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ÉTICA PROFISSIONAL EM 
SERVIÇO SOCIAL
Profª. Vera Lúcia Hoffmann Pieritz
UNIASSELVI
2013
NEAD
Educação a Distância
GRUPO
Copyright  UNIASSELVI 2012
Elaboração:
Profª. Vera Lúcia Hoffmann Pieritz
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri
UNIASSELVI – Indaial.
CENTRO UNIVERSITÁRIO
LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, nº 1.040, Bairro Benedito
89130-000 - INDAIAL/SC
www.uniasselvi.com.br
 
362.850981
P615e Pieritz, Vera Lúcia Hoffmann
 
 Ética profissional em serviço social/ Vera Lúcia Hoffmann Pieritz. 
Indaial : Uniasselvi, 2013.
 197 p. : il
 
 
 ISBN 978-85-7830-826-1
 I Ética profissional.
 1.Centro Universitário Leonardo da Vinci.
ÉTICA PROFISSIONAL EM 
SERVIÇO SOCIAL
APRESENTAÇÃO
Caro(a) acadêmico(a)!
Iniciamos os estudos de Ética Profissional em Serviço Social. Entraremos no mundo 
intrínseco do relacionamento e do comportamento humano e suas regras de conduta, no qual 
trabalharemos a questão da formação dos princípios morais e éticos dos homens que vivem 
em sociedade. Portanto, esta disciplina aborda a compreensão dos significados dos princípios 
norteadores da ética, além de propiciar um conhecimento dos fundamentos ético-morais do 
exercício profissional do Assistente Social e promover uma reflexão e uma discussão sobre 
as questões ético-morais, na relação indivíduo e sociedade. 
Esta disciplina pretende, também, fomentar o debate sobre as diversas dimensões ético-
morais da vida social e profissional, promover uma consciência crítica referente aos valores 
e princípios norteadores do exercício profissional e apresentar os fundamentos e significados 
do código de ética dos Assistentes Sociais.
Para que você possa compreender estes conceitos de ética, valores e moral e os 
assuntos pertinentes às questões éticas do cotidiano profissional do Assistente Social, 
proporcionaremos uma reflexão acerca do espaço da ética na relação indivíduo e sociedade, 
de modo que você possa trabalhar estes conceitos, permitindo que os mesmos interajam nas 
dimensões ético-morais da vida social e profissional.
De modo prático, sobre os assuntos abordados, esta disciplina será dividida em três 
unidades principais.
Na primeira unidade, você discutirá questões em torno das principais definições da 
ética, no intuito de compreender o seu significado e os seus princípios norteadores; aprofundar 
os conhecimentos acerca dos princípios e valores morais de nossa sociedade e identificar as 
diversas questões éticas contemporâneas.
No Tópico 1, discutiremos os significados da ética profissional do Assistente Social, 
trabalhando os aspectos básicos, correlacionados à ética e à moral do comportamento humano 
em sociedade.
No Tópico 2, abordaremos as questões referentes à ética como um modo de viver 
e conviver, no qual trabalhamos as diferenças entre ética e moral; as origens ou bases 
fundamentais da existência humana e a conduta moral, ou seja, trabalhamos o significado do 
bem e mal, do certo e errado.
No Tópico 3, procuraremos trabalhar a compreensão dos conceitos e características dos 
valores e virtudes morais, que formam os princípios norteadores da ética. Além de tratarmos da 
iii
ÉTICA PROFISSIONAL EM 
SERVIÇO SOCIAL
questão da essência da moral, com embasamentos éticos para a vida cotidiana e os valores 
e princípios morais dos seres humanos.
No Tópico 4, abordaremos as questões da ética no nosso dia a dia, ou seja, como se 
processam as questões éticas, na contemporaneidade, além de trabalharmos a questão da 
escolha e da responsabilidade, por meio da liberdade, como a capacidade humana.
Na segunda unidade, você conhecerá os fundamentos ético-morais do exercício 
profissional dos Assistentes Sociais; promoverá a reflexão e discussão sobre as questões ético-
morais na relação indivíduo e sociedade; fomentará o debate sobre as diversas dimensões 
ético-morais da vida social e profissional e promoverá uma consciência crítica referente aos 
valores e princípios norteadores do exercício profissional do Assistente Social.
No Tópico 1, abordaremos, com detalhes, a natureza, o significado e as características 
fundamentais da ética profissional, além de trabalhar as questões relativas ao cotidiano da 
prática profissional e das finalidades ético-morais da reprodução social.
No Tópico 2, trabalharemos como se processa o espaço da ética na relação indivíduo 
versus sociedade, no qual perpassamos por alguns aspectos históricos da construção ética-
moral da sociedade. Demonstramos, ainda, a inter-relação natural do comportamento moral 
entre os homens, principalmente na questão da construção subjetiva do homem, ou seja, o 
homem como ser individual.
No Tópico 3, trabalharemos os vários aspectos das relações entre o trabalho, a ética 
e o ser social, verificando as relações éticas no mundo do trabalho.
No Tópico 4, abordaremos a questão da ética profissional do serviço social e seu projeto 
ético-político, no qual se trabalhou como se processam as intervenções éticas na prática 
profissional do Assistente Social e seu objeto de trabalho, as expressões da questão social.
Na terceira unidade, você compreenderá os fundamentos e significados do código 
de ética dos Assistentes Sociais. Além de ter um link com os Conselhos de Fiscalização do 
Serviço Social.
No Tópico 1, abordaremos os principais fundamentos e significados do código de ética 
dos Assistentes Sociais. 
No Tópico 2, abordaremos uma discussão referente aos direitos e deveres gerais do 
Assistente Social. Direitos e deveres assegurados pelo Código de Ética do Assistente Social.
No Tópico 3, somente apresentaremos, na íntegra, o Código de Ética do Assistente Social.
iv
ÉTICA PROFISSIONAL EM 
SERVIÇO SOCIAL
No Tópico 4, apresentaremos os diversos Conselhos de Fiscalização do Serviço Social, 
o CFESS – Conselho Federal do Serviço Social e o CRESS – Conselho Regional do Serviço 
Social.
Prontos para começar a compreender o significado da ética profissional em serviço social?
Então, mãos à obra!
Bons estudos, e sucesso!
Profª. Vera Lúcia Hoffmann Pieritz
v
UNI
Oi!! Eu sou o UNI, você já me conhece das outras disciplinas. 
Estarei com você ao longo deste caderno. Acompanharei os seus 
estudos e, sempre que precisar, farei algumas observações. 
Desejo a você excelentes estudos! 
 UNI
ÉTICA PROFISSIONAL EM 
SERVIÇO SOCIAL
vi
ÉTICA PROFISSIONAL EM 
SERVIÇO SOCIAL
SUMÁRIO
UNIDADE 1 – A ÉTICA E SEUS FUNDAMENTOS .......................................................... 1
TÓPICO 1 – O QUE É ÉTICA? ......................................................................................... 3
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 3
2 PROBLEMAS MORAIS E ÉTICOS ............................................................................... 3
3 O CAMPO DA ÉTICA: SEU SIGNIFICADO E A FORMAÇÃO DO SUJEITO 
 ÉTICO-MORAL .............................................................................................................. 5
4 OS IDEAIS ÉTICOS: UMA INVESTIGAÇÃO DOS FUNDAMENTOS ÉTICOS ............ 8
LEITURA COMPLEMENTAR 1 ......................................................................................... 8
LEITURA COMPLEMENTAR 2 ......................................................................................... 9
RESUMO DO TÓPICO 1 ................................................................................................. 16
AUTOATIVIDADE ...........................................................................................................17
TÓPICO 2 – ÉTICA: UM MÉTODO DE VIVER E CONVIVER ....................................... 19
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 19
2 DIFERENÇA ENTRE ÉTICA E MORAL ...................................................................... 19
3 A GÊNESE DA CONSCIÊNCIA MORAL: A NECESSIDADE DO 
 DESENVOLVIMENTO HUMANO ................................................................................ 21
4 CONDUTA MORAL: O BEM E O MAL, O CERTO E O ERRADO .............................. 23
LEITURA COMPLEMENTAR 1 ....................................................................................... 25
LEITURA COMPLEMENTAR 2 ....................................................................................... 26
RESUMO DO TÓPICO 2 ................................................................................................. 33
AUTOATIVIDADE ........................................................................................................... 34
TÓPICO 3 – OS VALORES E A MORAL COMO PRINCÍPIOS NORTEADORES DA 
 ÉTICA ......................................................................................................... 35
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 35
2 A ESSÊNCIA DA MORAL COM EMBASAMENTOS ÉTICOS PARA A VIDA 
 COTIDIANA .................................................................................................................. 35
3 OS VALORES E PRINCÍPIOS MORAIS ...................................................................... 39
LEITURA COMPLEMENTAR .......................................................................................... 43
RESUMO DO TÓPICO 3 ................................................................................................. 46
AUTOATIVIDADE ........................................................................................................... 48
TÓPICO 4 – A ÉTICA NA CONTEMPORANEIDADE .................................................... 49
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 49
2 ALGUMAS QUESTÕES ÉTICAS POLÊMICAS DA ATUALIDADE ............................ 49
2.1 FAMÍLIA ..................................................................................................................... 50
2.2 SOCIEDADE CIVIL ................................................................................................... 51
2.3 ESTADO .................................................................................................................... 51
vii
ÉTICA PROFISSIONAL EM 
SERVIÇO SOCIAL viii
3 ÉTICA E LIBERDADE: A LIBERDADE COMO CAPACIDADE HUMANA ................. 52
LEITURA COMPLEMENTAR 1 ....................................................................................... 52
LEITURA COMPLEMENTAR 2 ....................................................................................... 55
RESUMO DO TÓPICO 4 ................................................................................................. 58
AUTOATIVIDADE ........................................................................................................... 59
AVALIAÇÃO .................................................................................................................... 60
UNIDADE 2 – A ÉTICA E OS FUNDAMENTOS DA PRÁTICA PROFISSIONAL DO 
ASSISTENTE SOCIAL ............................................................................ 61
TÓPICO 1 – OS FUNDAMENTOS ÉTICO-MORAIS DO EXERCÍCIO 
 PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL ............................................ 63
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 63
2 A NATUREZA E OS FUNDAMENTOS DA ÉTICA PROFISSIONAL ........................... 63
3 O SIGNIFICADO DA ÉTICA PROFISSIONAL ............................................................ 65
4 ÉTICA, O COTIDIANO E A PRÁTICA PROFISSIONAL ............................................. 67
LEITURA COMPLEMENTAR 1 ....................................................................................... 69
LEITURA COMPLEMENTAR 2 ....................................................................................... 70
RESUMO DO TÓPICO 1 ................................................................................................. 75
AUTOATIVIDADE ........................................................................................................... 77
TÓPICO 2 – O ESPAÇO DA ÉTICA NA RELAÇÃO INDIVÍDUO E SOCIEDADE ......... 79
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 79
2 AS BASES HISTÓRICAS DA SOCIEDADE NA CONSTRUÇÃO DA ÉTICA ............. 79
LEITURA COMPLEMENTAR 1 ....................................................................................... 82
LEITURA COMPLEMENTAR 2 ....................................................................................... 83
RESUMO DO TÓPICO 2 ................................................................................................. 89
AUTOATIVIDADE ........................................................................................................... 91
TÓPICO 3 – A RELAÇÃO ENTRE TRABALHO, SER SOCIAL E ÉTICA ..................... 93
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 93
2 O QUE É TRABALHO? ............................................................................................... 93
3 A ÉTICA DO TRABALHO ............................................................................................ 94
LEITURA COMPLEMENTAR 1 ....................................................................................... 97
LEITURA COMPLEMENTAR 2 ....................................................................................... 98
RESUMO DO TÓPICO 3 ............................................................................................... 100
AUTOATIVIDADE ......................................................................................................... 102
TÓPICO 4 – A ÉTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL 
 E SEU PROJETO ÉTICO-POLÍTICO ....................................................... 103
1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 103
2 AS INTERVENÇÕES ÉTICAS NA PRÁTICA PROFISSIONAL DO ASSISTENTE 
 SOCIAL ...................................................................................................................... 103
3 O OBJETO DA PRÁTICA PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL .................. 104
ÉTICA PROFISSIONAL EM 
SERVIÇO SOCIAL ix
LEITURA COMPLEMENTAR ....................................................................................... 108
RESUMO DO TÓPICO 4 ............................................................................................... 120
AUTOATIVIDADE ......................................................................................................... 122
AVALIAÇÃO .................................................................................................................. 123
UNIDADE 3 – O CÓDIGO DE ÉTICA DOS ASSISTENTES SOCIAIS 
 BRASILEIROS E OS CONSELHOS DE FISCALIZAÇÃO ................... 125
TÓPICO 1 – FUNDAMENTOS E SIGNIFICADOS DO CÓDIGO DE ÉTICA DOS 
ASSISTENTES SOCIAIS ........................................................................ 127
1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 127
2 PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO CÓDIGO DE ÉTICA ..........................................128
2.1 LIBERDADE ............................................................................................................ 128
2.2 DIREITOS HUMANOS ............................................................................................ 130
2.3 CIDADANIA ............................................................................................................. 132
2.4 DEMOCRACIA ........................................................................................................ 133
2.5 EQUIDADE E JUSTIÇA SOCIAL ............................................................................ 134
2.6 RESPEITO À DIVERSIDADE .................................................................................. 135
2.7 PLURALISMO ......................................................................................................... 136
2.8 PROJETO PROFISSIONAL .................................................................................... 137
2.9 MOVIMENTOS SOCIAIS ........................................................................................ 138
2.10 QUALIDADE DOS SERVIÇOS PRESTADOS ...................................................... 139
2.11 INDISCRIMINAÇÃO .............................................................................................. 140
LEITURA COMPLEMENTAR ........................................................................................ 141
RESUMO DO TÓPICO 1 ............................................................................................... 146
AUTOATIVIDADE ......................................................................................................... 150
TÓPICO 2 – DOS DIREITOS E DAS RESPONSABILIDADES GERAIS 
 DO ASSISTENTE SOCIAL ...................................................................... 153
1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 153
2 DOS DIREITOS GERAIS DO ASSISTENTE SOCIAL ............................................... 153
3 DOS DEVERES GERAIS DO ASSISTENTE SOCIAL .............................................. 155
4 O QUE O ASSISTENTE SOCIAL NÃO PODE FAZER ............................................. 156
RESUMO DO TÓPICO 2 ............................................................................................... 158
AUTOATIVIDADE ......................................................................................................... 160
TÓPICO 3 – O CÓDIGO DE ÉTICA DO ASSISTENTE SOCIAL BRASILEIRO .......... 161
1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 161
2 O CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DOS/DAS ASSISTENTES SOCIAIS ........ 165
RESUMO DO TÓPICO 3 ............................................................................................... 177
AUTOATIVIDADE ......................................................................................................... 178
TÓPICO 4 – OS CONSELHOS DE FISCALIZAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL ............. 179
1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 179
ÉTICA PROFISSIONAL EM 
SERVIÇO SOCIAL
x
2 CFESS – CONSELHO FEDERAL DO SERVIÇO SOCIAL ....................................... 179
3 CRESS – CONSELHO REGIONAL DE SERVIÇO SOCIAL ..................................... 181
4 OUTRAS ENTIDADES CORRELACIONADAS AO SERVIÇO SOCIAL ................... 184
LEITURA COMPLEMENTAR ........................................................................................ 185
RESUMO DO TÓPICO 4 ............................................................................................... 191
AUTOATIVIDADE ......................................................................................................... 192
AVALIAÇÃO .................................................................................................................. 193
REFERÊNCIAS ............................................................................................................. 195
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UNIDADE 1
A ÉTICA E SEUS FUNDAMENTOS
ObjETIvOS DE AprENDIzAgEM
 A partir desta unidade, você será capaz de:
	compreender o significado da ética e seus princípios norteadores;
	aprofundar os conhecimentos acerca dos princípios e valores morais 
de nossa sociedade;
	identificar as diversas questões éticas contemporâneas.
TÓPICO 1 – O QUE É ÉTICA?
TÓPICO 2 – ÉTICA: UM MÉTODO DE VIVER E 
CONVIVER
TÓPICO 3 – OS VALORES E A MORAL COMO 
PRINCÍPIOS NORTEADORES DA ÉTICA
TÓPICO 4 – A ÉTICA NA CONTEMPORANEIDADE
pLANO DE ESTUDOS
A Unidade 1 está dividida em quatro tópicos. Ao final de cada 
um deles, você terá a oportunidade de fixar seus conhecimentos, 
realizando as atividades propostas.
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O QUE É ÉTICA?
1 INTRODUÇÃO
2 PROBLEMAS MORAIS E ÉTICOS
TÓPICO 1
UNIDADE 1
No processo de compreensão dos significados da ética profissional do Assistente Social, 
faz-se necessário discutir, primeiramente, alguns aspectos básicos correlacionados à ética e 
à moral do comportamento humano em sociedade.
Neste sentido, segundo Tomelin e Tomelin (2002, p. 89) “a ética é uma das áreas da 
filosofia que investiga sobre o agir humano na convivência com os outros [...]”, ou seja, pode-
se compreender que os nossos costumes e as nossas ações humanas em sociedade formam 
uma consciência moral do certo e do errado, do bem e do mal.
NO
TA! �
A Filosofia, de modo geral, investiga a racionalidade dos princípios 
fundamentais dos seres humanos.
Assim, pretendemos apresentar algumas ponderações no que tange aos principais 
significados da ética e da moral.
Com relação aos problemas éticos e morais do comportamento humano, observamos 
que a ética não é facilmente explicável, ao sermos indagados, mas todos nós sabemos o que 
é, pois está diretamente relacionada aos nossos costumes e às ações em sociedade, ou seja, 
ao nosso comportamento, ao nosso modo de vida e de convivência com os outros integrantes 
UNIDADE 1TÓPICO 14
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da sociedade.
Observa-se que todos nós possuímos princípios e valores que foram e são constituídos 
por nossa sociedade. E, com relação a estes valores, cada um de nós possui uma visão do 
que é certo e errado, do que é o bem e o mal. 
Contudo, esta consciência moral é determinada por um consenso coletivo e social, ou 
seja, o conjunto da sociedade é que formula e compõe as normas de conduta que o regem. Como 
exemplo, temos a nossa Constituição Federal e outras regras e normas de nossa sociedade.
IMP
OR
TAN
TE! �
Caro(a) acadêmico(a), para aprofundar os seus conteúdos sobre 
os princípios e valores, sugerimos a leitura dos artigos 1º, 3º e 5º 
da Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 
1988. Ele está disponível no seguinte site: <http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm>.
Didaticamente, segundo Valls (2003, p. 8) 
[...] costuma-se separar os problemas teóricos da ética em dois campos: num, 
os problemas gerais e fundamentais (como liberdade, consciência, bem, valor, 
lei e outros); e no segundo os problemas específicos, de aplicação concreta, 
como os problemas da ética profissional, de ética política, de ética sexual, de 
ética matrimonial, de bioética etc.
FONTE: Disponível em: <www.dialogosuniverstarios.com.br>. Acesso 
em: 25 fev. 2009.
FIGURA 1– O BEM E O MAL
UNIDADE 1 TÓPICO 1 5
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Contudo, como saber: o que é certo e errado, se estamos fazendo o 
bem ou o mal?
Finalizando este item, podemos observar que: 
[...] os problemas éticos se distinguem da moral pela sua característica genéri-
ca, enquanto que a moral se caracteriza pelos problemas da vida cotidiana. O 
que há de comum entre elas é fazer o homem pensar sobre a responsabilidade 
das consequências de suas ações. A ética faz pensar sobre as consequências 
universais, sempre priorizando a vida presente e futura, local e global. A moral 
faz pensar as consequências grupais, adverte para normas culturalmente for-
muladas ou pode estar fundamentado num princípio ético. A ética pode, desta 
forma, pautar o comportamento moral. (TOMELIN; TOMELIN, 2002, p. 90).
AUT
OAT
IVID
ADE �
PROBLEMAS DA VIDA COTIDIANA
VALORES E PRINCÍPIOS PROBLEMAS ÉTICO-MORAIS
LIBERDADE
IGUALDADE
DEMOCRACIA
3 O CAMPO DA ÉTICA: SEU SIGNIFICADO 
 E A FORMAÇÃO DO SUJEITO ÉTICO-MORAL
Todos os homens fazem parte de uma sociedade, de um grupo social, portando, podemos 
dizer que os homens em sociedade convivem em grupo. Cada grupo social possui diferentes 
características culturais e morais, como, por exemplo: os povos indígenas, os orientais, os 
africanos, os alemães, os franceses, os italianos, os americanos, os brasileiros, entre muitos 
outros. Cada sociedade possui suas normas de conduta comportamental e seus princípios 
morais, ou seja, cada grupo social constituiu o que é certo e errado, o que é o bem e o mal 
para o seu povo, portanto, nem sempre o que é certo para nós pode ser certo para um outro 
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grupo social e vice-versa.
Podemos pegar como exemplo a cultura do nascimento de crianças. Existem algumas 
sociedades indígenas em que a mãe, ao dar à luz, se embrenha na mata sozinha e se o filho 
não for perfeito, segundo os seus princípios morais, ela o abandona à sua própria sorte. À luz 
de nossos princípios morais, esta ação seria considerada um crime de abandono.
Como você pode observar na seguinte figura, cada povo possui sua tradição, hábitos, 
costumes e cultura, desencadeando valores e princípios morais diferentes, que conduzem o 
seu comportamento social e moral.
FONTE: A autora
Se você quiser saber mais sobre o comportamento moral destes 
grupos sociais/povos, pesquise, na internet, sobre a CULTURA de 
cada povo. Assim, você poderá observar as diferenças culturais 
de cada um e identificar seus princípios morais.
FONTE: Disponível em: <www.dificilescolher.blogspot.com>. 
Acesso em: 25 fev. 2009.
CULTURA
FIGURA 2 – DIFERENTES CULTURAS
FIGURA 3 – INDECISÃO
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Afinal o que é ética?
De acordo com Tomelin e Tomelin (2002, p. 89), “a palavra ética provém do grego ethos 
e significa hábitos, costumes e se refere à morada de um povo ou sociedade. A palavra moral 
provém do latim morális e significa costume, conduta.” 
A principal função da ética é sugerir qual o melhor comportamento que cada pessoa 
ou grupo social tem ou venha a ter. Indicando o que é certo ou errado, o que é bom ou mau. 
Porém, este comportamento sempre partirá do ponto de vista dos princípios morais de cada 
sociedade, ou seja, seu grupo social. A ética auxilia no esclarecimento e na explicação da 
realidade cotidiana de cada povo, procurando sempre elaborar seus conceitos conforme o 
comportamento correspondente de cada grupo social.
IMP
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TAN
TE! �
“O ético transforma-se assim numa espécie de legislador do 
comportamento moral dos indivíduos ou da comunidade.” 
(VÁZQUEZ, 2005, p. 20).
Complementando, Vazquez (2005, p. 21) coloca-nos que “a ética é teoria, investigação 
ou explicação de um tipo de experiência humana ou forma de comportamento dos homens 
[...]”, ou seja, o valor de ética está naquilo que ela explica – o fato real daquilo que foi ou é –, 
e não no fato de recomendar uma ação ou uma atitude moral.
Como todos sabem, existem grandes transformações históricas no decorrer dos tempos 
em nossa sociedade. E com estas mudanças, o nosso comportamento também muda e, 
consequentemente, os nossos princípios morais também. 
Outro fator que não podemos esquecer é a questão de julgar o comportamento dos outros 
grupos sociais, pois a realidade cotidiana destes foi formada por outro conjunto de normas e 
princípios morais, diferente dos nossos. Mesmo que em alguns aspectos estes princípios se 
pareçam com os nossos.
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4 OS IDEAIS ÉTICOS: UMA INVESTIGAÇÃO 
DOS FUNDAMENTOS ÉTICOS
Agora, prezado(a) acadêmico(a), apresentamos mais alguns aspectos correlacionados 
à etica, realizando assim uma investigação dos fundamentos que norteiam a ética.
A ética não se restringe a normas! [...] A moral expressa uma resposta as 
necessidades, mas [...] de onde vem a possibilidade de determinar o que é 
bom ou ruim, ou ainda de onde vem a possibilidade de escolher entre coisas 
diferentes? Para responder a essas questões, devemos agora entender os 
valores e escolhas com capacidades humanas. (BARROCO, 2000, p. 53-54).
Como realmente podemos definir as questões morais em nossa sociedade, ou seja, 
quais os critérios da conduta moral humana? Como ela se constitui?
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“Será que agir moralmente significaria agir de acordo com a 
própria consciência?” (VALLS, 2003, p. 43).
Pois bem, partindo do princípio de que a conduta humana é formada por um conjunto 
de ações no intuito de obter alguma coisa, ou atingir alguma meta, observamos que nós, 
homens, agimos de acordo com os nossos interesses e os interesses do coletivo. Portanto, 
só agimos quando somos motivados ou impulsionados por um desejo ou na busca constante 
da realização e do prazer, pois é o caráter das pessoas e seus costumes, hábitos e virtudes 
que determinam a sua conduta social, a sua maneira de viver. E é neste comportamento que 
a ética regula o agir humano.
LEITURA COMPLEMENTAR 1
AS TRÊS PENEIRAS DE SÓCRATES
Certa vez um homem chegou até Sócrates e disse:
— Mestre, escute-me, pois tenho que contar-lhe algo importante a respeito de seu 
amigo!
— Espera um pouco – interrompe o sábio – fez passar aquilo que quer contar pelas 
três peneiras?
— Que três peneiras, Mestre?
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— Então escute bem! A primeira é a peneira da Verdade. Está convicto de que tudo 
que quer me dizer é verdade?
— Não exatamente, Mestre. Somente o ouvi de outros.
— Mas então certamente fez passar pela segunda peneira. Trata-se da peneira da 
Bondade.
— O homem ficou ruborizado e respondeu:
— Devo confessar-lhe que não, Mestre.
— E pensou na terceira peneira? Seria-me útil o que quer falar a respeito de meu amigo? 
Seria esta a peneira da Utilidade.
— Útil? Na verdade, não.
—Vê? – disse-lhe o sábio – se aquilo que quer contar-me não é Verdadeiro, nem Bom, 
nem Útil, então é melhor que o guarde somente para si.
FONTE: TOMELIN, Janes Fidélis; TOMELIN, Karina Nones. Do mito para a razão: uma dialética do 
saber. 2. ed. Blumenau: Nova Letra, 2002. p. 92-93.
LEITURA COMPLEMENTAR 2
ÉTICA E MORAL
Sandro Dennis
Existe alguma confusão entre o Conceito de Moral e o Conceito de Ética. A etimologia 
destes termos ajuda a distingui-los, sendo que Ética vem do grego “ethos” quesignifica modo 
de ser, e Moral tem sua origem no latim, que vem de “mores”, significando costumes.
Esta confusão pode ser resolvida com o estudo em paralelo dos dois temas, sendo que 
Moral é um conjunto de normas que regulam o comportamento do homem em sociedade, e 
estas normas são adquiridas pela educação, pela tradição e pelo cotidiano. É a “ciência dos 
costumes”. A Moral tem caráter normativo e obrigatório.
Já a ÉTICA é “conjunto de valores que orientam o comportamento do homem em relação 
aos outros homens na sociedade em que vive, garantindo, assim, o bem-estar social”, ou seja, 
ÉTICA É A FORMA QUE O HOMEM DEVE SE COMPORTAR NO SEU MEIO SOCIAL.
A MORAL sempre existiu, pois todo ser humano possui a consciência Moral que o leva a 
distinguir o bem do mal no contexto em que vive. Surgindo realmente quando o homem passou 
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a fazer parte de agrupamentos, isto é, surgiu nas sociedades primitivas, nas primeiras tribos. A 
Ética teria surgido com Sócrates, pois se exige maior grau de cultura. Ela investiga e explica 
as normas morais, pois leva o homem a agir não só por tradição, educação ou hábito, mas 
principalmente por convicção e inteligência. Ou seja, enquanto a Ética é teórica e reflexiva, 
a Moral é eminentemente prática. Uma completa a outra.
Em nome da amizade, deve-se guardar silêncio diante do ato de um traidor? Em situações 
como esta, os indivíduos se deparam com a necessidade de organizar o seu comportamento 
por normas que se julgam mais apropriadas ou mais dignas de ser cumpridas. Tais normas são 
aceitas como obrigatórias, e desta forma, as pessoas compreendem que têm o dever de agir 
desta ou daquela maneira. Porém o comportamento é o resultado de normas já estabelecidas, 
não sendo, então, uma decisão natural, pois todo comportamento sofrerá um julgamento. E 
a diferença prática entre Moral e Ética é que esta é o juiz das morais, assim ÉTICA É UMA 
ESPÉCIE DE LEGISLAÇÃO DO COMPORTAMENTO MORAL DAS PESSOAS.
Ainda podemos dizer que a ética é um conjunto de regras, princípios ou maneiras 
de pensar que guiam, ou chamam para si a autoridade de guiar, as ações de um grupo em 
particular, ou, também, o estudo da argumentação sobre como nós devemos agir.
Também a simples existência da moral não significa a presença explícita de uma 
ética, entendida como filosofia moral, pois é preciso uma reflexão que discuta, problematize e 
interprete o significado dos valores morais.
Podemos dizer, a partir dos textos de PLATÃO e 
ARISTÓTELES, que no Ocidente, a ética ou filosofia moral inicia-se 
com Sócrates.
Para SÓCRATES, o conceito de ética iria além do senso 
comum da sua época, o corpo seria a prisão da alma, que é imutável 
e eterna. Existiria um “bem em si” próprio da sabedoria da alma e que 
podem ser rememorados pelo aprendizado. Esta bondade absoluta 
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do homem tem relação a uma ética anterior à experiência, pertencente à alma e que o corpo 
para reconhecê-la terá que ser purificado.
ARISTÓTELES subordina sua ética à política, acreditando que na monarquia e na 
aristocracia se encontraria a alta virtude, já que esta é um privilégio de poucos indivíduos. 
Também diz que na prática ética, nós somos o que fazemos, ou seja, o Homem é moldado na 
medida em que faz escolhas éticas e sofre as influências dessas escolhas.
O Mundo Essencialista é o mundo da contemplação, ideia compartilhada pelo filósofo 
grego antigo Aristóteles. No pensamento filosófico dos antigos, os seres humanos aspiram 
ao bem e à felicidade, que só podem ser alcançados pela conduta virtuosa. Para a ética 
essencialista o homem era visto como um ser livre, sempre em busca da perfeição. Esta por 
sua vez, seria equivalente aos valores morais que estariam inscritos na essência do homem. 
Dessa forma – para ser ético – o homem deveria entrar em contato com a própria essência, 
a fim de alcançar a perfeição.
Costuma-se resumir a ética dos antigos, ou ética essencialista, em três aspectos: 1) o 
agir em conformidade com a razão; 2) o agir em conformidade com a natureza e com o caráter 
natural de cada indivíduo; 3) a união permanente entre ética (a conduta do indivíduo) e política 
(valores da sociedade). A ética era uma maneira de educar o sujeito moral (seu caráter) no intuito 
de propiciar a harmonia entre o mesmo e os valores coletivos, sendo ambos virtuosos.
Com o cristianismo romano, através de S. TOMÁS DE 
AQUINO e SANTO AGOSTINHO, incorpora-se a ideia de que 
a virtude se define a partir da relação com Deus e não com a 
cidade ou com os outros. Deus nesse momento é considerado o 
único mediador entre os indivíduos. As duas principais virtudes 
são a fé e a caridade.
Através deste cristianismo, se afirma na ética o livre-
arbítrio, sendo que o primeiro impulso da liberdade dirige-se para 
o mal (pecado). O homem passa a ser fraco, pecador, dividido 
entre o bem e o mal. O auxílio para a melhor conduta é a lei divina. 
A ideia do dever surge nesse momento. Com isso, a ética passa a estabelecer três tipos de 
conduta; a moral ou ética (baseada no dever), a imoral ou antiética e 
a indiferente à moral.
As profundas transformações que o mundo sofre a partir do 
século XVII com as revoluções religiosas, por meio de LUTERO; 
científica, com COPÉRNICO e filosófica, com DESCARTES, oprimem 
um novo pensamento na era Moderna, caracterizada pelo Racionalismo 
Cartesiano – agora a razão é o caminho para a verdade, e para chegar 
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a ela é preciso um discernimento, um método. Em oposição à fé surge agora o poder exclusivo 
da razão de discernir, distinguir e comparar. Este é um marco na história da humanidade que a 
partir daí acolhe um novo caminho para se chegar ao saber: o saber científico, que se baseia 
num método e o saber sem método é mítico ou empírico.
A ética moderna traz à tona o conceito de que os seres humanos 
devem ser tratados sempre como fim da ação e nunca como meio para 
alcançar seus interesses. Essa ideia foi contundentemente defendida 
por Emmanuel Kant. Ele afirmava que: “não existe bondade natural. Por 
natureza somos egoístas, ambiciosos, destrutivos, agressivos, cruéis, 
ávidos de prazeres que nunca nos saciam e pelos quais matamos, 
mentimos, roubamos”.
De acordo com esse pensamento, para nos tornarmos seres morais era necessário nos 
submetermos ao dever. Essa ideia é herdada da Idade Média na qual os cristãos difundiram 
a ideologia de que o homem era incapaz de realizar o bem por si próprio. Por isso, ele deve 
obedecer aos princípios divinos, cristalizando assim a ideia de dever. Kant afirma que se nos 
deixarmos levar por nossos impulsos, apetites, desejos e paixões não teremos autonomia ética, 
pois a Natureza nos conduz pelos interesses de tal modo que usamos as pessoas e as coisas 
como instrumentos para o que desejamos. Não podemos ser escravos do desejo.
No século XIX, FRIEDRICH HEGEL traz uma nova perspectiva 
complementar e não abordada pelos filósofos da Modernidade. Ele 
apresenta a perspectiva Homem – Cultura e História, sendo que a ética 
deve ser determinada pelas relações sociais. Como sujeitos históricos 
culturais, nossa vontade subjetiva deve ser submetida à vontade 
social, das instituições da sociedade. Desta forma, a vida ética deve 
ser “determinada pela harmonia entre vontade subjetiva individual e a 
vontade objetiva cultural”.
Através desse exercício, interiorizamos os valores culturais de tal maneira que passamos 
a praticá-losinstintivamente, ou seja, sem pensar. Se isso não ocorrer é porque esses valores 
devem estar incompatíveis com a nossa realidade e por isso devem ser modificados. Nesta 
situação podem ocorrer crises internas entre os valores vigentes e a transgressão deles.
Já na atualidade o conceito de ética se fundiu nestas duas correntes de pensamento:
A ÉTICA PRAXISTA, em cuja visão o homem tem a capacidade de julgar, ele não é 
totalmente determinado pelas leis da natureza, nem possui uma consciência totalmente livre. 
O homem tem uma corresponsabilidade frente as suas ações.
A ÉTICA PRAGMÁTICA, Com raízes na apropriação de coisas e espaços, na propriedade, 
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tem como desafio à alteridade (misericórdia, responsabilização, solidariedade), para transformar 
o Ter, o Saber e o Poder em recursos éticos para a solidariedade, contribuindo para a igualdade 
entre os homens: “distribuição equitativa dos bens materiais, culturais e espirituais”.
O homem é visto, como sujeito histórico-social, e como tal, sua ação não pode mais 
ser analisada fora da coletividade. Por isso, a ética ganha novamente um dimensionamento 
político: uma ação eticamente boa é politicamente boa, e contribui para o aumento da justiça, 
distribuição igualitária do poder entre os homens. Na ética pragmática o homem é politicamente 
ético, – “todos os aspectos da condição humana, têm alguma relação com a política” – há uma 
corresponsabilidade em prol de uma finalidade social: a igualdade e a justiça entre os homens.
Na Contemporaneidade, NIETZSCHE atribui a origem dos 
valores éticos, não à razão, mas à emoção. Para ele, o homem forte é 
aquele que não reprime seus impulsos e desejos, que não se submete 
à moral demagógica e repressora. E para coroar essa mudança radical 
de conceitos, surge FREUD com a descoberta do inconsciente, instância 
psíquica que controla o homem, burlando sua consciência para trazer 
à tona a sexualidade represada e que o neurotiza. Porém, FREUD, 
em momento algum afirma dever o homem viver de acordo com suas 
paixões, apenas buscar equilibrar e conciliar o id com o superego, ou 
seja, o ser humano deve tentar equilibrar a paixão e a razão.
Hoje, em uma era em que cada vez mais se fala de 
globalização, da qual somos todos funcionários e insumos de 
produção, o conhecimento de nossa cultura passa inevitavelmente 
pelo conhecimento de outras culturas. Entretanto essa tarefa 
antropológica não é suficiente para o homem comum superar a 
crise da ética atual conhecendo o outro e suas necessidades para 
se chegar a sua convivência harmônica. Ao contrário, ser feliz hoje 
é dominar progresso técnico e científico, ser feliz é ter. Não há mais 
espaço para uma ética voltada para uma comunidade. Hoje se aposta 
no individualismo, no consumo, na rapidez de produção.
No momento histórico em que vivemos existe um problema ético-político grave. Forças 
de dominação têm se consolidado nas estruturas sociais e econômicas, mas através da crítica 
e no esclarecimento da sociedade seria possível desvelar a dissimulação ideológica que existe 
nos vários discursos da cultura humana, sabendo disso, essas mesmas forças têm procurado 
controlar a mídia.
Em lugar da felicidade pura e simples há a obrigação do dever e a ética fundamenta-
se em seguir normas. Trata-se da “Ética da Obediência”. Que impede o Homem de pensar, e 
descobrir uma nova maneira de se ver, e assim encontrar uma saída em relação ao conformismo 
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1 Qual a função das regras e normas em nossa sociedade?
2 Procure identificar a diferença entre ética e moral.
3 Como podemos aplicar a fábula das “três peneiras de Sócrates”, 
em nosso dia a dia?
de massa que está na origem da banalidade do mal, do mecanismo infernal em que estão 
ausentes o pensamento e a liberdade do agir.
Pois assim determina Vasquez (1998) ao citar Moral como um “sistema de normas, 
princípios e valores, segundo os quais são regulamentados as relações mútuas entre os 
indivíduos ou entre estes e a comunidade, de tal maneira que estas normas, dotadas de um 
caráter histórico e social, sejam acatadas livres e conscientemente, por uma convicção íntima, 
e não de uma maneira mecânica, externa ou impessoal”.
Enfim, Ética e Moral são os maiores valores do homem livre. O homem, com seu livre 
arbítrio, vai formando seu meio ambiente ou o destruindo, ou ele apoia a natureza e suas 
criaturas, ou ele subjuga tudo que pode dominar, e assim ele mesmo se forma no bem ou no 
mal neste planeta.
FONTE: DENIS, Sandro. Ética e moral. Círculo Cúbico. Endereço Eletrônico: <Http://Circulocubico.
Wordpress.Com/2008/04/04/Tica-E-Moral/>. Acesso em: 9 set. 2011.
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Para um aprofundamento destes temas, sugiro que você leia os 
seguintes livros e assista ao filme indicado:
VALLS, Álvaro L. M. O que é Ética. São Paulo: 
Brasiliense, 2003. (Coleção Primeiros Passos, 
177).
VÁSQUEZ, Adolfo S. Ética. 26. ed. Rio de Janeiro: 
Civilização Brasileira, 2005.
COACHI CARTER: Treino para a vida. 
Título Original: Coach Carter. 
Gênero: Drama. 
Tempo de Duração: 136 minutos. 
Ano de Lançamento (EUA / Alemanha): 
2005. 
Site Oficial: <www.coachcartermovie.
com>. 
Estúdio: MTV Films / Tollin/Robbins 
Productions / MMDP Munich Movie 
Development & Production GmbH & Co. 
Distribuição: Paramount Pictures / UIP. 
Direção: Thomas Carter.
TOMELIN, Janes Fidélis; TOMELIN, Karina Nones. Do mito para a 
razão: uma dialética do saber. 2 ed. Blumenau: Novaletra, 2002.
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RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, podemos observar uma discussão acerca do significado da ética, 
no qual foram abordados os seguintes itens:
	A ética investiga o agir humano, o seu comportamento em sociedade.
	Nossas ações, hábitos e costumes formam uma consciência moral do que nos faz bem ou 
mal e o do que é certo ou errado.
	Todos os seres humanos possuem valores e princípios diferentes, porque vivem em 
sociedades diferentes, que possuem características culturais e morais diferentes.
	Cada um de nós possui uma visão do que é certo e errado, do bem e do mal. 
	Todos os homens fazem parte de uma sociedade, um grupo social, portanto, podemos dizer 
que os homens em sociedade convivem em grupo.
	A principal função da ética é sugerir qual o melhor comportamento que cada pessoa ou 
grupo social tem ou venha a ter.
	A ética auxilia no esclarecimento e explicação da realidade cotidiana de cada povo, procurando 
sempre elaborar seus conceitos conforme o comportamento correspondente de cada grupo 
social.
	O valor de ética está naquilo que ela explica – o fato real daquilo que foi ou é – e não no 
fato de recomendar uma ação ou uma atitude moral.
	São o caráter das pessoas e seus costumes, hábitos e virtudes que determinam a 
conduta social, a sua maneira de viver. E é neste comportamento que a ética regula o agir 
humano.
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1 Pesquise a diferença entre comportamento amoral e comportamento imoral.
2 Quais as diferenças entre cultura e valores?
3 Como você vê a ética em sua profissão?
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ÉTICA: UM MÉTODO DE 
VIVER E CONVIVER
1 INTRODUÇÃO
2 DIFERENÇA ENTRE ÉTICA E MORAL
TÓPICO 2
UNIDADE 1
Sabemos que vivemos em sociedade, mas para que possamos viver harmoniosamente 
com os outros, necessitamos compreender o como viver e conviver com o outro. Neste sentido, 
este tópico realizará algumas reflexões pertinentes a esta questão, pois:
Quando começamos a questionar a sensatez, ou mesmo a sanidade, de alguns 
de nossos mais acalentados modos de pensar – por exemplo, considerar o 
conhecimento como poder, em vez de sabedoria; afirmar a conveniência do 
progresso material, apesar de sua influência corrosiva em nossas almas, ou 
justificar a manipulação antropocêntrica da natureza, mesmo à custa de destruir 
o sistema de proteção de vida, a consciência primordial emerge como fonte 
inspiradora. (TU WEI-MING apud TOMELIN; TOMELIN, 2002, p. 89).
Assim, a compreensão das diferenças entre ética e moral, proporcionará a você 
prezado(a) acadêmico(a), maior compreensão da realidade social em que vivemos.
Com relação à ética e à moral, já estudadas no tópico 1 desta Unidade, podemos afirmar 
que a ética estuda e investiga o comportamento moral dos seres humanos. E esta moral é 
constituída pelos diferentes modos de viver e agir dos homens em sociedade, que é formada 
por suas diretrizes morais da vida cotidiana, transformando-se no decorrer dos tempos.
Nesta perspectiva, apresentamos as suas principais diferenças a seguir:
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ÉTICA MORAL
•	É a ciência que estuda a moral.
•	É a reflexão sistemática sobre o comportamento 
moral.
•	É a parte da filosofia que trata da reflexão dos 
princípios universais da humanidade.
•	São os valores humanos universais e 
fundamentais.
•	É a teoria do comportamento moral.
•	É a compreensão subjetiva do ato moral.
•	É o modo de viver e agir de cada povo, em cada 
cultura.
•	É o conjunto de normas, prescrição e valores 
reguladores da ação cotidiana.
•	Varia no tempo e no espaço.
•	São os valores concernentes ao bem e ao mal, 
permitindo ou proibindo.
•	Conjunto de normas e regras reguladoras da 
relação entre os homens de uma determinada 
comunidade.
•	Nasce da necessidade de ajudar cada membro 
aos interesses coletivos do grupo.
FONTE: TOMELIN, Janes Fidélis; TOMELIN, Karina Nones. Do mito para a razão: uma dialética do 
saber. 2. ed. Blumenau: Nova Letra, 2002. p. 89-90.
QUADRO 1 – DIFERENÇAS ENTRE ÉTICA E MORAL
Ou seja, podemos verificar que existe uma distinção entre ética e moral e cada qual 
possui suas características norteadoras, que de acordo com Paulo Netto (apud BONETTI et 
al, 2010, p. 23) a:
FIGURA 4 – MORAL E ÉTICA
FONTE: Adaptado de: Tomelin e Tomelin, 2002, p.89-90.
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Assim, podemos expor que a moral vem se constituindo historicamente, mudando no 
decorrer da própria evolução do homem em sociedade. Em que seus hábitos e costumes são 
constituídos por esta relação social, em que a essência humana é pautada por estes princípios 
morais. E estes por sua vez constituem o ser social que somos. E a ética nesta questão chega 
para simplesmente regular e analisar estes preceitos morais.
A ética é percussora da TRANSFORMAÇÃO SOCIAL dos diversos sistemas ou 
estruturas sociais. Sistemas estes que imprimiam suas mudanças sociais, tais como:
•	Capitalismo.
•	Socialismo.
Então, podemos dizer que quando é constituída uma nova estrutura social, a ética, 
os vilões e princípios morais são modificados para constituir assim esta nova concepção de 
sociedade. Em outros termos, o sistema de valores morais se transforma no processo de 
constituição de um novo padrão sócio-histórico.
Mas, nos diversos processos e projetos de transformações sociais devem permear os 
valores da solidariedade, igualdade e fraternidade, para assim poder constitui uma sociedade 
mais justa e democrática.
3 A GÊNESE DA CONSCIÊNCIA MORAL: 
 A NECESSIDADE DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
Neste item, trabalharemos algumas questões que apresentam as origens ou bases 
fundamentais da existência humana, ou seja, a gênese da consciência moral, aquilo que 
possibilita os seres humanos a serem considerados homens.
ATEN
ÇÃO!
Lembre-se, o ditado popular cita que “O HOMEM É HOMEM, 
PORQUE É UM SER RACIONAL!” A questão não é tão simples 
assim, pois não podemos dizer que a ética só depende da razão 
e que a racionalidade é o seu fator constituinte.
Entretanto, antes de tudo, precisamos compreender o significado das ações ético-morais 
na vida dos seres humanos, indagando se o simples fato de pensar e estabelecer normas de 
conduta da realidade cotidiana pode ser compreendido como a realização de uma atividade 
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Como sugestão, inicialmente leia o seguinte livro:
FURNARI, Eva. Lolo Barnabé. São Paulo: 
Moderna, 2000.
Os seres humanos estão ligados à natureza e dela dependem para se constituírem 
como seres sociais, pois, à medida que utilizam sua consciência sobre a natureza, desenvolvem 
necessidades práticas de sobrevivência, ou seja, não basta apenas pensar e observar, faz-se 
necessário que os homens ajam sobre sua realidade cotidiana, realizem seus desejos e vontades 
e transformem a sua vida conforme suas necessidades e as necessidades de sua sociedade.
Marx e Engels (1987, p. 22) colocam-nos que:
[...] o primeiro pressuposto de toda existência humana e, portanto, de toda 
história, é que os homens devem estar em condições de viver para poder fazer 
história. Mas, para viver, antes de tudo comer, beber, ter habitação, vestir-se 
e algumas coisas a mais. O primeiro ato histórico é, portanto, a produção dos 
meios que permitam a satisfação destas necessidades, a produção da própria 
vida material, e de fato este é um ato histórico, uma condição fundamental de 
toda a história, que ainda hoje, como há milhares de anos, deve ser cumprida 
todos os dias e todas as horas, simplesmente para manter os homens vivos.
Assim, podemos observar que a realização de nossas necessidades é compreendida 
como um fato social e histórico, primordial para compreendermos a própria existência humana. 
E estas necessidades, conforme a história do “Lolo Barnabé” (FURNARI, 2000), são criadas 
e recriadas constantemente, fazendo parte da constituição histórica dos seres humanos. Por 
consequência, determinando o modo de vida, os princípios, hábitos e valores sociais.
prática em sua vida, ou seria possível que a vida dos homens fosse estabelecida apenas por 
sua racionalidade ou pela composição de regras, normas e valores sociais?
Partindo desta indagação, podemos afirmar que o homem vive num mundo real, 
estabelecendo diversas relações com a natureza, transformando-a segundo às suas 
necessidades reais, sobrevivendo, ao longo de sua história, a partir dessas relações.
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Este desenvolvimento humano, pela busca da realização das suas necessidades, é 
feito primordialmente por meio do trabalho, no qual, o homem além de se adaptar à natureza, 
começa a agir sobre ela, transformando-a de acordo com seus propósitos e necessidades.
Então, podemos concluir que é por meio do trabalho que os seres humanos colocam em 
prática suas capacidades humanas. Assim, o trabalho é a base fundamental na formação da 
consciênciamoral de todos os seres humanos, pois, segundo Barroco (2000, p. 45) “[...] o 
trabalho é uma atividade social, cuja realização cria valores e costumes, desenvolve habilidades 
e sentimentos, formas de comunicação, de intercâmbio e de conhecimento, em outras palavras, 
cria a cultura e sua própria história.” É por meio do trabalho que os homens desenvolvem seus 
princípios e sua cultura, consequentemente, seus valores sociais e éticos.
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1 A partir da história do “Lolo Barnabé” (FURNARI, 2000), reflita 
sobre as determinações da construção social através do trabalho, 
na constituição dos seres humanos.
2 Por que é o trabalho que permite a construção dos valores 
éticos?
3 Qual é o papel da ação humana na produção e reprodução da 
vida em sociedade?
4 CONDUTA MORAL: O BEM E O MAL, 
O CERTO E O ERRADO
Com relação ao comportamento moral dos homens, chegamos numa encruzilhada que 
é a nossa própria consciência moral, pois como saber o que devemos fazer? O que é certo ou 
errado perante a sociedade? O que é o bem e como evitar o mal?
De acordo com Valls (2003, p. 67-68): 
[...] agir eticamente é agir de acordo com o bem. A maneira de como se definirá 
o que seja este bem, é um segundo problema, mas a opção entre o bem e o 
mal, distinção levantada já há alguns milênios, parece continuar válida. [...] 
Neste sentido, poderíamos continuar dizendo que uma pessoa ética é aquela 
que age sempre a partir da alternativa bem ou mal, isto é, aquela que resolveu 
pautar seu comportamento por uma tal opção, uma tal disjunção. E quem não 
vive dessa maneira, optando sempre, não vive eticamente.
Pois bem, para efetuarmos um julgamento concreto sobre alguma situação da vida em 
sociedade, devemos nos pautar sobre todos os pressupostos éticos daquela sociedade em 
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si, ou seja, seus princípios morais e seus costumes. Entretanto, sem esquecer que o que todo 
ser humano busca em suas ações cotidianas na sociedade é fazer sempre e somente o bem, 
pois é por causa e em nome deste bem maior que eles realizam tudo. 
Todas as nossas ações possuem um propósito, ou seja, um fim. Este fim somente é 
alcançado quando os homens realizam uma atividade para alcançá-lo, vão em busca de seus 
objetivos e metas. Portanto, se realmente existe um motivo que visa tudo o que fazemos, este 
fim só poderá ser realizado se nós, seres humanos, o realizarmos através de ações/atividades. 
Elas, por sua vez, sempre estão na busca constante da realização do bem e da verdade e 
procurando a felicidade e o prazer.
Em nome de um bem maior, da realização de um prazer ou em 
nome da felicidade, as pessoas realizam muitas ações na sociedade. 
Às vezes, estas ações podem prejudicar outras pessoas. Procure 
identificar pelo menos uma destas ações que você conhece, 
que, em nome deste bem maior, acaba prejudicando as outras 
pessoas.
Como sugestão de leitura para fixação deste conteúdo, leia o seguinte livro e assista 
aos filmes a seguir:
PERREIRA, Otaviano. O que é moral. São Paulo: 
Brasiliense, 1991.
ADMIRÁVEL MUNDO NOVO (Brave New World)
Direção: Leslie Libman e Larry Williams. 
Elenco: Peter Gallagher, Leonard Nimoy, Tim Guinee, Rya Kihlstedt, 
Sally Kirkland, Patrick J. Dancy, Daniel Dae Kim, Miguel Ferrer. 
Gênero: Ficção Científica.
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BLADE RUNNER: O CAÇADOR DE ANDROIDES
Diretor: Ridley Scott.
Elenco: FORD, HARRISON, HAUER, RUTGER, HANNAH, DARYL, 
e YOUNG, SEAN. 
Gênero: Ficção Científica.
SÁ, Antônio Lopes de. Ética e valores humanos. 
São Paulo: Juruá, 2011.
LEITURA COMPLEMENTAR 1
OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO
Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tornado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
-garrafa, prato, facão
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxada, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.
-------------------------
Notou que sua marmita
Era prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que os seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.
E o operário disse: não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução
---------------------------------
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
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FONTE: MORAES, Vinícius de. In: TOMELIN, Janes Fidélis; TOMELIN, Karina Nones. Do mito para 
a razão: uma dialética do saber. 2. ed. Blumenau: Nova Letra, 2002. (p.24)
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.
(Vinícius de Moraes)
E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:
LEITURA COMPLEMENTAR 2
ÉTICA E MORAL
UMA REFLEXÃO SOBRE A ÉTICA E OS PADRÕES DE MORALIDADE OCIDENTAL
Israel Alexandria
1. A MORALIDADE ENQUANTO OBJETO DA ÉTICA
Gosto não se discute. Correntemente essa frase é utilizada quando se quer estabelecer 
a ideia de que gosto é algo radicalmente subjetivo e imutável. Ora, a imensa variedade de 
sujeitos com preferências e opiniões distintas entre si e o fato de um mesmo sujeito mudar 
de preferências e opiniões fazem prova de que a complexa estrutura psíquica humana é 
capaz de aprender e de modificar o que se aprendeu. SUBJETIVIDADE não combina com 
IMUTABILIDADE, logo a frase em questão é contraditória.
Diz-se também que PERSONALIDADE vem da natureza. Quando atribuímos à natureza 
a existência de alguma coisa, estamos simplesmente dizendo que esta coisa não foi criada 
pela cultura, nasce-se com ela. Não há necessidade de aprender o que é natural. O natural é 
inato. Essa coisa chamada personalidade é inerente à pessoa. Pessoa e personalidade vêm 
da mesma palavra: persona. Ninguém nasce pessoa. Ninguém se refere a um bebê como 
"aquela pessoa", pois sabe-se que personalidade tem a ver com um sistema mais ou menos 
definido de gostos, preferências que se vai adquirindo com o tempo.
Embora as preferências e as condições que formam a personalidade sejam tão subjetivas 
e mutáveis, há uma constante que não podemos desprezar. É o princípio do prazer. Todo ser 
dotado de sensibilidade tem a propensão natural de afastar o que lhe está associado à dor e 
buscar o que lhe é prazeroso. O gato morde o homem que lhe pisa a cauda e o vegetal cresce 
em direção ao sol. Para o gato é bom que não lhe pisem na cauda. Para a planta, é bom 
crescer em direção ao sol. O ser humano não foge a essa regra. O bebê humano é capaz de 
manifestar sua percepção de prazer e dor e essa capacidade não se perde com a idade. O que 
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muda é a forma como se dá essa manifestação e o objeto do prazer ou o da dor que, por sua 
vez, dependem das circunstâncias. O que permanece imutável é o fato dos sujeitosestarem 
sempre buscando o que lhes parece bom, e afastando o que lhes parece mal. É sobre esses 
dois conceitos que trata a ética.
A ética é uma ciência comprometida com a busca aprofundada das relações entre 
o homem e os conceitos de bem e de mal. Trata-se de uma ciência da qual não podemos nos 
esquivar, pois o bem e o mal, o certo e o errado impregnam nossa conduta prática. Embora a 
maioria não pense no assunto, o comportamento humano é uma contínua resposta às questões 
éticas. É nesse ponto que nasce a distinção entre ética e moral.
O dicionarista e pensador Nicola Abbagnano (1901-1990) afirma que MORAL é "atinente 
à conduta" (1982: 652) enquanto a ÉTICA é "a ciência com vistas a dirigir e disciplinar 
a mesma conduta" (1982: 360). A moral seriam as regras práticas e a ética, o fundamento 
teórico da moral. Dizem-se moral aristotélica, moral kantiana para enfatizar os respectivos 
aspectos práticos; ética aristotélica, ética kantiana estariam mais relacionados aos seus aspectos 
teóricos. Alguns autores, entretanto, ressaltam que, embora haja uma infinidade de morais: 
moral cristã, moral judaica, moral platônica, moral kantiana etc., a ética seria uma só. É que, 
sendo esta uma ciência, trabalha apenas com conceitos universais.
Basicamente, são três os modelos de moralidade: aristocrático, utilitarista e kantiano.
2. A MORAL ARISTOCRÁTICA
A moral aristocrática visa fazer com que o indivíduo se aproxime, cada vez mais, de 
um homem ideal e transcendente. Nesse sentido, são morais aristocráticas a moral judaica, 
baseada no modelo de homem de fé (Abraão), a moral cristã, no amor ao próximo (Jesus), a 
moral platônica, no ascetismo (filósofo-rei), a moral budista, na eliminação dos desejos (Buda). 
Mas, na maioria das vezes, esses modelos ideais são apenas descrições sem referências a 
nomes de personagens históricos. A moral aristocrática propõe que cada indivíduo seja dotado 
das virtudes adequadas (a palavra virtude vem de virtu, que significa força) para imitar o modelo 
ou um ideal de vida proposto. A felicidade plena é obtida quando o indivíduo realiza o ideal 
proposto. Quanto mais virtuoso for o indivíduo, maior o seu grau de felicidade.
Sócrates (470-399 a.C.) inventou o ideal cínico (palavra derivada de canino), cuja 
principal virtude é o desprezo às comodidades, às riquezas e às convenções sociais, enfim a 
tudo aquilo que afasta o homem da simplicidade natural de que dão exemplo os animais (no 
caso o cão). Cínico é aquele que vive o descaramento da vida canina. Relata-se que Sócrates 
caminhava nos mercados apenas para saber do que ele não precisava. Outros curiosos relatos 
envolvendo Diógenes, tais como o da "visita do imperador", "a mão e a cuia", "a lanterna" etc. 
indicam que este teria sido o maior cínico da história.
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Platão (428-348 a.C.) propôs o ideal asceta. A prática da ascese consiste em viver 
na contemplação do mundo das ideias ao tempo que se afasta de tudo o que é corpóreo. "É 
evidente que o trabalho do filósofo consiste em se ocupar mais particularmente que os demais 
homens em afastar sua alma do contato com o corpo" (Platão: Fédon, 65, a). O sábio educa-
se para a morte, ou seja, para o dia em que sua alma se separará definitivamente do corpo, 
migrando para o outro mundo.
Aristóteles (384-322 a.C.) definia o homem ideal como aquele que consegue pôr em 
prática tanto a sua animalidade natural como a sua sociabilidade natural, pois o homem é um 
animal social por natureza. "Mesmo quando não precisam da ajuda dos outros, os homens 
continuam desejando viver em sociedade." (Aristóteles. Política: III, 6). Reprimir a animalidade 
ou a sociabilidade distancia o homem da felicidade. Para encontrar um termo médio entre essas 
duas naturezas, o homem vale-se da razão.
Os estoicos são outro exemplo de moral aristocrática. No séc. IV a.C. Acredita-se que 
o nome estoico tenha sido inspirado no local onde Zenão de Cício (335-263 a.C.) ensinava: os 
pórticos (stoa, em grego). Costuma-se atribuir a razão do surgimento dessa doutrina ao fato da 
cidade de Atenas haver perdido sua independência para os macedônicos, prolongada depois 
pelo império romano. O estoicismo foi uma espécie de refúgio espiritual, uma via filosófica 
para se conseguir a independência em nível individual. Não obstante, o estoicismo atravessou 
séculos, sendo adotado pelos cristãos e até pelo imperador romano Marco Aurélio (121-180 
d.C.). Segundo os estoicos, nenhum evento acontece por acaso (teoria da necessidade). Até 
mesmo o trajeto de uma folha que se desprende da árvore já foi milimetricamente traçado 
pelo Logos, princípio inteligente do cosmos. O ideal de sabedoria estoica é a completa apatia: 
indiferença-acomodação diante dos acontecimentos da vida, é o que revela Sêneca (4 a.C. 65 
d.C.) um dos expoentes do estoicismo.
Toda a vida é uma escravidão. É preciso, pois, acostumar-se à sua condição, queixando-
se o menos possivel e não deixando escapar nenhuma das vantagens que ela possa oferecer: 
nenhum destino é tão insuportável que uma alma razoável não encontre qualquer coisa para 
consolo. Vê-se frequentemente um terreno diminuto prestar-se, graças ao talento do arquiteto, às 
mais diversas e incríveis aplicações, e um arranjo hábil torna habitável o menor canto. Para vencer 
os obstáculos, apela à razão: verás abrandar-se o que resistia, alargar-se o que era apertado e 
os fardos tornarem-se mais leves sobre os ombros que saberão suportá-los. (1973: 216)
Não se interprete indiferença por alienação: um sábio pode engajar-se na vida política 
até mesmo porque estava escrito. Nesse ponto, os povos muçulmanos parecem estar em 
franco acordo com a doutrina estoica pois regularmente repetem a expressão maktub (estava 
escrito), particípio passado do verbo catab (escrever). A virtude do sábio é o controle absoluto 
de suas emoções. Segundo sua parenética (termo que diz respeito aos aconselhamentos 
práticos), quando as circunstâncias tornam impossível o controle das emoções, é aconselhável 
a prática do suicídio.
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Epicuro de Samos (341-270 a.C.) criou o modelo de sábio epicurista: o homem que 
pratica plenamente a virtude da ataraxia (despreocupação; ausência de aborrecimentos, de 
dores ou medos). 
Nem a posse das riquezas nem a abundância das coisas nem a obtenção de cargos ou o 
poder produzem a felicidade e a bem-aventurança; produzem-na a ausência de dores, a moderação 
nos afetos e a disposição de espírito que se mantenha nos limites impostos pela natureza.
A ausência de perturbação e de dor são prazeres estáveis; por seu turno, o gozo e 
a alegria são prazeres de movimento, pela sua vivacidade. Quando dizemos, então, que o 
prazer é fim, não queremos referir-nos aos prazeres dos intemperantes ou aos produzidos 
pela sensualidade, como creem certos ignorantes, que se encontram em desacordo conosco 
ou não nos compreendem, mas ao prazer de nos acharmos livres de sofrimentos do corpo e 
de perturbações da alma. (Epicuro.1993: 25).
Efetivamente, a ideia de que os epicuristas pregavam a volúpia do corpo é falsa. Eles 
praticavam uma espécie de otimismo profilático que se aproxima muito do famoso "jogo do 
contente" da personagem Poliana. Eram iconoclastas em relação aos mitos sobre morte, religião 
e política. Isolados em jardins afastados das agitações da vida citadina, cultivavam a amizade 
(a prática de viver em seletos círculos de amigos era considerada condição fundamental na 
vida do sábio epicurista). O modus vivendi de Epicuro e seus discípulos foi chamado de aurea 
mediocritas (mediocridadedourada) por Horácio.
3. A MORAL UTILITARISTA
A moral utilitarista caracteriza-se pela ausência do transcendente e de modelos a priori 
a serem imitados. Todas as ações devem ser medidas pelo bem maior para o maior número. 
Ao definir o utilitarismo, o filósofo irlandês Francis Hutcheson (1694-1746) assim se expressa: 
"a melhor ação é aquela que produz a maior felicidade ao maior número de pessoas." O 
utilitarismo é a moral dos números.
Nicolau Maquiavel (1469-1527), pensador italiano, tem sobre si a culpa de haver 
defendido que os fins justificam os meios embora, segundo o Dicionário de Filosofia de 
Abbagnano (1962: 614), tal máxima tenha origem jesuíta. A injustiça que recai sobre Maquiavel 
vem da dificuldade que se tem de separar o mero descrever e o opinar. Ele tinha horror a 
governos de ocasiões, golpes sucessivos, casuísmos, enfim à política do dia a dia que tanto 
permeava a agitada vida nos bastidores políticos de Florença. Em O Príncipe ele faz uma 
descrição em forma de aconselhamento, com base em seus conhecimentos de história, da 
conduta do governante que pretende permanecer no poder por um tempo relativamente longo, 
mas chega mesmo a confessar que, para atingir tal permanência, o ideal seria que as coisas 
não ocorressem da forma como a história demonstrara. Não obstante, a tradição nos legou o 
termo maquiavélico como designativo de um modelo que se firmou como um dos marcantes 
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exemplos de moral utilitarista: a que visa um maior número de dias no poder.
Thomas Hobbes (1588-1679), filósofo inglês, parte do princípio de que quanto menor 
for o número de invasões, mortes violentas e desapossamentos mútuos, mais feliz será a 
espécie humana. Esta condição só pode ser arranjada com a existência de um contrato social 
e de um Leviatã. Vamos explicar melhor: Para Hobbes, o homem é, naturalmente, o lobo do 
homem (homo homini lupus), ou seja, não é um ser naturalmente cordial e sociável, não está 
naturalmente aparelhado para sentir-se incomodado com a dor alheia quando sua sobrevivência 
está em jogo. "Se dois homens desejam a mesma coisa, ao mesmo tempo que é impossível 
ela ser gozada por ambos, eles se tornam inimigos." (Hobbes, 1651: 43). Relegados ao estado 
de natureza, os homens promovem uma guerra de todos contra todos (bellum omnium contra 
omnes), guerra inútil porque põe em risco a própria conservação humana. Os homens portanto 
perceberam e admitiram entre si a vantagem em cada um reprimir sua animalidade natural 
em prol de uma mútua convivência pacífica, bem mais útil, produtiva, confortável e segura. A 
civilização nasce desse contrato social. Essa nova situação, entretanto, só pode ser mantida com 
a existência de um Leviatã (monstro amedrontador e forte) que se expressa preferencialmente 
na figura de um rei, comandante autoritário e único que gera em todos o sentimento generalizado 
de medo da punição, garantindo assim a continuidade do Estado civil.
A base da moral utilitária de Hobbes sofreu inúmeras críticas, a principal partiu de 
Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), filósofo suíço, que via na animalidade humana não 
lobos e sim cordeiros. Tais quais cordeiros livres, os homens, no estado de natureza, vivem em 
plena felicidade. Foi a civilização que fez com que muitos cordeiros se tornassem violentos e 
pensassem ser lobos. A soberania do Leviatã não é desejável porque além de retirar do homem 
a sua liberdade natural impossibilita a construção de uma liberdade civil, que só é possível 
quando a vontade geral é soberana. A conquista da liberdade civil estaria na reeducação por 
meio de leis "corderiais" que, metaforicamente, fizessem com que os cordeiros reconhecessem 
que são cordeiros.
Ainda a respeito da dicotomia lobo/cordeiro há outras observações curiosas. Para 
Frederich Nietzsche (1844-1900), filósofo alemão, a natureza produz homens-lobos e homens-
cordeiros e não podemos ignorar que lobos estão aparelhados para devorar cordeiros. Quando 
só restarem lobos, as forças naturais produzirão superlobos que devorarão antigos lobos numa 
progressão infinita de vidas cada vez mais fortes. A moral nietzschiana é a da exuberância da 
força e do vitalismo das potências naturais ou superhumanas. É uma moral que pretende ir 
além do bem e do mal (se é que isso é possível). Nietzsche afirma que dicotomia entre bem 
e mal não passa de invencionice resultante do ressentimento e da fraqueza dos cordeiros. 
"Toda moral é [...] uma espécie de tirania contra a 'natureza' e também contra a 'razão'". 
(Nietzsche, 1886: 110).
Michel Foucault (1926-1984) diria que lobos e cordeiros habitam cada um de nós e ambos 
teriam desenvolvido estratégias de sobrevivência que tornariam extremamente complexa a luta 
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entre os dois, uma complexidade tal que o cordeiro, em determinados momentos, poderia estar 
sob a condição de ataque. Nesse caso a questão moral só poderia ser definida dentro de um 
contexto muito específico onde se levariam em conta os sujeitos envolvidos, suas estratégias, 
suas relações de poder... Foucault é o criador da microética.
4. A MORAL KANTIANA
A moral kantiana é a concebida por Immanuel Kant (1724-1804), filósofo prussiano. 
Sua intuição principal foi que o indivíduo deve estar livre para agir "não em virtude de qualquer 
outro motivo prático ou de qualquer vantagem futura, mas em virtude da ideia de dignidade de 
um ser racional que não obedece a outra lei senão àquela que ele mesmo simultaneamente 
se dá" (Kant, 1785: 16). A ação moral exige a autonomia do agente. Ser autônomo é obedecer 
a si mesmo ou ao que vem de dentro. É o inverso do heterônomo (o que obedece ordem 
do outro, obedece ao que vem de fora). Não se pode falar em ética sem autonomia pois a 
ação heterônoma (cuja vontade vem de fora) não é uma ação ética. A moral aristocrática e a 
utilitarista não são eticamente válidas porque dependem de algo exterior: a primeira, de ideais 
transcendentes e a segunda, de ideais imanentes.
Para realizar a autonomia, a ação moral deve obedecer apenas ao imperativo categórico: 
o bom senso interior que todos nós temos de perceber que não somos instrumentos e sim 
agentes. Nunca instrumentalizar o homem é a exigência maior do imperativo categórico. Kant 
fornece uma regra para saber se uma decisão nossa obedece ou não ao imperativo categórico: 
indague a si mesmo se a razão que te faz agir de determinada maneira pode ser convertida 
em lei universal, válida para todos os homens. Se não puder, esta tua ação não é digna de 
um ser racional, não é eticamente boa porque falta-te a autonomia, estás agindo premido por 
circunstâncias exteriores a ti. O bem ético é um bem em si mesmo.
Ao realçar a exigência da autonomia da ação moral, Kant desperta a questão da liberdade 
ética. O conceito de liberdade ética parte da distinção entre ação reflexa e ação deliberada. A 
ação deliberada é aquela que resulta de uma decisão, de uma escolha, é o mesmo que ação 
autônoma. A ação reflexa é "instintiva", independe da vontade do agente. Apenas as ações 
deliberadas podem ser analisadas sob o ponto de vista ético. Voltemos ao exemplo do gato que 
morde o homem que lhe pisou a cauda. O gato tentou afastar o que lhe era um mal, mas não 
podemos dizer que ele escolheu morder o homem. Logo, não se pode dizer que o gato agiu de 
forma imoral ou antiética. A questão da liberdade ética pode ser assim resumida: Levando-se 
em conta que somos animais e ocasionalmente agimos de forma reflexa, em que condições 
nossa ação pode ser considerada uma ação deliberada?
Henri Bergson (1859-1941)e Jean-Paul Sartre (1905-1980) respondem a essa pergunta 
de forma radical: O livre-arbítrio é a qualidade que melhor define o homem. A própria condição 
humana exige que todo ato humano seja um ato de escolha, seja uma ação deliberada. O homem 
está condenado à liberdade porque nunca pode decidir não escolher. Diante da consciência 
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de que nos vemos forçado a realizar algo por imposição exterior, passamos a ter liberdade de 
escolher entre entregar-se à ação ou ir de encontro a ela.
Bibliografia específica
ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. Trad., coord. e rev. por Alfredo Bosi e Maurice 
Cunio et alii. 2. ed. São Paulo: Mestre Jou, 1982.
ARISTÓTELES. Política. Livro I, cap. 1. Brasília: UnB, 1988.
EPICURO. Ética. São Paulo: Abril Cultural, 1973. p. 25. (Coleção Os Pensadores).
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HOBBES, Thomas. Leviatã. São Paulo: Abril Cultural, 1979. (Coleção Os Pensadores). 
KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes (1785). São Paulo: Abril 
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LIMA VAZ, Henrique C. Escritos de Filosofia II: ética e cultura. São Paulo: Loyola, 1993.
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FONTE: ALEXANDRIA, Israel. Ética e moral: uma reflexão sobre a ética e os padrões de moralidade 
ocidental. 2001. Endereço Eletrônico: <http://ialexandria.sites.uol.com.br/textos/israel_textos/
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RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, trabalhamos a distinção entre ética e moral e como são formados 
os princípios morais humanos, no qual foram abordados os seguintes itens:
	Verificamos que a ética estuda e investiga o comportamento moral dos seres humanos. 
	Observamos que a moral é constituída pelos diferentes modos de viver e agir dos homens 
em sociedade, no decorrer dos tempos.
	Estudamos que as origens ou bases fundamentais da existência humana, ou seja, a gênese 
da consciência moral, é formada por meio do trabalho.
	O trabalho é a base fundamental na formação da consciência moral de todos os seres 
humanos.
	Para realizarmos um julgamento concreto sobre alguma situação da vida em sociedade, 
devemos nos pautar sobre todos os pressupostos éticos daquela sociedade em si, ou seja, 
seus princípios morais e seus costumes. 
	Todo homem busca em suas ações cotidianas fazer sempre e somente o bem.
	Todas as ações humanas possuem um propósito, um fim.
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A partir do conhecimento que você adquiriu sobre ética e moral, sugiro que você encontre 
10 palavras relacionadas ao tópico estudado, neste seguinte passatempo.
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R Q X C E B Q O K P Q R S L I
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OS VALORES E A MORAL 
COMO PRINCÍPIOS 
NORTEADORES DA ÉTICA
1 INTRODUÇÃO
2 A ESSÊNCIA DA MORAL COM 
 EMBASAMENTOS ÉTICOS PARA A VIDA COTIDIANA
TÓPICO 3
UNIDADE 1
Neste tópico, procurar-se-á compreender os conceitos e características dos valores e 
virtudes morais, que formam os princípios norteadores da ética.
Porém, o que é a moral?
Segundo Aranha e Martins (2003, p. 301), “a MORAL vem do Latim mos, moris, que 
significa “costume”, “maneira de se comportar regulada pelo uso”, e de moralis, morale, 
adjetivo referente ao que é “relativo aos costumes”. Portanto, podemos considerar que a moral 
é “um conjunto de regras de conduta admitidas em determinada época ou por um grupo de 
pessoas.”
A moralidade dos homens é um reflexo direto do modo de ser e conviver em sociedade, 
no qual o caráter, os sentimentos e os costumes determinam o seu comportamento individual 
e social, que foi ou está sendo perpetuado num espaço de tempo.
Partimos do entendimento de que todo homem pode ser considerado um ser ético 
e que nossas raízes éticas advêm da nossa própria história por meio do trabalho, podemos 
questionar a sua forma de ser, ou seja, qual a natureza da moral? Por que a moral é necessária? 
E como ela é?
Pois sabemos que, “a (re)produção da vida social coloca necessidades de interação 
entre os homens, modos de ser constitutivos da cultura, produtos do trabalho, tais como a 
linguagem, os costumes, os hábitos, as atividades simbólicas, religiosas, artísticas e políticas.” 
(BARROCO, 2000, p. 25). 
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A partir disso, podemos destacar alguns exemplos: 
● Na questão da linguagem, hábitos e costumes: pode-se observar que toda região do 
Brasil forma grupos ligados por seus costumes sociais, tais como: o nosso tipo de comida, 
o estilo de vida, as atitudes, determinando o nosso convívio social.
● Na questão das atividades simbólicas: a aplicação de histórias de conto de fadas serve 
para o desenvolvimento emocional de crianças.
● Na questão artística: a dança, a pintura, o teatro possibilitam a liberação da imaginação 
e criatividade dos homens, além de ser utilizada no tratamento de algumas questões de 
recuperação social e moral, como no tratamento de dependentes químicos e terapias 
ocupacionais.
Também devemos compreender que o homem, quando desenvolve e cria seus valores 
sociais e individuais, os classificam em certos ou errados, bons ou maus, de acordo com o 
conjunto de necessidades e possibilidades de cada grupo social.
Contudo, quais são as formas de ser da moral?
Como nos mostra Barroco (2000, p. 25-26): 
[...] o campo da moral é um espaço de criação e realização de normas e deve-
res, de atitudes, desejos e sentimentos de valor. Na vida cotidiana, julgamos 
as ações práticas como corretas ou incorretas; fazemos juízo de valor sobre 
nosso comportamento e dos outros; nos deparamos com situações em que 
ficamos em dúvida sobre a melhor escolha; projetamos nossa vida a partir 
de valores que julgamos positivos e negamos as ações que se orientam por 
valores que consideramos negativos.
Podemos observar, no nosso dia a dia, a existência de pessoas que não respeitam as 
normas de conduta da sociedade em que vivem, por isso, elas possuem um comportamento 
imoral ou antiético, ou seja, negam as normas e diretrizes morais constituídas e legitimadas 
pela própria sociedade.
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1 Escreva como você se comporta diante de uma situação na qual 
certo cidadão de seu município transgride alguma norma ou 
diretriz de conduta social.
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2 Como você se sente quando deixa de cumprir com um 
compromisso, ou mente sobre alguma situação, ou quando deixa 
de lado afazeres e obrigações?
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3 Você fica indignado(a) diante da injustiça e da irresponsabilidade 
em nossa sociedade? ( ) Sim ( ) Não. Justifique. 
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Segundo Barroco (2000, p. 26):
Todos esses julgamentos, sentimentos, escolhas e desejos constituem o campo 
da moral; referem-se a valores, normas e deveres que orientam o comporta-
mento dos indivíduos em sociedade, reproduzindo um dever ser que possa 
fazer parte do seu ethos, de seu caráter, determinando sua consciência moral, 
influenciando as escolhas, os projetos, as ações práticas dirigidas à realiza-
ção do que se considera bom. É também no âmbito da moral que falamos do 
senso moral, pois se considera que os indivíduos estão socializados quando 
têm capacidade para se autodeterminar em face de situações de conflito, 
podem distinguir o que é bom e o que não é, podem ser responsabilizados 
pelos seus atos.
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● Medite: O que você compreende ser bom ou mau para você e 
sua família?
● Relacione algumas características ao termo central:
Sabemos que a moral sugere, constantemente, a valorização de nossas ações e de 
nossos comportamentos em sociedade, mas é a moral que determina quais são os nossos 
direitos e deveres perante a sociedade em que vivemos. Estes deveres são conectados ao 
nosso modo de ser e conviver em sociedade, gerando certas responsabilidades com relação 
a si próprio e aos outros, tais como: 
	sentimentos;
	escolhas; 
	desejos; 
	atitudes; 
	posicionamentos diante da realidade; 
	juízo de valor; 
	senso moral;
	consciência moral.
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3 OS VALORES E PRINCÍPIOS MORAIS
Primeiramente, faz-se necessário compreender o significado de valor, pois, ao refletir 
sobre ética, também falamos sobre os nossos valores e virtudes e, consequentemente, no 
comportamento dos homens. 
Pois, quando falamos em ética nos reportamos instantaneamente na vida moral dos 
homens, e esta moralidade social é permeada de valores, valores estes também constituídos 
em sociedade. 
José Paulo Netto expõe que Agnes Heller cita que “VALOR é tudo aquilo que contribui 
para explicar e para enriquecer o ser genérico do homem, entendendo como ser genérico 
um conjunto de atributos que constituiriam a essência humana.” (PAULO NETTO apud BONETTI 
ET AL, 2010, p. 22-23).
E estes atributos na perspectiva de Heller são:
OBJETIVAÇÃO:
- que expressa prioritariamente por 
intermédio do trabalho.
- que proporciona sair do subjetivo e passar 
para o real e concreto.
http://gracynhakelly.blogspot.com/2006
_04_01_arc hive.html
Não podemos esquecer que a moral, seus hábitos, princípios e costumes são constituídos 
em sociedade e no decorrer de nossa história. Estas construções são baseadas no dia a dia 
das relações sociais, que compõem a produção e reprodução da vida em sociedade. 
Finalizando o item, entendemos que todos nós, enquanto indivíduos, temos um senso moral 
da realidade em que estamos inseridos, adquirido pelo convívio social e assim reproduzido.
FIGURA 5 – ATRIBUTOS NA PERSPECTIVA DE HELLER
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 SOCIALIDADE: 
- que se expressa com a convivência com o 
outro, em grupo.
- aprendizagem com o outro.
- assimilação de normas sociais.
<http://tretas_nuas.blogs.sapo.pt/1774.html>.
CONSCIÊNCIA: 
- tomar ciência dos fatos ou de alguma coisa.
- reconhecimento da realidade;
- descoberta de algo;
- capacidade de perceber as coisas.
<http://www.lookfordiagnosis.com/mesh_info.php?ter
m=Consci%C3%AAncia&lang=3>.
UNIVERSALIDADE: 
- universal;
- o todo;
- fazer parte de um determinado grupo.
<http://numerologiatododia.blogspot.
com/2010_10_01_archive.html>.
LIBERDADE: 
http://www.caiofabio.net/conteudo.asp?codigo=02158
FONTE: Adaptado de: Paulo Netto (apud BONETTI et al, 2010, p. 23)
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Contudo, o que são os valores sociais?
Diariamente, analisamos e fazemos julgamentos de valores tanto de coisas como dos 
seres humanos. Por exemplo, “Aquela flor tem muitos espinhos, pode me machucar”. “Este 
sabonete é ruim para mim, pois me dá alergia”. “Este chocolate é ruim, pois derrete fácil”. “Gosto 
muito daquele chocolate, porque é muito gostoso”. “Acho que a Samanta agiu bem ao ajudar 
você no trabalho de aula”. “Aquele profissional é competente”. Essas afirmações se referem 
ao juízo de valor da realidade em que estamos inseridos, pois quando partimos do fato que a 
flor, o sabonete, o chocolate, a moça e o profissional existem realmente, atribuímos algumas 
qualidades a eles, que podem nos atrair ou repelir.
Empregamos diversos tipos de valores, tais como: utilidade, estético, afetividade, do 
bem e mal, religiosos, aspectos econômicos, sociais e políticos.
Os valores são, num primeiro momento, herdados por nós. Ao nascermos, o mundo 
cultural é um sistema de significados já estabelecido, de tal modo que aprendemos desde 
cedo como nos comportar à mesa, na rua, diante de estranhos, como, quando e quanto falar 
em determinadas circunstâncias; como andar, correr, brincar; como cobrir o corpo e quando 
desnudá-lo; qual o padrão de beleza; que direito e deveres temos. Conforme atendemos ou 
transgredimos os padrões, os comportamentos são avaliados como bons ou maus.
A partir da valoração, as pessoas podem achar bonito ou feio o desenho que acabamos 
de fazer, ou criticar-nos por não termos cedido lugar à pessoa mais velha no metrô; ou acham 
bom o preço que pagamos pela bicicleta; ou nos elogiam por termos mantido a palavra dada; 
Portanto, conclui-se que a ética é formada pelo estudo e investigação do comportamento 
e dos juízos de valores, estabelecendo ponderações de valor para o que está de acordo ou 
não com as normas e regras de convivência dos homens em sociedade, pontuando o que é 
certo e errado em cada postura social, observando sempre as normas de convivência social 
de cada sociedade ou povo.
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Estes atributos, segundo muitos estudiosos, são os elementos 
constitutivos do ser humano, do ser social.
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ou nos criticam por termos faltado com a verdade.
Nós próprios nos alegramos ou nos arrependemos de nossas ações ou até sentimosremorsos, dependendo do que praticamos. Isso quer dizer que o resultado de nossos atos 
está sujeito à sanção, ou seja, ao elogio ou à reprimenda, à recompensa ou à punição, nas 
mais diversas intensidades: a crítica de um amigo, “aquele” olhar da mãe, a indignação ou 
até a coerção física (isto é, a repressão pelo uso da força, por exemplo, quando alguém é 
preso por assassinato).
FONTE: Aranha e Martins (2003, p. 300-301)
Alguns exemplos dos valores e virtudes humanas:
AMIZADE JUSTIÇA OBEDIÊNCIA RESPEITO SIMPLICIDADE
LEALDADE COMPREENSÃO SINCERIDADE PUDOR GENEROSIDADE
PACIÊNCIA ORDEM HUMILDADE AUTOESTIMA LIBERDADE
Pois:
FIGURA 6 – SOBRE O SER HUMANO
FONTE: GUARESCHI, Pedrinho A. et al. Psicologia social contemporânea. 3. ed. São Paulo: 
Vozes, 1999, p. 98.
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LEITURA COMPLEMENTAR
PRINCÍPIOS, VALORES E VIRTUDES
Jerônimo Mendes
Existe uma grande diferença entre princípios, valores e virtudes embora sua efetividade 
seja válida apenas quando os conceitos estão alinhados. No mundo corporativo em geral, noto 
que muitos profissionais são equivocados com relação aos conceitos e, apesar de defenderem 
o significado de um ou outro, a prática se revela diferente.
Princípios são preceitos, leis ou pressupostos considerados universais que definem 
as regras pela qual uma sociedade civilizada deve se orientar. Em qualquer lugar do mundo, 
princípios são incontestáveis, pois, quando adotados não oferecem resistência alguma. Entende-
se que a adoção desses princípios está em consonância com o pensamento da sociedade e 
vale tanto para a elaboração da constituição de um país quanto para acordos políticos entre 
as nações ou estatutos de condomínio. Vale no âmbito pessoal e profissional.
Amor, felicidade, liberdade, paz e plenitude são exemplos de princípios considerados 
universais. Como cidadãos – pessoas e profissionais -, esses princípios fazem parte da nossa 
existência e durante uma vida estaremos lutando para torná-los inabaláveis. Temos direito a 
todos eles, contudo, por razões diversas, eles não surgem de graça. A base dos nossos princípios 
é construída no seio da família e, em muitos casos, eles se perdem no meio do caminho.
De maneira geral, os princípios regem a nossa existência e são comuns a todos os 
povos, culturas, eras e religiões, queiramos ou não. Quem age diferente ou em desacordo com 
os princípios universais acaba sendo punido pela sociedade e sofre todas as consequências. 
São as escolhas que fazemos com base em valores equivocados, não em princípios.
Valores são normas ou padrões sociais geralmente aceitos ou mantidos por determinado 
indivíduo, classe ou sociedade, portanto, em geral, dependem basicamente da cultura 
relacionada com o ambiente onde estamos inseridos. É comum existir certa confusão entre 
valores e princípios, todavia, os conceitos e as aplicações são diferentes.
Diferente dos princípios, os valores são pessoais, subjetivos e, acima de tudo, 
contestáveis. O que vale para você não vale necessariamente para os demais colegas de 
trabalho. Sua aplicação pode ou não ser ética e depende muito do caráter ou da personalidade 
da pessoa que os adota.
Pessoas de origem humilde definem valores de maneira diferente das pessoas de origem 
mais abastada. De um lado, a escassez pode gerar a ideia de que dinheiro não traz felicidade, 
portanto, mesmo sem dinheiro, é possível ser feliz utilizando-se valores como amizade, por 
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exemplo. Do outro, o apego ao dinheiro e a convivência harmoniosa com o conforto pode 
gerar a ideia de que sem dinheiro não é possível ser feliz, ou seja, o dinheiro traz felicidade, 
amizade, conforto e, se houver mais dinheiro do que o necessário, valores como filantropia e 
voluntariado podem ser praticados.
Essa comparação não define o certo e o errado. Ela apenas levanta uma questão 
interessante sobre o conceito de valores e depende do ponto de vista de cada cultura ou de 
cada pessoa, em particular. Na prática, é muito mais simples ater-se aos valores do que aos 
princípios, pois este último exige muito de nós. Os valores completamente equivocados da nossa 
sociedade – dinheiro, sucesso, luxo e riqueza - estão na ordem do dia, infelizmente. Todos os 
dias somos convidados a negligenciar os princípios e adotar os valores ditados pela sociedade. 
Virtudes, segundo o Aurélio, são disposições constantes do espírito, as quais, por um esforço 
da vontade, inclinam à prática do bem. Aristóteles afirmava que há duas espécies de virtudes: 
a intelectual e a moral. A primeira deve, em grande parte, sua geração e crescimento ao 
ensino, e por isso requer experiência e tempo; ao passo que a virtude moral é adquirida com 
o resultado do hábito.
Segundo Aristóteles, nenhuma das virtudes morais surge em nós por natureza, visto 
que nada que existe por natureza pode ser alterado pela força do hábito, portanto, virtudes 
nada mais são do que hábitos profundamente arraigados que se originam do meio onde somos 
criados e condicionados através de exemplos e comportamentos semelhantes.
Uma pessoa pode ter valores e não ter princípios. Hitler, por exemplo, conhecia os 
princípios, mas preferiu ignorá-los e adotar valores como a supremacia da raça ariana, a 
aniquilação da oposição e a dominação pela força. Significa que também não dispunha de 
virtudes, pois as virtudes são decorrentes dos princípios e o seu legado foi um dos mais nefastos 
da história. Sua ambição desmedida o tornou obcecado por valores que contrastam com os 
princípios universais.
Diferente de Hitler, Madre Teresa de Calcutá, Irmã Dulce e Mahatma Gandhi tinham 
princípios, valores e virtudes integralmente alinhados com a sua concepção de vida. Todos 
lutavam por causas nobres e tinham um ponto comum: a dignidade humana. Enquanto Hitler, 
Milosevic e Karadzic entraram para o rol das figuras mais odiadas da humanidade, Madre 
Teresa, Irmã Dulce da Bahia e Gandhi são personalidades singulares que inspiram exemplos 
para a humanidade.
Existem pessoas que nunca seguiram princípio algum e, apesar de tudo, continuam 
enriquecendo, fazendo sucesso na televisão, conquistando cargos importantes nas empresas e 
assumindo papéis relevantes na sociedade. Entretanto, riqueza material não é a única medida 
de sucesso. Avalie, por si mesmo, quais os exemplos deixados por elas, a sua contribuição 
para o mundo e o seu triste legado para os descendentes.
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Como sugestão, assista ao filme:
Patch Adams. 
Gênero: Drama. 
Site Oficial: <www.patchadams.com>. 
Direção: Tom Shadyac. 
Elenco: Robin Williams. Daniel London, 
Monica Potter, Philip Seymour Hoffman, 
Bob Gunton, entre outros.
No mundo corporativo não é diferente. Embora a convivência seja, por vezes, 
insuportável, deparamo-nos com profissionais que atropelam os princípios, como se isso 
fosse algo natural, um meio de sobrevivência, e adotam valores que nada têm a ver com duas 
grandes necessidades corporativas: a convivência pacífica e o espírito de equipe. Nesse caso, 
virtude é uma palavra que não faz parte do seu vocabulário e, apesar da falta de escrúpulo, 
leva tempo para destituí-los do poder.
Valores e virtudes baseados em princípios universais são inegociáveis e, assim como a 
ética e a lealdade, ou você tem, ou não tem. Entretanto, conceitos como liberdade, felicidade ou 
riqueza não podem ser definidos com exatidão. Cada pessoa tem recordações, experiências, 
imagens internas esentimentos que dão um sentido especial e particular a esses conceitos.
O importante é que você não perca de vista esses conceitos e tenha em mente que 
a sua contribuição, no universo pessoal e profissional, depende da aplicação mais próxima 
possível do senso de justiça. E a justiça é uma virtude tão difícil, e tão negligenciada, que a 
própria justiça sente dificuldades em aplicá-la, portanto, lute pelos princípios que os valores 
e as virtudes fluirão naturalmente. O que vale em casa vale no trabalho. Não existe paz de 
espírito nem crescimento interior sem o triunfo dos princípios. Pense nisso e seja feliz!
FONTE: MENDES, Jerônimo. Princípios, valores e virtudes. Gestão de Carreira, 17 de agosto 
de 2008. Endereço Eletronico: <http://www.gestaodecarreira.com.br/coaching/reflexao/
principios-valores-e-virtudes.html>. Acesso em: 9 set. 2011.
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O tema aqui abordado foi a questão da compreensão dos conceitos e características 
dos valores e virtudes morais, que formam os princípios norteadores da ética. Para tanto, 
discutimos que:
	A moralidade dos homens é um reflexo direto do modo de ser e conviver em sociedade, que 
foi ou está sendo perpetuada num espaço de tempo.
	Todo ser humano pode ser considerado um ser ético.
	As nossas raízes éticas advêm da nossa própria história, por meio do trabalho. 
	Existe uma interação entre os homens, em sua vida social.
	Em cada sociedade, existem diferentes modos constitutivos da cultura, tais como: a linguagem, 
os costumes, os hábitos, as atividades simbólicas, religiosas, artísticas e políticas.
	Também devemos compreender que o homem, quando desenvolve e cria seus valores 
sociais e individuais, os classificam como certos ou errados, bons ou maus, de acordo com 
o conjunto de necessidades e possibilidades de cada grupo social.
	No nosso dia a dia, existem pessoas que não respeitam as normas de conduta da sociedade 
em que vivem. Estas pessoas possuem um comportamento imoral ou antiético.
	A moral sugere, constantemente, a valorização de nossas ações e de nossos comportamentos 
em sociedade.
	A construção da moral, seus hábitos, princípios e costumes são baseados e construídos no 
dia a dia das relações sociais.
	Todos os indivíduos possuem um senso moral da realidade em que estão inseridos.
	A ética é formada pelo estudo e investigação do comportamento e dos juízos de valores, 
estabelecendo ponderações de valor para o que está de acordo ou não com as normas e 
regras de convivência dos homens em sociedade, pontuando o que é certo e errado em cada 
postura social e observando sempre as normas de convivência social de cada sociedade ou 
povo.
RESUMO DO TÓPICO 3
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	Diariamente, analisamos e fazemos julgamentos de valores tanto de coisas como dos seres 
humanos. 
	Empregamos diversos tipos de valores, tais como: utilidade, estético, afetividade, do bem 
e mal, religiosos, aspectos econômicos, sociais e políticos
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1 Escreva uma lista das suas principais virtudes.
2 Agora, tente identificar as principais virtudes de seu(sua) melhor amigo(a).
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A ÉTICA NA 
CONTEMPORANEIDADE
1 INTRODUÇÃO
2 ALGUMAS QUESTÕES ÉTICAS 
POLÊMICAS DA ATUALIDADE
TÓPICO 4
UNIDADE 1
Neste tópico, abordaremos as questões da ética no nosso dia a dia, ou seja, como se 
processam as questões éticas, na contemporaneidade, além de trabalharmos a questão da 
escolha e responsabilidade por meio da liberdade como capacidade humana.
“Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta: que não há ninguém que 
explica, e ninguém que não entenda.” (Cecília Meireles).
Mas, também apresentaremos algumas questões polêmicas sobre a ética na atualidade, 
na família, na sociedade civil e no estado, além de traçarmos uma discussão acerca da 
liberdade.
Agora, prezados(as) acadêmicos(as), verificaremos algumas polêmicas referentes às 
questões éticas na contemporaneidade, então vejamos que de acordo com Valls (2003, p. 70):
[...] a ética foi reduzida a algo de privado. [...] Ora, nos tempos da grande filo-
sofia, a justiça e todas as demais virtudes éticas referiam-se ao universal (no 
caso, ao povo ou à polis), eram virtudes políticas, sociais. Numa formulação 
de grande filosofia, poderíamos dizer que o lema máximo de ética é o bem 
comum. E se hoje a ética ficou reduzida ao particular, ao privado, isto é um 
mau sinal.
Porém, não se pode esquecer que os valores, os hábitos e os princípios formam a 
consciência moral dos seres humanos, e esta consciência moral torna-se um fator preocupante 
nos dias de hoje, pois os indivíduos possuem suas responsabilidades individuais e coletivas 
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perante a sociedade em que vivem, contudo, muitas vezes, o dever ético respalda muito mais 
no indivíduo do que na coletividade, mesmo que os valores éticos sejam constituídos pela 
sociedade como um todo.
Entretanto, o que é ter uma vida ética?
Nesta esfera, segundo Valls (2003, p. 71) “a liberdade se realiza eticamente dentro das 
instituições históricas e sociais, tais como a família, a sociedade civil e o Estado.”
2.1 FAMÍLIA
Segundo Valls (2003, p. 71): 
Em relação à família, hoje se colocam de maneira muito aguda as questões das 
exigências éticas do amor. O amor não tem de ser livre? O que dizer então da 
noção tradicional do amor livre? Ele é realmente livre? E como definir, hoje, o 
que seja a verdadeira fidelidade, sem identificá-la como formas criticáveis de 
possessividade masculina ou feminina? Como fundamentar, a partir dos pro-
gressos das ciências humanas, os compromissos do amor, como se expressam 
na resolução (no sim) matrimonial? E como desenvolver uma nova ética para 
as novas formas de relacionamento heterossexual? E como fundamentar hoje 
as preferências por formas de vida celibatária, casta ou homossexual?
Pois bem, verificamos que estamos em constantes transformações sociais e estas 
mudanças refletem diretamente na relação entre pais e filhos.
Podemos observar estas transformações, quando Valls (2003, p. 72) expõe que:
 As transformações histórico-sociais exigem, hoje, igualmente reformulações nas 
doutrinas tradicionais éticas sobre o relacionamento dos pais com os filhos. Novos problemas 
surgiram com a presença maior da escola e dos meios de comunicação na vida diária dos 
filhos. As figuras tradicionais, paterna e materna, não exigem, hoje, uma nova reflexão sobre 
os direitos e os deveres dos pais e dos filhos?
Em especial, a reflexão sobre a dominação das chamadas minorias sociais chamou 
a atenção para a necessidade de novas formas de relacionamento dentro do próprio casal. 
O feminismo, ou a luta pela libertação da mulher, traz em si exigências éticas, que até agora 
não encontraram talvez as formulações adequadas, justas e fortes. A libertação da mulher, 
a libertação de todos os grupos oprimidos, é uma exigência ética, das mais atuais. E, como 
lembraria Paulo Freire, em seu Pedagogia do Oprimido, a libertação não se dá pela simples 
troca de papéis: a libertação da mulher liberta igualmente o homem.
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2.2 SOCIEDADE CIVIL
No que tange àsquestões da sociedade civil, podemos verificar que, atualmente, os 
principais problemas enfrentados estão correlacionados ao mundo do trabalho e à propriedade, 
pois, de acordo com Valls (2003, p. 72):
Como falar de ética num país onde a propriedade é um privilégio tão exclusivo 
de poucos? E não é um problema ético a própria falta de trabalho, o desem-
prego, para não falar das formas escravizadoras de trabalho, com salários 
de fome, nem da dificuldade de uma autorrealização no trabalho, quando a 
maioria não recebe as condições mínimas de preparação para ele, e depois 
não encontram, no sistema capitalista, as mínimas oportunidades para um tra-
balho criativo e gratificante? Num país de analfabetos, falar de ética é sempre 
pensar em revolucionar toda a situação vigente.
Nesta perspectiva, observamos que se faz necessário algumas reformas políticas e 
éticas, no que tange às regras de conduta referente ao modo de aquisição da propriedade e 
do trabalho. Esta reforma deve partir da reformulação dos nossos princípios morais e éticos e 
através da vontade política de nossos governantes.
Valls (2003, p. 73) expõe ainda que:
A crítica atual insiste muito mais, agora, sobre a injustiça que reside no fato de 
só alguns possuírem os meios da riqueza, e a crítica à propriedade se reduz 
sempre mais apenas aos meios de produção. [...] A propriedade particular 
aparece agora, nas doutrinas éticas, principalmente como uma forma de ex-
tensão da personalidade humana, como extensão do seu corpo, como forma 
de aumentar sua segurança pessoal, e de afirmar a sua autodeterminação 
sobre as coisas do mundo.
2.3 ESTADO
No que tange aos problemas éticos do Estado, os mesmos denotam ser muito mais 
complexos, pois os ideais políticos são um tanto mais complicados de se compreender. 
Principalmente, quando tratamos da questão liberdade. De acordo com Valls (2003, p. 74): 
[...] a liberdade do indivíduo só se completa como liberdade do cidadão de um 
Estado livre e de direito. As leis, a Constituição, as declarações de direitos, 
a definição dos poderes, a divisão destes poderes para evitar abusos, e a 
própria prática das eleições periódicas aparecem hoje como questões éticas 
fundamentais. Ninguém é livre, numa ditadura [...]. 
Contudo, qual é a função do Estado?
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3 ÉTICA E LIBERDADE: A LIBERDADE 
COMO CAPACIDADE HUMANA
De que maneira podemos entender que a liberdade possa ser compreendida como uma 
capacidade humana nestes grupos sociais?
Devemos sempre partir do princípio de que a ética denota regras, normas e responsabilidades, 
mas também não podemos esquecer que a ética é um espaço de reflexão sobre a nossa vida 
cotidiana. Esta vida, que está pautada nos alicerces da moral humana em sociedade, deve também 
supor que todos os homens sejam livres.
A partir disso tudo, o que é liberdade?
Quantas vezes tivemos o sentimento de estarmos presos, ou seja, não tendo liberdade 
para fazer aquilo que realmente desejamos; ou simplesmente poder escolher entre uma ou mais 
opções; ou ainda sentir-se livre para querer realizar as nossas mais subjetivas necessidades, 
tais como: escolher uma boa comida, comprar aquela roupa desejada, fazer aquele curso 
desejado e não imposto pela família ou sociedade, andar de bicicleta, fazer um esporte etc.
Então, prezados(as) acadêmicos(as), vejamos no texto a seguir alguns aspectos 
importantes referentes à liberdade e à ética:
Complementando, Valls (2003, p. 75) expõe que “os Estados que existem de fato são a 
instância do interesse comum universal, acima das classes e dos interesses egoístas privados 
e de pequenos grupos. [...] Em outras palavras, o Estado real resolve o problema das classes, 
ou serve a um dos lados, na luta de classes?”
LEITURA COMPLEMENTAR 1
LIBERDADE E ÉTICA
Liberdade e ética, binômio fascinante. A mentalidade medíocre vê apenas uma face do 
ser humano. A mentalidade sábia vê o ser humano em todos os seus aspectos. A mediocridade 
é disjuntiva: liberdade ou ética, ética ou liberdade. A sabedoria é conjuntiva: liberdade com ética 
é ética com liberdade. A visão estreita fragmenta o ser humano. A visão ampla é arquitetônica. 
Engloba liberdade e ética.
LIBERDADE E ÉTICA POSSUEM RECIPROCIDADE POSITIVA. Intercomunicam-se 
e interfecundam-se. A liberdade acelera a ética e a ética tonifica a liberdade. Interligadas, 
estimulam a “mútua criação”.
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A ética pressupõe a liberdade. A pedra, a planta, o animal e o homem coagido não 
exercem ato ético, porque não dispõem de liberdade para a atividade ética. Por outra parte, 
sem ética, a liberdade pode adotar procedimentos tortuosos. A LIBERDADE REQUISITA 
REFERENCIAIS ÉTICOS PARA MOVER-SE COM LEGITIMIDADE. A ética oferece balizas 
aos passos livres. Valores éticos são flechas que apontam rumos à liberdade. A ética sinaliza 
trânsito aberto ou fechado para a arrancada da liberdade. 
Liberdade e ética não são infalíveis. Podem tropeçar no percurso da vida. Estão sujeitas 
a falhas e a deformações. O eticismo é vazio de sentido. O autoritarismo ético veta inovações. 
A ética negativa proíbe iniciativas construtivas e condena atitudes lícitas. O fundamentalismo 
ético revela rigorismo patológico. Por outra parte, o libertarismo ilimita pretensões abusivas da 
liberdade. E não leva em conta a liberdade e os direitos dos outros. Também a liberdade pode 
ensandecer na irracionalidade. 
A ética ditatorial avisa: “Aqui mando eu”. E a liberdade destemperada ameaça: “Sou 
livre e faço o que quero”. Ora, a ética tem a função de encaminhar a liberdade, e não de 
bloqueá-la arbitrariamente. E, por sua vez a liberdade nem sempre pode justificar-se a si 
mesma, porque acerta, mas também desacerta. Não basta ser livre para ter o direito de 
fazer tudo o que é executável. Com liberdade fazem-se maravilhas, mas também se faz o 
pior. Se bastasse ser livre para agir retamente, então matar com liberdade, estuprar com 
liberdade e rapinar dinheiro público com liberdade seriam procedimentos legítimos. Mas são 
execráveis. Apesar de livres, são totalmente imorais. Pico della Mirandola, protagonista do 
“humanismo orgulhoso”, confessa que se pode fazer “uso funesto da livre escolha”. Todo 
ser humano honesto reconhece que o direito à liberdade não sanciona ações criminosas 
praticadas livremente.
Sartre mostra que a liberdade é inerente ao ser humano. E, ao mesmo tempo, aponta 
o caráter ético da liberdade ao escrever que o “homem é livre porque, lançado no mundo, 
é responsável por tudo quanto fizer”. A liberdade possibilita a ética, e a ética salvaguarda a 
liberdade. Liberdade madura não dispensa a ética, e ética lúcida não amordaça a liberdade. 
O sujeito humano unifica, em si, liberdade e ética. Não se deve divorciá-las. Há que mantê-las 
organicamente articuladas. 
Orientar eticamente a liberdade não é aprisioná-la, mas consolidá-la. O mundo atual 
pede mais liberdade e mais ética. Juntas contribuem para que a humanidade seja autônoma 
e justa. Sem liberdade, a humanidade é submetida à escravidão. E, sem ética, é submetida a 
crueldades repugnantes. Rousseau diz que “só a liberdade moral torna o homem senhor de si 
mesmo”. A humanidade, quanto mais livre, deve ser mais ética. E quanto mais ética, deve ser 
mais livre. E concretizemos, com o pensamento e as mãos, a utopia de uma nova humanidade 
livremente ética e eticamente livre. 
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“O que mais irrita um tirano é a impossibilidade de pôr a ferros tambémo pensamento 
do homem.” Poul Volarey.
FONTE: ARDUINI, Juvenal – Antropologia: ousar para reinventar a humanidade – São Paulo: Editora 
Paulus, 2002. Contribuição: Marisa Viana Pereira – Endereço eletrônico: <http://www.qir.com.
br/?p=6180>. Acesso em: 7 set. 2011.
Sabemos que todos os homens necessitam de liberdade. Os animais também precisam 
dela. A liberdade pode ser entendida como um processo de poder fazer escolhas. Estas escolhas 
devem ser sempre pautadas sobre os nossos princípios morais e éticos, para que, assim, não 
possamos prejudicar os outros.
De acordo com Barroco (2000, p. 54):
A liberdade como capacidade humana é, portanto, o fundamento de ética. 
Assim, agir eticamente, em seu sentido mais profundo, é agir com liberdade, 
é poder escolher conscientemente entre alternativas, é ter condições objeti-
vas para criar alternativas e escolhas. Por sua importância na vida humana, a 
liberdade é também um valor, algo que valoramos positivamente, de acordo 
com as possibilidades de cada momento histórico. Por tudo isso, podemos 
perceber que a liberdade é também uma questão ética das mais importantes, 
pois nem todos os indivíduos sociais têm condições de escolher e de criar 
novas alternativas de escolha.
O formato da vida em que estamos inseridos demonstra a situação de que os homens 
estão sempre tomando decisões sobre onde, como, para onde, o que estão fazendo ou vão 
realizar. A nossa própria existência pode ser considerada instável e incerta, porque mudamos 
de opinião o tempo todo. O mundo está em constante transformação e, por consequência, os 
nossos hábitos e costumes também, devido ao fato de que os seres humanos estão o tempo 
todo em movimento.
Não sabemos se choverá amanhã ou fará sol, não sabemos realmente o que pode 
acontecer no dia seguinte e nem o caminho que vamos tomar daqui para frente. De acordo 
com Tomelin e Tomelin (2002, p. 128) “nosso existir se constitui a cada dia, pois o homem 
não é algo pronto e acabado, é um ser em movimento e que tem possibilidades de escolha. 
O nosso existir revela uma escolha. Uma escolha de nossos pais, ao terem um filho e uma 
escolha nossa, de optarmos todos os dias pela vida.”
Então, podemos compreender que somos livres, temos o poder de escolha entre as 
inúmeras possibilidades que o universo nos proporciona. Só que não podemos esquecer que 
toda escolha denota uma responsabilidade, não vivemos isolados, mas numa sociedade e, 
perante ela, podemos, de certa maneira, influenciar os outros conforme as nossas próprias 
escolhas.
Lembre-se de que toda escolha que fazemos determinará a nossa própria 
existência.
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Escreva um acróstico a partir da palavra: LIBERDADE
Acróstico é uma composição, em versos, na qual as letras iniciais 
de cada verso formam um termo. 
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B ________________________________________________
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R ________________________________________________
D ________________________________________________
A ________________________________________________
D ________________________________________________
E ________________________________________________
Verificamos que a moral, por meio das normas de conduta, determina como devemos agir 
perante a sociedade em que vivemos. E se devemos agir deste modo, conforme as diretrizes 
morais e éticas, é porque existe a possibilidade das pessoas fazerem o contrário, ou seja, não 
agirem conforme as normas de conduta preestabelecidas pela sociedade. 
Temos a liberdade de escolha, pois muitas vezes nos indagamos se realmente devemos 
obedecer ou não a estas regras, pois cabe a cada um de nós decidirmos o que é certo ou 
errado, o que é fazer o bem ou o mal. É claro, esta decisão deve ser tomada à luz de nossos 
valores e princípios éticos, que foram e são constituídos pela sociedade como um todo.
LEITURA COMPLEMENTAR 2
A ÁGUIA E A GALINHA
Numa tarde sonolenta de verão, voltava um criador de cabras, do alto de uma 
planura verde. Quando passava ao pé de uma montanha, encontra um ninho de águias todo 
estraçalhado. Semicoberta por gravetos havia uma jovem águia ferida na cabeça, parecia 
morta. Era uma águia-harpia brasileira, ameaçada de extinção no Brasil.
Recolheu a águia com cuidado e pensou em levá-la ao seu vizinho, que empalhava 
animais. Este ficou admirado por se tratar de uma águia-harpia. Também supôs que estivesse 
morta e a colocou ternamente debaixo de uma cesta.
Na manhã seguinte teve grata surpresa. Percebeu que a águia mexia levemente. Havia 
feridas em várias partes do corpo e a águia estava cega.
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Sentiu muita pena da jovem águia. Por misericórdia, quase quis sacrificá-la. Até 
encontrava razões para isso, visto que matam muitos animais pequenos, especialmente 
macacos e preguiças, lebres, patos. Sabia que na Austrália, as águias são mortas às centenas 
por serem prejudiciais aos cangurus e outros animais pequenos.
Pensou muito, mas lembrou-se da tradição espiritual de Buda e de à mente: “escolha 
a vida e viverá.”
Por todos esses argumentos, decidiu preservá-la e tratá-la com carinho. Todo dia partia-
lhe pedaços de pão e carne e a alimentava com dificuldade. Depois de um ano, começou a 
perceber que os sentidos despertavam para a vida. Primeiro os ouvidos. Depois, começou a 
se mover por si mesma. Andava pela sala e pelo jardim. Recuperou sua voz, mas continuava 
cega. Os olhos são tudo para uma águia. Seu olhar vê oito vezes mais que o olho humano.
Por fim, o empalhador decidiu colocá-la junto às galinhas. Durante dois anos circulava 
cega entre elas. Andava com dificuldade, pois suas garras não foram feitas para andar.
Eis que um dia, a águia começou a enxergar. Depois de três anos de paciente cuidado, 
ela recuperara seu corpo de águia. Porém, vivia como uma galinha.
Certo dia, um casal de águias passou por ali. Deu voos rasantes. Ao perceber as águias 
no céu, a águia-galinha espalmava as asas e sacudia a cauda. Seu coração de águia voltava 
a pulsar aos poucos.
Passado algum tempo, o empalhador recebeu a visita de um naturalista, que ficou 
perplexo ao ver a águia-galinha. Decidiram fazer um teste. O empalhador colocou-a no braço 
e falou-lhe: — Águia, nunca deixará de ser águia, estenda suas asas e voe. Porém, vendo 
as galinhas, a águia deixou-se cair pesadamente. Fizeram nova tentativa, no terraço de sua 
casa, mas não funcionou.
Aí ambos lembraram-se da importância do sol para uma águia, e a levaram no alto 
da montanha, de frente para o sol. O empalhador sustentou fortemente a águia sob o olhar 
confiante do naturalista e disse: — Águia, você é amiga da montanha, filha do sol, eu lhe suplico: 
desperte de seu sono! Revele sua força interior. Abra suas asas e voe para o alto!
A águia ergueu-se soberba sobre o próprio corpo, abriu as longas asas, esticou o pescoço 
e alçou voo. Voou na direção do sol nascente. Voou até fundir-se no azul do firmamento.
(Adaptação da fábula contada por Leonardo Boff no Livro a “Águia e a galinha”)
FONTE: BOFF, Leonardo. In: TOMELIN, Janes Fidélis; TOMELIN, Karina Nones. Do mito para a 
razão: uma dialética do saber. 2. ed. Blumenau: Nova Letra, 2002. p.129-130.
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AS!
Como sugestão de leitura, para fixação deste conteúdo, leia o 
seguinte livro. Você pode, também, assistir ao seguinte filme:BOFF, Leonardo. A águia e a galinha: uma 
metáfora da condição humana. 27. ed. Petrópolis: 
Vozes, 1997.
 
HAPPI FEET: O PINGUIN
 
WAGNER, Eugênia Sales. Hanna Arent: Ética e 
política. Cotia: Ateliê Editorial, 2006.
Mais informações sobre ética, você pode encontrar 
no site: <http://www.espacoetica.com.br>.
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Foram abordadas as questões da ética no dia a dia, ou seja, como se processam 
as questões éticas na família, na sociedade civil e no Estado, além de verificarmos alguns 
aspectos da liberdade dos homens. No qual discutimos que:
	Não se pode esquecer de que os nossos valores, hábitos e princípios formam a consciência 
moral dos seres humanos.
	Esta consciência moral se torna um fator preocupante nos dias de hoje, por causa das 
responsabilidades sobre os nossos atos.
	Como as transformações sociais são constantes em nossa história, existem algumas 
mudanças que refletem diretamente na relação entre pais e filhos, marido e mulher, entre 
outros.
	Com relação às questões da sociedade civil, verificamos que, atualmente, os principais 
problemas que enfrentamos estão correlacionados ao trabalho e à propriedade.
	No que tange aos problemas éticos no Estado, os mesmos são mais complexos, pois os 
ideais políticos são mais complicados de se compreender, principalmente quando tratamos 
da questão da liberdade. 
	Partimos do princípio de que a ética denota regras, normas e responsabilidades, um espaço 
de reflexão sobre a nossa vida cotidiana. Esta vida está pautada nos alicerce da moral 
humana em sociedade, deve também supor que todos os homens sejam livres.
	Todos os homens necessitam de liberdade, inclusive os animais. 
	A liberdade pode ser entendida como um processo de poder fazer escolhas.
 
	Estas escolhas devem ser sempre pautadas sobre os nossos princípios morais e éticos, 
para que, assim, não possamos prejudicar os outros.
	Temos a liberdade de escolha, pois muitas vezes nos indagamos se realmente devemos 
obedecer ou não a estas regras, pois cabe a cada um de nós decidirmos o que é certo ou 
errado, o que é fazer o bem ou o mal.
RESUMO DO TÓPICO 4
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1 Todo homem pode ser considerado um ser livre. Reflita sobre o significado desta 
afirmação.
2 Escreva o que você considera uma ação proibida em seu município ou em seu 
bairro.
3 Por meio de seus valores subjetivos, como você vê a Liberdade? 
4 Será que podemos ser realmente livres? Justifique.
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Prezado(a) acadêmico(a), agora que chegamos ao final da 
Unidade 1, você deverá fazer a Avaliação referente a esta unidade. 
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UNIDADE 2
A ÉTICA E OS FUNDAMENTOS 
DA prÁTICA prOFISSIONAL DO 
ASSISTENTE SOCIAL
ObjETIvOS DE AprENDIzAgEM
Esta unidade tem por objetivos:
	conhecer os fundamentos ético-morais do exercício profissional do 
Assistente Social;
	promover a reflexão e discussão sobre as questões ético-morais, 
na relação indivíduo e sociedade;
	fomentar o debate sobre as diversas dimensões ético-morais da 
vida social e profissional;
	promover uma consciência crítica referente aos valores e princípios 
norteadores do exercício profissional.
TÓPICO 1 – OS FUNDAMENTOS ÉTICO-MORAIS DO 
EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE 
SOCIAL 
TÓPICO 2 – O ESPAÇO DA ÉTICA NA RELAÇÃO 
INDIVÍDUO E SOCIEDADE
TÓPICO 3 – A RELAÇÃO ENTRE TRABALHO, SER 
SOCIAL E ÉTICA
TÓPICO 4 – A ÉTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO 
SOCIAL E SEU PROJETO ÉTICO-POLÍTICO
pLANO DE ESTUDOS
 A Unidade 2 está dividida em quatro tópicos. Ao final de cada 
um deles, você terá a oportunidade de fixar seus conhecimentos, 
realizando as atividades propostas.
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OS FUNDAMENTOS ÉTICO-MORAIS 
DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO 
ASSISTENTE SOCIAL
1 INTRODUÇÃO
2 A NATUREZA E OS FUNDAMENTOS 
DA ÉTICA PROFISSIONAL
TÓPICO 1
UNIDADE 2
Com a própria evolução histórica da humanidade, pode-se dizer que, hoje em dia, 
quando tratamos das questões éticas e morais, estamos falando que o comportamento social 
dos homens vem atravessando todos os espaços da vida social do mesmo. Pautando-se neste 
comportamento que vem se transformando constantemente, encontramos muitos desafios no 
exercício profissional do Assistente Social. 
Neste tópico, abordaremos, com detalhes, a natureza e as características fundamentais 
da ética profissional, além de trabalhar as questões relativas ao cotidiano da prática profissional 
e das finalidades ético-morais da reprodução social.
Sabe-se que o principal problema da ética é a definição do que é certo ou errado, bom 
ou mau, e que todos os homens desejam fazer o bem e a justiça, observando sempre que 
esta problemática permeia toda a história da humanidade. Compreendemos que “fazer o bem” 
pode ser considerado uma virtude social.
Porém, o que é fazer o bem?
Todos os nossos atos, que permeiam nosso comportamento social, são frutos diretos 
e indiretos de uma consciência social e esta, por sua vez, é constituída sobre os valores, 
princípios e hábitos morais do povo que a compõe.
Existe uma ligação química e muito forte no modo comportamental subjetivo de cada 
homem, com relação à sociedade em que vive, pois se nossas ações visam, constantemente, 
UNIDADE 2TÓPICO 164
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fazer o bem perante os outros, então, estamos sendo eticamente bons sem, necessariamente, 
ser bom ou mau para alguém ou vice e versa.
Contudo, devemos compreender que não existe um bem ou mal absoluto, pois as 
diversas subjetividades humanas apresentam inúmeras diferenças, ou seja, a subjetividade é 
relativa de acordo com a visão de mundo e sociedade de cada ser humano.
Neste contexto, observa-se que a ética trabalha e avalia as diferentes alternativas de 
preferência dos homens que vivem em sociedade, principalmente no que tange à indicação 
do que devemos realmente fazer, ou não, em vez do que devíamos ter feito, ou não, pois não 
podemos deixar de lado que todos os atos dos homens que vivem em sociedade possuem 
suas restrições e consequências. Estas, por sua vez, devem ser avaliadas constantemente, 
principalmente no que tange à questão da escolha entre as diversas alternativas que estão 
postas pela própria sociedade em que vivemos.
Portanto, compreende-se que a ética avalia as diversas escolhas conscientes dos 
homens e trabalha com as consequências subjetivas de cada ser humano em sociedade. 
Estas escolhas e suas consequências podem ser consideradas objeto da prática profissional 
do Assistente Social. Como expõe Barroco 2008a, p. 67:
[...] a ética profissional é um modo particular de objetivação da vida ética. 
Suas particularidades se inscrevem na relação entre o conjunto complexo de 
necessidades que legitimam a profissão na divisão sociotécnica do trabalho, 
conferindo-lhe determinadas demandas [...]. Ou seja, estas demandas, fruto 
direto das escolhas subjetivas dos homens e suas consequências, é que le-
gitima o agir ético profissional do Assistente Social. Pois, a consciência moral 
é formada pelos valores culturais de uma determinadasociedade, e estes 
são legitimados pela própria sociedade, ou seja, pelos seus integrantes. No 
qual, criam e recriam constantemente novas necessidades, papéis e valores 
sociais.
Neste sentido, segundo Barroco (2008a, p. 68), o “ethos profissional é um modo de ser 
constituído na relação complexa entre as necessidades socioeconômicas e ídeo-culturais e a 
possibilidade de escolha inseridas nas ações ético-morais, o que aponta para sua diversidade, 
mutabilidade e contraditoriedade.”
Assim, observa-se que a ética profissional do Assistente Social está recheada de conflitos 
e contradições sociais que se remodelam ao passar dos tempos.
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Baseado(a) nas informações adquiridas até o presente momento, 
forme uma equipe, de no máximo quatro acadêmicos, e escreva 
quais os principais CONFLITOS e CONTRADIÇÕES SOCIAIS que os 
seres humanos enfrentam na atualidade.
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Podemos, assim, compreender que, o conhecimento concebido pelos homens propicia 
o seu modo de vida e de convivência em sociedade, pois buscam, constantemente, seus 
fundamentos e suas posturas críticas da realidade em que estão inseridos, além de transformar 
sua própria realidade. Complementando, Lukacs (apud BARROCO, 2008b, p. 16) expõe que:
[...] o homem torna-se um ser que dá respostas precisamente na medida em 
que – paralelamente ao desenvolvimento social e em proporção crescente – ele 
generaliza, transformando em perguntas seus próprios carecimentos e suas 
possibilidades de satisfazê-los; e quando, em sua resposta ao carecimento que 
a provoca, funda e enriquece a própria atividade com tais mediações bastante 
articuladas. De modo que não apenas a resposta, mas também a pergunta é 
um pouco imediato na consequência que guia a atividade. 
Podemos compreender, então, que a ética supõe a compreensão e análise da subjetividade 
do seres humanos e de suas relações sociais, através da formação da práxis humana como um 
todo e não somente compreendida como a formação de um conhecimento, ou seja, a ética está 
baseada nos relacionamentos, comportamentos e práticas sociais tanto dos homens quanto das 
mulheres em seu convívio cotidiano, no qual forma uma consciência moral global.
3 O SIGNIFICADO DA ÉTICA PROFISSIONAL
Agora, prezados(as) acadêmicos(as) iremos estudar diversos significados da ética na 
práxis profissional do Assistente Social.
De acordo com Sá (2001, p. 129):
[...] a expressão profissão provém do Latim professione, do substantivo profes-
sio, que teve diversas acepções naquele idioma, mas foi empregado por Cícero 
como “ação de fazer profissão de”. O conceito de profissão, na atualidade, 
aquele que aceito, representa: “trabalho que se pratica com habitualidade a 
serviço de terceiros”, ou seja,”‘prática constante de um ofício”.
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Você verá, no Tópico 3, A Relação entre Trabalho, Ser Social e Ética, 
uma reflexão mais profunda referente à ética no trabalho.
O que vem a ser, então, a ética profissional?
Segundo Brites e Sales (2000, p. 8):
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Tudo isto nos leva a fazer a seguinte indagação: Será que quando 
estou exercendo minhas atividades laborais, estou reforçando 
diretamente um projeto ético de sociedade? Reflita esta questão 
em um dos encontros presenciais.
A ética das profissões não está dissociada do contexto sociocultural e do debate 
filosófico. A ética profissional guarda uma profunda relação com a ética social e, 
consequentemente, com os projetos sociais. Não há, portanto, um hiato entre 
a ética profissional e a ética social, pois seria cindir a própria vida do homem 
na sua totalidade, isto é, em seus diversos pertencimentos: trabalho, gênero, 
família, ideologia, cultura, desejos etc. Na verdade, é o “homem inteiro”, na 
acepção lukacsiana, que participa da cotidianidade. Isto significa que o ho-
mem, no processo de produção de sua vida material e cultural, constrói valores 
que passam nortear as relações consigo mesmo e com os outros homens, 
constituindo-se, assim, como sujeito ético no processo de sociabilidade.
Observamos, então, que a constituição de um homem, enquanto indivíduo, só pode 
ser feita por meio de suas relações com os outros. E é nesta interação social que o indivíduo 
forma sua consciência moral, além de constituir seus anseios, desejos e sonhos, fazendo 
suas escolhas de certo ou errado perante a sociedade em que vive. Assim, pode-se dizer que 
é por meio da ética que o homem é um ser de consciência, pois valora seus atos de forma 
autônoma e responsável, qualificando e enriquecendo todo o processo complexo de produção 
e reprodução humana.
Partindo deste entendimento, verificamos que a ética proporciona maior visibilidade no 
esclarecimento da direção social e, em consequência, da qualificação da prática profissional 
de uma determinada sociedade, ou seja, por meio da ética, existe todo um posicionamento 
social que forma e determina seus valores, hábitos e princípios e estes, por sua vez, compõem 
as normas e diretrizes profissionais daquela comunidade.
Nesta perspectiva, Brites e Sales (2000, p. 9) colocam-nos que:
[...] a ética profissional tem a ver com a imagem que a profissão quer que seja 
reconhecida pela sociedade. [...] Em outras palavras, a profissão constrói, 
historicamente, uma identidade e adquire uma legitimidade social tanto a partir 
da explicação da função social da profissão quanto dos contornos éticos que 
assume o trabalho profissional. Esse processo é atravessado por contradições 
e tensões que envolvem disputas políticas e ideológicas na sociedade. Não 
esqueçamos que o nosso exercício profissional realiza-se numa sociedade 
capitalista, logo, há demandas diferenciadas ou entendimentos diversos do 
que seja a função social da profissão, no que concerne aos interesses das 
classes em relação. Desse modo, há vários projetos societários em confronto 
e o posicionamento da categoria, ao qual nos referimos, expressando exata-
mente a opção por um determinado projeto social.
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4 ÉTICA, O COTIDIANO E A PRÁTICA PROFISSIONAL
“A cabeça da gente é uma só e as coisas que há e que estão para haver são demais 
de muitas, muito maiores diferentes, e a gente tem de necessitar de aumentar a cabeça, para 
o total.” (Guimarães Rosa)
Conforme a frase de Guimarães Rosa, é a partir da totalidade, que podemos entender 
as particularidades subjetivas de cada ser humano, pois é a sociedade como um todo que 
forma e constitui todos os nossos princípios e valores ético-morais.
Contudo, quais as correlações entre o Código de Ética, o projeto profissional do 
Assistente Social e sua práxis?
O que deve ficar bem claro aqui é que o objeto da prática profissional se dá no dia a 
dia de nossa sociedade, ou seja, são nos diversos modos comportamentais dos homens que 
se formam as questões sociais, ou seja, o objeto da práxis profissional do Assistente Social.
O que é esta tal de questão social?
Pois bem, a questão social, a priori, forma-se na relação direta do trabalho versus 
capital, principalmente na formação moral do trabalhador (classe operária), perante a sociedade, 
o qual almeja ser reconhecido como tal por parte dos detentores do capital (os patrões), ou 
seja, é nas contradições deste relacionamento (trabalhador x patrão) que se forma o objeto 
de trabalho do Assistente Social. Esta contradição é estabelecida diretamente na produção, 
reprodução e apropriação da riqueza constituída em sociedade, ou seja,os trabalhadores, 
por meio do trabalho, produzem a riqueza, em contrapartida, os patrões apropriam-se dela. 
Portando, nesta dinâmica, o trabalhador não tem muitas vezes a possibilidade de usufruir e 
obter as riquezas que produziu.
Complementando, Iamamoto (1997, p. 14) define o objeto do Serviço Social nos 
seguintes termos:
Os assistentes sociais trabalham com a questão social nas suas mais variadas 
expressões quotidianas, tais como os indivíduos as experimentam no traba-
lho, na família, na área habitacional, na saúde, na assistência social pública 
etc. Questão social que sendo desigualdade é também rebeldia, por envolver 
sujeitos que vivenciam as desigualdades e a ela resistem, se opõem. É nesta 
tensão entre produção da desigualdade e produção da rebeldia e da resis-
tência, que trabalham os assistentes sociais, situados nesse terreno movido 
por interesses sociais distintos, aos quais não é possível abstrair ou deles 
fugir porque tecem a vida em sociedade. [...] a questão social, cujas múltiplas 
expressões são o objeto do trabalho cotidiano do Assistente Social.
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Voltando à questão principal, pode-se observar que a vida cotidiana dos seres humanos 
denota certa alienação dos mesmos ao sistema societal que estão inseridos, ou seja, devemos 
saber distinguir as nossas ações de prática profissional das atividades cotidiana em que estamos 
envolvidos. De acordo com Heller (apud BRITES; SALES, 2000, p. 69): 
[...] o cotidiano é o território da espontaneidade, das motivações efêmeras e 
particulares, da fixação repetitiva do ritmo e da rigidez do modo de vida. Conse-
quentemente, o pensamento cotidiano é um pensamento fixado, tão somente, 
na experiência, na dimensão empírica da realidade e dos acontecimentos da 
vida; logo, pragmático e ultrageneralizador, assentado na unidade imediata 
entre pensamento e ação. Opera, portanto, corretamente, num nível de apro-
blematicidade em detrimento da razão e das intimações humano-genéricas.
Contudo, o que é alienação?
Compreendemos que é por meio do trabalho que se forma a consciência moral dos 
homens, denotando a sua sobrevivência social. Porém, como esta atividade laboral pode ser 
considerada uma alienação de sua própria constituição moral?
Podemos considerar que a alienação proporciona uma diminuição da capacidade do agir 
consciente dos seres humanos, ou seja, os homens, muitas vezes, não conseguem assimilar o 
seu próprio comportamento e suas atitudes perante sua própria produção e reprodução social, 
no qual acabam bloqueando sua autonomia de agir.
No que tange à alienação social, podemos citar que muitas vezes os seres humanos 
não se dão conta que são eles que produzem as riquezas de sua sociedade, por meio de suas 
atividades laborativas. Diante disto, apresentam duas posturas, tais como: veem este processo 
de produção de riquezas como uma ação natural e espontânea ou rejeitam esta situação, 
verificando que nós possuímos muito mais capacidades de julgamento do que simplesmente 
acatar tudo o que vem dos donos do capital (os patrões).
Nos dois casos, de acordo com Brites e Sales (2000, p. 69) “a sociedade é o outro 
(alienus), algo externo a nós, separado de nós, diferente de nós e com poder total ou nenhum 
poder sobre nós.”
Segundo Brites e Sales (2000, p. 69):
No debate da práxis profissional, vemos, então, as possibilidades de atuação 
dos assistentes sociais, consideradas particularmente, inseridas nas contradi-
ções e tensões do cotidiano, mas vincadas e içadas pelo projeto ético-político 
profissional – uma vez assimiladas com consciência as suas exigências – ao 
plano do humano genérico. A riqueza e desafios das situações radicalmente 
humanas posta pelo exercício profissional listam aqueles a se orientar e con-
duzir sua vida pela vida da eticidade; logo, a se posicionar diante de alterna-
tivas e a realizar escolhas, postas na esfera do cotidiano, submetendo a sua 
particularidade ao genérico.
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Heller (apud BRITES; SALES, 2000, p. 69) expõe ainda que:
[...] quanto maior é a importância da moralidade, do compromisso pessoal, 
da individualidade e do risco (que vão sempre juntos) na decisão acerca de 
uma alternativa dada, tanto mais facilmente essa decisão eleva-se acima da 
cotidianidade e tanto menos se pode falar de uma decisão cotidiana.
Então, pode-se observar que não existe um divisor entre o comportamento cotidiano e do 
não cotidiano, pois o desenvolvimento da práxis profissional está interligado com a convivência 
do dia a dia do grupo social em que estamos inseridos, ou seja, o trabalho profissional do 
Assistente Social se dá sobre as questões sociais advindas deste convívio em sociedade. 
Contudo, não podemos confundir que a prática profissional seja também as atividades cotidianas 
que realizamos, pois estas se transformam na práxis profissional só quando nós tomamos 
consciência deste fato.
No entanto, de acordo com Brites e Sales (2000, p. 70) “a práxis aqui reivindicada decorre 
de uma construção coletiva expressa na direção social do projeto ético-político do Serviço Social 
e que ganha tessitura e substância por meio da adesão consciente e crítica aos princípios e 
valores presentes no código de ética dos assistentes coletivos desenvolvidos país afora”.
LEITURA COMPLEMENTAR 1
ÉTICA NO COTIDIANO
A.Augusta Soares
[...] O nosso país está [sempre] nos chamando para comparecermos às urnas, período 
de mudanças políticas [...].
Período propício para questionamentos, principalmente sob um aspecto cultural 
importante: a Ética em nosso cotidiano e as consequências de nossas ações.
Vivemos em sociedade, influenciamos e somos influenciados, através da mídia escrita 
e falada (rádio, TV, jornais, propagandas e revistas), convivemos e interagimos socialmente, 
portanto, cabe pensarmos e respondermos, intimamente, a seguinte pergunta: 
Como agimos em nosso cotidiano perante os Outros?
Trata-se de uma pergunta fácil de ser formulada, mas difícil de ser respondida. Está 
intimamente ligada à questão ÉTICA e, consequentemente, ao julgamento do caráter moral 
de uma determinada pessoa.
Sabemos que a ética está presente em todos os povos, independente de raça. Ela é 
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um conjunto de regras, princípios, formas de pensar e se expressar.
A palavra de origem grega pode ser traduzida, dentro da sociedade, como propriedade 
de caráter.
Ser ético envolve integridade, honestidade em qualquer situação, coragem para assumir 
seus erros e decisões, tolerância, flexibilidade, humildade, posturas e procedimentos que não 
causem prejuízo ao meio social em que está inserido. É estar tranquilo com a consciência 
pessoal, cumprindo com os valores no espaço em que vive, ou seja, onde mora, trabalha, 
estuda e convive socialmente.
A ética reflete diretamente sobre as ações, diferentemente de MORAL, que estabelece 
regras para garantir a ordem social, sem levar em conta as fronteiras geográficas. Mas é 
através da ética que o indivíduo é levado a refletir, questionar, percorrer sobre todas as causas 
e consequências de suas ações no exercício de uma PROFISSÃO, postura que deve ser 
iniciada antes mesmo da prática profissional, a que está se propondo a exercer.
Ser ético, ter postura ética, é fazer algo que te beneficie e, no mínimo, não prejudique 
o “outro”, ou o meio social em que convive.
 
FONTE: SOARES, A. Augusta. Ética no cotidiano. Disponível em: <http://www.revistafatosregionais.
com.br/conteudo/edicao-002/etica-no-cotidiano.html>.Acesso em: 25 fev. 2009. 
LEITURA COMPLEMENTAR 2
ÉTICA E PROFISSIONALISMO
Maria Elizabete Silva D`Elia
Ética e profissionalismo deveriam andar de mãos dadas, principalmente, num mundo 
em que qualidade é sobrevivência.
Deveria ser algo implícito, explícito e matéria obrigatória do Ensino Fundamental ao 
Superior.
Mesmo que haja, atualmente, um movimento de resgate da ética e discussão sobre a 
sua importância em todos os segmentos da sociedade, a distância entre o discurso e a prática 
é ainda muito grande.
Como profissionais de desenvolvimento humano, um dos nossos compromissos é trazer 
sempre à tona a Ética, mostrando-a de forma simples, didática, como prática diária em nossa 
casa, escritório, grupo, comunidade e a sociedade como um todo.
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A Ética permeia todas as relações e colabora decisivamente para o bem-estar individual, 
coletivo e também atua diretamente na “ecologia” do ambiente e do universo.
Empresas e profissionais vencedores têm expresso em sua missão e “tatuado” nas 
atitudes o valor da ética, como característica primordial para o sucesso e felicidade. 
Por ser a Ética um assunto complexo, amplo e de entendimento subjetivo, uma grande 
maioria associa seu entendimento e prática como algo distante, filosófico, de responsabilidade 
do governo, da Sociedade, isentando-se de trazê-la para o seu cotidiano e para o âmbito da 
sua responsabilidade, enquanto cidadão.
Quando deixamos à Ética num plano muito filosófico, abrimos mão do nosso poder de 
praticá-la e passamos a colocar “a culpa” da falta de ética no país, nos governantes, nas leis, 
ou seja, sempre no “outro”.
O grande desafio é colocar a Ética como parte do nosso “ritual de qualidade diária”. 
Quando nos cuidamos, nos respeitamos, respeitamos o outro, o meio ambiente, estamos 
praticando a Ética.
O Conceito que está na nossa esfera de atuação e que pode ser exercitado 24 horas 
por dia é entender Ética como “o bem comum”.
Quando queremos saber se algo ou alguma atitude é ética, basta que questionemos 
se ela atende ao bem comum. Se a resposta for SIM, a ética está presente.
Esclarecendo o sentido de Bem comum para situações do dia a dia:
● É bom para a empresa e para o cliente?
● É bom para o profissional e para a empresa?
● É bom para a empresa, para os profissionais, para os clientes, para a sociedade, para o 
meio ambiente?
Se só um dos lados for beneficiado, não houve ética.
Logo, entende-se que o bem comum passa pela negociação ganha-ganha, pelo diálogo, 
pela transparência.
E esses quesitos fazem parte hoje do que se exige de um profissional.
Dentro do nosso cotidiano, há zonas claras de entendimento coletivo, sobre situações 
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que são entendidas como falta de ética. Exemplos:
● Falar mal da empresa e/ou de alguém da empresa para o cliente.
● Reclamar de salário ou de condições de trabalho para o cliente.
● Fazer confidências da vida pessoal para o cliente.
● Pedir algo para o cliente (favor, presente, empréstimo etc.).
● Revelar informações confidenciais para ter favoritismo ou demonstrar poder.
● Legislar em causa própria, por ter acesso a dados de salário da empresa, por conta da 
função.
- Aceitar presentes, para favorecer um fornecedor ou cliente.
- Sabotar informações, por questões pessoais.
- Prejudicar a equipe, os pares, por “fazer fofocas” pessoais e/ou profissionais.
- Outros similares.
Há outras situações, consideradas cinzentas, que são também antiéticas, mas que 
podem gerar dúvidas. Exemplos:
● Avançar o limite saudável entre relação “amistosa” com o cliente para uma relação próxima 
e privada.
● Não colaborar com uma ideia ou projeto, por “não gostar” do dono da ideia.
● Tratar com parcialidade pessoas da equipe ou pares, simplesmente, por ter mais afinidade 
pessoal.
● Abrir mão de contribuir com a qualidade de relacionamento do seu ambiente.
● Ficar passivo e/ou concordar com críticas feitas a colegas e/ou a procedimentos da 
empresa.
● Utilizar mala direta da empresa e/ou dados do negócio, para fins particulares.
● Usar para fins particulares materiais da empresa (papel, impressora, disquete etc.).
● Usar telefone da empresa, sem reembolsar despesas, para responder recados de celular 
particulares, para ligações interurbanas etc.
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● Usar Internet para fins particulares, sem autorização do Coordenador/Gerente.
● Outras situações similares.
Outro direcionamento que confirma se há ou não ética é o exercício diário da missão 
e valores da empresa em que atua e dos próprios valores como pessoa.
Profissionalismo é a simbiose entre competência técnica e humana.
E sem ética, é impossível ter competência humana.
Esses princípios devem estar presentes na conduta diária, junto a clientes, equipe, 
coordenadores, gerentes, Diretoria, parceiros.
Ética dá lucro e faz bem a todos.
Se tivermos dúvida de alguma situação, o diálogo é sempre bem-vindo.
O Clube Rotary dá uma excelente contribuição sobre Ética nos seus princípios. Podemos 
também nos inspirar nos valores que pregam, que se baseiam em três perguntas:
É bom? 
É verdade? 
É justo?
A ajuda coletiva e o respeito mútuo são irmãos gêmeos da ética e, sem dúvida, podem 
ser a diretriz para o bem-estar e para a ecologia do nosso planeta.
FONTE: D’ELIA, Maria Elizabete Silva. Ética e profissionalismo. Disponível em: <www.betedelia.com.
br>. Acesso em: 25 fev. 2009.
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Para um melhor aprendizado, sugerimos a leitura do seguinte artigo 
e do livro. Assista, também, ao filme indicado.
● Artigo: Questão Social: Objeto do Serviço Social? De Ednéia 
Maria Machado. Disponível em: <http://www.ssrevista.uel.br/c_
v2n1_quest.htm>.
● Livro: COUTO, Wanderley. O que é alienação. 
São Paulo: Brasiliense, 1992.
● Filme: Conduta de Risco
● Livro: BRITES, Cristina Maria; SALES, Mione 
Apolinário. Ética e práxis profissional. 2. ed. 
Brasília: CFESS, 2000.
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Abordamos, neste tópico, as questões fundamentais da ética, no que tange ao 
exercício profissional do Assistente Social. Assim, tratamos os seguintes assuntos:
	Hoje em dia, quando tratamos das questões éticas e morais, estamos falando que o 
comportamento social dos homens vem atravessando todos os espaços da vida social do 
mesmo, ao longo de sua história.
	Verificamos que o principal problema da ética é a definição do que é certo ou errado, bom 
ou mau, e que todos os homens desejam fazer o bem e a justiça. 
	Compreendemos que “fazer o bem” pode ser considerado uma virtude social.
	Todos os nossos atos, que permeiam nosso comportamento social, são frutos diretos e 
indiretos de uma consciência social e, esta, por sua vez, constituída sobre os valores, 
princípios e hábitos morais do povo que a compõe.
	Não existe um bem ou mal absoluto, pois as diversas subjetividades humanas apresentam 
inúmeras diferenças, ou seja, a subjetividade é relativa de acordo com a visão de mundo e 
sociedade de cada ser humano.
	Compreendemos que a ética avalia as diversas escolhas conscientes dos homens e trabalha 
com as consequências subjetivas de cada ser humano em sociedade. 
	Estas escolhas e suas consequências podem ser consideradas objeto da prática profissionaldo Assistente Social. 
	Observamos que a ética profissional do Assistente Social está recheada de conflitos e 
contradições sociais que se remodelam ao passar dos tempos.
	A ética está baseada nos relacionamentos, comportamentos e práticas sociais tanto dos 
homens como das mulheres em seu convívio cotidiano, no qual forma uma consciência moral 
global.
	Observamos que a constituição de um homem, enquanto indivíduo, só pode ser feita por meio 
de suas relações com os outros em sociedade. E é nesta interação social que o indivíduo 
forma sua consciência moral, além de constituir seus anseios, desejos e sonhos. 
RESUMO DO TÓPICO 1
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	A ética proporciona maior visibilidade no esclarecimento da direção social e, em consequência, 
da qualificação da prática profissional de uma determinada sociedade, ou seja, por meio da 
ética, existe todo um posicionamento social que forma e determina seus valores, hábitos e 
princípios e estes, por sua vez, compõem as normas e diretrizes profissionais do homem.
	É a partir da totalidade que podemos entender as particularidades subjetivas de cada ser 
humano, pois é a sociedade como um todo que forma e constitui todos os nossos princípios 
e valores ético-morais.
	O objeto da prática profissional se dá no dia a dia de nossa sociedade, ou seja, são nos 
diversos modos comportamentais dos homens, que se formam as questões sociais e estas, 
por sua vez, são o objeto da práxis profissional do Assistente Social.
	A questão social forma-se na relação direta do trabalho versus capital.
	A vida cotidiana dos seres humanos denota certa alienação dos mesmos ao sistema societal 
que estão inseridos, pois, muitas vezes, os seres humanos não se dão conta que são eles 
que produzem as riquezas de sua sociedade, por meio de suas atividades laborativas.
	Verificamos que o trabalho profissional do Assistente Social se dá sobre as questões sociais 
advindas do convívio em sociedade. Contudo, as nossas atividades cotidianas se transformam 
na práxis profissional só quando nós tomamos consciência deste fato.
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Em equipe, de no máximo quatro acadêmicos, liste todas as questões sociais 
que conseguirem identificar. Em seguida, realizem um debate, no grande grupo, sobre 
esse tema. 
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O ESPAÇO DA ÉTICA NA 
RELAÇÃO INDIVÍDUO E 
SOCIEDADE
1 INTRODUÇÃO
2 AS BASES HISTÓRICAS DA 
 SOCIEDADE NA CONSTRUÇÃO DA ÉTICA
TÓPICO 2
UNIDADE 2
Neste tópico, trabalhar-se-á como se processa o espaço da ética na relação indivíduo 
versus sociedade, no qual perpassaremos por alguns aspectos históricos da construção ética-
moral da sociedade. Assim, segundo Barroco (2008b, p. 19):
[...] é nesse processo histórico que são tecidas as possibilidades de o homem 
se comportar como um ser ético: enquanto o animal se relaciona com a natu-
reza a partir do instinto, o ser social passa a construir mediações – cada vez 
mais articuladas –, ampliando seu domínio sobre a natureza e sobre si mesmo. 
Desse modo, sem deixar de se relacionar com a natureza – pois precisa dela 
para se manter vivo –, vai moldando sua natureza social.
Demonstrando, ainda, a inter-relação natural do comportamento moral entre os homens, 
principalmente na questão da construção subjetiva do homem, ou seja, o homem como tal, 
ser individual.
Pelo comportamento humano e, principalmente, por meio de seu modo de ser, hábitos 
e costumes é que determinamos e consolidamos nossa moral e, por conseguinte, a ética. A sua 
constituição advém historicamente das relações do dia a dia de cada ser humano que vive em 
sociedade.
Complementando, Barroco (2008b, p. 20) escreve que:
A história não é uma abstração dotada de uma existência independente dos 
homens. Os homens reais – entre suas relações entre si e com a natureza 
– são os portadores da objetividade sócio-histórica. E nesse sentido pode-
se dizer que o ser social fundamenta-se em categorias ontológico-sociais, 
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pois os modos de ser que o caracterizam são construções sócio-históricas 
que se interdeterminam de forma complexa e contraditória, em seu processo 
de constituição.
Então, podemos compreender que o homem social nasce da natureza e de sua inter-
relação com os outros de sua espécie, em que suas habilidades e aptidões são desenvolvidas 
por ele no decorrer de seu processo de humanização, ou seja, é o próprio homem o autor e 
produto da sua construção.
FONTE: A autora
Nesta perspectiva, podemos citar que o homem desenvolve suas capacidades de 
forma consciente e livre. E, por meio do trabalho, ele é capaz de transformar a natureza, em 
consequência ao seu meio e a si próprio, mantendo sua própria vida em sociedade. Então, 
podemos dizer que “[...] o trabalho é, antes de tudo, em termos genéricos, o ponto de partida 
da humanização do homem, do refinamento de suas faculdades, processo do qual não se deve 
esquecer o domínio sobre si mesmo” (LUKÁCS apud BARROCO, 2008b, p. 21).
Portanto, a sociabilidade humana pode ser compreendida como o berço da constituição 
do homem social ou ser social, pois é por meio de nossas atividades humanas que nos 
constituímos como homens e, assim, nos perpetuamos historicamente.
De acordo com Barroco (2008b, p. 22) “constituir-se cada vez mais socialmente quer 
dizer dominar a natureza, criar novas alternativas, dar respostas sociais, e daí decorre a 
transformação de todos os sentidos humanos.” Isto só pode ser viável, se o homem tiver 
consciência de seus atos e de sua própria transformação social.
Contudo, qual o papel da consciência humana na prática profissional dos 
mesmos?
Antes de tudo, precisamos compreender o significado da consciência humana. Portanto, 
segundo Cavalcanti (2007, p. 2) para Susan Greenfield, pesquisadora da Universidade de 
Oxford: 
FIGURA 7 – FRASE REFLEXIVA
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A consciência não é um lampejo, mas um contínuo de conexões dos seus [...] 
[...] neurônios, que vão ocorrendo do momento em que você nasce até o fim 
da experiência, seu cérebro faz uma representação mental que é armazenada 
da sua vida. A cada nova em sua memória. Ao comer uma comida diferente, 
por exemplo, surgiria uma mudança nas conexões do seu cérebro. Quanto 
mais o mundo passa a ter significado para você, mais conexões são feitas 
em seu cérebro. 
Ou seja, é por meio da constituição de consciência que analisamos, calculamos e 
aspiramos ideias, realizando um processo de escolha do que pode ou não ser feito, do que é bom 
ou não para nós e para os outros. Então, se partirmos do princípio de que a nossa constituição 
ético-moral advém do trabalho, podemos assim dizer que a nossa prática profissional só se 
processa quando a realizamos de forma consciente em prol da realização do bem.
Portanto, por meio da transformação consciente da natureza, o homem cria sempre novas 
alternativas de valorações em seu processo de escolha e tomada de decisões, pois as realizam 
conscientemente, por meio de comparações do certo e errado, do fazer o bem ou o mal.
Assim, Barroco (2008b, p. 25-26) expõe que:
[...] quando os homens transformam umdado elemento da natureza, por 
exemplo, um pedaço de madeira criando fogo ou um instrumento de trabalho, 
passa a instituir alternativas antes inexistentes. Os instrumentos de trabalho 
não modificam apenas a atividade humana; transformam toda a vida dos ho-
mens, instituindo novas possibilidades. No caso do fogo, alteram-se todos os 
sentidos – pois com o alimento cozido, por exemplo, o paladar, o tato, o olfato 
etc. são modificados; atendem-se a necessidades, pois é possível aquecer-se 
com o fogo; criam-se hábitos culturais, desencadeando novos sentimentos e 
comportamentos; a natureza já não se apresenta como um mistério; o homem 
se vê como sujeito de sua transformação.
Acarretando, assim, para o homem, a possibilidade de realizar suas escolhas de forma 
livre e consciente. E estas escolhas podem ser consideradas a constituição da liberdade 
humana.
Para Lukács (apud BARROCO 2008b, p. 26):
A liberdade, bem como sua possibilidade, não é algo dado por natureza, não é 
um dom do “alto” e nem sequer uma parte integrante – de origem misteriosa – 
do ser humano. É o produto da própria atividade humana, que decerto sempre 
atinge concretamente alguma coisa diferente daquilo que se propusera, mas 
que nas suas consequências dilata – objetivamente e de modo contínuo – o 
espaço no qual a liberdade se torna possível. 
Finalizando, podemos observar que a liberdade de escolha dos homens proporciona 
autonomia. E esta autonomia denota que o ser humano é um ser livre, tendo plena consciência 
em suas escolhas. Portanto, por meio do trabalho, o ser humano se constitui um homem 
consciente e livre.
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LEITURA COMPLEMENTAR 1
“DECIFRA-ME OU TE DEVORO”: O ENIGMA DA ESFINGE
Maria Lúcia Silva Barroco
Na tragédia grega clássica Édipo Rei, escrita por Sófocles, Édipo se encaminha para 
Tebas, quando uma esfinge, monstro que devora a todos que não conseguem decifrar seus 
enigmas, profere-lhe um enigma. De sua resposta depende a vida da cidade e também o seu 
destino [...].
Antes de se deparar com a esfinge, Édipo já consultara o oráculo, forma de comunicação 
com os deuses através de uma consulta que também deve ser decifrada. No caso de Édipo, 
o oráculo já dissera a seu pai, Laio, que seu filho o mataria e se casaria com a própria mãe, 
ou seja, com a mulher de Laio. Para evitar este destino trágico, Laio abandonara Édipo nas 
montanhas, com os pés atravessados por um ferro e ligados por uma tira de couro (daí seu 
nome Édipo, que significa “pés inchados”).
Adotado por Pólipo, Édipo, já adulto, resolve consultar o oráculo sobre sua origem. O 
oráculo repete a previsão anterior: Édipo mataria o pai e se casaria com a mãe. Édipo foge de 
Pólipo para que não se cumprisse o destino. No caminho para Tebas, encontra Laio e, numa 
briga, mata o rei e sua comitiva. Em seguida, encontra a esfinge, que lhe propõe o enigma 
que nenhum homem conseguira responder até então: “Qual é o ser que anda de manhã com 
quatro patas, no meio do dia com duas e à noite com três e que, contrariamente à lei mais 
geral, é mais fraco quando tem mais pernas?”. Édipo responde: “É o homem que engatinha 
quando criança, quando adulto usa suas duas pernas e quando velho usa uma bengala”. Diante 
disso, a esfinge morre e os tebanos reconhecem Édipo como rei, oferecendo-lhe a viúva de 
Laio como esposa.
Passados muitos anos, uma peste assola a cidade e o oráculo novamente é consultado. 
Quando Édipo indaga sobre as causas da peste, obtém a resposta de que a morte de Laio não 
fora vingada e que o responsável era ele, Édipo. Ao descobrir que matara o próprio pai e que 
Jocasta, sua mulher, é sua mãe, Édipo arranca os olhos com uma joia de Jocasta, que se enforca. 
Então sai, cego, errante pelo mundo, acompanhado por uma de suas filhas, Antígona.
Assim, Édipo não teve êxito em suas sucessivas tentativas de fugir do seu destino. 
Determinado pelos deuses, o destino não pode ser transformado pelos homens, como bem 
mostra Sófocles. Porém, é parte da natureza humana, dizem também os mitos, questionar o 
poder dos deuses; por isso, mesmo que a palavra divina seja revelada através do oráculo, os 
humanos sempre buscam um desvio desse caminho “predestinado”.
Mais adiante, veremos como tudo isso tem a ver com a concepção ética dos gregos, 
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herança fundamental da civilização ocidental.
E você, acredita em destino?
FONTE: BARROCO, Maria Lúcia Silva. Ética: fundamentos sócio-históricos. 6. ed. São Paulo: Cortez, 
2008. p. 47-48.
Agora, prezado(a) acadêmico(a), vamos verificar no texto a seguir a questão da 
discussão em torno de uma ética universal para toda a sociedade contemporânea.
 Então leia com atenção esta leitura complementar 2, pois ela propiciará um panorama 
geral desta ética universal.
LEITURA COMPLEMENTAR 2
ÉTICA E SOCIEDADE: EM BUSCA DE UMA ÉTICA UNIVERSAL
José Carlos S. de Mesquita
ÉTICA: Do grego, ETHOS. Significa costumes, extrai-se Ética. Do latim, MORES. 
Donde moral. Ciência da moral. "Estudo dos juízos de apreciação referente à conduta humana 
suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada 
sociedade, seja de modo absoluto."¹. "Em outras palavras, ética e moral referem-se ao conjunto 
de costumes tradicionais de uma sociedade."²
INTRODUÇÃO
A Ética moral, enquanto ciência que estuda as virtudes da humanidade, vem sendo 
especulada desde os tempos antigos até os nossos dias, pelos mais ilustres filósofos como 
Sócrates, Platão, Aristóteles, Rousseau, Kant, Hegel, Kierkegaard e outros. Contudo, sabemos 
que o primeiro código ético, enquanto regras a serem cumpridas, data, segundo a Bíblia, dos 
tempos do antigo testamento com os Dez Mandamentos, mas mesmo assim já havia quem 
os transgredia. Ainda dentro de uma visão bíblica, entende-se que o descumprimento das leis 
divinas, tem origem desde a criação da terra com Adão e Eva. Há quem fale que o contraste 
de moralidade hoje, reflete o pecado cometido no início dos tempos.
Numa abordagem mais filosófica, comentaremos sobre o ético na concepção de alguns 
filósofos, fazendo entre eles uma relação de modo a deixar claras as divergências e convergências 
de pensamentos no que tange as suas concepções de Ética. Abordaremos também, a partir 
de um prisma mais social, as desigualdades de pensamento que legitimam a relativização 
1. HOLANDA, Aurélio B. de. Novo dicionário da língua portuguesa.
2 . CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia, p. 340. 
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do comportamento ético, desde as sociedades gregas, fazendo uma reflexão histórica nas 
épocas que mais transpareceu o amoral. Ainda numa visão sociológica, analisaremos alguns 
fatores que fortalecem o descaso da virtude moral com as sociedades de hoje. Entraremos no 
Brasil de 64 relembrando a mobilização e o sofrimento dos contras-ditadura por uma realidade 
social igualitária e chegaremos até o Brasil dos anos 90 abordando verdadeiros exemplos de 
cidadania expressa na mobilização da sociedade por uma política Ética.
A ÉTICA E SOCIEDADE: Em busca de uma Ética universal
A ÉTICA como "[...] reflexão científica, filosófica e até teológica [...]"³ , vem sendo 
estudada desde a antiguidade pelos mais renomados filósofos. Sócrates, consagrado "fundador 
da moral"4, destacou-se nesta área da filosofia por buscar em suas indagações, a convicção 
pessoal dos transeuntes para obter uma melhor compreensão da justiça. Sócrates acreditava 
nas leis, mas como pensadorcapaz de pôr em prova o próprio subjetivo, às questionava, 
gerando um descontentamento aos conservadores gregos da época. A condenação de Sócrates 
a beber veneno ainda é um questionamento, cuja resposta possa estar nas entrelinhas dos 
argumentos conservadores do poder: "[...] as leis existiam para serem obedecidas e não para 
serem justificadas."5
Já Platão (427-347 a.C.), admirável discípulo de Sócrates, articulava em suas inspirações 
teóricas a ideia de se encontrar a felicidade no centro das questões éticas. A sabedoria para 
Platão, não está expressa no saber pelo saber, ou melhor, não se identifica o sábio pela sua 
grandeza de conhecimentos teóricos, mas pela sua grandeza de virtudes. O homem virtuoso 
tende a encontrar e contemplar o mundo ideal.
Aristóteles (384-322 a.C.), também pensador da Grécia antiga, fundamentou maior 
parte de seu postulado teórico no empirismo onde, baseado no tipo de sociedade, desenvolveu 
algumas obras que enfocam as questões éticas daquele tempo: Ética a Eudemo, Ética a 
Nicômaco e uma Magna Moral. Aristóteles não descarta a relação entre Ser e o Bem, porém 
enfatiza que não é um único bem, mas vários bens, e que esse bem deve variar de acordo 
com a complexidade do ser. Para o homem, por exemplo, há a necessidade de se ter vários 
bens, para que este possa alcançar a felicidade humana. A virtude em Aristóteles está entre 
os melhores dos bens.
Com o cristianismo, percebemos que se encerra o papel da filosofia moral enquanto 
determinante do que é ou não ético. As ações humanas agora se norteiam na divindade de um 
único Deus, e não mais no politeísmo como na cultura grega. O ético reflete agora a consciência 
interior de cada um, é o que estabelece o coração do indivíduo. Em coerência com essa visão 
cristã de ação moral, Rousseau, já, por volta do século XVIII, argumenta que a moralidade é 
3. Álvaro L. M. VALLS, O que é Ética, p. 7.
4. Id. Ibid., p. 17.
5. Idem.
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obra divina. O agir naturalmente dentro dos mais puros princípios éticos, reflete a existência 
de Deus em nossos corações. Em Rousseau, ao obedecermos ao dever externo, estamos 
obedecendo aos nossos corações. Para ele, os homens nascem puros e bons, a sociedade 
é quem os corrompe.
"[...] se o dever parece ser uma imposição e uma obrigação externa, imposta por Deus 
aos humanos, é porque nossa bondade foi pervertida pela sociedade quando criou a propriedade 
privada e os interesses privados [...]".6
Em oposição a essa concepção, encontramos Kant no final do séc. XVIII. Kant se 
contrapõe a Rousseau por negar a existência da "bondade natural"7. Nos corações dos homens 
só existem sentimentos negativos e para conseguirmos superar todos esses males, devemos 
almejar uma Ética racional e universal identificada no dever moral.
Ao contrário de Rousseau e Kant, vamos encontrar Hegel, que encara a questão Ética 
de outro prisma. Opondo-se ao argumento do coração como determinante da vontade individual 
de Rousseau, e a da moral racional de Kant, Hegel diz que somos seres indissociáveis.
O ser humano é histórico e vive o coletivo em todas as suas ações, associado aos seus 
costumes e as suas manifestações culturais. É por esse ângulo que Hegel argumenta sobre 
a vontade coletiva que guia nossas ações e comportamentos. A família, o trabalho, a escola, 
as artes, a religião etc. norteiam nossos atos morais e determinam o cumprimento do dever. É 
também por essa linha de pensamento que tentaremos direcionar nosso raciocínio enfocando 
as relações éticas no contexto político-social, expondo a relativização do comportamento ético 
nos últimos tempos.
A Ética, como conjunto de normas e valores que regem uma sociedade deve 
necessariamente refletir a consciência e as ações desse povo, assim como trazer consigo o tipo 
de organização que alimenta essa sociedade. Acreditamos na universalidade do comportamento 
e das ações éticas, assim como na sua transformação relativa às transformações das sociedades 
que as impera, mas se voltarmos às sociedades da Grécia antiga e fizermos o percurso 
histórico até os nossos dias, vamos encontrar diversidade de virtudes e comportamentos, ao 
ponto de colocarmos em cheque essa virtude que tanto sonhamos para todos. Se analisarmos 
a educação espartana e a ateniense, ambas vividas numa mesma época, e entrarmos no 
feudalismo e verificar o contraste entre os servos e os senhores feudais, os dogmas da Igreja 
enquanto posicionamento do clero como meio de conservar seu poder em detrimento à vida 
dos que questionavam tais dogmas, continuar caminhando até o séc. XVIII e nos depararmos 
com as injustiças sociais nas quais a miserável classe proletariada subordinava-se em plena 
revolução industrial, trabalhando 14 a 15 horas por dia, sem restrição de cor, raça, sexo e 
idade, com alguns ficando até neuróticos em decorrência do volume de trabalho que havia, e 
6. CHAUÍ, Marilena, Convite à filosofia, p. 344.
7. Idem.
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tudo para beneficiar um pequeno grupo de capitalistas que emergia em detrimento à vida dos 
necessitados. Nesse caso, seria essa a Ética do capitalismo? E no caso do clero, a Ética da 
Igreja? Sim, certamente, mas é importante também refletirmos sobre o lado moral e o princípio 
Ético universal idealizado por Kant. Os costumes e as regras morais impostas pelo clero na idade 
média e pelos capitalistas no sec. XVIII, não refletiam com certeza, a consciência da maioria 
da população, de suas respectivas épocas, nem tão pouco, o dever moral dos submissos não 
atendia e nem atende aos interesses dos dominadores.
Hoje, à beira do século XXI, ainda nos deparamos com situações que fogem aos 
anseios de uma Ética universal, onde pessoas injustiçadas perdem a vida, morrem de fome, 
passam as piores necessidades e situações de constrangimento por serem negras ou pobres. 
Instituições como a família, Igreja e organizações culturais ainda cultivam no seio de suas 
atividades valores representativos de uma Ética padrão e de valores condizentes com a noção 
humanitária de vida, porém por outro lado, sentimos na pele ações de uma minoria que infringe 
as normas legais e ultrapassam as barreiras do Ético na ânsia de adquirir ou conservar seu 
poder. Em apoio e como cúmplice deste processo de decadência moral, encontramos os meios 
de comunicação de massa. Com enorme força de poder de conscientização, eles funcionam 
de maneira a levar aos lares da sociedade, as situações mais ilusórias e pervertidas do social, 
fazendo com que seu público caia no abismo do amoral. Lamentavelmente, a televisão como 
meio de comunicação que atinge em maior proporção a população em todas as camadas, 
desponta na frente como meio que mais distorce a realidade e infiltra na população a ideologia 
dominante, quando ao invés disso, poderia utilizar tal poder no sentido de esclarecer, educar 
e conscientizar a população, almejando uma sociedade igualitária onde o branco, o negro, o 
rico e o pobre tenham direitos iguais.
Particularmente, o Brasil dos últimos 50 anos enfrentou algumas altas e baixas no que 
tange à liberdade de vida de maneira digna. A que mais repercutiu foi o golpe de 64 que originou 
o despertar da comunidade estudantil e da sociedade em geral para questões primárias como 
liberdade e democracia. A repressão originada pelo golpe sacrificou toda uma geração com 
todos os meios possíveis de tortura e constrangimento. Uns mortos, outros torturados e outros 
para não serem mortos ou presos passaram a viver no exílio, mesmo assim não escapavam 
das perseguições. Os quase10 mil brasileiros que viviam no exterior, principalmente na América 
latina, não se intimidaram com essas repressões, mesmo exilados em países diferentes, 
formaram uma corrente contraditadura não deixando o espírito do patriotismo morrer. Pessoas 
como Paulo Freire, Gilberto Gil, Herbert de Souza e outros, trouxeram do exílio verdadeiras 
lições de vida e conhecimentos, contribuindo com a educação, cultura e dando sua participação 
de solidariedade humana. Está expresso aí nas ações dessa gente o verdadeiro significado 
de comprometimento moral com a sociedade.
Hoje, final da década de 90, sentimos que alcançamos algumas melhorias na sociedade, 
principalmente no que tange à conscientização de uns poucos para as questões morais que 
norteiam a sensibilidade do homem às situações críticas e polêmicas da sociedade. Projetos 
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como a “Ação da cidadania contra a miséria e pela vida” e a própria tentativa de dar um basta 
na corrupção política do país, resgatou a confiança do povo para um Brasil melhor onde habita 
o dever do valor moral e de uma postura socialmente Ética
Com certeza, disparidades sociais são vividas em todo o mundo. A existência de 
dominantes e dominados parece ser o requisito principal para se viver em sociedade. Mas 
estamos caminhando para essa superação, e certamente, a educação é a melhor maneira 
de montarmos a nossa estratégia no sentido de alcançarmos uma padronização nas ações e 
comportamentos dos homens.
O ideal seria alcançarmos o idealismo kantiano, de uma Ética universal onde todos 
sejam norteados pelos mesmos princípios e eticamente puros. Entendemos que isso há de ser 
conseguido aos poucos dentro de um processo educativo e cauteloso. A nosso ver, é somente 
através da educação, que conseguiremos concretizar o nosso projeto de "homenização" e de 
adquirirmos essa conscientização política.
BIBLIOGRAFIA
VALLS, Álvaro L. M. O que é Ética, Coleção primeiros passos, 3. ed. São Paulo: Brasiliense, 
1989. 
SOUZA, Herbert de & RODRIGUES, Carla. Ética e cidadania. Coleção polêmica, 4. ed. 
Moderna, 1994. 
RIOS, Terezinha Azevedo. Ética e competência. Coleção questões da nossa época. V.16. 
2. ed. São Paulo: Cortez, 1994.
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia in filosofia moral. São Paulo: Ática, 1994.
FONTE: MESQUITA, José Carlos S. de. Ética e sociedade: em busca de uma ética universal. 
Disponível em: <http://www.doutrina.linear.nom.br/cientifico/Filosofia/%C9TICA%20E%20
SOCIEDADE.htm>. 
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DIC
AS!
Para compreendermos melhor o que acabamos de estudar, sugerimos 
que você realize a seguinte leitura e assista ao filme indicado:
● BARROCO, Maria Lúcia Silva. Ética: fundamentos 
sócio-históricos. 6. ed. v.4 São Paulo: Cortez, 
2008. 
● A PROCURA DA FELICIDADE. 
Gênero: Drama. 
Tempo de Duração: 117 minutos. 
Ano de Lançamento (EUA): 2006. 
Site Oficial: <www.aprocuradafelicidade.com.
br>.
Direção: Gabriele Muccino. 
Elenco: Will Smith (Chris Gardner), Jaden 
Smith (Christopher), entre outros.
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Neste tópico, trabalhou-se como se processa o espaço da ética na relação 
indivíduo versus sociedade, abordando alguns aspectos históricos da construção ético-
moral dos homens em sociedade. Demonstrando que:
	É pelo comportamento humano e, principalmente, por meio de seu modo de ser, hábitos e 
costumes que determinamos e consolidamos nossa moral e, por conseguinte, a ética. 
	Esta constituição advém da história de cada ser humano que vive em sociedade.
	O homem social nasce da natureza e de sua inter-relação com os outros de sua espécie, 
em que suas habilidades e aptidões são desenvolvidas no decorrer de seu processo de 
humanização.
	É o próprio homem o “autor e produto” de sua construção. 
	O homem desenvolve suas capacidades de forma consciente e livre. 
	Por meio do trabalho, o homem é capaz de transformar a natureza, o seu meio e a si próprio, 
mantendo sua própria vida em sociedade. 
	A sociabilidade humana pode ser compreendida como o berço da constituição do homem 
social ou ser social. 
	É por meio de nossas atividades humanas que nos constituímos como homens, perpetuando-
nos historicamente.
	É por meio da constituição de consciência que analisamos, calculamos e aspiramos ideias, 
realizando um processo de escolha do que pode ou não ser feito, do que é bom ou não para 
nós e para os outros. 
	O homem tem a possibilidade de realizar suas escolhas de forma livre e consciente. E estas 
escolhas podem ser consideradas a constituição da liberdade humana.
	A liberdade de escolha dos homens proporciona autonomia. 
	A autonomia dos homens denota que o ser humano é um ser livre e tem o poder de 
escolha.
RESUMO DO TÓPICO 2
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	As escolhas humanas devem ser sempre conscientes. 
	É por meio do trabalho que o ser humano se constitui um homem consciente e livre.
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● Baseado(a) na afirmação que “O homem é que escreve sua própria história”, 
responda:
a) O que você compreende por SOCIABILIDADE HUMANA? 
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
b) O que você compreende por liberdade incondicional e livre-arbítrio?
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
c) A partir do conceito de liberdade, interprete o ditado: “Se eu não for por mim 
mesmo, quem será por mim? Se eu for apenas por mim, que serei eu? Se não agora 
– quando?”
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
d) Qual o papel da CONSCIÊNCIA HUMANA na prática profissional dos homens? 
Justifique.
______________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
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A RELAÇÃO ENTRE TRABALHO, 
SER SOCIAL E ÉTICA
1 INTRODUÇÃO
2 O QUE É TRABALHO?
TÓPICO 3
UNIDADE 2
Neste tópico, prezado(a) acadêmico(a), iremos desvendar as questõesdo mundo do 
trabalho, e como o homem, enquanto um ser social se comporta e se desenvolve como ser social 
por intermédio do trabalho, além de verificarmos como a ética está envolvida neste processo.
O processo de trabalho é atividade dirigida com o fim de criar valores de uso, de 
apropriar os elementos naturais às necessidades humanas; é condição neces-
sária do intercâmbio material entre o homem e a natureza; é condição natural 
e eterna da vida humana, sem depender, portanto, de qualquer forma dessa 
vida, sendo antes comum a todas as suas formas sociais. (MARX, 1987, p. 27).
Verificamos que a ética e o trabalho podem ser considerados uma extensão do exercício 
profissional, que denota uma ação real, concreta, transformadora da realidade da sociedade 
em que estamos inseridos. A ética e o trabalho vêm se transformando historicamente, pois 
nossos costumes, princípios e hábitos se transformam no decorrer dos tempos. 
Neste contexto, abordaremos vários aspectos das relações entre o trabalho, a ética e 
o ser social.
Pode-se compreender que é por meio do trabalho dos homens que a sociedade se 
forma, se organiza tanto política, econômica e socialmente. É o trabalho que estrutura as 
nossas relações sociais. O trabalho se torna fundamental para o desenvolvimento dos princípios 
ético-morais de uma sociedade, pois é ele que medeia todas as nossas relações. Em outras 
palavras, o trabalho é a mola propulsora da vida em comunidade.
De acordo com Gonçalves e Wyse (1997, p. 61-62): 
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O trabalho pode ser visto como lugar de autorrealização do homem, extensão de 
sua personalidade, espaço de criatividade, onde ele fala de si, mostra-se diante 
do seu grupo social, expressa sua identidade, presta um serviço social e contribui 
para o bem comum. Mas também pode ser encarado como uma maldição, lugar 
de tortura, suportado pela necessidade do salário ao final do mês.
Por meio do trabalho, desenvolvemos vínculos tanto sociais como comunitários com as 
outras pessoas. Estas relações sociais podem ser consideradas a base fundamental à própria 
vida dos seres humanos.
Segundo Tomelin e Tomelin (2002, p. 118) “através do trabalho, o homem se diferenciou 
dos outros animais, produzindo bens e transformando a natureza. Pelo trabalho o homem 
fundamentou a sua vida cultural e a civilização. Para os outros animais, o trabalho visa satisfação 
imediata e instintiva, sem acúmulo de saberes”.
Complementando, Aranha e Martins (2003, p. 24) colocam-nos que:
O trabalho humano é uma ação transformadora da realidade, dirigida por 
finalidades conscientes. Ao reproduzir técnicas já usadas e ao inventar ou-
tras novas, a ação humana se torna fonte de ideias e, portanto, experiência 
propriamente dita. Por isso dizemos que o animal não trabalha – mesmo 
quando cria resultados materiais com essa atividade –, pois sua ação não é 
deliberada, intencional. Dessa forma, o animal não produz propriamente sua 
existência, apenas a conserva agindo instintivamente ou, quando se trata de 
animal de maior complexidade orgânica, resolvendo problemas por meio da 
inteligência concreta. [...] Esses atos visam a defesa, a procura de alimentos 
e de abrigo. Assim, não devemos pensar que o castor, ao construir o dique, e 
o João-de-barro, a sua casinha, estejam “trabalhando”.
Portanto, pode-se observar que quando o homem transforma a natureza por meio do 
trabalho, ele próprio está se transformando.
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Lembra da história do LOLO BARNABÉ, de Eva Furnari, que você leu 
na Unidade 1 deste Caderno? O mesmo demonstra claramente esta 
transformação da natureza. Então, aproveite para rever a história. 
(FURNARI, Eva. Lolo Barnabé. São Paulo: Moderna, 2000).
3 A ÉTICA DO TRABALHO
Com a evolução humana e, em consequência, com a evolução da própria sociedade, 
observamos que, por intermédio do trabalho, começou a surgir uma nova concepção de 
classe social, denominada burguesia, a qual desenvolve novos hábitos, princípios e valores 
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A ÉTICA DO TRABALHO consiste em entender essa atividade – o 
trabalho – como fator fundamental à construção da identidade e 
da realização pessoal e ao estabelecimento de uma ordem social, 
onde prevaleçam relações fundadas na dignidade, na liberdade e 
na igualdade entre os homens. (GONÇALVES; WYSE, 1997, p. 24). 
morais perante a sociedade, mediando, diretamente, as relações sociais entre todos os seres 
humanos.
Estes novos interesses, que dependem diretamente do trabalho e do desenvolvimento 
de uma produção que garanta a expansão do comércio, na produção incondicional de novas 
riquezas, acabaram exigindo, dos seres humanos, uma dedicação exclusiva ao trabalho, no 
intuito de angariar maior produtividade e prosperidade dos detentores do capital. De acordo 
com Gonçalves e Wyse (1997, p. 23), “a nova classe em ascensão tem como característica as 
virtudes de laboriosidade, honradez, puritanismo, amor à pátria e à liberdade, em contraposição 
aos vícios da aristocracia – desprezo ao trabalho, ociosidade, libertinagem”.
Portanto, o trabalho, hoje, se tornou um fato social que determina a própria existência 
do homem em sociedade, legitimando-o como um ser humano.
Segundo Gonçalves e Wyse (1997, p. 23-24): 
Antes, o trabalho sempre foi visto de forma negativa. Na sua origem, a pala-
vra trabalho vem do Latim tripalium, que significa um instrumento de tortura. 
Mesmo na Bíblia o trabalho é proposto como castigo pela culpa de Adão e 
Eva (nos termos bíblicos, o homem é condenado a trabalhar e a ganhar o 
pão com o suor do seu rosto, ficando a mulher condenada ao trabalho de 
parto). Na Grécia Antiga e na Idade Média, [o trabalho] é desvalorizado por 
estar reservado aos escravos e aos servos. A sociedade moderna declara o 
trabalho uma expressão de liberdade, uma vez que, por meio dele (seja pela 
força física, pela ciência, pelas artes) o homem modifica a natureza, inventa 
a técnica, cria nova realidade, enfim, altera o curso das coisas, alterando a si 
próprio e a sociedade onde ele vive.
Outro fator relevante nesta discussão é a questão de que, por meio do trabalho, os 
homens constituem seus laços sociais, pois começam a pertencer a um determinado grupo 
social, acontecendo de acordo com o poder aquisitivo, status que o trabalhador obtém 
por meio de seu trabalho, ou seja, conforme o seu salário e sua formação do capital, este 
trabalhador estabelece determinados vínculos sociais, que determinam a que classe social 
eles pertencem.
Por meio do comportamento humano nas relações de trabalho, e seu papel em 
sociedade, desenvolve-se a ética do trabalho.
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Verificamos que o trabalho denota alguns valores morais que são constituídos pela 
própria sociedade (capitalista) em que estamos inseridos, tais como: disciplina, obediência, 
atenção e segurança pessoal. 
Porém, como fica a questão da liberdade, igualdade e autonomia do trabalhador?
Observamos que, na modernidade, a questão da autonomia, liberdade e igualdade entre 
os seres humanos são tidas como uma condição da própria natureza humana. E que este valor 
é considerado como um fator necessário para o desenvolvimento da ética do trabalho.
Entretanto, será que, por natureza, os homens são realmente iguais entre si? 
Historicamente, podemos observar que todos os homens apresentam muitas diferenças, 
pois cada um possui um modo de vida, uma etnia e visão de mundo diferentes, como: opção 
sexual, etnia, religião,força física, sonhos, desejos, objetivos de vida, entre muitas outras 
diferenças, que são resguardadas como direito de igualdade em nossa sociedade. É só observar 
o que prediz a nossa Constituição Federal.
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Caro(a) acadêmico(a), para compreender melhor esta questão, 
sugerimos a releitura dos artigos 1º, 3º e 5º da Constituição da 
República Federativa do Brasil, promulgada em 1988. Disponível 
em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/
Constituiçao.htm>.
Segundo Gonçalves e Wyse (1997, p. 25-26), “na defesa desses interesses, o homem 
moderno lança Mão de uma teoria – a teoria liberal – que utiliza os conceitos de igualdade e 
de liberdade natural para justificar sua prática social, sua ordem econômica e inclusive, a forma 
de organização do estado moderno”.
Finalizando, podemos entender que esta teoria liberal, por sua vez, formula e regula 
suas próprias leis com relação à economia de uma sociedade, na qual estas leis e normas 
preconizam um equilíbrio das relações de mercado, de compra e venda.
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LEITURA COMPLEMENTAR 1
TRABALHO E REALIZAÇÃO HUMANA
Silvio Gallo
Se, por um lado, o trabalho torna-se elemento de alienação do homem, não tornando 
possível a ele uma participação ativa na transformação do objeto, percebemos, por outro lado, 
que o trabalho pode ser motivo de realização do ser humano. Para Marx, o homem se define 
pela produção. Pelo simples fato de o homem produzir, ele se diferencia dos animais, porque 
a realidade humana é explicada por fatores reais: produção em relação ao humano. Por isso, 
ao produzir seus meios de vida, o homem produz indiretamente sua própria vida, material e 
espiritual. Desde que há homem, há produção e desde que ele produz e transforma a natureza, 
há história. Uma história real: nem essência humana indiferente à vida social, humana e histórica 
e nem existência separada da essência e, sim, a essência que só pode ser descoberta na 
existência social e histórica dos indivíduos.
Mas a essência do homem nunca se manifestou de fato ao longo da história, porque 
sua existência sempre foi negada ante sua essência, porque o homem encontrou-se sempre 
alienado ao trabalho. A essência é concebida no trabalho; num trabalho oposto ao alienado, 
no trabalho criador, consciente e livre. Se o trabalho é fonte de alienação e não de criação, o 
homem desumaniza-se. Marx viu a essência do trabalho com os olhos de um artista.
O trabalho deve espelhar a atividade artística: uma expressão da criatividade e da 
inteligência humanas, que possibilita a transformação da natureza, constituindo uma fonte de 
prazer e alegria. No mundo atual, e da forma como as relações de trabalho estão constituídas, 
são poucos os que podem participar efetivamente da alegria do trabalho. Há um trabalho maldito, 
desgastante e sofrido. E o próprio Marx denunciou isso, dizendo que não há salário que possa 
pagar a degradação do corpo e da alma, o uso do ser humano para fins lucrativos.
Para que a história não seja a da negação do homem, precisamos entender que a relação 
existente entre essência e existência é uma relação dominada por interesses que regem uma 
sociedade. Trata-se, portanto, dos homens e das relações entre eles. No caso da sociedade 
capitalista, esses homens são os burgueses, de um lado, e os operários, de outro. Como vimos 
anteriormente, o burguês é o dono do objeto, e o operário é o dono da força de produção que 
vai transformar o objeto em riquezas para a sociedade. Portanto, o homem é um ser produtor 
que produz e transforma os objetos e que não participa deles, porque o produto pertence a outro 
homem, dominante nas relações sociais. Mas os homens são os sujeitos dessas relações, e 
estas podem ser transformadas pela própria ação humana, de modo a possibilitar o exercício 
de um trabalho livre e criativo, expressão da grandeza humana.
O trabalho é, portanto, em primeiro lugar, um processo de transformação material entre 
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a natureza e o homem. Num segundo momento, é o processo pelo qual ele realiza, regula e 
controla sua ação física de necessidades e consumos produtivos. E, num terceiro momento, 
o trabalho se encontra como um elemento importante de realização humana, pois pela ação 
humana no trabalho o objeto se transforma e o trabalhador também, pois é da sua força de 
produção que o objeto ganha forma, arte e riqueza que serão marcadas e contempladas pela 
existência humana através dos tempos [...].
FONTE: GALLO, Silvio (coord.) Ética e cidadania: caminhos da filosofia. Campinas: Papirus, 1999. p. 49.
LEITURA COMPLEMENTAR 2
A seguir, disponibilizamos a letra da Música Construção, do cantor e 
compositor Chico Buarque de Hollanda.
Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um 
príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um 
príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o 
máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o 
próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um 
pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote 
bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o 
sábado.
FONTE: HOLLANDA, Chico Buarque de. Construção. Disponível em: <http://www.chicobuarque.com.
br/discos/mestre.asp?pg=construcao_71.htm>. Acesso em: 18 mar. 2009.
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DIC
AS!
Para melhorar o seu entendimento sobre todos os assuntos que 
discutimos neste tópico, utilize as seguintes sugestões de leitura 
e filme:
● Artigo: A estrutura da vida inteira e os embaraços da alienação, 
de José César dos Santos. Disponível em: <http://www.insite.pro.
br/2005/31-A%20estrutura%20da%20vida%20inteira%20e%20
os%20embara%C3%A7os%20da%20aliena%C3%A7%C3%A3o.
pdf>. 
● GONÇALVES, Maria H.B; WYSE, Nely. Ética e 
trabalho. Rio de Janeiro: Ed. SENAC Nacional, 
1997.
 
POESIA: “O operário em construção” de Vinicius 
de Moraes. Disponível em: <http://letras.terra.
com.br/vinicius-de-moraes/87332/>. ou pelo livro: 
MORAES, Vinicius. O operário em construção. Don 
Quixote, 2001.
 
O DIABO VESTE PRADA 
Gênero: Comédia. 
Tempo de Duração: 109 minutos.Ano de Lançamento (EUA): 2006. 
Site Oficial: <www.devilwearspradamovie.com>. 
Direção: David Frankel. 
Elenco: Meryl Streep (Miranda Priestly), Anne 
Hathaway (Andrea “Andy” Sachs), Emily Blunt 
(Emily), Stanley Tucci (Nigel) entre outros.
 
TEMPOS MODERNOS (dir. Charles Chaplin). 
Título Original: Modern Times. 
Gênero: Comédia. 
Tempo de Duração: 87 minutos. 
Ano de Lançamento (EUA): 1936. 
Estúdio: United Art ists / Charles Chapl in 
Productions. 
Distribuição: United Artists. 
Direção: Charles Chaplin. 
Elenco: Charles Chaplin (Trabalhador) e outros.
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Em se tratando da relação entre trabalho, ser social e ética, demonstramos que:
	A ética e o trabalho podem ser considerados uma extensão do exercício profissional. 
	A práxis profissional denota ser uma ação real, concreta, transformadora da realidade da 
sociedade em que estamos inseridos. 
	A ética e o trabalho vêm se transformando historicamente, pois nossos costumes, princípios 
e hábitos se transformam no decorrer dos tempos. 
	É por meio do trabalho dos homens que a nossa sociedade se forma, se organiza tanto 
política, econômica e socialmente. 
	É o trabalho que estrutura as nossas relações sociais. 
	O trabalho se torna fundamental para o desenvolvimento dos princípios ético-morais de uma 
sociedade, pois é ele que medeia todas as nossas relações sociais. 
	O trabalho é a mola propulsora da vida em sociedade.
	Por meio do trabalho, desenvolvemos vínculos tanto sociais como comunitários com os 
outros homens que também vivem em sociedade. 
	As relações sociais entre os homens podem ser consideradas a base fundamental à própria 
vida dos seres humanos.
	Quando o homem transforma a natureza por meio do trabalho, ele próprio está se 
transformando.
	Por intermédio do trabalho, começou a surgir uma nova concepção de classe social, 
denominada burguesia, a qual desenvolve novos hábitos, princípios e valores morais perante 
a sociedade, que medeia diretamente as relações sociais entre todos os seres humanos.
	Os interesses burgueses dependiam diretamente do trabalho e do desenvolvimento de uma 
produção que garantisse a expansão do comércio e a produção incondicional de novas 
riquezas. 
RESUMO DO TÓPICO 3
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	O trabalho, hoje, tornou-se um fato social que determina a própria existência do homem em 
sociedade e assim o legitima como um ser humano.
	Por meio do trabalho, os homens constituem seus laços sociais, pois começam a pertencer 
a um determinado grupo social, isto acontece de acordo com o poder aquisitivo, status que 
o trabalhador obtém por meio de seu trabalho. 
	Por meio do comportamento humano nas relações do trabalho e seu papel em sociedade, 
desenvolve-se a ética do trabalho.
	Os homens apresentam muitas diferenças entre si, pois cada um possui um modo de vida, 
uma etnia e visão de mundo também diferente, como: opção sexual, etnia, religião, força 
física, sonhos, desejos, objetivos de vida, entre muitas outras diferenças. 
	Estas diferenças são resguardadas como direito de igualdade em nossa sociedade. 
	Podemos entender, então, que a teoria liberal, por sua vez, formula e regula suas próprias 
leis com relação à economia de uma sociedade, na qual estas leis e normas preconizam 
um equilíbrio das relações de mercado, de compra e venda.
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1 A partir da leitura dos dois textos de apoio (Trabalho e realização humana, de Silvio 
Gallo, e Construção, de Chico Buarque de Hollanda), reflita sobre o TRABALHO 
ALIENADO na sociedade em que vivemos. Analise se as questões expostas nestes 
dois textos estão relacionadas à nossa vida do dia a dia em sociedade, com nossa 
família, nosso trabalho, nossos amigos, na escola etc. No dia de seu encontro 
presencial, discuta esta questão com os seus colegas de sala de aula.
2 Leia o texto a seguir:
As mais significantes ações que afetam o crédito de um homem devem ser 
consideradas. O som de teu martelo às cinco da manhã, ou às oito da noite, ouvido 
por um credor o fará conceder-te seis meses a mais de crédito; ele procurará, porém, 
por seu dinheiro no dia seguinte, se te vir em uma mesa de bilhar ou escutar tua voz, 
em uma taverna, quando deverias estar no trabalho; exigi-lo-á de ti antes que possa 
dispor dele.
Isto mostra, além do mais, que estais consciente do que possuis; fará com 
que pareças um homem tão cuidadoso quanto honesto e isto ainda aumentará mais 
o teu crédito.
(Retrato da Cultura Americana, Benjamin Franklin)
Você pode perceber que o texto manifesta valores que o autor atribui ao trabalho. 
Após essa constatação, responda:
a) Quais são esses valores?
b) Até que ponto esses valores são compatíveis com aqueles propostos pela ética da 
modernidade (ética do trabalho)?
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A ÉTICA PROFISSIONAL DO 
SERVIÇO SOCIAL E SEU 
PROJETO ÉTICO-POLÍTICO
1 INTRODUÇÃO
2 AS INTERVENÇÕES ÉTICAS NA PRÁTICA 
PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL
TÓPICO 4
UNIDADE 2
Verificamos que o homem possui uma necessidade de interagir com os outros homens 
em sociedade, pois, por meio do trabalho, o homem produz e reproduz sua vida na sociedade 
em que está inserida. Só assim, os seres humanos desenvolvem sua cultura, hábitos e 
costumes, além de seu poder de valorar seu próprio comportamento, decidindo o que é certo 
ou errado, bom ou mau nas relações dentro da comunidade de vivência. Desta relação advém 
as questões sociais, objeto da prática profissional do Assistente Social, que é regulada por 
meio de seu projeto ético-político.
Portanto, prezado(a) acadêmico(a), agora estudaremos como se processam as 
intervenções éticas dos profissionais do serviço social e qual é o seu objetivo de sua práxis 
profissional.
A prática profissional do Assistente Social dos últimos anos ganhou grande relevância 
teórica, política e ética, após a promulgação do Código de Ética Profissional dos Assistentes 
Sociais, através da Resolução CFESS nº 273, de 13 de março de 1993 (BRASIL, 2009a). 
Esta resolução determina os princípios e valores determinantes para a prática profissional 
do Assistente Social, diretamente inseridos em seu projeto ético-político profissional.
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Você verá na próxima unidade um debate acerca do Código de 
Ética do Assistente Social (Resolução CFESS nº 273, de 13 de 
março de 1993).
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O projeto ético-político profissional do Assistente Social, de acordo com Iamamoto 
(1999, p. 12) trata de um “projeto profissional indissociável da democracia, da equidade, da 
liberdade, da defesa do trabalho, dos direitos sociais e humanos, contestando discriminações 
de todas as ordens”.
Nesta perspectiva, a práxis profissional do Assistente Social está permeada numa direção 
social, ou seja, nas questões sociais advindas das relações comportamentais dos homens em 
sociedade, mais precisamente de suas contradições.
3 O OBJETO DA PRÁTICA PROFISSIONAL
 DO ASSISTENTE SOCIAL
Como já observamos anteriormente, o objeto da prática profissional do Assistente Social 
são as expressões das questões sociais.
Contudo, o que é uma questão social? E o que é uma expressão da questão 
social?
Podemos compreender que a questão socialestá diretamente vinculada aos conflitos 
advindos do capital versus trabalho, ou seja, são todos os problemas sociais, políticos e 
econômicos que surgem das relações cotidianas do trabalho, formando as desigualdades 
sociais.
De acordo com Iamamoto e Carvalho (1996, p. 77):
A questão social não é senão as expressões do processo de formação e desen-
volvimento da classe operária e de seu ingresso no cenário político da socie-
dade, exigindo seu reconhecimento como classe por parte do empresariado e 
do Estado. É a manifestação, no cotidiano da vida social, da contradição entre 
o proletariado e a burguesia, a qual passa a exigir outros tipos de intervenção 
mais além da caridade e repressão.
Teles (1996, p. 85), complementa, afirmando que: 
[...] a questão social é a aporia das sociedades modernas que põe em foco a 
disjunção, sempre renovada, entre a lógica do mercado e a dinâmica societária, 
entre a exigência ética dos direitos e os imperativos de eficácia da economia, 
entre a ordem legal que promete igualdade e a realidade das desigualdades 
e exclusões tramada na dinâmica das relações de poder e dominação.
Também se torna relevante pontuarmos que estas desigualdades sociais se apresentam 
de forma diferente no decorrer da própria história da humanidade, pois o modo de produção, 
o desenvolvimento e a dinâmica econômica, política e social vêm se transformando conforme 
a própria evolução do homem em sua convivência em sociedade. 
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Em cada momento histórico, as questões sociais vão ganhando novas formas. Formas 
estas que chamamos de expressões da questão social, ou seja, a questão social sempre foi 
a mesma desde os tempos mais remotos da humanidade e independem de classe social. O 
que vem mudando são suas formas de apresentação, pois, de acordo com as transformações 
do modo de produção, vão surgindo contradições sociais, que se transformam nas diversas 
formas de expressão da questão social.
Então, as expressões da questão social se apresentam de formas diferentes conforme 
a classe social em que o homem está inserido. Estas expressões se formam diretamente nas 
contradições da produção e apropriação da riqueza que foi e é gerada pela sociedade, pois 
nem sempre o trabalhador que produz esta riqueza pode usufruir da mesma.
Citamos, nos quadros a seguir, as questões sociais e algumas de suas expressões:
TRABALHO HABITAÇÃO ALIMENTO SAÚDE
SEGURANÇA EDUCAÇÃO JUSTIÇA POLÍTICA
FONTE: A autora
QUESTÃO SOCIAL EXPRESSÕES DA QUESTÃO SOCIAL
Trabalho
•	 a pobreza; 
•	 o trabalho escravo;
•	 o trabalho infantil;
•	 o trabalho informal;
•	 o desemprego;
•	 a doença ocupacional;
•	 a inadimplência;
•	 entre outros.
Família
•	 brigas conjugais;
•	 violência doméstica;
•	 delinquência juvenil;
•	 pedofilia;
•	 estupro;
•	 divórcio;
•	 discórdias familiares;
•	 entre outros.
QUADRO 2 – QUESTÕES SOCIAIS
QUADRO 3 – EXPRESSÕES DA QUESTÃO SOCIAL
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Habitação
•	 favelas;
•	 moradores de ruas;
•	 movimento dos Sem-Terra (MST);
•	 reforma agrária;
•	 entre outros.
Saúde
•	 saúde pública;
•	 alimento;
•	 fome;
•	 desnutrição;
•	 a falta de leitos em hospitais;
•	 drogas;
•	 alcoolismo;
•	 mortalidade infantil;
•	 entre outros.
Segurança
•	 violência;
•	 a delinquência juvenil;
•	 criminalidade;
•	 entre outros.
Educação
•	 a baixa escolarização;
•	 analfabetismo;
•	 entre outros.
Justiça
•	 a ineficiência da justiça;
•	 questão da igualdade de direitos e deveres;
•	 entre outros.
Política
•	 analfabetismo político;
•	 política do Idoso;
•	 política da infância e juventude;
•	 política da assistência social;
•	 entre outros.
FONTE: A autora
Será que a QUESTÃO SOCIAL é realmente objeto profissional do Assistente Social?
Iamamoto (1997, p. 14) define o objeto do Serviço Social nos seguintes termos:
Os assistentes sociais trabalham com a questão social nas suas mais variadas 
expressões quotidianas, tais como os indivíduos as experimentam no traba-
lho, na família, na área habitacional, na saúde, na assistência social pública 
etc. Questão social que sendo desigualdade é também rebeldia, por envolver 
sujeitos que vivenciam as desigualdades e a ela resistem, se opõem. É nesta 
tensão entre produção da desigualdade e produção da rebeldia e da resistên-
cia, que trabalham os assistentes sociais, situados nesse terreno movido por 
interesses sociais distintos, aos quais não é possível abstrair ou deles fugir, 
porque tecem a vida em sociedade. [...] a questão social, cujas múltiplas ex-
pressões são o objeto do trabalho cotidiano do Assistente Social.
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De acordo com Faleiros (1997, p. 37):
[...] a expressão questão social é tomada de forma muito genérica, embora seja 
usada para definir uma particularidade profissional. Se for entendida como sen-
do as contradições do processo de acumulação capitalista, seria, por sua vez, 
contraditório colocá-la como objeto particular de uma profissão determinada, 
já que se refere a relações impossíveis de serem tratadas profissionalmente, 
através de estratégias institucionais/relacionais próprias do próprio desenvol-
vimento das práticas do Serviço Social. Se forem as manifestações dessas 
contradições o objeto profissional, é preciso também qualificá-las para não 
colocar em pauta toda a heterogeneidade de situações que, segundo Netto, 
caracteriza, justamente, o Serviço Social. 
Finalizando, podemos afirmar que é imprescindível que o serviço social intervenha também 
na esfera das desigualdades sociais, em suas mais diversas expressões, pois sua atuação se 
dá intrinsecamente na busca constante das transformações da sociedade, através da luta dos 
direitos sociais e de cidadania, desejando o equilíbrio e a mediação dos conflitos advindos da 
relação do trabalho versus capital, por meio de diversas políticas sociais do Estado.
DIC
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DIC
AS!
Como leitura complementar deste tópico, sugiro que você leia o texto 
intitulado “A Construção do Projeto Ético-Político do Serviço Social”, 
de José Paulo Netto. Você pode encontrar este texto no seguinte site: 
<http://www.fnepas.org.br/pdf/servico_social_saude/texto2-1.
pdf>.
Para aprofundarmos o nosso estudo sobre tudo o que vimos nesse 
tópico, sugiro que você leia o seguinte texto:
BENEVIDES, Maria Victoria de Mesquita. A Questão Social no Brasil. 
Disponível em: <http://www.hottopos.com/vdletras3/vitoria.htm>. 
Acesso em: 27 mar. 2009.
E os seguintes livros:
BARROCO, Maria Lúcia Silva. Ética e serviço social: 
fundamentos ontológicos. 6. ed. São Paulo: Cortez, 
2008.
SÁ, Antônio Lopes de. Ética 
Profissional. 4. ed.. São Paulo: 
Atlas, 2001.
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LEITURA COMPLEMENTAR 
O DEBATE SOBRE O OBJETO DO SERVIÇO SOCIAL: 
REFLEXÃO SOBRE A ATUAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL FRENTE À QUESTÃO SOCIAL
Andréia Cristina da Silva ALMEIDA
INTRODUÇÃO
A grande discussão que ocorre no campo da profissão do Serviço Social, diz respeito a 
seus elementos constituintes, sendo o objeto, a teoria, o método e a especificada. Vários são 
os autores que discutem as questões, porém cada qual com seus argumentos e defesas.
Pensar no objeto do Serviço Social requer conhecimento e estudo e reflexões, 
embasadas teoricamente na direção dos pensamentos dos estudiosos referente ao Serviço 
Social.A questão social vem sendo posta como objeto do Serviço Social desde a nova proposta 
do currículo profissional, marcado com vários debates, contradições e afinidades entre aqueles 
que discutem o referido tema.
Aqui, neste breve estudo, trataremos sobre alguns pensamentos de autores sobre o 
objeto do serviço social, levantando sobre as defesas e contradições postas nas principais 
bases teóricas que o Serviço Social possui em seu acervo teórico. Também elucidaremos a 
importância do método de intervenção do assistente social sobre esse objeto, sendo este um 
assunto de fundamental relevância para enriquecer a prática profissional.
Contudo, esse breve estudo, objetiva refletir sobre alguns posicionamentos defendidos 
pelos estudiosos, autores e militantes que abordam a questão do objeto do Serviço Social. É 
objetivo também desse artigo discutir sobre a relação do Serviço Social com a questão social, 
visto que este fenômeno é colocado como objeto de intervenção da profissão, conforme 
defendido na base teórica elaborada por Marilda Vilela Iamamoto e demais autores que apoiam 
esse pensamento.
Diante desse objetivo, é fundamental afirmar que compreendemos o objeto de intervenção 
do Serviço Social sendo este construído e reconstruído, mediante a intencionalidade da atuação 
do profissional e a realidade que intervém, devendo este ser desvelado, ou seja, eliminado 
as impregnações e os fetiches existentes sobre este objeto. O objeto do Serviço Social deve 
ser desmistificado, através de aproximações sucessivas, saindo do concreto aparente e indo 
para o concreto pensado.
Compreendemos também que, pensar nos elementos que fundamentam o Serviço Social, 
requer compreender suas particularidades, uma vez que é imprescindível o aprofundamento 
intelectual da base teórica referente a esses elementos. Assim, é possível perceber uma 
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precarização do conhecimento teórico da profissão, no interior da categoria, ficando aparente 
o desconhecimento do real espaço de intervenção, diante das contradições que operam o 
Serviço Social.
No circuito dinâmico, as mudanças globalizadas do mundo do trabalho, com o impacto 
da reestruturação produtiva, a introdução da tecnologia e da informatização, a consciência dos 
empresários referente à produção e ao trabalho, onde objetivam cada vez mais a rentabilidade 
do capital. Tais provocam significantes mudanças na prática dos profissionais, incluindo o 
Serviço Social que lida diretamente na relação capital e trabalho.
Assim, pensar o objeto da profissão do serviço social requer cautela e principalmente 
coerência ao mercado de trabalho que este profissional está inserido, sem deixar para traz 
os princípios éticos e as lutas e defesas assumidas deste profissional, conforme é posto na 
legislação que permeia a profissão: Projeto Ético Político, Código de Ética e Lei que Regulamente 
a Profissão.
Por outro lado, o assistente social necessita ter uma prática sustentada por uma teoria 
calcada em certeza, coerências, compromissos e princípios éticos, para que no cotidiano a 
prática profissional não se torne um mero “fazer por fazer”, distanciando assim de uma prática 
com compromisso ético-político-social.
I - O SERVIÇO SOCIAL E SEU OBJETO
Discutir sobre o objeto de intervenção do Serviço Social é sempre um grande desafio, 
uma vez que as profissões são originadas para atender às necessidades dos homens, diante 
de um contexto histórico e de uma sociedade em constante movimento.
Esse movimento da sociedade traz novas demandas, novas necessidades sociais e 
consequentemente novas exigências profissionais, além de novas profissões, onde umas 
emergem e outras desaparecem, num movimento dialético. O Serviço Social nessa lógica vem 
ao longo de sua história, principalmente após o movimento de reconceituação, um lugar de 
destaque nas discussões, debates e reflexões acerca da sua composição.
Tratando, mais especificamente do objeto do Serviço Social, muitas são as divergências 
e debates entre os autores, uns defendem que a profissão não possui um objeto próprio como 
afirma Montaño (2007, p. 136) que define da seguinte forma: “... o Serviço Social não possui 
um objeto de conhecimento próprio” outros debatem dizendo que o Serviço Social possui um 
objeto específico, como afirma Iamamoto. (2000, p. 62).
O objeto de trabalho (...) é a questão social. É ela em suas múltiplas expressões, que 
provoca a necessidade da ação profissional junto à criança e ao adolescente, ao idoso, a 
situações de violência contra a mulher, à luta pela terra etc. Essas expressões da questão 
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social são a matéria-prima ou o objeto do trabalho profissional.
Também, nessa direção a questão social é afirmada como posto por Yasbeck (1999, p. 
91) “é a matéria-prima e a justificativa da constituição do espaço do Serviço Social na divisão 
sociotécnica do trabalho e na construção/atribuição da identidade da profissão”.
Também essa defesa é apresentada por Guerra (2000) que destaca que o aparecimento 
do Serviço Social como profissão surge com o agravamento das expressões da questão social. 
“O Serviço Social, sendo um trabalho, e como tal de natureza não liberal, tem nas questões 
sociais a base de sustentação da sua profissionalidade e sua intervenção se realiza pela 
mediação organizacional de instituições públicas, privadas ou entidades de cunho filantrópico.” 
(GUERRA, p. 18).
Nas perspectivas de outros autores, como Ezequiel Ander-Egg (apud, MONTAÑO, 2007, 
p. 132) concede que haja efetivamente um objeto próprio do Serviço Social, no entanto, este é 
construído pelo profissional por meio da sua perspectiva interdisciplinar, por outro lado, a autora 
Josefa Batista (apud, MONTAÑO, 2000, p. 132) contradiz, afastando a “qualquer hipótese no 
sentido da apropriação pelo Serviço Social, ao nível do real, de um fenômeno social que seja 
de sua única e especifica competência, como se fosse possível um divisão real do real” Sobre a 
perspectiva de Ezequiel Ander-Egg, a construção do objeto do Serviço Social, também é defendida 
por Bachelard (apud MONTAÑO 2007, p. 133) onde defende a ideia de que o “objeto é construído” 
por cada profissão a partir de determinada “perspectiva”, que lhe outorgaria sua especificidade. 
Essa especificidade, compreendida como “formas particulares assumidas pela disciplina nesta 
relação, é o próprio projeto na sua totalidade” (BATISTA LOPES, apud MONTAÑO, 2007, p. 133). 
A autora ainda afirma que “só identificando a especificidade identifica-se o objeto”.
Percebe-se, portanto, na ideia de Batista Lopes, compreende que as realidades como 
resultantes de um processo de construção, tornam-se objeto do Serviço Social quando este 
propõe a essas realidades, uma relação de conhecimentos e intervenção, sempre direcionados 
por uma perspectiva. (idem: p. 134).
Diante dessa defesa da autora, na direção da construção do objeto diante de uma 
“perspectiva”, existe uma discussão em que Carlos Montaño (2007, p. 134) define da seguinte 
forma: 
Na medida em que se entende que o objeto de estudo e intervenção de uma dada 
profissão é construído a partir de certa “perspectiva” esta é construída a partir de uma 
relação que o sujeito estabelece com a realidade, mediada pelo projeto profissional e na 
medida em que se suponha que esta dita “perspectiva” própria a cada profissão, demarca 
sua “especificidade”, então estará se realizando também um “recorte” da realidade. Recorte 
este que, no entanto, poderá nesta perspectiva “reconstruir” a totalidade do real desdeque se 
trabalhe interdisciplinarmente.
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Na direção de um trabalho interdisciplinar, soma-se a essa ideia, as defesas de Mitjavila, 
(apud, MONTAÑO, 2007, p. 132) em que o “trabalhador social constrói um objeto próprio a 
partir de um ponto de vista interdisciplinar”.
 
Em síntese, são várias as discussões pertinentes ao Serviço Social, que percorrem 
sobre seu objeto, sua especificidade, suas teorias, sendo que cada autor apresenta suas ideias 
e suas defesas, contribuindo para um debate com muita riqueza, que nos propicia refletir sobre 
tais elementos pertinentes a essa profissão.
O Serviço Social compreendido como uma profissão que tem uma função social, inserida 
na divisão social do trabalho, de caráter sociopolítico, interventivo e crítico, é imprescindível 
conhecer, discutir sobre qual objeto se debruça, ou seja, qual o objeto de trabalho a profissão 
nos dias de hoje?
 
Tais questionamentos são debatidos desde o início do Serviço Social no Brasil (1937) 
onde definiu o homem caracterizado como pobre, favelado, marginalizado, dentre outros, como 
sendo o objeto de sua intervenção, cuja finalidade da profissão era moldá-lo, enquadrá-lo na 
filosofia neotomista.
Posteriormente a esse período, a profissão pôde perceber que essa ideia de homem era 
equivocada, transferindo a ele uma noção de resultado das situações que exigia a intervenção 
do Serviço Social e não objeto dessa profissão.
Na década de 70, pós-movimento de reconceituação, e com as manifestações populares 
contra a ditadura, o Serviço Social na busca do seu objeto de intervenção, equivocadamente 
define a transformação social, sendo o real objeto de sua intervenção. Com esse equívoco, que 
não se efetivou, foi possível a profissão buscar, então, à aproximação com as lutas e defesas 
dos interesses das classes subalternas e excluídas pelo capitalismo, o que permanece até os 
dias de hoje.
Nessa lógica, no processo de reconceituação o Serviço Social orientado pela lógica da 
teoria marxista, se apropria da questão social, como objeto de sua intervenção.
Tal discussão, ainda presente nos dias de hoje, é compreendido por alguns autores de 
formas distintas, o que enriquece a teoria do Serviço Social frente a discussões de seu objeto.
II - A INTERVENÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NAS EXPRESSÕES DA QUESTÃO SOCIAL 
– DEFENDIA COMO OBJETO DO SERVIÇO SOCIAL
A questão social, compreendida como um fenômeno que emerge no século XIX, 
com a era da industrialização, concomitante com a pauperização, na contradição do modo 
de produção capitalista, onde uma parcela da sociedade (trabalhadores) produz a riqueza, 
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enquanto outra parcela (capitalistas) se apropria dela, na qual o trabalhador não usufrui da 
riqueza que produz.
Discutir sobre a questão social nos obriga entender o seu conceito, onde nos apropriamos 
das explicações apresentada por Iamamoto (2000) que é considerada uma das concepções 
mais difundidas do Serviço Social.
A questão social não é senão as expressões do processo da formação e desenvolvimento 
da classe operária e de seu ingresso no cenário político da sociedade, exigindo seu reconhecimento 
como classe por parte do empresariado e do Estado. É a manifestação, no cotidiano da vida 
social, da contradição entre o proletariado e a burguesia, a qual passa a exigir outros tipos de 
intervenção mais além da caridade e repressão. (CARVALHO; IAMAMOTO, 2000, p. 77).
Nesse contexto, é possível contextualizar a questão social não somente diante das 
desigualdades sociais, mas também perante o processo de resistência das lutas dos movimentos 
dos trabalhadores, ou seja, das classes subalternas, em busca da garantia dos seus direitos.
Pensando na questão social, também tratamos de refletir sobre aspectos da pobreza, 
favelização, fome, analfabetismo, trabalho escravo, violência, desemprego, trabalho infantil, 
dentre outros, que são consideradas expressões da questão social, provocada por um modelo 
econômico totalmente excludente e desigual. Marilda Iamamoto (2000, p. 38) afirma que tais 
expressões da questão social “vêm afetando não só os direitos sociais, mas o próprio direito 
à vida”, mesmo com os esforços e lutas dos movimentos das classes subalternas em busca 
de impedir que esse quadro agrave e se amplie.
Tratando da questão social e o serviço social, nos apropriamos, mais uma vez, das 
reflexões de Iamamoto (2000) que afirma que o assistente social trabalha diretamente com as 
expressões da questão social nas mais variadas expressão do cotidiano, ou seja, nas diversas 
áreas de atuação profissional: saúde, educação, habitação, criança e adolescente, dentre outras. 
Afirma ainda que esse fenômeno é “a matéria-prima do trabalho profissional, sendo a prática 
profissional compreendida como uma especialização do trabalho participe de um processo de 
trabalho”. (IAMAMOTO, 2000, p. 59).
É nesse contexto que ocorre a intervenção do assistente social, diante desse cenário 
de acúmulo de capital em que poucos têm acesso e muitos vendem sua força de trabalho, 
para sobreviver, ou seja, uma relação desigual entre capital e trabalho, caracterizado como um 
campo de tensão e desconforto, na qual exige o envolvimento do Assistente Social, apreendendo 
formas de mediar essa relação.
Um fator de fundamental importância nessa discussão é compreender que a questão 
social como “lócus” de trabalho do Serviço Social, traz para este profissional, grandes desafios 
em sua atuação. Tais desafios referem-se às diversas expressões manifestadas na vida 
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individual e/ou coletiva dos sujeitos, e que de certa forma, estes sujeitos se rebelam com 
resistências e rebeldias, como forma de manifestação contraria as tais expressões. É aí que 
se exige do assistente social alguns requisitos do assistente social a fim mediar essa relação 
entre capital e trabalho.
Esse sujeito é o principal elemento para demonstrar os agravantes que a questão social 
provoca na vida individual e coletiva, violando seus direitos, desprotegendo-os de uma vida 
com segurança de renda, de alimentação, de saúde, de educação, de segurança pública, enfim 
de segurança de uma vida com digna.
Pensar na intervenção do Serviço Social, tendo como objeto a questão social, é relevante 
aclarar qual o posicionamento necessário desse profissional, diante do direcionamento de sua 
prática. Compreendo que a partir da década de 70, a categoria profissional, na perspectiva 
de ruptura com o conservadorismo, “propõe colocar a profissão a serviço dos interesses dos 
explorados e dominados, buscando novos fundamentos, novos conteúdos e objetivos e novas 
bases de legitimação da ação profissional”. (SILVA, 2007, p. 15).
Diante disso, o profissional é possibilitado a construir ações no horizonte dos interesses 
das classes subalternas, com inovações e com perspectivas de criação de um espaço 
profissional renovado, que desmistifica a sua neutralidade diante das ações profissionais.
Reconhecemos que para essa propensa “ruptura” com o conservadorismo, é necessário 
que profissionais capacitados para criar outras formas de desvelamento da realidade, das 
expressões da questão social, apreender a questão social é também captar as múltiplas formas 
de pressão social, de inversão e de reinversão da vida, construídas no cotidiano, pois é no 
presente que estão sendo recriadas as novas formas de viver, que apontam um futuro que 
está sendo germinado.(IAMAMOTO, 2000, p. 28).
Nessa direção, ressaltamos que dar conta das expressões da questão social requer 
muito mais que os instrumentos práticos, já utilizados no cotidiano profissional, como: técnicas, 
reuniões, entrevistas, dentre outros, mas sim conhecimentos, acúmulo de saberes, novas 
habilidades, além da capacidade de manter envolver sistematicamente com os debates 
referentes às expressões da questão social e as proposições relativas às políticas sociais, 
compreendido uma exigência fundamental dada ao assistente social.
A apropriação de conhecimento deve ser um exercício constante como suporte para o 
profissional desvelar a realidade da qual o individuo vive, além de apresentar novas propostas 
de superação da desigualdade social, “solidárias ao modo de vida daqueles que a vivenciam, 
não só como vitimas, mas como sujeitos que lutam pela preservação e conquista da sua vida, 
da humanidade.” (IAMAMOTO, 2000, p. 75).
O conhecimento da realidade em que essa profissão intervém é fundamental, pois “se 
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não tem domínio da realidade que é objeto do trabalho profissional, como é possível construir 
propostas de ações inovadoras? Construí-las, com base em quê?” (IAMAMOTO, 2000, p. 41) 
[...] o conhecimento não é só um verniz que se sobrepõe superficialmente à prática profissional, 
podendo ser dispensado: mas é um meio pelo qual é possível decifrar a realidade e clarear a 
condução do trabalho a ser realizado. (IAMAMOTO, 2000, p. 63).
Os assistentes sociais são profissionais capazes de manter um acervo de informações 
e saberes suficientes para conhecer como essas expressões da questão social se manifestam 
e como o individuo experimenta tais expressões em seu cotidiano.
Para tanto, compreende-se que o conjunto de conhecimentos, teórico-metodológico 
e empírico são elementos fundamentais para descobrir novas formas de desvelamento da 
realidade, bem como criar em seu cotidiano, espaços democráticos e participativos, pois é 
imprescindível a necessidade de um profissional com conhecimentos e habilidades aprimorados, 
visto que este deve ser apropriado em seu cotidiano, iluminando e aprimorando sua intervenção, 
e também contribuir para a leitura da realidade em que está inserida.
Para tanto, o processo de desvelamento da realidade requer conhecimento e capacidade 
profissional, além de envolvimento com o sujeito e/ou grupo em que está ser relacionando, 
podendo exemplificar com o trabalho do assistente social no campo da política de assistência 
social, mais especificamente no CRAS – Centro de Referência de Assistência Social, localizado 
em um território onde os indivíduos se encontram em situação de vulnerabilidade social, 
exigindo do profissional conhecimento da realidade, das necessidades e das expectativas da 
comunidade local, e para tal conhecimento se faz necessário envolvimento, Iamamoto, Marilda 
V., O Serviço Social na contemporaneidade: trabalho e formação profissional, 3º ed.; São 
Paulo, Cortez, 2000, p. 75, articulação, compromisso ético-político, além de capacidade de 
apresentar junto a essa comunidade, propostas de superação da realidade vivenciada e novas 
alternativas de superação.
Importante salientar que, na perspectiva de apontar novas propostas de superação 
das expressões da questão social, requer do profissional a capacidade de acompanhar o 
movimento da sociedade, que se altera e apresenta, a cada momento, novas características 
e necessidades diferenciadas, vivenciadas pelos sujeitos e pelo coletivo, alterando também o 
direcionamento metodológico e intelectual do profissional, ou seja, requer do assistente social 
novos olhares, novos conhecimentos e novas práticas, conforme a realidade e o momento 
histórico em que está intervindo.
Para tanto o assistente social deve se apresentar como um agente político crítico, 
capacitado, informado, culto e crítico, deixando de ser somente um mero executor das ações, 
e assumindo um papel de propositor de propostas de superação das expressões da sociedade 
que se manifesta na vida dos sujeitos.
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Diante dessas requisições, se faz necessário o rompimento o teoricismo, bem como 
romper com “o fazer por fazer”, compreendendo que prática e a teoria são condições que 
requer a apropriação um da outra.
“A teoria do Serviço Social como “sistematização abstrata que deve ser remetida 
ao campo das Ciências Sociais ou do marxismo, em particular, e entendem que o nível do 
conhecimento do ser social, objeto da construção teórica, é o mesmo nível de intervenção 
da ação profissional, ficando desautorizada a separação metodologia do conhecimento e 
metodologia da ação”. (SILVA, 2007).
Contudo, é justo afirmar que tais competências, configuram-se como um dos elementos 
essenciais para novas respostas profissionais, capaz de construir espaços democráticos, e 
incentivar, bem como fortalecer, lutas e movimentos sociais, direcionados a conquistas de uma 
sociedade justa e democrática.
III - O ASSISTENTE SOCIAL E O MÉTODO DE DESVELAMENTO DA REALIDADE
Diante do contexto da necessidade de acumulo de saberes, envolvimento profissional, 
enfim uma prática pensada, rumo à construção de possibilidades em descobrir e conhecer 
a realidade da qual está intervindo, é imprescindível abordarmos sobre o método na qual 
possibilitará o alcance desse objetivo.
Para tanto, é necessário ir além do que é “visível”, ou seja, buscar aprofundar, conhecer, 
apreender os fenômenos, para que de fato conheça a realidade que irá intervir, assim o 
assistente social precisa incorporar um método de trabalho, na qual possa lhe dar respostas 
a estes questionamentos.
Nessa direção, o autor Reinaldo Nobre Pontes (1995, p. 16) destaca, para a ação 
profissional se manter dentro do estatuto de profissional idade, tem que compor o suporte de 
um corpo de conhecimento científico, expresso na seguinte matriz:
1 – a teoria social traz no seu bojo um método, um arcabouço categorial organizadamente 
articulado, propiciador de um conhecimento do ser social, bem como da possibilidade de 
captação de direções a serem assumidas na intervenção no real;
2 – o projeto de sociedade constitui a utopia (LÖWY, 1987), que se deseja atingir, ou melhor, 
a direção teleológica que busca a construção de uma ordem social superior. É, portanto, uma 
dimensão de natureza eminentemente teórico-política;
3 – o projeto profissional não se identifica com o anterior, como querem alguns segmentos 
da profissão, porque esta dimensão ilumina a especificidade mesma da profissão; sua 
inserção socioconstitutiva; sua particularidade em face da divisão sociotécnica do trabalho; 
a complexa relação entre demanda institucional e demanda profissional; as perspectivas 
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teórico-metodológicas próprias dos vários projetos profissionais particularizados no interior da 
profissão; as perspectivas historicamente construídas pelos profissionais no direcionamento 
político-institucional da área de intervenção privilegiada no âmbito das políticas sociais; a 
assistência social;
4 – o instrumental teórico-técnico de intervenção constitui o corpo de conhecimento 
imediatamente ligado à dimensão operativa propriamente dita da profissão.
Esses são os domínios necessários, compreendido pelo autor, para propiciar ao 
assistente social um plano cognitivo-operativo em sua atuação, o que também depende do 
projeto societário que o profissional apresenta, sendo esses elementos fundamentaispara 
direcionar a atuação profissional.
Portanto, a mediação possibilita o profissional ir além da operacionalização, conhecer 
as particularidades dessa realidade, desvelando o que se está “oculto”, além de revelar os 
nexos entre a teoria e a prática profissional, pois o conhecimento adquirido na ação cotidiana, 
no campo empírico não traz um conhecimento pronto e acabado, requer ser sustentado por 
embasamento da teoria, compreendendo assim que o conhecimento empírico se constrói, 
traduz, codifica e decodifica um conjunto de questões que se colocam à prática profissional 
em determinado momento (BAPTISTA, 1986: 4), e dela extrai um saber.
 
O cotidiano deve ser compreendido como um espaço a ser explorado como “campo 
de conhecimento”, onde o assistente social possa desenvolver suas ações, sob uma prática 
pensada, com possibilidades da construção do “novo” e da apropriação de saberes.
Para tanto, a ação profissional perante o seu objeto, requer um método de trabalho 
que possibilite sair do concreto, daquilo que está aparente, visível, e limitado, possibilitando 
a reconstrução desse objeto. Perante a esse contexto, é necessário conhecer as categorias 
de analise que o Assistente Social se apropria para decodificar o seu objeto de trabalho, visto 
que a mediação é a categoria principal da pratica do Assistente Social, compreendida como: 
“componente estrutural do ser social” (PONTES, 1995, p. 77) e ainda “expressões históricas 
das relações que o homem edificou com a natureza e consequentemente das relações sociais 
daí decorrentes, nas várias formações sócio-humanas que a historia registrou”.
Também definida por LuKács (apud PONTES, 1995, p. 79), a categoria medição na 
dimensão ontológica: Pontes, Reinaldo Vieira, Mediação e Serviço Social, São Paulo, Cortez 
Editora; Belém, Pa: Universidade da Amazônia, 1995, p. 17.
Suguihiro, Vera. L. T. A ação investigativa na prática cotidiana do Assistente Social, 
disponível em: <http://www.ssrevista.uel.br/c_v2n1_invest.htm>. Acesso em: 29 jul. 2009.
Não pode existir nem na natureza, nem na sociedade nenhum objeto que neste sentido 
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[...] não seja mediato, não seja resultado de mediações. Deste ponto de vista, a mediação 
é uma categoria objetiva, ontológica, que tem que estar presente em qualquer realidade, 
independente do sujeito (1979).
E ainda, segundo Pontes (1995, p. 95). A categoria mediação foi introduzida no discurso 
profissional inicialmente pela via da análise política, na sua articulação no bojo das políticas 
sociais e de uma inserção sócio-profissional. A pressão das demandas postas pela realidade 
à profissão pode-se afirmar, foi a geradora da discussão metodológica da mediação enquanto 
categoria teórica. 
Na questão da mediação perante os debates dos autores de Serviço Social, Reinaldo 
Nobre Pontes (1995), em seu livro Mediação e Serviço Social, apresenta as ideias de Faleiros 
que, aponta uma preocupação com o “teoricismo”, ou seja, a categoria mediação discutida 
entre os intelectuais, mas que não chega à prática profissional, como afirma nesse trecho: 
O que mais me intriga na discussão desta categoria (mediação) é que ela não passa a fazer 
parte da análise de nenhum objeto da prática profissional, ela é usada por intelectuais, não se 
incorporando no cabedal da prática, o que, aliás, é uma das características do teoricismo dito 
reconceituado, que é incapaz de incorporar esta categoria na prática. (FALEIROS, 1992).
 
Assim, diante dessa citação de Faleiros, compreende-se que, devemos evitar sim o 
“teoricismo”, mas também por outro lado o “pratiquismo”, que deve ser abolido na profissão, 
pois as necessidades atuais requerem um profissional que ofereça uma prática pensada, com 
embasamento teórico, desmistificando o velho pensamento de que “teoria e prática não se 
combinam” ou “na prática é outra coisa”, mostrando uma ideia que a prática não se apropria 
da teoria, e nem vice-versa, assim, nesta direção, deve-se buscar uma apropriação de saberes 
profissionais, na qual a discussão sobre mediação é elemento primordial.
Perante a categoria mediação, ainda são necessários estudos, pesquisas, que 
possibilitem a ampliação da base teoria sobre esse assunto, pois, sabe-se que somente no 
final da década de 80, se inicia uma discussão mais avançada sobre Pontes, Reinaldo Vieira, 
Mediação e Serviço Social, São Paulo, Cortez Editora; Belém, Pa: Universidade da Amazônia, 
1995, p. 95, esse tema, onde até os dias de hoje, a discussão é ainda tímida, porém, percebe-
se mais presente, nas propostas de aquisição de novos saberes profissionais. As categorias 
mediação na prática do Serviço Social são imprescindíveis e necessárias, a fim de possibilitar 
um pensamento crítico profissional, a qualidade nas respostas oferecidas à realidade que 
intervém, a melhor compreensão da totalidade do objeto, a possibilidade de sair do imediatismo, 
do visível e ir para uma prática pensada, embasada teoricamente e com possibilidade de 
construção de novos conhecimentos.
Em síntese, as categorias são elementos fundamentais para desmistificarem, explicarem 
e reconstruírem o objeto de intervenção, como afirma Iamamoto (2000, p. 191), é meio de 
“detectar as dimensões da universalidade, particularidade e singularidade na análise dos 
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fenômenos presentes no contexto da prática profissional.”
Assim, a categoria mediação é um elemento fundamental para conhecer o objeto de 
intervenção em sua totalidade, bem como reconstruir o objeto através de uma prática pensada, 
saindo do imediato, do visível, do aparente.
V- CONSIDERAÇÕES FINAIS
Compreendo que em se tratando do objeto do serviço social, a relação dessa profissão 
com a questão social vem sendo afirmada desde o currículo de 1982, porém com muita ênfase 
nos pressupostos das novas diretrizes curriculares de 1996, uma vez que a questão social é 
defendida como fundamento do processo histórico da profissão, porém tal afirmação requer 
precaução e maior discussão para ser defendidas nos diversos processos de trabalho do 
Serviço Social.
Compreendo que a relação do serviço social com a questão social, não deve ser vista 
como um posicionamento único e acabado, pois é uma discussão que deve acompanhar o 
movimento da própria realidade, aonde novas demandas e novas atribuições vai surgindo à 
profissão.
Assim entendo que os assistentes sociais trabalham com as expressões da questão 
social em seu cotidiano, trabalham também diretamente com os sujeitos que vivenciam as 
expressões da questão social, que requer um profissional criativo, competente, e que desvele 
as expressões da questão social, como também desvele quais as alternativas, opções e 
caminhos para revertê-la.
As demandas que o Serviço Social tem foco a atender são diversas, portanto todas 
emergidas do sistema capitalista, onde a divisão de classe tem sido cada vez mais fortalecida 
e diferenciada. Assim o profissional tem várias dimensões para atender as necessidades que 
esse sujeito, grupos, comunidades, enfim esse público requer, como a organização em grupos 
para o acesso e defesa dos direitos civis, sociais e políticos; a melhoria das condições de vida 
da comunidade; a ampliação de espaços democráticos e participativos, dentre outros.
Para isso, busca-se um profissional capacitado, criativo e comprometido, a fim de romper 
com o feitiço da caridade, da ajuda, do filantropismo. O trabalho do assistente social está 
interligado às relações sociais vigentes nessa sociedade, onde o desenvolvimento capitalistatraz muitas alterações na realidade em que intervém.
Em fim, compreendo que a profissão tem sua intervenção direcionada, principalmente, 
pelos parâmetros ético-políticos coletivamente construídos, na direção de afirmação dos direitos 
sociais, e para a contribuição de uma sociedade que supere a questão social como matéria de 
trabalho, a fim de se conquistas uma sociedade mais justa e igualitária.
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BIBLIOGRAFIA
CAPACITAÇÃO em Serviço Social e política social: módulo 1: a crise contemporânea, 
questão social e serviço social. Brasília. Ed. Da UnB. Centro de Educação Aberta, Continuada 
a Distância, 1999.
CAPACITAÇÃO em serviço social e política social: módulo 2 : reprodução social, trabalho e 
serviço social. Brasília: Ed. da UnB, Centro de Educação Aberta, Continuada a Distância, 1999.
GUERRA, Yolanda. Instrumentalidade do processo de trabalho e serviço social. In Serviço 
Social e Sociedade. São Paulo: Cortez, n. 62, Ano XX, março 2000, p. 05-34.
IAMAMOTO, Marilda V. O Serviço Social na contemporaneidade: trabalho e formação 
profissional. 3. ed. São Paulo, Cortez, 2000.
__________. Relações Sociais e Serviço Social no Brasil: esboço de uma interpretação 
histórico-metodológico. 13. ed. São Paulo, Cortez; (Lima, Peru): CELATS, 2000.
MONTAÑO, Carlos. A natureza do serviço social, São Paulo, Cortez, 2007. 
NETO, José P. Ditadura e serviço social: uma analise do Serviço Social no Brasil pós 64, 12. 
ed., São Paulo, Cortez, 2008.
__________. Capitalismo monopolista e serviço social, 6. ed., São Paulo, Cortez, 2007.
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Universidade da Amazônia, 1995, p. 17.
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profissional de ruptura, 4. ed., São Paulo, Cortez, 2007.
SUGUIHIRO, Vera. L.T. A ação investigativa na prática cotidiana do assistente social. Disponível 
em: <http://www.ssrevista.uel.br/c_v2n1_invest.htm>. Acesso em: 29 jul. 2009.
FONTE: ALMEIDA, Andreia Cristina da Silva. O debate sobre o objeto do serviço social: reflexão 
sobre a atuação do serviço social frente à questão social. Disponível em: <http://intertemas.
unitoledo.br/revista/index.php/ETIC/article/viewFile/2167/2347>. Acesso em: 20 set. 2011.
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Neste tópico trabalhamos as questões éticas do profissional do Serviço Social e 
seu projeto ético-político. Para tanto, abordamos os seguintes assuntos:
● Verificamos que o homem possui uma necessidade de interagir com os outros homens, em 
sociedade. 
● É por meio do trabalho que o homem produz e reproduz sua vida na sociedade em que está 
inserido. 
● Só por meio da interação social os seres humanos desenvolvem sua cultura, hábitos e 
costumes. 
● Da relação dos homens em sociedade é que advém as questões sociais, objeto da prática 
profissional do Assistente Social, regulada por meio de seu projeto ético-político.
● O Código de Ética do Assistente Social, Resolução CFESS nº 273, de 13 de março de 
1993 (BRASIL, 2009a), determina os princípios e valores determinantes para a prática 
profissional do Assistente Social, que estão diretamente inseridos em seu projeto ético-
político profissional.
● A práxis profissional do Assistente Social está permeada nas questões sociais advindas 
das relações comportamentais dos homens em sociedade, mais precisamente, de suas 
contradições.
● A questão social está diretamente vinculada aos conflitos advindos do capital versus 
trabalho. 
● Todos os problemas sociais, políticos e econômicos, que surgem das relações cotidianas 
do trabalho, formam as desigualdades sociais.
● As desigualdades sociais apresentam-se de forma diferente no decorrer da própria história da 
humanidade, pois o modo de produção, o desenvolvimento e a dinâmica econômica, política 
e social vêm se transformando conforme a própria evolução do homem em sua convivência 
em sociedade. 
● Em cada momento histórico, as questões sociais vão ganhando novas formas, que chamamos 
de expressões da questão social. 
RESUMO DO TÓPICO 4
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● A questão social sempre foi a mesma desde os tempos mais remotos da humanidade, 
independentemente da classe social. 
● Conforme as transformações do modo de produção, surgem contradições sociais e estas, 
por sua vez, se transformam nas diversas formas de expressão da questão social.
● O serviço social intervém na esfera das desigualdades sociais, em suas mais diversas 
expressões, pois sua atuação se dá intrinsecamente na busca constante das transformações 
da sociedade.
● Com a práxis profissional, o Assistente Social vem buscando sempre o equilíbrio e a mediação 
dos conflitos advindos da relação do trabalho versus capital.
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● Reflita e debata no grande grupo, a partir de sua própria experiência, sobre as 
suas escolhas e projetos individuais, além de expor o que você espera da sociedade 
em que vive.
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AVAL
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Prezado(a) acadêmico(a), agora que chegamos ao final da 
Unidade 2, você deverá fazer a Avaliação referente a esta unidade. 
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UNIDADE 3
O CÓDIgO DE ÉTICA DOS ASSISTENTES 
SOCIAIS brASILEIrOS E OS 
CONSELHOS DE FISCALIzAÇÃO
ObjETIvOS DE AprENDIzAgEM
 Esta unidade tem por objetivos:
•	 apresentar os fundamentos e significados do Código de Ética dos 
Assistentes Sociais;
•	 apresentar conteúdos de ligação com os Conselhos de Fiscalização 
do Serviço Social.
pLANO DE ESTUDOS
 A Unidade 3 está dividida em quatro tópicos. Ao final de cada 
um deles, você terá a oportunidade de fixar seus conhecimentos, 
realizando as atividades propostas.
TÓPICO 1 – FUNDAMENTOS E SIGNIFICADOS DO 
CÓDIGO DE ÉTICA DOS ASSISTENTES 
SOCIAIS
TÓPICO 2 – DOS DIREITOS E DAS RESPONSABILIDADES 
GERAIS DO ASSISTENTE SOCIAL
TÓPICO 3 – O CÓDIGO DE ÉTICA DO ASSISTENTE 
SOCIAL BRASILEIRO
TÓPICO 4 – OS CONSELHOS DE FISCALIZAÇÃO DO 
SERVIÇO SOCIAL
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A Conduta Profissional do Assistente deverá ser regida por seu Código de Ética, 
especialmente, pelos seguintes princípios e valores:
FUNDAMENTOS E SIGNIFICADOS 
DO CÓDIGO DE ÉTICA DOS 
ASSISTENTES SOCIAIS
1 INTRODUÇÃO
TÓPICO 1
UNIDADE 3
FONTE: A autora
Além destes princípios e valores morais que determinam o modus operandi dos 
Assistentes Sociais, o código de ética do Assistente Social possui onze princípios fundamentais 
que norteiam sua prática profissional, no qual trataremos a seguir cada um deles.
QUADRO 4 – PRINCÍPIOS E VALORES FUNDAMENTAIS DO CÓDIGO DE ÉTICA 
DO ASSISTENTE SOCIAL
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2 PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO CÓDIGO DE ÉTICA
2.1 LIBERDADE
Sãoprincípios fundamentais do Código de Ética:
FONTE: A autora
FONTE: Disponível em: <www.casaldogalo.com>. Acesso em: 25 fev. 
2009.
“Reconhecimento da liberdade como valor ético central e das demandas políticas 
a ela inerentes – autonomia, emancipação e plena expansão dos indivíduos sociais”. 
(BRASIL, 2009a)
Observamos, na Unidade 2 deste Caderno de Estudos, que todo homem pode fazer 
suas escolhas de forma livre e consciente, em que podem ser consideradas a constituição da 
liberdade humana.
A liberdade é constituída no relacionamento direto entre os homens em sociedade, por 
`
QUADRO 5 – PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO CÓDIGO DE ÉTICA DO 
ASSISTENTE SOCIAL
FIGURA 8 – REPRESENTAÇÃO DO SENTIMENTO DE LIBERDADE
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meio de suas atividades humanas. Podemos considerar que o ser humano é um ser livre e 
tem o poder de escolha, desde que seja sempre consciente. Portanto, por meio do trabalho, o 
ser humano se constitui um homem consciente e livre.
IMP
OR
TAN
TE! �
“LIBERDADE, essa palavra que o sonho humano alimenta: que 
não há ninguém que explique, e ninguém que a entenda.” (Cecília 
Meireles)
Contudo, o que é liberdade?
No que tange à questão de liberdade, vejamos o que prediz Tomelin e Tomelin (2002, 
p. 127), quando tratam desta questão em seu livro “Do mito para a razão: uma dialética do 
saber”.
Você, por muitas vezes, deve ter se sentido preso, sem liberdade para sair 
de casa ou fazer o que quer. Ou que, muitas vezes, ao ser livre para querer, 
acabam-se querendo o que os outros querem que se queira. [...] A liberdade 
sempre foi uma questão fundamental na história da humanidade. Todos nós 
queremos ser livres. Através da história, percebemos que muitas pessoas 
tiveram que pagar um preço alto pela sua liberdade. Muitos queimados em 
fogueiras, outros presos, perseguidos e torturados. Todos necessitam de 
liberdade. Até os animais. Você já reparou como o cachorro fica feliz quando 
o soltamos para correr?
Podemos assim compreender que a liberdade é um poder de escolhas.
Nesta perspectiva, observamos que a existência do ser humano, nas suas relações 
cotidianas, acaba revelando escolhas, ou seja, todos os dias escolhemos entre inúmeras 
possibilidades postas pela sociedade, o que é bom ou mau para nós e para os outros. Assim, 
podemos considerar que todo homem é livre para escolher, por si só, uma determinada 
possibilidade e renunciar outras.
Não podemos esquecer de que vivemos em sociedade, portanto, todas as nossas 
escolhas, direta ou indiretamente, influenciarão os demais membros da comunidade em que 
estamos inseridos. As nossas decisões refletem também diretamente sobre nós, ou seja, se 
por ventura eu decidir não mais estudar e trabalhar, isso influenciará diretamente a minha vida 
e a da minha família e dos amigos. 
Nesta perspectiva, Tomelin e Tomelin (2002, p. 128) expõem que “[...] quando escolho, 
torno-me humano, e escolho não apenas a mim, mas a toda humanidade. Nossas escolhas é 
que determinarão o nosso existir”.
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Partindo desta premissa, os profissionais do Serviço Social tomam como uma de suas 
bases fundamentais, para a práxis profissional, a LIBERDADE, conforme estabelecido no 
Código de Ética que regulamenta sua profissão (BRASIL, 1997). Podemos observar que a 
liberdade é tida como um valor ético, que determina, como um todo, a atuação profissional do 
Assistente Social, principalmente na tratativa das demandas políticas, buscando, constantemente, 
autonomia, desenvolvimento e emancipação dos indivíduos que vivem em sociedade, procurando 
sempre melhorar sua qualidade de vida.
2.2 DIREITOS HUMANOS
FONTE: Disponível em: <www.pedrowilson.com.br>. Acesso em: 
25 fev. 2009.
“Defesa intransigente dos direitos humanos e recusa do arbítrio e do autoritarismo.” 
(BRASIL, 2009a).
Outro principio fundamental do Código de Ética Profissional do Assistente Social é a 
defesa e conservação incondicional dos direitos humanos. Direitos, estes, inscritos na 
Declaração Universal dos Direitos Humanos (ONU, 2009), que foi promulgada pela ONU – 
Organização das Nações Unidas, em 1948.
DIC
AS!
Como sugestão, entre no site da ONU/Brasil – Nações Unidas no 
Brasil, seu link é: <http://www.onu-brasil.org.br> , e procure mais 
informações referente a este assunto.
Conforme o preâmbulo desta declaração, o Assistente Social, em sua prática profissional, 
deve desenvolver atividades laborais a partir das seguintes considerações:
CONSIDERANDO que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os 
membros da família humana e seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento 
da liberdade, da justiça e da paz no mundo, CONSIDERANDO que o desprezo 
e o desrespeito pelos direitos do homem resultaram em atos bárbaros que 
ultrajaram a consciência da Humanidade, e que o advento de um mundo em 
que os homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de 
FIGURA 9 – DIREITOS HUMANOS
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viverem a salvo do temor e da necessidade, CONSIDERANDO ser essencial 
que os direitos do homem sejam protegidos pelo império da lei, para que o 
homem não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra a tirania 
e a opressão, CONSIDERANDO ser essencial promover o desenvolvimento 
de relações amistosas entre as nações, CONSIDERANDO que os povos das 
Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos do homem e da 
mulher, e que decidiram promover o progresso social e melhores condições 
de vida em uma liberdade mais ampla, CONSIDERANDO que os Estados 
Membros se comprometeram a promover, em cooperação com as Nações 
Unidas, o respeito universal aos direitos e liberdades fundamentais do homem 
e a observância desses direitos e liberdades, CONSIDERANDO que uma 
compreensão comum desses direitos e liberdades é da mais alta importância 
para o pleno cumprimento desse compromisso. (ONU, 2009, p. 1).
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS
Versão Popular de Frei Betto
	Todos nascemos livres e somos iguais em dignidade e direitos.
	Todos temos direitos à vida, à liberdade e à segurança pessoal e social.
	Todos temos direito de resguardar a casa, a família e a honra.
	Todos temos direito ao trabalho digno e bem remunerado.
	Todos temos direito ao descanso, ao lazer e às férias.
	Todos temos direito à saúde e assistência médica e hospitalar.
	Todos temos direito à instrução, à escola, à arte e à cultura.
	Todos temos direito ao amparo social na infância e na velhice.
	Todos temos direito à organização popular, sindical e política.
	Todos temos direito de eleger e ser eleito às funções de governo.
	Todos temos direito à informação verdadeira e correta.
	Todos temos direito de ir e vir, mudar de cidade, de Estado ou país.
	Todos temos direito de não sofrer nenhum tipo de discriminação.
	Ninguém pode ser torturado ou linchado. Todos somos iguais perante a lei.
	Ninguém pode ser arbitrariamente preso ou privado do direito de defesa.
	Toda pessoa é inocente até que a justiça, baseada na lei, prove o contrário.
	Todos temos liberdade de pensar, de nos manifestar, de nos reunir e de crer.
	Todos temos direito ao amor e aos frutos do amor.
	Todos temos o dever de respeitar e proteger os direitos da comunidade.
	Todos temos o dever de lutar pela conquista e ampliação destes direitos.
FONTE: DHNET. Declaração Universal dos Direitos Humanos. Disponível em: <http://www.dhnet.org.
br/direitos/deconu/textos/integra.htm>. Acesso em: 26 mar.2009.
Portanto, podemos dizer que os direitos humanos norteiam a base ética profissional do 
Assistente Social, pois estes desenvolvem suas atividades com base na liberdade, igualdade, 
justiça e paz do mundo e na defesa dos direitos fundamentais dos seres humanos, procurando 
sempre promover o progresso social e a ampliação da qualidade de vida de cada cidadão.
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2.3 CIDADANIA
FONTE: Disponível em: <www.vivaterra.org.br>. Acesso em: 26 
mar. 2009.
“Ampliação e consolidação da cidadania, considerada tarefa primordial de toda 
a sociedade, com vistas à garantia dos direitos civis sociais e políticos das classes 
trabalhadoras.” (BRASIL, 2009a).
Podemos entender que, cidadania é um conjunto de direitos e deveres que denotam 
e fundamentam as condições do comportamento de cada indivíduo em relação à sociedade, 
ou seja, a cidadania designa normas de conduta para o convívio social, determinando nossas 
obrigações e direitos perante os outros integrantes da nossa sociedade.
Ser cidadão é respeitar e participar das decisões da sociedade, para melhorar 
suas vidas e a de outras pessoas. Ser cidadão é nunca esquecer das pessoas 
que mais necessitam. A cidadania deve ser divulgada através de instituições 
de ensino e meios de comunicação, para o bem-estar e desenvolvimento da 
nação.
A cidadania consiste desde o gesto de não jogar papel na rua, não pichar os 
muros, respeitar os sinais e placas, respeitar os mais velhos (assim como to-
das as outras pessoas), não destruir telefones públicos, saber dizer obrigado, 
desculpe, por favor e bom-dia quando necessário [...], até saber lidar com o 
abandono e a exclusão das pessoas necessitadas, o direito das crianças ca-
rentes e outros grandes problemas que enfrentamos em nosso país.
“A revolta é o último dos direitos a que deve um povo livre para garantir os 
interesses coletivos: mas é também o mais imperioso dos deveres impostos 
aos cidadãos.” Juarez Távora - Militar e político brasileiro. (WEB CIÊNCIA, 
2009, p. 1)
Podemos observar três dimensões da cidadania:
 
	Cidadania civil: são aqueles direitos advindos da liberdade de cada indivíduo, como, por 
exemplo: o livre-arbítrio para expressar nossos pensamentos; o direito de propriedade (venda 
e compra de um imóvel, um bem ou serviço); entre outros. 
	Cidadania política: podemos considerar que a cidadania política se legitima quando 
os homens exercem seu poder político de eleger e ser eleito para o exercício do poder 
político, independentemente da instituição pública ou privada na qual venha exercer suas 
FIGURA 10 – CIDADANIA
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2.4 DEMOCRACIA
atribuições.
	Cidadania social: compreendida como o conjunto de direitos concernentes ao conforto 
de cada cidadão, no que tange à sua vida econômica e social, ou seja, do seu bem-estar 
social.
E é nesta perspectiva da garantia dos direitos e deveres de cada cidadão, que o 
Assistente Social desenvolve sua prática profissional.
FONTE: Disponível em: <www.mises.org.br>. Acesso em: 16 mar. 
2009.
“Defesa do aprofundamento da democracia, enquanto socialização da participação 
política e da riqueza socialmente produzida.” (BRASIL, 2009a).
Podemos considerar que a democracia nada mais é do que um sistema de governo, 
no qual o povo governa para sua própria sociedade. Este sistema de governo democrático 
possui formatos diferentes nas diversas sociedades, pois, em cada uma, existem regas e 
normas diferentes e isto acontece por causa da constituição dos princípios ético-morais de 
cada localidade.
Então, podemos dizer que, num governo democrático, o povo determina suas relações 
de poder sobre os demais integrantes, mas, mesmo assim, podemos distinguir a democracia 
em duas formas distintas:
	Democracia direta: na qual o povo decide diretamente, por meio de referendo/plebiscito, se 
aceita ou não determinadas questões políticas e administrativas de sua localidade, Estado 
ou país.
	Democracia indireta: nesta, o povo participa democraticamente, por meio do voto, elegendo 
seu representante político, ou seja, uma pessoa que os represente nas diversas esferas 
governamentais, para tomar decisões cabíveis em nome do povo que os elegeu.
FIGURA 11 – DEMOCRACIA
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Outro fator que não podemos esquecer é que, quando falamos em democracia, também 
falamos de distribuição democrática, das riquezas socialmente produzidas por meio do trabalho 
dos homens.
Assim, o Assistente Social possui a premissa de defender, incondicionalmente, a 
democracia política, econômica e social da sociedade, na qual desenvolve suas atividades 
por meio da socialização direta dos direitos de participação democrática em todas as esferas 
de poder.
2.5 EQUIDADE E JUSTIÇA SOCIAL
FONTE: Disponível em: <www.sericosocialhoje.blogsport.
com>. Acesso em: 26 mar. 2009.
“Posicionamento em favor da equidade e justiça social, que assegure universalidade 
de acesso aos bens e serviços relativos aos programas e políticas sociais, bem como, 
sua gestão democrática.” (BRASIL, 2009a).
Podemos dizer que a equidade nada mais é do que fazer justiça com imparcialidade, 
pois todos os seres humanos possuem direitos e deveres perante a sociedade em que vivem. 
Estes direitos, por sua vez, denotam um conjunto de princípios morais, que acabam igualando 
todos os homens de uma mesma sociedade.
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Equidade é a igualdade de direitos entre os iguais.
Contudo, devemos tomar cuidado, pois muita gente pensa que equidade é sinônimo de 
igualdade, mas não é bem assim, pois a equidade é vista por dois prismas:
	Equidade horizontal: denota que existe um tratamento igualitário para todos os indivíduos, 
FIGURA 12 – EQUIDADE
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2.6 RESPEITO À DIVERSIDADE
ou seja, não há distinção, pois o problema a ser resolvido é o mesmo, independentemente 
da classe social.
	Equidade vertical: denota que existem tratamentos diferentes para determinados grupos 
sociais, ou seja, dependendo da situação social do homem, o mesmo problema é tratado 
de forma diferente.
Então, podemos dizer que a prática profissional do Assistente Social se processa na 
garantia da equidade e da justiça social, procurando assegurar a universalidade de direitos e 
o acesso aos bens produzidos por meio do trabalho a todos os indivíduos, sem distinção de 
cor, raça, etnia e classe social.
FONTE: Disponível em: <www.planetaeducacao.com.br>. Acesso 
em: 26 mar. 2009.
“Empenho na eliminação de todas as formas de preconceito, incentivando o 
respeito à diversidade, à participação de grupos socialmente discriminados e à discussão 
das diferenças.” (BRASIL, 2009a).
Conforme exposto nesta citação do Código de Ética Profissional do Assistente Social, 
podemos observar que outro princípio fundamental de sua práxis profissional se processa na 
mediação direta com todos os indivíduos de uma determinada sociedade, com intuito de eliminar 
toda e qualquer forma de preconceito e discriminação, seja ele racial, étnico, cultural, religioso 
entre outros, além de incentivar, constantemente, o respeito às diferenças e diversidades 
humanas.
Entretanto, o que é diversidade?
Pois bem, ao tratarmos da questão da diversidade, devemos, primeiramente, 
compreender o significado de tolerância, porque a diversidade denota que todos os homens 
devem aceitar e compreender asdiferenças humanas.
FIGURA 13 – DIVERSIDADE
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Nenhum homem na face da Terra é igual a outro homem.
Neste sentido, podemos compreender que o respeito à diversidade humana não significa 
apenas tolerar o outro, mas respeitá-lo como ele realmente é.
Devemos olhar o outro, por meio dos olhos dele e não por meio dos nossos olhos, 
ou seja, devem-se compreender as diferenças do outro, ver como ele realmente é, qual são 
seus princípios e valores morais. Nunca devemos ver o outro a partir de nossa visão de mundo, 
de nossos valores morais, pois, assim, acabamos prejulgando-o.
Assim, podemos afirmar que o respeito às diferenças humanas também pode ser 
compreendido como o respeito às diversas identidades que compõe uma sociedade, pois cada 
ser humano possui sua singularidade, ou seja, suas características pessoais.
2.7 PLURALISMO
FONTE: Disponível em: <www.lacoctelera.com>. Acesso em: 26 
mar. 2009.
“Garantia do pluralismo, através do respeito às correntes profissionais 
democráticas existentes e suas expressões teóricas, e compromisso com o constante 
aprimoramento intelectual.” (BRASIL, 2009a).
Podemos compreender que o pluralismo é reconhecer a existência da diversidade 
humana. Diversidade que pode ser cultural, religiosa, política, econômica, ambiental e 
social.
FIGURA 14 – PLURALISMO
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Não existe uma realidade única e absoluta.
2.8 PROJETO PROFISSIONAL
O pluralismo denota que não existe somente uma concepção conceitual, ou seja, 
existem várias referências e doutrinas conceituais, pois, como abordamos anteriormente, todos 
os seres humanos são diferentes, possuem diversas subjetividades, que denotam visões de 
mundo diferenciadas, ou seja, sobre um mesmo fato, uma mesma realidade poderá suscitar 
diversas opiniões, diversos conceitos, porque cada homem analisa um fato conforme sua 
constituição moral. 
Nesta perspectiva, pode-se dizer que a prática profissional do Assistente Social deve, 
constantemente, buscar e garantir o pluralismo conceitual, para seu constante aperfeiçoamento 
pessoal e intelectual.
FONTE: Disponível em: <www.cress-ms.org.br>. Acesso em: 26 
mar. 2009.
“Opção por um projeto profissional vinculado ao processo de construção de uma 
nova ordem societária, sem dominação-exploração de classe, etnia e gênero.” (BRASIL, 
2009a).
Com relação ao projeto profissional do Assistente Social, podemos citar que o mesmo 
possui um caráter sociopolítico, crítico e interventivo, que vem, historicamente, utilizando um 
instrumental técnico operativo multidisciplinar, para análise e intervenção junto às inúmeras 
expressões da questão social, como na educação, justiça, saúde, lazer, previdência, habitação, 
assistência social, entre outros. 
O Assistente Social busca sempre prestar seus serviços em prol do desenvolvimento 
e da construção de uma sociedade mais justa, igualitária e sem discriminação e exploração 
das classes sociais e suas diversidades.
FIGURA 15 – PROJETO PROFISSIONAL
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Você verá mais adiante, em outra disciplina, a questão do 
instrumental técnico operativo do Assistente Social.
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Como sugestão, leia o artigo: A Construção do Projeto Ético-Político 
do Serviço Social, por José Paulo Netto. Disponível em: <http://
www.fnepas.org.br/pdf/servico_social_saude/texto2-1.pdf>.
2.9 MOVIMENTOS SOCIAIS
FONTE: Disponível em: <www.spsoul.blogspot.com>. Acesso 
em: 26 mar. 2009.
“Articulação com os movimentos de outras categorias profissionais que partilhem 
dos princípios deste Código e com a luta geral dos trabalhadores.” (BRASIL, 2009a).
Porém, o que é um movimento social?
Podemos compreender que um movimento social denota a organização de um grupo 
social que possue interesses comuns, que, de forma estruturada, busca desenvolver suas 
atividades, conforme suas finalidades e objetivos. 
Conforme Gohn (1995, p. 44), movimentos sociais:
[...] são ações coletivas de caráter sociopolítico, construídas por atores sociais 
pertencentes a diferentes classes e camadas sociais. Eles politizam suas 
demandas e criam um campo político de força social na sociedade civil. Suas 
ações estruturam-se a partir de repertórios criados sobre temas e problemas 
em situações de: conflitos, litígios e disputas. As ações desenvolvem um pro-
cesso social e político-cultural que cria uma identidade coletiva ao movimento, 
a partir de interesses em comum. Esta identidade decorre da força do princípio 
FIGURA 16 – MOVIMENTOS SOCIAIS
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2.10 QUALIDADE DOS SERVIÇOS PRESTADOS
da solidariedade e é construída a partir da base referencial de valores culturais 
e políticos compartilhados pelo grupo.
Como sugestão, leia o artigo: O Papel dos Movimentos Sociais 
na Construção de Outra Sociabilidade, de Sandra Maria Marinho 
Siqueira. Disponível em: <http://www.anped.org.br/reunioes/25/
excedentes25/sandramariamarinhosiqueirat03.rtf>.
Nesta perspectiva, os assistentes sociais também desenvolvem suas atividades 
laboratoriais em prol da articulação e mediação constante entre a sociedade civil, os diversos 
movimentos sociais e o Estado.
FONTE: Disponível em: <www.verzani.com.br>. Acesso em: 26 
mar. 2009.
“Compromisso com a qualidade dos serviços prestados à população e com 
aprimoramento intelectual, na perspectiva da competência profissional.” (BRASIL, 
2009a).
Esta questão é indiscutível, pois todo trabalho, produto ou prestação de serviço deve 
ter, como premissa, a qualidade, ou seja, todo profissional deve exercer sua profissão com 
ética, responsabilidade e qualidade. 
Por meio de seu desempenho profissional, o Assistente Social proporcionará, ao seu 
público-alvo, possibilidades de melhoria de qualidade de vida, além de mediar, com serenidade 
e propriedade, as expressões da questão social, objeto de seu trabalho.
FIGURA 17 – QUALIDADE DOS SERVIÇOS PRESTADOS
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2.11 INDISCRIMINAÇÃO
FONTE: Disponível em: <www.infinitoemaisalem.blogs.sapo.pt>. 
Acesso em: 26 mar. 2009.
“Exercício do Serviço Social sem ser discriminado, nem discriminar, por questões 
de inserção de classe social, gênero, etnia, religião, nacionalidade, opção sexual, idade 
e condição física.” (BRASIL, 2009a).
Para entendermos esta questão da indiscriminação, faz-se necessário compreendermos 
o significado de preconceito.
Então, o que é preconceito?
Bem, o preconceito pode ser compreendido como uma atitude, um julgamento de 
valores, formação de juízo ou ideias preconcebidas, a partir do qual nós recriminamos ou 
rotulamos uma situação, lugares, pessoas, objetos e culturas, conforme nossos valores ético-
morais, ou seja, nós, seres humanos, geralmente quando nos deparamos com “o diferente”, o 
repulsamos e discriminamos, sem, muitas vezes, conhecer melhor a pessoa ou situação que 
estamos julgando.
Existem muitas formas de discriminação ou preconceito, mas podemos citar que hoje, na 
sociedade em que vivemos, as questões raciais, sociais, sexuais e religiosas são as principais 
formas de preconceito que enfrentamos.
Finalizando, podemos expor que o PRECONCEITO HUMANO leva os homens a agirem 
de forma violenta,acarretando discriminação e marginalização dos homens.
FIGURA 18 – INDISCRIMINAÇÃO
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Caro(a) acadêmico(a), para aprofundar os seus conteúdos com 
relação aos princípios e valores gerais dos cidadãos brasileiros, 
sugerimos a releitura dos artigos 1º, 3º e 5º da Constituição da 
República Federativa do Brasil, promulgada em 1988. Disponível 
em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/
Constituiçao.htm>.
LEITURA COMPLEMENTAR
ÉTICA PROFISSIONAL
Edite Jendreick Franke
[...]
No momento em que se diz que o Brasil está passando por uma crise ética, oportuno 
se faz falar sobre a Ética Profissional.
Necessário se faz lembrar que, quem não tem ética pessoal, não terá ética 
profissional.
A palavra Ética, do grego ethos, designa:
	os costumes;
	a condução da vida;
	as regras de comportamento.
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Como sugestão, leia o seguinte livro:
BONETTI, Dilséia Adeodata et al. Serviço social e 
ética: convite a uma nova práxis. 11ª Edição. São 
Paulo: Cortez, 2010.
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A Ética é o estudo da moralidade do agir humano; é o estudo da bondade ou da maldade 
dos atos humanos, a retidão dos atos humanos frente à ordem moral.
É justificada pela Moral enquanto esta estabelece regras que são assumidas pela 
pessoa, como uma forma de garantir o bem viver, um agir segundo o bem, remetendo estas 
regras ao agir humano, aos comportamentos cotidianos, às escolhas existenciais [...]
[...] a Ética se coloca como um questionamento sobre o agir, uma reflexão sobre o que 
é preciso fazer, uma procura pelo que é bom ou justo.
A Ética não estabelece regras, mas propõe uma reflexão sobre a ação humana, sobre 
sua retidão frente à ordem moral.
A Ética, espontaneamente, gera:
1. Questionamentos: a ética nos leva a refletir sobre as normas ou regras de comportamento, 
nos leva a analisar princípios, valores que fundamentam nossa obrigação na sociedade.
2. Sistematização da reflexão: encontrada em teorias ou escolas que tratam da moral e da 
ética, ou o conjunto de normas de grupos específicos, como é o caso dos códigos de ética 
profissional.
3. Prática concreta: ou a realização de valores que exige o processo de deliberação, a decisão, 
a atitude subjacente e a ação propriamente dita.
Toda herança da reflexão sobre a Ética e a Moral se apresenta subjacente à Ética 
Profissional.
Isto é, a Ética Profissional só se efetivará se houver a Ética Pessoal.
Importante identificarmos, refletirmos aqui: quem é o Sujeito Ético?
Sujeito Ético é todo ser humano que se depara com a necessidade de decidir, 
pois onde há [...] decisões a serem tomadas; reflexões a serem feitas; e liberdades a serem 
alcançadas [...] há a Ética.
A Ética não existe sem a responsabilidade.
Uma Ética de Responsabilidade é a do sujeito livre, autônomo, que reflete, dotado de 
prudência, coragem e convicção.
A responsabilidade dá cada vez mais lugar à interrogação e à discussão democrática.
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Assim, cada vez mais a Ética recorre à prudência, que é vigilância e previsão, e à 
solidariedade.
A Ética profissional pode ser definida como:
A reflexão sobre as exigências do profissional em sua relação:
	com o cliente/usuário;
	com o público;
	com seus colegas;
	com sua corporação;
	com os demais profissionais. (DURAND, p. 85).
Estas exigências remetem ao conjunto de direitos e de obrigações expressos no Código 
de Ética da profissão.
A reflexão sobre as ações realizadas no exercício de uma profissão, [...] no que 
consistem [...], [...] a quem se destinam [...], [...] para que se destinam [...], deve iniciar antes 
da prática profissional .
A fase da escolha profissional, ainda durante a adolescência, muitas vezes, já deve ser 
permeada por esta reflexão.
A escolha por uma profissão é optativa, mas ao escolhê-la, o conjunto de deveres 
profissionais passa a ser obrigatório.
Geralmente, quando se é jovem, escolhe-se a carreira sem conhecer o conjunto de 
deveres que está prestes a assumir ao se tornar parte daquela categoria que escolheu.
Toda a fase de formação profissional, [...] o aprendizado das competências e 
habilidades referentes à prática específica numa determinada área, [...] deve incluir a 
reflexão, desde antes do início dos estágios práticos.
Ao completar a formação em nível superior, a pessoa faz um juramento, que significa 
sua adesão e comprometimento com a categoria profissional em que formalmente ingressa.
Isto caracteriza o aspecto moral da chamada Ética Profissional. Seja, esta adesão, 
voluntária a um conjunto de regras estabelecidas como sendo as mais adequadas para o seu 
exercício.
No período de formação e mesmo depois no decorrer da prática, o profissional deve 
estar sempre se perguntando:
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1. Que deveres assumi? O que a entidade, a chefia, e o usuário esperam de mim? Estes deveres 
são compatíveis com a profissão? Ou é a chamada exigência generalista do mercado?
2. Estou assumindo uma função institucional ou a profissão mesma?
3. Como estou conduzindo os deveres assumidos? Como estou cumprindo minhas 
responsabilidades? Estou me conduzindo nos valores previstos pelo Código de Ética da 
Profissão?
4. O que devo fazer e como fazer? Planejo, organizo, sistematizo, avalio minhas ações? Que 
resultados produzo? Em benefício de quem?
5. E tão importante quanto os aspectos acima: Estou sendo bom profissional? Competente, 
coerente? Estou agindo adequadamente nas relações pessoais e profissionais? Isto inclui:
● respeitar e exigir respeito;
● atitudes de generosidade e cooperação, trabalho em equipe;
● uma postura pró-ativa (que é compromisso/ é contribuir para o engrandecimento do trabalho);
● estar preocupado, com as PESSOAS, que é ser coerente com os deveres profissionais.
Acredito na profissão de Assistente Social a qual defendi durante toda minha vida de 
prática profissional e como docente.
Sempre busquei apresentar o quanto é importante e bom ser Assistente Social, e 
como se faz necessário o esmerado preparo profissional e o compromisso com a realidade, 
alvo de nossa intervenção. O trabalho profissional não permite acomodação e o profissional 
comprometido não se acomoda.
Só se acomoda e se arrisca a virar fóssil aquele que não tem amor por si mesmo e 
pelo próximo.
O Serviço Social é uma profissão que tem sua legitimidade regulamentada em Lei e 
fundamentada em seu Código de Ética, e este defende a equidade e a justiça social.
O processo de renovação pelo qual o Serviço Social tem passado, no transcorrer de 
sua história, vem compromissado com esses valores e princípios que são defendidos por 
seus profissionais, na conquista de direitos sociais, na defesa dos direitos já alcançados e na 
ampliação destes. 
Apegados a estes valores, não poderemos deixar de ser Éticos.
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● Ser Assistente Social é fazer Serviço Social:
A identidade profissional é construída pelos grupos profissionais de que fazemos parte. 
Como o grupo existe? Passa a existir através das relações que estabelecem seus membros 
entre si e com o meio em que vivem, isto é, pela sua prática, seu agir, seu trabalhar, fazer, 
pensar, sentir [...].
O indivíduo (Assistente Social) vai sendo representadopreviamente na graduação e 
vai assimilando em um processo interno a representação desta identidade.
Esta identidade pressupõe o fazer, as práticas de serviço social que realiza, mas é a 
aceitação da identidade que força comportamentos, ações compatíveis com a profissão. É a 
aceitação que leva a assumir a postura ética exigida pela profissão.
Por isto, a identidade precisa ser continuamente re-posta, que significa “agir como”. 
Comparecer perante o outro como portador de um papel, mas como representante de si e de 
um grupo profissional.
● Ser Assistente Social ético exige:
Competência técnica, aprimoramento constante, respeito às pessoas, confidencialidade, 
privacidade, tolerância, flexibilidade, fidelidade, envolvimento, afetividade, correção de conduta, 
boas maneiras, relações genuínas com as pessoas, responsabilidade, corresponder à confiança 
que lhe é depositada [...] pois o comportamento ético de um profissional reflete em todos os 
demais da profissão.
Vale lembrar que comportamento eticamente adequado e sucesso continuado são 
indissociáveis!
Empregabilidade é sinônimo de bom profissional.
E só pode ser ético profissionalmente aquele que o é pessoalmente.
Lembro aqui a passagem de Lucas, que em seu Capítulo 16, traz a palavra de Jesus:
“Quem é fiel nas pequenas coisas também é fiel nas grandes, e quem é injusto nas 
pequenas, também é injusto nas grandes.” (BRASIL, 16:10).
Obrigada, e vamos em frente pela Ética agora e sempre!
FONTE: FRANKE, Edite Jendreick. Ética Palestra proferida na III Jornada de Estágio do Curso de 
Serviço Social da UEPG (PR), Ponta Grossa, 25 set. 2007. Disponível em: <http://www.uepg.
br/uepg_departamentos/deservi/pdf/TEXTOS%20PARA%20REFLEXAO%2002.pdf>. Acesso 
em: 26 mar. 2009.
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Com relação aos princípios fundamentais do Código de Ética dos Assistentes 
Sociais, abordamos, neste tópico, as seguintes questões:
● Vimos que o Código de Ética do Assistente Social possui onze princípios fundamentais que 
norteiam sua prática profissional. Estes princípios são: 
 Liberdade: 
● Observamos que todo homem pode fazer suas escolhas de forma livre e consciente. 
● A liberdade é constituída no relacionamento direto entre os homens em sociedade, por meio 
de suas atividades humanas. 
● O ser humano é um ser livre e tem o poder de escolha, feita de maneira consciente. 
● Por meio do trabalho, o ser humano se constitui um homem consciente e livre.
● A liberdade é um poder de escolhas.
● Vimos que os profissionais do serviço social tomam como uma de suas bases fundamentais, 
para a práxis profissional, a LIBERDADE.
● A liberdade é tida como um valor ético, que determina, como um todo, a atuação profissional 
do Assistente Social. 
 Direitos Humanos:
● Outro princípio fundamental do Código de Ética Profissional do Assistente Social é a defesa 
e conservação incondicional dos direitos humanos. 
● Direitos inscritos na Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU – Organização 
das Nações Unidas. 
● Os direitos humanos norteiam, diretamente, a base ética profissional do Assistente Social.
● Os Assistentes Sociais desenvolvem suas atividades com base na liberdade, igualdade, justiça 
e paz do mundo e na defesa dos direitos fundamentais dos seres humanos, procurando 
RESUMO DO TÓPICO 1
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sempre promover o progresso social e a ampliação da qualidade de vida de cada cidadão.
 Cidadania:
● A cidadania é um conjunto de direitos e deveres que denotam e fundamentam as condições 
do comportamento de cada indivíduo, em relação à sociedade em que está inserido. 
● A cidadania designa normas de conduta para o convivio social, em que determina nossas 
obrigações e direitos perrante os outros integrantes da nossa sociedade.
● Temos três dimensões da cidadania: civil, política e social.
● E é nesta perspectiva da garantia dos direitos e deveres de cada cidadão, que o Assistente 
Social desenvolve sua prática profissional.
 Democracia:
● A democracia nada mais é do que um sistema de governo, no qual o povo governa para sua 
própria sociedade. 
● Este sistema de governo democrático possui formatos diferentes nas diversas 
sociedades.
● Temos a democracia direta e indireta.
● Quando falamos em democracia, também falamos de distribuição democrática das riquezas 
socialmente produzidas, por meio do trabalho dos homens.
● O Assistente Social possui a premissa de defender incondicionalmente a democracia política, 
econômica e social da sociedade. 
 Equidade e Justiça Social:
● A equidade nada mais é do que fazer justiça com imparcialidade. 
● Todos os seres humanos possuem direitos e deveres iguais perante a sociedade em que 
vivem. 
● Estes direitos, por sua vez, denotam um conjunto de princípios morais, que acabam igualando 
todos os homens de uma mesma sociedade.
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● Equidade é a igualdade de direitos entre os iguais.
● A prática profissional do Assistente Social processa-se na garantia da equidade e da 
justiça social, em que procura assegurar a universalidade de direitos e o acesso aos bens 
produzidos por meio do trabalho de todos os indivíduos, sem distinção de cor, raça, etnia e 
classe social.
 Respeito à Diversidade:
● Outro princípio fundamental da práxis profissional do Assistente Social se processa na 
mediação direta com todos os indivíduos de uma determinada sociedade, com o intuito de 
eliminar toda e qualquer forma de preconceito e discriminação.
● A diversidade denota que todos os homens devem aceitar e compreender as diferenças 
humanas. 
● Nenhum homem na face da Terra é igual a outro homem.
● O respeito à diversidade humana não significa apenas tolerar o outro, mas respeitá-lo como 
ele realmente é.
● Devemos olhar o outro por meio dos olhos dele e não por meio dos nossos olhos.
 Pluralismo: 
● O pluralismo significa reconhecer a existência da diversidade humana. 
● A diversidade pode ser: cultural, religiosa, política, econômica, ambiental e social.
● Não existe uma realidade única e absoluta.
● O pluralismo denota que não existe somente uma concepção conceitual, ou seja, existem 
várias referências e doutrinas conceituais.
● A prática profissional do Assistente Social deve, constantemente, buscar e garantir o 
pluralismo conceitual, para seu constante aperfeiçoamento pessoal e intelectual.
 Projeto Profissional:
● O projeto profissional do Assistente Social possui um caráter sociopolítico, crítico e interventivo, 
no qual vem, historicamente, utilizando um instrumental técnico operativo multidisciplinar, 
para análise e intervenção junto às inúmeras expressões da questão social. 
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● O Assistente Social busca sempre prestar seus serviços em prol do desenvolvimento e da 
construção de uma sociedade mais justa, igualitária e sem discriminação e exploração das 
classes sociais e suas diversidades.
 Movimentos Sociais: 
● Um movimento social denota a organização de um grupo social que possui interesses comuns, 
que, de forma estruturada, busca desenvolver suas atividades conforme suas finalidades e 
objetivos. 
● Nesta perspectiva, os Assistentes Sociais também desenvolvem suas atividades laboratoriais, 
em prol da articulação e mediação constante entre a sociedade civil, os diversos movimentos 
sociais e o Estado. 
 Qualidadedos Serviços prestados:
● Todo trabalho, produto ou prestação de serviço deve ter, como premissa, a qualidade, ou seja, 
todo profissional deve exercer sua profissão com ética, responsabilidade e qualidade. 
 Indiscriminação: 
● O preconceito pode ser compreendido como uma atitude, julgamento de valores, formação de 
juízo ou ideias preconcebidas, a partir do qual nós recriminamos ou rotulamos uma situação, 
lugares, pessoas, objetos e culturas, conforme nossos valores ético-morais. 
● Quando nos deparamos com “o diferente”, o repulsamos e discriminamos, sem, muitas 
vezes, conhecer melhor a pessoa ou a situação que estamos julgando.
● Existem muitas formas de discriminação ou preconceito. Hoje, as questões raciais, sociais, 
sexuais e religiosas são as principais formas de preconceito que enfrentamos.
● O preconceito humano leva os homens a agirem de forma violenta, acarretando na 
discriminação e marginalização dos homens.
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Em grupo, reflitam sobre cada um dos onze Princípios Fundamentais do Código de Ética 
do Assistente Social. Em seguida, realizem as seguintes atividades.
1 Explique a frase: “A liberdade é um poder de escolhas”.
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2 Escolha dois dos direitos humanos expostos na Declaração Universal dos Direitos 
Humanos da ONU – Organização das Nações Unidas – e explique-os.
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3 Temos três dimensões da cidadania: a civil, a política e a social. Explique cada uma 
delas.
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4 O que você compreende por democracia?
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5 Equidade é a igualdade de direitos entre os iguais. Justifique esta indagação.
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6 A diversidade denota que todos os homens devem aceitar e compreender as diferenças 
humanas. Exemplifique esta indagação.
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7 Será que existe uma realidade única e absoluta? Justifique.
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8 Quando nos deparamos com “o diferente”, o repulsamos e discriminamos, sem, muitas 
vezes, conhecer melhor a pessoa ou a situação que estamos julgando. O que você 
faria nesta situação, ou seja, como você agiria diante de uma pessoa que você não 
conhece?
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DOS DIREITOS E DAS 
RESPONSABILIDADES GERAIS 
DO ASSISTENTE SOCIAL
1 INTRODUÇÃO
2 DOS DIREITOS GERAIS DO ASSISTENTE SOCIAL
TÓPICO 2
UNIDADE 3
Observamos que o Código de Ética do Assistente Social foi constituído na perspectiva 
de garantir os princípios fundamentais da profissão, além de dispor sobre os direitos e deveres 
do profissional, mas, também, prediz como se devem processar, eticamente, as relações diretas 
com os usuários. 
Neste tópico, abordar-se-á uma discussão referente aos direitos e deveres gerais do 
Assistente Social. Direitos e deveres assegurados pelo Código de Ética do Assistente Social 
- Resolução CFESS nº 273, de 13 de março de 1993 (BRASIL, 1997).
Art. 2º - Constituem direitos do Assistente Social:
a) garantia e defesa de suas atribuições e prerrogativas, estabelecidas na Lei de 
Regulamentação da Profissão e dos princípios firmados neste Código;
b) livre exercício das atividades inerentes à Profissão;
c) participação na elaboração e gerenciamento das políticas sociais, e na formulação e 
implementação de programas sociais;
d) inviolabilidade do local de trabalho e respectivos arquivos e documentação, garantindo o 
sigilo profissional;
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e) desagravo público por ofensa que atinja a sua honra profissional;
f) aprimoramento profissional de forma contínua, colocando-o a serviço dos princípios deste 
Código;
g) pronunciamento em matéria de sua especialidade, sobretudo quando se tratar de assuntos 
de interesse da população;
h) ampla autonomia no exercício da Profissão, não sendo obrigado a prestar serviços 
profissionais incompatíveis com as suas atribuições, cargos ou funções;
i) liberdade na realização de seus estudos e pesquisas, resguardados os direitos de 
participação de indivíduos ou grupos envolvidos em seus trabalhos. 
FONTE: Brasil (2011)
Como vocês observaram, o Artigo 2 do Código de Ética do Assistente Social compreende 
que os direitos gerais do Assistente Social prediz todas as atribuições e prerrogativas que 
compõe o regulamento da profissão (Lei n° 8.662, de 7 de junho de 1993), garantindo-os. 
O Assistente Social poderá exercer sua atividade profissional de forma ética e livre, 
participando constantemente do desenvolvimento, elaboração e gestão de políticas sociais.
Também é garantido o sigilo profissional e a dignidadedo Assistente Social, ou seja, 
não é permitido que haja violação tanto do local de trabalho quanto dos arquivos e documentos 
provenientes da prática profissional, além da segurança à honra profissional do Assistente 
Social.
Todo Assistente Social deve ter como premissa fundamental o constante aprimoramento 
técnico operativo. Buscando sempre novas formas de melhoramento de sua prática 
profissional.
Somos corresponsáveis pela divulgação direta dos assuntos correlacionados à nossa 
prática, ou seja, devemos fazer declarações públicas de matérias pertinentes ao interesse da 
sociedade.
Finalizando, podemos expor que todo Assistente Social possui plena autonomia e 
liberdade na execução de sua prática profissional, não sendo obrigado ou coagido a fazer 
algum serviço que não seja pertinente à sua capacidade técnico-operativa, cargo ou função.
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3 DOS DEVERES GERAIS DO ASSISTENTE SOCIAL
Art. 3º - São deveres do Assistente Social:
a) desempenhar suas atividades profissionais, com eficiência e responsabilidade, observando 
a legislação em vigor;
b) utilizar seu número de registro no Conselho Regional no exercício da profissão;
c) abster-se, no exercício da Profissão, de práticas que caracterizem a censura, o cerceamento 
da liberdade, o policiamento dos comportamentos, denunciando sua ocorrência aos órgãos 
competentes;
d) participar de programas de socorro à população em situação de calamidade pública, no 
atendimento e defesa de seus interesses e necessidades.
FONTE: Brasil (2011)
Como exposto no Artigo 3 do Código de Ética do Assistente Social, o Assistente Social 
deve realizar sua prática profissional com eficiência, eficácia e responsabilidade, mas sempre 
norteado pelas normas e princípios ético-morais.
Para atuação da prática profissional, todo Assistente Social deve se registrar no 
Conselho Regional do Serviço Social (CRESS) de sua região de atuação, para, assim, se 
legitimar enquanto profissional.
Todo Assistente Social deve se abster da prática profissional que seja contra os 
princípios fundamentais de sua conduta profissional, ou seja, afastar-se e denunciar, aos 
órgãos competentes, as ações que cerceiam os direitos de liberdade, democracia, cidadania, 
igualdade, direitos humanos, equidade e justiça social. 
Devemos sempre estar prontos e aptos a participar ativamente de programas e projetos 
de socorro emergencial à sociedade que esteja em situação de risco, calamidade pública, no 
intuito de atender e defender os interesses e as necessidades da comunidade.
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4 O QUE O ASSISTENTE SOCIAL NÃO PODE FAZER
Art. 4º - É vedado ao Assistente Social:
a) transgredir qualquer preceito deste Código, bem como da Lei de Regulamentação da 
Profissão;
b) praticar e ser conivente com condutas antiéticas, crimes ou contravenções penais na 
prestação de serviços profissionais, com base nos princípios deste Código, mesmo que 
estes sejam praticados por outros profissionais;
c) acatar determinação institucional que fira os princípios e diretrizes deste Código;
d) compactuar com o exercício ilegal da Profissão, inclusive nos casos de estagiários que 
exerçam atribuições específicas, em substituição aos profissionais;
e) permitir ou exercer a supervisão de aluno de Serviço Social em Instituições Públicas ou 
Privadas que não tenham em seu quadro Assistente Social que realize acompanhamento 
direto ao aluno estagiário;
f) assumir responsabilidade por atividade para as quais não esteja capacitado pessoal e 
tecnicamente;
g) substituir profissional que tenha sido exonerado por defender os princípios da ética 
profissional, enquanto perdurar o motivo da exoneração, demissão ou transferência;
h) pleitear para si ou para outrem emprego, cargo ou função que estejam sendo exercidos 
por colega;
i) adulterar resultados e fazer declarações falaciosas sobre situações ou estudos de que 
tome conhecimento;
j) assinar ou publicar em seu nome ou de outrem trabalhos de terceiros, mesmo que 
executados sob sua orientação.
FONTE: Brasil (2011)
Conforme o Artigo 4 do Código de Ética do Assistente Social, observou-se que o 
Assistente Social possui algumas atribuições que não podem ser exercidas, como: 
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	não levar a sério ou não respeitar o que prediz o Código de Ética da profissão e seu 
Regulamento;
	não ter posturas antiéticas no seu exercício profissional;
	não praticar crimes e contravenções penais, na realização da prática profissional;
	nunca aceitar ou praticar ações impostas, muitas vezes, pelas organizações, que infrinjam 
as diretrizes do Código de Ética;
	nunca condescender ou aceitar práticas profissionais que sejam ilegais, ou seja, contra os 
princípios legais da profissão;
	nunca devemos assumir responsabilidades de coisas e ações que não estejam norteadas 
por nossas capacidades técnicas operativas, ou seja, só devemos exercer as atividades das 
quais possuímos conhecimento técnico.
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– Para um aprofundamento destes temas, sugiro que você leia os 
seguintes livros:
SOUZA, Herbert. Ética e cidadania. 
São Paulo: Moderna, 2000.
GALLO, Silvio. Ética e cidadania: 
caminhos da filosofia. Papirus, 
2002.
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Observamos que o Código de Ética do Assistente Social prediz como se devem 
processar, eticamente, as relações diretas com usuários, principalmente no que se refere 
aos direitos e deveres gerais do Assistente Social. Portanto, neste tópico abordamos 
que:
	Os direitos gerais do Assistente Social predizem todas as atribuições e prerrogativas que 
compõe o regulamento da profissão, garantindo-os. 
	O Assistente Social poderá exercer sua atividade profissional de forma ética e livre. 
	É garantido o sigilo profissional e a dignidade do Assistente Social.
	Todo Assistente Social deve ter, como premissa fundamental, o constante aprimoramento 
técnico operativo. 
	Devemos fazer declarações públicas de matérias pertinentes ao interesse da sociedade.
	Todo Assistente Social possui plena autonomia e liberdade na execução de sua prática 
profissional, não sendo obrigado ou coagido a fazer algum serviço que não seja pertinente 
à sua capacidade técnico-operativa, cargo ou função.
	O Assistente Social deve realizar sua prática profissional com eficiência, eficácia e 
responsabilidade. 
	Todo Assistente Social deve se registrar no Conselho Regional do Serviço Social 
(CRESS).
	Todo Assistente Social deve se abster da prática profissional que seja contra os princípios 
fundamentais de sua conduta profissional.
	Devemos sempre estar prontos e aptos a participar ativamente de programas e projetos de 
socorro emergencial à sociedade que esteja em situação de risco e calamidade pública.
	O Assistente Social possui algumas atribuições que não podem ser exercidas, como: 
	não levar a sério ou não respeitar o que prediz o Código de Ética da profissão e seu 
Regulamento;
RESUMO DO TÓPICO 2
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	não ter posturas antiéticas no seu exercício profissional;
	não praticar crimes e contravenções penais, na realização da prática profissional;
	nunca aceitar ou praticar ações que infrinjam as diretrizes do Código de Ética;
	nunca aceitar práticas profissionaisilegais;
 
	só devemos exercer as atividades que possuímos conhecimento técnico.
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Escreva o que você compreendeu a respeito dos direitos e deveres gerais dos 
Assistentes Sociais.
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O CÓDIGO DE ÉTICA DO 
ASSISTENTE SOCIAL 
BRASILEIRO
1 INTRODUÇÃO
TÓPICO 3
UNIDADE 3
Neste tópico, somente apresentaremos, na íntegra, o Código de Ética do Assistente 
Social.
Mas, primeiramente, apresentamos uma síntese histórica do seu surgimento e 
adaptações.
O Código de Ética profissional dos assistentes sociais brasileiros já passou por diversas 
edições e atualizações. Agora, prezados acadêmicos, lhes apresentarei uma síntese de casa 
fase.
Primeira edição: Em setembro de 1947 foi aprovado em São Paulo pela Assembleia 
Geral da Associação Brasileira de Assistentes Sociais (ABAS), o primeiro Código de Ética 
Profissional dos Assistentes Sociais no Brasil – que foi um marco histórico para a 
categoria profissional do Serviço Social. Apresentava somente:
•	 os deveres fundamentais do assistente social;
•	 os deveres para com o beneficiário do serviço social;
•	 os deveres para com os colegas;
•	 os deveres para com a organização onde trabalha.
Segunda edição: aprovada em 8 de maio de 1965 pelo Conselho Federal de Assistentes 
Sociais (CFAS), em que baseado nos direitos fundamentais do homem e as exigências do bem 
comum da sociedade brasileira institui um novo código de ética, que apresentava:
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•	a profissão;
•	os deveres fundamentais do assistente social;
•	o segredo profissional;
•	os deveres para com as pessoas, grupos e comunidades atingidos pelo serviço social;
•	os deveres para com os serviços empregadores;
•	os deveres para com os colegas;
•	as associações de classe;
•	o trabalho em equipe;
•	a responsabilidade e da preservação da dignidade profissional;
•	a aplicação e observância do código.
Terceira edição: aprovado em 30 de janeiro de 1975, pelo Conselho Federal de 
Assistentes Sociais (CFAS), em que nos traz toda uma introdução ao Código de Ética Profissional 
do Assistente Social. Esta apresenta os princípios e valores fundamentais para a atuação 
profissional que são: autodeterminação, participação, subsidiariedade, bem comum e justiça 
social. Em que apresentou:
•	 os direitos e deveres do assistente social – em que se trabalharam os direitos com relação ao 
exercício e status profissional e os deveres no que tange as questões do exercício profissional, 
nas relações com os clientes, colegas, entidades de classe, instituições, comunidade, justiça, 
à publicação de trabalhos científicos, além de apontarem o que o assistente social não poderia 
fazer.
•	 o segredo profissional;
•	 as medidas disciplinares.
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Segundo Paiva et. al (APUD BONETTI ET AL, 2010, p. 159-160), 
“desde a primeira formulação do nosso Código de ética Profissional, 
em 1947, até a reelaboração de 1975, permaneceram vigentes 
as mesmas concepções filosóficas assentadas no neotomismo, a 
partir das quais consagrávamos valores abstratos e metafísicos 
como “BEM COMUM” e “PESSOA HUMANA”. E somente com a 
reformulação de 1986 essas concepções foram superadas, 
com a explicitação de PRINCÍPIOS ÉTICOS HISTOTICAMENTE 
SITUADOS: foram negados conceitos abstratos e indicada a 
urgência de objetivar os sujeitos históricos para apreender suas 
necessidades concretas.”
Quarta edição: aprovado em 9 de maio de 1986, pelo Conselho Federal de Assistentes 
Sociais (CFAS), que também nos traz uma breve introdução e nos apresenta:
•	 os direitos e das responsabilidades gerais do assistente social;
•	 o sigilo profissional;
•	 as relações profissionais (com: usuários, instituições, entre profissionais do serviço social, 
entidades da categoria e demais organizações da classe trabalhadora, justiça; 
•	 a observância, aplicação e cumprimento do código de ética.
Quinta edição: foi feita uma revisão do código de ética em 1991 no Seminário Nacional 
de ética.
Sexta edição: Também o código de ética foi revisto em 1992, pelos encontros estaduais, 
além da 7ª CBAS, XII ENESS, XX Encontro nacional CFESS/CRESS.
Sétima edição: Resolução CFESS N.º 273/93, de 13 março 1993, que Institui o Código 
de Ética Profissional dos Assistentes Sociais e dá outras providências, promulgado pelo 
Conselho Federal de Serviço Social (CFESS). Que primeiramente apresenta os princípios 
fundamentais da profissão e depois:
•	 os direitos e das responsabilidades gerais do assistente social;
•	 as relações profissionais, com o usuário, instituições empregadoras e outras, assistentes sociais 
e outros profissionais, entidades da categoria e demais organizações da sociedade civil;
•	 o sigilo profissional.
Oitava edição: em 1996 o Código de Ética foi revisitado e ampliado. Buscou-se 
enriquecê-lo, incluindo as características da Resolução do CFESS nº 333/96, que incidiu sobre 
o Art. 25 do Código de Ética, de acordo com a deliberação do XXV Encontro Nacional CFESS/
CRESS (Setembro de 1996 - Fortaleza/CE).
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Nesta nova edição tivemos o intuito também de apresentar uma 
nova programação visual deste instrumento normativo, que 
possa propiciar uma percepção mais completa e imediata dos 
valiosos conteúdos que emanam dos artigos, alíneas e incisos 
aqui reunidos.
Assim sendo, a concepção da capa não é, em absoluto, aleatória. A 
figura lendária de Arthur Bispo do Rosário significa a homenagem 
do CFESS a cada usuário das políticas e serviços sociais, em 
nome do respeito, qualidade e responsabilidade nos termos dos 
princípios firmados por este Código que nossa ética profissional 
pretende assegurar. A imagem de Bispo procura ainda reconhecer 
e enaltecer os esforços dos vários segmentos sociais, políticos 
e profissionais que se mobilizam pelo compromisso ético com a 
liberdade, equidade e democracia.
Fonte: Conselho Federal de Serviço Social – CFESS Gestão 
1996/99.
Nona edição: em 2011, o Código de ética sofreu nova modificação, pois:
A 9ª edição do Código de Ética do/a Assistente Social [vem] Incorporando as alterações 
discutidas e aprovadas no 39º Encontro Nacional do Conjunto CFESS/CRESS, realizado em 
setembro de 2010 em Florianópolis (SC), a nova edição do documento foi publicada pelo 
CFESS nesta sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011.
[...] As alterações no Código de Ética se adéquam às correções formais e de conteúdo, 
conforme consignadas na Resolução CFESS 594, de 21 de janeiro de 2011, publicada no 
Diário Oficial da União (DOU) em 24 de janeiro deste ano.
"As correções formais dizem respeito à incorporação das novas regras ortográficas 
da língua portuguesa, assim como à numeração sequencial dos princípios fundamentais do 
Código e, ainda, ao reconhecimento da linguagem de gênero, adotando-se em todo o texto 
a forma masculina e feminina simultaneamente", [...]
Além disso, houve mudanças de nomenclatura, com a substituição do termo "opção 
sexual" por "orientação sexual", incluindo ainda no princípio XI a "identidade de gênero", 
quando se refere ao exercício do serviço social sem ser discriminado/a nem discriminar por 
essa condição. Ainda, a 9ª edição do Código, conforme consta da Apresentação à Edição 
de 2011 do instrumentonormativo, traz alterações que "reafirmam princípios e valores do 
Projeto Ético-Político e incorporam avanços nas discussões acerca dos direitos da população 
LGBT pela livre orientação e expressão sexual".
 (Código de Ética do/a Assistente Social. 9ª Edição Revista e Atualizada, 2011).
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2 O CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DOS/DAS ASSISTENTES SOCIAIS
Prezados(as) acadêmicos(as)! Segue na íntegra a 9ª EDIÇÃO REVISTA E ATUALIZADA 
do Código de Ética profissional do/da assistente social, publicada em janeiro de 2011. Que 
foi Aprovado em 13 de março de 1993, mas segue com as alterações introduzidas pelas 
Resoluções CFESS nº290/94, 293/94, 333/96 e 594/11. Além do mais, o texto vem com 
adequação de LINGUAGEM DE GÊNERO, conforme deliberação do 39º Encontro Nacional 
CFESS/CRESS.
CÓDIGO DE ÉTICA DO ASSISTENTE SOCIAL 
RESOLUÇÃO CFESS Nº 273, DE 13 DE MARÇO DE 1993
Princípios Fundamentais
I.	Reconhecimento da liberdade como valor ético central e das demandas políticas a ela 
inerentes – autonomia, emancipação e plena expansão dos indivíduos sociais; 
II. Defesa intransigente dos direitos humanos e recusa do arbítrio e do autoritarismo; 
III. Ampliação e consolidação da cidadania, considerada tarefa primordial de toda a sociedade, 
com vistas à garantia dos direitos civis sociais e políticos das classes trabalhadoras; 
IV. Defesa do aprofundamento da democracia, enquanto socialização da participação política 
e da riqueza socialmente produzida; 
V. Posicionamento em favor da equidade e justiça social, que assegure universalidade de 
acesso aos bens e serviços relativos aos programas e políticas sociais, bem como sua 
gestão democrática; 
VI. Empenho na eliminação de todas as formas de preconceito, incentivando o respeito 
à diversidade, à participação de grupos socialmente discriminados e à discussão das 
diferenças; 
VII. Garantia do pluralismo, através do respeito às correntes profissionais democráticas 
existentes e suas expressões teóricas, e compromisso com o constante aprimoramento 
intelectual; 
VIII. Opção por um projeto profissional vinculado ao processo de construção de uma nova 
ordem societária, sem dominação-exploração de classe, etnia e gênero; 
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IX. Articulação com os movimentos de outras categorias profissionais que partilhem dos 
princípios deste Código e com a luta geral dos trabalhadores; 
X. Compromisso com a qualidade dos serviços prestados à população e com aprimoramento 
intelectual, na perspectiva da competência profissional; 
XI. Exercício do Serviço Social sem ser discriminado, nem discriminar, por questões de 
inserção de classe social, gênero, etnia, religião, nacionalidade, opção sexual, idade e 
condição física. 
TÍTULO I – DISPOSIÇÕES GERAIS
Artigo 1º - Compete ao Conselho Federal de Serviço Social: 
a) zelar pela observância dos princípios e diretrizes deste Código, fiscalizando as ações dos 
Conselhos Regionais e a prática exercida pelos profissionais, instituições e organizações 
na área do Serviço Social; 
b) introduzir alteração neste Código, através de uma ampla participação da categoria, num 
processo desenvolvido em ação conjunta com os Conselhos Regionais; 
c) como Tribunal Superior de Ética Profissional, firmar jurisprudência na observância deste 
Código e nos casos omissos. 
Parágrafo único – Compete aos Conselhos Regionais, nas áreas de suas respectivas 
jurisdições, zelar pela observância dos princípios e diretrizes deste Código, e funcionar como 
órgão julgador de primeira instância. 
TÍTULO II – DOS DIREITOS E DAS RESPONSABILIDADES GERAIS DO 
ASSISTENTE SOCIAL
Artigo 2º - Constituem direitos do Assistente Social 
a) garantia e defesa de suas atribuições e prerrogativas, estabelecidas na Lei de 
Regulamentação da Profissão, e dos princípios firmados neste Código; 
b) livre exercício das atividades inerentes à Profissão; 
c) participação na elaboração e gerenciamento das políticas sociais, e na formulação e 
implementação de programas sociais; 
d) inviolabilidade do local de trabalho e respectivos arquivos e documentação, garantindo o 
sigilo profissional; 
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e) desagravo público por ofensa que atinja a sua honra profissional; 
f) aprimoramento profissional de forma contínua, colocando-o a serviço dos princípios deste 
Código; 
g) pronunciamento em matéria de sua especialidade, sobretudo quando se tratar de assuntos 
de interesse da população; 
h) ampla autonomia no exercício da profissão, não sendo obrigado a prestar serviços 
profissionais incompatíveis com as suas atribuições, cargos ou funções; 
i) liberdade na realização de seus estudos e pesquisas, resguardados os direitos de 
participação de indivíduos ou grupos envolvidos em seus trabalhos. 
Artigo 3º - São deveres do Assistente Social: 
a) desempenhar suas atividades profissionais, com eficiência e responsabilidade, observando 
a legislação em vigor; 
b) utilizar seu número de registro no Conselho Regional no exercício da Profissão; 
c) abster-se, no exercício da Profissão, de práticas que caracterizem a censura, o cerceamento 
da liberdade, o policiamento dos comportamentos, denunciando sua ocorrência aos órgãos 
competentes; 
d) participar de programas de socorro à população em situação de calamidade pública, no 
atendimento e defesa de seus interesses e necessidades. 
Artigo 4º - É vedado ao Assistente Social: 
a) transgredir qualquer preceito deste Código, bem como da Lei de Regulamentação da 
Profissão; 
b) praticar e ser conivente com condutas antiéticas, crimes ou contravenções penais na 
prestação de serviços profissionais, com base nos princípios deste Código, mesmo que 
estes sejam praticados por outros profissionais; 
c) acatar determinação institucional que fira os princípios e diretrizes deste Código; 
d) compactuar com o exercício ilegal da Profissão, inclusive nos casos de estagiários que 
exerçam atribuições específicas, em substituição aos profissionais; 
e) permitir ou exercer a supervisão de aluno de Serviço Social em Instituições Públicas ou 
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Privadas, que não tenham em seu quadro Assistente Social que realize acompanhamento 
direto ao aluno estagiário; 
f) assumir responsabilidade por atividade para as quais não esteja capacitado pessoal e 
tecnicamente; 
g) substituir profissional que tenha sido exonerado por defender os princípios da ética 
profissional, enquanto pendurar o motivo da exoneração, demissão ou transferência; 
h) pleitear para si ou para outrem emprego, cargo ou função que estejam sendo exercidos 
por colega; 
i) adulterar resultados ou fazer declarações falaciosas sobre situações ou estudos de que 
tome conhecimento; 
j) assinar ou publicar em seu nome ou de outrem trabalhos de terceiros, mesmo que 
executados sob sua orientação.
TÍTULO III – DAS RELAÇÕES PROFISSIONAIS
CAPÍTULO I – Das relações com os Usuários
Artigo 5º - São deveres do Assistente Social nas suas relações com os usuários: 
a) contribuir para a viabilização da participação efetiva da população usuária nas decisões 
institucionais; 
b) garantir a plena informação e discussão sobre as possibilidades e consequências das 
situações apresentadas, respeitando democraticamente as decisões dos usuários, mesmo 
que sejam contrárias aos valores e às crenças individuais dos profissionaisresguardados 
os princípios deste Código; 
c) democratizar as informações e o acesso aos programas disponíveis no espaço institucional, 
como um dos mecanismos indispensáveis à participação dos usuários; 
d) devolver as informações colhidas nos estudos e pesquisas aos usuários, no sentido de 
que estes possam usá-las para o fortalecimento dos seus interesses; 
e) informar à população usuária sobre a utilização de materiais de registro audiovisual e 
pesquisas a elas referentes e a forma de sistematização dos dados obtidos; 
f) fornecer à população usuária, quando solicitado, informações concernentes ao trabalho 
desenvolvido pelo Serviço Social e as suas conclusões, resguardado o sigilo profissional; 
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g) contribuir para a criação de mecanismos que venham desburocratizar a relação com os 
usuários, no sentido de agilizar e melhorar os serviços prestados; 
h) esclarecer aos usuários, ao iniciar o trabalho, sobre os objetivos e a amplitude de sua 
atuação profissional; 
Artigo 6º - É vedado ao Assistente Social: 
a) exercer sua autoridade de maneira a limitar ou cercear o direito do usuário de participar 
e decidir livremente sobre seus interesses; 
b) aproveitar-se de situações decorrente da relação Assistente Social-usuário, para obter 
vantagens pessoais ou para terceiros; 
c) bloquear o acesso dos usuários aos serviços oferecidos pelas instituições, através de atitudes 
que venham coagir e/ou desrespeitar aqueles que buscam o atendimento de seus direitos. 
CAPÍTULO II – Das Relações com as Instituições Empregadoras e Outras
Artigo 7º - Constituem direitos do Assistente Social: 
a) dispor de condições de trabalho condignas, sejam em entidade pública ou privada, de 
forma a garantir a qualidade do exercício profissional; 
b) Ter livre acesso à população usuária; 
c) Ter acesso a informações institucionais que se relacionem aos programas e políticas 
sociais, e sejam necessárias ao pleno exercício das atribuições profissionais; 
d) integrar comissões interdisciplinares de ética nos locais de trabalho do profissional, tanto 
no que se refere à avaliação da conduta profissional, como em relação às decisões quanto 
às políticas institucionais. 
Artigo 8º - São deveres do Assistente Social: 
a) programar, administrar, executar e repassar os serviços sociais assegurados 
institucionalmente; 
b) denunciar falhas nos regulamentos, normas e programas da instituição em que trabalha, 
quando os mesmos estiverem ferindo os princípios e diretrizes desse Código, mobilizando, 
inclusive, o Conselho Regional, caso se faça necessário; 
c) contribuir para a alteração da correlação de forças institucionais, apoiando as legítimas 
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demandas de interesse da população usuária; 
d) empenhar-se na viabilização dos direitos sociais dos usuários, através dos programas e 
políticas sociais; 
e) empregar com transparência as verbas sob a sua responsabilidade, de acordo com os 
interesses e necessidades coletivas dos usuários. 
Artigo 9º - É vedado ao Assistente Social: 
a) emprestar seu nome e registro profissional a firmas, organizações ou empresas para 
simulação do exercício efetivo do Serviço Social; 
b) usar ou permitir o tráfico de influência para obtenção de emprego, desrespeitando concurso 
ou processos seletivos; 
c) utilizar recursos institucionais (pessoal e/ou financeiro) para fins partidários, eleitorais e 
clientelistas. 
CAPÍTULO III – Das Relações com Assistentes Sociais e Outros Profissionais
Artigo 10 - São deveres do Assistente Social: 
a) ser solidário com outros profissionais, sem, todavia, eximir-se de denunciar atos que 
contrariem os postulados éticos contidos neste Código; 
b) repassar ao seu substituto as informações necessárias à continuidade do trabalho; 
c) mobilizar sua autoridade funcional, ao ocupar uma chefia, para a liberação de carga 
horária de subordinado, para fim de estudos e pesquisas que visem ao aprimoramento 
profissional, bem como de representação ou delegação de entidade de organização da 
categoria e outras, dando igual oportunidade a todos; 
d) incentivar, sempre que possível, a prática profissional interdisciplinar; 
e) respeitar as normas e princípios éticos das outras profissões; 
f) ao realizar crítica pública a colega e outros profissionais, fazê-lo sempre de maneira 
objetiva, construtiva e comprovável, assumindo sua inteira responsabilidade. 
Artigo 11 - É vedado ao Assistente Social: 
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a) intervir na prestação de serviços que estejam sendo efetuados por outro profissional, salvo 
a pedido desse profissional; em caso de urgência, seguido da imediata comunicação ao 
profissional; ou quando se tratar de trabalho multiprofissional e a intervenção fizer parte 
da metodologia adotada; 
b) prevalecer-se de cargo de chefia para atos discriminatórios e de abuso de autoridade; 
c) ser conveniente com falhas éticas de acordo com os princípios deste Código e com erros 
técnicos praticados por Assistente Social e qualquer outro profissional; 
d) prejudicar deliberadamente o trabalho e a reputação de outro profissional; 
CAPÍTULO IV – Das Relações com Entidades da Categoria e demais Organizações 
da Sociedade Civil
Artigo 12 - Constituem direitos do Assistente Social: 
a) participar em sociedades científicas e em entidades representativas e de organização da 
categoria que tenham por finalidade, respectivamente, a produção de conhecimento, a 
defesa e a fiscalização do exercício profissional; 
b) apoiar e/ou participar dos movimentos sociais e organizações populares vinculados à luta 
pela consolidação e ampliação da democracia e dos direitos de cidadania. 
Artigo 13 - São deveres do Assistente Social: 
a) denunciar ao Conselho Regional as instituições públicas ou privadas, onde as condições 
de trabalho não sejam dignas ou possam prejudicar os usuários ou profissionais; 
b) denunciar, no exercício da profissão, às entidades de organização da categoria, às 
autoridades e aos órgãos competentes, casos de violação da Lei e dos Direitos Humanos, 
quanto a: corrupção, maus-tratos, torturas, ausência de condições mínimas de sobrevivência, 
discriminação, preconceito, abuso de autoridade individual e institucional, qualquer forma 
de agressão ou falta de respeito à integridade física, social e mental do cidadão; 
c) respeitar a autonomia dos movimentos populares e das organizações das classes 
trabalhadoras. 
Artigo 14 - É vedado ao Assistente Social valer-se de posição ocupada na direção de 
entidade da categoria para obter vantagens pessoais, diretamente ou através de terceiros. 
CAPÍTULO V – Do Sigilo Profissional
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Artigo 15 - Constitui direito do Assistente Social manter o sigilo profissional. 
Artigo 16 - O sigilo protegerá o usuário em tudo aquilo de que o Assistente Social 
tome conhecimento, como decorrência do exercício da atividade profissional. 
Parágrafo único - Em trabalho multidisciplinar só poderão ser prestadas informações 
dentro dos limites do estritamente necessário. 
Artigo 17 - É vedado ao Assistente Social revelar sigilo profissional. 
Artigo 18 - A quebra do sigilo só é admissível, quando se tratarem de situações cuja 
gravidade possa, envolvendo ou não fato delituoso, trazer prejuízo aos interesses do usuário, 
de terceiros e da coletividade. 
Parágrafoúnico – A revelação será feita estritamente o necessário, quer em relação ao 
assunto revelado, quer ao grau e número de pessoas que dele devam tomar conhecimento. 
CAPÍTULO VI – Das Relações do Assistente Social com a Justiça
Artigo 19 - São deveres do Assistente Social: 
a) apresentar à justiça, quando convocado na qualidade de perito ou testemunha, as 
conclusões do seu laudo ou depoimento, sem extrapolar o âmbito da competência 
profissional e violar os princípios éticos contidos neste Código. 
b) comparecer perante a autoridade competente, quando intimado a prestar depoimento, 
para declarar que está obrigado a guardar sigilo profissional nos termos deste Código e 
da Legislação em vigor. 
Artigo 20 - É vedado ao Assistente Social: 
a) depor como testemunha sobre situação sigilosa do usuário de que tenha conhecimento 
no exercício profissional, mesmo quando autorizado; 
b) aceitar nomeação como perito e/ou atuar em perícia, quando a situação não se caracterizar 
como área de sua competência ou de sua atribuição profissional, ou quando infringir os 
dispositivos legais relacionados a impedimentos ou suspeição. 
TÍTULO IV – DA OBSERVâNCIA, PENALIDADES, APLICAÇÃO E CUMPRIMENTO 
DESTE CÓDIGO
Artigo 21 - São deveres do Assistente Social: 
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a) cumprir e fazer cumprir este Código; 
b) denunciar ao Conselho Regional de Serviço Social, através de comunicação fundamentada, 
qualquer forma de exercício irregular da Profissão, infrações a princípios e diretrizes deste 
Código e da legislação profissional; 
c) informar, esclarecer e orientar os estudantes, na docência ou supervisão, quanto aos 
princípios e normas contidas neste Código. 
Artigo 22 - Constituem infrações disciplinares: 
a) exercer a Profissão quando impedido de fazê-lo ou facilitar, por qualquer meio, o seu 
exercício aos não inscritos ou impedidos; 
b) não cumprir, no prazo estabelecido, determinação emanada do órgão ou autoridade dos 
Conselhos, em matéria destes, depois de regularmente notificado; 
c) deixar de pagar, regularmente, as anuidades e contribuições devidas ao Conselho Regional 
de Serviço Social a que esteja obrigado;
 
d) participar de instituição que, tendo por objeto o Serviço Social, não esteja inscrita no 
Conselho Regional; 
e) fazer ou apresentar, declaração, documento falso ou adulterado, perante o Conselho 
Regional ou Federal. 
Das Penalidades
Artigo 23 - As infrações a este Código acarretarão penalidades, desde a multa a 
cassação do exercício profissional, na forma dos dispositivos legais e/ou regimentais. 
Artigo 24 - As penalidades aplicáveis são as seguintes: 
a) multa; 
b) advertência reservada; 
c) advertência pública; 
d) suspensão do exercício profissional; 
e) cassação do registro profissional. 
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Parágrafo único - Serão eliminados dos quadros dos CRESS, aqueles que fizerem 
falsa prova dos requisitos exigidos nos Conselhos. 
Artigo 25 - A pena de suspensão acarreta ao Assistente Social a interdição do exercício 
profissional em todo o território nacional, pelo prazo de 30 (trinta) dias a 2 (dois) anos. 
Parágrafo único - A suspensão por falta de pagamento de anuidades e taxas só 
cessará com a satisfação do débito, podendo ser cancelada a inscrição profissional, após 
decorridos três anos da suspensão. 
Artigo 26 - Serão considerados na aplicação das penas os antecedentes profissionais 
do infrator e as circunstâncias em que ocorreu a infração. 
Artigo 27 - Salvo nos casos de gravidade manifesta, que exigem aplicação de 
penalidades mais rigorosas, a imposição das penas obedecerá à gradação estabelecida 
pelo artigo 24. 
Artigo 28 - Para efeito da fixação da pena, serão consideradas especialmente graves 
as violações que digam respeito às seguintes disposições: 
	Artigo 3º – alínea c 
	Artigo 4º – alíneas a, b, c, g, i, j 
	Artigo 5º – alíneas b, f 
	Artigo 6º – alíneas a, b, c 
	Artigo 8º – alíneas b, e 
	Artigo 9º – alíneas a, b, c 
	Artigo 11 – alíneas b, c, d 
	Artigo 13 – alínea b 
	Artigo 14 
	Artigo 16 
	Artigo 17 
	Parágrafo único do artigo 18 
	Artigo 19 – alínea b 
	Artigo 20 – alíneas a, b 
Parágrafo único - As demais violações não previstas no caput, uma vez consideradas 
graves, autorizarão aplicação de penalidades mais severas, em conformidade com o artigo 26. 
Artigo 29 - Advertência reservada, ressalvada a hipótese no artigo 32, será 
confidencial, sendo que a advertência pública, a suspensão e a cassação do exercício 
profissional serão efetivadas através de publicação em Diário Oficial e em outro órgão da 
imprensa, e afixado na sede do Conselho Regional onde estiver inserido o denunciado e na 
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Delegacia Seccional do CRESS da jurisdição de seu domicílio. 
Artigo 30 - Cumpre ao Conselho Regional a execução das decisões proferidas nos 
processos disciplinares. 
Artigo 31 - Da imposição de qualquer penalidade caberá recurso com efeito 
suspensivo ao CFESS . 
Artigo 32 - A punibilidade do Assistente Social, por falta sujeita ao processo 
ético e disciplinar, prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data da verificação do fato 
respectivo. 
Artigo 33º - Na execução da pena de advertência reservada, não sendo encontrado 
o penalizado ou se este, após duas convocações, não comparecer no prazo fixado para 
receber a penalidade, será ela tornada pública. 
§ 1º - A pena de multa, ainda que o penalizado compareça para tomar conhecimento 
da decisão, será publicada nos termos do artigo 29, deste Código, se não for devidamente 
quitada no prazo de 30 (trinta) dias, sem prejuízo da cobrança judicial. 
§ 2º - Em caso de cassação do exercício profissional, além dos editais e das 
comunicações feitas às autoridades competentes interessadas no assunto, proceder-se-á 
a apreensão da Carteira e Cédula de Identidade Profissional do infrator. 
Artigo 34 - A pena de multa variará entre o mínimo correspondente ao valor de uma 
anuidade e o máximo do seu décuplo. 
Artigo 35 - As dúvidas na observância deste código e os casos omissos serão 
resolvidos pelos Conselhos Regionais do Serviço Social ad referendum do Conselho Federal 
de Serviço Social, a quem cabe firmar jurisprudência. 
Artigo 36 - O presente Código entrará em vigor na data de sua publicação no Diário 
Oficial da União, revogando-se as disposições em contrário. 
Brasília, 13 de março de 1993.
MARLISE VINAGRE SILVA
Presidente do CFESS
FONTE: Publicada no DOU, Seção 1, de 8.6.1993, p. 7.613-7.614. Disponível em: <http: // www.
cfess.org.br >. Acesso em: 26 mar. 2009.
Publicada no DOU, Seção 1, n. 60, de 30.3.1993, p. 4.004-4.007 e alterada pela Resolução CFESS, 
n. 290, publicada no DOU, Seção 1, de 11.2.1994. Disponível em: <http:// www.cfess.org.br >. Acesso 
em: 26 mar. 2009.
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DIC
AS!
Para um aprofundamento destes temas, sugiro 
que você leia os seguintes livros:
Código de Ética do/a Assistente Social. 9ª 
Edição Revista e Atualizada, 2011. - Aprovado 
em 13 de março de 1993 - Com as alterações 
introduzidas pelas Resoluções CFESS nº 290/94, 
293/94, 333/96 e 594/11 - podendo ser baixado 
do site: <http://www.cfess.org.br/arquivos/
CEP2011_ CFESS.pdf>.
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O Código de Ética Profissionaldo Assistente Social está dividido nos seguintes 
capítulos:
	Introdução.
	Princípios Fundamentais.
	Título I - Disposições Gerais.
	Título II - Dos Direitos e das Responsabilidades Gerais do Assistente Social.
	Título III - Das Relações Profissionais.
	Capítulo I - Das Relações com os Usuários.
	Capítulo II - Das Relações com as Instituições Empregadoras e Outras.
	Capítulo III - Das Relações com Assistentes Sociais e Outros Profissionais.
	Capítulo IV - Das Relações com Entidades da Categoria e Demais Organizações da Sociedade 
Civil.
	Capítulo V - Do Sigilo Profissional.
	Capítulo VI - Da Observância, Penalidades, Aplicação e Cumprimento.
	Título IV - Da Observância, Penalidades, Aplicação e Cumprimento.
RESUMO DO TÓPICO 3
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Escreva um resumo do presente Código de Ética Profissional do Assistente 
Social, apresentando somente os principais tópicos.
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OS CONSELHOS DE 
FISCALIZAÇÃO DO SERVIÇO 
SOCIAL
1 INTRODUÇÃO
2 CFESS – CONSELHO FEDERAL DO SERVIÇO SOCIAL
TÓPICO 4
UNIDADE 3
Neste tópico, apresentaremos os diversos Conselhos de fiscalização do Serviço 
Social.
O Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) pode ser compreendido como um 
órgão regulador da profissão, no qual fiscaliza a práxis profissional dos Assistentes Sociais em 
todo o território nacional, devidamente regulamentado pela Lei nº 8662/93. 
O Conselho Federal do Serviço Social (CFESS) vem desenvolvendo suas atividades 
em prol da regulamentação e garantia dos direitos e deveres da profissão do Serviço Social.
A estrutura de atuação do Conselho Federal do Serviço Social é a seguinte: 
O Brasil tem hoje aproximadamente 80.000 profissionais que atuam, predominantemente, 
na formulação, planejamento e execução de políticas públicas como educação, saúde, 
previdência, assistência social, habitação, transporte, entre outras, movidos/as pela 
perspectiva de defesa e ampliação dos direitos da população brasileira. [...]
[...] o Conjunto CFESS/CRESS reafirma e fortalece, em sua programática, o debate 
e ações estratégicas em torno da valorização da ética, da socialização da riqueza e da 
defesa dos direitos, na perspectiva de reconhecer, analisar e se contrapor às formas de 
mercantilização de todas as dimensões da vida social. 
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Nosso compromisso com o projeto ético-político profissional, expresso nos valores e 
princípios estabelecidos no Código de Ética dos/as Assistentes Sociais, nos mobiliza para a 
luta em defesa de uma cultura política com direção emancipatória e respeito à diversidade, 
além de nos sensibilizar, em nosso cotidiano profissional, para conhecer as reais condições 
de vida da população e buscar formas de intervir contra todos os processos de degradação 
da vida humana.
FONTE: Brasil (2009b, p. 1) 
As frentes de atuação do Conselho Federal do Serviço Social (CFESS) são:
	Comissão de Orientação e Fiscalização Profissional – COFI:
Enfatiza e normatiza ações de orientação e fiscalização do exercício profis-
sional, na perspectiva de valorizar, defender, garantir e ampliar os espaços de 
atuação profissional, e propiciar condições adequadas de trabalho e qualidade 
de atendimento e defesa dos direitos da população. Acompanha e formula 
estratégia para desenvolvimento e implementação da Política Nacional de Fis-
calização do Conjunto CFESS/CRESS, atuando como instância de orientação 
e apoio aos CRESS e Seccionais, de modo a unificar procedimentos relativos 
à fiscalização profissional. Para tanto, observa as deliberações aprovadas no 
Encontro Nacional CFESS/CRESS. (BRASIL, 2009b, p. 1).
	Comissão de Formação Profissional:
Atua na perspectiva de fortalecer a articulação entre a formação e o exercício 
profissional, estimulando a criação de mecanismos para qualificação profis-
sional como requisito para valorização da profissão. Defende o projeto de 
formação profissional, referenciado nas diretrizes curriculares aprovadas pela 
ABEPSS e estabelece articulação com ABEPSS e ENESSO para defesa da 
formação profissional com qualidade. (BRASIL, 2009b, p. 1).
	Comissão de Ética e Direitos Humanos :
Pauta-se na análise crítica e estratégica dos direitos humanos como mediação 
para a defesa de uma cultura política com direção emancipatória e respeito 
à diversidade, com a perspectiva de conhecer as reais condições de vida da 
população e buscar formas de intervir na defesa de direitos e contra todos os 
processos de degradação da vida humana. Atua como instância recursal nos 
julgamentos éticos e na capacitação de agentes multiplicadores, por meio do 
curso Ética em Movimento, oferecido anualmente aos representantes de todos 
os CRESS e Seccionais. Atua também na divulgação do código de ética e na 
defesa dos princípios contidos no projeto ético-político profissional, articulando-
-se com movimentos em defesa dos direitos humanos. (BRASIL, 2009b, p. 1).
	Comissão de Seguridade Social:
Defende a intervenção qualificada e crítica dos assistentes como trabalhadores 
que atuam em todas as políticas sociais e em diversos campos sócio-ocupa-
cionais, formulando respostas às múltiplas expressões da questão social que 
constituem objeto de trabalho profissional. Reafirma a postura contundente 
de defesa dos direitos e de políticas sociais públicas universais, com ênfase 
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na concepção de um amplo padrão de seguridade social, universal, redistri-
butivo e de responsabilidade estatal e fortalecimento das políticas de trabalho 
e emprego, habitação e educação, na perspectiva de estabelecimento de um 
padrão universal de direitos e políticas públicas. Por meio da representação 
de conselheiros/as em Fóruns, Conselhos de Direitos e de Políticas defende 
a socialização da política e participação democrática dos assistentes sociais 
nos espaços de controle social democrático. (BRASIL, 2009b, p. 1).
	Comissão de Relações Internacionais:
Objetiva fortalecer o Serviço Social para além das fronteiras nacionais, e dar 
visibilidade ao projeto Ético-Político e à direção social da profissão. Articula o 
Serviço Social na América Latina e Caribe e se dedica a debater e formular 
parâmetros éticos comuns no âmbito dos países do Mercosul, por meio da 
participação no Comitê Mercosul de Trabalhadores Sociais. Veicula os prin-
cípios e valores do Projeto Ético-Político Profissional no mundo por meio de 
participação na direção da Federação Internacional de Trabalhadores Sociais 
(FITS). (BRASIL, 2009b, p. 1).
	Comissão de Comunicação:
Busca criar mecanismos para engajar o CFESS na luta pela democratização 
da comunicação no Brasil, em diálogo com outros movimentos sociais, en-
tidades e demais instâncias de trabalhadores/as organizados/as, buscando 
assegurar o direito humano à comunicação como um direito da categoria e 
da sociedade. Elabora e coordena estratégias comunicativas que viabilizem e 
ampliem o acesso à informação qualificada sobre as causas, pautas e lutas da 
categoria, tais como campanhas e veiculação de notícias em rádios, jornais, 
informativos, cartilhas, entre outros. Viabiliza edição de livros, divulgação de 
eventos e assessoria de imprensa. Tem a responsabilidade de colocar a voz 
dos assistentes sociais nos diversos espaços públicos democráticos disponí-
veis (rádio, televisão, jornais, revistas e entre outros). (BRASIL, 2009b, p. 1).
	Comissão Administrativo-financeira:Acompanha as receitas devidas aos Conselhos pelas pessoas físicas e jurí-
dicas, propondo a adoção de medidas administrativas, legais e estratégias 
políticas para que mantenham a sua capacidade de arrecadação. Por meio 
de um trabalho articulado com o Conselho Fiscal, o controle fiscal interno 
vem conduzindo uma política de qualificação gerencial e aprimoramento dos 
mecanismos de gestão e controle democráticos, com resultados significativos 
expressos no equilíbrio fiscal do CFESS. Essa ação tem como referência 
fundamental os princípios de transparência, gestão democrática, competência 
técnica, compromisso político, responsabilidade, postura ética, direção social da 
política e participação de todos os conselheiros nas discussões e viabilização 
das ações. (BRASIL, 2009b, p. 1).
3 CRESS – CONSELHO REGIONAL DE 
SERVIÇO SOCIAL
O Conselho Regional de Serviço Social (CRESS) pode ser compreendido como um 
órgão que regula a profissão do Assistente Social, mas no âmbito Estadual, ou seja, regional. 
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Maiores informações, vocês podem acessar os seguintes sites do CRESS de sua região 
de atuação. Observe o seguinte quadro:
UNI
Os 25 Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS) e as duas 
Seccionais de Base Estadual (Acre e Amapá) são responsáveis 
pelo desenvolvimento das políticas elaboradas e aprovadas pelo 
Conjunto CFESS/CRESS, de forma a estreitar, cada vez mais, a 
interação com a categoria. 
PA
CRESS 1ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do 
Estado do Pará: <http://www.cress-pa.org.br>
MA
CRESS 2ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do 
Estado do Maranhão: <http://www.cressma.org.br>
CE
CRESS 3ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do 
Estado do Ceará: <http://www.cress-ce.org.br>
PE
CRESS 4ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do 
Estado do Pernambuco: <http://www.cresspe.org.br>
BA
CRESS 5ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do 
Estado da Bahia: <http://www.cress-ba.org.br>
MG
CRESS 6ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do 
Estado de Minas Gerais: <http://www.cress-mg.org.br>
QUADRO 6 – SITES DOS CRESS
Sendo que o mesmo está diretamente vinculado ao CFESS – Conselho Federal do Serviço 
Social.
O CRESS possui como norte ou princípio fundamental: disciplinar, orientar, fiscalizar e 
defender a prática profissional do Assistente Social.
No Brasil, o Conselho Regional do Serviço Social foi dividido em 25 regiões e cada 
região possui sua regulamentação e suas diretrizes básicas.
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RJ
CRESS 7ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do 
Estado do Rio de Janeiro: <http://www.cressrj.org.br>
DF
CRESS 8ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do Estado 
de Brasília – Distrito Federal: <http://www.cressdf.org.br>
SP
CRESS 9ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do 
Estado de São Paulo: <http://www.cress-sp.org.br>
RS
CRESS 10ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do 
Estado do Rio Grande do Sul: <http://www.cressrs.org.br>
PR
CRESS 11ª Região: Conselho Regional de Serviço Social 
do Estado do Paraná: <http://www.cresspr.org.br>
SC
CRESS 12ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do 
Estado de Santa Catarina: <http://www.cress-sc.org.br>
PB
CRESS 13ª Região: Conselho Regional de Serviço Social 
do Estado de Paraíba: <www.cress-pb.org.br>
RN
CRESS 14ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do 
Estado de Rio Grande do Norte: <www.cressrn.org.br>
AM
CRESS 15ª Região: Conselho Regional de Serviço Social 
do Estado do Amazonas: <www.cress-am.org.br>
AL
CRESS 16ª Região: Conselho Regional de Serviço Social 
do Estado de Alagoas: <www.cress16.hpg.com.br>
ES
CRESS 17ª Região: Conselho Regional de Serviço Social 
do Estado do Espírito Santo: <www.cress-es.org.br>
SE
CRESS 18ª Região: Conselho Regional de Serviço Social 
do Estado de Sergipe: <www.cress-se.org.br>
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ENTIDADES DE SERVIÇO SOCIAL:
	Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS): <http://www.
abepss.org.br>.
	Executiva Nacional dos Estudantes de Serviço Social (ENESSO): <http://www.enesso.net>.
 Fórum Nacional de Assistência Social (FNAS): <fnas.forum@gmail.com>.
4 OUTRAS ENTIDADES CORRELACIONADAS 
AO SERVIÇO SOCIAL
GO
CRESS 19ª Região: Conselho Regional de Serviço Social 
do Estado de Goiás: <http://www.cressgo.org.br>
MT
CRESS 20ª Região: Conselho Regional de Serviço Social 
do Estado do Mato Grosso: <www.cressmt.org.br>
MS
CRESS 21ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do 
Estado do Mato Grosso do Sul: <www.cress-ms.org.br/>
PI
CRESS 22ª Região: Conselho Regional de Serviço Social 
do Estado do Piauí: <www.cresspi.org.br/>
RO
CRESS 23ª Região: Conselho Regional de Serviço Social 
do Estado de Rondônia: <www.cress-ro.org.br>
CRESS 24ª Região AP
CRESS 24ª Região: Conselho Regional de Serviço Social 
do Estado de Amapá: <www.cressap.org.br>
AP
CRESS 25ª Região: Conselho Regional de Serviço Social 
do Estado do Tocantins: <www.cressto.org.br>
FONTE: Adaptado do site: <http://www.cfess.org.br/cfess_diretorias.php>. Acesso em: 17 fev. 2012. 
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LEITURA COMPLEMENTAR
HISTÓRICO DO CFESS E CRESS
ANTECEDENTES: A ORIGEM SOB CONTROLE ESTATAL
A criação e funcionamento dos Conselhos de fiscalização das profissões no Brasil 
têm origem nos anos 1950, quando o Estado regulamenta profissões e ofícios considerados 
liberais. Nesse patamar legal, os Conselhos têm caráter basicamente corporativo, com função 
controladora e burocrática. São entidades sem autonomia, criadas para exercerem o controle 
político do Estado sobre os profissionais, num contexto de forte regulação estatal sobre o 
exercício do trabalho.
O Serviço Social foi uma das primeiras profissões da área social a ter aprovada sua 
lei de regulamentação profissional, a Lei nº 3252 de 27 de agosto de 1957, posteriormente 
regulamentada pelo Decreto nº 994 de 15 de maio de 19621. Foi esse decreto que determinou, 
em seu artigo 6º, que a disciplina e fiscalização do exercício profissional caberiam ao Conselho 
Federal de Assistentes Sociais (CFAS) e aos Conselhos Regionais de Assistentes Sociais 
(CRAS).
Esse instrumento legal marca, assim, a criação do então CFAS e dos CRAS, hoje 
denominados CFESS e CRESS2. Para efeito da constituição e da jurisdição dos CRESS, o 
território nacional foi dividido inicialmente em 10 Regiões, agregando em cada uma delas mais 
de um estado e/ ou território (exceto São Paulo), que progressivamente se desmembraram e 
chegaram em 2008 a 25 CRESS e 2 Seccionais de base estadual.
Os Conselhos profissionais nos seus primórdios se constituíram como entidades 
autoritárias, que não primavam pela aproximação com os profissionais da categoria respectiva, 
nem tampouco se constituíam num espaço coletivo de interlocução. A fiscalização se restringia 
à exigência da inscrição do profissional e pagamento do tributo devido. Tais características 
também marcaram a origem dos Conselhos no âmbito do Serviço Social.
O Processo de renovação do CFESS e de seus instrumentos normativos: O Código 
de Ética, a Lei de Regulamentação Profissional e a Política Nacional de Fiscalização. 
A concepção conservadora que caracterizou a entidade nas primeiras décadas de sua existência 
era também o reflexo da perspectiva vigente na profissão, que se orientava por pressupostos 
acríticose despolitizados face às relações econômico-sociais. A concepção conservadora da 
profissão também estava presente nos Códigos de Ética de 1965 e 1975: “Os pressupostos 
neotomistas e positivistas fundamentam os Códigos de Ética Profissional, no Brasil, de 1948 
a 1975” (Barroco, 2001, p. 95)3.
O Serviço Social, contudo, já vivia o movimento de reconceituação e um novo 
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posicionamento da categoria e das entidades do Serviço Social é assumido a partir do III CBAS 
(Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais), realizado em São Paulo em 1979, conhecido no 
meio profissional como o Congresso da Virada, “pelo seu caráter contestador e de expressão 
do desejo de transformação da práxis político-profissional do Serviço Social na sociedade 
brasileira” (CFESS, 1996). Embora o tema central do Congresso ressaltasse uma temática da 
grande relevância – Serviço Social e Política Social – o seu conteúdo e forma não expressavam 
nenhum posicionamento crítico quanto aos desafios da conjuntura do país. 4
Sintonizada com as lutas pela redemocratização da sociedade, parcela da categoria 
profissional, vinculada ao movimento sindical e às forças mais progressistas, se organiza 
e disputa a direção dos Conselhos Federal e Regionais, com a perspectiva de adensar e 
fortalecer esse novo projeto profissional. Desde então, as gestões que assumiram o Conselho 
Federal de Serviço Social imprimiram nova direção política às entidades, por meio de ações 
comprometidas com a democratização das relações entre o Conselho Federal e os Regionais, 
bem como articulação política com os movimentos sociais e com as demais entidades da 
categoria, e destas com os profissionais.
A partir de 1983, na esteira desse novo posicionamento da categoria profissional, teve 
início um amplo processo de debates conduzido pelo CFESS visando à alteração do Código 
de Ética vigente desde 1975. Desse processo, resultou a aprovação do Código de Ética 
Profissional de 1986, que superou a “perspectiva a-histórica e acrítica onde os valores são tidos 
como universais e acima dos interesses de classe” (CFESS, 1986). Essa formulação nega a 
base filosófica tradicional conservadora, que norteava a “ética da neutralidade” e reconhece 
um novo papel profissional competente teórica, técnica e politicamente.
Em que pese esse significativo avanço, já em 1991, o Conjunto CFESS/CRESS 
apontava para a necessidade de revisão desse instrumento para dotá-lo de “maior eficácia na 
operacionalização dos princípios defendidos pela profissão hoje” (CFESS, 1996). Essa revisão 
considerou e incorporou os pressupostos históricos, teóricos e políticos da formulação de 1986, 
e avançou na reformulação do Código de Ética Profissional, concluída em 1993. Mais uma 
vez, sob coordenação do CFESS, o debate foi aberto com os CRESS e demais entidades da 
categoria em vários eventos ocorridos entre 1991/1993: Seminários Nacionais de Ética, ENESS, 
VII CBAS e Encontros Nacionais CFESS/CRESS.
A necessidade de revisão da Lei de Regulamentação vigente desde 1957 já se fazia 
notar, ainda que de forma incipiente, desde 1966, quando da realização do I Encontro Nacional 
CFESS/CRESS, que colocara em pauta a discussão acerca da normatização do exercício 
profissional, constatando-se, na ocasião, a fragilidade da legislação em vigor em relação às 
atribuições profissionais.
Porém, somente em 1971 se discute o primeiro anteprojeto de uma nova lei no IV Encontro 
Nacional CFESS/CRESS e apenas em 1986 o deputado Airton Soares encaminha o PL 7669, 
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arquivado sem aprovação, devido à instalação da Assembleia Nacional Constituinte. O tema 
volta ao debata nos Encontros Nacionais, onde se elabora a versão final do PL, apresentado 
desta vez, pelas deputadas Benedita da Silva e Maria de Lourdes Abadia. O processo legislativo 
foi longo em face da apresentação de um substitutivo o que retardou a aprovação final. O 
Conjunto CFESS/ CRESS, no entanto, não se deixou abater tendo acompanhado e discutido 
o substitutivo nos seus fóruns até a aprovação da Lei nº 8.662 em 7 de junho de 1993.
A nova legislação assegurou à fiscalização profissional possibilidades mais concretas 
de intervenção, pois define com maior precisão as competências e atribuições privativas do 
Assistente Social. Inova também ao reconhecer formalmente os Encontros Nacionais CFESS/
CRESS como o fórum máximo de deliberação da profissão.
Além desses importantes instrumentos normativos, há que se ressaltar a existência de 
outros que dão suporte às ações do Conjunto para a efetivação da fiscalização do exercício 
profissional. Portanto, podemos afirmar que todos os instrumentos normativos se articulam e 
mantêm coerência entre si: a Lei de Regulamentação, o Código de Ética, o Estatuto do Conjunto, 
os Regimentos Internos, o Código Processual de Ética, o Código Eleitoral, dentre outros, além 
das resoluções do CFESS que disciplinam variados aspectos. Dentre as resoluções destacam-
se: a) Resolução nº 489/2006 que veda condutas discriminatórias ou preconceituosas, por 
orientação e expressão sexual por pessoas do mesmo sexo, reafirmando importante princípio 
ético contido na formulação de 1993; b) Resolução nº 493/2006 que dispõe sobre as condições 
éticas e técnicas do exercício profissional, que possibilita aos profissionais e aos serviços 
de fiscalização a exigência do cumprimento das condições institucionais que possibilite o 
desempenho da profissão junto aos usuários de forma ética e tecnicamente qualificada. 
Esse conjunto de instrumentos legais constitui a base estruturante da fiscalização do 
exercício profissional. Daí a importância de sua atualização para sustentar a Política Nacional 
de Fiscalização conectada com o novo projeto profissional, sintonizado com os anseios 
democráticos dos profissionais e seus usuários. A partir dessa ótica, o Conjunto redimensiona 
a concepção de fiscalização, compreendendo a sua centralidade como eixo articulador das 
dimensões política, formativa e normativa. A fiscalização passa a ter o caráter de instrumento 
de luta capaz de politizar, organizar e mobilizar a categoria na defesa do seu espaço de atuação 
profissional e defesa dos direitos sociais.
As primeiras experiências de fiscalização, embora com diferenciações entre os diversos 
CRESS, remontam a meados dos anos 1980. Inicialmente, os CRESS se preocuparam com 
sua organização administrativo-financeira, entendida como suporte fundamental às ações da 
fiscalização; avançaram para a identificação das demandas da categoria, conhecimento da 
realidade institucional, discutindo-se condições de trabalho, autonomia, defesa de espaço 
profissional, atribuições e capacitação, assim como a necessária articulação política do Conjunto 
com outros sujeitos coletivos. Nesse momento, metade dos CRESS então existentes, criou 
suas Comissões de Fiscalização, inicialmente formadas por conselheiros, sendo posteriormente 
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ampliadas com a contratação de agentes fiscais. Mas, dificuldades se evidenciavam nos limites 
dos instrumentos legais (as primeiras ações de fiscalização tiveram lugar sob a vigência da Lei 
nº 3.252/57) e também financeiros.
Como forma de superação desses limites, o Conjunto apostava na construção coletiva, 
fazendo emergir novos espaços para discussão e aprimoramento das experiências entre os 
CRESS, a exemplo dos Encontros Nacionais de Fiscalização, que se sucederam a partir do 
primeirodeles realizado em Aracaju (1988). Encontros Regionais também se organizaram 
visando a preparação para o Encontro Nacional. No 1º. Encontro Regional do Nordeste, em 
Fortaleza (1991) já se destacava a necessidade da construção de uma Política Nacional de 
Fiscalização (PNF). Com base nessa experiência, houve, a partir da gestão 1996-1999, a 
instituição dos Encontros Regionais Descentralizados, que ampliando sua pauta, incluíram a 
discussão de outras temáticas para além da fiscalização: ética, seguridade social, administrativo-
financeira, comunicação, formação e relações internacionais.
A Comissão Nacional de Fiscalização e Ética do CFESS (COFISET) assume então 
a responsabilidade de elaborar as diretrizes e estratégias para uma Política Nacional de 
Fiscalização do Exercício Profissional do Assistente Social, incorporando as principais demandas 
e discussões dos Encontros Regionais, que foram aprovadas no 25º. CFESS/CRESS, em 
Fortaleza, em 1996. Nos Encontros Nacionais dos anos seguintes (1997/1998) a discussão 
da PNF foi aprofundada, bem como outras normativas do Conjunto que se relacionavam 
com a fiscalização do exercício profissional. Esse processo culminou com a aprovação da 
Resolução CFESS 382 de 21/02/1999, que dispôs sobre as normas gerais para o exercício 
profissional e instituiu a Política Nacional de Fiscalização, sistematizada a partir dos seguintes 
eixos: potencialização da ação fiscalizadora para valorizar e publicizar a profissão; capacitação 
técnica e política dos agentes fiscais e COFIs para o exercício da fiscalização; articulação com 
as unidades de ensino e representações locais da ABEPSS e ENESSO; inserção do Conjunto 
CFESS / CRESS nas lutas referentes às políticas públicas. Tais eixos se articulam em torno 
de três dimensões, a saber: afirmativa de princípios e compromissos conquistados; político-
pedagógica; normativa-disciplinadora.5
A partir de então, a PNF vem sendo um instrumento fundamental para impulsionar 
e organizar estratégias políticas e jurídicas conjuntas e unificadas para a efetivação da 
fiscalização profissional em todo o território nacional, levando-se em consideração, no entanto, 
as particularidades e necessidades regionais.
Os espaços de discussões do Conjunto relativos à Política de Fiscalização têm sido 
ampliados, a exemplo dos Seminários Nacionais de Capacitação das COFIs que acontecem a 
cada 2 anos (realizados a partir de 2002), além da continuidade dos Seminários Regionais de 
Fiscalização que ocorrem juntamente com os Encontros Descentralizados, preparatórios para 
o Encontro Nacional. Outro espaço previsto é a Plenária Ampliada, para aprofundamento de 
alguma temática, e ainda o Projeto Ética em Movimento, espaço privilegiado para a ampliação 
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do debate e reflexão ética. 
A atualização da PNF ocorrida em 2007 visou incorporar os aperfeiçoamentos necessários 
decorridos 10 anos da sua aprovação. O processo envolveu as Comissões de Fiscalização 
e culminou com a aprovação da Resolução CFESS 512 de 29/09/2007 que reformulou as 
normas gerais para o exercício da fiscalização profissional e atualizou a Política Nacional de 
Fiscalização, após intensas e profícuas discussões nos espaços deliberativos do Conjunto. Essa 
revisão manteve os pressupostos anteriormente definidos, conservando os eixos e dimensões 
estruturantes e avançou, por exemplo, na elaboração de um Plano Nacional de Fiscalização 
que se apresenta como um instrumento político e de gestão. 
 NOTAS
1Esta data ficou instituída como o Dia do Assistente Social e passou a ser comemorada 
anualmente pela categoria profissional com a organização de eventos pelas suas entidades 
representativas.
2 Com a aprovação da lei nº 8.662/93, que revogou a nº 3.252/57, as designações 
passaram a ser Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e Conselhos Regionais de Serviço 
Social (CRESS). No decorrer do texto utilizaremos as novas designações. 
3O primeiro Código de Ética Profissional do Assistente Social foi elaborado pela ABAS 
– Associação Brasileira de Assistentes Sociais, em 1948. A partir da criação do CFAS, em 
1962, um novo Código é aprovado em 1965, passando a ter um caráter legal, assim como as 
reformulações posteriores em 1975, 1986 e 1993. 
4Resgate desse processo pode ser encontrado em ABRAMIDES, M. B. C. & CABRAL, 
M. S.R. O novo sindicalismo e o serviço social. São Paulo, Cortez, 1995 e CFESS. “Serviço 
Social a caminho do século XXI: o protagonismo ético-político do Conjunto CFESS-CRESS”. 
In: Serviço Social e Sociedade (50). São Paulo, Cortez, 1996,
5Para maior aprofundamento desse processo, consultar Relatório de Deliberações do 
26º. Encontro Nacional CFESS/CRESS (1997) e seus anexos. 
REFERÊNCIAS
 
BARROCO, M. L. S. Ética e Serviço Social: fundamentos ontológicos. São Paulo, Cortez, 
2001.
BRASIL. Lei nº 8.662/93 de 7 de junho de 1993. Dispõe sobre a profissão de Assistente 
Social e dá outras providências.
CFESS. Código de Ética Profissional do Assistente Social. 1986.
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_______ Código de Ética Profissional do Assistente Social. 1993.
_______ “Serviço Social a caminho do século XXI: o protagonismo ético-político do Conjunto 
CFESS-CRESS”. In: Serviço Social e Sociedade (50). São Paulo, Cortez, 1996.
_______ Relatório de Deliberações do 26º. Encontro Nacional CFESS/ CRESS. 1997.
_______ Resolução nº 382/99 de 21/02/1999. Dispõe sobre normas gerais para o exercício 
da Fiscalização Profissional e institui a Política Nacional de Fiscalização.
_______ Resolução nº 512/07 de 29/09/2007. Reformula as normas gerais para o exercício 
da fiscalização profissional e atualiza a Política Nacional de Fiscalização.
_______ Instrumentos para a fiscalização do exercício profissional do Assistente 
Social. Brasília, 2007.
FONTE: BRASIL. Conselho Federal do Serviço Social – CFESS. Brasília: CFESS, 2009b. Disponível 
em: <http://www.cfess.org.br>. Acesso em: 16 mar. 2009.
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Neste tópico apresentamos os diversos Conselhos de fiscalização do Serviço 
Social.
	O Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) é um órgão regulador da profissão, 
que fiscaliza a práxis profissional dos Assistentes Sociais em todo o território nacional, 
devidamente regulamentado pela Lei nº 8.662/93. 
	O Conselho Federal do Serviço Social (CFESS) vem desenvolvendo suas atividades em 
prol da regulamentação e garantia dos direitos e deveres da profissão do Serviço Social.
	O Conselho Regional de Serviço Social (CRESS) é um órgão que regula a profissão do 
Assistente Social, mas no âmbito Estadual, ou seja, regional. 
	O CRESS está diretamente vinculado ao CFESS – Conselho Federal do Serviço Social.
	O CRESS possui como norte ou princípio fundamental: disciplinar, orientar, fiscalizar e 
defender a prática profissional do Assistente Social.
	No Brasil, o Conselho Regional do Serviço Social foi dividido em 24 regiões, no qual cada 
região possui sua regulamentação e diretrizes básicas.
RESUMO DO TÓPICO 4
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Acesse os sites do CFESS e do CRESS de sua região e pesquise mais sobre 
a profissão do Assistente Social.
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Prezado(a) acadêmico(a), agora que chegamos aofinal da 
Unidade 3, você deverá fazer a Avaliação.
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REFERÊNCIAS
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