Prévia do material em texto
ITA – Português 1992
�
Antes de responder às questões de número l a 7, leia com atenção o texto abaixo:
Vandalismo
1 Meu coração tem catedrais imensas,
Templos de priscas e longínquas datas,
Onde um nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças.
2 Na ogiva fúlgida e nas colunatas
Vertem lustrais irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.
3 Como os velhos Templários medievais
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos claros e risonhos...
E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
No desespero dos iconoclastas
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!
(EU. 30. ed. Rio de Janeiro, Livr. São José, 1963, p. 145.)
01. Identifique as classes das palavras retiradas do texto, relacionando a primeira coluna à segunda:
( ) de amor ( 1 ) Adjetivo
( ) Na ogiva ( 2 ) Substantivo
( ) lustrais ( 3 ) Locução adjetiva
( ) Cintilações ( 4 ) Locução adverbial
( ) um dia ( 5 ) Locução prepositiva
( ) hastas ( 6 ) Locução pronominal
( ) iconoclastas ( 7 ) Locução substantiva
A seqüência correta é:
4 - 4 - 2 - 2 - 6 - l - l
3 - 4 - l - 2 - 4 - 2 - 2
7 - 7 - l - l - 5 - 2 - l
5 - 5 - 2 - 2 - 6 - l - l
3 - 7 - l - l - 7 - 2 - 2
RESOLUÇÃO
de amor: locução adjetiva que modifica o substantivo nume.
na ogiva e um dia são locuções adverbiais: a primeira liga-se a vertem, indicando lugar; a Segunda liga-se a entrei, indicando tempo.
lustrais: adjetivo que modifica o substantivo irradiações.
hastas e iconoclastas: substantivos - designam seres.
02. Quanto à predicação , os verbos “canta, entrei, quebrei” classificam-se, no texto, respectivamente como:
trans.direto - intransitivo - trans. direto
trans.dir. e ind. - trans. direto - trans. dir. e indireto
intransitivo - trans. direto - trans . direto
intransitivo - trans. direto - trans. dir. e indireto
trans. direto - intransitivo - trans. dir. e indireto.
RESOLUÇÃO
canta: tem como objeto direto a aleluia.
entrei: não apresenta nem objeto direto, nem indireto.
quebrei: tem como objeto direto a imagem.
03. Assinale a opção em que todos os termos desempenham a mesma função sintática:
onde, nas colunatas, um dia, das crenças
meu coração, um nume, templos, os gládios
de amor, de lâmpadas, dos iconoclastas, dos meus próprios sonhos
catedrais, aleluia, ametistas, desespero
em serenatas, virginal, na orgia, irradiações, os gládios.
RESOLUÇÃO
Todas as locuções citadas exercem a função sintática de adjunto adnominal.
04. Com relação às duas estrofes iniciais, pode-se afirmar que nelas permanece respectivamente a idéia de:
saudosismo e brilho
plasticidade e musicalidade
otimismo e suntuosidade
antiguidade e claridade
exaltação e riqueza.
RESOLUÇÃO
Estrofe I: A sugestão de saudosismo decorre, basicamente, de três vocábulos: "priscas", "longínquas" e "serenatas". Todos eles possuem uma carga semântica relacionada com o passado. O adjetivo "virginal" reforça a idéia de restauração de tempos primitivos.
Estrofe II: A sugestão de brilho decorre, basicamente, dos seguintes vocábulos: "fúlgida", "lustrais", "irradiações", "cintilações" e "lâmpadas".
05. Qual das figuras abaixo não ocorre no poema ?
Sinestesia
Metáfora
Anacoluto
Aliteração
Polissíndeto
RESOLUÇÃO
Anacoluto - quebra na seqüência lógica do discurso, de que resulta um termo que se esvazia sintaticamente. Não ocorre nenhum no texto.
Sinestesia - fusão de sentidos na expressão verbal. Todo o texto se baseia na forte impressão visual e auditiva, sobretudo no sintagma "tempos claros e risonhos", em que a impressão visual se cruza com a audição.
Metáfora - comparação implícida. Na primeira estrofe, o poeta afirma que o seu coração tem catedrais. Na verdade, ele sugere que o seu coração tem sentimentos que se assemelham a catedrais, porque são dominados pela crença e ingenuidade.
Aliteração - repetição sistemática da mesma consoante. A consoante mais intensamente recorrente é o r, como em "vertem lustrais e irradiações intensas."
Polissíndeto - repetição intensiva de uma conjunção, como ocorre em "E as ametistas e os florões e as pratas."
06. Dadas as afirmações:
Já na estrofe inicial, as imagens visuais e auditivas antecipam-nos, de forma plástica e viva, a desilusão e desencanto final do ‘eu’ poemático.
Opera-se no primeiro terceto, além de retomada das idéias básicas dos quartetos, uma mudança de ordem temporal a partir da qual se inicia o processo de dissolução e destruição do ‘eu’ poemático.
Ao longo do poema, ocorre um processo gradativo de rebeldia devassadora, cujo início, prosseguimento e clímax correspondem respectivamente às formas verbais de presente, gerúndio e pretérito.
Inferimos, de acordo com o texto, que:
Todas estão corretas
Todas estão incorretas
Apenas a I está correta
Apenas a II está correta
Apenas a III está correta
RESOLUÇÃO
Afirmação I - incorreta, porque a primeira estrofe fala da crença virginal que domina o coração do poeta. Não fala de seu futuro ceticismo ou desilusão.
Afirmação II - CORRETA, porque, de fato, o primeiro terceto retoma as idéias básicas dos quartetos (através da palavra Templários) e introduz uma mudança temporal importante: o presente passa para o pretérito perfeito (entrei).
Afirmação III - incorreta, porque o início, prosseguimento e clímax da rebeldia correspondem respectivamente às formas verbais de presente, pretérito e gerúndio.
07. Qual das expressões abaixo melhor se relaciona com o título do poema ?
“Templos de priscas...”
“... ogiva fúlgida...”
“... velhos Templários medievais”
“... as hastas”
“... iconoclastas”
RESOLUÇÃO
O substantivo iconoclasta designava, na Baixa Idade Média os quebradores de imagens dos tempos católicos. Por extensão, passou a designar o destruidor de mitos e convenções.
08. Assinale a opção em que todas as palavras estejam corretamente grafadas:
homilia, tepidez, revezar, reveses, paisinho
pôr, pêlo, véns, provejai, averigüem
sequer, assimetria, descensão, suscinto, avidês
caístes, amá-la-íeis, bendisseram, prazeiroso, coalizão
requesitar, rivalizar, fascínora, emurchecer, extravazar
RESOLUÇÃO
Cada uma das outras alternativas apresenta erros, cuja correção é:
B - vens, provede, averigúem
C - sucinto, avidez
D - bendisseram, prazeroso
E - requistar, extravasar
09. Assinale a opção em que ocorre oração subordinada adjetiva:
Deixe que eu datilografo a carta para o ministro.
Desapareça, que os policiais vêm chegando.
Meu sonho sempre foi que meu filho fosse engenheiro.
Não ligue às pessoas que zombam de você.
Supõe-se que ele tenha fugido de madrugada.
RESOLUÇÃO
O que do período da letra D é o único que substitui, na subordinada, uma palavra da principal: que substitui pessoas.
Conforme o recurso prático, esse que pode ser substituído por as quais, portanto é pronome relativo, o que caracteriza a oração subordinada adjketiva.
O que é conjunção integrante em A, C e E.
Em D, o que é conjunção coordenada explicativa.
10. Assinale a opção em que, retirando-se a vírgula ou mudando-se a sua posição, não se obtém alteração de sentido:
Isso também pesa aos brasileiros, que têm carro a álcool.
Pediu que contemplássemos a bela visão, da ampla janela.
Mariana foi, logo Mário não pôde ir.
Como precisava de ajuda, procurou Maria, sua melhor amiga.
Obtivemos, em julho, os passaportes; só em dezembro, porém, é que viajamos.
RESOLUÇÃO
em julho é um ajuntoadverbial intercalado entre o verbo (obtivemos) e o objeto direto (os passaportes). Como se trata, porém, de uma expressão curta, as vírgulas podem ser suprimidas, sem que isso traga qualquer alteração de sentido: "Obtivemos em julho os passaportes; só em dezembro, porém, é que viajamos."
11. Assinale a opção correta quanto à regência:
Paradoxalmente, a redução das Forças Armadas iraquianas .... proporções inferiores .... necessárias .... preservação do equilíbrio .... nações vizinhas não é desejável, sobretudo .... luz dos acontecimentos recentes, que atestam quanto é pequena a resistência desses países ..... tentações criadas ........ vácuo militar.
a - às - na - ante às - à - pelas - no
a - às - à - com as - à - às - pelo
em - àquelas - pela - nas - pela - em - pelo
à - das - à - das - a - com as - do
às - às - para a - ante as - com a - às - por.
RESOLUÇÃO
Embora o preenchimento possa ser feito, em alguns casos, por mais de uma opção, apenas a seqüência da alternativa B preenche de forma correta as lacunas.
12. A conjunção ou locução conjuntiva que expressa uma circunstância diferente das demais é:
Posto que a luta fosse longa e encarniçada venceram.
Como estivesse frio, preferiu não sair.
Sem que fosse escravo, obedecia a todas as ordens.
Ainda que esteja chovendo, não falta nunca aos compromissos.
Por mais que gritasse, não pôde ser ouvido.
RESOLUÇÃO
Enquanto a conjunção como expressa a idéia de causa, todas as locuções conjuntivas das outras alternativas veiculam a idéia de concessão.
13. Qual das opções substitui corretamente as palavras sublinhadas ?
1. Foi-lhes fácil fazer os exercícios.
2. Não obstante seja parco de recursos , mantém as aparências.
3. Expões as idéias com lucidez.
4. Faz os deveres rapidamente.
5. Se não pretendes gastar, põe o dinheiro na poupança.
Fazerem-nos ; mantenha-os ; Expô-las ; Fá-los-á ; ponha-o
fazerem-nos ; mantém-as ; Expõe-nas ; Faze-os ; põe-lo
fazê-los ; mantém-las ; Expõe-as ; Faça-os ; põe-no
fazê-los ; mantém-nas ; expõe-las ; Fá-los ; põe-no
fazer-los ; mantém-nas ; Expõe-nas ; faze-os ; põe-lo
RESOLUÇÃO
Quando os pronomes átonos o, os, a, as são colocados encliticamente em relação a formas verbais terminadas em R, S ou Z, caem essas letras e o pronome assume as formas -lo, -los, -la, -las. Se a forma verbal termina em M, o pronome assume as formas -no, -nos, -na, -nas.
14. Assinale a opção que preenche corretamente os espaços:
“Mesmo que ............ outros imprevistos, haja vista que já ............. alguns,.......... todas as necessidades se ................. tranqüilos:
haja - correram - proviremos - nos mantermos
advenham - sobrevieram - proveremos a - nos mantivermos
advissem - sobreviram - proviríamos - mantivéssemo-nos
adviessem - têm sobrevindo - previremos - mantermo-nos
Advierem - têm - havido - supriremos a - mantivermo-nos
RESOLUÇÃO
A questão abrange quatro tópicos gramaticais:
Morfologia: correta conjunção dos verbos advir, sobrevir, prover e manter.
Regência: a preposição a exigida pelo verbo prover na acepção do contexto.
Colocação: nos mantivermos - próclise exigida pela conjunção se.
Concordância: a impessoalidade do verbo haver não aceita o plural do auxiliar. No caso, não se pode escrever "têm havido".
15. Observe as frases abaixo:
(I) A maioria das pesquisas a que se procederam não contribui para aumentar as informações de que já se dispunham.
(II) O jornal a que assisto começa às quinze para as oito.
(III) Amar e odiar são próprios do ser humano.
Quanto à concordância (verbal ou nominal) , está(ão) correta(s):
Apenas a I
Apenas a II
Apenas a III
Apenas a II e III
Todas
RESOLUÇÃO
I - Os verbos proceder a e dispor de deveriam ficar no singular, uma vez que o se é índice de indeterminação.
II - O substantivo subentendido é minutos. Então, a forma correta é "aos quinze (minutos) para as oito".
III - No caso de os infinitivos sujeitos serem de sentidos opostos, o verbo vai para o plural. É o que ocorre aqui.
16. Observe as frases abaixo:
(I) Pretendem-se contratar datilógrafos . Tratar à Rua XV , 95.
(II) De molde a eliminar os mal-entendidos, os EUA enviou um porta-voz na Rússia.
(III) Ao seu ver, este é um dos problemas difíceis de se resolverem.
(IV) Os analistas trabalham com versões, o governo com fatos - entre umas e outras permeam enormes diferenças.
Pode estar correta:
Nenhuma
Apenas a I
Apenas a II
Apenas a III
Apenas IV
RESOLUÇÃO
As formas corretas seriam:
I - Pretende-se contratar datilógrafos. Tratar na Rua XV, 95.
II - De modo a eliminar os mal-entendidos, os EUA enviaram um porta-voz à Rússia.
III - A seu ver, este é um dos problemas difíceis de se resolverem.
IV - Os analistas trabalham com versões; o governo, com fatos - entre uns e outras permeiam enormes diferenças.
Observação:
A nossa opção pela alternativa A em lugar da D explica-se por uma só razão: nosso acesso à obra em cuja discutível autoridade a banca se baseou para formular as várias alternativas propostas.
Assim, em outras palavras, damos a resposta que a banca quer que seja tida como correta.
17. Assinale o texto que estilística e gramaticalmente expressa, com a necessária clareza, ênfase e correção, a indicação dada nos parênteses ou, quando não formulada, sugerida pelo próprio enunciado.
(I) A acácia-negra ocupa 160 mil hectares só no Rio Grande do Sul.
(II) da casca da acácia-negra é extraído o tanino.
(O . S. Adjetiva)
(III) A acácia-negra é a terceira cultura florestal do país em importância econômica.
(IV) O tanino é uma substância usada em couros e peles (curtir).
Em virtude de ocupar 160 mil hectares só no Rio Grande do Sul, a acácia-negra é a terceira cultura florestal do País em importância econômica, de cuja casca se extrai o tanino - substância usada para curtir couros e peles.
A acácia-negra ocupa 160 mil hectares só no Rio Grande do Sul, objetivando a extração do tanino para se curtirem couros e peles, sendo, pois, a terceira cultura florestal do país.
A acácia-negra da qual é extraído o tanino, substância usada na curtição de couros e peles, é a terceira cultura florestal do país em importância econômica; ocupa, por isso, 160 mil hecs. Só no Rio Grande do Sul.
A acácia-negra, de cuja casca é extraído o tanino - substância usada no curtimento de couros e peles, é a terceira cultura florestal do País em importância econômica, a ponto de ocupar, só no Rio Grande do Sul, 160 mil hectares.
Substância usada no curtume de couros e peles, o tanino é extraído da casca acácia-negra, que ocupa, só no Rio Grande do Sul, 160 mil hec., sendo que ela é a terceira cultura florestal do País em importância econômica.
RESOLUÇÃO
Para justificar a opção pela alternativa D, basta levar em conta o fato de que é apenas ela que contém todas as relações sugeridas no enunciado da questão: só nela, por exemplo, é que a proposição I ocorre como conseqüência da III.
Observação:
Em rigor, deveria haver um travessão depois de peles ("... e peles -, é ...), fechando o que foi aberto em "tanino - substância ...".
18. Assinale a opção que melhor reestrutura - gramatical e estilisticamente - o seguinte grupo de frases:
As diferentes formas de governo, através dos séculos, não foram senão variantes da tríade clássica de uma das obras de Aristóteles. Esta obra chama-se Política. As diferentes formas de governo são: a monarquia, a aristocracia e a democracia: cada uma delas tem perversão as quais respectivamente são a tirania, a oligarquia e a demagogia.
As diferentes formas de governo, através dos séculos, que são monarquia , a aristocracia e a democracia, têm, cada uma delas, perversão: a da 1a é a tirania, a da 2a é a oligarquia, a da 3a é a demagogia; e não foram senão variantes da tríade clássica de uma das obrasde Aristóteles: Política.
As diferentes formas de governo - a monarquia, a aristocracia e a democracia - cada uma delas com a sua respectiva perversão: tirania, oligarquia e a demagogia não foram senão variantes, através dos séculos, da tríade clássica de uma das obras de Aristóteles, chamada ‘Política’.
Como variante da tríade clássica da “Política”, uma das obras de Aristóteles, temos, através dos séculos, as diferentes formas de governo, cada qual com sua respectiva perversão: tirania, aristocracia e a democracia.
Foi de “Política”, obra de Aristóteles, que surgiu a tríade de diferentes formas de governo, de onde originaram, através dos séculos, todas as três, cada qual com a sua perversão: a da monarquia é a tirania, a da aristocracia é a oligarquia; e a da democracia, a demagogia.
Através dos séculos, as diferentes formas de governo não foram senão variantes da tríade clássica de “Política”, uma das obras de Aristóteles: a monarquia, cuja perversão é a tirania; a aristocracia, cuja perversão é a oligarquia ; e a democracia, cuja perversão é a demagogia.
RESOLUÇÃO
A opção pela alternativa E pode-se justificar tanto do ponto de vista da gramática quanto do da estilística.
Gramaticalmente, trata-se de uma Redação inteiramente correta, sem nenhum deslize de qualquer nível, incluindo a pontuação.
Estilisticamente, é concisa, bem articulada, o que lhe confere clareza e precisão. Traduz, sem nenhuma obscuridade, todas as informações sugeridas no enunciado da questão.
A alternativa A peca, sobretudo, pela falta de concisão: gastou mais palavras do que o necessário.
A alternativa B, além da falta de concisão, contém a palavra 'Política' mal pontuada: deveria estar entre aspas ("Política").
A alternativa C contém erro conceitual: a aristocracia e a democracia não são formas de pervesão.
A alternativa D peca por imprecisão e por má articulação das palavras.
LITERATURA
19. Qual ou quais das informações abaixo se referem ao autor do poema “Vandalismo” ?
(I) Um dos seus freqüentes recursos morfológicos ou, a rigor, morfossemânticos, é o emprego insólito do substantivo abstrato no plural capaz de sugerir uma dimensão sensível no universo das idéias: diafaneidades, melancolias, quintessências, diluências, cegueiras. Às vezes a oposição do adjetivo concreto ao nome abstrato alcança efeitos raros: brancas opulências, doçuras feéricas.
(II) Poesia de um solipsista torturado, a escavar masoquistamente o mais secreto do seu ser biológico e metafísico, expressa numa linguagem sincopada, agressiva e máscula, poesia madura e niilista, da melhor que tem produzido nossa literatura.
(III) A sua popularidade deve-se ao caráter original, paradoxal, até mesmo chocante, da sua linguagem, tecida de vocábulos esdrúxulos e animada de uma virulência pessimista sem igual em nossas letras.
Está(ão) corretas(s):
apenas a I e a II
Apenas a II e a III
Apenas a I e a III
Apenas a II
Todas.
RESOLUÇÃO
A afirmação I descreve a dinâmica do estilo simbolista puro, como o praticado por Cruz e Sousa. Augusto dos Anjos (autor do soneto apresentado ria abertura da prova) é um poeta eclético, cuja preferência lingüística funde elementos parnasianos e simbolistas, conduzindo-o a resultados definitivamente contemporâneos. Além disso, a afirmação apresenta uma incoerência interna, pois os dois exemplos finais não ilustram corretamente a teoria exposta imediatamente antes. Já as afirmações II e III descrevem com perfeição a poesia característica de Augusto dos Anjos.
20. Leia atentamente as informações, e relacione-as aos autores apresentados:
(I) Os cem sonetos de [ ... ] compõem um cancioneiro onde não uma só figura feminina, mas várias pastoras, em geral inacessíveis, constelam uma tênue biografia sentimental. Os prados e os rios, os montes e os vales servem não só de pano de fundo às inquietações de Glauceste como também de seus confidentes.
(II) Resta ver a força artesanal, que é patente em um versejador como [ ... ]. Alguns de seus sonetos sacros e amorosos transpõem com brilho esquemas de Gôngora e Quevedo e valem como exemplo do gosto seiscentista de compor símiles e contrastes para enfunar imagens e destrinçar conceitos.
Autores:
Gregório de Matos
Cláudio Manuel da Costa
Tomás A . Gonzaga
Basílio da Gama
Alvarenga Peixoto
Padre Vieira
I - c, II - f
I - d, II - c
I - e, II – f
I - b, II – c
I - b, II - a
RESOLUÇÃO
As informações contidas nos enunciados revelam características de dois dos principais poetas da Era Colonial brasileira.
O enunciado I aponta para Cláudio Manuel da Costa (Glauceste Saturnio), introdutor do Arcadismo entre nós com Obras poéticas, publicadas em 1763, que de fato possuem cem sonetos, alguns dos quais em italiano.
Em seus poemas o poeta celebra várias pastoras, entre as quais se destaca Nise.
O enunciado II faz referência a Gregório de Matos, alcunhado de "O boca de inferno", principal barroco brasileiro, como deixa claro a idéia de contraste do enunciado. O "enfunar imagens" relaciona-se a Gôngora e ao cultismo; o "destrinçar conceitos", a Quevedo e ao conceptismo.
21. “Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, “olho de cigana oblíqua e dissimulada”. Eu não sabia o que era oblíqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim [ ... ] deixou-se fitar e examinar . Só me perguntara o que era, se nunca os vira; eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas. A demora da contemplação creio que lhe deu outra idéia do meu intento; imaginou que era um pretexto para mirá-los mais de perto , com os meus olhos longos, constantes, enfiados neles,e a isto atribuo que entrassem a ficar crescidos, crescidos e sombrios, com tal expressão que...”
O excerto acima faz parte do romance “...........”,cuja personagem feminina é .................
Memória Póstumas de Brás Cubas - Virgília
Dona Flor e Seus Dois Maridos - Dona Flor
D . Casmurro - Capitu
O Cortiço - Rita Baiana
Senhora - Aurélia.
RESOLUÇÃO
O fragmento apresentado na questão contém o nome de uma personagem conhecidíssima - José Dias. Além disso, contém ainda a famosa imagem caracterizador de Capitu - "olhos de cigana oblíqua e dissimulada". Tais elementos, entre outros, permitem associar o texto como sendo extraído de D. Casmurro, romance de Machado de Assis.
22. “Só os roçados da morte
compensam aqui cultivar,
e cultivá-los é fácil:
simples questão de plantar;
não se precisa de limpar,
de adubar nem de regar;
as estiagens e as pragas
fazem-nos mais prosperar;
e dão lucro imediato;
nem é preciso esperar
pela colheita: recebe-se
na hora mesma de semear.”
Os versos acima fazem parte do poema “...............”, de ........................................
Cabra marcado para morrer - Ferreira Gullar
A Túnica Inconsúltil - Jorge de Lima
O Visionário - Murilo Mendes
Cobra Norato - Raul Bopp
Morte e Vida Severina - João Cabral de Melo Neto
RESOLUÇÃO
Os versos transcritos fazem parte do poema "Morte e Vida Severina - auto de natal pernambucano", escrito sob forma de redondilhas maiores (sete sílabas poéticas), e pertencem ao poeta João Cabral de Melo Neto, da 3ª fase do Modernismo brasileiro (45-hoje)
23. Observe as afirmações abaixo:
(I) O “eu” romântico, objetivamente incapaz de resolver os conflitos com a sociedade, lança-se à evasão. No tempo, recriando a Idade Média Gótica e embruxada. No espaço, fugindo para ermas paragens ou para o Oriente exótico.
(II) A natureza romântica é expressiva. Ao contrário da natureza árcade, decorativa. Ela significa e revela. Prefere-se a noite ao dia, pois sob a luz do sol o real impõe-se ao indivíduo, mas é na treva que latejam as forças inconsciente da alma: o sonho, a imaginação.
(III) No romantismo, a epopéia,expressão heróica já em crise no séc. XVII, é substituída pelo pelo poema político e pelo romance histórico, livre das peias de organização interna que marcavam a narrativa em verso. Renascem, por outro lado, formas medievais de estrofação e dá-se o máximo relevo aos metros livres, de cadência popular, as redondilhas maiores e menores, que passam a competir com o nobre decassílabos.
Estão corretas:
Todas
Apenas a I
Apenas a I e a II
Apenas a II e a III
Apenas a I e a III
RESOLUÇÃO
O conjunto das três afirmações resulta em um panorama sobre a temática e a expressão literária do Romantismo.
24. “Penso em [ ... ] com insistência. Se fosse possível recomeçarmos....Para que enganar-me ? Se fosse possível recomeçarmos, aconteceria exatamente o que aconteceu. Não consigo modificar-me, é o que me aflige. [.....................................................................] [.........] entrou aqui cheia de bons sentimentos e bons propósitos. Os sentimentos e os propósitos esbarraram com a minha brutalidade e o meu egoísmo.
Creio que nem sempre fui egoísta e brutal. A profissão é que me deu qualidade tão ruins.
E a desconfiança é também conseqüência da profissão. Foi este modo de vida que me inutilizou. Sou um aleijado. Devo ter um coração miúdo, lacunas no cérebro, nervos diferentes dos nervos dos outros homens. E um nariz enorme, uma boca enorme, dedos enormes.”
Os excertos acima fazem parte do romance “........”, cuja personagem feminina é ...................
Fogo Morto – Marta
Mar Morto - Lívia
Vidas Secas - Sinhá Vitória
São Bernado - Madalena
O Mulato - Ana Rosa.
RESOLUÇÃO
Os excertos selecionados para esta questão fazem parte do romance São Bernardo (1934), de Graciliano Ramos. Nesta obra, Paulo Honório, o narrador-personagem, investiga os motivos que levaram ao fracasso trágico de sua vida. Através da reconstituição memorialística, relata os fatos marcantes de sua infância pobre, de sua ascensão social como poderoso latifundiário nordestino até sua lamentável situação de homem solitário e desinteressado de tudo desde que a esposa Madalena suicidou-se, por não suportar o autoritarismo, o ciúme e a intolerância do marido.
25. Esse famoso ensaio “..............” é uma espécie de paródia de uma das obras de.................. ............Através de uma parábola, o autor apresenta a Poesia como uma mulher nua que os homens, com o passar dos tempos, foram cobrindo de roupas e jóias, até que um vagabundo genial. (Rimbaud) deu um pontapé naquele monte de roupas e deixou outra vez a mulher nua - ...........................
Manifesto da Poesia Pau-Brasil - O . Andrade - a arte moderna.
A escrava que não é Isaura - B. Guimarães - a poesia moderna.
Profissão de Fé - Olavo Bilac - a poesia parnasiana.
Macunaíma - M. Andrade - a Extética moderna.
Antífona - Cruz e Souza - a poesia simbolista.
RESOLUÇÃO
Mário de Andrade foi o líder da geração que implantou o Modernismo na cultura brasileiro. Essa liderança inconteste resulta não só de sua obra literária propriamente dita (poesia e prosa de ficção), mas também da função, exercitada permanentemente, de Teórico do movimento modernista. Essa faceta pode ser avaliada no "Prefácio Interessantíssimo" à Paulicéia Desvairada (1922), cujas idéias centrais foram retomadas e ampliadas em A Escrava que não é Isaura. Nesse ensaio, publicado em 1925, Mário de Andrade expõe "pequenos e paliativos remédios da farmacopéia didático - técnico - poética" do Modernismo. A idéia sintetizada no título paródia do conhecido romance romântico de Bernardo Guimarães - é a de que a poesia moderna se libertou dos grilhões acadêmicos e formais da tradição.
�PAGE �
�PAGE �9�