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UNIVERSIDADE PAULISTA - UNIP CAMILA A. CAMPOS - RA C66583-5 DAVI FRAGOSO BUENO - RA C468CA-8 GABRIELA GOULART - RA C42303-3 LEONARDO MACHADO - RA C0971H-6 RONEY NERI BOTURA - RA C635GE-3 VANESSA A. MENDES - RA C510GB-1 Direito 2º semestre - Turma V-X UMA VELA PARA DARIO São Paulo 2015 UNIVERSIDADE PAULISTA - UNIP CAMILA A. CAMPOS - RA C66583-5 DAVI FRAGOSO BUENO - RA C468CA-8 GABRIELA GOULART - RA C42303-3 LEONARDO MACHADO - RA C0971H-6 RONEY NERI BOTURA - RA C635GE-3 VANESSA A. MENDES - RA C510GB-1 Direito 2º semestre - Turma V-X UMA VELA PARA DARIO Trabalho multidisciplinar apresentado às disciplinas Teoria Geral do Crime, Direitos Fundamentais e Ciências Sociais da Universidade Paulista – UNIP, como requisito parcial de avaliação do 2º semestre do curso de Direito de 2015. São Paulo 2015 CIP - Catalogação Na Publicação Uma Vela Para Dario / Camila A. Campos, Davi F. Bueno, Gabriela Goulart, Leonardo Machado, Roney N. Botura, Vanessa A. Campos Autores... [et al.]. - 2015. 0022 fls. Trabalho Interdisciplinar de Curso (Graduação) apresentado ao Instituto de Ciência Jurídicas da Universidade Paulista, São Paulo, 2015. Área de Concentração: Teoria Geral do Crime: Direitos Fundamentais : Ciências Sociais. Orientador: Prof. Dr. Cibele M. Dugaich / Andrea Wild / Vagner H. Pepe. 1. Análise à luz das disciplinas Teoria Geral do Crime - Direitos Fundamentais - Ciências Sociais. I. Autores, Camila, Davi, Gabriela, Leonardo, Roney, Vanessa. II. Orientadores: Dra. Cibele M. Dugaich / Dra. Andrea Wild /Dr. Vagner H. Pepe. “Não existe outra via para a solidariedade humana senão a procura e o respeito da dignidade individual” Pierre Nouy RESUMO O presente estudo tem como objetivo central ponderar e situar a dignidade humana, a solidariedade e o respeito com o próximo. Partindo do ponto de vista de Dalton Jerson Trevisan, em sua Obra “Uma vela para Dario”, e usando as diretrizes que estão fundamentadas e embasadas em textos normativos como a Constituição Federal de 1988, o Código Penal Brasileiro de 1940 e os Tratados Internacionais de que o Brasil é signatário e versam sobre os Direitos Humanos, vamos situar as responsabilidades sociais inerentes a cada cidadão, e confrontá-las com os atos expostos no texto, assim como, também o faremos com os valores que o homem tem, ou pelo menos deveria ter, enquanto pessoa parte de um conjunto, e não apenas consigo mesmo. As sequência de fatos e infrações que ocorreram em um ambiente que, apesar de estar cercado de normas reguladoras de comportamentos sociais, tornou propícios os atos delituosos, tanto pela influência da massa presente, quanto pelas atitudes que se desencadearam individualmente através de reflexões endógenas que tomaram força pelo efeito da sublimação. Deixaremos amplamente definido que para haver uma convivência social digna é preciso que todos tenham direitos em todas as fases da sua vida, mesmo que próximo à morte. E, igualmente, é necessário que a população de um modo geral entenda a importância de exercer a sua cidadania com direitos e conscienciosamente com deveres, e saber que dentre tais obrigações está a observância da norma jurídica. Palavras-chave: Cidadania. Dignidade. Observância. Respeito. Direitos Humanos. ABSTRACT This study was aimed to evaluate and place human dignity, solidarity and respect for others. From the point of view of Dalton Jerson Trevisan, in his work "A candle for Dario," and using the guidelines that are grounded and informed on normative texts such as the Federal Constitution of 1988, the Brazilian Penal Code of 1940 and the International Treaties that Brazil is a signatory and deal with human rights, we situate the social responsibilities of every citizen, and confrontrá them with the acts set out in the text, and also we will do with the values that man has, or at least I should have, as part of a whole person, not just himself. The sequence of events and offenses that occurred in an environment that, despite being surrounded by regulating norms of social behavior, become prone to criminal acts, both by the influence of this mass, as the attitudes that desencaderam individually through endogenous reflections taking strength by the effect of sublimation. Let broadly defined that to be a worthy social life we all need to have rights at all stages of their life, even that close to death. And also, it is necessary that people generally understand the importance of exercising their citizenship with rights and duties conscientiously with, and know that among these obligations is the observance of the rule of law. Keywords: Citizenship. Dignity. Observance. Respect. Human rights. SUMÁRIO 1 - INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 8 1.1 - DO AUTOR ................................................................................................................... 9 1.2 - A OBRA ....................................................................................................................... 11 1.3 - RESUMO DA OBRA ................................................................................................. 12 2 - ANÁLISE E DISCUSSÃO................................................................................................ 13 2.1 - À LUZ DE TEORIA GERAL DO CRIME .............................................................. 13 2.2 - À LUZ DE DIREITOS FUNDAMENTAIS ............................................................. 16 2.3 - À LUZ DE CIÊNCIAS SOCIAIS.............................................................................. 19 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................. 21 REFERÊNCIAS...................................................................................................................... 22 8 1 - INTRODUÇÃO Este estudo versa sobre o conto “Uma Vela para Dario” de autoria de Dalton Jerson Trevisan e apresenta uma análise da Obra à luz das disciplinas: Teoria Geral do Crime, Direitos Fundamentais e Ciências Sociais, constitutivas da grade do 2º semestre do curso de Direito de 2015 da Universidade Paulista – UNIP. Desde já, objetiva-se este estudo em demonstrar a crítica social feita por Dalton Jerson Trevisan em relação à solidariedade das pessoas, ao respeito com o próximo, às responsabilidades sociais e os direitos e deveres que são garantidos ou impostos por normas legais e sociais. Abordaremos o contexto do conto “Uma vela para Dario” e faremos três análises. No primeiro momento, teremos um breve estudo à luz da disciplina Teoria Geral do Crime, usando o Código Penal Brasileiro e a doutrina para qualificar a ação e/ou a omissão daqueles que participaram como coadjuvante no desenrolar dos fatos narrados. Na sequência, teremos uma observação à luz da disciplina Direitos Fundamentais para situar a conjuntura que circunfluiu caracterizando as consequências dos atos das pessoas que presenciaramum fato que afrontou a observância da cidadania e os direitos fundamentais inerentes a cada um. Por fim, vamos dispor uma ponderação à luz da disciplina Ciências Sociais, avaliando o aspecto social do ambiente e das pessoas descritas no conto, visando, assim, posicionar os atos e pensamentos que se tornaram elementares para o desfecho trágico da história. O sustentáculo deste estudo é assentado na observação de um contexto que teve um fim trágico acometido por uma fatalidade que poderia ser evitada com o pleno exercício da cidadania. Houve uma degradação de direitos naturais e positivos e, com isso, gerou-se um final irreversível. Baseado nisso, vamos contrapor direitos e obrigações assegurados pela lei e pelo costume. Outrossim, aludimos que este modesto estudo está descerrado da doxologia, uma vez que todos os princípios aqui expostos não são frutos de opinião pessoal e permanecem sustentados por leis positivadas, leis sociais, doutrinas e jurisprudências. 9 1.1 - DO AUTOR “O que não me contam, eu escuto atrás das portas. O que não sei, adivinho e, com sorte, você adivinha sempre o que, cedo ou tarde, acaba acontecendo.” “- Não vou responder às perguntas simplesmente porque não posso, é verdade; sou arredio, ai de mim! Incuravelmente tímido (um pouco menos com as loiras oxigenadas!).” Dalton Jerson Trevisan, nascido em 14 de junho de 1925, brasileiro, curitibano, o maior contista brasileiro contemporâneo, formou-se em Direito pela Faculdade do Paraná e praticou a advocacia por 7 ano. Enquanto cursava a faculdade estreou na literatura no ano de 1945. Ganhou o apelido de O Vampiro de Curitiba1 pelo título de uma de suas Obras (1965). Entre 1946 e 1948 foi líder da revista JOAQUIM, “uma homenagem a todos os Joaquins do Brasil”. Suas publicações foram de suma importância para diversos escritores e poetas como v.g., Mario de Andrade, Carlos Drummond de Andrade e artista ilustristas como Di Cavalcanti e Heitor dos Prazeres. Em 1954, registrou o dia-a-dia da cidade de Curitiba à moda da literatura de cordel em “Guia Histórico de Curitiba e Crônicas da Província de Curitiba”. Dalton Trevisan surgiu no cenário nacional com Novelas Nada Exemplares (1959) quando recebeu o Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro. Foi vencedor, novamente, deste prêmio com a obra Cemitério de Elefantes (1964) e do Prêmio Fernando Chinaglia, da União Brasileira dos Escritores. Com os livros “Noites de Amor em Granada” e “Morte na Praça” (1964) recebeu o Prêmio Luís Cláudio de Sousa, do Pen Club do Brasil. Muitas de suas obras foram traduzidas para o idioma inglês, alemão, sueco, dentre outros. Avesso a tudo e todos e usando pseudônimo ganhou o prêmio de primeiro lugar no Concurso Nacional de Contos do Estado do Paraná (1968), daí por diante sua carreira deslanchou com livros como “A Guerra Conjugal” (1969), “Crime da Paixão” (1978), “Lincha Tarado” (1980), o minimalista, “Ah, É” (1994), “O Maníaco do Olho Verde” (2008), “O Anão e a Nifesta” (2011), entre outros. Em 1996, foi reconhecido por seu conjunto de obra e recebeu o Prêmio Ministério da Cultura e Literatura e, em 2003, junto com Bernardo de Carvalho, com o livro “Pico na Veia”, recebeu o 1° Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira. Porém sua consagração total ocorreu quando venceu a 21° edição do Prêmio Camões 2012 (uma das 1 O Vampiro de Curitiba é um livro de contos escrito por Dalton Trevisan e publicado em 1965 pela editora Record. O livro é a reunião de 15 contos que apresentam somente um fio condutor quanto os aspectos temáticos, personagem, linguagem e o estilo. A Obra rendeu a Dalton Trevisan o apelido de Vampiro de Curitiba. 10 maiores honrarias para autores da língua portuguesa), onde, por unanimidade, foi eleito o melhor no gênero conto. Danton Trevisan escreve de forma rápida, com contos curtos como v.g., “Uma Vela para Dario”, com uma linguagem objetiva, precisa, exata. “Seu estilo é direto e ágil e suas narrativas apresentam os dramas de pessoas que se movem entre as expectativas de felicidade e realização que aprenderam a alimentar e a realidade crua e desumana, que os frustra e aniquila.” (Revista Escola – Ed. Abril, 2012) Por fim, 2 perguntas feitas por Nelson de Oliveira, em uma entrevista fictícia, publicada no jornal Folha de São Paulo, em 25/04/2002, onde Dalton Trevisan responde o porquê escreve e como escreve respectivamente. “Hoje escrevo quando dá vontade, com ternura. Às vezes fico semanas sem pegar na caneta. É claro que com o passar do tempo vou ficando angustiado. Preocupado. Será que morri? Eu me apalpo, me cheiro. Não, ainda estou vivo. Ponho a cara para fora da janela, escuto a cidade. Berro: ‘Estou pronto! Mova-se mundo’. Fico atento à gentinha no ponto de ônibus, no bar da esquina. Aí as ideias vem aos montes. Até me assusto, fico com os pelos do braço arrepiados”. “Escrevo à mão, depois datilografo. Não tenho e nunca terei computador... Escrevo de madrugada. Nunca fui dormir cedo, gosto do silêncio. Mas também, quando a ideia vem, anoto tudo em papelinhos. Isso acontece quando estou na rua. Ou no vegetariano onde almoço. Ou no supermercado. Meus melhores contos nasceram na fila do banco, tão cheia de ‘Joões e Marias’ ... No início eu escrevia todos os dias. Escrevia com raiva. Religiosamente. Burocraticamente. Foi assim até A Polaquinha, meu primeiro e único romance. Depois parei com essa mania. Só escrivão escreve todo dia. Só burocrata escreve com raiva, revolta, indignação”. 11 1.2 - A OBRA “Uma vela para Dario” é um conto narrado em terceira pessoa por Dalton Trevisan e foi extraído do livro “Cemitério de Elefantes” (1964). É um conto que tem um contexto direto e objetivo. O conto foi selecionado por Ítalo Moriconi para fazer parte de “Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século XX” (2000, editora: Objetiva), isso fez o conto tornar-se muito mais conhecido do que era. A Obra retratada no texto de Trevisan nos traz uma reflexão muito bem elaborada, usando da narrativa e o apelo verbal da retórica imagética, que, por muitas vezes, nos transmite a impressão de estarmos dentro da história. Algumas vezes, nos traz sentimentos de repulsa, outras, de compaixão. O texto é completo e descreve um conto repleto de detalhes e descrições. Mesmo assim, a obra preserva um caráter retilíneo e breve, sem abrir mão das particularidades e pormenores que o autor faz questão de que estejam hora explícitos, hora implícitos aos leitor. O leitor mais atento é capaz de apreciar a obra e enxergar que, mesmo com uma simplicidade gramatical tão notória, o conteúdo semântico do texto nos expressa uma profunda reflexão e, constantemente, procura deixar subentendido ao deleite de quem lê, mais de uma interpretação. O teor desta obra é capaz de se relevar mesmo sem ser visto em suas totalidades e exiguidades. De forma única, algumas indagações são comunicadas sem que nada seja dito objetivamente a respeito. É um texto que nos seduz sem deixar promessas, tampouco, explicações. A Obra é inigualável e deve ser prestigiada com uma análise minuciosa e cuidadosa. Por todo o Know how2 de Trevisan na literatura, chamar este conto de “Tesouro” não seria um exagero. 2 Know How é o conhecimento de normas, métodos e procedimentos em atividades profissionais, especialmente as que exigem formação técnica ou científica. Habilidade adquirida pela experiência; saber prático. 12 1.3 - RESUMO DA OBRA O conto narra a história de Dario, um homem que andava apressado com um guarda- chuva nos braços e, em umaesquina, começou a diminuir o ritmo até parar. Ele encostou-se na parede de uma casa, e foi escorregando até se sentar. A partir daí, curiosos se aproximaram indagando-o se ele não estava se sentindo bem; Dario apenas abriu levemente a boca esboçando uma reação, mas não se ouviu uma palavra sequer. Ele acabou caindo por completo na calcada e desfaleceu. Um homem gordo e de bigode pediu para que as pessoas se afastassem afim de que Dario pudesse respirar melhor. Abriu-lhe o paletó, a gravata e a cinta. Nesse momento, alguns objetos de Dario, que já estava a morrer, começaram a desaparecer, inclusive seu paletó. Aparentemente, alguns transeuntes e protagonistas estavam preocupados. Outros eram apenas oportunistas ou curiosos. De fato, ninguém prestou-lhe um socorro eficiente para garantir que sua vida fosse salva. Arrastaram-no para um táxi, onde a ajuda lhe foi negada por todos e inclusive pelo taxista que indagou quem pagaria a corrida. Ninguém se dispôs a tal ato. Após isso, levaram-no desajeitadamente até a metade do caminho de uma farmácia, mas largaram-no estirado ao chão em frente a uma peixaria. A única demonstração de afeto e solidariedade foi de um garoto negro e descalço que colocou uma vela acesa ao lado de seu corpo. O carro das autoridades competentes chegou muito tempo depois, quando Dario já estava sem vida. A multidão de especuladores e aproveitadores aos poucos foi se dissipando. As janelas dos que assistiam a tragédia de suas casas, foram se fechando uma a uma. E lá estava Dario, sua cabeça na pedra e sem seu paletó… sem os seus pertences, sem seu guarda- chuvas, com os bolsos vazios... até mesmo a aliança de ouro que estava em sua mão desapareceu. Sua vela queimou até a metade, e finalmente apagou com as primeiras gotas de chuva que começavam a cair. 13 2 - ANÁLISE E DISCUSSÃO 2.1 - À LUZ DE TEORIA GERAL DO CRIME No conto “uma vela para Dario”, de Dalton Trevisan, observamos com proporções inversas a desconstrução da vida do protagonista, e a acentuação de um impulso infreável do egoísmo alheio. Ao passo que a vida de Dario se extingue, mais aumenta a sede e a vontade de algumas pessoas que estão em sua volta de apropriar-se de seus bens. Pelo contexto relatado por Dalton Trevisan, os fatores socioeconômicos influenciaram nos delitos cometidos. Não que haja justificativa para os crimes, mas tudo deve ser levado em consideração. Curiosos aglomerados, crianças intrigadas e uma multidão confusa que ajudou na dissipação da sensação de responsabilidade facilitando aos oportunistas a chance do delito. O fato é que no momento em que Dario, vítima de uma fatalidade, mais precisava de ajuda, acabaram por fazê-lo vítima duas vezes. Em um contexto criminal, podemos apontar com todos os méritos probatórios a omissão de socorro e o furto. No ápice de seu mal súbito, Dario carecia de ajuda. Naquele momento, era extremamente necessário o socorro dos que estavam próximos. No entanto, ninguém o ajudou, a não ser o leve gesto do rapaz de bigode que abriu-lhe o paletó e afrouxou-lhe a grava. Eram tantas pessoas, que chegavam a formar uma multidão, na qual alguns ficavam nas pontas dos pés para tentar ver, mas nenhuma delas fez menção de prestar-lhe os primeiros socorros. Viram-no morrer, mas não tentaram reanimá-lo. O mais perto que chegaram de prestar-lhe socorro, foi arrastá-lo para um táxi, onde mais uma vez a ajuda lhe foi negada… ao indagarem quem pagaria pela corrida, todos se recusaram, inclusive o próprio taxista. Depois disso, levaram-no até a metade do caminho para uma farmácia, mas largaram- no em frente a uma peixaria. Deixaram-no morrer. Para o Direito Penal, o agir negativo3, neste caso, caracteriza um crime omissivo. É um dever legal a prestação de socorro. E sua negativa é prevista no Artigo 135 do Código Penal, do qual dispõe-se o seguinte texto: 3 Agir negativo ou Omissão de Socorro é um dos crimes previstos no Código Penal brasileiro, em seu art. 135. É o exemplo clássico do crime omissivo. Deixar de prestar socorro a quem não tenha condições de socorrer a si próprio ou comunicar o evento a autoridade pública que o possa fazê-lo, quando possível, é crime. 14 “Art. 135 - Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública: Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. Parágrafo único - A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte.” (CP/1940, Ed. Manole, 2014, p. 426) Assim temos a vítima (Dario) que é o agente passivo do crime, os agentes ativos do crime (aqueles que presenciaram a cena), o fato tipificado como antijurídico (a omissão do socorro), a sua sansão (pena de um a seis meses, ou multa) e o seu agravante que triplica a pena (resultado a morte). No contexto do conto, também temos a figura do furto, previsto no artigo 155 do Código Penal, do qual extraímos o texto: “Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. § 1º - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é praticado durante o repouso noturno. § 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de multa. § 3º - Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico. Furto qualificado § 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é cometido: I - com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa; II - com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza; III - com emprego de chave falsa; IV - mediante concurso de duas ou mais pessoas. § 5º - A pena é de reclusão de três a oito anos, se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior” (CP, 1940, Ed. Manole, 2014, p. 430) O texto expressa de maneira clara a subtração dos bens de Dario e é tão explícito esse fato que chega a ficar desenhado em trechos como “...Mas não se via guarda-chuva ou cachimbo ao seu lado...”, “...sem o relógio de pulso...”,” ...O guarda aproximou-se do cadáver e não pôde identificá-lo — os bolsos vazios…”. 15 Com fundamento nos artigos 135 e 155, ambos do Código Penal Brasileiro/1940, alegamos nos seguintes termos que: os fatos imputados aos partícipes foram comprovados e são suficientes para a pretensão de punibilidade. Comprova-se que a vítima, Dario, encontrava-se em risco eminente de vida. E pelos fatos relatados no conto, nenhum dos transeuntes que o cercavam deram-lhe assistência adequada para garantir que o devido socorro lhe fosse prestado. Tampouco, pediram o socorro de autoridade pública competente. Deste modo, fica entendido a inobservância do artigo 135 do CP, que dispõe acerca da legalidade e da obrigação civil de ajudar quem encontra-se em risco de morte. No mesmo sentido, Fernando Capez diz que “a omissão de socorro deve ser atribuída ao agente a título de dolo e o resultado agravador, a título de culpa” (Curso de Direito Penal, v. 2, p. 197). Da mesma forma, também alude Frederico Marques com a seguinte concepção acerca da omissão de socorro: "O crime de omissão de socorro, como o próprio nomen juris4 o está indicando, é infração penal omissiva. Trata-se, ao demais, de crime deperigo, e não de crime de dano. Quem se omitisse ou se quedasse5 inerte, com o fim de causar dano à incolumidade física da vítima, estaria cometendo ou crime contra a integridade corporal desta, ou crime de homicídio, ou então, tentativa de morte" (Tratado de direito penal, v. 4, p. 333). Indiferente do agente culpado do resultado, a prestação de socorro é obrigação legal de todo cidadão, e, segundo o Art. 135 do CP 1940 e a doutrina aqui apresentada nas concepções de Fernando Capes e Frederico Marques, importa a inação de quem presenciou a fatalidade e procedeu com um agir negativo, assim, deve haver penalização segundo o que está definido no dispositivo de lei, pois, o texto normativo é claro, objetivo e judicioso. 4 Nomen Juris significa qualificação legal de algo. 5 Quedasse é uma flexão de quedar: permanecer. 16 2.2 - À LUZ DE DIREITOS FUNDAMENTAIS Os Direitos Fundamentais individuais, inerentes a todo o ser humano dotado de personalidade jurídica, estão positivados e garantidos por norma constitucional conforme o disposto no Artigo 5º da Constituição Federal de 1988, do qual extraímos o seguinte texto: “Art. 5º - Caput: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à segurança e a propriedade nos seguintes termos…” (CF, 88, Ed. Manole, 2014, p. 8) O direito à vida é contemplado pelo legislador como o bem jurídico do mais alto valor. Nada mais justo, afinal, sem a vida, não teríamos como usufruir dos demais direitos. O direito à vida tanto é o nosso bem mais importante que, mesmo antes de ser positivado, ele já era um direito natural, ou seja, ele é pré-existente a norma escrita. Com este entendimento, temos sob a concepção de Carolina Alves de Souza Lima, que “O bem jurídico do ser humano por excelência é a vida” (2012, p.35). É pressima por excelência de todo ser humano o direito à vida, bem como, está atribuído a todo cidadão o ônus da observância pela cidadania e o respeito ao próximo. Desta forma, é preciso notar que algo intitulado por excelência significa em seu sentido literal que não há outro com qualidade superior. Aquilo que tem status de excelente está no mais alto grau da hierarquia. Senão vejamos, a vida de Dario, protagonista do conto, era um bem dele por excelência e sua proteção deveria ter sido velada com zelo absoluto pelos demais cidadãos que estiveram presentes durante os acontecimentos dos fatos, uma vez que esta atuação não colocaria a vida de mais ninguém em risco. Atentemos ainda pela observação de que, em hipótese alguma, deveriam ter colocado a vida daquele que jazia abaixo de bens considerados insignificantes diante das controvérsias que surgiram em momentos como “quem vai pagar pela corrida do táxi”. Ora, indagar quem irá arcar com as despesas de um transporte necessário para o socorro de quem encontra-se em risco eminente de morte com o intuito de dissipar a responsabilidade é uma afronta aos Direitos Fundamentais garantidos pela nossa Constituição Federal de 1988, e também a outros Tratados Internacionais de que o Brasil é signatário e têm força de Emenda Constitucional, tais como “A Declaração Universal dos Direitos Humanos, 1948” e “O Pacto de São José da Costa Rica, 1969”, os quais dizem respectivamente: “Art. 3º - Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal” e “Art. 4 - Direito à vida… Toda pessoa têm o direito de que se respeite a sua vida… ninguém pode ser privado da vida arbitrariamente”. Assim, entendemos que arbitrariamente é sinônimo de injusto, e nada mais injusto do que avaliar que 17 tem mais valor a corrida de um táxi do que a vida de um cidadão incapaz de se socorrer a si próprio. A atitude daqueles que observaram Dario morrer e pouco fizeram para ajudá-lo foi um ultraje a todos os dispositivos Brasileiros, e também aos internacionais que o Brasil faz parte e versam sobre o direito à vida. Não pelo Direito Natural, no qual não há força coercitiva, mas pelo Direito Positivo há que se haver uma sansão punitiva com pena correspondente à violação aos direitos e obrigações que foram afrontados diante da soberania da Constituição Federal de 1988 e demais tratados assinado pelo Estado Brasileiro mesmo que ainda não estejam equiparados às Emendas Constitucionais sendo considerados Supralegais. Não obstante do fato do direito à vida ter sido degradado, temos a questão nada subjacente da devassidão da dignidade humana em todo o contexto que se passa no conto. Porém a própria Constituição em seu artigo 5º, inciso II, diz: Artigo 5º, inciso II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;(C.F./88 - Edições Câmara - 45º edição - 2015 - p.9) Mesmo visto que o próprio texto nos protege e que nenhum dos transeuntes que são citados no conto aparecem como tendo alguma profissão no qual teriam a obrigação de fazer. Observe-se que, no entanto, há o resguardo garantido pelo texto normativo que discorre acerca da obrigação de prestar socorro nos casos em que a pessoa se encontra em risco eminente de morte, do qual extraímos o seguinte texto: “Art. 135 - Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública: Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. Parágrafo único - A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte” (Vade Mecum, Código Penal 1940, Editora Manole, 2014, p. 426) Por outro lado, se pensarmos em propriedade como todo e qualquer bem e não somente propriedade como moradia/residência, entendemos que Dario teve sim suas propriedades violadas uma vez que cada transeunte que se aproximava de Dario acabava por se apoderar de algum bem móvel que ele portava, pela Constituição em seu artigo 5º, inciso XXII, “é garantido o direito de propriedade”. Pensando em Direitos Fundamentais Constitucionais não podemos deixar de citar um dos princípios fundamentais que se encontra no Artigo 1º. inciso III, “a dignidade da pessoa humana”, e essa foi brutalmente violada por todos que se mostraram indiferentes frente a 18 situação e que ainda, alguns, se aproveitaram. O único que mostrou um respeito por Dario e pela dignidade da pessoa foi o menino que no final mesmo sem saber quem era Dario acendeu uma vela, em sinal de respeito ou qualquer outro tipo de sentimento que por ventura pudesse ter pelo corpo estendido na rua. 19 2.3 - À LUZ DE CIÊNCIAS SOCIAIS No texto do conto “Uma vela para Dario”, diversas normas de conduta foram transgredidas. Dentre tantas, o respeito à vida, à dignidade, a solidariedade, etc. Todas elas são normas positivadas no Ordenamento Jurídico brasileiro. No entanto, todas estas normas de comportamento, antes de serem elencadas ao direito positivo, já eram garantidas pelo direito natural. Tanto o direito e o respeito à vida, a dignidade e a solidariedade são normas que preexistem à lei escrita e, portanto, devem ser analisadas minuciosamente do ponto de vista da disciplina Ciências Sociais. Valores como respeito, honra, dignidade e solidariedade estão escritos como meros atos declaratórios, haja visto que seus atos institucionais já estão agregados como valores inerentes ao ser humano muito antes da lei escrita. É o próprio costume que nos garante, através de valores históricos, a garantiaà dignidade, à vida, à honra. Estudando os aspectos sociais dos personagens descritos no Conto, há que se destacar alguns fatores, e dentre eles, a primeira esfera que enxergamos é o chamado “Ato delituoso por Oportunidade6”. Que no caso do texto de Trevisan, fica claro com o furto que somente acontece em função do mal súbito de Dario. A vítima desfalecendo gera o momento de oportunidade aos mal intencionados que não hesitam e, além do mais, acabam por se safar devido à grande quantidade de pessoas presentes dificultando a identificação dos autores do delito a pouco mencionado e que só veio a ser descoberto tarde demais. Ainda neste aspecto social o que mais contribuiu para o desenvolvimento de tais atos ilícitos é o excesso de pessoas presentes no local específico dos acontecimentos. Quanto mais pessoas estiverem perto de um indivíduo com más intenções, maiores serão as chances de ele cometer o delito, pois quanto maior o número de pessoas ao seu redor, menos ele será visto e, desta forma, os fatores inibidores terão menos eficácia. Neste sentido, diz Emilio Mira Y Lopes: “...o agir em grupo dissolve a sensação de responsabilidade”. (Manual de Psicologia Jurídica, LOPEZ, Emilio Mira y, Ed Servanda, 2013, p. 151). Assim, o contexto social no exato momento, caracterizado pela aglomeração de pessoas curiosas, acabou por facilitar o agir daqueles que estavam com intenção de infringir condutas sociais. E o furto dos pertences de Dario implicou em outros problemas de aspecto social. Pois com o desenrolar dos fatos, a vítima passou a ser visto como uma coisa insignificante pelos personagens secundários do conto. A oportunidade de usurpar seus bens tornou-se um desejo 6 “Crimes de Oportunidade” diz respeito àquele que não teria acontecido caso não houvesse outro fato ligado ao delito. 20 inefável por parte daqueles que estavam à sua volta. O valor que deveria ser atribuído a sua vida, agora é inferior aos seus bens que começaram a ser furtados. A sua personalidade é praticamente tirada ao roubarem alguns bens como a aliança que carregava em sua mão e a carteira com seus documentos: “Apesar de Dario ter um nome, os acontecimentos insistem em torná-lo um anônimo, nesse caso, uma pessoa sem rosto. E é a própria sociedade quem o esvazia de sua personalidade”. (Notícia de Uma banalidade, por SANTOS7, Maria Cristina, e ORNELLAS8, Clara Ávilla, 2006, p. 13) Podemos então dizer que Dario, enfim, tornou-se um “Pobre homem rico9” pelo fato de seu triste desfecho. Dario morreu sem dignidade. Faleceu em uma situação que a classe social, o dinheiro, a influência, ou qualquer outra vantagem não pode mudar nada e todas as suas vantagens são engolidas pela morte e pelo desprezo. O conceito de dignidade que foi construído historicamente pelo ser humano enquanto pessoa, apesar de ser constituído como prerrogativa para todos, em alguns momentos é corrompido. E assim foi no caso de Dario. Sua dignidade foi totalmente perdida quando cruzaram a linha do respeito e da responsabilidade social, pouco fazendo para socorrer-lhe e, ainda, subtraindo-lhe os bens. O único exemplo de conduta social aprovável e que está plenamente de acordo com os preceitos das normas básicas sociais, foi esboçada durante o trajeto da história por um modesto personagem que emerge como o herói da dignidade social e demonstra afeto e respeito por Dario, que jazia estirado ao chão. “Um menino de cor e descalço veio com uma vela, que acendeu ao lado do cadáver” (Vinte Contos Menores, Ed. Record – Rio de Janeiro, 1979, pág. 20). Ponderamos, por fim, que é uma tarefa muito árdua ser eticamente correto na sociedade descrita no conto. Por isso, honra àquele que foi. Ao “garoto de cor e descalço” que ascendeu a vela, deixemos a citação de referência ao super-herói eticamente ideal: “Assim o nosso super-homem eticamente ideal é aquele que conserva do medo somente a cautela, da cólera retém unicamente o temperamento, firmeza ou coragem, e do amor faz derivar, por sublimação, a bondade”. (Manual de Psicologia Jurídica, Ed. Servanda, 2013, Emilio Mira Y Lopez, p. 127) 7 Mestranda em Letras na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS/CPTL (Av. Capitão Olinto Mancini, 1662, Três Lagoas - MS, 79600-080. E-mail: maisacristina@rocketmail.com 8 Professora Visitante do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS/CPTL (Av. Capitão Olinto Mancini, 1662, Três Lagoas - MS, 79600-080. E-mail: ornellasclara@gmail.com) 9 “O Pobre homem rico” é um livro de autoria de Irwin Shaw que usamos como referência ao antagonismo dos atos sociais do Conto em análise neste estudo 21 CONSIDERAÇÕES FINAIS O texto analisado nos expõe a crítica social quanto à solidariedade humana, às atitudes tomadas frente à morte em um ambiente urbano e a degradação dos valores sociais, morais e humanos da sociedade. O autor nos apresenta diversos personagens no conto, todos com um mínimo insignificante de solidariedade, porém, com valores invertidos. Todos observam a cena, comentam sobre algo a fazer, mas nenhuma atitude eficaz tomaram para ajudar a Dario. Dario morreu como um indigente, anônimo, sem compaixão ou direitos humanos. Porém, roubado, saqueado, abandonado e desrespeitado. Somente uma atitude não deixou Dario ainda mais fragilizado, uma vela colocada ao lado de seu corpo, por quem menos poderíamos imaginar, o personagem mais simplório do conto. O conto nos retrata o cotidiano dos grandes centros urbanos, como a sociedade está preocupada com seus problemas sociais, econômicos, políticos, pessoais e que um fato, como o narrado no conto, passa desapercebido, sem a menor importância. Os poucos que tentam ajudar acabam de certa forma por encobrir alguns larápios que roubam os poucos pertences e a própria identidade de Dario, o tornando um ninguém. É muito claro no Conto que o desejo de ajudar e a oportunidade de furtar ou esquivar-se de responsabilidade social são valor totalmente antagônicos quando confrontados um ante o outro. Óbvio, que pelo relato dos fatos, venceu o trecho vil desta luta entre certo e errado. Os que minimamente se mostram dispostos a ajudar e foram acanhadamente solidários em certos momentos, logo deixam de ser por falta de interesse dos outros ou para não serem responsabilizados e terem mais problemas do que os que já carregam consigo. O desrespeito às leis dos homens, à vida, aos direitos humanos, ao mínimo de solidariedade está presente no conto de forma constante e nos faz refletir o quanto podemos ou fazemos pelo próximo. A crítica de Trevisan, por fim, tende a nos mostrar a falta do altruísmo no contexto social que vivenciamos. Entendemos, por todos os fatos e inclinações expostas no Conto, que Dalton Trevisan está nos transmitindo a demasiada falta de abnegação do ser humano frente a solidariedade e o egoísmo. Fica subentendido que mesmo socialmente doente e degradado, o ser humano ainda não está integralmente corrompido e resta-nos uma semente de ética e solidariedade, que brota em meio ao caos na forma de “um garoto de cor e descalço” germinando modestamente como uma semente que aflora entre pisos e paredes de concreto. 22 REFERÊNCIAS Sobre o autor, Disponível em: <educação.uol.com.br/biografias/dalton-trevisan.jhtm>, acessado em: 08 setembro de 2015. Omissão de Socorro, Código Penal, 1940, Art. 135, Vade Mecum, Editora Manole, Ed. 2014, página 426 Furto, Código Penal, 1940, Art. 155, Vade Mecum, Editora Manole, Ed. 2014, página 430 Direito à vida, Constituição Federal, 1988, Art.5, Vade Mecum, Editora Manole, Ed. 2014, página 8. Declaração Universal dos Direitos Humanos, 1948, Art. 3, Vade Mecum, Editora Manole, Ed. 2014, página 1367. Pacto São José da Costa Rica, 1969, Art. 4, Vade Mecum, Editora Manole, Ed. 2014, página 1377. Constituição da República Federativa do Brasil, 2015, 45ª Edição - Centro de Documentação e Informação - Edições Câmara - Brasília