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Excelentíssimo Senhor Juiz de Direito Da... Vara Criminal da circunscrição judiciária da Asa Sul-DF Elenilde Maridélia, brasileira, casada, policial civil, portadora do RG nº..., CPF nº... , e-mail..., residente e domiciliada na SQS 315, bloco W, apartamento 1001, Asa Sul-DF, vem perante Vossa Excelência por meio de seu advogado devidamente constituído, procuração anexa, com fulcro nos arts. 5º, LXV, da Constituição Federal-CF c/c 310, I, do Código de Processo Penal-CPP requer. Relaxamento de prisão I.Dos Fatos No dia 15 de maio de 2017, Elenilde encontrava-se em sua residência, quando percebeu a entrada de um meliante que estava armado de uma pistola semiautomática. Assustada, a vitima cuja profissão é policial civil, pegou seu revólver calibre 38 com intuito de afasta-lo de sua residência, o individuo apontou-lhe uma arma e em sua legitima defesa, a policial desferiu um tiro que levou o meliante a óbito. Após o ocorrido, Elenilde dirigiu-se a Delegacia mais próxima, relatou o ocorrido para o delegado e fez a entrega do corpo e da sua arma, o delegado agindo contra lei decretou a prisão em flagrante da policia. Posteriormente no dia 18 de maio de 2017, a autoridade enviou cópia do auto de prisão exclusivamente ao Ministério Público e em seguida ao marido de Elenilde, não informando ao juiz. II. Do Direito O art. 306 do CPP estabelece o prazo de 24 horas para assinatura da nota de culpa, como já relatado isso ocorreu após 72 horas da prisão. Ocorre, Excelência, que o prazo não foi respeitado. Constata-se que o indicado somente assinou o documento 3 dias após sua prisão em flagrante ilegal. Posto que a lavratura do auto se deu também em prazo díspar ao determinado pelo citado artigo. A indicada apresentou-se espontaneamente para a autoridade competente e, todavia teve sua prisão em flagrante decretada pela autoridade. O artigo 302 do CPP um rol taxativo, não abrange a apresentação espontânea, como fala a doutrina e jurisprudência: “Prisão em flagrante. Não tem cabimento prender em flagrante o agente que, horas depois do delito, entrega-se à polícia, que não o perseguia, e confessa o crime”. (STF, SEGUNDA TURMA, 1983). No caso de apresentação espontânea, com ou sem a redação original do artigo 317, do CPP, não há subsunção a nenhuma das hipóteses em que a pessoa é legalmente considerada em estado de flagrância e que autorizariam sua prisão, descritas nos mencionados incisos I a IV, do artigo 302, do diploma processual. Logo, apresentando-se espontaneamente o sujeito, não se cogita sua prisão em flagrante tanto pela lógica quanto pelo bom senso, e também por ausência de amparo legal (CABETTE, 2011). O artigo 306 do CPP trata sobre a comunicação ao Ministério Público, juiz e pessoa indicada pelo preso ou a família. Decorre que a autoridade competente comunicou ao Ministério Público por entender que era o maior interessado na causa e ao marido da policial, porém não fez o comunicado ao juiz competente conforme o art. dos 306 caputs. Com o exposto é possível concluir que a prisão da indiciada fere garantias e dispositivos constitucionais basilares, como dignidade da pessoa humana que se encontra no art. 1º, III da CF, devido processo legal, esse principio garante a todos o direito a um processo com todas as etapas previstas em lei. Tal principio encontra-se no art. 5 º, LIV da CF.Com base nisso, a prisão deve ser imediatamente relaxada. III. Do pedido Requer a indicada o imediato relaxamento da prisão em flagrante, já que não existiu por diversos vícios com a respectiva expedição de alvará de soltura em nome do mesmo, conforme recomenda o artigo 109 da lei 7.210/1984. Nestes Termos Pede deferimento. Local, Data... Advogado... OAB...