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23/01/2019 Minha Biblioteca: Rezende Obstetrícia, 13ª edição

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Conceito | Etimologia

Histórico

Obstetrícia no Brasil

Bibliografia suplementar

Conceito | Etimologia
Obstetrícia é a área da Medicina que estuda os fenômenos da reprodução na mulher. Desse modo, está relacionada

com a gestação, o parto e o puerpério – com atenção à fisiologia, à patologia e aos acidentes –, e dita as regras de sua
assistência em circunstâncias normais e anômalas. Os cuidados com a gestante e o feto durante o ciclo grávido-puerperal
constituem a prática obstétrica, que pode ser aperfeiçoada pela experiência, e aprimorada com os conhecimentos teóricos
decorrentes da pesquisa, da prática clínica e da observação.

Obstetrícia deriva da palavra latina obstetrix, originária do verbo obstare, que significa ficar ao lado ou em face de. Na
opinião de Seligmann (1879), o vocábulo originário é adstetrix, que depois passou de ad para ob,
com obstetrix significando a mulher assistindo a parturiente. No entanto, em algumas antigas inscrições é possível
encontrar a grafia opstetrix, o que leva a crer que essa tenha sido a base do termo. Sendo ajudar a tradução exata de ops,
obstetrícia seria a mulher que presta auxílio. Nascentes parece exprimir o latim scilicet ars, a arte de afastar os obstáculos
do parto, enquanto obstare é estar no meio do caminho, impedindo a passagem. Nos textos bíblicos, nas mais antigas
versões, há registros de obstetricibus, obstetricabitis e obstetrices como parteira e partejar.

Eastman sinala que nos países de língua inglesa se usou o termo midwifery no lugar de obstetrícia até os fins do século
19; sua composição vem de mid (do middle english, a língua falada entre 1100 e 1500, correspondendo a com)
e wife (mulher, esposa), e uma expressão conhecida desde 1483, enquanto midwife(parteira) data de 1303.

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Na Inglaterra, midwifery e obstetrics são usados quase indistintamente, com o mesmo significado, mas como nos
Estados Unidos a atividade das parteiras foi clandestina por muito tempo, a primeira palavra carrega certo estigma e é
quase pejorativa.

Sinônimos de obstetrícia são tocologia (do grego tokos, parto, e logos, doutrina acerca de, teoria, tratado)
e maiêutica (também do grego, maieutikós, concernente ao parto; a raiz maia traduz-se por parteira, ama ou avó).

Histórico
O parto, na pré-história, à semelhança do ocorrido entre os animais, era solitário, e a obstetrícia surgiu no momento em

que isso deixou de ocorrer com a presença do pai durante o processo. As mulheres mais idosas, depois, passando a
ajudar com conselhos e práticas diversas, foram a origem das parteiras. Apesar da experiência dessas mulheres com o
processo de dar à luz, elas costumavam ser consideradas ignorantes, e até feiticeiras, o que tornava questionável o seu
papel na assistência ao parto. Em uma fase em que o parto ainda não se tinha desenhado nem caracterizado, a ajuda
psicológica dessas mulheres tinha um impacto positivo.

A atividade das parteiras é a mais antiga profissão conhecida, segundo os antropologistas Rosenberg e Trevatham
(2002), que estudaram profundamente como ocorriam os partos dos primeiros hominídeos, comparando o nascimento
humano com o dos símios e o dos grandes macacos. Inúmeras características distinguem o ser humano dos outros
primatas: a bipedestação, o crânio volumoso, o manuseio dos instrumentos, o desenvolvimento da linguagem e o parto
assistido, tão antigo quanto a própria família.

É possível estudar a história da obstetrícia por períodos evolutivos, a despeito de sua divisão arbitrária pelos autores.
Seguindo os parâmetros de Siebold (1981), algumas das fases demarcadas por ele serão unificadas aqui, simplificando e
facilitando a compreensão.

Primeiro período (Antiguidade ao fim do século 5 a.C.)
Se a Medicina de fato começou na proto-história, cerca de 2900 anos a.C., com o egípcio Imhotep,* médico e ministro

de Zoser, segundo faraó da terceira dinastia, a obstetrícia é ainda mais antiga, podendo-se encontrar as evidências de sua
prática na pré-história, conforme indicam os estudos geológicos dos povos primitivos, quando as leis naturais prevaleciam
e somente os mais capazes de cada geração sobreviviam. Tratava-se de uma tocologia intuitiva, sem qualquer
fundamentação anatômica ou fisiológica, voltada para a preservação das grandes famílias, que constituíam a base
econômica do homem paleolítico.

Segundo período (de Hipócrates ao início do século 3 da Era Cristã)
Hipócrates (460-377 a.C.) marcou uma época da civilização grega e teve grande influência nos preceitos obstétricos,

registrando e divulgando, reformados, os conhecimentos conservados pela tradição. Separou a medicina da religião e seus
aforismos (que eram o repositório dos conhecimentos de então) se relacionam com os sinais de gravidez e o sexo do
concepto; dentre outros aspectos, preconizam os esternutatórios no secundamento, ensinam a diagnosticar a morte do
feto pelo exame das mamas da gestante, e, ainda, aludem à diversidade das apresentações e posições e à existência de
circulares do cordão. Vêm de Hipócrates certas suposições como a de o feto nascer por suas forças e a de serem mais
vitais os bebês do sétimo mês que os do oitavo.

Terceiro período (do século 3 da Era Cristã aos fins do século 15)
À época da decadência e da divisão do Império Romano, a Obstetrícia, depois de Galeno, entrou em longo hiato de

estagnação, retroagindo, a pouco e pouco, ao sortilégio, à magia e aos procedimentos pré-hipocráticos. A vida do
concepto não era tão considerada, pois se vivia sob a influência da filosofia estoica que não atribuía alma ao concepto
enquanto no útero, a vida do concepto não era considerada importante, e ganharam destaque os embriótomos e o aborto.

No século 12, a Igreja Católica posiciona-se contra o abortamento provocado, o que ressalta o exercício da obstetrícia
pelos sacerdotes, no século seguinte, quando filósofos e teólogos aparecem intimamente ligados às universidades e
influindo inequivocamente na medicina. A medicina escolástica era voltada para o entendimento ou a confirmação de
antigos temas e postulados e a dialética, ocupada em conciliar, no acervo dos antigos textos, contradições doutrinárias. A
astrologia era uma ciência e os fenômenos da reprodução estavam subordinados a planetas e a estrelas. Os enfermos não
eram examinados e as gestantes e parturientes não deviam ser palpadas ou tocadas, o que se considerava imodesto e
decoroso. Em vez disso, consultavam-se o calendário e a posição dos astros. O médico era clérigo e, exprimindo-se em
latim, desprezava o trabalho manual, fugindo do sangue (Ecclesia abhorret a sanguine) e da cirurgia. Esse horror do

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trabalho manual perpassou os tempos e ainda no século 18 a Faculdade de Medicina de Paris exigia que os cirurgiões,
que quisessem elevar-se à condição de médicos, declarassem, em ato solene, não mais praticar a cirurgia, pois convinha
conservar pure et intacte la dignité de l’ordre des médecins.

Ainda no estágio medieval, em 335, foram inaugurados hospitais por iniciativa do Imperador Constantino, estimulado
pelo Papa Inocêncio III (século 13) e pelo gosto pelos estudos anatômicos, consubstanciado na dissecção do cadáver
humano, que foi retomada em 1315 com esse objetivo, por Mondino, em Bolonha.

Quarto período (do século 16 ao 19)
É na Renascença que há o verdadeiro ressurgimento da ciência e da arte dos partos. Relegam-se os preceitos galeno-

arábicos e se revela a obstetrícia, até então geminada à cirurgia e