Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Impulsividade
Este é sem sombra de dúvida um tema que atinge pelo menos metade da humanidade. 
Inicialmente defino impulsividade como a máxima expoente do complexo de inferioridade; 
o traçado de ambas é idêntico em quase todos os sentidos. Cada evento por mais diminuto 
que seja, adquire uma reação máxima do ponto de vista emocional. Não tratarei aqui das 
sociopatias, mas apenas dos casos psicológicos. Na impulsividade tudo é uma prova 
terrível, sendo que a única saída para a pessoa provar um pouco de sua autoestima é a 
total competição. Este processo é sentido como que interminável para o sujeito em questão. 
A impulsividade é uma defesa contra a assimilação parcimoniosa de uma crítica. Esta é 
sentida não apenas como um ataque frontal perante a auto imagem da pessoa, mas, como 
um dano irreparável, ou que se levantou um segredo que irá humilhar o indivíduo no mais 
alto grau imaginável. Os elementos intrínsecos que compõe a impulsividade são: ódio, 
medo e ansiedade respectivamente. Todos são incontroláveis e invadem por completo a 
mente da pessoa.
A conseqüência direta da impulsividade é a vivência constante da culpa. Advém então, 
tentativas de reparação quase que megalomaníacas, como sacrifícios exagerados, presentes 
exorbitantes e coisas do gênero. Se importar com mínimas coisas causa uma escravização 
quase que diária no sujeito, que toma empréstimos constantes da agressividade, formando 
um ciclo vicioso. Todos já perceberam que o impulsivo fala na maioria das vezes verdades 
sobre os outros, mas, o problema é que sempre centra apenas na negatividade, na tentativa 
de punir, humilhar e destruir seu oponente. Muitos poucos conseguem absorver este tipo de 
ataque quase que inesperado. A desgraça absoluta do impulsivo é a esfera negativa do poder. 
Será sempre lembrado pela dor e sofrimento que despertou no outro, sendo que não tardará 
para que o nefasto sentimento de vingança assole totalmente o núcleo das relações das 
partes envolvidas. O problema do impulsivo não passa apenas pelo exagero, mas a palavra 
correta seria o despropósito diante de determinado fato ou evento. Se fosse pensar em 
exemplos teríamos diversas situações cotidianas em nossa sociedade: àquela pessoa no 
ambiente de trabalho totalmente neurotizada, as infindáveis discussões no trânsito que além 
do stress produzem diariamente tragédias, conflitos entre casais pela simples disputa de 
poder que acirra ao máximo a impulsividade de um ou ambos.
O impulsivo radicaliza ao máximo seu código de ética ou conduta, não abrindo o mínimo 
espaço para a dúvida ou erro. Na verdade a grande síntese da personalidade do impulsivo é 
que o mesmo sofre pela antecipação de qualquer contrariedade; sendo que a retenção ou 
poupança desta carga destrutiva constantemente deve ser expelida através do outro. A 
raiva ou o ódio súbito é o total medo da derrota no confronto, tentando aniquilar o 
oponente o mais rápido possível. A impulsividade atrasa totalmente a evolução emocional 
da pessoa, ficando presa incessantemente de instintos primitivos. O impulsivo tem uma 
certeza fruto de seu histórico pessoal que seu tempo é extremamente escasso. Tal percepção 
deriva dos momentos de prazer na infância ou interação afetiva abaixo das necessidades da 
pessoa. Sua meta então é conseguir determinada coisa o mais breve possível, porém, em tal 
empreitada surgem feridas nas pessoas ao seu redor que trarão todo o conflito à tona. 
Estados de relaxamento ou entretenimento são raríssimos no impulsivo, pois sua guarda 
sempre está levantada na espera do ataque ou adversidade.
Os escassos momentos afetivos do passado descrito causam constantemente um 
avassalador sentimento de injustiça perante qualquer situação de contrariedade, provocando 
a súbita revolta e consternação. O impulsivo é aquele tipo descrito pela psicologia que não 
tolera em hipótese alguma a frustração. Cabe aqui uma distinção precisa entre a ansiedade 
e impulsividade. A primeira é um estado interno de inquietude que necessariamente não 
exige uma descarga agressiva perante o outro; já na impulsividade o meio circundante 
sempre é o palco ou testemunha do exagero ou de medidas descabidas. A impulsividade 
como todos sabem é companheira absoluta do consumismo em nossa sociedade. A 
intersecção de ambas é o imenso sentimento de carência e culpa. O ímpeto para a compra 
compulsiva equivale ao que descrevi anteriormente de escasso afeto, tendo de abocanhar o 
mais breve possível à necessidade emocional, que sempre veio em doses pequenas. A 
pessoa que se gosta, não precisa necessariamente evitar o consumo, mas, que o mesmo não 
apenas seja sobre o que é realmente necessário, mas também o que será efetivamente 
aproveitado, evitando a “neurose do colecionador”, guardando totens econômicos que 
supostamente resguardariam a frágil autoestima do sujeito. É mais do que óbvio que o 
consumo produz instantaneamente uma sensação de poder que encobre temporariamente a 
carência da pessoa, agindo como uma espécie de droga, porém, além de seu efeito ser 
extremamente reduzido produz o mesmo vazio de qualquer tipo de entorpecente. Temos de 
ter consciência da enorme defasagem entre este conceito e toda a propaganda em contrário 
que o sistema econômico produz. Ingenuidade é acreditar que uma determinada percepção 
por si só irá alterar o estilo de vida imposto pela sociedade. O tesouro do autoconhecimento 
é perceber sempre, afastando a indigestão do conflito torturante perante a impotência.
O impulsivo sofre por sua idéia fantasiosa de achar que detém o poder da mudança, 
quando a grande meta social é o convite para a reflexão. A impulsividade sempre foi o 
combustível máximo para o desenvolvimento das ditaduras; sendo que na mesma há uma 
extensa projeção ou se delegam todo o potencial de ódio, vingança e frustração. Não se trata 
em hipótese alguma de pregar o conservadorismo. As mudanças e revoluções constituem 
elementos indispensáveis na transformação e evolução humana. O problema do uso quase 
que exclusivo da impulsividade é que a mesma cega à percepção de elementos que deveriam 
ser preservados; aliás, esta sempre foi a grande contradição das revoluções. O impulsivo não 
sabe cuidar, destrói não apenas a superfície, mas também o alicerce de seus 
relacionamentos. Mas o porque de arrasar tudo para após aparecer o arrependimento? A 
questão é que o impulsivo necessita diariamente medir sua força, e sempre destoa na 
execução de tal tarefa. Este também sempre foi outro combustível responsável pelas grandes 
tragédias da história da humanidade. Outra questão vital é a contaminação emocional do 
impulsivo; quase todos que sofrem do problema possuem um imenso potencial intuitivo, 
provocando ou absorvendo toda a carga destrutiva ou os anseios nefastos de seu meio 
circundante. O impulsivo acaba amplificando tudo de pior sobre as emoções negativas 
alheias.
Um dos problemas máximos do impulsivo é sua total insegurança, apesar de tentar 
demonstrar sempre o contrário em seu despotismo e arrogância diária. Nunca o mesmo tem 
a real convicção de ser amado ou ter um lugar seguro no panteão de pessoas que os outros 
se importam. A angústia e agonia da solidão sempre será o catalisador do ódio e conflito 
para chamar à atenção sobre si mesmo; esta sempre foi à gênese oculta dos ditadores no 
decorrer da história. O contrato inconsciente que mantém a união de uma pessoa impulsiva 
com outra aparentemente calma, é a pura necessidade de vivenciar uma parte negada da 
personalidade através do outro. Se pensarmos no famoso conceito de FREUD de repetir o 
sofrimento através de experiências similares, chegamos à conclusão de que um dos 
problemas básicos nas relações humanas é a questão da imitação. Repetir equivale a imitar, 
mas, por que? Primeiramente a imitação é um modelo a ser seguido; segundo, o medo da 
solidão e abandono caso alguém trilhe um caminho diferente;terceiro, a homenagem para 
àqueles que supostamente nos deram a vida; quarto, a culpa pelo também suposto sacrifício 
do outro para nos criar. A culpa citada também se torna um anteparo perante uma rebeldia 
no sentido de adotar um outro modelo de vida de seus genitores, se resignando perante o 
sofrimento.
Tanto o tímido, depressivo e o impulsivo possuem um imenso núcleo de raiva e ódio. O 
impulsivo evoca o conflito o tempo todo para buscar a situação de prova e competição 
citada. O tímido justamente o contrário, criando um mistério sobre sua personalidade, 
minando o outro de entrar em seu mundo de agonia e amargura, mantendo a vivência da 
raiva oculta para os outros, mas a alimentando constantemente. O tímido apenas foge da 
situação de prova, mas não de sentir raiva que demonstra através de sua omissão e silêncio. 
O depressivo carrega a doença, dizendo assim, que foi acometido de algo quase que 
interminável, merecendo então todos os cuidados do meio, mas, principalmente podendo 
também diminuir suas obrigações e responsabilidades afetivas. Em síntese, as três moléstias 
têm em comum enxergar alguma graça na vida caso a estrutura neurótica proporcione o 
centro da atenção para a pessoa, independentemente de como efetuarem tal propósito.
A noção do trauma está muito mais para o impulsivo do que bloqueios da sexualidade 
infantil, como sempre a psicanálise colocou. O impulsivo vivenciou a experiência da ruptura 
com uma carga de dor e agressividade além do normal; temendo o retorno da mesma tenta 
antecipá-la, criando zonas de virulência e disputa em seu meio. Seus relacionamentos 
sempre são um treino para o “armagedon” que está preste a chegar novamente. O 
problema de toda essa operação mental é a perda da própria vontade do sujeito, ficando 
absolutamente refém de acontecimentos dilacerantes que não consegue lidar. As restrições 
ou limites para sua conduta antecipada e agressiva que não consegue evitar lhe causam o 
preço da solidão e abandono quase que por completo; além do constante clima de “terra 
arrasada” na convivência diária, pois apenas suscita o medo nas pessoas perante alguém 
com absoluta falta de controle. Novamente fazendo um paralelo com outras enfermidades, 
os atos desgarrados do impulsivo são nada mais do que uma defesa contra a vivência da 
experiência da depressão, pois esta última tem a característica peculiar de lançar o indivíduo 
na mais pura impotência pessoal, coisa que o impulsivo teme inteiramente; na verdade o que 
salva o impulsivo da depressão profunda é o seu senso de orgulho exacerbado, porém o 
mesmo o acaba prejudicando nas demais áreas dos relacionamentos.
O ponto central que devemos estudar é a noção do equilíbrio. Aonde as pessoas 
corriqueiramente o buscam? Por equilíbrio se entende algo normal, com boa dose de 
paciência ou coisas afins. Não é bem assim do ponto de vista psicológico ou do 
inconsciente. Equilíbrio tem a dimensão do uso daquilo que sempre faltou ou foi reprimido, 
sendo assim, pode acontecer em situações desastrosas, pelo simples fato da pessoa nunca ter 
experimentado determinado acontecimento. As ações mais tresloucadas podem conter uma 
compensação psíquica para o sujeito. Obviamente por trás disso tudo jaz a carência. Não se 
trata da repressão ou anulação em hipótese alguma, mas também não podemos permitir um 
padrão de respostas rotineiras que definem a impulsividade. A liberdade no sentido 
profundo do termo significa a possibilidade de experimentar novas vivências ou atitudes. O 
impulsivo, asceta, doutrinário e religioso jamais serão seres livres por conta do fator 
citado. Definitivamente na terra o único e máximo inferno possível é a solidão. A 
impulsividade é a religião rigorosa de seguir a doutrina diária do conflito.
Não preciso nem ressaltar o sofrimento do impulsivo oriundo de seu constante orgulho 
exacerbado. O mesmo até gostaria de poder refazer, perdoar ou recomeçar, mas 
simplesmente é impossibilitado de dar o primeiro passo, esperando do outro as desculpas 
para continuar a manutenção de seu status de poder. Admira e até inveja pessoas calmas e 
tolerantes, que não absorvem a negatividade e lidam com eficácia perante a tristeza do meio 
circundante. A natureza arbitrária e espalhafatosa do impulsivo visa também acobertar sua 
ansiedade e pontos emocionais deficientes em sua pessoa. É interessante a equação que o 
impulsivo desenvolve perante qualquer pessoa que pode vir a criticá-lo, exigindo uma 
retidão de caráter e perfeição divina de seu suposto oponente, esquecendo que por parte do 
mesmo a crítica é seu instrumento diário de trabalho e nem sempre com cuidado ou 
construtiva frente à determinada pessoa. A verdade sobre este ponto é que o impulsivo 
necessita se cegar perante o autoconhecimento acerca de sua conduta ou comportamento 
totalmente contaminado pela agressividade. Não consegue estabelecer regras emocionais 
para as coisas que realmente seriam prioridade.
O fato é que se um determinado sujeito ao longo de sua vida não conseguiu estabelecer 
uma saúde psíquica em áreas vitais (relacionamentos, sexualidade ou amizades), sempre irá 
deslocar ou priorizar o ínfimo. A grande questão para ser resolvida é se alguns seres 
humanos realmente estão predestinados à privação do básico em termos afetivos e o quanto 
de esforço ou luta devem fazer para superar tal condição. Falei no começo deste estudo que 
o impulsivo destrói a base e o fundo dos relacionamentos, porém, o mais incrível é que 
sabota geralmente seus parceiros mais íntimos, canalizando para o mesmo todo o foco de 
sua raiva, apesar de contraditoriamente ter um imenso apreço por essa pessoa. É como se 
no final necessitasse de uma espécie de companheiro para treinar o rancor. Alguém 
acometido de tal fenômeno terá implicações destrutivas e mórbidas na esfera do afeto. O 
suposto amor do impulsivo sempre é subjugado por fantasias pretéritas de exclusão e 
abandono.
Talvez não apenas o impulsivo, mas também outras personalidades possam achar que o 
abandono do ato instintivo pode minar a capacidade de reação ou direito de defesa da 
pessoa. O problema é que o próprio conceito de defesa deve ser reformulado. A cultura e 
sociedade o igualam a uma espécie de vingança ou quase sempre dar o troco. A real defesa, 
autoestima, amor próprio ou auto valorização é justamente evitar uma zona de conflito 
desnecessária. Talvez muito poucos seres humanos possam ter a felicidade suprema de 
serem realmente amados ou terem relacionamentos duradouros; mas que todos os seres 
poderiam galgar a evolução citada anteriormente é fato indiscutível. Aliás, outra falha 
enorme da psiquiatria e psicologia é justamente não debater do ponto de vista psíquico o que 
realmente existe para todos?(complexo de Édipo, ódio, agressividade, ansiedade, depressão, 
mágoa e tristeza). Mas e a capacidade de reação? Evolução psíquica é o pleno equilíbrio 
entre não se importar em absoluto com o inferno que o outro pode nos causar e ao mesmo 
tempo manter a centelha da escuta ou admissão do que pode vir a ser verdade ou a 
aceitação de uma simples crítica. O orgulho deveria dar passagem para um caminho de 
reflexão e a mágoa ser dissolvida em nosso amor próprio. A estima por incrível que pareça 
passa por uma insensibilidade perante infortúnios ínfimos. Nunca um ser humano bem 
resolvido necessitou ser sensível o tempo todo.
Podemos também fazer um comentário sobre a questão da ideologia. Determinada 
crença, ritual ou linha de pensamento fazem parte da psique humana. O problema é que tais 
processos no desenrolar do histórico da humanidade sempre desencadearam uma imensa 
dose de ansiedade, levando o indivíduo a passar, ou melhor, dizendo “obrigar” o outro a 
compartilhar de determinada revelação ou visão. É justamente quando o portal da 
destrutividade jorra todo o seu ímpeto. Será que realmente o mais importante seria acreditar 
cegamenteou radicalmente em algo, ou examinar o real processo mental e evolutivo que 
levou determinado sujeito para uma crença ou ideologia? Se a pessoa obesa tem de refazer 
seu conceito de alimentação, assim como o drogado o problema da fuga perante a 
frustração, o impulsivo deve prestar contas ao aspecto do controle. O impulsivo assim como 
o ciumento carrega uma dose absurda de egoísmo, pois diariamente provam que sua 
energia está única e exclusivamente direcionada aos seus propósitos e preocupações, sendo 
que à vontade do outro é mero adendo. O que definem como amor não passa na verdade de 
uma aberração, pois se trata de uma imposição eterna para que os sirvam na agonia de 
suas fantasias destrutivas. A norma ética que define o amor ou qualquer relacionamento 
onde a saúde psíquica prevalece é que ambas as partes estejam disponíveis para a satisfação 
dos anseios, desejos e necessidades do parceiro. O se relacionar é evitar o “não” do 
desconhecimento ou falta de intimidade. O impulsivo sempre exacerba tal conceito, pois 
como disse anteriormente jamais pode ter a certeza de se sentir importante do ponto de vista 
afetivo.
Estabelecerei outro paralelo entre o impulsivo e o tímido. Este último evita a 
cumplicidade por temer “enjoar” da relação, fazendo uma busca eterna e platônica sobre 
alguém totalmente idealizado e que o liberte de seu tormento de não conseguir se 
comunicar. O impulsivo ataca o tempo todo seu parceiro, sendo assim, ambos desprezam as 
pessoas mais próximas. Porque o impulsivo não consegue perceber ou aceitar o ritmo do 
outro? O grande problema é que seu caráter narcisista exige uma platéia a todo o instante, 
sendo assim, as aspirações alheias são totalmente subjugadas pelo seu instinto de poder que 
jamais se consome. O impulsivo certamente poderia até respeitar ou desfazer 
relacionamentos doentios, porém, seu apego, posse e espírito revanchista jamais permitem 
tal empreitada baseada na lucidez.
FREUD nos últimos anos de sua vida definiu a normalidade como sendo aquela pessoa 
que ama e trabalha. Transpondo tal conceito para a atualidade diria que o mais importante é 
a qualidade e satisfação de ambas as esferas. No lado do amor, normalidade vale para o 
sujeito que não projeta ou deposita em alguém todos os seus sentimentos negativos, negados 
ou não, tais como: raiva, inveja, ciúmes, posse, avareza, desprezo, traição dentre outros. 
Claro que nenhum ser humano é perfeito para que algum destes nunca o assole, porém, 
saber lidar com todos eles é que definirá a retidão de caráter de determinada pessoa. Antes 
de se cometer o equívoco de poetizar ou fantasiar uma relação, todos deveriam perceber que 
a regra básica da ternura é não fazer do outro uma bacia de despejo de suas frustrações, 
bem difícil em nossos tempos, como todos já perceberam. Seria interessante uma verdadeira 
humildade por parte de todos a fim de perceberem quais mecanismos neuróticos se utilizam 
para a fuga da solidão corrosiva de nossa época (dependência química ou afetiva, depressão, 
narcisismo, impulsividade). Todos estes elementos visam encobrir um estado de amargura 
visto como intolerável.
Mas cabe outra questão fundamental a ser respondida, como o hábito mental da 
destrutividade ou vingança se estabelece e quais suas conseqüências? Pensar ativamente 
com uma boa dose de rancor contra alguém que nos fez mal descarrega não apenas fatores 
químicos que aliviam a mente do sofrimento daquela dor, ocasionando uma revanche no 
plano mental; ao mesmo tempo em que segura o ímpeto de proceder à ação na realidade 
concreta. Para alguns não, o que seria o estado de psicopatia, não conter o ódio na mente. 
Porém, no primeiro caso, o fato de mentalmente realizar tal operação, não deixa de ter sérias 
seqüelas. O material destrutivo abordado tem a característica de unir-se com todo o tipo de 
reminiscências de inveja, raiva e ódio. Episódios que há muito foram esquecidos invadem 
novamente a psique da pessoa. O dano passa a ser duplo pelo desejo de retaliação: 
preocupação, ansiedade, medo e distúrbio mental pela situação incômoda do presente; 
abatimento, depressão e desilusão pelas péssimas recordações evocadas do passado. Tudo o 
que foi exposto prova a força incrível do pensamento. Mas porque o pensamento negativo 
parece que sempre se sobressai ao positivo? O fato é que o chamado pensamento positivo 
coloca o problema do desejo, sendo que o mesmo sempre está em mutação. Simplesmente 
determinada pessoa não consegue pensar positivamente, pois ela mesma não sabe ao certo 
o que almeja, sendo confusa e pusilânime na arte de seu prazer pessoal. Já o pensamento 
negativo é totalmente estático e obsessivo, com idéias de morte, catástrofe, pânico, sendo 
mais facilmente absortas pelo plano mental.
Enquanto o prazer é totalmente uma incógnita a ser desvendada para muitos, o desânimo 
é uma certeza subjacente à história de vida do sujeito. O erro crasso do dinheiro é achar que 
o mesmo teria o poder de ampliar o leque de possibilidades de satisfação, quando na 
verdade o mesmo sempre serve para encobrir a dificuldade ou bloqueio em determinado 
setor. O dinheiro em nossa era não é em hipótese alguma símbolo de conforto 
psicologicamente, mas tão somente um escudo imenso contra a sensação de impotência e 
desespero. Claro que não estamos falando de sobrevivência ou melhoria na qualidade de 
vida, mas daquela sensação de vazio e inutilidade mesmo sem vivenciar a privação 
econômica imposta à maioria dos seres humanos de nosso mundo. Tenho de ressaltar a 
terrível contradição da impulsividade perante o contexto das relações sociais. Se por um 
lado assistimos o disfarce de sentimentos, hipocrisia, timidez, retenção das verdadeiras 
intenções; de outro vemos a volúpia cega e incontida de ações ou atitudes desproporcionais 
mascaradas de autenticidade, quando nada mais são do que a mais sublime prova de 
agressividade e tortura psíquica perante outro ser humano.
Certamente todos projetam suas mazelas em alguma área, sendo assim, impulsividade é 
sinônima absoluta de compulsão. É dar o máximo na esfera do conflito, ódio e turbulência. 
A cura seria o transportar de todo esse redemoinho de atrito para o cuidado, dedicação e 
atenção para com o outro. Esta sem dúvida se torna à chave de tudo que discuti neste texto; 
em que esfera se doa o máximo de nosso potencial? No sofrimento, saudade, conflito, 
ternura, paixão, ciúme, ambição? Estamos neuroticamente nos acostumando de que nossa 
única responsabilidade é cumprir os deveres econômicos e sociais, menosprezando todo o 
impacto de nossa parte pessoal sobre as pessoas ao redor. É engraçado como quase todo 
mundo adquire cada vez mais responsabilidade na esfera da ambição e concomitantemente 
se torna mais indolente no aspecto afetivo. Parece que vamos precisar de várias traições, 
infidelidades, ciúmes, para que sejam revistas as prioridades em nossas vidas, pois do 
contrário pensamos apenas no consumo que o trabalho enfadonho e rotineiro de cada dia 
proporciona. Outro alerta sem sombra de dúvida é a terrível solidão discutida no texto, que 
relembra que o tempo vai passando e não atingimos o “orgasmo de viver”. É visível a total 
falta de sensatez no lado íntimo, e de nada adianta qualquer tipo de psicoterapia, terapia de 
casal e outras questões se não haver uma profunda reflexão e espírito de crença na atitude 
ou mudança perante o outro. A timidez como disse em diversos outro textos veio para ficar 
em nossa era, arrasando por completo todo o tipo de envolvimento e cumplicidade de 
sentimentos, afora a própria natureza conflituosa dos relacionamentos; sendo assim, é mister 
que tentemos preservar nossa característica humana de cooperamos e crescermos juntos não 
abrindo mão da satisfação de todas as partes envolvidas na convivência.

Mais conteúdos dessa disciplina