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02/07/2018 Literatura Angolana http://lusofonia.x10.mx/Angola.htm#LITERATURA_ANGOLANA_%E2%80%93_PERIODIZA%C3%87%C3%83O 1/4 lusofonia plataforma de apoio ao estudo da língua portuguesa no mundo LITERATURAS DE LÍNGUA PORTUGUESA LITERATURAS AFRICANAS LITERATURA ANGOLANA LITERATURA MOÇAMBICANA LITERATURA GUINEENSE LITERATURA CABO-VERDIANA LITERATURA SANTOMENSE LITERATURA POPULAR GLOSSÁRIO LUSOFONIA LITERATURA ANGOLANA – PERIODIZAÇÃO 1º período, das origens até 1848, a que chamamos de Incipiência. A literatura angolana começou, pelo menos, com o livro de Maia Ferreira, em 1849m que a introdução do prelo em Angola possibilitou. […] 2º período, que vai da publicação dos poemas Espontaneidades da minha alma, de José da Silva Maia Ferreira, em 1849, até 1902. Período dos Primórdios, que engloba uma produção poé�ca remanescente do romanismo, com raros tentames realistas, dos quais se destaca a noveleta Nga mutúri (1882), de Alfredo Troni. […] 3º Período, abrangendo sensivelmente a primeira metade do século XX (1903-1947), de Prelúdio ao que viria a ser, na segunda metade do século XX, o nacionalismo inequívoco e intenso. A literatura colonial estende as suas milhares de páginas aos leitores europeus de novidades tarzanís�cas. Vigoram as temá�cas da colonização, dos safaris, da aventura nas selvas e savanas, numa panóplia de atracção exó�ca. O negro é figurante ou personagem irreal. É o período em que o romance ou a novela de Castro Soromenho ainda não se desprenderam de um certo etnologismo mi�gado, em que o negro ainda é observado através do filtro administra�vo e preconceituoso, como facto e fautor de curiosidades. […] 4.° Período, entre 1948 e 1960, fulcral na Formação da literatura, enquanto componente imprescindível da consciência africana e nacional. Época decisiva, considerada unanimemente como a da organização literária da nação, com base em movimentos como o MNIA, o da Cultura e o da CEI, além de outros contributos, como o das Edições Imbondeiro (de Sá da Bandeira). O Neo-realismo cruza-se com a Negritude. Com os ventos de certa abertura e descompressão da polí�ca internacional, a seguir à II Guerra Mundial, na Europa, como em África, animam-se as hostes angolanas empenhadas em libertar- se das malhas estreitas da polí�ca colonial e, portanto, de uma cultura alienada do meio africano. É nesse contexto brevemente favorável que surge uma ac�vidade marcada já fortemente por um desejo de emancipação, em sintonia com os estudantes que, na Europa, davam conta de que, aos olhos da cultura ocidental, não passavam todos de «cidadãos portugueses de segunda». […] Na década de 1950, a poesia é a forma que mais convém. Aproveitam-se as conquistas do modernismo, com o verso livre e os temas arrojados, e toma- se o exemplo dos grandes bardos criadores de longos textos, quase excessivos, por vezes a tenderem para o prosaico, como Walt Whitman, Maiakovsky, Álvaro de Campos, Nazim Hikmet ou Pablo Neruda. O caminho poé�co pode assim congraçar as três vertentes de júbilo ideológico: o povo, a classe e a raça. O povo é negro, trabalhador, explorado e oprimido. Numa palavra: colonizado. Fundamentalmente, traça-se o quadro ou alude-se a figuras paradigmá�cas de colonizados: contratados, pros�tutas, escravos, moleques, ardinas, lavadeiras, es�vadores, analfabetos, serviçais, etc. Pertencem à raça negra ou, no máximo, são mulatos, mas raros. A Negritude concede-lhes o sen�mento de exaltação da raça negra, nomeadamente na solidariedade com os negros do Novo Mundo e, por outro lado, sublinha o reconhecimento das raízes, que são étnicas, tribais, mergulhando nos milénios. […] L I T E R A T U R A A N G O L A N A Índice Literatura angolana - periodização Poesia angolana na 2ª metade do séc. XX Poesia angolana nacionalista e pós-colonial Autores: Alda Lara Luandino Vieira Pepetela ... 02/07/2018 Literatura Angolana http://lusofonia.x10.mx/Angola.htm#LITERATURA_ANGOLANA_%E2%80%93_PERIODIZA%C3%87%C3%83O 2/4 5.° Período (1961-1971), relacionado com o incremento da ac�vidade editorial ligada ao Nacionalismo declarado ou encapotado, em que surgiram textos de temá�ca guerrilheira, enquanto no ghe�o das cidades coloniais, nas prisões ou na diáspora os temas con�nuavam a ser os do sofrimento do colonizado, da falta de liberdade e da ânsia de tomar o des�no nas próprias mãos. Em 1961, começa a luta armada de libertação nacional. […] A atribuição do Grande Prémio de Novelís�ca a Luuanda (1964), de José Luandino Vieira, pela Sociedade Portuguesa de Escritores (1965), quando este se encontrava preso por «ac�vidades terroristas», no Tarrafal (em Cabo Verde), despoleta uma repercussão a nível de Portugal e círculos internacionais, tornando-o, com Agos�nho Neto, o escritor mais conhecido. Outros escritores passam pelas prisões ou aí permanecem longos anos: Uanhenga Xitu, Manuel Pacavira, Jofre Rocha, Aris�des Van-Dúnem, etc. […] Segundo Francisco Soares (in No�cia da literatura angolana, IN-CM, 2001, p. 209) “[…] três grupos dis�nguem os autores dos anos 1960: o primeiro é cons�tuído por aqueles que escreviam no país colonial (Arnaldo Santos, Jorge Macedo, o trânsfuga futuro Cândido da Velha – e, na opinião de Venâncio, João Abel); o segundo é cons�tuído por aqueles que compunham fora do país (e de que Manuel Rui, também ficcionista, cons�tui o principal exemplo, residindo em Portugal – sendo Lara Filho um meio-exemplo, porque escreveu em Portugal e em Angola); o terceiro é cons�tuído por aqueles que viviam nas zonas de guerrilha e está pra�camente só representado por Pepetela (outro escritor oriundo de Benguela, de seu nome completo Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos). No entanto, Pepetela (que se inicia na antologia Contos d’Africa da Imbondeiro) só publica nos anos 70, tal como João Abel, e os seus primeiros livros (os dos anos 60) foram escritos em Lisboa e Argel, deles apenas sobrevivendo Muana Puó e Mayombe (aquele escrito em Lisboa, este em Argel), pelo que a chamada literatura de guerrilha se pode dizer que, pra�cada por autores revelados nos anos 60, foi pouco significa�va (dela vieram, sobretudo, As Aventuras de Ngunga).” 6º Período, de 1972 a 1980, o da Independência, repar�do por dois curtos períodos, de 1972-74 e de 1975-80, rela�vos, respec�vamente, a uma mudança esté�ca acentuada, de uma modernidade acertada pelo relógio dos grandes centros mundiais, e, por outro lado, após a independência, a uma intensa exaltação patrió�ca e natural apologia do novo poder. […] 7º Período, (1981-1993), de Renovação, que começa com a formação, em 1981, da Brigada Jovem de Literatura. Num primeiro momento, a Brigada, dependente sempre do apoio estatal, par�u em busca de certa autonomia decisória e esté�ca, mas revelou-se herdeira do realismo social. O objec�vo fundamental era preparar alguns jovens para o trabalho literário, tanto mais que, após a escolarização secundária, não �nham, no país, estudos superiores de literatura desenvolvidos. […] A par�r de uma certa altura foi possível começar a publicação de obras consideradas incómodas para o poder polí�co, como o romance Mayombe, de Pepetela, escrito ainda durante a guerrilha. Variadas tendências esté�cas e ideológicas ganharam espaço e impuseram as suas obras. Pires Laranjeira, Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa (vol. 64), Lisboa, Universidade Aberta, 1995, pp.36-43 A literatura angolana derivou para a tendência de contestar, finalmente, a tradição realista, engagée, documentalista e ideo-polí�ca, sem que, todavia, isso significasse o abandono desse filão que a própria realidade histórica e polí�ca e a condição social e cultural do escritor con�nuavam a suscitar. Digamos que a temá�ca e os espaços social e cultural patenteados nos textos passaram a alargar-se consideravelmente, apresentando desde o amor e a angús�aexistencial, às vivências do poder estabelecido ou do poder opositor do regime. As novas tendências incluem desde o gozo do experimentalismo, como em O caçador de nuvens (1993, poemas), de João Melo, à ficção cien�fica, em Titânia (1993, romance), de Henrique Abranches. h�p://www.uc.pt/litafro/bibliog.html […] a poesia angolana vai evoluindo, de 1950 para 1990, da poé�ca mensageira para a, mais apurada, de Mário António, necessariamente actualizada pelos novos paradigmas esté�cos europeus – mas também, em vários casos, mais aproximada dos ensinamentos técnicos da oralidade. Francisco Soares, No�cia da literatura angolana, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2001, p. 207 ∆ A POESIA ANGOLANA NA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XX Como acontece com os outros países, a literatura de Angola também não nasce por método espontâneo. Vários são os antecedentes e os precursores que influenciam sobremaneira o carácter social, cultural e esté�co da literatura e da poesia, em par�cular. E não podemos nunca descurar, como factor de grande influência, a tradição da oralidade em África, quanto a mim, um dos antecedentes de maior responsabilidade. O peso da oralidade exerce-se em muita da obra poé�ca africana, conferindo-lhe uma grande carga de "espiritualismo telúrico". Podemos considerar a história da poesia de Angola em duas fases, sendo a primeira a da escrita colonial, e a segunda a da poesia moderna e nacional, que se inicia com a publicação da revista Mensagem, em 1951. Mensagem marca, assim, o início da poesia moderna de Angola. Nesta revista par�cipa uma plêiade de escritores que serão os responsáveis pela construção da literatura do novo país, nascido em 1975. No primeiro número de Mensagem colaboram, entre outros, Mário António, Agos�nho Neto, Viriato da Cruz, Alda Lara, António Jacinto e Mário Pinto de Andrade. A publicação da revista, no dizer de Ana Mafalda Leite, "foi o resultado concreto da ambição desta nova geração de intelectuais de Angola de amplificar o movimento cultural iniciado nos anos 40 por Viriato da Cruz." 02/07/2018 Literatura Angolana http://lusofonia.x10.mx/Angola.htm#LITERATURA_ANGOLANA_%E2%80%93_PERIODIZA%C3%87%C3%83O 3/4 A produção poé�ca angolana [na segunda metade do século XX] abrange três grandes períodos: de 1950 a 1970; o período de inovações – a década de 70; e a geração de 80. Vejamos, em resumo, o que se passa em tais espaços de tempo. As duas décadas de 1950 a 1970, marcam a fase da viragem para a conciencialização da problemá�ca angolana, sobretudo em três grandes vertentes - a terra, a gente, e as suas origens. A temá�ca dos escritores da Mensagem gira à volta de tópicos que vão caracterizar a poé�ca que existe até aos nossos dias: a valorização do homem negro africano e da sua cultura a sua capacidade de auto-determinação, a nação africana que se antevê como estado com autoridade e existência próprias. Muita da poesia é uma poesia de protesto an�-colonial, sem deixar de ser humanista e social. Agos�nho Neto, Viriato Cruz e Mário António concentram muito da sua produção nesta temá�ca. O protesto an�-colonial toma uma feição muito mais directa e acu�lante com a publicação da revista Certeza, em 1957. Esta revista, que se publica até 1961, revelou a existência de novos poetas, entre eles António Cardoso e Costa Andrade. Para além da contestação contra o colonialismo, desenvolve-se progressivamente uma temá�ca que tem a ver com a evocação e a invocação da "mãe-pátria", da "terra grande" de África. Quase todos estes poetas tratam os temas da iden�dade , da fraternidade, da terra de Angola pátria de todos, negros, brancos e mes�ços; de grande importância é também o tópico da alienação (sobretudo a que respeita ao estado de espírito do branco nascido e criado em Angola). Muita da poesia é também de carácter in�mista, como é o caso da de Mário António. Toda esta geração, u�lizando recursos líricos e dramá�cos, consegue criar uma poesia de fundo e cariz emocional. Através da poesia, descobre-se Angola, as suas origens, as suas tradições e mitos. A poesia adquire uma intencionalidade pedagógica e didác�ca: com ela tenta-se recriar África e Angola, os valores ancestrais do homem africano e da sua terra, bem como ensinar esse mesmo homem a descobrir-se como individualidade. Esta poesia põe em prá�ca a reposição da tradição oral, onde as próprias línguas nacionais ocupam um espaço importante. É, numa palavra, a poesia da "angolanidade". O autor que representa melhor toda esta problemá�ca é, sem dúvida, Agos�nho Neto. A sua obra principal, Sagrada Esperança, é uma amostra valiosa não só da poesia de combate e contestação (sem ser panfletária, no entanto) mas também da poesia lírica e in�mista, frequentemente modulada por uma religiosidade profunda. Agos�nho Neto revela um grande humanismo, em que são evidentes o amor profundo pela vida e o conhecimento do sofrer humano, que amiúde obriga o poeta a u�lização de um realismo feroz nos seus versos. Leia-se, como exemplos poemas "Velho Negro" e "Civilização Ocidental". Se dizemos que há poemas in�mistas, tal não significa que o poeta se isole de habitat social e perde a referência fundamental da sua poesia. É constante a relação estabelecida por Neto entre o "eu" poé�co e o "outro"; um "eu" que é povoado pela humanidade e colocado no contexto da vida do seu povo. Veja-se ,por exemplo, o poema "Confiança" e o poema in�tulado "Não me peças sorrisos", que, a meu ver, é um dos melhores poemas de Agos�nho Neto. Como o próprio �tulo sugere, é evidente que a esperança é o tópico raiz e motor desta poesia. A esperança é o núcleo à volta do qual se constroem unidades poé�cas de ralação dialéc�ca, como sejam a dor e o op�mismo, o sonho do poeta e o despertar do povo, a escravidão e a fé de transcender a opressão. Não podemos falar de sen�mentalismo nesta poesia, mas sim de realismo poé�co. Eu chamaria atenção para o bom exemplo que é o poema "O choro de África". Neste poema o poeta fala do "sintoma de África", que é uma combinatória dialéc�ca do sofrimento e da alegria que temperam, durante séculos, o homem africano, cujo des�no é "criar amor com os olhos secos". Como resultado desta temá�ca, o es�lo de Agos�nho Neto revela grande contenção de forma, onde não há lugar para floreados poé�cos e apelos fáceis à emoção, pese embora o seu cunho profundamente religioso. Na década de 70 surgem três nomes que vão ser os principais responsáveis por uma mudança profunda na esté�ca e na temá�ca: David Mestre, Ruy Duarte de Carvalho e Arlindo Barbeitos. Por um lado, procura-se maior rigor literário; por outro, e como consequência do anterior, evita-se propositadamente o panfletarismo. Entra-se também numa fase de maior experimentalismo. Estes autores tentam também reconciliar os temas polí�cos do passado com a procura de uma linguagem poé�ca mais universal. Por exemplo, Ruy Duarte de Carvalho é autor de uma poesia que, ao lado de uma grande ambiência de oralidade e de um apontar para as consequências da guerra cons�tui também uma reflexão sobre o próprio discurso poé�co. É, no entanto, Arlindo Barbeitos a voz poé�ca que melhor assume a viragem e a ruptura com a tradição da Mensagem. Arlindo Barbeitos tem, até o momento, dois livros publicados: Angola Angolê Angolema (1976) e Nzoji (1979). Numa nota de introdução a Angola Angolê Angolema, Barbeitos traça as linhas mestras de sua poé�ca. Assim, a sua poesia tenta ser uma reconciliação do homem com a sua condição; é um testemunho e um instrumento de libertação. A poesia tem como função primordial sugerir; ela é um compromisso entre a palavra e o silêncio. A outra função é a de relatar as formas culturais africanas e a vivência do autor. Arlindo Barbeitos afirma, a propósito, que "só é poesia se sugere, só tem expressão, só tem força, só é arte em forma de palavra, se simultaneamente retém e transcende a palavra". Sobre as caracterís�cas da sua poesia, devemos dizer que ela é religiosa na medidaem que nela se relata a experiência do ser humano que procura sempre a perfeição; por outro lado, há sempre o desejo de retorno à imanência, e a vontade de construir a irmandade universal. É, também, uma poesia que reflecte a dor, a guerra , a situação colonial. Em relação à língua, Arlindo Barbeitos tenta, e consegue, africanizar a língua colonial, numa tenta�va con�nuada de repossuir todos os valores e tradições culturais do país. A par�r dos anos 80, surge uma nova geração de escritores cujo ecle�smo é a caracterís�ca mais marcante. Digna de nota é uma pequena antologia publicada em 1988, e in�tulada no Caminho Doloroso das Coisas. Na introdução, o organizador da antologia deixa perceber o rumo de uma certa descon�nuidade que a nova poesia angolana vai tomando: "São jovens, mas dentre eles há poetas que são ar�stas nos seus versos como carpinteiros nas tábuas. Tiveram que pôr verso sobre verso como quem constrói um muro. Analisaram se estava bem e �raram sempre que não es�vesse, sentados na esteira do Pessoa, [...] Jovens subscritores de uma auto-explicação metalinguís�ca em que a ruptura formal não é tudo." (J. A. S. Lopito Feijoó, No Caminho Doloroso das Coisas-Antologia, Luanda, UEA,1988). José Francisco Costa, h�p://www.cronopios.com.br/site/ensaios.asp?id=1208, 5/4/2006. ∆ SOB O SIGNO DE UMA NOSTALGIA PROJECTIVA: A POESIA ANGOLANA NACIONALISTA E A POESIA PÓS-COLONIAL por: Inocência Mata Não me parece excessivo afirmar que, hoje, a literatura angolana, reagindo à intrigante e nada apaziguadora (pelo menos até 2002) dinâmica da situação pós-colonial do país, vive um período de singular ecle�smo esté�co e produ�vidade reflexiva. Tal se deve a uma dialogia transtextual e intergeracional e à necessidade de repensar o país, tarefa a que a literatura se assume como vanguarda, con�nuando a ser veículo privilegiado da ac�vidade reflexiva, agora quase subs�tuindo os cien�stas sociais (historiadores, sociólogos, politólogos) no registro e análise dos 02/07/2018 Literatura Angolana http://lusofonia.x10.mx/Angola.htm#LITERATURA_ANGOLANA_%E2%80%93_PERIODIZA%C3%87%C3%83O 4/4 acontecimentos e fenómenos que ainda não foram erigidos a “objecto” de estudo. No entanto, apesar de a literatura angolana con�nuar ainda a cerzir a iden�dade na senda da história e das imagens e memória dela, os pressupostos e os des�nadores hoje são “outros”, ou antes, essa alteridade já não remete apenas para os sujeitos “do exterior”, mas também contempla aqueles “mesmos” que são par�cipes de um estado de coisas. Isto é, as novas gerações de escritores assumem de forma incisiva a “internalização” do olhar e não descuram as “novas” relações de poder. Este ensaio põe em diálogo a poesia consagrada dos poetas da “geração da Mensagem”, em especial a poesia de Agos�nho Neto (Sagrada esperança), e a poesia pós-colonial, da “geração das incertezas, a saber: Adriano Botelho de Vasconcelos, Abismos do silêncio (1996) e Tábua (2004); José Luís Mendonça, Quero acordar a alva (1997) e Ngoma do negro metal (2000); João Maimona, A idade das palavras (1997) e Retrato das mãos (incluído em Festa da monarquia, 2001); Paula Tavares, Dizes-me coisas amargas como os frutos (2001) e Ex-votos (2003) e Maria Alexandre Dáskalos, Jardim de delícias (1991) e Lágrimas e laranjas (2001). < Leia o ensaio completo em: h�p://www.pucminas.br/imagedb/documento/DOC_DSC_NOME_ARQUI20070621145332.pdf? PHPSESSID=c4aa42778530312d619a67e5e9d6feed Literatura Angolana | ligações externas Quatro passeios pelos bosques da ficção angolana, tese de doutoramento de Renata Flavia da Silva, Rio de Janeiro, Faculdade de Letras da UFRJ, 2008 Inspirado nos passeios empreendidos por Umberto Eco, o presente trabalho tem por obje�vo a análise de quatro obras ficcionais escritas por autores angolanos, a fim de detectar algumas tendências da ficção angolana contemporânea, a par�r de semelhanças e divergências encontradas nas narra�vas, produzidas nos fins do século XX e nos primeiros anos do século XXI, na virada do segundo para o terceiro milênio. As obras ficcionais O vendedor de passados, de José Eduardo Agualusa, Um anel na areia: estória de amor, de Manuel Rui, Predadores, de Pepetela, e Vou lá visitar pastores, de Ruy Duarte de Carvalho compõem o corpus analisado. A capacidade crí�ca de retratar e pensar a complexa cena contemporânea faz das obras ficcionais selecionadas um locus propício à inves�gação de novas configurações de tempo e espaço, de novas iden�ficações e interpretações suscitadas pelas mudanças paradigmá�cas históricas e culturais sofridas pela sociedade angolana. A mobilidade proposta como forma de análise do mundo real focalizado sob vários ângulos e sob técnicas de indagação variáveis, nas páginas da ficção, é o ponto de par�da desses passeios, que se propõem inves�gar espaços narra�vos, nos quais ocorrem modificações das paisagens, o que implica uma nova interpretação da realidade nacional. Tais estratégias de leitura corroboram a concepção da literatura como um instrumento de poder, capaz de colaborar para a conscien�zação do homem contemporâneo, para contestação do status quo estabelecido, em favor de uma mul�plicidade e de uma pluralidade sócio-cultural. A alegórica "materna mãe" angolana - uma reescrita da história e das tradições pelos romances de Boaventura Cardoso, tese de doutoramento de Olimpia Maria dos Santos, Rio de Janeiro, Faculdade de Letras da UFRJ, 2007. Esta tese, pautada na linha de pesquisa Literatura e Cultura, teve por obje�vo analisar, nos romances de Boaventura Cardoso, a perspec�va sob a qual o escritor se apropria da história e das, em 1977, e o terceiro traz como contexto as guerras civis, nas décadas de 1980 e 1990. Esta tese também teve por obje�vo inves�gar como o discurso ficcional correlaciona esses diversos contextos históricos. Par�ndo do pressuposto de que os romances de Boaventura Cardoso operam com significados ocultos da história e da revisitação cria�va tradições de Angola. Os três romances de Boaventura Cardoso estudados aqui pontuam momentos dis�ntos da história de Angola: o primeiro foca a pré-independência, o segundo apreende o fraccionismo de mitos e crenças da terra local, a abordagem teórica seguiu o viés alegórico de Walter Benjamin. A leitura dialógica entre a reapropriação da história e dos mitos procurou responder às seguintes questões: a) Sob que viés, o autor apreende a história de Angola? b) Que papel ocupa a reescritura da tradição angolana, dentro dos romances cardosianos? c) Que correlação pode ser estabelecida entre a história e a elaboração do texto ficcional? Com base nessa linha de raciocínio, esta tese nos levou a concluir que os romances de Boaventura Cardoso repensam, corrosiva e poe�camente, a história de Angola, denunciando uma degradação desde os tempos da pré-independência até os das décadas das guerras civis, em 1980 e 1990. Por outro lado, a recriação do imaginário banto-africano demonstra inúmeros atravessamentos culturais presentes no tecido histórico e cultural de Angola, além de apresentar a revisitação contumaz das tradições como um espaço de resistência em que o texto ficcional procura reinventar um país mais liberto. LUSOFONIA - PLATAFORMA DE APOIO AO ESTUDO A LÍNGUA PORTUGUESA NO MUNDO, JOSÉ CARREIRO. 1.ª edição: h�p://lusofonia.com.sapo.pt/Angola.htm, 2007. 2.ª edição: h�p://lusofonia.x10.mx/Angola.htm, 2016. ∆