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A Mitologia Grega Escola Secundária de Ermesinde Pedro Silva

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Flavio Loss

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2
Índice: 
 Pág. 
Introdução 5 
I. Deuses do Olimpo: 
. Os doze principais: 
- Zeus, deus dos deuses, senhor do Olimpo, do céu e da terra 
- Hera, esposa de Zeus, deusa dos deuses; protectora do casamento 
- Posídon, deus dos oceanos e dos mares 
- Hades, deus do submundo 
- Ares, deus da guerra 
- Atena, deusa da guerra justa, da justiça e da sabedoria 
- Apolo, deus do Sol, das artes e das profecias 
- Afrodite, deusa do amor e da beleza 
- Hermes, o mensageiro dos deuses 
- Ártemis, deusa da Lua e da caça 
- Hefesto, deus do fogo e da metalurgia 
- Dionísio, deus do teatro, do vinho e das festas 
. Deuses menores: 
- Deméter, deusa da agricultura 
- Eros, deus do amor 
- Éolo, deus dos ventos 
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19 
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II. Deuses primordiais: 
- Caos, o mais velho dos deuses 
- Érebo, personificação da escuridão superior 
- Geia, deusa da Terra 
- Nix, personificação da noite 
- Pontos, antigo deus do mar pré olímpico 
- Urano, personificação do Céu 
- Éter e Hemera 
- Tártaro, personificação do Inferno 
20 
21 
21 
21 
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23 
23 
24 
24 
III. Outros deuses: 
- Anfitrite, esposa de Posídon e deusa dos mares 
- Circe, deusa da feitiçaria 
- Eos, deusa que personificava o amanhecer 
25 
26 
26 
26 
 3
- Éris, deusa da discórdia 
- Harmonia, deusa da harmonia e da concórdia 
- Hélio 
- Hebe, deusa da juventude 
- Hécate, a “distante”; deusa da magia e da noite 
- Hipnos, deus do sono 
- Íris, personificação do arco-íris e mensageira dos deuses 
- Métis, deusa grega da prudência 
- Morfeu, deus dos sonhos 
- Pã, deus dos bosques, dos campos e dos rebanhos 
- Perséfone 
- Selene, deusa da lua 
- Tanato, personificação da morte 
- Tifão, deus da seca 
27 
27 
27 
28 
28 
29 
29 
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30 
30 
31 
31 
32 
32 
IV. Os Titãs: 
- Atlas 
- Ceos 
- Crio 
- Cronos 
- Febe 
- Hiperíon 
- Jápeto 
- Mnemosine 
- Oceano 
- Prometeu 
- Epimeteu 
- Reia 
- Teia 
- Tétis 
- Témis 
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34 
34 
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36 
36 
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38 
39 
39 
39 
V. Lendas e histórias mitológicas: 
- Origem do Universo 
- Musas 
- Narciso 
- Sísifo 
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41 
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43 
44 
 4 
- Ilíada 
- Odisseia 
- Tróia 
- A guerra dos Titãs 
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48 
51 
55 
VI. Criaturas mitológicas: 
- Centauro 
- Cérbero 
- Ciclopes 
- Harpias 
- Medusa 
- Minotauro 
- Pégaso 
- Quimera 
- Hidra de Lerna 
- Hecatonquiros 
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58 
58 
59 
59 
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62 
62 
63 
63 
VII. Heróis Gregos: 
- Aquiles 
- Ájax 
- Astíanax 
- Hércules 
- Jasão 
- Menelau 
- Perseu 
- Neoptólemo 
- Órion 
- Pátroclo 
- Páris 
- Teseu 
- Odisseu (Ulisses) 
- Agamémnon 
- Heitor 
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81 
81 
83 
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86 
Bibliografia 89 
 
 5
Introdução 
 
 A mitologia grega compreende o conjunto de mitos, lendas e entidades 
divinas e/ou fantásticas (deuses, semideuses e heróis), presentes na religião 
praticada na Grécia Antiga, criados e transmitidos originalmente por tradição oral, 
muitas vezes com o intuito de explicar fenómenos naturais, culturais ou religiosos – 
como os rituais – cuja explicação não era evidente. 
Superando o tempo, ela ainda se conserva com toda a sua serenidade, 
equilíbrio e alegria. A religião grega teve uma influência tão duradoura, ampla e 
incisiva, que vigorou da pré-história ao século IV e muitos dos seus elementos 
sobreviveram nos Cultos Cristãos e nas tradições locais. Complexo de crenças e 
práticas que constituíram as relações dos gregos antigos com seus deuses, a religião 
grega influenciou todo o Mediterrâneo e áreas adjacentes durante mais de um 
milénio.
 6
 
 
 
I 
 
Os deuses do Olimpo 
 
 
 
Os deuses Olímpicos são os 12 deuses principais da mitologia grega 
que vivem no Monte Olimpo. Por vezes alguns autores incluem outros deuses 
entre os 12 olímpicos, os deuses menores. 
 7
I.1 – Os doze principais 
 
Zeus 
Na mitologia grega, era o pai dos deuses 
e dos homens e o mais poderoso dos imortais. 
Era pré-helénico e adorado como 
divindade do céu. A sua presença manifestava-
se pelos raios, trovoada e chuva. Zeus era 
considerado o deus civil mais importante e 
protector da liberdade política, da lei e da 
moral. 
Ele vê tudo, conhece tudo, tanto o 
presente como o futuro. É bom, justo e sábio. 
Os seus emblemas são um raio, a figura 
da vitória e uma cornucópia. 
Os seus pais foram Cronos e Reia e tinha 
como irmãos Posídon, Hades, Hestia, Deméter e Hera. Casou-se com Hera e foi pai 
de diversos deuses, como Apolo, Ártemis, Hefesto, Hebe, Ares e Ilítia. Atenas 
nasceu do casamento com a sua primeira esposa, Métis e com a sua irmã Deméter 
teve Perséfone. 
Apesar de casado com Hera, Zeus tinha inúmeras amantes (as paixões de 
Zeus). Usava dos mais diferentes artifícios de sedução, como a metamorfose em 
qualquer objecto ou criatura viva, sendo dois dos mais famosos, o cisne de Leda e o 
touro de Europa. Assim sendo, teve muitos filhos ilegítimos com deusas e mulheres 
mortais, que se tornaram proeminentes na mitologia grega – Hércules e Helena, por 
exemplo. 
Como é que Zeus se tornou o senhor dos deuses e chefe do Olimpo? 
Cronos era casado com Reia, e quando seus filhos nasciam ele devorava-os, 
pois Urano, seu pai, profetizou que Cronos seria destronado por um dos seus filhos, 
assim como Urano foi destronado por Cronos. 
fig. 1 Zeus 
 8
Reia, farta disto, e com a ajuda de Geia, decidiu salvar o seu 6º filho levando-o 
para o monte Ida, onde ele cresceu aos cuidados de Geia e das Ninfas. Quando se 
torna adulto ele enfrenta o seu pai, e disfarçando-se de viajante e dando a Cronos 
uma bebida que o fez vomitar todos os filhos que tinha devorado, agora adultos. 
Após libertar os irmãos, iniciou a guerra Titanomaquia. Cronos procurou os 
seus irmãos para enfrentar os rebeldes, que se reuniram no Olimpo. A guerra durou 
100 anos até que seguindo um conselho de Geia, Zeus liberta os Hecatonquiros, 
então os deuses olímpicos venceram e aprisionaram os titãs no Tártaro. Segue-se a 
partilha do universo, Zeus ficou com o céu e a Terra, Posídon ficou com os oceanos 
e Hades ficou com o mundo dos mortos. 
 
Hera 
Deusa dos tempos pré-helénicos, era 
na mitologia grega esposa e irmã de Zeus, 
deusa dos deuses e patrona da vida feminina 
em geral e do casamento em particular. Era 
retratada como ciumenta e agressiva, odiava 
e perseguia as amantes de Zeus e os filhos de 
tais relacionamentos, tanto que tentou matar 
Hércules quando este era apenas um bebé. O 
próprio Zeus a temia. Hera era muito vaidosa 
e sempre quis ser mais bonita que Afrodite, a 
sua maior inimiga. 
Possuía sete templos na Grécia. 
Mostrava apenas os seus olhos aos mortais e 
usava uma pena do seu pássaro para marcar os locais que protegia. Hércules 
destruiu os seus sete templos e, antes de terminar sua vida mortal, aprisionou-a 
num jarro de barro que entregou a Zeus. 
Na guerra de Tróia, por ódio dos troianos, devido ao julgamento de Páris, 
ajudou os gregos. É representada por um pavão e possui uma coroa de ouro. 
 
fig. 2 Hera 
 9
Posídon 
Deus grego dos tremores de terra e 
da água. Filho de Cronos e Reia e irmão de 
Zeus, este deus vive nas profundezas do 
mar. 
Era também o deus dos cavalos, 
em sua honra eram oferecidos emsacrifício touros brancos ou negros. Mas 
apesar disto, o seu humor era 
imprevisível, apesar dos sacrifícios, ele 
podia provocar tempestades, maus 
ventos e terramotos por capricho. 
Os seus símbolos eram o tridente e os golfinhos. 
Segundo o mito, Cronos devorava os seus filhos mal nasciam, pois temia q 
eles se revoltassem contra ele tal como ele se revoltou contra seu pai, Urano, 
Posídon sendo o primeiro filho de Cronos e Reia foi devorado pelo seu pai, mas foi 
restabelecido à vida de novo, quando Zeus da uma bebida ao pai que o faz 
regurgitar todos os seus filhos previamente devorados. 
Depois de derrotarem Cronos e os outros titãs e de os aprisionarem no 
Tártaro, dividem o universo entre sei, ficando Posídon com os Oceanos. 
 
Hades 
Deus grego do mundo inferior e das riquezas 
dos mortos, era filho dos titãs Cronos e Reia e irmão de 
Zeus e Posídon. Seu nome significa, em grego, o 
Invisível, e era geralmente representado com o elmo 
mágico que lhe dava essa habilidade, que ele ganhou 
dos ciclopes quando participou da guerra 
Titanomaquia contra os titãs. 
Depois desta guerra, e como já foi referido, 
houve a divisão do universo entre Zeus, Posídon e Hades, ficando Hades com o 
fig. 3 Posídon 
fig. 4 Hades 
 10
mundo dos mortos. 
Conhecemos-lhe poucas aventuras. Desejoso de desposar uma mulher, rapta 
a sua sobrinha Core, filha de Deméter e de Zeus, e transforma-a na rainha 
Perséfone, com a qual vive metade do ano e de quem não terá herdeiros. Hades 
será fiel a Perséfone, a não ser em dois momentos pontuais: quando teve um 
devaneio pela ninfa do Cócito, chamada Minta (ferozmente espezinhada por 
Perséfone, será transformada em menta, por Hades) e quando se apaixonou por 
Leuce, filha do Oceano, que será metamorfoseada em choupo argênteo. 
Era também conhecido como o Hospitaleiro, pois sempre havia lugar para 
mais uma alma no seu reino. Ao contrário do que algumas pessoas pensam, Hades 
não é o deus da morte, mas sim do pós-morte. 
Para Hades, eram consagrados o narciso e o cipreste. O deus é representado de 
diversas maneiras: 
• Ou de cenho franzido, cabelos e barbas em desalinho, vestindo túnica e 
mantos vermelhos, sentado no trono e tendo ao seu lado o cão Cérbero; 
• Ou como deus da vegetação, com traços mais suaves; 
• Ou levando nas mãos uma cornucópia ou com uma coroa de ébano na 
cabeça, chaves na mão e sobre um coche puxado por cavalos negros. 
 
Ares 
Filho de Zeus e Hera, de quem terá herdado 
o carácter intratável, Ares nasceu na Trácia, o país 
das laranjas, dos cavalos e dos guerreiros. Era para 
os gregos da guerra e da luta. A sua força física 
invulgar correspondia à sua fúria sanguinária. 
Ares era completamente obcecado pela luta. 
Deleitava-se a percorrer com a sua quadriga os 
campos de batalha, coberto com uma armadura de 
bronze e munido com uma enorme lança, 
espalhando o terror. 
fig. 5 Ares 
 11
Todo o Olimpo se afastava dele e o seu próprio pai não lhe escondia a sua 
antipatia. A sua maior inimiga era Atena, deusa da razão, que era também filha de 
Zeus. Por mais estranho que possa parecer, é também um cobarde, que se contrai 
com dores e foge quando esta ferido. Contudo, no campo de batalha esta sempre 
está sempre rodeado por um numeroso grupo de companheiros, que a todos devia 
inspirar confiança. 
Havia uma excepção na sua obsessão pela guerra: ele era afectado por 
Afrodite e teve um longo caso de amor com ela. Homero conta na Odisseia uma 
história sobre o deus, Hélios, que iluminando o casal que desfrutava de seus 
encantos e relatando o local de encontro para Hefesto, marido de Afrodite. O 
grande ferreiro preparou uma rede especial, fina e resistente como o diamante, 
com a qual prendeu o casal num abraço apaixonado. Ele exibiu o casal preso na rede 
para os deuses do Olimpo, mas as mulheres foram contra. Homero afirma que 
muitos dos deuses masculinos ofereceram-se para trocar de lugar com Ares. 
 
Atena 
Filha de Zeus, e só dele, não foi gerada por nenhuma mulher, pois este 
apaixonou-se por Métis, tendo sido ela a sua primeira esposa. Contudo, foi 
advertido pela sua avó Gaia de que Métis lhe daria um filho e que este o destronaria, 
assim como ele destronou Cronos e, este, Urano. Amedrontado, Zeus resolveu 
engolir Métis. 
Convenceu-a a participar numa brincadeira divina, na qual cada um deveria se 
transformar num animal diferente. Métis, desta vez, não foi prudente, e 
transformou-se numa mosca. Zeus aproveitou a oportunidade e engoliu-a. Todavia, 
Métis já estava grávida de Atena, e continuou a gestação na cabeça de Zeus, 
aproveitando o tempo ocioso para tecer as roupas da sua vindoura filha. 
Um dia, durante uma guerra, Zeus sentiu uma forte dor de cabeça, e Hefesto, 
o feio deus ferreiro e do fogo, deu-lhe uma machadada na cabeça, de onde Atena 
saiu, já adulta, com elmo, armadura e escudo – este coberto com a pele de 
Amalteia. 
 12
Atena surge como a deusa da luta feroz e implacável, mas, onde quer que se 
encontrasse, ela era guerreira apenas para defender o estado e a pátria dos 
inimigos vindos do exterior. Era, acima de tudo, a deusa da cidade, a protectora da 
vida civilizada, das actividades artesanais e da agricultura; a inventora dos freios, 
que, pela primeira vez, domesticaram os cavalos, permitindo, assim, que o homem 
os utilizasse. 
Era a filha predilecta de Zeus; 
deixava-a usar as suas insígnias: o terrível 
escudo, o broquel e a sua arma 
devastadora, o raio. 
Era a primeira das três deusas 
virgens, também conhecida por Donzela 
Párteno, e daí o nome do templo que lhe foi 
dedicado, o Partenón. Permaneceu virgem, 
pois pediu aos Deuses Olímpicos para não 
se apaixonar, porque se ela tivesse filhos, 
teria de abandonar as guerras pela justiça e 
viver uma vida doméstica. 
Atenas era a sua cidade; a oliveira, criada por ela, a sua árvore e a coruja, a 
ave que lhe era consagrada. 
 
Apolo 
Filho de Zeus e Leto, nasceu na pequena ilha 
de Delos. Tem sido chamado “o mais grego de todos 
os deuses”. É uma bela figura da poesia grega, o 
músico mestre que deleita o Olimpo, quando tange a 
sua lira de ouro; é também o deus do Arco de prata, o 
deus da Flecha de grande alcance; o Curandeiro, que 
ensinou, pela primeira vez, ao homem a arte de curar 
todas as doenças. Apolo é também o deus da Luz e 
fig. 6 Atena 
fig. 7 Apolo 
 13
do Sol e também o deus da Verdade, pois nunca nenhuma palavra falsa brota dos 
seus lábios. 
Outra faceta deste deus é a sua parte mais violenta, quando ele usa o arco, 
para disparar dardos letais que matam os homens com doenças ou mortes súbitas. 
Ainda assumindo este lado mais negro, Apolo é o deus das pragas de ratos e dos 
lobos, que atormentavam muitas vezes os gregos. 
Finalmente, Apolo é o deus dos jovens rapazes, ajudando na transição para a 
idade adulta. Assim, ele é sempre representado como um jovem, frequentemente 
nu (ver fig.6), para simbolizar a pureza e a perfeição, já que ele é também o deus 
destes dois atributos. 
Apolo participa em diversos mitos, incluindo a famosa guerra de Tróia, onde 
esteve ao lado troiano, dizimando os aqueus com pragas quando estes ofenderam o 
seu sacerdote troiano, e acabando por matar Aquiles. A maioria dos mitos que 
dizem respeito a Apolo falam dos seus inúmeros amores, sendo os mais famosos 
Dafne, uma ninfa que foi transformada em loureiro (daí a sacralidade da árvore para 
Apolo), Jacinto, que se transformou na flor com o 
mesmo nome, e Ciparisso, o qual se transformou 
em cipreste. 
 
Afrodite 
A deusa do amor e da beleza, que seduzia 
todos, tanto deuses como mortais; a deusa 
alegre, que ria ora docementeora de modo 
trocista daqueles que os seus ardis haviam 
conquistado; a deusa irresistível, que até os mais 
sensatos subtraía as faculdades mentais. 
Existem duas versões do seu nascimento: 
• De acordo com o mito teogónico, mais 
aceite, nasceu quando Urano (pai dos titãs) 
foi castrado pelo seu filho Cronos, que 
atirou os genitais cortados de Urano ao mar, que começou a ferver e a 
fig. 8 Afrodite 
 14 
espumar, esse efeito foi a fecundação que ocorreu em Talassa, deusa 
primordial do mar. De aphros ("espuma do mar"), ergueu-se Afrodite e o mar 
a carregou para Chipre. Assim, Afrodite é de uma geração mais antiga que a 
maioria dos outros deuses olímpicos. 
• Noutra versão (como diz Homero), Dione é mãe de Afrodite com Zeus, 
sendo Dione, filha de Urano e Talassa. 
Era casada com Hefesto, o deus ferreiro e do fogo, mas pela falta de 
atenção, Afrodite começou a trair o marido para melhor valorizá-la, tendo tido 
vários relacionamentos. 
 
Hermes 
Filho de Zeus e da jovem Plêiade Maia, 
filha de Atlas, nasceu numa caverna do monte 
Cilene, na Arcádia, tendo manifestado desde 
muito cedo uma inteligência e astúcia 
extraordinárias. Devido a uma estátua que o 
representa é que se tornou muito popular, o 
aspecto deste deus é-nos muito mais familiar 
do que o de qualquer outro. Os seus 
movimentos eram graciosos e rápidos. Usava 
sandálias aladas, tinha asas também no chapéu 
coroado, bem como no bastão, o caduceu. 
Era o Mensageiro de Zeus. De todos os deuses era ele o mais arguto e o mais 
astuto. De facto, era o Chefe dos Ladrões; dera início à sua carreira ainda antes de 
completar um dia de vida, pois nasceu ao despontar do dia e ao cair da noite, 
abandonou o berço e partiu para Tessália, dirigindo-se ao monte onde pastavam os 
bois do rei Admeto, confiados à guarda de Apolo. Habilmente, roubou uma parte 
dos animais, que conduziu às arrecuas através de toda a Grécia, acabando por 
escondê-los numa caverna em Pilo. Depois de tudo isto, regressou ao seu quarto 
pelo buraco da fechadura e deitou-se no berço. 
fig. 9 Hermes 
 15
Mas Hermes esquecera que Apolo era dotado de dupla visão e que tomara 
conhecimento do roubo dos animais, indo reclamá-los junto da criança que, no seu 
berço, fingiu tudo ignorar. Perante esta situação, Apolo apela a Zeus que ao tomar 
conhecimento do caso foi sacudido por um riso, pedindo, no entanto, aos seus 
filhos que se reconciliassem e obrigou Hermes a devolver os animais. 
Apolo, no entanto, encantou-se com o som da lira que Hermes inventara e 
ofereceu em troca o gado e o caduceu. Mais tarde, Hermes inventou a siringe 
(flauta de Pã), em troca de que Apolo lhe concedeu o dom da adivinhação. 
Foi famoso também por ser o único filho que Zeus tivera que não era filho de 
Hera, que ela gostou, pois ficou impressionada pela sua inteligência. 
 
Ártemis 
Filha de Zeus e Leto e irmã gémea de 
Apolo. Tal como o seu irmão, também ela é 
uma divindade da luz, mas da luz nocturna, 
lunar. 
Nasceu na ilha de Ortigia (Delos), um 
dia antes de seu irmão. Após o seu 
nascimento, ela pediu como presente, a seu 
pai, Zeus, uma armadura completa de 
caçadora e este encarregou Hefesto de lhe 
forjar um arco em ouro. 
Tal como Apolo como Apolo, a deusa da Lua era dotada de atributos 
variados e contraditórios. Por um lado, manifestava qualidades simpáticas e 
benéficas: dirigia o coro das musas, proferia oráculos, dava bons conselhos, curava 
as doenças ou as feridas, protegia as águas termais e as viagens, em terra e no mar, 
e ainda velava pelos animais domésticos e pelos campos. Mas, simultaneamente, 
Ártemis era a deusa da caça, aterrorizando, portanto, os animais selvagens. Esta era 
a sua faceta cruel e, por vezes, mesmo bárbara. Com efeito, a deusa divertia-se a 
oprimir os mortais, a desencadear epidemias ou a provocar a morte violenta, 
merecendo bem o cognome de Apolussa, a Destruidora. 
fig. 10 Ártemis 
 16
 
 
Hefesto 
Hefesto personifica o fogo, tanto o fogo 
que explode no céu, como aquele que é 
produzido pelos vulcões. Era também o deus 
dos metais e da metalurgia. Era conhecido 
como o ferreiro divino. 
Era filho de Hera e Zeus. 
Hefesto foi responsável, entre outras 
obras, pela égide, escudo usado por Zeus em 
sua batalha contra os titãs. Construiu para si um 
magnífico e brilhante palácio de bronze, 
equipado com muitos servos mecânicos. Das 
suas forjas saiu Pandora, primeira mulher 
mortal. 
Casou-se com Afrodite, porém ela foi-lhe infiel, tendo vários amantes, entre 
eles deuses e mortais. O seu principal rival era Ares, deus da guerra. 
Outra versão do mito conta que Afrodite o amava realmente, e que as suas 
traições reflectiam as outras faces do amor (ex.: ela queria-lhe causar ciúmes, ou 
tinha desejos passageiros). 
Foi expulso do Olimpo pela sua mãe Hera, desgostosa de que ele fosse coxo. 
Deram-se várias explicações míticas para esse defeito físico. Uma delas é que Hera 
discutia com Zeus a respeito de Hércules e Hefesto, o mesmo tomou partido a favor 
da mãe. Zangado, Zeus agarrou Hefesto pelo pé e atirou-o do Olimpo abaixo, 
ficando coxo para sempre e condenando-o assim a viver sobre a Terra, onde 
instalou suas oficinas na ilha de Lemnos. 
fig. 11 Hefesto 
 17
Dionísio 
Era filho de Zeus e Sémele, filha do rei de 
Tebas, Cadmo. 
Zeus apaixonou-se por Sémele e ia visitá-
la clandestinamente ao palácio de seu pai. Hera, 
ciumenta, transformou-se um dia na ama de 
Sémele e sugeriu à princesa que exigisse a Zeus, 
como prova de amor, que ele lhe aparecesse em 
todo o seu esplendor divino. Sémele foi tão 
persuasiva, que Zeus cumpriu o deu desejo de 
forma tão resplandecente, que os raios 
emanavam do seu corpo incendiaram o palácio 
e fulminaram a infeliz. O filho de Zeus, que a 
princesa trazia no ventre, teria parecido carbonizado, se uma hera, surgida por 
milagre, não tivesse vindo fazer barreira às chamas devoradoras. O rei dos deuses 
recolheu-o então e ocultou-o na gordura da sua coxa. 
Quando chegou o tempo certo, Zeus fez brotar da sua coxa o bebé divino. 
Foi confiado a Ino, irmã de Sémele, e ao seu marido, mas Hera fiel à sua 
vingança, causou a loucura dos dois esposos. Zeus foi obrigado a intervir, e 
encarregou Hermes de levar o seu filho para bem longe, a fim de ser educado pelas 
Ménades, as ninfas do monte Nisa. O jovem deus daí retirou o seu nome: Zeus de 
Nisa (Dionísio). 
Dionísio era o deus das festas, do vinho, da alegria, do lazer, do prazer e 
protector do teatro. 
fig. 12 Dionísio 
 18
I.2 – Deuses menores 
 
Deméter 
Deméter, a Terra-Mãe, é a mais 
importante das divindades gregas da 
fecundidade. Ela incarna a terra cultivada, mais 
particularmente, a cultura do trigo, planta 
símbolo da civilização. 
Filha de Cronos e de Reia, de Deméter é a 
irmã loura de Héstia (a mais velha), assim como 
Hades, Posídon e Zeus. 
Na qualidade de deusa da agricultura, fez 
várias e longas viagens com Dionísio ensinando os homens a cuidarem da terra e 
das plantações. 
Era a mãe de Perséfone, e quando Hades raptou a sua filha e a levou para seu 
reino subterrâneo, Deméter ficou desesperada, saiu como louca Terra afora sem 
comer e nem descansar. Decidiu não voltar para o Olimpo enquanto a sua filha não 
lhe fosse devolvida, e culpando a terra por ter aberto a passagem para Hades levar 
sua amada filha. 
Durante o tempo em que Deméter ficou fora do Olimpo a terra tornou-se 
estéril, o gado morreu, o arado quebrou, os grãos não germinaram. Sem comida a 
população sofria de fome e doenças. A fonte Aretusa então contou que a terra 
abriu-se de má vontade, obedecendo às ordensde Hades e que Perséfone estava no 
Érebo, triste mas com pose de rainha, como esposa do monarca do mundo dos 
mortos. 
Com a situação caótica em que estava a terra estéril, Zeus pediu a Hades que 
devolvesse Perséfone. Ele concordou, porém antes, fê-la comer um bago de romã e 
assim a prendeu para sempre aos infernos, pois quem comesse qualquer alimento 
nessa região ficava obrigado a retornar. Com isso, ficou estabelecido que Perséfone 
fig. 13 Deméter
 19
passaria um período do ano com a mãe, e outro com Hades, quando é chamada 
Proserpina. 
Deméter pode ser representada: 
• Sentada, com tochas ou uma serpente. Seus atributos são a espiga e o narciso, 
seu pássaro é a grou. 
• Tendo em uma das mãos uma foice e na outra um punhado de espigas e 
papoilas, trazendo na cabeça, uma coroa com esses mesmos elementos. 
 
Eros 
Eros, que segundo as teogonias mais 
antigas teria emergido do caos primitivo, 
portanto um deus primordial. É a força 
irresistível que faz atrair os elementos, surgindo 
assim como princípio de vida e o deus do amor. 
A sua acção fecundante fará nascer todas as 
coisas através da união do espaço (Caos) e da 
matéria (a Terra). Depois juntou Érebo – a 
obscuridade infernal – e Nix – a noite – e estes 
geraram Éter – o fluido vital – e Hemera – o dia. 
Posteriormente foi considerado como 
um deus olímpico, filho de Afrodite e de Zeus, Hermes ou Ares, conforme as 
versões. 
 
Éolo 
Filho de Posídon e de Arne. Vivia 
na ilha flutuante de Eólia (ou Lipari) 
com seus seis filhos e suas seis filhas. 
Era o deus dos ventos e senhor 
dos outros deuses do vento (Bóreas, 
Nótus, Eurus e Zéfiro). 
fig. 14 Eros
fig. 15 Éolo 
 20
 
 
II 
Os deuses primordiais 
 
 
 
Os deuses primordiais da mitologia grega, também chamados 
Protogonos, eram as divindades que nasceram em primeiro lugar, que 
surgiram no momento da criação, e cujas formas constituem a estrutura 
básica do universo. O primeiro deles surgiu do nada, e os outros nasceram 
dele. 
 21
 
Caos 
 Caos é a primeira divindade a surgir no 
universo, portanto o mais velho dos deuses. 
 Os filhos de Caos nasceram de cisões assim 
como se reproduzem os seres unicelulares. Nix e Érebo 
nasceram a partir de "pedaços" de Caos. 
Caos é então uma força antiga e obscura que 
manifesta a vida por meio da cisão dos elementos. 
Caos parece ser um deus andrógino, trazendo em si 
tanto o masculino como o feminino. Esta é uma 
característica comum a todos os deuses primogénitos de várias mitologias. 
 
Érebo 
Personificação das trevas 
infernais e da escuridão superior, 
emergiu, juntamente com a Noite, do 
Caos primordial. Da união com a sua 
irmã, nasceu Éter, o ar e Hemera, a luz do 
dia. 
No decurso da guerra dos Titãs 
contra Zeus e os Olímpicos, Érebo tomou 
o partido dos Titãs e, por isso, foi atirado 
para as profundezas do Tártaro. 
 
Geia 
É a Terra divinizada, aparecida depois do Caos, ela personifica a matéria 
primordial e o “eterno e inabalável sustentáculo de todas as coisas”. Do seu corpo 
vão nascer, sucessivamente, o céu estrelado, Úrano, as altas montanhas, Ureia, e 
Ponto, o deus Mar. 
fig. 16 Alegoria ao Caos
fig. 17 Érebo 
 22
Depois, Geia escolha Úrano para seu companheiro e desta união nascerão 
seis filhos e seis filhas, os doze Titãs, assim como três crianças monstruosas, três 
Ciclopes e três Hecatonquiros. 
Ela fabrica uma foice, com a qual 
Cronos mutilará o seu próprio pai. O sangue 
de Úrano cai sobre a Terra e fecunda, uma 
vez mais, Geia, que assim dará à luz as 
Erínias, os gigantes e as ninfas dos freixos: 
as Melíades. 
Depois de ter iniciado e desenvolvido 
o povoamento do Universo, com 
divindades, geia criou o homem. Do solo 
produtivo saíram os heróis “autóctones” 
como Cécrops, Lélex… 
Mas Geia não é somente criador, ela é também a ama dos deuses e dos 
mortais. Assim Geia é adorada como a “mãe universal”, para quem “nascem os 
belos ilhós e os frutos saborosos”. 
Ela é então a Deusa-Mãe, a deusa da abundância (presidindo aos 
casamentos) e detentora de um poder profético. 
 
Nix (a Noite) 
A Noite, nascida do caos como seu irmão Érebo, 
a quem se juntou, deu à luz Éter (o ar) e Hemera (a luz), 
duas divindades indispensáveis à criação e 
sobrevivência do género humano. 
Inversamente, Nix gerou também numerosos 
deuses cuja acção se revelará, geralmente, funesta. 
Esses deuses eram Némesis, Éris (a discórdia), a 
velhice, a morte, o seu irmão gémeo, o doce 
Adormecimento e a divindade que se imporá com a 
fig. 18 Geia
fig. 19 Nix, a Noite 
 23 
mesma autoridade aos homens e aos deuses, incluindo Zeus, o Destino, Moira. 
Nix aparece ora como uma deusa benéfica que simboliza a beleza da noite 
ora como cruel deidade Tartárea, que profere maldições e castiga com terror 
nocturno. Nix é também uma Deusa da Morte, a primeira rainha do mundo das 
Trevas e também tinha dons proféticos, e foi ela quem criou a arma que Gaia 
entregou a Cronos para destronar Úrano. Nix conhecia o segredo da imortalidade 
dos Deuses podendo tirá-la e transformar um Deus em mortal, como ela fez com 
Cronos após este ser destronado por Zeus. 
 
 
Pontos 
 Era um antigo deus do mar pré 
olímpico, que tal como Úrano, nasceu 
por partenogénese de Gaia, a Terra. 
 
 
 
 
Úrano 
Úrano é o céu divinizado. 
Foi criado por Geia, a Terra, na origem do mundo, ta como o seu irmão 
Pontos, o Mar. 
Uniu-se à sua mãe e 
desta união nasceram os 
terríveis Titãs, os Ciclopes “de 
coração violento” e os 
monstruosos Hecatonquiros. 
Úrano odiou os seus 
filhos desde o primeiro dia, por 
isto mantinha-os presos no 
interior de Geia. 
fig. 20 O mundo primordial, sendo Pontos, o 
oceano 
fig. 21 Urano
 24
A Terra então instigou os seus filhos a revoltarem-se contra o pai. Cronos, o 
mais jovem, assumiu a liderança da luta contra Úrano e, usando uma foice oferecida 
por Geia, castrou o seu pai e deitou os seus testículos no mar. O sangue de Urano, 
ao cair na Terra, fecundando-a. Assim nasceram os Gigantes, as Eríneas e as 
Melíades. Cronos atirou os testículos de Úrano ao mar, que formou uma espuma de 
esperma, de onde brotou Afrodite, a deusa do amor. 
Urano continuou a deitar-se com Geia todas as noites, mas agora não podia 
fecundá-la. 
 
Éter e Hemera 
Éter, filho de Nix e de Érebo, 
segundo a Teogonia de Hesíodo, 
personifica o “céu superior” (Céu 
sem limites, diferente ao de Urano). 
Era o ar elevado, puro e brilhante, 
respirado pelos deuses, 
contrapondo-se ao ar obscuro, que 
os mortais respiravam, sendo deus 
desconhecido da matéria, em consequência as moléculas de ar que formam o ar e 
seus derivados. 
Hemera, a deusa (ou personificação) do dia, era também filha de Nix e Érebo 
e irmã de Éter. 
 
Tártaro 
Assim como Gaia era a personificação da Terra e Urano a personificação do Céu, 
Tártaro era a personificação do Inferno. 
É o local mais profundo das entranhas da terra (ver fig. 20 e 22), localizado muito 
abaixo do próprio Hades. A distância que separa o Hades do Tártaro é a mesma que 
existe entre Geia, a Terra, e Urano, o Céu. 
É no Tártaro que as diferentes gerações divinas lançam sucessivamente seus 
inimigos, como os Ciclopes e depois os Titãs. 
fig. 22 Esquema onde estão representados Éter (o ar) e 
Hemera (a luz do dia)
 25
 
 
III 
Outros deuses 
 
Além dos deuses olímpicos e primordiais existia uma grande 
diversidade de deuses adorados pelos gregos. 
 26 
Anfitrite 
 
Anfitrite é filha da ninfa Dóris e de Nereu, irmã 
da deusa Tétis,portanto, tia de Aquiles. 
É esposa de Posídon e deusa dos mares. A 
princípio, recusou-se a unir-se ao deus, escondendo-
se nas profundezas dos oceanos, num lugar 
conhecido apenas pela sua mãe. Acabou cedendo às 
investidas de Posídon, tornando-se rainha dos 
oceanos. É representada portando com um tridente, 
símbolo da sua soberania sobre os mares. 
 
 
Circe 
Circe é filha de Hélio, o Sol. A sua mãe, 
segundo certos autores, é uma filha de Oceano, 
mas segundo outros é Hécate, divindade lunar 
que preside à magia e aos encantamentos. 
Residia na ilha de Eeia. Era capaz então de 
criar filtros e venenos que transformavam 
homens em animais. Por esse motivo habitava 
num palácio encantado, cercado por lobos e leões 
(seres humanos enfeitiçados). 
 
Eos 
Eos, filha dos Titãs Hipéron e Teia, é a deusa da aurora. Ela é irmão de Hélio, 
o Sol, e de Selene, a Lua. 
Normalmente citada como de longos cabelos louros e unhas tingidas de rosa 
com uma carruagem púrpura puxada por dois cavalos alados, Lampo e Faetonte, 
com arreios multicolores. Ágil e graciosa, munida de asas nos ombros pés. 
fig. 23 Anfitrite
fig. 24 Circe 
 27
Encarregada de abrir a porta do céu para o 
carro de Hélios, tingindo o céu com seus róseos 
dedos. 
Traz também para os homens a brisa da 
manhã, esparge o orvalho sobre os campos, 
desperta as criaturas e guia os trabalhos 
humanos para que fossem superados os 
obstáculos. 
 
Éris 
Éris, a deusa da Discórdia, aparece quer 
como filha de Nix quer como filha de Zeus e Hera, 
irmã e companheira de Ares. 
É ela quem lança a famosa “maçã da 
discórdia”, no meio do banquete de núpcias de 
Tétis e de Peleu, futuros pais de Aquiles. Esta 
esteve na origem da guerra de Tróia, onde Aquiles 
pareceu. 
 
 
Harmonia 
É a deusa da harmonia e da concórdia. 
Filha de Afrodite e Ares, e esposa de Cadmo, seria originária da Samotrácia, 
onde ela e Cadmo acabaram sendo transformados em serpentes. 
 
 
Hélio 
Hélio, o astro solar, é filho dos Titãs Hiperíon e Teia e irmão do astro lunar, Selene, e 
da aurora, Eos. 
fig. 25 Eos 
fig. 26 Éris 
 28
fig. 28 Hebe
Todas as manhãs ele percorria os céus, montando no seu carro de fogo, atrelado a 
cavalos alados de uma brancura estrondosa. Quando lá 
chegava, enquanto os seus cavalos cansados se 
banhavam, Hélio repousava no seu palácio de ouro para 
depois alcançar, de barca, o Oriente. 
Via tudo e sabia de tudo, sendo frequentemente 
convocado por outros deuses para servir como 
testemunha. Era o rei do controlo do tempo e as deusas 
do dia, do mês, das estações e do ano o serviam. 
 
 
 
Hebe 
Filha do casal real Zeus e hera, Hebe personifica a juventude 
e a beleza. 
No palácio de seus pais, ela desempenha o papel de jovem 
dona de casa. Vemo-la, ajudando a sua mãe a atrelar o seu carro, 
preparando o banho de seu irmão Ares e participando no coro das 
Musas. Casou-se com Hércules depois deste ser aceite como deus 
no Olimpo. 
 
 
 
Hécate (em grego significa “a 
distante”) 
Divindade filha dos titãs Perses e Astéria. 
Os poderes de Hécate são numerosos e 
variados. Ela é considerada, nas origens, como 
deusa benfeitora e protectora dos mortais, em 
todos os domínios. 
fig. 27 Hélio 
fig. 29 Hécate 
 29
Mais tarde, será considerada como a temível inventora da magia e da 
feitiçaria. A este título, será associada ao mundo da noite, no qual aparece com uma 
tocha em cada mão, e por vezes com a forma de uma cadela. 
 
Hipnos 
Hipnos era o deus grego do sono. 
Hipnos era filho de Nix e Érebo. Teve 
muitos irmãos, entre os quais seu irmão gémeo 
Tanato, a morte. 
Segundo Homero, Hipnos vive em 
Lemmos, e está casado com a Grácia Pasitea, 
que Hera lhe concedeu em agradecimento por 
préstimos realizados. Tem forma humana, mas 
torna-se numa ave antes de dormir. 
 
Íris 
Íris, filha de Taumas e da Oceânide Electra, é irmã das 
Harpas. Os gregos, que a identificaram com o arco no 
céu, transformaram-na no símbolo do contacto entre 
o céu e a terra. Íris representa, juntos dos deuses e 
dos homens, o papel de mensageira dos imortais, 
emissária das vontades de Zeus e, mais 
frequentemente ainda, de Hera, de quem é a serva 
fiel, banhando-a, embelezando-a e passando as 
noites sem dormir junto do seu trono. Ela representa, 
igualmente, os palafreneiros do Olimpo, ajudando os 
deuses a desatrelar as suas montadas, quando regressam das expedições, 
ocupando-se dos seus ginetes e alimentando-os.
fig. 30 Hipnos
fig. 31 Íris 
 30 
Métis 
Métis era a deusa grega da prudência, filha de Tétis e Oceano. Foi a primeira 
esposa de Zeus, que lhe forneceu a bebida que fez Cronos regurgitar todos os filhos 
que havia engolido. 
Quando Métis estava grávida da deusa Atena, Gaia profetizou que seu filho 
iria destronar seu pai, Zeus. Este, temendo que isto acontecesse, engoliu a deusa 
viva, tendo depois como fruto dessa relação Atena saída já adulta de sua cabeça. 
 
Morfeu 
Morfeu é o deus grego 
dos sonhos. 
Filho de Hipnos e de Nix, 
este génio alado tem a habilidade 
de assumir qualquer forma 
humana e aparecer nos sonhos 
das pessoas como se fosse a pessoa amada por aquele determinado indivíduo. 
 
 Pã 
Pã era o deus dos bosques, dos 
campos, dos rebanhos e dos pastores. Por sua 
vez era também um deus fecundante, muito 
activo na conquista amorosa, quer junto das 
ninfas como das adolescentes, aos quais 
inspira um medo pânico. 
Era representado com orelhas, chifres e 
pernas de bode. 
Amante da música, trazia sempre 
consigo uma flauta. Era temido por todos 
aqueles que necessitavam atravessar as 
fig. 32 Morfeu
fig. 33 Pã 
 31
florestas à noite, pois as trevas e a solidão da travessia os predispunham a pavores 
súbitos, desprovidos de qualquer causa aparente e que eram atribuídos a Pã. 
 
Perséfone 
Core (a jovem) era filha de Deméter e 
do seu irmão Zeus. A jovem cresceu ao ar 
livre, na Sicília, até que um dia foi vista pelo 
seu tio Hades, que ao ver a sua grande beleza 
e feminilidade, decide raptá-la. 
Sua mãe, ficando inconsolável, acabou 
por se descuidar nas suas tarefas: as terras 
tornaram-se estéreis e houve escassez de 
alimentos, e Perséfone recusou-se a ingerir 
qualquer alimento e começou a definhar. 
Deméter, junto com Hermes, foram 
buscá-la ao mundo dos mortos (ou segundo 
outras fontes, Zeus ordenou que Hades 
devolvesse a sua filha). Como entretanto Perséfone tinha comido algo (uma 
semente de romã) concluiu-se que não tinha rejeitado inteiramente Hades. Assim, 
estabeleceu-se um acordo, ela passaria metade do ano junto a seus pais, quando 
seria Core, a eterna adolescente, e o restante com Hades, quando se tornaria a 
sombria Perséfone. 
 
 
Selene 
Selene, a deusa coroada de ouro, dotada de 
grandes asas, filha dos Titãs Hipérion e Teia, 
personifica o astro lunar cujo brilho de prata 
percorre o céu a cada noite. Ela é irmã de Hélio, o 
Sol, e de Eos, a Aurora. 
 
fig. 34 Perséfone
 fig. 35 Selene 
 32 
Tanato 
Era a personificação da morte, enquanto 
Hades reinava sobre os mortos no mundo 
inferior. 
Diz-se que Tanato nasceu em 21 de 
Agosto sendo a sua data de anos o seu dia 
favorito para tirar vidas. 
Tanato era filho de Nix e Érebo. Era 
irmão gémeo de Hipnos, o deus do sono e era 
representado como uma nuvem prateada ou 
um homem de olhos e cabelos prateados. 
 
 
Tifão 
Deus grego da seca, filho de Tártaro e de Gaia, simbolizava o elemento Ar em 
sua forma mais furiosa, os furacões.Foi criado em Delfos e era inimigo hereditário 
dos deuses, principalmente de Zeus, por quem mantinha um ódio cruel. 
 Tifão era maior que todas as montanhas e o corpo, cercado de plumas, era 
rodeado de serpentes (há versões que dizem que os seus dedos eram cabeças de 
dragão com línguas pretas, que soltavam centelhas de fogo pelos olhos e gritos de 
animal selvagem). 
Uniu-se a Equidna e foi pai de todos os monstros: do cão de 3 cabeças 
Cérbero, do lobo (ou cachorro) de 2 cabeças Ortro, da esfinge, do dragão de 100 
cabeças Ládon, do dragão da Cólquida (que guardava o velocino de ouro), da hidra, 
de Ethon (a águia que comia o fígado de Prometeu) e da Quimera. 
Depois de ter perdido numa luta contra os deuses Olímpicos, foi aprisionado 
no Tártaro. Lá, Tifão permanece tão perverso quanto sempre. Em Tártaro, Tifão 
toma a forma de ventos furiosos que fustigam as tempestades do mar, dispersando 
os navios, matando marinheiros, trazendo morte e destruição às terras costeiras. 
fig. 36 Tanato 
 33
 
 
IV 
Os Titãs 
 
 
Na mitologia grega, os Titãs – masculino – e Titânides – feminino – 
estão entre a série de deuses que enfrentaram Zeus e os deuses olímpicos na 
sua ascensão ao poder. 
 34
Atlas 
O gigante Atlas, como os seus irmãos 
Prometeu e Epimeteu, é filho do Titã Jápeto e da 
ninfa Clímene, filha do Oceano. 
Participou na guerra que opôs os Gigantes 
aos Olímpicos e que se saldou por uma derrota. Por 
isso foi condenado por Zeus a carregar o céu às 
suas costas. 
A sua morada está situada nas 
extremidades ocidentais da terra. Heródoto conta 
que Perseu, tendo regressado após ter matado a 
medusa, apresentou a sua cabeça ao gigante que, 
petrificado, foi transformado numa montanha. 
 
Ceos 
Ceos (o Céu) foi um dos titãs que nasceram de 
Geia e é o Titã da inteligência, foi casado com a Titânide 
Febe e com ela teve Astéria, a Deusa estrelar, e Leto, a 
Deusa do anoitecer. 
 
 
Crio 
Crio é o um dos 12 titãs clássicos da tradição hesiódica. 
Ele desposou Euríbia e gerou: Pallas, Astreu e Perses. 
Crio, assim como os demais titãs que ficaram ao lado de Cronos na 
Titanomaquia, foi aprisionado no Tártaro. 
 
Cronos 
Cronos, o “dos pensamentos pérfidos”, é o mais novo dos Titãs, filho de Geia 
e de Úrano. 
fig. 37 Atlas 
fig. 38 Ceos 
 35
Foi o único a escutar o pedido de sua mãe, 
quando Geia, a fim de por termo à sua própria 
escravatura e à dos seus filhos, decidiu armá-lo, com 
uma foice, para que ele vencesse Úrano. Então Cronos, 
com um golpe de foice, cortou o órgão sexual de seu 
pai, afastou-o do poder e apoderou-se do Universo. 
Após isto, Cronos reinou entre os deuses 
durante um período de prosperidade conhecido como 
Idade Dourada. Mas uma profecia dizia que ele seria 
enfim vencido por um filho seu. Assim, temendo uma 
revolta tal qual a sua, ele passou a devorar os seus 
próprios filhos assim que nasciam. Até que a profecia 
se cumpriu, e Zeus, auxiliado por sua mãe, Reia, o 
destronou, na guerra que ficaria conhecida como 
Titanomaquia. Zeus libertou definitivamente seus irmãos e baniu os Titãs para o 
Tártaro. 
 
Febe 
Febe era chamada de "A mais bela 
entre as Titânides”. Talvez a primeira deusa 
da Lua que os gregos conheceram, Febe é a 
Deusa da lua, relacionada com as noites de 
lua cheia. 
Febe uniu-se a Ceos e tiveram as 
Deusas Leto e Astéria. 
 
 
Hiperíon 
Um dos doze Titãs é, como o seu nome indica, “aquele que se encontra no 
horizonte”. Casado com a sua irmã Teia, a mais velha das Titânides, terá três filhos: 
Hélio – o sol, Selene – a lua e Eos – a aurora. 
fig. 39 Cronos
fig. 40 Febe (ao centro) 
 36
Jápeto 
Jápeto, um dos doze Titãs, casou-se com a ninfa Clímene, filha de seu irmão, 
Oceano. Desta união nasceram quatro filhos: Atlas e Menécio, punidos por Zeus por 
terem ajudado os Titãs na sua resistência e Epitemeu e Prometeu, que tiveram um 
papel capital na história mítica do género humano. 
Entre os Gregos irreverentes, o nome de Jápeto assumia o sentido de velho 
impertinente. 
 
Mnemosine 
Mnemosine era uma das Titânides 
filhas de Urano e Gaia e a deusa da Memória. 
Ela teve de Zeus as Noves Musas. 
Era aquela que preserva do 
esquecimento. Seria a divindade da 
enumeração vivificadora frente aos perigos 
da infinitude, frente aos perigos do 
esquecimento que na cosmogonia grega 
aparece como um rio, o Lethe, um rio a cruzar 
a morada dos mortos (o de “letal” 
esquecimento), o Tártaro, e de onde “as 
almas bebiam sua água quando estavam 
prestes a reencarnarem-se, e por isso 
esqueciam sua existência anterior” 
 
Oceano 
Oceano, o mais velho dos Titãs, filho 
de Geia e Úrano. 
Ele representa o imenso oceano 
líquido que rodeava a terra, considerada um 
círculo de que Delfos seria o centro. 
fig. 41 Mnemosine
fig. 42 Oceano 
 37
Oceano, casado com a sua irmã Tétis, gerou 3 mil filhos, os rios, e três mil 
filhas, as Oceânides, ninfas das águas “que, espalhadas por toda a terra, presidiam 
às fontes profundas”. 
 Na maioria das variantes do mito da guerra entre os Titãs e os Deuses 
Olímpicos, ou Titanomaquia, Oceano, tal como Prometeu e Témis, não se juntaram 
aos seus irmãos titãs contra os Olímpicos, tendo se mantido afastados do conflito. 
Oceano também teria recusado alinhar com Cronos na sua revolta contra seu pai 
Urano. 
 
Prometeu 
Prometeu, filho do Titã Jápeto e 
da Oceânide Clímene, é irmão de 
Epimeteu, Atlas e Menécio. 
A Prometeu e seu irmão 
Epimeteu foi dada a tarefa de criar os 
homens e todos os animais. Epimeteu 
encarregou-se da obra e Prometeu 
encarregou-se de supervisioná-la depois 
de pronta, assim Epimeteu atribuiu a 
cada animal seus dons variados, de 
coragem, força, rapidez, sagacidade; 
asas a um, garras a outro, uma carapaça 
protegendo um terceiro, etc. Porém, 
quando chegou a vez do homem, que deveria ser superior a 
todos os animais, Epimeteu gastara todos os recursos, assim, recorre a seu irmão 
Prometeu que com a ajuda de Minerva roubou o fogo que assegurou a 
superioridade dos homens sobre os outros animais. 
Todavia o fogo era exclusivo dos deuses. Como castigo a Prometeu, Zeus 
ordenou a Hefesto acorrentá-lo ao cume do monte Cáucaso, onde todos os dias 
uma águia (ou abutre) ia dilacerar o seu fígado que, por ser Prometeu imortal, 
regenerava-se. Esse castigo devia durar 30.000 anos. 
fig. 43 Prometeu
 38 
Prometeu foi libertado do seu sofrimento por Hércules que, havendo 
concluído os seus doze trabalhos dedicou-se a aventuras. No lugar de Prometeu, o 
centauro Quíron deixou-se acorrentar no Cáucaso, pois a substituição de Prometeu 
era uma exigência para assegurar a sua libertação. 
 
Epimeteu 
Epimeteu é um Titã, filho do titã Jápeto e da Oceânide Ásia, filha de Oceano, 
também chamada de Clímene e irmão de Atlas, Prometeu, Hésperos e Menoécio. 
Epimeteu criou os animais e deu-lhes os atributos. Quando chegou ao 
homem, não havia mais nenhuma qualidade para lhe dar. Pediu socorro ao seu 
irmão Prometeu, que então roubou o fogo dos deuses e o ofertou aos homens, 
ensinando-lhe também como trabalhar com ele. 
 
Reia 
Reia é uma das Titânides. A deusa “dos belos cabelos”, após a castração de 
seu pai Urano, casou-se com o seu irmão, o subtil Cronos, responsável pelo feito. Os 
dois reinaram, então, sobre o mundo e sobre a raça dos Titãs, gerando Héstia, 
Deméter, Hera, Hades, Posídon e Zeus. 
Devido a um oráculo de Urano, 
que profetizara que Cronos seria 
destronado por um dos filhos, este 
passou a engolir todos os seus filhos 
assim que nasciam. Reia decidiu queisto 
não ocorreria com seu sexto filho. 
Assim, quando Zeus nasceu, Reia 
escondeu-o no Monte Ida, em Creta e, 
em vez do filho, deu a Cronos uma pedra 
enrolada em panos. Cronos engoliu-a, 
pensando ser o filho. fig. 44 Reia 
 39
Seguindo a ascensão de seu filho Zeus ao status de rei dos deuses, ela 
contestou sua parte do mundo e acabou refugiando-se nas montanhas, onde se 
cercou de criaturas selvagens. 
Por ser mãe de todos deuses do Olimpo, é conhecida como Mãe dos Deuses. 
É uma deusa relacionada com a fertilidade. 
 
Teia 
Teia desposou Hiperíon e deu a luz às divindades siderais Hélio, o sol, Selene, 
a lua, e Eos a aurora. 
 
Tétis 
A mais jovem da Titânides e, a este título, 
divindade primordial, representa a terra sólida que 
se uniu com o seu irmão Oceano, o mais velho dos 
Titãs, deus do elemento líquido. Desta união, ela 
dará à luz os três mil rios e as três mil ninfas das 
águas. 
Personifica a fecundidade da água, que 
alimenta os corpos e forma a seiva da vegetação. 
 
 
Témis 
Filha de Geia e Urano, era uma divindade 
fecundadora e profética, como a sua mãe. 
É a deusa da justiça. Foi a segunda mulher de 
Zeus, sentava-se ao lado de seu trono, pois era sua 
conselheira. 
Considerada, para a mitologia, a personificação 
da Ordem e do Direito divinos, ratificados pelo 
Costume e pela Lei. 
fig. 45 Tétis
fig. 46 Témis 
 40
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
V 
 
Lendas e histórias 
mitológicas 
 41 
Origem do Universo 
“Antes de tudo”, reinava o “espaço vazio” e ilimitado: o Caos. 
Depois apareceu Geia – a matéria primordial, a terra – e Eros – a força 
irresistível que juntou os elementos, o princípio da vida. 
Graças à acção fecundante de Eros, todas as coisas nasceram, pouco a 
pouco, do Espaço e da Terra. 
Do Caos emergiu o mundo das trevas: Érebo – a Obscuridade infernal – e Nix 
– a Noite – reunidos por Eros, vão trazer a luz ao mundo ao gerarem Éter – o Fluido 
vital – e Hemera – o Dia. 
Pela sua parte Geia dará à luz Urano – o Céu estrelado – que ela faz “igual, 
em tamanho, a si própria, a fim de que ele a possa cobrir completamente”. 
Seguidamente, cria as montanhas, Ureia e Ponto, o mar. 
Geia e Urano ou a 1ª Geração: 
Úrano depois de criado por Geia passa a ser seu marido e protector, sempre 
deitado sobre ela, gerando vida nela, copulando-a periodicamente com a chuva. 
Úrano e Geia geraram as criaturas: os Titãs e as Titânides, os Ciclopes, e os 
Hecatonquiros. Após ser criado, Úrano passa a ser o primeiro senhor do Cosmos 
não demorando a tornar-se também o seu primeiro tirano. 
O reino de Cronos ou a 2ª Geração: 
Numa revolta organizada por Geia contra a tirania de Úrano, que devolvia os 
seus filhos à Terra tirando-os do Céu, pois tinha medo de ser destronado, Cronos 
castrou o seu pai Úrano que perdeu o seu poder, assim Cronos passou a reinar no 
mundo, com os seus irmãos, os Titãs. Nesse momento, os Ciclopes e Hecatonquiros 
já haviam sido presos no Tártaro por Úrano. 
Domínio dos filhos do titãs 3ª Geração: 
Cronos, sabendo que seria destronado por um de seus filhos, devorava-os 
logo que nasciam. Reia, sua esposa, enganou-o e escondeu Zeus, que foi criado 
escondido pela ninfa Almatéia e pelos Curetes. Quando cresceu libertou os seus 
irmãos do corpo de Cronos através de uma erva dada por Métis, libertou os Ciclopes 
e os Hecatonquiros – que imortalizou – e, unido a todos estes, realizou a 
 42
Titianomaquia, a luta contra os Titãs, que vencidos foram atirados ao Tártaro. Assim 
Zeus e os outros Olímpicos subiram ao poder. 
 
 
Musas 
Na Grécia, as musas eram filhas de 
Mnemosine e Zeus. 
Após a vitória dos deuses do 
Olimpo sobre os seis filhos de Urano, 
conhecidos como Titãs, foi solicitado a Zeus que se criassem divindades capazes de 
cantar a vitória e perpetuar a glória dos Olímpicos. Zeus então partilhou o leito com 
Mnemosine, a deusa da memória, durante nove noites consecutivas e, um ano 
depois, Mnemosine deu à luz nove filhas em um lugar próximo ao monte Olimpo. 
As musas cantavam o presente, o passado e o futuro, acompanhados pela 
lira de Apolo, para deleite das divindades do panteão. Eram, originalmente, ninfas 
dos rios e lagos. 
Estas musas eram: 
Musa Significado Arte Representação 
Calíope A de bela voz Poesia Épica Tabuleta ou pergaminho e 
uma pena para escrita 
Clio A Proclamadora História Pergaminho parcialmente 
aberto 
Érato Amável Poesia Lírica Pequena Lira 
Euterpe A doadora de 
prazeres 
Música Flauta 
Melpómene A poetisa Tragédia Uma máscara trágica, uma 
grinalda e uma clava 
Polímnia 
 
A de muitos 
hinos 
Música 
Cerimonial 
(sacra) 
Figura velada 
Talia 
 
A que faz brotar 
flores 
Comédia Máscara cómica e coroa de 
hera ou um bastão 
Terpsícore A rodopiante Dança Lira e plectro 
Urânia A celestial Astronomia Globo celestial e compasso 
 
fig. 47 Musas
 43
Narciso 
A lenda de Narciso, 
surgida provavelmente da 
superstição grega segundo a 
qual contemplar a própria 
imagem prenunciava má 
sorte, possui um simbolismo 
que fez dela uma das mais 
duradouras da mitologia 
grega. 
Na Mitologia Grega, 
Narciso era um herói do 
território de Téspias na 
Beócia, famoso pela sua beleza e orgulho. 
Era filho do deus-rio Cefiso e da ninfa Liríope. No dia do seu nascimento, o adivinho 
Tirésias vaticinou que Narciso teria vida longa desde que jamais contemplasse a 
própria figura. 
Ovídeo conta a história de uma ninfa bela e graciosa chamada Eco que 
amava Narciso em vão. A beleza de Narciso era tão incomparável que ele pensava 
que era semelhante a um deus, comparável à beleza de Dionísio e Apolo. Como 
resultado disso, Narciso rejeitou a afeição de Eco até que esta, desesperada, 
definhou, deixando apenas um sussurro débil e melancólico. Para dar uma lição ao 
rapaz frívolo, a deusa Némesis condenou Narciso a apaixonar-se pelo seu próprio 
reflexo na lagoa de Eco. Encantado pela sua própria beleza, Narciso deitou-se no 
banco do rio e definhou, olhando-se na água e se embelezando. As ninfas 
construíram-lhe uma pira, mas quando foram buscar o corpo, apenas encontraram 
uma flor no seu lugar: o narciso. 
 
 
fig. 48 Eco e Narciso 
 44
Sísifo 
Sísifo, filho do rei Éolo, da Tessália, e Enarete, era considerado o mais astuto 
de todos os mortais. Foi o fundador e primeiro rei de Ephyra, depois chamada 
Corinto, onde governou por diversos anos. Casou-se com Mérope, filha de Atlas, 
sendo pai de Glauco e avô de Belerofonte. 
 
História de Sísifo: 
Mestre da malícia e dos truques, ele entrou para a tradição como um dos 
maiores ofensores dos deuses. 
Certa vez, uma grande águia sobrevoou sua cidade, levando nas garras uma 
bela jovem. Sísifo reconheceu a jovem Egina, filha de Asopo, um deus-rio, e viu a 
águia como sendo uma das metamorfoses de Zeus. Mais tarde, o velho Asopo veio 
perguntar-lhe se sabia do rapto de sua filha e qual seria seu destino. Sísifo logo fez 
um acordo: em troca de uma fonte de água para sua cidade ele contaria o paradeiro 
da filha. O acordo foi feito e a fonte presenteada recebeu o nome de Pirene e foi 
consagrada às Musas. 
Assim, ele despertou a raiva do grande Zeus, que enviou o deus da Morte, 
Tanato, para levá-lo ao mundo subterrâneo. Porém o esperto Sísifo conseguiu 
enganar o enviado de Zeus. Elogiou sua beleza e pediu-lhe para deixá-lo enfeitar seu 
pescoço com um colar. O colar, na verdade, não passava de uma coleira, com a qual 
Sísifo manteve a Morte aprisionada e conseguiu driblar seu destino. 
Durante um tempo não morreu mais ninguém. Sísifo soube enganar a Morte, 
mas arrumou novas encrencas.Desta vez com Hades, o deus dos mortos, e com 
Ares, o deus da guerra, que precisava dos préstimos da Morte para consumar as 
batalhas. 
Tão logo teve conhecimento, Hades libertou Tanato e ordenou-lhe que 
trouxesse Sísifo imediatamente para os Infernos. Quando Sísifo se despediu de sua 
mulher, teve o cuidado de pedir secretamente que ela não enterrasse seu corpo. 
Já no inferno, Sísifo reclamou com Hades da falta de respeito de sua esposa 
em não o enterrar. Então suplicou por mais um dia de prazo, para se vingar da 
mulher ingrata e cumprir os rituais fúnebres. Hades lhe concedeu o pedido. Sísifo 
 45
então retomou seu corpo e fugiu com a esposa. Havia enganado a Morte pela 
segunda vez. 
Sísifo morreu de velhice e Zeus enviou Hermes para conduzir sua alma ao 
Hades. No Hades, Sísifo foi considerado um grande rebelde e teve um castigo, 
juntamente com Prometeu, Títio, Tântalo e Ixíon. 
Por toda a eternidade Sísifo foi condenado a rolar uma grande pedra de 
mármore com suas mãos até o cume de uma montanha, sendo que toda vez que ele 
estava quase alcançando o topo, a pedra rolava novamente montanha abaixo até o 
ponto de partida por meio de uma força irresistível. Por esse motivo, a tarefa que 
envolve esforços inúteis passou a ser chamada "Trabalho de Sísifo". 
 fig. 49 Trabalho de Sísifo 
 46
Ilíada 
 
A Ilíada (do grego ΙΛΙΑΔΟΣ) é um poema 
épico grego que narra os acontecimentos 
ocorridos no período de pouco mais de 50 dias, 
durante o décimo e último ano da Guerra de 
Tróia e cuja génese radica na cólera de Aquiles. 
A Ilíada é atribuída a Homero, e 
constituem os mais antigos documentos 
literários gregos (e ocidentais) que chegaram 
nos nossos dias. 
Argumento: 
A Ilíada passa-se durante o décimo e último ano da guerra de Tróia e trata da 
ira do herói e semideus Aquiles, filho de Peleu e Tétis. A ira é causada por uma 
disputa entre Aquiles e Agamémnon, comandante dos aqueus e consumada com a 
morte do herói troiano Heitor (ou Héctor), terminando com o seu funeral. 
Personagens principais 
A Ilíada é um poema extenso e possui uma grande quantidade de 
personagens da mitologia grega e Homero assumia que seus ouvintes estavam 
familiarizados com esses mitos, o que pode causar confusão ao leitor moderno. 
Segue um resumo dos personagens que tomam parte na Ilíada: 
Os Aqueus 
Os gregos antigos não se definiam como “gregos” ou “Helénicos”, 
denominação posterior, mas como “aqueus”, compostos por diversos povos de 
diversos reinos que tinham uma língua e cultura razoavelmente compartilhada. Os 
aqueus também são chamados de “Dânaos” por Homero. 
• Aquiles: príncipe da Tessália, líder dos mirmidões, herói e melhor de todos os 
guerreiros, filho da deusa marinha Tétis e do mortal rei Peleu. A sua ira é o tema 
central da Ilíada. 
 47
• Agamémnon: Rei de Micenas e comandante supremo dos aqueus, a sua 
atitude de tomar a escrava Briseida de Aquiles é o início do desentendimento 
entre eles. 
• Pátroclo: Amigo de Aquiles. Alguns argumentam que há envolvimento íntimo 
entre Aquiles e Pátroclo. 
• Odisseu (Ulisses): Rei de Ítaca, considerado “astuto”, ou “ardiloso”. 
Frequentemente faz o papel de embaixador entre Aquiles e Agamémnon. 
• Calcas Testorídes: Poderoso vidente que guia os aqueus. Foi ele que previu 
que a guerra duraria 10 anos, que era preciso devolver Criseida ao pai e muitas 
outras coisas. 
• Ájax, Nestor, Idomeneu: Reis e heróis gregos, que comandavam exércitos 
dos seus reinos sob a supervisão geral de Agamémnon. 
• Diomedes: Príncipe de Argos, comandava a frota de navios de seu reino. 
Herói valente que participou activamente no cerco, na pilhagem e no saque de 
Tróia 
• Menelau: Rei de Esparta, marido de Helena e irmão mais novo de 
Agamémnon. 
Os Troianos e seus aliados: 
• Heitor, ou Héctor: Príncipe de Tróia, filho de Príamo e irmão de Páris. É o 
melhor guerreiro Troiano, herói valoroso que combate para defender sua cidade e 
sua família. Líder dos exércitos troianos. 
• Príamo: rei de Tróia, já é idoso, portanto quem comanda de facto a luta é o 
seu filho, Heitor. 
• Páris: Príncipe de Tróia, a sua fuga com Helena é a causa da guerra. É sua a 
flecha que finalmente mata Aquiles, embora isso não seja descrito na Ilíada. 
• Eneias: Primo de Heitor e seu principal tenente. É o personagem principal da 
Eneida, obra máxima do poeta latino Virgílio. 
• Helena: Esposa de Páris, antes casada com Menelau, e pivot da guerra. Com 
a queda de Tróia volta para Esparta e para Menelau. 
 48
• Andrómaca: Esposa de Heitor, de quem tinha um filho bebé, Astíanax. 
Os Deuses: 
• Os deuses gregos tomam parte activa na trama, envolvendo-se na batalha e 
ajudando ambos os lados. Notoriamente temos Tétis (mãe de Aquiles) Apolo, 
Zeus, Hera, Atena, Posídon, Afrodite e Ares. 
 
Odisseia 
A Odisseia (em grego, OΔΥΣΣΕΙΑΣ) é 
um poema de nostos (palavra grega que 
significa "regresso", de onde deriva a 
palavra portuguesa "nostalgia") dividido em 
24 cantos atribuído, tal como a Ilíada, a 
Homero. 
A obra segue os eventos da viagem 
do rei Odisseu (ou Ulisses), de Ítaca, que 
voltava da guerra de Tróia. 
Argumento: 
Conta as viagens de Odisseu depois 
da tomada de Tróia e o regresso do herói ao 
seu reino de Ítaca. 
Passaram-se dez anos desde que Odisseu partira para a guerra de Tróia 
(guerra que é, em parte, narrada na Ilíada). Muitos dos heróis da guerra de Tróia, 
como Menelau, cuja esposa – a princesa Helena de Esparta – havia sido raptada 
(originando-se assim a guerra), já regressaram à Grécia. (Tróia ficava na costa jónica, 
actual Turquia). Mas Odisseu não chegou, pois após sair de Ísmaros (primeira cidade 
no caminho para a sua pátria), envolveu-se numa tempestade, afastando-o do seu 
destino. Entretanto, os pretendentes de Penélope (esposa de Odisseu) acumulam-
se e esperam que ela se decida a casar de novo. Ao esperarem, vão dilapidando a 
fortuna de Odisseu em banquetes. Penélope, esperançosa que o seu marido 
retorne, vai protelando a escolha de um dos pretendentes (por vezes 
ardilosamente, como na célebre fiação do bordado mortalha, na qual lhes diz que 
 49
quando acabar escolherá um dos pretendentes, mas de noite desfaz o que fez de 
dia). 
Odisseu, tentando retornar, erra pelo mar por mais dez anos. É recebido no 
país dos Feácios, (conhecidos por serem exímios marinheiros) a quem conta as suas 
aventuras. Acaba por conseguir regressar a Ítaca. Prepara tudo para massacrar os 
pretendentes, o que faz com a ajuda do seu filho Telémaco. 
 
Personagens: 
 
Casa de Odisseu 
• Odisseu, herói da guerra de Tróia e que quer voltar para junto dos seus. 
• Penélope, esposa de Odisseu 
• Telémaco, filho de Odisseu e de Penélope 
• Laertes, pai idoso de Odisseu 
• Eumeu, porqueiro 
• Euricleia, ama de confiança 
• Antinoo, um dos pretendentes, o mais malvado de todos 
• Eurimaco, um dos pretendentes que copia tudo o que Antinoo diz 
 
Casa dos Feácios 
• Alcínoo, rei dos Feácios 
• Areta, esposa de Alcínoo 
• Nausícaa, filha de ambos 
• Laodamante, irmão de Nausícaa, desafiador de Odisseu nos jogos. 
• Hálio 
• Clitóneo 
• Equeneu, velho herói 
• Demódoco, contador lírico de histórias 
• Pontónoo 
 50
• Anfíloo, atleta 
• Euríalo, atleta, desafiador de Odisseu nos jogos 
 
Companheiros de Odisseu nas viagens marítimas 
• Baio 
• Euríloco 
• Perimedes 
• Elpenor 
 
Deuses intervenientes 
Directamente: 
• Atena (a favor de Ulisses) 
• Posídon (contra Ulisses) 
• Éolo, rei e deus dos ventos 
• Hades – Deus do mundo subterrâneo 
• Hermes – Mensageiro dos deuses 
 
Monstros e Criaturas Maravilhosas 
• Hélio 
• Cila 
• Ciclopes, em particular Polifemo 
• Caríbdis 
• Sereias• Lotófagos 
 51
Tróia 
Mais de mil anos antes de Cristo, na orla da extremidade oriental do 
Mediterrâneo, havia ema cidade muito rica e poderosa, sem rival à superfície da 
terra. Chamava-se Tróia, e talvez nunca tenha existido cidade mais célebre tão vasta 
e tão duradoira, esta cidade é mais conhecida devido a uma guerra que é contada 
num dos maiores poemas da humanidade, a Ilíada, e a causa dessa guerra remonta a 
uma disputa entre três deusas despeitadas: 
 
A sentença de Páris 
Éris, a deusa má da Discórdia, não desfrutava, naturalmente de grande 
popularidade no Olimpo e, quando os deuses davam qualquer banquete, estavam 
sempre dispostos a ignorá-la. Profundamente ressentida, resolveu provocar 
desavenças – e, na verdade, foi até muito bem sucedida nesses seus intentos. 
Durante a festa de celebração de um importante casamento, o do rei Peleu e da 
ninfa marinha Tétis, para o qual ela fora a única divindade a não ser convidada, 
resolveu lançar para dentro do salão em que se estava a celebrar o acontecimento 
uma maçã dourada sobre a qual estavam gravadas as seguintes palavras: «Para a 
mais bela!» Naturalmente todas as deusas a ambicionavam; no fim a escolha ficou 
limitada a três – Afrodite, Hera e Atena. Pediram a Zeus que servisse de juiz e 
decidisse, mas, muito prudentemente, ele recusou-se a tratar do assunto. 
Aconselhou-as a irem ao monte Ida, perto de Tróia, onde o jovem príncipe 
Páris guardava o gado do pai. Tratava-se de um excelente juiz da beleza feminina, 
explicou-lhes Zeus. Paris, embora príncipe real, trabalhava como pastor, porque 
Príamo, seu pai e rei de Tróia, tinha sido 
avisado de que seu filho havia, um dia, 
de ser a ruína do país e, por isso, 
irradiara-o. 
As três deusas apareceram 
diante dele, Páris ficou com um 
espanto inimaginável; as três deusas, 
fig. 50 A sentença de Páris 
 52
contudo, não lhe pediram que ele as contemplasse na sua divindade radiante, para 
decidir qual a mais bela, apenas lhe disseram que tivesse em consideração os 
subornos que lhe ofereciam e escolhesse, portanto, o que mais lhe agradasse. A 
decisão, no entanto, não foi fácil. Apresentavam-lhe tudo o que os homens mais 
apreciam: Hera prometeu fazer dele o senhor da Europa e da Ásia; Atena aliciou-o 
com a chefia dos troianos no momento da vitória sobre os gregos, deixando atrás 
de si a Grécia em ruínas; Afrodite subjugou-o com a promessa de vir a possuir as 
mais belas mulheres do mundo. Páris, um fraco, alem de um tanto cobarde também, 
escolheu a última oferta – deu a Afrodite a maçã dourada. 
Foi esta a Sentença de Páris, célebre em toda a parte, como tendo sido a 
verdadeira causa da guerra de Tróia. 
 
A Guerra de Tróia 
A mais bela mulher do mundo era Helena, filha de Zeus e de Leda e irmã de 
Castor e Pólux. A fama da sua beleza tinha uma repercussão de tal ordem que não 
havia príncipe na Grécia que não quisesse desposá-la. O rei Tíndaro, considerado pai 
de Helena, pois era marido de Leda, receando que pudesse advir qualquer coisa 
contra ele da escolha de um entre tão numerosos pretendentes, resolveu exigir um 
juramento solene de que todos eles defenderiam a causa do marido de Helena, 
fosse ele quem fosse, se por causa do casamento viesse a sofrer algum 
contratempo. Depois Tíndaro escolheu para genro Menelau, irmão de Agamémnon, 
e proclamou-o também rei de Esparta. 
Assim se encontravam as coisas quando Páris 
deu a maçã doirada a Afrodite. A deusa do Amor e da 
Beleza sabia muito bem onde se encontrava a mais 
bela mulher do mundo, conduziu o jovem pastor 
direito a Esparta, onde Menelau e Helena o 
receberam com gentileza e amabilidade. Menelau, 
confiando inteiramente nele, deixou Páris em sua 
casa e partiu para Creta. Aí Páris raptou Helena de 
Esparta. fig. 51 Páris e Helena
 53
fig. 52 Ájax
Menelau, ao regressar, verificou que 
Helena desaparecera e, consequentemente, 
convocou toda a Grécia para ir em seu 
auxílio. Os chefes guerreiros responderam 
ao seu apelo, tal como tinham prometido – 
acorram ansiosos pela grande empresa de 
atravessar o mar e transformar em cinzas a 
poderosa Tróia. 
Agamémnon então assumiu o comando de um exército de 
mil naus (neste exército encontravam-se grandes heróis gregos, como por exemplo, 
Aquiles, Diomedes e Odisseu) e atravessou o mar Egeu para atacar Tróia. As naus 
gregas desembarcaram na praia próxima a Tróia e iniciam um cerco que iria durar 
dez anos e custaria a vida a muitos heróis, tanto de Tróia – Heitor – como entre os 
Aqueus – Pátroclo, Aquiles e Ájax. 
Nos últimos 50 dias da guerra, onde começa o 
relato da Ilíada, a querela entre os dois homens que 
começou quando Agamémnon usou o nome de Aquiles 
para trazer Ifigénia para Áulis e quando Agamémnon, 
tendo sido obrigado a libertar a sua serva Criseida, 
exigiu como compensação a serva de Aquiles, Briseida, 
vai tomar proporções desastrosas a despeito de todos 
os esforços conciliadores. Aquiles retirou-se para a sua 
tenda e deixou de dar o apoio aos gregos, mesmo quando a situação ameaçou 
tornar-se catastrófica. 
E não voltou atrás na sua decisão 
senão quando o seu primo e inseparável 
amigo Pátroclo sucumbiu aos golpes de 
Heitor. Nenhum troiano, a partir deste 
momento poderá resistir à fúria de Aquiles: o 
fig. 53 Aquiles 
fig. 54 Morte de Heitor 
 54
próprio Heitor, o mais valente de todos eles, cairá por sua vez, num duelo sem 
piedade. 
O velho Príamo, que verá morrer todos os seus filhos, um após o outro, 
dirige-se a Aquiles, suplicando-lhe que lhe entregasse o cadáver de Heitor. Aquiles 
entrega o corpo de Heitor a seu pai e promete que nenhum grego atacará Tróia 
durante os nove dias em que se vão realizar os rituais fúnebres. [Aqui termina o 
relato da Ilíada] 
Apesar da valentia e dos feitos de 
Aquiles, a fatalidade não podia deixar de 
acontecer… A morte do grande herói da 
Antiguidade é apresentada em duas 
versões diferentes: 
• Uma relata-nos que ele morreu 
em combate, ferido no calcanhar por 
uma flecha assassina, atirada por Páris, 
mas guiada por Apolo, vingador do seu 
filho Tenes. 
• A outra versão, mais 
romanesca, diz-nos que o herói se 
apaixonou por Polixena, a filha mais jovem 
do rei troiano e que, por amor dela, esteve quase a abandonar a causa dos Gregos. 
Certo dia, Aquiles encontrou-se com a jovem num templo de Apolo, muito 
próximo de Tróia, mas Páris, irmão de Polixena, surgiu empunhando o seu arco e, 
vendo o seu inimigo numa postura galante feriu-o, fácil e cobardemente, com uma 
flecha no calcanhar. 
De seguida Páris é morto por Odisseu e Menelau sente-se satisfeito ao 
ultrajar o cadáver do seu rival. 
Finalmente, seguindo um estratagema proposto por Odisseu, o famoso 
cavalo de Tróia, os gregos invadiram a cidade governada por Príamo e terminaram a 
guerra. O cavalo de Tróia revelou-se uma armadilha, um falso pedido de paz grego. 
Sendo um presente para o rei, os troianos levaram o cavalo para dentro das 
fig. 55 Morte de Aquiles
 55
muralhas da cidade; à noite, 
quando todos dormiam, os 
soldados gregos que se 
escondiam dentro da estrutura 
oca de madeira do cavalo saíram e 
abriram os portões para que todo 
o exército entrasse e queimasse a 
cidade. Muitos troianos foram 
mortos, entre as vítimas 
encontra-se Príamo, o rei de Tróia. 
Alguns troianos conseguiram fugir ao massacre e refugiaram-se nos 
arredores da cidade, entre estes estava Eneias, que irá ser conduzido, via Cartago, a 
Itália. 
Depois da vitória e de partilharem o saque e os cativos, regressam à Grécia. 
Mas um dos heróis da guerra, devido a uma tempestade vai ser afastado da 
sua armada e, a partirdaí, vai errar pelos mares e pelos continentes durante dez 
anos, esse homem é Odisseu, esta aventura é-nos relatada na Odisseia. 
 
A guerra dos Titãs – A Titanomaquia 
Cronos foi advertido de que assim como aconteceu com o seu pai ele 
também seria destronado por um dos seus filhos, então passou a devorá-los quando 
nasciam; assim ele o fez com Deméter, Hera, Hades, Héstia e Posídon. Quando Zeus 
nasceu, Reia deu uma pedra a Cronos no lugar do seu sexto filho, que ocultou numa 
caverna na ilha de Creta. Ao atingir a idade adulta, Zeus decidiu destronar o pai, 
conforme a antiga profecia. 
A primeira aliada de Zeus foi a Titânide Métis, deusa da prudência. Métis 
enganou Cronos, fazendo-o beber uma poção que o obrigou a vomitar Héstia, 
Deméter, Hera, Hades e Posídon, os filhos engolidos. Zeus conseguiu ainda libertar 
os ciclopes, seus tios, que se juntaram a ele e aos irmãos. 
Armado com o relâmpago (presente dos ciclopes) e recoberto com a égide 
(possivelmente a pele da cabra Amalteia, já morta), Zeus enfrentou Cronos e os 
fig. 56 Cavalo de Tróia 
 56
outros titãs. Do lado de Zeus, 
além dos irmãos e dos tios (os 
ciclopes), estavam as 
Oceânides Métis e Estige, os 
filhos de Estige (Zelo, Niké, 
Cratos e Bias) e Prometeu, 
filho de Jápeto. Do lado dos 
titãs, as operações foram 
conduzidas por Cronos. Após 
dez anos de luta, a um 
conselho de Geia, Zeus 
libertou também os poderosíssimos Hecatonquiros. Com mais esses aliados, os Titãs 
foram finalmente derrotados e expulsos do céu. 
Com a vitória, Zeus se tornou o soberano dos Deuses e passou a governar o 
universo no Monte Olimpo, a Posídon ele concedeu o domínio sobre as águas e a 
Hades o mundo dos mortos, dentre os quais o Tártaro. 
O novo soberano prendeu os Titãs vencidos no Tártaro, eternamente 
vigiados pelos Hecatonquiros, e condenou o poderoso Atlas a sustentar 
eternamente a abóbada celeste. 
fig. 57 Titãs no Tártaro 
 57
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VI 
Criaturas mitológicas 
 58
Os centauros 
Os centauros são uma raça de 
seres com o torso e cabeça de humano 
e o corpo de cavalo. 
Os primeiros centauros 
surgiram quando o Tessaliano Ixíon, 
filho de Ares, o rei dos Lápitas, 
apaixonou-se por Hera e procurou 
levá-la para o seu leito. Mas Zeus 
enviou-lhe uma nuvem com a 
aparência de sua esposa, com a qual 
Ixíon se deitou. Desta união nasceram 
criaturas híbridas, cavalos com busto humano, munidos de braços – os centauros. 
Os centauros viviam nos bosques dos montes Pélion e Ossa e os seus 
costumes eram considerados selvagens. 
Quando Pirítoo, filho de Ixíon, se casou, convidou os seus monstruosos 
parentes para o banquete. Estes embebedaram-se e tentaram violentar a noiva. 
Este acontecimento provocou uma luta entre os Lápitas e os centauros, que se 
traduziu numa batalha sangrenta. Os Lápitas acabaram por vencer, graças à 
coragem de Pirítoo e do seu amigo Teseu, e expulsaram os centauros da Tessália. 
 
Cérbero 
Cérbero era um monstruoso cão de 
múltiplas cabeças e cobras ao redor do 
pescoço, que guardava a entrada do Hades, 
o reino subterrâneo dos mortos, deixando 
as almas entrarem, mas jamais saírem e 
despedaçando os mortais que por lá se 
aventurassem. 
 59
Ciclopes 
Os ciclopes são gigantes com um só olho 
no meio da testa. 
Já de acordo com a Teogonia, de Hesíodo, 
havia apenas três ciclopes, que representavam o 
som do trovão, o clarão do relâmpago e o raio. 
 Na Odisseia, de Homero, por sua vez, os 
ciclopes são caracterizados como filhos de 
Posídon, compondo uma raça de seres isolados, 
evitados e temidos que vivem como pastores 
numa ilha do Mediterrâneo. 
Os ciclopes teriam sido mortos, segundo a 
mitologia grega, por Apolo. Este matou-os, pois 
Zeus, seu pai, matou Asclépio (que ressuscitou 
alguns mortos), filho de Apolo, com os seus raios. Apolo, não podendo matar o pai, 
vingou-se nos ciclopes que indirectamente, mataram Asclépio (os ciclopes fizeram 
os raios usados para matar o filho de Apolo). 
 
Harpias 
Eram frequentemente representadas 
como aves de rapina com rosto de mulher e 
seios. Na história de Jasão, as Harpias foram 
enviadas para punir o rei cego Fineu, 
roubando-lhe a comida em todas as 
refeições. Os seus nomes eram Aelo (a 
borrasca), Ocípite (a rápida no voo) e Celeno 
(a obscura). 
 60 
Medusa 
Medusa é uma das três Górgonas, divindades da mitologia grega, filhas das 
divindades marinhas Fórcis e Ceto e irmã das velhas Greias. Ao contrário de suas 
irmãs Górgonas, Esteno e Euríale, Medusa era mortal 
Medusa era portadora de uma extrema beleza juntamente com suas duas 
irmãs. Quando estava sentada num campo 
cercada de flores de Primavera, o deus dos 
Oceanos, Posídon, une-se a ela que gere 
dois únicos filhos, mas estes só nascem no 
momento da morte de Medusa. As vidas das 
três irmãs, vidas debochadas e dissolutas, 
aborrecia os demais deuses, principalmente 
a deusa Atena. Para castigá-las, Atena 
transformou-as em monstros com 
serpentes em vez dos seus belos cabelos, 
presas pontiagudas, mãos de bronze, asas de ouro, e o seu olhar petrificava quem 
olhasse directamente em seus olhos. 
Perseu foi encarregado pelo rei de Sérifo, Polidete, de decapitar e de lhe dar 
de presente a cabeça da Medusa para, em sua vez, Polidectes oferecer como 
prenda a Énomao, rei de Pisa, com fim de desposar a sua filha Hipodamia. Para isso, 
o herói Perseu encontrou-se com umas certas ninfas africanas que gentilmente lhe 
ofereceram objectos mágicos para o ajudarem no combate a Medusa, tais como: 
um alforge, um par de sandálias aladas, que lhe permitiam elevar-se como uma pena 
e escapar velozmente dos monstros, um escudo de bronze bem polido cujo reflexo 
neutralizava o olhar petrificante das irmãs de Medusa e um capacete que, uma vez 
colocado, o convertia numa figura invisível, possibilitando-o de se aproximar de 
Medusa sem este ser descoberto. Quando Perseu a decapitou usando uma foice 
com uma rigidez de diamante e bem afiada, uma oferta do deus Hermes, as grandes 
figuras mitológicas Pégaso (o cavalo alado) e Crisaor, com a sua espada dourada, 
nasceram do pescoço de Medusa. 
 
 61
Minotauro 
O Minotauro era uma criatura meio homem e meio touro. Ele morava no 
Labirinto, que foi elaborado e construído por Dédalo, a pedido do rei Minos, de 
Creta, para manter o Minotauro. O Minotauro foi eventualmente morto por Teseu. 
Minotauro é o grego para Touro de Minos. 
Historia do Minotauro: 
Antes de Minos tornar-se rei, ele pediu ao deus grego Posídon por um sinal, 
para lhe assegurar que ele, e não seu irmão, assumiria o trono. Posídon concordou 
em enviar um touro branco na condição de que Minos sacrificasse o touro de volta 
ao deus. De facto, um touro, de incomensurável beleza, saiu inexplicavelmente do 
mar. Minos, após vê-lo, achou-o tão belo que, ao invés dele, sacrificou outro touro, 
esperando que Possuidor não notasse. Posídon ficou furioso quando notou o que 
havia sido feito, e fez com que a esposa de Minos, Pasífae, fosse dominada por uma 
loucura e que se apaixonasse pelo touro. Pasífae foi até Dédalo em busca de 
assistência, e ele inventou uma maneira dela satisfazer suas paixões. Ele construiu 
uma vaca oca de madeira, e encobriu Pasífae com pele de vaca para que o touro 
pudesse montar nela. O resultado dessa união foi 
o Minotauro. 
O Minotauro tinha corpo de homem e a 
cabeça e cauda de touro. Era uma criatura 
selvagem, e Minos, após receber um conselho do 
Oráculo de Delfos, mandou Dédalo construir um 
labirinto gigante para conter o Minotauro. 
Ele então ordenou que sete jovense sete 
damas atenienses fossem enviados anualmente 
para serem devorados pelo Minotauro. Quando o 
terceiro sacrifício veio, Teseu voluntariou-se para 
ir e matar o monstro. Ariadne, filha de Minos, apaixonou-se por Teseu e o ajudou 
entregando-lhe uma bola de linha de costura para que ele pudesse sair do labirinto. 
Teseu matou o Minotauro com uma espada mágica que Ariadne havia lhe dado e 
liderou os outros atenienses para fora do labirinto. 
fig. 58 Teseu contra Minotauro
 62 
Pégaso 
Pégaso é um cavalo alado que figura na mitologia grega, presente no mito de 
Perseu e da Medusa. Pégaso nasceu do sangue de Medusa quando esta foi 
decapitada por Perseu. 
Havendo feito brotar, com uma 
patada, a fonte Hipocrene, tornou-se o 
símbolo da inspiração poética. 
Belerofonte matou a poderosa 
Quimera, montando Pégaso após domá-
lo com ajuda de Atena e da rédea de 
ouro. Mais tarde, Pégaso voou para o 
Olimpo, onde Zeus o transformou numa 
constelação. 
 
 
 
Quimera 
Quimera que surgiu na Grécia 
durante o século VII a.C.. 
De acordo com a versão mais 
difundida da lenda, a quimera era um 
monstruoso produto da união entre 
Equidna – metade mulher, metade 
serpente – e o gigantesco Tífon. 
Outras lendas fazem-na filha da Hidra de Lerna e do leão de Nemeia, que 
foram mortos por Hércules. Habitualmente era descrita com cabeça de leão, torso 
de cabra e parte posterior de dragão ou serpente. Criada pelo rei de Cária, mais 
tarde assolaria este reino e o de Lícia com o fogo que vomitava incessantemente, 
até que o herói Belerofonte, montado no cavalo alado Pégaso, conseguiu matá-la. 
fig. 59 Belerofonte e Pégaso 
fig. 60 Quimera
 63
Hidra de Lerna 
A Hidra de Lerna era um animal fantástico com inúmeras cabeças de 
serpente (diferentes versões 
dizem ser 7, 8, 9 ou até 10 
cabeças) que se regeneravam (ou 
seja, matava-se uma e surgia pelo 
menos mais uma em seu lugar) e 
corpo de dragão, cujo hálito era 
venenoso. Uma das cabeças era 
imortal. 
Foi derrotada por Hércules 
num dos seus doze trabalhos, que 
atirou uma pedra na cabeça imortal ou, em outras 
versões, destruiu cada cabeça e, para não se regenerarem, pediu a seu sobrinho 
Jolau para queimar cada cabeça após ser cortada para que não se regenerasse. 
Segundo a tradição, o monstro foi criado por Hera para matar Hércules. 
Quando percebeu que Hércules iria matar a serpente, Hera enviou-lhe ajuda – um 
enorme caranguejo, mas Hércules pisou-o e o animal converteu-se na constelação 
de caranguejo. Hércules, após a matar, aproveitou para banhar as suas flechas no 
sangue desta, para as deixar venenosas também. 
Hecatonquiros 
Os Hecatonquiros eram três gigantes da mitologia grega, irmãos dos 12 Titãs e dos 3 
Ciclopes, filhos de Urano e Gaia: Briareu ("forte"), Coto ("filho de Cotito") e Giges. 
Possuíam cem braços e cinquenta cabeças. 
Urano, que os hostilizava, acabou mandando-os para as entranhas de Gaia. Esta, enfurecida, 
ajudou-os a escapar e a montar a rebelião que culminaria com a castração de Urano. 
Quando Cronos sobe ao poder aprisiona-os no Tártaro. São libertados por Zeus, que os 
ajuda a montar uma emboscada. Como possuíam cem braços, eram hábeis no arremesso de 
pedras e venceram-nos atirando tantas pedras que os Titãs acharam que a montanha por 
onde passavam estava desabando. 
Depois de derrotar os Titãs, se estabeleceram em palácios no rio Oceano, como guardiães 
das portas do Tártaro, onde Zeus havia aprisionado os Titãs. 
fig. 61 Hidra de Lerna e Hércules 
 64
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VII 
 
Heróis Mitológicos 
 65
Aquiles 
Aquiles, o maior dos heróis gregos, é filho de Peleu, rei da Ftiótida, na 
Tessália. Pela parte de seu avô Éaco, ele descende de Zeus. 
A mãe de Aquiles é a Nereide Tétis, neta da Terra e do Mar. 
Zeus e Posídon desejaram ambos conquistar Tétis. Mas o oráculo revelou 
que o filho que nascesse da Nereide seria mais poderoso que o seu próprio pai. 
Perante esta revelação, os deuses resolveram casar Tétis com um mortal, e todo o 
Olimpo assistiu às núpcias de Tétis e de Peleu. 
Infância e adolescência de Aquiles: 
Entretanto, Tétis, desde que os seus filhos nasceram, só tinha um 
pensamento: purificá-los de todas as características mortais, que eles tinham 
herdado de seu pai. Assim, mal as crianças nasciam, Tétis tentava purificá-las pelo 
fogo, mas elas morriam, inevitavelmente, queimadas. Isto aconteceu com os seis 
primeiros filhos, para grande desespero de Peleu. Por isso, ele decidiu salvar o 
sétimo, o pequeno Ligiron, custasse o que custasse. Assim, quando ele viu que Tétis 
se preparava para atirar a criança ao fogo, retirou-lha das mãos. No entanto, esta 
ainda queimou um dos ossos do pé. 
Então, Peleu entregou o recém-nascido ao seu amigo, o centauro Quíron, 
que exercia medicina (foi este centauro que deu a Ligiron o nome de Aquiles). O 
centauro substituiu a parte queimada do pé da criança, por um osso retirado de um 
esqueleto de gigante (a operação iria dotar Aquiles de extraordinárias aptidões para 
a corrida e que justifica o epíteto que lhe foi dado, mais Tarde, por Homero, o de 
herói “com os pés ligeiros”) 
Uma outra versão, menos cruel, da lenda contava que Tétis, desejosa de 
conceder a imortalidade a Aquiles, o tinha mergulhado nas águas do Estige, o rio 
infernal. Mas ela não reparou que o calcanhar pelo qual agarrava a criança tinha 
escapado à purificação mágica. E assim, este calcanhar ficou sempre como a parte 
vulnerável do seu corpo. 
O centauro Quíron encarregou-se da educação do jovem; iniciou-o na vida 
rude, em contacto com a natureza; exercitou-o na caça, no adestramento de 
cavalos, na medicina e também na música e, sobretudo, obrigou-o a praticar a 
 66
virtude. Aquiles tornou-se um adolescente belo, louro, de olhos vivos, intrépido, 
simultaneamente capaz da maior ternura e da maior violência. 
Peleu deu ainda ao seu filho um segundo receptor, Fénix, um homem de 
grande sabedoria, que instruiu o príncipe nas artes da oratória e da guerra. 
Juntamente com Aquiles foi educado Pátroclo, filho do rei da Lócrodia, Menécio. Os 
dois rapazes acabaram por se tornar amigos inseparáveis. 
Aquiles era ainda adolescente quando rebentou a guerra de Tróia. Mas a 
adivinha Calcas, depois de consultada, informou que a cidade inimiga não seria 
destruída se Aquiles não participasse no confronto. 
Apavorada, Tétis tratou de disfarçar o seu filho de mulher e enviou-o para a 
corte do rei Licomedes, na ilha de Ciros, para que ele fosse educado no harém, junto 
das princesas, disfarçado com o nome de Pirra. 
Entretanto os gregos enviaram Odisseu como embaixador à corte de Peleu, 
a fim de que ele trouxesse o indispensável Aquiles, mas como este não o encontrou, 
recorreram a Calcas, que lhes revelou o embuste. Odisseu então disfarçou-se de 
mercador e entrou no gineceu. Mas o seu disfarce foi descoberto por Pirra 
(Aquiles), pois esta viu que debaixo do manto estava escondida uma espada, aí ela 
empunhou-a imediatamente, precipitando-se para fora do palácio com a arma na 
mão e revelando, assim, o seu sexo e a sua natureza impetuosa. 
Entretanto, uma das filhas de Licomedes, que há muito tempo conhecia a 
verdadeira identidade de Aquiles, apresentou-se grávida, mas o nascimento do seu 
filho só acontecerá após a partida do herói. Esta criança recebeu o nome de 
Neoptólemo e o cognome de Pirro. 
Odisseu conduziu Aquiles para junto dos seus pais. Tétis, assustada, fez 
insistentes recomendações a seu filho: a sua vida seria tanto mais longa quanto 
mais obscura ele a mantivesse. Mas Aquiles recusou os conselhos da mãe. Mas os 
oráculos previam a sua morteem Tróia – como consequência de ter matado um 
filho de Apolo. 
Aquiles partiu, levando consigo Fénix e Pátroclo. 
 Aquiles em acção: 
 No decorrer do desembarque, efectuado por engano na Mísia, que os 
Gregos confundiram com Tróia, Aquiles feriu com a sua lança o rei do país, Télefo, 
 67
filho de Hércules. Mais tarde, no entanto, graças aos seus conhecimentos de 
medicina, curou-o. 
 Regressados ao porto de Élis – oito anos mais tarde – para se reagruparem 
após esta expedição fracassada, os Gregos foram imobilizados pela calmaria dos 
ventos. Agamémnon, o chefe do exército, tendo sabido através do oráculo que os 
ventos não soprariam a não ser que sacrificasse a sua filha Ifigénia, imaginou que a 
melhor maneira de a atrair, sem suspeitas, seria propondo-lhe casamento com 
Aquiles. Quando o herói teve conhecimento do embuste em que fora envolvido sem 
saber, censurou violentamente o "rei dos reis": e esta será a primeira querela com 
Agamémnon. 
Após o cumprimento do sacrifício de Ifigénia, os deuses permitiram aos 
ventos que soprassem, e assim a frota 
grega pôde navegar, fazendo escala na 
ilha de Tenedo, ao largo de Tróia. 
Durante dez anos, Gregos e 
Troianos estiveram envolvidos em 
escaramuças sem grandes consequências. 
No decorrer deste período, os invasores 
aproveitaram para efectuar expedições 
de pirataria nas ilhas e cidades vizinhas de 
Tróia. Agamémnon apoderou-se da filha 
do sacerdote de Apolo, Criseida e, ainda, a 
expedição a Lirmesso, onde Aquiles 
capturou a bela Briseida, que tornou sua 
serva. 
A cólera de Aquiles: 
No decurso do décimo ano de guerra, Aquiles e Agamémnon envolveram-se 
em grande disputa. Tudo isto porque Agamémnon se vira obrigado a libertar a filha 
do sacerdote, Criseida, exigiu como compensação a serva de Aquiles, Briseida. 
Injuriado, furioso, Aquiles decidiu abandonar a guerra e retirou-se para o seu 
acampamento, pondo assim em causa a possível vitória dos Gregos. 
fig. 62 Aquiles 
 68
A situação dos Gregos não tardou a tornar-se aflitiva. Aquiles resistiu, 
ferozmente, às súplicas de Ulisses e mesmo de Fénix, mas deixou-se comover pelas 
lágrimas de Pátroclo, autorizando o seu amigo a utilizar as armas de Peleu e a 
reconduzir os Mirmidões em combate. Acontece que, neste confronto, Pátroclo 
acabará por encontrar a morte às mãos de Heitor, marido de Andrómaca, o mais 
valente dos filhos do rei Príamo. 
Enlouquecido de dor pela perda do seu amigo, Aquiles saltou, sem armas, 
para o campo de batalha, produzindo um tal bramido, que o exército troiano se 
escondeu atrás das suas muralhas. Aquiles só pensava em vingar a morte de 
Pátroclo. Acontece que ele já não tinha as armas que lhe tinham sido dadas por seu 
pai. Elas encontravam-se na posse de Heitor. Mas sua mãe, Tétis, encarregou 
Hefesto de lhe forjar uma nova armadura. E assim as vítimas de Aquiles serão tantas 
que irão atulhar o leito do rio Escamandro. 
Mas é Heitor que Aquiles persegue com o seu ódio, e que pretende sacrificar 
em homenagem a Pátroclo. Certo dia acaba por surpreendê-lo, derrotando-o num 
combate singular e matando-o. Depois, prendeu o cadáver ao seu carro e, com ele, 
deu a volta às muralhas de Tróia. E só largou o corpo ensanguentado e desfeito, 
quando o velho Príamo lhe veio suplicar indulgência. 
A Morte de Aquiles: 
Apesar da valentia e dos feitos de Aquiles, a fatalidade aconteceu. A morte 
de Aquiles é apresentada em duas versões diferentes (ver pág. 54). 
Aquiles, após a morte, recebeu a justa recompensa por toda uma vida de 
feitos heróicos e de combates. Zeus, a pedido de Tétis, conduziu-o à ilha dos Bem-
aventurados, onde ele casou com uma heroína (cita-se Medeia, Ifigénia, Polixeria, e 
mesmo Helena: da sua união com esta, teria nascido um filho alado, Euforião, que é 
identificado com a brisa da manhã). 
Na Antiguidade, Aquiles foi venerado como o modelo de herói por 
excelência. Um herói simultaneamente belo, robusto e corajoso, que tentou sempre 
elevar-se acima da sua simples condição de mortal. Por isso, ele foi venerado em 
todo o mundo grego, embora o centro do seu culto se tenha fixado nas margens do 
mar Negro. 
 69
Ájax 
Na Mitologia grega, Ájax é nome de dois heróis gregos da Guerra de Tróia. 
Ájax, filho de Télamon: 
Ájax, filho de Télamon (rei de 
Salamina), ao lado de Diomedes era um dos 
mais fortes e habilidosos guerreiros gregos 
depois de Aquiles. Meio-irmão de Teucro, era 
praticamente imbatível e graças a ele os 
gregos conquistaram várias vitórias contra os 
troianos. Ao lado de Ájax, lutava outro Ájax, o 
lócrio. Quando ambos lutavam juntos, 
somente os deuses podiam resistir a sua 
investida. Ájax também era conhecido como 
Ájax de Salamina. 
Homero descreveu Ájax como uma muralha, muito mais alto do que os 
outros homens, com um escudo na forma de torre e uma lança comprida. Utilizava 
pedras colossais para combater seus oponentes. Quando Aquiles se retirou da luta, 
Ájax enfrentou Heitor em um único combate. Os dois heróis lutaram o dia inteiro e 
só Heitor sofreu pequenos ferimentos. Após a morte de Aquiles, Ájax disputou com 
Odisseu a armadura do herói morto. Odisseu provou ser melhor orador e ganhou o 
prémio. 
Num acesso de loucura, massacrou os rebanhos que alimentavam a armada 
grega, certo de que matava os adversários. Ao reconhecer o erro, suicidou-se, 
enterrando a própria espada no coração. 
Ájax, filho de Oileu: 
Ájax, filho de Oileu, rei da Lócrida, na Grécia Central. Ájax, o lócrio, como 
também era conhecido. Era praticamente o oposto de Ájax de Salamina, pequeno e 
magro, era veloz como o vento e muito ágil com espada e lança nas mãos. Lutou na 
guerra de Tróia. Depois da queda de Tróia, violou o templo de Atena quando puxou 
a profetisa Cassandra do altar da deusa, fez com que ela quebrasse uma estátua e 
fig. 63 Ájax, filho de Télamon
 70
depois estuprou Cassandra. Atena fez com que o barco de Ájax naufragasse e ele 
morresse afogado. 
 
Astíanax 
Astíanax foi filho de Heitor e de Andrómaca. 
O seu nome real era Escamandrio, numa clara alusão ao rio que passava 
perto de Tróia, mas o povo de Tróia 
chamou-o de Astíanax, por ser filho de 
Heitor. Na Ilíada, na famosa cena da 
despedida de Heitor e Andrómaca, 
Astíanax encolhe-se a chorar contra o 
seio da ama, assustado com a aparência 
do pai, cheio de bronze e com o penacho 
de crina de cavalo que desponta no seu 
elmo. O pai e a mãe riem por causa da 
reacção do filho, mas Heitor acaba por 
beijá-lo, pegá-lo ao colo e pedir aos 
deuses que aquela criança venha a 
governar Tróia e que venha a ser um 
guerreiro no mínimo igual ao seu pai. 
As versões sobre o que aconteceu 
a Astíanax no fim da Guerra de Tróia divergem: a mais conhecida, e corroborada por 
obras trágicas como As Troianas, de Eurípides, menciona que o príncipe foi atirado 
por Neoptólemo do cimo das muralhas da cidade, receando que Astíanax, sendo 
filho de Heitor, por um lado vingasse a morte do pai durante a guerra e, por outro, 
se tornasse rei de Tróia; outra versão mais recente, no entanto, defende que 
Astíanax não foi morto, mas fundou mais tarde, juntamente com o seu primo 
Ascânio, filho de Eneias, uma nova Tróia. 
fig. 64 Astíanax é atirado das muralhas a 
mando de Neoptólemo, perante a impotência 
de Andrómaca 
 71
Hércules 
Filho de Zeus e Alcmena. Seu pai tomou a forma do marido de Alcmena, 
Anfitrião, e uniu-se a ela. Ao nascer, Zeus, para torná-lo imortal, pediu a Hermes que 
o levasse para junto do seio de Hera, quando esta dormia, e o fizesse mamar. A 
criança sugou com tal violência que, mesmo após Hércules ter terminado, o leite da 
deusa continuou a correre as gotas caídas formaram no céu a Via Láctea e na Terra, 
a flor-de-lis. 
Hércules o foi mais célebre dos heróis da 
mitologia, símbolo do homem em luta contra as 
forças da natureza. Desde que nasceu teve de 
vencer as perseguições de Hera. Tanto é que, 
com oito meses de vida estrangulou com as mãos 
duas serpentes que a deusa mandou ao seu berço 
para o matarem. Na vida adulta, sobressaiu-se 
pela sua enorme força. 
A sua primeira façanha deu-se quando se 
dirigiu a Beócia, cidade próxima de Tebas, e 
perseguiu e matou apenas com as mãos um 
enorme leão que devorava os rebanhos de 
Anfitrião e de Téspio. A caçada durou cinquenta 
dias consecutivos, durante que Hércules foi 
hóspede de Téspio, que aproveitou para unir cada uma das suas cinquenta filhas 
com ele, de maneira a criar uma aguerrida descendência, conhecidos pelos 
Tespíadas, que se espalharam até a Sardenha. 
Por livrar a cidade de Tebas de um tributo que tinha de pagar à de 
Orcómeno, o rei da primeira, Creonte, casou-o com a sua filha mais velha, Mégara. 
Num acesso de loucura provocado por Hera, Hércules matou os filhos tidos com 
Mégara. Após recuperar a sanidade, Hércules foi a Delfos consultar um oráculo 
sobre o meio de se redimir desse crime e poder continuar com uma vida normal. O 
oráculo ordenou-lhe que servisse, durante doze anos, o seu primo Euristeu, rei de 
Micenas e de Tirinto. Pondo-se Hércules ao seu serviço, o rei, simpatizante de Hera, 
fig. 65 Hércules
 72
que não cessava de perseguir os filhos adulterinos de Zeus, impôs-lhe, com a oculta 
intenção de o eliminar, doze perigosíssimos trabalhos, dos quais o herói saiu 
vitorioso. 
Os doze trabalhos de Hércules: 
1.º) No Peloponeso, estrangulou o 
Leão da Nemeia – filho dos monstros 
Ortro e Equidna – que devastava a região 
e cujos habitantes não conseguiam matar. 
Na segunda tentativa de matá-lo, sendo a 
primeira infrutífera, estrangulou-o após 
com ele lutar. Acabada a luta arrancou a pele do animal com as suas próprias garras 
e passou a utilizá-la como vestuário. A criatura converteu-se na constelação de 
Leão; 
2.º) Matou o monstro filho de Equidna e do bisavô do leão de Nemeia: a 
Hidra de Lerna. Era uma serpente com corpo de dragão misturado com o de um 
cachorro, com nove cabeças (uma delas 
parcialmente de ouro e imortal), que se 
regeneravam mal eram cortadas e 
exalavam um vapor que matava quem 
estivesse por perto. Segundo a tradição, 
o monstro foi criado por Hera para matar 
Hércules, e ele matou-a cortando suas 
cabeças enquanto seu sobrinho Jolau 
impedia sua reprodução queimando as 
suas feridas com tições em brasa. Hera enviou ajuda à serpente – um enorme 
caranguejo, mas Hércules pisou-o e o animal converteu-se na constelação de 
Caranguejo. Por fim, o herói banhou suas flechas com o sangue da serpente para 
que ficassem envenenadas; 
3.º) Alcançou correndo a corça do Monte Cerineu, com chifres de ouro e pés 
de bronze, consagrada à deusa Ártemis. A corça corria com assombrosa rapidez e 
nunca se cansava; 
fig. 66 Hércules mata o Leão de Nemeia
fig. 67 Hércules contra a Hidra de Lerna 
 73
4.º) Capturou vivo o javali de Erimanto, que 
devastava os arredores, ao fatigá-lo após persegui-lo 
durante horas. Euristeu, ao ver o animal no ombro do 
herói, teve tamanho medo que foi se esconder dentro 
de um caldeirão de bronze. As presas do animal foram 
mostradas no templo de Apolo em Cumas; 
5.º) Limpou em um dia os currais do rei Aúgias, que continham três mil bois e 
que há trinta anos não eram limpos. Estavam tão fedorentos que exalavam um gás 
mortal. Para isso, Hércules desviou dois rios; 
6.º) Matou no lago Estínfalo, com as suas flechas envenenadas, monstros 
cujas asas, cabeça e bico eram de ferro, e que, pelo seu gigantesco tamanho, 
interceptavam no voo os raios do sol. Com um par de castanholas feitas por Hefesto 
e dadas a ele por Atena, enxotou as aves. 
7.º) Venceu o touro de Creta, mandado por Posídon 
contra Minos; 
8.º) Castigou Diómedes, filho de Ares, possuidor de 
cavalos que vomitavam fumo e fogo, e a que ele dava a 
comer os estrangeiros que naufragavam durante as 
tempestades e davam à sua costa. O herói entregou-o à 
voracidade de seus próprios animais; 
9.º) Venceu as amazonas, tirou-lhes a rainha Hipólita, 
apossando-se do seu cinturão mágico; 
10.º) Matou o gigante Gerion, monstro de três 
corpos, seis braços e seis asas, e tomou-lhe os bois 
que se achavam guardados por um cão de duas 
cabeças e um dragão de sete; 
11.º) Colheu as maçãs de ouro do Jardim das 
Hespérides, este trabalho foi o mais difícil de todos, 
pois para encontrar o jardim, Hércules percorreu 
quase todo o mundo. Após ter encontrado o jardim 
fig. 68 Hércules e o javali do Erimanto 
fig. 69 Hércules e o touro de Creta 
fig. 70 Hércules e Gerion 
 74
ainda tinha de matar o dragão de cem cabeças que o guardava. Pediu a Atlas que o 
matasse e durante o trabalho foi Hércules que sustentou o céu nos ombros; 
12.º) Desceu ao palácio de Hades e de lá trouxe vivo Cérbero – o cão de três 
cabeças, guardião do submundo. 
Outras façanhas: 
Após estes trabalhos Hércules entregou-se a muitos outros, por sua livre 
vontade, na defesa dos oprimidos: 
• Matou, no Egipto, o tirano Busíris que sacrificava todos os estrangeiros que 
aportavam ao seu Estado; 
• Tendo encontrado Prometeu acorrentado por Zeus no cume do Cáucaso, 
entregue a um abutre que devorava o seu fígado, libertou-o; 
• Estrangulou o gigante Anteu que, em luta, recuperava a força sempre que 
conseguia tocar, com os pés, o solo; 
• Entre as façanhas de Hércules, conta-se ainda separar os montes Calpe (da 
Espanha) e Ábilia (da África), abrindo assim o estreito de Gibraltar; 
• Disputou com Aquelos a posse de Dejanira, filha de Eneu, rei da Etólia. Como 
a princesa preferia Hércules, Aquelos, furioso, tranformou-se em serpente, e 
investiu contra ele; repelido, tranformou-se em touro, e de novo arremeteu; mas 
o herói enfrentou-o, pela segunda vez, quebrando-lhe os chifres, e desposou 
Dejanira. Em seguida, tendo de atravessar o rio Eveno, pediu ao Centauro Nesso 
que conduzisse Dejanira ao ombro, enquanto ele faria a travessia a nado. No 
meio do caminho, tendo Nesso se recordado de uma injúria que outrora 
Hércules lhe dirigira, resolveu, por vingança, raptar-lhe a esposa, passando com 
esse intuito, a galopar rio acima. O herói, tendo percebido as suas intenções, 
aguardou que ele alcançasse terra firme, e então atravessou-lhe o coração com 
uma das flechas envenenadas. Nesso tombou, e ao expirar, deu a Dejanira a sua 
túnica manchada do sangue envenenado, convencendo-a de que seria, para ela, 
um precioso talismã, com a virtude de restituir-lhe o esposo, se este viesse em 
qualquer tempo, a abandoná-la; 
 75
Mais tarde, Hércules apaixonou-se pela sedutora Iole, e dispunha-se a 
desposá-la, quando recebeu de Dejanira, como presente de núpcias, a túnica 
ensanguentada, e, ao vesti-la, o veneno infiltrou-se no corpo; louco de dores, ele 
quis arrancá-la, mas o tecido achava-se de tal forma aderido às suas carnes que 
estas lhe saíam aos pedaços. Vendo-se perdido, o herói ateou uma fogueira e 
lançou-se às chamas. Logo que as línguas de fogo começaram a serpentear no 
espaço, ouviu-se o som do trovão. Era Zeus que arrebatava o seu filho para o 
Olimpo, onde ganhou a imortalidade e, na doce tranquilidade, recebeu Hebe em 
casamento. 
 
Jasão 
Jasão foi um herói grego da Tessália, filho 
de Esão, rei do Iolco, e criado pelo centauro 
Quíron. Existem duas versões sobre a sua mãe: 
ela pode ter sido Alcimede, uma neta de Mínias, 
ou Polimede, filha de Autólico. 
Foi despojado do tronopaterno pelo seu 
tio Telias. Temendo a profecia de que seria morto 
por Jasão, o rei Pélias envia o herói, como 
condição para lhe restituir o trono, para uma 
missão impossível: trazer o Tosão de ouro da 
distante Cólquida. Em Argos, Jasão constrói a nau 
Argo e reúne uma tripulação de heróis, conhecida 
como os argonautas, para acompanhá-lo. 
Após várias aventuras, inclusive a primeira 
passagem pelas Simplégadas, os argonautas chegam à Cólquida, pensando estar em 
alguma parte do fim do mar Negro. O rei Eetes da Cólquida exige que Jasão cumpra 
várias tarefas para obter o Tosão, inclusive arar um campo com touros que cospem 
fogo, semear os dentes de um dragão, lutar com o exército que brota dos dentes 
semeados e, por fim, passar pelo dragão que guarda o próprio Tosão. Com o Tosão 
fig. 71 Jasão
 76
nas mãos, Jasão foge com Medeia, filha de Eetes, e enfrenta várias aventuras na 
volta para casa. Medeia trama a morte do rei Pélias, cumprindo a antiga profecia. 
Depois, retirou-se para Corinto e repudiou Medeia para desposar Creúsa, 
filha de Creonte. Medeia, por vingança, matou Creúsa e os próprios filhos que tivera 
de Jasão. Muitos anos depois, Jasão é morto por um pedaço de madeira da nau 
Argo. 
 
Menelau 
Menelau, rei lendário da Lacedemónia 
(Esparta), é filho de Atreu e irmão mais novo de 
Agamémnon. O rapto da sua mulher (Helena) 
por Páris, deu origem à Guerra de Tróia. 
Depois da queda de Tróia, recuperou a 
esposa e vagueou durante oito anos pelas 
costas do Mediterrâneo até regressar a casa. 
Conta Homero que Menelau não era dos 
melhores guerreiros, mas era muito nobre e 
possuía grandes riquezas. Menelau e Helena 
tiveram uma filha chamada Hermíone. 
 
Perseu 
Perseu foi o herói mítico grego que decapitou a Medusa, monstro que 
transformava em pedra apenas pelo olhar. Perseu era filho de Zeus, que sob a 
forma de um raio, introduziu-se na torre de bronze e engravidou Dánae, a filha 
mortal do rei de Argos. 
Perseu e a sua mãe foram banidos pelo avô, Acrísio, que temia a profecia de 
que seria assassinado pelo neto, atirando-os numa urna para que levasse os dois 
para bem longe. 
Perseu e a sua mãe viveram na casa de Díctis e sua esposa durante anos, até 
que um dia, o rei, Polidectes, quando passava pela casa de seu irmão resolveu visitá-
lo. 
fig. 72 Menelau recupera Helena 
 77
fig. 73 Perseu decapitando a 
Medusa
Ao ver Dánae, apaixonou-se e quis casar-se com ela. Perseu tornou-se um 
grande homem, forte, ambicioso, corajoso, aventureiro e protector da mãe. 
Polidectes, com medo da ambição de Perseu levá-lo a lhe tirar o trono, propôs um 
torneio no qual o vencedor seria quem trouxesse a cabeça da Medusa, e o instinto 
aventureiro de Perseu não o deixou recusar. 
Ele, conhecendo a sua mãe disse que iria participar do torneio, mas não disse 
que iria enfrentar a Medusa, com receio que ela o impedisse. Devido à ajuda de 
Atena e Hermes, recebeu um escudo tão bem polido que podia se ver o reflexo ao 
olhar para ele, de Atena e de Hermes 
recebeu as suas sandálias aladas, dois 
objectos que foram definitivos para a 
vitória de Perseu. 
Perseu então, guiado pelo 
reflexo do escudo, mas sem olhar 
directamente para Medusa, derrotou-a 
cortando a cabeça desta, cabeça esta 
que ofereceu à deusa Atena. 
Na volta para casa, matou um 
terrível monstro marinho e libertou a 
linda Andrómeda, com quem se casou. 
Conforme a profecia, Perseu acabou 
assassinando o avô durante uma competição 
desportiva, em que participava, na prova de 
lançamento do disco. Fazendo um lançamento desastroso, acertou acidentalmente 
no seu avô sem saber que ele estava ali. Apesar disso, Perseu recusou-se a governar 
Argos (trocando de reinos com Megapente, filho de Preto) e governou Tirinto e 
Micenas (cidade que fundou), estabelecendo uma família cujos descendentes 
incluíam Hércules. 
 
Neoptólemo 
Neoptólemo, também conhecido por Pirro, era filho de Aquiles e Deidamia. 
 78
Tétis, mãe de Aquiles não desejava que o seu filho fosse lutar na Guerra de 
Tróia, temendo a sua morte. Então disfarçou Aquiles de mulher na corte de 
Licomedes, o rei de Esciro. Durante o tempo em que Aquiles se manteve lá, teve um 
caso amoroso a princesa Deidamia, que gerou Neoptólemo. 
Durante o cerco de Tróia, passados dez anos, depois da morte de Aquiles e 
de Ájax e sem quaisquer sinais de vitória, os aqueus capturaram o adivinho Troiano, 
Heleno e forçaram-no a dizer que condições poderiam levar os aqueus à vitória. 
Heleno revelou que poderiam 
tomar Tróia se adquirissem as 
flechas venenosas de Hércules, 
naquela altura na posse de 
Filoctetes grande guerreiro que 
foi abandonado no início da 
guerra; se roubassem o Paládio 
(que levou à construção do 
famoso Cavalo de Tróia); e, por fim, se persuadissem o filho de Aquiles a juntar-se à 
guerra. Os Gregos apressaram-se a ir buscar Neoptólemo a Esciro, e trouxeram-no a 
Tróia. 
O fantasma de Aquiles apareceu aos sobreviventes da guerra, exigindo que 
Polixena, princesa Troiana, fosse sacrificada. Neoptólemo assim fez, sacrificando 
também Príamo em honra de Zeus. 
Com Andrómaca, que foi por ele escravizada, Neoptólemo foi o pai de 
Molosso, o antepassado de Olímpia, a mãe de Alexandre Magno. 
Neoptólemo foi morto, a pedido de Hermíone, por Orestes, ou sacerdotes de 
Apolo. 
Se o seu pai Aquiles foi conhecido pela sua compaixão para com Príamo, já o 
filho foi mais conhecido pela sua crueza. Foi ele quem matou Príamo, Eurípilo, 
Políxena, Polites e Astíanax, entre outros, e escravizou Heleno e Andrómaca depois 
da guerra. Com Andrómaca, Heleno e Fénix, Neoptólemo navegou para as ilhas 
Epirotas e tornou-se então o rei de Épiro, exilando Odisseu, porque este matara um 
grande número de pretendentes a Penélope. 
fig. 74 Neoptólemo mata Príamo 
 79
Órion 
Órion foi um gigante caçador, um dos melhores a serviço de Ártemis. Ele foi 
colocado por Zeus entre as estrelas na forma da constelação de Órion. 
Lenda: 
Zeus, acompanhado de Posídon e Hermes, estava na Terra e precisavam 
pernoitar em algum lugar. Zeus ordena a Hermes que procurasse um lugar onde 
pudessem repousar por uma noite. Hermes encontra a casa de Hireu e comunica 
aos deuses ter encontrado um lugar ideal. Indo até lá, pedem a Hireu que os 
acolhesse. Espantado, concorda, temendo negar e enfurecê-los. Para homenagear 
os deuses, Hireu oferece seu touro em sacrifício. 
Sensibilizados, os deuses permitem-lhe um desejo. Ele pede um filho, para 
dar continuidade ao seu nome. Zeus, Posídon e Hermes implantam uma gota de 
sémen de cada um no couro do touro morto, e dizem a Hireu para enterrá-lo. 
Zeus orienta-o a esperar nove meses, e seu desejo seria concedido. Após 
esse período, surge, de um terramoto, Órion, o gigante caçador. Concebido sem 
mãe e nascido dos restos de um animal, sua alma permanece primitiva, mas com 
força, velocidade e sentidos aguçados, mas sem sentimentos morais. 
Ele não possuía amigos, a não ser Enopião, fabricante de vinhos. Certo dia, 
Órion, animalescamente, estupra a mulher de Enopião, Mérope. 
Em vingança, Enopião embriaga Órion e arranca os seus olhos, tão 
necessários à sua função de caçador. Passa a errar sem destino, até que encontra 
Hefesto, que, consultando um oráculo, o aconselha a expor seus olhos ao deus 
Hélios (o Sol) para receber de volta a luz em seus olhos. 
Pela manhã, o deus Hélios aparece no horizonte, que entrega um feixe de 
raios solares à deusa Eos, que inicia a distribuição sobre a vegetação ainda molhada 
pelo orvalho. Os raios solares entram nos olhos de Órion e ele recupera a visão. 
Com os olhos ardentes de fogo, vê à sua frente a deusaEos, que se apaixona 
e deita-se com ele. Órion deduz que as mulheres são fáceis e inferiores. Resolve 
voltar e vingar-se de Enopião, mas no caminho encontra Ártemis, e tenta seduzi-la, 
penetrar em seus mistérios. Na luta contra o desejo de Órion, Ártemis bate uma 
 80
clava no chão lodoso, surgindo das profundezas um animal terrível e venenoso, um 
escorpião, que persegue Órion. 
Alcançando-o, desfere uma ferroada no seu coração e mata-o. Essa cena é 
imortalizada no céu na constelação de Órion, tendo ao seu lado o temido escorpião. 
 
Pátroclo 
Pátroclo é um dos personagens centrais da Ilíada, companheiro de Aquiles. 
Era filho de Menécio. 
Na sua juventude, Pátroclo matou um amigo seu, Clisónimo, durante um jogo 
de astrágalos (ossos usados de forma semelhante aos dados). O seu pai teve, então, 
de se exilar com ele para fugir à punição. Obtiveram refúgio na corte do rei Peleu, 
pai de Aquiles. O rei enviou os dois 
jovens para a floresta, onde foram 
educados em várias artes, 
especialmente a medicina, por Quíron, 
o sábio rei dos centauros. 
Pátroclo lutou com os gregos, 
ao lado de Aquiles, durante a Guerra de 
Tróia. Aí, matou Sarpédon (um filho de 
Zeus), Cébrion (condutor do carro de 
Heitor), entre outros troianos de 
menor destaque. Quando Aquiles se 
recusou a lutar devido à sua disputa com Agamémnon, Pátroclo, envergando a 
armadura de Aquiles, é morto por Heitor e Euforbo, com a ajuda de Apolo. Depois 
de resgatar o corpo do amigo, cujo corpo fora protegido no campo de batalha por 
Menelau e Ájax, Aquiles recusa-se durante algum tempo a sepultar o amigo, mas é 
convencido quando uma aparição de Pátroclo lhe suplica a cremação, de forma a 
que a sua alma possa ser admitida no Hades. Aquiles inicia, então as cerimónias 
fúnebres, durante as quais sacrifica cavalos, cães e doze troianos cativos, antes de 
colocar o corpo de Pátroclo na pira crematória. 
 
fig. 75 Aquiles curando os ferimentos de Pátroclo 
 81
Páris 
Páris era um dos filhos mais novos do rei Príamo, de Tróia. Foi escolhido 
pelas deusas Hera, Atena e Afrodite para eleger qual delas era a mais bela. Cada 
deusa, buscando suborná-lo para ser eleita, 
prometeu-lhe riquezas e vitórias, mas 
Afrodite lhe garantiu que se casaria com a 
mulher mais bela do mundo, a princesa 
Helena de Esparta. Páris elegeu Afrodite 
como a mais bela das três, despertando a ira 
de Atena e Hera, que enviaram os exércitos 
gregos para destruir Tróia. 
Páris, com ajuda de Apolo, derrotou 
Aquiles, o mais forte e potente guerreiro 
grego, atingindo-lhe uma flecha no 
calcanhar, único ponto que poderia matá-lo. 
Conhecido como um príncipe covarde e 
volúvel, Páris acha que os únicos prazeres 
que deveria dar valor eram os da carne. 
Somente após uma visão atribuída a Apolo, 
Páris resolveu batalhar na guerra de Tróia. 
Em um de seus últimos actos cobardes, atacou Aquiles pelas costas, 
acertando no seu calcanhar com uma flecha envenenada. 
Páris é finalmente morto por Odisseu antes da queda da cidade de Tróia. 
 
Teseu 
Teseu era filho de Egeu, rei de Atenas, e de Etra, filha do sábio Piteu, rei de 
Trezena, onde nasceu. 
Teseu e o Minotauro do Labirinto: 
Nascido em Trezendo e educado por Etra, sua mãe, desde muito pequeno 
Teseu revelou grande valor e coragem. Contava apenas sete anos de idade, quando 
fig. 76 Páris de Tróia
 82
Hércules, que tomaria como modelo, foi visitar a sua cidade, sendo recebido com 
especiais homenagens, inclusive um grande banquete. 
Para ficar instalado com mais conforto à mesa do festim, Hércules despiu a 
pele de leão com que habitualmente se cobria, deixando-a no chão. As crianças, 
muito naturalmente, sentiam-se atraídas pela figura do gigante sobre o qual tanta 
coisa de falava, e aproximavam-se, desejosas de contemplar de perto o grande 
homem. 
Deparando-se com a pele de leão, assustavam-se e fugiam. 
Teseu, porém, não imitou os 
seus companheiros. Convencido de 
estar diante de um leão de verdade, um 
leão vivo, arrancou a clava de um 
escravo que se encontrava próximo e 
marchou decidido contra a “fera”... 
A coragem e a decisão da 
criança provocaram aplausos e 
Hércules vaticinou-lhe um brilhante 
futuro. 
 O Minotauro era uma criatura 
meio homem e meio touro. Ele morava 
no Labirinto de Creta. 
Anualmente sete jovens e sete 
damas atenienses eram enviados para 
serem devorados pelo Minotauro. 
Quando o terceiro sacrifício veio, Teseu voluntariou-se para ir e matar o monstro. 
Ariadne, filha de Minos, apaixonou-se por Teseu e o ajudou entregando-lhe 
uma bola de linha de costura para que ele pudesse sair do labirinto. Teseu matou o 
Minotauro com uma espada mágica que Ariadne havia lhe dado e liderou os outros 
atenienses para fora do labirinto. 
fig. 77 Teseu 
 83 
Vitorioso, Teseu partiu de Creta, levando em sua companhia a doce e linda 
Ariadne, regressando a Atenas, onde o aguardava a notícia da morte de seu pai, a 
quem rendeu as últimas homenagens. 
Subindo ao trono, Teseu organizou um governo em bases democráticas, 
reunindo os habitantes da Ática, fazendo leis sábias e úteis para o povo. Vendo que 
tudo corria bem e os atenienses estavam felizes, Teseu mais uma vez se ausentou 
em busca das aventuras que tanto apreciava. 
Teve ocasião de viver muitas, inclusive de lutar contra as amazonas, as 
temíveis mulheres guerreiras, que conseguiu vencer, casando-se com Hipólita, a 
rainha que as aprisionara. 
Todavia Teseu não se sentia feliz. Na verdade foram amargurados os seus 
últimos anos de vida. O povo de Atenas irritara-se contra ele o que levou a exilar-se 
na ilha de Ciros, onde terminou seus dias. 
Depois de sua morte, porém, os atenienses, arrependidos, foram a Ciros 
buscar suas cinzas e ergueram-lhe um templo magnífico. 
 
Odisseu (Ulisses) 
Odisseu é um personagem da Ilíada e 
da Odisseia de Homero. É a personagem 
principal desta última obra. Odisseu é uma 
figura à parte em Tróia. É um dos mais 
ardilosos guerreiros de toda a epopeia grega 
em Tróia, e mesmo depois dela, quando do 
seu longo retorno ao seu reino, Ítaca, uma das 
numerosas ilhas gregas. 
Herói grego, Odisseu era rei de Ítaca e 
filho de Laerte. A princípio, cortejou Helena, 
mas, em vista do grande número de 
pretendentes, acabou por auxiliar Tíndaro, pai adoptivo de Helena, na escolha do 
pretendente. Essa escolha recaiu sobre Menelau, tendo o itacense então casado 
fig. 78 Odisseu
 84
com Penélope. Daí a amizade existente entre Menelau, seu irmão Agamémnon e 
Odisseu. 
Da união com Penélope nasceu Telémaco, o seu querido filho, do qual teve 
de se apartar muito cedo para lutar ao lado de outros nobres gregos em Tróia. Foi 
um dos elementos mais actuantes no cerco de Tróia, no qual se destacou 
principalmente pela sua prudência e astúcia. 
Durante a citada guerra, muitas batalhas os gregos venceram a conselho de 
Odisseu, sendo este um grande guerreiro, apesar de sua baixa estatura (algumas 
lendas diziam mesmo que era anão). Tentou em vão convencer Aquiles a cessar sua 
ira contra Agamémnon, ao lado de Ájax, filho de Telamon e de Fênix, todavia, sem 
obter sucesso. 
Um de seus mais famosos ardis foi ajudar na construção de um cavalo de 
madeira, que permitiu a entrada dos exércitos gregos na cidade. Aliás, a estratégia 
foi sua. 
Após a derrota dos troianos, ele iniciou uma viagem de dez anos de volta 
para Ítaca onde a sua mulher o espera com uma fidelidade obstinada, apesar da 
demora. Essa viagem mereceu a criação por Homero do poema épico Odisseia, na 
qual são narradas as aventuras e desventuras de Odisseu e sua tripulação desde que 
deixam Tróia, algumascausadas por eles e outras graças à intervenção dos deuses. 
Quando cegaram o ciclope Polifemo, despertaram a ira de Posídon, que os 
atormentou por anos. Depois, ainda tentado voltar para Ítaca, acabou indo para a 
ilha de Calipso, uma mulher que o aprisionou em sua ilha durante anos e não o 
soltaria de lá até que ela se casasse com ele. Porém, ele não aceitou, e ficou vários 
anos na ilha, até que conseguiu fugir. 
Com a ajuda de Zeus e de outros deuses, Odisseu chegou a casa sozinho para 
encontrar sua esposa Penélope, importunada por pretendentes. Disfarçado como 
mendigo, primeiro verificou se Penélope lhe era fiel e, em seguida, matou os 
pretendentes à sua sucessão que a perseguiam, limpando o palácio. Com isso, 
iniciou-se uma batalha final contra as famílias dos homens mortos, mas a paz foi 
restaurada por Atena. 
 85
Agamémnon 
Agamémnon, um dos mais distintos heróis gregos, era filho do rei Atreu de 
Micenas (ou Argos) e da rainha Érope, e irmão de Menelau. 
Atreu, o pai de Agamémnon, foi assassinado por Egisto, que se apoderou do 
trono de Argos e governou 
juntamente com o seu pai 
Tiestes. Durante este período, 
Agamémnon e Menelau 
procuraram refúgio em Esparta. 
Casaram-se com as princesas 
espartanas Clitemnestra e 
Helena, respectivamente. 
Agamémnon e Clitemnestra 
tiveram quatro filhos: três filhas, 
Ifigénia, Electra, Crisotêmis e um 
filho, Orestes. 
Menelau herdou o trono de Esparta, enquanto Agamémnon, com a ajuda do 
irmão, expulsou Egisto e Tiestes para recuperar o reino do seu pai. Alargou os seus 
domínios pela conquista, e tornou-se o rei mais poderoso da Grécia. 
Guerra de Tróia: 
Agamémnon foi o comandante supremo dos gregos durante a guerra de 
Tróia. Durante a luta, Agamémnon matou Antifo. O condutor de carros de 
Agamémnon, Halaeso, lutou mais tarde com Eneias em Itália. A Ilíada conta a 
história da briga entre Agamémnon e Aquiles no ano final da guerra. Agamémnon 
tomou para si uma escrava atractiva e espólio de guerra, Briseida, que era de 
Aquiles. Aquiles, o maior guerreiro da altura, saiu da batalha por vingança, e quase 
custou a guerra aos gregos. Embora não igual a Aquiles em bravura, Agamémnon 
era um representante digno da autoridade real. Como comandante supremo, 
convocou os príncipes para a assembleia e conduziu o exército grego na batalha. Ele 
próprio lutou, e realizou muitos feitos heróicos, até ser ferido e ser forçado a voltar 
para a sua tenda. A sua falha principal era a sua arrogância vaidosa. Uma opinião 
fig. 79 Agamémnon
 86
demasiado exaltada da sua posição fê-lo insultar Criseida e Aquiles, lançando grande 
infortúnio sobre os gregos. Após a tomada de Tróia, Cassandra, princesa de Tróia 
(filha do rei troiano Príamo) e profetisa condenada, caiu-lhe na sorte na distribuição 
dos espólios de guerra. 
Regresso à Grécia: 
Após uma viagem violenta, Agamémnon e Cassandra pararam na Argólida, 
ou foram desviados da rota e acabaram por ir dar ao país de Egisto. Egisto, que 
durante esse tempo seduzira Clitemnestra, convidou Agamémnon para um 
banquete, onde este foi traiçoeiramente morto. Segundo Píndaro e os 
tragediógrafos, Agamémnon foi assassinado pela esposa sozinho no banho, tendo 
sido primeiro atirada sobre ele uma peça de roupa ou rede para prevenir resistência. 
Clitemnestra também matou Cassandra. A sua cólera face ao sacrifício de Ifigénia, e 
os seus ciúmes de Cassandra são apontados como os motivos do seu crime. Egisto e 
Clitemnestra então governaram o reino de Agamémnon durante um tempo, mas o 
assassínio de Agamémnon acabou por ser vingado pelo seu filho Orestes 
(possivelmente com a ajuda de Electra). 
 
Heitor 
Heitor (ou Hector) era um príncipe de Tróia e um 
dos maiores guerreiros na Guerra de Tróia, suplantado 
apenas por Aquiles. Era filho de Príamo e de Hécuba. 
Com sua esposa, Andrómaca, foi pai de Astíanax. 
Como o seu pai foi incapaz de combater, durante 
o cerco de Tróia feito pelos aqueus, devido à sua 
avançada idade, Heitor foi nomeado general das tropas 
troianas. A sua força, coragem e eficiência na guerra 
foram enormes: nos poemas épicos de Homero, Heitor é 
responsável pela morte de 28 heróis Gregos; nem 
Aquiles obtém um número tão grande (22 heróis Troianos caídos a seus 
pés). Pela voz do Destino, os Troianos estavam informados que as muralhas de 
Tróia nunca cairiam enquanto Heitor se mantivesse vivo. 
fig. 80 Heitor
 87
Na Ilíada, Homero chama-o de "domador de cavalos", devido a preocupações 
de métrica e porque, de modo geral, Tróia era conhecida por ser criadora de 
cavalos. Na narrativa da Ilíada, no entanto, Heitor nunca é visto com cavalos. Outro 
epíteto que lhe é característico é "o do elmo flamejante". 
Heitor contrasta fortemente com Aquiles. Se por um lado Aquiles foi 
essencialmente um homem de guerra, Heitor representa Tróia e aquilo por que esta 
lutava. Alguns estudiosos têm vindo a sugerir que é Heitor, e não Aquiles, o 
verdadeiro herói da Ilíada. A sua repreensão a Polidamante, dizendo-lhe que lutar 
pela pátria era o primeiro e único presságio, tornou-se provérbica para os patriotas 
Gregos. É por ele que podemos ver pormenores sobre como seria a vida em Tróia, 
em tempo de paz, e noutros sítios de civilização mediterrânica da Idade do Bronze 
descrita por Homero. Na Ilíada, a cena em que Heitor se despede da sua esposa 
Andrómaca e do seu filho é particularmente comovente. 
Durante a Guerra de Tróia, Heitor matou Protesilau e foi ferido por Ájax. Nos 
quadros de guerra descritos na Ilíada, ele luta com muitos dos guerreiros Gregos e 
normalmente (mas nem sempre) 
consegue matá-los ou feri-los. 
Quando, sob a assistência de 
Apolo, ele mata Pátroclo e 
desbarata todo o exército grego, 
parece que se chegou a um ponto 
de viragem no decorrer da guerra. 
No entanto, o destino 
pessoal de Heitor, decretado por 
Zeus no início da história, nunca 
está em dúvida. Aquiles, irado pela 
morte do seu amigo Pátroclo, mata 
Heitor e arrasta o seu cadáver à 
volta das muralhas de Tróia. 
Finalmente, por intervenção de 
Hermes, Príamo convence Aquiles 
a permitir que o seu corpo seja recuperado de modo a que possam ser prestadas as 
fig. 81 Andrómaca chora a morte de Heitor
 88 
cerimónias fúnebres. O último episódio da Ilíada é o funeral de Heitor, depois do 
qual a perdição de Tróia é uma questão de tempo. 
No saque final a Tróia, como é descrito no Canto II da Eneida, o seu pai e 
muitos dos seus irmãos são mortos, o seu filho é atirado do cimo das muralhas, por 
medo que este vingue a morte do seu pai; a sua esposa é transportada por 
Neoptólemo para viver como escrava. 
 89
Bibliografia: 
 
• A Mitologia, Edith Hamilton 
• Dicionário de Mitologia Greco-Romana, Georges Hacquard 
• Wikipédia 
• Mitologia Grega – Banco de Imagens: 
(http://templodeapolo.net/Mitologia/mitologia_grega/mitologia_greg
a_banco_de_imagens.html) 
• Google (para algumas imagens)