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Mielografia Prof. Márcio M. de Oliveira Observação O procedimento do mielograma tem sido largamente substituído por procedimentos RM e TC não invasivos, mas os médicos devem ainda ser proficientes em realizá- lo quando pedido. Propósito Um mielograma é um estudo radiográfico do cordão espinal e dos ramosde raiz dos seus nervos que empregam o meio de contraste. Localização da Agulha e Processo de Injeção Geralmente, doislocais são usados como camposde punção: nas áreas da lombar (L3-L4) e da cervical (C1-C2). Desses dois locais, a área lombar é mais segura e mais fácil no paciente e é usada mais comumente para o procedimento. Posições do Corpo Para uma punção , o pacientepode estar sentado na posição ereta ou inclinado, com a cabeça flexionada para ampliar o espaço interespinal. Indicações Clínicas Presença de uma lesão que pode se apresentar no canal espinal ou pode sobressair do canal. Se o processo patológico colide com a medula espinal, os sintomas do paciente podem incluir dor ou torpor, normalmente nos membros inferiores ou superiores. Hérnia de núcleo pulposo, que é a indicação clínica mais comum para a mielografia; Tumores benignos ou cancerosos; Cistos; No caso de traumatismo possíveis fragmentos deossos. Se uma lesão estiver presente, a mielografia identifica a extensão, o tamanho e o nível do processo patológico. Identificação de múltiplas lesões. Contraindicações • Sangue no líquido cerebroespinal (LCE): A presença de sangue no LCE indica irritação no canal espinal, a qual pode ser agravada pelo meio de contraste. • Aracnoidite (inflamação na membrana aracnoide): A mielografia é contraindicada no caso de aracnoidite porque o meio de contraste pode aumentar a gravidade da inflamação. • Pressão intracranial aumentada: Em casos de pressão intracranial elevada, a drenagem do espaço subaracnoide com inserção da agulha pode causar complicações graves ao paciente enquanto a pressão se iguala entre as áreas do cérebro e a medula espinal. • Punção lombar recente (dentro de duas semanas do procedimento corrente): A realização da mielografia em um paciente que tenha tido uma punção lombar recente pode resultar em extravasamento do meio de contraste para fora do espaço subaracnóideo através do buraco deixado pela punção prévia. Preparaçãodo Paciente Para reduzir a ansiedade e relaxar o paciente, um sedativo injetável ou um relaxante muscular é usualmente administrado uma hora antes do exame. O tipo e a quantidade dapré-medicação usada são determinados pelo radiologista que realiza o procedimento. Antes do exame, o médico deve explicar o procedimento e as possíveis complicações ao paciente, e um consenso informado deve ser assinado pelo paciente. Equipamentos para punção Bandeja de mielografia, luvas esterilizadas, uma solução antisséptica. Meios de Contraste Que sejamiscível (que se misture bem) com LCE, que seja absorvido facilmente, não seja tóxico e inerte (não reativo) e que tenha boa rádio-opacidade. Meios não iônicos, solúveis em água e com base de iodo são primariamente usados no tempo atual por causa da relativa baixa osmolaridade. MC Iodado não iônico promovem uma visualizaçãoradiográfica excelente das raízes nervosas, são facilmente absorvidos pelo sistema vascular e eliminados pelos rins. A absorção inicia aproximadamente30 minutos após a injeção,com boa rádio-opacidade evidente em cerca de uma hora após a injeção. Após quatro ou cinco horas, o meio de contraste temum efeito radiográficonebuloso e é radiograficamente indetectável após 24 horas. Geralmente, um alcance de aproximadamente 9 a 15 mL é usado. Posicionamento Durante a fluoroscopia, a mesa (e o paciente) é inclinada da posição ereta através das posições Trendelenburg. Esse movimento facilita o fluxo do meio de contraste para a área sob exame. Sob controle fluoroscópico, uma vez que o agente de contraste tenha atingido a área desejada, o radiologista pode fazer a imagem do paciente em várias posições, de inclinado a supino, e em posições oblíquas anterior e posterior. As imagens podem ser obtidas com o uso da tecnologia convencional ou digital, dependendo do equipamento disponível. Após a fluoroscopia, o tecnólogo realiza radiografias convencionais que são apropriadas para a área sob exame. Região lombar Perfil Semiereto – Raios Horizontais • Posição do paciente inclinado, com os braços flexionados acima da cabeça. • A mesa e o paciente ficam semieretos. O radiologista, sob controle fluoroscópico, ajusta a angulação da mesa para concentrar o meio de contraste na área lombar. • RC é direcionado ao nível de L3. • O campo deve ser colimado para reduzir a dispersão da radiação. • A respiração é suspensa durante a exposição. Obs.: Posições adicionais podem incluir oblíquascom raios verticais ou horizontais e uma incidência supina AP. Critériosde avaliação (para todos os níveis da coluna vertebral) • O nível apropriado da coluna vertebral, com o meio de contraste presente, deve ser demonstrado. • Fatoresde exposição corretos e penetração adequada ajudam a demonstrar a anatomia e o meio de contraste. • Os marcadores de identificação do paciente e marcadores anatômicos (direitos ou esquerdos)devem ser visualizados claramente sem superposição da anatomia. • A colimaçãodeve ser evidente. Posterior oblíqua esquerda Mielografia TC e RM A rotina convencional do mielogramatemsidolargamente substituída por modalidades de imagem TC e RM; entretanto, imagens fluoroscópica e convencional podem ser usadas em conjunto com a TC. RM Na seta “A” notamos redução da altura do corpo vertebral em T6 por metástase óssea e infiltração da medula espinhal por neoplasia. Tratamento = radioterapia. Na seta “B” notamos fratura patológica do corpo vertebral de L3. Neste caso, a compressão do cone medular ocorre por um deslocamento posterior de fragmento ósseo. Tratamento = cirurgia. Fontes Um paciente com síndrome de compressão medular: duas abordagens diferentes. Daniel de I. G. Cubero e Luciano Miller Reis Rodrigues. Disponível em: http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?fase=r003&id_materia=4410 KENNETH L. BONTRAGER, JOHN P. LAMPIGNANO Tratado de posicionamento radiográfico e anatomia associada. Editora: Elsevier; 6º ED.