº 11.941/09 e de acordo com os pronunciamentos do CPC. São Paulo. Atlas, 2010. BRAGA, H. R. Mudanças contábeis na lei societária: Lei nº 11.638, de 28/12/2007. São Paulo: Atlas, 2008. BRASIL. Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei no 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e estende às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2007. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE (CFC). Estruturação de demonstrações contábeis. 2. ed. Brasília, DF, 1993. ______. Princípios fundamentais de contabilidade e normas brasileiras de contabilidade. 2. ed. Brasília, DF, 2000. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS (CPC). Pronunciamento conceitual básico (R1). Brasília, DF: CPC, 2008. Disponível em: <http://www.cpc.org.br/pdf/CPC00_R1.pdf>. Acesso em: 15 set. 2012. CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DE SÃO PAULO (CRC-SP). Os princípios fundamentais de contabilidade, as normas brasileiras de contabilidade e o código de ética profissional do contabilista. 29. ed. São Paulo, 2001. D’ÁURIA, F. Contabilidade: noções preliminares. São Paulo: Companhia Nacional, 1958. FUNDAÇÃO INSTITUTO DE PESQUISAS CONTÁBEIS, ATUARIAIS E FINANCEIRAS (FIPECAFI). Manual de contabilidade societária: aplicável a todas as sociedades de acordo com as normas internacionais e do CPC. São Paulo: Atlas, 2010. FUNDAÇÃO INSTITUTO DE PESQUISAS CONTÁBEIS, ATUARIAIS E FINANCEIRAS (FIPECAFI); ARTHUR ANDERSEN. Normas e práticas contábeis no Brasil. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1994. INTERNATIONAL ACCOUNTING STANDARDS COMMITTEE (IASC). Framework for the preparation and presentation of financial statements. Londres: IASC, 1989. IUDÍCIBUS, S. Manual de contabilidade das sociedades por ações. Suplemento. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2008. ______. Teoria da contabilidade. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2010. IUDÍCIBUS, S.; MARION, J. C. Introdução à teoria da contabilidade para o nível de graduação. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2009. REFERÊNCIAS Roberto Rodrigues Prado Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 84 MARTINS, E. Contribuição à avaliação do ativo intangível. 1972. Tese (Doutorado) – Faculdade de Economia e Administração, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1972. ______. Contabilidade de custos. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2003. SÁ, A. L. História geral e das doutrinas da contabilidade. São Paulo: Atlas, 1997. ______. Teoria da contabilidade. São Paulo: Atlas, 1998. INTRODUÇÃO 1 ATUAÇÃO PROFISSIONAL 1.2 Contabilidade na Bíblia 1.3 Contabilidade Despertando como Ciência 1.4 Teorias Descritivas e Prescritivas 1.5 Doutrinas e Escolasde Contabilidade 1.6 O Cenário Atual da Contabilidade 1.7 Resumo do Capítulo 1.8 Atividades Propostas 2 CONTABILIDADE E CONTADOR 2.2 A Função do Contador 2.3 A Contabilidade como Profissão 2.4 Visão Geral da Profissão Contábil 2.5 A Contabilidade em outros Cursos 2.6 Resumo do Capítulo 2.7 Atividades Propostas 3 OBJETIVOS DA CONTABILIDADE E UTILIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL 3.1 Utilização da Informação Contábil e Campo de Atuação da Contabilidade 3.2 Patrimônio da Entidade 3.3 Finalidade Social do Contador 3.4 Resumo do Capítulo 3.5 Atividades Propostas 4 QUALIDADE E CARACTERÍSTICA DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL: O PRODUTO FINAL DA CONTABILIDADE 4.2 Custos Versus Benefícios 4.3 Compreensibilidade 4.4 Relevância 4.5 Confiabilidade 4.6 Comparabilidade 4.7 A Importância da Comparação 4.8 Políticas Contábeis 4.9 Tempestividade 4.10 Intempestividade 4.11 Tomada de Decisões 4.12 Resumo do Capítulo 4.13 Atividades Propostas 5 RELATÓRIOS CONTÁBEIS 5.3 Complementação às Demonstrações Financeiras 5.4 Resumo do Capítulo 5.5 Atividades Propostas 6 OS PRINCÍPIOS DE CONTABILIDADE – A ENTIDADE E A CONTINUIDADE 6.3 Para quem é Mantida a Contabilidade 6.4 Pilares da Contabilidade 6.5 Princípios da Contabilidade 6.6 Resumo do Capítulo 6.7 Atividades Propostas 7 PATRIMÔNIO E RESULTADO 7.3 Ativo Circulante 7.4 Ativo Realizável em Longo Prazo 7.5 Ativo Permanente 7.6 Contas Retificadoras do Ativo 7.7 Dedução do Ativo Permanente 7.8 Resumo do Capítulo 7.9 Atividades Propostas 8 O PASSIVO E SUA MENSURAÇÃO (AVALIAÇÃO) 8.3 Passivo Circulante 8.4 Passivo Exigível em Longo Prazo 8.5 Resultado de Exercício Futuros 8.6 Patrimônio Líquido 8.7 Contas Retificadoras do Passivo 8.8 Resumo do Capítulo 8.9 Atividades Propostas 9 TERMINOLOGIA CONTÁBIL BÁSICA USADA EM CONTABILIDADE 9.2 Despesas e Perdas 9.3 Outras Terminologias Usadas 9.4 Resumo do Capítulo 9.5 Atividades Propostas 10 PATRIMÔNIO E RESULTADO 10.3 Poder Preditivo do Balanço Patrimonial 10.4 Uma Estrutura de Balanços não Usada entre Nós 10.5 As Normas Brasileiras de Contabilidade e o Balanço Patrimonial 10.6 Cfc E Lei Das S.A. 10.7 Passivo Descoberto 10.8 Algumas Diferenças 10.9 Resultado de Exercícios Futuros 10.10 Resultados de Exercícios Futuros X Exigível 10.11 As Normas Brasileiras de Contabilidade (As Nbcs) 10.12 Resumo do Capítulo 10.13 Atividades Propostas RESPOSTAS COMENTADAS DAS ATIVIDADES PROPOSTAS REFERÊNCIAS