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Teoria da 
Contabilidade
Roberto Rodrigues Prado
Adaptada/Revisada por Luís Carlos Gruenfeld (setembro/2012)
É com satisfação que a Unisa Digital oferece a você, aluno(a), esta apostila de Teoria da Contabilidade, 
parte integrante de um conjunto de materiais de pesquisa voltado ao aprendizado dinâmico e autônomo 
que a educação a distância exige. O principal objetivo desta apostila é propiciar aos(às) alunos(as) uma 
apresentação do conteúdo básico da disciplina.
A Unisa Digital oferece outras formas de solidificar seu aprendizado, por meio de recursos multidis-
ciplinares, como chats, fóruns, aulas web, material de apoio e e-mail.
Para enriquecer o seu aprendizado, você ainda pode contar com a Biblioteca Virtual: www.unisa.br, 
a Biblioteca Central da Unisa, juntamente às bibliotecas setoriais, que fornecem acervo digital e impresso, 
bem como acesso a redes de informação e documentação.
Nesse contexto, os recursos disponíveis e necessários para apoiá-lo(a) no seu estudo são o suple-
mento que a Unisa Digital oferece, tornando seu aprendizado eficiente e prazeroso, concorrendo para 
uma formação completa, na qual o conteúdo aprendido influencia sua vida profissional e pessoal.
A Unisa Digital é assim para você: Universidade a qualquer hora e em qualquer lugar!
Unisa Digital
APRESENTAÇÃO
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ................................................................................................................................................7
1 ATUAÇÃO PROFISSIONAL ................................................................................................................9
1.1 A Evolução da Contabilidade ......................................................................................................................................9
1.2 Contabilidade na Bíblia .............................................................................................................................................. 12
1.3 Contabilidade Despertando como Ciência ........................................................................................................ 12
1.4 Teorias Descritivas e Prescritivas ............................................................................................................................. 14
1.5 Doutrinas e Escolas de Contabilidade .................................................................................................................. 14
1.6 O Cenário Atual da Contabilidade ......................................................................................................................... 16
1.7 Resumo do Capítulo .................................................................................................................................................... 17
1.8 Atividades Propostas ................................................................................................................................................... 18
2 CONTABILIDADE E CONTADOR ................................................................................................. 19
2.1 A Tomada de Decisão .................................................................................................................................................. 19
2.2 A Função do Contador ................................................................................................................................................ 20
2.3 A Contabilidade como Profissão ............................................................................................................................. 20
2.4 Visão Geral da Profissão Contábil ........................................................................................................................... 22
2.5 A Contabilidade em outros Cursos ........................................................................................................................ 23
2.6 Resumo do Capítulo .................................................................................................................................................... 24
2.7 Atividades Propostas ................................................................................................................................................... 24
3 OBJETIVOS DA CONTABILIDADE E UTILIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO 
CONTÁBIL ..................................................................................................................................................25
3.1 Utilização da Informação Contábil e Campo de Atuação da Contabilidade ......................................... 26
3.2 Patrimônio da Entidade ............................................................................................................................................. 26
3.3 Finalidade Social do Contador ................................................................................................................................ 27
3.4 Resumo do Capítulo .................................................................................................................................................... 27
3.5 Atividades Propostas ................................................................................................................................................... 28
4 QUALIDADE E CARACTERÍSTICA DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL: O 
PRODUTO FINAL DA CONTABILIDADE ................................................................................ 29
4.1 Informação Econômica............................................................................................................................................... 29
4.2 Custos versus Benefícios ............................................................................................................................................. 30
4.3 Compreensibilidade .................................................................................................................................................... 30
4.4 Relevância ....................................................................................................................................................................... 30
4.5 Confiabilidade ................................................................................................................................................................ 31
4.6 Comparabilidade .......................................................................................................................................................... 32
4.7 A Importância da Comparação ............................................................................................................................... 32
4.8 Políticas Contábeis ....................................................................................................................................................... 32
4.9 Tempestividade ............................................................................................................................................................ 33
4.10 Intempestividade .................................................................................................................................................... 33
4.11 Tomada de Decisões ................................................................................................................................................. 34
4.12 Resumo do Capítulo .................................................................................................................................................34
4.13 Atividades Propostas ................................................................................................................................................35
5 RELATÓRIOS CONTÁBEIS ............................................................................................................... 37
5.1 Demonstrações Financeiras .....................................................................................................................................375.2 Relatórios Contábeis Obrigatórios .........................................................................................................................37
5.3 Complementação às Demonstrações Financeiras ...........................................................................................39
5.4 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................45
5.5 Atividades Propostas ...................................................................................................................................................45
6 OS PRINCÍPIOS DE CONTABILIDADE – A ENTIDADE E A CONTINUIDADE ............ 47
6.1 Aplicação da Contabilidade ......................................................................................................................................47
6.2 Usuários da Contabilidade ........................................................................................................................................47
6.3 Para quem é Mantida a Contabilidade .................................................................................................................48
6.4 Pilares da Contabilidade ............................................................................................................................................48
6.5 Princípios da Contabilidade......................................................................................................................................50
6.6 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................54
6.7 Atividades Propostas ...................................................................................................................................................54
7 PATRIMÔNIO E RESULTADO ......................................................................................................... 55
7.1 O Ativo e sua Mensuração (Avaliação) .................................................................................................................55
7.2 Algumas Definições de Ativo ...................................................................................................................................55
7.3 Ativo Circulante .............................................................................................................................................................56
7.4 Ativo Realizável em Longo Prazo ............................................................................................................................58
7.5 Ativo Permanente .........................................................................................................................................................58
7.6 Contas Retificadoras do Ativo ..................................................................................................................................59
7.7 Dedução do Ativo Permanente ...............................................................................................................................60
7.8 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................60
7.9 Atividades Propostas ...................................................................................................................................................61
8 O PASSIVO E SUA MENSURAÇÃO (AVALIAÇÃO) ........................................................... 63
8.1 Generalidades ................................................................................................................................................................63
8.2 Definições de Passivo ..................................................................................................................................................63
8.3 Passivo Circulante .........................................................................................................................................................64
8.4 Passivo Exigível em Longo Prazo ............................................................................................................................64
8.5 Resultado de Exercício Futuros ...............................................................................................................................64
8.6 Patrimônio Líquido ......................................................................................................................................................65
8.7 Contas Retificadoras do Passivo..............................................................................................................................65
8.8 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................66
8.9 Atividades Propostas ...................................................................................................................................................66
9 TERMINOLOGIA CONTÁBIL BÁSICA USADA EM CONTABILIDADE .................. 67
9.1 Receitas e Ganhos ........................................................................................................................................................67
9.2 Despesas e Perdas ........................................................................................................................................................68
9.3 Outras Terminologias Usadas ...................................................................................................................................69
9.4 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................69
9.5 Atividades Propostas ...................................................................................................................................................70
10 PATRIMÔNIO E RESULTADO...................................................................................................... 71
10.1 Relatórios Contábeis .................................................................................................................................................71
10.2 O Balanço Patrimonial ..............................................................................................................................................71
10.3 Poder Preditivo do Balanço Patrimonial ............................................................................................................72
10.4 Uma Estrutura de Balanços não Usada entre Nós .........................................................................................73
10.5 As Normas Brasileiras de Contabilidade e o Balanço Patrimonial ...........................................................74
10.6 CFC e Lei das S.A.........................................................................................................................................................74
10.7 Passivo Descoberto ...................................................................................................................................................74
10.8 Algumas Diferenças ..................................................................................................................................................74
10.9 Resultado de Exercícios Futuros ...........................................................................................................................75
10.10 Resultados de Exercícios Futuros versus Exigível .........................................................................................75
10.11 As Normas Brasileiras de Contabilidade (as NBCS) ....................................................................................7510.12 Resumo do Capítulo ...............................................................................................................................................78
10.13 Atividades Propostas ..............................................................................................................................................78
RESPOSTAS COMENTADAS DAS ATIVIDADES PROPOSTAS ..................................... 79
REFERÊNCIAS ............................................................................................................................................. 83
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
7
INTRODUÇÃO
Você está iniciando o estudo da disciplina Teoria da Contabilidade, a qual tem como objetivo prin-
cipal solidificar os estudos teóricos relacionados à origem da contabilidade, sua história, doutrinas e es-
colas e o surgimento do período pré-científico.
Será possível compreender a evolução da Contabilidade com o progresso das sociedades e o de-
senvolvimento da contabilidade como uma Ciência Social Aplicada.
Ainda, você conhecerá a necessidade e a criação de organismos de regulamentação, como o Con-
selho Federal de Contabilidade (CFC).
Por meio desta disciplina, você aprofundará sua compreensão do surgimento dos Postulados, Con-
venções e o significado dos Princípios de Contabilidade.
Você terá o entendimento sobre as demonstrações contábeis, seus diversos grupos e Critérios de 
Mensuração do Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido, Receitas e Despesas, Ganhos e Perdas, e Princípios 
Fundamentais da Contabilidade. 
O presente material foi especialmente desenvolvido para os alunos do Ensino a Distância (EaD) e 
seu uso será de grande valia no decorrer das aulas do curso, devendo ser usado como bibliografia básica. 
Ao final de cada capítulo, leia com atenção os enunciados e responda às questões propostas. Essas 
questões objetivam auxiliá-lo(la) na aprendizagem. Primeiramente, responda a todas as questões e so-
mente ao final verifique as suas respostas, relacionando-as com as respostas e comentários do professor, 
ao final desta apostila.
Bons estudos e sucesso!
Prof. Roberto Rodrigues Prado
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
9
ATUAÇÃO PROFISSIONAL1 
Caro(a) aluno(a), neste capítulo você tem 
um rápido comentário da estabilidade da profis-
são contábil e da evolução da contabilidade. A 
profissão contábil tem hoje uma posição bem de-
finida na economia global, um campo de trabalho 
bastante amplo e diversificado e objetivos bem 
claros de onde pretende chegar. Essa estabilidade 
profissional, esses horizontes bem definidos têm 
uma longa história!
Assim, você conhecerá a História da Con-
tabilidade e poderá associar a sua origem à ne-
cessidade de controle da riqueza e dos estoques 
na produção de alimentos e animais em antigas 
civilizações.
Entenderá, ainda, os acontecimentos que 
contribuíram para surgir o Método das Partidas 
Dobradas, que é origem das palavras “débito” e 
“crédito”, de Frei Luca Pacioli.
1.1 A Evolução da Contabilidade
Pense na contabilidade em uma época na 
qual não existia moeda, escrita e números!
Imagine um homem, na Antiguidade, sem 
conhecer números e, muito menos, a escrita, 
exercendo a atividade de pastoreio. O inverno 
está chegando. O homem prepara toda a provi-
são para o sustento do seu rebanho de ovelhas, 
olhando para um período longo de muito frio que 
está se aproximando. Ainda que ele nunca tenha 
aprendido sobre os meses do ano, ele sabe que a 
neve está se aproximando, pois as folhas das ár-
vores ficaram amarelas e caíram e assim ocorreu 
no passado, por inúmeras vezes. Ele não sabia o 
que eram as estações do ano, mas tinha experiên-
cia: árvores secando, frio chegando.
Pense a respeito!
O home tem natureza materialista, pois des-
de seu surgimento é ligado aos bens materiais.
A Contabilidade no Início de Tudo 
Antes que caísse a 1ª neve, ele recolhia seu 
rebanho num aprisco (curral), para protegê-lo do 
frio que matava. Era um período de monotonia, 
de ociosidade. Depois de tosquiar (cortar rente) 
as ovelhas, não se tinha nada para fazer a não ser 
olhar pelas frestas a neve caindo. O que fazer nes-
se período?
De repente, o homem se questiona: “Quanto 
será que o meu rebanho cresceu desde o último 
frio até hoje? Será que o meu cresceu mais que do 
Floreto?” (Floreto era o pastor de ovelhas vizinho 
desse homem na Antiguidade). Esse homem, as-
sim como qualquer um, era ambicioso, tinha de-
safios e queria ver sua riqueza aumentando. 
AtençãoAtenção
Aqui entra a função da Contabilidade, já no início 
da civilização: avaliar a riqueza do homem; ava-
liar os acréscimos ou decréscimos dessa riqueza. 
Como o homem naturalmente é ambicioso, a 
Contabilidade existe desde o início da civilização. 
Alguns teóricos preferem dizer que ela existe, pe-
los menos, desde 4.000 antes de Cristo. 
Roberto Rodrigues Prado
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
10
Mas como contar o rebanho e avaliar seu 
crescimento se não existiam números (da forma 
que sabemos hoje), nem escrita e, muito menos, 
moeda?
Na monotonia do inverno, entre os balidos 
(voz de ovelha ou cordeiro) ininterruptos das ove-
lhas, o homem tem uma ideia. Havendo um pe-
queno monte de pedrinhas ao seu lado, o homem 
separa uma pedrinha para cada cabeça de ovelha, 
executando assim o que o contabilista chamaria 
hoje de inventário. Após o término dessa mis-
são, o homem separa o conjunto de pedrinhas, 
guardando-o com muito cuidado, pois o conjun-
to representava a sua riqueza num determinado 
momento.
Finalmente, a neve derretia e o sol voltava 
a aquecer a montanha do homem do pastoreio. 
A superfície da montanha voltava a ficar verde 
e lá ia ele dirigindo o seu rebanho, protegendo 
contra os predadores, administrando assim a sua 
riqueza. Passado algum tempo, novas ovelhinhas 
surgiram e já se percebia que o nascimento era 
maior que a mortalidade e o descarte (escapató-
ria). A lã era tirada e parte dela negociada em tro-
ca de alguns equipamentos rudimentares de caça 
e pesca.
O tempo passava. Novamente as folhas das 
árvores voltavam a ficar amarelas e começavam 
a cair. Para nós, chamamos, hoje, esse fenômeno 
de outono. Para aquele homem, era o momento 
de fazer a provisão para sustentar sua riqueza no 
período da seca do inverno.
Novamente a neve caía. No aprisco (uma 
grande caverna no alto da montanha), estavam 
de volta o pastor e seu rebanho. Nada mais natu-
ral que fazer uma pedrinha por cabeça de ovelha:
Figura 1 – Contagem abstrata.
Resultado da contagem
Cada símbolo (pedrinha) corresponde a uma cabeça de ovelha:
Primeiro Inverno Segundo Inverno Comparação entre 2 invernos
O+O+O+O+O
O+O+O+O+O
O+O+O+O+O
P+P+P+P+P+P+P
P+P+P+P+P+P+P
P+P+P+P+P+P
O+O+O+O+O PP
O+O+O+O+O PP
O+O+O+O+O P
1º INVENTÁRIO 2º INVENTÁRIO
ACRÉSCIMO DE CABEÇAS DE 
OVELHAS
Fonte: Iudícibus (2010, p. 5).
Resultado Positivo é Igual ao Lucro?
Ao comparar o atual conjunto de pedrinhas 
com o anterior, feito no inverno passado, o pastor 
constata que houve um excedente de pedrinhas 
(para nós, cinco pedrinhas) e isso representava 
que ele tinha sido bem-sucedido naquele perío-
do, ou seja, houve um acréscimo real no seu reba-
nho (um resultado positivo).
Todavia, o pastor não estava satisfeito pelo 
fato de apenas avaliar o crescimento do plantel. Ele 
sabia que seu rebanho havia produzido lã naquele 
período. A lã proporcionara não só agasalho para 
proteger sua família, como também fora utilizada 
como meio de troca na aquisição de instrumentos 
de caça e pesca.
Além disso, havia uma quantidade de lã recém-
-obtida no processo de tosquiamento nesse inverno.
Um Inventário Completo
O homem estima que, se fosse trocar ove-
lhas por agasalho, precisaria de pelo menos duas 
cabeças para suprir sua famílianesse inverno. 
Teoria da Contabilidade
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
11
Como seu próprio rebanho havia produzido, ele 
separa duas novas pedrinhas correspondentes a 
duas ovelhas, representando aquele adicional de 
riqueza da sua família. Os instrumentos de caça 
e pesca obtidos equivalem a três ovelhas. Toda a 
lã estocada corresponderia a, pelo menos, quatro 
ovelhas, ou seja, ele conseguiria trocar seu depó-
sito de lã por quatro cabeças. Assim, ele teria um 
novo conjunto de nove pedrinhas para acrescen-
tar à contagem realizada nesse segundo inverno.
Observe, caro(a) aluno(a), a situação a seguir:
 
ACRÉSCIMO DO PERÍODO
1º Inverno 2º Inverno Agasalhos InstrumentosCaça/Pesca Estoque de Lã
OOOOO PP A C/P X
OOOOO PP A C/P X
OOOOO P   C/P X
1º INVENTÁRIO 2º INVENTÁRIO Corresponde a 2 ovelhas Corresponde a 3 ovelhas Corresponde a 4 ovelhas
Total do Rebanho Resultado da Produção do Período
Total da Riqueza à Disposição do Pastor
Imagine se houvessem números e escrita, 
poderíamos apresentar um relatório da riqueza 
do pastor!
Relatório Contábil 
O acréscimo do primeiro para o segundo in-
verno foi correspondente a 14 ovelhas, que, num 
sentido econômico, podemos chamar de lucro. 
O pastor da Antiguidade certamente iria vibrar, 
pois sua riqueza praticamente dobrou no perío-
do analisado.
Se nós tivéssemos moeda, o denominador 
comum não seria ovelhas, mas sim o valor em 
dinheiro. Todavia, o que fica bem claro é que, 
mesmo sem moeda, escrita e número, a Conta-
bilidade, como inventário, já existia, ficando evi-
denciado que ela é tão antiga quanto a existência 
do homem em atividade econômica, ou melhor, 
quem sabe, do homem sapiente.
Esta pode ser chamada de fase empírica da 
Contabilidade, em que se utilizavam desenhos, fi-
guras, imagens para identificar o patrimônio exis-
tente.
Com o passar do tempo, o homem começa a 
fazer marcas em árvores e pedras, podendo, assim, 
conferir seu rebanho em termos de crescimento, 
de extravio (perdas) de ovelhas, mortes etc.
Roberto Rodrigues Prado
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
12
Assim, conclui-se que, desde os povos mais 
primitivos, a Contabilidade já existia em função 
da necessidade de controlar, medir e preservar o 
patrimônio familiar e, até mesmo, em função de 
trocar bens para maior satisfação das pessoas.
O livro de Jó, ainda que não seja o primeiro da 
Bíblia, é considerado o mais antigo. Jó era um ho-
mem muito rico e justo, da terra de Uz, no Oriente, 
que certamente tinha um bom contador, pois, na 
descrição de sua riqueza, no versículo três do pri-
meiro capítulo, observa-se: “E era o seu gado sete 
mil ovelhas, e três mil camelos, e quinhentas jun-
tas de bois e quinhentas jumentas.”
CuriosidadeCuriosidade
A relação de bens de Jó demonstra um cui-
dado no controle do seu patrimônio pessoal.
Por questões espirituais, um dia, Jó perde 
toda a sua fortuna, tornando-se um homem po-
bre, sem nenhum bem.
Mas no final do livro de Jó, algo surpreen-
dente acontece. Também por motivos espirituais, 
ele recupera a sua fortuna e não deixa de reen-
contrar um contador que, num certo momento, 
apresenta um relatório surpreendente: sua ri-
queza estava duplicada em relação ao primeiro 
inventário: “E assim abençoou o Senhor o último 
estado de Jó, mais do que o primeiro; porque teve 
catorze mil ovelhas, e seis mil camelos, e mil jun-
tas de bois e mil jumentas.” (descrito no capítulo 
42, versículo 12, do Livro de Jó).
Esse e diversos exemplos mostram que a 
Contabilidade já existia com o primitivismo dos 
povos, ainda que os conhecimentos da matemá-
tica, das letras, dos negócios e até mesmo de pa-
trimônio fossem limitados.
Símbolos na Argila
Talvez, na época de Jó, já se introduzisse o 
período Mnemônico da Contabilidade, através de 
cuneiforme. Outras evoluções foram observadas, 
principalmente nas escritas em papiro, descober-
to pelos egípcios.
1.2 Contabilidade na Bíblia
1.3 Contabilidade Despertando como Ciência
DicionárioDicionário
Cuneiforme: símbolos gravados em barro ou placa 
de argila, dando-se os primeiros passos para os re-
gistros. As próprias placas de argila serviam como 
relatórios.
Você sabia que a Contabilidade vai iniciar 
a sua fase adulta, fase racional, exatamente no 
aperfeiçoamento da Imprensa por Gutenberg, na 
Alemanha, no século XV d.C.? 
Pense a respeito!
Ainda que a Contabilidade, como já vimos, 
existisse desde o princípio da civilização, nota-se um 
desenvolvimento muito lento ao longo dos séculos.
Somente em torno do século XV (com pre-
sença relevante no século XIII), isto é, praticamen-
te após 5.500 anos (partindo-se da hipótese de 
Teoria da Contabilidade
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
13
que ela existe desde 4.000 a.C.), é que a Contabi-
lidade atinge um nível de desenvolvimento notó-
rio, sendo chamada de fase lógico-racional ou, até 
mesmo, fase pré-científica da Contabilidade.
Do Renascimento para a Ciência
O que toda a história tem mostrado é que a 
Contabilidade torna-se importante à medida que 
há desenvolvimento econômico. Hoje, por exem-
plo, a profissão é muito valorizada nos países do 
primeiro mundo. No Brasil, até a década de 1960, 
esse profissional era chamado de “guarda-livros”, a 
nosso ver, título pejorativo (desagradável) e pou-
co indicador. Todavia, com o milagre econômico 
na década de 1970, essa expressão desapareceu e 
observou-se um excelente e valorizado mercado 
de trabalho para os contabilistas.
Na Idade Moderna, em torno dos séculos 
XIV a XVI, principalmente no Renascimento, diver-
sos acontecimentos no mundo das artes, na eco-
nomia, nas nações, proporcionaram um impulso 
espetacular das Ciências Contábeis, sobretudo 
na Itália. Em torno desse período, tivemos, sem 
a preocupação de ordem cronológica, Copérni-
co, Galileu e Newton, revolucionando a visão da 
humanidade, o aperfeiçoamento da Imprensa 
por Gutenberg (já referido), Colombo iniciando 
as grandes descobertas, o mercantilismo, o surgi-
mento da burguesia, o protestantismo, a desco-
berta de diversos campos de conhecimento etc.
O Frade Franciscano
Todavia, o marco, nesse período, foi a pri-
meira literatura contábil relevante pelo Frei Luca 
Pacioli, em 1494, consolidando o método das par-
tidas dobradas, expressando a causa e o efeito do 
fenômeno patrimonial com os termos “débito” e 
“crédito” (esse método já era conhecido antes de 
Pacioli: era praticado no século XIII).
A obra de Pacioli pode muito bem ser vista 
como início do pensamento científico da Conta-
bilidade.
Pense a respeito!
Doutrinadores contábeis, sucessores de Pa-
cioli, na Europa (principalmente na Itália), nos sé-
culos seguintes, vão dar um cunho científico para 
a Contabilidade e origem à (denominada pos-
teriormente) Escola Contábil Europeia ou, mais 
especificamente, Escola Contábil Italiana. A Itália 
pode ser chamada de Berço da Contabilidade.
Origem das Palavras ‘Débito’ e ‘Crédito’
As palavras utilizadas para a escrituração 
por partidas dobradas têm sua origem no latim, 
em que a palavra ‘débito’ significa: dívidas, deve-
dores, debêntures, que são palavras que resultam 
da base debere, ou deber. 
E a palavra ‘crédito’ vem da raiz da palavra 
credo, ou seja, algo em que se acredita e também 
pode referir-se a pessoas nas quais se acreditam 
credores.
É possível compreender que, como um Frei 
da Igreja, Luca Pacioli associou o significado des-
sas palavras com os direitos e obrigações de uma 
pessoa.
Veja, caro(a) aluno(a), como tudo começou!
A Contabilidade não é uma ciência exata. 
Ela é uma ciência social, pois é a ação humana que 
gera e modifica o fenômeno patrimonial. Todavia, 
a Contabilidade utiliza os métodos quantitativos 
(matemática e estatística) como sua principal fer-
ramenta.
Aliás,em tudo o que fazemos na vida, preci-
samos dos métodos quantitativos, dos números. 
Desde o momento em que levantamos, subme-
temo-nos aos números: identificamos no relógio 
que horas são; o nosso café está sujeito a uma 
quantidade de colheres de açúcar ou gotas de 
adoçante; a velocidade do carro; o nosso salário, 
recebimentos e pagamentos; o canal de televisão; 
as vantagens e desvantagens, em tudo se envol-
vem números.
Roberto Rodrigues Prado
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
14
Caro(a) aluno(a), a seguir, faça uma pausa 
para a seguinte reflexão!
Este é o grande impulso que a Contabilida-
de precisava. Já imaginou a Contabilidade sem os 
números arábicos, sem o zero, só com letras?
Praticamente, no século XIII, é que os números 
indo-arábicos (0, 1, 2, 3, ...) vieram substituir o siste-
ma greco-romano (I, II, III, IV, ...) e hebraico, que usa-
vam letras para contar e calcular (desconheciam o 
zero). A história dos números, no Ocidente, come-
ça com o livro Liber Abaci (Livro do Ábaco), escrito, 
em 1202, por Leonardo Pisano, conhecido como 
Fibonacci (“cabeça dura”). Esse livro, entre inúme-
ras contribuições, inclui Contabilidade (cálculo de 
margem de lucro, moedas, câmbio...) e juros.
CuriosidadeCuriosidade
A classificação consiste em questionar se os 
argumentos advêm de generalizações e observa-
ções específicas. Tanto as teorias indutivas quan-
to as teorias dedutivas podem ser descritivas (po-
sitivas) ou prescritivas (normativas).
ƒƒ Descritivas (positivas): visam a mostrar 
e explicar quais informações financeiras 
são apresentadas e comunicadas aos 
usuários de dados contábeis, ou seja, o 
que é;
ƒƒ Prescritivas (normativas): visam a reco-
mendar que dados devem ser comuni-
cados e como devem ser apresentados, 
ou seja, o que deve ser.
1.4 Teorias Descritivas e Prescritivas
1.5 Doutrinas e Escolas de Contabilidade
Até o século XVIII, pode-se afirmar que 
não houve evolução do pensamento científico 
da Contabilidade sob influência da obra de Luca 
Pacioli, cuja preocupação era o aprimoramento 
da técnica contábil, que criou regras e princípios 
voltados para o funcionamento das contas para o 
registro dos direitos e das obrigações.
Escola Contista
Surgiu com o comerciante Benedetto Co-
trugli, em 1458, considerado por alguns autores 
o primeiro a descrever o sistema de registro das 
partidas dobradas. As regras estabelecidas eram 
de que o comerciante deveria possuir três livros 
de contas para registrar suas transações comer-
ciais: o livro de Gastos, o livro Diário e o livro-razão.
A teoria das cinco contas de Edmundo De-
granges, em 1975, sustentava que o comércio ti-
nha cinco objetos principais, que, sucessivamen-
te, poderiam ser negociados: (1) mercadorias; (2) 
dinheiro; (3) Contas a Receber; (4) Contas a Pagar; 
(5) Lucros e Perdas.
Escola Materialista
Orientou o início do período científico da 
Contabilidade e seu precursor foi o italiano Fran-
cesco Villa, em 1840, com a publicação de La con-
tabilità applicata alle amministrazioni private e 
pubbliche.
Teoria da Contabilidade
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15
O objeto essencial da Contabilidade era a 
gestão, a riqueza gerada e, para os seus pensa-
dores, a conta limitava-se a representar os valores 
gerados e a escrituração contábil auxiliava o estu-
do contábil. Consequentemente, a Contabilidade 
deveria ser elevada a uma condição de importan-
te fonte de informação sobre o gerenciamento do 
Patrimônio.
Essa escola preocupou-se em aumentar a 
quantidade de informações apresentadas nos 
relatórios contábeis, implantando os dados que 
geravam impactos nos resultados das empresas, 
como os custos de produtos e os gastos realiza-
dos. Esses pensadores forneceram grande contri-
buição para:
ƒƒ Avaliação do ativo permanente a preço 
corrente em atividades comerciais e in-
dustriais;
ƒƒ Desvinculação da Contabilidade de ci-
fras e números;
ƒƒ Estabelecimento do controle como ob-
jeto da Contabilidade.
Escola Personalista
Surgiu em 1867, com Francesco Marchi, que 
publicou o livro I cinquecontist ovvero la inganne-
vola teórica che viene insegnata negli istituti tecnici 
del Regno e fluori del Regno intorno il Sistema de 
Scrittura a partita dopia e nuovo saggio per La facile 
intelligenza ed applicazione del sistema.
Foram também pensadores dessa escola 
Giuseppe Cerboni e Giovanni Rossi.
Assinalou uma nova postura da ciência 
contábil. A Contabilidade deixava de ser voltada 
apenas para a arte de registrar e contar a riqueza 
gerada, com as seguintes características:
ƒƒ Quem recebe é debitado;
ƒƒ Quem entrega é creditado;
ƒƒ Os agentes e correspondentes são de-
bitados à medida que o proprietário é 
creditado e vice-versa;
ƒƒ As contas são abertas em nome das 
pessoas físicas ou jurídicas;
ƒƒ Considera o aspecto jurídico das rela-
ções entre as pessoas.
Período em que surgiu a teoria logismo-
gráfica.
Escola Controlista
Com a obra do italiano Fabio Besta, em 
1880, La ragioneria, sobre a figura do controle, 
surgiu a filosofia do Controlismo, em que o con-
trole da riqueza aziendal era o objeto do estudo 
da Contabilidade. Seus principais pensadores fo-
ram: Fabio Besta, Vittorio Alfieri, Carlo Ghidiglia, 
Pietro Rigobon e Pietro D’Alvise.
Nesse sentido, a riqueza deveria ser con-
siderada sobre ela mesma e o patrimônio como 
uma grandeza que se pudesse medir, sendo ne-
cessário que os fatos administrativos fossem es-
criturados, em (1) permutativos: quando ocorre 
mudança entre elementos do ativo e do passivo 
(mudam duas contas); (2) modificativos: quando 
ocorre mudança entre elementos do ativo ou do 
passivo e patrimônio líquido (mudam duas con-
tas); (3) mistos: quando ocorre mudança entre 
elementos do ativo ou do passivo e patrimônio 
líquido (mudam três contas). 
Escola Reditualista ou Alemã
 
Segundo o alemão Eugen Schmalenbach, 
o sucesso ou o insucesso de uma empresa esta-
va diretamente vinculado aos lucros ou prejuízos 
obtidos; portanto, a filosofia do Reditualismo con-
sistia em que o redito (lucro/rendimento) detinha 
prioridade sobre a estrutura patrimonial, sendo o 
principal objeto de estudo da Contabilidade.
DicionárioDicionário
Teoria logismográfica: método de coordenar e 
representar os fatos administrativos da azienda e 
analisar seus processos e os efeitos jurídicos eco-
nômicos agrupados (HENDRIKSEN; BREDA, 1999).
Roberto Rodrigues Prado
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16
Escola Aziendalista
 
Seus pensadores foram Alberto Ceccherelli 
e Gino Zappa, seguidos por Pietro Onida, Lino Az-
zini, Carlo Masini, entre outros.
Essa escola tinha como filosofia que a azien-
da (bens, direitos e obrigações que constituíam o 
patrimônio) era o objeto do estudo da Contabili-
dade.
Escola Patrimonialista
Foi Vincenzo Masi o precursor da escola 
patrimonialista, cuja filosofia consistia em que o 
patrimônio era objeto da Contabilidade e seu es-
tudo estava relacionado à estática patrimonial, à 
dinâmica patrimonial e à relevância patrimonial.
A escrituração e as demonstrações con-
tábeis representam apenas instrumentos para 
registrar os fatos, devendo conter explicações e 
interpretação, propondo uma nova classificação 
das contas em patrimoniais e de resultado.
Seus principais seguidores foram Francisco 
D’Áuria, Jaime Lopes Amorim e José Maria Fer-
nandez Pirea, entre outros.
Escola do Pensamento Contábil
Formada pela Escola Europeia, que predomi-
nou em todo o mundo durante séculos. O expressi-
vo crescimento e a influência da economia ameri-
cana nas economias dos outros países, por volta do 
século XIV, quebraram sua hegemonia, surgindo a 
Escola Norte-Americana, que teve seu início volta-
do para o tratamento prático das questões econô-
mico-administrativas da Contabilidade.O desenvolvimento contábil, como já dis-
semos, acompanha de perto o desenvolvimento 
econômico. Com a ascensão econômica do colos-
so norte-americano, o mundo contábil volta sua 
atenção para os Estados Unidos, principalmente a 
partir de 1920, dando origem ao que alguns cha-
mam de Escola Contábil Norte-Americana.
O surgimento das gigantescas Corporations, 
principalmente no início do século anterior, alia-
do ao formidável desenvolvimento do mercado 
de capitais e ao extraordinário ritmo de desen-
volvimento que aquele país experimentou e ain-
da experimenta, constitui um campo fértil para 
o avanço das teorias e práticas contábeis norte-
-americanas.
Não podemos esquecer também que os Es-
tados Unidos herdaram da Inglaterra uma exce-
lente tradição no campo da auditoria, criando lá 
sólidas raízes.
1.6 O Cenário Atual da Contabilidade
De maneira geral, poderíamos dizer que o 
início do século XX presenciou a queda da cha-
mada Escola Europeia (mais especificamente, a 
Italiana) e a ascensão da chamada Escola Norte-
-Americana no mundo contábil. Sem pretender 
esgotar o tema, apresentamos alguns motivos 
que levaram à mudança do cenário internacio-
nal da Contabilidade. Hoje em dia, entretanto, a 
tendência é rumo à harmonização internacional 
das normas contábeis, adotando o modelo do In-
ternational Accounting Standards Committee (IASC 
– Comitê Internacional de Normas Contábeis), de 
inspiração Anglo.
Teoria da Contabilidade
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17
Comparação das duas escolas.
Algumas razões da Queda da Escola Europeia
(especificamente, a italiana)
Algumas razões da Ascensão da Escola Norte-
Americana
1. Excessivo Culto à Personalidade: grandes mestres 
da Contabilidade ganharam tanta notoriedade que 
passaram a ser vistos como “oráculos” da verdade 
contábil.
1. Ênfase ao Usuário da Informação Contábil: 
a Contabilidade é apresentada como algo útil 
para a tomada de decisões, evitando-se endeusar 
demasiadamente a contabilidade; atender aos 
usuários é o grande objetivo.
2. Ênfase a uma Contabilidade Teórica: as mentes 
privilegiadas produziam trabalhos excessivamente 
teóricos, apenas pelo gosto de serem teóricos, 
difundindo-se ideias com pouca aplicação prática.
2. Ênfase à Contabilidade Aplicada: principalmente, 
à Contabilidade Gerencial. Ao contrário dos europeus, 
não havia uma preocupação com a teoria das contas 
ou com querer provar que a Contabilidade é uma 
ciência.
3. Pouca Importância à Auditoria: principalmente 
na legislação italiana, o grau de confiabilidade e a 
importância da auditagem não eram enfatizados.
3. Bastante Importância à Auditoria: como herança 
dos ingleses e transparência para os investidores 
das Sociedades Anônimas (e outros usuários) nos 
relatórios contábeis, a auditoria é muito enfatizada.
4. Queda do nível das principais faculdades: 
principalmente as faculdades italianas, superpovoadas 
de alunos.
4. Universidades em busca de qualidade: grandes 
quantias para as pesquisas no campo contábil, o 
professor em dedicação exclusiva e o aluno em 
período integral valorizam o ensino nos Estados 
Unidos.
1.7 Resumo do Capítulo
Saiba maisSaiba mais
Entidades contábeis
As entidades mais atuantes no campo contábil têm sido, tradicionalmente, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), 
o Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (IBRACON) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A partir de 
2007, com a promulgação da Lei nº 11.638, que veio alterar em alguns aspectos a Lei nº 6.404/1976, a Lei das Socieda-
des por Ações, foi constituído o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC).
Neste capítulo, você foi conduzido(a) à reflexão sobre as origens e história da Contabilidade. Co-
nheceu que as origens estão registradas desde o surgimento da humanidade, possibilitando atender às 
necessidades de controlar e medir as riquezas possuídas pelo homem.
Aprendeu que se registram os antecedentes da Contabilidade, através da história, desde a Anti-
guidade dos povos. Viu como a arte da escrita e a aritmética conduziram à Contabilidade como ciência.
Foi a partir do período pré-científico, com o Método das Partidas Dobradas, criado pelo Frei Luca 
Pacioli, que o uso da Contabilidade ganhou impulso, surgindo as escolas e doutrinas contábeis.
A partir desse período, a Contabilidade é dominada pela Escola Europeia, também denominada 
Italiana, até sua queda, com a ascensão da escola Norte-Americana.
Roberto Rodrigues Prado
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1. Pode-se dizer que Pacioli é o criador do método das partidas dobradas?
2. Quais as vantagens da Escola Contábil Norte-Americana em relação à Europeia?
1.8 Atividades Propostas
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Frequentemente, estamos tomando deci-
sões: a que hora iremos levantar, que roupa ire-
mos vestir, qual tipo de comida iremos almoçar, 
a que programa iremos assistir, qual trabalho ire-
mos desenvolver durante o dia etc. Algumas ve-
zes, são decisões importantíssimas: o casamento, 
a carreira que escolhemos, a aquisição de casa 
própria, para exemplificar.
Dentro de uma empresa, a situação não é 
diferente. Frequentemente, os responsáveis pela 
administração estão tomando decisões, quase 
todas importantes, vitais para o sucesso do ne-
gócio. Por isso, há necessidade de dados, de in-
formações corretas, de subsídios que contribuam 
para uma boa tomada de decisão. Decisões tais 
como comprar ou alugar uma máquina, preço 
de um produto, contrair uma dívida em longo ou 
curto prazo, quanto de dívida contrairemos, que 
quantidade de material para estoque deveremos 
comprar, reduzir custos, produzir mais etc.
A contabilidade é o grande instrumento 
que auxilia a administração a tomar decisões. Na 
verdade, ela coleta todos os dados econômicos, 
mensurando-os monetariamente, registrando-
-os e sumarizando-os em forma de relatórios ou 
de comunicados, que contribuem sobremaneira 
para a tomada de decisões.
Observamos, com certa frequência, que 
várias empresas, principalmente as pequenas, 
têm falido ou enfrentam sérios problemas de so-
brevivência. Ouvimos empresários que criticam 
a carga tributária, os encargos sociais, a falta de 
recursos, os juros altos etc., fatores esses que, 
sem dúvida, contribuem para debilitar a empresa. 
Entretanto, descendo a fundo nas nossas investi-
gações, constatamos que, muitas vezes, a “célula 
cancerosa” não repousa naquelas críticas, mas na 
má gerência, nas decisões tomadas sem respaldo, 
sem dados confiáveis. Por fim, observamos, nes-
ses casos, uma contabilidade irreal, distorcida, em 
consequência de ter sido elaborada única e exclu-
sivamente para atender às exigências fiscais.
Vivemos um momento em que “aplicar 
os recursos escassos disponíveis com a máxima 
eficiência” tornou-se, dadas as dificuldades eco-
nômicas (concorrência, globalização etc.), uma 
tarefa nada fácil. A experiência e o feeling do ad-
ministrador não são mais fatores decisivos no 
quadro atual; exige-se um elenco de informações 
reais, que norteiem tais decisões. E essas informa-
ções estão nos relatórios elaborados pela Conta-
bilidade.
Tomada de Decisão Fora dos Limites da 
Empresa
Evidentemente, o processo decisório de-
corrente das informações apuradas pela Contabi-
lidade não se restringe apenas aos limites da em-
presa, aos administradores e gerentes (usuários 
internos), mas também a outros segmentos, quais 
sejam: usuários externos.
ƒƒ Investidores: é através dos relatórios 
contábeis que se identifica a situação 
econômico-financeira da empresa; des-
2.1 A Tomada de Decisão
CONTABILIDADE E CONTADOR2 
Roberto Rodrigues Prado
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20
sa forma, o investidor tem à mão os ele-
mentos necessários para decidir sobre 
as melhores alternativas deinvestimen-
tos. Os relatórios evidenciam a capaci-
dade da empresa em gerar lucros e ou-
tras informações;
ƒƒ Fornecedores de bens e serviços a 
crédito: usam os relatórios para anali-
sar a capacidade de pagamento da em-
presa compradora;
ƒƒ Bancos: utilizam os relatórios para 
aprovar empréstimos, limite de crédito 
etc.;
ƒƒ Governo: não só usa os relatórios com a 
finalidade de arrecadação de impostos, 
como também para dados estatísticos, 
no sentido de melhor redimensionar a 
economia (Instituto Brasileiro de Geo-
grafia e Estatística –IBGE, por exemplo);
ƒƒ Sindicatos: utilizam os relatórios para 
determinar a produtividade do setor, 
fator preponderante para reajuste de 
salários;
ƒƒ Outros interessados: funcionários 
(este, usuário interno), órgãos de clas-
ses, pessoas e diversos institutos, como 
a CVM, o Conselho Regional de Conta-
bilidade (CRC) etc.
Diante de um leque diversificado de ativi-
dades, podemos dizer que a tarefa básica do Con-
tador é produzir e/ou gerenciar informações úteis 
aos usuários da Contabilidade para a tomada de 
decisões. Ressalte-se, entretanto, que, em nosso 
país, em alguns segmentos da nossa economia, 
principalmente na pequena empresa, a função 
do contador foi distorcida (infelizmente), estando 
voltada quase exclusivamente para satisfazer as 
exigências do Fisco.
ÁREAS DE ATUAÇÃO DO CONTADOR
Coleta de Dados
Registro dos Dados e Processamento
Relatórios
Usuários (tomada de decisão):
ƒƒ Administração
ƒƒ Investidores
ƒƒ Bancos
ƒƒ Governo
ƒƒ Outros Interessados
2.2 A Função do Contador
2.3 A Contabilidade como Profissão
 
A Contabilidade é uma das áreas que mais 
proporcionam oportunidades para o profissional. 
O estudante que optou por um curso superior de 
Contabilidade terá inúmeras alternativas, entre as 
quais, citaremos as seguintes:
ƒƒ Contabilidade Financeira: é a con-
tabilidade geral, necessária a todas as 
empresas. Fornece informações básicas 
aos seus usuários e é obrigatória, con-
forme a legislação comercial;
ƒƒ Contabilidade de Custos: está voltada 
para o cálculo, interpretação e controle 
dos custos dos bens fabricados ou co-
mercializados ou dos serviços presta-
dos pela empresa;
AtençãoAtenção
CONTADOR: é o profissional que exerce as fun-
ções contábeis, com formação superior de ensino 
Contábil (Bacharel em Ciências Contábeis).
Teoria da Contabilidade
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21
ƒƒ Contabilidade Gerencial: voltada para 
fins internos, procura suprir os gerentes 
de um elenco maior de informações, 
exclusivamente para a tomada de de-
cisões. Diferencia-se das contabilidades 
já abordadas, pois não se prende aos 
Princípios Fundamentais da Contabili-
dade. O profissional que exerce a Con-
tabilidade Gerencial também é conhe-
cido como Controller;
ƒƒ Auditor Independente: é o profissio-
nal que não é empregado da empresa 
em que está realizando o trabalho de 
Auditoria. É um profissional liberal, em-
bora possa estar vinculado a uma em-
presa de Auditoria. O registro definitivo 
de Auditor Independente é conferido 
ao Contador que estiver registrado no 
CRC e tiver exercido atividade de Au-
ditoria por período não inferior a cinco 
anos (podendo ser reduzido para três 
anos, após conclusão do curso de es-
pecialização em Auditoria Contábil, em 
nível de pós-graduação, reconhecido 
pelo Conselho Federal de Educação);
ƒƒ Auditor Interno: é o Auditor que é 
empregado (ou dependente econômi-
co), preocupado principalmente com o 
Controle Interno da empresa;
ƒƒ Analista Financeiro: analisa a situação 
econômico-financeira da empresa, por 
meio de relatórios fornecidos pela Con-
tabilidade. A análise pode ter os mais 
diversos fins: medida de desempenho, 
concessão de crédito, investimentos 
etc.;
ƒƒ Perito Contábil: a perícia contábil é 
motivada por questão judicial, solici-
tada pela justiça. O contador fará uma 
verificação na exatidão dos registros 
contábeis e em outros aspectos, daí a 
designação Perito Contábil;
ƒƒ Consultor Contábil: a consultoria, em 
franco desenvolvimento em nosso país, 
não se restringe especificamente à par-
te contábil e financeira, mas também 
– e aqui houve um grande avanço da 
profissão – à consultoria fiscal (Imposto 
de Renda, IPI, ICMS e outros), na área de 
processamento de dados comércio ex-
terior etc.;
ƒƒ Professor de Contabilidade: exerce o 
magistério de 2º grau ou de faculdade 
(nesse caso, há necessidade de pós-gra-
duação), não só na área Contábil, como 
também em cursos de Ciências Econô-
micas e de Administração;
ƒƒ Pesquisador Contábil: para aqueles 
que optaram pela carreira universitária e 
que normalmente dedicam um período 
maior à universidade, há um campo pou-
co explorado no Brasil, ou seja, a inves-
tigação científica na Contabilidade. Na 
Faculdade de Economia, Administração 
e Contabilidade da Universidade de São 
Paulo (USP), através do Departamento 
de Contabilidade (no qual há os cursos 
de Mestrado e de Doutorado em Conta-
bilidade) e da Fundação Instituto de Pes-
quisas Contábeis, Atuariais e Financeiras 
(FIPECAFI), temos observado o desenvol-
vimento de pesquisas contábeis;
ƒƒ Cargos Públicos: em muitos concur-
sos, tais como para Fiscal de Renda, tan-
to na área Federal quanto na Estadual e 
na Municipal, tem havido grande con-
tingente de contadores aprovados;
ƒƒ Cargos Administrativos: observamos, 
ainda, contadores que exercem cargos 
de assessoria, elevados postos de che-
fia, de gerência e, até mesmo, de dire-
toria, com relativo sucesso. O contador 
é um profissional gabaritado para tais 
cargos, pois, no exercício de sua ativi-
dade, entra em contato com todos os 
AtençãoAtenção
AUDITOR: auditoria é o exame, a verificação da 
exatidão dos procedimentos contábeis.
Roberto Rodrigues Prado
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setores da empresa. É comum afirmar-
-se que o elemento que mais conhece 
a empresa é o contador. Por fim, ainda 
encontramos contadores que exercem 
a função de executivos.
Outras áreas ainda ocupadas pelo Conta-
dor: Investigador de Fraude, Escritor, Parecerista, 
Avaliador de Empresas, Conselheiro Fiscal, Media-
ção e Arbitragem etc. 
Quais outras profissões têm um leque tão 
grande de alternativas quanto a profissão contábil?
Pense a respeito!
DicionárioDicionário
Arbitragem: a arbitragem, há décadas utilizada nos 
países desenvolvidos, é regulamentada no Brasil 
pela Lei nº 9.307/1996, a chamada Lei da Arbitra-
gem, e vem sendo reconhecida como o método 
mais eficiente de resolução de conflitos, contri-
buindo para o descongestionamento do Poder 
Judiciário. 
Fonte: www.camaradomercado.com.br/arbitragem.asp
a) Planejador Tributário: orientador dos 
processos tributários/ICMS/IR e outros, 
bem como Especialista nas Fusões, In-
corporações e Cisões;
b) Analista Financeiro: analista de crédito, 
desempenho, mercado de capitais, in-
vestimento, custos;
c) Contador Geral: poderá se especializar 
em Contabilidade rural, hospitalar, fis-
cal, imobiliária, hotelaria, industrial, se-
curitária, de condomínio, de empresas 
transportadoras, bancária, pública, de 
empresas sem fins lucrativos, de empre-
sas de turismo, de empresas minerado-
ras, cooperativas;
d) Cargos Administrativos: área financeira, 
comércio exterior, Chef Information Offi-
cer (CIO), executivo, logística;
e) Auditor Interno: auditor de sistema, au-
ditoria de gestão, controle interno;
f ) Contador de Custo: custos de empresa 
prestadora de serviços, custos indus-
triais, análise de custos, orçamentos, 
custos de serviço público;
g) Contador Gerencial: controladoria, con-
tabilidade internacional, contabilidade 
ambiental, contabilidade estratégica, 
controladoria estratégica, balanço so-
cial;
h) Atuário: contador que se especializa em 
previdênciaprivada, pública e seguros.
a) Auditor Independente: especialização 
em sistemas, tributos, custos;
b) Consultor: expert em avaliação de em-
presa, tributos, comércio exterior, infor-
mática, sistemas, custos, controladoria, 
qualidade total, planejamento estraté-
gico, orçamento;
2.4 Visão Geral da Profissão Contábil
 CONTADOR 
NA EMPRESA 
 INDEPENDENTE 
(AUTÔNOMO) 
Teoria da Contabilidade
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23
c) Empresário Contábil: escritório de con-
tabilidade, “despachante” (serviços fis-
cal, departamento de pessoal etc.), cen-
tro de treinamento;
d) Perito Contábil: perícia contábil, judi-
cial, fiscal, extrajudicial;
e) nvestigador de Fraude: detecta o lado 
“podre” da empresa. Empresas na Euro-
pa e Estados Unidos contratam, às ve-
zes, até semestralmente esses serviços.
a) Professor: cursos técnicos, cursos espe-
ciais (In Company, concursos públicos 
etc.), carreira acadêmica (mestre, dou-
tor etc.);
b) Pesquisador: pesquisa autônoma (FA-
PES, CNPq, empresas etc.), fundação de 
pesquisa (FIPECAFI, FIA, FIPE etc.), pes-
quisas para sindicatos, instituições de 
ensino, órgãos de classe; 
c) Escritor: há revistas/boletins que remu-
neram os escassos escritores contábeis. 
Livros didáticos e técnicos, articulista 
contábil/financeiro/tributário para jor-
nais, revisão de livros;
d) Parecerista: docente e pesquisador com 
currículo notável. Parecer sobre: laudo 
pericial, causa judicial, envolvendo em-
presas, avaliação de empresas, ques-
tões contábeis;
e) Conferencista: palestra em universida-
des, empresas, convenções, congressos.
a) Contador Público: gerenciar as finanças 
dos órgãos públicos;
b) Agente Fiscal de Renda: agente fiscal de 
Municípios, Estado e União;
c) Diversos Concursos Públicos: controla-
dor de arrecadação, contador do Minis-
tério Público da União, fiscal do Ministé-
rio Público da União, fiscal do Ministério 
do Trabalho, Banco Central, analista de 
finanças e controle etc.;
d) Tribunal de Contas: controladoria, fis-
calização, parecerista, analista contábil, 
auditoria pública, contabilidade orça-
mentária;
e) Oficial Contador: policial militar, exérci-
to, contador e auditor com a patente de 
general de divisão.
2.5 A Contabilidade em outros Cursos
 
NO ENSINO 
 ÓRGÃO PÚBLICO 
Entretanto, não são apenas os cursos de Eco-
nomia e de Administração de Empresas que têm 
em seus currículos as disciplinas de Contabilidade. 
Na Faculdade de Direito – para os estudantes que se 
especializam em Direito Comercial –, ministra-se a 
disciplina Contabilidade Empresarial; na Faculdade 
de Higiene e Saúde, observamos a disciplina Custos 
Hospitalares; na Faculdade de Comunicação, dão-
-se noções de Contabilidade para que o futuro pro-
fissional possa interpretar melhor a situação econô-
mico-financeira das empresas; alunos do curso de 
Saiba maisSaiba mais
Áreas afins à Contabilidade, como Economia e Ad-
ministração de Empresas, utilizam com muita frequ-
ência a Contabilidade. Poderíamos dizer que essas 
duas ciências estão intimamente ligadas à Conta-
bilidade, que lhes expõe quantitativa e qualitativa-
mente os dados econômicos.
Roberto Rodrigues Prado
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24
Estatística já fazem optativamente Contabilidade, 
para melhor aplicar aquela disciplina aos dados 
econômicos dentro da empresa; em diversas espe-
cificações dos cursos de Engenharia, principalmen-
te aquelas ligadas diretamente à indústria, já se mi-
nistra a Contabilidade; cursos de Processamento de 
Dados (Computação) incorporaram disciplinas de 
Contabilidade; cursos de Educação Física também 
a utilizam, quando o estudante se especializa em 
Administração Esportiva; por fim, na grande maio-
ria das profissões liberais, em que o profissional irá 
desenvolver atividade em seu próprio escritório ou 
consultório (médico, dentista, advogado etc.), são 
necessários conhecimentos, mesmo que elemen-
tares, de Contabilidade.
Neste capítulo, você foi levado(a) à reflexão sobre a importância da Contabilidade e a função do 
Contador para a tomada de decisões nas organizações empresariais.
Você compreendeu que Contabilidade é uma das áreas que mais proporcionam oportunidades 
para o profissional, pois oferece diversas alternativas de atuação profissional para os egressos dos cursos 
de Bacharelado em Ciências Contábeis.
Compreendeu que outros cursos recebem a contribuição da Contabilidade na formação.
2.6 Resumo do Capítulo
2.7 Atividades Propostas
1. Qual a tarefa básica do contador?
2. Trace algumas diferenças entre a Contabilidade Financeira (Geral), a Contabilidade de Custos e 
a Contabilidade Gerencial.
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25
Neste capítulo, você deve aprender que o 
objetivo da Contabilidade pode ser estabelecido 
como sendo o de fornecer informação estrutu-
rada de natureza econômica, financeira e, subsi-
diariamente, física, de produtividade e social, aos 
usuários internos e externos à entidade objeto da 
Contabilidade.
Inicie, agora, a leitura!
A informação, os Relatórios e os Usuários
Assim, as operações da entidade à qual se 
está aplicando a Contabilidade são estudadas mi-
nuciosamente, sendo então desenhado o Plano e 
Manual de Contas, para contabilização sistemá-
tica das operações rotineiras da entidade, ao mes-
mo tempo que são delineados os principais tipos 
de relatórios (demonstrações) que devem sair do 
processo contábil.
Esses relatórios devem atender às necessi-
dades:
1. Dos usuários externos (bancos, even-
tuais investidores etc.);
2. Dos usuários internos à entidade.
Para os usuários externos, temos as tradi-
cionais demonstrações contábeis, como o Balan-
ço Patrimonial (posição das contas num determi-
nado momento), Demonstração de Resultado do 
Exercício (uma demonstração de fluxos econômi-
cos), Demonstração de Origens e Aplicações de 
Recursos ou, mais recentemente, Fluxo de Caixa 
(demonstrações de fluxos financeiros) e outras.
Essas demonstrações serão estudadas no 
curso de ciências contábeis.
Usuários Internos
Já para os usuários internos à entidade, in-
teressam, além das demonstrações citadas que, 
como ponto de partida, também subsidiam os 
tomadores internos de decisões, outros tipos de 
relatórios que aliem conceitos e informações de-
rivantes do sistema de Contabilidade Financeira 
(geral) – que produz os relatórios tradicionais – a 
outros derivantes da Contabilidade de Custos, da 
administração financeira, da administração da 
produção e outras disciplinas que apresentem 
conceitos importantes para tomada de decisões.
Nem sempre tais tipos de relatórios podem 
ser incluídos no sistema contábil de forma rotinei-
ra e repetitivamente. Incluem-se, entre tais tipos 
de relatórios:
1. Comparações entre custos orçados (ou 
padrão) e reais;
2. Relatório para decisões especiais do 
tipo:
a) Fabricar versus adquirir;
b) Orçamento de capital;
OBJETIVOS DA CONTABILIDADE 
E UTILIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO 
CONTÁBIL
3 
DicionárioDicionário
Informação estruturada: significa que a Contabilida-
de não fornece dados e informações de forma dis-
persa e apenas seguindo as solicitações imediatas 
dos interessados, mas sim que o faz de maneira es-
truturada, dentro de um esquema de planejamento 
contábil, em que um sistema de informação é de-
senhado, colocado em funcionamento e periodica-
mente revisto, tendo em vista parâmetros próprios.
Roberto Rodrigues Prado
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26
c) Expansão da fábrica;
d) Criação de divisões;
e) Relatórios sobre mix de produtos e 
serviços etc.
Em maior ou menor grau, tais tipos de rela-
tórios deverão utilizar outros conceitos, além dos 
Princípios Fundamentais de Contabilidade, tais 
como: custos de oportunidade, taxas de jurose 
de desconto, custos de reposição, custos imputa-
dos e econômicos, noções e cálculos de risco eco-
nômico e financeiro e outros.
Sistema Avançado
De maneira geral, pode-se dizer que um 
sistema de informação contábil será tão avança-
do quanto mais for capaz de produzir todos os 
relatórios gerenciais (além dos tradicionais), da 
forma mais automática e repetitiva possível, com 
o menor grau de trabalho adicional por parte do 
Contador. Nesse caso, tem-se um sistema contábil 
que atende às decisões de natureza operacional, 
tática e, no limite, estratégica.
A informação contábil é utilizada por uma 
vasta gama de pessoas e entidades com as mais 
variadas finalidades.
Assim, os eventuais compradores de ações 
ou debêntures (títulos de longo prazo com garan-
tias, emitidos por empresas para solicitar emprésti-
mo ao público em geral, pagando juros periódicos 
e concedendo amortizações regulares, classificados 
no exigível em longo prazo) da entidade (se for 
de capital aberto) procuram extrair informações 
para sua decisão sobre se vale a pena ou não 
investir na empresa; bancos emprestadores de 
dinheiro estão interessados em avaliar se a enti-
dade oferece boas perspectivas de retorno para 
seus empréstimos e financiamentos; o governo, 
em seus vários níveis, está interessado na infor-
mação contábil como base de imposição fiscal e 
para estudos macroeconômicos; os empregados 
da entidade procuram extrair informações sobre 
a capacidade da entidade de pagar maiores salá-
rios e benefícios; macroeconomistas e analistas fi-
nanceiros estão interessados nas agregações con-
tábeis para extrair agregados financeiros (vendas 
por setor, liquidez etc.), mas ninguém estará tão 
vitalmente (vigor) interessado quanto o tomador 
de decisão interno à entidade.
Para ele, as informações contábeis estrutu-
radas, fidedignas, tempestivas (no tempo) e com-
pletas podem ser a diferença entre o sucesso e o 
fracasso.
3.1 Utilização da Informação Contábil e Campo de Atuação da Contabilidade
O campo de atuação da Contabilidade, na 
verdade, seu objeto, é o patrimônio de toda e 
qualquer entidade; ela acompanha a evolução 
qualitativa e quantitativa desse patrimônio.
É importante salientar que entidade, para a 
Contabilidade, pode ser pessoa jurídica ou física. O 
acompanhamento das variações do patrimônio de 
uma grande sociedade por ações de capital aber-
to merece interesse por parte da Contabilidade, 
da mesma forma que o patrimônio individual de 
um de seus sócios. A entidade pode ser privada ou 
pública, de finalidade lucrativa ou não. A entidade 
pode ser, em certas circunstâncias, contabilmente, 
uma consolidação de patrimônios de outras en-
tidades individuais, bem como uma divisão (uma 
parte) de uma ou outra entidade multidivisional. 
3.2 Patrimônio da Entidade
Teoria da Contabilidade
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27
Assim, esquematicamente, temos:
ƒƒ Campo de Atuação da Contabilida-
de: toda entidade que exerça atividade 
econômica como meio ou fim;
ƒƒ Objeto da Contabilidade: o patrimô-
nio de tais entidades, sejam elas pes-
soas físicas ou jurídicas, seja esse patri-
mônio resultante da consolidação de 
patrimônio de outras entidades distin-
tas ou da subdivisão do patrimônio de 
uma entidade em parcelas menores, 
que mereçam ser acompanhadas em 
suas mutações e variações.
3.3 Finalidade Social do Contador
3.4 Resumo do Capítulo
Saiba maisSaiba mais
Se você desejar, aprofunde os conteúdos estuda-
dos neste capítulo consultando o CPC 0 – Estrutura 
Conceitual Básica da Contabilidade.
Fonte: www.cpc.org.br/pdf/pronunciamento_conceitual.
pdf
A Contabilidade é o melhor repórter e intér-
prete desse desempenho, pois verifica o volume 
dos (e se necessário quais) produtos ou serviços 
que a entidade repassou à sociedade, se o fez a 
preços razoáveis, com boa qualidade, como a 
entidade amalgamou (combinou/entrelaçou) os 
fatores de produção, se pagou salários competiti-
vos, se efetuou programas de treinamento de sua 
força de trabalho e se, após ter feito todos esses 
pagamentos, inclusive de impostos, ainda foi ca-
paz de gerar margem para seus acionistas e para 
reinvestir dentro da própria entidade, se é moder-
na e competitiva etc.
Assim, verifica-se que a Contabilidade tem 
uma função social muito relevante, independen-
temente de a entidade praticar a chamada Con-
tabilidade Social (ou Balanço Social), em que essa 
importância fica mais caracterizada, pois, nesse 
caso, além das demonstrações contábeis tradicio-
nais, a entidade fornece outras específicas.
AtençãoAtenção
No que se refere à Contabilidade Geral ou Finan-
ceira, o trabalho do contador tem alcance social 
em termos amplos, além do estritamente econô-
mico. Afinal, informando à sociedade quão bem 
(ou mal) certa entidade utiliza os recursos confe-
ridos pelos sócios ou pelo povo, exerce um papel 
de grande relevância nessa mesma sociedade.
Neste capítulo, você foi conduzido(a) à reflexão sobre os objetivos da contabilidade e a utilização 
da informação contábil.
Viu assuntos relacionados à informação, aos relatórios e aos usuários internos e como é criado o 
Plano e Manual de Contas para contabilização sistemática das operações rotineiras da entidade.
Também aprendeu que o Patrimônio é o campo de atuação da Contabilidade e compreendeu que 
a finalidade social do contador é fornecer informações corretas à sociedade.
Roberto Rodrigues Prado
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28
1. A Contabilidade poderia ter como objeto uma pessoa física? Explique.
2. Qual a finalidade social do Contador?
3.5 Atividades Propostas
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29
Neste capítulo, você deve compreender 
que o objetivo principal da contabilidade é prover 
seus usuários de informações úteis para a tomada 
de decisão. Em outras palavras, a função principal 
da contabilidade reside em ser instrumento útil 
para a tomada de decisões pelo usuário, tendo 
em vista a entidade.
Também vamos compreender que as infor-
mações geradas pela contabilidade são apresen-
tadas aos usuários em forma de resumos ordena-
dos, periódicos...
A informação contábil, como todo bem eco-
nômico, tem um custo e esse custo deve ser sem-
pre comparado com os benefícios esperados da 
informação.
Em última análise, o benefício esperado de 
um sistema de informação é o valor presente dos 
lucros adicionais (ou fluxos de caixa), que não se-
riam obtidos caso aquele particular sistema de 
informação não tivesse sido adotado ou não es-
tivesse disponível.
Inicie, agora, a leitura!
4.1 Informação Econômica
QUALIDADE E CARACTERÍSTICA DA 
INFORMAÇÃO CONTÁBIL: O PRODUTO 
FINAL DA CONTABILIDADE
4
Frequentemente (na verdade, quase sem-
pre), não é tão fácil mensurar tais custos e bene-
fícios, embora exista um ramo da Economia (a In-
formation Economics) que considera a informação 
um produto qualquer, que tem seu preço e custo.
As aplicações contábeis de tais conceitos 
não têm sido tão abundantes e as que existem 
são elaboradas em situações de empresa bem 
simplificadas. Assim, embora a “consciência” da 
comparação entre custo e benefício de uma infor-
mação (ou de um sistema) ou de uma informação 
adicional sempre deve estar presente na mente 
do gerente, mensurar tais variáveis é difícil.
O melhor que se pode fazer em muitas si-
tuações práticas é confiar na experiência, no 
bom-senso, nos exemplos de outras empresas e, 
acima de tudo, tentar estabelecer relacionamen-
tos entre casos de empresas muito bem-sucedi-
das (no longo prazo) e o grau de complexidade 
e originalidade de seus sistemas de informação.
Saiba maisSaiba mais
Se você desejar, aprofunde os conteúdos estuda-
dos neste capítulo consultando o CPC 0 – Estrutura 
Conceitual Básica da Contabilidade. 
Fonte: www.cpc.org.br/pdf/pronunciamento_conceitual.pdf
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30
Sem negar a eventualidade de uma desco-
berta extremamente original, deve-se sempre se 
guiar pelo que a média das empresas bem-suce-
didas e inteligentes está fazendo, desconfiando 
sempre daquela forma “única e absolutamente 
original” de bolar (arquitetar, conceber) o siste-
ma de informação que ninguém pensou ou usou 
imaginar antes.
É claro, todavia, que empresas diferentes e 
gerentes diferentes sabem lidar de formas diver-
sas com o mesmo sistema de informação, utili-
zando com maior ou menor grau de eficiência o 
nível e a qualidade da informação existente.
Alguns tomadores de decisão sabem “tirar 
leite de pedra” de informações simples, ao passo 
que outros nem tomam conhecimento de siste-
mas mais complexos. Para esses últimos, a infor-
mação quase terá somente custo e nenhum be-
nefício.
Uma das formas de avaliar a qualidade da 
informação contábil e, portanto, sua utilidade 
(benefício), quando comparada ao custo, é ana-
lisar algumas qualidades ou características que 
deve possuir, tais como: compreensibilidade, rele-
vância, confiabilidade e comparabilidade.
Pense a respeito! 
A análise Custo x Benefício é fundamental em 
termos de elaboração dos Relatórios Contábeis.
4.2 Custos versus Benefícios
4.3 Compreensibilidade
4.4 Relevância
Fácil de entender!
A informação contábil precisa ser com-
preensiva, isto é, completa, e retratar todos os 
aspectos contábeis de determinada operação ou 
conjunto de eventos ou operações. Não se de-
vem compensar créditos com débitos ou direitos 
e obrigações. Todos os aspectos de uma operação 
que afeta o patrimônio precisam ser levados em 
conta. É o caso da elaboração da demonstração 
de origem e aplicação de recursos (ou de caixa), 
que deveria evidenciar recursos e aplicações sem 
compensações, por levantamento direto das ope-
rações e não por diferenças de saldos de balanço, 
em princípio.
A fim de ser útil, a informação precisa ser re-
levante para as necessidades de tomada de deci-
sões dos usuários. A informação possui a qualida-
de da relevância quando ela influencia as decisões 
econômicas dos usuários, ajudando-os a avaliar 
eventos passados, presentes ou futuros ou confir-
mando ou corrigindo suas avaliações passadas.
Saiba maisSaiba mais
Segundo o trabalho do IASC intitulado Framework 
for the Preparation of Financial Statements (estrutura 
para a preparação do relatório financeiro), a relevân-
cia é uma das características ou qualidades mais im-
portantes da informação contábil.
Teoria da Contabilidade
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31
Ainda, o IASC (1989) afirma que
os papéis preditivo (dito ou citado an-
teriormente) e confirmatório das infor-
mações estão inter-relacionados. Por 
exemplo, informação sobre o nível atual 
e sobre a estrutura dos ativos mantidos 
pela entidade somente tem valor para o 
usuário quando ele tenta prever a habili-
dade que a empresa tem de aproveitar as 
oportunidades e também sua habilidade 
em reagir a situações adversas. A mesma 
informação exerce um papel confirma-
tório com relação a previsões como, por 
exemplo, a forma pela qual a empresa 
seria estruturada ou o resultado das ope-
rações planejadas.
A informação sobre a posição financeira e o 
desempenho do passado é frequentemente utiliza-
da, segundo aquele documento do IASC, como base 
para prever a situação financeira e o desempenho 
futuro, bem como outros assuntos sobre quais os 
usuários estão diretamente interessados, tais como 
pagamentos de salários e de dividendos, movimen-
tações e flutuações de preços de ações e títulos e a 
habilidade da empresa em honrar suas obrigações à 
medida que vão vencendo.
A fim de que tenha valor preditivo, a infor-
mação não precisa, necessariamente, estar co-
locada na forma de previsão explícita (de forma 
clara).
A habilidade de efetuar previsões a partir 
das demonstrações contábeis é realçada, entre-
tanto, pela forma de evidenciar informações so-
bre transações passadas.
Caro(a) aluno(a), você sabia que o valor pre-
ditivo da demonstração de resultados é realçado 
se itens não usuais, anormais e não recorrentes 
de renda (receita) ou despesa forem evidenciados 
separadamente. 
Você concorda com esse exemplo?
4.5 Confiabilidade
Para que seja útil, a informação também 
precisa ser confiável. A informação possui a quali-
dade da confiabilidade quando está livre de erros 
materiais e vícios e pode ser aceita pelos usuários 
como representando fielmente o que está desti-
nada a representar ou que poderia razoavelmen-
te se esperar que representasse.
A informação pode ser relevante, mas tão 
inafiançável (não afiançável – responsabilidade, 
garantia), pela sua natureza ou pela sua exterio-
rização (manifestar, externar), que seu reconhe-
cimento pode ser potencialmente enganoso. Por 
exemplo, se a validade e o total de uma indeni-
zação por danos numa ação judicial estão sendo 
discutidos, pode ser inapropriado para a empresa 
reconhecer o valor total da ação no balanço, em-
bora possa ser apropriado evidenciar a dimensão 
e as circunstâncias da disputa.
Faça uma reflexão sobre a confiabilidade e a 
Ética do Contador!
Visão Verdadeira e Apropriada
O CPC 0 – Estrutura Conceitual Básica define:
Demonstrações contábeis são freqüen-
temente descritas como apresentando 
uma visão verdadeira e apropriada (true 
and fair view) da posição patrimonial e 
financeira, do desempenho e das muta-
ções na posição financeira de uma enti-
dade. Embora esta Estrutura Conceitual 
não trate diretamente de tais conceitos, 
a aplicação das principais características 
qualitativas e de normas e práticas de 
contabilidade apropriadas normalmente 
resultam em demonstrações contábeis 
que refletem aquilo que geralmente se 
entende como apresentação verdadeira 
e apropriada das referidas informações. 
(CPC, 2008, p. 3).
Roberto Rodrigues Prado
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32
Os usuários precisam ter condições de com-
parar as demonstrações contábeis de uma enti-
dade através dos anos, a fim de identificar ten-
dências em sua situação patrimonial e financeira 
e em seu desempenho.
Os usuários também precisam ter condi-
ções de comparar as demonstrações contábeis de 
diferentes entidades, a fim de avaliar sua situação 
patrimonial e financeira em termos comparati-
vos, seu desempenho e as mudanças na situação 
financeira.
4.6 Comparabilidade
4.7 A Importância da Comparação
4.8 Políticas Contábeis
Assim, a mensuração e a evidenciação dos 
efeitos financeiros de transações semelhantes e 
outros eventos precisam ser efetuadas de forma 
consistente por uma entidade através do tempo 
e também por diferentes entidades ao mesmo 
tempo.
AtençãoAtenção
Uma importante implicação da característica qua-
litativa da comparabilidade é que os usuários pre-
cisam ser informados sobre as políticas contábeis 
utilizadas na preparação das demonstrações con-
tábeis, sobre quaisquer variações nas políticas e os 
efeitos de tais mudanças.
Os usuários precisam ter condições de iden-
tificar diferenças entre as políticas contábeis para 
transações semelhantes utilizadas pela mesma 
entidade de um período para outro e também 
por diferentes entidades ao mesmo tempo. A 
adequação aos padrões contábeis nacionais e 
internacionais, incluindo a evidenciação das po-
líticas contábeis utilizadas pela entidade, ajuda a 
conseguir a comparabilidade.
A necessidade de comparabilidade não de-
veria ser confundida com mera uniformidade e não 
deveria ser um impedimento para a introdução de 
padrões contábeis aperfeiçoados. Não é apropria-
do para uma empresa continuar a contabilizar da 
mesma forma uma determinada transação se a 
política adotada não se mantém aderente às condi-
çõesde relevância e confiabilidade.
É também inapropriado para uma entidade 
deixar intocáveis suas práticas contábeis quando 
existirem alternativas mais relevantes e confiá-
veis.
Pelo fato de os usuários quererem comparar 
a situação patrimonial, o desempenho e as mu-
danças na posição de uma entidade através do 
tempo, é importante que as demonstrações con-
tábeis evidenciem a informação correspondente 
para os períodos precedentes (ocorrer antes).
Teoria da Contabilidade
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33
Existem algumas variáveis que restringem a 
utilidade e a plena potencialidade das qualidades 
da informação descritas. São a tempestividade e 
a relação custo/benefício.
Pode-se afirmar que a relevância, principal-
mente, é afetada pela tempestividade, no sentido de 
que muito pouco adianta ter informação relevante 
e fidedigna se ela “passou do ponto”, ou melhor, da 
hora.
Não é fácil saber, a priori, esse tempo certo. 
Depende do tipo de decisão e avaliação que está 
sendo realizado em cada caso.
Para o analista econômico que gosta de 
examinar balanços de várias empresas, para ex-
trair tendências setoriais ou valores de agregados 
contábeis, como lucratividade sobre vendas, so-
bre patrimônio etc., não vai fazer diferença se ele 
fizer essa análise um dia após a publicação dos 
balanços ou dois meses depois.
4.9 Tempestividade 
4.10 Intempestividade 
DicionárioDicionário
Tempestividade: oportunidade; que vem ou sucede 
no tempo devido.
Entretanto, quase na mesma situação, se 
um investidor estiver interessado na compra das 
ações de uma determinada empresa, o timing 
(adaptação; acomodação; ajustamento) das pe-
ças contábeis dessa empresa que ele vai utilizar 
para assessorá-lo na decisão é tremendamente 
importante, pois a situação da empresa em parti-
cular pode se alterar em curto prazo, invalidando 
a informação intempestiva.
Mais dramática ainda é a importância da 
tempestividade nas decisões gerenciais dentro 
da empresa, visando às operações e mesmo às 
decisões de longo prazo, em que informação es-
truturada e a semiestruturada são necessárias, na 
qualidade e no tempo certo.
Já a relação custo/benefício precisa estar 
sempre presente na mente do planejador do sis-
tema contábil ao estabelecer o nível de informa-
ção que é considerado ótimo.
DicionárioDicionário
Intempestividade: fora do tempo próprio; inoportuno!
Saiba maisSaiba mais
Primazia da essência sobre a forma
Para que a informação represente adequadamente 
as transações e outros eventos que ela se propõe 
a representar, é necessário que essas transações e 
eventos sejam contabilizados e apresentados de 
acordo com a sua substância e realidade econômi-
ca e não meramente sua forma legal. A essência das 
transações ou outros eventos nem sempre é con-
sistente com o que aparenta ser com base na sua 
forma legal ou artificialmente produzida. Por exem-
plo, uma entidade pode vender um ativo a um ter-
ceiro, de tal maneira que a documentação indique 
a transferência legal da propriedade a esse terceiro; 
entretanto, poderão existir acordos que assegurem 
que a entidade continuará a usufruir os futuros be-
nefícios econômicos gerados pelo ativo e o recom-
prará depois de certo tempo, por um montante que 
se aproxima do valor original de venda, acrescido 
de juros de mercado durante esse período. Em tais 
circunstâncias, reportar a venda não representa-
ria adequadamente a transação formalizada (CPC, 
2008).
Roberto Rodrigues Prado
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34
Representação Adequada
A Estrutura Conceitual Básica (CPC, 2008) define 
que
para ser confiável, a informação deve re-
presentar adequadamente as transações 
e outros eventos que ela diz representar. 
Assim, por exemplo, o balanço patrimo-
nial numa determinada data deve repre-
sentar adequadamente as transações e 
outros eventos que resultam em ativos, 
passivos e patrimônio líquido da entida-
de e que atendam aos critérios de reco-
nhecimento.
A maioria das informações contábeis está 
sujeita a algum risco de ser menos do 
que uma representação fiel daquilo que 
se propõe a retratar. Isso pode decorrer 
de dificuldades inerentes à identificação 
das transações ou outros eventos a serem 
avaliados ou à identificação e aplicação 
de técnicas de mensuração e apresenta-
ção que possam transmitir, adequada-
mente, informações que correspondam 
a tais transações e eventos. Em certos ca-
sos, a mensuração dos efeitos financeiros 
dos itens pode ser tão incerta que não 
é apropriado o seu reconhecimento nas 
demonstrações contábeis; por exemplo, 
embora muitas entidades gerem, inter-
namente, ágio decorrente de expectativa 
de rentabilidade futura ao longo do tem-
po (goodwill), é usualmente difícil identi-
ficar ou mensurar esse ágio com confiabi-
lidade. Em outros casos, entretanto, pode 
ser relevante reconhecer itens e divulgar 
o risco de erro envolvendo o seu reco-
nhecimento e mensuração. (p. 12).
Só que, se já é difícil nos sistemas contábeis 
isolar custos e receitas marginais, muito mais o 
será para o caso de valor da informação. Assim, 
valem muito mais as considerações feitas alhures 
(noutro lugar) de que o bom-senso e o que acon-
tece em organizações comparáveis à nossa, con-
sideradas sofisticadas em matéria de informação, 
devem ser observados com cuidado.
Não se pode esquecer de que o sistema de 
informação é um meio para o que é essencial, que 
é o processo decisório.
O ideal seria dispor de um quadro de gerentes 
tão superdotados, tão imaginativos, tão previsores 
do que irá ocorrer, que nenhum sistema de infor-
mação seria necessário. É claro que esses super-
-homens (ou mulheres) não existem, na realidade.
4.11 Tomada de Decisões
4.12 Resumo do Capítulo
Neste capítulo, você compreendeu que o objetivo principal da contabilidade é prover seus usuá-
rios de informações úteis para a tomada de decisão. 
Também foi levado(a) a refletir sobre algumas qualidades ou características que devem possuir as 
informações contábeis, tais como: compreensibilidade, relevância, confiabilidade e comparabilidade.
Teoria da Contabilidade
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35
1. Cite uma situação em que você entenda que o Custo é mais que o Benefício na Contabilidade.
2. Explique por que a comparação em dois ou mais períodos dos relatórios contábeis é funda-
mental.
4.13 Atividades Propostas
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37
Neste capítulo, você deve compreender que 
relatório contábil é a exposição resumida e orde-
nada de dados colhidos pela Contabilidade. Ele 
objetiva relatar às pessoas que utilizam os dados 
contábeis os principais fatos registrados por aque-
le setor (contabilidade) em determinado período. 
Também conhecido como informe contábil, dis-
tingue-se em obrigatório e não obrigatório.
RELATÓRIOS CONTÁBEIS5 
Os relatórios obrigatórios são aqueles exigi-
dos por lei, sendo conhecidos como Demonstra-
ções Financeiras. São exigidos na totalidade para 
as sociedades anônimas e parte deles estendida 
a outros tipos societários, através do Imposto de 
Renda.
Os relatórios contábeis não obrigatórios, 
evidentemente, são aqueles não exigidos por lei, 
o que não significa que sejam menos importan-
tes. Há relatórios não obrigatórios imprescindí-
veis para a administração.
5.1 Demonstrações Financeiras
5.2 Relatórios Contábeis Obrigatórios
Lei das Sociedades Anônimas
A Lei das Sociedades Anônimas por Ações 
estabelece que, ao fim de cada exercício social 
(ano), a diretoria fará elaborar, com base na es-
crituração contábil, as seguintes demonstrações 
financeiras (ou contábeis):
Demonstrações financeiras de Sociedades de 
Grande Porte
Art. 3º Aplicam-se às sociedades de gran-
de porte, ainda que não constituídas sob 
formade sociedades por ações, as dispo-
sições da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro 
de 1976, sobre escrituração e elaboração 
de demonstrações financeiras e a obriga-
toriedade de auditoria independente por 
auditor registrado na Comissão de Valores 
Mobiliários. (BRASIL, 2007).
Art. 176. Ao fim de cada exercício social, 
a diretoria fará elaborar, com base na es-
crituração mercantil da companhia, as se-
guintes demonstrações financeiras, que 
deverão exprimir com clareza a situação 
AtençãoAtenção
“Parágrafo único. Considera-se de grande porte, 
para fins exclusivos desta Lei, a sociedade ou con-
junto de sociedades sob controle comum que 
tiver, no exercício social anterior, ativo total su-
perior a R$ 240.000.000,00 (duzentos e quarenta 
milhões de reais) ou receita bruta anual superior 
a R$ 300.000.000,00 (trezentos milhões de reais).” 
(BRASIL, 2007).
Roberto Rodrigues Prado
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38
do patrimônio da companhia e as mu-
tações ocorridas no exercício. (BRASIL, 
2007).
A Lei nº 11.638/2007 substitui a obrigato-
riedade de elaboração de uma demonstração e 
inclui outra:
a) A Demonstração das Origens e Aplica-
ções de Recursos (DOAR) foi substituída 
pela Demonstração dos Fluxos de Caixa 
(DFC);
b) Foi incluída, entre as demonstrações de 
elaboração obrigatória, a Demonstra-
ção do Valor Adicionado (DVA).
As demonstrações financeiras exigidas pela 
Lei nº 6.404/1976, a partir de 1º de janeiro de 
2008, são, portanto, as seguintes:
I – balanço patrimonial (BP);
II – demonstração do resultado do exer-
cício (DRE);
III – demonstração dos lucros ou prejuí-
zos acumulados (DLPA);
IV – demonstração das mutações do pa-
trimônio líquido (DMPL);
IV – demonstração dos fluxos de caixa 
(DFC); (redação dada pela Lei nº 11.638, 
de 2007).
V – se companhia aberta, demonstração 
do valor adicionado (DVA). (incluído pela 
Lei nº 11.638, de 2007).
Notas
ƒƒ A Lei nº 6.404/1976 denomina as de-
monstrações contábeis de demonstra-
ção financeiras;
ƒƒ Quando a companhia elaborar e publi-
car a Demonstração das Mutações do 
Patrimônio Líquido, estará dispensada 
da elaboração da Demonstração de Lu-
cros ou Prejuízos Acumulados (parágra-
fo 2º do art. 186 da Lei nº 6.404/1976);
ƒƒ A Demonstração do Valor Adicionado 
é obrigatória somente para as compa-
nhias abertas;
ƒƒ A companhia é aberta ou fechada, con-
forme os valores mobiliários de sua 
emissão estejam ou não admitidos à 
negociação no mercado de valores mo-
biliários (art. 4º da Lei nº 6.404/1976);
Parágrafo 6ª. A companhia fechada, com 
patrimônio líquido, na data do balanço, 
inferior a R$ 2.000.000,00 (dois milhões 
de reais) não será obrigada à elaboração 
e publicação da demonstração dos fluxos 
de caixa.(BRASIL, 2007).
Notas explicativas
As notas explicativas devem complemen-
tar, juntamente a outros quadros analíticos ou de-
monstrações contábeis, as demonstrações finan-
ceiras, servindo para esclarecimento da situação 
patrimonial e dos resultados do exercício.
As demonstrações financeiras das socieda-
des por ações de capital aberto observarão, ain-
da, as normas expedidas pela Comissão de Valo-
res Mobiliários (CVM) e serão obrigatoriamente 
auditadas por auditores independentes, registra-
dos na mesma comissão (parecer da auditoria).
A CVM determina que todas as sociedades 
anônimas de capital aberto apresentem a De-
monstração das Mutações do Patrimônio Líquido 
em substituição à Demonstração de Lucros ou 
Prejuízos Acumulados.
As demonstrações financeiras serão assina-
das pelos administradores e por contabilista, le-
galmente habilitados.
Saiba maisSaiba mais
Se você desejar, aprofunde os conteúdos estuda-
dos neste capítulo consultando o CPC 0 – Estrutura 
Conceitual Básica da Contabilidade.
Fonte: www.cpc.org.br/pdf/pronunciamento_conceitual.
pdf
Teoria da Contabilidade
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39
No momento da publicação das Demons-
trações Financeiras, as Sociedades por Ações de-
verão informar aos usuários desses relatórios os 
dados adicionais seguintes:
Relatório da Diretoria (ou da Administração)
Após a identificação da empresa, na publi-
cação das Demonstrações Financeiras, destaca-se, 
em primeiro plano, o Relatório da Administração, 
em que a diretoria dará as informações normal-
mente de caráter não financeiro (não monetário). 
As principais informações são:
ƒƒ Dados estatísticos diversos;
ƒƒ Indicadores de produtividade;
ƒƒ Desenvolvimento tecnológico;
ƒƒ A empresa no contexto socioeconômico;
ƒƒ Políticas diversas: recursos humanos, 
exportações etc.;
ƒƒ Expectativas com relação ao futuro;
ƒƒ Dados do orçamento de capital;
ƒƒ Projeto de expansão;
ƒƒ Desempenho em relação aos concor-
rentes etc.
Essas informações seriam mais significati-
vas se não houvesse excesso de otimismo (incon-
sequente), como algumas vezes se observa.
Você sabia que existe uma grande diferen-
ça entre Relatório da Diretoria e Demonstração 
Financeira?
Pense a respeito!
Notas Explicativas
Também conhecidas como “Notas de Roda-
pé”, as Notas Explicativas são normalmente desta-
cadas após as Demonstrações Financeiras (quan-
do publicadas).
A Lei das Sociedades por Ações estabelece 
que as Demonstrações serão complementadas 
por Notas Explicativas e outros quadros analíticos 
ou demonstrações contábeis necessários para es-
clarecimento da situação patrimonial e dos resul-
tados do exercício.
Como alguns exemplos de Notas Explicati-
vas, podemos citar:
a) Critérios de cálculos na obtenção de 
itens que afetam o lucro;
b) Obrigações de longo prazo, destacan-
do os credores, taxa de juros, garantias 
a dívidas etc.;
c) Composição do capital social por tipos 
de ações;
d) Ajustes de exercícios anteriores etc.
É importante que você entenda por que 
Notas Explicativas não são Demonstrações Finan-
ceiras!
Parecer dos Auditores
De maneira geral, as companhias abertas, 
instituições financeiras e alguns outros casos es-
pecíficos estão obrigados a publicar as Demons-
trações com o Parecer da Auditoria.
Trata-se de parecer de auditor externo, que 
difere do auditor interno, pois esse último é em-
pregado da empresa, enquanto o primeiro não 
possui nenhum tipo de vínculo com a instituição, 
tendo total independência para manifestar sua 
opinião, daí o título “Auditor Independente”.
A auditoria pode ser feita por pessoa física 
(contador credenciado) ou por empresa de audi-
toria (escritório). A opinião dada por empresa de 
auditoria, normalmente, é mais confiável, princi-
palmente porque há a preocupação com o pres-
tígio da firma, muitas vezes representada em di-
versos países.
5.3 Complementação às Demonstrações Financeiras
Roberto Rodrigues Prado
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40
O auditor emite sua opinião informando 
se as Demonstrações Financeiras representam 
adequadamente a Situação Patrimonial e a Posi-
ção Financeira na data do exame. Informa se as 
Demonstrações Financeiras foram levantadas de 
acordo com os Princípios Fundamentais de Con-
tabilidade (PFCs) e se há uniformidade em relação 
ao exercício anterior.
Muitas vezes, ocorre que informações con-
tidas nos comentários do auditor já constam de 
Notas Explicativas. Essa dupla evidenciação vem 
trazer maior segurança para o usuário das De-
monstrações Financeiras.
Parecer Confiável
Uma das formas de avaliar se o parecer é 
confiável é identificar se a empresa de auditoria 
não está demasiadamente dependente de um 
único cliente. Diz-se que, se a empresa de audito-
ria tiver um cliente que represente mais que 2% 
de seu faturamento, já é comprometedor, tornan-
do-se uma ameaça para sua independência eco-
nômica.
Imagine, por exemplo, um grande banco 
contratando uma pequena empresa de auditoria. 
Esta se estruturaem função do grande cliente. En-
tretanto, no momento em que precisar fazer uma 
ressalva no parecer referente às Demonstrações 
Financeiras do grande cliente, poderá ter proble-
mas se o cliente estiver disposto a ocultar infor-
mações aos usuários. A pequena empresa correrá 
o risco de ficar sem o cliente e, em consequência 
disso, comprometer seu futuro, já que ela é alta-
mente dependente de um grande cliente.
Valor Adicionado (Balanço Social)
O Balanço Social evidencia o perfil social 
das empresas: relações de trabalho dentro da 
empresa (empregados: quantidade, sexo, escola-
ridade, encargos sociais, gastos com alimentação, 
educação e saúde do trabalhador, previdência 
privada); tributos pagos; investimentos para a co-
munidade (em cultura, esportes, habitação, saú-
de pública, saneamento, assistência social etc.); 
investimentos no meio ambiente etc. Dentro da 
ideia de Balanço Social, o item que mais se des-
taca é o valor agregado (valor adicionado).
Se subtrairmos das vendas todas as com-
pras de bens e serviços, teremos o montante de 
recursos que a empresa gera para remunerar sa-
lários, juros, impostos e reinvestir em seu negó-
cio. Esses recursos financeiros gerados levam-nos 
a contemplar o momento de valor que a empresa 
está agregando (adicionando como consequên-
cia de sua atividade).
Exemplo – Uma Prefeitura
Imagine, por exemplo, que a prefeitura de 
uma cidade tem que tomar a decisão de receber 
ou não determinada empresa em seu município. 
A pergunta correta seria: quanto a determinada 
empresa vai agregar em renda para a região?
Em função dessa empresa, o orçamento do 
município será acrescido, pois terá que investir 
em infraestrutura e em sua manutenção, em fun-
ção de uma nova demanda.
Admita-se que a prefeitura terá gastos adi-
cionais anuais na área de ensino, saúde, seguran-
ça, ambiente (despoluição de rio e outros) no to-
tal de $250, tudo em decorrência da instalação da 
nova empresa.
Para melhor análise, ela solicita uma de-
monstração do Valor Adicionado da empresa, que 
mostra o seguinte:
Saiba maisSaiba mais
Muito comum nos países da Europa Ocidental, o 
Valor Adicionado ou Valor Agregado procura evi-
denciar para quem a empresa está canalizando a 
renda obtida ou, ainda, admitindo que o valor que a 
empresa adiciona através de sua atividade seja um 
“bolo”, para quem estão sendo distribuídas as fatias 
do bolo e de que tamanho são essas fatias. 
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41
Exemplo de valor adicionado
Descrição Ano 1 % Ano 2 %
Vendas 5.000 - 5.000 -
(-) Compras de Bens/Serviços (2.500) - (2.000) -
Valor Adicionado 2.500 100 3.000 100
Distribuição Valor Adicionado
Salários
•	 Pessoal de Fábrica 500 20 510 17
•	 Pessoal Administrativo 400 16 480 16
36 33
Diretoria/Acionista
•	 Pró-Labore (honor. Diretoria) 800 32 1.050 35
•	 Dividendos 250 10 360 12
42 47
Juros 150 06 90 03
Impostos
•	 Municipal 25 01 30 01
•	 Estadual 50 02 60 02
•	 Federal 75 03 90 03
06 06
Reinvestimento 200 08 270 09
Outros 50 02 60 02
Na Demonstração do Valor Adicionado, 
observa-se que o item Impostos permanece inal-
terado, o que propicia uma boa análise para a pre-
feitura. Todavia, o valor do imposto recolhido ao 
município é muito baixo.
Admitindo-se que os diretores/acionistas 
não morarão na cidade e que os juros não se re-
verterão em favor do município, o que se agre-
gará ao fluxo de renda do município será o item 
Salário.
Com esses dados, caberia analisar se o pe-
queno imposto para o município e o acréscimo no 
fluxo de renda em salário de pessoas que residirão 
na região (gerando mais negócio, mais arrecada-
ção) compensarão o acréscimo no orçamento e se 
o benefício da vinda da empresa seria viável.
Um sindicato
Imagine, ainda, o presidente do sindicato 
analisando a “distribuição do bolo”, que aumen-
tou em 20% do ano 1 para o ano 2 (de $2.500 
para $3.000). Certamente, ele não ficaria calado 
diante de uma redução da fatia do bolo para seus 
afiliados (salário de fábrica caiu de 20 para 17%). 
Poderia ficar irritado ao ver que a fatia do bolo 
aumentou consideravelmente para os diretores/
acionistas. Seria um bom motivo para uma greve?
Contabilidade Social
Poderíamos dizer que o Balanço Social está 
no contexto da Contabilidade Social.
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42
A Contabilidade Social envolve aspectos 
econômicos e sociais de um país. Alguns denomi-
nam essa Contabilidade de Contabilidade Nacio-
nal, já que ela envolve a renda nacional, balanço 
de pagamentos etc.
De maneira geral, quando tratamos do Ba-
lanço Social da empresa, de uma unidade indi-
vidualizada, podemos dizer que se trata de um 
campo da Contabilidade.
Todavia, quando tratamos o Balanço So-
cial no âmbito geral da economia (seja regional, 
municipal, estadual ou nacional), considerando a 
soma dos ramos de atividades, a renda nacional, 
podemos dizer que se trata de um campo da Eco-
nomia e não da Contabilidade.
Contabilidade Ambiental
A Contabilidade Ambiental se preocupa 
com a proteção do meio ambiente. Em função 
de os recursos naturais se tornarem cada vez mais 
escassos, um número crescente de empresas par-
ticipa de um desenvolvimento sustentável, de ge-
renciamento ambiental para redução de custos 
operacionais, de cuidados para reduzir o risco de 
poluição acidental ou insidiosa (traiçoeiro, pérfi-
do, falso) etc.
A Contabilidade Financeira, quando apli-
cada à avaliação e mensuração das informações 
relativas ao meio ambiente, é denominada Con-
tabilidade Ambiental ou Ecológica.
De maneira geral, a Contabilidade Ambien-
tal destaca os custos ambientais nas despesas 
gerais (proporcionando uma análise financeira 
em relação à preservação do meio ambiente), evi-
dencia no Ativo os investimentos nessa área, cria 
provisão para os riscos ambientais no Passivo etc.
Um exemplo de balanço social de uma pequena 
empresa
Farmácia Homeopática Natural (FHC)
A empresa está inserida no mercado há 16 
anos, desenvolvendo um trabalho que visa a uma 
assistência farmacêutica integral ao cliente, desde 
a manipulação dos medicamentos à orientação 
final (posologia, modo de usar, interação medica-
mentosa, entre outras).
A nossa atividade está basicamente voltada 
para três segmentos: Homeopatia, Fitoterapia e 
Fitocosmética.
a) Homeopatia: é um método científico 
baseado em três leis que foram larga-
mente experimentadas pelo seu pre-
cursor, Samuel Hahnemann. Ele iniciou 
seus estudos em 1970, quando, tradu-
zindo a Matéria Médica de Cullen, ficou 
admirado com a sintomatologia pro-
duzida pela China oficinallis (medicinal, 
usado em farmácia), quando tomada 
em doses excessivas. Observou, ainda, 
que a malária produzia esses mesmos 
sintomas e que a medicação indicada 
para o tratamento dessa doença era a 
China (usada até os nossos dias). A par-
tir dessa observação, imaginou a possi-
bilidade de outras substâncias possuí-
rem as mesmas propriedades – LEI DOS 
SEMELHANTES.
A partir dessa constatação, começou a 
experimentar várias substâncias no ho-
mem são. Começou consigo, seus fami-
liares e discípulos. Iniciou catalogando 
os sintomas mentais, gerais e locais que 
cada substância provocava, quando in-
gerida pelo homem são. Chamou esse 
conjunto de sintomas de PATOGENESIA 
(mecanismo pelo qual os agentes mór-
bidos [enfermo, doente] produzem as 
doenças). O resultado desses estudos 
denominou EXPERIMENTAÇÃO NO HO-
MEM SÃO.
Com a continuação do experimento, 
ele observou que, se diluísse a dose, 
os efeitos causados eram atenuados 
no homem são, entretanto, ao ser ad-
ministrado no paciente em doses cada 
vez mais diluídas, os resultados obti-
dos tinham maior eficácia. Essas doses 
obedeciam a um critériodeterminado, 
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43
que compreendia diluições, seguidas 
de certo número de agitações (sucus-
sões). Chamou essa técnica de DINAMI-
ZAÇÃO. Com esse processo de diluições 
e sucussões, foi estabelecida a terceira 
lei – DOSES MÍNIMAS.
b) Fitoterapia: a fitoterapia, ou terapia 
pelas plantas, era conhecida e praticada 
pelas antigas civilizações. Pode-se afir-
mar que o hábito de recorrer às virtudes 
curativas de certos vegetais é uma das 
primeiras manifestações do esforço do 
homem para compreender e utilizar a 
natureza.
A história da fitoterapia se confunde 
com a história da farmácia, visto que, 
até o século passado, os medicamentos 
eram basicamente formulados à base 
de plantas medicinais.
O descobrimento das propriedades 
curativas das plantas foi, no início, me-
ramente intuitivo (intuição) ou obser-
vando os animais, que, quando doen-
tes, buscavam nas ervas cura para suas 
afecções.
c) Fitocosmética: segmento da ciência 
cosmetológica (cosméticos) que se 
dedica ao estudo e aplicação dos prin-
cípios ativos vegetais em proveito da 
higiene da estética de correção e ma-
nutenção de um estado normal e sadio 
da pele e dos cabelos.
Nesse contexto, temos como objetivo 
divulgar o medicamento como bem de 
saúde, deixando a visão mercantilista 
de bem de consumo.
Recursos humanos
A empresa conta com dezoito funcionários 
distribuídos na matriz – Centro – e nas Filiais Farol 
e Mangabeiras. Dezesseis do sexo feminino e dois 
do sexo masculino, assim compostos:
ƒƒ 4 farmacêuticas;
ƒƒ 4 técnicas;
ƒƒ 2 estoquistas;
ƒƒ 1 auxiliar administrativo;
ƒƒ 1 gerente de informática;
ƒƒ 6 balconistas.
O grau de instrução deles é, no mínimo, 
2º grau, cursos técnicos específicos (informática, 
química) e superior (farmácia).
A farmácia conta ainda com participação 
efetiva da sócia-gerente, que também é farma-
cêutica e responde como responsável técnica 
pela empresa.
Saúde
A Farmácia implantou o programa de Me-
dicina e Segurança no Trabalho, com contratação 
de consultoria específica. Temos plano de saúde 
próprio, em parceria com a UNIMED, sendo o cus-
to compartilhado, 50% para a empresa e 50% res-
tante para os empregados.
Educação
Desenvolvemos um programa de qualida-
de total. Sempre estamos reciclando nosso pes-
soal dentro de um programa de educação conti-
nuada.
Legislação
A Farmácia cumpre à risca a Legislação em 
vigor, como também acata todas as orientações/
normativos provenientes do Conselho Regional 
de Farmácia, e obedece ao padrão estabelecido 
pela Vigilância Sanitária.
No aspecto tributário, a empresa aderiu ao 
Sistema de Imposto Simplificado (SIMPLES), im-
plantado pelo Governo Federal.
Para o Governo Estadual, em cumprimento 
à legislação, efetuamos o pagamento do ICMS de 
forma antecipada. Trabalhamos com todo o sis-
tema fiscal informatizado, em todas as unidades 
farmacêuticas.
Roberto Rodrigues Prado
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44
Meio ambiente
A empresa está sempre atenta, buscando 
comprar material de embalagem reciclável. Cuida-
do especial é dado ao lixo contaminado, que só é 
disponibilizado para coleta depois de esterilizado. 
Ressaltamos que todas as nossas embalagens, car-
tões de aniversário e outros documentos enviados 
aos clientes são feitos em papel reciclado, evitan-
do ao máximo o uso de plástico ou qualquer outro 
material contaminante.
Demonstração do valor adicionado – 2006
Descrição R$
Vendas/Receitas 524.962,65
Produtos manipulados 403.609,20
Mercadorias revendidas 120.881,62
Receitas financeiras 471,83
Materiais adquiridos de terceiros (139.777,51)
Serviços de terceiros (118.118,59)
Despesas diversas (19.249,17)
Valor adicionado 247.817,38
Distribuição do valor adicionado
DESCRIÇÃO R$ %
EMPREGADOS
Salários 122.246,07 49%
Benefícios, encargos sociais e treinamento 29.185,87 12%
61%
GOVERNO
Federal – Simples 30.562,00 12%
Estadual – ICMS 46.574,38 19%
31%
FINANCIADORES
Encargos financeiros 9.061,63 04%
Sócios 1.000,00 0,5%
RETENÇÕES
Depreciação 7.953,72 03%
Lucros 1.233,71 0,5%
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45
Neste capítulo, você conheceu os Relatórios Contábeis Obrigatórios e os complementares às De-
monstrações Financeiras.
Também detalhamos o Balanço Social e a importância do valor adicionado em distintas aplicações.
Viu que a Contabilidade Ambiental se preocupa com a proteção do meio ambiente e que seu prin-
cipal destaque é classificar os custos ambientais para evidenciar no Ativo os investimentos com riscos 
ambientais. 
5.4 Resumo do Capítulo
5.5 Atividades Propostas
1. Diferencie os termos: Contabilidade Social e Contabilidade Ambiental.
2. Tente diferenciar os termos Demonstrações Contábeis e Demonstrações Financeiras.
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47
Neste capítulo, você deve compreender os 
conceitos básicos que constituem o núcleo es-
sencial que deve guiar a profissão na consecução 
dos objetivos da Contabilidade, que consistem 
em apresentar informação estruturada para os 
usuários.
OS PRINCÍPIOS DE CONTABILIDADE – 
A ENTIDADE E A CONTINUIDADE6 
A Contabilidade pode ser estudada de 
modo geral (para todas as empresas) ou em par-
ticular (aplicada em certo ramo de atividade ou 
setor da economia).
Quando a Contabilidade Geral for aplicada 
a empresas:
ƒƒ Comerciais, denomina-se Contabilida-
de Comercial;
ƒƒ Industriais, denomina-se Contabilidade 
Industrial;
ƒƒ Públicas, denomina-se Contabilidade 
Pública;
ƒƒ Bancárias, denomina-se Contabilidade 
Bancária;
ƒƒ Hospitalares, denomina-se Contabilida-
de Hospitalar;
ƒƒ Agropecuárias, denomina-se Contabili-
dade Agropecuária;
ƒƒ De seguros, denomina-se Contabilida-
de Securitária etc.
6.1 Aplicação da Contabilidade
6.2 Usuários da Contabilidade
AtençãoAtenção
A Contabilidade Geral, também conhecida como 
Contabilidade Financeira, pode ser aplicada a di-
versos ramos de atividades.
Os usuários são as pessoas que se utilizam 
da Contabilidade, que se interessam pela situa-
ção da empresa e buscam na Contabilidade suas 
respostas.
Evidentemente, os gerentes (administrado-
res) não são os únicos que se utilizam da Contabi-
lidade. Os investidores (sócios ou acionistas), ou 
seja, aqueles que aplicam dinheiro na empresa, 
estão interessados basicamente em obter lucro, 
por isso se utilizam dos relatórios contábeis, ana-
lisando se a empresa é rentável; os fornecedores 
de mercadoria a prazo querem saber se a empre-
sa tem condições de pagar suas dívidas; os ban-
cos, por sua vez, emprestam dinheiro, desde que 
a empresa tenha condições de pagamento; o go-
verno quer saber quanto de impostos foi gerado 
para os cofres públicos; outros interessados dese-
jam conhecer melhor a situação da empresa: os 
empregados, os sindicatos, os concorrentes etc.
Roberto Rodrigues Prado
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48
A Contabilidade pode ser feita para Pessoa 
Física ou Pessoa Jurídica. Considera-se pessoa, 
juridicamente falando, todo ser capaz de direitos 
e obrigações.
As pessoas jurídicas podem ter fins lucrati-
vos (empresas industriais, comerciais etc.) ou não 
(cooperativas, associações culturais, religiosas 
etc.). Normalmente, as pessoas jurídicas denomi-
nam-se empresas.
A Contabilidade, portanto, pode ser feita 
para um indivíduo – pessoa física (desde que haja 
necessidade, em virtude do volume de negócios) 
– ou para uma empresa com ou sem fins lucrati-
vos – pessoa jurídica.
Quando se faz Contabilidade para a pessoa 
física (embora não seja comum) ou pessoa jurídi-
ca, essa pessoa é denominada entidade contábil. 
Dessa forma, qualquer pessoa que tenha neces-
sidade de Contabilidade(e a Contabilidade é 
mantida para essa pessoa) é chamada entidade 
contábil.
O novo Código Civil usa o vocábulo “conta-
bilista” em substituição ao “contador” e à expres-
são “técnico em contabilidade”, que são duas cate-
gorias previstas em lei.
Obs.: Para o exercício profissional da Conta-
bilidade, é necessário estar habilitado pelo CRC.
O CPC 0 – Estrutura Conceitual define que
 
o objetivo das demonstrações contábeis 
é fornecer informações sobre a posição 
patrimonial e financeira, o desempenho 
e as mudanças na posição financeira da 
entidade, que sejam úteis a um grande 
número de usuários em suas avaliações 
e tomadas de decisão econômica. (CPC, 
2008, p. 15).
6.3 Para quem é Mantida a Contabilidade
6.4 Pilares da Contabilidade
DicionárioDicionário
Pessoa física: é a pessoa natural, é todo ser huma-
no, é todo indivíduo (sem qualquer exceção). A 
existência de pessoa física termina com a morte.
Pessoa jurídica: é a união de indivíduos que, atra-
vés de um contrato reconhecido por lei, formam 
uma nova pessoa, com personalidade distinta da 
de seus membros.
Pilares da Contabilidade são as regras bási-
cas da Contabilidade, que podemos chamar ge-
nericamente de princípios contábeis.
A Contabilidade repousa, basicamente, em 
dois pilares da teoria contábil: a entidade contábil 
e a continuidade da empresa.
Em primeiro lugar, há necessidade da exis-
tência da entidade contábil, ou seja, uma pessoa 
para quem é mantida a Contabilidade. Não ha-
vendo entidade contábil, não há, evidentemente, 
a contabilidade aplicada.
Desse primeiro conceito, deduz-se que a 
Contabilidade é mantida para a entidade como 
pessoa distinta dos sócios. A Contabilidade é 
realizada para a entidade, devendo o contador 
fazer um esforço para não misturar as movimen-
tações da entidade com as dos proprietários. 
Pessoas físicas e jurídicas não devem ser confun-
didas; os sócios não devem ser confundidos com 
empresas.
O segundo pilar é baseado no pressupos-
to de que a empresa é algo em andamento, em 
continuidade, que funcionará por prazo indeter-
minado. Uma empresa em processo de extinção 
(descontinuidade) ou liquidação será contabiliza-
da por outras regras, que estudaremos mais tarde 
em disciplina específica.
Teoria da Contabilidade
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49
A Resolução CFC nº 750/1993 dispõe sobre os 
PFCs e é composta dos seguintes princípios: entida-
de, continuidade, oportunidade, registro pelo valor 
original, atualização monetária, competência e 
prudência.
I-Entidade - o patrimônio da entidade 
não se confunde com os seus sócios ou 
acionistas, ou proprietário individual.
II-Continuidade – a vida da empresa ou 
instituição é continuada.
III-Oportunidade – significa que todas 
as variações que ocorrem no patrimônio 
de uma entidade deverão ser registradas 
e relatadas no momento em que elas 
ocorrem, mesmo na hipótese de existir 
somente razoável certeza de sua ocor-
rência.
IV-Registro pelo valor original – os re-
gistros são feitos pelo valor de aquisição 
do bem ou pelo custo de fabricação, ex-
pressos em moeda corrente do país.
V-Atualização monetária – em função 
da inflação, o registro pelo valor original 
fica defasado no decorrer do tempo. A 
atualização monetária é ajustar este valor 
(por exemplo, uma máquina) mediante 
aplicação de índices oficiais que reflitam 
o poder aquisitivo da moeda.
VI-Competência – este princípio está li-
gado ao fato de registrar no momento 
certo as vendas e as despesas que com-
petem (pertencem) a um período de 
tempo, independentemente de recebi-
mento ou pagamento.
VII-Prudência – uma posição conserva-
dora do profissional contábil: se existirem 
dois valores diferentes de bens e direitos, 
deverá optar pelo menor; se existirem 
dois valores diferentes de dívida, deverá 
optar pelo maior. (CFC, 1993).
O CFC, por conta do processo de conver-
gência às normas internacionais de contabilida-
de, emitiu a NBC TG Estrutura Conceitual – Estru-
tura Conceitual para a Elaboração e Apresentação 
das Demonstrações Contábeis, que discute a apli-
cabilidade dos PFCs contidos na Resolução CFC 
nº 750/1993.
“O Princípio da Continuidade pressupõe 
que a Entidade continuará em operação no fu-
turo e, portanto, a mensuração e a apresentação 
dos componentes do patrimônio levam em conta 
esta circunstância.” (Art. 5º da Resolução CFC nº 
1.282/2010).
 “O Princípio da Oportunidade refere-se 
ao processo de mensuração e apresentação dos 
componentes patrimoniais para produzir infor-
mações íntegras e tempestivas.” (Art. 6º da Reso-
lução CFC nº 1.282/2010).
“Parágrafo único. A falta de integridade e 
tempestividade na produção e na divulgação da 
informação contábil pode ocasionar a perda de 
sua relevância, por isso é necessário ponderar a 
relação entre a oportunidade e a confiabilidade 
da informação.” (Resolução CFC nº 1.282/2012).
A Resolução, em seu art. 7º, define:
O Princípio do Registro pelo Valor Origi-
nal determina que os componentes do 
patrimônio devem ser inicialmente regis-
trados pelos valores originais das transa-
ções, expressos em moeda nacional.
§ 1º. As seguintes bases de mensu-
ração devem ser utilizadas em graus 
distintos e combinadas, ao lon-
go do tempo, de diferentes formas: 
I – Custo histórico. Os ativos são registra-
dos pelos valores pagos ou a serem pa-
gos em caixa ou equivalentes de caixa ou 
pelo valor justo dos recursos que são en-
tregues para adquiri-los na data da aqui-
sição. Os passivos são registrados pelos 
valores dos recursos que foram recebidos 
em troca da obrigação ou, em algumas 
circunstâncias, pelos valores em caixa ou 
equivalentes de caixa, os quais serão ne-
cessários para liquidar o passivo no curso 
normal das operações; e 
AtençãoAtenção
Por conta dessa harmonização, a denominação 
Princípios Fundamentais de Contabilidade foi al-
terada para Princípios de Contabilidade, conforme 
Resolução CFC nº 1.282, de 28 de maio de 2010.
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50
II – Variação do custo histórico. Uma vez 
integrado ao patrimônio, os componen-
tes patrimoniais, ativos e passivos, po-
dem sofrer variações decorrentes dos se-
guintes fatores: 
a) Custo corrente. Os ativos são reconhe-
cidos pelos valores em caixa ou equiva-
lentes de caixa, os quais teriam de ser 
pagos se esses ativos ou ativos equiva-
lentes fossem adquiridos na data ou no 
período das demonstrações contábeis. 
Os passivos são reconhecidos pelos va-
lores em caixa ou equivalentes de caixa, 
não descontados, que seriam necessários 
para liquidar a obrigação na data ou no 
período das demonstrações contábeis; 
b) Valor realizável. Os ativos são mantidos 
pelos valores em caixa ou equivalentes de 
caixa, os quais poderiam ser obtidos pela 
venda em uma forma ordenada. Os passi-
vos são mantidos pelos valores em caixa 
e equivalentes de caixa, não desconta-
dos, que se espera seriam pagos para li-
quidar as correspondentes obrigações no 
curso normal das operações da Entidade; 
c) Valor presente. Os ativos são manti-
dos pelo valor presente, descontado do 
fluxo futuro de entrada líquida de caixa 
que se espera seja gerado pelo item no 
curso normal das operações da Entida-
de. Os passivos são mantidos pelo valor 
presente, descontado do fluxo futuro de 
saída líquida de caixa que se espera seja 
necessário para liquidar o passivo no cur-
so normal das operações da Entidade; 
d) Valor justo. É o valor pelo qual um ativo 
pode ser trocado, ou um passivo liquida-
do, entre partes conhecedoras, dispostas 
a isso, em uma transação sem favoreci-
mentos; e
e) Atualização monetária. Os efeitos da 
alteração do poder aquisitivo da moe-
da nacional devem ser reconhecidos 
nos registros contábeis mediante o 
ajustamento da expressão formaldos 
valores dos componentes patrimoniais. 
§ 2º. São resultantes da adoção da atuali-
zação monetária:
I – a moeda, embora aceita universalmente 
como medida de valor, não representa unida-
de constante em termos do poder aquisitivo; 
II – para que a avaliação do patrimônio pos-
sa manter os valores das transações origi-
nais, é necessário atualizar sua expressão 
formal em moeda nacional, a fim de que 
permaneçam substantivamente corretos 
os valores dos componentes patrimoniais e, 
por consequência, o do Patrimônio Líquido; 
e 
III – a atualização monetária não repre-
senta nova avaliação, mas tão somente 
o ajustamento dos valores originais para 
determinada data, mediante a aplicação 
de indexadores ou outros elementos ap-
tos a traduzir a variação do poder aquisi-
tivo da moeda nacional em um dado pe-
ríodo. [...]. (CFC, 2010). 
Art. 9º. O Princípio da Competência de-
termina que os efeitos das transações e 
outros eventos sejam reconhecidos nos 
períodos a que se referem, independen-
temente do recebimento ou pagamento.
Parágrafo único: O Princípio da Compe-
tência pressupõe a simultaneidade da 
confrontação de receitas e de despesas 
correlatas. (CFC, 2010).
Art. 10. O Princípio da Prudência pressu-
põe o emprego de certo grau de precau-
ção no exercício dos julgamentos neces-
sários às estimativas em certas condições 
de incerteza, no sentido de que ativos e 
receitas não sejam superestimados e que 
passivos e despesas não sejam subesti-
mados, atribuindo maior confiabilidade 
ao processo de mensuração e apresenta-
ção dos componentes patrimoniais. (CFC, 
2010).
6.5 Princípios da Contabilidade
A emissão de pronunciamentos sobre Prin-
cípios de Contabilidade para orientação dos con-
tadores no exercício da sua profissão teve início 
nos Estados Unidos, na década de 1930, após a 
quebra da Bolsa de Nova Iorque. Desde então, 
houve uma maior preocupação com a uniformi-
zação de princípios que pudessem dar embasa-
mento às normas e regras contábeis.
Teoria da Contabilidade
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51
IBRACON
No Brasil, o antigo Instituto Brasileiro de 
Contadores, hoje conhecido como Instituto dos 
Auditores Independentes do Brasil, teve uma par-
ticipação importante para o início da normatiza-
ção dos Princípios Contábeis, o que ocorreu atra-
vés da Circular nº 179/1972 do Banco Central do 
Brasil. Seu esforço constante no sentido de emitir 
pronunciamentos de interesse da classe culmi-
nou com a publicação, em 1986, de um trabalho 
intitulado Estrutura Conceitual Básica da Conta-
bilidade.
Em 1981, através da Resolução nº 530, o CFC 
havia se pronunciado acerca dos Princípios Con-
tábeis. Com a tendência recente de aperfeiçoar 
aquela resolução, o CFC publicou a Resolução nº 
750, de 29 de dezembro de 1993, que define os 
PFCs, de observância obrigatória no exercício da 
profissão.
Resolução CFC nº 750/1993
O CFC preocupou-se em disciplinar tal ma-
téria, editando tais princípios por meio das Reso-
luções CFC nos 750/1993 e 774/1994, essa última 
válida a partir de 16/12/1994.
Princípio da Entidade
O patrimônio da entidade (consideram-se 
aqui as sociedades Comerciais ou Civis) não se 
confunde com os seus sócios, acionistas ou pro-
prietário individual.
Conclui-se, então, que o patrimônio da em-
presa ou instituição, para todos os efeitos contá-
beis, tem vida autônoma das pessoas que a cons-
tituem ou que venham a ingressar.
 Exemplo de Anthony, segundo o Professor 
Sérgio de Iudícibus e Marion (2009, p. 91):
O famoso autor Robert Anthony apre-
senta um exemplo que sempre é bom 
reproduzir. ‘Um casal mora num sobrado, 
na parte alta do mesmo. No nível da rua, 
exerce pequena atividade comercial. As 
contas de água, luz, telefone etc., vêm 
para o sobrado como um todo. O princí-
pio da Entidade manda que se faça um 
esforço para verificar, se necessário por 
critérios de rateio, qual parte das despe-
sas que vieram numa só conta, indiscri-
minada, deve ser apropriada à entidade 
que exerce a atividade comercial e qual 
à entidade familiar.’
Princípio da Continuidade
A vida da empresa ou instituição é conti-
nuada; por consequência, como as demonstra-
ções contábeis são estáticas, por relatar a situação 
patrimonial em um determinado momento, não 
podem ser desvinculadas dos períodos anteriores 
e subsequentes.
Caso a empresa ou instituição tenha vida 
por prazo indeterminado, porém, devido às cir-
cunstâncias, haja uma reversão sustentada de 
expectativas que levem a concluir que a empresa 
ou instituição passou a ter vida com data provável 
de encerramento, deve ser analisada sobre a ade-
quada classificação e avaliação das mutações pa-
trimoniais, nos âmbitos quantitativo e qualitativo.
Exemplo: uma sociedade estabeleceu em 
seus atos constitutivos que o seu prazo de vida 
é indeterminado. Porém, diante da dinâmica em-
presarial, detecta-se que a empresa está em esta-
do pré-falimentar. Ora, os estoques da empresa 
constam em seu balanço pelo seu valor original, 
porém, diante da reversão das expectativas quan-
to à continuidade da sociedade, para efeito con-
tábil, tão somente, devem passar a ser avaliados 
pelo seu valor de realização, ou seja, a valor de 
mercado, com as devidas explicações aos usuá-
Saiba maisSaiba mais
Os PFCs são os conceitos básicos que constituem o 
núcleo essencial que deve guiar a profissão na con-
secução dos objetivos da Contabilidade, que, como 
vimos, constituem em apresentar informação estru-
turada para os usuários (IUDÍCIBUS; MARION, 2009).
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52
rios das informações contábeis dos motivos que 
levaram a essa mudança de critério para avaliação 
de um item patrimonial, além de outros itens que 
possam vir a ser justificáveis à mudança.
Perceba que a continuidade da empresa ou 
instituição influencia o valor econômico dos ati-
vos e, em muitos casos, o valor ou o vencimento 
dos passivos, especialmente quando a extinção 
da empresa ou instituição tem prazo determina-
do ou provável.
A observação do Princípio da Continuidade 
é indispensável para que o Princípio da Compe-
tência venha a ser aplicado com consistência, pois 
assim se relacionará diretamente à quantificação 
dos componentes patrimoniais e à formação do 
resultado, além de constituir dado importante 
para auferir a capacidade futura de geração de 
resultado.
Princípio da Oportunidade
As mudanças nos ativos, passivos e na ex-
pressão contábil do patrimônio líquido devem ser 
contabilizadas logo que ocorrerem e com exten-
são correta, independentemente das causas que 
as originaram.
Para observância do Princípio da Oportuni-
dade:
a) Desde que tecnicamente estimável, 
o registro das mutações patrimoniais 
deve ser feito mesmo na hipótese de 
somente existir razoável certeza de sua 
ocorrência;
b) O registro compreende os elementos 
quantitativos e qualitativos, contem-
plando os aspectos físicos e monetários;
c) O registro deve ensejar o reconheci-
mento universal das variações ocor-
ridas no patrimônio da empresa ou 
instituição, em um período de tempo 
determinado, base necessária para ge-
rar informações úteis ao processo deci-
sório da gestão administrativa.
Princípio do Registro pelo Valor Original
Os componentes do patrimônio devem ser 
registrados pelos valores originais das transações 
com o mundo exterior, expressos a valor presente 
na moeda do País, que serão mantidos na avalia-
ção das variações patrimoniais posteriores, inclu-
sive quando configurarem agregações ou decom-
posições no interior da empresa ou instituição.
Diante disso, tem-se que:
1. A avaliação dos componentes patrimo-
niais deve ser feita com base nos valo-
res de entrada, considerando-se como 
tais os resultantes do pactuado com os 
agentes externos ouda imposição des-
tes;
2. Uma vez integrado no patrimônio o 
bem, direito ou obrigação, não pode-
rão ser alterados seus valores intrínse-
cos (que está dentro de uma coisa ou 
pessoa e lhe é próprio), aditando-se, 
tão somente, sua decomposição em 
elementos e/ou sua agregação, parcial 
ou integral, a outros elementos patri-
moniais;
3. O valor original será mantido enquanto 
o componente permanecer como par-
te do patrimônio, inclusive quando da 
saída deste;
4. Os Princípios da Atualização Monetária 
e do Registro pelo Valor Original são 
compatíveis entre si e complementa-
res, dado que o primeiro apenas atua-
liza e mantém atualizado o valor de 
entrada;
5. O uso da moeda do País na tradução 
do valor dos componentes patrimo-
niais constitui imperativo (que ordena 
ou exprime uma ordem) de homoge-
neização (que são da mesma natureza) 
quantitativa destes.
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53
Princípio da Atualização Monetária
É do conhecimento público que a moeda 
perde seu poder aquisitivo diante da inflação.
Assim, os efeitos do poder aquisitivo da 
moeda nacional devem ser reconhecidos nos 
registros contábeis através do ajustamento da 
expressão formal dos valores dos componentes 
patrimoniais.
O Princípio da Atualização Monetária se 
apoia nas seguintes afirmativas:
1. A moeda, embora aceita universalmen-
te como medida de valor, não repre-
senta unidade constante em termos do 
poder aquisitivo;
2. Para que a avaliação do patrimônio 
possa manter os valores das transações 
originais, é necessário atualizar sua ex-
pressão formal em moeda nacional, a 
fim de que permaneçam substantiva-
mente (que define, caracteriza ou acen-
tua alguma coisa) corretos os valores 
dos componentes patrimoniais e, por 
consequência, o do patrimônio líquido;
3. A atualização monetária não repre-
senta nova avaliação, tão somente o 
ajustamento dos valores originais para 
determinada data, mediante aplicação 
de indexadores ou outros elementos 
aptos a traduzir a variação do poder 
aquisitivo da moeda nacional em um 
dado período.
Princípio da Competência
As receitas e as despesas devem ser incluí-
das na apuração do resultado do período em que 
ocorrerem, sempre simultaneamente quando se 
correlacionarem, independentemente de recebi-
mento ou pagamento.
O Princípio da Competência determina o 
momento em que as alterações no ativo ou no 
passivo levarão a aumento ou diminuição no pa-
trimônio líquido, estabelecendo diretrizes para 
classificação das mutações patrimoniais, resultan-
tes da observância do Princípio da Oportunidade.
O reconhecimento simultâneo das receitas 
e despesas, quando correlatas, é consequência 
natural do respeito ao período em que ocorrer 
sua geração.
As receitas consideram-se realizadas:
a) Nas transações com terceiros, quando 
estes efetuarem o pagamento ou assu-
mirem compromisso firme de efetivá-
-lo, quer pela posse da propriedade 
de bens anteriormente pertencentes à 
empresa ou instituição, quer pela frui-
ção (gozo, posse, usufruto) de serviços 
por esta prestados;
b) Quando da extinção, parcial ou total, de 
um passivo, qualquer que seja o motivo, 
sem o desaparecimento concomitante 
de um ativo de valor igual ou maior;
c) Pela geração natural de novos ativos, 
independentemente da intervenção de 
terceiros;
d) No recebimento efetivo de doações e 
subvenções.
Consideram-se incorridas as despesas:
a) Quando deixar de existir o correspon-
dente valor ativo, por transferência de 
sua propriedade para terceiros;
b) Pela diminuição ou extinção do valor 
econômico de um ativo;
c) Pelo surgimento de um passivo, sem o 
correspondente ativo.
Princípio da Prudência
O Princípio da Prudência determina a ado-
ção do menor valor para os componentes do Ati-
vo e do maior para os do Passivo, sempre que se 
apresentem alternativas igualmente válidas para 
a quantificação das mutações patrimoniais que 
alterem o patrimônio líquido.
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54
O Princípio da Prudência impõe a escolha 
da hipótese que resulte menor patrimônio líqui-
do, quando se apresentarem opções igualmente 
aceitáveis diante dos demais PFCs.
Observado o disposto quanto ao Princípio 
do Registro pelo Valor Original, o Princípio da Pru-
dência somente se aplica às mutações posteriores, 
constituindo-se ordenamento à correta aplicação 
do Princípio da Competência.
A aplicação do Princípio da Prudência ga-
nha ênfase quando, para definição dos valores re-
lativos às variações patrimoniais, vier a ser neces-
sário fazer estimativas que envolvam incertezas 
de grau variável.
Neste capítulo, você compreendeu os conceitos básicos que constituem o núcleo essencial, que 
consiste em apresentar informação estruturada para os usuários, através dos Princípios da Contabilidade.
Você foi levado(a) a refletir sobre a Resolução CFC nº 750/1993, atualizada pela Resolução CFC nº 
1.282, de 28 de maio de 2010, para atender ao processo de convergência para as Normas Internacionais 
de Contabilidade.
6.6 Resumo do Capítulo
6.7 Atividades Propostas
1. Por que os postulados da Entidade e da Continuidade são tratados como pilares da Contabilidade?
2. Onde teve início a emissão dos pronunciamentos sobre Princípios de Contabilidade?
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55
Caro(a) aluno(a), pode-se dizer que a “espi-
nha dorsal” da Teoria da Contabilidade é o Ativo, 
o Passivo e o Patrimônio Líquido.
Esses três itens representam o Patrimônio da 
Empresa, que é o alvo de estudo da Contabilidade.
O Patrimônio Líquido é modificado pelas 
Receitas, Despesas, Perdas e Ganhos. Daí a impor-
tância dessa parte.
7.1 O Ativo e sua Mensuração (Avaliação)
7.2 Algumas Definições de Ativo
PATRIMÔNIO E RESULTADO7 
Balanço Patrimonial
A empresa deve manter escrituração contá-
bil com base na legislação comercial e com obser-
vância das Normas Brasileiras de Contabilidade.
O balanço patrimonial é uma das demons-
trações contábeis, que visa a evidenciar, de forma 
sintética, a situação patrimonial da empresa e dos 
atos e fatos consignados na escrituração contábil.
Essa demonstração deve ser escriturada de 
acordo com os preceitos da Lei nº 6.404/1976 e 
segundo os PFCs.
Generalidades
É tão importante o estudo do ativo que po-
deríamos dizer que é o capítulo fundamental da 
Contabilidade, porque à sua definição e mensu-
ração (medir) está ligada a multiplicidade de rela-
cionamentos contábeis que envolvem receitas e 
despesas. É crítico o entendimento da verdadeira 
natureza do ativo, em suas características gerais, a 
fim de que possamos entender bem as subclassi-
ficações que aparecem em vários tipos de padro-
nização, em vários países. Entre nós, por exemplo, 
tem-se entendido o grupo pendente, até a pouco 
vigente (antes do advento atual da Lei das Socie-
dades por Ações), de forma muitas vezes desfi-
gurada, devido a mau entendimento da natureza 
geral do ativo. Ativo é ativo, independentemente 
de pertencer, por uma ou por outra classificação, 
a este ou àquele grupo.
Segundo Francisco D’Auria (1958, p. 65), 
a ativo é, finalmente, “o conjunto de meios ou a 
matéria posta à disposição do administrador para 
que esse possa operar de modo a conseguir os 
fins que a entidade entregue à sua direção tem 
em vista.”
Roberto Rodrigues Prado
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56
Essa definição é, de certa forma, restrita, 
pois fala em conjunto de meios ou da matéria 
posta à disposição. Pode dar a entender que se 
trata apenas de meios materiais ou tangíveis, dei-
xando de lado elementos tão importantes quan-
to o goodwill.
Além do mais, não projeta exatamente o 
que esses meios devem realizar para que possam 
ser considerados ativos.Que tipo de serviço está 
implícito em tais meios? Tem, todavia, o mérito de 
pôr em realce, implicitamente, a distinção entre 
donos do capital e gerência.
O professor Eliseu Martins (1972) apresen-
ta uma definição interessante que, livremente 
interpretada, define Ativo como os benefícios fu-
turos provocados por um agente. Essa definição 
tem a vantagem de deixar bem claro que é o valor 
dos benefícios que determinará o valor do ativo e 
não, propriamente, o agente (que opera, que age), 
per si. Entretanto, é muito difícil separar o agente 
dos benefícios que gera.
Segundo Sprouse e Moonitz (apud KRAE-
MER, 2000, p. 22), “ativos representam benefícios 
futuros esperados, direitos que foram adquiridos 
pela entidade como resultado de alguma transa-
ção corrente ou passada.”
Paton (apud IUDÍCIUS, 2010, p. 94) conside-
ra que “ativo é qualquer contraprestação, material 
ou não, possuída por uma empresa específica e 
que tem valor para aquela empresa.”
O comitê de Terminologia do American 
Institute of Certified Public Accountants (AICPA), 
em 1941 e em 1953, no Accounting Terminology 
Bulletin nº 1, apresentou uma definição casuística 
(aceitação passiva de ideias ou de doutrinas) de 
ativo da seguinte forma:
algo representado por um saldo devedor 
que é mantido após o encerramento dos 
livros contábeis de acordo com as normas 
ou os princípios de Contabilidade, na pre-
missa de que representa ou um direito de 
propriedade ou um valor adquirido, ou 
um gasto realizado que criou um direito.
Uma definição que se chegou, juntamente 
a várias turmas de alunos de Teoria, tanto na USP 
quanto na Pontifícia Universidade Católica de São 
Paulo (PUCSP), é a seguinte: ativos são recursos 
controlados por uma entidade, capazes de gerar, 
mediata ou imediatamente, fluxos de caixa.
O termo ‘recursos’ é amplo, incluindo tan-
gíveis e intangíveis. O fato de serem controlados 
por uma entidade é uma dimensão mais moder-
na de ativo. Ao controlarmos, podemos ter ou não 
a propriedade. Por outro lado, a posse nem sem-
pre é indispensável para caracterizar um ativo. 
Podemos ter adquirido um ativo e ele estar ainda 
em trânsito, não chegou, fisicamente, em nossa 
entidade, mas, nem por isso, deixa de ser ativo.
Finalmente, o teste de um ativo é que, ao 
trazer benefícios imediatos ou futuros, transfor-
mará esses benefícios em entradas líquidas de 
caixa ou em economia de saídas líquidas de caixa.
Essa definição e a do Professor Martins nos 
parecem as mais adequadas, segundo o Professor 
Sérgio de Iudícibus (2006).
7.3 Ativo Circulante
Este grupo de contas é dividido, segundo a 
Lei nº 6.404/1976, em:
ƒƒ Disponibilidades;
ƒƒ Direitos realizáveis no curso do exercí-
cio social subsequente; 
ƒƒ Aplicações de recursos em despesas do 
exercício seguinte.
Saiba maisSaiba mais
Se você desejar, aprofunde os conteúdos estuda-
dos neste capítulo consultando o CPC 0 – Estrutura 
Conceitual Básica da Contabilidade.
Fonte: www.cpc.org.br/pdf/pronunciamento_conceitual.
pdf
Teoria da Contabilidade
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57
A NBC T 3 estabelece a divisão do ATIVO 
CIRCULANTE em:
ƒƒ Disponível;
ƒƒ Créditos;
ƒƒ Estoques;
ƒƒ Despesas antecipadas;
ƒƒ Outros valores e bens.
DISPONÍVEIS: são entendidos como dispo-
nibilidades de dinheiro em caixa, os saldos mo-
netários em contas de movimento bancário, os 
saldos de contas relativas ao ativo imediatamente 
liquidável (títulos no mercado aberto) e o nume-
rário em trânsito por qualquer motivo.
a) NBC T 3: são os recursos financeiros que 
se encontram à disposição imediata da 
Entidade, compreendendo os meios de 
pagamento em moeda e em outras es-
pécies, os depósitos bancários à vista e 
os títulos de liquidez imediata.
CRÉDITOS: estes direitos representam, 
normalmente, um dos mais importan-
tes ativos das empresas em geral. São 
oriundos de vendas a prazo, de merca-
dorias e serviços a clientes, ou decorrem 
de outras transações que geram valores 
a receber.
A Lei nº 6.404/76 não separa as transa-
ções relacionadas às atividades fins das 
não relacionadas com as atividades fins 
da empresa. A NBC T 3 determina essa 
segregação, classificando as transações 
não relacionadas com as atividades fins 
em Outros Valores e Bens.
b) NBC T 3: são os títulos de crédito, quais-
quer valores imobiliários e os outros di-
reitos.
ESTOQUES: são os valores referentes às 
existências de produtos acabados, pro-
dutos em elaboração, matérias-primas, 
mercadorias, materiais de consumo, 
serviços em andamento e outros valo-
res relacionados às atividades fins da 
Entidade.
c) NBC T 3: neste subgrupo, classificam-se 
os seguintes valores:
1. Estoque de produtos e mercadorias, 
matérias-primas e material secun-
dário empregado em processo em 
andamento, material de consumo, 
produtos em trânsito, subprodutos, 
resíduos e serviços em andamento;
2. Estoque de imóveis prontos para 
venda ou em construção, com pra-
zo de entrega até 12 meses;
3. Estoque de mercadorias em poder 
de terceiros, para beneficiamento.
DESPESAS ANTECIPADAS: são regis-
trados, neste subgrupo, os valores das 
despesas antecipadas que devem ser 
apropriadas como despesa no decurso 
do exercício seguinte (prêmio de segu-
ros, despesas financeiras etc.).
A NBC T 3 estabeleceu o título DESPE-
SAS ANTECIPADAS por ser mais ade-
quado e tecnicamente correto, como a 
própria conceituação anterior reconhe-
ce.
d) NBC T 3: são as aplicações em gastos 
que tenham realização no curso do pe-
ríodo subsequente à data do balanço 
patrimonial.
OUTROS VALORES E BENS: a NBC T 3 
estabelece a identificação das transa-
ções reais relacionadas com as ativida-
des fins da empresa. Devem ser usadas 
as mesmas contas já previstas nos gru-
pos anteriores. São exemplos: Bens Não 
Destinados ao Uso, Imóveis Recebidos 
em Garantia para Revenda etc.
e) NBC T 3: são os não relacionados às ati-
vidades fins da Entidade.
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58
De uma forma geral, são classificáveis no 
Realizável em Longo Prazo contas da mesma na-
tureza das do Ativo Circulante, que, todavia, te-
nham sua realização certa ou provável após o tér-
mino do exercício seguinte, o que, normalmente, 
significa realização num prazo superior a um ano, 
a partir do próprio balanço.
As despesas apropriáveis após o exercício 
seguinte também são classificadas no Ativo Reali-
zável em Longo Prazo.
Os direitos não derivados de vendas e 
adiantamentos ou empréstimos a sociedades co-
ligadas (sociedades que participam com 10%, ou 
mais, do capital da outra, sem controlá-la, ou par-
ticipação igual ou maior que 10% e igual ou menor 
que 50% do capital total) ou controladas (socieda-
des cuja controladora, diretamente ou por meio de 
outras controladas, é titular de direito de sócios que 
lhe assegurem, de modo permanente, preponde-
rância nas deliberações sociais e o poder de eleger a 
maioria dos administradores), diretores, acionistas 
ou participantes no lucro da empresa, que não 
constituírem negócios usuais na exploração do 
objeto da empresa, serão classificados no Ativo 
Realizável em Longo Prazo.
Em geral, por se constituírem poucas con-
tas, não há no Ativo Realizável em Longo Prazo 
uma abertura em subgrupos, como ocorre no Ati-
vo Circulante. Esse procedimento pode, todavia, 
ser adotado no Plano de Contas como uniformi-
zação de estrutura, porém abreviado quando da 
divulgação das demonstrações contábeis.
NBC T 3: são os ativos referidos nos itens 
a, b, c, d, e anteriores, cujos prazos esperados de 
realização situem-se após o término do exercício 
subsequente à data do balanço patrimonial.
7.4 Ativo Realizável em Longo Prazo
7.5 Ativo Permanente
São incluídos neste grupo todos os bens de 
permanência duradoura, destinados aofunciona-
mento normal da sociedade e do seu empreen-
dimento, assim como os direitos exercidos com 
essa finalidade.
O Ativo Permanente é composto de 4 (qua-
tro) subgrupos: Investimentos, Imobilizado, In-
tangível (novo grupamento) e Diferido.
NBC T 3: são os bens e direitos não desti-
nados à transformação direta em meios de pa-
gamento e cuja perspectiva de permanência na 
Entidade ultrapasse um exercício. É constituído 
pelos seguintes subgrupos:
INVESTIMENTOS: são escrituradas neste 
subgrupo:
ƒƒ Participações permanentes em outras 
empresas;
ƒƒ Aplicações em incentivos fiscais, após 
o certificado de investimentos, quando 
houver intenção de manter esses valo-
res como investimentos;
ƒƒ Aquisição de imóveis, desde que não 
sejam para revenda ou destinados à 
manutenção das atividades da empre-
sa.
a) NBC T 3: são as participações em socie-
dades, além dos bens e direitos que não 
se destinem à manutenção das ativida-
des fins da Entidade.
IMOBILIZADO: são escriturados neste 
subgrupo os direitos que tenham por ob-
jeto bens destinados à manutenção das 
atividades operacionais da empresa ou 
que sejam exercidos com essa finalidade, 
Teoria da Contabilidade
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59
abrangendo, inclusive, os de proprieda-
de industrial ou comercial. Os itens clas-
sificados na categoria Ativo Imobilizado 
incluem bens tangíveis e intangíveis.
Obs.: Também integram o Imobilizado 
os recursos aplicados ou já destinados 
a bens da natureza citada, mesmo que 
ainda não em operação, mas que se des-
tinem a tal finalidade, tais como constru-
ção e importação em andamento.
b) NBC T 3: são os bens e direitos, tangí-
veis e intangíveis, utilizados na conse-
cução das atividades fins da Entidade.
INTANGÍVEL: os direitos que tenham 
por objeto bens incorpóreos destina-
dos à manutenção da companhia ou 
exercício com essa finalidade, inclusive 
o fundo de comércio adquirido (Lei Fe-
deral nº 11.638).
DIFERIDO: serão classificadas no Ativo 
Diferido as aplicações de recursos em 
despesas, que contribuirão para a for-
mação do resultado de mais um exer-
cício social, inclusive os juros pagos ou 
creditados aos acionistas durante o pe-
ríodo que anteceder ao início das ope-
rações sociais.
Pela Lei Federal nº 11.638: as despesas 
pré-operacionais e os gastos de reestru-
turação que contribuirão, efetivamente, 
para o aumento do resultado de mais 
de um exercício social e que não con-
figurem tão somente uma redução de 
custos ou acréscimos na eficiência ope-
racional.
Exemplos: gastos de implantação e pré-
-operacionais; pesquisas e desenvolvi-
mento de produtos.
c) NBC T 3: são as aplicações de recursos 
em despesas, que contribuirão para a 
formação do resultado de mais de um 
exercício social.
7.6 Contas Retificadoras do Ativo
DicionárioDicionário
Bens tangíveis: aqueles que têm corpo físico, tais 
como terrenos, máquinas, veículos, benfeitorias 
em propriedades arrendadas, direitos sobre recur-
sos naturais etc.
Bens intangíveis: aqueles cujo valor reside não 
em qualquer propriedade física, mas nos direitos 
de propriedade legalmente conferidos aos seus 
possuidores, tais como: patentes, direitos autorais, 
marcas etc.
No balanço patrimonial, algumas contas 
que apresentam saldo credor devem ser agrupa-
das no ativo, uma vez que representam valores 
retificativos de elementos que integram os seus 
grupos.
Contas Retificadoras do Ativo Circulante
ƒƒ Títulos descontados;
ƒƒ Provisão para crédito de liquidação du-
vidosa;
ƒƒ Provisão para ajuste de estoque ao va-
lor de mercado;
Saiba maisSaiba mais
Se você desejar, aprofunde os conteúdos estuda-
dos neste capítulo consultando o CPC 0 – Estrutura 
Conceitual Básica da Contabilidade.
Fonte: www.cpc.org.br/pdf/pronunciamento_conceitual.
pdf
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60
ƒƒ Provisão para perdas (registrará os valo-
res estimados de perdas de investimen-
tos temporários).
Contas Retificadoras do Ativo Realizável em 
Longo Prazo
ƒƒ Títulos descontados;
ƒƒ Provisão para crédito de liquidação du-
vidosa;
ƒƒ Provisão para perdas (registrará os valo-
res estimados de perdas de investimen-
tos temporários).
Contas Retificadoras do Ativo Permanente
ƒƒ INVESTIMENTOS
 • Provisão para perdas prováveis na 
realização de investimentos.
ƒƒ IMOBILIZADO
 • Depreciação acumulada;
 • Exaustão acumulada;
 • Amortizações acumuladas.
ƒƒ DIFERIDO
 • Amortizações acumuladas.
7.7 Dedução do Ativo Permanente
7.8 Resumo do Capítulo
ƒƒ Depreciação acumulada: perda da 
capacidade (pelo desgaste ou pela de-
terioração tecnológica) daquele imo-
bilizado de produzir eficientemente. 
Obtém-se assim o valor líquido (valor 
bruto - depreciação acumulada), que 
deverá aproximar-se do valor dos ativos 
imobilizados em termos de potencial 
de benefícios futuros para a empresa.
O Imposto de Renda fixa taxas de de-
preciação anuais. Por exemplo, máqui-
nas, equipamentos, móveis e utensílios 
depreciam-se à base de 10% ao ano; 
veículos e ferramentas, 20% ao ano; 
prédios, 4% ao ano;
ƒƒ Exaustão acumulada: corresponde à 
perda do valor, decorrente da explo-
ração de direitos cujos objetos sejam 
recursos minerais ou florestais ou bens 
aplicados nessa exploração;
ƒƒ Amortização acumulada: corresponde 
à perda do valor do capital aplicado em 
ativos intangíveis. Assim, são amortizá-
veis os ativos permanentes intangíveis 
de duração limitada, ou seja, o Fundo 
de Comércio (Goodwill), o ponto comer-
cial, os direitos autorais, as patentes e o 
direito de exploração.
AtençãoAtenção
Capital a Integralizar e Prejuízos Acumulados são 
contas de natureza devedora, mas devem ser clas-
sificadas no Patrimônio Líquido, pois são contas 
retificadoras deste.
Neste capítulo, você compreendeu o Ativo e sua avaliação.
Ainda, aprofundou seu aprendizado sobre os conceitos essenciais de Ativos, compreendeu o im-
pacto das contas redutoras do ativo sobre o patrimônio líquido e a formação do resultado, e viu sobre os 
conceitos essenciais de Deduções sobre o Ativo Permanente. 
Teoria da Contabilidade
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61
1. O que a NBC T 3 informa sobre o subgrupo Disponíveis?
2. Como a NBC T 3 classifica o subgrupo de Estoques?
7.9 Atividades Propostas
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63
A empresa deve manter escrituração contá-
bil com base na legislação comercial e com obser-
vância das Normas Brasileiras de Contabilidade.
O balanço patrimonial é uma das demons-
trações contábeis, que visa a evidenciar, de forma 
sintética, a situação patrimonial da empresa e dos 
atos e fatos consignados na escrituração contábil.
Essa demonstração deve ser escriturada de 
acordo com os preceitos da Lei nº 6.404/1976 e 
segundo os Princípios de Contabilidade.
O PASSIVO E SUA MENSURAÇÃO 
(AVALIAÇÃO)8 
Trataremos do passivo como sinônimo de 
exigibilidades. Fazemos essa ressalva, pois se po-
deria entender o termo “passivo” em sentido mais 
amplo, de todas as contas com saldo credor inse-
ridas no lado direito do balanço patrimonial.
A avaliação recai, usualmente, na natureza 
de itens monetários fixos; às vezes, existe cláusu-
la de correção monetária ou variação cambial, de 
qualquer forma, são sempre expressos em moeda 
corrente na data dos balanços. Uma diferenciação 
poderia ser constituída pelas receitas recebidas 
antecipadamente, as quais nem sempre são itens 
monetários.
8.1 Generalidades
8.2 Definições de Passivo
AtençãoAtenção
O problema principal do passivo não reside em 
sua avaliação, mas em quando reconhecê-lo e 
registrá-lo.
Hatfield (1927 apud IUDÍCIUS, 2010, p. 98) as-
sim definiu exigibilidades:
Num sentido restrito, exigibilidades [...] 
são subtraendosdos ativos, ou ativos 
negativos. Seria lógico, portanto, prepa-
rar um balanço no qual as exigibilidades 
totais fossem subtraídas dos ativos totais, 
deixando no lado direito do balanço me-
ramente os itens que representam a pro-
priedade.
Esta é uma visão nítida de teoria da proprie-
dade (abordagem do Patrimônio Líquido; essa 
forma de entender o Patrimônio Líquido facili-
ta a aplicação e a explicação do funcionamento 
das contas e tem estado em grande evidência, 
principalmente em razão disso), como podemos 
notar. Já a teoria dos fundos poderia interpretar 
os passivos de forma diferente, como reservas ou 
restrições aos ativos, derivantes de considerações 
legais, equitativas (reconhecer o direito de cada 
um), econômicas ou gerenciais.
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64
Por outro lado, a visão da teoria da entida-
de é outra, isto é, consideram-se as exigibilidades 
como reclamos contra a entidade ou, mais especifi-
camente, contra os ativos da entidade. Entretanto, 
a entidade continua sendo vista como organismo 
com vida própria. Nem mesmo o patrimônio líqui-
do pertence aos proprietários, na continuidade, 
mas à entidade.
DicionárioDicionário
Teoria dos Fundos: essa forma de entender o Patri-
mônio Líquido considera que o Fundo é o núcleo 
de interesse.
Neste grupo, são escrituradas as obrigações da 
empresa, inclusive financiamento para aquisição de 
direitos do ativo permanente, quando vencerem no 
exercício seguinte.
8.3 Passivo Circulante
8.4 Passivo Exigível em Longo Prazo
8.5 Resultado de Exercício Futuros
Neste grupo, são escrituradas as obrigações 
da empresa vencíveis após o exercício seguinte, 
inclusive financiamento para aquisição de direitos 
do ativo permanente. No caso de o ciclo operacio-
nal da empresa ter duração maior que o do exercí-
cio social, a concepção (conceber) terá por base o 
prazo desse ciclo.
Este grupo consta no balanço entre o passi-
vo exigível em longo prazo e o patrimônio líqui-
do; o seu objetivo é abrigar receitas já recebidas, 
que efetivamente devem ser reconhecidas em 
resultados em anos futuros, sendo que já devem 
estar deduzidas dos custos e despesas corres-
pondentes. Somente deve englobar tais receitas 
menos despesas, ou seja, resultados futuros rece-
bidos ou faturados antecipadamente, mas para 
os quais não haja qualquer tipo de obrigação de 
devolução por parte da empresa.
a) NBC T 3: não considerou o grupo Resul-
tado de Exercícios Futuros, entendendo 
que tais contas devem ser classificadas 
no Ativo e Passivo Circulante. A Lei nº 
6.404/1976 prevê este grupo e, por con-
sequência, pode ser considerado no 
plano contábil das empresas.
O mais adequado, todavia, é classificar 
tais contas no Ativo e no Passivo Circu-
lante.
Há uma tendência entre os doutrinado-
res da ciência contábil em não conside-
rar este subgrupo do passivo.
Saiba maisSaiba mais
Se você desejar, aprofunde os conteúdos estuda-
dos neste capítulo consultando o CPC 0 – Estrutura 
Conceitual Básica da Contabilidade.
Fonte: www.cpc.org.br/pdf/pronunciamento_conceitual.
pdf
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É a diferença entre o valor dos ativos e dos 
passivos e o resultado de exercícios futuros. É 
constituído por Capital Social, Reservas de Ca-
pital, Ajustes de Avaliação Patrimonial (novo 
agrupamento), Reservas de Lucros, Ajustes em 
Tesouraria e Prejuízos Acumulados (antes previa 
também: reservas de reavaliação e lucros ou pre-
juízos acumulados).
Obs.: Lucros ou Prejuízos Acumulados são 
também resultados obtidos, mas retidos sem fi-
nalidade específica (quando lucros) ou à espera 
de absorção futura (quando prejuízos). Pela Lei nº 
11.638/2007, os Lucros Acumulados serão desti-
nados para uma reserva de expansão ou investi-
mentos (reserva de lucros).
ƒƒ Capital Social: representa valores rece-
bidos pela empresa, ou por ela gerados, 
e que estão formalmente incorporados 
ao Capital;
ƒƒ Reservas de Capital: representam valo-
res recebidos que não transitaram pelo 
seu resultado como receitas;
ƒƒ Ajustes de Avaliação Patrimonial: foi 
criado um novo subgrupo de contas, no 
patrimônio líquido, específico para os 
ajustes de avaliação patrimonial, decor-
rentes da avaliação de ativos e passivos 
pelo seu valor de mercado;
ƒƒ Reservas de Lucros: representam lucros 
obtidos pela empresa retidos com fina-
lidade específica.
No caso, se houver Passivo a Descoberto 
(passivo maior que o ativo), devido à sua excep-
cionalidade, a empresa deverá alterar a forma ha-
bitual da equação patrimonial, apresentando, 
de forma vertical, o Ativo diminuído do Passivo, 
tendo como resultado o Passivo a Descoberto.
Passivo a Descoberto: denominação dada 
ao Patrimônio Líquido Negativo, quando o Passi-
vo Exigível for maior que o Ativo (IUDÍCIBUS; MA-
RION, 2009).
Equação Patrimonial 
Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido, tam-
bém conhecida como Equação Contábil (IUDÍCI-
BUS; MARION, 2009).
Equilíbrio Patrimonial 
Igualdade patrimonial indicada no Balanço 
Patrimonial, ou seja, os valores do Ativo devem 
ser iguais aos valores do Passivo e Patrimônio Lí-
quido, porque as aplicações devem ser iguais às 
origens (IUDÍCIBUS; MARION, 2009).
8.6 Patrimônio Líquido
8.7 Contas Retificadoras do Passivo
ƒƒ Os custos e despesas relativos a receitas 
antecipadas, registradas em conta do 
grupo Resultado de Exercícios Futuros;
ƒƒ A que representa os prejuízos acumula-
dos, que serão um valor deduzido dos 
elementos do Patrimônio Líquido;
ƒƒ A parcela do Capital a Realizar e/ou a In-
tegralizar, que será deduzida do Capital 
Social.
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66
Neste capítulo, você compreendeu o passivo e sua mensuração.
Ainda, aprofundou seu aprendizado sobre os conceitos essenciais de Passivos, compreendeu o pa-
trimônio líquido e a formação do resultado e viu sobre os conceitos essenciais de Patrimônio Líquido. 
8.8 Resumo do Capítulo
8.9 Atividades Propostas
1. Identifique as principais diferenças entre Provisão e Reserva.
2. Faça um breve resumo de todas as teorias de Patrimônio Líquido.
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67
Neste capítulo, você será conduzido(a) a 
aprender que, na Contabilidade, encontramos 
diversos termos com significados diferentes, que, 
muitas vezes, são utilizados de forma inadequa-
da. Por exemplo, podemos encontrar termos 
como: desembolso, dispêndio, gasto, desencaixe, 
despesa, custo, perda e outros de natureza sub-
trativa.
Além dos termos de natureza subtrativa, há 
aqueles que significam acréscimos, como receita, 
ganho, encaixe etc.
Vamos descrever os significados desses ter-
mos, sem uma preocupação de esgotar o assunto ou 
de dar uma conotação de profundidade, pois, nesse 
caso, deveriam ser vistos livros mais específicos. 
Boa leitura!
9.1 Receitas e Ganhos
TERMINOLOGIA CONTÁBIL BÁSICA 
USADA EM CONTABILIDADE9 
Receita 
Representa a entrada de ativos, sob a forma 
de dinheiro ou direitos a receber, corresponden-
te, normalmente, à venda de mercadorias, de pro-
dutos ou à prestação de serviços. Pode também 
derivar de juros sobre depósitos bancários ou tí-
tulos e de outros ganhos eventuais.
Ainda, a receita corresponde, em geral, a 
vendas de mercadorias ou prestações de servi-
ços. Ela aparece (é refletida) no Balanço através 
de entrada de dinheiro no Caixa (receita à vista) 
ou entrada em forma de Direitos a Receber e/ou 
Duplicatas a Receber (receita a prazo).
A Receita sempre aumenta o Ativo, embo-
ra nem todo aumento de Ativo signifique Receita 
(empréstimos bancários, financiamentos etc. au-
mentam o Caixa/Bancos – Ativo da empresa e não 
são Receitas).
Toda vez que entra dinheiro no Caixa/Banco 
por meiode receita à vista, recebimentos etc., de-
nominamos essa entrada de Encaixe.
Ganhos 
Representam itens não recorrentes (repetiti-
vos), que têm o mesmo efeito líquido no patrimô-
nio, mas que podem ou não surgir na atividade 
normal de uma empresa, ao passo que a receita 
sempre surge de atividades normais. Entretanto, 
como o efeito no patrimônio é o mesmo, não se 
excluem os ganhos no tratamento desse item, 
embora, às vezes, não estritamente operacionais 
(como no caso de uma aplicação financeira, que 
gera receita financeira).
Iudícibus e Marion (2009) comentam que 
ganho é: 1) acréscimo no Patrimônio Líquido, in-
dependente da atividade operacional da empre-
sa; e 2) resultado líquido favorável resultante de 
transações ou eventos não relacionados às ope-
rações normais do empreendimento.
Ainda, da mesma forma que perda, ganho é 
bastante aleatório. É um lucro que independe da 
atividade operacional. Exemplos: ganhos monetá-
rios (ganhos com a inflação), venda de um imobi-
lizado por valor acima de seu custo, recebimento 
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68
de seguro por um bem perdido etc. O ganho au-
menta o Ativo (consequentemente, o Patrimônio 
Líquido). Tanto a perda quanto o ganho refletem 
no Patrimônio Líquido, diminuindo ou aumentan-
do o lucro apurado na Demonstração de Resulta-
do do Exercício (DRE).
De maneira geral, pode-se conceituar Des-
pesa como o sacrifício de ativos realizado em 
troca da obtenção de Receitas (cujo montante, 
espera-se, supere o das despesas).
Iudícibus e Marion (2009) comentam que 
despesa representa a utilização ou consumo de 
bens e serviços no processo de produzir receitas. 
O que caracteriza a despesa é o fato de ela tratar 
de expirações (terminar) de fatores de serviços, di-
reta ou indiretamente relacionadas com a produ-
ção ou a venda do produto (serviço) da entidade.
Por exemplo, no momento em que é gerada 
a despesa de comissão dos vendedores, há tam-
bém uma receita, ou seja, venda de bens ou ser-
viços resultante do trabalho dos vendedores. Essa 
despesa é normal, previsível, orçável.
Uma perda com desfalque no caixa não 
provocou nenhuma receita, só subtração. É um 
fato anormal, imprevisível, não foi orçado.
Exemplos: desfalque no caixa, inundações, 
greves, incêndio, perda de um veículo em um 
desastre etc. Na prática, é bastante difícil prever 
uma perda (por ser anormal). Geralmente, a perda 
reduz o Ativo (consequentemente, o Patrimônio 
Líquido).
Caro(a) aluno(a), informa-nos a esse respei-
to Martins (2003, p. 26):
Perda não se confunde com a despesa 
(muito menos com o custo), exatamente 
por sua característica de anormalidade e 
involuntariedade; não é um sacrifício fei-
to com intenção de obtenção de receita. 
Exemplos: perdas com incêndios, obsole-
tismo de estoques etc.
Cabe aqui ressaltar que inúmeras perdas 
de pequeníssimo valor são, na prática, co-
mumente consideradas dentro dos cus-
tos ou das despesas, sem sua separação; 
e isso é permitido devido à irrelevância 
do valor envolvido. No caso de montan-
tes apreciáveis, esse tratamento não é 
correto.
9.2 Despesas e Perdas
AtençãoAtenção
Despesa é todo consumo de bens ou serviços 
para obtenção de receita. É exatamente aqui que 
despesa se diferencia de perda, pois, enquanto 
aquela (despesa) representa sacrifícios no senti-
do de obter receita, esta (perda) não gera receita. 
Despesas são gastos que provocam redução do 
patrimônio.
DicionárioDicionário
Perda: bem ou serviço consumido de forma anor-
mal e involuntária. Perda é um gasto involuntário, 
anormal, extraordinário.
Saiba maisSaiba mais
Se você desejar, aprofunde os conteúdos estuda-
dos neste capítulo consultando o CPC 0 – Estrutura 
Conceitual Básica da Contabilidade.
Fonte: www.cpc.org.br/pdf/pronunciamento_conceitual.
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69
Gasto (ou Dispêndio) 
É o termo genérico que pode representar 
tanto um custo quanto uma despesa. É todo sa-
crifício para aquisição de um bem ou serviço, com 
pagamento no ato (desembolso) ou no futuro 
(cria uma dívida). Assim, a empresa tem gasto na 
compra de Imobilizado, na compra de matéria-
-prima, na produção etc. Num primeiro estágio, 
todo sacrifício para aquisição de bem ou serviço é 
um gasto (é um conceito consideravelmente am-
plo). Portanto, no momento em que a empresa 
adquire um bem ou um serviço, defrontamo-nos 
com um gasto.
Desembolso 
É todo dinheiro que sai do Caixa (disponí-
vel) para um pagamento. Podemos também uti-
lizar o termo Desencaixe como sinônimo de de-
sembolso.
Na verdade, mais cedo ou mais tarde, o 
gasto será um desembolso. Todavia, nem todo 
desembolso é um gasto. Por exemplo: amortiza-
ção ou quitação de empréstimo bancário é um 
desembolso, mas não é um gasto.
Investimento 
Gasto ativado em função de sua vida útil ou 
de benefícios atribuíveis a futuro(s) período(s).
Custo 
Quando a matéria-prima é adquirida, de-
nominamos esse primeiro estágio de Gasto; em 
seguida, ela foi estocada no Ativo (ativada); no 
instante em que a matéria-prima entra na pro-
dução (produção em andamento), associando-se 
a outros gastos de fabricação, reconhecemos (a 
matéria-prima + outros gastos) como Custo.
Portanto, todos os gastos no processo de 
industrialização, que contribuem com a transfor-
mação da matéria-prima (fabricação), entende-
mos como custo: mão de obra, energia elétrica, 
desgaste das máquinas utilizadas para a produ-
ção, embalagens etc. Assim, numa indústria, iden-
tificamos como custo todo gasto de dentro da 
fábrica, seja ele matéria-prima, mão de obra, des-
gaste de máquina, aluguel da fábrica, imposto 
predial da fábrica, pintura da fábrica etc. 
Eliseu Martins (2003) comenta em seu 
livro que custos são gastos relacionados com a 
transformação de ativos.
9.4 Resumo do Capítulo
9.3 Outras Terminologias Usadas
Neste capítulo, você viu outras terminologias e os conceitos de Receitas, Despesas, Ganhos e Perdas.
Ainda, aprofundou seu aprendizado sobre os diversos termos com significados diferentes, como: 
desembolso, dispêndio, gasto, desencaixe, despesa, custo, perda e outros de natureza subtrativa.
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70
1. O que você entende por Receita e Ganho?
2. O que você entende por Despesas e Perdas?
9.5 Atividades Propostas
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71
Os relatórios contábeis significam os produ-
tos finais da contabilidade.
A preocupação desta parte é mostrar como 
a Teoria da Contabilidade influencia na confecção 
desses relatórios.
Aqui, existe uma preocupação em mostrar 
aspectos diferenciados entre a Lei das Sociedades 
Anônimas e as Normas do CFC.
PATRIMÔNIO E RESULTADO10 
10.1 Relatórios Contábeis
10.2 O Balanço Patrimonial
O Balanço Patrimonial é a peça contábil que 
retrata a posição das contas de uma entidade 
após todos os lançamentos das operações de um 
período terem sido feitos, após todos os provi-
sionamentos (depreciação, devedores duvidosos 
etc.) e ajustes, bem como após o encerramento 
das contas de Receitas e Despesas também ter 
sido executado.
De acordo com art. 178 (Lei das S.A.), no ba-
lanço, as contas serão classificadas segundo os ele-
mentos do patrimônio que registrem e agrupadas 
de modo a facilitar o conhecimento e a análise da 
situação financeira da companhia.
Hierarquia
O Balanço Patrimonial é a mais importante 
demonstração contábil de “posição” das contas 
num determinado momento. Imagine a estrutu-
ra e hierarquia do sistema contábil de informação 
mais ou menos dessa forma simplificada:
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72
Os PFCs representam a cúpula de todo o 
edifício contábil, principalmenteda Contabilida-
de Financeira.
O Processamento e os Ajustes correspon-
dem à fase de acumulação sistemática dos re-
gistros de operações, bem como dos ajustes de 
final de exercício (incluindo os encerramentos de 
receitas e despesas).
 Principal Relatório
Os Relatórios de Posição representam a po-
sição da entidade num determinado momento, 
no que se refere a suas principais contas. O Balan-
ço Patrimonial é o principal deles. Podem-se ter, 
todavia, detalhamentos de grupos do Balanço, 
como Bancos, Valores a Receber, Imobilizados etc.
Os Fluxos
Os Relatórios de Fluxos descrevem o que 
aconteceu em determinadas contas durante o 
período. Assim, tem-se Relatório de Receitas e 
Despesas (nossa Demonstração de Resultados), 
que retrata a movimentação, no período, de re-
ceitas e despesas, pelo Regime de Competência. 
Outro relatório de fluxos importante é a Demons-
tração de Fluxo de Caixa (em substituição às De-
monstrações de Origens e Aplicações de Recur-
sos), entendida aqui a palavra “Recursos” como 
Capital de Giro Líquido, mas, na verdade, poden-
do vir a ter várias conotações. 
Os relatórios de Comparação e de Exceção 
(ou de situações especiais) já pertencem mais ao 
campo da Contabilidade Gerencial e não serão 
tratados aqui.
Inferência (indução, conclusão)
Obs.: Preditivo é um adjetivo formado a par-
tir de predizer (dizer antes, anunciar com antece-
dência, prognosticar); é aquele em que se afirma 
algo antecipadamente.
Embora o Balanço represente uma situação 
aparentemente estática, informando, portanto, 
sobre o passado e o presente, principalmente, ele, 
como todas as peças contábeis, apresenta um po-
der informativo de natureza preditiva, na me-
dida em que os usuários, sabedores do cuidado e 
do zelo com que foi elaborado o Balanço, podem 
inferir, com alguns ajustes pessoais adicionais, as 
seguintes dimensões básicas, importantes para a 
tomada de decisões visando ao futuro:
ƒƒ Posição de liquidez e endividamento;
ƒƒ A representatividade dos principais gru-
pos patrimoniais, como, por exemplo, o 
Imobilizado comparado com o Patrimô-
nio Líquido, o Circulante Passivo (Exigível 
em Curto Prazo) com o Circulante Ativo 
(Realizável em Curto Prazo) etc.;
ƒƒ Se as contas tiverem sido avaliadas e 
colocadas em termos de poder aquisiti-
vo da data do Balanço ou estiverem ex-
pressas em algum tipo de moeda forte 
ou a custos de reposição etc., o Balanço 
pode ser uma indicação inicial de quan-
to um investidor deveria investir, apro-
ximadamente, para ter uma empresa 
equivalente.
É evidente que as avaliações e comparações 
anteriores e outras ficam fortalecidas à medida 
que se dispõe de Balanços para mais de um pe-
ríodo, de Balanços de empresas concorrentes etc.
O poder preditivo geral do Balanço Patri-
monial, entretanto, consiste em dar uma razoável 
dose de confiança de que, se os eventos retrata-
dos se repetirem, os resultados serão equivalen-
tes, no futuro.
10.3 Poder Preditivo do Balanço Patrimonial
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73
Passado e Futuro
Assim, o Balanço é uma sombra do passado 
que se projeta para o futuro. Os analistas deverão 
fazer as estimativas necessárias para ajustar o Ba-
lanço às mudanças nas expectativas e transações. 
Também, não se pode esquecer que o próprio 
Balanço já incorpora estimativas, como deprecia-
ções, provisionamentos etc.
10.4 Uma Estrutura de Balanços não Usada entre Nós
O Balanço Patrimonial não dispensa uma 
boa estruturação das principais categorias de ati-
vos e passivos, bem como, residualmente, do pa-
trimônio líquido, que o compõem.
O lado esquerdo do Balanço tem sido, tra-
dicionalmente, o lado do ativo. Uma estruturação 
que se poderia considerar seria (bastante típica 
de Balanços Europeus):
ATIVO PASSIVO E PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Ativo Não Corrente Passivo Exigível em Longo Prazo
Imobilizações Técnicas Passivo Exigível em Curto Prazo
Imobilizações Financeiras Patrimônio Líquido
Diferidos Capital
Realizável em Longo Prazo Reservas de Lucros
Lucros Acumulados
Ativo Corrente
Estoques
Recebíveis
Disponibilidades
Liquidez Crescente
A razão pela qual se pode preferir ordem cres-
cente de liquidez é, exatamente, mostrar os ativos 
na ordem crescente de seu equivalente de caixa, 
que é, como visto, o ativo por excelência e contra o 
qual todos os demais devem ser referenciados.
Ao mesmo tempo, tem-se que verificar pri-
meiro, principalmente nas empresas de porte, 
manufatureiras, a estrutura permanente de fun-
cionamento e manutenção das atividades da em-
presa.
Entretanto, a ordem inversa também tem 
suas vantagens.
O essencial é que os subgrupos represen-
tem com adequação as contas componentes.
Ciclo Operacional
As definições de curto e longo prazo pre-
cisariam ser cuidadosamente revistas. Talvez a 
adoção do ciclo operacional da empresa, como 
divisor, pudesse ser um critério mais interessante. 
Entretanto, por razões de comparabilidade entre 
empresas, tem sido mais utilizado um critério de 
tempo.
No que se refere a certos valores a receber 
e a pagar, como já visto, defende-se seu cálculo a 
valor presente.
Roberto Rodrigues Prado
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74
O Balanço Patrimonial é o herdeiro das 
primeiras manifestações da existência da Conta-
bilidade, antes mesmo das partidas dobradas. É 
o descendente direto do Inventário e como in-
ventário patrimonial geral aperfeiçoado deve ser 
considerado.
O CFC dedicou a NBC T 3 ao tratamento e es-
truturação das Demonstrações Contábeis, em ge-
ral. A NBC T 3.1 trata de Disposições Gerais sobre 
demonstrações contábeis e NBC T 3.2 trata, espe-
cificamente, do Balanço Patrimonial; serão tecidos 
alguns comentários a respeito.
10.5 As Normas Brasileiras de Contabilidade e o Balanço Patrimonial
10.6 CFC e Lei das S.A.
10.7 Passivo Descoberto
10.8 Algumas Diferenças
Os conceitos e definições expedidos estão 
em linha, de maneira geral, com os da Lei das So-
ciedades por Ações. Entretanto, adicionalmente a 
esta, a NBC T 3.2 conceitua Balanço Patrimonial 
como “a demonstração contábil destinada a evi-
denciar, quantitativa (qtde) e qualitativamente 
(qualidade), numa determinada data, a posição 
patrimonial e financeira da Entidade [...].” (Resolu-
ção CFC nº 1.049/2005).
Em seguida, define o conteúdo e a estrutura 
do Balanço Patrimonial, ressaltando que, na hipó-
tese de o passivo superar o ativo, a diferença deno-
mina-se “Passivo a Descoberto”. Essa denominação 
não é encontrada na Lei das S.A. e, de fato, é prefe-
rível Passivo a Descoberto a Patrimônio Líquido 
Negativo.
Enquanto a Lei das S.A. define, por exemplo, 
de forma global o que deve conter o Ativo Circu-
lante, a redação dada pela NBC T 3.2 prefere de-
finir de maneira geral que tipos de direitos e obri-
gações devem constar em grupos do circulante. 
Quando desce ao detalhe de definir a composição 
do Ativo Circulante, chamando-o simplesmente 
de Circulante, define separadamente Disponível, 
Créditos, Estoques, Despesas Antecipadas e Ou-
tros Valores e Bens.
Por outro lado, mantém a noção de prazo, 
no sentido de que os prazos de realização dos di-
reitos e os prazos das obrigações, estabelecidos 
ou esperados, situem-se após o término do exer-
cício subsequente à data do balanço patrimonial 
(com exceção, da mesma forma que na Lei das 
S.A., do caso em que o ciclo operacional tiver du-
ração maior que o exercício social, em que a clas-
sificação em Circulante em Longo Prazo terá por 
base o prazo desse Ciclo).
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75
A NBC T 3.2 não faz menção, como grupo 
específico, a Resultados de Exercícios Futuros (art. 
181 da Lei das S.A.), a não ser no item genérico 
3.2.2.7, em que se afirma:
queos valores recebidos como receitas 
antecipadas por conta de produtos ou 
serviços a serem concluídos em exercícios 
futuros, denominados como resultados 
de exercícios futuros, na legislação, serão 
demonstrados com a dedução dos valo-
res ativos a eles vinculados como direitos 
ou obrigações, dentro do respectivo gru-
po do ativo e passivo.
Uma redação algo complexa, como se pode 
observar, e fora do que genericamente se enten-
de por Resultados de Exercícios Futuros.
10.9 Resultado de Exercícios Futuros
10.10 Resultados de Exercícios Futuros versus Exigível
10.11 As Normas Brasileiras de Contabilidade (as NBCS)
Pela Lei das S.A., qualquer obrigação fica no 
Passivo Circulante ou Exigível em Longo Prazo. 
Assim, valores recebidos por conta de mercado-
rias ou serviços a entregar ficam nesse Passivo e 
não nos Resultados de Exercícios Futuros. Nestes, 
só podem ficar valores recebidos que não sejam 
ainda receitas pelo regime de competência, mas 
que não impliquem Exigibilidades, como no caso 
de aluguel recebido adiantado e absolutamente 
não restituível ou então no caso de receitas de ta-
xas de abertura de crédito que são apropriadas ao 
longo do contrato e que não são devolvíveis.
De resto, na definição dos grupos de Ativo, 
Passivo e Patrimônio Líquido, segue a NBC T 3.2, 
basicamente, os conceitos da lei comercial, sen-
do essa última, todavia, muito mais detalhada na 
composição do Patrimônio Líquido.
Por outro lado, a lei trata também dos crité-
rios de avaliação do Ativo, Passivo e da Correção 
Monetária, ao passo que o CFC dedica uma NBC 
(a T 4) à Avaliação Patrimonial, especialmente, a 
ser comentada em outro item.
NBC T 3 – Conceito, Conteúdo, Estrutura e 
Nomenclatura das Demonstrações Contábeis
Esta norma estabelece os conceitos e regras 
sobre o conteúdo, a estrutura e a nomenclatura 
das demonstrações contábeis de natureza geral.
A norma estabelece o conjunto das de-
monstrações capaz de propiciar aos usuários um 
grau de revelação suficiente para o entendimento 
da situação patrimonial e financeira da Entidade, 
do resultado apurado, das origens e aplicações de 
seus recursos (fluxo de caixa) e das mutações do 
seu patrimônio líquido num determinado período.
NBC T 3.2 – Do Balanço Patrimonial
3.2.1 – Conceito
3.2.1.1. O balanço patrimonial é a demons-
tração contábil destinada a evidenciar, 
quantitativa e qualitativamente, numa 
determinada data, a posição patrimonial e 
financeira da Entidade.
3.2.2 – Conteúdo e Estrutura
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76
3.2.2.1. O balanço patrimonial é constituí-
do pelo Ativo, pelo Passivo e pelo Patri-
mônio Líquido.
a) O Ativo compreende as aplicações de 
recursos representadas por bens e direi-
tos;
b) O Passivo compreende as origens de 
recursos representadas por obrigações;
c) O Patrimônio Líquido compreende os 
recursos próprios da Entidade, ou seja, a 
diferença a maior do ativo sobre o pas-
sivo. Na hipótese do passivo superar o 
ativo, a diferença denomina-se ‘Passivo a 
Descoberto’. Portanto, o valor do PL, pode 
ser positivo, nulo ou negativo.
3.2.2.2. As contas do ativo são dispostas 
em ordem crescente dos prazos espera-
dos de realização, e as contas do passivo 
são dispostas em ordem crescente dos 
prazos de exigibilidade, estabelecidos ou 
esperados, observando-se iguais proce-
dimentos para os grupos e subgrupos.
3.2.2.3. Os direitos e as obrigações são 
classificados em grupos do Circulan-
te, desde que os prazos esperados de 
realização dos direitos e os prazos das 
obrigações, estabelecidos ou esperados, 
situem-se no curso do exercício subse-
qüente à data do balanço patrimonial.
3.2.2.4. Os direitos e as obrigações são 
classificados, respectivamente, em gru-
pos de Realizável e Exigível a Longo Pra-
zo, desde que os prazos esperados de 
realização dos direitos e os prazos das 
obrigações estabelecidas ou esperados, 
situem-se após o término do exercício 
subseqüente à data do balanço patrimo-
nial.
3.2.2.5. Na Entidade em que o ciclo ope-
racional tiver duração maior que o exercí-
cio social, a classificação no Circulante ou 
Longo Prazo terá por base o prazo desse 
ciclo.
3.2.2.6. Os saldos devedores ou credores 
de todas as contas retificadoras deverão 
ser apresentados como valores redutores 
das contas ou grupo de contas que lhes 
deram origem.
3.2.2.7. Os valores recebidos como recei-
tas antecipadas por conta de produtos ou 
serviços a serem concluídos em exercícios 
futuros, denominados como resultados 
de exercícios futuros, na legislação, serão 
demonstrados com a dedução dos valo-
res ativos a eles vinculados, como direitos 
ou obrigações, dentro do respectivo gru-
po do ativo ou do passivo.
3.2.2.8. Os saldos devedores e credores 
serão demonstrados separadamente, sal-
vo nos casos em que a Entidade tiver di-
reito ou obrigação de compensá-los.
3.2.2.9. Os elementos da mesma natureza 
e os pequenos saldos serão agrupados, 
desde que seja indicada a sua natureza e 
nunca ultrapassem, no total, um décimo 
do valor do respectivo grupo de contas, 
sendo dedada a utilização de títulos ge-
néricos como “diversas contas” ou “con-
tas-correntes”.
3.2.2.10. As contas que compõem o ativo 
devem ser agrupadas, segundo sua ex-
pressão qualitativa, em:
I. Circulante
O Circulante compõe-se de:
a) Disponível
São os recursos financeiros que se encon-
tram à disposição imediata da Entidade, 
compreendendo os meios de pagamen-
tos e em outras espécies, os depósitos 
bancários à vista e os títulos de liquidez 
imediata.
b) Créditos
São os títulos de crédito, quaisquer valo-
res mobiliários e outros direitos.
c) Estoques
São os valores referentes às existências 
de produtos acabados, produtos em ela-
boração, matérias-primas, mercadorias, 
materiais de consumo, serviços em anda-
mento e outros valores relacionados às 
atividades-fins da Entidade.
d) Despesas Antecipadas
São aplicações em gastos que tenham 
realização no curso do período subse-
qüente à data do balanço patrimonial.
e) Outros Valores e Bens
São os não relacionados às atividades – 
fins da Entidade.
II. Realizável a Longo Prazo
São os ativos referidos nos itens I. b, c, d, 
e anteriores, cujos prazos esperados de 
realização situem-se após o término do 
exercício subseqüente à data do balanço 
patrimonial.
III. Permanente
São os bens e direitos não destinados à 
transformação direta em meios de paga-
mento e cuja perspectiva de permanência 
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77
da Entidade ultrapasse um exercício. É cons-
tituído pelos seguintes subgrupos:
a) Investimentos
São as participações em sociedades além 
dos bens e direitos que não se destinem 
à manutenção das atividades - fins da En-
tidade.
b) Imobilizado
São os bens e direitos, tangíveis, utiliza-
dos na consecução das atividades – fins 
da Entidade.
c) Intangível
São os direitos que tenham por objeto 
bens incorpóreos destinados à manuten-
ção da companhia ou exercidos com essa 
finalidade, inclusive o fundo de comércio 
adquirido.
d) Diferido
São as aplicações de recursos em despe-
sas que contribuirão para a formação do 
resultado de mais de um exercício social.
3.2.2.11. As contas que compõem o pas-
sivo devem ser agrupadas, segundo sua 
expressão qualitativa, em:
I. Circulante
São as obrigações conhecidas e os encar-
gos estimados, cujos prazos estabeleci-
dos ou esperados situem-se no curso do 
exercício subseqüente à data do balanço 
patrimonial.
II. Exigível a Longo Prazo
São as obrigações conhecidas e os en-
cargos estimados, cujos prazos estabe-
lecidos ou esperados situem-se após o 
término do exercício subseqüente à data 
do balanço patrimonial.
3.2.2.12. As contas que compõem o Pa-
trimônio Líquido devem ser agrupadas, 
segundo sua expressão qualitativa,em:
I. Capital
São os valores apontados pelos proprie-
tários e os decorrentes de incorporação 
de reservas e lucros.
II. Reservas
São os valores decorrentes de retenções 
de lucros, de reavaliação de ativos e de 
outras circunstâncias.
III. Lucros ou Prejuízos Acumulados
São os lucros retidos ou ainda não desti-
nados e os prejuízos ainda não compen-
sados, estes apresentados como parcela 
redutora do Patrimônio Líquido. (CFC, 
1990).
Obs.: Pela Lei nº 11.638, de 28/12/2007, no 
Patrimônio Líquido, portanto, as contas represen-
tativas dos capitais próprios são classificadas da 
seguinte maneira:
a) Capital Social: subgrupo composto 
pela conta Capital, que representa os 
valores investidos na empresa pelos 
titulares, e pela conta Capital a reali-
zar (ou Titular conta Capital a Realizar; 
Quotistas conta Capital a Realizar; Acio-
nistas conta Capital a Realizar etc.), que 
representa a parcela do capital já subs-
crita pelos sócios, porém ainda não 
realizada. Poderão figurar, ainda, nesse 
subgrupo, as contas que representam 
o montante do capital autorizado, bem 
como da parcela desse capital ainda 
não subscrita;
b) Reservas de Capital: subgrupo de con-
tas representativas de algumas receitas 
que, por força do § 1º do art. 182 da 
Lei nº 6.404/1976, não devem transitar 
pelo resultado do exercício, como é o 
caso das receitas decorrentes de ágio 
na emissão de ações e na alienação de 
partes beneficiárias ou de bônus de 
subscrição;
c) Ajustes de Avaliação Patrimonial: se-
rão classificadas como ajustes de ava-
liação patrimonial, enquanto não com-
putadas no resultado do exercício, em 
obediência ao regime de competência, 
as contrapartidas de aumentos ou dimi-
nuições de valor atribuído a elementos 
do ativo (§ 5º do art. 177, inciso I, do ca-
put do art. 183 e § 3º do art. 226 des-
ta Lei) e do passivo, em decorrência da 
avaliação a preço de mercado (§ 3º do 
art. 182 da Lei nº 6.404/1976);
d) Reservas de Lucros: subgrupo compos-
to pelas contas representativas das Re-
servas constituídas com parte dos lucros 
apurados pela empresa em decorrência 
de Lei ou da vontade do proprietário, 
dos sócios ou dos administradores;
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78
e) Ações em Tesouraria: correspondem a 
ações da própria empresa, adquiridas 
por ela mesma;
f) Prejuízos Acumulados: compreendem 
os prejuízos apurados pela empresa no 
exercício atual ou em exercícios ante-
riores, até que sejam compensados ou 
assumidos pelos sócios.
Neste capítulo, você viu os conceitos de Patrimônio e resultados.
Ainda, aprofundou seu aprendizado sobre os grupos e subgrupos do Passivo e Patrimônio Líquido.
10.12 Resumo do Capítulo
10.13 Atividades Propostas
1. O que retrata o Balanço Patrimonial?
2. O que é Passivo a Descoberto? Qual pode ser o futuro da entidade que está nessa situação?
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CAPÍTULO 1
1. A primeira literatura contábil relevante foi do Frei Luca Pacioli, em 1494, consolidando o mé-
todo das partidas dobradas, expressando a causa e o efeito do fenômeno patrimonial com 
os termos ‘débito’ e ‘crédito’ (esse método já era conhecido antes de Pacioli; era praticado no 
século XIII). A obra de Pacioli pode muito bem ser vista como início do pensamento científico 
da Contabilidade.
2. A Escola Europeia predominou em todo o mundo durante séculos. O expressivo crescimento e 
a influência da economia americana nas economias dos outros países, por volta do século XIV, 
quebraram sua hegemonia, surgindo a Escola Norte-Americana, que teve seu início voltado 
para o tratamento prático das questões econômico-administrativas da Contabilidade.
CAPÍTULO 2
1. A tarefa básica do contador é produzir e/ou gerenciar informações úteis aos usuários da Conta-
bilidade para a tomada de decisões.
2. A contabilidade geral é necessária a todas as empresas. Fornece informações básicas aos seus 
usuários externos e é obrigatória, conforme legislação comercial. A contabilidade de custos 
está voltada para o cálculo, interpretação e controle dos custos dos bens fabricados ou co-
mercializados ou dos serviços prestados pela empresa. A contabilidade gerencial, voltada para 
fins internos, procura suprir os gestores de um elenco maior de informações, exclusivamente 
para a tomada de decisões. Diferencia-se dos tipos de Contabilidades já abordados, pois não se 
prende aos princípios Contábeis. O profissional que exerce a Contabilidade gerencial também 
é conhecido como Controller.
CAPÍTULO 3
1. A contabilidade é mantida para quem precisa dela, seja pessoa física, seja pessoa jurídica. Des-
de que haja volume considerável de negócios, justifica-se a necessidade da contabilidade. 
Dessa forma, dever-se-ia fazer a contabilidade para pessoa física, sendo tratada, a partir desse 
momento, como entidade contábil.
RESPOSTAS COMENTADAS DAS 
ATIVIDADES PROPOSTAS
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2. A finalidade é atender às necessidades dos usuários da contabilidade, que dela necessitam 
para conhecer a saúde da empresa. Sem ela, não se pode decidir nada. Daí a importância da 
finalidade do contador e da contabilidade.
CAPÍTULO 4
1. Uma das formas de avaliar a qualidade da informação contábil e, portanto, sua utilidade (be-
nefício), quando comparada ao custo, é analisar algumas qualidades ou características que 
deve possuir, tais como: compreensibilidade, relevância, confiabilidade e comparabilidade.
2. São fundamentais a mensuração e a evidenciação dos efeitos financeiros de transações seme-
lhantes e outros eventos que precisam ser efetuados de forma consistente por uma entidade 
através do tempo e também por diferentes entidades ao mesmo tempo.
CAPÍTULO 5
 
1. Poderíamos dizer que o Balanço Social está no contexto da Contabilidade Social. A Contabilida-
de Social envolve aspectos econômicos e sociais de um país. Alguns denominam essa Conta-
bilidade de Contabilidade Nacional, já que ela envolve a renda nacional, balanço de pagamen-
tos etc. De maneira geral, quando tratamos do Balanço Social da empresa, de uma unidade 
individualizada, podemos dizer que se trata de um campo da Contabilidade. Todavia, quando 
tratamos o Balanço Social no âmbito geral da economia (seja regional, municipal, estadual ou 
nacional), considerando a soma dos ramos de atividades, a renda nacional, podemos dizer que 
se trata de um campo da Economia e não da Contabilidade. A Contabilidade Ambiental se 
preocupa com a proteção do meio ambiente. Em função de os recursos naturais se tornarem 
cada vez mais escassos, um número crescente de empresas participa de um desenvolvimento 
sustentável, de gerenciamento ambiental para redução de custos operacionais, de cuidados 
para reduzir o risco de poluição acidental ou insidiosa (traiçoeiro, pérfido, falso) etc. A Contabili-
dade Financeira, quando aplicada à avaliação e mensuração das informações relativas ao meio 
ambiente, é denominada Contabilidade Ambiental ou Ecológica. De maneira geral, a Contabili-
dade Ambiental destaca os custos ambientais nas despesas gerais (proporcionando uma análi-
se financeira em relação à preservação do meio ambiente), evidencia no Ativo os investimentos 
nessa área, cria provisão para os riscos ambientais no Passivo etc.
2. Não há diferença entre os dois termos; eles têm o mesmo significado. Elas são o conjunto 
de informações que devem ser obrigatoriamente divulgadas anualmente, segundo a Lei nº 
6.404/1976, pela administração de uma sociedade por ações e representam a sua prestação de 
contas para os sócios e acionistas.
Teoria da Contabilidade
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CAPÍTULO 6
1. Os pilares da contabilidade são a Entidade e a Continuidade. São dois princípios contábeis, 
que, na verdade, podemos até classificarcomo Postulados. Sem eles não há contabilidade. O 
princípio da Entidade é o que reconhece o Patrimônio como objeto da contabilidade, reco-
nhece esta ou aquela pessoa, instituição etc. como possuidora do patrimônio. O princípio da 
Continuidade, como o nome revela, entende que há contabilidade até enquanto a entidade 
existe, podendo ainda haver contabilidade antes da entidade, que é o que aparece no balanço 
classificado como Ativo Diferido.
2. A emissão de pronunciamentos sobre Princípios de Contabilidade para orientação dos conta-
dores no exercício da sua profissão teve início nos Estados Unidos, na década de 1930, após a 
quebra da Bolsa de Nova Iorque. Desde então, houve uma maior preocupação com a uniformi-
zação de princípios que pudessem dar embasamento às normas e regras contábeis.
CAPÍTULO 7
1. São os recursos financeiros que se encontram à disposição imediata da Entidade, compreen-
dendo os meios de pagamento em moeda e em outras espécies, os depósitos bancários à vista 
e os títulos de liquidez imediata.
2. Neste subgrupo, classificam-se os seguintes valores:
ƒƒ Estoque de produtos e mercadorias, matérias-primas e material secundário empregado 
em processo em andamento, material de consumo, produtos em trânsito, subprodutos, 
resíduos e serviços em andamento;
ƒƒ Estoque de imóveis prontos para venda ou em construção, com prazo de entrega até 12 
meses;
ƒƒ Estoque de mercadorias em poder de terceiros, para beneficiamento.
CAPÍTULO 8
1. Algumas exigibilidades somente podem ser mensuradas se utilizar um grau substancial de es-
timativa. São as provisões. Já a criação de Reservas é, às vezes, requerida por disposição estatu-
tária ou legal, a fim de dar à entidade e a seus credores uma medida adicional de proteção com 
relação ao efeito de possíveis perdas.
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82
2. Num sentido restrito, exigibilidades são subtraendos dos ativos ou ativos negativos. Seria lógi-
co, portanto, preparar um balanço no qual as exigibilidades totais fossem subtraídas dos ativos 
totais, deixando no lado direito do balanço meramente os itens que representam a proprieda-
de. Esta é uma visão nítida de teoria da propriedade (abordagem do Patrimônio Líquido; essa 
forma de entender o Patrimônio Líquido facilita a aplicação e a explicação do funcionamento 
das contas e tem estado em grande evidência, principalmente em razão disso), como pode-
mos notar. Já a teoria dos fundos poderia interpretar os passivos de forma diferente, como re-
servas ou restrições aos ativos, derivantes de considerações legais, equitativas (reconhecer o 
direito de cada um), econômicas ou gerenciais. Por outro lado, a visão da teoria da entidade é 
outra, isto é, consideram-se as exigibilidades como reclamos contra a entidade ou, mais espe-
cificamente, contra os ativos da entidade. Entretanto, a entidade continua sendo vista como 
organismo com vida própria. Nem mesmo o patrimônio líquido pertence aos proprietários, na 
continuidade, mas à entidade.
CAPÍTULO 9
1. A receita corresponde, em geral, a vendas de mercadorias ou prestações de serviços. Ela apare-
ce (é refletida) no Balanço através de entrada de dinheiro no Caixa (Receita à Vista) ou entrada 
em forma de Direitos a Receber (Receita a Prazo). Já ganho é bastante aleatório. É um lucro que 
independe das atividades operacionais da empresa. Exemplo: recebimento de seguro por um 
bem perdido.
2. Despesa é todo consumo de bens ou serviços para obtenção de receita. Ainda, despesas são 
gastos que provocam redução do patrimônio. Perdas são gastos involuntários, anormais, ex-
traordinários. Exemplos: desfalque no caixa, inundações, incêndio etc. Na prática, é bastante 
difícil prever uma perda (por ser anormal). Geralmente, a perda reduz o Ativo e, consequente-
mente, o Patrimônio Líquido.
CAPÍTULO 10
1. O Balanço Patrimonial é a peça contábil que retrata a posição das contas de uma entidade, 
após todos os lançamentos das operações de um período terem sido feitos, após todos os pro-
visionamentos (depreciação, devedores duvidosos etc.) e ajustes, bem como após o encerra-
mento das contas de Receitas e Despesas também ter sido executado. De acordo com art. 178 
(Lei das S.A.), no balanço, as contas serão classificadas segundo os elementos do patrimônio 
que registrem e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação finan-
ceira da companhia.
2. Em seguida, define o conteúdo e a estrutura do Balanço Patrimonial, ressaltando que, na hi-
pótese de o passivo superar o ativo, a diferença denomina-se “Passivo a Descoberto”. Essa de-
nominação não é encontrada na Lei das S.A. e, de fato, é preferível Passivo a Descoberto a 
Patrimônio Líquido Negativo, ou seja, a Empresa, no futuro, pode não ter riqueza, ou seja, 
seus bens + direitos não são suficientes para pagar suas obrigações. A situação seria péssima.
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83
ALMEIDA, M. C. Manual prático de interpretação contábil da lei societária: interpretação dos artigos 
contábeis da Lei nº 6.404/76, com as modificações introduzidas pela Lei nº 11.638/07 e pela Lei nº 
11.941/09 e de acordo com os pronunciamentos do CPC. São Paulo. Atlas, 2010.
BRAGA, H. R. Mudanças contábeis na lei societária: Lei nº 11.638, de 28/12/2007. São Paulo: Atlas, 
2008.
BRASIL. Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei no 6.404, de 15 
de dezembro de 1976, e da Lei no 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e estende às sociedades de grande 
porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. Diário Oficial da 
União, Brasília, DF, 2007.
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE (CFC). Estruturação de demonstrações contábeis. 2. ed. 
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CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DE SÃO PAULO (CRC-SP). Os princípios fundamentais 
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D’ÁURIA, F. Contabilidade: noções preliminares. São Paulo: Companhia Nacional, 1958.
FUNDAÇÃO INSTITUTO DE PESQUISAS CONTÁBEIS, ATUARIAIS E FINANCEIRAS (FIPECAFI). Manual de 
contabilidade societária: aplicável a todas as sociedades de acordo com as normas internacionais e do 
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FUNDAÇÃO INSTITUTO DE PESQUISAS CONTÁBEIS, ATUARIAIS E FINANCEIRAS (FIPECAFI); ARTHUR 
ANDERSEN. Normas e práticas contábeis no Brasil. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1994.
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2008.
______. Teoria da contabilidade. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
IUDÍCIBUS, S.; MARION, J. C. Introdução à teoria da contabilidade para o nível de graduação. 5. ed. 
São Paulo: Atlas, 2009.
REFERÊNCIAS
Roberto Rodrigues Prado
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
84
MARTINS, E. Contribuição à avaliação do ativo intangível. 1972. Tese (Doutorado) – Faculdade de 
Economia e Administração, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1972. 
______. Contabilidade de custos. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2003.
SÁ, A. L. História geral e das doutrinas da contabilidade. São Paulo: Atlas, 1997.
______. Teoria da contabilidade. São Paulo: Atlas, 1998.
	INTRODUÇÃO
	1 
	ATUAÇÃO PROFISSIONAL
	1.2 Contabilidade na Bíblia
	1.3 Contabilidade Despertando como Ciência
	1.4 Teorias Descritivas e Prescritivas
	1.5 Doutrinas e Escolasde Contabilidade
	1.6 O Cenário Atual da Contabilidade
	1.7 Resumo do Capítulo
	1.8 Atividades Propostas
	2 
	CONTABILIDADE E CONTADOR
	2.2 A Função do Contador
	2.3 A Contabilidade como Profissão
	2.4 Visão Geral da Profissão Contábil
	2.5 A Contabilidade em outros Cursos
	2.6 Resumo do Capítulo
	2.7 Atividades Propostas
	3 
	OBJETIVOS DA CONTABILIDADE E UTILIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL
	3.1 Utilização da Informação Contábil e Campo de Atuação da Contabilidade
	3.2 Patrimônio da Entidade
	3.3 Finalidade Social do Contador
	3.4 Resumo do Capítulo
	3.5 Atividades Propostas
	4
	QUALIDADE E CARACTERÍSTICA DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL: O PRODUTO FINAL DA CONTABILIDADE
	4.2 Custos Versus Benefícios
	4.3 Compreensibilidade
	4.4 Relevância
	4.5 Confiabilidade
	4.6 Comparabilidade
	4.7 A Importância da Comparação
	4.8 Políticas Contábeis
	4.9 Tempestividade 
	4.10 Intempestividade 
	4.11 Tomada de Decisões
	4.12 Resumo do Capítulo
	4.13 Atividades Propostas
	5 
	RELATÓRIOS CONTÁBEIS
	5.3 Complementação às Demonstrações Financeiras
	5.4 Resumo do Capítulo
	5.5 Atividades Propostas
	6 
	OS PRINCÍPIOS DE CONTABILIDADE – A ENTIDADE E A CONTINUIDADE
	6.3 Para quem é Mantida a Contabilidade
	6.4 Pilares da Contabilidade
	6.5 Princípios da Contabilidade
	6.6 Resumo do Capítulo
	6.7 Atividades Propostas
	7 
	PATRIMÔNIO E RESULTADO
	7.3 Ativo Circulante
	7.4 Ativo Realizável em Longo Prazo
	7.5 Ativo Permanente
	7.6 Contas Retificadoras do Ativo
	7.7 Dedução do Ativo Permanente
	7.8 Resumo do Capítulo
	7.9 Atividades Propostas
	8 
	O PASSIVO E SUA MENSURAÇÃO (AVALIAÇÃO)
	8.3 Passivo Circulante
	8.4 Passivo Exigível em Longo Prazo
	8.5 Resultado de Exercício Futuros
	8.6 Patrimônio Líquido
	8.7 Contas Retificadoras do Passivo
	8.8 Resumo do Capítulo
	8.9 Atividades Propostas
	9 
	TERMINOLOGIA CONTÁBIL BÁSICA USADA EM CONTABILIDADE
	9.2 Despesas e Perdas
	9.3 Outras Terminologias Usadas
	9.4 Resumo do Capítulo
	9.5 Atividades Propostas
	10 
	PATRIMÔNIO E RESULTADO
	10.3 Poder Preditivo do Balanço Patrimonial
	10.4 Uma Estrutura de Balanços não Usada entre Nós
	10.5 As Normas Brasileiras de Contabilidade e o Balanço Patrimonial
	10.6 Cfc E Lei Das S.A.
	10.7 Passivo Descoberto
	10.8 Algumas Diferenças
	10.9 Resultado de Exercícios Futuros
	10.10 Resultados de Exercícios Futuros X Exigível
	10.11 As Normas Brasileiras de Contabilidade (As Nbcs)
	10.12 Resumo do Capítulo
	10.13 Atividades Propostas
	RESPOSTAS COMENTADAS DAS ATIVIDADES PROPOSTAS
	REFERÊNCIAS

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