Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

In: Revista de Antropología Experimental. Universidad de Jaén (España). n. 4, 2004. 
“(...) os rituais/eventos/festas, que eram primordialmente manifestações de fé e religiosidade, se tornam, na sociedade de consumo atual, espetáculos artísticos, culturais e turísticos (Felipe, 2001).”
No presente texto, o autor Emerson Silveira vem apontar a inadequação ao termo “turismo religioso popular”, apresentando uma série de exemplos teóricos e práticos que desqualificam o termo, porém com ressalvas: na falta de amplo entendimento no assunto ligado ao turismo e aos eventos religiosos, por carecer de estudos mais amplos e aprofundados, a nomenclatura “turismo religioso popular” se mantém até que novo termo mais adequado seja cunhado para indicar a crescente busca de pessoas por eventos de caráter religioso, seja a intenção destas puramente de entretenimento ou mesmo por devoção ao elemento religioso explorado. 
Como tornar uma manifestação popular religiosa em empreendimento turístico rentável sem, contudo, macular a própria expressão de fé de adeptos, que participam das festas e peregrinações motivados por sua devoção ao Santo ou ao evento destinado a honrar uma data originalmente de cunho religioso? 
Emerson Silveira aponta a contradição entre os termos “turismo”, “religioso” e “popular”, no sentido intencional de cada um. Tem-se por definição que ‘turismo’ está ligado ao lazer, ao entretenimento ou aos negócios; que religião é algo sério, que existe no plano abstrato dos sentimentos, na necessidade de evolução acima do plano humano que somente pode ser alcançado ao se abandonar o mundano; e ‘popular’, que tanto pode se tratar de uma aglomeração grande de pessoas quanto algo que se contrapõe ao erudito ou, ainda, aquilo que é de baixa renda. 
Romarias e peregrinações poderiam ser consideradas também turismo, visto que são fenômenos de deslocamento humano, porém os sentimentos que animam o peregrino não são os mesmos que animam o turista, daí o conflito entre os termos “turismo religioso”. E se os eventos religiosos podem ser chamariz para atrair um determinado tipo de turista, logo tais eventos podem ser mercantilizados, perdendo com isso o seu caráter autêntico e o sentimento básico que anima os devotos, que é a devoção. De sagrado a tornar-se profano é apenas um passo, como já se tornou muitos eventos religiosos, descaracterizando o original e imprimindo nova roupagem sempre de acordo com o potencial financeiro que tal evento pode gerar. 
O autor também aponta para a ainda limitada visão dos “organizadores” do turismo religioso, que divulgam, em sua maioria, apenas eventos católicos, quando o Brasil dispõe de amplo e rico calendário de eventos de diversas outras religiões, lugares sagrados ou ecumênicos como, por exemplo, o caso da Festa de Yemanjá na Bahia, que é a segunda maior festa ecumênica do país; Ilê Iyá Omin Axé Iyá Massê (o Terreiro de Mãe Menininha do Gantois); os festivais de música Gospel; o Vale do Amanhecer; o Templo da Boa Vontade e demais localidades e manifestações de religiões diferentes do catolicismo. 
Porém, é importante perceber que os principais promovedores de tal turismo religioso são pessoas ligadas à Igreja Católica, que já está “tradicionalmente” inserida no âmbito turístico há séculos, embora somente agora se pense em primeiro plano no potencial econômico que a atividade pode proporcionar. Percebe-se que a principal preocupação é de como utilizar de um evento sacro sem torná-lo profano, descaracterizando-o em sua essência para atender a um setor puramente econômico. Tal qual o fato do “ecoturismo” orientado apenas para o consumo e lucratividade, o “turismo religioso” poderá destruir o sistema que o gera e promove, tornando as manifestações religiosas populares em meros espetáculos para turista ver.
Resenha 2: Texto: Turismo Religioso popular Entre a ambiguidade conceitual e as oportunidades de mercado
O presente trabalho de acordo com o artigo, Turismo Religioso popular Entre a ambiguidade conceitual e as oportunidades de mercado, de Emerson J. Sena da Silveira, tem o intuito de discutir a pertinência conceitual do termo Turismo Religioso Popular e sua capacidade de geração de negócios, pontuando como a religião pode vir a ser espetáculo, divertimento, visão e exterioridade para o turismo.
Na definição oficial, segundo a Conferência Mundial de Roma, realizada no ano de 1960, o turismo religioso é compreendido como uma atividade que movimenta peregrinos em viagens pelos mistérios da fé ou da devoção a algum santo.
Em linhas gerais, o turismo religioso pode ser entendido como uma atividade desenvolvida por pessoas que se deslocam por motivos religiosos ou para participar de eventos de significado religioso. Compreendem peregrinações, romarias, visitas a locais de caráter histórico/religioso, festas e espetáculos de cunho sagrado. É um segmento que pode contribuir para a valorização e a preservação das práticas espirituais, enquanto manifestações culturais e de fé que identificam determinados grupos humanos. A sustentabilidade do turismo religioso pode ser enfocada sob dois aspectos: em primeiro lugar para que a cultura religiosa não venha
perder o seu sentido enquanto manifestação de fé e em segundo lugar para que essas atividades não se transformem em um movimento de massa, descaracterizando a sua essência.
A atividade turística envolve o movimento constante de pessoas, que se deslocam de um local de origem a um destino qualquer. O deslocamento e a permanência de pessoas longe de seu local de moradia provocam profundas alterações econômicas, políticas, culturais, sociais e ambientais que podem apresentar aspectos positivos e negativos.
Ao longo dos tempos, o segmento da religiosidade tem causado uma forte influência na cadeia turística. A noção do turismo religioso se desenvolve a partir da compreensão das motivações turísticas. A única diferença desse segmento turístico em relação aos demais é a motivação religiosa como razão principal desses deslocamentos.
O destaque principal nesse setor são as peregrinações, caracterizado pelo deslocamento temporário de pessoas para outras regiões ou países visando à satisfação de outras necessidades não decorrentes de atividades remuneradas. Por se tratar de um fenômeno espontâneo, as peregrinações também são movidas por aspectos profanos.
O fenômeno das peregrinações é próprio de cada cultura. Cada país ou região tem uma conformação histórica, política, cultural, religiosa e econômica que vai determinar a forma, a intensidade e o sentido do andar, nas
Anterior
suas rotas de fé.
Atualmente, as peregrinações e as festas religiosas continuam a ser, em geral, um fenômeno de forte coesão humana expressa na religião e no lazer. Estes assumem novos papéis e sentidos que contradizem suas antigas tradições. A sua prática efetiva realiza-se de diversas maneiras: as peregrinações aos locais sagrados, às festas religiosas que são celebradas periodicamente, os espetáculos, as representações teatrais de cunho religioso e os congressos, encontros e seminários, ligados à evangelização.
Em função dessa atuação, os locais de peregrinações e romarias, propiciaram também o surgimento de outras atividades de caráter não-religioso e, que contribui não só de complemento, mais também para desenvolver a economia local. Entre eles, podemos citar o aparecimento de pousadas, hospedarias, hotéis, motéis, povoados, portos, cidades, restaurantes, comércio de artesanato, mercado informal, transporte, bares, além da geração de empregos nos setores de comércio, saúde, segurança pública e turismo.
Fatores como hospedagem, comércio, alimentação e lazer, são diretamente afetadas pelo afluxo turístico, implicando na reconfiguração de uso do espaço, planejamento de infra-estrutura receptiva e organização econômica.
Atualmente, as peregrinações mais conhecidas em nível mundial e que têm muita importância no setor turístico religioso são as que
suas rotas de fé.
Atualmente, as peregrinações e as festas religiosas continuama ser, em geral, um fenômeno de forte coesão humana expressa na religião e no lazer. Estes assumem novos papéis e sentidos que contradizem suas antigas tradições. A sua prática efetiva realiza-se de diversas maneiras: as peregrinações aos locais sagrados, às festas religiosas que são celebradas periodicamente, os espetáculos, as representações teatrais de cunho religioso e os congressos, encontros e seminários, ligados à evangelização.
Em função dessa atuação, os locais de peregrinações e romarias, propiciaram também o surgimento de outras atividades de caráter não-religioso e, que contribui não só de complemento, mais também para desenvolver a economia local. Entre eles, podemos citar o aparecimento de pousadas, hospedarias, hotéis, motéis, povoados, portos, cidades, restaurantes, comércio de artesanato, mercado informal, transporte, bares, além da geração de empregos nos setores de comércio, saúde, segurança pública e turismo.
Fatores como hospedagem, comércio, alimentação e lazer, são diretamente afetadas pelo afluxo turístico, implicando na reconfiguração de uso do espaço, planejamento de infra-estrutura receptiva e organização econômica.
Atualmente, as peregrinações mais conhecidas em nível mundial e que têm muita importância no setor turístico religioso são as que
costumam ocorrer para: Jerusalém (Israel), Fátima (Portugal), Vaticano (Itália), Lourdes e Assis (Portugal). Estes lugares foram santificados pela recordação histórica ou por manifestações de caráter miraculoso. No Brasil, os principais eventos religiosos são: o Círio de Nazaré (Pará), Padre Cícero (Ceará), Iemanjá (Bahia), Festa do Bonfim (Rio de Janeiro), Nossa Senhora de Aparecida (São Paulo).
Religião torna-se espetáculo e performance, não só pelo olhar externo, advindo do turista, mas pelo próprio olhar interno, do adepto, à medida que as modernas transformações culturais vão impactando a maneira como os fiéis manifestam e vivem a religião, mesmo que a opção seja viver os costumes e a tradição.
Em relação ao o peregrino quanto o turista consomem objetos, peças artesanais ou industrializadas, nacionais ou importadas, produzindo significados para sua situação social e a sua conduta, ligada por sua vez a diferenciações culturais e econômicas. Tanto um quanto o outro, suas crenças e ritos são mediados pelo mercado.
Por sua vez, a globalização promoveu tanto o contato intercultural dos diversos sistemas religiosos, quanto criou as condições da mercantilizarão do campo religioso (Steil, 2001) e assim permitindo o desmoronamento de fronteiras entre turismo e religião, constituindo o “turismo religioso”.
O artigo limitou-se a analisar, preponderantemente,
Anterior
essa imbricação entre turismo e religião do ponto de vista do catolicismo. Nesse sentido, o Brasil, onde a fé católica é predominante, possui um número bastante significativo de locais religiosos que atraem viajantes de todo tipo: peregrinos, romeiros, pessoas atraídas pela cultura do espaço religioso etc. Na maioria das localidades, onde existem santuários ou ocorrem manifestações religiosas, a infra-estrutura para receberem visitantes ainda é precária, muitas vezes devido a pouca compreensão do potencial econômico.
Observando melhor o fenômeno do turismo religioso no Brasil, percebe-se a necessidade da elaboração e implantação de planos para o desenvolvimento dos destinos religiosos. Ressalta-se a importância dos programas prioritários para a ordenação da atividade turística, gerando benefícios para devotos e turistas e garantindo o desenvolvimento sustentável, tanto no aspecto econômico como no ambiental e sociocultural, assim como a qualidade de vida da comunidade local.
Referências Bibliográficas:
SILVEIRA, Emerson J. Sena da. Turismo religioso popular? Entre a ambigüidade conceitual e as oportunidades de mercado. In: Revista de Antropología Experimental. Universidad de Jaén (España). n. 4, 2004.
Tipos de Turismo: Religioso. Disponível em 
Turismo Religioso – Wikipédia. Disponível em < http://pt.wikipedia.org/wiki/Turismo_religioso>
Anterior
Anterior

Mais conteúdos dessa disciplina