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UNIVERSIDADE FEDERALUNIVERSIDADE FEDERALUNIVERSIDADE FEDERALUNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO DO RIO DE JANEIRO DO RIO DE JANEIRO DO RIO DE JANEIRO 
FACULDADE DE FARMÁCIFACULDADE DE FARMÁCIFACULDADE DE FARMÁCIFACULDADE DE FARMÁCIAAAA 
LABORATÓRIO DE MICOLLABORATÓRIO DE MICOLLABORATÓRIO DE MICOLLABORATÓRIO DE MICOLOGIA CLÍNICAOGIA CLÍNICAOGIA CLÍNICAOGIA CLÍNICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 MICOLOGIA CLÍNICA MICOLOGIA CLÍNICA MICOLOGIA CLÍNICA MICOLOGIA CLÍNICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PROF. PAULO MURILLO PROF. PAULO MURILLO PROF. PAULO MURILLO PROF. PAULO MURILLO NEUFELDNEUFELDNEUFELDNEUFELD 
[[[[pneufeld@pharma.ufrj.brpneufeld@pharma.ufrj.brpneufeld@pharma.ufrj.brpneufeld@pharma.ufrj.br 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2003200320032003 
 
ÍNDICE 
 
MICOLOGIA GERAL 01 
MICOLOGIA CLÍNICA 14 
PROCEDIMENTOS LABORATORIAIS 24 
ASPERGILOSE 48 
BLASTOMICOSE NORTE-AMERICANA 50 
BLASTOMICOSE QUELOIDIANA [LOBOMICOSE] 52 
CANDIDÍASE 53 
COCCIDIOIDOMICOSE 55 
CRIPTOCOCOSE 57 
CROMOMICOSE 59 
DERMATOFITOSE 61 
ESPOROTRICOSE 63 
FEOHIFOMICOSE 65 
HIALOHIFOMICOSE 66 
HISTOPLASMOSE AMERICANA 67 
HISTOPLASMOSE AFRICANA 69 
MICETOMA 71 
PARACOCCIDIOIDOMICOSE 73 
PITIRÍASE VERSICOLOR 75 
RINOSPORIDIOSE 77 
ZIGOMICOSE 78 
BIOSSEGURANÇA NO LABORATÓRIO DE MICOLOGIA 82 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 94 
ANEXO: MODELO DE LAUDO MICOLÓGICO 98 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 1
MICOLOGIA GERAL 
 
 
1. CONCEITO 
 
Micologia é o ramo da microbiologia que estuda os fungos, organismos enquadrados em um 
reino bem definido, denominado de reino Fungi. 
 
1. IMPORTÂNCIA GERAL DOS FUNGOS 
 
Os fungos têm existência bastante difusa. Eles são considerados ubiquitários por estarem 
presentes no solo, na água e no ar e cosmopolitas por serem encontrados em todas as partes do 
planeta. 
Estes microrganismos necessitam de matéria orgânica para a obtenção de carbono e de 
energia para o seu metabolismo, por isso, estarão sempre associados ao material orgânico 
como sapróbios ou decompositores, simbiontes, comensais e parasitas. São os efeitos 
decorrentes destas manifestações que, dependendo do sentido, poderão ser considerados úteis 
ou prejudiciais. 
 
1.1. Ação benéfica 
 
• Decomposição: a decomposição da matéria orgânica resulta na produção de húmus e 
auxilia na eliminação de resíduos orgânicos. Os fungos, como decompositores, são 
importantes na reciclagem de elementos contidos em material orgânico de origem vegetal e 
animal. 
 
• Líquens: os líquens são resultantes da associação de fungos com algas. São importantes 
na colonização da rocha núa, transformando-a em solo aproveitável. Elaboram enzimas e 
ácidos que são liberados sobre a rocha, quebrando-a em suas estruturas formadoras e 
produzindo uma espécie de solo que permitirá a implantação dos vegetais. 
 
• Micorrizas: são estruturas formadas pela associação de raízes não lenhosas de vegetais 
superiores e fungos especializados do solo. As micorrizas aumentam a absorção de água e 
nutrientes; fornecem proteção contra ataques de pragas; aumentam a tolerância dos vegetais a 
excessos de metais, a condições extremas de acidez, aridez e temperatura do solo. 
 
 
 2
• Controle biológico de vetores: muitos fungos parasitam e matam diversos insetos que 
constituem verdadeiras pragas de culturas, dentre eles: Metharizium anisopliae que parasita 
a cigarrinha da cana-de-açúcar, Beauveria bassiana que parasita a broca da cana-de-açúcar, a 
broca da batata doce e a broca do coqueiro. 
 
• Alimentação: os fungos podem ser consumidos como alimentos, os cogumelos dos 
gêneros Agaricus campestris, Morchella hortensis, Clavaria fava, Cantharellus cibarius, 
Lactarius deliciosus, Russula alutalea, Psalliota arvensis, Amanita caesarea, Boletus sp, 
e Helvellae sp. e trufas do gênero Tuber sp., são os mais frequentemente utilizados. Podem 
ainda ser empregados no preparo de numerosos alimentos como: pão (Saccharomyces 
cerevisiae); bebidas alcoólicas: cervejas, vinhos, uísques, rum, gim e saquê (Saccharomyces 
cerevisiae, Saccharomyces carlsbergensis, Aspergillus oryzae); queijos: roquefort e 
gorgonzola (Penicillium roquefortii), camembert (Penicillium camembertii); molhos e 
pastas: shoyu (Aspergillus oryzae, Aspergillus soye), missó (Aspergillus oryzae). 
 
• Indústria: os fungos são empregados em processos industriais de importância indiscutível. 
Podem produzir: álcool (etanol e glicerol); vitaminas ( complexo B e vitamina D); antibióticos 
(penicilina e griseofulvina); esteróides (progesterona); corticóides (cortisona). 
 
1.1. Ação prejudicial 
 
• Fitopatógenos: os fungos podem devastar culturas inteiras ou determinar alterações na 
taxa de crescimento dos vegetais de interesse agronômico. 
 
• Deterioração de madeira e derivados: atacam madeiras de construção, dormentes de 
ferrovia, postes de luz e telegráficos, móveis e utensílios em geral, molduras e telas de 
quadros, papel e etc. 
 
• Deterioração de alimentos e intoxicações alimentares: são agentes de deterioração de 
alimentos, produzindo alterações organolépticas, ou seja, alterações na aparência, na 
consistência, no sabor e no aroma. Crescem sobre grãos, carnes, leites, ovos, mel, produtos 
enlatados, além de frutas, legumes e hortaliças. Podem produzir também toxinas exógenas 
(micotoxinas) e toxinas endógenas que quando ingeridas desencadeiam quadros de 
intoxicação alimentar, denominados de micotoxicoses e micetismos respectivamente. As 
micotoxinas são elaboradas e liberadas para o meio ambiente durante o crescimento dos 
fungos. Para que ocorra intoxicação (micotoxicose) é necessário a ingestão de alimentos 
contaminados com estas toxinas. Os gêneros mais comumente implicados na produção 
 
 3
micotoxicoses são: Aspergillus spp., Penicillium spp. e Fusarium spp. As endotoxinas 
fazem parte da própria estrutura dos fungos, não sendo liberadas para o meio ambiente. Para 
que ocorra intoxicação (micetismo) é necessário a ingestão do próprio fungo e não apenas da 
toxina, como no caso das micotoxicoses. Os fungos incriminados como produtores de 
micetismos são os chamados cogumelos venenosos: Amanita verna, Amanita muscaria, 
Amanita phalloides, Amanita pantherina, Coprinus atramentarius, Cantharellus 
auratialus, Lactarius tormentosum, Russula emetica, Lepiota helveola, Entoloma 
lividum, Gyromitra esculenta, Cortinarius orelanus, Psilocybe sp., Stropharia sp., 
Conocybe sp. e Tricholona sp. A ingestão de ambos os tipos de toxinas leva à produção de 
variado quadro anátomo-patológico como: vômitos, tremores, diarréias, hemorragias e 
neoplasias. 
 
• Micoses e alergias: estes microganismos podem causar diversos processos patológicos no 
homem e nos animais. Muitos são agentes de enfermidades conhecidas como micoses 
(esporotricose, causada pelo fungo Sporothrix schenckii; histoplasmose, causada pelo 
Histoplasma capsulatum; blastomicose, causada pelo Blastomyces dermatitidis; 
paracoccidioidomicose, causada pelo Paracoccidioides brasiliensis) ou agentes de processos 
alérgicos em indivíduos imunologicamente sensíveis, devido a inalação de elementos fúngicos 
em suspensão no ar. 
 
• Outros: os fungos podem se desenvolver em combustíveis (petróleo e derivados: gasolina, 
óleo diesel e querosene; álcool) causando enormes problemas para refinarias e para a aviação. 
Os aviões abastecidos com querosene podem apresentar crescimento de fungos em seu 
tanque de combustível, o que pode levar a entupimentos do sistema de condução do 
combustível ou ainda podem causar corrosão microbiológica, atacando a camada interna de 
poliesteruretano e as chapas de duralumínio dos tanques de querosene dosaviões. 
 
3. CITOLOGIA DOS FUNGOS 
 
A célula fúngica é menor e mais simples do que a célula dos vegetais e animais, porém 
apresenta basicamente os mesmos componentes encontrados nestas células eucariontes: 
• Parede Celular: pode ser fundamentalmente de quitina, celulose ou composta de uma 
mistura das duas substâcias. Alguns fungos durante um período de seu ciclo de vida perdem a 
parede (esporos dos fungos aquáticos). 
• Lomassoma: estrutura formada a partir da membrana celular e que se localiza entre a 
parede e a membrana plasmática. Apresenta as seguintes funções: 
 
 4
� Secreção e formação de parede celular. 
� Proliferação de citomembranas. 
� Micropinocitose. 
� Síntese de glicogênio. 
� Manutenção do turgor celular. 
� Funções de complexo de Golgi. 
� Estrutura de resposta a tensões, sendo produzida em momentos de parasitismo ou 
traumatismo. 
• Membrana Celular : apresenta permeabilidade seletiva, segue o modelo do mosaico 
fluido e, em alguns fungos que perdem a parede durante parte de seu ciclo biológico, dá a 
forma e protege a célula. 
• Núcleo: com membrana nuclear e fuso acromático intra-nuclear (durante a divisão celular 
por mitose não há desorganização da membrana nuclear). 
• Vacúolos: existem basicamente dois tipos, o de reserva que contém glicogênio e o 
digestivo que contém enzimas digestivas, semelhantemente ao lisossoma. 
• Septos: são projeções da parede celular que divide transversalmente a hifa. Os septos 
podem ser falsos ou verdadeiros. Os septos falsos são aqueles que apresentam um poro central 
que permite a passagem do citoplasma de um compartimento para o outro da hifa. Os septos 
verdadeiros não apresentam poro e são formados em dois momentos: no traumatismo para 
evitar o estravasamento do material citoplasmático para o meio ambiente e na reprodução 
quando um septo é formado para isolar a área reprodutiva do restante do corpo vegetativo. 
• Flagelo: nas células móveis (esporos de fungos aquáticos) encontram-se dois tipos, o 
Tinsil ou Penado que apresenta um diâmetro uniforme ornamentado externamente por fibrilas 
e o Whiplash ou Chicote que afila progressivamente para a extremidade livre e não é 
ornamentado. 
 
4. MORFOLOGIA DOS FUNGOS. 
 
4.1. Morfologia vegetativa: 
 
Os fungos podem ser divididos de acordo com a sua morfologia vegetativa em: 
• Filamentosos: as células têm forma de filamentos tubulares denominados de hifas e o seu 
conjunto é chamado de micélio. As hifas ou o micélio, segundo a coloração que apresentem 
em sua parede celular, podem ser classificadas em hialinas quando apresentam cores claras 
 
 5
ou são transparentes e demáceas quando apresentam cores escuras. Também podem ser 
divididas em septadas e asseptadas. 
• Leveduriformes: as células têm formato arredondado ou ovalado e são chamadas de 
leveduras. 
 
4.1. Morfologia reprodutiva: 
 
Os esporos são as unidades reprodutivas dos fungos e se caracterizam por também apresentar 
formas e colorações variadas. Os principais tipos de esporos são: 
 
• Basidiosporos: esporos sexuados exógenos, formados no exterior de células chamadas 
basídias. 
• Ascosporos: esporos sexuados endógenos, formados no interior de hifas em forma de 
saco denominadas de asco. 
• Conídios: esporos assexuados exógenos, formados sobre hifas reprodutivas chamadas de 
células conidiogênicas. 
• Esporângiosporos: esporos assexuados endógenos, formados dentro de hifas 
reprodutivas chamadas de esporângios. 
• Zoosporos: esporos assexuados endógenos, formados no interior de hifas reprodutivas 
chamadas de zoosporângios. 
• Blastosporos: esporos assexuados, representados pelas gêmulas ou brotos das leveduras. 
As estruturas que formam e dão sustentação aos esporos são genericamente conhecidas como 
esporóforos. Estas estruturas apresentam denominações específicas de acordo com o tipo de 
esporos que produzem. Assim, quando produzem conídios, são denominados de conidióforos; 
quando produzem esporângios com esporângiosporos, são denominados de esporângióforos; 
quando produzem zoosporângios com zoosporos, são chamados de zoosporângióforos. Os 
esporóforos podem ser ainda simples ou compostos. Conidióforos e esporangiosporos 
exemplos de esporóforos simples que dão origem a esporos assexuados, enquanto que 
sinêmios, esporodóquios, soros e acérvulos e picnídios são exemplos de esporóforos 
compostos e que também dão origem a esporos assexuados (conídios). Os esporóforos 
compostos que dão origem a esporos sexuados são chamados de ascocarpos quando ascos e 
ascosporos são produzidos em seu interior e de basidiocarpos (basidióforos) quando 
basidiosporos são produzidos sobre as suas estruturas (basídias). Os ascocarpos podem ser 
divididos em peritécios, apotécios, cleistotécios e gmnotécios de acordo com seu modo de 
comunicação com o meio exterior. 
 
 
 6
5. FISIOLOGIA DOS FUNGOS 
 
5.1 Nutrição 
• Heterotróficos para carbono. 
• Tomada de nutrientes feita por absorção. 
• Produção de exoenzimas e enzimas adaptativas. 
 
5.1. Respiração 
• Aeróbios. 
• Respiração celular: Ciclo de Krebs, Cadeia Respiratória e Fosforilação Oxidativa. 
 
5.3. Fermentação 
• Oxidação parcial do substrato com produção de álcool e dióxido de carbono. 
 
5.4. Dimorfismo 
• Alguns fungos apresentam duas morfologias que variam principalmente em função da 
temperatura: filamentosos a 15o C e leveduriformes a 37o C. 
 
5.5. Reprodução 
O ciclo biológico dos fungos começa e termina no esporo, que pode ser oriundo de 
reprodução sexuada e/ou assexuada e ainda pode ser endógeno (quando produzido no interior 
de células ou hifas especializadas) e exógeno (quando produzido no exterior de células ou 
hifas especializadas). As formas conhecidas de reproduções nos fungos são: 
 
• Assexuada (Imperfeita ou Anamórfica): divisão nuclear por mitose. Ocorre puramente por 
transformações do sistema vegetativo. É importante para a propagação da espécie porque 
produz grande número de esporos, porém, a variabilidade genética é baixa e dependente de 
mutações. 
 
• Sexuada (Perfeita ou Teleomórfica): divisão nuclear por meiose. É derivada da união de 
núcleos compatíveis. É composta de três fases: Plasmogamia: fusão ou anastomose de hifas; 
Cariogamia: união de dois núcleos haplóides compatíveis (formação de núcleo diplóide); 
meiose: divisão nuclear por meiose, retornando à condição haplóide (crossing-over 
meiótico). 
 
 
 7
Esta reprodução produz baixo número de esporos (ocorrendo apenas após um período de 
“stress” ambiental), mas com grande variabilidade genética. 
 
• Ciclo Parassexuado: divisão nuclear por mitose. Não ocorre em um período ou ponto 
específico do ciclo biológico do fungo e não há formação de estruturas de reprodução. É 
composto pelas seguintes fases: plasmogamia; cariogamia.; mitose (com eventual crossing-
over mitótico). 
 
Este ciclo fornece algumas vantagens que só seriam obtidas no ciclo sexuado. Desta forma, 
um certo grau de variabilidade genética é conseguido. O Ciclo Parassexuado é muito 
importante para aqueles fungos que não se reproduzem sexuadamente e que dependem 
exclusivamente de mutações para que haja alguma variação em seu código genético. O 
homem utiliza este ciclo, aliado a mutações artificiais, fazer melhoramento genético, ou seja , 
obtenção de novas linhagens em fungos de interesse comercial, industrial e médico cuja 
reprodução sexuada não se conhece. 
 
6. CARACTERIZAÇÃO DOS FUNGOS 
 
Os fungos estão enquadrados no reino FUNGI, sendo suas principais características: 
• Eucariontes: possuem membrana nuclear, o que caracteriza os núcleos verdadeiros. No 
interior de seus núcleos, o número de cromossomos é variável, mas sempre diferente de um. 
• Unicelular ou Filamentoso; 
• Parede Celular: quitinosa e/ou celulósica; 
• Aeróbios;• Aclorofilados (não fazem fotossíntese); 
• Nutrição heterotrófica por absorção; 
• Armazenam glicogênio e não armazenam amido; 
• Reproduzem-se por esporos oriundos de reprodução assexuada ou sexuada. 
 
7. TAXONOMIA DOS FUNGOS 
A exata posição dos fungos com relação aos outros organismos tem sido motivo de muita 
discussão. Inicialmente, os fungos foram tratados como pertencentes ao reino vegetal. 
Todavia, quando comparadas, as características dos fungos se chocavam com as 
características dos demais representantes deste reino. Somado a isso, algumas características 
observadas nas células animais eram compartilhadas pelos fungos. Com o objetivo de 
minimizar as diferenças, os fungos foram então separados em um reino particular. 
 
 8
Tradicionalmente, o reino Fungi tem sido dividido em dois filos (ou divisões): o 
Myxomycota, para as forma plasmodiais, e o Eumycota (fungos verdadeiros), para as forma 
não plasmodiais que são usualmente miceliais ou leveduriformes. Os fungos verdadeiros, por 
sua vez, têm sido classificados a partir de suas relações filogenéticas e estruturas de 
reprodução sexuada nos subfilos (ou subdivisões): Basidiomycotina, Ascomycotina, 
Zygomycotina e Mastigomycotina. A exceção fica por conta do subfilo (ou subdivisão) 
Deuteromycotina que não é formada a partir de graus de parentesco e nem a partir de formas 
sexuadas de reprodução. Nele são colocados todos aqueles fungos cuja reprodução sexuada é 
inexistente ou desconhecida, independentemente de sua origem filogenética (evolutiva). Na 
maioria das vezes, os deuteromicetos são formas assexuadas de ascomicetos ou 
basidiomicetos. 
 
 
Classificação tradicional dos fungos 
 
FILO EUMYCOTA 
 
EUCARIONTES, UNICELULARES OU FILAMENTOSOS, PAREDE 
CELULAR COM QUITINA E / OU CELULOSE, AERÓBIOS, 
ACLOROFILADOS, NUTRIÇÃO HETEROTRÓFICA POR ABSORÇÃO, 
GLICOGÊNIO COMO RESERVA GLICÍDICA, REPRODUÇÃO POR 
ESPOROS PRODUZIDOS ASSEXUADA E / OU SEXUADAMENTE. 
 
 
SUBFILOFILO BASIDIOMYCOTINA MICÉLIO SEPTADO OU CÉLULAS DE LEVEDURA E ESPORO 
SEXUADO (BASIDIOSPORO) FORMADO SOBRE BASÍDIAS. 
 
 
SUBFILO ASCOMYCOTINA MICÉLIO SEPTADO OU CÉLULAS DE LEVEDURA E ESPORO 
SEXUADO (ASCOSPORO) FORMADO DENTRO DE ASCOS. 
 
 
UBFILO ZYGOMYCCOTINA MICÉLIO ASSEPTADO E ESPORO SEXUADO (ZIGOSPORO) E 
ASSEXUADO (ESPORANGIOSPORO) FORMADOS DENTRO DE 
ESPORÂNGIOS. 
 
 
SUBFILO MASTIGOMYCOTINA MICÉLIO ASSEPTADO OU FORMA UNICELULAR E ESPORO 
ASSEXUADO FLAGELADO (ZOOSPORO). 
 
 
SUBFILO DEUTEROMYCOTINA MICÉLIO SEPTADO OU CÉLULAS DE LEVEDURA E ESPORO 
ASSEXUADO NÃO FORMADO EM ESPORÂNGIOS (CONÍDIO). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 9
Com o avanço das técnicas de estudo, muitos organismos anteriormente considerados fungos 
foram retirados do reino Fungi por apresentarem características que conflitiam com aquelas 
reconhecidas para este grupo. Assim, o reino Fungi foi reestruturado e atualmente passou a 
conter os Filo Basidiomycota, Ascomycota, Zygomycota e Chytridiomycota. O antigo 
Sbufilo Mastigomycotina foi retirado do reino Fungi, pois muitos organismos considerados 
neste taxon tinha pouca relação com os fungos verdadeiros, ficando apenas a antiga classe 
dos Chytridiomycetes como filo Chytridiomycota. O subfilo Deuteromycotina foi extinto por 
não ser uma unidade monofilética e seus componentes passaram a ser designados como 
“fungos mitospóricos”. Recentemente, o termo “fungo mitospórico” foi substituído pelo o 
termo “fungo anamórfico”. É importante ressaltar que estes termos não correspondem a uma 
classificação taxonômica, mas sim, apenas a uma designação sob a qual estão agrupadas as 
formas assexuadas de alguns fungos. 
 
 
Classificação moderna dos fungos 
 
REINO FUNGI 
 
EUCARIONTES, UNICELULARES OU FILAMENTOSOS, PAREDE 
CELULAR COM QUITINA, AERÓBIOS, ACLOROFILADOS, NUTRIÇÃO 
HETEROTRÓFICA POR ABSORÇÃO, GLICOGÊNIO COMO RESERVA 
GLICÍDICA, REPRODUÇÃO POR ESPOROS PRODUZIDOS 
ASSEXUADA E / OU SEXUADAMENTE. 
 
 
FILO BASIDIOMYCOTA MICÉLIO SEPTADO OU CÉLULAS DE LEVEDURA E ESPORO 
SEXUADO (BASIDIOSPORO) FORMADO SOBRE BASÍDIAS. 
 
 
FILO ASCOMYCOTA MICÉLIO SEPTADO OU CÉLULAS DE LEVEDURA E ESPORO 
SEXUADO (ASCOSPORO) FORMADO DENTRO DE ASCOS. 
 
 
 
FILO ZYGOMYCOTA 
 
MICÉLIO ASSEPTADO E ESPORO SEXUADO (ZIGOSPORO) E 
ASSEXUADO (ESPORANGIOSPORO) FORMADOS DENTRO DE 
ESPORÂNGIOS. 
 
 
FILO CHYTRIDIOMYCOTA MICÉLIO ASSEPTADO OU FORMA UNICELULAR E ESPORO 
ASSEXUADO FLAGELADO (ZOOSPORO). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 10
Outra classificação proposta inclui os filos Basidiomycota, Ascomycota, Zygomycota e 
Deuteromycota. Nesta, nenhum dos membros do antigo subfilo Mastigomycotina é 
considerado fungo verdadeiro e, mesmo não sendo uma unidade monofilética, o antigo subfilo 
Deuteromycotina foi mantido como filo Deuteromycota. 
 
 
Classificação moderna dos fungos 
 
REINO FUNGI 
 
EUCARIONTES, UNICELULARES OU FILAMENTOSOS, PAREDE 
CELULAR COM QUITINA, AERÓBIOS, ACLOROFILADOS, NUTRIÇÃO 
HETEROTRÓFICA POR ABSORÇÃO, GLICOGÊNIO COMO RESERVA 
GLICÍDICA, REPRODUÇÃO POR ESPOROS PRODUZIDOS 
ASSEXUADA E / OU SEXUADAMENTE. 
 
 
FILO BASIDIOMYCOTA MICÉLIO SEPTADO OU CÉLULAS DE LEVEDURA E ESPORO 
SEXUADO (BASIDIOSPORO) FORMADO SOBRE BASÍDIAS. 
 
 
FILO ASCOMYCOTA MICÉLIO SEPTADO OU CÉLULAS DE LEVEDURA E ESPORO 
SEXUADO (ASCOSPORO) FORMADO DENTRO DE ASCOS. 
 
 
FILO ZYGOMYCOTA MICÉLIO ASSEPTADO E ESPORO SEXUADO (ZIGOSPORO) E 
ASSEXUADO (ESPORANGIOSPORO) FORMADOS DENTRO DE 
ESPORÂNGIOS. 
 
 
FILO DEUTEROMYCOTA MICÉLIO SEPTADO E ESPORO ASSEXUADO (CONÍDIO) NÃO 
FORMADO EM ESPORÂNGIOS OU CÉLULAS DE LEVEDURA 
GEMULANTES (BLASTOSPORO) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 11
Esquema taxonômico dos principais grupos de fungos 
 
Filo 
 
Classe 
 
 
Ordem 
 
Família 
 
Gênero 
Zygomycota 
Zygomycetes 
 
Entomophthorales 
 
Mucorales 
 
 
Entomophthoraceae 
 
Mucoraceae 
 
 
 
 
Cunninghamellaceae 
Syncephalastraceae 
 
 
Basidiobolus 
Conidiobolus 
Absidia 
Mortierella 
Mucor 
Rhizomucor 
Rhizopus 
Cunnighamella 
Syncephalastrum 
Ascomycota Hemiascomycetes Endomycetales Endomycetaceae 
Saccharomycetaceae 
 
 
Endomyces 
Lodderomyces 
Kluyveromyces 
Pichia 
Saccharomyces 
 
 Loculoascomycetes 
 
Myriangiales 
Pleosporales 
 
Saccardinulaceae 
Microascaceae 
 
Piedraia 
Pseudoallecheria boydii 
 Plectomycetes Eurothiales Gymnoascaceae Ajellomyces 
Arthroderma 
Nannizzia 
 
Basidiomycota Teliomycetes 
 
Ustilaginales Filobasidiaceae Filobasidiella 
 Hymenomycetes 
 
Aphyllophorales Schyzophillaceae Schyzophillum 
 Blastomycetes Aureobasidium 
Cryptococcus 
Candida/Torulopsis 
Malazzesia/Pityrosporum 
Rhodotorula 
Trichosporon 
Sporobolomyces 
 
Deuteromycota 
Hyphomycetes 
 
Moniliales 
 
Moniliaceae 
 
Acremonium/Cephalosporium 
Aspergillus 
Blastomyces 
Chrysosporium 
Coccidioides 
Epidermophyton 
Geotrichum 
Gliocladium 
Histoplasma 
Microsporum 
Paecilomyces 
Paracoccidioides 
Penicillium 
 
 
 
 
 
Dematiaceae 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tuberculariaceae 
 
Sepedonium 
Scopulariopsis 
Sporothrix 
Trichoderma 
Trichophyton 
Alternaria 
Cladosporium 
Curvularia 
Drechslera 
Exophiala 
Fonsecaea 
Helmintosporium 
Madurella 
Nigrospora 
Phialophora 
Rhinocladiella 
Ulocladium 
Wangiella 
Epicoccum 
Fusarium 
 
 Ceolomycetes Sphaeropsidales Phoma 
 
 12 
A classificação dos fungos está apoiada na micromorfologia das estruturas reprodutivas. 
Como alguns fungos podem se reproduzir tanto sexuada quanto assexuadamente, estes 
irão apresentar duas denominações, uma em função da morfologiasexuada e outra em 
função da morfologia assexuada. Isto ocorre por que as estruturas de reprodução 
sexuada e assexuada são morfologicamente diferentes. Assim, um mesmo fungo poderá 
ser conhecido pelo seu nome sexuado (perfeito ou teleomórfico) ou pelo seu nome 
assexuado (imperfeito ou anamórfico). Taxonomicamente, quando a reprodução 
sexuada for conhecida, deve se dar preferência de uso para o nome teleomórfico. 
Contudo, na prática, os fungos são tratados por seu nome anamórfico, já que as culturas 
são manipuladas, no laboratório clínico, na fase assexuada. 
 
 
Nomenclatura anamórfica e teleomórfica de alguns fungos de interesse médico 
 
Anamorfo 
 
Teleomorfo 
 
Anamorfo 
 
 
Teleomorfo 
 
Alternaria 
 
Clathrospora 
Leptosphaeria 
Pleospora 
 
Penicillium 
 
Eupenicillium 
Penicilliops 
Talaromyces 
Aspergillus Emericella 
Eurotium 
Sartorya 
Phialophora Gaeumannomyces 
Mollisia 
Blastomyces Ajellomyces Rhodotorula Rhodosporidium 
Candida Hansenula 
Kluyveromyces 
Leucosporidium 
Lodderomyces 
Pichia 
Saccharomyces 
Scedosporium Petrielle 
Petriellidium 
Pseudoallescheria 
Chrysosporium Arthroderma 
 
Scopulariopsis Chaetonium 
Kernia 
Microascus 
Petriella 
 
Cryptococcus Filobasidiella 
Filobasidium 
Scytallidium Handersonula 
Curvularia Cochliobolus Sepedonium Corynoascus 
Hypomyces 
Peckiella 
Thielavia 
 
Dreschslera Cochliobolus 
Pyrenophora 
Sporobolomyces Aessosporon 
 
Fusarium Calonectria 
Giberella 
Micronetriella 
Nectria 
Sporothrix Ceratocystis 
 
Geotrichum Dipodascus 
Endomyces 
Stachybotrys Melanopsamma 
 
 
 
 
 
 
 
 
 13 
Continuação 
 
Anamorfo 
 
Teleomorfo 
 
Anamorfo 
 
 
Teleomorfo 
 
Histoplasma 
 
Ajellomyces 
 
Torulopsis 
 
Debaryomyces 
Hansenula 
Kluyveromyces 
Saccharomyces 
Filobasidium 
 
Microsporum Arthroderma Trichoderma Hypocrea 
Podostroma 
Paecyllomyces Byssochlamyces 
Cephalotheca 
Thermoascus 
 
 
Em micologia médica, uma classificação (não taxonômica) orientada segundo a 
enfermidade causada por esses organismos, pode ser útil. Neste esquema, os fungos são 
agrupados em três grandes categorias: micoses superficiais (pele, pêlos e unhas), 
micoses subcutâneas (músculos, ossos e tercido conectivo) e micoses profundas ou 
sistêmicas (diversos órgãos ou tecidos: pulmões, sistema linfático e sangüineo). 
 
Classificação clínica dos agentes fúngicos 
 
Superficiais 
 
Subcutânea 
 
Sistêmica 
 
Piedra Branca 
Trichosporon beigelii 
Piedra Preta 
Piedraia hortae 
Tinea Nigra 
Exophiala werneckii 
Candidíase 
Candida spp. 
Dermatofitose 
Epidermophytom floccosum 
Microsporum spp. 
Trichophyton spp. 
Pitiríase Versicolor 
Malassezia furfur 
 
Cromoblastomicose 
Cladosporium carrionii 
Fonsecaea compacta 
Fonsecaea pedrosoi 
Phialophora verrucosa 
Rhinocladiella aquaspersa 
Esporotricose 
Sporothrix schenckii 
Micetoma Eumicótico 
Acremonium spp. 
Aspergillus nidulans 
Curvularia spp. 
Exophiala jeanselmei 
Fusarium spp. 
Madurella spp. 
Pseudallescheria boydii 
Feohifomicose 
Alternaria spp. 
Cladosporium spp. 
Curvularia spp. 
Exophiala spp. 
Phialophora spp. 
 
 
Aspergilose 
Aspergillus spp. 
Blastomicose 
Blastomyces dermatititdis 
Candidíase 
Candida spp. 
Coccidioidomicose 
Coccidioides immitis 
Cryptococcose 
Cryptococcus neoformans 
Hialohifomicose 
Acremonium spp. 
Fusarium spp. 
Paecilomyces spp. 
Penicillium spp. 
Scopulariopsis spp. 
Histoplasmose 
Histoplasma capsulatum 
Paracoccidioidomicose 
Paracoccidioides brasiliensis 
Zigomicose 
Absidia spp. 
Cunninghamella spp. 
Mucor spp. 
Rhizopus spp. 
Syncephalastrum spp. 
Basidiobolus sp. 
Conidiobolus sp. 
 
 
 
 14 
MICOLOGIA CLÍNICA 
 
 
 
1. DEFINIÇÃO: MICOSE 
A patogenicidade dos fungos tem sido relacionada com a sua capacidade de 
desenvolvimento nos tecidos do hospedeiro. A ação espoliativa dos fungos patogênicos 
pode levar a um variado quadro mórbido, genericamente, denominado de micose. 
 
1. TERMINOLOGIA 
1.1. Localização Anátomo-clínica: segundo o sítio anatômico, as micoses podem ser 
denominadas como dermatomicose (micoses da pele), otomicose (micoses do conducto 
auditivo), oftalmomicose (micoses dos olhos), onicomicose (micoses das unhas) e 
pneumomicose (micoses dos pulmões). 
 
1.1. Agente etiológico: segundo o fungo responsável, as micoses podem ser 
denominadas como aspergilose (micoses produzidas por fungos do genêro Aspergillus), 
paracoccidioidomicose (micose produzida pelo Paracoccidioides brasiliensis), 
esporotricose (micose produzida pelo Sporothrix schenckii) e etc. 
 
3. CLASSIFICAÇÃO 
3.1. Localização do processo: superficial, subcutânea e profunda 
 
3.1. Origem do processo: primária, secundária e associadas 
 
4. FATORES PRÉ-DISPONENTES 
 
4.1. Fatores biológicos 
• Hospedeiro: raça (fatores genéticos); idade (imaturidade ou degeneração do sistema 
imunológico); sexo (alterações fisiológicas: gravidez, lactação e ciclo menstrual); 
Patologias (processos infecciosos, processos metabólicos, processos neoplásicos, 
desnutrição e estados imunossupressivos). 
 
 
 15 
• Fungo: fatores indutores de fase tecidual (dimorfismo); Afinidade tecidual 
(equipamento enzimático); presença de cápsula; parasitismo intracelular; toxicidade 
(exo e endotoxinas); poder invasor (orgãos perfurantes: ação mecânica) 
 
4.1. Fatores ecológicos 
• Clima: de maneira geral as micoses são mais freqüentes em climas quentes do que 
em climas temperados e frios. Há, porém, algumas micoses em que a influência 
climática é predominante. Neste casos, o fungo só sobrevive no ambiente em condições 
climáticas estritas. 
 
• Solo: a influência da natureza do terreno sobre o desenvolvimento sapróbio dos 
fungos patogênicos, em geral, é mal estudada. Entretanto, parece haver certa relação 
entre algumas áreas de maior prevalência de micoses e a constituição do solo 
(histoplasmose ou coccidioidomicose). 
 
4.3. Fatores sociológicos 
 
• Meio Social: considera-se o solo e os vegetais como sendo o principal habitat dos 
fungos patogênicos, assim, compreende-se que a incidência das micoses seja maior no 
meio rural do que no meio urbano. 
 
• Hábitos e Costumes: podem ser um fator de predisposição ou proteção contra 
determinadas micoses. Alguns desses fatores estão ligados, por exemplo, ao vestuário, à 
segregação e à migração. 
 
• Profissão: médicos, veterinários, laboratoristas, espeleologistas, entre outros, estão 
mais expostos aos fungos patogênicos. 
 
• Higiene: é importante para a prevenção de muitas micoses, porém, pode ser um 
tanto quanto ineficaz para as doenças produzidas por fungos da microbiota. 
 
 
 
 
 
 
 16 
5. DINÂMICA DAS MICOSES 
 
5.1. Fontes de infecção e reservatórios 
• Solo 
• Vegetais 
• Animais 
• Homem. 
 
5.1. Vias de infecção 
• Inalação de elementos fúngicos em suspensão no ar 
• Traumatismo 
• Ingestão 
 
5.3. Vias de disseminação 
• Hematogênica 
• Linfática 
• Contiguidade 
 
Epidemiologia das micoses 
 
Fonte 
 
 
Porta de Entrada 
 
Micoses 
 
Sapróbica (solo, matéria 
orgânica em decomposição) 
 
Pulmão 
 
Histoplasmose 
Blastomicose 
Coccidioidomicose 
Paracoccidioidomicose 
Criptococcose 
Aspergilose 
Mucormicose 
Pseudoallescheriose 
Esporotricose 
Adiaspiromicose 
Hialohifomicose 
Feohifomicose 
 
 Epiderme e fio de cabelo 
 
Dermatofitose por fungos 
geofílicos 
 Pele e tecido subcutâneo Micetoma 
Esporotricose 
Cromoblastomicose 
Feohifomicose 
Rinosporidiose 
Entomoftoromicose 
Hialohifomicose 
Tinea nigra17 
Continuação 
 
Fonte 
 
 
Porta de Entrada 
 
Micoses 
 
Seios paranasais 
 
Mucormicose 
Aspergilose 
Feohifomicose 
Entomoftoromicose 
 
Aquática Pele e tecido subcutâneo, mucosa 
nasal e conjuntiva 
 
Rinosporidiose 
Animal Pele e pêlos 
 
Dermatofitose por fungos 
zoofílicos 
Humana Epiderme e pêlos Dermatofitose por fungos 
antropofílicos e pitiríase 
versicolor 
 
 Pele, membranas mucosas e trato 
gastrointestinal 
 
Candidíase 
 
6. TRANSMISSÃO 
6.1. Micoses superficiais: a transferência de agentes fúngicos ocorre por contacto direto 
entre indivíduos. 
 
6.1. Micoses subcutâneas e profundas: a doença adquirida por contacto direto é pouco 
freqüente. Na realidade, nestas o agente fúngico é transmitido de maneira indireta, ou 
seja, pelo contacto com solo, ambientes e objetos contaminados. 
 
7. SINTOMATOLOGIA DAS MICOSES 
7.1. Micoses pulmonares 
• Geral: sindrome gripal passageira ou pneumonia localizada em um dos lobos ou 
espalhada. Considerado como infecção inicial; 
 
• Tosse: produção mínima de escarro, dispnéia, taquipnéia e hemoptíase. A dor no 
peito é freqüentemente de natureza pleural. Roncos e fricção pleural podem ser 
detectados pela auscultação. Radiografias podem revelar pequeno infiltrado pulmonar e 
adenopatia hilar ou opacidade difusa e confluente; 
 
• Alergia broncopulamonar: sintomas característicos de asma e tosse não produtiva. 
Broncoespasmo episódico. Atalectasia causada por tampões mucóides nos bronquíolos. 
Cristais de “Charcot-Leyden” e eosinófilos no escarro. Eosinofilia do sangue periférico 
 
 18 
e reação de hipersensibilidade cutânaea aos antígenos do Aspergillus spp. Elevada 
concentração sérica de Ig G anti-Aspergillus; 
 
• Aspergiloma (bola fúngica): crescimento de uma colônia dentro de uma cavidade 
pré-formada. Hemoptíase pode ocorrer a despeito de pouca ou nenhuma invasão da 
parede da cavidade. A disseminação é rara mesmo em pacientes submetidos a terapia 
com corticóides; 
 
• Invasiva: sintomas de pneumonia aguda, febre baixa e inconstante, tosse produtiva 
ou não produtiva, dor no peito usualmente presente e dispnéia progressiva com 
respiração difícil. A ocorrência de hemoptíase pode indicar enfarto e necrose do 
parênquima pulmonar. Radiografias do tórax podem revelar um infiltrado difuso na 
região hilar, fibrose finamente nodular, abscessos multifocais ou cavitários, dependendo 
da espécie fúngica: fibrose com pontos difusos: histoplasmose; lesão periférica tipo 
moeda: coccidioidomicose; lesão cavitária: histoplasmose e coccidioidomicose; bola 
fúngica: aspergilose, pseudoallescheriose e zigomicose; alergia: Aspergillus fumigatus 
e Aspergillus flavus 
 
7.1. Micoses superficiais 
• Lesões com descamação superficial, variando no tamanho forma e coloração 
(acromia, hipopigmentação ou hiperpigmentação) na região do tórax e costas: infecção 
por Malassezia furfur (pitiríase versicolor); 
 
• Lesões descamativas, pruriginosas, eritematosas com bordos elevados e conhecidas 
com impigem: Epidermophyton floccosum, Micropsporum spp. e Trichophyton spp. 
(dermatofitoses); 
 
• Lesões descamativas, hiperqueratose, crostas, formação de escútulas: 
Trichophyton schoenleinii (tinea favosa); 
 
• Lesões descamativas ou crostosas confinadas em áreas úmidas e intertriginosas da 
pele: Candida albicans (leveduroses); 
 
 
 19 
• Lesão nodular subcutânea no sítio de infecção com espalhamento ascendente e 
evolução secundária de úlceras cutâneas no trajeto dos vasos linfáticos: Sporotrix 
schenckii; 
 
• Lesões tumefeitas subcutâneas, pustulares, ulcerosas com tratos sinuosos drenantes 
e produção de grãos: micetoma; 
 
• Lesões tumefeitas subcutâneas, verrucosas, descoloradas e hemorrágicas: 
cromoblastomicose; 
 
• Lesões purpuráceas e cistos subcutâneas: feohifomicose; 
 
7.3. Micoses do sistema nervoso central 
• Cefaléia de início insidioso que aumenta em freqüência e severidade, aconpanhada 
de náusea, irritabilidade e instabilidade mental e emocional: criptococcose; 
 
• Meningite e meningoencefalite: zigomicose em diabéticos descompensados em 
acidose; 
 
7.4. Micoses do trato urinário 
• Pielonefrites associadas com terapia de longa duração com corticóides, antibióticos, 
imunossupressores e drogas antineoplásicas ou uso prolongado de cateteres para 
drenagem urinária: candidíase; 
 
• Piúria: dor no baixo ventre, ato de urinar freqüente, cistite: candidíase; 
 
7.5. Micose ocular 
• infecção da cónea, da conjuntiva e do globo ocular após traumatismo ou interveção 
cirúrgica: aspergilose e hialohifomicose; 
 
7.6. Micoses cardíacas 
• Febre baixa, murmúreo cardíaco, ecograma positivo: candidíase, aspergilose e 
hialohifomicose; 
 
 
 
 
 20 
7.7. Micoses dos seios paranasais 
• Dor facial e hiperemia cutânea, cefaléia, febre baixa, evidência radiográfica de 
preenchimento dos seios paranasais: aspergilose, hialohifomicose e pseudoalescheriose. 
 
8. HISTOPATOLOGIA DAS MICOSES 
A resposta tecidual à agressão dos patógenos fúngicos é tão variada quanto a 
diversidade dos agentes. Nas infecções dos tecidos queratinizados (pele, pêlos e unhas), 
geralmente, a lesão é resultado de uma resposta irritativa à presença dos fungos ou de 
seus metabólitos. No caso dos organismos que invadem os tecidos vivos, como aqueles 
que causam enfermidades subcutâneas ou profundas, se produz uma resposta piogênica 
uniforme. 
 
8.1. Reações inflamatórias crônicas 
• Linfócitos, células plasmáticas, neutrófilos, fibroblastos e ocasionalmente células: 
zigomicose crônica, histoplasmose crônica e rinosporidiose 
 
8.1. Reações piogênicas 
• Agudas ou crônicas, infiltrado neutrofílico supurativo: Actinomyces israelii 
(grânulos de enxofre e histiócitos saturados de lipídios na periferia), Nocardia 
asteroides e aspergilose aguda e outras infecções oportunistas 
 
8.3. Reações piogênicas e reações granulomatosas mistas 
• Infiltrado neutrofílico e reação granulomatosa, linfócitos e células plasmáticas: 
Blastomyces dermatitidis, Paracoccidioides brasiliensis, Coccidioides immitis 
(neutrófilos ao redor de esférulas rompidas), Sporothrix schenckii (raros nos tecidos), 
cromoblastomicose (reação piogênica crônica, nódulos de células epitelióides e células 
gigante tipo corpo estranho), micetoma; além disso, podem ocorrer células gigantes 
espumosas semelhantes às do xantoma 
 
8.4. Hiperplasia pseudoepiteilomatosa (após inflamação crônica da pele) 
• Hiperplasia das células epidérmicas, hiperqueratose e alongamento das cristas 
reticulares: Blastomyces dermatitidis, Paracoccidioides brasiliensis, Coccidioides 
immitis, cromoblastomicose 
 
 21 
8.5. Granuloma histiocítico 
• Histiócitos com microrganismo intracelulares, podendo se transformar em células 
gigantes: Histoplasma capsulatum e Cryptococcus neoformans nas meninges 
 
8.6. Granuloma com caseificação 
• Reação granulomatosa, célula gigante de Langhans e necrose central: Histoplasma 
capsulatum e Coccidioides immitis 
 
8.7. Granuloma tipo sarcóide 
• Não necrosante: Cryptococcus neoformans, Histoplasma capsulatum 
 
8.8. Granuloma pulmonar fibro-caseoso 
• Parede fibrosa espessa envolvida por células epitelióides, micorganismos dentro das 
células gigantes de Langhans localizadas no centro da lesão, frequentemente ocorre 
calcificação: Histoplasma capsulatum 
 
• Parede fibrosa delgada, raramente calcificada: Coccidioides immitis 
 
• Pobremente definida: Cryptococcus neoformans 
 
8.9. Arterite trombótica 
• Trombose, necrose coagulativa purulenta, invasão dos vasos: aspergilose e 
zigomicose aguda: Aspergillus spp., zigomicose aguda 
 
8.10. Fibrose 
• Proliferação de fibroblastos, depósito de colágenos semelhante a quelóides: 
Paracoccidioideloboi 
 
8.11. Granuloma esclerosante por corpo estranho (em seios paranasais ou após 
infecção viral) 
 
• Hifas atípicas em células gigantes: Aspergillus spp. 
 
 
 
 
 22 
9. IMUNOLOGIA DAS MICOSES 
A imunidade natural contra as micoses é muito elevada, por isso, a infecção fúngica 
depende da exposição maciça de microrganismos e da resistência geral do hospedeiro. 
Esta situação está bem demonstrada por duas categorias principais de enfermidade 
micótica. A primeira, infecção por fungos patogênicos verdadeiros, ocorre em pacientes 
que se encontram em áreas endêmicas particulares e que inalam uma quantidade 
elevada de elementos fúngicos em suspensão no ar. A maior parte dessas infecções são 
assintomáticas ou resolvem com rapidez e normalmente ocorre resitência à reinfeção. 
Somente em raras ocasiões, a enfermidade chega ser grave. Por outro lado, as infecções 
oportunistas são causadas por microrganismos presentes de maneira universal que 
possuem virulência muita baixa. O estabelecimento de uma enfermidade depende 
exclusivamente da resistência do hospedeiro. Neste casos, se o paciente se recupera 
desta situação, incluindo a infecção fúngica, se observa a ocorrência de resistência não 
específica à reinfecção. 
Na atualidade, até onde se sabe, os anticorpos desempenham um papel muito pequeno 
na defesa frente as infeções micóticas. A imunidade celular parece ser a única 
resistência eficaz contra a invasão dos fungos. Esta situação está bem ilustrada pelos 
dois tipos de infecção que ocorrem em pacientes portadores de enfermidades 
linfomatosas ou que apresentam defeitos genéticos da função linfocitária. Em pacientes 
que apresentam discrasias ou defeitos da função do linfócito T são freqüentes as 
infecções fúngicas oportunistas. Se o defeito só ocorre em células B, raramente ocorrem 
enfermidades causadas por fungos, todavia, são comuns as infecções bacterianas, em 
particular, as causadas por cocos Gram positivos. A importância dos mecanismos 
celulares de defesa também se refletem nas manifestações histológicas. No hospedeiro 
normal, os fungos patogênicos produzem reações piogênicas seguidas de reação 
granulomatosas. A resposta gerada por organismos oportunistas se traduz por necrose e 
supuração e o hospedeiro não é capaz de conter os microrganismos. 
Os fungos são fracamente antigênicos. Por esta razão, na maior parte dos casos, a 
sorologia não é um bom auxílio diagnóstico ou prognóstico. Além disso, a ocorrência de 
reações cruzadas e a falta de padronização dos antígenos tornam os procedimentos 
sorológicos de emprego limitado. 
A hipersensibilidade e alergia aos fungos se manifestam de diversas formas. Uma 
alergia intensa pode ser devido a inalação de conídios. Estes podem provocar asma, 
 
 23 
enfermidades asmatiformes, fibrose e consolidação pulmonar. Os estados alérgicos 
também podem manifestar-se como processos secundários (“micedes” ou “ides”) à 
focos de infecção cutânea por dermatófitos (dermatofítides) ou candida (levedurídes). 
As lesões de “ide” ocorrem pela liberação de alérgenos fúngicos circulantes, os quais, 
em pessoas sensíveis, são capazes de provocar erupções cutâneas distantes do foco 
primário. As reações alérgicas como eritema nodoso podem ser parte da infecção 
primária de alguma enfermidade sistêmica como histoplasmose e coccidioidomicose. 
Com freqüência, a hipersensibilidade, segundo se tem demonstrado por reações 
cutâneas positivas, está relacionada a uma boa resistência à infecção ou reinfecção. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 24 
PROCEDIMENTOS LABORATORIAIS 
 
 
1. COLETA E TRANSPORTE DO ESPÉCIMEN CLÍNICO 
 
1.1. Escarro: três amostras matutinas devem ser coletadas após levantar, mas antes do 
café da manhã. Os pacientes são instruidos para lavar a cavidade bucal com água 
imediatamente antes da obtenção do escarro. A produção de escarro pode ser induzida 
por nebuliação com salina se um adequado espécimen não for produzido. O espécimen 
de escarro deve ser colocado em um frasco estéril e enviado ao laboratório no máximo 
até duas horas após coletado. Se demoras são inevitáveis, o espécimen clínico deve ser 
refrigerado a 4o C. 
 
1.1. Broncoscopia: escovamento brônqüico, lavagem broncoalveolar ou biópsia devem 
ser transportados prontamente para o laboratório em frasco fechados e estéreis. O 
escarro pós-broncoscopia deve ser coletado quando possível. 
 
1.3. Fluido cerebroespinhal: fluido cerebroespinhal deve ser coletado sempre que se 
suspeita de infecções do sistema nervoso central. Se o processamento não for imediato, 
a amostra deve ser deixada a temperatura ambiente e não refrigerada, já que o fluido 
cerebroespinhal é um adequado meio de cultura no qual os elementos fúngicos podem 
sobreviver até serem subcultivados. 
 
1.4. Urina: amostras matutinas são preferidas. Estas devem ser coletadas em frascos 
estéreis e transportadas imediatamente para o laboratório. Demoras no processamento 
não devem exceder 1 horas, todavia, se atrasos forem inevitáveis, a amotra deve ser 
mantida a temperatura de 4o C. 
 
1.5. Secreções prostáticas: algumas micoses profundas, notadamente a blastomicose e 
menos comumente a histoplasmose e coccidioidomicose, podem ser diagnosticadas pela 
coleta do líqüido prostático. A bexiga é primeiro esvasiada, em seguida, processasse 
uma massagem prostática. as secreções devem ser inoculadas diretamente em 
apropriado meio de cultura; também 5-10ml de urina devem ser coletados em um 
recipiente a parte. 
 
 
 25 
1.6. Exudatos: a pele sobre as lesões pustulares deve ser desinfectada e o exudato 
aspirado, usando uma seringa e agulha estéreis. A seringa pode servir com recipiente de 
transporte. Biópsias das lesões podem ser necessárias, se o aspirado falhar na 
recuperação dos fungos. 
 
1.7. Pele, pêlos e unhas: a lesão deve ser higienizada com gaze embebida em álcool 
70% para remover as bactérias contaminantes. As amostras de pele devem ser obtidas 
por raspados das margens das lesões com uma lâmina de bisturi ou com bordo cortante 
da lâmina de microscopia. O material de unhas infectadas deve ser coletado por 
raspagem profunda das áreas quebradiças, distróficas e descoloradas da lâmina ungueal 
e/ou dos depósitos subungueais. Os espécimens de cabelo devem ser coletados por 
arrancamento com pinça, já que o foco infeccioso se encontra no bulbo piloso, técnica 
da escova de cabelo, técnica do quadro de cabelo ou lampada de Wood. 
 
1.8. Tecidos: biópsias de sítios suspeitos devem ser transportadas em gaze estéril 
umedecida em salina ou em frasco estéril contendo salina. Os espécimens de biópsia 
devem apresentar uma área de tecido são e lesado. O material não deve estar congelado, 
desidratado ou formolisado. 
 
1.9. Sangue: coleta de sangue venoso feita por punção com seringa e agulha estéreis. 
Frasco de hemocultura bifásico (agar BHI-caldo BHI) ventilados devem ser empregados 
para cultura. 
 
Fungos patogênicos mais comuns e principais sítios anatômicos 
 
Sangue 
 
LCR 
 
Trato 
Genitourinário 
 
 
Trato 
Respiratório 
 
Pele e Anexos 
 
C. immitis 
H. capsulatum 
S. schenckii 
Candida spp. 
C. neoformans 
P. brasiliensis 
 
B. dermatitidis 
C. immitis 
H. capsulatum 
Aspergillus spp. 
Candida spp. 
C. neoformans 
S. schenckii 
 
B. dermatitidis 
C. immitis 
H. capsulatum 
Candida spp. 
C. neoformans 
 
B. dermatitidis 
C. immitis 
H. capsulatum 
P. brasiliensis 
S. schenckii 
Aspergillus spp. 
Candida spp. 
C. neoformans 
Zigomicetes 
 
 
B. dermatitidis 
C. immitis 
Dermatófitos 
H. capsulatum 
P. brasiliensis 
S. schenckii 
Aspergillus spp. 
Candida spp. 
C. neoformans 
Zigomicetes 
 
 26 
Critériosde recusa de amostras clínicas para cultivo micológico 
 
Critério para recusa 
 
Ação 
 
Sem identificação no recipiente que contém o 
material clínico ou discrepância de informação 
sobre o paciente na requisição do exame e na 
etiqueta de identificação do material clínico 
 
 
Devolver a quem enviou para esclarecimentos 
 
Esfregaço de escarro corados pelo Gram com 15 
células epiteliais por campo microscópico 
 
Quando se suspeita de uma infecção de trato 
respiratório baixo, a presença de grande quantidade de 
células epiteliais em amostras de escarro indica 
contaminação com secreções orais; isto não é 
necessariamente um critério de recusa já que se pode 
recuperar fungos patogênicos particularmente se são 
empregados meios seletivos; cada caso deve ser 
analisado individualmente 
 
 
Swab seco ou material insuficiente 
 
Pedir uma nova amostra se a condição clínica justifica; 
se uma nova amostra é viável, mas não é possível obtê-
la por e técnicas não invasivas, pode ser necessário a 
coleta por biópsias 
 
 
Amostras de urina ou escarros de 14 horas 
 
Notificar que as amostras de 14 horas são inaceitáveis e 
pedir o envia de amostras matinas com no máximo 1 
horas de colhidas 
 
 
Material adequado remetido em recipiente 
inapropriado; falta de esterilidade, presença de 
vasamentos, não refrigeração 
 
 
Pedir o reenvio de amostras em frascos apropriados 
 
1. PROCESSAMENTO DO ESPÉCIMEN CLÍNICO 
 
1.1. Pré-tratamento 
 
a. Secreções Respiratórias: lise com agentes mucolíticos (N-acetil-l-cisteína, pancreatina 
0,5%, fluimicil). É um procedimento opcional, pode melhorar a recuperação dos 
microganismos patogênicos, mas fungos contaminates também são benificiados. 
 
b. Fluidos Corporais (líquido céfalo-raquidiano, líquido sinovial): filtração (filtro de 
0,11µm) ou centrifugação (1500 a 1500g). É necessário para uma ótima recuperação, 
dev ser procedida em espécimens com volume maior que 1-1ml. 
 
c. Urina: centrifugação(1500 a 1500g). É necessária para uma ótima recuperação, 
especialmente quando se tratar de agentes de micoses profundas. 
 
 
 27 
d. Tecido: trituração com gral e pistilo ou cortes em pequenos fragmentos (zigomicetos) 
com bisturi ou tesoura estéreis. É necessário para melhorar a recuperação dos fungos 
agentes de micoses profundas. 
 
e. Unhas: macaração prolongada (pernoites) com hidróxido de potássio. É necessário 
para uma ótima recuperação de dermatófitos e outros agentes (hifomicetos e leveduras). 
 
1.1. Exame microscópico direto dos espécimens clínicos 
 
a. Azul de Alciano 
Uso: detecção de Cryptococcus neoformans 
Tempo requerido: 1 minutos 
Vantagem: quando positivo em LCR é diagnóstico 
Desvantagem: não é comumente empregado, como a tinta da china não detecta todos os 
casos 
 
b. Álcool-ácido resistência 
Uso: detecção de Mycobacteria e Nocardia spp. 
Tempo requerido: 11 minutos 
Vantagem: cora Nocardia spp e Blastomyces dermatitidis 
Desvantagem: espécimens de tecido são difíceis de interpretar poe causa da forte 
coloração de fundo 
 
c. Branco de Calcoflúor 
Uso: detecção específica de fungos 
Tempo requerido: 1 minuto 
Vantagem: pode ser misturado ao KOH; detecta fungos rapidamente como resutado de 
fluorescência brillhante (reação específica com a quitina da parede fúngica) 
Desvantagem: requer microscópio de fluorescência; prominente fundo 
fluorescente’porém o fungo apresenta uma fluorescencia mais intensa; secreções 
vaginais são difíceis de interpretar 
 
d. Giemsa 
Uso: exame de medula óssea ou esfregaço de sangue periférico 
Tempo requerido: 15 minutos 
 
 28 
Vantagem: detecção de Histoplasma capsulatum intracelular 
Desvantagem: detecção usualmente limitada ao Histoplasma capsulatum 
 
e. Gram 
Uso: detecção de bactérias 
Tempo requerido: 3 minutos 
Vantagem: empregado no exame bacterioscópico do espécimen clínico; permite a 
identificação da maioria dos fungos 
Desvantagem: alguns fungos se coram bem, outros, por exemplo o Cryptococcus 
neoformans, coram-se fracamente e exibem apenas um aspecto pontilhado. Alumas 
Nocardia isoladas falham em corar ou coram fracamente. Artefatos mimetizam as 
leveduras 
 
f. Tinta da China 
Uso: detecção de Cryptococcus neoformans 
Tempo requerido: 1 minuto 
Vantagem: quando positivo no LCR é diagnóstico de meningite 
Desvantagem: negativo em muitos casos de meningite, não confiável 
 
g. Hidróxido de Potássio 
Uso: detecção clarear o espécimen para tornar o fungo mais visível 
Tempo requerido: 5 minutos, se o clareamento não é completo, um tempo maior é 
necessário (10 minutos) 
Vantagem: rápida detecção de elementos fúngicos 
Desvantagem: requer experiência, já que os artefatos podem confundir o analista. O 
clareamento de alguns espécimens pode ser demorado (unha) 
 
h. Azul de Metileno 
Uso: detecçãodetecção do fungo em escamas de pele 
Tempo requerido: 1 minutos 
Vantagem: usualmente adicionado ao KOH, fornece contraste para a detecção dos 
elementos fúngicos 
Desvantagem: o contraste das células pode ser difícil 
 
 
 29 
l. Gromori Metanamina Silver (impregnação pela prata) 
Uso: detecção detecção de fungos em cortes histológicos 
Tempo requerido: 1 hora 
Vantagem: cora especificvamente os elementos fúngicos 
Desvantagem: método de coloração fúngica que não está usualmente disponível no 
laboratório de micologia clínica 
 
m. Papanicolaou 
Uso: exame de secreção vaginal para a presença de células malígnas 
Tempo requerido: 30 minutos 
Vantagem: citotécnico pode identificar elementos fúngicos 
Desvantagem: requer coloração especializada e analista familiarizado com essa 
coloração 
 
n. Ácido periódico de Schiff (PAS) 
Uso: detecção específica de fungos 
Tempo requerido: 10 minutos, 5 minutos adicionais se coloração com contraste for 
empregada 
Vantagem: cora elementos fúngicos bastante bem, hifas e leveduras podem ser 
prontamente distingüidos 
Desvantagem: Nocardia spp. não se coram bem, Blastomyces dermatitidis aparece 
pleomorfisado, artefatos PAS positivos podem aparecer com células de levedura 
 
o. Wright 
Uso: exame de medula óssea ou esfregaço de sangue periférico 
Tempo requerido: 7 minutos 
Vantagem: detecta Histoplasma capsulatum 
Desvantagem: detecção limitada ao Histoplasma capsulatum 
 
 
 
 
 
 
 
 
 30 
Característica dos elementos fúngicos vistos em exame direto dos espécimens clínicos 
 
 
Morfologia em 
Tecido 
 
 
Organismos 
 
Tamaho 
(µm) 
 
Aspectos Característicos 
 
Leveduras 
 
Histoplasma capsulatum 
 
1-5 
 
pequenas, ovaladas a arredondadas; 
gemulantes; frequentemente 
encontradas em cachos dentro de 
histiócitos; detecção difícil quando 
em pequenas quantidades, 
normalmente intracelulares 
 
 Sporothrix schenckii 1-6 pequenas, ovais a arredondadas ou 
em forma de charuto; gemulação 
simples ou múltipla; raramente 
vistas em espécimens clínicos 
 
 Cryptococcus neoformans 1-15 as células variam de tamanho, 
usualmente são esféricas, mas 
podem ter a forma de uma “bola de 
football americano”; gêmulas são 
normalmente simples; cápsulas 
podem ser ou não evidentes; 
raramente pseudohifas são formadas 
 
 Blsatomyces dermatitidis 8-15 as células são comumente grandes e 
esféricas, com paredes duplas e 
refratárias; gemulação normalmente 
simples, gêmulas podem manter-se 
ligadas à célula mãe, a ligação entre 
célula mãe e célula filha é estreita 
 
 Paracoccidioides 
brasiliensis 
5-60 as células são normalmente grandes 
e envolvidas por pequenas leveduras 
periféricas (leme de navio, chapéu 
de Mickey); pequenas células podem 
estar presentes e lembrar as de H. 
capsulatum 
 
Esférulas Coccidioides immitis 10-100 as esférulas variam muito no 
tamnho,algumas contêm 
endosporos, outras estão vazias; 
duas esférulas juntas podem lembrar 
células de B. dermatitidis 
gemulantes; endosporos podem 
lembrar as células de H. capsulatum, 
mas não mostram evidências de 
gemulação; as eférulas podem 
produzir múltiplos tubos 
germinativos, se a preparação direta 
for mantida em câma úmida por 
mais de 14h.; hifas podem ser 
encontradas em lesões cavitárias 
 
Esporângios Rhinosporidium seeberi 6-300 grandes com paredes espessas e 
contendo endosporos; maduros 
esporângios são maiores do que as 
esférulas de C. immitis 
 
 
 31 
Continuação 
 
Morfologia em 
Tecido 
 
 
Organismos 
 
Tamaho 
(µm) 
 
Aspectos Característicos 
 
Leveduras, 
pseudohifas ou hifas 
vedadeiras 
 
Candida spp. 
 
Levedura: 3- 
4 
Pseudohifa: 
5-10 
 
as células usualmente exibem 
simples gemulação; pseudohifas 
quando presentes apresentam 
constricções nos pntos de 
constricções e matêm-se unidas com 
“cordão de salsichas”; hifas 
verdadeiras quando presentes têm 
paredes paralelas e são septadas 
 
Leveduras e hifas Malassezia furfur Levedura: 3- 
8 
Hifa: 1,5-4 
elementos hifálicos curtos e 
encurvados estão presentes com 
cachos de células de leveduras 
esféricas 
 
Hifas septadas 
largas 
Zygomycetes 10-30 hifas são grandes, em forma de fita, 
freqüentemente encurvadas, 
ocasionalmente septadas e com 
ramificações em ângulo reto; 
pequenas hifas podem ser 
confundidas com as do Aspergillus 
spp., particularmente A. flavus 
 
Hifas septadas 
hialinas 
Dermatófitos: 
Pele e unhas 
 
 
 
 
Pêlos 
 
 
3-15 
 
 
 
 
3-5 
 
hifas hialinas septadas são 
comumente vistas; cadeias de 
artrosporos podem estar presentes 
 
artrosporos na periferia do fio de 
cabelo, produzindo uma bainha que 
indica infecção ectotrix; artropsoros 
formados pela fragmentação de hifas 
dentro do fio de cabelo são 
indicativos de infecção endotrix; 
filamentos hialinos longos ou canais 
dentro dos pêlos são indicativos de 
favus 
 
 Aspergillus spp. 3-11 as hifas são septadas e exibem 
ramificação dicotômica com ângulo 
de 45o; grandes hifas atípicas podem 
lembrar as de zigomicetos 
 
 Geotricchum spp. 4-11 hifas e artrosporos retangulares 
estão presentes; formas irrregulares 
podem ser observadas 
 
 Trichospporon spp. 1-4/8 hifas e artrosporos retangulares a 
ovalados estão presentes; 
blastosporos podem ser difíceis de 
ser em observados 
 
 
 
 
 32 
Continuação 
 
Morfologia em 
Tecido 
 
 
Organismos 
 
Tamaho 
(µm) 
 
Aspectos Característicos 
 
 
Penicillium spp. 
Scopulariopsis spp. 
Paecilomyces spp. 
Fusarium spp. 
Pseuallescheria boydii 
 
 
 
hifas são septadas e impossíveis de 
distingüir das outras dos demais 
fungos hialinos, p.ex. Aspergillus 
spp. 
 
 
Hifas septadas 
demáceas 
 
Alternaria spp. 
Bipolaris spp. 
Cladosporium spp. 
Curvularisa spp. 
Drechslera spp. 
Exophiala spp. 
Phialophora spp. 
Wangiella dermatitidis 
 
1-6 
 
hifas demáceas polimórficas são 
vistas; células gemulantes com 
septos simples e cadeias de células 
arredondadas e entumescidas podem 
estar presentes; ocasionalmente 
agragados podem ser encontrados 
em infecção por Phialophora e 
Exophiala 
 
 
Corpúsculos 
Muriformes 
 
Cladosporium carrionii 
Fonsecaea compacta 
Fonsecaea pedrosoi 
Phialophora verrucosa 
Rhinocladiella aquaspersa 
 
5-10 
 
células de paredes marrom e 
espessas, arredondadas e 
pleomórficas asseptadas, unissetadas 
e septadas em dois planos; 
comumente as células contêm duas 
divisões que formam 4 células; 
ocasionalmente hifas septadas 
ramificadas podem ser encontradas 
além dos corpúsculos muriformes 
 
Grânulos Acremonium falciforme 
Acremonium kiliensi 
Acremonium recifei 
 
Curvularia geniculata 
Curvularia lunata 
 
Aspergillus nidulans 
 
 
Exophiala jeanselmei 
 
 
 
 
 
 
100-300 
 
 
 
500-1000 
 
 
65-160 
 
 
100-300 
 
 
 
 
 
 
grânulos brancos, macios sem matriz 
cementada 
 
 
grânulos negros, duros com matriz 
cementada na periferia 
 
grânulos negros, macios, sem matriz 
cementada 
 
grânulos negros, macios, 
vacuolados, sem matriz cementada, 
formados a partir de hifas escuras e 
células entumescidas 
 
 
 Fusarium moniliforme 
Fusarium solani 
 
Leptosphaeria senegalensis 
Leptosphaeria tompkinsii 
100-500 
300-600 
 
400-600 
500-1000 
grânulos brancos e macios, sem 
matriz cementada 
 
grânulos negfros, duros, com matriz 
cementada; periferia composta de 
células poligonais; centro formado 
por rede de hifas 
 
 
 
 
 
 33 
Continuação 
 
Morfologia em 
Tecido 
 
 
Organismos 
 
 
Tamaho 
(µm) 
 
Aspectos Característicos 
 
 
Madurella grisea 
 
 
 
 
 
50-500 
 
 
 
 
 
grânulos negros e macios, sem 
matriz cementada; periferia 
composta de células poligonais 
entumescidas; centro formado por 
rede de hifas 
 
 
 
Madurella mycetomatis 
 
100-
900 
 
grânulos negros a marrons-escuros, 
duros que podem ser de dois tipos: 
marrom ferrugem, compacto e 
preenchido com matriz cementada 
marrom escuro e preenchido 
com numerosas vesículas (6-
14µm), matriz cementada na 
periferia e área central de hifas 
claras 
 
 
Neotestudina rosatii 
 
300-600 
 
grânulos brancos com matriz 
cementada presente na periferia 
 
 Pseudoallescheria boydii 100-300 grânulos brancos, macios, 
compostos de hifas e células 
entumescidas na periferia dentro de 
uma matriz cementada 
 
 Pyrenochaeta romeroi 300-600 grânulos negros, macios, compostos 
de células poligonais entumescidas 
na periferia; centro formado por rede 
de hifas; sem matriz cementada 
 
 
3. CULTURA 
 
3.1. Meios de cultura 
a. Isolamento primário 
• Agar de Sabouraud 1% (SDA): recuperação primária de fungos sapróbios e 
patogênicos (não aconselhável) 
• Agar infusão de cérebro-coração (BHIA): recuperação primária de fungos sapróbios 
e patogênicos 
• Agar infusão de cérebro-coração com cloranfenicol e cicloheximida: recuperação 
primária de fungos sapróbios e patogênicos, excluindo-se os dermatófitos 
• Agar de Sabouraud e Agar BHI (SABHI): recuperação primária de fungos 
sapróbios e patogêncios 
• Agar mycosel: principal meio de recuperação primária de dermatofitos 
 
 34 
• Frasco de hemocultura bifásico (agar BHI e caldo BHI): recuperação primária de 
fungos do sangue 
 
Meios de cultivo para recuperação de fungos de amostras clínicas 
 
Sangue medula óssea 
 
• agar infusão de cérebro-coração com ou sem sangue de 
carneiro 
 
 
LCR 
 
• agar infusão de cérebro-coração com ou sem sangue de 
carneiro 
 
 
Pele, pêlos e unhas 
 
• agar mycosel 
 
 
Membranas mucosas 
 
• agar de Sabouraud com infusão de cérebro-coração; 
• agar infusão de cérebro-coração com ou sem sangue de 
carneiro, gentamicina e cloranfenicol; 
• agar infusão de cérebro coração com ou sem sangue de 
carneiro, gentamicina, cloranfenicol e cicloheximida. 
 
 
Abscessos, úlceras e lesões subcutâneas 
 
• agar de Sabouraud com infusão de cérebro-coração; 
• agar infusão de cérebro-coração com ou sem sangue de 
carneiro, gentamicina e cloranfenicol; 
• agar infusão de cérebro-coração com ou sem sangue de 
carneiro, gentamicina, cloranfenicol e cicloheximida. 
 
 
Escarro e secreções pulmonares 
 
• agar de Sabouraud com infusão de cérebro-coração; 
• agar infusão de cérebro-coração com ou sem sangue de 
carneiro e gentamicina e cloranfenicol; 
• agar infusão de cérebro-coração com ousem sangue de 
carneiro, gentamicina, cloranfenicol e cicloheximida; 
• agar semente de niger. 
 
 
Estomatite 
 
• agar de Sabouraud com infusão de cérebro-coração; 
• agar infusão de cérebro-coração com ou sem sangue de 
carneiro, gentamicina e cloranfenicol; 
• agar infusão de cérebro-coração com ou sem sangue de 
carneiro, gentamicina, cloranfenicol e cicloheximida. 
 
 
Biópsia 
 
• agar de Sabouraud com infusão de cérebro-coração; 
• agar infusão de cérebro-coração com ou sem sangue de 
carneiro, gentamicina e cloranfenicol; 
• agar infusão de cérebro-coração com ou sem sangue de 
carneiro, gentamicina, cloranfenicol e cicloheximida. 
 
 
Urina 
 
• agar de Sabouraud com infusão de cérebro-coração; 
• agar infusão de cérebro-coração com ou sem sangue de 
carneiro, gentamicina e cloranfenicol; 
• agar infusão de cérebro-coração com ou sem sangue de 
carneiro, gentamicina, cloranfenicol e cicloheximida; 
• agar semente de niger. 
 
 
 
 
 35 
Antimicrobianos adicionados aos meios micológicos 
 
ANTIMICROBIANOS 
 
CONCENTRAÇÃO NO MEIO 
 
Antibacterianos 
Cloranfenicol 16µg/ml 
Gentamincina 5µg/ml 
Antifúngico 
Cicloheximida 500µg/ml 
 
b. Isolamento secundário 
• Agar milho com tween 80: identificação de Candida albicans por produção de 
clamidosporos; identificação de outras leveduras por micromorfologia 
• Agar base nitrogênio-leveduras (YNB): identificação de leveduras por 
determinação de assimilação de açúcares 
• Agar base carbono-leveduras (YCB): identificação de espécies de Cryptococcus 
pela redução de nitratos 
• Agar semente de niger: recuperação e identificação de Cryptococcus neoformans 
• Agar ascosporos: detecção de ascosporos em leveduras ascosporogênicas 
• Agar uréia: detecção de espécies de Cryptococcus neoformans; diferenciação de 
Trichophyton mentagrophytes e Trichophyton rubrum; detecção das espécies de 
Trichosporon 
• Agar batata dextrosado: demontração da produção de pigmentos por Trichophyton 
rubrum 
• Meio de arroz: identificação de Microsporum audoiunii 
• Agares “tricofitons” 1-7: identificação dos membros do gênero Trichophyton 
• Agar Czapeck: recuperação e identificação diferencial de espécies de Aspergillus e 
Penicillium 
 
 
 
 
 
 
 
 
 36 
Meios aconselháveis para subcultura de fungos 
 
Grupo 
 
 
Meios de cultivo 
 
Zygomycetes 
 
agar milho 
agar de Sabouraud 1% 
 
 
Fungos hialinos 
 
agar milho 
agar de Sabouraud 
 
 
Aspergillus spp. 
 
agar Czapec-Dox 
 
 
Dermatófitos 
 
agar de Sabouraud 
 
 
Fungos demáceos 
 
agar milho 
 
 
Fungos dimórficos 
 
agar infusão de cérebro-coração 
 
 
 
Comparação: Placas x Tubos 
 
Característica 
 
Placa 
 
Tubo 
 
Área superficial 
 
grande (aproximadamente 
7500mm1 para 100mm de 
placa) 
 
pequena (aproximadamente 
1500mm1 por tubo de 
15x115mm) 
 
Suprimento de oxigênio 
 
bom 
 
pobre 
 
Taxa de desidratação do 
meio 
 
rápida 
 
lenta 
 
Segurança no manuseio 
 
pobre 
 
boa 
 
Possibilidade de 
disseninação de fungos 
 
grande 
 
pequena 
 
Detecção de culturas mistas 
 
fácil 
 
difícil 
 
Taxa de Crescimento 
 
Grupo 
 
Taxa de crescimento (dias) 
 
Fungos 
 
Crescimento rápido 
 
<5 
 
sapróbios, oportunistas e leveduras 
 
Crescimento intermediário 
 
6-10 
 
oportunistas, subcutâneos e 
dermetófitos 
 
Crescimento lento 
 
>11 
 
sistêmicos e subcutâneos 
 
 
 37 
Distinção entre fungos contaminantes e patogênicos 
 
São os sintomas da infecção consistentes com os sintomas de uma infecção fúngica ? 
 
Os elemtos fúngicos foram visualizados no tecido ou em outro material obtido da lesão ? 
 
Houve crescimento fúngico a partir da cultura do material clínico ? 
 
Houve mais de uma cultura positiva para a mesma espécie fúngica ? 
 
O fungo isolado é capaz de causar os sintomas observados na infecção sob investigação ? 
 
3.1. Inoculação nos meios de cultura 
 
a. Equipamentos 
• Alça em “L” (dobrada em ângulo reto): fungos filamentosos 
• Alça em “gota” (bacteriológica): fungos leveduriformes 
• Alça de Drigalski: espalhamento sobre o meio de cultura 
• Alça de Hockey: espalhamento sobre o meio de cultura 
 
b. Técnicas de inoculação 
• Esgotamento sobre a superfície do meio: fungos leveduriformes 
• Perfuração do meio: fungos filamentosas 
 
3.4. Tempo de incubação 
• Uma semana para fungos sapróbios e oportunistas 
• Duas semanas para os dermatófitos 
• Quatro semanas até 11 semanas para os fungos patogêncios (dimórficos) 
 
3.5. Temperatura de incubação 
• Temperatura ambiente ou 30o C para isolamento primário 
• Trinta e sete graus para obtenção do dimorfismo 
 
4. PROCEDIMENTOS GERAIS 
 
4.1. Escarro e secreções respiratórias: selecione as partes mais purulentas, 
sanguinolentas, caseosas e necróticas. Se a amostra é muito viscosa, deve-se 
 
 38 
homogeneizar pela adição de NALC; NAOH e outros agentes de digestão química, 
usados para o processamento de espécimens suspeitos de tuberculose, não devem ser 
empregados. Prepare uma montagem úmida da amostra para realização de exame direto 
e inocule 0,5ml no meio de cultura empregado; como as secreções são freqüentemente 
contaminada com bactérias, meios contendo antibióticos devem ser empregados; uma 
cobinação de meios seletivos, tal como BHIA com cloranfenicol e cicloheximida, e não 
seletivos, tal como SABHI, devem ser utilizada. 
 
4.1. LCR: as amostras podem ser centrifugadas a 1500-100g por 10 minutos e o 
sedimento inoculado sobre a superfície do meio de cultura não seletivo (SABHI); 
havendo pouca quantidade disponível, inocule no meio 3-4 gotas de espécimen clínico; 
montagens com tinta da china (nigrosina) devem ser preparadas quando o C. 
neoformans for suspeito; para preparar a montagem microscópica tanto uma gota do 
sedimento centrifugado quanto uma alíquota do material in natura devem ser 
misturadas a uma gota de tinta china sobre a lâmina; uma lamínula é aplicada e a 
preparação microscópica e examinada para a presença de leveduras gemulantes com 
cápsulas. 
 
4.3. Urina: entorno de 10 ml de urina deve ser centrifugado e 0,5 ml de sedimento deve 
ser inoculado tanto em agar não seletivo (SABHI) quanto em meios seletivos (BHIA 
com cloranfenicol e cicloheximida); montagens diretas podem ser preparadas e 
examinadas microscopicamente para a presença de leveduras e hifas. 
 
4.4. Pele, pêlos e unhas: escamas de pele, fragmentos de unha e fios de cabelos 
arrancados podem ser examinados em preparações microscópicas com KOH; o 
propósito do KOH é clarear ou macerar as estruturas proteináceas e escleróticas que 
podem dificultar a visualização dos elementos fúngicos (a maceração pode ser acelerada 
pelo rápido aquecimento da lâmina sobre a chama do bico de Bunsen); uma lamínula é 
aplicada e os espécimens são examinados para a presença de hifas estreitas e regulares 
que caracteristicamente se quebram em artrosporos; a visualização da hifa é melhorada 
pela adição de calcoflúor ao KOH (microscópio de fluorescência); em pêlos o arranjo 
dos esporos na superfície do pêlo (ectotrix) e intrapilarmente (endotrix) podem ser 
vistos; fragmentos de hifas podem ser também encontrados dentro dos pêlos; escamas 
de pele, fragmentos de unha e pêlo devem ser colacados diretamente sobre a superfície e 
dentro do agar mycosel com uma alça em “L”; as áreas inoculadas devem ser 
 
 39 
examinadas em intervalos freqüentes para o desenvolvimento de colônias; as culturas 
devem ser mantidas por pelo menos 30 dias antes de descartar como negativas. 
 
4.5. Tecido: o processamentodos espécimens de tecido pode ser feito a partir da 
trituração com gral e pistilo (não recomendável) ou a partir de cortes com tesoura ou 
bisturi estéreis; os fragmentos (1mm3) devem ser inoculados diretamente sobre o meio 
de cultura e abaixo de sua superfície; homogeneizados de tecido, medula óssea ou 
centrifugados de espécimens clínicos (5-10 ml) devem ser depositados sobre meios não 
seletivos (SABHI), já que esses espécimens são normalmente estéreis e meios com 
antimicrobianos não são necessários. 
 
4.6. Sangue: frascos de hemocultura bifásicos (agar BHI e caldo BHI. 
 
5. IDENTIFICAÇÃO DOS FUNGOS 
 
5.1. Fungos filamentosos 
 
a. Exame Macroscópico: 
A morfologia colonial deve ser interpretada com cautela, pois fatores como tipo de meio 
de cultura, temperatura de incubação e tempo de incubação interferem no aspecto 
macroscópico das culturas fúngicas. As características a serem investigadas são: 
 
• Textura: algodonosa; velutina; granular; pulverulenta ou glabrosa 
• Topografia: rugosa; umbeliforme; umbilicada ou verrucosa 
• Coloração: negra; cinza; branca; marrom; amarela; creme; laranja; verde; violeta ou 
vermelha 
 
b. Exame microscópico 
A observação da micromorfologia reprodutiva dos fungos filamentosos é a base do 
diagnóstico micológico. 
• Exame microscópico direto: um fragmento de cultura é retirado da colônia em tubo 
ou placa e montado sobre lâmina e lamínula com líquido de montagem apropriado 
(lactofenol de Aman ou lactofenol com azul de algodão) e observado em microscópio 
óptico com objetivas de 10x e 40x e luz de baixa intensidade. O exame microscópico 
 
 40 
direto é de preparação fácil e rápida e normalmente é suficiente para a identificação de 
muitos fungos isolados no laboratório. A principal desvantagem do método é a 
desorganização das estruturas morfológicas durante a preparação da montagem 
microscópica. 
 
• Microcultivo em lâmina: o cultivo de fungos em meios sólidos (agar de Sabouraud) 
ou líquidos (caldo de Sabouraud) depositados diretamente sobre lâminas e/ou lamínulas 
preservam as estruturas morfológicas, já que não se manipula diretamente os elementos 
fúngicos. A principal desvantagem do método é a demora no diagnóstico, pois há a 
necessidade de se esperar o crescimento da microcultura. A observação microscópica é 
feita como no exame direto. 
 
• Corantes: lactofenol com azul de algodão: fungos hialinos; lactofenol de Aman: 
fungos demáceos 
 
Métodos complementares para a identificação de fungos filamentosos 
 
Teste ou Procedimento 
 
Aplicação 
 
Fungos 
 
Dimorfismo 
 
Permite diferenciar os fungos dimórfico 
pela obtenção de sua fase leveduriforme 
ou de esférulas quando cultivados à 
tempratura de 37o C 
 
 
Blatomyces dermatitidis 
Coccidioides immitis 
Histoplasma capsulatum 
Paracoccidioides brasiliensis 
Sporothrix schenckii 
 
 
Exoantígeno 
 
Permite a identificação específica de 
vários fungos por imunodifusão 
 
 
Blastomyces dermatitidis 
Coccidioides immitis 
Histoplasma capsulatum 
 
 
Taxa de Crescimento 
 
Permite diferenciar os fungos pela 
velocidade des crescimento que 
apresentem 
 
Fungos oportunistas: rápido 
Dermatófitos: intermediário 
Fungos sistêmicos: intermediário a 
lento 
 
 
Termo-tolerância 
 
Permite diferenciar as espécies 
patogênicas que apresentam habilidade 
de crescimento em temperaturas 
elevadas 
 
Absidia corymbifera: 45-50o C 
Aspergillus fumigatus: 48-50o C 
Cladosporium batianum: 41-43o C 
Cladosporium trichoides: 37-41o C 
Cunnighamella bertholletie: 41o C 
Cunnighamella elegans: 40o C 
Rhizomucor pusillus: 50-55o C 
Rhizopus microsporus: 45o C 
Rhizopus oryzae: 45o C 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 41 
Continuação 
 
Teste ou Procedimento 
 
Aplicação 
 
Fungos 
 
Resistência à Cicloheximida 
 
Permite diferenciar as espécies 
patogênicas a partir da capacidade de 
crescimento em agar mycosel a 30o C 
 
 
Epidermophyton floccosum 
Microsporum spp. 
Trichophyton spp. 
Blatomyces dermatitidis 
Coccidioides immitis 
Histoplasma capsulatum 
Paracoccidioides brasiliensis 
Sporothrix schenckii 
 
 
Demonstração de Balistosporos 
 
Permite diferenciar alguns fungos da 
classe dos Zygomycetes pela produção 
de esporos que são lançados 
violentamente e aderem na parede do 
tubo ou placa 
 
 
Basidiobolus ranarun 
Conidiobolus coronatus 
 
Perfuração do Fio de Cabelo 
 
Permite diferenciar o Trichophyton 
mentagrophytes e o Trichophyton 
rubrum quando cultivados em fios de 
cabelo esterilizados por autoclavação em 
tubo ou placa 
 
 
T. mentagrophytes: perfurações 
cônicas no fio de cabelo, observadas 
em microscópio óptico 
T. rubrum: não produz perfurações 
no pêlo 
 
 
Urease 
 
Permite diferenciar o Trichophyton 
mentagrophytes e o Trichophyton 
rubrum quando cultivados em agar uréia 
de Christensen 
 
 
T. mentagrophytes: urease positivo 
T. rubrum: urease negativo 
 
Agares “Tricofitons” 1-7 
 
Permite diferenciar nutricionalmente 
alguns membros do gênero Trichophyton 
quando cultivados em uma série de 
meios com ou sem nutrientes agregados 
 
 
T. tonsurans e T. violaceum: tiamina 
T. equinum: ácido nicotínico 
M. megninii: histidina 
 
Crescimento em Arroz 
 
Permite diferenciar o Microsporum canis 
e o Microsporum audouinii quando 
cultivados em meios de arroz a 30o C 
 
 
M. canis: crescimento 
M. audouinii: sem crescimento 
 
Produção de Pigmentos 
 
Permite diferenciar o Trichophyton 
rubrum do Trichophyton mentagrophytes 
quando cultivados em agar batata 
dextrosado ou agar milho com 1% de 
glicose e o Microsporum persicolor do 
Trichophyton mentagrophytes quando 
cultivados em agar peptona 1% 
 
 
T. rubrum: pigmento cor de vinho 
M. persicolor: pigmento cor de rosa 
T. mentagrophytes: sem pigmentos 
 
 
Assimilação de Nitrato 
 
Permite diferenciar a Wangiella spp. das 
outras espécies de fungos dematiáceos 
 
 
Wangiella dermatitidis: negativo 
Exophiala jeanselmei: positivo 
 
Proteólise 
 
Permite diferenciar alguns patógenos 
dematiáceos de sapróbios quando 
cultivados em caldo contendo gelatina a 
11% 
 
 
Fonsecaea spp.: negativo 
Cladosporium spp.: positivo 
 
Tolerância ao Cloreto de Sódio 
 
Permite diferenciar alguns fungos 
dematiáceos quando cultivados na 
presença de 15% de NaCl 
 
 
Exophiala werneckii: positivo 
Exophiala jeanselmei: negativo 
 
 
 
 42 
5.1. Identificação dos fungos leveduriformes 
 
a. Exame Macroscópico 
É menos distintivo para as espécies de levedura. Também aqui a morfologia colonial 
deve ser interpretada com cautela, pois os mesmos fatores (tipo de meio de cultura, 
temperatura de incubação e tempo de incubação) que interferem no aspecto 
macroscópico das culturas filamentosas influenciam as características 
macromorfológicas das colônias levedudriformes. Normalmente, essas colônias têm 
uma aparência mucóide ou pastosa e uma topografia lisa ou rugosa. Como nas colônias 
filamentosas, diversas cores podem ser descritas, todavia, as colônias de coloração 
esbranquiçadas são as mais frequentemente encontradas. 
 
b. Exame Microscópico 
Por terem poucas estruturas micromorfológicas que permitam a identificação das 
espécies, o exame microscópico deve ser acompanhado de estudo do pefil biquímico. 
Empregando-se microscópico óptico, objetivas de 10x e 40x e luz de baixa intensidade, 
a observação microscópica pode ser procedida em preparações diretas e/ou em 
microcultivos corados com azul de algodão. Células de levedura, blastosporos, 
pseudohifas, clamidosporos, artrosporos e hifas vedadeiras são as estruturas 
visualizadas. 
 
Métodos de identificação defungos leveduriformes 
 
Teste ou Procedimento 
 
Aplicação 
 
Fungos 
 
Morfologia em Agar Milho 
 
Permite a diferenciação 
micromorfológica de algumas 
leveduras a partir da produção em 
agar milho com tween 80 de 
blastosporos, pseudohifas, 
blastosporos, clamidosporos, hifas 
verdadeiras e/ou artrosporos 
 
 
C. albicans: pseudohifas, 
blastosporos e clamidosporos 
 
Candida spp.: pseudohifas e 
blastosporos 
 
Trichosporon spp.: hifas e 
artrosporos 
 
Geotrichum spp.: hifas e 
artrosporos 
 
Cryptococcus spp.: blastosporos 
 
Candida glabrata: blastosporos 
 
Saccharomyces spp.: blatosporos 
 
Hansenula spp.: blastosporos 
 
 
Tubo Germinativo 
 
Permite diferenciar a Candida 
albicans pela produção de tubo 
germinativo em 0,5ml de soro 
sanguíneo ou clara de ovo a 37o C 
por 1-3 horas 
 
C. albicans: tubo germinativo 
positivo 
 
 43 
Continuação 
 
Teste ou Procedimento 
 
Aplicação 
 
Fungos 
 
Tinta da China 
 
Permite a diferenciação de 
leveduras patogênicas pela 
detecção de cápsulas em coloração 
de contraste com tinta da china 
 
 
Cryptococcus neoformans: tinta 
da china positiva 
 
Assimilação de 
Carbohidratos 
 
Permite a identificação definitiva 
das espécies de levedura a partir do 
de padrões de assimilação de 
açúcares obtidos em meios sólidos 
(YNB) 
 
 
Tabela de valores: crescimento 
(+), sem crescimento (-) 
 
Fermentação de 
Carbohidratos 
 
Permite a diferenciação de 
espécies de levedura a partir de 
padrões de fermentação de 
açúcares obtidos em meios 
líquidos 
 
 
Tabela de valores: produção de 
gás (+), sem produção de gás (-) 
 
Assimilação de Nitrato 
 
Permite a diferenciação de 
espécies de Cryptococcus pela 
redução do nitrato de potássio 
obtida em meios sólidos (YCB) ou 
pelo teste rápido da nitrato-
redutase 
 
 
C. albidus e C. terreus: positivos 
 
Hidrólise da Uréia 
 
Permite a diferenciação de 
espécies de leveduras patogênicas 
a partir da produção de urease 
verificada em agar uréia de 
Christensen, teste rápido da urease 
ou teste rápido urease -seletivo 
 
 
Cryptococcus neoformans: 
positivo 
 
Trichoporon spp.: positivo 
 
Detecção da Fenol-oxidase 
 
Permite a diferenciação de 
espécies patogênicas de levedura a 
partir da síntese de fenol-oxidase 
verificada pela produção de 
colônias negras ou marrons em 
agar semente de niger 
 
 
Cryptococcus neoformans: 
positivo 
 
Formação de Ascosporos 
 
Permite diferenciar espécies de 
levedura pela produção de 
ascosporos em meio ascosporo-
indutor 
 
 
Saccharomyces e Hansenula: 
ascosporo positivo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 44 
Continuação 
 
Teste ou Procedimento 
 
Aplicação 
 
Fungos 
 
Crescimento a 37o C 
 
Permite a diferenciação de 
espécies patogênicas de levedura 
pela demonstração de termo-
tolerância em agar de Sabouraud a 
37o C 
 
Candida albicans: positivo 
 
Cryptococcus neoformans: 
positivo 
 
Trichospporon beigelii: positivo 
 
Saccharomyces cerevisiae: 
positivo 
 
Geotrichum candidum: negativo 
 
 
Formação de Película 
 
Permite a diferenciação de 
espécies de levedura pela 
habilidade de formação de película 
superficial em caldo de Sabouraud 
Candida tropicalis: positivo 
 
Candida krusei: positivo 
 
Trichoporon spp.: positivo 
 
Geotrichum candidum: positivo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fungos Leveduriformes 
(Cultura Pura) 
Tinta da China + 
Candida albicans Agar Milho 
(Micromorfologia) 
Tubo Germinativo 
 + - 
Blastosporos Pseudohifas, Blastosporos 
e Clamidosporos 
Pseudohifas e Blastosporos Hifas e Artrosporos 
Urease 
 + - 
Candida albicans 
Candida spp. 
Urease 
 
 + - 
Assimilação de 
Carbohidratos 
Trichosporon 
(presença de 
blastosporos) 
Geotrichum 
(ausência de 
blastosporos) 
 
Assimilação de 
Inositol 
 
 + - 
Ascosporos 
 
 + - 
Assimilação de 
Nitrato 
 + - 
Rhodotorula 
(ausência de balistosporos) 
Assimilação de 
Carbohidratos 
Agar Semente de Niger 
 
 + - 
Cryptococcus spp. 
(identificação final) 
Cryptococcus 
neoformans 
Assimilação de 
Carbohidratos 
Cryptococcus spp. 
(identificação final) 
Assimilação de 
Carbohidratos 
Saccharomyces e 
Hansenula 
Assimilação de 
Carbohidratos 
Candida 
glabrata 
Outros Padrões de 
Assimilação 
Candida spp. 
 
 46 
5.3. Diagnóstico histopatológico 
Colorações úteis para o diagnóstico histopatológico das micoses 
 
 
Coloração 
 
Cor do Fungo 
 
Vantagens 
 
Limitações 
 
 
Hematoxilina & Eosina 
 
 
Rosa a rosa azulado 
 
Mostra a resposta tecidual; cora alguns 
fungos; não mascara a coloração natural 
fúngica; revela o fenômeno de Splendore-
Hoppli 
 
 
Muitos fungos são pobremente corados ou não se 
coram 
 
Gormori-Grocott 
 
 
Marron escuro sobre um fundo 
verde claro 
 
Os fungos são mais prontamente detectados 
 
Mascara a coloração fúngica natural e pode encobrir 
detalhes internos dos fungos; a resposta tecidual pode 
ser detectada 
 
 
Ácido Periódico de 
Schiff 
 
 
Rosa avermelhado sobre um 
fundo verde 
 
Os fungos são mais prontamente detectados 
 
Mascara a coloração fúngica natural e pode encobrir 
detalhes internos dos fungos; a resposta tecidual pode 
ser estudada; muitos elementos teciduais também se 
coram 
 
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Gridley 
 
 
Vermelho púrpura sobre um 
fundo amarelo 
 
Os fungos são mais prontamente detectados; 
detalhes morfológicos dos fungos são 
visíveis 
 
Mascara a coloração fúngica natural; fungos não 
viáveis no momento da fixação tecidual podem não ser 
corados 
 
 
 
Mucicarmin de Mayer 
 
Cápsula de Cryptococcus 
neoformans vermelha sobre um 
fundo púrpura 
 
Permite a diferenciação do C. neoformans das 
outras leveduras 
 
Não é específica para C. neoformans e algumas células 
podem não se corar; o Rhinosporidium seeberi e o 
Blastomyces dermatitidis podem ser corados 
 
 47 
5.4. Diagnóstico imunológico 
Testes imunológicos para a detecção de micoses sistêmicas 
 
 
 
 
 
 
Micoses Sistêmicas 
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Aspergilose 
 
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Blastomicose X X X X X X X X 
Candidíase X X X X X X 
Coccidioidomicose X X X X X X X X 
Criptococose 
 X X X X X 
Histoplasmose X X X X X X X X X 
Paracoccidioidomicose X X X X X X X 
Esporotricose X X X X X X X X 
ASPERGILOSE 
 
a. SINONÍMIA: sem referência 
 
b. DEFINIÇÃO: a aspergilose é um espectro de doenças causadas por membros do genêro 
Aspergillus. A manifestação clínica e a severidade da doença dependem do estado fisiológico 
do paciente e da espécie de Aspergillus envolvida. Hospedeiros com resistência diminuída 
por doença debilitante, quimioterapia, perda da microbiota normal e imunocomprometimento 
pelo uso de antimicrobiano e esteróides podem predispor o paciente à colonização e/ou à 
doença invasiva. Aspergillus spp. são frequentemente patógenos secundários oportunísticos 
em pacientes com bronquiectasia, carcinomas, outras micoses e tuberculose. 
 
c. FORMAS CLÍNICAS: colonização; infecção; alergias e toxicoses. 
 
d. PROGNÓSTICO E TRATAMENTO: o prognóstico depende do tipo e da severidade da 
doença e também do status fisiológico do paciente. A aspergilose alégica se torna tipicamente 
crônica. Contudo, a colonização pode se manter crônica ou mesmo se tornar invasiva. A 
aspergilose alérgica tem sido tratada com sucesso com a predinisona, com cromoglicato de 
sódio e inalação de nistatina. O uso prolongado de esteróides nos caso de aspergilose crônica 
deve ser visto com cautela. Os aspergilomas podem ser tratados por ressecção cirúrgica e 
anfotericina B. A aspergilose infecção pode ser tratada com anfotericina B, porém os 
Aspergillus não são muito sensíveis nem a este antifúngico e nem à 5-fluorocitosina. Formas 
sistêmicas e meningíticas são geralmente fatais, mesmo depois de instituída a terapia. 
 
e. PATOLOGIA: a reação tecidual na aspergilose é representada por uma inflamação 
supurativa aguda com áreas de necrose isquêmica. O fungo prolifera como hifas septada com 
diâmetro 1,5 a 4,5 µm. As hifas podem apresentar caracteristicamente ramificações 
dicotômicas (aproximadamente 45o) com uma aparência geral de “exército em marcha”. As 
hifas podem se ramificar irregularmente e ter um aspecto similar a hifas encontradas nos 
zigomicetos. Cabeças aspergilares e micélio (aspergilomas) podem ser produzidas em 
cavidades pulmonares. Invasão de vasos sangüíneos, trombose, enfartamentos e disseminação 
são extremamente comuns. 
 
f. LABORATÓRIO: Exame Direto: os materiais clínicos, tais como fluídos, escarro ou 
tecidos, são montados em KOH a 10%. Hifas septadas, hialinas, ramificadas e longas, 
 
 49
medindo aproximadamente 3.0µm de diâmetro são observadas nas aspergiloses. A 
demonstração das hifas nos espécimens clínicos e a recuperação repetida da mesma espécie de 
Aspergillus em cultura é um forte indício de aspergilose. Deve sempre ser lembrado que um 
número de outros fungos pode ser morfologicamente idêntico ao Aspergillus no tecido. Em 
ocasiões raras, o micélio pode dar origem a corpos de frutificação (cabeçAqs aspergilares) e 
conídios na fase parasitária. Isolamento: o material clínico deve ser inoculado em SDA com 
cloranfenicol e incubados a 30o C. Os Aspergillus são sensíveis à cicloheximida, dessa forma, 
eles não irão crescer em meio que contenham este antifúngico. O descarte de culturas 
negativas deve ocorrer só depois de 4 semanas. 
 
g. MICOLOGIA: Aspergillus flavus; A. fumigatus; A. glaucus; A. nidulans; A. niger e A. 
terreus. 
 
h. HABITAT NATURAL: solo e vegetais 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 50
BLASTOMICOSE NORTE AMERICANA 
 
a. SINONÍMIA: Doença de Chicago, Doença de Gilchrist.. 
 
b. DEFINIÇÃO: a blastomicose norte americana pode ser uma infecção benigna e 
autolimitada ou ainda uma micose crônica granulomatosa e supurativa, na qual a infecção 
primária é iniciada nos pulmões com freqüente disseminação para outros orgãos do corpo, 
especialmente pele e ossos. A doença é mais prevalente em homens de 40 a 60 anos de idade 
e em crianças. A blastomicose pode coexistir com carcinoma broncogênico, histoplasmose, 
doença pulmonar severa e tuberculose. 
 
c. FORMAS CLÍNICAS: crônica óssea; primária pulmonar e sistêmica. 
 
d. PROGNÓSTICO E TRATAMENTO: a terapia é necessária. A anfotericina B é a droga de 
escolha. 
 
e. PATOLOGIA: a resposta do tecido é uma combinação de inflamação granulomatosa e 
supurativa aguda. Estas podem variar proporcionalmente de pessoa a pessoa e de um sítio 
anatômico para o outro no mesmo indivíduo. Os pulmões geralmente apresentam um 
processo inflamatório granulomatoso disseminado com pequenas áreas abscedadas. Os fungos 
são geralmente demosntrados nos bordos ou margens dos abscessos. O envolvimento cutâneo 
mostra uma hiperplasia pseudoepiteliomatosa com microabscessos focais nas papilas 
dérmicas. As células de levedura são globosas a ovóides com aproximadamente 8 a 15µm de 
diâmetro. Um simples blastosporos está unido à célula mãe por uma base de inserção larga. 
Na maioria das vezes, é visto predominantemente celulas simples sem a presença de 
blastosporos. A parede celular da levedura é espessa e duplamente refratária. 
 
f. LABORATÓRIO: Exame Direto: o material clínicos, tais como fluídos prostáticos, escarros 
ou tecidos, são examinadso ao KOH a 10%. O fungo usualmente ocorre como uma levedura 
globosa de paredes espessas e refringentes que mede de 8 a 15µm de diâmetro, contudo, 
algumas leveduras podem apresentar um diâmetro de até 30µm. O fungo pode apresentar 
também células de levedura que têm menos do que 8µm. Cada blastosporo está ligado à célula 
mãe por uma base larga. Pelo seu tamanho, o Blastomyces dermatitidis, sob certas 
circunstâncias, pode ser confundido com o Coccidioides immitis ou Cryptococcus 
neoformans. Isolamento: inocular o material clínico em SDA com cloranfenicol, em agar 
 
 51
infusão de cérebro coração com cloranfenicol (BHIA), em agar extrato de levedura-fosfato e 
em um meio com cicloheximida e incubar a 30o C. As culturas devem ser mantidas por pelo 
menos 4 semanas antes de serem despresadas como negativas. O Blastomyces dermatitidis 
cresce melhor em agar extrato de levedura. Confirmação Laboratorial: a conversão da forma 
filamentosa à leveduriforme é necessária para assegurar que o fungo suspeito é o 
Blastomyces dermatitidis e não outro fungo similar, tal como o Chrysosporium ou o 
Sepedonium. A conversão do fungo pode ser prontamente acompanhada no agar de Kelley 
ou em agar sangue suplementado com vitaminas. Incubar os tubos inoculados a 37o C. A 
forma de levedura irá crescer dentro de alguns dias. 
 
g. MICOLOGIA: Blastomyces dermatitidis; Ajellomyces dermatitidis (forma sexuada). 
 
h. HABITAT NATURAL: America do Norte 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 52
BLASTOMICOSE QUELOIDIANA 
 
a. SINONÍMIA: Lobomicose, Doença de Jorge lobo. 
 
b. DEFINIÇÃO: a lobomicose é uma infecção cutânea crônica que se manifesta como 
quelóides, lesões verrucosas a nodulares, placas crostosas e tumores. O fungo cresce como 
células globosas que se conectam umas com as outras por uma base de inserção estreita. As 
células podem formar ainda cadeiasramificadas. As lesões desenvolvidas são bem definidas, 
macias, indolores e móveis, já que estas se encontram livres nos tecidos mais profundos. 
Lesões antigas tornam-se verrucosas e ulceradas com lesões satélites resultantes de 
autoinfecção. 
 
c. FORMA CLÍNICA: cutânea. 
 
d. Prognóstico e Tratamento: as lesões são tratadas por excisão cirúrgica, pois 
reincidências comumente ocorrem. Esta excisão deve ser ampla, o que pode resultar em novas 
cicatrizes. 
 
e. PATOLOGIA: os nódulos são formados por granulomas histiocitários subepidermais que 
se encontram sob a pele e o tecido subcutâneo. Tecido fibroso está disperso por entre um 
grande número de celulas gigantes e histiócitos. As células gigantes têm de 40 a 80µm de 
diâmetro. Nas lesões antigas, infiltrados piogênicos, paraceratose e acantose estão presentes. 
Hiperplasia pseudoepiteliomatosa e abscessos intraepidérmicos estão ausentes. O fungo 
ocorre como cadeias de células globosas de 7 a 14 µm de diâmetro. Cada célula está 
conectada à células adjacentes por uma base de inserção estreita. Algumas destas células 
ocorrem dentro de células gigantes e magrófagos, mas a maioria está entre elas. 
 
f. LABORATÓRIO: Exame direto: o material clínico, tecidos cutâneo e subcutâneo, é 
montado em KOH a 10% e examinado para a presença de cadeias de células globosas em 
forma de “limão” ou “ampulheta”. Isolamento: o fungo não tem sido cultivado. 
 
g. MICOLOGIA: Paracoccidioides loboi (ou Loboa loboi ). 
 
h. HABITAT NATURAL: desconhecido. 
 
 
 
 53
CANDIDÍASE 
 
a. SINONÍMIA: Candidose, Monilíase. 
 
b. DEFINIÇÃO: cadidíase é uma infecção micótica primária ou secundária causada por 
diversos fungos do gênero Candida. As manifestações clínicas podem ser agudas, subagudas, 
crônicas ou episódicas. A doença apresenta certa dificuldade de diagnóstico devido ao fato 
dos membros do gênero Candida serem também comumente recuperados de indivíduos 
saudáveis. 
 
c. FORMAS CLÍNICAS: alérgica; cutânea; mucocutânea e sistêmica. 
 
d. PROGNÓSTICO E TRATAMENTO: o prognóstico depende quase que inteiramente do 
tipo e da severidade dos fatores predisponentes e da subsequente forma clínica da candidíase. 
A nistatina é efetiva no controle do “thrush”, da doença cutânea, periníquea, doença 
esofagiana crônica, vaginites e infecções gastrointestinais. A anfotericina B pode ser usada 
topicamente e é a droga de escolha no tratamento da candidíase disseminada ou sistêmica e 
candidíase mucocutânea crônica. Aproximadamente 60% dos isolados de C. albicans 
recuperados de pacientes previamente não tratados são sensíveis à 5-fluorocitosina. A droga 
tem sido útil no tratamento da doença sistêmica. O teste de susceptibilidade e monitoramento 
dos níveis séricos da 5-fluorocitosina são obrigatórios quando este agente antifúngico é 
empregado. 
 
e. PATOLOGIA: a reação tecidual é inicialmente uma inflamação supurativa aguda seguida 
por uma reação inflamtória granulomatosa. A formação de abscessos é bastante comum. 
Blastosporos e pseudohifas são ambos vistos em secções teciduais. Essas formas são melhor 
visualizadas por colorações especiais, tais como PAS (periodic acid-Schiff) e GMS (Gomori 
menthenamine silver). Os blastosporos são ovóides e usualmente de 3 a 4µm de diâmetro. 
Algumas espécies de Candida podem produzir, sob certas condições, hifas verdadeiras. 
 
f. LABORATÓRIO: Exame Direto: células de levedura gemulantes, de forma ovóide e com 3 
a 7µm de diâmetro; pseudohifas; hifas verdadeiras são usualmente visualizadas nos 
espécimens clínicos montados em KOH a 10%. Pode ser extremamente difícil diferenciar a 
Candida sp. de fungos como Aspergillus, Trichosporon e Geotrichum porque eles são 
todos capazes de produzir hifas verdadeiras morfologicamente muito semelhantes. Tubos 
 
 54
germinativos e clamidosporos são observados em C. albicans. Isolamento: incubar o material 
clínico em SDA com cloranfenicol. Muitas espécies de candida (C. krusei, C. parapsilosis e 
C. tropicalis) são sensíveis à cicloheximida. Meios com cicloheximida devem ser usados com 
cautela. Incubar a 30o C. O crescimento está presente em 1 a 5 dias. Fluido espinhal e sangue 
devem ser processados por filtração. Identificação: baseada na produção de tubo 
germinnativo, pseudohifas, hifas verdadeiras, clamidosporos, zimograma e auxanograma de 
carbohidratos, auxanograma dos compostos nitorgenados. 
 
g. MICOLOGIA: Candida albicans; C. krusei; C. guilhermondii; C. parapsilosis; C. 
pseudotropicalis; C. stellatoidea e C. tropicalis. 
 
h. HABITAT NATURAL: homem, animais, solo e vegetais 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 55
COCCIDIOIDOMICOSE 
 
a. SINONÍMIA: Febre do Vale de São Joaquim, Granulomatose Coccidióidica 
 
b. DEFINIÇÃO: a coccidiodomicose é uma infecção respiratória que apresenta resolução 
rápida. A micose pode se tornar aguda, crônica, severa ou fatal. A doença pode levar a uma 
condição pulmonar crônica ou disseminar para meninges, ossos, articulações ou tecido 
cutâneo e subcutâneo. A resposta tecidual inicial na doença disseminada é a supuração, 
contudo, a doença progressiva e crônica é caracterizada por uma reação granulomatosa com 
algumas áreas apresentando resposta celular mista. Acredita-se que o restabelecimento 
resulte em imunidade a reinfecção. Aproximadamente 60% dos pacientes com infecção 
primária são assintomáticos, 40% têm uma doença pulmonar moderada a aguda e entorno de 
0,5% desenvolvem doença extremamente grave. Mais ou menos 15% dos pacientes com 
doença disseminada têm meningite. 
 
c. FORMAS CLÍNICAS: primária: pulmonar e cutânea; secundária: pulmonar e 
disseminada. 
 
d. PROGNÓSTICO E TRATAMENTO: a coccidioidomicose primária é tratada com repouso 
e restrição da atividade. Esteróides podem ser usados para controlar reações alérgicas. A 
doença secundária não tratada tem um prognóstico grave. A droga de escolha é a anfotericina 
B. A meningite usualmente requer adminstração intratecal e intravenosa de anfotericina B. A 
5-fluorocitosina tem pouco valor no tratamento das coccidioidomicose. Alguns pacientes 
tratados com miconazole apresentam uma alta taxa de recorrência. 
 
e. PATOLOGIA: a reação tecidual é uma inflamação granulomatosa e supurativa aguda. A 
supuração aguda está usualmente presente entorno dos artrosporos e depois da ruptura das 
esférulas. Inflamação granulomatosa normalmente ocorre ao redor da esférula em 
desenvolvimento. Hifas podem estar presentes na cavidade pulmonar e em lesões 
meningianas sem formar artrosporos, o que pode levar a confusões com hifas de Aspergillus. 
 
f. LABORATÓRIO: Exame Direto: espécimens clínicos, tais como flúidos, escarro e tecidos, 
são examinados em KOH a 10%. Esférulas com paredes espessas (entorno de 1µm) de 30 a 
60µm de diâmetro e endosporos de 1 a 5µm de diâmetro são característicos de Coccidioides 
immitis. Os endosporos são liberados quando a parede da esférula é rompida. Confusões 
 
 56
podem ser feitas com o Blastomyces dermatitidis se os endosporos não estão em grande 
quantidade dentro das esférulas. Isolamento: inocular o material clínico em SDA com 
cloranfenicol e em um meio contendo cicloheximida e cloranfenicol e incubar a 30o C. As 
culturas devem ser mantidas por 4 semanas antes de serem descartadas como negativas. O 
fungo cresce muito rápido e prontamente produz artrosporos em forma de “barri” de 1,5 a 
4µm e 3 a 6µm com uma célula dijuntora (sem contúdo citoplasmático) entre cada artrosporo. 
O C. immitis é um fungo perigoso e deve ser manipulado todo o tempo em cabine de 
segurança biológica classe II ou III. Confirmação Laboratorial: a confirmação laboratorial 
com C. immitis é necessária porque outros fungos, tais como os membros da família 
Gymnoascaceae, podem desenvolveranamorfos semelhantes ao C. immitis. Procedimentos 
laboratoriais incluem meios especiais para a conversão e também técnica de exoantígenos. 
Estudos com modelos animais podem ser necessários, em alguns casos. 
 
g. MICOLOGIA: Coccidioides immitis. 
 
h. HABITAT NATURAL: Solos alcalinos da américa do norte e latina. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CRIPTOCOCOSE 
 
a. SINONÍMIA: Blastomicose Européia, Torulose. 
 
b. DEFINIÇÃO: a criptococcose é uma doença crônica, subaguda a aguda pulmomar, 
sistêmica ou meningítica. A infecção primária ocorre nos pulmões após a inalação dos 
elementos fúngicos em suspensão no ar. A infecção pode manter-se localizada nos pulmõesz 
ou disseminara outros orgãos. Na disseminação, o fungo normalmente mostra predileção pelo 
sistema nervoso central. A infecção pulmonar primária não tem sintomas caracteríticos e, na 
maioria das vezes, é assintomática. A doença encefálica é a forma mais freqüentemente 
diagnosticada. 
 
c. FORMAS CLÍNICAS: encefálica; cutânea e mucocutânea; óssea; pulmonar e viceral. 
 
d. PROGNÓSTICO E TRATAMENTO: as lesões pulmonares localizadas em pacientes não 
imunocomprometidos têm um bom prognóstico, regredindo normalmente sem tratamento. A 
disseminação hematogênica para o SNC têm um mau prognóstico, a menos que seja tratada 
imediatamente. Infecções sistêmicas são usualmente fatais, especialmente em pacientes 
debilitados. Contudo, lesões primárias cutâneas ou mucocutâneas regridem espontaneamente. 
A doença crônica é caracterizada, na maioria dos vezes, por intervalos alternados de remissão 
ou exarcerbação, mas só eventualmente é fatal. A anfotericina B é a droga de escolha. Lesões 
pulmonares crônicas e lesões ósseas podem ser tratadas por excisão cirúrgica. Muitas 
amostras rapidamente desenvolvem resistência à 5-fluorocitosina durante a quimioterapia, por 
isso, testes de susceptibilidade são requeridos correntemente no tratamento das meningites. 
 
e. PATOLOGIA: a reação tecidual é inicialmente uma degeneração mucóide com áreas de 
inflamação, assumindo uma aparência gelatinosa. Grande número de células arredondadas são 
encontradas na matriz mucóide. Com o progresso das lesões, reação granulomatosa pode 
ocorrer. Os organismos decrescem numericamente e são normalmente encontrados em células 
gigantes e histiócitos. Com a resolução, os granulomas antigos apresentam células de levedura 
mortas com a cápsula desintegrada. Eles podem ser difíceis de serem vistos nas preparações 
corados pela H & E. As leveduras são redondas, tipicamente encapsuladas e com 5 a 15µm de 
diâmetro. Os blastosporos estão ligados por uma base estreita. As cápsulas se coram de rosa 
pela técnica de mucicarmin. 
 
 
 58
f. LABORATÓRIO: Exame Direto: células de leveduras globosas são facilmente visualizadas 
na maioria dos materiais clínicos (Líquido cérebro-epinhal e tecidos) montado em KOH a 
10% ou em tinta da china (coloração de fundo). A cápsula pode estar ou não presente. 
Isolamento: inocular aspirados e tecidos (processado em homogeneizador) em SDA com 
cloranfenicol e incubar a 30o C. O C. neoformans é sensível à cicloheximida. O crescimento 
está presente em 1 a 5 dias. O líquido céfalo-raquidiano pode ser processado pela técnica da 
filtração ou centrifugação. Identificação: baseada na presença de cápsula, prova da urease, 
assimilação de acúcares e nitratos, crescimento a 37o C e patogenicidade para animais. 
 
g. MICOLOGIA: Cryptococcus neoformans (forma assexuada); Filobasidiella neoformans 
(forma sexuada). 
 
h. HABITAT NATURAL: fezes de pombos, solo e vegetais (eucalipto). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CROMOMICOSE 
 
a. SINONÍMIA: Cromoblastomicose, Dermatite Verrucosa Cromomicótica ou 
Cromoparasitária, Blastomicose Negra. 
 
b. DEFINIÇÃO: a cromomicose é uma infecção localizada crônica da pele e tecido 
subcutâneo que se segue a uma implantação traumática do agente. As lesões são verrucosas, 
ulceradas e crostosas, podendo ainda ser planas ou elevadas. Lesões satélites podem se 
desenvolver depois de auto-inoculações e por espalhamento linfático à áreas adjacentes. A 
micose usualmente se mantém localizada com extensa formação de quelóides. Depois de 
muitos anos as lesões podem lembrar a cabeça de uma “couve-flor”. Alguns agentes 
etiológicos dessa doença (Fonsecaea pedrosoi e Phialophora verrucosa) podem disseminar 
para o cérebro. Elefantíase e estase linfática podem também ocorrer como resultado de 
infecções bacterianas. 
 
c. FORMA CLÍNICAS: dermatite verrucosa; síndrome cerebral; cistos simples e múltiplos e 
lesões locais ou assintomáticas. 
 
d. PROGNÓSTICO E TRATAMENTO: a infecção usualmente mantém-se localizada, mas 
disseminações hamatogênicas para o cérebro podem ocorrer com grave prognóstico. Estágios 
precoces de cromomicose são tratados com excisão cirúrgica, eletrodessecação ou 
criocirurgia. A anfotericina B e a 5-fluorocitosina usadas em combinação é a terapia de 
escolha. 
 
e. PATOLOGIA: as lesões de pele mostram uma hiperplasia pseudoepiteliomatosa 
hiperquerática e microabscessos queratinolíticos na epiderme. Hifas demáceas e corpos 
escleróticos ou muriformes são encontrados nas áreas de inflamação dérmica no extrato 
córneo. Os corpos escleróticos são redondos, de parede espessa, coloração acastanhada, 
asseptados, unisseptados e septados em dois planos e com 5 a 11µm diâmetro. Os abscessos 
cerebrais são bem demarcados pela espessa parede. Hifas demáceas irregulares estão dentro 
desses abscessos. 
 
f. LABORATÓRIO: Exame Direto: em materiais clínicos como crostas superfíciais, 
montados em KOH a 10%, podem ser visualiszadas hifas ramificadas, septadas e escuras, 
com 1 a 5µm de diâmetro ao exame microscópio. Pús e tecido granulomatoso obtidos por 
 
 60
curetagem ou biópsia de tecido subcutâneo e pele contêm corpúsculos muriformes que são 
arredondados, demáceos, de parede espessa e com 5 a 11µm de diâmetro. Isolamento: 
inocular os espécimens clínicos em SDA com cloranfenicol e em meio contendo 
cicloheximida e cloranfenicol. Incubar a 30o C e descartar como negativas somente depois de 
4 semanas. 
 
g. MICOLOGIA: (principais fungos): Cladosporium carreonii; Fonsecaea pedrosoi; 
Fonsecaea compacta e Phialophora verrucosa e Rhinocladiella aquaspersa. 
 
h. HABITAT NATURAL: solo e vegetais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 61
DERMATOFITOSE 
 
a. SINONÍMIA: Tinha (Tinea) ou Ringworm. 
 
b. DEFINIÇÃO: O grupo de alterações cutâneas designadas como dermatofitose, ou mais 
correntemente como tinha, é considerado, de forma genérica, como um conjunto de lesões 
provocadas na pele, nos pêlos e nas unhas, independentemente do tipo clínico e da respectiva 
localização, por um grupo de fungos denominados de dermatófitos. 
 
c. FORMAS CLÍNICAS: tinea capitis; tinea barbae; tinea corporis; tinea manuum; tinea 
pedis; tinea cruris; tinea unguium; tinea favosa; tinea dos animais e favo dos animais. 
 
d. PROGNÓSTICO E TRATAMENTO: A doença tem um bom prognóstico. As lesões de 
pele podem ser tratadas com medicação tópica ou sitêmica. Quando pêlos e unhas são 
infectados, o tratamento sistêmico é preferível. Os derivados imidazólicos e triazólicos, a 
terbinafina e a griseofulvina são as drogas de eleição. A infecção normalmente está restrita à 
pele e seus anexos. Algumas formas regridem espontâneamente. 
 
e. PATOLOGIA: As alterações cutâneas apresentam-se de uma forma geral como pápulas, 
vesículas, deformações, destruição de pêlos e unhas, e descamação superficial. As lesões 
pápulo-vesiculosas tendem a se agrupar e adquirir aspectos figurados anulares ou policíclicosque constituem a impigem (lesões arredondadas de bordos elevados e eritematosos). Em 
regra, as lesões acantonam-se em áreas limitadas da superfície cutânea, mas eventualmente 
adquirem distribuição regional ou dispersa, e em casos mais raros, generalizam-se. Em 
determinadas circunstâncias, surgem na evolução das lesões, fenômenos inflamatórios mais 
ou menos intensos, particularmente nas áreas pilosas, com aparecimento de tumefação, 
nódulos e supuração que clinicamente são chamados de Kerion. A detecção de fluorescência 
nos pêlos parasitados pode ser feita utilizando-se uma fonte de radiação ultra-violeta (lampada 
de Wood). 
 
f. LABORATÓRIO: Exame Direto: materiais clínicos, tais como pele, pêlos e unhas, são 
montados em KOH a 10%. Hifas septadas e grande número de artrosporos estão presentes. O 
parasitismo dos pêlos pode apresentar um padrão ectotrix, endotrix ou endo-ectotrix de acordo 
com a localização extra ou intrapilar das estruturas fúngicas. Isolamento: Os espécimens são 
inoculados em SDA com cloranfenicol e em um meio contendo cicloheximida e cloranfenicol 
 
 62
(mycosel) e incubados a 30o C. Colônias são observadas nos meios de culturas depois de 5 a 
10 dias de incubação, mas são frequentes períodos mais prolongados. As culturas negativas 
devem ser descartadas somente após 4 semanas. Identificação: baseada em características 
morfológicas, prova da urease, provas nutricionais e perfuração do pêlo. 
 
g. MICOLOGIA: Microsporum spp.; Trichophyton spp. e Epidermophyton floccosum. 
 
h. HABITAT NATURAL: geofílicos, zoofílicos e antropofílicos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 63
ESPOROTRICOSE 
 
a. SINONÍMIA: sem referência 
 
b. DEFINIÇÃO: a esporotricose é uma infecção crônica caracterizada por lesões nodulares 
cutâneas ou subcutâneas com comprometimento de linfonodos adjacentes que supuram, 
ulceram e drenam. O espalhamento secundário para as articulações, ossos e músculos podem 
ocorrer. A micose pode, ocasionalmente, envolver o sistema nervoso central, pulmões, 
sistema genito-urinário ou todos os orgãos. Em caso de doença pulmonar, o fungo ganha 
entrada pela inalação de elementos fúngicos em suspensão no ar ou via traumatismo da pele. 
 
c. FORMAS CLÍNICAS: cutânea; disseminada; linfocutânea (linfangite nodular ascendente) 
e pulmonar. 
 
d. PROGNÓSTICO E TRATAMENTO: a esporotricose linfocutânea, cutânea e mucocutânea 
são infecções crônicas. Disseminações são raras. O prognóstico da doença disseminada é 
grave e cura espontâneas são desconhecidas. Iodeto de potássio oral é usado em muitos casos. 
O tratamento deve ser feito por pelo menos 4 semanas para que ocorra a cura clínica. A 
anfotericina B é usada para o tratamento da doença linfocutânea reincidente, para a 
esporotricose pulmonar e para a doença disseminada. Outra droga com variado grau de 
sucesso terapêutico é a 5-fluorocitosina. Antibióticos são usados quando infecção bacteriana 
secundária está presente. 
 
e. PATOLOGIA: o padrão de infecção é caracteristicamente bem circunscrito e 
granulomatoso com área central de supuração aguda. Na pele esse modelo é similar ao que é 
visto na blastomicose e na coccidioidomicose. A demonstração do microrganismo é muito 
difícil no tecido, por não ser muito numeroso. O fungo é leveduriforme, globoso a ovóide, 
com 3 a 5µm de diâmetro e com múltiplos blastosporos. As leveduras não são encapsuladas. 
Corpos asteróides podem estar presentes e consistir de uma célula basófila, globosa a ovóide, 
de 3 a 5µm de diâmetro, com um raio eosinofílico de 10µm de diâmetro. Os corpos 
asteróides parecem ser mais comuns nas lesões secundárias do que nas primárias. 
 
f. LABORATÓRIO: Exame Direto: de execução difícil. A técnica de anticorpos fluorescentes 
pode ser útil. A digestão pela diastase antes da coloração pela H & E ou PAS pode ajudar. 
Isolamento: inocular aspirados, material de curetagem ou “swabs” de lesões abertas em SDA 
 
 64
com cloranfenicol e em um meio contendo cicloheximida e cloranfenicol. Incubar o meio a 
30o C. O crescimento ocorre usualmente em três dias. Confirmação Laboratorial: a 
conversão da forma filamentosa em leveduriforme é necessária, já que outros fungos são 
morfologicamente semelhantes. O fungo deve ser transferido para o agar infusão de cérebro 
coração e incubados a 37o C em ambiente com 5 a 10% de CO1. 
 
g. MICOLOGIA: Sporothrix schenckii. 
 
h. HABITAT NATURAL: solo e vegetais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 65
FEOHIFOMICOSE 
 
a. SINONÍMIA: Cisto Feohifomicótico, Feosporotricose, Cisto Micótico Subcutâneo. 
 
b. DEFINIÇÃO: a feohifomicose consiste de um grupo de infecções fúngicas caracterizadas 
pela presença de micélio septado demácea nos tecidos. As hifas podem ser curtas ou longas, 
tortuosas, entumescentes ou regularmente formadas, ou ainda, podem apresentar uma 
combinação de todas essas formas. Os fungos demáceos causadores da feohifomicose 
pertencem à classe dos Hyphomycetes, Coelomycetes, Ascomycetes, Blastomycetes e 
Deuteromycetes. 
 
c. FORMAS CLÍNICAS: cutânea; córnea; subcutânea e disseminada. 
 
d. PROGNÓSTICO E TRATAMENTO: a maioria dos casos de feohifomicose pode ser 
controlada por excisão cirúrgica e quimioterapia. A anfotericina B e a 5-fluorocitisina são 
drogas de escolha. O miconazol pode ser útil em alguns casos. A invasão do cérebro tem um 
grave prognóstico. 
 
e. PATOLOGIA: a histopatologia varia bastante, indo desde reações teciduais associadas a 
abscessos até ativas invasões teciduais pela hifa. 
 
f. LABORATÓRIO: Exame Direto: materiais clínicos, tais como pús e tecidos, são montados 
em KOH a 10% para exame. A natureza demácea do elemento hifálico é a chave para o 
diagnóstico da feohifomicose. A hifa pode ser variável ou regular em sua forma. Isolamento: 
os espécimens são inoculados em SDA com cloranfenicol e em um meio contendo 
cicloheximida e cloranfenicol e incubados a 30o C. Todavia, muitos dos seus agentes 
etiológicos são sensíveis à cicloheximida. As culturas são descartadas como negativas em 4 
semanas. O fungo isolado deve ser compatível com a doença clínica e a morfologia no tecido 
(demáceo). 
 
g. MICOLOGIA: (principais fungos): Cladosorium bantianum; Curvularia sp.; Drechslera 
sp. e Exophiala jeanselmei. 
 
h. HABITAT NATURAL: solo e vegetais. 
 
 
 
 66
HIALOHIFOMICOSE 
 
a. SINONÍMIA: sem referência. 
 
b. DEFINIÇÃO: a hialohifomicose consiste de um grupo de infecções fúngicas caracterizadas 
pela presença de micélio septado hialino nos tecidos. Os fungos hialinos causadores da 
hialohifomicose pertencem à classe dos Hyphomycetes, Coelomycetes, Ascomycetes, 
Basidiomycetes e Deuteromycetes. Nos tecidos parasitados esses fungos apresentam 
morfologia semelhante, provocando o mesmo tipo de reação tecidual. 
 
c. FORMAS CLÍNICAS: cutânea; onicomicose; ocular; osteoarticular; meningítica; cerebral; 
pulmonar; cardíaca e septicêmica. 
 
d. PROGNÓSTICO E TRATAMENTO: a doença em imunocomprometidos pode apresentar 
um prognóstico grave. Para o tratamento, pode-se usar a anfotericina B associada ou não à 5-
fluorocitosina. Derivados imidazólicos e triazólicos podem ser empregados. Interveções 
cirúrgicas podem ser procedidas nas formas localizadas. O uso de colírio de pimaricina pode 
ser empregado nos casos de ceratite. 
 
e. PATOLOGIA: a reação tecidual é bastante variada. 
 
f. LABORATÓRIO: Exame Direto: materiais clínicos, tais como pús e tecidos, são montados 
em KOH a 10% para exame. A natureza hialina do elemento hifálico é um aspecto 
importamte para o diagnóstico. A hifa pode apresentar uma forma variável ou regular. 
Isolamento: os espécimens sãoinoculados em SDA com cloranfenicol e em um meio 
contendo cicloheximida e cloranfenicol e incubados a 30o C. Todavia, muitos dos seus 
agentes etiológicos são sensíveis à cicloheximida. As culturas são descartadas como negativas 
em 4 semanas. O fungo isolado deve ser compatível com a doença clínica e a morfologia no 
tecido (hialino). 
 
g. MICOLOGIA: Acremonium spp.; Beauveria spp.; Fusarium spp.; Paecilomyces spp.; 
Penicillium spp.; Pseudoallescheria boydii e Scopulariopsis spp. 
 
h. HABITAT NATURAL: solo e vegetais. 
 
 
 
 67
HISTOPLASMOSE AMERICANA 
 
a. SINONÍMIA: Histoplasmose Norte Americana 
 
b. DEFINIÇÃO: Aproximadamente 95% dos casos de histoplasmose são inaparentes, 
subclínicos e benignos. Cinco porcento têm uma doença pulmonar progressiva crônica ou 
uma doença sistêmica aguda fulminante. Todos os estágios dessa doença podem mimetizar a 
tuberculose. A histoplasmose pode coexistir com a actinomicose, outra micoses, sarcoidiose 
ou tuberculose. 
 
c. FORMAS CLÍNICAS: disseminada e pulmonar. 
 
d. PROGNÓSTICO E TRATAMENTO: a doença disseminada, crônica cavitária, 
mucocutânea ou sistêmica requer terapia. A anfotericina B é a droga de eleição. A 
recuperação é rápida e essencialmente sem recaídas, se o tratamento adequado é instituido e o 
paciente não apresenta doença debilitante associada. 
 
e. PATOLOGIA: o quadro histopatológico na histoplasmose disseminada aguda é diferente 
daquele visto na doença mais crônica e nos nódulos pulmonares solitários. Na primeira 
entidade, o Histoplasma capsulatum está localizado nos histiócitos e nas células 
reticuloendoteliais. As células aumentam, mas sem evidências de inflamação. As leveduras 
gemulantes intracelulares são aproximadamente de 3µm de diâmetro e similares às da 
Leishmania spp., mas sem apresentarem os cinetoplastos. Em adição, as Leismania não se 
coram pelas técnicas especiais de coloração utilizadas para os fungos (PAS, GMS). Lesões 
antigas apresentam granulomas bem desenvolvidos e têm uma área central caseosa 
semelhante à tuberculose. Os nódulos pulmonares solitários são bem organizados e 
frequentemente têm um bordo de calcificação arredondado detectável ao raio-X de tórax. Os 
fungos no interior dos nódulos estão normalmente mortos. 
 
f. LABORATÓRIO: Exame Direto: a detecção do fungo no material clínico, tal como medula 
óssea, escarro e tecidos, é usualmente difícil. O material corado pela técnica do PAS, Giemsa, 
ou GMS são superiores às preparações com KOH. Isolamento: inocular o material em SDA 
com cloranfenicol, em agar extrato de levedura-fosfato com cloranfenicol, em um meio 
contendo cicloheximida e cloranfenicol, em Sabhi com cloranfenicol e em agar sangue com 
cloranfenicol. Incubar as culturas a 30o C e não descartar com menos de 11 semanas. 
 
 68
Confirmação Laboratorial: a conversão das formas filamentosas em leveduriformes é 
necessária para assegurar que o fungo não é uma espécie de Chrysosporium ou 
Sepedonium. Transferir o fungo para um tubo teste contendo agar infusão de cérebro 
coração com vitaminas e incubar a 37o C. Técnicas de exoantígenos podem ser empregadas. 
 
g. MICOLOGIA: Histoplasma capsulatum; Ajellomyces capsulatus (forma sexuada). 
 
h. HABITAT NATURAL: solo com altos teores de nitrogênio (cavernas habitadas por 
morcegos e deltas de rios). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 69
HISTOPLASMOSE AFRICANA 
 
a. SIMONÍMIA: Histoplasmose de Grandes Formas. 
 
b. DEFINIÇÃO: a histoplasmose africana é uma infecção micótica que envolve 
primariamente a pele, pulmão, figado, rins, linfonodos, tecido subcutâneo e ossos. Os ossos 
são os sítios mais frequentemente invadidos. O agente etiológico cresce como uma grande 
levedura dentro das células gigantes e também como células pequenas semelhantes àquelas 
vistas na histoplasmose clássica. Os aspectos clínicos primários da histoplasmose africana são 
representados por lesões nodulares, cutâneas ulceradas e osteolíticas que podem se disseminar 
ou se manter localizadas. 
 
c. FORMAS CLÍNICAS: disseminada e localizada. 
 
d. PROGNÓSTICO E TRATAMENTO: lesões isoladas podem ter cura espontânea ou 
requerer intervenção cirúrgica. A doença disseminada tem um prognóstico grave, 
especialmente se o pulmão e o baço estão envolvidos. A anfotericina B é a droga preferida. 
 
e. PATOLOGIA: pequena reação celular ao fungo é notada, com excessão do grande número 
de células gigantes (com até 80µm) e macrófagos. Neutrófilos estão usualmente presentes, 
especialmente durante a necrose. O fungo apresenta paredes grossas, são globosos a ovóides, 
têm de 7 a 15µm de diâmetro e podem formar pseudohifas rudimentares com 3 a 5 células. 
Grandes agregados de leveduras podem ser prontamente visualizados dentro das células 
gigantes e no espaço extracelular, juntamete com necrose do tecido do hospedeiro. 
Diferentemente do Blastomyces dermatitidis, os blastosoporos não estão unidos à célula mãe 
por uma base de inserção larga. 
 
f. LABORATÓRIO: Exame Direto: espécimens clínicos, tais como tecidos, são examinados 
em KOH a 10%. Grandes células de levedura são prontamente observadas. Frequentemente o 
Blastomyces dermatitidis é confundido com o agente a histoplasmose africana, já que ambas 
ocorrem na África. Isolamento: inocular o material em SDA com cloranfenicol, em agar 
extrato de levedura-fosfato com cloranfenicol, em meio contendo cicloheximida e Sabhi com 
sangue e cloranfenicol. Incubar as culturas a 30o C e descartar como negativas depois de 11 
semanas. Confirmação Laboratorial: a conversão da forma filamentosa à leveduriforme é 
requerida para assegurar que o fungo recuperado não é do gênero Chrysosporium ou 
 
 70
Sepedonium. Os agentes etiológicos da histoplamose clássica e da histoplasmose africana 
são morfologicamente idênticos a 30o C. A conversão das fases é feita em agar infusão de 
cérebro coração com vitamina, incubado a 37o C. 
 
g. MICOLOGIA: Histoplasma capsulatum var. duboisii (ou Histoplasma duboisii) e 
Ajellomyces capsulatus (forma sexuada) 
 
h. HABITAT NATURAL: solo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 71
MICETOMA 
 
a. SINONÍMIA: Pé de Madura, Maduromicetoma, Maduromicose. 
 
b. DEFINIÇÃO: o micetoma é uma síndrome clínica caracterizada por tumefação, fistulação e 
granulação. Os micetomas são infecções localizadas que envolvem o tecido cutâneo e 
subcutâneo, fácias e ossos. As lesões consistem de abscessos, granulomas e fítulas (tratos 
sinuosos drenantes). Após a implantação do agente etiológico, a lesão primária torna-se 
localmente invasiva, indolente e tumefeita ou surge como um inchaço subcutâneo, indolor e 
pequeno que se torna flegmoso. A ruptura da lesão resulta em trato sinuoso, inchaço e 
deformação da parte do corpo afetada. Grânulos estão presentes no pús e no tecido entorno 
deste trato sinuoso. 
 
c. PROGNÓSTICO E TRATAMENTO: os micetomas causados por fungos (eumicetomas) 
são normalmente resistentes à quimioterapia. Drogas antimicóticas têm sido usadas em 
conjunto com cirurgias, com variado grau de sucesso. A amputação é geralmente a ação final. 
 
d. PATOLOGIA: as úlceras e tratos sinuosos abertos são envolvidos por bordas planas ou 
elevadas. Os abscessos são preenchidos com material piogênico e grânulos que 
freqüentemente são cobertos por um exudato. A parede do abscesso é formada por reação 
granulomatosa, inflamação crônica e tecido de granulação. 
 
e. LABORATÓRIO: Exame Direto: pús, exudato ou tecidos devem ser observados 
macroscopicamente para a presença de grânulos. Os grânulos são montados em salina estéril, 
comprimidos entre lâmina e lamínula e visualizados ao microscópio óptico.Os micetomas 
produzidos pelos actinomicetos (actinomicetomas) têm grânulos compostos por filamentos de 
0,5 a 1,0µm de diâmetro e elementos bacilares e coccóides. Aqueles produzidos por fungos 
são formados por hifas de 1 a 5µm de diâmetro com células dilatadas intercalarmente. 
Isolamento: os espécimens contendo fungos são inoculados em SDA com cloranfenicol e 
incubados a 30o C. Os grânulos devem ser lavados em água destilada estéril ou salina estéril, 
ou ainda em solução antibiótica, antes da inoculação no meio. Alguns fungos são sensíveis à 
cicloheximida, por isso, meios contendo esse antifúngico devem ser empregados sempre em 
associação com meios livres de antimicrobianos. 
 
 
 
 72
f. MICOLOGIA: (principais fungos): 
 
Fungo Coloração dos Grânulos 
 
Acremonium falciforme 
 
branco 
Acremonium recifei branco 
Aspergillus nidulans branco 
Exophiala jeanselmi preto 
Leptosphaeria senegalensis preto 
Madurela grisea preto 
Madurela mycetomatis preto 
Neotestudina rosatii branco 
Petriellidium boydii branco 
Pyrenochaeta remoroi preto 
 
g. HABITAT NATURAL: solo e vegetais 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 73
PARACOCCIDIOIDOMICOSE 
 
a. SINONÍMIA: Blastomicose Sul Americana, Blastomicose Brasileira. 
 
b. DEFINIÇÃO: a paracoccidioidomicose é uma doença granulomatosa crônica que se origina 
como uma infecção pulmonar. A disseminação resulta em granuloma ulcerativo na cavidade 
nasal e bucal (estomatite ulcerada muriforme), e ainda, ocasionalmente, na mucosa 
gastrointestinal. Nódulos linfáticos são comumente envolvidos. A paracoccidioidomicose é 
frequentemente encontrada em associação com outras doenças, tal como chagas, infecções 
helmínticas, má nutrição, esquistossomose ou tuberculose. A infecção produz basicamente 
lesões na orofaringe, gengivas e, menos frequentemente, no trato digestivo e mucosa ano-
retal. 
 
c. FORMAS CLÍNICAS: disseminada; mucocutânea linfática e pulmonar. 
 
d. PROGNÓSTICO E TRATAMENTO: o prognóstico é similar ao de outras micoses 
sistêmicas. A anfotericina B é a droga de escolha. As sulfonamidas podem ser usadas no 
tratamento e controle de várias formas moderadas da doença. 
 
e. PATOLOGIA: áreas de inflamação granulomatosa apresentando regiões caseosas centrais e 
associadas a abscessos piogênicos estão usualmente presentes. Muitas células gigantes 
contendo o organismo compõem o granuloma. O fungo ocorre como uma levedura gemulante 
de paredes duplas e refringentes, medindo de 11 a 14µm de diâmetro. A célula central é 
circundada por numerosos blastosporos de variados tamanhos, ligados à célula mãe por base 
de inserção estreita. 
 
f. LABORATÓRIO: Exame Direto: escarro, material de biópsia (base e margem externa das 
úlceras), crosta e pus (linfonodos supurativos) contêm as células de levedura. O material é 
montado em KOH a 10% para o exame. O fungo é caracterizado por múltiplas gemulações de 
pequenas células globosas (1 a 10µm de diâmetro) observadas entorno de uma célula madura 
globosa (30µm de diâmetro) de paredes espessas e refringentes, formando figuras 
denominadas de “roda de leme” ou “chapéu de mickey”. Isolamento: inocular o material 
clínico em BHIA com cloranfenicol e em um meio contendo cicloheximida. Incubar as 
células a 30o C e não descartar o material com menos de 4 semanas. As colônias podem 
necessitar de 10 ou mais dias para alcançarem 1cm de diâmetro. Confirmação Laboratorial: a 
 
 74
conversão da fase filamentosa à fase leveduriforme é necessária, já que o Paracoccidioides 
brasiliensis é geralmente estéril na forma filamentosa. Além disso, os conídios quando 
formados são muito semelhante àqueles encontrados no gênero Chrysosporium e 
Sepedonium. Inocular o fungo em Agar infusão de cérebro coração suplementado com 
sangue e vitaminas e incubar a 37o C. 
 
g. MICOLOGIA: Paracoccidioides brasiliensis 
 
h. HABITAT NATURAL: solo e vegetais 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 75
PITIRÍASE VERSICOLOR 
 
a. SINONÍMIA: Tinea Versicolor, Dermatite furfurácea. 
 
b. DEFINIÇÃO: a pitiríase versicolor é uma dermatomicose muito difundida em todas as 
partes do mundo. A doença é caracterizada pelo aparecimento de pequenas manchas bem 
delimitadas, de coloração variável, localizadas principalmente no pescoço, ombros, tronco e 
abdômen. A superfície das lesões podem se apresentar lisas ou pulverulentas. As manchas 
são de coloração amarelada ou parda, e raspando-as com a unha, nota-se ligeira descamação 
que constitui o chamado sinal de unhada ou sinal de Besnier. 
 
c. FORMAS CLÍNICAS: folicular; generalizada; inguinal; da face; do couro cabeludo; das 
mãos; circinada; pápulo-acromiante e pseudopapulosa. 
 
d. PROGNÓSTICO E TRATAMENTO: A pitiríase versicolor é assintomática, causando 
apenas incômodos estéticos. Os derivados imidazólicos e triazólicos são os de preferência de 
uso. 
 
e. LABORATÓRIO: Exame Direto: o material clínico, tal como as escamas epidérmicas, é 
montado em KOH a 10% para exame. A microscopia revela células de leveduras 
arredondadas com um aspecto de “botijão de gás” dispostas como cachos e formas 
filamentosas. As células apresentam brotamento polar e a célula mãe se separa da célula filha 
por um colarete ou pescoço bem nítido. Apenas com o exame direto é possivel fechar o 
diagnóstico. Isolamento: inocular as escamas epidérmicas em Sabouraud dextrose agar 
(SDA) acrescido de óleo de oliva (1%), bile bovina (3%), cicloheximida (50mg%) e 
cloranfenicol (5mg%) e incubar a 37o C. 
 
f. PATOLOGIA: A principal característica clínica da doença são as manchas associadas à 
descamação furfurácea superficial. Lesões acromiantes, hipopigmentadas ou 
hiperpigmentadas irão produzir manchas brancas, amareladas, cor de café com leite ou 
castanho escuro. O mecanismo patogênico dessa discromia continua por esclarecer, mas não 
parece que seja apenas devido ao efeito de “filtro solar” desempenhado pela descamação. 
Modificações do fenômeno de queratinização e dificuldades no transporte dos grânulos de 
melanina são observados. É possível que exista também uma ação sobre o próprio melanócito. 
Essas alterações são decorrentes da ação dos metabólitos do fungo sobre a fisiologia da pele. 
 
 76
Os achados histopatológicos revelam sinais de dermite crônicas, hiperqueratose com 
penetração folicular, hipergranulose com vacuolização e acantose. Nas lesões 
hipopigmentadas registram-se incontinência de melanina. Por vezes há inflamação 
perifolicular, outra vezes, há inflamação perivascular. 
 
g. MICOLOGIA: Malassezia furfur (Pityrosporum orbiculare) e Pityrosporum ovale. 
 
h. HABITAT NATURAL: microbiota da pele humana e couro cabeludo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 77
RINOSPORIDIOSE 
 
a. SINONÍMIA: sem referência 
 
b. DEFINIÇÃO: a rinosporidiose é uma infecção micótica das membranas mucosas 
caracterizada pelo desenvolvimento de pólipos. Os sintomas variam de acordo com o estágio 
de desenvolvimento do tumor e do sítio anatômico. Os pólipos são geralmente rosa ou 
púrpura e friáveis. 
 
c. FORMAS CLÍNICAS: cutânea; disseminada (rara); nasal e ocular. 
 
d. PROGNÓSTICO E TRATAMENTO: os pólipos são crônicos, mas indolores. A remoção 
cirúrgica e instilação local de anfotericina B são as formas de tratamento mais usadas. 
 
e. PATOLOGIA: grande número de cistos bem definidos estão logo abaixo do epitélio 
hiperplásico. O estroma é denso com infiltração crônica e microabscessos purulentos 
ocasionais. As esférulas alcançam um tamanho de 300µm de diâmetro e contêm grandenúmero de endosporos que variam de 7 a 10µm de diâmetro na maturidade. A liberação dos 
endoporos produz uma reação inflamatória polimorfonuclear, formação de abscessos e algum 
tecido necrótico. Tecidos de granulação são normalmente proeminentes. 
 
f. LABORATÓRIO: Exame Direto: tecido macerado, excisado ou descarga nasal são 
montado em KOH a 10% para exame. Esférulas e grande número de endosporos estão 
presentes. Isolamento: o organismo não tem sido cultivado. 
 
g. MICOLOGIA: Rhinosporidium seeberi 
 
h. HABITAT NATURAL: águas paradas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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ZIGOMICOSE 
 
1. Entomoftoromicose 
 
1.1. Entomoftoromicose causada por Conidiobolus sp. (conidiobolomicose) 
 
a. DEFINIÇÃO: a infecção é um processo inflamatório crônico ou granulomatoso, restrita à 
mucosa nasal e caracterizada por pólipos ou massas subcutâneas limitadas e palpáveis. Os 
sintomas incluem inchaço nasal, começando nos ossos turbinados inferiores e que podem se 
estender por toda a região da orofaringe. As infecções são tipicamente bilaterais, mas podem 
ser unilaterais. As massas podem ser desfigurantes, palpáveis e ancoradas. A epiderme pode 
tornar-se acantonada (acantótica) e eritematosa. As pálpebras podem apresentar-se inchadas. 
O raio-x mostra antro opaco, obliteração dos espaços aéreos nasais e engrossamento da 
mucosa. Cerca de 80% dos casos ocorrem em homens. 
 
b. FORMAS CLÍNICAS: mucosa nasal, subcutânea 
 
c. PROGNÓSTICO E TRATAMENTO: a doença é relativamente benigna, algumas vezes 
cura espontaneamente. Iodeto de potássio e/ou anfotericina B são drogas de escolha. 
 
d. PATOLOGIA: as hifas são regularmente septadas com 4 a 10µm de diâmetro. Uma bainha 
eosinofílica com um arranjo digitiforme semelhante àquela encontrada na esporotricose, 
coccidioidomicose, blastomicose, paracoccidioidomicose e mais raramente na candidíase é 
observada. Invasão vascular está ausente. A reação celular pode ser aguda e/ou crônica. As 
reações inflamatórias crônica são granulomatosas com infiltrados contendo células gigantes 
do tipo corpo estranho e hifas fagocitadas. A reação aguda consiste de eosinófilo, linfócitos e 
células plasmáticas. Os eosinófilos podem originar abscessos eosinofílicos. 
 
e. LABORATÓRIO: Exame Direto: vesículas macias e/ou raspados de mucosas infectadas 
são montados em KOH a 10% e examinados para a presença de hifas septadas, largas e com 
paredes duplamente refratarias. Isolamento: incubar o material clínico em SDA com 
cloranfenicol e não usar meio contendo cicloheximida, já que o fungo é sensível a este 
antimicrobiano. Incubando a 30o C, o crescimento esta presente em 48 horas. 
 
f. MICOLOGIA: Conidiobolus coronatus 
 
 
 79
g. HABITAT NATURAL: solo 
 
1.1. Entomoftoromicose causada por Basidiobolus sp. (basidiobolomicose) 
 
a. DEFINIÇÃO: A micose é uma doença inflamatória crônica ou granulomatosa, geralmente 
restrita ao tórax, costas, membros e nádegas. Ela é caracterizada por uma grande quantidade 
de massas subcutâneas não ulceradas, endurecidas e palpáveis. A doença ocorre 
principalmente em crianças com predominância de meninos. A micose começa como um 
nódulo subcutâneo. O inchaço é firme, bem circunscrito, sem dor e com algum prurído. A 
massa é palpável e unida a parte superficial da pele, mas não a fáscia. A pele é atrófica e 
descolorada ou hiperpigmentada. A massa aumenta de tamanho e pode envolver todo o braço, 
ombros, face, pescoço, pernas e nádegas. Comprometimento de orgãos internos têm sido 
relatado ocasionalmente. Leucositose de até 19.000 e eosinofilia de até 30% podem estar 
presentes. 
 
b. FORMAS CLÍNICAS: subcutânea 
 
c. PROGNÓSTICO E TRATAMENTO: O prognóstico é geralmente bom e a deformação 
corporal usualmente resolve. Iodeto de potássio e/ou anfotericina B são drogas de eleição. 
 
d. PATOLOGIA: Os processos patológicos são semelhantes aos observados na zigomicose 
por Conidiobolus coronatus. Todavia, os elementos hifálicos têm de 10 a 40µm de diâmetro 
e as hifas estão esparsamente dispostas no granuloma. 
 
e. LABORATÓRIO: Exame Direto: o exame de biópsia em KOH a 10% deve revelar hifas 
refringentes, septadas e largas. Isolamento: deve-se proceder como indicado para o isolamento 
do Conidiobolus coronatus. 
 
f. MICOLOGIA: Basidiobolus ranarum. 
 
g. HABITAT NATURAL: solo e fezes animais. 
 
1. Mucormicose 
 
a. DEFINIÇÃO: As micoses causadas por membros da ordem Mucorales são geralmente 
agudas e desenvolvem-se rapidamente em paciente debilitado. A doença envolve áreas crânio-
rino-facial, pulmões, trato gastrointestinal, pele e menos comumente outros sistemas. A 
 
 80
doença esta associada com o diabetes descompensado em acidose (alteração na migração e 
fagocitose), má nutrição, pacientes gravemente queimados e outras doenças tais como 
leucemia e linfoma, ou terapia imunossupressora com o uso de citotoxinas e corticóides. Os 
fungos mostram uma predileção pelos vasos (artérias). A invasão resulta em embolias e 
necrose do tecido adjacente. Reações piogênicas supurativas podem ocorrer. As infecções são 
tipicamente agudas e fulminantes. A doença rinocerebral em pacientes com acidose 
usualmente leva à morte em poucos dias. 
 
b. FORMA CLÍNICAS: orbito-rino-cerebral; toráxica; pélvica-abdominal e gástrica e 
cutânea. 
 
c. PROGNÓSTICO E TRATAMENTO: o prognóstico é grave, especialmente quando áreas 
rino-cerebrais são envolvidas em pacientes com diabetes descompensado. A maioria dos caso 
de doença gástrica e pélvica são diagnosticados em autópsia. Muitos casos ocorrem em 
pacientes com leucemia ou linfoma. Esses são usualmente fatais. O controle da diabetes, o 
desbridamento cirúrgico dos tecidos envolvidos e o emprego da anfotericina B são 
recomendados. 
 
d. PATOLOGIA: a reação tecidual é normalmente leve. Inflamação supurativa aguda com 
áreas focais de inflamação granulomatosa predomina. As hifas variam de 6 a 50µm de 
diâmetro, são esparsamente septadas ou não septadas e irregularmente ramificadas. O 
organismo invade caracteristicamente a parede dos vasos sangüíneos adjacentes, produzindo 
trombose e infartamento, mas raramente disseminam através das vasos. 
 
e. LABORATÓRIO: Exame Direto: é crítico um diagnóstico rápido. Os elementos fúngicos 
são normalmente pouco numerosos nas supurações. Raspados dos ossos turbinados, material 
aspirado dos tratos sinuosos, escarro na doença pulmonar e material de bióspia montados em 
KOH a 10% contêm hifas de parede espessas refratárias com 6 a 15µm de diâmetro. Células 
entumescidas com mais ou menos 50µm e hifas distorcidas podem estar presentes. 
Isolamento: inocular o material clínico em SDA com cloranfenicol e incubar a 30o C. Meios 
contendo cicloheximida não são empregados porque esses fungos são sensíveis a este 
antimicrobiano. Fatias de pão esterilizado em tubos de ensaio podem ser úteis para a 
recuperação de zigomicetes quando outros meios falharem. Um tubo com pão esterilizado não 
inoculado deve ser usado como controle. 
 
 
 81
f. MICOLOGIA: Absidia corymbifera; Rhizomucor pusillus; Rhizopus oryzae; Rhizopus 
arrhizus; Cunninghamella bertholetiae; Syncephalastrum racemosum. 
 
g. HABITAT NATURAL: solo e vegetais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 82
BIOSSEGURANÇA NO LABORATÓRIO DE MICOLOGIA CLÍNICA 
Profa. Cintia de Moraes Borba, 
FIOCRUZ 
 
DEFINIÇÃO: É o conjunto de normas e procedimentos considerados seguros e adequados à 
manutenção da saúde em atividades de risco de aquisição de doenças profissionais (Hoefel & 
Schneider, 1997). 
 
LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS: COMO TRABALHAR COM SEGURANÇA? 
 
Em um Laboratório de Análises Clínicas muita atenção deve ser dada ao manuseiode 
material biológico, como excreções, secreções, enfim qualquer tipo de matéria orgânica 
úmida proveniente do corpo humano, até mesmo escamas secas de pele, pois estes podem 
conter agentes potencialmente infectantes. 
 
Nunca se deve assumir que as pessoas que trabalham em laboratório tenham conhecimento 
adequado sobre as práticas de segurança, individual ou coletiva, sendo portanto necessário 
treinamento constante. Mimica, 1997 descreve que a infecção adquirida a partir de materiais 
no laboratório pode não somente comprometer os funcionários do mesmo, mas também seus 
familiares, estudantes e outras pessoas que visitam suas dependências, e, às vezes, até mesmo 
de pessoas de laboratórios ou locais vizinhos. Assinala ainda que não é conhecida a real 
incidência de infecção adquirida no laboratório clínico. Nos Estados Unidos a incidência 
anual estimada é de 1,4 a 3,5 infecções adquiridas no laboratório em cada 1000 funcionários 
por ano. 
 
Como neste capítulo trataremos especificamente de fungos, toda a atenção será voltada a estes 
microorganismos. No caso de um acidente envolvendo fungos vivos, as seguintes normas 
gerais de segurança deverão ser cumpridas (McGinnis, 1980): 
a) Prenda a respiração e deixe a sala imediatamente, fechando a porta; 
b) Avise todas as pessoas do laboratório e não permita a entrada na área contaminad 
c) Descontamine o local do acidente (veja “O que se deve fazer em caso de acidentes”). 
 
 
 
 
 83
Collins, 1983 descreve que a exposição aos microorganismos, inclusive os fungos, pode 
ocorrer por: 
1. Inalação de partículas fúngicas - pelo ar; após derramamento ou quebra de vidrarias; após 
remoção de buchas de algodão ou tampa de rosca; 
1. Ingestão - por pipetagem com a boca; pela falta de lavagem das mãos após manuseio de 
culturas e/ou animais infectados; 
3. Inoculação direta como resultado de acidentes com - agulhas; quebra de vidrarias; contato 
com a pele e subsequente entrada no organismo através de cortes e arranhões. 
 
NORMAS GERAIS PARA O TRABALHO NO LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS: 
1- Todos os acidentes devem ser comunicados à Chefia; 
1- Não fumar; 
3- Não comer, nem beber; 
4- Não aplicar cosméticos no laboratório; 
5- Não usar lentes de contato. Em caso de necessidade, proteger os olhos com óculos de 
segurança; 
6- Utilizar roupa de proteção de mangas compridas e de comprimento abaixo dos joelhos. 
Retirá-la caso saia do laboratório; 
7- Lavar as mãos freqüentemente; 
8- Usar luvas quando se manipular espécimens patogênicos, sangue, líquidos biológicos e 
animais infectados; 
9- Não pipetar com a boca; 
10- Evitar a formação de aerossóis durante os procedimentos técnicos; 
11- Utilizar tubos com meio inclinado, sempre que possível, ao invés de placa de Petri para 
fungos patogênicos. Nunca usar placas para semear Coccidioides immitis, ou quando se 
suspeita deste (Larone, 1987); 
11- Esterilizar materiais contaminados ou potencialmente infecciosos antes de serem lava- dos 
ou descartados. Esta esterilização pode ser química ou física; 
13- Desinfetar regularmente as bancadas, os pisos, os equipamentos e outros materiais 
onde são manipulados materiais biologicamente perigosos, com hipoclorito de sódio a 5% 
diluído a razão de 1:10, recentemente preparado, para obter uma concentração final de 5g/litro 
de cloro livre, ou fenol a 5%. Sempre é bom lembrar que ambos são tóxicos e irritantes para a 
pele, os olhos e o sistema respiratório (Costa, 1996). Existem outros desinfetantes eficazes 
para fungos. Maiores detalhes, consulte Romão, 1996; 
 
 84
14- Fungos perigosos, tais como, Blastomyces dermatitidis, Coccidioides immitis, 
Histoplasma capsulatum entre outros, devem ser manipulados em cabines de segurança 
biológica Classe II ou III. 
 
Segundo McGinnis, 1980 acidentes envolvendo espécimens clínicos e fungos podem ocorrer 
dentro ou fora da cabine de segurança. Um acidente fora da cabine de segurança é mais difícil 
de administrar. 
 
O QUE SE DEVE FAZER EM CASO DE ACIDENTES: 
1. Acidentes fora da cabine de segurança com espécimens clínicos e culturas de fungos 
que não são potencialmente perigosos: 
1.1. Feche a ventilação da área e espere aproximadamente por 1h antes de entrar até que os 
aerossóis possam ser depositados; 
1.1. Vista um jaleco de mangas compridas, máscara, e luvas de borracha; cubra o material 
clínico ou a cultura quebrada com hipoclorito de sódio a 5% diluído a razão de 1:50 para obter 
uma concentração final de 1g/litro de cloro livre, ou fenol (ácido fênico) a 5%; 
1.3. Mantenha a área molhada com o desinfetante por aproximadamente 1h antes de limpá-la; 
1.4. Todos os equipamentos contaminados ou potencialmente contaminados devem ser 
desinfetados; 
1.5. Após a desinfecção do local do acidente, autoclave e descarte todos os resíduos. Se as 
mãos entrarem em contato com o material contaminado, lave-as com sabão e água, ou álcool 
isopropílico a 70%, ou ambos. 
 
1. Acidentes fora da cabine de segurança envolvendo fungos perigosos: 
1.1. Feche a ventilação da área e espere, aproximadamente, por 1h antes de entrar na sala; 
1.1. Vista um macacão ajustado nos pulsos, respirador e cubra os sapatos. Coloque na área do 
acidente fenol a 5%, ou hipoclorito de sódio a 5%, diluído a 1:10. Espalhe o desinfetante ao 
redor do sítio do acidente, mas não diretamente sobre o derramado para não produzir 
aerossóis; 
1.3. Coloque papel toalha embebido com desinfetante sobre o derramado por 1h. A 
descontaminação com formaldeído se faz necessária, quando se tratar de agentes do grupo de 
risco 3; 
1.4. Autoclave todos os materiais contaminados durante o acidente; 
1.5. Limpe os equipamentos e acessórios do laboratório com desinfetante. 
 
 85
3. Acidentes ocorrendo em uma centrífuga: 
3.1. Prenda a respiração e desligue a centrífuga imediatamente e deixe a sala fechando a porta; 
3.1. Comunique ao pessoal do laboratório e feche a ventilação da área; 
3.3. Espere aproximadamente por 1h; 
3.4. Vista roupa protetora, entre na sala e desinfete a centrífuga com hipoclorito de sódio a 5% 
diluído a 1:10 ou fenol a 5%; 
3.5. Limpe os equipamentos e desinfete a sala; 
3.6. Autoclave o material contaminado. 
 
4. Acidentes dentro da cabine de segurança com fungos perigosos: 
4.1. Deixe a cabine; 
4.1. Vista luvas, esfregue todas as paredes, superfícies de trabalho e equipamentos com 
hipoclorito de sódio a 5%, diluído a 1:10 ou fenol a 5%, deixando o desinfetante em contato 
com as superfícies da cabine por 10 a 15 min.; 
4.3. Autoclave as luvas e esponjas. 
 
5. Acidentes ocasionando a contaminação do laboratorista: 
Passe no local material absorvente embebido em povidine e procure atendimento médico, no 
caso de contato com fungos. Porém, se o trabalhador tiver contato acidental, certo ou 
duvidoso com materiais biológicos humanos deverá ser submetido pelo menos à sorologia 
para AIDS, hepatite B e hepatite C, nos tempos zero (data do acidente), três e seis meses após 
o acidente. 
 
Os riscos de contaminação laboratorial variam de acordo com o tipo de agente manipulado. O 
Center for Disease Control (CDC) em 1988 elaborou normas de segurança a serem seguidas 
nos laboratórios. Nestas normas foram estabelecidos quatro níveis de biossegurança (NB-1, 
NB-1, NB-3, NB-4) de acordo com as classes de risco dos microorganismos. As classes são: 
a) Classe de risco 1- (baixo risco individual e baixo risco para a comunidade) - organismo que 
não causa doença ao homem ou animal; 
b) Classe de risco 1- (risco individual moderado e risco limitado para a comunidade) - 
patógeno que causa doença ao homem ou aos animais, mas que não consiste em sério risco a 
quem o manipula em condições de contenção, à comunidade, aos seres vivos e ao meio 
ambiente. As exposições laboratoriais podem causar infecção, mas a existência de medidas 
eficazes de tratamento eprevenção limitam o risco, sendo o risco de disseminação bastante 
limitado; 
 
 86
c) Classe de risco 3- (elevado risco individual e risco limitado para a comunidade) - patógeno 
que geralmente causa doença grave ao homem ou aos animais e pode representar sério risco a 
quem o manipula. É um risco se disseminado na comunidade, mas usualmente existem 
medidas de tratamento e de prevenção; 
d) Classe de risco 4- (elevado risco individual e elevado risco para a comunidade) - 
patógeno que representa grande ameaça para o ser humano e para os animais. Grande risco de 
contaminação para quem o manipula e com grande poder de transmissibilidade de um 
indivíduo a outro. 
 
Os fungos conhecidos se enquadram nas classes de risco 1, 1 e 3. Não existem fungos classe 
de risco 4. Os níveis de biossegurança (NB) de um experimento serão determinados segundo 
o organismo de maior classe de risco envolvido no experimento. 
 
Laboratório NB-1: é adequado ao trabalho que envolva agentes de menor grau de risco. 
Normas de biossegurança a serem seguidas: 
• treinamento específico do pessoal; 
• proibido comer, beber, fumar, aplicar cosméticos; 
• proibido guardar alimentos nas áreas de trabalho; 
• uso de pipetadores: é proibido pipetar com a boca; 
• uso obrigatório de roupas de proteção; 
• acesso restrito ao laboratório; 
• descontaminação das superfícies de trabalho e dos resíduos antes do descarte; 
• descontaminação dos resíduos, produzidos durante os trabalhos, antes do descarte; 
• retirada de materiais contaminados em recipientes rígidos e à prova de vazamentos; 
• superfícies resistentes a água, ácidos, álcalis, solventes orgânicos, e ao calor moderado; 
• espaço suficiente entre as bancadas, cabines e equipamentos para permitir fácil acesso à 
limpeza; 
• controle rotineiro de insetos e roedores; 
• existência obrigatórioa de pia para lavar as mãos; 
• lavar as mãos antes de deixar o laboratório; 
 
 
 
 
 
 
 87
Laboratório NB-2: é adequado ao trabalho que envolva agentes de risco moderado. Deve-se 
seguir as indicações para NB-1 e as normas específicas para NB-1 descritas abaixo: 
• além de treinamento específico, deve haver supervisão competente einformação 
específica do risco; 
• acesso limitado durante procedimentos operacionais; 
• procedimentos que podem originar aerossóis infecciosos devem ser efetuados em 
contenção (cabines de segurança biológica); 
• usar roupas apropriadas (jalecos, gorros, máscaras, etc.); 
• a roupa protetora deve ser retirada antes de sair do laboratório e deixada na área de 
trabalho; 
• laboratório sinalizado com: agente de risco, possibilidades de contato, aviso dos 
requisitos necessários para a entrada na área de trabalho, pesquisador responsável e endereço; 
• proibida a entrada de animais não correlacionados ao trabalho; 
• obrigatório o uso de luvas; 
• descontaminação obrigatória do lixo antes do descarte; 
• evitar o uso de objetos perfuro/cortantes; nunca separar agulha/seringa, bisturi/suporte; 
alocá-los em recipiente apropriado para descontaminação antes 
do descarte; 
• cuidados especiais obrigatórios para evitar a formação de aerossóis; 
• derramamento e acidentes devem ser imediatamente comunicados para manutenção de 
registro. Providências adequadas devem ser tomadas (descontaminação, atendimento médico, 
vigilância); 
• quando apropriado, amostras de soro referência do pessoal de laboratório devem ser 
mantidas e amostras adicionais colhidas periodicamente; 
• manual de biossegurança específico deve existir e estar disponível; 
• equipamentos de contenção devem ser usados (cabines de segurança biológica classe I ou 
II) sempre que houver o risco de produção de aerossóis (centrifugação, trituração, 
homogeneização, agitação vigorosa, ruptura por sonicação, abertura de recipientes contendo 
material sob pressão diferente da ambiental, inoculação intranasal em animais e em cultura de 
tecidos infectados); 
• normas específicas para a manipulação de volumes grandes (maiores de 10 litros) existem 
e devem ser seguidas; 
 
 88
• autoclave deve estar disponível para a descontaminação no interior ou próximo do 
laboratório. 
 
Laboratório NB-3: é aplicável aos locais onde são desenvolvidos trabalhos com agentes 
infecciosos classe de risco 3. Seguir as indicações para NB-1 e as normas específicas para 
NB-3 descritas abaixo: 
O laboratório deverá ter instalações específicas para o trabalho com agentes de NB-3. Para 
alguns casos, quando não existirem condições específicas para NB-3, particularmente em 
instalações laboratoriais sem área de acesso específica, ambientes selados ou fluxo de ar 
unidirecional, as atividades de rotina e operações repetitivas podem ser realizadas em 
laboratório com instalações NB-1, acrescidas das práticas recomendadas para NB-3 e o uso de 
equipamentos de contenção para NB-3. Cabe ao pesquisador principal a decisão de implantar 
essas modificações, comunicando-as a CIBio e CTNBio; 
• menores de 18 anos não poderão entrar no laboratório; 
• devem ser usadas toalhas absorventes com uma face de plástico voltada para baixo, 
recobrindo as superfícies de trabalho; 
• roupas de proteção de uso limitado ao laboratório devem ser usadas e descontaminadas 
antes de lavadas ou descartadas; 
• devem ser usadas máscaras faciais ou respiradores nas salas de manipulação de animais; 
• animais de laboratório em NB-3 devem ser mantidos em sistemas de confinamento parcial 
(sistemas de caixas com filtros e paredes rígidas ou sistemas de contenção de caixas 
equipados com radiação ultravioleta e refletores); 
• os sistemas convencioanais de caixas só poderão ser usadas quando todo o pessoal utilizar 
dispositivos e roupas protetoras; 
• todo o pessoal deve tomar banho ao deixar as áreas de trabalho; 
• as linhas de vácuo devem estar protegidas com filtro de ar com elevada eficiência (filtros 
HEPA-high efficiency particulated air) e coletores com líquido desinfetante; 
• cabines de segurança biológica (classes I, II, III) ou outra combinação apropriada de 
dispositivos de proteção pessoal e contenção física devem ser usadas para a manipulação de 
culturas e de material clínico ou ambiental, operações de desafio de animais, cultivo de tecido 
ou fluidos infectados de animais ou ovos embrionados, necrópsia de animais infectados; 
• o laboratório deverá estar separado de áreas de acesso comum. Deve ter sistema de dupla 
porta a partir de áreas contíguas; 
 
 89
• o laboratório com superfícies lisas e resistentes deve ser selado e sem reentrâncias; 
• próximo a saída deve existir uma pia com torneira de sistema automático de acionamento 
ou pedais; 
• as janelas do laboratório devem ser fechadas ou lacradas; 
• as portas devem possuir fechamento automático; 
• deve existir autoclave para descontaminação de resíduos, localizada no interior do 
laboratório ou em áreas contíguas, preferencialmente com sistema de dupla porta; 
• o laboratório deve ter um sistema de ar independente, com ventilação unidirecional, onde o 
ar penetre pela área de entrada. Não deve existir exaustão do ar para outras áreas do prédio. O 
ar exaurido não pode ser circulado e deve ser filtrado por filtro HEPA antes de eliminado ao 
exterior do laboratório. Deve haver verificação constante do fluxo de ar no laboratório; 
• o ar de saída das cabines de segurança biológica após passar por filtros HEPA deve ser 
eliminado para o exterior do edifício por sistema de exaustão; 
• o ar de saída das cabines pode recircular no interior do laboratório se a cabine for testada e 
certificada anualmente. 
 
Laboratório NB-4: é aplicável aos locais onde são desenvolvidos trabalhos com agentes 
infecciosos classe de risco 4. Seguir as indicações para NB-3 e as normas específicas para 
NB-4 descritas abaixo: 
• nenhum material deverá ser removidodo laboratório de contenção máxima, a menos que 
tenha sido autoclavado ou descontaminado, exceção para materiais que tenham que sair 
viáveis; 
• material a serem usados no laboratório devem ser descontaminados em autoclave de dupla 
porta, câmara de fumigação, ou sistema de ante-câmara pressurizada; 
• material viável a ser removido de cabines classe III ou do laboratório deve ser 
acondicionado em recipeinte inquebrável e selado. Este, por sua vez, deve ser colocado dentro 
de um segundo recipiente que será desinfetado ou fumigado; 
• equipamentos que não resistam a temperaturas elevadas devem ser descontaminados por 
gases ou vapor em câmara específica; 
• somente os trabalhadores do laboratório podem ter permissão para entrar; 
• as portas devem ser hermeticamente fechadas e a entrada deve ser controlada; 
• deve-se avisar a todos aqueles que entrarem no laboratório do potencial risco e as medidas 
de segurança; 
 
 90
• deve haver um registro de entrada e saída de pessoal, com data, horário e assinaturas; 
• protocolos definidos para situações de emergência devem ser elaborados; 
• a entrada e a saída de pessoal do laboratório deve ocorrer após uso de chuveiro e troca de 
roupa. A roupa protetora utilizada para o trabalho deve ser descontaminada antes do descarte; 
• deve se organizar um sistema de notificação de acidentes e vigilância médica; 
• todos os procedimentos laboratoriais devem ocorrer em cabine de segurança classe III, ou 
classes I ou II usadas em associação com roupas de proteção pessoal com pressão positiva, 
ventiladas por sistema de suporte de vida; 
• o laboratório de contenção máxima deve estar localizado em prédio separado; 
• as paredes, tetos e pisos do laboratório devem ser construídos com sistema de vedação 
interna, para aumentar a eficiência da fumigação e evitar o acesso de animais e insetos; 
• as superfícies internas do laboratório devem ser resistentes a líquidos e produtos químicos; 
• sistema de drenagem do solo deve conter depósito com desinfetante químico eficaz, 
conectado a um sistema coletor de descontaminação. O sistema de esgoto e ventilação deve 
estar acoplado a filtros HEPA; 
• sistema de luz, dutos de ar e linhas utilitárias devem estar posicionados verticalmente para 
evitar acúmulo de poeira; 
• os líquidos liberados de chuveiros ou de sanitários devem ser descontaminados 
quimicamente ou pelo calor; 
• deve haver sistema de ar com pressão diferencial e fluxo direcional para assegurar o 
diferencial de pressão não permitindo a saída do agente de risco. Deve estar acoplado ao 
sistema manômetros com alarmes. 
 
COMO TRABALHAR COM AGENTES FÚNGICOS PATOGÊNICOS? 
 
COCCIDIOIDES IMMITIS (NB 3) 
. Fungo dimórfico 
. Fase micelial: hifas que se quebram em artroconídios 
. No tecido: esférula repleta de endosporos 
A coccidioidomicose é uma infecção respiratória benigna que pode se resolver 
espontaneamente ou progredir para uma doença sistêmica severa. 
Riscos laboratoriais: inalação de artroconídios e esférulas. A inoculação subcutânea da 
forma de esférula pode resultar na formação de granulomas locais que regridem 
espontaneamente. 
 
 91
Precauções recomendadas: nível de biossegurança 1 nas instalações laboratoriais e no 
trabalho com espécimens clínicos; identificação de isolados; processamento de tecidos 
animais e no manuseio de dejetos de animais, pois a urina pode conter o fungo. Nível de 
biossegurança 3 no trabalho com a fase filamentosa esporulada ou processamento de solo 
com suspeita de conter artroconídios. 
 
PARACOCCIDIOIDES BRASILIENSIS (NB 1) 
. Fungo dimórfico. Fase micelial: hifas e clamidoconídios 
. Fase leveduriforme: elementos esféricos uni e/ou multibrotantes 
As manifestações clínicas resultam da inalação de elementos infectantes do fungo, com 
envolvimento dos pulmões, áreas mucocutâneas e outros órgãos. 
Riscos laboratoriais: com a fase filamentosa o perigo está em se inalar elementos 
infectantes. Com a fase leveduriforme o risco está na inoculação acidental do fungo. 
Precauções recomendadas: nível de biossegurança 1 ao se trabalhar com espécimens 
clínicos, animais, culturas filamentosas e leveduriformes em meios ricos. nível de 
biossegurança 3 para a manipulação de culturas filamentosas em meios pobres e solo. 
 
BLASTOMYCES DERMATITIDIS (NB 1) 
. Fungo dimórfico 
. Fase micelial: hifas com conídios esféricos a ovais 
. Fase leveduriforme: células esféricas com unibrotamentos 
A blastomicose é uma doença crônica supurativa e granulomatosa. As manifestações clínicas 
podem ser: forma pulmonar, formas disseminada e cutânea. 
Riscos laboratoriais: inoculação de formas de levedura presentes em tecidos de animais e em 
espécimens clínicos. Outro perigo é a manipulação de culturas filamentosas. 
Precauções recomendadas: nível de biossegurança 1 para o trabalho com animais, materiais 
clínicos e culturas leveduriformes. Nível de biossegurança 3 para o trabalho com culturas 
filamentosas, solo e outros materiais contendo conídios. 
 
HISTOPLASMA CAPSULATUM (NB 3) 
. Fungo dimórfico 
. Fase micelial: hifas com conídios de dois tipos, microconídios e macroconídios 
(tuberculados) 
. Fase leveduriforme: elementos ovalados com brotamento unipolar 
 
 92
. Nicho ecológico: solo e restos orgânicos contaminados com fezes de galinha, morcego e 
pássaros. 
A histoplasmose pode ser uma micose pulmonar aguda, subaguda, crônica ou sistêmica. 
Riscos laboratoriais: manuseio de culturas na fase filamentosa, processamento de solo 
contaminado e de material biológico. 
Precauções recomendadas: nível de biossegurança 1 no manuseio de espécimens clínicos e 
no trabalho com tecidos animais. nível de biossegurança 3 na manipulação de culturas 
filamentosas identificadas como H. capsulatum e processamento de solo contendo conídios. 
 
CRYPTOCOCCUS NEOFORMANS (NB 1) 
. Levedura patogênica 
. Aspecto parasitário: elementos esféricos com um só brotamento 
. Aspecto em cultivo: lêvedo unibrotante encapsulado 
A criptococose é uma micose que pode ser pulmonar ou disseminada. A partícula infecciosa, 
acredita-se ser propágulos de leveduras desidratadas e/ou basidiosporos que são inalados. Nos 
casos de exposição laboratorial o nível de patogenicidade para adultos imunocompetentes 
normais é baixo. 
Riscos laboratoriais: inoculação acidental de culturas e outros materiais contaminados, 
mordidas de camundongos infectados experimentalmente, manipulação de materiais 
ambientais infectados (ex: fezes de pombo) e contato com material contaminado com urina de 
animais infectados. 
Precauções recomendadas: nível de biossegurança 1 para o trabalho com materiais clínicos, 
com culturas e com animais infectados experimentalmente. Cabine de segurança biológica 
classe II deverá ser usada durante o manuseio de solo e outros materiais contendo células de 
leveduras ou quando se trabalha com o estado perfeito do agente (Filobasidiella neoformans). 
 
SPOROTHRIX SCHENCKII (NB 1) 
. Fungo dimórfico 
. Fase micelial: hifas delicadas e conídios formando pequenos “bouquets” 
. Fase leveduriforme: elementos com forma navicular e de charuto, além de corpos asteróides 
O fungo vive na natureza, usualmente associado a vegetais, e é inoculado acidentalmente na 
pele ou tecido subcutâneo determinando as lesões nodulares. Ocasionalmente o fungo pode 
ser inalado causando a forma sistêmica. 
 
 93
Riscos laboratoriais: respingos de materiais de culturas nos olhos, arranhão ou injeção de 
material infectado na pele ou mordidas de animais infectados experimentalmente, 
manipulação de culturas ou necrópsia de animais. 
Precauções recomendadas: nível de biossegurança 1 no trabalho com culturas e animais. 
Luvas deverão ser usadas. 
 
DERMATÓFITOS - EPIDERMOPHYTON, MICROSPORUM E TRICHOPHYTON (NB 1) 
. Aspecto em cultivo: hifas delicadas com macro e microconídios. Aspecto parasitário: hifas hialinas que podem se desarticular formando os artroconídios. 
As dermatofitoses são lesões da pele, pêlos e/ou unhas. Os dermatófitos são saprófitas do 
solo, onde vivem sobre restos de queratina. 
Riscos laboratoriais: contato com animais infectados experimentalmente ou naturalmente. 
Precauções recomendadas: nível de biossegurança 1 durante todo o trabalho. Usar luvas ao 
manusear animais experimentais. 
 
FUNGOS EM GERAL 
Segundo o CDC vários fungos têm causado sérias infecções em hospedeiros 
imunocompetentes que inalaram ou se inocularam acidentalmente por via subcutânea de 
fontes ambientais. Os agentes são: Cladosporium trichoides, C. bantianum, Penicillium 
marneffei, Exophiala dermatitidis e outros. Além destes, existem os Aspergillus fumigatus, 
A. flavus e Candida albicans que podem causar sérios problemas em humanos. Atualmente 
uma série de fungos estão surgindo como patógenos oportunísticos (Torres-Rodriguez, 1996). 
Precauções recomendadas: nível de biossegurança 1 ao se trabalhar com fungos que estejam 
esporulando ou ao se inocular animais experimentais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 94
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
 
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MANUAL OF CLINICAL LABORATORY IMMUNOLOGY. 4ª ED. AMERICAN 
SOCIETY FOR MICROBIOLOGY. WASHINGTON, 1991. 
 
 
 
 95
BIOSSEGURANÇA NO LABORATÓRIO DE MICOLOGIA CLÍNICA 
 
 
CENTER FOR DISEASE CONTROL - NATIONAL INSTITUTES OF HEALTH. 
BIOSAFETY IN MICROBIOLOGICAL BIOMEDICAL LABORATORIES. 3A ED., 
1993. 
 
CENTER FOR DISEASE CONTROL - HEALTH PROTECTION BRANCH. 
LABORATORY BIOSAFETY GUIDELINES. 1A ED., 1996. 
 
COLLINS, C. H. LABORATORY-ACQUIRED INFECTIONS. LONDON, 
BUTTEWORTH & CO (PUBLISHERS) LTDA., 1983. 
 
COMISSÃO TÉCNICA NACIONAL DE BIOSSEGURANÇA. INSTRUÇÃO 
NORMATIVA NÚMERO 8 CNTBIO. DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO, 1997. 
 
COSTA, M. A. F. DA. BIOSSEGURANÇA - SEGURANÇA QUÍMICA BÁSICA EM 
BIOTECNOLOGIA E AMBIENTES HOSPITALARES. LIVRARIA SANTOS 
EDITORA. SP, 1996. 
 
DISALVO, A. F. MYCOTIC MORBIDITY-AN OCCUPATIONAL RISK FOR 
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FURR, A. K. HANDBOOK OF LABORATORY SAFETY. 3A ED., BOCA RATON, CRC 
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GRIST, N. R. MANUAL DE BIOSSEGURANÇA PARA O LABORATÓRIO. 
LIVRARIA SANTOS EDITORA. SP. 1A.ED. 1995. 
 
HANEL, E. J R. & KRUSE, R. H. LABORATORY-ACQUIRED MYCOSES. 
DEPARTMENT OF THE ARMY, MISCELLANEOUS PUBLICATION 18: 1-51, 1967. 
 
 
 
 
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HOEFEL, H. H. K. & SCHNEIDER, L. O. O PROFISSIONAL DA SAÚDE NA CADEIA 
EPIDEMIOLÓGICA. IN: RODRIGUES, E.A.C., MENDONÇA, J.S.DE, AMARANTE, 
J.M.B., FILHO, M.B.A., GRINBAUM, R.S. & RICHTMANN, R. (ORG.) INFECÇÕES 
HOSPITALARES PREVENÇÃO E CONTROLE. SÃO PAULO, SARVIER, 1997 P. 351-
366. 
 
KWON-CHUNG, K. J. & BENNETT, J. E. MEDICAL MYCOLOGY. PHILADELPHIA, 
LEA & FEBIGER 1991. 
 
LARONE, D. H. MEDICALLY IMPORTANT FUNGI - A GUIDE TO 
IDENTIFICATION. 1A ED. NEW YORK, ELSEVIER 1987. 
 
MIMICA, I. O LABORATÓRIO CLÍNICO. IN: RODRIGUES, E.A.C., MENDONÇA, 
J.S.DE, AMARANTE, J.M.B., FILHO, M.B.A., GRINBAUM, R.S. & RICHTMANN, R. 
(ORG.) INFECÇÕES HOSPITALARES PREVENÇÃO E CONTROLE. SÃO PAULO, 
SARVIER, 1997 P. 470-476. 
 
MCGINNIS, M. R. LABORATORY SAFETY. LABORATORY HANDBOOK OF 
MEDICAL MYCOLOGY. NEW YORK, ACADEMIC PRESS 1980. 
 
PIKE, R. M. LABORATORY-ASSOCIATED INFECTIONS. SUMMARY AND 
ANALYSIS OF 3911 CASES. HEALTH LABORATORY SCIENCE 13: 104-114, 1976. 
 
PIKE, R. M. LABORATORY-ASSOCIATED INFECTION: INCIDENCE, 
FATALITIES, CAUSES, AND PREVENTION. ANN. REV. MICROBIOL. 33: 41-66, 
1979. 
 
ROMÃO, C. M. C. A. DESINFECÇÃO E ESTERILIZAÇÃO QUÍMICA. IN: 
TEIXEIRA, P & VALLE, S. (ORGS.). BIOSSEGURANÇA - UMA ABORDAGEM 
MULTIDISCIPLINAR. EDITORA FIOCRUZ, RJ, 1996. 
 
 
 
 
 
 97
TEIXEIRA, P. & VALLE, S. BIOSSEGURANÇA - UMA ABORDAGEM 
MULTIDISCIPLINAR. EDITORA FIOCRUZ, RJ, 1996. 
 
TORRES-RODRIGUEZ, J. M. NUEVOS HONGOS PATÓGENOS OPORTUNISTAS 
EMERGENTES. REV. IBEROAM. DE MICOLOGIA 13(S1): 30-38, 1996. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 98
ANEXO: MODELO DE LAUDO MICOLÓGICO 
 
 
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO 
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDECENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDECENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDECENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE 
FACULDADE DE FARMÁCIAFACULDADE DE FARMÁCIAFACULDADE DE FARMÁCIAFACULDADE DE FARMÁCIA 
LABORATÓRIO DE MICOLOGIA CLÍNICA 
CGC: 33.663.683/0012CGC: 33.663.683/0012CGC: 33.663.683/0012CGC: 33.663.683/0012----79797979 
 
Laudo No.: 
 
RESULTADOSRESULTADOSRESULTADOSRESULTADOS 
 
Paciente: XXXXX Protocolo de Origem: XXXX 
Sexo: XXXXX Idade: XX Data de Entrada: XX.XX.XXXX 
Solicitante: Laboratório XXXXXXX Data de Emissão: XX.XX.XXXX 
 
Material 
 
Escamas de pele da região das costas e axilas 
 
 
Exame Micológico Direto 
 
Presença de hifas hialinas e ramificadas e cadeias de artrosporos compatíveis com 
dermatófito 
 
 
Cultura de Fungos 
 
Cultura positiva para Microsporum canis 
 
 
 
________________________ 
Prof. Paulo Murillo Neufeld 
Chefe do Laboratório de Micologia Clínica 
Faculdade de Farmácia – UFRJ 
 
 
 
Laboratório de Micologia Clínica Laboratório de Micologia Clínica Laboratório de Micologia Clínica Laboratório de Micologia Clínica –––– Faculdade de Farmá Faculdade de Farmá Faculdade de Farmá Faculdade de Farmácia cia cia cia ---- UFRJ UFRJ UFRJ UFRJ 
Prédio do CCS Prédio do CCS Prédio do CCS Prédio do CCS ---- bloco A bloco A bloco A bloco A ---- 2 2 2 2o.o.o.o. andar andar andar andar ---- sala 025 sala 025 sala 025 sala 025 
Ilha do Fundão Ilha do Fundão Ilha do Fundão Ilha do Fundão ---- Rio de Janeiro Rio de Janeiro Rio de Janeiro Rio de Janeiro----RJ RJ RJ RJ ---- 21941 21941 21941 21941----590 590 590 590 
Tel/Fax (021) 2562Tel/Fax (021) 2562Tel/Fax (021) 2562Tel/Fax (021) 2562----6421642164216421

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