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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ITAJUBÁ 
INSTITUTO DE SISTEMAS ELÉTRICOS E ENERGIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Avaliação do Impacto da Utilização de Inércia Sintética em um Sistema 
Elétrico de Potência com Alto Índice de Penetração Eólica 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Rafael Maglione Aoun 
Yuri Faria Ribeiro 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Itajubá, setembro de 2018 
 
UNIFEI – ISEE Trabalho Final de Graduação 
 
ii 
 
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ITAJUBÁ 
INSTITUTO DE SISTEMAS ELÉTRICOS E ENERGIA 
 
 
 
 
 
Rafael Maglione Aoun 
Yuri Faria Ribeiro 
 
 
 
 
 
Avaliação do Impacto da Utilização de Inércia Sintética em um Sistema 
Elétrico de Potência com Alto Índice de Penetração Eólica 
 
 
 
 
 
 
Monografia apresentada ao Instituto de 
Sistemas Elétricos e Energia, da 
Universidade Federal de Itajubá, como 
parte dos requisitos para obtenção do título 
de Engenheiro Eletricista. 
 
 
 
 
 
Orientador: Mauricio Campos Passaro 
 
 
 
 
 
 
Itajubá, setembro de 2018 
 
UNIFEI – ISEE Trabalho Final de Graduação 
 
iii 
 
Agradecimentos 
Agradecemos, primeiramente, ao nosso orientador e professor Mauricio Campos 
Passaro pela oportunidade de desenvolver o tema e por todo o auxílio fornecido neste último 
ano. 
Também, aos professores Antonio Carlos Zambroni e Roberto Akira Yamachita pela 
disposição de compor a banca de avaliação deste Trabalho. 
Ainda, um agradecimento especial aos nossos familiares, amigos e namoradas, pela 
paciência e pelo apoio não somente para o desenvolvimento deste Trabalho, como também ao 
longo de nossa trajetória. 
Finalmente, agradecemos a Universidade Federal de Itajubá na forma de todo seu 
corpo docente pelo privilégio do ensino de excelência, digno de uma instituição centenária. 
 
 
UNIFEI – ISEE Trabalho Final de Graduação 
 
iv 
 
Resumo 
As principais fontes de energia elétrica no Brasil são a hidráulica, advinda de grandes 
centrais hidrelétricas, e a térmica, de combustível fóssil ou biomassa. No entanto, com a 
escassez nos reservatórios, encarecimento dos combustíveis fósseis e frequentes problemas 
ambientais enfrentados pelos tradicionais recursos energéticos, a geração de energia a partir 
de fontes alternativas e renováveis tem apresentado crescimento considerável nas últimas duas 
décadas. Dentre as opções de fontes de energia pesquisadas e implantadas nos últimos anos, a 
que mais vem se destacando é a energia eólica. É a atual terceira maior fonte de geração do 
País, com cerca de 8% do total da capacidade instalada brasileira. Com o aumento da 
penetração eólica no Sistema Interligado Nacional (SIN), surgem novos desafios para sua 
operação. Em comparação com sistemas robustos, nos quais predominam a geração 
hidrotérmica, as unidades de geração eólica têm massas rotativas pequenas e, portanto, baixa 
inércia e baixa capacidade de amortecimento para contingências na rede. Com a presença 
cada vez maior da energia eólica no SIN, há um aumento também destas propriedades no 
sistema. Uma solução para aumentar a robustez do sistema e melhorar a resposta dos 
geradores eólicos frente a contingências na rede está no uso da inércia sintética, que foi 
explorado e implementado neste Trabalho. Comprovou-se a eficiência do controle de inércia 
sintética através de diversas simulações em diferentes cenários, evidenciando-se que em um 
sistema com alto índice de penetração de eólica é viável e necessário o seu uso. Também, 
deixou-se sugerido para estudos futuros uma investigação quanto ao ganho KWI do controle e 
a viabilidade prática de ganhos altos. 
 
 
 
Palavras chave: energia eólica, aerogeradores, inércia sintética, regulação inercial. 
UNIFEI – ISEE Trabalho Final de Graduação 
 
v 
 
Abstract 
The main sources of electrical energy in Brazil are hydroelectric, from large hydro power 
plants, and thermoelectric, from fossil fuels or biomass. However, with the latest shortage in 
reservoir levels, higher costs of fossil fuels and frequent environmental problems faced by 
these traditional energy resources, the power generation from alternative and renewable 
sources has shown a considerable increase in the last two decades. Among the energy 
resources researched and implemented in the last few years, the one which stands out the most 
is wind energy. It is the third largest source of energy in Brazil, with around 8% of the 
Brazilian installed capacity. With the increase of wind energy penetration in the 
Interconnected National System (SIN), new challenges for its operation arise. In comparison 
with more robust systems, in which hydrothermal generation predominate, wind energy 
generators have smaller rotating masses and, therefore, lower inertia and damping capacity for 
events in the grid. As its presence increases in the SIN, there is also an increase of these 
properties in the system. One solution to improve system robustness and the response of wind 
energy generators to events in the grid is in the use of virtual inertia, which was explored and 
implemented in this Paper. The efficiency in the use of the virtual inertia control was 
estabilished through several simulations in different scenarios, showing both the viability and 
importante in its use in a system with large presence of wind turbine generation. It was also 
suggested for future studies that the KWI gain of the control was further investigated. 
 
 
 
Key words: wind energy, wind turbines, virtual inertia, inertial response. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
UNIFEI – ISEE Trabalho Final de Graduação 
 
vi 
 
 Lista de Figuras 
Figura 1.1: Evolução da capacidade instalada de geração eólica no mundo 14 
Figura 1.2: Capacidade Instalada de Geração Eólica 14 
Figura 1.3: Evolução da capacidade instalada de geração eólica no Brasil 15 
Figura 1.4: Evolução da Capacidade Instalada por Fonte de Geração no Brasil 15 
Figura 2.1: Formação dos ventos devido ao deslocamento de massas de ar 17 
Figura 2.2: Fluxo de ar através de uma área transversal 17 
Figura 2.3: Seção transversal de uma pá de aerogerador (esquerda) e ângulos 
importantes (direita). 
20 
Figura 2.4: Gerador Eólico de Velocidade Fixa 21 
Figura 2.5: Gerador Eólico de Velocidade Variável (DFIG) 21 
Figura 2.6: Gerador Eólico de Velocidade Variável (SGFC) 21 
Figura 2.7: Diagrama de blocos para um aerogerador de velocidade fixa e controle de 
stall. 
23 
Figura 3.1: Malha de controle para implementação em um controlador DFIWG 24 
Figura 3.2: Variação da frequência de um sistema frente a um distúrbio 25 
Figura 3.3: Modelo de Controle KEC I 27 
Figura 3.4: Modelo de Controle KEC II 27 
Figura 3.5: Modelo de Controle WindINERTIA 28 
Figura 3.6: Curva característica de regulação (Droop) 29 
Figura 3.7: Operação com reserva de potência ativa30 
Figura 3.8: Operação com reserva de potência ativa 31 
Figura 3.9: Modelo tradicional de controle de pitch 31 
Figura 3.10: Modelo modificado de controle de pitch 31 
Figura 3.11: Modelo de controle de velocidade 32 
Figura 3.12: Exemplo de curvas de regulação 32 
Figura 3.13: Modelo de controle de regulação (Droop) 33 
Figura 4.1: Modelo de planta eólica 33 
Figura 4.2: Representação esquemática do modelo completo do DFIG 35 
Figura 4.3: Representação do modelo do Gerador/Conversor 35 
Figura 4.4: Representação do modelo de controles elétricos 36 
Figura 4.5: Representação do modelo da turbina e seus controles 36 
Figura 5.1: Representação de uma usina eólica no ANAREDE 37 
UNIFEI – ISEE Trabalho Final de Graduação 
 
vii 
 
Figura 5.2: Utilização do comando DFTN para associar o modelo (CDU) à determinada 
barra e definir BEQ. 
38 
Figura 5.3: Uso do comando DLOC para definir o controle de tensão das barras remotas 38 
Figura 5.4: Definição das condições iniciais e número de aerogeradores da fazenda 
eólica POMBO e seleção dos modos de controle no arquivo do tipo *.CDU. 
39 
Figura 5.5: Exemplo de interface entre o modelo do aerogerador e a solução da rede 39 
Figura 6.1: Diagrama Unifilar do Sistema Elétrico de Potência Brazilian Birds 40 
Figura 6.2: Indicação do local onde foram adicionadas as duas fazendas eólicas. 42 
Figura 6.3: Uso do comando RMGR para remoção de geração 43 
Figura 6.4: Comparação entre frequências da barra GAVIÃO somente com geração 
hidrotérmica e com inserção de eólica (com e sem inércia sintética) 
43 
Figura 6.5: Aumento da potência elétrica gerada pelo aerogerador no caso com inércia 
sintética perante a queda de frequência do Sistema 
44 
Figura 6.6: Potência elétrica fornecida por GAVIÃO em um sistema somente com 
geração hidrotérmica e com inserção de eólica (com e sem inércia sintética) 
45 
Figura 6.7: Comparação entre frequências da barra GAVIÃO somente com geração 
hidrotérmica e com inserção de eólica (com e sem inércia sintética) para KWI igual a 40 
45 
Figura 6.8: Comparação entre os valores de frequência devido à mudança no ganho 
KWI 
46 
Figura 6.9: Comparação entre potência elétrica fornecida por um sistema somente com 
geração hidrotérmica e com inserção de eólica (c/ e sem inércia sintética) para KWI de 
40 
46 
Figura 6.10: Potência elétrica fornecida pelos aerogeradores da barra 2511 para valores 
diferentes de ganho KWI 
47 
Figura 6.11: Frequência na barra GAVIÃO. 48 
Figura 6.12: Frequência da barra GAVIÃO. 50 
Figura 6.13: Potência elétrica fornecida pelo gerador em POMBO 51 
Figura 6.14: Regiões Sudeste e Nordeste representadas no ANAREDE 52 
Figura 6.15: Comparação da frequência do sistema com e sem inércia sintética 53 
Figura 6.16: Comparação da potência fornecida por um aerogerador com e sem inércia 54 
Figura 6.17: Parâmetros do comando MDLD 54 
Figura 6.18: Variação de frequência durante aumento de carga e posterior corte de carga 
(KWI = 10) 
55 
UNIFEI – ISEE Trabalho Final de Graduação 
 
viii 
 
Figura 6.19: Excursão na potência elétrica da barrra 21 (GAVIÃO) devido à variação na 
carga (KWI =10) 
56 
Figura 6.20: Variação de frequência durante aumento de carga e posterior corte de carga 
(KWI = 40) 
56 
Figura 6.21: Excursão na potência elétrica da barrra 21 (GAVIÃO) devido à variação na 
carga (KWI =40). 
57 
Figura 6.22: Comparação das frequências da barra 21 (GAVIÃO) para valores de ganho 
KWI diferentes. 
57 
Figura 6.23: Comandos utilizados para perda de geração com rejeição de carga 58 
Figura 6.24: Excursão de frequências para caso de perda de geração e corte de carga 58 
Figura 6.25: Excursão de potências elétricas para caso de perda de geração e corte de 
carga 
59 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
UNIFEI – ISEE Trabalho Final de Graduação 
 
ix 
 
Lista de Tabelas 
Tabela 4.1: Parâmetros para o modelo de fluxo de potência 34 
Tabela 5.1: Parâmetros para inicialização 39 
Tabela 6.1: Valores da carga 41 
Tabela 6.2: Resumo dos casos estudados 42 
Tabela 6.3: Geração nos sistemas implementados 42 
Tabela 6.4: Valores de frequências no tempo para as situações estudadas 47 
Tabela 6.5: Frequência do sistema hidrotérmico e com eólica 49 
Tabela 6.6: Frequência do sistema com eólica com inércia 50 
Tabela 6.7: Carga nas áreas A e B 52 
Tabela 6.8: Frequências com e sem inércia 53 
 
 
 
 
 
UNIFEI – ISEE Trabalho Final de Graduação 
 
x 
 
Lista de Abreviaturas e Siglas 
A Área da seção transversal [m²] 
BB Sistema Brazilian Birds 
Cp Coeficiente de Potência 
DFIG Doubly Fed Induction Generator 
Ec Energia Cinética [J] 
ERAC Esquema Regional de Alívio de Carga 
KEC Kinetic Energy Control 
m Massa de ar [kg] 
MPPT Maximum Power Point Tracking 
P Potência disponível no vento [W] 
Pt Potência da turbinaeólica [W] 
SEP Sistemas Elétricos de Potência 
SIN Sistema Interligado Nacional 
SGFC Synchronous Generator Full Converter 
TSR Tip Speed Ratio 
UHE Usina Hidrelétrica 
UTE Usina Termelétrica 
UG Unidade Geradora 
v Velocidade da massa de ar em movimento [m/s] 
ρ Massa específica do ar [kg/m3] 
𝜔 Velocidade radial do rotor [rad/s] 
 
UNIFEI – ISEE Trabalho Final de Graduação 
 
xi 
 
Sumário 
1 INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 13 
1.1 Contextualização ..................................................................................................... 13 
1.2 Objetivo ................................................................................................................... 15 
1.3 Estrutura do Trabalho ........................................................................................... 16 
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA DE ENERGIA EÓLICA ...................................... 17 
2.1 Turbinas Eólicas ..................................................................................................... 17 
2.1.1 Mecanismos de Geração dos Ventos ........................................................................ 17 
2.1.2 Potência do Vento ..................................................................................................... 18 
2.2 Geradores Eólicos ................................................................................................... 21 
2.2.1 Geradores de Velocidade Fixa .................................................................................. 21 
2.2.2 Geradores de Velocidade Variável ........................................................................... 22 
2.3 Modelagem de Geradores Eólicos de Velocidade Fixa........................................ 23 
3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA DE INÉRCIA SINTÉTICA ................................. 25 
3.1 Introdução ............................................................................................................... 25 
3.2 Regulação Inercial .................................................................................................. 26 
3.2.1 Modelos de Controle de Resposta Inercial de Geradores Eólicos ............................ 27 
3.3 Regulação Primária ................................................................................................ 30 
4 MODELAGEM ESTÁTICA E DINÂMICA DE GERADORES EÓLICOS ........... 35 
4.1 Modelo do Fluxo de Potência do Gerador Eólico ................................................ 35 
4.2 Modelo Dinâmico do Gerador Eólico ................................................................... 36 
4.2.1 Estrutura Geral .......................................................................................................... 36 
5 PARÂMETROS DE SIMULAÇÃO ............................................................................. 39 
5.1 Representação da Usina Eólica no ANAREDE ................................................... 39 
5.2 Representação da Usina Eólica no ANATEM ..................................................... 39 
5.3 Inicialização ............................................................................................................. 41 
6 SIMULAÇÕES ............................................................................................................... 43 
6.1 Diagrama unifilar do sistema Brazilian Birds ..................................................... 43 
6.2 Informações sobre o sistema .................................................................................. 43 
6.3 Casos Analisados .................................................................................................... 44 
6.3.1 Perda de geração da UTE SABIÁ (barra 11) – Carga Pesada .................................. 46 
6.3.2 Perda de geração menos severa da UTE SABIÁ (barra 11) – Carga Pesada ........... 51 
UNIFEI – ISEE Trabalho Final de Graduação 
 
xii 
 
6.3.3 Perda de geração da UTE SABIÁ (barra 11) – Carga Leve ..................................... 52 
6.3.4 Perda de geração da UTE SABIÁ (barra 11) – Sistema Nordeste/Sudeste .............. 54 
6.3.5 Degrau de carga (barra 111) – Carga Pesada ........................................................... 57 
6.3.6 Perda de Geração da UTE SABIÁ com rejeição de carga – Carga Pesada .............. 61 
7 CONCLUSÕES ............................................................................................................... 63 
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 65 
ANEXOS ................................................................................................................................. 67 
 
 
 
UNIFEI – ISEE Trabalho Final de Graduação 
 
13 
 
1 Introdução 
1.1 Contextualização 
Nos dias atuais, a energia elétrica apresenta um papel de fundamental importância no 
desenvolvimento econômico e social de um país. É necessário planejamento através de 
pesquisas e estudos para que a expansão da geração de energia acompanhe o crescimento da 
demanda, sendo um fator limitante para o crescimento de um país. 
O Sistema Interligado Nacional é definido como o sistema de geração, transmissão e 
distribuição de energia elétrica do Brasil, constituído por um conjunto de centrais 
responsáveis pela geração, subestações que elevam e diminuem os níveis de tensão para 
transmitir a energia através de linhas de transmissão (em 230, 345, 440, 500 e 750 kV) e a 
rede de distribuição, que é responsável por fazer com que a energia chegue finalmente aos 
consumidores. A interconexão dos sistemas elétricos, por meio da malha de transmissão, 
propicia a transferência de energia entre subsistemas, permite a obtenção de ganhos sinérgicos 
e explora a diversidade entre os regimes hidrológicos das bacias. A integração dos recursos de 
geração e transmissão permite o atendimento ao mercado com segurança e economicidade. 
A capacidade instalada de geração do SIN é composta, principalmente, por usinas 
hidrelétricas distribuídas em dezesseis bacias hidrográficas nas diferentes regiões do país. Nos 
últimos anos, a instalação de usinas eólicas, principalmente nas regiões Nordeste e Sul, 
apresentou um forte crescimento, aumentando a importância dessa geração para o 
atendimento do mercado. 
A busca por fontes renováveis de energia elétrica se deve principalmente ao aumento 
dos custos dos combustíveis fósseis e da preocupação com o meio ambiente, havendo o 
advento de novas políticas sustentáveis que incentivam a conexão de fontes de energia 
alternativas na matriz energética. 
A Figura 1.1 ilustra como a capacidade instalada de geração eólica no mundo evoluiu, 
explicitando o crescimento exponencial dessa forma de geração, além da previsão de 
crescimento para os próximos anos. 
 
 
 
UNIFEI – ISEE Trabalho Final de Graduação 
 
14 
 
Figura 1.1: Evolução da capacidade instalada de geração eólica no mundo. 
 
Fonte: GWEC Report 2016, 2017. 
Enquanto que na Figura 1.2, pode-se observar a capacidade instalada dos principais 
países geradores de energia eólica do mundo, com destaque para a China e Estados Unidos, 
com cerca de 168 GW e 82 GW de capacidade instalada, respectivamente. 
Figura 1.2: Capacidade Instalada de Geração Eólica. 
 
Fonte: GWEC Report 2016, 2017. 
Essa tendência podeser observada também no Brasil, com evolução considerável na 
utilização de energia eólica, como se pode observar na Figura 1.3. 
 
UNIFEI – ISEE Trabalho Final de Graduação 
 
15 
 
Figura 1.3: Evolução da capacidade instalada de geração eólica no Brasil. 
 
Fonte: PEnergy Consultoria em Energia Ltda, 2015. 
É importante notar também o processo de diversificação da matriz energética 
brasileira, que apresenta um crescimento expressivo de outras fontes renováveis além da 
eólica, como biomassa e solar, conforme ilustra a Figura 1.4. 
Figura 1.4: Evolução da Capacidade Instalada por Fonte de Geração no Brasil. 
 
Fonte: EPE, 2015. 
1.2 Objetivo 
O objetivo deste Trabalho é a análise transitória de um sistema elétrico de potência 
com presença considerável de geração eólica para diversas contingências na rede. Também o 
estudo comparativo deste sistema com a implementação, no modelo, do controle de inércia 
sintética, com objetivo de se evidenciar que é um controle benéfico para a regulação inercial 
de um sistema elétrico com alto índice de penetração eólica. 
UNIFEI – ISEE Trabalho Final de Graduação 
 
16 
 
1.3 Estrutura do Trabalho 
Este Trabalho será disposto em sete capítulos. No primeiro, é feita uma 
contextualização do cenário brasileiro e mundial referente à energia eólica; no segundo, se 
fundamenta a energia eólica em vários aspectos: do vento, das turbinas e do próprio gerador 
eólico em suas diversas configurações; no terceiro, se fundamenta o conceito de inércia 
sintética e os modelos de regulação inercial e regulação primária, fundamentais para este 
Trabalho; no quarto, se detalha a modelagem estática e dinâmica dos geradores eólicos, 
origem dos modelos utilizados; no quinto, se detalha os modelos utilizados e os parâmetros 
aplicados; no sexto, são mostradas as simulações do sistema realizadas para diversas 
contingências na rede; finalmente, no sétimo, se dá as conclusões tiradas dos resultados das 
simulações. 
 
UNIFEI – ISEE Trabalho Final de Graduação 
 
17 
 
2 Fundamentação Teórica de Energia Eólica 
A energia eólica se dá pela transformação da energia do vento em energia elétrica, 
através de aerogeradores. É uma energia limpa, renovável e que vem conquistando cada dia 
mais espaço na matriz energética brasileira e mundial. 
2.1 Turbinas Eólicas 
A turbina eólica é o principal elemento a ser analisado, tendo em vista que essa é 
responsável por realizar a absorção da energia cinética do vento e convertê-la em energia 
mecânica. Essa energia é então entregue ao gerador elétrico, que a converte em energia 
elétrica. Esse elemento é composto pelo rotor, pela torre que o sustenta, pela transmissão e 
pelo conversor. 
2.1.1 Mecanismos de Geração dos Ventos 
Pode-se considerar a energia eólica como umas das formas em que se manifesta a 
energia proveniente do Sol, uma vez que os ventos são causados pelo aquecimento 
diferenciado da atmosfera. A orientação dos raios solares e o movimento da Terra são os 
principais responsáveis pela não uniformidade do aquecimento da atmosfera. 
As regiões tropicais, por receberem os raios solares praticamente de maneira 
perpendicular, são mais aquecidas do que as regiões polares. E por consequência disso, o ar 
quente que se encontra nas baixas altitudes das regiões tropicais tende a subir, sendo 
substituído por uma massa de ar mais frio que se desloca das regiões polares. A formação dos 
ventos vem desse deslocamento de massas de ar, como se pode observar na Figura 2.1. 
Figura 2.1: Formação dos ventos devido ao deslocamento de massas de ar. 
 
Fonte: CEPEL, 2001. 
UNIFEI – ISEE Trabalho Final de Graduação 
 
18 
 
Há tipos de ventos chamados de constantes, uma vez que eles jamais cessam e podem 
ser classificados em: 
 Alísios: deslocamentos de massa de ar quente e ú mido em direção às áreas de menor 
pressão atmosférica das zonas equatoriais, ou seja, sopram dos trópicos para a linha do 
Equador em baixas altitudes; 
 Contra-alísios: ventos que sopram da linha do Equador para os pólos, em altas 
altitudes; 
 Ventos do Oeste: sopram dos trópicos para os pólos; 
 Polares: deslocamentos de massa de ar frio que sopram dos pólos para as zonas 
temperadas. 
2.1.2 Potência do Vento 
A própria natureza do vento faz com que exista uma constante variação em sua 
velocidade e direção. Se considerar-se um fluxo de ar, movendo-se à velocidade v, 
perpendicular à seção transversal de um cilindro, conforme a Figura 2.2: 
Figura 2.2: Fluxo de ar através de uma área transversal. 
 
Fonte: RÊGO, L. de O., 2017. 
Considerando também que toda a massa de ar m atravessa o cilindro, a energia cinética 
será dada pela Equação 2.1: 
𝐸𝑐 =
1
2
 𝑚𝑣2 (2.1) 
Onde: 
 Ec é a energia cinética [J]; 
 m é a massa de ar [kg]; 
 v é a velocidade da massa de ar em movimento [m/s]. 
A definição de potência disponível no vento é dada pela derivada da energia no tempo, 
de acordo com a Equação 2.2. 
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19 
 
𝑃 = 
𝜕𝐸𝑐
𝜕𝑡
=
1
2
 𝑚𝑣2 (2.2) 
Substituindo a massa m por um fluxo de massa Av na Equação 2.2, obtém-se a Equação 
2.3: 
𝑃 =
1
2
 ρ𝐴𝑣3 (2.3) 
Onde: 
 P é a potência disponível no vento [W]; 
  é a massa específica do ar [kg/m³]; 
 A é a área da seção transversal [m²]; 
 v é a velocidade da massa de ar em movimento [m/s]. 
2.1.3 Potência de Turbinas Eólicas 
Tendo em vista que as turbinas eólicas não possuem a capacidade de extrair toda a 
potência disponível no vento, a potência de uma turbina eólica é dada pela potência disponível 
pelo vento limitada por um fator conhecido como Coeficiente de Potência [6]. Assim, a 
potência de uma turbina eólica é dada pela Equação 2.4: 
𝑃𝑡 =
1
2
 𝐶𝑝ρ𝐴𝑣
3 
 
(2.4) 
 
Onde: 
 Pt é a potência da turbina eólica [W]; 
 Cp é o Coeficiente de Potência [adimensional]; 
  é a massa específica do ar [kg/m³]; 
 A é a área da seção transversal [m²]; 
 v é a velocidade da massa de ar em movimento [m/s]. 
A relação entre a potência extraída do vento e potência disponível pelo vento é o 
coeficiente Cp, ou seja: 
UNIFEI – ISEE Trabalho Final de Graduação 
 
20 
 
𝐶𝑝 = 
𝑃𝑜𝑡ê𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑒𝑥𝑡𝑟𝑎í𝑑𝑎
𝑃𝑜𝑡ê𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑑𝑜 𝑣𝑒𝑛𝑡𝑜
=
𝑃𝑟𝑜𝑡𝑜𝑟
𝑃𝑣𝑒𝑛𝑡𝑜
 
(2.5) 
 
Então, modificando-se a Equação 2.4: 
𝐶𝑝 = 
𝑃𝑡
1
2 ρA𝑣
3
 
(2.6) 
 
Daí obtém-se o limite de Betz, que fornece o valor máximo teórico para Cp, que é de 
aproximadamente 0,593. Ou seja, teoricamente, a máxima potência que uma turbina eólica 
pode extrair do vento é de 59,3% da potência disponível. Na prática, esse coeficiente gira em 
torno de 0,45 [6]. 
Outra medida importante é a relação de velocidade  (TSR – Tip Speed Ratio), que é 
definida pela razão entre a velocidade da ponta da pá da turbina e a velocidade do vento que a 
atravessa e é dada por: 
𝜆 = 
𝜔𝑅
𝑣
 (2.7) 
Onde: 
 𝜔 é a velocidade radial do rotor [rad/s]; 
 𝑅 é o raio do rotor [m]; 
A grande maioria dos aerogeradores comercializados em grande escala utilizam 
aerofólios (formas similares às asas de um avião), como mostrados na Figura 2.3, para 
controlar e utilizara energia cinética do vento. Duas forças atuam sobre o aerofólio com a 
passagem de um fluxo de vento sobre ele, empuxo e arrasto. As turbinas dependem 
principalmente do empuxo, uma vez que esse aplica torque nas pás, fazendo com que as 
mesmas rotacionem. A força de arrasto faz com que algum torque seja causado também, 
porém no sentido contrário. 
A força de empuxo é perpendicular à direção do fluxo efetivo de ar e a maior parte do 
torque é realizada pelas pontas das pás, que estão mais distantes do hub. 
 
UNIFEI – ISEE Trabalho Final de Graduação 
 
21 
 
Figura 2.3: Seção transversal de uma pá de aerogerador (esquerda) e ângulos importantes 
(direita). 
 
Fonte: NREL, 2011. 
Uma condição indesejável nas turbinas eólicas é que essa opere em uma situação 
acima da especificada, uma vez que isso causa maior desgaste dos componentes da turbina e 
reduzem sua vida útil. 
2.2 Geradores Eólicos 
Os geradores eólicos são máquinas capazes de transformar a energia cinética presente 
nos ventos em energia elétrica. A turbina eólica é responsável por converter a energia cinética 
em energia mecânica no eixo, que transfere essa energia através de uma caixa de engrenagens 
ao gerador para a conversão eletromecânica. 
2.2.1 Geradores de Velocidade Fixa 
Os geradores de velocidade fixa são máquinas assíncronas (normalmente geradores 
gaiola de esquilo) conectadas diretamente a uma rede elétrica com frequência fixa, que gira a 
uma velocidade mecânica fixa, independente da velocidade do vento. Não há, portanto, 
qualquer controle de velocidade nestes geradores. Por serem conectados diretamente à rede, 
estes geradores são sensíveis às variações de frequência do sistema, possuindo, portanto, 
capacidade de resposta inercial. Um modelo desse gerador pode ser visto na Figura 2.4. 
 
 
 
 
 
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22 
 
Figura 2.4: Gerador Eólico de Velocidade Fixa. 
 
Fonte: RÊGO, L. de O., 2017. 
2.2.2 Geradores de Velocidade Variável 
São geradores conectados à rede através de conversores eletrônicos e que possuem 
sistemas de controle que permitem uma velocidade variável de rotação, de acordo com a 
velocidade do vento. Tem-se o gerador de indução duplamente alimentado (Doubly Fed 
Induction Generator - DFIG), visto na Figura 2.5, cujo estator encontra-se conectado 
diretamente à rede, enquanto o rotor se encontra conectado ao conversor, que por sua vez é 
conectado à rede. 
Figura 2.5: Gerador Eólico de Velocidade Variável (DFIG). 
 
Fonte: RÊGO, L. de O., 2017. 
Tem-se, também, o gerador síncrono conectado à rede através de um conversor 
eletrônico (Synchronous Generator Full Converter - SGFC), visto na Figura 2.6. 
Figura 2.6: Gerador Eólico de Velocidade Variável (SGFC). 
 
Fonte: RÊGO, L. de O., 2017. 
 
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23 
 
Atualmente, os principais fabricantes de geradores eólicos utilizam a tecnologia de 
velocidade variável, devido ao seu melhor desempenho. No entanto, por serem conectados à 
rede através de conversores, tais geradores não são sensíveis às variações de frequência do 
sistema, não possuindo capacidade de resposta inercial, deficiência esta que pode ser corrigida 
através de controles adicionais, ou através de outras formas de inércia sintética. 
2.3 Modelagem de Geradores Eólicos de Velocidade Fixa 
Será desenvolvido um modelo dinâmico genérico para uma turbina eólica de 
velocidade fixa, que é o tipo mais básico em operação na atualidade, utilizada em larga escala. 
Os geradores de velocidade fixa são assim chamados por operarem com menos de 1% de 
variação na velocidade do rotor e normalmente empregam máquinas de indução tipo gaiola, 
diretamente conectada à rede. Para extrair potência do vento, é possível empregar um controle 
de pitch e um controle de stall. No caso de aerogeradores com controle de pitch, as pás da 
turbina não são fixadas de maneira rígida ao hub e podem ser rotacionadas de maneira a 
aproveitar melhor o fluxo de ar. Já no caso de controle de stall, as pás são projetadas para que 
o fluxo de ar sobre as mesmas mude de laminar para turbulento em velocidades mais altas do 
vento. Um problema no uso de controle de stall é o aproveitamento não ótimo da potência do 
vento. 
O objetivo principal em obter um modelo que estude a interação entre um aerogerador 
e o sistema de potência, entretanto também será possível analisar a interação das funções 
aerodinâmicas, elétricas e mecânicas dentro da turbina. Do ponto de vista de modelagem, uma 
turbina eólica de velocidade fixa consiste de um rotor e montagem das pás (motor primário), 
eixo e unidade de transmissão (trem de força e comutador de velocidade), gerador de indução 
e sistema de controle. Como a maioria dos softwares de modelagem em sistemas de potência 
já apresentam blocos com modelos de máquinas de indução, o desafio maior nesse caso é 
modelar a aerodinâmica e transmissão mecânica dos aerogeradores. Esses componentes são 
modelados de acordos com as equações diferenciais e algébricas que regem os seus 
fenômenos e descrevem suas operações. Na Figura 2.7 tem-se o diagrama de blocos para uma 
turbina com controle de stall. 
 
 
 
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24 
 
Figura 2.7: Diagrama de blocos para um aerogerador de velocidade fixa e controle de stall. 
 
Fonte: NREL, 2011. 
O bloco relacionado à aerodinâmica consiste de três subsistemas: cálculo da tip-speed 
ratio (TSR – relação de velocidade, ), o coeficiente de potência do rotor (Cp) e cálculo do 
torque aerodinâmico. As entradas são a velocidade do vento e o ângulo de pitch e considera-
se que a velocidade do vento é mantida constante durante o evento na rede, uma vez que o 
objetivo é estudar a resposta dinâmica da turbina durante eventos na rede. Porém é possível 
utilizar sinais de entrada de velocidades do vento variadas. Além disso, o ângulo de pitch é 
determinado no início da simulação para que a turbina atinja potência nominal à velocidade 
nominal. 
 
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25 
 
3 Fundamentação Teórica de Inércia Sintética 
O conceito de inércia sintética, embora não tão novo, tem encontrado maior aplicação 
nos últimos anos, com a crescente importância da energia eólica (e consequentemente de 
aerogeradores) no sistema elétrico brasileiro e mundial. 
3.1 Introdução 
O conceito de inércia sintética (“virtual inertia”) foi sugerido pela primeira vez pelo 
Dr. Harold Aspden, em uma publicação do “New Energy News”. Ele percebeu que uma 
máquina elétrica acionada por um motor, depois de parada, pode ser religada com maior 
facilidade que da primeira vez se o tempo não exceder aproximadamente 1 minuto. Ele 
chegou à conclusão que “havia algo de natureza etérea girando juntamente com o rotor”. [4] 
A inércia de um sistema está relacionada com a energia cinética contida nas massas 
girantes que compõem o sistema, e tem grande importância principalmente na resposta a 
perturbações que resultam na perda significativa de capacidade de geração e transmissão. O 
uso de formas de controle que buscam ter o mesmo efeito da resposta inercial de geradores 
convencionais é o que se chama de inércia sintética. Portanto, esses controles atuam de 
maneira imediata após alguma perturbação, de modo a reduziras oscilações de frequência. 
De maneira geral, para que seja possível modular a potência de saída frente a variações 
de frequência na rede, é necessário que a planta de geração eólica opere com uma reserva de 
potência ativa. 
A inércia sintética pode ser implementada, por exemplo, através de um sistema de 
controle que permita que a rotação da máquina varie proporcionalmente com a taxa de 
variação da frequência, já que usualmente não há acoplamento elétrico direto entre gerador e 
sistema, mas sim através de conversores CA/CC, desprovidos de inércia. Um exemplo de 
malha de controle para esta aplicação pode ser visto na Figura 3.1. 
Figura 3.1: Malha de controle para implementação em um controlador DFIWG. 
 
Fonte: DA SILVA, A., 2015. 
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26 
 
3.2 Regulação Inercial 
A própria natureza das máquinas rotativas que estão ligadas aos sistemas de energia 
elétrica faz com que haja armazenamento de energia cinética em suas massas girantes. Desde 
que não ocorra nenhum tipo de perturbação que cause desequilíbrio entre o torque mecânico e 
o torque elétrico, esta energia cinética se mantém constante. No entanto, qualquer variação na 
condição de equilíbrio resulta em um aumento ou redução da velocidade da máquina, uma vez 
que a velocidade angular da massa girante variou. 
Perturbações no sistema que incluem a perda de geração normalmente resultam em 
afundamentos transitórios da frequência do sistema. A taxa de declínio de frequência, a 
intensidade da excursão da frequência, e o tempo para a frequência do sistema voltar ao 
normal são afetados pelas características dinâmicas da geração conectada à rede. Nos 
primeiros segundos que seguem a perda de grandes unidades de geração, as dinâmicas de 
frequência do sistema são dominadas pela resposta inercial da geração. A geração síncrona 
convencional (hidrotérmica) inerentemente contribui com alguma inércia armazenada para a 
estabilidade da rede, reduzindo a taxa inicial de declínio de frequência. 
De [9], temos que a equação de oscilação de uma máquina elétrica é dada por: 
𝑑𝜔
𝑑𝑡
=
𝜔0
2𝐻
 (𝑃𝑚 − 𝑃𝑒) (3.1) 
Ou seja, depende da variação da velocidade angular, da constante de inércia H da 
máquina e do equilíbrio entre a potência mecânica e elétrica do sistema. Essa equação pode 
representar também o equilíbrio entra carga e geração sobre a variação de frequência. É 
importante lembrar que a frequência da rede em que a máquina está ligada está diretamente 
relacionada à velocidade angular desta máquina, como se vê na Equação 3.2: 
𝜔 = 2. 𝜋. 𝑓 (3.2) 
Se houver um desequilíbrio entre carga e geração, haverá uma oscilação da frequência, 
como se pode observar na Figura 3.2. A inércia total das máquinas que estão ligadas ao 
sistema e o tipo de perturbação influência de maneira direta a variação da frequência logo nos 
primeiros instantes. Esse período inicial é denominado resposta inercial, e nele a variação de 
frequência do sistema é limitada principalmente pela transferência de energia cinética de 
grandes geradores conectados à rede. Dessa forma, pode-se concluir que, após uma 
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27 
 
contingência no sistema, quanto maior a inércia total de um sistema, menores serão as 
variações de frequência que irão ocorrer. 
Figura 3.2: Variação da frequência de um sistema frente a um distúrbio. 
 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
Em sistemas com geradores síncronos conectados à rede, mediante perturbações, esses 
respondem de forma natural, de modo que fornecem ou absorvem energia cinética para 
compensar essas oscilações. Contudo, no caso dos geradores eólicos, em grande maioria, a 
conexão entre esses e a rede é feita através de conversores eletrônicos, que desacoplam as 
frequências da máquina e do sistema, não possibilitando uma resposta inercial natural. Dessa 
forma, o desenvolvimento de novas técnicas de controle que possibilitem aos geradores 
eólicos uma capacidade inercial, ainda que desacoplados mecanicamente da rede, é de 
extrema importância para corroborar com formas de regular a frequência do sistema. 
3.2.1 Modelos de Controle de Resposta Inercial de Geradores Eólicos 
Os geradores eólicos encontrados atualmente possuem controles que permitem a sua 
participação ativa na regulação de frequência de sistemas de energia elétrica. 
Essa técnica de controle, no entanto, com o objetivo de compensar a oscilação na rede 
pode apresentar uma elevação ou redução da velocidade de rotação do gerador, podendo levá-
lo a níveis de operação além ou aquém do nominal. Dessa forma, é necessário limitar a um 
curto período de tempo esse suporte de frequência. É importante lembrar que a velocidade do 
rotor deve se reestabelecer à condição nominal, anterior à contingência, após a atuação do 
controle. Também, deve-se notar que o fornecimento temporário de potência elétrica pelo 
gerador eólico para o controle de frequência é limitado não somente pela velocidade 
disponível do vento, como também pelas limitações físicas dos componentes do conjunto do 
gerador. 
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28 
 
Algumas das técnicas de controle de inércia sintética em geradores eólicos 
encontradas na literatura ([10], [11] e [12]) são: 
 KEC I; 
 KEC II; 
 WindINERTIA. 
O modelo de controle KEC I (“Kinetic Energy Control I”) busca aumentar 
rapidamente o torque em resposta à queda de frequência, e consequentemente desacelera o 
rotor. A sua estrutura é mostrada na Figura 3.3 e pode-se observar que um sinal de potência 
adicional P é implementado à malha de controle do gerador, que é sensível à variação de 
frequência do sistema. É utilizado um filtro wash-out, que tem por objetivo suavizar a 
transição causada por mudanças no sinal de entrada, evitando assim uma atuação do controle 
para mudanças lentas de frequências, que podem ocorrer normalmente em um sistema. 
O controle é feito por um compensador lead-lag, que é um importante componente em 
sistemas de controle que melhora a resposta em frequência de sistemas com malha de 
realimentação. O modelo ainda possui um bloco de banda morta, de modo a limitar o sinal de 
potência adicional P. 
Figura 3.3: Modelo de Controle KEC I. 
 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
Já no modelo KEC II, cuja estrutura é mostrada na Figura 3.4, inicialmente é possível 
a aceleração do rotor antes do aumento da injeção de potência. As diferenças entre esse 
modelo e o KEC I estão nos ajustes dos parâmetros do controlador e no sinal positivo da 
potência adicional P. A vantagem do KEC II está no fato da eliminação do período de 
recuperação da velocidade do rotor e evita-se a operação em baixas velocidades. Porém, nesse 
caso podem ocorrer algumas situações não desejadas, como o aumento temporário da 
velocidade do rotor e um atraso na resposta inercial causado pelo processo prévio de 
aceleração, fazendo com que o sistema fique sujeito a oscilações de frequência de maior 
magnitude. 
 
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29 
 
Figura 3.4: Modelo de Controle KEC II. 
 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
E por fim, tem-se o modelo WindINERTIA, utilizado no modelo de gerador eólico 
deste Trabalho, que apresenta uma estrutura como a da Figura 3.5 e um funcionamento 
semelhante ao KEC I na emulação da resposta típica de geradores convencionais, cuja 
filosofia de controleé de perceber eventos significativos de subfrequência na rede através dos 
terminais do gerador e temporiaramente aumentar a saída de potência. O bloco de banda 
morta (dbwi) assegura que o controlador só tenha uma resposta a partir de determinado nível 
de subfrequência. Isso limita a resposta do WindINERTIA para grandes eventos de 
subfrequência – aqueles para qual a resposta inercial é vital para manter a estabilidade da rede 
e para os quais consequências graves como o ERAC podem ocorrer. As contínuas pequenas 
oscilações de potência que caracterizam a operação normal da rede não são passadas ao 
controlador. Também, é um controle assimétrico: não funciona para eventos de 
sobrefrequência, sendo o APC o responsável pela regulação deste tipo de eventos. De acordo 
com análise feita em [7], o ganho KWI, que relaciona uma ordem de potência de saída com 
uma frequência de entrada, tem seu melhor ajuste em 10, uma vez que situações com ganhos 
maiores fazem com que a frequência atinja seu valor de regime permanente mais rapidamente, 
porém com um afundamento maior na primeira oscilação, o que será investigado mais adiante 
neste Trabalho. 
Figura 3.5: Modelo de Controle WindINERTIA. 
 
Fonte: RÊGO, L. de O., 2017. 
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30 
 
3.3 Regulação Primária 
Sabe-se que as cargas se conectam e desconectam aleatoriamente em um sistema 
elétrico durante o dia. Se houver uma situação de corte súbito de carga no sistema, haverá por 
certo momento mais geração do que demanda. Essa redução na demanda será suprida, 
inicialmente, através da energia cinética das massas girantes das máquinas que compõem esse 
sistema, que nesse caso, aumentam a velocidade de rotação das mesmas e, consequentemente, 
a frequência do sistema também aumenta [13]. Logo, são necessários mecanismos de controle 
para atuar no sentido de elevar ou diminuir a potência elétrica das unidades geradoras, sempre 
que a frequência se distanciar do seu valor nominal. Dessa forma, conclui-se que a frequência 
de SEPs depende diretamente do balanço de potência ativa, ou seja, existe uma correlação 
direta entre as grandezas 𝑓 (frequência) e P (Potência Ativa). 
Como a frequência dos sistemas de energia elétrica está diretamente ligada à 
velocidade angular das máquinas rotativas conectadas, pode-se concluir que uma variação da 
energia cinética armazenada nas massas girantes causa, consequentemente, uma variação da 
frequência do sistema. 
Neste âmbito, a maneira de definir uma nova condição de equilíbrio em um sistema, 
sem que se utilize da energia cinética armazenada nas máquinas rotativas por meio de ações 
de controle é definida como regulação primária. Nos geradores convencionais, isto é realizado 
por meio de controles sensíveis às variações de frequência atuando diretamente sobre a fonte 
de energia primária. 
Na Figura 3.6, tem-se a curva característica de regulação (Droop) típica de geradores 
elétricos. 
Figura 3.6: Curva característica de regulação (Droop). 
 
Fonte: Modificado de RÊGO, L. de O., 2017. 
 
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31 
 
Nela, é possível notar que no caso de uma redução na frequência, há uma solicitação 
de maior quantidade de potência ativa, visando estabelecer o estado de equilíbrio do sistema 
e, consequente, o controle da frequência. No caso contrário, de um aumento de frequência, há 
uma necessidade de redução na solicitação de potência ativa. 
3.3.1 Modelos de Controle Primário de Geradores Eólicos 
Os modelos de controle primário utilizados nos geradores eólicos, assim como em 
geradores convencionais, são baseados em controles sensíveis a variações de frequência. No 
entanto, considerando-se que a energia eólica tem como combustível o vento, fonte 
intermitente de energia, não há como utilizar-se mecanismos de controle atuando diretamente 
na fonte primária. É possível, no entanto, modular-se a potência ativa dos geradores eólicos de 
acordo com as oscilações de frequência. 
Embora a tendência seja de maximizar a geração de energia eólica, dado que é uma 
energia limpa e barata, para efetuar-se o controle de frequência deve-se realizar o controle da 
potência ativa do gerador. Assim, é necessário que os geradores eólicos operem com uma 
reserva de potência ativa, para que se tenha uma capacidade de regulação primária. Embora 
não seja a opção economicamente mais interessante para o controle de frequência, em 
sistemas com alto nível de penetração eólica, como o que será simulado neste Trabalho, é uma 
opção a ser considerada. 
A Figura 3.7 nos fornece possibilidades para ter-se uma reserva de potência ativa 
através do controle de velocidade do rotor do aerogerador. A tendência é que se tenha uma 
operação no ponto A, que maximiza a geração de energia (MPPT). No entanto, para se atingir 
uma reserva de potência ativa e assim ter-se a capacidade de uma regulação primária, deve-se 
operar no ponto B ou C, sendo que no ponto B opera-se com velocidade maior e no ponto C 
com velocidade menor, e em ambos os pontos o gerador eólico gera menos energia, operando 
com uma reserva. Em geral, é preferível se operar no ponto B, com maior velocidade do rotor, 
já que o aumento de velocidade proporciona o aumento da energia cinética nas pás do 
gerador. 
 
 
 
 
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32 
 
Figura 3.7: Operação com reserva de potência ativa. 
 
Fonte: RÊGO, L. de O., 2017. 
Também é possível atingir-se uma reserva de potência ativa através do controle do 
ângulo de passo das pás da turbina, como mostrado na Figura 3.8. Admitindo-se uma 
velocidade constante do vento (𝑉𝑤0) e mantendo-se constante a velocidade do rotor, varia-se o 
ângulo de pitch das pás de 𝛽𝑚í𝑛 para 𝛽1. O aumento do ângulo de pitch reduz a aerodinâmica 
da turbina, com consequente diminuição da potência extraída do vento. 
Figura 3.8: Operação com reserva de potência ativa. 
 
Fonte: RÊGO, L. de O., 2017. 
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33 
 
A Figura 3.9 representa um modelo de controle de ângulo de pitch de geradores 
eólicos. Normalmente, como já dito, o controle tem como objetivo extrair o máximo de 
potência possível do vento. 
Figura 3.9: Modelo tradicional de controle de pitch. 
 
Fonte: RÊGO, L. de O., 2017. 
No entanto, para ser utilizado para fins de controle de frequência, o modelo é 
ligeiramente diferente (visto na Figura 3.10), atuando para variar o ângulo de passo das pás da 
turbina a fim de modular a potência ativa de saída, visando o controle de frequência. 
Figura 3.10: Modelo modificado de controle de pitch. 
 
Fonte: RÊGO, L. de O., 2017. 
O modelo da Figura 3.11 é semelhante ao anterior, porém o controle atua para alterar a 
velocidade do gerador, modificando a referência de potência do sistema. 
Figura 3.11: Modelo de controle de velocidade. 
 
Fonte: RÊGO, L. de O., 2017. 
Além dos controles de pitch e de velocidade do rotor, o controle primário dos 
geradores eólicos possui característica de Droop, que busca simular uma regulação 
semelhante às dos geradores convencionais. Na Figura 3.12 pode-se observar, em uma curva 
característica de regulação, que próximo à frequência nominal (1,0 p.u), o gerador opera com 
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34 
 
potência ativa de 0,8p.u (ou seja, com 20% de reserva de potência ativa), extraindo somente 
80% da potência disponível no vento. A potência se mantém constante para pequenos desvios 
na frequência, que são inerentes a um sistema elétrico de potência. No entanto, para grandes 
desvios, que são causados por perturbações no sistema, o gerador eólico modula sua potência 
ativa de saída segundo suas curvas de regulação (como por exemplo as curvas Droop 1 e 
Droop 2, vistas no gráfico da Figura 3.12). É claro que nos casos de subfrequências vistas 
pelo controlador, a regulação fica limitada à potência nominal do gerador (1,0 p.u), enquanto 
a regulação para sobrefrequências tem como limite o desligamento total do gerador. 
Figura 3.12: Exemplo de curvas de regulação. 
 
Fonte: RÊGO, L. de O., 2017. 
Na Figura 3.13, tem-se o modelo de controle de Droop de geradores eólicos. Observa-
se que o controle entrega um sinal de potência adicional ∆𝑃, que é somado ao sinal de MPPT, 
alterando a potência entregue finalmente ao conversor. 
Figura 3.13: Modelo de controle de regulação (Droop). 
 
Fonte: RÊGO, L. de O., 2017. 
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35 
 
4 Modelagem Estática e Dinâmica de Geradores Eólicos 
Neste capítulo, serão apresentadas as características do modelo de gerador eólico de 
indução duplamente alimentado (DFIG), introduzido no Capítulo 2. Serão apresentadas sua 
estrutura, dados, estratégias de controle e as premissas que foram adotadas. Este modelo será 
utilizado em sequência para as simulações do Capítulo 6, ao ser inserido no sistema Brazilian 
Birds. 
4.1 Modelo do Fluxo de Potência do Gerador Eólico 
A modelagem de uma planta eólica para a análise de fluxo de potência se faz adotando 
um modelo simplificado, utilizando um gerador equivalente atrás de uma impedância 
equivalente. 
A Figura 4.1 mostra uma representação de uma planta eólica inserida em um sistema 
de transmissão. O modelo consiste em um único gerador equivalente (o conjunto gerador-
turbina) e um transformador equivalente com potências nominais iguais a N vezes as 
potências individuais de cada unidade geradora, com N sendo o número de geradores ou 
transformadores da planta. 
Figura 4.1: Modelo de planta eólica. 
 
Fonte: CLARK, Kara et al., 2010. 
A máquina equivalente é modelada como um gerador convencional conectado à uma 
barra do tipo PV. Tem-se a potência ativa gerada (𝑃𝑔𝑒𝑛), os limites de potência ativa reativa 
gerada (𝑄𝑚á𝑥 𝑒 𝑄𝑚í𝑛), que são dados de entrada. As capacidades unitárias nominais são 
mostradas na Tabela 4.1. 
 
 
 
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36 
 
Tabela 4.1: Parâmetros para o modelo de fluxo de potência. 
Potência Nominal do Gerador 3 MVA 
Potência Ativa Máxima 2,3 MW 
Potência Ativa Mínima 0 MW 
Potência Reativa Máxima 1,20 MVAr 
Potência Reativa Mínima -1.20 MVAr 
Tensão Nominal 690 V 
Potência Nominal do Transformador 2,8 MVA 
Reatância do Transformador 6,0% 
Fonte: CLARK, Kara et al., 2010. 
4.2 Modelo Dinâmico do Gerador Eólico 
A modelagem dinâmica de um sistema procura, embora de forma simplificada, 
representar o comportamento real desse frente a diversos tipos de entrada, de forma a analisar 
a resposta do sistema para eventos reais e cotidianos. 
4.2.1 Estrutura Geral 
O modelamento dinâmico do aerogerador DFIG utilizado neste Trabalho se dá pela 
junção de três modelos distintos que interagem entre si: 
(A) Modelo do Gerador/Conversor; 
(B) Modelo dos Controles Elétricos; 
(C) Modelo das Turbinas e Controles. 
A Figura 4.2 apresenta uma representação esquemática do modelo completo do 
gerador duplamente alimentado (DFIG). 
Figura 4.2: Representação esquemática do modelo completo do DFIG 
 
Fonte: CLARK, Kara et al., 2010. 
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37 
 
4.2.1.1 Modelo do Gerador/Conversor (A) 
O modelo da Figura 4.3 mostra os sinais de entrada e saída do modelo do 
gerador/conversor. A mesma figura também mostra a interface do modelo com a rede, onde se 
vê que este é representado por uma fonte controlada de corrente. 
Figura 4.3: Representação do modelo do Gerador/Conversor. 
 
Fonte: CLARK, Kara et al, 2010. 
4.2.1.2 Modelo dos Controles Elétricos (B) 
O modelo dos controles elétricos visto na Figura 4.4 tem a funcionalidade de controle 
de potência reativa e de regulação de tensão do gerador. O modelo também possui uma 
interface que produz os sinais de comando de corrente ativa e reativa, que por sua vez são 
enviados para o modelo do gerador/conversor. 
 
Figura 4.4: Representação do modelo de controles elétricos. 
 
Fonte: CLARK, Kara et al, 2010. 
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38 
 
4.2.1.3 Modelo da Turbina e Controles (C) 
O modelo da turbina e controles visto na Figura 4.5 representa os controles mecânicos, 
incluindo o controle do ângulo de pitch das pás da turbina e da ordem de potência para o 
conversor. Possui proteção contra altas ou baixas velocidades de rotação, sendo os modelos de 
inércia do rotor e de potência do vento em função de velocidade do vento, do ângulo de pitch 
das pás e da velocidade do rotor. O modelo também possui a função de controle de potência 
ativa (APC) e o controle de inércia sintética (WindINERTIA), apresentado no Capítulo 3, 
sendo que estes permitem que a geração eólica atue na regulação de frequência da rede, 
objetivo deste Trabalho. 
Figura 4.5: Representação do modelo da turbina e seus controles. 
 
Fonte: CLARK, Kara et al, 2010. 
 
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39 
 
5 Parâmetros de Simulação 
5.1 Representação da Usina Eólica no ANAREDE 
O ANAREDE é um software do CEPEL utilizado para calcular o fluxo de potência e 
obter o ponto de operação de um sistema elétrico multibarra através de um processo iterativo. 
Nele, a usina eólica pode ser representada como uma barra de tensão controlada (tipo PV), na 
qual é definida a potência ativa e o módulo da tensão da geração. A Figura 5.1 mostra a 
representação de n máquinas eólicas conectadas ao barramento de saída (em verde). O 
transformador representado é utilizado para elevar a tensão aos níveis de transmissão e é o 
equivalente a n transformadores em paralelo. É interessante se notar que o sistema deve 
possuir uma única barra do tipo swing (neste Trabalho, a barra CANÁRIO), que tem a função 
de equilibrar a potência ativa e reativa do sistema durante o processo de iteração. 
Figura 5.1: Representação de uma usina eólica no ANAREDE. 
 
Fonte: CLARK, Kara et al, 2010. 
5.2 Representação da Usina Eólica no ANATEM 
A Figura 4.3 mostra a conexão entre uma fonte controlada de corrente à barra terminal 
do gerador da turbina eólica. O modelo CDU do ANATEM controla as correntes ativa e 
reativa da fonte durante a simulação dinâmica. Os valores de admitância GEQ e BEQ são 
constantes durantes as simulações. O valor GEQ é configurado como zero, enquanto que BEQ 
é uma função do número de aerogeradores, considerando-os como sendo de 2.3 MW, dado 
pela Equação 5.1: 
𝐵𝐸𝑄 = −𝑗 𝑁𝑀𝐴𝑄 .
100
31.242
 (5.1) 
 
Na Figura 5.2 a seguir, tem-se um exemplo dos comandos utilizados no ANATEM 
para a modelagem utilizando-se dois grupos de aerogeradores (ambos do grupo 10) 
conectados à barra 2401 e 2511. Os números dos modelos CDU2401u e 2511u representam 
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duas fazendas eólicas com modelos dinâmicos. Em ambas as plantas, são consideradas 66 
aerogeradores de 2.3MW cada, portanto BEQ é configurado em -211.254 % (base de 100 
MVA). 
Figura 5.2: Utilização do comando DFTN para associar o modelo (CDU) à determinada barra 
e definir BEQ. 
 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
Os valores de tensão das barras remotas controladas precisam ser importados 
utilizando o comando DLOC, que registra o local de medição do sinal desejado. A Figura 5.2 
ilustra o uso desse comando. 
Figura 5.3: Uso do comando DLOC para definir o controle de tensão das barras remotas. 
 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
A quantidade de aerogeradores por fazenda eólica é definida diretamente no modelo 
CDU. As condições iniciais para a velocidade do vento (Vw0) e ângulo de pitch (BETA0) 
devem ser definidas de acordo com a seção 5.3 deste trabalho. Neste arquivo CDU, o usuário 
pode também selecionar diversas opções de controle, como de tensão remota (“FLG_V”), 
fator de potência (“FLG_F”), potência reativa (“FLG_Q”), funções de potência ativa em 
resposta à queda da frequência (“APFLG”) e o uso da inércia sintética (“WIFLG”), 
simplesmente ao ativar as flags do controle desejado. Na Figura 5.4, observa-se parte do 
arquivo CDU referente à fazenda eólica “POMBO”, conectada à barra 2401 e com os 
controles de tensão remota e inércia sintética habilitados. 
 
 
 
 
 
 
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41 
 
Figura 5.4: Definição das condições iniciais e número de aerogeradores da fazenda eólica 
POMBO e seleção dos modos de controle no arquivo do tipo *.CDU. 
 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
5.3 Inicialização 
Todas as variáveis do modelo (PGEN(0), QGEN(0), Vterm(0), θ e VPOI(0)) são 
inicializadas automaticamente baseadas nos valores obtidos pelo load flow utilizando o 
software ANAREDE, com exceção da velocidade do vento (Vw0) e o ângulo de pitch 
(BETA0). A Figura 5.5 mostra a interface dessa relação. 
Figura 5.5: Exemplo de interface entre o modelo do aerogerador e a solução da rede. 
 
Fonte: CLARK, Kara et al, 2010. 
Valores típicos para a velocidade do vento e o ângulo de pitch são encontrados na 
Tabela 5.1, considerando-se uma saída de potência máxima e a flag para controle de funções 
de potência ativa em resposta à queda da frequência (“APFLG”) desabilitada. Para a turbina 
utilizada, a menor velocidade do vento que pode fornecer máxima potência é de 11.3 m/s e 
em uma situação com velocidades acima dessa, o ângulo de pitch é diferente de zero. 
Tabela 5.1: Parâmetros para inicialização 
Potência de saída 
no Load Flow [pu] 
Vw0 [m/s] BETA0 [ ̊ ] APC 
1 11.3 0 Desabilitado 
1 14 9.71 Desabilitado 
Fonte: CLARK, Kara et al., 2010. 
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42 
 
É importante ressaltar que é possível inicializar o modelo utilizando outras condições, 
como valores diferentes para a potência de saída, velocidade do vento e o controle de potência 
ativa com configurações variadas. 
 
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43 
 
6 Simulações 
Para a análise do comportamento do sistema frente a diversas contingências, se 
utilizará um sistema de potência multimáquina e multibarra denominado Brazilian Birds. 
6.1 Diagrama unifilar do sistema Brazilian Birds 
Na Figura 6.1, é apresentado o diagrama unifilar do sistema elétrico de potência 
denominado Brazilian Birds. 
Figura 6.1: Diagrama Unifilar do Sistema Elétrico de Potência Brazilian Birds. 
 
Fonte: Ferreira, C., 2016. 
6.2 Informações sobre o sistema 
O sistema Brazilian Birds é composto de duas áreas, denominadas áreas A e B, 
interligadas através de linhas de transmissão em 440 kV. 
A área A é composta das barras de Canário, Cardeal, Sanhaço, Curió, Tiziu, Sabiá, 
Pardal, Azulão, Bicudo e Chopim. A área B é composta das barras de Tucano, Gavião, Garça, 
Urubu, Arara, Pelicano e Coruja. Foram adicionadas duas barras ao sistema modificado que 
recebeu duas fazendas eólicas: Pombo (2401) e Colibri (2511), ambos na área B. 
O intercâmbio de potência ocorre normalmente da área B para a área A, em duas 
situações: de intercâmbio baixo, em torno de 220 a 260 MW, que é a maneira usual de 
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44 
 
operação e de intercâmbio alto, de cerca de 400 a 450 MW, quando a disponibilidade 
energética na área A está baixa e a usina de Canário realiza manutenção em suas máquinas e 
opera com limitação. 
O sistema Brazilian Birds é predominantemente industrial. Nele podem ser 
consideradas as seguintes condições de carga: (a) carga pesada, conforme a Tabela 6.1; (b) 
carga média, correspondendo a 70% da carga pesada; e (c) carga leve, admitida igual a 55% 
da carga pesada. 
Tabela 6.1: Valores da carga 
 Carga Pesada Carga Leve 
Área Barra MW MVAr MW MVAr 
A 
121 120 40 66 22 
140 70 20 38.5 11 
135 110 40 60.5 22 
111 40 10 22 5.5 
151 160 60 88 33 
161 40 10 22 5.5 
171 40 10 22 5.5 
181 130 40 71.5 22 
B 
191 90 20 49.5 11 
224 110 30 60.5 16.5 
240 90 20 49.5 11 
251 80 20 44 11 
260 120 50 66 27.5 
 Total 1200 370 660 204 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
6.3 Casos Analisados 
Foram propostas diversas situações para serem analisadas, comparando-se sistemas 
com carga pesada e leve e para diversas contingências. Os fluxos de potência obtidos através 
do ANAREDE para os regimes de carga pesada podem ser visualizados nas Tabelas 7 e 8 do 
Anexo deste Trabalho. A Tabela 6.2 apresenta um resumo dos diversos casos estudados neste 
Trabalho. 
 
 
 
 
 
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45 
 
Tabela 6.2: Resumo dos casos estudados 
Caso Descrição da contingência Carga 
6.3.1 Perda de geração da UTE SABIÁ Pesada 
6.3.2 Perda de geração menos severa da UTE SABIÁ Pesada 
6.3.3 Perda de geração da UTE SABIÁ Leve 
6.3.4 Perda de geração da UTE SABIÁ - Sistema Nordeste/Sudeste Pesada 
6.3.5 Degrau de carga na barra 111 Pesada 
6.3.6 Perda de geração da UTE SABIÁ com rejeição de carga Pesada 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
A Tabela 6.3 mostra valores de geração considerando-se uma situação de carga pesada 
nos dois sistemas: hidrotérmico e hidrotérmico com inserção de fazendas eólicas. 
Tabela 6.3: Geração nos sistemas implementados 
Hidrotérmico Hidrotérmico/Eólico 
Barra No. Máquinas MW Barra No. Máquinas MW 
10 5 360,9 10 5 333,9 
11 3 200,0 11 3 200,0 
20 4 400,0 20 4 200,0 
21 4 300,0 21 4 200,0 
 
2401 66 150,0 
 
2511 66 150,0 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
A Figura 6.2 mostra a região onde foram adicionadas duas fazendas eólicas e 
exemplifica parte do fluxo de potência obtido no software ANAREDE do sistema modificado, 
e mantendo-se a geração total em MW. 
Figura 6.2: Indicação do local onde foram adicionadas as duas fazendas eólicas. 
 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
 
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46 
 
6.3.1 Perda de geração da UTE SABIÁ (barra 11) – Carga Pesada 
Para esta primeira análise, utilizou-se o comando“RMGR” do ANATEM, para 
remover as três unidades geradoras da UTE SABIÁ no instante 300ms, totalizando uma perda 
de geração de 200 MW. A Figura 6.3 ilustra o comando do ANATEM. 
Figura 6.3: Uso do comando RMGR para remoção de geração 
 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
Foram analisadas as variações de frequência e potência elétrica da barra 21 do sistema 
(GAVIÃO) para os sistemas hidrotérmico, hidrotérmico com eólicas sem uso de inércia 
sintética e hidrotérmico com eólicas utilizando a inércia sintética. 
Como houve um corte súbito de geração, por certo instante a demanda por energia era 
maior do que a energia gerada, e isso fez com que a energia cinética armazenada na rotação 
das máquinas fosse absorvida, diminuindo a rotação e consequentemente diminuindo a 
frequência do sistema. 
Na Figura 6.4, pode-se observar a frequência na barra GAVIÃO para as três condições 
do sistema. Neste caso, o ganho do controle da inércia sintética (KWI) foi igual a 10. 
Figura 6.4: Comparação entre frequências da barra GAVIÃO 
 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
Fica visível que, no momento de regulação inercial, o sistema com inserção de eólica 
tem uma excursão maior de subfrequência, uma vez que para a mesma contingência a 
59.072
59.304
59.536
59.768
60.
0. 4.8 9.6 14.4 19.2 24.1
Tempo [s]
FREQ 21 EÓLICA COM INÉRCIA
FREQ 21 EÓLICA SEM INÉRCIA
FREQ 21 SOMENTE HIDROTÉRMICA
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47 
 
frequência caiu para um valor de 59.07 Hz (redução de 1.55%) frente à queda para 59.33 Hz 
(redução de 1.12%) do sistema sem a presença de eólica. Já com o controle de inércia 
sintética habilitado, a frequência do sistema caiu para 59.10 Hz (redução de 1.5%) além de ser 
possível notar uma menor oscilação até que o regime permanente fosse atingido. 
Tal comportamento era esperado, já que a inércia sintética faz com que os geradores 
eólicos contribuam com consideravelmente mais potência elétrica no momento de regulação 
inercial, como se vê na Figura 6.5, onde a potência gerada pela fazenda eólica da barra 2401 
aumentou cerca 7.6%, saindo de 150 MW gerados para aproximadamente 160.42 MW. 
Figura 6.5: Aumento da potência elétrica gerada pelo aerogerador no caso com inércia 
sintética perante a queda de frequência do sistema 
 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
Na Figura 6.6 pode-se observar a potência elétrica fornecida por um gerador 
hidráulico da barra 21, somente com geração hidráulica no sistema e com geração eólica 
(considerando KWI igual a 10) com e sem inércia sintética no evento da perda de geração. 
Observa-se que o gerador hidráulico contribui muito mais para a regulação inercial do sistema 
do que o gerador eólico, devido sua maior massa girante e maior inércia. 
 
 
 
 
147.1
150.7
154.3
157.8
161.4
0. 8. 16. 24. 32. 40.
Tempo [s]
CDU 2401 EÓLICA COM INÉRCIA (KWI=10)
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48 
 
Figura 6.6: Potência elétrica fornecida por GAVIÃO em um sistema somente com geração 
hidrotérmica e com inserção de eólica (com e sem inércia sintética) 
 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
Procedeu-se para variar o ganho KWI para 40 para analisar qual é o seu real efeito 
frente a uma contingência no sistema. Na Figura 6.7, nota-se que o sistema reage de maneira 
muito semelhante à análise feita anteriormente, ou seja, com a presença de eólica com 
controle de inércia sintética habilitado, a excursão de subfrequência é menor (cai para 59.15 
Hz, redução de 1.42%) do que com o controle desabilitado, que se mantém em 59.07 Hz, uma 
vez que sem o uso da inércia sintética a frequência não é afetada pela mudança no ganho. 
Figura 6.7: Comparação entre frequências da barra GAVIÃO somente com geração 
hidrotérmica e com inserção de eólica (com e sem inércia sintética) para KWI igual a 40 
 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
 
200
236
273
309
346
0. 4.8 9.6 14.4 19.2 24.
Tempo [s]
PELE 21 EÓLICA COM INÉRCIA
PELE 21 EÓLICA SEM INÉRCIA
PELE 21 SOMENTE HIDROTÉRMICA
59.072
59.304
59.536
59.768
60.
0. 4.8 9.6 14.4 19.2 24.
Tempo [s]
FREQ 21 SOMENTE HIDROTÉRMICA
FREQ 21 EÓLICA COM INÉRCIA (KWI=40)
FREQ 21 EÓLICA SEM INÉRCIA (KWI=40)
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49 
 
A maior diferença que pode ser notada é que com o aumento do ganho KWI no 
controle da inércia sintética há um aumento no tempo de permanência da frequência em 
valores mais altos, ou seja, o controlador permite que ela fique em níveis mais altos por mais 
tempo, como pode ser observado na Figura 6.8. No entanto, se a contingência permanecer por 
muito tempo, há uma tendência de que as frequências para o caso com inércia sintética se 
igualem à situação sem inércia sintética. 
Figura 6.8: Comparação entre os valores de frequência devido à mudança no ganho KWI 
 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
 
Na Figura 6.9, tem-se as potências elétricas da barra GAVIÃO para todas as situações 
considerando-se KWI de valor 40. 
Figura 6.9: Comparação entre potência elétrica fornecida para KWI de 40 
 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
59.082
59.312
59.541
59.77
60.
0. 8. 16. 24. 32. 40.
Tempo [s]
FREQ 21 EÓLICA COM INÉRCIA (KWI=10)
FREQ 21 EÓLICA COM INÉRCIA (KWI=40)
200
236
273
309
346
0. 8. 16. 24. 32. 40.
Tempo [s]
PELE 21 SOMENTE HIDROTÉRMICA
PELE 21 EÓLICA COM INÉRCIA (KWI=40)
PELE 21 EÓLICA SEM INÉRCIA (KWI=40)
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50 
 
Outra análise interessante de ser feita é comparar a potência elétrica fornecida pelos 
aerogeradores para os valores de ganhos diferentes. A Figura 6.10 exemplifica bem o motivo 
pelo qual o uso de um ganho maior, resulta em um maior tempo de permanência em valores 
maiores de frequência. Como é possível observar, para um ganho KWI de 40, a potência 
elétrica fornecida pelo aerogerador apresenta maior pico e tempo de acomodação, motivo pelo 
qual a frequência leva mais tempo para chegar a valores menores. 
Figura 6.10: Potência elétrica fornecida pelos aerogeradores da barra 2511 para valores 
diferentes de ganho KWI 
 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
A Tabela 6.4 evidencia a importância do uso da inércia sintética, sumarizando os 
valores de frequências para os tempos 0-, 5, 10, 15, 20 e 25 segundos para as diversas 
situações analisadas anteriormente. 
Tabela 6.4: Valores de frequências no tempo para as situações estudadas. 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
148.3
153.1
157.9
162.6
167.4
0. 8. 16. 24. 32. 40.
Tempo [s]
CDU 2511 EÓLICA COM INÉRCIA (KWI=10)
CDU 2511 EÓLICA COM INÉRCIA (KWI=40)
Tempo [s] 
Frequência [Hz] 
Somente UHE KWI = 40 KWI = 10 Sem Inércia 
Sintética 
t = 0- 60 60 60 60 
t = 5 59.476 59.367 59.311 59.229 
t = 10 59.362 59.266 59.180 59.097 
t = 15 59.335 59.228 59.128 59.073 
t = 20 59.330 59.182 59.103 59.072 
t = 25 59.331 59.151 59.091 59.075 
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51 
 
Em resumo, para a contingência no sistema hidrotérmico, as outras unidades de 
geração aumentaram a quantidade de potência elétrica despachada. No caso de inserção de 
eólica sem inércia sintética, podemos notar quenão há uma grande oscilação da potência 
elétrica fornecida pelos aerogeradores durante a regulação. E por fim, com o uso do controle 
de inércia sintética, é possível notar o seu impacto na variação da potência elétrica fornecida, 
com o objetivo de realizar a regulação inercial do sistema durante os primeiros segundos após 
uma contingência na rede. 
6.3.2 Perda de geração menos severa da UTE SABIÁ (barra 11) – Carga Pesada 
Buscou-se uma contingência menos severa àquela de 6.3.1 para evidenciar se a inércia 
sintética tem impacto significativo neste caso. Removeu-se apenas uma UG da UTE SABIÁ 
de um total de três. A Figura 6.11 mostra a frequência em uma barra do sistema (GAVIÃO) 
para o sistema de geração hidrotérmica e para o sistema com energia eólica, e a Tabela 6.5 
mostra os valores para diversos instantes da simulação. Foi utilizado um ganho KWI de 10 
para o controle de inércia sintética. 
Figura 6.11: Frequência na barra GAVIÃO 
 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
 
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52 
 
Tabela 6.5: Frequência do sistema hidrotérmico e com eólica 
Tempo [s] 
Frequência [Hz] 
Somente 
UHE 
KWI = 10 
Sem Inércia 
Sintética 
t = 0- 60 60 60 
t = 5 59,79 59,78 59,75 
t = 10 59,77 59,75 59,73 
t = 15 59,77 59,74 59,73 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
Observa-se que a variação de frequência entre o sistema hidrotérmico e o com 
presença de eólica (com e sem o controle de inércia sintética) é muito pequena, o que 
evidencia que o controle de inércia sintética é vantajoso para contingências severas na rede, 
como a perda de grandes blocos de geração, como em 6.3.1. De fato, o modelo de gerador 
eólico utilizado neste Trabalho possui um controle de inércia sintética que só responde 
eventos de grandes subfrequências, através do bloco de banda morta (dbwi), como descrito na 
seção 3.2.1. 
6.3.3 Perda de geração da UTE SABIÁ (barra 11) – Carga Leve 
Para esta segunda situação, foi utilizado o mesmo comando “RMGR” do caso 6.3.1, 
que removeu as três unidades geradoras da UTE SABIÁ no instante 300ms. Como essa é uma 
situação de carga leve, a geração perdida foi de 100 MW. 
De forma análoga, as análises feitas foram em torno das variações de frequência e 
potência elétrica na barra 21 do sistema (GAVIÃO) para os sistemas: hidrotérmico, 
hidrotérmico com eólicas sem e com o uso da inércia sintética. Na Figura 6.12 observa-se a 
frequência na barra GAVIÃO. Nota-se que, embora o comportamento da frequência com o 
controle de inércia sintético habilitado seja semelhante ao do caso em 6.3.1, temos uma 
excursão de subfrequência menor, que pode ser comparada através da Tabela 6.6. Aqui 
também foi utilizado um ganho KWI do controle de inércia sintética de 10. 
 
 
 
 
 
 
 
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53 
 
Figura 6.12: Frequência da barra GAVIÃO. 
 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
 
Tabela 6.6: Frequência do sistema com eólica com inércia 
Tempo 
[s] 
Frequência [Hz] 
Carga Leve Carga Pesada 
t = 0- 60 60 
t = 5 59,49 59,31 
t = 10 59,40 59,18 
t = 15 59,36 59,13 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
Para o sistema com eólica com o controle de inércia sintética ativo (KWI = 10), nota-
se que a excursão de subfrequência é consideravelmente menor para carga leve. 
Na Figura 6.13 percebe-se a potência elétrica fornecida pelo gerador eólico durante a 
regulação inercial, maior com o controle de inércia sintética habilitado, que busca exatamente 
aumentar a potência fornecida pelo gerador em 5% a 10% do seu valor durante alguns 
segundos para auxiliar na regulação de frequência do sistema, vista na Figura 6.12. 
 
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54 
 
 Figura 6.13: Potência elétrica fornecida pelo gerador em POMBO 
 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
 
6.3.4 Perda de geração da UTE SABIÁ (barra 11) – Sistema Nordeste/Sudeste 
A fim de simular um cenário parecido com o panorama atual brasileiro, criaram-se nas 
áreas A e B condições de geração e carga que se assemelham à atual condição do Nordeste e 
do Sudeste do Brasil, e realizou-se a mesma contingência da seção 6.3.1. Na área A, tida 
como o Sudeste brasileiro, se tem duas gerações, uma hidráulica e outra térmica, e uma carga 
elevada. Na área B, tida como o Nordeste brasileiro, há três gerações eólicas, uma hidráulica e 
uma baixa carga. O intercâmbio se dá, naturalmente, da área B para a área A, simulando uma 
condição que ocasionalmente já se passa hoje no País, com o Nordeste brasileiro exportando 
para o Sudeste o excedente de energia proveniente das grandes fazendas eólicas ali presentes. 
A Figura 6.14 ilustra esta condição, e a Tabela 6.7 mostra os valores de carga das duas áreas. 
 
 
 
 
 
 
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55 
 
Figura 6.14: Regiões Sudeste e Nordeste representadas no ANAREDE 
 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
Tabela 6.7: Carga nas áreas A e B 
 
Área A Área B 
Barra Carga (MW) Barra Carga (MW) 
151 160 260 70 
161 40 224 60 
111 40 251 60 
171 40 240 60 
121 120 191 90 
140 70 Total 340 
135 110 
 181 130 
 Total 710 
 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
Na Figura 6.15 compara-se a frequência de uma barra do sistema (GAVIÃO) com e sem 
o controle de inércia sintética habilitado no modelo dos geradores eólicos que compõem o 
sistema. O ganho KWI do controle de inércia sintética utilizado aqui é de 10. 
 
 
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56 
 
Figura 6.15: Comparação da frequência do sistema com e sem inércia sintética 
 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
Nota-se que a excursão de subfrequência é bem menor com o modelo de inércia 
habilitado, tendo a frequência do sistema com eólicas sem inércia sintética atingido um valor 
inicial de 58,6 Hz e um valor em regime permanente de 58,27 Hz, enquanto o sistema com 
inércia habilitado atinge um valor inicial de 58,8 Hz e um valor em regime de 58,3 Hz. A 
Tabela 6.8 mostra os valores para outros instantes. 
Tabela 6.8: Frequências com e sem inércia 
Tempo [s] 
Frequência [Hz] 
Sem Inércia Com Inércia 
t = 0- 60 60 
t = 2 58,60 58,81 
t = 5 58,47 58,78 
t = 10 58,28 58,57 
t = 15 58,25 58,45 
t = 30 58,27 58,30 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
A Figura 6.16 mostra um comparativo entre as potências elétricas fornecidas pelo gerador 
eólico em POMBO. Como esperado, a contribuição do gerador cujo controle de inércia 
sintética está habilitado é consideravelmente maior do que a do gerador cujo controle se 
UNIFEI – ISEE Trabalho Final de Graduação 
 
57 
 
encontra inativo. O parque gerador em POMBO é de 150 MW e atinge um pico de 
aproximadamente 167 MW com a inércia sintética habilitada e um pico de aproximadamente 
152 MW sem a inércia habilitada. 
Figura 6.16: Comparação da potência fornecida por um aerogerador com e sem inércia 
 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
6.3.5 Degrau de carga (barra 111) – Carga Pesada 
Utilizou-se o comando “MDLD” do ANATEM para se modificar o módulo da carga na 
barra 111, mantendo-se o fator de potência, aos 300ms. Escolheu-se um valor de degrau de 
106 MW, que representa 15% da carga instalada na área A. Podem-sever na Figura 6.17 os 
parâmetros do comando MDLD no ANATEM. 
Figura 6.17: Parâmetros do comando MDLD 
 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
Considerando-se inicialmente o ganho KWI igual a 10, é possível notar na Figura 6.18 a 
excursão inicial da frequência quando o módulo da carga aumenta de 106 MW atingindo um 
valor de 59.82 Hz para o sistema com geração hidrotérmica e 59.78 Hz com a inserção de 
eólica na rede. O efeito da inércia sintética é notável para os primeiros 30 segundos da 
simulação, onde é possível perceber uma redução na queda da frequência. Entretanto, após 
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58 
 
esse tempo os valores de frequências para as situações com e sem inércia sintética se 
estabilizam no mesmo patamar. Portanto, é possível concluir que o efeito da inércia sintética é 
útil se a contingência for de grande impacto ao sistema e solucionada em um curto período de 
tempo, caso contrário ele apenas irá fazer com que a frequência demore mais para cair, porém 
não evitando sua queda. 
Figura 6.18: Variação de frequência durante aumento de carga e posterior corte de carga 
(KWI = 10). 
 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
 
Na Figura 6.19, observa-se a potência elétrica fornecida por um gerador hidráulico da 
barra 21, somente com geração hidrotérmica no sistema e com geração eólica (considerando 
KWI igual a 10) com e sem inércia sintética no evento de aumento e corte de carga. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
59.774
59.835
59.895
59.956
60.017
0 24 48 72 96 120
Tempo [s] 
FREQ GAVIAO - EOLICA COM INERCIA
FREQ GAVIAO - EOLICA SEM INERCIA
FREQ GAVIAO - SOMENTE HIDROTERMICA
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59 
 
Figura 6.19: Excursão na potência elétrica da barrra 21 (GAVIÃO) devido à variação na carga 
(KWI =10). 
 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
Considerando agora o ganho KWI igual a 40, temos a situação da frequência mostrada 
na Figura 6.20. Fica claro notar a atuação do controlador na redução da frequência (curva em 
vermelho). Se comparado ao caso anterior, a frequência leva praticamente 10 segundos a mais 
para cair ao mesmo nível que a frequência do caso considerando a inserção de eólica sem 
inércia sintética (curva em azul). De maneira análoga ao caso anterior, é possível perceber que 
o uso na inércia sintética é válido e apresenta influência na regulação de frequência para uma 
contingência que não ocorra por muito tempo. 
Figura 6.20: Variação de frequência durante aumento de carga e posterior corte de carga 
(KWI = 40). 
 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
 
197
226
255
284
313
0 14 29 43 58 72
Tempo [s]
PELE 21 EÓLICA SEM INÉRCIA
PELE 21 SOMENTE HIDROTÉRMICA
PELE 21 EÓLICA COM INERCIA (KWI=10)
59.774
59.835
59.895
59.956
60.017
0 24 48 72 96 120
Tempo [s]
FREQ 21 EÓLICA COM INÉRCIA (KWI=40)
FREQ 21 EÓLICA SEM INÉRCIA
FREQ 21 SOMENTE HIDROTÉRMICA
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60 
 
Na Figura 6.21, é possível observar as potências elétricas na barra 21 durante a 
contingência. Da mesma forma que nos casos anteriores, a potência elétrica para a situação 
somente com hidrotérmica é maior, devido ao fato de que com a inserção das eólicas, a usina 
na barra 21 não está operando em sua capacidade máxima. 
Figura 6.21: Excursão na potência elétrica da barrra 21 (GAVIÃO) devido à variação na carga 
(KWI =40). 
 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
A diferença na forma como a regulação de frequência é afetada pelo ganho fica 
explícita na Figura 6.22. É possível notar de forma clara como o tempo de permanência em 
um valor de frequência mais alto é maior para um valor de ganho maior. 
Figura 6.22: Comparação das frequências da barra 21 (GAVIÃO) para valores de ganho KWI 
diferentes. 
 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
196
226
255
284
313
0 24 48 72 96 120
Tempo [s]
PELE 21 EÓLICA COM INÉRCIA (KWI=40)
PELE 21 EÓLICA SEM INÉRCIA
PELE 21 SOMENTE HIDROTÉRMICA
59.777
59.837
59.897
59.957
60.017
0 24 48 72 96 120
Tempo [s]
FREQ 21 EÓLICA COM INÉRCIA (KWI=40)
FREQ 21 EÓLICA COM INERCIA (KWI=10)
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61 
 
6.3.6 Perda de Geração da UTE SABIÁ com rejeição de carga – Carga Pesada 
Utilizou-se o comando “RMGR” para perda de geração das três UGs da UTE SABIÁ 
no instante de 1s, e aos 5s e 10s utilizou-se o comando “MDLD” para remover os 200 MW 
equivalentes da perda da geração em carga, das barras 260 e 251, em um esquema conhecido 
como ERAC (Esquema Regional de Alívio de Carga), utilizado para recompor a frequência 
do sistema em eventos de perda de geração. A Figura 6.23 mostra o comando no ANATEM. 
Figura 6.23: Comandos utilizados para perda de geração com rejeição de carga. 
 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
Na Figura 6.24 nota-se que no instante em que há o corte de 200 MW na geração, a 
frequência cai abruptamente para todas as situações em que há presença de eólicas e de forma 
menos acentuada para o sistema somente com geração hidráulica. 
Figura 6.24: Excursão de frequências para caso de perda de geração e corte de carga 
 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
É interessante observar que a análise feita para os casos anteriores é válida nessa 
situação também, ou seja, a presença do controle de inércia sintética reduz a queda do valor 
de frequência e que o uso de um ganho KWI maior faz com que a frequência se mantenha em 
um valor mais alto por um tempo maior. No instante t = 5s, como há um corte de 120 MW da 
59.266
59.502
59.737
59.973
60.209
0 6 12 18 24 30
Tempo [s]
FREQ 21 SOMENTE HIDRÁULICA
FREQ 21 EÓLICA SEM INÉRCIA
FREQ 21 EÓLICA COM INÉRCIA (KWI=10)
FREQ 21 EÓLICA COM INÉRCIA (KWI=40)
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62 
 
carga da barra 260, os valores de frequência voltam a subir, atingindo um patamar maior para 
a situação somente com geração hidráulica, seguida da presença de eólica com inércia 
sintética e ganho 40 e com ganho 10 e por fim, eólica sem inércia sintética. Posteriormente, 
em t = 10s, há o corte de mais 80 MW da barra 251, que aumenta ainda mais o valor de 
frequência, e segue a mesma tendência vista anteriormente. 
A Figura 6.25 mostra uma comparação entre as potências elétricas fornecidas pela 
barra 2511 frente a contingência. É possível observar a justificativa para o fato de a 
frequência permanecer em um patamar maior para um valor de ganho maior. É notável que 
para um ganho maior (em azul), a potência gerada é maior, o que resulta em uma redução na 
taxa de queda da frequência se comparado com um ganho menor. 
Figura 6.25: Excursão de potências elétricas para caso de perda de geração e corte de carga. 
 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
 
148.5
153.5
158.5
163.6
168.6
0 6 12 18 24 30
Tempo [s]
CDU 2511 EÓLICA COM INÉRCIA (KWI=10)
CDU 2511 EÓLICA COM INÉRCIA (KWI=40)
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63 
 
7 Conclusões 
Devido ao aumento da inserção da energia eólica nas matrizes enérgicas mundiais, há 
um grande empenho parao desenvolvimento de pesquisas de várias áreas do setor elétrico de 
modo a garantir que essa mudança afete minimamente a segurança do sistema e garanta a 
confiabilidade e a qualidade do fornecimento de energia elétrica. 
É necessário que seja analisado o controle de frequência em um sistema elétrico de 
potência. A crescente penetração de energia eólica nesses sistemas é acompanhada por uma 
redução proporcional na quantidade de unidades convencionais de geração de energia. Dessa 
forma, é de se considerar que a entrada de grandes plantas de aerogeradores tenda a reduzir a 
inércia do sistema de maneira global, o que acaba por afetar a sua capacidade natural de 
controle de frequência. 
Além dessa redução no número de unidades geradoras convencionais, a tecnologia 
utilizada nos parques eólicos impõe uma maior queda da inércia global do sistema. Por serem 
conectados à rede através de conversores eletrônicos de frequência, os aerogeradores 
apresentam um desacoplamento da frequência de rotação da máquina e a frequência do 
sistema. Portanto, é necessário que haja controles externos sensíveis o bastante às variações 
de frequência no sistema e que possuam a capacidade de produzir uma resposta inercial o 
mais semelhante possível a um gerador síncrono convencional. 
Geralmente, para que os parques eólicos sejam capazes de participar da regulação de 
frequência é necessário que eles operem com capacidade reduzida de geração, ou seja, 
possuam uma reserva de potência ativa. No entanto, essa alternativa não é atrativa do ponto de 
vista econômico, visto que, normalmente, os parques eólicos costumam operar de modo a 
maximizar a geração de energia elétrica. Assim, o uso de geração eólica para o controle de 
frequência ainda é limitado e restrito. 
Neste Trabalho, foram apresentados aspectos interessantes e de relevância à 
participação de aerogeradores na regulação de frequência de sistemas elétricos, 
principalmente através do uso de controles de inércia sintética. 
Ficou claro o impacto causado no sistema frente a diversos eventos de subfrequência, 
desde corte de unidades geradoras até aumento súbito da carga do sistema. Pode-se notar 
também que um aumento no ganho do controlador garante um maior tempo de permanência 
em uma frequência de maior valor e um afundamento inicial ligeiramente menor. 
Sugere-se, para estudos futuros, uma maior investigação quanto ao ganho do controle, 
que tem o valor de 10 recomendado pelo fabricante, mas que apresenta melhor dinâmica, em 
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64 
 
alguns casos, com valores maiores que o recomendado. É necessário que se investigue, 
também, a viabilidade prática de ganhos mais altos, já que o modelo não tem restrições quanto 
a isso. 
A diferença no desempenho de frequência para os casos em que a inércia sintética dos 
geradores eólicos está ativada comprovam a eficiência desta funcionalidade, que pode ser 
determinante em uma recuperação da frequência para condição crítica do sistema caso esses 
tipos de controle sejam adotados nas plantas de geração eólica que compõem o sistema 
elétrico brasileiro. 
 
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65 
 
Referências 
[1] GWEC. Global Wind Report – Annual Market Update 2016. Relatório técnico, Global 
Wind Energy Council, 2017. 
[2] EPE. Plano Decenal de Expansão de Energia 2024. Relatório técnico, Ministério de 
Minas e Energia, Empresa de Pesquisa Energética, 2015. 
[3] CEPEL. Energia Eólica, Príncipios e Tecnologia. Disponível em: 
<http://www.cresesb.cepel.br/download/tutorial/tutorial_eolica_2008_e-
book.pdf> 
[4] ASPDEN, Harold. Discovery of Virtual Inertia. New Energy News. Volume 2, pp. 1-2, 
1995. 
[5] DA SILVA, André. Utilização de Sistemas de Armazenamento de Energia para Melhoria 
das Condições de Estabilidade de Redes Isoladas. Dissertação (mestrado) – 
Faculdade de Engenharia/Universidade do Porto, 2015. 
[6] PINTO, M. O. Fundamentos de Energia Eólica (Em Português do Brasil). Ltc, 
 2013. ISBN: 978-85-216-2160-7. 
[7] RÊGO, L. de O., Análise do Impacto da Geração Eólica na Regulação de Frequência de 
Sistemas de Energia Elétrica. Dissertação (mestrado) – UFRJ/COPPE/Programa 
de Engenharia Elétrica, 2017. 
[8] NREL. “Dynamic Models for Wind Turbines and Wind Power Plants”. Relatório técnico, 
National Renewable Energy Laboratory, 2011. 
[9] KUNDUR, P. Power System Stability and Control. McGraw-Hill Education, 1994. ISBN: 
007035958X. 
[10] AHO, J., BUCKSPAN, A., LAKS, J., et al. “A tutorial of wind turbine control for 
supporting grid frequency through active power control”. In: 2012 American 
Control Conference (ACC). Institute of Electrical and Electronics Engineers 
(IEEE), jun 2012. doi: 10.1109/acc.2012.6315180. 
[11] MILLER, N. W., CLARK, K. “Advanced controls enable wind plants to provide 
ancillary services”. In: IEEE PES General Meeting. Institute of Electrical 
and Electronics Engineers (IEEE), jul 2010. doi: 10.1109/pes.2010. 5589787. 
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66 
 
[12] ERLICH, I., WILCH, M. “Primary frequency control by wind turbines". In: IEEE PES 
General Meeting. Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE), jul 
2010. doi: 10.1109/pes.2010.5589911. 
[13] VIEIRA FILHO, X. Operação de Sistemas de Potência com Controle Automático de 
Geração. 1ª. ed. Rio de Janeiro: Editora Campus LTDA., 1984. 
[14] CLARK, Kara et al. Modeling of GE Wind Turbine-Generators for Grid Studies. New 
York, 2010. 
[15] MACÊDO, J. O Setor Elétrico que não para na hora dos jogos do Brasil na Copa do 
Mundo. FGV Energia. Maio, 2018. 
[16] FERREIRA, C. Brazilian Birds. Itajubá, 2016. 
 
 
 
 
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67 
 
Anexos 
As tabelas a seguir apresentam os principais dados referentes ao sistema Brazilian Birds. 
Tabela 1: Dados das linhas de transmissão. 
 
 
Tensão [kV] 
Base 100 MVA 
Sequência Positiva Sequência Zero Mútua Sequência Zero 
R [%/km] X [%/km] Q [MVAr/km] R [%/km] X [%/km] Q [MVAr/km] R [%/km] X [%/km] 
440 0,0013 0,0159 0,7737 0,0165 0,0439 - - - 
230 0,0256 0,0967 0,1707 0,0883 0,3114 0,1196 0,0168 0,0262 
138 0,1270 0,2640 0,0621 0,2710 0,9530 0,0366 0,1654 0,6060 
69 0,5060 0,8700 0,0189 1,1460 4,1330 0,0086 - - 
 
Barramento Tensão Comprimento Reator [MVAr] não chaveável 
Lado 1 Lado 2 [kV] [km] Lado 1 Lado 2 
CANÁRIO CARDEAL 230 108 - - 
CANÁRIO TIZIU 230 230 - - 
CARDEAL TIZIU 230 225 - - 
CARDEAL CURIÓ 230 180 - - 
SABIÁ CURIÓ 230 50 - - 
SABIÁ TIZIU 230 94 - - 
CURIÓ SANHAÇO 69 5,75 - - 
TIZIU PARDAL 138 40 - - 
SABIÁ AZULÃO 138 19 - - 
PARDAL AZULÃO 138 26 - - 
SABIÁ BICUDO 440 60 - - 
BICUDO CHOPIM 440 150 40 40 
CURIÓ ARARA 440 450 80 80 
CHOPIM PELICANO 440 240 - - 
PELICANO CORUJA 230 41 - - 
PELICANO URUBU 230 65 - - 
URUBU GARÇA 230 44 - - 
GAVIÃO GARÇA 230 90 - - 
TUCANO GAVIÃO 230 85 - - 
TUCANO ARARA 230 96 - - 
ARARA PELICANO 230 101 - - 
 
 
 
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68 
 
Tabela 2: Dados de transformadores de 2 enrolamentos. 
Barramento Tensão [kV] X [%] na base do 
transformador 
S [MVA] 
por 
unidade 
Número de 
unidades 
Tap Ligação 
Enrol. 1 Enrol. 2 Tipo Local Passo Enrol. 1 Enrol. 2 
CANÁRIO 18 230 11,70 110 5 Fixo Alta4 x +/- 2,5% Delta Yat 
SABIÁ 13,8 230 13,10 85 4 Fixo Alta 4 x +/- 2,5% Delta Yat 
SABIÁ 230 138 13,76 150 1 LTC Alta 5 x +/- 2,0% Yat Delta 
CARDEAL 230 88 9,46 80 2 LTC Alta 5 x +/- 2,0% Yat Delta 
CURIÓ 230 138 14,00 140 1 LTC Alta 5 x +/- 2,0% Yat Delta 
CURIÓ 230 69 12,57 30 2 LTC Alta 5 x +/- 2,0% Yat Delta 
CURIÓ 230 69 12,85 30 1 LTC Alta 5 x +/- 2,0% Yat Delta 
PARDAL 138 69 9,40 120 2 LTC Alta 5 x +/- 2,0% Yat Delta 
AZULÃO 138 69 8,80 100 1 LTC Alta 5 x +/- 2,0% Yat Delta 
TIZIU 230 138 13,92 150 2 LTC Alta 5 x +/- 2,0% Yat Delta 
CHOPIM 440 138 13,27 100 1 LTC Alta 5 x +/- 2,0% Yat Yat 
TUCANO 13,8 230 12,00 110 5 Fixo Alta 4 x +/- 2,5% Delta Yat 
GAVIÃO 13,8 230 12,40 180 4 Fixo Alta 4 x +/- 2,5% Delta Yat 
ARARA 230 138 11,10 120 1 LTC Alta 5 x +/- 2,0% Yat Delta 
URUBU 230 138 12,92 100 1 LTC Alta 5 x +/- 2,0% Yat Delta 
 
 
Tabela 3: Dados de transformadores de 3 enrolamentos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
B
ar
ra
m
e
n
to
 Tensão [kV] X[%] na base do trafo 
S 
[MVA] 
da 
unidade 
Número 
de 
unidades 
LTC Tap Fixo Conexão 
Primário (P) Secundário (S) Terciário (T) P-S S-T T-P Local Passo Local Passo P S T 
CURIÓ 230 440 13,8 14,00 10,50 26,00 150 2 S 4 x +/-1,25% P 218,5 / 241,5 Yat Yat Delta 
ARARA 230 440 13,8 14,00 10,50 26,00 150 2 S 4 x +/-1,25% P 218,5 / 241,5 Yat Yat Delta 
SABIÁ 230 440 13,8 14,00 10,50 26,00 150 2 S 4 x +/-1,25% P 218,5 / 241,5 Yat Yat Delta 
PELICANO 230 440 13,8 14,00 10,50 26,00 150 2 S 4 x +/-1,25% P 218,5 / 241,5 Yat Yat Delta 
BICUDO 440 69 13,8 12,00 3,55 15,50 80 2 P 4 x +/-1,25% N/A Yat Yat Delta 
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69 
 
Tabela 4: Dados de cargas (carga pesada). 
Barramento Tensão 
Nominal [kV] 
Potência Tipo 
Ativa [MW] Reativa [MVAr] - 
SABIÁ 138 40,0 10,0 P constante 
CARDEAL 88 120,0 40,0 P constante 
CURIÓ 138 110,0 40,0 P constante 
SANHAÇO 69 70,0 20,0 P constante 
TIZIU 138 160,0 60,0 P constante 
PARDAL 69 40,0 10,0 P constante 
AZULÃO 69 40,0 10,0 P constante 
BICUDO 69 130,0 40,0 P constante 
CHOPIM 138 90,0 20,0 P constante 
ARARA 138 110,0 30,0 P constante 
CORUJA 230 90,0 20,0 P constante 
URUBU 138 80,0 20,0 P constante 
GARÇA 230 120,0 50,0 P constante 
 
Tabela 5: Dados de máquinas síncronas (regime permanente). 
Barramento 
Tensão 
Nominal 
[kV] 
Potência/máq. 
Nominal 
[MVA] 
Limite/máq. de 
reativos [MVAr] 
Número 
de 
unidades 
Tipo 
Máximo Mínimo 
CANÁRIO 18 100 35 -35 5 Hidráulica 
SABIÁ 13,8 75 25 -25 4 Térmica 
TUCANO 13,8 115 35 0 5 Hidráulica 
GAVIÃO 13,8 158 45 -45 4 Hidráulica 
 
 
Tabela 6: Dados de máquinas síncronas (regime transitório). 
Máquina Base de Potência da Máquina T'd0 
[s] 
T'q0 
[s] 
T''d0 
[s] 
T''q0 
[s] 
H 
[MJ/MVA] 
Xd [%] Xq [%] X'd [%] X'q [%] X''d [%] Xl [%] Ra [%] D [%] 
CANÁRIO 101,40 77,00 31,40 - 28,00 16,30 0,50 2,00 6,55 - 0,04 0,07 3,12 
SABIÁ 105,00 98,00 18,50 36,00 13,00 7,00 0,31 2,00 6,10 0,30 0,04 0,10 6,19 
TUCANO 106,00 61,00 31,50 - 25,00 14,70 0,24 2,00 8,68 - 0,04 0,08 3,82 
GAVIÃO 92,00 51,00 30,00 - 22,00 13,00 0,24 2,00 5,20 - 0,03 0,03 3,18 
 
 
As tabelas a seguir mostram o load flow no software ANAREDE para as situações de 
geração hidrotérmica com carga pesada e com inserção de eólica com carga pesada. 
 
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70 
 
Tabela 7: Fluxo de potência para o sistema hidrotérmico – Carga Pesada 
DE Nome Tensao (p.u.) Angulo (graus) PARA Nome 
Fluxo 
(MW) Fluxo (Mvar) 
160 PARDAL-138 0.96 -22.65 151 TIZIU--138 -15.72 12.44 
160 PARDAL-138 0.96 -22.65 161 PARDAL--69 40 10.73 
160 PARDAL-138 0.96 -22.65 170 AZULAO-138 -8.56 1.46 
161 PARDAL--69 0.96 -23.63 160 PARDAL-138 -40 -10 
170 AZULAO-138 0.96 -22.24 111 SABIA--138 -48.59 -8.75 
170 AZULAO-138 0.96 -22.24 160 PARDAL-138 8.59 -2.9 
170 AZULAO-138 0.96 -22.24 171 AZULAO--69 40 11.64 
171 AZULAO--69 0.95 -24.44 170 AZULAO-138 -40 -10 
180 BICUDO-440 1.03 -19.01 112 SABIA--440 -92.63 12.9 
180 BICUDO-440 1.03 -19.01 190 CHOPIN-440 -37.37 -98.57 
180 BICUDO-440 1.03 -19.01 1180 BICUDO-FIC 130 43.11 
181 BICUDO--69 1 -24.41 1180 BICUDO-FIC -130 -40 
182 BICUDO--13 1.01 -24.39 1180 BICUDO-FIC 0 10.14 
190 CHOPIN-440 1.04 -18.57 180 BICUDO-440 37.42 -25.46 
190 CHOPIN-440 1.04 -18.57 191 CHOPIN-138 90 31.11 
190 CHOPIN-440 1.04 -18.57 231 PELICAN440 -127.42 -92.31 
191 CHOPIN-138 1.01 -25.11 190 CHOPIN-440 -90 -20 
1110 SABIA--FIC 1.03 -18.64 110 SABIA--230 -92.71 61.56 
1110 SABIA--FIC 1.03 -18.64 112 SABIA--440 92.71 -61.56 
1110 SABIA--FIC 1.03 -18.64 113 SABIA---13 0 0 
1130 CURIO--FIC 1.04 -13.01 130 CURIO--230 132.57 89.23 
1130 CURIO--FIC 1.04 -13.01 132 CURIO--440 -132.57 -89.23 
1130 CURIO--FIC 1.04 -13.01 133 CURIO---13 0 0 
1180 BICUDO-FIC 1 -24.39 180 BICUDO-440 -130 -29.92 
1180 BICUDO-FIC 1 -24.39 181 BICUDO--69 130 40.04 
1180 BICUDO-FIC 1 -24.39 182 BICUDO--13 0 -10.12 
20 TUCANO--13 1 10.37 200 CORUJA-230 400 -15.59 
21 GAVIAO--13 1 5.85 210 GAVIAO-230 300 -18.09 
200 CORUJA-230 1.01 4.16 20 TUCANO--13 -400 59.33 
200 CORUJA-230 1.01 4.16 210 GAVIAO-230 27.04 -7.23 
200 CORUJA-230 1.01 4.16 220 ARARA--230 186.48 -26.05 
200 CORUJA-230 1.01 4.16 220 ARARA--230 186.48 -26.05 
210 GAVIAO-230 1 2.91 21 GAVIAO--13 -300 33.62 
210 GAVIAO-230 1 2.91 200 CORUJA-230 -26.88 -6.91 
210 GAVIAO-230 1 2.91 260 GARCA--230 163.44 -13.36 
210 GAVIAO-230 1 2.91 260 GARCA--230 163.44 -13.36 
220 ARARA--230 1 -5.99 200 CORUJA-230 -178.02 41.46 
220 ARARA--230 1 -5.99 200 CORUJA-230 -178.02 41.46 
220 ARARA--230 1 -5.99 224 ARARA--138 110 41.63 
220 ARARA--230 1 -5.99 230 PELICAN230 112.48 -32.73 
220 ARARA--230 1 -5.99 1220 ARARA--FIC 133.56 -91.81 
UNIFEI – ISEE Trabalho Final de Graduação 
 
71 
 
221 ARARA--CS5 1.03 -8.72 131 CURIO--CS5 133.56 -186.65 
221 ARARA--CS5 1.03 -8.72 222 ARARA--440 -133.56 101.52 
222 ARARA--440 1.04 -9.43 221 ARARA--CS5 133.56 -104.16 
222 ARARA--440 1.04 -9.43 1220 ARARA--FIC -133.56 104.16 
223 ARARA---13 1.04 -9.61 1220 ARARA--FIC 0 0 
224 ARARA--138 1.02 -11.46 220 ARARA--230 -110 -30 
230 PELICAN230 1 -12.69 220 ARARA--230 -109.03 28.61 
230 PELICAN230 1 -12.69 240 CORUJA-230 90.88 6.44 
230 PELICAN230 1 -12.69 250 URUBU--230 -109.74 56.77 
230 PELICAN230 1 -12.69 1230 PELICANFIC 127.89 -91.82 
231 PELICAN440 1.04 -15.99 190 CHOPIN-440 127.89 -103.45 
231 PELICAN440 1.04 -15.99 1230 PELICANFIC -127.89 103.45 
232 PELICANO13 1.05 -16.15 1230 PELICANFIC 0 0 
240 CORUJA-230 0.99 -14.73 230 PELICAN230 -90 -10 
250 URUBU--230 0.98 -8.04 230 PELICAN230 112.39 -57.56 
250 URUBU--230 0.98 -8.04 251 URUBU--138 80 19.1 
250 URUBU--230 0.98 -8.04 260 GARCA--230 -96.2 19.23 
250 URUBU--230 0.98 -8.04 260 GARCA--230 -96.2 19.23 
251 URUBU--138 0.96 -14.34 250 URUBU--230 -80 -10 
260 GARCA--230 0.98 -5.45 210 GAVIAO-230 -157.35 21.26 
260 GARCA--230 0.98 -5.45 210 GAVIAO-230 -157.35 21.26 
260 GARCA--230 0.98 -5.45 250 URUBU--230 97.35 -22.14 
260 GARCA--230 0.98 -5.45 250 URUBU--230 97.35 -22.14 
1220 ARARA--FIC 1.04 -9.61 220 ARARA--230 -133.56 104.82 
1220 ARARA--FIC 1.04 -9.61 222 ARARA--440 133.56 -104.82 
1220 ARARA--FIC 1.04 -9.61 223 ARARA---13 0 0 
1230 PELICANFIC 1.05 -16.15 230 PELICAN230 -127.89 104.07 
1230 PELICANFIC 1.05 -16.15 231 PELICAN440 127.89 -104.07 
1230 PELICANFIC 1.05 -16.15 232 PELICANO13 0 0 
10 CANARIO-18 1 0 100 CANARIO230 360.93 -21.96 
11 SABIA---13 1 -11.7110 SABIA--230 200 2.88 
100 CANARIO230 1.01 -4.38 10 CANARIO-18 -360.93 49.81 
100 CANARIO230 1.01 -4.38 120 CARDEAL230 167.61 -13.85 
100 CANARIO230 1.01 -4.38 150 TIZIU--230 96.66 -17.98 
100 CANARIO230 1.01 -4.38 150 TIZIU--230 96.66 -17.98 
110 SABIA--230 1 -16.11 11 SABIA---13 -200 12.53 
110 SABIA--230 1 -16.11 111 SABIA--138 89.22 26.88 
110 SABIA--230 1 -16.11 130 CURIO--230 17.95 -3.98 
110 SABIA--230 1 -16.11 150 TIZIU--230 0.12 20.39 
110 SABIA--230 1 -16.11 1110 SABIA--FIC 92.71 -55.82 
111 SABIA--138 0.98 -20.89 110 SABIA--230 -89.22 -18.94 
111 SABIA--138 0.98 -20.89 170 AZULAO-138 49.22 8.94 
112 SABIA--440 1.03 -18.52 180 BICUDO-440 92.71 -61.27 
112 SABIA--440 1.03 -18.52 1110 SABIA--FIC -92.71 61.27 
UNIFEI – ISEE Trabalho Final de Graduação 
 
72 
 
113 SABIA---13 1.03 -18.64 1110 SABIA--FIC 0 0 
120 CARDEAL230 0.98 -14.63 100 CANARIO230 -159.97 24.51 
120 CARDEAL230 0.98 -14.63 121 CARDEAL-88 120 50.38 
120 CARDEAL230 0.98 -14.63 130 CURIO--230 15.76 -28.47 
120 CARDEAL230 0.98 -14.63 130 CURIO--230 15.76 -28.47 
120 CARDEAL230 0.98 -14.63 150 TIZIU--230 8.45 -17.96 
121 CARDEAL-88 0.95 -18.97 120 CARDEAL230 -120 -40 
130 CURIO--230 1 -16.6 110 SABIA--230 -17.91 -4.41 
130 CURIO--230 1 -16.6 120 CARDEAL230 -15.55 -0.9 
130 CURIO--230 1 -16.6 120 CARDEAL230 -15.55 -0.9 
130 CURIO--230 1 -16.6 134 CURIO---69 48.07 20.35 
130 CURIO--230 1 -16.6 134 CURIO---69 23.52 9.95 
130 CURIO--230 1 -16.6 135 CURIO--138 110 53.52 
130 CURIO--230 1 -16.6 1130 CURIO--FIC -132.57 -77.61 
131 CURIO--CS5 1.03 -13.89 132 CURIO--440 132.57 86.28 
131 CURIO--CS5 1.03 -13.89 221 ARARA--CS5 -132.57 -171 
132 CURIO--440 1.04 -13.18 131 CURIO--CS5 -132.57 -88.64 
132 CURIO--440 1.04 -13.18 1130 CURIO--FIC 132.57 88.64 
133 CURIO---13 1.04 -13.01 1130 CURIO--FIC 0 0 
134 CURIO---69 1.02 -22.01 130 CURIO--230 -48.07 -15.19 
134 CURIO---69 1.02 -22.01 130 CURIO--230 -23.52 -7.43 
134 CURIO---69 1.02 -22.01 140 SANHACO-69 71.59 22.62 
135 CURIO--138 1.01 -22.57 130 CURIO--230 -110 -40 
140 SANHACO-69 0.98 -23.68 134 CURIO---69 -70 -20 
150 TIZIU--230 0.98 -15.71 100 CANARIO230 -91.79 1.65 
150 TIZIU--230 0.98 -15.71 100 CANARIO230 -91.79 1.65 
150 TIZIU--230 0.98 -15.71 110 SABIA--230 0.07 -35.35 
150 TIZIU--230 0.98 -15.71 120 CARDEAL230 -8.4 -18.69 
150 TIZIU--230 0.98 -15.71 151 TIZIU--138 191.91 50.73 
151 TIZIU--138 0.96 -21.19 150 TIZIU--230 -191.91 -31.54 
151 TIZIU--138 0.96 -21.19 160 PARDAL-138 15.96 -14.23 
151 TIZIU--138 0.96 -21.19 160 PARDAL-138 15.96 -14.23 
160 PARDAL-138 0.96 -22.65 151 TIZIU--138 -15.72 12.44 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
UNIFEI – ISEE Trabalho Final de Graduação 
 
73 
 
Tabela 8: Fluxo de potência para o sistema com inserção de eólica – Carga Pesada 
DE Nome Tensao (p.u.) Angulo (graus) PARA Nome 
Fluxo 
(MW) Fluxo (Mvar) 
10 CANARIO-18 1 0 100 CANARIO230 333.61 -57.94 
11 SABIA---13 1 -9.62 110 SABIA--230 200 -55.58 
100 CANARIO230 1.01 -4.02 10 CANARIO-18 -333.61 82.36 
100 CANARIO230 1.01 -4.02 120 CARDEAL230 157.48 -29.38 
100 CANARIO230 1.01 -4.02 150 TIZIU--230 88.06 -26.49 
100 CANARIO230 1.01 -4.02 150 TIZIU--230 88.06 -26.49 
110 SABIA--230 1.02 -13.93 11 SABIA---13 -200 72.17 
110 SABIA--230 1.02 -13.93 111 SABIA--138 95.53 30.43 
110 SABIA--230 1.02 -13.93 130 CURIO--230 43.04 -30.99 
110 SABIA--230 1.02 -13.93 150 TIZIU--230 12.22 14.35 
110 SABIA--230 1.02 -13.93 1110 SABIA--FIC 49.2 -85.95 
111 SABIA--138 1.04 -18.44 110 SABIA--230 -95.53 -22.33 
111 SABIA--138 1.04 -18.44 170 AZULAO-138 55.53 12.33 
112 SABIA--440 1.06 -15.14 180 BICUDO-440 49.2 -90.32 
112 SABIA--440 1.06 -15.14 1110 SABIA--FIC -49.2 90.32 
113 SABIA---13 1.07 -15.21 1110 SABIA--FIC 0 0 
120 CARDEAL230 1.01 -13.59 100 CANARIO230 -150.73 36.09 
120 CARDEAL230 1.01 -13.59 121 CARDEAL-88 120 48.84 
120 CARDEAL230 1.01 -13.59 130 CURIO--230 12.58 -33.23 
120 CARDEAL230 1.01 -13.59 130 CURIO--230 12.58 -33.23 
120 CARDEAL230 1.01 -13.59 150 TIZIU--230 5.58 -18.47 
121 CARDEAL-88 1.03 -17.3 120 CARDEAL230 -120 -40 
130 CURIO--230 1.03 -15.25 110 SABIA--230 -42.73 23.16 
130 CURIO--230 1.03 -15.25 120 CARDEAL230 -12.36 2.13 
130 CURIO--230 1.03 -15.25 120 CARDEAL230 -12.36 2.13 
130 CURIO--230 1.03 -15.25 134 CURIO---69 48 19.85 
130 CURIO--230 1.03 -15.25 134 CURIO---69 23.48 9.71 
130 CURIO--230 1.03 -15.25 135 CURIO--138 110 52.61 
130 CURIO--230 1.03 -15.25 1130 CURIO--FIC -114.03 -109.58 
131 CURIO--CS5 1.07 -13.08 132 CURIO--440 114.03 118.2 
131 CURIO--CS5 1.07 -13.08 221 ARARA--CS5 -114.03 -210.04 
132 CURIO--440 1.08 -12.52 131 CURIO--CS5 -114.03 -120.55 
132 CURIO--440 1.08 -12.52 1130 CURIO--FIC 114.03 120.55 
133 CURIO---13 1.09 -12.38 1130 CURIO--FIC 0 0 
134 CURIO---69 1.05 -20.3 130 CURIO--230 -48 -15.05 
134 CURIO---69 1.05 -20.3 130 CURIO--230 -23.48 -7.36 
134 CURIO---69 1.05 -20.3 140 SANHACO-69 71.48 22.42 
135 CURIO--138 1.04 -20.82 130 CURIO--230 -110 -40 
140 SANHACO-69 1.02 -21.86 134 CURIO---69 -70 -20 
150 TIZIU--230 1 -14.25 100 CANARIO230 -84.04 5.81 
150 TIZIU--230 1 -14.25 100 CANARIO230 -84.04 5.81 
UNIFEI – ISEE Trabalho Final de Graduação 
 
74 
 
150 TIZIU--230 1 -14.25 110 SABIA--230 -12.07 -30.22 
150 TIZIU--230 1 -14.25 120 CARDEAL230 -5.56 -20.16 
150 TIZIU--230 1 -14.25 151 TIZIU--138 185.72 38.76 
151 TIZIU--138 1.01 -19.05 150 TIZIU--230 -185.72 -22.76 
151 TIZIU--138 1.01 -19.05 160 PARDAL-138 12.86 -18.62 
151 TIZIU--138 1.01 -19.05 160 PARDAL-138 12.86 -18.62 
160 PARDAL-138 1.02 -20.3 151 TIZIU--138 -12.63 16.56 
160 PARDAL-138 1.02 -20.3 151 TIZIU--138 -12.63 16.56 
160 PARDAL-138 1.02 -20.3 161 PARDAL--69 40 10.65 
160 PARDAL-138 1.02 -20.3 170 AZULAO-138 -14.75 -2.18 
161 PARDAL--69 1.02 -21.17 160 PARDAL-138 -40 -10 
170 AZULAO-138 1.03 -19.77 111 SABIA--138 -54.82 -12.09 
170 AZULAO-138 1.03 -19.77 160 PARDAL-138 14.82 0.64 
170 AZULAO-138 1.03 -19.77 171 AZULAO--69 40 11.45 
171 AZULAO--69 1.02 -21.71 170 AZULAO-138 -40 -10 
180 BICUDO-440 1.07 -15.4 112 SABIA--440 -49.16 38.08 
180 BICUDO-440 1.07 -15.4 190 CHOPIN-440 -80.84 -125.08 
180 BICUDO-440 1.07 -15.4 1180 BICUDO-FIC 130 41.28 
181 BICUDO--69 1.04 -20.42 1180 BICUDO-FIC -130 -40 
182 BICUDO--13 1.05 -20.4 1180 BICUDO-FIC 0 10.95 
190 CHOPIN-440 1.08 -14.51 180 BICUDO-440 81.02 -7.38 
190 CHOPIN-440 1.08 -14.51 191 CHOPIN-138 90 30.18 
190 CHOPIN-440 1.08 -14.51 231 PELICAN440 -171.02 -116.78 
191 CHOPIN-138 1.05 -20.52 190 CHOPIN-440 -90 -20 
1110 SABIA--FIC 1.07 -15.21 110 SABIA--230 -49.2 90.55 
1110 SABIA--FIC 1.07 -15.21 112 SABIA--440 49.2 -90.55 
1110 SABIA--FIC 1.07 -15.21 113 SABIA---13 0 0 
1130 CURIO--FIC 1.09 -12.38 130 CURIO--230 114.03 121.14 
1130 CURIO--FIC 1.09 -12.38 132 CURIO--440 -114.03 -121.14 
1130 CURIO--FIC 1.09 -12.38 133 CURIO---13 0 0 
1180 BICUDO-FIC 1.04 -20.4 180 BICUDO-440 -130 -29.11 
1180 BICUDO-FIC 1.04 -20.4 181 BICUDO--69 130 40.03 
1180 BICUDO-FIC 1.04 -20.4 182 BICUDO--13 0 -10.93 
2511 COLIBRI-0.69 1 1.69 251 URUBU--138 150 -14.28 
20 TUCANO--13 1 1.83 200 CORUJA-230 200 -10.15 
21 GAVIAO--13 1 3.29 210 GAVIAO-230 200 -121.58 
200 CORUJA-230 1.06 -0.98 20 TUCANO--13 -200 20.03 
200 CORUJA-230 1.06 -0.98 210 GAVIAO-230 -38.61 48.28 
200 CORUJA-230 1.06 -0.98 220 ARARA--230 119.3 -34.16 
200 CORUJA-230 1.06 -0.98 220 ARARA--230 119.3 -34.16 
210 GAVIAO-230 1.02 1.36 21 GAVIAO--13 -200 131.01 
210 GAVIAO-230 1.02 1.36 200 CORUJA-230 39.52-60.51 
210 GAVIAO-230 1.02 1.36 260 GARCA--230 80.24 -35.25 
210 GAVIAO-230 1.02 1.36 260 GARCA--230 80.24 -35.25 
UNIFEI – ISEE Trabalho Final de Graduação 
 
75 
 
220 ARARA--230 1.06 -6.99 200 CORUJA-230 -116.03 28.21 
220 ARARA--230 1.06 -6.99 200 CORUJA-230 -116.03 28.21 
220 ARARA--230 1.06 -6.99 224 ARARA--138 110 40.26 
220 ARARA--230 1.06 -6.99 230 PELICAN230 7.36 -10.57 
220 ARARA--230 1.06 -6.99 1220 ARARA--FIC 114.7 -86.12 
221 ARARA--CS5 1.09 -9.09 131 CURIO--CS5 114.7 -187.43 
221 ARARA--CS5 1.09 -9.09 222 ARARA--440 -114.7 92.88 
222 ARARA--440 1.1 -9.64 221 ARARA--CS5 114.7 -94.72 
222 ARARA--440 1.1 -9.64 1220 ARARA--FIC -114.7 94.72 
223 ARARA---13 1.1 -9.78 1220 ARARA--FIC 0 0 
224 ARARA--138 1.08 -11.84 220 ARARA--230 -110 -30 
230 PELICAN230 1.06 -7.37 220 ARARA--230 -7.34 -8.61 
230 PELICAN230 1.06 -7.37 240 CORUJA-230 -59.57 27.62 
230 PELICAN230 1.06 -7.37 250 URUBU--230 -104.87 59.73 
230 PELICAN230 1.06 -7.37 1230 PELICANFIC 171.79 -78.75 
231 PELICAN440 1.09 -11.36 190 CHOPIN-440 171.79 -93.71 
231 PELICAN440 1.09 -11.36 1230 PELICANFIC -171.79 93.71 
232 PELICANO13 1.1 -11.56 1230 PELICANFIC 0 0 
240 CORUJA-230 1.05 -5.98 230 PELICAN230 60 -33.76 
240 CORUJA-230 1.05 -5.98 2401 POMBO-0.69 -150 23.76 
250 URUBU--230 1.04 -3.34 230 PELICAN230 107.16 -63.2 
250 URUBU--230 1.04 -3.34 251 URUBU--138 -70 31.42 
250 URUBU--230 1.04 -3.34 260 GARCA--230 -18.58 15.89 
250 URUBU--230 1.04 -3.34 260 GARCA--230 -18.58 15.89 
251 URUBU--138 1 1.67 250 URUBU--230 70 -24.33 
251 URUBU--138 1 1.67 2511 COLIBRI-0.69 -150 14.33 
260 GARCA--230 1.03 -2.79 210 GAVIAO-230 -78.66 25.08 
260 GARCA--230 1.03 -2.79 210 GAVIAO-230 -78.66 25.08 
260 GARCA--230 1.03 -2.79 250 URUBU--230 18.66 -23.6 
260 GARCA--230 1.03 -2.79 250 URUBU--230 18.66 -23.6 
1220 ARARA--FIC 1.1 -9.78 220 ARARA--230 -114.7 95.18 
1220 ARARA--FIC 1.1 -9.78 222 ARARA--440 114.7 -95.18 
1220 ARARA--FIC 1.1 -9.78 223 ARARA---13 0 0 
1230 PELICANFIC 1.1 -11.56 230 PELICAN230 -171.79 94.51 
1230 PELICANFIC 1.1 -11.56 231 PELICAN440 171.79 -94.51 
1230 PELICANFIC 1.1 -11.56 232 PELICANO13 0 0 
2401 POMBO-0.69 1.05 -5.96 240 CORUJA-230 150 -23.72 
Fonte: Elaborado pelos autores.

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